Do Sacrifício do Calvário ao Memorial da Presença.

Nota do editor: Continuamos com a terceira parte do estudo de José Antonio Ureta sobre Desiderio desideravi. Para a Parte 1, veja aqui. Para a Parte 2, veja aqui.

Continuamos com a terceira parte do estudo de José Antonio Ureta sobre Desiderio desideravi. Para a Parte 1, veja aqui. Para a Parte 2, veja aqui.

A Santa Missa é um verdadeiro e próprio sacrifício

Ao tratar do sacrifício eucarístico, a Mediator Dei reitera o ensinamento do Concílio de Trento no sentido de que a Santa Missa é um sacrifício próprio e verdadeiro, e não apenas um memorial da Paixão ou da Última Ceia:

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Steiner sobre padres casados: “haverá um caminho”

FratresInUnum.com, 24 de agosto de 2022 – Com informações de GloriaTV – Um antigo “amigo” do nosso blog, nas vésperas de ser criado cardeal, resolveu bater perna na Alemanha, quem sabe conseguir alguns fundos para a Amazônia e, como não poderia ser diferente, dar alguma entrevista polêmica. Trata-se de ninguém menos que Dom Leonardo Ulrich Steiner, atual arcebispo de Manaus.

À agência Kath.ch, Dom Leonardo afirmou que “haverá um caminho” para se repropor a ordenação dos chamados viri probati, relevando que seria muito importante para a resolução de situações práticas e pastorais: “necessidades de nossas comunidades”, “Eucaristia apenas duas vezes por ano”, “não privar as pessoas da vida sacramental” etc.

Enfim, os reformadores não param!

Steiner celebrando a Missa

Becciu: “Serei reintegrado nas minhas funções de cardeal”

FratresInUnum.com, 23 de agosto de 2022 – com informações de ANSA –O Card. Becciu celebrou uma missa no último domingo na cidade sarda de Golfo Aranci e disse:

“no último sábado, o papa me telefonou para dizer-me que serei reintegrado nas minhas funções cardinalícias e para convidar-me para as reuniões de cardeais no próximo sábado. Estou muito emocionado com este gesto do papa. Aguardeço-o de coração e reconfirmo a minha comunhão com ele”

Card. Becciu

Fontes vaticanas dizem que este foi apenas um convite para a reunião e não significa que ele reconquista todos os direitos inerentes ao cardinalato. Veremos…

Card. Ângelo Becciu

Lula critica padres e pastores em comício no Anhangabaú

FratresInUnum.com, 20 de agosto de 2022 – Hoje, Lula disse em seu comício no Anhangabaú:

“Tem uma coisa que quero dizer olhando nos olhos de vocês, porque tem muita fakenews religiosa correndo por esse mundo: tem demônio sendo chamado de Deus e tem gente honesta sendo chamada de demônio, porque tem gente que não está tratando a Igreja para cuidar da fé ou da espiritualidade, está fazendo da Igreja um palanque político ou uma empresa para ganhar dinheiro.

E eu quero dizer para vocês que eu, Luiz Inácio Lula da Silva, defendo o estado laico: o estado não tem que ter religião, todas as religiões têm que ser defendidas pelo estado, mas também quero dizer: as Igrejas não tem que ter partido político porque as Igrejas têm que cuidar da fé e da espurutualidade (sic! – ele queria dizer espiritualidade) das pessoas e não cuidar da candidatura de falsos profetas ou de fariseus que estão enganando este povo o dia inteiro.

Eu falo isso com a tranquilidade de um homem que crê em Deus, eu falo isso com a tranquilidade de um homem de 76 anos de idade, oito filhos criados, oito netos, cinco filhos e uma bisneta: eu, quando quero conversar com Deus, não preciso de padre ou de pastores, eu posso me trancar no meu quarto e conversar com Deus quantas horas eu quiser, sem pedir favor a ninguém. É assim que a gente tem que fazer para a gente não ser obrigado a escutar pessoas contando mentiras, quando deveria estar cuidando da fé, quando deveria estar cuidando da espurutualidade (sic!), quando deveria estar lendo a Bíblia decentemente e não inventando coisas”.

