2 dezembro, 2017

Coluna do Padre Élcio: O Advento e a segunda vinda do Senhor.

Comentário ao Evangelho do 1º Domingo do Advento no Missa Romano Tradicional.

S. Lucas XXI, 25-33
25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; na terra, consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, 26. mirrando-se os homens de susto, na expectação do que virá sobre todo o mundo, porque as virtudes dos céus se abalarão. 27. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 28. Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação. 29. Acrescentou esta comparação: Vede a figueira e todas as árvores. 30. Quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o estio. 31. Assim, também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que
está próximo o reino de Deus. 32. Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas se cumpram. 33. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
Caríssimos e amados irmãos!

Hoje é o primeiro domingo do Advento, tempo de preparação para a comemoração do Santo Natal, data esta, como diz São Paulo escrevendo a Tito III, 4, “em que se manifestou a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia”.

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Assim, à primeira vista, talvez tenhamos dificuldade em compreender porque no início do Advento, a Santa Madre Igreja, nos leva a meditar sobre a segunda vinda de Jesus, que será com grande poder e majestade e para julgar os vivos e os mortos. Na preparação de um mistério de bondade e amor a Igreja quer que meditemos num mistério da Justiça divina no Juízo Universal incutindo-nos temor, e, como diz Jesus no vers. 26: “Mirrando-se os homens de susto”.

A Santa Madre Igreja assim fazendo, age com sabedoria porque a Sagrada Escritura afirma que: “O temor do Senhor é o início da sabedoria” (Prov.. I, 7) e no Eclesiástico I, 27 diz: “O temor do Senhor expulsa o pecado; quem não tem este temor não poderá ser justo”. Ora, caríssimos, a melhor preparação para celebrarmos o Santo Natal, é evitar o pecado, convertermo-nos e começarmos uma vida nova sempre na graça de Deus.

A Santa Igreja, aliás, não só inicia, mas, como vimos no domingo passado, o último do ano litúrgico, também falou-nos do fim do mundo e do Juízo Final. Ela quer que passemos santamente o ano e assim nos leva a meditar sobre os novíssimos, porque segue, outrossim, o conselho do próprio Divino Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: “Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos e nunca jamais pecarás” (Eclesiástico VII, 40).

Caríssimos, vamos resumir o que escrever sobre o Juízo Universal, o grande Doutor da Igreja, Santo Afonso M. de Ligório: O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas “dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade” (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo.

Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia. A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: “Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo”.

Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos  parecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos!… Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! … “Corpo maldito  – dirá a alma   –  foi para te contentar que me perdi!” Responder-lhe-á o corpo: “E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?”

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda… Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno.

Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda. Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   –  segundo afirma o Apóstolo  –  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. “E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão” (S. Mat.
XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: “E verão o Filho do Homem, que virá nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos” (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: “Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado” (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor “porá às claras o que se acha escondido nas trevas” (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: “Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados” (Salmo 31, 1). Pelo contrário   –  disse S. Basílio  –  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d’olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: “Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: “Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!”.

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: “Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo” (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: “Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente.

Abençôo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade”. A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: “E nós, desgraçados, que será feito de nós?” E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção…” Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?… Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma…” E por quantos séculos?… Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus. Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir… Nunca mais durante toda a eternidade!… Ó maldito pecado!… A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!… Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Vejamos, agora, o que escreveu Santo Tomás de Aquino: SUM. THEOL., 3ª Parte, q. 59, a. 5.

Se além do juízo proferido no tempo presente, haverá um outro Juízo Universal. Este quinto artigo discute-se assim: Parece que além do juízo particular proferido no tempo presente, não haverá nenhum outro juízo universal.

OBJEÇÕES:

1 – Pois, é inútil acrescentar qualquer juízo, depois da retribuição dos prêmios. Ora, no tempo presente é que se faz a retribuição dos prêmios e das penas: disse, pois, o Senhor ao ladrão na cruz como se lê em Lucas XVI, 22: Hoje estarás comigo no paraíso, diz-se  em outro lugar do Evangelho que morreu o rico e foi sepultado no inferno (Lucas XII, 22). Logo, é vão esperar o Juízo Final.

2 – Demais: Em Naum I, 9  diz-se, segundo outra tradução (dos Setenta): “Deus não julgará duas vezes a mesma coisa” [segundo a Vulgata: a tribulação não virá duas vezes].  Ora, no tempo presente o juízo de Deus se exerce na ordem temporal e na espiritual. Logo, parece que não devemos esperar nenhum juízo final.

3 – Demais: O prêmio e a pena correspondem ao mérito e ao demérito. Mas o mérito e o demérito não recaem sobre o corpo senão enquanto instrumento da alma. Logo, nem o prêmio ou a pena são devidos aos corpos senão por causa da alma. Portanto, não há necessidade de nenhum juízo final para ser o homem premiado ou punido no seu corpo, além daquele pelo qual são punidas ou premiadas as almas.

SED CONTRA:

Mas, EM CONTRÁRIO, diz o Evangelho em João XII, 48: ” A palavra que eu vos tenho falado, esta o julgará no último dia”. Logo, haverá um juízo no último dia além do juízo exercido no presente tempo [logo após a morte].

RESPONDO dando a SOLUÇÃO: Deve-se dizer que o juízo de uma coisa mutável não se pode dar perfeitamente senão depois de sua consumação: assim nenhum juízo perfeito sobre a qualidade de uma ação pode ser proferido, antes de consumada em si e nos seus efeitos. Pois, muitas ações, que parecem úteis, demonstram-se nocivas pelos seus efeitos.
Semelhantemente, nenhum juízo perfeito pode ser proferido de um homem, enquanto não se lhe terminar a vida; porque pode de muitos modos mudar do bem para o mal ou vice-versa, ou do bem para o melhor, ou do mal para o pior. Donde o dizer o Apóstolo em Hebreus IX, 27: “Está decretado aos homens que morram uma só vez e que depois disto se siga o juízo”.

Devemos, porém, saber que, embora a morte termine a vida de um homem em si mesma, contudo permanece, de certo modo, dependente do futuro.

–  Primeiro, por viver ainda na memória dos outros, que às vezes deles guardam uma fama boa ou má, que não corresponde à verdade.

– Segundo, por perdurar nos filhos, que são como parte do pai, segundo aquilo da Escritura em Eclesiástico XXX, 14: “Morre o pai dele e foi como se não morresse, porque deixou depois de si um seu semelhante”. E contudo muitos que foram bons deixaram maus filhos e inversamente.

– Terceiro, quanto ao efeito das suas obras; assim, os sofismas de Ario e de outros sedutores  gerarão a infidelidade até ao fim do mundo, bem como até o fim progredirá a fé nascida da pregação dos Apóstolos.

– Quarto, quanto ao corpo que, umas vezes é dado honras e, outras, é deixado insepulto; e contudo vem ao cabo a resolver-se de todo em cinzas.

