Archive for ‘Igreja’

4 abril, 2020

CNBB: “Deus não castiga”.

Por FratresInUnum.com, 4 de abril de 2020 –   Foi publicado na última quinta-feira (2), no site da CNBB, coincidentemente quando publicamos nosso editorial sobre o mesmo assunto (seria uma resposta?), uma entrevista com Dom Pedro Carlos Cipollini acerca das especulações de católicos sobre um eventual castigo de Deus ligado à epidemia de coronavírus.

O dia em que os 3 pastorinhos de Fátima foram… presos!

Os pastorinhos de Fátima veem o inferno: castigo.

A matéria começa reportando algumas afirmações de Fernando Altmeyer, ex-padre (fato ostensivamente ocultado por onde passa esse senhor) da arquidiocese de São Paulo, que sempre esteve ligado às CEBs, aos movimentos de moradia, que foi porta-voz de Dom Paulo Evaristo Arns e hoje é casado e pai de dois filhos (mas continua lecionando na PUC-SP).

Na sequência, vem a entrevista de Dom Cipollini, cuja principal ideia é a de que “esta visão de que Deus castiga e pune não é de acordo com a revelação que Jesus nos fez do Pai”.

O Dicionário Cultural da Bíblia, das Edições Loyola, na p. 207, diz explicitamente que “na Biblia, a peste designa todas as epidemias assustadoras e é muitas vezes anunciada como um castigo divino”.

Temos, ademais, diversas afirmações do Novo Testamento segundo as quais Deus, em seu amor redentivo, castiga, sim, os pecadores, visando a sua conversão e o seu arrependimento, pois os bens temporais estão subordinados aos espirituais.

Nosso Senhor afirma no Evangelho de São João, o apóstolo do amor: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus” (João III,36).

São Paulo, o mesmo que escreveu o hino ao amor, escreveu também: “ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade” (Romanos I,18).

Aos Efésios, escreve o Apóstolo das gentes, “Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes” (Efésios V,5-6).

Reparem na linguagem do Apóstolo: “ninguém vos seduza com vãos discursos”!

Ninguém. Nem Cipollini, quanto mais Altemeyer.

No Apocalipse, diz São João: “Vi ainda, no céu, outro sinal, grande e maravilhoso: sete Anjos que tinham as sete últimas pragas, porque por elas é que se deve consumar a ira de Deus” (Apocalipse XV,1).

Deixando de lado todo o magistério tradicional, em que a realidade dos castigos de Deus é tida como evidente, no magistério dos últimos papas, que nossas sumidades intelectuais da CNBB dizem seguir, aparecem em diversas ocasiões menções importantes às punições que Deus inflige à humanidade.

Bento XVI, numa homilia, disse que, nos livros de Crônicas, “o autor sagrado propõe uma interpretação sintética e significativa da história do povo eleito, que experimenta a punição de Deus como consequência do seu comportamento rebelde: o templo é destruído e o povo exilado deixa de ter uma terra; realmente parece ter sido esquecido por Deus. Mas depois vê que através dos castigos Deus persegue um desígnio de misericórdia. Será a destruição da cidade santa e do templo como foi dito será o exílio que toca o coração do povo e o faz voltar para o seu Deus para o conhecer mais profundamente. (…) Pensando nos séculos passados podemos ver como Deus continue a amar-nos também através dos castigos. Os desígnios de Deus, também quando passam através das provações, têm sempre por finalidade um êxito de misericórdia e de perdão” (Homilia 26 de março de 2006).

João Paulo II havia afirmado anteriormente e de modo peremptório: “lembro-lhes que Deus castiga as más ações dos homens” (Audiência geral, 13 de maio de 1978).

Recentemente, o próprio Papa Francisco recordou ao Secretário Geral das Nações Unidas que existem condutas que “clamam o castigo de Deus” (Mensagem de 2 de dezembro de 2019).

A própria Congregação para a Doutrina da Fé escreveu um documento em que afirma que “no Antigo Testamento, ‘Israel tem a experiência de que a doença está misteriosamente ligada ao pecado e ao mal’. Entre os castigos com que Deus ameaça o povo pela sua infidelidade, as doenças ocupam espaço de relevo (cf. Dt 28,21-22.27-29.35). O doente que pede a Deus a cura reconhece que é justamente castigado pelos seus pecados (cf. Sal 37; 40; 106,17-21)” (Instrução sobre as orações para pedir a cura, n. 1).

Por fim, Nossa Senhora de Fátima disse à pequena Jacinta Marto: “as guerras não são senão castigos pelos pecados do mundo.

Mas, pasmem, leitores! A CNBB, do alto de sua petulância, diz o contrário!

E o faz simplesmente porque a própria CNBB é um castigo mais do que suficiente para os católicos do Brasil e é uma prova de que, sim, Deus castiga!

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2 abril, 2020

Coronavírus e os castigos de Deus pela idolatria.

Por FratresInUnum.com, 2 de abril de 2020  – Sobre a Basílica de São Pedro, durante a extraordinária bênção Urbi et Orbi conferida por Francisco por causa da pandemia de coronavírus, uma formação de nuvens com o aspecto de Nossa Senhora chamou a atenção dos fieis. É impossível saber se realmente se tratava de uma pública aparição mariana ou de um mero fenômeno natural que lhe dava a impressão. Mas a imagem é, em si mesma, eloquente.

A presença silenciosa de Maria Santíssima naquele cenário desolador é bastante razoável: Ela é a mãe que não se ausenta na hora da cruz, a mãe que trouxe um apelo do céu, um apelo desatendido.

Não é necessário recorrermos a inúmeras aparições modernas para compreendermos a dor do Coração de Nossa Senhora. Ela anunciou, em Fátima, o prêmio e o castigo, caso o mundo não se convertesse, caso os homens se fizessem moucos aos avisos de Deus, caso o Papa não consagrasse nominalmente a Rússia ao seu Coração Imaculado. Nada disso aconteceu e, além disso, aconteceu o pior…

A onda de apostasia que foi se derramando como um dilúvio por toda a Igreja chegou até o cimo. Primeiro, os papas conciliares foram dúbios na doutrina, fracos no governo, tolerantes com todos os erros modernos, permitindo que a peste da heresia e do pecado se alastrasse por toda a estrutura eclesial. Contudo, é inegável que, após a renúncia de Bento XVI, se a fumaça de Satanás entrara na Igreja desde os tempos de Paulo VI, como ele mesmo anunciara, agora o próprio Satã caía nela mesma como um relâmpago.

