Archive for ‘Igreja’

1 setembro, 2019

Foto da semana.

A imagem pode conter: 6 pessoas, pessoas sorrindo, área interna

Vaticano, 10 de agosto de 2019: Bento XVI recebe os monges da Congregação agostiniana de Windesheim, Holanda. Nesta semana, foi divulgada uma resposta de Bento XVI às críticas que recebeu de progressistas sobre a sua intervenção no debate acerca da crise de abusos sexuais. Nela, o Papa emérito vai ao cerne da questão: “Deus não aparece de forma alguma”. Na corrente bergogliana, vê-se introduzida na teologia o que Bento imputava à sociedade ocidental: agem como se Deus não existisse.

Abaixo, a íntegra:

“A contribuição da senhora Aschmann (“O verdadeiro sofrimento católico em 1968“, HK, julho de 2019, 44-47), apesar de sua unilateralidade, pode estimular uma reflexão mais aprofundada. Trata-se de uma reação à minha publicação no Klerusblattpara esclarecer a crise dos abusos (nº 4/2019, 75-81). A reação é insuficiente e é típica do déficit geral de recepção ao meu texto.

Parece-me que nas quatro páginas do artigo da sra. Aschmann não apareça a palavra Deus, algo que eu coloquei no centro da questão. Escrevi: “Um mundo sem Deus só pode ser um mundo sem significado … A sociedade ocidental é uma sociedade em que Deus está ausente para o grande público e não tem nada a dizer a ele. E é por isso que é uma sociedade em que a medida do ser humano está sendo cada vez mais perdida”.

Pelo que eu posso ver na maioria das reações à minha contribuição, Deus não aparece de forma alguma, e, portanto, não é enfrentado justamente aquilo que eu queria enfatizar como o ponto principal da questão. O fato de o artigo da sra. Aschmann ignore a passagem central de minha argumentação, assim como a maioria das reações de que tomei conhecimento, mostra-me a gravidade de uma situação em que a palavra Deus costuma parecer marginalizada na teologia”.

Tags:
30 agosto, 2019

O Papa Peron.

Católicos argentinos afirmam que Bergoglio ascendeu ao poder como um camaleão impiedoso.

Por George Neumayr, The American Spectator, 25 de agosto de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – Eu ainda estou em Buenos Aires, coletando histórias de Jorge Bergoglio. Algumas delas são estranhas; outras, muito duvidosas e explosivas para reproduzir.

Uma história persistente e difundida sobre Bergoglio é que ele costumava socorrer maus padres como uma forma de obter influência sobre eles.

“Bergoglio chamaria os que estão investigando, dizem, um padre pederasta e pedia para parar”, afirmou um entendido a respeito de assuntos da Igreja em Buenos Aires. “Ele então informava ao padre transgressor de sua intervenção e então utilizava disso para obter total obediência dele”. Muitos desses padres estavam em débito com Bergoglio.

Alguns se questionam o porquê do Papa Bergoglio se cercar de tantos bandidos, excêntricos e depravados. Mas isso não é mistério para os católicos argentinos: “Ele fazia o mesmo como arcebispo”, afirma um deles. “Usava seus segredos para controlá-los”. Era essa malévola tática de gestão que levou Bergoglio a uma aliança com Theodore McCarrick e outros incontáveis abusadores.

Os católicos argentinos descrevem Bergoglio como um Peron eclesiástico — um cruel e confuso socialista — camaleão desejoso de contar alguma mentira e experimentar alguma estratégia baixa para se manter no poder.

“Peron costumava dizer que era um catavento, que se movia para onde ia o vento”, disse-me um jornalista. “Bergoglio era assim também. Na segunda-feira, era uma liberal. Na terça, um conservador. Na quarta, um liberaval de novo. E assim ia”.

Para tentar julgar e compreender Bergoglio, visitei lugares-chaves em sua vida em Buenos Aires — desde onde ele nasceu até os locais em que trabalhou. Tenho que dizer que foi um tour bastante sombrio. Meu guia observou, no início de nosso trajeto, que muito da história de Bergoglio se concentra em “mentiras” que visam alavancar o turismo. “Custa 100 dólares fazer o tour de Bergoglio”, afirmou. Não é necessário dizer que eu não vi ninguém fazendo o passeio. Em uma economia em que a taxa de juros chegou a 75%, 100 dólares é um investimento alto.

