16 dezembro, 2020

A ditadura documentada: entenda o “Decreto” do arcebispo de Maringá.

Por FratresInUnum.com, 16 de novembro de 2020 – Ditador é alguém que impõe sua vontade ao arrepio das leis, que não se importa com normas objetivas, mas apenas preocupa-se com prevalecer predatoriamente sobre os seus inimigos, ainda mais quando é respaldado por uma claque coesa, por uma torcida organizada que dá a impressão de ser a maioria. Foi isso que aconteceu na Alemanha nazista ou na China de Mao Tse Tung, e é algo muito parecido que está acontecendo em Maringá.

O arcebispo de Maringá, à direita na foto, com Lula.

Hoje, o Centro Dom Bosco publicou um Decreto assinado pelo arcebispo de Maringá, Dom Severino Clasen, ofm, contra um padre do seu clero, o Revmo. Pe. Rodrigo Gutierrez Stabel. O que há de mais impressionante no referido “decreto” (na verdade apenas um simulacro de ato administrativo) são as alegações do bispo, baseadas não em infrações objetivas da lei canônica, mas apenas em discordâncias com as preferências ideológicas e subjetivas tanto dele quanto de seus asseclas. 

Vamos analisar essas frases e demonstrar que elas não significam nada!

“Constatei de imediato sua dificuldade de comunhão com boa parte do clero de nossa Arquidiocese”. — O que significa isso? Dificuldade de comunhão? Ele está se referindo à antipatia que alguns padre tenham com ele? Ou seria aquela falta de uniformidade que a hegemonia esquerdista requer ditatorialmente de todos? Mas onde está a unidade na diversidade? Não existe mais nenhum espaço para a “multiforme graça de Deus”?

“Constatei que a maioria do clero não concorda e não aceita suas iniciativas em relação a uma possível Comunidade, justamente por você não caminhar em comunhão com a Igreja particular de Maringá”. — A maioria do clero precisa concordar para que o padre tenha reconhecido o seu direito de liberdade associativa? Mais uma vez, o que significa não caminhar em comunhão? O padre é excomungado, é um padre vago, está suspenso por alguma justa pena canônica? O que fere mais a “comunhão”, realizar uma iniciativa pastoral alternativa ou tirar foto com o Lula? O que será que escandaliza mais os fieis de Maringá?

“Considerei que os seus costumes litúrgicos, sua teologia e eclesiologia destoa muito da caminhada diocesana”. – O que seriam “costumes litúrgicos”? Existe esta figura do “direito canônico”? Este arcebispo é um incapaz em sua linguagem eclesiástica? O padre cometeu algum sacrilégio, celebrou missa com feiticeiros, com hereges ou cismáticos? Teria ele usado um rito que é alheio à Liturgia da Igreja Católica? “Teologia”? Como assim? O Padre em questão publicou livros? Existe um elenco das teses heterodoxas que ele teria produzido? “Eclesiologia”? O arcebispo de Maringá está dizendo que a sua arquidiocese tem uma eclesiologia própria, diferente daquela da Igreja Católica? Ou estaria ele impondo um viés próprio, exclusivista, intolerante, estreito, como a Eclesiologia da Libertação? Está ele declarando a TL como um dogma? Ele tem autoridade para isso?

“Constatei que você se empenha muito em seus projetos pessoais, e o mesmo não acontece nos trabalhos pastorais relacionados aos ofícios a que você foi designado”. – Se o padre é um vigário (como ele diz no texto, abaixo) e tem tempo livre, o que o arcebispo tem a ver com os seus “projetos” se eles são “pessoais”? Não há padres por aí com ocupações pessoais muito menos edificantes? Será que o arcebispo utiliza o mesmo critério para punir outros abusos? Que nível de controle ele pretende ter?

“Constatei que você tem dificuldade em relação a obediência”. – Mas, com considerações tão subjetivas, o que o arcebispo quer é ser obedecido ou obter a completa sujeição de um escravo? Não parece que ele quer mais que o padre adivinhe os seus pensamentos e concorde com as suas ideologias intuitivamente do que basear-se nas leis da Igreja e exigir, com a autoridade da Igreja, a justa obediência ao bispo? Ou será que o bispo aboliu, na prática, o Código de Direito Canônico e se erigiu como autoridade suprema sobre a vida do padre, como um faraó a quem ele tem de se submeter em absoluto?

Em resumo: de quais delitos objetivos o padre está sendo acusado, com base no Direito Canônico, e não em pretensões fundamentalistas, absolutistas, autoritárias, ditatoriais?

A resposta a essas perguntas não está no Decreto, mas talvez esteja na imaginação e nos sentimentos do seu autor… O próprio arcebispo reconhece em seu “decreto” que está apenas a quatro (4, 04, four) meses (!!!) na arquidiocese, tempo que lhe sobejou para discernir (!!!) tudo isso acerca do padre e decretar que a Comunidade Católica deve ser extinguida e, inclusive, a Associação Civil (!!!).

Mas como pode este bispo atropelar de modo tão intolerante o “direito de associação” que têm todos os fieis, clérigos e leigos (c. 215)? Ele está cerceando não apenas uma liberdade assegurada pela Igreja em seu Direito, mas pelo tão idolatrado Concílio Vaticano II (cf. Declaração Dignitatis Humanæ, n. 4).

Ele chega a proibir o padre de realizar celebrações ou encontros presenciais e virtuais com os membros da Comunidade e da Associação, impedindo a própria liberdade do sacerdote e dos fieis. Mas quem se julga ele ser? 

Dom Severino Clasen escreve um simulacro de Decreto sem invocar a lei canônica, sem apresentar nada a não ser uma linguagem vaga e a sua confissão de arbitrariedade, atropela direitos fundamentais dos fieis, inclusive do padre, e ainda bate no peito e quer ser cegamente obedecido?… Mas a que nível chegamos? A Igreja agora virou um quartel que está à mercê de um prelado autoritário?

O “Decreto” do arcebispo não passa, juridicamente, de uma bolha de sabão. Os fieis têm direito de associar-se, inclusive o padre, ainda mais se não estiverem fazendo nada de errado e fazendo uso de suas propriedades.

