9 fevereiro, 2017

Importante: Diocese de Frederico Westphalen divulga nota sobre Amoris Laetitia.

Nota Pastoral sobre a interpretação da Exortação Apostólica Amoris laetitia na Diocese de Frederico Westphalen

A cada dia nós, Bispo e padres, pastores da Igreja, nos defrontamos com a realidade de católicos, nossos irmãos de fé, que vivem em situação matrimonial irregular, aqueles que contraindo validamente o Matrimônio, tendo-se divorciado, unem-se civilmente em um novo casamento, ou tão simplesmente convivem juntos. Tal realidade produz certamente, no caso de católicos conscientes, um grande sofrimento.

Já antes da celebração dos últimos Sínodos sobre a Família, não só falava-se sobre isto, mas em alguns lugares foi sendo introduzida a prática de se permitir o acesso destes irmãos católicos aos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, com a justificativa de se aplicar nestes casos, uma solução pastoral emergencial, desde que se verificassem algumas condições: um tempo longo de convivência, “arrependimento” das falhas pessoais em relação ao casamento frustrado, a existência de filhos na segunda união, a estabilidade econômica e afetiva, a vida fundamentada na fé, a indicação da própria consciência, a autorização dada por um sacerdote e outras. Assim sendo, muitas das proposições apresentadas por alguns padres sinodais, na verdade são já praticas aceitas em certas realidades eclesiais. Nós pastores da Igreja, sejamos sinceros, cansamos de ouvir nestes últimos anos aqueles que sempre preconizaram mudanças na prática sacramental da Igreja usando o princípio da mudança “de baixo para cima” ou o bem conhecido princípio do fato consumado: adota-se uma prática pastoral e com o tempo a Igreja seria obrigada a aceitá-la, incorporando-a à sua doutrina e à sua prática.

Tendo sido entregue à Igreja, pelo Santo Padre o Papa Francisco, a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”, com a responsabilidade pastoral de bispo da Santa Igreja, entendo que tal Documento pós Sinodal deva ser lido e interpretado no quadro da chamada “hermenêutica da continuidade e do aprofundamento”, o que significa dizer que uma melhor compreensão da doutrina moral da Igreja, fruto da ação do Espírito Santo, gradualmente nos conduz ao conhecimento da verdade inteira e completa, sem jamais contradizer ou negar o magistério precedente.

De nenhuma maneira a doutrina tradicional da Igreja em relação ao Sagrado Matrimônio, à absolvição Sacramental e à recepção da Sagrada Comunhão podem ser modificadas por alguém, já que a mesma é imutável e não pode submeter-se a opiniões pessoais, muito menos a uma questão de práticas impostas de baixo para cima, de princípios fundados em uma falsa misericórdia que aceita a Doutrina, mas que a nega posteriormente na prática pastoral.

Assim sendo, é preciso ler e compreender a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” à luz do Magistério precedente, já que, como o Santo Padre, o Papa Francisco sabiamente escreve, é neste quadro que ela deve ser lida e compreendida.

Frente às interpretações divergentes em relação a esta questão tão importante, que envolve a salvação eterna das pessoas, penso que seja fundamental expor com clareza o que a Igreja ensina a respeito, e não poderá ensinar outra doutrina diferente desta, sob o risco de trair a Verdade que lhe foi confiada por Nosso Senhor Jesus Cristo para ser anunciada por todo o sempre.

Além de obscurecer a sua Missão de anunciar o Evangelho do Matrimônio e da Família, a tão decantada “misericórdia”, que alguns pretendem impor no que diz respeito a uma flexibilidade doutrinal e pastoral pedida e já praticada em alguns lugares para estes casos, seria um verdadeiro acinte à plêiade de santos da Igreja que derramaram seu sangue na defesa da Doutrina tradicional do Matrimônio; um escândalo para tantos casais que vivem a fidelidade matrimonial, mas que carregam, em muitos casos, a cruz de uma união sacramental marcada por dificuldades e um desrespeito àqueles homens e mulheres que por razões diversas vivem nesta situação irregular, oferecendo por si e pelos seus a cruz de não poderem aproximar-se da Sagrada Eucaristia.

A Doutrina que a Igreja ensinou, ensina e ensinará, especialmente sobre a questão da recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia é clara: para se receber validamente o Sacramento da Penitência, além da confissão dos pecados e da satisfação, que é o cumprimento da penitência imposta pelo Confessor, é necessária a verdadeira contrição, que inclui em si o propósito de emenda. Sem essa condição, não é possível que alguém seja absolvido e possa receber a Sagrada Comunhão.

No caso de divorciados que voltaram a casar, e dos que simplesmente coabitam anteriormente validamente casados, enquanto os cônjuges são vivos, não é possível legitimar a segunda união civil através da celebração de um Matrimônio canônico.

Assim, a nova união marital constitui uma grave irregularidade, um verdadeiro pecado. Como consequência, para que um católico nessas circunstancias possa ser sacramentalmente absolvido, a condição indispensável é o propósito de não cometer mais este pecado, que neste caso, pressupõe o abandono da vida em comum ou então, seja pelo vínculo afetivo, seja pela idade avançada, seja pela presença de filhos que não podem ser deixados de lado, seja por qualquer outra razão, o continuarem a viver juntos, mas como irmãos ([1]). Só nestas condições é que alguém poderá receber a Sagrada Comunhão.

Este é o ensinamento tradicional da Igreja, expresso de forma cabal na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, que vale a pena recordar: “A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimonio.

A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimonio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios – quais, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos atos próprios dos cônjuges»”([2]).

Portanto, o Santo Padre, na Exortação pós Sinodal Amoris Laetitia em nenhum momento propõe que simplesmente se permita a recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia a pessoas que vivam em objetiva situação irregular em relação ao sacramento do Matrimônio, mas sim de discernir as situações em que, «por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes» (AL 305), possa alguém encontrar-se objetivamente em uma situação de pecado sem culpa grave correspondente. Portanto, contrariando aqueles que pretendem um abandono da prática tradicional da Igreja em relação a esta questão, não existe nenhuma mudança de rumo para estas situações, e a atenção pastoral individualizada nestas situações deve ser realizada sempre «evitando toda a ocasião de escândalo» (AL 299) e sem «nunca se pensar que se pretende diminuir as exigências do Evangelho» (AL 301).

