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18 outubro, 2019

A misteriosa renúncia de Giani, comandante da polícia do Vaticano.

Aparentemente,  sua renúncia teria sido consequência do vazamento dos nomes de cinco funcionários do Vaticano que foram suspensos, mas fontes revelaram ao Catholic Register que sua renúncia foi realmente desencadeada por outros problemas.

Por Edward Pentin, National Catholic Register, Cidade do Vaticano, 15 de outubro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com: A renúncia do comandante da polícia do Vaticano, Domenico Giani, na segunda-feira, já era esperada, mas os bastidores de sua remoção permanecem envoltos em intrigas e mistérios.

Domenico Giani and then-Archbishop Angelo Becciu attend the Gendarmes’ parade at the Vatican for the feast of St. Michael the Archangel on Oct. 5, 2012.

Giani e o então arcebispo Angelo Becciu, hoje Cardeal Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos.

O Vaticano anunciou hoje o seu substituto, Gianluca Gauzzi Broccoletti, que servia no corpo policial do Vaticano desde 1995 e foi nomeado como vice de Giani no ano passado.

Ex-oficial da polícia financeira da Itália, a Guardia di Finanza, e também do Serviço Secreto da Itália, Giani, 57 anos de idade, possui uma ampla experiência e contatos influentes para o cargo desde quando foi empregado pelo Papa São João Paulo II, há 20 anos. Ele efetivamente serviu como guarda-costas do papa, conquistando a confiança de Bento XVI e do Papa Francisco e protegendo os sucessores de Pedro em quase 70 visitas apostólicas, incluindo algumas altamente perigosas (a mais memorável, a visita de Bento à Turquia em 2006, em meio às consequências islâmicas do seu discurso de Regensburg, e a visita do Papa Francisco à República Centro-Africana, devastada pela guerra, em 2015).

Supostamente um católico ativo com grande devoção a São Francisco de Assis, Giani disse ao Vatican Media, na segunda-feira, que empregou toda a sua energia para realizar “o serviço que me foi confiado” e que “tentei fazê-lo com abnegação e profissionalismo, mas com calma, como nos lembra o evangelho de dois domingos atrás, um ‘servo inútil’ que fez sua pequena parte até o fim.”

É por isso que o motivo ostensivo de sua renúncia – o vazamento de nomes de cinco funcionários do Vaticano suspensos após uma operação policial do Vaticano, em 1º de outubro, pela qual o Vaticano disse que ele “não tem nenhuma responsabilidade pessoal” – está confundindo os observadores do Vaticano e levantando uma série de questionamentos.

O memorando referente aos cinco funcionários, um monsenhor e quatro leigos, era pra ser de exclusivo uso interno, mas vazou para a revista italiana L’Espresso, que publicou a informação integralmente. O Vaticano condenou a publicação dos nomes dos funcionários, dizendo que os cinco foram submetidos a um “linchamento midiático”, apesar das investigações pendentes que ainda precisam estabelecer qualquer má conduta de sua parte. O papa Francisco teria chamado a liberação dos nomes de “pecado mortal”. A fonte do vazamento ainda não foi identificada. 

O clamor crescente levou a uma sensação de inevitabilidade de que alguém teria que assumir a responsabilidade, e os olhos se voltaram para Giani, apesar de ele ter defendido sua inocência e negado qualquer envolvimento direto no vazamento.

Outros possíveis motivos

No entanto, sua renúncia ocorreu após meses de rumores circulando em Roma, de que o ex-oficial do Serviço Secreto italiano estava “saindo” e com alguma surpresa por ele ter mantido seu emprego por tanto tempo.

“A razão pela qual ele renunciou é falsa”, disse uma fonte informada. “Eles não conseguiram encontrar um bom motivo para dispensá-lo, não quiseram divulgar as razões internas para fazê-lo e, portanto, usaram essa história como um instrumento fácil para tirá-lo de lá.”

Fontes anônimas citaram uma série de razões, uma em particular era que ele era muito aliado à “velha guarda” e envolvido na resistência à eliminação da corrupção financeira e outras no Vaticano.

Isso ficou evidente durante o episódio da demissão do primeiro auditor geral do Vaticano, Libero Milone, em 2017. Milone disse à mídia, na época, que foi forçado a sair depois de iniciar uma investigação sobre um possível conflito de interesses envolvendo um certo cardeal italiano.

Ele disse que seus telefones estavam grampeados e computadores hackeados e que o cardeal Angelo Becciu (então substituto, vice-secretário de Estado, na foto acima com Giani) havia pedido a Milone que se demitisse, com base em uma investigação de sete meses pela polícia do Vaticano.

