1 novembro, 2018

Dom Leonardo Steiner rompe o silêncio e se pronuncia sobre a vitória de Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 1 de novembro de 2018 – Em sua primeira manifestação após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, não escondeu o tom de amargura e desgosto. Pelas palavras cuidadosamente escolhidas, percebe-se claramente que a CNBB não recuará nenhum milímetro, não cederá em absolutamente nada de sua posição favorecedora do petismo. Não adianta esperar o contrário! Não se enganem, eles não vão mudar!

Steiner e Pedro Casaldáliga.

Steiner e Pedro Casaldáliga.

A seguir, transcrevemos trechos da entrevista concedida a Vatican News:

“Como será o futuro nós ainda não sabemos, dependerá muito de como se comportará o Supremo Tribunal, o próprio Executivo, mas também o Legislativo”, disse, ensejando uma eventual intervenção de um poder no outro.

“Vai depender muito destas alianças, e das propostas e as uniões que acontecerem especialmente entre o Legislativo e o Executivo. Ali existe uma preocupação porque muitas das afirmações durante o tempo das eleições não eram favoráveis aos indígenas, não eram favoráveis aos quilombolas, não eram favoráveis aos pobres, não eram favoráveis aos direitos humanos. Inclusive dizer que mandaria prender as pessoas. Quem manda prender as pessoas é o judiciário, não o executivo”. Aqui, ataca de modo praticamente explícito o presidente eleito, descontextualizando as suas declarações durante a campanha.

Um pouco mais adiante, Dom Leonardo começa a fazer como que uma autocrítica, como se estivesse falando em nome da esquerda, que precisa reaprender a fazer política e convencer o povo de que o seu discurso não é ideológico.

“E talvez um elemento importante que nós deixamos de fazer durante vários anos, e talvez por isso é que chegamos a essa divisão, é reaprendermos a fazer política. Nós reaprendermos a fazer política no sentido de discutirmos a política, porque uma democracia morre na medida em que não se faz mais política, isto é, não se discute política, não se educa para a democracia. Política no sentido do cuidado da cidade, do cuidado do país. Isso nós vamos ter que fazer de novo para que os brasileiros percebam que não se trata de ideologia. Política não se trata de ideologia, política se trata de um país. Política não se trata de excluir as pessoas, política se trata de integrar as pessoas. Então, nós temos uma tarefa muito grande pela frente”.

Ele chega a afirmar a necessidade de reformular os partidos políticos, dizendo “nós não temos mais partidos”… Nós, quem? O país?

“E, como disse, independentemente do governo que haveria de assumir – nós temos aí agora um novo presidente eleito que vai assumir em janeiro –, nós temos que, a partir de agora, trabalhar em vista de uma boa política, é preciso reformular os nossos partidos políticos. Nós, na realidade, estamos sem partidos políticos”.

Criticando o engajamento do povo através das redes sociais e defendendo uma política hegemonicamente partidária, ele prossegue:

O que aconteceu foi uma propaganda, uma política entre aspas através do WhatsApp. E isso não é política, isso é convencimento através de notícias que nem sempre são verdadeiras – muitas delas eram verdadeiras, mas nem todas eram verdadeiras. E nós temos que ajudar a recuperar agora a alma do cidadão brasileiro e vermos que o que está mais em jogo é o Brasil. Não está em jogo uma ideologia”.

O entrevistador sustenta que o país está dividido, baseado nos números da eleição e pergunta como fazer as duas metades se encontrarem. A surpreendente resposta de Dom Leonardo foi:

Será muito difícil se encontrarem, mas eu penso que, passado o tempo da eleição, há mais possibilidade de escuta. E mesmo um governo quando assume precisa ouvir a sociedade, ele não pode impor simplesmente à sociedade, senão começam os movimentos sociais a se manifestar e as ruas começam a encher, e nós temos uma tensão maior e uma divisão maior”. Trata-se de uma ameaça?

“Então, da parte do governo é preciso estender a mão, é preciso abrir-se ao diálogo. Agora, a parte da Igreja, a parte da CNBB – é claro, muitos católicos votaram no Haddad, muitos católicos votaram no Bolsonaro… são as opções de consciência que cada um faz. A CNBB nunca indicou partido, a CNBB nunca indicou nenhum candidato. O que nós sempre indicamos foram critérios. E esses critérios nós vamos levar adiante, que é o critério da democracia, o critério do diálogo, o critério da opção pelos pobres, o critério da integração de todas as pessoas, o critério da defesa da vida em todos os sentidos – não estou falando aqui apenas da questão do aborto, estou falando aqui de toda a abrangência que a palavra vida tem, inclusive a questão do meio ambiente”.

