Posts tagged ‘Cardeal Dario Castrillon Hoyos’

12 junho, 2009

Notas: entrevista de D. Fellay ao seminário St. Thomas Aquinas.

Apresentamos algumas notas tomadas da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ao seminário americano da mesma em 5 de abril, Domingo de Ramos, deste ano. Não se trata de uma transcrição ipsis litteris, mas de anotações que buscam resumir o que há de mais importante nas quase duas horas de entrevista. Caso nossos amigos encontrem algo relevante que não tenha sido relatado abaixo, poderá nos informar na caixa de comentários.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Primeira parte da entrevista aqui.

É fato, Dom Williamson não atua mais como bispo na FSSPX. O “silenciamento” de Williamson é conseqüência de suas palavras “altamente imprudentes” que infringem leis em vários países de Europa. Segundo Dom Fellay, em fevereiro um homem foi sentenciado a 6 anos de prisão por dizer o mesmo que Dom Williamson. Com a União Européia, a possibilidade de Dom Williamson ser preso na Alemanha, mesmo estando na Inglaterra, é “muito grande”. As afirmações não trouxeram apenas limitações para dom Williamson, mas também problemas civis para a Fraternidade , que chegou a perder centros de missas e capelas, cujos locadores se recusaram a continuar tendo a FSSPX em suas dependências. Também outros projetos de expansão da Fraternidade foram perdidos. Conforme Dom Fellay, a FSSPX é uma organização da Igreja Católica e trabalha pelos propósitos da Igreja, que é a salvação das almas através da pregação da Revelação. Adentrar em matérias históricas não faz parte deste objetivo.

Pressão sobre Bento XVI: Dom Fellay crê que a entrevista feita em novembro foi usada exatamente no momento do levantamento das excomunhões para pôr pressão sobre o Papa, “tentando bloqueá-lo em seus esforços para fazer alguma restauração na Igreja e ir na direção correta”.

Questionado se Dom Williamson poderá servir a FSSPX de maneira ativa novamente, respondeu: “É uma questão difícil”. Se ele permanecer em sua posição, é difícil pensar que poderá realizar ordenações ou coisas importantes, pois a má fama de Dom Williamson se espalhará facilmente e atingirá a Fraternidade. “Posso dizer que o único modo que aparece agora, ao menos que essas circunstâncias mudem, seria que Dom Williamson se retratasse”.

“Mesma necessidade, mesma solução”: Sobre consagrar novos bispos numa nova “operação sobrevivência”, afirma que se as mesmas circunstâncias e necessidades se realizassem novamente e não existissem outras possibilidades, sim. Mas não crê que estas circunstâncias estejam já presentes.

Aos que crêem que qualquer contato com Roma constitui um compromisso e um perigo para a conservação da Fé Católica, Dom Fellay responde que o propósito em se manter relações deve ser a unidade na única Igreja Católica, que tem as promessas de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, e à qual devemos pertencer para ser salvos. Também sabemos que na Igreja há problemas e que eles sempre existiram em toda sua história. Comparando a crise da Igreja com um câncer, Dom Fellay diz que se deve combater o câncer, mas não a pessoa que dele padece. Temos que sustentar que a Igreja é um corpo visível. Quando se diz “igreja moderna”, “igreja conciliar”, “igreja oficial”, se faz uma simplificação que estritamente não é correta. As conversações não são fáceis e sem perigos, mas quando se espera que a Igreja melhore é necessário ajudar. A FSSPX conseguiu grandes feitos de Roma sem sequer uma concessão.

Ainda o caso Williamson: Dom Fellay diz que Roma teria inicialmente acolhido o pedido de desculpas de Dom Williamson, mas com o passar dos dias a pressão teria aumentado muito. Para aliviar a pressão sobre o Papa, Roma teria diminuído a importância da FSSPX e feito uma exigência até então nunca realizada com tal vigor: a plena aceitação do Concílio Vaticano II. Dom Fellay considera tal postura autoritária e muito estranha, que teria se dado para tranqüilizar os progressistas. Muitas conferências episcopais temem perder o que conquistaram desde o Concílio. Também considera muito estranho que se peça a aceitação da “Shoah”, quando a Igreja só deve exigir a fé católica. Não sabe como as coisas continuarão, já que a Fraternidade não esperava tudo isso, mas considera que essas ações sejam sinais para que ajam com muita prudência.

Na cúria: há aqueles muito favoráveis à verdadeira restauração da Igreja, têm um real entendimento da crise, mas são poucos. Contudo, as coisas estão muito melhores que há dez anos.

Devemos esperar que a situação se reverta. No Concílio, inicialmente, os liberais não eram maioria e manobraram para tomar a liderança. As pequenas coisas que vemos atualmente talvez sejam o começo de uma reviravolta que Dom Fellay espera que seja similar àquela. O progressismo está morrendo e não tem futuro, enquanto há força nos tradicionalistas. Cristo é a cabeça da Igreja e o Espírito Santo sua alma; Deus pode permitir que a Igreja sofra, mas também que seja curada, do modo que Ele quiser, quando quiser, aconteça o que acontecer. Deus pode permitir que da situação difícil venha a “ressurreição” da Igreja para provar ainda mais sua divindade.

Coragem e Fé: Não há dúvida que o levantamento do decreto das excomunhões foi um ato corajoso do Papa. Mas alguns questionam: ele tem Fé? Dom Fellay está certo que ele quer ter a Fé, mas alguns de seus livros de quando era jovem são “verdadeiramente embaraçosos, preocupantes”. O modo filosófico com que expressa sua fé pode inquietar algumas pessoas. É necessário fazer distinções, pois há heresias diretas onde se perde a fé ao pronunciá-las, pois heresia é contradizer um dogma, o que não é o caso. Dom Fellay crê que se alguém perguntar ao Papa se ele crê em determinado dogma, receberia a resposta católica, embora em determinados livros se tenha teses embaraçosas.

Discussões doutrinárias: Sua Excelência crê que começarão logo, pois todos querem que comecem. Não há elementos concretos. Não sabe onde serão realizadas e prefere textos em vez de conversas. A idéia é apresentar os problemas que a FSSPX tem com relação ao Concílio e esperar esclarecimentos.

