7 março, 2019

O livro que quer transformar a Igreja em Sodoma.

Por FratresInUnum.com, 7 de março de 2019: Sodoma é o nome da cidade bíblica cujo fim está ligado ao castigo divino pela difusão do pecado sexual contra a natureza com pessoas do mesmo sexo (cf. Gen. XIX,1-26). Por isso, Frédéric Martel escolheu “Sodoma” como nome de seu livro acerca da homossexualidade no Vaticano, pois, segundo ele, a Igreja se tornou como que um refúgio para homossexuais.

Em recente entrevista, porém, Martel deixou bastante claros alguns de seus pressupostos, sem os quais seria impossível chegar a essa conclusão. Apresentaremos, primeiro, os pontos principais da entrevista e, em seguida, faremos uma análise crítica. Pedimos ao leitor a paciência de ler calmamente o nosso texto.

Análise dos principais pressupostos do livro

Em primeiro lugar, ele afirma que “a castidade é profundamente contranatura”. Este é o pressuposto central e principal para todas as conclusões a que chega o autor.

Além disso, Martel afirma que a Igreja é “um ambiente homoerótico e as pessoas heterossexuais não querem ir para lá, querem se casar” e que, portanto, “as figuras na Igreja mais fervorosamente a favor da castidade e do celibato são muitas vezes os padres homossexuais”.

Aqui, o autor mostra muito bem que a finalidade do seu escrito é, primeiramente, lançar sob suspeita todos os padres que preguem a castidade, que defendam o celibato e que, portanto, tenham atitudes mais espirituais, místicas e doutrinais.

Ademais, ele afirma claramente que “para mim um cardeal ou um bispo ser gay não é problema. Há um problema, sim, com a vida dupla, com a hipocrisia”. Em outras palavras, o autor, que é um homossexual confesso, declara que a homossexualidade em si não é um problema, mas, como todos os que a atacam, segundo ele, são homossexuais enrustidos, isto é uma hipocrisia da qual a Igreja tem que libertar os seus clérigos, pois, “a homossexualidade, quando é reprimida, quando a pessoa se odeia a si própria e se flagela, acaba por tornar-se um problema que vem à superfície”.

Deste modo, Martel afirma que a homossexualidade no clero é um fenômeno cuja abrangência é enorme, mas não é um problema em si — o problema é combatê-la.

Um último detalhe digno de nota é que ele se apresenta como grande defensor de Francisco, diz que, para escrever o seu livro, ficou hospedado no Vaticano (na residência Santa Marta, que é a única hospedagem intra muros, lugar onde, por mera coincidência, reside o pontífice argentino), mas se defende, negando que “foi o Papa que encomendou este livro e que foi por isso que a sua entourage me deu acesso ao Vaticano”. Teriam razão os antigos, quando afirmavam que “quem muito se defende, muito se acusa”?…

Passemos à análise crítica dos pressupostos declarados pelo autor em sua entrevista.

A castidade contranatura?

O pilar principal de todo o livro é que a “castidade é contranatura” e, portanto, que toda pregação acerca da castidade só pode ser sinal de hipocrisia ou de repressão, a qual depois explodiria sob a forma de abusos sexuais.

É óbvio que só uma pessoa que não pratica a castidade pode pensar que é impossível que alguém a pratique por pura virtude e também por graça de Deus, através de uma profunda vida de oração. Hoje, em um mundo tão erotizado e tiranizado pela luxúria, talvez seja mais raro encontrarmos pessoas espontaneamente castas, mas isso não era muito raro até alguns anos atrás. Fica fácil, portanto, enganar o leitor: toma-se uma espécie de clichê mental compartilhado socialmente como se fosse um absoluto inquestionável, ao qual o próprio autor se nega a comprovar, aliás, porque é totalmente falso.

A verdade é o contrário do que diz o autor, pois o ser humano é essencialmente dotado de razão e, portanto, capaz de dominar o seu instinto sexual pela razão, e é nisso que consiste a virtude da castidade. Nada mais conveniente à natureza humana…

A castidade é uma virtude extremamente humanizante, equilibradora da psique, tranquilizadora, elevada. O celibato é a verdadeira marca da consagração completa do sacerdote católico, totalmente absorvido na sua missão apostólica e desinteressado por qualquer outro bem que não o seu crescimento espiritual para a salvação das almas. É plenamente acessível a qualquer pessoa o testemunho de tantos cristãos que são felizes por praticar a castidade ainda hoje e o número imenso de celibatários que sempre foram a coroa da Igreja Católica.

No entanto, desde o início da modernidade, as sociedades ocidentais se tornaram vítimas de um violento processo de implosão da razão e hiper-estimulação das paixões, especialmente da libido, da pulsão sexual. São séculos de esforços para corromper a consciência das pessoas e tornar cada dia mais impossível o acesso à luz da razão e, portanto, totalmente inacessível a luz da fé, que é muito superior e mais sutil.

Chegamos ao ponto de que, como bem ilustra Martel, tornou-se quase impossível para muitos imaginar que existe um mundo para além dos limites tão estreitos da libido. O prazer venéreo tornou-se o único viés pelo qual estas pessoas enxergam o universo e, portanto, qualquer coisa que exista fora disso se lhes apresenta como hipócrita, ilógica, inexistente. Martel chega ao ponto de distorcer de tal modo a realidade que, para ele, se um padre se apresentar como celibatário e casto, espiritual e conservador, deve-se por força concluir que é um homossexual perigoso!

O mais incrível, porém, é como se conseguiu que os próprios sacerdotes da Igreja sucumbissem a esta desgraça e se tornassem materialistas práticos. Não é raro que encontremos padres que pensem exatamente como Martel, partindo do princípio de que a castidade é desumana e que a prática do sexo é como que um cume da vida do homem.

O Pe. Luís Correa Lima, jesuíta, por exemplo, escreveu há um ano um artigo intitulado “A fraternidade e a superação da violência contra LGBT”, no qual a única opção que lhe parecia razoável na pastoral da Igreja com pessoas homossexuais é a aceitação irrestrita das suas práticas sexuais. Ele raciocina como se a castidade não existisse, como se não fosse humanamente integradora, chegando a dizer que tem razão quem busca “almejar construir um mundo em que as pessoas possam viver e respirar dentro da sua própria sexualidade”. O Pe. James Martin, também jesuíta e predileto da corte de Papa Francisco, fez considerações muito similares durante o Encontro Mundial das Famílias. Estes são apenas dois exemplares de um cenário desolador.

A Igreja, um ambiente homoerótico?

