Archive for ‘O grande plano de Bento XVI’

14 dezembro, 2008

Missa pontifical do Cardeal Vingt-Trois: um importante sinal.

Sim, um importante sinal. Entretanto, não no sentido esperado pelos defensores da Missa Tradicional.

O anúncio de que o Cardeal André Vingt-Trois (amplamente lembrado em nosso blog em outras oportunidades), arcebispo de Paris e Presidente da Conferência Episcopal Francesa, celebraria a Santa Missa Gregoriana na Igreja parisiense de Saint-Germain l’Auxerrois, foi recebido com ceticismo: até poucos dias antes da celebração, não se sabia se o mesmo a celebraria de fato ou se apenas a assistiria de seu trono episcopal. Esperar que este Cardeal, conhecido por suas posições nada  ‘tradicionais’, celebrasse a Missa de Sempre exatamente neste domingo Gaudete, seria propriamente um esperar contra toda esperança, nos dizeres do Apóstolo.

E de fato, ele a celebrou! Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete.

Alegrai-vos?

A celebrou indicando o que pretendem os opositores da Tradição: uma missa pontifical absolutamente sem solenidade, sem diácono e sub-diácono, nem dalmática, manípulo, cíngulo ou as magníficas luvas episcopais, e, last but not least, usando lamentavelmente o altar-mesa em detrimento do altar-altar, abandonado como sempre.

Gaudete semper! Sim, de algum modo, neste terceiro domingo do advento, Fratres, Gaudete in Domino semper, pois como nos diz o Apóstolo na Epístola de hoje, até nesses momentos Dominus enim prope est.

As [não muito boas] fotos foram publicadas no Le Forum Catholique:

O altar.

Entrada

Asperges me

Atualização: 15 de dezembro de 2008, 10:05 – Novas fotos disponibilizadas por The New Liturgical Movement:

Cardeal Vingt Trois

Cardeal Vingt Trois

Cardeal Vingt Trois

Cardeal Vingt Trois

Cardeal Vingt Trois

Cardeal Vingt Trois

Cardeal Vingt Trois

Atualização: 15 de dezembro de 2008, 14:17: O Vatican Information Service informa que hoje o Cardeal André Vingt-Trois foi recebido em audiência pelo Santo Padre. Fez uma boa média com o patrão antes de visitá-lo.

9 dezembro, 2008

Cardeal Cañizares, novo Prefeito da Congregação para o Culto Divino.

Cardeal Antonio Cañizares Llovera, com a Capa Magna abolida por Paulo VI.

Il Santo Padre ha accolto la rinunzia presentata dall’Em.mo Card. Francis Arinze, per raggiunti limiti di età, all’incarico di Prefetto della Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti ed ha chiamato a succedergli nel medesimo incarico l’Em.mo Card. Antonio Cañizares Llovera, finora Arcivescovo di Toledo (Spagna). – Fonte: Vatican Information Service.

[Atualização – 10 de dezembro de 2008, às 09:04] Novas fotos do Le Forum Catholique:

Cardeal Cañizares

Cardeal Cañizares

Cardeal Cañizares

22 novembro, 2008

Cardeal Arinze confirma mudança no “sinal da paz”; Bux para substituir Ranjith?

A mudança no posicionamento no ordinário da missa do “sinal da paz”, objeto de um questionário enviado pela Congregação para o Culto Divino às Conferências Episcopais (citado aqui), foi confirmado pelo Cardeal Francis Arinze. O purpurado ainda acrescentou o motivo da mudança: “Para criar um clima de maior recolhimento enquanto se prepara para a Comunhão, e pensou em transferir o sinal da paz para o ofertório. O Papa fez uma consulta a todo o episcopado. Logo, decidirá“. A balbúrdia que se faz no momento de distribuir o “sinal da paz” deve ser mais um daqueles “abusos que chegaram ao limite do suportável“.

Aumentam os rumores sobre as sucessões na Congregação para o Culto Divino. O Cardeal Arinze, que completa 76 anos em novembro, seria substituído pelo espanhol Cardeal Canizares, arcebispo de Toledo; já o secretário da Congregação, Mons. Ranjith, retornaria a seu país, Sri-Lanka, como arcebispo (e futuro Cardeal) de Colombo, cuja sede está vacante. Seu substituto natural seria Don Nicola Bux, amigo do Papa. É o que informa Bruno Volpe.

Resta-nos rezar.

27 setembro, 2008

Os novos consultores do Papa selam o fim de Piero Marini

– O Papa Bento XVI fez uma mudança de baixo perfil mas significante em direção à reforma litúrgica ao renovar completamente o plantel de seus conselheiros litúrgicos ontem.

Uma breve nota pouco reparada da Sala de Imprensa do Vaticano anunciou a indicação de novos consultores para o Departamento de Celebrações Litúrgicas do Supremo Pontífice. Ela não menciona, entretanto, a importância dos novos indicados.