A eleição de Jorge Mario Bergoglio entronizou na Cátedra de Pedro um homem cuja mente é privada daquela forma fidei que caracteriza o senso católico na sua acepção mais imediata. Aqui, em nosso site, não cessamos de comentar continuamente as absurdidades ditas e feitas por este papa, absurdidades que culminaram no último Sínodo da Amazônia.

Como comentamos em artigo anterior, a cerimônia realizada nos jardins do Vaticano, em que se praticou não uma mera idolatria, mas a demonolatria em sentido estrito, abriu as portas da Igreja para Satanás e, como bem notava Dom Azcona num sermão corajoso proferido no contexto do Sínodo, a Pachamama é a perfeita antítese de Nossa Senhora: é o demônio feminino, o espírito da prostituta, Vênus, Artemis, Jesabel, Semíramis, Gaia, a deusa da fecundidade, um espírito pagão contra o qual a Mãe de Deus se levanta como poderoso estandarte.

No dia da bênção  Urbi et Orbi na Praça de São Pedro, o jornalista Antonio Socci notava que aquela cerimônia de adoração à Pachamama, com a presença e a aprovação de Francisco, profanou de tal modo o Vaticano que o desconsagrou, tornando-se necessário um ato público de desagravo e de expiação, com a consequente nova consagração da Basílica Papal.

O vírus da incredulidade, porém, alastrou-se de tal modo na Igreja que observações como estas se tornam não apenas incompreensíveis, mas inclusive odiosas.

A hermenêutica ecologista e ecólatra do papa atual e de seus teólogos interpretam todo o fenômeno como um desequilíbrio das forças da própria natureza, vale dizer: uma intervenção da própria Pachamama.

Em artigo recente, Leonardo Boff afirmou que “o planeta não só possui vida sobre ele. Ele próprio é vivo. Emerge como um Ente vivo, como um sistema que regula os elementos físico-químicos e ecológicos. Chamaram-no de Gaia” e que “a pandemia do coronavírus nos revela que o modo como habitamos a Casa Comum é nocivo à sua natureza. A lição que nos transmite soa: é imperioso reformatar a nossa forma de viver sobre ela, enquanto planeta vivo. Ela nos está alertando que assim como estamos nos comportando não podemos continuar. Caso contrário a própria Terra irá se livrar de nós, seres excessivamente agressivos e maléficos ao sistema-vida”.

“Coincidentemente”, o Papa Francisco concedeu uma entrevista, via webconferência, a Jordi Évole, em um especial sobre o coronavírus, transmitido pelo canal espanhol La Sexta. Ali, perguntaram: “Esta pandemia é uma ‘vingança da natureza’?”, ao que, respondeu o papa argentino: “há um ditado, que conheceis. Deus perdoa sempre. Nós perdoamos de vez em quando. A natureza não perdoa nunca. Os incêndios, os terremotos… a natureza está nos dando patadas para que nos responsabilizemos pelo cuidado da natureza”.

O idioma “teológico” de Francisco e do clero atual conhece todos os castigos da natureza, mas desconhece os castigos de Deus. Os homens da Igreja sucumbiram à idolatria da natureza e, por isso, abandonaram o culto ao seu Deus. E a Virgem Santíssima assiste o espetáculo de horrores calada, porque as suas advertências foram ostensivamente ignoradas pelos seus filhos prediletos, aqueles que deveriam estar mais prontos a obedecê-la.

O castigo de Deus se tornou o grande tema tabu para o clero católico. Fala-se de tudo, fazem-se todas as palhaçadas, agora por internet, mas todos disfarçam, fingem que tudo não passa de um mero desequilíbrio terreno, desconversam quando o assunto é a punição anunciada. E tudo porque querem ficar bem, porque se julgam melhores do que os nossos ancestrais.

Por que o silêncio de Maria Santíssima? Por que a sua presença tão triste, como a de uma espectadora? Será que Deus não lhe está repedindo exatamente estas palavras que disse ao profeta Jeremias?

“‘Os habitantes de Judá e de Jerusalém volveram às iniquidades dos antepassados que se haviam recusado a ouvir minhas palavras, indo, eles também, atrás de outros deuses, a fim de cultuá-los. A casa de Israel e a casa de Judá violaram a aliança que haviam firmado com seus pais’. Por tal culpa, assim declara o Senhor: ‘Vou descarregar sobre eles uma calamidade, da qual não poderão escapar. E, quando gritarem por mim, eu não os escutarei. Então, as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém irão apelar para os deuses ante os quais queimaram incenso. Esses deuses, porém, não os salvarão no momento da catástrofe, porque, ó Judá, possuis tantos deuses quantas são tuas cidades; e quantas ruas tens em Jerusalém, tantos altares de infâmia ergueste para neles queimar oferendas em honra de Baal. Quanto a ti, não intercedas por esse povo, nem ores por ele, nem supliques, porque ao tempo de sua desgraça, quando clamarem por mim, não os escutarei’” (Jeremias 11,9-14).

A tentativa de trapacear com Deus será sempre mal-sucedida. Não adianta querer enganá-lo. Quiseram trocar Deus por Baal; Maria Santíssima por Pachamama. Agora, façam as contas.

De nossa parte, façamos penitência e nos convertamos, apesar de nossos pastores, enquanto é tempo!

31 março, 2020

Urbi et Orbi – Cruz de São Marcelo danificada pela chuva.

Por Finestre sull’Arte, 29 de março de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com –  Não foi uma boa idéia expor o crucifixo de São Marcelo no Corso na chuva que anteontem, sexta-feira, 27 de março, caiu sobre Roma: as imagens da bênção Urbi et Orbi do Papa Francisco também nos mostraram que a escultura do século XIV foi exposta à água e, em algumas imagens aproximadas, as gotas foram inconfundivelmente riscadas no corpo de Cristo pendurado na cruz. É uma obra dos anos setenta do século XIV e, de acordo com o que o Il Messaggero relata hoje, a exposição à chuva teria causado sérios danos à escultura.

Il Messaggero: “danneggiato il Crocifisso di San Marcello al Corso”. La pioggia avrebbe gonfiato il legno

“Quase duas horas sob a água incharam a madeira centenária”, diz o artigo assinado por Franca Giansoldati. “Os estuques em vários lugares saltaram, bem como partes de leve tinta antiga; em alguns locais, a têmpera usada pelo artista anônimo para desenhar o sangue que flui do lado diminuiu, a superfície de madeira trabalhada no cabelo ondulou, e foram arruinados alguns detalhes nos braços. Os danos estão sendo avaliados e, por esse motivo, a estátua teria sido levada às pressas ao Vaticano, onde estão disponíveis laboratórios de reconstrução e restauração. Parecia que ninguém pensou ontem à tarde que uma peça tão antiga pudesse sofrer alterações sob a tempestade. E agora há quem se pergunte por que o antigo crucifixo não foi colocado em outro lugar, talvez protegido sob a grande tenda papal, protegida da chuva. Teria ocupado pouco espaço, perto do banco em que o Papa Francisco estava sentado”.

