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17 agosto, 2017

Bispos venezuelanos pressionaram Vaticano a rechaçar a Constituinte de Maduro.

Por Hermes Rodrigues Nery

Os bispos venezuelanos, pressionados pelo peso da realidade, é que pressionaram o papa Francisco a não ficar omisso diante da gravíssima crise da Venezuela, com o risco de comprometer toda a credibilidade internacional da diplomacia vaticana. Foi a pressão dos bispos que fez a Secretaria de Estado rechaçar a Constituinte de Maduro.

FratresInUnum.com – 17 de agosto de 2017: Foram os bispos venezuelanos que fizeram pressão para que o Vaticano rechaçasse a Constituinte de Nicolás Maduro. A situação da Venezuela se agravara de tal forma, que não havia mais como protelar o silêncio, a omissão, ou mesmo a ambiguidade de posição a respeito dos abusos de um regime político a devastar um país, com a maioria da população vulnerável à pobreza, ao despotismo e à violência.

papa_e_maduro94055Os fatos concretos mostravam o peso da realidade, que não era mais possível ignorar: o equívoco do projeto político da “Pátria Grande”, cuja integração latino-americana (visando a implantação do socialismo) dava evidências de falimento. Nesse contexto, a Venezuela passou a tornar-se um problema sério demais para o primeiro papa latino-americano, que recebera efusivamente os líderes dos movimentos populares de esquerda no Vaticano, como João Pedro Stédile, Evo Morales, e também o próprio Nicolás Maduro, dentre outros.

Phil Lawler destacou no Catholic Culture que “os bispos venezuelanos foram firmes e consistentes em sua oposição à campanha de Maduro para consolidar seu poder. (…) Do Vaticano, no entanto, houve silêncio. E Maduro, um demagogo hábil, não hesitou em chamar a atenção para esse silêncio, alegando que, enquanto os bispos venezuelanos se opõem a ele, o Papa não. Até apenas esta semana, não houve uma declaração clara do Vaticano para provar o erro de Maduro”. William McGurn destacou no Wall Street Journal que “o papa Francisco tem sido severo em seu julgamento sobre o tipo de ‘populismo’ praticado por Donald Trump, mas parece odiar denunciar o ‘populismo’ de uma esquerda latino-americana”.

Diante do cenário cada vez mais tenso na Venezuela, os analistas internacionais passaram a observar a postura do papa Francisco em relação aos desdobramentos da crise, pois muitos se recordavam do que ele dissera, com ênfase, ao Pe. Antonio Spadaro, na histórica entrevista da revista La Civiltà Cattolica: “nunca fui de direita”.

Ao falar sobre como os próprios líderes mundiais de esquerda avaliam Nicolás Maduro, Jacopo Barizaggazi mencionou Jorge Mario Bergoglio, afirmando: “O papa nascido na Argentina tem sido um forte apoio aos chamados líderes progressistas na América Latina, como Evo Morales, da Bolívia, e seus críticos o acusam de ambiguidade em relação ao governo na Venezuela. O Vaticano tentou mediar entre Maduro e a oposição, mas, em uma coletiva de imprensa, em abril, o papa parecia culpar a oposição pela falta de progresso, dizendo: ‘Parte da oposição não quer isso’. O analista do Vaticano, Sandro Magister, escreveu, em maio, que o papa foi “imperdoavelmente imprudente com Maduro e o chavismo”, além de ser “incompreensivelmente reticente às vítimas da repressão e à agressão que atinge a própria Igreja”.

O que o papa latino-americano poderia fazer caso a situação chegasse a um ponto em que não seria mais possível qualquer neutralidade, nem mesmo tibieza, especialmente quando os fatos comprovassem o horror de um regime político, com premissas e aspectos contrários à doutrina moral e social católica? Outros envolvimentos de Bergoglio no complexo contexto latino-americano geraram controvérsias, como o restabelecimento diplomático dos Estados Unidos e Cuba (Obama/Raul Castro, visando o fim do embargo a Cuba) e o polêmico “acordo de paz” entre o governo da Colômbia e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

A sua aposta política, em alguns casos, deixava brechas para os líderes de esquerda instrumentalizarem certos pronunciamentos e iniciativas de Bergoglio (que chocavam os católicos) para favorecer seus intentos políticos, como também, em certos aspectos, a agenda das fundações internacionais e das agências da ONU. Não apenas as declarações polêmicas e ambíguas, mas também as atitudes que alargavam tais brechas. Afinal, os católicos ficavam cada vez mais confusos e angustiados quando viam, por exemplo, as portas abertas do Vaticano para receber, com efusão, Gustavo Gutierrez, Jeffrey Sachs e Paul Ehrlich, enquanto Michel Schooyans e Christine Wolmer deixavam de ser vitalícios na Pontifícia Academia para a Vida, para dar lugar a outros, inclusive abortistas, como Nigel Biggar.

Com a Venezuela, o “papa político” fez mais uma vez uma aposta arriscada, ao receber Maduro no Vaticano (quando a crise já indicava abusos inaceitáveis) e a colocar o cardeal Pietro Parolin à frente de negociações em que, desde o início, os bispos venezuelanos sabiam que com Maduro não havia o que dialogar, pois o que ele queria mesmo era radicalizar o chavismo, com o qual estava comprometido. Não apenas Maduro, mas outras lideranças de esquerda esperavam que não viesse de Bergoglio uma condenação política explícita e contundente, a curto prazo, pois ele, “defendeu várias vezes um estado forte que forneça os bens de ‘casa, terra e trabalho’ para a população”, como destacou George Neumayr.

No entanto, nos últimos meses, o que os bispos desejavam era uma palavra mais firme do Vaticano justamente contra o bolivarianismo, que Maduro não estava disposto em ceder. Era evidente que o impasse chegaria, quando as consequências do regime fizessem vítimas fatais, como  já vinha acontecendo. O fato é que a situação na Venezuela passou a exigir mais do que uma tomada de posição, mas ações a requererem coragem e coerência. Por isso, os bispos venezuelanos buscaram a audiência com o papa, a fórceps, o que ocorreu em 8 de junho de 2017, como conta McGurn: “… uma reunião de seis bispos que foram obrigados ao horário de Francisco, quando eles voaram para Roma em junho – sem serem convidados.”

Os prelados levaram a Francisco a posição da realidade, como salientou o Pe. Raymond J. de Souza, no Crux: “Não há mais nenhuma dúvida. Maduro preside um regime desonesto que está matando seu próprio povo em defesa de uma ideologia socialista desacreditada. Por que o papa Francisco procuraria permanecer neutro entre esse regime e as massas sofredoras?” E então, os bispos apresentaram concretamente a lista dos mortos do regime de Maduro (muitos jovens), e disseram que não há como ser ambíguo nessa questão, pois do contrário a Igreja perderia credibilidade. A pressão dos bispos venezuelanos, portanto, foi decisiva para a Secretaria de Estado do Vaticano ter rechaçado a Constituinte de Maduro.

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12 agosto, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: O escândalo dado pelo Sacerdote, pecado enorme por sua natureza.

Nosso caríssimo padre Élcio está de recesso por dois meses para tratamento de saúde, pelo que pedimos suas orações. Durante sua ausência, republicaremos suas colunas mais importantes – a que segue foi publicada originalmente em 27 de fevereiro de 2016.

* * *

“O que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurassem ao pescoço a mó dum moinho, e que o lançassem no fundo do mar” (S. Mateus XVIII, 6)

“É inevitável que venham escândalos, mas ai daquele homem pelo qual vem o escândalo” (S. Mateus  XVIII, 7).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

1 – O Sacerdote escandaloso é o grande inimigo de Deus. – Ofende à Santíssima Trindade, persegue-A, se assim posso exprimir-me, com uma impiedade que horroriza. O Eterno Pai elegera-o, para fazer conhecer e honrar o seu nome, para publicar e fazer observar a sua lei, para trazer à sua obediência as almas desgarradas, e confirmar no seu amor as almas inconstantes, para lhe preparar um povo de escolhidos, fazendo-o reinar sobre os corações; para isto o prevenira com as bênçãos da sua graça, o enchera de seus benefícios. Este Sacerdote tinha aceitado tão nobre missão, e prometido solenemente consagrar-lhe toda  a sua existência; ora, se chega a escandalizar, que faz ele? Combate contra a causa de Deus que prometer defender. Longe de submeter ao Senhor os súditos fiéis; longe de induzir os homens a respeitar o seu nome,  leva-os a blasfemá-lo; em lugar de o fazer reinar sobre os corações, expulsa-o deles; em lugar de lhe preparar escolhidos, é para o inferno que os recruta!