Contudo, ao mesmo tempo, o “Decreto” é um texto importantíssimo, pois documenta publicamente uma ditadura, uma violação de direitos fundamentais, reconhecidos tanto pelo Direito canônico quanto pela lei civil, e deve ser devidamente guardado como uma prova contra o abuso de autoridade cometido por este bispo. Não é assim que se resolvem os problemas na Igreja e alguém precisa mostrar a este bispo os limites do seu poder.

Felizmente, a Igreja Católica é uma instituição regida não apenas por hierarcas, mas por leis, as quais protegem a todos, especialmente os mais fracos dos opressores (ainda que falem tanto em libertação), destes que pretendem cegamente aplicar aquele velho princípio: “aos amigos, tudo; aos inimigos, o rigor da lei”. Só que, neste caso, não existe sequer “lei”, existe tão somente vontade ditatorial.

Aos padres e leigos de Maringá e de todas as outras dioceses, fica um recado: ou levantamos a cabeça e reagimos contra isso, ou um dia todos estarão subjugados por uma implacável ditadura episcopal.

16 dezembro, 2020

Por que os católicos carismáticos deveriam apreciar a Missa Latina Tradicional.

Agradecemos a gentileza do Dr. Peter Kwasniewski por nos fornecer já traduzido seu artigo publicado originalmente em Rorate Caeli.

Por Peter Kwasniewski

Universidade Franciscana de Steubenville, 23 de setembro de 2020

Em que pese minhas considerações de hoje se concentrarem na Missa Latina Tradicional, também irei além disso. Falarei, dentre tantos aspectos, sobre a ocultação do Espírito Santo, o antigo rito do batismo e o papel do Espírito em nossa vida pessoal devocional. O presente caso que apresento a vocês na forma de um esboço rápido revela que o melhor veículo de apoio a uma vida vivida no poder e na graça do Espírito Santo é a liturgia católica tradicional e tudo o que vem nela embutido.

De início, eu gostaria de citar um fato intrigante da história da Igreja: ao longo dos 2.000 anos de cristianismo, o Espírito Santo nunca foi tão tematizado na teologia, na espiritualidade e na liturgia da mesma maneira que o Pai e o Filho foram. Por que isso aconteceu?

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15 dezembro, 2020

Bilionário chinês acusa o Vaticano de receber suborno de Pequim.

Por FratresInUnum.com, 14 de dezembro de 2020. – Como se já não bastasse a escandalosa notícia da semana passada, em que o Vaticano consumou a sua completa traição à Igreja mediante uma aliança espúria com os capitalistas judeu-maçônicos das mais bilionárias Fundações Internacionais, vale a pena relembrar uma denúncia arrepiante: a Santa Sé estaria sendo subornada pela ditadura comunista chinesa.

Guo Wengui, também conhecido como Guo Wen Gui, Guo Haoyun, Miles Guo e Miles Kwok é um empresário bilionário chinês que se tornou um ativista político e controla a Beijing Zenith Holdings e outros ativos. No auge de sua carreira, ele ocupava a 73ª posição entre os mais ricos da China. Wikipédia.

O biolionário chinês Guo Wengui acusou o Vaticano de receber 1,6 bilhões de libras por ano para calar-se diante dos abusos religiosos da China, e disse que o governo comunista tem igualmente amordaçado outros países, com iguais condições.

Guo é conhecido por suas crítica ao Partido Comunista e fez essas denúncias ao Vaticano durante uma entrevista ao programa “The War Room”, apresentado pelo ex-conselheiro de Trump, Steve Bannon. Segundo ele, o governo chinês “quer que o Vaticano se cale e siga as políticas religiosas do Partido”, pois eles sabem que “se o Vaticano contar a verdade sobre os cristãos e os católicos chineses, será o fim do Partido Comunista”. 

É de conhecimento público que a Santa Sé renovou o acordo com o governo Chinês no dia 22 de outubro de 2020, apesar da tentativa de inibi-lo movida pelo governo americano (o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, não foi nem recebido por Bergoglio) e das duras críticas do Cardeal Zen, o qual afirmou que “o acordo Vaticano-China irá matar a Igreja”. O ancião cardeal chinês, arcebispo emérito de Hong-Kong, chegou a ir ao Vaticano, mas não foi recebido pelo papa.

Embora Francisco precise repetidamente escorar-se na autoridade do Papa Bento XVI e, também neste caso, o Vaticano afirme que “os conteúdos do acordo tinham já sido aprovados pelo Papa Ratzinger”, tais informações confirmam as denúncias de Guo Mengui, que “também afirmou que o governo chinês estava pagando à Santa Sé 100 milhões de dólares (80 milhões de libras) antes de 2014, sem especificar quando esses pagamentos começaram”.

Se o mito da “Igreja pobre e para os pobres” de Francisco já ruía semana passada com a notícia do seu pacto com os “mais ricos dentre os ricos”, agora fica evidente que também se dissolve a crença de que capitalismo e comunismo são modelos antagônicos, quando, na verdade, se comportam como as duas cabeças de um mesmo monstro.

O que os católicos têm a ver com isso, infelizmente, o Vaticano parece ignorar. Fato é que se o conhecido “Pacto de Metz” foi capaz de silenciar o Concílio Vaticano II para que não condenasse os horrores do comunismo, agora, o Acordo entre o Vaticano e a China impõe um pacto de silêncio selado pelo sangue de milhões de católicos e comprado às custas de muito, muito dinheiro. Por outro lado, o ingresso do Vaticano no Conselho de Capitalismo inclusivo imporá à Igreja outro pacto de silêncio, tão grave quanto os anteriores, o silêncio sobre as questões éticas que assolam o ocidente em decadência, e tudo em nome de Mamon, que, no atual Vaticano de Bergoglio, parece rivalizar em culto apenas com a Pachamama.

10 dezembro, 2020

Globalismo no Vaticano: o Papa Francisco entra no Conselho de Capitalismo inclusivo.

Por FratresInUnum.com, 10 de dezembro de 2020 – A notícia passou quase desapercebida, mas a sua importância é proporcional à discrição com a qual foi noticiada: o Vaticano acaba de fazer uma parceria com o chamado “Conselho de Capitalismo Inclusivo”.

papa capitalismo

A notícia foi divulgada na solenidade da Imaculada Conceição e afirma que “o Conselho responde ao desafio do Papa Francisco de aplicar os princípios de moralidade às práticas de negócio e de investimento”.

