12 agosto, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: O escândalo dado pelo Sacerdote, pecado enorme por sua natureza.

Nosso caríssimo padre Élcio está de recesso por dois meses para tratamento de saúde, pelo que pedimos suas orações. Durante sua ausência, republicaremos suas colunas mais importantes – a que segue foi publicada originalmente em 27 de fevereiro de 2016.

* * *

“O que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurassem ao pescoço a mó dum moinho, e que o lançassem no fundo do mar” (S. Mateus XVIII, 6)

“É inevitável que venham escândalos, mas ai daquele homem pelo qual vem o escândalo” (S. Mateus  XVIII, 7).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

1 – O Sacerdote escandaloso é o grande inimigo de Deus. – Ofende à Santíssima Trindade, persegue-A, se assim posso exprimir-me, com uma impiedade que horroriza. O Eterno Pai elegera-o, para fazer conhecer e honrar o seu nome, para publicar e fazer observar a sua lei, para trazer à sua obediência as almas desgarradas, e confirmar no seu amor as almas inconstantes, para lhe preparar um povo de escolhidos, fazendo-o reinar sobre os corações; para isto o prevenira com as bênçãos da sua graça, o enchera de seus benefícios. Este Sacerdote tinha aceitado tão nobre missão, e prometido solenemente consagrar-lhe toda  a sua existência; ora, se chega a escandalizar, que faz ele? Combate contra a causa de Deus que prometer defender. Longe de submeter ao Senhor os súditos fiéis; longe de induzir os homens a respeitar o seu nome,  leva-os a blasfemá-lo; em lugar de o fazer reinar sobre os corações, expulsa-o deles; em lugar de lhe preparar escolhidos, é para o inferno que os recruta!

LaSalette08Deus Filho, Redentor das almas, confiava no Sacerdote, para lhes aplicar os merecimentos da sua morte e do seu sangue. Para isto o revestira de inefáveis poderes, e lhe pôs nas mãos todos os tesouros da sua misericórdia; pois a essas almas, remidas por tão alto preço, não só as deixa perder, mas ainda, à vista do seu Salvador, as fere, mata e precipita na eterna condenação; aniquila para elas a obra da Redenção!

Deus Espírito Santo tomara-o para seu instrumento. Queria servir-se dele, para combater o pecado, purificar as almas, e fazer delas outros tantos templos onde morasse com o Eterno Pai e com o Filho:  “Viremos a ele e nele faremos morada” (S. João XIV, 23); e o Sacerdote escandaloso, em vez de auxiliar estes misericordiosos desígnios, destrói-os; em vez de arruinar o império do pecado, estende-o e consolida-o; em vez de purificar as almas, mancha-as; e fecha para Deus esses templos espirituais de que era guarda, e abre-os para o demônio! Não é isto fazer à Santíssima Trindade uma guerra cruel e pérfida?

2- O Sacerdote escandaloso é inimigo das almas. – Constituindo-nos seus ministros, Deus queria que cooperássemos para as salvar. Temos rigorosa obrigação; de guiá-los e ampará-los; de levantá-los, se caem; e de empregar na sua santificação todos os meios que foram postos à nossa disposição. Como cumpre o Sacerdote escandaloso esta obrigação? Nós só temos acesso junto das almas, pela confiança que lhes inspiramos; que confiança pode inspirar aquele que prega uma moral, e pratica outra? Entre as palavras que dizem: “Não façais o eu  faço”, e as ações que clamam: “Não acrediteis o que eu digo”, advinha-se o que impressionará mais fortemente os espíritos, talvez já mal dispostos. Os corações corrompidos autorizam-se em suas desordens como o exemplo daquele que devia reprimi-las. E as almas simples não temerão perder-se, seguindo os maus exemplos do guia que Deus lhes deu. E neste caso, onde parará a licença de costumes? Quando à tendência que leva o homem a imitar tudo o que vê, vem juntar-se o impulso das paixões: o mau exemplo é uma torrente, que rompe todos os diques. Mas, se esta corrente se precipita dos mais altos montes, o seu curso será ainda mais impetuoso, e os estragos mais extensos; a alteza da nossa dignidade é a medida do mal causado com os nossos escândalos. O arbusto, ao cair, a nada causa dano; mas o carvalho frondoso esmaga, na sua queda, tudo o que encontra debaixo de si. Assim, o sal da terra tornou-se um princípio de corrupção, para os que ele devia conservar na inocência; a luz do mundo, que devia dirigir  as almas nos caminhos da virtude, mete-as nas alfurjas do vício; o Pastor de almas que devia defender o seu rebanho, faz nele uma horrível carnificina.

3- O Sacerdote escandaloso é o maior inimigo da Igreja. – Uma só queda no Santuário pode ter consequências incalculáveis. O mundo, tão indulgente para si, é inexorável para os ministros do Senhor. Ao mesmo tempo que desculpa os seus próprios crimes, não perdoa aos Sacerdotes uma fraqueza. E muito longe de encobrir, com o seu silêncio, os escândalos que neles vê, publica-os aos quatro ventos. Fá-los correr de paróquia em paróquia, de diocese em diocese. Perpetua-os, e dá-lhes uma espécie de imortalidade, bem lamentável.

