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11 abril, 2018

As velhas faces do progressismo “católico”.

Por FratresInUnum.com – 11 de abril de 2018

Nos últimos dias, ganhou certa visibilidade o artigo do Prof. Jorge Alexandre Alves, intitulado “as novas (velhas) faces do conservadorismo católico”, no qual tenta traçar uma espécie de mapeamento daquilo que, na verdade, o está assustando. Segundo ele, “os segmentos mais conservadores do catolicismo tomaram a iniciativa e ‘saíram do armário’”.

Na sequência, ele aponta o que diagnostica como causa: “a presença de grupos e lideranças católicas distorcendo os fatos”. Daí em diante, passa apenas à exemplificações e generalizações, tentando imputar certo protagonismo ao clero carioca na condução destes que ele qualifica como “catolibãs”, “católicos que agem com elevado grau de intolerância e agressividade a ponto de os tornarem comparáveis aos talibãs afegãos”.

Não, não iremos apelar para a islamofobia nem para nenhum tipo de vitimismo ou autodefesa de que nos pudéssemos servir. E, isso, por um motivo simples: não há necessidade alguma! A tentativa de descrição que o autor esboça não passa de uma paródia, uma distorção grosseira da realidade, distorção da qual ele, sem o perceber, é vítima, como são vítimas todos os velhos progressistas aos quais Deus nos quer fazer suportar nestes últimos tempos difíceis.

Retrógrado, o progressismo “católico” padece a olhos vistos, sucumbe à luz do dia, incapaz de fôlego, derrotado pela obviedade dos fatos.

É manifesta a dissonância que sofrem estes senhores, incapazes de enxergar um palmo à sua frente. Eles simplesmente perderam o contato com a realidade.

Embriagados em suas próprias narrativas, em seus desconstrucionismos, em suas teorias críticas, eles acreditam piamente nas estórias que se inventaram, nas fábulas que construíram, mas que não resistiram ao realismo dos fatos.

Eles imaginaram que poderiam interceptar a Igreja inteira, mudar todos os seus dogmas, perverter a sua moral, criticar todos os seus ensinos, desmontar a sua autoridade para, no fim, se esconderem por trás de tudo que eles mesmos desfizeram. Eles passaram a vida inteira esvaziando a fé dos outros e incutindo-lhes uma crença partidária em personagens mitológicos, que na realidade eram psicopatas delinquentes, e se admiraram que todos o tenham percebido.

O progressismo “católico” agoniza diante da objetividade do bom senso. É a verdade que lhes dói, que os violenta, porque se impõe e é xingada de agressiva.

Testemunhamos à olho nu uma desesperada fuga da realidade, um delírio psicótico, que precisa se agarrar aos fantasmas em que creu como um náufrago a um cascalho.

Os progressistas sempre viveram disso. Alimentando-se de utopias, refugiaram-se viciosamente numa Shangri-lá que lhes escapa, naquela “Terra sem males” evocada numa Campanha da Fraternidade do passado.

Não será essa fuga da realidade, por exemplo, o que se viu nessas aberrações da invencionice litúrgica da Semana Santa e que causaram horror até nos mais heterodoxos dos libertadores? Ora, não foram estes mesmos senhores que passaram décadas ensinando criatividade litúrgica aos seminaristas em suas faculdades de teologia? Será preciso mencionar os carnavais da novena de Aparecida, os banzés das missas crioulas, das missas afro e de todas as palhaçadas mais cafonas que já se inventaram neste Brasil?

De fato, a sobriedade da liturgia romana é seca demais para quem precisa se refugiar na fantasia. É tosca, concreta, densa, objetiva demais! Mas eles não suportam a realidade.

No próprio espetáculo prévio à rendição de Lula, no último sábado, o que se via, senão um grande surto coletivo?… Um criminoso, defendido por uma multidão – a qual, diante do Brasil, pouco era –, aclamado como herói. E com o “amém” de um bispo e de uns padres.

Em certo sentido, Lula, indissoluvelmente unido à sua garrafa de cachaça – “é cachaça!”, exclamou, com picardia investigativa feminina, a senadora Glesi Hoffman –, resumiu toda a questão: “Eu não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias”.

