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3 janeiro, 2012

Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (IV): A versão de Dom Navarro.

“Pai, perdoa-lhes!”.

Por Dom Carlos Alberto Navarro, 10 de julho de 1988

D

uas tendências destroem a Igreja, após o Concílio Vaticano II: o “progressismo” e o “conservadorismo”. Quem fez tal afirmação, recentemente, foi o Papa João Paulo II. Tratemos, agora, apenas da segunda corrente.

Dois meses e meio após minha tomada de posse em Campos, e depois de ter visitado todas as paróquias, reuni todos os sacerdotes, e disse aos autodenominados “tradicionalistas”: “Padres, eu acabo de chegar a esta Diocese! Não tive nem tempo de ofender a vocês! Por que é que eu fui tão mal recebido assim, e maltratado, ao percorrer as Matrizes?”.

(E quem não se recorda, aliás, daqueles escândalos que foram manchetes nacionais: pancadaria dentro das igrejas, gritos, faixas, saídas precipitadas, ameaças de morte e de derramamento de sangue, etc… etc…?)

Um desses padres respondeu muito espontaneamente e, talvez, entendendo a injustiça que tinham praticado:

“Não, Senhor Bispo. Aquelas manifestações não foram contra o Sr., enquanto pessoa particular. Qualquer novo bispo que viesse para cá, a fim de fazer cumprir o Concílio Vaticano II, seria recebido dessa maneira!”

E, agora, eu pergunto: Por acaso eles esperavam um bispo que viesse negar, combater e destruir o Concílio, que é um novo pentecostes com que Deus enriqueceu Sua Igreja, no Século XX?

Hoje, sou eu quem se surpreende com a perturbação e o espanto de certas pessoas de nossa comunidade, ao verem até que ponto chegou o orgulho e a desobediência dos “tradicionalistas”. Por acaso – eu me pergunto – não se sobressaltaram, quando, desde a primeira semana, eu, sendo o novo bispo indicado pelo Sucessor de Pedro e pelo Espírito Santo, fui injuriado, afrontado, desprezado, reprovado, condenado, ultrajado, vilipendiado? Quem ficou cego até agora nunca mais vai enxergar!

Basta relembrar a minha tomada de posse, em frente à Catedral! O ato não foi durante a Missa, pois esta era refutada, ao menos, como suspeita de heresia! Mocinhas e senhoras idosas alfinetavam as pessoas do sexo feminino que desejavam entrar no templo, quando eram julgadas como “indecentemente” vestidas. Os padres tradicionalistas teatralizaram uma “Promessa de Obediência”, com genuflexões e beijos no anel do novo bispo, mas, jamais obedeceram ao pastor, em nada.

E, agora, continuam os despropósitos. Advertem que não aceitam a punição. (Como se ela dependesse da aceitação ou não deles!) Propalam que a excomunhão é inválida (Eles têm mais poder que o Papa!); que é falsa a argumentação da Igreja (Só eles têm a verdade.) Comparam o Santo Padre a Nero e a Pilatos. (Sem comentário!). Asseveram que Dom Léfèbvre negou a autoridade do Papa, “mas não tinha a finalidade de negar” (Entenda-se!); procuram alguém que possa lançar a pena de excomunhão sobre o Papa (Enlouqueceram?); asseguram que não estão atemorizados e que nada se alterou no campo deles (É pena, pois, assim, estão longe da conversão!); João Paulo II é acusado de ser escandaloso, de passear pelo mundo e participar de ritos satânicos (Jesus também foi chamado de beberrão e de satanás por Seus inimigos). Paremos por aqui…

O Documento da Santa Sé, do qual constam as excomunhões, previne: aqueles que continuarem seguindo o bispo rebelde correm o risco de ser excomungados.

Realmente, não há nada a festejar, com alegria, numa morte, numa separação ou divórcio! Nem também, nunca, na Igreja, alguém celebrou uma excomunhão.

Só Jesus, na Cruz, entendeu perfeitamente o mistério do pecado, por isso, cheio de misericórdia, exclamou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!” (Lc. 23,34). Como Maria, seja esta também nossa oração!

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17 fevereiro, 2009

Carta de fiel de Campos – RJ.

Salve Maria!

Escrevo-lhes esse e-mail pois venho acompanhando sua homepage e, como sou de Campos, trago notícias da realidade daqui.

É triste ver o bispo Rifan defender o que sempre condenou. Antes dizia: “Eu sou católico apostólico romano. E é exatamente para ser católico autêntico que eu conservo a mesma doutrina, a mesma orientação, a mesma moral, a mesma missa que a Igreja conservou e ensinou. E é por isso que combatemos os erros que, infelizmente, se instalaram nos meios católicos, nas Igrejas, patrocinados pelas próprias autoridades. É para sermos fiéis à Igreja, para sermos católicos legítimos, não apenas de nome, que nós combatemos essa profanação da Igreja, essa protestantização da liturgia com a Missa nova (…). A conseqüência é que os católicos estão perdendo a Fé. (…) Mas é questão de Fé, não é rebeldia nossa, é questão de fidelidade à autêntica doutrina católica“.

Agora declara mídia afora que preserva a Liturgia Tradicional não “porque é contra o Concílio Vaticano II e não porque é contra a ortodoxia da Missa Nova“… já não é mais questão de Fé… é por apego, puro gosto.

Desde o decreto de 21 de Janeiro nada se falou nas Igrejas da Administração Apostólica sobre o assunto. Escrevi ao bispo esperando respostas, mas, como sempre, o mesmo tenta justificar-se. Inclusive diz que não quer mais responder e-mails meus.

Agora, o bispo Dom Fernando Arêas Rifan ordenou que todos os padres da Administração Apostólica leiam pra os fiéis durante o sermão de 15 de fevereiro de 2009 dois documentos.

O primeiro é a carta que sua Excelência Reverendíssima escreveu em 30 de janeiro do corrente ano aos bispos da Fraternidade São Pio X.

Outdoor colocado em Campos por fiéis. Clique para ampliar.

Outdoor colocado em Campos. Clique para ampliar.

O trecho ordenado para leitura mostra apenas a “introdução” da carta, que não é lida por completo. Assim, omite-se a opinião de Dom Rifan que diz que a Fraternidade defende doutrinas heréticas.

O segundo documento é da Congregação para os Bispos no qual fala-se que a Fraternidade apenas conseguiu o levantamento da excomunhão, estando ainda sem nenhuma função na Igreja e que só estará em plena comunhão após aceitar o Concílio Vaticano II. Ainda expõe que a opinião de D. Williamsom sobre o Holocausto é inaceitável e que o Papa não sabia desse seu ponto de vista quando retirou as excomunhões. Termina-se aí o pronunciamento a respeito dos acontecimentos.

Pois bem, após 25 dias do Santo Padre, através da Congregação para os Bispos, retirar e tornar sem efeitos jurídicos o decreto publicado em 1988 em que eram lançadas as excomunhões, o bispo Dom Rifan resolve se pronunciar aos fiéis da Administração Apostólica.

Por que esse silêncio de quase 1 mês?

Por que toda uma articulação agora nesse pronunciamento?

Só foi lida a parte da carta em que Sua Excelência Reverendíssima diz estar feliz pelo acontecido. Em seguida tem a preocupação de mostrar que a Fraternidade não está ainda em “plena comunhão com a Igreja”. E logo depois, fala-se sobre a declaração de Dom Williamson (que inclusive já escreveu uma belíssima carta desculpando-se ao Sumo Pontífice).

Os modernistas estão furiosos após a anulação das excomunhões. Querem de todo modo que Roma volte atrás. No entender do Superior da Fraternidade, se trata de uma “vingança para obrigar Roma a voltar atrás” e “desmantelar” a Fraternidade. “Mal se liberta de um rótulo e nos colam outro, muito mais grave”, lamentou.

Ora, talvez esse silêncio em relação aos acontecimentos tenha sido devido ao fato da Fraternidade ter conseguido esse feito sem a necessidade de acordos. Talvez esse silêncio deve-se ao fato da Fraternidade não ter traído a causa pela qual Dom Antônio e Dom Lefebvre sempre lutaram (a sã Doutrina Tradicional).

A Fraternidade conseguiu que as duas primícias fossem atendidas por Roma: liberação da missa de sempre (inclusive a declaração de que a mesma nunca foi abrrogada) e anulação das excomunhões de 1988. Agora dar-se-á início às conversações propriamente ditas.

Além de atender às duas condições, o Papa Bento XVI ainda deseja iniciar as conversações a respeito do Vaticano II e da Missa Nova o mais “rapidamente” possível.

Assim, o que a Fraternidade quer não é aceitar e reconhecer os erros advindos do Concílio Vaticano II, mas sim iniciar conversações com Roma.

Nós estamos felizes que o Decreto de 21 de Janeiro encare como “necessárias” as conversações com a Santa Sé, conversações que permitirão a Fraternidade Sacerdotal São Pio X expor as razões doutrinárias de fundo que ela considera estarem na origem das dificuldades atuais da Igreja“. (Dom Bernard Fellay, Comunicado de 24 de Janeiro de 2009, in Dici).

Apesar de sabermos que a excomunhão sempre foi contestável e sem razão de ser, alegremo-nos em memória de D. Lefebvre e D. Antônio que lutaram em suas vidas pela sã Doutrina Tradicional e tanto foram injuriados e acusados de excomungados. Alegremo-nos, pois a FSSPX conseguiu esse feito sem a necessidade de acordos que, como assistimos agora em Campos, fazem pessoas perderem a fé e a viverem pacificamente o erro, não mais condenando os erros modernistas. Alegremo-nos, pois, como já manifestado pelo Santo Padre, o Papa, agora poderão iniciar-se as conversações que levarão à condenação de todos os erros advindos do Concílio Vaticano II e que acarretaram a crise que assistimos na Igreja,

Obrigado Mons. Lefebvre e Dom Antônio, que pregaram a palavra e insistiram: “quer agrade, quer desagrade”! Que Nosso Senhor Jesus Cristo mantenha viva em nossos corações a Fé ensinada por Ele e defendida por vós enquanto fiéis servos de Deus!

In Iesu et Maria.

Laura P. F. Ramos

22 novembro, 2008

A sagração de Dom Licínio Rangel.

22 julho, 2008

O Concílio Maçônico – Dom Antonio de Castro Mayer

Reproduzimos este artigo de Dom Antonio de Castro Mayer publicado pelo Mosteiro da Santa Cruz:

Monitor Campista, 10/03/1985
Heri et Hodie, nº 59, novembro de 1988

Em 8 de dezembro de 1869 abriu-se em Roma o 1º Concílio do Vaticano. No mesmo dia, Ricciardi, deputado da Sabóia, inaugurava em Nápoles o “Anticoncílio Maçônico”, ao qual aderiram maçons de toda Europa. Destacam-se Victor Hugo, Edgard Quinet, Michelet e notadamente Giuseppe Garibaldi, o homem da destruição do poder temporal dos Papas. Pio IX tencionava firmar a Fé do povo católico contra o Racionalismo e o Naturalismo, implantados pela Revolução Francesa. A Maçonaria pretendia obviar a obra de Pio IX. Ricciardi sintetiza a tarefa do Concílio Maçônico nesta frase: “à cegueira e à mentira representadas pela Igreja Católica, particularmente o Papado, fazia-se uma declaração de guerra perpétua em nome do sagrado princípio da liberdade de consciência”.

Dia 16 de dezembro de 1869 o Concílio maçônico publicava suas resoluções: autonomia do Estado face à Religião, abolição da Religião de Estado, neutralidade religiosa do Ensino, independência da Moral diante da Religião.

A revista italiana católica “Chiesa viva” em seu número de novembro de 1984 dá o seguinte balanço, ao relacionar o anticoncílio maçônico de 1869 e o 2º Concílio do Vaticano, realizado menos de um século depois:
“A quem considera, entre os documentos do Vaticano II, o parágrafo 75 da constituição “Gaudium et spes” e de modo particular, a declaração “Dignitatis humanae” sobre a Liberdade Religiosa, não pode não perceber que este concílio acolhe todos os mais importantes princípios do “Anticoncílio” de 1869, do qual, em conseqüência, queira-se ou não, vem a constituir-se a continuação ideal, na oposição ao Vaticano I e ao Sílabo”.

E mais uma vez se registra que o Vaticano II está no centro da Crise da Igreja.