Posts tagged ‘Cardeal Odilo Pedro Scherer’

26 janeiro, 2015

Foto da semana.

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Catedral da Sé, São Paulo, 25 de janeiro de 2015: O Prefeito Fernando Haddad (PT) comunga devotamente das mãos do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, em Missa por ocasião do 461º aniversário da cidade de São Paulo.

8 outubro, 2014

Dom Odilo: ‘há o desejo de agilizar o processo de reconhecimento da nulidade matrimonial’.

O Globo – RIO – Principal motivo de discórdia entre representantes de alas conservadoras e progressistas da Igreja Católica antes do Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a Família, que começou nesta segunda-feira no Vaticano, o reconhecimento da nulidade do matrimônio religioso em caso de divórcio civil começa a ganhar força no encontro, que acontece até o dia 19 de outubro. Considerado conservador nas suas posições, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, afirmou, em entrevista ao GLOBO por e-mail, que essa é a principal perspectiva de mudança entre os temas discutidos da reunião de que ele participa.

– Há o desejo de simplificar e agilizar os processos de reconhecimento da nulidade matrimonial. Nisso poderá haver mudanças nos próximos anos – disse o cardeal, que é membro do Conselho Ordinário do Sínodo, que voltará a se reunir em 2015.

A declaração de Dom Odilo segue a linha da ‘relatio ante disceptationem’ (relatório precedente ao debate), apresentada pelo cardeal húngaro Peter Erdo, Presidente-delegado do Sínodo. No documento, é sugerida a hipótese de que, em certos casos, o próprio bispo diocesano possa formular uma declaração de nulidade matrimonial, em via extrajudicial. Atualmente, a igreja considera o casamento indissolúvel, e pessoas divorciadas ou casadas mais de uma vez (exceto em casos de viuvez) não podem receber os sacramentos, como eucaristia e reconciliação.

“Os divorciados recasados civilmente pertencem à Igreja, precisam e têm o direito de ser acompanhados por seus pastores. Em cada igreja deve haver um sacerdote ‘devidamente preparado, que possa prévia e gratuitamente aconselhar os casais sobre a validez de sua união’. Depois do divórcio, esta verificação deve prosseguir no contexto de um diálogo pastoral sobre as causas do fracasso do matrimônio precedente, identificando as razões da nulidade. Se tudo isso se der na seriedade e na busca da verdade, a declaração de nulidade libertará as consciências de ambas as partes”, diz o texto lido pelo cardeal Erdo, arcebispo de Budapeste.

Combatente da Teologia da Libertação, Dom Odilo foi um dos principapis nomes cotados para assumir o pontificado após a renúncia de Bento XVI, no conclave que elegeu o Papa Francisco, em 2013. Se em relação à nulidade do casamento o cardeal já admite a perspectiva de avanços, em outros temas, como o uso de métodos contraceptivos, a exemplo de preservativos, ele reafirma a posição tradicional, ainda que grande parte dos católicos não siga as recomendações da Igreja a esse respeito:

– Para a Igreja, a questão dos contraceptivos não se resolve pela estatística sobre a sua aceitação ou não; coloca-se aí uma questão de valores, como o significado humano do sexo e da sexualidade, a procriação e a transmissão da vida, o respeito profundo pela pessoa.

Em relação à união homoafetiva, que não é reconhecida pela Igreja, Dom Odilo seguiu a linha moderada do discurso do Papa Francisco de que “os homossexuais não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade”:

– Os homossexuais são convidados a viverem a sua fé, da mesma forma como as demais pessoas. Eles não são excluídos da Igreja. Como a todos os outros cristãos, a Igreja também propõe a eles um estilo de vida que se conforme aos valores do Evangelho.

15 janeiro, 2014

Papa retira Dom Odilo Scherer e mais três cardeais de comissão que supervisiona Banco do Vaticano.

O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018

O Globo | CIDADE DO VATICANO – O Papa Francisco adotou nesta quarta-feira novas medidas para reorganizar o Banco do Vaticano e renovou quatro dos cinco cardeais de uma comissão responsável por supervisionar as operações financeiras da instituição, dentre eles o brasileiro Dom Odilo Scherer e Tarcisio Bertone. Somente o cardeal francês Jean-Louis Tauran permaneceu no cargo. O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018.