–  Quinto, quanto às coisas em que o homem fixou o seu afeto, p. ex. em certos bens temporais, dos quais uns acabam mais depressa e outros duram mais diuturnamente.

Ora, todas essas coisas estão sujeitas à estimativa do juízo divino. Por onde, não podem elas todas ser perfeita e manifestamente julgadas, enquanto dura o curso desta vida. Donde a necessidade de um juízo final, no dia derradeiro, quando o que concerne a cada homem em particular, perfeitamente e de qualquer modo, será perfeita e manifestamente julgado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. [É bom reler cada objeção antes de ler sua resposta]. Certos homens foram de opinião que nem as almas dos santos serão premiadas no céu, nem as dos condenados punidas no inferno, até o dia do Juízo (final). O que é manifestamente falso, pelo dito do Apóstolo em 2 Cor. V, 8: “Cheios de confiança, temos mais vontade de nos ausentarmos do corpo e estar presentes ao Senhor”; o que é já não andar por fé, mas por visão, como resulta da seqüência do texto. Ora, isso é ver a Deus em essência, no que consiste a vida eterna, conforme está claro no Evangelho de S. João XVIII, 3. Por onde é manifesto que as almas separadas do corpo vivem na vida eterna. Donde se conclui que depois da morte, no que toca à alma, o homem está posto num estado imutável. E assim, para prêmio da alma não é necessário seja o juízo diferido para depois. Mas, como há outras coisas que dizem respeito ao homem e se desenrolam em todo o decurso do tempo e que não estão isentas ao juízo divino, é necessário que de
novo, ao fim dos tempos, sejam trazidas a juízo. Embora, pois, por elas o homem não mereça nem desmereça, contudo lhe redundam de certo modo em prêmio ou em pena. E por isso é necessário seja tudo ponderado no juízo final.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: [por gentileza, leia a objeção acima]. Deus não julgará duas vezes a mesma causa, i. é, sob a mesma luz. Mas, à luzes diversas, nenhum inconveniente há em julgar Ele duas vezes.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO: [por gentileza, leia a objeção acima]. Embora o prêmio ou a pena do corpo dependa do prêmio ou da pena da alma, contudo, não sendo a alma mutável, em virtude do corpo, senão por acidente, desde que estiver separada dele ficará num estado imutável e receberá então a sua sentença. Ao contrário, o corpo permanecerá mutável até ao fim dos tempos. Logo e necessariamente, no juízo final é que há de receber o prêmio ou a pena.

Caríssimos, gostaria de acrescentar algo que Santo Tomás de Aquino diz sobre os Anjos no Juízo Universal: O Doutor Angélico lembra primeiramente que a sorte eterna dos anjos, tanto dos bons como dos maus, já está decidida; possuem o prêmio ou a pena que corresponde à sua fidelidade ou infidelidade a Deus. Todavia, acrescenta que no último juízo será considerado o que de bem ou de mal tiverem praticado em suas relações com os homens no decurso da História; isto lhes valerá consequentemente um aumento acidental de glória ou de pena. (Cf. Summa Theologica, Supl. q. 89, a. 8).

Creio que, por analogia, e mudando o que deve ser mudado, podemos aplicar este raciocínio do Santo Doutor também aos homens no que tange às consequências de suas obras (tanto dos bons como dos maus) depois da morte até o fim do mundo. Em outras palavras: pelo Juízo Particular logo após a alma sair do corpo já estão fixadas a salvação dos bons, e a condenação dos maus; mas, no Juízo Final, os bons receberão o prêmio pelas boas consequências de suas boas obras depois da morte  e os maus o castigo pelas consequências de suas más obras pós túmulo até o fim do mundo. Aliás é o que, em outras palavras, ensina o Doutor Angélico na resposta à primeira objeção.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: “Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós” (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós… Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!

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1 dezembro, 2017

Bispos americanos rejeitam candidato de Bergoglio.

Os bispos americanos elegeram o arcebispo Joseph Naumann, preferindo-lhe em vez do Cardeal Blase Cupich, que é considerado eclesiástico muitíssimo próximo do Papa Bergoglio. 

Por Francesco Boezi, Il Giornale, 15 de novembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com

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Cardeal Cupich, arcebispo de Chicago, um dos preferidos do Papa Francisco, foi derrotado em eleição da Conferência Episcopal dos EUA.

A comissão pró-vida do episcopado americano não será guiada, portanto, pelo arcebispo metropolita de Chicago: Cupich foi feito cardeal por Francisco no consistório de 19 de novembro de 2016, após ter sido nomeado arcebispo. O Catholic Herald definiu a escolha de Naumann como fruto de um “voto surpresa”. A particularidade da notícai está realmente no fato de que o órgão institucional em questão era guiado por um cardeal desde a década de 80. Escolher um arcebispo para esse papel, então, representa uma importante novidade, além de um possível sinal ao Papa. A votação do episcopado americano asssumo, de fato, um valor de caráter político: com essa escolha, os bispos americanos parecem ter traçado uma marca de distanciamento em sua abordagem de temas de bioética em relação ao Papa Francisco. A diferença entre os dois candidatos — segundo o citado jornal católico — foi mínima: 92 votos para Naumann, 86 para Cupich.

“A votação chamou mais atenção que qualquer outra na assembléia geral dos bispos — precisou o Catholic Heraldo — “O cardeal Cupich é considerado um ‘bispo do Papa Francisco’ e colocou o aborto no mesmo nível de outras questões sociais”. Blase Cupich, então, teria acabado no centro das polêmicas alimentadas por tradicionalistas por ter equiparado a temática relativa à bioética com as relacionadas à imigração, racismo, pobreza e desemprego. O arcebispo Naumann, por sua vez, representa uma visão para a qual a bioética deveria assumir sempre uma certa prioridade pastoral sobre outros assuntos tratados doutrinariamente pela Igreja Católica. Um voto, portanto, que contrapôs dois modos diferentes de interpretar as urgências culturais do catolicismo.

Blase Cupich, todavia, é um prelado conhecido por ter combatido duramente a pedofilia na Igreja. Colocado por Bento XVI à frente da diocese de Spokane, guiou uma causa contra o projeto de lei que inicialmente se ocupou de responder às acusações movidas contra a própria diocese americana. A sé sufragânea de Seattle, de fato, estava envolvida em uma longa série de acusações de abusos sexuais pela qual a Igreja americana havia oferecido às vítimas uma indenização de 48 milhões dólares, porém, a despeito do empenho de Cupich contra a pedofilia, a escolha dos bispos americanos recaiu sobre um expoente substancialmente tradicionalista.

29 novembro, 2017

Editorial – O papa ditador.

