12 março, 2017

Foto da semana.

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A aristocracia pode não gostar dele, mas os fiéis comuns simplesmente amam o Cardeal Burke.

Kansas City, Kansas, EUA, 10 de fevereiro de 2017 – LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com: Nas atribuições de seu papel como Patrono da Soberana Ordem de Malta, o Cardeal Raymond Burke abençoou a doação de equipamentos médicos, na quinta-feira, realizada pelos Cavaleiros de Malta a uma clínica médica que atende pobres e pessoas sem plano de saúde.

O cardeal abençoou uma mesa cirúrgica recentemente doada à Clínica Duchesne com a entrega feita pela mais antiga missão médica do mundo, uma ordem religiosa leiga fundada em 1113 que atua em 120 países.

Apesar da controvérsia em torno do Cardeal Burke, em Roma, com a aristocracia dos Cavaleiros de Malta, os Cavaleiros locais e, especialmente, os simples fiéis encontraram nele um humilde servo de Cristo e representante de Sua Igreja.

Povo comovido com a visita do cardeal

A visita do Cardeal à clínica ocorreu durante uma de suas viagens aos Estados Unidos para vários compromissos, incluindo a celebração de uma Missa Pontifical simples na Forma Extraordinária [do Rito Romano] na igreja vizinha de Saint Mary-Saint Anthony.

Bingo Dickerson, residente em Leavenworth, dirige mais de 100 quilômetros, uma vez ao mês, para tratamento de diabetes na clínica, e aconteceu de ter um encontro com o Cardeal Burke em sua passagem para abençoar a mesa cirúrgica recebida dos Cavaleiros.

Dickerson, [protestante] batista, pediu a um dos padres que acompanhavam o Cardeal Burke para encontrá-lo. Não importava a Dickerson o fato de não ser Católico.

“Nunca encontrei um cardeal antes”, afirmou Dickerson. “Embora eu seja um batista, todo lado tem pessoas boas”.

Ele ficou muito impressionado com o Cardeal e sua visita para abençoar o equipamento médico.

“O Espírito Santo estava lá enquanto ele abençoava a mesa”, disse Dickerson, que ficou comovido também com a pausa feita pelo Cardeal para encontrá-lo pessoalmente.

“Ele sorriu e foi muito simático”, continou. “Ele não menosprezou as pessoas”.

Dickerson queria ter sabido que o Cardeal estava celebrando Missa por perto, na igreja de St. Anthony, pouco antes da benção em Duchesne. Ele disse que teria chegado antes para assistir a Missa.

“Para ele, dedicar esse tempo, ele não é muito ocupado para dizer algo ao um homem simples”, continou. “Para um cardeal, encontrar tempo… quando eu o cumprimentei, percebi um senso de humildade… e isso está no Bom Livro”.

Os fiéis que assistiram à Missa na paróquia de origem alemã, infundida com culturas irlandesas e hispânicas, fizeram fila para cumprimentá-lo após a liturgia, antes de ele partir para a clínica.

A benção do Cardeal ao equipamento médico para a Clínica Duchesne deu um impulso a seus esforços. O pessoal da clínica preparou uma recepção de boas vindas ao Cardeal que incluía bolos hispânicos.

“É belo”, disse Dominico Nguyen sobre a visita do cardeal à clínica.

Sua mãe, Tu Nguyen, concordou, dizendo a LifeSiteNews: “É uma benção”.

Os Nguyens moram em Kansas City, Missouri, e frequentam a Paróquia Our Lady of Perpetual Help. Eles conheceram o cardeal de seu tempo como arcebispo de St. Louis.

“Ele é realmente simpático”, Dominico Nguyen afirmou a LifeSiteNews

Nguyen louvou o Cardeal Burke por sua persistente defesa da santidade da vida humana e seus esforços em defender o sacramento do matrimônio.

“Tenho certeza de que há muita gente apoiando ele”, continuou Nguyen.

11 março, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: O fim diversifica especificamente os atos em bons e maus

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

 Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte da Segunda Parte – Questão XVIII, Artigo VI.

ART. VI.  –  SE O FIM DIVERSIFICA ESPECIFICAMENTE OS ATOS EM BONS E MAUS.

O sexto artigo discute-se assim: Parece que o fim não diversifica especificamente os atos em bons e maus.

1ª OBJEÇÃO: Pois, os atos se especificam pelo objeto. Ora, o fim não é objeto, de nenhum modo. Logo, o bem e o mal dele procedente não diversificam os atos especificamente.

2ª OBJEÇÃO: Demais. – O acidental não especifica, como já se disse no artigo 5. Ora, é acidental a um ato ser ordenado para um fim; assim, quando se dá esmola por vanglória. Logo, o fim não diversifica especificamente os atos em bons e maus.

3ª OBJEÇÃO: Demais. – Atos especificamente diversos podem se ordenar a um mesmo fim; assim ao fim da vanglória podem se ordenar os atos de diversas virtudes e de diversos vícios. Logo, o fim não diversifica especificamente os atos em bons e maus.

SED CONTRA. Mas, AO CONTRÁRIO, já foi provado acima na questão 1, a. 3 que os atos humanos têm a espécie oriunda do fim. Logo o bem e o mal que são advindos segundo o fim, diversifica a espécie dos atos.