É a encarnação ao contrário de Lula: no cristianismo, o Verbo se fez carne; na Teologia da Libertação, o Lula se fez ideia. — Ato falho! Lula confessou diante de todos que a realidade não suportou mais o mito: ele precisa se refugiar na fantasia, porque o teatro acabou.

É… O show acabou. É como um final de novela. Tudo meio nostálgico, meio triste. Mas a pia está cheia de louça e alguém precisa lavar. É esta a sensação que paira na consciência brasileira desses dias. Um alívio perplexo… Era tudo só isso? Pois é!

Neste ínterim, porém, teremos de ter paciência. Muita gente ainda crê naquele roteiro, está ainda apegada demais à ilusão que teima em “sair do armário das ilusões”. Não, não foi o povo que “saiu do armário”, foi a cortina que caiu.

A Igreja no Brasil vive atualmente uma crise senil. Os vovôs estão falando sozinhos, estão caducando e protestam. E como é difícil esta fase! A vovó de minissaia nunca será uma periguete. Será apenas a vovó de minissaia. Engraçadinha, provoca risos, vergonha, mal-estar… Mas é a vovó.

É este o momento que estamos vivendo! O descolamento dos bispos para com o povo é abissal. O povo grita, mas eles se ensurdeceram para o bom senso. E os teólogos da libertação, velhos, incapazes de se reproduzir, jogam todas as suas forças sobre um pontificado decadente e que já está por terminar.

É o terror ao concreto que apavora os idealistas progressistas. As suas velhas faces estão, mesmo, envelhecidas. Não lhes resta mais nada senão recitar ideias, as mesmas de sempre, feito uns conservadores de coisas mofadas, colecionadores de grampos e velharias inúteis… Eles não podem mais avançar. Perderam o tempo e se perderam numa narrativa novelesca coroada pelo “FIM”.

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21 março, 2018

Curtas.

Operação Caifás

Após prisão do bispo diocesano de Formosa, GO, Dom José Ronaldo Ribeiro, e da cúpula do clero diocesano, acusados de desvio de verbas da diocese, o Papa Francisco, rapidamente, já nomeou o canonista dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, MG, como administrador apostólico.

Manifestações

O presidente do regional Centro Oeste da CNBB manifestou solidariedade para com o bispo preso. A CNBB nacional e a Nunciatura Apostólica também se manifestaram a respeito.

Fake News

Após mensagem do Papa Francisco sobre as fake news, por ocasião do dia Mundial das Comunicações, o Vaticano se viu forçado a aceitar a renúncia de Mons. Dario Vigano ao cargo de Prefeito da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé. Isso porque Vigano fraudou a imagem da carta de Bento XVI e, o que deveria ser uma promoção para a coletânea de livros acerca do pensamento do Papa Francisco, tornou-se um grande gol contra para a divulgação da obra.

Marielle

O Papa Francisco ligou para a mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro, conforme informa O Globo.

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20 fevereiro, 2018

‘O Vaticano está nos vendendo’: por que a aproximação entre o papa e Pequim desagrada os católicos da China.

Por BBC Brasil, 17 de fevereiro de 2018 – De um lado, o menor Estado do mundo, que diz estar baseado no poder de Deus. De outro, a superpotência mais populosa do mundo e um Estado oficialmente ateu. O Vaticano e a República Popular da China têm uma relação difícil há muito tempo.

O vínculo entre os países se rompeu em 1951, após a vitória da Revolução Cultural de Mao Tsé Tung, que não reconheceu a autoridade do papa.

A China de Mao, desconfiada da presença de poderes estrangeiros, dediciu nomear seus próprios bispos e expulsar missionários forasteiros, vistos como agentes “do imperialismo ocidental”.

Desde então, convivem no país duas igrejas: a Associação Católica Patriótica, controlada pelo governo, e vertente leal ao Vaticano – que funciona na clandestinidade, porque o governo não a reconhece.

O conflito faz com que o Vaticano e Pequim disputem há anos a prerrogativa de nomear os bispos do país. Agora, no entanto, as coisas parecem estar a ponto de mudar.

Uma fonte do Vaticano disse recentemente à agência de notícias Reuters que um acordo sobre a designação dos bispos deve ser assinado nos próximos meses.

Será um passo no caminho do reestabelecimento das relações diplomáticas nas quais o Vaticano vem apostando há anos. Mas não é o fim da polêmica.

