11 maio, 2020

Igreja, “hospital de campanha”?

Por FratresInUnum.com, 11 de maio de 2020 – Todos os chavões eclesiológicos inventados por Jorge Mário Bergoglio foram solenemente desmentidos por ele mesmo. Em sua primeira entrevista à revista dos jesuítas, ao Padre Antônio Spadaro, ele disse:

“Vejo com clareza que aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto. Curar as feridas, curar as feridas… E é necessário começar de baixo”.

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Um pouco adiante, o Papa Francisco ajuntou:

“Como estamos a tratar o povo de Deus? Sonho com uma Igreja Mãe e Pastora. Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos, tomar a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa, levanta o seu próximo. Isto é Evangelho puro. Deus é maior que o pecado. As reformas organizativas e estruturais são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a da atitude. Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo de descer às suas noites, na sua escuridão, sem perder-se. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado. Os bispos, em particular, devem ser capazes de suportar com paciência os passos de Deus no seu povo, de tal modo que ninguém fique para trás, mas também para acompanhar o rebanho que tem o faro para encontrar novos caminhos”.

Pois é, durante a presente pandemia, a Igreja Católica (falamos aqui de seu lado humano) foi tudo, menos um hospital de campanha; foi uma excelente funcionária do Estado, mas nada de Mãe e Pastora; zelosíssima com seus dízimos e ofertas, mas omissa em servir as almas; especialista em higiene, como uma ONG sanitária, mas não uma Igreja em sentido evangélico, pois resolveu encerrar-se em sua própria assepsia.

Fieis mortos sem sacramentos, pecadores não atendidos no fórum da confissão, filhos morrendo de fome eucarística, enquanto a esmagadora maioria de seus pastores os esnobam, escudando-se por trás de decretos governamentais e em dados alarmantes.

“Hospital de campanha”? Não, mas uma hierarquia da Igreja em campanha, em campanha política aberta, descarada, ostensiva, com o respaldo da mídia e deste Papa, cujo telefonema oportunista ao cardeal de São Paulo foi realizado justamente para ser instrumentalizado pela mídia e pelo governador de São Paulo, em seu afã ditatorial de manter os cidadãos num confinamento que não deu certo, como os próprios números demonstram.

A cúpula da Igreja Católica no Brasil age como uma instituição partidária e, assim como toda a esquerda, tomou como questão de honra o golpe de estado branco, parlamentar ou judiciário, usando a quebradeira econômica como motivo para a destruição do país e a inviabilização do governo legitimamente escolhido pelo povo.

Não há nada de “pastoral” neste lockdown eclesiástico. O arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, homem de cúpula do PT, contrariando a decisão da Assembleia Legislativa do seu Estado, que considerou as atividades religiosas como essenciais, resolveu que, em sua arquidiocese, as Igrejas permanecerão fechadas. Ele também recebeu um telefonema “pastoral” do Santo Padre. E ainda tem coragem de dizer que a Igreja tem uma “presença samaritana”, “cuidadora”, na sociedade. Nada de se admirar se nos lembrarmos que, quando secretário geral da CNBB, o mesmo Steiner afirmou à Folha de São Paulo que “mais importante que a porcentagem de católicos no Brasil é quantas pessoas realmente buscam a justiça e vivem o amor até as últimas consequências”…

Enquanto isso, as Igrejas estão vazias e os católicos abandonados, como ovelhas sem pastor. Concretizam-se aquelas tristes palavras do Profeta Jeremias, em Lamentações (I,1-2):

“Como está deserta a cidade,

    antes tão cheia de gente!

Como se parece com uma viúva,

    a que antes era grandiosa entre as nações!

A que era a princesa das províncias

    agora tornou-se uma escrava.

Chora amargamente à noite,

    as lágrimas rolam por seu rosto.

De todos os seus amantes

    nenhum a consola.

Todos os seus amigos a traíram.

    tornaram-se seus inimigos”.

9 maio, 2020

Peste do coronavírus marca o 7º ano do pontificado de Francisco.

Na solidão, com a Praça de São Pedro vazia, as igrejas fechadas, a Itália devastada pela peste, com um terço da população sob quarentena, e um número crescente de mortos pela Covid 19.   

