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11 outubro, 2018

URGENTE: DIOCESE DE CAMPO LIMPO – MISSA COM A PRESENÇA DE FERNANDO HADDAD.

Por FratresInUnum.com | Amanhã, Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, a Paróquia Santos Mártires, do Jardim Ângela, em São Paulo, celebrará uma Missa em honra da Padroeira do Brasil com a presença, pasmem!, do candidato à Presidência da República Fernando Haddad (o anúncio, retirado do ar,  estava publicado em https://www.facebook.com/ParoquiaSantosMartires/photos/a.1209769542374665/2153900357961574/?type=3&theater).

É embasbacante que uma diocese permita o escárnio de se convidar o candidato do partido mais empenhado na promoção do aborto no Brasil para uma missa “pela vida das crianças”!

É inacreditável como a Diocese de Campo Limpo se presta a divulgar o candidato à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT), induzindo o voto do povo simples e contrariando as indicações do Núncio Apostólico, dada na última Assembleia da CNBB.

O crime eleitoral de abuso de poder religioso proíbe qualquer tipo de manipulação dos votos dos fieis e qualquer constrangimento eleitoral em cultos.

Denuncie o bispo D. Antonio Luiz Guedes imediatamente à Nunciatura Apostólica no Brasil:

NUNCIATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Giovanni D’Aniello, Núncio Apostólico

Av. das Nações, Quadra 801 Lt. 01/ CEP 70401-900 Brasília – DF

Cx. Postal 0153 Cep 70359-916 Brasília – DF

Fones: (61) 3223 – 0794 ou 3223-0916

Fax: (61) 3224 – 9365

E-mail: nunapost@solar.com.br

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9 outubro, 2018

Respondendo à questão mais frequente em minha caixa postal: Ann, como você ainda consegue ser Católica?

Por Ann Barnhardt, 17 de setembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com:  Eu diria que esta é a pergunta mais frequente chegando por email neste momento. O tráfego está bem maior desde que eu (com a assistência heróica de leitores argentinos) comecei a publicar as ligações Bergolianas com tráfico sexual de crianças na Argentina. Um bocado de novos leitores, e muitos leitores antigos que não apareciam faz algum tempo, mas que agora estão voltando. A maioria dos emails que chegam me perguntando porque eu ainda não deixei a Igreja, não eram daqueles cheios de ódio. Eles parecem vir de uma raiz de preocupação genuína, usualmente incluindo algo como “Você é tão inteligente, Ann. Como você não consegue enxergar isso? Por que você tem essa enorme cegueira?”

agonia

Na noite passada um leitor me enviou um link para um post que Karl Denninger pôs em seu blog, no qual Denninger essencialmente professava uma conversão completa ao ateísmo precisamente porque Deus não deu um fim aos monstros sodomitas que se infiltraram e agora dominam a Igreja institucional, e que estão tentando destruí-la, enquanto simultaneamente erguem uma anti-igreja em seu lugar. Me pediram especificamente para responder a isso, e fico feliz de o fazer. Como diz São Pedro, precisamos estar prontos a qualquer momento para explicar o porquê de termos esperança. Não consigo pensar em tempo melhor para dar tal explicação, precisamente quando parece que a situação é desesperadora e que os sodomitas venceram não apenas a batalha, mas toda a guerra.

Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança.

Dominum autem Christum sanctificate in cordibus vestris, parati semper ad satisfactionem omni poscenti vos rationem de ea, quae in vobis est, spe.

I São Pedro, 3,15

Eu ainda sou católica porque a Igreja Católica é a Única Verdadeira Igreja fundada por Jesus Cristo no Cenáculo, construída sobre a rocha de Pedro, e fora da Qual não há salvação. A Igreja Católica é o Corpo Místico e a Esposa de Cristo, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela.

Mas não é o bastante, Ann. Soa como um slogan robótico. Precisamos de mais do que isso.

Muito bem. Tudo o que está acontecendo agora tem sido profetizado por pelo menos um século. O principal vetor destes avisos tem sido ninguém menos que a própria Mãe de Deus, aparecendo por todo o planeta, de Portugal, Japão, ao Equador. Além disso, ao Papa Leão XIII foi dada uma visão de uma conversa entre Satanás e Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual Satanás anunciou seu plano para destruir a Igreja em cem anos. Foi-lhe concedida a escolha de qual século queria, e ele escolheu o século XX.

Ann, você não está se ajudando. Como poderia um Deus amoroso dar permissão a Satanás para tentar destruir a Igreja?

Da mesma forma que Deus Pai pôde permitir Seu Filho ser flagelado e morto na Cruz. Pois daquele horror – a pior de todas as coisas que aconteceu ou acontecerá – toda a raça humana foi redimida. Em termos do que está acontecendo hoje, o bem que está vindo desse horror é que os homens – alguns homens, mas certamente não todos – serão atraídos para muito, muito mais perto de Cristo do que eles seriam, tivessem os tempos sido “calmos”. Por alguma razão, há pessoas vivas, agora mesmo, hoje, que Cristo deseja trazer para mais para perto de Seu Sagrado Coração, e Ele está querendo deixar esse ataque à Igreja acontecer para atingir esse objetivo. Se você está lendo isso agora, é perfeitamente possível que você seja uma dessas almas.

A chave para tudo isso é a Agonia de Nosso Senhor no Horto das Oliveiras. Note que é chamada agonia, não “a decepção” ou “quando Jesus foi ao Jardim, sentou e ficou prostrado por umas horas”. Ele estava em agonia. Ele estava em agonia quando Ele tomou sobre Si os pecados do mundo – todos eles. Incluindo toda sodomia, toda violação e ataque a seminaristas, todas as orgias gays realizadas por prelados da cúria, toda pegação sodomítica na sacristia da Basílica de São Pedro, todos os estupros de crianças pobres por padres e bispos que acobertavam uns aos outros. Tudo isso.

Agora, vamos parar e pensar sobre isso em termos humanos. Vamos tomar o exemplo de Luigi Capozzi, o padre que foi pego promovendo a orgia sodomita embalada a cocaína em seu apartamento no prédio do Santo Ofício, apenas a alguns metros da Basílica de São Pedro.

 

Luigi Capozzi tem pais. Avós. Provavelmente primos. Provavelmente, amigos em sua cidade natal. Essas pessoas, provavelmente, sentiam orgulho de Capozzi, pensando que ele estava vivendo e trabalhando no Vaticano fazendo a obra de Deus. Agora, coloque-se no lugar da mãe, pai, irmão ou amigo de Capozzi. Imagine o nível de desgosto, desgosto tão intenso que poderia ser chamado de uma espécie de agonia, quando eles descobriram que este homem que acreditavam ser um bom homem, e alguém de quem muito se orgulhar, em vez disso, ele obtém cocaína e outras drogas pesadas para “festas”, e busca jovens garotos prostitutos, e dá orgias com seus colegas padres e bispos, onde são realizados atos de sodomia cuja mera contemplação faz pessoas moralmente sãs sentirem mal estar físico. Você consegue se imaginar como o pai de Capozzi, sabendo que seu filho não apenas é um sodomita, mas um sodomita sacrílego, que sodomiza outros homens, incluindo clérigos e prelados, dentro do Vaticano? Você consegue imaginar os sentimentos de fracasso total e completo como homem e como pai, que o pai de Capozzi deve sentir?