Interessante. Lula fala isso quando ele mesmo confessou como usou a Igreja para chegar ao poder. Ademais, como também ficou muito bem explicado em sua conversa com Leonardo Boff, a Teologia da Libertação foi o método de criar os embriões do PT, aqueles que o conduziriam à presidência.

Confira o vídeo do trecho do discurso:

Discurso de Lula hoje, no Anhangabaú

Obscurecimento da centralidade da Paixão redentora.

Nota do editor: Continuamos com a segunda parte da crítica de José Antonio Ureta a Desiderio desideravi, publicada originalmente em OnePeterFive. A primeira parte da série pode ser lida aqui

O mistério pascal como centro da celebração

Na encíclica Mediator Dei, Pio XII sublinha a centralidade da Paixão na vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e na nossa redenção (doravante, todos os destaques em negrito são nossos):

“A sagrada liturgia, ademais, nos propõe todo o Cristo, nos vários aspectos de sua vida; isto é, Cristo que é Verbo do Eterno Pai, que nasce da virgem Mãe de Deus, que nos ensina a verdade, que cura os enfermos, que consola os aflitos, que sofre, que morre; que, enfim, ressurge triunfante da morte; que, reinando na glória do céu, nos envia o Espírito Paráclito e vive sempre na sua Igreja: ‘Jesus Cristo ontem e hoje: ele por todos os séculos’ (Hb 13,8) E, além disso, não no-lo apresenta somente como um exemplo a imitar mas ainda como um mestre a ouvir, um pastor a seguir, como mediador da nossa salvação, princípio da nossa santidade e Cabeça mística de que somos membros, vivendo da sua própria vida.

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Uma crítica doutrinária de “Desiderio desideravi”.

Introdução do Editor: O site OnePeterFive está publicando, em cinco artigos sucessivos, um importante estudo de José Antonio Ureta a respeito dos fundamentos teológicos sobre os quais repousa a recente exortação apostólica Desiderio desideravi. O autor argumenta que esses fundamentos diferem manifestamente daqueles da encíclica Mediator Dei de Pio XII, na medida em que a primeira acentua precisamente as perigosas inclinações do “Movimento litúrgico” na sua fase terminal, contra as quais o último Papa pré-conciliar quis alertar os fiéis. A seguir, o primeiro dos artigos, traduzido por Hélio Dias Viana.

A primazia do culto de adoração

José Antonio Ureta

A necessidade de um exame cuidadoso

Nos meios tradicionalistas, os comentários sobre a exortação apostólica Desiderio desideravi limitaram-se até agora a lamentar a reiteração da tese de que a missa de Paulo VI é a única forma do rito romano e a negar que o novo Ordinário da Missa é uma tradução fiel dos desejos de reforma expressos pelos Padres conciliares na Constituição Sacrosantum Concilium.

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Dom Odilo e a sua análise do cenário eleitoral.

FratresInUnum.com, 15 de agosto de 2022 – Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, publicou um artigo em “O Estado de São Paulo” no último sábado, dia 13; o mesmo artigo foi publicado no site da arquidiocese de São Paulo, mas o site da arquidiocese está fora do ar.

O artigo divide-se basicamente em duas partes, que talvez pudessem ser intituladas “primeiro turno” e “segundo turno”.

Na primeira parte, ele critica a polarização ente “candidato a” e “candidato b”… Deixaria ele ao leitor a conclusão de que seria interessante considerar-se a chamada “terceira via”, a mesma que seria encabeçada por Moro, depois por Dória e, por fim, por Tebet e Gabrilli?… É interessante notar que a hipótese de uma ascensão da “terceira via” não está fora de cogitação, especialmente com a possibilidade de que um dos candidatos que perdesse numa projeção confiável viesse a renunciar à eleição, alegando, por exemplo, motivos de saúde ou idade avançada.

Dom Odilo também chama a atenção para o fato de que a eleição é exageradamente concentrada sobre o poder executivo, deixando-se o legislativo meio de que lado. Bem… digamos que o problema não seja propriamente atual. Parece que o eminentíssimo está um tanto chovendo no molhado.

De fato, esses eclesiásticos que não querem polemizar para não verem a sua carreira de nenhum modo manchada, para darem sempre a impressão de que são equilibrados e estão por cima das contradições e dos jogos de interesses, vivem a falar e a escrever obviedades, “lugares comuns”, chavões compartilháveis por qualquer pipoqueiro da esquina, desprovidos de qualquer relevância.

