Posts tagged ‘Cardeal Levada’

30 agosto, 2011

Casa geral da Fraternidade São Pio X: Dom Fellay será recebido pelo Cardeal Levada em 14 de setembro de 2011.

Por DICI (órgão de imprensa da FSSPX) | Tradução: Fratres in Unum.com

O Cardeal William Joseph Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, convidou Dom Bernard Fellay, Superior Geral de Fraternidade São Pio X, e seus dois assistentes, o Padre Niklaus Pfluger e o Padre Alain-Marco Nély, para encontrá-lo no Palácio do Santo Ofício, em 14 de setembro de 2011. Em sua carta de convite, o Cardeal Levada indicava que este encontro tinha por primeiro objetivo fazer um balanço das conversações teológicas realizadas pelos peritos da Congregação da Fé e Fraternidade São Pio X, no decorrer de dois anos acadêmicos decorridos, e de considerar, em seguida, as perspectivas de futuro.

Visando permitir a realização deste balanço, as conclusões das conversações teológicas redigidas pelos peritos das duas partes foram dirigidas aos seus respectivos superiores. É assim que Dom Fellay recebeu, no fim de junho, o documento que será objeto do encontro de 14 de setembro.

Sobre as perspectivas de futuro, a carta do Cardeal Levada não dá nenhum detalhe, mas alguns — na imprensa e noutro lugar… – se acreditam autorizados a sugerir hipóteses, falando da proposta de um protocolo de acordo sobre a interpretação do Concílio Vaticano II, e prevendo a instituição de uma prelazia ou um ordinariato… Estas hipóteses são virtuais e vinculam apenas os seus autores. A Fraternidade São Pio X se atém aos atos oficiais e aos fatos comprovados.

Como recordava Dom Alfonso de Galarreta por ocasião das últimas ordenações sacerdotais em Ecône: “Nós somos católicos, apostólicos e romanos. Se Roma é a cabeça e o coração da Igreja Católica, sabemos que necessariamente (…) a crise se resolverá em Roma e por Roma. Conseqüentemente, o pouco de bem que façamos em Roma é muito maior que o muito de bem que façamos noutro lugar”. É com esta convicção interior que Dom Fellay atenderá ao convite do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (Fonte: FSSPX/MG – DICI de 30/08/11)

 * * *

Nota do editor: parece-nos difícil não ver na expressão “outro lugar…”, com enigmáticas reticências, uma referência a Dom Richard Williamson, bispo da própria Fraternidade. Sua Excelência vem, em suas últimas colunas semanais distruibuídas por e-mail (ou seja, um agente distinto da imprensa), aventando hipóteses e conjecturando sobre o futuro da obra de Dom Lefebvre.

26 agosto, 2011

Procura-se guardião da ortodoxia católica.

No início de 2012, Bento XVI deverá designar o sucessor do Cardeal Levada para o comando da Congregação para a Doutrina da Fé. Diversos candidatos, italianos e estrangeiros.

ANDREA TORNIELLI | Tradução: Fratres in Unum.com
Cidade do Vaticano

Palácio do Santo Ofício

Palácio do Santo Ofício

No início de 2012, Bento XVI deverá decidir uma nomeação chave para seu pontificado: a do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o líder do dicastério mais delicado da Cúria Romana, cargo que Ratzinger ocupou durante 24 anos antes de ser eleito Papa.

A eleição de seu sucessor para o ex Santo Ofício foi a primeira nomeação árdua do pontificado. Bento XVI elegeu, em 13 de maio de 2005, o arcebispo de San Francisco, William Joseph Levada, que como sacerdote havia trabalhado na Congregação e a quem teve oportunidade de conhecer assim que chegou a Roma.

Levada completou 75 anos, a idade canônica das renúncias, em junho pasado. Como aconteceu com outros chefes de dicastério, uma prorrogação seria natural, mas o próprio Cardeal aparentemente fez saber que não tem intenções de continuar no cargo depois do fim de 2011, quando festejará seus 50 anos de sacerdocio, no próximo 20 de dezembro.

A eleição de seu sucessor não é, certamente, tarefa fácil. A Congregação para a Doutrina da Fé é crucial e não se deve esquecer que nos últimos anos se tornou ainda mais importante, devido à gestão dos casos de abusos sexuais nos quais se viram envolvidos membros do clero. Sob a responsabilidade do antigo Santo Ofício, com motivo da recente reforma desejada por Bento XVI, recaem também outros dossiês controversos: o das relações com a Fraternidade São Pio X, fundada por Mons. Lefebvre, e o dos ordinariatos para os anglicanos que desejam reingressar em comunhão com Roma.

O trabalho de Levada nestes últimos anos não tem sido sempre fácil. A Congregação, após mais de vinte anos de gestão Ratzinger, estava acostumada a trabalhar de certo modo e com certos ritmos, respeitando as competências de cada um e a colegialidade. Não é um mistério que durante o primeiro período de Levada tenha havido alguns desentendimentos com o então secretário do dicastério, o arcebispo salesiano Angelo Amato, promovido depois ao comando da Congregação para os Santos. De fato, apesar dos compromissos iminentes, devido à relação de longa data que tem com muitos daqueles que trabalham no antigo Santo Ofício, o Pontífice continuou observando de perto e com particular atenção aquele que havia sido o seu dicastério.