Algumas décadas atrás, Luigi Capozzi era o filho pequeno de sua mãe, batizado, limpo do Pecado Original. Uma perfeita pessoinha. Luigi Capozzi era, apenas algumas décadas atrás, o companheiro de brincadeiras de seus irmãos, jogando bola e andando de bicicleta. Até o ano passado, a família e amigos de Capozzi provavelmente pensavam que ele era verdadeiramente admirável – um padre e um erudito que era “tão bom” que foi escolhido para trabalhar no Vaticano! Que admirável! Quão orgulhosos todos eles deviam estar!

Até o momento em que descobriram que ele usa cocaína e comete atos impuros com outros homens, incluindo outros clérigos e prelados, com o propósito de atingir orgasmos. E ele faz isso dentro do Vaticano. De forma barulhenta.

A maioria de vocês lendo isso jamais conhecerão desgosto tão intenso, mas você pode tentar se colocar no lugar da família Capozzi e seus amigos e tentar imaginar. Tente imaginar a agonia esmagadora da alma da mãe de Capozzi, por exemplo. É possível que seu filho fosse a pessoa que ela mais admirava e de quem tinha mais orgulho em toda sua vida. Descobrir que era tudo uma mentira, e que seu amado filho era literalmente um dos mais malignos seres humanos vivos, e que aquela criança que ela amava tanto foi totalmente tragada e substituída por um vácuo absorvente de maldade, e que o homem que ela pensava conhecer como seu filho era realmente uma fachada falsa que ele projetava de modo a esconder sua monstruosidade dela – agonia é a única palavra que se aproxima. Imagine descobrir que a pessoa que você mais ama no mundo é, na verdade, uma ficção inexistente.

Toda vez que você ler uma história ou mesmo experimentar algo parecido em sua paróquia ou diocese, quando você sentir aquele desgosto esmagador, primeiro coloque-se no lugar dos pais, família e amigos desses homens. Permita a si mesmo se integrar nessa dor o máximo que puder.

Então, e é este o ponto, imagine Nosso Senhor no Horto. Imagine como SUA AGONIA deve ter sido, considerando que Ele tomou sobre Si CADA PECADO QUE JÁ FOI E SERÁ COMETIDO, e que Ele ama cada ser humano, sem exceção, infinitamente. Imagine Sua agonia com os pecados destes clérigos e prelados sodomitas como Capozzi, McCarrick, Wuerl, Coccopalmerio, Paglia, Martin e por aí vai…

Agora, vá em frente e pergunte a Ele porque Ele permite que você seja tão magoado, tão intensamente desapontado pelo que está acontecendo na Igreja hoje. A resposta é simples: Ele quer que VOCÊ experimente e partilhe na mais ínfima das maneiras de Sua Agonia e Sua Paixão. Ele quer você mais próximo dEle. Ele quer que VOCÊ saiba e compreenda exatamente, tanto quanto puder, o quanto Ele nos ama a todos, e o quanto Ele ama você pessoalmente, e nesse momento a melhor forma de fazer isso é através de sua Agonia. Mesmo em Sua infinita agonia, causada por nós, prevaleceu o Amor Infinito, até a Flagelação e a Cruz pela qual todos são redimidos e alguns são e serão salvos.

Pois lembre-se, cada pecado é uma ofensa infinita contra Deus porque Ele é Infinito Bem. Isto significa que você causou ofensa infinita a Ele com cada pecado que você já cometeu. Sim, alguns infinitos são maiores do que outros infinitos (este é um fato matemático, não uma figura de linguagem boba), e não, a maioria de vocês nunca deu uma orgia gay dentro do Vaticano nem nada perto disso, mas nós, TODOS NÓS, ainda cometemos ofensas infinitas contra Ele.

Considere as pessoas que pensam que isso não é nada demais – que isto é o que é preciso para que a Igreja “saia do passado” e finalmente ratifique sodomia como moralmente neutra senão uma espécie de “bem”. Considere a vasta maioria das pessoas por aí que há tempos apostataram, ou que nem mesmo jamais estiveram na Igreja. Considere as pessoas que na frieza de seus corações se afastaram de Cristo no Jardim, desejando em vez disso encontrar uma “i”greja sem agonia. Na verdade, eles simplesmente decidiram encontrar uma “i”greja sem Cristo. Considere a pobreza – VERDADEIRA pobreza – dessas pessoas. Reze para que elas decidam voltar e aceitar o favor de entrar na agonia de Cristo.

Agora considere quão abençoado você é por ser capaz de sentar aqui e SABER sem a menor sombra de dúvida que Cristo organizou a Providência Divina de tal modo que você estivesse aqui, em nossos dias, com a informação que você tem, precisamente para que pudesse ir até Ele no Jardim e chorar com Ele, talvez pela primeira vez em sua vida. Considere que através de sua dor e desgosto, você pode olhar para as palavras mais famosas em toda escritura e ter um entendimento delas que você talvez nunca tenha tido se a você não tivesse sido permitido ser tão magoado pelos sodomitas infiltrados na Igreja:

Pois de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

Deixar a Igreja? Por que eu deixaria a Igreja? Eu não estou escandalizada. Estar escandalizada é ser levada pelos pecados de outros a cometer pecado eu mesma, OU estar escandalizada é ter minha fé reduzida ou eliminada pelos pecados de outros. Nenhuma das duas coisas me aconteceu. A dor e agonia que sinto por causa dos sodomitas em Roma – e acredite em mim, a dor é profunda e constante, embora em público eu manifeste apenas ira justa – é uma marca de favor de Nosso Senhor. Ele me quer mais próxima. Deus Todo Poderoso quer a mim – A MIM – mais próxima. E Ele escolheu para mim a forma mais garantida e eficaz de me trazer para mais perto dEle – para tomar parte em Sua agonia. Para mim, rejeitar tal favor, rejeitar tal AMOR, é impensável. Minha fé está MAIS FORTE do que era alguns anos atrás, e nós rezamos o Primeiro Mistério Glorioso do rosário, a Ressurreição, por um aumento na Fé a cada dia. Parte desta Fé é o conhecimento certo de que Cristo nunca, jamais permitiria algo acontecer conosco ou com quem quer que seja, que Ele não estivesse totalmente preparado para nos dar a força para suportarmos. Aquela força – aquela ARMADURA, se preferir – está disponível a todos, mas todos são livres para tanto aceitá-la quanto rejeitá-la. Eu escolho compartilhar na Agonia. Eu escolho o Amor. Eu escolho “sofrer junto com Ele”. Eu não apenas escolho isso, eu agradeço a Deus pelo favor que Ele me mostra em compartilhar de Sua agonia todos os dias.