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Francisco praticamente anulou o decreto de Bento XVI, substituindo Bertone e outros membros da comissão do banco, chamado oficialmente de Instituto de Obras Religiosas. Em 16 de fevereiro de 2013, dias antes de anunciar sua renúncia, Bento XVI havia confirmado os membros do conselho de supervisão do banco por cinco anos. Entre eles estava o assistente e secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, que foi amplamente culpado por muitas das falhas administrativas do Vaticano, sob o comando de Bento. De acordo com fontes do Vaticano​​, Bertone havia pedido ao Pontífice para ser mantido na presidência da comissão, mesmo depois de sua saída do cargo.

Francisco nomeou outros quatro cardeais, incluindo seu secretário de Estado, Pietro Parolin, e Santos Abril e Castello, um amigo. Os outros membros são o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, e o cardeal Thomas Collins, arcebispo de Toronto. No meio do ano passado, o Papa já havia indicado um amigo de confiança, o monsenhor Battista Ricca, para ocupar o cargo de supervisor e designou uma comissão de investigação independente para examinar as atividades do banco e seu status legal.

Em 2012, Ettore Gotti Tedeschi, então presidente do banco, foi demitido sob acusação de incompetência e de não fazer o seu trabalho corretamente. A comissão de peritos, nomeada no verão passado por Francisco, deverá apresentar as primeiras conclusões na próxima reunião do “G8” (grupo de oito cardeais encarregados de reformas no Vaticano), em fevereiro.

Processo de mudanças

Em vários setores, o Papa está desmantelando o círculo do ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone, frequentemente culpado pelas turbulências no papado de Bento XVI e que, para muitos, foram o principal motivo de sua renúncia em fevereiro de 2013. Em setembro, por exemplo, Francisco retirou o cardeal Mauro Piacenza, um italiano conservador aliado de Bertone, do comando da poderosa Congregação para o Clero. Piacenza foi nomeado ao cargo em 2010. Hoje, está na Penitenciária Apostólica, um tribunal para assuntos internos do Vaticano.

As mudanças são parte de um amplo processo de remodelação da Igreja Católica conduzido por Francisco de forma constante e gradativa em pouco menos de um ano de pontificado, sem afetar, no entanto, a doutrina da instituição. De forma mais ampla, o Pontífice vem combatendo a tradicional proximidade entre políticos italianos conservadores e religiosos do país. O Vaticano continua a ser uma instituição desproporcionalmente italiana – o país ostenta o maior bloco de cardeais ao mesmo tempo em que responde por apenas 4% dos católicos do mundo.

Segundo religiosos, funcionários da Santa Sé, políticos e diplomatas ouvidos pelo jornal “New York Times”, o atual clima dentro do Vaticano varia de adulação à incerteza, profunda ansiedade ou até mesmo paranoia.

26 dezembro, 2013

Chilique progressista contra Dom Odilo Scherer.

“Movimento Quero Nosso Pároco” lamenta remanejamento de padres promovido pelo “conservador” (sic) Dom Odilo — que seria, em breve, nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Apresentamos a seguir mensagem do movimento direcionada à edição de Fratres in Unum.com.

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Dom Odilo remove padres de suas paróquias que divergem de sua linha política

Cardeal Odilo Pedro Scherer.

Cardeal Odilo Pedro Scherer.

O Arcebispo da cidade de São Paulo, Dom Odilo Scherer, promoveu ação no começo de dezembro para trocar os párocos entre seis igrejas da região episcopal do Ipiranga. Não foi dada justificativa para mudança.

Comenta-se, nos bastidores, que já há algum tempo Dom Odilo queria retirar o poder de padres que divergem de sua linha política. O cardeal pertence à ala conservadora da Igreja e parte dos padres alvos da ação é moderada ou progressista. Ele teria ficado frustrado ao perder a sucessão de Bento XVI, conservador, para um bispo moderado como Bergoglio.

O Papa Francisco publicou em novembro o documento “Evangelli Gaudium” onde defende a descentralização do poder do Papa e do poder hierárquico dos bispos. Uma das críticas internas do clero é contra a hierarquia da Igreja.