Da parte do Vaticano, parece que nenhum comentário foi feito sobre o assunto, nem pelo Estado italiano, dado que o Crucifixo de São Marcelo no Corso é uma obra estatal, protegida pelo Fundo de Edifícios de Culto do Ministério do Interior, ao qual pertence a igreja da Via del Corso, juntamente com toda o seu patrimônio.

“As más línguas”, relata Giansoldati, “dizem que a decisão de deixar o crucifixo milagroso no mau tempo veio do chefe das cerimônias litúrgicas, monsenhor Guido Marini, para poder deixar intacta o posicionamento essencial: o Papa sozinho sob a cobertura iluminada, no sagrado [da Praça de São Pedro], sem qualquer outro elemento”. […]

30 março, 2020

A religião da CNBB: o anti-bolsonarismo fanático com cheiro de…

Por FratresInUnum.com, 30 de março de 2020 — Todos estamos acompanhando com viva apreensão o desenvolvimento da pandemia de coronavírus no Brasil, ao mesmo tempo em que vemos a sua ampla difusão pelo hemisfério norte do planeta. Aqui, embora as condições climáticas e sociológicas sejam mais benéficas, temos vivido dias de pânico, especialmente pela ação de autoridades civis e eclesiásticas que determinaram o isolamento social radical, com o consequente fechamento do comércio, a proibição do culto religioso e outras medidas.

Nos últimos dias, alguns editoriais dos principais jornais brasileiros começaram a recuar no alarde.

Contudo, como não poderia deixar de ser, a CNBB apressou-se em marcar a sua oposição.

O presidente da conferência episcopal brasileira, Dom Walmor Oliveira e Azevedo, em homilia na Solenidade da Anunciação do Senhor, disse:

“Nós repudiamos, criticamos veementemente, autoridades do executivo nacional, quando minimiza (sic!) aquilo que precisa ser realizado com responsabilidade por todos nós. A pandemia do covid-19 e muitas outras pandemias não podem se compor agora mais e mais com outras pandemias de irresponsabilidade, de inconsequências e de falta de sentido humanístico e respeitoso para com a dignidade da pessoa humana. (…) Fique em casa! Esta é a indicação das autoridades competentes, sanitárias e sensatas. Fique em casa!”

Na tarde da quinta-feira (26), o secretário da CNBB emitiu uma nota em que afirmou que, embora tenha havido um decreto do Executivo que considera as atividades religiosas como essenciais, a Igreja vai continuar mantendo “as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde”, que “indicam o distanciamento social”; portanto, “as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc. Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”.

Em outras palavras, a CNBB está dizendo que só voltaria o culto caso fosse obrigada pela força da lei civil!

É totalmente falacioso o equacionamento do problema da pandemia e do sustento do país como se fosse uma escolha entre “a vida” e “a economia”, como discretamente sugere a nota. O caos social favorecerá em muito a esquerda, ocasionará a completa falência do governo e é este o posicionamento de fundo da presidência do nosso episcopado. Eles não estão preocupados com o Brasil, mas apenas com o avanço da sua própria ideologia socialista.

O anti-bolsonarismo se tornou a verdadeira religião da CNBB. Não importa para onde vá o presidente, a conferência dos bispos sempre irá ostensivamente pelo caminho oposto. A inquisição implacável que padres e bispos têm movido contra ele é o espetáculo do fanatismo político mais cego que jamais se viu, demonstração de um totalitarismo psicológico impenetrável.

Enquanto isso, porém, recebemos notícias de que há bispos com paradeiro desconhecido. Desde antes do início da “quarentena”, por pertencerem ao grupo de risco, há prelados que não atendem ninguém, a não ser por telefone, que estão escondidos sabe-se lá onde, por puro medo de morrer. Dom Claudio Hummes chegou, mesmo, a cancelar uma conferência na PUC de São Paulo sobre o Sínodo da Amazônia, e isso antes que o pânico geral se alastrasse pela população.

Os bispos brasileiros fecham igreja antecipadamente, removem qualquer vestígio de religiosidade em suas declarações, privam os fiéis do mais básico e mínimo atendimento espiritual e, no campo da militância “por um mundo melhor”, fazem exatamente aquilo que sempre condenaram: desunião, agitação, politicagem!

Pois é, embora sejam valentes para sustentar a confissão escrita do seu esquerdismo fracassado, os nossos bispos tremem quando o tema é ter “cheiro de ovelhas”. Como já notamos, a Igreja em saída está trancada e agora, no máximo, a CNBB tem cheiro de… WhatsApp.

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28 março, 2020

Foto da semana.

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Praça de São Pedro, 27 de março de 2020: Papa Francisco dá benção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo) com o Santíssimo Sacramento. Parce Domine!

27 março, 2020

24 países consagrados ao Sagrado Coração de Jesus, enquanto o mundo luta contra o coronavírus.

Cardeal português António Marto recitou a oração de consagração em Fátima.

Por LifeSiteNews, 26 de março de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – Na festa da Anunciação, que os católicos celebraram nesta quarta-feira, 24 países foram consagrados ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. A consagração foi iniciada pelos bispos de Portugal em resposta à pandemia de coronavírus.

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Além de Portugal, os outros 23 países consagrados foram Albânia, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Eslováquia, Guatemala, Hungria, Índia, México, Moldávia, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, Quênia, República Dominicana, Romênia, Espanha, Tanzânia, Timor Leste e Zimbábue.

Na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, Portugal, o cardeal António Marto, bispo local de Leiria-Fátima, recitou a oração de consagração.

O cardeal rezou: “Coração de Jesus Cristo, médico das almas e Filho da Virgem Santa Maria, pelo Coração de tua Mãe, a quem se entrega a Igreja peregrina sobre a terra, em Portugal e Espanha, nações que, desde há séculos, suas são, e em tantos outros países, aceita a consagração da tua Igreja”.

“Ao consagrar-se ao teu Sagrado Coração, entrega-se a Igreja à guarda do Coração Imaculado de Maria, configurado pela luz da tua Páscoa e aqui revelado a três crianças como refúgio e caminho que ao teu coração conduz”, continuou Marto.

Ele pediu que Nossa Senhora do Rosário de Fátima fosse “a Saúde dos Enfermos e o refúgio de seus discípulos nascidos aos pés da cruz do seu amor”.