Uma parada do tour é o confessionário da Basílica de São José, onde Bergoglio supostamente decidiu se tornar uma jesuíta. Meu guia riu dessa lorota. “As datas não batem com as contas oficiais. De fato, ele se decidiu anos antes”, declarou. E acrescentou que a razão para Bergoglio entrar na ordem não foi espiritual, mas política: ele sabia que a ordem estava rapidamente se movendo para a esquerda e ele estava ávido por trilhar essa jornada ideológica.

“Os jesuítas estavam cheios de comunistas, e Bergoglio era um deles”, observou uma jornalista. De fato, Bergoglio recebeu sua educação política aos pés de uma comunista paraguaia chamada Esther Ballestrino, que foi sua chefe em um laboratório de Buenos Aires, após ele obter um diploma equivalente a bacharel em química. Bergoglio afirmou que ele “devia” muito “àquela grande mulher”. Ele louvou a forma com que ela o introduziu a publicações e literatura comunistas e festejou com ele histórias sobre o “tribunal de Rosenberg”.

Bergoglio orgulhosamente ostenta o crédito de esconder sua literatura marxista em uma biblioteca jesuíta durante sua perseguição. “Ela foi jogada de uma avião e seu corpo foi encontrado na costa do mar”, afirmou um católico conhecedor desse período da vida de Bergolgio. Em uma total violação ao direito canônico, Bergoglio a sepultou em uma Igreja Católica, muito embora ela não tivesse sido uma católica praticante”. Fui informado que a igreja onde ela estava enterrada é agora uma espécie de monumento para os socialistas revolucionários. Eu me programei para visitá-lo antes de partir.

Um dos lugares mais hilários ao qual já fui é o antigo vicariato de Bergoglio. Meu guia me informou que do outro lado da rua se encontrava um “prostíbulo” chamado Hotel Helen. Eu o examinei, e claramente não parecia um hotel: por um ponto, não tinha janelas. Buenos Aires, onde a prostituição foi legalizada, é abarrotada dessas tocas sem janela.

Mas ainda mais sombriamente cômico eram as paredes em torno do vicariato, adornadas com pontiagudas garrafas de vinho quebradas, a fim de impedir que pulem os muros. Hey, Papa Francisco, isso não é muito acolhedor! Mas é só mais uma contradição em uma triste história cheia delas.

Tags:
30 agosto, 2019

Papa nomeia arcebispo envolvido na polémica de abusos sexuais no Chile como embaixador do Vaticano em Portugal.

Ivo Scapolo era embaixador do Vaticano no Chile e vem agora para Portugal. As vítimas do histórico caso do padre Karadima acusam-no de ter ajudado a promover um bispo que encobriu os abusos sexuais.

Observador – O Papa Francisco nomeou o arcebispo italiano Ivo Scapolo para o cargo de núncio apostólico em Portugal — ou seja, embaixador da Santa Sé —, anunciou esta quinta-feira o Vaticano em comunicado. O diplomata italiano era, até agora, embaixador da Santa Sé no Chile, país que no ano passado esteve no centro de um dos maiores escândalos de abusos sexuais na Igreja Católica. O próprio Scapolo não foi imune à polémica, tendo sido um dos principais responsáveis pela nomeação para a liderança da diocese de Osorno do bispo Juan Barros, acusado de encobrir décadas de abusos sexuais praticados por um padre chileno — nomeação que motivou o reacender da polémica contra Barros.

read more »

Tags:
28 agosto, 2019

Desespero de causa.

Por FratresInUnum.com, 28 de agosto de 2019 – Uma das maiores fake news da história! E, “coincidentemente”, às vésperas do Sínodo pan-amazônico, acerca do qual não há nenhuma empolgação popular.

Resultado de imagem para papa francisco índios

Maio de 2019 – Papa Francisco recebe o líder indígena esquerdista Raoni.

