Posts tagged ‘Arautos do Evangelho’

26 junho, 2017

Diretor da TFP italiana se pronuncia.

“A TFP originária e os Arautos do Evangelho são instituições diversas”

Afirma-o Montes, após a renúncia do fundador João Clá durante uma investigação vaticana e um vídeo no qual se dá crédito a teorias reveladas por um suposto demônio.

Por Domenico Agasso Jr, Vatican Insider, 15 de junho de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – “Diante de certo número de notícias e vídeos veiculados pela mídia e por blogs predominantemente de inspiração católica sobre os Arautos do Evangelho, julgo necessário fazer um esclarecimento, em nome de numerosos sócios e fundadores da TFP brasileira e de pelo menos 28 organizações que se inspiram na obra de Plinio Corrêa de Oliveira em todo o mundo. Na verdade, o conhecido pensador e homem de ação católico brasileiro deu origem a uma realidade completamente diversa daquela dos Arautos do Evangelho” – afirma Juan Miguel Montes, diretor do escritório romano Tradição Família Propriedade (TFP), após as notícias dos últimos dias.

As notícias são a renúncia do fundador dos Arautos, João Scognamiglio Clá Dias, 77 anos, como superior geral (continua a ser “pai” do Instituto), enquanto o Vaticano (a Congregação para os Religiosos) investiga as excentricidades de cultos milenaristas e exorcismos realizados invocando o nome dos fundadores.

Em seguida, a difusão de um vídeo que mostra monsenhor João Clá dar crédito a perturbadoras teorias reveladas por um suposto demônio, com uma exaltação semidivina do fundador da TFP Plinio Corrêa de Oliveira e de sua mãe.

Embora “uma ordem judicial provisória lhes tenha dado a posse legal da TFP – declara Montes –, no Brasil e em alguns outros países, os Arautos do Evangelho não deram continuidade ao pensamento, às práticas e às ações que caracterizaram o mencionado Plinio Corrêa de Oliveira, fundador moral desta vasta família espiritual; em vez disso, eles se organizaram usando uma denominação que ele desconhecia antes de seu falecimento em 1995”.

Muitas pessoas “que acompanharam Plinio Corrêa de Oliveira durante décadas, tanto em estreita proximidade por parentesco familiar e/ou outras relações civis e institucionais, quanto o subscrito, que o representou em Roma nos últimos doze anos de sua vida, são testemunhas unânimes de que nada de parecido com o que se narra nos vídeos e nas notícias que circulam nestes dias sobre os Arautos do Evangelho, jamais aconteceu perante o fundador da TFP brasileira ou foi de seu conhecimento em qualquer uma das associações TFP.”

12 junho, 2017

Mons. João Clá renuncia a posto de Superior Geral dos Arautos do Evangelho.

Em carta datada de 2 de junho de 2017, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho, renunciou ao posto de superior geral.

A renúncia se dá após a divulgação de vídeos que causaram perplexidade entre os fiéis e autoridades da Igreja, criando rumores bastante difusos de que a Santa Sé planejava já uma visitação apostólica.

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Fonte da imagem: Arautos do Evangelho.

8 junho, 2017

Roma fará visita apostólica aos Arautos do Evangelho e comissão já está sendo formada.

Por Padre Augusto Bezerra – A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada está preparando uma visita apostólica à Associação Internacional de Fiéis Arautos do Evangelho, segundo revelou o correspondente do Vaticano Marco Tosatti em um artigo na Nuova Bussola quotidiana.

arautosFontes da Congregação que foram consultadas por Tosatti disseram que está se formando uma comissão composta de um bispo, uma religiosa e um canonista, afim de analisar a situação dos Arautos do Evangelho. Esse ano a Associação esteve envolvida em polêmicas em torno de alguns exorcismos feitos em diversos de seus membros.

A forma de conduzir o ritual por parte do Monsenhor Clá causou estranheza a muitos fiéis que viram os vídeos em redes sociais, estes que mais tarde foram removidos do YouTube sob alegação de direitos autorais. Além do próprio exorcismo, foi feito um vídeo de mais de 1 hora em que o Monsenhor expunha coisas ditas pelo demônio sobre os Arautos, o mundo, a Igreja, o Papa e profeciais sobre os tempos vindouros.