Ante vossos olhos estão os que me perseguem: seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei.

Salmos, 68,20-21

Espero que ajude.

São Pedro, rogai por nós.

São Pedro Damião, rogai por nós.

São José, rogai por nós.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós.

Senhor Jesus Cristo, tenha misericórdia de nós.

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30 setembro, 2018

Foto da semana.

Ex-governador geral australiano e célebre ateu se converte a fé católica aos 85 anos.

Brisbane – Austrália (Quinta-feira, 20-09-2018, Gaudium Press) Bill Hayden, ex-governador geral da Austrália, que liderou o Partido Trabalhista Australiano, converteu-se à fé católica e recebeu o sacramento do batismo aos 85 anos de idade, após uma vida inteira de ateísmo público. O político pertencia a uma família católica, mas nunca havia sido batizado e sua falta de crenças religiosas o levou a renunciar a títulos honoríficos que representavam um apoio à religião. Um ataque cardíaco sofrido pelo político em 2014 e o exemplo de uma freira foram fundamentais para sua conversão, consumada no último dia 9 de setembro, na Igreja de Santa Maria de Ipswich, em Brisbane, Austrália.

 Ex-governador geral australiano e célebre ateu se converte a fé católica aos 85 anos
Foto: Catholic Leader

“A Irmã Angela Mary Doyle serviu por 22 anos como administradora dos hospitais Mater, em Brisbane, uma cidadela de cuidado da saúde para os mais pobres em South Brisbane, onde cresci no final da Grande Depressão”, escreveu o político em uma carta dirigida a seus amigos antes do Batismo e divulgada pelo portal Aleteia. “Dallas (sua esposa), nossa filha Ingrid e eu visitamos recentemente a Irmã Angela Maria no hospital Mater, onde ela era paciente. Na manhã seguinte, acordei com a forte sensação de que eu estava na presença de uma mulher santa. Então, depois de refletir sobre essas coisas, encontrei meu caminho de volta ao centro dessas crenças: a Igreja”, declarou.

Durante o tempo de preparação para o Sacramento do Batismo, o político enfrentou as dores de uma queda recente que ocasionou na ruptura de um ombro. O padre que o preparou, Peter Dillon, celebrou o evento como um grande encontro para o líder e “um ato de submissão ao fato de que, para ele ,não havia razão para negar que Deus é real e que ele veio descobri-lo”. Esta aceitação pública da fé é notável após gestos como a sua recusa em assumir o papel honorário de “Explorador em Chefe” tradicionalmente dado ao Governador Geral da Austrália pelos Escoteiros. O ateísmo que ele professou era incompatível com a promessa dos exploradores, pelo qual ele pediu para ser considerado em seu lugar como “Patrono Nacional da Associação Escoteira” durante seu governo.

Um aspecto significativo de seu recente Batismo é o fato de que os recentes escândalos da Igreja não influenciaram negativamente em sua declaração pública de fé. “Os problemas são causados por agentes humanos da Igreja, mas não devemos permitir que nossa fé seja prejudicada por agentes que não são tão bons quanto deveriam ser”, explicou Hayden. (LMI)

Da redação Gaudium Press, com informações da Aleteia

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23 setembro, 2018

Foto da semana.

8 de setembro de 2018: Profissão de votos das irmãs Maria Faustina e Maria Jacinta, do Instituto das Irmãs Escravas do Imaculado Coração de Maria, em Massachussets, Estados Unidos.

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20 setembro, 2018

Faleceu o Dr. Arnaldo Xavier da Silveira.

Formado na Faculdade de Direito da PUC/SP, foi colaborador da revista Catolicismo e notabilizou-se pela publicação em 1970 do livro “Considerações sobre o Novo Ordo Missae” que tratava sobre a missa instituída pelo Papa Paulo VI, substituindo o ritual tradicional consolidado por São Pio V. Traduzido em diversas línguas e lançado inicialmente na França no mesmo ano com o título: “La Nouvelle Messe de Paul VI, qu’en penser?”

Sua obra tratou de diversos pontos cruciais sobre a nova missa e, ainda hoje, é referência para diversos debates sobre as mudanças ocorridas na Santa Igreja a partir do Concílio Vaticano II.

Muitos católicos se beneficiaram com seus estudos, expostos de maneira cristalina e fiéis ao magistério tradicional da Santa Igreja.

O enterro acontecerá hoje, por volta de 11:30 da manhã, no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

Requiescat in pace!

14 setembro, 2018

Porque eu acuso o Papa.

Por Padre Kevin M. Cusick*,  3 de setembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com

Por muitos anos e até hoje, tornou-se bastante comum os padres serem tratados como se não tivessem consciência. Muitos foram levados a corromper os sacramentos sem o seu consentimento e agora estão sendo levados a agir assim exatamente por quem se encontra no topo da Igreja.

Há algum tempo, quando eu servia como capelão da Marinha Americana na Flórida, uma mulher veio até a capela com uma criança para solicitar o batismo. Sua visita causou uma das maiores crises na minha carreira naval e talvez até do meu sacerdócio. É aquela velha história: um adulto quer o batismo de uma criança, mas o adulto não frequenta a missa, o adulto está em pecado mortal, escandalizando a criança ou os filhos, assim como também não consegue criá-los na fé. O adulto precisa retornar primeiro à missa dominical regular e em seguida à confissão.

Estabelecer uma razoável esperança de que uma criança será educada na fé,  algo que a Igreja exige para o batismo infantil, sempre foi entendido por mim como significando que, no mínimo, a criança deveria ser educada na fé e capacitada a praticar sua fé, pelo menos participando da missa dominical, dependendo, é claro, da ajuda de um adulto para ir à missa até que ela tenha idade ou capacidade suficiente para ir sozinha.

Por compaixão em tais situações, a maioria dos sacerdotes provavelmente, como eu fiz, começa com uma explicação sutil que leve à conclusão de que o Batismo tem o propósito de nos levar para o Céu, vamos para o Céu cooperando com a graça do batismo e amando a Deus. Nós amamos a Deus, guardando os Mandamentos, incluindo aí a santificação do Dia do Senhor através da Missa, e não podemos razoavelmente presumir que estamos indo para o Céu, se optamos por não fazê-lo de livre e espontânea vontade. Eu geralmente também ofereço a informação de que um motivo grave o desculparia da obrigação grave de cumprir o Terceiro Mandamento e ainda pergunto ao adulto se ele ou ela realmente omitiu comparecer à Missa por tal razão.

