Archive for ‘Igreja’

8 fevereiro, 2019

O Papa a um menino ateu: “Faça o que você sente”.

Por Carlos Steban, Infovaticana, 6 de fevereiro de 2019 | Tradução: Marcos Fleurer, FratresInUnum.com

 

Antes de sua partida aos Emirados Árabes, narra Sua Santidade o Papa Francisco, um menino de 13 anos o interpelou com essas palavras: “Santidade, eu sou ateu, que tenho que fazer para me converter em um homem de paz?” O Santo Padre o respondeu “Faça o que você sente.”

Dois mil anos de santos e mártires, de perseguições pelo mundo, de ser sinal de contradição e sal da terra, de desenvolvimento da doutrina, de missionários e sacerdotes, da estrutura institucional e da caridade, de teólogos e doutores e ante a pergunta central da  existência , a resposta do Vigário de Cristo e sucessor de São Pedro é: “Faça o que você sente”.

E eu o que sinto é um cansaço infinito ao pensar que essa beleza tão ofuscante, que tantos êxtases e estudos de profundidade insondável, tantas perseguições e torturas sofridas por amor a Cristo teriam sido evitadas de serem conhecidas com este simples segredo: faça o que você sente.

A anedota contou o próprio Papa na conferência de imprensa no voo de volta de Abu Dabi, onde assinou um documento pela fraternidade universal com um prestigioso imã e escutados “homens muitos sábios” de uma religião que se expandiu pela espada, que submete aos que não creem nela a condição de cidadão de segunda classe, que ordena à morte os que saem dela.   

É como se a Igreja se tivesse rendido, não ao capitalismo, não também ao socialismo existente, mas ao Woodstock, ao Verão do Amor, a uma fantasia de 1968 na qual todos podemos nos dar as mãos e superar nossas diferenças com um pouquinho de diálogo, em que não se digam coisas desagradáveis que dividem, ainda que estejam ali e ali seguirão, e haja tantos dispostos a morrer por elas.

Em Abu Dabi, nós tememos, o Papa preferiu “sentir” a pensar. Assinou não se sabe com quem — sim, com El Tayeb, e a quem representa nisto o imã de Al Azhar? – um documento vago e evasivo que poderia ter escrito um hippie especialmente ingênuo no final dos anos sessenta.

Faça o que você sente.

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6 fevereiro, 2019

A Igreja hoje renunciou a ensinar a verdade integral.

Por Riccardo Cascioli, La Nuova Bussola Quotidiana, 3 de fevereiro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com

“Falar da crise de abuso sexual de menores, enquanto se ignora o fato de que 80% dos abusos são atos homossexuais, demonstra que não há intenção de resolver o assunto”. “O mais grave problema da Igreja hoje é a tendência de fazer concessões ao mundo e se furtar de proclamar a verdade integral”. O Cardeal Gerhard Müller fala. 

Cardinal Müller

 

Dom Gerhard Müller fala de maneira calma, mas seu juízo vem alta e claramente. Ele me acolhe cordialmente em seu apartamento, a um pulo da Basílica de São Pedro, que ele manteve apesar de ter sido demitido pelo Papa Francisco de uma forma um tanto áspera em julho de 2017, quando não renovou seu mandato como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Cardeal Müller, em vinte dias haverá um encontro no Vaticano sobre abusos sexuais, um escândalo que está obscurecendo a imagem da Igreja e que, ao mesmo tempo, causa muitas tensões internas… 

É terrível para a Igreja que haja padres envolvidos, homens que em vez de terem vidas exemplares, abusam de sua missão. Representantes de Jesus Cristo, o Bom Pastor, agindo como lobos: é a perversão de sua missão.

A esmagadora maioria dos abusos sexuais cometidos por padres são, na verdade, atos homossexuais.

É fato que cerca de 80% das crianças vítimas de abuso são homens e adolescentes. Devemos encarar essa realidade, são estatísticas que não podem ser negadas. Quem quer que ignore os fatos não quer resolver o problema. Fazem acusações contra os que dizem a verdade, ao afirmar que eles têm uma inclinação geral contra os homossexuais. Mas os homossexuais enquanto categoria não existem, é uma invenção. É evidente que eles falam para encobrir os seus próprios interesses. Na criação, o conceito de homossexualidade não existe, é uma invenção que não possui fundamento na natureza humana. Essas tendências não são ontológicas, mas de ordem psicológica. Alguns querem tornar a homossexualidade em um dado ontológico.

Em vista do encontro no fim de fevereiro, há aqueles que querem usá-lo como oportunidade para argumentar que não importa se um padre tem tendências homossexuais, o importante é que ele viva castamente. Na Alemanha, há bispos que já deram declarações neste sentido.

Seria um crime contra a Igreja: explorar o pecado para estabelecer ou normalizar o pecado contra o sexto mandamento, um crime. Não há forma de legitimar atos homossexuais ou mesmo atos sexuais desordenados. Se cremos em Deus, cremos que os dez mandamentos são expressões diretas da vontade salvífica de Deus para conosco, são a substância da moralidade do homem e de sua felicidade, são expressão da vida, da verdade de Deus.

Recentemente, o caso de uma missa ecumênica em Milão foi denunciado, na qual uma pastora batista leu o Evangelho, pregou a homilia e distribuiu a Eucaristia após permanecer o lado do padre durante a consagração. O pároco explicou que a transubstanciação é só uma forma de compreender a Eucaristia. Este tipo de ecumenismo não é um fato isolado. 

Isso equivale a um ato blasfemo. Há uma ignorância grosseira entre os padres, bispos e mesmo cardeais: eles são servos da Palavra de Deus, mas não a conhecem, bem como desconhecem a doutrina. Se falamos de transubstanciação, o Quarto Concílio de Latrão, o Concílio Tridentino e também o Vaticano II, assim como algumas encíclicas, como Mysterium Fidei (1965) explicaram que com essa expressão a Igreja reconhece a verdadeira conversão do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Jesus Cristo. Na Inglaterra, no tempo de Eduardo VI e Elizabeth I (século XVI), havia a pena de morte para aqueles que acreditavam na transubstanciação. Muitos católicos foram martirizados e não sacrificaram suas vidas por causa de uma das muitas maneiras de compreender a Eucaristia, era pela verdade do sacramento.