Martel afirma que a Igreja é um ambiente homoerótico e que os heterossexuais não querem saber de castidade, mas querem se casar e ter filhos, e que, por fim, o clero superpopulou-se de gays que se escondem por trás de suas batinas.

A afirmação de Martel é tão evidentemente verdadeira do ponto de vista estatístico que chega a confundir o leitor, visto que o número de padres homossexuais é gritantemente enorme.

Contudo, Martel toma como pertencente à essência do sacerdócio celibatário aquilo que é apenas uma anormalidade das últimas décadas. Qualquer pessoa um pouco mais velha sabe que, embora hoje haja um número tão assustador de homossexuais no clero, há cinquenta anos a Igreja simplesmente não era assim. É verdade que sempre existiram casos de padres que praticaram a homossexualidade, mas eram a exceção e não a regra.

Os padres antigos eram desbravadores, conhecidos por sua virilidade e coragem de sua pregação, tiravam do nada Igrejas pujantes, eram homens de reputação ilibada, venerados pela população, influentes desde o ponto de vista político e respeitados moral e intelectualmente. Quanto mais os bispos e cardeais!…

Foi nas últimas décadas que a prática da homossexualidade tornou-se tão generalizada no clero católico. Mas, antes, não era assim. Como chegamos a este ponto?

A homossexualização do clero católico: um projeto de corrupção

É preciso dizer os fatos com clareza: os seminários católicos sofreram a infiltração sistemática de agentes externos que disseminaram homossexuais por toda a estrutura da Igreja com o fim de destruí-la, e isso em todos os graus da hierarquia.

Neste sentido, o estudo de Michael Rose, “Adeus Homens de Deus” (Editora Ecclesiae, Campinas: 2015) apresenta uma vasta documentação que não deixa margem para dúvidas. Temos o testemunho confesso da principal agente desta trama. O livro precisa ser lido para que todos entendamos a monstruosa operação realizada para corromper a Igreja.

No Brasil, tivemos um caso bastante similar, cujos bastidores foram revelados por um infiltrado de uma sociedade secreta na Igreja Católica muito conhecido nas décadas de 70 e 80, chamado Neymar de Barros. Os seus dois livretes, A verdade sobre Neymar de Barros, volumes I e II (Editora Exodus, São Paulo: 1987), contam como ele forjou sua conversão para recolher dados do clero a fim de que a sociedade secreta que lhe contratara difundisse a homossexualidade entre os padres. Ele chega mesmo a apresentar uma pesquisa que realizaram acerca da porcentagem de homossexuais no clero brasileiro por volta do ano de 1978 (vol. II, p. 70).

Em todo caso, os elementos principais para a difusão do homossexualismo no clero foram a perseguição sistemática dos seminaristas heterossexuais, católicos devotos, com princípios morais claros e com doutrina segura; e a promoção de homossexuais declarados, a destruição da dogmática, da moral e, sobretudo, da espiritualidade, com a completa propagação do liberalismo total nos costumes, que serviu como uma espécie de oxigênio moral para os homossexuais no clero, e da construção de uma apologia teológica da homossexualidade que chegou a constituir aquilo que hoje em muitos grupos se chama de homo-heresia, uma reinterpretação completa da doutrina católica em termos homossexuais, que se tornou o oxigênio intelectual para esse disparate.

Aos poucos, construiu-se aquilo que Michael Vorris chama de “A rede” (The Network), uma verdadeira organização comunista e homo-herética que ocupou a Igreja Católica em todos os níveis. O próprio Martel deixa muito claro em sua entrevista que não há problema nenhum em ser padre gay, nem muito menos em ter um amante – ele diz que acha isso lindo! –, mas que o problema é ser um padre gay de direita, embora ele mesmo faça a distinção de um sub-grupo, ao qual ele chama de homófilos, que são os homossexuais não praticantes no clero católico – com essa distinção, Martel apenas está mencionando os eventuais homossexuais não militantes, ou seja, aqueles que não são membros de “A Rede”.

“A Rede” é constituída por clérigos homossexuais ostensivos, que se protegem e se “reproduzem”, atraindo para os seminários gays de todas as proveniências possíveis, e que se auto-promovem para os cargos de maior expressão na Igreja, tentando manipular a sua doutrina e teologia em seu próprio favor.

Em outras palavras, o livro de Martel, na tentativa de colocar um sinalizador sobre os padres conservadores, o que faz é colocar um sinalizador sobre os membros de “A Rede”. Agora, ficou muito fácil identificá-los. Ele mesmo protegeu a identidade de todos os seus entrevistados, que não são outros que os próprios entrevistados de “A Rede”, de Vorris. Nunca “A Rede” foi tão longe, nunca se exprimiu tão claramente e nunca os seus objetivos ficaram tão claros. Martel disse que suas gravações explodiriam com o Vaticano. Não! Explodiriam apenas com “A Rede”.

Entretanto, não deixa de ser curioso como “A Rede” conseguiu atingir tão alta influência.

Papa Francisco, o Papa de “A Rede”

Martel apresenta o pontífice argentino como uma espécie de Gorbatchev, que tenta salvar o sistema e, para isso, mudá-lo. Ele defende Francisco contra todo o “complô” que ele diz ter se instado para persegui-lo. No final, defende-se contra a acusação de ser um marionete de Bergoglio e chega a falar demais, reclamando de que alguns digam que o livro foi encomendado pelo papa.

De fato, não temos como saber se o livro foi pessoalmente encomendado por Francisco. Contudo, é evidente que ele protege de modo muito claro os membros de “A Rede” e toda a sua linha de ação é muito coerente com a intenção de “Sodoma”. O próprio Martel o reconhece, mostrando a conexão de tudo isso com o sínodo sobre as famílias, que criptograficamente abriu a comunhão aos divorciados recasados e também não mencionou com letras claras nenhuma condenação às práticas homossexuais e às uniões gays. É evidente que as observações de Martel vão na mesma linha das ações de Papa Francisco: de um lado, visam a plena cidadania gay na Igreja Católica e, de outro, a ordenação de homens casados, que garantiria o coeficiente heterossexual no clero, segundo os princípios homossexualistas do autor.

Em todo caso, Papa Francisco é o papa sob medida para “A Rede” e os seus planos manipuladores. Assim como as Fundações internacionais usam o aborto para corromper as mulheres e destruir, assim, as sociedades; “A Rede” está usando o homossexualismo para corromper o clero e, assim, destruir a Igreja. Isso não é propriamente uma novidade.

No início do século XIX, as forças secretas na Itália publicaram um conhecido documento chamado “Instrução permanente para a Alta Venda”. Ali, eles afirmam:

– “O Papa, quem quer que seja, jamais virá às Sociedades secretas; cabe às Sociedades secretas dar o primeiro passo em direção à Igreja, com o objetivo de vencer os dois”.