Alguns católicos estão protestando, porque, com sua nova política, o papa “corre o risco de trair a memória de quem sofreu e morreu por lealdade a Roma”, segundo análise da jornalista Carrie Gracie, que atuou como editora da BBC na China até o início deste ano.

Yang Fenggang, diretor do Centro para Religião e Sociedade Chinesas da Universidade Perdue de Indiana, nos Estados Unidos, diz que “há alguns sacerdotes e bispos leais ao Vaticano que estão em prisão domiciliar”.

Organizações como a Anistia Internacional acusam as autoridades chinesas de “intimidar e até aprisionar” os católicos e classifica como “perseguição” a atitude das autoridades.

Um dos que se sentem traídos é o cardeal Joseph Zen, de 86 anos, arcebispo de Hong Kong. “Se acredito que o Vaticano está vendendo a comunidade católica na China? Definitivamente sim”, escreveu em seu perfil do Facebook.

Não é a primeira vez de Zen levanta a voz contra a política da Santa Sé – e ele não é o único a fazer isso. O padre Dong Guanhua, diretor espiritual de uma comunidade de fiéis em Hebei, se nega a ir aos templos tolerados pelo Estado.

“Não apoio o acordo. O governo não vai mudar sua política de controle das igrejas, porque essas negociações não significam nada”, disse à BBC.

Questionado sobre o que diria ao papa se pudesse encontrá-lo pessoalmente, respondeu: “Que tenha cuidado.”

O arcebispo Guo Xijin, a quem o Vaticano pediu que se submeta à autoridade do Estado chinês, afirma que respeitará o acordo, mas alerta que Pequim não deverá respeitar a liberdade dos católicos.

Em um comunicado, o Vaticano lamenta que haja vozes dentro da Igreja “fomentando a confusão e a controvérsia”.

Segundo Gracie, o papa está fazendo todo o possível para que o diálogo tenha êxito. “Também está tendo muito cuidado para evitar criticar a China sobre a questão de liberdade religiosa e dos direitos humanos”, diz ela.

O governo chinês diz que promove e respeita a liberdade de culto.

Negociação

Os acenos do papado à China recentemente começaram a gerar um eco cordial de Pequim

Um editorial do jornal Global Post, de propriedade do Partido Comunista Chinês, elogiou a sabedoria do papa Francisco como uma qualidade que ajudaria a superar os diferenças entre os países.

Depois disso, Peter Shao Zhumin, arcebispo nomeado pelo papa, foi libertado pelas autoridades chinesas após ter ficado sete meses preso.

Outro sinal da aproximação são as duas exposições simultâneas que estão planejadas na Cidade Proibida de Pequim e no Museu do Vaticano – os dois países trocaram obras para esse projeto.

A televisão estatal chinesa destacou o papel da “diplomacia da arte”.

Ficaram para trás os tempos em que o governo chinês impedia o avião do pontífice de atravessar seu espaço aéreo em suas viagens, como aconteceu com João Paulo 2º em 1995.

Mas os entraves ainda são muitos. Segundo Yang, “o Partido Comunista está particularmente preocupado com o catolicismo, porque ele tem uma estrutura hierárquica e é percebido como uma organização forte que poderia ter um impacto na China”.

“Outro grande obstáculo é Taiwan”, diz Yang Fenggang.

Depois do triunfo do comunismo maoísta, muitos dos católicos chineses partidários do exército nacionalista derrotado de Chiang Kai-Shek se refugiaram em Taiwan.

O Vaticano é o único Estado europeu que mantém relações diplomáticas oficiais com Taiwan, que Pequim reivindica como parte da China.

Fiel ao lema da “China Unida”, Pequim não aceita ter relações diplomáticas com países que as mantenham com Taiwan.

É um limite que o papa terá dificuldade de ultrapassar. O Sumo Pontífice tem o desafio de explicar um acordo com a China comunista à comunidade católica taiwanesa.

Desde Bento 16

As atitudes da Igreja para se reaproximar da China começaram na época do papa Bento 16, mas Francisco acelerou o processo. Por que ele faz isso diante de tantos problemas?

“A China é muito importante na visão do papa sobre a Ásia”, destaca Francesco Sisci, pesquisador da Universidade de Renmin, na China.

