10 janeiro, 2017

Nota sobre o padre Tom Uzhunnali

Por Teresa M. Freixinho| FratresInUnum.com

“Ó Deus, vem libertar-me; apressa-te, Senhor, em socorrer-me!” (Sl 69, 2)

 Ele está vivo e pede orações por sua libertação!

No início do ano fomos sacudidos pela notícia chocante da invasão da casa das Missionárias da Caridade em Áden, no Iêmen, por homens armados do Estado Islâmico. Na ocasião os terroristas mataram 14 religiosas e sequestraram o padre salesiano Tom Uzhunnalil, então com 56 anos. Algumas religiosas chegaram a noticiar que ele estava sendo torturado e que seria crucificado na Sexta-Feira Santa.

Acabamos de receber este vídeo, em que padre Tom implora atenção internacional e pede orações por sua libertação. Ele se dirige a todos que possam interceder por ele, especialmente, aos bispos do mundo inteiro e ao Santo Padre. Padre Tom aparece bastante debilitado e deprimido.

Rezemos pelo padre Tom, para que o Bom Deus o liberte e lhe dê forças e fé neste momento de angústia, bem como opere a conversão de seus algozes!

 

10 janeiro, 2017

A concretude da igreja de padre Jorge.

Por P. Wimmer | FratresInUnum.com

Padre Jorge volta à carga contra o que pensa ser “esquemas abstratos”.

Para sermos bem concretos, ponhamos o exemplo de um pai de família que, aos seus 50 anos, resolveu deixar a esposa e filhos para viver com uma mulher de 25. A esposa já não era atraente, os filhos, jovens e adolescentes, dando trabalho. Ele pode se mudar para um flat perto do trabalho, onde aliás conheceu a sua nova, mui nova, “companheira”, e viver sua vidinha pequeno-burguesa, pois, afinal, seus vencimentos o permitem. Ele, que é cristão, e não pensa segundo a lógica abstrata e legalista do passado. Ele quer se abrir a novas possibilidades, quer respirar um pouco depois de tantos anos de uma convivência nem sempre amena, quase forçada. Quer esquecer as dificuldades do início de carreira, quer, enfim, experimentar o novo, a liberdade. Nada de esquemas abstratos e legalistas!

A esposa, que sempre o ajudou e que batalhou com, e lhe deu filhos, um pouco trabalhosos, é verdade, ficará olhando pela janela a mudança. Ela até já pensa em baixar um aplicativo no celular, para ver se arruma um novo “parceiro”. O que é importa, afinal, é viver o aqui e agora, viver a precariedade do momento, viver as surpresas da vida com espírito aberto e sem esquemas rígidos e pré-concebidos. Também ela quer se dar o direito de ser feliz , quer viver a esperança.

O marido canastrão e seu rabo de saia serão acolhidos na terna igreja do bairro, a igreja de Padre Jorge.

Padre Jorge detesta constrangimentos por motivo de religião. Religião não deve onerar as pessoas com nada. Deve ser um oásis de acolhimento e de ternura. O mundo já exige demais… Criar problemas? Exigências? Cobranças? Nada disso! Padre Jorge sabe que tudo é difícil. Ele mesmo, em sua vida de consagrado, tem lá as suas dificuldades. As pessoas têm que se sentir bem. Cada um que siga a sua consciência. Deus não olha resultados e eficiências. Isso é uma versão capitalista da religião. O que importa é viver a justiça no seu dia-a-dia, promover a fraternidade e a partilha.

Padre Jorge quer acolher, quer tocar, quer a união dos corações e das mentes num sentimento indiferenciado de esvaziamento de si – kenótico.

O marido canastrão e aventureiro e o seu rabo de saia não querem, de modo algum, ficar sem a terapia dominical, a terapia humanista do acolhimento. Eles se sentem bem na comunidade. Dá pra ir ao clube, almoçar tranquilo, beber no bar da piscina até as 19:00, por uma bermuda e pegar a Missa das 20:30 como chave de ouro.

Na paróquia, há muitas atividades de promoção social. Padre Jorge tem muito cuidado para não haver a mínima sombra de proselitismo. A igreja tem que se ocupar das condições concretas de quem a procura, sem marretar doutrinas. Doutrina só gera divisão e afirmação de ego. Não se deve propor nada a ninguém, exceto o compromisso com a partilha e a justiça. Padre Jorge fez até um convênio com o Rotary e outro com Terreiro Maria Padilha. Para padre Jorge, o que importa é fazer o bem, sem criar divisões. Para ele, as pessoas devem ficar onde estão, pois se deus a pôs lá, é lá que ela deve ficar! A função da religião é servir o ser humano. E sobretudo: para padre Jorge, não importa o que você faz dentro de quatro paredes! Quem é ele pra julgar?

E o “ministério de música” de Padre Jorge? É tão bom – um repertório bem acolhedor, sentimental mesmo, que certamente levará a nova “família” – marido canastrão e rabo de saia- às lágrimas da ternura e do esquecimento de si, fazendo experimentar o deus concreto e pé-no-chão, que não liga para leis e códigos abstratos de conduta.

Para padre Jorge, tudo é uma grande dialética de precariedades, nada é definitivo. A síntese se dá pelo confronto dos opostos. Ele pensa assim, desde que sua opinião prevaleça sempre. Para ele, não podemos engessar a realidade. Nós devemos estar atentos aos sinais dos tempos, como dizia São João XXIII, o papa bom.

Padre Jorge é o homem mais acolhedor do mundo. Dizem que um amigo seu escreve suas homilias. Esse amigo tem até um livro sobre a terapia do toque e do beijo.

Tente contrariar Padre Jorge.

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9 janeiro, 2017

Müller e Napier. A confusão continua.

Escreve-nos Agostino Pecci, desde Itália:

Bom dia!

Como saberá, o Cardeal Gerhard Ludwing Müller, Prefeito da Conregação para a Doutrina da Fé, interveio ontem durante a transmissão [do programa]  “Stanze Vaticane”,da  Tgcom24, acerca dos “dubia” levantados pelos 4 cardeais. Além de não concordar com a publicação da carta, ele também afirmou: “Uma correção fraterna ao Papa parece-me distante, neste momento não é possível porque não há nenhum perigo para a fé”…

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Cardeal Müller

Um comentário que me surge espontaneamente do coração: ABSOLUTAMENTE INCREDITÁVEL!

Enquanto isso, a confusão das interpretações aumentam… até mesmo a intervenção do cardeal Napiero revela claramente.

O que pensar disso tudo?

Estive relendo nesses dias as aparições de Nossa Senhora (do Bom Sucesso) à venerável Madre Mariana de Jesús Torres, de Quito (Ecuador)… talvez ali se possa encontrar resposta…

Uma cara saudação e que a Estrela do Mar nos conceda um Bom Sucesso na navegação neste mar sempre mais tempestuoso.

* * *

A sexta “dubia” do Cardeal Napier, em seu twitter:

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“Se os ocidentais em situações irregulares podem receber a Comunhão, devemos nós dizer a nossos polígamos e outros ‘desajustados’ que a eles também é permitido?”

7 janeiro, 2017

O verdadeiro significado da inscrição CMB no dia da Epifania.

Por Don Alfredo Morselli*, Messa In Latino | Tradução: Padre Romano – FratresInUnum.com:  Em muitos países estrangeiros, especialmente do Leste da Europa, costuma-se escrever sobre as portas as iniciais C M B, que são intercaladas entre os algarismos do ano corrente; portanto, neste ano, seria:

20+C+M+B+17.

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Pensa-se que sejam as iniciais dos Magos, em latim, ou seja, Caspar, Melchior, Balthasar, mas poderiam também significar: “Christus Mansionem Benedicat”, isto é, Cristo abençoe esta casa.

Pessoalmente, estou propenso a uma outra interpretação:

20+Caffarra+Meisner+Brandmuller/Burke+17

Os “dubia” dos Cardeais são as minhas “certezas”; possam a estrela de sua coragem e a luz de sua fidelidade à doutrina católica dissipar as ambiguidades de “Amoris laetitia”.

* sacerdote da arquidiocese de Bolonha

6 janeiro, 2017

Papa manda Cardeal Müller demitir 3 padres da Congregação para a Doutrina da Fé.

Por Maike Hickson, OnePeterFive | Tradução: FratresInUnum.com: Marco Tosatti, bem informado e respeitado vaticanista italiano, acaba de revelar um outro desenvolvimento preocupante em Roma. No dia 26 de dezembro, Tosatti relatou em seu próprio website Stilum Curiae que o Papa Francisco tinha acabado de pedir ao prefeito de um dicastério do Vaticano para demitir três de seus sacerdotes, removendo-os de suas funções na Congregação.

Palácio do Santo Ofício

Palácio do Santo Ofício

Minha própria pesquisa mostrou que este incidente ocorreu na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), e que foi o próprio Cardeal Gerhard Müller, que agora tem que obedecer a estas novas ordens peremptórias. Além disso, eu consegui descobrir que os três padres envolvidos, são respectivamente, um de nacionalidade eslovaca-americano, um francês e um mexicano. (Uma das minhas fontes é um amigo de um desses três teólogos.) No entanto, ao último dos três foi permitido permanecer por algum tempo a mais em sua posição atual na Congregação.

Consideremos agora alguns dos detalhes específicos que o próprio Marco Tosatti perceptivelmente reuniu para nós. Ele começa o artigo com uma referência à repreensão habitual que o Papa Francisco faz à Cúria Romana no seu discurso de Natal e detecta a raiva óbvia do papa em suas palavras e gestos. Ao olhar para a própria Curia, no entanto, Tosatti percebe algo que vai mais além da raiva recíproca presente entre os membros: “Não se trata de sua resistência, mas do seu medo, seu descontentamento, e um tipo de sentimento que pertence a outro contexto completamente diferente.”

Tosatti, em seguida, faz alusão a uma fonte fidedigna que lhe contou vários episódios recentes ocorridos no Vaticano. Dois deles parecem ser de grande importância e podem também dar-nos alguns vislumbres adicionais sobre os métodos autoritários próprios do Papa Francisco, bem como sua maneira um tanto indireta de governar a Igreja. Mas, por ora, devemos primeiramente nos concentrar no caso dos funcionários da Congregação para Doutrina da Fé, que o próprio Tosatti diz que  “decisivamente é o mais triste”:

Um chefe de dicastério recebeu uma ordem para se livrar de três de seus empregados (que trabalham no Vaticano há várias décadas), sem qualquer explicação. Ele recebeu a carta oficial: “Do venerável encargo peço-lhe que para que se demita…”. A ordem era: envie-o de volta à diocese ou à família religiosa à qual ele é afiliado. Ele ficou muito perplexo, porque se tratava de ótimos sacerdotes e pessoas entre as mais capazes profissionalmente. Ele se recusou a obedecer, e pediu audiência ao Papa. Teve, então, que esperar, porque por diversas vezes a audiência foi transferida. Finalmente, ele foi recebido. Ele disse então: Santidade, eu recebi essas cartas, mas eu não fiz nada ainda, porque essas pessoas estão entre as melhores do meu dicastério… o que eles fizeram? A resposta foi: “e eu sou o papa, e não tenho que dar satisfações a ninguém a respeito das minhas decisões. Eu decidi que eles devem ir embora, e tem que ir embora”. Levantou-se e estendeu a mão para  significar que a audiência estava encerrada. Até 31 de dezembro, dois dos três deixarão o dicastério em que trabalharam durante anos, sem ao menos saber o porquê. Para o terceiro, ao que parece, houve uma prorrogação. Mas, há um desdobramento que, se for verdade, como parece ser, é ainda mais desagradável. Um dos dois se expressava livremente, talvez até demais, sobre algumas decisões do Papa. Alguém, muito amigo de um colaborador do Pontífice, ouviu e delatou. A vítima recebeu uma chamada muito dura do número um e depois veio a punição.” [Ênfase adicionada]

Nesta passagem, Tosatti claramente fala sobre uma febre autocrática que parece ter varrido o Vaticano [minha ênfase] E ele conclui sua matéria com as seguintes palavras:

Não é de admirar se o clima, por trás dos muros e palácios, não seja exatamente sereno. É de se perguntar qual crédito podemos dar a toda essa fanfarra sobre misericórdia.. [Ênfase minha]

Assim, Tosatti acrescenta outra peça ao quebra-cabeças que diz muito a respeito dos modos e métodos de governo que o Papa Francisco aparentemente utiliza na remoção ou marginalização de prelados ortodoxos, sacerdotes e leigos das posições de influência formativa no Vaticano.

Além disso, no que diz respeito especificamente à Congregação para Doutrina, outra fonte tinha me dito o seguinte, há um mês atrás:

“Uma fonte em Roma disse que todos aqueles que trabalham para a Santa Sé têm medo de falar sobre qualquer coisa por temor de ser visado devido à presença de informantes em todos os lugares. Chegou a comparar à Rússia stalinista. Ele disse que dois sacerdotes amigos dele, bons homens, foram demitidos da CDF porque foram acusados de serem críticos do Papa Francisco”.

Esta mesma fonte de Roma, que é pessoalmente muito honesta e bem informada, relata que esses dois sacerdotes aqui mencionados (que não parecem ser os mesmos que estão envolvidos nos últimos três casos pessoais) receiam que eles não serão os únicos a serem removidos. Eles vêem sua própria remoção apenas como o início de um “grande expurgo” [grifo meu] dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, “não diferente do que aconteceu recentemente na Congregação para o Culto Divino do Cardeal Sarah.” (Aqui podemos lembrar o fato de que o próprio Marco Tosatti já havia chamado estas mudanças recentes na Congregação para o Culto Divino de um verdadeiro expurgo).

Também já havíamos reportado recentemente sobre a decisão anterior do papa de remover os membros da Pontifícia Academia para a Vida, que é amplamente conhecida por sua posição firme em defesa da vida humana. Aqui está o que uma fonte bem-informada relatou-me então sobre este incidente:

No final de 2016, a Academia Pontifícia para a Vida foi fechada e todos os seus membros demitidos. A Academia será reconstituída em 2017, com novos estatutos e será novamente repovoada. O processo para a nomeação dos novos membros da Academia não é conhecido.

Nós também repetidamente temos informado sobre a atmosfera de medo que agora permeia cada vez mais o Vaticano, como igualmente fez uma matéria recente do co-fundador do LifeSiteNews.

Durante este próximo ano de 2017 – centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima – possa a Mãe de Deus ser cada vez mais o nosso auxílio e o nosso refúgio confiável. Que ela nos ajude com aquelas graças necessárias para defender a verdade mais plenamente, bem como manifestar o amor de Cristo, mesmo em face do medo.

5 janeiro, 2017

Para fazer a paz na Síria? Chifres de vaca e tripas de veados.

Por Sandro Magister, 4 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: É ler pra crer. Este é o ataque do editorial de hoje na primeira página do “L’Osservatore Romano”:

“Sabemos que Aleppo não se liberta com bombas. É necessário ainda libertar Aleppo e a Síria da pobreza, das alterações climáticas que há alguns anos levou suas mulheres e homens a migrar do campo, que desestabilizaram o equilíbrio demográfico e desencadearam as primeiras revoltas na Síria e depois a guerra”.

aleppo13O autor desta análise impressionante da crise na Síria é Carlo Triarico. Mas, aos leitores do jornal do Papa ninguém informa que ele é o presidente da Associação para a agricultura biodinâmica, ou seja, o método de cultivo inventado há um século pelo exotérico austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), com base em um ritual de adubação homeopática feito com chifres de vaca e tripas de cervo macho, que deveriam atrair as forças espirituais, cósmicas e astrais às plantas, fazendo-as revigorar. Um método que em novembro passado, em uma carta aberta ao ministro da Agricultura italiana, quase todas as sociedades científicas que operam no setor agrícola desqualificaram como simples “magia”, depois de um congresso em Nápoles organizado exatamente pela associação presidida por Triarico.

Mas, já por ocasião daquela conferência, “L’Osservatore Romano” havia dado espaço não às críticas dos cientistas, mas às lodes do mesmo Triarico, em um artigo de 28 de Novembro, no qual ele reivindicava com orgulho ter organizado, no mês anterior de fevereiro, também uma conferência sobre a “Laudato Si”,  a encíclica ecologista do Papa Francisco.

E ainda no mesmo artigo, Triarico escreveu exultante que na conferência napolitana haviam participado centenas de militantes desses “movimentos populares” que o papa tinha recebido, no dia 5 de novembro, no Vaticano e que são os seus favoritos, como prova de que “está crescendo no mundo um grande movimento de inovação pela casa comum”.

Porém, não é o suficiente. Por ocasião da fusão entre a Bayer e Monsanto foi também a Triarico que o “L’Osservatore Romano” confiou a reprimenda apocalíptica, em um artigo na edição de domingo, 18 de setembro.

Voltando ao editorial de hoje, o resultado dessa incrível estréia é todo um hino às virtudes milagrosas da agricultura biodinâmica “para acabar com a fome, criando condições para a resiliência camponesa às mudanças climáticas”, e em seguida, por tabela, a migração e as guerras, não só na Síria, como também em outros países já atingidos – ele diz – através desse método de cultivo: “Jordânia, Irã, Egito, Argélia, Eritreia, Etiópia, Yemen”

Em poucos dias, 9 de janeiro, o Papa Francisco fará um discurso de início de ano ao corpo diplomático junto à Santa Sé, no qual irá delinear sua visão geopolítica e as vias para se alcançar a paz.

Daqui até lá, é de se esperar que nenhum embaixador imagine que a receita da Igreja para se alcançar a paz no mundo de hoje seja o editorial do jornal do Papa.

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3 janeiro, 2017

Crônicas de final de ano em Roma.

Por Padre Romano | FratresInUnum.com

Poucos dias antes do Natal, entrando na Livraria Vaticana “Bento XVI”, deparei-me com o Cardeal Walter Kasper comprando alguns livros. Chamou-me a atenção um que tinha na capa a foto do Cardeal Tagle, Arcebispo de Manila, nas Filipinas — famoso teórico da “hermenêutica da ruptura” feito cardeal, incrivelmente, por Bento XVI. Fui ver o título: “Guardare con l’ascolto” (Olhar com a escuta) – Biografia do Cardeal Tagle, Arcebispo de Manila e Presidente da Cáritas Internacional – Editrice Vaticana – Preço: 12,00 euros, com desconto de 10%. O autor é o próprio Cardeal Luis Antonio Tagle, o que torna esse livro uma auto-biografia. Francisco acabara de completar 80 anos e me veio a pergunta, como um raio: – Será que já estão fazendo a campanha para o sucessor de Bergoglio? Nestes dias, foi publicada uma carta de jesuítas chilenos pedindo que o Papa nomeie cardeais e bispos alinhados com o seu pensamento, para neutralizar a ação dos conservadores, e tornar suas reformas irrevogáveis.

Basílica de São Pedro, 31 de dezembro de 2016: Cardeais Müller e Burke observam o Papa Francisco em celebração do Te Deum.

Basílica de São Pedro, 31 de dezembro de 2016: Cardeais Müller e Burke observam o Papa Francisco em celebração do Te Deum.

Nas Vésperas da solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, e do Te Deum de ação de graças pelo ano, o Cardeal Raymond Leo Burke se fez presente – para surpresa e desconforto de alguns purpurados, que procuravam evitá-lo. Com a retirada das cadeiras reservadas aos cardeais, que estavam sobrando, terminou que Burke ficou ao lado de Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e após algum tempo de silêncio entre ambos, via-se os dois cardeais que conversavam por um longo tempo. A homilia de Francisco foi forte e, diria, agressiva e ameaçadora, também no tom da voz, disparando contra a rigidez dos que se apegam às leis e não são audaciosos para acolher a novidade do Evangelho, e querem criar divisões na Igreja para aparecer – é o que lembro, mais ou menos, porque estava já me sentindo mal e querendo ir embora.

Nesse mesmo período, falando com alguém que trabalha no Vaticano, pude confirmar o que vem sendo dito: reina, de fato, nos Sagrados Palácios, um clima de medo e suspeita. Fui convidado a sair do escritório e dar 2 passos no corredor porque – dizia meu interlocutor, que mantinha sempre o tom de voz baixo – as paredes têm ouvidos.

Nas conversas com padres e leigos, percebe-se uma não disfarçada tensão. Muitos se calam, poucos levantam a voz para defender a atual conjuntura, vários começam a falar abertamente o que pensam — e são coisas sérias. Surpreende-me uma coisa: ao falar com católicos de “preceito” dominical ou com pessoas afastadas da Igreja, ainda se vê alguma simpatia pelo atual pontificado, mas não um retorno efetivo à prática cristã. Continua-se a criticar a Igreja como antes: a ignorância religiosa na Itália é surpreendente. O slogan “Jesus, sim, Igreja não” parece ter mudado para “Francisco, sim, Igreja não”. O relativismo avança assustadoramente. Todas as religiões se valem.

Neste clima, iniciamos 2017. O que nos aguarda? Sinceramente, espero que alguém dentre o povo grite – e já há quem está pronto a fazê-lo – : – “O Rei está nu!”, pondo fim a esse desfile surreal e patético.

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2 janeiro, 2017

A morte de Castro demonstra que o comunismo é uma religião totalitária.

Por Rodolfo Casadei, Tempi, 1º de dezembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: O ritual com o qual Cuba celebra a morte de Fidel Castro é a demonstração plástica de que o comunismo não é política, mas religião. Os nove dias de luto nacional (nove como os dias de novenas, inspirados nos nove dias de oração dos Apóstolos e de Maria entre a Ascensão e Pentecostes), as cinzas levadas em procissão por todo o país (como as estátuas da Virgem Maria peregrinas transportadas em rotas pré-determinadas), a abertura de um mausoléu ao público onde será possível visitar os restos mortais do defunto (verdadeiro santuário onde ativistas cubanos e internacionais rogarão a Fidel para que cuide de seus entes queridos, como acontece em Predappio no túmulo de Mussolini) são a cópia precisa de um culto religioso.

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Discute-se se Castro foi um ditador mais cruel ou mais benéfico, mas tal discussão se desloca de um ponto de partida redutivo: antes mesmo de ditador, o líder máximo foi o chefe institucional de um sistema totalitário. E sistemas totalitários nada mais são do que a versão secularizada das religiões. Como toda religião, precisa de um cabeça visível no qual coincidem autoridade e carisma e que é oferecido para a veneração dos fiéis. De modo que o totalitarismo dos últimos dois séculos necessita que as massas se dediquem ao culto idólatra do líder, no qual colocam a sua fé e por quem estejam dispostos a morrer.

Fidel, como outros tiranos dos últimos 90 anos, gozou do consenso das grandes massas porque uma vez perdida a fé na religião transcendente, as massas têm necessidade de um ídolo no qual derramar sua devoção religiosa. Com Fidel Castro, morreu o papa do comunismo. Mas, como diz Alonso Muñoz Perez, enquanto com a morte do papa segue-se um conclave, o papa comunista escolhe para si o seu sucessor.

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2 janeiro, 2017

Boff: Ajudei o papa a escrever a ‘Laudato si’. Haverá uma grande surpresa. Talvez padres casados ou mulheres diáconos.

Por Marco Tosatti, 27 de dezembro de 2016 | Tradução: André Sampaio – FratresinUnum: Leonardo Boff, o bem conhecido expoente da teologia da libertação, concedeu uma entrevista ao jornal alemão Kölner Stadt-Anzeiger. Boff, que tem 78 anos, falou livremente sobre a Igreja, e revelou alguns detalhes de sua relação com o Pontífice e de possíveis decisões futuras.

boff_-825x510A fonte da qual nós obtivemos o material que lhes oferecemos é um artigo de Maike Hickson para o One Peter Five. Sobre quanto se refere ao tema dos padres casados no Brasil, remetemos vocês a também alguns artigos que publicamos no passado acerca da matéria. É interessante notar como as declarações de Boff vão na mesma linha e direção de quanto escrevemos. Já há dois anos

Sobre a teologia da libertação, Boff diz que “Francisco é um de nós”. Em particular pela atenção aos problemas ecológicos, dos quais Boff se ocupou. O Pontífice leu os livros desse temário de Boff? “Mais que isso. Pediu-me material para a Laudato si’. Dei-lhe o meu conselho e lhe enviei coisas que escrevi… Contudo, o Papa me disse de maneira direta: ‘Boff, não me envie as cartas diretamente’.”

Por que não? “Disse-me: ‘Se o fizer, os subsecretários as interceptarão e eu não as receberei. Em vez disso, envie as coisas ao embaixador argentino junto à Santa Sé, com quem tenho um bom contato, e elas chegarão seguras às minhas mãos.” O embaixador é um velho amigo do Pontífice. ”E depois, um dia antes da publicação da encíclica, o Papa fez chamar-me para agradecer-me pela ajuda.”

No que diz respeito a um encontro pessoal, Boff falou ao Pontífice em relação a Bento XVI, que, quando Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve um papel importante na sua condenação: “Mas o outro ainda está vivo, afinal de contas!”. “Ele [Francisco] não aceitou isso [não aceitou o receio, a hesitação de Boff].  ‘Il Papa sono io’ [‘O Papa sou eu’], respondeu (em italiano no texto [do jornal alemão], n.d.r.). E fomos convidados a ir.”

À pergunta sobre por que a visita não se realizou ainda, Boff respondeu: “Eu havia recebido um convite e havia já desembarcado em Roma. Mas justamente naquele dia, imediatamente antes do início do [segundo] Sínodo da Família em 2015, 13 cardeais, entre os quais o alemão Gerhard Müller, puseram em pé uma rebelião contra o Papa com uma carta endereçada a ele que foi publicada – que surpresa! – em um jornal. O Papa estava irado e me disse: ‘Boff, não tenho tempo. Devo restabeler a calma antes que o Sínodo comece. Nós nos veremos em um outro momento’”.

Boff depois disse, sobre o futuro: “Esperem e vejam! Ainda recentemente o cardeal Walter Kasper, que é um estreito confidente do Papa, me disse que logo haverá alguma grande surpresa”.

Que tipo de surpresa? “Quem o sabe? Talvez um diaconato para as mulheres, após tudo. Ou a possibilidade de que os padres casados se envolvam no trabalho pastoral. Este é um pedido explícito dos bispos brasileiros ao Papa, especialmente da parte de seu amigo o cardeal Cláudio Hummes. Ouvi que o Papa quer atender ao seu pedido – inicialmente por um período experimental, no Brasil.”

Boff depois falou que uma decisão nesse sentido não mudaria nada para ele: “Pessoalmente, não tenho necessidade disso. Não mudaria nada para mim, porque faço aquilo que sempre fiz: batizo, presido a exéquias, e, se me ocorre de chegar a uma paróquia sem padre, celebro a missa com o povo”.

Leonardo Boff é, desde décadas, uma figura proeminente da teologia da libertação. Para uma biografia completa, remetemos à Wikipedia, da qual extraímos este parágrafo:

“A atividade de Boff continuou depois de 1992 como teólogo da libertação, escritor, docente e conferencista. Ele permanece também envolvido com as comunidades eclesiais de base brasileiras. Em 1993 se tornou professor de ética, filosofia da religião e ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da qual é professor emérito desde 2001. Nos anos seguintes se ocupou, de maneira sempre mais profunda, de política, tornando-se um verdadeiro e próprio teórico marxista, e se converteu em um expoente do considerado Movimento Antiglobalização (sempre foi convidado, na qualidade de orador, para as reuniões em Porto Alegre). Boff esteve sempre próximo das posições do Movimento Sem Terra brasileiro. Em 2001 lhe foi conferido o Right Livelihood Award [Prêmio de Subsistência com Equidade, também conhecido como Prêmio Nobel Alternativo]. Ele se tornou um defensor de Lula no momento da eleição deste como presidente do Brasil, mas se distanciou posteriormente, acusando-o de moderantismo. Atualmente (2010) vive no Jardim Araras, uma reserva ecológica em Petrópolis, junto de sua companheira Marcia Maria Monteiro de Miranda (ativista dos direitos humanos e ecologista), e tem seis filhos adotivos.”

1 janeiro, 2017

Felix Sit Annus Novus!

O Fratres in Unum deseja um Santo Ano de 2017!

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