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28 setembro, 2016

Francisco abre a porta até para aqueles que não têm as vestes nupciais. Mas, o que diz o Proprietário da casa?

Por Sandro Magister | Tradução: FratresInUnum.com: Recebi e publico. A autora da primeira carta é uma consagrada de clausura. O autor da segunda é um renomado advogado criminal no foro de Nápoles.

nozzeTanto uma como outra intervêm na questão da comunhão para os divorciados novamente casados. A segunda, em particular, foi escrita após a leitura de “Amoris Laetitia” feita pelo Cardeal Vigário de Roma Agostino Vallini, que eu publiquei num post anterior.

Ambos estão entre aquelas “ovelhas fiéis”, mencionadas pelo cardeal Camillo Ruini na entrevista ao “Corriere della Sera”, em 22 de setembro, quando ele disse que reza ao Senhor “para que a busca indispensável pela ovelha perdida não coloqueem dificuldade a consciências das ovelhas fiéis”.

Com eles, a palavra.

Caro Magister,

Sou uma consagrada na vida de clausura e estou acompanhando muito atentamente e, na medida do humanamente possível, sem preconceitos, o debate sobre a comunhão para divorciados novamente casados, para tentar entender se qualquer decisão do Papa a este respeito realmente se insere dentro de suas prerrogativas – ou seja, o poder das chaves – ou se a intenção é fazer dessas chaves uma duplicata à revelia do Proprietário da casa, para introduzir, por engano, aqueles que não têm as vestes nupciais (Mt 22: 1-14)  faltando assim com a confiança depositada.

Quero apresentar-lhe um argumento muito simples na forma, mas essencial no conteúdo, para tentar compreender o cerne do problema.

Se a Igreja dá a oportunidade de comungar àqueles que foram incapazes de percorrer o caminho da nulidade do casamento anterior, e optaram por se casar novamente no civil ou convivem com uma outra pessoa apesar de continuarem unidos sacramentalmente com o primeiro cônjuge (“uma só carne”, diz o Proprietário), então isso significa que a Igreja considera possível que se possa acolher o sacramento da santidade infinita de Deus, fazendo-O conviver tranquilamente na mesmíssima casa – corpo e alma do receptor – com o pecado, porque o adultério continuaria ainda sendo um pecado, a menos que se altere a doutrina.

Isso parece-lhe possível? Eu diria definitivamente não, se conhecemos ainda remotamente, o que é o pecado. E é o próprio Deus a nos recordá-lo com a Imaculada Conceição de Maria, que foi preservada do pecado justamente tendo em vista o fato de que receberia em seu corpo a hóstia sagrada, que é o verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus.

Por quê? Porque é prerrogativa de Deus não coabitar com o pecado!

Eu penso que na fúria de tentar tergiversar sobre os aspectos jurídicos e emocionais, que são de cunho puramente humanos, se perde de vista a dimensão sobrenatural da nossa vida, a face do Deus eterno e santo e o misterioso poder de seu comando, isto é, de Sua vontade que não tem que ser necessariamente compreendida, mas tão somente acolhida e obedecida, porque vem Dele.

Receber a Eucaristia em um estado de pecado grave significa não só violar um mandamento, mas, também aqui está a impiedade: forçar o Senhor a conviver com o mal. Comete-se uma abominação, e para usar uma palavra que soa muito mal aos nossos ouvidos modernos, é este o elo que falta na interminável discussão sobre o assunto: a santidade de Deus.

Por que querem dar às pessoas que estão nesta situação a possibilidade de cair em um pecado tão terrível? A Igreja realmente quer sugerir a seus filhos que o Santo de Deus e o Divisor por excelência possam estar juntos?

Esse é o coração do problema: que o pecado seja removido porque não querem reconhecê-lo como tal, porque irrita e atua como um obstáculo aos nossos planos. Mas esta remoção, retirando-o do seu lugar de direito, no final só servirá apenas para colocá-lo, paradoxalmente, no mesmo “lugar” de Deus.

Estamos percebendo o que significa esta mudança?