Princípios que guiarão a FSSPX : a Fé e a Tradição. João Paulo II e hoje Bento XVI defendem uma ligação entre o Concílio e a Tradição.  Mesmo não havendo consenso sobre a palavra Tradição, Dom Fellay pensa ser uma boa direção. Direção esta que a FSSPX sempre seguiu. Afinal, o que seria mais importante: o Concílio ou o que a Igreja disse até agora? É claro que a Igreja não pode começar no Vaticano II; se é assim, há uma “nova Igreja” e os que a defendem não são católicos. Na Igreja não há nada novo, mas apenas crescimento homogêneo (precisões ou novos termos para eliminar erros, por exemplo, o uso do termo “transubstanciação”).  Portanto, deve-se considerar o concílio à luz da Tradição, isto é, seguindo o critério da Tradição. É absolutamente necessário que a luz da Tradição ilumine a Igreja hoje. Não se pode excluir que, por se estar tratando com filosofia moderna, é possível se ter um final não esperado. Neste caso a FSSPX continuaria seu caminho, colocando tudo nas mãos de Deus.

Novos padres podem se aproximar da FSSPX por causa do levantamento das excomunhões. A FSSPX reordenará estes padres sob condição?  A idéia de que toda ordenação no Novus Ordo seria inválida é errada. A posição correta é a mesma com relação à nova missa. “Em si mesma, estritamente falando, se todas as condições requeridas pela natureza dos sacramentos são respeitadas, temos que contar com a validade, embora experimentemos que certo número dos sacramentos são distribuídos  invalidamente por falta de um dos elementos”. São bispos que têm um conceito errôneo do que é ser padre. Em casos onde as dúvidas eram muito sérias, e considerando que a Igreja requer que se tenha certeza neste aspecto, realiza-se a reordenação sob condição. Dos que não há dúvidas, não há porque reordenar.

– Dom Fellay ouviu em Roma que se pretende impor o latim no cânon da nova missa.

O estado de necessidade ainda existe, pois a missa não é o único problema. É necessário ter uma visão ampla da situação da igreja. De jure há missa, mas na prática não. O Papa na carta aos bispos diz a fé corre o risco de desaparecer (“No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento”) . Isso prova o estado de necessidade.

Para se evitar posições extremas (se referindo aos que não querem contato algum com Roma) basta rezar pelo Papa, que tem o trabalho mais difícil da terra.

Maior desafio a ser ultrapassado na Igreja: sair da crise sem provocar uma maior. Colocar o trem nos trilhos quando há muita resistência. O risco de se despedaçar é enorme. Deve-se ir em direção à restauração sem sofrer maiores danos do que os atuais. É como ter um grande trem ou navio e uma grande curva.  Não se impõe a um trem em alta velocidade uma curva acentuada.

Sítios sedevecantistas americanos:  Dom Fellay não vê grandes diferenças entre internet, televisão, rádio e imprensa em geral. São meios que darão frutos conforme seu bom ou mau uso.  Os fiéis que colocam sua confiança em pseudo doutores sem autoridade nem missão na Igreja correm sério risco de pecar. Alguns sites citam palavras de Mons. Lefebvre ao cardeal Ratzinger onde ele diz, em suma, que mesmo se Roma desse a ele tudo que fosse necessário, não poderiam trabalhar juntos por Roma não aceitar a doutrina de Cristo Rei. Dom Lefebvre relatou este diálogo que se deu no verão de 1987 numa conferência aos seminaristas. Depois disso, Dom Lefebvre ainda diria numa carta entre julho-agosto de 1987 aos futuros bispos que Roma estava ocupada por ‘anticristos’.  Todavia, estes sites nunca citam que após estes acontecimentos Dom Lefebvre pediu uma visitação canônica de Roma, cujas discussões aconteceram em abril de 1988. Tais citações devem ser analisadas, portanto, em seu contexto. É prática atual analisar as coisas sem suas circunstâncias. É questão de honestidade intelectual procurar compreender o que quis dizer o autor da frase. Tivemos um tempo difícil com Roma e hoje o problema persiste. Dissemos ao Cardeal Castrillón o mesmo que Lefebvre disse em 1987: “Se nos querem, devem respeitar nossa identidade. Não vai dar certo se nos pedir para mudar nossa identidade”. Nosso Senhor é Senhor, e todos os poderes Lhe devem ser dados no céu e na terra. “Definitivamente não vamos mudar isso”.

– Por conta das manifestações de Dom Williamson a FSSPX chegou a perder centros de missas e capelas, cujos locadores se recusaram a continuar tendo a FSSPX em suas dependências. A FSSPX é uma organização da Igreja Católica e trabalha pelos propósitos da Igreja, que é a salvação das almas através da pregação da Revelação. Adentrar em matérias históricas não faz parte deste objetivo.

– Dom Fellay crê que a entrevista feita em novembro foi usada exatamente no momento do levantamento das excomunhões para pôr pressão sobre o Papa, “tentando bloqueá-lo seus esforços para fazer alguma restauração na Igreja e ir na direção correta”.

– Questionado se Dom Williamson poderá servir a FSSPX de maneira ativa novamente, respondeu: “É uma questão difícil”. Se ele permanecer em sua posição, é difícil pensar que poderá realizar ordenações ou coisas importantes, pois a má fama de Dom Williamson se espalhará facilmente e atingirá a Fraternidade. “Posso dizer que o único modo que aparece agora, ao menos que essas circunstâncias mudem, seria que Dom Williamson se retratasse”.

– “Mesma necessidade, mesma solução”: Sobre consagrar novos bispos numa nova “operação sobrevivência”: se as mesmas circunstâncias e necessidades se realizassem novamente e não existissem outras possibilidades, sim. Mas não crê que estas circunstâncias estejam já presentes.

– Aos que crêem que qualquer contato com Roma constitui um compromisso e um perigo para a conservação da Fé Católica, Dom Fellay responde que o propósito em se manter relações deve ser a unidade na única Igreja Católica, que tem as promessas de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, e à qual devemos pertencer para sermos salvos. Também sabemos que na Igreja há problemas e que eles sempre existiram em toda sua história. Comparando a crise da Igreja com um câncer, Dom Fellay diz que se deve combater o câncer, mas não a pessoa que dele padece. Temos que sustentar que a Igreja é um corpo visível. Quando se diz “igreja moderna”, “igreja conciliar”, “igreja oficial”, se faz uma simplificação que estritamente não é correta. As conversações não são fáceis e sem perigos, mas quando se espera que a Igreja melhore é necessário ajudar. A FSSPX conseguiu grandes feitos de Roma sem sequer uma concessão.