Embora oficialmente a razão para a visita apostólica seja desconhecida, recentemente o prefeito desta Congregação, o Cardeal João Braz de Aviz, observou em uma entrevista a necessidade de prestar especial atenção às “novas famílias religiosas”.

Arautos do Evangelho é a primeira Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício erigida pela Santa Sé no terceiro milênio, em 22 de Fevereiro de 2001. Fundada por Mons. João Dias Clá formado principalmente por jovens e presente em 78 países. Conforme definido nos estatutos dos Arautos, a espiritualidade tem como diretrizes “adoração a Jesus Eucarístico, filial piedade mariana e devoção ao papado, fundamento visível da unidade da fé”. Seu carisma leva os membros desta associação “buscar ato perfeição em busca de pulchritude em todos os atos da vida diária”, seguindo a ordem de Cristo “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito.”

Fonte: InfoVaticana

2 dezembro, 2013

Revista Isto É: “A Nova TFP”.

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Revista Isto É, ano 37, nº 2298 – 4 de dezembro de 2013, pp. 102 a 105.

13 maio, 2012

Arautos do Mercado Imobiliário.

Castelo que era ‘igreja’ pode virar resort em Ubatuba

Novo carisma dos Arautos do Evangelho: atuar no mercado imobiliário, construindo "igrejas" para depois vendê-las como hotéis.

Nova Evangelização e o novo carisma dos Arautos do Evangelho: atuar no mercado imobiliário, construindo “igrejas” para depois vendê-las como hotéis.

Veja – Um castelo em estilo medieval construído em uma das praias mais isoladas de Ubatuba, no litoral norte paulista, tem aguçado a imaginação de pescadores e despertado a ira de ambientalistas. Com quase 9 mil m² de área construída, a propriedade fica ao lado da paradisíaca Praia do Pulso, cercada por Mata Atlântica e mar azul. Mas, para erguer o empreendimento, o grupo católico Arautos do Evangelho não precisou de licença ambiental: o palácio foi classificado como “igreja”, o que livrou os responsáveis pela obra de pedir qualquer autorização à Companhia Ambiental do Estado (Cetesb).

Indignados, moradores da região moveram uma ação civil pública que pedia ao Ministério Público Estadual a demolição do imóvel. Mas o castelo, que estava misteriosamente fechado havia quase um ano, acabou vendido para um grupo do mercado imobiliário americano. Com mais de cem cômodos e torres com guaritas, o lugar está em obras. Ninguém sabe dizer ao certo o que será feito ali.

Na prefeitura de Ubatuba, a obra consta como “ampliação de instalação religiosa” e ainda pertence ao grupo católico. Mas não é isso o que os funcionários dizem. “Aqui é agora uma propriedade particular, não é mais dos padres. No momento adequado, os americanos vão divulgar“, diz o funcionário responsável pela obra, que pediu para não ter o nome divulgado. “Não podemos falar sobre o que vai ser aqui com ninguém.”

Brechas – Outro mistério para os poucos moradores vizinhos e donos de casas de veraneio, todos acostumados a respeitar severas regras impostas pela Polícia Ambiental, é como alguém conseguiu autorização para construir um castelo em um dos pedaços mais preservados de Ubatuba, ao lado da Fazenda Caçandoca. Trata-se de uma região quilombola tombada pelo patrimônio histórico nacional.

O que agora pode até virar um resort ecológico com 20 bangalôs, segundo uma das versões apresentadas por funcionários da obra, nasceu das brechas que existem atualmente na legislação ambiental. Para a construção de igrejas e escolas públicas, não existe a necessidade de autorização prévia de órgãos ambientais do Estado.

Reconhecidos como ordem religiosa pelo Vaticano, os Arautos do Evangelho só tiveram de pedir uma autorização para construção de um templo ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat), em 2004. O grupo assinou um termo de responsabilidade com o órgão, assumindo o compromisso de manter intacta a área verde nativa. A Secretaria de Meio Ambiente e a Cetesb não precisaram ser consultadas.

E assim nasceu o castelo, como igreja, apesar de seus enormes portões com 8 metros de altura nunca terem sido abertos a ninguém que não fosse integrante dos Arautos do Evangelho, uma dissidência ultraconservadora da ala Tradição, Família e Propriedade (TFP) da Igreja Católica. Os padres venderam há dois anos o imóvel para os americanos da Sunrise Homes International, um grupo que constrói casas para estudantes em Santa Bárbara, na Califórnia.