Por Hermes Rodrigues Nery, 9 de maio de 2020

Na quarta-feira, 11 de março de 2020 (dois dias antes do 7º ano do pontificado de Francisco), quando já haviam sido confirmados 121.564 casos de covid 19, com 4.373 mortes,  em mais de 110 países, a Organização Mundial da Saúde decretou como pandemia a proliferação do novo coronavírus pelo mundo, afetando em escala global pessoas infectadas com o novo patogênico (o SARS-CoV2), apresentando sintomas da síndrome aguda respiratória.

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O pânico, o medo e a histeria tomaram conta, além de muita incerteza e desinformação sobre o que poderia estar realmente acontecendo, fomentados pelo que parecia ser um alarmismo amplificado pelos meios de comunicação, colocando governantes não apenas em estado de alerta, mas forçando-os a medidas drásticas de isolamento social, não apenas dos chamados grupos de risco (pessoas com doenças crônicas ou pré-existentes, com idade acima dos 60 anos, etc.). De imediato, os políticos se submeteram aos biocratas, que passaram a ditar o que deveria ser feito, numa situação em que pouco se sabia do que se tratava.

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7 maio, 2020

Bento XVI: Renunciei, mas mantive a ‘dimensão espiritual’ do Papado.

Em uma nova biografia, o Papa Bento XVI fala sobre a ‘dimensão espiritual’ do papado ‘, que, ‘sozinha, ainda é o meu mandato’.

Por Maike Hickson, LifeSiteNews, 6 de maio de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com: Em uma nova biografia, publicada em 4 de maio, o papa Bento XVI faz algumas declarações que destacam seu próprio entendimento acerca de sua renúncia ao papado. Ele fala no livro sobre a “dimensão espiritual… que, somente ela, ainda é o meu mandato”. Ele mostra uma compreensão de sua resignação ao papado, segundo a qual renunciou a quaisquer “poderes legais concretos” e a todo papel de governo, mas, ao mesmo tempo, manteve um “mandato espiritual”.

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O papa Bento XVI respondeu, no outono de 2018, a várias perguntas escritas por seu biógrafo Peter Seewald, que foram incluídas na biografia, com mais de 1.000 páginas, intitulada Bento XVI: Uma Vida . Este livro foi lançado hoje em alemão e será publicado em inglês em 17 de novembro.

Parte dessas perguntas estava relacionada ao fato de ele ter renunciado em 11 de fevereiro de 2013, depois de quase sete anos sendo o papa. Peter Seewald aponta para Bento que existem historiadores da Igreja que criticam o fato de ele se chamar “Papa emérito”, uma vez que esse título “não existe, também porque não há dois papas”. Depois de dizer, primeiramente, que ele próprio não entende por que um historiador da Igreja deveria saber mais sobre esses assuntos do que qualquer outra pessoa – afinal eles “estão estudando a história da Igreja” -, Bento XVI cita o fato de que “até o final do Concílio Vaticano II também não havia renúncia por parte dos bispos”.

Após a introdução da figura do bispo emérito, prosseguiu o Papa emérito, surgiu o problema de que “só se pode ser bispo vinculado a uma diocese específica”, ou seja, cada “consagração é sempre relativa” e “vinculada a uma sede episcopal”. Para os bispos auxiliares, por exemplo, a Igreja escolheu “sedes fictícias”, como as de países anteriormente católicos no norte da África. Com o crescente número de bispos eméritos, essas sedes fictícias estavam sendo ocupadas rapidamente, e um bispo alemão – Simon Landersdorfer, da diocese de Passau – acabou por decidir que se tornaria simplesmente o bispo ‘emérito de Passau’”.

É aqui que o Papa Bento XVI faz uma comparação com o papado. Pois, como um bispo aposentado, ele acrescenta, “não tem mais uma sé episcopal ativamente, mas ainda possui um relacionamento especial de ex-bispo com a sua sede”. Esse bispo aposentado, no entanto, “não se torna um segundo bispo de sua diocese”, explica Bento. Tal bispo “abdicou completamente de seu cargo, mas a conexão espiritual com sua antiga sede estava agora sendo reconhecida, também como uma qualidade legal”. Esse “novo relacionamento com a sede” é “dado como realidade, mas está fora da substância legal concreta do múnus episcopal”. Ao mesmo tempo, acrescenta o papa emérito, o “vínculo espiritual” é considerado uma “realidade”.

