Posts tagged ‘Cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga’

21 dezembro, 2017

Explode um novo escândalo no Vaticano: o braço direito pontifício de 35 mil euros por mês.

O amigo e primeiro conselheiro de Francisco, Oscar Maradiaga, pregava o pauperismo, mas obtinha meio milhão [de euros] por ano de uma Universidade de Honduras. Bergoglio quis que se realizasse uma investigação inclusive sobre os investimentos milionários e os comportamentos inadequados do bispo Pineda, fidelíssimo do purpurado. E hoje mesmo o papa falou de “traidores e aproveitadores na Igreja”. A investigação completa será no “Expresso”, no próximo domingo.

Por Emiliano Firripaldi, L’Espresso, 21 de dezembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Quando terminou de ler a investigação do visitador apostólico que ele mesmo havia mandado a Honduras em maio, Papa Francisco colocou as mãos no solidéu (ndt. pequeno chapéu em forma de circunferência que os eclesiásticos usam).

Cardeal Maradiaga

Tinha acabado de descobrir que o seu amigo e primeiro conselheiro – o poderoso cardeal Oscar Maradiaga, inflamado sustentador de uma Igreja pobre e pauperista, e, em 2013 promovido pelo próprio Bergoglio como coordenador do Conselho dos cardeais – recebeu por anos cerca de 35 mil euros por mês (ao que se acrescentava um 13o. salário de 54 mil euros em dezembro) da Universidade Católica de Tegucigalpa.

Bergoglio não podia nem imaginar que várias testemunhas, tanto eclesiásticos como leigos, acusasariam Maradiaga de fazer alguns investimentos milionários, em sociedades londrinas, que depois desapareceriam no nada, nem que o Tribunal de Contas do pequeno país da América Central estivesse investigando acerca da utilização de enormes somas de dinheiro dadas pelo governo hondurenho à “Fundação para a educação e a comunicação social” e à “Fundação Suyapa”, ambas sob a responsabilidade da Igreja local e, portanto, do próprio Maradiaga.

“O papa está triste e dolorido, mas também muito determinado a descobrir a verdade”, explicam agora na Casa Santa Marta. Não apenas sobre a utilização final dos pagamentos vertiginosos obtidos pelo cardeal (só em 2015, se lê num relatório interno da Universidade, revisado pelo “Espresso”, o purpurado recebeu quase meio milhão de euros, cifra que segundo algumas fontes teria embolsado por uma década, como “Grão-chanceler” do ateneu); mas também por outros detalhes muito desagradáveis contidos na instrutória dirigida pelo bispo argentino Jorge Pedro Casaretto. Um homem de confiança de Francisco que colocou preto no branco graves acusações trazidas por muitas testemunhas (foram ouvidas umas cinquenta, entre pessoal administrativo da diocese e da universidade, sacerdotes, seminaristas, além do motorista e do secretário do cardeal), também o bispo auxiliar de Tegucipalga Juan José Pineda, fidelíssimo de Maradiaga e de fato aquele que fazia suas funções na América Central.

Francisco, tendo estudado o dossiê que lhe chegou até as mãos há seis meses, chamou para si a decisão final.

Maradiaga, salesiano somo o ex-secretário de Estado, Tarcísio Bertone, nasceu em Honduras há 75 anos. O seu aniversário será em 29 de dezembro e depois de alguns dias deverá entregar as suas demissões sobre a escrivaninha de Francisco, que decidirá ou não se lhe confirmará em seus encargos.

Professor primário e professor de matemática no ensino médio, o purpurado é um homem cultíssimo, fala corretamente cinco línguas, é especialista em teologia moral e filosofia, e é um grande apaixonado por música. Tornou-se célebre na América Latina como inimigo jurado da corrupção e paladino dos mais indigentes, em 2013, Francisco, que aprecia os seus dotes intelectuais e de governo, quis que ele fosse chefe do grupo dos conselheiros que está executando a reforma da cúria romana.