“A Igreja Católica é uma exígua minoria em quase todos os países asiáticos, menos de 1% da população na China. Mas a Ásia concentra cerca de 60% da população global e é também a parte do mundo que cresce mais rápido economicamente.”

Segundo Sisci, a Igreja está diante de um desafio crucial. “Ou conquista uma presença na Ásia ou estará falhando em sua missão de ser uma igreja universal.”

As várias viagens do Papa à região atendem a esse interesse.

O conteúdo do acordo para a designação dos arcebispos não foi divulgado, mas é certo de que se trata de um ponto importante na tentativa de aproximação.

Segundo a Reuters, o Vaticano estaria disposto a reconhecer a autoridade da Igreja oficial chinesa em troca de ter a voz ouvida no processo de nomeação de novos bispos no país.

O cardeal Zen afirma que o que o Vaticano está fazendo com os católicos da China é “empurrá-los para uma gaiola de pássaros”.

A alta fonte do Vaticano citada pela Reuters vê de outra forma: “Continuaremos sendo um pássaro em uma gaiola, mas ela será maior.”

12 fevereiro, 2018

Espírito de resistência e amor à Igreja.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 07-02-2018 | Tradução: Helio Dias Viana – FratresInUnum.com – À medida que se aproxima o quinto aniversário da eleição do Papa Francisco, ouvimos muitas vezes repetir que estamos diante de uma página dramática e absolutamente inédita na história da Igreja. Isto é apenas parcialmente verdadeiro. A Igreja sempre conheceu horas trágicas que viram a laceração de seu Corpo Místico, desde o nascimento no Calvário até tempos mais recentes.

Os mais jovens não sabem e os idosos esqueceram os terríveis anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, dos quais a era atual provém. Cinquenta anos atrás, enquanto explodia [na Sorbonne] a revolta de 1968, um grupo de cardeais e bispos, que tinham sido os protagonistas do Concílio, tentaram impor uma mudança radical na doutrina católica sobre o casamento. A tentativa foi frustrada porque Paulo VI, com a encíclica Humanae Vitae, de 25 de julho de 1968, reiterou a proibição da contracepção artificial, restituindo força e esperança ao rebanho desorientado. Mas Paulo VI, o Papa da Humanae Vitae, foi também aquele que causou uma ruptura profunda com a tradição católica, ao impor em 1969 o novo rito da Missa, que está na origem da devastação litúrgica atual. O mesmo Paulo VI promoveu a Ostpolitik, assumindo em 18 de novembro de 1973 a grave decisão de retirar de seu cargo de Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria o Cardeal József Mindszenty (1892-1975), campeão da oposição católica ao comunismo. O Papa Montini desejava a realização do “compromisso histórico” na Itália, por meio de um acordo entre o secretário da Democracia Cristã, Aldo Moro, e o secretário do Partido Comunista, Enrico Berlinguer. A operação foi abruptamente interrompida unicamente pelo sequestro e assassinato de Moro, do qual ocorrerá em breve o quadragésimo aniversário, seguido da morte do próprio Papa Montini em 6 de agosto de 1978.

Naqueles anos de prevaricação e de sangue, algumas vozes corajosas se ergueram e devem ser lembradas não apenas por dever de memória, mas porque ajudam a nos orientar na escuridão do momento presente. Recordamos duas, anteriores à explosão do chamado “caso Lefèbvre”, o arcebispo francês de quem Mons. Athanasius Schneider, em uma entrevista recente, sublinhou a “missão profética em um tempo obscuro e extraordinário de uma crise generalizada da Igreja”.

A primeira voz é a do teólogo dominicano francês padre Roger Calmel, que em 1969 rejeitou o Novus Ordo de Paulo VI e em junho de 1971 escreveu na revista Itinéraires:

