Archive for ‘FSSPX’

2 setembro, 2014

Padre da FSSPX celebra Missa na Basílica de São Pedro.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Por gentil permissão de uma autoridade superior da Basílica Papal de São Pedro no Vaticano, os fiéis da igreja de Saint-Martin-des-Gaules, Noisy-le-Grand (próxima à Paris) – que estavam em Roma em peregrinação de férias de verão dirigida pelo Padre Michel de Sivry, da Fraternidade São Pio X (SSPX) – puderam assistir à Missa no Altar de São Pio X, onde repousa o corpo do santo Papa.

A Missa na Basílica Vaticana foi celebrada pelo Pe. de Sivry, em 9 de agosto de 2014, durante o centenário especial do dies natalis de São Pio X. 

Vídeo abaixo:

Imagem e vídeo do site do Distrito da França da FSSPX.

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16 junho, 2014

Pe. Michel Simoulin, FSSPX: “Evitemos um falso espírito de resistência”.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com – Certamente existe uma crise na Igreja, mas de que maneira devemos opor-lhe resistência? Qual é o espírito católico para tais circunstâncias e como ele tem sido praticado constantemente pela FSSPX nos últimos anos?

Na imagem acima, o Arcebispo Lefebvre sobe os degraus da Basílica de São Pedro durante a Peregrinação do Credo de 1975.

Temos a satisfação de apresentar outro editorial do Pe. Michel Simoulin da edição de abril do Le Seignadou (O Sinal de Deus), boletim informativo do priorado da FSSPX em Montreal de l’Aude, França.

* * *

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8 junho, 2014

Foto da semana.

“Meu irmão, toca a bola!”

Por Fabrice Coffrini – AFP | Tradução: Fratres in Unum.com – Riddes, Suíça, 3 de junho de 2014 – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma sociedade católica tradicionalista fundada por Dom Marcel Lefebvre. Ela se tornou conhecida mais por suas posições ultraconservadores e seus atritos com o Vaticano, e menos por seus talentos futebolísticos.

Seminaristas da fraternidade tradicionalista São Pio X jogam futebol no domingo, 25 de maio de 2014, em um campo em Riddes, próximo a Écône, Suíca (AFP - Fabrice Coffrini)

Seminaristas da fraternidade tradicionalista São Pio X jogam futebol no domingo, 25 de maio de 2014, em um campo em Riddes, próximo a Écône, Suíca (AFP – Fabrice Coffrini)

Todos os domingos, padres e futuros padres do seminário da Fraternidade em Ecône, na Suíça, relaxam ao fim de uma intensa semana de estudo e oração. Alguns fazem caminhada, outros jogam basquete, outros ainda futebol. Eles praticam sempre essas atividades esportivas de batina pois, para os tradicionalistas, um sacerdote deve manter seu hábito distintivo em todas as circunstâncias da vida em sociedade, a fim de mostrar que ele “vive no mundo sem ser do mundo”… Mas as chuteiras são toleradas.

(AFP / Fabrice Coffrini)

(AFP / Fabrice Coffrini)

Fazia vários anos que eu queria fotografá-los. Com a aproximação da Copa do Mundo, foi o momento perfeito. Após ter facilmente obtido a autorização do seminário, eu então me dirigi ao Valais para assistir à partida de domingo em Riddes, vilarejo vizinho a Écône.

O campo está localizado abaixo de uma ponte rodoviária. Muitos motoristas que passavam por lá buzinavam ao ver espetáculo incomum desses padres de batina disputando uma bola. Mas, além deles, não há público. Também não há árbitro (exceto Deus, é claro).

(AFP / Fabrice Coffrini)

(AFP / Fabrice Coffrini)

O jogo é muito físico, os jogadores dão carrinho e se colidem como em qualquer jogo de futebol. A única diferença, além da roupa, é a linguagem. Não há insultos, palavrões, não há controvérsia em impedimentos ou faltas. Os jogadores se tratam por vós [vous, 2ª pessoa do plural, isto é, se tratam respeitosamente] e permanecem muito polidos entre si: “Meu irmão, toca a bola!”

