Posts tagged ‘Cardeal Mauro Piacenza’

20 fevereiro, 2015

Nunca poderá haver oposição entre “ação pastoral e doutrina”: Cardeal Piacenza refuta Kasper.

ROMA, 18 de fevereiro de 2015 – LifeSiteNews.com | Tradução: Fratres in Unum.com – Misericórdia e verdade nunca podem estar separadas, e certamente nunca devem ser contrapostas uma a outra, enfatizou o Cardeal Mauro Piacenza em seu discurso no mês passado a uma assistência de padres na Alemanha.

5f3b328dc9e5021d16da86c25a5b8dbeUma vez que diversos líderes da Igreja fazem pressão para que haja mudanças em sua com relação à distribuição da Comunhão, o cardeal refutou a noção de que os ensinamentos morais católicos devam ser ignorados, a fim de que a Igreja dispense “misericórdia”.

O Cardeal Piacenza, que atua como chefe da Penitenciaria Apostólica, um dos três supremos tribunais da Igreja, afirmou: “Quando no cristianismo misericórdia e verdade são apresentados como antagônicas ou, ao menos, como contraditórias, isso resulta sempre em uma percepção parcial.”

“Dificilmente se pode conceber que poderia haver uma ênfase tão forte sobre a misericórdia em detrimento da verdade. Ou, seu oposto, uma forte ênfase na verdade em detrimento da misericórdia.”

O cardeal rejeitou a proposta apresentada pelo Cardeal Walter Kasper e seus seguidores no Sínodo dos Bispos, em outubro, de que é possível existir uma “oposição artificial entre doutrina e atividade pastoral.”

“No cristianismo”, disse ele, “misericórdia e verdade são co-inerentes e inseparáveis, de modo que não podem ser propriamente distinguíveis”. A misericórdia e a verdade, acrescentou, “estão unidas sem confusão e são distintas sem separação… Uma misericórdia sem verdade não é cristã e, ao mesmo tempo, verdade sem a misericórdia não é cristã”.

“A cada caso em que a atividade pastoral se contrapõe à doutrina — uma atividade pastoral que está cheia de misericórdia em oposição à doutrina repleta de uma verdade fria e impiedosa – nós nos revelamos prisioneiros de uma estrutura pré-cristã, em que a verdade e a novidade radical do Verbo encarnado [Cristo] ainda não estão suficiente e adequadamente integradas.”

Ele afirmou que essa “polarização ocorre” com “certa legitimidade”, mas ela deve ser entendida “dentro dos limites de ‘uma e outra'” sem cair de “maneira destrutiva na dicotomia ‘ou uma ou outra’, o que não é católico.”

Em seu discurso, intitulado “A misericórdia e a verdade se encontrarão”, Piacenza citou os salmos para ilustrar o verdadeiro significado da doutrina católica, dizendo: “’O Amor e a Verdade se encontrarão.’ Temos uma nova realidade, que não é feita por mãos humanas; é algo a ser almejado e intensamente esperado, mas que somente se concretizará como dom de Deus.”

Ao abordar o tema favorito do Cardeal Walter Kasper e seus seguidores da ala “progressista” da Igreja, Piacenza disse: “Devemos reconhecer o primado da consciência”, mas acrescentou que isso se deve entender no contexto do “primado da verdade”.

“Apesar da negação dramática da verdade objetiva em nossa época”, disse o cardeal, “… podemos perceber a necessidade dramática da verdade no coração de cada homem, uma necessidade irreprimível e inevitável, porque ela é colocada pelo próprio Deus no coração do ser humano, quando ele disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.’ … À imagem de Deus Ele o criou.”

Segundo ele, “o sacramento da confissão é aquele encontro supremo com a misericórdia oferecida por Deus ao homem e a verdade sobre o homem e sua relação com Deus, a quem ele é chamado a reconhecer.”

O Cardeal Piacenza disse que um “bom confessor guiará” o penitente para reconhecer “uma verdade objetiva que vem de fora de si mesmo, porque ela é dada e revela-se como a condição para uma experiência autêntica e objetiva da misericórdia.”

O gabinte de Piacenza é responsável pela concessão ou indeferimento de dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja. Alguns pecados são considerados tão graves pela Igreja que não podem ser tratados ao nível local do pároco ou até mesmo do bispo, mas estão “reservados à Santa Sé”, incluindo a profanação da Sagrada Eucaristia, considerada como verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo.

