Posts tagged ‘Atualidades’

4 dezembro, 2016

Foto da semana.

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Rezemos em sufrágio das almas das vítimas do vôo que levava os atletas da Chapecoense.

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3 dezembro, 2016

Ecce nova facio omnia.

Por Gercione Lima | FratresInUnum.com

Hoje está fazendo exatamente um mês que passei pela maior cirurgia da minha vida!

Pelo tamanho da incisão em minha barriga, que se estende desde abaixo do seio até o início do púbis, imaginei que a recuperação fosse ser até mais sofrível!

Na primeira semana, até que foi mesmo, pois os grampos no lugar dos pontos e todos aqueles drenos e sondas eram um purgatório à parte!

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Ainda é difícil pra mim andar ereta e quando tento, sinto repuxar toda a área do abdomen que parece endurecida! Ainda não posso me abaixar, fazer esforços, ficar muito tempo sentada ou de pé, enfim, por mais algum tempo terei que me resguardar, o que é um pouco difícil para uma pessoa agitada como eu!

Durante esse tempo de recuperação passei por um período de muita fragilidade. Como já relatei por aqui, o tratamento do câncer de ovário é muito agressivo para o corpo, para mente e se não fosse por uma boa dose de fé, até o espírito ficaria abalado.

Na semana passada, estive com minha cirurgiã-oncologista e ela me mostrou o laudo da biópsia das “peças” que foram retiradas na cirurgia (útero, ovários, trompas, colo do útero, apêndice, 25 cm do cólon, omento ou peritônio e vários linfonodos).

Ela me disse que a maioria das peças tinha sinais de neoplasia, e que ainda existiam sinais microscópicos da doença que precisam ser combatidos com mais 3 ciclos de quimioterapia, cujo primeiro ciclo já está marcado para  segunda feira, 5 de dezembro.

Diante de um quadro como esse, certamente eu deveria estar comemorando, mas não é bem assim, pois o tipo de cancer ovariano que eu tenho, tem um índice alto de reincidência nos 5 primeiros anos, mesmo após o término das sessões de quimioterapia.

Na verdade, os médicos não falam em cura quando o diagnóstico de cancer no ovário é tardio, como foi no meu caso, pois o câncer passa a ser uma doença crônica, como o diabetes, que requer acompanhamento constante!

Felizmente, os tratamentos disponíveis hoje nos garantem uma boa chance de sobrevida se não houver outras complicações sérias! Mas estamos no tempo de Advento, que é também tempo de penitência e de espera por aquele grande milagre que foi a Encarnação do Verbo! E nesse meio tempo, continuo esperando por um milagre se for da vontade de Deus! Continuo também contando com a generosidade de suas orações!

Que Deus lhes recompense pela solidariedade e pela generosidade!

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2 dezembro, 2016

A intolerável agressão contra os quatro Cardeais.

Eis quem são os novos inquisidores. Um bando de hipócritas e sepulcros caiados, que perseguem há décadas a sua agenda eclesial, usando o Papa para afirmar seu próprio projeto de Igreja.

Por Riccardo Cascioli, 1 de dezembro de 2016 – La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: FratresInUnum.com: Eles foram pintados como “velhos imbecilizados”,  quatro cardeais isolados e fora do mundo, remanescentes de uma Igreja ultrapassada, que vê apenas a rigidez da doutrina e não compreende a misericórdia que entra nas dobras da vida. Em suma, um refugo da Igreja, um apêndice marginal sequer digno de um “sim” ou “não” às suas perguntas.

No entanto, eles devem despertar um grande medo, já que não é de hoje que estamos assistindo a um contínuo assalto de insultos e acusações que se tornaram agora um verdadeiro linchamento midiático contra a quatro cardeais – Raymond Burke, Walter Brandmüller, Carlo Caffara e Joachim Meisner – réus por terem tornado pública as cinco “Dubia” que já foram apresentadas ao Papa Francisco sobre a exortação apostólica Amoris Laetitia. Chegamos ao ponto em que temos até pedidos de demissão do Colégio dos Cardeais ou, alternativamente, sugestões para que o Papa remova deles o barrete cardinalício.

Os protagonistas são os mais variados: bispos que querem acertar contas pessoais, ex- filósofos que negam o princípio da não-contradição, cardeais amigos do Papa Francisco, que apesar da idade não abandonaram os sonhos revolucionários, intelectuais e jornalistas que se vêem como “guardiães da revolução “, e o inevitável Padre Antonio Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica e verdadeira eminência parda por trás deste pontificado, tanto que ele se tornou conhecido em Roma como vice-Papa. Este último, pois, como um adolescente qualquer, tornou-se o protagonista de bravatas em redes sociais que deixam qualquer um estupefato: primeiro com um tweet dirigido ao Cardeal Burke comparando-o com o “verme idiota” (Grima Wormtongue) da trilogia O Senhor dos Anéis (tweet posteriormente deletado); em seguida, ele começou a relançar tweets ofensivos contra os quatro partidos cardeais a partir de uma conta fake com o título “Habla Francisco” (Fala Francisco), que ontem se descobriu que tem o mesmo endereço de e-mail do Padre Spadaro na La Civiltà Cattolica. E, em seguida, o inevitável Alberto Melloni, ponto de referência da escola de Bolonha, que trabalha por uma reforma da Igreja, fundada sobre o “espírito” do Concílio Vaticano II.

É um verdadeiro e próprio tribunal da Inquisição que, ao atingir os quatro, tem a intenção clara de intimidar qualquer um que tenha a intenção de fazer perguntas até mesmo simples, e ainda mais aqueles que se atrevam a externar sua perplexidade.