– Dom Fellay diz que Roma teria inicialmente acolhido o pedido de desculpas de Dom Williamson, mas que com o passar dos dias a pressão aumentou muito. Para aliviar a pressão sobre o Papa, Roma teria diminuído a importância da FSSPX e feito uma exigência até então nunca realizada com tal vigor: a plena aceitação do Concílio Vaticano II. Dom Fellay considera tal postura autoritária e muito estranha, que teria se dado para tranqüilizar os progressistas. Muitas conferências de bispos temem perder o que conquistaram desde o Concílio. Também considera muito estranho que se peça a aceitação da “Shoah”, quando a Igreja só deve exigir a fé católica. Não sabe como as coisas continuarão, já que a Fraternidade não esperava tudo isso, mas considera que essas ações sejam sinais para que ajam com muita prudência.

– Na cúria: há aqueles muito favoráveis à verdadeira restauração da Igreja, têm um real entendimento da crise, mas são poucos. Contudo, as coisas estão muito melhores que há dez anos.
– Devemos esperar que a situação se reverta. No Concílio, inicialmente, os liberais não eram maioria e manobraram para tomar a liderança. As pequenas coisas que vemos atualmente talvez sejam o começo de uma reviravolta que Dom Fellay espera que seja similar. O progressismo está morrendo e não tem futuro, enquanto há força nos tradicionalistas. Cristo é a cabeça da Igreja e o Espírito Santo sua alma; Deus pode permitir que a Igreja sofra, mas também que seja curada, do modo que Ele quiser, quando quiser, aconteça o que acontecer. Deus pode permitir que da situação difícil venha a “ressurreição” da Igreja para provar ainda mais sua divindade.
– Não há dúvida que o levantamento do decreto das excomunhões foi um ato corajoso do Papa. Mas alguns questionam: ele tem Fé? Dom Fellay está certo que ele quer ter a Fé, mas alguns de seus livros de quando era jovem são “verdadeiramente embaraçosos, preocupantes”. O modo filosófico com que expressa sua fé pode inquietar algumas pessoas. É necessário fazer distinções, pois há heresias diretas onde se perde a fé ao pronunciá-las, pois heresia é contradizer um dogma, o que não é o caso. Dom Fellay crê que se alguém perguntar ao Papa se ele crê em determinado dogma, receberia a resposta católica, embora em determinados livros se tenha teses embaraçosas.
– Discussões doutrinárias: Sua Excelência crê que começarão logo, pois todos querem que comecem. Não há elementos concretos. Não sabe onde serão realizadas e prefere textos em vez de conversas. A idéia é apresentar os problemas que a FSSPX tem com relação ao Concílio e esperar esclarecimentos.
– Princípios que guiarão a FSSPX : a Fé e a Tradição. João Paulo II e hoje Bento XVI defendem uma ligação entre o Concílio e a Tradição.  Mesmo não havendo consenso sobre a palavra Tradição, Dom Fellay pensa ser uma boa direção. Direção esta que a FSSPX sempre seguiu. Afinal, o que seria mais importante: o Concílio ou o que a Igreja disse até agora? É claro que a Igreja não pode começar no Vaticano II; se é assim, há uma “nova Igreja” e os que a defendem não são católicos. Na Igreja não há nada novo, mas apenas crescimento homogêneo (precisões ou novos termos para eliminar erros, por exemplo, o uso do termo “transubstanciação”).  Portanto, deve-se considerar o concílio à luz da Tradição, isto é, seguindo o critério da Tradição. É absolutamente necessário que a luz da Tradição ilumine a igreja hoje. Não se pode excluir que, por se estar tratando com filosofia moderna, é possível se ter um final não esperado. Neste caso a FSSPX continuaria seu caminho, colocando tudo nas mãos de Deus.
– Novos padres podem se aproximar da FSSPX por causa do levantamento das excomunhões. A FSSPX reordenará estes padres sob condição?  A idéia de que toda ordenação no Novus Ordo seria inválida é errada. A posição correta é a mesma com relação à nova missa. “Em si mesma, estritamente falando, se todas as condições requeridas pela natureza dos sacramentos são respeitadas, temos que contar com a validade, embora experimentemos que certo número dos sacramentos são distribuídos  invalidamente por falta de um dos elementos”. São bispos que têm um conceito errôneo do que é ser padre. Em casos onde as dúvidas eram muito sérias, e considerando que a Igreja requer que se tenha certeza neste aspecto, realiza-se a reordenação sob condição. Dos que não há dúvidas, não há porque reordenar.
– Dom Fellay ouviu em Roma que se pretende impor o latim no cânon da nova missa.
– O estado de necessidade ainda existe, pois a missa não é o único problema. É necessário ter uma visão ampla da situação da igreja. De jure há missa, mas na prática não. O Papa na carta aos bispos diz a fé corre o risco de desaparecer (“No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento”) . Isso prova o estado de necessidade.
– Para se evitar posições extremas (se referindo aos que não querem contato algum com Roma) basta rezar pelo Papa, que tem o trabalho mais difícil da terra.
– Maior desafio a ser ultrapassado na Igreja: sair da crise sem provocar uma maior. Colocar o trem nos trilhos quando há muita resistência. O risco de se despedaçar é enorme. Deve-se ir em direção à restauração sem sofrer maiores danos do que os atuais. É como ter um grande trem ou navio e uma grande curva.  Não se impõe a um trem em alta velocidade uma curva acentuada.
– Sítios sedevecantistas americanos:  Dom Fellay não vê grandes diferenças entre internet, televisão, rádio e imprensa em geral. São meios que darão frutos conforme seu bom ou mau uso.  Os fiéis que colocam sua confiança em pseudo doutores sem autoridade nem missão na Igreja correm sério risco de pecar. Alguns sites citam palavras de Mons. Lefebvre ao cardeal Ratzinger onde ele diz, em suma, que mesmo se Roma desse a ele tudo que fosse necessário, não poderiam trabalhar juntos por Roma não aceitar a doutrina de Cristo Rei. Dom Lefebvre relatou este diálogo que se deu no verão de 1987 numa conferência aos seminaristas. Depois disso, Dom Lefebvre ainda diria numa carta entre julho-agosto de 1987 aos futuros bispos que Roma estava ocupada por ‘anticristos’.  Todavia, estes sites nunca citam que após estes acontecimentos Dom Lefebvre pediu uma visitação canônica de Roma, cujas discussões aconteceram em abril de 1988. Tais citações devem ser analisadas, portanto, em seu contexto. É prática atual analisar as coisas sem suas circunstâncias. É questão de honestidade intelectual procurar compreender o que quis dizer o autor da frase. Tivemos um tempo difícil com Roma e hoje o problema persiste. Dissemos ao Cardeal Castrillón o mesmo que Lefebvre disse em 1987: “Se nos querem, devem respeitar nossa identidade. Não vai dar certo se nos pedir para mudar nossa identidade”. Nosso Senhor é Senhor, e todos os poderes Lhe devem ser dados no céu e na terra. “Definitivamente não vamos mudar isso”.