Mas o que um leigo pode fazer se acabar parando numa missa dessas?

Devem protestar publicamente. Eles têm o direito de sair ou, se se sentirem aptos a falar, devem dizer: “Eu protesto contra a dessacralização da Santa Missa; vim aqui para assistir à Missa Católica, não para participar em alguma construção da missa por um pároco que não conhece nada da Fé Católica”.

Após o aniversário da Reforma Protestante, agora temos os 800 anos do encontro entre São Francisco e o Sultão. Já estão acontecendo cursos de Islã nas paróquias e imãs estão sendo convidados para irem a igrejas explicar quem foi Jesus para o Islã… 

Para nós, é uma ofensa dizer que Jesus foi só um homem, que Ele não é o Filho de Deus. Como se pode convidar alguém para vir a uma igreja ofendê-lo? Há uma má consciência presente hoje no Catolicismo para com a própria fé e, por outro lado, ajoelhamo-nos para os outros. Primeiro o jubileu de Lutero, agora o de São Francisco: é só uma forma de trazer o protestantismo para dentro e de islamizar a Igreja. Isso não é verdadeiro diálogo, alguns de nós perdemos nossa Fé e queremos nos tornar escravos de outros para sermos amados.

Qual é o principal problema que a Igreja enfrenta hoje?

A relativização da Fé. Parece muito complicado anunciar a Fé Católica em sua integridade e de cabeça erguida. Embora o mundo hoje mereça a verdade e a verdade é a verdade de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Acordos falsos não ajudam as pessoas no mundo de hoje. Em vez de propor a Fé e educar o povo, tendemos a relativizar, sempre dizer um pouco menos, menos, menos… O Cristianismo se preocupou com o mundo, reduziu-se para agradar a todos hoje e, consequentemente, o povo está decepcionado.

O Papa constantemente enfatiza o conceito de fraternidade universal. O que se pretende com essa expressão, a fim de não confundir as pessoas?

Não fico nem um pouco satisfeito quando os maçons louvam o Papa. A fraternidade deles não é a fraternidade dos Cristãos em Jesus Cristo, é muito menos. Com base na criação, somos todos filhos de Deus. Temos todos um pai no céu, mas este pai revelou-se em Israel, a Moisés, aos profetas e finalmente em Jesus Cristo. Fraternidade é, certamente, evitar guerras, brigas entre pessoas, mas não podemos reduzi-la a isso. Uma religião universal não existe, há uma religiosidade universal, uma dimensão religiosa que impulsiona a todos em direção ao mistério. Por vezes, circulam ideias absurdas, descrevendo o Papa como chefe de uma esquerda internacional ou chefe de uma religião universal, mas isso é absolutamente contrário à instituição do papado de Jesus Cristo. Jesus instituiu Pedro como o primeiro e princípio de sua sucessão no papado, por conta de sua confissão ou profissão de fé: “Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Esta é a substância do papado, é a voz da profissão de fé da Igreja e não o chefe da ONU.

5 fevereiro, 2019

Ajude a Capela Santa Maria das Vitórias, em Anápolis (GO).

Missa no Rito Tridentino em Anápolis para defesa da tradição imutável da Igreja.

Endereço: Rua Espírito Santo. Q.: E L.: 27 Vila Santa Rita – Anápolis/GO.

Mapa: https://bit.ly/2Huj20B

Colabore com a construção do nosso centro comunitário, para a preservação da inocência de nossas crianças e maior glória de Deus!

http://santamariadasvitorias.org/centro-comunitario/

4 fevereiro, 2019

O apostolado da FSSPX numa prisão nos EUA.

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Um Retiro Inaciano foi conduzido pela FSSPX sob circunstâncias excepcionais: trancados a chave em Lamesa, Texas.

No início deste verão, um padre da Fraternidade teve o privilégio de pregar os Exercícios Inacianos a 40 detentos de uma prisão no oeste do Texas (EUA).

A Unidade Preston Smith, parte do sistema penitenciário em Lamesa, Texas, pode acomodar mais de 2.200 presos, em diferentes graus de confinamento. Esta prisão tem a grande graça de contar com um dedicado catequista católico tradicional, o Sr. Michael Banschbach, que visita a prisão duas vezes por mês para instruir na fé entre 40 e 50 prisioneiros. Como você pode se lembrar, da entrevista na edição de maio-junho de 2016 da Revista The Angelus, o Sr. Michael Banschbach mora em Midland, Texas, com sua grande família. Sob os auspícios e com a bênção dos sacerdotes da Fraternidade, ele iniciou um apostolado na prisão, que deu muitos frutos em todo o estado.

A prisão veio sediar o retiro após um encontro casual do capelão com um padre da Fraternidade que visitava o local para celebrar a Santa Missa para alguns dos internos. No decorrer da conversa, surgiu o tema dos Exercícios Inacianos. Alguns meses depois, o capelão da prisão perguntou ao Sr. Banschbach: “quando aquele padre virá aqui pregar um retiro?”

Então, depois de obter permissão do Superior de Distrito e de tomar as providências necessárias, o Retiro foi planejado para ocorrer entre 10 e 12 de maio de 2018. Logisticamente, as circunstâncias eram compreensivelmente muito difíceis. Os presidiários foram confinados em compartimento único – neste caso, o ginásio – e o tempo previsto era das 8:00h às 20:00h. Não havia possibilidade, como normalmente se tem em um retiro, para sair para uma caminhada ou voltar a o quarto. Os dias de 12 horas acabaram sendo dias de 14h, graças à intervenção do capelão da prisão com o diretor, que nos permitiu estendê-lo até as 22:30h.

Como os internos estavam conosco durante todo o dia, éramos responsáveis ​​por alimentá-los, o que significava que todos os dias tínhamos que fornecer suprimentos suficientes para alimentar 40 homens, para as 3 refeições do dia. A atmosfera era menos propícia à meditação, mas os homens, com exceção de uma dupla, estavam edificando em seus esforços e  seu silêncio, necessários para ouvir a voz de Deus.