Por FratresInUnum.com – 29 de novembro de 2017

Tirânico. Este é o único adjetivo que pode definir com clareza o estilo de governo bergogliano ou, melhor, a própria personalidade do pontífice reinante.

O fato já não é mais reservado aos cochichos eclesiásticos. Aliás, o nosso próprio blog não se cansa de documentar, quase à exaustão, os atos arbitrários que caracterizam este pontificado.

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Contudo, acaba de ser lançado em italiano o e-book de Marcantonio Colonna, Il papa dittatore, que recolhe testemunhos de fontes primárias acerca da atitude extremamente autoritária do papa reinante.

A resenha do livro afirma que:

“Jorge Bergoglio foi eleito papa em 2013 como um liberal e um reformador. Na realidade, era já conhecido há tempos em sua terra natal, a Argentina, como um político manipulador e um hábil promotor de si mesmo. Por trás da máscara de homem do povo, Papa Francisco consolidou a sua posição de ditador que governa com o medo e estreitou alianças com os elementos mais corruptos do Vaticano para esconjurar e inverter as reformas que se esperavam dele. Marcantonio Colonna è formado na Universidade de Oxford e possui uma profunda experiência no âmbito da pesquisa história e em outros campos. Mora em Roma desde o início do pontificado de Francisco e o seu livro é fruto de estritos contatos com muitas pessoas que trabalham no Vaticano, entre os quais alguns cardeais e outros personagens principais citados no curso da narração”.

Quando adolescente, Jorge Bergoglio teve uma namorada, Amália. “Se não me casar com você, vou virar padre”, disse-lhe, quando tinham apenas 12 anos, segundo a própria. Os pais da menina se lhe opuseram.

Entrou para a Companhia de Jesus em 1958, emitiu os votos, foi ordenado sacerdote em 1969 e nomeado superior provincial em 1973 (apenas quatro anos depois, o que revela sua grande capacidade política na ordem). Em 1992 é nomeado bispo por João Paulo II, em 1998 se torna arcebispo de Buenos Aires, em 2001 é escolhido cardeal, em 2005 o elegem como Presidente da Conferência Episcopal, cargo que ocupa até 2011. Em março de 2013 é eleito Papa da Igreja Católica.

Acontece, porém, que a história da Companhia de Jesus nos revela um detalhe surpreendente.

O prestígio de que gozava a recém fundada Ordem Jesuíta era tão imenso que, em 1546, apenas seis anos após a fundação da Companhia, o Rei Fernando I pediu que o Padre Le Jay assumisse o bispado de Trieste, que ficara vacante. O mesmo recusou prontamente. A recusa só aumentou a convicção do rei, que, por sua vez, escreveu ao Papa Paulo III, solicitand0-lhe a nomeação episcopal do jesuíta. Padre Le Jay escreveu a Santo Inácio, que apelou a Margaret de Áustria – Arquiduquesa da Áustria, princesa das Astúrias, Duquesa de Saboia e Governadora dos Países Baixos – a qual obteve da Santa Sé o adiamento da nomeação.

Neste ínterim, Santo Inácio escreveu diretamente ao rei Fernando, explicando-lhe que “ao mesmo tempo que vos tributamos humildes ações de graças pelos favores com que nos encheis, ousamos dizer que nos não podeis fazer um maior que o de ajudar-nos a caminhar pela senda de nosso Instituto. As dignidades eclesiásticas estão de tal modo em oposição a ele que, segundo as ideias que tenho, nada é mais capaz de alterá-lo e destruí-lo. (…) É uma verdade comprovada que as ordens religiosas só merecem tal nome enquanto conservam o seu espírito primitivo. E como poderia sustentar-se a Sociedade (de Jesus) caso perdesse o seu?” (Cretineau-Joli, Historia religiosa, política e literária de la Compañía de Jesús, Tomo I, Librería religiosa, Barcelona: 1853, pp. 213-214).

O rei Fernando se deu por vencido, a instâncias de Santo Inácio. Mas este não se deu por satisfeito e resolveu escrever ao próprio Papa:

“Santíssimo Padre, considero as demais ordens religiosas como esquadrões de soldados que permanecem no posto assinalado pela honra, que estreitam suas filas e que fazem frente ao inimigo, conservando sempre a mesma ordem de batalha e a mesma maneira de servir-se de suas armas; nós, porém, somos os que vamos à descoberta, os que nos alarmes e nas surpresas noturnas devem se achar prontos sem cessar a vencer ou morrer. Devemos atacar, defender e, segundo as circunstâncias, andar por todas as partes e ter em todas o inimigo em contínuo alerta” (Cretineau-Joli, op. cit., p. 215).

O Papa prometeu que a Santa Sé nunca obrigaria um jesuíta a aceitar nomeações episcopais e disse que esta era a primeira vez que um pedido como este era feito a um Sumo Pontífice.

Tendo obtido essa graça do Papa, Santo Inácio mandou que todos os jesuítas cantassem um Te Deum em ação de graças (cf. Daurignac, History od the Society of Jesus, p. 60).

Por fim, Santo Inácio estabeleceu, nas próprias Constituições da Companhia de Jesus, que nenhum jesuíta aceitasse jamais cargos e dignidades eclesiásticas, e que denunciasse os confrades que o desejassem, nem consentissem em sua eleição para qualquer um desses cargos, a não ser que fossem forçados por estrita obediência e sob pena de pecado (Cf. Inácio de Loyola, S., Constituciones de la Compañía de Jesús, 10:817).

Ora, como Santo Inácio deixou claro em sua carta a Paulo III, a recusa às dignidades eclesiásticas por parte dos jesuítas se devia não a um motivo de humildade, mas à própria estrutura de sua fundação e daqueles que teriam vocação para esta: a Companhia de Jesus estava constituída como um exército à serviço da Igreja, mas a Igreja não tem, em si mesma, a estrutura militar, antes, é uma grande família espiritual, uma família de famílias.

Assim como a sociedade civil não pode ser governada como um exército (São Tomás o deixa claríssimo, distinguindo a prudência de governo e a prudência política da prudência militar. Vide: Suma Teológica, IIa-IIæ, q. 50), a Igreja também não pode ser governada deste modo.

Bergoglio foi preparado para ser o superior dos jesuítas, mas não entendeu que a Igreja não é a Companhia de Jesus.

Por isso, simplesmente não tem a maleabilidade política dos pontífices anteriores: não sabe conviver com o contraditório, não admite chegar a consensos a não ser em torno de suas ideias, recusa a dignidade cardinalícia para os arcebispos que teriam tradicionalmente o costume de recebê-las e as confere para eclesiásticos sem a mínima expressividade… e os exemplos se poderiam multiplicar indefinidamente.

O estilo de governo deste papa está causando uma rachadura na Igreja, exatamente porque produz dois efeitos: para fora (ad extra), Bergoglio assume a máscara de um governante populista, que diz aquilo que o establishment e a mídia querem, deixando a Igreja totalmente exposta às opiniões vagantes; e, para dentro (ad intra), destrói todos os protagonismos e deixa a Igreja inteira numa perplexidade absoluta, em torno dele, obediente, submissa. Não existe mais ninguém na Igreja, nenhuma personalidade. Há apenas o papa!

Francisco precisa renunciar ao pontificado e, isso, para o bem a Igreja. Precisa voltar à sua vida privada. De fato, ele não foi formado para ser papa, mas para ser um general e, como pontífice, não tem condições senão a de ser um tirano: il papa dittatore!

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27 novembro, 2017

Dom Pestana: “Hoje, não é só a fumaça de Satanás penetrando por uma fenda oculta, mas o diabo, de corpo inteiro, que irrompe triunfalmente pelas portas centrais”.

O grande papa Leão XIII entrou no século XX ainda apavorado pela visão que tivera da formidável presença diabólica em Roma, ‘para a perdição das almas’. Desde 1886, mandara a todos os bispos rezar a oração a São Miguel Arcanjo, escrita por ele, de próprio punho, como também um exorcismo maior que recomendava a bispos e párocos para recitarem com frequência nas dioceses e paróquias.

Dom Manoel Pestana e Dom Athanasius Schneider. Foto: Arquivo pessoal de Dom Athanasius.

Dom Manoel Pestana e Dom Athanasius Schneider. Foto: Arquivo pessoal de Dom Athanasius.

‘O século do homem sem Deus’, anunciado por Nietzsche, transforma-se no século de Satanás, que prepara o seu reino com a Primeira Guerra Mundial, implanta o comunismo ateu e tirânico, contra Deus e contra o homem, na revolução bolchevista de 1917, semeia a Europa inteira de ruínas e sangue com a Segunda Guerra Mundial, fruto dos poderes das trevas; invade toda a terra de ódio, terror, impiedade, heresia, blasfêmia e corrupção em guerras e revoluções sem trégua; insinua-se, de início, como fumaça, e, depois, implanta-se, poderoso, no seio da própria Igreja.

Tudo isto, Nossa Senhora confidenciara aos videntes de Fátima, exatamente no mesmo ano da tragédia russa; e o mesmo se diga do 3º capítulo do Gênesis, em que se pinta a vitória da serpente infernal e a presença de Maria, esmagando-lhe a cabeça.

A Cristandade continuou a rezar as orações de Leão XIII, estimulada pelos Papas. Pensadores cristãos como, por exemplo, Anton Böhm (Satã no Mundo Atual, Tavares Martins) e de La Bigne Villeneuve (Satan dans la Cité, Du Cèdre) denunciam a infiltração visível do demônio em todas as estruturas da sociedade. Bernanos surpreende-nos Sob o Sol de Satã.

De súbito, ao aproximar-se o último e temeroso quartel do século XX, contesta-se a existência dos anjos, desaparece a oração de São Miguel, suspendem-se os exorcismos, inclusive o do Batismo, mergulha no silêncio o ministério e a função do exorcista.

Paulo VI queixa-se da fumaça de Satanás dentro do templo, quase a ocupar o espaço do incenso esquecido, e amargura-se com a autodemolição da Igreja. Os seminários desaparecem, a teologia prostitui-se em cátedras de iniquidade, a liturgia reduz-se, com certa frequência, a uma feira irrelevante de banalidades folclóricas. A pretexto de inculturação, a vida religiosa desliza para o abismo.

‘Os poderes do inferno não prevalecerão contra a Igreja’, é certo. Mas o próprio Senhor prediz o obscurecimento da fé, o esfriamento da caridade. A visão (do Inferno) de Fátima faz vacilar o otimismo ingênuo e irresponsável dos que apostam na salvação de todos, mesmo até dos que a recusam.

(…) Jesus começa a sua missão, tentado pelo demônio e a expulsão dos maus espíritos torna-se uma das notas mais relevantes da sua atividade messiânica. ‘Em meu nome expulsarão os demônios’ (Mc 16,17), diz Jesus, ao despedir-se dos discípulos, notando que este será um sinal dos que crêem nele. E Satanás, pela ação dos Apóstolos, caía do céu como um raio… Quando os cristãos de todos os níveis, apesar dos Evangelhos e do Magistério, principiaram a duvidar da ação e, depois, da existência do espírito rebelde, aconteceu o que Jesus havia anunciado (Mt 14,44-45): expulso, ele volta para a casa ‘desocupada, varrida e arrumada’, mas indefesa, com sete espíritos piores do que ele, ‘e a condição final torna-se pior do que antes’, exatamente o que está a acontecer.

Hoje, não é só a fumaça de Satanás, penetrando por uma fenda oculta, mas o diabo, de corpo inteiro, que irrompe triunfalmente pelas portas centrais. Quem o vai exconjurar das nossas igrejas, das nossas residências episcopais e paroquiais, dos nossos centros comunitários, dos nossos seminários e universidades, dos Senados e das Câmaras Legislativas, dos Palácios do Governo e da Justiça, dos bancos e das bolsas, dos meios de comunicação, das escolas e hospitais, das consciências de todos nós?

E, não hesitemos: quem vai expulsar os demônios dos Palácios Pontifícios, das Congregações e Secretarias, das Nunciaturas, das Conferências Episcopais e Cúrias, dos Santuários e Basílicas, das ONU e dos Parlamentos, sem falar desse mundo ‘posto maligno’, que viceja ‘sob o sol de Satã’?

Nós precisamos, urgentemente, de exorcismo!

Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, GO (+2014) – Prefácio do livro “Um Exorcista Conta-nos”, do Pe. Gabriele Amorth.

Créditos ao leitor Leonnardo Vinicius, cuja gentileza agradecemos.

26 novembro, 2017

Foto da semana.

Utrecht, Holanda, 12 de novembro de 2017: Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, realiza cerimônia de reconciliação da Igreja de São Vilibrordo, primeiro bispo de Utrecht e apóstolo dos Países Baixos. A Igreja, um tesouro artístico do gótico na Holanda, foi adquirida pela Fraternidade e restaurada, após ter sido abandonada nos anos que seguiram ao Concílio Vaticano II e quase ter sido demolida.

Fotos: SSPX.org

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25 novembro, 2017

Coluna do Padre Élcio: O Juízo Universal.

 “Tendo dito isto,(Jesus) elevou-se à vista deles; e uma nuvem os ocultou aos seus olhos. Como estivessem olhando para o céu, quando ele ia subindo, eis que se apresentaram junto deles dois personagens vestidos de branco, os quais lhes disseram: Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu” (Atos I, 9-11).

“Pois é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que é devido ao corpo, segundo fez o bem ou o mal” (2 Cor. V, 10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Vamos seguir o Catecismo Romano.