A Penitenciaria Apostólica, chamada de “tribunal da misericórdia”, é o órgão do Vaticano responsável por conceder ou negar dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja, tal como determinar como e quando conceder a absolvição para aqueles que foram automaticamente excomungados “latae sententiae” ou por suas próprias ações. Este é o caso de pecados graves como o aborto.

Seu gabinete talvez seja o mais próximo, em um nível humano, das questões que causaram uma polêmica mundial no ano passado, em particular, a proposta de permitir que católicos divorciados e recasados ​​civilmente recebam a Sagrada Comunhão sem mudar seu modo de vida. Um católico em um estado de pecado grave ou “mortal” não pode receber a Comunhão até fazer uma confissão sacramental válida, o que implica, pelo menos, na intenção declarada de nunca mais cometer o pecado novamente.

Alguns bispos e cardeais que se opuseram à proposta do Cardeal Kasper salientaram que isso obrigaria os sacerdotes a distribuir, de maneira consciente, a Comunhão a pessoas em condição objetivamente pecaminosa, o que constituiria um ato de profanação deliberada.

A verdade cristã, disse ele, nunca é “uma vara empunhada contra o outro”, mas sim um “chamado para uma relação autêntica, que seja capaz de levar o homem à realização de si mesmo: seu relacionamento com Deus”.

30 setembro, 2013

Desconsolado, mas digno.

Da coluna do vaticanista Andrés Beltramo Álvarez:

A notícia de sua saída da Congregação para o Clero caiu como um “balde de água fria” sobre o Cardeal Mauro Piacenza quando lhe comunicou o próprio Francisco, na quarta, 11 de setembro, um dia depois da visita do Papa ao Centro Astalli para refugiados em Roma. Embora estivesse desconsolado, naquele mesmo dia começou a organizar as suas coisas para a iminente mudança. O pontífice pediu sua ajuda em um novo posto, o de Penitenciário Maior, e ele imediatamente aceitou, sem pedir explicações.

Apesar de que em torno do purpurado já se soubesse da notícia, ela não vazou à imprensa até à véspera do anúncio oficial, 21 de setembro. Um detalhe pouco agradável ocorreu na manhã daquele mesmo sábado. Em um dos corredores da sede da Congregação no Vaticano, estão pendurados os retratos de alguns dos antigos prefeitos. Abaixo da imagem e do nome de Piacenza, horas antes que se fizesse pública a mudança, já havia aparecido a placa com a data: “2010-2013”. Como se alguém tivesse uma surpreendente pressa para ver partir do posto o clérigo genovês. Naquele sábado, Piacenza se despediu de todos os seus colaboradores com um breve discurso.

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Nota do Fratres: Vale ressaltar a dignidade do Cardeal Piacenza ao deixar o seu posto, ao contrário do que fazem os progressistas quando contrariados: vazamento de documentos confidenciais e intrigas que minam a autoridade papal e desabonam a cúria romana — o episódio do Vatileaks que o diga; ou mesmo ninharias ridículas, como, por exemplo, quando o Cardeal Sodano (que agora se vê “vingado” com as nomeações de vários de seus pupilos por Francisco) demorou meses para liberar os escritórios da Secretaria de Estado ao ser substituído por Bento XVI. Enfim, outra demonstração de quem realmente está do lado do Papado e de quem quer simplesmente instrumentalizá-lo para benefícios próprios — quando não para destruí-lo.

24 setembro, 2013

A cara da felicidade.

Ex-padre não muito feliz segura seu atestado de herege excomungado. Podemos esperar medidas semelhantes com Stella e Müller?

Ex-padre não muito contente segura seu atestado de excomungado. Podemos esperar medidas semelhantes com Stella e Müller?

Por The Age | Tradução: Blogonicus – O padre dissidente Greg Reynolds foi simultaneamente afastado do ministério e excomungado pelo seu apoio à ordenação de mulheres e aos homossexuais [que não vivem em castidade e apoiam o gayzismo, NdT] – a primeira pessoa excomungada em Melbourne, acredita.

