27 julho, 2020

Dividida: a banda podre da CNBB racha com o resto da Conferência e abre fogo contra Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 27 de julho de 2020 – Foi uma semana tensa para a ansiedade da velha guarda da CNBB, aqueles petistas de sacristia que alçaram voos para o episcopado com o pacto firme de promover a ascensão do partido mais corrupto da história, mas que, no final, fracassaram e estão terminando a vida frustrados. Frustrados! Fracassados! Diga-se em alto e bom tom! Frustrados, porque o povo pobre preferiu seguir as seitas pentecostais e renegar a politicagem mofada desses fanáticos comuno-lulistas. Fracassados, porque, salvo eles mesmos, ninguém leva a sério as notinhas que eles pretensiosamente pensam ser “profecia”.

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A conivência com a qual esses mesmos senhores sempre trataram os crimes do PT é vergonhosa. Eles sempre usaram a Igreja como máquina de propaganda do partido, sempre a mantiveram calada quando foi para proteger a sua cria, e, agora, querem usá-la mais uma vez para uma afronta que só beneficiaria o PT.

Por isso, a agitação panfletária da semana passada foi tão febril. Mesmo não conseguindo senão uma adesão minoritária, os bispos da esquerda não conseguiram se conter e soltaram para ninguém menos que a Folha de São Paulo o seu odioso panfleto.

Programada para ser publicada no dia 22, festa de Santa Maria Madalena, graças ao protesto de muitos bispos que não se quiseram acumpliciar, a tal “Carta ao Povo de Deus” foi adiada, adiada, até que… vazou!  Assim, ingenuamente, aproveitando a impossibilidade de que os bispos se reúnam fisicamente, já que a epidemia de coronavírus obteve o cancelamento da assembleia geral deste ano.

É interessante como, para as manifestações tradicionais, a CNBB precise manter a comunhão e os bispos devam conservar o consenso na mordaça, mas, para as manifestações de esquerda, os minoritários reivindiquem o direito de autonomia para se manifestar e publicar o seu protesto ideológico.

Nos bastidores, conjectura-se que o autor da carta tenha sido Dom Joaquim Mól, o qual aparece na matéria da Folha como um dos signatários. Se isso for verdade, como os bispos podem permanecer calados?

Eles votaram em quem para ser o Secretário Geral, em Dom Joel Portella ou em Dom Joaquim Mól?

Mól, de campanha vigorosa nas últimas duas eleições da CNBB, foi rejeitado em ambas pelo episcopado, graças também aos apelos feitos por este blog.

Como pode um bispo não eleito ter tanto poder assim? 

Outro articulador relevante do “manifesto” foi Dom Leonardo Ulrich Steiner, também defenestrado da presidência da CNBB na última eleição.

Ora, senhores bispos: a Assembléia Geral da CNBB, que elege e é a autoridade maior da entidade, é um simples jogo de cena?

Os senhores rejeitam dois prelados, mas deixam-se indiretamente ser guiados por eles?

Tomem postura! Falem! Façam algo!

É verdade que esse cenário contrasta com outra informação de bastidores, a de que o seu arcebispo, o presidente da CNBB, Dom Walmor Azevedo, teria se posicionado internamente contra a publicação. Mas, nesta altura do campeonato, isso é apenas um boato ou é realmente um teatro voluntário? Quem o pode saber?

Para além das conjecturas, um fato impõe-se como verdadeiro: Dom Walmor não teve a fibra moral de manter a Conferência Episcopal naquela propagada união de consenso e, agora, sob a sua presidência, a divisão que já era antiga fica escancarada. A tal “comunhão” foi quebrada. 

Há um grupo de agitadores que mantém a CNBB sob as suas rédeas e que agora se precipitou e causou escândalo. Apesar de uma grande parcela de bispos ter mandado notas de repúdio à presidência, a ala comunista avançou obstinada como um trem. Bom… Um mérito ela tem: para que serve uma Conferência Episcopal já que eles podem se lançar em iniciativas independentes e falar o que querem, aos quatro ventos, nos jornais? Justo esses que sempre usaram o nome da CNBB, agora, jogam a colegialidade do Vaticano II bem na lata do lixo!

Dane-se! Façamos profecia!

Seria esta uma oportunidade para os bons bispos do Brasil se posicionarem. O Brasil tem dimensões continentais… Para que ter uma Conferência Episcopal única? Não seria a hora de levar adiante o processo que já começaram na Amazônia, com a criação da tal Conferência Eclesial Amazônica – um organismo novo, desprovido de personalidade canônica e que ninguém sabe exatamente no que vai dar – e criar várias Conferências Episcopais no Brasil?

Que a CNBB era canhota todo mundo já sabia, mas, agora, realmente virou bagunça. Dividida, a CNBB virou um circo que perdeu a razão de existir. De partido político, virou uma piada política, e piada de mal gosto.

Uma pergunta fica: por que a matéria da Folha divulgou apenas alguns nomes dos 152 signatários, escondendo todos os demais? Será que alguém ali está com medo de ser exposto? Ora, o que mais interessa neste imbroglio é saber o nome de quem assinou: precisamos saber exatamente quem são e onde estão. 

Dom Walmor deveria pura e simplesmente renunciar! Ou, que tal — e os petistas tremem só de ouvir falar — um impeachment?