Trata-se de uma “parceria histórica” entre o Vaticano e os “maiores investidores e líderes empresariais do mundo” e é inspirado no “imperativo moral de todas as religiões”. O Conselho “convida empresas de todos os tamanhos a aproveitarem o potencial do setor privado para construir uma base econômica mais justa, inclusiva e sustentável para o mundo”.

Este Conselho é liderado “por um grupo central de líderes globais conhecidos como Guardiães do Capitalismo Inclusivo” e representam “mais de 10,5 trilhões de dólares em ativos sob gestão, empresas com mais de 2,1 trilhões de capitalização de mercado e 200 milhões de trabalhadores em mais de 163 países”. 

“A organização desafia os líderes de negócios e investimentos de todos os tamanhos a abraçarem os princípios orientadores do Conselho e a assumirem compromissos públicos de agirem de acordo com eles. Essas ações coletivas têm como objetivo levar a uma mudança sistêmica, tornando o capitalismo uma força maior de inclusão e sustentabilidade”.

Uma das fundadoras do Conselho é a Sra. Forester de Rothschild, mas conta com membros das maiores Fundações Internacionais, como Rajiv Shah, presidente da Fundação Rockefeller, e Darren Walker, presidente da Fundação Ford.

É de conhecimento público que essas fundações trabalham ativamente para a implantação de uma cultura anti-cristã no mundo, baseada em uma nova antropologia, que inclui aborto, ideologia de gênero, multiculturalismo, sincretismo religioso total, enfim, a supressão mesma da doutrina católica e a sua substituição por uma nova ordem, forjada para substituir a sociedade presente por uma nova sociedade de mercado. Estes são os seus princípios morais, não aqueles que ensina a Igreja Católica.

Toda a esquerda internacional, há muitas décadas, já deixou de ser propriamente anti-capitalista, antes, recrutou-se nas fileiras do mais explícito meta-capitalismo, o capitalismo dessas grandes corporações privadas, que pretendem vergar o mundo à sua nova cosmovisão de mercado, contraditória com aquela da civilização cristã.

Em seu último livro-entrevista, “Vamos sonhar juntos?”, o Papa argentino atacou aqueles que defendem uma civilização cristã, dizendo: “por exemplo, uma fantasia de nacional-populismo em países de maioria cristã é defender a ‘civilização cristã’ contra supostos inimigos, sejam eles o islã, os judeus, a União Europeia ou as Nações Unidas”.

Daí a sua insistência, em Fratelli tutti, de que impor uma visão globalista da sociedade, a ponto de execrar a soberania das nações como um funesto nacionalismo fechado: “A verdadeira qualidade dos diferentes países do mundo mede-se por esta capacidade de pensar não só como país, mas também como família humana; e isto comprova-se sobretudo nos períodos críticos. Os nacionalismos fechados manifestam, em última análise, esta incapacidade de gratuidade, a errada persuasão de que podem desenvolver-se à margem da ruína dos outros e que, fechando-se aos demais, estarão mais protegidos” (n. 141).

Francisco ofereceu-se para a Fundações Internacionais meta-capitalistas como aquele que irá criar a espiritualidade eco-naturalista que dará suporte à Nova Ordem Mundial, espiritualidade forjada ad extra na Declaração de Abu Dhabi e ad intra na Encíclica Fratelli Tutti, servindo-se da estrutura da Igreja Católica como a sua caixa de ressonância.

Estamos diante de um verdadeiro programa. Francisco nunca foi um papa comunista. Ele é papa globalista, que se prostrou diante das Fundações Internacionais e está preparando o caminho, como um verdadeiro precursor, para o apogeu desta nova religião universal.

9 dezembro, 2020

Dom Alberto Taveira, o lobby gay e o eco-comunismo amazônico.

Por FratresInUnum.com, 9 de dezembro de 2020 – Nunca escondemos nosso desapontamento com algumas posturas e falas de Dom Alberto Taveira, arcebispo de Belém e um histórico referencial da RCC no Brasil. Nos últimos anos, ele deu algumas demonstrações de intolerância para com tradicionalistas – um dos exemplos mais eloquentes foi quando, num ENF da RCC em Aparecida, ele hostilizou o uso de véus ou usos tradicionais –, embora tenhamos de dizer que ele tem sempre dado guarida à Missa na forma extraordinária em sua arquidiocese. Também causou espanto ver o seu nome entre os signatários da famigerada carta ultra-TL contra o governo brasileiro.

Contudo, nos últimos dias ganhou destaque uma tentativa, até o momento frustrada, de causar escândalo com o seu nome, para manchar-lhe a reputação. Trata-se de acusações de delitos graves que se teriam supostamente praticado no seminário de Belém. Houve uma visita apostólica a este respeito, a abertura de uma investigação civil e quase um estrondo midiático, que foi contido pela destreza do arcebispo em desviar-se rapidamente da situação e pela rápida adesão de leigos que se mobilizaram em sua defesa por todo o Brasil. Alguns detalhes deste episódio merecem a nossa atenção.

Tentativa golpista do lobby gay. O site “Ver o fato” lançou no domingo uma entrevista completa em que conta que sete ex-seminaristas, liderados por dois padres, apresentaram denúncias de imoralidade contra Dom Alberto Taveira tanto à justiça civil quanto à eclesiástica, no caso, à Santa Sé.

O mesmo jornalista que publicou a notícia, porém, retratou-se no dia de hoje e reconheceu que estava totalmente enganado e que as denúncias partiram do que ele mesmo chamou de lobby gay, ou seja, um grupo de homossexuais que justamente foi expulso da arquidiocese de Belém por Dom Alberto e que, agora, pretende dele se vingar, destruindo a sua reputação.

O próprio jornalista afirma: “É hora de se puxar o freio da pretensão do movimento homossexual nas fileiras do clero. Nada contra a homossexualidade, como podem evidenciar as aparências (sic!), mas tudo contra a vulgaridade da opção sexual dos padres, a sodomia e outras imoralidades bancadas pelos já sofridos recursos financeiros das paróquias”.