Mas, não basta recordar, é preciso articular um novo movimento político:

“Então, tudo isso é preciso de novo recordar, mas, como Igreja, é preciso de novo ajudar, articular para o diálogo e criar um movimento dentro do Brasil para que nós, de novo, possamos nos sentar junto à mesa, tomar um café juntos – aqueles que desejarem tomar uma pinga juntos, que tomem uma pinga juntos –, mas nós precisamos de novo nos sentar ao redor da mesa. Nós não podemos continuar a bradar nas ruas uns contra os outros. É um trabalho difícil, mas a Igreja não vai se furtar a essa tarefa que o Evangelho nos confia de criarmos uma fraternidade. Fraternidade significa um reino, um reino que é de justiça, de verdade e de amor”.

O entrevistador pergunta que augúrio ele faz a Bolsonaro. Ele responde:

“Um bom governo. Que ele possa governar para os brasileiros, para todos os brasileiros, todos eles. Se ele o fizer, certamente terá feito um bom governo. Existem muitos problemas: existe o problema econômico, existe o problema ético, existem muitos problemas. Mas, se ele procurar governar para todos os brasileiros, ele certamente fará um bom governo”.

Enfim, o discurso de Dom Leonardo vai na mesmíssima direção do discurso de derrota de Haddad: reanimar as bases, “fortalecer a democracia”, etc. Seria este o discurso de derrota da CNBB? Pois é exatamente para o abismo que a Igreja no Brasil irá se assim se mantiver. Os esquerdistas ditos católicos, seja por seu raso nível intelectual, seja por cegueira ideológica, são impenitentes, incapazes de enxergar um palmo diante do nariz. Depois, não adianta reclamar do protagonismo dos protestantes. Os bons bispos brasileiros assistirão passivamente — mais uma vez — a instrumentalização da Igreja para fins políticos escusos?

Tags:
31 outubro, 2018

CNBB apoia Halloween, chamado pelos satanistas de “o dia do diabo”.

Por FratresInUnum.com, 31 de outubro de 2018 – Beiramos ao satanismo despudorado. É inacreditável como a CNBB não encontra tempo de escrever uma mísera nota ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, mas o emprega para publicar em seu site uma matéria de exaltação do “dia das bruxas”.

halloweenDemonstrando o mesmo descolamento total da realidade, conforme expusemos em nosso editorial, o site da CNBB traz a opinião de um bispo brasileiro, radicado nos Estados Unidos, que pretende resgatar o que diz serem as raízes do Halloween, ignorando aquilo no que a comemoração efetivamente se tornou e significa atualmente.

Chamado pelos satanistas de “o dia do diabo”, Halloween virou palco para que as crianças sejam fantasiadas de demônios e banalizem cada dia mais a invocação das figuras infernais. Para o artigo da CNBB, porém, a festa serve para “expulsar os espíritos maus e então poder celebrar a festa de Todos os Santos purificados”. Que ofensa à nossa inteligência: vestir-se de diabo para expulsar o diabo!

Pe. Gabriel Amorth, falecido exorcista da diocese de Roma, explica que:

“Festejar a festa de Halloween é render um hosana ao diabo! O qual, se adorado, ainda que somente por uma noite, pensa ter conquistado direitos sobre a pessoa. Então, não nos maravilhemos se o mundo parece ir à ruína e se os consultórios psicológicos e psiquiátricos pululam de crianças que não dormem, vândalas, agitadas e de jovens obsessionados e deprimidos, potenciais suicidas”.

“Sinto muito que na Itália e no resto da Europa as pessoas estejam se afastando de Jesus, o Senhor, e ainda por cima se prestem a homenagear satanás”. “A festa de Halloween é um tipo de seção espírita apresentada sob forma de jogo. A astúcia do demônio está aí mesmo, mas tudo é apresentado sob forma lúdica, inocente”.

30 outubro, 2018

É golpe!

IMG-20181030-WA0020Donald Trump telefonou, congratulando-o; Evo Moralez e até Nicolas Maduro cumprimentaram o presidente eleito Jair Bolsonaro. Mas, até agora [terça-feira, 30 de outubro de 2018, às 14:31], o Vaticano e a CNBB não divulgaram nenhuma, nenhuma mísera nota ao novo Chefe de Estado do maior país católico do mundo. Antes de ser um grave lapso diplomático, é uma enorme falta de dignidade, de educação, de bons modos, frutos do ranço ideológico que caracteriza a política eclesiástica nos dias de hoje. De fato, sentiram o golpe!

