Archive for ‘Igreja’

12 fevereiro, 2020

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL

QUERIDA AMAZONIA

DO SANTO PADRE
FRANCISCO

AO POVO DE DEUS E A TODAS AS PESSOAS DE BOA VONTADE

Íntegra do documento

11 fevereiro, 2020

Viri improbati? Começou o delírio dos papólatras contra a o povo fiel.

Por FratresInUnum.com, 11 de fevereiro de 2020 — Gostaríamos de aguardar a publicação oficial, esperada para amanhã, mas, já há alguns dias, começaram as fugas de notícias sobre a iminente publicação de “Querida Amazônia”, a Exortação apostólica que daria encaminhamento às discussões daquele que ficou conhecido como Sínodo da Pachamama.

Segundo fontes indiscretas, o documento não conteria nenhuma menção explícita à ordenação dos chamados viri probati (homens casados de boa fama), nem tampouco à ordenação de mulheres e outros temas heterodoxos abordados durante o evento sinodal. O próprio Papa Francisco teria dito ontem a bispos americanos que “não haverá nenhuma mudança em relação aos padres casados”.

Mal saída a notícia, os cleaners já começaram com sua histeria coletiva, transferindo a Francisco todo o mérito desta medida supostamente não aberturista. Para os papólatras, não importa o que aconteça, a pessoa de Bergoglio (não o papado em si, note-se) sempre tem de sair fortalecida, quando erra e quando acerta, a despeito de toda confusão causada, da desorientação generalizada, do clima péssimo produzido, alimentado, insuflado pessoalmente por ele.

Não podemos cair no erro de retirar do sensus fidelium o protagonismo do momento. Ao contrário do que esses bajuladores carreiristas fizeram, passando diariamente o pano em cada absurdo dito por Francisco, o povo fiel se manifestou, mandou abaixo-assinados, protestou em praças e, sobretudo, rezou, rezou muito para que essa desgraça não sobreviesse à Igreja, com o auxílio de Deus e de Nossa Senhora.

Se Francisco não for adiante nessa matéria, não é porque não quis (como, aliás, sempre deu mostras de querer), mas porque não pôde. O livro de Bento-Sarah acerca do vínculo entre celibato e sacerdócio não foi senão um dos últimos sinais da vigorosa resistência católica acerca do tema, que conduziu a questão para termos irrespondíveis por parte de Francisco. Sua fúria decorrente do imbroglio da publicação do livro não permite outra interpretação.

Contudo, ao contrário do que a constelação dos papólatras alucinados poderá celebrar nas próximas horas, a confirmar-se a notícia, o tema do celibato foi reduzido a uma mera questão disciplinar sem importância pelo próprio Francisco. Reparem nestas palavras do discurso final do Sínodo:

“O perigo pode ser que talvez se entretenham — é um perigo, não estou a dizer que o fazem, mas a sociedade pede-o — por vezes, para ver o que decidiram nesta matéria disciplinar; o que decidiram noutra; que partido ganhou, qual perdeu? Em pequenas coisas disciplinares que têm a sua importância, mas que não fariam o bem que este Sínodo deve fazer. Que a sociedade se encarregue do diagnóstico que fizemos nas quatro dimensões. Eu pediria à imprensa para o fazer. Há sempre um grupo de cristãos de elite que gosta de se envolver, como se fosse universal, neste tipo de diagnóstico. Nas mais insignificantes, ou neste tipo de resoluções disciplinares mais intra-eclesiásticas, eu não digo intereclesial, intra-eclesiástica, e dizer que ganhou este setor ou aquele. Não, todos vencemos com os diagnósticos que fizemos e até onde fomos em questões pastorais e intra-eclesiásticas. Mas não nos fechemos nisto. Pensando hoje nessas “elites” católicas, e às vezes cristãs, mas especialmente católicas, que querem dedicar-se “ao pequeno” e esquecer o “grande”, lembrei-me de uma frase de Péguy, fui procurá-la. Tento traduzi-la bem, acho que nos pode ajudar, quando temos que descrever esses grupos que querem o “pequeno” e esquecem o “grande”. «Porque não têm coragem de estar com o mundo, pensam que estão com Deus. Porque não têm a coragem de se comprometer com as escolhas de vida do homem, eles acreditam que estão a lutar por Deus. Porque não amam ninguém, acreditam que amam a Deus». Fiquei muito feliz por não termos caído prisioneiros desses grupos seletivos que do Sínodo só quererem ver o que foi decidido sobre este ponto intra-eclesial ou sobre esse outro, e negarão o corpo do Sínodo que são os diagnósticos que fizemos nas quatro dimensões”.