No intervalo, eu queria tirar uma foto de todos os seminaristas levantando os braços com entusiasmo, como um time comum. Mas eles se recusaram. Mesmo em um campo de futebol, a batina requer uma postura…

(AFP / Fabrice Coffrini)

(AFP / Fabrice Coffrini)

Fabrice Coffrini é repórter fotográfico da AFP em Genebra.

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6 junho, 2014

Dom Fellay (FSSPX) fala sobre o Papa Francisco: “Ele leu duas vezes a biografia do Arcebispo Lefebvre – e gostou.” E outras importantes revelações.

Por Rorate-Caeli| Tradução: Fratres in Unum.com* – Em visita à cidade francesa de Fabregues no dia 11 de maio (dia seguinte a esta postagem), o Superior Geral da Sociedade de São Pio X, Bispo Bernard Fellay, falou detalhadamente sobre diversos assuntos de relevância para a Fraternidade. A parte mais importante foi a relacionada à pessoa do Papa Francisco:

Marcel Lefebvre, the biography - Mons. Bernard T. de Mallerais

Marcel Lefebvre, the biography – Mons. Bernard T. de Mallerais

O papa atual, por ser um homem prático, olha as pessoas. O que uma pessoa pensa, em que acredita, é, no fim das contas, indiferente para ele. O que importa é que esta pessoa seja compreensiva de acordo com sua visão, ou, pode-se dizer, que pareça correto para ele.

Por essa razão, ele leu duas vezes o livro do Bispo Tissier de Mallerais sobre o Arcebispo Lefebvre, cujo conteúdo o agradou; ele é contrário a tudo o que representamos, mas sua vida, isso o agradou. Quando, enquanto Cardeal, ele estava na América do Sul, o Superior do Distrito [Pe. Christian Bouchacourt] veio solicitá-lo por causa de um favor de ordem administrativa, sem relação com a Igreja; um problema de visto, de residência permanente. O governo argentino, que é muito esquerdista, se vale do acordo estabelecido para proteger a Igreja, com a finalidade de contrariar-nos de maneira bastante séria, e nos diz, “vocês dizem ser católicos. Desse modo, vocês necessitam da assinatura do bispo, a fim de que possam residir no país.” O Superior do Distrito, então, veio apresentar-lhe o problema: havia uma solução simples, que seria declararmo-nos uma igreja independente [perante a lei civil], mas nós não queríamos, porque somos católicos. E o Cardeal disse-nos, “não, não, vocês são católicos, isto é evidente; eu os ajudarei;” ele escreveu uma carta ao governo em nosso favor, governo este tão esquerdista que fez a manobra de buscar uma carta de oposição por meio do núncio. Assim, empate de zero a zero. Agora ele é o papa, e nosso advogado teve a oportunidade de ter um encontro com o Papa. Ele lhe disse que o problema com a Fraternidade persistia, e pediu-lhe que benevolamente designasse um bispo na Argentina junto de quem poderíamos resolver o problema. O Papa disse-lhe, “Sim, o bispo sou eu, eu prometo ajudar, e eu o farei.”

Ainda estou esperando por isso, mas de qualquer modo ele o disse, da mesma forma que afirmou, “aquelas pessoas, elas acham que vou excomungá-las, mas estão enganadas;” ele disse outra coisa interessante: “Eu não vou condená-los, e eu não impedirei ninguém de visitá-los” [literalmente, “d’aller chez eux”.] Mais uma vez, quero esperar para ver.

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida. A íntegra da conferência de Dom Fellay pode ser lida aqui.

12 maio, 2014

Papa Francisco e Dom Fellay, o encontro. Mais detalhes.