Comenta-se que com a troca de padres entre as paróquias, o objetivo seria interromper o trabalho de anos nas igrejas dos padres moderados ou progressistas.

O pároco da igreja Nossa Senhora de Fátima, João Cícero, ficou sabendo da ação do arcebispo por meio de fiéis que leram a notícia no Facebook do padre que vai ser nomeado nesse mês, Wilson Santos da igreja Santa Cristina. Comenta-se que Dom Odilo teria pressa com as trocas, pois estaria de malas prontas para sair da arquidiocese tendo Roma como possível destino.

O padre da Igreja Santa Rita de Cássia, Celso Paulo Torres, por exemplo, está há mais de vinte anos na Paróquia. Comenta-se que ele teria visão progressista na Igreja, a “opção preferencial pelos pobres” defendida pelo papa, contrária a Odilo e próxima a defendida pelo antigo clero brasileiro progressista. Esse foi desarticulado nos anos 80 pela ação dos papa João Paulo II e do então prefeito da Congregação da Fé (antiga Inquisição) Bento XVI, por meio também da troca de bispos e padres de suas igrejas.

Os fiéis das paróquias estão indignados pelo motivo da mudança e tristes por poder perder alguém da “família” com quem convivem há anos. Muitos foram batizados pelo padre e hoje são adultos.

Os paroquianos das igrejas Imaculada Conceição (pároco Benedito de Abreu), Santo Afonso (Márcio Manso) e Nossa Senhora do Sion (José Geraldo Moura Rodrigues) se articulam para impedir as mudanças. O bispo Dom Odilo não responde aos seus e-mails, mensagens no Facebook, telefonemas e outras tentativas de contato.

Fiéis das quatro igrejas se articulam para fazer abaixo-assinados e fazerem protestos em frente à Catedral da Sé e da casa de Dom Odilo.

Outro boato é que os párocos Márcio e Vicente teriam “traído” os colegas concordando com a mudança achando que iriam para paróquias maiores, o que não aconteceu. Eles participaram do conselho presbiteral que votou pelas trocas. Parte deste seria composto por padres novos “carreiristas em busca de igrejas com mais status político e econômico”.

Os fiéis das três outras igrejas nas trocas Santa Cândida (pároco Jorge Bernardes), Santa Cristina (Wilson dos Santos) e Nossa Senhora de Fátima (João Cícero) não participam das mobilizações. Os dois primeiros seriam conservadores como Dom Odilo.

Parte dos padres removidos das igrejas também enfrentou o “modelo de pastoral conservador e hierárquico” do antigo bispo auxiliar da região, Dom Tomé, conservador e aliado de Dom Odilo. Dom Tomé foi transferido para a diocese de São José do Rio Preto por ter atingido o tempo limite como bispo auxiliar em São Paulo. Vive lá conflitos noticiados pela imprensa com fiéis devido a esse modelo pastoral.

Leis da igreja

Ainda de acordo com os artigos 1.740 a 1.752 do Direito Canônico da Igreja, um padre só pode ser removido de sua Paróquia por motivo de escândalos e questões morais, financeiras etc que coloquem em risco “a salvação da alma dos fiéis”.

Demissão na PUC

Dom Odilo demitiu o professor e padre Edson Tonetti da PUC-SP que não quis assumir o paroquiado da Imaculada Conceição. O pároco da Nossa Senhora do Sion, José Geraldo, não aceitou também ir para a paróquia e vai ser transferido para a região do Belém. A igreja é associada à universidade e enfrenta problemas como a disputa pelo uso do estacionamento.

Raio-X das trocas de párocos:

• Imaculada Conceição: Benedito Vicente de Abreu (próximo de Dom Odilo e vai para a Paróquia Santo Afonso em data não informada).
• Nossa Senhora de Fátima: João Cícero (conservador e vai para Santa Cândida em fevereiro)
• Santa Cândida: Jorge Bernardes (conservador e vai para a Santa Rita de Cássia em fevereiro)
• Santa Cristina: Wilson dos Santos (conservador que vai para a Nossa Senhora de Fátima já em dezembro)
• Santo Rita: Celso Paulo Torres (progressista e vai para Nossa Senhora do Sion em fevereiro)
• Santo Afonso: Márcio Manso (moderado que vai para Santa Cristina em março)
• Nossa Senhora do Sion: José Geraldo Rodrigues (progressista e vai ser transferido para região Episcopal Belém, em data indeterminada, por não ter aceitado ir para a Imaculada)

Esse texto é divulgado por fiéis interessados em suspender as mudanças. O Clasp (Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo) apoia a iniciativa. Para o presidente da entidade, Edson Silva, o arcebispo perdeu uma oportunidade de mostrar que está alinhado ao chefe do Vaticano. “O cardeal Dom Odilo podia renovar as estruturas das paróquias ouvindo os fiéis de cada comunidade e promover tudo de uma forma mais participativa”, afirma.