“A nossa resistência cristã de sacerdotes ou de leigos, resistência dolorosíssima porque nos obriga a dizer não ao próprio Papa a respeito da manifestação modernista da Missa católica, nossa resistência respeitosa, mas inflexível, é ditada pelo princípio da plena fidelidade à Igreja sempre viva; ou, em outras palavras, pelo princípio da fidelidade viva ao desenvolvimento da Igreja. Nunca pensamos frear ou, menos ainda, impedir aquilo que alguns, com palavras aliás muito equivocadas, chamam de ‘progresso’ da Igreja, mas que é na realidade seu crescimento homogêneo em questões doutrinárias e litúrgicas, na continuidade da tradição, a caminho da ‘consummatio sanctorum’. (…) Como Nosso Senhor nos revelou nas parábolas, e como ensina São Paulo nas suas epístolas, acreditamos que a Igreja, através dos tempos, cresce e se desenvolve em harmonia, mas através de mil sofrimentos, até o retorno glorioso do próprio Jesus, seu Esposo e Senhor nosso. É precisamente porque estamos convencidos de que ao longo dos séculos se verifica o crescimento da Igreja, e porque estamos prestes a nos inserir, tanto quanto depende de nós e o mais retamente possível, neste movimento ininterrupto e misterioso, que rejeitamos este pretenso progresso que o Vaticano II reinvidica e que na realidade é um desvio mortal. Retomando a distinção clássica de São Vincente de Lerins, quanto mais temos desejado um belo crescimento, um esplêndido ‘profectus’, tanto mais vigorosamente rejeitamos, sem consentir em transações, uma fatal ‘permutatio’ ou qualquer mudança radical e vergonhosa ‒ radical, porque provindo do modernismo nega toda a fé; vergonhosa, porque toda negação de molde modernista é evasiva e oculta”.

A segunda voz é a do pensador e homem de ação brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, autor de um manifesto de resistência à Ostpolitik vaticana publicado no dia 10 de abril de 1974 em nome da associação Tradição, Família e Propriedade, sob o título de A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas. Para a TFP: omitir-se ou resistir?

Plinio Corrêa de Oliveira explicava: “Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.”; e acrescentava: “As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas – muitos deles elevados à honra dos altares – que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão. ‘Resistência’ é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e “resistiu em face” a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência. E nisto encontra paz nossa consciência.”

A “resistência” não é uma declaração de fé puramente verbal, mas um ato de amor à Igreja que acarreta consequências práticas. Quem resiste se distancia daquele que causa divisão na Igreja, critica-o abertamente, corrige-o. Expressaram-se nessa linha, em 2017, a Correctio filialis ao Papa Francisco e o manifesto dos movimentos pró-vida, publicado sob o título Fiéis à verdadeira doutrina, não aos pastores errados. Situa-se hoje na mesma linha a atitude intransigente do Cardeal Joseph Zen Zekiun em relação à nova Ostpolitik do Papa Francisco com a China comunista. Aos que lhe objetam ser necessário “tentar encontrar um terreno comum para unir o Vaticano e a China separados por décadas”, o Cardeal Zen responde: “Mas pode haver algo de ‘comum’ com um regime totalitário? Ou você se entrega ou então aceita a perseguição, permanecendo fiel a si mesmo. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”. E para aqueles que lhe perguntam se ele está convencido de que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China, ele responde: “Sim, indubitavelmente, se eles continuarem a caminhar na direção que é óbvia em tudo o que fizeram nessses últimos meses e anos”.
Anunciou-se para o dia 7 de abril um simpósio em Roma, do qual muito ainda se ignora, mas cujo tema seria a atual crise da Igreja. A participação de alguns cardeais e bispos, sobretudo do Cardeal Zen, daria máximo crédito a essa reunião. Devemos rezar para que dela possa elevar-se uma voz de amor pela Igreja e de firme resistência a todos os desvios teológicos, morais e litúrgicos do atual pontificado, sem a ilusão de que a solução seria de insinuar a invalidade da renúncia de Bento XVI ou a eleição do Papa Francisco. Refugiar-se na questão canônica equivale a evitar debater o problema doutrinário, que está na raiz da crise que estamos vivendo.

28 janeiro, 2018

Foto da semana.

Uberlândia, MG, 17 de dezembro de 2017: O bispo diocesano Dom Paulo Francisco Machado conferiu o sacramento do Crisma no rito romano tradicional e, posteriormente, assistiu à Santa Missa.

Mais fotos no blog da Irmandade Nossa Senhora do Carmo.

 

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26 dezembro, 2017

“Ouso dizer, a Igreja nunca esteve tão bem”.

Algumas razões para a imagem acima, segundo a corte bergogliana:

  1. Aquecimento global;
  2. Crise migratória;
  3. Desemprego dos jovens;
  4. Mudança da embaixada norte-americana para Jerusalém.
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17 dezembro, 2017

Foto da semana.

