Posts tagged ‘Atualidades’

10 junho, 2018

Foto da semana.

guatemala

Sic transit gloria mundi – Dezenas de pessoas foram mortas pela erupção do Vulcão del Fuego, informaram autoridades da Guatemala no último dia 4 de junho. No fim da última segunda-feira, o número de mortos era 65, devendo ainda crescer. Poucos corpos puderam ser identificados por conta do intenso calor que os deixou irreconhecíveis. Foto de @johanordonez@afpphoto/@gettyimages

Tags:
22 maio, 2018

Centro Dom Bosco, uma escola do serviço do Senhor.

CDB1

Foto: Inauguração e bênção solene da nova sala do CDB, que concentrará as atividades administrativas do grupo.

Por Teresa M. Freixinho – FratresInUnum.com, 22 de maio de 2018

─ Bruno, o cartucho de tinta acabou. Não vai dar para imprimir o relatório que você pediu, cara.

─ Espere um minuto, Carlos! Vamos dar um jeito nisso. ─ Felipe, por favor, ligue para a papelaria e peça dois cartuchos de tinta preta para a nossa impressora.

─ Estamos quase zerados, Bruno. Só vai dar para comprar um cartucho.

─ Então, que seja. Depois compramos outro de reserva. Confiemos na Providência Divina.

* * *

─ Bruno, o padre Sérgio já está aqui na recepção!

─ Estou indo aí agorinha mesmo. Será que alguém podia trazer um pano úmido e passar na mesa do estúdio rapidinho enquanto eu distraio o padre? Derramaram café e não secou.

*-*-*

─ Álvaro, podemos começar o Terço?

─ Podemos sim, Bruno. A galera já está toda aqui.

*-*-*

─ Gente, o professor pegou um baita engarrafamento na Zona Sul, mas já está subindo. Fiquem tranquilos. Teremos aula normalmente.

* * *

Anoitece na capital fluminense. Centenas de milhares de trabalhadores dos mais variados ramos de atividades deixam seus escritórios no Centro da cidade para regressarem às suas casas. Em movimento inverso, algumas dezenas de moças e rapazes caminham apressadamente rumo a um pequeno escritório no Mercado das Flores, próximo à Rua Uruguaiana. Esquivam-se das inúmeras barracas de camelôs e distrações no meio do caminho para chegarem a tempo das atividades do dia no Centro Dom Bosco (CDB). Chegam aos poucos. Cumprimentam-se alegremente e aguardam os demais. Alguns aproveitam para ir ao banheiro ou tomar um café, outros acessam seus smartphones para checar mensagens. Em pouco tempo, o grupo estará reunido para rezar o Terço. Em seguida, tomarão seus assentos para a aula do dia, que poderá ser de Latim, Música Sacra, Filosofia, Espiritualidade Beneditina ou Teologia.

Numa outra sala uma equipe de filmagem finaliza a gravação de mais uma aula on-line para a Universidade São Jerônimo. Hoje foi a vez de um monge beneditino. Amanhã será a de um ilustre lexicógrafo e professor de latim. O corpo docente da universidade conta ainda com dois tomistas conceituados e professores de outras disciplinas, além de alguns padres e até mesmo bispos de outras dioceses.

O dia foi movimentado na sede do Centro Dom Bosco, um dos maiores fenômenos de apostolado leigo dos últimos tempos. Criado há menos de dois anos, o grupo já conta com uma universidade on-line e uma editora de obras católicas, algumas das quais politicamente incorretas para os nossos dias. Ademais, editam e distribuem fartamente um jornal bimensal com assuntos da atualidade sob a perspectiva católica.

Hoje entrevistaremos um de seus três fundadores, o jovem Bruno Mendes (31 anos), (Doutorando em Administração e Diretor Geral do Centro Dom Bosco), a quem desde já agradecemos a gentileza de nos conceder esta entrevista.

* * *

CDB2

Da esquerda para a direita: Felipe Jankee, Lucas Henrique, Dom Fernando Guimarães (Arcebispo do Ordinariato Militar do Brasil), Álvaro Mendes, Bruno Mendes, Igor Laurentino e Jonathan Santana.

FratresInUnum.com (FiU): Bruno, conte-nos, por gentileza, quando e como nasceu o Centro Dom Bosco (CDB).

BM: O CDB começou graças a um diácono adepto da Teologia da Libertação que fazia propaganda política em um grupo de Whatsapp universitário. Na época, esse tipo de postura ainda me surpreendia, mas indaguei ao clérigo a respeito das inconsistências dessa linha de pensamento e o que os últimos papas diziam a respeito dela. A confusão aumentou a tal ponto que ele decidiu sair do grupo. Em seguida, Pedro Affonseca me procurou para sugerir a criação de um grupo de estudos com encontros regulares, a fim de estudarmos a doutrina social da Igreja. Não havia um local para nos encontrarmos. Então, pedimos uma pequena sala a um Guardião da Toca de Assis, para que pudéssemos rezar e estudar. Cerca de dois meses mais tarde, decidimos alugar uma pequena sala no centro da cidade, e assim começamos nossos encontros regulares.

FiU:  Quais são os pilares do CDB?

BM: Como diz o nosso presidente e um dos três fundadores, Pedro Affonseca, o Centro Dom Bosco é um caminho de santificação através da vida de oração, da vida de estudos e da pregação. A amizade entra como um quarto pilar cuja força nós só descobrimos com a convivência. Somos uma família que vive os três pilares.