O cardeal Becciu alegou na época que Milone “estava espionando a vida privada de seus superiores e funcionários, incluindo eu”, e que se ele “não tivesse concordado em renunciar, teria-o processado”.

Mas, Milone disse que os fatos apresentados a ele na manhã de sua demissão “eram falsos, fabricados” e que ele estava “em choque”, pois “todas as razões” apresentadas para sua demissão “não tinham nenhum fundamento”.

“Fui ameaçado de prisão”, disse ele, acrescentando que Giani “me intimidou e me forçou a assinar uma carta de demissão que eles já haviam preparado semanas antes”.

Milone também disse suspeitar que sua demissão forçada estivesse ligada à acusação contra o cardeal George Pell, que servia como prefeito da Secretaria de Economia do Vaticano, mas era acusado de abuso sexual na Austrália, pois os dois eventos ocorreram apenas uma semana de distância um do outro. Ambos estavam descobrindo evidências extensas de má administração financeira na época.

O Vaticano retirou todas as acusações contra Milone no ano passado.

Os laços de Giani com o cardeal Becciu também são significativos, uma vez que o cardeal Becciu foi fundamental para encerrar a primeira auditoria externa do Vaticano pela gigante de auditoria PwC em 2016.

A auditoria e seus custos foram acordados pelo cardeal Pell e pelo Conselho para a Economia, mas o cardeal Becciu argumentou que não foram realizadas consultas suficientes sobre a despesa e interrompeu a auditoria unilateralmente após apenas quatro meses.

E agora acontece a recente batida à Secretaria de Estado, realizada por Giani sob as ordens dos promotores do Vaticano, que, como informou o Register, visava principalmente o cardeal Becciu e funcionários anteriores do dicastério.

A revista L’Espresso informou que seu foco era o uso indevido do Óbulo de São Pedro e em uma transação duvidosa envolvendo propriedades em Londres. O Financial Times desta semana revelou mais sobre o último ponto, em particular que US$ 200 milhões em contas bancárias suíças controladas pela Secretaria de Estado foram usadas em 2014 para financiar um empreendimento de luxo no distrito de Chelsea, em Londres. O Financial Times informou que a propriedade gerou grandes lucros para uma empresa que também administrou o investimento para a Santa Sé, enquanto o cardeal Becciu estava lá como substituto (Ele renunciou ao cargo em 29 de junho de 2018, um dia antes de ser elevado a cardeal e posteriormente nomeado para seu cargo atual, como prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.)

“Jogo do poder no Vaticano”

A principal pergunta que não quer calar, além de questões sobre má conduta financeira, é por que a Secretaria de Estado estava lidando com assuntos referentes a propriedades? Todo o setor imobiliário da Santa Sé é de responsabilidade de outro dicastério, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA). 

O cardeal Becciu disse ao Register em 12 de outubro que “eu preferia ficar calado e deixar a justiça seguir seu curso. Claro, a verdade será revelada”.

Giani não é suspeito de envolvimento nesse caso, mas sua proximidade com o cardeal Becciu e a colaboração com ele são um foco de discussão, assim como outros elementos relacionados ao ex-comandante da polícia do Vaticano, a saber, porque ele se tornou “tão poderoso”.

Ao escrever na revista italiana Start Magazine, em 14 de outubro, Andrea Mainardi observou que Giani investigou “questões de sexo e drogas, de funcionários desleais e, acima de tudo, de dinheiro”, durante os escândalos do Vatileaks de 2012 e 2015.

Numerosas fontes, sob condição de anonimato, revelaram ao Register nos últimos meses que Giani sabia “tudo sobre todos” e tinha a reputação de ser o “homem mais poderoso do Vaticano” – tanto que alguns membros do Vaticano diziam que até o papa e o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, estavam “com medo dele”.

O Register também ouviu frequentemente alegações, nos últimos anos, de que escritórios do Vaticano, particularmente na Secretaria da Economia, estavam com telefones grampeados. Tanto no escritório do auditor geral, como nos escritórios do cardeal Pell, dois dispositivos foram encontrados. Giani e seus oficiais os teriam colocado lá, dizem as fontes.

O ex-comandante foi “tão controverso e criticado quanto estimado e amado, e, portanto, odiado”, escreveu Mainardi, que também aludiu a uma extensão e reforma questionáveis ​​de um apartamento no Vaticano, onde Giani vive com sua esposa e filhos. Giani, ele escreveu, está na “mira de um jogo de poder do Vaticano que precisa ser decifrado”.

