Archive for ‘Igreja’

23 fevereiro, 2021

O grande problema do Ecumenismo.

Reflexões importantes a respeito da unidade da Igreja.

Por Cônego Heitor Matheus, ICRSS

FratresInUnum.com, 23 de fevereiro de 2021

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1. As consequências de uma definição incompleta

Hoje em dia, é comum ouvirmos a Igreja definida como “a reunião de todos os batizados”. Segundo essa definição, qualquer pessoa batizada deve ser considerada membro da Igreja, pertencente ao Corpo Místico de Cristo, sem importar a “denominação” à qual essa pessoa pertença.

Neste sentido, Luteranos, Anglicanos, Batistas, Metodistas, Presbiterianos, Pentecostais, etc., se batizados, seriam membros do Corpo Místico de Cristo.

Isso é o que ouvimos atualmente.

A expressão “Corpo Místico de Cristo” ou “Igreja de Cristo” significaria, então, um tipo de associação espiritual de todas as denominações cristãs, onde a Igreja Católica seria apenas uma entre muitas.

Assim, se aceitamos essa definição da Igreja como “a reunião de todos os batizados”, a conclusão seria que a Igreja está dividida, porque seus membros estão presentes em todas as denominações cristãs. E, neste caso, nós deveríamos trabalhar para construir essa unidade, unidade que teria no Ecumenismo a sua realização.

Mas, nós não podemos nos esquecer que a Unidade é uma das notas características da Igreja. No Credo dizemos que cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. A verdade é que a Igreja é Una e, por consequência, nao pode estar dividida. A Igreja não está fragmentada entre todas as denominações cristãs, como muitos querem nos fazer acreditar. E a chave para entender essa questão é que a pertença ao Corpo Místico de Cristo requer mais do que o simples Batismo.

Dessa forma, a Igreja não pode ser definida simplesmente como “a reunião de todos os batizados”, pois há outros elementos que são necessários, além de um batismo válido, para alguém ser considerado membro da Igreja.

2. Elementos essenciais de pertença ao Corpo Místico de Cristo

E para expor o verdadeiro ensinamento da Igreja sobre essa questão, usaremos uma figura do Antigo Testamento: a Arca da Aliança.

O Antigo Testamento foi uma preparação para o Novo Testamento. Tudo o que aconteceu na Antiga Lei foi uma prefiguração do que estava por vir. E a Arca da Aliança prefigurou a Igreja. Assim, nós iremos considerar brevemente a Arca da Aliança para poder entender melhor o que é a Igreja e quem são seus membros.

Na Epístola aos Hebreus (IX, 4), São Paulo nos diz que na Arca da Aliança havia três coisas: em primeiro lugar, ele menciona uma urna dourada que continha o maná, o pão vindo do céu. Em seguida ele menciona que na Arca também havia o cajado do Sumo Sacerdote Aarão, e as duas tábuas com os dez mandamentos da Lei de Deus.

O Maná, o Cajado de Aarão e a Lei de Deus: era isso que havia na Arca. E é isso que deve haver na Igreja.

Assim, nós só viremos a entender o que é a Igreja e quem são seus membros quando nós entendermos o significado por detrás dessas três realidades: o Maná, o Cajado do Sumo Sacerdote e as Tábuas da Lei Divina. Porque, assim como esses elementos foram essenciais para explicar o que a Arca da Aliança era, assim eles são essenciais para explicar o que é a Igreja.

O Maná é uma figura evidente da Santíssima Eucaristia, e por conseguinte, representa os Sete Sacramentos instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Cajado do Sumo Sacerdote representa a Hierarquia Eclesiástica e sua Autoridade, também instituída por Cristo.

E as Tábuas da Lei de Deus representam a Doutrina de Nosso Senhor (e há duas tábuas pois os ensinamentos de Cristo nos vêm pelas Santas Escrituras, mas também pela Tradição).

E nós podemos ver aqui os três elementos essenciais da Verdadeira Igreja: os Sete Sacramentos, a Hierarquia (com a sucessão apostólica) e a Doutrina de Nosso Senhor.

Assim sendo, nós podemos entender claramente a definição que o Papa São Pio X deu da Igreja em seu Catecismo Maior (c. X, § 2°, n. 149). Ele nos ensina que a Igreja é:

“A sociedade ou reunião de todos os batizados que:

  1. professam a mesma fé e a mesma Lei de Jesus Cristo;
  2. participam dos mesmos sacramentos; 
  3. obedecem aos legítimos pastores, principalmente ao Romano Pontífice.”

Isso significa que para ser membro da Igreja, o batismo não é suficiente, mas também deve-se crer e professar a verdadeira Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, participar dos mesmos sacramentos e obedecer aos legítimos pastores.  Essas três condições são necessárias, junto com o batismo, para alguém ser  membro da Igreja, Corpo Místico de Cristo.

Neste sentido, o Papa Pio XII declarou:

“Somente devem ser contados como membros da Igreja aqueles que foram batizados e professam a verdadeira Fé, e que não tiveram o infortúnio de se separar da Unidade do Corpo, ou de serem excluídos pela legítima autoridade em razão de faltas graves”.  (Mystici Corporis, n. 22)

Assim, não devem ser considerados como membros da Igreja:

– Aqueles que não foram validamente batizados;

– Os apóstatas, que rejeitam a totalidade da Fé Católica;

– Os hereges, que rejeitam um ou mais artigos da Fé;

– Os cismáticos, que se separaram dos legítimos pastores da Igreja;

– Os que foram excomungados.

3. Os Protestantes não fazem parte do Corpo Místico de Cristo

Essas reflexões nos levam a concluir que os Protestantes não são membros da Igreja e, consequentemente, não fazem parte do Corpo Místico de Cristo, pois Corpo Místico de Cristo e Igreja Católica são uma única e mesma realidade.

a) Os Protestantes não possuem as Duas Tábuas da Lei de Deus

Os Protestantes se gloriam de ter a Palavra Escrita de Deus, mas a verdade é que eles deturpam essa Palavra através de heresias e interpretações falsas (neste sentido, é bom lembrar que Lutero removeu sete livros do cânon sagrado das Escrituras por sua própria vontade e também adicionou a palavra “sola” à sua tradução alemã de Rm III, 28 para corroborar sua falsa doutrina). Além disso, os protestantes rejeitam a Tradição, que é uma das fontes da Revelação Divina, ao lado das Escrituras Sagradas. Como consequência, eles não seguem os verdadeiros ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ensinamentos de homens, dos fundadores dessas denominacões (Lutero, Calvino, John Wesley, etc.). No Protestantismo a experiência mostra que cada um faz sua própria doutrina e edifica assim sua própria “igreja”.

b) Os Protestantes não possuem o Cajado do Sumo Sacerdote

Os ministros protestantes não têm a Autoridade concedida por Cristo aos Apóstolos, autoridade que é passada de geração em geração através do sacramento da Ordem. Assim, os pastores protestantes estão destituídos do poder e do mandato apostólico e, consequentemente, não têm capacidade ou legitimidade para conferir os sacramentos ou pregar a Palavra de Deus.

c) Os Protestantes não possuem o Maná.