“O bispo precisa impor limites, ordem na casa. A Igreja precisa disso. E alguns padres, de vergonha na cara. Podem até ser o que são e fazer o que fazem, mas já é demais sustentar suas farras e orgias baconianas com o exercício do sacerdócio ministerial. É hora de resistirmos a esse vício crescente em nossa Igreja”…

“E por conta das resistências e enfrentamento dessa realidade em seu rebanho clerical, o arcebispo tem sido vítima de calúnias, injúrias e difamações. Os acusadores, rasos nos seus lamentos tão cênicos quanto cínicos, sabem dos revezes que poderão sofrer em juízo, mas parecem não se importar. Querem mesmo, movidos pela cega vingança, macular o nome do prelado. Isso lhes basta”.

Lobby gay é a definição do movimento que tenta denegrir a vida de dom Alberto Taveira. São padres, seminaristas e ex-seminaristas gays que reagem infantilmente às medidas de contenção. Resistem ao freio no exercício de suas paixões vulgares”.

Um áudio mais longo recolhe as declarações de um padre sobre a situação na arquidiocese de Belém e esclarece detalhes muito interessantes, inclusive sobre a conduta criminosa pregressa dos acusadores do arcebispo, que vale muito a pena ter presente.

Estranha visita apostólica. No áudio mencionado, o clérigo declarante diz que “Dom Alberto é hoje uma figura que não é querida entre os bispos da Amazônia porque ele é o único que resiste a um certo tipo de voz, a um certo tipo de ideologia que quer uma Igreja Amazônica, diferenciada, progressista, indígena etc., ele é o que articula com mais inteligência uma resistência a isso”. 

Na sua própria declaração em vídeo, Dom Alberto chega a mencionar, sem dissimular a sua perplexidade, que houve uma visita apostólica nos últimos dias. E o site “Ver o fato” disse que ele “diante das acusações feitas, foi aconselhado a renunciar ao arcebispado, mas teria recusado, alegando ser inocente e de que não haveria provas contra ele”.

Ora, fica muito claro agora, diante de todo este imbróglio, que houve duas forças que atuaram articuladas na tentativa de golpe contra o arcebispo de Belém: de um lado, o lobby gay, que visava tão somente a sua destruição pessoal; e, de outro, o lobby eco-amazônico, que queria livrar-se do arcebispo às pressas, ansioso de avançar com a agenda tribalista do Sínodo da Amazônia. 

Consequências eventuais. A atitude de Dom Alberto foi inteligente e equilibrada. Ele simplesmente recusou-se a renunciar, contrariando o conselho que, “como uma Mãe Amorosa”, lhe vinha do Vaticano. Agora, com o passar dos dias, a mídia, inicialmente eufórica, percebeu a armadilha em que se estava enfiando e como estava sendo instrumentalizada por delinquentes para as finalidades mais desonestas e, consequentemente, pulou fora do barco

Contudo, o que teria acontecido se Dom Alberto Taveira tivesse renunciado? O escândalo estaria sacramentado e, mesmo que ele operasse um milagre público em seu favor, nunca mais ninguém creria nele, com o necessário resultado de um desprestígio absoluto para a arquidiocese e para a Igreja no Brasil. Quem iria reparar este dano? O Vaticano? 

Tentativas de golpes como este vêm acontecendo em diversas partes do Brasil, justamente contra bispos e padres que, obedecendo a lei da Igreja, se opõe à devassidão moral do clero e tentam estabelecer a moralidade na Igreja.

Natureza do lobby gay. A expressão “lobby gay” designa não apenas aqueles clérigos que têm alguma tendência ou mesmo conduta homoafetiva, mas, grupos inteiros de seminaristas, diáconos, padres e bispos que querem usar a estrutura da Igreja como meio de promoção de abusos e orgias sexuais, de mútuo favorecimento e auto-promoção, como uma espécie de rede em que, valendo-se da posição de clérigos, estes indivíduos apenas vão criando uma verdadeira sociedade secreta homossexual, que capta adeptos desde as pastorais de jovens até inseri-los na própria estrutura eclesiástica, nas altas cúpulas.

Existe uma verdadeira máfia gay na Igreja Católica, máfia que se torna cada dia mais agressiva, não apenas contra bispos que a enfrentam, mas contra os próprios padres e leigos que ousam posicionar-se de maneira alternativa. Eles conquistam postos chave em dioceses com vistas a manterem em funcionamento toda esta “rede”, como bem a definiu Michael Vorris, “a cloca clerical homo-comunista”.

Neste sentido, percebe-se claramente que há aí não apenas uma espécie de desvio moral, mas uma verdadeira ideologia gay: são grupos inteiros que a cada dia assumem posturas abertamente gaysistas, sem sofrerem nenhum tipo de restrição ou, quando a sofrem, reagindo de modo violento, como acaba de acontecer com Dom Alberto Taveira.

A pergunta que nos fazemos é: até onde isto irá? O papa Francisco tem querido apresentar-se como um moralizador da Igreja, agravando ainda mais as medidas disciplinares já rigorosas, emitidas nos tempos dos seus predecessores, mas é notório que há bispos que acobertam padres escandalosos, mesmos com provas documentais, fotográticas, áudio ou videografadas, a despeito do sofrimento do seu povo; há bispos comprometidos com o lobby gay e que trabalham inclusive contra qualquer um que queira enfrentar esta chaga na Igreja, sem perceberem que, na hora em que essas coisas se tornam um escândalo, eles são os primeiros a terem de arcar com as consequências.

A curiosa posição de Dom Azcona. Tanto no mencionado áudio do padre quanto no artigo de “Ver o fato”, menciona-se algo muito curioso: “o bispo do Marajó, Dom José Luiz Azcona, estaria em rota de colisão com o arcebispo, pois teria sido apontado por Dom Alberto como pivô das denúncias à Cúria Romana… Na verdade, Dom Azcona foi a primeira pessoa do meio eclesiástico a ser procurada pelos padres e ex-seminaristas, uma vez que o próprio arcebispo não seria o canal correto das denúncias justamente por ser ele o envolvido. De acordo com as informações, o bispo teria ficado ‘estarrecido’ ao ouvir os relatos e prometido tomar providências”.

Dom Azcona ficou nacionalmente conhecido durante o Sínodo da Amazônia por suas esplêndidas pregações contra a paganização ocorrida então no Vaticano, inclusive denunciando o absurdo de ter-se entronizado ali o execrável ídolo da Pachamama. 

Contudo, já nos meses seguintes o seu nome comparece naquela mesma carta mencionada no início do nosso artigo, carta de tom abertamente TL e que afronta o governo democraticamente eleito com argumentos ultra-comunistas. O comparecimento do nome de Dom Azcona entre os signatários daquela absurda carta causou não apenas rechaço entre o povo, mas eloquentes manifestações de repúdio.

