Posts tagged ‘Cardeal Robert Sarah’

18 julho, 2019

Cardeal Sarah: “O mundo não precisa de uma Igreja que seja o reflexo da própria imagem do mundo!”

Fonte: Associação Dom Vital

O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, pronunciou uma conferência em Paris, na Igreja de Saint-François-Xavier, aos 25 de maio de 2019. Segue a tradução do texto integral dessa memorável conferência.

Caros amigos, permitam-me, antes de tudo, agradecer a Dom Michel Aupetit, Arcebispo de Paris, e ao pároco desta paróquia de São Francisco Xavier, o padre Lefèvre-Pontalis, pelas boas-vindas tão fraternas.

Devo apresentar-lhes meu mais recente livro: A tarde cai e o dia já declina. Nele, analiso a profunda crise que vive o Ocidente, crise da fé, crise da Igreja, crise sacerdotal, crise de identidade, crise do sentido do homem e da vida humana, o colapso espiritual e suas consequências.

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26 maio, 2019

Foto da semana.

Na sexta-feira, 24 de maio de 2019, o cardeal Robert Sarah visitou a Catedral de Notre Dame de Paris. Mas redes sociais, sua eminência escreveu: “Que alegria e emoção vir a esta Casa de Deus que tanto sofreu. Rezei para que a reconstrução deste belo local seja verdadeiramente fiel à Fé de todos  os nossos pais na Fé”.

Em outro post, Sarah prosseguiu: “Caros amigos, a Catedral de Notre Dame possuía uma seta que era como que um dedo apontando para o céu. Aquela seus nos direcionava para Deus. No coração de Paris, ela pareceria dizer a todos o sentido último de toda a vida. Ela simbolizava, de fato, a única razão de ser da Igreja: nos conduzir a Deus, nos direcionar a Ele. Uma Igreja não orientada para Deus é uma Igreja que morre e desmorona.

Você quer reerguer a Igreja? Então, ajoelhe-se! Quer reerguer essa bela catedral que é a Igreja Católica? Coloque-se de joelhos! Pois, uma catedral é antes de tudo um lugar onde os homens podem de ajoelhar, um santuário da presença de Deus no Santíssimo Sacramento.

Gostaria de encorajar os padres. De lhes dizer: amem o seu sacerdócio. Sejam orgulhosos de serem crucificados com Cristo! Não tenham medo do ódio do mundo! Gostaria de expressar o meu afeto de pai e irmão aos padres de todo o mundo! Gostaria de, diante de vocês e com vocês, expressar o meu afeto aos padres fiéis de todo o mundo! Quero, diante de vocês e com vocês, prestar-lhes homenagem!

Caros amigos, amem os seus padres! Não lhes sejam gratos pelo que fazem, mas pelo que são!

 

 

2 abril, 2019

A Igreja está “cega pelo mistério da iniquidade”, afirma Cardeal Sarah em novo livro.

Por LifeSiteNews, 19 de março de 2019 | Tradução: FratresInUnum.comEm seu último livro,  Le soir approche et déjà le soir baisse (“Já é tarde e a noite vem chegando”, citação do episódio dos peregrinos de Emaus, no Evangelho de São Lucas), o Cardeal Robert Sarah decidiu “se manifestar” para os “católicos desorientados” atingidos pela profunda crise pela qual passa a Igreja.

Sarah

“Não consigo mais ficar em silêncio. Eu não posso mais ficar em silêncio”, escreveu o Cardeal Sarah em seu parágrafo inicial. Ele fez uma análise ampla da “noite escura” da Igreja e de que ela “está envolvida e cega pelo mistério da iniquidade”.

Diante antes da publicação do livro na França, em 20 de março, uma introdução foi publicada online, dando o aperitivo de um texto verdadeiramente arrebatador que aborda os problemas atuais de frente: abusos sexuais, mas também relativismo doutrinal, ativismo social e falta de oração, falsas acusações de homossexualidade e hipocrisia generalizadas, e as dúvidas dos fiéis que vêem os inimigos da Igreja em seu próprio meio.

O Cardeal Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não oferece estratégias, diz ele. Pelo contrário, ele anuncia as respostas atemporais sem as quais todos os esforços são inúteis — uma vida profundamente arraigada de oração, fidelidade ao ensinamento transmitido pela Igreja, ao invés de subestimar a doutrina católica como “muitos pastores” estão fazendo, caridade fraterna e amor a Pedro.

Mas as suas palavras não são, de forma alguma, do suplício pelo qual a Igreja está passando.

O Cardeal Sarah não hesita em falar — nas palavras de Paulo VI — da “fumaça de Satanás” que invadiu a Igreja, apontando abertamente os “traidores” que, como Judas Iscariotes, tornaram-se “agentes do Mal”. “Eles buscaram profanar as puras almas dos pequeninos. Humilharam a imagem de Cristo presente em cada criança”, ao mesmo tempo em que humilharam e traíram a tantos padres fiéis, escreveu.

“A Igreja está passando pelo mistério da flagelação” pelas mãos daqueles que “deveriam amá-la e protege-lá”, advertiu o Cardeal.

Mas a causa do escândalo dos abusos sexuais, ele acrescentou, só pode ser encontrada em traições anteriores: “A crise pela qual o clero, a Igreja e o mundo estão passando é radicalmente uma crise espiritual, uma crise de fé”.

O cardeal africano recorda que o “mistério de Judas” — palavras tomadas do Papa Francisco — reside em se distanciar do ensinamento de Jesus, e pode, portanto, ser comparado ao mistério do mal em nosso tempo.