10 junho, 2009

Rumores: Motu Proprio de Bento XVI sobre Comissão Ecclesia Dei. Dom Ranjith para Colombo. Preparam as discussões doutrinais.

Nas próximas semanas será publicado um Motu Proprio de Bento XVI que fará a Comissão Ecclesia Dei… um organismo da Congregação para a Doutrina da Fé. Papa Ratzinger já tinha anunciado isso em março passado, numa carta enviada para todos os bispos do mundo dedicada ao caso Williamson e à revogação da excomunhão dos prelados consagrados por Lefebvre. No próximo 4 de julho Dario Castrillón Hoyos, atual Presidente da Ecclesia Dei, completará 80 anos de idade e deixará seu posto por motivos de idade. A Comissão será então presidida pelo Prefeito do ex-Santo Ofício, o americano Cardeal William Joseph Levada. O Vice-Presidente Mons. Perl irá permanecer em seu cargo enquanto será nomeado um novo Secretário para substituir o [recentemente] falecido Mons. Mario Marini. Exatamente nesta manhã, a agência francesa I.Media revelou que na reunião da “feria quarta” os cardeais membros da Congregação para Doutrina da Fé reuniram uma primeira plataforma para o início do diálogo com os Lefebvristas… Enquanto isso, como Il Giornale antecipou há poucos dias, neste Sábado deve ser anunciada a nomeação do Secretário da Congregação para a Culto Divino [Arcebispo] Malcom Ranjith Patabendige Don como Arcebispo de Colombom. Em seu lugar será designado o atual subsecretário do ex-Santo Ofício, o dominicano Di Noia.

Andrea Tornielli, via WDTPRS

[Atualização – 10 de junho de 2009, às 15:05] – Excerto de notícia de I.Media publicada também em WDTPRS, desta vez via Rorate-Caeli.

[…] Segundo a agência francesa I.Media, os cardeais do ex-Santo Ofício — a quem o Papa Ratzinger confiou o diálogo com os Lefebvristas em vista de sua eventual reinstalação, no futuro, na estrutura da Igreja — discutiram um texto “redigido para esclarecer os parâmetros do diálogo doutrinal com a Fraternidade”. Este diálogo deve começar com a necessidade “de aceitar o Concílio Vaticano Segundo e o Magistério do Papa” subsequente ao Concílio.

Conforme I.Media, o superior dos lefebvristas, [bispo] Bernard Fellay, foi recebido na Congregação para a Doutrina da Fé no último dia 5 de junho e, mesmo que não tenha sido identificado o “time” com o qual os dois lados conduzirão o diálogo, é provável que tomem parte o dominicano suíço pe. Charles Morerod, o novo secretário da Comissão Teológica Internacional e, da parte dos lefebvristas, padre Gregoire Celier, co-autor de um recente livro sobre Bento XVI.

Entretanto, enquanto o diálogo “doutrinal” com o Vaticano dá seus primeiros passos, os lefebvristas decidiram desafiar novamente a autoridade do Papa, anunciando a ordenação de ao menos 21 novos padres em três partes do mundo.

27 maio, 2009

Cardeal Castrillón Hoyos em Ecône em 29 de junho?

Excertos do artigo publicado pelo Abbé Claude Barthe em Présent de 28 de maio:

Audiência concedida pelo Papa Bento XVI a Dom Fellay - Agosto de 2005O Cardeal Dario Castrillón, que mostrou ao longo de toda a sua existência pastoral na América e em Roma que não hesitou a ter certos gestos fortes, poderia muito bem responder positivamente à questão que serve de título a este artigo e que ele realmente examinou. Ele assim encerraria de maneira espetacular a sua missão no comando da Comissão Ecclesia Dei antes de se aposentar (atingirá a idade de 80 anos em 4 de julho).

Se eu evoco esta hipótese, é para sublinhar as preocupações de ‹‹ restauração ››  dos elevados personagens romanos concernentes à vida eclesial, sacramental, pastoral, missionária, de uma porção da Igreja que “pesa” quase mil clérigos, religiosos e religiosas.

Não viso aqui o problema de um estatuto oficial definitivo da Fraternidade São Pio X, do qual o Papa, em sua carta de 13 de março de 2009, coloca como condição para obtenção o esclarecimento das posições doutrinais desta Fraternidade (‹‹ Enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não tem nenhum estatuto canônico na Igreja […]. Os problemas que devem ser tratados atualmente são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos papas ››).  Aqui, portanto, deixo de lado a questão doutrinal, que é, em suma, de duas etapas:

— desativar o problema da “aceitação do Vaticano II”, a saber, no meu humilde parecer, afastar uma cortina de fumaça;

— mas sobretudo pôr em ação o estudo dos pontos do Vaticano II que geram dificuldade, no fundo e/ou em sua formulação, que necessitará à evidência um tempo muito longo, um exame calmo, e bem de outros atores.

Mas parece que, desde o decreto de 21 de janeiro que libera da excomunhão os quatro bispos da Fraternidade São Pio X, é mais urgente ainda reunir o que resta de forças vivas na Igreja, que reunidas, especialmente na França, infelizmente não representam mais que batalhões muito magros. Em outros termos, parece conforme o bom senso agir de modo que esta Fraternidade, antes de mesmo de ascender a um pleno reconhecimento oficial, possa doravante viver e fazer viver espiritualmente de maneira “normal” para o bem de todos (e para o seu próprio desenvolvimento). De onde a questão que se foi posta ao cardeal Castrillón.

Pois à primeira fila desta vida estão as ordenações sacerdotais: Mons. Fellay procederá em 29 de junho próximo, em Ecône, tais ordenações. Certamente, entre 21 de janeiro e esta data, ele já terá ordenado outros padres na França, mas a cerimônia de Ecône, em 29 de junho, terá um valor particularmente marcante.

[…]

Com efeito, o decreto de 21 de janeiro passado instalou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X numa situação jurídica completamente atípica e por essência provisória: embora a catolicidade dos seus membros bispos, e especialmente de seu superior geral, seja doravante atestado pelo menos negativamente (não há censura), ela não tem estatuto oficial e os seus padres, como explicava o Papa em sua carta do 13 de março de 2009, não têm mandato pastoral (‹‹Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, os seus ministros também não exercem ministérios legítimos ››).