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25 julho, 2020

Os jesuítas da América Latina aproveitam a crise para apostatar do Deus verdadeiro.

Por José Antonio Ureta

O Foro Mundial de Davos quer aproveitar a “oportunidade de ouro” do colapso econômico pós-confinamento para operar um Great Reset do sistema, tornando-o mais ecológico, igualitário e global. Os jesuítas latino-americanos são mais ambiciosos: querem aproveitar a crise para mudar de Deus.

artigo1Eles o deixam claro na revista Aurora, lançada no início da epidemia pela Conferência de Provinciais na América Latina e no Caribe, da qual já publicaram quatro números com artigos de religiosos da Companhia de Jesus e de leigos ligados a ela.

 A mudança de paradigma divino, como era de esperar, se opera em nome do “discernimento” inaciano da situação. Não me estenderei sobre o abuso do conceito porque os leitores já viram em documentos e declarações do Papa Francisco, particularmente no capítulo VIII da Amoris laetitia, aonde sua deformação sociológica e relativista conduz.

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19 julho, 2020

Por que o povo católico chora a morte de Dom Henrique?

Por FratresInUnum.com, 19 de julho de 2020 – A notícia do falecimento de Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares-PE, mal tinha começado a ser divulgada, e se desencadeava uma onda enorme de comoção por todo o Brasil, comoção especialmente saliente nas redes sociais. Pessoas de todos os lugares do país, especialmente jovens, lamentaram a morte do bispo como se fosse a morte de seu próprio bispo diocesano, de seu pai, de seu amigo… Nunca se viu uma lamentação tão sentida pela morte de um bispo como foi a de Dom Henrique Soares. Por quê?

Homem de oração, depois de ser monge beneditino e trapista, tendo abandonado a vida contemplativa por limitações de saúde, Dom Henrique transparecia uma espiritualidade verdadeira, de modo que suas palavras eram carregadas de uma força sobrenatural.

Pregador assíduo, utilizava todos os meios possíveis, inclusive as redes sociais, para ensinar a doutrina católica, respondendo perguntas simples ou sofisticadas, mas sempre com sabedoria, erudição e eloquência.

Exemplar, tinha um porte respeitoso, casto, varonil e paterno, que conciliava a firmeza e o carinho numa harmonia rara, tão ausente hoje em nossa sociedade.

Dom Henrique não era um bispo de aeroporto ou de WhatsApp, distante das ovelhas ou frio com o clero, não era um burocrata politicamente correto, um administrador que visava somente os ganhos econômicos, não se preocupava consigo mesmo, antes, morreu por sua abnegação: zeloso por seu ministério episcopal, deixou a saúde própria por último. 

Dom Henrique falava como um pastor e não como membro de uma corporação. É por isso que suas palavras vinham do coração, pois ele não estava falando para ser admirado pelos seus pares no episcopado, mas para ser entendido pelo povo mais simples e católico.

O povo fiel sente hoje a sua ausência como uma orfandade porque encontrava nele um bispo-bispo, não um bispo politiqueiro, um bispo membro de uma ONG, um bispo gerente de uma empresa, um bispo apresentador de programa de televisão, um bispo incoerente com sua vocação ou laicizado e de moral duvidosa. Não, ele realmente era um bispo-bispo.

Apesar de defender o Concílio Vaticano II e de não ter nunca celebrado publicamente uma missa tridentina – antes, era um entusiasta da tal “hermenêutica da reforma na continuidade” e da “reforma da reforma” –, ele efetivamente era alguém que sabia compaginar a nova liturgia com elementos tradicionais, sobretudo com a piedade e a devoção que os sacramentos requerem por sua própria natureza. Embora compreendesse a crise da Igreja a seu modo, nele transbordava o que nem o Vaticano II e suas reformas puderam eliminar: a fé viva em Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Era um bispo que carregava o odor daquela tradição católica amada pelo povo, mas odiada por tantos que aprenderam nos seminários a serem brutais e iconoclastas.

Ele se parte e deixa um vazio. É como se os católicos tivessem perdido uma perna e, de repente, tudo ficasse um pouco mais difícil nesse quadro eclesiástico tão nebuloso que vivemos.

Se o nosso clero fosse humilde e sábio – e que os seja! – tiraria as lições desta comoção nacional e começaria a refazer o caminho de retorno para aquela pátria espiritual católica cuja nostalgia faz hoje nosso povo tanto sofrer. Talvez o desaparecimento de Dom Henrique possa despertar os tímidos, os fracos, os deprimidos a voltarem ao front desta batalha pela fé e assumirem o protagonismo que lhes cabe, sem políticas nem concessões, sendo uma imagem corajosa do Cristo Sacerdote que todo padre deveria ostentar.

Com caixão lacrado, em cerimônia rápida, Dom Henrique foi sepultado às pressas, como mais um contaminado pelo vírus chinês. Decerto, ofereceu sua vida pela Igreja e teve a sua oferenda aceita. Que a sua morte possa trazer vida à nossa religião tão castigada justamente por aqueles que deveriam defendê-la. 

Adeus, Dom Henrique! 

19 julho, 2020

RIP + Dom Henrique Soares da Costa.

16 julho, 2020

Carta aberta a Mons. Carlo Maria Viganò e a Mons. Athanasius Schneider.