Bem, ela saiu do meu escritório e apresentou uma queixa contra mim. A conversa que correu em seguida é que o arcebispo militar iria retirar-me do meu posto. O motivo teria sido que ele foi levado a acreditar que eu disse à mulher que “ela estava indo para o Inferno, na frente de sua filha de seis anos”. Não importava que fosse mentira. Se um capelão militar perde o aval do Arcebispo, ele está fora de serviço em 24 horas: sem aposentadoria, todos os seus anos de serviço ativo perdidos. Desastre total.

O chefe dos capelães da Marinha na época convenceu então ao arcebispo a investigar o assunto com a ajuda de um outro capelão que se reunia comigo e discutia a acusação. Assim foi feito, e eu disse a ele que nunca havia dito essas palavras para a mulher e, de fato, nunca as dissera a ninguém. Como é que eu vou saber para onde alguém vai depois que eles morrem? Impossível para qualquer um, incluindo um padre! É simplesmente irracional.

Mas também, como escreveria mais tarde numa carta ao arcebispo, considero tal comportamento um abuso pastoral. Se eu tivesse realmente feito tal coisa, deveria ser tratado com a maior severidade.

O arcebispo também disse que aquele episódio tinha sido  “a gota d’água”,  porque houve outras reclamações contra mim anteriormente. Em minha defesa, dei a entender que ninguém da arquidiocese jamais havia me informado que esse era o caso. A história terminou comigo dando um fim ao meu período de serviço ativo, depois de me afiliar à Reserva e me aposentar no ano passado. Incólume.

É verdade que eu me tornei conhecido por pregar sobre a Humanae Vitae e outros “tópicos tabus” e, por outro lado, por perturbar o “carrinho de maçãs” cuidadosamente equilibrado no mundo do capelão católico na época, e depois teria adquirido fama em outros lugares como sendo um “tanque” para clérigos errantes. O capelão sênior intercedendo a meu favor ofereceu então uma solução dizendo: “batize todos eles”. Mas isso não é o que a Igreja diz. E é aí que entra a consciência do padre. A Igreja diz que o sacerdote deve estabelecer uma esperança razoável de que a criança será criada na fé. O padre deve averiguar os fatos e, se tal não for o caso, trabalhar nessa intenção. Mas ele não pode fazer isso sem a cooperação dos pais. Ele deve seguir sua consciência e negar o Batismo se os pais rejeitarem a fé por recusar a praticá-la.

A corrupção dos sacramentos é a maior ameaça para os fiéis que estão sentados nos bancos da Igreja. Sim, eles lutarão com unhas e dentes para tentar obter a graça sob falsas circunstâncias, mas os sacerdotes e fiéis católicos devem se esforçar com todas as forças para dar-lhes a salvação com base no amor verdadeiro. Os sacerdotes muitas vezes se tornam máquinas irracionais de dispensar sacramentos de qualquer jeito,  como se fossem máquinas de dispensar doces que se encontra em todo canto.

A carta do arcebispo Viganò, que atualmente está causando um furor no mundo católico, é simplesmente a gota d’água que fez o copo entornar para o lado do papa Francisco. Temos sido constantemente submetidos a mais e mais abusos dos sacramentos, enquanto os fiéis permanecem como sapos dentro da água que começa a ferver.

Logicamente, existe uma distância curta entre a corrupção da Comunhão, como por exemplo, dando o Senhor sacramentalmente a fornicadores ou adúlteros, como sugere a Amoris Laetitia, e a permissão para que um cardeal predador homossexual volte à circulação depois que o papa anterior tentou proteger os fiéis censurando-o. Isto é o que parece ter sido feito por Francisco no caso do ex-cardeal Theodore McCarrick, com pleno conhecimento de seus crimes. Independentemente disso, Francisco é o Papa e, como tal, é seu trabalho saber. Eu escolho acreditar no Arcebispo Viganò quando ele escreve que deu ao papa todas as oportunidades para tomar conhecimento dos crimes de McCarrick antes de colocá-lo de novo na ativa.

Estes são abusos pastorais: o silêncio quando falar dissiparia a confusão. Propagar o erro em vez da doutrina católica. Restaurar o clero reprovado e censurado de volta à boa reputação e a nomeação de bispos e cardeais pró-homossexualistas para os grandes eventos.

Todos os sacerdotes têm consciência, assim como todo fiel católico, e também têm o direito e o dever de falar. A todos os nossos sacerdotes, eu suplico: você deve ao seu rebanho a coragem e liderança clara.  Não permaneça mais em silêncio. Forme e siga suas consciências. Recuse-se a corromper os sacramentos e a trair as almas, pois nós, que somos sacerdotes, estaremos traindo nossa própria salvação se assim o fizermos.

Precisamos parar de mentir para nós mesmos: o testemunho Viganò é apenas a gota d’água. A evidência existe e é abundante. Culpado como acusado. Qualquer pessoa sensata esperaria que um padre ou bispo que abusasse tanto de seu rebanho fosse deposto.

O Papa Francisco continua seu curso de destruição através de nomeações episcopais desastrosas para Newark, Chicago e San Diego, feitas com prelados à sua imagem e que zombam de nossa inteligência com sua tagarelice sem sentido e ideologia pró-homossexualista. Se não deixamos falar nossas consciências, estaremos comprometendo nossa própria salvação, assim como também a daqueles que traímos com o nosso silêncio.

* Padre Kevin M. Cusick é Capelão militar, exerce seu ministério atualmente em Washington, EUA, palco da crise atual envolvendo as denúncias de Mons. Viganò contra o Cardeal Arcebispo Wuerl e o Papa Francisco.

Obrigado por ler e louvado seja Jesus Cristo, agora e para sempre.

10 setembro, 2018

A cloaca clerical homo comunista.

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5 setembro, 2018

Abusos litúrgicos e abusos sexuais: duas faces da mesma moeda.

Se Nosso Senhor Jesus Cristo presente na Eucaristia, o que há de mais elevado e santo, não merece nossa máxima veneração, por que meros seres humanos deveriam merecê-la?

Por Peter Kwasniewski, LifeSiteNews.com, 30 de agosto de 2018 | Tradução e adaptação: João Pedro de Oliveira – FratresInUnum.com

Nós sabemos que existem bons e santos sacerdotes, imagens do grande Sumo Sacerdote e Bom Pastor, que servem incansavelmente o povo de Deus, que trabalham de coração sincero pela sua salvação e que ajudam a tornar muito mais alegre nossa pertença à Igreja Católica. Cada um de nós talvez conheça um, vários ou muitos bons padres assim. Sabemos também que eles são frequentemente desvalorizados, e estão sujeitos em tempos como os nossos a ceticismos e suspeitas imerecidas, só por causa das faltas de alguns de seus irmãos no sacerdócio — faltas que eles próprios repudiam e condenam tanto quanto nós, leigos.

Todos, no entanto, sejam os leigos que estamos nos bancos, sejam os sacerdotes nos presbitérios, devemos nos fazer perguntas difíceis, das quais talvez a mais importante seja: como foi possível que tantos “homens de Deus”, inclusive bispos, se convertessem em instrumentos do demônio? À parte causas gerais, como a queda de Adão, a concupiscência desordenada e os perigos que acompanham toda posição de autoridade, seria possível identificarmos alguma causa específica aos últimos 50 anos — isto é, ao período durante o qual se perpetrou a vasta maioria dos casos de abusos ligados ao clero?

Uma causa sistêmica de descumprimento do dever, laxismo moral e devassidão foi a atmosfera de “antinomianismo woodstockiano” [1], ou ausência de leis, que acompanhou as reformas e deformações litúrgicas das décadas de 1960 e 1970, um período durante o qual a celebração sem controle do próprio “eu” substituiu o ideário católico de um padre submisso à disciplina de uma forma litúrgica exigente, que tivesse rubricas reverentes e inculcasse o temor a Deus.

O sacerdote costumava ser um homem consagrado estritamente ao serviço do altar. Com tudo mudando rapidamente nas últimas décadas, de repente ele se tornou o centro vernáculo das atenções, o “presidente” a manipular a congregação. Os padres foram lançados na “cova dos leões” da vaidade, da popularidade, do sentimentalismo e do relaxamento — e nem todos foram como Daniel para escaparem ilesos. Sem práticas ascéticas à vista, todos os males que seriam suprimidos pelo antigo código de honra ganharam rédeas soltas.

Os católicos de uma certa idade sabem exatamente do que estou falando. Tendo nascido em 1971, vem-me à mente uma porção de “liturgias criativas” — e, não surpreendentemente, os clérigos responsáveis por tais coisas estavam entre os que, mais tarde, seriam investigados por corrupção moral.

Levei um bom tempo para ver a ligação (talvez eu seja apenas lerdo para entender), mas finalmente ficou claro para mim: décadas de abuso da Santa Missa, dos sacramentos e dos ritos litúrgicos — e, por extensão, a violência feita aos fiéis católicos, que têm o direito à sagrada liturgia em sua plenitude, como declara a instrução Redemptionis Sacramentum (n. 18) — constituem a forma primeira e fundamental de abuso sacerdotal contra os leigos, da qual o abuso de natureza sexual não é senão uma variedade própria e mais enlouquecida. Os abusos sexuais dos sacerdotes estão ligados aos abusos litúrgicos cometidos por eles; a perversão sexual é um reflexo da perversão da liturgia.

Dada a centralidade absoluta e a dignidade infinita da Missa e da Sagrada Eucaristia, os abusos da liturgia e dos sacramentos constituem o pior crime possível contra Deus e o homem. Se a coisa mais elevada e mais santa que existe não merece nossa máxima veneração, por que meros seres humanos deveriam merecê-la? Nós não passamos de cinzas e pó, comparados ao divino Sacrifício do Altar.

Por outro lado, se nós temêssemos a Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e O reverenciássemos profundamente, por consequência nós reconheceríamos e cuidaríamos de sua imagem nos corpos e nas almas de todos os seres humanos. Se nós levássemos a Missa e a Eucaristia a sério e deixássemos todos os nossos relacionamentos fluírem dessa relação primeira e essencial com Cristo, nós não seríamos capazes de tratar as outras pessoas como objeto. A reverência para com Ele anda lado a lado com o respeito devido aos pequeninos.

Se você lança uma pedra dentro de uma piscina, nem que seja uma pedrinha, a água produz ondas que expandem até as suas bordas. Assim, a maneira como celebramos a Missa cria “ondas” espirituais na Igreja e no mundo. Da mesma forma uma boa ou má recepção da Sagrada Comunhão. Da mesma forma violações das rubricas e irreverências.

Às vezes, os católicos sentem a urgência de dizer ao clero secularizado e liberal das últimas cinco décadas: “Vós e as vossas crias destruístes a teologia com o modernismo, a liturgia com irreverências e, em um golpe fatal, arruinastes a vida de inúmeras crianças”. Eis uma inversão terrível do que é o Reino de Deus. Virá um tempo em que todo esse mal será purgado; até lá, no entanto, enquanto o Senhor nos prepara novos céus e nova terra, ainda há tempo para a conversão e o arrependimento.

A nossos bons e santos sacerdotes também queremos dizer: “Continuai fazendo o que estais fazendo de certo. Amai a sagrada liturgia, celebrai-a com respeito, devoção, temor, silêncio e beleza. Conduzi-nos convosco, ad orientem, em peregrinação rumo ao Senhor. Lembrai e cultivai nossa herança católica. Dessa forma, trareis verdadeira mudança à cultura da Igreja, restaurando à instituição, a seus membros e a suas cerimônias e honra e o respeito que eles merecem”.

Notas
Antinomianismo, de acordo com a Enciclopédia Católica, é “a doutrina herética de que os cristãos estão isentos das obrigações para com a lei moral”.

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14 agosto, 2018

Considerações de um católico sobre a pena de morte.

Por José Lorêdo Filho

“D. João VI, quando no Brasil, viu diante de si um miserável, que lhe pedia clemência, depois de ter matado um sacerdote. Antes, já havia sido indultado pelo assassínio de uma mulher grávida. ‘Não o indulteis — ponderou o Conde D’Arcos — este homem cometeu um crime infame’. — ‘Um? — retrucou o rei — ele cometeu dois!’ — ‘Não senhor, um só — atalhou o Conde — o segundo foi Vossa Magestade quem o cometeu, porque não deveria ter perdoado o primeiro a tão grande criminoso’. O criminoso foi enforcado, e o Conde D’Arcos continuou sendo Conselheiro do Rei.” (Ramón Muííana — “Nuevo Catecismo en Ejemplos”, verbete n. 3.288). [1]

Não foi sem algum assombro que, no último dia 02 de agosto, o mundo católico – ou, ao menos, parte dele – recebeu a notícia de que o Papa Francisco se dispusera a mudar o artigo 2267 do Catecismo da Igreja Católica, relativo à tormentosa questão da pena de morte como medida legítima – não necessariamente obrigatória, convém dizê-lo – face a crimes hediondos.

A redação anterior do artigo 2267 assim prelecionava:

  1. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor.

Contudo, se processos não sangrentos bastarem para defender e proteger do agressor a segurança das pessoas, a autoridade deve servir-se somente desses processos, porquanto correspondem melhor às condições concretas do bem comum e são mais consentâneos com a dignidade da pessoa humana.

Na verdade, nos nossos dias, devido às possibilidades de que dispõem os Estados para reprimir eficazmente o crime, tornando inofensivo quem o comete, sem com isso lhe retirar definitivamente a possibilidade de se redimir, os casos em que se torna absolutamente necessário suprimir o réu “são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes”.

A nova redação, em contrapartida, considera:

  1. Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum.

Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir.

Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que “a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa”, e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.

A mudança requer algumas considerações que me parecem indispensáveis à real compreensão do problema.

Falsa concepção do homem

É forçoso admitir que toda e qualquer ação, seja ela de cunho político ou econômico, seja no que toca às relações particulares e seja, ainda, no próprio mundo doméstico, advém de uma concepção geral, para não dizer integral, do homem. Os regimes comunistas, em decorrência de seu imanentismo, recusavam qualquer visão de mundo para além da realidade terrestre, razão pela qual não hesitaram em exterminar fisicamente milhões de pessoas, aos quais negavam uma dignidade anterior à organização política e social; o mesmo diga-se, analogamente, do nacional-socialismo, com o expediente infame dos campos de concentração, mercê de suas teses racistas e de seu paganismo nórdico; o mesmo diga-se de todas as revoluções modernas e os regimes que se lhe seguiram, negadores, todos, da condição do homem de criatura feita à imagem e semelhança de um Deus pessoal e consciente – e detentor, pois, de uma alma imortal e portador de direitos anteriores ao Estado.

É consenso, entre os tratadistas penais – perdoem-me tratar de uma obviedade –, que o cometimento de um crime, qualquer que seja, importa na supressão da liberdade do infrator. Em face da realidade do Pecado Original, em razão do qual o homem pode livremente abraçar o erro, é perfeitamente legítimo que o Estado – e somente ele – possa aplicar a pena de morte, posto que, após cometer crime hediondo – isto é, crime cometido por motivo torpe e com requintes de crueldade –, o infrator perde não apenas o direito à liberdade, senão também, de algum modo, o próprio direito à vida. Assim o ensinam o Catecismo de Trento, o Catecismo de São Pio X, os Santos Doutores e os Santos Padres – até Francisco, que parece sugerir que “até hoje a Igreja ter-se-ia enganado ao julgar a licitude da pena de morte em casos extremos — não havia ainda tomado consciência de que a ‘dignidade da pessoa não se perde’. Mas hoje, graças à nova sensibilidade, graças à compreensão renovada da dignidade humana, corrigimos o erro e declaramos que a dita pena é inaceitável.’. [2]

O historiador Roberto de Mattei, rememorando Pio XII, resolve a questão, sem dúvida incômoda a muitos: “(…) a noção de ‘dignidade humana’ não muda de acordo com os tempos e as circunstâncias históricas, assim como não muda o significado moral da justiça e da punição. Pio XII explica que quando o Estado recorre à pena de morte, não pretende ser o mestre da vida humana, mas apenas reconhece que o criminoso, através de uma espécie de suicídio moral, se privou do direito à vida. Segundo o Papa, “mesmo quando se trata da execução de uma pessoa condenada à morte, o Estado não dispõe do direito do indivíduo à vida. Cabe ao poder público privar o condenado do bem da vida, em expiação por sua falta, após ele, com seu crime, já ter perdido seu direito à vida.’. (Discurso de 14 de setembro de 1952, in Discorsi e Radiomessaggi, vol. XIV, p. 328)”. [3]

Uma distinção necessária: a Ordem da Caridade e a Ordem da Justiça

Um dos principais argumentos em contrário da pena de morte, senão o principal, é o de que se trata de recurso que se opõe à caridade cristã.

O notável sacerdote Emílio Silva de Castro, autor de um livro emblemático em defesa da pena capital, torna clara a necessária distinção entre a Ordem da Caridade e a Ordem da Justiça, ao rememorar episódio de um dos debates que travou sobre o assunto com um mestre das letras jurídicas pátrias, o ministro Nélson Hungria:

(…) o Ministro Nelson Hungria, a certa altura da discussão, disse, com ênfase: “Eu sou mais evangélico que o Padre Silva, pois Jesus nos ordena amar e perdoar nossos inimigos e para o P. Silva nada de perdão. Matar quem com dolo mata.”

Senhor Ministro, respondi-lhe, V. Exa., que é jurista esclarecido e alto Magistrado, não pode ignorar que há duas ordens da vida em sociedade, a ordem da caridade que concerne a todos os homens e a ordem da justiça que incumbe tão-só à autoridade pública e que ela exerce através do poder judiciário. É de toda evidência, pelo texto e contexto daquelas expressões, que por elas Jesus se dirigia a todas as pessoas humanas, a cada um de nós, aconselhando-nos a caridade e o amor; não às autoridades e aos que administram a justiça em toda sociedade humana.

O juiz que conhece a causa de um crime e pronuncia uma sentença condenatória do réu não está julgando um inimigo pessoal — inclusive se o réu fosse parente ou inimigo manifesto do juiz, este é declarado incompetente no caso — senão um malfeitor que violou os sagrados direitos de um cidadão, direitos cuja defesa e tutela incumbe como obrigação à autoridade pública.

Imaginemos, Senhor Ministro, que algumas pessoas vão a seu tribunal questionar sobre graves maus-tratos e despojos de que foram vítimas. Qual seria a atitude de V. Exa. em tal caso? Ousaria porventura dizer-lhes: “Senhores, nada tenho a fazer com vossas queixas. Eu sou católico e evangélico e por isso perdoo todos os que os maltrataram e roubaram?” (risos na plateia.) “Senhor Ministro, replicariam eles, os maltratados e roubados fomos nós, não Vossa Excelência, e corremos à justiça para que nos ampare nossos direitos com uma justa reparação de agravos e para que nos devolvam os bens de que fomos despojados.”

Claro está que os querelantes tomariam sua atitude como um intolerável sarcasmo.

Imagino termos encerrado este ponto…

Licitude da pena de morte

A doutrina católica no que concerne à moral é constituída, evidentemente, por princípios imutáveis, a serem aplicados em situações concretas. Muito embora os princípios não mudem, é comum que, em face da permanente variação das situações concretas, aquilo que, produto de um princípio, era aplicado anteriormente com proficiência se torne, decorrido algum tempo, ineficaz, sem que com isso se negue a validade perene do mesmo princípio. Isto não importa numa relativização doutrinal, antes numa melhor adaptação da doutrina em determinado caso e contexto.

Desse modo, nada haveria de contrastante com a doutrina católica, com o Magistério, a Tradição e as Escrituras a recomendação aos governos civis, por parte da Santa Sé, para que fossem paulatinamente retirando de suas legislações criminais a pena de morte, mesmo em caso de crime hediondo. Nunca por considerá-la ilícita em si mesma, senão unicamente quando o princípio que encerra se torna de aplicação problemática, podendo resultar numa injustiça. Seria este o caso? Seria o nosso sistema penal de tal modo complexo que justifique, não a “introdução de um novo paradigma”, mas a recomendação sábia e prudente da Santa Sé no sentido da abolição paulatina da pena capital? [4] Minha tentativa de resposta fica para a conclusão.

É ensinamento de sempre da Igreja que ao Mandamento Não matarás! há três exceções em que se pode legitimamente tirar a vida de outrem – isto é, sem pecar nem venial nem mortalmente –, a saber, em caso de: I – Legítima e proporcional defesa; II – Guerra justa e III – Pena de morte. [5] Para a devida e correta aplicação da pena de morte, deve ela constituir recurso única e exclusivamente, como já dito, para a punição de crimes hediondos, caracterizados por uma motivação torpe e gratuita e pela utilização de meios cruéis, modalidade de crime em que o Brasil vem se especializando nas últimas décadas… Há também três critérios últimos para a sua lícita aplicação: I – Não restar dúvida quanto à culpabilidade do réu; II – Somente à autoridade pública legítima cabe a sua aplicação e III – A intenção de sua aplicação não deverá, nunca, ser “o ódio ou vingança particular das pessoas, mas sim o amor de caridade para com os próprios culpados e para com a sociedade”. [6] Não observadas estas condições, tornar-se-á a pena de morte expediente absolutamente contrário à doutrina da Igreja e à Lei Natural.

O livro do Pe. Emílio Silva poderá servir, decerto, como guia seguro ao entendimento desta espinhosa questão. É da seguinte forma que esquematiza as razões em favor da pena última:

A) A FAVOR DO INSTITUTO DA PENA CAPITAL

  1. Consentimento Universal.
  2. A Pena de Morte no Antigo Testamento.
  3. A Pena de Morte no Novo Testamento. A Lei de Talião.
  4. O Magistério da Igreja e os teólogos em face da Pena de Morte.
  5. Os Grandes Homens e a Pena de Morte.
  6. Justificação racional da Pena de Morte. Razão fundamental: Restauração da ordem jurídica quebrantada.
  7. Outras razões: Intimidação, segurança, tutela dos cidadãos etc. [7]

Não são descartáveis as argumentações utilizadas pelo exímio padre e polemista…

Conclusão

O meu querido amigo e talentoso ensaísta Francisco Razzo – que já tive o prazer de receber em São Luís para o lançamento de seu precioso A imaginação totalitária – publicou um artigo [8] na Gazeta do Povo em que se diz contrário à pena de morte por quatro razões: “Duas mundanas, uma metafísica e a última teológica.”.

As duas últimas – a incerteza diante da morte e a suposta ilegitimidade da pena capital depois do sacrifício de Nosso Senhor na Cruz – dispensam quaisquer comentários, pois aquela diz respeito antes às dúvidas religiosas do meu bom amigo Razzo – não me cabendo senão louvar a sinceridade de um cristão que se sabe falho e limitado, como todos nós – e esta carece por completo de fundamento, uma vez que a crucificação de N. S. Jesus Cristo extrapola qualquer possibilidade de comparação com qualquer evento humano, mesmo porque, vale dizer para fins didáticos, é mais do que evidente que o “crime” de Jesus não se enquadraria nas condições da correta aplicabilidade da pena última.

As duas primeiras – possibilidade de erros judiciais [9] e excessivo poder dado ao Estado – são pertinentes e muito concorrem para a minha própria posição segundo a qual a necessária reforma da legislação penal brasileira de molde a retrair a criminalidade não importa na adoção da pena de morte, ao menos por agora. A lamentável situação carcerária do país, a instabilidade política, o descrédito do Judiciário, entre outros motivos, só podem fazer ver ao observador mais atento que a adoção da pena de morte no presente momento – acaso fosse politicamente viável – consistiria numa imprudência e numa temeridade. Somente neste sentido caberia o seu desaconselhamento por parte da Santa Sé.

Infeliz e desgraçadamente, o Papa Francisco parece caminhar no sentido oposto. [10] Só me resta, como católico, esperar, com Roberto de Mattei, que “os teólogos e pastores da Igreja intervenham o quanto antes para fazer uma correção pública deste grave erro do Papa Francisco.”. [11]

[1] SILVA, Pe. Emílio. Pena de morte já. Rio de Janeiro: Revista Continente Editorial, 1986, pág. XX (prólogo: des. Ítalo Galli).

[2] Fratres In Unum (03.08.2018): www.fratresinunum.com/2018/08/03/a-pena-de-morte-e-inadmissivel-a-introducao-de-um-novo-paradigma-e-a-ruptura-doutrinal-de-francisco

[3] Agência Boa Imprensa (08.08.2018): www.abim.inf.br/a-liceidade-da-pena-de-morte-e-uma-verdade-de-fe-catolica

[4] Parece ter sido justamente essa a orientação de S. João Paulo II em sua encíclica Evangelium Vitae: “Acontece, infelizmente, que a necessidade de colocar o agressor em condições de não molestar implique, às vezes, a sua eliminação. Nesta hipótese, o desfecho mortal há-de ser atribuído ao próprio agressor que a tal se expôs com a sua acção, inclusive no caso em que ele não fosse moralmente responsável por falta do uso da razão. 56. Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se regista, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem ‘como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta’. A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objectivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir. Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo. Mas, hoje, graças à organização cada vez mais adequada da instituição penal, esses casos são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes.” Link para a leitura da encíclica: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae.html

[5] V. o Catecismo Romano, Parte Terceira: os Mandamentos, capítulo VI. – Do Quinto Mandamento. Catecismo Romano – o Catecismo do Concílio de Trento. Rio de Janeiro: Castela Editorial, 2017, edição fac-similar, págs. 435 a 444.

[6] Pena de morte já, pág. 162.

[7] Pena de morte já, pág. 05.

[8] Link para o artigo de Francisco Razzo: www.gazetadopovo.com.br/colunistas/francisco-razzo/morte-e-pena-de-morte

[9] Mais uma vez lancemos mão da lógica demolidora do Pe. Emílio Silva: “Em realidade a reparação não se dá com nenhuma pena já cumprida. Um pai de família digno e honrado é condenado a dez anos de prisão por um grave e vergonhoso delito. Cumprida a pena, descobre-se sua inocência; a afronta, a desonra e a vergonha por que passou, o vexame da família perante a sociedade, as privações, os cuidados que deixou de prestar à sua esposa e a seus filhos, além dos graves sofrimentos físicos na prisão etc., são ressarcíveis? Outra pessoa também inocente é condenada a doze anos de reclusão. Cumpre a pena e morre em pouco tempo. Depois de morta, descobre-se-lhe a inocência. Será reparável esse erro judicial? E como estes, outros mil casos reais ou hipotéticos nos quais houve impossibilidade de reparação da pena sofrida.”. (Pena de morte já, pág. 83).

[10] Para uma visão global do reinado de Francisco, ver o recém-lançado livro de José Antônio Ureta: A “mudança de paradigma” do Papa Francisco – continuidade ou ruptura na missão da Igreja?, que pode ser baixado gratuitamente no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira: www.ipco.org.br/a-mudanca-de-paradigma-do-papa-francisco-continuidade-ou-ruptura-na-missao-da-igreja

[11] “O novo rescrito do Papa Francisco exprime aquele evolucionismo teológico condenado por São Pio X na Pascendi e por Pio XII no Humani generis, nada tendo a ver com o desenvolvimento homogêneo do dogma do qual trata o Cardeal John Henry Newman. A condição para o desenvolvimento do dogma é, de fato, que as novas afirmações teológicas não contradigam o ensinamento anterior da Igreja, mas se limitem a explicitá-lo e aprofundá-lo. Finalmente, como no caso da condenação da contracepção, não estamos tratando aqui de opiniões teológicas sobre as quais é legítimo debater, mas de verdades morais que pertencem ao Depositum fidei, e que, portanto, é obrigatório aceitar para permanecer católico. Esperamos que os teólogos e pastores da Igreja intervenham o quanto antes para fazer uma correção pública deste grave erro do Papa Francisco.” Agência Boa Imprensa (08.08.2018): http://www.abim.inf.br/a-liceidade-da-pena-de-morte-e-uma-verdade-de-fe-catolica

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3 agosto, 2018

“A pena de morte é inadmissível”. A introdução de um novo paradigma e a ruptura doutrinal de Francisco.

Por FratresInUnum.com, 3 de agosto de 2018 – Até agora, os desvios doutrinais promovidos por Papa Francisco eram sempre indiretos, frutos de sua proposital ambiguidade. Agora, pela primeira vez, acontece uma efetiva e inquestionável ruptura doutrinal.

fragmentadorSim, ruptura. Embora o Cardeal Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e confrade jesuíta de Papa Bergoglio, tenha escrito aos bispos que a nova formulação “expressa um autêntico desenvolvimento da doutrina, que não está em contradição com os ensinamentos anteriores do Magistério”, o fato é inegável: estamos diante de uma ruptura doutrinal.

O próprio texto do novo n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica, publicado hoje, mas aprovado em maio deste ano (Por que tanta demora? Por que publicar isso justo em agosto, durante as férias da Cúria Romana?), é bastante explícito.

“Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum”. Até aqui, a doutrina de sempre!

Porém, um pouco abaixo, vem a ruptura:

“Igreja ensina, à luz do Evangelho, que ‘a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa’, e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo”.

De um recurso lícito, mas extremo, a pena de morte tornou-se, de repente, inadmissível, ilícita. A ruptura é nítida.

Contudo, mais perigosos são os argumentos para a fundamentam:

Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir”.

Em outras palavras, até hoje a Igreja ter-se-ia enganado ao julgar a licitude da pena de morte em casos extremos — não havia ainda tomado consciência de que a “dignidade da pessoa não se perde”. Mas hoje, graças à nova sensibilidade, graças à compreensão renovada da dignidade humana, corrigimos o erro e declaramos que a dita pena é inaceitável.

O leitor não perceberá de cara o absurdo que tem diante dos olhos. E, isso, porque as restrições de ordem prática quanto à pena de morte na doutrina católica sempre foram tão claras à consciência dos fieis que essa modificação pode parecer meramente de ênfase, de nuance. Mas não o é!

Está se introduzindo um novo paradigma para a corrupção completa da doutrina católica. Estes argumentos o comprovam e basta aplicarmo-los a outros temas. Decerto, como há tempos se cogita, a próxima vítima será a Encíclica Humanæ vitæ. Talvez alguns exemplos hipotéticos ilustrem melhor o procedimento ao caro leitor.

Sobre a contracepção. “Hoje a Igreja compreende com maior clareza que a natureza do matrimônio é sobretudo o amor conjugal. Além disso, a sensibilidade dos casais e as dificuldades da vida moderna nem sempre permitem a geração de uma numerosa prole, o que torna difícil a compreensão de que sempre o ato conjugal deva estar necessariamente aberto à geração de uma nova vida. Deste modo, o juízo da Igreja hoje enxerga que certas exigências morais não correspondem mais àquilo que é verdadeiramente factível para que um cristão viva coerentemente a sua fé com todos os desafios contemporâneos. Portanto, a Igreja entende que a contracepção, hoje, não deva ser considerada como intrínseca e gravemente ilícita”.

Sobre o divórcio. “Hoje a Igreja entende que nem sempre os nubentes são verdadeiramente cônscios de sua compatibilidade e das exigências tão graves que lhes impõe a vida matrimonial. A experiência do fracasso, também, faz parte da cruz e da redenção. Sendo assim, o entendimento da Igreja não considera mais o divórcio como um mal em si mesmo. É necessário tolerar a todos, respeitando a sua própria história e não violando a sua consciência”.

Sobre a fornicação. “Hoje os casais sentem a necessidade de fazerem uma experiência mais intensa de amor. Os usos e costumes se alteraram muito na sociedade moderna e aquilo que se considerava ilícito no passado, hoje se considera normal e até esperado. Considera-se, atualmente, impraticável que um casal se case sem antes conhecer-se mais intimamente. Neste sentido, não podemos mais considerar a fornicação como um pecado grave”.

Oferecemos ao leitor apenas três hipóteses, mas estes poderiam ser multiplicados quase que indefinidamente. Não se trata de um desenvolvimento orgânico da fé, como afirma muito espertamente o Cardeal Ladária, mas da introdução discreta de um novo paradigma.

Até hoje, o paradigma normativo da doutrina católica sempre foi a fidelidade ao Evangelho e à Tradição. Hoje, o novo paradigma é a adequação aos tempos modernos, às novas sensibilidades, enfim, àquelas falácias que nos chegam prontas pelos ideólogos de plantão.

Como não ouvir aquelas palavras ditas por Nosso Senhor a São Pedro: “Arreda-te de mim, satanás, por não pensas como Deus, e sim como os homens” (Math. XVI,23).

Segurem-se na cadeira, porque as violações continuarão. Papa Francisco está lá para garanti-lo e fará de tudo para definir antecipadamente a sua sucessão, de modo que o processo de demolição da fé continuará, a não ser que a Providência Divina venha a freá-lo.

De certo modo, estamos assistindo as consequências mais aterradoras da usurpação da estrutura hierárquica da Igreja por hereges confessos ou discretos. Diante disso, precisamos nos manter firmes, agarrar-nos ferreamente à Tradição, preservar-nos de toda e qualquer perversão doutrinal ou moral, inclusive do convívio com os falsos pastores, e manter nossa cabeça erguida, pois diz Nosso Senhor: “A vossa salvação está próxima” (Luc. XXI,28).

Não abandonemos a barca nem traiamos a fé. Perseveremos fieis, confiantes na garantia que nos dá Nossa Senhora de Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.