[…]

Em contrapartida, a presença do Cardeal Castrillón em Ecône teria o benefício de um precedente de peso. Com efeito, terminando a visita canônica das casas da Fraternidade São Pio X, para a qual tinha sido mandado pela Santa Sé (embora esta sociedade fosse vista como canonicamente dissolvida), o cardeal Edouard Gagnon presidiu (nota: assistiu do trono), acompanhado por Mons. Perl e pelo abbé du Chalard, na capela do seminário de Ecône, em 8 de dezembro de 1987, uma missa pontifical celebrada por Mons. Marcel Lefebvre. Ora, nessa época, Mons. Lefebvre era considerado oficialmente como suspenso a divinis. (…)  Não seria, portanto, absurdo que um ‹‹ passo ›› deste tipo possa ser projetado para 29 de junho de 2009. Para dizer a verdade, este gesto público serviria para concretizar uma convalidação pedida por Mons. Fellay, como previamente pediu o levantamento das excomunhões, convalidação concedida pela Santa Sé de modo que as ordenações nesta sociedade se beneficiem de uma regularidade mínima, no aguardo de um regulamento definitivo.

6 abril, 2009

Curtas da semana.

Ecclesia Dei puxa orelha do Cardeal Gaudencio Rosales.

Cardeal Gaudencio RosalesO chefe da comissão do Vaticano Ecclesia Dei censurou o Arcebispo de Manila (Filipinas), o Cardeal Gaudencio Rosales, por colocar condições “indevidamente restritivas” ao uso da Missa Tridentina, dizendo que estavam “em direta contradição” aos desejos do Papa Bento XVI. “Vossas ‘diretrizes Arquidiocesanas’ são simplesmente inaceitáveis como estão e vos peço que as reconsidere”, disse o presidente da Ecclesia Dei, Cardeal Darío Castrillón Hoyos, numa carta de 6 de março e vista por The Tablet nesta semana. Ela dizia que “diretrizes permitindo apenas uma Missa mensal numa capela da Catedral Metropolitana” estavam em confronto com as normas estabelecidas no motu proprio “Summorum Pontificum”, publicado pelo Papa em 2007 para o freqüente uso da Missa Tridentina. O Cardeal Castrillón disse que o decreto papal era “parte da lei universal da Igreja” e não poderia ser limitado pela “lei particular” de um bispo diocesano. A Arquidiocese de Manila cuida de mais de 2,8 milhões de católicos. “Simplesmente não há razões legitimas para que esta Missa [Tridentina] não possa e não deva ser celebrada em qualquer igreja ou capela de vossa arquidiocese”, disse o Cardeal Castrillón em sua carta ao Arcebispo de Manila. Ele insistiu para que o Cardeal Rosales promova ativamente a implementação do motu proprio ao “ajudar padres que desejem aprender a celebrar” o antigo rito da Missa, que, segundo ele, exigia apenas que o padre fosse “razoavelmente competente em latim” e que houvesse fiéis que desejassem assistir sua celebração. A Arquidiocese de Manila publicou as diretrizes para Missa Tridentina em seu website no ano passado. Mas elas foram rapidamente removidas quando promotores do rito antigo protestaram a Roma. Fonte: Rorate-Caeli.

Brasileiros recebem ordens menores no Instituto do Bom Pastor.

Abbé Renato Coelho, Abbé Timothée Olender, Abbé Stéphane Morin et Abbé Luiz Fernando Pasquotto

No último dia 28 de março, vários seminaristas do Instituto do Bom Pastor ascenderam às ordens menores pelas mãos de Dom Antoine Forgeot; dentre eles, congratulamo-nos com os brasileiros Renato Coelho e Luiz Fernando Pasquotto, admitidos à ordem de porteiro e leitor, e Christian-Jean de Oliveira e Daniel Pinheiro, ordenados ao acolitato e exorcistato.

Mais fotos no site do Seminário do IBP. Outras informações sobre as ordens menores aqui.

O que pode acontecer a alguém que ousa denunciar o avanço da agenda gay

O escritor protestante e ativista pró-vida Julio Severo, famoso por seu trabalho contra o avanço da agenda gay na sociedade, acaba de deixar o país com sua esposa grávida e dois filhos pequenos.  Julio vem sendo perseguido por diversos grupos gays. Além disso, em 2006, o Ministério Público Federal recebeu uma queixa de homofobia da Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, devido a seus artigos contundentes postados em seu blog pessoal http://juliosevero.blogspot.com. Atualmente o escritor trava uma árdua batalha para que o projeto de lei PLC 122/2006, que torna crime qualquer comentário desfavorável à prática homossexual, mesmo que do ponto de vista religioso, não seja aprovado. O destino do escritor é ignorado até mesmo por seus amigos mais íntimos. Quando foi a última vez que você, caro leitor, ouviu uma homilia contra a sodomia em sua paróquia?

Nem tudo que reluz é ouro.

Dom Rino FisichellaNos informa Francisco José Fernández de la Cigoña: “no último dia 28, o presidente da Pontifícia Academia para a Vida celebrou missa segundo a forma extraordinária na abadia de San Paolo alle Tre Fontane.Tentativa de lavar sua cara ante os tradicionalistas depois do infelicíssimo artigo no L’Osservatore Romano? Não sei. Para mim segue com a cara suja. […] Fisichella tem que desautorizar publicamente seu artigo. Porque fez muito dano”.

Quam bonum est et quam jucundum, habitare fratres in unum: Semana Santa em Fátima.

“Está confirmadíssimo. As cerimónias da Semana Santa realizar-se-ão em Fátima, na capela da Fraternidade São Pio X. O sacerdote celebrante não é da FSSPX, é um sacerdote diocesano em “plena comunhão” com a sé apostólica. Portanto, não há nenhum impedimento para que os mais legalistas e escrupulosos assistam ao santo Sacrifício da Missa nesses dias”. Mais informações no blog Tradição Católica.

A pobreza do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.

“Enquanto nós, como católicos, reflectimos deste modo no significado da pobreza, estamos também atentos, caros amigos budistas, à vossa experiência espiritual. Desejamos agradecer-vos pelo vosso brilhante testemunho de desapego e de contentamento com o que se tem.. Entre vós, monges, monjas e muitos leigos devotos abraçam a pobreza “por escolha”, que nutre spiritualmente o coraçäo humano, enriquecendo de modo essencial a vida com uma perspectiva mais profunda sobre o significato da existência e mantendo o empenho de promover a boa vontade de toda a comunidade humana. Permiti-nos renovar as nossas cordiais saudações e desejar a todos vós uma feliz festa de Vesakh / Hanamatsuri.” Da mensagem do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso aos budistas por ocasião da festa de Vesakh / Hanamatsuri.