O mundo quereria que durasse cem anos, e talvez até ao fim dos séculos, muitas almas pequem, se pervertam e se condenem, em consequência de um pecado cometido por um sacerdote escandaloso. A censura que faz cair sobre o seu mau proceder, recai indiretamente sobre todos os membros do Clero. Imputa os mesmos vícios aos que exercem as mesmas funções. Chega até a tratar como fábulas, as verdades mais sagradas, só porque é testemunha da sua oposição com os costumes daquele que as ensina. Se este Sacerdote, dizem, cresse o que prega, portar-se-ia assim? Eis, pois, a honra do Clero manchada, o zelo dos bons Sacerdotes paralisado, a piedade destruída, os sacramentos abandonados ou profanados, a fé quase extinta em vastas regiões, milhares de almas perdidas em consequência dos escândalos dados por um Sacerdote e um Pastor de almas. (…) “Vae homini illi!” Ai daquele homem por quem vier o escândalo! Se, ó Deus, todo-poderoso, se castigais de um modo tão terrível o escândalo dado a um só dos vossos filhos, que suplício reservais àquele que tiver escandalizado as multidões, e os povos?

E  o escândalo pode ser dado de de três maneiras diferentes: 1-  De intenção e perversidade; 2- De tibieza e de negligência; 3- De leviandade e de imprudência.

1º) Escândalo de intenção e de perversidade. – O homem do Santuário, que leva o esquecimento dos seus deveres até espalhar em volta de si um cheiro de morte, justifica de sobra a máxima: Corruptio optimi pessima = a corrupção do ótimo é péssima. Todavia, quando falamos do escândalo de intenção, não afirmamos que alguém perca as almas, pelo gosto de as perder. Este escândalo que é propriamente o de Satanás, só seria possível em um sacerdote que atingisse o último grau de perversidade. Mas, sem chegarmos a este ponto, sabe-se que certa palavra, certa ação, certo procedimento são capazes de ferir a consciência do próximo; vêem-se as consequências funestas, que de certo pecado podem resultar para a honra do Sacerdócio, e não se recua, comete-se. Este desgraçado Sacerdote ilude-se a si, para pecar livremente; abusa até da autoridade, do ascendente que lhe dá o seu estado, para abalar uma virtude, de que ele devia ser o amparo. (…)

2º) Escândalo de tibieza e negligência. – Este inspira menos horror que o primeiro; mas as consequências podem ser também deploráveis. Ai! e quão comum é ele! Se os costumes de um sacerdote não são um modelo, tornam-se um perigo; se não ensina a piedade com sua vida, inspira, autoriza, multiplica o vício. A vida do Sacerdote deve ser a censura não só das desordens públicas, mas ainda das falsas virtudes, que o mundo desejaria substituir às virtudes evangélicas. A sua separação de tudo o que é profano; sua modéstia, sua santidade devem recordar incessantemente aos seculares: que os verdadeiros cristãos são homens mortos para si mesmos, cuja vida está escondida com Jesus Cristo em Deus. Já conhecemos as exigências do mundo em matéria de santidade sacerdotal. Quer que o ministro de Deus seja um Anjo, isento de todo o defeito, adornado de todas as virtudes; se vê qualquer coisa de menos, admira-se, escandaliza-se. Se há exageração nas suas ideias neste ponto, esclareçamos os juízos do mundo, mas não os desprezemos. Relações com os seculares, funções desprezadas ou mal exercidas. Oh! quão numerosas são as ocasiões de escândalo, para um homem do Santuário, par um pastor de almas!

3º) Escândalo de leviandade e de imprudência.  É uma grande vitória para o inimigo das almas, se pode servir-se, para as perder, daqueles mesmos que Deus elegera para as salvar. Pouco lhe importa o modo como o auxiliam os ministros do Senhor; a leviandade e a imprudência servem-lhe quase tão eficazmente como o crime. Na realidade, a falta de prudência e de circunspeção nunca é inocente em um homem encarregado de interesses tão graves, e obrigado, por tantas leis, a uma vida que deve ser a mais séria e refletida. A um Sacerdote não se lhe admite, tão facilmente como a qualquer pessoa, a desculpa de que não pensava nisso; pois ninguém, tanto como ele, deve considerar atentamente o que diz e faz, quando, e em presença de quem o diz e o faz. Não basta que seja santo, é necessário que o mostre, e o mostre em tudo. Uma pergunta, uma palavra indiscreta, um gracejo, uma leviandade, em passo inconsiderado, têm sido muitas vezes semente de escândalo, desgraçadamente muito fecunda. Quantos eclesiásticos, em seu trato com o mundo, em suas viagens, mesmo no interior de sua casa, no meio das crianças e sobretudo no meio de pessoas de outro sexo, etc, porque desprezam precauções que a malignidade tornou indispensáveis, dão lugar a suspeitas, que ofendem a honra do Clero, e vêm a ser ocasião de ruína para as almas.

(Artigo extraído do livro “MEDITAÇÕES SACERDOTAIS” de autoria do R. P. Chaignon, S. J.).

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11 agosto, 2017

O Concílio Vaticano II e a Mensagem de Fátima.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 2-8-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comRorate Coeli, Corrispondenza Romana e outras publicações católicas reproduziram uma valiosa intervenção de Dom Athanasius Schneider sobre a “interpretação do Concílio Vaticano II e a sua relação com a atual crise da Igreja”. De acordo com o Bispo Auxiliar de Astana, o Vaticano II foi um Concílio pastoral e seus textos devem ser lidos e julgados à luz do ensinamento perene da Igreja.