É uma atitude preocupante, uma defesa do Papa no mínimo suspeita por parte daqueles que desafiaram e contestaram abertamente os predecessores do Papa Francisco. E tudo isso só por terem feito perguntas simples, pedindo esclarecimento sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia que, como qualquer um pode ver, deu origem a interpretações conflitantes e certamente não conciliáveis. A este respeito, deve ser lembrado que a “Dubia” é uma ferramenta muito usada na relação entre bispos e a Congregação para a Doutrina da Fé (e através dela, ao Papa). A novidade neste caso é simplesmente o fato de terem tornado pública esta “Dubia”, mas, ainda assim, só depois de dois meses de espera em vão por uma resposta, é que os quatro cardeais legitimamente interpretaram como um convite para prosseguir com a discussão.

No entanto, para Melloni se trata de “um ato sutilmente subversivo, parte de um jogo potencialmente devastador, com instigadores ocultos, conduzidos sobre o fio de uma história medieval”. Ato subversivo, é o que dirá Melloni em outra entrevista, porque fazer perguntas significa colocar o Papa sob acusação, um método de inquisição. Coisa incrível: pedir esclarecimentos tornou-se atividade subversiva, ato próprio da Inquisição. E os “instigadores ocultos”? Acusações vagas, cenários fantasiosos, mas que devem dar a impressão de uma conspiração para ser confrontada com uma decisão. E, de fato, aqui está o próximo passo: “Quem fizer ataques como este (…) é alguém que tem como objetivo dividir a Igreja”, diz ele. E por isso aqui estão as consequências esperadas: “… no direito canônico é um crime, passível de punição”.

Algo verdadeiramente criminoso, porque eles querem dividir a Igreja“. Pouco importa se a realidade é exatamente o oposto: o que os leva a dirigir as perguntas ao Papa é justamente a constatação da divisão na Igreja provocada pelas interpretações opostas da Amoris Laetitia.

Há um forte mal cheiro de maoísmo na Igreja, rumores da Guarda Vermelha e da vanguarda revolucionária. Só faltam agora os campos de reeducação. Aliás, parece que já temos também esses, de acordo com o que propõe o próprio Melloni. Na verdade, isso explica por que o Papa Francisco não usou com Monsenhor Lucio Vallejo Balda – nos cárceres do Vaticano por causa do escândalo Vatileaks – aquela mesma clemência que ele não cansa de pedir para os encarcerados em vários países do mundo: “No final do Jubileu se entende o porquê: Papa Francisco não via naquele processo um procedimento penal, mas um gesto pedagógico contra os adversários “que se arriscam muito”. Em suma, atingir um para educar um cento.

Trata-se de uma leitura realmente preocupante, ainda mais quando se considera que os que hoje se lançam em defesa do Papa por causa de um simples esclarecimento de questões, algo que deveria ser normal, até ontem desafiavam abertamente os predecessores do papa Francisco. Aliás, eles vêem hoje no Papa Francisco a oportunidade de apagar tudo o que ensinaram Paulo VI e João Paulo II sobre a família. A encíclica Humanae Vitae (Paulo VI) e a Exortação Apostólica Familiaris consortio (João Paulo II) há muito têm sido o alvo de uma série de Conferências Episcopais da Europa (Áustria, Alemanha, Suíça, Bélgica) e no recente Sínodo sobre a família, por duas vezes.

E qual deles ficou chocado quando o cardeal Carlo Maria Martini escreveu claramente (Conversas noturnas em Jerusalém), que a Humanae Vitae produziu “danos significativos” com a proibição da contracepção porque “muitas pessoas se afastaram da Igreja e a Igreja do povo”? E quando ele disse que desejava um novo documento papal que superasse esses documentos, especialmente depois que João Paulo II seguiu “o caminho de uma aplicação estrita” da Humanae Vitae? Certamente nenhum deles, porque o que importa não é a objetividade do Magistério (cuja referência é a Revelação de Deus), mas o projeto ideológico desses dissidentes de vanguarda que se acham intérpretes da vontade popular.

E, então, há uma íntima coerência no fato de que os papistas de hoje são exatamente os rebeldes de ontem. Sim, os rebeldes. Porque de Paulo VI em diante, esses bispos e intelectuais, esses mestres da obediência ao Papa, declararam guerra ao Magistério se este não inclui o espírito do Vaticano II; assinavam manifestos, documentos e apelos nos quais contestavam abertamente o Papa reinante, fosse Paulo VI, João Paulo II ou Bento XVI. Recordemos pelo menos o documento pesado do conhecido moralista alemão Bernard Haring , em 1988, contra João Paulo II, que tanto apoio recebeu em toda a Europa, seguido logo após pela Declaração de Colônia, em 1989, com o mesmo conteúdo e assinada por numerosos teólogos e influentes alemães, austríacos, holandeses e suíços. Na Itália, tal declaração foi favoravelmente acolhida, entre outros, por Giovanni Gennari, que hoje é o guardião da ortodoxia nas colunas do jornal Avvenire.