RESPONDO [após fazer as devidas distinções e explicações] dando a SOLUÇÃO: Certos atos se chamam humanos, enquanto voluntários, como já se disse no artigo primeiro. Ora, o ato voluntário inclui dois outros: o interior, da vontade, e o exterior, tendo um e outro o seu objeto.

Ora, o fim propriamente é o objeto do ato interior da vontade; ao passo que o ato exterior tem por objeto aquilo mesmo sobre o que recai. Por onde, assim como o ato exterior se especifica pelo objeto sobre o qual recai, assim o ato interior da vontade, pelo fim, como seu objeto próprio. Ora, o que procede da vontade tem por assim dizer valor de forma para o que procede do ato exterior, pois a vontade se serve, para agir, dos membros, a modo de instrumentos; e nem os atos exteriores têm valor moral senão enquanto voluntários. Logo, a espécie dos atos humanos é formalmente considerada em relação ao fim; e materialmente, em relação ao objeto do ato exterior. Por onde, diz o
Filósofo em Ethic., lect. III, que “aquele que furta para cometer adultério é, propriamente falando, mais adúltero que ladrão”.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO.  –  O fim equivale a um objeto como já se disse.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO.  –  É acidental ao ato exterior ordenar-se a um certo fim, mas não o é ao ato interior da vontade, pois este último está para o primeiro como a forma para a matéria.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO.  –  Quando muitos atos especificamente diferentes se ordenam a um mesmo fim, há, na verdade, especificamente, diversidade em relação aos atos exteriores, mas unidade em relação ao
ato interior.

10 março, 2017

Dom Negri fala: “Bento XVI sofreu uma pressão enorme. Responsabilidades graves, tanto dentro como fora do Vaticano, pela renúncia”.

“Eu estou me aproximando do meu próprio ‘fim do mundo’ e a primeira pergunta que farei a São Pedro será exatamente sobre esta questão”.

“Bento XVI sofreu uma pressão enorme”, explica o bispo que iniciou o seu ministério episcopal na Diocese de San Marino e Montefeltro e está terminando em Ferrara. Com ele, “eu me sentia em minha casa.” Essa Igreja atual é marcada por “um monte de confusão em toda estrutura eclesiástica” e os antipapistas de outrora tornaram-se superpapistas em proveito próprio. Mas Negri também fala sobre família, do risco que corre a democracia na Itália por causa da criminalização de opiniões não “politicamente corretas” do Movimento Comunhão e Libertação, e muito mais.

Por Franco Fregni, Rimini 2.0 | Tradução: FratresInUnum.com: O encontro com Monsenhor Luigi Negri ocorreu na sede da Arquidiocese de Ferrara e Comacchio, no dia em que se comemoram quatro anos desde a sua nomeação como arcebispo. “Quatro anos maravilhosos e desgastantes”, explica Dom Negri que depois de ter atingido a idade de 75 anos, no próximo dia 03 de junho, passará o comando da Diocese de Ferrara para Monsenhor Giancarlo Perego.

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Dom Luigi Negri.

Uma cerimônia de despedida que seria até um exagero definir como simples: um copo de água, uma velinha em cima de uma torta salgada e um bate-papo com seus mais próximos colaboradores.

Dom Negri, só uma curiosidade para um completo leigo: mas pode um padre se aposentar? Se é uma missão e não um trabalho, como é possível dizer a uma pessoa “agora basta”? 

“Não se pode dizer, e, de fato, vou continuar a trabalhar. No máximo, podem me dizer que não tenho mais o comando operativo da arquidiocese de Ferrara e Comacchio, o qual aceitei com humildade e espírito de serviço a pedido de Bento XVI. Mas eu permaneço como arcebispo emérito, não excluído da  responsabilidade de guiar os Católicos, algo que eu certamente farei, embora de outras maneiras. Vou concentrar-me principalmente no lado cultural. Vou tentar levar adiante uma política de sensibilização alinhada com a tradição Católica. Vou tentar implementar plenamente esse compromisso com grande liberdade, confortado por muitos amigos influentes”.

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9 março, 2017

Esse desastroso pontificado.

Phil Lawler é jornalista católico há mais de 30 anos. Editor de várias revistas católicas, escreveu oito livros. Fundador da Catholic World News, ele é o diretor de notícias e analista principal da CatholicCulture.org.

Por Phil Lawler, 1º de março de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Algo aconteceu na última sexta-feira, quando o Papa Francisco usou novamente a leitura do Evangelho do dia como mais uma oportunidade para promover sua visão pessoal sobre o divórcio e o segundo  casamento. Condenando a hipocrisia e a “lógica da casuística”, o Pontífice disse que Jesus rejeita a abordagem dos legalistas.

É verdade. Mas, em sua repreensão aos Fariseus, o que Jesus diz mesmo sobre o casamento?

“Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, não o separe o homem”.

…e…

“Quem se divorcia de sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra ela; e se ela se divorcia de seu marido e se casa com outro, também comete adultério.”

Dia após dia, em suas homilias na missa matinal na Casa Santa Marta, o Papa Francisco denuncia os “doutores da lei” e a aplicação “rígida” da doutrina moral Católica. Às vezes, sua interpretação das leituras da Bíblia do dia é forçada. Frequentemente, a sua caracterização dos Católicos tradicionais é insultante. Mas, neste caso, o Papa virou a leitura do Evangelho completamente de cabeça para baixo. Lendo o relato dessa assombrosa homilia feito pela Rádio Vaticano, não pude mais fingir que o Papa Francisco está apenas oferecendo uma nova interpretação da doutrina Católica. Não; é mais do que isso. Ele está empenhado em um esforço deliberado para mudar tudo o que a Igreja ensina.

Por mais de 20 anos, escrevendo diariamente sobre notícias do Vaticano, tentei ser honesto em minha avaliação das declarações e gestos papais. Às vezes, eu criticava São João Paulo II e o Papa Bento XVI, quando achava que suas ações eram imprudentes. Mas, nunca me passou pela cabeça que algum desses papas pudesse representar um perigo para a integridade da fé católica. Olhando para trás, para muito além, em toda a história da Igreja, eu percebo que existiram Papas ruins, homens cujas ações pessoais foram motivadas pela ganância, inveja, sede de poder ou simplesmente luxúria. Mas, nunca houve um Romano Pontífice que demonstrasse tanto desdém pelo que a Igreja sempre ensinou, acreditou e praticou – no que diz respeito a questões como a natureza do casamento e da Eucaristia.

O Papa Francisco gerou controvérsia desde o dia em que foi eleito como sucessor de São Pedro. Mas, nos últimos meses, a controvérsia tornou-se tão intensa, a confusão entre os fiéis tão difusa, a administração no Vaticano tão arbitrária – e as diatribes do Papa contra seus inimigos (reais ou imaginários) tão cheias de velhacaria – que hoje a Igreja universal está se jogando em direção a uma crise.

Numa grande família, como um filho deve se comportar quando percebe que o comportamento patológico de seu pai ameaça o bem estar de toda a família? Ele certamente deve continuar a demonstrar respeito por seu pai, mas ele não pode indefinidamente negar o perigo. Eventualmente, até uma família disfuncional precisa de uma intervenção.

Na família mundial que é a Igreja Católica, o melhor meio de intervenção é sempre a oração. A oração intensa pelo Santo Padre seria um projeto particularmente ideal para a época da Quaresma. Porém, a intervenção também requer honestidade: um reconhecimento sincero de que temos um problema sério.

Reconhecer o problema também pode proporcionar uma espécie de alívio, um relaxamento no acúmulo de tensões. Quando digo aos amigos que considero esse papado um desastre, percebo que, na maioria das vezes, eles se sentem estranhamente mais reconfortados. Eles podem até relaxar um pouco, sabendo que suas desconfianças não são assim tão irracionais, que outros compartilham de seus receios sobre o futuro da fé e que não precisam continuar numa busca infrutífera tentando conciliar o irreconciliável. Além disso, ao dar ao problema um nome próprio, eles podem reconhecer que esta crise não é o Catolicismo. O Papa Francisco não é um antipapa, muito menos o Anticristo. A Sé de Pedro não está vacante, e Bento XVI não é o “verdadeiro” Pontífice.

Para o bem ou para o mal, Francisco é o nosso papa. E se é para pior – como infelizmente sou levado a concluir, só posso dizer que a Igreja sobreviveu a maus papas no passado. Nós, Católicos, ficamos acostumados por décadas a desfrutar de uma sucessão de líderes de destaque no Vaticano: pontífices que eram mestres talentosos e homens santos. Nós crescemos acostumados a olhar em direção a Roma para orientação. Agora já não podemos mais.

(Eu não quero dizer com isso que o Papa Francisco perdeu o carisma da infalibilidade. Se ele decidir emitir uma declaração ex cathedra, em união com os bispos do mundo, podemos estar certos de que ele estará cumprindo seu dever de transmitir o que o Senhor confiou a São Pedro: o depósito da fé. Mas este Papa escolheu não falar com autoridade, pelo contrário, recusou-se teimosamente a esclarecer o seu mais provocador documento de Magistério.)

Mas, se não podemos contar com direções claras de Roma, para onde poderemos nos dirigir? Primeiramente, os Católicos podem confiar no constante Magistério da Igreja, nas doutrinas que agora estão sendo questionadas. Se o Papa é confuso, o Catecismo da Igreja Católica não é. Em segundo lugar, podemos e devemos pedir aos nossos próprios bispos diocesanos para dar um passo à frente e assumir as suas próprias responsabilidades. Os bispos, esses também passaram anos transferindo o ônus das questões difíceis para Roma, e agora por necessidade, eles devem providenciar suas próprias afirmações claras e decisivas da doutrina Católica.

Talvez o Papa Francisco resolva provar que eu estou errado, e quem sabe ainda pode emergir daí um grande mestre Católico. Eu espero e rezo pra que assim seja. Talvez todo o meu argumento se prove equivocado. Eu já cometi erros antes, e sem dúvida, poderia estar errado novamente; mas uma minha visão equivocada não tem grandes conseqüências. Mas, se eu estiver certo, e a atual liderança do Papa se tornar um perigo para a fé, então outros católicos, e especialmente os ministros ordenados da Igreja, devem decidir como responder. E se eu estiver certo – como claramente estou – em relação ao fato de que a confusão sobre os ensinamentos fundamentais da Igreja se tornou generalizada, então os bispos, como primeiros mestres da fé, não podem negligenciar seu dever de intervir.