– “Não pretendemos ganhar os Papas para a nossa causa, fazê-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas ideias… O que devemos pedir, o que devemos procurar e alcançar, assim como os judeus esperam do Messias, é um papa segundo as nossas necessidades. Alexandre VI, com todos os seus crimes privados, não nos conviria, porque jamais errou nas matérias religiosas”.

– “Esmagai o inimigo, qualquer que ele seja, esmagai o poderoso à força de maledicências ou de calúnias: mas, sobretudo esmagai-o no ovo. É preciso ir à juventude; é ela que precisamos seduzir, é ela que devemos arrastar, sem que o perceba, sob a bandeira das Sociedades Secretas”.

– “Ora, pois, para garantir-nos um Papa nas proporções exigidas, trata-se inicialmente de moldar para ele uma geração digna do reino com o qual sonhamos. Deixai de lado a velhice e a idade madura; ide à juventude e, se for possível, até à infância… Uma vez estabelecida vossa reputação nos colégios, nos ginásios, nas universidades e nos seminários, uma vez que tiverdes captado a confiança dos professores e dos estudantes, fazei com que principalmente aqueles que se comprometem com a milícia clerical gostem de procurar vossas conversas”.

– “Essa reputação permitirá o acesso das nossas doutrinas ao seio do clero jovem, assim como ao fundo dos conventos. Em alguns anos, esse clero jovem terá, pela força das coisas, invadido todas as funções; ele governará, administrará, julgará, formará o conselho do soberano, será chamado a escolher o Pontífice que deverá reinar, e esse Pontífice, como a maioria dos nossos contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios humanitários que iremos começar a pôr em circulação; é um pequeno grão de mostarda que confiamos à terra; mas o sol das justiças desenvolvê-lo-á até ao mais alto poder, e vereis um dia que rica colheita esse pequeno grão produzirá”.

Alguém ignorará que Francisco é este papa não apenas esperado, mas preparado por décadas de infiltração? Fingiremos que a publicação do livro de Martel no primeiro dia do encontro sobre o abuso sexual de menores no Vaticano é uma mera coincidência? Não se trata de um diagnóstico sobre “Sodoma”, mas de sua apologia, implantação e apogeu na Igreja.

Já é hora de acordar. A Igreja está quase completamente tomada pelos seus inimigos. Corromperam a maior parte do clero e, agora, querem expelir a pequena porção ainda saudável que mantém a Igreja em pé…

Ficaremos parados? Cruzaremos os braços? Não! A Promessa da Santíssima Virgem é clara! Como leigos, resistiremos a esse massacre e o enfrentaremos nem que seja à custa de morte. A esta “Rede” maligna opomos outra rede, a rede dos consagrados à Santíssima Virgem! É hora de reagir!

Assim como da primeira vez, sobre “Sodoma” cairá o fogo do céu! A Igreja, como a família do justo Lot, não toma parte nesta iniquidade e não recuará nenhum milímetro. São duas cidades em luta: de um lado, Sodoma; doutro lado, a Jerusalém Celeste! Reconheceremos estes prevaricadores onde estiverem e os denunciaremos. Se eles não temem mais a Igreja, temerão o povo!

Continuaremos fieis à virtude, conservaremos a fé, manteremos íntegra a observância do celibato e teremos inteiramente inabalável o fogo da nossa entrega, pois sabemos que, como disse Nossa Senhora em Fátima: “no fim o meu Imaculado Coração triunfará”!

5 março, 2019

O jejum e a abstinência na lei da Igreja.


Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

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4 março, 2019

A condenação do cardeal Pell, a Igreja e o mundo.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 27 de fevereiro de 2019 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: A condenação do Cardeal Pell – que caiu como um raio após o encerramento da reunião de cúpula no Vaticano – recorda uma verdade que há cinquenta anos muitos querem esquecer: não há compromisso possível entre a Igreja e o mundo, porque o mundo odeia a Igreja e quer a sua destruição. A sentença também demonstra o fracasso da estratégia deste pontificado, que renunciou ao exercício da soberania da Igreja, confiando na benevolência do mundo.

Cardeal George Pell.

Cardeal George Pell.

A soberania da Igreja é expressa acima de tudo em sua lei canônica. A Igreja Católica enquanto sociedade visível é dotada de um direito, inclusive penal, que é o direito que Ela possui de punir os fiéis que cometeram violações à sua lei. O delito é uma violação externa da ordem jurídica da Igreja, distinto do pecado, que é uma violação da ordem moral.

Portanto, a Igreja, “por direito próprio e exclusivo”, tem o poder de julgar a violação das leis eclesiásticas e de sancionar crimes com penas canônicas (cânon 1402 §2). Entre os muitos crimes canônicos enumerados no Código, há a apostasia, a heresia e o cisma (cânon 1364), a communicatio in sacris [ou seja, a concelebração de sacramentos com hereges], a profanação das coisas sagradas (cânon 1376), além de uma série de violações graves do sexto mandamento (cânon 1395).

A distinção entre pecados e delitos não parece ser clara para o Papa Francisco, que proclama “tolerância zero” contra os crimes civis, como a pedofilia, mas invoca o “perdão” e a misericórdia para os “pecados da juventude”, como a homossexualidade, esquecendo a presença desse crime nas leis da Igreja.

Segundo as leis e o sentimento comum de grande parte dos países ocidentais, a pedofilia e o estupro são considerados um crime infame, mas não por causa da imoralidade do ato em si, mas pela violação que esses crimes implicam, respectivamente, dos direitos das crianças e das mulheres. Seguindo o exemplo dos Estados modernos, as autoridades eclesiásticas parecem ter desclassificado alguns pecados de atentados contra a moral em delitos contra a pessoa.

Nessa mesma linha de pensamento, o pecado não consistiria em violar a lei natural, mas em impedir com violência um indivíduo de seguir seus próprios instintos e tendências. Hoje, as autoridades do Vaticano tratam crimes como a sodomia como se fossem simples pecados particulares, limitando-se, nos casos ocorridos, a pedidos de expiação penitencial, sem aplicar as sanções penais exigidas pelos crimes.

Os únicos delitos reconhecidos como tais pela atual prática canônica são aqueles sancionados pelos Estados laicos, mas ainda no tocante a esse tipo de crimes, como o de pedofilia, as autoridades eclesiásticas se conformam hoje com as sentenças de culpa e de inocência dos processos nos tribunais estatais, renunciando a investigar e processar por conta própria, exceto quando tal se torna necessário para não perder a “credibilidade”, como aconteceu no “caso McCarrick”. Mas também a redução ao estado laical do cardeal Theodore McCarrick, como sublinhou Sandro Magister em recente artigo, é fruto de um processo não judicial, mas apenas administrativo (“Settimo Cielo”, 15 de fevereiro de 2019).

