Archive for ‘Igreja’

18 setembro, 2019

Prof. Hermes Nery em entrevista a jornal italiano – Para católicos brasileiros, Vaticano não deve fazer ingerência que favoreça a internacionalização da Amazônia.

Íntegra da entrevista com Hermes Rodrigues Nery, Coordenador do Movimento Legislação e Vida, concedida ao jornalista Lorenzo Bertocchi, do jornal La Veritá, de Milão, 6 de setembro de 2019.

hermes verita

Gostaria de mais informações sobre a Fundação Gaia: qual ideologia a suporta?

A ideologia da The Gaia Foudation está nas premissas filosóficas e objetivos políticos engendrados na ECO-92, de onde saiu a “Carta da Terra” e a Agenda 21, hoje ampliados nos objetivos da Agenda 2030. O viés malthusiano contido no conceito de “desenvolvimento sustentável” já vem desde o relatório “Os limites do crescimento”, de 1972, do Clube de Roma. Para entender bem tal ideologia, recomendo a leitura do artigo “The hoax behind the 1992 Earth Summit”, publicado pela Executive Intelligence Review (Volume 18, Number 37, September 27, 1991), link do documento: (https://larouchepub.com/eiw/public/1991/eirv18n37-19910927/eirv18n37-19910927_028-the_hoax_behind_the_1992_earth_s.pdf].

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17 setembro, 2019

Francisco, Amoris Laetitia e o Vaticano II.

Amoris lætitia representa, na história da Igreja dos últimos, o que Hiroshima ou Nagasaki foram para a história moderna do Japão: humanamente falando, o dano é irreparável […] Amoris laetitia constitui um dos resultados que, cedo ou tarde, dar-se-ia das premissas estabelecidas pelo Concílio [Vaticano II]. O Cardeal Walter Kasper já havia enfatizando que a uma nova eclesiologia — a do Concílio — corresponde uma nova concepção de família cristã.

De fato, o Concílio é principalmente eclesiológico, isto é, propõe em seus documentos uma nova concepção da Igreja. De maneira simples, a Igreja fundada por Nosso Senhor já não equivaleria à Igreja Católica, mas se trataria de algo mais amplo, que incluiria as demais confissões cristãs. Como resultado, as comunidades ortodoxas ou protestantes teriam a “eclesialidade” em virtude do batismo. Em outras palavras, a grande novidade eclesiológica do Concílio é a possibilidade de pertencer à Igreja fundada por Nosso Senhor em diferentes formas e graus. Daí a noção moderna de comunhão total ou parcial, “com geometria variável”, poderíamos dizer. A Igreja se tornou estruturalmente aberta e flexível. A nova modalidade de pertença à Igreja, extremamente elástica e variável, segundo à qual todos os cristãos estão unidos na mesma Igreja de Cristo, constitui a origem do caos ecumênico.

[…]

Concretamente, do mesmo modo que a Igreja de Cristo “pan-cristã” teria elementos bons e positivos fora da unidade católica, haveria igualmente elementos bons e positivos para os fiéis fora do matrimônio sacramental, por exemplo, em um matrimônio civil, e também em qualquer outro tipo de união. Assim como já não há mais distinção entre uma Igreja “verdadeira” e igrejas “falsas”, dado que as igrejas não católicas são boas, embora imperfeitas, igualmente todas as uniões se tornam boas, porque sempre há algo bom nelas, mesmo que somente o amor. […] Deste modo, o ensinamento objetivamente desconcertante do Papa Francisco não supõe uma consequência estranha, mas uma consequência lógica dos princípios estabelecidos pelo Concílio. O Papa extrai dela algumas conclusões últimas… por ora.

Da entrevista do Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Padre Davide Pagliarani, publicada hoje

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16 setembro, 2019

Cardeal Burke e Dom Athanasius propõem uma cruzada de oração e jejum pelo Sínodo na Amazônia.

Por Templário de Maria – Nesta quinta-feira, o Cardeal Burke e Mons. Athanasius Schneider publicaram um documento exortando todos os católicos a participarem de uma Cruzada de Oração e Jejum pelo Sínodo da Amazônia durante quarenta dias, de 17 de setembro a 26 de outubro, às vésperas do encerramento do Sínodo: todos os dias dedicar pelo menos pelo menos uma dezena do rosário e fazer jejum uma vez por semana, de acordo com a tradição da Igreja, nestas intenções:

  1. Que durante a assembléia sinodal, os erros teológicos e heresias incluídos no Instrumentum Laboris NÃO SEJAM APROVADOS;
  2. Que, em particular, o Papa Francisco, no exercício do ministério petrino, CONFIRME seus irmãos na fé, com uma CLARA RECUSA DOS ERROS do Instrumentum Laboris e NÃO CONSINTA com a ABOLIÇÃO DO CELIBATO sacerdotal na Igreja Latina, com a introdução da prática de ordenação de homens casados, os chamados “viri probati”.

QUALQUER UM que souber da cruzada APÓS a data inicial, PODE OBVIAMENTE PARTICIPAR A QUALQUER MOMENTO.

O DOCUMENTO publicado destaca SEIS ERROS GRAVES e HERESIAS CONTIDOS NO Instrumentum Laboris, em suma:

  1. PANTEÍSMO IMPLÍCITO: o documento promove uma socialização PAGÃ da “Mãe Terra”, baseada na cosmologia das tribos amazônicas;
  2. SUPERSTIÇÕES PAGÃS como FONTES da Revelação Divina e “caminhos alternativos” para a salvação;
  3. DIÁLOGO INTERCULTURAL EM VEZ DE EVANGELIZAÇÃO;
  4. Uma CONCEPÇÃO ERRÔNEA da ORDENAÇÃO SACRAMENTAL, que POSTULA os ministros do culto de AMBOS OS SEXOS, para até mesmo realizar rituais xamânicos;
  5. Uma “ECOLOGIA INTEGRAL” que REBAIXA A DIGNIDADE HUMANA;
  6. Um COLETIVISMO TRIBAL que mina o caráter único da pessoa e sua liberdade.

Concluem: “Os ERROS TEOLÓGICOS e HERESIAS IMPLÍCITOS e EXPLÍCITOS contidos no Instrumentum Laboris da próxima Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, são uma MANIFESTAÇÃO ALARMANTE DA CONFUSÃO, DO ERRO e DA DIVISÃO que AFLIGEM A IGREJA HOJE.