Durante a consagração, Marto pediu a Deus que concedesse diversos favores.

Ele começou: “assiste a tua Igreja, inspira os governantes das nações, ouve os pobres e os aflitos, exalta os humildes e os oprimidos, cura os doentes e os pecadores, levanta os abatidos e os desanimados, liberta os cativos e os prisioneiros e livra-nos da pandemia que nos atinge”.

Em seguida, acrescentou: “ampara as crianças, os anciãos e os mais vulneráveis, conforta os médicos, os enfermeiros, os profissionais de saúde e os voluntários cuidadores, fortalece as famílias e reforça-nos na cidadania e na solidariedade, sê a luz dos moribundos, acolhe no teu reino os defuntos, afasta de nós todo o mal e livra-nos da pandemia que nos atinge. ”

Por fim, ele fez a seguinte súplica a Deus:”acolhe os que perecem, dá alento aos que a Ti se consagram e renova o universo e a humanidade”.

A cerimônia de consagração, assistida ao vivo por dezenas de milhares de fiéis, também incluiu o rosário, orado em português, espanhol, inglês e polonês.

A princípio, apenas os bispos portugueses anunciaram sua intenção de consagrar seu país ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Logo depois, os bispos espanhóis pediram para participar dessa consagração. No início desta semana, os bispos de Portugal começaram a aceitar pedidos de conferências de outros bispos [nota do Fratres: lamentavelmente, a brasileira, aparentemente também quarentena religiosa, não está entre elas].

Em Fátima, Nossa Senhora apareceu várias vezes a três crianças em 1917. Duas dessas crianças morreram nos anos seguintes após contrair a gripe espanhola, uma pandemia que levou a pelo menos 25 milhões de mortes em poucos anos.

As duas crianças, os irmãos Francisco e Jacinta Marto, foram canonizadas pelo Papa Francisco quando ele visitou Fátima, em 2017.

Uma das mensagens de Nossa Senhora aos três filhos de Fátima foi: “Reze o rosário todos os dias, a fim de obter paz para o mundo e o fim da guerra”.

Como os católicos em muitas partes do mundo são incapazes de ir à missa, eles mais uma vez recorrem ao rosário. Como explicou a irmã Lúcia, a criança de Fátima que se tornou freira e viveu até 2005, o rosário é “algo que todos podem fazer, ricos e pobres, sábios e ignorantes, grandes e pequenos”.

Para ler a oração completa da consagração do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria: https://cleofas.com.br/portugal-espanha-e-outros-22-paises-solenemente-consagrados-ao-imaculado-coracao-em-fatima/

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26 março, 2020

A “Igreja em saída” adverte: não saiam. Mas, alguns bispos discretamente pedem relaxamento ao governo.

O presidente da CNBB lançou um apelo para que as pessoas não saiam de casa (ver vídeo abaixo). No entanto, segundo Andréia Sadi, outros bispos católicos ignoram a CNBB e apelam diretamente ao presidente:

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro disseram ao blog, nesta quinta-feira (26), que ele atendeu a um pedido de religiosos de diferentes igrejas — como a católica e evangélica — ao autorizar o decreto que inclui atividade religiosa como essencial, mesmo durante a quarentena. Procurados pelo blog, assessores justificaram “preocupação” dos religiosos com a Semana Santa, que acontece em abril, “com a parte emotiva” das pessoas — e, por isso, o presidente autorizou missas. Segundo palacianos, pastores e arcebispos procuraram o governo com esse apelo.

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24 março, 2020

Cardeal Burke: Mensagem sobre o combate ao Coronavirus, COVID-19

Por Cardeal Raymond Leo Burke | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com

Caros Amigos,

Há algum tempo, estamos em combate contra a disseminação do coronavírus, o COVID-19. Tudo o que podemos dizer – e uma das dificuldades do combate é que ainda não se sabe muito sobre a peste –, é que batalha deverá continuar por algum tempo. O vírus envolvido é particularmente insidioso, pois possui um período de incubação relativamente longo – alguns dizem 14 dias e outros 20 – e é altamente contagioso, muito mais contagioso do que outros vírus que conhecemos.

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Junho de 2017 – Cardeal Burke em entrevista a FratresInUnum.com

Um dos principais meios naturais de nos defendermos contra o coronavírus é evitar qualquer contato próximo com os outros. É importante, de fato, mantermos sempre uma distância – dizem alguns que de um metro, outros que de quase dois – afastados um do outro e, é claro, evitar reuniões de grupo, ou seja, reuniões nas quais várias pessoas estejam próximas umas das outras. Além disso, como o vírus é transmitido por pequenas gotículas emitidas quando alguém espirra ou assoa o nariz, é essencial lavar frequentemente as mãos com sabão desinfetante e água morna por pelo menos 20 segundos, bem como lavar e limpar as mãos com produtos e toalhetes desinfetantes. É igualmente importante desinfetar mesas, cadeiras, bancadas, etc., nas quais essas gotículas possam ter pousado e a partir das quais elas são capazes de transmitir o contágio por algum tempo. Se espirrarmos ou assoarmos o nariz, somos aconselhados a usar um lenço facial de papel, descartá-lo imediatamente e depois lavar as mãos. Naturalmente, aqueles que estão diagnosticados com o coronavírus devem ficar em quarentena, e aqueles que não estão se sentindo bem, mesmo que não tenha sido detectado neles o coronavírus, devem, por caridade para com os outros, permanecer em casa, até que estejam se sentindo melhor.

Residindo na Itália, onde a disseminação do coronavírus tem sido particularmente letal, de modo especial para os idosos e para aqueles que já estão em um estado de saúde delicado, edifica-me o grande cuidado que os italianos estão tomando para se protegerem e aos outros do contágio. Como os senhores já devem ter lido, o sistema de saúde na Itália está sendo duramente posto à prova em sua tentativa de fornecer a necessária hospitalização e tratamento intensivo aos mais vulneráveis. Por favor, rezem pelo povo italiano, especialmente por aqueles para os quais o coronavírus pode ser fatal, bem como pelos responsáveis ​​por seus cuidados. Como cidadão norte-americano, acompanho a situação da disseminação do coronavírus em minha terra natal e sei que aqueles que vivem nos Estados Unidos estão cada vez mais preocupados em impedir sua disseminação, para que uma situação como essa da Itália não se repita lá.

Toda a situação certamente nos induz a uma profunda tristeza, e também ao medo. Ninguém deseja contrair a doença provocada pelo vírus, nem que alguém a contraia. Especialmente, não queremos que nem nossos amados idosos, nem outras pessoas frágeis sejam colocados em risco de morte pela disseminação do vírus. Para combater sua propagação, estamos todos em uma espécie de retiro espiritual forçado, confinados em quartos e incapazes de demonstrar os usuais sinais de afeto à família e aos amigos. Para os que estão em quarentena, o isolamento é claramente ainda mais severo, não sendo possível manter contato com ninguém, nem mesmo à distância.

Se a própria doença associada ao vírus não fosse suficiente para nos preocupar, não podemos ignorar a devastação econômica que a propagação do vírus causou, com seus efeitos graves sobre pessoas e famílias, como também sobre aqueles que nos servem de muitas maneiras em nossa vida cotidiana. Naturalmente, nossas cogitações não podem deixar de incluir a possibilidade de uma devastação ainda maior para a população de nossas pátrias e, de fato, do mundo.

Certamente, agimos bem aprendendo e empregando todos os meios naturais para nos defendermos do contágio. É um ato fundamental de caridade usar todos os meios prudentes para evitar contrair ou espalhar o coronavírus. Os meios naturais de impedir a sua propagação devem, no entanto, respeitar o que necessitamos para viver, por exemplo, o acesso a alimentos, água e medicamentos. O Estado, ao impor restrições cada vez maiores ao movimento dos indivíduos, prevê, no entanto, que eles possam ir ao supermercado e à farmácia, observando as precauções de distanciamento social e de uso de desinfetantes por parte de todos os envolvidos.

Ao ponderar o necessário para viver, não devemos nos esquecer de que nossa primeira consideração é o nosso relacionamento com Deus. Recordamos as palavras de Nosso Senhor no Evangelho de São João: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (14,23).  Cristo é o Senhor da natureza e da História. Ele não está distante e desinteressado de nós e do mundo. Ele nos prometeu: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Ao combater o mal do coronavírus, nossa arma mais eficaz é, portanto, nosso relacionamento com Jesus Cristo Nosso Senhor através da oração e da penitência, de devoções particulares e da Sagrada Liturgia. Voltemo-nos para Cristo, a fim de que nos liberte da peste e de todo dano, e nunca Ele deixará de responder com amor puro e desinteressado. É por isso que é essencial para nós, a todo o momento e principalmente em tempos de crise, ter acesso às nossas igrejas e capelas, aos Sacramentos, às devoções e orações públicas.

Assim como podemos comprar alimentos e remédios, tomando o cuidado de não espalhar o coronavírus ao fazê-lo, assim também devemos poder rezar em nossas igrejas e capelas, receber os Sacramentos e participar de atos de oração e devoção pública, para que reconheçamos a proximidade de Deus conosco e permaneçamos próximos d’Ele, solicitando piedosamente Sua ajuda, sem a qual estamos realmente perdidos. No passado, em tempos de peste, os fiéis se reuniam em fervorosa oração e participavam de procissões. De fato, no Missal Romano, promulgado pelo Papa S. João XXIII em 1962, há textos especiais para a Santa Missa a ser oferecida em tempos de pestilência — a Missa Votiva pela Libertação da Morte em Tempo de Pestilência (Missae Votivae ad Diversa 23). Da mesma forma, na tradicional Ladainha dos Santos, rezamos: “Da praga, da fome e da guerra, ó Senhor, livrai-nos”.

Muitas vezes, quando nos encontramos em grande sofrimento e mesmo enfrentando a morte, perguntamos: “Onde está Deus?” Mas a verdadeira questão é: “Onde estamos nós?” Em outras palavras, Deus está certamente conosco para nos ajudar e salvar, especialmente no momento de severas provações ou da morte, mas muitas vezes estamos longe d’Ele por causa de nossa incapacidade de reconhecer nossa total dependência d’Ele e, portanto, de rezar diariamente a Ele e de Lhe tributar a nossa adoração.

Nestes dias, ouvi muitos católicos devotos dizerem que estão profundamente tristes e desencorajados por não poderem rezar e adorar em suas igrejas e capelas. Eles entendem a necessidade de observar a distância social e de seguir as outras precauções, e respeitarão essas práticas prudentes, que podem facilmente serem feitas em seus locais de culto. Mas, muitas vezes, eles têm de aceitar o profundo sofrimento de terem suas igrejas e capelas fechadas, e de não terem acesso à Confissão e à Santíssima Eucaristia.

Sob a mesma ótica, uma pessoa de fé não pode analisar a atual calamidade em que nos encontramos sem considerar também o quanto a cultura de nosso povo está distante de Deus. Ela não é apenas indiferente à Sua presença em nosso meio, mas abertamente rebelde em relação a Ele e à boa ordem com que Ele nos criou e nos sustenta no ser. Basta pensar nos ataques violentos e diários à vida humana, masculina e feminina, que Deus fez à Sua própria imagem e semelhança (Gn 1, 27), nos ataques aos nascituros inocentes e indefesos e àqueles que têm o primeiro título aos nossos cuidados, ou seja, aqueles que estão muito sobrecarregados com doenças graves, anos avançados ou necessidades especiais. Somos testemunhas diárias da propagação da violência em uma cultura que não respeita a vida humana.

Da mesma forma, basta pensar no ataque generalizado à integridade da sexualidade humana, ou seja, a nossa identidade como homem ou mulher, com a pretensão de definir, arbitrariamente e a miúde recorrendo a uma mutilação, uma identidade sexual diferente daquela que nos foi dada por Deus. Com uma preocupação ainda maior, testemunhamos o efeito devastador sobre indivíduos e famílias da chamada “teoria de gênero”.

Também testemunhamos, mesmo dentro da Igreja, um paganismo que adora a natureza e a terra. Existem pessoas na Igreja que se referem à terra como nossa mãe, como se viéssemos da terra e a terra fosse a nossa salvação. Mas viemos das mãos de Deus, Criador do Céu e da terra. Somente em Deus encontramos a salvação. Rezamos nas palavras divinamente inspiradas do salmista: “Só [Deus] é meu rochedo e minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei” (Sl 62 [61], 6). Vemos como a própria vida de fé se tornou cada vez mais secularizada e, portanto, relativizou a Realeza de Cristo, o Verbo de Deus encarnado, Rei do Céu e da terra. Testemunhamos tantos outros males que derivam da idolatria, do culto a nós mesmos e ao nosso mundo, em vez de adorar a Deus, fonte de todo ser. Tristemente vemos em nós mesmos a verdade das palavras inspiradas de São Paulo sobre “a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade”: eles “trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!” (Rm 1, 18 e 25).