A ordem vem direto do Vaticano, não a pedido do arcebispo de Melbourne, Dom Denis Hart, e, aparentemente, segue uma denúncia secreta ao melhor estilo da Inquisição, segundo o Padre Reynolds.

O documento de excomunhão – escrito em latim e não explicitando o motivo – data de 31 de Maio, o que significa que está sob a autoridade do Papa Francisco, que ganhou as manchetes na quinta-feira conclamando por uma Igreja menos obcecada por regras.

Padre Reynolds, que renunciou ao cargo de pároco em 2011 e no ano passado fundou o grupo Inclusive Catholics, disse que esperava ser secularizado (afastado do ministério), mas não excomungado. Mas que isso não faria diferença para o seu ministério.

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Nota do Fratres: Provavelmente um dos últimos atos do grande Cardeal Piacenza na Congregação para o Clero, em virtude das faculdades especiais a ela concedidas por Bento XVI, a pedido do próprio Piacenza… Purpurado que, após também insistir junto a Bento XVI para que sua Congregação obtivesse competência sobre os seminários, mesmo sem pessoal suficiente em seu staff, iniciara diversas visitações a seminários a fim de que promovessem uma boa formação, conforme os desejos da Igreja. No entanto, hoje os tempos são outros e, apesar de numerosíssimas denúncias da falta de ortodoxia que chegam a Roma, caberá à Conferências Episcopais resolvê-las.

20 setembro, 2013

Piacenza transferido para a Penitenciária Apostólica. Stella para o Clero e Baldisseri para o Sínodo.

Inicia o spoil system de Francisco. O cardeal Piacenza passa para a Penitenciária Apostólica [ndr: um dos purpurados mais fiéis a Bento XVI deixa uma Congregação de primeiro escalão para uma bem mais modesta…].

Cardeal Piacenza

Cardeal Piacenza

Por Marco Tosatti | Tradução: Fratres in Unum.com – Amanhã, pela manhã, a Santa Sé anunciará duas importantes trocas na Cúria. O cardeal Mauro Piacenza, Prefeito para o Clero, deixa o posto que lhe foi confiado há três anos por Bento XVI. E também o arcebispo croata, Nikola Eterovic, será substituído na função de Secretário do Sínodo dos bispos, que conduziu por nove anos.

O cardeal Piacenza vai assumir a função de Penitenciário Mor, assumido pelo cardeal português Manuel Monteiro de Castro. O novo Prefeito da Congregação para o Clero será um diplomata, o arcebispo Beniamino Stella, atual presidente da Academia Eclesiástica, instituto no qual são instruídos e formados os futuros Núncios da Santa Sé. Stella, originário da província de Treviso, é presidente da Academia desde 2007. Nikola Eterovic, por sua vez, assumirá o cargo de núncio apostólico na Alemanha, em Berlim. Em breve se espera também a nomeação de Mons. Crociata, atual secretario geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), como Ordinário militar na Itália.

A mudança acontecerá faltando pouco para a reunião colegial do papa Francisco com os oito cardeais de todo o mundo, que são os seus “consultores” para a reforma das estruturas da Igreja, reunião marcada para os inícios de outubro. E é, na verdade, a primeira grande mudança feita pelo Pontífice em relação à estrutura herdada de Bento XVI, além da nomeação do arcebispo Pietro Parolin como sucessor do Secretário de Estado do Papa Ratzinger, Tarcísio Bertone.

Como via de regra, nesses casos, não nos são informadas as motivações das mudanças, que são uma prerrogativa pontifícia. Mauro Piacenza começou a trabalhar na Congregação para o Clero em 1990, antes de ser nomeado Presidente da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais, e de voltar, depois, para o Clero, como Secretário, quando era prefeito o brasileiro Claudio Hummes, grande eleitor, segundo alguns, do Papa Francisco. Piacenza sucedeu Hummes em 2010, quando este se aposentou por idade.

Há alguns meses, a Congregação para o Clero assumiu também a tarefa de cuidar dos Seminários, e imediatamente tinham começado as visitas, em particular aos institutos romanos. A gestão destes últimos anos foi marcada pela publicação do nosso Diretório para os sacerdotes, com textos que, por ocasião do aniversário dos 50 anos do Concílio Vaticano II, tendiam a corrigir interpretações distorcidas, e por uma forte chamada a uma visão espiritual, mais que hierárquica e administrativa, da figura do sacerdote.