A anestesia dos cleaners serve apenas para insensibilizar os leigos para o surgimento da nova igreja amazônica, para os pactos que se farão nas próximas semanas (o pacto econômico e educativo), para a reforma da Cúria Romana (que o próprio Francisco mencionou no discurso final do Sínodo), reforma que dará maior liberdade às conferências episcopais, para a instalação da Igreja Sinodal — tenha-se presente, sobretudo, o cismático sínodo da Alemanha que se está realizando.

Enfim, para aqueles que preferem a ilusão papólatra, a desinformação de que Francisco é uma espécie de novo confessor da fé parecerá verossímil, a despeito de tudo aquilo que ele mesmo fez. Para os católicos que não se iludem mais com esses enganos e cinismos, esta é apenas um conquista advinda da misericórdia de Deus e da própria resistência dos fiéis, conquista que nos confirma na certeza de que estamos no caminho certo e de que há que se resistir a Francisco com todas as forças, e até o fim.

10 fevereiro, 2020

Os bispos ucranianos exortam os alemães a serem fiéis às Escrituras e à Tradição.

A Comissão Episcopal para a Família da Conferência Episcopal da Ucrânia enviou uma carta de correção fraterna aos bispos que participam da Assembléia Sinodal da Igreja na Alemanha. A carta pede aos bispos alemães que se mantenham fiéis à Sagrada Escritura e à Tradição da Igreja e lhes adverte que suas posições prejudicam a fé dos fiéis na Ucrânia. 

Por PCh24/InfoCatólica | Tradução: FratresInUnum.com  Os bispos da Igreja na Ucrânia asseguram em sua carta que há uma profunda crise na Igreja do país “de nossos vizinhos ocidentais” e enfatizam que a postura dos bispos alemães sobre alguns temas é uma ameaça aos fiéis na Ucrânia.

Los obispos ucranianos exhortan a los alemanes a ser fieles a las Escrituras y la Tradición

Entre os temas está a questão da homossexualidade na doutrina da Igreja e também sua atitude para com a ideologia LGBT e a lei natural. O documento tem a forma de uma correctio fraterna”.

Os prelados ucranianos são contundentes em sua advertência aos alemães:

« Os grupos LGBT estão realizando um ataque ideológico massivo contra nossos jovens e crianças para corrompê-los moralmente. Igualmente, as organizações mencionadas justificam suas atividades e sua propaganda apoiando-se na nova perspectiva do episcopado alemão. Dói-nos ver como a propaganda LGBT invoca vossas próprias palavras para lutar contra o cristianismo e também contra todos os que reconhecem a verdadeira antropologia baseada na Bíblia e na lei natural»

E acrescentam:

« Alguns de nossos fiéis, que carregam o fardo da homossexualidade e outras feridas na esfera sexual, ao tomar conhecimento de tais declarações de sua Assembléia, sentem-se impotentes em sua luta para levar uma vida casta…

Os matrimônios que lutam contra a mentalidade contraceptiva deste mundo e se abrem ao dom da vida, experimentam profundas dúvidas depois de ler suas opiniões sobre a contracepção».

Em sua carta, os bispos ucranianos também mencionam que os fiéis da Igreja Católica na Ucrânia são acusados por cristãos de outras denominações (ndr: ortodoxos e protestantes) de que a Igreja Católica se está distanciando da verdade revelada. Os bispos ucranianos advertem que a razão de tais acusações é a posição dos hierarcas alemães.

« Eles veem vossa postura não como vosso próprio ensinamento privado, ou, inclusive, como um caminho apartado da Igreja na Alemanha, mas como a postura de toda a Igreja Católica.»

Entre os signatários da carta está Dom Radoslav Zmitrovich, bispo de Kamenets-Podolskiy, que ressaltou que a Igreja tem um ensinamento claro sobre os temas sexuais. Tais ensinamentos são a melhor resposta aos desafios dos tempos modernos, e não a concessão às propostas LGBT e à revolução sexual. Em declarações a PCh24, ele afirmou:

« A Assembléia sinodal alemã propõe uma direção oposta, que destrói as vidas humanas. Ela os fecha ao amor trazido por Jesus Cristo. Sem este amor, o homem não pode ser feliz. Certamente, sempre há dificuldades e quedas, mas a direção é importante. É importante se seguimos o caminhjo que leva as pessoas a viverem a sexuailidade como um dom maravilhoso para um homem e uma mulher, a fim de criar uma relação ágape-caritas, que também é um Sacramento, uma comunhão de pessoas e o presente de uma nova vida. Do contrário, estamos seguindo um caminho de vida no qual o homem está sujeito ao poder de Eros, o que significa que vive sem Cristo, somente sob o poder de seu próprio ego e de sua própria paixão.»