LaSalette08Deus Filho, Redentor das almas, confiava no Sacerdote, para lhes aplicar os merecimentos da sua morte e do seu sangue. Para isto o revestira de inefáveis poderes, e lhe pôs nas mãos todos os tesouros da sua misericórdia; pois a essas almas, remidas por tão alto preço, não só as deixa perder, mas ainda, à vista do seu Salvador, as fere, mata e precipita na eterna condenação; aniquila para elas a obra da Redenção!

Deus Espírito Santo tomara-o para seu instrumento. Queria servir-se dele, para combater o pecado, purificar as almas, e fazer delas outros tantos templos onde morasse com o Eterno Pai e com o Filho:  “Viremos a ele e nele faremos morada” (S. João XIV, 23); e o Sacerdote escandaloso, em vez de auxiliar estes misericordiosos desígnios, destrói-os; em vez de arruinar o império do pecado, estende-o e consolida-o; em vez de purificar as almas, mancha-as; e fecha para Deus esses templos espirituais de que era guarda, e abre-os para o demônio! Não é isto fazer à Santíssima Trindade uma guerra cruel e pérfida?

2- O Sacerdote escandaloso é inimigo das almas. – Constituindo-nos seus ministros, Deus queria que cooperássemos para as salvar. Temos rigorosa obrigação; de guiá-los e ampará-los; de levantá-los, se caem; e de empregar na sua santificação todos os meios que foram postos à nossa disposição. Como cumpre o Sacerdote escandaloso esta obrigação? Nós só temos acesso junto das almas, pela confiança que lhes inspiramos; que confiança pode inspirar aquele que prega uma moral, e pratica outra? Entre as palavras que dizem: “Não façais o eu  faço”, e as ações que clamam: “Não acrediteis o que eu digo”, advinha-se o que impressionará mais fortemente os espíritos, talvez já mal dispostos. Os corações corrompidos autorizam-se em suas desordens como o exemplo daquele que devia reprimi-las. E as almas simples não temerão perder-se, seguindo os maus exemplos do guia que Deus lhes deu. E neste caso, onde parará a licença de costumes? Quando à tendência que leva o homem a imitar tudo o que vê, vem juntar-se o impulso das paixões: o mau exemplo é uma torrente, que rompe todos os diques. Mas, se esta corrente se precipita dos mais altos montes, o seu curso será ainda mais impetuoso, e os estragos mais extensos; a alteza da nossa dignidade é a medida do mal causado com os nossos escândalos. O arbusto, ao cair, a nada causa dano; mas o carvalho frondoso esmaga, na sua queda, tudo o que encontra debaixo de si. Assim, o sal da terra tornou-se um princípio de corrupção, para os que ele devia conservar na inocência; a luz do mundo, que devia dirigir  as almas nos caminhos da virtude, mete-as nas alfurjas do vício; o Pastor de almas que devia defender o seu rebanho, faz nele uma horrível carnificina.

3- O Sacerdote escandaloso é o maior inimigo da Igreja. – Uma só queda no Santuário pode ter consequências incalculáveis. O mundo, tão indulgente para si, é inexorável para os ministros do Senhor. Ao mesmo tempo que desculpa os seus próprios crimes, não perdoa aos Sacerdotes uma fraqueza. E muito longe de encobrir, com o seu silêncio, os escândalos que neles vê, publica-os aos quatro ventos. Fá-los correr de paróquia em paróquia, de diocese em diocese. Perpetua-os, e dá-lhes uma espécie de imortalidade, bem lamentável.

O mundo quereria que durasse cem anos, e talvez até ao fim dos séculos, muitas almas pequem, se pervertam e se condenem, em consequência de um pecado cometido por um sacerdote escandaloso. A censura que faz cair sobre o seu mau proceder, recai indiretamente sobre todos os membros do Clero. Imputa os mesmos vícios aos que exercem as mesmas funções. Chega até a tratar como fábulas, as verdades mais sagradas, só porque é testemunha da sua oposição com os costumes daquele que as ensina. Se este Sacerdote, dizem, cresse o que prega, portar-se-ia assim? Eis, pois, a honra do Clero manchada, o zelo dos bons Sacerdotes paralisado, a piedade destruída, os sacramentos abandonados ou profanados, a fé quase extinta em vastas regiões, milhares de almas perdidas em consequência dos escândalos dados por um Sacerdote e um Pastor de almas. (…) “Vae homini illi!” Ai daquele homem por quem vier o escândalo! Se, ó Deus, todo-poderoso, se castigais de um modo tão terrível o escândalo dado a um só dos vossos filhos, que suplício reservais àquele que tiver escandalizado as multidões, e os povos?

E  o escândalo pode ser dado de de três maneiras diferentes: 1-  De intenção e perversidade; 2- De tibieza e de negligência; 3- De leviandade e de imprudência.

1º) Escândalo de intenção e de perversidade. – O homem do Santuário, que leva o esquecimento dos seus deveres até espalhar em volta de si um cheiro de morte, justifica de sobra a máxima: Corruptio optimi pessima = a corrupção do ótimo é péssima. Todavia, quando falamos do escândalo de intenção, não afirmamos que alguém perca as almas, pelo gosto de as perder. Este escândalo que é propriamente o de Satanás, só seria possível em um sacerdote que atingisse o último grau de perversidade. Mas, sem chegarmos a este ponto, sabe-se que certa palavra, certa ação, certo procedimento são capazes de ferir a consciência do próximo; vêem-se as consequências funestas, que de certo pecado podem resultar para a honra do Sacerdócio, e não se recua, comete-se. Este desgraçado Sacerdote ilude-se a si, para pecar livremente; abusa até da autoridade, do ascendente que lhe dá o seu estado, para abalar uma virtude, de que ele devia ser o amparo. (…)

2º) Escândalo de tibieza e negligência. – Este inspira menos horror que o primeiro; mas as consequências podem ser também deploráveis. Ai! e quão comum é ele! Se os costumes de um sacerdote não são um modelo, tornam-se um perigo; se não ensina a piedade com sua vida, inspira, autoriza, multiplica o vício. A vida do Sacerdote deve ser a censura não só das desordens públicas, mas ainda das falsas virtudes, que o mundo desejaria substituir às virtudes evangélicas. A sua separação de tudo o que é profano; sua modéstia, sua santidade devem recordar incessantemente aos seculares: que os verdadeiros cristãos são homens mortos para si mesmos, cuja vida está escondida com Jesus Cristo em Deus. Já conhecemos as exigências do mundo em matéria de santidade sacerdotal. Quer que o ministro de Deus seja um Anjo, isento de todo o defeito, adornado de todas as virtudes; se vê qualquer coisa de menos, admira-se, escandaliza-se. Se há exageração nas suas ideias neste ponto, esclareçamos os juízos do mundo, mas não os desprezemos. Relações com os seculares, funções desprezadas ou mal exercidas. Oh! quão numerosas são as ocasiões de escândalo, para um homem do Santuário, par um pastor de almas!

3º) Escândalo de leviandade e de imprudência.  É uma grande vitória para o inimigo das almas, se pode servir-se, para as perder, daqueles mesmos que Deus elegera para as salvar. Pouco lhe importa o modo como o auxiliam os ministros do Senhor; a leviandade e a imprudência servem-lhe quase tão eficazmente como o crime. Na realidade, a falta de prudência e de circunspeção nunca é inocente em um homem encarregado de interesses tão graves, e obrigado, por tantas leis, a uma vida que deve ser a mais séria e refletida. A um Sacerdote não se lhe admite, tão facilmente como a qualquer pessoa, a desculpa de que não pensava nisso; pois ninguém, tanto como ele, deve considerar atentamente o que diz e faz, quando, e em presença de quem o diz e o faz. Não basta que seja santo, é necessário que o mostre, e o mostre em tudo. Uma pergunta, uma palavra indiscreta, um gracejo, uma leviandade, em passo inconsiderado, têm sido muitas vezes semente de escândalo, desgraçadamente muito fecunda. Quantos eclesiásticos, em seu trato com o mundo, em suas viagens, mesmo no interior de sua casa, no meio das crianças e sobretudo no meio de pessoas de outro sexo, etc, porque desprezam precauções que a malignidade tornou indispensáveis, dão lugar a suspeitas, que ofendem a honra do Clero, e vêm a ser ocasião de ruína para as almas.

(Artigo extraído do livro “MEDITAÇÕES SACERDOTAIS” de autoria do R. P. Chaignon, S. J.).