No momento em que for aceita a renúncia, o Cardeal Levada – originário de Long Beach – talvez seja nomeado para um cargo até agora ocupado por outro purpurado americano, John Patrick Foley, o de Grão Mestre da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro.

Quem será o novo guardião da ortodoxia católica? Ainda é cedo para dizê-lo. Um candidato forte poderia ser o próprio Cardeal Angelo Amato, que conhece muito bem tanto a Congregação, por ter trabalhado ali, como a Ratzinger, por ter sido o seu número três. Amato, todavia, já completou 73 anos e, se fosse designado para o antigo Santo Ofício, significaria que teria adiante um ano e meio antes de atingir a idade canônica das renúncias. Ademais, não restam dúvidas de que nos últimos tempos se reforçou significativamente a patrulha dos italianos que são chefes de dicastérios da cúria: são italianos o Secretário de Estado, Tarcísio Bertone; o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Angelo Amato; o prefeito da Congregação para o Clero, Mauro Piacenza; o prefeito da Propaganda Fidei, Fernando Filoni; o cardeal bibliotecário, Raffaele Farini; o “ministro da cultura” Giofranco Ravasi; o penitenciário maior, Fortunato Baldelli; o presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos, Velasio de Paolis; o presidente do pontifício conselho para as comunicações sociais, Claudio Maria Celli; o presidente da APSA, Domenico Calgagno; o presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Rino Fisichella; o presidente do Pontifício Conselho para os Migrantes, Antonio Maria Vegliò; o presidente da governança vaticana, Giovanni Lajolo. Também integram a lista: o presidente do Pontifício Conselho para a Família, Ennio Antonelli, o presidente do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, Francesco Coccopalmerio.

Portanto, não é tão fácil cogitar que também a importante Congregação para a Doutrina da Fé será confiada a um italiano. Um candidato de que se fala e que goza da estima de Bento XVI é Gehrardt Ludwig Muller, que completará 64 anos em dezembro próximo, e desde 2002 é bispo de Regensburgo, a diocese onde vive o irmão do Papa, George Ratzinger. Outro possível candidato, embora mais distante, é o francés Roland Minnerath, bispo de Digione, membro da Comissão Teológica Internacional.

Muito menos prováveis são outras duas possíveis candidaturas: a do atual secretário do dicastério, o jesuíta espanhol Luis Francisco Ladaria Ferrer; e a do atual secretário da Congregação para o Culto Divino, o dominicano americano Joseph Augustine Di Noia.

Embora recentemente a Congregação para a Doutrina da Fé – outrora chamada Suprema – tenha estado freqüentemente sob os holofotes internacionais pela gestão dos casos de pederastia no clero, o dicastério tem a tarefa de custodiar a ortodoxia católica e de promover a fé: 2012 será um ano importante, já que recordará o 20º aniversário da publicação do Novo Catecismo da Igreja Católica.

20 agosto, 2011

O posicionamento de Dom Williamson.

Apresentamos abaixo a coluna semanal de Dom Richard Williamson, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Nosso agradecimento especial à sempre prestativa sra. Giulia d’Amore por sua rápida tradução.

COMENTÁRIOS ELEISON 214 (20 DE AGOSTO DE 2011): “PRESENTE DE GREGOS” – I

Em 14 de setembro [1], daqui a algumas semanas, nos foi dito que haverá, em Roma, um encontro do Cardeal Levada e autoridades Romanas com o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e seus dois Assistentes. Os Católicos que apreciam tudo o que Mons. Lefebvre e sua Fraternidade têm feito nos últimos 40 anos em defesa da Fé precisam estar prevenidos, porque essa Fé está cada vez mais em perigo, e “mais vale prevenir do que remediar”, especialmente pela oração.

Foi ao Cardeal Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que foi confiada, há dois anos, a supervisão dos colóquios doutrinários que ocorreram desde o Outono de 2009 até abril deste ano, entre Roma e a FSSPX. Foi Roma quem convidou a FSSPX para esta reunião. Parece razoável prever que, em 14 de setembro, com base nesses colóquios, Roma vai anunciar a sua decisão sobre as futuras relações com a FSSPX.

Agora, pelo que se comenta, os colóquios deixaram claro que nenhum acordo doutrinário é possível entre a FSSPX, que se agarra à secular doutrina da Igreja, e a Roma de hoje, que não quer abandonar os ensinamentos conciliares da Neo-Igreja, e que continua a perseverar nesta desorientação, como ficou claro pela Neo-Beatificação de João Paulo II, em maio passado, e também por Assis III, previsto para acontecer no próximo Outubro. Então, a situação após os colóquios permanece exatamente igual à de antes: de um lado, para a glória de Deus e a salvação das almas, a FSSPX luta para ajudar Roma a voltar à verdadeira Fé Católica, enquanto do outro, pela glória do homem moderno e pela satisfação de seus meios ignóbeis de comunicação (vide Janeiro e Fevereiro de 2009), a Roma Conciliar está fazendo tudo que está ao seu alcance para induzir a FSSPX a se dissolver, na mente e na alma, no putrefato ecumenismo da Neo-Fé.

O que podemos então imaginar que Roma vai impor em 14 de setembro? Ou a vara ou a cenoura. Mais provavelmente, ambos, como medido pela estimativa romana do pensamento corrente dentro da FSSPX. A vara poderia consistir na ameaça de uma total e definitiva “excomunhão” da FSSPX. Mas quem tem a Fé católica se impressiona com uma tal ameaça? Lembremo-nos da reação de Mons. Lefebvre quando foi ameaçado pela primeira vez com a “excomunhão” da Neo-Igreja: “Como posso ser excluído de uma ‘Igreja’ à qual eu nunca pertenci?”.