“Jesus o chamou tal como os outros apóstolos. Jesus o amava! Ele o enviou para anunciar a Boa Nova. Mas, pouco a pouco, o coração de Judas foi sendo tomado pelas dúvidas. Sem perceber, ele começou a julgar o ensinamento de Jesus. Ele disse a si mesmo: esse Jesus é muito exigente, e não eficiente o bastante. Judas queria fazer o reino de Deus vir à terra imediatamente, por meios humanos e de acordo com seus planos pessoais”. Ele deixou de rezar com Jesus e “buscou refúgio nas coisas do mundo, provavelmente murmurando em seu coração ‘não servirei’ quando Jesus lavou seus pés na última ceia”, escreveu o Cardeal Sarah.

“Ele recebeu a comunhão quando seus planos já estavam completos. Foi a primeira comunhão sacrílega da história. E ele traiu”.

Segundo o Cardeal Sarah, as mesmas faltas, as mesmas traições, são cometidas hoje: “Nós abandonamos a oração. O mal do ativismo eficiente se infiltrou em todo lugar. Nós buscamos imitar a organização das grandes empresas. Esquecemo-nos que só a oração é o sangue que irriga o coração da Igreja… Aquele que não reza já traiu. Já está preparado para toda concessão ao mundo. Ele segue os passos de Judas”.

O cardeal tem palavras duras quanto ao abandono da doutrina católica. Eis onde ele vê a causa dos atuais escândalos de abusos sexuais:

“Nós toleramos qualquer questionamento. A doutrina católica é desafiada e, em nome de posturas pretensamente intelectuais, teólogos sentem prazer em desconstruir o dogma e em esvaziar a moral de seu conteúdo profundo. O relativismo é a máscara de Judas disfarçada de intelectual. Como podemos nos surpreender de que tantos padres rompem os seus compromissos? Nós depreciamos o significado do celibato, nós exigimos o direito a uma vida privada, o que é oposto à missão sacerdotal. Alguns vão tão longe, a ponto de reivindicar o direito ao ato homossexual. Um escândalo segue o outro, envolvendo padres e bispos”.

O Cardeal Sarah prossegue, advertindo seus irmãos padres de que todos serão prejudicados por acusações que são verdadeiras apenas para uma minoria. Mas “não se inquiete os seus corações”, acrescentou, recordando que o próprio Cristo foi atingido pelas palavras “Crucifica-O!” e pede-lhes que não se inquietem por “investigações tendenciosas” que apresenta os pastores no topo da Igreja como “clérigos irresponsáveis com uma vida interior anêmica”.

“Padres, bispos e cardeais sem moral não vão, de maneira alguma, manchar o testemunho luminoso de mais de 400 mil padres no mundo que, todos os dias, leal, alegre e santamente servem ao Senhor. Apesar da violência dos ataques que ela suporta, a Igreja não morrerá. Esta é a promessa do Senhor, e Sua palavra é infalível”.

Dirigindo-se especificamente aos católicos que são levados à duvidas, ele falou do “sutil veneno de Judas” da traição. O demônio “quer nos ver (a Igreja) como uma organização humana em crise” quando ela é “Cristo perpetuando-Se”. Satanás leva os fiéis à divisão e ao cisma “ao nos fazer crer que a Igreja traiu”. “Mas a Igreja não trai. A Igreja, cheia de pecadores, é, ela mesma, sem pecado. Sempre haverá luz suficiente nela para aqueles que buscam a Deus”.

O Cardeal Sarah advertiu os fiéis católicos contra a tentação de “resolver as coisas com nossas próprias mãos” — uma tentação que levaria à divisão através da crítica e divisão. “Não hesitemos (…) em denunciar o pecado, a começar pelos nossos próprios”.

“Eu tremo com a ideia de que a túnica inconsútil de Cristo possa uma vez mais ser despedaçada. Jesus sofreu a agonia ao ver antecipadamente as divisões dos cristãos. Não O crucifiquemos novamente”, implorou o cardeal.

Sarah não está procurando popularidade ou sucesso, ele insistiu. “Este livro é um pranto de minha alma! Um pranto de amor a Deus e a meus irmãos. Eu devo a vós, cristãos, a única verdade que salva. A Igreja está morrendo porque os pastores têm medo de falar com toda a verdade e clareza. Estamos com medo da mídia, da opinião pública, de nossos próprios irmãos. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.

Aos católicos confusos a quem se dirige, o Cardeal Sarah exorta, especialmente aos padres, à oração: “Quem não reza se condena”, escreveu, citando Santo Afonso. “Não é uma questão de acumular devoções. É uma questão de guardar silêncio e adorar, de estar de joelhos, de entrar com temor e respeito na liturgia. É a obra de Deus, não um teatro”.

E ele prossegue sua meditação: “Caros amigos, querem colocar a Igreja em seu devido lugar? Caiam de joelhos! É o único caminho! Se fizer diferente, o que fizer não será de Deus (…) Se não encostarmos nossas cabeças, como São João, no Coração de Cristo, não teremos forças para segui-lO até a Cruz. Se não tivermos tempo de ouvir as batidas do Coração de nosso Deus, nós O abandonaremos, nós O trairemos como os apóstolos fizeram”.

Junto com as orações, na atual crise, é necessária a fidelidade à doutrina. O Cardeal Sarah está claramente consciente das razões da confusão dos dias de hoje. “Como podemos aceitar que conferências episcopais contradigam uma a outra? Onde reina a confusão, Deus não está!, escreveu.

“A unidade de fé supõe a unidade do magistério no espaço e no tempo. Quando um novo ensinamento nos é dado, deve ser sempre interpretado em coerência com o ensinamento que o precedeu. Se nós introduzimos rupturas e revoluções, rompemos a unidade que governa a Santa Igreja pelos séculos”, insistiu. “Aqueles que bradam em voz alta a mudança e ruptura são falsos profetas. Eles não procuram o bem do rebanho”.

