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12 fevereiro, 2018

Espírito de resistência e amor à Igreja.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 07-02-2018 | Tradução: Helio Dias Viana – FratresInUnum.com – À medida que se aproxima o quinto aniversário da eleição do Papa Francisco, ouvimos muitas vezes repetir que estamos diante de uma página dramática e absolutamente inédita na história da Igreja. Isto é apenas parcialmente verdadeiro. A Igreja sempre conheceu horas trágicas que viram a laceração de seu Corpo Místico, desde o nascimento no Calvário até tempos mais recentes.

Os mais jovens não sabem e os idosos esqueceram os terríveis anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, dos quais a era atual provém. Cinquenta anos atrás, enquanto explodia [na Sorbonne] a revolta de 1968, um grupo de cardeais e bispos, que tinham sido os protagonistas do Concílio, tentaram impor uma mudança radical na doutrina católica sobre o casamento. A tentativa foi frustrada porque Paulo VI, com a encíclica Humanae Vitae, de 25 de julho de 1968, reiterou a proibição da contracepção artificial, restituindo força e esperança ao rebanho desorientado. Mas Paulo VI, o Papa da Humanae Vitae, foi também aquele que causou uma ruptura profunda com a tradição católica, ao impor em 1969 o novo rito da Missa, que está na origem da devastação litúrgica atual. O mesmo Paulo VI promoveu a Ostpolitik, assumindo em 18 de novembro de 1973 a grave decisão de retirar de seu cargo de Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria o Cardeal József Mindszenty (1892-1975), campeão da oposição católica ao comunismo. O Papa Montini desejava a realização do “compromisso histórico” na Itália, por meio de um acordo entre o secretário da Democracia Cristã, Aldo Moro, e o secretário do Partido Comunista, Enrico Berlinguer. A operação foi abruptamente interrompida unicamente pelo sequestro e assassinato de Moro, do qual ocorrerá em breve o quadragésimo aniversário, seguido da morte do próprio Papa Montini em 6 de agosto de 1978.

Naqueles anos de prevaricação e de sangue, algumas vozes corajosas se ergueram e devem ser lembradas não apenas por dever de memória, mas porque ajudam a nos orientar na escuridão do momento presente. Recordamos duas, anteriores à explosão do chamado “caso Lefèbvre”, o arcebispo francês de quem Mons. Athanasius Schneider, em uma entrevista recente, sublinhou a “missão profética em um tempo obscuro e extraordinário de uma crise generalizada da Igreja”.

A primeira voz é a do teólogo dominicano francês padre Roger Calmel, que em 1969 rejeitou o Novus Ordo de Paulo VI e em junho de 1971 escreveu na revista Itinéraires:

“A nossa resistência cristã de sacerdotes ou de leigos, resistência dolorosíssima porque nos obriga a dizer não ao próprio Papa a respeito da manifestação modernista da Missa católica, nossa resistência respeitosa, mas inflexível, é ditada pelo princípio da plena fidelidade à Igreja sempre viva; ou, em outras palavras, pelo princípio da fidelidade viva ao desenvolvimento da Igreja. Nunca pensamos frear ou, menos ainda, impedir aquilo que alguns, com palavras aliás muito equivocadas, chamam de ‘progresso’ da Igreja, mas que é na realidade seu crescimento homogêneo em questões doutrinárias e litúrgicas, na continuidade da tradição, a caminho da ‘consummatio sanctorum’. (…) Como Nosso Senhor nos revelou nas parábolas, e como ensina São Paulo nas suas epístolas, acreditamos que a Igreja, através dos tempos, cresce e se desenvolve em harmonia, mas através de mil sofrimentos, até o retorno glorioso do próprio Jesus, seu Esposo e Senhor nosso. É precisamente porque estamos convencidos de que ao longo dos séculos se verifica o crescimento da Igreja, e porque estamos prestes a nos inserir, tanto quanto depende de nós e o mais retamente possível, neste movimento ininterrupto e misterioso, que rejeitamos este pretenso progresso que o Vaticano II reinvidica e que na realidade é um desvio mortal. Retomando a distinção clássica de São Vincente de Lerins, quanto mais temos desejado um belo crescimento, um esplêndido ‘profectus’, tanto mais vigorosamente rejeitamos, sem consentir em transações, uma fatal ‘permutatio’ ou qualquer mudança radical e vergonhosa ‒ radical, porque provindo do modernismo nega toda a fé; vergonhosa, porque toda negação de molde modernista é evasiva e oculta”.