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Como estávamos todos presos juntos, sem aposentos privados para voltar e fazer as meditações, a solução foi colocar cadeiras ao redor do perímetro da quadra de basquete de frente para a parede. Os homens foram informados que a cadeira era o “quarto” deles e que, quando as conversas terminassem, deveriam ir lá para meditar. Esta foi uma solução formulada no momento e, na verdade, funcionou muito bem. Foi também motivo de uma história engraçada, pois quando o guarda voltou pela primeira vez após o fim de uma palestra ele se assustou e imediatamente se colocou em guarda. Ele explicou: “Uau, isso foi muito estranho, porque nunca há silêncio na prisão e quando há, você pode apostar que é porque eles estão tramando algo, e provavelmente está prestes a ser atacado”. O que ele tinha visto era o generoso esforço dos homens em meditação.

Se foi um retiro difícil para o pregador, os ajudantes leigos e os prisioneiros, também foi um retiro onde o demônio estava muito ativo. Atrasos de tempo, situações com reféns, tumultos que exigiram gás lacrimogêneo em vários blocos de células, água derramando pelo teto da “sala de conferências” – até mesmo o padre perdeu sua identificação no último dia, o que poderia ter lhe negado acesso durante o último dia do retiro – eram todos sinais de que o demônio não estava feliz com o que estava acontecendo e estava fazendo todo o possível para “arruinar as obras”!

Com o demônio tão claramente em ação, era, acreditava o padre, apenas as orações de todos os irmãs, irmãos, sacerdotes e fiéis que permitiram que tudo funcionasse bem. Em todas as dificuldades, a única resposta foi ver nela a ação do demônio, permitida por nosso Pai Celestial, e suportar os golpes. O padre disse aos detentos que poderiam aprender uma boa lição de tudo aquilo: em nossa vida quando queremos fazer a coisa certa (quando queremos seguir a vontade de Deus), o mundo, a nossa pobre carne decaída e o demônio lançarão todos os tipos de obstáculos em nosso caminho e, portanto, não devemos nos surpreender ou desencorajar, mas manter pacificamente nossas boas resoluções.

Em sua caridade, pedimos suas orações por esses homens para que eles permaneçam firmes em suas resoluções e tenham a certeza de que eles estão rezando por você e por todos os seus irmãos católicos que estão além das grades.

Padre Thomas Asher

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3 fevereiro, 2019

Foto da semana.

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Da redação da Canção Nova, com Vatican News – Neste domingo, 27 [de janeiro de 2019], um ataque com bombas foi feito na Catedral de Nossa Senhora do Monte Carmelo, na cidade de Jolo, em Sulu, nas Filipinas.

O atentado aconteceu durante a Missa, menos de uma semana depois do referendo que estabeleceu a criação de uma província autônoma com maioria muçulmana no sul do país.

Até o momento, o balanço oficial é de 27 mortos e 77 feridos.

Conforme relatado à Ajuda à Igreja que sofre por Dom Lito Lampon, bispo emérito de Jolo e hoje arcebispo de Cotabato, uma das duas bombas explodiu na entrada da Catedral de Nossa Senhora do Monte Carmelo, enquanto a outra no estacionamento em frente. “Tudo ocorreu durante a Santa Missa. A primeira bomba explodiu enquanto os fiéis cantavam o Aleluia – continua o prelado – a segunda, enquanto as autoridades respondiam ao fogo “.

O administrador apostólico de Jolo, padre Romeo Saniel, que no momento do ataque participava junto com Dom Lampon de uma Reunião Plenária da Conferência Episcopal em Manila, afirmou que a maioria das vítimas era assídua na missa das 8h:

“Recordo Daisy Barade de los Reyes que era o presidente do conselho paroquial, Romy Reyes e sua esposa Leah: eram meus amigos. Todos eles permaneceram corajosamente em Jolo, apesar das ameaças e do alto nível de insegurança”.

Grande dor

Padre Saniel está convencido de que este é um atentado anticristão e que as vítimas foram mortas por causa de sua fé. “Não há palavras para descrever nossa dor. Pedimos que rezem pelas vítimas e seus entes queridos, bem como pelas famílias dos soldados que perderam a vida tentando dar segurança à nossa catedral”.

Segundo a AIS, os cristãos da região já vivem ataques há vários anos, por ser uma localidade de maioria islâmica. Há grupos de extremistas e separatistas, filiados ao Isis.

Até o momento, ninguém assumiu a responsabilidade pelo ataque ocorrido menos de uma semana depois que a minoria muçulmana no país de maioria católica obteve uma autonomia especial, na esperança de pôr fim a um conflito que vinha ocorrendo há 50 anos no qual cerca de 150 mil pessoas morreram. Embora a maioria dos muçulmanos residentes na área tenha aprovado o acordo de autonomia, os da província de Sulu, onde Jolo está localizada, o rejeitaram.

Orações

Após o Ângelus deste domingo, 27, diretamente do Panamá, o Papa Francisco rezou pelas vítimas do ataque nas Filipinas, e pediu paz.

2 fevereiro, 2019

Coluna do Padre Élcio: Carta de Dom Mayer contra os ardis da seita comunista.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 2 de fevereiro de 2019.

1 – A Igreja perseguida em vários países

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antonio de Castro Mayer, bispo de Campos, RJ.

Na alocução consistorial de 16 de janeiro próximo passado [1961], o Santo Padre gloriosamente reinante, João XXIII, referiu-se com angústia e dor a nações em que os poderes públicos criam obstáculos à ação da Igreja, particularmente no plano educacional, sujeitando muitas escolas católicas, fundadas e mantidas pelas vigílias, suores e angústias dos missionários, a medidas de coerção e compressão (cf.
A.A.S., vol. 53, p. 67).

2 – A perseguição comuno-fidelista

As palavras do Augusto Pontífice aplicam-se, sem sombra de dúvida, à nação cubana, convulsionada pela situação nela criada com a revolução de Fidelio Castro, ou Fidel Castro, como é geralmente conhecido.