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9 agosto, 2017

A Venezuela e o Superior dos Jesuítas.

Por Pedro Rizo, Periodista Digital, 2 de novembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: A Venezuela auspicia se tornar a sucessora da Cuba Castrista, como uma nova plataforma de ação revolucionária-marxista-comunista para toda a América Latina. Basta ir até lá e conhecer de perto através de seus próprios agentes aquilo que um turista acidental não pode ver. Testemunhas objetivas que conhecem os que foram comprados — Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador… tendem a igualar o ambiente das comunidades “trabalhadas” com o mais sinistro do bolchevismo.

superior jesuita

Padre Arturo Sosa Abascal (à esquerda da foto) “reza” com budistas.

E o pior nas atuais circunstâncias é o surgimento de um novo Superior Geral da Companhia de Jesus, um venezuelano, que não parece tanto um substituto natural do Padre Adolfo Nicolás, mas muito mais um reforço para “flagelo satânico do comunismo” com” objetivos intrinsecamente perversos” para toda a América Latina de tradição cristã. Os termos entre aspas são do Papa Pío XI. (cfr. Divini redemptoris).

Há alguns anos, este escritor costumava visitar a Casa de Retiro dos Jesuítas aposentados em Alcalá de Henares, sempre no dia 31 de Julho. Eu tinha um débito de gratidão e reverência para com alguns padres jesuítas que me dedicaram impagável aconselhamento durante minha juventude. Muitos ainda estavam vivos quando Hugo Chávez assumiu o poder na Venezuela. E uma vez que haviam ali residentes que por muito tempo realizaram trabalho missionário pela América, naturalmente cheguei a tomar conhecimento através de um deles de algo que merece ser reportado, ou seja, que quando o Coronel Chávez cumpria prisão no cárcere de Yera por causa de sua primeira tentativa de golpe, foi visitado uma ou duas vezes por semana por um padre jesuíta. Foram dois anos e três semanas que renderam muito fruto, visto que foi esse Jesuíta que o instruiu no populismo que hoje impera na Venezuela. Não me revelaram o nome dele, mas…

Será que ainda existe a Companhia de Jesus? 

Essa é a pergunta: será que eles ainda existem? Há décadas que a América indígena está sob ação missionária de orientação marxista-leninista, principalmente por parte dos jesuítas. O que pesa hoje mais do que nunca na ordem de Santo Inácio é essa sua fixação entre esses dois abismos, entre o paganismo e o Evangelho. Uma vertigem que é mais do que evidente no atual ocupante da Santa Sé, “chame-me Jorge”.

Seria necessário  propor um estudo sobre as origens desta deriva para o comunismo que tanto infectou os jesuítas. Alguns indícios já são conhecidos.

Em 1938, Pedro Arrrupe, o pupilo de Juan Negrín, (1) finalmente obteve o seu tão solicitado posto para as cidades da área de Kobe, a maior e mais florescente concentração judaica no Japão, perto de Hiroshima e Nagasaki.

Padre Arrupe confrontou com admirável determinação a enorme ferida causada pelas bombas atômicas, sendo imediatamente reconhecido como Superior da Companhia no Japão. Anos mais tarde, visitou os Estados Unidos e viajou por toda a América hispânica, conectando-se com as suas missões, uma vez que criava redes de apoio para o seu projeto de ação revolucionária. (Cf. Malachi Martin, Jesuítas ; De la Cierva, Puertas del Infierno).

Um notável padre, Bartolomé Sorge, SJ, (2) no final da Congregação Geral XXXII (1975), com muita razão, detectava que a Companhia havia se dividido em duas: a “A”, Inaciana, e a “B”, sob o jargão de Opção preferencial pelos pobres. Justamente em 1974, o Padre Arrupe veio a substituir o Padre Janssens como Superior Geral e com seu impulso estendeu por toda a Ordem o Modernismo, ou seja, aquele conjunto de atitudes perante a Fé que São Pio X condenou como a síntese de todas as heresias. Naqueles anos 70, quem governava a Igreja era Paulo VI — Giovanni Batista Montini, irmão de Ludovico e Francesco, esse último brigadista de Stalin na Guerra Espanhola, que veio a dar continuidade à obra de João XXIII, e que não foi por acaso um discípulo e admirador de Ernesto Buonaiutti, líder do Modernismo, duas vezes suspenso de sua docência e finalmente excomungado.

O magnífico patrimônio histórico — realidades patrimoniais que pertencem à Igreja –teria ficado mofado devido a um falso prestígio (teológico?) e bem acompanhado por uma linguagem deplorável e demagógica.

Sobre a história recente do que antes podia ser chamada a Companhia de Jesus se somaram tantas interpretações que ninguém sabe qual se enquadra com a realidade. Uma imprecisão que se manifesta tanto nas mudanças de seus Superiores como na deriva do Cristianismo e a ascensão vertiginosa do materialismo. Uma dura realidade que é confirmada pela eleição do venezuelano Arturo Sosa Abascal, o novo Superior.

Sobre ele é necessário que se leia algo interessante.

Circulou por esses dias uma carta aberta em inglês — de alguém que o conhece em suas características mais reveladoras. Então, resolvi destacar alguns parágrafos da mesma.

Há muito tempo que conheço o Padre Arturo Sosa Abascal. (…)

Em primeiro lugar, ele fez do marxismo os óculos através dos quais ele vê tudo, incluindo o magistério católico (que ele chama simplesmente de “fé cristã”). Juntamente com muitos outros jesuítas na Venezuela, ele vem trabalhando há décadas para montar comunidades cristãs de base, comprometidas com a construção de sociedades socialistas na América Latina (…) Comunidades que vivem o marxismo e o cristianismo (…) Completada essa tarefa, o Padre Sosa agiu para reconstruir esta teologia comprometida com as “bases” , como um princípio e guia.

Princípio e guia que se expressa em toda a “Nova Evangelização”: livros, catequese, homilias, aulas, boletins… tudo e muito mais, transmissor  do”ensino” que se segue:

A fé cristã significa ser capaz de se aproximar “do outro”, ou seja, “dos pobres”, “do oprimido”, que se convertem no alvo da “mira”.

Estes alvos da mira são diluídos em um marxismo de combate… leninista. Naturalmente, “em defesa dos pobres,” sem dúvida … Por favor! Sim, esse é o meio mais eficaz para erradicar o Cristianismo! Uma instrumentalização retórica que deixa o pobre mais pobre do que já era. Cumpre-se assim a advertência do mestre Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido como Lenin: “Não há necessidade de elevar o nível dos pobres, pois senão eles voltarão a morder a mão que os alimenta”.

Se quisessem realmente trabalhar pelos pobres, ajudariam-nos e educariam-nos no estilo antigo da Companhia de Jesus, ajudando-os a levantar a cabeça, a ganhar uma vida digna e segura. Um cristão mergulhado na pobreza quer mais é deixar de ser pobre e não que os ricos percam a sua riqueza. Muito menos confiscá-la. Para mais e melhor dizer, não inveja as riquezas que são medidas apenas com dinheiro, mas sim aquela riqueza segura fundamentada na felicidade de uma boa consciência. De fato, esses últimos são invejados por aqueles ricos apenas de dinheiro. Sabemos que é mais rico em sua nobreza e em sua educação cristã o servo fiel em sua casa e na sua paróquia do que o dissoluto presunçoso em sua fortuna herdada. “Pobrezinho do meu patrão, ele pensa que o pobre sou eu”!

No entanto, erro por erro, o novo Superior dos Jesuítas ensina:

Assim, a fé é mediada por outros grupos de homens. O homem de fé tem uma abordagem científica à realidade e deve escolher qual abordagem científica a adotar (Conceito importante:. ‘Científico’, sugerindo que seja algo indiscutível e axiomático). A fé deverá ser mediada por essa opção. Portanto, neste momento da história (a história presumida pelo Pe. Sosa,), a mediação correta é a do marxismo, porque o marxismo é a abordagem científica libertadora, já que é a melhor maneira de desmascarar os poderosos e guiar a luta dos pobres.

Como teólogo liberacionista, ele rejeita a transcendência do Reino de Cristo, ele propõe uma salvação política, adota o materialismo e até mesmo o ateísmo e concorda que o Cristianismo deve libertar o povo politicamente, como fez Moisés com Israel.