Por outro lado, a mais inteligente cenoura de Roma poderia ser a oferta aparentemente irresistível da “plena comunhão com Roma” nas condições impostas pela própria FSSPX. Só que haveria uma cláusula em letras miúdas, escondida em algum lugar, que estipularia que os futuros Superiores e Bispos da FSSPX poderiam ser escolhidos por uma comissão mista composta por Roma e membros da FSSPX, com uma ligeira maioria de seus membros sendo… Romanos. Afinal, a FSSPX quer se submeter a Roma, ou não? “Decidam-se!” Será sua razoável exigência, como o Cardeal Ratzinger teria exclamado em 2001.

As mentes claras lembrarão o aviso do sábio — mas desprezado – Troiano [2] que não queria que o Cavalo dos Gregos fosse colocado dentro das muralhas de Troia: “De qualquer forma, eu temo os Gregos, mesmo quando trazem presentes” [3]. Mas o Cavalo de Tróia foi trazido para dentro. Todos nós sabemos o que aconteceu com Troia.

Kyrie eleison.

[1]http://www.piusbruderschaft.de/startseite/archiv-news/734-beziehungen_zu_rom/5766-generaloberer-nach-rom-gebeten

[2]N.Tª: Laocoonte, sacerdote de Apolo, o único troiano que protestou contra a ideia de levar o cavalo para dentro das muralhas foi ignorado. O célebre episódio do Cavalo de Troia é contado nas epopeias: Eneida, do poeta romano Virgílio, e Ilíadas e Odisseia, do lendário poeta grego Homero. O grego Ulisses (Odisseu) foi quem propôs o estratagema que destruiu Troia.

[3]“Timeo Danaos et dona ferentēs”. A frase, em latim, da epopeia Eneida (Livro II, verso 49).

1 agosto, 2011

Patriarca chamado ao Vaticano para se explicar sobre ordenação de mulheres.

O cardeal-patriarca de Lisboa foi chamado a uma audiência com o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, por causa da sua afirmação de que não há obstáculos teológicos à ordenação de mulheres. A conversa foi em Castelgandolfo, a residência estival do Papa nos arredores de Roma, antes de dia 14 de Julho, por ocasião de uma ida de D. José Policarpo a Roma, para uma reunião do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, de que faz parte.

Por António Marujo – Público.pt

Numa entrevista à revista da Ordem dos Advogados, publicada em meados de Junho, o patriarca afirmava, sobre a ordenação de mulheres: “Penso que não há nenhum obstáculo fundamental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja.”

Por causa desta afirmação, transcrita e comentada em Roma, por dois “vaticanistas”, o cardeal Bertone falou com D. José Policarpo. Segundo o PÚBLICO soube – o facto tem sido tema de conversa entre o clero de Lisboa desde então -, o patriarca foi bem tratado, pois o Vaticano temia que D. José pudesse reagir mal a uma advertência severa. “Foi tratado nas palminhas”, nota um padre de Lisboa, falando do tom da audiência.

Dias antes desse encontro, o patriarca recebera uma carta do cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (cargo anteriormente ocupado pelo actual Papa Bento XVI), órgão que zela pela Teologia oficial. A carta foi-lhe entregue em mão pelo núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) em Lisboa, a 2 de Julho, dia em que o patriarca presidiu a uma missa de ordenações no Mosteiro dos Jerónimos. Outro padre afirma que o cardeal manifestou um ar grave após ter lido a carta.

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26 abril, 2011

Is Levada going home?

Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Foto: Orbis Catholicus.

Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Foto: Orbis Catholicus.

No próximo mês de junho, o Cardeal William Joseph Levada, sucessor do Cardeal Joseph Ratzinger no ex-Santo Ofício, completará  a idade limite para o exercício de cargos titulares de 75 anos e, consequentemente, apresentará sua renúncia protocolar ao Papa Bento XVI.

Embora a regra seja mais flexível para com os chefes de dicastérios, a figura tímida de Levada, assim como a fama de ter sido nomeado como um “prefeito de transição” por sua idade já avançada e seu pouco prestígio na Cidade Eterna, levam a crer que o Prefeito para a Doutrina da Fé estaria já fazendo as malas para voltar à terra do Tio Sam.

Um nome muito bem visto pelo Papa para sucedê-lo seria o do alemão Dom Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburgo. Ferrenho defensor da hermenêutica da reforma na continuidade [ele mesmo deu o curso deste ano para os bispos brasileiros, promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, exatamente sobre este tema], a nomeação de Müller poderia ser determinante para o relacionamento com os tradicionalistas, considerada a atual subordinação da Comissão Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé.

Müller ficou conhecido por seus incisivos protestos contra as ordenações previstas para o seminário de Zaitzkofen, imediatamente após o levantamento das excomunhões dos bispos da Fraternidade  São Pio X, e transferidas posteriormente para Ecône. Também contribuiu para livro “Der Vatikan und die Pius-Brüder: Anatomie einer Krise” [O Vaticano e a Fraternidade São Pio X: Anatomia de uma crise], que coleta pareceres de pessoas nada simpáticas à causa dos pejorativamente rotulados “integristas”.