Consenso internacional acerca do debate sobre o Vaticano II

aberto pelos bispos Carlo Maria Viganò e Athanasius Schneider

Fonte: Dies Irae

A revisão crítica do Concílio Vaticano II é um facto inevitável. Foi dado um novo impulso para o debate, nas últimas semanas, através de algumas intervenções articuladas do Arcebispo Carlo Maria Viganò, antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos, e por Mons. Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Astana no Cazaquistão.    



Hoje, mais de quarenta académicos, jornalistas e intelectuais de todo o mundo publicam um documento de apoio aos dois bispos, renovando o pedido de «um debate aberto e honesto sobre o que realmente aconteceu no Vaticano II e sobre a possibilidade de que o Concílio e a sua actuação contenham erros ou aspectos que favoreçam erros ou prejudiquem a Fé». Disponibilizamos o texto completo, publicado, hoje, em seis idiomas.
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13 julho, 2020

Chateado.

Por FratresInUnum.com, 13 de julho de 2020 – O governo da Turquia anunciou que a Igreja de Santa Sofia será novamente transformada em Mesquita. Dedicada em 537 à Santa Sabedoria, isto é, a Jesus Cristo, sob o governo do imperador cristão Justiniano, a Igreja bizantina foi transformada em Mesquita em 1453, quando os otomanos impuseram a religião maometana em Constantinopla (mudando-lhe o nome para Istambul) e profanaram aquele lugar de culto. Em 1934, a Igreja foi transformada em museu e não foi mais usada como lugar religioso.

2014 - Francisco visita Santa Sofia.

2014 – Francisco visita Santa Sofia.

Na última sexta-feira, o presidente Erdogan anunciou a re-islamização de Santa Sofia, na qual planejam fazer a primeira oração maometana no dia 24 deste mês.

As reações no mundo ortodoxo foram fortes.

O Metropolita Hilarion, presidente do departamento de relações exteriores do patriarcado de Moscou, disse que a transformação da Igreja de Santa Sofia em uma Mesquita “é um duro golpe para a ortodoxia mundial, porque para os cristãos ortodoxos de todo o mundo ela assume o mesmo valor que, para os católicos, tem a basílica de São Pedro, em Roma. Este templo foi construído no VI século e é dedicado a Cristo Salvador e permanece para nós um templo dedicado ao Salvador”.

O patriarca Kiril, de Moscou, afirmou que “com amargura e indignação, o povo russo respondeu no passado e agora responde a qualquer tentativa de degradar ou pisar sobre a herança espiritual milenária da Igreja de Constantinopla”.

O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, escreveu que “a transformação de Santa Sofia em Mesquita desiludiria milhões de cristãos no mundo” e esconjurou a decisão do presidente.

O arcebispo Chysostomos, de Chipre, disse não querer contatar o patriarca de Constantinopla porque “os turcos estão monitorando os nossos telefones” e ele manifestou preocupação porque “o patriarca ecumênico vive na Turquia e sabemos muito bem que cada pequena respiração que faz aborrece os turcos”.

O patriarca da Geórgia publicou nota em que manifesta preocupação, pois “a humanidade deve enfrentar muitos desafios globais” e, neste momento, “é muito importante manter e reforçar os bons relacionamentos entre cristãos e muçulmanos”.

O patriarca da Romênia enviou a Bartolomeu uma carta em que exprime seu apoio e reafirma “a sua solidariedade a todos aqueles que defendem este símbolo da Igreja universal”.

Até o porta-voz do governo grego declarou que buscará sanções internacionais contra a Turquia.

Enquanto isso, em Roma, esperava-se do Papa Francisco uma vigorosa defesa desta que é a primeira maior Igreja da cristandade, em sintonia com todos os demais patriarcas, mas, ao contrário, seu pronunciamento foi: “Meus pensamentos vão para Istambul. Eu penso em Santa Sofia e estou muito aflito”.

É! Realmente, é tudo só isso, Francisco simplesmente disse que está “chateado” com a situação, e não se atreve a dizer mais nada. Bem… A pergunta que fica é: “se fosse para falar só isso, não seria melhor ficar calado”?

Santa Sofia é a porta em que oriente e ocidente se abraçam e o fato em si tem algo a dizer sobre o nosso mundo: o ocidente está de tal modo vergado diante do islã que já não lhe oferece resistência e isto não se deve a uma tendência sociológica espontânea, coisa, aliás, que não existe.

A Igreja Católica um dia foi a Mãe e a Mestra do Ocidente e soube sê-lo de modo eminente, mas, desde após a Revolução Francesa, as forças secretas que queriam a hegemonia sobre o mundo ocidental entenderam que não adiantava mais matar cristãos e agredir o papado. Eles resolveram infiltrar-se na Igreja para desativá-la por dentro. E assim fizeram.

O Beato Pio IX denunciou, com a publicação do documento da Alta Vendita, exatamente como seria esta infiltração. São Pio X, depois, mostrou como os modernistas se organizaram em uma seita justamente para corroerem a Igreja e sua doutrina desde dentro. Pio XII, embora com menos energia, denunciou, na Encíclica Humani Generis, como estes erros tinham se transformado naquilo que se conheceu como Nouvelle Théologie, algo ainda mais elaborado e mais venenoso que o próprio modernismo.

