Archive for ‘Igreja’

21 janeiro, 2019

Uma ficção chamada Francisco.

Por FratresInUnum.com, 21 de janeiro de 2019

Durou pouco. De fato, o atual pontificado goza de certa sobrevida apenas por inércia. É uma espécie de vida vegetativa que persiste apenas em não morrer. Mas o povo não se engana mais.

franciscoOs escândalos sexuais nos Estados Unidos, o desconforto dos europeus com a obsessão migratória do pontífice, a derrota das esquerdas nos países mais importantes do ocidente, tudo isso e mais um pouco são sinais mais que eloquentes de um pontificado autista, incapaz de interagir com a realidade, totalmente alienado.

Mesmo entre os bispos, cujo assanhamento bajulatório chega a níveis de excitação verbal indecentes, tudo não passa apenas de papagaiamento de oficialidades, enfim, discurso vazio de prática. Na verdade, a Igreja de Francisco é um projeto natimorto e os seus maiores propagandistas são aqueles mesmos que a abortam, relegando-a apenas ao cárcere das palavras, sem qualquer possibilidade de encarnação.

De outro lado, o povo segue o seu instinto de ovelha, dessas mesmas ovelhas cujo cheiro Papa Francisco alega carregar, mas das quais ele se afasta em suas obras, aliando-se a toda a elite financeira que se quer servir do catolicismo apenas como outdoor para as suas ideias libertárias. Obviamente, nada disso seria possível sem o rebaixamento da Igreja ao nível de uma mera sociedade humanística embrulhada de aparência religiosa.

Justiça social, paz mundial, ecologia integral, diplomacia multilateral e outros, são jargões do léxico bergogliano, um dialeto pastoral cujo acento se torna não apenas incompreensível ao católico das ruas, mas que são sobretudo palavras quiméricas, esvoaçantes, que auto-denunciam uma perda total do contato com o mundo concreto, com problemas reais. E as pessoas se vão… Na Europa, tornam-se agnósticas; nas Américas, protestantes, pois ninguém suporta mais a cacofonia psicológica de discursos nos quais as palavras são desconexas das coisas.

O problema do catolicismo hodierno é eminentemente cognitivo. Não se trata só de uma linha teológica ou de um estilo de governo Papal… Os eclesiásticos estão flutuando sobre nuvens cor-de-rosa, suas palavras são meros pastéis de vento, cheias de nada. Os progressistas percorreram o mesmo caminho dos frankfurtianos, especialmente Lúckacs, e trocaram o povo real por um “povo possível”, existente apenas em suas mentes intoxicadas de mundanismo. É com este povo imaginário que conversam, é para ele que escrevem, é a eles que pregam e, como estes não existem, o povo real assiste perplexo ao diálogo entre o padre e o fantasma teológico, percebe que o religioso está doido e, indo embora pela rua, encontra com o pastor pentecostal que toca em sua cabeça, escuta os seus problemas reais e o ajuda a ativar a sua fé: Um católico a menos na missa, um protestante a mais no culto.

Como foi possível chegarmos a este nível de ruptura entre os eclesiásticos e o homem normal?

Desde o início do século XX, a Igreja Católica passa por um sequestro, que se foi intensificando até o papado de Paulo VI e que chegou ao nível de completa hegemonia neste pontificado. Trata-se do total predomínio da diplomacia vaticana sobre a totalidade da Igreja Católica.

São os diplomatas que governam a Cúria Romana, são eles que administram as nunciaturas e trabalham dentro das mesmas, são eles que escolhem os bispos e o fazem sempre dentro do critério mais diplomático que existe: homens inócuos, privados de opinião, que deslizam pelos conflitos no clero com o rebolado de uma enguia, suficientemente ineptos para não terem nenhum tipo de ideia formada, politiqueiros que pensam apenas em adular os superiores, gente sem fé e que não apresenta nenhum tipo de convicção religiosa forte que pudesse ser interpretada como fanatismo ou fundamentalismo, enfim, sujeitos completamente neutros, sem força de personalidade, e que sabem administrar muito bem as finanças de uma diocese, pois, ao fim e ao cabo, é por aí que se lhes mede o sucesso pastoral.