“A tentativa terrivelmente insensata, e ainda assim excitante até as raízes, de destronar Deus, de rebaixá-Lo de grau, de destruir Deus … o homem tem que admitir a profundidade absoluta do pecado … ele deve depor o orgulho de seu destino, desfazer-se da teimosia de querer fazer o seu próprio negócio, de viver por conta própria, e aprender a humildade enquanto busca a graça “(Romano Guardini, “O Senhor “, p. 175).

Muitos vão objetar: mentalidade de Antigo Testamento, quando ainda não havia a misericórdia trazida por Jesus. Mas eles estão errados e muito.

O “foi dito” e “porém eu vos digo” de Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5-7) – portanto, no cenário das bem-aventuranças –  nos introduz na vida nova na qual a lei antiga e o moralismo cedem lugar à fé e à graça, mas pedem e exigem muito mais do que exigia a lei do Antigo Testamento, porque Jesus não está muito interessado em nos fazer sentir confortáveis na vida deste mundo, mas sim muito mais preocupado com a nossa salvação eterna.

A Redenção tem uma necessidade absoluta de fazer com que o pecado desapareça completamente e, portanto, não fazer jamais um pacto com ele. Com a “plenitude dos tempos” nos foi exigido o que não foi exigido ao homem do Antigo Testamento: a totalidade da obediência, porque agora, com a redenção, fomos capacitados a colocá-la em prática. Ao dizer “Ouvistes o que foi dito aos antigos: não cometerás adultério … Mas eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher com intenção impura, já adulterou”, Jesus diz que o significado do mandamento é mais profundo, vai até a intenção, porque é da intenção que nasce a ação (ainda citando Guardini, p. 116).

No longo discurso de Jesus não encontramos uma misericórdia barata, como a entendemos, mas uma concepção de pecado bem refinada, não grosseira, num crescendo de tom e de tensão, tanto que, no final, o evangelista deve tomar nota de que “a multidão ficou assustada com o seu ensinamento” (Mt 7, 28).

Para Jesus não interessa uma pura doutrina dos costumes morais, mas uma existência plena, totalmente redimida. Então procuremos entender que não se trata de conceder um direito a alguém (mentalidade legalista), mas de querer meter as mãos sobre a santidade de Deus. O que se está tentando fazer é tocar o intocável e “forçá-lo” a conviver com o senhor do Mal.

O não receber a Eucaristia, nos casos de que falamos, não prejudica a salvação eterna, não tira o hábito nupcial que foi mencionado no início, ao passo que recebê-la indignamente faz perder tudo (1 Cor 11). Não afundemos pois nossos irmãos em um estado infinitamente pior do que aquele em que eles já se encontram. Isso é fazer o jogo do Inimigo.

Se a Igreja quer conceder essa possibilidade, significa que já os julga como mortos e, portanto, tem a intenção de forçar Deus a adotar suas orientações e contramedidas.

Mas quem somos nós para julgar antecipadamente estes irmãos e ditar tempos e modos a Deus? Nossos caminhos não são os vossos caminhos (cf. Is 55, 8).

Cordiais saudações e agradecimentos por seu trabalho.

Giovanna Riccobaldi

* * *

Caríssimo Magister,

A nota do cardeal Agostino Vallini sobre a “Amoris Laetitia” tem ares de uma escalada heróica sobre espelhos, uma torção em torno de um pau-de-sebo para tentar escalá-lo.

E todavia, o que falta, um pouco surpreendentemente, falta quase em todas as partes. Tanto na exortação como em muitos de seus comentários, favoráveis ou críticos que sejam.

Falta a graça. Aquela mesma graça que faz com que São Paulo diga – e é a palavra de Deus – “possum omnia in Eo qui me confortat” (Fl 4, 13). Aquela graça que nos impede de afirmar, enquanto Católicos, que é impossível praticar a continência. Difícil, extremamente difícil – por isso seria sábio e prudente evitar ocasiões próximas de pecado e separar as camas – mas jamais impossível.

De resto – no plano mesmo da lógica mais elementar – se Deus ordenasse o impossível, ao invés de um tirano, Ele seria um sádico. Enfim, é doutrina inalterável da Igreja, estabelecida e clarificada em Trento, que com a ajuda da graça de Deus todos podem praticar a virtude e a moralidade de acordo com seu estado de vida.