O povo não fala em índios ou ecologia, muito menos em ordenar homens casados ou caciques. O clero, excetuando-se alguns bergoglianos fanáticos, tampouco tem reagido às provocações sinodais. O Instrumentum Laboris, há pouco divulgado, causou agudas críticas: é a paganização da Igreja, a sua completa rendição à revolução tribalista.

Mas, mesmo assim, nem o escândalo conseguiu tirar os fiéis da mais absoluta indiferença. De fato, a psicologia do povo católico funciona às avessas da mentalidade revolucionária: ao invés de protestos, o povo se manifesta mediante o desprezo.

Sem nem sequer tomar conhecimento do assunto, o católico normal segue a sua vida como se nada estivesse acontecendo, rezando para que o vexame logo passe, sem deixar maiores estragos. E prossegue o seu caminho.

Do outro lado, os eternos adolescentes de maio de 1968 continuam com suas fixações idealistas, com seus discursos ultrapassados, com sua psicose apocalíptico-eco-teológica e, desesperados pelo fato de ser já indisfarçável que se isolaram num monólogo de grupo, criaram a ficção de uma crise que sequer resistiu a uma semana de alarde.

O presidente da França, um progressista totalmente rendido à ideologia internacionalista, em completa crise de credibilidade em seu próprio país, disparou o ataque contra o Brasil, contra as alegadas queimadas que estavam destruindo a floresta, e ameaçou sanções na reunião do G7, mas tudo se desfez como bolha de sabão. Um vexame! Enquanto isso, celebridades reagiam em coro, doidas por desfrutarem de quinze minutos de aplausos e, depois, assistirem tudo no telejornal da noite. Outra vergonha!

Mas, nem com isto conseguiram angariar nenhuma reação popular. O Sínodo está às portas, Bergoglio fez menção ao assunto no Angelus de domingo, a CNBB já havia divulgado nota e vídeo de endosso aos protestos, os serviços de informação ligados ao Vaticano solidarizarem-se com uns e outros e, mesmo assim, puderam apenas contar com o desprezo solene dos católicos.

Realmente, os padres sinodais terão de se contentar com seus próprios aplausos mútuos, com a velha sensação de autoproteção grupal, pois as pautas do Sínodo não vão _pegar_, não estão pegando, não vão conseguir decolar e o povo está se negando a colaborar com mais este teatro patético.

O esforço conjunto de Bergoglio, dos políticos progressistas e da mídia apenas flagrou de modo indissimulável que eles não estão conseguindo e que a sua manobra comunicativa não excede aos limites de uma confissão de fracasso, do reconhecimento de que estão sozinhos, enfim, uma atitude tomada pelo pânico e pelo completo desespero de causa.

28 agosto, 2019

A Amazônia brasileira não é mais católica, prelado critica Instrumentum Laboris do Sínodo.

REDAÇÃO CENTRAL, 20 Ago. 19 / 12:54 pm (ACI).- Dom José Luis Azcona, Bispo Emérito da Prelazia do Marajó, na região amazônica, publicou algumas considerações em relação ao Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que acontecerá em outubro, no Vaticano.

Em sua análise, oferecida ao Grupo ACI, Dom Azcona questionou pontos centrais do documento de trabalho, como uma “visão distorcida” em relação ao chamado “rosto amazônico”, a “interculturalidade” e a ordenação de homens casados.

Sínodo: Rosto amazônico?

Segundo Prelado, “a Amazônia, ao menos a brasileira, não é mais católica” e “este ponto de partida é crucial para a celebração do Sínodo. Se a Amazônia tem uma maioria pentecostal, é necessário tratar este fenômeno a fundo. Qualquer saudosismo de uma Amazônia que não existe mais é fatal para a evangelização integral da mesma. Até em algumas regiões da Amazônia a maioria pentecostal chega a 80%”.

Por outra parte, assinalou, “a penetração pentecostal em várias etnias indígenas passando por cima das culturas, identidades étnicas, povos indígenas, em nome do Evangelho, é um fenômeno grave da Amazônia atual, que com suas conotações fundamentalistas e proselitistas incide profundamente nos povos indígenas. Não existe sobre este ponto uma palavra no IL (Instrumento de trabalho). Este é hoje o rosto amazônico. Não só”.

Dom Azcona indicou ainda que “a longa experiência de anos confirma que em muitas Dioceses amazônicas não se vive a fé nem na sociedade e nem na história. O abismo entre confissão de fé, celebração da mesma em belíssimas liturgias e a realidade social, ambiental, cultural e política, até agora não foi preenchido”.

Além disso, observou que, “lamentavelmente, o IL não sabe, ou sabendo não compreende, a transcendência para o presente e para o futuro da Amazônia, o rosto angustiado, revitimizado, denegrido das crianças pelos próprios pais e parentes, submetidas a uma escravidão que forma parte essencial do rosto abandonado e destruído de Jesus na Amazônia”.

“Todo este documento é palha se não compreende e se compromete com o espírito e a letra do evangelho: ‘Aquele que acolhe a uma criança como esta, a Mim acolhe e quem me acolhe a Mim, acolhe ao meu Pai que me enviou’ (Mc 9,37)”.

Nesse sentido, “somente no Pará em um ano foram 25.000 denúncias de crimes deste tipo (Ndr.: de pedofilia). Segundo especialistas dessa área, por cada caso de pedofilia existem por trás mais outros quatro. Se aproximadamente durante um ano houve 100.000 crianças abusadas no Pará, não constitui este rosto das crianças destruídas, uma parte essencial do rosto amazônico?”.

“Onde está a sensibilidade pastoral por parte dos responsáveis pelo IL tão evidente e tão firmemente expressa pelo Santo Padre o Papa Francisco?”, questionou e acrescentou: “Onde está a defesa da Amazônia, das suas crianças no IL e, portanto, no Sínodo? Vamos sair das falsas projeções sobre a Amazônia e vamos possibilitar de uma vez por todas os novos caminhos para ela”.

“Qual é o rosto amazônico? Pode-se construir um Sínodo desta envergadura no próximo outubro com uma apresentação tão fora do real, da identidade, do respeito ao diferente, quando esquemas pré-estabelecidos de interpretação da realidade deformam o real?”.

Sínodo: Culturas, interculturalidade?

Outro ponto abordado pelo Bispo Emérito do Marajó foram “as temáticas em torno da inculturação do Evangelho na Amazônia e afins”, os quais, segundo ele, “ são apresentadas num contexto de imanência, neo-pelagianismo, nivelando o Evangelho com as culturas amazônicas (indígenas), eclesiologicamente desprovidas de fundamentação teológica e pastoral, com a anulação do Evangelho da salvação”.

Assim, cita o Decreto Ad Gentes, o qual afirma que “as palavras do Evangelho proclamado pela Igreja decidem o destino das pessoas, dos povos, culturas e nações (Cfr. AG 8)”. “Em parte nenhuma do IL afirma-se algo semelhante de modo explícito. Pelo contrário, a tendência niveladora entre culturas (indígenas) e Evangelho é esmagadora. Este é um ponto de partida do qual não se pode prescindir num Sínodo”.

Desse modo, recordou que isso “é o que com vigor proclama o Papa Francisco” no título da mensagem para o próximo Dia Mundial das Missões datado de 9 de junho de 2019: “A missão supera os confins das pertenças étnicas e religiosas”.

“O esquecimento deste princípio fundamental inutiliza o Sínodo, ao anular o poder de Deus específico e único do Evangelho e, assim como todo dinamismo missionário na Amazônia e desde a Amazônia”, disse.

Além disso, Dom Azcona assinalou que, “em parte nenhuma do IL se fala da presença dos demônios ou da influência deles, das suas malícias nas pessoas, nos povos e nas culturas, assim como da vitória de Cristo, sua libertação e a destruição do poder do Maligno. O IL esquece as luminosas e orientadoras páginas que falam do Maligno e da sua presença na história, que dedica o Papa Francisco na Exortação apostólica do ano passado sobre a santidade, Gaudete et exultate, números 158 – 164”.

Assim, sublinhou, “o pelagianismo difuso do IL, que leva a atribuir ao homem amazônico, às suas etnias e culturas mais do que lhe pertence por serem realidades criadas e marcadas pelo pecado, se supera com a robusta doutrina conciliar sobre Evangelho e missão da Igreja no poder do Ressuscitado como aparece de novo na Lumen Gentium 16”.

“Por último, a utopia de dar vida às religiões pré-colombianas, separando-as de Cristo e da Igreja universal, não seria um progresso, mas uma regressão”, declarou, citando o discurso inaugural do Papa Bento XVI na Conferência de Aparecida, em 2007, quando afirmou que, “na realidade seria uma involução para um momento histórico ancorado no passado”.

Sínodo: Conversão ecológica.

Ao abordar a questão da conversão ecológica, o Bispo Emérito do Marajó defendeu que a “necessidade de arrependimento para o perdão dos pecados é o desafio fundamental que a Igreja tem que enfrentar na Amazônia. Sem esta prioridade absoluta do ser e fazer da Igreja, não existe futuro para a Amazônia porque assim esquecemos a presença do Reino de Deus (Mc 1,15) no mundo (Lc 24,44-48)”.

“Ao faltar o arrependimento que ‘faz existir o que não existe’ pela geração do homem novo amazônico (Cfr. At 2,38), o IL não experimenta a fome, a sede pelo Espírito Santo”.

De acordo com o Prelado, “o IL ao esquecer o Novo Pentecostes preconizado já pelo Papa S. João XXIII na oração preparatória do Concílio, deixa de lado o núcleo da missão na Amazônia. Trata-se da missão na Amazônia como terra e águas de missão? Ou trata-se da dimensão missionária que, como Igreja na Amazônia, é chamada e enviada ao mundo? Deixemo-nos levar pelo magistério inspirado do Papa Francisco na EG” (Evangelii Gaudium).

“Por que no IL não se grita esta verdade, a única que pode salvar a Amazônia?”, questionou acrescentando que “o que aqui propõe o Santo Padre é evangelização e, portanto, uma Amazônia muito diferente de um conjunto de tarefas vividas, de projetos, de planos de pastoral, de inculturação, de ecologia”.

Assim, frisou que “de nada vai servir a ordenação dos ‘Viri probati’”, pois “é colocar um retalho de pano novo num tecido velho. O rasgão é maior! Exatamente!”.

Por outro lado, observou, “o clero da Amazônia precisa, como a Igreja toda, de arrependimento, da conversão, da fé que salva em sentido estrito. A experiência oferece essa evidência. O sentido do ministério sacerdotal, e especificamente na Amazônia, se tem perdido, ou é inoperante na vida, ou na conversão pastoral autêntica de presbíteros. Para que ordenar os ‘Viri probati’ dentro de presbitérios em crise?”.

“A perfeita e perpétua continência pelo Reino dos Céus continuará sendo ao mesmo tempo e também na Amazônia sinal e estímulo da caridade pastoral e fonte original de fecundidade espiritual no mundo e também na Amazônia”.

Por isso, “podemos perguntar: Existe esta atitude de oração pelo dom do celibato nos presbíteros da Amazônia? A Igreja toda reza para que este sublime dom seja derramado em todo o Corpo de Cristo? Os fatos respondem: ‘Não’!”.

“Por outra parte, e principalmente, decidir sobre esta questão é algo completamente inoportuno num contexto em que tendências atuais de grandes grupos de católicos, assim chamados conservadores, questionam o Magistério da Igreja, em concreto do próprio Sumo Pontífice. Alguns o declaram herético publicamente, exigindo demissão imediata. Outros exigem sua renúncia por falta de coerência na questão de pedofilia na Igreja! Não entramos na discussão da legitimidade destes questionamentos. O que é certo é que uma resposta afirmativa abriria para um risco mortal de uma divisão, de um verdadeiro cisma na Igreja”.

Dessa forma, destacou que “não se trata da vitória dos assim chamados ‘conservadores’ ou ‘progressistas’. Trata-se do máximo na Igreja: da caridade. Diante da caridade, deve empalidecer qualquer conceito ou denominação de tipo sociológico”.

Sínodo: Ordenação sacerdotal de pessoas idosas

Por fim, Dom José Luis Azcona falou especificamente sobre a ordenação sacerdotal de pessoas idosas. O Prelado afirmou que, “reconhecendo que a venerável instituição do celibato sacerdotal pertence à área disciplinar da Igreja e, portanto, sujeita a mudanças, considero inconveniente, até perigoso neste momento para a unidade eclesial, abrir a possibilidade que pede o IL”.

