17 abril, 2018

CNBB está empolgada.

“Um levantamento organizado pela Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) demonstra um crescimento de acesso aos conteúdos, durante a primeira semana, produzidos na 56ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Aparecida (SP), de 11 a 20 de abril, por meio de sua atuação nas principais redes sociais”, diz matéria no site da CNBB.

É a mais pura verdade! As imagens acima, de alguns comentários a uma matéria publicada pela página da Conferência no Facebook, mostram o ardente desejo do povo  fiel de que a CNBB deixe as ideologias de lado e pregue a sã doutrina Católica.

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15 abril, 2018

Foto da semana.

Milwaukee, EUA, 18 de fevereiro de 2018 – Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana, Cazaquistão, pregou retiro quaresmal e celebrou Missa Pontifical para os fiéis do oratório de Saint Stanislau, do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote. À esquerda na foto (lado direito do bispo), vemos o padre brasileiro Heitor Matheus, ordenado em julho de 2016 pelo Cardeal Raymond Leo Burke.

14 abril, 2018

Coluna do Padre Élcio: O Bom Pastor.

Comentário ao Evangelho do 2º Domingo depois da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – S. João X, 11-16

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 14 de abril de 2018

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Eu sou o bom Pastor.

Quem assim fala é Jesus – pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens: : conhece suas ovelhas, guia-as, caminha à sua frente, defende-as, nutre-as e dá sua vida pelas suas ovelhas. Só Deus é bom em todo sentido da palavra.

Bom PastorAssim, propriamente falando, somente Jesus Cristo, Deus-Homem, é o Bom Pastor. Jesus é o Bom Pastor por antonomásia! Todos os outros pastores eclesiásticos, ou seja, bispos e padres, na expressão do Apóstolo (Hebr. V, 1), “estão cercados de fraquezas”. Mas, é claro, eles devem se esforçar por imitar o seu Mestre.

E como Jesus Cristo se mostra o bom Pastor? Dando sua vida por suas ovelhas; também os pastores eclesiásticos devem dar tudo o que têm e tudo o que são em prol das almas. Assim fazia S. Paulo e todos padres e bispos santos: “Empenhar-se e super se empenhar pela salvação das almas”. Um bom pastor, deve considerar que sua vida não lhe pertence, mas sim à ovelhas que lhe foram confiadas. Ele deve estar disposto a sacrificá-la nas perseguições, nas epidemias e no atendimento de pessoas com doenças contagiosas. É bem verdade que estas ocasiões não são lá tão comuns; não é mártir quem quer, mas há uma maneira de se imolar pelo seu rebanho, mais ordinariamente e no entanto, não menos heroicamente, isto é, não morrendo, mas vivendo pelas suas ovelhas. Deve consagrar suas orações (como os clérigos deveriam amar o seu Breviário!). São delegados por Deus a exercer este Ofício Divino! O bom pastor deve consagrar, outrossim, suas exortações, suas fatigas, os combates aos quais deve sustentar em defesa da fé e dos mandamentos de Deus. De bom ânimo deve estar preparado paras sofrer contradições.

Pois bem, estes sacrifícios de todos os dias, quase diríamos, de todos os momentos, este sacrifício de si mesmo, de todas as suas faculdades, de todas suas forças, é, na verdade, menos brilhante e talvez menos glorioso, e, no entanto, mais completo, mais penoso que o sacrifício rápido de sua vida, executado com um só golpe. Este dura só um instante, não exige mais que um esforço de coragem, enquanto que o outro dura anos inteiros, e exige uma sucessão ininterrupta de esforços e trabalhos.

“O mercenário, porém, e o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas, foge e o lobo arrebata e faz desgarrar as ovelhas, porque é mercenário, e porque não se importa com as ovelhas”. Ao lado do bom pastor, há, infelizmente, o pastor mercenário, que não leva em conta nas suas funções e na guarda de seu rebanho, senão  a recompensa e não  a salvaguarda das ovelhas que lhe são confiadas. Como antes de tudo a recompensa lhe é menos cara que a vida, ao primeiro perigo, ele abandona suas ovelhas, mesmo com o risco de perder o fruto de seus cuidados. Mas o bom pastor, aquele que olha não o salário de seus trabalhos, mas suas ovelhas, diante de algum perigo não abandona seu posto, e vindo o lobo ele se arma de seu cajado, se coloca à porta do aprisco, grita, bate, e se não é mais forte, sucumbe, mas mesmo sucumbindo, pelo grito que dá, pelos golpes de desfere, ele salva seu rebanho. Eis, caríssimos, a característica do bom pastor. Eis o que fez Jesus Cristo e o que fazem e devem fazer todos os pastores aos quais o Bom Pastor confiou o cuidado e a guarda de suas ovelhas. Não vos admireis que o bom pastor, tão doce com suas ovelhas, grite contra os lobos que se aproximam do rebanho, não vos admireis se ele resista, combata, faça guerra; porque ele deve fazê-lo e, de fato o faz mesmo às expensas de sua saúde, e até mesmo de sua vida. Ele segue o exemplo do Bom Pastor: “O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas”.

O bom pastor quando vê vindo os lobos, isto é, os escândalos, as más doutrinas, os maus exemplos, os usos perniciosos, o comunismo, a Teologia da Libertação e seus corifeus; não guarda silêncio, não abre as portas ao mal, mas resiste ao escândalo e não dá lugar ao lobo rapace e não foge nunca da luta em defesa da verdade e da moral. Não é mercenário, não olha seus próprios interesses, não visa alcançar honrarias agradando à maioria. Só almeja salvar almas, nada mais. Caríssimos, como devemos lamentar a míngua de bons pastores!!! “Eu sou o Bom Pastor, eu conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem”. Eis o dever de um pastor de almas: de conhecer suas ovelhas, de
estender seus cuidados a todas, de as ver, de lhes falar, de as procurar, de as atrair pela sua doçura, pela sua caridade. Mas é também dever de as ovelhas conhecer o pastor, isto é, vir até ele, de escutar sua palavra, de obedecer às suas ordens, de seguir seus conselhos, de caminhar em seu seguimento, e é assim também que se estabelecem os bons relacionamentos entre o pastor e suas ovelhas, é assim que os laços que os devem unir se estreitam e que a paz, a piedade, a caridade reinem numa paróquia, e aí espalhem uma doce felicidade, antegozo daquela que nos aguarda no Paraíso. Por outro lado como é triste e lamentável ver como ovelhas desrespeitam e até perseguem seus pastores, pastores zelosos e fiéis à sua missão de salvar as almas!!! Onde isto acontece com frequência, este lugar ou fica amaldiçoado ou porque já o foi: “Seja anátema aquele que tocar nos meus ungidos e maltratar os meus profetas [aqueles que pregam a palavra de Deus] (Salmo 104, 15).

“Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. Estas outras ovelhas eram as nações pagãs que deveriam entrar na Igreja e formar com os judeus o rebanho único de Jesus Cristo. Temos a felicidade de ser deste rebanho e isto deve ser para nós um motivo de grande reconhecimento. Quantos que estão fora do redil, que nunca aí entraram, ou que dele saíram pelo cisma ou pela heresia!

Caríssimos, permaneçamos portanto no rebanho onde Deus nos colocou, sob o cajado do bom Pastor, do Pastor supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!

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14 abril, 2018

“Ninguém na Igreja é dono da liturgia”.

Dom Armando Bucciol é bispo de Livramento – BA e presidente da Comissão de Liturgia da CNBB. Intervenção durante coletiva de imprensa na Assembleia Geral dos Bispos do Brasil 2018.

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13 abril, 2018

Opositores da Ostpolitik: Padre Alessio Ulisse Floridi (1920-1986).

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 03-03-2018 |Tradução:  Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Entre os mais firmes opositores da Ostpolitik vaticana está uma figura de considerável estatura cultural e moral, o padre Alessio Ulisse Floridi (1920-1986).

Ingressado muito jovem na Companhia de Jesus, o padre Floridi foi enviado para estudar no Pontifício Colégio Russicum, onde aprendeu perfeitamente a língua russa e, em 1949, foi ordenado sacerdote do rito bizantino-eslavo.

mosca-e-il-vaticanoSua aspiração era realizar um apostolado clandestino na Rússia, como outros de seus confrades, mas seus superiores o designaram para a revista Civiltà Cattolica, considerada a menina dos olhos da Companhia. O padre Floridi tornou-se o sovietólogo por excelência da revista, com a qual colaborou com artigos derivados de leituras de primeira mão provenientes de jornais, revistas e documentos da União Soviética. Seus artigos, cheios de notas e observações, eram lidos e apreciados pela sua seriedade até pelos próprios comunistas, na Itália e no exterior.

A eleição de João XXIII e a convocação do Concílio Vaticano II representaram um encruzilhada na vida dos escritores de Civiltà Cattolica. A revista jesuíta, no obituário que fez do padre Floridi em 20 de dezembro de 1986, escreveu que ele deixou essa publicação porque a vida de escritor parecia-lhe “muito estática e muito sedentária”. De fato, como o padre Floridi me contou pessoalmente, ele foi demitido abruptamente por não se curvar à imposição de superiores, que lhe pediram que aplicasse ao comunismo a máxima de São Francisco de Sales, segundo a qual “uma gota de mel atrai mais moscas que um barril de vinagre”. O mesmo palavrório foi feito ao padre Giovanni Caprile (1917-1993), que, em vez disso, aceitou a sugestão, e de crítico implacável tornou-se apologista da Maçonaria.

O padre Floridi relembrava que o voto jesuíta de obediência não era indiscriminado, como muitos creem, mas exige apenas “ir a qualquer parte onde Sua Santidade mandar, quer entre os fiéis, quer entre infiéis” (Constituições, § 7). E ele não se eximiu dessa obrigação quando nas altas cúpulas foi decidido que deveria ser enviado o mais longe possível da Vila Malta, sede da Civiltà Cattolica em Roma. Então ele acabou primeiramente no Brasil, entre os refugiados russos, e depois nos Estados Unidos, onde realizou uma fecunda missão entre os católicos ucranianos de rito oriental, mas sem jamais capitular diante do novo curso das coisas.

Quando o conheci em 1977, o padre Floridi era um homem imponente, com cinquenta e sete anos, com uma barba negra que moldava seu rosto aberto e jovial, cheio do humor típico dos autênticos “romanos de Roma”.