A ausência de sucessão Apostólica causa a ausência dos sacramentos. Pois para se realizar os sacramentos da Nova Lei, requer-se a Autoridade Apostólica conferida no Sacramento da Ordem. Sem essa autoridade, não há sacramento válido. Assim sendo, a “Eucaristia” em reuniões protestantes não passa de mera simbologia, de uma simples memória, enquanto que na Igreja Católica a Santíssima Eucaristia é uma profunda realidade, verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo, graças à presença de um sacerdote ordenado. Os protestantes não têm o Maná, o Pão vivo descido dos céus. E o mesmo pode ser dito a respeito dos outros sacramentos instituídos por Nosso Senhor.

[Exceção deve ser feita a respeito do Batismo, pois este não exige a dignidade sacerdotal naquele que confere o sacramento. Assim, um batismo protestante pode ser válido, desde que observadas a cerimônias essenciais: a fórmula correta (eu te batizo em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo), a matéria correta (água), além de que o uso das palavras e da matéria deve ser concomitante e realizado pela mesma pessoa, a qual deve ter a intenção de fazer o que a Igreja faz. Outra exceção é o matrimônio, visto que ele é conferido pelos nubentes. Assim, se ambos são batizados fora da Igreja Católica, esse matrimônio é presumido como válido.]

Assim, mesmo em caso de um batismo válido, os protestantes estão fora da Casa de Deus, pois eles estão fora da Comunhão da Igreja Católica, e assim eles não fazem parte do Corpo Místico de Cristo. A razão é que as denominações protestantes não possuem o Cajado de Aarão, não possuem a Urna do Maná e não possuem as Duas Tábuas da Lei de Deus, elementos essenciais da Verdadeira Igreja.

Isso pode parecer uma posição dura e extrema a respeito dessa questão, mas o fato é que esse sempre foi o ensinamento da Igreja em seus dois milênios de existência.

E dizer o contrário seria ir não somente contra a Verdade, mas também contra a Caridade. E aqui se encontra o que nós podemos chamar de “o grande pecado do Ecumenismo”, que é dar aprovação àqueles que estão imersos no erro, dizendo aos protestantes e outros similares que eles podem agradar a Deus na “tradição religiosa” que eles seguem, sem mencionar necessidade alguma de conversão.

“Deus não quer saber de religião, mas somente se homem tem um coração bom”.

É o que se escuta por aí, como se Deus não se importasse.

É uma falsidade opôr Verdade e Caridade como antagônicas. O fato é que Verdade e Caridade não se excluem, mas uma coisa supõe a outra. Não há Verdade sem Caridade, e não pode haver Caridade (ou fraternidade verdadeira) sem o anúncio da Verdade.

E a verdade é que Deus não desejou a pluralidade de religiões. Deus desejou uma só  Religião, que é a Religião Verdadeira. Tudo o mais é obra do inimigo.

Como disse São Cipriano: “Quem não tem a Igreja [Católica] como Mãe, não pode ter Deus como Pai” (De cathol. Eccl. Unitate, 6).

4. Rezar e trabalhar pela verdadeira Unidade

Assim, se nós buscamos a Unidade, nós devemos entender o que isso significa numa perspectiva autenticamente Católica. Nós não visamos uma Unidade como se o Corpo de Cristo estivesse dividido entre todas as chamadas “denominações cristãs”. Não! A Igreja de Cristo já é Una: Una em sua Doutrina, Una em sua Hierarquia, Una em seus Sacramentos.

Mas quando falamos em rezar ou trabalhar pela Unidade, nós devemos entender uma extensão dessa Unidade da Igreja, no sentido de trazer para dentro da Casa de Deus aqueles que estão fora. E isso é verdadeiramente rezar e trabalhar pela Unidade quando nós rezamos e trabalhamos pela extensão do Reino de Cristo nesta terra, através da conversão de todos os povos à Verdade e à Igreja que Nosso Senhor Jesus Cristo fundou.

De fato “do que era dividido, Cristo fez uma Unidade (Ef 2,14)”. E essa Unidade já existe e se chama Igreja Católica.

A Igreja Católica é o único lugar onde nós podemos encontrar o Maná, o Cajado do Sumo Sacerdote e as Duas Tábuas da Lei. O único lugar em que podemos encontrar os Sete Sacramentos, a Legítima Hierarquia, e os Verdadeiros Ensinamentos de Nosso Senhor na Sagrada Escritura e na Tradição.

Assim, nós devemos rezar muito, pedindo a Deus a conversão daqueles que estão a morrer de fome fora da casa de Deus. E nós devemos também rezar por nós, que pela graça de Deus estamos dentro da Igreja, para que possamos perseverar até o fim na confissão da verdadeira Fé, e em nossos esforços para levar uma vida santa e agradável a Deus, pois sabemos que “a fé sem obras é morta (Tg II, 17)”, mas não podemos nos esquecer que “as obras, sem a verdadeira Fé, não podem agradar a Deus” (cf. Hb XI, 6).

Que Deus venha em nosso auxílio, Ele que é a nossa Paz!

17 fevereiro, 2021

Desespero de causa. A Mensagem sobre a CF do Papa Francisco.

FratresInUnum.com, 17 de fevereiro de 2021 – A coisa deve estar fervendo nas altas cúpulas da CNBB. A crise gerada pela divulgação das heresias ideológicas do Texto Base da Campanha da Fraternidade (CF) provocou tal revolta no povo católico que as Excelências tiveram que apelar para o único argumento que lhes restou: o argumento de autoridade patrocinado pela Mensagem do Papa Francisco.

Acontece que, no texto, Francisco não faz senão um endosso do tema da Campanha, o qual não foi nem de longe o objeto da crítica dos fiéis. Deste modo, parecendo respaldar os bispos, Francisco apenas se esquiva das questões ferventes, bem naquele estilo jesuítico atualmente conhecido por todo o orbe católico.