De fato, “do ponto de vista objetivo, os pronunciamentos do Magistério (Papas e concílios) de carácter definitivo têm mais valor e mais peso frente aos pronunciamentos de carácter pastoral, os quais são, por natureza, mutáveis e temporários, dependentes de circunstâncias históricas ou respondendo às situações pastorais de um determinado tempo, como é o caso com a maior parte dos pronunciamentos do Vaticano II”.

Ao artigo de Dom Schneider seguiu-se, em 31 de julho, um equilibrado comentário do padre Angelo Citati, FSSPX,  segundo o qual a posição do bispo alemão se assemelha àquela reafirmada constantemente por Dom Marcel Lefebvre: “Dizer que avaliamos os documentos do Concílio ‘à luz da Tradição’ significa, evidentemente, três coisas inseparáveis: que aceitamos aqueles que estão de acordo com a Tradição; que interpretamos segundo a Tradição aqueles que são ambíguos; que rejeitamos aqueles que são contrários à tradição” (Mons. M. Lefebvre, Vi trasmetto quello che ho ricevuto. Tradizione perenne e futuro della Chiesa, editado por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Sugarco Edizioni, Milão 2010, p. 91).

Tendo sido publicado no site oficial do Distrito italiano, o artigo do padre Citati também nos ajuda a compreender qual poderia ser a base para um acordo visando regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X. Devemos acrescentar que, no plano teológico, todas as distinções podem e devem ser feitas para interpretar os textos do Concílio Vaticano II, que foi um Concílio legítimo: o vigésimo primeiro da Igreja Católica. Dependendo do respectivo teor, esses textos poderão então ser classificados como pastorais ou dogmáticos, provisórios ou definitivos, conformes ou contrários à Tradição.

Em suas obras mais recentes, Mons. Brunero Gherardini nos dá um exemplo de como um juízo teológico, para ser preciso, deve ser articulado (Il Concilio Vaticano II un discorso da fare, Casa Mariana, Frigento 2009 e Id., Un Concilio mancato, Lindau, Turim 2011). Para o teólogo, cada texto tem uma qualidade diferente e um grau diverso de autoridade e cogência. Portanto, o debate está aberto.

Do ponto de vista histórico, contudo, o Vaticano II é um bloco inseparável: tem sua unidade, sua essência, sua natureza. Considerado em suas raízes, no seu desenvolvimento e em suas consequências, ele pode ser definido como uma Revolução na mentalidade e na linguagem que mudou profundamente a vida da Igreja, iniciando uma crise religiosa e moral sem precedentes.

Se o juízo teológico pode ser matizado e indulgente, o juízo histórico é implacável e inapelável. O Concílio Vaticano II não foi apenas um Concílio malogrado ou falido: foi uma catástrofe para a Igreja.

Uma vez que este ano marca o centenário das aparições de Fátima, convém debruçar sobre a seguinte questão: quando, em outubro de 1962, inaugurou-se o Concílio Vaticano II, os católicos de todo o mundo esperavam a revelação do Terceiro Segredo e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O Exército Azul de John Haffert (1915-2001) liderou durante anos uma maciça campanha nesse sentido.

Haveria melhor ocasião para João XXIII (falecido em 3 de Junho de 1963), Paulo VI e os cerca de 3000 bispos reunidos em torno deles, no coração da Cristandade, corresponderem em uníssono e solenemente aos desejos de Nossa Senhora? Em 3 de fevereiro de 1964, Dom Geraldo de Proença Sigaud entregou pessoalmente a Paulo VI uma petição assinada por 510 bispos de 78 países, na qual se implorava que o Pontífice, em união com todos os bispos, consagrasse o mundo, e de maneira explícita a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. O Papa e a maioria dos Padres Conciliares ignoraram o apelo. Se a consagração pedida tivesse sido feita, uma chuva de graças teria caído sobre a humanidade. E um movimento de volta à lei natural e cristã teria iniciado.

O comunismo teria caído com muitos anos de antecedência, de maneira não fictícia, mas autêntica e real. A Rússia se teria convertido e o mundo teria conhecido uma era de paz e de ordem, como Nossa Senhora prometera. A consagração omitida concorreu para que a Rússia continuasse a espalhar seus erros pelo mundo, e para que esses erros conquistassem as cúpulas da Igreja Católica, atraindo um castigo terrível para toda a humanidade. Paulo VI e a maioria dos Padres Conciliares assumiram uma responsabilidade histórica, cujas consequências bem podemos hoje medir.

11 agosto, 2017

Papa intima religiosos belgas a deixar de oferecer eutanásia a doentes mentais.

Cidade do Vaticano (RV) – A Sala de Imprensa da Santa Sé confirma que o Papa Francisco ordenou ao ramo belga do Instituto religioso dos Irmãos da Caridade para por fim até este mês de agosto à prática de oferecer a eutanásia aos pacientes psiquiátricos internados nas estruturas que administra.

A ordem foi transmitida pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica ao Superior Geral do Instituto, Frei René Stockman. Caso não for atendida, será ocasião para severos procedimentos canônicos, que podem incorrer em excomunhão.

O próprio Stockman havia afirmado à Agência dos bispos estadunidenses CNS que o Papa havia aprovado pessoalmente a intimação para que os métodos em uso fossem interrompidos até agosto pela instituição, que administra 15 centros para pacientes com problemas psiquiátricos.

