Archive for ‘Igreja’

23 fevereiro, 2017

O retrato da decadência da Igreja no Brasil. 

Créditos ao amigo Rodolfo Cristiano. 

23 fevereiro, 2017

Uma das figuras de peso no Concílio Vaticano II, confessa ter escondido sua vida homossexual.

The Lifesite News | Tradução: FratresInUnum.com

Gregory Baum, de 93 anos, um famoso ex-sacerdote católico canadense, revelou em seu último livro que ele viveu secretamente uma vida homossexual ativa durante décadas.

Baum, que foi um perito no Concílio Vaticano II, compôs o primeiro rascunho do documento conciliar Nostra aetate, a Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões Não-Cristãs. Baum advogou pelo fim dos esforços da Igreja na tentativa de convencer os judeus a reconhecer Cristo como o Messias e, desde então, tornou-se um ativista por justiça social e pela promoção da teologia da libertação.

O influente clérigo revela abertamente em seu livro intitulado “O óleo não secou. A História de Meu Caminho Teológico” (The Oil Has Not Run Dry): “eu não confessei minha própria homossexualidade em público porque tal ato de honestidade teria reduzido minha influência como um teólogo crítico. Eu ansiava por ser ouvido como um teólogo que confia em Deus como salvador do mundo e comprometido com a justiça social, a teologia da libertação e a solidariedade global”.

Baum também era muito influente na Igreja Católica no Canadá, apesar de suas posições abertamente heréticas sobre a sexualidade e que foram publicadas em vários jornais. Sua dissensão pública da declaração de 1968 da Igreja que mantém a proibição da contracepção – Humanae Vitae – foi crucial para gerar a mesma resistência entre os bispos canadenses contra a encíclica do Papa Paulo VI. Como escreveu o principal especialista sobre a dissidência dos bispos canadenses, Monsenhor Vincent Foy: “Se não fosse pela sombra negra de Baum em Winnipeg, sua influência sobre alguns bispos, o establishment teológico canadense e grupos de pressão, a Declaração de Winnipeg dos Bispos canadenses sobre a Humanae Vitae não teria então se recusado a endossar o ensino da encíclica do modo como foi feito“.

Em seu novo livro, Baum escreve: “Eu tinha 40 anos de idade quando tive meu primeiro encontro sexual com um homem. Conheci-o num restaurante em Londres. Foi excitante e ao mesmo tempo decepcionante, pois eu sabia o que era amor e o que eu realmente queria era compartilhar minha vida com um parceiro“.

Ele diz que até considerou renunciar ao sacerdócio, mas não foi adiante com todo o processo formal, preferindo apenas anunciar sua decisão em um jornal nacional. Mais tarde ele se casou com uma ex-freira divorciada que segundo o que ele mesmo disse: “não se importou, quando nos mudamos para Montreal em 1986 e lá conheci Normand, um ex-padre, por quem me apaixonei”. Normand, ele explica, “é gay e acolheu meu abraço sexual“.

Dr.  Michael Higgins, vice-presidente da Missão e Identidade Católica da Universidade do Sagrado Coração em Fairfield, Connecticut, em uma homenagem a Baum publicada no jornal Commonweal em 2011, citou seu papel fundamental durante o Concílio Vaticano II. “O Concílio foi uma criação de Gregory Baum“, escreveu ele. “Ele serviu em várias funções nas comissões encarregadas de preparar os documentos. (…) começando seu trabalho em novembro de 1960 e concluindo-o no final do Concílio em dezembro de 1965, um aprendizado que culminou com seu rascunho da Constituição Nostra Aetate“.

Outro famoso sacerdote Católico de Toronto, e agora consultor do Vaticano, Pe. Thomas Rosica, patrocinou uma apresentação controversa de Baum no Catholic Newman Center da Universidade de Toronto em 1996 e em 2012 fez dele um convidado especial na sua estação de televisão católica canadense Salt and Light Television.

Padre Rosica, durante a entrevista, cheia de adulação com relação a Baum, admitiu que Baum é um conhecido seu de longa data. “Certamente que sempre admirei muito a sua teologia, os seus escritos, mas também o seu amor pela Igreja, o seu amor a Cristo pois você ajudou a manter vivo não apenas o espírito do Concílio Vaticano II, mas também o ensinamento autêntico do Concílio“. Foi o que disse Padre Rosica a Baum. “Você permanece um fiel, um católico profundamente devoto, que ama Jesus, a Igreja e Eucaristia“, acrescentou.

Monsenhor Foy, por outro lado, considera Baum como sendo “a pessoa que mais causou danos à Igreja no Canadá“.