“Não se trata de uma problemática exclusivamente de pastoral indígena. É uma situação de penúria generalizada de presbíteros na Igreja. As mesmas razões que podem ser invocadas para este reconhecimento pedido pelo IL são as mesmas que podem ser aplicadas a toda a Igreja, ou a grande parte da mesma”.

Segundo o Bispo, “o problema não é só a falta de sacerdotes suficientes, senão o exame, discernimento desta carência grave para uma solução realista. A raiz fundamental desta penúria de vocações na Igreja e também na Amazônia, incluindo os povos indígenas evangelizados, é de uma alarmante falta de fé ou da ausência de fé que opera na prática por meio do amor, também e necessariamente na história e na sociedade”.

Assim, explicou, “apesar de ser uma questão disciplinar, esta se converte em imperativo ético a partir do indicativo absoluto: Cristo morreu pelo irmão não esclarecido; tua liberdade não é algo absoluto; é contra Cristo que vocês pecam ferindo a consciência do irmão; o único absoluto é o amor; esse amor é o de Deus derramado nos corações pelo Espírito Santo (Rom 5,5)”.

Então, perguntou: “É esse o amor da Igreja na Amazônia? É esse o amor de Deus que impregna suficientemente os critérios de pastoral, os eclesiais, a práxis como a realidade suprema ou é a gnosis ou o Pelágio que comanda a barca da Igreja na Amazônia? (Cfr. Gaudete Exsultate, Francisco 2018)”.

“Esse perigo de cisma não é imaginário! Tampouco na Amazônia!”, concluiu Dom Azcona.

27 agosto, 2019

Bento XVI responde a críticas à sua reflexão sobre Igreja e a crise de abuso sexual.

Vaticano, 27 Ago. 19 / 08:42 am (ACI).- O Papa Emérito Bento XVI respondeu às críticas sobre sua reflexão dedicada à crise de abusos, dizendo que muitas das reações confirmaram sua tese central, de que é a apostasia e o afastamento da fé o que se encontram no coração da crise, ao nem sequer mencionar Deus na crítica à sua reflexão.

Em uma breve declaração, em reação às críticas publicadas na revista alemã “Herder Korrespondenz”, Bento XVI adverte sobre um “déficit geral” nas reações à sua reflexão, indicando que, em grande parte, não entenderam o sentido desta.

Publicada pelo Grupo ACI e outros meios de comunicação, a reflexão de Bento XVI descreveu o impacto que teve a revolução sexual, assim como – independentemente desta – o colapso da teologia moral na década de 1960. O Papa Emérito sugeriu como a Igreja deveria responder, reconhecendo em princípio que “somente a obediência e o amor a nosso Senhor Jesus Cristo pode nos mostrar o caminho”.

As reações à reflexão foram particularmente veementes na Alemanha, onde os especialistas dizem que o Papa Emérito, natural da Baviera, foi objeto de críticas constantes por parte de certos setores.

Citando como exemplo a reação negativa de um professor alemão de história, Bento XVI assinala que, embora esse texto em particular tenha quatro páginas, “a palavra de Deus não aparece [nenhuma vez]”, apesar de a apostasia ter sido a reivindicação central de seu argumento.

As críticas deste tipo servem apenas para demonstrar “a gravidade da situação”, advertiu Bento XVI, “em que a palavra Deus muitas vezes parece estar à margem, mesmo na teologia”.

Tags:
26 agosto, 2019

O “suicídio assistido” da Igreja e da sociedade.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 21 de agosto de 2019  | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Toda a atenção destes dias na Itália está concentrada na crise política. Mas há outra crise, mais grave e mais extensa, que constitui o âmago profundo da crise política: é a crise religiosa e moral do Ocidente. A crise política é visível, entra através de nossa mídia em nossas casas, e até mesmo um olho ou ouvido distraído a percebe. A crise religiosa e moral só a percebem aqueles que têm uma sensibilidade espiritual desenvolvida. Quem está imerso no materialismo da vida contemporânea possui uma capacidade refinada para captar o prazer dos sentidos, mas fica espiritualmente obnubilado, se não completamente cego. A crise religiosa e moral é uma crise que ocorre quando o homem perde de vista seu objetivo final e os critérios que devem orientar suas ações. A sociedade mergulha no agnosticismo, se dissolve e morre.

Na Itália, por exemplo, a crise do governo nos faz esquecer um compromisso importante. Está prevista para 24 de setembro uma audiência do Tribunal Constitucional a fim de julgar a legitimidade do artigo 580 do Código Penal, que pune o crime de instigar ou ajudar o suicídio. O supremo corpo jurídico do Estado italiano convidou o Parlamento a promulgar uma nova lei até essa data, caso contrário será o próprio Tribunal que definirá o roteiro. Mas a Corte já declarou que em alguns casos o suicídio pode ser admitido (e, portanto, “assistido” no nível médico e administrativo), porque “a proibição absoluta da ajuda ao suicídio acaba limitando a liberdade de autodeterminação do paciente na escolha de terapias, incluindo as destinadas a libertá-lo do sofrimento” (Portaria nº 207, de 16 de novembro de 2018). A autodeterminação do indivíduo é a regra suprema de uma sociedade que ignora a existência de uma lei moral inscrita no coração de cada homem, à qual os homens e as sociedades devem obedecer se quiserem evitar a autodestruição.

A crise política em curso parece excluir a possibilidade de que o Parlamento possa enfrentar a questão do suicídio até setembro e, portanto, é provável que o Tribunal Constitucional inflija um novo e sério golpe ao direito à vida, rumo a uma completa liberalização da eutanásia. Após o testamento biológico, um novo passo adiante será dado no caminho da cultura da morte que caracteriza a sociedade contemporânea.

O suicídio assistido é a ajuda médica, psicológica e burocrática aos que decidiram morrer. É um crime moral como a eutanásia. A lei natural e divina proíbe o suicídio porque o homem não é o dono de sua vida, como não o é da vida dos outros. O suicídio é um ato supremo de rebelião contra Deus porque, como ensina a filosofia tradicional, não pode haver ato de maior domínio do que querer destruir algo que não nos pertence (Victor Cathrein SJ, Philosophia moralis, Roma, Herder 1959, p. 344). No suicídio parece realizar-se o destino do homem moderno, incapaz de se elevar além do horizonte terrestre de sua própria existência, prisioneiro de sua própria imanência. O homem destrói a si mesmo quando rejeita o peso da própria existência, que todos são chamados a suportar.

O suicídio pode ser realizado não só pelos homens, mas também pelas nações, pelas civilizações, e intentado até mesmo pela Igreja, considerada na humanidade dos homens que a compõem. A Igreja vive há mais de cinquenta anos um processo suicida que Paulo VI definiu como “autodemolição” (discurso no Seminário Lombardo de Roma em 7 de dezembro de 1968). Essa autodemolição hoje poderia ser chamada de verdadeiro “suicídio assistido” da Igreja. Assistido porque induzido e favorecido por aqueles fortes poderes que sempre combateram a Igreja.

O documento preparatório do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, com o culto da Natureza substituindo o da Santíssima Trindade, a abolição do celibato eclesiástico e a negação do caráter sacramental e hierárquico do Corpo Místico de Cristo, é o último exemplo desse suicídio assistido causado pelos líderes da Igreja e encorajado por seus inimigos. O Instrumentum laboris sobre a Amazônia, disse o cardeal Walter Brandmüller, “acusa o sínodo dos bispos e, em última análise, o Papa de uma grave violação do ‘depositum fidei’, o que significa, como consequência, a autodestruição da Igreja”.

Os católicos minimalistas propõem como alternativa ao suicídio assistido a sedação profunda, através da qual a morte do paciente é alcançada indiretamente, mas de modo também inexorável. Nós não pertencemos a este grupo. Não somos capazes, por conta própria, de salvar os doentes, porque só há um médico que pode fazê-lo em qualquer momento: Aquele que fundou a Igreja, que A dirige e prometeu que Ela não perecerá. Este doutor de almas e corpos é Jesus Cristo (Mateus 8, 5-11). A Igreja e a sociedade Lhe pertencem e nenhum renascimento é possível fora do retorno à Sua lei. (Traduzido por Hélio Dias Viana)

24 agosto, 2019

Foto da semana.