É devastador pensar que o desertor da mais alta patente da década de 1970, Ion Mihai Pacepa tenha revelado em 2015 para a ACIprensa seus pontos de vista sobre a conexão entre a União Soviética e a teologia da libertação. Sua declaração repetiu o que seu superior até 1956, o general soviético Aleksandr Sakharovsky, chefe do serviço de inteligência estrangeiro na Roménia entre 1956-1971, falava da Teologia da Libertação como um sistema desenvolvido pela KGB para subverter a população ameríndia.

Dos trabalhos do jesuíta Sosa Abascal sobre o marxismo, vale a pena ler seu artigo “A mediação marxista da fé cristã”.  O título que já traz um Cristo com um par de pistolas: a filosofia mais materialista e ateísta tomada como viaduto da religião cristã. Se estes homens são sinceros, eles estão loucos; se eles não estão, é porque não são mais Católicos.

Mas terminemos de ler a carta:

Em 1989, houve uma revolta popular em Caracas devido ao trabalho de um ministro esquerdista da Economia. Descobriu-se mais tarde que Fidel Castro estava por trás disso. As “Comunidades de base” dos jesuítas trabalharam ativamente e a rádio dirigida pelos jesuítas desempenhou um papel subversivo ativo. Assim, eles tornaram-se corresponsáveis pela morte de 2.000 pessoas.

Mais tarde, os jesuítas favoreceram ativamente a chegada da Revolução Chavista (o que vem comprovar a ação na prisão Yera). Houve padres que se opuseram a Chavez, é verdade. E alguns muito fortemente. (…) em abril de 2002. Enquanto Chávez foi derrotado por um par de dias, ouviu-se o Padre Sosa proclamando que os “cristãos” das comunidades de base defenderiam a Revolução até a morte e que a “direita” (?) iria conhecer a força da Revolução”.

Este homem, que trabalhou toda a sua vida para reinterpretar o Cristianismo a partir de uma abordagem marxista, que não só ficou na “teoria”, mas que foi diretamente revolucionário, é que os jesuítas elegeram agora como seu Superior geral. (…)

E o autor da carta termina, pois, contrastando as supostas metas com resultados reais:

Em busca de quê esses revolucionários ainda se agitam? Na Venezuela, eles sistematicamente destruíram as infra-estruturas de produção, a agricultura, a indústria, a administração pública, os tribunais, os hospitais, as escolas e até mesmo a indústria de energia que sustenta o país. Eles já assassinaram milhares de pessoas, mantêm o país em uma fome desastrosa nunca antes vista em tal escala nas Américas. Em busca do que eles estão…? Provavelmente, a única explicação é a seguinte: a destruição completa do mundo de Deus, a fim de construir um “Novo Mundo” na História … (Sem Deus)

Que Deus nos proteja do submundo revolucionário.

Que Deus transforme os corações e abra os olhos de seu povo.

E acima de tudo que Cristo proteja a sua Igreja.-

Comentário final:

A deriva marxista da ‘Companhia B’ povoada hoje em dia por loucos de prestígio, ou seja, a Arrupiana da opção preferencial pelos pobres, é tão comprometida com essas metas que se faz urgente enfrentá-la; essencialmente pela desidentidade que nela está encerrada.

Para muitas boas cabeças, tal transformação indica que a Ordem Inaciana já não existe mais. De modo que fingir que ela ainda existe induz ao erro e ao suicídio. Ou à esquizofrenia entre o que se vê e o que não se quer ver. Porque dizer que se serve ao Evangelho trabalhando por uma revolução explosiva, destrutiva e violenta é absolutamente perverso. Que o Bispo de Roma, Francisco, antes Jorge Mario Bergoglio, faça declarações equiparando o comunismo ao Cristianismo, é uma ofensa cuja medida nos escapa se formos comparar ao número de mártires, prisões, coerção… Sua desqualificação chega tarde demais, pois agora já é inevitável uma desinfecção geral com cirurgia invasiva.

E é que não executar as ações devidas, calar sem vergonha e covardemente, acaba por obscurecer de tal modo as consciências dos fiéis, que no Dia do Juízo será mais difícil se apresentarem como fiéis.

—- – –

(1) Juan Negrín presidiu o governo da Segunda República Espanhola e a Frente Popular, de 1937 a 1939. Era a figura mais controversa da Guerra Civil Espanhola. “A figura de Negrin foi objeto de intenso debate em seu tempo. Ele se comportou como um servo fiel da conspiração comunista pago pela URSS. “(Wikipedia) Visitou Arrupe numa  viagem anterior a partir de Madrid para Bilbao treze horas trem- para não abandonar a carreira de Medicina, o que explica viagem tão pesada , seu futuro político brilhante. O futuro político brilhante e as razões para o seu abandono para entrar no noviciado em Loyola, só eles sabiam, mas é muitomais  eloquente a satisfação Dr. Negrin quando eles se separaram com um abraço “Sempre me caiu bem” (Uma explosão na Igreja, Pedro Miguel Lamet).

(2) Civilta Cattolica 1974: “XXXII della Compagnia Generale Congregazione de Jesus. O preparazione e le attese “Volume IV, 1974, p.424 para p.434 de e P.526 para p.539. Uma boa biblioteca acessível na Companhia.

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8 agosto, 2017

Uma Refutação do Neoateísmo.

Acaba de sair pelas Edições Cristo Rei o livro A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo, do tomista americano Edward Feser.

O livro tem como ponto de partida a constatação de que os quatro principais nomes do neoateísmo (Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens) não passam de meros palpiteiros quando o assunto é religião e teologia. Porém, Feser não se preocupa apenas em demonstrar isso.

Ele aprofunda a discussão para mostrar que ideias nefastas como as que são defendidas por esses quatro escritores só se tornaram possíveis por causa do abandono da noção de causalidade final na filosofia. Temas como aborto, “casamento” gay, materialidade do intelecto e tantas outras aberrações só se tornaram aceitáveis para muitas pessoas porque alguns dos principais filósofos do período moderno simplesmente viraram as costas para Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Santo Tomás.

Feser deixa claro, por meio de uma argumentação sólida, que o retorno à sanidade depende do retorno à filosofia aristotélico-tomista. O primeiro capítulo do livro pode ser lido na íntegra aqui: https://issuu.com/edicoescristorei/docs/miolo-ultima-supersticao_amostra_

O livro pode ser adquirido com 10% de desconto no site da editora: http://www.edicoescristorei.com.br

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Atenção: Toda divulgação comercial em FratresInUnum.com é sempre e absolutamente gratuita, contanto que útil à Igreja, e deve ser enviada para fratresinunum[arroba]gmail.com

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6 agosto, 2017

Foto da semana.

Tovar, Venezuela, domingo, 30 de julho de 2017: Os Padres José Torres e Omar Vergara intervêm e pedem aos membros da Polícia Nacional Bolivariana que parem a repressão contra manifestantes opositores do governo de Nicolas Maduro, permitindo que os feridos recebessem auxílio médico. Naquele domingo, o ditador Maduro promovia uma votação fraudulenta para eleger uma nova Assembleia Constituinte, em meio à grande oposição da população venezuelana e da opinião pública internacional.

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27 julho, 2017

O “calcanhar de Aquiles” do pontificado de Francisco.

Por Catarina Maria B. de Almeida | FratresInUnum.com

Un café con Galat”. É assim que se chama o programa da TV Teleamiga, emissora de orientação católica de Bogotá, que está dando dores de cabeça ao episcopado colombiano.

O programa leva o nome de seu apresentador, José Galat, acadêmico e presidente do canal televisivo e da Universidade La Gran Colombia, que resolveu se colocar na contramão do pontificado de Francisco.

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Galat alega que o Papa argentino não teria sido legitimamente eleito e que favoreceria abertamente a heresia na Igreja Católica. Até aí, nenhuma novidade.

Acontece que a Conferência Episcopal Colombiana emitiu um “Comunicado” em que afirma que, “ao rechaçar a sua sujeição ao Papa e ao ferir gravemente a comunhão da Igreja, incorre-se em um cisma”, e solicita “àqueles que participam em outros espaços do canal, ainda que com a intenção de servir à evangelização, a deixar esta colaboração” e exorta aos “sacerdotes e religiosos que deixem todo tipo de apoio a este canal”. Além disso, proíbe a transmissão da Santa Missa pela emissora e pede que os fieis deixem de assisti-la.

Como se isso não bastasse, Mons. Pedro Mercado Cepeda, Vigário Judicial da Arquidiocese de Bogotá e Presidente do Tribunal Eclesiástico, tirando as consequências da declaração dos bispos, afirmou à agência de notícias Aciprensa que, “com sua irada resposta ao episcopado e seu contumaz rechaço ao Papa Francisco, o Dr. José Galat se colocou fora da comunhão da Igreja Católica”, estando, portanto, “excomungado”, não devendo “ser admitido aos sacramentos até dar mostras claras de arrependimento”.