22 fevereiro, 2017

Quando a correção pública é urgente e necessária

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 22-02-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com:

Pode-se corrigir publicamente um Papa por seu comportamento repreenssível? Ou a atitude de um fiel deve ser de uma obediência incondicional ao ponto de justificar qualquer palavra ou gesto do Pontífice, mesmo que abertamente escandaloso? Segundo alguns, como o vaticanista Andrea Tornielli, é possível expressar “face a face” seu desacordo com o Papa, mas sem manifestá-lo publicamente. Pelo menos esta tese contém uma admissão importante: o Papa não é infalível, exceto quando fala ex cathedra. Do contrário não seria lícito dissentir dele, nem sequer em privado, e o caminho a seguir seria somente o do silêncio religioso. Contudo, o Papa, que não é Cristo, mas apenas o seu representante na Terra, pode pecar e errar. Mas – pergunta-se – é verdade que ele só pode ser corrigido de forma privada, e nunca publicamente?

Para responder, é importante lembrar o exemplo histórico por excelência, aquele que nos oferece a regra de ouro do comportamento, o chamado “incidente de Antioquia”. São Paulo no-lo recorda nestes termos na Carta aos Gálatas, escrita provavelmente entre 54 e 57: “Tendo visto que me tinha sido confiado o Evangelho para os não circuncidados, como a Pedro para os circuncidados, (porque quem fez de Pedro o Apóstolo dos circuncidados, também fez de mim o Apostolo dos gentios) e tendo reconhecido a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram considerados as colunas (da Igreja), deram as mãos a mim e a Barnabé, em sinal de comunhão, para que fôssemos aos gentios, e ele aos circuncidados, (recomendando) somente que nos lembrássemos dos pobres (da Judéia); o que eu fui solícito em cumprir. Mas, tendo vindo Cefas a Antioquia, eu lhe resisti na cara, porque merecia repreensão, pois que antes que chegassem alguns de Tiago, ele comia com os gentios, mas, depois que chegaram, retirava-se e separava-se (dos gentios), com receio dos que eram circuncidados. Os outros judeus imitaram-no na sua dissimulação, de sorte que até Barnabé foi induzido por eles àquela simulação. Porém eu, tendo visto que eles não andavam direitamente, segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, diante de todos: Se tu, sendo judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a judaizar?’”.

Pedro, por temor de ferir a susceptibilidade dos judeus, favorecia com o seu comportamento a posição dos “judaizantes”, que acreditavam que todos os cristãos convertidos deviam cumprir a circuncisão e outras disposições da Lei mosaica. São Paulo disse que São Pedro tinha claramente errado e por isso lhe “resistiu em face”, ou seja, publicamente, para que Pedro não desse escândalo na Igreja, sobre a qual exercia a autoridade suprema. Pedro aceitou a correção de Paulo, reconhecendo o seu erro com humildade.

São Tomás de Aquino trata deste episódio em muitas de suas obras. Em primeiro lugar, ele observa que “o apóstolo se opôs a Pedro no exercício da autoridade e não à sua autoridade de governo” (Super Epistolam ad Galatas lectura, n. 77, tr. It. ESD, Bologna 2006). Paulo reconhecia em Pedro o Chefe da Igreja, mas julgava legítimo lhe resistir, dada a gravidade do problema, que tocava a salvação das almas. “O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto” (Super Epistolam para Galatas, n. 84). O incidente, observa ainda o Doutor Angélico, contém lições tanto para os prelados quanto para seus súditos: “Aos prelados (foi dado exemplo) de humildade, para que não se recusem a aceitar repreensões da parte de seus inferiores e súditos; e aos súditos (foi dado) exemplo de zelo e liberdade, para que não receiem corrigir seus prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos” (Super Epistulam ad Galatas, n. 77).

Em Antioquia, São Pedro demonstrou profunda humildade, e São Paulo, ardente caridade. O Apóstolo dos gentios mostrou-se não apenas justo, mas misericordioso. Entre as obras de misericórdia espirituais existe a admoestação dos pecadores, chamada pelos moralistas de “correção fraterna”. É privada, se privado for o pecado, e pública se o pecado for público. O próprio Jesus especificou a sua modalidade: “Se teu irmão pecar contra ti, vai, corrige-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se, porém, te não ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que pela palavra de duas ou três testemunhas se decida toda a questão. Se os não ouvir, dize-o à Igreja. Se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desatardes sobre a terra, será desatado no céu” (Mt 18, 15-18).

Pode-se imaginar que depois de tentar convencer privadamente São Pedro, Paulo não hesitou em repreendê-lo publicamente, mas – diz São Tomás –  “porque São Pedro tinha pecado na frente de todos, devia ser repreendido na frente de todos” (In 4 Sententiarum, Dist. 19, q. 2, a. 3, tr. ele., ESD, Bolonha, 1999).