De fato, eles estão desesperados! A hemorragia de críticas se tornou incontrolável e a única alternativa que lhes resta é desfraldar esta pífia nota e rezar (se é que lhes passa pela cabeça tal coisa) para que a fervura se acalme.

Enquanto isso, pelas redes, os fiéis se mantêm firmes e fortes.

O movimento de adesão ocorrido nos últimos dias, que atraiu o apoio de padres e bispos, foi de baixo para cima: ou seja, os pastores apenas atenderam o clamor dos seus fieis e resolveram se posicionar de acordo com eles. Não se trata de uma articulação da hierarquia para mobilizar o povo, mas exatamente o contrário: é o povo que está provocando uma atitude sadia no clero e, quando ele corresponde à altura, é o próprio povo que o aplaude e estimula.

A carta de Francisco chega para tentar inibir especialmente os bispos, mas todos sabem que será impossível silenciar o grito do dos fiéis.

Por outro lado, se o próprio Francisco diz que os pastores devem ter cheiro de ovelhas e que eles precisam seguir sensus fidelium ao invés de lhes impor uma direção, parece que agora ele deixa o campo ainda mais livre para a polêmica sobre os pontos que realmente interessam: a ideologia de gênero, o gayzismo, o sincretismo religioso e, sobretudo, o dinheirismo que está sob isso tudo.

A popularidade do Papa está mais baixa que o Mar Morto e a sua tentativa de salvar a pele dos amiguinhos brasileiros apenas vai deixar os fiéis com mais sangue nos olhos. Era muito mais fácil pedir desculpas, suprimir os textos problemáticos ou até mesmo derrogar o texto base e substituí-lo por outro mais consensual. Mas essa gente veio mesmo é para dividir e cinicamente usar o discurso da “união” como método para calar os discordantes.

O que eles não esperavam era que o povo estivesse tão acordado como está. O flagrante foi dado, as pessoas estão revoltadas, a crise é irreversível, a CF teve a sua maior perda da história e tudo isso apenas serviu para deixar as pessoas ainda mais vacinadas contra a teologia da libertação.

Os poucos padres e bispos que se levantaram são apenas uma ínfima amostra de um movimento silencioso que cresce há décadas e por todos os lados: a CF é uma inciativa odiosa e todo o episódio atual não passa de um boicote barulhento que sucedeu um boicote silencioso que continuará acontecendo, a despeito de cartas papais ou choradeiras episcopais.

Abaixo, a íntegra da Mensagem do Papa Francisco.

*

Mensagem do Papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade 2021.

Fonte: Vatican News

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas. O Senhor Jesus, que nos convida a caminhar com Ele pelo deserto rumo à vitória pascal sobre o pecado e a morte, faz-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia. Ele nos convoca e convida a orar pelos que morreram, a bendizer pelo serviço abnegado de tantos profissionais da saúde e a estimular a solidariedade entre as pessoas de boa vontade. Convoca-nos a cuidarmos de nós mesmos, de nossa saúde, e a nos preocuparmos uns pelos outros, como nos ensina na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Precisamos vencer a pandemia e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida. Como indiquei na recente Encíclica Fratelli tutti, «passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta» (n. 35). Para que isso não ocorra, a Quaresma nos é de grande auxílio, pois nos chama à conversão através da oração, do jejum e da esmola.

Como é tradição há várias décadas, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, como um auxílio concreto para a vivência deste tempo de preparação para a Páscoa. Neste ano de 2021, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, os fiéis são convidados a «sentar-se a escutar o outro» e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes «um mundo surdo». De fato, quando nos dispomos ao diálogo, estabelecemos «um paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro» (Ibidem, n. 48). E, na base desta renovada cultura do diálogo está Jesus que, como ensina o lema da Campanha deste ano, «é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade» (Ef 2,14).

Por outro lado, ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade lembra que são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico. Certos de que «devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos», no diálogo ecumênico podemos verdadeiramente «abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus» (Exort. Apost. Evangelii gaudium, n. 244). É, pois, motivo de esperança, o fato de que este ano, pela quinta vez, a Campanha da Fraternidade seja realizada com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Desse modo, os cristãos brasileiros, na fidelidade ao único Senhor Jesus que nos deixou o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13,34) e partindo «do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade» (Carta Enc. Fratelli tutti, n. 271). A fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis. Desejando a graça de uma frutuosa Campanha da Fraternidade Ecumênica, envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 17 de fevereiro de 2021.

[Franciscus PP.]

15 fevereiro, 2021

O que há por baixo da polêmica em torno da Campanha da Fraternidade de 2021.

FratresInUnum.com, 15 de fevereiro de 2021 – Em seu vídeo do último domingo, Dom Odilo Scherer disse que “ainda nem começou a CF2021, já está dando polêmica”. Sentimos muito discordar de Sua Eminência, mas, a realidade é que nem começou a CF2021 e ela já acabou, porque sepultada pelos católicos.

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Ao contrário do que sugerem algumas análises de comentadores situacionistas, a polêmica não é obra de um reduzido grupos de católicos ultraconservadores, mas do povo fiel, a ponto de chamar a atenção de sites e jornais… Entre o povo, é só no que se fala, sempre em tons de indignação e repúdio.

O desprestígio da CF-TL

Há quase 60 anos, a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, mudando a tônica do tempo quaresmal da preocupação com o pecado para temas revolucionários, trocando a graça transcendente pelo imanentismo político próprio da Teologia da Libertação. Mas algo mudou nesses 60 anos.

Antigamente, os católicos não entendiam muito bem a tal CF, mas tinham benevolência para com os seus pastores e aceitavam com bom espírito aquela inovação. Atualmente, os católicos já percebem o que é a Teologia da Libertação e qual a sua finalidade, isto é, a instrumentalização do altar pela esquerda dita católica. Os leigos de hoje não somos mais os leigos de 60 anos atrás. Estamos bem cientes de quem é e de quem não é.

Falácias de autoridade

Neste sentido, parece-nos realmente risível a atitude de boa parte dos bispos que, para submeter o povo à CF, apelam para argumentos de autoridade do tipo: “quem não está com os bispos, está fora da Igreja” ou “os bispos não podem errar”. Ora, mas será que esses prelados pensam realmente que nós somos imbecis? Eles não perceberam que hoje os católicos são muito mais bem formados do que naqueles tempos em que grassava o analfabetismo pelo Brasil?