Da mesma forma, no mesmo ano chegava na Itália o documento de 63 teólogos, uma “Carta aos cristãos” publicada nas colunas do Il Regno,  em que se contesta abertamente o magistério de João Paulo II. E no elenco dos signatários estão nomes conhecidos que se infiltraram nos seminários e universidades pontifícias nas últimas décadas, criando um verdadeiro e próprio magistério paralelo do qual hoje vemos os frutos amargos. Faziam-se de vítimas, mas todos fizeram carreiras brilhantes, alguns chegaram mesmo a se tornar bispos como o monsenhor Franco Giulio Brambilla, atualmente bispo de Novara e na corrida para suceder o cardeal Angelo Scola em Milão. Mas, por coincidência, entre as assinaturas encontramos o inevitável Alberto Melloni, com seus colegas da Escola de Bolonha (Giuseppe Alberigo na cabeça), o prior da Comunidade de Bose Enzo Bianchi, Dario Antiseri e Attilio Agnoletto.

Eles são os mesmos que continuaram a atacar publicamente Bento XVI, mesmo com provocações ostensivas no tocante à interpretação correta do Concílio Vaticano II que Melloni, Bianchi & cia, sempre consideraram como um caminho radical e irreversível “na compreensão da fé da Igreja”, contra a hermenêutica da reforma na continuidade explicada pelo Papa Ratzinger. E como poderíamos esquecer a rasgação de vestes desses mesmos senhores por causa da remoção das excomunhões dos lefebvrianos, ao passo que agora nem sequer um suspiro se levantou por causa das aberturas unilaterais de Francisco?

Estes são os personagens que hoje pretendem julgar cardeais, bispos e leigos preocupados com a grave confusão que se instaurou na Igreja. Um bando de hipócritas e sepulcros caiados, que perseguem há décadas a sua agenda eclesial, usando o Papa para afirmar seu próprio projeto de Igreja, e que hoje se permitem a arrogância dos que se acham no comando de uma bem sucedida e alegre máquina de guerra. Estes são os verdadeiros fundamentalistas, apoiados por uma imprensa complacente que não vê a hora de apagar definitivamente todos os traços da identidade Católica. Mas, que infelizmente para eles, não sucumbirá.

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6 novembro, 2016

“O Vaticano? Que revise o catecismo”.

Padre italiano culpa uniões homossexuais por terremotos no país.

Religioso afirmou que recentes abalos eram castigos divinos. E foi duramente repreendido pelo Vaticano

Veja – O padre italiano Giovanni Cavalcoli classificou os recentes terremotos que sacudiram o país como um “castigo divino” relacionado às uniões de homossexuais. A declaração irritou o Vaticano, que emitiu nota repudiando as declarações do religioso.

A imprensa italiana informou neste sábado que Cavalcoli deu as declarações no domingo, 30 de outubro, no mesmo dia que um terremoto de magnitude 6,5 sacudiu a região central da Úmbria. Na ocasião, ele afirmou a uma rádio local que o tremor se dava em decorrência da “ofensa à família e à dignidade do matrimônio, sobretudo por culpa das uniões civis” de homossexuais.

O Vaticano reagiu, classificando as declarações como “fensivas para os fiéis e escandalosas para os não fiéis”. O arcebispo italiano Angelo Becciu, número dois da Secretaria de Estado do Vaticano, pediu perdão às vítimas dos terremotos e afirmou que elas têm “a solidariedade e o apoio” do papa Francisco.

Contudo, a resposta do Vaticano não mudou a opinião do padre Cavalcoli, que repetiu em outra emissora de rádio que os terremotos foram provocados pelos “pecados do homem”. “O Vaticano? Que revise o catecismo!”, alfinetou o religioso. A Itália, o último grande país da Europa Ocidental que não havia acordado nenhum estatuto aos casais do mesmo sexo – com uma forte oposição da Igreja Católica – optou no final de julho por estabelecer a união civil, diferente do matrimônio.

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6 novembro, 2016

Foto da Semana

Por Teresa M. Freixinho | FratresInUnum.com

Os sinos voltaram a repicar em Qaraqosh!

Após mais de dois anos de ocupação jihadista, a cidade de Qaraqosh, ao norte do Iraque, foi libertada na última quinzena de outubro. Assim, no domingo passado, cristãos iraquianos puderam participar da Santa Missa na igreja da Imaculada Conceição.

Como informa a ACI Digital, Qaraqosh era a sede do Arcebispado de Mossul e onde estava situado o seminário maior e várias congregações religiosas femininas. A região era ainda um dos últimos refúgios para os cristãos no norte do Iraque, antes de ser ocupada, há dois anos.

Rezemos pelos cristãos perseguidos!

Missa em Qaraqosh

“Fugimos para preservar a nossa fé.”

Segundo o padre Majeed Hazem, milhares de cristãos tiveram que deixar a cidade, em agosto de 2014, para escapar das mãos sanguinárias dos jihadistas durante a violenta invasão da Planície de Nínive. Os cristãos não tinham outra escolha senão a conversão ao islã ou a escravidão.

“Fugimos para preservar a nossa fé. Agora – declara – vamos precisar de proteção internacional”.

Consagração

Soldado iraquiano acende uma vela durante a missa celebrada na igreja da Imaculada Conceição, em Qaraqosh, no último domingo. Essa missa foi especialíssima, porque marcou o recomeço da vida católica na cidade, após mais de dois anos de ocupação jihadista.

Ao olhar essa foto, não pude deixar de pensar nos muitos “jihadistas” litúrgicos, que não se cansam de querer destruir o que há de mais belo na face da Terra. Que a beleza e a sacralidade da liturgia voltem a brilhar em todos os altares do mundo!

Rezemos por todos os locais onde o cristianismo é perseguido!

Auxilio dos Cristãos

 

O sinal da cruz.

Soldados se persignam diante do altar da Catedral da Imaculada Conceição, em Qaraqosh, na missa do domingo passado. Ela foi celebrada pelo Arcebispo Católico siríaco de Mossul, Dom Yohanna Petros Mouche, e concelebrada por outros quatro sacerdotes.