“Assim”, continua, “não há dois bispos, mas um com mandato espiritual, cuja essência é servir sua antiga diocese desde dentro, a partir do Senhor, estando presente e disponível em oração”.

“Não é concebível que esse conceito jurídico também não deva ser aplicado ao bispo de Roma”, afirma o Papa Bento explicitamente, deixando claro que, de acordo com suas próprias idéias, ele renunciou completamente ao múnus papal, mantendo uma “dimensão espiritual” de seu ofício papal.

Posteriormente na entrevista, ao final da nova biografia de Seewald, Bento volta a falar sobre o fato de que não deseja comentar a questão dos dubia apresentados pelo cardeal Raymond Burke e seus irmãos cardeais acerca de Amoris Laetitia, uma vez que isso  o “levaria muito à área concreta do governo da Igreja e, assim, deixaria a dimensão espiritual que por si só ainda é meu mandato”.

O papa Bento lamenta que qualquer de suas declarações como papa emérito – como sua famosa observação de 2017 sobre o barco naufragado que representa a Igreja – esteja sendo usada por seus críticos como meio de encontrar “uma confirmação para a sua calúnia”.

“A alegação de que eu constantemente intervenho em debates públicos”, também afirma ele, “é uma distorção maligna da realidade”. Aqueles que estão usando palavras, como as sobre o naufrágio de uma barca – que provém de São Gregório Magno -, a fim de constatar “uma intervenção perigosa no governo da Igreja”, são, aos olhos de Bento XVI, “participantes de uma campanha contra mim que não tem nada a ver com a verdade”. Em outro contexto, o papa menciona especialmente a “teologia alemã”, que interpretou suas palavras de uma “maneira estúpida e maligna”, de modo que “é melhor não falar sobre isso”.

“Prefiro não analisar as reais razões pelas quais alguém deseja silenciar minha voz”, conclui Bento XVI.

Discutindo ainda mais o assunto de um “papa emérito” com Peter Seewald, Bento faz uma comparação com a “mudança das gerações”, em que o pai de uma família renuncia a “seu status legal”, mantendo sua “importância humano-espiritual”, que permanece “até a morte”. Ou seja, o aspecto “funcional” da paternidade pode mudar, não sua parte “ontológica”.

Aqui, o ex-Papa se refere às famílias de agricultores da Baviera, onde o pai de uma família, em um determinado momento de sua vida, entrega a maior casa de fazenda a seu filho, enquanto fica em uma cabana menor na mesma terra. O filho então se torna responsável por prover ao pai suas necessidades materiais, como alimentos. “Assim”, argumenta Bento XVI, “é dada sua independência material, assim como a transição dos direitos concretos ao filho. Isso significa: o lado espiritual da paternidade permanece, enquanto a situação muda em relação aos direitos e deveres concretos”.

Em maio de 2016, o arcebispo Georg Gänswein proferiu um discurso no qual falou sobre o Papa Bento XVI e um “Ministério Petrino expandido”, uma formulação que provocou debate, pois poderia indicar que Bento XVI não renunciou a todas as diferentes partes do papado. Mais tarde, ele corrigiu essa afirmação e, desde então, insistiu que há apenas um papa. Gänswein disse à LifeSite em 2019: “Eu já esclareci o ‘mal-entendido’ várias vezes”. “Não faz nenhum sentido, não, e mais ainda, é contraproducente insistir nesse ‘mal-entendido’ e me citar repetidamente. Isso é absurdo e leva à auto-mutilação [Selbstzerfleischung]. Eu disse claramente que há apenas um papa, um papa legitimamente eleito e em exercício, e este é Francisco. ”

Já em 2013, ao explicar sua renúncia ao público, o Papa Bento XVI havia declarado que “não pode mais haver retorno à esfera privada. Minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não revoga isso. Não volto à vida privada, a uma vida de viagens, reuniões, recepções, conferências e assim por diante. Não estou abandonando a cruz, mas permanecendo de uma nova maneira ao lado do Senhor crucificado. Não tenho mais o poder de exercer o governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim dizer, no recinto de São Pedro. São Bento, cujo nome levo como Papa, será um grande exemplo para mim. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, é completamente entregue à obra de Deus”.