A Igreja, pelo contrário, tem o dever de abrir um processo criminal regular contra os acusados de abuso sexual, sem violar seus direitos fundamentais. De fato, não há apenas os direitos daqueles que afirmam serem vítimas, mas também os daqueles que são acusados ​​pelas vítimas.

Eles devem ser julgados de acordo com as normas do Direito Canônico, possivelmente antes do Estado, para se apurar a veracidade dos fatos. Uma vez que essa verdade tenha sido estabelecida, se eles forem considerados culpados, deverão ser submetidos às sanções corretas, mas se forem reconhecidos como inocentes, também deverão ser defendidos contra as autoridades civis dos Estados.

A Igreja, que é dotada de um direito penal e de tribunais, deve ter a coragem de desafiar o julgamento dos tribunais do mundo, na certeza de que não é o mundo que julga a Igreja, mas a Igreja que julga o mundo.

A crise moral da Igreja não se resolve com as chamadas melhores práticas – indicações práticas dadas pela Organização Mundial de Saúde, um corpo laico que promove a educação sexual e gostaria de incluir a contracepção e o aborto em todos os programas nacionais de planejamento familiar –, nem instituindo novas comissões ou forças-tarefa de “especialistas”, mas com uma visão sobrenatural, que infelizmente está totalmente ausente do discurso do Papa Francisco, que concluiu a cúpula do Vaticano em 24 de fevereiro passado.

As consequências são de que se ouve falar de uma maior sinodalidade das igrejas locais, “abertas” às contribuições do mundo secularizado, e da abolição do segredo pontifício em nome da “transparência”. A “cultura do segredo” é aquela denunciada por Frédéric Martel em seu recente panfleto tendente a “normalizar” a sodomia dentro da Igreja. Mas que segredo existe de mais impenetrável do que o segredo imposto aos sacerdotes pelo sacramento da confissão? Esta parece ser a próxima pedra que os inimigos da Igreja querem remover, para cuja obtenção o julgamento do Tribunal de Victoria [Austrália] parece ter preparado o caminho.

Na Austrália, no território de Canberra, adotou-se uma lei que torna processável o padre que não denunciar casos de abuso infantil, mesmo que tome conhecimento deles durante a confissão.

A lei – que aplica as recomendações da Royal Commission, uma comissão encarregada pelo governo australiano de ocupar-se dos abusos sexuais contra menores – foi aprovada em junho passado pela Assembleia Legislativa do território da capital australiana e estende a denúncia obrigatória de abusos contra menores também à Igreja e às suas atividades, incluindo o confessionário. Entre essas recomendações havia precisamente a ideia de tornar crime a não denúncia por um padre de perseguições e violências contra menores das quais ele tome conhecimento no exercício do Sacramento da Confissão (Acistampa, 29 de junho de 2017).

Enquanto isso, as Nações Unidas pediram à Itália para estabelecer uma “comissão independente e imparcial de inquérito para examinar todos os casos de abuso sexual de crianças por membros religiosos da Igreja Católica”, e “tornar obrigatória para todos, mesmo para os funcionários religiosos da Igreja Católica, a denúncia de qualquer caso de suposta violência contra menores às autoridades competentes do Estado”.

O pedido foi feito pelo Comitê da ONU para os Direitos da Infância e da Adolescência, com sede em Genebra. Por fim, solicitou-se a revisão das Concordatas nacionais (como o Tratado de Latrão com a Itália) na parte em que elas dispensam a hierarquia da obrigação de delatar. Na Itália, de acordo com a Nova Concordata de 1984, “a República italiana assegura que a autoridade judicial comunicará à autoridade eclesiástica competente pelo território do processo penal promovido contra os eclesiásticos” (Protocolo Adicional nº 2b).

Este princípio deve agora ser revertido, porque a ONU pede ao Vaticano para prestar total cooperação às autoridades civis que julgam os abusos nos vários países, fornecendo, por exemplo, todas as informações recolhidas pela Congregação para a Doutrina da Fé.

A questão da obrigatoriedade da denúncia às autoridades civis, sobre a qual o padre Lombardi afirmou que “é certo que se trata de uma questão abordada nesta reunião” (cúpula de 21 de fevereiro, n.d.r.), abre caminho para o pedido de violação do sacramento da confissão e do segredo pontifício. Outrora o Estado era o “braço secular” da Igreja, agora a Igreja se tornaria quase um “braço secular” do Estado.

Mas uma lei civil que quisesse impor a violação do sigilo confessional para alguns crimes, como a pedofilia, seria uma lei injusta, diante da qual os sacerdotes deveriam opor o seu “non possumus”, até o martírio. É este testemunho, e não outros, que tornaria a Igreja credível diante de Deus e do mundo. Contudo, cumpre reverter a relação que a Igreja tem há mais de cinquenta anos com o mundo secularizado e anticristão.

3 março, 2019

Foto da semana.

Hummes Papa

Estado da Cidade do Vaticano, 25 de fevereiro de 2019: O papa Francisco recebe o Cardeal Dom Claudio Hummes e os membros da rede Pan-Amazônica. Leia a respeito aqui.

2 março, 2019

Coluna do Padre Élcio: Algumas características dos movimentos influenciados pelo comunismo.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 2 de março de 2019.

Conhecidos a doutrina e os princípios marxistas, será ainda necessário estudar a maneira como os comunistas agem para chegar ao seu ideal de uma sociedade sem classes (cf. Enc. cit., ibid., p. 70). Em outras palavras, quais as características pela quais se conhecem os movimentos comunistas, ou os que, embora não sendo tais, servem ao comunismo.

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antonio de Castro Mayer.

Na impossibilidade de descrever todas estas características, lembremos apenas duas mais importantes e frequentes.

Ódio e intransigência pessoal

A primeira delas é a odiosa intransigência pessoal dos movimentos comunistas. Eles tendem sempre a criar e exacerbar a aversão contra uma classe social cuja existência, segundo a ordem natural das coisas, nada tem de injusto. Como a subsistência dessa classe constitui um empecilho ao triunfo da seita, os comunistas a votam ao extermínio. Pode haver motivos para se condenarem pessoas, sem que, por isso, se falte à justiça e à caridade. O que não é cristão é investir furiosamente contra uma classe sempre tida como legítima e necessária à boa ordem social, como se ela não passasse de um câncer da sociedade, a ser urgentemente extirpado.