Fidelidade à verdade significa aceitar a Cruz, escreveu o Cardeal Sarah, acrescentando que Cristo exige aquela fidelidade mais uma vez.

“Ele nos olha diretamente nos olhos e pergunta a cada um de nós: você me abandonará? Você renunciará o ensinamento da fé em toda sua plenitude? Terá coragem de pregar minha presença real na Eucaristia? Terá coragem de convidar os jovens à vida consagrada? Quando você terá força para dizer que sem a confissão frequente, a comunhão sacramental corre o risco de perder seu sentido? Você terá a audácia de recordar a verdade sobre a indissolubilidade do matrimônio? Terá a caridade de fazer o mesmo àqueles que ameaçam culpá-lo por isso? Você prefere o sucesso ou me seguirá? Queira Deus que respondamos com São Pedro, cheios de amor a humildade, ‘Senhor, a quem iremos? Só vós tendes palavras de vida eterna’. (João 6:68).”

Tudo isso exige “amor a Pedro”, escreveu o Cardeal Sarah. “O mistério de Pedro é um mistério de fé. Jesus escolheu confiar sua Igreja a um homem. Não nos esqueçamos, Ele permitiu a este homem trair três vezes à frente de todos, antes de lhe entregar as chaves de Sua Igreja. Nós sabemos que a barca da Igreja não foi confiada a um homem por causa de suas habilidades extraordinárias. Mas sabemos que este homem seria sempre assistido pelo Divino Pastor, a fim de guardar a regra da fé”.

Essa é a razão pela qual não devemos ter medo, acrescentou, falando do “fio de ouro das definições infalíveis dos pontífices, sucessores de Pedro” em oposição ao “fio negro dos atos humanos e imperfeitos dos Papas, sucessores de Simão”, nos quais ainda “sentimos a pequena agulha guiada pela mão invisível de Deus”.

Na mesma direção de sua introdução, Sarah deixou claro que não se espera que os católicos sejam cegos:

“Queridos amigos, os seus pastores estão cobertos de faltas e imperfeições. Mas não é desprezando esse fato que se construirá a unidade da Igreja. Não tenham medo de pedir a eles a fé católica, os sacramentos da vida divina. Lembrem-se das palavras de Santo Agostinho: ‘Quando Pedro batiza, é Jesus que batiza. Quando Judas batiza, ainda é Jesus que batiza!”.

E prosseguiu: “Se você pensa que seus padres e bispos não são santos, seja santo por eles. Faça penitência, jejum para reparar as faltas e covardia. É a única maneira de carregar o fardo do outro”.

A quarta exortação do cardeal é sobre a “caridade fraterna”, refletindo sobre a Igreja como mãe que abre seus braços a nós: “Em seu seio, nada pode nos ameaçar. Cristo abriu Seus braços de uma vez por todas na Cruz para que a Igreja pudesse abrir os seus a fim de nos reconciliar com ela, com Deus e conosco mesmo”, um chamado contra a divisão que “persegue a Jesus”.

Em resumo, o Cardeal Sarah está chamando os fiéis a reconhecer “a grandeza e a transcendência de Deus”, a quem devemos amar até a morte — a única condição que pode nos permitir ouvir as palavras ditas por São Francisco de Assis: “Vai e reconstrói a minha Igreja”. Ainda afirmou o Cardeal: “Vai, reconstrói pela sua fé, esperança e caridade. Vai e reconstrói pela sua o oração e fidelidade. Graças a você, minha Igreja novamente se tornará minha casa”.

Essas palavras foram assinadas em 22 de fevereiro, durante o encontro sobre abusos sexuais no Vaticano, no momento em que acusações horríveis começaram a se acumular contra a Igreja, especialmente contra aqueles membros mais fiéis a seu ensinamento perene.

22 outubro, 2018

Aguar a doutrina moral da Igreja não atrairá os jovens, diz Cardeal.

Vaticano, 20 Out. 18 / 07:00 am (ACI).- O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, assinalou que “aguar” a doutrina moral católica, também no campo da sexualidade, não conseguirá atrair os jovens.

Cardeal Sarah

Cardeal Sarah

Segundo Catholic Herald, em sua intervenção em 16 de outubro no Sínodo dos Jovens que acontece no Vaticano, o Purpurado africano afirmou que a Igreja e seus pastores devem “propor corajosamente o ideal cristão que corresponde à doutrina moral católica e não aguá-lo, escondendo a verdade para atrair os jovens ao seio da Igreja”.

O Cardeal recordou que, antes do início do Sínodo, alguns jovens pediram à Igreja para ser clara em seu ensinamento sobre “algumas questões que são particularmente próximas de seus corações: a liberdade em todos os aspectos e não apenas nas relações sexuais, a não discriminação baseada na orientação sexual, a igualdade entre homens e mulheres também na Igreja etc.”.

O Prefeito recordou a história do jovem rico do Evangelho a quem o Senhor pede que venda tudo, dê aos pobres e o siga. “Jesus não aliviou nenhuma de suas exigências em seu chamado” e a Igreja também não deveria fazer isso, explicou o Cardeal.

Os jovens, continuou, têm um alto grau de saudáveis ambições em relação a “justiça, transparência na luta contra a corrupção e respeito à dignidade humana”. “Subestimar o alto idealismo dos jovens” é um grave erro e uma falta de respeito que “fecha a porta a um processo real de crescimento, maturidade e santidade”.

“Ao respeitar e promover o idealismo dos jovens, pode-se conseguir que se tornem o recurso mais precioso de uma sociedade que quer crescer e melhorar”, destacou a autoridade vaticana.

