Posts tagged ‘Abbé Vincent Ribeton’

25 maio, 2009

Curtas da semana.

Não tão súbito.

João Paulo II e CorãoInforma Andrea Tornielli (que nos chega via Secretum Meum Mihi) que o grupo de peritos da Congregação para a Causa dos Santos deu parecer favorável à beatificação de João Paulo II, mas não unânime. Alguns teriam manifestado “objeções e dificuldades”, entre elas aspectos do Papado cujas informações são insuficientes, assim como algumas contradições nos testemunhos. O Secretário de Estado de João Paulo II por quinze anos, Cardeal Angelo Sodano, e o substituto da mesma Secretaria, o hoje Cardeal Leonardo Sandri, teriam se negado a dar seus testemunhos. Um dos volumes “sub secreto” da Positio elenca como fatos “dignos de atenção” o caso de Marcinkus (o ‘banqueiro de Deus’), o financiamento do movimento polaco “Solidariedade” e a nomeação de alguns bispos de moralidade duvidosa. Outro caso de contradição nos testemunhos se referiria ao beijo dado por João Paulo II no Corão em maio de 1999; embora a foto seja clara, seu secretário e hoje Cardeal Dziwisz diz que o beijo nunca aconteceu.

Na contramão.

Surpreendeu a todos a notícia de que os monges da Ordem de Santa Cecília, de Caçapava do Sul, Diocese de Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, deixaram a única Igreja de Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana, para se filiar ao ramo ‘tradicionalista’ da seita Anglicana. Os monges que eram “unidos a Santa Igreja Romana no seguimento de suas diretrizes a partir do Concilio Vaticano II” apostataram da Fé Católica: “por motivos de divergências jurídicas com o Bispo Diocesano na organização do Mosteiro passamos para a Igreja Católica Anglicana tradicional cognominada de IAB“. Enquanto esse próprio ramo do anglicanismo dá indícios de querer retornar à Santa Igreja, os monges fazem o caminho contrário; alguns dizem que esperam independência de sua diocese ao poder retornar futuramente com status de prelazia, que possivelmente seria concedido aos anglicanos quando de sua regularização . “Tornou-se mais fácil para nossa fundação pertencer ao Anglicanismo cuja semelhança com a Igreja de Roma condiz com o nosso carisma e propostas de espiritualidade e ação, além da tradição da Liturgia que permanece a mesma de São Pio V”.  Facilidade, péssimo critério, pois Nosso Senhor nos mostrou que “larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt 7, 13).

Perguntas que não querem calar.

Abbé Ribeton‹‹ Para muitos católicos e homens da Igreja, depois das ilusões e do irenismo da segunda metade do século XX, marcado por um discurso resolutamente otimista sobre a modernidade, o despertar é brutal. O diálogo há muito tempo idealizado entre “a religião do Deus feito homem” e “a religião do homem feito Deus”, entre um cristianismo de progresso e um humanismo vagamente espiritual no âmbito ecumênico e tolerante de uma “laicidade positiva” e de uma sociedade “aberta” definitivamente atingiu seus limites. Pois afinal, este diálogo pôs em dificuldade a secularização sempre crescente da sociedade? Permitiu regenerar espiritualmente o nosso século? Permitiu construir uma sociedade respeitosa da lei natural? Permitiu à Igreja reagir de maneira eficaz face à cultura de morte, perante o genocídio físico do aborto, perante o genocídio espiritual de gerações inteiras pervertidas pela decadência moral do liberalismo imperante? Esse diálogo permitiu se evitar a complacência perante a ascensão do Islã? A ideologia do diálogo a todo custo não  custou caro à Igreja em termos de evangelização? Em termos de espírito missionário? Em termos de conquista das almas? E o que dizer do esquecimento e do sacrifício da doutrina de Cristo Rei… E tudo isso por quais frutos? Por qual progresso? A amizade com o mundo termina por converter ao espírito do mundo. E o espírito do evangelho jamais será conforme o espírito do mundo. ›› Excerto do editorial do abbé Vincent Ribeton, superior do distrito da França da Fraternidade São Pedro, Tu es Petrus, abril de 2009.

Faleceu Mons. Mario Marini.

Monsenhor Mario Marini, secretário da Comissão Ecclesia Dei (não confundir com Mons. Guido Marini, mestre de cerimônias do Papa), faleceu na manhã do último domingo. Requiescant in pace.

Novo site da Comissão Ecclesia Dei.

A Ecclesia Dei lançou um novo site com o histórico da Comissão,  documentos oficiais e subsídios litúrgicos. Aqui.

Um bispo na corda bamba.

Dom Marcelo Angiolo Melani, SDB, bispo de Neuquén, Argentina, teria sido admoestado pelo Cardeal Giovanni Battista Re a renunciar a seu cargo por problemas “teológicos, litúrgicos e pastorais”. O “Sindicato de Presbíteros” já está batendo panelas em favor do bispo. É uma pena a Congregação para os Bispos apenas aconselhar a renúncia, tal como fez outrora com o famoso bispo Dom Casaldáliga.

A solução para os judeus chama-se Jesus Cristo.

Vaticano (kreuz.net – 16 de maio). Ontem o Papa Bento XVI deixou a Terra Santa voando de volta para Roma. Antes, na parte da tarde, ele visitou a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém: “Aqui a História da humanidade mudou definitivamente” – explicou o Papa em sua alocução: “Como cristãos, sabemos que a paz pela qual anseia este país dilacerado por lutas tem um nome: Jesus Cristo”.

Cardeal Carlo Caffarra restringe comunhão na mão.

Cardeal CaffarraBolonha, 10 Mai. 09 / 11:27 pm (ACI).- O Arcebispo de Bolonha, Cardeal Carlo Caffarra, decidiu proibir a comunhão na mão em três igrejas de sua jurisdição e pediu aos sacerdotes muita cautela para evitar que se sigam cometendo abusos contra a Eucaristia. (…) Segundo uma carta do pró-vigário geral de Bolonha, Dom Gabriele Cavina, originaram-se “graves abusos”, porque “existem pessoas que levam as Sagradas Espécies para tê-las como ‘souvenires'”, “quem as vende”, ou pior “quem as leva para profaná-las em ritos satânicos”.

“O confronto entre as diferentes maneiras de ver as coisas é sempre útil”. Que isso valha também ao se debater os rumos tomados há quarenta anos.

Cardeal Georges Cottier‹‹ Li num jornal francês que a remissão da excomunhão aos bispos lefebvrianos é a comprovação de que a Igreja Católica também não é infalível, pois o Papa atual revogou uma providência de seu predecessor. Uma banalidade, mas que dá a medida da confusão que circula a respeito dessas coisas. O carisma da infalibilidade, que é o da própria Igreja, reside individualmente no papa enquanto sucessor de Pedro quando o pontífice sanciona por meio de um ato definitivo uma doutrina a respeito da fé e da moral (cf. Lumen gentium, 25). No governo ordinário da Igreja, um papa pode errar, e isso não é um desastre, é humano. É preciso reconhecer que uma diferença de opiniões não deve ser temida e exorcizada. Mesmo na Cúria Vaticana, sobre muitas coisas, não pensamos todos da mesma forma. Ninguém na Igreja pode ter como ideal um sistema totalitário em que um pensa por todos e os outros se esforçam para encontrar um modo de não dizer nada. O confronto entre as diferentes maneiras de ver as coisas é sempre útil, é sinal de vitalidade. Se não reconhecemos isso, acabamos por subscrever declarações em apoio ou em conflito com o papa, ou começa o jogo de contrapor os “extremamente fiéis” aos adversários. Como se na Igreja pudesse haver os partidos “pró” ou “contra” o Papa. Nós não somos os “fãs” do Papa. Ele é o sucessor de Pedro, a divina Providência o quis assim como é. E nós o amamos assim como é, pois, por trás dele, vemos Jesus. É isso que significa ser católicos. ›› Da entrevista do Cardeal Georges Cottier, O.P à 30Giorni.

Alemanha: Negacionismo das verdades de Fé, isso pode.

Alemanha. (kreuz.net) A Ascensão de Cristo não deve ser pensada de maneira literal, conforme afirma o sítio da Conferência de Bispos Alemães ‘katholisch.de’ em um artigo não assinado. As nuvens aparecem na tradição do Antigo Testamento para significar a presença de Deus: “Não se tem em mente nenhum lugar físico ao utilizar expressão “ir para o Céu”, mas sim a proximidade de Deus.”

A chave para os problemas globais: Evangelho e Magistério da Igreja.

Vaticano. (kreuz.net) No sábado o Papa Bento XVI acolheu os formandos da Academia Pontifícia de Diplomatas. Em sua alocução ele descreveu o “Diálogo com a modernidade” como uma capacidade importante dos embaixadores. O ofício de diplomata seria um chamado especial para os sacerdotes – esclareceu o Santo Padre. Como chave importante para os problemas globais o Papa mencionou o Evangelho e o Magistério da Igreja.