Ninguém pode justificar-se dizendo que NÃO FOI INFORMADO sobre a GRAVIDADE DA SITUAÇÃO e se eximiu do dever de tomar as ações apropriadas, por amor a Cristo e Sua vida conosco na Igreja.

Em particular, TODOS os membros do Corpo Místico de Cristo, diante de tal AMEAÇA À SUA INTEGRIDADE, DEVEM ORAR E JEJUAR PELO BEM ETERNO DE SEUS MEMBROS, que, por causa deste texto, correm o RISCO DE SEREM ESCANDALIZADOS, o que leva à CONFUSÃO, ERRO E DIVISÃO.

Além disso, TODO CATÓLICO, como verdadeiro SOLDADO DE CRISTO, É CHAMADO A SALVAGUARDAR e PROMOVER AS VERDADES DA FÉ e a DISCIPLINA com que essas verdades são HONRADAS NA PRÁTICA, para que a assembléia solene dos Bispos não traía a missão do Sínodo, que é “ajudar o pontífice romano com seus conselhos, para salvaguardar e aumentar a fé e a moral, observando e consolidando a disciplina eclesiástica” (can. 342) […].

Que Deus, através da intercessão de muitos missionários verdadeiramente católicos que evangelizaram os povos indígenas da América – incluindo São Toríbio de Mogrovejo e São José de Anchieta -, dos santos que os nativos americanos deram à Igreja – incluindo São Juan Diego e Santa Kateri Tekakwitha – e em particular pela intercessão da Virgem Maria, RAINHA DO SANTO ROSÁRIO, que DERROTA TODAS AS HERESIAS, para que os membros da próxima Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos, para a Região Pan-Amazônica e o Santo Padre, estejam protegidos do perigo de aprovar erros e ambiguidades doutrinárias e de minar o domínio apostólico do celibato sacerdotal.

Raymond Leo Cardeal Burke
Bispo Athanasius Schneider

12 de setembro de 2019
Festa do Santíssimo Nome de Maria”

15 setembro, 2019

Foto da semana.

Fortaleza,  10 de setembro de 2019 – Frei Roberto, OFM Cap., rezando a Missa Tridentina na Igreja de São Bernardo, no centro de Fortaleza, no dia em que completou 99 anos. Créditos das imagens.

9 setembro, 2019

Saia justa.

Por FratresInUnum.com, 9 de setembro de 2019 – Foi transmitido na noite de sábado passado, 7 de setembro, o programa “Globo News Painel”, com a participação de Dom Claudio Hummes, relator do Sínodo da Amazônia, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, diplomata representante do Brasil nas negociações acerca do Sínodo, e Alberto Pfeifer Filho, especialista em assuntos internacionais.

Com “cara de vinagre”, para utilizar uma dessas expressões tão profundas e delicadas do magistério bergogliano, Dom Cláudio não conseguiu disfarçar o seu constrangimento, muito diferentemente da tranquilidade que desfruta em encontros de esquerdistas ou junto de seu amigo desde os tempos do ABC Paulista, o ex-presidente e atual presidiário Lula.

Kenneth Nóbrega, com aquela délicatesse diplomatique, começou cutucando, ao mencionar o estimadíssimo, mas completamente ineficaz,  Acordo Brasil-Santa Sé como elemento importante de mediação. Explicou que esteve três vezes no Vaticano e, cara-a-cara, confrontou os representantes pontifícios acerca de quatro imprecisões dos Lineamenta do Sínodo: o papel transnacional da Guiana, que poderia dar pé ao estabelecimento de um território internacional na Amazônia; a omissão da menção aos instrumentos internacionais de que participa o Brasil, como limite das requisições do Sínodo; a ausência do reconhecimento do papel social das forças armadas na Amazônia, lembrando que a FAB transporta até alimentos em parceria com a Igreja; e a desarticulação entre o conceito de ecologia integral e de desenvolvimento sustentável, que impede o enclausuramento numa política meramente preservacionista, fechada ao progresso.

Na sequência, o representante do governo disse que, sim, os serviços de inteligência brasileiros estão monitorando a atividade pré-sinodal, como qualquer outra atividade que diga respeito à segurança do território nacional, dentro dos limites da lei e segundo a sua prerrogativa constitucional.

Em seguida, quando perguntado o porquê da preocupação do governo com a unidade territorial na questão Amazônica, Kenneth Nóbrega salientou que a menção à Guiana como localização transnacional nos Lineamenta, juntamente com a histórica cobiça internacional do espaço amazônico e as últimas declarações do presidente francês em fórum internacional são motivos mais do que suficientes para justificar a preocupação.

Dom Cláudio obviamente, permanecia o tempo todo com atitude apreensiva, olhos arregalados, aspecto ameaçado, sério, como alguém que está sendo emparedado e “quanto menos falar, melhor”.

Na sequência, Alfredo Pfeifer, perguntado sobre as declarações de que os bispos dispõem de dados distorcidos para o Sínodo, explicou dizendo que a Amazônia é um território imenso e os dados são sempre parciais e, mesmo quando verídicos, podem ser apresentados com metodologias diferentes, as quais podem favorecer o interesse deste ou daquele grupo. Justificou, ainda, dizendo que a má gestão amazônica tem impactos globais e que o Brasil e as Forças Armadas a têm feito com competência técnica e científica, responsabilidade social e ambiental.

Dom Cláudio concordou com o fato de que o Exército está muito presente na Amazônia e que há uma verdadeira colaboração com a Igreja. Também reconheceu que a Igreja não tem todos os dados, como tampouco o Exército. Ele disse que o documento preparatório do Sínodo só não falou do Estado brasileiro e do Exército porque a Igreja estava apenas falando de si mesma. Disse que os bispos ficaram perplexos com a reação do Brasil e estão preocupados com “até onde isso vai”.

Kenneth Nóbrega mostrou como a divulgação de dados errados nas últimas semanas erodiu o relacionamento de confiança, que é absolutamente imprescindível para qualquer diálogo bilateral. Ele mostrou como, de um lado, a eventual não preocupação em que se respeitem as questões de direito internacional no documento final do Sínodo pode oferecer sustentação aos ambientalistas que defendem o protecionismo agrícola europeu, que destrói a imagem do nosso agronegócio, sem discernir se é sustentável ou não, se favorece a agricultura familiar com selo orgânico ou não.