Os diplomatas, porém, são apenas burocratas que precisam promover-se através da legitimação mútua. Eles vivem num teatro cujos espectadores são eles mesmos. A sua finalidade é apenas subir na hierarquia interna da diplomacia vaticana.

Estes senhores consagraram-se aos papéis e não desconfiam sequer que existe um mundo real por detrás deles. Interagem, portanto, apenas consigo mesmos e transitam por ideias puras, órfãs de substância. Não é de se admirar que tenham lançado a Igreja nas nuvens, como pipa empinada numa tarde de verão.

O próprio Papa Francisco, aliás, é em engodo mal percebido. A ideia mesma de que ele seja um “papa pastoral” é uma absurdidade. Para percebê-lo basta ler a sua biografia. Ele nunca foi pároco, sequer por um dia. Passou a vida inteira cuidado de afazeres internos da Companhia de Jesus ou de colégios da mesma Ordem. Foi estudar na Alemanha, mas não conseguiu as notas suficientes para prosseguir os estudos. Sempre em conflito com seus confrades jesuítas, denunciado por Padre Kolvenbach como ambicioso, conseguiu ser nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires, depois arcebispo e, por fim, papa.

O papa argentino não tem uma base filosófico-teológica, nem tampouco suficiente conhecimento pastoral. Não lhe resta nada senão aquele romantismo idealista, cafona e irreal acerca de um povo que existe apenas nos papéis, nos livros sobre a “teología del pueblo”, nos discursos apaixonados e delirantes de quem nunca se confrontou seriamente com a realidade.

Cativo nas mãos de burocratas perdidos, entregue aos cuidados de bispos que se comportam como figuras formais, guiado por um papa que compagina autoconfiança onipotente com incompetência multidisciplinar, não é de se admirar que o povo siga na direção oposta à completa desorientação de seus dirigentes. Em outras palavras, não é exatamente o povo que está desorientado, são os pastores. O povo aprendeu simplesmente a ignorá-los.

E o povo os ignora porque entendeu quem eles são, ou melhor, quem eles não são.

Sob este aspecto, Bergoglio personifica bem o momento atual. Um papa pastoral que nunca foi pastor, o homem que quer mudar a história da Igreja mas é ignorante de teologia… Assim como o semi-analfabeto Lula se dignou assinar um decreto de reforma ortográfica, Francisco é tão somente o firmatário daquilo que os burocratas lhe dizem, enquanto eles mesmos vão lançando a Igreja num oceano de balões e de pipas voadoras. O caos eclesial em que este pontificado nos está lançando é fruto mais da incapacidade intelectual destes senhores que de outra coisa: eles acham que estão caminhando rumo à Igreja de Jesus, mesmo! Mas estão delirando entre bexigas coloridas.

Francisco é um nome vazio, o título de uma ficção, o apelido de um sistema fracassado; para os bons católicos, um pesadelo do qual anseiam acordar para que se lhes devolva a vida, a doutrina, a Igreja, para que retornem ao caminho de Deus, do Deus que sustenta a realidade, do Deus que alegra a nossa juventude.

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21 janeiro, 2019

Arcebispo Viganò exorta Cardeal McCarrick a arrepender-se publicamente em nova carta aberta.

Por LifeSiteNews, 14 de janeiro de 2019 | FratresInUnum.com— Em tom de caridade fraterna e sacerdotal, o Arcebispo Carlo Maria Viganò escreveu uma carta aberta ao ex Cardeal Theodore McCarrick, encorajando-o a arrepender-se publicamente de seus pecados e, assim, salvar a sua alma.