O cardeal Piacenza, originário de Genova, era muito estimado por Bento XVI e pelo seu Secretário de Estado, o cardeal Tarcísio Bertone, seja por suas notáveis capacidades de trabalho como pelo profundo conhecimento da “máquina” e dos problemas da Congregação, além de ser intérprete de uma linha eclesiástica atenta à tradição. O seu sucessor, Beniamino Stella, tem um curriculum “clássico”, típico de um diplomata: de 1987 a 2007 esteve em várias nunciaturas em todo o mundo, antes de ser chamado a Roma para ocupar-se da formação dos futuros embaixadores do Papa. Assim como o novo Secretário para o Sínodo, o arcebispo Lorenzo Baldisseri. A “mudança” faz pensar que Papa Francisco queira colocar homens “seus” em dois pontos que considera centrais para a sua futura ação.

8 junho, 2013

Aos padres: O tribunal último é Deus, não os jornais.

Por Marco Tosatti – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com – O Prefeito da Congregação para o Clero, o cardeal Mauro Piacenza, está na Eslováquia para uma série de encontro com a Conferência Episcopal, com os sacerdotes, os seminaristas e os responsáveis pela formação seminarística. Desde este ano, com efeito, por um desejo de Bento XVI expresso há anos, também os seminários de todo o mundo estão sob a responsabilidade da Congregação para o Clero. O purpurado fará conferências, seguidas de debates, depois dos quais acontece a celebração da missa. A viagem, por convite da Conferência episcopal, acontece por ocasião da Jornada mundial de santificação para o Clero, juntamente com as celebrações jubilares dos Santos Cirilo e Metódio, os evangelizadores do mundo eslavo e co-padroeiros da Europa.

Cardeal Piacenza

Cardeal Piacenza

Aos sacerdotes, o cardeal falou da importância da comunhão na Igreja e para com a Igreja, também na sua forma hierárquica. Um elemento que a cultura dominante frequentemente tem dificuldade de entender, e que parece contrastar com alguns aspectos da sociedade moderna.

Nesta concepção da comunhão e da consequente obediência, é sempre necessário vigiar sobre o conceito e sobre a práxis concreta, que cada um vive em relação com a cultura dominante e, em particular, com a modernidade. “Ser ‘modernos’ – disse Piacenza –, não significa, em nenhum caso, ferir a comunhão ou viver a obediência de modo arbitrário, mas, ao contrário, o que nos faz ser diferenciais no mundo – e, por isso, proféticos – é a real e profunda unidade com Cristo; da relação com Ele deriva toda fecundidade pastoral”.

E continuou o prefeito da Congregação para o Clero: “Ser padres modernos não significa reinventar a fé em cada homilia, ou imaginar uma igreja diferente, nas suas estruturas essenciais, daquela que foi instituída por Cristo Senhor. Ser modernos significa, ao contrário, ser contemporâneos de Cristo, isto é, viver, cada instante, em sua Presença”.

Segundo o purpurado, não se trata somente de respeito para com as regras da estrutura; mas esta atitude, ao contrário, corresponde à exigência e a necessidade dos fieis: “As nossas comunidades nos pedem. Desde os mais pequenos vilarejos à mais populosa paróquia urbana, os nossos fieis desejam encontrar testemunhas fieis e, por isso, críveis, que sejam, primeiramente estes, sinais reconhecíveis da comunhão divina sobrenatural”.

Mais do que assumir os desafios da modernidade, é necessário “ser capaz, com a força do Evangelho, de nós mesmos desafiarmos a modernidade” graças a uma “radical e permanente pertença a Cristo”. É necessário viver uma liberdade autêntica. “É necessário sermos livres de qualquer condicionamento dos meios de comunicação, que não são o nosso último tribunal! Nosso último tribunal é Deus! Sermos verdadeiramente o diferencial na cultura dominante nos torna extraordinariamente próximos do nosso povo, nos tornará capazes de dialogar com as pessoas de fé e com aquelas que não crêem, sustentará a responsabilidade no trato com as almas a nós confiadas e, justamente na radicalidade de sermos alternativos ao mundo, conquistaremos a profunda estima, sobretudo, dos jovens”.

17 fevereiro, 2012

O lobby anti-Bertone e o possível novo secretário de Estado.