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8 março, 2017

Por que em 2017 vamos a Fátima.

Por Roberto de Mattei, “Il Tempo”, Roma, 7-3-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Quem vai em peregrinação a Lourdes o faz para imergir-se na atmosfera sobrenatural de um lugar. A Gruta onde a Virgem Maria apareceu a Santa Bernadete em 1858 e as piscinas em cuja água milagrosa os doentes continuam a banhar-se são enclaves abençoados em uma sociedade dessacralizada. Pelo contrário, quem vai a Fátima o faz para obter refrigério espiritual não de um lugar, mas de uma Mensagem celeste: o chamado “segredo”, que Nossa Senhora confiou a três pastorinhos há cem anos, entre maio e outubro de 1917. Lourdes cura especialmente corpos, Fátima oferece orientação espiritual às almas desorientadas.

Em 13 de maio de 1917, na Cova de Iria – um lugar remoto, todo de pedra e oliveiras, perto da aldeia de Fátima, em Portugal  – a três crianças que estavam cuidando de suas ovelhas, Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia dos Santos, apareceu, de acordo com as suas palavras, “uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Essa Senhora se revelou  a Mãe de Deus, encarregada de trazer uma mensagem aos homens, e disse aos três pastores que voltassem ali no dia 13 do mês seguinte, e assim por diante, até 13 de outubro. A última aparição terminou com um grandioso milagre atmosférico, denominado a “dança do sol”, visto  por dezenas de milhares de testemunhas, até mesmo a mais de 40 quilômetros de distância.

O segredo revelado por Nossa Senhora em Fátima é composto de três partes que formam um todo orgânico e coerente. A primeira é a visão aterradora do inferno, onde as almas dos pecadores caem; a este castigo opõe-se a misericórdia do Imaculado Coração de Maria, remédio supremo oferecido por Deus à humanidade para a salvação das almas.

A segunda parte se refere a uma alternativa histórica dramática: a paz, fruto da conversão do mundo e do cumprimento dos pedidos de Nossa Senhora, ou um terrível castigo que aguarda a humanidade se esta se obstinar na via do pecado. A Rússia seria o instrumento desse castigo.

A terceira parte, divulgada pela Santa Sé em junho de 2000, amplia a tragédia à vida da Igreja, oferecendo a visão de um Papa e de bispos, religiosos e leigos mortos a tiros pelos perseguidores. As discussões que se abriram nos últimos anos sobre esse “Terceiro Segredo” podem,  no entanto, ofuscar a força profética da parte central da Mensagem, resumida por duas frases decisivas: “A Rússia espalhará seus erros pelo mundo” e “Por fim, o meu Imaculado coração triunfará”.

Em 13 de julho de 1917, quando Nossa Senhora dirigiu às crianças de Fátima essas palavras, a minoria bolchevique não havia ainda tomado o poder na Rússia. Isso acontecerá alguns meses depois com a “Revolução de Outubro”, que marca o início da expansão mundial de uma filosofia política que visa minar os fundamentos da ordem natural e cristã. “Pela primeira vez na história – disse Pio XI na encíclica Divini Redemptoris de 19 de março 1937 – estamos assistindo a uma insurreição, cuidadosamente preparada e calculadamente dirigida contra ‘tudo o que se chama Deus’ (cfr. 2 Tess 1, 4)”. Não houve no século XX crime análogo ao do comunismo, por sua duração, pelos territórios que abraçou, pela veemência do ódio que foi capaz de insuflar. Após o colapso da União Soviética, esses erros como que se libertaram do invólucro que os continha, para se propagarem como miasmas ideológicos em todo o Ocidente, sob a forma de relativismo cultural e moral.

Os erros do comunismo parecem ter penetrado no interior da própria Igreja Católica. O Papa Bergoglio recebeu recentemente no Vaticano os representantes dos chamados “movimentos populares”, representantes da nova esquerda  ecolo-marxista e, desde o início de seu pontificado, expressou sua simpatia para com os regimes pró-comunistas dos irmãos Castro em Cuba, de Chávez e Maduro na Venezuela, de Morales na Bolívia, de Rafael Correa no Equador, de José Mujica no Uruguai, esquecendo as palavras de Pio XI que, na aludida encíclica Divini Redemptoris, definiu o socialocomunismo como “intrinsecamente perverso”.

A Mensagem de Fátima é um antídoto à penetração desses erros. Seis papas reconheceram e honraram as aparições da Cova da Iria. Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI visitaram o Santuário de Fátima,  enquanto João XXIII e João Paulo I lá estiveram quando ainda eram os cardeais Roncalli e Luciani. Pio XII enviou o seu delegado, o cardeal Aloisi Masella.