Novo arcebispo de Westminster: Dom Vincent Nichols.

Novo arcebispo de WestminsterA Santa Sé tornou pública em 03 de abril a indicação do Arcebispo de Birmingham, Dom Vincent Nichols, para a Sé primaz da Inglaterra e Gales, Westminster, sucedendo o tenebroso Cardeal Cormac Murphy O’Connor. Relata Damian Thompson: “O arcebispo Birmingham, de 63 anos, é uma personalidade forte que antigamente foi visto como liberal. Mas nos últimos anos, seus dons pastorais ganharam-lhe amigos entre Católicos de todas as correntes […] Seus registros sobre a liturgia latina tradicional são variáveis. Que eu saiba, ele nunca celebrou a missa na Forma Extraordinária, e não fez muita provisão dela. Por outro lado, acho que posso confiar que ele não restringirá sua celebração na catedral de Westminster da forma com o atual Cardeal fez”. A posição do futuro Cardeal sobre Summorum Pontificum pode ser encontrada aqui.

Ufa! Legionários ‘aliviados’. Os santos não precisam disso.

“Embora notícias de um inquérito do Vaticano raramente tragam conforto a seu alvo, várias fontes próximas aos Legionários de Cristo, tanto nos Estados Unidos como em Roma, dizem que a reação dominante dentro da aguerrida ordem religiosa ao anúncio de uma visitação apostólica ordenada pelo Vaticano foi de alívio. “Coletivamente, nós estamos contentes por isso estar acontecendo”, disse um padre Legionário a NCR. “Nossa visão é: o mais rápido, melhor”. Encarando crescentes pedidos tanto para uma revisão maior da ordem ou sua absoluta supressão, disseram estas as fontes, pelo menos alguns Legionários veêm uma investigação independente do Vaticano como a única “saída estratégica” de seu recente desastre, permitindo à ordem potencialmente ir adiante, apesar de ser forçada a admitir sérios comportamentos impróprios de seu fundador, e apesar de uma longa história de negação destes comportamentos”. Leia a íntegra da coluna de John Allen Jr. Já um dos maiores críticos dos Legionários, o arcebispo de Baltimore Edwin F. O’Brien, em entrevista  ao National Catholic Reporter, ao ser questionado se a supressão dos Legionários de Cristo estaria também em discussão, respondeu pensar que “tudo deva estar em discussão”.”Eles precisam olhar para a estrutura que Maciel criou. Existia uma boa quantidade de segredos em sua própria vida, e há segredos na estrutura que ele critou. Seria útil saber por que existe tal segredo”. Embora o objetivo da visitação apostólica seja a correção de pontos preservando o que há de bom na ordem, O’Brien teme que “possa existir algo endêmico na coisa toda que não permitirá que isso ocorra”. “Penso que isso que comece com Maciel, com o culto de personalidade em torno dele, o segredo. Os santos não precisam disso”.

O sacerdócio é para valentes.

Dom Galarreta‹‹ Na Espanha, dizem que quando se aponta para a lua, o tolo fica olhando para o dedo. “Ali está a lua”, e o tolo olha para o dedo. O dedo está ali? Sim, mas está apontando para outra coisa! E o que está sendo apontado [através da perseguição midiática após o caso Williamson], na minha opinião, é exatamente o temor que eles têm do avanço da Tradição – da causa da Tradição e da verdadeira Fé – no seio da Igreja oficial. O medo desesperado e a raiva que lhes dão por ver que podemos discutir o Concílio Vaticano II e as doutrinas pós-conciliares saídas do Concílio Vaticano II, ou seja, o modernismo e o liberalismo. Para eles isso é intocável. Isso sim é uma causa proporcional ao ataque violento, mediático, político, etc., de que fomos objeto. […] Parece-me que uma boa aplicação de tudo o que temos passado, para vocês, queridos seminaristas, é esta: é bom que agora que vocês têm tempo e calma para se prepararem, saberem o que está acontecendo. Isto é um primeiro aviso do que está para vir. Quanto mais vamos avançando, tanto mais nos vão perseguir. Em outras palavras, vocês devem saber que o sacerdócio católico, hoje em dia, é para valentes … é para valentes… e não valem nada as meias medidas. E que, portanto, vocês devem aproveitar esses preciosos anos de formação que terão››. Do sermão de Dom Alfonso de Galarreta, em 15 de março, gentilmente enviado por nosso leitor Adilson.

Um buquê de Rosários pela Missa – Campanha do site MissaTridentina.com.br

Link para o original.“Todos nós sabemos que a implementação da Forma Extraordinária do Rito Romano nas paróquias brasileiras têm enfrentado não poucas dificuldades. A nós, que desejamos ver a Missa Tridentina rendendo excelentes frutos espirituais pelo Brasil, não nos resta outra saída senão a de nos apegarmos ao Santo Rosário, ou ao menos ao Santo Terço, rezado diariamente. Atendamos a este pedido feito por Nossa Senhora em Fátima. Fiéis a Ela, alcançaremos a graça de estar conformes ao Vigário de Cristo, o Papa Bento XVI, em seu desejo de que a Forma Extraordinária do Rito Romano se faça presente por toda parte. […] Oficialmente, a Campanha terá início no Domingo de Páscoa (12/04/2009) e se estenderá até a festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (01/07/2009)”. Mais detalhes sobre as formas de participar disponíveis em MissaTridentina.com.br. A iniciativa prevê ainda o envio dos resultados do buquê à Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil. Portanto, mãos ao rosário!

BruxelasIgreja ocupada. Com aval do pároco.

(kreuz.net) Bélgica. A Igreja do Início em Bruxelas foi novamente ocupada por moradores ilegais. O sítio ‘Cathcon.blogspot.com’ publicou fotos da igreja. As missas serão celebradas na sacristia. Os ilegais estão na igreja com a autorização do pároco. Tradução: T.M. Freixinho

17 março, 2009

Cardeal Hoyos: “não lhes excomungaram por motivos de doutrina”

Excertos da entrevista do Cardeal Darío Castrillón Hoyos concedida a El Tiempo:

EL TIEMPO – Qual foi seu papel na mediação com os lefebvrianos a quem se lhes levantou a excomunhão?