SUA REALIDADE: Em prova do Juízo Final, basta citar esta passagem do Apóstolo: “Todos nós teremos de comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba retribuição do bem ou do mal, que tiver praticado em sua vida terrena” (2 Cor. V, 10 e Rom. XIV, 10).

juizo-finalA Escritura está cheia de textos, que os párocos descobrirão a cada passo, quando quiserem explicar este mistério e torná-lo mais acessível à inteligência dos fiéis (P. ex.: 1 Reis, 2, 10; Oséias  95, 13; Is 2, 12; Jer. 46, 10; Dan. 7, 26; Joel 2, 1-13; Sof. 1, 7-14; Mal. 4, 1; Mat. 13, 40; Luc. 17, 24; Atos 1, 11; Rom. 2, 16; 1 Cor. 15, 51; 1 Tess. 1, 10; Apoc. 20, 11).

O Juízo final é objeto de nossa esperança: Se desde o início do mundo, todos ansiavam pelo dia em que o Senhor Se revestiu de nossa carne, porquanto neste mistério punham a esperança de seu resgate, também agora devemos  –  depois da Morte e Ascensão do filho de Deus – suspirar ardentemente pelo segundo Dia do Senhor, “aguardando a ditosa
esperança e o aparecimento da glória do grande Deus” (Tito II, 13).

Explicação dos dois juízos: Na explicação desta matéria, os párocos terão de atender às duas ocasiões em que todo homem deve comparecer na presença do Senhor, para dar contas de todos os seus pensamentos, ações e palavras, e aceitar finalmente a sentença imediata do juiz. (Cf. Hebr. IX, 27).

O juízo particular: A primeira ocasião é o momento em que cada um de nós deixa este mundo; é levado incontinente ao tribunal de Deus, onde se examina, com a máxima justeza, tudo o que jamais fez, disse, e pensou em sua vida. [No original em latim: “Ibique de omnibus justissima quaestio habebitur, quaecumque aut egerit homo, aut dixerit, aut cogitaverit unquam”. Tomo a liberdade de corrigir a tradução porque em latim “unquam” só significa “jamais” nas frases negativas, interrogativas e condicionais. Nos outros casos significa: em algum momento, em algum dia. Então a tradução correta:

“Onde se examina com a máxima justeza, tudo o que em algum momento o homem fez, disse e pensou em sua vida”]. É o que se chama Juízo Particular.

O juízo universal: A segunda ocasião, porém, há de ser quando todos os homens comparecerem juntos, no mesmo dia e lugar, perante o tribunal do juiz, para que, na presença de todos os homens de todos os séculos, cada um venha a saber a sentença que a seu respeito foi lavrada. Para os ímpios e malvados, esta declaração de sentença constituirá a não menor parte de suas penas e castigos; ao passo que os virtuosos e justos nela terão boa parte de sua alegria e galardão. Naquele instante, será pois revelado o que foi cada indivíduo, durante sua vida mortal. Este Juízo se chama Universal.

Motivos para o Juízo Universal:

a) Abrir todas as consciências.  Será então necessário mostrar porque, além do Juízo Particular para cada um, se fará ainda outro geral para todos os homens. Ora, os mortos deixam às vezes filhos que imitam os pais; descendentes e discípulos que seguem e propagam seus exemplos em palavras e obras. Esta circunstância aumenta necessariamente os prêmios ou castigos dos próprios mortos (Basilius M. de vera virginitate). [A primeira vista isto parecer-nos-á estranho; por isso, abaixo no final, explicá-lo-ei]. Tal influência, cujo caráter benéfico ou maléfico empolga muitos, só acabará no último dia do mundo. Convinha, então, fazer-se uma perfeita averiguação de todas essas obras e palavras, quer sejam boas, quer sejam más. O que, porém, não seria possível sem um julgamento geral de todos os homens.

b) Reabilitar os justos. Outro motivo ainda. Muitas vezes, os justos são lesados na reputação, enquanto os ímpios passam por grandes virtuosos. Pede a divina justiça que, numa convocação para o público julgamento de todos os homens, possam os justos recuperar a boa fama, que lhes fora iniquamente roubada aos olhos do mundo.

c) Responsabilizar também o corpo. Além disso, em tudo o que façam durante a vida, bons e maus não prescindem da cooperação de seus corpos. Daí decorre, necessariamente, que as boas ou más ações devem atribuir-se também aos corpos, que delas foram instrumentos. Era, pois, de suma conveniência que os corpos partilhassem, com as almas, dos prêmios da eterna glória ou dos suplícios, conforme houvessem merecido. Isto, porém, não poderia efetuar-se, sem a ressurreição de todos os homens, e sem um julgamento universal.

d) Justificar a Providência de Deus. Como também a fortuna e a desgraça não fazem escolha entre bons e maus, era afinal necessário provar que tudo é dirigido e governado pela infinita sabedoria e justiça de Deus. Convinha, pois, não só reservar, na vida futura, prêmios aos bons e castigos aos maus, mas também decretá-los num juízo público e universal, que os tornasse mais claros e evidentes a todos os homens. Desta forma, todos renderão louvor a Deus pela sua justiça e providência, em desagravo daquela injusta queixa com que às vezes nos próprios Santos, por sentimento humano, se lastimavam, ao verem os maus na posse de grandes cabedais e dignidades. O Profeta (Davi) dizia: “Meus pés estiveram a ponto de vacilar. Por pouco se não transviaram meus passos, porque me enchi de zelo contra os maus, quando observava a vida bonançosa dos pecadores” (Salmo 72, 2 e 3). Mais adiante: “Eis que, sendo pecadores, e favorecidos pelo mundo, eles conseguiram riquezas. E eu disse: Então não me adiantou guardar puro meu coração, e lavar em inocência minhas mãos; em ser torturado o dia inteiro, e padecer aflição desde o romper da madrugada” (Salmo 72, 12-14). Por conseguinte, precisava haver um Juízo Universal, a fim de que os homens se não pusessem a comentar que Deus passeia pelos quadrantes do céu, e que pouco se Lhe dá a sorte das coisas terrenas (Cf. Jó 22, 14). Com toda razão foi incluída a fórmula desta verdade nos doze artigos do Credo, para apoiar, com a força da doutrina, os ânimos que duvidem da providência e justiça de Deus.

e) Alentar os bons e aterrar os maus. Sobretudo, era mister que a lembrança do Juízo alentasse os bons, e aterrasse os maus. Conhecendo a justiça de Deus, aqueles não viriam a desfalecer; estes seriam arredados do mal, graças ao temor e à expectação dos eternos castigos. Por isso, falando do Último Dia, Nosso Senhor e Salvador declarou que haveria um Juízo Universal. Descreveu os sinais do tempo em que há de chegar, para que, ao vê-los, reconhecêssemos estar perto o fim do mundo. Depois, no momento de subir aos céus, enviou Anjos que dissessem aos Apóstolos, tristes com Sua ausência, as seguintes palavras de consolação: “Este Jesus que de vosso meio foi arrebatado ao céu, há de vir assim como O vistes subir ao céu” (Atos I, 11).