Em resposta a isso, Dom Azocona escreveu um longo texto em seu facebook no qual esconde-se por trás do mais patético isentismo, colocando-se comodamente num centro idealíssimo e condenando a todos, imputando igual erro a comunistas e conservadores, como se não houvesse essenciais matizes ideológicos entre essas ideologias, e, pela via da pasteurização mais banal, lança um apelo querigmático à conversão, ao retorno à centralidade de Cristo, etc., como ele mui belamente faz, mas usando este pacote magnífico como passaporte do seu próprio salvo-conduto.

Este tipo de isentismo é muito preocupante num bispo, pois revela a pretensão de uma neutralidade que frequentemente favorece a delinquência, ainda que com boa intenção. Não basta ser bom, é preciso perceber para que direção nos estão puxando, é preciso proceder com prudência, é preciso agir com sabedoria. É por neutrismos deste tipo que os católicos padecem frequentemente, enquanto as máfias engordam e se beneficiam quotidianamente às nossas custas.

Mobilização dos católicos. A experiência de Dom Alberto Taveira nesses dias merece ser protocolada por nós todos. Diferenças ideológicas à parte, temos de reconhecer que ele estava, ao que parece, sendo injustiçado por um bando de criminosos, os quais se beneficiaram em larga escala tanto da distância ideológica do arcebispo em relação a esta eco-ditadura bergogliana, quanto da fome de sangue da mídia.

Em todo caso, o laicato católico brasileiro é muito mais esperto do que parece à primeira vista. A mobilização dos fieis bloqueou de modo muito eficaz a tentativa de golpe, o escândalo e a calúnia, chegando até mesmo a antecipar-se ao agressivo noticiamento que se iria fazer. 

Precisamos estar atentos, pois estas máfias não param e frequentemente se levantam para banir da vida pública leigos engajados, sacerdotes fieis e bispos coerentes. A experiência mostra que é preciso aprender com todos os males. Talvez este episódio nos tenha revelado que é preciso começar a blindar de outro modo os bons pastores, antes que estes sejam completamente devorados pelos lobos ou pelas lobas.

8 dezembro, 2020

“De Maria numquam satis”.

“De Maria numquam satis”, dizem os Santos. Não se deve dizer basta nos louvores a Maria Santíssima. Não temamos cultuá-la excessivamente. Estamos sempre muito aquém do que Ela merece. Não é pelo excesso que nossa devoção a Maria falha. E sim, quando é sentimental e egoísta. Há devotos de Maria que se comovem até às lágrimas, e, no entanto, se ajustam, sem escrúpulos, à imodéstia e à sensualidade dominantes na sociedade de hoje. Sem imitação não há verdadeira devoção marial.

Consagremos, realmente, a Maria Santíssima nossa inteligência e nossa vontade, com a mortificação de nossa sensibilidade e de nossos gostos, e Ela cuidará de nossa ortodoxia. “Qui elucidam me vitam aeternam habebunt” (Eclo 24,31) – [Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna] -, diz a Igreja de Maria. Os que se ocupam de fazê-la conhecida e honrada terão a vida eterna.

Dom Antônio de Castro Mayer.

Quando eu era jovem teólogo, antes e até mesmo durante as sessões do Concílio, como aconteceu e como acontecerá a muitos, eu alimentava uma certa reserva sobre algumas fórmulas antigas como, por exemplo, a famosa De Maria nunquam satis – “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”. Esta me parecia exagerada.

Encontrava dificuldade, igualmente, em compreender o verdadeiro sentido de uma outra expressão bastante famosa e difundida repetida na Igreja desde os primeiros séculos, quando, após um debate memorável, o Concílio de Éfeso, do ano 431, proclamara Nossa Senhora como Maria Theotokos, que quer dizer Maria, Mãe de Deus, expressão esta que enfatiza que Maria é “vitoriosa contra todas as heresias”.

Somente agora – neste período de confusão em que multiplicados desvios heréticos parecem vir bater à porta da fé autêntica –, passei a entender que não se tratava de um exagero cantado pelos devotos de Maria, mas de verdades mais do que válidas.

Cardeal Joseph Ratzinger – Entretiens sur la Foi, Vittorio Messori – Fayard 1985.

(Publicado originalmente na festa da Imaculada Conceição de 2008)

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29 novembro, 2020

Os novos santos compensam a Missa nova?

Por  Peter Kwasniewski, OnePeterFive.com | Tradução: João Pedro de Oliveira -FratresInUnum.com — Como se pode esperar em qualquer época, não importando o quão podres sejam as circunstâncias, o Senhor continua a suscitar homens e mulher com traços de santidade. Dois exemplos bem conhecidos são a Beata Chiara Badano (1971–1990) e o Beato Carlo Acutis (1991–2006). O fato de eles terem vivido exclusivamente dentro da esfera do Novus Ordo poderia contar como uma rejeição dos tradicionalistas, os quais sustentam que a liturgia reformada — ou melhor, deformada — prejudica a vida espiritual?

Não, não poderia, assim como a salvação dos que não são membros visíveis da Igreja Católica tampouco derruba o dogma de que extra Ecclesiam nulla salus, isto é, “fora da Igreja não há salvação”. No meu livro Reclaiming Our Roman Catholic Birthright [n.d.t.: ainda sem trad. portuguesa], eu faço a seguinte observação:

O fato de que houve alguns santos após e sob o Novus Ordo não prova que ele seja igual, em seu poder santificador, à Missa latina tradicional, assim como o fato de que alguns demônios podem ser expulsos pelo novo rito de exorcismo não contradiz o consenso geral entre os exorcistas de que o rito latino tradicional de exorcismo é muito mais efetivo. No máximo, o que tais coisas provam é que Deus não pode ser frustrado pelos homens de igreja ou por suas reformas. Como ensinam os teólogos, Deus não está limitado por suas próprias ordens: Ele pode santificar as almas fora do uso dos sacramentos, ainda que nós estejamos moralmente obrigados a usar os sacramentos que Ele nos deu. De modo análogo, Ele pode santificar uma alma que o ama mesmo através de uma liturgia deficiente em tradição, em reverência, em beleza e em outras qualidades que, pela lei natural e pela lei divina, deveriam estar presentes nela, ainda que no curso normal das coisas as almas devessem servir-se desses poderosos auxílios à santidade (p. 12). 