A segunda voz é a do pensador e homem de ação brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, autor de um manifesto de resistência à Ostpolitik vaticana publicado no dia 10 de abril de 1974 em nome da associação Tradição, Família e Propriedade, sob o título de A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas. Para a TFP: omitir-se ou resistir?

Plinio Corrêa de Oliveira explicava: “Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.”; e acrescentava: “As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas – muitos deles elevados à honra dos altares – que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão. ‘Resistência’ é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e “resistiu em face” a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência. E nisto encontra paz nossa consciência.”

A “resistência” não é uma declaração de fé puramente verbal, mas um ato de amor à Igreja que acarreta consequências práticas. Quem resiste se distancia daquele que causa divisão na Igreja, critica-o abertamente, corrige-o. Expressaram-se nessa linha, em 2017, a Correctio filialis ao Papa Francisco e o manifesto dos movimentos pró-vida, publicado sob o título Fiéis à verdadeira doutrina, não aos pastores errados. Situa-se hoje na mesma linha a atitude intransigente do Cardeal Joseph Zen Zekiun em relação à nova Ostpolitik do Papa Francisco com a China comunista. Aos que lhe objetam ser necessário “tentar encontrar um terreno comum para unir o Vaticano e a China separados por décadas”, o Cardeal Zen responde: “Mas pode haver algo de ‘comum’ com um regime totalitário? Ou você se entrega ou então aceita a perseguição, permanecendo fiel a si mesmo. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”. E para aqueles que lhe perguntam se ele está convencido de que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China, ele responde: “Sim, indubitavelmente, se eles continuarem a caminhar na direção que é óbvia em tudo o que fizeram nessses últimos meses e anos”.
Anunciou-se para o dia 7 de abril um simpósio em Roma, do qual muito ainda se ignora, mas cujo tema seria a atual crise da Igreja. A participação de alguns cardeais e bispos, sobretudo do Cardeal Zen, daria máximo crédito a essa reunião. Devemos rezar para que dela possa elevar-se uma voz de amor pela Igreja e de firme resistência a todos os desvios teológicos, morais e litúrgicos do atual pontificado, sem a ilusão de que a solução seria de insinuar a invalidade da renúncia de Bento XVI ou a eleição do Papa Francisco. Refugiar-se na questão canônica equivale a evitar debater o problema doutrinário, que está na raiz da crise que estamos vivendo.

28 janeiro, 2018

Foto da semana.

Uberlândia, MG, 17 de dezembro de 2017: O bispo diocesano Dom Paulo Francisco Machado conferiu o sacramento do Crisma no rito romano tradicional e, posteriormente, assistiu à Santa Missa.

Mais fotos no blog da Irmandade Nossa Senhora do Carmo.

 

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26 dezembro, 2017

“Ouso dizer, a Igreja nunca esteve tão bem”.

Algumas razões para a imagem acima, segundo a corte bergogliana:

  1. Aquecimento global;
  2. Crise migratória;
  3. Desemprego dos jovens;
  4. Mudança da embaixada norte-americana para Jerusalém.
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17 dezembro, 2017

Foto da semana.

Assim no Vaticano como no Convento de Santo Antônio: “Um presépio de trevas”. Assim qualificou o importante site Adelante la Fe, que explica: “Na Praça do Vaticano, colocaram um presépio, porém, um presépio de trevas, inclusive com um morto e um homem nu. Que fazem um morto e um homem nu em um presépio? Que mentes retorcidas são os autores de tal profanação do mistério do nascimento do Menino Deus?”

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15 dezembro, 2017

Nota da Província Franciscana sobre presépio do Convento de Santo Antônio.

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Fonte aqui.

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7 novembro, 2017

O impressionante milagre que levou o teólogo da Conferência Episcopal dos EUA a criticar o Papa Francisco.

Por Claire Chretien, 2 de novembro de 2017 – LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com – O padre que acabou de ser despedido pela Conferência dos Bispos dos Estados Unidos por publicar uma carta criticando o Papa Francisco afirmou que um “sinal claro” de Deus o convenceu que ele possuía um “mandato apostólico” de escrevê-la.

Padre Thomas Weinandy, antigo responsável para a doutrina da Conferência Episcopal dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), escreveu uma carta ao Papa Francisco na qual afirmou que seu pontificado é marcado pela “confusão crônica”, desprezo da doutrina e cultura do medo.

Após publicar a sua carta, a USCCB pediu a Weinandy que renunciasse ao posto de consultor, o que ele fez. O presidente da USCCB então publicou uma declaração sobre o “diálogo” na qual ele garantiu a “lealdade” dos bispos dos EUA ao Papa Francisco. 

Weinandy afirmou ao site The Catholic Thing’s, de Robert Royal, que ele vinha pensando em escrever a carta enquanto estava em Roma, no último mês de maio. Ele estava “rezando sobre o estado presente da Igreja e as angústias que tinha sobre o atual pontificado”.

“Eu suplicava a Jesus e Maria, a São Pedro e a todos os santos papas que estão enterrados lá, que fizessem algo para corrigir a confusão e a agitação dentro da Igreja hoje, um caos e uma incerteza que eu sentia que o próprio Papa Francisco havia causado”, contou Weinandy.

Ele estava “ponderando” se “escrevia e publicada algo expressando minhas preocupações e angústia”, mas não tinha certeza se deveria.

De maneira atípica, ele não conseguiu dormir durante uma de suas últimas noites em Roma, e, em algum momento depois da 1:15 da manhã, rezou a Deus:

“Se quereis que eu escreve algo, dai-me um sinal claro. Assim deve ser o sinal. Amanhã, pela manhã, irei a Santa Maria Maior para rezar e, depois, vou a São João de Latrão. Mais tarde, voltarei para São Pedro, para almoçar com um amigo da época de seminário. Neste ínterim, eu devo encontrar alguém que conheço, mas não vejo há muito tempo e que nunca esperaria ver em Roma desta vez. Essa pessoa não pode ser dos Estados Unidos, Canadá ou Grã-Bretanha. Além disso, a pessoa tem de me dizer ao longo de nossa conversa: “Continue escrevendo bem”.

Após almoçar com seu amigo de seminário, “aquilo que eu havia pedido ao Senhor na noite anterior sequer estava mais em minha mente”.

Então, um arcebispo que Weinandy não via há 20 anos apareceu. O arcebispo, que não era americano, canadense nem britânico, “eu nunca esperaria ver em Roma ou em qualquer outro lugar, a não ser em sua arquidiocese”, disse Weinandy.

O arcebispo “disse ao meu amigo que nos encontramos há muito tempo e que ele tinha, naquela ocasião, apenas acabado de ler meu livro sobre a imutabilidade de Deus e a Encarnação”.

E “ele disse ao meu amigo que era um excelente livro, que o ajudou a organizar as idéias sobre o assunto, e que meu amigo deveria ler o livro. Então, ele se voltou para mim e disse: ‘continue escrevendo bem'”.

Naquele instante, “não havia mais nenhuma dúvida em minha mente de que Jesus queria que eu escrevesse algo”, disse Weinandy.

Ele pensou ser particularmente significativo que o “sinal” de Deus tinha vindo por um arcebispo: “Eu considerei isso um mandato apostólico”.

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Então escreva: ‹‹ Eles vos expulsarão da USSCB”… desculpe, quis dizer “Sinagogas” ›› . 

 

Weinandy “ponderou” e escreveu “muitos rascunhos”.

“Eu decidi escrever diretamente ao Papa Francisco sobre as minhas preocupações”, disse. “No entanto, eu sempre tive a intenção de tornar isso público, uma vez que sentia que muitas das minhas preocupações eram as mesmas que outras pessoas tinham, especialmente entre os leigos, e, assim, quis publicamente dar voz também às suas preocupações”.

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30 outubro, 2017

Motus in fine velocior?

Um renomado amigo está aterrorizado por aquilo que vê na Igreja, e teme que…  

Por Marco Tosatti, 30 de outubro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com –  Caros amigos, inimigos e leitores, esta manhã pensei que estaria de folga. Depois me chegou uma mensagem de um amigo renomado que, devo confessá-lo, me abalou sinceramente. Pelo seu teor e porque sei que este amigo é alguém que já viu muita coisa! Resumindo, não é alguém que se impressione com qualquer coisa. Mas, enfim…, leiam isso:

Caro Tosatti, aquilo que lhe escrevo esta vez não é uma piada. Não estou apenas emudecido, nessa altura do campeonato nada mais me assusta neste pontificado; dessa vez estou apavorado. A aceleração destes últimos dias é surpreendente, como se estivéssemos diante de um prazo urgente e não se quisesse perder tempo com diplomacias. Depois das preliminares de interpretação ambígua, passamos a algo que não precisa mais de interpretações, são declarações de guerra à fé católica, a Jesus Cristo, à Imaculada. Em primeiro lugar, as declarações de estima a Lutero (a última foi a conferência de Mons. Bruno Forte, em 30 de outubro), depois, as declarações de um dos teólogos preferidos do Papa (Andrea Grillo), que explica, sem desmentidos da Santa Sé) que a “transubstanciação não é um dogma”, depois, a ainda surpreendente e inquietante correção publicada do Papa ao Cardeal Sarah, e, enfim, a conferência sobre a reaproximação entre a Igreja e a maçonaria (12 de novembro em Siracusa, com grãos-mestres, um prelado e o bispo de Noto), cujo folheto de divulgação representa um inquietante Cristo com o compasso na mão. Certo! Depois das manifestações sobre a reaproximação com os irmãos maçons feitas pelo Cardeal Ravasi não nos deveríamos maravilhar, mas Ravasi é Ravasi, quando não fala aramaico e grego antigo é inclusive possível entendê-lo sem compreendê-lo.

Mas eu agora estou assustado sobretudo pela sequência tão próxima dos acontecimentos; como se estivéssemos próximos de um prazo (aquelas visões de Leão XIII? As profecias de La Salette? De Santa Brígida? De Nossa Senhora de Akita? De São Vicente Férrer?…). O que deveremos, então, esperar como próximo passo? Deveríamos imaginar que a próxima “reaproximação” seja com a serpente tentadora do Gênesis, à qual se pedirá desculpas “justificando” as duas “boas intenções” de levar o conhecimento a Adão e Eva? Dever-se-á repreender a São Miguel Arcanjo por a ter chutado? Ou pedir a Maria Santíssima que se desculpasse por lhe ter esmagado a cabeça? Ou mesmo pedir ao próprio Jesus que o faça por não se ter deixado tentar no deserto, abrindo-se, assim, um diálogo multicultural e pluralista, vantajoso para ambos?

Caro Tosatti, talvez não creia no que vou dizer, mas eu começa a ficar realmente com medo. Comecei a fazer novamente a oração-exorcismo a São Miguel Arcanjo, escrita por Leão XIII (rezada ao fim da Santa Missa até 1964 e depois inexplicavelmente retirada). Pergunto-me se teria as forças para reagir quando me falta a assistência da minha Santa Igreja Católica Apostólica Romana, antes, sentindo-a sempre mais estar contra os Evangelhos e a Verdade que me ensinaram. Os Cardeais e os Bispos que ainda creem na verdade de Cristo devem fazer alguma coisa logo! Temo que sejam os tempos finais, caro Tosatti.

Assina o amigo renomado, mas aterrorizado.

22 outubro, 2017

Foto da semana.

portugalNa semana do centenário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, um enorme incêndio atingiu Portugal, deixando dezenas de mortos. Na imagem, a freguesia de Vieira de Leiria, a cerca de 60 quilômetros de Fátima.

Imagem: Rorate-Caeli

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8 outubro, 2017

Foto da semana.

nossa senhora do sagrado coracao

Mergulhadores encontram estátua intacta de santa no fundo do mar na Ilha do Arvoredo, em SC

Por Talita Rosa, Diário Catarinense, 14 de agosto de 2017 – A estátua intacta de uma santa no fundo do mar, perto de Florianópolis, está intrigando mergulhadores. E a curiosidade já veio à tona: como a imagem foi parar ali? Será que alguém  levou tão a sério essa coisa de ter fé até debaixo d’água e criou um altar em um lugar assim inusitado?

A imagem mede 40 centímetros e está a cerca de seis metros de profundidade, na reserva biológicaIlha do Arvoredo, a 17 quilômetros da costa. Está no meio de duas pedras grandes, que parecem uma gruta natural para a santinha.

Para os católicos, a imagem de Nossa Senhora com vestes brancas, manto azul, auréola dourada e as duas mãos apontando para o coração representa o Sagrado Coração de Maria. 

Nas escolas de mergulho de Florianópolis, acostumadas a promover centenas de mergulhos na região, ninguém tem sequer uma pista que leve às respostas. Tudo que a fotógrafa subaquática Cibele Sanches sabe dizer é que em março deste ano alguns mergulhadores começaram a voltar do passeio contando a surpresa. E só.

— Eu não sei dizer como ela apareceu ali, porque ninguém sabe ou quem sabe não conta. Deve ter alguma questão religiosa, porque não deve ter sido uma coisa fácil, não caiu de uma embarcação, ela está bem colocada num ponto estratégico ali — comenta Cibele.

Tem quem fale em promessa. Mas qual? Pode ter a ver com o refúgio que a ilha — alta, grande e com águas calmas — oferece aos navegadores que tentam escapar do vento forte ao passar por aquele ponto do Atlântico. Ou, dívida contraída durante algum momento de apuro na ilha: em 2015, um barco de turismo naufragou deixando 22 passageiros à deriva por mais de meia hora; um ano antes, tripulantes de um barco pesqueiro precisaram ser resgatados por três embarcações de maior porte. Mas são apenas algumas hipóteses, entre tanta especulação.

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6 outubro, 2017

Fr. Alejandro Moral Antón: Lutero não assumiu “a possibilidade de errar ou estar equivocado”.

O Fr. Alejandro Moral Antón, Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho, à qual Martinho Lutero pertenceu, antes de deixar a fé católica, discorreu sobre a figura do heresiarca alemão em uma carta dirigida aos religiosos agostinianos.

Por InfoCatólica, 3 de outubro de 2017 | Tradução: Marcos Fleurer – FratresInUnum.com:  Fr. Antón confirma as consequências da ruptura originadas por Lutero:

antonDe forma um tanto redutiva, desejou-se fixar o início da Reforma na exposição pública de Martinho Lutero em Wittenberg com suas 95 teses sobre indulgências, em 31 de outubro de 1517. Em todo caso, não há dúvida de que Lutero promoveu uma verdadeira crise religiosa, e que provocou a ruptura do cristianismo ocidental e lançou as bases não do secularismo, mas do processo de secularização e do nascimento de uma nova Europa.

O Superior dos Agostinianos indica:

Não podemos esquecer que Martinho Lutero (1483-1546) era agostiniano. Ele entrou em nossa Ordem em 1505 e foi membro da Congregação para a Observância da Saxônia… Todas as fontes apontam que ele era um monge piedoso, fiel e sincero. Até 1521 ele sempre costumava assinar “Martinho Lutero, Agostiniano” e usou o hábito até 1524, conservando até sua morte muito do monge na piedade e estilo.

Mas, por sua vez:

Também é verdade que Lutero não só abandonou a Ordem, mas abominou a vida religiosa com todas as suas forças, rejeitou as práticas ascéticas e a piedade, da oração do breviário e outras obrigações à alteração radical da teologia sacramental, condenou os votos e promoveu o abandono e a fuga em massa dos consagrados. O dano causado à Ordem e à vida religiosa na Alemanha foi enorme.

Depois de apontar alguns aspectos positivos de sua pessoa, ele adverte:

… não podemos evitar outro lado menos agradável: o que se refere à sua intolerância. Obstinada e inflexível, apaixonada e veementemente, Lutero usa expressões mordazes contra aqueles que se opõem a ele, tornando-se injurioso e grosseiro. Muitas vezes é vexatório e ofensivo, levando à calúnia. Se considera o escolhido por Deus, o “profeta dos tempos finais”, na verdade e, portanto, responde em termos agressivos a qualquer discrepância. Para ele, a retratação não é possível porque ele não assume a possibilidade de errar ou de estar equivocado.

E acrescenta:

Seu apego à figura do papa é significativo, evoluindo da obediência reverencial para animosidade e aborrecimento, para o ódio de seus últimos anos. Seus insultos e agressões exageradas para a Igreja de Roma (papista, de acordo com sua terminologia particular) são verdadeiramente tristes. Ler esses textos nos enche de dor.

Quanto à posição doutrinal de Lutero, lembra:

Para ele, é impossível que o ser humano possa colaborar ativamente na salvação, porque o pecado é permanente. Somente pelos méritos de Cristo não somos culpados.

E:

Sola Scriptura, sola gratia, sola fide . As consequências da percepção luterana levam à negação do livre arbítrio, à inovação dogmática dos sacramentos, à rejeição da missa como sacrifício, à negação do sacerdócio ministerial, com a demolição do magistério e da hierarquia da Igreja, à demonização do papado. 

No entanto, Lutero é surpreendentemente servil aos príncipes protestantes e se manifesta um apaixonado defensor da legítima ordem social e política, mesmo a um preço elevado. Sua posição na Guerra dos camponeses (1524-1525) oferece um bom exemplo disso, e é uma das características mais discutidas do reformador. Como também são outros dois aspectos, presentes em Lutero, que lançaram sua sombra negra na história dos últimos séculos: nacionalismo e anti-semitismo.

O Prior Geral dos Agostinianos agradece “o interesse mostrado e as iniciativas que foram tomadas nas diferentes circunscrições da Ordem, especialmente no campo acadêmico, com a organização de excelentes congressos, dias de estudo e publicações. O Conselho Geral quis se pronunciar nesse tema, e também impulsionará  a celebração em Roma de 9 a 11 de novembro, de uma conferência intitulada “Lutero e a Reforma: Santo Agostinho e a Ordem Agostiniana” » .

Texto completo da carta do fr. Antón.

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