O LifeSite procurou Monsenhor Nicola Bux, teólogo do Vaticano e ex-colaborador do Papa Bento XVI como consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, pois ele havia feito no passado algumas observações sobre a “validade jurídica da renúncia do Papa Bento XVI . ”

Depois que o LifeSite resumiu para ele a nova declaração do Papa Bento XVI, como pode ser encontrada nesta nova biografia papal, Monsenhor Bux respondeu, dizendo:

“Na minha opinião, um dos aspectos mais problemáticos seria a idéia implícita no ato do papa Ratzinger de que o papado não é um cargo único e indivisível, mas, pelo contrário, um cargo divisível que pode ser ‘descompactado’, com a sensação de que um papa pode optar por renunciar a algumas funções, mantendo para si outras, que não seriam repassadas a seu sucessor. Uma ideia claramente errada”.

Em outras conversas com monsenhor Bux, o teólogo italiano acrescentou os seguintes pensamentos:

“A comparação do ofício papal com o ofício episcopal no que diz respeito à renúncia do múnus papal não está correta. O múnus episcopal é conferido pela ordenação ou sagração episcopal, imprimindo um caráter indelével na alma do bispo. Assim, embora possa ser dispensado de uma responsabilidade pastoral específica, ele permanece sempre um bispo. O múnus papal é conferido pela aceitação da eleição na Sé de Pedro, ou seja, por um ato da vontade da pessoa eleita, aceitando o chamado de ser Vigário de Cristo na terra. Desde o momento em que a pessoa eleita consente, ele tem toda a jurisdição de pontífice romano”.

Se a pessoa eleita não é um bispo, continuou Monsenhor Bux, deve ser imediatamente ordenado bispo, porque o papado implica o exercício do múnus episcopal, mas ele é  papa desde o momento em que concorda com a eleição. Se a mesma pessoa, em um determinado momento, declara que não pode mais cumprir o chamado de ser Vigário de Cristo na Terra, perde o ofício papal e volta à condição em que estava antes de dar o consentimento para ser o Vigário de Cristo na terra”.

Aqui, o teólogo italiano explicou o princípio fundamental de que “o papado não é conferido pela graça sacramental. Não imprime um caráter indelével na alma. A quem consentir em ser papa e perseverar no consentimento, a graça é dada, como Nosso Senhor prometeu, para ser ‘a fonte perpétua e visível e o fundamento da unidade dos bispos e de toda multidão dos fiéis’. (Lumen Gentium , n. 23). Tal graça, por sua própria definição, é dada a apenas uma pessoa em um determinado momento”.

Em conclusão, Monsenhor Bux escreve: “Nosso Senhor deu a Pedro um mandato único – legal e espiritual ao mesmo tempo – e pediu aos apóstolos que o ajudassem através da comunhão, cum et sub Petro (com e sob Pedro). São Paulo explica como: ‘sollicitudo omnium ecclesiarum’ (cuidado de todas as igrejas). Portanto, não há primazia petrina a compartilhar, mas dois princípios indissolúveis em permanente comunhão entre si: a primazia petrina e o trabalho conjunto episcopal (colegialidade)”.

Como fica claro, a discussão acadêmica sobre o conceito de renúncia do papa Bento XVI ainda não está encerrada.

 

 

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6 maio, 2020

Declaração do Arcebispo de Juiz de Fora sobre nota de algumas Comissões de Justiça e Paz a respeito de política.

Fonte: Arquidiocese de Juiz de Fora

Considerando que circula nas redes sociais um texto  [ver aqui] com o título: “Afastar o Presidente para Salvar Vidas e a Democracia”, publicado no dia 24 de abril passado;

Considerando que entre os signatários, figura “Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Juiz de Fora”;

Considerando que só tomamos conhecimento deste fato através da internet, sem que qualquer pessoa tenha procurado nosso parecer ou nossa autorização para tal iniciativa;

Considerando que consultei a vários sacerdotes colaboradores mais próximos no governo da Arquidiocese sobre possíveis pessoas que possam ter agido de forma desautorizada neste presente particular, e nenhum deles soube informar;

Declaro

que a Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Juiz de Fora, já há algum tempo, se encontra desativada, não tendo sido ainda reorganizada por nós e que possíveis grupos anteriores não foram oficialmente confirmados.