Dois outros pensamentos vêm à mente.

Primeiro, é certamente possível que um leigo se torne bastante santo em um campo de concentração na Sibéria, sem acesso algum aos sacramentos. É possível que um padre prisioneiro nesse campo se torne bastante santo, celebrando Missa com uma migalha de pão e um dedal de vinagre. Essa não é, no entanto, a norma que Deus pensou para nós, e é provável que o tratamento num campo de concentração não desenvolva a santidade da maior parte das pessoas. Alguns seriam levados ao desespero, outros à loucura, outros à apostasia e outros ainda a comportamentos bestiais. Não nos esqueçamos que, para cada mártir cristão que era feito pelos antigos romanos, havia muitos outros que apostatavam, entregavam os livros sagrados aos inimigos e queimavam um pitada de incenso ao “divino” imperador.

Segundo, precisamos ampliar o horizonte de nosso olhar e perguntar que frutos de santidade foram produzidos ao longo dos mais de 50 anos passados desde a reforma litúrgica. Certamente, houve alguns bons frutos, pois em qualquer época durante a qual as pessoas procurarem viver pelas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, sobreditos frutos não faltarão jamais. Mas será que o último meio século tem condições de se comparar a qualquer outro período de 50 anos da história da Igreja Católica, se usarmos como termos de comparação as vidas dos santos e as obras-primas da bela arte cristã (os dois critérios que Joseph Ratzinger identificava como provas indiscutíveis da verdade do Evangelho)? A resposta é óbvia a quem quiser ver. A era da reforma litúrgica está marcada por uma apostasia sem precedentes da fé, uma sangria massiva de fiéis e uma dissipação e dissolução da identidade católica que superam até mesmo o estrago feito pela Revolta Protestante. A tendência no Ocidente, onde o Reno lançou-se no Tibre, é de franca decadência — exceto dentro do movimento tradicionalista [1].

Permita-me fazer uma comparação diferente: a democracia, em seu sentido moderno, vige há cerca de 250 anos. Desde então, quase ninguém com reputação de santidade emergiu de suas classes governantes. Contraste isso com as monarquias europeias de antigamente: dúzias e mais dúzias de santos. Conceda-se, é quase como comparar laranjas com maçãs, mas o ponto é que a Missa antiga é o ambiente sadio da cristandade, e a nova Missa é o ambiente malsão da “Bugninilândia” [Bugniniville] (que não pode competir jamais com a vila das margaridas [Margaritaville]). De uma grandes e abundantes frutos advieram; da outra, não muito grandes, nem muitos. A expectativa é que vejamos contrastes similares aos que existem entre as sociedades pré-democráticas, hierárquicas e tradicionais e as democráticas, igualitárias e seculares.

Se alguém retrucasse dizendo: “Tudo bem: é bom que vocês, tradicionalistas, estejam produzindo alguns santos bem admiráveis, então!”, eu responderia: “Sim, nós estamos trabalhando nisso — mas não nos esqueçamos que, embora nossos números positivos estejam crescendo de modo desproporcional (número de casamentos, batismos, vocações religiosas e sacerdotais etc.), nós representamos algo em torno de 1 a 5% da população católica. Assim, ao menos sejamos justos nos ajustes estatísticos.”

A partir de uma leitura superficial da vida do novo beato Carlo Acutis [2], é possível dizer que ele respondeu com tremenda generosidade ao chamado divino. Ele era profundamente devotado à adoração eucarística, a qual tem o poder de transformar vidas. Não há razão particular para ficar perturbado com sua beatificação ou veneração; ela não está sobrecarregada com os muitos problemas que têm, por exemplo, a beatificação e a canonização de Paulo VI. Como o prisioneiro na Sibéria, Carlo tirou o máximo da Presença Real do Senhor, em meio aos retalhos de tradição e fragmentos de sentido que a Igreja italiana moderna lhe poderia oferecer. Em espírito, ele foi elevado sobre as limitações de sua época e de sua terra. Se Dom Athanasius Schneider se sente confortável invocando a intercessão dele, eu sinto o mesmo.

Devemos ter cautela, todavia, com a tendência do Vaticano de hoje de utilizar os dons de Deus para seus próprios fins perversos. As beatificações e canonizações têm se tornado ferramentas para a promoção da agenda modernista. Devemos distinguir entre o que a vida de um santo realmente exemplifica e o que o Vaticano tem sobreposto a isso. Por exemplo, apareceu um artigo em francês da agência Zenit associando os carismas particulares de Carlo às encíclicas Laudato si e Fratelli tutti, do Papa Francisco, porque, afinal, o Beato Carlo amava os animais e a natureza, e queria ajudar os sem-teto. É a oportunidade perfeita de transformar o menino em garoto-propaganda da era Francisco.

Em geral, eu sou bastante simpático à ideia de normalmente esperar cinquenta anos (ou, em todo caso, um bom período de tempo) para iniciar uma causa de beatificação ou canonização, sem falar de sua conclusão. É sábio “deixar a poeira baixar” e ver, entre outras coisas, se há evidência constante de um forte cultus popular à figura em questão. A falta de veneração popular — ou a necessidade de a estimular artificialmente, como numa espécie de campanha por candidatos políticos — é um dos aspectos mais perturbadores das beatificações e canonizações recentes. É como se a hierarquia da Igreja não mais acreditasse que os fiéis católicos, por um instinto de fé, podem reconhecer a santidade e reagir a ela quando a encontram. Se pararmos para pensar, o Vaticano tem boas razões para temer, pois, se deixasse falar o sensus fidelium, Dom Marcel Lefebvre acabaria na mesa da Congregação para as Causas dos Santos. Ele tem recebido dez mil vezes mais veneração popular do que Paulo VI, que o condenou, jamais recebeu ou receberá.

Vale fazer, ainda, uma outra e mais abrangente nota de advertência. No que tange aos santos que viveram sob a nova barbárie cultural de nossos tempos, devemos tomar o cuidado de não “canonizar”, junto com a santidade deles, algo incidental a respeito de suas vidas modernas. Isso vai acontecer com bastante frequência de agora em diante. “Ah, o Beato Betinho gostava tanto de música pop! Não é maravilhoso? A música pop agora faz parte da santidade! Não importa o que você escuta ou dança!”, ou: “A Santa Carol amava sair por aí de moletom e com camiseta rosa fluorescente! Acredito que não importa mais como você se veste quando o assunto é ser santo”. É possível imaginar todos os tipos de cenários e falsas inferências como essas.

