Archive for ‘Igreja’

23 março, 2017

Revolução da ternura.

“Não tenham vergonha da ternura. Hoje se necessita de uma revolução da ternura neste mundo que sofre de cardioesclerose”.

Francisco, 7 de dezembro de 2016

Sobre cartazes, dos Papas, risadas e insultos (pontifícios). Para descontrair.

Por Marco Tosatti, 10 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Agora que o meu colega Guido Mocellin, do jornal Avvenire revelou os mistérios relacionados aos posteres que apareceram espalhados em Roma e direcionados não ao Pontífice reinante, mas a outro rei de Roma, Francesco Totti, e que por uma confusão banal dessa região do Lácio acabaram colados sobre os muros da Capital.

papa-che-ride-300x169Depois que o arcebispo Becciu, o número 2 da Secretaria de Estado e o delegado espiritual do Papa junto à Ordem de Malta, nos assegurou que o Pontífice até riu do episódio e apreciou o dialeto Romanesco;

Dado que os pogroms e incêndios foram afastados, com exceção de alguns pequenos foguinhos acesos aqui e acolá por algum colega mais entusiasmado, e já que ainda estamos em tempos de carnaval e ainda podemos nos permitir um sorriso…

Eis que feitas todas essas ressalvas, hoje aconteceu de me deparar com um site durante meu giro pela internet. Trata-se de uma página Opportune Importune que faz um compêndio de todos os insultos lançados pelo Papa contra sacerdotes, cardeais,bispos e leigos que diante de seus olhos carecem de qualquer parâmetro de respeito.

É uma página datada de 14 de dezembro de 2015, mas que tinha me escapado na época, como também me passou despercebido um livreto em inglês da qual tal página se originou. The Pope Francis Little Book of Insults [O pequeno livro de insultos do Papa Francisco]., dezembro 2015. Desde então, a lista certamente cresceu e não foi pouco.

Aqui estão alguns termos usados (para a lista completa, consulte o website):

Velhas comadres

Instigadores da coprofagia

Especialistas em Logos

Debulhadores de rosários

Funcionários

Pessoa absorvida em si mesma

Neo pelagianos

Prometeico

Restauracionista

Cristãos ideológicos

Pelagianos

Sr. e Sra. choramingões

Triunfalistas

Cristãos inflexíveis

Gnósticos modernos

Cristãos líquidos

Cristãos superficiais

Múmias de museu

Príncipe renascentista

Bispo de Aeroporto

Cortesão leproso

Ideólogo

Cara comprida

Autoritários

Elitistas

Pessimistas e desiludidos

Cristãos com cara de vinagre

Infantis, com medo de dançar, gritar, com medo de tudo

Cristãos que buscam certeza em tudo

Cristãos fechados, tristes, aprisionados, que não são livres

Cristãos pagãos

Monstrinhos

Cristãos derrotados

Papagaios do Credo

Batedores da Inquisição

Seminaristas que cerram os dentes à espera de terminar os estudos, que seguem as regras e sorriem revelando a hipocrisia do clericalismo, um dos piores males.

Ideólogos do abstrato

Fundamentalistas

Sacerdotes grudentos e idólatras

Adoradores do deus Narciso

Sacerdotes vaidosos e fanfarrões

Sacerdotes vendedores de pneus

Padres magnatas

Religiosos que têm o coração amargo como vinagre

Fechados na fria formalidade de uma oração gelada, avarentos.

Estéreis no seu formalismo

Gente velha e saudosista de estruturas e usos que não dão mais vida ao mundo de hoje

Jóvens maníacos pela moda

Cristãos de pastelaria

Cristãos anestesiados

Fracos até a podridão

Cristãos de coração negro

Cristãos inimigos da cruz de Cristo

Falso moralistas

Contemplativos distantes.

Devo confessar que vê-los todos assim alinhados em uma coluna me deu pena. Porque, como sempre, o costume anestesia a sensibilidade. Talvez quem hoje lê que o Papa está atacando os cristãos anestesiados, não se recorda que há três dias foi a vez dos estéreis no seu formalismo. E que amanhã talvez será a vez daqueles do coração negro.