Contudo, a coisa continua. O arcebispo de São Paulo começa a criticar o que ele mesmo chama de “crise social brasileira”. Aqui, começaria, a nosso ver, a segunda parte do artigo.

Ele menciona o preço dos produtos, de comidas a remédios, o desemprego, a fome, o aumento dos moradores de rua, a crise ambiental (aquela bajuladinha bergogliana não poderia faltar, não é mesmo?…). Ele também menciona o crescimento da violência, falsificando o fato de que, nos últimos anos de governo, esta caiu consideravelmente, coisa que se vê pela gigantesca diminuição do número de assassinatos.

Mas, o mais interessante, é que, neste momento, o eminentíssimo faz aquela pausa poética para uma pergunta retórica cheia de ironia tosca (sim, porque, às vezes, a malícia só não excede a enormidade enciclopédica da inépcia): “Tudo culpa da pandemia de covid-19? Da guerra na Ucrânia?”

Ora, cardeal, mas será que vossa eminência ignora o fato de que vivemos uma crise internacional de dimensões impressionantes? A pandemia quebrou a economia da maior parte dos países, até a inflação americana está altíssima, o que impacta diretamente a economia de todas as nações, há alta no preço dos combustíveis por todo lado, e, depois dessa catástrofe sanitária, a calamidade de uma guerra está abalando todos mercados do mundo. Que coisa feia justamente um cardeal fazer-se de bobo e ignorar que, de fato, estamos num momento delicadíssimo política e economicamente, que tudo isso tende a se agravar com a crise entre Taiwan e China, que pode eclodir proximamente, e que não podemos ficar imunes a nada disso… É verdade que ele afirma “não se desconhece nem se subestima a influência de tais fatores circunstanciais, mas nosso problema não é novo e a atual crise social brasileira é mais velha que esses fatores”, mas qualquer criança sabe que tais “fatores circunstanciais” dificultam ainda mais o solucionamento dessas crises. Não é necessária muita inteligência para perceber que este discurso é tão somente uma retórica que esconde outras presumíveis intenções. Prossigamos.

Logo na sequência, ele ainda se ressente: “Que pena, estamos desperdiçando energias na reafirmação da confiabilidade das urnas eletrônicas”? Mas, por que, eminência? Será que a infalibilidade das urnas eletrônicas é um novo dogma de fé, a ser professado por todos os católicos? Se o Brasil tivesse inventado um sistema imune a fraudes, que são problemas ocorrentes em todas as democracias do mundo, a esta altura, todos os países estariam importando essa tecnologia que, além daqui, existe apenas no Butão e em Bangladesh… Não parece óbvio?

No entanto, pior do que as pautas que o cardeal releva são aquelas que ele silencia. Sim, porque há omissões que denunciam mais que comissões e silêncios que gritam mais do que verdadeiros brados…

Ele releva com exclusividade as pautas da esquerda que são concentradas sobre a política social, enquanto finge não ver as demais pautas, aquelas que confrontam diretamente os interesses do eleitor católico: o aborto, a ideologia de gênero, o movimento homossexual, a legalização das drogas, o controle das mídias sociais, a regulação da imprensa, a intolerância religiosa – temas que são os mais importantes, sobretudo quando estamos a viver uma perseguição contra os católicos na Nicarágua. Dom Odilo faz parte da presidência do CELAM. Onde está uma condenação ao totalitarismo de Ortega, que fechou rádios católicas e prendeu um bispo? Onde está a preocupação do purpurado com o apoio que Lula deu ao regime nicaraguense no ano passado, na sua entrevista ao El País?

Esses temas serão solenemente ignorados pela maior parte dos bispos brasileiros. Evita-se tratar do assunto porque a pauta seria facilmente sequestrada pela direita. É sobre isso: trata-se de reconduzir Lula ao poder, ainda que se disfarçando de “terceira via”.

O cardeal volta à sopa das mazelas da “crise social brasileira” para, de improviso, sair com uma cutucada: “Populismos messiânicos, de qualquer matiz, já se mostraram danosos e ineficazes para resolver os problemas dos povos”. Aqui, ele falta dar nome e cpf do criticado.