Parece-me que o verdadeiro nó da “Amoris Laetitia” seja esse: a visão horizontal que leva em conta apenas a natureza humana decaída e os hábitos contraídos por essa mesma natureza humana decaída, com a exclusão de todo o horizonte sobrenatural. Completamente! Psicologismos, sociologismos, filosofismos de conveniência: tem lugar para tudo quanto é bobagem menos um discurso sobre a graça. Que por si só consente – e se é possível, não é impossível; e se não é impossível, exige – de cada um de nós que se respeite o Decálogo e os deveres específicos do nosso estado. Incluindo, por exemplo a castidade sacerdotal, matrimonial e extramatrimonial .

E a propósito dessa última, como podemos colocá-la  – também o Cardeal Vallini – com o fato de que, assumindo e jamais consentido que no foro interno se possa deliberar sobre a nulidade de um casamento anterior, sendo que os dois permaneceriam solteiros perante a Igreja e, portanto, não habilitados ao matrimônio legal?

Obrigado novamente por tudo que tens feito e cordiais saudações “em Jesu et Maria.”

Giovanni Formicola

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16 setembro, 2016

Faleceu padre Gabriele Amorth.

Padre Gabriele Amorth, exorcista da Diocese de Roma.

Faleceu hoje o famoso exorcista padre Gabriele Amorth. Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace.

Matérias relacionadas ao padre Amorth publicadas em FratresInUnum.com:

Famoso exorcista Amorth: O Estado Islâmico (ISIS) é Satanás.

Prefácio de Dom Pestana ao livro do Pe. Gabriele Amorth.

Exorcistas experientes respaldam Padre Gabriele Amorth: o novo ritual de exorcismo é ineficaz.

O exorcista Padre Amorth denuncia: «Dentro do Vaticano também há satanistas».

Exorcismo do Papa – Fala quem entende: “É uma vingança do demônio contra os bispos mexicanos, porque eles não se opuseram ao aborto como deveriam”.

Malachi Martin e o satanismo no Vaticano.

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13 setembro, 2016

Uma prece por nossa colaboradora Gercione Lima.

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Amanhã, às 8 da manha, vou fazer minha terceira quimioterapia. Então, lembrem-se de mim em suas orações. Minha filha tirou essa foto hoje depois que saí do hospital. A notícia boa é que minha contagem de células cancerosas está caindo… Sinal que a químio e as orações estão funcionando ! Graças a Deus!

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13 setembro, 2016

Bispos celebram o Dia de Oração pelo Cuidado da Criação.

Por Arquidiocese do Rio de Janeiro – O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação – instituído pelo Papa Francisco – foi comemorado com uma celebração ecumênica, no dia 2 de setembro, às margens do rio Paraíba do Sul, na cidade de Volta Redonda, com a presença de líderes religiosos e dos bispos diocesanos da Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Os participantes foram acolhidos pelo bispo da Diocese da Barra do Piraí-Volta Redonda, Dom Francisco Biasin, que também é o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB.

“É muito importante receber os nossos irmãos e irmãs de outras representações religiosas no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação nessa celebração junto ao Rio Paraíba do Sul, fonte de vida para todos nós”, disse.

O local da celebração foi sugerido pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, que também é o presidente do Regional Leste 1 da CNBB, com a finalidade de dar visibilidade às questões referentes ao rio Paraíba do Sul.

“O Papa Francisco nos convida a tratar com misericórdia a nossa Casa Comum. Na sua mensagem ao mundo, ele acrescenta duas novas obras de misericórdia: uma espiritual e uma temporal. Em primeiro lugar, contemplar e bendizer ao Senhor pela criação, e em segundo, ter atitudes concretas que cuidem da Casa Comum”, destacou o cardeal.

Com a presença de crianças da Infância Missionária, após a celebração, os participantes saíram em caminhada até a beira-rio, onde plantaram mudas de espécie nativa para representar a necessidade da recuperação da mata ciliar e como compromisso de promover essa ação ampliada onde atuam.

Para o pastor Mauro Paiva, da Igreja Metodista, é preciso cuidar da Casa Comum como o próprio Reino de Deus. “Se não tivermos a visão e o compromisso, como administradores do Reino, da terra que o Senhor nos colocou, as gerações futuras estarão comprometidas”.

Para a representante do candomblé, Márcia Mireles, é na natureza que se reconhece as divindades. “Eu preciso da conservação do meio ambiente, das florestas, dos animais que são sacralizados para que eu possa reconhecer aquilo que cultuo. No dia em que acabar a natureza, acaba-se o candomblé”, destacou.

Ainda no período da manhã, foi realizado na ponte Dom Waldyr Calheiros um abraço simbólico ao rio Paraíba do Sul.

O pastor Donizete Cavalheiro, representante do Conselho de Pastores de Volta Redonda, elogiou a iniciativa e convidou para a reflexão. “Deus nos deu o poder, o direito de cuidar da sua criação. Nós, como povo de Deus, independentemente da religião, precisamos cuidar do que Deus fez para nós”, disse.

A representante do Conselho Espírita do Estado do Rio, Nair Ângela de Santana, afirmou que o homem é a única espécie na Terra que está conseguindo destruir o seu habitat. “Pequenas contribuições no dia a dia ajudam para que tenhamos êxitos. Nossas preces precisam estar acompanhadas de atitude”.

No período da tarde, os bispos se reuniram com técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Comitê do Médio Paraíba do Sul (CBH-MPS), da Comissão Ambiental Sul e  um professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) para discutir a situação do rio Paraíba do Sul.

“A questão desse rio, que atravessa o Estado do Rio de Janeiro e em relação ao qual tantas cidades dependem, já tem sido aprofundada e questionada pelas organizações que se ocupam com a ecologia nessas regiões”, acrescentou Dom Orani.

Fotos: Diocese da Barra do Piraí-Volta Redonda

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7 setembro, 2016

A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo.

Confira abaixo um trecho de A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo, do tomista americano Edward Feser (tradução de Eduardo Levy). As Edições Cristo Rei estão realizando uma campanha de crowdfunding para a publicação do livro no Brasil. Faltam dez dias para o término da campanha e se a meta não for alcançada o livro não será publicado.

Ajude!

O link para a página da campanha é o seguinte: www.kickante.com.br/campanhas/ultima-supersticao

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O filósofo Quentin Smith, defensor muito mais sério e admirável do ateísmo do que qualquer um dos ditos “neoateus”, lamentou a espantosa falta de conhecimento que muitos dos seus colegas pensadores secularistas manifestam quando tentam criticar a crença religiosa. Pois eles geralmente mostram desconhecer os sofisticados argumentos apresentados por filósofos de inclinação religiosa, preferindo, em lugar disso, atacar espantalhos e apresentar simplórias caricaturas jornalísticas da religião. Segundo Smith, a conclusão é que, com exceção dos poucos filósofos secularistas especialistas nos argumentos dos pensadores religiosos sérios e em responder a eles, como ele próprio, “a grande maioria dos filósofos naturalistas têm uma crença injustificada de que o naturalismo é verdadeiro e de que o teísmo (ou sobrenaturalismo) é falso”. O filósofo político Jeremy Waldron, que ninguém pode acusar de ser membro da “direita religiosa”, faz juízo semelhante das atitudes dos secularistas em relação ao emprego do discurso religioso na política:

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“Teóricos secularistas costumam supor que sabem como o discurso religioso funciona: apresentam-no como uma prescrição divina rudimentar, sustentada pela ameaça de condenação ao Inferno e derivada de uma revelação geral ou particular e o contrastam com a elegante complexidade de um argumento filosófico de Rawls (digamos) ou Dworkin. Com tal imagem em mente, acham uma obviedade que o discurso religioso deva ser excluído da vida pública. Mas aqueles que se deram ao trabalho de conhecer bem os argumentos de fundo religioso existentes na teoria política moderna sabem que isso é em grande parte uma farsa.”

Além disso, mesmo quando os intelectuais secularistas se dão ao trabalho de considerar as visões dos pensadores religiosos sérios, eles têm uma tendência peculiar de aplicar a elas um padrão que não aplicam a outros argumentos controversos. Secularistas podem argumentar a favor das conclusões mais ofensivas e intuitivamente absurdas — que não há nada intrinsecamente errado com o bestialismo, a necrofilia ou, digamos, o infanticídio, como sugere Peter Singer, professor de ética de Universidade de Princeton —, e mesmo os filósofos que discordam dessas conclusões estão dispostos a tratá-las com a maior das seriedades, insistindo que tais visões devem ser pelo menos, ainda que implausíveis à primeira vista, recebidas com respeito. Em todas as outras áreas de controvérsia, virtualmente nenhum argumento é considerado definitivamente refutado: a atitude comum é a de que é sempre possível a um defensor de determinada posição responder às objeções usuais a ela, de modo que essa posição deve ser considerada “ainda na mesa”. Não obstante, quando se trata, digamos, de um argumento a favor da existência de Deus, o mero fato de alguém algum dia ter levantado uma objeção a ele é tratado como prova afirmativa de que o religioso simplesmente não “soube justificar-se” e de que não se deve prestar atenção adicional a seu argumento. Contanto que aquele que as defende possua o mínimo de capacidade argumentativa e retórica, é certo que se dará atenção às ideias secularistas. Por mais especulativas, intuitivamente implausíveis ou mesmo mirabolantes que sejam, elas são valorizadas como modos de “nos fazer pensar”, de “fazer o debate progredir” e de “olhar as coisas de um jeito diferente” e ganham um lugar na lista de leituras dos acadêmicos e no currículo universitário. Tratam-se as ideias religiosas, em contraste, como se apenas algo tão incontroverso quanto uma prova geométrica em sua defesa pudesse torná-las dignas de um momento de atenção.

Que os secularistas, os quais se orgulham de supostamente ter mais conhecimento e ser mais razoáveis, com tanta frequência condenem os religiosos com douta ignorância daquilo em que estes acreditam de fato e sem aplicar a eles os critérios pelos quais julgam as próprias ideias, indica que outro fator, em geral atribuído aos religiosos, está em jogo aqui, a saber, o wishful thinking [“pensamento desejoso”], um desejo tão forte de que uma afirmação seja verdadeira que triunfa sobre a análise racional dos indícios existentes a favor disso. Pois o caso é que as pessoas que acreditam em Deus não são, de modo algum, as únicas que podem ter possíveis interesses escusos na questão da existência dEle. O filósofo Thomas Nagel reconhece que é comum haver um “medo da religião” subjacente aos trabalhos dos seus colegas intelectuais secularistas e que isso trouxe “consequências vastas e muitas vezes perniciosas para a vida intelectual contemporânea”:

“Falo por experiência própria, estando eu mesmo fortemente sujeito a esse medo: quero que o ateísmo seja verdadeiro e fico incomodado com o fato de que algumas das pessoas mais inteligentes e bem informadas que conheço são religiosas. Não é só que eu não acredite em Deus e, naturalmente, espere estar certo em minha crença. É que eu torço para que não haja Deus nenhum! Não quero que haja um Deus; não quero que o universo seja assim. Minha hipótese é que esse problema de autoridade cósmica não é uma condição rara e que ele é responsável por grande parte do cientificismo e do reducionismo da nossa época. Uma das tendências que ele intensifica é o ridículo abuso da biologia evolutiva para explicar tudo que diz respeito à vida humana, incluindo tudo que diz respeito à mente humana.”

É verdade que o medo da morte, a ânsia por justiça cósmica e o desejo de encarar as nossas vidas como dotadas de sentido podem nos levar a querer acreditar que temos almas imortais criadas especialmente por um Deus que nos recompensará ou nos punirá por nossas ações nesta vida. Porém, não é menos verdade que o desejo de libertar-se dos padrões morais tradicionais e o medo de certas consequências políticas e sociais (reais ou imaginárias) da veracidade da crença religiosa também podem nos levar a querer acreditar que somos apenas animais engenhosos sem nenhum propósito para as nossas vidas a não ser aqueles que escolhemos estabelecer para elas e que não há nenhum juiz cósmico que nos punirá por desobedecermos a uma lei moral objetiva. Assim como a religião, o ateísmo muitas vezes se apoia mais numa vontade de crer do que em argumentos racionais desapaixonados.

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É Edward Feser, em “A última superstição”, que não deixa pedra sob pedra. Adquira de antemão o seu exemplar e ajude a garantir a publicação do livro em português: http://www.kickante.com.br/campanhas/ultima-supersticao

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Todo anúncio veiculado em FratresInUnum.com é absolutamente gratuito, visando apenas o bem das almas e a glória de Deus. Caso queira divulgar algo, nosso e-mail de contato é fratresinunum@gmail.com

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1 setembro, 2016

Biquíni ou Burquini? Uma tragicomédia digna de Voltaire.

Por Cristina Siccardi | Corrispondenza Romana, 24 de agosto de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com –  No Tratado sobre a Tolerância, uma das mais famosas obras de Voltaire, publicada na França em 1763, encontramos não só os fundamentos da inconclusiva e luciferina incultura contemporânea, mas, infelizmente, também os pressupostos que permitiram que muitos homens da Igreja e muitos padres do Concílio Vaticano II abraçassem, a despeito de uma divina e sábia tradição bimilenar, a liberdade religiosa como um bem universal.

Hoje chegamos a tal ponto que, diante de uma Igreja que não diz uma palavra sobre os ostensivos e indescritíveis maus hábitos contemporâneos, vemos o primeiro-ministro francês Manuel Valls sair em defesa da proibição lançada por algumas prefeituras francesas  contra o uso de burquinis, uma roupa de banho criada em 2004 com enorme sucesso comercial entre os muçulmanos ao redor do mundo, por uma estilista australiana de origem libanesa, Aheda Zanetti. Valls declarou que o pudico burquini é “incompatível com os valores da França” e que não é uma roupa de banho, mas “a expressão de uma ideologia que se fundamenta na submissão da mulher”. O biquíni ou outras formas de ofensa indecente ao pudor, no entanto, são parte integrante dos “valores” da França, que faz da liberdade religiosa uma de suas jóias mais gloriosas. E eis que só entre 2000-2013 foram destruídas 20 igrejas na França e, de acordo com um relatório do Senado francês, outras 250 terão o mesmo destino. Silêncio total da parte de Roma.

Assim, impotentes, tivemos que assistir à polícia de Paris com sua tropa de choque, arrastando à força sacerdotes e coroinhas para evacuá-los da Igreja de Santa Rita que, em breve, será demolida para dar lugar a um estacionamento, enquanto as mesquitas legais e ilegais crescem como cogumelos por toda a Europa, essa mesma Europa com cada vez menos filhos por causa de uma taxa de natalidade buscada por uma ideologia que destrói famílias e que favorece o aborto. No entanto, o liberalismo não denominacional começa a pagar um preço por sua irracionalidade porque a revolução devora os seus próprios filhos, abrindo espaço para aqueles que não abrem mão de sua identidade, como é o caso dos muçulmanos.

Valls e, com ele, os políticos e homens da Igreja não nos fazem lembrar a oração a Deus, feita pelo “bonzinho” Voltaire  exatamente no seu Tratado sobre a Tolerância? Entre aqueles desabafos nefastos, portadores de inúmeras desgraças e catástrofes, dizia o guru dos jacobinos guilhotinadores:

 “Já não é, portanto aos homens que me dirijo; mas a Vós, Deus de todos os seres, de todos os mundos, de todos os tempos (…) Dignai-vos olhar com misericórdia os erros que derivam da nossa natureza. Fazei com que esses erros não gerem a nossa desgraça. Vós não nos doastes um coração para que nos odiássemos uns aos outros, nem as mãos para que degolássemos uns aos outros; fazei com que possamos ajudar-nos uns aos outros a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira. Fazei com que as pequenas diferenças entre as roupas que cobrem nossos corpos fracos, incluindo aí todas as nossas linguagens inadequadas, todos os nossos costumes ridículos, todas as nossas leis imperfeitas, todas nossas opiniões insensatas sobre as nossas convicções, tão desiguais aos nossos olhos, e tão iguais diante de vós, em suma, que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados “homens” não se tornem sinais de ódio e perseguição. Fazei com que aqueles que acendem velas em pleno dia para vos celebrar suportem aqueles que se contentam apenas com a luz do teu sol; que aqueles que cobrem suas roupas com um linho branco para dizer que devemos vos amar não detestem aqueles que dizem a mesma coisa sob um manto de lã negra; que seja igual adorar-vos em uma língua morta ou em uma mais nova (…) Que todos os homens lembrem-se que são irmãos! Temos horror à tirania exercida sobre as almas (…) Se são inevitáveis os flagelos da guerra,  que não nos odiemos ou nos dilaceremos em tempo de paz, e que empenhemos o breve instante de nossa existência para abençoar juntos em mil línguas diferentes, de Sião à Califórnia, a vossa bondade que nos deu este instante”.

Enquanto o “deus” de Voltaire nos conduziu às desgraças atuais de corrupção civil e religiosa, o verdadeiro Deus Uno e Trino sacrificou Seu único Filho para a salvação de cada um de nós. Tem toda a razão Sergio Romano, no prefácio ao Tratado sobre a Tolerância (RCS 2010), quando ele o denomina um “jornalista”. Um jornalista que, com suas paixões intelectuais, sua grande cultura, sua maneira inteligente de narrar, seu estilo irônico e brilhante, sua curiosidade sobre os acontecimentos de seu tempo, foi diabolicamente capaz de mudar o rumo do pensamento europeu com suas picaretagens e descristianizar, depois de algumas gerações, as nações onde ainda se despontavam abadias, catedrais, igrejas de extraordinário poder e beleza interior e exterior.

Antes, Lutero, no século XVI, e depois Voltaire, no século XVII,  ambos trabalharam juntos com as forças do mal para combater a Igreja Romana, Una, Santa, Católica e Apostólica. Se desde o início as teses voltairianas resultaram vitoriosas porque havia um inimigo a ser abatido, já no século XX os seus resultados, na prática, começam a se fragmentar, a deteriorar-se dentro de uma multiplicidade de contradições, distribuídas em um enorme labirinto de paredes tragicômicas: biquínis e/ou burquinis? Sacerdotes e/ou imãs nas igrejas? Paternidade ou não a casais homossexuais?… Perguntas que denotam a monstruosidade fora de sua mente desprovida de consciência.

As ambições modernas da Dignitatis Humanae, um documento conciliar teologicamente tão discutido como independente quanto destacado dos parâmetros da verdadeira e pacífica tolerância Católica, oferecem agora um fruto amargo que pode ser ativamente explorado pelos prolíficos invasores muçulmanos.

A tragicomédia é bem conveniente à nossa era, aquela mesma que o mestre barroco do gênero, Pierre Corneille, ilustrou da seguinte forma: “Eis aí um monstro estranho (…) O primeiro ato é apenas um prólogo, os três seguintes são uma comédia imperfeita , o último é uma tragédia, e tudo isto costurado junto é uma comédia. O Reino de Deus é outra coisa, uma apoteose de grandeza e harmonia, de bem-aventurança na terra (como demonstraram os santos) e bem-aventurança na eternidade: aqui fé e razão não ofuscam a mente e a alma paira no céu sereno sulcado pela Verdade trazida pelo Filho de Deus. Nada a ver com os abismos profundos lavrados pelo “jornalista” Voltaire, que se contentava apenas com “este momento presente.”

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30 agosto, 2016

São Paulo: Terço na Praça da Sé, sábado, 3 de setembro, às 15 horas.

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25 agosto, 2016

Pierangelo Sequeri: o programa do novo decano do Instituto “João Paulo II”.

Fundamental ler o artigo abaixo à luz da matéria publicada anteriormente – As 30 moedas dos Judas hodiernos. 

IHU – “Pierangelo Sequeri não é teólogo moralista, não está ligado a movimentos eclesiais, é um homem de fé e de cultura, não ideológico e não maximalista. Ele não faz uma teologia de farmacêutico, não usa a ‘balança’, não lê a Escritura com crivo fundamentalista, não tem a ansiedade da definição objetiva. Ele propõe uma ‘hermenêutica sapiencial da tradição’, mesmo daquela matrimonial e familiar.”