8 outubro, 2018

Cardeal Sarah recusa cargo no Sínodo sobre os Jovens.

Por Senza Pagare – O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, foi eleito membro da Comissão de Informação, responsável pela divulgação de notícias acerca do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, mas declinou esse cargo por “razões pessoais”.

O Sínodo dos Jovens está envolto em polémica desde antes do seu início porque o ‘Instrumentum Laboris‘ – o texto que será usado nos trabalhos do Sínodo – refere-se aos “jovens LGBT”. É a primeira vez que um documento oficial da Igreja fala de LGBT, que é uma sigla que já de si se rende à ideologia gay. Vários Bispos pediram ao Secretário do Sínodo, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, que o texto fosse mudado, mas o Cardeal respondeu que nada mudaria.
Diversos Bispos, muitos deles americanos, pediram também que o Sínodo fosse cancelado, por não estarem reunidas as condições necessárias, visto que a Igreja se encontra numa grave crise com a divulgação de vários casos de abusos sexuais de menores. Esses Bispos recomendaram que o Sínodo fosse sobre essa crise, de modo a encontrar a melhor forma de limpar a Igreja desses abusadores e evitar que surjam novos casos no futuro.
O Sínodo dos Bispos sobre os jovens começou no passado dia de 3 e decorre no Vaticano até dia 28 de Outubro.
10 julho, 2018

Cardeal Sarah é o preferido por jovens Norte-americanos.

Por Hermes Rodrigues Nery, 10 de julho de 2018, FratresInUnum.com – Tendo passado dez dias nos Estados Unidos (de 1º a 10 de junho), pude conversar com várias lideranças de movimentos conservadores católicos, religiosos e leigos, e o sentimento geral é de insatisfação com as controvérsias do pontificado de Francisco. Todos expressaram que ninguém ousa falar algo, pois retaliações internas seriam imediatas e fulminantes para carreiras eclesiásticas. Em particular, nos disseram como as vozes conservadoras têm sido desestimuladas e não são poucos os casos de perseguição aos que ousam fazer questionamentos em público. “Que revolução quer Francisco?” é uma pergunta que até agora não se sabe muito bem a resposta.

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Cardeal Robert Sarah.

A revolução avança com muito mais força, porque tem apoio de bispos e cardeais em posições chaves. As insatisfações são manifestadas em conversas privadas. O ambiente nos seminários não tem sido tão confortável, pois jovens seminaristas e padres aprendem a ouvir, evitam bater boca, mas, depois, entre si, alguns comentam (com o realismo cristão) que a base do catolicismo está no Catecismo, na Tradição da Igreja, no ensinamento dos doutores da Igreja, na vida dos santos, nas encíclicas papais e no testemunho vivo da história bimilenar da Igreja, e não no proselitismo liberal que querem impor, como se seminaristas e padres não tivessem acesso a informações, especialmente ao rico passado da Igreja. “Não pensávamos que o passado seria tão importante para nós, vivendo no começo do século 21. A novidade de hoje é a Tradição da Igreja, o seu rico patrimônio no testemunho dos santos”. Em uma das bibliotecas, encontro um jovem padre dedicado ao estudo do grego, da Sagrada Escritura, dos clássicos da literatura católica, dos grandes santos. É esse alimento que buscam para não se deixarem iludir pelo nevoeiro que tomou conta em muitos ambientes. Um deles lembra com que alegria aguardava uma encíclica papal, quando podia ter balizas seguras do ensinamento da Igreja sobre temas atuais, mas isso não ocorreu, por exemplo, com a Laudato Si, nem com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia. “Tudo o que não poderia acontecer para um católico era justamente isso: ler um documento do papa e não estar convencido 100% em tudo o que está lá, ter brechas que foram questionadas inclusive por Cardeais, como no caso dos Dubia, cujas indagações não foram respondidas até agora pelo papa”.

É preciso prudência, é o que pedem todos. “Rezemos por Francisco, ele mesmo nos pede orações desde o primeiro instante em que apareceu no balcão da Basílica de São Pedro”. Mas há também problemas práticos, de dia-a-dia, de tensões e apreensões que até então não se esperava, onde não deveria haver receios. Alcoolismo e homossexualismo assombram. Nem todos têm força para suportar provações. Um deles me conta o horror que foi ter lido as memórias do Arcebispo Rembert Weakland, de Milwaukee, que se declarou gay e questionou publicamente o ensinamento da Igreja sobre a homossexualidade. “Nunca pude entender como um sacerdote, elevado a Arcebispo, fizera o que fizera.” E mais: “Em tempos de internet, quando tudo está disponível, agravam-se ainda mais todas as tentações nesse campo”. E ainda: “O fato é que os bispos e cardeais deveriam ser menos ambíguos na exposição do ensinamento da Igreja, e a tibieza de muitos favorece a fraqueza de tantos, com os efeitos terríveis disso”. E lembrou a resposta do papa Francisco, em 2013, “quem sou eu para julgar?”, que trouxe ainda mais dificuldade para muitos no discernimento que se faz necessário, no contexto do relativismo, mesmo agindo às vezes com a tática do morde-assopra, sendo ambíguo aqui, categórico ali.

Tudo isso tem tornado mais difícil para muitos defenderem a moral católica, duramente atacada por todos os lados. Outro ainda me perguntou sobre o Sínodo Pan-Amazônico,  em 2019: “Parece que querem mesmo acabar com o celibato. Será mesmo que isso vai acontecer?”. E outro considera a possibilidade de Bergoglio renunciar. “E então, se Bento XVI ainda estiver vivo, teremos três papas? Espero sinceramente que isso não ocorra”. O fato é que Francisco é uma incógnita, uma interrogação, e não há quem deixe de reconhecer que o seu pontificado é problemático muito mais para os católicos do que para os não crentes. E o mais surpreendente nas conversas com os jovens norte-americanos é que torcem para que o Cardeal Robert Sarah seja eleito o próximo papa.

28 maio, 2018

Histórica homilia do Cardeal Sarah em Chartres: “Acordai! Escolham a luz! Renunciem às trevas!”

Peregrinação de Nossa Senhora da Cristandade 2018.

Homilia da Missa de Segunda-feira de Pentecostes.

Catedral Nossa Senhora de Chartres.

Segunda-feira 21 de maio de 2018.

Permitam-me em primeiro lugar agradecer calorosamente Sua Excelência D. Philippe Christory, bispo de Chartres pela seu acolhimento nesta maravilhosa Catedral.

Queridos peregrinos de Chartres,

A luz veio ao mundo,” diz-nos hoje o evangelho, “e os homens preferiram as trevas.

E vocês, queridos peregrinos, acolheram a única luz que não engana? Acolheram a luz de Deus? Vocês caminharam por três dias. Rezaram, cantaram, sofreram debaixo do sol e da chuva… Acolheram a luz em vossos corações? Renunciaram realmente às trevas? Escolheram seguir o Caminho, seguindo Jesus que é a luz do mundo?

sarah chartres

Queridos amigos, permitam-me fazer essa pergunta radical, porque se Deus não é a nossa luz, tudo o resto se torna inútil. Sem Deus tudo é escuridão.

Deus veio até nós, e se fez homem. Revelou-nos a única verdade que salva, foi morto para nos resgatar do pecado, e no Pentecostes, deu-nos o Espírito Santo e ofereceu-nos a luz da fé… mas nós preferimos as trevas!

Olhemos ao nosso redor! A sociedade ocidental decidiu organizar-se sem Deus. Ela está agora entregue às luzes cintilantes e enganadoras da sociedade do consumismo, do lucro a qualquer preço, do individualismo sem medida.

Um mundo sem Deus é um mundo de trevas, de mentiras, e de egoísmo.

Sem a luz de Deus a sociedade ocidental tornou-se como um barco sem rumo na noite! Ela já não tem amor para receber os filhos, para os proteger desde o seio materno, para os preservar da agressão da pornografia.

Privada da luz de Deus, a sociedade ocidental já não sabe respeitar os seus idosos, nem acompanhar no caminho da morte os seus doentes, nem dar lugar aos mais pobres e aos mais fracos.

Ela foi entregue às trevas do medo, da tristeza e do isolamento. Não tem mais do que um vazio e um nada para oferecer. Deixa proliferar as ideologias mais loucas.

Uma sociedade ocidental sem Deus pode tornar-se o berço de um terrorismo ético e moral mais viral e mais destrutivo do que o terrorismo dos islamistas. Lembrem-se que Jesus nos disse: “Não temais aqueles que matam o corpo e não podem matar a alma, antes tenham medo Daquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno.” (Mt 10, 28)

Queridos amigos, perdoem-me esta descrição, mas é preciso ser claro e realista. Se eu vos falo assim, é porque no meu coração de padre, de pastor, eu sinto muito por tantas almas perdidas, tristes, inquietas e sozinhas!

Quem as conduzirá à luz?

Quem lhes mostrará o caminho da verdade, o verdadeiro caminho da liberdade que é o caminho da Cruz?

Vamos deixá-las entregar-se ao erro, ao niilismo sem esperança ou ao islamismo agressivo sem fazer nada?

Nós devemos gritar ao mundo que a nossa esperança tem um nome: Jesus Cristo, o único Salvador do mundo e da humanidade!

Queridos peregrinos da França, vejam esta catedral! Os vossos antepassados construíram-na para proclamar a sua fé!

Tudo, desde a sua arquitetura, a sua escultura, os seus vitrais, proclama a alegria de ser salvo e amado por Deus. Os vossos antepassados não eram perfeitos, eles não estavam livres de pecado. Mas eles queriam deixar a luz da fé iluminar as suas trevas!

Hoje também vós, povo da França, acordai!

Escolham a luz! Renunciem às trevas!

Como?

O evangelho nos responde: “Aquele que agir segundo a verdade vem para a luz”. Deixemos a luz do Espírito Santo iluminar as nossas vidas concretamente, simplesmente, e até às regiões mais íntimas de nosso ser profundo.

Agir segundo a verdade é em primeiro lugar colocar Deus no centro da nossa vida, como a Cruz é o centro desta catedral.

Meus irmãos, escolhamos voltarmo-nos para Ele todos os dias!

Agora, assumimos o compromisso de reservar todos os dias alguns minutos de silêncio para nos voltarmos a Deus, para lhe dizer: “Senhor reina em mim! Eu Te entrego a minha vida!”

Queridos peregrinos, sem silêncio não há luz. As trevas alimentam-se do barulho incessante do mundo, que impede-nos de nos voltarmos para Deus.

Tomemos como exemplo a liturgia de hoje. Ela nos leva à adoração, ao temor filial e amoroso perante a grandeza de Deus.

Ela culmina na consagração, onde todos juntos, voltados para o altar, o olhar fixo na Eucaristia, na cruz, comunicamos em silêncio, no recolhimento e na adoração.

Queridos irmãos, amemos essas celebrações litúrgicas que nos fazem saborear a presença silenciosa e transcendente de Deus e nos fazem voltar para o Senhor.