O artigo 212 do Direito Canônico diz que “os leigos devem advertir seus pastores e tornar público suas opiniões” quando não são ouvidos por um bispo. Os padres receberam a notícia das trocas no dia 7 na véspera dos seus aniversários de ordenação. Os fiéis recebem a notícia próximo às festas de natal.

13 setembro, 2013

Até quando os bispos apoiarão o “Sussurro dos Possuídos”?

Eles estão sempre se superando. No ano passado, eram mil participantes. Neste ano, dos 120 mil que visitaram o Santuário Nacional de Aparecida no último final de semana, uma vultosa massa de… oitocentos gatos-pingados se uniram para gritar fazer uns ruídos por igualdade (entenda-se comunismo), direito das minorias (entenda-se gayzismo), reforma agrária (entenda-se o pecado contra o sétimo mandamento), direito das mulheres (entenda-se a liberação do aborto), etc, etc, etc. E os ocupantes de postos importantes na Igreja, que vivem numa eterna década de 70, insistem. Por exemplo, o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, ao mesmo tempo em que se intromete em assuntos que não são de sua  alçadaafirma:

Miado dos excluídos em Aparecida: "Bem vindos médicos cubanos!"

Miado dos excluídos em Aparecida: “Bem vindos médicos cubanos!”

“A Igreja apoia manifestações como o Grito dos Excluídos, porque acredita que a igreja muitas vezes se faz a única voz dos excluídos. Nos incluímos como um instrumento em defesa dessas minorias.”

Também Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, se uniu a essa patifaria, embora colha amargos frutos  de anos de libertinagem esquerdista na PUC-SP.

Missa de Dom Odilo na Catedral da Sé em São Paulo.

Missa de Dom Odilo na Catedral da Sé em São Paulo. Créditos da imagem: https://www.facebook.com/DomAntonioDeCastroMayer

Uma leitora relata o “Grito” em Congonhas, MG, Arquidiocese de Mariana — cujo Arcebispo é o antecessor de Dom Raymundo Damasceno na presidência da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha:

‹‹ O evento estava cheio de militantes do PSTU, do PT, de feministas e até de grupos estudantis pró-gayzismo bradando pelo “fim da homofobia”… Durante o evento, houve protestos contra o “capetalismo” (é assim que eles chamam o sistema que nos garante liberdade e prosperidade), brados contra a “homofobia” (ou seja, o movimento gayzista se fez representar neste evento pseudo-católico), músicas carnavalescas que nem de longe lembravam oração e penitência (que foi o que o papa pediu que fizéssemos neste dia) e presença de militantes feministas (não sei se abortistas ou não, mas a camisa roxa que usavam era parecida com a da Marcha Mundial de Mulheres, que são abortistas irredutíveis). Além disso, não faltaram membros de partidos anticristãos e totalitários de esquerda ››.

Quando acordarão os bispos do Brasil?

12 março, 2013

Dom Odilo, que segundo família adotaria o nome de Paulo VII, teria defendido a Cúria em discussão acalorada.

Blog do CamarottiPrelados brasileiros próximos ao cardeal Odilo Scherer acreditam que há uma campanha para “queimar” o arcebispo de São Paulo. Um deles disse ao Blog que o objetivo seria reduzir as chances de dom Odilo dentro do conclave. Uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal italiano “la Repubblica” acendeu o sinal de alerta entre os interlocutores próximos do arcebispo de São Paulo.

Segundo a reportagem, Scherer tomou uma posição oposta de outro cardeal brasileiro, João Braz de Aviz, e saiu em defesa da Cúria Romana no último dia de reunião das Congregações Gerais. Braz de Aviz tinha feito um ataque pessoal ao ex-secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, ao questionar as finanças do Vaticano.