Uso da eutanásia

O grupo dos Irmãos da Caridade havia anunciado em maio que permitiria que os médicos realizassem a eutanásia em seus 15 hospitais psiquiátricos na Bélgica – país que junto com a Holanda autoriza o uso da eutanásia em pacientes com problemas de saúde mental. A instituição de caridade disse em uma declaração que a eutanásia só seria realizada caso não houvesse “nenhuma alternativa de tratamento razoável”. A eutanásia vai contra os princípios da Igreja Católica e a Santa Sé começou a investigar a decisão do conselho de administração do grupo em permitir a prática da eutanásia. Magistério da Igreja.

Os religiosos que fazem parte do conselho do Grupo Irmãos da Caridade deverão assinar uma carta a ser enviada ao Superior Geral declarando que “apoiam plenamente a visão do Magistério da Igreja Católica, que sempre confirmou que a vida humana deve ser respeitada e protegida em termos absolutos, desde o momento da concepção até seu fim natural”.

Os irmãos que se recusarem a assinar tal declaração sofrerão sanções com base no Direito Canônico, enquanto o grupo poderá sofrer ações legais, o que contempla até mesmo a expulsão da Igreja caso não houver mudança nos métodos usados. “O grupo – acrescentou Stockman – não deve mais considerar a eutanásia, em nenhuma circunstância, como solução para os sofrimentos humanos”. (JE/AP)

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9 agosto, 2017

A Venezuela e o Superior dos Jesuítas.

Por Pedro Rizo, Periodista Digital, 2 de novembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: A Venezuela auspicia se tornar a sucessora da Cuba Castrista, como uma nova plataforma de ação revolucionária-marxista-comunista para toda a América Latina. Basta ir até lá e conhecer de perto através de seus próprios agentes aquilo que um turista acidental não pode ver. Testemunhas objetivas que conhecem os que foram comprados — Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador… tendem a igualar o ambiente das comunidades “trabalhadas” com o mais sinistro do bolchevismo.

superior jesuita

Padre Arturo Sosa Abascal (à esquerda da foto) “reza” com budistas.

E o pior nas atuais circunstâncias é o surgimento de um novo Superior Geral da Companhia de Jesus, um venezuelano, que não parece tanto um substituto natural do Padre Adolfo Nicolás, mas muito mais um reforço para “flagelo satânico do comunismo” com” objetivos intrinsecamente perversos” para toda a América Latina de tradição cristã. Os termos entre aspas são do Papa Pío XI. (cfr. Divini redemptoris).

Há alguns anos, este escritor costumava visitar a Casa de Retiro dos Jesuítas aposentados em Alcalá de Henares, sempre no dia 31 de Julho. Eu tinha um débito de gratidão e reverência para com alguns padres jesuítas que me dedicaram impagável aconselhamento durante minha juventude. Muitos ainda estavam vivos quando Hugo Chávez assumiu o poder na Venezuela. E uma vez que haviam ali residentes que por muito tempo realizaram trabalho missionário pela América, naturalmente cheguei a tomar conhecimento através de um deles de algo que merece ser reportado, ou seja, que quando o Coronel Chávez cumpria prisão no cárcere de Yera por causa de sua primeira tentativa de golpe, foi visitado uma ou duas vezes por semana por um padre jesuíta. Foram dois anos e três semanas que renderam muito fruto, visto que foi esse Jesuíta que o instruiu no populismo que hoje impera na Venezuela. Não me revelaram o nome dele, mas…

Será que ainda existe a Companhia de Jesus? 

Essa é a pergunta: será que eles ainda existem? Há décadas que a América indígena está sob ação missionária de orientação marxista-leninista, principalmente por parte dos jesuítas. O que pesa hoje mais do que nunca na ordem de Santo Inácio é essa sua fixação entre esses dois abismos, entre o paganismo e o Evangelho. Uma vertigem que é mais do que evidente no atual ocupante da Santa Sé, “chame-me Jorge”.

Seria necessário  propor um estudo sobre as origens desta deriva para o comunismo que tanto infectou os jesuítas. Alguns indícios já são conhecidos.

Em 1938, Pedro Arrrupe, o pupilo de Juan Negrín, (1) finalmente obteve o seu tão solicitado posto para as cidades da área de Kobe, a maior e mais florescente concentração judaica no Japão, perto de Hiroshima e Nagasaki.

Padre Arrupe confrontou com admirável determinação a enorme ferida causada pelas bombas atômicas, sendo imediatamente reconhecido como Superior da Companhia no Japão. Anos mais tarde, visitou os Estados Unidos e viajou por toda a América hispânica, conectando-se com as suas missões, uma vez que criava redes de apoio para o seu projeto de ação revolucionária. (Cf. Malachi Martin, Jesuítas ; De la Cierva, Puertas del Infierno).

Um notável padre, Bartolomé Sorge, SJ, (2) no final da Congregação Geral XXXII (1975), com muita razão, detectava que a Companhia havia se dividido em duas: a “A”, Inaciana, e a “B”, sob o jargão de Opção preferencial pelos pobres. Justamente em 1974, o Padre Arrupe veio a substituir o Padre Janssens como Superior Geral e com seu impulso estendeu por toda a Ordem o Modernismo, ou seja, aquele conjunto de atitudes perante a Fé que São Pio X condenou como a síntese de todas as heresias. Naqueles anos 70, quem governava a Igreja era Paulo VI — Giovanni Batista Montini, irmão de Ludovico e Francesco, esse último brigadista de Stalin na Guerra Espanhola, que veio a dar continuidade à obra de João XXIII, e que não foi por acaso um discípulo e admirador de Ernesto Buonaiutti, líder do Modernismo, duas vezes suspenso de sua docência e finalmente excomungado.