Se quiserem fazer um hotel no local que era, na verdade, para ser uma “igreja”, os americanos também não vão precisar consultar os órgãos do governo estadual, pois esse tipo de empreendimento é liberado pela prefeitura de Ubatuba. O zoneamento municipal permite um empreendimento hoteleiro naquela área.

Desde que o castelo foi aberto, em 2005, a Polícia Ambiental nunca constatou nenhuma irregularidade. “Mas eles cortaram muito da mata. Só que todos os guardas sempre fecharam os olhos para o que eles fazem”, acusa o pescador Adilson da Silva, de 32 anos, que leva turistas para passear de escuna a partir da Praia de Maranduba.

Desde que o castelo começou a ser construído, a Cetesb abriu cinco procedimentos para penalizar condôminos da Praia do Pulso, o loteamento bem ao lado do castelo, por infrações cometidas em áreas de preservação. “E, mesmo assim, deixaram erguer um castelo de arquitetura horrorosa no meio da floresta“, reclama a dona de casa Lucinda Cano, de 51 anos, proprietária de um imóvel no local.

28 março, 2012

STJ amplia direito de voto a 300 sócios da TFP.

Plínio Correa de Oliveira e Mons. João Clá.

Plínio Correa de Oliveira e Mons. João Clá.

IHU – O destino da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) não poderá ficar concentrado nas mãos de seus antigos sócios fundadores. Ao julgar ontem uma disputa interna na associação que ficou conhecida por combater o comunismo durante o regime militar, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu ampliar a cerca de 300 sócios efetivos da TFP o direito de votar nas assembleias. Representantes dos fundadores afirmam que irão recorrer.

A reportagem é de Maíra Magro e publicada pelo jornal Valor, 28-03-2012.

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17 outubro, 2011

Conselho nega pedido para dissidente da TFP criar faculdade.

Por Vinícius Queiroz Galvão e Fábio Takahashi – Folha de São Paulo

O Conselho Nacional de Educação acendeu uma polêmica no meio acadêmico ao negar um pedido da Arautos do Evangelho –associação católica conservadora dissidente da TFP (Tradição, Família e Propriedade)– para abrir uma faculdade com cursos de teologia e filosofia em Caieiras (SP).

Embora afiançada por outras duas instâncias do Ministério da Educação, a proposta de criação da Faculdade Arautos do Evangelho, segundo o conselho, “não apresenta características acadêmicas” e tem caráter “confessional católico”.

Antes da negativa do CNE, a Sesu (Secretaria de Educação Superior) e o Inep (o instituto de pesquisas do MEC) haviam atribuído à faculdade conceito 4, numa escala de 0 a 5, nas avaliações de professores, instalações e organização pedagógica.

No processo enviado ao ministério, a Arautos do Evangelho diz que “o Espírito Santo suscitou em suas almas o anseio de formarem uma instituição de cunho religioso com a finalidade de promover a santificação e a evangelização”.

Entre as metas a serem atingidas, a candidata a faculdade destacava: 1) a disseminação da doutrina cristã e da fé mariana (em Maria); 2) o amor à eucaristia; 3) a devoção ao papa.

Para o CNE, a faculdade seria “um instrumento da evangelização” e não poderia ser “credenciada pelo poder público”.

A Arautos do Evangelho recorreu, dizendo haver violação da Constituição e que já existem universidades cristãs, como a PUC, cujo “curso de teologia é determinado pela fé”.

“A PUC pauta seus cursos por visões abrangentes e polivalentes, o que não acontece no projeto da Arautos”, disse Paulo Speller, relator do conselho.

“O problema deles não está nas instalações, está na proposta. Sugeri que apresentem uma nova proposta que seja mais abrangente e que não tenha um caráter catequético”, afirmou.

Um dos conselheiros que votaram contra a abertura da faculdade é Antonio Carlos Caruso Ronca, ex-reitor da PUC-SP.

Para Milton Linhares, conselheiro que votou a favor da criação da faculdade, a decisão é “incoerente” e “conflitante com princípios constitucionais” porque anteriormente o órgão já havia aprovado a criação da Faculdade Messiânica.

Em São Paulo já existe a Faculdade de Teologia Umbandista. Dos 24 membros do conselho, apenas um votou a favor.

Procurado, o Colégio Arautos do Evangelho, que pediu a criação da faculdade, não respondeu ao pedido de entrevista.

17 setembro, 2011

O Vaticano procura um bispo “que tranquilize os fiéis” de Sucumbíos, no Equador.

IHU – O Vaticano está preocupado com o conflito entre os seguidores de um modelo de Igreja social e outro hierárquico na província de Sucumbíos e procura nomear um bispo permanente que tranquilize os fiéis, segundo disse à agência Efe o delegado pontifício, Angel Polibio Sánchez.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 15-09-2011. A tradução é do Cepat.

No próximo sábado, os partidários dos Carmelitas Descalços sairão às ruas para pedir que Roma escolha um bispo que mantenha a Igreja social e comunitária estabelecida na província amazônica de Sucumbíos, na fronteira com a Colômbia, disse à agência Efe o padre diocesano Édgar Pinos.

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26 agosto, 2011

O Professor Ratzinger? Bom demais.

Em um primeiro exame, tende a promover a todos, mesmo aqueles grupos e movimentos que logo lhe trarão grandes desilusões. Três casos de estudo: os neocatecumenais, os monges de Vallechiara e os Arautos do Evangelho.

por Sandro Magister – Tradução: Fratres in Unum.com

ROMA, 26 de agosto de 2011 – Como lhes é tradicional, os neocatecumenais participaram em grande número da Jornada Mundial da Juventude, em Madri. E acrescentaram ali o seu “day after”, esta também uma segunda tradição.

Na tarde de segunda-feira, 22 de agosto, eles se reuniram na centralizada Plaza de Cibeles, para celebrar o rito do “chamado” ao sacerdócio ou à vida religiosa, com seu fundador Francisco José Gómez Argüello, apelidado Kiko, atuando como âncora, rodeado pelo arcebispo de Madri, Antonoi María Rouco Varela, e por dezenas de outros bispos de todo o mundo [ndr: entre eles, o bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Arêas Rifan]

A praça estava repleta de neocatecumenais de diversas nações, 180 mil ao todo, dos quais 50 mil eram italianos e 40 mil espanhóis.

Exatamente 750 chegaram de somente duas paróquias de Roma, a cidade em que o Caminho Neocatecumenal está mais presente.

O “chamado” teve uma resposta massiva. Cerca de 9 mil jovens de ambos os sexos se deslocaram da praça para o palco, para receber dos bispos a benção sobre suas escolhas vocacionais.

Ao inflamar a multidão, Kiko não deixou – como faz com freqüência — de se vangloriar do apoio do então professor de teologia Joseph Ratzinger ao estabelecimento do Caminho Neocatecumenal na Alemanha, em 1974.

Naquele ano, Stefano Gannarini e outros discípulos italianos de Ratzinger em Ratisbona, informaram-lhe que tinham ingressado no Caminho Neocatecumenal, em Roma, e que ficaram entusiasmados.

Seu entusiasmo contagiou o professor Ratzinger, que quis encontrar em sua casa, para jantar, Kiko e a outra fundadora do Caminho, a ex-freira Carmen Hernández.

O encontro se estendeu até o dia seguinte, por vontade de Ratzinger, então bispo auxiliar de Munique.

E pouco mais tarde, Ratzinger escreveu a dois de seus amigos sacerdotes da diocese de Munique, recomendando-lhes calorosamente que desenvolvessem o Caminho em suas paróquias. O que realmente ocorreu.

Como toda vez que conta este episódio, também em Madri, Kiko releu enfaticamente algumas frases dessas duas cartas de Ratzinger.

O que não muda o fato de que o Caminho tenha criado, posteriormente, momentos difíceis ao próprio Ratzinger, convertido em prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, por último, em Papa.

Os textos do catecismo escrito por Kiko e Carmen para a formação dos membros do Caminho – até agora mantidos em segredo – demandaram efetivamente treze anos de revisões e correções pela Congregação para a Doutrina da Fé, antes de serem aprovados em 2010.

E também a forma com que os neocatecumenais celebram a Missa e os outros sacramentos foram objeto de reclamações e correções insistentes, que nem sempre chegaram a bom porto, por parte das autoridades vaticanas.

Se em 1974 o então jovem professor Ratzinger tivesse tido conhecimento dos defeitos do Caminho nas esferas da doutrina e da liturgia, seu entusiasmo teria dado lugar a uma maior cautela.