A – NO PLANO RELIGIOSO
Com aparências de movimento renovador, cuja intenção seria unicamente restaurar a ordem jurídica tradicional, gravemente lesada pelo arbítrio de um governo pessoal despótico, a revolução fidelista colimava de fato a instauração, na grande Antilha, de um regime comunista, sem respeito às liberdades fundamentais inerentes à pessoa humana, entre as quais tem primazia a de crer e praticar a Religião verdadeira. Pois, de acordo com o testemunho dos Prelados cubanos, essa foi a obra encetada desde seus primórdios pelo governo de Fidel Castro.

Em 4 de dezembro passado [1960], todo o Episcopado de Cuba enviou uma carta ao primeiro ministro denunciando a caráter enti-cristão do novo regime (cf. “Cristandad”, de Barcelona, nº 358, p. 297). Agora, alguma dúvida que ainda pudesse subsistir sobre o cunho da revolução fidelista desapareceu de todo. Em 1º de maio deste ano, Fidel Castro proclamou Cuba Estado socialista, confiscou todas as escolas católicas da ilha, prepondo-lhes dirigentes revolucionários, e ultimamente decretou a expulsão dos Padres estrangeiros, prenúncio natural de perseguição mais atroz contra a Igreja, como tem acontecido em outros países.

B – NO PLANO SOCIAL
Paralelamente a esses golpes desferidos diretamente contra a Religião, a revolução cubana atacou a fundo duas instituições básicas da civilização cristã, isto é, a propriedade e a família. A primeira ficou praticamente abolida por sucessivas reformas, fundamentadas no falso princípio de que o Estado pode, a seu talante, dispor dos bens particulares: a reforma agrária, que feriu de morte a propriedade rural, a reforma urbana, que suprimiu a propriedade imobiliária nas cidades, e a reforma industrial, que confiscou as fábricas. A família, de seu lado, foi vulnerada pela lei que tirando aos pais o direito de escolher livremente as escolas para seus filhos, os privou de uma das mais importantes prerrogativas do pátrio poder.

3  –  Oração e reparação pelo povo cubano

No momento, o que de melhor podemos fazer, à vista destes fatos dolorosos, é redobrar nossas orações e boas obras, sacrifícios e penitências, a fim de que Deus Nosso Senhor conceda aos católicos de Cuba a coragem e a fortaleza de que precisam para imitarem os mártires dos primeiros séculos, os quais nutriram com seu sangue a semente cristã, e contribuíram para dar-lhe o vigor de espalhar-se por toda a terra. Orações, boas obras e sacrifícios nessa intenção, e também para que a misericórdia divina se apiede da nação irmã, purgue-a logo de seus pecados, lhe dê em breve a alegria de nova alvorada de liberdade cristã no santo temor de Deus, ali pregado por missionários da envergadura de Santo Antônio Maria Claret.

(…)

4 – Levantar em prol dos cabanos perseguidos a opinião pública

Este fervor haurido na oração deve frutificar em atos. Se cada fiel, nos ambientes que frequenta, se valer de todas as ocasiões para manifestar sua repulsa à revolução comunista de Fidel Castro, e para acender no próximo uma santa indignação contra ela, se todos em conjunto aproveitarem as oportunidades que se apresentarem para dar solene e público testemunho de sua reprovação à perseguição religiosa naquela ilha, terão feito quanto em si está para combater o comuno-fidelismo, e se portarão como autênticos membros do Corpo Místico de Cristo, sensíveis a todos os golpes que esse Corpo recebe em qualquer parte da terra, como filhos amorosos da Igreja que não suportam seja Ela perseguida em qualquer nação do mundo.

5 – Aproveitar a lição que nos vem de Cuba

Entretanto, não pensemos só em Cuba. Não estamos livres de sofrer também uma revolução marxista. O exemplo das Antilhas constitui ameaça para toda a América Latina, e não vemos reação proporcionada à gravidade do perigo. Muito pelo contrário, assistimos a um recrudescimento de ousadia por parte dos comunistas, e de simpatia, mais ou menos generalizada em vários setores da sociedade, pelo mundo socialista. De onde a urgência em tirarmos proveito da lição que nos vem do Norte, meditando atentamente sobre a doutrina marxista, sua propaganda e seus ardis. Com efeito, a Providência, permitindo a eclosão do comunismo em Cuba, dá às demais nações católicas do continente um sinal, altamente expressivo, da gravidade da situação em que elas mesmas se encontram. Tomar na devida conta esse sinal corresponde, pois, a um dos mais sérios deveres do momento.

6 – … especialmente a lição sobre os ardis comunistas

Mais especialmente, amados filhos e Cooperadores, pareceu-nos importante chamar vossa atenção para os ardis da propaganda vermelha. Por meio deles, a minoria comunista, seita tenebrosa, fanatizada e disciplinada, mas incapaz, por seu pequeno número, de impor seu jugo a um país tão vasto e católico como o nosso, pretende instaurar entre nós a chamada ditadura do proletariado. (Continua nas próximas postagens)

* * *

Nota minha: Não esqueçamos que D. Antônio de Castro Mayer escrevia em 1961, antes, portanto do Concílio Vaticano II. Já neste Concílio totalmente atípico, o grande Bispo de Campos, juntamente com D. Geraldo de Proença Sigaud, então Arcebispo de Diamantina, puderam perceber o perigo que significava a Teologia da Libertação já ventilada e planejada para o Brasil principalmente por D. Hélder Câmara ali no Concílio. E logo depois do Concílio Vaticano II, D. Antônio já não considerava pequeno o perigo comunista no Brasil, e via Sua Excelência  (e outros Bispos conservadores e também padres) que o perigo era grande, e tão grande que, embora houvesse necessidade da tomada do Poder pelos militares, o que, graças a Deus, aconteceu já antes do término do Concílio, mas, quiçá, os próprios governos militares, não puderam perceber que os comunistas através de infiltrações na Igreja e pela Mídia continuavam a envenenar as mentes dos brasileiros, até chegar a este ponto crítico atual. E agora, que Deus nos deu esta graça de reverter o rumo de nosso País, mister se faz que os anti-comunistas não durmam, porque os comunistas, diabólicos que são, continuarão provocando divisões entre os da direita e trabalhando coesa e sub-repticiamente para voltarem ao poder. Explorarão como escândalos enormes as mínimas falhas dos da direita, mesmo que comparadas às dos partidos de esquerda, sejam quais grãos de areia diante de montanhas.  Tal a afã dos comunistas pela volta ao poder, que não se vexam de explorar até os defuntos.