Tags: ,
29 outubro, 2018

As implicações eclesiais da vitória de Jair Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 29 de outubro de 2018 — Aconteceu. Era impensável na mente dos brasileiros outro desfecho. Jair Bolsonaro foi a única alternativa realmente factível contra o criminoso esquema de poder arquitetado para durar décadas pelo Partido dos Trabalhadores, com as bênçãos da CNBB.

Continue lendo

27 outubro, 2018

Foto da semana.

Tags:
27 outubro, 2018

Faleceu o Monsenhor José Luiz Marinho Villac.

Na primeira hora deste sábado, dedicado a Nossa Senhora e véspera de Cristo Rei, quis Nosso Senhor chamar para junto de si o Monsenhor José Luiz Marinho Villac.

Nossa oração e gratidão pela sua vida e obra.

Descanse em paz.

Tags:
26 outubro, 2018

Coluna do Padre Élcio: Festa de Cristo Rei.

Por Padre Élcio Murucci, 20 de outubro de 2018 – FratresInUnum.com

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

christ-the-king

Para concluir solenemente o ano jubilar de 1925, o Sumo Pontífice, Sua Santidade, o Papa Pio XI instituiu a Festa de Cristo-Rei, a ser celebrada no último domingo de outubro.  Seria esta solenidade uma insistente admoestação para a humanidade inteira reconhecer a Jesus Cristo, o Filho de Deus, como Rei universal do mundo. A Ele se sujeitam os Reis e os Príncipes, os Magistrados e Juízes, as artes e as leis. Cristo deve reinar no espírito dos homens pela fé, na sua vontade pela obediência às Leis de Deus, nos corações pelo amor e ainda nos próprios corpos para que sejam santos para Deus. Jesus Cristo, na verdade, é o Rei dos reis, cujo império trará união e paz para a humanidade.

Mas demos a palavra a Pio XI:

“Na primeira Encíclica, dirigida, em princípio do nosso Pontificado, aos Bispos do mundo inteiro, indagamos a causa íntima das calamidades que, ante os nossos olhos, avassalam o gênero humano. Ora, lembra-nos haver abertamente declarado duas coisas: uma – que esta aluvião de males sobre os universo provém de ter a maior parte dos homens removido, assim da vida particular como da vida pública, Jesus Cristo e sua lei sacrossanta; e outra – que baldado era esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusassem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador” (Enc. “Quas Primas”, 11/12/1925, Ed. Vozes, nº 1)

“Muito há que a linguagem corrente dá a Cristo o nome de “Rei em sentido metafórico e transposto”. “Rei” é Cristo, com efeito, com relação a eminente e suprema perfeição com que sobrepuja a todas as criaturas. Assim, dizemos que “reina sobre as inteligências humanas”, por causa da penetração do seu espírito e da extensão de sua ciência, mas sobretudo porque é a própria Verdade em pessoa, de quem, portanto, é força que recebam rendidamente os homens toda a verdade. Dizemos que “reina sobre as vontades humanas”, porque n’Ele se alia a indefectível santidade do divino querer com a mais reta, a mais submissa das vontades humanas; e também porque suas inspirações entusiasmam nossa vontade livre pelas causas mais nobres. Dizemos, enfim, que é “Rei dos corações”, por causa daquela inefável “caridade que excede a toda humana compreensão” (Ef. 3, 19); e porque sua doçura e sua bondade atraem os corações: pois nunca houve, no gênero humano, e nunca haverá quem tanto amor tenha ateado como Cristo Jesus” (Idem, nº 4).

“Aprofundemos sempre mais o nosso argumento. É manifesto que o nome e o poder de “Rei”, no sentido próprio da palavra, competem a Cristo em sua Humanidade, porque só de Cristo enquanto homem é que se pode dizer: do Pai recebeu “poder, honra e realeza” (Dan. 7, 13-14). Enquanto Verbo, consubstancial ao Pai, não pode deixar de Lhe ser em tudo igual e, portanto, de ter, como Ele, a suprema e absoluta soberania e domínio de todas as criaturas” (Idem, nº 5).