Müller goza da simpatia do Papa Bento XVI e, com toda essa bagagem, certamente cairia nas graças dos opositores de uma reconciliação entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X. É rezar e esperar.

29 março, 2011

Abril poderá ser um mês cruel para as relações com os tradicionalistas.

Por John L Allen JrNational Catholic Reporter

Tradução: Fratres in Unum.com

Peregrinação da Fraternidade São Pio X a Roma para o Jubileu do ano 2000.

Peregrinação da Fraternidade São Pio X a Roma para o Jubileu do ano 2000.

Para qualquer um que esteja esperando que rupturas duradouras entre Roma e a ala tradicionalista da Igreja Católica estejam à beira de uma resolução rápida, pode ser que o mês de abril seja indubitavelmente o mês mais cruel.

Dois acontecimentos estão programados para ocorrer a qualquer momento no início de abril, cada qual com implicações para as relações entre o Vaticano e os tais “tradicionalistas”, que significa católicos ligados à antiga Missa em Latim e que têm reservas profundas sobre o Concílio Vaticano Segundo (1962-65).

Primeiramente, a Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, responsável pelas relações com os tradicionalistas, apresentará uma instrução relativa à implementação do documento do Papa Bento XVI de 2007 Summorum Pontificum, que instalou a Missa antiga como uma “forma extraordinária” do rito em latim.

Em segundo lugar, o que poderia ser a rodada final das conversações [doutrinais] entre o Vaticano e a Fraternidade de São Pio X, a entidade tradicionalista fundada pelo finado arcebispo francês Marcel Lefebvre, que rompeu com Roma em 1988.

Como freqüentemente ocorre, ambas as mudanças provavelmente serão vistas no Vaticano como gestos importantes de divulgação, mas entre alguns tradicionalistas, provavelmente, eles serão tidos como uma confirmação adicional de que não se pode confiar em Roma.

Em alguns círculos tradicionalistas, a instrução vindoura causou alarme, com comentaristas dando a entender que esse documento poderia efetivamente erodir as prerrogativas para a celebração da Missa antiga, que Bento XVI prometeu em seu motu proprio de 2007. Isso seria uma reação, de acordo com a especulação, à pressão de bispos ao redor do mundo que nunca morreram de amores pela Missa em Latim, e que exatamente não se curvaram para torná-la mais amplamente disponível.

Falando em histórico, as autoridades do Vaticano insistem que esse não é o caso.

Em vez disso, eles dizem que a instrução confirmará que agora o moto proprio é a lei universal da Igreja, e insistem que os bispos a apliquem. Entre outras coisas, ele reivindicará que os seminaristas sejam treinados não somente em latim, mas no próprio rito antigo, pelo menos, assim eles saberão como executá-lo fielmente e compreenderão o que está sendo dito.

A instrução também irá confirmar que a Missa antiga deve ser disponibilizada sempre que “grupos de fiéis” a solicitarem, sem especificar quantas pessoas são necessárias para constituir um “grupo”.

A instrução confirmará igualmente que a liturgia antiga deve ser celebrada durante a Semana Santa sempre que houver um “grupo estável” de fiéis ligados à mesma, bem como em ordens religiosas que usam o rito extraordinário.

Por outro lado, a instrução provavelmente não satisfará todas as esperanças tradicionalistas. Por exemplo, provavelmente, ela não dará a um seminarista em um seminário diocesano regular o direito de ser ordenado de acordo com o rito pré-Vaticano II, em parte porque esse ritual supõe ordenação a “ordens menores” e o subdiaconato, que foram suprimidos sob o Papa Paulo VI.

No que tange as conversações com a Fraternidade São Pio X, há sinais de que elas poderão terminar com um choramingo ao invés de um estrondo.

Um grupo Vaticano ad-hoc foi organizado em 2009 para conduzir as discussões e formado de cinco figuras de liderança no cenário romano:

  • O Monsenhor italiano Guido Pozzo, secretário da Comissão Ecclesia Dei;
  • O Arcebispo jesuíta italiano Luis Ladaria [ndr: na realidade, ele é espanhol], secretário da Congregação para a Doutrina da Fé;
  • Um Monsenhor Jesuíta alemão Karl Becker, um consultor de longa data para a congregação doutrinal;
  • O Monsenhor espanhol Fernando Ocáriz do Opus Dei, um outro consultor para a congregação doutrinal;
  • O dominicano suíço Pe. Charles Morerod, reitor da Universidade Angelicum, e também um consultor para a congregação.

Por sua vez, a Fraternidade São Pio X reúne uma delegação liderada pelo Bispo espanhol Alfonso de Galarreta, um dos quatro prelados ordenados por Lefebvre em 1988. Pessoas por dentro da situação dizem que as figuras escolhidas pela fraternidade geralmente representam a corrente mais “linha dura” na entidade tradicionalista, ao passo que os participantes do Vaticano são teologicamente conservadores inclinados a encontrar o meio termo dos lefebvristas.

As conversações se concentram em quatro temas, que representam as preocupações centrais para os tradicionalistas:

  • Liturgia
  • Eclesiologia, incluindo o ecumenismo e o diálogo inter-religioso
  • Liberdade religiosa
  • O magistério do Concílio Vaticano Segundo (1962-65)

Em cada caso, o processo tem sido assim: um participante dos tradicionalistas prepara um ensaio sobre o assunto, e, em seguida, um participante do Vaticano escreve a resposta. (Se o tempo permite, um dos tradicionalistas poderá redigir uma resposta da resposta). Os dois lados então se reúnem por várias horas de conversas, o encontro mais recente tendo sido realizado no último mês de fevereiro.