Observação: O Catecismo Romano continua tratando do Juízo Universal; mas, para não me alongar por demais, e ao mesmo tempo, querendo desde já explicar o primeiro motivo do Juízo Universal aduzido pelo Catecismo Romano, omitirei o restante deste capitulo.

Que Deus me ajude a bem explicar o primeiro motivo do Juízo Universal acima aduzido pelo Catecismo Romano:

Abrir todas as consciências. Em primeiro lugar citarei alguns escritores célebres a começar pelos santos que escreveram sobre isto. Santo Antônio Maria Claret, a primeira e mais lídima glória do Concilio Vaticano I, Missionário extraordinário e fundador dos Missionários do Coração de Maria, assim diz em seu Catecismo da Doutrina Cristã: “Os bons e os maus, com as obras que fizeram e com o bem que omitiram, deixaram neste mundo uma herdade plantada que, no bem ou no mal, continua a frutificar aumentando o prêmio ou o castigo; no dia do juízo (está falando sobre o Juízo Universal), porém chegará o seu fim, pois, então se verá todo o bem que fizeram os justos e todo o mal dos malvados”. E hoje pensamos na aplicação destas palavras ao próprio Santo Antônio M. Claret que deixou escritos 144 livros, queimou 3 mil livros obscenos e estampas escandalosas e distribuiu gratuitamente só na Ilha de Cuba mais de 200 mil livros bons. Olhando o outro lado da moeda, Fidel Castro no dia do Juízo Final dará contas a Deus pelos males do Comunismo que perdurarem mesmo após a sua morte.

Ouçamos agora o célebre escritor Dom Plat:

“Todo homem há de pagar tributo à morte. E desde aquele momento seus atos bons cessam de merecer, e os maus cessam de atrair novos castigos? Não, porque, ainda que o homem em questão, não mereça nem desmereça em virtude de atos pessoais, estes atos, realizados durante sua vida mortal, continuam tendo consequências boas, se foram louváveis, e consequências funestas, se foram maus ou criminosos. O Doutor Angélico, em seu magistral artigo sobre este tema (S. Thel. 3ª Parte, q. 59, a. 5. Este será o artigo do próximo sábado)   põe a Ario como exemplo: Ario que foi o primeiro dos grandes heresiarcas, Ario, o precursor, o inspirador, o pai, mais ou menos direto, da maior parte das heresias que hão desolado e que provavelmente desolarão o Oriente até a consumação dos séculos: “Ex deceptione Arri, et aliorum fautorum pullulat infidelitas usque ad finem mundi” (…)

Passemos agora, continua Plat, a outra classe de coisas mui diferentes: Que bem não fez S. Vicente de Paulo durante os oitenta anos de sua existência mortal (…) e é mui provável que esta influência do santo se perpetuará até o fim dos séculos. O que equivale dizer que (…) o santo varão aumentará de dia em dia o número de seus méritos. (…) Oh! quão grande é a responsabilidade que contraímos por nossas ações! Para muitos esta responsabilidade será tal, que a conta da mesma não se encerrará até a consumação dos séculos. Por esta razão , podemos dizer com um autor espiritual (Gaussens): “É necessário o juízo final, para que todas nossas boas obras hajam dado seu fruto; é necessário o juízo final, para que, ao findar o tempo, havendo manifestado todas as consequências de nossa vida, o justo Juiz possa examinar, em toda sua extensão, nossa culpabilidade ou nosso mérito” (Cf. Expl. do Cat. de S, Pio V, Símbolo dos Apóstolos, sermão 50º).

Agora, o Catecismo Católico Popular por Francisco Spirago: “No Juízo (Final) Deus revelará também a sua JUSTIÇA, porque acabará o que ficou imperfeito no juízo particular. Os atos, as palavras, os escritos de muitos homens fizeram ainda bem e mal depois da morte deles; os apóstolos, os missionários encheram de benefícios numerosas gerações; assim também os hereges corromperam não só os contemporâneos, mas também a posteridade. O grão semeado pelo homem não chega à completa maturidade senão no Juízo Final”.

Mas a mente humana exige ainda uma ulterior explicação: porque é de todos sabido que, após a morte não se pode mais nem merecer nem desmerecer. A parábola das dez minas(moedas de ouro) parece lançar uma luz sobre este assunto, à primeira vista, obscuro (S. Lucas XIX, 11-27). O homem nobre voltando depois de ter tomado posse de seu reino, chamou os dez servos para que prestassem contas e como o que recebera 1 moeda  não a fez frutificar, disse-lhe o Rei: “… Por que não puseste o meu dinheiro num banco, para que, quando eu viesse, o recebesse com os juros? E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a moeda de ouro e dai-a ao que tem dez. Eles responderam-lhe: Senhor, ele já tem dez. Pois eu vos digo que a todo aquele que tiver, se lhe dará, e terá em abundância; ao que não tem, será tirado ainda mesmo o pouco que tem”. Creio que nesta última palavra encontramos a explicação. Pois, quem no juízo particular foi aprovado é porque morreu sem pecado mortal. Isto significa que, se cometeu pecados mortais, por palavras, obras e omissões que causaram escândalos e prejudicaram gravemente o próximo, não só  ou se arrependeram com contrição perfeita e desejaram receber o sacramento da penitência, ou se arrependeram com a simples atrição e receberam os sacramentos da penitência e/ou extrema unção, mas também se propuseram ou procuraram reparar na medida do possível todo escândalo e prejuízo (do contrário não teria havido verdadeiro arrependimento). E diz a Sagrada Escritura: “Se o ímpio fizer penitência de todos os pecados que cometeu,(…) Eu não me lembrarei mais de nenhuma das iniquidades que praticou”(Ezequiel XVIII, 21 e 22).  Ora, se Jesus não vai se lembrar delas no Juízo Particular, também  no Juízo Universal e “a fotiori”, nem das suas más consequências após túmulo até o fim do mundo. Portanto, quem se salva, além de não ser penalizado pelo mal que talvez praticou em vida (pois dele fez penitência), receberá um acréscimo de prêmios pelos frutos de suas boas obras mesmo aqueles posteriores à sua morte até o fim dos séculos. E assim: Todo aquele que tiver, se lhe dará, e terá em abundância.