Andrea Tornielli traz mais detalhes sobre o encontro entre o Papa Francisco e Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

“O encontro teria ocorrido nas primeiras semanas de 2014. Dom Fellay fora convidado para jantar em Santa Marta pelo bispo Guido Pozzo, secretário da Pontíficia Comissão “Ecclesia Dei” e pelo arcebispo Augustin Di Noia, vice-presidente da mesma comissão. Junto ao prelado tradicionalista estiveram presentes o padre Niklaus Pfluger e o padre Marc Nely (primeiro e segundo assistente do superior geral, que naquele dia assistiram à Missa celebrada pelo Papa em Santa Marta [mas não concelebraram], de acordo com o que noticiou a agência IMedia).

O Papa estava à mesa de costume no refeitório da Casa Santa Marta; Fellay, com seus dois assistentes, Pozzo e Di Noia, estavam numa outra mesa. Quando Francisco se levantou ao fim do jantar, o superior da Fraternidade São Pio X fez o mesmo e caminhou em direção ao Papa, ajoelhando-se para pedir uma benção. O encontro foi, portanto, breve, não se tratou de nenhum audiência, nem de um longo colóquio face a face. Viver em Santa Marta permite e facilita ao Papa Bergoglio esse tipo de contato, mais ou menos casul.

Com o retorno, no último mês de agosto, de Dom Pozzo à “Ecclesia Dei, depois de um parêntese de alguns meses na Esmolaria Apostólica, era esperado que se pudesse reatar o diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X. Na Congregação para a Doutrina da Fé há, todavia, aqueles que reivindicam– depois de anos de diálogo e depois da não aceitação do preâmbulo doutrinal — um novo ato formal contra os lefebvrianos. No momento, parece, porém, prevalecer a linha de espera.

O jantar com Di Noia e Pozzo, e a benção papal, é um episódio certamente emblemático de acolhimento por Francisco. Seria, no entanto, um erro lhe atribuir excessiva importância em relação a eventuais desenvolvimentos sobre a posição dos lefebvrianos.

[Atualização – 12 de maio de 2014, às 12:35] A página oficial do Distrito da França da FSSPX faz o seguinte esclarecimento – tradução de Fratres in Unum.com:

Os Padres Pfluger e Nély nunca assistiram à missa privada do Papa e os jornalistas que o afirmam teriam muita dificuldade em indicar o dia dessa suposta assistência. Eis os fatos:

Em 13 de dezembro de 2013, Dom Fellay e seus assistentes foram a Roma, a pedido da Comissão Ecclesia Dei, para um encontro informal. Ao fim dessa reunião, Dom Guido Pozzo, Secretário da Comissão, convidou seus interlocutores para almoçar no refeitório da Casa Santa Marta, onde a eles se juntou Dom Augustin Di Noia, secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé. É nesse amplo refeitório que o Papa faz suas refeições diárias, afastado de outros comensais.

Dom Pozzo apresentou Dom Fellay ao Papa no momento em que ele deixava o refeitório. Houve uma breve conversa onde Francisco disse a Dom Fellay, de acordo com a fórmula usual de polidez, “Estou muito feliz em conhecê-lo”; ao que Dom Fellay disse que rezava muito, e o papa lhe pediu para rezar por ele. Este foi o “encontro” que durou alguns segundos.

Na entrevista que concedeu a Rocher (abril-maio de 2014), Dom Fellay havia respondido à seguinte questão: Houve alguma aproximação oficial de Roma para retomar contato desde a eleição do Papa Francisco?  – “Houve uma aproximação ‘não-oficial’ de Roma para retomar contato conosco, mas nada mais e eu não solicitei uma audiência como eu pude fazer após a eleição de Bento XVI. Para mim, atualmente, as coisas são muito simples: nós permanecemos onde estamos. Alguns concluíram dos contatos realizados em 2012, que eu coloquei como princípio supremo a necessidade de um reconhecimento canônico. A preservação da fé e a nossa identidade católica tradicional é primordial e continua sendo nosso primeiro princípio”.