1 fevereiro, 2019

Novo site: Tradicionalismo Católico.

Cumprindo sua missão de informação a respeito da realidade da Igreja Católica, Fratres in Unum gostaria de divulgar o blog Tradicionalismo Católico que, conforme sua apresentação, dedica-se a explicar o movimento tradicionalista católico que surgiu em reação ao Concílio Vaticano II e seus desdobramentos, entre os quais se destaca a Missa Nova (“Novus Ordo Missae”).

Até o momento, foram publicados dois artigos que didaticamente fornecem uma visão geral do que seja o movimento tradicionalista:

O aviso de novas publicações será feito ordinariamente através da página Facebook do referido blog. Não deixe de segui-la.

31 janeiro, 2019

Um Papa que se “desmente”.

Por FratresInUnum.com, 31 de janeiro de 2019 – Mais uma entrevista aérea. E os nossos ouvidos, hoje habituados ao absurdo, quase não reagem mais às palavras de um papa, que soam irreverentes. Convém, todavia, analisar com brevidade as palavras do pontífice, pois elas nos deixam entrever muito de sua personalidade.

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Coletiva de imprensa do Papa Francisco no vôo de volta da Jornada Mundial da Juventude, no Panamá.

Um exemplo muito claro foi a sua resposta acerca da mudança da lei sobre o celibato. Inicialmente, ele disse: “prefiro dar a vida antes de mudar a lei do celibato”, citando o papa Paulo VI. Contudo, logo em seguida, começa a fazer uma longa apologia, como que en passant, da ordenação de homens casados, despretensiosamente relatando-a como uma legítima corrente de pensamento: “[Padre] Lobinger diz: se poderia ordenar sacerdote um idoso casado, esta é a sua tese. (…) Esta é a tese, o livro é interessante e talvez isso possa ajudar a responder o problema. Acredito que o tema deve ser aberto nesse sentido para os lugares onde existe um problema pastoral, por falta de sacerdotes”.

Como é possível que alguém diga e se desdiga na mesma declaração? Além de ser esta uma tática verbal muito utilizada pelos mais maquiavélicos – o estímulo contraditório desbarata a vítima e a torna completamente incapaz de qualquer reação psicológica –, autocontradizer-se revela a mente deste papa.

Numa resposta posterior, sobre os escândalos sexuais nos Estados Unidos, ele inicialmente apresenta o encontro de fevereiro próximo com os presidentes das conferências episcopais como a sua resposta ao problema, mas ressalva que “é preciso moderar as expectativas em relação a estes pontos que lhes disse, porque o problema dos abusos continuará, é um problema humano, em todos os lugares”.

É inacreditável que o papa diga isto. Os bispos americanos queriam começar a resolver o problema com medidas drásticas, mas foram impedidos pelo Vaticano para que Francisco afirmasse, já de antemão, que “o problema dos abusos continuará”?

Antes, quando lhe perguntaram sobre o afastamento de muitos jovens da Igreja, ao invés de reconhecer humildemente os limites pastorais do clero, ele acusou os pastores e os fieis, culpando “os católicos hipócritas, que vão à missa todos os domingos e não pagam o décimo terceiro, pagam por fora, exploram as pessoas”. Antes, ele usava os padres como escudo, agora, ataca-os, bem como os leigos, conservando-se a salvo de toda e qualquer crítica. (Nem mencionemos o assunto da educação sexual para as crianças…)

Que pessoa normal não se afastaria de alguém cuja duplicidade de palavras é tão explícita? Será que tal pessoa poderia ser considerada confiável? A malandragem costuma ser recurso de gente desonesta, que procura alcançar objetivos ruins através de meios ainda piores. Não queremos pensar que um papa utilize tais artefatos.

No caso, não se trata apenas de uma trapaça humana, mas da adulteração da Igreja de Deus. Repare que, logo no início da coletiva, ele diz que a sua missão “é a missão de Pedro, confirmar na fé”, mas logo ajunta: “e isso não com mandatos frios ou preceptivos, mas deixando-me tocar o coração e respondendo ao que acontece ali”. Não há sólido que não se torne gasoso na boca deste papa!

As palavras de Francisco sobre o celibato – “Prefiro dar a vida antes de mudar a lei do celibato” – evocam aquela exclamação de São Pedro a Cristo, durante a Santa Ceia: “Darei a minha vida por ti”!, ao que Jesus respondeu: “Darás a tua vida por mim?… Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo até que por três vezes me tenhas negado” (Jo 13,37-38).

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30 janeiro, 2019

A Família.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 30 de janeiro de 2019

Vemos, com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

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Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, em cátedras de pestilências comunistas etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial.

E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total, ou quase, das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a “a misericórdia” do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem.

Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: “É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu”.

Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés.

Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito, achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: “Mais um que ficou na armadilha”. Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: “Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha”.

Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: “Então o meu amigo não é casado?” – Ainda não, respondeu o amigo.  –  “Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas”. É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida.

O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: “serão os dois uma úncia carne”, disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o precito de honrar “pai e mãe”. Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte.

Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: “Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher”. “A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas sua boas obras”.  “Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres” (Palavras de um poeta castelhano).

Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa! “Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente” (S. Pio X).

Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo, escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  “Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador”. Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: “Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra”. Pai e mãe santos! Que graça!

Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que “o casamento é santo, mas no Senhor”. Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento.

Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: “Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho – buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa…” (Pio XII, “Sertum laetitiae).

