Posts tagged ‘Cardeal Tarcísio Bertone’

14 fevereiro, 2013

As palavras emocionadas de Bertone ao Papa.

Zenit – Ao final da liturgia da Quarta-feira de Cinza, na Basílica de São Pedro, presidida por Bento XVI, o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone dirigiu algumas palavras de agradecimento ao Santo Padre.

Beatíssimo Padre:

Com sentimentos de grande comoção e de profundo respeito não somente a Igreja, mas todo o mundo, soube da notícia de Sua decisão de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro.

Não seríamos sinceros, Santidade, se não lhe disséssemos que nesta tarde há um véu de tristeza sobre nosso coração. Nestes anos, o seu Magistério foi uma janela aberta sobre a Igreja e sobre o mundo, que fez penetrar os raios da verdade e do amor de Deus, para dar luz e calor ao nosso caminho, também e sobretudo, nos momentos em que as nuvens ficaram densas no céu.

Todos nós compreendemos que é exatamente o amor profundo que Vossa Santidade tem por  Deus e pela Igreja lhe impulsionou a esse ato, revelando aquela pureza de ânimo, aquela fé robusta e exigente, aquela força da humildade e da mansidão, junto à uma grande coragem, que caracterizaram cada passo de Sua vida e de Seu ministério, e que podem vir somente do estar com Deus, do estar à luz da Palavra de Deus, do subir continuamente a montanha do encontro com Ele e depois descer a Cidade dos homens.

Santo Padre, poucos dias atrás, com os seminaristas da sua diocese de Roma, o senhor nos deu uma lição especial, disse que sendo cristãos sabemos que o futuro é nosso, o futuro é de Deus, e que a árvore da Igreja cresce sempre de novo. A Igreja se renova sempre, renasce sempre. Servir a Igreja na firme consciência que não é nossa, mas de Deus, que não somos nós quem a construímos, mas é Ele; poder dizer-nos com verdade a palavra evangélica: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos fazer” (Luc 17, 10), confiando totalmente no Senhor, é um grande ensinamento que o senhor, mesmo com esta sofrida decisão, dá não somente a nós, Pastores da Igreja, mas a todo o povo de Deus.

A Eucaristia é um render graças a Deus. Nesta tarde nós queremos agradecer o Senhor pelo caminho que toda a Igreja fez sob a direção de Vossa Santidade e queremos dizer-lhe do mais íntimo do nosso coração, com grande afeto, comoção e admiração: obrigado por ter-nos dado o luminoso exemplo de simples e humilde servo da vinha do Senhor, um trabalhador que soube realizar em cada momento aquilo que é mais importante: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus. Obrigado!

16 novembro, 2012

Vaticano, o hábito faz o monge.

Uma circular interna assinada pelo Cardeal Bertone convida a todos os eclesiásticos que trabalham na Santa Sé a usar a batina preta ou o “clergyman”.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

Outubro de 2010: Dom Moacir Grechi, bispo emérito de Porto Velho, se apresenta à paisana em visita 'Ad Limina'.

Outubro de 2010: Dom Moacir Grechi, bispo emérito de Porto Velho, se apresenta à paisana em visita ‘Ad Limina’.

O hábito deve fazer o monge, ao menos no Vaticano. No último dia 15 de outubro, o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, assinou uma circular enviada a todos os entes da cúria romana para enfatizar que os sacerdotes e religiosos devem se apresentar ao trabalho com a vestimenta adequada, isto é, o “clergyman” ou a batina preta. Nas ocasiões oficiais, sobretudo na presença do Papa, os monsenhores já não poderão deixar no armário as vestes de botões vermelhos e a faixa violeta.

Um chamado ao respeito às normas canônicas que representa um sinal preciso, que seguramente terá eco inclusive fora das fronteiras do menos estado do mundo: de fato, no Vaticano são raríssimos os religiosos que não se vestem como tal. E é provável que este chamado a uma apresentação fiel e impecável, formalmente, seja interpretado como um exemplo aos que vêm de fora do Vaticano, isto é, para os bispos ou sacerdotes de passagem por Roma. Uma forma de “dizer à sogra que entenda a nora”, como se diz em italiano.

O Código de Direito Canônico estabelece que “os clérigos devem portar um hábito eclesiástico digno”, segundo as normas emanadas pelas diferentes conferências episcopais. A Conferência da Itália, por exemplo, estabelece que “o clero, em público, deve usar a batina ou o ‘clergyman'”, isto é, o traje negro ou cinza com o colarinho branco. O nome em inglês revela a sua origem protestante, mas passou a fazer parte do vestuário dos eclesiásticos católicos, mesmo que no início tenha sido uma concessão aos que tinham de viajar.

A Congregação vaticana para o Clero explicava, em 1994, os motivos sociológicos do hábito dos sacerdotes: “Em uma sociedade secularizada e tendente ao materialismo”, é “particularmente necessário que o presbítero — homem de Deus, dispensador de seus mistérios — seja reconhecível aos olhos da comunidade”.

A circular de Bertone pede aos monsenhores que usem o hábito de botões vermelhos nos atos “em que esteja presente o Santo Padre”, assim como nas demais ocasiões oficiais. Um convite que também se estende aos bispos que assistem a uma audiência com o Papa, que, a partir de agora, deverão seguir rigorosamente a etiqueta.

O uso de vestes civis para o clero esteve relacionado, no passado, a situações particulares, como no caso da Turquia, durante os anos oitenta, ou do México, até há pouco tempo, onde os bispos estavam acostumados a sair de casa vestidos como empresários. Este costume foi se estendendo pouco a pouco pela Europa: não devemos esquecer as famosas imagens do jovem teólogo Joseph Ratzinger de palitó e gravata escura durante os anos do Concílio. Há anos, sobretudo entre os jovens sacerdotes, registra-se uma contracorrente. Uma mudança “clerical” que agora está formalizada em uma circular do Secretário de Estado.

4 agosto, 2012

Bertone anuncia que Papa está finalizando uma nova encíclica.

IHU – Bento XVI está trabalhando em uma nova encíclica, disse nessa quarta-feira o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, após celebrar a Santa Missa na igreja paroquial de Introd, localidade no vale de Aosta, onde ele está passando um período de repouso.

A reportagem é do sítio Religión Digital, 02-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De acordo com o purpurado, Bento XVI concluiu seu terceiro volume dedicado a Jesus de Nazaré e os Evangelhos da infância, que, em sua opinião, será um grande presente para o Ano da Fé. E, depois dessa publicação, é muito provável que seja lançada uma nova encíclica, a quarta do seu pontificado.

As declarações foram feitas por ocasião da missa celebrada na paróquia dessa localidade montanhosa. Em sua homilia, dedicada à memória litúrgica de Santo Eusébio de Vercelli, o cardeal assinalou que a tarefa de quem governa com um senso de responsabilidade, ao contrário do mercenário que desempenha um ofício, é a de assumir a defesa dos fracos, dos necessitados, e, segundo a imagem do Bom Pastor, a de fazer resplandecer a realeza de Cristo.

Ele acrescentou que a obra de evangelização de Santo Eusébio o levou a realizar viagens duríssimas, chegando a enfrentar perigos, incompreensões e perseguições por parte de seus inimigos, e tudo isso para levar o Evangelho e a salvação de Cristo por todas as partes.

Sobre o próximo Sínodo sobre a Nova Evangelização, ele destacou que quando, se fala de nova evangelização, é preciso saber reconhecer nessa expressão toda a carga de confiança que Deus nos dá hoje, quando nos quer anunciadores do Evangelho entre os nossos povos.

“O Senhor precisa hoje do nosso coração, da nossa mente e das nossas forças para que o projeto de vida por ele anunciado possa ter a força de atração do nosso mundo vital, diferenciado e complexo, em que se faz necessário saber tornar concretamente visível a força da esperança cristã”.

Em cada âmbito social, indicou, no trabalho, no casamento e na família, assim como em todos os círculos de amizade e de compromisso social, cada um é verdadeiramente insubstituível para uma ramificação do testemunho de fé.

Sobre a celebração do Ano da Fé, que começará no contexto comemorativo dos 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, destacou que será um período importante, se pensarmos na necessidade que persiste em nosso tempo de servir à causa do ser humano que “não sabe para onde ir e não consegue nem compreender quem é ele próprio”, disse ele, citando as palavras de Bento XVI.

23 julho, 2012

Peru: um chamado de atenção aos bispos.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com

A Conferência Episcopal Peruana (CEP) não deve ser instrumentalizada pela “universidade rebelde”. Pelo contrário, está obrigada a prestar um “devido e claro” apoio às determinações da Santa Sé  na disputa pela legítima propriedade da instituição, até ontem Pontifícia e Católica. Este é o cerne de uma carta enviada pelo Vaticano ao presidente dos bispos do país sul-americano, Salvador Piñeiro. Um duro chamado de atenção, para acabar com as ambiguidades e com o “jogo sujo”.

O texto, até então desconhecido e cujo conteúdo Vatican Insider teve acesso, foi entregue na sexta-feira, 20 de julho, na nunciatura apostólica em Lima, ao secretário geral da CEP, Lino Panizza Richero. Com ele, estava o segundo vice-presidente e arcebispo de Arequipa, Javier del Rio, e o arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani Thorne.

O embaixador papal, James Green, entregou-lhes cópia do decreto com o qual a Sé Apostólica dispôs a retirada dos títulos honorários de “Pontifícia” e “Católica” da universidade. E também lhes entregou a carta do Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, na qual anuncia a inédita decisão ao reitor Marcial Rubio.

Isso ocorreu nas primeiras horas da tarde. Green ordenou que os três documentos, inclusive a carta a Piñeiro, sejam enviados a todos os bispos do país. Mais tarde, recebeu na nunciatura as autoridades da PUCP, às quais transmitiu o decreto e a carta.

A mensagem de Roma ao arcebispo de Ayacucho-Huamanga deixou pouco espaço para dúvidas: “Para o bem da Universidade e pela responsabilidade da Igreja no âmbito educacional, esta Conferência Episcopal deve apoiar a posição da Santa Sé e o Arcebispo de Lima, desautorizando com vigor qualquer intervenção contrária e convidando o episcopado do país a uma ação colegial leal. Em caso de dúvidas, o senhor e os demais bispos terão a amabilidade de consultar o Sr. Núncio em Lima”.

E acrescentou: “O Santo Padre espera que,  doravante, a Conferência Episcopal renda um decidido e claro apoio às decisões tomadas pela Santa Sé acerca da situação da PUCP e sejam evitadas novas incompreensões e divisões”.

A dureza das palavras deixou claro que, em vez de manter uma posição institucional, a cúpula dos bispos se alinhou à instituição educacional durante o litígio pela universidade. Inclusive quando a rebeldia de suas autoridades era aberta e manifesta.

O que ficou claro em 17 de abril, quando a Conferência emitiu uma nota pública em nome de seus cinco bispos delegados na Assembléia Universitária da PUCP. Esse texto foi desconcertante, não só porque seu conteúdo estava em suspeita sintonia com a tese da reitoria, mas também porque foi difundido sem o consentimento de alguns dos supostos signatários, que nem sequer foram consultados.

Este episódio foi qualificado como “lamentável” pela carta vaticana a Piñeiro, que foi cortante: “Peço-lhe que cuide para que esta Conferência Episcopal evite ser instrumentalizada pela reitoria da universidade”.

Trata-se de mais uma prova da seriedade com que a Santa Sé afrontou a controvérsia da ex-Pontifícia e Católica. E embora seus alunos mais radicais sustentem que a retirada dos títulos “não significa nada”, a realidade é outra. Porque se trata de acabar com um litígio que dura mais de 40 anos e que chegou a níveis insustentáveis.

Por ora, nesta segunda-feira, 23, está prevista uma nova sessão da Assembléia Universitária. Nela será analisada a decisão de Roma que, certamente, não é definitivamente irreversível. Como bem assinala o decreto pontifício, é possível rever a retirada dos títulos. A solução é simples: se a direção dos docentes se retratar e modificar seus estatutos, recupera a sua identidade. De outra forma, um futuro sombrio lhes espera.

4 julho, 2012

Vaticano: Bento XVI reafirma confiança no seu secretário de Estado.

Papa lamenta «críticas injustas» contra cardeal Tarcisio Bertone, um dos mais atingidos pelas recentes polémicas sobre fugas de documentos.

Cidade do Vaticano, 04 jul 2012 (Ecclesia) – Bento XVI reafirmou a confiança no seu secretário de Estado, numa carta hoje divulgada pelo Vaticano, e lamentou as “críticas injustas” que diz terem sido dirigidas ao cardeal Tarcisio Bertone.

“Tendo notado com amargura as críticas injustas que se fizeram contra a sua pessoa, quero renovar a afirmação da minha confiança pessoal”, refere o Papa, na missiva em que evoca a carta de janeiro de 2010 em que confirmava a manutenção no cargo do cardeal Bertone, já após este ter completado os 75 anos previstos como limite pelo Direito Canónico.

Bento XVI diz que o conteúdo dessa declaração não se alterou e quis exprimir ao seu mais direto colaborador “profundo reconhecimento” pela “discreta proximidade” e pelo “conselho iluminado”.

Segundo o Papa, a presença do cardeal italiano foi “de particular auxílio nestes últimos meses”.

A carta, datada de segunda-feira, foi escrita antes da partida de Bento XVI para o período de férias em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, que se iniciou ao final da tarde desta terça-feira.

O secretário de Estado do Vaticano, de 77 anos, foi colaborador do então cardeal Joseph Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé.

O atual Papa escolheu o cardeal Bertone em 2006 para ocupar o lugar de máximo expoente da atividade diplomática e política da Santa Sé, substituindo o cardeal Angelo Sodano.

Numa entrevista publicada em junho, o secretário de Estado do Vaticano afirmou que os jornalistas têm lançado “mentiras” e “calúnias” sobre o Papa e os seus mais diretos colaboradores, lamentando o clima de “mesquinhez” que se criou nas últimas semanas.

O cardeal Tarcisio Bertone falava à revista internacional ‘Família Cristã’, na Itália, sobre caso de fugas de informação no Vaticano, conhecidas por ‘Vatileaks’, que deram origem à divulgação pública de dados reservados.

Referindo-se em particular à publicação de documentos reservados, o secretário de Estado sublinha que a violação do “direito à privacidade” é um “ato imoral de gravidade inaudita” que vai contra um direito “reconhecido especialmente pela Constituição italiana”.

4 junho, 2012

Vatileaks: vazam três novos documentos. Uma dura carta do Cardeal Burke contra a liturgia do Neocatecumenato. Acusados Bertone e Gänswein.

Em sua edição de ontem, o jornal italiano La Repubblica divulgou três novos documentos vazados dos sagrados palácios pelos enigmáticos “corvos”. O primeiro, uma carta do Cardeal Raymond Leo Burke ao Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, a respeito de rumores de uma aprovação pontifícia da liturgia do movimento Caminho Neocatecumenal. Como se sabe, a manobra orquestrada para aprovação da liturgia neocatecumenal por partidários deste movimento na Cúria Romana foi abortada na última hora, convertendo-se em aprovação de celebrações para-litúrgicas entre cada um dos estágios do itinerário catequético “kikoniano”.

Eis os principais trechos da carta do Cardeal Burke:

“Não posso, como Cardeal e membro da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, deixar de expressar a Sua Eminência a estranheza que o convite [para o encontro com o Papa previsto para seis dias mais tarde, “por ocasião da aprovação da liturgia do Caminho Neocatecumenal”] me causou. Não me recordo de ter ouvido algo sobre uma consulta acerca da aprovação da uma liturgia própria deste movimento eclesial. Recebi nos últimos dias, de várias pessoas, inclusive de um estimado bispo americano, expressões de preocupação sobre tal aprovação papal, da qual já haviam tomado ciência. Esta notícia para mim era um simples rumor ou especulação. Agora descobri que tinham razão.

Cardeal Raymond Burke.

Cardeal Raymond Burke.

Deixando de lado a questão sobre a forma com que tal aprovação foi preparada pelo Santo Padre, devo, em consciência, expressar minhas mais sérias reservas no que se refere às inovações que o Caminho Neocatecumenal introduziu na celebração da Sagrada Liturgia. Estas inovações já haviam sido corrigidas em 2006 pelo Cardeal Francis Arinze, então prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, mas devo dizer que as correções não tiveram nenhum êxito, ao menos nos Estados Unidos. As comunidades deste movimento continuaram celebrando a Santa Missa com inovações significativas, abertamente em contraste com a disciplina litúrgica a ser observada nas paróquias onde realizam seu apostolado.

Sem entrar em um comentário detalhado sobre as inovações, expresso duas de minhas principais preocupações. O lugar escolhido para a celebração da Santa Missa, o modo de dispor os membros durante a celebração e a maneira anômala para a recepção da Sagrada Comunhão, a meu ver, exageram gravemente o aspecto do banquete no Sacrifício Eucarístico e abandonam o ministério insubstituível do sacerdote na Santa Missa.

Na mesma linha, as enormes monições dadas por membros [leigos] desde o ambão, durante a celebração da Santa Missa, relativizam a proclamação da Palavra de Deus e a Homilia sobre a Palavra de Deus por parte do ministro ordenado. Enquanto estas longas monições podem ter um lugar apropriado nas celebrações não litúrgicas, representam, a meu ver, uma grave distorção do Rito da Missa.

Finalmente, como fiel conhecedor do ensinamento do Santo Padre sobre a reforma litúrgica, que é fundamental para a nova evangelização, creio que a aprovação de tais inovações litúrgicas, inclusive após a correção das mesmas por parte do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não parece coerente com o magistério litúrgico do Papa.

E agora o objetivo da divulgação desta carta e de outros dois documentos ameaçadores no La Repubblica:

Milão, 3 de junho de 2012 —  “Expulsar os verdadeiros culpados do Vaticano. Novamente, o único a pagar é o bode expiatório. Nenhuma vítima melhor que o mordomo do Santo Padre. A verdade deve ser procurada no poder central”. O corvo ainda está no Vaticano. Ele circula, observa e golpeia, enquanto Bento XVI está em uma visita oficial de três dias a Milão, buscando um momento de tranquilidade em meio a ressentimentos que o cercam. O corvo lança novos documentos de repente. Três, para ser exato, que La Repubblica possui e apresenta hoje. Mas a fonte adverte, temos “centenas” de cartas como estas. Ele escreve em uma carta explicativa — que precedeu os documentos — digitada em um computador. Mostrando, como se fosse necessário, que o mordomo do Papa, acusado de ser o portador das cartas que apareceram anteriormente da Santa Sé, “o bode expiatório”, como diz a carta, não é o único. Porque o corvo está, de fato, ainda na ativa. “A verdade — denuncia — deve ser procurada no poder central”. E explica: “Isto é, no arquivo privado de Mons. Georg Gänswein, secretário particular do Santo Padre, do qual diversos documentos reservados ao Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, aparecem continuamente”.
Bento XVI, Bertone e Gänswein.

Bento XVI, Bertone e Gänswein.

Uma dura acusação, que a fonte faz sua, contra o secretário particular de Bento XVI, homem pelo qual o Papa tem, por sua vez, a mais alta confiança, e que por vários anos tem sido a pessoa com que conta para questões de natureza não só pessoais, mas também espirituais e políticas. Nos últimos anos, de fato, Monsenhor Gänswein aumentou notavelmente sua influência dentro do apartamento [papal], crescendo no papel, seguramente informal, não obstante, real e claro para todos, de conselheiro de Joseph Ratzinger, que também é seu compatriota. O corvo acrescenta em sua mensagem de introdução às três cartas: “As coisas nem sempre caminham como esperado, e houve passagens não controladas de documentos e atos ultra confidenciais entre Mons. George e o Cardeal”. Como se dissesse: os atos e documentos que saem do apartamento papal para o escritório da Secretaria de Estado, e vice-versa, por vezes tomam caminhos diferentes. E o controle sobre eles se perde.

O corvo então apresenta “três de centenas de documentos em nosso poder”. O primeiro é uma “carta super secreta” dirigida a Bertone pelo Cardeal Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica [Cardeal Burke], e que trata do que é estigmatizado como “o vergonhoso caso dos neocatecumenais, sobre o qual há uma longa nota escrita a mão pelo próprio Bento XVI”. Os outros dois são cartas com a aparente assinatura de Monsenhor Gänswein. E tratam, diz ele, de “alguns lamentáveis e vergonhosos acontecimentos dentro do Vaticano”. As duas notas levam na parte superior o brasão da Santa Sé com as palavras “Città del Vaticano“. E na parte inferior a assinatura, a mão, de “don Georg Gaenswein“. Abaixo, as palavras estampadas, “Segretario Particolare di Sua Santità Benedetto XVI” . Uma delas é datada de 19 de fevereiro de 2009. O texto das cartas foi apagado. O corvo explica: “Não publicaremos na íntegra para evitar ofender a pessoa do Santo Padre, já colocado sob grande tensão por seus colaboradores próximos”. E adverte: “A fim de sermos justos, reservamo-nos a publicação integral caso eles persistam em esconder a verdade dos fatos”. E então conclui: “Expulsem do Vaticano aqueles verdadeiramente responsáveis por este escândalo: Mons. Gänswein e Cardeal Bertone”. Duríssimas acusações não provadas e não detalhadas aqui.

28 maio, 2012

Gotti Tedeschi: “Prefiro não falar, de outra forma só diria palavras rudes”.

A queda do economista do IOR: “Não digo nada; não quero incomodar o Papa”. Três anos e muitos inimigos.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

Gotti Tedeschi.

Gotti Tedeschi.

“Prefiro não falar, de outra forma só diria palavras duras, tenham paciência”. E depois: “Ainda me debato entre a ânsia de explicar a verdade e não querer incomodar o Santo Padre com tais explicações. Meu amor ao Papa prevalece sobre qualquer outro sentimento, inclusive para defender a minha reputação, que de modo vil se coloca em discussão”.

A moção de censura que provocou a queda de Ettore Gotti Tedeschi do IOR [Instituto para as Obras Religiosas, comumente conhecido como “Banco do Vaticano], sem sequer ter completado três anos na presidência, chegou de surpresa, mas já há vários meses o banqueiro havia considerado a possibilidade da renúncia. Desde os dias da investigação da magistratura romana sobre as transações de algunas contas do IOR de bancos italianos para bancos alemães, Gotti havia decidido colaborar diretamente com os magistrados. Esse foi o princípio de uma série de incompreensões com o diretor geral do instituto, Paolo Cipriani. Naquela ocasião, Gotti Tedeschi, sob investigação, recebeu o apoio de Bento XVI, que o saudou depois de um Angelus em Castel Galdolfo. “Devemos ser exemplares”, tinha repetido o Pontífice. E o novo presidente, eleito pelo Secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone, continiou com o processo de renovação e de transparência que estava em curso: fechou as contas correntes inativas vinculadas a “laranjas”.

Entre as pessoas com quem Gotti Tedeschi teve dificuldades está Marco Simeon [ndr: leigo de enorme influência sobre Bertone e que também estaria envolvido na queda de Dom Viganò], atual diretor do canal Rai Vaticano, ligado a Luigi Bisignani. Durante o verão do ano passado, o IOR se viu envolvido na operação para salvar o hospital San Raffaele de Milão, sob a égide do Cardeal Bertone e muito aplaudida por muitos empresários e políticos milaneses. Gotti Tedeschi, que inicialmente era favorável, teria depois se convencido do contrário, dado que se tratava de uma “aventura perigosa”, e teve um forte embate com Giuseppe Profiti, administrador do hospital do Menino Jesus e um dos homens de Bertone dentro do mundo das saúde italiana. Até as relações com o Secretário de Estado foram esfriando progressivamente, embora nos últimos meses se tenha registrado alguma melhora.

Mas o ponto sem volta para Gotti Tedeschi foi a nova leia sobre a transparência que levaria o Vaticano à “white list” dos países virtuosos na luta contra a lavagem de dinheiro. O presidente do IOR, em sintonia com o Cardeal Attilio Nicora, considerava que as mudanças eram demais e, sobretudo, que se redimensionava o papel da AIF, o organismo de vigilância criado com a lei anterior. A razão disso será indicada por experts de Moneyval em julho, quando darão a conhecer o informe final sobre a adequação da Santa Sé às normas internacionais. Detrás da moção de censura de ontem, Gotti Tedeschi intui uma espécie de acerto de contas.

Por sua vez, a explicação da moção de censura é completamente diferente. “A decisão do Conselho do IOR foi tomada com absoluta autonomia”, indicam fontes da Secretaria de Estado, que desmentem a orquestração de Bertone na renúncia de Gotti, e enfatizam que o momento não é dos melhores para realizar uma operação deste tipo, em meio do escândalo dos “vatileaks”, o vazamento de documentos reservados, alguns dos quais têm relação com a correspondência do presidente do banco vaticano. Um dos motivos dos que retiraram a confiança de Gotti Tedeschi é que não conseguia trabalhar em equipe com os colaboradores, fato que teria tido conseqüências negativas para a gestão do Instituto. De toda forma, o resultado é o mesmo: o governo da Santa Sé parece estar, cada vez mais, em meio ao caos.

23 maio, 2012

Um mea culpa, é pedir demais?

Por Francesco Colafemmina | Tradução: Fratres in Unum.com

Eu não sou ninguém para fazer qualquer tipo de exigência, menos ainda ao Santo Padre. No entanto, depois de ler o livro de Gianluigi Nuzzi, ou melhor, as cartas publicadas no livro comentado por Nuzzi, uma dúvida me atormenta: não seria o caso de a Santa Sé, ao invés de se esconder atrás de silêncios e desmentidos, ao invés de ameaçar com o espectro de denúncias e condenações, nos dever um pedido de desculpas? Sim, um sincero pedido de desculpas dirigido a todos nós fiéis, vítimas de um poder eclesiástico mal administrado, inexoravelmente corroído pela extrema frequentação do mundo, à espera de um rinnovamento que não pode não começar pela conscientização acerca dos erros.

Discute-se desordenadamente acerca da identidade do larápio dos documentos da Santa Sé. Criam-se comissões ad hoc, enquanto se deveria compreender a motivação do larápio e de seus cúmplices. Muito rapidamente se diz: “Isso é a luta pelo Conclave”. Mas esta é uma banalização de algo mais complexo. A publicação desses documentos, a própria seleção que se fez deles nos mostram uma pretensão diferente: não há interesse em favorecer uma facção em detrimento de outra, mas de descrever o que no Vaticano parece faltar faz tempo, ou seja, o sentido de justiça, o respeito pelas capacidades individuais, o repúdio ao dinheiro, a coerência entre palavras e atos. Estes devem ter sido os sentimentos que moveram o leaker [1] a divulgar esses fragmentos da vida cotidiana nos sagrados palácios. E é impressionante não tanto o conteúdo de tais fragmentos, mas que estes, mesmo tendo sido visualizados pelo Santo Padre, não levaram a qualquer mudança de curso em direção àqueles valores cristãos mencionados acima.

Parece, assim, desmoronar a imagem do Papa isolado e apagado, trancado em seu cubículo a estudar teologia e nada preocupado com o que acontece ao seu redor. Desmorona a imagem do Papa desinformado ou influenciado em demasia por seus assistentes (Bertone em primeiro lugar). O Papa, ao contrário, parece saber de tudo. Está informado, por exemplo, das traições de Bertone, mesmo continuando a lhe renovar a confiança, ao invés de livrar-se dele uma vez por todas. Lemos, entre todas as demais, esta nota confidencial enviada a Mons. Georg [2] por um prelado cujo nome permanece ignoto:

Reverendo monsenhor, eu quis escrever a nota em anexo para que pudesse ser útil à função de pastor da Igreja universal própria do papa. Eu rezei. E refleti. Perguntei-me se não seria um ato de insubordinação para com meus superiores e se constituiria uma violação do segredo de ofício. Acabei por me responder que as situações problemáticas são muitas e de notável gravidade, especialmente porque teriam efeitos devastadores no futuro e, portanto, os efeitos não se veem agora e parece que tudo vai bem. Os superiores diretos, interpelados mais de uma vez, não entendem oportuno intervir por agora e argumentam que nosso contato seria a Secretaria de Estado, quando, em muitos casos, o problema é precisamente ela. A consciência me pede de apresentar essas coisas ao Santo Padre, até porque, relatando a ele, não haveria violação do segredo pontifício. Ninguém leu estas notas. O único que está a par deste envio é o sacerdote que lhas entregou e que lhe dirá quem as escreveu. Se achar necessário, poderei assiná-las e, eventualmente, dizer verbalmente à pessoa que me será indicada. Rezemos pelo senhor e pelo Santo Padre.

Violação sistemática do direito nos níveis mais altos da Cúria Romana. Em numerosas circunstâncias, o direito é violado em vários níveis. O fato de que não se trata de erros ocasionais, mas de uma prática sistemática, é confirmado pelo número de casos, por seu tendencial aumento, bem como pela justificação teórica de tais comportamentos. Perigo ulterior: tal prática é tão difundida e utilizada com tamanha leviandade que parece indicar uma falta de conscientização acerca dos danos que certas decisões poderão produzir (subestimativa do risco).

   Nível principal.

    – Violação substancial de normas fundamentais da Constituição Apostólica Pastor Bonus.

    – Vulnus [3] jurídico grave em nível metodológico, concretizado através da modificação e ab-rogação “de fato” de normas da Pastor Bonus pela emanação de normas de nível inferior. Exemplo: através da emanação ou da modificação de regulamentos e estatutos contradizem-se normas da PB.

    Nível secundário e derivado. Tal prática levanta sérios questionamentos e dá lugar a algumas controvérsias.

    – O pontífice está a par e é expressamente informado, nestes casos, que se está realizando uma “exceção” à norma de nível superior? Isto é deliberadamente silenciado?

    – Proceder ignorando sistematicamente as normas superiores não produz uma progressiva deslegitimação delas?

    – Nota-se uma desmoralização dos colaboradores nos níveis mais altos e dos funcionários honestos e afeiçoados à Igreja e a sua missão: assistir ao instaurar-se de tal prática, que tende a se consolidar, induz a pensar que o pontífice não está a par disto (conhecendo a Pessoa e seu ensinamento, não se pode pensar que esteja informado). Tal evidência gera uma sensação de impotência em muitos, de conivência obrigada em outro, e talvez induza alguns a uma cumplicidade para fins pessoais (carreiras, enriquecimento oculto e indevido, legitimação de desperdícios etc.).

    – Notam-se muitos danos generalizados quanto à escolha dos dirigentes e consulentes. Perguntamo-nos quais seriam os critérios de muitas escolhas. A escolha de pessoas que não possuem competências adequadas comporta, além de tudo, graves consequências, até no âmbito financeiro e patrimonial.

    – Instauração de práticas que tendem a desnaturar a função de coordenação própria da Secretaria de Estado, fazendo com que pareça (e opere) como em altera voluntas em relação àquela do pontífice, nem sempre agindo em clara consonância como seria esperado na aplicação das indicações que o Santo Padre dá em nível de magistério e pastoral.

    – Usurpação de funções e violações de várias competências. Notam-se ingerências e pressões indevidas, realizadas a fim de obter decisões contra a legítima vontade do dicastério (aquisições a preços superfaturados, nomeações em violação à devida prática de ouvir antes o chefe do dicastério, usurpação do direito de nomeação etc.). (Extraído de Gianluigi Nuzzi, Sua Santidade. As cartas secretas de Bento XVI, Chiarelettere, 2012, pp.178-180).

Oras, essas notas não são uma novidades para quem está familiarizado com a prática do Secretário de Estado, desde a nomeação de Palombella [4] como diretor da [Capela] Sistina até a não-proclamação do Santo Cura d’Ars como patrono de todos os sacerdotes do mundo, ou à nomeação do novo presidente do PIMS [5] – para ficarmos aos negócios eclesiasticamente mais relevantes e menos interessantes do ponto de vista econômico e político. Confirmam a inadequação do Secretário de Estado. Confirmam o seu atuar ao máximo por si mesmo e bem pouco pelo bem da Igreja, o que se percebe, aliás, também das novas revelações sobre o caso Boffo [6]. E é precisamente o ex-diretor do Avvenire a identificar, na estratégia dirigida a difamá-lo e afastá-lo da CEI [7], a tentativa – para Boffo, não está bem claro ao próprio “instrumento” da difamação, ou seja, o diretor do OR [8] – de se ter na Itália um jornal dos Bispos menos intervencionista, menos interessados em política, nos casos de bioética etc., mas confinado à sua dimensão curial, ou melhor, paroquial. Para benefício de quem?

No entanto, o Secretário de Estado continua em seu posto, apesar de sua ação ser conhecida, bem conhecida do Santo Padre.

Nem vou comentar, então, a questão das doações e dos rodopios dos cheques natalinos, entre os quais aquele de 10.000 euros de Bruno Vespa [9], o qual, em troca, pede a Mons. Georg esclarecimento acerca de um possível encontro com o Papa. Eu duvido que um Messori [10] para entrevistar o Papa precise incluir em seu cartão de Natal um generoso cheque… Mas o que dizer das doações de dezenas de milhares de euros que vêm dos bancos? Não seria mais apropriado, especialmente em tempos de crise, receber doações, pelo menos por parte dos bancos – responsáveis pela crise – apenas bens in natura: contêineres de medicamentos, de roupas, rações de alimentos e de água para os que têm fome e sede? Seria, talvez, mais discreto. Mas, deixemos pra lá…

Chego, então, a um documento que me impressionou particularmente por sua atualidade. Refiro-me ao comunicado divulgado pela Santa Sé em fevereiro de 2009, após a controvérsia sobre a entrevista roubada a Mons. Williamson. No rascunho do comunicado, o Santo Padre corrige, de próprio punho, a seguinte frase:

“Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X, o Santo Padre não cogita desconsiderar uma condição indispensável”.

 com isso:

“Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X, é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI”.

À luz da evolução das relações entre a Santa Sé e a FSSPX, me parece útil enfatizar tal correção, que explica perfeitamente por que, de repente, se decidiu submeter a um procedimento distinto os três Bispos da Fraternidade, autores de uma carta na qual se questiona a abordagem subjetivista do pensamento beneditiano.

Em suma, o livro de Nuzzi não deve impressionar mais do que isso, é verdade, no entanto nos oferece alguns ponto de reflexão. Antes de tudo, sobre a degradação daquele lugar a partir do qual a Igreja exercita a sua missão no mundo. E, partindo da conscientização de tal evidência, creio que, hoje, a Santa Sé não deveria lançar ameaças e estabelecer novas comissões para descobrir quem divulgou tais documentos. Ao contrário, deveria agradecer ao Senhor se estes documentos emergiram de alguma forma, porque não são reconstruções fantasiosas ou tentativas covardes de denegrir a Santa Romana Igreja, mas uma amostra muitas vezes triste e sombria do que acontece dentro dos muros leoninos. Já desde alguns anos, eu percebia, passando por Roma, a existência de uma parte boa de pessoas que trabalham no Vaticano, cansadas do excessivo clericalismo, da ganância, da hipocrisia, do carreirismo, do favoritismo legalizado reinantes dentro daqueles muros. E há tempo me falavam – a mim que valho tanto quanto o dois de espadas – da existência de documentos inconvenientes, documentos que contam os episódios mais impensados. Queriam torná-los conhecidos, não certamente para desencadear guerras santas entre alianças cardinalícias, mas para despertar uma Igreja esclerosada pelo sono da indiferença, pela garantia da impunidade, pelo culto do clericalismo autorreferencial. E, para isso, mais do que acusações e investigações, bastaria, em minha humílima opinião, um mea culpa, um mea culpa não proclamado talvez diante da mídia, mas vivenciado através de uma ação de governo, em todos os níveis, mais decidida e coerente com o Evangelho.


* * *

[1] Em Inglês: uma pessoa ou coisa que vaza; especificamente, uma pessoa que divulga segredos ou informações privadas.

[2] Monsenhor Georg Gänswein, sacerdote alemão e secretário pessoal do Papa Bento XVI. É conhecido pelos italianos como Padre Georg ou Bel Giorgio (Belo Jorge).

[3] Vulnus é um termo que, em latim, significa ferida, e do qual deriva o termo vulnerabilidade: vulnerável é tudo o que está exposto à possibilidade de ser ferido, violado, lesionado, golpeado, espancado, ofendido, cortado, danificado etc. Desse modo, vulnus parece remeter tanto à ação de ferir (a causa, o golpe infligido por quem tem o poder e a possibilidade de ofender), quanto ao estado do sujeito que a sofre (o efeito, a violação do corpo, da alma, dos afetos etc., uma vez que o significado se estende também aos aspectos psicológicos e emocionais).

[4] Refere-se a Dom Massimo Palombella, SDB, um sacerdote salesiano, músico, compositor e maestro que foi nomeado, em 16 de outubro de 2010, diretor do Coro da Capela Musical Pontifícia Sistina.

[5] O Pontifício Instituto de Música Sacra é um órgão da Cúria Romana, uma instituição acadêmica e científica localizada em Roma e ligada à Santa Sé. Desde 1995, o presidente é Valentino Miserachs Grau, que também é professor ordinário de Alta Composição, com anexa docência de Direção Polifônica e de Leitura da Partitura, no PIMS.

[6] Dino Boffo é um jornalista italiano, diretor do jornal Avvenire de 1994 a 2009, atualmente diretor de rede da TV2000 (da Conferência Episcopal Italiana). Em 2009, Boffo esteve envolvido em acusações de caráter sexual, que depois teriam sido desmentidas, inclusive em juízo.

[7] Conferência Episcopal Italiana.

[8] Osservatore Romano, o periódico semioficial da Santa Sé.

[9] Bruno Paolo Vespa é um jornalista, apresentador de televisão e escritor italiano. Desde 1996, comanda o programa Porta a Porta, da RAI. Teria enviado um cheque do banco Unicredit Banca di Roma de n. 3581597098-01 de 10.000 Euros. Vide.

[10] Vittorio Messori (1941), jornalista e escritor italiano que era ateu e se converteu ao catolicismo em 1964. Escreveu vários e polêmicos livros, entre os quais Ipotesi su Gesù (Hipótese sobre Jesus), uma pesquisa sobre as origens do Cristianismo, que foi publicada em 1976 (até 2007, o livro havia vendido um milhão e meio de cópias na Itália), e Rapporto sulla fede (Relatório sobre a Fé), pois, percebendo as mudanças trazidas à Igreja pelo Concílio Vaticano II, mudanças profundas e doutrinárias, entrevistou pela primeira vez na história o Prefeito do ex-Santo Ofício, o Cardeal Ratzinger.

18 maio, 2012

Vatileaks, novo capítulo.

France Presse – A publicação de uma série de cartas confidenciais do papa Bento 16 sobre temas como as intrigas do Vaticano e os escândalos sexuais do padre mexicano Macial Maciel, provocou desconforto na Itália diante de um vazamento de informações sem precedentes.

Um resumo do livro, que estará a venda no sábado em toda a Itália com o título “Sua Santidade, cartas secretas do Papa”, escrito por Gianluigi Nuzzi, autor do best-seller “Vaticano SA”, sobre as finanças da Santa Sé, foi publicado nesta sexta-feira pelo jornal “Il Corriere della Sera”.

Baseado em cartas confidenciais destinadas ao papa Bento 16 e ao seu secretário pessoal, Georg Gaenswein, o livro descreve manobras e confabulações dentro do Vaticano e inclui relatórios internos enviados para o Papa sobre políticos italianos como Silvio Berlusconi e o presidente da República Giorgio Napolitano.

Também relata os confrontos com a chanceler alemã Angela Merkel sobre aqueles que negam o Holocausto, e as confissões do secretário do fundador da Congregação Mexicana Legionários de Cristo, Marcial Maciel, acusado de abusar de crianças e de ter uma vida dupla com duas esposas e filhos.

Fontes

Nuzzi teve acesso, possivelmente através de funcionários da Secretaria de Estado, a centenas de documentos, incluindo alguns que levam o selo “Reservado”, que foram elaborados pelo mesmo secretariado.

Este é o maior vazamento de documentos na história recente do Vaticano, que até agora não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

Entre as informações vazadas, figuram diretrizes específicas para tratar de questões com o Estado italiano por ocasião da visita presidencial em 2009.

“Devemos evitar qualquer equivalência entre a família fundada sobre o matrimônio e outros tipos de uniões”, diz o texto.

Disputas

De acordo com trechos publicados pelo “Il Corriere della Sera” no suplemento especial “Sette”, o secretário do papa recebeu por fax todos os detalhes do chamado “escândalo Boffo”, a operação para desacreditar o editor do jornal “Avvenire”, jornal da “Conferência Episcopal italiana”, mediante acusações falsas de assédio homossexual e homossexualidade contra o jornalista Dino Boffo.

Tais cartas resumem o clima recente de guerra ocultada pelo poder dentro do governo central do Vaticano, a influente Cúria Romana, que minou a credibilidade da Igreja.

O nome do atual secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, mão direita do Papa e número dois da Santa Sé, está presente em muitos dos documentos e é afetado de forma negativa, sendo possível que o livro seja uma operação midiática para atacá-lo.

O jornal italiano “Libero” também publicou comentários sobre o livro. Nuzzi chegou a comentar sobre o difícil ano vivido com os “corvos” do Vaticano, que lhe passaram os documentos entre “silêncios, longas esperas e precauções maníacas”.

O jornalista confessou que não manteve mais contato com este “grupo informal” de informantes desde que o Papa nomeou uma comissão de inquérito, em março passado, para investigar os vazamentos, conhecidos como “Vatileaks”.

24 março, 2012

“Em Cuba, o papa irá ajudar no caminho rumo à democracia”. Entrevista com Tarcisio Bertone.

IHU – “Quando eu completei 75 anos, eu apresentei minha renúncia, e o papa me respondeu com uma carta convidando-me a continuar”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 22-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Eu não acho que a visita do papa será instrumentalizada pelo governo cubano”: ao contrário, ela ajudará no processo “rumo à democracia”. Às vésperas da partida de Bento XVI para o México e Cuba, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, em entrevista ao La Stampa fala da viagem, dos ventos de guerra que sopram sobre o Irã, das relações entre a Santa Sé e a China.

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