 A correção fraterna, como ensinam os moralistas, é um preceito não opcional, mas obrigatório, sobretudo para aqueles que têm cargos de responsabilidade na Igreja, porque deriva da lei natural e da lei divina positiva (Dictionnaire de Théologie Catholique, vol. III, col. 1908). A admonição pode ser dirigida do inferior ao superior, e também dos leigos ao clero. À pergunta de se há obrigação de repreender publicamente o superior, São Tomás respondeu de forma afirmativa no Comentário sobre as Sentenças de Pedro Lombardo, observando, no entanto, que devemos sempre agir com o máximo respeito. Portanto, “os prelados não devem ser corrigidos por seus súditos na frente de todos, mas humildemente, em particular, a menos que haja um perigo para a fé; em tal caso, na verdade, o prelado tornar-se-ia inferior, por ter incorrido na infidelidade, e o súdito tornar-se-ia superior” (In Sententiarum 4, Dist. 19, q. 2, a. 2).

Nos mesmos termos o Doutor Angélico se exprime na Suma Teológica: “Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser argüidos, até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, argüiu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé. E, como diz a Glosa de Santo Ambrósio, ‘o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusassem como indigna uma correção vinda mesmo de seu súditos’ (ad Gal. 2, 14)” (Suma Teológica, II-IIae, 33, 4, 2).

Cornélio a Lapide, resumindo o pensamento dos Padres e Doutores da Igreja, escreve: “Que os superiores podem ser repreendidos, com humildade e caridade, pelos inferiores, a fim de que a verdade seja defendida, é o que declaram, com base nesta passagem (Gal. 2, 11), Santo Agostinho (Epist. 19), São Cipriano, São Gregório, Santo Tomás e outros acima citados. Eles claramente ensinam que São Pedro, sendo superior, foi repreendido por São Paulo (…). Com razão, pois, disse São Gregório (Homil. 18 in Ezech); ‘Pedro calou-se a fim de que, sendo o primeiro na hierarquia apostólica, fosse também o primeiro em humildade’. E Santo Agostinho escreveu (Epist. 19 ad Hieronymum): ‘Ensinando que os superiores não recusem deixar-se repreender pelos inferiores, São Pedro deu à posteridade um exemplo mais incomum e mais santo do que deu São Paulo ao ensinar que, na defesa da verdade, e com caridade, aos menores é dado ter a audácia de resistir sem temor aos maiores’” (Ad Gal. 2, II, in Commentaria in Scripturam Sacram, Vives, Paris, 1876, tomo XVII).

A correção fraterna é um ato de caridade. Entre os pecados mais graves contra a caridade, há o cisma, que é a separação da autoridade da Igreja ou de suas leis, usos e costumes. Até mesmo um Papa pode cair em cisma, se ele divide a Igreja, como explica o teólogo Suárez (De schismate in Opera omnia, vol. 12, pp. 733-734 e 736-737), e confirma o cardeal Journet (L’Eglise du Verbe Incarné, Desclée, Bruges 1962, vol. I, p. 596).

Hoje na Igreja reina a confusão. Alguns corajosos cardeais anunciaram uma eventual correção pública ao Papa Bergoglio, cujas iniciativas estão se tornando cada dia mais preocupantes e divisivas. O fato de ele se omitir em responder às  “dubia” dos cardeais sobre o capítulo 8 da Exortação Amoris laetitia, credencia e incentiva interpretações heréticas ou próximas da heresia relativas à comunhão aos divorciados recasados. Assim favorecida, a confusão produz tensões e disputas internas, ou uma situação de conflito religioso que preludia o cisma. O ato de correção pública é urgente e necessário.

19 fevereiro, 2017

Foto da Semana

Por Teresa M. Freixinho | FratresInUnum.com

Laudate Dominum!

Em 2010 publicamos pela primeira vez a história de um jovem seminarista, que, em 2008, fora diagnosticado com um grave tumor cerebral. Na ocasião do diagnóstico ele era oficial da Marinha, tinha de 24 anos e um futuro promissor. O jovem se chamava Philip Johnson. O caso foi noticiado em diversos sites e blogs católicos, que fizeram pedidos de oração pela vida do rapaz. Falamos sobre o caso aqui, aqui e aqui.

Father PhilipApós o diagnóstico, Philip foi dispensado de suas funções na Marinha para fazer os tratamentos necessários. O quadro era desolador. Os médicos lhe deram poucos meses de vida.  Philip foi submetido a tratamentos quimioterápicos. Durante seu sofrimento ele sentiu o impulso de retomar a vocação que já sentia desde os 19 anos. Assim, pediu ingresso no seminário diocesano de São Carlos Borromeu, em Raleigh, Carolina do Norte, EUA, e foi aceito. Durante os anos de formação, Philip dedicou-se aos estudos, à vida de oração e ajuda espiritual às pessoas que passavam por aflições semelhantes. Os anos foram passando e Philip continuou lutando. Em 2011, pelo segundo ano consecutivo, Dom Michael Burbidge, então bispo da diocese de Raleigh, anunciou uma novena à Nossa Senhora, padroeira da diocese, em favor do seminarista. O término previsto seria o dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição. Exames de MRI revelaram que o tumor havia estabilizado. Assim, os médicos e bispos determinaram que Philip poderia retornar às atividades do seminário.