13 fevereiro, 2014

FSSPX: Ecumenismo ou não?!

Por Pe. John Hunwicke[1]

Tradução: Fratres in Unum.com* – Na relação entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, há um enorme problema fundamental, o qual é tão óbvio que pouquíssimas pessoas o mencionam. Como membro de um Ordinariato, outro e bem sucedido esforço ecumênico de Bento XVI, eu tenho um natural interesse nesta questão e rezo para sua solução. Este é o locus standi desde o qual eu faço a seguinte pergunta.

Fraternidade e Vaticano… é matéria de ecumenismo ou de disciplina eclesiástica? A Fraternidade é um grupo de amados Irmãos Separados para os quais nós católicos devemos, de acordo com o mandato do Vaticano II, esticar cada um de nossos tendões a fim de conquistarmos a unidade… porque, com sua imensa riqueza espiritual, eles têm tanto a oferecer à Igreja Católica; ou é uma mera porção da Igreja Latina em uma situação canônica irregular que deve ser golpeado vigorosamente na cabeça, como os Franciscanos da Imaculada, até que se arraste abjetamente?

Pe. John Hunwicke

Pe. John Hunwicke

Ambas, Santa Sé e Fraternidade, de fato, conspiram para que se aplique o segundo modelo; Roma por causa de sua natural inclinação a exercer controle sobre a Igreja Latina; a Fraternidade porque se crê não só parte da Igreja Latina, mas até mesmo Sua única parte verdadeiramente saudável e doutrinariamente sólida.

Mas e se Roma, ao menos, tentasse o primeiro modelo? Suponhamos que se fosse tratar o “problema” que a Fraternidade tem com o Vaticano II da mesma maneira que Roma trata os “problemas” dos “nestorianos” ou “monofisitas”? Com estes, Roma está euforicamente contente em assegurar acordos Cristológicos, sem demandar explícita aceitação de Éfeso ou Calcedônia. Ou tomemos os anglicanos, aos quais, sem que aceitem as reais palavras de Trento, foi dito pelos Dicastérios, dentre os quais a Congregação para a Doutrina da Fé, que o último documento (“Clarificações”) da Seção sobre a Eucaristia da Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana (N.T.: ARCIC, em seu acrônimo inglês) significava que “nenhum trabalho ulterior” era mais necessário nesta matéria? Ou, coloquemos de outra maneira: se o único obstáculo entre Roma e as Igrejas [Cismáticas] Russa e Grega fosse a Dignitais Humanæ, Roma realmente insistiria que nenhum progresso ulterior seria possível sem uma explícita submissão pelos Ortodoxos [sic] tanto ao documento conciliar quanto à “totalidade do Magistério pós-conciliar”?

(Pensemos nisso, dada a afeição que os hierarcas gregos e russos têm pelo conceito de Estado Ortodoxo e Bizâncio Redivivo, que esta minha última pequena fantasia não seja um cenário tão absolutamente inconcebível. Vocês leram acerca da última proposta de mudança na Constituição russa? Não seria divertido ver o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos pedir às veneráveis comunidades do Monte Athos a elaboração de um comentário sobre a Dignitatis Humanæ para servir de base para o diálogo entre o Vaticano e a Fraternidade?)

Os burocratas da Cúria estão, pois, tentando tanto manter o bolo quanto o comer. Quando lhes apraz, eles tratam a Fraternidade como súditos desobedientes em vez de Irmãos Separados. Mas quando as exigências da polêmica o requerem, como ocorreu no final do ano passado, eles falam da Fraternidade como estando em cisma ou, até mesmo, de alguma maneira imprecisa excomungados. Mas fariam eles muito bem em pensar cuidadosamente acerca das implicações que tais juízos têm para o status do diálogo. Porque, se os membros da Fraternidade são cismáticos excomungados, então eles se qualificam ao tratamento que Unitatis Redintegratio prescreve para os Irmãos Separados[2].