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12 agosto, 2016

Blog em recesso.

Caros amigos, Ave Maria Puríssima! Nosso blog entra em um pequeno recesso até o começo do mês de setembro. A liberação de comentários demorará mais do que o habitual e alguns posts estão programados. Notícias importantes podem ser publicadas a qualquer momento. Até breve!

 

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9 agosto, 2016

Conferência Episcopal Portuguesa: Missa-teatrinho “tem os dias contados”.

Liturgia: Celebrações com «bonecos» em movimento e cânticos para «animar a malta» têm «os dias contados».

Diretor do Secretariado Nacional de Liturgia encerrou Encontro Nacional, este ano sobre o tema da Misericórdia

Fátima, Santarém, 29 jul 2016 (Ecclesia) – O diretor do Secretariado Nacional de Liturgia afirmou que “as celebrações de bonecos e palhaços em movimento têm os dias contados”, os cânticos não são para “animar a malta” e a transmissão de celebrações não é “espetáculo”.

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Uma missa com teatro para crianças.

Na intervenção de encerramento do 42º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, centrado no tema da misericórdia, o padre Pedro Lourenço Ferreira disse que a “transmissão de celebrações interessadas no espetáculo são contrárias ao espírito da liturgia” uma vez que “podem alimentar a crença, mas não servem a causa da evangelização e da fé”.

Para o diretor do Secretariado Nacional de Liturgia (SNL) “as celebrações de bonecos e palhaços em movimento têm os dias contados, porque não procedem nem conduzem a Cristo crucificado” e os cânticos que servem para “divertir o pessoal” acabam “por espantar os fiéis”.

Na sessão de encerramento do 42º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, esta sexta-feira, o padre Pedro Lourenço Ferreira referiu que “a cultura litúrgica é mais um culto, cuja prática também se aprende” e que “requer muitos conhecimentos e ensaios”.

“A mensagem de Fátima resume o espírito da liturgia: penitência e oração. Ambas devem andar juntar. Os problemas e as dificuldades da prática litúrgica podem resumir-se à difícil convivência entre a penitência e a oração”.

Para o diretor do SNL, “oração e vida regalada são incompatíveis” e “liturgia e diversão não podem conviver”, porque a liturgia “é a obra da redenção e a redenção realizou-se de uma vez por todas na cruz”.

“A Liturgia cume e fonte da misericórdia” foi o tema do 42º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, que decorre esta semana entre os dias 25 e 29 de julho, onde mais de mil participantes estudaram o tema da misericórdia e celebraram ativamente os diferentes atos litúrgicos do dia.

“Este Encontro, dedicado à misericórdia, encontrou nas celebrações os momentos altos da pastoral litúrgica. Nestes últimos anos, a programação tem privilegiado as celebrações, colocando-as num horário mais nobre para o nosso espírito tão cansado nesta época do ano. Com este programa as manhãs são um luxo para a oração. Afinal, a liturgia é uma atividade orante, mais prática do que teórica”, indicou o padre Pedro Lourenço Ferreira.

O diretor do SNL disse ainda que as celebrações do ENPL procuraram ser “uma prática de todas as obras de misericórdias: as corporais e as espirituais”.

“A caridade bem entendida começa na nossa casa. Aceitámos o convite à penitência e à confissão dos pecados e atravessámos a porta santa para sermos configurados com o Santo que nos quer santos como Ele é santo. Praticámos a misericórdia com a oração pelos vivos e pelos defuntos, pelos presentes e pelos ausentes, pelos amigos e os pelos inimigos”, explicou.

Para o padre diretor do SNL, “a Igreja em oração e as orações da Igreja são os grandes acontecimentos que podem decidir o futuro da humanidade tão carente da misericórdia do nosso Deus”.

“A liturgia da Igreja é a atividade mais urgente do tempo presente. A liturgia une o tempo à eternidade, eleva a terra e abaixa o céu, estabelece comunhão entre os santos e os pecadores”, sublinhou o padre Pedro Ferreira.

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