Na breve carta, datada de 13 de janeiro de 2019 e publicada em inglês e italiano (ver o texto completo abaixo), Dom Viganò buscou também persuadir McCarrick de que ele tem uma oportunidade única de beneficiar grandemente a Igreja com um ato público de arrependimento.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

“O tempo está se esgotando, mas o senhor pode confessar e arrepender-se de seus pecados, crimes e sacrilégios, e fazê-lo publicamente, uma vez que esses mesmos pecados e crimes tornaram-se públicos. A sua salvação eterna está em risco,” escreve Dom Viganò.

Ele acrescenta, “Um arrependimento público de sua parte traria uma medida significativa de cura para uma Igreja gravemente ferida e sofredora. O senhor está disposto a oferecer-lhe esse dom?”.

A carta aberta do ex Núncio dos EUA surge após revelações divulgadas da Congregação para a Doutrina da Fé de que o processo de McCarrick está sendo tratado por meio de um processo administrativo despojado — chamado “processo criminal administrativo” — cuja conclusão está prevista para antes do encontro para tratar de abusos sexuais por clérigos, a se realizar no Vaticano, em fevereiro.

Um “processo criminal administrativo” desse tipo – que o direito canônico reserva para casos em que as evidências são tão fortes que dispensam um julgamento completo – dá a entender que as chances de condenação são muito grandes.

Theodore McCarrick é acusado de molestar três meninos — o mais novo com 11 anos de idade — e, pelo menos, oito seminaristas nas dioceses que governou. Se condenado, o ex Arcebispo de Washington, D.C. será destituído de seu estado clerical.

Atualmente, McCarrick reside no Mosteiro Capuchinho de São Fidelis, em Victoria, Kansas.

Apresentamos abaixo a carta aberta do Arcebispo Viganò a Theodore McCarrick. 

Carta a McCarrick

Reverendíssimo Arcebispo McCarrick,

Conforme tem sido noticiado pela Congregação para a Doutrina da Fé, as acusações contra o senhor por crimes contra menores e abusos contra seminaristas serão examinadas e julgadas muito em breve em um processo administrativo.

McCarrick

McCarrick e Francisco.

Não importa a decisão que a autoridade suprema da Igreja tomar a seu respeito, o que realmente importa e que entristeceu as pessoas que o amam e rezam pelo senhor é o fato de que ao longo desses meses o senhor não demonstrou qualquer sinal de arrependimento. Estou entre aqueles que rezam pela sua conversão, para que o senhor possa se arrepender e pedir o perdão de suas vítimas e da Igreja.

O tempo está se esgotando, mas o senhor pode confessar e se arrepender dos seus pecados, crimes e sacrilégios, e fazê-lo publicamente, uma vez que esses mesmos pecados e crimes tornaram-se públicos. A sua salvação eterna está em risco.

Todavia, algo de grande importância também está em jogo. Paradoxalmente, o senhor tem à sua disposição uma oferta imensa de grande esperança por parte do Senhor Jesus; o senhor está em condição de fazer um grande bem para a Igreja. Na realidade, agora o senhor está condição de fazer algo que se tornou mais importante para a Igreja do que todas as boas coisas que o senhor fez por Ela ao longo de toda a sua vida. Um arrependimento público de sua parte traria uma medida significativa de cura para uma Igreja gravemente ferida e sofredora. O senhor está disposto a oferecer-lhe este dom? Cristo morreu por nós todos quando ainda éramos pecadores (Rom. 5: 8). Ele somente pede que Lhe respondamos nos arrependendo e fazendo o bem que devemos fazer. O bem que o senhor está em condições de fazer agora é oferecer à Igreja o seu arrependimento sincero e público. O senhor dará este dom à Igreja?