Ou, para colocarmos o mesmo ponto (novamente) sobre um diverso prisma: A política do Vaticano é realmente de esperar um milênio ou meio para o tempo solidificar e amargurar ainda mais a separação entre Roma e a Fraternidade, e, uma vez que a ruptura seja suficientemente duradoura, acrimoniosa e definitiva, aí então, mas só então, proceder aos rituais fofos e sentimentais dos “braços abertos” para a “querida Igreja irmã” que constituem o processo ecumênico? Eu sei que tem um velho ditado acerca de Roma pensar em termos de séculos… mas é possível que isso seja realmente o plano?

Existe um plano?

A Unitatis Redintegratio do Vaticano II se concentrou sabiamente no que era positivo, aquilo que pode ser seguramente dito que a Igreja Católica e outros grupos têm em comum. (A mesma atitude foi adotada no que concerne às religiões não cristãs.)

Era mais ou menos como olhar a taça de vinho dos ortodoxos [sic] e dizer: “Que bom! Está três quartos (ou mais) cheia.” Mas no diálogo entre o Vaticano e a Fraternidade, o tempo todo foi gasto barganhando se a taça da Fraternidade estaria um miligrama ou dois menos do que cheio.

A Indústria católica de ecumenismo moderna não grita para o mundo ortodoxo [sic] “Vocês têm que aceitar cada palavra dos Decretos de Florença e o Magistério pós-florentino inteiro”. Ou, se faz, fá-lo silenciosamente demais para que eu possa ouvir. Um oficial da Cúria disse recentemente acerca da Fraternidade que “eles têm que mudar sua abordagem e aceitar as condições da Igreja Católica e o Sumo Pontífice”[3]. É essa a maneira que o Vaticano fala dos ortodoxos [sic]… ou dos metodistas…?

Eu penso que a situação concernente à Fraternidade é urgente. Embora o Arcebispo Lefebvre tenha sabiamente escolhido homens jovens para serem consagrados bispos, esses jovens estão agora 25 anos mais velhos. Aproxima-se o tempo em que o problema acerca da consagração de seus sucessores deverá ser encarado. Nós teremos realmente que revisitar, quando este tempo chegar, todos os argumentos intemperados e sem fim acerca do Estado de Necessidade e das Excomunhõe latæ sententiæ? Existe algum outro grupo eclesiástico para o qual a Santa Sé proporia tão lúgubre prospecto como o caminho a seguir para uma alegre reconciliação? Terá sido para nada que Bento XVI cortou aquele particular nó górdio[4] e, fazendo isso, incorreu nas falaciosas calúnias dos ignorantes e dos maldispostos?

O Papa Francisco tem críticos que acreditam que sua abertura, sua humildade, seu desejo de tirar o tapete vermelho, sua preferência por uma Igreja que faz alguma coisa ainda que cometa erros… que tudo isso seja pose e truque midiático. Eu creio que ele seja sincero e de oração.

Mas a crise que ele enfrenta é maior do que é frequentemente admitido. Se Roma não consegue arrumar um lugar sequer para a Fraternidade, com quem tem em comum todas as definições dogmáticas de todos os Concílios Ecumênicos e todas as definições ex cathedra dos Pontífices Romanos, qual a possibilidade real de fazer qualquer progresso com as igrejas e comunidades eclesiásticas mais distantes doutrinalmente? A própria possibilidade de reconciliação eclesiástica, de unitatis redintegratio, está em jogo. Se Roma pode tirar a Fraternidade da jogada, então qualquer coisa pode acontecer. Mas se não… esperamos ansiosamente…

Eu consigo pensar em uma (sólida) razão porque Francisco é o homem para concluir esse episódio. Se Bento o tivesse feito, todos os estúpidos previsíveis da media católica e não católica teriam dito que isso seria só mais uma evidência de que ele é um arquirreacionário. Francisco, resolvendo isso, criará uma perplexidade entre os estúpidos previsíveis, mas sua atual reputação midiática permitiria, se assim podemos dizer, que ele escapasse dessa. Esta é a hora, no início deste pontificado, esse é o momento, o καιρός divino, para tal ação, tempo que provavelmente não se repetirá. (Há evidências de que jornalistas mais perceptivos da mídia liberal estão começando a enxergar através de sua personagem.)