Para encurtar a história, no último dia 7 de janeiro, Philip viveu o impossível aos olhos humanos: foi ordenado sacerdote! Agora, Padre Philip Gerard Johnson, sacerdote do Altíssimo!

Padre Philip Johnson foi designado para a Igreja do Sagrado Coração (Sacred Heart Church) em Pinehurst, Carolina do Norte. A página da paróquia no Facebook anuncia de maneira empolgada que doravante, além das confissões aos sábados, haverá confissões toda quinta-feira, das 17h30 às 18h30 com o padre Philip. Esse horário poderá ser prorrogado, se necessário. A porta da igreja ao lado do penitente ficará destrancada nesse horário

Padre Philip Johnson foi designado para a Igreja do Sagrado Coração (Sacred Heart Church) em Pinehurst, Carolina do Norte. A página da paróquia no Facebook anuncia de maneira empolgada que doravante, além das confissões aos sábados, haverá confissões toda quinta-feira, das 17h30 às 18h30 com o padre Philip. Esse horário poderá ser prorrogado, se necessário. A porta da igreja ao lado do penitente ficará destrancada nesse horário

Rezemos em gratidão por essa grande graça e peçamos a Deus pela vida do padre Johnson e por todas as pessoas que passam por tratamentos quimioterápicos!

Foto Aleteia.org: Philip Johnson despede-se do Seminário sob aplausos efusivos dos colegas após a conclusão dos estudos.

E aqui a cerimônia de ordenação do Diácono Philip G. Johnson no último dia 7.

Mais fotos podem ser vistas em seu perfil no Facebook

17 fevereiro, 2017

Papa Francisco marca o ‘Dia pela Vida’ com eufemismo para a palavra aborto.

“Interrupção da gravidez”. Eufemismo já condenado por São João Paulo II.

Por Voice of the Family | Tradução: FratresInUnum.com –  O papa Francisco marcou o “Dia pela Vida”, na Itália, adotando o eufemismo do lobby pró-aborto “interrupção da gravidez”, ao invés da linguagem que descreve com precisão o assassinato de crianças no ventre de suas mães.

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Dia pela Vida de 2017 com Francisco, fracasso de público.

Em sua mensagem, o Santo Padre diz algumas palavras promissoras, encorajando uma “ação educativa corajosa a favor da vida humana” e lembrando à multidão reunida que “toda vida é sagrada”. Infelizmente, ao invés de se referir ao aborto, ele adota a terminologia utilizada pela indústria do aborto. Na verdade, a forma das palavras usadas pelo Papa Francisco foi especificamente condenada pelo Papa João Paulo II, em sua encíclica Evangelium Vitae:

Precisamente no caso do aborto, verifica-se a difusão de uma terminologia ambígua, como « interrupção da gravidez », que tende a esconder a verdadeira natureza dele e a atenuar a sua gravidade na opinião pública. Talvez este fenómeno linguístico seja já, em si mesmo, sintoma de um mal-estar das consciências. Mas nenhuma palavra basta para alterar a realidade das coisas: o aborto provocado é a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano na fase inicial da sua existência, que vai da concepção ao nascimento. (Evangelium Vitae, No. 58)

Expressões como “interrupção da gravidez” e “terminação da gravidez” são usadas pelo lobby pró-aborto – pessoas que promovem ou realizam a matança de crianças – para camuflar a realidade do aborto. O termo “interrupção da gravidez” é particularmente ofensivo, como se a vida do nascituro não fosse  “interrompida” pelo aborto. Com  efeito, é permanentemente encerrada – nunca mais poderá ser retomada. O uso de tal linguagem pelo Papa Francisco reflete uma crescente convergência de linguagem, políticas e idéias entre as autoridades do Vaticano e o movimento internacional pelo controle populacional.

Papa Francisco declarou-se “satisfeito” com as metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030 que exigem “o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva”. Esses termos são usados por agências das Nações Unidas, organizações internacionais e muitos governos nacionais para promover o acesso universal ao aborto e à contracepção.

O Vaticano já recebeu várias personalidades entre as mais influentes no movimento de controle da natalidade, como Professor Jeffrey Sachs, que participou de pelo menos dez eventos no Vaticano durante o pontificado atual. Paul Ehrlich, que advoga pelo aborto compulsório e esterilização em massa, e que será um palestrante convidado em um evento organizado conjuntamente pela Pontifícia Academia das Ciências e a Academia Pontifícia das Ciências Sociais no final deste mês.