Alfredo Pfeifer disse que as duas instituições que garantem a presença brasileira na Amazônia são a Igreja e as Forças Armadas, sendo que o Exército está preocupado com a ocupação nacional e a defesa das fronteiras, mas a Igreja tem uma vocação missionária e está preocupada com a Evangelização. Ele disse que é nesta diferença que pode se dar um descompasso de interesse e de agenda, mas se espera que o Sínodo seja uma ocasião para se resolver este descompasso, ao invés de aumentá-lo.

Sobre a questão indígena, Dom Cláudio disse que, em Porto Maldonado, os índios disseram ao Papa Francisco que nunca se sentiram tão ameaçados como agora, que suas terras estão sendo invadidas por companhias de mineração, pelo desmatamento. Dom Cláudio disse que os índios são um patrimônio humano de todos nós, porque eles têm uma cultura própria, uma espiritualidade própria, milenar, uma riqueza muito grande que a humanidade não se pode dar o luxo de perder. Segundo Dom Cláudio, a Igreja pensa que isto é uma questão de direitos humanos e que na história da colonização houve um massacre dos índios, mas com a proteção que receberam nas últimas décadas, a população indígena está crescendo e há aproximadamente um milhão de índios. — Neste trecho, Dom Cláudio falou demasiadamente, monopolizando a palavra, inclusive não deixando tempo para que os interlocutores continuassem com a pauta.

Alberto Pfeifer disse que a defesa dos índios demanda o combate aos ilícitos (como a garimpagem, por exemplo), requer a presença do Estado, e que não adianta apenas alegar o direito dos índios, pois eles são desprovidos de instrumentos para se defender, mas o Brasil está utilizando as ferramentas adequadas e cumprindo o seu papel.

Kenneth Nóbrega afirmou que o Brasil tem uma legislação ambiental evoluída, mas que o Estado tem uma dupla responsabilidade: a primária, com a sua sociedade; a secundária, internacional. No que diz respeito ao debate internacional, há de haver um verdadeiro debate, onde todos falem de suas responsabilidades em campo ambiental, ou seja, não pode ser um debate em que todos apontem para o Brasil como aquele que não está cumprindo com as suas responsabilidades. Este desequilíbrio no debate criou, por parte do governo, uma percepção de injustiça.

Dom Cláudio concluiu dizendo que a Igreja está em defesa do protagonismo dos índios em seu próprio progresso, embora haja ainda um espírito colonialista, que pretende impôr a eles um tipo de progresso.

Enfim, Hummes e toda a corte bergogliana têm toda ciência de que seu tempo é curto, que não possuem apoio popular nem sucessores e que, por isso, é necessário acelerar e intensificar as “reformas”. O temor por “retrocessos” é claramente demonstrado na nova leva de cardeais criados por Francisco. Esquecem-se esses senhores, infiéis e incrédulos que são, que a Igreja é do Senhor. “Exsurge Domine”.

8 setembro, 2019

Foto da semana.

O Pontificado do lobby gay – Novos cardeais Dom Matteo Zuppi, Dom Jean-Claude Hollerich, Michael Czerny e Dom José Tolentino Mendonça (Fotos: Wikipédia, Wikimedia e Jesuits.org)

Bispos simpatizantes a LGBTQs na lista de novos cardeais do Papa Francisco

IHU – Pelo menos dois bispos que já teceram comentários positivos sobre pessoas LGBTQs constam na lista de clérigos que o Papa Francisco irá tornar cardeais no próximo mês.

Na semana passada, o Papa Francisco anunciou um consistório surpresa a acontecer em 5 de outubro. Entre os nomeados estão Dom Matteo Zuppi, de Bolonha, e Dom Jean-Claude Hollerich, de Luxemburgo, religiosos que já fizeram comentários positivos a respeito de pessoas LGBTQs.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 04-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Zuppi escreveu o prefácio para a edição italiana do livro do padre jesuíta James Martin, “Building a Bridge” (sem edição no Brasil), que aborda questões LGBTs na Igreja. O arcebispo, por vezes referido como o “Bergoglio italiano”, explicou que o livro era “útil para incentivar o diálogo, bem como um conhecimento e uma compreensão recíprocos”. Ele também reafirmou a decisão de Martin de se referir às pessoas LGBTs com termos que eles próprios empregam quando falam de si (p. ex.: lésbica, gay, bissexual, transgênero), dizendo que este era “um passo necessário para se começar um diálogo respeitoso”.

Em uma conversa com a imprensa durante o Sínodo dos Jovens ocorrido ano passado, Bonding 2.0 perguntou a Zuppi sobre se os bispos presentes no evento mostravam-se abertos a um diálogo mais amplo. Ele respondeu que o ministério pastoral para lésbicas e gays é “um tópico importante”. Referindo-se a um grupo católico LGBTQ atuante em sua arquidiocese, Zuppi continuou:

“Há sensibilidades diferentes, e devemos também considerar situações diferentes com base nas regiões geográficas. Essa questão não é vista da mesma forma na América do Norte e na África, por exemplo. Não é novidade. Isso nasce do fato de que o grupo de homossexuais católicos de Bolonha tem mais de 30 anos. A meu ver, é uma questão pessoal, e como tal acredito que deveria ser tratada: quando se torna ideológico, fica mais complexo e é melhor deixar de lado.

Hollerich, arcebispo de Luxemburgo, também serve como presidente da conferência episcopal europeia. Ele abordou o tema de padres gays durante uma reunião do Vaticano sobre o abuso sexual clerical ocorrido em fevereiro deste ano. O The New York Times reproduziu o seu comentário:

“[Hollerich] Disse no domingo que alguns bispos recorriam à homossexualidade como uma causa para os abusos porque ‘algumas pessoas têm alguns modelos na cabeça e vão continuar assim’. Ele disse que ele e outros bispos procuraram mudar essa forma de pensar. ‘Eu falei para estas pessoas que o primeiro-ministro do meu país é homossexual e que era uma pessoa que jamais abusaria de crianças’”.

Além dos arcebispos Zuppi e Hollerich, dois outros nomeados pelo Papa Francisco são, aparentemente, amigos da causa LGBTQ.

Em 2015, o padre jesuíta Michael Czerny juntou-se ao Cardeal Peter Turkson, então presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, hoje não mais existente, num encontro com dois representantes do Fórum Europeu de Grupos Cristãos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros para debater leis de descriminalização. Czerny, atualmente subsecretário para a seção Migrantes e Refugiados, do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, também fundou e coordenou, durante alguns anos, a organização African Jesuit AIDS Network (Rede Africana Jesuíta contra a AIDS). Foi nomeado pelo papa como um dos dois secretários especiais para o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia deste ano.