As acusações são muitas. “Há despesas para amigos íntimos de Pineda, como um mexicano que se faz chamar de ‘frei Erick’, mas que nunca professou votos”, explica um missionário. “O personagem chama-se Erick Cravioto Fajardo e viveu por anos em um apartamento adjacente ao do cardeal, em Villa Iris. Recentemente, Pineda, que viveu com ele debaixo do mesmo teto, comprou para ele um apartamento no centro e um carro. Tememos que o dinheiro venha do caixa da Universidade ou da Diocese. Denunciamos este relacionamento próximo e mal falado também no Vaticano. O papa sabe de tudo”.

As testemunhas ouvidas pelo visitador Casaretto falaram também de investimentos milionários catastróficos: Maradiaga teria lançado somas imensas da diocese em algumas sociedades financeiras de Londres, como a Leman Wealth Management (cujo titular, ao lerem-se os registros da Company House da Inglaterra e Gales, é alguém chamado Youssry Henien), e agora parte do dinheiro dado como crédito (e depositados em contas de institutos alemães) teria desaparecido.

Não apenas. No relatório de Casaretto levanta-se a hipótese de importantes buracos no império midiático posto em pé pelo arcebispado e controlado pela Fundação Suyapa (que gerencia jornais e televisões da diocese), enquanto o bispo Pineda foi recentemente indicado pelos jornalistas locais como o dirigente de operações financeiras seguras e como o destinatário de fundos públicos (parece que um milhão de euros) para ostensivos projetos destinados “à formação dos valores dos fieis e à compreensão das leis e da vida social”. Despesas que, segundo os acusadores, nunca foram sustentadas por justificativas válidas.

No Vaticano estão preocupados também pela abertura, por parte do Tribunal de Contas de Honduras, de uma investigação contábil da Diocese entre os anos de 2012-2014: os juízes do Tribunal superior de Contas querem entender se as dezenas de milhões de lempiras doadas a cada ano pelo governo em favor da Fundação para a Educação e a Comunicação social, cujo representante é ainda Maradiaga, foram usadas para os objetivos previstos pela lei. Até agora, a Igreja não entregou – lê-se em uma carta dos magistrados obtida pelo “Espresso” – os ativos e os passivos, e as várias justificativas de despesa.

Logo entenderemos se Bergoglio considerará as pesadas acusações como críveis ou não.

24 agosto, 2016

As 30 moedas dos Judas hodiernos.

Vazamento de e-mails mostram  que George Soros pagou US$650.000 para influenciar bispos durante a visita do Papa aos Estados Unidos. 

Por John-Henry Westen, Life Site News, 23 de agosto de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comE-mails que vazaram através da rede WikiLeaks revelam que o bilionário globalista George Soros — um dos maiores doadores da campanha de Hilary Clinton — pagou US$650.000 para influenciar a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em setembro de 2015, em favor “de uma mudança nos paradigmas e prioridades nacionais às vésperas da campanha presidencial de 2016”. Os fundos foram doados em abril de 2015 e o relatório sobre a sua eficácia sugere que entre as operações bem sucedidas estavam incluídas “a compra individual de bispos para que se expressem publicamente dando maior suporte a mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos alinhados ao Papa”.

As verbas foram concedidas a duas entidades norte-americanas que estão envolvidas em um projeto a longo prazo, de acordo com o relatório, visando uma mudança de paradigma nas “prioridades da Igreja Católica dos Estados Unidos”. Os beneficiários foram PICO, um grupo de organização comunitária de cunho religioso, e Faith in Public Life (FPL), um outro grupo progressista que opera na mídia promovendo causas de “justiça social” de cunho esquerdista. Soros tem financiado causas esquerdistas em todo o mundo e tem concentrado esforços e fundos na tentativa de barrar leis pró-vida no mundo inteiro.