IHU – O homem que está pronto para assumir o posto do cardeal Tarcisio Bertone como secretário de Estado tem sua escrivaninha na Praça Pio XII, nº. 3, praticamente em frente à Praça de São Pedro. Ele não move um dedo, não faz complôs. Está ali e se apresenta como um fidelíssimo do Papa Ratzinger, doutrinalmente seguro à prova de bombas e além disso… eficiente. Chama-se Mauro Piacenza (foto), prefeito da Congregação para o Clero.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 16-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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6 outubro, 2011

“Nova Igreja”, “Igreja Conciliar”, “A outra”: Histórica e teologicamente ilegítima. Cardeal Piacenza: “não existe, nem poderia existir, uma Igreja pré-conciliar e uma pós-Conciliar”.

Palavras do Cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação para o Clero, aos seminaristas da Arquidiocese de Los Angeles, EUA, em 4 de outubro de 2011:

É algo adquirido pela experiência eclesial, que as vocações nascem, florescem, se desenvolvem e chegam ao amadurecimento somente onde se reconhece claramente o primado de Deus. Qualquer outra motivação, que também pode acompanhar o início da percepção de um chamado ao sacerdócio, conflui no movimento de total doação ao Senhor e no reconhecimento de seu primado em nossa vida, na vida da Igreja e na do mundo.

Primado de Deus significa primado da oração, da intimidade divina; primado da vida espiritual e sacramental. A Igreja não tem necessidade de gestores, mas de homens de Deus! Não tem necessidade de sociólogos, psicólogos, antropólogos, cientistas políticos — e todas as demais atuais que conhecemos e podemos imaginar.

A Igreja tem necessidade de homens crentes, e, portanto, críveis, de homens que, acolhido o chamado do Senhor, sejam seus motivados testemunhos no mundo!

Primado de Deus significa primado da vida sacramental, vivida hoje e oferecida, a seu tempo, a todos os nossos irmãos! Muitas coisas podem encontrar os homens nos outros; no Sacerdote, no entanto, buscam o que somente ele pode dar: a Divina Misericórdia, o Pão da vida eterna, um novo horizonte de significado que torne mais humana a vida presente e possível a eterna!

[…]

A formação intelectual deve tender a transmitir os conteúdos certos da Fé, argumentado razoavelmente em seus fundamentos escriturísticos, da grande Tradição eclesial e do Magistério, e fazer-se acompanhar pelos exemplos de vida de sacerdotes santos. Não deveis vos desnortear nos meandros das diversas opiniões teológicas que não dão certeza e colocam a Verdade revelada em pé de igualdade com qualquer outro “pensamento humano”. O indivíduo se forma nas certezas e tratando de ter na própria bagagem uma visão de síntese com o entusiasmo da missão.

[…]

Sereis vós, provavelmente, a primeira geração que interpretará corretamente o Concílio Vaticano II, não segundo o “espírito” do Concílio, que tanta desorientação trouxe para a Igreja, mas segundo o que realmente o Acontecimento Conciliar disse, em seus textos, à Igreja e ao mundo.

Não existe um Concílio Vaticano II diferente daquele que produziu os textos que hoje estão à nossa disposição! E nestes textos nós encontramos a vontade de Deus para a sua Igreja e com eles é necessário se confrontar, acompanhados por dois mil anos de Tradição e de vida cristã.

A renovação é sempre necessária à Igreja, porque sempre necessária é a conversão de seus membros, pobres pecadores! Mas não existe, nem poderia existir, uma Igreja pré-conciliar e uma pós-Conciliar! Se assim fosse, a segunda — a nossa — seria histórica e teologicamente ilegítima!

Existe uma única Igreja de Cristo, da qual vós sois parte, que vai desde Nosso Senhor até os Apóstolos, desde a Bem-aventurada Virgem Maria até os Padres e Doutores da Igreja, desde a Idade Média até o Renascimento, desde o Românico até o Gótico, o Barroco, e assim sucessivamente até nossos dias, ininterruptamente, sem qualquer lacuna de continuidade, nunca!

10 julho, 2011

Congregação para o Clero lança Subsídio para Confessores e Diretores Espirituais.

CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

O SACERDOTE

MINISTRO

DA MISERICÓRDIA DIVINA

« É necessário voltar ao confessionário, como lugar no qual celebrar o sacramento da reconciliação, mas também como lugar onde “habitar” com mais frequência, para que o fiel possa encontrar misericórdia, conselho e conforto, sentir-se amado e compreendido por Deus e experimentar a presença da Misericórdia Divina, ao lado da Presença real na Eucaristia » Bento XVI

Acolhendo com motivação intensa o apelo do Santo Padre e seguindo a sua intenção mais profunda, com o presente subsídio, fruto ulterior do Ano Sacerdotal, deseja-se oferecer um instrumento útil à formação permanente do Clero e uma ajuda à redescoberta do valor imprescindível da celebração do sacramento da reconciliação e da direção espiritual.

TEXTO INTEGRAL

Fonte: Oblatvs

22 março, 2011

Purpurados em Guerra. Schönborn ataca novamente. A pronta resposta de Piacenza.

(Secretum Meum Mihi) Em mais um episódio de “cardeal contra cardeal”, o tema do celibato sacerdotal volta à cena, desta vez protagonizado pelo Cardeal Arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, que, voltando aos maus hábitos, incita novamente o “debate” sobre o celibato sacerdotal (para ver um pequeno exemplo da posição sui generis deste “príncipe da Igreja” ver aqui e aqui); para ser rapidamente contestado na primeira página da edição diária de L’Osservatore Romano pelo Cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação para o Clero (cópia facsimilar do artigo na imagem).

Primeiro, traduzimos o registrado sobre o celibato pelo Cardeal Schönborn segundo relata a ANSA, Mar-22-2011.

“Na Igreja deve haver um debate aberto, inclusive sobre a questão do celibato”. Assim disse o Cardeal Christoph Schönborn, que participa da Conferência dos Bispos austríacos, em curso em Bressanone. O Cardeal pediu um debate aberto sobre temas controversos, e também, portanto, sobre o celibato, que – acrescestou ainda – “deve se mostrar baseado em motivos fundados. O Cardeal também interveio sobre o tema dos abusos sexuais, afirmando que “veio crescendo um sentido de consciência pelas razões das vítimas”.

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Celibato? Não se discute.

Por Marco Tosatti – La Stampa

O Cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação vaticana para o Clero, disse um seco “não” à reabertura do debate sobre o celibato sacerdotal, apontando essa possibilidade – apesar disso, pedido hoje pelo Cardeal de Viena, Christoph Schönborn — como “nociva” e convidando a não se deixar “influenciar ou intimidar por aqueles que não compreendem o celibato e gostariam de modificar a disciplina eclesiástica, ao menos abrindo fissuras”. Um artigo em L’Osservatore Romano.

“O debate sobre o celibato, que nos séculos periodicamente se reascende, certamente não favorece a serenidade das jovens gerações na compreensão de um dado tão determinante para a vida sacerdotal”. O Cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação para o Clero, disse que um lacônico “não” à reabertura do debate sobre o celibato sacerdotal, apontando essa possibilidade – apesar disso, pedido hoje pelo Cardeal de Viena, Christoph Schönborn — como “nociva” e convidando a não se deixar “influenciar ou intimidar por aqueles que não compreendem o celibato e gostariam de modificar a disciplina eclesiástica, ao menos abrindo fissuras”. “Resquício pré-conciliar e mera lei eclesiástica. Estas são, em suma, as principais e mais nocivas objeções que ressurgem no freqüente reascender-se do debate sobre o celibato sacerdotal”, escreve o Cardeal  Piacenza na primeira página do Osservatore Romano de amanhã”. “E ainda assim — continua ele –, nada disso tem fundamento real, seja ao olhar os documentos do Concílio Vaticano II, seja ao se deter sobre o magistério pontifício. O celibato é um dom do Senhor que o sacerdote é chamado a acolher livremente e a viver em sua plenitude”. Segundo o chefe de dicastério vaticano, “apenas uma incorreta hermenêutica dos textos do Vaticano II — começando pela Presbyterorum ordinis — poderia levar a ver o celibato como um resquício do passado do qual se deve libertar. E uma tal postura, além de histórica, teológica e doutrinariamente errada, — acrescenta — também é prejudicial sob o ponto de vista espiritual, pastoral, missionário e vocacional”.