Queridos irmãos padres, eu quero dirigir-me especialmente a vós. O Santo Sacrifício da Missa é o lugar onde vocês encontrarão a luz para o vosso ministério. O mundo em que vivemos pede a nossa atenção sem cessar. Nós estamos constantemente em movimento, sem nos preocuparmos de parar para tomar o tempo de procurar um lugar deserto e descansar um pouco, na solidão e no silêncio, na companhia do Senhor. Grande seria o perigo de nos encontramos somente como “trabalhadores sociais”. Então, nós não daríamos mais a luz de Deus mas a nossa própria luz, que não é aquela que os Homens esperam. Aquilo que o mundo espera dos padres é Deus e a Luz da sua Palavra proclamada sem ambiguidade nem falsificação.

Saibamos voltar-nos para Deus numa celebração litúrgica recolhida, cheia de respeito, de silêncio e marcada pela sacralidade.

Não inventemos nada na liturgia, recebamos tudo de Deus e da Igreja.

Não procuremos nela o espetáculo ou o sucesso. A liturgia ensina-nos: Ser sacerdote não é, em primeiro lugar, fazer muito, mas sim estar com o Senhor na cruz!

A liturgia é o lugar onde o homem encontra Deus cara a cara. A liturgia é o momento mais sublime onde Deus nos ensina a “reproduzir em nós a imagem do seu filho Jesus Cristo para que ele seja o primogénito de uma multidão de irmãos” (Rm 8, 29). Ela não é nem deve ser uma ocasião de rutura, de luta ou de disputa.

Na forma ordinária, assim como na forma extraordinária do rito romano, o essencial é voltarmo-nos para a Cruz, para Cristo, nosso Oriente, nosso Tudo e nosso único Horizonte! Seja de que forma for, ordinária ou extraordinária, saibamos sempre celebrar como neste dia, segundo ensina o Concílio Vaticano II: Com uma nobre simplicidade, sem sobrecargas inúteis, sem estética fictícia e teatral, mas com o sentido do sagrado, a preocupação primeira da glória de Deus, e com um verdadeiro espírito de filhos da Igreja de hoje e de sempre!

Queridos irmãos sacerdotes, guardem sempre esta certeza: estar com Cristo na cruz, é isso que o celibato sacerdotal proclama ao mundo! O projeto, de novo proposto por alguns, de desamarrar o celibato do sacerdócio conferindo o sacramento da ordem aos homens casados (os viri probati) por, dizem eles, “razões ou necessidades pastorais” teria graves consequências, na verdade, de romper com a tradição apostólica. Nós fabricaríamos um sacerdócio à nossa medida humana, mas não perpetuaríamos, não prolongaríamos o sacerdócio de Cristo, obediente, pobre e casto. De facto, o sacerdote não é somente um “alter Christus” mas ele é verdadeiramente “Ipse Christus”, ele é o próprio Cristo!

E é por isso que o caminho para seguir a Cristo e a Igreja será sempre um sinal de contradição!

A vocês queridos cristãos leigos, comprometidos na vida da Cidade, eu quero dirigir-me com força: “não tenham medo! Não tenham medo de levar a esse mundo a luz de Cristo!”

O vosso primeiro testemunho deve ser sempre o vosso exemplo: Ajam segundo a verdade! Nas vossas famílias, na vossa profissão, nas vossas realidades sociais, económicas, políticas, que seja Cristo a vossa Luz!

Não tenham medo de testemunhar que a vossa alegria vem de Cristo!

Eu vos peço, não escondam a fonte da vossa esperança! Pelo contrário, proclamem, testemunhem, Evangelizem! A Igreja precisa de vós! Lembrem a todos que somente “Cristo crucificado revela o sentido autêntico da liberdade!” (São João Paulo II, Veritatis Splendor, 85).

Com Cristo, libertem a liberdade hoje acorrentada pelos falsos direiros humanos, todos orientados para a autodestruição do Homem.

A vós, queridos pais, quero dirigir uma mensagem bem particular. Ser pai e mãe de família no mundo de hoje é uma aventura cheia de sofrimentos, de obstáculos e preocupações.  A Igreja vos diz: obrigada! Sim, obrigada pela doação generosa de vós mesmos!

Tenham a coragem de educar o vossos filhos na luz de Cristo. Terão às vezes que lutar contra os ventos dominantes, suportar a zombaria e o desprezo do mundo. “Nós proclamamos um Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos.” (1 Cor 1, 23-23)

Não tenham medo! Não renunciem! A Igreja, pela voz dos Papas – especialmente todos desde a Encíclica Humanae Vitae, vos  confia uma missão profética: testemunhar perante todos a nossa alegria e confiança em Deus que fez de nós Guardiões Inteligentes da ordem natural. Vocês anunciam aquilo que Jesus nos revelou com a sua própria vida: “a liberdade realiza-se no amor, isto é, na doação de si mesmo.”

Queridos pais e mães de família, a Igreja vos ama! Amem também vós a Igreja! Ela é a vossa Mãe. Não se misturem com quem dela faz troça porque eles somente vêm as rugas do seu rosto envelhecido pelos séculos de sofrimentos e provas. Ainda hoje, Ela é bela e brilha de santidade.

Por fim, quero agora dirigir-me a vocês, os mais jovens, que estão aqui em tão grande número!

No entanto, peço-vos que escutem um “velho” que tem mais autoridade do que eu: o evangelista São João. Para além do exemplo da sua vida, São João deixou também uma mensagem escrita aos mais jovens. Na sua primeira carta, nós encontramos estas palavras emocionantes de um velho aos jovens das igrejas que ele tinha fundado, escutem a sua voz cheia de vigor, de sabedoria e de calor: “Eu escrevi para vós, jovens: vocês são fortes, a palavra de Deus permanece em vós, vocês venceram o Mal. Não amem o mundo, nem aquilo que está no mundo”  (1 Jo 2, 14-15).

O mundo que nós não devemos amar, comentava o padre Raniero Cantalamessa na sua homilia da sexta-feira Santa de 2018, é aquele ao qual não nos devemos conformar; não é, como sabemos, o mundo criado e amado por Deus, não são as pessoas do mundo para quem, pelo contrário, devemos sempre ir, especialmente aos pobres e aos últimos dos pobres para amá-los e servi-los humildemente… Não! O mundo que não devemos amar é outro: o mundo tal como ele se tornou sob o domínio de Satanás e do pecado. O mundo das ideologias que negam a natureza humana e destroem as famílias… as estruturas como a das Nações Unidas, que impõem uma nova ética mundial têm um papel decisivo e tornaram-se hoje um poder avassalador que chega às massas através das possibilidades ilimitadas da tecnologia.  Em muitos países ocidentais, hoje é um crime rejeitar submeter-se a essas ideologias horríveis. É a isso que chamamos a adaptação ao espírito do tempo, o conformismo. Um grande poeta britânico, crente do século passado, Thomas Stearnus Eliot escreveu três versos que dizem muito mais do que livros inteiros: “Num mundo fugitivo, aquele que vai na direção oposta terá sido visto como um desertor.”

Queridos jovens cristãos, se é permitido a um “velho”, como o foi São João, dirigir-se diretamente a vocês, também eu vos exorto, e digo-vos: vocês venceram o Mal. Combatam toda a lei contrária à natureza que hoje querem impor, oponham-se a toda lei contra a vida, contra a familia. Sejam aqueles que tomam a direção contrária! Atrevam-se a ir contra a corrente! Para nós cristãos, a direção contrária não é um lugar, é uma Pessoa, é Jesus Cristo nosso Amigo e nosso Redentor. Uma tarefa é confiada muito particularmente a vocês: salvar o amor humano da trágica deriva na qual ele caiu. O amor que já não é a doação de si mesmo, mas possuir o outro quase sempre violenta e tiranicamente. Na cruz, Deus revelou-se como «agape» isto é, como amor que se entrega a si mesmo até a morte.

Amar verdadeiramente é morrer pelo outro, como esse jovem policial francês Coronel Arnaud Beltrame!

Queridos jovens, vocês experimentam sem dúvida, nas vossas almas, a luta das trevas e da luz. Vocês são às vezes seduzidos pelos prazeres fáceis do mundo.

De todo o meu coração de padre, eu digo-vos, não estejam divididos! Jesus vos dará tudo! Seguindo-o para serem Santos, vocês não perdem nada! Vocês ganham a única alegria que não dececiona nunca!

Queridos jovens, se hoje Cristo vos chama a segui-l’O como sacerdote, religioso ou religiosa, não hesitem! Digam «Fiat»! Um “Sim” entusiasta e sem condições.

Deus quer precisar de vocês! Que graça, que alegria!

O Ocidente foi evangelizado pelos Santos e pelos Mártires. Vocês, jovens de hoje, vocês serão os santos e os mártires que as nações esperam para uma nova evangelização! As vossas pátrias tem sede de Cristo , não as dececionem! A Igreja confia em vocês!

Eu rezo para que muitos de vocês respondam, hoje, nesta missa ao chamamento de Deus para segui-l’O, a deixar tudo por Ele, pela sua Luz.

Queridos jovens, não tenham medo, Deus é o único amigo que não faltará nunca.

Quando Deus chama ele é radical, isso quer dizer que ele vai até o fim, até à raiz. Queridos amigos, nós não somos chamados a ser cristãos medíocres! Não, Deus chama-nos inteiramente até ao fim, à doação total, até ao martírio do corpo ou do coração.

Querido povo da França, tem sido os mosteiros os que fizeram a civilização do vosso país! Tem sido os homens e mulheres que aceitaram seguir Jesus radicalmente até o fim que construiram uma civilização bela e pacífica, como esta catedral.

Povo da França, povos do Ocidente, vocês não encontrarão a paz e a alegria se não buscarem somente a Deus! Voltem à Fonte! Voltem aos mosteiros! Sim, vocês todos atrevam-se a passar alguns dias num mosteiro! Neste mundo de tumulto, fealdade e tristeza, os mosteiros são oásis de beleza e alegria. Verão que é possível colocar Deus no centro de toda a nossa vida. Experimentarão a alegria que não passa!

Queridos peregrinos, renunciemos às trevas. Escolhamos a luz!

Peçamos à Santíssima Virgem Maria que nos ensine a dizer «Fiat», a dizer Sim plenamente como ela, que saibamos acolher a luz do Espírito Santo como ela. Neste dia em que graças às disposições do Santo Padre, o Papa Francisco, nós festejamos Maria mãe da Igreja, pedimos a essa Mãe Santíssima que tenhamos um coração ardente para anunciar aos homens a Boa Nova, um coração generoso, um coração grande como o de Maria, com as dimensões da Igreja, com as dimensões do Coração de Jesus!

Que assim seja.

Robert Cardinal Sarah

 

 

27 maio, 2018

Foto da Semana.

Sarah

Chartres, França, segunda-feira, 21 de maio de 2018: Sua Eminência Reverendíssima, o Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, celebra Missa Solene Pontifical no Rito Tradicional, por ocasião do encerramento da Peregrinação anual de Pentecostes Notre-Dame de Chrétienté.

6 maio, 2018

Foto da semana.

Abadia de Lagrasse, França, 20 de abril de 2018 – O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, celebra a Missa tradicional e visita o túmulo do Irmão Vicente Maria da Ressurreição, religioso da ordem dos Cônegos Regulares da Mãe de Deus — ordem dedicada à celebração da Missa no rito tridentino – a quem visitou e celebrou o funeral há dois anos.

9 fevereiro, 2018

Dom Víctor “Tucho” Manuel Fernández, inspirador de Amoris Laetitia, lança um ataque contra os cardeais Müller e Sarah.

Por Jeanne Smits[1], Réinformation TV, 17 de janeiro de 2018. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com[2] Muito próximo do soberano pontífice, Dom Víctor Manuel Fernández publicou, há poucos dias [em 14/01/2018, n.d.t.], um artigo no jornal argentino La Nacion[3], com o fim de denunciar a atitude dos cardeais Sarah e Müller, que agem, segundo ele, como se Francisco não fosse papa. Reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, arcebispo ad personam por graça do papa reinante, autor de um livro intitulado Cura-me com tua boca: a arte de beijar[4], chamado familiarmente de “Tucho”, Fernández influenciou de maneira altamente significativa a elaboração de Amoris laetitia[5], como demonstra a correspondência entre escritos seus do passado e os trechos mais controversos da exortação apostólica[6] [arcebispo ad personam: título honorífico pessoal, não implicativo de jurisdição de uma arquidiocese]. Ele se encontra 100% alinhado com as novidades do papa Francisco. Ao atacar dois cardeais que são conhecidos por suas visões tradicionais, mas que nunca tacharam de inaceitáveis os ensinamentos em causa – nem mesmo por meio dos dubia[7] [cujos signatários foram outros cardeais] –, o prelado argentino deixa entrever uma escalada na obra de desestabilização.

Víctor Manuel Fernández com o então cardeal Bergoglio

Víctor Manuel Fernández com o então cardeal Bergoglio.

Um verdadeiro ataque contra os dois cardeais

O artigo leva este título: “As errôneas interpretações da mensagem do papa”. “Tucho” Fernández escreve: “Muitas vezes se supõe que todos os que exercem alguma tarefa em instituições católicas estejam executando ordens do papa toda vez que se pronunciam. Contudo, isso sequer ocorre com os cardeais do Vaticano, visto que seguem pensando e falando como desejam, como se Francisco não fosse papa”. Acusação gravíssima, posta nesses termos.

São especificamente citados os cardeais Gerhard Müller[8], prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, organismo do qual ele foi demitido sem deferências pelo papa, e Robert Sarah[9], ainda prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, mas cercado de pessoas que tomam decisões que destoam das suas diretrizes. Müller deveria ter sido demitido antes, sugere o arcebispo Fernández: “Acaso não nos perguntamos, muitas vezes, por que não era afastado o cardeal Müller, que não ocultava uma linha de pensamento bastante diferente [da do papa] e inclusive o criticava? E olhemos para o cardeal Sarah, que segue propondo que se volte a celebrar a missa de costas para o povo”.

O inspirador de Amoris laetitia teria afastado bem antes o cardeal Müller

Curiosamente, o artigo, em seu conjunto, parece constituir uma defesa do direito de toda pessoa a falar livremente e do entendimento de que um dirigente católico, em algumas de suas ações, não se vincula necessariamente ao papa. Assim, explica Fernández, o arcebispo Sánchez Sorondo[10] – outro argentino próximo de Francisco – age sozinho e sem requerer a permissão de ninguém quando convida figuras controversas – favoráveis a certas formas de eutanásia, ao aborto, ao controle da população – para reuniões da Pontifícia Academia das Ciências, da qual é chanceler, no Vaticano…

“Hoje, com Francisco, a Igreja usufrui de uma liberdade de expressão sem precedentes, e, para poder-se opinar, não é necessário estar pensando o que diria o papa. Agora, muitos católicos podem, irresponsavelmente, tratar Francisco como herege ou cismático, sem que lhes chegue sequer um pedido de esclarecimento da parte do Vaticano. Poucos anos atrás, receberíamos sanções graves por muito menos”, escreve Fernández.

Que arte de inverter os papéis, e de modo incoerente, além do mais! Como se pode justificar a ideia de que o papa, que efetivamente se mostrou “grato” ao cardeal Müller, deveria tê-lo afastado antes, se a liberdade é, nesse campo, a regra? Como se ousa dizer que aqueles que se preocupam com a integridade da doutrina católica gozam de uma (culpável?) indulgência da parte do pontífice, enquanto se revelam abundantes os casos de demissão, destituição, aposentadoria desses “perturbadores da ordem”, isso sem falar nas mostras de irritação extremada que familiares da Casa Santa Marta atribuem a Francisco?

Todo mundo fala livremente, mas acabamos por nos indagar, e com certo gracejo, se “Tucho” não estaria um tanto se pronunciando sob ordens.

[1] http://reinformation.tv/mgr-victor-manuel-fernandez-attaque-cardinal-muller-amoris-laetitia-smits-79347-2/

[2] https://fratresinunum.com/

[3] http://www.lanacion.com.ar/2100513-las-erroneas-interpretaciones-del-mensaje-del-papa

[4] https://fratresinunum.com/2015/01/12/arcebispo-reitor-e-beijoqueiro/

[5] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html

[6] https://fratresinunum.com/2016/05/25/amoris-laetitia-tem-um-escritor-fantasma-chama-se-victor-manuel-fernandez/

[7] https://fratresinunum.com/2016/11/14/bombastico-cardeais-divulgam-carta-e-questionamentos-sobre-amoris-laetitia-que-francisco-se-negou-a-responder/

[8] https://fratresinunum.com/tag/dom-gerhard-ludwig-muller/

[9] https://fratresinunum.com/tag/cardeal-robert-sarah/

[10] https://infovaticana.com/2017/08/08/sanchez-sorondo-arzobispo-amigo-los-poderosos-antinatalistas-jamas-celebra-misa-reza-breviario/