Harrisburg, Penssylvania, EUA, 10 de agosto de 2019 – Cardeal Raymond Leo Burke ordena um carmelita, padre Thomas Mary, ao sacerdócio. Créditos das imagens (e outras mais) aqui.

24 agosto, 2019

Coalizão de movimentos requerem no Senado convocação de Dom Cláudio Hummes.

Por Hermes Rodrigues Nery, 24 de agosto de 2019 – Uma coalizão de movimentos da sociedade civil, agregados no “Convergências”, dentre eles, o Movimento Legislação e Vida, protocolaram na Presidência do Senado Federal o pedido de convocação de Dom Cláudio Hummes para prestar esclarecimentos se o o Vaticano está ou não apoiando a proposta do Corredor Triplo A, apresentada por Martín von Hildebrand ao chanceler argentino D. Marcelo Sanchez Sorondo. A convocação já conta com o apoio da senadora Selma Arruda (PSL-MT), que também protocolou ao Presidente do Senado, David Alcolumbre, o mesmo pedido. Veja aqui o requerimento.

 

23 agosto, 2019

Arturo Sosa denuncia um complô ultraconservador para forçar um futuro Papa a renegar o Concílio Vaticano II.

IHU – “Existem pessoas dentro e fora da Igreja, que desejam que o papa Francisco renuncie, porém ele não o fará”. Claro e direto, o superior-geral da Companhia de Jesus, Arturo Sosa, sj., denunciou durante o Meeting de Rimini um complô dos setores ultraconservadores contra Bergoglio e o que isso representa.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 20-08-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O objetivo não é somente ir contra Francisco, mas ir mais além: “Creio que a estratégia final desses setores não é tanto forçar o papa Francisco a renunciar, mas também afetar a eleição do próximo pontífice, criando as condições para que o Papa seguinte não continue aprofundando o caminho que Francisco indicou e empreendeu”.

Por oposição, o superior dos jesuítas considera que “é essencial que essa viagem continue, de acordo com a vontade da Igreja claramente expressada no Concílio Vaticano II, do qual o papa Francisco é um filho legítimo e direto”.

Durante sua intervenção em RiminiArturo Sosa apontou a “nostalgia” da Igreja europeia por “um passado idealizado, como se a sociedade na Europa fosse uma sociedade cristã perfeita. As pessoas vivem nostalgicamente por um passado que nunca existiu. Nos Estados Unidos, por outro lado, se centram na inculturação”.

“O cristianismo não é uma religião intimista, somente se pode viver em comunidade”, agregou o jesuíta, que recordou como “o Espírito Santo nos fala hoje através dos jovens. Todos estamos chamados a nos aproximar deles”.

“A Igreja dirigida por Francisco está apostando na educação dos jovens, extraindo deles recursos e valores”, apontou Sosa, que citando Bergoglio insistiu que “o futuro da humanidade passa pela inclusão social dos pobres. Porém isso não se faz de fora, é uma condição para caminhar juntos. Devemos nos aproximar dos pobres, adquirir seu olhar na vida”.

“O discernimento deriva do sentido de obrigação para o imperativo da consciência, a obediência à vontade de Deus. A liberdade e a verdade, a lei e a responsabilidade, a autoridade e a obediência somente se integram no discernimento”, afirmou em outro momento do diálogo, no qual enfatizou a “mensagem revolucionária” que Francisco traz à Igreja: “Necessitamos conhecer intimamente ao Senhor que se fez homem para mim, para que quem o ama, o siga”.

“No discernimento – agregou – não estamos divididos entre crentes e não crentes, entre homens morais e não morais, entre aqueles que promovem o bem de todos ou aqueles que semeiam medo e divisão”.

Finalmente, e sobre a secularização da sociedade, Sosa apontou que “se o lemos como um sinal dos tempos, talvez seja um sinal de esperança e não desespero. A sociedade secular é talvez o novo espaço para viver e difundir nossa fé”.