28 janeiro, 2019

Papa Francisco no avião após JMJ-Panamá: Aborto, migrantes, crise de abusos sexuais, Venezuela, celibato.

Coletiva de imprensa. O Papa: “no confessionário entendi o drama do aborto”

Francisco no voo de retorno do Panamá: “Às mulheres que têm essa angústia eu digo: seu filho está no céu, fale com ele, cante a canção de ninar que você não pode cantar a ele”. Para a Venezuela pede uma solução pacífica: “Assusta-me o derramamento de sangue”. No encontro de fevereiro para a proteção dos menores: “devemos nos conscientizar sobre o drama e ter protocolos, os bispos devem saber o que fazer”.

Por Andrea Tornielli, Vatican News

Para entender o drama do aborto é preciso estar no confessionário e ajudar as mulheres a se reconciliarem com o filho não nascido. Para ser Papa é preciso “sentir” as pessoas, ferir-se nos encontros que que são feitos, pelas pessoas que nos atingem com suas histórias e seus dramas, levando tudo diante do Senhor para que os confirme na fé. No encontro de fevereiro sobre a proteção de menores, será necessário “tomar consciência” do que significam um menino ou uma menina abusados, para ficar do lado daqueles que sofreram essa violência terrível. E nessa idêntica perspectiva está a preocupação pela Venezuela, que leva Francisco a pedir uma solução pacífica e evitar o derramamento de sangue. O Papa, que disse estar “destruído” pela intensidade de uma viagem na qual não se poupou, dialoga por cinquenta minutos com os jornalistas no voo que o trouxe de volta a Roma, na primeira coletiva de imprensa guiada pelo diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.

Qual o impacto que sua missão teve no Panamá? Que impacto lhe provocou?

“Minha missão em uma Jornada Mundial da Juventude é a missão de Pedro, confirmar na fé e isso não com mandatos” frios “ou preceptivos, mas deixando-me tocar o coração e respondendo ao que acontece ali. Eu a vivo assim, custa-me pensar que alguém possa realizar uma missão só com a cabeça. Para realizar uma missão você deve sentir, e quando sente, você é atingido. Isso afeta sua vida, você é atingido por problemas. No aeroporto eu estava saudando o Presidente e trouxeram um menino de cor, simpático, pequeno assim. E ele me disse: “Olha, essa criança estava atravessando a fronteira da Colômbia, sua mãe morreu, e ele ficou sozinho. Ele tem cinco anos de idade. Vem da África, mas ainda não sabemos de qual país porque não fala inglês, nem português, nem francês. Ele fala apenas a língua da sua tribo. Nós em certo sentido o adotamos”. O drama de uma criança abandonada pela vida, porque sua mãe morreu e um policial a entregou às autoridades para tomar conta dela, afeta você, e assim a missão começa a tomar cor, faz você dizer algo, faz você acariciar. A missão sempre envolve você. Pelo menos a mim envolve. Eu sempre digo aos jovens: vocês, o que fazem na vida, devem fazer caminhando e com as três linguagens: a da cabeça, a do coração, e a das mãos. E as três linguagens harmonizadas, de modo que vocês pensem o que sentem e o que fazem, sintam o que pensam e o que fazem, façam o que sentem e o que pensam. Eu não posso fazer um balanço da missão. Com tudo isso eu vou diante do Senhor para rezar, às vezes adormeço diante do Senhor, mas levo todas essas coisas que vivi na missão e peço a Ele para confirmá-los na fé através de mim. É assim que eu procuro viver a missão de Papa e como eu a vivo.”

A JMJ no Panamá correspondeu às suas expectativas?

“Sim, o termômetro é a fadiga e eu estou destruído.”

Existe um problema que  é comum em toda a América Central, incluindo o Panamá e grande parte da América Latina: gravidez precoce. Só no Panamá foram dez mil no ano passado. Os detratores da Igreja Católica culpam-na por resistir à educação sexual nas escolas. Qual é a opinião do Papa?

“Creio que nas escolas é preciso dar educação sexual. Sexo é um dom de Deus não é um monstro. É o dom de Deus para amar e se alguém o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, é um problema diferente. Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica. Porque se nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas, destrói a pessoa. O sexo como dom de Deus deve ser educado, não rigidamente. Educado, de “educere”, para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanhá-la no caminho. O problema está nos responsáveis ​​pela educação, seja a nível nacional, seja local, como também em cada unidade escolar: quem são os professores para isso, que livros de textos usar… Eu vi de todos os tipos, há coisas que amadurecem e outras que causam danos. Digo isso sem entrar nos problemas políticos do Panamá: precisamos dar educação sexual para as crianças. O ideal é que comecem em casa, com os pais. Nem sempre é possível por causa de muitas situações familiares, ou porque não sabem como fazê-lo. A escola compensa isso e deve fazê-lo, caso contrário, resta um vazio que é preenchido por qualquer ideologia.”

Nestes dias o senhor falou com várias pessoas e muitos jovens. Falou também com os jovens que se distanciaram da Igreja. Quais são os motivos que os afastaram?

“São muitos, alguns são pessoais. Mas o mais geral é a falta de testemunho dos cristãos, dos padres e dos bispos. Não digo dos Papas porque é demais, mas … também. Se um pastor é um empreendedor ou organizador de um plano pastoral, se não está próximo das pessoas, não dá um testemunho de pastor. O pastor deve estar com as pessoas. O pastor deve estar na frente do rebanho, para indicar o caminho, no meio do rebanho para sentir o cheiro das pessoas e entender o que as pessoas sentem e o que precisam. Deve estar atrás do rebanho para proteger a retaguarda. Mas se um pastor não vive com paixão, as pessoas se sentem abandonadas ou sentem um certo sentido de desprezo. Sentem-se órfãs. Falei sobre os pastores, mas há também os cristãos, os católicos. Existem os católicos hipócritas que vão à missa todos os domingos e não pagam o décimo terceiro, pagam por fora, exploram as pessoas. Depois, vão ao Caribe de férias com o que explorou das pessoas. Se você faz isso, dá uma contratestemunho. A meu ver, isso é o que distancia mais as pessoas da Igreja. Sugeriria aos leigos: não diga que é católico, se não dá testemunho. Em vez disso, você pode dizer: sou de educação católica, mas sou morno, sou mundano, peço desculpa, não me olhem como exemplo. Isso é o que se deve dizer. Tenho medo de católicos assim, que acreditam ser perfeitos. A história se repete, o mesmo aconteceu com Jesus com os doutores da Lei que rezavam, dizendo: “Obrigado, Senhor, por não ser como esses pecadores.”