Os jihadistas destruíram grande parte da cidade, sobretudo, os templos cristãos, mas não conseguiram destruir a fé da população cristã. Até a ocupação, em agosto de 2014, a cidade concentrava um quarto dos cristãos iraquianos.

Oração do Soldado

Os dois: sempre juntos!

Eles estão sempre presentes nos momentos de maior tribulação. Nunca nos esqueçamos disso!

Quando tudo parece desmoronado à nossa volta ou quando nos sentimos esmagados pelas notícias ruins, basta lançarmos um olhar para Jesus e Maria. A mãe de Deus leva nossas orações a seu Diviníssimo Filho com muita diligência.

Nesta foto podemos ver uma gravura da Virgem Maria ao lado de um crucifixo encimado por um rosário sobre o altar da Catedral da Imaculada Conceição, na cidade de Qaraqosh. O altar parece semi destruído e repleto de estilhaços, mas eles permanecem juntos e firmes!

Creio que não é preciso dizer muita coisa a respeito dessa foto. É um ícone completo!

Igualmente no Ocidente precisamos de libertação de outro tipo muito peculiar de jihadistas. Refiro-me particularmente àqueles, que, usando arsenais ideológicos cada vez mais audaciosos, querem conspurcar nossa santa religião.

Rezemos pela preservação da Fé Católica no mundo inteiro!

Crucifixo

 

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1 novembro, 2016

Dies amara valde!

Por Padre Romano | FratresInUnum.com

Domingo, 30 de outubro de 2016, ficará certamente registrado na história como um dia trágico para a Itália, para a Igreja Católica e para o mundo inteiro. Apesar de não ter deixado vítimas fatais, o terremoto de magnitude 6,5 graus que atingiu cidades e povoações do centro da Itália, já duramente provadas por outros recentes abalos sísmicos, foi o maior registrado desde 1980, e deixou um saldo incalculável de danos ao patrimônio religioso, artístico e cultural daquela região. Atingidas, em particular, igrejas seculares, que simplesmente desabaram, tornando-se um monte de entulhos.

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Dentre tantos edifícios sacros, destaca-se a basílica de São Bento, em Núrsia, construída sobre o lugar do nascimento do Santo Abade, fundador do monaquismo  ocidental, que está na base da formação cristã, humana e cultural da Europa ocidental. Ao lado da basílica existia, já há alguns anos, uma comunidade de beneditinos da antiga observância, ligados à liturgia tradicional, que também ficaram desabrigados. Da basílica, restou apenas a fachada.

Em Roma, o sismo foi sentido com violência, obrigando o fechamento das basílicas de São Paulo fora dos muros e de São Lourenço in Campo Verano, por conta de alguns danos causados pelo terremoto, onde se encontram os corpos desses gloriosos mártires, que testemunharam, na Cidade Eterna, com o próprio sangue, sua indefectível fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse mesmo dia se celebrava na Igreja, segundo o calendário romano tradicional, a Festa de Cristo Rei, instituída por Pio XI para ser celebrada no último domingo de outubro, a fim de afirmar a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo diante de uma sociedade que cada vez mais se negava a aceitar o doce e suave jugo e o Império do Divino Redentor. Esse foi também o último domingo do mês do Santo Rosário, mês no qual Nossa Senhora, aparecendo pela última vez  aos três pastorinhos, em Fátima, no dia 13, declarou ser “a Senhora do Rosário” e realizou o milagre do sol, com o qual Ela aparece revestida no livro do Apocalipse.

Mas, o que há em comum entre esses acontecimentos aparentemente desconexos? Para quem tem fé, nada se dá por acaso, e aquilo que é percebido apenas como uma fatalidade ou mera casualidade, se observado de um ângulo puramente natural e contingente, revela-se, na verdade, como um sinal de Deus, da sua Providência, da sua Misericórdia ou da sua Justiça.

Ao considerarmos os terremotos que, desde o dia 24 de agosto passado, causaram tantas vítimas e grandes danos materiais no centro da Itália, ficamos impressionados ao verificar que as construções mais atingidas foram as igrejas. Um jovem pároco da diocese de Ascoli-Piceno, que teve todas as igrejas da sua paróquia destruídas ou seriamente danificadas, disse que o demônio parecia ter desencadeado todo o seu ódio contra os templos sagrados.

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Foi assustador e doloroso ver a basílica de São Bento, em Núrsia, desabar em alguns minutos, no último domingo, permanecendo de pé somente a fachada, diante da qual um padre, algumas religiosas e poucos fiéis, de joelhos, rezavam o terço e choravam. O desmoronamento da basílica parecia ser o retrato do ocaso do Ocidente, da civilização cristã, que encontrou em São Bento e na difusão de seus mosteiros por toda a Europa, a luz do Evangelho, que uniu povos outrora bárbaros e pagãos, e que foi a seiva de uma nova cultura e civilização. Este monumento começou a ruir a partir do momento em que, com a Reforma Protestante, com o surgimento dos Estados modernos e com o Iluminismo – todos eventos intrinsecamente interligados -,  iniciou a desligar-se de suas raízes, da fé verdadeira, daquela fé defendida e testemunhada com o sangue de tantos mártires, dentre os quais o Apóstolo São Paulo e o Diácono São Lourenço. A Igreja de Roma estremeceu nos seus alicerces e deixou perplexos e assustados os seus filhos. Um Cardeal presente em Roma, depois do tremor de terra ocorrido às 7:40 desse fatídico domingo, ao ver desmoronarem tantas igrejas, comentou com outro colega Cardeal: “Não vês tu um dos sinais da iminente parusia?”.