Eu lhe imploro, arrependa-se publicamente dos seus pecados, de modo a fazer a Igreja regozijar-se e apresente-se diante do tribunal do Seu Senhor limpo pelo Seu sangue. Por favor, não anule o sacrifício de Cristo na cruz para o senhor. Cristo, Nosso Bom Senhor, continua lhe amando. Coloque sua total confiança em Seu Sagrado Coração. E reze para Maria, como eu e muitos outros estamos fazendo, pedindo que ela interceda pela salvação da sua alma.

“Maria Mater Gratiae, Mater Misericordiae, Tu nos ab hoste protege et mortis hora suscipe”.

Seu irmão em Cristo,

+ Carlo Maria Viganò

Domingo, 13 de janeiro de 2019

Festa do Batismo do Senhor

e São Hilário de Poitiers

e

19 janeiro, 2019

Suprimida a Comissão ‘Ecclesia Dei’ — suas tarefas passam à Doutrina da Fé.

Com informações de VaticanNews – Com uma Carta Apostólica sob forma de “Motu proprio”, Papa Francisco estabeleceu neste sábado (19/01) a supressão da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, instituída em 2 de julho de 1988 por São João Paulo II com a “tarefa de colaborar com os Bispos e com os Dicastérios da Cúria Romana, a fim de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou de cada religioso ou religiosa até agora ligados de diversos modos à Fraternidade de fundada por Mons. Lefebvre, que desejem permanecer unidos ao sucessor de Pedro na Igreja Católica, conservando as próprias tradições espirituais e litúrgicas”.

Tarefas da Comissão passam à Congregação para a Doutrina da Fé

“As tarefas da Comissão são integralmente atribuídas à Congregação para a Doutrina da Fé, dentro da qual será instituída uma Seção especial comprometida em continuar a obra de vigilância, de promoção e de tutela até então controlada pela suprimida Pontifícia Comissão Ecclesia Dei”.

Condições mudadas

O Papa explica esta sua decisão pelas “condições mudadas” que tinham levado o santo Pontífice João Paulo II à instituição da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei”. De fato, Francisco constata “que os Institutos e as Comunidades religiosas que habitualmente celebram na forma extraordinária, hoje encontraram a própria estabilidade de número e de vida” e toma ato “que as finalidades e as questões tratadas pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, são de ordem prevalentemente doutrinais”. Com este Motu Proprio deseja “que tais finalidades se tornem cada vez mais evidentes à consciência das comunidades eclesiais”.

Summorum Pontificum de Bento XVI

Por mais de 30 anos – escreve Papa Francisco – a Comissão Ecclesia Dei “realizou com sincera solicitude e louvável premura” a sua tarefa. E recorda dois documentos de seu “Venerável Predecessor Bento XVI”: com o Motu proprio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, a Pontifícia Comissão tinha “ampliado a autoridade da Santa Sé sobre os Institutos e Comunidades religiosas, que tinham aderido à forma extraordinária do Rito Romano e tinham assumido as precedentes tradições da vida religiosa, vigiando na observância e na aplicação das disposições estabelecidas”.

Questões de natureza primariamente doutrinais

Dois anos depois, o Motu proprio Ecclesiae unitatem, de 2 julho de 2009, reorganizou a estrutura da Comissão, “com o objetivo de torná-la mais adequada à nova situação criada com a retirada da excomunhão dos quatro Bispos consagrados sem mandato pontifício”. Além disso – acrescenta o Papa Francisco – considerando que depois deste ato de graça, as questões tratadas pela Comissão “fossem primariamente de natureza doutrinal”, Bento XVI a tinha ligado “diretamente à Congregação para a Doutrina da Fé, conservando ainda as finalidades iniciais, mas modificando sua estrutura”.

Depois de “muita reflexão”

A decisão de hoje – explica Francisco – chegou “depois de muita reflexão” e depois de algumas medidas: na reunião de 15 de novembro de 2017, a Congregação para a Doutrina da Fé solicitou a condução direta do diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X “por se tratarem de questões de caráter doutrinal”, o Papa aprovou este pedido em 24 de novembro seguinte e esta proposta foi acolhida pela Sessão Plenária do Dicastério em janeiro deste ano.