Os novos consultores incluem Monsenhor Nicola Bux, professor na Faculdade de Teologia de Puglia (Sul da Itália), e autor de vários livros sobre liturgia, especialmente sobre a Eucaristia. Bux recentemente terminou um novo livro “A Reforma do Papa Bento”, publicado pela editora italiana Piemme, previsto para chegar às prateleiras em Dezembro.

A lista dos novos consultores inclue Pe. Mauro Gagliard, especialista em teologia dogmática e professor no Athenaeum Pontificium ‘Regina Apostolorum’, dos Legionários de Cristo; O Padre espanhol do Opus Dei Juan José Silvestre Valor, professor na pontíficia universidade de Santa Croce, em Roma; Padre Uwe Michael Lang, C.O., um oficial da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e autor do livro “Voltados para o Senhor” — sobre a importância de voltar-se ‘ad orientem’ durante a Missa; e Pe. Paul C.F. Gunter, um professor Beneditino no Athenaeum Pontificium Santo Anselmo, em Roma, e membro do corpo editorial do vindouro “Usus Antiquior”, um jornal dedicado à liturgia sob os auspícios da Sociedade de Santa Catarina de Siena. A Sociedade, que tem uma associação com a Província inglesa da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), promove a renovação intelectual e litúrgica da Igreja.

Também relevante é o fato de que todos os antigos consultores, indicados quando o Arcebispo Piero Marini liderava o Departamento de Celebrações Litúrgicas, foram dispensados ao não serem renovadas suas indicações.

22 setembro, 2008

Abbé Aulagnier: “Não é no momento em que o direito ao uso da missa ‘tridentina’ finalmente é legalmente reconhecido que vou celebrar a nova missa”.

Publicamos alguns excertos da entrevista concedida pelo Padre Paul Aulagnier a Yves Chiron. Como este último apresenta, “O Abbé Paul Aulagnier foi o primeiro padre francês ordenado por Mons. Lefebvre. Esteve durante três anos como professor e subdiretor no seminário de Ecône. Seguidamente, de 1976 a 1994, foi superior do Distrito da França da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Durante estes dezoito anos fundou um número considerável de priorados, capelas e escolas, uma revista e uma editora. Durante este período, e até em 2002, foi Assistente Geral da FSSPX. Quando os tradicionalistas brasileiros em torno de Mons. [Licínio] Rangel reconciliaram-se com a Santa Sé e obtiveram, pelo Acordo de Campos (2002), a criação de uma Administração Apostólica Pessoal, o Abbé Aulagnier pensou que a FSSPX devia seguir a mesmo caminho. A FSSPX, nas suas instâncias dirigentes, – e permanece – era contrária a um acordo com Roma. O Abbé Aulagnier, por conseguinte, foi excluído da FSSPX”.

A íntegra pode ser lida aqui.

Mons. Lefebvre, de fato, sempre pediu, de uma maneira intuitiva, às autoridades romanas: “Deixem-nos fazer a experiência da Tradição”. Após o Concílio do Vaticano II, todas as experiências são autorizadas, toleradas pela hierarquia, tanto em matéria litúrgica, como em matéria pastoral, tanto no domínio do ensino catequético como no domínio social e político… o sucesso destas experiências está longe de ser convincente. As igrejas se esvaziam. Os seminaristas deixam os seminários, os que ficam abandonam os seus atributos, estão à procura de novidades. É necessário rejeitar todas as “tradições”. Conheci isso no Seminário francês de Roma… nos anos 1964-1968. Nessa situação completamente revolucionária, Mons. Lefebvre, a pedido de alguns jovens estudantes e sobretudo preocupado ele mesmo pela crise sacerdotal, organiza, a partir de 1969, um seminário em Fribourg e depois em Ecône, em Valais, na Suíça. É, então, imediatamente, – se pode ver a mão da Providência -, um franco sucesso… à escala mundial. As vocações vêm de todos os continentes. Lá, o sacerdócio é amado. A santa liturgia antiga também. Quer-se apenas ela! Casas são criadas, escolas católicas se abrem. Também por causa desse sucesso Mons. Lefebvre lança às autoridades da Igreja: “Deixem-nos, por conseguinte, fazer a experiência da Tradição. Concedam-nos a liturgia antiga da Igreja”. Pelo momento, está fora de cogitação. Procura-se antes suprimi-la indevidamente. Particularmente empregaram-se os seus ex-confrades do seminário francês, nos idos 1925, como o cardeal Garonne, o cardeal Villot (ninguém menos que Secretário de Estado), para citar apenas os conhecidos. E quando Mons. Lefebvre, nessa época, pede “deixem-nos fazer a experiência da Tradição”, está nessa atmosfera muito conflituosa. Roma não pretende de modo algum deixar fazer esta experiência no âmbito jurídico preciso de uma obra sacerdotal, a FSSPX. Não! Roma quer suprimir o que aparece como um obstáculo ao “aggiornamento conciliare”. Mas o tempo passa, os homens também. A revolução conciliar mostra cada dia mais o seu fracasso… Roma começa a pôr um olhar novo sobre o problema da reforma litúrgica, sobre o problema da missa. Estamos em 1988, exatamente após sagrações feitas por Mons. Lefebvre sem a autorização romana. Esta abolição da missa dita de São Pio V, razão essencial do combate de Mons. Lefebvre, retém enfim a inteligência dos prelados. O Cardeal Ratzinger, apoiado pelo Cardeal Stickler, hoje falecido, mostra, em várias obras, que essa proibição é injusta, anti-canônica, que é necessário fazer justiça ao pedido dos “tradicionalistas”. Ao mesmo tempo, as obras sacerdotais dessa “corrente tradicionalista” ficam mais estáveis, mais fortes. Pode-se então pretender dar-lhes uma estrutura jurídica no seio da Igreja fazendo justiça ao seu legítimo pedido em matéria litúrgica.