Quando, pois, se enceta uma ação contra determinada categoria social,  não com base em princípios definidos ou em fatos concretos e comprovados, mas com fundamento em doutrinas vagamente humanitárias e acusações imprecisas, excitando os espíritos à detestação pura e simples da classe em vista, podemos ter certeza de que há nessa campanha o ódio característico dos comunistas, ainda que seus promotores não se confessem tais. Sempre que uma campanha se reveste desse cunho de oposição fanática e incondicional contra uma classe determinada, há nela dedo comunista. E a colaboração que se dê a semelhante movimento é, no fundo, uma colaboração para o triunfo do comunismo.

Demagogia e exagero a propósito de problemas secundários

Além disso, como as campanhas marxistas são determinadas por considerações táticas e não por motivos morais, é muito freqüente não focalizarem elas a injustiça social mais grave, nem a que é mais urgente remediar; ou então não a focalizarem nos seus justos termos. Assim, quando se generaliza uma campanha contra um mal social, uma injustiça, uma situação deprimente, etc., é preciso examinar e ver se o caso posto em foco existe de fato, se apresenta a importância que a campanha lhe atribui, se esta o situa bem no conjunto das atividades sociais, de sorte que se possa afirmar que ela não é movida por um intuito de oposição sistemática, de acirramento de ódios e lutas, mas por uma vontade certa e sincera de corrigir um mal existente. Sempre que não se verifiquem estas características todas, podemos estar seguros de que a campanha envolve o interesse de fomentar a luta de classes, meio de que se utilizam os comunistas, como vimos, para implantar o domínio de sua seita. Colaborar com semelhantes campanhas é colaborar para o triunfo do marxismo.

Exemplo atual: a influência comunista na campanha pró-reforma agrária
[Ainda é atual e até mais forte].

Exemplifiquemos com  o que atualmente se observa no movimento a favor da reforma agrária no País. De fato há entre nós injustiças no campo, de fato é preciso melhorar, o mais breve possível, as condições de existência e trabalho do operário agrícola brasileiro. E um movimento que tenda verdadeiramente a esse fim, só pode ser louvado. O que se nota, no entanto, em quase toda a presente campanha em prol da reforma agrária, é um esforço para excitar os espíritos contra a própria estrutura rural hoje existente no Brasil, acusada, sem provas, de responsável pelos males do campo e pela crise econômica nacional; e com essa excitação visa-se a levantar a opinião pública contra os proprietários da terra, sem considerar a inviolabilidade do direito de propriedade e os imensos benefícios que muitos fazendeiros proporcionaram e ainda proporcionam à coletividade.”

28 fevereiro, 2019

Um pasquim LGBT contra a Igreja.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 14 de fevereiro de 2019 | Tradução: Dies Irae – Um pasquim LGBT contra a Igreja. O título é Sodoma [No Armário do Vaticano, em Portugal] e o autor Frédéric Martel, um conhecido activista LGBT francês. O livro, no entanto, nasceu em Itália, durante uma conversa entre o autor e o editor Carlo Feltrinelli, filho de Gian Giacomo, o editor-terrorista que morreu a 14 de Março de 1972, enquanto colocava uma bomba numa treliça da Enel[1] em Segrate[2]Sodoma será apresentado nos próximos dias em oito idiomas e em vinte países.

O lançamento oficial ocorrerá no dia 21 de Fevereiro, coincidindo com a abertura da cimeira do Vaticano dedicada ao abuso sexual de menores. É, portanto, uma poderosa operação mediática que tem como alvo a Igreja Católica. O autor do livro, Frédéric Martel, apresentado pela imprensa com os títulos, de vez em quando diferentes, de sociólogo, investigador, historiador, alcançou uma certa popularidade com o seu mais recente ensaio, traduzido em várias línguas, Global Gay, dedicado à marcha triunfante de hoje do movimento gay em todo o mundo.

Envolvido directamente em inúmeras associações activas na difusão da agenda LGBT, Martel trabalha há anos na linha da frente no processo de promoção e “normalização” da homossexualidade. A “militância” LGBT do autor deSodoma levou-o a ser um dos principais promotores da lei n.º 99-944 de 15 de Novembro de 1999 (Dupacte civil de solidarité et du concubinage), o chamado PACS, que introduziu as uniões civis em França. Nos anos seguintes, o activista LGBT continuou a contribuir para a causa homossexual, dedicando numerosos artigos a favor da introdução do pseudo-casamento homossexual em França até à sua completa legalização, ocorrida a 18 de Maio de 2013.
Martel aborda agora a sodomia na Igreja, alegando ter realizado um inquérito sobre o tema, com duração de 4 anos, entrevistando cerca de 1500 pessoas no Vaticano e em vários países do mundo. Na realidade, o que falta no livro é precisamente a documentação. Nada sabemos, depois da sua leitura, para além do que já se sabia sobre a difusão da homossexualidade na Igreja.

Este gravíssimo problema, trazido à luz pelo testemunho do Arcebispo Carlo Maria Viganò, foi analisado cientificamente e documentado por dois estudiosos polacos, o P. Dario Oko e o P. Andrzej Kobyliński, autores de estudos que foram ignorados pela imprensa internacional. Mas Martel não procura a verdade, tem uma tese ideológica para provar e nas suas páginas não demonstra, mas sugere, insinua, calunia, denigre.

Monsenhor Battista Ricca, definido por Sandro Magister como «o prelado do lobby gay», abriu-lhe as portas do Vaticano. «Explica-me minuciosamente como passar o controlo dos gendarmes e, depois, dos guardas suíços. Encontrarei frequentemente este prelado de olhos líquidos, um atirador próximo de Francisco que conheceu a glória e a desgraça. Como veremos, é a ele que devo ter podido estar alojado numa das residências do Vaticano». O autor conta que se instalou em Roma uma semana por mês, «permanecendo regularmente dentro do Vaticano graças à hospitalidade de outros prelados que muitas vezes revelaram ser “da paróquia”[3]; “cerca de quarenta cardeais e centenas de bispos, monsenhores, padres e núncios (os embaixadores do Papa) aceitaram encontrar-se comigo. Entre estes, supostos homossexuais, presentes todos os dias no Vaticano, fizeram-me penetrar no seu mundo de insiders».

Entre os seus informadores está o P. Antonio Spadaro, «um jesuíta considerado como uma das eminências cinzentas do papa, com quem eu falava regularmente na sede da revista La Civiltà Cattolica, da qual é o director»Foi ele quem lhe explicou que «o cardeal Burke está à frente da oposição ao Papa». O cardeal Raymond Leo Burke, a quem Martel dedica um capítulo do seu livro, representa logicamente um dos seus alvos. A sua culpa? A de condenar categoricamente a homossexualidade.

A tese de Martel é que por trás de cada “homofóbico” esconde-se, na verdade, um homossexual, mas como nada desse tipo pode ser demonstrado contra o cardeal americano, o activista francês contenta-se com uma descrição minuciosa e caricatural do normalíssimo apartamento cardinalício. «O cardeal – escreve – evoca irresistivelmente, no seu modo de vestir e na sua forma de ser, uma drag-queen[4]». No entanto, admite Martel, «Burke é um dos poucos a ter a coragem das suas opiniões», como também o Arcebispo Viganò, que lhe aparece «como testemunha fiável e a sua carta irrefutável»; «parece-me, no entanto – acrescenta –, que o gesto de Viganò seja mais irracional e solitário do que se acreditava: um acto desesperado, uma vingança pessoal que é, antes de mais, fruto de uma profunda ferida interna».

De que coisa são culpados os clérigos homossexuais? Não de terem violado a lei moral, mas de serem hipócritas e não terem dado testemunho público do seu vício. «Que fique claro que para mim um padre ou um cardeal não deveria ter vergonha de ser homossexual; acho, pelo contrário, que deveria ser um possível status social entre tantos outros». Os homens da Igreja deveriam dizer: somos homossexuais e gabamo-nos disso; e a Igreja deveria dizer: errei ao condenar a homossexualidade.

Esta é a razão pela qual Martel é um defensor da “reforma” do Papa Francisco: «A renúncia de Bento XVI e a vontade de reforma do Papa Francisco contribuem para a liberdade de expressão». «Este papa latino é o primeiro a ter usado a palavra “gay” – e não apenas o termo “homossexual” – e pode ser considerado, comparando-o com os seus predecessores, como o mais “gay-friendly” entre os papas modernosTeve palavras mágicas e contorcidas sobre a homossexualidade: «Quem sou eu para julgar?». E pode-se também pensar que este Papa não tem sequer as tendências ou inclinações que foram atribuídas a quatro dos seus recentes predecessores. No entanto, Francisco é, hoje, o objecto de uma campanha violenta devido ao seu alegado liberalismo em questões de moralidade sexual, levada a cabo por cardeais conservadores que são muito homofóbicos – e, em grande parte, secretamente homofílicos».

«O que não tolera Francisco não é tanto a homofilia difundida, quanto a vertiginosa hipocrisia daqueles que apoiam uma moralidade austera apesar de terem um parceiro, das aventuras e, às vezes, até dos acompanhantes. Por esta razão, flagela incessantemente os falsos devotos, os fanáticos, os fariseus. Esta duplicidade, esta esquizofrenia, têm sido frequentemente denunciadas por Francisco nas suas homilias matinais em Santa Marta. A sua fórmula merece ser colocada em primeiro plano neste livro: «Por trás da rigidez, há sempre algo oculto; em muitos casos, uma vida dupla».

Martel, tal como o Papa Francisco, está convencido de que por trás de cada “homofóbico” existe um “homófilo”, um homem atraído, ou obcecado, pela homossexualidade, quer a pratique ou não. «Poder-se-ia também dizer que há uma regra não escrita que é quase sempre verdadeira em Sodoma: quanto mais um prelado é homofóbico, maior é a probabilidade de que ele mesmo seja homossexual». «Quanto mais um prelado é veemente contra os gays, mais forte é a sua obsessão homofóbica, mais é provável que ele não seja sincero e que a sua veemência nos esconda algo».

O propósito do livro? Derrubar a Bastilha da moral católica. «Cinquenta anos depois de Stonewall, a revolução gay dos Estados Unidos, o Vaticano é o último bastião a libertar! Muitos católicos já intuíram a mentira antes mesmo de lerem a descrição de Sodoma».

Os passos a seguir são: apoiar e encorajar a “reforma” bergogliana; desqualificar os homens da Igreja fiéis à Tradição; impedir que na Igreja se discuta a praga da homossexualidade, especialmente na próxima cimeira. Deve-se notar, no entanto, que o apoio LGBT ao Papa Francisco certamente não o ajudará na situação das graves dificuldades em que se encontra; os cardeais e os bispos demonizados no livro, sairão mais fortes depois deste ataque tão mal conduzido; e se os presidentes das Conferências Episcopais mundiais não lidarem com a questão da homossexualidade, aquele de 21 a 24 de Fevereiro será um encontro fracassado. Mas o que pode ser considerado um fiasco a partir deste momento é o pasquim de Frédéric Martel.

Roberto de Mattei  

26 fevereiro, 2019

Nova pesquisa demonstra disparidade entre fiéis que assistem às duas formas de Missas.

Por Steve Skojec, 25 de fevereiro de 2019 – OnePeterFive | Tradução: FratresInUnum.com – Uma nova pesquisa realizada pelo padre Donald Kloster, da igreja de Santa Maria, em Norwalk, Connecticut, Estados Unidos, em parceria com um estatístico e com Brian Williams, de LiturgyGuy.com, realçou alguns dados interessantes de um grupo sub-representado de católicos: aqueles que regularmente assistem à Missa Tradicional.

O padre que iniciou a pesquisa celebra “tanto a Missa de Paulo VI – Novus Ordo Missae — e a Missa Tradicional (Missa Tridentina) por cerca de 20 anos e afirma na introdução dos resultados que ele “observou variações entre as pessoas que assistem às duas missas do Rito Romano”.

Observando que os “católicos americanos que assistem à Missa de Paulo VI têm sido questionados repetidamente acerca de suas idéias e práticas (Pew Research e Center for Applied Research in the Apostolate at Georgetown University [CARA]),” ele também observa que “o corpo de pesquisas não parece incluir uma descrição de católicos que assistem à Missa Tradicional” que compreende “cerca de 100 mil católicos”, assistindo “ao menos 489 missas dominicais por todo o país”. Foram questionadas, tanto presencialmente como online, um total de 1773 pessoas.

Os resultados em questões chave revelam:

  • 2% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam a contracepção, contra 89% dos católicos que assistem à Missa pós-conciliar.
  • 1% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o aborto, em comparação a 51% dos que assistem à Missa pós-conciliar.
  • 99% dos católicos que assistem à Missa Tradicional afirmaram ir à missa semanalmente, contra 22% dos que assistem à Missa pós-conciliar.
  • 2% dos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o “casamento gay”, contra 67% dos que assistem à Missa pós-conciliar.