Peço aos organizadores do referido texto que retirem da lista dos signatários a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Juiz de Fora.

Quanto ao momento político nacional, oriento paternal e fraternalmente aos meus arquidiocesanos que nos coloquemos em oração para que se manifeste a vontade Deus em favor do povo brasileiro, prevaleçam o diálogo, o respeito mútuo e a paz. Além disso, rezemos, em sintonia com o coração do Papa Francisco, pelo fim da pandemia covid-19, e para que os graves problemas econômicos decorridos dela, não causem grandes danos, sobretudo às famílias mais pobres, mas despertem em toda a sociedade brasileira os sentimentos de solidariedade e compreensão fraterna.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano

Juiz de Fora, 4 de maio de 2020

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6 maio, 2020

Entrevista com Dom Viganò. A autoridade dos Bispos sobre os ditames de especialistas independentes.

O discurso claro e distinto de Mons. Carlo Maria Viganò sobre as questões mais significativas deste difícil momento, desde a jurisdição dos Bispos até a violação — pelos golpes do Decreto do Presidente do Conselho de Ministros (DPCM) da Itália — de direitos superiores e vigentes garantidos pela Constituição. A entrevista foi concedida a Marco Tosatti, e a tradução para FratresInUnum.com elaborada por Hélio Dias Viana.

Excelência, o mais recente decreto presidencial de Giuseppe Conte desconsiderou as esperanças da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e continuou o bloqueio das missas em toda a Itália. Alguns canonistas e especialistas em direito concordatário expressaram muitas reservas sobre o comportamento do governo. Qual é o seu pensamento sobre isso?

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4 maio, 2020

Bispo chama de “oportunistas” os que pedem o retorno das Missas e Comissão Justiça e Paz da CNBB pede impeachment.

Por FratresInUnum.com, 4 de maio de 2020 – Segundo o portal IHU, que pode ser tudo, menos suspeito de conservadorismo, o bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio, escreveu uma carta ao clero de sua diocese em que xinga de “oportunistas” todos aqueles que estão solicitando o retorno das Santas Missas, após o lockdown sacramental imposto pela hierarquia. Confiram os trechos mais significativos da carta:

Tem saído muitas matérias nas redes sociais que podem confundir os incautos, no que diz respeito ao “abrir nossas igrejas”.

Estes grupos que assim se manifestam, em sua maioria, são pessoas que não tem nenhum compromisso com a Igreja, grupos que nunca colocam seus pés em nossas Igrejas, mas que assumem posturas contrárias apenas para confundir os fiéis e criar divisão na Igreja. São os mesmos que criticam o papa Francisco e a CNBB. Vamos ficar atentos para não sermos enganados. (…)

E vem estes engraçadinhos e colocam nas redes sociais: “devolvam-nos a Missa”. Como se a Missa fosse algo pessoal em que “eu” recebo Jesus e estou em paz comigo e com o mundo. (…)

Em vez de pedirem para “devolver a Missa”, que se coloquem à disposição da Igreja no Brasil e no mundo para ajudar a “dar de comer a tantos que tem fome”, confortar a tantos que estão desesperados, acolher a tantos que não sabem para onde ir e o que fazer.

Não vamos dar ouvidos a estes oportunistas que em vez de somar conosco neste momento tão difícil, criam conflitos levados mais por motivos políticos e ideológicos, do que por motivos verdadeiramente religiosos-espirituais, porque se fossem verdadeiros, diriam: “aceitem minha solidariedade. É o pouco que tenho, mas é aquilo que está em meu alcance para manifestar minha comunhão com Jesus e com a Igreja que sofre”.

Para que não se lembra, Luiz Cappio é aquele bispo franciscano que fez uma greve de fome em 2005, contra a transposição do Rio São Francisco projetada pelo governo Lula, e depois em 2007, quando o fato levou-o para a UTI, tendo de interromper o “jejum” por indicações médicas — o companheiro não quis seguir, até as últimas consequências, os “mártires da caminhada”. Queridinho da esquerda nacional e internacional, Dom Luiz Cappio recebeu em 2008 o Prêmio Pax Christi International, em 2009 o Prêmio de Cidadão do Mundo (Fundação Kant) e também em 2009 o Troféu João Canuto, por iniciativa do Movimento Humanos Direitos. No entanto, diz o Evangelho: “guardai-vos de fazer as vossas obras diante dos homens, pois não tereis a recompensa nos céus” (Mateus 6,1)…

Enquanto isto, a Comissão Justiça e Paz, da CNBB, publica uma nota (aliás, no mesmo dia em que a própria presidência publicou uma nota um tanto menos explícita) em que conclama a “afastar o presidente da República para salvar vidas e a democracia”.

Antes que os cleaners cheguem para dizer que a comissão não fala pela CNBB, gostaríamos de lembrar que o histórico de declarações semelhantes é longo. E que, até hoje, a CNBB não fez qualquer tipo de ressalva ou a mínima correção a essa comissão que faz parte de sua estrutura.

A parte mais significativa da nota, diz, por fim: “qualquer que seja a forma constitucional (sic!), não devemos ser omissos ante a gravidade da situação, por isso conclamamos a sociedade civil e as instituições democráticas da República a agirmos com rapidez em defesa da vida e da democracia. A demora custará mais vidas e ameaça cada dia mais a democracia” (negrito nosso).

Com a documentação desses dois levantes, podemos flagrar claramente o nível de fanatismo político e de contradição hipócrita desses bispos esquerdistas: acusam de oportunistas os católicos que simplesmente pedem o retorno das missas, enquanto eles mesmos aproveitam de toda a situação epidemiológica para propor que seja realizado um impeachment às pressas.

Em outras palavras, a única pretensão desses senhores, a sua fixação religiosa mais profunda, é ressuscitar o comunismo agonizante no Brasil e valer-se, para isso, de todo e qualquer meio, pois sabem que o seu grande obstáculo é a vontade do povo, que se impôs, contra eles, nas últimas eleições. Querem dar suporte ao que se está armando, pois estão sempre ao lado das elites e do establishment.

Relembramos aos bispos que eles têm obrigação de entrar no debate político quando está em jogo a lei natural. Quanto às demais demandas governamentais, os seus palpites não são apenas dispensáveis, pois que completamente ineptos, mas são vedados pelo próprio Magistério da Igreja:

“A Igreja, por outro lado, não tem um campo de competência específica no que respeita à estrutura da comunidade política: ‘A Igreja respeita a legítima autonomia da ordem democrática, mas não é sua atribuição manifestar preferência por uma ou outra solução institucional ou constitucional’ e tampouco é tarefa da Igreja entrar no mérito dos programas políticos, a não ser por eventuais consequências religiosas ou morais” (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, n. 424).

Portanto, a intromissão politiqueira da CNBB é ilegítima; e oportunista, aqui, não são os católicos, mas, sim, esses bispos, para usar o “dilmês” que tanto amam e que lhes é tão semelhante, golpistas.

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2 maio, 2020

Bento XVI relaciona a imposição do aborto e do casamento homossexual ao poder espiritual do Anticristo.

Na nova biografia de Peter Seewald sobre Bento XVI, o papa emérito vincula a imposição do “casamento homossexual” e do “aborto” no mundo moderno — de tal forma que se castiga aquele que divergir com a excomunhão social — ao “poder espiritual do Anticristo”. 

Por Infocatólica, 2 de maio de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – “Há cem anos”, disse Bento na biografia de Peter Seewald, “todo o mundo teria considerado absurdo falar de um casamento homossexual. Hoje em dia, excomunga-se da sociedade quem se opõe a ele”. O mesmo se aplica ao “aborto e à criação de seres humanos em laboratório”, acrescenta o pontífice alemão.

“A sociedade moderna está em meio à formulação de um credo anti-cristão, e se alguém se opõe a isso, é castigado pela sociedade com a excomunhão. O medo deste poder espiritual do Anticristo é, então, mais que natural, e realmente é necessária a ajuda das orações de toda uma diocese e da Igreja Universal para resistir”.

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2 maio, 2020

Geopolítica do Coronavírus: entrevista com Valérie Bugault.

Em meio às crises por que passamos (humana, religiosa, sanitária, política e econômica) Fratres In Unum propõe como auxílio à reflexão alguns esclarecimentos de especialistas em áreas diversas e pensadores renomados em sua especialidade. Esta entrevista foi traduzida a partir do site Strategika e procura abordar os diferentes aspectos dessa crise de civilização, bem como seus desdobramentos geopolíticos e sociais. Ela traz elementos próprios do país da entrevistada (França), mas que não interferem na organização geral dos esclarecimentos propostos e no proveito que se pode tirar deles.

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1 maio, 2020

A orfandade de um pontificado: Bergoglio se volta contra a Igreja na Itália

Conte e Francisco

Giuseppe Conte, o atual Primeiro Ministro da Itália, e o Papa Francisco, rindo, rindo muito.

FratresInUnum.com – 1º. de maio de 2020 – Como noticiamos em artigo anterior, o governo italiano iniciou a “fase 2” no combate à epidemia do COVID-19 e, mesmo autorizando gradualmente a retomada de shoppings e museus, não permitiu a retomada do culto público às Igrejas. A reação dos bispos foi imediata! Desde a presidência da Conferência Episcopal até a bispos e padres individuais, houve uma forte manifestação de repúdio à injusta restrição da liberdade de culto aos cidadãos.

Há alguns dias, de fato, em uma homilia na Casa Santa Marta, o Papa Francisco disse, referindo-se à “repreensão” que um suposto bom bispo lhe fizera: “‘esteja atento para não viralizar a Igreja, para não viralizar os Sacramentos, para não viralizar o Povo de Deus’. A Igreja, os Sacramentos, o Povo de Deus são concretos. É verdade que neste momento devemos ter esta familiaridade com o Senhor desse modo, mas para sair do túnel, não para permanecer aí. E essa é a  familiaridade dos apóstolos: não gnóstica, não viralizada, não egoísta para cada um deles, mas uma familiaridade concreta, no povo. A familiaridade com o Senhor na vida cotidiana, a familiaridade com o Senhor nos Sacramentos, no meio do Povo de Deus”.

Alguns dias depois, o amigo íntimo de Francisco, D. Victor Fernández, arcebispo de La Plata (Argentina), “coincidentemente” escreveu que “pensamos em apoiar a vida interior dos fiéis e incentivar seu crescimento, encontramos a séria dificuldade de vê-los privados da Eucaristia durante muito tempo, prevendo também que essa situação possa se prolongar por vários meses” e que “não se constrói nenhuma comunidade cristã se esta não tem a sua raiz e centro na celebração da Sagrada Eucaristia”.

Contudo, esta semana, após a manutenção da interdição das missas pelo governo italiano e a consequente reação dos bispos, Francisco “mudou de ideia”. Na terça-feira, mais uma vez durante a homilia em sua missa diária, ele disse: “Neste tempo, no qual se começa a ter disposições para sair da quarentena, rezemos ao Senhor para que dê a seu povo, a todos nós, a graça da prudência e da obediência às disposições, para que a pandemia não volte”.

Na audiência geral da quarta-feira, Francisco disse que “devemos estar atentos para não ler essa Bem-aventurança (dos perseguidos) de maneira vitimista, de auto-comiseração. De fato, o desprezo dos homens nem sempre é sinônimo de perseguição (…). Portanto, há também um desprezo que é culpa nossa quando perdemos o sabor de Cristo e do Evangelho”.

Explicando a postura de Francisco, “um alto prelado vaticano” declarou a Vatican Insider que “mais do que rechaçar diretamente a dura nota da noite de domingo, o Pontífice quer evitar que prevaleça na CEI (Conferência Episcopal Italiana) a linha de confronto com o (poder) executivo italiano”.

Como explicar esta mudança? Por que Francisco se mostra tão disponível a recuar quando o assunto é o retorno das missas para os fieis italianos, justamente quando os mesmos são autorizados de, além de irem a supermercados e farmácias, a irem também a shoppings e museus?

Talvez seja interessante notar que o atual primeiro ministro da Itália, Giuseppe Conte, considerado como um homem muito discreto e até misterioso, foi um antigo estudante da chamada Villa Nazareth, Colégio universitário há muito tempo conduzido pelo Card. Silvestrini, um dos cabeças da esquerda católica nos tempos de João Paulo II. Villa Nazareh foi o ambiente onde se formou uma verdadeira elite que sempre esteve em contato estreito com a esquerda da Democracia Cristã, que, após a dissolução do partido, enveredou pelas sendas do mais franco progressismo.