A matéria relata que Bertone não gostou das críticas e acusou Braz de Aviz de vazar as informações para a imprensa italiana. Houve tréplica do brasileiro. Nesse momento, Odilo Scherer teria feito uma intervenção para defender a Cúria.

“Dom Odilo defendeu o legado de Bento XVI. Mas querem queimá-lo quando tentam associá-lo ao cardeal Bertone e como defensor da Cúria Romana. Enquanto isso o cardeal Angelo Scola (Milão) aparece como o candidato que vai reformar a Cúria”, rebateu um prelado brasileiro que é do grupo de Odilo Scherer.

Para vaticanistas italianos, ao defender uma posição impopular, Scherer fez um movimento para conquistar votos de cardeais ligados à Cúria Romana. Abaixo, reprodução da reportagem do “la Repubblica”:

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Irmão de D. Odilo aposta em nome de Papa que cardeal escolheria: ‘Paulo’

Globo –  Com o andamento do conclave no Vaticano, a expectativa da família de Dom Odilo Scherer cresce na mesma medida em que o assunto se torna uníssono nas ruas de Toledo, no oeste do Paraná. Ainda que cautelosos diante da eleição que irá escolher o novo Papa, os irmãos do cardeal brasileiro, que está entre os favoritos, já apostam no nome que Odilo irá escolher na hipótese de ser eleito. “Se for o caso, é Paulo”, apostou o irmão Lotário Scherer.

6 março, 2013

Um americano em Roma, com destino à cátedra de Pedro.

Talvez o arcebispo de Nova York. Ou quem sabe o de Boston. Seguindo as pegadas de Bento XVI e, além disso, com o chicote contra o mau governo. Mas a cúria resiste e contra-ataca, empurrando adiante um cardeal brasileiro de sua confiança.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com

Cardeal Dolan.

Cardeal Dolan.

Roma, 7 de março de 2013 – A aposta mais fácil é que o próximo Papa não será italiano, nem tampouco europeu, africano, asiático. Pela primeira vez na bimilenar história da Igreja, o sucessor de Pedro poderia vir das Américas. Ou, se preferirem tentar uma previsão mais certeira, da Grande Maçã.

Timothy Michael Dolan, arcebispo de Nova York, 62 anos, é um homenzarrão de Midwest de sorriso radiante e vigor transbordante, precisamente aquele “vigor tanto do corpo como do espírito” que Joseph Ratzinger reconheceu ter perdido e que ele definiu necessário para seu sucessor, a fim de “governar bem a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho”.

No ato de renúncia de Bento XVI já estava o título do programa do futuro Papa. E para muitos cardeais veio à mente rapidamente a vivacidade missionária com a qual Dolan desenvolveu precisamente este tema, com seu italiano “primário”, em suas palavras, mas entusiástico, no consistório do ano passado, quando ele mesmo, arcebispo de Nova York, preparava-se para receber a púrpura:

> A proclamação do Evangelho hoje

Foi um consistório muito criticado, em fevereiro de 2012. Há semanas, documentos candentes vazavam dos escritórios do Vaticano, inclusive do reservado escritório do Papa, lançando ao público ambições, contrastes, pecados de uma cúria à deriva.

No entanto, entre os novos cardeais criados por Bento XVI um bom número era de italianos, pertenciam à cúria e, o que era ainda pior, estavam estreitamente vinculados ao secretário de Estado, Tarcisio Bertone, universalmente considerado o principal culpado pelo mau governo.

O Papa Joseph Ratzinger modificou esta situação alguns meses depois, em novembro, com outras seis indicações cardinalícias, todas elas não européias, inclusive o do astro nascente da Igreja da Ásia, o filipino de mãe chinesa Luis Antonio Gokim Tagle.

Mas a fratura permanecia intacta. De um lado, os senhores da cúria, em sua infatigável defesa dos respectivos centros de poder. De outro, o universo de uma Igreja que já não tolera que o anúncio do Evangelho no mundo e o luminoso magistério do Papa Bento sejam obscurecidos pelos tristes relatos da Babilônia romana.