O ocaso da civilização cristã parece vir acompanhado do ocaso – ao menos externo – da própria Igreja que, como nunca, parece um barco desgovernado. Não é apenas o solo de Roma que estremece por um abalo sísmico, mas a própria Igreja, que vê o seu interior desmoronar, mantendo apenas, tal como a basílica devastada, uma fachada de catolicidade. Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, não só é rejeitado pelas nações e pela sociedade, mas é ultrajado na sua própria Casa, chamada pelo Apóstolo das Nações de coluna e fundamento da verdade, e é traído pelos seus amigos mais íntimos.

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31 de outubro de 2016 – Papa participa, na Suécia, de cerimônia recordando os 500 anos da “Reforma”.

O seu Vigário na Terra parte para o norte outrora bárbaro para ‘comemorar’ – deixando antes bem ‘claro’ que ‘comemorar’ não é o mesmo que ‘celebrar’ (algum porta-voz da Santa Sé pode, por favor, explicar com clareza para o povo, já completamente confuso e impregnado de indiferença e relativismo, qual é mesmo a diferença entre comemorar e celebrar?) – os 500 anos da Reforma Protestante, assinalando que Martinho Lutero era um reformador bem intencionado, que a Igreja, àquela época, não era um exemplo a ser seguido, e que, além do mais, deveríamos reconhecer os frutos positivos desse movimento herético e cismático! O Papa – outrora odiado por Lutero e pelos protestantes em geral – afirmou, em uma entrevista recente a uma revista sueca  dos jesuítas, intitulada  ‘Signum’ (alguma correlação com o “Signum Magnum” – Nossa Senhora – e o outro “Signum” –  o dragão cor de fogo – do Apocalipse?) que inicialmente a sua intenção não era de celebrar nenhuma Missa na Suécia e que o fez para atender ao pedido da minoria católica. Afinal de contas, o ponto alto dessa “visita apostólica” era a celebração ecumênica para ‘comemorar’ a Reforma, realizada numa catedral luterana, onde o bispo de Roma usou uma estola vermelha, ao lado de ‘bispos’ e ‘bispas’ luteranos, paramentados da mesma forma.

“Dies amara valde”, isto é, “Dia de Grande Amargura”, como diz o responsório “Libera me”, do rito de absolvição das exéquias.

Não nos resta senão levantar os olhos e o coração para o Céu e implorar a Misericórdia de Deus, por intercessão de Nossa Senhora, Rainha de Todos os Santos, de São Bento, de São Pedro e de São Paulo, de São Lourenço e dos Santos todos do paraíso, desprezados e odiados por Lutero e seus seguidores, antes que a Justiça Divina nos surpreenda.

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30 outubro, 2016

Foto da semana.

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Síria: Míssil cai em convento de religiosas de Aleppo e não explode

ROMA, 25 Out. 16 / 04:00 pm (ACI).- Uma foto que mostra uma religiosa perto de um míssil começou a circular nas redes sociais; trata-se – segundo a pessoa que difundiu a imagem – de um projétil que caiu no dia 23 de outubro no jardim de um convento carmelita em Aleppo (Síria) e que não explodiu, para tranquilidade das monjas.

“Os terroristas atacaram o convento em Aleppo com um míssil na manhã de ontem. Felizmente, o míssil não explodiu”, assinalou o internauta Maytham em sua conta de Twitter. Indicou que a imagem foi enviada por uma religiosa chamada Madre Maria Teresa, que “aparece em pé ao lado do míssil que não explodiu, para confirmar o incidente”.

A foto foi compartilhada nas redes sociais e muitos expressam sua satisfação pelo fato de o míssil não ter explodido. A ordem carmelita ainda não se manifestou oficialmente sobre este episódio.

“Deus protege as Carmelitas de Aleppo. Rezem por estas religiosas que, apesar da guerra, permanecem em sua terra”, afirmaram de SOS Cristãos do Oriente.

Aleppo se tonou nos últimos meses o centro dos mais fortes combates entre as forças leais ao presidente sírio Bashar al Assad, que controlam a região ocidental, e os rebeldes e grupos jihadistas que controlam a região oriental da cidade.

Em 17 de outubro, a seção australiana da Fundação Pontifícia Ajuda à Igrejaque Sofre (ACN) publicou uma carta enviada pelas carmelitas através da qual narravam a trágica situação que vive Aleppo, assim como sua determinação de permanecer neste local para atender a população, apesar do perigo.

Do mesmo modo, no último sábado, 22, terminou a pausa humanitária decretada pela Rússia, aliada de Assad; em seguida, o exército sírio reiniciou os bombardeios contra os bairros controlados pelos rebeldes e jihadistas.

Por sua parte, a ONG Médicos sem Fronteiras assinalou que a trégua não foi nenhum alívio para os habitantes de Aleppo. “De acordo com as nossas informações, não chegou a ajuda na cidade, nem as pessoas saíram da cidade para receber ajuda em outro lugar”, declarou hoje o presidente da seção alemã da ONG, Volker Westerbarkey, à rádio alemã hr-iNFO.

Indicou que a situação humanitária é difícil e que os médicos trabalham nos hospitais sempre com o temor de morrer durante um bombardeio.

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19 outubro, 2016

No dia da Senhora de Fátima, o entronizado no Vaticano é outro.