Finalmente, Dom José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário do Vaticano, falou em termos positivos sobre os ministérios LGBTQs já em 2010. O jornal The Catholic Herald reportou que Mendonça havia sido criticado por seu trabalho pastoral voltado a lésbicas e gays e por escrever o prefácio para um livro de teologia feminista da irmã beneditina Teresa Forcades, defensora declarada das questões LGBTQs.

Os outros clérigos nomeados por Francisco para o consistório de outubro são:

• Dom Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, de JakartaIndonésia;

• Dom Juan de la Caridad García Rodríguez, de HavanaCuba;

• Dom Fridolin Ambongo Besungu, de KinshasaRepública Democrática do Congo;

• Dom Álvaro Ramazzini Imeri, de HuehuetenamgoGuatemala;

• Dom Cristóbal López Romero, de RibatMarrocos;

• Dom Miguel Ayuso Guixot, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

Mas além dos históricos das pessoas, o próximo consistório pode ter um outro – e bem maior – impacto sobre as questões LGBTQs na Igreja. Após o dia 5 de outubro, o Papa Francisco terá nomeado mais da metade dos membros do Colégio Cardinalício aptos ao votar. John Allen, do sítio Crux, assim diz:

“Poderíamos continuar com os exemplos, mas a questão que deve ficar clara é: este é um consistório em que Francisco está aumentando uma corte de religiosos com mentalidades semelhantes, posicionando-os para ajudar no desenvolvimento de sua pauta já, e também para ajudar a garantir que o próximo papa, quem quer que seja, não venha a ser alguém inclinado a atrasar o relógio”.

“Em outras palavras, Francisco sairá deste consistório numa posição mais forte para liderar. Se é uma notícia boa ou não dependerá, naturalmente, de sabermos se o fiel católico vier a gostar da direção que ele está tomando”.

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6 setembro, 2019

Dom Athanasius Schneider: o Vaticano está traindo ‘Jesus Cristo como o único Salvador da humanidade’.

Por LifeSiteNews, Roma, 26 de agosto de 2019 | Tradução: Hélio Dias Vian – FratresInUnum.com – A decisão do Vaticano de implementar um documento afirmando que a “diversidade de religiões” é “desejada por Deus”, sem corrigir esta declaração, equivale a “promover a negligência do primeiro mandamento” e a uma “traição ao Evangelho”, disse Dom Athanasius Schneider.

Bishop Athanasius Schneider

Em entrevista exclusiva ao LifeSiteNews sobre uma iniciativa apoiada pelo Vaticano para promover o “Documento sobre Fraternidade Humana pela Paz Mundial e Viver Juntos”, o  Bispo-auxiliar de Astana, no Cazaquistão, disse que “por mais nobres que possam ser os objetivos de ‘fraternidade humana’ e ‘paz mundial’, elas não podem ser promovidas à custa de relativizar a verdade da unicidade de Jesus Cristo e Sua Igreja”.

A divulgação desse documento nesta forma incorreta “paralisará a missão ad gentes da Igreja” e “sufocará seu zelo ardente de evangelizar todos os homens”, disse Dom Schneider. E acrescentou: “As tentativas de paz estão fadadas ao fracasso se não forem propostas em nome de Jesus Cristo”.

Um “Comitê Superior”

Na semana passada, o Vaticano anunciou que havia sido estabelecido nos Emirados Árabes Unidos um “Comitê Superior” de várias religiões para implementar o “Documento sobre Fraternidade Humana pela Paz Mundial e Viver Juntos”, assinado pelo Papa Francisco em 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, juntamente com Ahmad el-Tayeb, grão-imã al-Azhar, durante uma visita apostólica de três dias à Península Arábica.

Os membros da comissão de sete membros (católicos e muçulmanos) incluem o secretário pessoal do Papa Francisco, Pe. Yoannis Lahzi Gaid, e o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso, arcebispo Miguel Angel Ayuso Giuxot.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, 26 de agosto, o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, disse que o Papa Francisco “encoraja os esforços do Comitê para difundir o conhecimento do Documento; agradece aos Emirados Árabes Unidos pelo compromisso concreto demonstrado em nome da fraternidade humana e expressa a esperança de que iniciativas semelhantes possam surgir em todo o mundo”.

Documento controvertido

O documento de Abu Dhabi gerou polêmica ao afirmar que “o pluralismo e a diversidade” de religiões são “desejados por Deus”.

A passagem que suscita controvérsia diz:

“A liberdade é um direito de toda pessoa: todo indivíduo desfruta da liberdade de crença, pensamento, expressão e ação. O pluralismo e a diversidade de religiões, cor, sexo, raça e linguagem são desejados por Deus em Sua sabedoria, através da qual Ele criou seres humanos. Essa sabedoria divina é a fonte da qual deriva o direito à liberdade de crença e a liberdade de ser diferente. Portanto, o fato de as pessoas serem forçadas a aderir a uma determinada religião ou cultura deve ser rejeitado, assim como a imposição de um modo de vida cultural que outras pessoas não aceitam.”

Em 1º de março de 2019, durante uma visita ad limina dos bispos da Ásia Central a Roma, Dom Schneider, cuja diocese está localizada em uma nação predominantemente muçulmana, expressou preocupação com essa formulação ao Papa Francisco. O Papa disse que a frase em questão sobre a “diversidade de religiões” significava “a vontade permissiva de Deus”, e deu permissão explícita a Dom Schneider e aos outros bispos presentes para citar suas palavras.

Dom Schneider, por sua vez, pediu ao Papa que esclarecesse a declaração de maneira oficial.

O Papa Francisco apareceu para oferecer um esclarecimento informal em sua audiência geral de quarta-feira, 3 de abril de 2019, mas nenhum esclarecimento ou correção oficial ao texto foi dado até o momento.

Nesta entrevista exclusiva, Dom Schneider revela novos detalhes sobre sua interlocução direta com o Santo Padre na reunião de 1º de março. Ele também discute suas opiniões sobre o esclarecimento informal do Papa na audiência geral de 3 de abril e a gravidade do estabelecimento de um “Comitê Superior” para implementar o documento de Abu Dhabi na ausência de uma correção oficial da passagem controversa.

Segundo Dom Schneider, ao impulsionar o documento de Abu Dhabi sem corrigir sua afirmação errônea sobre a diversidade das religiões, “os homens da Igreja não apenas traem Jesus Cristo como o único Salvador da humanidade e a necessidade de Sua Igreja para a salvação eterna, mas também cometem uma grande injustiça e pecam contra o amor ao próximo”.