Muitos com quem estou em contato, refletindo sobre a atual crise sanitária mundial e todos os seus efeitos conexos, expressaram-me a esperança de que ela nos leve — como indivíduos e famílias e como sociedade — a reformar nossas vidas, a nos voltarmos para Deus, que certamente está perto de nós e que é imensurável e incessante em Sua misericórdia e amor para conosco. Não há dúvida de que grandes males como a peste são um efeito do pecado original e de nossos pecados atuais. Deus, em Sua justiça, deve reparar a desordem que o pecado introduz em nossas vidas e em nosso mundo. De fato, Ele cumpre as exigências da justiça com Sua superabundante misericórdia.

Deus não nos deixou no caos e na morte que o pecado introduziu no mundo, mas enviou Seu Filho unigênito, Jesus Cristo, para sofrer, morrer, ressuscitar dos mortos e subir glorioso à Sua direita, a fim de permanecer conosco sempre, purificando-nos do pecado e inflamando-nos com o Seu amor. Em Sua justiça, Deus reconhece nossos pecados e a necessidade de sua reparação, enquanto em Sua misericórdia Ele derrama sobre nós a graça para que possamos nos arrepender e fazer reparação. O Profeta Jeremias orou: “Senhor! Conhecemos nossa malícia e a iniquidade de nossos pais. Bem sabemos que pecamos contra vós”; mas em seguida continuou sua súplica: “Pela honra, porém, de vosso nome, não nos abandoneis, nem desonreis o vosso trono de glória. Lembrai-vos! E não rompais o pacto que conosco firmastes” (Jr 14, 20-21).

Deus nunca vira as costas para nós; Ele nunca romperá Sua aliança de amor fiel e duradouro conosco, mesmo que sejamos tão frequentemente indiferentes, frios e infiéis. À medida que o presente sofrimento nos revela tanta indiferença, frieza e infidelidade de nossa parte, nós somos chamados a nos voltarmos para Deus e implorar a Sua misericórdia. Estamos confiantes de que Ele nos ouvirá e nos abençoará com Seus dons de misericórdia, perdão e paz. Juntamos nossos sofrimentos à Paixão e Morte de Cristo e, como diz São Paulo: “O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). Vivendo em Cristo, conhecemos quão verdadeira é a nossa oração bíblica: “Vem do Senhor a salvação dos justos, que é seu refúgio no tempo da provação” (Sl 37 [36], 39). Em Cristo, Deus nos manifestou plenamente a verdade expressa na oração do salmista: “A bondade e a fidelidade outra vez se irão unir, a justiça e a paz de novo se darão as mãos” (Sl 85 [84], 11).

Em nossa cultura totalmente secularizada, há uma tendência de ver a oração, os atos de devoção e o culto como outra atividade qualquer, como por exemplo, ir ao cinema ou a um jogo de futebol, o que não é essencial e, portanto, pode ser cancelado com o fim de tomar precauções para conter a propagação de um contágio mortal. Mas a oração, os atos de devoção e o culto, e acima de tudo a Confissão e a Santa Missa são essenciais para permanecermos saudáveis ​​e fortes espiritualmente, e para buscarmos a ajuda de Deus em um momento de grande perigo para todos. Portanto, não podemos simplesmente aceitar as determinações de governos civis, que tratariam o culto a Deus da mesma maneira que ir a um restaurante ou a uma competição atlética. Caso contrário, as pessoas que já sofrem tanto com os efeitos da peste serão privadas desses encontros efetivos com Deus, que está em nosso meio para restaurar a saúde e a paz.

Nós, bispos e sacerdotes, precisamos reivindicar publicamente a necessidade para os católicos de orar e render culto em suas igrejas e capelas, e seguir em procissão pelas ruas e caminhos, pedindo a bênção de Deus para Seu povo que sofre tão intensamente. Precisamos insistir em que os regulamentos do Estado, e para o próprio bem do Estado, reconheçam a devida importância dos locais de culto, especialmente em tempos de crise nacional e internacional. No passado, de fato, os governos entendiam, acima de tudo, a importância da fé, da oração e do culto do povo para vencer uma pestilência.

Mesmo que tenhamos encontrado uma maneira de nos suprir de alimentos, remédios e outras necessidades durante um período de contágio, sem arriscar irresponsavelmente a propagação do mesmo, devemos também encontrar uma maneira de suprir as necessidades da nossa vida espiritual. Devemos poder oferecer mais oportunidades para a Santa Missa e devoções das quais vários fiéis possam participar sem violar as precauções necessárias para a não propagação do contágio. Muitas de nossas igrejas e capelas são muito grandes. Eles permitem que um grupo de fiéis se reúna para rezar e adorar sem violar os requisitos de “distância social”. O confessionário com a tela tradicional é geralmente equipado com um véu fino, e se não houver poderá facilmente ser colocado, o qual pode ser tratado com desinfetante, para que o acesso ao Sacramento da Confissão seja possível sem grandes dificuldades nem o risco de transmissão do vírus. Se uma igreja ou capela não possui uma equipe suficientemente grande para desinfetar regularmente os bancos e outras superfícies, não tenho dúvida de que os fiéis, em gratidão pelos dons da Santa Eucaristia, Confissão e devoção pública, de bom grado ajudarão.

Ainda que, por qualquer motivo, não possamos ter acesso às nossas igrejas e capelas, devemos lembrar que nossos lares são uma extensão de nossa paróquia, uma pequena igreja para a qual trazemos Cristo após nosso encontro com Ele na igreja maior. Que nosso lar, durante esse período de crise, reflita a verdade de que Cristo é o convidado de todo lar cristão. Vamos nos voltar para Ele através da oração, especialmente o Rosário, e outras devoções. Se a imagem do Sagrado Coração de Jesus, juntamente com a imagem do Imaculado Coração de Maria, ainda não estiver entronizada em nossa casa, agora seria a hora de fazê-lo. O lugar da imagem do Sagrado Coração é para nós um pequeno altar em casa, junto ao qual nós nos reunimos cônscios da presença de Cristo dentro de nós pela infusão do Espírito Santo em nossos corações, e colocamos nossos corações muitas vezes pobres e pecaminosos no Seu glorioso Coração trespassado — sempre aberto para nos receber, curar nossos pecados e nos encher de amor divino. Se desejarem entronizar a imagem do Sagrado Coração de Jesus, recomendo-lhes o manual A entronização do Sagrado Coração de Jesus, disponível através do Apostolado Mariano de Catequistas. Também está disponível nas traduções para o polonês e o eslovaco.

Para aqueles que não podem ter acesso à Santa Missa e à Sagrada Comunhão, recomendo a prática devota da Comunhão Espiritual. Quando estamos corretamente dispostos a receber a Santa Comunhão, isto é, quando estamos em estado de graça e não temos consciência de nenhum pecado mortal cometido e pelo qual ainda não fomos perdoados no Sacramento da Penitência, e desejamos receber Nosso Senhor na Santa Comunhão, mas somos incapazes de fazê-lo, unamo-nos espiritualmente ao Santo Sacrifício da Missa, rezando a Nosso Senhor Eucarístico nas palavras de Santo Afonso Ligório: “Como agora não posso Vos receber sacramentalmente, vinde espiritualmente ao meu coração”. A Comunhão Espiritual é uma bela expressão de amor a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento e não deixará de nos atrair abundantes graças.

Ao mesmo tempo, se estivermos conscientes de ter cometido um pecado mortal e formos incapazes de ter acesso ao Sacramento da Penitência ou Confissão, a Igreja nos convida a fazer um ato de perfeita contrição, isto é, de pesar pelo pecado “procedente do amor Deus, amado sobre todas as coisas”. Um ato de perfeita contrição “obtém o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1452). Um ato de contrição perfeita dispõe nossa alma para a Comunhão Espiritual.

Finalmente, fé e razão, como sempre fazem, trabalham juntas para fornecer a solução justa e correta para um desafio difícil. Devemos usar a razão, inspirada pela fé, para encontrar a maneira correta de lidar com uma pandemia mortal. Ela deve dar prioridade à oração, à devoção e ao culto, à invocação da misericórdia de Deus sobre Seu povo que sofre tanto e está em perigo de morte. Feitos à imagem e semelhança de Deus, desfrutamos dos dons do intelecto e do livre arbítrio. Usando esses dons dados por Deus, unidos aos dons também dados por Deus, de Fé, Esperança e Caridade, encontraremos nosso caminho neste momento de provação universal, causa de tanta tristeza e medo.

Podemos contar com a ajuda e a intercessão do grande exército de nossos amigos celestiais, aos quais estamos intimamente unidos na Comunhão dos Santos. A Virgem Mãe de Deus, os Santos Arcanjos e Anjos da Guarda, São José, Verdadeiro Esposo da Virgem Maria e Padroeiro da Igreja Universal, São Roque, a quem invocamos em tempos de epidemia, e os outros santos e bem-aventurados, a quem nos voltamos regularmente em oração, estão ao nosso lado. Eles nos guiam e constantemente nos asseguram que Deus jamais deixará de ouvir nossa oração; Ele responderá com Sua misericórdia e amor incomensuráveis ​​e incessantes.

Caros amigos, eu lhes ofereço essas poucas reflexões profundamente consciente de quanto estão sofrendo por causa da pandemia do coronavírus. Espero que elas possam ajudá-los. Sobretudo, que os inspirem a se voltarem para Deus em oração e atos de culto, cada qual de acordo com suas possibilidades, para poder assim experimentar Seu remédio e Sua paz. A estas reflexões junto a promessa da minha lembrança diária de suas intenções em minha oração e penitência, especialmente no oferecimento do Santo Sacrifício da Missa.

Peço que, por favor, se lembrem de mim em suas orações diárias.

Seus, no Sagrado Coração de Jesus, no Imaculado Coração de Maria e no Coração puríssimo de São José,

Raymond Leo Cardinal Burke

21 de março de 2020

Festa de São Bento Abade

23 março, 2020

“Nós nos gloriamos nas tribulações”. Como viver a fé quando o culto público é proibido.

“Nós nos gloriamos nas tribulações” (Rom. 5:3) 

Por  Dom Athanasius Schneider , 19 de março de 2020 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Milhões de católicos no chamado mundo livre ocidental – nas próximas semanas ou até meses, especialmente durante a Semana Santa e a Páscoa, ponto culminante de todo o ano litúrgico – serão privados de quaisquer atos públicos de culto, devido à reação civil e eclesiástica ao surto do coronavírus (COVID-19). O mais doloroso e angustiante para eles é a privação da Santa Missa e da Sagrada Comunhão sacramental.

A atual atmosfera de um pânico quase planetário é continuamente alimentada pelo “dogma” universalmente proclamado da nova pandemia de coronavírus. As medidas de segurança drásticas e desproporcionais, com a negação dos direitos humanos fundamentais de liberdade de movimento, liberdade de reunião e liberdade de opinião, aparecem quase globalmente, orquestradas segundo um plano preciso. Assim, toda a humanidade se torna uma espécie de prisioneira de uma “ditadura sanitária” mundial que, por sua vez, também se revela como uma ditadura política.

Um efeito colateral importante dessa nova “ditadura sanitária” que está se disseminando por todo o mundo é a crescente e intransigente proibição de todas as formas de culto público. A partir de 16 de março de 2020, o governo alemão proibiu todas as formas de reuniões religiosas públicas para todos os credos. Uma medida tão drástica como essa teria sido inimaginável mesmo durante o Terceiro Reich.

Antes de tais medidas serem tomadas na Alemanha, uma proibição de qualquer culto público foi ordenada pelo governo italiano e aplicada em Roma, coração do catolicismo e do cristianismo, bem como em toda a Itália. A presente situação de proibição do culto público em Roma coloca a Igreja de volta ao tempo de análoga proibição feita pelos imperadores romanos pagãos nos primeiros séculos.

Clérigos que ousarem celebrar a Santa Missa na presença dos fiéis, nas atuais circunstâncias poderão ser punidos ou presos. A “ditadura sanitária” mundial criou uma situação que respira o ar das catacumbas, de uma Igreja perseguida, de uma Igreja subterrânea, especialmente em Roma.

O Papa Francisco – que no dia 15 de março caminhou com passos solitários e trêmulos pelas ruas desertas de Roma, em sua peregrinação desde o ícone da “Salus Populi Romani”, na igreja de Santa Maria Maggiore, até a Cruz Milagrosa na igreja de San Marcello – transmitiu uma imagem apocalíptica. Era uma reminiscência da seguinte descrição da terceira parte do Segredo de Fátima, feita pela Irmã Lúcia em sua “Quarta Memória”, em 1944: “O Santo Padre atravessou uma grande cidade meio em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena”.

Como os católicos devem reagir e se comportar em tal situação? Devemos aceitá-la como oriunda das mãos da Divina Providência, como uma provação, a qual nos trará um benefício espiritual maior do que se não a tivéssemos experimentado. Pode-se entender essa situação como uma intervenção divina na atual crise sem precedentes da Igreja. Deus se utiliza agora do mundo impiedoso da “ditadura sanitária” para purificar a Igreja, para despertar os responsáveis ​​na Igreja – em primeiro lugar o Papa e o Episcopado – da ilusão de um belo mundo moderno, da tentação de flertar com o mundo, da imersão nas coisas temporais e terrenas. Os poderes deste mundo agora separaram à força os fiéis de seus pastores, que são obrigados por seus governos a celebrar a liturgia sem o povo.