De fato, nós entendemos muito bem a definição clássica da Igreja dada por S. Roberto Belarmino e recordada pelo próprio Papa Paulo VI, do qual dizem ser devotos: “A Igreja é a assembleia dos homens que professam a mesma fé cristã, na comunhão dos mesmos sacramentos, sob a guia dos legítimos pastores e especialmente do romano Pontífice”

Em outras palavras, a eclesiologia atual trocou a comunhão na verdade pela por qualquer consenso de bispos que não se importam com a ortodoxia. A fé é o elemento estruturante da Igreja e é ela que confere legitimidade aos pastores. Não adianta vir com carteirada! O episcopado não é um poder absoluto, nem o sumo pontificado o é. Ambos estão a serviço da profissão da fé católica e hoje nós temos todos os recursos para comparar aquilo que se ensina com o ensino de todos os Santos Padres, Doutores da Igreja e dos maiores teólogos de todos os tempos, talvez mais até do que muitos que ostentam mitras sobre as suas cabeças. Já fomos advertidos: “Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema” (Gl 1, 8). 

Resumindo: os maiores heresiarcas de todos os tempos foram leigos ou bispos? Será que adianta agora nos apresentar apenas argumentos de autoridade?

Ideologia e CF

Dom Pedro Stringhini, bispo de Mogi das Cruzes, SP, foi mais sincero ao dizer que a CF é ideológica, mesmo. “Quem critica diz que isso é ideológico. Claro que é, claro que é ideológico! Porque quando fala dos pobres, quando fala contra as desigualdades, quando fala a favor da ideologia, claro que é ideológico! E quem fala contra é ideológico também. Estes que são aí da extrema direita, que estão falando contra a Campanha, eles estão defendendo a ideologia deles. Vamos dialogar”.

A concepção de ideologia mudou completamente de sentido entre os marxistas. Marx a entendia negativamente: a ideologia seria uma falsificação da realidade, que é cruamente material; Gramsci a entendia positivamente: como tudo é ideológico, o que se precisa fazer é a contraposição dialética das ideologias, exatamente como defende Dom Stringhini em sua declaração.

CONIC e Ecumenismo

A presidência da CNBB teve uma versão diferente da apresentada pelo bispo de Mogi das Cruzes, pois resolveu esquivar-se da responsabilidade pelo Texto Base com a finalidade de salvar a coleta do Domingo de Ramos e jogou a bomba nas mãos do CONIC.

Aliás, o próprio Dom Odilo disse que “essa polêmica está movida por preconceitos e paixão anti-ecumênica”, tentando desviar o foco do escândalo do texto base. Ora, mas este argumento foi brilhantemente destruído pelo Anderson Reis, que demonstrou que todas estas ideias apresentadas pelo CONIC não são sequer oriundas dos “evangélicos” do Brasil, em sua maioria conservadores e avessos a tais absurdos, tanto quanto os católicos.

O argumento “ecumenicista” não passa de uma tentativa de desconversa.

Fato é que um documento que fala de diálogo e que se apresenta como ecumênico não levou em conta a fé dos católicos nem da massa dos “evangélicos pentecostais”, mas tão somente a dos “protestantes tradicionais”, e sequer foi conhecido pelos bispos que o endossariam para as suas dioceses. A CNBB reconheceu que foi surpreendida pelo assunto e agora tem de pagar caro por este desprestígio.

Desgaste de anos

Todavia, se os bispos da CNBB fossem sinceros, reconheceriam subitamente que a Campanha da Fraternidade está mais do que desgastada entre os próprios bispos, os padres e o povo, e que a única força que ainda a mantém de pé é o “conservadorismo de esquerda” da velha guarda de ativistas petistas que ainda infestam a Conferência.

Nenhuma polêmica ganharia tais proporções se já não estivesse profundamente problematizada no coração dos católicos. Os fieis não aguentamos mais! Queremos a nossa quaresma de volta, isto é, aqueles que ainda tiveram a oportunidade de viver algum tipo de quaresma antes do sequestro ideológico operado pela CF, porque as gerações mais novas sequer tiveram chance de viver uma quaresma descontaminada de política esquerdista.

Agora, mais do que nunca, o descontentamento dos católicos está escancarado. Todos querem ter apenas o direito de fazerem as suas devoções quaresmais e preparar-se santamente para a Páscoa. Será pedir demais? Parece que para os bispos, sim! A ideia de suprimir a CF está fora de cogitação. Ela é mais obrigatória do que o dogma católico! – Houve padre que chegou até a dizer que falar mal da CF é pecado, enquanto diz que “Deus está se lixando se você faltou à missa” e que o relacionamento com Deus deve ser “sem culpa”, “sem esta coisa maluca de pecado” (ou seja, o pecado existe apenas de acordo com a conveniência hipocritamente sustentada por este padre).

O perigo dos conservadores

Se a CNBB fosse esperta – e é! – iria se valer agora dos chamados “conservadores” (dessa gente que defende o aggionarmento engomado, que veste batina, reza em latim e tem aquela enganosa estética tradicional; que não abomina a missa de sempre, desde que se incense a missa nova) para anestesiar a resistência dos católicos.

Daqui a pouco começarão a aparecer padres desse naipe que começarão a “acalmar os afoitos”, a dizer que “não precisamos ser tão contundentes”, a pedir moderação, luxo e sofisticação, justamente para deixar o caminho para os revolucionários.

Não podemos cair neste engodo. Aliás, precisamos deixar muito claro para todos que essa movimentação popular é totalmente descoordenada e que não aceitamos nenhum tipo de atenuação da situação atual: rejeitamos inteiramente o Texto Base e a CF, não queremos mais nenhuma linguagem enganosa e não toleraremos senão a abjuração completa deste documento nefasto.

Uma iniciativa corajosa, mas ambígua

No ano de 1988, centenário da abolição da escravatura, Dom Eugênio Salles rejeitou o Texto Base da CF, que instigava a luta racial, e criou um texto próprio para a Arquidiocese do Rio de Janeiro. A esquerda católica estrebuchou, mas nada aconteceu. Era um direito inalienável dele enquanto pastor próprio de sua diocese e, portanto, fez prevalecer a sua prerrogativa pastoral.

Agora, outra iniciativa foi tomada na mesma linha. Dom Fernando Guimarães, arcebispo militar, escreveu uma carta à Presidência da CNBB em que diz que não serão utilizados os textos da CF em sua circunscrição. A iniciativa foi corajosa, sobretudo porque diz que não enviará os recursos da coleta do Domingo de Ramos para a CNBB (nada lhes dói mais do que isso), mas ainda ambígua, pois o arcebispo louva o diálogo inter-religioso e recomenda a Fratelli tutti. Enfim, no meio de tantas evasivas, pelo menos uma atitude de discreta resistência que pode inspirar atitudes ainda mais corajosas.