Ao mesmo tempo, antes de tudo, se faz necessário reafirmar a Doutrina tradicional da Igreja. Mas segundo o Santo Padre, é preciso também, e bem situados neste quadro doutrinal, não esquecer o dever de se ajudar com misericórdia e caridade aos divorciados unidos em segunda união, ou aqueles que, após um casamento canônico, vivem maritalmente com outra pessoa, para que jamais se considerem abandonados, discriminados, diminuídos etc. em relação à Igreja. Tal auxílio espiritual e pastoral deve efetivar-se através do debruçar-se sobre esta sofrida realidade, como tão sabiamente recorda o Papa Francisco, através do anúncio da Palavra de Deus, do incentivo à participação na Santa Missa, da promoção da vida de oração, da vivência da caridade e da penitência, entre outras possibilidades.

Também, de forma concreta, de grande ajuda será o que estabeleceu o Santo Padre, através da reforma dos procedimentos nas causas matrimoniais. Aí está um caminho seguro e eficaz para certamente resolver muitas destas situações.

Ciente de que esta questão é de suma importância, como pastor da Igreja Diocesana de Frederico Westphalen, vou ainda oferecer aos padres desta Diocese um Documento oficial para a aplicação pastoral da Exortação pós Sinodal “Amoris Laetitia”, dentro desta hermenêutica de interpretação, fundamentada nos princípios da continuidade e do aprofundamento.

Invoquemos as luzes do Espírito Santo, para que possa iluminar a todos, pastores e rebanho, afim de que este Documento pós Sinodal se transforme em um marco doutrinal e pastoral, no que diz respeito a esta questão tão importante para a vida da nossa Igreja Diocesana e para o bem de todos os fiéis.

“Emitte Spiritum tuum et creabuntur et renovabis faciem terrae”.

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

[1] Carta Haec Sacra Congregatio, Congregação para a Doutrina da Fé, de 11-IV-1973.

[2] São João Paulo II, Exortação Apostólica Pós Sinodal Familiaris Consortio,n.84.

9 fevereiro, 2017

Cartazes contra o Papa Francisco: um ataque preciso, brutal e bem planejado que não deve ser minimizado.

O ataque foi preciso, violento, bem planejado. Equivocam-se os defensores de Francisco que querem minimizar. E também se equivoca o Vaticano ao difundir a ordem tácita: “Não se preocupem com eles, olhem e passem adiante”.

A nota é de Marco Politi, publicada no seu blog no sítio do jornal Il Fatto Quotidiano, 05-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Papa: a Roma manifesti di contestazione contro FrancescoIHU – Porque os cartazes contra o Papa Bergoglio afixados no sábado em muitas partes do centro de Roma tocam os pontos vitais do imaginário deste pontificado. Em primeiro lugar, a relação direta com a massa dos fiéis e também com o povo que não acredita, mas escuta com atenção as palavras de Francisco: relação ridicularizada e deformada pela foto, que, nos cartazes, mostra um pontífice carrancudo.

Ainda mais insidiosa é a segunda mensagem veiculada pelos cartazes: o ataque brutal contra o coração da sua boa notícia, a misericórdia. Como se dissesse: “Você é um ditador sorrateiro que fala de misericórdia, mas persegue aqueles que não concordam com você: da Ordem de Malta aos Franciscanos da Imaculada, aos sacerdotes incômodos para você… e você não tem sequer a coragem de responder àqueles cardeais que o colocam em discussão”.

Verdadeiro e falso em uma mensagem de luta política sem fronteiras não importam (a campanha eleitoral de Trump ensina isso). E o ataque dos cartazes é “político”, em seu pleno sentido, contra o pontificado bergogliano.

Refinado na sua perfídia também é o uso do dialeto romano. “A France’…”. Uma careta que visa a esvaziar, na sua vulgaridade, toda preeminência moral da personalidade colocada no alvo. Equivocam-se aqueles que minimizam, considerando o caso como um mero desdobramento de um clima da comunicação contemporânea, que se tornou cada vez mais explícito, polarizado e agressivo. O que é verdade. Mas, no caso de Francisco, a onda dos cartazes zombeteiros é algo mais: é mais um passo de uma escalada que tem como objetivo a difamação sistemática do seu reformismo e, em última análise, a mobilização de forças em vista do futuro conclave, do qual (de acordo com os conservadores) absolutamente não deve sair um Francisco II.

Ridicularizar o papa em Roma, com métodos que lembram os tuítes de Trump contra os seus adversários ou os insultos de estádio contra jogadores e árbitros, significa justamente arrastar para baixo a figura de Francisco, para colocá-lo no mesmo nível do insultos de boteco.

Nesse caso – quem quer que sejam os gatos pingados que, um dia, poderão ser identificados como autores materiais do fato – não existe um único marioneteiro. Existe, em vez disso, desde os primeiros meses do pontificado e em aceleração com o primeiro Sínodo sobre a família, a coagulação constante e crescente de múltiplos grupos, padres, bispos e cardeais apoiados por uma galáxia de sites, cujo lema é: “Este papa não nos agrada. É um demagogo, um populista, um comunista, um feminista, um herege… Que protestantiza a Igreja Católica, diminui o primado papal, tira sacralidade da cátedra de Pedro, afasta-se da Tradição, semeia confusão entre os fiéis…”.

Pegue-se um mapa e apontem-se com um alfinete os locais de onde provêm os cardeais e os bispos que assinaram livros contra a reviravolta pastoral de Francisco em tema de ética familiar, que assinaram abaixo-assinados, que lhe enviaram uma carta acusando-o praticamente de manipulação da ordem dos trabalhos do Sínodo de 2015, que, por fim (com a carta dos quatro cardeais do ano passado), substancialmente o acusaram de trair a palavra de Deus inscrita no Evangelho, e se terá um mapa da rede mundial – na Cúria e nos cinco continentes – daqueles que alimentar mau humor contra a linha do pontífice. Padres, teólogos, bispos e cardeais que se opõem a ele abertamente e que, nos bastidores, são apoiados por aqueles que compartilham as suas ideias, mas não querem se expor e, enquanto isso, fazem resistência passiva.

Os cartazes de Roma, que atacam Bergoglio publicamente na Roma da qual ele é bispo e na qual desempenha (como afirma a definição católica tradicional) a sua “missão de pastor universal”, são o sinal alarmante de um movimento contrário a ele, que não dá trégua e encarna a própria agressividade extenuante que teve, nos Estados Unidos, o Tea Party Movement.

A semelhança chama a atenção. Esse movimento, que incessantemente, ano após ano, desagregou a imagem de Obama, obviamente não era capaz de removê-lo como presidente, mas, no fim do seu mandato, pesou enormemente na eleição presidencial.

Há um “movimento do sagrado incenso” bastante numeroso como demonstraram os votos no Sínodo sobre a família e variadamente agressivo, que visa a corroer a partir de dentro dos ambientes eclesiásticos a autoridade de Bergoglio. O amplo consenso de que ele goza nas pesquisas é apenas uma parte da questão. A outra dimensão refere-se à Igreja como instituição. E, nessa dimensão, a guerra subterrânea é violenta.

Bergoglio, mostrando tranquilidade, até agora ordenou discretamente aos seus defensores na hierarquia que não deem importância aos ataques dirigidos a ele. Mas a história ensina que, em uma guerra civil, quem não combate eficazmente os ataques, acaba se desgastando. E aqui quem se desgasta não é tanto a personalidade histórica de Francisco, mas sim a vitalidade da frente reformadora.

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8 fevereiro, 2017

Ordem de Malta, o escândalo dos contraceptivos existe. Eis as provas. Mas o responsável ainda está no comando.

Por Riccardo Cascioli, La Nuova Bussola Quotidiana, 2 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Não apenas a distribuição de anticoncepcionais e abortivos em Myanmar, Quênia, Sudão do Sul e igualmente na Alemanha por muitos anos, mas também a justificação teórica para este comportamento contrário aos ensinamentos da Igreja. Muito mais do que um pequeno incidente, em Myanmar foi logo bloqueado para que não fosse logo descoberto. Nós estamos falando sobre o escândalo que serviu de base para o confronto dos últimos meses dentro da Soberana Ordem Militar de Malta, que ganhou as manchetes por causa da interferência sensacional da Santa Sé, e que obrigou o Grão-Mestre Mateus Festing a renunciar, acusado de ter derrubado, em dezembro, o chanceler Albrecht Boeselager. Graças à intervenção direta do Papa, este último foi reintegrado ao seu cargo na semana passada pelo Conselho Soberano.

Boeselager acabou na mira de fogo porque, como Grão-hospitalário da Ordem entre 1989-2014, tinha a responsabilidade direta pela Malteser International, a organização da Ordem de Malta responsável por ajuda internacional, além de mais de 120 projetos em 24 países espalhados pelo mundo. Bem, só Malteser International, que tem sua sede na Alemanha, onde foi fundada em 2005 como um desenvolvimento da Malteser Alemanha, foi acusada de participar de projetos de saúde – para prevenir a Aids e serviços de saúde reprodutiva – que incluía a distribuição de contraceptivos.

Até agora, Boeselager nega qualquer responsabilidade e falou de apenas um caso de um projeto em Myanmar, que foi subitamente interrompido pessoalmente por ele tão logo se deu conta do que estava acontecendo. Mas a documentação em nosso poder – em parte rastreável na internet – diz que as coisas são muito diferentes. No centro da história, há também programas de ajuda em países africanos; e, em todo caso, não se trata de “incidentes”, mas da aplicação sistemática das orientações da própria Malteser International.

Tudo isso estaria acontecendo sem o conhecimento do Grão-Mestre, que pelo grão-hospitalário deveria ter sido comunicado de tudo o que acontecia em campo. Apenas em 2014 teria chegado ao Grão-Mestre indicações sobre o que estava acontecendo em Myanmar, e também no Quênia e no Sudão do Sul. Daí a decisão por parte de Fra Matthew Festing de nomear uma comissão de inquérito interna, no dia  29 de maio de 2015. A comissão, formada pelos professores John Haas, Luke Gormally e Neil Weir produziu um relatório, que foi entregue nas mãos do Grão-Mestre em fevereiro de 2016, a partir do qual, em seguida, surgiram as tentativas de esclarecimento e atribuição de responsabilidade, e que tiveram o desfecho de dezembro com a remoção de Boeselager feita por Festing.

Mas o que então encontrou essa Comissão?

ATIVIDADE EM CAMPO

Antes de tudo, “há uma clara evidência do envolvimento da Malteser Internacional em projetos de saúde – prevenção do HIV e da AIDS, bem como outras doenças sexualmente transmissíveis e planejamento familiar – incluindo aí a distribuição de contraceptivos.”

Evidências sobre um projeto no Quênia (2006-2011) para o tratamento e cuidado de pacientes com AIDS, financiado por uma famosa Organização americana abortista: a Pathfinder International; e outro projeto em Myanmar (2006-2011) ligado ao Fundo Global contra Aids, Tuberculose e Malária: também aqui houve distribuição de preservativos em abundância. E, em seguida, outros projetos, entre 2006 e 2015 – também em colaboração com a organização Save the Children – em áreas habitadas pela etnia Shan na Birmânia – para prevenir doenças sexualmente transmissíveis ou promover o controle de natalidade. Além de preservativos distribuídos em grandes quantidades, pílulas anticoncepcionais, diafragmas e até mesmo o famigerado anticoncepcional injetável Depo-Provera.

Finalmente, o relatório descreve o caso de um anúncio para contratação de um consultor para assistência às pessoas com AIDS e HIV, novamente em 2010, em Myanmar. Entre os requisitos exigidos ao candidato estava também a capacidade de “ensinar o uso adequado e eficaz do preservativo “.

Além do relatório interno, provas do envolvimento direto da Malteser Internacional em programas que contradizem o ensinamento moral da Igreja podem ser encontradas em um outro relatório escrito pelo Instituto Lepanto (EUA). Aqui as façanhas da Malteser são descritas nos relatórios anuais de  agências da ONU, como a UNAIDS e UNDP: milhões e milhões de dólares de financiamento em troca de apoio às políticas de controle de natalidade. E entre 2011-2012, esta atividade também atingiu o Sudão do Sul.

Não se trata de um simples caso 

Ainda mais interessante para a nossa discussão, é a parte do relatório dedicada à posição teórica sobre o uso de contraceptivos. Aqui é feita referência às orientações, com o título de Bioética – Princípios básicos com respeito ao planejamento familiar e saúde reprodutiva. Segundo essas linhas gerais, “os contraceptivos são distribuídos para programar os nascimentos em circunstâncias em que os casais não podem aplicar os métodos naturais.” Além do mais, “é aceitável, em princípio, o uso de preservativos para prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.” Mais uma vez: a “Malteser Internacional expressa neutralidade sobre a possibilidade de dar informações sobre os métodos para prevenir a transmissão do HIV.” Terminando com uma declaração de compromisso: “Há situações em que Malteser International tem de encontrar um equilíbrio entre o ensinamento da Igreja e o que é percebido como tal.”

No relatório de 2005 da UNAIDS, no perfil dedicado aos parceiros de agências das Nações Unidas, a Malteser International está indicada como uma organização especializada em planejamento familiar, com a atividade de distribuição de contraceptivos.

Em suma, é evidente que a distribuição de contraceptivos não é um acidente de percurso, mas resultado de uma convicção amadurecida ao longo dos anos e que ainda persiste. Tanto mais que, argumenta o relatório, nesta prática – que se opõe à doutrina da Igreja – também foi oferecido um fundamento teológico através do Assistente espiritual, o bispo Dom Marc Stenger, de Troyes. Exatamente ao bispo Stenger é atribuída a influência de uma conduta ética incompatível com a doutrina social da Igreja.

UM PROBLEMA GLOBAL

Não se pode dizer, no entanto, que este é um problema exclusivo da Ordem de Malta: trabalhando em estreita colaboração com outras ONGs e recebendo dinheiro da ONU, nessas últimas décadas, muita ONGs Católicas aceitaram tranquilamente incluir a contracepção entre os serviços disponíveis ao público.

Mas, de volta à situação interna da Ordem de Malta, o Relatório e outra documentação acessível colocam sob uma luz diferente o recente confronto entre o Grão-Mestre e Grão-Chanceler, entre Festing e Boeselager. É um dado, de fato, de que apesar das boas intenções, a intervenção do Papa e da Secretaria de Estado do Vaticano colocaram de volta no comando o verdadeiro responsável por esse desvio moral, e mandou embora o Grão-Mestre.

7 fevereiro, 2017

Um Papa violento?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 03-03-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Contra a evidência quase não há o que discutir. A mão estendida do papa Bergoglio à Fraternidade São Pio X é a mesma que se abateu nestes dias sobre a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada.

O caso da Ordem de Malta terminou com a rendição incondicional do Grão-Mestre e o retorno ao poder de Albrecht von Boeslager e do poderoso grupo alemão que ele representa.

O caso foi resumido nestes termos por Riccardo Cascioli em La Nuova Bussola quotidiana: o responsável pelo desvio moral da Ordem foi reabilitado e quem tentou contê-lo foi mandado para casa.

Isso aconteceu em plena desconsideração pela soberania da Ordem, como resulta da carta de 25 de janeiro, dirigida aos membros do Conselho Soberano pelo secretário de Estado Pietro Parolin em nome do Santo Padre, com a qual a Santa Sé estabeleceu, de fato, um comissariado junto à Ordem.

Seria lógico que os mais de 100 Estados que mantêm relações diplomáticas com a Ordem de Malta retirassem os seus embaixadores, a partir do momento em que as relações podem ser travadas diretamente com o Vaticano, do qual agora a Ordem depende em tudo.

O desprezo que o Papa Francisco demonstra com relação à lei se estende do direito internacional ao direito civil italiano.

Um decreto emitido pela Congregação dos Religiosos com o consentimento do Papa impõe ao padre Stefano Maria Manelli, superior dos Franciscanos da Imaculada, não se comunicar com os meios de informação, nem aparecer em público; não participar de qualquer iniciativa ou encontros de qualquer gênero; e, acima de tudo, “de remeter dentro do limite de 15 dias, a partir da entrega do presente decreto, o patrimônio econômico gerido por associações civis e qualquer outra quantia à sua disposição na plena disponibilidade total do único instituto”, isto é, de devolver à Congregação dos Religiosos bens patrimoniais dos quais (como foi confirmado pelo Tribunal de Apelações de Avellino) o padre Manelli não dispõe, porque pertencem a associações legalmente reconhecidas pelo Estado italiano.

 “Em 2017, na Igreja da Misericórdia” – comenta Marco Tosatti –, “falta apenas o cavalete e a máscara de ferro, e o catálogo está completo”.

Como se não bastasse, Dom Ramón C. Argüelles, Arcebispo de Lipa, nas Filipinas, soube de sua demissão através de um comunicado da Sala de Imprensa do Vaticano.

Ignoram-se as razões de tal decisão, mas as podemos intuir: Dom Argüelles reconheceu canonicamente uma associação que reúne um grupo de ex-seminaristas dos Franciscanos da Imaculada que abandonaram sua Ordem a fim de poderem estudar e preparar-se para o sacerdócio com plena liberdade e independência. Trata-se de uma culpa, ao que parece, imperdoável.

Surge a questão de saber se o Papa Francisco não é um Papa violento, entendendo-se bem o significado deste termo. A violência não é a força exercida de maneira cruenta, mas a força aplicada de modo ilegítimo, em desafio à lei, para alcançar o seu objetivo.

O desejo de Mons. Bernard Fellay de regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X com um acordo que em nada lese a identidade de seu instituto é certamente louvável, mas surge a pergunta: é oportuno colocar-se sob o guarda-chuva legal de Roma no exato momento em que a lei é ignorada, ou mesmo usada como meio para reprimir aqueles que querem permanecer fiel à fé e à moral católica?

5 fevereiro, 2017

Foto da semana.

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Vox populi – no fim desta semana, um cartaz foi afixado em ruas de Roma com um recado ao Papa Francisco: “você comissariou Congregações, removeu sacerdotes, decapitou a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada, ignorou Cardeais… mas cadê a tua misericórdia?”

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4 fevereiro, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Da Bondade e da Malícia dos atos humanos em geral.

“Todo aquele que faz o mal, aborrece a luz” (S. João, III, 20).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

 

NB.: SUMA TEOLÓGICA de Santo Tomás de Aquino, 1ª Parte da 2ª Parte

Questão XVIII. “Em primeiro lugar devemos tratar de como uma ação humana é boa ou é má. E sobre esta primeira questão se discutem 11 artigos:

  1. Se toda ação é boa ou se há ações más.
  2. Se a ação do homem tira do objeto a sua bondade ou malícia.
  3. Se a ação do homem tira da circunstância a sua bondade ou malícia.
  4. Se a ação do homem tira do fim a sua bondade ou malícia.
  5. Se uma ação humana é especificamente boa ou má.
  6. Se o fim especifica os atos em bons e maus.
  7. Se a espécie que procede do fim está contida na que procede do objeto, como no gênero, ou se inversamente.
  8. Se há atos especificamente indiferentes.
  9. Se há atos concretamente indiferentes.
  10. Se uma circunstância especifica o ato moral como bom ou mau.
  11. Se toda circunstância que aumenta a bondade ou a malícia especifica o ato moral com bom ou mau.

ARTIGO I – Se todas as ações humanas são boas ou se há ações más.

OBJEÇÕES: Este primeiro artigo discute assim: Parece que todas as ações do homem são boas e nenhuma é má. [Pelo método de Santo Tomás de Aquino, a tese verdadeira é sempre a contrária à que é apresentada como parecendo ser certa].

1ª – Pois, como diz Dionísio, o mal só age em virtude do bem. Ora, a virtude do bem não produz o mal. Logo, nenhuma ação é má.

2ª – Ademais. – Nada age senão enquanto atual. Ora, nada é mau por ser atual, mas por ser a potência privação do ato; pois, um ser é bom na medida em que a potência é aperfeiçoada pelo ato, como diz Aristóteles. Ora, nada age enquanto mau, mas só enquanto bom. Logo, todas as ações são boas e nenhuma é má.

3ª – Ademais. – Só acidentalmente o mal pode ser causa, com se vê claramente em Dionísio. Ora, de toda ação há de resultar algum efeito, necessariamente. Logo, nenhuma é má, mas todas são boas. Mas, ao contrário (SED CONTRA) diz o Senhor em João III, 20: “Todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz”.

RESPONDEREI as objeções, explicando antes os termos: Devemos dizer do bem e do mal das ações como se fala do bem e do mal das coisas, porque há proporção entre estas e as suas ações. Ora, cada coisa é boa na mesma medida em que é [=existe]: pois o bem e o ser se convertem,[=se equiparam] como já se disse na primeira parte (q. , a. I, 3ª). Só Deus porém tem toda a plenitude do ser, por causa da sua unidade e simplicidade; ao passo que as criaturas possuem a plenitude do ser que lhes convém, de modo múltiplo. Assim, umas possuem o ser de modo relativo, e contudo falta-lhes algo à plenitude devida. A plenitude do ser humano, p. ex. implica a composição de alma e corpo, com todas as potências e instrumentos do conhecimento e do movimento; por onde, a quem faltar um desses elementos, faltar-lhe-á algo da plenitude do seu ser. Pois quanto tiver de ser, tanto terá de bondade; e na medida em que lhe faltar algo da plenitude do seu ser, nessa mesma medida, lhe faltará a bondade e será considerado mau; assim, para um cego é bem o viver; e mal, estar privado da visão. Se porém não tivesse nenhum ser ou nenhuma bondade, não poderia considerar-se mau nem bom. Como, porém, da essência do bem é a plenitude do ser, o ente a que faltar a plenitude que lhe é devida, não será considerado bom, absoluta, mas relativamente, enquanto ser; poderá contudo ser considerado ser, absolutamente, e não ser, relativamente, conforme se disse na primeira parte (q, 5, a. I, ad 1).

Assim pois devemos concluir que toda ação, na medida em que é, nessa mesma medida é boa; e lhe faltará a bondade, sendo, por isso considerada má, na mesma medida em que lhe faltar algo da plenitude do ser devido; p. ex., se lhe faltar a quantidade determinada exigida pela razão, ou o lugar devido, ou coisa semelhante. [Agora, depois da explicação dos termos, temos condições de responder às objeções].

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO [Antes de lermos a resposta, é bom reler a objeção enumerada no início]. – O mal age em virtude do bem deficiente. Se pois o bem faltasse totalmente, não haveria ser nem ação; e se o bem não fosse deficiente [i. é, nada lhe faltasse do seu ser devido] não haveria mal. Por onde, a ação causada, em virtude de um bem deficiente, há de ser também deficientemente boa: é boa,relativamente; e é má, absolutamente.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: Nada impede  que um ser tenha, num ponto de vista, a atualidade [possui em ato uma qualidade que é devida ao seu ser] que o faz agir e, noutro ponto de vista, tenha a privação do ato, que lhe causa a ação deficiente. Assim um cego, tendo as pernas sãs, pode andar; mas, privado da visão, com a qual se dirige, a marcha fica-lhe defeituosa e há de se trôpego no andar.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO: – Uma ação má pode, por si, produzir um efeito, na medida em que tiver algo de bondade e de ser. Assim, o adultério é causa de geração humana enquanto implica a união dos sexos e não, enquanto contrária a ordem racional.

Obser.: É óbvio que só teremos uma noção clara do assunto em apreço,depois de lermos a exposição dos 11 artigos. Com a graça de Deus e for de sua santíssima vontade, traduzirei e apresentarei aqui todos os 11 artigos. Trata-se de uma matéria sempre atual, mas hoje, mais do que nunca, seu conhecimento é oportuno e mesmo urgente.

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3 fevereiro, 2017

Cardeal Müller sobre a Comunhão a recasados: “O Papa, um concílio, nem a lei dos bispos podem mudar isso”.

Nota: os bispos da conferência alemã não concordam em nada com o Cardeal Müller, tendo aprovado um texto que diz exatamente o contrário do que o cardeal disse na entrevista que aqui publicamos.

Por Church Militant, 01 de fevereiro de 2017| Tradução: FratresInUnum.com: O Cardeal Gerhard Müller está afirmando que os divorciados e civilmente recasados devem comprometer-se a permanecer continentes antes de serem admitidos novamente aos sacramentos, e que nem mesmo o Papa pode remover essa condição indispensável.

Müller

Cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

A revista italiana Il Timone recentemente perguntou ao prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (CDF) se a condição de que esses casais “se esforcarem para viver a castidade” antes de receberem a Confissão e a Sagrada Eucaristia – como exigido pelo Papa S. João Paulo II – ainda era válida. O chefe da guarda doutrinária do Vaticano respondeu: “Claro, isso não é dispensável”.

O Cardeal enfatizou que a Igreja não tem a faculdade de alterar essa regra. “Nenhum poder no céu ou na terra, nem mesmo os anjos, ou o Papa, um concílio, nem a lei dos bispos tem a faculdade de mudar isso”.

Na entrevista publicada na quarta feira (01/02/2017), Müller foi questionado a respeito das conflituosas interpretações acerca da exortação pós-sinodal Amoris Laetitia. O cardeal advertiu que o documento não pode ser interpretado isoladamente em relação ao ensinamento perene da Igreja.

Amoris Laetitia deve claramente ser interpretada à luz de toda a doutrina da igreja” ele insistiu.

Ele também deixou claro que a exortação deve ser interpretada pelo seu todo e não por passagens retiradas do contexto. “Não se pode referir apenas a pequenas passagens apresentadas na Amoris Laetitia, mas deve-se lê-la como um todo, com o propósito de tornar o Evangelho do matrimônio e da família mais atrativo às pessoas”.

Cardeal Müller expressou seu descontentamento com as opiniões discordantes propostas por vários bispos a respeito da exortação. “Eu não gosto disso, não é correto que tantos bispos interpretem a Amoris Laetitia de acordo com seu próprio entendimento dos ensinamento papais”, lamentou. ”Isso não se alinha a doutrina Católica”.

Ele alertou aqueles bispos que, segundo ele, “estão falando demais”, para que primeiro aprendam a Doutrina eles mesmos antes de tentar ensinar aos outros. “Eu insisto que eles estudem antes a Doutrina [dos concílios] sobre o papado e o episcopado”. Se os bispos não se tornarem bem informados eles mesmos, então eles “podem cair no risco de serem cegos guiando cegos”.

Perguntado se a consciência pessoal poderia em algum momento sobrepor o ensinamento da Igreja sobre fé e moral, o cardeal rejeitou terminantemente a possibilidade. “Não, isso é impossível”, ele respondeu. “Por exemplo, não se pode dizer que existem circunstâncias nas quais um ato de adultério não constitua um pecado moral. Para a Doutrina católica, é impossível que o pecado mortal e a Graça santificante coexistam”.

E adicionou que essa é a razão pela qual Deus instituiu o Sacramento da Reconciliação.

Tem-se dado muita atenção à exortação apostólica de João Paulo II Familiaris Consortio, que reafirmou que os recasados não poderiam permanecer sexualmente ativos e serem admitidos aos sacramentos. Mas o cardeal Müller afirma que muita da confusão está na rejeição da “clara Doutrina [da Igreja] sobre os males intrínsecos”, como apresentada pela Encíclica Veritatis Splendor também de João Paulo II.

A Igreja ensina que ações intrinsecamente más são sempre e em todo lugar erradas, independente dos motivos e circunstâncias nas quais são praticadas. Exemplos dessas ações são  o aborto, o adultério e o suicídio.

A Veritatis Splendor ensina que todo mal intrínseco é errado para todos, independente de qualquer julgamento que a consciência pessoal faça. “Preceitos morais negativos,  que proíbem certas ações ou comportamentos como intrinsecamente maus, não aceitam exceções legítimas”.

Em outras palavras, o Mandamento de Deus “Não se deve…” é aplicado a qualquer pessoa em qualquer tempo.

Isso também está explicado no parágrafo 1650 do Catecismo da Igreja Católica, onde se lê: “Se os divorciados estão civilmente recasados, encontram-se em uma situação objetiva de contravenção à Lei Divina. Consequentemente, eles não podem ter acesso à Sagrada Eucaristia enquanto essa condição persistir.”

Coincidentemente, as questões apresentadas ao Papa Francisco e ao dicastério do Cardeal Müller pelos quatro cardeais nos Dubia estão centradas nesses dois pontos:

  • O papel da consciência em obedecer a Lei Divina.
  • Atos intrinsecamente maus nunca não podem ser feitos de consciência limpa.

O Cardeal Müller reforça que o papel dos padres e bispos é de esclarecer e não de confundir. E insiste que todos os sacerdotes e leigos aprendam a Fé. “Todos nós temos que entender e aceitar a Doutrina de Cristo e da Sua Igreja, e ao mesmo tempo estar prontos a ajudar os outros a entendê-la e colocá-la em prática, mesmo nas situações mais difíceis”, ele explicou.

 

3 fevereiro, 2017

Frades Franciscanos da Imaculada. A clausura para Padre Manelli se tornou ainda mais severa. Um decreto do Papa.

Por Marco Tosatti, 2 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Há alguns dias, nós escrevemos sobre o novo decreto de comissariamento para o ramo feminino dos Franciscanos da Imaculada. Um decreto emitido com uma assinatura não apelável do Pontífice, justamente para evitar que um recurso junto ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica pudesse ter, como parece possível e provável, um desfecho feliz.
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Pe. Stefano Manelli. 

A Congregação para os Religiosos, presidida pelo cardeal brasileiro Braz de Aviz e pelo secretário franciscano Carballo, quer encerrar o capítulo do comissariamento dentro de um ano, convocando um capítulo logo após o verão. Mas há dificuldades.

Há forte resistência por parte de muitos religiosos contra o comissariamento que tem sido visto como uma forma de violência. Até hoje, da parte da Congregação não foram reveladas as razões e motivos para que a Ordem – uma das mais fecundas em termos de vocações – tenha sido decapitada e seu fundador, o padre Stefano Manelli, de 83 anos, obrigado a viver em uma espécie de clausura imposta.
Assim, quase quatro anos após o início dessa saga verdadeiramente extraordinária (não houve tal severidade nem contra os Legionários de Cristo, cujo fundador tinha aprontado de tudo e mais um pouco) e em antecipação a um possível capítulo, os fautores do novo curso temem que os fiéis de Padre Manelli possam acabar elegendo um governo da sua mesma linha.
Assim, há alguns dias, Padre Manelli recebeu um documento acordado numa audiência dos chefes da Congregação para os Religiosos com o Papa, e que, com o seu consentimento, estabelece:

“O Padre Stefano Manelli está obrigado a emitir um comunicado no qual declara aceitar e cumprir todas as disposições da Santa Sé e exortar os frades Franciscanos e as irmãs Franciscanas da Imaculada a manterem o mesmo comportamento.

Padre Manelli não poderá fazer nenhuma outra declaração aos meios de comunicação e nem aparecer em público.

Ele não poderá participar em qualquer iniciativa ou encontro, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social.

O Padre Manelli está obrigado a enviar dentro do limite de 15 dias do presente decreto, todo o patrimônio econômico administrado pelas associações civis e qualquer outra quantia à sua disposição em plena disponibilidade de cada um de seus institutos.

Fica proibido ao Padre Manelli e Padre G. Pellettieri ter quaisquer relações com os Frades Franciscanos da Imaculada, exceto com aquelas comunidades onde habitarão com a permissão deste Dicastério. Evitar também qualquer contato com as Irmãs Franciscanas da Imaculada”.

Só ficou faltando o instrumento de tortura e a máscara de ferro, para o catálogo ficar completo. Em pleno 2017, na Igreja da Misericórdia. Certamente, Manelli e aqueles leais a ele serão acusados de crimes horrendos, mas então por que não dizê-lo e não submetê-los a julgamento canônico? A falta de clareza nas acusações, se é que existem, dão a impressão de uma perseguição alimentada por outros tipos de interesses. Ideológica, ou talvez ainda mais. E em um país onde os assassinos rondam impunes, a gravidade das restrições desperta uma sensação de irrealidade.

O ponto particularmente interessante é o do dinheiro. E que é muito: alguns falam num patrimônio de trinta milhões de euros. Mas que não estão nas mãos de Padre Manelli, mas sim de várias associações de leigos: Associação “Missão da Imaculada”,  Associação “Missão do Imaculado Coração” e “Associação Casa Editora Mariana”. De fato, em julho de 2015, o Tribunal de Revisão de Avellino cancelou o sequestro dos bens de propriedade das associações de leigos com um valor de cerca de 30 milhões. Os bens haviam sido sequestrados pela Procuradoria de Avellino, que levantara suspeitas de crimes de fraude e falsidade ideológica nas batalhas legais que se seguiram ao Comissariamento.

Então, como julgar as exigências feitas a Padre Manelli, uma vez que a Congregação tem conhecimento da situação jurídica sancionada pela lei italiana? Eu não consigo pensar em qualquer outra coisa, senão que essa é uma forma de violência psicológica e moral contra o frade ancião.

É interessante notar que este passo, tão severo, segue outro movimento sem precedentes acontecido há pouco dias, e certamente único, ou seja, a pressão exercida sobre o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Matthew Festing, para renunciar, feita pessoalmente pelo Pontífice. A Ordem de Malta não é pobre, muito pelo contrário. Evidentemente, o frio exalta os ânimos autoritários, para bem além dos muros.

* * *

Leia também: Rejeitadas as acusações contra o fundador dos Franciscanos da Imaculada.

1 fevereiro, 2017

Uma Aliança entre o Vaticano e o Partido Democrata? Católicos pedem investigação ao Governo Trump.

Carta Aberta ao Presidente Donald Trump 

“A América é grande porque é boa. Se a América deixar de ser boa, ela deixará de ser grande.”  Alexis de Tocqueville

Por The Remnant, 22 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com:

Prezado Presidente Trump,

O slogan de campanha “Make America Great Again” (Que a América Volte a Ser Grande), repetido por milhões de americanos comuns e a tenacidade do senhor em repelir grande parte das tendências recentes mais prejudiciais têm sido muito estimulantes. Ansiamos todos por ver uma reversão contínua das tendências coletivistas das últimas décadas.

Pope Francis arrives to lead a special mass for the opening of the 20th Caritas Internationalis general assembly in Saint Peter's basilica at the VaticanA reversão das tendências coletivistas recentes, necessariamente, exigirá a reversão de muitos atos praticados pelo governo anterior. Dentre esses atos, acreditamos que existe uma que continua camuflada em segredo. Particularmente, temos motivos para crer que o governo Obama orquestrou uma “mudança de regime” no Vaticano.

Ficamos alarmados ao descobrir que, durante o terceiro ano do primeiro mandato do governo Obama, seu oponente anterior, a Secretária de Estado Hillary Clinton e outros funcionários do governo com quem ela esteve ligada propuseram uma “revolução” católica, na qual se realizaria o desaparecimento final do que restava da Igreja Católica na América. [1] Cerca de um ano após essa discussão por e-mail, que nunca teve por objetivo tornar-se pública, descobrimos que o Papa Bento XVI renunciou sob circunstâncias altamente incomuns e foi substituído por um Papa cuja missão aparente é fornecer um componente espiritual à agenda ideológica radical da esquerda internacional. [2] Mais tarde, o Pontificado do Papa Francisco questionou a sua própria legitimidade em uma série de ocasiões. [3]

Durante a campanha presidencial de 2016, ficamos surpresos ao testemunhar o Papa Francisco fazendo campanha ativa contra as políticas propostas pelo senhor no que tange a segurança de nossas fronteiras e até mesmo chegando ao ponto de insinuar que o senhor não é cristão [4].  Apreciaríamos a sua resposta imediata e precisa a essa acusação infame [5]. Continuamos intrigados com o comportamento deste Papa ideologicamente carregado, cuja missão parece ser a de promover agendas seculares da esquerda, em vez de conduzir a Igreja Católica em Sua missão sagrada.  A função própria de um Papa não é simplesmente envolver-se na política ao ponto de ser considerado um líder da esquerda internacional.

Enquanto partilhamos o seu objetivo declarado em relação aos Estados Unidos, acreditamos que o caminho para a “grandeza” é a América voltar a ser “boa”, parafraseando Tocqueville. Entendemos que bom caráter não pode ser impingido às pessoas, mas a oportunidade de viver nossas vidas como bons católicos tem se tornado cada vez mais difícil pelo que parece ser um conluio entre um governo hostil dos Estados Unidos e um Papa que parece ter tanta má vontade para com os seguidores da doutrina católica perene da mesma forma como ele parece ter em relação à sua pessoa.

Com tudo isso em mente e desejando o melhor para o nosso país, bem como para os católicos do mundo todo, acreditamos que seja de responsabilidade dos católicos leais e informados dos Estados Unidos pedir ao senhor que investigue as seguintes questões:

– Com que finalidade a Agência Nacional de Segurança monitorou o conclave que elegeu o Papa Francisco? [6]

– Que outras operações secretas foram conduzidas por agentes do governo dos EUA a respeito da renúncia do Papa Bento XVI ou do conclave que elegeu o Papa Francisco?

– Os agentes do governo americano contataram a “Máfia do Cardeal Danneels”?  [7]

– As operações financeiras internacionais com o Vaticano foram suspensas durante os últimos dias antes da renúncia do Papa Bento XVI.  Alguma autarquia do governo dos EUA esteve envolvida nessa questão? [8]

– Por que as operações financeiras internacionais recomeçaram em 12 de fevereiro de 2013, no dia seguinte à renúncia de Bento XVI? Será que foi mera coincidência? [9]

– Que medidas, se for o caso, foram realmente tomadas por John Podesta, Hillary Clinton e outras pessoas ligadas à administração Obama que estiveram envolvidas na discussão que propôs fomentar uma “Primavera Católica”?

– Qual foi o objetivo e a natureza da reunião secreta entre o Vice-Presidente Joseph Biden e o Papa Bento XVI no Vaticano por volta do dia 3 de junho de 2011?

– Qual foi a participação de George Soros e dos demais financistas internacionais que atualmente podem estar residindo no território dos Estados Unidos? [10]

Acreditamos que a própria existência dessas perguntas ainda não respondidas proporciona indícios suficientes para justificar esse pedido de investigação.

Caso essa investigação revele que o governo dos EUA interferiu de maneira imprópria nos assuntos da Igreja Católica, solicitamos ainda a liberação dos resultados para que os católicos possam solicitar a ação apropriada das pessoas de nossa hierarquia que permanecem fiéis aos ensinamentos da Igreja Católica.

Por favor, entenda que não estamos pedindo uma investigação sobre a Igreja Católica; estamos simplesmente pedindo uma investigação sobre as atividades recentes do governo dos EUA, do qual o senhor acaba de se tornar o chefe do executivo.

Agradecemos mais uma vez e receba as nossas orações mais sinceras.

Atenciosamente,

David L. Sonnier, LTC US ARMY (Reformado)

Michael J. Matt, Editor do The Remnant,

Christopher A. Ferrara (Presidente da The American Catholic Lawyers Association, Inc.)

Chris Jackson, Catholics4Trump.com

Elizabeth Yore, Advogada, Fundadora da YoreChildren

  1. https://wikileaks.org/podesta-emails/emailid/6293

2.http://www.wsj.com/articles/how-pope-francis-became-the-leader-of-the-global-left-1482431940

3.http://remnantnewspaper.com/web/index.php/articles/item/2198-the-year-of-mercy-begins

4.http://www.cnn.com/2016/02/18/politics/pope-francis-trump-christian-wall/

5. https://www.donaldjtrump.com/press-releases/donald-j.-trump-response-to-the-pope

6. http://theeye-witness.blogspot.com/2013/10/a-compromised-conclave.html

7. http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/cardinal-danneels-part-of-mafia-club-opposed-to-benedict-xvi

8. http://www.maurizioblondet.it/ratzinger-non-pote-ne-vendere-ne-comprare/

9. https://akacatholic.com/money-sex-and-modernism/

10. http://sorosfiles.com/soros/2013/03/soros-funded-catholic-groups-behind-african-socialist-as-next-pope.html

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1 fevereiro, 2017

Em carta a Temer, presidente da CNBB sugere indicação de Ives Gandra Filho para o STF.

Por Painel – Folha de São Paulo: Abençoado seja Presidente da CNBB, o cardeal Sergio da Rocha enviou carta a Temer recomendando a indicação de Ives Gandra Martins Filho para o STF. Os arcebispos dom Odilo Scherer e dom Orani Tempesta também manifestaram apoio ao jurista.

Em nome da fé No texto, Rocha diz que “a população brasileira, majoritariamente cristã”, encontrará em Gandra Filho “um referencial seguro para a interpretação e a aplicação da Constituição, assegurando os direitos fundamentais da pessoa humana”.

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