Chega o ano jubilar. Estamos no ano 2000. Roma, a esta ocasião, retoma contato com os Padres de Campos, do Brasil, [e] com os bispos da FSSPX. Estes não continuarão, infelizmente. Mas a união dos corações e das inteligências pôde ser feita com os Padres de Campos, e sobre a liturgia e a interpretação do Concílio. Roma concede-lhes uma forma canônica que considero como formidável. Dá-lhes toda liberdade em matéria de governo, apostolado e liturgia, pela concessão de uma Administração Apostólica. Dentro dessa Administração, todos os padres podem fazer realmente “a experiência da Tradição”, como Mons. Castro Mayer desejava.

Mas você pode ver a diferença entre o pedido de Mons. Lefebvre em 1969 e a resposta de Roma em 2002, data da reconciliação dos Padres de Campos com Roma. Essa experiência se faz num quadro legal, numa situação apaziguada. E é assim que todas as comunidades “tradicionalistas”, a FSSP, o Instituto Cristo Rei, a comunidade de Chemeré-le-Roi, o mosteiro de Dom Gérard… obtêm, em tempos históricos diferentes e de maneira diferente, um estatuto canônico e o direito legítimo ao uso de todos os sacramentos na sua forma antiga. “Deixem-nos fazer a experiência da Tradição”, “o slogan” de Mons. Lefebvre, ontem, torna-se muitíssimo uma realidade. Foi necessário  esperar quase quarenta anos para obter isso. Graças à determinação de Mons. Lefebvre. Será efetivamente necessário que esteja um dia sobre os altares… é também o que obteve, em 2006, o Instituto Bom Pasteur: o uso exclusivo da missa tridentina… a nós também é dado esta liberdade… ainda que a nossa liberdade de ação seja bem menor que a dos Padres de Campos na sua Administração Apostólica. Porque uma é Administração Apostólica, o outro um simples Instituto de Direito Pontifício. As nossas implantações – mas não o nosso direito à liturgia “antiga”, a nuance é capital – são dependentes da autoridade do ordinário do lugar, o bispo, enquanto que é suficiente à autoridade de uma Administração Apostólica que avise o bispo residente de uma nova criação ou fundação… vocês podem medir a diferença. É o que se chama de isenção. Para mim, esta estrutura é essencial ao regresso da ordem eclesial. Poucos bispos pensam assim… Mas é nessa única condição que a expressão de Mons. Lefebvre “deixem-nos fazer a experiência da Tradição” tomará todo seu valor e o seu alcance. Aí está o que Mons. Fellay deveria pedir em Roma. É bem mais importante que de querer debater sobre a doutrina, como parece sempre querê-lo. Numa “guerra”, ocupar o terreno é mais importante que “palavrear”. Não crê que a reforma de Cluny triunfou graças à isenção dos monges no que diz respeito aos bispos residentes? Você que é historiador, poderia, penso, confirmá-lo. E então, como que para coroar esses trinta e seis anos de combate e conflito litúrgico, Bento VI publica, em 7 de Julho de 2007, o Motu Proprio Summorum Pontificum que reconhece o direito e a legitimidade da celebração do rito tridentino na Igreja, para todos os padres, sem outra autorização específica a pedir. Dá a paz à Igreja em matéria litúrgica e pede aos bispos: “deixem, portanto, fazer a experiência da Tradição” mesmo para os vossos padres diocesanos. Será necessário certamente tempo a fim de que as coisas façam-se assim, mas o princípio está afirmado. É o essencial. O resto é acidental. Espero com muita impaciência o dia em que o próprio Bento XVI, em Roma, “ad caput”, celebrará essa missa nesse rito. Isso virá bem.