Em 1976 ele havia publicado na editora La Casa di Matriona o livro Moscou e o Vaticano, traduzido depois em várias línguas e ainda referência para o estudo das relações entre o Vaticano e o Kremlin. Em 28 de novembro de 1977, fiz ao padre Floriti uma entrevista para o mensário Cristianità, que reproduzo na íntegra (“In tema di dissenso e di Ostpolitik”, Cristianità, n° 32, 1977, pp. 3-4). Relendo-a, parece-me que sua análise histórica nos ajuda a entender em profundidade a Ostpolitik de ontem e de hoje:

P: A impostação que o senhor deu ao volume Moscou e o Vaticano é especial. Ele tem como subtítulo Os dissidentes soviéticos em face ao “diálogo”. Ou seja, a política de distensão entre a Santa Sé e o Kremlin aos olhos da dissidência soviética. Qual é o motivo do seu interesse pelos “dissidentes soviéticos”?

R: É muito simples. Sempre estudei a União Soviética, o “homem soviético”, um homem cuja natureza não é diferente da nossa, apesar do caráter antinatural do regime em que vive. Percebi então que algo estava acontecendo neste mundo, que uma reação começava a produzir-se.

P: Essa reação está limitada a uma elite cultural, ou se estende ao povo soviético? Alguns suspeitam tratar-se de um fenômeno não suficientemente enraizado, quase uma “moda” cultural…

R: O fenômeno não é de nenhum modo limitado apenas a uma elite intelectual. Especialmente a dissidência religiosa está estendida a grandes setores da população. Penso, por exemplo, nos católicos ucranianos e lituanos, nos batistas, na Igreja ortodoxa das catacumbas, nos seguidores do padre Dudko, ou no que está acontecendo na Polônia, onde a dissidência está se desenvolvendo e ampliando-se entre os trabalhadores. Deve-se dizer, no entanto, que a realidade da dissidência nem sempre e necessariamente coincide com a imagem que dela se projeta no Ocidente. Na verdade, no Ocidente é conhecida certa dissidência, a que filtra através dos canais intelectuais, enquanto conhecemos muito menos a realidade da dissidência religiosa popular.

P: Qual é, então, o julgamento dos dissidentes em relação ao “diálogo” entre Moscou e o Vaticano?

R: Extremamente negativo. Os dissidentes não têm confiança no diálogo, do qual experimentam, aliás, as consequências concretas. Eles deveriam ser os beneficiários desta política de distensão, quando na realidade são as vítimas. Deixe-me acrescentar que me parece inconcebível que do lado católico existam alguns que querem lançar sombra de desconfiança e suspeita sobre eles. Refiro-me a um artigo do meu confrade suíço, o padre Hotz, publicado na Civiltà Cattolica e depois brilhantemente refutado pela vossa revista. Parece-me paradoxal que enquanto os dissidentes conjuram os católicos ocidentais a desconfiar do diálogo, sejam precisamente os católicos que, no Ocidente, convidam a suspeitar e desconfiar dos dissidentes.

P: Quais são os interesses do Kremlin no “diálogo”?

R: Através do diálogo, a União Soviética obtém o silêncio do Vaticano. E esse silêncio enfraquece a oposição interna e externa ao regime comunista, contribuindo assim para consolidar as posições internas do império soviético e a favorecer o seu expansionismo internacional. É claro que Moscou procura apoio de Roma para aumentar a sua “credibilidade” no plano internacional. Uma “distensão” tanto mais procurada quanto mais aumentam as tensões internas.

P: Quais são, em sua opinião, os motivos que levaram o Vaticano a buscar o “diálogo” com o Kremlin?

R: O arrazoado aqui é mais complexo. Eu diria que podem ser identificadas pelo menos duas linhas estratégicas. A primeira, diplomática, concordatária, visa a obter um modus vivendi entre o Vaticano e o Estado comunista, a fim de salvaguardar a “paz” internacional e a estrutura eclesial católica no território do império soviético. Portanto, o Vaticano prefere ignorar a Igreja clandestina e catacombal, que conduzia e conduz um apostolado heroico além da Cortina de Ferro, para estabelecer um novo tipo de relações “à luz do sol” com as autoridades comunistas. Isto significa, por exemplo, que os bispos católicos devem ter o “placet” soviético para a  sua nomeação… Trata-se de uma estratégia liderada pelo arcebispo Casaroli e seu dicastério. O próprio Casaroli traçou um programa suficientemente explícito em seu discurso sobre A Santa Sé e a Europa, proferido em Milão no dia 20 de janeiro de 1972.

P: Falava também de uma segunda diretriz…

R: Sim, é aquela que eu poderia definir como “ecumênica”, da qual se incumbe o Secretariado pela Unidade dos Cristãos presidido pelo cardeal Willebrands. Em outras palavras, é o “diálogo ecumênico” entre a Igreja Católica Romana e o Patriarcado Ortodoxo de Moscou. Foi o mesmo Mons. Willebrands, então secretário do dicastério, que “combinou”, durante uma estadia em Moscou (27 de setembro a 2 de outubro de 1962), a participação dos ortodoxos russos no Concílio Vaticano II como observadores. Os representantes russos foram, de fato, os primeiros observadores ortodoxos presentes em Roma, já na noite da inauguração do Concílio (11 de outubro). Justamente nesses dias há, no Russicum, uma delegação ortodoxa que vem – como de costume – para uma peregrinação.

