Posts tagged ‘Atualidades’

18 julho, 2016

Pro Civitate Dei.

Por Anthony Tannus Wright | FratresInUnum.com:  No mês passado, entre 30 de maio e 05 de junho, ocorreu a segunda edição do Pro Civitate Dei Summer School no sul da França, no pequeno vilarejo de la Londe-les-Maures. Organizado pela Fraternidade São José Custódio, com o apoio do Dom Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon, o evento teve dois objetivos: primeiramente, discutir a crise política do mundo moderno, levando-se em consideração as orientações da encíclica “Immortale Dei” de Leão XIII; em segundo lugar, aplicar os princípios autênticos da doutrina social da Igreja no campo da economia e da política.

Neste ano, o seminário contou com diversos palestrantes americanos, dois sul-americanos e dois franceses. Dentre os americanos pode-se destacar Gregory Di Pippo, editor do New Liturgical Movement; Dr. Eric Hewit, fundador do Instituto de línguas clássicas Paideia e o Dr. Justin Stover, pesquisador do All Souls College da Universidad de Oxford. Da argentina esteve presente o Pe.Arturo Ruiz, do Instituto do Verbo Encarado, a quem foi encarregada a tarefa de explicar a teologia evolutiva de Teillhard de Cardin. O chileno Mathew Taylor, por sua vez, ficou responsável por explicar a concepção católica de economia.

Todos os participantes eram fiéis leigos, sendo a grande maioria proveniente dos Estados Unidos, de renomadas faculdades como Princeton, Notre-Dame e Harvard. Outros vieram de faculdades católicas como o Christendom College e o Thomas More College.

Além das diversas conferências, os participantes tiveram a oportunidade de visitar a Ilha de Porquerolles, conhecer a Basílica de Saint Maximin la Sainte Baumeonde se encontram o crânio e o ossos de Santa Maria Madalena e apreciar um concerto de órgão tocado por Mr. Peter Carter, aluno do Westminster Choir College.

Todos os dias se rezava os ofícios de laudes, vésperas e completas conforme o Breviarum Romano e também era oferecido ao público a oportunidade de ir a uma Missa cantata ou Missa solemnis.

A Fraternidade São José Custódio (FSJC) é uma Associação Publica de Fiéis de direito diocesano e está a caminho de se tornar um Instituto de Vida Consagrada. Seus membros são divididos em dois ramos: masculino e feminino. Ambos pretendem viver a vida de perfeição da caridade através dos laços da vida comunitária com profissão dos votos religiosos de castidade, pobreza e obediência.  Em janeiro de 2010, convidados por Dom Dominique Rey, bispo da diocese de Fréjus-Toulon, a FSJC fundou um seminário e uma nova casa de missões na França. Em 19 de março do mesmo ano, a comunidade foi reconhecida pelo bispo como Associação Pública de Fiéis.

28 junho, 2016

Campinas, SP: Rosário em reparação aos ultrajes ocorridos na Basílica do Carmo.

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Informações sobre o ultraje aqui.

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22 junho, 2016

“As mais belas novas igrejas do mundo”. Segundo o jornal da Conferência Episcopal Italiana.

Eis as novas igrejas mais belas do mundo.

Por Avvenire | Tradução: FratresInUnum.com: É Rafael Moneo, Prémio Pritzker em 1996, o vencedor da sexta edição do Prêmio Internacional de Arquitetura Sagrada “Frate Sole”, fundado pelo Padre Costantino Ruggeri.

Moneo segue Tadao Ando, Alvaro Siza, Richard Meier, John Pawson e Cristián Undurraga. O famoso arquiteto espanhol, nascido em 1937, foi premiado por unanimidade pelo júri por sua Iglesia de Jesu, construída entre 2007 e 2011, em San Sebastián. A arquitetura, que o próprio Moneo define como “generosa no espaço e muito modesta em materiais”, se destaca  (interna e externamente) pelas paredes brancas, um elemento que lembra a cor dominante das flores do parque das proximidades e especialmente as importantes construções racionalistas presente em San Sebastián.

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A igreja tem uma planta em formato de cruz, construída dentro de um quadrilátero maior, mas realizada assimétrica para “refletir as tensões do mundo de hoje”. E destaca-se pela iluminação superior natural. Nos espaços que complementam a figura, encontram-se à esquerda a sacristia e o batistério e à direita a Capela do Santíssimo Sacramento e a da Reconciliação.

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O segundo lugar foi para a nova igreja da paróquia Ka Don, em Don Duong, Vietnã, construída em 2014 pelos arquitetos Vu Thi Thu Huong e Nguyen Tuan Dung com materiais simples como madeira e ferro que valorizam a relação com a natureza e a transparência entre o espaço interno e o ambiente externo. A igreja recorda a estrutura tradicional das casas da população que vive ao longo da margem sul do rio Da Nhim.

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A terceira classificada é a igreja paroquial da Santíssima Trindade, em Leipzig, projetada pelo estúdio de arquitetura alemã Schulz und Schulz. É a maior igreja católica construída na antiga Alemanha Oriental após a queda do muro. Fica no local de um antigo lugar de culto que foi destruído pelas bombas da Segunda Guerra Mundial, em frente à prefeitura, no centro da cidade. Os arquitetos trabalharam sobre a relação da história com o lugar, a escolha do material como o pórfiro, pedra porosa, mas muito dura, com a qual foram construídos os monumentos mais importantes da cidade.

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O complexo arquitetônico tem uma forma triangular. Na parte oriental está a igreja, e ao sul se conecta a uma capela e à sacristia. Na parte ocidental do piso térreo há um grande salão para a comunidade. No plano superior os apartamentos para os sacerdotes e para hóspedes. A torre do sino atinge uma altura de 50 metros.

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O júri também decidiu dar duas menções especiais para a capela de São João Batista, construída em pedra e madeira no bairro berlinense de Johannisthal e projetada pelo estúdio de arquitetura alemão Brückner & Brückner, e a capela de San Juan Bautista do arquiteto espanhol Alejandro Beautell, em Tenerife.

Rafael Moneo e os outros quatro finalistas receberão o prêmio durante uma cerimônia que terá lugar em Pavia no próximo 04 de outubro, por ocasião da festa de São Francisco de Assis.

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21 junho, 2016

Onde é o nosso lugar? Um Católico ex-gay faz uma reflexão sobre o massacre de Orlando.

Por Joseph Sciambra, 15 de junho de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Quando eu me mudei para o  bairro de Castrom em San Franciscom em 1988, eu não poderia ter escolhido um momento pior na história para me assumir como um homem “gay”. Era o auge da crise da AIDS. Só naquele ano, mais de 4.800, em sua maioria homens “gays”, morreram de AIDS nos EUA. No ano seguinte, o número de mortes só fez triplicar. Entrando na década seguinte, minha vida aparentemente exuberante tornou-se constantemente interrompida, na medida em que eu era forçado a ficar completamente sem ação quando um após outro belo e esperançoso jovem descia silenciosamente à sepultura.

Alguns desses rapazes falecidos eu conheci muito bem, enquanto outros estavam entre os incontáveis vultos que roçavam contra o meu corpo nas penumbras das casas noturnas. Alguns, eu mal consigo lembrar, pois eles existiam apenas como um catálogo ou coleção de homens quase sem rosto com quem eu tinha passado alguns momentos. Eles eram aqueles que por vezes eu anonimamente me aninhava ao lado. Atos de mútuo desespero compartilhados mutuamente nos juntavam, e inevitavelmente nos separavam. Frequentemente, eu só iria reconhecê-los na morte. No entanto, nenhum de nós queria que fosse assim. Nenhum de nós fez a passagem para o estado de “gay querendo morrer”, não mais do que aqueles aparentemente belos e esperançosos jovens que numa certa noite foram a uma boate local.

Mas, para minha geração, o que nos juntou, mesmo no meio da epidemia da AIDS, era uma necessidade coletiva de sermos aceitos; às vezes, por qualquer pessoa. Pois, muitos de nós crescemos como meninos solitários e assustados, incertos de quem éramos num nível mais básico de identidade. Mas, como filhos dos anos 70,  da era das discotecas, onde os ícones “gays” emergiam da cultura pop pela primeira vez, por volta da minha adolescência e como ávido fã da cantora Madonna – eu já não me sentia envergonhado por quem eu achava que eu era. No entanto, como os homens “gays” perfazem no máximo  cerca de 4% da população, encontrar parceiros e amigos iguais, especialmente em uma cidade relativamente pequena, não era uma tarefa muito fácil.

Assim, quando eu completei 18 anos, com o coro das vozes masculinas no refrão da música do Village People “Go West” tocando sem parar no meu cérebro, eu fui para San Francisco para estar entre os da minha própria espécie. O primeiro lugar que eu fui parar foi numa boate “gay” – uma espécie de lugar mágico com uma grande pista de dança lotada, tomada quase de forma consistente por homens incrivelmente atraentes. Mais cedo, naquela mesma noite, andando pela Rua Castro, como um turista perdido de fora da cidade, a música do Pet Shop Boys ecoando no ar, levou-me diretamente para a porta daquela boate. No interior, tudo o que eu sempre desejei fundia-se em um mundo fantástico de total felicidade: o menino que todo mundo rejeitava, o garoto magricela que ficava jogado de lado, a pequena fada triste que só queria brincar com os outros meninos, tornou-se, de repente, o objeto de atração; homens bonitos e viris me compravam bebidas e empurravam-se uns contra os outros a fim de jogarem-se em cima de mim. Ao contrário do mundo em geral, do qual eu tinha acabado de escapar – havia consistência e harmonia ali; havia ocasionalmente algumas discussões ou brigas de bêbados e inúteis, mas, no geral, todos se davam bem. Para mim, isso era a Verdade.

Eu vejo agora as fotos dos mortos, e eles me fazem lembrar dos homens que eu conheci – que morreram de AIDS há muito tempo atrás. Eles, também, achavam que a cena “gay” era o lugar onde eles pertenciam. Quando é que a Igreja Católica dará as boas-vindas a estes homens?  Mas, não com falsas platitudes sobre “ter nascido gay”. Nós precisamos ser acolhidos na Igreja –  mas com a Verdade e com o Amor.

No entanto, para além deste espaço público, também havia recantos escuros na boate, onde muitas vezes os homens escapavam para se relacionar uns com os outros. Olhando para trás agora, eu posso ver como todos nós estávamos desesperados por amor e aceitação, pois ficar esfregando uns contra os outros na pista de dança nunca foi suficiente. Às vezes, esses breves encontros deixavam-me sentindo um vazio, mas só antes, porque antes eu estava sozinho, e agora já não estava mais. Porque esses ambientes “gay” forneciam esperança de que  eu não era o único, e que, entre outros que sentiam o mesmo que eu sentia, ser “gay” fazia todo o sentido. Estávamos à procura de uma identidade, e a comunidade “gay” fornecia-nos uma que se encaixava como uma luva. E, por um tempo – eu fui muito feliz. Eu me sentia em casa, e queria que nunca acabasse.

Mas, acabou. De repente, embora sempre reconheci a realidade da AIDS pairando no ar – eu imaginava que era algo que acontecia com outras pessoas, mas jamais comigo ou meus amigos. Mas então as pessoas que eu conhecia muito bem, começaram a ficar doentes e morrer. Era aleatório e rápido. Alguns de nós começou a perder a conta. E eu me perguntava por que eu estava aqui; porque estávamos todos aqui. Será que estávamos todos de alguma forma marcados para morrer?  Seria o desconhecido Deus da minha infância um senhor cruel que nos odiava e queria todo homem gay destruído?

Estas questões enormes, enquanto simplesmente tentava sobreviver ao massacre – naquele  momento, eu não podia sequer começar a compreender. Mais tarde, quando conquistei uma certa medida de calma e paz, percebi que todos os que entram em alguma boate gay ou bar, ou mesmo uma sauna gay ou sex clube, é porque eles não tem mais para onde ir. Não importa o que fizemos para nós mesmos, nenhum de nós merecia morrer. Só que fizemos, e, embora estivéssemos aterrorizados, ficamos a nos perguntar – para onde mais poderíamos ir?

Eu me tornei maior de idade no período pós-conciliar da Igreja na década de 70. Naquela época, uma espécie de indiferença aparentemente benigna permeava todos os aspectos da educação Católica. Isto criou uma adesão rigorosa à teoria subjetiva segundo a qual todas as doutrinas e ensinamentos multisseculares da Igreja são inerentemente relativos a certos indivíduos e situações. Essencialmente nos disseram para cada um criar o seu próprio Jesus pessoal – para fazer o nosso próprio mundo; e foi isso  exatamente o que fizemos. Quanto a mim, eu criei o meu próprio “mundo gay e um deus “gay”. Quando a AIDS começou a chegar cada vez mais perto de mim – eu pensei que o Deus que eu havia criado tinha se voltado contra mim.

O flagrante fracasso de toda a hierarquia católica nos EUA de agir rápida e decisivamente na repressão contra a dissidência generalizada, especificamente no tocante a filosofias altamente errôneas sobre a homossexualidade, tornou-se materializada em um homem principalmente: Padre John J. McNeill. Além dele, haviam outros altos dissidentes “gays” na década de 70, ou seja, Bispo Raymond Hunthausen, o falecido padre Robert Nugent e irmã Jeannine Gramick; dos três, Gramick ainda está viva e ativa – causando estragos tanto fora como dentro da Igreja.

Eu nunca esquecerei um amigo querido, uma das vanguardas “gay” do movimento, que se assumiu naquela época revolucionária dos anos 70, e que repetidamente recomendava, quando ele descobriu que eu tinha sido criado como Católico, o livro best seller de McNeill : “A Igreja e o homossexual”. Meu amigo, que me disse que ele tinha uma vez vacilado incessantemente sobre sua um pouco atrasada “saída do armário” como um” homem gay”, e que pois se assumiu após  ter completado 20, disse que Padre McNeill confirmou que suas dúvidas recorrentes eram infundadas. Ele apontou para algo em especifico que Padre McNeill tinha escrito: “Os seres humanos não escolhem sua orientação sexual; eles descobrem-na como algo dado. “Ele leu em voz alta para mim passagens detalhando a afirmação de Padre McNeill segundo as quais os atos sexuais cometidos entre pessoas do mesmo sexo eram tão” santos “como aqueles entre homens e mulheres. Até então, ele estava, pelo que eu poderia dizer, talvez em sua terceira ou quarta relação “estável”. Mas, como eu disse a ele, minha geração havia crescido sem qualquer amarra persistente pesada, cultural, social ou religiosa sobre a sexualidade. Eu simplesmente sabia que eu era “gay” e sabia onde era o meu lugar. Meu amigo acabaria morrendo de Aids alguns anos mais tarde.

Eu nunca contraí o HIV, no entanto, passei a maior parte da década de 90 em um ciclo constante de antibióticos, tentando, às vezes inutilmente, evitar as infecções sexualmente transmissíveis intermináveis que continuavam correndo pelo meu corpo. Quando eu abandonei o mundo “gay”, não por qualquer escolha, mas por causa da realidade iminente da morte, eu inexplicavelmente, e quase que imediatamente, fui falar com um padre católico.  Eu contei pra ele tudo que eu havia feito e vivido na última década e como eu queria deixar San Francisco e Castro. Quando eu terminei de falar, ele soltou um suspiro e disse: “Mas, você nasceu gay, que é onde você pertence.” Ele criticou alguns dos meus métodos, que eu tinha vivido minha vida enquanto “gay” de uma forma um pouco irregular e irresponsável e que eu deveria tentar “sossegar” com um homem só.

Hoje analisando alguns pontos, vejo que muitos sacerdotes e prelados concordariam com ele. Um recentemente disse: “Eu acredito que as pessoas nascem da maneira que elas nascem e eu creio que Deus nos cria como nós somos.” Mas, ainda mais preocupante é a seguinte declaração: “Para mim, essa inclinação é um ponto de interrogação: pois ela não reflete o projeto original de Deus e não obstante é uma realidade, porque você nasce gay”. Este é provavelmente o pior tipo de paternalismo mal orientado sob o disfarce de misericórdia liberal. É um fracasso épico: ao mesmo tempo que  parecem defender a doutrina católica, segundo a qual a homossexualidade não é parte do plano de Deus, tentam nos condenar a algo que não faz parte do plano de Deus – porque, afinal de contas “teríamos nascido gay”.

Em um salto ainda mais auto-destrutivo, imediatamente após o massacre de Orlando, um Bispo da Flórida tinha que dizer isto: “… infelizmente, é a religião, inclusive a nossa, que os tem como alvo, principalmente verbalmente, e que também gera muitas vezes desprezo pelos gays, lésbicas e transgêneros. Os ataques de hoje em homens e mulheres LGBT muitas vezes plantam a semente do desprezo, em seguida, o ódio, que pode finalmente levar à violência “.

Esta definitivamente não é a Igreja Católica e não é o que a Igreja Católica defende, apesar de que até eu tive que descobrir isso por mim mesmo depois de muitas provações e erros.  Como a maioria dos homens “gays” e mulheres que se arrastam até a Igreja – rapidamente descobri que as práticas “pastorais” a respeito da homossexualidade dependem muitas vezes de com quem você está falando; esta incerteza vinda dos sacerdotes podem causar ressentimento ou uma capitulação de volta para a nossa identidade “gay” – embora de uma forma mais circunscrita em que às vezes se abraça a castidade. Mas, uma coisa que eu sabia quase imediatamente – é que eu não quero voltar pra aquela vida. Pois, o Senhor Jesus Cristo havia me perseguido – e, na mesma noite da minha conversão, eu estava envolvido em uma cena tão tenebrosa, que comparativamente ia muito além de qualquer um dos encontros rotineiros que eu já tinha tido em banheiros de boates gays. Mas, no último momento da minha vida, me foi dada uma escolha final, e eu escolhi Ele. Mas, será que a Igreja não deveria oferecer a todos os homens e mulheres “gays” exatamente essa mesma escolha? Ou, deveríamos esperar até o momento da morte?

No entanto, em certa medida, a Igreja tem contribuído para a eventual morte de alguns homens e mulheres homossexuais, mas não da maneira como este Bispo da Flórida está propondo. Pois, é na frouxidão (e no abandono da) doutrina católica, e não por sua dureza imaginária, que a Igreja se torna cúmplice. Porque, ao não oferecer nenhuma alternativa para a identidade “gay” – isso não gera o ódio, mas sim rejeição pura e simples. Ao invés da Igreja ser um refúgio defensivo contra o caos, a incerteza e a violência do mundo, para muitos homens e mulheres “gay”, a Igreja realmente acaba simbolizando esse caos e a desunião – mesmo por sua hipocrisia, simbolizada pela lavagem de roupa em público como por exemplo, os desacordos às vezes maliciosos entre os prelados durante o Sínodo recente. Independente do que saiu no papel, a Igreja apareceu conflituosa e confusa. A incapacidade de alguns dentro da Igreja de apresentar uma mensagem clara e concisa sobre a homossexualidade tem causado muitos a desconsiderar a Igreja pura e simplesmente, e voltar-se para o único outro mundo que eles conhecem.

Infelizmente, alguns membros da Igreja, como esse  Bispo da Flórida, continuam a cometer os mesmos erros do passado, constantemente referindo-se a nós como gays, lésbicas, transgêneros e LGBT; e nós não somos nenhuma dessas coisas. Nós não nascemos “gay”, e nós não nascemos danificados. Podemos até termos sido feridos ao longo do caminho, mas, como o resto da humanidade, podemos nos recuperar e curar. Nós não pertencemos a uma identidade, não pertencemos a um movimento, e nós não pertencem a um grupo. Então não fale com a gente como se nós pertencêssemos. Nós pertencemos a Deus.

Será que tem alguém corajoso o suficiente para nos mostrar o caminho?

Eu vejo as fotos dos mortos, e eles me fazem lembrar dos homens que eu conheci – que morreram de AIDS há um longo tempo atrás. Eles, também, pensavam que “gay” era o lugar onde eles pertenciam. Quando é que a Igreja Católica dará as boas-vindas a estes homens? Mas não com falsas platitudes sobre nascer gay. Temos de ser acolhidos na  Igreja – mas com a Verdade e com o Amor.

Quarenta e nove vidas preciosas foram perdidas em uma noite, mas desde que a epidemia da AIDS começou, um número estimado de 311.087 homens “gays” com um diagnóstico de AIDS morreram, incluindo 5380 estimados em 2012.

“A pessoa humana, feita à imagem e semelhança de Deus, dificilmente pode ser descrita adequadamente por uma referência reducionista à sua orientação sexual. Cada ser humano na face da terra tem problemas pessoais e dificuldades, mas também desafios para o crescimento, pontos fortes, talentos e dons igualmente. Hoje, a Igreja fornece um contexto extremamente necessário para o cuidado da pessoa humana quando ela se recusa a considerar a pessoa como “heterossexual” ou “homossexual” e insiste que cada pessoa tem uma identidade fundamental: a criatura de Deus, e por graça, o seu filho e herdeiro da vida eterna. – Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o cuidado pastoral de pessoas homossexuais

Joseph Sciambra é blogueiro em JosephSciambra.com. Este artigo é reproduzido com permissão de seu blog.

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7 junho, 2016

Um motu proprio para remover bispos… exceto alguns.

Por Sandro Magister | Tradução: FratresInUnum.com: Sábado, 4 junho, o Motu Proprio com o qual o Papa Francisco reforçou os seus poderes de remoção de bispos acusados de “negligência no desempenho das suas funções”, em particular no que diz respeito a casos de abuso sexual de crianças, foi saudado como um enésimo passo à frente na considerada “tolerância zero” contra a pedofilia.

Na verdade, o Motu proprio tem um campo de intervenção muito mais amplo. E mais uma vez ignora o procedimento judicial – com todas as garantias que isso implica na descoberta da verdade e nos direitos da defesa – beneficiando assim uma intervenção somente por meios administrativos, discricionários, em que a decisão final cai nas mãos do papa.

Mais abaixo, o canonista Guido Ferro Canal analisa criticamente o motu proprio.

Mas, devemos também ressaltar que, em alguns casos escandalosos, o Papa Francisco já tomou uma posição, mas não contra, e sim a favor dos bispos cujo comportamento cairiam precisamente na mira de sua própria iniciativa.

O primeiro é o caso do Bispo de Osorno, no Chile, Dom Juan de la Cruz Barros Madrid, promovido àquela Sé, não obstante três vítimas o terem acusado de cumplicidade nos abusos que sofreram, e que o papa continua a defender de espada em riste;

Abuso sexual. O bispo de Osorno tem um super advogado: o Papa

O segundo é o caso  do cardeal belga Godfried Danneels, do qual veio à luz as artimanhas com as quais ele tentou acobertar, em 2010, os crimes sexuais do bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, com seu jovem sobrinho que era uma vítima:

A verdadeira revolução de Francesco é o golpe de nomeações. 

Danneels foi um dos principais membros do “Círculo de St. Gallen”, que gerou a eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa. E Bergoglio, por sua vez, o recompensou colocando-o pessoalmente no topo da lista dos Padres Sinodais, tanto em 2014 como em 2015, e promovendo como arcebispo de Bruxelas seu antigo e protegido Auxiliar Jozef De Kesel.

* * *

SÓ UM SIMULACRO DE PROCESSO

Guido Ferro Canal

O motu proprio “Como uma mãe amorosa” insiste na linha da legislação de emergência dos últimos anos, que evita o processo judicial por crimes gravíssimos,  dando preferência às formas de intervenção por via administrativa, que não podem ser impugnadas porque contam com a aprovação papal.

Neste caso, não se trata diretamente de um crime, ou pelo menos não necessariamente, mas sim de um exercício gravemente “não diligente” do ministério episcopal em relação a casos de abuso sexual de menores. Isso, todavia, não torna menos urgente a necessidade de estabelecer os fatos.

E os fatos só podem ser acertados mediante um processo.

O motu proprio refere-se ao cânon 193 § 1 do Código de Direito Canônico, que, no tocante à remoção de um bispo, prescreve observar “o procedimento definido pelo direito.” Mas o que está sendo feito agora é só um simulacro de processo.

Artigo 2 § 1 do Motu Proprio: “Em todos os casos em que aparecem sérios indícios, como previsto no artigo anterior, a congregação competente da Cúria Romana pode iniciar uma investigação de mérito”

Lembre-se: “pode” começar. Não é obrigada a fazê-lo. Esse é o princípio básico dos procedimentos administrativos, a discrição na intervenção. Não deve haver nenhuma obrigação. Ou a data em que começar. Nem uma para a conclusão.

Artigo 2 § 2: ” Ao bispo, será dada a oportunidade de se defender, o que ele fará pelos meios previstos pelo Direito. Todos os passos da investigação serão comunicados e será sempre dada a oportunidade de se encontrar com os superiores da congregação” .

Mas quais são os “passos da investigação”? Que “meios previstos pelo Direito”? Mistério. Certamente, o bispo poderá valer-se de um dos advogados da cúria romana; mas a lei canônica, lembre-se, não prevê o direito de acesso aos documentos, nem mesmo os atos de uma investigação, se essa não tem uma natureza criminal.

Se fossem seguidas as formas do processo ordinário, seria prevista a chamada “publicidade” dos atos, que permite às partes examiná-los, tirar cópias e elaborar uma defesa. Mas, em procedimentos administrativos, nada disso existe: é preciso garantir o direito de defesa, em seguida, revelar a substância das acusações, mas não necessariamente os detalhes da investigação ou as provas reunidas. Muito menos se prevê um direito ao contra interrogatório.

Estão, talvez, introduzindo uma exceção, prevendo que se comuniquem os “passos”? Parece-me que o termo refere-se muito mais à comunicação das várias fases processuais, portanto, em essência, ao início, à abertura da investigação adicional, o estabelecimento da sessão ordinária onde será tratado o caso, e a escolha final da congregação entre a adoção imediata do decreto de afastamento ou o convite para o bispo renunciar a seu cargo.

Esta escolha é substancialmente final. Claro, a decisão passará pelas mãos do papa e presume-se que não será tornada pública antes que ele tome uma decisão. Mas não é esperado uma interlocução entre o bispo e o pontífice, uma vez que seja concluída a fase na congregação.

Também não é claro se a congregação constituirá uma espécie de tribunal de primeira instância, ou se terá poderes de emitir um decreto, que permanecerá sem efeito até que o Papa tenha dado a palavra final. No primeiro caso, o papa iria aprovar “em forma específica” um ato de outros, no segundo adotaria em primeira pessoa, com a “aprovação por emanação.” Inclino-me a este último.

Artigo 5 do motu proprio:. “A decisão da congregação dos artigos 3-4 deve ser submetida à aprovação especifica do pontífice romano, que, antes de tomar uma decisão final, será assistido por um painel especial de juristas, devidamente nomeado”.

Aqui também não se sabe como estes advogados serão escolhidos. A partir de uma lista ou por sorteio? Eles deverão expressar uma opinião coletiva ou cada advogado vai dar o seu parecer? Por força da situação o parecer dirá respeito se, dados os fatos, que se considere como negligência objetiva, não subjetiva do Bispo,  grave o suficiente para que se proceda com sua remoção. É de se esperar que o parecer estenda-se também aos problemas das provas dos fatos imputados e de respeito pelo direito de defesa. Mas deve-se notar que não prescrevem notificação ao bispo sobre a opinião de juristas: esta destina-se a ser apenas um elemento de auxílio ao papa.

Quanto ao direito de defesa, o motu proprio dá a possibilidade do bispo produzir “documentos e testemunhos”, mas não para criticar as decisões sobre a admissibilidade das provas apresentadas, ou participar na obtenção de provas, pelo menos sugerindo quesitos e exames verbais, ou pedir pleno acesso aos registros. Nada disto é fornecido porque é um procedimento administrativo, não judicial. Deveria ser previsto recurso à Assinatura Apostólica. Mas aqui a decisão final cabe ao papa e seus atos não podem ser contestados.

Não é de hoje que na Igreja Católica estão menosprezando o processo, mesmo em casos graves. A redução das garantias nos procedimentos para a remoção do cargo é um fenômeno que afeta o último século, uma vez que ele se move pelo decreto “Maxima conta” de 1910, passando pelo Código de Direito Canônico de 1917, o decreto conciliar “Christus Dominus” n. 31, o Motu Proprio “Ecclesiae Sanctae” de Paulo VI e o novo Código de 1983. Simplesmente isso ainda não tinha sido estendido para os bispos por “negligência no exercício das suas funções”.

A longo prazo, e até mesmo a médio prazo, esta concentração de poder, substancialmente desprovida de controles, e esta ausência de garantias sobre a apreciação dos fatos, não pode ser um bem para a Igreja.

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6 junho, 2016

Desagregação familiar é plano de fundo do caso do estupro de jovem, diz Bispo.

PETRÓPOLIS, 06 Jun. 16 / 07:30 am (ACI).- A desagregação familiar é um dos pontos que, na visão do Bispo da Diocese de Petrópolis (RJ), Dom Gregório Paixão, OSB, podem ser observados por trás do recente caso do estupro coletivo contra uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro. Segundo ele, a família, como fundamento da sociedade, deve ser resgatada.

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Dom Gregório Paixão, OSB

“Olhando o plano de fundo dessa história, vemos uma desagregação familiar e uma total perda de valores humanos na sociedade”, expressou a ACI Digital.

“Em primeiro lugar – declarou o Bispo –, temos que olhar o fato pelo que aconteceu, uma violência. E foi cometido contra uma pessoa que era menor de idade”. O Prelado recordou ainda que no dia 31 de maio, o Senado brasileiro aprovou projeto de lei que prevê pena mais rigorosa para estupro cometido por duas ou mais pessoas, podendo totalizar 25 anos de prisão.

Por outro lado, ressaltou que é preciso “levar em consideração o que vemos por trás disso tudo”, o “plano de fundo dessa história”.

“Os homens que cometeram tal crime são pessoas que não têm valores religiosos, não têm formação familiar. A própria menina começou muito nova uma vida sexual ativa, estava envolvida naquele meio”, indicou.

De acordo com ele, “isso é uma mostra de uma sociedade em que os jovens vão muito cedo para bailes onde o ambiente não é adequado, que possuem uma formação familiar ruim”.

Além disso, observou que “este fato reflete uma sociedade com total ausência de Deus”, porque, “quando se há a certeza que temos um Senhor, buscamos conter as nossas índoles negativas, aprendemos a não tratar o outro como objeto e sim como um irmão”.

Em seguida, o Bispo de Petrópolis mencionou como os depoimentos que surgiram após a divulgação do ocorrido demonstram que “a moça tinha uma vida desagregada”. Lembrou ainda que, diante desses fatos, muitas pessoas passaram criticá-la, chegando até mesmo a dizer que ela mereceu.

Entretanto, ressaltou que a adolescente “é vítima de uma sociedade que abandona seus filhos. A sociedade toda é vítima”.

Além disso, o Prelado chamou a atenção para outra situação, a das pessoas que vêm acusando a menina. “Vemos que aqueles que criticam a jovem são os mesmos que pregam a morte da sociedade, como por exemplo, o aborto. Reclamam da violência, mas pregam outra violência”.

Frente a esta realidade, Dom Gregório Paixão indicou que a forma que a sociedade possui para evitar tais fatos “é voltar ao seu fundamento que é o núcleo familiar, o qual muitos políticos vêm buscando destruir com leis. Temos que retomar a responsabilidade dos pais sobre seus filhos”.

Quanto à Igreja, o Bispo reforçou que deve insistir na defesa dos valores cristãos, “como uma voz que clama no deserto”. “Precisa seguir pregando os valores naturais, a família, não pode desistir de mostrar o caminho da beleza e lutar contra uma cultura de morte. É preciso continuar pregando o Evangelho da verdade”, concluiu.

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5 junho, 2016

Foto da semana.

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Crianças do campo de refugiados em Erbil (Iraque) na Missa de Primeira Comunhão. Foto cortesia Diácono Roni Momica.

Por ACI – Na sexta-feira, 27 de maio, 175 crianças sírio-católicas que vivem em um campo de refugiados em Erbil (Iraque) fizeram sua Primeira Comunhão, um sinal de esperança para esta comunidade de cristãos que foi obrigada a fugir ante a perseguição do Estado Islâmico.

Das 5.500 pessoas que vivem no campo de refugiados, 2.200 são crianças. Dessas, 470 crianças fazem a sua Primeira Comunhão durante estas semanas.

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31 maio, 2016

Atualidade da mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres.

Por Hermes Rodrigues Nery 

A sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oitenta anos das aparições.

41635647-055c-4e13-8fbd-09a6cf8ee621Com “O Diário do Silêncio”, a escritora Ana Lígia Lira apresenta a mais completa obra sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças, no Brasil, ocorridas no pequeno povoado de Cimbres, distrito de Pesqueira, em Pernambuco, em 1936. A publicação do livro ocorre, portanto, próximo das comemorações dos oitenta anos das aparições, e com uma documentação inédita, de fontes primárias, com correspondências (especialmente as do Padre Kehrle, designado pelo bispo local a investigar o caso) e depoimentos que elucidam toda a história das aparições, como também da irmã Adélia, falecida em 13 de outubro de 2013 (na época, a menina Maria da Luz, uma das crianças a quem Nossa Senhora dirigiu suas palavras). Para o Padre Paulo Ricardo, a mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres “é bastante atual, principalmente para nós que vivemos num Brasil cada vez mais tomado pelo ideal do comunismo, do marxismo, porque foi exatamente aquilo que Nossa Senhora previu”1. Na verdade, a previsão foi a de que o Brasil seria tomado pelo comunismo e padeceria três castigos, evitados somente com a oração e a penitência. E que “o sangue correrá no Brasil”2.

Gostaria de me deter nesse artigo não tanto sobre os fatos em si da história das aparições (já abordados em relatos de outros autores), mas sobre alguns aspectos de conjuntura para auxiliar na compreensão da importância das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, especialmente nos dias de hoje, pois a sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oito décadas das aparições.

Os três castigos

Os três castigos preconizados por Nossa Senhora das Graças, estariam, de certa forma, relacionados com as três tentativas de tomada do poder que os comunistas fariam no Brasil, ao longo desses últimos oitenta anos. A primeira delas, com a Intentona Comunista (1935), alguns meses antes das aparições em Cimbres. Depois, no governo de João Goulart, a segunda tentativa, que foi contida pelo regime militar (1964), especialmente na fase de combate às guerrilhas. E, em seguida, a terceira tentativa, com a redemocratização, na Nova República, principalmente nas gestões petistas, após 2003.

Nas duas primeiras tentativas, o sangue correu, assim como aconteceu nos países aonde o comunismo foi implantado. Na Intentona Comunista de 1935, vários defensores da pátria tombaram, dentre eles o herói-mártir da Polícia Militar, Luiz Gonzaga de Souza3. Também foram muitas as vítimas que tiveram o sangue derramado por terroristas e guerrilheiros comunistas na segunda tentativa, quando quiseram implantar a ditadura do proletariado no País, conforme depoimentos de conhecidas lideranças esquerdistas, que atuaram, naquela época4, reconhecendo que a luta contra o regime militar, inclusive por meios das guerrilhas, tinha como propósito a implantação de uma ditadura comunista5.

Mas, como bem destacou o Prof. Olavo de Carvalho, “o governo militar se ocupou de combater a guerrilha, mas não de combater o comunismo na esfera cultural, social e moral.”6 Por isso, criou-se o ambiente para a terceira e atual tentativa, ainda em curso, no Brasil, de complexa situação. Olavo de Carvalho explica que a parte da esquerda que não foi para a guerrilha, “se encaixou no esquema pregado por Antonio Gramsci, que é a revolução cultural, a penetração lenta e gradual em todas as instituições de cultura, mídia etc. Foi a facção que acabou tirando vantagem de tudo isso – até da derrota, porque a derrota lhes deu uma plêiade de mártires.”7 O fato é que a esquerda se apropriou de um discurso para se favorecer e buscar consolidar seu projeto de poder [daí a narrativa da controversa Comissão da Verdade], e até hoje, a base social aparelhada pela esquerda, de raiz filosófica marxista e até anarquista, continua como um barril de pólvora, num momento em que as forças conservadoras começam a reagir, sem saber como fazer, por estarem totalmente desorganizadas e sem estratégias e meios adequados para isso.

O processo de impeachment da presidente Dilma Roussef (ex guerrilheira no período do regime militar),  expôs a tensão desta terceira tentativa, cujos desdobramentos ainda são muito imprevisíveis. Terceira fase esta iniciada com a criação do Foro de São Paulo, em 1990 (por Fidel Castro e Lula), para viabilizar um projeto de poder totalitário, de integração regional latino-americana, a chamada Pátria Grande socialista. Projeto esse em que, antes da tomada do poder político, os comunistas buscaram criar uma base social aparelhada (seguindo a estratégia gramsciana), de aparelhamento das instituições, especialmente na área cultural, dos sindicatos, da imprensa, e até mesmo da Igreja Católica, se utilizando da teologia da libertação para influir e ampliar os setores progressistas dentro da instituição.

Com a eleição de Lula, em 2002, o PT alargou de modo desproporcional o aparelhamento do Estado, dando início à estratégia proposta pelo Foro de São Paulo, de fazer da democracia o método revolucionário, se utilizando inclusive de meios inteiramente amorais para captar recursos com volúpia desmesurada, não contando, porém, que seriam contidos nessa gula e obsessão de poder, pela Operação Lava Jato, o que ocasionou a gravíssima crise em que vivemos, aonde não sabemos ainda como a terminará.

Não é a toa que, durante o processo de impeachment, os maiores defensores da ex-guerrilheira Dilma Roussef vieram justamente do PCdoB (com Aldo Rebelo como seu Ministro da Defesa, Jandira Feghali na Câmara dos Deputados, Vanessa Graziotin no Senado, etc.). O fato é que a terceira tentativa de implantação do comunismo no Brasil está em fase já bem avançada. Depois das jornadas de junho de 2013, do pleito de 26 de outubro de 2014 e das grandes manifestações pró-impeachment de 2015-2016, cresceram as apreensões sobre como o Brasil poderá vencer essa nova batalha contra o comunismo, expresso não apenas no lulopetismo, mas em todos os demais partidos e movimentos sociais e culturais de esquerda alinhados com o projeto de poder do Foro de São Paulo.

E o que mais se teme, em tudo isso, é que novamente corra o sangue [conforme previu Nossa Senhora das Graças, em Cimbres], num momento que o País está dividido entre uma maioria conservadora e cristã [mas desorganizada], e uma minoria aparelhada que deteve o poder de decisão nos últimos treze anos [e muito bem organizada]. Tal tensão levou o Brasil a um impasse político sem precedentes. E muitas forças do internacionalismo de esquerda e também das fundações internacionais querendo intensificar a agenda antivida e antifamília, que já vem fazendo correr o sangue humano inocente, no ventre materno, com a difusão cada vez maior da cultura do aborto e tudo mais. Como ocorreu na União Soviética, quando o comunismo foi lá implantado.

“Os padres e os bispos sofrerão muito?”8

Nas aparições em Cimbres, na gruta do Sítio da Guarda, Nossa Senhora das Graças dissera às crianças: “virão tempos sérios”9, e dentre muitas coisas preditas, a confirmação de que o comunismo iria penetrar o Brasil, abrangendo todo o País (não no interior), e que tais coisas não viriam logo, mas que “os padres e os bispos sofrerão muito”10.

Nesse sentido e no contexto dos oitenta anos desde as aparições em Cimbres, cabe ressaltar que o sofrimento dos bons padres e bispos também está relacionado, de alguma forma, aos “erros da Rússia” espalhados pelo mundo, que não foram contidos, conforme pediu Nossa Senhora em Fátima aos pastorinhos, em 1917.

Como bem expôs  Valdis Grinsteins:

“Defensores do permissivismo moral, os comunistas aprovaram leis favorecendo o amor livre e o divórcio e, em 1920, durante o governo de Lenine, a Rússia foi o primeiro país do mundo a permitir o crime do aborto. O resultado dessa lamentável situação não tardou a aparecer: divórcios numerosos, trazendo como consequência famílias cada vez menores, nas quais o número de filhos era limitado em função da perspectiva de estabilidade do ‘cônjuge’, do trabalho, da moradia ou do capricho dos pais. Filhos abandonados ou entregues a orfanatos, dos quais fugiam depois para formar pequenos bandos de criminosos, logo se tornaram uma praga nacional. Uma geração que crescia sem conhecer o que fosse respeitar os outros. O crime chegou a tais níveis que, visando limitar seus efeitos, Stalin modificou a legislação em 1936, chegando a proibir o aborto. Como não houve nenhum arrependimento verdadeiro, mas apenas interesse político, pouco depois da Segunda Guerra Mundial o aborto voltou a ser introduzido na legislação comunista, bem como todos os outros ditos ‘avanços’. E a situação tornou-se ainda pior.”11

O comunismo, como um dos maus frutos do modernismo, adentrou dentro da Igreja, sob várias formas. E conforme advertira São Pio X, visou corroer, por dentro a sã doutrina católica. Os padres e bispos seduzidos pelo modernismo, anuíram com correntes de pensamento contrárias à fé, abrindo brechas para distorções e equívocos, agravados ainda mais pelo atual relativismo. Debilitar o cristianismo, especialmente a doutrina católica, foi estratégia dos comunistas, principalmente gramscianos para, por dentro da Igreja, promover a rebelião e a apostasia. Com isso, os bons padres e bispos foram encontrando dificuldades em defender a fé, num ambiente cada vez mais hostil à sã tradição católica. E mais: passaram também a difundir que o comunismo era coisa do passado, principalmente depois da queda do muro de Berlim e o desabamento da União Soviética, no Natal de 1991. Mas justamente na América Latina, e mais ainda no Brasil, com o Foro de São Paulo, o internacionalismo de esquerda instrumentalizou os setores progressistas da Igreja Católica para difundir os males do comunismo [com faces novas e diversificadas]. O próprio Fidel Castro, após o fracasso das guerrilhas no Brasil, entendeu que era preciso utilizar-se das estruturas e capilaridade da Igreja, para aparelhá-la por dentro, e propiciar assim a extensão da revolução cubana em todo o continente latino-americano, especialmente no Brasil. Para isso, foi utilíssimo espalhar a cizânia da teologia da libertação, gestada pela KGB, conforme revelou Ion Mihai Pacepa12.

Mas por que a Igreja não reagiu contra esta nova investida do comunismo? E por que o relativismo grassou de tal forma, minando toda e qualquer resistência na defesa da sã doutrina católica?

O Prof. Roberto de Mattei explica que um dos fatos relevantes para isso foi porque não houve uma condenação explícita do comunismo no Concílio Vaticano II (1962-1965), período em que se intensificou a segunda tentativa de implantação do comunismo no Brasil, detido – como dissemos – pelo regime militar.

O fato é que o Concílio foi “uma oportunidade extraordinária para as correntes progressistas”13 em que, em muitos aspectos, “a condenação do erro”14 deixou de ser vista como “uma obra de misericórdia”15. A nova forma de organização, através de conferências episcopais, especialmente a CNBB e o CELAM, contribuíram muito para afofar o terreno, em que foi possível emergir mais facilmente todas as tendências modernizantes. A não condenação do comunismo no Concílio favoreceu a instrumentalização dos setores progressistas da Igreja para a subversão da sã doutrina por dentro da instituição. Formou-se então uma rede cada vez mais fraterna de prelados progressistas, “entre bispos e teólogos europeus e latino-americanos”16, sob a liderança de Dom Hélder Câmara, rede esta descrita por François Houtart, o mesmo que, anos mais tarde, ministraria um curso no Partido Comunista cubano para convencer os militantes marxistas de que era possível conciliar cristianismo e socialismo, e que eles precisariam da estrutura da Igreja, para difundir essa concepção revolucionária.

Não faltaram apelos contra o comunismo durante o Concílio. Roberto de Mattei conta que “o arcebispo vietnamita de Hué, Ngô-Dinh-Thuc, por exemplo, definia o comunismo como ‘o problema dos problemas’, a mais importante questão do momento”.17 Mas empenhado na promoção do ecumenismo, e para garantir a presença do Patriarca de Moscou, que, na época, “estava  notoriamente  nas mãos do Kremlim”18, o Cardeal Bea conseguiu estabelecer “um acordo com base no qual o Patriarca de Moscou acolherá o convite pontifício se o Papa garantir que o Concílio se absterá de condenar o comunismo”19. E foi o que aconteceu. O Concílio se silenciou sobre a questão do comunismo, mesmo o Santo Ofício tendo reafirmado, em 1959, pouco antes, “a validade da excomunhão de 7 de janeiro de 1949, contra todo tipo de colaboração com o comunismo”20, pois já prevalecia, entre muitos altos prelados, de que “no fundo, os comunistas andam a procura da justiça e são gente que sofre”21. A partir dessa omissão e dessa nova mentalidade é que foi possível espalhar o cancro da teologia da libertação na América Latina, ainda quando se desejava impor o comunismo por meio da guerrilha.

“Quase” como na Espanha 

Ao ser indagada se o sofrimento causado pelos castigos seria “como na Espanha” (que vivia, na época das aparições, o início da Guerra Civil Espanhola), Nossa Senhora respondera às crianças: “quase”.

Esse “quase” pode estar relacionado à posição do clero em relação à divisão ideológica que a Espanha viveu, ao longo da guerra civil (1936-1939), quando morreram milhares de pessoas, especificamente mais de seis mil religiosos. No entanto, o clero espanhol comparou a guerra contra o comunismo na Espanha, naquele período, como uma “cruzada moderna”22. O mesmo não se pode dizer do clero brasileiro atual, imbuído de relativismo, com um bom número de bispos conservadores (especialmente após o pontificado de Bento XVI), mas com padres e bispos progressistas em postos estratégicos de decisão, muitos alinhados ainda à esquerda, com paróquias e OnGs católicas (e até universidades como as PUCs) como base social aparelhada pelo lulopetismo. Dada a complexidade da situação, no cenário brasileiro atual, muitos padres e bispos se dizem impotentes para fazer qualquer coisa, e de se pronunciar a respeito. Por isso, se constata o silêncio e a omissão de muitos em relação ao permissivismo moral (especialmente da classe artística), evitando se posicionar ideológica e politicamente contra os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff. Daí a posição de neutralidade da conferência episcopal em relação ao processo de impeachment, quando a maioria do povo brasileiro (conservador) foi às ruas clamando “Fora Dilma, Fora PT, Fora Foro de São Paulo”. Significativo foi o ato em que fiéis leigos ergueram após a missa de encerramento da 54ª assembleia da CNBB23, na Basílica de Aparecida, diante de todos os bispos que passavam em direção à sacristia, com os dizeres; “Por uma Igreja livre do PT e do comunismo”, imagem essa que teve um número enorme de curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, comprovando assim (nesse aspecto) o sentimento da maioria do povo brasileiro, que clama por posições de pastores mais em consonância com a doutrina moral e social da Igreja, sem ambiguidades, mas de modo firme e cristalino, de modo especial contra o comunismo.

Nesse sentido, os três castigos preconizados por Nossa Senhoras das Graças, às crianças, em Cimbres, podem também estar associados (tendo em vista o que ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola), a tais fatores e consequências:  1º) a divisão ideológica do País; 2º) a anarquia social provocada por instituições e grupos aparelhados; 3º) o derramamento de sangue. Mas o “quase” predito pode significar que é possível evitar as situações extremas de tais fatores e consequências, se principalmente as autoridades eclesiásticas exortarem o povo à oração e à penitência, e se, enfim, o comunismo for rechaçado mais explicitamente e condenado (recorrendo aos documentos já existentes da doutrina social da Igreja) por aqueles que tem o dever de orientar os fiéis católicos dos perigos que representam as correntes de pensamento e os partidos políticos que tem como premissa ideológica o ideário comunista. O clero, portanto, não pode estar omisso quanto a isso, para que tais fatores não acarretem tais consequências.

Os castigos previstos podem ser evitados com a oração e a penitência

Os oitenta anos das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, coincidem com o momento mais crítico da crise econômica e política que colocou em xeque o lulopetismo no País, podendo comprometer assim o projeto de poder do Foro de São Paulo e frear a terceira tentativa de implantação do comunismo. Por isso, se houve previsões de “tempos calamitosos para o Brasil”24, a Mãe do Céu dissera às crianças Maria da Conceição e Maria da Luz que os castigos previstos poderiam ser evitados pela oração e penitência. Esta exortação (em sintonia com todas os apelos feitos por Nossa Senhora, em La Salette, em Lourdes, em Fátima e em todas as demais aparições pelo mundo) indicam as armas pelos quais os cristãos devem se empenhar no combate ao mal. Assim como os cristãos venceram em Lepanto (1571), fazendo do Rosário a “arma da vitória”25, assim também foi a força do Rosário capaz de evitar o derramamento de sangue no difícil processo abolicionista, no séc. XIX, em que a Princesa Isabel fez triunfar a libertação dos escravos, com a Lei Áurea, vencendo também pela oração os desafios das turbulências políticas de sua época.

Nossa Senhora apresentou-se às crianças como “a Mãe da Graça”, e se veio “avisar ao povo que se aproximam três grandes castigos”26, também apareceu com o Menino Jesus em seus braços como “a Mãe do Céu”, “a Mãe de Deus”, para dizer também que é com a oração e a penitência que é possível desviar-se de tais castigos, invocando-a como Nossa Senhora das Graças, e apresentando ainda as devoções ao Coração de Jesus e a ela própria, como práticas para afastar tais males.

A leitura, portanto, de “O Diário do Silêncio”, de Ana Lígia Lira (competente pesquisadora e escritora), torna-se imprescindível para que conheçamos, em detalhes, o que ocorreu em Cimbres, e o quanto atual é a mensagem de Nossa Senhora das Graças, e a validade da sua exortação à oração e a penitência, para vencer a terceira (e mais complexa) tentativa de implantação do comunismo no Brasil.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: hrneryprovida@uol.com.br

Notas:

  1. https://padrepauloricardo.org/episodios/o-alerta-de-maria-para-o-brasil.
  2. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  3. http://museuvitimasdoscomunistas.com.br/saloes/ver/intentona-comunista-1935-
  4. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  5. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  6. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/olavo-de-carvalho-esquerda-ocupou-vacuo-pos-ditadura
  7. Ibidem.
  8. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/B29467EA-3048-560B-1CD5958C0D784589/mes/Agosto2006
  12. http://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919/
  13. Roberto de Mattei, O Concílio Vaticano II – Uma História nunca escrita. Porto, 2012, p. 167.
  14. Ib. p. 173.
  15. Ibidem.
  16. Ib. p. 189.
  17. Ib. 152.
  18. Ib. 147.
  19. Ib. pp. 149-150.
  20. Ib. p. 152.
  21. Ibidem.
  22. http://historia-portugal.blogspot.com.br/2009/05/guerra-civil-espanhola.html
  23. https://www.youtube.com/watch?v=Xi6WMq2cQq0
  24. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  25. http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2015/12/integra-da-palestra-princesa-isabel.html
  26. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html

 

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13 maio, 2016

Itália aprova união de facto para casais homossexuais.

Público – Numa decisão histórica, os deputados italianos aprovaram (por 369 votos a favor e 193 contra) a lei da união civil para os casais do mesmo sexo. Era o último país da Europa ocidental a não reconhecer qualquer direito aos casais do mesmo sexo.

A nova lei cria para os casais do mesmo sexo uma união civil qualificada de “formação social específica”. Esta, que deve ser formalizada num registo civil, prevê a obrigação de assistência moral e material recíproca, o benefício de pensão, o direito de visita no hospital e a possibilidade de os membros do casal adoptarem o nome do outro.

Fica de fora a possibilidade de adopção, uma lacuna que levou as organizações a considerarem que a lei está incompleta.

Trata-se de um passo histórico, num país onde a Igreja Católica ainda exerce um grande poder de influência sobre o poder político, com o primeiro-ministro Matteo Renzi a assumir a responsabilidade pela aprovação do projecto de lei depois de um ano de negociações e de debates aguerridos (até violentos) no Senado em Janeiro e Fevereiro deste ano.

A nova lei tem de ser promulgada pelo Presidente Sergio Mattarella e publicada no jornal oficial do Estado, antes de poderem ser registadas as primeiras uniões de facto de casais do mesmo sexo. Segundo Monica Cirinna, a senadora democrata que há anos luta pela aprovação das uniões de facto para casais do mesmo sexo, deverão realizar-se em Setembro, se o recurso que as organizações católicas enviaram para o Tribunal Constitucional e a proposta de referendo sobre o tema proposto pela oposição não suspenderem a aplicação da nova lei.

“O copo ainda está meio vazio”, disse em comunicado Gabriele Piazzoni, secretário nacional da Arcigay, a principal associação de defesa dos homossexuais, prometendo continuar a lutar pelo reconhecimento das famílias monoparentais.

“Hoje temos uma lei que representa um momento histórico no nosso país, mas há uma questão mais profunda”, pois “as crianças não foram convidadas para esta festa”, disse por seu lado Marilena Grassadonia, da associação Famiglie Arcobaleno (arco-íris).

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13 maio, 2016

É preciso que Cristo reine na Terra de Santa Cruz.

Lucas Marchesini, Thiago Resende, Bruno Peres e Andrea Jubé, do Valor, edição de hoje, 13 de maio de 2016, contam:

Apesar de Temer reconhecer que o momento era “difícil e ingrato”, o clima era de celebração e vitória entre os seus aliados. Depois do seu discurso, o grupo de Temer se reuniu no gabinete para uma benção ecumênica. Nessa semana, o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner havia levado uma mãe de santo para benzer Dilma na mesma sala”.

Vade retro, Satana!

Um Brasil longe do verdadeiro Deus nunca será próspero e justo. É preciso que Cristo reine na Terra de Santa Cruz.

primeira missa

 

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