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14 maio, 2011

Quando o Papa destitui bispos.

(IHU) Se Bento XVI tem clareza em alguma coisa é no caráter colegial da Igreja Católica. Ele o demonstrou em inúmeras ocasiões ao longo de sua carreira eclesiástica, desde que era o cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Seu respeito à autoridade dos bispos sempre foi irrestrita, inclusive em situações difíceis. Mas esse respeito tem um limite, e, se um bispo deve deixar seu posto por ter traído a investidura, a mão do pontífice não treme: aqui vão os exemplos mais recentes.

A nota é de Andrés Beltramo, publicada em seu blog Sacro y Profano, 10-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nas últimas semanas, o Vaticano teve que enfrentar casos delicados. Todos incluíam bispos, e todos eram suscetíveis a sanções. Em vários, agiu-se drasticamente, e nos restantes informou-se sobre as medidas a serem tomadas. Assim, o papa já somou várias destituições de prelados em diversas partes do mundo, situação que oferece duas chave de leitura: por um lado, a evidente decisão do bispo de Roma de agir quando necessário e, por outro, uma preocupação sobre a eficácia dos métodos para eleger os pastores.

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17 novembro, 2010

Analista eclesial: Eleição do arcebispo de Nova Iorque como presidente do episcopado americano expressa desejo de liderança forte no organismo.

BALTIMORE, 16 Nov. 10 / 06:14 pm (ACI).- Um conhecido analista eclesial diz que a eleição de Dom Timothy Dolan como presidente da Conferência Episcopal dos EUA é uma confirmação de que os bispos querem um líder forte e abertamente claro para guiar a Igreja em uma cultura cada vez mais polarizada e secular. O especialista é Rocco Palmo, que escreve o blog Whispers in the loggia, sobre a Igreja nos EUA e foi entrevistado pela agência Catholic News Agency, do grupo ACI.

Poucos especialistas teriam previsto que o arcebispo Dom Timothy M. Dolan, de Nova Iorque seria escolhido como presidente da Conferência Episcopal dos EUA. Ele ganhou a eleição em um segundo turno disputado com Dom Gerald Kicanas de Tucson, no Arizona, e que era o vice-presidente da conferência. A eleição produziu resultados divididos como antes antes se havia observado, especialmente considerando o fato de que a escolha do vice-presidente atual como cabeça da conferência é praticamente unânime. Esta foi a primeira vez que um atual vice-presidente não foi eleito presidente da Conferência Episcopal norte-americana, explica a nota escrita por Marianne Medlin na matéria da Catholic News Agency.

O analista de temas da Igreja nos EUA Rocco Palmo chamou a movida de uma “mudança sísmica”, em uma entrevista concedida à Catholic News Agency (CNA). Ele afirmou que a eleição do arcebispo Dolan indica um desejo por parte dos bispos de continuar a tendência de uma liderança forte e aberta.

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16 março, 2010

A Legião espera um novo superior geral. E treme.

Um comissário apontado pelo Vaticano tomará o comando dos Legionários de Cristo, órfãos de seu fundador Marcial Maciel, envolto em escândalos. É o desfecho previsível de oito meses de averiguações. Muitas coisas deverão mudar, inclusive os atuais chefes.

por Sandro Magister – www.chiesa

ROMA, 16 de março de 2010 – Em plena tempestade que sacode a Igreja Católica por conta dos abusos sexuais contra menores perpetrados por sacerdotes, encerrou-se a visitação apostólica ordenada pela Santa Sé aos Legionários de Cristo, a congregação fundada por Marcial Maciel.

O caso Maciel é extremo em tudo. Leva a limites exasperantes o contraste entre a imagem e a realidade; entre a imagem beatífica do sacerdote fundador de uma congregação religiosa ultra-ortodoxa, ascética, devota, florescente de vocações também exemplares, e a realidade de uma segunda vida dissoluta, composta de incessantes violações não apenas dos votos, mas dos mandamentos, de contínuas aventuras pecaminosas com mulheres, homens e meninos de toda idade e condição, com filhos e cônjuges espalhados por todo o mundo, em número até agora impreciso.

Uma segunda vida que também no momento de sua morte apareceu em brilho sulfúreo. Relatos mórbidos vazaram sobre os últimos dias de Maciel em Houston, no fim de janeiro do ano de 2008, antes de seu sepultamento em Cotija, sua cidade natal, no México.

A visitação apostólica começou em 15 de julho de 2009. Os cinco bispos visitantes concluíram seu mandato em meados deste mês de março, com a entrega de seu relatório às autoridades vaticanas. Foram Ricardo Watti Urquidi, bispo de Tepic, no México; Charles J. Chaput, arcebispo de Denver; Giuseppe Versaldi, bispo de Alejandría; Ricardo Ezzati Andrello, arcebispo de Concepción, no Chile; e Ricardo Blázquez Pérez, bispo de Bilbao.

Serão as autoridades vaticanas que decidirão o que fazer. Os três cardeais encarregados do caso são Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, William J. Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e Franc Rode, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada.

Mas a última palavra será pronunciada de toda maneira por Bento XVI, o mais clarividente de todos. Já antes de ser elevado ao papado e quando Maciel ainda tinha protetores fortíssimos no Vaticano, Joseph Ratzinger fez investigar a fundo as acusações contra o fundador dos Legionários. E como Papa, em 19 de maio de 2006, o condenou “a uma vida reservada de oração e de penitência”.

Depois desta condenação, a congregação dos Legionários se submeteu à ordem papal. Mas seguiu prestando veneração ao próprio “pai” fundador, como “vítima inocente” de falsas acusações.

Só após a morte e ao aflorar de outros escândalos a admissão de algumas culpas do fundador encontrou espaço entre os dirigentes da Congregação, mas não de modo a induzi-los a desmentir a bondade de sua obra.

Ainda hoje, depois de oito meses da visitação apostólica, o sucessor de Maciel como superior geral da congregação, Dom Álvaro Corcuera, e o vigário geral Luis Garza Medina – que durante décadas foram também, especialmente o segundo, colaboradores muito próximos do fundador – não manifestam nenhuma intenção de deixar o comando. E assim outros dirigentes médio-altos, centrais e periféricos.

Sua linha de defesa é que sempre lhes fora ocultado a segunda vida de Maciel e que sua fidelidade à Igreja e ao Papa, mais que sua experiência de guia, assegurariam da melhor maneira a continuidade da congregação.

Em 5 de fevereiro passado, no “L’Osservatore Romano”, o padre Luiz Garza Medina publicou inabalável um artigo para descrever como deveria ser a “vida virtuosa” do sacerdote ideal. Ele, que viveu ao lado de Maciel mais que ninguém, conhecendo todos os segredos e administrando o dinheiro, e que o exaltou sempre como modelo.