É a mesma fratura que caracteriza o iminente conclave. Dolan é o candidato símbolo que representa a mudança purificadora. Não é o único, mas certamente é o mais representativo e audaz.

No fronte adverso, todavia, os magnatas da cúria se unem e contra-atacam. Não empurram adiante nenhum deles, sabem que assim a partida estaria perdida de antemão. Observam o ambiente que existe no colégio cardinalício e também eles apostam para longe de Roma, do outro lado do Atlântico, porém, não no norte, mas no sul da América.

Olham para São Paulo, Brasil, onde há um cardeal filho de imigrantes alemães, Odilo Pedro Scherer, 64 anos, muito bem conhecido na cúria, onde esteva durante anos em Roma a serviço do Cardeal Giovani Battista Re quando este era prefeito da congregação para os bispos, e que hoje faz parte do conselho cardinalício que supervisiona o IOR, o “banco” vaticano, posto em que foi confirmado há poucos dias, com Bertone como seu presidente.

Scherer é o candidato perfeito desta manobra, toda ela romana e curial. Não importa que no Brasil ele não seja popular, nem sequer entre os bispos que, chamados a eleger o presidente de sua conferência episcopal há dois anos, rechaçaram-no sem apelação. Nem que tampouco brilhe como arcebispo da grande São Paulo, capital econômica do país.

O importante para os magnatas curiais é que ele seja dócil e insosso. A auréola progressista que cobre a sua candidatura é devida a uma derivação puramente geográfica, mas é útil para inflamar em algum purpurado ingênuo a presunção de eleger o “primeiro Papa latino-americano”.

Assim como no conclave de 2005, os votos dos curiais e dos partidários do cardeal Carlo Maria Martini se destinaram todos eles ao argentino Jorge Bergoglio, na tentativa falida de bloquear a eleição de Ratzinger. Também desta vez poderia ocorrer uma união análoga. Curiais e progressistas unidos no nome de Scherer, com o pouco que resta dos antigos partidários de Martini, de Roger Mahony a Godfried Danneels, hoje ambos na mira por sua frágil conduta nos escândalos dos sacerdotes pedófilos.

O Papa que agrada aos curiais e progressistas é, por natureza, débil. Agrada aos primeiros porque lhes deixa livres para atuar, e aos segudos porque deixa espaço para o seu sonho de uma Igreja “democrática”, governada “da base”.

Não surpreende que o historiador Alberto Melloni, expoente principal do catolicismo progressita mundial, tenha prognosticado no “Corriere della Sera”, de 25 de fevereiro,  que do próximo conclave sairá um “Papa pastor” e não “um papa xerife”, e também ridicularizado o Cardeal Dolan, indicando precisamente quatro magnatas da cúria como os cardeais que são, a seu ver, os mais “capazes de compreender a realidade” e determinar “o resultado efetivo do conclave”: os italianos Giovani Battista Re, Giuseppe Bertello, Ferdinando Filoni “e, obviamente, Tarcisio Bertone”.

Isto é, exatamente os que estão orquestrando a operação Scherer. A estes quatro seria necessário acrescentar o argentino da cúria, Leonardo Sandri, de quem se fala que será o futuro secretário de Estado.

Para uma cúria desse tipo, a mera hipótese da eleição de Dolan é um presságio de terror. Mas Dolan Papa sacudiria também esta Igreja feita de bispos, de sacerdotes e de fiéis que nunca aceitaram o magistério de Bento XVI, seu enérgico retorno aos artigos do “Credo”, aos fundamentos da fé cristã, ao sentido do mistério na liturgia.

Dolan é, na doutrina, um ratzingeriano total que possui, ademais, o dom de ser um grande comunicador. Mas o é também na visão do homem e do mundo, assim como do papel público que a Igreja está chamada a exercer na sociedade.

Nos Estados Unidos, Dolan está à frente daquele time de bispos “afirmativos” que marcaram o renascimento da Igreja Católica após décadas de temor de culturas dominantes e de naufrágios em face da propagação dos escândalos.

Na Europa e na América do Norte, isto é, nas regiões em que o cristianismo é mais antigo, porém está em declínio, não há hoje uma Igreja mais viva e reflorescida do que a dos Estados Unidos. E também mais livre e crítica em relação aos poderes mundanos. Desapareceu o tabu de uma Igreja Católica americana que se identifica com a primeira super potência mundial e que, portanto, não poderá nunca gerar um Papa.