Atas da reunião de Maio de 2015, da Fundação Open Society de George Soros em Nova York revelam que, ainda nos estágios de planejamento da visita papal, o grupo planejava trabalhar diretamente através de um dos principais assessores do papa, o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, que foi nomeado especificamente no relatório. A fim de aproveitar a oportunidade da visita do Papa aos EUA, diz o relatório, “vamos apoiar as atividades de organização da PICO para engajar o papa em questões de justiça econômica e racial, inclusive usando da influência do Cardeal Rodriguez, que é o consultor sênior do Papa e vamos enviar uma delegação para visitar o Vaticano, na primavera ou no verão, para permitir que ele escute diretamente dos Católicos de baixa renda na América”.

Em 2013, o Cardeal Rodriguez Maradiaga endossou o trabalho da PICO em um vídeo, durante uma visita dos representantes da entidade à diocese do cardeal. “Quero apoiar todos os esforços que eles estão empreendendo para promover comunidades de fé”, disse. “Por favor, continuem ajudando a PICO”.

O relatório pós operacional sobre o financiamento para influenciar a visita papal está em outro documento intitulado 2016, Revisão de 2015 Fundos de Oportunidade EUA. O grupo de Soros ficou satisfeito com o resultado de sua campanha ao ver várias declarações anti-Trump proferidas por vários bispos como resultado dos seus esforços. “O impacto desta operação e as relações que têm suscitado podem ser vistos pela ampla gama de líderes religiosos intencionalmente apontando o dedo contra candidatos presidenciais, acusando-os de fomentar uma  ‘retórica do medo'”, diz o relatório.

Além disso, o resumo do relatório também diz que o financiamento foi útil para combater a “retórica anti-gay” nos meios de comunicação. A “eficácia da campanha na mídia pode ser vista pela capacidade da equipe em reagir e combater a retórica anti-gay  que se seguiu após a história de Kim Davis (a funcionária do condado de Kentucky que foi presa por desafiar uma ordem judicial federal para emitir licenças de casamento para casais homossexuais e a quem depois o Papa visitou)”, afirma o relatório.

O financiamento especificamente teve como alvo a agenda “pró-família”, redirecionando-a do seu foco, que é a defesa da família, para uma preocupação com a igualdade de renda. “Mídia FPL, enquadramento e atividades de opinião pública, incluindo a realização de pesquisa de opinião para demonstrar que os eleitores católicos estão de acordo com a agenda do Papa em assuntos como a desigualdade de renda, bem como ganhar cobertura da mídia para impulsionar a mensagem de que para ser ‘pró-família’ é necessário resolver antes a crescente desigualdade social”, diz o relatório de maio.

A Procuradora Elizabeth Yore, que atuou na delegação do Heartland Institute que viajou ao Vaticano, em abril de 2015, para instar o Papa Francisco a re-examinar sua confiança nos promotores de controle de população da ONU, os quais promovem a agenda do Aquecimento Global, falou com LifeSiteNews sobre a iniciativa de Soros:  “Os Católicos representam um imenso e influente bloco na eleição dos EUA”, disse ela. Soros está  “usando o cabeça da Igreja Católica para influenciar esse bloco-chave de votação”, com o “púlpito forte do papado” para garantir a eleição de Hilary Clinton.

Yore sublinhou que “esta não é a primeira vez que a aliança profana entre Soros e o Vaticano colaboram com sucesso em um projeto político.” Em 2015, ela recordou, “os agentes de Soros, inflitrados no Vaticano, dirigiram a Agenda Ambiental do Papa Francisco, e conseguiram para Soros e para as Nações Unidas uma Exortação Apostólica sobre mudanças climáticas [ndt: na verdade, trata-se da encíclica Laudato Si], um premiado endosso papal dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas bem como a benção apostólica do Papa para o Tratado do Clima de Paris”.

Em termos dos objetivos de Soros de mudar as prioridades da Igreja Católica para bem longe dos absolutos morais, dois bispos dos Estados Unidos se destacam como campeões do movimento. O Bispo de San Diego Robert McElroy,  que tem repetidamente enfatizado a mudança de prioridades da Igreja e que tem todo o apoio do “filho predileto” do Papa Francisco, o Arcebispo de Chicago Dom Blase Cupich [ndt: nomeado recentemente por Francisco como membro da Congregação para os Bispos, o que tornará o arcebispo de Chicago pessoa chave na nomeação de todos os bispos dos Estados Unidos]. McElroy criou furor na reunião da Conferência Episcopal Americana em novembro passado por sua tentativa de alterar um documento instruindo os católicos sobre como votar.

McElroy argumentou que o documento estava fora de sintonia com as prioridades Papa Francisco – especificamente, por colocar muita ênfase no aborto e a eutanásia, e não o suficientemente sobre a pobreza e o meio ambiente. Cupich depois louvou a intervenção de McElroy como um “momento realmente elevado” para a Conferência e apoiou o movimento para colocar a degradação do meio ambiente e a pobreza global no mesmo nível do aborto e da eutanásia.

Concluindo seu relatório final e refletindo sobre o sucesso do financiamento para influenciar a visita papal, o grupo de Soros se mostrou muito satisfeito com os resultados. Olhando para o futuro, eles estão muito animados de que o objetivo de a longo prazo mudar as prioridades dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já “está em andamento.”

23 abril, 2014

Cardeal hondurenho relata oposição a papa Francisco na Cúria Romana

Folha de São Paulo – O cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga afirma que papa Francisco tem enfrentado oposição em Roma por conta das reformas que se propôs a fazer em seu pontificado.

Segundo uma revista católica americana, Maradiaga relatou as críticas de setores conservadores em discurso para padres da Ordem dos Frades Menores, na Flórida, declarando que “Francisco está construindo um novo jeito de ser Igreja, mas o seu caminho –semelhante ao de São Francisco de Assis para reparar a Igreja no século 13– está encontrando dificuldades na Cúria Romana”.

“Temos que estar preparados, já que essa belíssima, mas estranha popularidade [de Francisco] está causando proselitismo, mas [temos que] igualmente encarar a oposição não somente na velha Cúria, mas também com qualquer um que não queira perder privilégios”, disse o cardeal, amigo próximo do pontífice.

Maradiaga afirmou que expressões como “o que quer esse pequeno argentino?” e “cometemos um erro” estão começando a ser escutadas em Roma. O cardeal foi encarregado por Francisco para ser o coordenador do Conselho dos Cardeais, que tem a missão de “estudar um projeto de reforma da Cúria”.

O discurso foi realizado no dia 8 de abril e divulgado agora pela revista “National Catholic Reporter”. Quem passou as informações para a publicação foi o padre americano Thomas Washburn, que é secretário-executivo da English Speaking Conference –entidade que representa os frades da Ordem nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Irlanda, Lituânia e Malta– e que foi um dos organizadores do evento.

17 fevereiro, 2014

Maradiaga: “Pode-se criticar o Papa, mas com amor”.

O coordenador explica o terceiro encontro do “C8”: “Escutaremos as comissões sobre o IOR e sobre as questões econômicas”

(©AFP) CARD. MARADIAGA

(©AFP) CARD. MARADIAGA

Por Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com – “Os trabalhos de nossa comissão começaram em outubro. Estamos fazendo um trabalho sério de investigação, porque é preciso ter paciência. Trata-se de um trabalho que dará seus frutos, porém, esta sociedade acelerada deve ter paciência. As coisas do Senhor levam tempo”, afirmou o cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, coordenador do chamado “C8” do Papa Francisco, o grupo dos oito cardeais conselheiros que auxiliam na reforma da Cúria e no governo da Igreja universal.

O Papa, explicou o cardeal hondurenho na transmissão italiana “Stanze Vaticane”, de Tgcom24, “disse que vive segundo as palavras do Novo Testamento”. “Então, devemos trabalhar com discernimento. Isso significa que é necessário escutar, rezar, dialogar e logo decidir. Nós nos encontramos neste processo”, acrescentou.

A partir de amanhã [ndt: hoje, 17], o “C8” de Francisco se reunirá pela terceira vez no Vaticano. “Receberemos – indicou o purpurado – em audiência conjunta a duas comissões referentes que estão encarregadas do IOR e dos dicastérios econômicos da Santa Sé, e nos apresentarão os seus resultados».

Ao final, respondendo a uma pergunta um pouco provocadora (Pode-se criticar a este Papa por alguma coisa?), o cardeal Maradiaga respondeu: “Me recordo muito do Papa Pablo VI. Ele afirmava que se pode criticar a Igreja, mas com amor, assim como um filho critica a sua mamãe. Da mesma maneira, creio que se pode criticar a este Papa, mas com amor”.

31 janeiro, 2014

Socci: Ratzinger é o alvo verdadeiro dos novos inquisidores. A autodemolição da Igreja lamentada por Paulo VI recomeça.

Os novos inquisidores contra Ratzinger. Recomeça a autodemolição da Igreja.

Por Antonio Socci | Tradução: Fratres in Unum.com

Houve grandes papas cujos pontificados foram praticamente solapados pelos erros dos eclesiásticos que lhes eram próximos. Esse risco também existe para o papa Francisco.

De fato, há episódios, decisões e “explosões bizarras” bastante desconcertantes por parte de alguns prelados. Penso no Cardeal Maradiaga e no Cardeal Braz de Aviz, que se sentem tão poderosos no Vaticano que usam o porrete tanto contra o Prefeito do antigo Santo Ofício, Müller, bem como contra os Franciscanos da Imaculada.

CONTRA BENTO XVI

Os alvos de suas “porretadas” (dadas, obviamente, em nome da misericórdia) são aqueles que, de diversas maneiras, são identificados como paladinos da ortodoxia católica e que mantiveram relações com Bento XVI.

O verdadeiro alvo, de fato, parece ser justamente ele: o “culpado” de tantas coisas: desde sua condenação histórica da Teologia da Libertação e defesa da sã doutrina até o Motu Proprio sobre a Liturgia.

O Cardeal Oscar Maradiaga é arcebispo de Tegucigalpa, em Honduras, diocese em decadência. Porém, o prelado, que circula pelos palcos dos meios de comunicação mundanos, recentemente deu o que falar por causa da entrevista que concedeu a um jornal alemão, onde – além dos lixo new age e banalidades terceiro-mundistas – atacou publicamente o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Müller, a quem o papa recentemente concedeu a púrpura cardinalícia. Igualmente escandaloso é constatar que Maradiaga é o chefe da comissão que deveria reformar a Cúria.

O que havia acontecido? Müller, chamado a esse cargo por Bento XVI e confirmado por Francisco, há poucos meses reiterou que, mesmo buscando novos caminhos pastorais (já indicados por Bento XVI), o próximo Sínodo sobre a família não pode subverter a lei de Deus com “um falso apelo à misericórdia” no que diz respeito à família homem-mulher, estabelecida por Jesus no Evangelho e que sempre foi ensinado pela Igreja.

SHOW DO MARADIAGA 

Müller, que já havia sido atacado pessoalmente por Hans Küng, [agora] foi liquidado por Maradiaga com essas palavras: “ele é um alemão e também um professor alemão de teologia. Em sua mentalidade existe só o verdadeiro e o falso. Só isso. Porém, eu digo: meu irmão, o mundo não é assim, você deveria ser um pouco flexível.” Essas palavras escandalizaram muitos fieis. Acima de tudo porque a alusão ao “professor alemão de teologia”, inevitavelmente, faz pensar que o alvo fosse Bento XVI, que chamou Müller para aquela função. E também porque um ataque público entre cardeais é algo completamente fora de propósito, como se Müller estivesse ali para sustentar a sua teologia pessoal e não o ensinamento constante da Igreja e de todos os papas.

No final das contas, segundo Maradiaga, seria equivocado avaliar a realidade em termos de verdadeiro ou falso, – ele se esquece que Jesus Cristo, no Evangelho, deu este preciso mandamento: “Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5,37).

Será que Maradiaga prefere “Tudo o que passa além disto ” ao anúncio da Verdade? Quanto aos temas relacionados à família, em que [atualmente] temos uma ofensiva ideológica semelhante àquela marxista dos anos setenta, diversos eclesiásticos estão prontos – justamente como naquele tempo – a entregar os pontos.

E eles o fazem também com os sofismas de Maradiaga, que afirmou que as palavras de Jesus sobre o matrimônio são vinculantes, “porém, elas podem ser interpretadas”, uma vez que hoje em dia há muitas novas situações de coabitação e há necessidade de “respostas que não podem mais se basear no autoritarismo e o moralismo”.

Essa frase sozinha liquida todo o Magistério da Igreja: evidentemente, de acordo com Maradiaga, até mesmo Nosso Senhor era autoritário e moralista, uma vez que Ele se expressou com grande clareza.

Mas o que significa “mais cuidado pastoral do que doutrina”? Todo grande pastor, de Santo Ambrósio a São Carlos Borromeu, de Dom Bosco a Padre Pio, foi um paladino da doutrina.

Maradiaga diz que a família precisa de “respostas adaptadas ao mundo de hoje”. Essas são palavras vazias e alusivas, que alimentam dúvidas e confusões. E essa é a maneira típica que hoje em dia está se espalhando na Igreja para suscitar indagações sem dar respostas.

A esse respeito, Santo Tomás de Aquino expressou-se assim: “Bem, estes são falsos profetas ou falsos doutores, pois levantar uma dúvida e não a resolver é o mesmo que concedê-la” (Sermão Attendite a falsis prophetis).

Atualmente, existem na Igreja pessoas que preferem o famoso questionário relativo ao Sínodo (que foi enviado a todas as dioceses do mundo e que é apresentado por alguns como uma pesquisa) às palavras de Jesus relatadas no Evangelho, como se a Verdade revelada devesse ser substituída pelas mais diversas opiniões.

AUTODEMOLIÇÃO

Também isso nos faz voltar aos anos Setenta, quando Paulo VI alarmado denunciava:

“Assim, a verdade cristã está passando por choques e crises assustadoras. Eles não aceitarão o ensinamento do Magistério […] Há alguns que tentam facilitar fé esvaziando-a – a fé integra e verdadeira – daquelas verdades que parecem ser inaceitáveis à mentalidade moderna. Eles seguem os seus próprios gostos, para escolher uma verdade que seja considerada aceitável… Outros estão em busca de uma nova fé, especialmente, uma nova crença sobre Igreja. eles estão tentando conformá-la às ideias da sociologia moderna e da história profana”. 

É como varrer os pontificados de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI para voltar à tenebrosa década de 70, à autodemolição da Igreja (conforme  definição de Paulo VI).

Não é uma renovação, mas o retorno ao passado mais desastroso.

A VERGONHA

Outro episódio de autodemolição da Igreja é a perseguição aos “Franciscanos da Imaculada”, uma das famílias religiosas mais ortodoxas, mais vibrantes (cheias de vocações), mais ascéticas e missionárias. Porém, a sua zelosa fidelidade a Bento XVI (como já escrevi nessa coluna) começando com o seu Motu Proprio sobre a liturgia, não foi perdoada.

A inversão de papéis é chocante. De fato, no banco dos réus temos católicos obedientes e no papel de inquisidor temos o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, que, em uma longa entrevista, proferiu palavras nostálgicas de elogio à desastrosa Teologia da Libertação, pouco se lixando para a condenação que lhe fizeram Ratzinger e João Paulo II.

Braz de Aviz confessou tranquilamente que, naquela época, ele estava pronto a abandonar o seminário por aquelas ideias sociais. Entretanto, ele fez carreira. Atualmente, ele é o chefe da Congregação para os religiosos, e ele sequer é um religioso.

O prelado, que proclama ser muito amigo da Comunidade de Santo Egidio, tem uma ideia estranha de diálogo. Para ele, isso é importante para todos, menos para os católicos mais fieis ao Magistério.

Quando era arcebispo de Brasília, ele participou tranquilamente e foi palestrante em uma conferência do Fórum Espiritual Mundial com o ex-frei Leonardo Boff, líder da Teologia da Libertação, com Nestor Masotti, Presidente da Federação Espírita Brasileira, com Ricardo Lindemann, Presidente da Sociedade Teosófica no Brasil e com Hélio Pereira, Grão-Mestre da Grande Loja [local].

Assim que assumiu a chefia da Congregação para os Religiosos, imediatamente, ele iniciou o diálogo com as “animadas” Congregações de religiosas dos Estados Unidos [LCWR], que deram muita dor de cabeça a Bento XVI. Braz de Aviz fez uma espécie de crítica à Santa Sé: “recomeçamos a escutar…sem condenações preventivas”.

Por outro lado, ele nunca chamou os Franciscanos da Imaculada – que nunca causaram quaisquer problemas – para ouvi-los. Eles estão sob condenação preventiva – e uma condenação muito pesada.

Estranho, não é mesmo? Há alguns dias o “Vatican Insider” publicou: “Na Itália há cada vez menos freis e freiras”. Vocês acham que Braz de Aviz está preocupado com isso? De maneira alguma. Ele pensa em punir uma das poucas ordens cujas vocações estão aumentando.

Na primeira edição de “Jesus” [revista mensal da Sociedade de São Paulo e uma das publicações mais importantes na Itália] de 2014, um monumento foi erigido a Vito Mancuso [Professor famoso por sua visão “progressista” sobre bioética], notável por negar “uma dúzia de dogmas” (como escreveu La Civiltà Cattolica). Porém, estejam certos de que ninguém levantará alguma objeção às filhas de São Paulo a esse respeito.

Ao contrário, os “Franciscanos da Imaculada” sofrem repressão por terem defendido os dogmas da Igreja.

A autodemolição foi retomada com força.

[Fonte: “Libero”, de 26 de janeiro de 2014. Tradução a partir da versão inglesa de Rorate Caeli]

26 setembro, 2013

O fator Maradiaga.

Por Hermes Rodrigues Nery * | Fratres in Unum.com –  No dia seguinte à renúncia de Bento XVI, Leonardo Boff foi entrevistado por uma emissora de televisão e disse que o seu candidato preferido a Papa seria o Cardeal hondurenho Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, SDB, arcebispo de  Tegucigalpa, este sim, segundo Boff, amigo da “Teologia da Libertação” e seu próprio amigo – o que ele diz sobre o purpurado pode ser conferido aqui, a partir dos 5:10.

Cardeal Maradiaga no comando.

Cardeal Maradiaga no comando.

Pois bem, Maradiaga foi escolhido pelo Papa Francisco para ser o Coordenador do Conselho de Cardeais que irá apresentar, agora em outubro, propostas para a chamada “reforma da Cúria Romana”. Em entrevista divulgada hoje por Info Católica, o prelado declara que as reflexões da comissão que ele encabeça conduzirão a “algo muito interessante” para a Cúria.  Nas confidências, hoje pacificamente aceitas como autênticas, de Francisco a um grupo de líderes religiosas latino-americanas podemos ler: “A reforma da Cúria romana é algo que pedimos quase todos os cardeais nas congregações anteriores ao Conclave. Eu também a pedi. A reforma não posso fazer eu, estes assuntos de gestão… Eu sou muito desorganizado, nunca fui bom nisso. Mas os cardeais da comissão a levarão adiante. Aí estão Rodríguez Maradiaga, que é latino-americano, que está na dianteira…”.

Mas quem é Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, predileto de Boff e a pessoa de confiança de Francisco?

Maradiaga teve um braço de ferro com Bento XVI, em maio de 2011, quando este se opôs que Lesley-Anne Knight fosse reeleita secretária-geral da Cáritas Internacional. Maradiaga, então, presidia a instituição que, na visão de Bento XVI, havia perdido sua identidade católica. Atesta este fato o que recordamos, de passagem: a Caritas brasileira é financiada nada mais nada menos que pela abortista Fundação Ford.

Com o veto de Bento XVI, Lesley-Anne Knight foi acolhida para secretariar o grupo “The Elders“, que reúne 12 líderes mundiais anciãos, presidido por Nelson Mandela e do qual faz parte Fernando Henrique Cardoso. A entidade propõe, entre outras coisas, como explica Monsenhor argentino Juan Claudio Sanahuja, “o acesso das mulheres ao ministério sagrado das denominações cristãs”. Seus membros são financiados pela Open Society, de Georges Soros.  Poder-se-ia depreender, dessas ligações, algumas das motivações pelas quais nossos pastores atualmente preferem não se apresentar como “obcecados” por temas morais?

Ainda sobre “The Elders”, o meu professor de Bioética, Monsenhor Michel Schooyans, assim explicou em uma de nossas aulas na PUC-RJ, em 2010: “Limitar-nos-emos aqui a ressaltar a hostilidade desse grupo de “The Elders” face às Igrejas cristãs que se recusam a ordenar mulheres.  Eis como se argumenta: assim como os espaços da atividade secular, anteriormente reservados aos homens, tornaram-se acessíveis às mulheres, assim também os espaços da atividade religiosa, hoje reservados aos homens, devem ser abertos às mulheres” (Ver um resumo do pensamento dos Anciãos aqui, e aqui citado como fonte . Para mais informações ver a página da entidade).

Além de delegar a Maradiaga a coordenação do grupo de Cardeais para estudar a reforma da Cúria, Francisco sinalizou que ele terá força e aval no que proporá, pois, na sua última e controversa entrevista, quando o padre Antonio Spadaro lhe lembrara que “o estilo de governo da Companhia implica a decisão por parte do superior, mas também o atender ao parecer dos seus ‘consultores'”, Francisco respondeu, com precisão: “Sim, devo acrescentar, no entanto, uma coisa: quando entrego uma coisa a uma pessoa, confio totalmente nessa pessoa”.

Ocorre que Maradiaga, a quem Francisco confiou os estudos para a reforma da Cúria, faz parte do “Religions for Peace” (cf. página 18 deste documento), entidade que , junto com os “The Elders”, vêm trabalhando para mudar os princípios morais e a disciplina da Igreja Católica, entre outras medidas, como conta Sanahuja em “Poder Global e Religião Universal”, “para impor uma nova ética ou religião universal que consinta, por um lado, no relativismo moral e, por outro, na idolatria da lei positiva – a lei civil – o que é fruto de consensos parlamentares ou políticos que vão mudando ao longo do tempo para servir  aos interesses de quem esteja no poder. Obviamente, o grande inimigo deste programa é a doutrina imutável de Jesus Cristo anunciada aos homens pela Igreja Católica”. Os “The Elders” e a “Religions for Peace” fazem parte das forças globalistas para minar a moral católica. E então, diante disso, como explicar que um Cardeal da Santa Igreja Romana faça parte dos quadros de similar organização?

Tais fatos merecem estudo e reflexão.

* Prof. Hermes Rodrigues Nery é especialista em Bioética pela PUC-RJ.