Assim no Vaticano como no Convento de Santo Antônio: “Um presépio de trevas”. Assim qualificou o importante site Adelante la Fe, que explica: “Na Praça do Vaticano, colocaram um presépio, porém, um presépio de trevas, inclusive com um morto e um homem nu. Que fazem um morto e um homem nu em um presépio? Que mentes retorcidas são os autores de tal profanação do mistério do nascimento do Menino Deus?”

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15 dezembro, 2017

Nota da Província Franciscana sobre presépio do Convento de Santo Antônio.

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Fonte aqui.

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7 novembro, 2017

O impressionante milagre que levou o teólogo da Conferência Episcopal dos EUA a criticar o Papa Francisco.

Por Claire Chretien, 2 de novembro de 2017 – LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com – O padre que acabou de ser despedido pela Conferência dos Bispos dos Estados Unidos por publicar uma carta criticando o Papa Francisco afirmou que um “sinal claro” de Deus o convenceu que ele possuía um “mandato apostólico” de escrevê-la.

Padre Thomas Weinandy, antigo responsável para a doutrina da Conferência Episcopal dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), escreveu uma carta ao Papa Francisco na qual afirmou que seu pontificado é marcado pela “confusão crônica”, desprezo da doutrina e cultura do medo.

Após publicar a sua carta, a USCCB pediu a Weinandy que renunciasse ao posto de consultor, o que ele fez. O presidente da USCCB então publicou uma declaração sobre o “diálogo” na qual ele garantiu a “lealdade” dos bispos dos EUA ao Papa Francisco. 

Weinandy afirmou ao site The Catholic Thing’s, de Robert Royal, que ele vinha pensando em escrever a carta enquanto estava em Roma, no último mês de maio. Ele estava “rezando sobre o estado presente da Igreja e as angústias que tinha sobre o atual pontificado”.

“Eu suplicava a Jesus e Maria, a São Pedro e a todos os santos papas que estão enterrados lá, que fizessem algo para corrigir a confusão e a agitação dentro da Igreja hoje, um caos e uma incerteza que eu sentia que o próprio Papa Francisco havia causado”, contou Weinandy.

Ele estava “ponderando” se “escrevia e publicada algo expressando minhas preocupações e angústia”, mas não tinha certeza se deveria.

De maneira atípica, ele não conseguiu dormir durante uma de suas últimas noites em Roma, e, em algum momento depois da 1:15 da manhã, rezou a Deus:

“Se quereis que eu escreve algo, dai-me um sinal claro. Assim deve ser o sinal. Amanhã, pela manhã, irei a Santa Maria Maior para rezar e, depois, vou a São João de Latrão. Mais tarde, voltarei para São Pedro, para almoçar com um amigo da época de seminário. Neste ínterim, eu devo encontrar alguém que conheço, mas não vejo há muito tempo e que nunca esperaria ver em Roma desta vez. Essa pessoa não pode ser dos Estados Unidos, Canadá ou Grã-Bretanha. Além disso, a pessoa tem de me dizer ao longo de nossa conversa: “Continue escrevendo bem”.

Após almoçar com seu amigo de seminário, “aquilo que eu havia pedido ao Senhor na noite anterior sequer estava mais em minha mente”.

Então, um arcebispo que Weinandy não via há 20 anos apareceu. O arcebispo, que não era americano, canadense nem britânico, “eu nunca esperaria ver em Roma ou em qualquer outro lugar, a não ser em sua arquidiocese”, disse Weinandy.

O arcebispo “disse ao meu amigo que nos encontramos há muito tempo e que ele tinha, naquela ocasião, apenas acabado de ler meu livro sobre a imutabilidade de Deus e a Encarnação”.

E “ele disse ao meu amigo que era um excelente livro, que o ajudou a organizar as idéias sobre o assunto, e que meu amigo deveria ler o livro. Então, ele se voltou para mim e disse: ‘continue escrevendo bem'”.

Naquele instante, “não havia mais nenhuma dúvida em minha mente de que Jesus queria que eu escrevesse algo”, disse Weinandy.

Ele pensou ser particularmente significativo que o “sinal” de Deus tinha vindo por um arcebispo: “Eu considerei isso um mandato apostólico”.