E este não é o único caso em que Ratzinger pecou por um excessivo otimismo inicial ao julgar os novos movimentos religiosos que depois lhe deram motivos de preocupação.

*

Um destes casos remete à Família Monástica Fraternidade de Jesus, estabelecida nos anos 80 em uma zona rural não distante de Castel Gandolfo, com várias dezenas de monges e monjas.

O fundador, o padre Tarcisio Benvenuti, deu o nome alusivo de Vallechiara a seu novo mosteiro e atraiu rapidamente as visitas e a simpatia de ilustres eclesiásticos, desde o arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, até o arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja anglicana, Rowan Williams.

Também o príncipe Carlos da Inglaterra, em 2002, visitou o mosteiro e as atividades da fazenda. E também o então Cardeal Ratzinger.

Ratzinger se entusiasmou tanto que em 8 de março de 2004 escreveu de próprio punho ao abade Benvenuti uma longa carta, cheia de elogios e encorajamento, ainda reproduzida no sítio da web da comunidade:

> “Stimato e caro padre Abate…”

Naquele mesmo ano, inclusive amadureceu no Vaticano o propósito de confiar à Família Monástica Fraternidade de Jesus o cuidado da basílica romana de São Paulo Fora dos Muros, no lugar dos monges beneditinos que residiam ali há muitos séculos, pouco numerosos e envelhecidos:

> Turnover a San Paolo fuori le Mura: arrivano i nuovi monaci contadini (3.9.2004)

Mas este foi o início do fim para o Padre Benvenuti e os seus. Os beneditinos, os verdadeiros, se levantaram contra eles, que consideravam falsos imitadores. E começaram a trazer à luz as numerosas e graves falhas da comunidade. Em 2007, já como Papa, Ratzinger enviou um abade beneditino para efetuar uma visitação apostólica, que produziu resultados desastrosos.

A comunidade foi colocada sob supervisão. O fundador e o co-fundador, os padres Benvenutti e Zeno Sartori, foram primeiramente transferidos aos mosteiros beneditinos de Praglia e Novalesa, e depois exilados em um santuário situado nas montanhas da Áustria, em St. Corona AM Wechsel, na arquidiocese de Viena.

Em 12 de abril de 2010, veio o golpe final. A congregação vaticana para a Vida Religiosa, presidida pelo Cardeal Franc Rodé, redigiu o decreto de supressão da Família Monástica Fraternidade de Jesus, decreto aprovado em forma específica por Bento XVI em 22 de abril seguinte.

*

Outro caso digno de estudo: os Arautos do Evangelho. São o único movimento católico de formação recente citados nominalmente por Bento XVI no último livro-entrevista “Luz do mundo”.

E citou para elogiá-lo: são “jovens cheios de entusiasmo por terem reconhecido em Cristo o Filho de Deus e por anunciá-lo ao mundo”; são a prova que também no Brasil – onde nasceram – “se assiste a grandes renascimentos católicos”.

A partir do Brasil, os Arautos do Evangelho se difundiram em dezenas de países. Em Roma estão a cargo da igreja de São Bento em Piscinula. São leigos e leigas consagradas, com alguns sacerdotes. Vivem em comunidade e vestem um uniforme quase militar de aspecto neo-medieval (ver foto).

Obtiveram o reconhecimento da Santa Sé em 2001. Mas seu fundador, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, provém de uma estirpe anterior e famosa, a do movimento Tradição, Família e Propriedade, conduzido por Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1985), de quem foi o colaborador e o intérprete mais próximo. Monsenhor Scognamiglio Clá Dias escreveu uma tese de doutorado sobre o pensamento e a vida de Corrêa de Oliveira.

Assim como a Tradição, Família e Propriedade, os Arautos do Evangelho são um movimento católico marcadamente tradicionalista e conservador, no extremo oposto das correntes católicas latino-americanas que se nutrem da Teologia da Libertação.

O conflito entre estas duas tendências teve recentemente por palco o vicariato apostólico de San Miguel de Sucumbíos, um posto avançado de missão na área amazônica do Equador, na fronteira com a Colômbia.

Até pouco tempo, este vicariato era dirigido por um bispo carmelita, Gonzalo Marañón López, simpatizante da teologia da libertação, e, conseqüentemente, das comunidades de base, da leitura popular da Bíblia e da criatividade litúrgica.

A Congregação para a Evangelização dos Povos, presidida pelo Cardeal Ivan Dias, não estava contente. E em 2007 enviou o arcebispo brasileiro de Petrópolis, Filippo Santoro, para realizar uma visitação apostólica.

No outono de 2010 seguiu a substituição do bispo Marañón López pelo sacerdote argentino Rafael Ibarguren Schindler, da Sociedade Clerical “Virgo Flos Carmeli”, o ramo sacerdotal dos Arautos do Evangelho.

O Cardeal Dias confiou oficialmente ao padre Ibarguren e aos Arautos do Evangelho a tarefa de reorganizar o vicariato “de modo diferente” com relação à organização anterior, rechaçada por “não estar sempre conforme a exigência pastoral da Igreja”.

Mas à sua chegada, os recém-chegados encontraram imediatamente a áspera oposição dos dirigentes por eles substituídos.

Seguiram-se meses de confusões verbais e às vezes também físicas, com protestos, apelos, passeatas e petições. Também a Conferência Episcopal do Equador se dividiu entre favoráveis e contrários. Intervieram na briga, contra os Arautos do Evangelho, inclusive expoentes do governo. Para mediar, teve de intervir o núncio apostólico, Dom Giacomo Guido Ottonello, respaldado na Secretaria de Estado vaticana por Monsenhor Angelo Accattino.

Hoje a confusão ainda não parece aplacada. Como outros movimentos católicos marcados por este mesmo perfil, os Arautos do Evangelho tendem, em todas as partes, a dividir. Há quem os admire e apóie irrestritamente, e quem, pelo contrário, não os suporte.

O mesmo ocorre com os neocatecumenais. Têm fervorsos admiradores entre os cardeais e bispos, mas também muitos opositores e críticos. Os bispos do Japão, por exemplo, recentemente romperam em bloco com eles. E o mesmo ocorreu há poucos dias no Nepal.

Os amplos elogios iniciais de Ratzinger nem sempre encontram confirmação nos fatos.

23 março, 2011

Importante atualização sobre o caso Sucumbíos.

Padre Rafael Ibarguren, dos Arautos do Evangelho.

Padre Rafael Ibarguren, dos Arautos do Evangelho.

O leitor Luciano Padrão nos indica a seguinte informação vinda de Francisco José Fernández de la Cigoña:

“Estamos em condições de poder informar sobre o ocorrido em San Miguel de Sucumbíos. O vigário apostólico, Padre Ibarguren, continua em seu cargo com todas as faculdades inerentes ao mesmo. Foi nomeado um Delegado Pontifício, na pessoa do bispo de Guaranda, para as relações com o governo Equatoriano, que não são fáceis”.

Relações conturbadas, de fato, como mostra a notícia abaixo veiculada também por IHU:

Presidente da República condecora o Mons. Gonzalo López

Durante o seu programa semanal em cadeia nacional, o presidente [do Equador] Rafael Correa voltou a se referir ao problema originado na Igreja San Miguel de Sucumbíos com a chegada da congregação Arautos do Evangelho para administrar o Vicariato que, por 40 anos, esteve sob a direção dos Carmelitas Descalços liderados pelo Mons. Gonzalo López Marañón.

Após destacar o reconhecimento entregue pelo governo federal na quarta-feira, 9 de março, ao monsenhor Gonzalo López no palácio do governo, o presidente Correa se referiu com termos duros à hierarquia da Igreja católica do Equador, por ter enviado a Sucumbíos a congregação Arautos do Evangelho.

Nesse contexto advertiu que vetará a nomeação do bispo em Sucumbíos que vier de congregações que se contraponham ao modelo de igreja social e progressista (9 de março de 2011: adiosucumbios.org.ec/index.php?option=com_content&view=article&id=277).

O padre Rafael Ibarguren, administrador do Vicariato Apostólico San Miguel de Sucumbíos, em seu programa dominical denominado “A palavra se fez carne”, transmitido pela Rádio Sucumbíos, se referiu ao polêmico assunto, tomando uma publicação do jornal El Universo, de circulação nacional.

O presidente Correa, por sua vez, também reconheceu o trabalho das diferentes ordens religiosas que se encontram na Amazônia equatoriana.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…