Isso realmente tem a ver com o vazamento dos nomes das cinco autoridades do Vaticano ou com o atrito entre a Secretaria de Estado e os departamentos de finanças do Vaticano? Ou é porque Giani realmente sabia muito sobre corrupção no Vaticano, tornando-o muito poderoso?

Sua renúncia também pode ter algo a ver com a publicação de um novo livro, na próxima semana, pelo repórter investigativo italiano Gianluigi Nuzzi, que ameaça anunciar outro escândalo do Vatileaks.

O Register pediu a Giani que comentasse os motivos de sua demissão, mas até o momento da publicação ele não havia respondido.

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5 outubro, 2019

Parte do teto da Basílica de São Pedro cai em missa do Papa.

ANSA, 4 de outubro de 2019 – Pequenos fragmentos do teto da Basílica de São Pedro, no Vaticano, caíram no chão na tarde desta sexta-feira (4) durante a missa celebrada pelo Papa Francisco para a ordenação de quatro novos bispos. Segundo fontes presentes na igreja, apesar do susto, não há danos e feridos porque “eram fragmentos muito pequenos”. A parte do teto que caiu fica na ala à esquerda do altar. Como precaução, a área afetada foi evacuada.

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15 setembro, 2019

Foto da semana.

Fortaleza,  10 de setembro de 2019 – Frei Roberto, OFM Cap., rezando a Missa Tridentina na Igreja de São Bernardo, no centro de Fortaleza, no dia em que completou 99 anos. Créditos das imagens.

17 agosto, 2019

Foto da semana.

FratresInUnum.com, 16 de agosto de 2019 – Um jovem polonês de 15 anos está sendo ovacionado como um “herói” católico, após ousar bloquear uma parada de orgulho LGBT com um crucifixo e um rosário em mão.

Jakub Baryła, que se descreve como “católico, tradicionalista, conservador e patriota” no Twitter, tornou-se sensação nas mídias sociais após se colocar diante do caminho de uma marcha pela igualdade LGBT na cidade de Plock, no sábado passado.

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27 julho, 2019

Foto da semana.

Guarulhos, SP, 27 de julho de 2019 – Uma Santa Missa Solene no Rito Tradicional é celebrada na catedral de Guarulhos, por um clero diocesano sem vínculo direto com institutos “tradicionalistas”. A Tradição da Igreja é indestrutível, modernistas de todos os matizes!

24 julho, 2019

+ Dom Juan Rodolfo Laise.

Por FratresInUnum.com, 24 de julho de 2019 – Faleceu na última segunda-feira, 22, Dom Juan Rodolfo Laise, bispo emérito de San Luis, na Argentina. Nasceu em 22 de fevereiro de 1926, em Buenos Aires. Ordenado sacerdote em 1949 e sagrado bispo em 1971, era da ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

foto da semana

Foi bispo de San Luis, na Argentina, e ficou conhecido por sua forte rejeição à Comunhão na mão, introduzida em seu país em 1996. Enfrentando fortes resistência, sobretudo do episcopado, que o acusava de romper a comunhão eclesial, Dom Laise publicou um livro sobre a Comunhão na mão, no qual fundamenta, teológica e canonicamente, a sua posição. (lançado em italiano, com prefácio de Dom Athanasius Schneider, por ocasião da peregrinação Summorum Pontificum de 2015, na qual celebrou a Missa Pontifical – foto) e, enquanto bispo ativo, impediu a prática em sua diocese.

Passou seus últimos anos em San Giovanni Rotondo, onde faleceu. Rezemos por seu descanso eterno.

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1 junho, 2019

Foto da semana.

Roma, 11 de abril de 2019: O Cardeal Vigário de Roma, dom Angelo De Donatis, abençoa a Escada Santa. Depois de 300 anos, até a Solenidade de Pentecostes, os 28 degraus estarão sem a cobertura em madeira, colocada por ordem do Papa Inocêncio XIII para proteger a Escada.

 

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24 maio, 2019

Saiu o Hino do Sínodo Pan-Amazônico.

🎼🎧
*Hino do Sínodo da Amazônia*

(Composição: Antônio Carlos)

Na vazante do Rio
Todos se põem ao plantio
Pois, quando as águas subirem
Eis o maior desafio que é viver.

A colheita há de ser
Antes das águas revoltas
Pois, quando a vazante inundar
Sei onde vou aportar o meu barco.