É viável, para o Santo Padre, resolver o “problema” da Fraternidade dentro de dias. O Romano Pontífice tem regularmente uma audiência, creio que quinta-feira à noite, com o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Próxima quinta, ele poderia dar suas ordens ao Arcebispo Müller. Na audiência seguinte, assinaria os documentos[5]. Na quarta seguinte, na Audiência Geral, entre os beijinhos nos bebês e os afagos nos aleijados, ele poderia abraçar em público Sua Excelência Monsenhor Fellay e os outros Reverendos e Reverendíssimos líderes da Fraternidade, na frente de todas as câmeras do mundo e dos jornalistas coçando a cabeça. E, assim como eletrizou o mundo com sua escolha dos pés a lavar e beijar em sua primeira Quinta-feira Santa, Francisco poderia usar uma dúzia de jovens clérigos da Fraternidade no lava-pés de sua segunda Quinta-feira Santa. (Afinal de contas, Paulo VI, quando dos festejos do levantamento das excomunhões de 1054 em Roma, desconcertou o pobre metropolita Meliton ao se prostrar por terra e beijar seus pés… humildade… você sabe, isso faz sentido…)

Então, ele poderia pronunciar um discurso sobre a Reconciliação. Poderia entrar para a história como seu Discurso da Barba de Aarão[6].

Ou, se o Santo Padre não for aventureiro o bastante ou não for suficientemente autônomo para fazer isso, o levantamento da excomunhão de Lefebvre [e do “Leão de Campos”, como é de se supor] poderia ser um primeiro e gracioso gesto.

E, por mais vácuas e pueris que você pense serem as minhas observações e opiniões, mais eu creio que você deva parar de rir e encarar as questões que eu levantei: existe um Plano, outro que não o de esperar por décadas para mudar em séculos a ruptura cristalizada? E: o Vaticano II é modelo de Ecumenismo?


* * *

[1] [N.T.] Pe. John Hunwicke é sacerdote do Ordinariato Pessoal Nossa Senhora de Walsingham para ex-anglicanos na Inglaterra e País de Gales. Quando da ereção do ordinariato, teve sua ordenação postergada por seu “exagerado” fervor católico.

[2] Há ainda um aspecto canônico e pastoral disso. Escritores contrários à Fraternidade comumente afirmam que os casamentos da Fraternidade são inválidos. Mas se a Fraternidade está fora da Igreja, então são tão válidos quanto os casamentos metodistas ou luteranos. E as absolvições são tão válidas quanto a práxis vaticana julga as absolvições ortodoxas [sic]. Não seria, de qualquer forma, um admirável gesto pastoral para a Semana da Unidade dos Cristãos que Roma concedesse jurisdição nestas matérias aos padres da Fraternidade e emitisse uma sanatio para todos os casamentos prévios da Fraternidade? Isto teria a mesma grandiosidade, a mesma generosidade, que o levantamento das excomunhões por Bento XVI.

[3] https://fratresinunum.com/2013/12/23/prefeito-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe-dom-muller-lefebvrianos-sao-cismaticos-de-facto-o-fundador-da-teologia-da-libertacao-sempre-foi-ortodoxo/

[4] [N.T.] Nó górdio é uma metáfora de base mitológica para um problema insolúvel, no caso as excomunhões.

[5] Como os vaticanistas frequentemente assinalam, a solução óbvia seria de “conceder” à Fraternidade precisamente aquilo que, de facto, ela já tem. Isso preservaria a Santa Sé da indignidade das negociatas e reduziria muito consideravelmente o risco de rachas dentro da própria Fraternidade. Dever-se-ia incluir somente duas outras provisões extra, ambas tiradas da Anglicanorum Coetibus: (1) exigir que a Fraternidade delibere junto aos ordinários locais sobre o desenvolvimento de sua missão sem conceder aos ordinários nenhuma possibilidade real de veto; e (2) proporcionar ao Conselho da Fraternidade que envie uma terna à Roma quando de uma vacância episcopal. Poderia, então, ser finalmente nomeado um substituto para Monsenhor Williamson.

[6] [N.T.] Referência ao salmo que dá nome a este site.

* Nosso agradecimento a um caro amigo por sua gentileza e generosidade ao fornecer esta tradução.

6 dezembro, 2013

Entrevista de Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX, sobre o Papa Francisco.

Mons. Fellay sobre Francisco: «Este não é um homem de doutrina»

Traduzido do original francês por Carlos Wolkartt – Blog Renitência

Esta entrevista foi realizada em vídeo pelo site dici.org, no qual também está disponível a gravação em áudio. Apresentamos a seguir a transcrição completa, onde o estilo oral foi mantido.
A chegada de um novo Papa
Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

A chegada de um novo Papa é como recomeçar a contar do zero. Especialmente com um Papa que se distingue de seus predecessores por sua forma de atuar, falar e intervir, com grande contraste. Isso pode fazer com que esqueçamos o pontificado anterior, e é basicamente isso que está acontecendo. Pelo menos em relação a certas linhas conservadoras ou reformistas marcadas pelo Papa Bento XVI. É certo que as primeiras intervenções do Papa causaram muita confusão e inclusive quase contradição, em todo caso, uma oposição em relação a essas linhas reformistas.

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2 novembro, 2013

1º de novembro de 1970: há quatro décadas uma obra providencial era erigida pela Santa Igreja.

Há quarenta e três anos…

A FSSPX tem um motivo a mais para se regozijar no dia 1 de novembro, festa de Todos os Santos. Naquele dia, em 1970, a fraternidade sacerdotal foi canonicamente erigida, recebendo a aprovação formal da Santa Sé apenas quatro meses depois.

A FSSPX tem um motivo a mais para se regozijar no dia primeiro de novembro, festa de Todos os Santos. Naquele dia, em 1970, a fraternidade sacerdotal era canonicamente erigida, recebendo a aprovação formal da Santa Sé apenas quatro meses depois.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com – O ano é 1971 e a data é 18 de fevereiro. O Cardeal John Wright, Prefeito da Congregação para o Clero, acaba de manuscrever uma carta elogiando e aprovando a Fraternidade de São Pio X em seu gabinete da Cúria Romana.

Esta carta veio como resposta a uma solicitação do Arcebispo Lefebvre para que a Santa Sé aprovasse oficialmente a fraternidade sacerdotal. Apenas uns poucos meses antes,  ,o ano anterior — em 1º de novembro — a fundação da fraternidade sacerdotal, também conhecida como Discípulos de Jesus e Maria, havia sido ratificada pelo ordinário local de Friburgo, Dom Francois Charriere; o mesmo prelado que havia instado fortemente o Arcebispo a assumir a formação de sacerdotes.

Esta solicitação à Congregação para o Clero por parte do antigo Delegado Apostólico na África (mas destinado a se tornar mais conhecido como o “Bastião da Tradição”), era, na verdade, o procedimento normal para o reconhecimento de um instituto religioso. Todavia, o que é bastante extraordinário (e assim revelador da Providência de Deus, mesmo em meio à crise pós-conciliar) é como ela foi dada rapidamente: meros quatro meses após a fundação da Fraternidade, em 1º de novembro de 1970.

Outra característica formidável dentro da carta de aprovação é o elogio do Cardeal Wright à nova fraternidade sacerdotal inserido à mão ao lado do louvor e aprovação dados por outros “Ordinários em diversas partes do mundo”.

A implicação total da Providência “apressando” este procedimento de reconhecimento canônico (um processo que habitualmente demora consideravelmente), ao mesmo tempo em que fazia o elogio para justificar a ação do dicastério da cúria, tornou-se claro à medida e que a crise modernista continuava a se aprofundar na Igreja. Apenas alguns anos mais tarde, o seminário da FSSPX em Ecône, anteriormente digno de elogios, seria acusado pelo episcopado liberal francês de “seminário selvagem“, que carecia de aprovação eclesiástica.

Essa falsa acusação — que olvidava de maneira conveniente que a Fraternidade de São Pio X tinha a aprovação de Roma e era um ramo vivo da Igreja Católica — desencadeou uma onda de perseguição liberal contra a fraternidade sacerdotal, culminando em uma tentativa ilegítima de suprimi-la canonicamente, a qual o Arcebispo Lefebvre respondeu:

… Fomos condenados sem julgamento, sem oportunidade de nos defender, sem a devida advertência ou processo escrito e sem recurso. (Carta Aberta aos Católicos Perplexos )

Ainda assim, apesar da perseguição injusta contra a Fraternidade de São Pio X e contra si mesmo, Dom Marcel Lefebvre -“sem amargura ou ressentimento” – continuou alegremente a conduzir a missão apostólica que Deus desejava que ele conduzisse na providência de tempo na Igreja Católica em favor do sacerdócio e da salvação das almas.

30 outubro, 2013

Peregrinação da FSSPX a Lourdes.

Por Distrito Alemão da FSSPX | Tradução: Fratres in Unum.com – No dia de Cristo Rei [domingo passado], cerca de 4.000 peregrinos participaram da peregrinação anual do Distrito da França à Lourdes.

Igualmente este ano a direção do Santuário disponibilizou aos peregrinos a basílica subterrânea, consagrada a São Pio X, para a Santa Missa.

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A Fraternidade agradece muitíssimo as autoridades eclesiásticas.

Cerca de trinta sacerdotes se juntaram aos peregrinos, entre os quais não poucos enfermos e deficientes.

Bendito seja a Imaculada Conceição a Santíssima Virgem Maria!

Ó Maria, Saúde dos Enfermos, rogai por nós!

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29 outubro, 2013

Cardeal Pell responde a Dom Fellay. Sobre Vaticano II: “Você não tem que aceitar todo ‘pingo’ ou ‘til’ dele”.

Da entrevista concedida pelo Cardeal Pell, arcebispo de Sydney e um dos oito membro do conselho de Cardeais do Papa, a Gerard O’Connell, do La Stampa:

Cardeal George Pell.

Cardeal George Pell.

Q: Dom Fellay denunciou o Papa Francisco como “um genuíno modernista” e acusou que, enquanto a Igreja estava “um desastre” antes de sua eleição, ele está tornando-a “10.000 vezes pior”. O que o senhor diz disso?

Para responder educadamente, creio que isso seja uma absoluta besteira. Francisco afirmou ser um leal filho da Igreja, e sua história o demonstra. Ele é muito, muito preocupado com a vida do dia-a-dia do povo e com aqueles que sofrem, aqueles em dificuldades financeiras e aqueles em situações difíceis. Ele é um expoente completamente fiel dos ensinamentos de Cristo e da tradição da Igreja.

Q. Então as pessoas como Fellay têm interpretado mal o Papa Francisco? 

A. Sim, uma má interpretação gigantesca! Na realidade, os lefebvristas — muitos deles — têm interpretado mal a situação por décadas. Para grande crédito de Bento XVI, ele tentou se reconciliar com eles, mas eles não responderam. Agora, a Igreja hoje aceita o Concílio Vaticano II. Você não tem que aceitar todo “pingo” ou “til” dele, mas ele faz parte da vida da Igreja atualmente, não há meia-volta nisso.

Fonte: Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com