Um comunicado da ANSA precisa que “as reuniões ocorrem no marco dos intercâmbios periódicos de visitas entre representantes da Santa Sé e da Igreja Ortodoxa Russa e coincidem com a visita de uma delegação vaticana ao Patriarcado de Moscou”.

O Concílio Vaticano II representou assim uma “virada” histórica no curso das relações entre a Igreja de Roma e o patriarcado ortodoxo de Moscou, caracterizado até então por uma violenta atitude anticatólica.

P: Quais são, a seu ver, os motivos dessa inversão de rota?

R: Não devemos esquecer os laços de estreita colaboração e dependência direta do Patriarcado de Moscou ao Kremlin. E é certo que, por parte do Kremlin, houve um profundo empenho em evitar qualquer tentativa do Concílio de condenar oficialmente o comunismo. Não faltaram ocasiões nas quais os hóspedes russos fizeram entender claramente que o silêncio sobre a questão do comunismo constituía uma conditio sine qua non para a permanência deles em Roma. A Igreja ortodoxa russa desfez suas “reservas” ao Concílio somente após ter ficado claro que o Concílio não condenaria o comunismo.

P: Quais são os “obstáculos” encontrados pela Santa Sé no seu “diálogo ecumênico” com o patriarcado de Moscou?

R: Um dos principais é constituído hoje pela incômoda presença de seis milhões de católicos ucranianos determinados a permanecer fiéis às suas tradições religiosas, históricas e culturais. A Santa Sé não quer reconhecer um Patriarcado ucraniano ‒ único meio de manter a Igreja Católica ucraniana viva no país e no exterior ‒ porque a Igreja ortodoxa de Moscou exige a supressão dos católicos ucranianos. O Vaticano tem hoje mais consideração pelos metropolitas cismáticos Nikodim e Pimen do que pelo Patriarca católico Slipyi.

P: Por que essa estreita relação entre o Kremlin e o patriarcado de Moscou?

R: O patriarcado de Moscou desempenha duas funções capitais. A primeira, interna, é uma função de filtro, de suporte. Consiste em manter os crentes subservientes ao regime comunista; a segunda, externa, consiste em convencer os líderes das outras Igrejas cristãs de que o comunismo não é tão ruim quanto se pinta e em dar credibilidade, dessa maneira, ao seu “esforço” para a paz no mundo. É significativo a este respeito o papel desempenhado pela Igreja ortodoxa de Moscou no Conselho Mundial das Igrejas, o qual se recusou a apoiar os pacíficos dissidentes soviéticos, embora não poupe apoio aos “dissidentes”, terroristas na sua maioria, de outros países ocidentais.

P: Não acredita que o Kremlin considere o desenvolvimento de suas relações com o Vaticano com um intuito análogo?

R: É claro. Nos países comunistas nos quais se estabelecem relações diplomáticas ou um regime concordatário, as autoridades governamentais dão seu consentimento à nomeação dos bispos, desde que estes aceitem toda a legislação soviética, incluindo, obviamente, a parte relativa à religião. Desta forma, o governo descarrega sobre as autoridades eclesiásticas o peso odioso de fazer respeitar leis iníquas. Hoje, o sacerdote zeloso que ensina o catecismo é frequentemente punido antes por seu bispo que pela autoridade civil.

P: Como os fiéis reagem diante desta situação dramática?

R: Os fiéis da Cortina de Ferro encontram-se diante de verdadeiros dramas de consciência. Eles geralmente os resolvem escolhendo o caminho difícil, mas corajoso, da resistência às autoridades eclesiásticas. Este talvez seja o aspecto mais interessante do fenômeno: o alargamento da dissidência da esfera civil para a eclesiástica. Acontece na Hungria, na Checoslováquia, na Lituânia. Mais de uma centena de sacerdotes lituanos manifestaram ao Santo Padre que preferem permanecer sem bispo a trair o mandato de Cristo.

P: Também o senhor vê como impossível um modus vivendi entre o Estado soviético e o Vaticano?

R: Temo que o Vaticano se esqueça de algo que foi reiterado até mesmo pelos dissidentes durante as audiências do “Tribunal Sakharov” [sobre as violações dos direitos humanos na URSS], a saber, que o Estado soviético quer a destruição de todas as religiões e, portanto, também da religião católica. Não vejo, portanto, quais poderiam ser os elementos sobre os quais estabelecer um modus vivendi entre a Igreja Católica e o ateísmo comunista.

            P: O que o senhor acha da tese segundo a qual um enrijecimento do Vaticano poderia pôr em perigo a paz internacional?

R: Sempre nos ensinaram no catecismo, desde criança, que Deus deve ser colocado acima de tudo, e que seria melhor o mundo perecer do que se cometer um só pecado, uma só ofensa a Deus. Uma catástrofe nuclear seria menos grave que um pecado mortal. Esta fé parece ter minguado nas autoridades eclesiásticas, obcecadas por buscar a paz a todo custo. A salvação de vidas humanas parece-lhes preferível, ainda que isso implique a violação dos direitos de Deus. Trata-se de um problema moral muito sério, cuja solução incumbe aos teólogos, aos bispos e ao Papa. Transfiro-lhes essa interrogação. Esta atitude justifica, creio, a dissidência religiosa, que faz sua a prescrição de São Pedro de que é necessário “obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos 5, 29).