*Ribeirinhos guardiões*
*Da nossa casa comum*
*“Laudato si”*
*É Francisco chamando um à um.*

10 mil anos de história
Pan-Amazônia ancestral
Pão de uma eucaristia
Cosmo da “Ecologia integral”.

Nem uma folha se cai
Sem a vontade do PAI
Pois na vazante da vida
CRISTO é semente de LUTA e de PAZ.

*Ribeirinhos guardiões*
*Da nossa casa comum*
*“Laudato si”*
*É Francisco chamando um à um.*

Igreja samaritana
Contra-cultura da grana
Tantas feridas abertas
No seio da floresta e a ganância.

Irmão sol, irmão lua
Irmão de todos os povos
É Deus Tupã que reclama
Deus que nunca abandona a sua OBRA.

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22 maio, 2019

Salvini brande rosário e compra briga com católicos.

Publicações criticaram o gesto do ministro do Interior.

Por Ansa Brasil – Já criticado nos últimos meses por expoentes e publicações do mundo católico devido à sua ofensiva contra os migrantes resgatados no Mediterrâneo, Salvini comprou uma nova briga ao subir no palco do comício de Milão com um rosário em mãos.

“Eu, pessoalmente, confio a minha vida e a de vocês ao coração imaculado de Maria, que, tenho certeza, nos levará à vitória”, disse Salvini a dezenas de milhares de apoiadores, que também não se furtaram a vaiar o papa Francisco quando seu nome foi citado pelo ministro.

Em um editorial publicado neste domingo (19), a influente revista católica Famiglia Cristiana chamou a exibição de Salvini com o rosário e as vaias a Jorge Bergoglio de “soberanismo fetichista” e acusou o ministro de “instrumentalizar a religião para justificar a violação sistemática dos direitos humanos” por parte da Itália.

“Enquanto o líder da Liga exibia o Evangelho, outro navio carregado de vidas humanas era rechaçado”, diz o texto, em referência à embarcação da ONG alemã Sea Watch, que não teve autorização para descer na ilha de Lampedusa 45 migrantes resgatados no Mediterrâneo.

O navio foi apreendido neste domingo pela Guarda de Finanças, que denunciará a tripulação às autoridades judiciárias. Ainda não se sabe o destino dos 45 deslocados internacionais que estão a bordo.

Antes disso, o diretor da revista jesuíta La Civiltà Cattolica, Antonio Spadaro, afirmara que “rosários e crucifixos ainda são usados como sinais de valor político, mas de forma inversa em relação ao passado”. “Se antes se atribuía a Deus aquilo que deveria ficar nas mãos de César, agora é César quem empunha e brande aquilo que é de Deus”, escreveu Spadaro no Facebook, sem citar Salvini.

“A consciência crítica e o discernimento deveriam ajudar a entender que um comício político não é o lugar para fazer ladainhas. Está claro que o identitarismo nacionalista e soberanista precisa se fundar sobre as religiões para se impor”, acrescentou.

Também sem citar Salvini, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, segundo na hierarquia católica, afirmou que “Deus é de todos” e que é “muito perigoso invocar Deus para si mesmo”.

O ministro, por sua vez, rebateu que “uma Europa que nega as próprias raízes não tem futuro”. “Sou crente, e meu dever é salvar vidas e despertar consciências. Estou orgulhoso de testemunhar, com ações concretas e gestos simbólicos, minha vontade de uma Itália mais segura e acolhedora, mas no respeito de limites e regras”, disse.

Salvini também afirmou que recebe mensagens de “freiras, padres e cardeais” pedindo para ele manter sua política de linha dura. “Sou o último dos bons cristãos, mas tenho orgulho de andar sempre com o rosário no bolso”, ressaltou.

Desde que chegou ao poder, em junho passado, o ministro e vice-premier não se reuniu com o papa Francisco nenhuma vez, apesar de o próprio líder ultranacionalista ter anunciado certa vez que se encontraria com o Pontífice.

Essa distância se aprofundou no início de maio, quando Francisco recebeu uma família cigana alvo de protestos de neofascistas por ganhar um apartamento popular em Roma. Além disso, o esmoleiro do Papa, cardeal Konrad Krajewski, reativou por conta própria o fornecimento de energia elétrica a um prédio ocupado por mais de 400 pessoas – incluindo muitos migrantes – na capital.

A ação gerou críticas de Salvini, que pediu para Krajewski “pagar as contas dos italianos em dificuldade”. A gestão do ministro do Interior também é alvo de ataques entre padres, como dom Paolo Tofani, de Pistoia, que em uma homilia chegou a dizer que Jesus teria morrido ainda criança se o Egito tivesse uma política migratória como a da Itália.