Vimos por quatro dias os jovens rezar com muita intensidade, podemos pensar que muitos tenham a vocação. Talvez alguns deles estão hesitando, porque não podem se casar. É possível que o senhor permita aos homens casados se tornarem padres na Igreja católica de rito latino, como acontece nas Igrejas orientais?

“Na Igreja católica de rito oriental eles podem fazer isso se fazem a opção celibatária ou de esposo antes do diaconato. Quanto ao rito latino, lembro-me de uma frase de São Paulo VI: “Prefiro dar a vida antes de mudar a lei do celibato”. Isso me veio em mente e quero afirmá-lo porque é uma frase corajosa. Ele disse em 1968-1970, num momento mais difícil do que o atual. Pessoalmente, penso que o celibato seja um dom para a Igreja e não concordo em permitir o celibato opcional. Não. Permaneceria alguma possibilidade nos lugares mais distantes, penso nas ilhas do Pacífico, mas é algo em que pensar quando há necessidade pastoral. O pastor deve pensar nos fiéis. Existe um livro do pe. Lobinger, interessante. É algo em discussão entre os teólogos, não há uma decisão minha. A minha decisão é: não ao celibato opcional antes do diaconato. É uma coisa minha, pessoal. Eu não o farei, isso é claro. Sou fechado? Talvez, mas não me sinto de colocar-me diante de Deus com esta decisão. Padre Lobinger diz: “A Igreja faz a eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja. Mas onde não há Eucaristia há comunidade, pense nas ilhas do Pacífico. Lobinger pergunta: quem faz a Eucaristia? Os diretores e organizadores dessas comunidades são diáconos, religiosas ou leigos. Lobinger diz: se poderia ordenar sacerdote um idoso casado, esta é a sua tese. Mas que exercite apenas o munus sanctificandi, isto é, celebre a missa, administre o Sacramento da Reconciliação e dê a unção dos enfermos. A ordenação sacerdotal dá aos três munera: o munus regendi (o pastor que guia), o munus docendi (o pastor que ensina) e o munus sanctificandi. O bispo só lhe daria a licença para o munus sanctificandi. Esta é a tese, o livro é interessante e talvez isso possa ajudar a responder o problema. Acredito que o tema deve ser aberto nesse sentido para os lugares onde existe um problema pastoral, por falta de sacerdotes. Não digo que deve ser feito, eu não refleti, não rezei o suficiente sobre isso. Mas os teólogos debatem sobre isso, devem estudar. Estava conversando com um oficial da Secretaria de Estado, um bispo que teve que trabalhar num país comunista no início da revolução, e quando viram como essa revolução chegava nos anos 50, os bispos ordenaram secretamente camponeses, bons e religiosos. Depois que a crise passou, trinta anos depois, a coisa se resolveu. Ele me contou a emoção que sentiu quando numa celebração viu esses camponeses com mãos de camponeses colocarem suas vestes para concelebrar com os bispos. Na história da Igreja isso se verificou. É algo a ser pensado e sobre o qual rezar. Por fim, me esqueci de citar o Anglicanorum coetibus, de Bento XVI, para os sacerdotes anglicanos que se tornaram católicos, mantendo suas vidas como se fossem orientais. Lembro-me ter visto muitos deles com o colarinho clerical e com mulheres e crianças, numa audiência de quarta-feira.”

Durante a Via-Sacra um jovem pronunciou palavras muito fortes sobre o aborto: “Há um túmulo que brada ao céu e denuncia a terrível crueldade da humanidade, é o túmulo que se abre no ventre das mães… Deus nos conceda defender com firmeza a vida e fazer de modo que as leis que matam a vida sejam eliminadas para sempre”. Trata-se de uma posição muito radical. Gostaria de saber se essa posição respeita também o sofrimento das mulheres nesta situação e se corresponde à sua mensagem de misericórdia.

“A mensagem da misericórdia é para todos, inclusive para a pessoa humana que é gestante. Após este falimento, há também a misericórdia. Mas uma misericórdia difícil, porque o problema não é conceder o perdão, mas acompanhar uma mulher que tomou consciência de ter abortado. São dramas terríveis. Uma mulher quando pensa naquilo que fez… É preciso estar no confessionário, ali deve dar consolação e por isso concedi a todos os padres a faculdade de absolver o aborto, por misericórdia. Muitas vezes, mas sempre, elas devem “encontrar-se” com o filho. Quando choram e têm essa angústia eu muitas vezes as aconselho assim: seu filho está no céu, fale com ele, cante-lhe o nana neném que não pôde cantar-lhe. E ali se encontra um caminho de reconciliação da mãe com o filho. Com Deus já existe a reconciliação, Deus perdoa sempre. Mas ela também deve elaborar o ocorrido. O drama do aborto, para ser bem entendido, você precisa estar num confessionário. É terrível.”

O senhor disse no Panamá fazer-se muito próximo dos venezuelanos e pediu uma solução justa e pacífica, no respeito pelos direitos humanos de todos. Os venezuelanos querem entender: o que significa? A solução passa mediante o reconhecimento de Juan Guaidó que foi apoiado por muitos países? Outros pedem eleições livres em breve tempo. O povo quer ouvir seu apoio, sua ajuda e seu conselho.