Testemunho do Antigo Testamento: Que Cristo seja Rei, não o lemos nós na Escritura? Ele é o “Dominador oriundo de Jacó” (Núm. 24, 19), Ele o “Rei dado pelo Pai a Sião, sua Santa Montanha, para receber em herança as nações, e dilatar seu domínio até os confins da Terra” (Sl 2, 6-8), Ele o verdadeiro “Rei vindouro” de Israel, que o cântico nupcial nos representa sob os traços de um soberano opulento e poderoso, a quem se dirigem estas palavras: “O teu trono, ó Deus, subsistirá por todos os séculos: vara de retidão é a vara de teu reino” (Sl 44, 7). Omitindo muitos passos análogos, deparamos além, como, para delinear com maior nitidez a fisionomia de Cristo, vem predito que seu reino desconhecerá fronteiras e desfrutará os tesouros da justiça e da paz. “Nos dias d’Ele, aparecerá justiça e abundância de paz… E dominará de mar a mar, e desde o rio até os confins da Terra” (Sl 71, 7-8). A estes testemunhos, juntam-se mais numerosos ainda os oráculos dos Profetas, e notadamente a tão conhecida profecia de Isaías: “Já um pequenino se acha nascido para nós, e um filho nos foi dado, e foi posto o principado sobre o seu ombro; e o nome com que se apelide será Admirável, Conselheiro, Deus, Forte, Pai do futuro século, Príncipe da Paz  O seu império se estenderá cada vez mais, e a paz não terá fim; assentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer em juízo e justiça, desde então e para sempre” (Is 9, 6-7). (Idem, nº 6).

“Não é outro o modo como se expressam os demais Profetas. Assim fala Jeremias, quando prenuncia à descendência de Davi “um germe de justiça”, esse filho de Davi, que reinará como Rei, “será sábio e obrará segundo a equidade e justiça na Terra” (Jeremias, 23, 5). Assim Daniel, quando prediz a constituição por Deus de um reino “Que não será jamais dissipado… e que durará eternamente” (Daniel, 2, 44). E pouco depois acrescenta: “Eu considerava estas coisas numa visão de noite, e eis que vi um, como o Filho do Homem, que vinha com as nuvens do Céu, e que chegou até o Antigo dos dias; e eles o apresentaram diante d’Ele. E Ele Lhe deu o poder, e a honra, e o reino; todos os povos, e tribos e línguas o servirão: o seu poder é um poder eterno, que Lhe não será tirado, e o seu reino tal, que não será jamais corrompido” (Daniel 7, 213-14). Assim Zacarias quando profetiza a entrada em Jerusalém, entre as aclamações do povo, do “Justo e Salvador”, do Rei cheio de mansidão “montado sobre um jumento, e sobre o potro duma jumenta (Zac. 9,9). E não apontaram os Evangelistas o cumprimento desta profecia? (Idem, nº 7).

“Testemunho do Novo Testamento: Esta doutrina de “Cristo Rei”, que acabamos de esboçar segundo os livros do Antigo Testamento, bem longe de apagar-se nas páginas do Novo, vem ali, ao invés, confirmada do modo mais esplêndido e em termos admiráveis. Bastará lembrar apenas a mensagem do Arcanjo à Virgem, a anunciar-lhe que dará à luz um Filho; a este Filho, Deus outorgará “o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim” (S. Luc. 1, 32, 33). Ouçamos agora o testemunho do próprio Cristo no tocante à sua soberania. Sempre que se Lhe oferece ensejo, – em seu último discurso ao povo, sobre a recompensa e os castigos que , na vida eterna, aguardam os justos e os maus; em sua resposta ao governador romano que Lhe perguntara se era Rei; depois de sua ressurreição, quando confia aos Apóstolos a missão de instruírem e batizarem todas as nações, – reivindica o título de “Rei” (S. Jo. 18, 37) e que “todo poder Lhe foi dado no Céu e sobre a Terra” (S. Mat. 28, 18). Que entende com isto, senão afirmar a extensão de sua potência, a imensidade do seu reino? À vista disto, deverá fazer-nos estranheza que São João o proclame “Príncipe dos reis da terra? (Apoc. 1, 5) ou que, aparecendo o próprio Jesus ao mesmo Apóstolo em suas visões proféticas “traga escrito no vestido e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores”? (Apoc. 19, 16). O Pai, com efeito, constituiu a Cristo “herdeiro de todas as coisas” (Heb. 1, 1). Cumpre que reine até o fim dos tempos, quando “arrojará todos os seus inimigos sob os pés de Deus e do Pai” (1 Cor. 15, 25) (Idem, nº 8).