O modo de contornar esse problema — que, para ser justo, tem paralelos em toda época da Igreja; por exemplo, os santos da Idade Média tinham notavelmente uma má higiene, mas ninguém, ao meu conhecimento, sugere que os devamos imitar nesse aspecto — é lembrar a relação, e a distinção, entre fé e razão, natureza e graça. Um homem notável por sua santidade pode não o ser nos argumentos que apresenta de teologia; uma mulher de santidade indiscutível pode não ter bom gosto em matéria de arte. Como discípulos do Doutor Comum da Igreja, Santo Tomás de Aquino, precisamos ser capazes de fazer distinções e imitar o que merece ser imitado, desculpando, ao mesmo tempo, o que pode ser desculpado, ou ignorando o que é melhor que seja ignorado.

Considere o seguinte: se fosse necessário escolher, melhor seria dedicar-se à oração e ouvir música medíocre, ou vestir-se de modo medíocre, do que ser um egoísta mentiroso com gosto impecável em abotoaduras e gravatas-borboleta; mas o melhor é ser, ao mesmo tempo, santo e bem educado, piedoso e inteligente, porque isso representa uma perfeição mais completa da humanidade tal como Deus a pensou. Graças sejam dadas a Ele por podermos alcançar a bem-aventurança apesar de certos defeitos nossos, mas nem por isso eles se tornam admiráveis ou dignos de imitação.

O sobredito traz à baila, ainda, uma outra questão: a de como devemos retratar santos de décadas recentes em estátuas, vitrais ou pinturas. Minha posição enfática é de que seria um erro tremendo apresentá-los de jeans e tênis, e ostentando um violão. É como “baixa Cristologia” [n.d.t.: isto é, uma Cristologia que tende a humanizar demais Jesus, em detrimento de sua divindade]: Jesus com um taco na mão, pronto para ajudar o Tiaguinho no jogo de beisebol. Não. Quando retratamos os santos, estamos retratando aqueles que nos precedem na glória. Eles fazem parte, agora, da nuvem de testemunhas celestes; não estão mais em casa fazendo as mesmas coisas de sempre. Essa é a diferença entre uma fotografia de um álbum do passado e um ícone que se abre para o reino escatológico. Uma certa estilização é necessária para qualquer santo, mas especialmente para aqueles dos quais temos fotos. Tenho visto exemplos bem sucedidos de santos modernos como Santa Teresinha, São Maximiliano Kolbe e São John Henry Newman, mas também já vi alguns absolutamente deploráveis. David Clayton tem escrito ótimos insights a esse respeito, assim como outros mestres em iconografia

Esses assuntos precisam ser discutidos com caridade e paciência, abertamente. Desde João Paulo II, tem havido um esforço orquestrado para se beatificar e canonizar figuras contemporâneas com a maior rapidez possível. Ainda que não necessariamente haja intenções maliciosas por trás dessa tendência, ela inevitavelmente levará cada vez mais à percepção, sem dúvida desejada pelos propagandistas, de que a situação eclesiástica atual está “ótima”, já que a Igreja ainda produz santos! Na realidade, é Deus sozinho que produz os seus santos no ventre da Santa Mãe Igreja. Às vezes os santos nascem de parto normal — catequese, liturgia, devoções e teologia tradicionais — e às vezes eles nascem de uma cesariana de emergência, isto é, através de uma intervenção de Deus numa situação que seria, de outro modo, desesperadora. O fato de isso acontecer não o torna normativo ou ideal. 

É digno e justo, sempre será digno e justo, que os católicos rezemos e trabalhemos pela restauração de nossa tradição, ao mesmo tempo que nos esforçamos para ser os santos que Deus nos está chamando a ser.

Notas

  1. É verdade que a Igreja tem crescido há décadas na África e na Ásia, mas ninguém em sã consciência ousaria atribuir esse crescimento ao Vaticano II ou à reforma litúrgica.
  2. É possível ler sobre ele em muitos lugares na internet; por exemplo, aqui, aqui e aqui.
22 novembro, 2020

Brasilienses, preparai-vos.

Tristeza dos que ficam, catástrofe para os quais chega.

Por FratresInUnum.com, 22 de novembro de 2020 – Há exatamente um mês, era anunciado o nome do novo arcebispo de Brasília: Dom Paulo Cezar Costa, então bispo diocesano de São Carlos, SP. Da pequena diocese do interior paulista, o antigo bispo auxiliar do Rio de Janeiro dava um grande salto na carreira, demonstrando ter bons padrinhos e sendo promovido a uma importante arquidiocese que, provavelmente, garantirá ao agora arcebispo a purpura cardinalícia.

Dom Paulo Cezar celebra “missa afro” ontem, 20 de novembro de 2020.

Na tenebrosa era bergoliana, as nomeações episcopais quase sempre trazem alívio aos fiéis a que o bispo dá adeus e tensão aos que ganham um novo. 

Mas, Dom Paulo Cezar não se conteve com ir embora e deixar só um povo — o brasiliense — apreensivo. No apagar das luzes, não pôde deixar de desferir um golpe contra um povo já mais do que sofrido.

A pouquíssimas semanas de assumir a cátedra da capital federal, um de seus últimos atos foi desmantelar a comunidade na qual se celebrava a Missa Tridentina em Jaú, cidade pertencente à diocese de São Carlos, SP.

De um clero de mais de 150 padres, o jovem pastor da pequena igreja de periferia — único em toda a diocese a celebrar a Missa de Sempre — foi subitamente constrangido a aceitar uma transferência a uma outra cidade. A obstinação por destruir qualquer vestígio de Tradição Católica é tamanha que, segundo um fiel da diocese, por já não ser bispo diocesano, mas tão somente administrador da diocese desde que foi nomeado arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar teve de pedir autorização à Santa Sé para promover a mudança. Parece inacreditável, mas para esfacelar o que resta de catolicismo em tempos de apostasia nossos bispos fazem todos os esforços possíveis!