Também é de se destacar era a taxa de doação entre católicos que assistem à Missa Tradicional, que era cerca de 6 vezes o total de doações (6% da renda) dos católicos de Missa pós-conciliar (1,2%). Os católicos tradicionais também possuíam uma taxa de natalidade de 3,6 contra 2,3 dos católicos pós-conciliares — indicando “uma família aproximadamente 60% maior”.

Como afirmam os autores do estudo em sua análise, as diferenças entre os dois grupos eram “dramáticas, quando comparadas as idéias, a frequência à igreja, a generosidade financeira e as taxas de natalidade”.

A pesquisa inicial, conduzida durante alguns meses de 2018, foi curta, mas Pe. Kloster pretende se dedicar no estudo de assuntos adicionais em sua próxima pesquisa — tal como a propensão para vocações — que ele deseja iniciar neste ano.

Os resultados serão, provavelmente, pouco surpreendentes para os católicos que frequentam às capelas em que a Missa Tradicional é oferecida ao longo do país. Eles indicam que essas capelas são terreno fértil para a ortodoxia católica, famílias numerosas e uma prática autêntica da fé, e continuarão a prover o crescimento e o alimento da Igreja no futuro próximo.

25 fevereiro, 2019

O teatro do Papa bom e da Igreja má.

Por FratresInUnum.com, 25 de fevereiro de 2019 –  No Brasil, já estamos acostumados com políticos que fingem honestidade em público, mas que se permitem, em privado, fazer todos os abusos, enquanto a população honesta trabalha e paga os seus impostos. O quadro é o mesmo e dele estamos fartos! Agora, no encontro sobre “a proteção dos menores na Igreja Católica”, a alta hierarquia, sob a direção de Papa Francisco, encena uma moralidade que nunca respeitou, com requintes de sentimentalismo afetado e discursos comoventes, muitas lágrimas e fotografias tocantes por todos os lados.

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Nos últimos dias, foi publicado um livro em que o autor sustenta que a renúncia de Bento XVI foi causada justamente pelo lobby gay, provocando-se, assim, o conclave em que Francisco foi eleito para sucedê-lo. Quem não se lembra que, meses antes de sua renúncia, fora entregue ao pontífice alemão o famoso relatório redigido pelos cardeais Tomko, de Giorgi e Herranz sobre a homossexualidade na cúria romana? Em sua primeira visita a Ratzinger depois de eleito, Francisco recebeu do próprio papa emérito o famoso relatório, nunca publicado, cujo conteúdo é completamente desconhecido em seus detalhes, mas que decerto não foi considerado…

De fato, desde eleito, Francisco adotou um clamoroso silêncio sobre o tema da homossexualidade. Não se fala disso, mesmo. Aliás, muito pelo contrário. Desde o seu “quem sou eu para julgar?”, que justificava a vida pregressa de um importante assessor, e que levou à euforia todo o movimento LGBT mundial, do qual ele se tornou o patrono honorário, Francisco não deixou de favorecer pessoas explicitamente ligadas ao chamado “lobby gay” e de proteger predadores sexuais, como muito bem comprova a explosiva carta de Mons. Viganò, cuidadosamente não respondida pelo pontífice.

Jornalista questiona a respeito de Dom Zanchetta, em coletiva de imprensa no encontro ocorrido no Vaticano para tratar da questão de abusos de menores. 

Nos últimos dias, o jornal “El Tribuno”, da Argentina, publicou um documento em que se demonstra que Papa Francisco conhecia desde 2015 as denúncias contra Mons. Zanchetta, que incluem desde fotografias em que o bispo aparece despido até o abuso sexual de seminaristas. A despeito de tudo, Francisco criou para ele um cargo, até então inexistente no Vaticano: o de Assessor da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, em 2017. E o papa finge que nada está acontecendo… E continua fazendo contundentes discursos contra aqueles que protegem molestadores.

O evento ontem concluído parece mais um teatro muito bem armado para proteger a imagem do pontífice reinante, bem como as suas estratégias para mudar a arquitetura da Igreja Católica, com o cortejo de toda a mídia internacional, que se prepara para celebrar, juntamente com ele, o esperado Sínodo da Amazônia. “Criar dificuldades para vender facilidades”, esta é a tática: faz um evento midiático para reverberar a perversidade sexual do clero, insistindo em que ela se deve ao clericalismo e sem dar nenhuma solução efetiva para o problema — ignora-se deliberadamente o fato de que a esmagadora maioria dos casos de abusos são casos de homossexualismo — , enquanto planeja instituir a ordenação de homens casados e, quem sabe, também a readmissão de todos os traidores das últimas décadas, que abandonaram o ministério para se casar…

Ao mesmo tempo, o cardeal Marx joga lenha na fogueira, dizendo que a Igreja na Alemanha destruiu arquivos que comprovavam o abuso sexual de clérigos e silenciou as vítimas. O que pretende, com isso, o purpurado?

Em todo caso, ninguém parece preocupado com a alma dos fiéis. Nem pensam o que se passa pela cabeça de um leigo trabalhador, pai de família, devoto, que luta para colaborar com sua paróquia, que defende a honra de sua religião, que se esforça por viver a castidade matrimonial e não praticar a contracepção, e que se depara com a realidade de que seus pastores não vivem a fidelidade aos seus votos de ordenação e ainda cometem ilícitos contra jovens e crianças.

Seria tudo um teatro cujo gran finale consistiria em Francisco sancionando a ordenação de homens casados e, talvez, de mulheres para o diaconato, readmitindo para o sacerdócio os apóstatas que amargam há décadas o seu ressentimento contra a Igreja, tudo muito cautelosamente e ad experientiam? Iniciar-se-ia, assim, a maior crise jamais vista no catolicismo. Cenário perfeito para Francisco sair repentinamente — uma renúncia? —  de cena como o papa que passará para a história como o maior de todos os revolucionários, mas que não conseguiu resolver o problema da depravação moral de seu clero porque era um Papa bom demais, um Papa bom demais para uma Igreja má.

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24 fevereiro, 2019

Foto da semana.

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Por LifeSiteNews, 19 de fevereiro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – Reunidos entre bandeiras dos quatro evangelistas e em nome de Maria, hoje, uma coalisão internacional de 100 leigos católicos se mobilizou, no centro histórico de Roma, para silenciosamente “se opor à política do Vaticano de silêncio acerca do homossexualismo”, antes do encontro desta semana no Vaticano sobre abuso sexual pelo clero.

A coalisão internacional se denominou Acies ordinata. Seu nome, que a tradição católica reserva a Maria Santíssima, que reúne um exército de fiéis para vencer seus inimigos —  terribilis ut castrorum acies ordinate— é tomado do cântico do Antigo Testamento, o Cântico dos Cânticos (6:3, 6:10).

