Archive for ‘Igreja’

24 setembro, 2020

BOMBA: Cardeal Becciu renuncia ao cardinalato e ao cargo de Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos

FratresInUnum.com, 24 de setembro de 2020 – “Hoje, quinta-feira, 24 de setembro, o Santo Padre aceitou a renúncia do cargo de Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e dos direitos anexos ao Cardinalato apresentada por sua Eminência, o Cardeal Giovanni Angelo Becciu”, publicou a Sala de Imprensa da Santa Sé.

Segundo o site Faro di Roma, a renúncia de Becciu estaria ligada ao episódio do “Prédio de Londres”, que está sob investigação da magistratura vaticana.

Becciu foi durante 8 anos substituto da Secretaria de Estado da Santa Sé (cargo importantíssimo: o terceiro na hierarquia, abaixo apenas do Papa e do Secretário de Estado) e foi elevado ao cardinalato pelo Papa Francisco no ano passado, sendo nomeado Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e delegado pontifício para a Ordem de Malta.

Após a nomeação do novo substituto, o venezuelano D. Egnar Peña Parra, surgiram documentos comprometedores relativos a operações financeiras dos tempos de Becciu, especialmente a aquisição de um imóvel em Londes, na “Sloane Avenue”, cujo preço teria triplicado em relação aos valores iniciais, e que teria custado centenas de milhões de euros.

Contactado na tarde de hoje por AdnKronos – sempre segundo informações de Faro di Roma –, Becciu teria declarado: “Prefiro o silêncio”. A decisão teria sido comunicada pelo Papa na audiência privada de hoje, às 18h30min, audiência cujo tema eram as aprovações dos decretos para as próximas canonizações.

Em relação à compra do imóvel de Londres por um valor acima de 200 milhões de euros, justamente quando ele fora substituto da Secretaria de Estado, Becciu se defendeu dizendo que “alguém teria se aproveitado da situação”. Ele esclarecera que nada tinha sido usado do Óbolo de São Pedro (coisa aparentemente negada pela magistratura vaticana) e que o prédio tinha sido um ótimo investimento para o Vaticano.

Apesar de Becciu ter alegado que sempre agira de acordo com a aprovação de seus superiores, a magistratura vaticana teria considerado a situação anômala, o que levou à apreensão de computadores da Secretaria de Estado e à demissão de cinco funcionários, incluindo-se aí Mons. Mauro Carlino, secretário de Becciu.

A situação teria produzido violentas tensões entre o Secretário de Estado, o Cardeal Pietro Parolin, que teria qualificado a operação de especulação imobiliária como “opaca”, e o ex-substituto, Cardeal Becciù, que teria chegado a evocar a “macchina del fango” (literalmente, “máquina de lama”, o que equivaleria, em português, à expressão “jogar lama no ventilador”).

A investigação sobre o prédio de “Sloane Avenue” inclui ainda outros imóveis, além de uma operação principal contra a lavagem de dinheiro.

18 setembro, 2020

Páginas católicas na mira da CNBB… Começa o controle eclesial da internet?

Por FratresInUnum.com, 18 de setembro de 2020 – Fontes murmurantes nos informaram que a CNBB, por um de seus órgãos, teria contatado (ou contratado?) um conhecido jornalista de uma universidade jesuíta que mantém um site de notícias mega esquerdista, solicitando um dossiê sobre os maiores influenciadores católicos do Brasil.

Index Librorum Prohibitorum – Wikipédia, a enciclopédia livreA finalidade do “estudo” seria sondar as opiniões circulantes sobre a CNBB e mapear quais seriam as páginas e quem seriam os maiores influenciadores, padres e leigos.

Parece que, além de terem já um mapeamento desses grupos e indivíduos, já teriam chegado à conclusão de que carca de 90% das opiniões circulantes sobre a CNBB e a hierarquia são desfavoráveis.

A pergunta que não quer calar é: mas era necessário um estudo para chegarem a conclusões tão óbvias?

Agora, o objetivo seria o de neutralizar os influencers católicos não adestrados pela intelligentsia cnbbista e isso por alguns caminhos: através dos seus superiores imediatos, desestimulá-los em seu apostolado digital; criar uma fiscalização maior para impedir a difusão de notícias que lhes são desfavoráveis, valendo-se até de instituições internacionais (como as que que detêm os direitos de copyright das fotos do papa), forçando as pessoas a se aterem unicamente à oficialidade deles; e, por último, lançando novos influenciadores, mais alinhados com a hegemonia.

Já imaginaram como seriam estes novos youtubers cnbbísticos? Preparem-se que estão chegando novos Felipes Netos, Átilas Iamarinos e Gretas Thunbergs com anel de tucum para colorir a sua telinha!… E tudo naquele estilo libertador-carismático, a foice com mel, só para tentar enganar algum incauto.

O que a CNBB não percebe é que os influenciadores não mudaram a opinião pública. O seu sucesso foi justamente porque eles refletiram a opinião pública e, por isso, obtiveram o respaldo do povo. A tentativa de querer enfiar goela abaixo dos católicos que os aceitem – bem nos moldes: “você tem que me amar!” – está fadada ao fracasso.

A Igreja no Brasil escolheu descolar-se do povo fiel e se aliar às elites de esquerda e agora está pagando o preço por isso. Eles podem ter cargos, podem ter títulos, mas ninguém quer falar com eles, ninguém quer ouvi-los: qualquer moleque conservador na internet tem mais audiência que todos eles. Ao contrário, quando aparecem, as hostilizações são contínuas, os comentários desabonadores nas redes sociais não param, e isso não é fruto de mídia, é o católico comum que não os suporta mais.

Os últimos bastiões de catolicidade no Brasil são uns poucos influenciadores católicos que ainda – ainda, e que Deus os conserve! –  não se renderam. Se eles quiserem destruí-los, não conseguirão desviar a audiência católica para si; ao contrário, apenas irão encaminhá-la ainda mais para aqueles que já a estão conquistando há anos: os pastores pentecostais. E o povo continuará solenemente os ignorando, mesmo que venham novos influencers com o “selo Cnbb de qualidade”.

Quem diria que um dia veríamos a CNBB tiranicamente criar o seu próprio Index?

14 setembro, 2020

Carreiristas da Teologia da Libertação escrevem carta ao Papa Francisco.

Por FratresInUnum.com, 14 de setembro de 2020 – Não se morre de tédio neste nosso país, e isso também vale para a nossa Igreja Católica! Ontem, o site PortalDasCEBs noticiou em primeira mão que um grupo de padres e bispos descontentes escreveram ao Papa Francisco tomando como motivo a campanha internacional Black Lives Matter (!!!).