Infelizmente, Dom Odilo se comporta exatamente como o estereótipo do “bispo melancia”: verde por fora, vermelho por dentro. É uma pena! Triste saber que um eclesiástico deste porte um dia foi considerado de confiança por ninguém menos que o Papa Bento XVI. Só que nada disso é uma surpresa… Quem não se lembrará das manifestações de amor devoto com a qual Dom Odilo falava de Lula em 2018, no evento comemorativo do acordo Brasil-Santa Sé (vídeo)?

A Missa Dominical ainda é obrigatória?

FratresInUnum.com, 11 de agosto de 2022 – Há mais de dois anos, os bispos alvoroçaram-se pelo mundo inteiro, especialmente no Brasil, e não perderem tempo de alertar os fieis de que, dada a emergência do coronavírus, estava decretada a desnecessidade da Missa dominical presencial. Era o lockdowm da Igreja! Não faltaram decretos, cartas, bulas, informes, memorandos, postagens para declarar aos fieis o mandamento supremo da cristandade sanitária: “fique quem casa, a missa a gente vê depois!”

Passado todo este período, não houve ainda nenhuma manifestação eloquente da nossa devotíssima hierarquia dizendo que, havendo cessado a emergência, volta a ser obrigatória – por que não dizer “de preceito”? – a assistência presencial da Missa aos domingos. Estritamente falando, os fieis continuariam dispensados pela autoridade eclesiástica que, até agora, não deu nenhuma manifestação em contrário.

Longe de nós pensar que os nossos ortodoxíssimos bispos não se preocupem com algo tão sublime como a salvação das almas, visto que a salvação do corpo é, para eles, inegavelmente muito, muitíssimo importante; também longe de nós insinuar que, como bispos, eles são excelente agentes sanitários… Mas, assim, sem querermos ser inconvenientes, vale a pena perguntar: a Missa Dominical ainda é obrigatória?

Uma das Missas on-line durante a pandemia

Pontifícia Academia pela Vida afirma, no Twitter, que Humanæ vitæ de Paulo VI NÃO É INFALÍVEL

FratresInUnum.com, 8 de agosto de 2022 – Com informações de InfoCatolica – A Pontifícia Academia pela Vida, dicastério da Santa Sé que deveria ser responsável pela conservação do ensino da Igreja sobre os temas relativos à vida humana e também pelo desenvolvimento de atividades pastorais pela promoção da vida, publicou no último sábado, em seu Twitter, uma postagem altamente esclarecedora e que confirma o ativismo oficial daqueles que, na cúpula da Igreja, querem destruir a doutrina da Humanæ vitæ de Paulo VI:

“Registros históricos feitos pelo arcebispo Lambruschini confirmam que Paulo VI lhe disse diretamente que a Humanæ vitæ não estava sob infalibilidade”.

A culpa é da escada.

Por Padre Jerome Brown, FratresInUnum.com, 7 de agosto de 2022 – Muitas mulheres que sofrem violência doméstica, por mil razões, acobertam seus algozes com várias desculpas. Certa vez, uma policial me falou que finalmente pôde ajudar uma senhora que umas duas vezes por semana “caía da escada”, embora morasse numa casa de apenas um andar…

Enquanto lia os comunicados oficiais que o Opus Dei e seu Prelado escreveram sobre o último Motu Proprio de Francisco, como sempre com um lindo nome — Ad Charisma tuendum — e um efeito devastador, sentia-me como alguém vendo uma mulher de braço quebrado e olho roxo, que com um sorriso envergonhado dizia ter caído da escada e que seu marido é muito bom para com ela.

Pois bem, a perpétua memória da Ut sit de João Paulo II durou pouco. Aliás, parece que todas as “perpétuas memórias” encontram um ponto final em Francisco. Não há nada que ele não queira mudar. Até mesmo à memória do “lava pés” Bergoglio quis dar seu ar pessoal introduzindo também mulheres. Se até algo instituído por Cristo pode ser “aperfeiçoado” por Bergoglio, quanto mais o que foi feito pelos Vigários de Cristo dos quais Bergoglio parece ser o supremo moderador, reformador, inventor.

O que acontece com a “Obra” é apenas um canapé do que espera os institutos tradicionais que buscam a todo o custo os “green cards” eclesiásticos.

Resta saber se eles dirão que caíram da escada.