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Então escreva: ‹‹ Eles vos expulsarão da USSCB”… desculpe, quis dizer “Sinagogas” ›› . 

 

Weinandy “ponderou” e escreveu “muitos rascunhos”.

“Eu decidi escrever diretamente ao Papa Francisco sobre as minhas preocupações”, disse. “No entanto, eu sempre tive a intenção de tornar isso público, uma vez que sentia que muitas das minhas preocupações eram as mesmas que outras pessoas tinham, especialmente entre os leigos, e, assim, quis publicamente dar voz também às suas preocupações”.

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30 outubro, 2017

Motus in fine velocior?

Um renomado amigo está aterrorizado por aquilo que vê na Igreja, e teme que…  

Por Marco Tosatti, 30 de outubro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com –  Caros amigos, inimigos e leitores, esta manhã pensei que estaria de folga. Depois me chegou uma mensagem de um amigo renomado que, devo confessá-lo, me abalou sinceramente. Pelo seu teor e porque sei que este amigo é alguém que já viu muita coisa! Resumindo, não é alguém que se impressione com qualquer coisa. Mas, enfim…, leiam isso:

Caro Tosatti, aquilo que lhe escrevo esta vez não é uma piada. Não estou apenas emudecido, nessa altura do campeonato nada mais me assusta neste pontificado; dessa vez estou apavorado. A aceleração destes últimos dias é surpreendente, como se estivéssemos diante de um prazo urgente e não se quisesse perder tempo com diplomacias. Depois das preliminares de interpretação ambígua, passamos a algo que não precisa mais de interpretações, são declarações de guerra à fé católica, a Jesus Cristo, à Imaculada. Em primeiro lugar, as declarações de estima a Lutero (a última foi a conferência de Mons. Bruno Forte, em 30 de outubro), depois, as declarações de um dos teólogos preferidos do Papa (Andrea Grillo), que explica, sem desmentidos da Santa Sé) que a “transubstanciação não é um dogma”, depois, a ainda surpreendente e inquietante correção publicada do Papa ao Cardeal Sarah, e, enfim, a conferência sobre a reaproximação entre a Igreja e a maçonaria (12 de novembro em Siracusa, com grãos-mestres, um prelado e o bispo de Noto), cujo folheto de divulgação representa um inquietante Cristo com o compasso na mão. Certo! Depois das manifestações sobre a reaproximação com os irmãos maçons feitas pelo Cardeal Ravasi não nos deveríamos maravilhar, mas Ravasi é Ravasi, quando não fala aramaico e grego antigo é inclusive possível entendê-lo sem compreendê-lo.

Mas eu agora estou assustado sobretudo pela sequência tão próxima dos acontecimentos; como se estivéssemos próximos de um prazo (aquelas visões de Leão XIII? As profecias de La Salette? De Santa Brígida? De Nossa Senhora de Akita? De São Vicente Férrer?…). O que deveremos, então, esperar como próximo passo? Deveríamos imaginar que a próxima “reaproximação” seja com a serpente tentadora do Gênesis, à qual se pedirá desculpas “justificando” as duas “boas intenções” de levar o conhecimento a Adão e Eva? Dever-se-á repreender a São Miguel Arcanjo por a ter chutado? Ou pedir a Maria Santíssima que se desculpasse por lhe ter esmagado a cabeça? Ou mesmo pedir ao próprio Jesus que o faça por não se ter deixado tentar no deserto, abrindo-se, assim, um diálogo multicultural e pluralista, vantajoso para ambos?

Caro Tosatti, talvez não creia no que vou dizer, mas eu começa a ficar realmente com medo. Comecei a fazer novamente a oração-exorcismo a São Miguel Arcanjo, escrita por Leão XIII (rezada ao fim da Santa Missa até 1964 e depois inexplicavelmente retirada). Pergunto-me se teria as forças para reagir quando me falta a assistência da minha Santa Igreja Católica Apostólica Romana, antes, sentindo-a sempre mais estar contra os Evangelhos e a Verdade que me ensinaram. Os Cardeais e os Bispos que ainda creem na verdade de Cristo devem fazer alguma coisa logo! Temo que sejam os tempos finais, caro Tosatti.

Assina o amigo renomado, mas aterrorizado.