O Conselho Pontifício para a Família (PCF) produziu um programa de educação sexual que contém imagens obscenas. Dr. Rick Fitzgibbons, psiquiatra e Professor Adjunto do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, na Universidade Católica da América, e que vem trabalhando com crianças que foram vítimas de abuso sexual por parte do clero e com sacerdotes envolvidos em tais abusos, depois de rever o programa do PCF, disse:

“Na minha opinião profissional, a ameaça mais perigosa para a juventude católica que eu já vi ao longo dos últimos 40 anos é esse novo programa do Vaticano para educação sexual, intitulado “Ponto de Encontro – Curso de Afetividade e Educação Sexual para Jovens“.

Ele continuou:

Eu fiquei particularmente chocado com as imagens contidas neste novo programa de educação sexual, algumas das quais são claramente pornográficas. Minha reação profissional imediata foi que essa abordagem obscena ou pornográfica é um abuso tanto psicológico como espiritual contra a juventude.”

As estimativas mais conservadoras indicam que mais de um bilhão de vidas humanas em fase de gestação foram perdidas desde a legalização do aborto em quase todo o mundo durante o século XX. Essas mortes excedem o número de pessoas mortas em todas as guerras ao longo da história humana registrada, onde as estimativas de mortes variam entre 150 milhões a 1 bilhão.

No entanto, o papa Francisco, enquanto faz algumas breves referências ao aborto em homilias e discursos, não faz nada de concreto para mitigar este assassinato em massa. Os documentos dos dois sínodos sobre a família, que foram todos aprovados pelo Papa antes da sua publicação, ou não mencionam de forma alguma a questão, ou só fazem uma breve referência de passagem sobre a questão do aborto – o qual no mundo inteiro colocou como alvo de destruição em massa o membro mais vulnerável da família, a criança no ventre materno, e que causou danos incalculáveis aos membros sobreviventes das famílias envolvidas.

A Exortação Apostólica Amoris Laetitia, supostamente elaborada para ajudar as famílias no mundo moderno, mas que na verdade só serviu pra minar a doutrina católica sobre a natureza da lei moral, contém apenas duas referências passageiras ao aborto (nos pontos 42 e 179), e em nenhum dos dois há uma condenação da prática como um mal em si mesmo. Dar tão pouco espaço, em um documento sobre a família, a um crime que tem como alvo os membros mais vulneráveis da família no santuário que é o ventre de suas mães, reflete um descaso chocante com relação ao destino dos nascituros. A confortável co-existência do Papa Francisco com a “cultura da morte” foi exibida claramente quando ele se referiu à abortista Emma Bonino, que tem sido uma das principais advogadas do aborto na Itália durante décadas, como uma “grande esquecida”. Isso também pode ser visto em sua entrevista, de setembro de 2013, a Antonio Spadaro na qual ele afirmou que “não podemos insistir apenas em questões relacionadas ao aborto, casamento gay e o uso de métodos contraceptivos.”

O problema é que, longe de falar muito sobre o aborto, a hierarquia Católica tem sido, com algumas honrosas exceções, em grande parte silenciosa ao longo dos últimos cinquenta anos diante do maior assassinato em massa de seres humanos na história.

Hoje, Voz da Família gostaria de lembrar respeitosamente ao Santo Padre e à Igreja como um todo da realidade sobre os métodos envolvidos no aborto. Nos seguintes vídeos, produzidos pela Live Action, o ex-abortista Anthony Levantino explica o que realmente acontece durante os procedimentos de aborto.

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16 fevereiro, 2017

Burke despachado para o outro lado do mundo – Artigo do New York Times.

O Cardeal Burke foi enviado à Ilha de Guam para investigar um suposto caso de abuso sexual. Aos “normalistas”, trata-se de uma missão como qualquer outra atribuída a um cardeal. Aos bem informados em Roma, embora designado para o caso em outubro passado, a viagem sem prazo de volta, ocorrida neste exato momento, é uma manobra claríssima para retirar Burke da Cidade Eterna enquanto se “reorganiza” a Ordem de Malta, onde sua cabeça como capelão está em jogo.

Por The New York Times | Tradução: FratresInUnum.com

CIDADE DO VATICANO – O Vaticano enviou o conservador cardeal Raymond Burke à ilha de de Guam no Pacífico para investigar um importante caso de abuso sexual, despachando assim o notável jurista que colidiu repetidamente com o papa Francisco, para uma delicada missão do outro lado do mundo.

De acordo com o Google a distância entre Roma e Guam é de 12.155km.

De acordo com o Google a distância entre Roma e Guam é de 12.155km.