[…]

Em matéria litúrgica, continuo a ser, com efeito, sempre unido à posição de Mons. Lefebvre e a posição do cardeal Ottaviani expressa na sua carta de apresentação a Paulo VI do Breve Exame Crítico: “Sempre os sujeitos, para o bem dos quais é feita a lei, tiveram o direito e mais que o direito, o dever, se a lei revela-se pelo contrário nociva, de pedir ao legislador, com uma confiança filial, a sua ab-rogação. É por isso que suplicamos urgentemente a Vossa Santidade não permitir que – num momento em que a pureza da fé e a unidade da Igreja sofrem tão cruéis lacerações e os perigos sempre maiores que encontram cada dia um eco afligido nas palavras do Pai comum – nos seja retirada a possibilidade de continuar a recorrer ao integral e fecundo Missal Romano de São Pio V, tão louvado por Vossa Santidade e profundamente venerado e amado por todo o mundo católico”. Não é no momento em que o direito ao uso da missa “tridentina” finalmente é legalmente reconhecido que vou celebrar a nova missa. Continua a ser, para mim, sempre equívoca. Favorece sempre a heresia protestante. Enquanto for celebrada “tal como é” na Igreja, é inútil esperar uma restauração do sacerdócio, é inútil esperar, apesar todos os apelos, as orações, um regresso da juventude nos seminários. Para subir ao “altar de Deus” é necessário um ideal forte, é necessário uma compreensão do verdadeiro sacerdócio católico. É necessário que seja recordada a distinção essencial entre o sacerdócio dos fiéis e o sacerdócio hierárquico. Ora, o rito novo, este rito “moderno”, para falar como Mons. Gamber, – expressão que eu preferiria encontrar no § 1 do Motu Proprio de Bento XVI – mantém sempre a confusão do sacerdócio dos fiéis com o sacerdócio ministerial. É necessário uma real confissão da Santa Eucaristia, o santo sacrifício propiciatório da Cruz, renovado sobre o altar. Este sacrifício, sua atualidade, é a razão do padre. É por isso que se faz necessário proceder a “reforma da reforma”. Essa é idéia de Bento XVI. Falou muito freqüentemente enquanto era ainda cardeal. Rezo de modo que a Providência lhe dê tempo de levar ao fim essa obra.

19 setembro, 2008

Entrevista com Padre Navas (parte II): A restauração da liturgia prepara o caminho para a restauração da Tradição.

Fratres in Unum: Qual o papel dos institutos dedicados ao rito gregoriano neste período de restauração da liturgia pelo Papa Bento XVI?

Padre Navas: Servir a Deus e às almas através de sua fidelidade à vontade do Santo Padre, manifestada tanto no Motu Proprio como na expressão dos diversos carismas que estão na origem de cada uma destas comunidades, afirmados com a aprovação de seus estatutos por parte de Roma.
Se pode dizer que são a ponta de lança nas mãos do Santo Padre para incentivar e colaborar com os bispos, na ótica da hermenêutica da continuidade, a colocar em prática os diversos decretos originados da Santa Sé com relação a este tema.

Ademais, estes novos Institutos são vistos como uma ajuda valiosa para remediar a hemorragia de vocações e para, na medida do possível, conter a ‘apostasia silenciosa’ de que nos falava o Papa João Paulo II.

Permita-me adicionar uma hipótese: o que você denomina justamente ‘restauração da liturgia‘, atualmente muitos não a identificam como a restauração (desejada ou não) da Tradição; mas, se é que se deve dar algum dia tal restauração, ela, a ‘restauração da liturgia‘, certamente é o fundamento que lhe prepara o caminho necessário; Talvez seja esta a origem remota de tantas dificuldades, ao simples olhar incompreensíveis, que se apresentam, na prática, para os ‘institutos dedicados ao rito gregoriano neste período de restauração da liturgia pelo Papa Bento XVI‘. Deus verá.

Fratres in Unum: Em que consiste precisamente a missão de criticar de maneira construtiva o Concílio Vaticano II? O objeto de críticas são os textos do Concílio ou apenas o seu ‘espírito’?

Padre Navas: Este aspecto da missão encarregada ao IBP também poderia  servir a tergiversações, visando querer impedir a existência do Instituto… apresentando-o como se ele pretendesse criar nas dioceses uma instância de controvérsia pública que poderia escandalizar a mais de um. A realidade é bem diferente: se trata mais, a outro nível, de orientar o debate que já existe, em direção a uma instância de reflexão teológica séria sobre alguns textos, cujas interpretações se tem usado para favorecer uma visão de ruptura e de descontinuidade com a Tradição doutrinária própria da Igreja que a teologia clássica e o Papa condenam, seja como a chamada ‘nova teologia‘ (cfr. Humani Generis de Pio XII) ou como o chamado espírito do Concílio (cfr. Alocução do Papa Bento XVI à Cúria Romana no Natal de 2005). Os textos que no dizer do Papa tem criado dificuldades à ‘recepção autêntica do Concílio‘ e suas possíveis interpretações se devem analisar entre teólogos, evitando todo espírito de polêmica pública de maneira que finalmente determine o sentido verdadeiro dos mesmos por parte do único que tem autoridade para fazê-lo: o Papa. Esta missão é uma ajuda e um serviço à Unidade da Igreja pedido pelo Papa e viria a ser como uma extensão do que por outra parte é dado e garantido aos simples fiéis pelo próprio Código de Direito Canônico (cfr. canon 212 nº 3)… e com maior razão se trata de sacerdotes e teólogos inteirados no tema. Desta maneira, o Santo Padre busca desativar uma das fontes de conflito que tem afetado nas últimas décadas, queira ou não, a normal convivência eclesiástica.