Contudo, no Concílio Vaticano II, todas essas forças, até então discretas, manifestaram-se à luz do dia: colocaram uma linguagem ambígua nos textos conciliares, cuja interpretação, dada anteriormente de modo secreto por eles, seria posteriormente explicitada em termos tais que lançaram a Igreja na completa confusão doutrinal, no vazio, em que eles despontaram como única força organizada.

O resultado foi tão desastroso (destruição dos sacramentos, abandono em massa dos fiéis, deserção também em massa de religiosos e sacerdotes, perda generalizada de toda a doutrina de sempre, profanação de todos os sacramentos, e muito mais), que Paulo VI chegou a dizer que “a fumaça de satanás entrou na Igreja” e que esta passava por um “misterioso processo de auto-demolição”.

Ratzinger, nos anos 80, tentou igualmente fazer a denúncia da Teologia da Libertação como uma espécie de concretização de todos estes desvios do passado sob o recorte marxista: mais do que uma heresia, ela se apresenta como uma espécie de diluidora de toda a doutrina católica para fazer com que a Igreja se transforme apenas numa espécie de ONG focada nas bandeiras sociais que estão na moda (hoje, a revolução sexual e a revolução ecológica). A tentativa de Ratzinger nem precisamos dizer que fracassou completamente: mesmo depois de papa, a máfia de St. Gallen conseguiu desidratar de tal modo o seu pontificado que ele se viu com a única opção de renunciar.

Ora, Jorge Bergoglio é exatamente a imagem de papa sempre sonhada pelas forças revolucionárias que se infiltraram na Igreja, desde a Alta Vendita, passando pelos modernistas e pela Nouvelle Théologie, até a Teologia da Libertação. Ele é o símbolo arquetípico desta Igreja auto-demolidora, pois não apenas introjetou todas as mordaças doutrinais que nos impedem de reagir, mas assimilou completamente o modus pensandi do progressismo católico, que tem ódio do catolicismo tradicional e se pretende ocupar apenas das questões sociais que estão na moda, como ele faz.

Como Francisco poderia se pronunciar duramente contra a conversão de Santa Sofia em mesquita, quando o Vaticano II, em Nostra Aetate, afirma: “A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca”?

Ou, como poderia ele fazê-lo, quando a declaração de Abu Dhabi, que ele mesmo assinou, afirma que: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos”?

Ora, como ele poderia execrar a profanação maometana de Santa Sofia se ele mesmo é o maior incentivador das migrações em massa de maometanos para a Europa? Como ele poderia falar mal dos muçulmanos sem tirar a mordaça da islamofobia concebida pela esquerda para silenciar qualquer política de resistência no Ocidente? Como ele defenderia a conservação ilícita de Santa Sofia, inclusive como um museu, sem ofender a sensibilidade dos cristãos ortodoxos e, assim, agredir o ecumenismo tão propalado por ele, ecumenismo especialmente querido quando o assunto é o ecologismo do Patriarca Bartolomeu?

O problema não é a descristianização do Ocidente, mas a descatolicização da Igreja Católica, que jogou o Ocidente inteiro nas mãos do secularismo mais atroz, totalmente embebido das bandeiras esquerdistas mais radicais, que foram meticulosamente pensadas para neutralizar a Igreja e deixar o caminho aberto para os seus mais declarados inimigos.

Hoje, Santa Sofia é profanada é transformada em Mesquita. Isto também é um símbolo: símbolo de vitória, símbolo de conquista e hegemonia cultural islâmica! No futuro, quem sabe não se irá cumprir aquele desejo tão profundo dos maometanos antigos: transformar a basílica de São Pedro num estábulo de cavalos. Só nos resta saber se, então, o papa de Roma continuará tão alinhado com os slogans esquerdistas e, obedientemente silencioso, dirá apenas, resignado, que está triste, dolorido, chateado.

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11 julho, 2020

Foto da semana.

Father John Killackey walking down Interstate 81 southbound on July 8, 2020.

Padre solitário administra os últimos sacramentos a motorista após acidente de carro fatal. 

Por Alyssa Murphy, National Catholic Register, 10 de julho de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com:

A imagem de um padre solitário caminhando pela Highway 81 despertou o interesse de milhares de católicos nesta semana.

Encharcado de tanta chuva, a imagem aparece como uma obra de arte de Norman Rockwell [ndt: um pintor norte-americano]; o preto de sua batina, pesado com a água, poderia ser manchas de tinta a óleo. O padre, agora identificado como padre John Killackey, ficou preso em uma fila de carros ao longo da rodovia depois que seis veículos foram envolvidos em um acidente na Interstate 81 South em East Hanover Township, em Lebanon, Pensilvânia, em 8 de julho de 2020.

O tráfego aparentemente parou devido a fortes chuvas. Um carro, sem perceber o tráfego parado, bateu na fila de carros e o motorista ficou gravemente ferido. O Padre Killackey então foi ao trabalho, caminhando entre os carros e os caminhões, oferecendo ajuda aos feriados. Padre Killackey conseguiu administrar os últimos sacramentos a uma pessoa, pouco antes da morte do motorista.

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7 julho, 2020

Por que a crítica de Viganò ao Concílio deve ser levada a sério.

Por Peter Kwasniewski, 29 de junho de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com* – O recente “ataque” ao Vaticano II é um “momento de crise” para os tradicionalistas? Estamos indo contra um Concílio legítimo e louvável em vez de direcionar corretamente nossa ira à liderança inepta que o seguiu e o traiu?