“A festa, doravante anual, de “Cristo-Rei” dá-nos a mais viva esperança de acelerarmos a tão  desejada volta da humanidade a seu Salvador amantíssimo. É, com certeza, dever dos católicos, apressar e  preparar esta volta com diligente empenho; a muitos deles, contudo, pelo que parece, não toca, na sociedade civil, o posto e a autoridade que conviriam aos apologistas da fé. Talvez deva este fato atribuir-se à indolência e timidez dos bons que se abstêm de toda resistência, ou resistência com moleza, donde provém, nos adversários da Igreja, novo acréscimo de pretensões e de audácia. Mas, desde que a massa dos fiéis se compenetre de que é obrigação sua combater com valentia e sem tréguas sob os estandartes de Cristo-Rei, o zelo apostólico abrasará seus corações, e todos se esforçarão por reconciliar com o Senhor as almas que o ignoram ou dele desertaram; todos, enfim, se esforçarão por manter inviolados os direitos do próprio Deus” (Idem, nº 24). Praza a Deus, caríssimos, que os homens, afastados da Igreja, procurem e aceitem, para salvação de suas almas, o jugo suave de Nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!

Tags:
23 outubro, 2018

Viganò responde ao Cardeal Ouellet. O terceiro testemunho.

Mons. Carlo Viganò responde às objeções de seu antigo companheiro de cúria romana, o Cardeal Marc Ouellet.

Fonte: Marco Tosatti | Tradução: FratresInUnum.com

19 de outubro de 2018

Na memória dos mártires da América do Norte

Testemunhar a corrupção na hierarquia da Igreja Católica tem sido para mim uma decisão dolorosa e ainda o é. Mas eu sou um homem já velho, que sabe que em breve terá que prestar contas ao justo Juiz por suas ações e omissões, que teme Aquele que tem o poder de jogar corpo e alma no inferno.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Juiz, que apesar de sua infinita misericórdia, “dará a cada um segundo os méritos, a recompensa ou o castigo eterno” (Ato de fé). Antecipando a terrível pergunta daquele Juiz: “Como você pôde, você que estava ciente da verdade, permanecer em silêncio no meio de tanta falsidade e depravação?” Que resposta eu poderia dar?

Eu falei tendo plena consciência de que o meu testemunho iria provocar alarme e consternação em muitas pessoas eminentes: eclesiásticos, irmãos no Episcopado, colegas com quem trabalhei e rezei. Eu sabia que muitos deles se sentiriam magoados e traídos. Eu sabia que alguns deles iriam me acusar e questionar minhas intenções. E, o mais doloroso de tudo, eu sabia que muitos fiéis inocentes ficariam confusos e perplexos com o espetáculo de um bispo que acusa seus irmãos e superiores de malfeitos, pecados sexuais e grave negligência no seu dever. No entanto, acredito que meu contínuo silêncio teria posto em perigo muitas almas e certamente teria condenado a minha própria. Apesar de ter reportado várias vezes aos meus superiores, e até mesmo ao Papa, sobre as ações aberrantes de McCarrick, eu poderia ter denunciado antes e publicamente as verdades das quais eu estava ciente. Se existe alguma responsabilidade da minha parte por esse atraso, eu me arrependo, pois foi devido à gravidade da decisão que eu estava prestes a tomar e ao longo conflito da minha consciência.

Eu fui acusado de ter criado com o meu testemunho confusão e divisão na Igreja. Esta afirmação só pode ter algum fundo de verdade para aqueles que acreditam que tal confusão e divisão eram irrelevantes antes de Agosto de 2018. Qualquer observador desapaixonado, no entanto, já teria sido capaz de ver bem a presença prolongada e significativa de ambos, algo inevitável quando o Sucessor de Pedro se recusa a exercer sua principal missão, que é confirmar seus irmãos na fé e na sólida doutrina moral. Quando, pois, com mensagens contraditórias ou declarações ambíguas, a crise é agravada, a confusão só piora.

Então, eu falei. Porque é a conspiração do silêncio que causou e continua a causar enormes danos à Igreja, a tantas almas inocentes, a jovens vocações sacerdotais ou aos fiéis em geral. No mérito dessa minha decisão é que tomei consciência diante de Deus, e aceito com toda boa vontade qualquer correção fraterna, conselho, recomendações e convite a progredir na minha vida de fé e de amor a Cristo, à Igreja e ao papa.

Permitam-me lembrá-los novamente dos principais pontos do meu testemunho.