O magnífico patrimônio histórico — realidades patrimoniais que pertencem à Igreja –teria ficado mofado devido a um falso prestígio (teológico?) e bem acompanhado por uma linguagem deplorável e demagógica.

Sobre a história recente do que antes podia ser chamada a Companhia de Jesus se somaram tantas interpretações que ninguém sabe qual se enquadra com a realidade. Uma imprecisão que se manifesta tanto nas mudanças de seus Superiores como na deriva do Cristianismo e a ascensão vertiginosa do materialismo. Uma dura realidade que é confirmada pela eleição do venezuelano Arturo Sosa Abascal, o novo Superior.

Sobre ele é necessário que se leia algo interessante.

Circulou por esses dias uma carta aberta em inglês — de alguém que o conhece em suas características mais reveladoras. Então, resolvi destacar alguns parágrafos da mesma.

Há muito tempo que conheço o Padre Arturo Sosa Abascal. (…)

Em primeiro lugar, ele fez do marxismo os óculos através dos quais ele vê tudo, incluindo o magistério católico (que ele chama simplesmente de “fé cristã”). Juntamente com muitos outros jesuítas na Venezuela, ele vem trabalhando há décadas para montar comunidades cristãs de base, comprometidas com a construção de sociedades socialistas na América Latina (…) Comunidades que vivem o marxismo e o cristianismo (…) Completada essa tarefa, o Padre Sosa agiu para reconstruir esta teologia comprometida com as “bases” , como um princípio e guia.

Princípio e guia que se expressa em toda a “Nova Evangelização”: livros, catequese, homilias, aulas, boletins… tudo e muito mais, transmissor  do”ensino” que se segue:

A fé cristã significa ser capaz de se aproximar “do outro”, ou seja, “dos pobres”, “do oprimido”, que se convertem no alvo da “mira”.

Estes alvos da mira são diluídos em um marxismo de combate… leninista. Naturalmente, “em defesa dos pobres,” sem dúvida … Por favor! Sim, esse é o meio mais eficaz para erradicar o Cristianismo! Uma instrumentalização retórica que deixa o pobre mais pobre do que já era. Cumpre-se assim a advertência do mestre Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido como Lenin: “Não há necessidade de elevar o nível dos pobres, pois senão eles voltarão a morder a mão que os alimenta”.

Se quisessem realmente trabalhar pelos pobres, ajudariam-nos e educariam-nos no estilo antigo da Companhia de Jesus, ajudando-os a levantar a cabeça, a ganhar uma vida digna e segura. Um cristão mergulhado na pobreza quer mais é deixar de ser pobre e não que os ricos percam a sua riqueza. Muito menos confiscá-la. Para mais e melhor dizer, não inveja as riquezas que são medidas apenas com dinheiro, mas sim aquela riqueza segura fundamentada na felicidade de uma boa consciência. De fato, esses últimos são invejados por aqueles ricos apenas de dinheiro. Sabemos que é mais rico em sua nobreza e em sua educação cristã o servo fiel em sua casa e na sua paróquia do que o dissoluto presunçoso em sua fortuna herdada. “Pobrezinho do meu patrão, ele pensa que o pobre sou eu”!

No entanto, erro por erro, o novo Superior dos Jesuítas ensina:

Assim, a fé é mediada por outros grupos de homens. O homem de fé tem uma abordagem científica à realidade e deve escolher qual abordagem científica a adotar (Conceito importante:. ‘Científico’, sugerindo que seja algo indiscutível e axiomático). A fé deverá ser mediada por essa opção. Portanto, neste momento da história (a história presumida pelo Pe. Sosa,), a mediação correta é a do marxismo, porque o marxismo é a abordagem científica libertadora, já que é a melhor maneira de desmascarar os poderosos e guiar a luta dos pobres.

Como teólogo liberacionista, ele rejeita a transcendência do Reino de Cristo, ele propõe uma salvação política, adota o materialismo e até mesmo o ateísmo e concorda que o Cristianismo deve libertar o povo politicamente, como fez Moisés com Israel.

É devastador pensar que o desertor da mais alta patente da década de 1970, Ion Mihai Pacepa tenha revelado em 2015 para a ACIprensa seus pontos de vista sobre a conexão entre a União Soviética e a teologia da libertação. Sua declaração repetiu o que seu superior até 1956, o general soviético Aleksandr Sakharovsky, chefe do serviço de inteligência estrangeiro na Roménia entre 1956-1971, falava da Teologia da Libertação como um sistema desenvolvido pela KGB para subverter a população ameríndia.

Dos trabalhos do jesuíta Sosa Abascal sobre o marxismo, vale a pena ler seu artigo “A mediação marxista da fé cristã”.  O título que já traz um Cristo com um par de pistolas: a filosofia mais materialista e ateísta tomada como viaduto da religião cristã. Se estes homens são sinceros, eles estão loucos; se eles não estão, é porque não são mais Católicos.

Mas terminemos de ler a carta:

Em 1989, houve uma revolta popular em Caracas devido ao trabalho de um ministro esquerdista da Economia. Descobriu-se mais tarde que Fidel Castro estava por trás disso. As “Comunidades de base” dos jesuítas trabalharam ativamente e a rádio dirigida pelos jesuítas desempenhou um papel subversivo ativo. Assim, eles tornaram-se corresponsáveis pela morte de 2.000 pessoas.

Mais tarde, os jesuítas favoreceram ativamente a chegada da Revolução Chavista (o que vem comprovar a ação na prisão Yera). Houve padres que se opuseram a Chavez, é verdade. E alguns muito fortemente. (…) em abril de 2002. Enquanto Chávez foi derrotado por um par de dias, ouviu-se o Padre Sosa proclamando que os “cristãos” das comunidades de base defenderiam a Revolução até a morte e que a “direita” (?) iria conhecer a força da Revolução”.

Este homem, que trabalhou toda a sua vida para reinterpretar o Cristianismo a partir de uma abordagem marxista, que não só ficou na “teoria”, mas que foi diretamente revolucionário, é que os jesuítas elegeram agora como seu Superior geral. (…)

E o autor da carta termina, pois, contrastando as supostas metas com resultados reais:

Em busca de quê esses revolucionários ainda se agitam? Na Venezuela, eles sistematicamente destruíram as infra-estruturas de produção, a agricultura, a indústria, a administração pública, os tribunais, os hospitais, as escolas e até mesmo a indústria de energia que sustenta o país. Eles já assassinaram milhares de pessoas, mantêm o país em uma fome desastrosa nunca antes vista em tal escala nas Américas. Em busca do que eles estão…? Provavelmente, a única explicação é a seguinte: a destruição completa do mundo de Deus, a fim de construir um “Novo Mundo” na História … (Sem Deus)

Que Deus nos proteja do submundo revolucionário.

Que Deus transforme os corações e abra os olhos de seu povo.

E acima de tudo que Cristo proteja a sua Igreja.-

Comentário final:

A deriva marxista da ‘Companhia B’ povoada hoje em dia por loucos de prestígio, ou seja, a Arrupiana da opção preferencial pelos pobres, é tão comprometida com essas metas que se faz urgente enfrentá-la; essencialmente pela desidentidade que nela está encerrada.

Para muitas boas cabeças, tal transformação indica que a Ordem Inaciana já não existe mais. De modo que fingir que ela ainda existe induz ao erro e ao suicídio. Ou à esquizofrenia entre o que se vê e o que não se quer ver. Porque dizer que se serve ao Evangelho trabalhando por uma revolução explosiva, destrutiva e violenta é absolutamente perverso. Que o Bispo de Roma, Francisco, antes Jorge Mario Bergoglio, faça declarações equiparando o comunismo ao Cristianismo, é uma ofensa cuja medida nos escapa se formos comparar ao número de mártires, prisões, coerção… Sua desqualificação chega tarde demais, pois agora já é inevitável uma desinfecção geral com cirurgia invasiva.

E é que não executar as ações devidas, calar sem vergonha e covardemente, acaba por obscurecer de tal modo as consciências dos fiéis, que no Dia do Juízo será mais difícil se apresentarem como fiéis.

—- – –

(1) Juan Negrín presidiu o governo da Segunda República Espanhola e a Frente Popular, de 1937 a 1939. Era a figura mais controversa da Guerra Civil Espanhola. “A figura de Negrin foi objeto de intenso debate em seu tempo. Ele se comportou como um servo fiel da conspiração comunista pago pela URSS. “(Wikipedia) Visitou Arrupe numa  viagem anterior a partir de Madrid para Bilbao treze horas trem- para não abandonar a carreira de Medicina, o que explica viagem tão pesada , seu futuro político brilhante. O futuro político brilhante e as razões para o seu abandono para entrar no noviciado em Loyola, só eles sabiam, mas é muitomais  eloquente a satisfação Dr. Negrin quando eles se separaram com um abraço “Sempre me caiu bem” (Uma explosão na Igreja, Pedro Miguel Lamet).

(2) Civilta Cattolica 1974: “XXXII della Compagnia Generale Congregazione de Jesus. O preparazione e le attese “Volume IV, 1974, p.424 para p.434 de e P.526 para p.539. Uma boa biblioteca acessível na Companhia.

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8 agosto, 2017

Uma Refutação do Neoateísmo.

Acaba de sair pelas Edições Cristo Rei o livro A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo, do tomista americano Edward Feser.

O livro tem como ponto de partida a constatação de que os quatro principais nomes do neoateísmo (Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens) não passam de meros palpiteiros quando o assunto é religião e teologia. Porém, Feser não se preocupa apenas em demonstrar isso.

Ele aprofunda a discussão para mostrar que ideias nefastas como as que são defendidas por esses quatro escritores só se tornaram possíveis por causa do abandono da noção de causalidade final na filosofia. Temas como aborto, “casamento” gay, materialidade do intelecto e tantas outras aberrações só se tornaram aceitáveis para muitas pessoas porque alguns dos principais filósofos do período moderno simplesmente viraram as costas para Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Santo Tomás.

Feser deixa claro, por meio de uma argumentação sólida, que o retorno à sanidade depende do retorno à filosofia aristotélico-tomista. O primeiro capítulo do livro pode ser lido na íntegra aqui: https://issuu.com/edicoescristorei/docs/miolo-ultima-supersticao_amostra_

O livro pode ser adquirido com 10% de desconto no site da editora: http://www.edicoescristorei.com.br

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7 agosto, 2017

Bispo de Campos não irá mais à maçonaria.

Por FratresInUnum.com – Fontes informam que a palestra de Dom Roberto Ferreria Paz, bispo de Campos, RJ, em uma loja maçônica foi cancelada. Ele mesmo o teria informado em reunião com parte do clero da diocese do norte fluminense.

Dom Roberto Ferreria Paz

Dom Roberto e seminaristas da diocese de Campos, RJ.

O anúncio da palestra do bispo de Campos em uma loja maçônica causou alvoroço entre os católicos na internet. O bispo, por sua vez, tentou se justificar em um vídeo publicado em seu perfil no Facebook, no qual mantinha firmemente seu compromisso de prosseguir com o evento.

Mas, parece que não foi só aos simples fiéis que ele não convenceu: o cancelamento teria se dado a pedido do Núncio Apostólico, Dom Giovanni d’Annielo, que estará por Campos em dias próximos à programada e lamentável confraternização epíscopo-maçônica. Nossas fontes informam ainda que o bispo abordou o assunto rapidamente, já mudando de assunto, dando a impressão de que queria que o cancelamento não fosse amplamente comentado.

6 agosto, 2017

Nota de esclarecimento do bispo de Caicó, RN.

Senhor bispo, faltou responder: é um dom ou não?

6 agosto, 2017

Foto da semana.

Tovar, Venezuela, domingo, 30 de julho de 2017: Os Padres José Torres e Omar Vergara intervêm e pedem aos membros da Polícia Nacional Bolivariana que parem a repressão contra manifestantes opositores do governo de Nicolas Maduro, permitindo que os feridos recebessem auxílio médico. Naquele domingo, o ditador Maduro promovia uma votação fraudulenta para eleger uma nova Assembleia Constituinte, em meio à grande oposição da população venezuelana e da opinião pública internacional.

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5 agosto, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: A volta do filho pródigo.

Nosso caríssimo padre Élcio está de recesso por dois meses para tratamento de saúde, pelo que pedimos suas orações. Durante sua ausência, republicaremos suas colunas mais importantes – a que segue foi publicada originalmente em 23 de abril de 2016.

* * *

“Aproximam-se d’Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe os pecadores e come com eles” (S. Lucas XV, 1 e 2).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Nosso Senhor Jesus Cristo mostra com três parábolas, a da ovelha tresmalhada, a da dracma perdida e a do filho pródigo, que assim agia porque a misericórdia de Deus é infinita. E Deus é infinitamente misericordioso porque conhece a fundo a nossa miséria. Como a meditação destas parábolas é confortadora para os pecadores arrependidos!

O  Nosso Pai do céu espera o pecador com paciência, busca-o com solicitude e recebe-o quando arrependido, com grande alegria.

O-pai-misericordioso-e-os-dois-filhos

É bom ler todas estas três parábolas. Encontram-se no Evangelho de São Lucas XV,  1-32. Quanto a parábola do filho pródigo, há três partes distintas: a partida, os desmandos e a volta do filho pródigo. Vamos meditar aqui apenas a terceira parte.

A primeira operação da graça na conversão do pecador é pôr-lhe à vista os seus pecados. Ela descobre-lhe o profundo abismo em que caiu, e inspira-lhe o desejo de sair dele. O filho pródigo entra em si. Faz, digamos assim, um exame de consciência. Ai! andava fora de si, havia muito tempo; até onde o tinham arrastado as suas paixões! Entra em si. Uma luz viva lhe dissipa as trevas; a ilusão cessa. Vê as coisas como são; já não exagera o valor dos gozos criminosos que tanto desejou. “Onde estou, diz ele consigo mesmo, e que fiz eu? Que significam estes vestidos esfarrapados, esta ocupação, esta fome? Que foi feito das minhas riquezas, da minha liberdade, da minha consciência, da minha honra? Casa paterna, não te tornarei a ver jamais? Quão longe estão de mim esses belos dias, em que, nada tendo a exprobrar-me, nada tinha a temer! Agora, a minha companhia são animais imundos; a mais dura escravidão, eis o meu estado; viver na miséria, eis a minha triste sorte. Quanto invejo a vossa sorte, ó servos de meu pai! A sua bondade previne os vossos pedidos, tendes em sua casa a abundância e eu, seu filho, morro aqui de fome.

A graça prepara assim a conversão de uma alma extraviada; esclarece-a, ilumina-a. Ao pecador, diz o Espírito Santo: “Pobre filho, onde estás”, como Deus perguntou a Adão logo que este pecou e procurou se esconder envergonhado: “Adão, onde estás, que fizeste?”

Deus derrama uma luz penetrante na sua alma; força-o a lembrar-se do estado de graça, do dia feliz da primeira comunhão. Então ele era tão feliz! Que doce paraíso estar com Jesus! Ah! que mudança terrível! Dantes, vencedor do demônio; hoje, seu mais desgraçado escravo. Antes alimentava-se com a própria Carne de Jesus pela comunhão.  O pecador, cheio de amargura, atormentado pelos remorsos, pode dizer como o filho pródigo: “Quantos diaristas há na casa de meu pai, que têm pão em abundância e eu aqui morro de fome!” Quantos conhecidos e parentes têm a consciência em paz, gozam santamente com as práticas religiosas, principalmente com a sagrada comunhão, nada lhes falta na casa de Deus; e eu, pereço de fome!