Essa tem sido a linha dos conservadores há muito tempo: uma “hermenêutica da continuidade” combinada com fortes críticas às brigadas episcopais e clericais. A implausibilidade dessa abordagem é demonstrada por, entre outros sinais, o sucesso infinitesimal que os conservadores tiveram em reverter as “reformas” desastrosas, tendências, hábitos e instituições estabelecidas na esteira e em nome do último concílio, com aprovação ou tolerância papal. Um paralelo secular vem à lembrança: o terreno árido do “conservadorismo” político americano, no qual qualquer conformidade remanescente das leis humanas e das decisões judiciais com a lei natural está evaporando diante de nossos olhos.

O que o arcebispo Viganò tem dito recentemente com uma franqueza incomum nos sacerdotes de hoje (veja aquiaqui e aqui) é apenas uma nova parte de uma crítica de longa data oferecida pelos católicos tradicionais, do “O concílio de João XXIII” de Michael Davies  e “Iota Unum” de Romano Amerio a “O Concílio Vaticano II: uma história não escrita” de Roberto de Mattei  e o “Phoenix from the Ashes” de Henry Sire. Observamos bispos, conferências episcopais, cardeais e papas construindo um “novo paradigma”, peça por peça, por mais de meio século – uma “nova” fé católica que, na melhor das hipóteses, apenas se sobrepõe parcialmente e, na pior das hipóteses, contradiz a tradicional fé católica como a encontramos expressa nos Padres e Doutores da Igreja, nos concílios anteriores e nas centenas de catecismos tradicionais, sem mencionar os antigos ritos litúrgicos latinos que foram suprimidos e substituídos por ritos radicalmente diferentes.

Tão enorme abismo separa o velho e o novo que não podemos deixar de perguntar sobre o papel desempenhado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II no desenrolar de uma história modernista que tem o seu início no final dos anos do século XIX e seu desfecho no presente. A linha de Loisy, Tyrrell e Hügel a Küng, Teilhard e Ratzinger (jovem) a Kasper, Bergoglio e Tagle é bastante reta quando se começa a conectar os pontos. Isso não quer dizer que não haja diferenças interessantes e importantes entre esses homens, mas apenas que eles compartilham princípios que seriam tidos como duvidosos, perigosos ou heréticos por qualquer um dos grandes confessores e teólogos, de Agostinho e Crisóstomo a Tomás de Aquino e Roberto Belarmino.

Temos que abandonar de uma vez por todas a ingenuidade de pensar que a única coisa que importa no Vaticano II são seus textos promulgados. Não. Nesse caso, os progressistas e os tradicionalistas concordam, com razão, que o evento é tão importante quanto os textos (neste ponto, veja o livro incomparável de Roberto de Mattei). A imprecisão dos propósitos para os quais o Concílio foi convocado; a maneira manipuladora como foi conduzido; a maneira consistentemente liberal em que foi implementado, quase sem reclamações do episcopado mundial – nada disso é irrelevante para interpretar o significado e significância dos textos do Concílio, que exibem gêneros novos e ambiguidades perigosas, sem mencionar passagens que têm todos os traços de erro claros, como os ensinamentos sobre os muçulmanos e os cristãos adorarem o mesmo Deus, dos quais o bispo Athanasius Schneider fez uma crítica devastadora em Christus Vincit [i] .

É surpreendente que, nesta fase tardia, ainda houvesse defensores dos documentos do Concílio, quando é claro que eles se prestavam primorosamente ao objetivo de uma total modernização e secularização da Igreja. Mesmo que seu conteúdo fosse inquestionável, sua verbosidade, complexidade e mistura de verdades óbvias com ideias duvidosas forneciam o pretexto perfeito para a revolução. Essa revolução agora está derretida nesses textos, fundida a eles como peças de metal passadas por um forno superaquecido.

Assim, o próprio ato de citar o Vaticano II tornou-se um sinal de que a pessoa deseja se alinhar com tudo o que foi feito pelos papas – sim, pelos papas! – em seu nome. Na vanguarda está a destruição litúrgica, mas exemplos podem ser multiplicados ad nauseam: considere momentos sombrios como as reuniões interreligiosas de Assis, cuja lógica João Paulo II defendeu exclusivamente nos termos de uma série de citações do Vaticano II. O pontificado de Francisco apenas pisou no acelerador.

Sempre é o Vaticano II que é usado para explicar ou justificar todos os desvios e afastamentos da histórica fé dogmática. Tudo isso é pura coincidência – uma série de notáveis interpretações infelizes  e julgamentos desobedientes que uma leitura honesta dos textos poderia dissipar, como o sol brilhando através das nuvens cinzentas?

Não existem coisas boas nos documentos?

Estudei e ensinei os documentos do Concílio, alguns deles inúmeras vezes. Eu os conheço muito bem. Como sou um devoto dos “Grandes Livros” e sempre lecionei para as escolas de Grandes Livros, meus cursos de teologia normalmente começavam com as Escrituras e os Pais da Igreja, depois entramos nos escolásticos (especialmente Santo Tomás) e terminavam com textos magisteriais: encíclicas papais e documentos conciliares.