Pelo contrário, o que assombra este conclave é que os Estados Unidos oferece não um, mas inclusive dois “papáveis” verdadeiros porque, além de Dolan, há o arcebispo de Boston, Sean Patrick O’Malley, 69 anos, com barba e hábito de bravo frei capuchinho.

Sua pertença à humilde ordem de São Francisco não é um obstáculo para o papado e tem precedentes ilustres, porque também o grande Julio II, o Papa de Michelangelo e Rafael, era franciscano.

Mas o que mais pesa é que Dolan e O’Malley não são dois candidatos contrapostos entre si. Os votos de um podem convergir para o outro, se necessário, porque ambos são portadores de um único projeto.

Comparado com Dolan, O’Malley tem um perfil menos decidido no que diz respeito à capacidade de governo. E isso poderia fazê-lo mais aceito por alguns cardeais, o que lhe permitiria cruzar o umbral decisivo dos dois terços dos votos, 77 em 115, o que, por sua vez, poderia estar excluído para o mais enérgico e, portanto, mais temido, arcebispo de Nova York.

O mesmo raciocínio poderia ser aplicado a um terceiro candidato, o cardeal canadense Marc Ouellet, também ele de sólida matriz ratzingeriana e cheio de talentos similares aos de Dolan e O’Malley, mas ainda mais incerto e tímido que este último nas decisões operacionais. Em um conclave que tem muitas de suas expectativas lançadas na reorganização do governo da Igreja, a candidatura de Ouellet, embora considerada pelos cardeais eleitores, parece a mais débil das três norte-americanas.

Com o seu olhar voltado de Roma para o outro lado do Atlântico, o iminente conclave leva em consideração a nova geografia da Igreja.

O cardeal Ouellet, em sua juventude, foi missionário na Colômbia. O cardeal O’Malley fala perfeitamente espanhol e português e teve sempre como atividade proeminente o cuidado pastoral dos imigrantes hispânicos. O cardeal Dolan é a cabeça dos bispos de um país que alcançou as Filipinas no terceiro lugar no número de católicos no mundo, depois do Brasil e México. E são “latinos” um terço dos fiéis dos Estados Unidos; mais, a metade dos que têm menos de 40 anos o são.

Não surpreende que os cardeais da América Latina estejam dispostos a votar em seus irmãos do norte. E com eles, outros purpurados de peso, como o italiano Angelo Scola, o arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, e o australiano George Pell.

Uma vez fechadas as portas do conclave, já no primeiro escrutínio poderiam cair sobre Dolan muitos votos, talvez não os 47 de Ratzinger na primeira votação de 2005, mas ainda muitos.

O que seguirá é uma incógnita.

24 fevereiro, 2013

Foto da semana.

puc

“Na Universidade Católica, estamos ligados à Cátedra de Pedro! Ligados à fé dos apóstolos!” Palavras de Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, no campus Perdizes da PUC-SP, na última sexta-feira, 22.

23 fevereiro, 2013

A Cruz, novamente vilipendiada por “democratas” na PUC-SP logo após ato de desagravo. O ódio à Igreja em vídeos impressionantes.

23 fevereiro, 2013

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer é hostilizado na PUC-SP, mas não se intimida pela turba anti-católica.

Dom Odilo na PUC - hostilidade por parte de manifestantes.

Dom Odilo na PUC-SP: hostilidade por parte de manifestantes. Foto: Por uma PUC Católica – Facebook.

O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, celebrou ontem, na PUC-SP Perdizes, uma Missa pela festa da Cátedra de São Pedro e um “ato de dignificação” da Cruz que se encontra no pátio do campus, vilipendiada mais de uma vez [ver aqui e aqui] por baderneiros travestidos de estudantes.

Um leitor, cuja gentileza agradecemos, relata o ocorrido:

Eu fui, ontem, ao ato na PUC-SP.

A capela, que não é lá muito grande, estava completamente lotada. Não consegui entrar e fiquei do lado de fora. Percebia-se que havia um público que não era, em sua maioria, alunos da PUC. Certamente, havia vários, mas, também, funcionários e professores. Porém, minha impressão é que uma parcela razoável do público era composta por seminaristas de SP, pessoas ligadas a comunidades tipo Shalom, etc.