Linguagem ambígua ou propositalmente calculada?

Enquanto a CNBB se esquiva da responsabilidade pelo texto, especialmente nas questões de ideologia de gênero, vozes importantes dizem que exatamente foi este o ponto principal do Texto Base. A língua bífida da serpente sempre trabalha com a mentira e a contradição!

O Padre Antônio Carlos Frizzo, assessor eclesiástico da Pastoral de Fé e Política e um dos secretários da CNBB responsáveis pela CF, em entrevista à Deutshe Welle, traduzida pela Unisinos (jesuítas), disse que o texto base “põe o dedo na ferida. Precisamos superar a violência pela força do diálogo e com a dimensão cristã dialogando. Contra todo tipo de violência: contra os negros, as mulheres, os LGBTs e, sobretudo, a violência contra a natureza”, pois, “o Brasil é um dos países que mais matam pessoas transexuais. (…) Por isso o texto-base usa, sim, dados para marcar e apontar a violência que se volta contra as pessoas que são homossexuais, transexuais etc., e também contra as pessoas que são ligadas a movimentos dos direitos humanos. O Brasil é uma sociedade tremendamente violenta. Não é mais cordial. Predomina a intolerância”.

Ele confessa que se escolheu “o tema ‘diálogo’, sobretudo pelo que ocorreu no Brasil depois do surgimento do governo Bolsonaro, quando a sociedade ficou muito dividida”.

Em outro artigo, o Padre Danilo Pena, citando um texto do famoso jesuíta James Martin, conhecido por sua adesão teológica ao movimento LGBT, diz que não se pode usar “um léxico que seja mais confortável à Igreja. Processos de reconciliação precisam respeitar a dignidade do fenômeno sem analogias. Assim, a Igreja acerta quando, ao invés de prescrever expressões alternativas, respeita e utiliza os nomes que já pertencem às pessoas que se sentem representadas por eles: “gay”, “lésbica”, “queer”, “LGBT” e “LGBTQI+”, por exemplo. Usar estas expressões, sem medo do tribunal da internet e do juízo dos católicos farisaicos, faz parte de uma opção eclesial que busca a abertura para um necessário avanço pastoral”.

Em outras palavras, o recuo dado pela cúpula da CNBB foi apenas retórico e momentâneo. A utilização da linguagem gayzista e a provocação aos católicos foi o objetivo principal do documento, que teve como intenção a quebra de uma resistência, o avanço de uma ideologia.

CF2021: uma mudança de paradigma

Na verdade, a Teologia da Libertação está realizando uma mudança de paradigma. Aquela velha TL das décadas de 60-70 existe apenas na cabeça de alguns bispos saudosistas e está sofrendo uma lenta e longa eutanásia para que ressurja a verdadeira TL do futuro: o eco-gayzismo da libertação!

Assim como a esquerda revolucionária passou por uma metamorfose na década de 90 e trocou a revolução operária pela revolução sexual, agora, a Teologia da Libertação está trocando de pele, como uma cobra. A nova TL parte do pressuposto de que a lógica capitalista patriarcal da exploração do planeta deve ser mudada por uma lógica socialista feminista e gayzista do cuidado do planeta; daí o eco-gayzismo da libertação.

Por isso, mais do que nunca, os católicos devem lutar. Não foi apenas uma ferida na sensibilidade tradicional dos fieis, nem se pode reduzir o fenômeno a uma mera questão de vocabulário ecumênico. Não se trata disso! Trata-se de uma verdadeira apostasia com a qual não nos devemos acumpliciar. É preciso resistir e mostrar a estes senhores que nós entendemos muito bem o que está acontecendo!

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10 fevereiro, 2021

Insuficiente e medrosa. A nota da CNBB que não mudou nada.

FratresInUnum.com, 10 de fevereiro de 2021 – Ontem, praticamente no mesmo horário em que o CDB fazia o lançamento do seu último vídeo para mostrar aonde são aplicados os fundos da Coleta do Domingo de Ramos, a presidência CNBB lançou uma pálida nota para tentar estancar a hemorragia da polêmica sobre a CF2021.

Na prática, a nota não mudou absolutamente nada. Não houve nenhum pedido de desculpas nem a exclusão dos textos problemáticos nem muito menos a derrogação do Texto Base. Tudo continua igual ao que estava antes.

A única “novidade” da nota foi o fato de que a presidência se esquivou da autoria do texto e jogou a batata quente nas mãos ecumênicas do CONIC, como se este organismo estivesse realmente interessado em conservar a ortodoxia do catolicismo. É como se o STF responsabilizasse o Fernandinho Beira-mar pela interpretação do Código Penal e dissesse em seguida que tem para com ele alguma discordância.

A responsabilização do CONIC, mesmo assim, foi feita de modo tênue e excessivamente cordato, mantendo-se a união de propósitos e a identidade nos objetivos.

Contudo, não foi apenas o CONIC a ser responsabilizado. A presidência responsabiliza os católicos por compreender o texto sem pressupor a linguagem ecumênica, como se a utilização da ideologia de gênero num documento que visa direcionar a CF fosse uma mera questão de vocabulário. Poderia haver algum fingimento mais ostensivo do que este e uma mais vergonhosa ofensa ao povo fiel?

No final do texto, esclarece-se o motivo de tanta mobilização: não se trata de zelo pela doutrina ou amor às almas, mas preocupação com a tal Coleta de Ramos. “Onde está o teu coração…”

Na nota, a Presidência trata a ideologia de gênero como o único problema do texto, deixando de lado questões sumamente importantes: como uma pastora que defende o aborto pode estar na autoria de um texto a ser usado nas paróquias católicas? Como um texto como este apresenta Lutero como se fosse inspirado pelo Espírito Santo? Como se pode sugerir como ação prática que os fiéis visitem um terreiro de candomblé? Como uma feminista radical e defensora do direito ao aborto, Marielle Franco, pode ser apresentada como modelo aos fiéis? E, sobretudo, como eles podem dizer que a doutrina católica sobre o gênero permanece inalterada se eles mesmos não chegaram sequer a suprimir estes números do documento?

Desgraçadamente, a postura da Presidência da CNBB nesta nota foi a de quem disfarçou que não tem nada a ver com o assunto e quis simplesmente garantir o ingresso do suado dinheiro do povo. C’est tout!

Essas pessoas parecem realmente não acreditar na verdade, mas apenas na explicação, na narrativa. Parece que não existem fatos nem coerência entre as coisas, sendo normalíssimo dizer contradições e disfarçar seriedade, torcendo para que todo mundo creia na encenação.

Insuficiente e medrosa, a nota da Presidência da CNBB é apenas uma desconversa opaca, lengalenga de quem sentiu o baque mas quer dar um jeito de sair de fininho.

9 fevereiro, 2021

Operação anestesia.

FratresInUnum.com, 9 de fevereiro – Prepare-se! Os passadores de pano já estão preparados e começam a desempenhar o seu ofício: anestesia geral em todos os católicos do Brasil.

Resultado de imagem para anestesiaA operação destinada a desviar o foco do escândalo não está dando certo. Os católicos continuam a se manifestar pelas redes, o povo já percebeu do que se trata essa campanha e os bastidores estão se mobilizando para o mais pérfido trabalho de desinformação, que consiste em pedir às vozes de confiança dos católicos que se manifestem com algum tipo de “deixem disso”, “parem com isso”, “voltemo-nos à oração”, “acalmem-se”, “deixem nas mãos de Deus” etc.

Já existem áudios circulando com bispos falando mansamente, quase com voz de choro, e dizendo que tudo não passa de uma “graaaaande” confusão, que os leigos não podem se arrogar voz episcopal, que todos devemos confiar plenamente na CNBB.

Padres com pretensões mitríferas e leigos bajuladores fazem postagens se vitimizando, apelando à misericórdia dos leitores e dizendo que os católicos perplexos não sabem o que é pegar uma vassoura e varrer uma sacristia… É ruim demais!

Não é de se estranhar que, mediante ameaças e manipulações, a alta cúpula cnbbística queira chamar em causa algum eclesiástico, desses que são continuamente espezinhados por ela, algum carismático ou mesmo algum tradicionalista: afinal de contas, é para isso que eles servem, são como chicletes que, uma vez mascados, são cuspidos de volta no lixo.

Falta a esses senhores a humildade de reconhecer que eles erraram feio, que o que está acontecendo é um grande vexame, que os católicos têm todo o direito de manifestar a sua posição, que não há nada mais razoável do que isso. Enquanto eles quiserem manter a pose de infalíveis, de inatingíveis, enquanto não descerem do salto e confessarem a sua própria falha, todos continuarão a se manifestar fortemente, pois a situação é drástica em si mesma, não se trata de uma questão de explicação.

Precisamos ficar atentos e não permitir que os anestesistas mobilizem o nosso corpo. Eles querem nos convencer de que somos paralíticos e incapazes, enquanto usam a nossa Igreja para divulgar as suas heresias. Não voltaremos atrás! Fora com os anestesistas!

8 fevereiro, 2021

Desmoralizada. A CNBB afunda de vez a Campanha da Fraternidade.

FratresInUnum.com, 8 de fevereiro de 2021 – As redes sociais estão em alvoroço: fieis católicos manifestam publicamente o seu repúdio ao escândalo do texto base da CF2021. Por outro lado, começou o corre-corre dos engajados para tentar estancar a sangria. Mas, infelizmente para eles, parece que a tática não vai dar certo, pois não passa de uma tentativa de defender o indefensável. Desta vez, a CNBB deu um passo maior do que a perna.

A tentativa de “abafamento” movida especialmente pelo CNLB – Conferência Nacional dos Leigos do Brasil está seguindo a estratégia da “mudança de assunto”: ou seja, ao invés de discutir o texto-base da Campanha da Fraternidade em si, concentram suas forças no ataque aos debatedores. “Extremistas”, “fundamentalistas”, “reacionários”, “diabólicos” são termos recorrentes nas manifestações destes que se vangloriam de combater “discursos de ódio”. Um exemplo disso é a nota publicada pelo Centro Alceu de Amoroso Lima, e divulgada por bispos através do WhatsApp, que acusa o vídeo do Centro Dom Bosco de ser contra o ecumenismo e o diálogo-interreligioso (ok, meninas; mas o assunto não é este!).

Acima, a “presidenta” do Conferência Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB) em luta pela democracia.

No dia de ontem, Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, vestiu sua batina frisada (dando uma impressão solene, importante, bem ao estilo de um Cardeal Ottaviani), e gravou um vídeo com a única finalidade de acalmar a calorosa polêmica. Em suma, tentou “limpar a barra” da CNBB, dizendo que o texto (do qual ele muito timidamente, e também com certo medo, tomou distância e disse discordar) foi preparado pelo CONIC – Conselho Nacional de “Igrejas” Cristãs.

Obviamente, a melhor parte do vídeo são os comentários. O povo não está mais dormindo, como gostariam esses senhores.

Pois bem, a pergunta verdadeira é: como é possível que a CNBB endosse um texto base como esse, que adota a linguagem homossexual, que assume dados do Grupo Homossexual da Bahia e ainda atribua a violência contra eles ao “fundamentalismo religioso”? Além de emprestar os fieis católicos e a quaresma para o CONIC (aliás, quem faz a CF são maximamente as paróquias católicas, não as comunidades protestantes), a CNBB está permitindo pacificamente que nós sejamos usados como caixa de ressonância do Movimento LGBT?

Vejam a citação do n. 68 do Texto Base da CF2021:

“Outro grupo social que sofre as consequências da política estruturada na violência e na criação de inimigos, é a população LGBTQI+. O já citado Atlas da Violência de 2020, mostra que o número de denúncias de violências sofridas pela população LGBTQI+ registradas no Dique 100 no ano de 2018 foi de 1685 casos. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia apresentados no Atlas da Violência 2020, no ano de 2018, 420 pessoas LGBTQI+ foram assassinadas, destas 210, 64 eram pessoas trans. Percebe-se que em 2011 foram registrados 5 homicídios de pessoas LGBTQI+. Seis anos depois, em 2017, este número aumentou para 193 casos. O aumento no número de homicídio de pessoas LGBTQI+, entre 2016 e 2017, foi de 127%. Estes homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis” — note-se que a sigla LGBTQI+ diz respeito a: lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers, intersexuais e o + inclui qualquer outro gênero que houver; o termo “queer” vem do inglês e significa “estranho, diferente, bizarro”, e está na base do movimento internacional de gênero, que defende que a construção da identidade de gênero deve ser fluida, ou seja, o normal é ser bizarro.

Os bispos da CNBB estão jogando a Campanha da Fraternidade, sofrível desde sempre, definitivamente no lixo. Eles são os responsáveis por essa desmoralização diante do povo católico.

Não adianta eles tentarem culpar os grupos críticos. Eles precisam bater no peito e assumir a culpa por esse absurdo! Como é que um texto desses foi parar num documento que é a própria base para a Campanha da Fraternidade? Quem fez isso? Quem aprovou isso? Foi a Presidência, foi o Conselho permanente? Estas são as perguntas que se devem fazer e é isso que deve ser enfrentado.

Enquanto não fizerem isso, não adianta os bispos se fazerem de vítimas e apelarem para a sua autoridade de “sucessores dos Apóstolos”, pois, neste caso, são eles que se fazem indignos desta excelsa condição, a qual estão ultrajando pela sua ambiguidade e subserviência às ideologias mais macabras que existem.

8 fevereiro, 2021

#BoicotaCF2021. Nem um centavo.

7 fevereiro, 2021

CNLB contra-ataca. Na mira, o Centro Dom Bosco.

Por FratresInUnum.com, 8 de fevereiro de 2021 – O vídeo em que o Centro Dom Bosco (CDB) escancara o escândalo do Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 está causando chiliques e siricuticos em toda a trupe dos engajados da CNBB.

Uma fonte murmurante contou-nos com exclusividade que hoje o grupo no WhatsApp do Colegiado da Conferência Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB), que se arroga o direito de representação do laicato junto à CNBB, está pegando fogo! A decisão do grupo é contra-atacar o CDB. Mas, antes de entramos no assunto, vamos fazer um pouco de contextualização.

Talvez o leitor desconheça a existência deste organismo silencioso ligado à CNBB e isso certamente não é a despeito do mesmo. A sua função principal é a articulação, organização e representação das associações leigas no Brasil, sendo uma espécie de elo entre elas e a CNBB. A sua atuação é discreta e, por isso, pouco percebida na esfera pública. A ideologia que os rege é a Teologia da Libertação e, por isso, cada vez que algum padre ou bispo se posiciona a favor da esquerda, logo o grupo inteiro se mobiliza para obter dezenas de notas de apoio de grupos minúsculos, mas que dão a impressão de representarem milhões de pessoas.

Atualmente, a presidente do CNLB é a Sra. Sônia Gomes de Oliveira, da Arquidiocese de Montes Claros.

Pois bem, a estratégia de ataque do CNLB ao CDB é a seguinte: primeiro, querem denunciar os vídeos de crítica à CF 2021, para tentar derrubá-los das plataformas de mídias sociais; e, além disso, querem instigar “quem de direito” a processar o CDB (alguém alega, como exemplo, que “o Bernardo Kutcher [entenda-se Küster] só sossegou mais quando o Leonardo Boff processou ele” [sic!]) segundo disseram, é necessário partir para processos, pois “só nota não resolve para este povo”; por fim, querem fazer pressão sobre a arquidiocese do Rio de Janeiro, para que haja algum tipo de retaliação sobre o CDB (como são covardes, pressionam o arcebispo enquanto ficam escondidinhos atrás da moita – esperamos que Dom Orani não se deixe enredar por estas víboras).

A presidente, Dona Sônia, orientou que se evite o debate e a discussão com o CDB (óbvio, eles sabem muito bem que foram apresentados apenas fatos, nada além de fatos) e que todos se devem concentrar apenas em denunciar a “intolerância”. Eles também querem espalhar os vídeos nos grupos, pois, percebem que “quando antecipamos os vídeos em grupos, espalhando estas boas falas e as notas, os vídeos quando chegam já perdem a força”.

Eles pretendem “espalhar as boas ações da Campanha, quanta coisa bonita aconteceu e acontece”. Em áudio, uma das participantes mostra grande preocupação porque “tudo isso vem num crescendo e a gente precisa barrar”.

No grupo, foi divulgada uma nota que teria sido assinada por um sacerdote salesiano, Pe. João Mendonça, redator da Revista Convergência, da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), em que o mesmo afirmaria sobre o CDB que “este grupo é reacionário, fundamentalista e perigosamente preconceituoso contra tudo aquilo que diz respeito a temas de sexualidade e moral” e também que “se apropriaram indevidamente, criminosamente do nome de Dom Bosco”.

Também ontem, um Padre chamado Paulo Cezar Mazzi divulgou um artigo em que xinga os católicos do CDB de “católicos diabólicos” (sim, eles que geralmente não creem no Diabo), simplesmente porque eles apresentam fatos e pedem aos fieis que não colaborem com a coleta do Domingo de Ramos, destinada à Campanha da Fraternidade. Realmente, como a denúncia do CDB tocou neste sensibilíssimo ponto – o dinheiro! –, então eles realmente se enfurecem. A coisa é séria!

Recebemos notícias hoje de que há grupos nos cleros das dioceses em alvoroço por conta do vídeo do CDB e também que houve padres que chegaram a proibir nas homilias e avisos das Santas Missas que qualquer pessoa o assistisse, divulgando-o, deste modo, ainda mais.

Portanto, nos próximos dias, a cúpula do CNLB vai ficar atiçando grupos, associações e movimentos, a se posicionarem em defesa da CF 2021 e em ataque aos críticos, usando o medo aos bispos como forma de pressão.

Tudo isso não passará, portanto, de uma manobra artificial e fingida. O vídeo do CDB apenas externou o que pensa o católico normal, que não quer ver a sua religião recrutada neste tipo de concessão ao pecado e às bandeiras que são diametralmente opostas à doutrina católica. Não é difícil perceber isso.

A onda não foi causada pelo CDB, ela já existe entre o povo. O desprestígio em que se lançou a hierarquia católica por patrocinar essas bandeiras socialistas (e, agora, o socialismo identitário) é imenso! Não adianta tentar censurar o CDB. O problema deles é o povo! O povo católico descolou-se destes falsificadores e os está desautorizando. É simples assim!

Vamos ver até onde chegam estes autoritários. A estas alturas, estão enfurecidos com o vazamento dessas informações e, portanto, a Dona Sônia vai ter que criar um grupinho mais reservado, pois, pelo visto, há menos consenso entre eles do que eles mesmos imaginam.

6 fevereiro, 2021

Centro Dom Bosco escancara a realidade da Campanha da Fraternidade.

2 fevereiro, 2021

O Papa Francisco dogmatiza o Vaticano II.

Por José Antonio Ureta – O pontificado de Francisco representou uma verdadeira mudança de paradigma até em relação à imposição, aos tradicionalistas, das novidades do Concílio Vaticano II: passou-se da cenoura ao pau, dos incentivos às ameaças.

Quando ainda cardeal, Joseph Ratzinger havia reconhecido, com honestidade, que «verdade é que este particular Concílio [Vaticano II] não definiu dogma algum e, deliberadamente, escolheu permanecer num nível modesto, como um concílio meramente pastoral» (Discurso em Santiago do Chile, 1988). Na mesma ocasião, o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé lamentou o facto de que, «no entanto, muitos o consideram quase como se fosse um super-dogma que priva de significado todos os outros concílios».

Depois, enquanto Papa, reconhecendo que havia ambiguidade de interpretação nos textos conciliares, Bento XVI propôs, aos que questionavam a sua ortodoxia, a cenoura da “hermenêutica da continuidade” com o magistério tradicional. A cenoura teológica ratzingeriana não apeteceu às principais figuras críticas do Concílio, tais como Mons. Brunero Gherardini, o Prof. Roberto de Mattei, os teólogos da Fraternidade S. Pio X e ainda outros, que rejeitaram a proposta, argumentado que não era suficiente proclamar a suposta continuidade do Vaticano II com o magistério precedente, mas era preciso demonstrá-la.

Francisco abandonou a cenoura e não somente abraçou, abertamente, a tese da ruptura do magistério novo com o magistério tradicional, mas agora empunhou o pau.

Com efeito, no discurso para celebrar o 25.º aniversário do Catecismo de João Paulo II, o Papa Bergoglio declarou: «A Tradição é uma realidade viva; e somente uma visão parcial pode conceber o “depósito da fé” como algo de estático. A Palavra de Deus não pode ser conservada em naftalina, como se se tratasse de uma velha coberta que é preciso proteger da traça! Não. A Palavra de Deus é uma realidade dinâmica, sempre viva, que progride e cresce, porque tende para uma perfeição que os homens não podem deter».

E, na audiência deste sábado (30 de Janeiro), brandiu o pau. Dirigindo-se aos membros do Escritório Catequético da Conferência Episcopal Italiana, que celebrava o 60.º aniversário do início das suas actividades de renovação da catequese nos moldes do Concílio Vaticano II, o Papa Francisco afirmou em tom ameaçador: «O Concílio é magistério da Igreja. Ou estás com a Igreja e, portanto, segues o Concílio, e se não segues o Concílio ou o interpretas à tua maneira, à tua própria vontade, não estás com a Igreja».

Ou seja, voltou-se ao super-dogma. Com uma circunstância agravante: de ora em diante, não é mais aceitável sequer dar ao Vaticano II outra interpretação do que aquela oficial. À vista disso, Francisco faz uma dupla dogmatização: 1.º do Concílio e 2.º da sua interpretação. O que parece pouco harmonizável com o carácter pastoral e voluntariamente não dogmático da assembleia conciliar.

Em França, os coitados dos alsacianos, que foram integrados, à força, no Exército alemão – sob a alegação de que eram de raça germânica –, são conhecidos como os “malgré nous”, porque foram recrutados contra a própria vontade. Os documentos do Vaticano II, pela vontade autocrática do Papa Francisco, passaram a ser os “malgré nous” do magistério, já que foram, por ele, incorporados, à força, entre os documentos infalíveis, contra a vontade manifesta dos padres conciliares, que os aprovaram, e de Paulo VI, que os ratificou.

Não há dúvida de que o Pontífice tem o direito de empregar o carisma de infalibilidade com o qual Jesus Cristo dotou a sua Igreja. Mas deve fazê-lo respeitando os requisitos de solenidade, universalidade e manifestação expressa da vontade de definir, que a Teologia exige das declarações ex cathedra. Uma dogmatização do Vaticano II feita num aparte improvisado de uma audiência não tem a força magisterial requerida para obrigar as consciências. E menos ainda para justificar a exclusão do seio da Igreja, implícita nas suas palavras.

O mesmo pontífice que não condena, mas abençoa, Joe Biden (apesar deste dissentir, abertamente, do ensinamento da Igreja em questões morais essenciais, como o aborto e a agenda LGBTQ), é inexorável com aqueles que questionam o Vaticano II: «Temos que ser exigentes e rigorosos neste ponto. O Concílio não deve ser negociado para ter mais destes… Não, o Concílio é assim. […] Por favor, nenhuma concessão para aqueles que tentam apresentar uma catequese que não esteja de acordo com o Magistério da Igreja».

Nessa última frase, transparece, mais uma vez, a identificação abusiva do Magistério da Igreja com as novidades do último Concílio, transformando-o no «super-dogma que priva de significado todos os outros concílios», como denunciou o Cardeal Ratzinger. Essa identificação só se justificaria a partir da teoria modernista de um depósito da fé dinâmico, cujo conteúdo evolui com a consciência da humanidade, expressa na mudança, introduzida por Francisco, no Catecismo, para tornar ilícita a pena de morte, contrariando as Escrituras e o ensino perene desde os Padres da Igreja.

Estamos plenamente de acordo em que o Magistério não deve ser negociado e na necessidade da Igreja ser rigorosa e exigente na defesa da integridade do depósito da fé. Mas é, precisamente, por isso que muitos analistas sérios e competentes objectam passagens dos documentos conciliares que, no seu sentido natural, parecem inconciliáveis com o ensino tradicional.

No passado mês de Junho, tive a honra de co-assinar uma carta aberta aos bispos D. Carlo Maria Viganò e D. Athanasius Schneider em agradecimento pelo apelo a iniciar um debate aberto e honesto sobre o que aconteceu realmente no Vaticano II e por identificar alguns dos pontos doutrinais mais importantes a serem abordados em semelhante análise dos seus documentos. A troca de opiniões – educada e respeitosa – desses dois prelados, dizia a missiva, poderia servir de modelo para um debate ainda mais robusto, evitando-se meros ataques ad hominem.     

Desafortunadamente, o Papa Francisco, nas palavras que improvisou na audiência de sábado passado, enveredou pela senda oposta. Mas essas tornam tal debate ainda mais urgente, posto que parecem inaugurar uma nova etapa no relacionamento da Santa Sé com aqueles que, há várias décadas, pedem, filialmente, um pronunciamento definitivo do Magistério a respeito das suas objecções às novidades conciliares. O pau esgrimido prenuncia não apenas o habitual ostracismo dos tradicionalistas, mas a sua exclusão da Igreja. Como a sofrida, gloriosamente, no século IV, pelo grande Santo Atanásio. Que ele interceda por nós!          

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