Para fazermos estas reflexões, tínhamos deixado o filho pródigo sentado debaixo de uma árvore, cabeça baixa, derramando lágrimas, na companhia imunda dos porcos. Agora, voltemos a ele novamente. Envergonhado do passado, receoso do futuro, enche-se de generosidade, e decide-se reparar seus erros. Seu coração está contrito e humilhado! Diz: “Levantar-me-ei, irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus diaristas”. E não perdeu tempo! Foi generoso!”E levantando-se foi para seu pai.

Aqui façamos também algumas reflexões: Eis o modelo do pecador penitente. Em vez de se entregar a um louco desalento, tem confiança; mas a sua confiança em nada diminui a sua humildade. “Levantar-me-ei”. Se é vergonhoso cair, é honroso levantar-se. Mas aonde ireis, pobre rapaz? Quem quererá interessar-se pela vossa sorte?  – “Irei para meu pai; enquanto me restar um pai, cuja ternura me é conhecida, resta-me um recurso seguro. É verdade que levei muito longe a minha ingratidão para com ele; mas se eu fui um filho desnaturado, ele é sempre bom pai”. – E que lhe direis vós? – “Dir-lhe-ei: Pai, esta só palavra comoverá seu coração. Se os soluços me impedirem de falar, as minhas lágrimas lhe falarão por mim; mas, se eu puder dominar a minha emoção confessar-lhe-ei todos os meus crimes. Dir-lhe-ei: Pequei contra o Céu, testemunha das minhas desordens; mas pequei também contra vós, o melhor dos pais!”

“Já não sou digno de ser chamado teu filho”. O filho fez justiça à bondade de seu pai, esperando que lhe perdoasse; e faz justiça a si mesmo, humilhando-se. Não reclama as prerrogativas de filho, é indigno delas; basta-lhe ser admitido no número dos criados: “Trata-me como a um dos teus diaristas”. Finalmente não se limita a vãos desejos: o que resolveu, executa-o, e sem demora. Disse: Levantar-me-ei e já está em pé; irei buscar a meu pai, e já deixou o vil rebanho, e se dirige para a casa paterna.

Quem esqueceu o seu destino eterno como filho de Deus, imite este modelo. Humilhe-se primeiramente; a humildade aproximá-lo-á de Deus, quanto a soberba o afastou d’Ele. A verdadeira penitência gera o desprezo de si. Deus não resiste aos seus atrativos: Deus se inclina para o homem humilde. Se o pecador se humilhar na sua presença, deve contar com a misericórdia divina. Quanto mais indigno for de tão bom pai, tanto mais excitará a sua compaixão. Perdoará o seu pecado, precisamente porque é grande: “Por causa de teu nome, Senhor, me hás de perdoar o meu pecado, porque é grande” (Salmo XXIV, 11).

Caríssimos, Deus, Nosso Senhor e Pai, quis mostrar-nos o seu próprio coração na terceira parte desta parábola, assim como nas duas primeiras nos mostrou o nosso. Teria o bom pai esquecido o seu filho? Não absolutamente! Pelo contrário, pensava nele incessantemente. Como o reconheceu logo, quando o viu no triste estado, a que o haviam reduzido o crime e a miséria? Como não se indignou ao dar com os olhos nele? Como pôde esquecer tão depressa todas as suas desordens, para só se lembrar da sua desgraça? São segredos do amor paternal. “Quando ele ainda estava longe, seu pai viu-o, ficou movido de misericórdia”. Oh! que belo espetáculo tenho aqui para contemplar! O pai não espera por seu filho: corre para ele, abraça-o, beija-o, cobre-o de carícias.

Este acolhimento tão terno e tão pouco merecido aumenta o arrependimento do culpado. Quer fazer a humilde confissão do seu pecado; mas o pai interrompe-o, e diz aos criados: “Ide buscar o melhor vestido para meu filho; metei-lhe um anel no dedo, e sapatos nos pés; preparai um festim, regalemo-nos; e todos os que me querem bem, tomem parte na minha alegria: meu filho estava morto, e reviveu; tinha-o perdido, e achei-o”.

Pecador arrependido, não temas as exprobrações de Deus, que desejava tanto a tua conversão; restituir-te-á a sua amizade, e com ela todos os vossos direitos, todos os bens que tínheis perdido, ofendendo-O.

O filho mais velho, voltando do campo, queixa-se, e indigna-se. Não, ó vós sempre fiéis pela graça, não sejais invejosos. Ninguém vos tira o que tendes: os vossos direitos, os vossos merecimentos, o amor do vosso Deus. Vosso irmão, de escravo torna-se rei, mas sem vos destronar a vós; enriquece-se, mas vós nada perdeis. Convinha que houvesse alegria, porque o vosso irmão era morto, e reviveu. A conversão de um pecador é motivo de alegria até para os Anjos do Céu!

Amém!

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4 agosto, 2017

Bishop of Caicó, Rio Grande do Norte, Brazil: homossexuality is a gift of God.

Bishop Antônio Carlos Cruz Santos, MSC, of Caicó, Rio Grande do Norte, Brazil, in the 2017 novena to Saint Anne.