“Eu apoio neste momento todo o povo da Venezuela porque está sofrendo, os de um lado e os do outro. Se eu ressaltasse aquilo que diz este ou aquele país, estaria me expressando sobre algo que não conheço, seria uma imprudência pastoral de minha parte e seria danoso. As palavras que eu disse foram por mim pensadas e repensadas. E creio que com elas expressei a minha proximidade, aquilo que sinto. Eu sofro com o que está acontecendo neste momento na Venezuela e por isso peço que haja uma solução justa e pacífica. O que me espanta é o derramamento de sangue. E peço grandeza na ajuda por parte daqueles que podem ajudar a resolver o problema. O problema da violência me aterroriza, após todo o processo de paz na Colômbia, pensem naquele atentado outro dia na escola dos cadetes, algo terrificante. Por isso devo ser… não gosto da palavra “equilibrado”, quero ser pastor e se há necessidade de uma ajuda, que peçam de comum acordo.”

Uma jovem estadunidense contou-nos que durante seu almoço com os jovens o senhor lhe falou da dor pela crise dos abusos. Muitos católicos estadunidenses se sentem traídos e abatidos após as notícias de abusos e acobertamentos por parte de alguns bispos. Quais são suas expectativas e esperanças para o encontro de fevereiro, a fim de que a Igreja possa reconstruir a confiança?

“A ideia deste encontro nasceu no C9 porque nós vimos que alguns bispos não entendiam bem ou não sabiam o que fazer ou faziam uma coisa boa e outra errada. Sentimos a responsabilidade de dar uma “catequese” sobre esse problema às conferências episcopais e por isso os presidentes dos episcopados foram chamados. Primeiro: que se tome consciência do drama, de que se trata de um menino ou uma menina vítimas de abuso. Recebo regularmente pessoas vítimas de abuso. Recordo uma pessoa: 40 anos sem poder rezar. É terrível, o sofrimento é terrível. Segundo: que saibam o que deve ser feito, qual é o procedimento. Porque às vezes o bispo não sabe o que fazer. É algo que cresceu muito forte e não chegou a todos os lugares. E ademais, que sejam feitos programas gerais, mas que cheguem a todas as conferências episcopais sobre aquilo que o bispo deve fazer, e aquilo que devem fazer o arcebispo metropolitano e o presidente da conferência episcopal. Que haja protocolos claros. Esse é o objetivo principal. Mas antes das coisas que devem ser feitas, é preciso tomar consciência. No encontro se rezará, haverá alguns testemunhos para se tomar consciência, alguma liturgia penitencial para pedir perdão por toda a Igreja. Estão trabalhando bem na preparação do encontro. Permito-me dizer ter percebido uma expectativa de certo modo exagerada. É preciso moderar as expectativas em relação a estes pontos que lhes disse, porque o problema dos abusos continuará, é um problema humano, em todos os lugares. Outro dia li uma estatística. Diz: 50% dos casos é denunciado, e somente para 5% destes casos há uma condenação. É terrível. É um drama humano do qual tomar consciência. Também nós, resolvendo o problema na Igreja, ajudaremos a resolvê-lo na sociedade e nas famílias, onde a vergonha cobre tudo. Mas primeiro devemos tomar consciência e ter os protocolos.”

O senhor disse que é absurdo e irresponsável considerar os migrantes como portadores do mal social. Na Itália as novas políticas sobre os migrantes levaram ao fechamento do centro de acolhida “Castelnuovo di Porto”, que o senhor conhece bem. No Centro havia claros sinais de integração, as crianças frequentavam a escola e agora correm o risco de marginalização.

“Ouvi falar sobre o que estava acontecendo na Itália, mas estava imerso nesta viagem. Não conheço os fatos com precisão, mas posso imaginá-los. É verdade, o problema é muito complexo. É preciso memória. Devemos nos perguntar se a minha pátria é formada por migrantes. Nós, argentinos, somos todos migrantes. Os Estados Unidos, todos migrantes. Um bispo escreveu um artigo muito bonito sobre o problema da falta de memória. Usou palavras que eu uso: receber, o coração aberto para receber. Acompanhar, ajudar a crescer e integrar. O governante deve usar a prudência, porque a prudência é a virtude dos que governam. É uma equação difícil. Recorda-me o exemplo sueco, que nos anos 1970, com as ditaduras na América Latina recebeu muitos imigrantes, e todos foram integrados na sociedade. Recordo também do trabalho que é feito pela Comunidade de Santo Egídio, por exemplo: preocupa-se em logo integrar os migrantes. Mas no ano passado os suecos disseram: teremos que diminuir a entrada porque não conseguimos completar o percurso de integração. E esta é a prudência do governante. É um problema de caridade, de amor, de solidariedade. Reitero que as nações mais generosas em receber foram a Itália e a Grécia e um pouco também a Turquia. A Grécia foi muito generosa assim como a Itália, muito mesmo. É verdade que se deve pensar com realismo. Também tem outra coisa: um modo de resolver o problema das migrações é ajudar os países de onde vêm os migrantes. Eles vêm por causa da fome ou da guerra. A Europa tem a possibilidade de investir onde há fome, e este é um modo de ajudar aqueles países a crescerem. Mas há sempre aquela imaginação popular que temos na inconsciência: a África deve ser explorada! Isso pertence à história e faz mal! Os migrantes do Oriente Médio encontraram outras saídas: O Líbano é uma maravilha em sua generosidade, hospeda mais de um milhão de sírios. A Jordânia, faz o mesmo. E fazem o que pode, tentando integrá-los. A Turquia também recebeu migrantes. Nós também, na Itália recebemos alguns. É um problema complexo sobre o qual deve-se falar sem preconceitos.”

“Agradeço a todos pelo seu trabalho – concluiu o Papa – gostaria de dizer uma coisa sobre o Panamá: ali senti um novo sentimento, veio-me esta palavra: o Panamá uma nação nobre. Encontrei nobreza. E também gostaria de dizer outra coisa, que nós na Europa, não vemos o que eu vi no Panamá. Vi pais que erguiam seus filhos nos braços e diziam: esta é a minha vitória, este é o meu orgulho, este é o meu futuro. No inverno demográfico que vivemos na Europa – e na Itália é abaixo de zero – deve nos fazer pensar. Qual é o meu orgulho? O turismo, as férias, a casa, o cachorrinho? Ou o filho?.”

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