Aqui está nossa entrevista completa com o bispo Athanasius Schneider.

Excelência, o esclarecimento do Papa Francisco sobre o documento de Abu Dhabi na audiência geral de na quarta-feira, 3 de abril de 2019, foi suficiente na sua opinião? E quais são seus pensamentos sobre os comentários dele?

– Na audiência geral de quarta-feira, 3 de abril de 2019, o Papa Francisco falou estas palavras: “Por que Deus permite muitas religiões? Deus queria permitir isso: os teólogos escolásticos costumavam se referir às voluntas permissiva [vontade permissiva] de Deus. Ele queria permitir esta realidade: existem muitas religiões.”

Infelizmente, o Papa não fez nenhuma referência à frase objetivamente errônea do documento de Abu Dhabi, que diz: “O pluralismo e a diversidade de religiões, cor, sexo, raça e linguagem são desejados por Deus em sua sabedoria.” Essa frase é errônea e contradiz a Revelação Divina, já que Deus nos revelou que Ele não deseja diversas religiões, mas apenas a religião ordenada por Ele no Primeiro Mandamento do Decálogo: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te trouxe para fora da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não deves fazer para ti uma imagem esculpida, ou qualquer semelhança de qualquer coisa que esteja acima no céu, ou que esteja abaixo na terra, ou que esteja na água debaixo da terra. Não deves curvar-te a eles ou servi-los” (Êx 20: 2-5). Nosso Senhor Jesus Cristo confirmou a validade perene desse mandamento, dizendo: “Está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e servirás somente a Ele’ (Mt 4:10). As palavras “Senhor” e “Deus”, expressas no primeiro mandamento, significam a Santíssima Trindade, que é o único Senhor e o único Deus. Portanto, o que Deus deseja positivamente é que todos os homens devam cultuar e adorar somente a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o único Senhor e Deus. O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Como eles expressam os deveres fundamentais do homem em relação a Deus e ao próximo, os Dez Mandamentos revelam, em seu conteúdo primordial, graves obrigações. Eles são fundamentalmente imutáveis ​​e obrigam sempre e em qualquer lugar. Ninguém pode dispensar deles” (n.  2072).

As declarações do Papa Francisco na audiência geral de quarta-feira, 3 de abril de 2019, são um pequeno passo na direção de um esclarecimento da frase errônea encontrada no documento de Abu Dhabi. No entanto, permanecem insuficientes, porquanto não se referem diretamente ao documento e porque o católico comum e quase todos os não católicos nem conhecem ou compreendem o significado da expressão teologicamente técnica “vontade permissiva de Deus”.

Do ponto de vista pastoral, é altamente irresponsável deixar os fiéis de toda a Igreja em incerteza numa questão tão vital como a validade do primeiro Mandamento do Decálogo e a obrigação divina de todos os homens de acreditar e adorar, com seu livre arbítrio, em Jesus Cristo como o único Salvador da humanidade. Quando Deus ordenou a todos os homens “Este é o meu Filho amado, com quem me comprazo; ouça-o!” (Mt 17: 5) e quando, consequentemente, em Seu julgamento, Ele “infligirá vingança àqueles que não obedecem ao evangelho de Nosso Senhor Jesus” (2 Ts 1: 8), como pode Ele ao mesmo tempo considerar positivamente a diversidade das religiões? As palavras inequívocas reveladas por Deus são inconciliáveis com a frase contida no documento de Abu Dhabi. Afirmar o contrário significaria formar um círculo ou adotar a mentalidade do gnosticismo ou do hegelianismo.

Não se pode justificar a teoria de que a diversidade de religiões seja positivamente desejada por Deus acrescentando a verdade do depósito da fé em relação ao livre arbítrio como um presente de Deus, o Criador. Deus concedeu o livre arbítrio ao homem precisamente para que ele possa adorar somente a Deus, que é o Deus Trino. Deus não deu ao homem o livre arbítrio para adorar ídolos, ou negar ou blasfemar Seu Filho Encarnado Jesus Cristo, que disse: “Quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do único Filho de Deus” (Jo 3:18).

Após a sua interlocução com o Papa Francisco em 1º de março, durante a visita ad limina a Roma, Vossa Excelência teve mais alguma comunicação com ele sobre suas preocupações? Em caso afirmativo, foi antes ou depois da audiência geral de na quarta-feira, 3 de abril de 2019?

– Durante a audiência de 1º de março de 2019, por ocasião da visita ad limina, dirigi-me ao Papa Francisco, na presença dos bispos de nosso grupo, com estas palavras:

 “Santíssimo Padre, na presença de Deus, imploro a Vossa Santidade em nome de Jesus Cristo que nos julgará, a retratar-se dessa declaração do documento inter-religioso de Abu Dhabi, que relativiza a singularidade da fé em Jesus Cristo. Caso contrário, a Igreja em nossos dias não será objetiva sobre a verdade do Evangelho, como o apóstolo Paulo disse a Pedro em Antioquia (ver Gálatas 2:14). ”

O Santo Padre respondeu imediatamente, dizendo que é preciso explicar a frase no documento de Abu Dhabi referente à diversidade das religiões no sentido da “vontade permissiva de Deus”. Ao que respondi: “Visto que essa frase enumera indiscriminadamente os objetos da vontade sábia de Deus, colocando-os logicamente no mesmo nível, a diversidade dos sexos masculino e feminino deve também ser desejada pela vontade permissiva de Deus, o que significa que Ele tolera essa diversidade, assim como pode tolerar a diversidade de religiões.”

O Papa Francisco admitiu então que a frase poderia ser mal interpretada e disse: “Mas você pode dizer às pessoas que a diversidade de religiões corresponde à vontade permissiva de Deus.” Ao que respondi: “Santo Padre, por favor, diga isso a toda a Igreja.” Deixei meu pedido verbal com o Papa também na forma escrita.

O Papa Francisco respondeu-me gentilmente com uma carta datada de 5 de março de 2019, na qual repetiu suas palavras da audiência de 1º de março de 2019. Ele disse que é preciso entender a frase aplicando o princípio da vontade permissiva de Deus. Também observou que o documento de Abu Dhabi não pretende igualar a vontade de Deus em criar diferenças de cor e sexo com as diferenças de religião.