Cardeal Ratzinger e bispos do Chile - 13 de julho de 1988

Cardeal Ratzinger e bispos do Chile, julho de 1988

Trata-se, portanto, da forma e do fundo: a forma, abrindo uma instância a nível teológico, evitando todo espírito de polêmica; e do fundo, reconhecendo a Suprema instância, garantia da Verdade, na autoridade magisterial de Pedro, que sempre é o mesmo. Recordemos, sobre este tema do Concílio, o discurso do Cardeal Ratzinger aos bispos do Chile, em 13 de julho de 1988: “A verdade é que o mesmo Concílio não definiu nenhum dogma e, de modo consciente, desejou expressar-se num nível mais modesto, meramente como Concílio Pastoral…“.

Dito isso, permita-me concluir com uma citação a respeito deste ponto do Padre Guillaume de Tanoüarn: ‘temos recebido o direito (e o dever) de expressar uma ‘crítica construtiva do Vaticano II’ e das reformas que saíram em conseqüência, dentre as quais, a reforma litúrgica. Não temos ocultado nunca que temos críticas respeitosas que enunciar quanto à teologia da nova forma do rito, as mesmas que formularam em seu tempo os Cardeais Ottaviani e Bacci, em seu Breve Exame Crítico. Certamente que através da encíclica Ecclesia de Eucharistia, como também no documento Redemptionis Sacramentum, o magistério empreende uma reavaliação de largo alcance da obra litúrgica do Vaticano II. Pensamos que nossa própria ‘crítica construtiva’ se inscreve neste grande movimento eclesial. A apresentamos com humildade, mas também com um grande desejo de verdade. Se é certo que a barca de Pedro faz água por todas as partes, não poderá endireitar-se senão na medida em que encontrar a estrela polar de sua Tradição‘.

Fratres in Unum: Como é o relacionamento do IBP com os institutos tradicionais presentes na América Latina, especialmente a Fraternidade São Pedro e a Administração Apostólica São João Maria Vianney?


Padre Navas
: O único contato que tive foi com um representante da Fraternidade de São Pedro que encontrei em Guadalajara durante o primeiro semestre deste ano. Nossas relações foram muito cordiais e esclarecedoras dentro da caridade fraterna, coincidindo nos aspectos fundamentais da situação atual.
Com a Administração Apostólica São João Maria Vianney pessoalmente não tive nenhum contato. Na França há uns dois anos houve uma visita do Superior ao IBP.

Fratres in Unum: Quais os projetos do IBP na América Latina?

Padre Navas
: Sobrenaturalmente existem muitos projetos, mas é forçoso reconhecer que o tratamento que nos é dado não tem sido, digamos, o mais favorável. Como nos recorda o Pe. Laguérie, em sua recente intervenção, estamos num período em que a Divina Providência nos exige, em exercício do dom da fortaleza, nos centrarmos mais no sutinere… (manter-se): ‘plus dans le « sustinere» plus que l’ « aggredi .

Suas palavras exatas são: ‘Procuremos simplesmente estar ao pé da obra para esses tempos inelutáveis, na qualidade mais que na quantidade, no« sustinere» mais que no « aggredi », na fidelidade ativa mais que na satisfação passiva. Que estes anos de trabalhos e plantios não nos sejam reprovados quando vier a hora da colheita‘.

No natural, continuar enviando vocações ao seminário e ajudando a vários sacerdotes que se aproximam de nós visando aprender a celebrar na forma extraordinária do rito. Existem outros projetos importantes que por ora me exigem discrição ao me referir a eles. Está tudo nas mãos de Deus. Recorde que apenas temos dois anos de existência e na América Latina menos.

Por outro lado, na medida do possível, seguiremos insistindo junto às autoridades, mas sobretudo pela oração, para que se nos permita fazer o bem para o qual fomos criados como Instituto de Direito Pontifício. Dom Bosco dizia: ‘fazei o bem e que cantem os passarinhos’. Deus quer que, com sua graça, suscitemos um grande concerto de passarinhos.

Fratres in Unum: Por fim, o IBP tem planos de retornar no futuro ao Brasil?