No dia da Senhora de Fátima (esquecida), Bergoglio fez com que entrasse triunfalmente no Vaticano a estátua de Lutero, o mais famoso herege, como se fosse um santo. E para a noite de Halloween (31 de outubro), prepara uma “brincadeirinha” contra a Igreja Católica. 

Por Antonio Socci | Tradução: FratresInUnum.com –  Em 2017 estaremos há 500 anos do cisma protestante (que marca o fim da unidade espiritual da Europa) e há 100 anos das aparições de Fátima, o maior evento profético na história da Igreja.

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“Em vida fui tua peste; morto, serei tua morte, ó papa” – Martinho Lutero.

Lutero é a origem daquele subjetivismo do qual – como ensina Jacques Maritain – nasceram, em seguida, filosofias e ideologias que vivenciamos nos tempos modernos.

As aparições de Fátima, por sua vez – onde Nossa Senhora previu a Revolução Bolchevique na Rússia, a perseguição comunista e a Segunda Guerra Mundial – advertiram sobre as consequências apocalípticas dessas ideologias contra Deus.

Existe, portanto, um antagonismo misterioso entre os dois eventos. Nestes dias se recordam duas datas importantes: 31 de outubro é o dia de Lutero, enquanto – em sentido inverso – 13 de outubro é o dia de Maria.

No dia 31 de outubro de 1517, Lutero fincou suas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg. No dia 13 de outubro de 1917, diante de 70.000 pessoas, Nossa Senhora deu o famoso sinal que ela havia anunciado aos três pastorinhos nos meses anteriores, um sinal que a imprensa laica portuguesa havia reivindicado.

MULHER VESTIDA DE SOL

Os jornalistas presentes naquele 13 de Outubro em Fátima ficaram atordoados. Recordo – entre todos – Avelino de Almeida, editor-chefe do jornal “O Século”, em Lisboa, o mais difundido e mais secular. Ele tinha ido pessoalmente, naquele dia, à mais remota área rural de Fátima, para reportar o fiasco daquele imbróglio clerical.

Mas, ao contrário, no dia 15 de outubro se viu obrigado a assinar um artigo que já no título dizia outra coisa: “Coisas extraordinárias! Como o sol dançou ao meio-dia em Fátima”.

Exatamente por causa desse evento, a Igreja reconheceu as aparições imediatamente (e as profecias de Nossa Senhora foram pontualmente atestadas).

Mas, no Vaticano, este ano o aniversário do “milagre do sol” foi  esquecido por Bergoglio que, em vez, no dia 31 de outubro próximo, irá à Suécia, em Lund, exatamente para comemorar com os luteranos os 500 anos do cisma de Lutero.

Bento XVI, há quatro anos, tinha dado a saber que ele não iria, porque “para a Igreja Católica não há nada para se comemorar”.

Bergoglio, ao contrário, decidiu que vai. Sua escolha deixou muitos Católicos perplexos (e ainda mais preocupados com as “concessões” teológicas que ele poderia fazer por lá), e levantou um vespeiro de protestos na rede, também por causa da escolha de Bergoglio, que na última quinta-feira, dia 13 de outubro, enquanto esqueceu do “milagre do sol” ocorrido em Fátima, fez entrar no Vaticano, em uma audiência, até mesmo uma estátua de Lutero.

É verdade que nessa audiência estavam presentes também protestantes, mas o significado simbólico daquela entrada com toda pompa da estátua de Lutero no Vaticano (onde o seu retrato estava ao lado do de Bergoglio) provocou um verdadeiro escândalo. Mesmo porque – exatamente – ocorreu no dia de Nossa Senhora de Fátima, que, por sua vez foi totalmente ignorada.

LUTERO INIMIGO DA FÉ

Além do mais, a estátua de Lutero é uma verdadeira contradição. De fato, os protestantes se caracterizam pela luta duríssima contra as imagens sacras:

“Exatamente em Lund, para onde Francisco se dirige”, recordou Vittorio Messori, “todas as igrejas foram destruídas, exceto a catedral, muito embora até ela tenha sido despojada de toda a decoração para se adequar ao uso reformado. As pedras dos edifícios Católicos derrubados foram utilizadas para erguer fortificações e as muralhas da cidade”.

Obviamente, é natural e justo que hoje exista um diálogo fraterno entre Católicos e protestantes, mas o problema é precisamente o personagem Lutero sendo celebrado com aquela estátua como se fosse um santo.

Tinha mesmo a necessidade deste gesto simbólico que parece uma espécie de “canonização”, além de substituir a celebração de Nossa Senhora? É justo que os estudiosos se ocupem de Lutero, mas exaltá-lo como um santo no Vaticano, da parte do Papa, realmente soou como um escândalo entre os fiéis.

A Igreja sempre definiu Lutero como “herege e cismático” e o excomungou em 3 de janeiro de 1521. Além disso, ele é o protagonista de um dos episódios mais trágicos (talvez o mais trágico) da história cristã.

O grande historiador Henri Pirenne, lembrado por Messori, escreveu:

“O Luteranismo, na maioria dos países que o aceitaram, foi imposto pela força dos príncipes e nobres que tomavam os bens da Igreja, embora não tivessem o direito de sequestrá-los. A convicção religiosa teve um papel muito modesto na expansão da nova fé. Os adeptos sinceros, convictos e desinteressados, pelo menos inicialmente, eram muito poucos. Mas, imposto pela autoridade e aceito em obediência a ela, foi avante com a anexação, em grande parte forçada”.

Deste cisma, entre outras coisas, explodiu as trágicas guerras de religião: “Toda a água do rio Elba não poderia fornecer lágrimas suficientes para chorar pelos desastres da Reforma: o mal é sem remédio”, escreveu Melanchthon, o colaborador próximo de Lutero.

De resto, era Lutero que prometia “arrancar a língua do papa e mandá-lo à forca com toda a ralé que o idolatra”.

E assim esbravejava Lutero: “Declaro que todos os prostíbulos, homicídios, roubos, assassinatos e adultérios não são piores do que aquela abominação que é a Missa papista”.

Depois, tem ainda aquela pesadíssima investida de Lutero contra os Judeus (em 1543 ele publicou “Dos Judeus e suas mentiras”) que tanta discussão gerou na Alemanha.

Finalmente, Lutero é aquele das investidas contra a razão que seria – segundo ele – “cega, surda, insensata, ímpia e sacrílega”, e que – para ele – é, na verdade, “a maior prostituta a serviço do diabo.”

Tudo isso – como foi observado – conduz direto ao fundamentalismo e, de fato, um importante sociólogo protestante, Jean-Paul Willaime, escreve: “O protestantismo é um fundamentalismo”, daqui – como observou Massimo Introvigne, se chega ao absolutismo.

É por isso que São Pio X, na “Pascendi”, escreveu que “o erro dos protestantes foi o primeiro a mover o passo”.

BERGOGLIO, FÃ DE LUTERO

Não  se entende, porém, como seu sucessor atual, Bergoglio, tenha conseguido anular tudo o que a Igreja sempre afirmou. “Na última de suas conferências de imprensa, no avião de volta da Armênia, ele teceu elogios a Lutero. Ele disse que Lutero estava animado pela melhor das intenções e que a sua reforma foi ‘uma medicina para a Igreja’, passando por cima das diferenças dogmáticas essenciais ” (Sandro Magister).

Não há explicação, a não ser aquela que Paulo VI tinha previsto, ao conversar com Jean Guitton: “dentro do catolicismo parece às vezes predominar um pensamento de tipo não católico, e pode acontecer que este pensamento não-católico dentro do catolicismo se torne no futuro mais forte. Mas isso nunca vai representar o pensamento da Igreja”.

Paulo VI não podia imaginar que o “pensamento não-católico” poderia chegar até ao vértice da Igreja, onde chegou impulsionado por correntes teológicas e clericais internas fortes. Mas, existem também grupos de poder externos à Igreja que durante décadas defendem a conversão do Vaticano à ideologia do “politicamente correto”.

Ainda nesta semana descobrimos pelo Wikileaks que importantes personalidades do partido Democrata americano (no poder com Obama e Clinton) discutiam, em 2012, como “plantar as sementes de uma revolução” dentro da Igreja, obviamente, para sustentar os temas habituais “progressistas” (ecologia , sexualidade, imigração).

Um ano mais tarde, em 2013, na Igreja houve a renúncia enigmática de Bento XVI – combatido por todos os meios de comunicação e poderes do mundo – e a chegada de Bergoglio, aclamado por todos os meios de comunicação e os poderes secularistas.

Há quem acredite que a chave para esses eventos – relacionados com os “dois papas” – esteja precisamente na visão enigmática do Terceiro Segredo de Fátima: Irmã Lucia fala de um “bispo vestido de branco” e depois ela vê “o Santo Padre, meio trêmulo” que atravessa uma cidade destruída “, com passo vacilante, aflito com dor e tristeza.

Antonio Socci

Libero, 16 de outubro de 2016

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7 outubro, 2016

Aquela sinistra raiva sentida em Amatrice.

Após a recente visita do Papa Francisco a Amatrice, e a passagem do furacão Matthew pelo Haiti, com 300 vítimas fatais, e sua chegada à Flórida, vale a pena ler o artigo abaixo, de 30 de agosto de 2016.

Por Maurizio Blondet | Tradução: FratresInUnum.com – “Não, não é o momento de se falar com eles sobre Deus…” Assim, mais ou menos (cito de memória), eu ouvi na rádio, padres, frades e um bispo que “davam conforto” às vítimas do terremoto, ou seja, aqueles que em Amatrice perderam membros da família, ou apenas a casa, os pertences e o carro. O tom, entre temeroso e deprimido, deixava claro o porquê: os sobreviventes haviam se voltado contra eles. Os bravos religiosos haviam estendido a mão e aqueles filhos reagiram mordendo-as irritados; cheios de raiva contra Deus, obviamente.

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Irmã Mariana.

Infelizmente, é compreensível. Durante cinqüenta anos, a Igreja não fez outra coisa senão proclamar um Deus otimista que é todo bondade; um Deus que não castiga jamais, de forma que até mesmo o inferno, se existir, está vazio, e ai daquele que ousar dizer que doenças, guerras, desastres podem ser “punições e advertências”! Um Deus progressista e benéfico; a Missa não é mais “o sacrifício da cruz”, mas “um banquete pascal “, não evoca a morte judicial no suplício da Cruz, mas a Ressurreição. No Concílio Vaticano II, a Igreja assegurou que não é o homem que nasceu para servir a Deus, mas o contrário: Deus está a serviço do homem: “A única criatura que Deus amou por si mesma”, canta a Gaudium et Spes, “todos os bens da terra devem ser ordenados em função do homem, o centro e ápice de todos esses”, que “foi constituído senhor de toda a criação visível para governá-la e usá-la, glorificando a Deus”.