Com uma carta datada de 25 de março de 2019, respondi à carta do Papa Francisco de 5 de março de 2019, agradecendo-lhe por sua gentileza e pedindo-lhe com franqueza fraterna que publicasse, pessoalmente ou através de um Dicastério da Santa Sé, uma nota de esclarecimento repetindo a substância do que ele disse na audiência de 1º de março de 2019 e em sua carta de 5 de março de 2019. Adicionei estas palavras: “Publicando tais palavras, Vossa Santidade terá a ocasião auspiciosa e abençoada, em um momento histórico difícil da humanidade e da Igreja, de confessar Cristo, o Filho de Deus.”

Devo também dizer que o Papa Francisco enviou-me um cartão, datado de 7 de abril de 2019. Ele anexou uma cópia de seu discurso na audiência geral de quarta-feira, 3 de abril de 2019, e sublinhou a seção referente à vontade permissiva de Deus. É claro que sou grato ao Santo Padre por esta amável atenção.

O Documento sobre “Fraternidade Humana pela Paz Mundial e Viver Juntos” não foi oficialmente emendado ou corrigido, e ainda assim foi estabelecido um “Comitê Superior” para implementá-lo. Na segunda-feira, 26 de agosto de 2019, a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou uma declaração informando que o Papa Francisco ficou satisfeito ao saber da formação de um “Comitê Superior” para alcançar as metas contidas no documento. De acordo com a declaração, o Papa Francisco disse a seu respeito: “Embora, infelizmente, o mal, o ódio e a divisão façam notícia, há um mar oculto de bondade que está crescendo e nos leva à esperança no diálogo, no conhecimento recíproco e na possibilidade de construir, junto com os seguidores de outras religiões e todos os homens e mulheres de boa vontade, um mundo de fraternidade e paz.” Excelência, qual é a gravidade deste problema?

O problema é da maior gravidade, porque, sob a frase retoricamente bela e intelectualmente sedutora de “fraternidade humana”, os homens da Igreja estão de fato promovendo hoje a negligência do primeiro Mandamento do Decálogo e a traição do âmago do Evangelho. Por mais nobres que sejam os objetivos de “fraternidade humana” e “paz mundial”, eles não podem ser promovidos à custa de relativizar a verdade da singularidade de Jesus Cristo e de Sua Igreja e de minar o primeiro Mandamento do Decálogo.

O documento de Abu Dhabi sobre “Fraternidade Humana pela Paz Mundial e Viver Juntos” e o “Comitê Superior” encarregado de implementá-lo são como um bolo lindamente decorado que contém uma substância nociva. Cedo ou tarde, quase sem perceber, enfraquecerá o sistema imunológico do corpo.

O estabelecimento do “Comitê Superior” acima mencionado, encarregado de implementar em todos os níveis, entre outros bons objetivos o princípio supostamente divinamente desejado da “diversidade de religiões”, na verdade paralisa a missão ad gentes da Igreja, sufoca o zelo ardente de evangelizar todos os homens – é claro que com amor e respeito –, e dá a impressão de que a Igreja hoje está dizendo: “Tenho vergonha do Evangelho”; “Tenho vergonha de evangelizar”; “Tenho vergonha de trazer a luz do Evangelho a todos que ainda não creem em Cristo”. É o contrário do que disse São Paulo, Apóstolo dos gentios. Ele, pelo contrário, declarou: “Não tenho vergonha do Evangelho” (Rom 1:16) e “Ai de mim se não pregar o Evangelho!” (1 Cor 9:16).

O Documento de Abu Dhabi e os objetivos do “Comitê Superior” também enfraquecem consideravelmente uma das características e tarefas essenciais da Igreja, ou seja, ser missionário e cuidar principalmente da salvação eterna dos homens. Ele reduz as principais aspirações da humanidade aos valores temporais e imanentes da fraternidade, da paz e da convivência. De fato, as tentativas de paz estão destinadas ao fracasso se não forem propostas em nome de Jesus Cristo. Esta verdade profeticamente recorda-nos o Papa Pio XI, que disse que as principais causas das dificuldades sob as quais a humanidade está trabalhando “eram devidas ao fato de a maioria dos homens expulsar Jesus Cristo e sua santa Lei de suas vidas. Pio XI prosseguiu dizendo que,  “enquanto indivíduos e Estados se recusassem a se submeter ao governo de nosso Salvador, não haveria nenhuma perspectiva esperançosa de uma paz duradoura entre nações” (Encíclica Quas Primas, 1). O mesmo Papa ensinou que os católicos “se tornam grandes fatores para a paz mundial porque trabalham para a restauração e a expansão do Reino de Cristo” (Encíclica Ubi arcano, 58).

Uma paz que é uma realidade do mundo interior e puramente humana falhará. Pois, de acordo com Pio XI, “a paz de Cristo não se nutre nas coisas da Terra, mas nas do Céu. Tampouco poderia ser de outro modo, já que é Jesus Cristo quem revelou ao mundo a existência de valores espirituais e obteve para eles a devida apreciação. Ele disse: ‘Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se ele vier a perder sua alma?’  (Mt 16:26) Ele também nos ensinou uma lição divina de coragem e constância quando disse: ‘Não temas os que matam o corpo e não são capazes de matar a alma; antes, tema o que pode destruir a alma e o corpo no inferno’ (Mt 10:28; Lucas 12:14) ”(Encíclica Ubi arcano 36).

Deus criou os homens para o Céu. Deus criou todos os homens para conhecerem Jesus Cristo, terem vida sobrenatural n’Ele e alcançarem a vida eterna. Levar todos os homens a Jesus Cristo e à vida eterna é, portanto, a missão mais importante da Igreja. O Concílio Vaticano II nos forneceu uma bela e adequada explicação para esta missão: “A atividade missionária deriva sua razão da vontade de Deus, ‘que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois existe um Deus e um mediador entre Deus e os homens, ele próprio um homem, Jesus Cristo, que se deu como resgate por todos’ ‘(1 Tim 2:45), ‘nem há salvação em nenhum outro’ (Atos 4 : 12). Portanto, todos devem ser convertidos a Ele, tornados conhecidos pela pregação da Igreja, e todos devem ser incorporados a Ele pelo batismo e à Igreja que é Seu corpo. Porque o próprio Cristo, ‘enfatizando em linguagem expressa a necessidade de fé e batismo (cf. Mc 16, 16; Jo 3, 5), confirmou ao mesmo tempo a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como por um porta. Portanto, embora Deus, por caminhos conhecidos por Ele, possa conduzir esses homens ignorantes não culposos do Evangelho a encontrar aquela fé sem a qual é impossível agradá-Lo não podem ser salvos, que, embora cientes de que Deus, por meio de Jesus Cristo, fundou a Igreja como algo necessário, ainda não deseja entrar nela, nem perseverar nela. ” (Cf. Decreto “Treinamento sacerdotal”, 4, 8, 9.) Portanto, embora Deus, de maneiras conhecidas de Si mesmo, possa levar os inculpáveis ​​ignorantes do Evangelho a encontrar aquela fé sem a qual é impossível agradá-Lo (Heb 11: 6), há ainda para a Igreja uma necessidade (1 Cor 9:16), e ao mesmo tempo um dever sagrado, de pregar o Evangelho. E, portanto, a atividade missionária hoje, como sempre, conserva seu poder e necessidade ”(Ad Gentes, 7).

Quero enfatizar estas últimas palavras: “A atividade missionária da Igreja hoje conserva a sua necessidade!”

Vossa Excelência gostaria de acrescentar algo?

Em sua audiência geral de quarta-feira de 3 de abril de 2019, o Papa Francisco também disse o seguinte sobre a diversidade das religiões: “Existem muitas religiões. Alguns nascem da cultura, mas sempre olham para o céu; elas olham para Deus.”

Estas palavras contradizem de alguma forma a seguinte declaração luminosa e clara do Papa Paulo VI: “Nossa religião cristã efetivamente estabelece com Deus um relacionamento autêntico e vivo que as outras religiões não conseguem fazer, mesmo tendo, por assim dizer, seus braços estendidos para o céu” (Encíclica Evangelii Nuntiandi, 52). Quão oportunas são também as palavras do Papa Leão XIII: “A visão de que todas as religiões são iguais é calculada para causar a ruína de todas as formas de religião, e especialmente da religião católica, que, por ser a única verdadeira, não pode, sem grande injustiça, ser considerada meramente igual a outras religiões” (Encíclica Humanum genus, 16).

Também são adequadas as seguintes palavras do Papa Paulo VI:

“É com alegria e consolo que, no final da grande Assembleia de 1974, ouvimos estas palavras esclarecedoras: ‘Desejamos confirmar mais uma vez que a tarefa de evangelizar todas as pessoas constitui a missão essencial da Igreja’. É uma tarefa e missão que as vastas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgente. Evangelizar é de fato a graça e a vocação própria da Igreja, sua identidade mais profunda. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na Missa, que é o memorial de Sua morte e ressurreição gloriosa” (Encíclica Evangelii Nuntiandi, 14).

Portanto, como ensina o Catecismo da Igreja Católica, “o objetivo último da missão não é outro senão o de fazer os homens compartilharem a comunhão entre o Pai e o Filho em seu Espírito de amor” (n. 850).

Ao reconhecer direta ou indiretamente a igualdade de todas as religiões – através da divulgação e implementação do documento de Abu Dhabi (de 4 de fevereiro de 2019), sem corrigir sua afirmação errônea sobre a diversidade de religiões –, os homens na Igreja hoje não apenas traem Jesus Cristo como o único Salvador da humanidade e a necessidade de Sua Igreja para a salvação eterna, mas também cometem uma grande injustiça e pecam contra o amor ao próximo. Em 1542, São Francisco Xavier escreveu das Índias a seu pai espiritual Santo Inácio de Loyola: “Muitas pessoas nesses lugares não são cristãs simplesmente porque não há ninguém para torná-las tais. Muitas vezes sinto o desejo de viajar para as universidades da Europa, especialmente Paris, e gritar por toda parte, como um louco, para impulsionar aqueles que têm mais conhecimento do que caridade com estas palavras: ‘Ai, quantas almas, por causa de sua preguiça, são privadas do Céu e terminam no inferno!’”.

Possam essas palavras inflamadas do patrono celestial das missões e primeiro grande missionário jesuíta tocar a mente e o coração de todos os católicos, e especialmente o do primeiro Papa jesuíta, para que, com coragem evangélica e apostólica, ele possa retratar-se da declaração errônea sobre a diversidade de religiões contidas no documento de Abu Dhabi. Por tal ato, ele pode muito bem perder a amizade e a estima dos poderosos deste mundo, mas certamente não a amizade e a estima de Jesus Cristo, de acordo com Suas palavras: “Todo aquele que me confessar diante dos homens, Eu também o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus ”(Mt 10:32).

26 de agosto de 2019

 + Athanasius Schneider

4 setembro, 2019

Cai a máscara do isentismo: Dom Cláudio Hummes em evento contra o governo Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 4 de setembro de 2019 — Com Informações do Estadão — O teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA) hospedou, anteontem, o evento “Direito já”, protagonizado por partidos de esquerda e centro-esquerda, em oposição aos “retrocessos do governo Bolsonaro”.

Ao lado de dezenas de políticos esquerdistas, pousa ninguém menos que o arcebispo emérito de São Paulo, o cardeal Dom Cláudio Hummes, relator do Sínodo Pan-amazônico, a ser realizado dentro de um mês, em Roma.

Numa entrevista anterior ao próprio Estadão, Dom Cláudio, falando sobre as polêmicas entre o Sínodo da Amazônia e o governo, disse que: “Foi na campanha eleitoral que começou tudo isso. O governo, que se diz de direita, considera a Igreja de esquerda. Mas a Igreja não é partido político. Não é de esquerda. Não aceita essa qualificação, essa etiqueta. A Igreja é para todos”. E, mais adiante: “Esse governo apresentou uma questão sobretudo de soberania nacional. Mas todos sabemos que o Sínodo é da Igreja e para a Igreja. Não é para políticos, militares e outros”.

Ainda ontem, sempre o próprio Estadão, publicou a notícia de que o Vaticano vetou a participação de políticos com mandato entre os participantes do Sínodo, negando o pedido do governo brasileiro, principal interessado nas discussões, uma vez que a maior parte do território amazônico pertence ao Brasil.

Dias atrás, Dom Cláudio afirmou que quem critica o Sínodo da Amazônia “têm interesses muito fortes que se sentem um tanto ameaçados”.

A presença de Dom Cláudio num evento político de aberta oposição ao governo Bolsonaro compromete não apenas a suposta neutralidade política do Sínodo pan-amazônico, mas desmente as suas próprias declarações anteriores. Um verdadeiro escândalo para os católicos do Brasil.

A notícia de que Dom Cláudio pode ser convocado pelo Senado para esclarecer os propósitos do Sínodo fez tremer. O desespero paira sobre a cúria bergogliana.