Cardeal Dario Castrillón HoyosMonsenhor Darío Castrillón: Tinha que fazer os diálogos, mas não significa que eu era o único que estava dialogando com (Bernard) Fellay (chefe da Fraternidade Sacerdotal São Pio X dos lefebvrianos). Tive sempre ao meu redor todo o grupo necessário dentro da Santa Sé para cada um dos passos. Quando falávamos das excomunhões não foi um diálogo de Castrillón com Fellay… não, não, não. Eu não negociei com ninguém. Foi a Comissão de Cardeais, incluído Ratzinger (o Papa Bento XVI), porque disso começamos a falar quando ele não era Papa. Não houve nem um único ato que não se fizesse colegialmente.

Como se informaram das palavras de Williamson nas que nega o Holocausto?

Quando houve uma reação grande do mundo hebreu e de bispos das áreas mais sensíveis (Alemanha, Suiça e Áustria), oficialmente nos inteiramos. Chegou uma comunicação de 5 de fevereiro a nossas mãos. Mas aos lefebvrianos não lhes excomungaram por motivos de doutrina, mas porque haviam sido ordenados sem permissão.

Houve um ‘puxão de orelhas’ quando o porta-voz do Papa, Federico Lombardi, disse que você tinha que saber o que havia dito Williamson?

Ele não disse exatamente isso e se o disse é um absurdo, uma idiotice, porque não se tratava de estudar a vida destes bispos. A única coisa que tinha desaber é que foi ordenados por (Marcel) Lefebvre sem permissão.

Para levantar a excomunhão não fazia falta que Williamson se retratasse?

Ninguém lhe iria pedir retratação porque o Santo Padre nem nós sabíamos o que ele havia dito.

Se tivessem sabido, teriam pedido sua retratação antes de levantar a excomunhão?

Penso que não, porque é um problema histórico e não moral. Por prudência o Santo Padre poderia dizer que esperassem um momento. Me parece que houve uma imprudência do porta-voz da Santa Sé na declaração que deu a ‘La Croix’, porque não tem porque entrar em juízos sobre pessoas nem dizer que um cardeal tem que saber algo que não tem por que saber. Se alguém tinha que saber disso é oCardeal que se encarrega da vida dos bispos, o Cardeal Re.

É consciente do que disse o porta-voz?

Francamente não me interessei. Ele escreveu uma carta me pedindo desculpas. Temos sido bons amigos.

8 março, 2009

A hipótese de uma regularização provisória da FSSPX ganha terreno.

Por Dominque Bro – Le Forum Catholique

Se começa a dizer cada vez mais, tendo em conta o terremoto causado pelo affaire Williamson, que o Cardeal Castrillón poderia rápida e facilmente fazer a FSSPX sair do estado canônico vago em que se encontra desde o levantamento das excomunhões, sem, no entanto, negociar a pesada instauração de um estatuto de grande amplitude (Prelazia pessoal). Noutras palavras, a FSSPX seria reconhecida “legal” e “católica” no seu estado atual, com os seus próprios estatutos, seus próprios estabelecimentos, seus anexos (as comunidades amigas), tudo esperando pelo melhor. E se poderia então organizar tranqüilamente colóquios sobre as “questões ainda abertas”. Todos os sacramentos dispensados no seio da FSSPX (confissões, casamentos, ordenações) seriam tidos como oficialmente lícitos. O termo apropriado (ver a seguir) para tal disposição é o de “faculdades temporárias”. Não obrigaria ninguém sobre o fundo e regulamentaria de maneira elegante a dificuldade. A solução conviria tão melhor ao Papa, que é de maneira ligeiramente semelhante, todas coisas iguais, que ele regulariza provisoriamente a Igreja da China dando poderes aos bispos nomeados sem o consentimento de Roma.  É o que evoca a entrevista que Mons. Fellay deu à revista americana Angelus, reproduzida pela última Fideliter, março-abril de 2009.

A primeira das duas respostas extraídas da entrevista se refere ao “grande estatuto” (Prelazia pessoal), a segunda ao “pequeno estatuto” (as faculdades temporárias). Parece efetivamente que o superior geral não afasta uma concessão unilateral do “pequeno estatuto”:

Angelus – Qual espécie de solução canônica é atualmente proposta, se existe uma?

Mons. Fellay – é ainda muito cedo para dizer com precisão. Sabemos que Roma trabalha há muito tempo sobre esse projeto canônico e que uma proposta nos será apresentada em tempo oportuno. […] Segundo nosso plano de rota, isso deveria vir após a solução dos problemas essenciais a serem resolvidos nas discussões.

Angelus – é possível que faculdades temporárias sejam dadas à Fraternidade, enquanto as discussões doutrinais ocorrem paralelamente?

Mons. Fellay – também, ao risco de me repetir, diria que ainda é muito cedo para dizer. Nós pensamos que daqui algum tempo teremos precisões sobre este ponto. Haveria certamente um perigo de reduzir o problema da Fraternidade a um problema de direito canônico.

2 fevereiro, 2009

B’Nai B’rith, Modernistas, Protestantes: Todos contra o Papa.

Link para o originalOs restos do assunto SSPX continuam a despencar sobre o Vaticano. Vários itens durante o fim de semana mostraram a que confusão se pode chegar quando o Vaticano faz mal sua apresentação de uma decisão potencialmente controversa.

  • Uma manifestação contra Williamson na nunciatura do Vaticano em Paris por várias dúzias de manifestantes Judeus no domingo. A foto da Reuteurs abaixo por Mal Langsdon mostra um homem segurando uma caricatura do diário de Paris Le Monde na qual dois bispos da SSPX dizem num simulado Latim: “As câmaras de gás não existem”. O Papa Bento segura uma capa que diz: “Abaixo com o Vaticano II” e comenta: “Contanto que eles não digam isso em Hebraico, não vou dizer nada”. Haverá mais disso em outros lugares?

Judeus protestam em frente à nunciatura apostólica em Paris.

  • Críticas do Vaticano por estragar suas relações públicas. Torna-se tendência Católica, mesmo com a RádioVaticana (o Serviço Alemão diz: “Essa coincidência entre o levantamento das excomunhões e a negação do Holocausto por Dom Williamson foi fatal. Simplesmente fatal”) e o aliado próximo de Bento, o Cardeal de Viena Christoph Schönborn lamentou abertamente sobre isso. Como o veterano observador Vaticano John Allen escreveu: “A forma com que essa decisão foi comunicada foi um erro colossal; e daqueles que são francamente difíceis de entender ou desculpar”. O Cardeal Karl Lehmann de Mainz criticou abertamente o Cardeal Darío Castrillón Hoyos – chefe do escritório que lida com a SSPX – por não fazer seu dever de casa sobre as posições controversas de Williamson.
  • Preocupações sobre um padrão nas declarações controversas de Bento: Como Charlotte Knobloch, chefe do Conselho Central de Judeus na Alemanha, disse: “Ouvimos o discurso do Papa sobre os muçulmanos em Regensburg, outra afirmação sobre julgar as igrejas Protestantes, depois sobre evangelizar os Judeus, a antiga Missa em Latim, e agora a reabilitação de um negador do Holocausto. Não penso que isso seja uma coincidência. O Papa é um homem altamente educado. Ele diz o que está sendo pensado na Igreja”.