O objetivo da missiva foi difamar o núncio apostólico em saída, Dom Giovanni d’Aniello, recém nomeado para a Rússia, e pautar, a exemplo do que já tentou fazer dom Leonardo Steiner, a atividade do próximo núncio apostólico, Dom Giovani Battista Diquattro. Segundo os firmatários, a nunciatura precisa adotar critérios raciais na escolha dos candidatos ao episcopado, privilegiando os candidatos negros sobre os provenientes de outra etnia ou grupo racial, bem como realizar as nomeações atendendo mais às tendências hegemônicas nas realidades locais (entenda-se, das máfias locais). Uma pergunta que não deixaríamos passar: mas, se o candidato negro for da estirpe de Sarah, Napier, Arinze… teria direito a essas quotas? Ou receberiam o tratamento dispensado pelo Cardeal Kasper e companhia ao episcopado africano no Sínodo da Família?

Ultimamente, a facção que assumiu a autoria da carta, autointitulada “Padres da Caminhada” (a qual não possui nenhuma personalidade jurídica, civil ou canônica, e, portanto, atua nos parâmetros da mais clamorosa clandestinidade), tem se empenhado em atuar como um verdadeiro grupo de pressão contra a CNBB e as instituições da Igreja, forçando uma ruptura interna no episcopado e, ao mesmo tempo, a mais aberta fanatização política. Não satisfeitos com o esquerdismo borocoxô de Dom Walmor e demais membros da presidência atual da CNBB, querem uma CNBB pujantemente militante, desavergonhadamente de punhos levantados — da nossa parte, concordaríamos somente se a CNBB entrasse numa bela greve, quiçá perene…!

Os signatários chegam a dizer que estão “cansados de diplomatas vaidosos e carreiristas, ansiosos por poder!”.

Resposta do Papa Francisco aos “Padres da Caminhada”.

A coisa mais interessante, porém, é que eles obtiveram uma resposta do Papa Francisco, na qual ele os agradece pela carta e acrescenta: “falarei do assunto com o cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos. Entendo o que dizem sobre a Nunciatura e o modo de escolher os candidatos ao Episcopado. Agora irá um Núncio novo e também falarei com ele”.

O que isso significa, realmente, ninguém sabe. Quem sondará os pensamentos de um jesuíta? De um lado, pode significar: “concordo com vocês e farei o que estão dizendo”, ou, de outro lado: “isso é um assunto meu e eu converso com os interessados”.

Em todos os casos, é bom que conheçamos quem são esses carreiristas ressentidos, que queriam brincar de mitra, mas não conseguem (ao menos até agora); que querem manipular as nomeações no Brasil, ousam pular toda a estrutura da Igreja e tentar acoplar diretamente o papa em suas políticas eclesiásticas; que hostilizam de modo tão desleal os seus superiores visando tê-los como pares no episcopado; enfim, destes que vivem falando de pobres e do povo, mas que se autodenunciam em sua própria ambição e volúpia pelo poder.

Aqueles “carreiristas, ansiosos por poder” que eles poderiam identificar facilmente se olhassem, não às nomeações do antigo núncio, mas, simplesmente, ao… espelho.

É excelente que o Portal das CEBs tenha divulgado a carta, pois, sendo insuspeito de direitismo ou de qualquer tipo de conservadorismo, é fonte totalmente segura da veracidade da informação e também de sua orientação ideológica. Agradecemos ao Portal das CEBs por mais este importante vazamento (embora sua audiência seja irrisória, sendo que o grande público tomará ciência do conteúdo aqui pelo Fratres!).

Esse tipo de movimentação mafiosa pela parte sempre descontente e baderneira do clero brasileiro, insuflada por bispos em fim de carreira e desejosos de perpetuação, deveria ser frontalmente neutralizada pela Conferência Episcopal. Tal iniciativa é claramente afrontosa e mostra exatamente quem são e onde estão os inimigos da Igreja.

Sairão Dom Walmor, Dom Jaime Spengler e Dom Joel, membros da atual presidência da CNBB, de seu sonolento  e burocrático mundinho de notas insípidas, sobre todos os temas possíveis e imagináveis, para tratar de um assunto que realmente lhes compete?

Abaixo, seguem os nomes de todos que assinaram a carta, segundo a divulgação do Portal das CEBs:

  1. Adamor Lima – Paróquia das Ilhas – Diocese de Abaetetuba – PA
  2. Dom Adriano Ciocca Vasino – Prelazia de São Feliz do Araguaia – MT
  3. Altair Manieri – Arquidiocese de Londrina – PR
  4. Antônio Carlos Fernandes, SDN – Espera Feliz – Diocese de Caratinga – MG
  5. Antônio De Jesus Sardinha – Vigário Geral – Diocese de Jales/SP
  6. Antônio José de Almeida – Diocese de Apucarana – PR
  7. Antonio Lopes de Lima – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
  8. Antonio Manzatto – Arquidiocese de São Paulo
  9. Basilio Vidal Vileci – Diocese de Crato – CE
  10. Benedito Ferraro – Arquidiocese de Campinas – SP
  11. Brasílio Alves de Assis – Diocese de Registro – SP
  12. Celso Carlos Puttkammer dos Santos – Prelazia do Marajó – Soure/PA
  13. Danilo Lago Severiano – São Félix do Xingu – Prelazia de São Félix – PA
  14. Danilo Vitor Pena – Diocese de Jacarezinho – PR
  15. Dennis Koltz – PIME – Macapá
  16. Diego Giuseppe Pelizzari – Diocese de Londrina – Conselho Indigenista Missionario – CIMI
  17. Dirceu Luiz Fumagalli – Arquidiocese de Londrina – PR
  18. Domingos Rodrigues – Paróquia Arcanjo Gabriel – Diocese de Bagé – RS
  19. Edegard Silva Junior – Missionário Saletino – Diocese de Pemba – Moçambique
  20. Edmar Augusto Costa – Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ
  21. Edson André Cunha Thomassim
  22. Edson Zamiro da Silva – Diocese de Apucarana – PR
  23. Elauterio Conrado da Silva Junior – Diocese de Bagé – RS
  24. Dom Erwin Käutler – Bispo Prelado Emérito da Diocese do Xingu – Altamira – PA
  25. Ezael Juliatto – Arquidiocese de São Paulo – SP
  26. Flávio Corrêa de Lima – Diocese de Novo Hamburgo – RS.
  27. Dom Flávio Giovenale, SDB – Diocese de Cruzeiro do Sul – AC
  28. Francisco de Aquino Junior – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
  29. Francisco Gecivam Garcia – Arquidiocese de Maringá – PR
  30. Geraldino Rodrigues de Proênça – Diocese de Apucarana – PR
  31. Gilberto Tomazi – Vigário Geral – Diocese de Caçador-SC
  32. Hermes Antonio Tonini – Diocese de Lages – SC
  33. Ivanil Pereira da Silva – Paróquia Santa Rita de Cássia – Cianorte – Diocese de Umuarama – PR
  34. Jean Fabio Santana, SJ – Arquidiocese de São Paulo – SP
  35. Jorge Corsini – Diocese de Registro – SP
  36. Diác. Jorge Luiz A. Souza – Arquidiocese de São Paulo – SP
  37. Jorge Pereira de Melo – Arquidiocese de Londrina – Paróquia Santo Antônio – Londrina.
  38. José Amaro Lopes de Sousa – Diocese de Xingú – Altamira – PA
  39. José Cristiano Bento dos Santos – Arquidiocese de Londrina – PR
  40. José Geraldo Magela Vidal – Arquidiocese de Mariana – MG
  41. Dom José Luiz Ferreira Salles, CSsR – Diocese de Pesqueira –
  42. Dom José Mário Stroeher – Bispo Emérito do Rio Grande – RS
  43. José Oscar Beozzo – Diocese de Lins – SP
  44. José Roberto Moreira – Paróquia Nsa. Sra. Da Boa Viagem – Bocaina do Sul – Diocese de Lages – SC
  45. Lazaro Gabriel Lourenço – Diocese de Limeira – SP
  46. Leandro de Mello – Arquidiocese de Passo Fundo – RS
  47. Leomar Antonio Montagna – Arquidiocese de Maringá – PR
  48. Lino Mayer – Diocese de Rio Grande – RS
  49. Luciano da Paixão – Arquidiocese de Londrina – PR
  50. Luis Miguel Modino – Missionário Fidei Donum – Arquidiocese de Manaus – AM
  51. Luiz Carlos Palhares – Diocese de Apucarana – PR
  52. Luiz Roberto Sandini – Diocese de Chapecó – SC
  53. Dom Manoel João Francisco – Bispo da Diocese de Cornélio Procópio – PR
  54. Manoel José de Godoy – Paróquia São Tarcísio – Arquidiocese de Belo Horizonte – MG
  55. Marcos Roberto Almeida dos Santos – Arquidiocese de Maringá – PR
  56. Mauro Batista Pedrinelli. Arquidiocese de Londrina – PR
  57. Medoro de Oliveira Souza Neto – Diocese de Valênça – RJ
  58. Nadir Luiz Zanchet – Diocese de Balsas – MA
  59. Nelito Dornelas – Governador Valadares – MG
  60. Pascal Atumissi B., SX. CIMI – Redenção – PA
  61. Paulo Humberto Rodrigues Cruz – Arquidiocese de Belém do Pará – Área Missionária São Clemente – PA
  62. Paulo Joanil da Silva, OMI – Diocese de Belém – PA
  63. Paulo Sérgio Bezerra – Paróquia N. Sra. do Carmo – Itaquera – Diocese de São Miguel Paulista – SP
  64. Pedro Curran, OMI – Arquidiocese de Manaus – AM
  65. Roberto Valicourt, OMI – Arquidiocese de Manaus – AM
  66. Rui Fernando de Oliveira Santos -Diocese de Apucarana – PR
  67. Sebastião Rodrigues da Silva – Paróquia São Francisco de Assis CP – Diocese de Cornélio Procópio – PR
  68. Sérgio Eduardo Mariucci, SJ –
  69. Sérgio Lima Pereira – Arquidiocese de Pelotas – RS
  70. Severino Leite Diniz – Paróquia Nsa. Sra. Aparecida – Promissão – Diocese de Lins – SP
  71. Sisto Magro – PIME – Macapa – AP Pe. Vilmar Gazaniga – Diocese de Caçador – SC
  72. Vilson Groh – Florianópolis – SC
  73. Vitor Galdino Feller – Vigário Geral – Arquidiocese de Florianópolis- SC. Pe. Wilfrido Mosquer, OSFS – Arquidiocese de Pelotas – RS
  74. Frei Wilmar Villalba Ortiz, OFM Conv – Paróquia Exaltação da Santa Cruz – Ubatuba – SP
  75. Wilner Charles, OSFS Brasil,
13 setembro, 2020

In illo tempore…

Fotos da ordenação de 842 sacerdotes durante o XXXV Congresso Eucarístico Internacional de Barcelona, no Estádio Olímpico de Montjuich, em de maio de 1952. Foram erguidos 21 altares, sobre os quais 21 bispos celebraram missas simultâneas.
Cada bispo ordenou 40 sacerdotes. Uma schola cantorum de 300 seminaristas provenientes de toda a Espanha cantou.

Fonte: Facebook “La Iglesia de siempre” via Messa in Latino.

12 setembro, 2020

Roma locuta, causa…

Em carta aos presidentes das Conferências Episcopais, enviada pelo cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e aprovada pelo próprio papa Francisco no último dia 3, pede-se facilitar:

“A participação dos fiéis nas celebrações, mas sem experiências rituais improvisadas e em plena conformidade com as normas contidas nos livros litúrgicos que regulam seu desenvolvimento”, e reconhecendo “aos fiéis o direito de receber o Corpo de Cristo e adorar o Senhor presente na Eucaristia nas formas previstas, sem limitações que até mesmo possam ir além do previsto pelas normas higiênicas emanadas pelas autoridades públicas ou pelos Bispos”.

Roma locuta, causa…

Causa no máximo riso e desprezo em nossos bispos, salvo raríssimas exceções, que antes mesmo de qualquer autoridade sanitária se apressaram em pisar sobre o direito dos fiéis de comungar na boca.

 

 

3 setembro, 2020

A Igreja que o novo Núncio irá encontrar.

FratresInUnum.com, 3 de setembro de 2020 – Na última segunda-feira, o site de notícias do Vaticano publicou uma reportagem com recortes de uma entrevista concedida pelo nosso já muito conhecido Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, intitulada “o Brasil que o novo núncio irá encontrar”, com uma clara tentativa de “pautar” a atuação do novo núncio dentro das bandeiras ideológicas defendidas por ele desde que foi secretário geral da CNBB.

Dom Giambattista Diquatro, novo núncio apostólico no Brasil, e o Papa Francisco.

É muito interessante que o VaticanNews entreviste a Dom Leonardo, ex-secretário, não eleito para nenhum cargo na Conferência Episcopal (inclusive porque estava impedido por questões regimentais), ao invés de alguém da presidência, como o novo secretário, Dom Joel Portella Amado.