Mas é totalmente inverossímil que os atuais líderes dos Legionários sejam deixados na direção da Congregação pelas autoridades vaticanas. A decisão mais provável é que a Santa Sé nomeie um comissário próprio, dotado de plenos poderes, e fixe as linhas-guias para uma refundação completa, incluída a substituição dos atuais dirigentes.

Mas será uma empresa árdua refundar desde a cabeça uma Congregação na qual o estigma do indigno fundador é, até agora, fortíssimo.

Sacerdotes e seminaristas que até ontem foram embebidos nos escritos atribuídos a Maciel terão dificuldade para encontrar novas fontes inspiradoras, não genéricas, mas específicas para sua ordem. Tampouco ajudam os atuais líderes da Congregação. Ainda mais, um ex-secretário pessoal de Maciel, o padre Felipe Castro, junto de outros sacerdotes da Legião, trabalhou durante estes meses selecionando entre as numerosissímas cartas do fundador um grupo delas para “salvá-las” para o futuro, e assim ter viva uma imagem positiva de Maciel.

A dependência dos Legionários para com Maciel era – e para muitos ainda é – total. Não havia rincão da vida cotidiana que escapasse às regras ditadas por ele. Regras minuciosas até o inverossímil, que ordenavam, por exemplo, como sentar-se à mesa, como usar o guardanapo, como ingerir alimentos, como comer o frango sem usar as mãos, como tirar as espinhas de um peixe.

Mas isso não era nada diante do controle exercido sobre as consciências. O manual para o exame de consciência ao fim de um dia era de 332 páginas, com milhares de exigências.

E depois estavam – e estão – os estatutos próprios e autênticos. Muito mais amplos e detalhados que os entregues aos bispos das dioceses nas quais os Legionários têm suas casas. Os cinco visitadores tiveram que se esforçar muito para obter os estatutos completos.

Dos estatutos surge que, além dos três votos clássicos das ordens religiosas (pobreza, castidade e obediência), os Legionários professavam outros dois votos – mais um terceiro chamado “de fidelidade e caridade” para os membros seletos da Congregação – que proibiam qualquer tipo de crítica e ao mesmo tempo obrigavam ante os superiores os confrades que tivessem sido vistos violando a proibição.

Estes votos acrescidos tinham sido abolidos em 2007 por ordem da Santa Sé. Mas não consta que esta revogação tenha sido notificada ao corpo dos Legionários.

Na Congregação fundada por Maciel, não são sempre perceptíveis os limites entre o espírito de obediência e o espírito de submissão.

Entre os Legionários, a concorrência encorajada pelas regras é entre os que conseguem fazer mais prosélitos.  E o noviço ingressa imediatamente numa maquinaria coletiva que absorve completamente sua individualidade. Tudo está controlado e regulado meticulosamente, dentro de uma selva de limitações: desde o correio pessoal até as leituras, desde as visitas até as viagens.

Nos oito meses que durou a visitação apostólica este controle foi relaxado somente em parte. Alguns sacerdotes denunciaram aos visitadores as coisas que consideravam errôneas. Outros abandonaram a Congregação e se incardinaram no clero diocesano. Por último, outros ainda têm confiança no renascimento sobre novas bases de uma Congregação religiosa que é parte de suas vidas e aquela que continuam amando.

9 outubro, 2009

O machado do bispo sobre Obama. E sobre a cúria romana.

Por Sandro Magister – www.Chiesa 

Arcebispo ChaputEm um artigo-bomba publicado em Roma, Charles J. Chaput, bispo de Denver, critica o presidente americano e os homens da Igreja que o exaltam, encabeçados por Cottier, cardeal da Cúria. Porém, a Secretaria de Estado do Vaticano também está na mira.

Por Sandro Magister

ROMA, 8 de outubro de 2009 – “Sempre defenderei com veemência o direito dos bispos de me criticarem”, havia garantido Barack Obama às vésperas da audiência que teve com Bento XVI, no último dia 10 de julho.

 De fato, são oitenta os bispos católicos dos Estados Unidos que estão em flagrante desacordo com ele sobre questões cruciais, em primeiro lugar, a defesa da vida. Entre eles está o Cardeal Francis George, Presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo de Chicago, a cidade de Obama.

Igualmente, o bispo de Denver, Charles J. Chaput, de 65 anos, originário de uma tribo nativa americana, franciscano da ordem dos capuchinhos, há um ano autor de um livro que já diz muito pelo título: “Render unto Caesar. Serving the Nation by Living Our Catholic Beliefs in Political Life” (Dai a César: servindo à nação ao viver nossas crenças católicas na vida política). É justo dar a César o que ele espera, mas se serve a nação vivendo a própria fé católica na vida pública.

Chaput não gosta da forma com que Roma, no Vaticano, dissimula as críticas da Igreja americana a Obama. Ele não gostou, particularmente, dos elogios desenfreados feitos ao presidente americano no último mês de julho – que coincidiram com o encontro de Obama com o Papa – por parte de um venerável cardeal da Cúria, o suíço Georges Cottier, teólogo da Casa Pontifícia, com um ensaio na revista “30 Dias”.

 “30 Dias” é uma revista de geopolítica eclesiástica muito lida na Cúria Romana. A revista é dirigida pelo mais “curial” dos políticos católicos italianos de longa data, o senador vitalício Giulio Andreotti. A publicação chega a todas as dioceses do mundo em seis idiomas e reflete plenamente as políticas realistas da diplomacia vaticana.

Depois de ter lido o entusiasmado artigo do Cardeal Cottier – entusiasmado, sobretudo, com o discurso pronunciado por Obama na Universidade católica de Notre Dame – e depois de ter lido também um editorial anterior de “L’Osservatore Romano”, igualmente bastante elogioso para com os primeiros cem dias do governo do presidente americano, incluindo “o apoio à maternidade”, Chaput considerou que era seu dever refutá-los.

Tomou papel e lápis e respondeu palavra por palavra: a Obama, ao cardeal Cottier e à Secretaria de Estado do Vaticano. E não o fez em um diário dos Estados Unidos, mas sim em um diário impresso em Roma, para que o Vaticano o visse.

A sua réplica foi publicada em 6 de outubro no “il Foglio”, o diário de opinião dirigido por Giuliano Ferrara, um não católico, mas muito atento ao rol público das religiões, e de simpatias decididamente “ratzingerianas”.

O artigo do bispo de Denver ocupou toda a terceira página, com o título: “O machado do bispo pele vermelha. Charles J. Chaput contra Notre Dame e o ilustre cardeal seduzido pelo abortista Obama”.

O texto está reproduzido abaixo, com o título original.

No mesmo 6 de outubro, na primeira página, “il Foglio” publicou também uma entrevista com o cardeal George, presente nestes dias em Roma para apresentar um novo livro de sua autoria, sob o título “The Difference God Makes. A Catholic Vision of Faith, Communion, and Culture” [A diferença que Deus faz. Uma visão católica sobre a fé, a comunhão e a cultura].