Então veio o terremoto, morreram quase trezentos familiares e amigos, crianças e avós, e você descobre, pobre monge ou padre, que os sobreviventes não querem “o consolo da fé” (mas que fé, afinal?), e sim uma coisa bem precisa: saber por que Deus, que é todo misericórdia e onipotência, não salvou seus amigos e parentes, ou o Fiat Punto esmagado pelos escombros, ou as pessoas que morreram sob as lajes de concreto utilizadas como telhados. Caso contrário, vá para o inferno vocês e seu “deus”, pois isso não lhe perdoamos! Não queremos saber de tais orações!

Espero que vocês tenham se dado por conta, caros frades e freiras ou qualquer bispo que teve a mão mordida por seus chamados fiéis, dessa triste realidade: que aquilo que vocês experimentaram pregar depois do Concílio em diante, aquele Deus a serviço do homem que é o topo e centro governador da criação, é um falso deus que pode até funcionar mais ou menos nas Jornadas Mundiais da Juventude, nos eventos festivos e nos domingos na Praça de São Pedro, mas que não tem nada a dizer para aqueles que perderam filhos sob os escombros; não tem uma palavra certa para “explicar” o que aconteceu e acontece com o homem há milhares de anos, o mistério do sofrimento infligido pela natureza àquele que seria “a coroação” e o senhor da natureza. O Senhor é bem outro, e se vê aqui. 

“Por que sofrer, se é inútil?” 

Terrível a condição de uma igreja sem palavras, mordida pelos ‘fiéis’. Terrível a condição dos fiéis, dos homens de hoje perante a tragédia: sofrer um sofrimento irreparável sem motivo, dos quais não sabemos a razão, que, antes, recusa-se a aceitá-la, que não produz nenhuma expiação. Tudo isso já é uma condição muito semelhante ao inferno. Se somarmos aí as blasfêmias, a raiva e as maldições proferidas, a semelhança com a condenação eterna se torna quase identidade.

Digo isso depois de ler o blog de Constanza Miriano, uma grande fiel Católica. Ela havia lançado uma campanha de oração entre irmãos orantes, para que recomendassem ao Pai Celeste as almas de todos aqueles que, tendo morrido em seu sono e sem o tempo necessário para recomendar suas almas a Deus, certamente precisavam dessa ajuda.

No entanto, contra o seu blog se investiram milhares de “blasfêmias” e “insultos surreais”; pessoas que “espumando de raiva e vomitando insultos” lançavam ,ao invés, acusações irracionais, verdadeiros delírios esquizofrênicos. Tudo isso no tom do politicamente correto: rezar pelos mortos “violava a privacidade” de tais mortos; ofendia a sua autonomia e liberdade (“Como você se atreve, e se eles não acreditavam?”), sem refletirem por um momento que um cadáver já não tem qualquer autonomia ou liberdade. Alguns ameaçaram denunciá-la, assumindo (não completamente sem razão) que algum procurador poderia abrir um processo contra essa prática de injustiça intolerável que é recomendar a Jesus as almas dos estranhos, aproveitando-se do fato de que eles “não podem recusar ou se defender (de que? da salvação eterna?). Constanza  disse que “entre os mais espumantes e raivosos estavam vários que se diziam Católicos.” Suponho que são aqueles que “acolheram plenamente a novidade do Concílio”; ou seja, que o homem não deve esperar de Deus outra coisa senão alegria; por que, afinal, para que sofrer, se é inútil? É a pergunta que ressoa no inferno.

Mas essa raiva é bem conhecida por mim: eu não posso abordar a questão da religião e da sua necessidade sem despertar (não no meu site, mas em outros que me reproduzem) a mesma matilha de raivosos, irritados e cheios de escárnio e ódio – tudo em medida excessiva, patentemente sem motivo.

São intervenções que lamento não tê-las arquivado para mostrar a loucura espumante; são exorcismos de pobres almas perdidas que, com insulto e escárnio, exorcizam um medo que têm na alma: e se tudo for verdade? E se eu tivesse que mudar de vida? Almas que não querem ser salvas, que não querem que se ore por elas – o que já é outro ingrediente do inferno.

O ponto é que esse fervor de raiva, ódio e terror, este pandemônio que os monges e padres têm experimentado ao lidar com “pessoas comuns” atingidas por catástrofes, tem pouco pra se traduzir em ação. Digo, ação coletiva, de praça pública ou legislativa. Entre esses meus leitores espumando de ódio há aqueles que se perguntam: como é que na minha cidade a igreja é maior do que a prefeitura (porque ela existe há séculos antes da prefeitura… mas ele, o ignorante, como um sapato surrado, sente isso como uma injustiça – uma injustiça contra o laicismo secular, a modernidade na qual  vive como um inseto no queijo).  Já um outro, a propósito dos recentes ataques terroristas islâmicos, aproveita para gritar: “precisamos banir todas as religiões! Eles são a causa da intolerância e das guerras! Milhões de vítimas da Inquisição”.

Mais cedo ou mais tarde, creio que mais cedo do que mais tarde, esse uivo e latido se tornará um ato legislativo; o parlamento vai aprová-lo; talvez sob a pressão “popular” que pedirá a matança de freiras e padres e a destruição de igrejas.

Eu não quero evocar aqui o terceiro segredo de Fátima, ou as visões de Cornacchiola. Mas, parece-me que aqueles padres em Amatrice e arredores começaram a sentir um perigo desconhecido, extremo.

“Vós sois o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, com o que se há de temperar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”.

Eu sempre me perguntei por que será que não bastava que o sal insípido fosse apenas jogado fora, mas tinha que ser ainda “pisado pelos homens.” Receio que a resposta não poderia ser mais clara.

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3 outubro, 2016

Evento – Bioética e Família, na PUC-SP.

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