Padre Navas: Creio que tarde ou cedo teremos que voltar. O faremos quando se derem as condições necessárias por parte da hierarquia e na medida em que possamos dispor de sacerdotes, já que no seminário se estão formando vários seminaristas brasileiros; esperamos e confiamos às suas orações e às de nossos amáveis leitores por sua fidelidade à vocação do IBP.

Espero que esta entrevista contribua em algo para a paz de e entre os fiéis, dissipando os motivos de confusões existentes. Encomendo todas estas intenções, uma vez mais, às suas orações; recebam minha benção sacerdotal em J., M. e J.

Atenção: leia 1ª parte da entrevista aqui.

14 setembro, 2008

Excelentíssimos Pastores, ninguém é excesso na Igreja

O culto litúrgico é a expressão suprema da vida sacerdotal e episcopal, como também do ensino catequético. O vosso ofício de santificação do povo dos fiéis, caros Irmãos, é indispensável ao crescimento da Igreja. Fui levado a precisar, no Motu proprio Summorum Pontificum, as condições de exercício deste cargo, no que diz respeito à possibilidade de utilizar igualmente o missal do Beato João XXIII (1962) e o do Papa Paulo VI (1970). Frutos destas novas disposições já têm visto o dia, e espero que a indispensável pacificação dos espíritos esteja, graças a Deus, a caminho de se fazer. Meço as dificuldades que são as vossas, mas não duvido que se possa chegar, em tempo razoável, a soluções satisfatórias para todos, para que a túnica sem costura de Cristo não se rasgue mais. Ninguém é excesso na Igreja. Cada um, sem exceção, deve poder sentir-se em casa nela, e jamais rejeitado. Deus que ama a todos os homens e não quer perder nenhum confia-nos esta missão de Pastores, fazendo de nós os Pastores das suas ovelhas. Não podemos senão dar-Lhe graças pela honra e pela confiança que nos dá. Esforcemo-nos, portanto, em sermos sempre servidores da unidade!

Discurso aos Bispos franceses – Hemicycle Sainte-Bernadette, Lourdes, 14 de setembro de 2008

9 setembro, 2008

Mons. Guido retira mais um tesouro do fundo do baú

Do Orbis Catholicus:

 

Para o público do Mons. Guido Marini há notícias ainda maiores. Eles estão tirando do armário todos os velhos tesouros!

Hoje, enquanto eu estava na Basílica Vaticana, vi algo que eu não pensei que veria algum dia, e algo que não é visto aqui na Basílica de São Pedro provavelmente há quarenta anos (ou mais)!

 

Eles trouxeram de volta a enorme antiga cobertura de tapete para os bancos do coro no altar da cátedra. É difícil explicar o que são exatamente, e será impossível chegar perto para tirar uma foto. Mas hoje eles estavam instalando. São provavelmente da época de Pio IX, mas é difícil definir o tempo. São cheios de cores e designs, cobrem os bancos e lembram os tapetes do século dezenove feitos para santuários que às vezes se vê dentro e em torno de Roma.

 

Eles acrescentam muitas cores e tem incrível aparência.

 

Foto: Hallowedground 

 

9 setembro, 2008

Por que o Papa renova com a Liturgia Tradicional – Le Figaro

Os Católicos descobrirão no sábado, em Les Invalides, o retorno de práticas esquecidas.

Na sacristia, é ele quem supervisiona as vestimentas de Bento XVI. O Papa entra, eles trocam um sorriso, já focados na Missa que o Sucessor de Pedro se prepara para celebrar. Monsenhor Guido Marini, jovem prelado italiano de 43 anos, é o Mestre de Cerimônias Litúrgicas Papais. Sua face ingênua mostra uma aparência muito precisa. Nenhum detalhe parece lhe escapar. Magro, alto, ele respeitosamente auxilia o Papa a colocar seus paramentos. Depois, vem um tempo de oração. A Missa pode começar.

Na manhã de sábado, atrás do altar instalado na Esplanada dos Inválidos, Monsenhor Guido Marini da mesma forma irá ajudar o Papa Bento XVI. Em outubro de 2007 ele mesmo apontou o jovem prelado a essa posição mais que sensível. Ele está encarregado de organizar, num segundo, as Missas do Papa: da escolha dos paramentos e acessórios litúrgicos ao canto, sem esquecer da escolha dos cálices e da postura do corpo. É o estilo formal da celebração da Eucaristia que está em suas mãos. Quando se conhece o compromisso de Bento XVI com a bela liturgia, ele não poderia ter escolhido ao acaso aquele que substituiu outro Marini, Piero Marini, cuja face é mais conhecida já que foi o Mestre de Celebrações de João Paulo II por duas décadas. Realmente, o mestre de cerimônias está sempre a dois passos do Papa durante as celebrações maiores.

Uma cruz no centro do altar.