Na entrevista, entre outras coisas, disse o cardeal:

 “Hoje, a maior dificuldade que temos como Igreja é a de comunicar à sociedade que existe uma hierarquia de valores. Tomemos a questão do aborto e da vida em geral. A voz da Igreja é ouvida nos Estados Unidos, mas também é muito combatida. E as críticas à Igreja ocorrem por um motivo: porque nossa sociedade considera que o individualismo e a liberdade de escolha são os valores mais importantes que devemos proteger. Hoje, o livre arbítrio vale mais que a vida”.

 E também:

 “A moral da Igreja sobre certos temas jamais mudou. É verdade que L’Osservatore Romano pode ter escrito uma dúzia de linhas favoráveis a Obama e que algum cardeal pode ter falado com entusiasmo da atual administração americana, mas, além das manifestações jornalísticas, permanece de pé a máxima que a Igreja não pode trair a si mesma”.

A política, a moral e um presidente. Uma visão americana.

Por Charles J. Chaput

Um dos pontos fortes da Igreja é a sua perspectiva global. Neste sentido, o recente ensaio publicado pelo cardeal Georges Cottier sobre o presidente Barack Obama (“A política, a moral e o pecado original”, em “30 Dias”, n° 5, 2009) ofereceu uma valiosa contribuição ao debate católico sobre o novo presidente americano. Nossa fé nos une mais além dos limites. O que acontece em uma nação pode exercer um impacto importante em muitas outras. A opinião mundial sobre os líderes dos Estados Unidos não só é apropriada, mas também deve ser bem recebida.

Não obstante, o mundo não vive e não vota nos Estados Unidos, porém, os americanos sim. As realidades pastorais de cada país são melhores conhecidas pelos bispos locais que guiam o seu povo. Assim, quanto ao tema dos líderes americanos, as reflexões de um bispo americano, certamente, podem despertar um interesse significativo, uma vez que elas podem aprofundar um juízo positivo do cardeal, ao oferecer uma perspectiva diferente.

Devo advertir que aqui falo somente a título pessoal. Não falo em nome dos bispos americanos entendidos como um organismo, nem em nome de qualquer outro bispo. E nem sequer pretendo me referir ao discurso do presidente Obama ao mundo islâmico, que o cardeal Cottier menciona em seu ensaio. Para poder fazer isso seria necessário redigir outro artigo.

Pelo contrário, me concentrarei no discurso de formatura pronunciado pelo presidente na Universidade de Notre Dame, e nas observações do cardeal Cottier a este respeito. Esta decisão se dá por dois motivos.

Primeiro, os membros de minha diocese pertencem à comunidade nacional de Notre Dame, como estudantes, formandos e padres. Cada bispo tem um papel decisivo na fé das pessoas confiadas a seus cuidados, e Notre Dame tem sido sempre muito mais que uma simples universidade católica: é um ícone da experiência católica americana.

Segundo, quando o bispo local de Notre Dame se declara em desacordo com um determinado orador, e outros oitenta bispos e trezentos mil leigos respaldam abertamente o bispo, toda pessoa razoável deve deduzir que existe um problema concreto com relação a este orador, ou ao menos com relação a seu discurso específico. As pessoas razoáveis podem ademais optar por divergir do juízo dos pastores católicos mais diretamente envolvidos na controvérsia.

O ensaio do cardeal Cottier, de maneira infeliz e inconsciente, subestima a gravidade do que aconteceu em Notre Dame. E de uma maneira por demais apelativa, passa por cima da concordância do pensamento de Obama com a doutrina católica.

Há vários pontos importantes a serem realçados.

Primeiro, o desacordo sobre a intervenção do presidente Obama na Universidade de Notre Dame não tem nada a ver com a questão de ser ele um homem bom ou mau.

Indubitavelmente, ele é um homem de grandes dotes. Possui um ótimo instinto moral e político e demonstra uma devoção admirável por sua própria família. Estas são coisas que contam, mas, desgraçadamente, contam também estas outras: o ponto de vista do presidente sobre questões decisivas de bioética – incluindo o aborto, porém sem a este se limitar – difere radicalmente da doutrina católica. É precisamente por isso que Obama pôde contar durante muitos anos com o apoio de poderosas organizações favoráveis ao “direito ao aborto”. Em alguns círculos religiosos fala-se de simpática do presidente pela doutrina social católica, mas a defesa do fato é uma exigência de justiça social. Não existe nenhuma “justiça social” se os membros mais jovens e indefesos da espécie humana podem ser assassinados legalmente. Certamente, os bons programas para os pobres são vitais, mas estes não podem servir para justificar esta violação fundamental dos direitos humanos.

Segundo, em algum outro momento e em outras circunstâncias, a controvérsia em Notre Dama poderia ter desaparecido facilmente se a universidade tivesse pedido simplesmente ao presidente que proferisse uma conferência pública. Mas no momento em que os bispos americanos já haviam expressado uma forte preocupação com políticas abortistas da nova administração, a Universidade de Notre Dame fez do discurso de Obama o acontecimento culminante da cerimônia para a entrega dos títulos de licenciatura e também lhe entregou um doutorado “honoris causa” em Direito, isso apesar das inquietantes posições do presidente a respeito da lei sobre o aborto e outras questões sociais a ela vinculadas.

A verdadeira causa das preocupações católicas sobre a intervenção de Obama em Notre Dame foi sua própria posição abertamente negativa acerca do tema do aborto e outras questões controversas. Com sua iniciativa, a Universidade de Notre Dame ignorou e violou as linhas mestras expressas pelos bispos americanos no documento “Catholics in Political Life” [Católicos na Vida Política], publicado em 2004. Neste documento, os bispos exortavam as instituições católicas a não conceder honras públicas a funcionários de governo que estivessem em desacordo com a doutrina da Igreja em questões de importância primordial.

Deste modo, o áspero debate que na primavera passada causou danos os ambientes católicos americanos a propósito da condecoração outorgada a Barack Obama pela Universidade de Notre Dame não foi em absoluto sobre políticas partidárias. Pelo contrário, remetia a questões essenciais da fé, à identidade e ao  testemunho católicos – impulsionadas pelos pontos de vista de Obama –, que o cardeal Cottier pode ter compreendido mal, ao escrever fora do contexto americano.

Terceiro, o cardeal ressalta justamente os pontos de contato entre a procura, freqüentemente acentuada por Obama, de um “terreno político comum” e a promoção católica do “bem comum”. Estes dois objetivos (buscar um terreno político comum e promover o bem comum) podem freqüentemente coincidir, mas não são a mesma coisa, podem ser muito diferentes na prática. As chamadas políticas de “terreno comum” sobre o aborto podem na realidade minar até a raiz o bem comum, porque implicam uma falsa unidade: estabelecem uma plataforma de acordo público demasiado estreita e débil para sustentar o peso de um autêntico consenso moral. O bem comum não poderá jamais ser promovido por aquele que tolera o assassinato dos mais débeis, começando pelas crianças que ainda não nasceram.

Quarto, o cardeal Cottier recorda justamente aos próprios leitores o respeito recíproco e o espírito de colaboração requeridos pelo princípio de cidadania em uma democracia pluralista. Mas o pluralismo não é um fim em si mesmo, tampouco é uma desculpa para a inércia. Como reconheceu o mesmo Obama em seu discurso na Universidade de Notre Dame, a vida e a solidez da democracia dependem da convicção com a qual o povo está disposto a combater publicamente por aquilo em que crê, de forma pacífica e legal, mas com vigor e sem lamentação.

Infelizmente, o presidente também proporcionou uma curiosa observação, precisamente, que “a grande ironia da fé é que implica necessariamente a presença da dúvida… Mas esta dúvida não nos deve afastar de nossa fé, mas, pelo contrário, deve nos tornar mais humildes”. Em certo sentido, obviamente, isso é certo: deste lado da eternidade, a dúvida faz parte da condição humana. Mas a dúvida é a ausência de algo, não é um valor positivo. Se impedir os crentes de agir sobre as bases das exigências da fé, a dúvida se converte em uma debilidade fatal.

O costume da dúvida se adapta com demasiada facilidade a uma espécie de “incredulidade batizada”: um cristianismo que é um pouco mais que uma vaga lealdade tribal e um vocabulário espiritual conveniente. Muitíssimas vezes, na recente experiência americana, o pluralismo e a dúvida se converteram num álibi para a inércia e a letargia política a moral dos católicos. Talvez a Europa seja diferente. Mas parece-me que o atual momento histórico (que compartilham os católicos americanos e europeus) não se parece em nada com as circunstâncias sociais que tiveram de afrontar os antigos legisladores cristãos mencionados pelo cardeal. Estes homens tiveram a fé e também o zelo necessários (temperados pela paciência e pela inteligência) para encarnar explicitamente na cultura o conteúdo moral de sua fé. Em outras palavras, edificaram uma civilização esculpida pelo credo cristão. O que está acontecendo hoje é algo completamente diferente.

O ensaio do cardeal Cottier é um autêntico testemunho de seu próprio espírito generoso. Fiquei chocado particularmente por seus elogios ao “humilde realismo” do presidente Obama. Espero que ele tenha razão. Os católicos americanos desejam que ele tenha razão. A humildade e o realismo são o terreno sobre o qual pode crescer uma política fundada no bom sentido, modesta, à medida do homem e moral. Ficamos na expectativa para ver se o presidente Obama pode proporcionar uma liderança desse tipo. Temos o dever de rezar por ele, para que possa fazê-lo e o faça.

 

2 março, 2009

Giro de notícias da semana que passou.

A audácia modernista.

O Arcebispo Católico de Brisbane [Austrália], John Bathersby, foi alvo de uma ameaça de bomba por sua decisão de remover o padre dissidente Peter Kennedy da igreja de Santa Maria em South Brisbane. Já tratamos anteriormente deste caso.

O rabino lefebvrista – Cardeal já!

rabinoO movimento esquerdista dissidente na Igreja Católica debilitou severamente os ensinamentos morais católicos sobre a vida e a família durante os últimos quarenta anos, declarou a LifeSiteNews.com um proeminente rabino ortodoxo dos EUA. “Apóio esta medida” de reconciliar a facção tradicionalista na Igreja, disse, “porque entendo o panorama maior, que é que a Igreja Católica tem um problema. Há uma ala esquerda poderosa na Igreja que está fazendo um dano incomensurável à fé”. “Me dou conta que é muito importante encher os bancos da Igreja Católica ao com católicos culturais ou esquerdistas que contribuem para destruir a Igreja e corromper seus valores”. “O que está fazendo o Papa? Está tentando trazer de volta os tradicionalistas porque têm muitas coisas muito importantes para contribuir para o bem do catolicismo. Agora, se em meio a esse processo, inclui inadvertidamente alguém importante no movimento tradicionalista que diz coisas muito estranhas sobre o Holocausto, essa é uma razão para jogar fora o bebê com a água do banho e condenar o Papa Bento? Absolutamente não!” “O assunto mais importante”, reiterou, é o trabalho que a Igreja realiza “para salvar bebes do aborto e proteger as mentes das crianças e jovens, ajudando-os a distinguir o bem do mal em assuntos de vida e família”.

A pergunta que não quer calar.

Dom Geraldo Proença SigaudPergunta-nos uma amiga: “Por que não se fala do Monsenhor Proença de Sigaud? No ‘Reno se Lança sobre o Tibre’ ele aparece o tempo todo na ala conservadora, sempre fazendo intervenções à favor da Tradição. E hoje em dia ninguém sabe, ninguém viu. Lá fora falam dele, mas não aqui. Como seria ele na vida pastoral e pessoal?”. Espaço aberto aos leitores que queiram tirar Dom Sigaud do esquecimento.

Enfim, um bispo brasileiro favorável à Missa Tradicional – Dom Fernando Guimarães, bispo de Garanhuns, PE.

Dom Fernando Guimarães“Quando sacerdote, ele trabalhou por 27 anos no Vaticano, chegando a ser Chefe de Departamento da Congregação para o Clero. Neste cargo, ele foi um dos que mais colaborou na Cúria Romana para nossa regularização e para a criação da nossa Administração Apostólica. Assim, ele fez questão de acompanhar o Cardeal Darío Castrillón, quando esteve aqui em Campos no dia 18 de janeiro de 2002 para a cerimônia da criação da nossa Administração.” “Ano passado, Pe. Fernando Guimarães foi nomeado pelo Santo Padre Bispo da Diocese de Garanhuns.” “Assim, no domingo passado, D. Fernando Guimarães veio pela primeira vez nos visitar como Bispo, e celebrou a Santa Missa na forma tradicional em nossa Igreja Principal, com a assistência de D. Fernando Rifan.” – Do site da Igreja Principal da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Revisão do começo ao fim.

Arcebispo Edwin O'brienPreocupado de que a Legião de Cristo reprima o livre arbítrio de seus membros e falte com transparência, o Arcebispo Edwin F. O’Brien disse ao diretor geral da ordem que ele não pode, em boa consciência, recomendar que qualquer pessoa ingresse na Legião ou Regnum Christi, seu movimento leigo afiliado. […] “Parece, a mim e a muitos outros, que esse [Pe. Marcial Maciel, fundador da Legião] era um homem com um gênio empresarial que, por sistemática fraude e duplicidade, usou nossa fé para manipular a outros para seus próprios fins egoístas”. […] Dizendo que o fundador da Legião “deixou muitas vítimas em seu encalço”, o arcebispo pediu a “completa revelação de suas atividades, daqueles que são cúmplices nelas ou sabiam delas e daqueles que ainda se recusam a oferecer revelação”. […] “Enquanto é difícil conseguir documentos oficiais”, disse o Arcebispo O’Brien”, é claro de que desde o primeiro momento em que uma pessoa ingressa na Legião, esforços parecem ser feitos para programar cada um e conquistas pleno controle de seu comportamento, de todas as informações que ele recebe, de seus pensamentos e emoções”. […] “É dito que apenas o fundador é chamado ‘nuestro padre’ (‘nosso pai’) e que ninguém mais pode ter este título”, disse o Arcebispo O’Brien. “Todos estão obrigados a se identificar com ele em seu espírito, sua mente, sua missão e sua vida. Isso sugeriria que a própria base do movimento da Legião deve ser revista do começo ao fim”.

Dom Chaput: não é possível ser católico e ‘pró-escolha’ ao mesmo tempo.

Arcebispo ChaputO Arcebispo de Denver, Charles J. Chaput, concedeu na Universidade de Toronto uma conferência sobre seu recente livro “Render Unto Caesar: Serving the Nation by Living our Catholic Beliefs in Political Life”. [Dai a César: servindo a Nação ao viver nossas Crenças Católicas na Vida Política]:

“A cultura consumista Americana é um poderosíssimo narcótico. O raciocínio moral pode ser duro, e a TV é uma grande droga analgésica. A verdadeira liberdade demanda uma habilidade de pensar, e uma grande parte da vida moderna… parece deliberadamente projetada para desencorajar isso”. O prelado de Denver enfatizou a importância de formar “uma consciência forte e genuinamente Católica” e seguir esta consciência quando votar.

“Francamente, eu simplesmente fiquei cansado de ouvir pessoas de dentro e fora dizendo aos Católicos para ficar quietos sobre posições religiosas e morais nos debates do grande público que envolvem todos nós enquanto sociedade. É uma espécie de intimidação. Não creio que os Católicos devam aceitá-la.” “Tolerar um grande mal dentro de uma sociedade é em si mesmo uma forma de sério mal”. “Todos os líderes políticos recebe sua autoridade de Deus. Não devemos a nenhum líder qualquer submissão ou cooperação na busca de um grave mal”. “Um das coisas determinantes que separavam os primeiros Cristãos da cultura pagã ao redor era seu respeito pela vida humana; e especificamente sua rejeição do aborto e infanticídio. Não podemos ser Católicos e ser evasivos ou indulgentes quanto ao assassinato de vida não-nascida. Não podemos nos afirmar “Católicos” e “pró-escolha” ao mesmo tempo sem arcar com a responsabilidade para onde conduz a escolha – à morte de crianças não nascidas”. Texto completo da conferência aqui.

Consagrar Wagner em Roma.

Áustria. O pároco Eberhard Amann (77) de Sankt Gallenkirch na diocese de Feldkirch colocou anúncios nos jornais regionais em favor do Bispo Auxiliar de Linz, Weihbischof Gerhard Wagner. Pe. Amann pagou 2.000 Euros pelos grandes anúncios amarelos. Neles ele alerta para um novo “Movimento-Livre-de-Roma” e um novo “Cisma” na Igreja austríaca. Os bispos contestam o direito do Papa de nomear “quem ele quiser”. Contrariamente, os meios de comunicação ditaram – adverte o Pároco: “Wagner estava certo”: As clínicas de aborto em Nova Orleans e em outros lugares, as estórias de Harry Potter e a glorificação do casamento gay são contrários aos ensinamentos bíblicos”. Mons. Wagner poderia ser consagrado em Roma – sugere o Pároco.

Bispo de Linz chamado a Roma.

Bispo de Linz, Dom Ludwig SchwarzO Bispo [Ludwig] Schwarz foi chamado à Roma às pressas. O fato de Monsenhor Wagner ter dito que sua renúncia não foi espontânea fez o Vaticano ficar de orelha em pé. Agora se fala até em visita pontifícia a Linz e até mesmo alguns outros bispos austríacos não estão de acordo com o curso de ação tomado em Linz. Kath.net noticia: “Bispo Schwarz nega catequese com jovens e precisa ir a Roma para encontro importante – Alguns bispos austríacos são favoráveis à visitação pontifícia da Diocese de Linz – Papa Bento aceita a Causa ‘Wagner’”

Ou seja, crescem pedidos para a tal visitação pontifícia dentro e fora de Linz. Lembremo-nos do caso St. Polten, Áustria, há poucos anos, em que um seminário inteiro foi fechado (e mais tarde reaberto) devido aos inúmeros casos de homossexualismo, sobretudo, pelas fotos espantosas publicadas na anticristã Spiegel de seminaristas e dirigentes trocando carícias imorais. Neste caso também houve uma visita apostólica para tentar resolver o problema.

Kreuz.net sob fogo cruzado.

Vaticano (kath.net) Depois da Conferência dos Bispos Alemães e da Igreja Católica da Áustria, agora chegou a vez também da “Radio Vaticano” se distanciar do sítio radical de direita kreuznet. Em uma declaração: “O sítio kreuznet apresenta um link para nós, embora tenhamos pedido a eles que retirassem o link. Neste ato nos distanciamos claramente da kreuznet. Não temos nada a ver com esse sítio e não temos qualquer proximidade com eles. O fato do Operador (anônimo!) da Página ter um link para nós nos deixa aborrecidos, embora, infelizmente, não possamos impedir isso. “A Conferência dos Bispos Alemães deixou claro no início de fevereiro: “O sítio é um sítio que não pertence a Igreja católica romana”

Dom Galarreta é o novo reitor de La Reja. 

Dom GalarretaFontes locais na Argentina confirmam que o Bispo Alfonso de Galarreta, um dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, irá dirigir o Seminário de Nossa Senhora Co-Redentora em La Reja, Província de Buenos Aires – pelo menos, temporariamente, como um “Visitador”.

 

As notícias também foram postadas no sítio da excelente publicação católica argentina Panorama Católico Internacional. Nota: O pai do editor do Panorama (Marcelo González) faleceu nesta sexta-feira: que ele possa descansar em paz. Fonte: Rorate-Caeli.

 

Dom Aldo Pagotto, o Padre Petista e o Padre Artista.

 

Dom Aldo PagottoO arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, suspendeu o uso de ordem de padre Luiz Couto, deputado pelo PT, adversário do celibato e amigo dos preservativos e homossexuais. Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e assessor da Comissão Pastoral da Terra, chamou a atitude de “pena de vingança”. Vendo que a tática parece ter dado certo na Áustria, “católicos” pedem à CNBB (?) que remova o bispo. Anteriormente, o mesmo Dom Aldo havia se pronunciado a respeito de outro Padre, o artista Fábio de Melo: “Oficialmente a Arquidiocese não foi informada da vinda do padre e não tem qualquer envolvimento na promoção e organização do evento. Entendemos tais ações como promoção pessoal do padre”.

 

 

A pergunta que não que calar – II:

Dom OraniCom a aposentadoria de Sua Eminência Eusébio Cardeal Scheid, os padres do Rio de Janeiro desejosos de rezar a Santa Missa Tradicional sairão das catacumbas e darão boas vindas ao novo Arcebispo sem medo de se apresentar como são? Não há de se temer falta de diálogo com o novo Arcebispo. Em 2006, Dom Orani assistiu e cedeu uma igreja em Belém para a “ordenação episcopal” da então recém criada “diocese” Anglicana da Amazonia. Com tanta generosidade para com hereges cujos sacramentos são inválidos (exceto o batismo), é de se esperar, no mínimo, que o novo Arcebispo conceda uma bela Igreja na capital Fluminense dedicada exclusivamente à Forma Extraordinária do Rito Romano atualmente em vigor em toda a Igreja Católica. Inclusive no Rio de Janeiro. 

“Não me parece, agora, o momento de entrar em todos os detalhes”.  

 

Encontro com sacerdotes de RomaRespondeu o Santo Padre ao ser indagado sobre várias formas de piedade por um padre no encontro anual de Sua Santidade com o clero Romano; na mesma pergunta o sacerdote se referiu à Fátima, ponto não abordado pelo Santo Padre. Os pontos mais importantes podem ser encontrados aqui. Agradecimento ao nosso caríssimo André pela ajuda de sempre.

Perseguição dos Judeus contra um Bispo.

Alemanha. Alguns na Igreja não estariam em condições de aprender “a partir dos erros” de outros dignitários. Assim xingou o Presidente da Associação Regional das Comunidades de Culto Israelitas na Baviera, Josef Schuster, ao periódico anticlerical ‘Süddeutschen Zeitung’ sobre o Bispo Walter Mixa de Augsburg. Este havia afirmado com simplicidade que somente na Alemanha mais pessoas morreram através do aborto do que no assim chamado Holocausto: “Assim, do jeito que o [Bispo] Mixa formulou, é simplesmente infame relativizar o Holocausto, que primeiramente já o fora pelo malvado membro da Fraternidade, Richard Williamson, mesmo de maneira supostamente mais elegante” – espumou de raiva Schuster. Ele exige “uma palavra mais clara” da Igreja.

Manter a fé dos pais.

“Seu decreto de 21 de janeiro de 2009 reabilita de alguma maneira o venerado fundador da nossa Fraternidade sacerdotal, S. Exc. Monsenhor Marcel Lefebvre. Ele procura também um grande bem à Igreja, nos parece, fazendo justiça aos padres e fiéis do mundo inteiro que, unidos à Tradição da Igreja, não serão mais estigmatizados injustamente por ter mantido a fé dos seus pais”, escreveram os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em carta ao Santo Padre, o Papa Bento XVI, de 29 de janeiro, tornada pública neste sábado.

 

24 dezembro, 2008

Rapidinhas de Natal.

Dos dez assuntos que menos receberam destaque na imprensa católica em 2008 listados pelo insuspeito de tradicionalismo John Allen Jr., destacamos estes dois:

O’Brien e os Legionários de Cristo

Em Junho, o Arcebispo Edwin O’Brien, de Baltimore, pediu maior transparência aos Legionários de Cristo e seu braço leigo, Regnum Christi, e os barrou da direção espiritual um-a-um com qualquer pessoa menor de 18 anos. O fato de O’Brien, que não é um liberal na mente de ninguém, tomar essas atitudes sugerem que a controvérsia em torno dos Legionários não é meramente sobre as tensões esquerda/direita. A história lança questões maiores sobre como equilibrar o zelo e o espírito missionário dos “novos movimentos” com a necessidade de própria vigilância e responsabilidade.

Pressões por identidade em instituições de caridade Católicas

Esforços para expressar um forte senso da identidade Católica tradicional representam uma principal “mega-tendência” na igreja nestes dias, e em 2008 esses esforços chegaram nas instituições de caridade Católicas. Em Janeiro, o Cardeal Paul Josef Cordes, o oficial mais importante do Vaticano para atividades de caridade, endossou a ameaça do Arcebispo de Denver, Charles Chaput, de encerrar as atividades de caridade mantidas pela igreja se o estado as proibisse de agir com bases de afiliação religiosa. Mais tarde no ano, Catholic Relief Services (Serviços de Alívio Católicos) encarou criticas de que alguns de seus materiais de prevenção de HIV/Aids promoviam camisinhas, e a Catholic Campaing for Human Development (Campanha Católica para Desenvolvimento Humano) caiu debaixo de fogo por suas ligações com a controversa comunidade organizadora da rede ACORN. Coletivamente, tudo isso sugere que as agências de caridade sofrerão pressões crescentes para ficar claro que elas consistentemente “pensam com a igreja”. [ndt: Há coisa parecida no Brasil]

Palavras do Vigário Geral da Diocese de Blois, Mons. Philippe Verrier:

“Bento XVI é conhecido por ser ligado à liturgia da sua infância, na qual ela por muito tempo exerceu o seu ministério sacerdotal. Não é um papa retrógrado no domínio teológico, mas certamente no domínio litúrgico.” 

“Seu cálculo era que a  autorização para celebrar a missa conforme o rito antigo traria os lefebvristas ao seio da Igreja. Fora quatro ou cinco padres da comunidade do Bom Pastor, os outros permaneceram em suas posições. Os bispos franceses haviam previsto,  mas não foram compreendidos.  Ao final, temo que o “motu proprio” tenha reavivado, na comunidade católica,  divisões estéreis, em detrimento da pregação do Evangelho. É um resultado lamentável”.

Bonjour, Monseigneur. Sua análise é tão fútil que erra de maneira infatil até ao analisar os resultados do motu proprio: a comunidade do Bom Pastor foi erigida em setembro de 2006, quase um ano antes de Summorum Pontificum.

16 setembro, 2008

O Papa na França – análise de Luc Perrin

Prezados leitores,

Recebemos por e-mail os comentários do Professor Luc Perrin, professor de história da Igreja na Universidade de Strasbourg e especialista na “questão tradicionalista”, e com autorização do mesmo os traduzimos para português.

Nota: o que aparece no artigo como “Igreja Francesa” é o que o Prof. Perrin chama de “FrenChurch”, uma irônica referência aos bispos modernistas que contrariam as disposições do Papa e formam, eles sim, uma espécie de igreja paralela.

Eu chamo esta resposta no vôo um “Discurso de Regensburg no avião”, pois ela foi tão alheia ao que o Papa escreveu como Papa e ao que o próprio J. Ratzinger escreveu durante anos.

O discurso aos bispos Franceses está  solenemente esclarecendo as nuvens escuras que essa infeliz entrevista criou antes da visita na sexta-feira.

Sim, o Motu Proprio está confirmado e mais: o Papa está renovando seu chamado aos bispos para serem fiéis:

a) à sua básica missão como bispos e, portanto, um ministro da comunhão para a parte do povo de Deus a eles confiada (muitos – especialmente na Europa e, em particular, na França – estão excluindo os tradicionalistas desta missão fundamental);

b) ao específico papel sob Summorum Pontificum como “facilitadores”: o documento legislativo de 2007 é explícito neste dever imperativo para os bispos. Eles não têm a mesma liberdade de dizer “não, obrigado” como no regime 1984-1988, e a decisão inicial não é deles, mas dos párocos, capelães e reitores;

Fiéis assistem missa na praça, em frente à Catedral de Amiens; abaixo, a sacristia num furgão.

Além disso, o discurso do Papa está claramente objetivando também – não apenas – a SSPX: a busca pela unidade da qual eles [os bispos] são servos tão ativamente – servidores da unidade da Igreja, como ele disse – INCLUI o relacionamento com a SSPX. De certo modo, o Papa está pedindo aos bispos na França – mas também de todos os outros lugares – para ajudar a cúria e ele com o fim de alcançar a reconciliação com Dom Fellay e sua Sociedade. As pessoas de fora da França devem saber que em 2001, quando as primeiras conversas com Dom Fellay se instalaram, o finado Cardeal Eyt, de Bordeaux, sonoramente expressou sua ALEGRIA com o fim de qualquer diálogo com a SSPX! E ele estava doente em estado terminal, e morreu de câncer alguns meses depois: isso mostra a intensidade do trad-ódio dentro de uma grande porção da Igreja da França.

O chamado do Papa Bento para os bispos Franceses o ajudarem com a SSPX é certamente algo forte. Por exemplo, Dom Bouilleret, de Amiens, está rejeitando o pedido de uma igreja – com cortesia – pela Sociedade depois que sua capela anterior ter sido fechada: o bispo está surdo e cego e durante todo o ano pastoral de 2007-2008 a Missa Tradicional foi celebrada próximo à catedral de Amiens a céu aberto, sob chuva e frio. O mesmo bispo está pronto a emprestar qualquer igreja a outras Comunidades e tem muitas igrejas vazias fechadas…

Mais de duas mil pessoas acompanharam a vígilia organizada pelos grupos ligados à Comissão Ecclesia Dei na igreja de Saint François-Xavier, Paris

É interessante dizer que a mídia Francesa toda está falando sobre esse apoio à chamada “messe en latin” (Missa em latim) e muitos comentários são feitos sobre as poucas palavras em latim usadas durante as missas Novus Ordo celebradas pelo Pontífice. Isso também para mostrar às pessoas de fora da França que o Latim está banido no Forma Ordinária sob a Igreja Francesa por décadas. Ninguém conhece o Pater Noster na França, incluindo padres, incluindo uma grande quantidade de bispos: para falar a verdade, o Cardeal Vingt-Trois sabia isso de cor enquanto podíamos ver na tela da TV, mas foi impressionante ver alguns bispos e padres calados, e entre os fiéis muitos tiveram que ler [o Pater Noster] nos folhetos…

O parágrafo inteiro dedicado à liturgia pelo Papa em sua mensagem aos bispos é sobre implementar Summorum Pontificum!

É como se o homem no avião e o Papa em Lourdes fossem duas pessoas diferentes!

Além de que a mensagem precisaria de um comentário inteiro: cada tema é digno de ser lido e com grande valor. Aposto que seja válida para a “Igreja Francesa”, mas para o restante dos bispos da “Igreja Americana” também, já que eles estão virando uma minoria nos EUA, enquanto eles são uma grande maioria na Europa/França.

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Depois do comentário factual de Zenit, dê uma olhada no semi-oficial jornal da “Igreja Francesa”. Nicolas Senèze é o editor sub-chefe e publicou em março um livro sobre “La Crise intégriste” a partir do ponto de vista anti-trad. Você vai ter uma idéia da enorme distância entre Bento XVI e a “Igreja Francesa”, para dizer pouco. Além disso, você verá como os católicos NO [Novus Ordo] comuns, lendo o La Croix, estão totalmente desinformados…

  1. La Croix está totalmente calado sobre a fraternalmente redigida ordem dada aos bispos para implementar verdadeiramente e com amor Summorum Pontificum (num país onde a grande maioria deles está fazendo o oposto).
  2. La Croix está substituindo a Mensagem Oficial aos bispos pela não-oficial, não-vinculante entrevista no avião.
  3. La Croix está unindo indevidamente o amor e o respeito geral pelos bispos com a real implementação do motu proprio, fazendo o papa se contradizer, porque o recurso a Roma é um direito na Igreja e especificamente mencionado em Summorum Pontificum.
  4. La Croix através dessa grosseira distorção está promovendo a velha heresia do galicanismo , solenemente condenada por muitos papas e especialmente na constituição dogmática do Vaticano I, Pastor Aeternus, similarmente pelo Vaticano II (Lumen Gentium).

Fiéis se aglomeram, ao som dos sinos e portando bandeiras do Vaticano, em frente à Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet para passagem do Papa.

É a perfeita imagem do que é hoje a ex-filha primogênita da Igreja: debaixo do invólucro (abertamente) anti-romana… No mínimo, a “Igreja Francesa” maioria da Igreja na França: uma minoria está ativamente apoiando o Papa, felizmente. Mas na França, o Cardeal Mahony e o Arcebispo Weakland são maioria, Arcebispo Chaput é minoria…

Para ser justo, a mídia secular – a maioria como zombaria e criticismo – está TODA enfatizando o gesto em direção aos tradicionalistas, o apoio à missa tradicional pelo Papa, o retorno do Latim durante as missas NO [Novus Ordo], “Vatican moins deux”  [literalmente, Vaticano menos Dois, em referência ao Vatican Deux, isto é, Vaticano Dois (o Concílio)] colocou um jornalista secular brincando com o Vaticano II. A cegueira de La Croix é inteiramente vonluntária! Tenha certeza que Senèze está expressando o que a maioria da “Igreja Francesa” quer ouvir.

Aqui está o comentário de La Croix (N.Senèze):

“Liturgia

É certamente um dos pontos mais notáveis neste discurso, exatamente um ano após o início da implementação do m.p. Summorum Pontificum, pelo qual B. XVI restaurava o pleno direito à liturgia pré-conciliar. “Um ato de tolerância” para um “grupo pequeno”, enfatizou o papa no vôo para Paris [comentário: você vê o que eu lhe disse sobre a indecente repercussão desta infeliz entrevista].

Enfatizando que “todos têm um lugar na Igreja”, o papa chamou ontem para “a necessária pacificação dos espíritos”. Mas ele alertou aqueles que são desrespeitosos com os bispos ou tentam ultrapassá-los mandando pedidos diretamente para Roma: “O povo Cristão deve olhar para vós com afeição e respeito”, ele enfatizou desde o início de seu discurso, pontuando o papel dos bispos como primeiros líderes de suas dioceses.”

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As verdadeiras palavras do Papa: veja a diferença com Senèze e La Croix.

“O culto litúrgico é a expressão suprema da vida sacerdotal e episcopal, como também do ensino catequético. O vosso ofício de santificação do povo dos fiéis, caros Irmãos, é indispensável ao crescimento da Igreja. Fui levado a precisar, no Motu proprio Summorum Pontificum, as condições de exercício deste cargo, no que diz respeito à possibilidade de utilizar igualmente o missal do Beato João XXIII (1962) e o do Papa Paulo VI (1970). Frutos destas novas disposições já têm visto o dia, e espero que a indispensável pacificação dos espíritos esteja, graças a Deus, a caminho de se fazer. Meço as dificuldades que são as vossas, mas não duvido que se possa chegar, em tempo razoável, a soluções satisfatórias para todos, para que a túnica sem costura de Cristo não se rasgue mais. Ninguém é excesso na Igreja. Cada um, sem exceção, deve poder sentir-se em casa nela, e jamais rejeitado. Deus que ama a todos os homens e não quer perder nenhum confia-nos esta missão de Pastores, fazendo de nós os Pastores das suas ovelhas. Não podemos senão dar-Lhe graças pela honra e pela confiança que nos dá. Esforcemo-nos, portanto, em sermos sempre servidores da unidade!”

L Perrin

Todos os discursos do Papa em sua viagem à França podem ser lidos aqui.

13 agosto, 2008

Em Chicago, uma triste novela mexicana… e US$ 12,7 milhões de indenização às vítimas de abuso sexual.

Cardeal Francis George, arcebispo de Chicago

O Cardeal Francis George, Arcebispo de Chicago e presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, firmou um acordo onde a Arquidiocese de Chicago pagará US$ 12,7 milhões a 16 vítimas de abuso sexual por parte do clero. Segundo o Chicago Tribune, a Arquidiocese mantém em sigilo os valores pagos em acordos com outras 250 vítimas. A matéria fala ainda sobre o escandaloso esquema mantido na Cúria da Arquidiocese de Chicago para acobertar os Padres criminosos.

O Cardeal George, que segundo os advogados das vítimas demonstrou grande transparência, tornou público seu depoimento. Diante das câmeras de TV, o Cardeal afirmou: “No sentido em que sou responsável por esta arquidiocese, eu tenho que aceitar a culpa”.

Segundo o vaticanista Sandro Magister, George, famoso entre os tradicionalistas por apoiar grupos favoráveis à Missa gregoriana como os Cônegos Regulares de São João Cantius (bi-ritualistas) e o Instituto Cristo Rei, pode ser substituído pelo atual Arcebispo de Denver, Mons. Charles Chaput.

11 agosto, 2008

Curtas

    • A Capela Santa Luzia, em São Paulo, cedida à Administração Apostólica São João Maria Vianney, está sem um Padre fixo encarregado para a celebração da Missa Tradicional nas primeiras sextas do mês, sábados e domingos, como era costume. Por ora, Dom Fernando Arêas Rifan escalou alguns Padres que virão de Campos para suprir as necessidades; entretanto, correm dois boatos. O primeiro: a Administração já não tem mais interesse em manter-se com essa responsabilidade por falta de padres e pela distância. Dom Rifan estaria, então, procurando um outro Padre de São Paulo mesmo para encarregar-se.
    • Outro boato dá conta que Dom Rifan designaria um Padre da própria Administração para ficar definitivamente em São Paulo, já em outra igreja maior que atenderia de maneira mais confortável as necessidades dos fiéis que freqüentam a capela atualmente: uma espécie de paróquia pessoal.
    • Andrea Tornielli informa, em seu blog, o início de uma nova celebração de missa no rito Ambrosiano, conforme o missal de 1954, na arquidiocese de Milão, do progressista Cardeal Tettamanzi. Deo Gratias!
    • Merecem ser vistas as fotos da missa de comemoração do centenário da paróquia dos Dominicanos em Seattle, Washington, EUA. Quase mil fiéis lotaram a igreja para assistir a missa no rito dominicano tradicional. Fotos e mais informações no The New Liturgical Movement.
    • O Cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, condecorou o socialista abortista Renate Brauner com o prêmio da Ordem Pontifícia de São Gregório Magno por seus serviços à saúde pública da cidade e ajuda às instituições católicas de saúde. O Cardeal Schönborn teve grande papel na redação do Catecismo de Igreja Católica e seu compêndio. O prêmio foi instituído em 1831 pelo Papa Gregório XVI, visando condecorar aqueles que prestam grandes serviços à Sé Apostólica…
    • O Padre John Berg, superior geral da Fraternidade São Pedro, concedeu uma entrevista ao The Remnant sobre o primeiro aniversário do motu proprio Summorum Pontificum. Ao ser questionado sobre o uso do segundo Confiteor pelos padres da FSSP, abolido no missal de 1962, o Padre J. Berg respondeu que existe uma variação nos EUA quanto a isso, sendo fator determinante o costume de cada região. Alguns perguntarão: a FSSPX não poderia manter o uso da antiga oração para os judeus sob a mesma justificativa?
    • O discipulado Cristão demanda mais que uma relação polída com Jesus e Sua Igreja. Ele é Nosso Senhor e Deus… O que ele merece é nosso amor — um amor que se expressa em nosso culto, em nosso serviço aos outros e em nossa obediência à Igreja“. É o que diz o Arcebispo de Denver, Charles Chaput, ao chamar o Leadership Conference of Women Religious à obediência católica.
    • O Arcebispo de Gênova, presidente da Conferência Episcopal da Itália e, segundo alguns, maior defensor do Motu Proprio Summorum Pontificum na Itália, Cardeal Angelo Bagnasco, condenou o deputado Mario Borguezio por sua postura anti-islâmica. O deputado pretendia defender a Cristandade contra as profanações do Islã e agiu contra encontros ecumênicos numa igreja de Gênova. De bispos conservadores como esses…
    • Em seu Eleison Comments LVIII, Dom Richard Williamson fala sobre as profecias de Garabandal, segundo ele “um vulcão adormecido” . O bispo, que já havia previsto que o Grande Alerta ocorreria em fevereiro ou março desse ano, reafirma que não sabe a hora fixada por Deus Onipotente… mas dá seu palpite, dizendo que o vulcão poderá entrar em erupção facilmente em 2009… realmente, Kyrie Eleison!