9 fevereiro, 2020

Foto da semana.

Guadalajara, México: o cardeal Raymond Leo Burke se encontra com religiosas para a oração do Rosário pela paz e pela Igreja. Créditos: Magno Antonio Pereira.

5 fevereiro, 2020

Um padre no Alasca.

Um vídeo simplesmente espetacular do Distrito Norte Americano da FSSPX (esperamos que alguém possa inserir legendas).

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3 fevereiro, 2020

Pela defesa do Celibato.

Por Frei Tiago de São José

A polêmica que se levanta nestes dias gira em torno da disciplina do celibato. O recente livro do Cardeal Sarah, com a colaboração do Papa Bento XVI sobre o tema, com o título Da profundeza do nosso coração, atiçou a imprensa e os teólogos liberais que logo saíram para a batalha a fim de defender o Papa Francisco que, por enquanto, nem sequer chegou a aprovar a proposta do Sínodo da Amazônia de permitir a ordenação de homens casados. Por tais manifestações fica claro que tudo está pronto para uma grande mudança na disciplina da Igreja…

O site Vatican News diz que o “celibato sacerdotal jamais foi um dogma. Se trata de uma disciplina eclesiástica da Igreja latina que representa um dom precioso, definido deste modo por todos os últimos Pontífices. A Igreja Católica de rito oriental prevê a possibilidade de ordenar sacerdotes a homens casados e também para a Igreja latina foram admitidas exceções precisamente por Bento XVI na Constituição apostólica Anglicanorum coetibus”.

A impressão é de que, em breve teremos as exceções ampliadas até chegarmos à abolição do celibato sacerdotal. Ou senão, será simplesmente assim: “o celibato continua como um dom precioso para aqueles que desejarem, mas não será mais obrigatório.” Assim como o latim: muito precioso, mas opcional. O que não é de se espantar, porque nesta “semana de oração pela unidade dos Cristãos”, o que mais se escuta dizer é que ser católico é um dom precioso, mas opcional.

Entretanto, cabe a nós, que desejamos manter a verdadeira e única Igreja de Cristo, defender a disciplina e a doutrina deste tema, que, não obstante, obviamente, não ser um dogma, é um pilar fundamental da nossa religião.

O livro do Cardeal Sarah

No seu polêmico livro, o piedoso Cardeal Africano afirma que “há um vínculo ontológico-sacramental entre o sacerdócio e o celibato.” E chega ao ponto de dizer: “Suplico ao Papa Francisco que nos proteja definitivamente de tal eventualidade, vetando qualquer enfraquecimento da lei do celibato sacerdotal, mesmo limitado a uma ou outra região”.

O escritor americano Enrico Soros, em um artigo raivoso publicado pelo próprio site Zenit, contesta essas reflexões afirmando que: “se bem que seus pensamentos e opiniões são respeitáveis, não se vê nem que Sarah tem uma visão ampla do tema, nem que seja objetivo, nem correto em suas apreciações.” De fato, está declarada a guerra!

Entretanto, o Cardeal Sarah prevê uma «catástrofe pastoral, uma confusão eclesiológica e um ofuscamento da compreensão do sacerdócio» com a eventual possibilidade de ordenar homens casados. Bento XVI, em sua contribuição ao livro, refletindo sobre o argumento, remonta às raízes hebraicas do cristianismo e afirma que o sacerdócio e o celibato são inseparáveis. “desde o início da «nova aliança» de Deus com a humanidade, estabelecida por Jesus”. E recorda que já «na Igreja antiga», isto é, no primeiro milênio, «os homens casados podiam receber o sacramento da ordem somente se estivessem comprometidos a respeitar a abstinência sexual».

O próprio Papa Francisco, no diálogo com os jornalistas no voo de regresso do Panamá, recordou que na Igreja católica oriental era possível a opção celibatária ou matrimonial antes do diaconato, mas acrescentou, a propósito da Igreja latina: «Vem-me à mente aquela frase de Paulo VI: ‘Prefiro dar a vida antes que mudar a lei do celibato’. Veio-me à mente e quero dizê-la, porque é uma frase corajosa, num momento mais difícil do que o atual (nos anos 70). Pessoalmente, penso que o celibato é uma dádiva para a Igreja. (…) Não estou de acordo com permitir o celibato opcional». Na sua resposta, falou também da discussão entre os teólogos acerca da possibilidade de conceder concessões para algumas regiões perdidas, como as ilhas do Pacífico, afirmando, porém, «que não há decisão minha. A minha decisão é: celibato opcional antes do diaconato, não. É uma coisa minha, pessoal… Eu não o farei: isto fique claro. Sou «fechado»? Talvez. Mas não me sinto, diante de Deus, de tomar tal decisão.». O perigo da sua afirmação está na maneira como deixa claro, que pessoalmente não concorda, mas, também não impede que o debate se desenvolva. Depois, talvez dirá: outros quiseram, não eu, então, tive que aceitar, pois não sou autoritário

Argumentos contrários ao celibato

Normalmente, os que defendem o fim do celibato, se apoiam nos seguintes argumentos:

  • o celibato é contrário à natureza;
  • faltam sacerdotes;
  • a relação sexual no casamento não é pecado, portanto não macula a celebração da missa;
  • essa disciplina não é essencial na igreja e não está na bíblia;
  • os padres de rito oriental são casados;
  • os escândalos na Igreja iriam diminuir.

Não temos aqui a intenção de expor toda a doutrina que a Igreja desenvolveu sobre isso desde a vinda do Filho de Deus na Terra, mas, simplesmente, de apresentar os principais fundamentos do celibato sacerdotal e demonstrar, porque, a mudança dessa disciplina está incluída num processo intencional de destruição da Igreja Católica Romana.

Contra a natureza

Segundo a opinião de muitos, não é possível a vida humana em castidade. Outros apresentam até a ideia de que a castidade seria prejudicial à saúde! Como se não houvesse na história tantos milhares de testemunhas dos benefícios da castidade para a saúde da alma e do corpo. O homem não é como os outros animais, simplesmente dotados de instinto, mas pode, com sua capacidade mental, agir de forma a fazer violência à sua própria natureza (Mt. 11,12), para atingir um objetivo. Sendo assim, a moral da Igreja ensina que não somente os padres, mas todos aqueles que não estão ligados a um matrimônio regular, são chamados a viver em castidade. E até mesmo no matrimônio, é recomendado, que haja períodos de abstinência, especialmente nos tempos de penitência, para se adquirir a virtude e a graça espiritual. Portanto, a castidade é muito mais vantagem que prejuízo e, deixar um prazer por algo mais sublime não é castração, mas oblação. Afirmou o Papa Bento: “Para compreender bem o que significa a castidade devemos partir do seu conteúdo positivo, explicando que a missão de Cristo o levava a uma dedicação pura e total para com os seres humanos. Nas Sagradas Escrituras não há nenhum momento de sua existência onde em seu comportamento com as pessoas se vislumbre sinais de interesse pessoal. (…) Os sacerdotes, religiosos e religiosas, (…) com o voto de castidade no celibato, não se consagram ao individualismo ou a uma vida isolada, mas sim prometem solenemente pôr totalmente e sem reservas ao serviço do Reino de Deus as relações intensas das quais são capazes”. (Da homilia na Basílica de Mariazell, Áustria, 8 de setembro de 2007).

Faltam padres

Se hoje faltam pastores para cuidar do rebanho, não podemos concluir que isso seja devido às exigências do celibato, mas a outras razões como: o desinteresse geral pela religião, a reforma da liturgia que praticamente reduziu o padre a um mero animador de uma assembleia, à limitada geração de filhos dos católicos atuais; ao fenômeno de secularização das escolas e das sociedades em geral. Acrescenta-se a isso a falta de oração, pois, o Senhor disse: rogai para que haja operários para a messe. Nos ambientes onde prolifera a Missa tradicional e a família numerosa, não temos falta de sacerdotes. Se esse argumento for realmente colocado em consideração, mais um pouco será preciso ordenar também mulheres, porque não haverá tantos homens casados dispostos a se dedicar a tal missão.

A relação no matrimônio não é pecado

Se a Igreja ensina que não há pecado na relação conjugal respeitosa e aberta à fecundidade, por que razão o homem casado não poderia receber as sagradas ordens? Desde os primeiros tempos a Igreja entendeu que o Sacrifício da Missa é muito mais sagrado que os sacrifícios da Antiga Lei. E se, naquele tempo, os sacerdotes não podiam se aproximar de suas esposas nos dias em que iam oficiar no templo, por maior razão, teriam que ser castos, ao serem ordenados sacerdotes segundo o Novo Testamento. O Concílio de Elvira, no século III, assim legislou: “Bispos, presbíteros, diáconos e outros que ocupem uma posição no ministério devem abster-se totalmente de relações sexuais com suas esposas e da procriação de filhos. Se alguém desobedecer, seja ele privado do estado clerical” (XXXIII cânon). Santo Ambrósio, o mais importante Pai da Igreja Latina, foi um homem profundamente apegado ao dom da castidade. Ele influenciou muito a Igreja no sentido de adotar com rigor a pena de exclusão do ministério para todos os sacerdotes casados que voltassem a ter relações com suas esposas, depois da ordenação. Isso para ele era tão sério que chegava a afirmar: “no antigo testamento lemos que o povo teve que lavar suas vestes para participar do sacrifício (Ex. 19, 10). Aprende ó Sacerdote e Levita a lavar sua vestimenta para que possas celebrar os sacramentos com o corpo purificado. Se o povo não podia participar dos sacrifícios sem lavar suas vestes, como tu ousas, impuro de mente e de corpo suplicar por outros, como ousas ministrar para os outros? Igualmente, o sacerdote que é casado, não frequente mais o leito conjugal, para que, integro no corpo, incorrupto no pudor pelo afastamento do consorcio conjugal, seja digno de exercer a graça do ministério.” S. AMBROSIUS, De officiis ministr., 1, 50

Não está na Bíblia

Aqueles que não encontraram o sentido do celibato na Bíblia comecem a perceber que esta foi, justamente, uma das grandes novidades do Evangelho: “Respondeu Jesus: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mt. 19. 11-12) O celibato foi uma opção de Cristo que se fez tudo para todos. Foi uma sugestão de Cristo para aqueles que queriam segui-lo. Foi uma exigência de Cristo para os seus Apóstolos. É comum ouvir dizer: ‘Pedro foi casado, veja que o Senhor curou sua sogra!’ Sim. Porém escute o que o Senhor disse: “todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”. (Mt. 19. 29). Portanto, todos eles deixaram suas famílias e seguiram o Senhor. Também eloquente é o exemplo de São Paulo que foi um celibatário convicto e que ensinava: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa”. (I Cor. 6, 32)

Os padres de rito oriental são casados

Nos primeiros séculos da Igreja, como demonstra a própria escritura pelas cartas de São Paulo a Tito e a Timóteo, era possível a ordenação de homens casados, mas sempre seguindo a regra apostólica da continência. A partir do século VIII, a disciplina foi se relaxando. Mais tarde, por não seguir a reforma de Gregório VII, a Igreja no Oriente permaneceu com este costume, adotando, porém, uma série de imposições e restrições que vigoram ainda hoje, rigorosamente, sobre os padres que são casados. Para começar, um padre já ordenado não pode se casar; e, se um padre casado fica viúvo, não pode se casar novamente. Além do mais, existe uma clara diferenciação de status entre um padre casado e um padre monge, como são chamados os celibatários. Um padre casado também não pode chegar a ser Bispo. Ao apresentar a questão, ninguém considera essas restrições nem, tampouco, apresenta os problemas graves de famílias de tais padres ou de pastores que são casados. Ora, se é tão difícil assim em ambientes que já estão acostumados com essa realidade, imaginemos as desordens que isso traria na nossa sociedade ocidental, sem nenhum critério ou respeito pelas tradições!

Os escândalos iriam diminuir

Não é possível ter uma certeza de que, com o fim do celibato, haveria de se diminuir o índice de escândalos sexuais na Igreja. Ao contrário, muito provavelmente, aumentariam, e teríamos mais um gênero de escândalo: os adultérios de padres ou de mulheres de padres. “É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que causa escândalos.” (Mt. 18,7) Sem dúvida, o problema dos escândalos está ligado, não somente à concepção hedonista da nossa sociedade, mas também à própria perda da noção do sacerdócio e da sua sacralidade. A respeito disso, diz o Cardeal Sarah: “Estou convencido de que a crise do sacerdócio é um elemento central da crise da Igreja: o inimigo do sacerdócio hoje é a eficácia, a produtividade, como se nós fossemos empregados de uma empresa… É uma concepção funcionalista do sacerdócio no sentido de separá-lo dos seus três múnus (santificandi, docendi et regendi). Um padre é fundamentalmente aquele que continua entre nós a presença de Cristo: ipse Cristus, o próprio Cristo. Durante a Santa Missa, o padre deve estar face a face com Cristo e a este momento preciso, se identificar com Cristo. Se o Padre é o próprio Cristo, como imaginar ordenar padres “idosos casados”? Este sacerdócio não será o sacerdócio de Cristo, mas uma fabricação humana sem valor crístico. Quantas vezes eu ouvi dizer: ‘se os padres pudessem se casar, não haveria problemas de pedofilia’. Como se nós não soubéssemos que esse problema, ou melhor, esse crime, concerne principalmente às famílias e dentro das famílias que mais acontece. Portanto o problema é bem mais profundo.”

Conclusões

A influência da vida monástica para a Igreja.

Ninguém contesta que, além da própria espiritualidade dos grandes Bispos dos primeiros séculos, foi, sem dúvida, a influência da vida monástica que fez prevalecer o celibato na Igreja. Há muitos relatos históricos que comprovam que, o povo preferia recorrer aos monges e eremitas, mesmo que não fossem padres, do que se dirigir aos sacerdotes casados de suas paróquias. Isso se intensificou tanto que São Leôncio, Bispo de Frejus no século V chegava a dizer que não compensava ordenar um homem casado porque o povo não aceitava se confessar com ele. De fato, o monge, ou religioso é um homem santo, ou seja, um consagrado, alguém que foi separado para Deus e não pertence à mulher nenhuma, mas só a Deus. A influência desta noção fez com que, seja no ocidente, ou no oriente fosse exigida essa mesma santidade monacal para quem administra os mistérios de Cristo, especialmente a Missa e a Confissão. Não se pode negar que a destruição do monaquismo no ocidente pelas revoluções, nos fez perder a referência de Igreja e de Santidade. Quando a Igreja é livre para se desenvolver e expressar a verdadeira Fé, ela é fecunda e gera as vocações sacerdotais na mesma proporção que o necessário, como um milagre que podemos comparar ao milagre da distribuição dos pães. (Jo. 6, 13)  Onde há uma verdadeira Igreja, haverá vocações, porque isso é Deus quem dá e não o homem…

A destruição do Sacerdócio é um trabalho da Revolução

Apesar das insistências dos últimos Papas pela manutenção da disciplina do celibato, como se nota na famosa encíclica sacerdotalis cælibatus de Paulo VI, podemos concluir que não será possível a preservação do sacerdócio, tal qual foi concebido pela Tradição e pela Doutrina da Igreja, sem que seja repensada toda a lógica da Reforma litúrgica e do próprio Concílio. Sem dúvida, é louvável o testemunho do Cardeal Sarah, um dos poucos que ainda dispõem de um cargo importante e que ousam levantar a voz contra a corrente, mas é evidente que não há argumento que possa conter o espírito de Revolução que devasta a Igreja desde o Protestantismo. Enquanto não houver uma coerência e uma clareza na exposição da Fé, denunciando claramente os erros e reafirmando o que sempre foi condenado pelo Magistério da Igreja, não se poderá conter essa devastação. O objetivo final da Revolução, promovida ocultamente pelas sociedades secretas, é fazer da Igreja Católica uma religião no mesmo nível das outras, uma simples religião humana, e não a Religião verdadeira e Divina. Para isso, é necessário acabar com o sacerdócio e com o sacrifício da Missa. Que sejam os padres, homens comuns, seja a missa uma simples celebração: plena de vida, de simbolismos, mas não seja o sacrifício. Esse é o objetivo final! É preciso que estejamos bem conscientes disso. Que a nossa perseverança na Verdade revelada por Deus possa nos sustentar nessa grande e tremenda tempestade. Salva nos Domine, perimus!

1 fevereiro, 2020

Foto da semana.

El papa Francisco Alberto Fernández y su esposa, en el Palacio Apostólico

Por La Nacion, 31 de janeiro de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – O presidente Alberto Fernández se tornou hoje o terceiro chefe de Estado argentino a ser recebido pelo Papa Francisco, desde sua eleição como máxima autoridade da Igreja Católica, em março de 2013.

Fernández chegou ao Vaticano poucos dias antes de completar seus primeiros dois meses à frente do governo. Trata-se de seu terceiro encontro com Francisco, com quem já havia estado duas vezes em 2018, na residência papal de Santa Marta, muito antes de ser candidato.

O encontro com Fernández começou com uma brincadeira de Francisco. “Santo Padre, que alegria vê-lo!”, saudou o presidente. “Bem-vindo”, respondeu o pontífice no primeiro contato entre ambos, na sala del Tronetto, no segundo andar do Palácio Apostólico.

“Primeiro o senhor”, convidou Fernández, depois de um aperto de mãos afetuoso, enquanto eram tomados pelos flashes dos fotógrafos. “Não, primeiro o coroinha”, disse o Papa, pouco antes de entrarem na Biblioteca do Palácio, onde começou a reunião a sós, que durou 44 minutos. 

Desde sua chegada ao trono de São Pedro, em 2013, Francisco se encontrou com os dois mandatários que precederam a Fernandes: com Mauricio Macri, em duas oportunidades, ambas no Vaticano em 2016, e com Cristina Kirchner, em sete ocasiões, embora alguns desses encontros tenham se dado no Brasil, Paraguai e Cuba.

Francisco com Macri

O primeiro encontro com Macri durou 22 minutos — a metade do que durou a primeira audiência com Fernandes — e ficou marcado por especulações de jornalistas que se seguiram à publicação do semblante sério de Francisco nas fotos e vídeos dessa reunião.

El encuentro entre Francisco y Macri en 2016
                                          O encontro entre Francisco e Macri em 2016

Por sua vez, na segunda visita, Francisco permaneceu quase uma hora com Macri e os registros refletiram um encontro mais descontraído.

Em janeiro de 2018, o Papa visitou o Chile e o Peru, mas decidiu não passar pela Argentina e, quando o avião em que viajava sobrevoou o território argentino, enviou um telegrama protocolar com uma saudação a seus compatriotas. Escrito em inglês e dirigido a Macri, o Pontífice enviou seus “afetuosos augúrios” e benção ao seu país natal.

El encuentro con Macri en 2016
                                          O encontro com Macri em 2016

Por outro lado, vários ex-funcionários e legisladores de Cambiemos [partido de Macri] viajaram ao Vaticano nos últimos anos: Jorge Triaca, Carolina Stanley, Esteban Bullrich e María Eugenia Vidal, além do chefe de governo portenho [prefeito de Buenos Aires], Horacio Rodríguez Larreta, passaram pela capital do catolicismo.

Francisco com Cristina Kirchner

Cristina Kirchner, entretanto, encontrou-se sete vezes com Francisco, não só no Vaticano, mas também no Brasil, Paraguai e Cuba, encontros que deixaram para trás as primeiras versões sobre uma suposta relação distante entre a então presidente e o Sumo Pontífice.

Essa hipótese havia surgido no tempo de Jorge Bergoglio como arcebispo de Buenos Aires, desde que em 2006 o então presidente Néstor Kirchner decidiu levar o Te Deum [de fim de ano, em que participam os presidentes da Argentina] às províncias e contornar a tradição de realizá-lo na Catedral metropolitana.

En 2013 el Papa recibió a Cristina
                                         Em 2013, o Papa recebeu Cristina. Fonte: LA NACION

O primeiro encontro ocorreu pouco depois de que Bergoglio fora eleito Papa e um dia antes da cerimônia formal de consagração da Igreja. Após a audiência na residência Santa Marta, Cristina presenteou o Papa como um mate.

Meses depois, voltaram a se encontrar no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de julho de 2013, quando Francisco escolheu um presente especial para Cristina: um pequeno par de sapatos e meias brancas para seu neto, o filho de Máximo Kirchner.

O terceiro encontro foi em 17 de março de 2014, em um almoço de duas horas e meia no Vaticano, ao completar-se naquele mês o primeiro ano de papado de Francisco.

El Papa recibió a la ex presidenta en 2015
                                          O Papa recebeu a ex-presidente em 2015. Fonte: LA NACION

Posteriormente, outro almoço, com agenda aberta, em 19 de setembro do mesmo ano na casa Santa marte e já em 2015, em 7 de junho, Cristina e Francisco voltaram a se encontrar na sala de audiências da Sala Paulo VI, da Santa Sé.

Em julho de 2015, Cristina aproveitou a visita de Francisco ao Paraguai para assistir à missa celebrada por Francisco para uma multidão no parque Ñu Guasú e para saudá-lo. O mesmo fez a então presidente quando viajou a Cuba para a visita do Papa à ilha, em setembro de 2015, três meses antes de deixar a presidência.

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29 janeiro, 2020

Lula sobre Francisco: “É um Papa que pensa como nós”.

“Francisco é tudo o que nós queremos de um Papa”.

Em uma entrevista à Página 12, Lula recordou que o Santo Padre foi muito veemente contra o governo de Jair Bolsonaro durante os incêndios que devastaram a Amazônia, informa Mitre.

“Tenho um profundo respeito pelo Papa Francisco, creio que ele se destacou por sua coerência. Se destacou pela tentativa de fazer com que a Igreja Católica tenha maior compromisso com o pobres, ele tem um compromisso muito forte com os direitos humanos, deu sinais muitos positivos à humanidade”, disse Lula. “Espero que tenha sucesso nas reformas que tem a fazer na Igreja”, manifestou.