 

A Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano, em outubro passado, nomeou Burke como juiz para presidir o julgamento do arcebispo de Guam, Anthony Apuron, que enfrenta múltiplas denúncias de abuso sexual de coroinhas durante a década de 1970. Foi o que informou a assessoria de imprensa do Vaticano nesta quarta-feira. Apuron negou todas as acusações e não foi criminalmente processado.

Burke, o americano sediado em Roma, deverá entrevistar um ex-coroinha em Guam, na quinta-feira, que diz ter sido abusado sexualmente por Apuron, segundo informação do Pacific Daily News. Essas missões especiais não são incomuns para os cardeais e as entrevistas com as testemunhas são uma parte fundamental de qualquer julgamento canônico.

Os sobreviventes de abuso clerical, no entanto, há muito tempo criticaram o histórico de Burke como arcebispo nos EUA, pelo tratamento dado por ele aos casos de padres abusivos. Burke disse que cada ato de abuso do clero é um “mal grave”. Mas ele também culpou o clero gay pela crise de abuso sexual na Igreja, dizendo que os padres “que eram feminizados e confusos sobre sua própria identidade sexual” foram os que molestaram crianças.

Burke, um advogado canônico de ponta, liderou a Suprema Corte do Vaticano até 2014, quando Francisco o removeu e o nomeou como patrono da Ordem dos Cavaleiros de Malta. Francisco o afastou recentemente daquela posição depois que Burke se viu envolvido na expulsão problemática de um cavaleiro sênior.

A defesa da Doutrina da Igreja por parte de Burke transformou-o em um herói para Católicos conservadores e tradicionalistas descontentes com a prioridade que Francisco dá `a misericórdia em prejuízo da moral. Ele é um dos quatro cardeais que pediu a Francisco para esclarecer sua abertura controversa para católicos divorciados e casados novamente no civil receberem a Comunhão.

15 fevereiro, 2017

Seria esta a leitura autêntica da Amoris Laetitia?

Fonte desconhecida | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com:

Naquele tempo, os discípulos foram encontrar João Batista, e lhe disseram: “Ouvimos dizer que Herodes vive com a mulher do irmão dele. Vamos procurá-lo, para mostrar-lhe seu pecado”.

Indignado, Batista respondeu: “Quem sou eu para julgar? Se não vos tornardes misericordioso, sereis todos suspensos a divinis. Antes, vinde e discernamos”.

Todos se puseram resolutamente em marcha rumo a Jerusalém. Ora, eis que Herodes regressava à cidade. Tendo notado que João vinha ao seu encontro, ordenou aos que o carregavam que se detivessem. João então lhe diz: “Ouvi falar que vives com a mulher de teu irmão. A doutrina não te permite agir assim, mas não te preocupes, pois a pastoral pode arranjar tudo. Já terias tentado fazer um discernimento sobre a maneira como vives?”

O rei respondeu a João Batista: “Sim, Herodíades e eu refletimos e pensamos que não cometemos qualquer pecado”. “Bem, exclamou João Batista: ‘Se em consciência achais que não cometeis pecado, então não há pecado’”.  E voltando-se para os discípulos, diz-lhes: “Na verdade, jamais vi semelhante fé adulta em Israel!”.

O rei Herodes manteve junto dele a mulher de seu irmão, e João Batista conservou a cabeça sobre os ombros, e todos viveram felizes. Salvo o irmão de Herodes, mas não se pode contentar todo mundo.

Aclamemos a Palavra de Deus!

14 fevereiro, 2017

Santa Sé sobre diálogo inter-religioso: não tolerância, mas irmandade

Em mais um evento na ONU, organizado conjuntamente com a Organização da Cooperação Islamica,  o Vaticano através de seu enviado, prega sua misericórdia e amor aos de fora, que não deve ser aplicado aos de dentro da Igreja. Seriam tantos grifos a serem feitos, que preferimos deixar sem eles, pra não atrapalhar muito a leitura.

Por Radio Vaticana – 10/02/2017

Genebra (RV) – O papel do diálogo é estratégico em todos os níveis: no nível diplomático, entre credos religiosos e no plano intercultural. Em particular, o diálogo entre tradições religiosas pode contribuir notavelmente a plasmar a consciência humana.

Foi o que afirmou o observador permanente da Santa Sé no escritório da Onu e em outras organizações internacionais em Genebra, na Suíça, Dom Ivan Jurkovič, em pronunciamento esta sexta-feira (10/02) no encontro centralizado no tema “2º Diálogo sobre a Fé, construção da paz e desenvolvimento”, promovido pelas Nações Unidas e pela Organização da Cooperação Islâmica.

Amizade fraterna e harmonia sejam pontes entre religiões

No início de seu discurso, o arcebispo esloveno recordou o encontro inter-religioso realizado em 2 de outubro passado na mesquita “Heydar Aliyev” em Baku, no Azerbaijão, com o xeque dos muçulmanos do Cáucaso e com representantes das outras comunidades religiosas do país.