3 setembro, 2019

Esta é a paz da Igreja.

E sim, peçamos a paz, tal como é compreendida e desejada pelos filhos de Deus. Uma paz digna deste nome, que a Sagrada Escritura de nenhum modo separa da Verdade, da Justiça e da Graça. Esta é a paz da Igreja: o tranquilo cumprimento da lei cristã, o pacífico desenvolvimento das obras da Fé e da Caridade, a afirmação pública da Verdade e dos preceitos do Evangelho, a conformidade das leis e instituições humanas com a doutrina e o ensinamento moral de Jesus Cristo, a contínua resistência ao Príncipe das Trevas e a todos aqueles que propagam as suas perversas máximas.

Dom Giuseppe Melchiorre Sarto, então bispo de Mântua — futuro São Pio X, alocução de 3 de setembro de 1889. Citado em Dal-Gal, Pie X, apud Saint Pius X, Restorer of the Church, Yves Chiron, Angelus Press, 2002, p.297 – Tradução: Fratres in Unum.com

*Publicado originalmente na festa de São Pio X, 3 de setembro de 2012

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2 setembro, 2019

Uma resistência inesperada.

Por FratresInUnum.com, 2 de setembro de 2019 – Não é sem razão que alguns têm chamado o iminente Sínodo da Amazônia de Concílio Vaticano III. E não apenas porque ele, como afirmava o bispo de Essen, quer introduzir uma ruptura definitiva, mudanças irreversíveis na estrutura da Igreja, mas sobretudo porque visa alcançar objetivos que ultrapassam de longe os escopos de um sínodo: reinterpretar radicalmente toda a revelação cristã, fazendo apelo às “revelações primordiais dos povos da floresta” como fonte de reinterpretação do Evangelho e da doutrina católica.

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Dezembro de 2015 – O “espetáculo” Fiat Lux toma a Basílica de São Pedro.

Contudo, como afirmamos em nosso último editorial, o desespero do Vaticano é nitidamente indisfarçável. O Sínodo não está “pegando” entre os católicos. A perplexidade só aumenta e, inclusive, mesmo as manobras para criar o alarmismo que conferiria ares de relevância ao Sínodo acabaram por “sair pela culatra”.

Para percebê-lo, porém, precisamos ir mais fundo em relação à superfície dos noticiários. Infelizmente, muitos de nós sucumbimos àquele oficialismo que induz à falsificação de que somente aquilo que aparece na mídia e nos órgãos oficiais de comunicação é realmente verdadeiro. As eleições brasileiras de 2018 mostraram muito claramente o quanto subestimar a percepção do povo pode sair caro para as elites.

Pois bem, algo de muito similar está acontecendo com a Igreja de nossos dias, especialmente em relação ao Sínodo pan-amazônico. Muitos fiéis, sacerdotes e leigos, inclusive bispos e cardeais, têm levantado a sua voz, em tons diferentes, com intensidades diferentes, mas de maneira contundente e inequívoca: a pauta sinodal está na contramão do sensus fidei, e é, portanto, uma violência contra a Igreja e o seu povo. Para além dos teólogos de corte e os bajuladores – que los hay, los hay! –, quase ninguém tem aberto a boca, a não ser uns corajosos fiéis que não cessam de opor sua explícita resistência.

Este fenômeno não aconteceu no Vaticano II. Trata-se de uma realidade totalmente nova, sinal claro de que todo o “avanço” despudorado levado a cabo pelo pontificado vigente está produzindo um efeito colateral extraordinário: o fortalecimento da resistência católica, cada dia mais aguerrida e militante, cada dia mais discordante do establishment que usurpou os lugares de decisão na Igreja. O próprio povo levanta a sua voz com firmeza para declarar sem medo a completa ilegitimidade dos atos de todos estes falsos pastores que, ao invés de procurar o bem da religião, querem vendê-la à completa submissão à agenda globalista.

O Sínodo pan-amazônico nada tem de pan-amazônico, a não ser a alegação. Na verdade, são os mesmos protagonistas germânicos que bagunçaram todo o catolicismo na década de 60 e seguintes que, agora, saem de seus sarcófagos, para transformarem toda a estrutura eclesiástica em um inferno. Os alemães entram com o dinheiro, os jesuítas com a militância e a Amazônia com a desculpa.

Trata-se da revanche germano-jesuítica à Cœlibatus sacerdotalis e à Humanæ vitæ, de Paulo VI, a todo o pontificado de João Paulo II e Bento XVI, à Revista Communio e a toda a hermenêutica da reforma na continuidade. Querem levar à cabo a revolução que ficou engasgada desde então.

No entanto, os anticorpos católicos reagem com decisão a esta infecção herética, obrigando os progressistas à agressividade ostensiva: em plenos templos de Francisco, nos quais os hereges de outrora ganharam total anistia, um simples padre do interior do Rio Grande do Sul, o Pe. Dr. Renato Dornelles, foi “excomungado” por rebeldia contra o romano pontífice, como se todos os teólogos que sustentam a heterodoxia atual não tivessem sido encarnecidos rebeldes aos pontificados anteriores. Isso não é apenas hipocrisia, é sobretudo a revelação da verdadeira natureza da “misericórdia bergogliana”: a promoção de todos os delinquentes com a simultânea eliminação de todos os seus opositores.

Neste ínterim, todas as manobras progressistas vão se diluindo na completa ausência de respaldo. O ataque da semana passada, capitaneado pelo presidente Macron e por Francisco, apenas fortaleceu ainda mais o patriotismo brasileiro diante dos inimigos externos, reforçou o patrocínio conservador à soberania nacional quanto à questão amazônica e retirou qualquer possibilidade de respaldo popular ao Sínodo, obrigando Francisco, inclusive, a parar com a desculpa de que o tema é a evangelização para como que confessar que a preocupação é com a internacionalização da questão ecológica.

Nas últimas semanas, apareceram vídeos importantes documentando a resistência popular ao Sínodo, inclusive com depoimento de indígenas que estão se sentindo usados e a adesão de centenas de pessoas nos comentários, desafogando a sua indignação contra a ofensiva que pretende subordinar a Igreja à revolução tribalista.

Esta resistência, de fato, é inédita e possivelmente suscitada pela própria Providência Divina. Não podemos recuar. A luta pela defesa do catolicismo honra muito a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, os quais certamente não deixarão de derramar graças em favor de todos os que se sacrificam pela fé e pela religião, e tudo isso reverterá em benefício de nossas almas e de toda a Igreja.