17 janeiro, 2019

Retrospectiva 2018 – Nº 3: As implicações eclesiais da vitória de Jair Bolsonaro.

Continuamos publicando os 10 posts mais lidos de 2018. Na terceira posição, matéria publicada em 29 de outubro de 2018.

Por FratresInUnum.com, 29 de outubro de 2018 — Aconteceu. Era impensável na mente dos brasileiros outro desfecho. Jair Bolsonaro foi a única alternativa realmente factível contra o criminoso esquema de poder arquitetado para durar décadas pelo Partido dos Trabalhadores, com as bênçãos da CNBB.

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16 janeiro, 2019

Retrospectiva 2018 – Nº 4: Arcebispo de Londrina treme.

Continuamos publicando os 10 posts mais lidos de 2018. Na quarta posição, matéria publicada em 27 de janeiro de 2018.

* * *

Após a repercussão viral do documentário-denúncia de Bernardo Küster, com a reação imediata de indignação de todo o povo Católico, o arcebispo de Londrina, D. Geremias Steinmetz, anfitrião do 14º. Intereclesial de CEBs, pediu que se retirassem as bandeiras de apoio ao PT, mencionando que o encontro está “recebendo ataques” de todo o Brasil.

A militância presente respondeu com uma veemente vaia.

Continue se manifestando! A CNBB precisa aprender a escutar o clamor do povo: “fora comunismo”, “fora PT”!

14 janeiro, 2019

O estilo Krieger.

FratresInUnum.com, 14 de janeiro de 2019 – “O estilo é o homem”. A frase, imortalizada pelo conde de Duffon, sintetiza decerto uma verdade também imortal. A análise atenta de um texto pode revelar a sinceridade do seu autor ou, ao contrário, a sua perversidade, a inconsistência da sua impostura, a sua tentativa de manipulação das palavras como instrumento para adulterar a realidade.

Nem ainda completou-se uma quinzena do novo governo e aqueles que outrora se reduziram a cortesãos dos governos do PT – sim, eles mesmos, os bispos de corte, os membros da CNBB –, os mesmos que se resignaram a um silêncio obsequiosíssimo ante todos os escândalos de corrupção e aberrações morais e políticas de Lula, Dilma et caterva, agora começam a colocar as “unhas de fora”. O primeiro a sair da toca é ninguém menos que Dom Murilo Krieger, arcebispo primaz do Brasil.

Em artigo publicado no dia 11 de janeiro no site da CNBB, o arcebispo de Salvador se propõe a dar critérios para a escolha de prioridades em relação ao caos político em que jaz o Brasil.

Do nada, ele simplesmente puxa um assunto: “de repente”, escreve ele, “um tema começou a ganhar grandes proporções nas redes sociais: o do direito de todo cidadão brasileiro poder andar armado”. Como assim, “de repente”? O arcebispo da capital baiana finge desconhecer que o referendo de 2005, que tentava proibir a venda de armas de fogo no Brasil, foi rechaçado em massa pela população brasileira, em franco desprezo pela orientação da CNBB; ele faz de conta que a discussão não existe, que se trata de uma excentricidade de momento; ele disfarça que não há diferença alguma entre posse e porte de armas… E deve cruzar os dedos para que ninguém perceba a simulação.

Contudo, no mesmo parágrafo, ele escreve que “em nenhum país se mata mais do que no Brasil”, sonegando ao leitor o número real desses homicídios, que não param de crescer, chegando ao desesperado número de 70 mil assassinatos por ano. Esta sonegação, porém, não é ingênua. Ele mesmo, ao final deste parágrafo, ironiza os números citando alguém que lhe dissera: “Estatística é a arte de espremer os números, até que eles provem o que queremos”.