“É um grande sinal encontrar-nos em amizade fraterna neste lugar de oração, um sinal que manifesta aquela harmonia que as religiões juntas podem construir, a partir das relações pessoais e da boa vontade dos responsáveis”, afirmara o Papa Francisco naquela ocasião.

Não tolerância, mas irmandade

Efetivamente, nosso terreno comum não é a simples tolerância, porque esta tem um significado negativo, disse o representante vaticano.

As relações entre credos religiosos deveriam ser baseadas no conceito mais dinâmico da irmandade. Seremos responsáveis não somente pelas ações que empreenderemos, mas também por aquelas que não tomaremos. A harmonia não deve limitar-se a uma mera convivência pacífica. Seu verdadeiro sentido é o enriquecimento recíproco, explicou Dom Jurkovič.

A paz é uma conquista dinâmica

Também a paz deve ser vista com uma conotação positiva e dinâmica: a paz não significa simplesmente reconhecer o status quo, mas é uma contínua e construtiva melhora da nossa situação como família humana.

Ademais, uma paz baseada no medo e na dissuasão não pode ser considerada uma paz verdadeira. Referindo-se ao discurso que o secretário das Relações com os Estados, Dom Paul Richard Gallagher, fez em 30 de janeiro passado em Hiroshima às autoridades civis e religiosas, o prelado recordou a ameaça das armas nucleares. Não podemos aceitar que estas armas mantenham a estabilidade mundial mediante, porém, o equilíbrio do terror, ressaltou.

Na origem dos conflitos, uma visão limitada da pessoa humana

O diálogo inter-religioso e o empenho de comum acordo são cruciais para gerir eficazmente vários problemas globais, entre os quais os que estão relacionados aos direitos humanos, às migrações, às mudanças climáticas e à proteção do ambiente.

Além disso, não se deve ceder à tentação de ler as situações de tensão mediante a visão do confronto de civilização. Essa interpretação tem um impacto negativo nas religiões. Mas na origem de todas essas situações dramáticas encontra-se uma visão limitada da pessoa humana que abre o caminho para a difusão de injustiça e desigualdade, determinando desse modo situações de conflito, ponderou o representante da Santa Sé.

Paz e justiça nascem nos corações e nas mentes

A busca da paz e da justiça deve ter início em nossas mentes e em nossos corações: as religiões são chamadas a “edificar a cultura do encontro e da paz, feita de paciência, compreensão, passos humildes e concretos”, afirmara o Papa Francisco no referido encontro inter-religioso de 2 de outubro.

“A fraternidade e a partilha que desejamos fazer crescer não serão apreciadas por quem quer aumentar divisões, intensificar tensões e obter ganhos de contraposições e contrastes”, acrescentara o Papa. “Porém, são evocadas e esperadas por quem deseja o bem comum.”

A não-violência modela sociedades pacificadas e reconciliadas

Em muitas partes do mundo, a começar do Oriente Médio – disse em seguida Dom Jurkovič –, uma abordagem que preveja a construção da paz mediante o estilo da não-violência é hoje tão necessária não somente para acabar com o conflito sírio, mas também para promover sociedades plenamente reconciliadas e para renovar a pacífica convivência civil.

O diplomata vaticano acrescentou que o Papa Francisco fez do diálogo inter-religioso uma de suas prioridades. Durante a viagem à República Centro-Africana, encontrando muçulmanos, católicos e protestantes, o Santo Padre recordou, entre outras coisas, que a religião não divide as pessoas, sobretudo as une.

Manipulação da religião pode acabar em violências e conflitos

As comunidades religiosas e étnicas jamais devem tornar-se um instrumento de lógicas geopolíticas regionais e internacionais, ressaltou o arcebispo.

Na carta de 2015 aos bispos da Nigéria, o Papa ressalta que quando inocentes são assassinados em nome de Deus, a religião não deve ser chamada em causa, mas a sua manipulação para outros fins.

Em sua recente viagem apostólica à Suécia o Papa recordou também a necessidade de curar as feridas do passado, de empreender um caminho comum. Esse diálogo é possível e o demonstra o exemplo do histórico encontro em Cuba entre o Santo Padre e o Patriarca Kirill de Moscou, afirmou Dom Jurkovič.

Paz, justiça e perdão são complementares

Por fim, o representante vaticano recordou os múltiplos esforços do Papa em favor da promoção da paz. Em particular, deteve-se sobre o encorajamento à Venezuela a um diálogo social autêntico e construtivo.

Igualmente, referindo-se à delicada situação na Colômbia, o Papa Francisco ressaltou a importância da unidade, da reconciliação e do perdão. Paz, justiça e perdão são reciprocamente complementares: não pode haver paz sem justiça, nem verdadeira justiça sem perdão, concluiu. (RL)

 

12 fevereiro, 2017

Foto da semana.

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Praça de São Pedro, Vaticano, 5 de fevereiro de 2017: No domingo dedicado à Jornada pela Vida, a imagem mostra o público acompanhando o Angelus com o Papa Francisco. Aqui é possível ver a imagem do mesmo dia, em 2007.

Créditos: Chiesa e Post Concilio

11 fevereiro, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: A ação humana haure no objeto a sua bondade ou malícia

“E se tornaram abomináveis como as coisas que amaram” (Oséias, IX, 10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

B. : SANTO TOMÁS DE AQUINO  –  SUMA TEOLÓGICA, 1ª Parte da 2ª Parte – Questão XVIII – DA BONDADE E DA MALÍCIA DOS ATOS HUMANOS EM GERAL.

ARTIGO II  –  Se a ação humana haure no objeto a sua bondade ou malícia.

O segundo artigo discute-se assim.  –  Parece que a ação humana não haure no objeto a bondade ou a malícia.

OBJEÇÕES [Seguem-se três argumentos que parecem provar o contrário da tese em apreço]:

1ª objeção: Pois o objeto de uma ação é uma realidade (=coisa). Ora, não nas coisas, mas no uso que delas fazem os pecadores, está o mal, como diz Agostinho (in lib. III De doct. christ. cap. XII). Logo, a ação humana não haure (=tem) no objeto a sua bondade ou a malícia.

2ª objeção: Ademais, o objeto é como a matéria da ação. Ora, a bondade de uma coisa não provém da matéria, mas antes, da forma, que a atualiza. Logo não é no objeto que os atos haurem a bondade ou a malícia.

3ª objeção: Ademais, o objeto da potência ativa está para a ação, como o efeito para a causa. Ora, a bondade da causa não depende do efeito, mas antes, ao contrário. Logo, não se tira do objeto a bondade nem a malícia do ato humano.

SED CONTRA:  Mas, em contrário, diz a Escritura em Oséias, IX, 10: “E se tornaram abomináveis como as coisas que amaram”. Ora, o homem, pela malícia dos seus atos, é que se torna abominável perante Deus. Logo, essa malícia depende dos maus objetos que o homem ama. E o mesmo se deve dizer da bondade.

Darei a SOLUÇÃO,  após fazer as devidas distinções: Conforme já se disse (no art. 1), o bem e o mal das ações, como das demais coisas, depende da plenitude ou da deficiência do ser. Ora, o que em primeiro lugar concorre para tal plenitude é aquilo que especifica. E assim como a forma é a que especifica um ser natural, assim o objeto é o que especifica o ato, como o movimento tem a sua espécie haurida do término. Por onde, assim como a bondade primeira de um ser natural depende da sua forma, que o especifica, assim a primeira bondade do ato moral depende do objeto conveniente; e por isso alguns costumam falar que é bom, no seu gênero, como, p. ex., usar o que se possui. E assim como, nos seres naturais, o primeiro mal consiste em o ser gerado não conseguir a sua forma específica, p. ex. se a geração, em vez de produzir um homem, produz outro ser, assim também o primeiro mal nos atos morais, é o procedente do objeto, como tomar o bem de outrem. E se chama o mal no seu gênero, tomando gênero no sentido de espécie, como quando dizemos gênero humano para significar toda a espécie humana.

Portanto, [dadas estas explicações, temos agora condição de responder às objeções acima no inicio apresentadas]:

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO: Embora as coisas exteriores sejam em si mesmas boas, nem sempre contudo mantêm a proporção devida com tal ação ou tal outra; e por isso, consideradas como objetos de tais ações, cessam de ser boas.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: O objeto não é a matéria da qual procede a ação, mas a matéria sobre a qual ela recai; e exerce de certo modo a função de forma, enquanto especifica.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO:  Nem sempre o objeto de uma ação humana é o de uma potência ativa. Pois, a potência apetitiva é de certo modo passiva, enquanto movida pelo objeto desejado, e contudo é princípio de atos humanos. Além disso, os objetos das potências ativas não são efeitos senão quando já transformados; assim, o alimento transformado é o efeito da potência nutritiva; ao passo que o ainda não transformado é como a matéria sobre a qual age essa potência.

Demais disso, sendo o objeto de certo modo efeito da potência ativa, resulta que é o término da ação dela, e por consequência dá-lhe a forma e a espécie, pois o movimento se especifica pelo término. E embora a bondade de uma ação não seja causada pela bondade do seu efeito, contudo chamamos boa à ação capaz de produzir bom efeito; de modo que na proporção entre a ação e o efeito consiste a razão mesma da sua bondade.