  • Em novembro de 2000, o núncio nos Estados Unidos, o Arcebispo Montalvo informou à Santa Sé sobre o comportamento homossexual do Cardeal McCarrick com seminaristas e sacerdotes.
  • Em dezembro de 2006, o novo núncio, o Arcebispo Pietro Sambi, informou à Santa Sé sobre o comportamento homossexual do cardeal McCarrick juntamente com outro padre.
  • Em dezembro de 2006, escrevi um memorando ao secretário de Estado, Cardeal Bertone, que o entregou pessoalmente ao substituto para os Assuntos Gerais, Arcebispo Leonardo Sandri, pedindo ao papa para tomar medidas disciplinares extraordinárias contra McCarrick visando prevenir crimes e escândalos futuros. Este memorando não recebeu nenhuma resposta.
  • Em abril de 2008, uma carta aberta ao Papa Bento XVI por parte de Richard Sipe foi transmitida ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Levada e ao secretário de Estado, o cardeal Bertone, e que continha acusações adicionais sobre o hábito de McCarrick levar para a cama seminaristas e sacerdotes. Foi-me entregue, um mês depois, em maio de 2008, um segundo memorando que eu mesmo apresentei ao então Substituto para os Assuntos Gerais, Arcebispo Fernando Filoni, referindo-se às alegações contra McCarrick e pedindo sanções contra ele. Também esse meu segundo memorando não obteve uma resposta.
  • Em 2009 ou 2010, eu ouvi do cardeal Re, prefeito da Congregação para os Bispos, que o Papa Bento XVI tinha ordenado a McCarrick que cessasse seu ministério público e começasse uma vida de oração e penitência. O núncio Sambi comunicou as ordens do papa a McCarrick, levantando a voz de tal maneira que chegou a ser ouvido nos corredores da nunciatura.
  • Em novembro de 2011, o cardeal Ouellet, o novo prefeito da Congregação para os Bispos, reconfirmou para mim, o novo núncio nos Estados Unidos, as restrições ordenadas pelo papa para McCarrick, e eu mesmo comuniquei cara a cara a McCarrick.
  • No dia 21 de Junho de 2013, no final de uma reunião oficial dos núncios no Vaticano, o Papa Francisco me dirigiu palavras de reprovação e de difícil interpretação sobre o episcopado Americano.
  • No dia 23 de junho de 2013, encontrei-me pessoalmente com o Papa Francisco em uma audiência privada em seu apartamento para maiores esclarecimentos, e o papa me perguntou: “O Cardeal McCarrick, como é ele?”. Palavras que só podem ser interpretadas como uma falsa curiosidade para saber se eu era ou não aliado de McCarrick. Então, disse-lhe que McCarrick havia corrompido sexualmente gerações de sacerdotes e seminaristas, e que o Papa Bento lhe havia ordenado a dedicar-se a uma vida de oração e penitência.
  • Em vez disso, McCarrick continuou a desfrutar de uma consideração especial por parte do papa Francisco, que de fato lhe confiou novas responsabilidades e missões importantes.
  • McCarrick era parte de uma rede de bispos favoráveis à homossexualidade e que, gozando do favor do papa Francisco, promoveu nomeações episcopais para se proteger da justiça e fortalecer a homossexualidade na hierarquia e na Igreja em geral.
  • O próprio Papa Francisco parece ser conivente com a propagação desta corrupção ou ciente daquilo que faz. Ele é gravemente responsável porque não se opõe a essa corrupção e nem procura erradicá-la.

Eu invoquei Deus como testemunha da veracidade dessas minhas afirmações, e nenhuma delas foi desmentida. O Cardeal Ouellet escreveu-me, censurando-me pela minha ousadia em ter quebrado o silêncio e moveu acusações graves contra os meus irmãos no episcopado e superiores, mas, na verdade, sua repreensão me confirma na minha decisão e, de fato, confirma minhas declarações, uma por uma e em sua totalidade.

  • O cardeal Ouellet admite ter me falado sobre a situação de McCarrick antes de eu partir para Washington para começar minha missão como núncio.
  • O Cardeal Ouellet admite ter me comunicado por escrito sobre as condições e restrições impostas a McCarrick pelo Papa Bento XVI.
  • O cardeal Ouellet admite que essas restrições proibiam McCarrick de viajar e aparecer em público.
  • O Card. Ouellet admite que a Congregação para os Bispos, por escrito, em primeiro lugar através do Núncio Sambi, e depois novamente por mim, ordenou McCarrick a levar uma vida de oração e penitência.

Então o que o cardeal Ouellet está contestando?

  • O Card. Ouellet contesta a possibilidade de que o Papa Francisco teria sido capaz de se lembrar de informações importantes sobre McCarrick, num dia em que ele havia se encontrado com dezenas de núncios e dedicado a cada um apenas alguns momentos de conversa. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que, num segundo encontro privado, eu informei pessoalmente ao Papa, respondendo a uma pergunta dele sobre Theodore McCarrick, o então cardeal arcebispo emérito de Washington, figura proeminente na Igreja dos Estados Unidos, dizendo ao papa que McCarrick havia corrompido sexualmente seus próprios seminaristas e sacerdotes. Nenhum papa pode se esquecer disso.
  • O Card. Ouellet nega a existência em seus arquivos de cartas assinadas pelo Papa Bento XVI ou do Papa Francisco sobre as sanções contra McCarrick. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que havia nos seus arquivos documentos-chave — independente da proveniência — que incriminam McCarrick e sobre as medidas tomadas contra ele e outras evidências do encobrimento de sua situação. E eu confirmo tudo isso novamente.
  • O Card. Ouellet contesta a existência nos arquivos do seu predecessor, o Cardeal Re, dos “memorandos de audiências” que impunham a McCarrick as restrições citadas. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que existem outros documentos, por exemplo, uma nota do Cardeal Re, não “ex-audientia SS.mi”, ou seja assinada pelo Secretário de Estado ou pelo Substituto.
  • O Card. Ouellet contesta que é falso apresentar as medidas tomadas contra McCarrick como “sanções” decretadas pelo Papa Bento XVI e anuladas pelo Papa Francisco. Verdade. Elas não eram tecnicamente “sanções”, mas eram procedimentos, “condições e restrições.” Desqualificar se eram sanções ou procedimentos não passa do mais puro legalismo. Do ponto de vista pastoral, é exatamente a mesma coisa.

Em suma, o cardeal Ouellet admite as afirmações importantes que eu fiz e faço, e contesta as afirmações que eu não faço, e nunca fiz.

Há um ponto que devo absolutamente desmentir naquilo que o cardeal Ouellet escreve. O cardeal afirma que a Santa Sé tinha conhecimento apenas de simples “boatos”, que não eram suficientes para se tomar medidas disciplinares contra McCarrick. Pois eu afirmo que a Santa Sé tinha conhecimento de uma multidão de fatos concretos e em posse de documentos comprobatórios, e que apesar de tudo, as pessoas responsáveis preferiram não agir ou foram impedidas de fazê-lo. As indenizações das vítimas de abuso sexual de McCarrick na Arquidiocese de Newark e na Diocese de Metuchen, as cartas do Padre Ramsey, dos núncios Montalvo no ano 2000 e Sambi em 2006, as cartas do Dr. Sipe em 2008, os meus dois memorandos à Secretaria de Estado, descrevendo em detalhes as acusações específicas contra McCarrick, são apenas boatos de sacristia? São correspondência oficial e não fofoca da sacristia. Os delitos denunciados eram gravíssimos, havia até mesmo a denúncia das absolvições dos cúmplices em atos torpes, com sucessiva celebração sacrílega da Missa. Estes documentos especificam a identidade dos autores, de seus protetores e a seqüência cronológica dos acontecimentos. Eles estão guardados nos arquivos apropriados; e não é necessário nenhuma investigação extraordinária para recuperá-los.

Nas acusações feitas contra mim publicamente, notei duas omissões, dois silêncios dramáticos. O primeiro silêncio é sobre as vítimas. A segunda é a causa básica de tantas vítimas, a saber, o papel da homossexualidade na corrupção do sacerdócio e da hierarquia. No tocante ao primeiro silêncio, é chocante que, em meio a tantos escândalos e indignação, haja tão pouca consideração por aqueles que foram vítimas de predadores sexuais por parte de quem foi ordenado como ministro do Evangelho. Não se trata de acertar contas ou questões de carreiras eclesiásticas. Não é uma questão de política. Não é uma questão de como os historiadores da igreja possam avaliar este ou aquele papado. Trata-se de almas! Muitas almas foram colocadas em perigo e ainda estão em perigo por sua salvação eterna.

Em relação ao segundo silêncio, essa grave crise não pode ser adequadamente afrontada e resolvida, enquanto não chamarmos as coisas por seu devido nome. Esta é uma crise devido à praga da homossexualidade naqueles que a praticam, em seus movimentos e em sua resistência a serem corrigidos. Não é exagero dizer que a homossexualidade se tornou uma praga no clero e que só pode ser erradicada com armas espirituais. É uma enorme hipocrisia fingir reprovar o abuso, dizer chorar pelas vítimas e recusar a denunciar a principal causa de tantos abusos sexuais: a homossexualidade. É uma hipocrisia recusar admitir que esse flagelo se deve a uma grave crise na vida espiritual do clero e não recorrer aos meios para remediá-lo.

Existe sem dúvidas no clero, violações sexuais também com mulheres, e estas também causam sérios danos às almas daqueles que as praticam, à Igreja e às almas daqueles que são corrompidos. Mas essas infidelidades ao celibato sacerdotal são geralmente limitadas aos indivíduos imediatamente envolvidos; eles não tendem, por si mesmos, a promover, ou disseminar comportamentos semelhantes, para cobrir tais malfeitos. Ao passo que esmagadoras são as provas de como a homossexualidade é endêmica e se dissemina por contágio, com raízes profundas difíceis de se erradicar.

É certo que os predadores homossexuais desfrutam de seus privilégios clericais a seu favor. Mas reivindicar a crise em si como clericalismo é puro sofisma. É fingir que um meio, um instrumento, é na realidade sua causa principal.

A denúncia da corrupção homossexual e da vileza moral que as permite crescer não encontra consenso e nem solidariedade em nossos dias, infelizmente, nem nas mais altas esferas da Igreja. Não é de se surpreender que ao chamar a atenção para essas feridas, eu seja acusado de deslealdade ao Santo Padre e de fomentar uma rebelião aberta e escandalosa, mas a rebelião implicaria em incitar os outros a derrubar o papado. E eu não estou exortando a nada desse tipo. Eu rezo todos os dias pelo Papa Francisco mais do que já fiz pelos outros papas. Peço, na verdade, imploro que o Santo Padre enfrente os compromissos que assumiu. Ao aceitar ser o sucessor de Pedro, ele assumiu a missão de confirmar seus irmãos e a responsabilidade de guiar todas as almas no seguimento de Cristo, no combate espiritual, pelo caminho da cruz. Que ele admita seus erros, arrependa-se, e demonstre querer seguir o mandado dado a Pedro e que, uma vez convertido, confirme seus irmãos (Lucas 22:32).

Concluindo, gostaria de repetir o meu apelo aos meus irmãos bispos e sacerdotes que sabem que as minhas afirmações são verdadeiras e que estão em condição de poder testemunhar, ou que têm acesso aos documentos que possam resolver esta situação para além de qualquer dúvida. Vocês também estão diante de uma escolha. Vocês podem escolher se retirar da batalha, continuar na conspiração do silêncio e desviar o olhar do avanço da corrupção. Vocês podem inventar desculpas, compromissos e justificativas que irão protelando até o dia do ajuste de contas. Vocês podem se consolar com a duplicidade e a ilusão de que será mais fácil dizer a verdade amanhã e depois novamente no dia seguinte.

Ou vocês podem escolher falar. Confie Naquele que nos disse: “a verdade vos libertará”. Não digo que será fácil decidir entre o silêncio e o falar. Exorto-vos a considerar em seu leito de morte qual a escolha diante do justo Juiz que você não se arrependerá de ter tomado.

+ Carlo Maria Viganò, 19 de outubro de 2018

Arcebispo Titular de Ulpiana –  Memória dos Mártires da América do Norte

Núncio Apostólico

22 outubro, 2018

Aguar a doutrina moral da Igreja não atrairá os jovens, diz Cardeal.

Vaticano, 20 Out. 18 / 07:00 am (ACI).- O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, assinalou que “aguar” a doutrina moral católica, também no campo da sexualidade, não conseguirá atrair os jovens.

Cardeal Sarah

Cardeal Sarah

Segundo Catholic Herald, em sua intervenção em 16 de outubro no Sínodo dos Jovens que acontece no Vaticano, o Purpurado africano afirmou que a Igreja e seus pastores devem “propor corajosamente o ideal cristão que corresponde à doutrina moral católica e não aguá-lo, escondendo a verdade para atrair os jovens ao seio da Igreja”.

O Cardeal recordou que, antes do início do Sínodo, alguns jovens pediram à Igreja para ser clara em seu ensinamento sobre “algumas questões que são particularmente próximas de seus corações: a liberdade em todos os aspectos e não apenas nas relações sexuais, a não discriminação baseada na orientação sexual, a igualdade entre homens e mulheres também na Igreja etc.”.

O Prefeito recordou a história do jovem rico do Evangelho a quem o Senhor pede que venda tudo, dê aos pobres e o siga. “Jesus não aliviou nenhuma de suas exigências em seu chamado” e a Igreja também não deveria fazer isso, explicou o Cardeal.

Os jovens, continuou, têm um alto grau de saudáveis ambições em relação a “justiça, transparência na luta contra a corrupção e respeito à dignidade humana”. “Subestimar o alto idealismo dos jovens” é um grave erro e uma falta de respeito que “fecha a porta a um processo real de crescimento, maturidade e santidade”.

“Ao respeitar e promover o idealismo dos jovens, pode-se conseguir que se tornem o recurso mais precioso de uma sociedade que quer crescer e melhorar”, destacou a autoridade vaticana.

21 outubro, 2018

Foto da semana.

 

Vaticano, 3 de outubro de 2018: Papa Francisco estreia nova férula em missa de abertura do Sínodo sobre os Jovens.

Tags: