Posts tagged ‘Caminho Neocatecumenal’

19 janeiro, 2012

No, you can’t.

Ontem me ligaram de Roma para me dizer que o Papa não ia aprovar o que se dava como certo sobre a notícia neocatecumenal. Que havia se decidido e dito não. Perguntei a meu informante se tinha certeza disso e ele me disse que fora informado por Mons. N. Para mim, desconhecido. Perguntei se era pessoa bem informada e me disse crer que não. Pedi que fizesse mais indagações e acaba de me ligar. Confirmado. Não há aprovação.

Me disse também que quem estava desolado era o artífice de tudo, pois o dava por certo. Imaginam quem é? Pois um Cardeal baixinho e viajante, muito amigo dos kikos, sobretudo os de Múrcia, e que acaba de ir a Madri para a ordenação de um bispo kiko. Embora não tenha sido o consagrante principal. […]

Restam dois dias para saber se meu informante está equivocado ou se, uma vez mais, sua informação é verdadeira. Tudo o que me disse, até o momento, se confirmou. Veremos se também o me comunicou agora.

Informações de Francisco José Fernández de la Cigoña, do blog La cigüeña de la torre

13 janeiro, 2012

“Plácet” ou “Non plácet”? A aposta de Carmen e Kiko.

Os fundadores do Caminho Neocatecumenal esperam obter a aprovação vaticana definitiva de seu modo “convival” de celebrar as missas. O documento está pronto, mas poderia ser modificado ou bloqueado in extremis. O veredito em 20 de janeiro.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com

Acordar, tomar café, fazer uma caminhada e... dar uma palavrinha com o Papa. Eis o protocolo dos líderes do Caminho Neocatecumenal: Bento XVI recebe, respectivamente, “Kiko” Argüello, Carmen Hernández e Pe. Mario Pezzi, em 13 de novembro passado, para receber informações sobre a próxima Jornada Mundial da Juventude. Fonte: Santa Iglesia Militante.

Acordar, tomar café, fazer uma caminhada e... dar uma palavrinha com o Papa. Eis o protocolo dos líderes do Caminho Neocatecumenal: Bento XVI recebe, respectivamente, “Kiko” Argüello, Carmen Hernández e Pe. Mario Pezzi, em 13 de novembro de 2010. Fonte: Santa Iglesia Militante.

Roma, 13 de janeiro de 2012 –  Como em outras vezes nos anos passados, também neste mês de janeiro, na sexta-feira, 20, Bento XVI encontrará no Vaticano, na sala de audiências, milhares de membros do Caminho Neocatecumenal, com seus fundadores e líderes, os espanhóis Francisco “Kiko” Argüello e Carmen Hernández.

Há um ano, na audiência de 17 de janeiro de 2011, o Papa comunicou à entusiasmada platéia que os treze volumes do catecismo em uso em suas comunidades haviam recebido a tão esperada aprovação, após um longo exame iniciado em 1997 pela Congregação para a Doutrina da Fé e após a introdução de numerosas correções, com quase 2000 citações de passagens paralelas do catecismo oficial da Igreja Católica.

No próximo 20 de janeiro, por sua vez, os líderes e os membros do Caminho esperam das autoridades supremas da Igreja um “plácet” ainda mais ardentemente desejado. A aprovação oficial e definitiva do que para eles é o elemento característico distintivo mais visível, e também o mais controverso: o modo como celebram as missas.

Os quatro elementos

As missas das comunidades neocatecumenais se distinguem desde sempre por, ao menos, quatro elementos.

1. São celebradas em grupos reduzidos que correspondem aos distintos estágios de avanço no itinerário catequético. Se em uma paróquia, por exemplo, há doze comunidades neocatecumenais, cada uma em um estágio distinto, outras tantas serão as missas, celebradas em locais separados, mais ou menos no mesmo horário, preferivelmente no sábado pela noite.

2. O ambiente e a decoração seguem a imagem de um banquete: uma mesa com os comensais sentados ao redor. Também quando os neocatecumenais celebram a missa em uma igreja, e não em uma sala paroquial, ignoram o altar. Colocam uma mesa no centro e se sentam em torno dela em círculo.

30 de dezembro de 1988: João Paulo II celebrada com o Neocatecumenato.

30 de dezembro de 1988: João Paulo II celebra com o Neocatecumenato.

3. Cada uma das leituras bíblicas da missa é precedida por uma extensa “monição” por parte de um ou outro dos catequistas que guiam a comunidade e são seguidas, especialmente após o Evangelho, pelas “ressonâncias”, isto é, por reflexões pessoais de um grande número dos presentes. A homilia do sacerdote se acrescenta às “ressonâncias, sem se distinguir delas.

4. Também a comunhão se realiza reproduzindo a forma do banquete. O pão consagrado – um grande pão ázimo de farinha de trigo, dois terços branca e um terço integral, preparado e cozido durante um quarto de hora, segundo as minuciosas regras estabelecidas por Kiko – é repartido e distribuído aos presentes, que permanecem em seus lugares. Uma vez acabada a distribuição, todos o comem simultaneamente, inclusive o sacerdote. Após, passa-se de um a um o cálice do vinho consagrado, do qual cada um dos presentes bebe.

Há outras particularidades, mas bastam estas quatro para entender quanta diversidade de forma e de substância há entre as missas dos neocatecumenais e as celebradas segundo as regras litúrgicas gerais. Uma diversidade certamente mais acentuada da que há entre as missas no romano antigo e no rito moderno.

As autoridades vaticanas tentaram várias vezes reconduzir os neocatecumenais a uma maior fidelidade à “lex orandi” em vigor na Igreja Católica. Mas com pulso débil e resultados quase nulos.

O chamado mais forte se deu com a promulgação dos estatutos definitivos do Caminho, aprovados em 2008.

Madri, Jornada Mundial da Juventude de 2011: Bispos brasileiros participam jubilosos de evento do Caminho Neocatecumenal.

Madri, Jornada Mundial da Juventude de 2011: Bispos brasileiros participam jubilosos de evento do Caminho Neocatecumenal.

Neles, no artigo 13, as autoridades vaticanas estabeleceram que as missas das comunidades devem estar “abertas também a outros fiéis”; que a comunhão deve ser recebida “de pé”; que para as leituras bíblicas são permitidas, além da homilia, apenas “breve monições” introdutórias.

Não há sinais das “ressonâncias” (admitidas nos estatutos precedentes, provisórios, de 2002) neste mesmo artigo 13, dedicado à celebração da missa. Fala-se disso apenas no artigo 11, que se refere, no entanto, às celebrações da Palavra durante a semana, que cada comunidade realiza com seus próprios catequistas.

É fato: o modo como hoje os neocatecumenais celebram a missa mudou muito pouco em relação ao modo como celebravam há alguns anos, quando, ademais, passavam de mão em mão, festivos, os copos com o vinho consagrado.

Somente na teoria suas missas de grupo foram abertas também a outros fiéis.

Sentados ou de pé, seu modo convivial de fazer a comunhão é sempre o mesmo.

As “ressonâncias” pessoais dos presentes continuam invandindo e prevalecendo na primeira parte da missa.

E não é só. Da audiência com Bento XVI do próximo dia 20 de janeiro, Kiko, Carmen e seus seguidores esperam sair com uma aprovação explícita de tudo isso.

Uma aprovação com todos as bençãos da oficialidade. Promulgada pela congregação vaticana para o Culto Divino.

Ratzingeriano e antipapa.

Com um Francis Arinze como cardeal prefeito da congregação e, sobretudo, com um Malcolm Ranjith como seu secretário – como era até há poucos anos – uma aprovação semelhante teria sido impensável.

O Cardeal Arinze, atualmente aposentado, foi protagonista, em 2006, de um choque memorável com os chefes do Caminho, quando lhes ordenou, por uma carta, uma série de correções, às quais eles insolentemente desobedeceram.

Quanto a Ranjith – hoje de volta à sua pátria, Sri Lanka, como arcebispo de Colombo –, é difícil encontrar, entre os cardeais, um mais aguerrido que ele na defesa da fidelidade à tradição litúrgica. No campo da liturgia, o Cardeal Ranjith tem fama de ser mais ratzingeriano que o próprio Joseph Ratzinger, seu mestre.

Hoje, à frente da congregação para o Culto Divino está outro cardeal que se passa também por um ratzingeriano de ferro, o espanhol Antonio Cañizares Llovera.

Mas, a julgar pelo documento que estaria pronto para o próximo 20 de janeiro, não seria próprio dizê-lo.

De fato, dar via livre, por sua parte, à “criatividade” litúrgica dos neocatecumenais não seria outra coisa senão arruinar a sábia e paciente obra de reconstrução da liturgia católica que o Papa Bento está realizando há anos, com uma valentia que é igual à grande solidão que o cerca.

E forneceria um argumento a mais às acusações dos tradicionalistas, para não falar dos lefebvrianos.

Entre a astúcia e a indulgência

30 de dezembro de 1988: João Paulo II celebra com o Neocatecumenato.

30 de dezembro de 1988: João Paulo II celebra com o Neocatecumenato.

Existe uma astúcia que os neocatecumenais adotam quando Papas, bispos e cardeais participam de suas missas: a de se ater às regras litúrgicas gerais.

O Cardeal Cañizares não é o único que caiu na armadilha. O que o fez acreditar que as intemperanças litúrgicas do Caminho, embora existam, seriam mínimas e perdoáveis, se comparadas ao fervor de fé de seus participantes.

Como ele, muitos cardeais e bispos tiveram os neocatecumenais em consideração, especialmente na Espanha. Na cúria vaticana, gozam de um forte apoio do prefeito da “Propaganda Fide”, Fernando Filoni, anteriormente substituto da Secretaria de Estado.

Assim, enquanto as autoridades vaticanas são inflexíveis com os outros movimentos católicos, exigindo o respeito das normas litúrgicas, são mais indulgentes com os neocatecumenais. Por exemplo, tolera-se que suas missas sejam inundadas de “ressonâncias” e, em troca, a poderosa comunidade de Santo Egídio foi obrigada, há anos, a que a homilia fosse proferida exclusivamente pelo sacerdote e não, como ocorria antes, por seu fundador, Andrea Riccardi, ou outros líderes leigos da comunidade.

Esta difundida indulgência em relação às licenças litúrgicas dos neocatecumenais tem uma explicação que se remonta aos primeiros tempos dos movimento, e é útil recordá-la.

“Lutero tinha razão”

No campo litúrgico, mais que Kiko, é a co-fundadora Carmen Hernández quem modela o “rito” neocatecumenal.

Nos anos do Concílio Vaticano II e imediatamente após, quando ainda usava o hábito religioso das Missionárias de Cristo Jesus e estudava para obter licença em teologia, Carmen se apaixonou pela renovação da liturgia. Seus mestres e inspiradores foram, na Espanha, o liturgista Pedro Farnés Scherer, e, em Roma, Don Luigi della Torre, outro liturgista de renome, pároco da igreja da Natividade na Via Gallia, uma das primeiras comunidades romanas do movimento, e Monsenhor Annibale Bugnini, na época poderoso secretário da congregação vaticana para o Culto Divino e principal artífice da reforma litúrgica pós-conciliar.

Foi exatamente Bugnini, no início dos anos 70, quem se alegrou com a maneira com que as primeiras comunidades fundadas por Kiko e Carmen celebravam a missa. Escreveu sobre isso em “Notitiae”, a publicação oficial da congregação para o Culto Divino. E foi ele, de novo, junto com os co-fundadores, quem decidiu chamar o recém-nascido movimento de “Caminho Neocatecumenal”.

Das visitas a estes liturgistas e de uma desenvolta reelaboração de suas teses, Kiko e Carmen retiraram sua concepção pessoal da liturgia católica, que colocaram em prática nas missas de suas comunidades.

Há um livro de um sacerdote da Ligúria [ndr: noroeste da Itália], pertencente ao Caminho, Piergiovanni Devoto, que, valendo-se de textos inéditos de Kiko e Carmen, expôs em público sua bizarra concepção.

O livro, publicado em 2004 com o título “O Neocatecumenato. Uma iniciação cristã para adultos”, e com a calorosa apresentação de Paul Josef Cordes, à época presidente do pontifício conselho “Cor Unum”, hoje cardeal, foi impresso por Chirico, a editora napolitana que também publicou a única obra traduzida ao italiano de Farnés Scherer, o liturgista que foi o primeiro a inspirar Carmen.

Eis, abaixo, algumas passagens do livro, extraídas das páginas 71-77.

“No decorrer dos séculos, a eucaristia foi partida e encoberta, revestida até o ponto em que não víamos em nenhuma parte de nossa mesa a ressurreição de Jesus Cristo”…

“No século IV, com a conversão de Constantino, também o imperador, com seu séqüito, ia à igreja para celebrar a eucaristia: nascem assim as liturgias de entrada, tornadas mais solenes por cantos e salmos e, quando estes são eliminados, permanece apenas a antífona, sem o salmo, o que constitui um verdadeiro e próprio absurdo”…

“De forma análoga, aparecem as procissões do ofertório, nas quais emerge a concepção própria da religiosidade natural que tende a aplacar a divindade através de dons e oferendas”…

Celebração do Neocatecumenato.

Celebração do Neocatecumenato.

“A Igreja tolerou durante séculos formas não genuínas. O ‘Gloria’, que fazia parte da liturgia das horas recitada pelos monges, entrou na missa quando se fez, das duas ações litúrgicas, uma única celebração. O ‘Credo’ fez sua aparição quando surgiram as heresias e apostasias. Também o ‘Orate Fratres’ é um grande exemplo das orações com as quais se ornamentava a missa”…

“Com o passar dos séculos, as orações privadas são incluídas em grande quantidade na missa. Já não existe a assembléia, a missa adquiriu um tom penitencial, em nítido contraste com a exultação pascal da qual surgiu”…

“E enquanto o povo vive a privatização da missa, por parte dos doutos são elaboradas teologias racionais que, embora contendo ‘in nuce’ o essencial da Revelação, estão cobertas por hábitos filosóficos alheios a Cristo e aos apóstolos”…

“Então se entende porque surgiu Lutero, que fez tabula rasa de tudo o que ele acreditava ser acréscimo ou tradição puramente humana”…

“Lutero, que nunca duvidou da presença real de Cristo na eucaristia, rechaçou a ‘transubstanciação’ por ser vinculada ao conceito de substância aristotélico-tomista, alheio à Igreja dos apóstolos e dos Padres”…

“A rigidez e o fixismo do Concílio de Trento geraram uma mentalidade estática na liturgia que chegou até os nossos dias, disposta a se escandalizar com qualquer mudança ou transformação. Isso é um erro, pois a liturgia é Vida, uma realidade que é o Espírito vivo entre os homens. Por isso não se pode engarrafá-la”…

“Fora já de uma mentalidade legalista e fixista, assistimos, com o Concílio Vaticano II, uma profunda renovação da liturgia. Eliminou-se da eucaristia toda essa pompa que a recobria. É interessante ver que, inicialmente, a anáfora [isto é, a oração da consagração – ndr de Chiesa] não estava escrita, mas era improvisada pelo presidente”…

“A celebração da eucaristia no sábado à noite não é para facilitar o êxodo dominical, mas para ir às raízes: o dia de descanso para os hebreus começa a partir das três primeiras estrelas da sexta-feira, e as primeiras vésperas do domingo para toda a Igreja são, desde sempre, o sábado à noite”…

“Com o sábado, trata-se de entrar na festa com todo o ser, para se sentar à mesa do Grande Rei e provar já hoje o banquete da vida eterna. Depois da ceia, um pouco de festa cordial e amigável concluirá esta jornada”…

Uma pergunta

Este seria “o espírito da liturgia” – título de um livro capital de Joseph Ratzinger – que as autoridades vaticanas se preparam para validar, com a práxis que dele decorre?

4 janeiro, 2012

Fim do Caminho nas Filipinas?

Quando surgem fortes rumores de que as extravagâncias litúrgicas do Caminho Neocatecumenal seriam definitivamente aprovadas pela Santa Sé, um arcebispo, a exemplo de seus confrades japoneses, adota medidas restritivas em relação a este movimento.

Circular 2011-38 – 16 de dezembro de 2011.

Meus caros irmãos no sacerdócio:

Arcebispo Villegas com Bento XVI.

Arcebispo Villegas com Bento XVI.

Em minha carta do Domingo de Pentecostes deste ano, intitulada “Buscando a Comunhão na Caridade: Instruções Pastorais sobre o Caminho Neocatecumenal”, estabeleci algumas diretrizes pastorais para assegurar que os membros do laicato Católico que adotaram o Caminho possam se encontrar sempre integrados à vida comunitária paroquial.

Onde já há comunidades existentes, os assuntos relacionados à abertura de novas comunidades e ao início de novas catequeses foram confiados à discrição do pároco. Após consultar alguns membros do presbitério, é nosso discernimento de que nenhuma nova comunidade do Caminho Neocatecumenal deve ser aberta e nenhuma nova catequese deve ser iniciada no ano de 2012. Pelo contrário, os membros do laicato Católico que começaram a trilhar o Caminho devem simplesmente ser mantidos e guiados em direção aos próximos passos. Devemos concentrar nossos esforços sobre aqueles que já estão trilhando o Caminho e nos abster de iniciar novas comunidades até que todas as questões sobre o Caminho tenham sido claramente resolvidas.

Ademais, as diretrizes da arquidiocese a respeito dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão devem ser diligentemente observadas também quando forem celebradas Missas com as comunidades Neocatecumenais. Apenas os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão devidamente investidos podem auxiliar na distribuição da Sagrada Comunhão.

Por favor, guiai-vos por esta diretriz e transmiti-a aos paroquianos que estão trilhando o Caminho. Obrigado.

Sinceramente vosso,

+SOCRATES B. VILLEGAS

Arcebispo de Lingayen Dagupan

Fonte: Arquidiocese de Lingayen Dagupan via Osservatorio sul Cammino Neocatecumenale. Tradução: Fratres in Unum.com. Nosso agradecimento a uma caríssima amiga pela indicação.

26 agosto, 2011

O Professor Ratzinger? Bom demais.

Em um primeiro exame, tende a promover a todos, mesmo aqueles grupos e movimentos que logo lhe trarão grandes desilusões. Três casos de estudo: os neocatecumenais, os monges de Vallechiara e os Arautos do Evangelho.

por Sandro Magister – Tradução: Fratres in Unum.com

ROMA, 26 de agosto de 2011 – Como lhes é tradicional, os neocatecumenais participaram em grande número da Jornada Mundial da Juventude, em Madri. E acrescentaram ali o seu “day after”, esta também uma segunda tradição.

Na tarde de segunda-feira, 22 de agosto, eles se reuniram na centralizada Plaza de Cibeles, para celebrar o rito do “chamado” ao sacerdócio ou à vida religiosa, com seu fundador Francisco José Gómez Argüello, apelidado Kiko, atuando como âncora, rodeado pelo arcebispo de Madri, Antonoi María Rouco Varela, e por dezenas de outros bispos de todo o mundo [ndr: entre eles, o bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Arêas Rifan]

A praça estava repleta de neocatecumenais de diversas nações, 180 mil ao todo, dos quais 50 mil eram italianos e 40 mil espanhóis.

Exatamente 750 chegaram de somente duas paróquias de Roma, a cidade em que o Caminho Neocatecumenal está mais presente.

O “chamado” teve uma resposta massiva. Cerca de 9 mil jovens de ambos os sexos se deslocaram da praça para o palco, para receber dos bispos a benção sobre suas escolhas vocacionais.

Ao inflamar a multidão, Kiko não deixou – como faz com freqüência — de se vangloriar do apoio do então professor de teologia Joseph Ratzinger ao estabelecimento do Caminho Neocatecumenal na Alemanha, em 1974.

Naquele ano, Stefano Gannarini e outros discípulos italianos de Ratzinger em Ratisbona, informaram-lhe que tinham ingressado no Caminho Neocatecumenal, em Roma, e que ficaram entusiasmados.

Seu entusiasmo contagiou o professor Ratzinger, que quis encontrar em sua casa, para jantar, Kiko e a outra fundadora do Caminho, a ex-freira Carmen Hernández.

O encontro se estendeu até o dia seguinte, por vontade de Ratzinger, então bispo auxiliar de Munique.

E pouco mais tarde, Ratzinger escreveu a dois de seus amigos sacerdotes da diocese de Munique, recomendando-lhes calorosamente que desenvolvessem o Caminho em suas paróquias. O que realmente ocorreu.

Como toda vez que conta este episódio, também em Madri, Kiko releu enfaticamente algumas frases dessas duas cartas de Ratzinger.

O que não muda o fato de que o Caminho tenha criado, posteriormente, momentos difíceis ao próprio Ratzinger, convertido em prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, por último, em Papa.

Os textos do catecismo escrito por Kiko e Carmen para a formação dos membros do Caminho – até agora mantidos em segredo – demandaram efetivamente treze anos de revisões e correções pela Congregação para a Doutrina da Fé, antes de serem aprovados em 2010.

E também a forma com que os neocatecumenais celebram a Missa e os outros sacramentos foram objeto de reclamações e correções insistentes, que nem sempre chegaram a bom porto, por parte das autoridades vaticanas.

Se em 1974 o então jovem professor Ratzinger tivesse tido conhecimento dos defeitos do Caminho nas esferas da doutrina e da liturgia, seu entusiasmo teria dado lugar a uma maior cautela.

E este não é o único caso em que Ratzinger pecou por um excessivo otimismo inicial ao julgar os novos movimentos religiosos que depois lhe deram motivos de preocupação.

*

Um destes casos remete à Família Monástica Fraternidade de Jesus, estabelecida nos anos 80 em uma zona rural não distante de Castel Gandolfo, com várias dezenas de monges e monjas.

O fundador, o padre Tarcisio Benvenuti, deu o nome alusivo de Vallechiara a seu novo mosteiro e atraiu rapidamente as visitas e a simpatia de ilustres eclesiásticos, desde o arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, até o arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja anglicana, Rowan Williams.

Também o príncipe Carlos da Inglaterra, em 2002, visitou o mosteiro e as atividades da fazenda. E também o então Cardeal Ratzinger.

Ratzinger se entusiasmou tanto que em 8 de março de 2004 escreveu de próprio punho ao abade Benvenuti uma longa carta, cheia de elogios e encorajamento, ainda reproduzida no sítio da web da comunidade:

> “Stimato e caro padre Abate…”

Naquele mesmo ano, inclusive amadureceu no Vaticano o propósito de confiar à Família Monástica Fraternidade de Jesus o cuidado da basílica romana de São Paulo Fora dos Muros, no lugar dos monges beneditinos que residiam ali há muitos séculos, pouco numerosos e envelhecidos:

> Turnover a San Paolo fuori le Mura: arrivano i nuovi monaci contadini (3.9.2004)

Mas este foi o início do fim para o Padre Benvenuti e os seus. Os beneditinos, os verdadeiros, se levantaram contra eles, que consideravam falsos imitadores. E começaram a trazer à luz as numerosas e graves falhas da comunidade. Em 2007, já como Papa, Ratzinger enviou um abade beneditino para efetuar uma visitação apostólica, que produziu resultados desastrosos.

A comunidade foi colocada sob supervisão. O fundador e o co-fundador, os padres Benvenutti e Zeno Sartori, foram primeiramente transferidos aos mosteiros beneditinos de Praglia e Novalesa, e depois exilados em um santuário situado nas montanhas da Áustria, em St. Corona AM Wechsel, na arquidiocese de Viena.

Em 12 de abril de 2010, veio o golpe final. A congregação vaticana para a Vida Religiosa, presidida pelo Cardeal Franc Rodé, redigiu o decreto de supressão da Família Monástica Fraternidade de Jesus, decreto aprovado em forma específica por Bento XVI em 22 de abril seguinte.

*

Outro caso digno de estudo: os Arautos do Evangelho. São o único movimento católico de formação recente citados nominalmente por Bento XVI no último livro-entrevista “Luz do mundo”.

E citou para elogiá-lo: são “jovens cheios de entusiasmo por terem reconhecido em Cristo o Filho de Deus e por anunciá-lo ao mundo”; são a prova que também no Brasil – onde nasceram – “se assiste a grandes renascimentos católicos”.

A partir do Brasil, os Arautos do Evangelho se difundiram em dezenas de países. Em Roma estão a cargo da igreja de São Bento em Piscinula. São leigos e leigas consagradas, com alguns sacerdotes. Vivem em comunidade e vestem um uniforme quase militar de aspecto neo-medieval (ver foto).

Obtiveram o reconhecimento da Santa Sé em 2001. Mas seu fundador, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, provém de uma estirpe anterior e famosa, a do movimento Tradição, Família e Propriedade, conduzido por Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1985), de quem foi o colaborador e o intérprete mais próximo. Monsenhor Scognamiglio Clá Dias escreveu uma tese de doutorado sobre o pensamento e a vida de Corrêa de Oliveira.

Assim como a Tradição, Família e Propriedade, os Arautos do Evangelho são um movimento católico marcadamente tradicionalista e conservador, no extremo oposto das correntes católicas latino-americanas que se nutrem da Teologia da Libertação.

O conflito entre estas duas tendências teve recentemente por palco o vicariato apostólico de San Miguel de Sucumbíos, um posto avançado de missão na área amazônica do Equador, na fronteira com a Colômbia.

Até pouco tempo, este vicariato era dirigido por um bispo carmelita, Gonzalo Marañón López, simpatizante da teologia da libertação, e, conseqüentemente, das comunidades de base, da leitura popular da Bíblia e da criatividade litúrgica.

A Congregação para a Evangelização dos Povos, presidida pelo Cardeal Ivan Dias, não estava contente. E em 2007 enviou o arcebispo brasileiro de Petrópolis, Filippo Santoro, para realizar uma visitação apostólica.

No outono de 2010 seguiu a substituição do bispo Marañón López pelo sacerdote argentino Rafael Ibarguren Schindler, da Sociedade Clerical “Virgo Flos Carmeli”, o ramo sacerdotal dos Arautos do Evangelho.

O Cardeal Dias confiou oficialmente ao padre Ibarguren e aos Arautos do Evangelho a tarefa de reorganizar o vicariato “de modo diferente” com relação à organização anterior, rechaçada por “não estar sempre conforme a exigência pastoral da Igreja”.

Mas à sua chegada, os recém-chegados encontraram imediatamente a áspera oposição dos dirigentes por eles substituídos.

Seguiram-se meses de confusões verbais e às vezes também físicas, com protestos, apelos, passeatas e petições. Também a Conferência Episcopal do Equador se dividiu entre favoráveis e contrários. Intervieram na briga, contra os Arautos do Evangelho, inclusive expoentes do governo. Para mediar, teve de intervir o núncio apostólico, Dom Giacomo Guido Ottonello, respaldado na Secretaria de Estado vaticana por Monsenhor Angelo Accattino.

Hoje a confusão ainda não parece aplacada. Como outros movimentos católicos marcados por este mesmo perfil, os Arautos do Evangelho tendem, em todas as partes, a dividir. Há quem os admire e apóie irrestritamente, e quem, pelo contrário, não os suporte.

O mesmo ocorre com os neocatecumenais. Têm fervorsos admiradores entre os cardeais e bispos, mas também muitos opositores e críticos. Os bispos do Japão, por exemplo, recentemente romperam em bloco com eles. E o mesmo ocorreu há poucos dias no Nepal.

Os amplos elogios iniciais de Ratzinger nem sempre encontram confirmação nos fatos.

25 janeiro, 2011

Apesar de intervenção papal, bispo japonês vai em frente e suspende Neocatecumenato em sua diocese.

O bispo da diocese japonesa de Takamatsu decidiu suspender as atividades do Caminho Neocatecumenal em sua igreja local. Sem esperar a chegada do enviado papal ao Japão, que haverá de buscar uma solução para o conflito entre os bispos japoneses e o Caminho, o prelado escreveu uma carta pastoral explicando as razões de sua decisão. A mesma chega depois da divulgação da vontade de Bento XVI a favor da contuidade do Caminho no país asiático.

(InfoCatólica – Tradução: Fratres in Unum.com) Dom Osamu Mizobe ordenou aos membros do Caminho Neocatecumenal, na diocese de Takamatsu, que suspendam suas atividades. O prelado escreveu uma carta pastoral, publicada em Ucanews, na qual explica alguns detalhes da reunião que ocorreu em Roma em dezembro passado, na qual se abordou o conflito entre os bispos japoneses e o Caminho.

Dom Mizobe assegura que o problema com o Caminho Neocatecumenal não ocorre apenas no Japão. Neste sentido, recorda que a arqudiocese de Clifton, na Inglaterra, proibiu todas as atividades do Caminho e também assinala o fato que a Conferência dos bispos da Palestina publicou um documento pedindo ao Caminho que pratique um auto-controle de suas atividades.

Envio de delegado papal

Após a reunião em Roma, o Núncio do Papa no Japão manteve um encontro com o arcebispo de Tóquio e os bispos que estiveram no Vaticano. Então lhes comunicou que era bastante provável que um enviado especial do Santo Padre fosse mandado ao Japão. Até então, no entanto, segundo Dom Mizobe, chegou-se ao acordo de que, em relação às atividades do Caminho, cada bispo era livre para proceder como considerasse oportuno para sua diocese.

Segundo o bispo de Tamakatsu, na reunião de Roma, os prelados japonêses colocaram ênfase especial em que o conflito tem relação com as leis disciplinares das dioceses e, portanto, depende da jurisdição dos bispos das mesmas. Enfatizamos que o fato de que o Caminho Neocatecumenal tenha sido aprovado por Roma não implica automaticamente que uma diocese local deva aceitá-los”, explica Dom Mizobe. O prelado assegura que insistiram no fato de que a pessoa que melhor entende a situação de uma igreja local é seu bispo e que qualquer decisão que se queira tomar em Roma deve e começar com uma discussão com os bispos das igrejas locais.

O Papa esteve presente na reunião

Segundo Dom Mizobe, as opiniões dos cardeais presentes na reunião foram diversas, de modo que consideraram que a reunião foi mais uma expressão da opinião pessoal dos presentes na mesma do que uma discussão sobre o fundo da questão. Cabe destacar que um dos presentes foi o próprio Bento XVI.

O bispo de Takamatsu reconhece que ficou muito claro que a decisão da Conferência Episcopal do Japão de suspender as atividades do Caminho era um “grande problema para o Vaticano”. Ademais, assegura que o Papa Bento XVI disse que estava pensando positivamente sobre a possibilidade de enviar um delegado especial ao Japão.

Dom Mizobe garante não ter dúvida alguma de que o Papa enviará seu delegado a sua diocese, mas diz que tal envio é uma amostra de quão grande é o racha na diocese causado pela presença do Caminho Neocatecumenal.

O bispo termina sua carta comunicando sua diocese a respeito das atividades do Caminho em sua diocese:

Não é admissível a nenhuma organização ou movimento fazer o possível para impedir que o Bispo atue em sua diocese. É importante que todos nós nos encaremos seriamente os sucessos que se produziram em nossa diocese nos últimos 20 anos e continuam ocorrendo. Não é o momento para alguém dedicar somente aos interesses de seu grupo, mas, antes, hora de pensar em formas de servir a diocese. Em nossa diocese, reunida em torno de nosso bispo, encontramo-nos em um ponto crucial no caminho em direção a um “Renascimento e Unidade” autênticos.

A conclusão a que cheguei é que, até que tenhamos recebido os resultados da visita do enviado especial do Santo Padre, peço-lhes que suspendam todas as atividades do Caminho Neocatecumenal na diocese. A decisão foi aprovada tanto pelo Conselho Presbiteral como pelo Conselho Pastoral da diocese. Não é uma decisão que signifique que o diálogo acabou, mas, antes, uma oportunidade para que todos reflitamos.

Quando um processo se desvia, diz-se que é necessário voltar ao ponto de partida. Creio que “AGORA” é um bom momento para que voltemos ao ponto de partida. Esta decisão não significa que os membros do Caminho Neocatecumenal estejam excluídos das atividades da diocese. Também desejo que o povo da diocese participe ativamente no processo de três anos que começamos para revitalizar nossa diocese. Não há nenhuma pessoa desta diocese que possa estar isenta de participar neste processo.

10 janeiro, 2011

Caminho Neocatecumenal não será suspenso no Japão.

Papa se reuniu com bispos japoneses no dia 13 de dezembro

MADRI, sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O Caminho Neocatecumenal não será suspenso no Japão dentro de cinco anos, como havia anunciado a Conferência Episcopal do país, mas buscará uma solução negociada para possíveis mal-entendidos.

Esta é a principal conclusão da reunião realizada em 13 de dezembro passado, entre o Papa Bento XVI, uma representação de vários bispos japoneses, incluindo o presidente da Conferência Episcopal, Dom Leo Ikenaga, e alguns líderes de dicastérios da Cúria Romana, como o secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone.

Esta decisão foi recentemente enviada por escrito, pela Secretaria de Estado, aos iniciadores do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello, Carmen Hernández e Mario Pezzi, segundo informou hoje a ZENIT Álvaro de Juana, delegado de comunicação desta realidade eclesial na Espanha.

O encontro entre o Papa e os representantes do episcopado japonês foi realizado para discutir alguns aspectos sobre o Caminho Neocatecumenal no país.

A causa disso foi a decisão, declarada publicamente no início do Advento por bispos japoneses, de que esta realidade eclesial suspenderia suas atividades no país no prazo de cinco anos.

Conforme explicou a De Juana, “a Santa Sé tomou uma série de decisões. A primeira delas indica que a suspensão do Caminho Neocatecumenal no Japão em cinco anos, como alegado pela Conferência Episcopal do país, não é admissível”.

Por outro lado, disse, “o diálogo entre os bispos do Japão e o Caminho Neocatecumenal deverá ser retomado logo que possível, com a ajuda de um delegado competente, que tenha amor pelo Caminho e respeito pelos problemas dos bispos”.

“Por fim, devem dar, se for necessário, instruções específicas para o Caminho, para cada uma das suas próprias dioceses, evitando pronunciamentos da Conferência Episcopal”, explicou De Juana.

“A Santa Sé lembra ainda que a Secretaria de Estado será a responsável pelas instruções necessárias e abordará, em contato Congregação para a Evangelização dos Povos, as questões relativas à presença do Caminho nesse país”, disse o porta-voz do movimento.

Esta decisão marca um importante ponto de referência para a questão suscitada pela recusa dos bispos japoneses ao Caminho Neocatecumenal, uma realidade eclesial pós-conciliar surgida na Espanha por meio do pintor Kiko Argüello, e que hoje está presente em mais de 5 mil paróquias dos cinco continentes.

17 dezembro, 2010

Bispos japoneses querem que Neocatecumenato encerre atividades no Japão por cinco anos.

O co-fundador do Neocatecumenato, Kiko Arguello, e o Arcebispo Mitsuaki Takami.

O co-fundador do Neocatecumenato, Kiko Arguello, e o Arcebispo Mitsuaki Takami.

Cidade do Vaticano, 16 Dez, 2010 / 07:32 pm (CNA/EWTN News). Citando anos de “problemas”, os bispos Católicos do Japão pediram ao Caminho Neocatecumenal que encerrassem suas atividades no país pelos próximos cinco anos.

O Arcebispo Joseph Mitsuaki Takami, de Nagasaki, disse a CNA, em 15 de dezembro, que a proposta dos bispos, feita diretamente ao fundador do Caminho, Kiko Arguello, até agora não foi aceita.

Dom Takami foi contatado em sua casa em Nagasaki. Quatro outros bispos japoneses participaram, em 13 de dezembro, de um encontro a portas fechadas com o Papa Bento XVI.

O Papa convocou a reunião a fim de discutir a proposta dos bispos. Dom Takami demonstrou que o Papa não estava confortável com o plano. Nem o Vaticano, nem os oficiais do Caminho Neocatecumenal, fizeram qualquer comentário público sobre o encontro ou as propostas.

O carismático grupo Católico foi fundado na Espanha na década de 60 e é dedicado à contínua formação religiosa de Católicos adultos. O movimento vem operando no Japão por mais de 30 anos. Mas, ultimamente, as relações entre os líderes do Caminho e os bispos do país estão em águas perturbadas.

O Arcebispo Peter Takeo Okada, de Tóquio, falou primeiramente com o Papa em dezembro de 2007. Ele descreveu a presença do Caminho na pequena comunidade Católica do Japão como “um problema sério”.

A “poderosa atividade ao modo de seita dos membros do Caminho é divisiva e confrontante”, e causou “intensas e dolorosas divisões e rixas dentro da Igreja”, disse ao Papa.

Conversas posteriores entre os bispos e o Papa levaram ao fechamento do seminário do Caminho em Takamatsu, em março de 2009.

Após o fechamento do seminário, os seminaristas foram enviados ao seminário do Caminho em Roma, Redepmtoris Mater. Dom Takaaki Hirayama, bispo emérito de Oita, Japão, tornou-se seu reitor.

O Padre Angel Luis Romero, vice-reitor do seminário em Roma, disse ao CNA que nem ele, nem Dom Hirayama, consideravam prudente fazer qualquer declaração no momento. Eles esperavam uma declaração oficial a ser publicada pelo Caminho em breve.

Padre Romero disse que 21 homens estão matriculados no programa do seminário japonês; dois foram ordenados desde que as instalações foram transferidas. Os dois novos padres, um italiano e um outro japonês, estão no momento trabalhando em Roma.

Junto com o fechamento do seminário, o Vaticano também nomeou um vigário para cooperar com os bispos na determinação da a continuidade da presença do Caminho no Japão. Na época, o Vaticano expressou “confiança” de que o seminário, no futuro, “continuaria a contribuir para a evangelização do Japão do modo considerado mais apropriado a este objetivo”.

Mas Dom Takami disse que os problemas são difíceis de resolver. O Caminho, disse, “criou muito problema na diocese de Takamatsy em muitas áreas”.

Ele disse que após as suas próprias experiências com um padre do Caminho e ao ouvir problemas similares de outros bispos, decidiu não permitir o exercício do ministério de padres do Caminho em sua arquidiocese.

“A obediência dividida dos padres do Caminho — tanto ao bispo local como aos seus superiores em Tóquio — causam grandes dificuldades”, explicou.

“Eles dizem que querem ser obedientes ao bispo em cuja diocese trabalham, mas não o fazem, não completamente, de todo modo, não suficientemente ou da maneira adequada”, disse.

Os problemas dizem respeito não apenas à autoridade, mas também com o modo como a Missa é celebrada.

Enquanto os padres do Caminho usam a Missa vernacular em japonês, as músicas e cantos usados não o são. “Usam tudo o que eles têm segundo a espiritualidade do Kiko, que é muito, muito diferente de nossa cultura e de nossa mentalidade”. disse o Arcebispo Takami.

Além disso, afirmou, os membros do Caminho promovem suas celebrações como superiores com relação ao modo “imperfeito” com que a Missa é celebrada pelos padres diocesanos comuns. Isso também cria divisão dentro das paróquias.

Há também a questão financeira. O Caminho mantém suas finanças separadas daquelas da paróquia, que tornam difíceis os relatórios para o governo e enfraquecem as paróquias.

Os frustrados bispos japoneses ainda estão procurando estabelecer diretrizes para a presença do Caminho no Japão, relatou Dom Takami.

Ele não sabe o que exatamente foi dito no encontro entre o Papa e seus irmãos bispos. Disse que “todos os bispos do Japão estão muito interessados neste encontro”.

Dom Takami enfatizou que os bispos estavam unidos no desejado de obedecer as decisões do Papa sobre o futuro do Caminho no Japão.

Explicou a proposta que os bispos fizeram ao co-fundador do Caminho, Kiko Arguello.

O Caminho deixaria de operar por cinco anos e usaria o tempo “para refletir sobre suas atividades no Japão”, precisou.

“Ao fim, após cinco anos”, comentou o Arcebispo Takami, “nós estaremos prontos para discutir as coisas com eles. Não queremos que partam e nunca mais voltem. Não, não. Queremos que trabalhem de um modo que gostamos e para tal eles terão que aprender o idioma japonês e particularmente a cultura japonesa”.

21 novembro, 2010

Foto da semana.

Acordar, tomar café, fazer uma caminhada e... dar uma palavrinha com o Papa. Eis o protocolo dos líderes do Caminho Neocatecumenal, respectivamente, “Kiko” Argüello, Carmen Hernández e Pe. Mario Pezzi, recebidos pelo Papa, em 13 de novembro passado, a fim de dar informações sobre a próxima Jornada Mundial da Juventude. Fonte: Santa Iglesia Militante.

Acordar, tomar café, fazer uma caminhada e... dar uma palavrinha com o Papa. Eis o protocolo dos líderes do Caminho Neocatecumenal, respectivamente, “Kiko” Argüello, Carmen Hernández e Pe. Mario Pezzi, recebidos pelo Papa, em 13 de novembro passado, a fim de dar informações sobre a próxima Jornada Mundial da Juventude. Fonte: Santa Iglesia Militante.

4 março, 2010

O machado de Dom Ranjith sobre os movimentos de “renovação”: um basta nas danças, palmas, arbitrariedades na liturgia, “louvor e adoração”.

Colombo (Sri Lanka), Dom Ranjith declara guerra aos desvios litúrgicos dos Neocatecumenais [e dos Carismáticos] : “Vetados os cantos e danças durante a missa, obrigatória a comunhão de joelhos”

CIDADE DO VATICANO (Petrus) – Dom Malcolm Ranjith é alguém que entende de Liturgia. Foi, de fato, Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos antes de Bento XVI nomeá-lo, no ano passado, arcebispo de Colombo, no Sri Lanka. O Papa confia muito nele, a tal ponto que deve criá-lo Cardeal no próximo consistório. Dom Ranjith (na foto) se tornou muito admirado nos seus anos de serviço no Vaticano pela nobre defesa da gloriosa tradição litúrgica da Igreja, uma batalha que retomou energicamente em sua nova diocese, proibindo extravagância e improvisações durante a celebração da Eucaristia e “recomendando” a administração da Comunhão apenas sobre a língua e aos fiéis ajoelhados, como já é o caso durante a missa presidida pelo Pontífice. Mas aqui está o texto completo, rico em muitíssimos elementos, enviado pelo arcebispo de Colombo a seus sacerdotes e fiéis, com particular referência àqueles pertencentes aos movimentos (entre os quais recai seguramente o Caminho Neocatecumenal, mas Dom Ranjith não o cita explicitamente) que, habitualmente, se aproximam da Eucaristia de um modo diferente do estabelecido pela Igreja ou participam da missa com cantos e danças em torno do altar, permitindo, contudo, a pregação por leigos durante a celebração:

“Queridos irmãos e irmãs,

Recentemente, algumas pessoas e movimentos católicos de renovação desenvolveram muitos exercícios para-litúrgicos não previstos pelo calendário paroquial ordinário. Apreciando as numerosas conversões, o valor do testemunho, o entusiasmo renovado pela oração, a participação dinâmica e a sede da Palavra de Deus, como bispo diocesano e administrador geral dos mistérios de Deus na igreja local a mim confiada, sou o moderador, o promotor e o guardião da vida litúrgica da arquidiocese de Colombo. Como tal, vos convido a refletir sobre os aspectos litúrgicos e eclesiológicos relacionados a esta nova situação e vos peço insistentemente que respeiteis as diretrizes enunciadas na presente circular de efeito imediato. A Eucaristia é a celebração do mistério pascal por excelência dado à Igreja pelo próprio Jesus Cristo. Jesus Cristo é o princípio de toda liturgia na Igreja e por esta razão toda liturgia é essencialmente de origem divina. Ela é o exercício da Sua função sacerdotal e, portanto, não é certamente um simples empreendimento humano ou uma inovação piedosa. Na verdade, é incorreto definí-la uma simples celebração da vida. É muito mais do que isso. É a fonte e o ápice do qual todas as graças divinas enchem a igreja. Este sagrado mistério foi confiado aos apóstolos pelo Senhor e a Igreja cuidadosamente preservou a celebração ao longo dos séculos, dando vida à tradição sagrada e a uma teologia que não cedem à interpretação individual ou privada. Nenhum padre, conseqüentemente, diocesano ou religioso que seja, proveniente de uma outra arquidiocese ou mesmo do exterior, está autorizado a modificar, adicionar ou suprimir qualquer coisa no rito sagrado da missa. Não se trata de uma novidade, mas de uma decisão tomada em 1963 pela Constituição “Sacrosanctum Concilium” (22, 3), a Constituição Dogmática sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, posteriormente reiterada várias vezes em documentos como “Sacramentum Caritatis”, de Sua Santidade Bento XVI, e “Ecclesia de Eucharistia” do Papa João Paulo II, de venerada memória. A este respeito, convém mencionar explicitamente alguns elementos: os sacerdotes não estão autorizados a modificar ou improvisar a Oração Eucarística ou outras orações imutáveis da Missa — mesmo quando se trata de dar detalhes sobre um elemento já presente — cantando respostas ou explicações diferentes. Devemos compreender que a liturgia da Igreja é estreitamente ligada à sua fé e sua tradição: “Lex orandi, lex credendi”, a regra da oração é a regra de fé! A liturgia nos foi dada somente pelo Senhor, ninguém mais, portanto, tem o direito de mudá-la; as manifestações do tipo “Praise and Worship” (literalmente “louvor e adoração”, mas aqui diz respeito a uma corrente musical de estilo gospel, NdT) não são permitidos no rito da Missa. A música desordenada e ensurdecedora, as palmas, os longos discursos e os gestos que perturbam a sobriedade da celebração não são autorizados. É muito importante que compreendamos a sensibilidade cultural e religiosa do povo do Sri Lanka. A maioria dos nossos compatriotas são budistas e por este motivo estão habituados a um culto profundamente sóbrio; por sua vez, nem os muçulmanos nem os hindus criam agitação em sua oração. Em nosso país, além do mais, há uma forte oposição às seitas cristãs fundamentalistas e nós, como católicos, nos esforçamos para fazer compreender que os católicos são diferentes dessas seitas. Alguns destes chamados exercícios de louvor e adoração se assemelham mais aos exercícios religiosos fundamentalistas que a um culto católico romano. Que seja permitido respeitar a nossa diversidade cultural e a nossa sensibilidade; a Palavra de Deus prescrita não pode ser alterada aleatoriamente e o Salmo responsorial deve ser cantado e não substituído por cantos de meditação. A dimensão contemplativa da Palavra de Deus é de suma importância. Em alguns serviços para-litúrgicos as pessoas hoje têm a tendência a se tornar extremamente faladoras e tagarelas. Deus fala e nós devemos escutá-Lo; para ouvir bem, o silêncio e a meditação são mais necessários que a exuberância cacofônica; os sacerdotes devem pregar a Palavra de Deus sobre os mistérios litúrgicos celebrados. É expressamente proibido aos leigos pregar durante as celebrações litúrgicas; a Santíssima Eucaristia deve ser administrada com extremo cuidado e máximo respeito, e exclusivamente por aqueles autorizados a fazê-lo. Todos os ministros, ordinários e extraordinários, devem estar revestidos dos ornamentos litúrgicos apropriados. Recomendo a todos os fiéis, inclusive religiosos, receber a comunhão com reverência, de joelhos e na boca. A prática da auto-comunhão é proibida e pediria humildemente a cada sacerdote que a permite que suspendesse imediatamente esta prática; todos os sacerdotes devem seguir o rito da missa como determinado, de modo a não dar espaço a comparações ou opor as Missas celebradas por alguns sacerdotes às outras Missas ditas pelo resto dos sacerdotes; as bênçãos litúrgicas são reservadas exclusivamente aos ministros da liturgia: bispos, sacerdotes e diáconos. Todos podem rezar uns pelos outros. Recomenda-se insistentemente, entretanto, não usar gestos que podem provocar fantasias, confusões ou uma interpretação errônea”.