Muitas vezes senti um aperto no coração quando o curso chegou a um documento do Vaticano II, como Lumen GentiumSacrosanctum ConciliumDignitatis HumanaeUnitatis RedintegratioNostra Aetate ou Gaudium et Spes.

É claro, é claro! – eles têm muito de belo e ortodoxo. Eles nunca teriam conseguido o número necessário de votos se fossem flagrantemente contra o ensino católico.

No entanto, eles também são produtos de comissões extensas, pesadas e inconsistentes, que desnecessariamente complicam muitos assuntos e carecem da clareza cristalina que um concílio deveria alcançar pelo trabalho duro. Tudo o que você precisa fazer é examinar os documentos de Trento ou os sete primeiros concílios ecumênicos para ver exemplos brilhantes desse estilo rigidamente construído, que interrompe a heresia em todos os pontos possíveis, na medida em que os pais do concílio eram capazes naquela conjuntura [ii]. E então há as sentenças no Vaticano II – e não poucas – em que se para e se diz: “Sério? Estou realmente vendo essas palavras na página na minha frente? Que coisa [bagunçada; problemática; próxima ao erro; errônea] a se dizer” [iii].

Eu costumava dizer, com os conservadores, que deveríamos “pegar o que há de bom no Concílio e deixar para trás o resto”. O problema dessa abordagem é capturado pelo Papa Leão XIII em sua Encíclica Satis Cognitum:

Os arianos, os montanistas, os novacianos, os quartodecimanos, os eutiquianos, certamente não rejeitaram toda a doutrina católica: eles abandonaram apenas uma parte dela. Ainda quem não sabe que eles foram declarados hereges e banidos do seio da Igreja? Da mesma forma, foram condenados todos os autores de princípios heréticos que os seguiram nos tempos subsequentes. “Não pode haver nada mais perigoso do que aqueles hereges que admitem quase toda a doutrina e, no entanto, por uma palavra, como com uma gota de veneno, infectam a fé real e simples ensinada por nosso Senhor e transmitida pela tradição apostólica” (Anon., Tratado da Fé Ortodoxa contra os Arianos).

Em outras palavras: é a mistura, a confusão, de grande, bom, indiferente, ruim, genérico, ambíguo, problemático, errôneo, tudo isso em enorme quantidade, que faz com que o Vaticano II seja merecedor de repúdio [iv].

Sempre houve problemas depois dos concílios da Igreja?

Sim, sem dúvida: os concílios da Igreja foram seguidos por um grau maior ou menor de controvérsia. Mas essas dificuldades eram geralmente apesar, não por causa da natureza e do conteúdo dos documentos. Santo Atanásio podia apelar repetidamente a Nicéia, como a uma bandeira de batalha, porque seu ensino era sucinto e sólido. Os papas após o Concílio de Trento podiam apelar repetidamente a seus cânones e decretos, porque o ensino era sucinto e sólido. Embora Trento tenha produzido um grande número de documentos ao longo dos anos em que as sessões ocorreram (1545 a 1563), cada documento é uma maravilha de clareza, sem uma palavra desperdiçada.

No mínimo, os documentos do Vaticano II falharam miseravelmente no propósito do Concílio, conforme explicado pelo Papa João XXIII. Ele disse em 1962 que queria uma apresentação mais acessível da Fé para o Homem Moderno. ”Em 1965, tornou-se dolorosamente óbvio que os dezesseis documentos nunca seriam algo que você apenas reuniria em um livro e entregaria a todos os leigos ou questionadores. Pode-se dizer que o Concílio caiu entre dois suportes: não produziu um ponto de entrada acessível para o mundo moderno nem um “plano de compromisso” sucinto para os pastores e teólogos confiarem. O que ele conseguiu? Uma enorme quantidade de papelada, muita prosa ventosa e uma cutucada: “Adapte-se ao mundo moderno, meninos!” (Ou, se você não se adaptar, tenha problemas – para emprestar uma frase de Hobbes – “com o poder irresistível do deus mortal” em Roma, como o arcebispo Lefebvre descobriu rapidamente.)

É por isso que o último concílio é absolutamente irrecuperável. Se o projeto de modernização resultou em uma perda maciça de identidade católica, mesmo de competência doutrinária básica e moral, o caminho a seguir é prestar os últimos respeitos ao grande símbolo desse projeto e vê-lo enterrado. Como Martin Mosebach diz, a verdadeira “reforma” sempre significa um retorno à forma – isto é, um retorno a uma disciplina mais rígida, doutrina mais clara, adoração mais completa. Não significa nem pode significar o contrário.

Existe algo da substância da Fé, ou algum benefício indiscutível, que perderíamos se nos despedirmos do último concílio e nunca mais ouvíssemos seu nome mencionado de novo? A Tradição Católica já possui em si imensos recursos (e, especialmente hoje, em grande parte inexplorados) para lidar com todas as questões irritantes que enfrentamos no mundo de hoje. Agora, quase um quarto do caminho para um século diferente, estamos em um lugar muito diferente, e as ferramentas de que precisamos não são as da década de 1960.

O que, então, pode ser feito no futuro?

Desde a carta do arcebispo Viganò em 9 de junho e seus subsequentes escritos sobre o assunto, as pessoas discutem o que pode significar “anular” o Concílio Vaticano II.

Eu vejo três possibilidades teóricas para um futuro papa.