Giuseppe Conte foi preceptor de estudantes na Villa Nazareth, mas houve um outro personagem, também este muito discreto, que subiu aos altos postos da carreira eclesiástica: o Cardeal Pietro Parolin, nomeado diretor de Villa Nazareh, o atual Secretário de Estado do Vaticano. Como noticiava Il Foglio, Conte “tinha contatos de altíssimo nível. Uma rede de proteção que hoje, não por acaso, permite-lhe ser o preferido das hierarquias por um governo que feche a porta ao Salvini que ostenta Rosários e abra a porta para os católicos sociais, que hoje velejam com o vento em popa”. De fato, Matteo Salvini havia levantado a sua voz em apoio aos bispos inconformados e aos católicos famintos.

Em resumo, não há nada de religioso, de espiritual, de devoto ou mesmo de humanitário por detrás de todas estas posturas cenográficas de Bergoglio. A única obsessão deste político vestido de branco é levar adiante o seu comício cotidiano e humilhar a Igreja inteira sob o seu absolutismo despótico. A Conferência Episcopal Italiana foi humilhada porque merece sê-lo. Ela escolheu submeter-se servilmente ao governo italiano e agora é tratada como escrava, e ainda é chutada pelos sapatos negros do ditador argentino.

Bergoglio é amante do poder e das cortes, não está minimamente preocupado com a população italiana ou com a epidemia. Giuseppe Conte guiou desastrosamente a Itália durante este período: sem visão, sem expertise; primeiro permitiu o total colapso do sistema sanitário e, depois, com o lockdown, uma crise econômica gigantesca que não para de se agigantar. Mas, em oposição a Salvini, é inteiramente respaldado por Francisco, que simplesmente dá as costas aos seus bispos e fieis.

Primeiro, naufragaram a “Igreja pobre e para os pobres”, os “pastores com cheiro de ovelha” e a “Igreja em saída”; agora, naufraga também a “sinodalidade”, mais um destes clichês criados pelo “papa ditador”.

Enquanto isto, Bergoglio envia o seu esmoleiro para sustentar um grupo de transexuais que se prostituíam em Roma porque, com a crise do coronavírus, “não têm mais clientes”.

Realmente, não há saída. Os fieis estão relegados à mais completa orfandade! O pequeno resto que ainda permanece fiel precisa reagir, com absoluta confiança em Deus e sem nenhum respeito humano.

30 abril, 2020

Um caminho sem retorno? O Estado avança sobre os direitos da Igreja.

Por FratresInUnum.com, 30 de abril de 2020 — Apesar das manifestações do Papa Francisco nos últimos dias, em alinhamento com a política de Estado da Itália, do Primeiro Ministro Giuseppe Conte, no sentido de manter-se a proibição do culto público em todo o território italiano, os bispos continuam a insurgir-se contra este abuso de autoridade, contra o atentado à liberdade de culto reconhecida a todos os cidadãos.

É muito importante tomar ciência destes fatos, pois os bispos de vários países em que o regime de quarentena foi mais rigoroso percebem que a concessão feita lhes custará muito caro e que a dificuldade de retomada das missas se impõe quase que por princípio por parte dos governos laicistas.

Infelizmente, existe uma miopia extraordinária por detrás do entreguismo bom-mocista dos nossos pastores. Eles são incapazes de enxergar um palmo à sua frente e, obedecendo bovinamente as indicações politicamente corretas da Conferência Episcopal, por puro medo de que isso “pegue mal” em relação aos outros bispos, acabam cedendo de maneira complacente aos avanços dessa intromissão ditatorial, ao invés de garantirem nem que seja o mínimo de liberdade de culto aos seus fieis. Faça-se a devida ressalva a alguns poucos bispos que começam a permitir as celebrações, ainda reticentes sobre qual será a reação de seus regionais.

Há algumas semanas, poder-se-ia alegar que não se estava percebendo o que iria acontecer. Agora, já está suficientemente claro. A hierarquia, em sua maioria, cedeu nos princípios e isso poderá custar muito caro para todos os fieis.

Manifeste-se. Continue solicitando uma reação por parte dos seus bispos.

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