Acontece que isso não são meras estatísticas, são vidas humanas reais, tão reais quanto a nossa e a dele. O arcebispo, porém, não é capaz de enxergar a realidade. Ele se perdeu num discurso completamente abstrato, está intoxicado por trás de uma cortina de fumaça verbal que lhe deu licença moral para desconsiderar o sofrimento real dos brasileiros que saem de casa sem saber se irão voltar! Isso é ainda mais grave por ser ele arcebispo de Salvador, uma das capitais mais violentas do nordeste brasileiro!

Em seguida, ele faz uso daquele recurso retórico tipicamente preferido pelos canalhas mais vigaristas da esquerda: contrapõe dialeticamente duas opiniões, colocando-se acima de ambas como um juiz imparcial e onipotente. É óbvio que se trata apenas de fingimento arrogante! De um lado, apresenta razões estatísticas que advogam pela ampliação do direito à propriedade de armas, de outro, elenca tantas outras que defendem a restrição ou manutenção da lei em vigor para, no fim, chegar à conclusão de que não há conclusão alguma e de que todos podem manipular qualquer argumento, inclusive com recursos teológicos, em favor de seu discurso.

A sugestão prática do vice-presidente da CNBB é: “convenhamos: não é o tema mais urgente que precisamos debater neste momento”. Embora reconheça que o problema é grave, diz que o assunto da “segurança pública” é urgente e complexo, e não pode ter uma solução rápida.

O estilo Krieguer é um verdadeiro “samba do crioulo doido”! De um lado, afirma que o Brasil é o país em que mais se mata, de outro, que este não é o tema mais urgente… Como é possível? Será que pode haver tema mais necessário que o da defesa individual do cidadão? Haverá bem mais precário que a defesa da vida? Que outro direito existe se o indivíduo não estiver vivo? Até quando vamos nos esconder por trás de discursos abstratos como o da segurança pública? – Aliás, como se a violência de que são vítimas os brasileiros fosse uma violência pública e não individual (parece bastante evidente que todo assassinato é de um indivíduo e não da sociedade como um todo).

Dom Murilo conclui dizendo que o tema mais oportuno para o momento é o da Campanha da Fraternidade 2019: “Fraternidade e Políticas Públicas”, pois o mesmo “impacta diretamente na vida dos brasileiros” (sic!). Chegaria a ser cômica a proposição do arcebispo Krieger, se não fosse desrespeitosa com a vida dos seus concidadãos.

A falta de nexo lógico da problemática geral com a conclusão que apresenta ao final deixa entrever que a bajulação institucional é a única verdadeira preocupação perseguida pelo autor. É tudo teatro verbal para encobrir o capachismo diante da CNBB, capachismo que o leva produzir um texto argumentativamente incoerente, contraditório, que o faz reproduzir de maneira quase irracional a implicância não apenas contra o governo, mas sobretudo contra o povo que o elegeu justamente por uma de suas promessas, que foi a de facilitar ao cidadão de bem o direito de defender-se diante de bandidos, capachismo, enfim, que esconde apenas a pretenção carreirista de quem desconsidera o povo para devotar-se ao louvor dos seus pares, a fim de não ser posto pra fora, a fim de talvez ser reeleito, a fim de – quem sabe? – subir um pouquinho mais.

O estilo Krieger, pra quem sabe ler, é o estilo suicida de quem se autodenuncia, é o lapso, o ato falho, o flagrante. Seu público são os bispos, ele nem se preocupa com algo que se chama “realidade”.

De fato, se “o estilo é o homem”, aqui, o que vemos está muito aquém não apenas de um estilo coerente, mas de um homem que minimamente também o seja.

11 janeiro, 2019

Retrospectiva 2018 – Nº5: Bispo americano: “Estou cansado! Se me permitirem, o que a Igreja precisa agora é de mais ódio (ao pecado)! É hora de admitir a existência na hierarquia da Igreja Católica de uma subcultura homossexual que está causando grande devastação na vinha do Senhor.”