  1. Ele poderia publicar um novo Sílabo de erros (como o bispo Schneider propôs em 2010) que identifica e condena os erros comuns associados ao Vaticano II, sem atribuí-los explicitamente ao Vaticano II: “Se alguém disser XYZ, seja anátema.” Isso deixaria em aberto o grau em que os documentos do Concílio realmente contêm os erros; no entanto, fecharia a porta para muitas “leituras” populares do Concílio.
  2. Ele poderia declarar que, olhando para o meio século passado, podemos ver que os documentos do Concílio, por causa de suas ambiguidades e dificuldades, causaram mais mal do que bem na vida da Igreja e deveriam, no futuro, não ser mais referenciados como autoritários na discussão teológica. O Concílio deve ser tratado como um evento histórico cuja relevância já passou. Novamente, essa postura não precisaria afirmar que os documentos estão errados; seria um reconhecimento de que o Concílio mostrou que “não vale o problema”.
  3. Ele poderia especificamente “negar” ou anular certos documentos ou partes de documentos, como partes do Concílio de Constança que nunca foram reconhecidas ou foram repudiadas.

A segunda e terceira possibilidades decorrem do reconhecimento de que o Concílio assumiu a forma, única entre todos os concílios ecumênicos da história da Igreja, de ser “pastoral” em propósito e natureza, de acordo com João XXIII e Paulo VI; isso tornaria deixá-lo de lado relativamente fácil. À objeção de que, ainda, forçosamente, ele diz respeito a questões de fé e moral, eu responderia que os bispos nunca definiram nada e nunca anatematizaram nada. Até as “constituições dogmáticas” não estabelecem dogmas. É um concílio curiosamente expositivo e catequético, que não resolve quase nada e incomoda bastante.

Como quer que seja que um futuro papa ou concílio lide com essa bagunça completamente arraigada, nossa tarefa como católicos permanece como sempre foi: manter a fé de nossos pais em suas expressões normativas e confiáveis, a saber, o lex orandi dos ritos litúrgicos tradicionais do Oriente e do Ocidente, o lex credendi dos Credos aprovados e o testemunho consistente do Magistério ordinário universal, e o lex vivendi mostrado a nós pelos santos canonizados ao longo dos séculos, antes da confusão se estabelecer. Isso é suficiente, e mais que suficiente.

[i]  Veja sinopse aqui.

[ii]  É digno de nota que João XXIII nomeou comissões preparatórias que produziram documentos curtos, justos e claros para o próximo Concílio trabalhar – e depois permitiram que a facção liberal ou “Reno” dos pais do Concílio descartassem esses projetos e os substituíssem por novos. A única exceção foi o Sacrosanctum Concilium, projeto de Bugnini, que navegou sem grandes problemas.

[iii]  Não se trata apenas de traduções ruins; as primeiras traduções eram geralmente boas e então depois as traduções pioravam os textos mais.

[iv] Como o cardeal Walter Kasper admitiu em um artigo publicado no L’Osservatore Romano em 12 de abril de 2013: “Em muitos lugares, [os Padres do Concílio ] tiveram que encontrar fórmulas de compromisso, nas quais, frequentemente, as posições da maioria são localizado imediatamente ao lado da minoria, projetado para delimitá-los. Assim, os próprios textos conciliares têm um enorme potencial de conflito, abrindo a porta para uma recepção seletiva em qualquer direção. ”

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida.

6 julho, 2020

+ RIP Ennio Morricone.

“Hoje a Igreja cometeu um grande erro, atrasando o relógio 500 anos com as guitarras e as canções populares. Nada disso me agrada. O canto gregoriano é uma tradição vital e importante da Igreja e desperdiçá-lo por misturas juvenis de palavras religiosas e profanas, canções ocidentais, é extremamente grave, extremamente grave”.

Ennio Morricone, falecido hoje. RIP.

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1 julho, 2020

Padre Claude Barthe a Mons. Viganò: “Vosso exemplo nos ajuda”.

Um evento histórico: a crítica do Vaticano II por Monsenhor Viganò.

Carta-aberta do Padre Claude Barthe [1] | Tradução: FratresInUnum.com*

Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação 'Una cum Papa Nostro'.

Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação ‘Una cum Papa Nostro’.

Tomo a liberdade de reagir à declaração de Vossa Excelência, “Sobre o Vaticano II e suas conseqüências” (Chiesa e post concilio, 9 de junho de 2020), para sublinhar, modestamente, a importância desta declaração para a Igreja. 

Que me seja permitido resumi-la em cinco pontos:

1 – O Vaticano II contém textos “em oposição direta à doutrina até então expressa no Magistério” 

Vosso ataque ao Vaticano II visa:

  • Aquilo que está em desacordo direto com a doutrina anterior, como a liberdade religiosa, da declaração Dignitatis humanæ, e os fundamentos presente nas declaração Nostra ætate sobre as novas relações com as religiões não-cristãs; ao que poderíamos ainda acrescentar o decreto sobre o ecumenismo, Unitatis redintegratio, que introduziu a inovação da “comunhão imperfeita” que teriam aqueles que estão separados de Cristo e da Igreja;
  • Além de ambigüidades que podem ser utilizadas no sentido tanto da verdade quanto do erro, como o subsistit in do n. 8 da Constituição Lumen gentium: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, em lugar de: “A Igreja de Cristo é a Igreja Católica”.