Que a máfia franciscana saiu bastante enfraquecida da última eleição da CNBB não é segredo para ninguém. Agora, com o novo núncio, a sua situação tende a ficar ainda mais fragilizada, já que o franciscano arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, não terá a mesma acessibilidade de que gozava até o presente, bem como seu confrade Dom Steiner permanecerá enclausurado em sua “Querida Amazônia”.

Mas a reportagem de Steiner não deixa de ter o seu toque sarcástico: ele disse que “a Igreja no Brasil sempre acolheu bem os núncios enviados pelos Papas”, que o novo núncio “encontrará uma Igreja que procura ser fiel ao Evangelho e ao magistério da Igreja” e “um presbiterado que cresce em número e no espírito missionário”, “uma presença de fiéis que não gostam de seguir os ensinamentos de papa Francisco” e “um episcopado em comunhão e que vive a colegialidade. Nessa convivência fraterna encontrará diferentes modos de ver as questões políticas e sociais, as impostações teológicas e eclesiais”.

Só quem conhece os corredores da CNBB sabe como os núncios apostólicos sempre foram tratados com hostilidade, quase como infiltrados. Mas a declaração apressada de Dom Steiner, adiantando-se e intrometendo-se naquilo que não lhe compete, revela muito bem o desespero de quem perdeu hegemonia e tenta recuperá-la; ainda mais depois que ele, Dom Steiner, respaldou a famigerada carta dos 152 bispos, cujo vazamento impediu que a CNBB lhe desse qualquer tipo de vazão. Enfim… não deu certo!

A iniciativa de Dom Steiner, porém, foi bastante sugestiva e nos deu a ideia do que poderíamos dizer ao novo núncio: que tipo de Igreja ele encontrará no Brasil?

Uma Igreja em estado avançado de decomposição.

Depois de décadas de uma obstinada e rebelde adesão do episcopado à TL, o descolamento da hierarquia em relação ao corpo do fieis não pode mais ser ignorado. Apesar de ter sido um dia um país 98% católico, o Brasil está se tornando majoritariamente protestante. Pesquisas estatísticas mostram que não há no país nenhum índice de crescimento do número de católicos e que, por volta de 2030, os pentecostais se tornarão o grupo religioso majoritário. Não se percebe nenhum mea-culpa por parte dos nossos excelentíssimos bispos, mas apenas aquela pose triunfalista e esnobe de quem se acha por cima da situação. A pandemia de coronavírus acelerou o processo de erosão da Igreja. O número de fieis diminuiu ainda mais e a perspectiva é de uma explosão de defecções nas fileiras católicas nos próximos anos.

Clericalismo doente. Os bispos e o clero, em sua esmagadora maioria, não escutam os leigos, escondem-se por trás de seus títulos eclesiásticos e ignoram solenemente o povo. O papel dos leigos é pagar o dízimo, dar dinheiro nas coletas, trabalhar em eventos e ficar totalmente calado diante dos abusos de todo tipo cometido por seus bispos e padres. O corporativismo episcopal é gigantesco, bem no estilo “ninguém solta a mão de ninguém”. Os bispos acobertam os abusos dos padres e os seus próprios abusos e o povo permanece completamente inerme, assistindo este espetáculo de deterioração sem que possa fazer nada.

Politicagem petista. Tivemos membros do clero que participaram ativamente dos governos do PT e outros, como Dom Steiner, por exemplo, que eram figuras muito próximas de figurões como Gilberto Carvalho. O clericalismo brasileiro sempre cultivou aquele coronelismo amigo de elites. No caso do clero progressista, o desejo de controlar a política o fez aliar-se com as elites mais depravadas do esquerdismo brasileiro com vistas a construir uma pátria socialista. Já não se fala mais na doutrina da fé e dos costumes, na santidade dos sacramentos, na necessidade de incutir no povo um espírito de oração, mas apenas em temas sociais. O povo tomou nojo desses discursos engajados e não suporta mais ver o altar transformado em palanque e a homilia em espaço de comícios. O clero progressista se tornou alérgico à democracia e não aceita mais o resultado das urnas, a não ser quando são sufragados os candidatos de esquerda. A Igreja brasileira perdeu completamente a sua credibilidade.

Mediocridade e perversão na hierarquia. Não temos mais nenhum personagem de destaque no episcopado, que se tornou desgraçadamente um reduto de gente inepta, incapaz senão de dizer obviedades e platitudes. O clero brasileiro tornou-se viveiro para todo tipo de personagem exótico: desde padres que se comportam como galãs ou cowboys, passando por apresentadores de programas de televisão até cantores circenses que se dispõem apenas a animar um palco. Os casos de imoralidade e escândalos econômicos fazem parte do dia-a-dia da Igreja no Brasil. Não há diocese que não tenha uma coleção de problemas e, infelizmente, tudo continua a ser devidamente abafado pelas autoridades eclesiásticas. A qualidade das pregações na Igreja é vergonhosa. Durante a pandemia, sobejaram as vergonhas internet afora e ostentou-se o amadorismo do clero brasileiro.

Padres com psicopatologias. Nos últimos anos, a Comissão Nacional de Presbíteros tem apresentado dados assustadores sobre o suicídio de padres, muitas vezes em idade jovem. Uma das razões alegadas é a de que os bispos se comportam como patrões, mais interessados no rendimento econômico das comunidades e nos repasses às cúrias que na integridade psicológica e espiritual dos seus presbíteros. Há muitos bispos afetivamente hostis, despreparados humanamente, incapazes de administrar problemas e apenas motivados em manter as estruturas diocesanas em conformidade com as normas administrativas. Os padres perdem facilmente a motivação de viver e adoecem, perdendo a capacidade de prosseguir com o seu ministério.

Inverno vocacional. Há muitas dioceses que passam por um prolongado inverno vocacional, sobretudo nos lugares em que a TL prosperou de modo mais invicto. Mesmo as dioceses que foram favorecidas com muitas vocações no início do milênio com o momentâneo vigor carismático,  agora começam a viver um acentuado declive de candidatos ao sacerdócio. Há congregações religiosas no caminho da extinção, bem como um envelhecimento predominante no clero. Nada disso é um fenômeno isolado. Com a Igreja mesma perdendo fieis, como teríamos entusiasmo vocacional?

Desrespeito à legítima liberdade dos fieis. No Brasil, há uma grande fatia de fieis que é adepta da missa tradicional, dita “forma extraordinária do rito romano” ou mesmo aos usos e costumes mais tradicionais, como a comunhão de joelhos e na boca e a utilização de véus e saias por mulheres. É acachapante a hostilização sistemática que fieis devotos sofrem em suas paróquias, a ponto de muitas vezes terem de trocar de comunidade para se sentirem acolhidos. A sonegação sistemática da missa no rito romano de sempre aliada à perseguição dos padres que a celebram ou que ao menos têm usos mais tradicionais são atentados contra à legítima liberdade dos fieis. Não se trata senão de pura e simples injustiça, a famosa intolerância dos tolerantes e acolhedores.

Baixa qualidade na formação sacerdotal. Na década de 1950, os seminários brasileiros eram centros extraordinários de formação intelectual e humana. Atualmente, os seminários se tornaram depósito de gente, os seminaristas são tratados como empregados de luxo de párocos e de formadores que praticam frequentemente abusos de autoridade. Mas o pior, mesmo, é a baixíssima qualidade da formação nas faculdades de filosofia e teologia. Embora em muitos ambientes ainda se mantenha aquela aparência acadêmica em virtude das burocracias e culto aos títulos, tudo não passa de fumaça. Na prática, há tantos professores desqualificados nesses institutos que nem sequer a má teologia é ensinada competentemente. Os alunos saem mais toscos do que quando entraram. Basta conversar com qualquer jovem padre brasileiro, salvo raras e honrosas exceções.

Nomeações episcopais fracas. Fala-se muito que estão sendo nomeados bispos na “linha do Papa Francisco”, como se a Igreja estivesse inventando uma nova definição do episcopado. O fato, porém, é que, salvo raras exceções, estão rebaixando de tal modo o nível do episcopado, o qual já era bastante baixo, que os bispos perderão completamente a conexão com a realidade. Dizem que “quem tem padrinho, não morre pagão” e, de fato, existem as “máfias” locais tanto para a promoção como para a queima de muitos candidatos, especialmente entre o clero diocesano. Mas também é um fato que estes bispos oriundos de congregações religiosas, atualmente grande parte do episcopado, podem até ser bons administradores e gananciosos empresários, mas não têm o menor tato para lidar com o clero diocesano e com o povo fiel, comportam-se muitas vezes como faraós, controladores e sempre em conchavo com suas cortes, e tiram o dinamismo próprio dos padres diocesanos. Enfim, as dioceses cada vez mais ficam paradas, como um grande convento de frades preguiçosos.

* * *

Não quisemos ser exaustivos em nossa breve apresentação dos desafios que o novo núncio vai ter de enfrentar, mas isso é proposital. Queremos que você também contribua ativamente com esta análise, enviando as suas considerações ao novo representante do Vaticano no Brasil. Escreva-lhe as suas sugestões e diga-lhe claramente qual é a Igreja que o novo núncio vai encontrar.

Dom Giambattista Diquattro

nunapost@solar.com.br

Boa redação! E não de esqueça de deixar uma cópia na caixa de comentários.

18 agosto, 2020

Os sete degraus do Altar: a concepção tradicional do Sacramento da Ordem.

Por Cônego Heitor Matheus, ICRSS

Neste ano, na festa da Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria (2 de julho), nosso Instituto teve a grande alegria de dar mais nove sacerdotes à Igreja – mais nove homens que foram ordenados para continuar a obra da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por esse motivo, hoje gostaria de falar sobre esta bela aventura que chamamos de vocação e como um homem se torna sacerdote.

Como em um grande quebra-cabeça, Deus tem um lugar reservado para cada um de nós, e temos o dever de tentar descobrir onde é o nosso lugar. E eu lhes afirmo que só seremos felizes, felizes de verdade, na vocação que Deus tem para nós. Nossa vocação é a decisão mais importante que temos que tomar nesta vida: ela decidirá o curso de nossa vida aqui no tempo, mas também na eternidade.

Mas, como descobrimos nossa vocação? Em primeiro lugar, devemos saber que a palavra “vocação” significa “chamado”. A vocação é um chamado de Deus. Não ouvimos esse chamado com os ouvidos do nosso corpo, mas podemos percebê-lo pelos afetos do nosso coração. Por exemplo, quando um jovem gosta de ir à igreja, servir o Altar, estudar a Fé, dedicar tempo à oração … quando ele é como que atraído por uma força secreta para as coisas de Deus. Esses são sinais de vocação.

Quando um jovem pensa ser chamado por Deus, ele deve se aconselhar com um sacerdote, a fim de discernir a vontade de Deus em sua vida. E se ele realmente pensa que está sendo chamado por Deus e pretende responder a este chamado, ele irá então para o Seminário, onde iniciará essa bela caminhada que o levará ao Altar de Deus.

Agora, uma coisa tem que ser dita: o seminário não é reservado só para quem é muito inteligente, não. É verdade que o seminarista terá que estudar, e estudar muito, mas mesmo que não seja tão brilhante, ele pode ser padre, e um bom padre. Um sacerdote não precisa ser um cientista, mas um homem de Deus, um homem que serve a Deus na pobreza, castidade e obediência.

Assim, após o primeiro ano de formação, o jovem seminarista receberá a batina, que é a farda do exército de Cristo. E ele estará vestido de preto, porque ele deve estar morto para o mundo, e as coisas do mundo não devem significar nada para ele.

Depois da batina, o seminarista receberá o que chamamos de “tonsura”. A tonsura é uma cerimônia muito antiga, em que o bispo corta o cabelo do jovem em forma de cruz, e o jovem repete depois do bispo as palavras do Salmo XV: Dominus pars hereditatis meae et calicis mei, tu es qui restitues hereditatem meam mihi. “O Senhor é a parte da minha herança e meu cálice, tu és aquele que restaurará a minha herança para mim.” O seminarista declara que o Senhor é a sua porção e seu quinhão neste mundo, como os levitas do Antigo Testamento. E este é o significado da palavra “clérigo”: ter o Senhor como nossa porção e ser nós mesmos a porção do Senhor.

Tonsura

Tradicionalmente, a tonsura é considerada a entrada no estado clerical e conduz o jovem seminarista aos sete degraus do altar, que são os sete graus do sacramento da Ordem. Portanto, embora o sacramento da Ordem seja um, ele é dividido em graus, e o seminarista subirá um degrau de cada vez.

O primeiro degrau é a Ordem de Ostiário, e por esta ordem o seminarista recebe a incumbência de abrir e fechar a igreja, e cuidar dos vasos sagrados.

Ostiario: entrega da chave

O segundo degrau é a Ordem de Leitor, e por esta ordem o seminarista recebe a tarefa de ler as Sagradas Escrituras durante o Ofício Divino e catequizar o povo.

Leitor: entrega do livro

O terceiro degrau é a Ordem de Exorcista, e por esta ordem o seminarista recebe o poder de expulsar o demônio dos corpos daqueles que estão possuídos (embora o uso desse poder esteja sujeito a formação e permissão adicionais).

Exorcista: entrega do livro

O quarto degrau é a Ordem de Acólito, e por esta ordem o seminarista recebe o ofício de servir a Santa Missa.

Acólito: entrega da vela

Acólito: entrega das galhetas

Estas são as quatro ordens que chamamos de menores. E em seguida vêm as três ordens ditas maiores.

O quinto degrau do Altar é o Subdiaconato . É durante essa ordenação que o jovem levita faz sua promessa, seu voto de castidade perpétua. Ele então recebe o poder de ajudar o diácono e o sacerdote no Altar. Vemos bem que primeiro ele promete castidade, e só então recebe o poder de servir no Altar. Por isso, podemos ver claramente que a castidade e o serviço do Altar devem andar sempre juntos.

Subdiácono: promessa de castidade

Subdiácono: entrega do cálice

 

Subdiácono: entrega do livro das Epístolas

O sexto degrau do Altar é o Diaconato . Por esta ordem, o seminarista recebe o poder de ajudar o sacerdote no altar, de anunciar o Evangelho, pregar e batizar.

Diácono: imposição da mão

Diácono: entrega do livro dos Evangelhos

Finalmente, o sétimo degrau do Altar é a Ordem dos Sacerdotes , que inclui tanto simples padres (presbiterado) quanto bispos (episcopado).

Sacerdote: imposição das mãos

Sacerdote: unção das mãos

Sacerdote: entrega do cálice e hóstia

Sacerdote: promessa de obediência

Na sua ordenação, o sacerdote recebe um poder que não foi concedido aos próprios anjos de Deus: o poder de consagrar o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e o poder de perdoar os pecados. O grande plano de salvação está nas pequenas mãos do sacerdote. O padre é tão pequeno, mas ao mesmo tempo tão grande. Que missão, que vocação! A vocação mais sublime da terra: ser sacerdote, ser outro Cristo, continuar a obra da redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nós, sacerdotes, recordamos com grande emoção todos os passos que nos conduziram ao altar de Deus: a nossa tonsura, as ordens menores, o subdiaconato, o diaconato e, por fim, o sacerdócio. É uma grande alegria ser sacerdote, de tal forma que nunca voltaríamos atrás. Se tivéssemos mil vidas, mil vezes nos entregaríamos a Deus, para a salvação de almas.

Que alegria batizar e dar vida espiritual a uma alma! Que alegria reconciliar o pecador com Deus no sacramento da confissão! Que alegria abençoar um casamento, pedindo as graças de Deus para a nova família! Que alegria acompanhar os moribundos nos seus últimos momentos, com o sacramento da extrema unção, abrindo-lhes as portas do reino dos céus com o poder das chaves colocadas nas mãos do sacerdote! Que alegria indizível oferecer o Santo Sacrifício da Missa e elevar a Hóstia Sagrada e o Santo Cálice para a glória de Deus e a salvação das almas! Que alegria ser padre!

Mas, para ser justo, devo dizer que ser padre é também uma cruz. Eu nao estou reclamando, mas isso é fato. Quando passamos a compartilhar mais da vida de Nosso Senhor, passamos a compartilhar mais de Seus sofrimentos. E porque o sacerdócio é a assimilação mais forte a Cristo, é normal que traga sofrimento. No dia da sua ordenação, a mãe de São João Bosco lhe disse: “Meu filho, hoje você começa a sofrer”.

Essas aão, de fato, palavras fortes, que não nos devem atemorizar, mas devem recordar que todo sacerdote, como outro Cristo, é chamado a ser sacerdote e vítima. Todo sacerdote é chamado a oferecer Cristo ao Pai, mas também a se oferecer com Cristo, para a glória de Deus e para a salvação das almas. O Sacerdócio é o mistério da Quinta-feira Santa: reúne em si a alegria da Última Ceia e a agonia do Getsêmani.

Por isso, meus queridos irmãos, gostaria de pedir-lhes que rezassem todos os dias pelos seus sacerdotes, para que possamos ser fiéis à nossa vocação. E, por favor, reze também para que muitos jovens possam ouvir a voz de Deus e ter a coragem de deixar tudo para trás e seguir o Mestre. Amém.

Publicado originalmente em Rorate-Caeli.

 

17 agosto, 2020

Live de padre Lodi, logo mais, às 20h: Aborto de criança de 23 semanas.

12 agosto, 2020

A morte de Dom Casaldáliga e o futuro da Teologia da Libertação.

Por FratresInUnum.com, 11 de agosto de 2020 – Faleceu no último sábado, 8 de agosto, Dom Pedro Casaldáliga, o último dos grandes baluartes da decadente Teologia da Libertação. O seu desaparecimento causou imensa comoção entre o clero progressista, que está tentando emplacar a sua “fama de santidade”, sem nenhuma repercussão significativa fora de seus próprios guetos ideológicos. O fato merece uma consideração atenta, pensando nos motivos de tamanha “devoção” entre os progressistas e em quais seriam as perspectivas para a Teologia da Libertação (TL) daqui para a frente.

A “revolução brasileira”

Os bispos Steiner e Pedro Casaldáliga.

Os bispos Steiner e Pedro Casaldáliga.

Uma das maiores dificuldades para compreender os movimentos populares no Brasil é encontrar um justo instrumento analítico que nos permita descrever com acerto qual a matriz de todas as tensões existentes em nossa realidade sociopolítica.

Em “Os donos do poder”, Raymundo Faoro, que era um homem de esquerda, mostra que a história da Brasil poderia ser bem definida como a luta de um povo impotente contra uma elite patrimonialista, que usa o Estado em benefício próprio, elite que ele denomina “estamento burocrático.

Ora, da leitura da obra de Faoro se percebe claramente que a natureza desta tensão entre povo-estamento é supra-ideológica e, portanto, meta-política, o que significa que ambos, o povo e a elite, transitam da esquerda para a direita e vice-versa conforme as circunstâncias históricas concretas. Talvez esta seja a razão principal da vivacidade política do povo brasileiro.

Cabe aqui fazer uma desambiguação: o termo “revolução brasileira” em Faoro não tem o mesmo significado que o termo “revolução” tem nas obras dos autores católicos contrarrevolucionários; para estes, revolução é a rebeldia do homem contra Deus e contra a ordem da realidade; para aquele, “revolução” era apenas um termo descritivo desta história brasileira de libertação.

A Teologia da Libertação e o PT

A complexidade de fatores que culminaram com o aparecimento da Teologia da Libertação e do seu projeto político, a fundação e consolidação do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua chegada e manutenção no poder, é muito difícil de ser resumida. Uma excelente síntese do assunto pode ser encontrada no livro do Dr. Júlio Loredo, Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres.

De um lado, a Ação Católica Brasileira, inicialmente inspirada no ativismo social do Centro Dom Vital, depois dividiu-se naquilo que o Prof. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira chamava de “falsa direita”, isto é, o fascismo declarado, e “esquerda católica”, isto é, o socialismo abraçado abertamente como ideologia. 

De outro lado, tudo isso vinha sendo fermentado no caldo da Nouvelle Théologie, com seus autores progressistas e socialistas, culminando com o surgimento da síntese herética de Karl Rahner e da “Teologia Política” de seu filho teológico, Johann Baptist Metz. Essas influências foram especialmente catalisadas na Universidade de Louvaine, onde hordas de padres latino-americanos foram enviadas para especialização.

O ativismo e o desejo de controlar a política oriundos daquela mentalidade de Ação Católica pervertida e as ideias socialistas abraçadas pela Nouvelle Théologie foram o misto ideal para que os comunistas pudessem entrar na Igreja e usá-la para o seu projeto de poder, como já havia declarado de modo peremptório Antonio Gramsci (já não se tratava mais de tentar destruir a Igreja, mas de usá-la).

Nem precisamos nos perguntar se o plano deu certo. Os comunistas encontraram toda a estrada aberta e começaram a aparelhar a estrutura eclesiástica através de uma ideologia propositalmente criada para esta finalidade: a chamada Teologia da Libertação.

Um dos equívocos principais que é preciso desmascarar é o de que a Teologia da Libertação é uma teologia criada para vencer as opressões e as desigualdades. Esta é apenas a desculpa teológica dada. O objetivo da Teologia da Libertação é duplo:

1) primeiro, teorético: desmontar a Teologia Católica inteirinha, não deixando nada em pé. Isso está explicitamente declarado por Gustavo Gutiérrez em sua “Teologia da Libertação”, ou seja, é iniciar aquilo que ele chama de “fase crítica” da Teologia;

2) e principalmente prático: criar a base para a formação de um partido político socialista através das Comunidades Eclesiais de Base, como declarou implicitamente Leonardo Boff em seu livro “E a Igreja se fez povo” e recentemente o próprio Lula, numa live feita com Leonardo Boff.

O projeto deu certo. Criaram um clero progressista e comunista, aparelharam a Igreja de alto a baixo, criaram um partido que veio para se eternizar no poder, mas que não conseguiu obter o sucesso até o fim.

Uma “mística” da libertação

Na encíclica Pascendi Dominici Gregis, São Pio X explicava que os modernistas trocavam a fé católica por uma certa “experiência religiosa”, esta que hoje mesmo os libertadores chamam de “experiência de Deus”. 

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la”.

Em outras palavras, os modernistas, assim como seus herdeiros diretos, os teólogos da libertação, trocam o conceito de “revelação exterior” (a Revelação Divina tal como custodiada nos artigos da fé católica) e de “revelação interior” (a luz da fé infusa pela graça nos nossos corações para que possamos crer) por um conceito naturalista de “experiência religiosa”: a tal “experiência de Deus” com os pobres, os índios, os quilombolas ou no meio da “luta do povo”. Neste sentido, há algo de comum com certos grupos carismáticos, que tomam como fato fundante da sua vida espiritual não os dogmas da Igreja, mas a sua experiência intimista.

Ora, é neste sentido que a história de Dom Pedro Casaldáliga tem uma importância enorme para a Teologia da Libertação. Ele foi justamente um homem que saiu da Europa e veio para o meio dos índios viver a “experiência do pobre”, que quando foi ordenado bispo trocou a mitra pelo chapéu de palha e o anel de metal pelo anel de tucum (que depois se tornou símbolo da TL), que desprezou o báculo pastoral e que trocava o vinho por cachaça e a hóstia por bolacha, como afirma a sua biografia autorizada, segundo informações da Folha de São Paulo. 

É essa pseudo “mística” que faz clérigos, mais ou menos oportunistas, lançarem todos os louvores possíveis a Casaldáliga, partindo desde  o presidente da CNBB  e alcançando expoentes ditos conservadores do episcopado. Chegando até o site oficial de notícias da Santa Sé, todos “canonizam” o bispo revolucionário.

Poeta, Casaldáliga confessava-se “subversivo”, dizia crer na “Internacional” e não escondia seu apreço pela “foice e o martelo” (em sua poesia “Canção da foice e do feixe”, publicada em vermelho.org.br, site do PCdoB) Mas ele não ficou apenas na poesia. Apoiava decididamente as revoluções cubana e sandinista, na Nicarágua, onde esteve muitíssimas vezes, contra a vontade dos bispos locais, tendo de ser admoestado pela Santa Sé a que permanecesse em sua prelazia. Ele abraçou o estilo de vida indígena, abraçou aquele modelo pauperista de Igreja idealizado no “Pacto das catacumbas”, levando-o às suas últimas consequências.

Neste sentido, foi um homem coerente com aquilo que acreditava, muito diferentemente dos defensores da tal “Igreja dos pobres”, apregoada pelo Cardeal Lercaro e por Dom Hélder Câmara, e à qual aderem maciçamente nossos bispos hoje, mas que gostam mesmo é de frequentar restaurantes ricos e estão preocupadíssimos com a prosperidade econômica das suas dioceses.

O conceito de “mística da libertação” tal como vivido por Dom Pedro Casaldáliga é apenas um engodo, como explica muito bem São Pio X, mas que serve como instrumento de romantização para a comunistização da Igreja, tal como operada pela Teologia da Libertação.

Mudança de paradigma

No movimento marxista, a Igreja Católica sempre está atrasada, com um recuo justificável pela sua constituição estruturalmente gerontocrática, ou seja, ela é governada pelos velhos.

A Escola de Frankfurt já tinha percebido que os pobres estavam se aburguesando e que a revolução socialista não poderia ser protagonizada por eles, mas por aquilo que eles chamavam de lumpemproletariado. Trata-se da revolução dos descontentes, do estrato maltrapilho da sociedade, das minorias, daqueles que têm motivos para a reclamação. Lukács já tinha explicado que não havia propriamente um conflito de classes, mas que este deveria ser criado através do que ele chamava de “classe possível”, através da “conscientização”, ou seja, da formação de uma “consciência de classe”.

Levaram várias décadas para que o movimento marxista entendesse que seria necessário abandonar a luta de classes e abraçar a revolução sexual e o ecologismo psicótico, mas, assim que esta mudança de paradigma aconteceu, as grandes corporações meta-capitalistas, interessadas na dissolução da sociedade para o fortalecimento do mercado, “compraram” as mesmas causas e começaram a subvencioná-las, de modo que não há comunista que não esteja trabalhando para algum milionário: assim como os escravos no império romano eram soltos em orgias sexuais justamente para que não pudessem constituir uma família patriarcal e formar um núcleo de ação, agora, o direito a ter uma família patriarcal se tornou privilégio exclusivo dos meta-capitalistas, e não há socialista que não seja militante dessas causas full-time; do mesmo modo, as propriedades privadas de famílias estão sendo cada vez mais transferidas para grandes corporações internacionais, em nome do ecologismo mais patrimonialista de todos os tempos.

O PT no poder e mudança de eixo na revolução brasileira

Neste meio tempo, o PT chegou ao poder e tinha planos de lá permanecer eternamente, sem jamais ser removido. Aquele intervencionismo auspiciado pela mentalidade corrompida da Ação Católica parecia triunfante: a cumplicidade entre a hierarquia e o partido socialista havia chegado ao seu ápice, até que o povo percebeu que algo estranho tinha acontecido

Em um primeiro momento, o povo havia se identificado com Lula porque pensava que ele era um legítimo representante dos anseios de libertação daquela histórica revolução brasileira, acima referida. Na medida em que o tempo foi passando, tornou-se claro que nada disso era verdade: Igreja e PT estavam interessados apenas tornar-se parte do estamento burocrático e, ao invés de vencê-lo, queriam usá-lo em benefício de sua própria estratégia de poder, como, de fato, está acontecendo hoje.

A eleição de Jair Bolsonaro não foi uma empreitada ideológica. Ele não tem ideologia alguma, inclusive porque provavelmente nem tem ideia profunda alguma. O povo não agiu ideologicamente, mas apenas por identificação emocional: apareceu aquele candidato outsider que tentaria derrubar toda a elite, mas que não está conseguindo, justamente porque esta elite é institucionalmente poderosa (trata-se de um indivíduo unido com um povo impotente contra todo o sistema político nacional e internacional: a mídia, os órgãos de educação superior, os partidos corruptos e, inclusive, a própria Igreja, que precisa ficar do lado dos poderosos para poder permanecer em sua situação privilegiada).

Deste modo, bispos e petistas conseguiram algo impressionante: angariaram infalivelmente o ódio do povo! Todo mundo odeia o PT e a CNBB. Não há instituições que sejam hoje tão desprestigiadas entre a população.

Resultado religioso e futuro da TL

Com a eleição do Papa Francisco, adepto da versão argentina da TL, a chamada “Teologia do Povo”, o clero TL teve novamente a chance de respirar, não se sente institucionalmente ameaçado e tenta mais uma vez erguer a cabeça.

Contudo, o povo continua migrando para as igrejas pentecostais e outras vertentes religiosas. Com a epidemia do vírus chinês, a hierarquia dispersou totalmente os fieis, relegando-os de modo absoluto à irreligião – ora, se os católicos já eram acomodados, agora, uma geração inteira foi largada ao total abandono da prática religiosa (todo mundo virou “católico não praticante e de IBGE”).

De outro lado, a TL já não se encontra mais contextualizada nos marxismos modernos, senão através de duas veias: a teologia gay e o ecologismo radical, linhas nas quais a TL vai se reinventar, tornando-se ainda mais intragável para os fiéis e para os seus próprios militantes. Ou será que alguém imagina ser possível despertar fervor religioso católico em grupos incendiados pelo pecado sexual ou entusiasmados com aquelas superstições tribais?…

Em outras palavras, a nova TL que vem vindo aí só tornará o suicídio eclesial ainda mais exterminador. É o que dizia Paulo VI quando, depois de ele mesmo ter protegido tanto os socialistas dentro da Igreja, reconheceu que havia um “misterioso processo de autodemolição”. O “misterioso” fica por conta dele. Não há nenhum mistério nisso, há apenas causa e efeito.

A morte de Casaldáliga e a nova TL

A morte de Dom Pedro Casaldáliga está sendo tão pranteada pelos TLs justamente como um inconsciente processo psicossocial de funeral coletivo. A TL do passado já passou. Sim, existem as viúvas, e o próprio pontificado de Francisco aparece no mundo mais como uma evocação do passado do que como uma representação do presente.

A TL do futuro, totalmente LGBT e ecologista, é uma causa perdida, para a qual a população inteira se comportará com indiferença, acentuando o processo de destruição da Igreja Católica e o apogeu das comunidades pentecostais: já que o assunto é ter uma “experiência de Deus”, pelo menos as pessoas preferem tê-la com ar-condicionado, música de qualidade e muitos, muitos sentimentos. 

Em artigo recente, Dom Júlio Akamine, arcebispo de Sorocaba, tentou “limpar a barra” da CNBB, dizendo que não existem bispos comunistas (e negando os fatos que eles mesmos nunca negaram, vide o vídeo de Lula e Boff) e que há um grande pluralismo na Conferência Episcopal. Bem… Embora o arcebispo tenha esquecido um detalhe que para ele parece não ter a mínima importância – isto é, existe uma doutrina social da Igreja muito bem definida, além de uma doutrina da fé e dos costumes, de tal modo que o tal “pluralismo” defendido por ele como um superdogma absoluto não é senão um fingimento retórico –, ele não deixa de ter certa dose de razão: a TL virou um balaio de gatos tão confuso que há muitos bispos perdidos num esquerdismo vago, enquanto há outros que militam naquela velha revolução já não existente e outros que apregoam a descarada ideologia feminista-gay ou ecologista. É! Não se fazem mais comunistas como antigamente!

Mas, resguardando-se o bom-mocismo corporativista de Dom Júlio, será que alguém, depois de ler Gustavo Gutiérrez escrever que o objetivo da TL é reformular a doutrina católica inteira em chave crítica, pode ficar ironizando com os que ele diz “que se julgam investidos com o poder de purificar a CNBB de infiltrações vermelhas a serviço de Satanás” ou mesmo com quem “expurga os que se desviam da ‘sã doutrina’”?… 

Tanto a TL quanto os isentistas alla Dom Júlio precisam, mesmo, é tirar do caminho os católicos anticomunistas. Estes é que precisam ser realmente neutralizados! Mas, não adianta. Eles chegaram tarde demais e, agora, todo mundo sabe muito bem quem eles são e para que eles vieram. O comunismo na Igreja Católica está flagrado e, a despeito de toda a oratória oficialista, institucionalista, romântica, poética ou de qualquer outro tipo, o povo não engole mais este palavrório. 

8 agosto, 2020

Gercione Lima + 07/08/2020.

O FratresInUnum.com perde sua valorosa colaboradora. RIP.