Continuamos publicando os 10 posts mais lidos de 2018. Na quinta posição, matéria publicada em 23 de agosto de 2018. Lamentavelmente, o senhor bispo veio a falecer dois meses depois, ao 71 anos.

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Carta do Bispo Robert C. Morlino aos fiéis sobre a atual crise de abusos sexuais na Igreja

Por Diocese de Madison, EUA, 18 de agosto de 2018 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com – Caros irmãos e irmãs em Cristo da Diocese de Madison:

Morlino

As últimas semanas trouxeram muito escândalo, cólera justificada e um apelo por respostas e ações de muitos fiéis católicos aqui dos EUA e do exterior, dirigidos à hierarquia da Igreja em relação aos pecados sexuais de bispos, padres e até cardeais. Cólera ainda maior é dirigida justamente àqueles que foram cúmplices em impedir que alguns desses pecados sérios viessem à luz.

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3 janeiro, 2019

Retrospectiva 2018 – Nº 7: “Deus é, pelo menos, bissexual ou transexual”.

Continuamos publicando os 10 posts mais lidos de 2018. Na sétima posição, matéria de 14 de março de 2018.

14 de março de 2018 – Aula inaugural na Faculdade de Teologia da PUC de São Paulo. Convidado especial, Pe. Benedito Ferraro. De manhã, no campus Ipiranga, em que estudam mormente seminaristas; à tarde, no campus Santana, composto por leigos, em sua maioria.

O tema central da “Lectio Magistralis” eram “Os 50 anos da Conferência de Medellin”.

Depois de exaltar bandeiras ultra-progressistas, o Padre Ferraro chegou ao ápice das suas ideias afirmando que “Deus é, pelo menos, bissexual ou transexual” e que os discursos patriarcalistas e machistas não se sustentam mais, pois são fruto de construções históricas que devem ser corrigidas.

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2 janeiro, 2019

Faleceu Dr. Paulo Brito, diretor da Revista Catolicismo.

britoPor FratresInUnum.com, 2 de janeiro de 2019 – Faleceu hoje, pela manhã, o Dr. Paulo Corrêa de Brito Filho, diretor da histórica Revista Catolicismo e membro do IPCO – Instituto Plínio Correa de Oliveira. Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace.

2 janeiro, 2019

Retrospectiva 2018 – N° 8: Divididos! O cisma da Montfort: Zucchi versus a viúva Fedeli.

Estamos publicando os 10 posts mais lidos de 2018. Na oitava posição, matéria de 2 de julho de 2018:

Divididos! O cisma da Montfort: Zucchi versus a viúva Fedeli.

Por Catarina Maria B. de Almeida | FratresInUnum.com – 2 de julho de 2018

 

Os espólios de Orlando Fedeli continuam a ser divididos. Agora, Alberto Zucchi, presidente da Associação Cultural Montfort, racha de vez com a viúva Ivone Fedeli, a temida Senhora Dona Ivone, diretora do Colégio São Mauro.

Distantes há um bom tempo, agora se separaram de vez, cada qual com seu clero: Zucchi, servido pelos padres do Instituto do Bom Pastor (IBP); Ivone, por Pe. Edvaldo Oliveira, da diocese de Ciudad del Este, o qual, apesar de não carregar o sobrenome Fedeli, foi “adotado” por ela como seu filho.

O motivo da querela? A participação de Ivone Fedeli e suas consórores na Celebração da Palavra oficiada por Dom Odilo Scherer, na abertura do sínodo arquidiocesano de São Paulo. A ela, não foi concedida a mesma tolerância que Zucchi deu a si mesmo quando convidou dom Odilo para pregar Amoris Laetitia no congresso da Montfort, ou que concede a padres do IBP, que reconhecem, sem nenhuma cerimônia, assistir a Missa no rito de Paulo VI quando necessário (por exemplo, o Padre Paul Aulagnier, incensado pelos membros da Montfort como grande combatente da Tradição). 

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