Uma posição exposta, portanto, na mídia e ainda mais eclesialmente. O jovem Guido Marini conhece algo sobre isso. Nos últimos meses ele concentra em si os méritos, mas também as críticas. Ele incorpora o retorno da tradição. As razões são as “inovações” litúrgicas para a Missa do Papa, que são todas reinício de elementos esquecidos nos últimos anos. Mas é verdade que em matéria de liturgia o mínimo símbolo é repleto de significado.

Então os Parisienses na manhã de sábado, e aqueles que seguirem a Missa em Lourdes, nas manhãs de domingo e segunda, não se surpreenderão em ver que o Papa dará a Comunhão na boca dos fiéis ajoelhados, exceto, claro, se a pessoa estiver fisicamente impossibilitada. Que Bento XVI, outro exemplo, não mais sistematicamente carrega a famosa cruz pastoral prateada de João Paulo II, um trabalho de Lello Scorzelli feito em 1960 para Paulo VI, mas a cruz Grega [nota: de fato, não está correto, ela é realmente uma cruz Latina] sem um corpus que estava nas mãos de Pio IX (papa de 1846 a 1878).

Que uma majestosa cruz retornará ao centro do altar do qual ela fora retirada, sob o Papa João Paulo II, por ser um problema para as imagens de televisão. Que as milhares de hóstias consagradas serão mantidas num cibório de metais preciosos e não de argila. Deve-se também mencionar o uso, para as grandes Festas, das antigas mitras papais, ricamente decoradas e que dormia entre os tesouros do Vaticano.  E o uso, em certos casos, do trono papal….

Tantas “novidades” que reasseguram algumas, mas problemáticas partes da Igreja, e mesmo perturbam aqueles que denunciam isso como “um passo atrás”. É dito que certas pessoas estavam de alguma forma chocadas por esses pedidos, quando Monsenhor Guido Marini veio para preparar, no meio de Junho, as viagem desta semana do Papa. A respeito, em particular, da questão da comunhão na boca e de joelhos.

Se Monsenhor Guido Marini não é para nada nesses desenvolvimentos, seria desconhecimento do funcionamento da Santa Sé imaginar que ele é a única pessoa responsável por isso. Particularmente já que existe na Igreja Católica um “ministério” responsável por esses assuntos: a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Se ele aconselha, o Papa decide. É, portanto, o próprio Bento XVI que deseja esse novo curso. A escolha desse mestre de celebrações litúrgicas papais foi recomendada por seu Secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone, número 2 da Santa Sé, de quem foi mestre de cerimônias, quando era arcebispo de Gênova, o Monsenhor Guido Marini, um padre lá conhecido por esse seu carisma pastoral, de temperamento moderado e atencioso para com todos, qualidades que ele aparentemente não perdeu no Vaticano. Ele detém um duplo doutorado em direito, civil e canônico, e uma licenciatura em psicologia e comunicação.

Em seu luminoso escritório no Vaticano, na esquina da Praça São Pedro, Monsenhor Marini explica: “Bento XVI quer enfatizar que as normas para distribuir a Comunhão na Igreja Católica ainda estão em vigor. Esqueceu-se absolutamente que a distribuição da Santa Comunhão na mão é devido a um indulto, uma exceção pode-se dizer, dada pela Santa Sé às conferências episcopais que o requisitar”. Ele reconhece que Bento XVI tem uma “preferência” pela comunhão na mão, mas que “o uso dessa modalidade não detrata a outra modalidade, de receber a comunhão na mão”. Entretanto, ele observa, “receber a hóstia na boca enfatiza a verdade da Presença Real na Eucaristia, ajuda na devoção dos fiéis e introduz mais facilmente no sentido de mistério. Muitos aspectos são importantes de ressaltar hoje e urgentes de se recuperar”. Nada, portanto, de uma fantasia papal. Essas mudanças nas formas litúrgicas são partes de uma visão clara de Bento XVI e explicitamente expressa em Roma por muitos interlocutores próximos a ele: “Conseguir, finalmente, uma síntese litúrgica entre a Missa de Paulo VI e aquilo que a tradição pode contribuir para seu enriquecimento”.

Como método para chegar lá, ele recusa a trilhar uma nova guerra litúrgica, mas procura contar com “pedagogia” e “paciência”. Ainda de acordo com os proponentes desse assunto, o Papa quer contrapor “pelo exemplo” as “deficiências” que ele sempre denunciou desde 1970: a falta de “recolhimento” e “silêncio”; a perda do “sentido do sagrado”, que ele também chama de sentido “cósmico” da celebração litúrgica onde, conforme a teologia Católica, e por sinal também a Ortodoxa, “o próprio Deus, através da encarnação do Filho, faz-Se realmente presente na hóstia Consagrada”.

“Servindo o sentido do sagrado”.

Monsenhor Guido Marini é formal: “Não é uma batalha entre o antigo e o moderno, muito menos entre o pré-conciliar e o conciliar. Esse tipo de ideologia problemática está hoje desatualizado. O antigo e o novo pertencem a um mesmo tesouro da Igreja. A celebração litúrgica deve ser a celebração do mistério sagrado, do Senhor crucificado e ressuscitado. É nosso dever encontrar, na herança da liturgia, uma continuidade para servir este sentido do sagrado.” E ele aponta, de passagem, que muitos focam nos quatro ou cinco desenvolvimentos dos últimos meses sem ver que ele trabalha tanto com o “legado” de seus predecessores, entre eles o Arcebispo Piero Marini. “Não há ruptura com o que estava sendo feito anteriormente”, ele assegura. Quanto ao uso do trono papal e de antigas mitras, não é sistemático [no sentido de “exclusivo”]: eles são usados “apenas em algumas solenidades”.

Sem ruptura, certamente, mas esse movimento de branda reforma da liturgia, tão simbólico quanto possa ser em suas aparências, está firmemente enraizado no pensamento de Bento XVI. Ele nunca escondeu nada antes de se tornar Papa. Em suas Mémoires, Ma Vie 1927-1977, publicado dez anos atrás na França por Fayard, Joseph Ratzinger mostrou suas cores a respeito da forma litúrgica do Concílio Vaticano Segundo que ele viveu aos quarenta anos: “Eu estava consternado”, escreveu, “com o banimento do antigo Missal, já que tal desenvolvimento nunca fora visto na história da liturgia. (…) Uma renovação litúrgica que reconheça a unidade da história da liturgia e que entenda o Vaticano II não como uma ruptura, mas como um estágio de desenvolvimento: essas coisas são urgentemente necessárias para a vida da Igreja. Estou convencido que a crise na Igreja que estamos experimentando hoje é em grande escalada devida a uma desintegração da liturgia (…). É por isso que precisamos de um novo movimento litúrgico que chamará à vida a real herança do Concílio”. Como um fino conhecedor da vida Romana diz, Pe. Federico Lombardi, um experiente Jesuíta que chefia a Rádio Vaticano e a Sala da Imprensa, deve-se ser cauteloso com “interpretações” que levariam a considerar esses desenvolvimentos como uma revolução. Mas tudo sugere que esse “novo movimento litúrgico” está bem e verdadeiramente lançado. Bento XVI não visa disseminá-lo através de regulamentações, mas pela força do exemplo.

Original: Le Figaro; Tradução a partir de The New Liturgical Movement

30 agosto, 2008

Para relembrar: Dom Fellay e a hermenêutica da continuidade

De DICI, órgão de comunicação da casa geral da FSSPX:

Questão do jornalista: A respeito de Bento XVI, você não está satisfeito com a forma pela qual, em seu discurso à Cúria, ele precisamente colocou em oposição essa hermenêutica da descontinuidade; houve uma descontinuidade entre o pensamento como era antes e depois do Concílio. E ele apoiou a hermenêutica da continuidade, dizendo: nós permanecemos na mesma tradição da Igreja.

Bispo Fellay: Bem, nós vemos muito, muito claramente nesse discurso [ndt: discurso de Bento XVI à Curia Romana para o natal de 2005] uma tentativa de lançar uma nova luz sobre o Concílio. Eu não sei se devemos dizer uma tentativa de salvar o Concílio, como seria a minha forma de ver; mas em todo caso, existe uma vontade positiva de colocar uma barreira para parar uma interpretação, um entendimento do Concílio que agora tornou-se a apresentação usual do Concílio por anos. Nós vemos muito, muito claramente que o Papa, sob o abrigo de palavras delicadas, está se distanciando da apresentação comum do Concílio. Então, existe um desejo de apresentar o Concílio de outra forma, no mínimo no nível dos princípios. Eu não sei qual será o resultado final.

Jornalista: Você apresentou isso como uma ruptura também.

Bispo Fellay: Oh, sim, absolutamente, eu certamente apresentei! E além, se você estudar esse discurso com atenção, você verá que o Santo Padre concede, no entanto, que existiu uma ruptura, talvez não em conteúdo, mas certamente na forma em que isso foi apresentado e implementado. Isso é o que ele diz quando tenta mostrar que não existiria descontinuidade no plano dos princípios, princípios que ele afirma não serem aparentes; então ele fala também de continuidade na descontinuidade… Penso que teremos aí um muito, muito interessante assunto para discussão.

Jornalista: Esse discurso particularmente lhe faz regozijar ou você…

Bispo Fellay: Sua clareza, sua precisão e também sua vontade de eliminar um certo número de posições que estavam realmente nos causando problemas na Igreja, tudo isso me fez regozijar; mas penso que não se vai longe suficiente. É totalmente claro que ele está abrindo um novo panorama. Quão amplo ele será? Não sei.