2 – Tais distorções doutrinais são a origem dos erros que se seguiram – de que o “espírito do Concílio” é a prova.

Vossa Excelência explica que os desvios ou elementos muito prejudiciais para a fé cristã, que marcaram o período pós-conciliar (como a Declaração de Abou Dhabi, mas também as jornadas de Assis, a reforma litúrgica, a prática da colegialidade), encontram sua origem nestas distorções.

Além disso, ressalta de vosso texto que o conceito “espírito do Concílio” confirma a especificidade inovadora dessa assembléia, “pois nunca houve um ‘espírito do Concílio de Nicéia’, nem ‘espírito do Concílio de Ferrara-Florença’ e muito menos um ‘espírito do Concílio de Trento’, assim como nunca houve um ‘pós-concílio’ depois do Latrão IV ou do Vaticano I”. 

3 – Tais distorções não podem ser corrigidas

As tentativas visando corrigir os excessos do Concílio Vaticano II, escreveis, foram impotentes:

  • A) Ou porque enveredou-se pela via insuficiente da “hermenêutica da continuidade”. Com efeito, isso é tanto mais inviável quando essa hermenêutica é tanto menos um retorno ao magistério anterior, mas representa a busca de uma terceira via entre inovação e tradição. Bento XVI, em seu discurso à Cúria Romana de 22 de Dezembro de 2005, defendia uma “hermenêutica da renovação na continuidade” contra a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”. Mas esta última, porém, diz respeito tanto aos ‘tradicionalistas’ quanto aos ‘progressistas’, pois uns e outros consideram que o Vaticano II operou algumas rupturas.

 

  • B) Ou porque incitou-se o Magistério a “corrigir” os erros do Vaticano II. Justamente vós mostrais que este projeto, “mesmo com a melhor das intenções, mina as fundações do edifício católico”: com efeito, opor o magistério de amanhã ao de hoje, que contradisse o de ontem, levaria ao fato de que nenhum ato do Magistério jamais seria definitivo.

Assim, num complemento de 15 de junho (Chiesa e post concilo), Vopssa Excelência sustenta a opinião de que um Papa no futuro “poderia anular todo o Concílio”.

Se me é permitido ampliar a vossa análise, diria que a única solução para contradizer por um ato do Magistério um ato precedente é constatar que o ato em questão não é magisterial na plena força do termo. Por exemplo, Pastor Aeternus, do Concílio Vaticano I, em 1870, anulou de facto o decreto Frequens, do Concílio de Constança, em 1417, que pretendia institucionalizar a superioridade do Concílio sobre o Papa. Essa anulação foi possível porque a Santa Sé nunca reconheceu o valor dogmático de Frequens. Do mesmo modo, com o Vaticano II, encontramo-nos num cenário como o de Frequens, uma vez que os órgãos do próprio Concílio Vaticano II (Dz 4351) e toda a interpretação posterior assegura que este Concílio foi de natureza simplesmente “pastoral”, isto é, não dogmática. De fato, o grande meio para sair da presente crise do Magistério é deixar aquilo a que se chama “pastoral” para trás, e entrarmos de novo no dogmático: que o Papa sozinho ou o Papa e os Bispos unidos a ele se expressem magisterialmente e não mais “pastoralmente”. 

4 – O presente pontificado é um esclarecimento paradoxal

Vossa Excelência escreve: “Aquilo que, desde há anos, ouvimos enunciado, vagamente e sem clareza, da mais alta Cátedra, encontramo-lo depois elaborado num verdadeiro e propriamente dito manifesto dos partidários do presente pontificado”.

Era o que muitos sentem quando tentam dar uma pia interpretatio (n.t.: interpretação piedosa) dos textos controversos do Vaticano II: eles dizem que (n.t.: a doutrina claramente heterodoxa professada a partir dum magistério ambíguo e sem clareza) não é possível, pois que a aplicação (n.t.: ortodoxa dos textos conciliares), de certo modo autêntica, é feita hoje em dia. Os textos deste pontificado são uma conclusão dos pontos litigiosos do Concílio, como, por exemplo, o reconhecimento errôneo dos direitos da consciência na Exortação Amoris lætitia, cujo n. 301 declara que em certas circunstâncias o adultério não é pecado.

5 – Um dever de consciência pesa sobre os prelados da Igreja, quais tenham consciência dessa situação

Falando de si mesmo, dizeis: “Eu mesmo, com honestidade e serenidade, obedeci, ao longo de sessenta anos, a ordens questionáveis, acreditando que representassem a voz amorosa da Igreja; e hoje, com igual serenidade e honestidade, reconheço que me deixei enganar”.

Numerosos prelados, notadamente desde as últimas assembléias do Sínodo, são conduzidos a recuar diante das conseqüências atuais das causas que remontam há meio século. Vosso exemplo e encorajamentos podem ajudá-los a expressar, com consciência, e para o bem da Igreja, seus desacordos com estas causas: os pontos defeituosos do Vaticano II. 

[1] Pe. Claude Barthe é autor de Trouvera-t-il encore la foi sur la terre ? Une crise de l’Église, histoire et questions (François-Xavier de Guibert, 2006, 3a edição); La Messe de Vatican II. Dossier historique (Via Romana, 2018).