[…]

30 janeiro, 2009

Cardeal Re teria atacado Cardeal Castrillón pelo levantamento das excomunhões.

cardeal-reO ultra-liberal Prefeito da Congregação para os Bispos, Giovanni Batistta Re, parece estar muito preocupado quanto às circustâncias do levantamento das excomunhões dos quatro bispos de Lefebvre.

O diário italiano ‘Italia Oggi’ relata.

No Vaticano eles estão atualmente se perguntando se alguém teria criado “armadilhas escondidas” no levantamento das excomunhões pelo Papa.

A resposta a essa questão supostamente foi dada àqueles que no último Domingo sentaram num ônibus fretado pelo Vaticano.

Uma vez por ano, dois ônibus transportam prelados do Vaticano da praça São Pedro até a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, onde a Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo ocorre.

Num dos bancos da frente de um desses ônibus é que a voz do Cardeal Re foi ouvida alta e clara: “Esse Pasticción!

A expressão era uma paródia do nome do presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, Dario Cardeal Castrillón Hoyos, que estava em sua mente.

A palavra Italiana “pasticcione” significa pessoa caótica ou desmazelada.

Conforme o Prefeito da Congregação para os Bispos, as afirmações sobre a câmara de gás (que a mídia anticlerical deu muito boas-vindas) por Dom Richard Williamson, e o subseqüente festival de escândalo foi inteiramente falta do Cardeal Castrillón-Pasticción.

Ele estava com pressa para levantar as excomunhões já que ele não queria perder a oportunidade histórica de terminar o conflito com a Sociedade de São Pio X.

“Eu, também, tive apenas poucas horas para ver o documento” — disse o Cardeal Re no ônibus.

O Cardeal também parece saber a razão das ações do Cardeal Castrillón:

“Todo mundo sabe que Castrillón logo terá 80 anos e se aposentará. Se a matéria não estiver imediatamente concluída, ele não poderia mais declará-la como seu próprio trabalho”.

A ira do Cardeal Re estava aparentemente direcionada também aos autores do decreto — o presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, Dom Francesco Coccopalmerio – “que tem que se esforçar demais com a língua Italiana”.

Cardeal Re teria preferido aguardar por um mês — “e dar as notícias quando o novo estatuto para os apoiadores de Lefebvre estivesse pronto. Teria sido algo completemente  diferente e nós teriamos dado esse passo em falso”.

O Cardeal era um dos presentes quando foi levantada a questão se alguém sabia sobre a entrevista de Dom Williamson: “Mas como?” — respondeu: “Tudo isso era bem sabido pelo Castrillón-Pasticción. Mas ele provavelmente não disse nada, e certamente subestimou as conseqüências”.

Fonte: kreuz.net

Tradução da versão inglesa em Catholic Church Conservation

30 janeiro, 2009

Carta de Dom Williamson ao Cardeal Castrillon Hoyos.

À Sua Eminência Cardeal Castrillón Hoyos

Vossa Eminência,

No meio dessa tempestade da mídia provocada por observações imprudentes minhas na televisão Sueca, suplico a Vós que aceiteis, apenas como é propriamente respeitoso, minhas sinceras desculpas por ter causado a Vós e ao Santo Padre tão desnecessárias aflições e problemas.

Para mim, tudo que importa é a Verdade Encarnada, e os interesses de Sua única verdadeira Igreja, através exclusivamente da qual nós podemos salvar nossas almas e dar eterna glória, de nosso pequeno modo, a Deus Onipotente. Então tenho apenas um comentãrio, do profeta Jonas, I, 12:

Tomai-me e lançai-me às águas, e o mar se acalmará. Reconheço que sou eu a causa desta terrível tempestade que vos sobreveio.

Por favor aceitai também, e conduza ao Santo Padre, meus sinceros agradecimentos pessoais pelo documento assinado na última Quarta-feira e tornado público no Sábado. Muito humildemente oferecerei uma Missa para ambos.

Sinceramente vosso em Cristo,

+Richard Williamson
29 janeiro, 2009

Hoyos: “A plena comunhão virá”. Fellay: “caso haja separações, elas serão extremamente mínimas”.

Do sempre excelente Rorate-Caeli, excertos de duas entrevistas.

 

A primeira, do Cardeal Castrillón Hoyos:

 

“[Card. Castrillón:] A plena comunhão virá. Em nossas discussões, Dom Fellay reconheceu o Concílio Vaticano Segundo, ele o reconheceu teologicamente. Apenas poucas dificuldades permanecem… [sic]

 

Talvez sobre Nostra Aetate, a declaração que representou uma reviravolta no relacionamento com os Judeus?

 

“[Card. Castrillón:] Não, esse não é o problema. Ele envolve discutir aspectos tais como ecumenismo, liberdade de consciência… [sic]”

 

 

E outra, de Dom Bernard Fellay:

 

De quando data essa mudança em seu relacionamento com Roma?

 

Desde a ascensão do Papa atual. Primeiro evoquei a Santíssima Virgem, mas, no nível humano, não deve haver medo em atribuir a Bento XVI o que acaba de acontecer. É o começo de algo, que já começou com o Motu Proprio [Summorum Pontificum]. Penso que o Papa aprecia o trabalho que fazemos.

 

Nesse desenvolvimento, nesse movimento, alguns sustentam que você partiu muito tarde. Você acredita hoje que outros, especialmente dentro da Fraternidade de São Pio X, podem sustentar que você está partindo muito cedo?

 

Não posso excluir tudo, mas, caso haja separações, elas serão extremamente mínimas.

 

Você acredita que sua situação será primeira resolvida a nível prático?

 

Até agora, nosso itinerário foi esclarecer primeiro os problemas doutrinários – mesmo se isso não signifique resolver tudo, mas obter um esclarecimento suficiente – ou nós arriscamos a fazer as coisas incompletamente. Ou pode terminar mal.