Em relação aos condenados, os papéis se invertem: Se fizeram boas obras, ou já nasceram mortas pelo fato de seu ator estar em pecado mortal, ou perderam a vida (obras mortificadas) por pecado(s) mortais subseqüentes e com os quais o pecador morreu. Estas obras boas mas mortas ou mortificadas e que não merecem prêmio sobrenatural, Deus, sendo a própria Justiça, as recompensa com bens naturais materiais aqui na terra. Por isso diziam os santos que era mau sinal para os pecadores públicos e inveterados  serem cumulados de fortunas, prazeres e gozarem  sempre de saúde. Por outro lado, os condenados receberão penas adicionais no Juízo Final pelos maus frutos de suas obras más, subseqüentes à sua morte até o fim do mundo.  Ao que não tem, será tirado ainda mesmo o pouco que tem.

É óbvio, caríssimos e amados leitores, que em se tratando de mistérios de Deus, a inteligência humana, mesmo iluminada pela fé, poderá ir até certo ponto mas nunca lhe será permitido pretender compreender inteiramente os insondáveis desígnios divinos. Daí dizer S. Paulo: “Sapere ad sobrietatem” (Rom. XII, 3). Amém!

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24 novembro, 2017

Cardeal Marx: o desafio número um enfrentado pela Europa é a “mudança climática”.

Agora entende-se por que  “estúpidos” e “perversos” foram adicionados à listinha de epítetos da era da Revolução da Ternura.

Por Breitbart News  | Tradução: Juceli Bianco –  Ao lançar uma conferência internacional do Vaticano sobre o futuro da Europa na sexta-feira, o cardeal alemão Reinhard Marx enumerou sua ideia dos três maiores desafios que a Europa enfrenta, sendo a maior delas a “mudança climática”.

“A União Européia e toda a Europa encontram-se diante de grandes desafios”, afirmou o cardeal em uma conferência de imprensa na manhã de sexta-feira, “para os quais os cidadãos esperam, se não respostas conclusivas, pelo menos objetivos claros e perspectivas de seus políticos e da política”.

O fórum do Vaticano intitulado “(Re) pensar a Europa: um contributo cristão para o futuro do Projeto Europeu” é considerado “um diálogo de alto nível entre a Igreja e os atores políticos” e é coorganizado pela Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (COMECE) e a Santa Sé.

Como o primeiro dos três desafios em sua lista, Marx falou: “As mudanças climáticas… precisam mudar nosso estilo de vida insustentável a médio prazo. Unidos para este que é o problema dos custos das mudanças ecológicas e sua distribuição “.

Os outros dois grandes desafios, declarou Marx, são “mudanças no mercado do trabalho”, como a digitalização e a robótica, e a crise dos migrantes da Europa.

Ao colocar a “mudança climática” como o problema número um da Europa, o cardeal Marx ecoou o sentimento geral do povo alemão. Uma pesquisa publicada em agosto passado descobriu que a “mudança climática” era a principal preocupação de mais de 70% dos alemães, enquanto menos da metade dos entrevistados classificava a migração em massa como uma causa de ansiedade.

Curiosamente, em sua análise, o prelado não mencionou a profunda crise na Igreja Católica Alemã, que tem estado a sofrer hemorragia de fiéis nos últimos 20 anos.

Como Breitbart News informou em agosto passado, a Igreja Católica progressista na Alemanha perdeu 160 mil membros adicionais em 2016 e 537 paróquias foram fechadas. Desde 1996, a população católica na Alemanha diminuiu de 27.533.000 para 23.582.000 – um declínio de mais de 14%.

23 novembro, 2017

Notas de perplexidade acerca da Mensagem do Papa Francisco sobre o final da vida.

Por Federico Catani | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comA mensagem enviada pelo Papa Francisco aos participantes do Encontro Regional Europeu da Associação Médica Mundial sobre questões relacionadas com o final da vida, realizado no Vaticano de 16 a 17 de novembro, teve grande eco midiático. Em particular, a mídia secular destacou uma guinada considerável da Igreja sobre a eutanásia: de uma clara censura se teria passado a uma abertura prudente, mas clara. A resposta no campo católico foi geralmente a de que o Papa reiterou a doutrina de sempre, e que, a admitir-se uma mudança, ela diz respeito apenas à maneira de abordar a questão e ao idioma usado, percebido como mais dialogante.

Se é verdade que a mídia laicista obviamente se serviu da Mensagem papal para seus próprios interesses e, portanto, para promover, em particular na Itália, uma lei sobre o chamado “testamento biológico” (ou seja, a legalização da eutanásia), é igualmente inegável que as palavras de Francisco contêm alguns pontos em relação aos quais se fica pelo menos perplexo.

  1. Em primeiro lugar, o Papa põe o foco de sua atenção na chamada “obstinação terapêutica” – que é o tema central da Mensagem –, como se este fosse o principal problema hoje no mundo hospitalar. Mas fatos que foram objeto de crônicas muito recentes, como o do pequeno Charlie Gard, mostram que esse não é o caso. A doutrina moral da Igreja certamente sempre condenou a obstinação terapêutica e, nesse sentido, o Papa Francisco de fato não diz nada de novo. Deve-se, contudo, notar que os grupos que favorecem a legalização da eutanásia fazem deliberadamente confusão em torno dos conceitos de “obstinação terapêutica” e de “eutanásia”, apoiando-se na emoção da opinião pública e apresentando à atenção da mídia casos humanos extremos e devastadores. Apresenta-se amiúde como desproporcional uma terapia ou um tratamento que não o é realmente. Confundir e deturpar as palavras faz parte da estratégia da Revolução, neste caso denominada “cultura da morte”.
  1. Mas o ponto mais preocupante do discurso é aquele no qual o Papa Francisco acena para um acordo entre as várias correntes em luta, e até mesmo para a aprovação de uma eventual legislação em matéria de fim de vida: “No seio das sociedades democráticas, tópicos delicados como esses devem ser confrontados com calma: de modo sério e reflexivo, e bem dispostos a encontrar soluções – mesmo normativas – tanto quanto possível compartilhadas. Por um lado, de fato, deve-se ter em conta a diversidade de visões do mundo, as convicções éticas as afiliações religiosas, em um clima de recíproca escuta e aceitação.” 

Na prática, a doutrina sobre os princípios não negociáveis ​​é pela enésima vez esquecida. A impossibilidade de se chegar a um compromisso nesses temas fundamentais – cujo enunciado por Bento XVI lhe atraiu as críticas e os dardos do mundo – já não é considerada como tal por Francisco. O Papa de fato reconhece que pode haver uma lei para reger o chamado fim de vida. E até mesmo declara que isso deve acontecer tirando uma linha média entre as diferentes posições e visões, com o que se chegaria inevitavelmente a um resultado contrário à doutrina moral católica. A contradição com o n° 73 da Evangelium vitae também é evidente. No caso da Itália, ainda não existe uma lei sobre o chamado “testamento biológico” e o mundo católico deve impedir que isso aconteça. Se de fato se ceder nesse ponto, acontecerá com a eutanásia o mesmo que aconteceu com o aborto, com o divórcio e com o “casamento” homossexual: abrir-se-á uma brecha no dique e será dificílimo fechá-la, pela técnica hoje bem conhecida do slippery slope, ou ladeira escorregadia. Aprovar hoje uma lei sobre o assunto só serve para isso.

  1. Além disso, o Papa Francisco afirma que “para determinar se uma intervenção médica clinicamente apropriada é realmente proporcionada não é suficiente aplicar mecanicamente uma regra geral. É preciso um discernimento cuidadoso, que considere o objeto moral, as circunstâncias e as intenções das pessoas envolvidas”. A mesma linguagem usada para os divorciadas recasados em Amoris laetitia… No entanto, os médicos normalmente já fazem isso: cada paciente e cada doença é um caso à parte, sem prejuízo, entretanto, da verdade moral, que não muda. Aqui, pelo contrário, o Papa escolhe uma linguagem que favorece o relativismo, já amplamente em uso nesses casos.

Bem diversa foi a resposa que a Congregação para a Doutrina da Fé deu, em 2007, aos dubia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos ao afirmar claramente que, por exemplo, a hidratação e a alimentação artificiais, exceto obviamente nos casos em que o corpo não pode absorver mais nada, nunca deve ser considerada como obstinação terapêutica.

Isso não transparece nas palavras de Francisco, as quais, na verdade, inclusive podem confundir: “As intervenções no corpo humano estão se tornando cada vez mais eficazes, mas nem sempre são decisivas: podem sustentar funções biológicas que se tornaram insuficientes, ou mesmo substituí-las, mas isso não equivale a promover a saúde”. Conforme observou Tommaso Scandoglio em La Nuova Bussola quotidiana, para evitar interpretações enganosas bastaria adicionar o advérbio “sempre” diante da expressão “a promover a saúde”.

Como conclusão, além de qualquer interpretação destinada a minimizar ou acentuar a pretensa novidade da Mensagem papal, sem todas as observações técnicas possíveis e independentemente das intenções reais ou não, um resultado é evidente: as palavras do Papa Francisco, pelo menos na Itália, ofereceram ajuda e publicidade àqueles que vêm lutando para introduzir a eutanásia no sistema legal.

 

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22 novembro, 2017

Missas Tridentinas em Manaus

 

Um leitor nos escreve: “Convidamos para as Missas Tridentinas em Manaus nesta semana. Mais informações em https://salvemaria.com.br/missas-tridentina-em-manaus-22-25-novembro

 

21 novembro, 2017

Editorial: Ano do laicato. Mas…, que laicato?

Por FratresInUnum.com – 21 de novembro de 2017

No próximo dia 26 de novembro, festa de Cristo Rei no calendário reformado, a CNBB dará início ao Ano Nacional do laicato, convocado para favorecer o protagonismo dos leigos na pastoral da Igreja.

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“Logo” do Ana do Laicato.

O episcopado brasileiro dedica um ano para celebrar os leigos, mas… que leigos? Os senhores bispos estão, de fato, comprometidos com os leigos de suas igrejas?

 

Experimente ser leigo e solicitar ao seu bispo uma missa na forma extraordinária do Rito Romano em sua paróquia ou diocese… O que você encontrará? Portas abertas? Acolhida espontânea?… Recentemente, um militante católico pró-vida pediu para ser recebido por seu bispo por conta de um seminário LGBT que aconteceria em sua universidade dita católica e obteve – nada mais, nada menos que – portas fechadas, negação, recusa. É a mesma resposta que muitos católicos têm quando escrevem aos seus bispos reclamando de padres sacrílegos, blasfemos ou prevaricadores, que, no entanto, não cessam de ganhar cargos em suas dioceses, títulos e posições intocáveis.

Na maior parte das dioceses brasileiras, os bispos se voltam contra suas próprias ovelhas, censurando a sua devoção, seus usos e costumes, como, por exemplo, a piedosa utilização do véu por mulheres ou mesmo a consagração total a Nossa Senhora segundo o método de São Luiz Maria Montfort.

Este não será o Ano do laicato, mas o Ano de certo tipo de laicato. Recusando-se ter “cheiro de ovelhas”, o episcopado celebrará o laicato que tem cheiro de bispos, cheiro de CNBB, cheiro da naftalina do seu progressismo decadente. O pontificado do Papa Francisco retirou as múmias, embalsamadas para perenizar uma eterna década de 60, de seus sarcófagos, a fim promover um laicato composto de ex-padres e membros da PJ militantes do PT encastelados nas PUCs.

Já o Papa Paulo VI denunciava existir na Igreja um processo de “clericalização dos leigos e laicização do clero”. Hoje, o fato consumado é a existência de um tipo legítimo de laicato católico, com pleno direito de cidadania, não os fieis da Igreja, mas o partido criado para substitui-los, aqueles que se identificam com a ideologia naturalista, humanista e socialista, vigente na mens do episcopado atual.

Obviamente, o descolamento dos pastores em relação ao resto do povo é já evidente. Trata-se de duas realidades paralelas. De um lado, o clero, com um discurso vazio e cheio de obviedades ocas, e, de outro, o povo, com sua religiosidade de matriz católica, desorientado, sem nenhum ponto de conexão com a sua Igreja.

No meio deste hiato, uma parte do clero e do laicato trafega, ora na direção do povo, por parte dos padres, ora na direção do clero, por parte dos leigos.

É esta ínfima categoria do laicato que será comemorada pelos bispos e, consequentemente, será totalmente ignorada por toda a população católica, pelo verdadeiro laicato, que eles não renunciam desprezar.

Aproveitemos, portanto, para organizar este povo não representado, cujas ânsias permanecem sem nenhuma repercussão no establishment eclesiástico brasileiro.

Se os padres verdadeiramente católicos quiserem, poderão ser os verdadeiros líderes deste seu povo, das ovelhas que precisam escutar a sua voz. Agora é a hora de se multiplicarem os grupos de leigos que fomentam a espiritualidade tradicional católica, o ensino da doutrina e da liturgia de sempre.

O Pe. Ignace de la Potterie, exegeta jesuíta internacionalmente renomado e amigo pessoal do Papa Bento XVI, em uma entrevista publicada no jornal Avvenire, da Conferência Episcopal Italiana, no ano de 1996, disse: “Tem mesmo razão Nossa Senhora de Fátima: ‘os leigos salvarão a Igreja dos sacerdotes e dos bispos’” (note-se que esta afirmação não aparece em nenhum documento sobre Fátima publicado até agora).

É isso que Nossa Senhora espera de nós, leigos: que permaneçamos fieis, sem desejar o reconhecimento dos homens, e, por amor aos nossos pastores, mostremos-lhes o caminho do retorno. A Providência divina conta conosco e nos dá todas as graças para cumprirmos com exatidão a nossa missão.

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