A minha filha havia me alertado que os alunos estavam preparando uma “surpresa” para o Cardeal. De fato, um amigo que havia chegado mais cedo me ligou e falou que havia meia-dúzia de gatos pingados com esparadrapos na boca na entrada e mais nada. Quando cheguei, já havia uns 20 deles. Porém, isso me pareceu ser uma estratégia deles para aprontar com o Cardeal.

Quando a Missa terminou, o Cardeal, um ou dois bispos-auxiliares, uns 15 padres e o povo foi em procissão cantando “Vitória da Cruz” até o pátio da Cruz no interior da PUC. Chegando lá, havia uns 80 alunos com esparadrapos na boca, portando cartazes “Fora Anna Cintra” e com papeletes ao ar que diziam alguma coisa que não identifiquei. Infelizmente, quando adentrei ao páteo o Cardeal já estava ao pé da cruz e eu não sei se passou pela barreira de alunos “pacificamente” ou foi preciso pedir “permissão”.

O restante do povo, por orientação dos padres, em vez de ir em direção da cruz, no ‘chão’ do pátio, ficou ao redor, entre os arcos do átrio. O cardeal e os padres ficaram literalmente cercados pelos guevarinhas e cobertos pelos cartazes. O cardeal não se intimidou. Tocou a cerimônia (em um momento pediu para que abaixassem os cartazes e só serviu para subirem mais). Leu-se uns 3 ou 4 trechos do NT, rezou o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo Niceno-Constantinopolitano. Cantaram-se algumas músicas piedosas e aspergiu com água benta e incensou a Cruz.

Penso que a ideia dos organizadores era que o protesto fosse silencioso. Mas, alguns deles (mais meninas) não se aguentaram e, de vez em quando, ouvia-se um grito de “por uma universidade laica” ou “fora a Igreja”, etc. Percebia-se que os organizadores tentavam calar essas vozes, pois a estratégia era que os gritos de ordem fossem soltos no final, para parecer uma manifestação “democrática”.

No começo havia mais gente da Missa do que alunos protestando. Porém, à medida que a galera dos cursos noturnos foi “se achegando” o público se equilibrou. No final, após a benção final, o cardeal puxou uma música sacra, mas aí os guevarinhas soltaram o verbo e começaram a gritar coisas do tipo “fora Anna Cintra” e “adeus, adeus Bento XVI, Anna Cintra agora é sua vez” com força suficiente para calar o Cardeal, que se retirou.

Confesso, por fim, que em certos momentos temi pela segurança de D. Odilo e dos padres que o seguiam. Os alunos que protestavam, por mais que tentassem fazer um ato com “roupagem” democrática, estavam em postura acintosamente agressiva, tentando impedir com seus cartazes que as pessoas pudessem ver o Cardeal ou se aproximassem dele, pois chegaram 3 horas antes e se posicionaram com essa intenção. Estavam muitíssimo próximos dele (provavelmente o tocavam) e eram uns 200 ao final. E, quando urravam palavras de ordem, pareciam uma turba difícil de controlar e sem muita noção de auto-controle. Talvez torcessem por uma reação violenta dos católicos ou imaginassem um público bem menor (lembro de ter ouvido, de uma garota com “esparadrapos na boca” ao meu lado durante a Missa, que ela estava surpresa que haviam mais pessoas ‘comuns’ na Missa do que gente da turma deles).

Emocionei-me quando, já bem no final, quando a turba já estava perdendo a compostura com gritos e apupos, o Cardeal pediu a proteção dos mártires que morreram em defesa da fé de Cristo e pela liberdade religiosa. E fez isso encarando os guevarinhas…

Oremos por D. Odilo e podemos ter orgulho de ter um Cardeal corajoso como ele! Foi, realmente, algo digno de constar nos anais da história da Igreja brasileira ver um Cardeal pregar o Evangelho, o amor a Cristo, de cabeça erguida e, ao sair, caminhar com a dignidade dos homens justos diante de uma turba agressiva e anti-democrática. Segundo me disseram, foi o primeiro ato religioso realizado no interior da PUC-SP em mais de 40 anos.