Quem nunca foi a Fátima, não perca a ocasião de ir, no centenário deste acontecimento. Quem já esteve uma ou mais vezes, faça como eu: retorne. Não vai encontrar, pelo menos até a Páscoa, uma grande massa de peregrinos. Ignore o novo santuário, cuja feiúra lembra aquele de São Pio de Pietrelcina em San Giovanni Rotondo, e restrinja sua visita à capela das aparições, ao antigo santuário, que abriga os restos mortais de Jacinta e Francisco, e à loca  do Cabeço, onde em 1916 o Anjo de Portugal antecipou as aparições aos três pastorinhos. Fátima revela a seus devotos a gravidade da tragédia do nosso tempo, mas também abre o coração para uma esperança invencível no futuro da Igreja e de toda a sociedade.

7 março, 2017

Arcebispo do Vaticano aparece em mural homoerótico encomendado por ele mesmo.

Por Matthew Cullinan Hoffman, LifeSiteNews, 3 de março de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: O arcebispo que agora está no comando da Pontifícia Academia para a Vida pagou a um artista homossexual para pintar um mural homoerótico blasfemo em sua igreja-catedral em 2007. No mural está incluída uma imagem do próprio arcebispo.

O arcebispo Vincenzo Paglia também foi recentemente nomeado pelo Papa Francisco como presidente do Pontifício Instituto João Paulo II de Estudos sobre Casamento e Família.

O enorme mural ainda cobre o lado oposto da fachada da igreja catedral da Diocese de Terni-Narni-Amelia. Ele retrata Jesus puxando duas redes para o céu cheia de homossexuais nus e semi-nus, transexuais, prostitutas e traficantes de drogas, misturados entre si em abraços eróticos.

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O então bispo Vincenzo Paglia aparece em uma rede “erótica” abraçado a outro homem semi-nu.

Incluído em uma das redes está Dom Paglia, que era então bispo diocesano. A imagem do Salvador foi pintada usando como modelo o rosto de um cabeleireiro local e suas partes íntimas podem ser vistas através de suas vestes translúcidas.

De acordo com o artista, um argentino homossexual chamado Ricardo Cinalli, conhecido por suas pinturas de corpos masculinos, Dom Paglia o selecionou em uma lista onde constavam dez artistas internacionalmente conhecidos, com a tarefa específica de pintar a parede interna da fachada. Dom Paglia, juntamente com Padre Fabio Leonardis, supervisionou cada detalhe da obra de Cinalli. De acordo com Cinalli, que o diz em tom de aprovação, Dom Paglia nunca lhe perguntou se ele acreditava ou não na doutrina cristã da salvação.

“Trabalhar com ele foi humana e profissionalmente fantástico”, disse Cinalli ao jornal italiano La Repubblica, em março do ano passado. “Nunca, em quatro meses, durante os quais nos víamos quase três vezes por semana, Paglia jamais me perguntou se eu acreditava ou não na salvação. Ele nunca me colocou numa posição desconfortável”.

“Não houve nenhum detalhe que fosse feito livremente, por acaso”, acrescentou Cinalli. “Tudo foi analisado. Tudo foi discutido. Nunca me permitiram trabalhar sozinho.

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O artista Ricadro Cinalli afirma que os personagens nas redes foram pintados com a intenção de serem eróticos.

Cinalli admite ao jornal La Repubblica que as pessoas nuas nas redes são destinadas a serem “eróticas”, embora Dom Paglia tenha traçado um limite quando Cinalli propôs mostrar as pessoas realmente copulando.

“Neste caso, não havia – neste sentido – uma intenção sexual, mas sim erótica”, disse Cinalli. “Eu acho que o aspecto erótico é o mais perceptível entre as pessoas que estão dentro das redes”. Ele acrescentou mais tarde: “A única coisa que eles não me permitiram inserir foi o coito explícito entre duas pessoas dentro desta rede, onde tudo é permitido”.

A razão pela qual ele não foi autorizado a ser tão explícito, diz Cinalli, é que sua pintura já havia feito o suficiente para demonstrar a noção de que o homem tem “liberdade” nesta vida, e até mesmo na próxima, para se engajar em qualquer comportamento sexual que que julgar apropriado. “O bispo e o Padre Leonardis… me disseram que não achavam necessário chegar a esse extremo para demonstrar a liberdade que o homem, na realidade, já tem neste mundo e no próximo”.

A Igreja Católica condena todas as formas de comportamento sexual fora da relação sexual natural entre um homem e uma mulher unidos no casamento, incluindo a sodomia homossexual, e adverte que aqueles que morrem sem o arrependimento de tais pecados sofrerão a condenação eterna. A doutrina, que é encontrada no Antigo e Novo Testamentos da Bíblia, está refletida no Catecismo da Igreja Católica, que chama os atos homossexuais de “intrinsecamente desordenados” e acrescenta: “Em nenhuma circunstância podem ser aprovados”.

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Pintura na catedral representa Jesus levantando redes cheias de prostitutas, homossexuais, e outros personagens lascivos, para o céu.

Sob a supervisão de Paglia, Cinalli pintou o próprio arcebispo em uma das redes “eróticas”, semi-nu e abraçado a um homem de barba envolto apenas em um lençol solto. Ele também pintou o Padre Leonardis, então chefe do Escritório de Patrimônio Cultural, como um homem nu e musculoso, com uma tatuagem da flecha do cupido atravessando um coração contendo a palavra “amor”, enredado com outros em uma das redes “eróticas”.

Cinalli disse a La Repubblica que Padre Fabio, que morreu logo após a pintura ter sido concluída, era um homem ainda na casa dos cinquenta anos muito “aberto”, mas se recusou a dizer se ele era um homossexual.

“Padre Fabio era completamente aberto”, disse Cinalli. “Não cabe a  mim dizer se ele era homossexual ou não – não é importante, mas sua abertura foi absoluta”.

Cinalli explicou ao jornal La Repubblica que ele usou como modelo para o rosto de Jesus, o rosto de um cabeleireiro local porque as pessoas vêem Cristo de uma maneira que é “muito masculina”.

Cinalli admite que sua obra não foi bem recebida por muitos na Diocese de Terni-Narni-Amelia, que ficaram tão indignados com a obra, que Cinalli chegou a pensar que ela poderia ser destruída depois da morte de Padre Fabio. No entanto, Dom Paglia resistiu a tais pressões até deixar a diocese em 2012, e seu sucessor também resolveu deixar o mural no lugar.

LifeSite pediu à assessoria do Arcebispo Paglia para comentar, mas nenhuma resposta foi recebida até agora.

Vincenzo Paglia encarregado das questões de vida e família pelo Vaticano

Embora o mural tenha gerado controvérsia na diocese de Paglia, ele passou despercebido pelo radar da mídia nacional italiana, e a promoção de Paglia a arcebispo, bem como sua nomeação para presidente do Conselho Pontifício para a Família em 2012, não geraram nenhuma controvérsia. Em pouco tempo, porém, ele começou a dar pistas de suas atitudes liberais em relação à moralidade sexual, alegando já em 2013 que a Igreja Católica favorece “proteções legais e de herança para pessoas que vivem juntas, mas não são casadas” e se opõe a enquadrar a homossexualidade como um crime. Quando seus comentários receberam uma cobertura negativa da mídia Católica, ele afirmou que suas intenções foram “deturpadas”, mas não se retratou das suas declarações.

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Dom Vincenzo Paglia.

No início de 2015, sob a direção do Arcebispo Paglia, o Pontifício Conselho para a Família organizou uma série de palestras que levantaram a possibilidade de se dar a Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério mediante um segundo casamentos civil, após algum período de penitência pública. As palestras foram então publicadas em um livro, ironicamente chamado de “Família e Igreja: um vínculo indissolúvel”.

Em julho de 2016, ainda sob a direção do Arcebispo Paglia, o Pontifício Conselho para a Família publicou um novo programa de educação sexual que inclui imagens lascivas e pornográficas tão perturbadoras que um psicólogo sugeriu que o arcebispo fosse avaliado por uma comissão de revisão, de acordo com as normas da Carta de Dallas, que se destina a proteger crianças de abuso sexual.

“Minha reação profissional imediata foi de que essa abordagem obscena ou pornográfica abusa psicologicamente e espiritualmente dos jovens”, disse o Dr. Richard Fitzgibbons, um psiquiatra que foi consultor da Congregação para o Clero no Vaticano e que atuou como professor adjunto no Instituto João Paulo II de Estudos sobre Casamento e Família na Universidade Católica da América. “Como profissional que tratou tanto de sacerdotes como vítimas da crise do abuso sexual na Igreja, o que eu achei particularmente preocupante foi que as imagens pornográficas neste programa são semelhantes às usadas por predadores sexuais adultos de adolescentes”.

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Padre Fabio Leonardis, hoje falecido, aparece em uma das redes “eróticas” totalmente nu.

Em agosto do ano passado, o Papa Francisco transferiu Dom Paglia do Pontifício Conselho para a Família para a presidência da Pontifícia Academia para a Vida, bem como do Pontifício Instituto João Paulo II de Estudos sobre Casamento e Família, duas organizações fundadas pelo Papa São João Paulo II para defender a santidade da vida humana e os valores familiares. Logo se tornou evidente que a Academia estava sendo radicalmente transformada, quando novos estatutos que já não exigiam que os membros assinassem uma declaração de fidelidade aos ensinamentos perenes da Igreja Católica sobre o direito à vida, foram sancionados. Em 17 de fevereiro, foi confirmado que todos os membros associados à Academia tinham sido demitidos, deixando apenas Paglia e sua equipe no topo de uma organização vazia e com outros propósitos.

No mesmo dia, o Arcebispo Paglia fez um discurso elogiando o recém-falecido fundador do Partido Radical da Itália, Marco Pannella, um bissexual promíscuo cuja carreira foi largamente vivida atacando os valores da fé católica e da própria Igreja Católica. Apesar de Pannella ter lutado vigorosamente pela legalização do aborto, do “casamento” homossexual, dos “direitos” dos transexuais, do divórcio e uniões livres, além de procurar dissolver a concordata entre a Igreja e o Estado Italiano, Paglia o chamou de “homem de grande espiritualidade”, e disse que sua morte foi “uma grande perda, não só para o povo do Partido Radical, mas também para o nosso país”.

“Sua história mostra como um homem pode ajudar a história a avançar na defesa da dignidade de cada pessoa, especialmente aqueles que são marginalizados”, disse o Arcebispo Paglia. “Tenho grande prazer em dizer que Marco era verdadeiramente um homem espiritual que lutou e esperou contra toda a esperança.” Paglia concluiu: “Devemos receber e manter a sua (Panella) vitalidade”.

Veja o vídeo La Repubblica com a entrevista com Ricardo Cinalli (em espanhol e italiano) e que contém imagens mais detalhadas do mural.

6 março, 2017

O perigosíssimo “Abortoduto” está prestes a ser votado. Manifeste-se!

Por Thiago Pontes de Moraes

O PL 7371/2014, que será votado no Plenário da Câmara na semana do dia 8 de março, tem por principal finalidade construir um gigantesco “abortoduto” internacional que financiará o treinamento e a prática do aborto nos seis mil hospitais de todo o Sistema Único de Saúde brasileiro, segundo um modelo muito bem conhecido que já foi utilizado no Uruguai, quando o aborto ainda era ilegal. No Uruguai o projeto ficou conhecido como Iniciativas Sanitárias, e consistia basicamente em uma metodologia para violar sistematicamente a lei para então modificar a lei.

Vídeo: O que eles tramam às (nem tanto) escondidas.

Agora no Brasil, o perverso objetivo se esconde por detrás da instituição de um Fundo que deverá receber recursos de organizações internacionais para combater a violência contra a mulher, todavia o texto do projeto, propositalmente, não menciona a palavra aborto, mas menciona outros documentos e leis que falam de aborto.

Em 2007, o Ministro da Saúde José Temporão declarou publicamente que nos hospitais brasileiros podem faltar gases eesparadrapos, mas, se o aborto for legalizado, não faltarão fundos internacionais para financiar as centenas de milhares de abortos que serão realizados.

Vídeo: A verdade sobre o PL 7371/2014

Estes fundos para o aborto chegarão rapidamente ao Brasil graças ao Projeto de Lei 7.371.

A questão é urgente, por isso pedimos a todos que alertem os deputados, através das redes sociais, telefones e e-mails, desse gravíssimo perigo e peçam que votem contra o PL7371/2014.

Não permitamos que a Terra de Santa Cruz seja manchada pelo sangue de tantos inocentes.

Deus lhes pague pelo bem que estão a fazer.

* * *

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6 março, 2017

Tripé de Cristo-Oxalá da Mangueira não desfila por pressão da Igreja.

Por Extra, 4 de março de 2017 – A Mangueira decidiu ontem à noite não levar para a Avenida no Desfile das Campeãs, neste sábado, uma das alegorias mais marcantes do carnaval: o tripé “Santo e orixá”, que trazia de um lado a imagem de Jesus Cristo e, de outro, a de Oxalá. A Arquidiocese do Rio de Janeiro externou para a Liga Independente das Escolas de Samba seu incômodo com a imagem, e a entidade sugeriu à Verde e Rosa que ela não fosse levada para a Sapucaí. Por regulamento, cada escola tem o direito de não levar uma alegoria para o Sábado das Campeãs, sem punição.

Integrantes da Arquidiocese visitaram o barracão da Mangueira antes do carnaval, para entender o enredo “Só com a ajuda do santo”. Como o desfile trataria da religiosidade do povo brasileiro, a Igreja fez questão de conhecer o projeto, para saber como seria abordado o tema e de que forma apareceriam as imagens. Mas o tripé não estava entre as alegorias que foram apresentadas.

— Queremos manter o bom convívio com a Igreja. Se eles se sentiram desconfortáveis com isso, é natural que a escola decida não desfilar com ele novamente — diz o presidente da Liesa, Jorge Castanheira.

O elemento alegórico, giratório, trata do sincretismo religioso, trazendo o Senhor do Bonfim, venerado sob a imagem do Nosso Senhor Jesus Cristo em ascensão, e Oxalá, orixá associado à criação do mundo. No desfile, ele veio ladeado pela ala “A lavagem do Bonfim”, que venceu o Estandarte de Ouro. A criação é do carnavalesco Leandro Vieira, que renovou ontem seu contrato com a Mangueira para mais um carnaval. Nesta madrugada aconteceu o transporte das alegorias para o Sambódromo, e o tripé ficou no barracão.

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De um lado a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foto: Agência O Globo

— Lamento essa decisão, porque foi uma das imagens mais bonitas do ano. Mas os presidentes da Mangueira e da Liesa chegaram a um acordo, para evitar polêmicas — disse o carnavalesco Leandro Vieira, resignado.

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Do outro lado do tripé, aparece Oxalá, orixá associado à criação do mundo Foto: Agência O Globo

O embate entre Igreja e carnaval é antigo. Em 1989, no caso mais emblemático, a Beija-Flor foi impedida de levar o Cristo Mendigo de Joãosinho Trinta para a Avenida. Ele desfilou coberto com um plástico preto, com a inscrição: “Mesmo proibido, olhai por nós”. Desde então, a relação havia melhorado, especialmente após a entrada do Cardeal Dom Orani Tempesta na Arquidiocese, com diversas imagens de santos passando pela Avenida.

5 março, 2017

Foto da semana. 

Assim os foliões de Viareggio, na Itália, vêem Francisco: de punho cerrado e báculo de foice e martelo, circundado pelos “anjos” Marx, Castro, Lenin e Mao. Não se tem notícia de nenhum conservador rigorista amante de carnaval para ter confeccionado a homenagem, logo, trata-se apenas de como o povo comum vê o atual pontífice.

O fiasco carnavalesco é generalizado. Em São Paulo, a escola apoiada pela fracassada ala progressista eclesiástica não poderia ter alcançado melhor resultado que o pífio sétimo lugar na classificação geral. É o que dá receber apoio da turma de Joãozinho e Zezinho, que, em toda vida, galgaram, no máximo, o ostracismo das prateleiras empoeiradas de discos de vinil velhos de nossas avós.

4 março, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Os atos morais bons e maus diferem especificamente.

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, 1ª Parte da 2ª Parte – Questão XVIII, Artigo V.

ARTIGO V. – SE OS ATOS MORAIS BONS E MAUS DIFEREM ESPECIFICAMENTE.

O quinto artigo discute-se assim. – Parece que os atos morais bons e maus não diferem especificamente.

1ª OBJEÇÃO: Pois, a bondade e a malícia dos atos é como a das coisas, segundo se disse no artigo primeiro. Ora, nestas o bem e o mal não diversificam a espécie; assim, da mesma espécie é tanto o homem bom como o mau. Logo, também a bondade e a malícia dos atos não os diversificam especificamente.

2ª OBJEÇÃO: Ademais. – O mal, sendo privação, é de certo modo, não-ser. Ora, este não pode diferençar, como diz o Filósofo em III Metaph., lect. VIII. E, como a diferença constitui a espécie, resulta que um ato mau não pertence a nenhuma espécie. Logo, o bem e o mal não diversificam especificamente os atos humanos.

3ª OBJEÇÃO: Ademais. – Atos especificamente diversos produzem efeitos diversos. Ora, um efeito pertencente a uma determinada espécie pode resultar tanto de um ato bom como de um mau; assim, o homem é gerado tanto do adultério como do concúbito matrimonial. Logo, os atos bons não diferem especificamente dos maus.

4ª OBJEÇÃO: Ademais. – Os atos são às vezes bons e maus pela circunstância, como já se disse no artigo terceiro. Ora, esta, sendo acidente, não os especifica. Logo, não é pela bondade nem pela malícia que os atos diferem especificamente.

SED CONTRA. Mas, PELO CONTRÁRIO,  segundo o Filósofo em II Ethic., lect. I: “hábitos semelhantes produzem atos semelhantes (Similes habitus similes actus reddunt). Ora, os hábitos bons diferem especificamente dos maus, como a liberalidade se difere especificamente da prodigalidade. Logo, também os atos bons diferem do mesmo modo dos maus.

RESPONDO  (dando a SOLUÇÃO, após fazer as devidas distinções e explicações): – Todo ato se especifica pelo seu objeto, como já se disse no artigo segundo. Por onde, é necessário que qualquer diferença no objeto corresponda a uma diversidade específica nos atos. Devemos porém notar que uma diferença no objeto, causa da diferença específica dos atos, relativamente a um princípio ativo, não é causa relativamente a outro, pois, o acidental não especifica; só o essencial especifica. Ora, uma diferença no objeto pode ser essencial, relativamente a um princípio ativo, e acidental relativamente a outro; assim, o conhecimento da cor e o do som diferem relativamente ao
sentido, mas não relativamente ao intelecto.

Ora, a bondade e a malícia dos atos humanos são relativos à razão. Pois como diz Dionísio (IV cap. De div. nom., lect. XXII): o bem do homem consiste “em ser conforme à razão, e o mal, contrário a ela”. E na verdade, o bem de uma coisa é o que lhe convém, formalmente, e o mal, o que lhe contraria a ordem formal. Por onde é claro que a diferença entre o bem e o mal, considerada relativamente ao objeto, implica relação essencial com a razão, o que lhe torna o objeto conveniente ou não conveniente; e assim, chamam-se humanos ou morais os atos procedentes da razão. Logo, é claro que o bem e o mal diversificam especificamente os atos morais, pois as diferenças essenciais diversificam as espécies.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Mesmo nos seres naturais o bem e o mal, isto é, o que é conforme ou contrário à natureza, diversifica-lhes as espécies; assim, o corpo vivo e o morto não pertencem à mesma espécie. E, semelhantemente, o bem sendo o conforme à razão, e o mal, o que lhe é contrário, diversificam a espécie moral.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: –  A privação que o mal supõe não é absoluta mas, resultante de uma certa potência. Assim, é especificamente mau um ato, não por não ter nenhum objeto mas por tê-lo não conveniente à razão, com apoderar-se dos bens alheios. Por onde, na medida em que o objeto for algo de positivo, pode constituir
a espécie de um ato mau.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO: –  O ato conjugal e o adultério, enquanto referidos à razão, diferem especificamente e produzem efeitos também especificamente diferentes; pois, aquele (=o conjugal) merece louvor e
prêmio; e este (= o ato adúltero) merece vitupério e pena. Não diferem porém de espécie enquanto relativos à faculdade de gerar; e portanto produzem o mesmo efeito, especificamente.

RESPOSTA À QUARTA OBJEÇÃO: – A circunstância, considerada como diferença essencial do objeto enquanto esta é relativa à razão, pode especificar um ato moral. E isto se dá necessariamente, sempre que a circunstância  muda em malícia a bondade de um ato; pois, ela não torna mau o ato, senão porque ela é contrária à razão.