Diante de uma reação tão clamorosa, cabem algumas considerações.

Por que os bispos nunca defenderam os papas anteriores, Bento XVI, João Paulo II e, inclusive, Paulo VI? Nunca se viu uma Conferência Episcopal tomar medidas tão drásticas contra um canal de televisão ou mesmo contra um teólogo, quando o assunto foi obediência ao Sucessor de Pedro. No Brasil, Leonardo Boff sempre foi o queridinho dos bispos. Quem esquecerá a rebelião promovida por episcopados inteiros (como ignorar a infame declaração de Winnipeg da Conferência Episcopal do Canadá?) contra Paulo VI, por causa da Humanae Vitae, ou as críticas ásperas de Benhard Häring ou do Cardeal Martini a João Paulo II e a Bento XVI no final de suas vidas?… Algum episcopado se manifestou? Nenhum!

Os que outrora criticaram abertamente os papas anteriores agora são bajulados pelos defensores de Francisco e, inclusive, por ele mesmo. Na 36a. Congregação Geral da Companhia de Jesus, o primeiro Papa jesuíta elogiou rasgadamente Bernhard Häring, como bem documenta a revista La Civiltà Cattolica. Em seu primeiro Angelus, ele também louvou publicamente o Cardeal Kasper, grande articulador de sua eleição e seu estreito colaborador em Amoris Laetitia. Kasper que, outrora, desafiava escancaradamente a autoridade de João Paulo II e do então Cardeal Ratzinger ao criticar de maneira contundente a declaração Dominus Iesus. Francisco também não economizou elogios ao maior antagonista de João Paulo II e Bento XVI, o Cardearl Carlo Maria Martini, arcebispo emérito de Milão, seu confrade jesuíta. Ultimamente, circulam rumores de que Francisco teria convocado Leonardo Boff, um de seus colaboradores em Laudato Si, para reparar as “injustiças” que o então Cardeal Joseph Ratzinger teria cometido contra ele. Parece que atacar o Papa não é algo tão reprovável assim, desde que o atacado não seja Francisco.

Aqueles que defenderam os papas anteriores e por eles perderam a fama, a honra, o prestígio, os bens, agora são considerados cismáticos pelo simples fato de criticarem os críticos daqueles mesmos papas, mas que, agora, estão no controle da Sé Apostólica. Como já é tradição, os progressistas pregam a libertação e a fraternidade como desculpa para perseguirem todos os seus opositores, praticando uma misericórdia seletiva, que exclui decididamente qualquer um que ouse pensar diferentemente deles. Em tempos nos quais os adúlteros são admitidos publicamente à comunhão eucarística numa cerimônia realizada exclusivamente para isso, o diretor de uma TV católica é excluído dos sacramentos por questionar Francisco. Em outras palavras, Papa Francisco seria mais importante que Cristo Eucarístico! Estaríamos diante de uma idolatria?

Toda a doutrina católica pode ruir. Parece que o único dogma existente na Igreja de hoje é não contrariar o Papa Bergoglio!

Mas, resta uma pergunta: por que uma reação tão desproporcional? A resposta parece estar no fato de que Galat tocou no tema tabu, naquele sobre o qual ninguém pode falar nada: a eleição de Francisco.

Deixando de lado a estranha renúncia de um papa que não renunciou ao título, à batina branca, ao nome, à residência no Vaticano, que afirmou que renunciava apenas ao “exercício ativo do ministério” (afirmação tão misteriosa que talvez nem ele mesmo tenho entendido), cujo secretário afirmou que “há um ministério expandido” e Bento continua a ser papa reinante simultaneamente com o outro, e tudo em circunstâncias enigmáticas em que parecem ter intervindo poderes extraeclesiais, fixemos nossa atenção brevemente na eleição de Francisco.

Na biografia autorizada de Papa Bergoglio, a jornalista argentina Elisabetta Piqué conta que ele foi eleito no quinto escrutínio do dia 13 de março de 2013, pois o quarto escrutínio do dia teria sido anulado (visto que, na contagem dos votos, havia uma cédula em branco a mais, que algum dos eleitores teria colocado por engano) e os cardeais teriam realizado imediatamente uma nova eleição (a quinta do dia, a terceira daquela tarde).

Acontece que a Constituição Universi Dominici Gregis, que regula o Conclave, estabelece que “se porventura, no apuramento dos votos, os escrutinadores encontrarem duas fichas dobradas de maneira tal que pareçam preenchidas por um único eleitor, e se em ambas figura o mesmo nome, elas contam por um único voto; se, pelo contrário, nelas figuram dois nomes diferentes, nenhum dos dois votos será válido; em nenhum dos casos, porém, será anulada a votação” (n. 69).

Ali se estabelece, também, que no primeiro dia do Conclave “haverá um só escrutínio; nos dias sucessivos, se a eleição não se fizer no primeiro escrutínio, deverá haver duas votações, tanto da parte da manhã como da tarde” (n. 63). O quinto escrutínio seria, então… ilegal?

Essas normas não são sem importância, pois, como afirma categoricamente o mesmo documento, “no caso de a eleição ser feita de uma forma diversa daquela prescrita na presente Constituição ou sem terem sido observadas as condições aqui estabelecidas, tal eleição é por isso mesmo nula e inválida, sem necessidade de qualquer declaração, e, portanto, não confere direito algum à pessoa eleita” (n. 76). Em seu livro Non é Francesco, Antonio Socci comenta longamente o problema.

Nem falemos sobre a máfia de St. Gallen, o grupo de cardeais que fez um bloco de resistência a Bento XVI e desde 2005 trabalhava pela eleição de Bergoglio, cuja chefia orgulhosamente foi confessada em plena televisão pelo Cardeal Danneels, da Bélgica.

Renúncia misteriosa, conclave irregular?… Por que tanto medo à crítica? Por que um silenciamento tão enérgico? Essa demonstração de força pode revelar, no fundo, uma fraqueza. Não seria esse o ponto fraco deste pontificado: a legitimidade? Talvez, José Galat nem sonhe com quem está mexendo…

Fato é que a verdade tende a aparecer. Pouco serve esconder o defunto no fundo do rio: numa bela manhã, o cadáver aparece.

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22 julho, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Sertum Laetitiae.

Nosso caríssimo padre Élcio está de recesso por dois meses para tratamento de saúde, pelo que pedimos suas orações. Durante sua ausência, republicaremos suas colunas mais importantes – a que segue, foi publicada originalmente em 14 de maio de 2016.

* * *

“Quem busca a lei será cheio de bens; mas quem obra com simulação, nela achará ocasião de tropeço” (Eclesiástico XXXII, 19).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“SERTUM LAETITIAE” é uma Carta Encíclica que o Papa Pio XII escreveu em 1º de novembro de 1939 à Hierarquia Eclesiástica dos Estados Unidos da América. Depois de louvar o progresso espiritual daquele país, passa a mostrar os males a serem combatidos.

Eis o que a respeito diz o grande Pio XII:

Pio XII“Queremos, todavia, que o nosso louvor seja salutar. A consideração do bem já obtido não deve levar à inércia do ócio, nem produzir deleites de vã glória nos espíritos, mas acender novos ardores no combate contra o mal e solidificar com maior firmeza todas as obras salutares, úteis e dignas de louvor. O cristão que respeita a dignidade do seu nome nunca deixa de ser apóstolo; o soldado de Cristo jamais há de sair do combate, de cuja participação somente a morte o pode arrancar. Bem conheceis onde deve ser mais atenta a vossa vigilância e que programa de ação traçar ao trabalho dos sacerdotes e fiéis, para que a Religião de Cristo, removidos os óbices, senhoreie os espíritos, oriente os costumes, e, causa única da salvação, penetre os refolhos íntimos e as próprias veias da sociedade civil.

Muito embora os progressos dos bens exteriores e materiais, nos confortos melhores e mais copiosos que dele provêm para a vida, não se devam desprezar; não obstante, de modo algum são eles suficientes para o homem, nascido para coisas melhores e mais sublimes. Feito à imagem e semelhança de Deus, a Deus anela por inelutável impulso da alma, sempre triste e inquieto, se escolhe colocar seu amor onde não está presente a verdade suma e o infinito bem. De Deus afastar-se é morrer, para Deus converter-se é viver, em Deus permanecer é iluminar-se; a Deus, porém, não se chega com atravessar espaços corpóreos, mas sob a direção de Cristo, pela plenitude de uma fé sincera, intemerata consciência, e vontade reta, pela santidade das obras e pela obtenção e uso de uma liberdade genuína, cujas sagradas normas foram promulgadas pelo Evangelho. Se, ao contrário, se desprezam os divinos mandamentos, não só não se obtém a felicidade posta além do breve espaço de tempo assinado à existência terrena, mas vacila a própria base na qual assenta a verdadeira civilização da humanidade, e só se devem esperar lastimáveis ruínas; é que os caminhos que levam à vida eterna são a força viva e seguro alicerce das realidades temporais.

Como, de feito, podem ter garantias o bem público e o decoro da civilização, se se subverte o direito e se despreza e ridiculariza a virtude? Acaso não é Deus a fonte e o sustentáculo do direito? O inspirador e prêmio da virtude? Ele, a Quem nenhum legislador se assemelha (Cf. Job 36, 22)? Em toda parte  –  segundo a confissão de homens sérios  –  é esta a raiz amarga e fértil de males: o desconhecimento da divina majestade, a negligência dos preceitos morais oriundos do alto, uma lamentável inconstância que hesita entre o lícito e o ilícito, o bem e o mal. Daí o cego e imoderado amor próprio, a sede dos prazeres, o alcoolismo, as modas dispendiosas e impudicas, a criminalidade mesmo de menores, a ambição do poder, a negligência com relação aos pobres, a cupidez de riquezas iníquas, o abandono dos campos, a leviandade em contrair o matrimônio, os divórcios, a desagregação das famílias, o resfriamento do mútuo afeto entre pais e filhos, a desnatalidade, a degenerescência da raça, o enlanguescimento do respeito para com as autoridades, o servilismo, a revolta, a negligência dos deveres para com a pátria e para com o gênero humano. Elevamos, além disso, a voz de nosso paterno lamento, porque ainda em tantas escolas frequentemente se despreza ou se ignora a Jesus Cristo, restringe a explicação do universo e da humanidade ao naturalismo e racionalismo, e se ensaiam novos sistemas educativos, dos quais não se podem esperar senão tristes frutos para a vida intelectual e moral da Nação.

A vida doméstica, outrossim, se, observada a lei de Cristo, floresce de verdadeira felicidade, assim também, quando repudia o Evangelho, perece miseravelmente e é devastada pelos vícios. “Quem busca a lei será cheio de bens; mas quem obra com simulação, nela achará ocasião de tropeço” (Ecli 32, 19). Que pode haver na terra mais jucundo e alegre que a família cristã? Nascida junto ao altar do Senhor, onde o amor foi proclamado santo vínculo indissolúvel, consolida-se e cresce no mesmo amor que a graça suprema alimenta. E então “é por todos honrado o matrimônio e imaculado o tálamo” (Heb 13, 4); as paredes tranquilas não ressoam de litígios nem são testemunhas de secretos martírios pela revelação de astutos manejos de infidelidade; a solidíssima confiança mútua afasta o espírito das suspeitas; no recíproco afeto de benevolência se aliviam as dores, e acrescentam-se as alegrias. Lá os filhos não são considerados peso insuportável, senão dulcíssimo penhores; nem uma condenável razão utilitária ou a procura de estéril prazer fazem que se impeça o dom da vida e que caia em desuso o suave nome de irmão e irmã.

Com que solicitude cuidam os pais que cresçam os filhos não apenas fisicamente vigorosos, senão que, seguindo a tradição dos antepassados, que lhes são frequentemente relembrados, sejam adornados da luz que lhes comunica a profissão da fé puríssima e a honestidade moral! Comovidos por tantos benefícios, os filhos cumprem seu máximo dever, isto é, honram a seus progenitores, secundam os seus desejos, sustentam-nos na velhice com seu auxílio fiel, tornam jucundas suas cãs com um afeto que, inalterado pela morte, no céu se há de tornar ainda mais glorioso e completo. Os membros da família cristã, não queixosos na adversidade, não ingratos na prosperidade, sempre estão plenos de confiança em Deus, a cujo império obedecem, a cujo querer se confiam, cujo socorro jamais esperam em vão. Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho  – buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por divino direito afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa (…). (…) Nada mais feliz pode haver para cada homem, cada família e cada nação, do que obedecer ao Autor da salvação, seguir seus mandamentos, aceitar o seu Reino, no qual nos tornamos livres e ricos de boas obras: “Reino de verdade e vida, reino de santidade e graça, reino de justiça, amor e paz” (Prefácio da Missa de Cristo Rei). (Apenas excertos da encíclica “Sertum Laetitiae”).

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18 julho, 2017

As alegações sobre um escândalo de orgia homossexual regada a drogas na Santa Sé.

Seja qual for a verdade exata por trás dessa história sinistra e perturbadora, ela expõe o comportamento gravemente pecaminoso que vem ocorrendo dentro do Vaticano e que um elevado membro da Cúria revelou que “nunca esteve pior”.

Por Edward Pentin, National Catholic Register, 8 de julho de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: De acordo com relatos da mídia secular, a polícia do Vaticano interrompeu uma orgia homossexual regada a drogas em um apartamento do Santo Ofício. Mas quão verdadeiro é tudo isso?

Palácio do Santo Ofício

Palácio do Santo Ofício

A notícia foi divulgada pela primeira vez em um artigo do dia 28 de junho no jornal italiano Il Fatto Quotidiano: a polícia do Vaticano teria invadido um apartamento no mesmo edifício da Congregação para a Doutrina da Fé, onde descobriram drogas pesadas e um grupo de homens engajados em atividade homossexual. A partir daí, outros proeminentes veículos de comunicação de língua Inglesa  passaram a publicar os detalhes extensivos que haviam sido publicados pelo Il Fatto Quotidiano .

O artigo afirma que o ocupante do apartamento era o Secretário do Cardeal Francesco Coccopalmerio, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, o mais importante dicastério de Direito Canônico da Igreja.

O relatório afirma ainda que a área do edifício era reservada não apenas para monsenhores, mas funcionários superiores da Cúria, sugerindo que o secretário tinha amigos influentes em postos altos para garantir um apartamento tão prestigiado.

Outros residentes no Santo Ofício teriam reclamado sobre um fluxo constante de jovens do sexo masculino no local e das festas barulhentas no apartamento do secretário – queixas que motivaram a incursão policial. Outras suspeitas foram levantadas também quando outros viram o secretário, que é um monsenhor da Diocese de Palestrina, perto de Roma, tendo acesso a um carro de luxo com placa do Vaticano, que supostamente lhe permitia trazer drogas para o Vaticano, sem nunca ter sido interpelado pela polícia.

O artigo prossegue dizendo que depois do flagrante policial, o secretário foi levado para a clínica Pio XI em Roma, onde foi submetido a tratamento de desintoxicação por consumo excessivo de cocaína. Em seguida ele foi enviado para um mosteiro em um local desconhecido na Itália.

O autor do artigo, Francesco Antonio Grana, disse que Papa Francisco, cuja residência se localiza em Santa Marta, apenas a 500 metros de distância do Santo Ofício, estava ciente da batida policial e da prisão do monsenhor em questão. Grana aponta também para o fato de que a entrada principal para o Santo Ofício se abre para o território Italiano e por isso está fora do controle da Guarda Suíça e da polícia do Vaticano.

“Qualquer um, de dia ou de noite, pode entrar no Vaticano livremente através desta entrada sem estar sujeito a qualquer controle”. Grana observou, acrescentando que isso faz do prédio do Santo Ofício “um local perfeito para desfrutar dos privilégios de extraterritorialidade, sem ter que passar pelo controle tanto do Estado Italiano como aqueles da Cidade do Vaticano “.

Ele também revelou que o cardeal Coccopalmerio havia supostamente recomendado, sem sucesso, que seu secretário fosse promovido a bispo.

O Vaticano se recusa a discutir essa história sinistra. Laura Signore, secretária do comandante da polícia do Vaticano, Domenico Giani, disse ao Register no dia 30 de junho que, “como é de costume”, o comandante da polícia “não pode emitir qualquer tipo de declaração ou conceder entrevistas.”

Ela acrescentou que o artigo “seriamente falta com a verdade” e recomendou que entrássemos em contato com a Sala Imprensa da Santa Sé para obter mais informações.

Vaticano não confirmará

O porta-voz da Santa Sé,  Greg Burke, deixou claro que ele não confirmará as alegações de orgia e não respondeu quando perguntado se ele poderia confirmar tudo ou apenas parte do que foi relatado na reportagem do Il Fatto Quotidiano. Perguntado mais tarde se o Vaticano poderia comentar quando a história houver atingido repercussão global, Burke preferiu permanecer em silêncio.

No dia 6 de julho, o Register chamou o secretário em questão em seu telefone celular, mas ele instantaneamente se recusou a falar quando soube que estava falando com um jornalista, murmurando palavras de  efeito: “Olha, eu não posso falar”, e desligou.

Enquanto isso, um membro proeminente e confiável da Cúria disse ao Register que ele ouviu de “fontes múltiplas” que a história é verdadeira, inclusive de outros membros elevados da Cúria.

Ele disse que a extensão de práticas homossexuais dentro do Vaticano “nunca esteve pior”, apesar dos esforços iniciados por Bento XVI para erradicar desvios sexuais da Cúria depois do escândalo Vatileaks de 2012.

Uma autoridade do Vaticano que de vez enquando costumava saudar o secretário do cardeal Coccopalmerio, disse ao Register que havia notado que ele não tinha visto o secretário pelo menos por dois meses, e antes que ele desaparecesse, tinha emagrecido muito.

O Register também contactou o Cardeal Coccopalmerio no dia 06 de junho diretamente via e-mail, perguntando se ele poderia confirmar a história, mas até agora ele não respondeu.

Os detalhes precisos dos eventos relatados na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), portanto, permanecem uma questão em aberto, mas a essência da história parece ser verdade. Se assim for, muitos considerariam tal comportamento ocorrido no Santo Ofício não apenas injusto, mas também altamente sacrílego.

O edifício do Santo Ofício, que também hoje é o lar de algumas religiosas, bem como a CDF, remonta ao século 16. De 1908 a 1965, a CDF era conhecida oficialmente como a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício e seu objetivo era “difundir a sã doutrina Católica e defender aqueles pontos da tradição cristã que parecem estar em perigo por causa de doutrinas novas e inaceitáveis.”

Desde o pontificado de Bento XVI, o dicastério Vaticano também se tornou responsável por tratar casos de abuso sexual clerical, embora deva ser salientado que esse escândalo parece não ter tido nada a ver com a Congregação.

O Papa Francisco abordou a questão da homossexualidade no Vaticano anteriormente, e, em particular, a existência de um lobby gay. Retornando da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013, ele disse que ainda que estava pra ver “qualquer um no Vaticano que poderia me dar um cartão de identidade escrito GAY. Mas dizem que eles estão lá “.

Depois de dizer que todos os lobbies são ruins, ele citou o ensinamento do Catecismo contra a marginalização de pessoas homossexuais, dizendo: “Se uma pessoa é gay, busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”

No ano passado, o Cardeal Oscar Maradiaga, um conselheiro próximo ao papa Francisco, reconheceu a presença de um “lobby gay” no Vaticano e disse que “pouco a pouco o Papa está tentando purificá-lo.”

Elmar Mäder, um ex-comandante da Guarda Suíça entre 2002-2008, disse no ano passado que existe “uma rede de homossexuais” dentro do Vaticano,  após uma série de alegações sobre padres homossexuais que trabalham na Cúria. “Eu não posso refutar a alegação de que existe uma rede de homossexuais”, disse ele. “Minhas experiências indicam a existência de tal coisa”, afirmou ao jornal suíço Schweiz am Sonntag.

Até mesmo os demônios se repugnam 

À luz do mais recente escândalo e da situação atual, um ex-oficial instou os leitores a recordar as advertências de Nosso Senhor sobre os atos homossexuais, especialmente entre os sacerdotes, como foi explicado por Santa Catarina de Siena em seus diálogos escritos como se ditados pelo próprio Deus.

A mística medieval, co-padroeira de Roma e Doutora da Igreja, transmitiu essas palavras numa época em que um grande número do clero havia caído em pecado grave.

Esses sacerdotes, Nosso Senhor disse a Santa Catarina, não apenas falham em resistir às suas naturezas decaídas “mas fazem ainda pior quando eles cometem o pecado amaldiçoado contra a natureza [atos homossexuais].”

“Como o cego e estúpido, cuja luz do entendimento foi se esvaindo, eles não reconhecem a doença e miséria em que se encontram”, Nosso Senhor continuou, acrescentando que eles não apenas fazem com que Deus se sinta nauseado, “mas causam repugnância até mesmo aos demônios, a quem estas miseráveis criaturas escolheram como seus senhores”.

Ele acrescentou que “esse pecado contra a natureza é tão abominável que apenas por causa dele, cinco cidades foram destruídas, em virtude do julgamento da minha Justiça Divina, que já não podia mais suportá-las”. O Senhor disse a Santa Catarina que mesmo os demônios sentem “repulsa ao ver um pecado tão grande sendo cometido.”

Como remédio, Santa Catarina relata Nosso Senhor dizendo:

“Nunca deixe de oferecer-me o incenso perfumado das orações para a salvação das almas, porque Eu quero ser misericordioso para com o mundo. Com suas orações, suor e lágrimas, eu lavarei o rosto da minha noiva, a Santa Igreja. Eu mostrei-lhe antes seu rosto como de uma donzela cujo rosto estava todo sujo e deformado como se fosse uma leprosa. O clero e toda a Cristandade são os culpados disso por causa de seus pecados, apesar de receberem seu alimento do seio dessa noiva.”.

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28 junho, 2017

Instituição católica quer indenização milionária por vídeo do Porta dos Fundos.

Esquete ‘Céu Católico’ faz piadas com Deus e é considerada ‘criminosa’ pelo Centro Dom Bosco.

O Estado de São Paulo, 26 de junho de 2017 – O canal Porta dos Fundos está sendo processado por uma instituição católica do Rio de Janeiro, o Centro Dom Bosco, que solicita uma indenização de cerca de R$ 5 milhões, tendo como base R$ 1 real para cada visualização no vídeo Céu Católico (4,8 milhões no momento em que a ação foi ajuizada; até a publicação desta matéria, o vídeo contava com mais de 4,920 milhões).

O Centro afirma estar amparado no artigo da constituição federal referente à inviolabilidade do direito à liberdade religiosa e no artigo do código penal sobre vilipêndio a culto. O processo está registrado na 46ª Vara Cível da Comarca da Capital, no TJ-RJ.

Na esquete do vídeo, Rubens (Luis Lobianco), um homem que acaba de morrer, chega ao céu e se depara com Deus (Fábio Porchat), que chama Hitler (Gregório Duvivier) para lhe mostrar como são as coisas no paraíso.

O homem então descobre que regras de conduta baseadas no antigo testamento seriam os critérios para a entrada no céu. Seu tio-avô, que o molestou quando criança, havia ido ao céu por ter se arrependido do que fez. Já sua mãe, que comia crustáceos (como lagostas e camarões) foi direto ao inferno, assim como seu pai, que trabalhou em dia santo e falou o nome de Deus em vão.

Ao fim do vídeo, o antigo líder fascista italiano Benito Mussolini também consta entre os nomes do céu, enquanto Gandhi, Martin Luther King e o papa João Paulo II teriam ido ao inferno.

Os autores do processo afirmam que o vídeo “atenta contra princípios consagrados em nossa constituição […], devidamente tipificado como crime em nosso Código Penal”.

Procurada pelo E+, a assessoria do Porta dos Fundos ainda não tinha mais informações sobre o caso até o fechamento desta matéria.

Confira também a nota enviada pelo Centro Dom Bosco ao E+:

“Procede, sim, a informação de que o Centro Dom Bosco entrou com um processo contra o ‘coletivo’ de humor Porta dos Fundos.

Estamos devidamente amparados no Artigo 5º da Constituição Federal (inviolabilidade do direito à liberdade religiosa) e no Artigo 208º do Código Penal (vilipêndio a culto).

O Centro Dom Bosco apresenta, em sua petição, jurisprudência nacional e internacional. Neste último caso, trata-se de uma notória decisão da Corte Européia de Direitos Humanos (caso Otto-Preminger-Institut x Áustria).

Temos total confiança em que tanto a indenização por danos morais quanto o pedido de retirada do ar do vídeo ‘Céu Católico’ (no site do Porta dos Fundos no Youtube) serão levados em consideração pela magistrada que julgará o processo.

No caso da indenização, trata-se de medida pedagógico-punitiva em vista da amplíssima difusão do referido vídeo do Porta dos Fundos, o qual atenta contra princípios consagrados em nossa Constituição. Cite-se também o fato de o conteúdo do vídeo estar devidamente tipificado como crime em nosso Código Penal.”