FiU: Quantos jovens, e de que faixa etária, o CDB normalmente reúne em sua sede no Rio de Janeiro?

BM: Depende do dia. A nossa terça-feira é conhecida como o dia do encontro. O CDB cresceu por meio das tradicionais aulas do professor Sidney Silveira, dadas nesse dia da semana. Na sala antiga cabiam cerca de 40 pessoas; hoje, conseguimos alocar um pouco mais. A faixa etária média gira entre 25 e 30 anos, mas há muitas pessoas mais novas ou de mais idade também.

FiU: Quais são as linhas de ação atualmente em curso no CDB?

BM: As mesmas de São João Bosco, nosso patrono, ou seja: a publicação de bons livros (nossa editora) e o ensino aos jovens (Universidade São Jerônimo). Algumas outras frentes – como a criação de centros físicos pelo país, o jornal “O Universitário” e o fórum, que reúne as principais vozes católicas do Brasil – também devem estar ordenadas ao fim último de nosso apostolado: a salvação de almas.

FiU: Ao que parece, muitos jovens do CDB estão gradualmente tomando conhecimento dos tesouros da Tradição católica, sobretudo da Missa Tradicional em Latim (“Forma Extraordinária do Rito Romano”). Fale-nos um pouco sobre essa abertura litúrgica dos membros do CDB, que parece ser um diferencial em relação a tantos outros grupos de jovens católicos?

BM: Todo católico de verdade é dócil à Tradição porque percebe ali valores atemporais. O que fazemos é promover esse encontro da beleza litúrgica da Missa Tradicional com quem estava a sua espera.

FiU: Soubemos com satisfação que o CDB está editando obras importantes, como, por exemplo, o livro “Objeções e Erros Protestantes”, do Pe. Júlio Maria de Lombaerde. Não seria uma grande ousadia em tempos “ecumenicamente corretos” conclamar a volta dos irmãos protestantes?

BM: Não devia ser, mas até mesmo algo como a publicação da “Teologia Moral” de Santo Afonso de Ligório – obra magna de um doutor da Igreja – recebeu um sem-número de críticas por parte do clero e de leigos. Os livros da Campanha “Voltem Para Casa” foram trazidos a lume a fim de oferecer uma resposta à comemoração dos 500 anos da heresia protestante, condenada solenemente pelo magistério infalível da Igreja e que foi mãe das revoluções mais sanguinárias que já existiram.

FiU: Em tempos de crise como o nosso, supomos que talvez alguns (ou muitos?) bispos e padres estejam receosos com a atuação do CDB. Diga-nos que reações o trabalho do CDB tem suscitado nas fileiras do clero brasileiro.

BM: Os padres e bispos que vêm falar conosco estão sempre serenamente contentes com nossa atuação e nos apoiam. Os que não estão muito contentes devem deixar suas opiniões em seus círculos.

FiU: Diga-nos de que forma os leitores do FiU poderiam conhecer melhor e ajudar o CDB em suas atividades de evangelização?

BM: Se todos que chegaram até aqui rezarem por nós, já não teríamos como agradecer. Quem desejar participar das nossas atividades presenciais, poderá ir ao CDB a qualquer dia, às 18h30min, para rezar o Santo Terço conosco. Se desejarem saber como ajudar pela Internet, escrevam para contato@centrodombosco.org.

Tags:
20 maio, 2018

Foto da semana.

indonesia

Indonésia – Família católica é martirizada por terroristas islâmicos. Mais informações aqui. Créditos da imagem: Dom Antonio Carlos Rossi Keller.

11 maio, 2018

A nova religião homo-herética dos Capuchinhos.

Dois artigos de freis capuchinhos publicados no jornal Correio Riograndense, de .

Meu Pároco é gay: o que faço?

Por Frei Vanildo Luis Zugno, Correio Riograndense, 9 de maio de 2018 – Nada. Não faça nada! Se você fizer qualquer coisa, é muito provável que faça bobagem. Ou que o que você venha a fazer seja considerado por outras pessoas como uma grande bobagem. O risco é grande. Então o melhor é não fazer nada!

E há várias razões para não fazer nada. A primeira e fundamental, é que ser gay é normal. Já passou o tempo em que se considerava que homossexualidade era doença. A medicina, a psicologia e os estudos antropológicos coincidem em afirmar que a homossexualidade é uma das formas de o ser humano viver a sua identidade de gênero e a sua vida sexual. Em todos os tempos e lugares, sempre houve uma parcela da população – masculina e feminina – que viveu e expressou sua condição homossexual. O modo como as diferentes culturas aceitaram esse grupo social é que variou e varia nos tempos e lugares. Enquanto em algumas culturas a homoafetividade e a homossexualidade eram reprimidas e consideradas uma maldição, em outras, foram vistas como uma bênção dos deuses para a comunidade. Hoje, em pleno século XXI, só os fundamentalistas religiosos e as tendências políticas conservadoras e autoritárias ainda consideram a homossexualidade um pecado, doença ou ameaça para a sociedade. Então, se seu pároco é gay e você se considera uma pessoa normal, civilizada, culta, vacinado e imunizado contra os totalitarismos religiosos e políticos, fique calmo! Ele é uma pessoa normal e não há necessidade de você se preocupar com a sexualidade do padre.