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24 fevereiro, 2019

STF pode tornar crime defender a Moral Católica.

Julgamento no STF pode considerar inconstitucional ser contra o homossexualismo. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode ser discutida não é defender o pluralismo de ideias ou a democracia, mas silenciar, discriminar e perseguir os contrários.

Por  Instituto Plinio Corrêa de Oliveira  – Há mais de 30 anos, Plinio Corrêa de Oliveira dizia que ser católico se tornaria inconstitucional no Brasil por causa do avanço do homossexualismo[i].

Segundo a doutrina católica, a prática do ato homossexual constitui um pecado grave, intrinsecamente desordenado, que “brada aos céus e clama a Deus por vingança”. Tanto as Sagradas Escrituras (a Bíblia) como a Tradição da Igreja condenam claramente essa prática.

Nas últimas décadas, entretanto, fez-se um silêncio crescente a respeito da moral natural e da moral católica nessa matéria, ao mesmo tempo em que uma ampla campanha favorável à prática homossexual foi lançada através dos meios de comunicação de massa.

Mesmo assim, dentro da sociedade democrática em que vivemos, tanto os defensores da moral católica como os seus opositores podem se manifestar livremente, publicar livros, fazer campanhas públicas e defender suas posições.

Essa liberdade, agora, está ameaçada pelo julgamento no STF, que pode considerar inconstitucional ser contra o homossexualismo; equiparando o repúdio à prática homossexual ao crime de racismo e aplicando as mesmas penas, inclusive a pena de prisão.

Nesse sentido, o voto do Min. Celso de Mello, relator do processo, foi de grande gravidade, praticamente “criando” um novo tipo penal de “homofobia”.

Em uma época em que a esquerda defende que o aborto deixe de ser crime, assim como deseja liberar as drogas, e ataca o que considera como punitivismo (punir em demasia), essa mesma esquerda entra com um processo querendo criminalizar e punir os que são contrários à prática homossexual.

Em nome da “não discriminação”, discriminam-se os que defendem publicamente a posição católica nessa matéria.

Sobre isso, é preciso esclarecer que a palavra “discriminar” está sofrendo uma mudança de conceito com o propósito de quebrar a resistência da sociedade a essas transformações morais.Toda lei discrimina, tanto a lei de Deus como a lei dos homens, ao separar o lícito do ilícito, o certo do errado, e punir o crime. Toda pena de prisão é uma discriminação contra um ato considerado crime. A palavra, portanto, é neutra. O ato de discriminar se torna censurável, errado, na medida em que ele é usado para perseguir o bem, como está se dando agora.

O ministro Celso de Mello, embora reconheça o direito dos que seguem a Lei de Deus de “narrarem” passagens da Bíblia contra o homossexualismo, por outro lado também afirma que nenhuma liberdade religiosa ou mesmo liberdade de expressão é absoluta e que nenhum discurso de ódio pode ser tolerado…

O termo “discurso de ódio” é suficientemente amplo para poder ser usado contra qualquer pessoa que critique, publicamente, o ato homossexual. Mesmo podendo relatar o que está nas Sagradas Escrituras, os cristãos poderão dizer que o homossexualismo constitui um vício? Poderão eles repudiar uma conduta que consideram intrinsecamente desordenada, como está no Catecismo Católico?

A Bíblia, quando afirma taxativamente que os efeminados não herdarão o Reino de Deus (1, Coríntios, 6, 9-10) está apenas narrando um fato? Ou essa afirmação pode ser considerada como uma discriminação a um grupo social? Ficará a circulação da Sagrada Escritura dependendo das interpretações de cada juiz?

Assim ocorreu em diversos regimes totalitários, notadamente com os comunistas, que chegaram a proibir ou a censurar a Bíblia por conter trechos que não eram do agrado do regime.

Apesar de enaltecer a democracia brasileira e a pluralidade de ideias, o relator do processo no STF afirma, a respeito dos que não podem concordar com o posicionamento dele nessa matéria: “Eu sei que em razão deste voto (…) serei inevitavelmente mantido no índex dos cultores da intolerância, cujas mentes sombrias que rejeitam o pensamento crítico, que repudiam o direito ao dissenso, que ignoram o sentido democrático da alteridade e do pluralismo de ideias, que se apresentam como corifeus e epígonos de sectárias doutrinas fundamentalistas, desconhecem a importância do convívio harmonioso e respeitoso entre visões de mundo antagônicas.”(Grifos nossos).

Ora, o que está em jogo é, exatamente, censurar o dissenso a respeito do tema do homossexualismo, impondo uma espécie de dogma laico contra a moral Católica, cujos transgressores estariam sujeitos até mesmo à pena de prisão. Há algo mais radicalmente contrário ao senso crítico e ao pluralismo de ideias do que ameaçar de prisão quem não concorda com a prática homossexual?

Todos os brasileiros são defendidos pela Lei quando agredidos. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode ser discutida não é defender o pluralismo de ideias, mas silenciar, discriminar e perseguir os contrários.No Direito penal, não há “analogia em prejuízo do réu” (analogia in malam partem), não há “pena e nem crime sem lei anterior que os defina” (Nullum crimen, Nulla poena sine praevia lege).

Entretanto, nada disso importou. Usando uma interpretação ampla dos direitos constitucionais, o Ministro relator considerou que a homofobia poderia ser enquadrada no tipo penal de racismo.

Na prática, equivale a penalizar uma ação que antes não era penalizada.

Sobre isso, os juristas irão discutir. O fato inconteste, entretanto, é que não foi o Legislativo, a quem cabe criar leis e definir penas, que criminalizou a chamada homofobia, mas terá sido uma decisão de uma corte de justiça, baseada em interpretação subjetiva em matéria penal feita em prejuízo do réu.

A prevalecer essa decisão, estaremos diante de uma perseguição religiosa sem paralelo na história moderna. Através de uma simples interpretação, a Moral católica – e a da imensa maioria do Brasil – terá se tornado inconstitucional.

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira não poderia ficar inerte diante da gravidade desse momento.Cabe aos Ministros do Supremo, homens que ocupam uma posição privilegiada e de alta responsabilidade nos destinos de nosso país, cumprir a sua função jurisdicional, dizer o Direito.

Que eles não se deixem levar pela sedução de mudar a sociedade através da força do Estado, pois esse não é o papel dos juízes.

Que Nossa Senhora Aparecida, invocada pelo ministro Toffoli em sua posse como Presidente do STF, não permita que essa perseguição religiosa seja imposta ao país do Cristo Redentor.

São Paulo, 21 de fevereiro de 2019
Festa de S. Pedro DamiãoInstituto Plinio Corrêa de Oliveira