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16 junho, 2017

Academia para a Vida: clientelismo no Vaticano.

Publicada ontem a lista dos 45 novos membros ordinários da Academia Pontifícia para a Vida, além de cinco membros honorários.

Por Lorenzo Bertocchi, La Nuova Bussola Quotidiana, 14 de junho de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Instituída por João Paulo II em 11 de Fevereiro de 1994, a Academia tem como objetivo a “promoção e defesa da vida, sobretudo na relação direta que tem com a moral cristã e as diretrizes do Magistério da Igreja.” Desde agosto de 2016, o presidente nomeado pelo Papa Francisco passou a ser Dom Vincenzo Paglia, ex-presidente do antigo Conselho Pontifício para a Família, que foi agora incorporado ao novo Dicastério para os leigos, família e vida pelo cardeal americano Kevin Farrel.

Dom Paglia, ao mesmo tempo, tornou-se também chanceler do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, uma outra criação do papa polonês, que visa a defesa e promoção da família segundo o plano de Deus. No documento que nomeia Paglia para o duplo papel, o Papa deu as diretrizes para o desenvolvimento dessas instituições importantes, “Desde o Concílio Vaticano II até hoje, o Magistério da Igreja sobre essas questões se desenvolveu de uma maneira ampla e aprofundada. E o recente Sínodo sobre a Família, com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, expandiu e aprofundou ainda mais o seu conteúdo. É minha intenção que o Institutos colocados agora sob sua orientação se empenhem de maneira renovada no aprofundamento e  na divulgação do Magistério, confrontando-os com os desafios da cultura contemporânea”.

Amoris Laetitia, novo paradigma

A Pontifícia para a Vida foi, sem dúvida, a instrução da Doutrina da Fé Donum Vitae, publicada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, em 1987. Juntamente com a famosa encíclica Humane Vitae do Beato Paulo VI, a instrução coloca uma base muito sólida na defesa da vida e do autêntico amor humano. Hoje, o ponto de referência principal passou a ser Amoris Laetitia, com sua mudança de foco pastoral que muitos percebem como uma verdadeira mudança de paradigma na teologia moral, e por isso capaz de “reformar” muitas abordagens que derivam do magistério anterior. Não sabemos se a nomeação de novos membros ordinários levaram em conta essa interpretação de renovação, mas certamente nos oferecem diferentes perspectivas para reflexão.

Os demitidos

Luke Gormally (Inglaterra), Josef Maria Seifert (Áustria) e John Finnis (EUA), são três nomes que desapareceram da lista de membros da Pontifícia Academia e todos os três eram críticos abertos de algumas passagens da exortação Amoris Laetitia. A mesma sorte tiveram dois ativistas pró-vida conhecidos internacionalmente, Maria de Mercedes Arzu de Wilson e Christine De Marcellus Vollmer, que estão entre os primeiros membros da Academia diretamente nomeadas por João Paulo II e também críticas de certas posições de Francisco sobre a Vida e Família.

Chama a atenção também a  exclusão de Thomas William Hilgers (EUA), ginecologista conhecido especialmente por seus estudos sobre métodos naturais de contracepção. Sua exclusão, pelo que tudo indica, é um duro golpe para a encíclica Humanae Vitae e a Instrução Donum Vitae, visto que ele sempre foi fidelíssimo ao Magistério e um duro adversário contra a contracepção e fecundação assistida.

Outros excluídos são Philippe Schepens (Bélgica), figura bem conhecida entre os médicos católicos de seu país e da Europa por sua defesa apaixonada da ética médica hipocrática; Jaroslav Sturma (República Checa), psicólogo e psicoterapeuta, o único até agora, juntamente com o alemão Manfred Lütz (esse sim reconfirmado como membro ordinário), representante dessas disciplinas entre os Ordinários da Academia, excluído provavelmente porque se alinha o mais próximo possível de psicólogos e psicoterapeutas que consideram a homossexualidade um transtorno mental-emocional e são contrários às teorias de gênero e LGBT. Excluídos também foram os dois italianos, Domenico Di Virgilio e Gianluigi Gigli.

Os confirmados

Francesco D’Agostino (Presidente Honorário do Comitê de Bioética), Adriano Pessina (Diretor do Centro de Bioética da Universidade Católica), John Haas (presidente do Centro de Bioética da National Catholic US), ligado à poderosa Conferência Episcopal dos EUA e amigo do Cardeal Farrell, Mons. Angel Rodriguez Luno (Professor de teologia moral na Universidade Pontifícia da Santa Cruz e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, o qual é muito escutado pelo cardeal Mueller), Carl Albert Anderson (EUA, Presidente dos Cavaleiros de Colombo, que até agora têm generosamente financiado tanto a  Academia como o Pontifício Instituto João Paulo II), Jean-Marie Le Mene (Francês, presidente da Fundação Jérôme Lejeune, que cuida da difusão do pensamento e obras do primeiro presidente da Academia, cuja causa de beatificação foi aberta); Mons. Daniel Nlandu Mayi (Congo) bispo e presidente do Serviço de Educação Central para a Vida do Congo.

Trata-se, em quase todos estes casos, de personalidades que têm posições, por assim dizer, “clássicas” no campo da teologia moral, mas também são “figuras muito diplomáticas”, que dificilmente serão capazes de se posicionar abertamente contra a corrente.

Duas confirmações de outro perfil e sã doutrina são, certamente, os holandeses Cardeal Willem Jacobus Eijk e o Arcebispo Australiano de Sidney Dom Anthony Colin Fisher. Teremos que descobrir como eles vão se comportar neste novo contexto.

Novidades

A primeira inovação importante é a entrada de Angelo Vescovi, que tem um ótimo relacionamento com Dom Paglia. O biólogo e farmacologista italiano é o diretor científico da Casa Alívio do Sofrimento em San Giovanni Rotondo (cargo para o qual o próprio Paglia não economizou palavras). Ele se ocupa, em particular, da pesquisa com células-tronco adultas, mas, de acordo com os especialistas em publicações da área, ele jamais se expressou contra as pesquisas com células tronco embrionárias feitas por seus colegas. Alguns anos atrás, chegou mesmo a estar envolvido em um incidente macabro que ocorreu na Universidade Bicocca de Milão. No laboratório do qual ele era responsável, foi encontrado um feto humano morto com idade aparente de 4-5 meses. Ele falou de “sabotagem” e não houve consequências penais.

Nova nomeação é também a do filósofo americano Nigel Biggar, EUA. De acordo com relatórios do Catholic Herald, em um diálogo com Peter Singer, em 2011, sobre o aborto, ele disse que “não está claro se o feto humano é o mesmo tipo de coisa que um adulto. Torna-se então uma questão de onde vamos traçar a linha”.

Existe ainda a nomeação de não-católicos, como o japonês Shinya Yamanaka, Professor e Diretor do Centro de Pesquisa e Aplicação de células-tronco da Universidade de Kyoto, Prêmio Nobel de Medicina de 2012; o Professor Judeu Avraham Steinberg (Israel, Diretor de Ética da Medicina no Centro Médico Shaare Zedek, em Jerusalém, Diretor do Conselho Editorial da Enciclopédia talmúdica) e o Árabe Tunisiano Professor Mohamed Haddad, professor de Civilizações árabes e Religiões Comparadas junto ao Instituto Superior de Línguistica da Univerisade de Cartago, na Tunísia.

Em geral, o que saem das conversas dos salões sagrados é que os novos filósofos e teólogos moralistas recém-nomeados são mais relativistas sobre questões como a contracepção, a fertilização in vitro, orientação sexual, eutanásia passiva e outras questões delicadas. Por exemplo, o professor italiano, padre Maurizio Chiodi, Professor de Teologia Moral Fundamental no Instituto Superior de Ciências Religiosas, em Bergamo, e na Faculdade Teológica do norte da Itália, em Milão, em suas palestras e conferências nunca escondeu críticas a muitos aspectos do ensinamento da Humanae vitae e da Donum vitae, e também contra alguns parágrafos da Evangelium vitae.

Os membros honorários

Eles são Cardeal Carlo Caffara, o espanhol Monsenhor Carrasco de Paula e o Cardeal Elio Sgreccia, presidentes eméritos da Pontifícia Academia, a Senhora Birthe Lejuene, viúva do primeiro presidente da Academia Pontifícia para a Vida, o Servo de Deus Jérôme Lejeune, e Juan de Dios Vial Correa, Magnífico Reitor emérito da Pontifícia Universidade Católica de Santiago de Chile (Chile).

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