Em segundo lugar, uma boa razão para você não fazer nada, é que o bispo já sabe que o padre é gay. Não precisa contar prá ele e nem pros outros padres. Se você se deu conta que o padre é gay, é praticamente certo que os colegas dele, os outros padres, assim como o bispo dele, também saibam que ele o é. E mais: é quase certo – eu diria, quase impossível que não! – que o bispo sabia, antes mesmo de ordená-lo, que ele era gay. Afinal, para ser padre é preciso passar por pelo menos oito anos de formação nos seminários. E, em oito anos, é impossível não conhecer uma pessoa e saber que ela é gay. Só não vê quem não quer… Se os formadores e o bispo não quiseram ver, aí o problema já não é o padre e sua homossexualidade. O problema é a incapacidade ou falta de vontade de considerar a afetividade e a sexualidade como fator importante na formação de um padre. E se eles sabiam e mesmo assim o ordenaram, é porque acreditavam na possibilidade e capacidade de uma pessoa gay ser padre e pároco. Aí o problema é você e sua intolerância a um fato aceito pela hierarquia da Igreja.

Mas você poderá dizer: “o problema é que o padre tem um namorado”! Fique tranqüilo: padres heteroafetivos e heterossexuais também têm namoradas. E alguns até tem filhos e filhas. E a maioria – se não todos – os padres e bispos sabem disso e tentam administrar estas situações. Alguns o fazem com mais e outros o fazem com menos habilidade dando lugar a escândalos que são exacerbados pela mídia em busca de audiência. Outros, a maioria, passam imperceptíveis e a vida nas paróquiais continua normal como se nada tivesse acontecido. No máximo, no final do ano, o padre é transferido para outra paróquia. Então, se é possível administrar as namoradas dos padres héteros, por que não administrar os namorados dos padres homos?

E, convenhamos, se nos despirmos de preconceitos e olharmos friamente, há muitos padres que convivem informalmente com uma mulher ou com um homem que são muito melhores párocos e pastores do que aqueles que seguem rigidamente as normas do celibato. E os paroquianos,  também se pode constatar empiricamente, aceitam com muita tranqüilidade um padre em sua situação canonicamente irregular quanto ao celibato, desde que ele seja alguém que atende com carinho, préstimo e atenção os fieis que lhe foram confiados. Como ouvi recentemente numa Paróquia em que fui convidado para uma palestra: “Todo mundo sabe que o padre vive com a… Mas ele é um bom padre. Ele atende todas as pessoas com muito carinho e está sempre disponível para a comunidade. Prá nós está bem assim. A gente gosta dele e ninguém se importa de ele viver com a mulher dele.”

Voltando ao caso do pároco gay, eu diria que, se você considera que a homossexualidade não é doença e você está ciente de que o bispo sabe que seu pároco é homossexual, você não tem nenhuma razão em se preocupar com isso e se perguntar o que fazer. Retifico. Se esse for o caso, acho, sim, que você deve ter uma preocupação. Mas é bem outra… Sinceramente, acho que você deve perguntar-se por que o fato de o padre ser homossexual o incomoda tanto. Será que é o jeito dele viver a sexualidade diferentemente daquilo que é considerado padrão pela sociedade que incomoda você? É a diferença dele que lhe perturba? Ou talvez você se perturbe por existir a hipótese de que você gostaria de ser como ele e não tem coragem?

Em qualquer uma destas hipóteses, o problema já não é o padre que é gay. O problema e outro: é a dificuldade que temos, nos ambientes cristãos e católicos, em falar sobre afetividade e sexualidade. E não só dos padres, mas de toda a comunidade cristão. E isso, sim, é um problema grave pois a salvação não passa só pela alma. Ela também perpassa nosso corpo, nossos sentimentos e nossas relações.

O autor

Vanildo Luis Zugno

Vanildo Luis Zugno

Frei capuchinho. Graduado em Filosofia (UCPEL – Pelotas) e Teologia (ESTEF – Porto Alegre), mestre em Teologia (Université Catholique de Lyon – França), é professor de Teologia na ESTEF e no UNILASALLE (Canoas) e doutorando em Teologia na EST (São Leopoldo).

* * *

O que há de moralmente errado em ser homossexual?

Por Frei Gilmar Zampieri, Correio Riograndense, 25 de setembro de 2017 – Não é prudente emocionalizar a conversa sobre a cura gay, defendida por conservadores religiosos e criticada por libertários que sustentam, estes, a impossibilidade de cura, já que só há cura onde há doença curável. E esse não seria o caso.

Um pouco de luz da razão pode amainar os ânimos. Parece-me que a questão é de pressupostos não compartilhados e, nesse caso, já que é impossível um assumir o paradigma do outro, como defende Thomas Kuhn, então, tudo o que podemos almejar é a tolerância entre as duas comunidades: conservadores e libertários.

O grupo conservador parte do pressuposto de fé e de crença e o grupo libertário, ou progressista, como queiram, parte do pressuposto da ciência. Ambos os pressupostos são respeitáveis. Mas, podem ser duas pontes paralelas ao infinito, se um não escutar e tentar compreender o que o outro tem a dizer. Escutar e compreender não significa aceitar o argumento do outro, mas pode significar, no mínimo, convivência civilizada com o outro, sem diminui-lo ou demonizá-lo. Penso que seja o máximo que se possa alcançar nesse campo de batalha.

Mas, se mudarmos a conversa e passarmos da fé e da ciência para a filosofia moral, ou à ética, então, quem sabe, poderemos almejar algum progresso e acordo no que é essencial.

A ética levanta a seguinte questão: o que há de errado em ser homossexual? E se não há nada de errado, porque então insistir em querer que os que são, mudem e deixem de ser?

Do ponto de vista moral, errado é sinônimo de mau e certo é sinônimo de bom. Se uma criança me ler, eu diria para ela: errado é o que é feio, ponto. Voltando e subindo um degrau. Bom e mau, moralmente falando, são absolutos relativos à circunstâncias e a contextos. Não há absolutos puros e nem há relativismos puros, moralmente falando. E onde há, pode crer que paradoxos acontecerão. Essa é uma conversa para especialistas e como tal, chata. Conversa chata já há demais, não pretendo endossar a fileira…

O que não seria chato na pergunta: a homossexualidade carrega em si algum mal? Ou, para me repetir: o que há de moralmente errado em ser homossexual? Vou direto ao ponto e faço o meu juízo: nada.

Por que não há nada de errado? Estamos, agora, no âmbito da razão. Do juízo, nada, para a razão do juízo, isto é, por que não há nada? Para isso, é preciso encontrar algum critério. E o meu critério é Kantiano.

Kant apresenta um critério moral que diz: “age de tal forma que a máxima de tua ação possa ser universalizável”. Isto é, age de tal forma que todos igualmente possam desejar e fazer o mesmo, sem prejuízo a ninguém. Segundo esse princípio alguém poderia objetar e dizer que a homossexualidade não pode ser universalizável pois, se todos fossem, haveria um problema de reprodução da espécie. Se você pensa assim, caro/a leitor/a saiba que esse argumento, hoje, está amplamente refutado. A ciência genética resolveu esse problema, o que deve deixar um conservador um pouco desconfortável.

Mas há um outro argumento de Kant que me parece ainda mais irrefutável, no sentido de que não há nada de errado na homossexualidade. O segundo argumento de Kant diz: “Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca, simplesmente como meio”.

Pergunto: se os parceiros estão de acordo e um não obriga, ameaça, causa dano e não usa o outro somente como meio, mas como fim em si mesmo, onde está o erro? Se a decisão é livre e consentida, onde o mal? Se o amor liberta e não escraviza, onde o mal? Na forma do amor? No princípio do amor cristão que diz: ame o próximo como a ti mesmo, por acaso, há alguma menção de restrição nas formas de amor?

E tem mais. Se duas pessoas que se amam não causam mal uma a outra, por que cargas d’ água causaria mal a mim que estou de fora da relação? Se eu gosto de chocolate 85% cacau, vou me incomodar e exigir que quem gosta de chocolate ao leite deixe de gostar? A comparação não é fora de propósito. Não há nada de imoral na homossexualidade. A questão é de gosto e de estética. E não é de escolha, pois eu não escolho gostar de chocolate de cacau 85%, a natureza me impõe, e eu adoro…!

Santo Agostinho dizia: ama e faz o que quiseres. Eu suponho que agostinho quis dizer que quem ama só faz uma coisa: o bem. O amor é a cura!

O autor
Gilmar Zampieri

Gilmar Zampieri

Frei capuchinho, Gilmar Zampieri é graduado em Filosofia (UCpel-Pelotas) e Teologia (ESTEF- POA), com mestrado nas duas áreas (PUC-POA). É professor de Ética e Direitos Humanos (Unilasalle Canoas) e de Teologia Fundamental (ESTEF –POA).

Tags:
29 abril, 2018

Foto da semana.

Alfie_Evans_smiling_2__April_25__2018_810_500_55_s_c1

Sábado, 2:30 da manhã, horário da Inglaterra: faleceu Alfie Evans, vítima inocente da mais que corrompida, e definitivamente dominada pelo demônio, sociedade moderna.

* * *

Informa o site Vatican News:  “O nosso bebê ganhou asas nesta noite às 2h30 da manhã. Estamos com o coração partido. Obrigado a todos pelo seu apoio”: com este post no facebook, Kate James anunciou a morte de seu filho, o pequeno Alfie Evans. Ele não chegou a completar dois anos: teria completado no próximo dia 9 de maio. Ao mesmo tempo, o pai Thomas escreveu: “O meu gladiador baixou o seu escudo e ganhou asas às duas e meia da manhã. Totalmente inconsolável. Eu amo você meu menino “.

Ele respirou 4 dias sozinho

Na última quarta-feira, 25 de abril, a Suprema Corte britânica declarou seu enésimo não ao apelo dos pais de Alfie, que pediam a transferência de seu filho para a Itália, para que ele fosse seguido pelo Hospital Infantil Bambino Gesù, de Roma. O Hospital do Papa teria suportado todas as despesas: o Alder Hey Hospital, de Liverpool, não deveria gastar nenhum centavo. O Papa Francisco pediu aos seus colaboradores para que fizessem o possível e o impossível para transferi-lo. Às 23h17 de segunda-feira, os médicos removeram o ventilador para deixá-lo morrer. O menino continuou respirando sozinho por pouco mais de 4 dias. Afetado por uma doença neuro-degenerativa ainda desconhecida, para os médicos e juízes ingleses, era inútil que Alfie continuasse a viver até a sua morte natural.

Tags:
11 abril, 2018

As velhas faces do progressismo “católico”.

Por FratresInUnum.com – 11 de abril de 2018

Nos últimos dias, ganhou certa visibilidade o artigo do Prof. Jorge Alexandre Alves, intitulado “as novas (velhas) faces do conservadorismo católico”, no qual tenta traçar uma espécie de mapeamento daquilo que, na verdade, o está assustando. Segundo ele, “os segmentos mais conservadores do catolicismo tomaram a iniciativa e ‘saíram do armário’”.

Na sequência, ele aponta o que diagnostica como causa: “a presença de grupos e lideranças católicas distorcendo os fatos”. Daí em diante, passa apenas à exemplificações e generalizações, tentando imputar certo protagonismo ao clero carioca na condução destes que ele qualifica como “catolibãs”, “católicos que agem com elevado grau de intolerância e agressividade a ponto de os tornarem comparáveis aos talibãs afegãos”.

Não, não iremos apelar para a islamofobia nem para nenhum tipo de vitimismo ou autodefesa de que nos pudéssemos servir. E, isso, por um motivo simples: não há necessidade alguma! A tentativa de descrição que o autor esboça não passa de uma paródia, uma distorção grosseira da realidade, distorção da qual ele, sem o perceber, é vítima, como são vítimas todos os velhos progressistas aos quais Deus nos quer fazer suportar nestes últimos tempos difíceis.

Retrógrado, o progressismo “católico” padece a olhos vistos, sucumbe à luz do dia, incapaz de fôlego, derrotado pela obviedade dos fatos.

É manifesta a dissonância que sofrem estes senhores, incapazes de enxergar um palmo à sua frente. Eles simplesmente perderam o contato com a realidade.

Embriagados em suas próprias narrativas, em seus desconstrucionismos, em suas teorias críticas, eles acreditam piamente nas estórias que se inventaram, nas fábulas que construíram, mas que não resistiram ao realismo dos fatos.

Eles imaginaram que poderiam interceptar a Igreja inteira, mudar todos os seus dogmas, perverter a sua moral, criticar todos os seus ensinos, desmontar a sua autoridade para, no fim, se esconderem por trás de tudo que eles mesmos desfizeram. Eles passaram a vida inteira esvaziando a fé dos outros e incutindo-lhes uma crença partidária em personagens mitológicos, que na realidade eram psicopatas delinquentes, e se admiraram que todos o tenham percebido.

O progressismo “católico” agoniza diante da objetividade do bom senso. É a verdade que lhes dói, que os violenta, porque se impõe e é xingada de agressiva.

Testemunhamos à olho nu uma desesperada fuga da realidade, um delírio psicótico, que precisa se agarrar aos fantasmas em que creu como um náufrago a um cascalho.

Os progressistas sempre viveram disso. Alimentando-se de utopias, refugiaram-se viciosamente numa Shangri-lá que lhes escapa, naquela “Terra sem males” evocada numa Campanha da Fraternidade do passado.

Não será essa fuga da realidade, por exemplo, o que se viu nessas aberrações da invencionice litúrgica da Semana Santa e que causaram horror até nos mais heterodoxos dos libertadores? Ora, não foram estes mesmos senhores que passaram décadas ensinando criatividade litúrgica aos seminaristas em suas faculdades de teologia? Será preciso mencionar os carnavais da novena de Aparecida, os banzés das missas crioulas, das missas afro e de todas as palhaçadas mais cafonas que já se inventaram neste Brasil?

De fato, a sobriedade da liturgia romana é seca demais para quem precisa se refugiar na fantasia. É tosca, concreta, densa, objetiva demais! Mas eles não suportam a realidade.

No próprio espetáculo prévio à rendição de Lula, no último sábado, o que se via, senão um grande surto coletivo?… Um criminoso, defendido por uma multidão – a qual, diante do Brasil, pouco era –, aclamado como herói. E com o “amém” de um bispo e de uns padres.

Em certo sentido, Lula, indissoluvelmente unido à sua garrafa de cachaça – “é cachaça!”, exclamou, com picardia investigativa feminina, a senadora Glesi Hoffman –, resumiu toda a questão: “Eu não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias”.

É a encarnação ao contrário de Lula: no cristianismo, o Verbo se fez carne; na Teologia da Libertação, o Lula se fez ideia. — Ato falho! Lula confessou diante de todos que a realidade não suportou mais o mito: ele precisa se refugiar na fantasia, porque o teatro acabou.

É… O show acabou. É como um final de novela. Tudo meio nostálgico, meio triste. Mas a pia está cheia de louça e alguém precisa lavar. É esta a sensação que paira na consciência brasileira desses dias. Um alívio perplexo… Era tudo só isso? Pois é!

Neste ínterim, porém, teremos de ter paciência. Muita gente ainda crê naquele roteiro, está ainda apegada demais à ilusão que teima em “sair do armário das ilusões”. Não, não foi o povo que “saiu do armário”, foi a cortina que caiu.

A Igreja no Brasil vive atualmente uma crise senil. Os vovôs estão falando sozinhos, estão caducando e protestam. E como é difícil esta fase! A vovó de minissaia nunca será uma periguete. Será apenas a vovó de minissaia. Engraçadinha, provoca risos, vergonha, mal-estar… Mas é a vovó.

É este o momento que estamos vivendo! O descolamento dos bispos para com o povo é abissal. O povo grita, mas eles se ensurdeceram para o bom senso. E os teólogos da libertação, velhos, incapazes de se reproduzir, jogam todas as suas forças sobre um pontificado decadente e que já está por terminar.

É o terror ao concreto que apavora os idealistas progressistas. As suas velhas faces estão, mesmo, envelhecidas. Não lhes resta mais nada senão recitar ideias, as mesmas de sempre, feito uns conservadores de coisas mofadas, colecionadores de grampos e velharias inúteis… Eles não podem mais avançar. Perderam o tempo e se perderam numa narrativa novelesca coroada pelo “FIM”.

Tags:
21 março, 2018

Curtas.

Operação Caifás

Após prisão do bispo diocesano de Formosa, GO, Dom José Ronaldo Ribeiro, e da cúpula do clero diocesano, acusados de desvio de verbas da diocese, o Papa Francisco, rapidamente, já nomeou o canonista dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, MG, como administrador apostólico.

Manifestações

O presidente do regional Centro Oeste da CNBB manifestou solidariedade para com o bispo preso. A CNBB nacional e a Nunciatura Apostólica também se manifestaram a respeito.

Fake News

Após mensagem do Papa Francisco sobre as fake news, por ocasião do dia Mundial das Comunicações, o Vaticano se viu forçado a aceitar a renúncia de Mons. Dario Vigano ao cargo de Prefeito da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé. Isso porque Vigano fraudou a imagem da carta de Bento XVI e, o que deveria ser uma promoção para a coletânea de livros acerca do pensamento do Papa Francisco, tornou-se um grande gol contra para a divulgação da obra.

Marielle

O Papa Francisco ligou para a mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro, conforme informa O Globo.

Tags:
20 fevereiro, 2018

‘O Vaticano está nos vendendo’: por que a aproximação entre o papa e Pequim desagrada os católicos da China.

Por BBC Brasil, 17 de fevereiro de 2018 – De um lado, o menor Estado do mundo, que diz estar baseado no poder de Deus. De outro, a superpotência mais populosa do mundo e um Estado oficialmente ateu. O Vaticano e a República Popular da China têm uma relação difícil há muito tempo.

O vínculo entre os países se rompeu em 1951, após a vitória da Revolução Cultural de Mao Tsé Tung, que não reconheceu a autoridade do papa.

A China de Mao, desconfiada da presença de poderes estrangeiros, dediciu nomear seus próprios bispos e expulsar missionários forasteiros, vistos como agentes “do imperialismo ocidental”.

Desde então, convivem no país duas igrejas: a Associação Católica Patriótica, controlada pelo governo, e vertente leal ao Vaticano – que funciona na clandestinidade, porque o governo não a reconhece.

O conflito faz com que o Vaticano e Pequim disputem há anos a prerrogativa de nomear os bispos do país. Agora, no entanto, as coisas parecem estar a ponto de mudar.

Uma fonte do Vaticano disse recentemente à agência de notícias Reuters que um acordo sobre a designação dos bispos deve ser assinado nos próximos meses.

Será um passo no caminho do reestabelecimento das relações diplomáticas nas quais o Vaticano vem apostando há anos. Mas não é o fim da polêmica.

Alguns católicos estão protestando, porque, com sua nova política, o papa “corre o risco de trair a memória de quem sofreu e morreu por lealdade a Roma”, segundo análise da jornalista Carrie Gracie, que atuou como editora da BBC na China até o início deste ano.

Yang Fenggang, diretor do Centro para Religião e Sociedade Chinesas da Universidade Perdue de Indiana, nos Estados Unidos, diz que “há alguns sacerdotes e bispos leais ao Vaticano que estão em prisão domiciliar”.

Organizações como a Anistia Internacional acusam as autoridades chinesas de “intimidar e até aprisionar” os católicos e classifica como “perseguição” a atitude das autoridades.

Um dos que se sentem traídos é o cardeal Joseph Zen, de 86 anos, arcebispo de Hong Kong. “Se acredito que o Vaticano está vendendo a comunidade católica na China? Definitivamente sim”, escreveu em seu perfil do Facebook.

Não é a primeira vez de Zen levanta a voz contra a política da Santa Sé – e ele não é o único a fazer isso. O padre Dong Guanhua, diretor espiritual de uma comunidade de fiéis em Hebei, se nega a ir aos templos tolerados pelo Estado.

“Não apoio o acordo. O governo não vai mudar sua política de controle das igrejas, porque essas negociações não significam nada”, disse à BBC.

Questionado sobre o que diria ao papa se pudesse encontrá-lo pessoalmente, respondeu: “Que tenha cuidado.”

O arcebispo Guo Xijin, a quem o Vaticano pediu que se submeta à autoridade do Estado chinês, afirma que respeitará o acordo, mas alerta que Pequim não deverá respeitar a liberdade dos católicos.

Em um comunicado, o Vaticano lamenta que haja vozes dentro da Igreja “fomentando a confusão e a controvérsia”.

Segundo Gracie, o papa está fazendo todo o possível para que o diálogo tenha êxito. “Também está tendo muito cuidado para evitar criticar a China sobre a questão de liberdade religiosa e dos direitos humanos”, diz ela.

O governo chinês diz que promove e respeita a liberdade de culto.

Negociação

Os acenos do papado à China recentemente começaram a gerar um eco cordial de Pequim

Um editorial do jornal Global Post, de propriedade do Partido Comunista Chinês, elogiou a sabedoria do papa Francisco como uma qualidade que ajudaria a superar os diferenças entre os países.

Depois disso, Peter Shao Zhumin, arcebispo nomeado pelo papa, foi libertado pelas autoridades chinesas após ter ficado sete meses preso.

Outro sinal da aproximação são as duas exposições simultâneas que estão planejadas na Cidade Proibida de Pequim e no Museu do Vaticano – os dois países trocaram obras para esse projeto.

A televisão estatal chinesa destacou o papel da “diplomacia da arte”.

Ficaram para trás os tempos em que o governo chinês impedia o avião do pontífice de atravessar seu espaço aéreo em suas viagens, como aconteceu com João Paulo 2º em 1995.

Mas os entraves ainda são muitos. Segundo Yang, “o Partido Comunista está particularmente preocupado com o catolicismo, porque ele tem uma estrutura hierárquica e é percebido como uma organização forte que poderia ter um impacto na China”.

“Outro grande obstáculo é Taiwan”, diz Yang Fenggang.

Depois do triunfo do comunismo maoísta, muitos dos católicos chineses partidários do exército nacionalista derrotado de Chiang Kai-Shek se refugiaram em Taiwan.

O Vaticano é o único Estado europeu que mantém relações diplomáticas oficiais com Taiwan, que Pequim reivindica como parte da China.

Fiel ao lema da “China Unida”, Pequim não aceita ter relações diplomáticas com países que as mantenham com Taiwan.

É um limite que o papa terá dificuldade de ultrapassar. O Sumo Pontífice tem o desafio de explicar um acordo com a China comunista à comunidade católica taiwanesa.

Desde Bento 16

As atitudes da Igreja para se reaproximar da China começaram na época do papa Bento 16, mas Francisco acelerou o processo. Por que ele faz isso diante de tantos problemas?

“A China é muito importante na visão do papa sobre a Ásia”, destaca Francesco Sisci, pesquisador da Universidade de Renmin, na China.

“A Igreja Católica é uma exígua minoria em quase todos os países asiáticos, menos de 1% da população na China. Mas a Ásia concentra cerca de 60% da população global e é também a parte do mundo que cresce mais rápido economicamente.”

Segundo Sisci, a Igreja está diante de um desafio crucial. “Ou conquista uma presença na Ásia ou estará falhando em sua missão de ser uma igreja universal.”

As várias viagens do Papa à região atendem a esse interesse.

O conteúdo do acordo para a designação dos arcebispos não foi divulgado, mas é certo de que se trata de um ponto importante na tentativa de aproximação.

Segundo a Reuters, o Vaticano estaria disposto a reconhecer a autoridade da Igreja oficial chinesa em troca de ter a voz ouvida no processo de nomeação de novos bispos no país.

O cardeal Zen afirma que o que o Vaticano está fazendo com os católicos da China é “empurrá-los para uma gaiola de pássaros”.

A alta fonte do Vaticano citada pela Reuters vê de outra forma: “Continuaremos sendo um pássaro em uma gaiola, mas ela será maior.”

12 fevereiro, 2018

Espírito de resistência e amor à Igreja.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 07-02-2018 | Tradução: Helio Dias Viana – FratresInUnum.com – À medida que se aproxima o quinto aniversário da eleição do Papa Francisco, ouvimos muitas vezes repetir que estamos diante de uma página dramática e absolutamente inédita na história da Igreja. Isto é apenas parcialmente verdadeiro. A Igreja sempre conheceu horas trágicas que viram a laceração de seu Corpo Místico, desde o nascimento no Calvário até tempos mais recentes.

Os mais jovens não sabem e os idosos esqueceram os terríveis anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, dos quais a era atual provém. Cinquenta anos atrás, enquanto explodia [na Sorbonne] a revolta de 1968, um grupo de cardeais e bispos, que tinham sido os protagonistas do Concílio, tentaram impor uma mudança radical na doutrina católica sobre o casamento. A tentativa foi frustrada porque Paulo VI, com a encíclica Humanae Vitae, de 25 de julho de 1968, reiterou a proibição da contracepção artificial, restituindo força e esperança ao rebanho desorientado. Mas Paulo VI, o Papa da Humanae Vitae, foi também aquele que causou uma ruptura profunda com a tradição católica, ao impor em 1969 o novo rito da Missa, que está na origem da devastação litúrgica atual. O mesmo Paulo VI promoveu a Ostpolitik, assumindo em 18 de novembro de 1973 a grave decisão de retirar de seu cargo de Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria o Cardeal József Mindszenty (1892-1975), campeão da oposição católica ao comunismo. O Papa Montini desejava a realização do “compromisso histórico” na Itália, por meio de um acordo entre o secretário da Democracia Cristã, Aldo Moro, e o secretário do Partido Comunista, Enrico Berlinguer. A operação foi abruptamente interrompida unicamente pelo sequestro e assassinato de Moro, do qual ocorrerá em breve o quadragésimo aniversário, seguido da morte do próprio Papa Montini em 6 de agosto de 1978.