O padre Alessio Ulisse Floridi morreu prematuramente em 7 de novembro de 1986, na clínica Regina Apostolorum de Albano (Roma), depois de algumas complicações inesperadas que se seguiram a uma operação. As freiras da clínica ficaram edificadas pelo seu comportamento durante a doença. Hoje, nós o invocamos como testemunha de acusação contra a “venda” da Igreja chinesa ao regime comunista pelo Papa Francisco e pelo Cardeal Parolin. (Traduzido por HDV).

 

11 abril, 2018

As velhas faces do progressismo “católico”.

Por FratresInUnum.com – 11 de abril de 2018

Nos últimos dias, ganhou certa visibilidade o artigo do Prof. Jorge Alexandre Alves, intitulado “as novas (velhas) faces do conservadorismo católico”, no qual tenta traçar uma espécie de mapeamento daquilo que, na verdade, o está assustando. Segundo ele, “os segmentos mais conservadores do catolicismo tomaram a iniciativa e ‘saíram do armário’”.

Na sequência, ele aponta o que diagnostica como causa: “a presença de grupos e lideranças católicas distorcendo os fatos”. Daí em diante, passa apenas à exemplificações e generalizações, tentando imputar certo protagonismo ao clero carioca na condução destes que ele qualifica como “catolibãs”, “católicos que agem com elevado grau de intolerância e agressividade a ponto de os tornarem comparáveis aos talibãs afegãos”.

Não, não iremos apelar para a islamofobia nem para nenhum tipo de vitimismo ou autodefesa de que nos pudéssemos servir. E, isso, por um motivo simples: não há necessidade alguma! A tentativa de descrição que o autor esboça não passa de uma paródia, uma distorção grosseira da realidade, distorção da qual ele, sem o perceber, é vítima, como são vítimas todos os velhos progressistas aos quais Deus nos quer fazer suportar nestes últimos tempos difíceis.

Retrógrado, o progressismo “católico” padece a olhos vistos, sucumbe à luz do dia, incapaz de fôlego, derrotado pela obviedade dos fatos.

É manifesta a dissonância que sofrem estes senhores, incapazes de enxergar um palmo à sua frente. Eles simplesmente perderam o contato com a realidade.

Embriagados em suas próprias narrativas, em seus desconstrucionismos, em suas teorias críticas, eles acreditam piamente nas estórias que se inventaram, nas fábulas que construíram, mas que não resistiram ao realismo dos fatos.

Eles imaginaram que poderiam interceptar a Igreja inteira, mudar todos os seus dogmas, perverter a sua moral, criticar todos os seus ensinos, desmontar a sua autoridade para, no fim, se esconderem por trás de tudo que eles mesmos desfizeram. Eles passaram a vida inteira esvaziando a fé dos outros e incutindo-lhes uma crença partidária em personagens mitológicos, que na realidade eram psicopatas delinquentes, e se admiraram que todos o tenham percebido.

O progressismo “católico” agoniza diante da objetividade do bom senso. É a verdade que lhes dói, que os violenta, porque se impõe e é xingada de agressiva.

Testemunhamos à olho nu uma desesperada fuga da realidade, um delírio psicótico, que precisa se agarrar aos fantasmas em que creu como um náufrago a um cascalho.

Os progressistas sempre viveram disso. Alimentando-se de utopias, refugiaram-se viciosamente numa Shangri-lá que lhes escapa, naquela “Terra sem males” evocada numa Campanha da Fraternidade do passado.

Não será essa fuga da realidade, por exemplo, o que se viu nessas aberrações da invencionice litúrgica da Semana Santa e que causaram horror até nos mais heterodoxos dos libertadores? Ora, não foram estes mesmos senhores que passaram décadas ensinando criatividade litúrgica aos seminaristas em suas faculdades de teologia? Será preciso mencionar os carnavais da novena de Aparecida, os banzés das missas crioulas, das missas afro e de todas as palhaçadas mais cafonas que já se inventaram neste Brasil?

De fato, a sobriedade da liturgia romana é seca demais para quem precisa se refugiar na fantasia. É tosca, concreta, densa, objetiva demais! Mas eles não suportam a realidade.

No próprio espetáculo prévio à rendição de Lula, no último sábado, o que se via, senão um grande surto coletivo?… Um criminoso, defendido por uma multidão – a qual, diante do Brasil, pouco era –, aclamado como herói. E com o “amém” de um bispo e de uns padres.

Em certo sentido, Lula, indissoluvelmente unido à sua garrafa de cachaça – “é cachaça!”, exclamou, com picardia investigativa feminina, a senadora Glesi Hoffman –, resumiu toda a questão: “Eu não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias”.

É a encarnação ao contrário de Lula: no cristianismo, o Verbo se fez carne; na Teologia da Libertação, o Lula se fez ideia. — Ato falho! Lula confessou diante de todos que a realidade não suportou mais o mito: ele precisa se refugiar na fantasia, porque o teatro acabou.

É… O show acabou. É como um final de novela. Tudo meio nostálgico, meio triste. Mas a pia está cheia de louça e alguém precisa lavar. É esta a sensação que paira na consciência brasileira desses dias. Um alívio perplexo… Era tudo só isso? Pois é!

Neste ínterim, porém, teremos de ter paciência. Muita gente ainda crê naquele roteiro, está ainda apegada demais à ilusão que teima em “sair do armário das ilusões”. Não, não foi o povo que “saiu do armário”, foi a cortina que caiu.

A Igreja no Brasil vive atualmente uma crise senil. Os vovôs estão falando sozinhos, estão caducando e protestam. E como é difícil esta fase! A vovó de minissaia nunca será uma periguete. Será apenas a vovó de minissaia. Engraçadinha, provoca risos, vergonha, mal-estar… Mas é a vovó.

É este o momento que estamos vivendo! O descolamento dos bispos para com o povo é abissal. O povo grita, mas eles se ensurdeceram para o bom senso. E os teólogos da libertação, velhos, incapazes de se reproduzir, jogam todas as suas forças sobre um pontificado decadente e que já está por terminar.

É o terror ao concreto que apavora os idealistas progressistas. As suas velhas faces estão, mesmo, envelhecidas. Não lhes resta mais nada senão recitar ideias, as mesmas de sempre, feito uns conservadores de coisas mofadas, colecionadores de grampos e velharias inúteis… Eles não podem mais avançar. Perderam o tempo e se perderam numa narrativa novelesca coroada pelo “FIM”.

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10 abril, 2018

Atualização sobre nossa guerreira Gercione Lima.

Caros amigos do Fratres!

Não me esqueci de vocês, apesar do meu “chemobrain”( cérebro com lapsos de amnésia devido à quimioterapia).

No presente momento, meus resultados não poderiam ser melhores! Meu CA125 nunca esteve tão baixo: 5 UL quando o normal é abaixo de 34. Minha tomografia também indica que não há sinais ativos da doença, ou seja, estou estável NED (No evidence of disease).

No entanto, minha oncologista decidiu manter-me num regime de manutenção semanal com quimioterapia de baixa dosagem para evitar uma nova e provável recidiva. Lembrem-se que minha doença é bem agressiva.

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No momento, estou tendo que lidar com os efeitos colaterais da quimioterapia e esses sim tem me deixado afastada das atividades normais. O pior de todos é a neuropatia, que afeta os nervos periféricos fazendo com que até a atividade de teclar seja incômoda e dolorosa. Constante edema nas pernas (inchaço) também impedem que eu fique muito tempo sentada, o que piora bastante a situação, e debaixo dos pés sinto como se houvesse uma placa dura tirando toda a sensibilidade, mas o pior são os dedos que ficam extremamente doloridos.

Com isso, me alterno entre caminhadas curtas e uma boa parte do tempo deitada, fazendo com que meu principal meio de comunicação seja mesmo o celular.

Começarei em breve uma jornada de tratamentos alternativos para tentar remediar esses efeitos da quimioterapia, pois sei que minha jornada é longa e o pior mesmo é ter que interromper o tratamento por causa desses efeitos e a doença avançar. Rezem por mim!

Aproveito o ensejo para desejar-lhes um abençoado tempo pascal.

Abraços a todos!

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9 abril, 2018

O Papa Francisco e o destino eterno das almas.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 04-04-2018 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: A finalidade da Igreja é a glória de Deus e a salvação das almas. Salvação de quê? Da condenação eterna, que é o destino que aguarda os homens que morrem em pecado mortal. Para a salvação dos homens, Nosso Senhor ofereceu sua Paixão Redentora. Nossa Senhora lembrou-o em Fátima: o primeiro segredo comunicado aos três pastores, aquele de 13 de julho de 1917, começa com a visão aterrorizante do mar de fogo do inferno. Se não fosse a promessa de Nossa Senhora de levá-los ao Céu, escreve a Irmã Lúcia, os videntes teriam morrido de comoção e medo. As palavras de Nossa Senhora são tristes e severas: “Vistes o inferno, onde caem as almas dos pobres pecadores. Para salvá-los, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração”. Um ano antes, o Anjo de Fátima ensinara aos três jovens pastores esta oração: “Ó meu Jesus! Perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem”.

Jesus fala repetidamente da “Geena” e do “fogo inextinguível” (Mt 5, 22, 13, 42, Mc 9, 43-49) reservado àqueles que se recusam a se converter no fim da vida. O primeiro fogo, o espiritual, é a privação da posse de Deus. É o castigo mais terrível, que constitui essencialmente o inferno, porque a morte dissolve como um feitiço os laços terrenos da alma, que anseia com toda sua força juntar-se a Deus, mas não pode fazê-lo porque escolheu livremente separar-se d’Ele pelo pecado.

A segunda pena, misteriosa, é aquela pela qual a alma sofre um fogo real, não metafórico, que acompanha inextinguivelmente aquele fogo espiritual da perda de Deus. E como a alma é imortal, a punição devida ao pecado mortal sem arrependimento dura tanto quanto dura a vida da alma, que é para sempre, para a eternidade. Esta doutrina é definida pelos Concílios Lateranense IV, Lyon II, de Florença e de Trento. Na constituição Benedictus Deus, de 29 de janeiro de 1336, com a qual condena os erros de seu predecessor João XXII sobre a visão beatífica, o Papa Bento XII afirma: “Nós definimos que, de acordo com a disposição geral de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal atual descem imediatamente ao inferno após a morte e lá sofrem a dor do inferno” (Denz-H 1002).

Em 29 de março de 2018, Quinta-feira Santa, apareceu um colóquio do Papa Francisco no jornal La Repubblica. Seu agora familiar interlocutor, Eugenio Scalfari, pergunta-lhe: “O senhor nunca me falou das almas que morrem em pecado e vão pagar eternamente no inferno. O senhor me falou, pelo contrário, das almas boas admitidas à contemplação de Deus. Mas e as almas ruins? Onde elas são punidas?”.

O Papa Francisco teria respondido assim: “Não são punidas. Aqueles que se arrependem obtêm o perdão de Deus e vão para as fileiras das almas que o contemplam; mas aqueles que não se arrependem e não podem, portanto, ser perdoados, desaparecem. Não existe um inferno, existe o desaparecimento das almas pecaminosas.”

Estas palavras, como soam, constituem uma heresia. O clamor já começava a se difundir quando a Sala de Imprensa do Vaticano interveio com uma declaração na qual se lê: o Papa Francisco “recebeu recentemente o fundador do jornal La Repubblica num encontro privado por ocasião da Páscoa, mas sem dar nenhuma entrevista. O que o autor diz no artigo de hoje é fruto de uma reconstrução feita por ele, na qual não são citadas palavras textuais pronunciadas pelo Papa. Nenhum texto entre aspas do artigo acima mencionado deve, portanto, ser considerado como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre”.

Não foi portanto uma entrevista, mas um colóquio privado que o Papa sabia bem que seria transformado em uma entrevista, porque assim aconteceu nos quatro encontros precedentes com o mesmo Scalfari. E se, apesar das controvérsias levantadas pelas entrevistas anteriores com o jornalista do La Repubblica, ele persiste em considerá-lo como seu interlocutor favorito, isso significa que o Papa pretende exercer, com esses colóquios, uma espécie de magistério midiático, com consequências inevitáveis.

Nenhuma frase – diz a Santa Sé – deve ser considerada como uma transcrição fiel, mas nenhum conteúdo específico da entrevista é negado, de tal maneira que não sabemos se, e em que ponto, o pensamento bergogliano foi deturpado. Em cinco anos de pontificado, Francisco nunca fez uma única referência ao inferno como castigo eterno para as almas que morrem em pecado. Para esclarecer seu pensamento, o Papa, ou a Santa Sé, deveria reafirmar publicamente a doutrina católica, em todos os pontos da entrevista nos quais ela foi negada. Isso infelizmente não aconteceu e fica-se com a impressão de que a notícia de La Repubblica não é uma fake news, mas uma iniciativa deliberada, para aumentar a confusão dos fiéis.

A tese segundo a qual a vida eterna seria reservada às almas dos justos, enquanto as dos ímpios desapareceriam, é uma antiga heresia, que nega, além da existência do inferno, a imortalidade da alma definida como verdade de fé pelo Concílio de Latrão V (Denz-H, n 1440). Essa opinião extravagante foi expressa pelos socinianos, pelos protestantes liberais, por alguns seitas adventistas e, na Itália, pelo pastor valdense Ugo Janni (1865-1938), teórico do “pancristianismo” e grão-mestre maçônico da loja Mazzini, de Sanremo.

Para esses autores, a imortalidade é um privilégio concedido por Deus apenas às almas dos justos. O destino das almas obstinadas no pecado não seria um castigo eterno, mas a perda total do ser. Essa doutrina também é conhecida como “imortalidade facultativa” ou “condicionalismo”, porque considera que a imortalidade é condicionada pela conduta moral. O termo da vida virtuosa é a perpetuidade do ser; o termo da vida culposa é a autodestruição.

O condicionalismo se une ao evolucionismo porque afirma que a imortalidade é uma conquista das almas, uma espécie de ascensão humana análoga à “seleção natural” que leva os organismos inferiores a se tornarem organismos superiores. Trata-se de uma concepção pelo menos implicitamente materialista, porque a verdadeira razão para a imortalidade da alma é a sua espiritualidade – o que é espiritual não pode ser dissolvido –, enquanto quem afirma a possibilidade de uma decomposição da alma lhe atribui uma natureza material. Uma substância simples e espiritual como a alma não poderia perdê-la senão pela intervenção de Deus, mas isso é negado pelos condicionalistas, porque significaria admitir a sanção de um Deus justo que recompensa e pune, no tempo e na eternidade. Por outro lado, sua concepção de um Deus apenas misericordioso atribui à vontade do homem a faculdade de autodeterminação, escolhendo tornar-se uma centelha incorporada no fogo divino ou extinguir-se no nada absoluto.