Em suma, mas como há gente ruim entre esses Cristãos, pelo menos de acordo com o Pontífice. E isso também não deixa de ser uma novidade. Eu não me recordo que seus predecessores tenham jamais expressado opiniões tão repetidas, tão cortantes e impiedosas contra as ovelhas do rebanho. E realmente, se os fiéis da Igreja Católica são essa massa de iniqüidades, é de se perguntar se os cartazes não eram realmente autênticos ou se limitavam a ser simples cartazes. Afinal de gente tão ruim assim há que se esperar de tudo! Talvez até soltem um sorriso após o próximo insulto e ainda digam: “você sabe, é o Papa… ele sempre age assim”.

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21 março, 2017

Cardeal Raymond Burke: “Quando o pastor se torna lobo, o primeiro dever do rebanho é se defender”.

Cardeal Burke exalta santo que condenou bispo herético. 

Por George Goss, 17 de fevereiro de 2017 – National Catholic Reporter | Tradução: FratresInUnum.com:  Como parte de sua visita à região metropolitana de Kansas City, o cardeal Raymond Burke celebrou, no dia 9 de fevereiro, uma missa pontifical no rito tradicional para uma congregação de cerca de 400 pessoas, incluindo famílias numerosas, frades Agostinianos, 15 sacerdotes – inclusive um protopresbítero Copta –  e membros da tradicionalista Fraternidade São Pio X.

Para a realização do evento foi necessário a remoção temporária do altar-mesa da paróquia de St. Mary-St Anthony, a fim de que os participantes pudessem ter uma visão do altar-mor sem nenhum obstáculo.

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Fiel beija o anel do Cardeal Raymond Burke, enquanto ele distribuía cumprimentos fora da Paróquia de St. Mary-St. Anthony em Kansas City, após a missa de 9 de fevereiro (NCR photo/George Goss)

A celebração marcou a festa de São Cirilo de Alexandria, o santo do dia segundo o calendário litúrgico pré-Vaticano II, e Burke aproveitou a oportunidade para exaltar a virtude heróica do santo na defesa da fé contra o conselho de “muitos dos seus colegas bispos que o instaram a permanecer em silêncio, de modo a manter uma fachada de unidade na Igreja“.

Burke disse que, diante da falsidade – mesmo daqueles em elevada posição eclesial – a resposta necessária de “São Cirilo e de todos os fiéis em cada tempo e lugar” é resistir.

Burke na maior parte do tempo leu um sermão de várias páginas, baseado fortemente em citações de uma fonte do século XIX: Dom Prosper Guéranger, um beneditino francês e purista litúrgico que restabeleceu a Regra Beneditina depois de ela ter sido praticamente aniquilada em sua terra natal após a Revolução Francesa.

Quando o pastor se torna um lobo, o primeiro dever do rebanho é se defender“, disse Burke, citando Dom Gueranger. “A traição como a de Nestório é rara na Igreja, mas pode acontecer que alguns pastores resolvam manter silêncio por uma razão ou outra em circunstâncias em que a própria religião está em jogo“.

Nestório, arcebispo de Constantinopla, recusou-se a usar o termo “Mãe de Deus” ao se referir à Virgem Maria. No ano 431, São Cirilo levou o Primeiro Concílio de Éfeso a condenar Nestório como um herege e removê-lo à força de sua sede.

São Cirilo teve que ter a honestidade e a coragem para combater uma falsidade, ainda que ela fosse propagada por um colega bispo apoiado por outros bispos e ainda tolerada em silêncio por outros“, disse Burke.

Graças a Deus pela sua honestidade e coragem, que foram os instrumentos pelos quais nos foi transmitida a fé verdadeira e salvífica“.

Na conclusão de sua homilia, Burke seguiu com várias orações, incluindo esta: “Rezemos hoje pelos nossos pastores, pelo Santo Padre e pelos bispos, para que tenham a sabedoria e a coragem de defender a fé em todos os tempos, para que o rebanho possa permanecer um com Cristo e assim obter a salvação eterna“.

Além da oração, Burke não fez referência direta a nenhum bispo atual ou qualquer controvérsia atual na igreja, mas isso não impediu alguns na congregação de fazê-lo.

Louis Tofari, da São Vicente de Paulo, uma igreja da Fraternidade São Pio X, disse que percebeu uma semelhança entre a incomum posição de São Cirilo ao confrontar  Nestório e a situação em que se encontra o próprio Burke diante do Papa Francisco e a Santa Sé.

Fiquei muito impressionado com a semelhança, à luz do que o Cardeal Burke está tendo que suportar nas mãos do Santo Padre e ter que defender um princípio muito básico da moralidade católica e do sacramento do matrimônio com toda esta questão do dubia“, disse Tofari. (Dubia são as questões formais que Burke e outros três cardeais submeteram a Francisco, pedindo-lhe que esclarecesse seus ensinamentos na exortação apostólica Amoris Laetitia) “Como São Cirilo, ele está tentando defender a fé, mas foi excluído de qualquer posição influente em Roma“.

Além de São Cirilo, Burke também mencionou Santo Atanásio como defensor da fé contra a heresia do arianismo, que negava que Jesus era consubstancial a Deus Pai.

São Atanásio é altamente reverenciado pela Fraternidade São Pio X, e um outro paroquiano de São Vicente de Paulo constatou um paralelo aí também:

Burke poderia muito bem ser o próximo Santo Atanásio“, disse Becky Gilligan. “Eu certamente espero que ele seja uma ponte para todos nós“.

20 março, 2017

Obras Raras do Catolicismo: nova campanha de digitalização.

Nosso amigo Paulo Frade escreve:

Caríssimos amigos do Fratres,

Salve Maria!
Iniciamos a 8ª Campanha de Digitalização do site ObrasCatolicas.com. Todas as 70 obras da 7ª Campanha, já estão disponíveis no site.  Nesta nova campanha, pretendemos digitalizar mais 47 novas obras. Para atingir nosso objetivo, precisamos atingir a nossa meta: R$ 1.500,00, que serão destinadas para cobrir as despesas com a digitalização e manutenção dos livros.
orbasraras
Clique no banner para mais informações.
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19 março, 2017

Foto da semana.

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Por: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Um grande grupo de fiéis (cerca de oitenta), liderado pela Milizia dell’Immacolata e acompanhado por alguns sacerdotes do Priorado de Albano Laziale (Lazio-Italia), se reuniram na Praça de São Pedro na segunda-feira à tarde para um ato de profissão pública de fé.

Pouco antes havia sido realizada, de fato, a cerimônia do “Vésperas” anglicanas na basílica central do cristianismo, com a aprovação da hierarquia vaticana. Este ato, certamente não é o primeiro de molde ecumênico nesses últimos cinquenta anos, mas que teve o triste privilégio de tido lugar na Basílica do Príncipe dos Apóstolos, despertou a justa indignação de muitos fiéis que procuraram expressar seu desacordo com uma oração de reparação: o encontro foi, portanto, marcado para as 16h na capela da via Urbana, em Roma, para a missa “Ad Tollendum Schisma” e em seguida, partiram para a Via della Conciliazione para a recitação pública do Rosário.

Depois de alguma discussão com a polícia, que parecia não querer permitir a realização das orações muito perto da basílica, o grupo se manteve firme em seu lugar, no topo da Via della Conciliazione, e, guiado por sacerdotes, de joelhos na calçada e voltados para a basílica vaticana, recitaram o santo Rosário e a ladainha de Nossa Senhora.

O grupo, em seguida, moveu-se, conforme os pedidos da polícia, para o Castel Sant’Angelo para entoarem algumas canções marianas e distribuir panfletos à população, a fim de explicar o alcance desse gesto ecumênico e o significado da oração de reparação.

Após este belo testemunho de fé, tudo terminou de forma organizada por volta das 19h. Que o Senhor dê cada vez mais força aos católicos para resistir às tendências ecumênicas e coragem de expressar abertamente sua fé!

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17 março, 2017

Cerimônia anglicana na Basílica de São Pedro causa perplexidade.

Por FratresInUnum.com: O anúncio feito há poucas semanas, pouquíssimo divulgado, de que um grupo de anglicanos teria o uso do altar da cátedra, na Basílica de São Pedro, não foi levado a sério. Não havia confirmação oficial da Santa Sé, nem divulgação nos meios de comunicação considerados confiáveis.

No entanto, na segunda-feira, 13 março, como noticia o site Magnificat Media, “um grupo de Anglicanos fez uma apresentação da Evensong (o equivalente às Vésperas Católicas), na Basílica de São Pedro. David Moxon, o equivalente a um arcebispo anglicano que dirige o Centro Anglicano de Roma, presidiu o evento sacrílego. Papa Francisco não estava presente”.

Continua, atônito, o site tradicionalista: “Que esta cerimônia blasfema tenha sido realizada na Basílica de São Pedro, a sede do Bispo de Roma, o coração da Cidade Eterna, torna tudo ainda mais ímpio. É de se perguntar a que religião exatamente pertencem os Bispos e Cardeais que participaram dessa liturgia. Certamente não é a mesma religião de São Paulo que na Grécia disputou com não católicos. Certamente não é a religião de Santo Agostinho, que debateu com os Donatistas. E mais definitivamente não é a religião do Concílio de Trento, que anatematizou aqueles que rejeitam o Ofício Petrino”.

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Tweet do Centro Anglicano de Roma anuncia celebração.

A realização da cerimônia deixou perplexos muitos católicos, considerando ainda que, segundo testemunhas, houve participação de membros do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e do Secretário da Congregação para o Culto Divino. “Parece verdade”, reagiu à publicação do Centro Anglicano de Roma, no Twitter, um fiel resignado. O tweet (imagem acima) que dizia “Uma Igreja! Uma fé! Um Senhor! Evensong no coração da Igreja Católica”, assim foi respondido na rede social por nossa colaboradora Gercione Lima: “O que você quer dizer? Tem a intenção de renunciar à heresia anglicana e aderir à Fé Católica?”.

Rezemos para que assim seja!

Também o importante vaticanista Marco Tosatti repercutiu o acontecimento. “Ontem à tarde, pouco depois do momento em que, na Basílica de São Pedro foram celebradas as Vésperas com os expoentes da Igreja Anglicana, algumas dezenas de pessoas recitavam um rosário de reparação pela unidade da Igreja na Praça de São Pedro. Ao mesmo tempo, através de compartilhamento em redes, muito mais gente se unia em oração, cada um de onde se encontrava”.

Relata o vaticanista que um grupo que rezava em reparação na Praça de São Pedro era “bastante heterogêneo”, “composto por pessoas que circulam nos ambientes Ecclesia Dei, na Fraternidade São Pio X, bem como pessoas de inspirações diferentes. A Fraternidade São Pio X oficialmente aderiu ao evento através da organização de uma missa e depois pela recitação do rosário liderada por um de seus sacerdotes. É interessante essa participação, se considerarmos o que tem sido dito sobre um possível acordo entre a Fraternidade e a Santa Sé, o qual seria iminente”.

16 março, 2017

O Papa Francisco quatro anos depois.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 15-3-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comO quarto aniversário da eleição do Papa Francisco vê a Igreja Católica dilacerada por profundas divisões. “É uma página inédita na história da Igreja – diz-me em tom preocupado um alto prelado vaticano – e ninguém pode dizer qual será o desfecho desta crise sem precedentes”.

papa-francesco-468x278A mídia, que desde o início havia expressado apoio maciço ao Papa Bergoglio, começa a manifestar uma certa perplexidade. “Nunca se viu tanta oposição ao Papa, nem mesmo no tempo de Paulo VI”, admite o historiador Andrea Riccardi, para o qual, no entanto, “a liderança papal é forte” (Corriere della Sera, 13-3-2017). Demasiado forte para muitos que acusam o Papa de autoritarismo e veem a confirmação do clima de medo reinante no Vaticano nas denúncias anônimas expressas em cartazes, epigramas e vídeos exibidos na web. Sarcasmo e anonimato são as características da dissidência sob regimes totalitários, onde ninguém se atreve a sair a descoberto por medo de represálias do poder.

E cresce hoje na Igreja a resistência ao Papa Bergoglio. O site LifeSiteNews publicou uma lista de bispos e cardeais que expressaram publicamente o seu apoio ou a sua oposição às “dubia” apresentadas pelos quatro cardeais ao Papa, em 16 de setembro de 2016. Não são poucos, e a eles deve ser adicionada a voz de quem, como o cardeal Joseph Zen, critica o papado bergogliano por sua política a favor do governo comunista chinês, apelidando-a de “diálogo com Herodes”.

Enquanto os católicos fiéis aos ensinamentos perenes da Igreja denunciam a novidade de um pontificado que desvirtua de facto a moral tradicional, os inovadores estão insatisfeitos com uma “abertura” que ocorre tão-só de maneira implícita, sem materializar-se em gestos de verdadeira ruptura com o passado. O correspondente de Der Spiegel, Walter Mayr, em 23 de dezembro último, citou algumas palavras que o Papa teria confiado a um grupo restrito de colaboradores: “Não é impossível que eu passe para a história como aquele que dividiu a Igreja Católica”.

A sensação é a de estar na véspera de um confronto doutrinário interno na Igreja, que será tanto mais violento quanto mais se procurará evitá-lo ou adiá-lo, sob o pretexto de não rachar a unidade eclesial há tempo desconjuntada. Mas há uma segunda guerra iminente, desta vez não metafórica. O quarto aniversário do pontificado coincidiu com as pesadas ameaças do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan contra a Holanda, culpando-a de não oferecer suas praças aos propagandistas do sultão de Ankara. O próprio Erdogan, em novembro passado, ameaçou inundar a Europa com milhões de migrantes se Bruxelas interromper as negociações para uma rápida entrada da Turquia na União Europeia. Mas, para o Papa Francisco, essas massas migratórias são uma oportunidade e um desafio.

Proteger os imigrantes é um “imperativo moral”, reiterou nos últimos dias o Papa, que após estabelecer um Dicastério pontifício para o Desenvolvimento Humano Integral, reservou para si a responsabilidade direta pelas questões da imigração. Um brilhante escritor francês, Laurent Dandrieu, publicou um ensaio intitulado Église et immigration. Le grand malaise [Igreja e imigração. O grande mal-estar] (Presses de la Renaissance, Paris 2016), no qual denuncia a atitude política do Papa Bergoglio, dando a um capítulo de seu livro o título: De Lepanto a Lesbos, a Igreja na idolatria do acolhimento? Enquanto a Europa é submersa por uma onda migratória sem precedentes, o Papa Francisco fez do “direito de emigrar” e do “dever de acolher” os pilares da sua política, desconsiderando o direito das nações europeias de defender a sua identidade religiosa e cultural. Eis a “conversão pastoral” que ele exige da Igreja: a renúncia às raízes cristãs da sociedade, sobre as quais João Paulo II e Bento XVI haviam insistido tanto, para dissolver a identidade cristã em um turvo caldeirão multiétnico e multirreligioso.

O teólogo predileto do Papa, Dom Víctor Fernández, Reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, explica que a “conversão pastoral” deve ser entendida como uma transformação “que conduza toda a Igreja a ‘uma saída de si’, renunciando a centrar-se em si mesma”, ou seja, a uma renúncia da Igreja à própria identidade e à própria tradição, para assumir as múltiplas identidades propostas pelas periferias do mundo.

Mas a invasão migratória produz necessariamente uma reação da opinião pública em defesa de tudo o que hoje está ameaçado: não só a identidade cultural, mas os interesses econômicos, a qualidade de vida, a segurança das famílias e da sociedade. Em face de uma reação que pode manifestar-se de modo às vezes exasperado, a Igreja Católica deveria desempenhar um papel moderador, alertando para os erros opostos, como fez Pio XI em março 1937 com as duas encíclicas Divini Redemptoris e Mit brennender Sorge – das quais transcorre o octogésimo aniversário –, condenando, respectivamente, o comunismo e o nacional-socialismo. Hoje como ontem, com efeito, delineia-se uma falsa alternativa.

De um lado, os seguidores de uma religião forte, antitética ao catolicismo, como o Islã. De outro, os defensores de uma irreligião igualmente forte, o relativismo. Os relativistas procuram assumir a direção dos movimentos identitários, para lhes conferir uma coloração anticristã. A política bergogliana dá pretexto a essas posições xenófobas e neopagãs, permitindo aos relativistas de acusarem a Igreja de conluio com o Islã.

O Papa diz que rejeitar os imigrantes é um ato de guerra. Mas é seu apelo ao acolhimento indiscriminado que alimenta a guerra.

15 março, 2017

Cardeal Orani Tempesta responde à proposta de Dom Demétrio Valentini.

Tem voltado à tona alguns debates sobre a questão do sacerdócio ministerial. Falou-se sobre a possibilidade de haver a consagração do pão e do vinho por parte de leigos, especialmente onde faltam sacerdotes válida e licitamente ordenados. Aqui não estaria se tratando dos assim chamados “viri probati”, ou seja, da ordenação de homens casados, mas sim de cristãos leigos sem ordenação sacerdotal. Na última Assembleia da CNBB emitimos um documento muito importante sobre os cristãos leigos e sua missão na Igreja. A presença do laicato na Igreja e, como Igreja, no mundo tem uma grande área de atuação, mas o sacerdócio comum dos fiéis não se confunde com o sacerdócio ministerial.
Mas, quais são os documentos da Tradição da Igreja nessa área? Essa ideia que parece, à primeira vista, simpática e solucionadora do problema da falta de vocações sacerdotais não é nova nem tão simples. As fontes utilizadas foram, de um modo especial a Carta Sacerdotium Ministeriale (citada aqui como SM), da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de agosto de 1983, e o Curso de Eclesiologia, de D. Estêvão Bettencourt, OSB. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1996, p. 181-197.

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13 março, 2017

São João Eudes: “O maior sinal da ira de Deus é quando permite que, como punição por seus crimes, o povo caia nas mãos de pastores que o são mais de nome do que de fato”.

As qualidades e as excelências

de um bom pastor e de um sacerdote santo.

O maior sinal da ira de Deus sobre o seu povo, e o pior castigo que ele pode infligir sobre ele, neste mundo, é quando permite que, como punição por seus crimes, o povo caia nas mãos de pastores que o são mais de nome do que de fato, que mais exercem contra o povo a crueldade dos lobos famintos, do que a caridade dos pastores carinhosos, e que, em vez de cuidadosamente lhes oferecerem um repasto, despedaçam-no e o devoram cruelmente; em vez de levar o povo para Deus, vende-o para Satanás; em vez de dirigi-lo para o céu, arrasta-o consigo para o inferno; e, em vez de ser o sal da terra e luz do mundo, são o veneno e escuridão.