Os fiéis da pobre paróquia de Jaú estão perplexos: as Missas Tridentinas dominicais atraiam cerca de 200 pessoas, com filas e filas para confissões, em um oásis de verdadeira Fé. Agora, eles se perguntam: como reorganizar a vida paroquial em uma nova cidade, às vésperas da chegada de um novo bispo, muito provavelmente adepto da Igreja da implacável misericórdia que não tolera qualquer vestígio de catolicismo? Como levar os pobres — aqueles que a Igreja bergogliana diz amar –, os idosos, os desvalidos que a pé acorriam à humilde igrejinha para ali receber dignamente os Santos Sacramentos? O novo bispo vai prover as condições necessárias?

Dom Paulo, por que simplesmente não ir embora e deixar o povo fiel em paz? Por que atormentá-los até o último dia? 

O episódio apenas demonstra como os brasilienses devem colocar as barbas de molho. 

18 novembro, 2020

Assine a petição: Ato de desagravo à profanação realizada na Basílica da Imaculada Conceição – Rio de Janeiro.

Para que todos sejam um, na Verdade.

Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2020

Eminentíssimo e Reverendíssimo

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

Dom Orani João Cardeal Tempesta, O.Cist.

Considerando o espaço reconhecido aos fiéis pelo direito (CIC Câns. 212, §2 e 3) no que concerne à manifestação de sua preocupação pelo bem da Igreja, nós, fiéis católicos, sobretudo pertencentes à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, sentimo-nos impelidos em consciência a recomendar a atenção de Vossa Eminência Reverendíssima ao gravíssimo fato ocorrido no dia 31 de outubro, na Basílica da Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo, cujo pároco é o Cônego Marcos William Bernardo, professor da PUC-Rio e recentemente nomeado Vigário Episcopal para Cultura. Tratou-se de uma apresentação que exaltou o culto Hare Krishna e a mitologia hindu, promovida pelo projeto “Expo-Religião”, uma iniciativa que visa a colocar em contato, segundo o seu próprio site, diferentes vertentes religiosas, dentre elas a umbanda, catimbó, pajelança, hare krishna, maçonaria, etc.

É sabido que, em toda a sagrada escritura, no sentir do antigo e do novo Israel – a Igreja dos mártires -, um dos pecados mais abomináveis é seguramente a idolatria, e que a unicidade do Deus vivo e verdadeiro, tão zelosamente protegida pela lei e pelos profetas e testemunhada na plenitude dos tempos pelo seu Filho único, nascido de Maria Virgem, é inconciliável com qualquer sombra de politeísmo, panteísmo ou panenteísmo. Ora, na pantomima sacrílega, apresentada no presbitério da dita basílica, com adoração aos falsos deuses, danças indecentes com roupas indecorosas, na presença do Santíssimo Sacramento, deu-se a exaltação de todos esses abomináveis erros inconciliáveis com a nossa Fé e, portanto, com a vontade de Deus, com sua verdade imutável e com a missão da Igreja.

Considerando os Cânones:

1210 — “Em lugar sagrado só se admita aquilo que favoreça o exercício e a promoção do culto, da piedade, da religião; proíba-se tudo quanto for destoante à santidade do lugar. Todavia, o Ordinário, em casos concretos, pode permitir outros usos, não porém contrários à santidade do lugar.”

1211 — “Os lugares sagrados são violados por atos gravemente injuriosos aí perpetrados com escândalo dos fiéis e que, a juízo do Ordinário local, são de tal modo graves e contrários à santidade do lugar, que não seja lícito exercer neles o culto, enquanto não for reparada a injúria mediante o rito penitencial estabelecido nos livros litúrgicos.”

1376 — “Quem profana coisa sagrada, móvel ou imóvel, seja punido com justa pena.”

Considerando que nesta arquidiocese, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Vossa Eminência Reverendíssima é a pessoa designada para defender o sagrado depósito da fé e conduzir seus súditos à verdade do Evangelho, apelamos para a sua autoridade pastoral, a fim de confirmar a Fé Católica a respeito da sacralidade dos locais de culto, dissipando a confusão doutrinal e o indiferentismo religioso, pondo fim terminantemente a esses abusos, reconfortando os corações dos fiéis e da igreja particular que lhe foi confiada e, desempenhando o encargo de Cristo Bom Pastor, se digne purificar da profanação o lugar sagrado através dos ritos previstos pelas normas litúrgicas e canônicas, assim como reestabelecer a justiça punindo e corrigindo os envolvidos na citada profanação.

Confiando-nos à paternidade de Vossa Eminência Reverendíssima, expusemos as nossas preocupações para com o bem da Igreja e das almas, certos de que esses fatos causaram profunda dor no seu coração de pastor, assim como no coração de seu rebanho. Despedimo-nos rogando a Deus, nosso Senhor, que o proteja e abençoe seu ministério episcopal em nossa arquidiocese com abundantes frutos.

Filialmente suplicamos a sua bênção paternal,

Assine a petição aqui.

Subscrevemo-nos os fiéis católicos.

12 novembro, 2020

Papa Francisco telefona para Joe Biden.

FratresInUnum.com, 12 de novembro de 2020 – Segundo notícia do site oficial de Joe Biden, esta manhã, o Papa Francisco telefonou ao candidato democrata, ainda não confirmado como presidente eleito dos EUA, para parabenizá-lo, abençoá-lo e se oferecer como parceiro político.

“O presidente eleito Joe Biden falou esta manhã com Sua Santidade, o Papa Francisco. O presidente eleito agradeceu Sua Santidade por estender bênçãos e parabéns e notou seu apreço pela liderança de Sua Santidade na promoção da paz, reconciliação e os laços comuns da humanidade em todo o mundo. O presidente eleito expressou seu desejo de trabalhar juntos com base em uma crença compartilhada na dignidade e igualdade de toda a humanidade em questões como cuidar dos marginalizados e dos pobres, enfrentar a crise das mudanças climáticas e acolher e integrar os imigrantes e refugiados em nossas comunidades”.

Francisco, realmente, não tem limites quando o assunto é promover a agenda esquerdista. Ele é um papa com partido! Um escândalo para os fieis católicos de todo o mundo. 

Resta-nos saber se, no final do pleito, a ser decidido nos tribunais, se Trump for reeleito, Sua Santidade irá também fazer um gentil telefonema ao Presidente dos Estados Unidos.

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