Lula da Silva expressou: “Eu estou feliz com que tenhamos um arcebispo latino-americano, argentino, pensando de uma forma tão progressista como pensa o Papa Francisco”. Ao mesmo tempo, o político brasileiro ressaltou: “Se analisamos o comportamento do Papa, se observamos quase todas as suas comunicações com os católicos de todo o mundo, vemos que é um Papa comprometido com o povo pobre, com o combate à fome, ao desemprego, à violência, aos crimes contra as mulheres e os negros. Ou seja, ele é tudo o que nós queremos de um Papa, é um Papa que pensa como nós”.

“Foi muito importante o Sínodo da Amazônia, sua preocupação com o meio ambiente”, assegurou Lula.

Em 12 de julho de 2017, Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva. Esteve na prisão de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019, quando foi ordenada sua libertação.

Antes que deixasse a prisão, o Papa lhe enviou uma carta: “O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a salvação vencerá a condenação”, dizia a missiva. No escrito, que foi divulgado pelo ex-presidente brasileiro, Farncisco pedia a Jesus e à Virgem Maria que “protejam” a Lula e lhe assegurava sua oração, enquanto pedia a Lula que rezasse por ele.

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28 janeiro, 2020

Farisaísmo clássico e romântico.

Por Gustave Thibon | Tradução: Gederson Falcometa – FratresInUnum.com: “Um novo homem nasceu no homem… O amanhã não se assemelhará ao hoje…”. Estas frases, que simbolizam a maravilha do otimismo democrático, foram colhidas entre mil na literatura de extrema esquerda. Cada espírito verdadeiramente cristão prova, diante de tais fórmulas, um sentimento de mal estar: vê nelas verdades divinas prostituídas, se sente diante a um novo farisaísmo.

Existem, de fato, duas espécies de farisaísmo, dois modos de prostituir o céu à terra.

O fariseu, no sentido clássico do termo, é um cristão que tem a alma fechada à essência do sobrenatural da sua religião. Ele pertence ao mundo, sabe como ser bem sucedido no mundo. Instintivamente materializa, edulcora e miniminiza as exigências divinas. O amor e a cruz lhe são estranhos. Vê na religião apenas uma força de conservação social, coloca Deus a serviço de uma certa forma, restrita e de todo exterior, da ordem humana. Um faustoso prelado do Grande Século, um burguês bem pensante do último século representam muito bem este tipo de humanidade.

Mas ao lado deste tipo de farisaísmo clássico, existe um outro, mais sútil, mais íntimo e mais profundo: o farisaísmo do publicano ou, ousarei dizer, o farisaísmo romântico. Aqui o homem parece abrir-se com toda a sua alma aos preceitos sobrenaturais do Evangelho: tem sede de amor, de justiça, de uma renovação universal. Simples aparência, todavia: a máscara, embora tendo se tornado carne, permanece também sempre mentirosa. Esses novos fariseus traem, naturalizam o Evangelho tanto quanto os primeiros; aquilo que lhes distingue é o fato que cumpriram um ulterior passo na via da decadência; não se tornaram mais deuses, mas são ainda menos homens. Julgo o manifestar-se do messianismo político como um sinal profundo de decrepitude coletiva. Eis os homens áridos, febricitantes, desequilibrados, já muito fracos, muito dispersos para realizar em si mesmo o miserável equilíbrio do fariseu ordinário. Também eles não têm outra pátria além da terra. Mas esses estão mal equipados pela natureza de viver e dominar a esta terra. Por estarem descontentes de si mesmos, desejam que tudo mude. […]

Mas essas duas aberrações, no fundo, se assemelham. A sua sucessão prova suficientemente o seu parentesco. Ambos procedem da mesma recusa da graça, e, então, da mesma decadência da natureza. A natureza que se fecha a Deus é, de fato, já doente: a ordem e a sabedoria do fariseu clássico são uma falsa ordem e uma falsa sabedoria. O farisaísmo conservador prepara o caminho para o farisaísmo revolucionário: a idolatria clássica que aceita Deus e recusa o amor traz a idolatria romântica que pretende conservar o amor e recusa Deus. A natureza endurecida que se fecha à graça precede a natureza empodrecida que zomba da graça.

(Gustave Thibon, Ritorno al reale, Effedieffe, Milano 1998, pp. 213-215)

25 janeiro, 2020

Foto da semana.

Marcha pela vida
Washington DC, Estados Unidos, Sexta-feira, 24 de janeiro de 2020: Milhares de pessoas participam da tradicional Marcha Pela Vida, na qual, pela primeira vez, um presidente americano discursou. Em missa celebrada em preparação para a Marcha, o Cardeal Raymond Leo Burke bradou aos fiéis que assistiram sua Missa celebrada no Rito Romano Tradicional: “Permaneçam soldados fiéis de Cristo, nunca abram espaço para o desânimo”.