Reuniões são mantidas nos escritórios da Congregação para a Doutrina da Fé em Roma. Geralmente, os lefebvristas falam em francês e os delegados do Vaticano em italiano, com tradução simultânea.

Em uma entrevista recente postada no sítio americano da Fraternidade São Pio X, o superior da fraternidade, Dom Bernard Fellay, anunciou que as conversações estão chegando ao fim sem solução, porque, na visão de Fellay, Roma se recusa a admitir as “contradições” entre a fé católica eterna e as inovações introduzidas pelo Vaticano II.

Fellay também disse que surgiram duas novas pedras de tropeço: o plano de Bento XVI de hospedar um encontro inter-religioso em Assis, neste mês de outubro, e a beatificação do Papa João Paulo II, no dia 1º de maio.

Essa entrevista pareceu selar o destino das conversações. Um delegado do Vaticano falou calmamente com o Cardeal Americano William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre se está chegando a hora de colocar um ponto final.

(Por um instante, em fevereiro, os tradicionalistas aparentemente achavam que o momento já tinha chegado. Um encontro entre os dois lados foi marcado nos escritórios da congregação doutrinal, na mesma sala onde uma reunião não relacionada havia ocorrido no dia anterior. Um cartão com o nome de Levada ainda estava na cabeceira da mesa. O prefeito normalmente não participa das conversações com os tradicionalistas, assim, quando eles viram o nome dele na mesa, dizem que eles especularam se ele estava vindo para fechar a cortina. De fato, a reunião foi adiante como de costume).

Após a reunião no início de abril, espera-se que os participantes escrevam ensaios resumindo os resultados das discussões e os submetam a seus superiores. No clima atual, muitos observadores dizem que isso pode bem ser o fim da linha, pelo menos por ora.

Dependendo de como as coisas se desenrolarem, tanto a reação à instrução quanto às conversações poderão indicar uma conclusão comum: preencher a lacuna com o mundo tradicionalista continua sendo um projeto de longo prazo.

27 março, 2011

Ao fim, um Motu Proprio muito “tradi”.

Por Romano Libero – Golias

Tradução: Fratres in Unum.com

Contrariamente ao que os rumores romanos deixavam entender há ainda algumas semanas, e que davam conta de intrigas no Vaticano para limitar a benevolência do motu proprio de 2007 para com os tradicionalistas, a última versão do decreto de aplicação deveria definitivamente ser abundante no sentido desejado pelos defensores da missa “old style”.

Se certos Cardeais como William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé ou Antonio Maria Canizarès Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino, tentaram limitar a amplitude da aplicação do motu proprio, o ponto de vista ratzingeriano de uma concessão mais ampla teria vencido. O Papa deseja, portanto, facilitar a celebração de acordo com os antigos livros litúrgicos e não endossa, por conseguinte, o ponto de vista restritivo. Que permanece, no entanto, sendo o da grande maioria dos bispos pelo mundo.

O Papa estaria convencido cada vez mais do franco sucesso dessa medida “liberal”. Sem dúvida, aqui ou acolá, algumas reservas sobreviveriam, por exemplo, sobre a missa de ordenação de padres diocesanos que não poderia ser celebrada segundo o rito antigo. No entanto, a intenção desta medida romana é, antes, condenar a leitura minimalista do motu proprio, no sentido em que a decisão de celebrar uma missa pública de acordo com o rito antigo (ou “forma extraordinária”, como se diz hoje) suporia o acordo do bispo do local, enquanto que cada pároco é livre para organizar tal celebração na sua paróquia desde que haja um pedido. Incontestavelmente, Bento XVI em nada ignora as reservas muito vivas dos bispos que às vezes proíbem párocos bem dispostos de acolher grupos unidos à antiga liturgia e de celebrar publicamente a missa para eles. Daí esta nova chamada à ordem dirigida não aos tradicionalistas, mas aos bispos pouco cooperativos. Dentre eles, altos prelados, por outro lado dificilmente suspeitos de progressismo, como os arcebispos de Madri (Rouco Varela) ou de Washington (Wuerl), dois cardeais de prestígio e de peso.

Sabemos, de fonte romana direta, que esse decreto de aplicação, com efeito, sofreu uma dupla correção. Inicialmente, tinha sido preparado por Mons. Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, responsável pelo caso. Posteriormente, o Cardeal Levada e seu fiel conselheiro, Mons. Charles J. Scicluna, um maltês, alteraram fortemente o texto em sentido restritivo. Com o acordo do Cardeal Canizarès Llovera, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino! As nossas informações recentes estavam, portanto, exatas.

Uma vez alterado por Levada, o documento chegou ao escritório do Papa. E este último não teria ficado satisfeito com a reviravolta operada. Ele teria, então, retornado mais ou menos ao documento tal como Guido Pozzo o tinha inicialmente. Num sentido mais favorável aos tradicionalistas.

Apesar da sua posição moderada em certos aspectos, Bento XVI é muito ligado à sacralidade da liturgia, sob uma forma tradicional, para voltar atrás a esse respeito. Ele aceita o espírito de Assis. Deu um passo em direção aos judeus, exonerando-os de qualquer culpabilidade na morte de Cristo. Mas, sobre a liturgia, ele não mudou.

18 maio, 2010

João Paulo II e Marcial Maciel. A ação de Bento XVI.

Sob circunstâncias normais, o domínio do Papa Bento XVI da literatura alemã pode não parecer uma forma óbvia de preparação para o papado. Neste momento, porém, parece ser assim, porque Bento XVI e seus admiradores enfrentam uma escolha tirada diretamente do Fausto de Goethe: a fim de salvar a reputação de Bento XVI na crise dos abusos sexuais, eles são obrigados a rever a atuação de João Paulo II.

A análise é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 12-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não está claro se a crítica crescente do histórico de João Paulo II será suficiente para retardar sua beatificação, mas pode muito bem dar novas cores ao legado do Papa diante dos olhos da história.

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10 março, 2010

Cardeal Levada: “União com a Igreja Católica é a meta do ecumenismo”.

(Catholic Culture) Em um longo discurso proferido no Canadá, em 6 de março, o Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou que a acolhida das comunidades de anglicanos no seio da Igreja Católica é coerente com o diálogo ecumênico anglicano-católico porque “união com a Igreja Católica é a meta do ecumenismo”.

Cardeal Levada, presidente da Congregação para a Doutrina da Fé

Rastreando a história do diálogo anglicano-católico desde o Concílio Vaticano Segundo, o Cardeal Levada observou que as decisões anglicanas de ordenar mulheres e aprovar atividade homossexual não eram compatíveis com as afirmações anteriores acordadas pelos teólogos anglicanos e católicos. “Então, não é de se admirar que a ordenação de um bispo em uma parceria homossexual em New Hampshire, com aprovação posterior pela Convenção Geral da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, em 2003, e a autorização de rituais para a benção de uniões e casamentos gays pela igreja anglicana no Canadá, tenham causado uma revolta enorme dentro da comunidade anglicana”, observou o cardeal.

Em seguida, o Cardeal Levada comparou o acolhimento das comunidades anglicanas na Igreja Católica ao acréscimo de um instrumento a uma orquestra. Ao professar o Catecismo da Igreja Católica, essas comunidades tocarão as mesmas notas doutrinais, enriquecerão ainda a orquestra com outro som.

“Deixe-me logo acrescentar que quando eu digo enriquecimento, não estou me referindo a qualquer acréscimo de elementos essenciais de santificação e verdade à Igreja Católica,” disse o Cardeal Levada. “Cristo a dotou com elementos essenciais. Estou me referindo ao acréscimo de modos de expressão desses elementos essenciais, modos que melhoram a apreciação por todos dos tesouros inexauríveis conferidos à Igreja por seu divino fundador.”

“Se nos voltarmos para a Comunidade Anglicana, podemos constatar muitos elementos que impelem em direção à plena unidade: com relação ao papel unificador do episcopado, uma estima pela vida sacramental, um senso de catolicidade semelhante como uma marca da Igreja e um impulso missionário vibrante, apenas para nomear alguns”, ele continuou. “Estes de modo algum estão ausentes na Igreja Católica, porém, a maneira particular na qual eles se encontram no anglicanismo acrescenta à compreensão católica de um dom comum. Essas considerações nos ajudam a apreciar a insistência da Igreja Católica de que não existe oposição entre a ação ecumênica e a preparação de pessoas para a plena recepção na comunhão católica.”

“Além disso, entre os elementos distintivos da herança anglicana, devemos incluir os dons espirituais e intelectuais do movimento de Oxford, no século IXX, o então clérigo anglicano Newman junto com seus colegas tractarianos deixaram um legado que ainda enriquece o patrimônio comum católico,” ele acrescentou.

8 março, 2010

O Presidente dos tradicionalistas dá seu recado. O sermão do Cardeal Levada na consagração da capela do seminário norte-americano da Fraternidade São Pedro.

A belíssima cerimônia, no último dia 3, de consagração da capela do seminário norte-americano da Fraternidade São Pedro, que contou com a presença de cinco bispos e muitos padres, teve a assistência do presidente da Congregação para a Doutrina da Fé e de sua subordinada Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, o Cardeal William J. Levada; Sua Eminência proferiu o sermão cuja tradução abaixo apresentamos.

Sua Excelência, Bispo Bruskewitz,

Caros irmãos bispos e sacerdotes,

Muito amados em Cristo:

O Cardeal Levada assiste à cerimônia de consagração da capela de São Pedro e São Paulo, no seminário americano Nossa Senhora de Guadalupe, da Fraternidade São Pedro.

As Sagradas Escrituras, lidas no curso de uma celebração como a nossa de hoje, são sempre uma revelação, divinamente garantida, do significado profundo daquilo que estamos celebrando. E assim é de séculos de longa prática que hoje ouvimos as leituras do Livro do Apocalípse e do Evangelho de Lucas. A passagem do Livro do Apocalipse é um desdobramento do mistério deste dia com imagens exuberantes e vívidas. A Sagrada Liturgia quer que ouçamos essas palavras e as identifiquemos com o belo espaço desta capela, que estamos dedicando hoje. E assim o que vemos aqui a nosso redor, tão belamente expresso nos arranjos desta capela, seu altar, seu sacrário, sua iluminação e a possibilidade de sua bela arte e janelas, foi projetado para convergir para nós as visões que o vidente do Livro do Apocalipse contemplou. Aqui vemos, em tudo que nos rodeia, a Nova Jerusalém descendo a partir do céu de Deus, bela como a noiva adornada para encontrar seu Criador. A partir deste dia, sempre que a liturgia sagrada for celerada aqui, temos que perceber que a comunidade reunida é nada menos do que a Nova Jerusalém, aquela Esposa imaculada de Cristo.

A liturgia celebrada é nada menos do que um convite à liturgia da Jerusalém Celeste, aquela liturgia em que o trono do Cordeiro e de Deus ocupa um lugar central. O Cordeiro imolado que permanece para sempre perante o trono de Deus é o centro da Jerusalém Celeste e o centro desta igreja, em cujo altar o sacrifício do Cordeiro imolado é continuamente renovado.

Tal simbolismo elevado, exuberante contrasta drasticamente com os detalhes empoeirados, terrenos do relato do Evangelho que acabamos de ler. Alguém pode justificadamente especular, primeiramente, porque a estória de Zaqueu no Evangelho, o coletor de impostos baixinho e muito desprezado, deveria se a preeminente leitura da Escritura do dia da dedicação de uma esplêndida igreja nova. Certamente a razão reside nas linhas que Jesus se dirige ao pecador que Ele vê avidamente buscando-O a partir de Seu lugar elevado no sicômoro. Ele diz: “Zaqueu, desce rápido, porque hoje preciso ficar na tua casa.” Essas palavras nos proporcionam uma bela transição da cena de Zaqueu para a liturgia em que estamos envolvidos hoje em dia, porque aquelas palavras firmes, determinadas, magníficas de Jesus são as mesmas palavras que Ele nos dirige, cada um de nós um pecador como Zaqueu, com relação a esta casa de Deus. As bênçãos de Deus derramadas sobre nós no curso desta magnífica liturgia de dedicação, de fato, têm esse formato muito concreto: Referindo-se a este novo edifício Jesus diz: “neste dia preciso ficar nesta casa.”

As palavras simples e intenção de Jesus nos ajudam a manter as nossas condutas em meio das imagens mais elevadas e místicas do Livro do Apocalipse. Precisamos de ambas. Porque o Livro do Apocalipse nos ajuda a lembrar que em Jesus estamos lidando com ninguém menos do que o Filho Eterno de Deus que está no céu desde toda a eternidade. Ao mesmo tempo a estória de Zaqueu nos lembra que o mesmo Filho Eterno é Deus conosco, Deus conosco em nossas ruas poeirentas, nos chamando de pecadores pelo nome, um por um, para tê-Lo como hóspede em seu lar.

A reação de Zaqueu a este convite pretende indicar a nossa própria atitude agora, no curso desta celebração. Lemos: “Zaqueu se apressou, desceu e O recebeu com alegria.” Façamos com que nossos sentimentos de hoje e a nossa ação litúrgica sejam uma expressão com todos os nossos corações de receber Cristo com alegria no meio desta, nossa casa, que a presença de Jesus também faça a Casa de Deus.

Outros irão murmurar ao verem Jesus abundantemente concedendo a Sua presença graciosa a pessoas como nós. Eles dirão: “Ele foi para a casa de um pecador.” Porém, Jesus nos defende hoje como Ele fez com Zaqueu. Com as graças desta liturgia e da decisão que o Próprio Jesus pronuncia solenemente as palavras “hoje a salvação chegou a esta casa.”

A visão que enxergamos na Nova Jerusalém e a visão que vemos em Jesus na mesa no lar de Zaqueu, no final das contas, é a visão de comunhão. O Nosso Santo Padre o Papa Bento XVI, em seu Motu Proprio Summorum Pontificum, mencionou que as duas formas do uso do Rito Romano, as Formas Extraordinárias e Ordinária, podem se enriquecer mutuamente. Como exemplo ele mencionou “os novos prefácios podem e devem ser introduzidos no Missal antigo”. No Missal de Paulo VI, existe um belo prefácio para ser usado no aniversário de dedicação de uma igreja, que pode ajudar a enriquecer a nossa compreensão da celebração hoje como uma visão de comunhão. Sendo designado para o aniversário de uma dedicação, o mesmo pode indicar para nós que devemos ainda ser capazes de rezar anos daqui por diante quando comemorarmos a dedicação de hoje.

A segunda parte de um prefácio, como sabemos, sempre afirma em termos específicos as razões específicas da razão pela qual é certo e justo dar graças e louvar ao Pai. Neste prefácio o motivo afirma:

Porque na casa visível que vós nos deixastes construir, Pai, vós, manifestais de maneira maravilhosa

e realiza o mistério da vossa comunhão conosco.

Como novo Presidente da Comissão Ecclesia Dei, quero me deter nesta frase, “o mistério de sua comunhão conosco”. A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro tem um carisma especial de assistir o Santo Padre na preservação da unidade da Igreja para aqueles vinculados à forma tradicional da Missa, através da implementação do Motu Proprio Summorum Pontificum. Os diferentes Ritos da Igreja no Oriente e Ocidente testemunham a diversidade das tradições litúrgicas que têm crescido na e com a Igreja desde os tempos apostólicos. Sim, São Paulo insiste, existe um Senhor, uma fé, um batismo. Esta é a razão pela qual o Santo Padre enfatizou a continuidade que podemos ver entre  as Formas Extraordinárias e Ordinária do Rito Romano. Sempre a Igreja celebra a Eucaristia consoante seja lá qual for o Rito ou forma desse Rito, é sempre o mesmo mistério de comunicação que está sendo maravilhosamente manifesto e realizado.

A diversidade litúrgica não é incompatível com a unidade de fé Católica Isto tem ficado claro ao longo dos séculos através da diversidade de Ritos, Oriente e Ocidente e é claro com relevância especial para a vossa fraternidade sacerdotal no Summorum Pontificum. Este também é o mesmo princípio operativo na nova Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, que estabelece Ordinariatos para ex-Anglicanos que desejam a plena comunhão com a Igreja Católica enquanto ao mesmo tempo preservam a mesma riqueza de seu patrimônio litúrgico e espiritual.

Sabemos que, acima de tudo, é através da celebração da Eucaristia que esta capela está sendo consagrada e o prefácio que estou citando nos lembra de maneira bonita que a  Eucaristia conclui a comunhão, entre Deus e nós mesmos, e entre uma parte da Igreja e outra. Os passos generosos que o Santo Padre tomou no seu Motu Proprio para conceder um uso mais disseminado da Forma Extraordinária do Rito Romano, é uma mudança que ele sinceramente espera vá tanto reparar quando construir uma comunicação prejudicada na Igreja. A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro deve sempre celebrar a Eucaristia tendo em mente esta preocupação e desejo do Santo Padre.

As diferentes formas, a Ordinária e Extraordinária, não devem ser causa ou motivo de divisão na Igreja, pois a mesma Eucaristia é celebrada sempre e em todo lugar. O fato de que estamos aqui para dedicar uma capela de seminário em honra aos santos Pedro e Paulo me dá a oportunidade de relembrar que todo sacerdote é ordenado para o serviço da Igreja. É verdade e perfeito louvar do Deus todo santo, sua missão de proclamar o Evangelho a toda criatura, batizar todos em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. É este o serviço para o qual somos ordenados. No cumprimento desta missão dada por Cristo a Sua Igreja, uma missão implicando a unidade de toda a família humana e seu destino a ser um com seu amoroso Criador e Deus, a Fraternidade de São Pedro tem como seu carisma especial trabalhar amorosamente para a unidade da Igreja de Cristo garantindo que aqueles que seguem a Forma Extraordinária da liturgia do Rito Latino compreendam que a unidade de fé não pode ser encontrada fora do testemunho do Colégio Apostólico sob a sua cabeça, o sucessor de Pedro, o Papa. Dessa maneira, a rasgo no tecido de unidade manifestado por aqueles que rejeitariam o Concílio Vaticano Segundo como obra do Espírito Santo, deve ser reparado pelo testemunho leal para com a Tradição viva da Igreja, de acordo com as diretrizes do Santo Padre, o Papa Bento XVI.

Queridos irmãos, queridos seminaristas, esta capela não pode ser apenas outro edifício no complexo do seminário; ela é o coração do seminário. É o lugar onde, como disse o Papa João Paulo II, os seminaristas são formados a compartilhar as disposições íntimas que a Eucaristia estimula: a gratidão pelos benefícios celestiais recebidos (pois a Eucaristia é ação de graças), uma atividade de auto-oferecimento, que os impelirá a unir o oferecimento de si mesmos ao oferecimento Eucarístico de Cristo; a caridade, nutrida por um sacramento que é um sinal de unidade e partilha; o anseio em comtemplar e fazer reverência em adoração perante Cristo, que está realmente presente sob as espécies Eucarísticas. É aqui nesta capela que encontramos o verdadeiro foco e direção de nossa formação e vida sacerdotais.

O prefácio que citei acima continua dizendo: “Pois aqui” — significando nesta igreja — “pois aqui vós fazeis vossa igreja espalhada pelo mundo se unir mais e mais como o Corpo do Senhor”. Sabemos que a comunhão realizada pela Eucaristia é verificada na comunhão com Pedro e seus sucessores. Tu es Petrus, et super hanc petram, aedificabo ecclesiam meam. Minha presença aqui hoje faz concreta a imagem deste prefácio, uma Igreja espalhada pelo mundo, contudo, unida mais e mais como o Corpo do Senhor precisamente por celebrar o mistério da comunhão no Corpo do Senhor.

Agora, mais do que nunca, nós sentimos a Igreja suspirar — como diz o prefácio — para alcançar sua plenitude na visão de paz. Esta oração é claramente inspirada pela primeira leitura de hoje do livro do Apocalipse, ao qual nós já nos referimos. Assim a frase é completada “para alcançar sua plenitude na visão de paz, a cidade Celestial de Jerusalém”.

Os seminaristas deste seminário que serão ordenados padres serão ordenados para servir a esta visão de paz, como instrumentos de comunhão. Esta visão vemos na Nova Jerusalém descendo do céu de Deus. É a visão que vemos em Jesus na mesa com os pecadores na casa de Zaqueu. É a visão que vemos nesta nova igreja e nos ritos que estamos celebrando agora. Desçamos todos rapidamente de qualquer árvora alta e isolada que possamos estar ocupando, desçamos rapidamente e recebamos Cristo com alegria, na comunhão da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, na Eucaristia celebrada aqui.

Possa Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe dos Padres, Mãe da Igreja, Estrela da Nova Evangelização das Américas,  [ser] a intecessora e modelo para os padres que serão formados aqui na semelhança de seu Filho, nosso verdadeiro e perfeito Sacerdote, Jesus Cristo Nosso Senhor, amém.

Fonte e destaques: Rorate-Caeli