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15 maio, 2019

Homossexuais no seminário. Uma pesquisa clamorosa no Brasil.

Por Sandro Magister, 13 de maio de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – A pesquisa não é muito recente, seus resultados foram publicados na primavera de 2017 em português, na “Revista Eclesiástica Brasileira”. Mas,“Il Regno – Documenti” publicou nestes dias a tradução integral para o italiano, fazendo-a, assim, conhecida a um público mais vasto, em uma questão que é ardente atualidade.

OmoA questão é a da homossexualidade nos seminários.

Desde há alguns meses, a homossexualidade é tabú na cúpula da Igreja. Proibiu-se de falar dela também no encontro sobre os abusos sexuais, realizado de 21 a 24 de fevereiro. Mas a sua presença difusa no clero e nos seminários é uma realidade conhecida há tempos, a ponto de, em 2005, a Congregação para a Educação Católica ter difundido uma instrução, precisamente sobre como enfrentá-la.

Essa instrução confirmou não só que os atos homossexuais são “pecado grave”, mas também as “tendências homossexuais profundamente arraigadas” são “objetivamente desordenadas”. Por isso, aquele que pratica esses atos, manifesta essas tendências ou de alguma forma apoia a “cultura gay”, de forma alguma deveria ser admitido às ordens sagradas.

Estas são as diretrizes pastorais de então. Mas, na verdade, quando elas foram aplicadas? A pesquisa mencionada teve como objetivo verificar o que ocorre hoje em dois seminários do Brasil, tomados como amostra.

Os autores da pesquisa, Elismar Alves dos Santos e Pedrinho Arcides Guareschi, ambos religiosos da Congregação do Santíssimo Redentor e especialistas em psicologia social, com prestigiosos títulos acadêmicos, questionaram a fundo 50 estudantes de teologia desses seminários, chegando a resultados absolutamente alarmantes.

Antes de tudo, dizem os entrevistados, a homossexualidade em seus seminários “é algo comum, uma realidade cada vez mais presente”. Tão normal que “chega inclusive a ser banalizada”. É uma convicção difundida entre eles “que, na realidade, 90% dos seminaristas hoje é homossexual”.

Alguns homossexuais — dizem — “buscam o seminário como meio de fuga para não assumir diante da família e da sociedade as responsabilidades vinculadas a seu comportamento”. Outros “se descobrem homossexuais quando já estão no seminário”, encontrando ali um ambiente favorável. E quase todos, fala-se de 80%, “vão em busca de parceiros sexuais”.

Com efeito, a homossexualidade — declaração — “é uma realidade presente nos seminários não só na ordem do ser, mas também na ordem do agir”. Muitos a praticam “como se fosse algo normal”. Escrevem os autores da pesquisa: “Na visão dos que participaram da investigação, no contexto atual dos seminários uma boa parte dos seminaristas é favorável à homossexualidade. E ainda mais, sustentam que se há amor na relação homossexual, não há nada de mal. Dizem: ‘Se há amor, o que tem de mal’?

Os participantes da pesquisa pedem, antes de tudo, que “deve haver um diálogo entre os homossexuais e a Igreja”. Mas justamente um diálogo para fazer que a “homossexualidade no interior dos seminários seja bem acompanhada e orientada”.

Em outras palavras, os entrevistados lamentam que os superiores não façam nada em matéria de homossexualidade, mas esperam ser aceitos e admitidos à Ordem Sagrada enquanto tais, com “uma acolhida que aceite humanamente a pessoa como é”.

“É claro — concluem os autores — que existe uma discrepância entre o que a Igreja propõe sobre como orientar a homossexualidade nos seminários e o modo em que os seminários ou casa de formação percebem e afrontam este fenômeno”.

Mas que discrepância” Entre a instrução de 2005 e os comportamentos revelados na pesquisa há um abismo.

Mas se adverte também que a instrução de 2005 é como se já não tivesse nenhum valor, a julgar por como se move hoje a cúpula da Igreja acerca deste assunto crucial.

Para romper o silêncio sobre a homossexualidade nos seminários e entre o clero, teve que se mover o Papa emérito Bento XVI, nos “Apontamentos” sobre o escândalo dos abusos, publicados por ele em 11 de abril passado, depois de durante dois meses o seu sucessor Francisco tê-los guardado na gaveta do escritório. “Vox clamantis in deserto” [Voz que clama no deserto].