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. (Evangelho segundo S. Mateus 7,15-20)Porque nós, pastores e sacerdotes, diz São Gregório Magno, seremos condenados diante de Deus como assassinos de todas as almas que todos os dias são entregues à morte eterna pelo nosso silêncio e pela nossa negligência: Tot occidimus, quot ad mortem ire tepidi et tacentes videmus [1]. Como também, diz o mesmo santo[2], não há nada que mais ofenda a Deus (e, portanto, que mais provoque a sua ira, e atraia mais maldições, seja sobre os pastores e sobre o rebanho, sobre os sacerdotes e sobre o povo), que quando Deus vê aqueles que ele estabeleceu para a correção dos outros, darem exemplo de uma vida depravada, e em vez de evitar que ele seja ofendido, somos os primeiros a persegui-lo, já que não temos o mínimo cuidado pela salvação das almas; que sonhamos senão apenas em satisfazer nossas inclinações; que todos os nossos afetos terminam nas coisas da terra; que estamos alimentando vorazmente a vã estima dos homens, fazendo com que o mistérios da bênção sirvam à nossa ambição; que abandonamos os negócios de Deus para atender aos do mundo; e que, ocupando um lugar de santidade, tratamos apenas dos trabalhos terrestres e profanos. Quando Deus permite que as coisas sejam assim, temos com certeza uma prova de que está extremamente irado contra o seu povo, e este é o rigor mais terrível que possa exercer sobre ele, ainda neste mundo. É por isso que ele grita incessantemente a todos os cristãos: Convertimini ad me, et dabo vobis pastores juxta cor meum [3]: “Convertei-vos a mim, e eu vos darei pastores segundo o meu coração”. Isso mostra claramente que o desregramento da vida dos pastores é um castigo pelos pecados do povo; e que, por outro lado, o maior resultado da misericórdia de Deus para com o povo, e a graça mais preciosa que ele possa conceder, é quando ele dá pastores e sacerdotes segundo o seu coração, que só buscam sua glória e a salvação das almas. Este é o dom mais precioso e o favor mais insigne que a bondade de Deus pode conceder à Igreja, a dádiva de um bom pastor, seja bispo ou padre. Pois é a graça das graças e o dom dos dons, que carrega consigo todos os outros dons e todas as outras graças.

Jean Eudes, Mémorial de la vie ecclésiastique. In Œuvres complètes, Tome III, p. 22-23.

[1] Homil. 12 super Ezech.

[2] Nullum, puto, fratres charissimi, majus praejudicium ab aliis quam a Sacerdotibus tolerat Deus: quando eos quos ad aliorum correctionem posuit, dare de se exempla pravitatis cernit; quando ipsi peccamus qui compescere peccata debuimus: officium quidem sacerdotale suscipimus, sed opus officii non implemus.» Homil. 27 in Evang.

[3] Jer 3, 5.

* * *

Nosso mais profundo agradecimento a um bom sacerdote pela tradução realizada a partir do original.

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13 março, 2017

‘Viri probati’. O Celibato na mira.

Por FratresInUnum.com – 13 de março de 2017: Em Roma, fortalece-se o rumor de que a Santa Sé deveria permitir, até o fim deste ano, a ordenação de homens casados — os chamados viri probati — para a região da Amazônia. Vale buscar os arquivos de FratresInUnum.com, que tratou pela primeira vez da questão em abril de 2014, antes de qualquer outro meio de comunicação, quando o pontificado de Francisco apenas acabara de completar um ano.

Mais tarde, em abril de 2016, escrevíamos: “Estamos em condições de afirmar que o assunto [celibato] foi pauta de reunião privativa dos bispos na Assembléia da CNBB de 2015, sendo capitaneado por Dom Cláudio Hummes. Então, o arcebispo emérito pediu que os bispos do Brasil fizessem uma ‘proposta concreta’ a Francisco sobre o tema. A recém-eleita presidência da CNBB não demonstrou nenhum empenho especial pela causa, por conta divisão do episcopado brasileiro a respeito”.

Em entrevista concedida ao jornal alemão Die Zeit, publicada na semana passada, o pontífice não disse que estudaria a proposta de extinguir o celibato, mas que estudaria a possibilidade de que alguns homens casados pudessem exercer algumas funções sacerdotais, os chamados viri probati.

Afirmou o Papa:

“A vocação dos padres representa um problema enorme e a Igreja deverá resolvê-lo. No entanto, o celibato opcional, ou seja, facultativo, não é a solução, nem mesmo abrir as portas dos seminários a pessoas que não apresentam uma autêntica vocação. Já a questão dos viri probati é uma possibilidade, todavia, se deve precisar quais as tarefas que essas pessoas poderiam assumir nas comunidades “isoladas”. O Senhor disse: rezem. É isso que falta, a oração. E falta o trabalho com os jovens que procuram orientação”.

Frenesi generalizado em sites católicos pró-establishment [exemplos aqui e aqui], que se desdobram apressadamente: não é o celibato que está em jogo, mas, apenas uma exceção para casos extremos! Como se na Igreja pós-conciliar todas as excepcionalíssimas exceções — vide comunhão na mão, mulheres acólitas, etc — não se tornassem, em pouco tempo, regra absoluta inquebrantável.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e intervenha.

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12 março, 2017

Foto da semana.

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A aristocracia pode não gostar dele, mas os fiéis comuns simplesmente amam o Cardeal Burke.

Kansas City, Kansas, EUA, 10 de fevereiro de 2017 – LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com: Nas atribuições de seu papel como Patrono da Soberana Ordem de Malta, o Cardeal Raymond Burke abençoou a doação de equipamentos médicos, na quinta-feira, realizada pelos Cavaleiros de Malta a uma clínica médica que atende pobres e pessoas sem plano de saúde.

O cardeal abençoou uma mesa cirúrgica recentemente doada à Clínica Duchesne com a entrega feita pela mais antiga missão médica do mundo, uma ordem religiosa leiga fundada em 1113 que atua em 120 países.

Apesar da controvérsia em torno do Cardeal Burke, em Roma, com a aristocracia dos Cavaleiros de Malta, os Cavaleiros locais e, especialmente, os simples fiéis encontraram nele um humilde servo de Cristo e representante de Sua Igreja.

Povo comovido com a visita do cardeal

A visita do Cardeal à clínica ocorreu durante uma de suas viagens aos Estados Unidos para vários compromissos, incluindo a celebração de uma Missa Pontifical simples na Forma Extraordinária [do Rito Romano] na igreja vizinha de Saint Mary-Saint Anthony.

Bingo Dickerson, residente em Leavenworth, dirige mais de 100 quilômetros, uma vez ao mês, para tratamento de diabetes na clínica, e aconteceu de ter um encontro com o Cardeal Burke em sua passagem para abençoar a mesa cirúrgica recebida dos Cavaleiros.

Dickerson, [protestante] batista, pediu a um dos padres que acompanhavam o Cardeal Burke para encontrá-lo. Não importava a Dickerson o fato de não ser Católico.

“Nunca encontrei um cardeal antes”, afirmou Dickerson. “Embora eu seja um batista, todo lado tem pessoas boas”.

Ele ficou muito impressionado com o Cardeal e sua visita para abençoar o equipamento médico.

“O Espírito Santo estava lá enquanto ele abençoava a mesa”, disse Dickerson, que ficou comovido também com a pausa feita pelo Cardeal para encontrá-lo pessoalmente.

“Ele sorriu e foi muito simático”, continou. “Ele não menosprezou as pessoas”.

Dickerson queria ter sabido que o Cardeal estava celebrando Missa por perto, na igreja de St. Anthony, pouco antes da benção em Duchesne. Ele disse que teria chegado antes para assistir a Missa.

“Para ele, dedicar esse tempo, ele não é muito ocupado para dizer algo ao um homem simples”, continou. “Para um cardeal, encontrar tempo… quando eu o cumprimentei, percebi um senso de humildade… e isso está no Bom Livro”.

Os fiéis que assistiram à Missa na paróquia de origem alemã, infundida com culturas irlandesas e hispânicas, fizeram fila para cumprimentá-lo após a liturgia, antes de ele partir para a clínica.

A benção do Cardeal ao equipamento médico para a Clínica Duchesne deu um impulso a seus esforços. O pessoal da clínica preparou uma recepção de boas vindas ao Cardeal que incluía bolos hispânicos.

“É belo”, disse Dominico Nguyen sobre a visita do cardeal à clínica.

Sua mãe, Tu Nguyen, concordou, dizendo a LifeSiteNews: “É uma benção”.

Os Nguyens moram em Kansas City, Missouri, e frequentam a Paróquia Our Lady of Perpetual Help. Eles conheceram o cardeal de seu tempo como arcebispo de St. Louis.

“Ele é realmente simpático”, Dominico Nguyen afirmou a LifeSiteNews

Nguyen louvou o Cardeal Burke por sua persistente defesa da santidade da vida humana e seus esforços em defender o sacramento do matrimônio.

“Tenho certeza de que há muita gente apoiando ele”, continuou Nguyen.