Essa intervenção divina purificadora tem o poder de mostrar a todos nós o que é verdadeiramente essencial na Igreja: o Sacrifício Eucarístico de Cristo com seu Corpo e Sangue, e a salvação eterna de almas imortais. Possam aqueles que se viram inesperada e subitamente privados do que é central na Igreja, começar a ver e apreciar mais profundamente o seu valor.

Apesar da dolorosa situação de se virem privados da Santa Missa e da Santa Comunhão, os católicos não devem ceder à frustração ou à melancolia. Eles devem aceitar essa provação como uma ocasião de graças abundantes, que a Providência Divina preparou para eles. Muitos católicos têm agora, de alguma forma, a ocasião de experimentar a situação das catacumbas, da Igreja subterrânea. É de se esperar que tal situação produza novos frutos espirituais de santidade e de confessores da fé.

Essa situação força as famílias católicas a viver literalmente o significado de uma igreja doméstica. Na impossibilidade de assistir à Santa Missa, mesmo aos domingos, os pais católicos deveriam reunir suas famílias em suas casas, onde poderiam assistir a uma Santa Missa transmitida pela televisão ou pela Internet, ou, se isso não for possível, dedicar uma hora santa de orações para santificar o Dia do Senhor e se unir espiritualmente às Missas Sagradas celebradas por padres a portas fechadas, em suas próprias cidades ou nas proximidades. Tal hora santa dominical de uma igreja doméstica poderia ser realizada, por exemplo, da seguinte maneira:

Recitação do Rosário, leitura do Evangelho dominical, Ato de Contrição, ato de Comunhão Espiritual, Ladainha, oração por todos os que sofrem e morrem, por todos os que são perseguidos, oração pelo Papa e pelos sacerdotes, oração pelo fim da atual epidemia física e espiritual. A família católica deveria também rezar as estações da Via Sacra às sextas-feiras da Quaresma. Além disso, aos domingos, os pais poderiam reunir seus filhos à tarde ou à noite para ler para eles as Vidas dos Santos, especialmente as histórias extraídas dos tempos de perseguição à Igreja. Tive o privilégio de ter vivido tal experiência na minha infância, e isso me deu o fundamento da fé católica por toda a minha vida.

Os católicos que estão privados de – por um curto período de semanas ou de meses, ainda não se sabe bem – assistir à Santa Missa e receber sacramentalmente a Comunhão, poderiam pensar naqueles tempos de perseguição, quando por anos a fio os fiéis não podiam assistir à Santa Missa nem receber outros sacramentos, como foi o caso, por exemplo, durante a perseguição comunista em muitos lugares do império soviético.

Que as seguintes palavras de Deus fortaleçam todos os católicos que atualmente sofrem por serem privados da Santa Missa e da Sagrada Comunhão:

 “Não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que possais vos alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua glória.” (1 Pedro 4: 12–13)

 “O Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas aflições, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma atribulação com a mesma consolação com que somos consolados por Deus.” (2 Cor. 1: 3-4)

“Para que a provação da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, ainda que provada pelo fogo, redunde em louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1: 6–7) .

No tempo de uma cruel perseguição à Igreja, São Cipriano de Cartago (+258) deu os seguintes ensinamentos edificantes sobre o valor da paciência:

 “É a paciência que fortalece firmemente os fundamentos da nossa fé. É ela que eleva ao alto o aumento da nossa esperança. É ela que direciona nossas ações para que possamos nos apegar ao caminho de Cristo enquanto andamos pela sua paciência. Quão grande é o Senhor Jesus e quão grande é sua paciência, para que Aquele que é adorado no Céu ainda não seja vingado na Terra! Amados irmãos, consideremos sua paciência em nossas perseguições e sofrimentos; demos uma obediência cheia de expectativa ao seu advento.” (De Patientia, 20; 24)

Queremos rezar com toda confiança na Mãe da Igreja, invocando o poder intercessor de seu Imaculado Coração, para que a atual situação de privação da Santa Missa redunde em abundantes frutos espirituais para uma verdadeira renovação da Igreja, após décadas da noite de perseguição aos verdadeiros católicos, clérigos e fiéis, que ocorreu dentro da Igreja. Ouçamos as seguintes e inspiradoras palavras de São Cipriano:

 “Se se reconhece a causa do desastre, logo se encontra um remédio para a ferida. O Senhor desejou que sua família fosse provada; e porque uma longa paz corrompeu a disciplina que nos foi divinamente entregue, a repreensão celestial despertou nossa fé, que estava cedendo, e eu quase disse, em letargo: apesar de merecermos mais por nossos pecados, o misericordiosíssimo Senhor de tal maneira moderou tudo, que aquilo que aconteceu parece ter sido mais uma provação do que uma perseguição.” (De lapsis, 5)

Queira Deus que esta breve prova de privação do culto público e da Santa Missa sirva para instilar no coração do Papa e dos bispos um novo zelo apostólico pelos tesouros espirituais perenes que lhes foram divinamente confiados, isto é: o zelo pela glória e honra de Deus; pela unicidade de Jesus Cristo e de seu sacrifício redentor; pela centralidade da Eucaristia e seu modo sagrado e sublime de celebração; pela maior glória do Corpo Eucarístico de Cristo; pela salvação das almas imortais; por um clero casto e apostólico. Ouçamos estas encorajadoras palavras de São Cipriano:

“Louvores sejam dados a Deus, cujos benefícios e dons devem ser celebrados com ações de graças, embora nossa voz não tenha cessado de agradecer nem em tempos de perseguição. Pois nenhum inimigo tem o suficiente poder para nos impedir, a nós que amamos o Senhor de todo o coração, vida e força, de declarar com glória suas bênçãos e louvores sempre e em toda parte. Chegou o dia sinceramente desejado pelas orações de todos; e após as trevas terríveis e perniciosas de uma longa noite, brilhou o mundo, irradiado pela luz do Senhor.” (De lapsis, 1)

19 de março de 2020

+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana, Cazaquistão.

22 março, 2020

Foto da semana.

Leonardo Ricotta recorre las calles de su término parroquial bendiciéndolas con el Santísimo para protegerlas del coronavirus.

Combate ao Coronavírus: O padre Leonardo Ricotta, pároco de Santa Agata, em Villabate, na Sicília, Itália, abençoa as ruas desertas de sua cidade. O vídeo, que viralizou nas redes sociais, pode ser visto aqui. Fonte: Religión en Libertad.