O panteísmo e o niilismo são as opções deixadas ao homem nesta cosmologia que nada tem a ver com a fé católica e com o bom senso. E para um ateu, já convencido de que nada existe depois da morte, o condicionalismo tira essa possibilidade de conversão, que é dada pelo timor Domini: o temor do Senhor é o princípio da Sabedoria (Salmos 110, 10), a cujo julgamento ninguém escapará. É somente crendo na infalível justiça de Deus que podemos nos abandonar à Sua imensa misericórdia. Nunca como agora se faz necessária a pregação do destino final das almas, que a Igreja resume nos quatro Novíssimos: Morte, Juízo, Inferno e Paraíso. Nossa Senhora em pessoa quis lembrá-lo em Fátima, prevendo a deserção dos Pastores, mas nos assegurando que a assistência do Céu nunca nos faltará.

8 abril, 2018

Foto da semana.

cnbb

Luto na CNBB: no dia seguinte ao julgamento do Habeas Corpus de Lula no STF, a deputada petista Fátima Bezerra de se reúne para um café da manhã com companheiros na, nada mais, nada menos, sede da CNBB em Brasília. Na foto, vemos padre Luiz Couto, deputado federal pelo PT, Roberto Requião e políticos de esquerda, sentindo-se todos eles plenamente em casa.

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7 abril, 2018

O showmício de um ladrão e a complacência de um clero corrompido.

Por FratresInUnum.com – 7 de abril de 2018.

Foi desolador. Como exprimir em termos mais lacônicos o sentimento do povo católico diante de um bispo apoiando um criminoso público?

Foi toda uma semana tensa. Sedenta de justiça, a população aguardava um julgamento imparcial do STF. A decisão rompeu na madrugada. A nação estava em pé!

Prisão promulgada. Mas, ao invés de se entregar, o criminoso, condenado em segunda instância, quis dar o seu espetáculo, às custas da Igreja.

Como se podem prestar a isso esses eclesiásticos, capitaneados por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, e que, por ser emérito, pouco tem a perder? Quantos bispos titulares o estavam apoiando pelas costas? Quantos incentivos? Quantas presenças ausentes? Quanto respaldo silencioso, mas eloqüentemente sentido!

Aqui, não se trata mais de orientação política, mas de justificação do crime, de oposição aberta à justiça. À sombra da Cruz, da Santa Cruz! Obstinado e sacrilegamente.

O fanatismo do clero progressista brasileiro já lhe cegou a razão. Emprestam o que resta de sua autoridade moral a um bandido e não percebem que se destroem em o fazendo. O povo não suporta mais este clero vendido aos interesses socialistas. Infiltração é coisa do passado. Agora, trata-se de ostensiva profissão de fé no messianismo lulo-petista.

O déficit que a Igreja no Brasil sofre com isso não é mais dissimulável. Desgostosos, os fieis não têm mais a quem recorrer. Resta-lhes gritar uns aos outros para terem, ao menos, o consolo de se ouvirem para perceberem que não estão loucos.

Dizem que a maioria dos bispos brasileiros não é mais petista, reclamam que se trata de uma minoria bem articulada, alegam que não é justo imputar a todos o desvio de alguns. Contudo, por que essa suposta maioria não se levanta? Por que não toma distância pública e abandona à iniciativa meramente pessoal esses fundamentalistas adoradores de Lula? Não é verdade que “quem cala consente”?

Hoje, presenciamos uma das cenas mais vergonhosas da história recente da Igreja no Brasil: um bispo sujando sua estola naquele palanque! Obviamente, o espetáculo religioso-circense é apenas a exposição daquilo que é uma realidade há décadas. Lula e o PT são filhotes dos bispos da Teologia da Libertação!

Estamos às portas de uma Assembleia da CNBB, a realizar-se a partir da próxima semana. Seria demais pedir aos bispos que usem de bom senso, que tenham “cheiro de ovelha”, que sigam o povo brasileiro, que abandonem essa ideologia maldita que instrumentalizou a nossa religião, que se convertam a Deus para não se destruírem, destruindo a fé herdada de nossos pais?

A quem recorrer? Sinceramente, não sabemos mais. Há uma descrença no ar. O povo não confia mais em seus pastores. Pelo muito gritar e pelo pouco se ouvir, as ovelhas não aguentam mais. E a tendência é se dispersarem e se aglutinarem em torno de quem pregue aquela doutrina que lhes soe mais familiar aos ouvidos.

Aos nossos leitores, alentamos a que não desanimem. Continuemos a lutar por nossa fé, por nossa Igreja, por Nossa Senhora, que nos assegurou em Fátima: “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.

Escreva ao núncio apostólico, solicitando-lhe que exorte os nossos bispos a não mais agredirem a sensibilidade moral do nosso povo. Nós já somos tão humilhados, tão pobres, tão sacrificados! Com fatos como o de hoje nos sentimos ainda mais pequenos, completamente insignificantes.

Basta! Chegou a hora de nos levantarmos e de extirparmos da nossa Igreja o câncer do socialismo, de retomarmos a nossa religião, de darmos voz aos verdadeiros pastores, de hastearmos nossas bandeiras católicas, de devolvermos à nossa Igreja a glória que um dia lhe pertenceu.

Não basta colocarmos Lula na cadeia, precisamos expulsar os seus progenitores dos intestinos das nossas sacristias! Levantemo-nos! Vamos! E que Nossa Senhora nos ajude! Deus salve a Igreja!