Naqueles anos de prevaricação e de sangue, algumas vozes corajosas se ergueram e devem ser lembradas não apenas por dever de memória, mas porque ajudam a nos orientar na escuridão do momento presente. Recordamos duas, anteriores à explosão do chamado “caso Lefèbvre”, o arcebispo francês de quem Mons. Athanasius Schneider, em uma entrevista recente, sublinhou a “missão profética em um tempo obscuro e extraordinário de uma crise generalizada da Igreja”.

A primeira voz é a do teólogo dominicano francês padre Roger Calmel, que em 1969 rejeitou o Novus Ordo de Paulo VI e em junho de 1971 escreveu na revista Itinéraires:

“A nossa resistência cristã de sacerdotes ou de leigos, resistência dolorosíssima porque nos obriga a dizer não ao próprio Papa a respeito da manifestação modernista da Missa católica, nossa resistência respeitosa, mas inflexível, é ditada pelo princípio da plena fidelidade à Igreja sempre viva; ou, em outras palavras, pelo princípio da fidelidade viva ao desenvolvimento da Igreja. Nunca pensamos frear ou, menos ainda, impedir aquilo que alguns, com palavras aliás muito equivocadas, chamam de ‘progresso’ da Igreja, mas que é na realidade seu crescimento homogêneo em questões doutrinárias e litúrgicas, na continuidade da tradição, a caminho da ‘consummatio sanctorum’. (…) Como Nosso Senhor nos revelou nas parábolas, e como ensina São Paulo nas suas epístolas, acreditamos que a Igreja, através dos tempos, cresce e se desenvolve em harmonia, mas através de mil sofrimentos, até o retorno glorioso do próprio Jesus, seu Esposo e Senhor nosso. É precisamente porque estamos convencidos de que ao longo dos séculos se verifica o crescimento da Igreja, e porque estamos prestes a nos inserir, tanto quanto depende de nós e o mais retamente possível, neste movimento ininterrupto e misterioso, que rejeitamos este pretenso progresso que o Vaticano II reinvidica e que na realidade é um desvio mortal. Retomando a distinção clássica de São Vincente de Lerins, quanto mais temos desejado um belo crescimento, um esplêndido ‘profectus’, tanto mais vigorosamente rejeitamos, sem consentir em transações, uma fatal ‘permutatio’ ou qualquer mudança radical e vergonhosa ‒ radical, porque provindo do modernismo nega toda a fé; vergonhosa, porque toda negação de molde modernista é evasiva e oculta”.

A segunda voz é a do pensador e homem de ação brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, autor de um manifesto de resistência à Ostpolitik vaticana publicado no dia 10 de abril de 1974 em nome da associação Tradição, Família e Propriedade, sob o título de A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas. Para a TFP: omitir-se ou resistir?

Plinio Corrêa de Oliveira explicava: “Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.”; e acrescentava: “As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas – muitos deles elevados à honra dos altares – que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão. ‘Resistência’ é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e “resistiu em face” a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência. E nisto encontra paz nossa consciência.”

A “resistência” não é uma declaração de fé puramente verbal, mas um ato de amor à Igreja que acarreta consequências práticas. Quem resiste se distancia daquele que causa divisão na Igreja, critica-o abertamente, corrige-o. Expressaram-se nessa linha, em 2017, a Correctio filialis ao Papa Francisco e o manifesto dos movimentos pró-vida, publicado sob o título Fiéis à verdadeira doutrina, não aos pastores errados. Situa-se hoje na mesma linha a atitude intransigente do Cardeal Joseph Zen Zekiun em relação à nova Ostpolitik do Papa Francisco com a China comunista. Aos que lhe objetam ser necessário “tentar encontrar um terreno comum para unir o Vaticano e a China separados por décadas”, o Cardeal Zen responde: “Mas pode haver algo de ‘comum’ com um regime totalitário? Ou você se entrega ou então aceita a perseguição, permanecendo fiel a si mesmo. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”. E para aqueles que lhe perguntam se ele está convencido de que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China, ele responde: “Sim, indubitavelmente, se eles continuarem a caminhar na direção que é óbvia em tudo o que fizeram nessses últimos meses e anos”.
Anunciou-se para o dia 7 de abril um simpósio em Roma, do qual muito ainda se ignora, mas cujo tema seria a atual crise da Igreja. A participação de alguns cardeais e bispos, sobretudo do Cardeal Zen, daria máximo crédito a essa reunião. Devemos rezar para que dela possa elevar-se uma voz de amor pela Igreja e de firme resistência a todos os desvios teológicos, morais e litúrgicos do atual pontificado, sem a ilusão de que a solução seria de insinuar a invalidade da renúncia de Bento XVI ou a eleição do Papa Francisco. Refugiar-se na questão canônica equivale a evitar debater o problema doutrinário, que está na raiz da crise que estamos vivendo.

28 janeiro, 2018

Foto da semana.

Uberlândia, MG, 17 de dezembro de 2017: O bispo diocesano Dom Paulo Francisco Machado conferiu o sacramento do Crisma no rito romano tradicional e, posteriormente, assistiu à Santa Missa.

Mais fotos no blog da Irmandade Nossa Senhora do Carmo.

 

Tags: