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1 julho, 2019

Brandmüller, o sínodo amazônico e o destino da Igreja.

Por Aldo Maria Valli, Duc in Altum, 29 de junho de 2019 | Tradução: Hélio Dias Viana, FratresInUnum.com – Queridos amigos do Duc in altum, voltemos a focalizar o próximo sínodo da Amazônia. Após ter publicado há alguns dias o discurso do professor Roberto de Mattei, tenho hoje o prazer de lhe oferecer uma carta que me foi enviada pelo professor José Antonio Ureta. Trata-se da acusação que o cardeal Walter Brandmüller fez ao documento preparatório da assembleia, cujo texto, segundo o cardeal alemão, “contradiz o ensinamento vinculante da Igreja em pontos decisivos e, portanto, deve ser qualificado como herético”. Não só isso. Uma vez que o documento questiona o próprio fato da revelação divina, na opinião de Brandmüller “também se deve falar, além disso, de apostasia”. O Instrumentum laboris, conclui o cardeal, “constitui um ataque aos fundamentos da fé, de uma maneira que não foi considerada possível até agora. E, portanto, deve ser rejeitado com a máxima firmeza”.

Comparado a todas as outras críticas ao sínodo e ao Instrumentum laboris, Ureta argumenta, o ataque do cardeal Brandmüller pode ser comparado a um golpe desferido pela Grande Berta, o supercanhão alemão usado na Primeira Guerra Mundial. Mas como responderão, se responderem, os paladinos do ecoindigenismo, que gozam de tantos créditos em Santa Marta e nos seus arredores?

Do professor Ureta, estudioso e conferencista chileno, lembremos o livro A “mudança de paradigma” do Papa Francisco. Continuidade ou ruptura na missão da Igreja? (Instituto Plinio Corrêa de Oliveira), análise inconformista dos primeiros cinco anos do pontificado de Bergoglio. (A.M.V.) 

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A Grande Berta do cardeal Brandmüller

Caro Dr. Valli, como o seu blog está se ocupando amplamente do sínodo sobre a Amazônia, gostaria de lhe transmitir algumas observações pessoais sobre a recente tomada de posição do cardeal Walter Brandmüller relativa ao Instrumentum laboris. Espero que elas lhe interessem e aos seus leitores.

Em um ato digno de El Cid Campeador, o cardeal Walter Brandmüller desceu à arena lançando um desafio aos organizadores do sínodo sobre a Amazônia e, indiretamente, ao Papa Francisco: acusou o Instrumentum laboris nada menos que de heresia e de apostasia.

Como nos espetáculos do passado, um grande estrépito se elevou nas galerias, e os rostos agora se voltam com olhares interrogativos para o palco, onde estão localizadas as autoridades que presidem a celebração: chamarão elas alguns heróis do alinhamento místico-eco-indígena para calçar a luva e defender a ortodoxia de suas intenções e do documento de trabalho anatematizado? Darão uma gargalhada, convidando-os a continuar a festa como se nada tivesse acontecido? Enviarão a guarda pretoriana para prender o audacioso que perturbou o programa?

Ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: o debate subiu a outro patamar.

Em relação ao primeiro documento preparatório e às declarações feitas à imprensa por este ou aquele prelado ou representante da rede Panamazônica (uma verdadeira Wehrmacht de agitação social e racial que opera na região), apareciam alguns artigos de maior ou menor importância para alertar a opinião pública sobre a ofensiva em curso. Até mesmo um site especializado no monitoramento do trabalho preparatório do sínodo (panamazonsynodwatch.org) acolheu aqueles artigos que pareciam mais interessantes em vários campos: inculturação, ambientalismo, teologia indiana, tribalismo indígena, e assim por diante. Mas tudo isso foi uma contraofensiva de infantaria com a ajuda de alguns morteiros.

Os bombardeios bem calibrados da Grande Berta do cardeal alemão, pelo contrário, abriram não uma, mas diversas e grandes brechas no muro da próxima Assembleia especial do sínodo dos bispos. Ei-las:

– Os participantes do Sínodo são convidados a tratar principalmente de questões temporais que têm uma relação apenas marginal com a Revelação e a missão da Igreja: desmatamento, impacto climático, extração mineral e biodiversidade. Isso não é senão uma forma inaceitável de “mundanismo” e “clericalismo”.

– Os participantes do Sínodo são convidados a louvar as religiões fetichistas e rituais de cura e a apresentar os índios que os praticam como modelo de relação com o cosmos e com Deus Pai-Mãe.

– Os participantes do sínodo são convidados a considerar a floresta amazônica como uma manifestação divina e a cantar o hino de adoração à natureza que entusiasmou os jovens nacional-socialistas, deixando-os embriagados com a perspectiva de renunciar à sua individualidade para se fundir no tudo (“pan”…teísmo).

– Os participantes do sínodo são convidados a alterar a estrutura hierárquica da Igreja e a canonizar a abolição do celibato e a introdução do sacerdócio feminino, começando pelas diaconisas.

Em uma palavra, os participantes do sínodo são convidados a transformar o Corpo Místico de Cristo em uma vulgar ONG laica e ecocomunista.

Como na parábola do Evangelho de Lucas, mas em sentido inverso, o cardeal Brandmüller, fiel administrador, se apresenta respeitosamente diante de seu rico patrão e o acusa: “Administrastes mal o depósito que vos foi confiado. Redde rationem villicationis tuæ” (cf. Lucas 16.2).

O cardeal não apresenta um dubium. Ele faz duas declarações de potência atômica: “O Instrumentum laboris contradiz o ensinamento vinculante da Igreja em pontos decisivos e, portanto, deve ser qualificado como herético. Dado que o próprio fato da revelação divina é aqui posto em discussão ou mal entendido, deve-se também falar, além disso, da apostasia”.

O Vaticano do Papa Francisco (ou algumas de suas forças auxiliares) possui algum guarda-chuva atômico para salvar o próximo sínodo?

Se nos próximos dias nenhum paladino se apresentar para calçar a luva do desafio, a Assembleia especial sobre a região pan-amazônica deverá iniciar-se com um atestado de óbito: a data da morte será no dia 27 de junho e levará a assinatura do cardeal Walter Brandmüller.

José Antonio Ureta

27 junho, 2019

Herético e apóstata. Cardeal Brandmüller excomunga o sínodo da Amazônia.

Por Sandro Magister, 27 de junho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – Desde que veio a público em 17 de junho, o documento base – ou “Instrumentum laboris” – do sínodo amazônico teve muitas reações críticas devido à anomalia de sua implantação e suas propostas, comparadas a todos os sínodos que o precederam. 

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Mas a partir de hoje tem mais. Quem está acusando o documento de heresias e apostasia é um cardeal, o alemão Walter Brandmüller, de 90 anos, historiador da Igreja, presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas de 1998 a 2009 e co-autor, em 2016, do famoso “dubia” sobre a interpretação e aplicação de “Amoris laetitia”, que o Papa Francisco sempre se recusou a responder.

Aqui está o seu “J’accuse”, tornado público hoje, dia 27 de junho, em todo o mundo e em vários idiomas.

Na Kath.net o texto original em alemão: “> Eine Kritik des “Instrumentum Laboris” für die Amazonas-Synode

Uma crítica ao “Instrumentum laboris” para o sínodo da Amazônia

de Walter Brandmüller

Introdução

De fato, pode causar espanto que, em contraste com as assembleias anteriores, desta vez o sínodo dos bispos se ocupe exclusivamente de uma região da terra cuja população é apenas a metade daquela da Cidade do México, ou seja, 4 milhões. Isto também causa suspeita no tocante às verdadeiras intenções que alguns gostariam de ver implementadas sub-repticiamente. Mas, acima de tudo, devemos nos perguntar quais são os conceitos de religião, de cristianismo e de Igreja que são a base do recém-publicado “Instrumentum laboris”. Tudo isso será examinado com o apoio de elementos individuais do texto.

Por que um sínodo nessa região?

Para começar, precisamos nos perguntar por que um sínodo de bispos deveria tratar de temas que — como é o caso de três quartos do “Instrumentum laboris” — têm só marginalmente algo relacionado com os Evangelhos e a Igreja. Obviamente, que a partir deste sínodo de bispos, realiza-se uma intromissão agressiva em assuntos puramente mundanos do Estado e da sociedade do Brasil. Há que se perguntar: o que a ecologia, a economia e a política têm a ver com o mandato e a missão da Igreja?

E acima de tudo: que competência profissional e autoridade tem um sínodo eclesial de bispos para emitir declarações nesses campos?

Se o sínodo dos bispos realmente o fizesse, isso constituiria uma invasão e uma presunção clerical, que as autoridades estatais teriam todo motivos para repelir.

Sobre as religiões naturais e a inculturação

Há outro elemento a se levar em conta, que é encontrado em todo o “Instrumentum laboris”: vale dizer, a avaliação muito positiva das religiões naturais, incluindo práticas curativas indígenas e similares, bem como práticas e formas de cultos mítico-religiosos. No contexto do chamado à harmonia com a natureza, fala-se até de diálogo com os espíritos (nº 75).

Não é apenas o ideal do “bom selvagem” esboçado por Rousseau e pelo Iluminismo, que aqui é comparado com o decadente homem europeu. Essa linha de pensamento vai além, até o século XX, culminando com uma idolatria panteísta da natureza.

Hermann Claudius (1913) criou o hino do movimento operário socialista: “Quando andamos lado a lado …”, e numa estrofe se lê: “Verde das bétulas e verde das sementes, que a velha Mãe Terra semeia com as mãos cheias, com um gesto de súplica para que o homem se torne seu … “. Vale notar que este texto foi posteriormente copiado no livro de cânticos da Juventude Hitlerista, provavelmente porque correspondia ao mito do “sangue e solo” nacional-socialista. Esta proximidade ideológica deve ser enfatizada: esta rejeição anti-racional da cultura “ocidental” que sublinha a importância da razão, é típica do “Instrumentum laboris”, que fala respectivamente da “Mãe Terra” no n. 44 e do “grito da terra e dos pobres” no n.101.

Consequentemente, o território – isto é, as florestas da região amazônica – pasmem, vem até declarado como um “locus theologicus”, uma fonte especial de revelação divina. Nela haveria lugares de uma epifania em que se manifestam as reservas de vida e sabedoria do planeta e que falam de Deus (nº 19). Além disso, a conseqüente regressão do Logos ao Mythos é elevada a um critério do que o “Instrumentum laboris” chama de inculturação da Igreja. O resultado é uma religião natural com uma máscara cristã.

A noção de inculturação é aqui virtualmente distorcida, pois na verdade significa o oposto do que a Comissão Teológica Internacional havia apresentado em 1988 e diferente do que havia ensinado anteriormente o decreto “Ad Gentes” do Concílio Vaticano II, sobre a atividade missionária da Igreja. 

Sobre a abolição do celibato e a introdução de uma sacerdócio feminino

É impossível esconder o fato de que esse “sínodo” visa particularmente implementar dois dos projetos mais ambicionados e que nunca foram implementados até agora: a abolição do celibato e a introdução de um sacerdócio feminino, a começar por mulheres diáconas. Em todo caso, trata-se de “levar em conta o papel central que as mulheres desempenham hoje na Igreja da Amazônia” (nº 129 a3). E da mesma forma, é uma questão de “abrir novos espaços para se recriar os ministérios adequados a este momento histórico. Chegou a hora de ouvir a voz da Amazônia … “(n. 43).

Mas aqui se omite o fato de que, conclusivamente, até mesmo João Paulo II já havia afirmado, com a mais alta autoridade magisterial, que não está no poder da Igreja administrar o sacramento da ordem às mulheres. De fato, em dois mil anos, a Igreja nunca administrou o sacramento da ordem a uma mulher. O pedido que se coloca em oposição direta a este fato mostra que a palavra “Igreja” é agora usada exclusivamente como termo sociológico pelos autores do “Instrumentum laboris”, implicitamente negando o caráter sacramental-hierárquico da Igreja.

Sobre a negação do caráter hierárquico-sacramental da Igreja

De maneira semelhante – embora com expressões bastante passageiras – o n. 127 contém um ataque direto à constituição hierárquico-sacramental da Igreja, quando se pergunta se não seria oportuno “reconsiderar a idéia de que o exercício da jurisdição (poder do governo) deve estar conectado em todas as áreas (sacramental, judicial, administrativo) e de maneira permanente ao sacramento da ordem”. É a partir dessa visão tão errada que surge no n. 129, o pedido para se criar novos ofícios que correspondam às necessidades dos povos amazônicos.

Todavia, é no campo da liturgia e do culto, no qual a ideologia de uma inculturação falsamente entendida encontra sua expressão de maneira particularmente espetacular. Aqui, algumas formas das religiões naturais são assumidas positivamente. O “Instrumentum laboris” (n. 126) não se retrai em  pedir que “os povos pobres e simples” possam expressar “a sua (!) Fé através de imagens, símbolos, tradições, ritos e outros sacramentos (!!)” .

Isto certamente não corresponde aos preceitos da constituição “Sacrosanctum Concilium” e nem aos do decreto “Ad gentes” sobre a atividade missionária da Igreja, e mostra uma compreensão puramente horizontal da liturgia.

Conclusão

“Summa summarum”: o “Instrumentum laboris” faz pesar sobre o sínodo dos bispos e, definitivamente, sobre o próprio papa uma violação grave do “Depositum Fidei”, que significa como consequência, a autodestruição da Igreja ou a transformação do “Corpus Christi Mysticum” em uma espécie de ONG secular com um papel ecológico-social-psicológico.

Depois dessas observações, naturalmente, abrem-se outras questões: pode-se encontrar aqui, especialmente no que diz respeito à estrutura hierárquica sacramental da Igreja, uma ruptura decisiva com a Tradição Apostólica como constitutiva da Igreja, ou melhor, os autores têm noção do desenvolvimento da doutrina que está sendo teologicamente substituído, a fim de justificar as rupturas acima mencionadas?

Este parece ser realmente o caso. Estamos testemunhando uma nova forma do Modernismo clássico do início do século XX. Na época, deu-se início a uma abordagem decididamente evolucionista e depois foi apoiada a idéia de que, no curso do contínuo desenvolvimento do homem a níveis mais elevados, seriam encontrados igualmente níveis mais elevados de consciência e cultura, o que significaria que o que era falso ontem poderia ser verdade hoje. Essa dinâmica evolutiva também foi aplicada à religião, isto é, à consciência religiosa com suas manifestações na doutrina, no culto e, naturalmente, também na moralidade.

Mas aqui, então, pressupõe-se uma compreensão do desenvolvimento do dogma que é claramente oposto ao entendimento católico genuíno. Este último compreende o desenvolvimento do dogma e da Igreja não como uma mudança, mas sim como um desenvolvimento orgânico de um assunto que permanece fiel à sua identidade.

É isso que os Concílios Vaticano I e II nos ensinam em suas constituições “Dei Filius”, “Lumen Gentium” e “Dei Verbum”.

Portanto, deve ser dito hoje com força que o “Instrumentum laboris” contradiz o ensinamento vinculante da Igreja em pontos decisivos e, portanto, deve ser qualificado como um documento herético. Dado que mesmo o fato da revelação divina é aqui questionado, ou mal entendido, deve-se também falar, que além disso, é apóstata.

Isto é ainda mais justificado à luz do fato de que o “Instrumentum laboris” usa uma noção puramente imanentista da religião e considera a religião como o resultado e a forma de expressão da experiência espiritual pessoal do homem. O uso de palavras e noções cristãs não consegue esconder que elas são simplesmente usadas como palavras vazias, independentemente do seu significado original.

O “Instrumentum laboris” para o sínodo da Amazônia constitui um ataque aos fundamentos da fé, de uma forma que até hoje não foi considerado possível. E, portanto, deve ser rejeitado com a máxima firmeza.

20 fevereiro, 2019

Também o encontro sobre abusos cria sérios “dubia”. A carta aberta de dois cardeais.

Por Sandro Magister, 19 de fevereiro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com

Até um mês atrás, a dupla finalidade da reunião que, de 21 a 24 de fevereiro, congregará em torno do Papa os chefes da hierarquia católica mundial, era a “proteção de menores e adultos vulneráveis”, como escreveu Francisco, na “carta ao povo de Deus” publicada em 20 de agosto.

CupichProva disso era a edição de “L’Osservatore Romano” de 11 de janeiro, que, ao fim da primeira página de Andrea Tornielli, diretor editorial de todos os meios de comunicação vaticanos e porta-voz do Papa, deixava clara a dupla finalidade, inclusive no título:

> Incontro tra Pastori…

No entanto, mais tarde os “adultos vulneráveis” desapareceram da agenda oficial do encontro. E, com eles, a questão dos abusos homossexuais contra jovens, muitos jovens, apesar de eles constituírem, estatisticamente, a maior parte dos abusos cometidos pelo clero.

Na concorrida coletiva de imprensa de 18 de fevereiro, na qual se apresentava a reunião (foto), o Cardeal Blase Cupich, número um da comissão organizadora, insistiu, pelo contrário, em negar que a prática homossexual seja a causa dos abusos, apesar de ter dito que a diminuição dos delitos nos últimos anos, nos Estados Unidos, se deu também por conta da investigação detalhada de aspirantes ao sacerdócio, excluindo os que eram de “risco”.

É fato que se proibiu não só a questão da homossexualidade no clero, mas também a própria palavra “homossexualidade”, que não aparece no relatório de informação sobre o encontro colocado à disposição de todos os meios de comunicação do mundo:

> Incontro: La protezione dei minori nella Chiesa. Vaticano, 21-24 febbraio 2019

A eliminação da questão da homossexualidade da agenda do encontro é claramente fruto de uma decisão do Papa Francisco, na qual não escondeu estar mais convencido que não se trata de abusos sexuais, mas de abuso de poder; não de pessoas individuais, mas de uma casta, a casta clerical.

Mas, muitos na Igreja duvidam que tudo deva se reduzir ao “clericalismo”.

Não é a primeira vez que Francisco cria “dubia” na doutrina, na moral e na praxis. Continuam sendo memoráveis o que denunciaram quatro cardeais depois da publicação de “Amoris Laetitia”, ao que o Papa nunca deu resposta.

E agora, novamente, dois desses cardeais, o alemão Walter Brandmüller e o americano Raymond Leo Burke, acreditaram ser seu dever vir à luz pública com a carta aberta que publicamos a seguir, dirigida aos bispos que participarão do encontro sobre a “proteção dos menores”.

Eles fazem um chamamento urgente a não permanecer calados diante de outra “chaga [que é] a agenda homossexual”, que invadiu a Igreja e que, na sua opinião, é um abandono da “verdade do Evangelho” e, consequentemente, também está na original da crise de fé atual.

Na reunião dos próximos dias, comprovar-se-á em que medida será escutado este apelo.

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CARTA ABERTA AOS PRESIDENTES DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS

Tradução: Dubia

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós!

O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está a ir a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos “dubia” que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses “dubia” não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller

Raymond Leo Card. Burke

 

 

28 dezembro, 2016

Francisco segundo Der Spiegel: “Não excluí a hipótese de que eu seja lembrado como o Papa que, na história da Igreja Católica, a dividiu”.

Cardeal Brandmüller, um dos signatários do dubia: “Quem quer que que considere compatíveis o adultério e a recepção dos Sagrados Mistérios é um herege e dirige-se a um cisma certo”.

Por Walter Mayr – Der SpiegelRoma, 23 de Dezembro de 2016 | Tradução: Georges-François Sassine – FratresInUnum.comO Salmo 118 ressoa como um gracejo carregado. “Este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos“, diz solenemente o Cardeal Decano Angelo Sodano, a partir da leitura daquele livro do Antigo Testamento, e olha com expectativa para o Papa. Já este, olha para o espaço.

É a última manhã de sábado na Capela Paulina do Vaticano, pouco depois das oito horas. Meia centena cardeais residentes em Roma, vestidos com seus paramentos e solidéus púrpuras, alinham suas perspectivas para honrarem uma devoção comum com o Papa, pela ocasião de seu 80º aniversário.

Como se sentam os dignatários presentes, os quais contemplam o afresco de Michelangelo sobre a Crucificação de São Pedro, e o poderoso homem situado à esquerda do altar, a distância é quase palpável. “Tenha a certeza de que permanecemos próximos”, reafirma o Cardeal Decano para Francisco. Mas a expressão soa estranhamente vazia.

spiegel

A poucos metros da Capela Paulina, acima da sacristia de São Pedro, resiste, entretanto, um idoso prelado alemão: Walter Brandmüller se desculpou por seu estado de fragilidade e felicitou o Papa por meio de carta. É a segunda carta enviada a Francisco pelo cardeal alemão, de 87 anos de idade.

A primeira carta foi nada menos que aquela assinada por Brandmüller e três colegas cardeais – o alemão Joachim Meisner, o americano Raymond Burke e o italiano Carlo Caffara – exigindo do Papa a resposta sem ambiguidade a cinco “dubia” – dúvidas sobre a exortação apostólica “Amoris Laetitia”. Entende-se, segundo os autores, que somente desta maneira podem ser tratadas e dissipadas a “desorientação grave e grande confusão” causadas pela exortação apostólica entre os fiéis.

A carta dirigida ao Pontífice teve caráter pessoal e foi posta em cópia apenas para a Congregação realmente competente, liderada pelo também alemão Gerhard Ludwig Müller, e mostra onde a ala conservadora católica localiza a fonte de todos os problemas. O Papa Francisco respondeu à admissível, porém surpreendente, carta de seus irmãos na Fé com a máxima pena: ele ignorou a carta e se recusou a dar qualquer resposta.

“TRATA-SE DA QUESTÃO CENTRAL”

Notavelmente, em uma passagem do seu discurso de Natal dirigido à Cúria na última 5ª feira, Francisco demonstrou sua percepção de que ele se vê em via de ser atingido. Ele falou de “maliciosas formas de resistência”, as quais almejam apenas suscitar culpas sobre ele, debaixo da pretensão de luta pela manutenção da Tradição, em conteúdo e forma de expressão.

O Papa está cozinhando [de raiva]“, diz o vaticanista Edward Pentin, o qual conduz suas fontes desde a Casa Santa Marta onde Francisco mora. O centro da disputa é uma nota de rodapé à questão de saber se os divorciados recasados devem ou não ser admitidos à Sagrada Comunhão. Em verdade, porém, diz cardeal Walter Brandmüller desde seu apartamento, perto da Basílica de São Pedro “Neste ponto, falando coloquialmente sobre a questão central: se há uma decisão significativa, o assunto e a decisão tornam-se matéria séria – sabidamente o núcleo do todo, relativo à Doutrina da Fé“.

O Papa e o Cardeal Walter Kasper, que são teologicamente alinhados, tendem a enfraquecer preceitos centrais da fé católica e a deixar questões de interpretação (responsabilidade de bispos e padres) relegadas meramente ao cotidiano local de cada caso. Isso ataca diretamente as bases da Igreja Universal: “Quem quer que que considere compatíveis o adultério e a recepção dos Sagrados Mistérios é um herege e dirige-se a um cisma certo”. As Escrituras, de acordo com o Cardeal Brandmüller, não é uma loja self-service: “De acordo com São Paulo Apóstolo, somos participantes dos Divinos Mistérios, mas não podemos assumir a participação como um direito incondicionalmente à disposição.

“CAOS PURO”

A primeira impressão: alguns teimosos e idosos cardeais entram novamente em disputa contra um papa incansavelmente reformista. Mas, desta vez, parece que há mais em jogo. Francisco encontra-se cada vez mais solitário, desmoralizado pela resistência na Cúria e pela falta de coragem para que mudanças estruturais sejam efetuadas. “Bergoglio, escolhido em 2013, já não é reconhecido por muitos na pessoa de Francisco”, diz um confidente do Papa.

O Ano Santo da Misericórdia tem sido palco de “um tema que cobre tudo, ao mesmo tempo que deixa tudo em aberto”. Este mesmo ano tem observado um número de fiéis muito abaixo das expectativas. Além disso, a reestruturação da Cúria se mostra hesitante na sua realização, “puro caos, segundo relatado de gabinetes individuais”. E a loquacidade ininterrupta do Papa prepara problemas adicionais: que ele impute à mídia e seu público uma “tendência para coprofagia” (a ingestão de excrementos), o que deve aliená-lo de seus adjuntos mais próximos.

No entanto, o pontífice argentino luta pelo seu legado. Às cinco da manhã, a luz dele está acesa em Santa Marta, enquanto nos demais nos apartamentos dos veneráveis prevalece o silêncio e só pode ser ouvido o barulho de gaivotas sobre a praça de São Pedro. Entretanto, tempo é algo que Francisco já não dispõe de muito. Seu prazo de pontificado, de quatro ou cinco anos segundo ele mesmo prescreveu-se, deve expirar em breve.

Os críticos do Papa, dentro e fora dos muros do Vaticano, no entanto, ainda podem ser surpreendidos. No círculo menor, Francisco é mencionado por ter autocrítica, tendo já declarado: “Não excluí a hipótese de que eu seja lembrado como o Papa que, na história da Igreja Católica, a dividiu”.

5 outubro, 2014

O verdadeiro trabalho pastoral nunca contradiz a doutrina, enfatiza Cardeal.

Roma, Itália, 5 de outubro de 2014 – 05:17 am (CNA/EWTN News) | Tradução: Fratres in Unum.com – Enquanto os bispos de todo o mundo se preparam para discutir soluções pastorais para vários desafios em torno da família, o Cardeal alemão Walter Brandmüller explicou que essas soluções não podem ser contrárias ao ensinamento da Igreja.

“Em nenhuma hipótese pode o trabalho pastoral estar em contradição com a doutrina. As ações da Igreja precisam — se querem ser católicas — corresponder com a fé e o dogma”, enfatizou em entrevista à CNA.

O Cardeal Brandmüller é um dos cinco cardeais que contribuiram para o livro “Permanecendo na Verdade de Cristo: Matrimônio e Comunhão na Igreja Católica”.

O lançamento do livro, que explica o ensinamento da Igreja sobre o casamento e a família, ocorrem bem antes do Sínodo dos Bispos que se realizará em Roma, de 5 a 19 de outubro.

Dom Brandmüller, que é presidente emérito do Pontifício Comitê para as Ciências Históricas, explicou que o sínodo buscará abordar a ampla situação global do casamento e da família, e deve fazê-lo em conformidade com o ensinamento da Igreja.

“O questionário feito como preparação ao Sínodo para mostrar como o casamento e a família são vistos hoje, mostra bem como a Igreja, nos últimos 50 anos, não foi bem sucedida ao transmitir o seu ensinamento aos fiéis”, comentou. “A falta de conhecimento sobre em que consistem o matrimônio sacramental e a família cristã é alarmante”.

“A principal tarefa do sínodo é iniciar uma nova onda de evangelização, especialmente a respeito desses temas”.

A cobertura da mídia [Nota do Fratres: eis aqui um dos pontos nevrálgicos da abordagem da mídia católica “politicamente correta”: o problema é causado, segundo eles, pela ênfase dada pela mídia secular. Ora, mas quem apresentou um discurso bombástico no último Consistório: a France Press ou o Cardeal Kasper? Quem está perpetrando todo tipo de manobra para dar seu “golpe de estado” no Sínodo: Baldisseri ou a EFE? E quem louvou publicamente Kasper em seu primeiro Angelus e, mais tarde, elogiou, diante dos Cardeal atônitos, o mesmo Kasper e seu discurso pró comunhão aos divorciados-recasados, chamando-o de “teologia de joelhos”: Francisco ou a CNN? Ora, senhores…] às vésperas do sínodo tem focado principalmente a questão dos católicos divorciados e recasados civilmente, após o Cardeal Kasper sugerir, em um discurso de fevereiro, mudanças a fim de que tais pessoas podem receber a Comunhão.

No entanto, o Cardeal Brandmüller insistiu que a questão da Comunhão para católicos divorciados e recasados, na realidade, diz respeito a pouquíssimos, quando se leva em conta que apenas cerca de 10% dos católicos batizados vão à Missa.

“Todavia, é um assunto crucial para a Igreja e não podem ser facilmente ignorado”.

A respeito das propostas feitas pelo Cardeal Kasper, nas últimas semanas, acerca da Comunhão para católicos civilmente divorciados e recasados, Dom Brandmüller afirma: “Toda solução deve ser checada quanto à sua compatibilidade com o ensinamento da Igreja Católica”.

“Isso significa muito simplesmente: se há um casamento entre um homem e uma mulher, batizados cristãos, válido e consumado, é indissolúvel. Apenas a morte pode separá-los”.

Qualquer atuação pastoral para com esses indivíduos deve estar em sintonia com esse ensinamento imutável da Igreja, retirado das próprias palavras de Cristo.

O Cardeal expressou seu desejo para o sínodo: “que os fiéis católicos possam aprofundar sua fé e sua vida sacramental após as conclusões do sínodo serem colocadas em prática”.

“Temos de nos lembrar que este futuro sínodo é extraordinário, que ainda não poderá formular quaisquer conclusões. Apenas o sínodo ordinário do ano que vem pode fazê-lo. Será importante acompanhar as discussões e diálogos que ocorrem entre esses dois sínodos, e que conteúdo, realmente, será apresentado no documento de encerramento pós-sinodal”.

28 março, 2014

É a Doutrina ou o Caos.

O Cardeal Walter Brandmüller (nomeado por Bento XVI) contra a desordem causada pela “falta de clareza no ensino da doutrina católica.” Doutrina da fé e praxis pastoral podem ser distintos, sim, mas não separados”

Cardeal Walter Brandmüller

Cardeal Walter Brandmüller

Por Matteo Matzuzzi, Il Foglio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – “É claro que a falta de clareza sobre a verdadeira Doutrina Católica por parte dos Bispos, pregadores, catequistas, e especialmente dos professores de teologia moral é a principal causa do caos atual em que nos encontramos”. Numa conversa com o Diário Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller, um eminente historiador da Igreja medieval e moderna e por muitos anos presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, falou no debate sobre o casamento e a família que será o tema dos dois sínodos agendados para outubro próximo e o próximo ano. Um “caos” alimentado mesmo por aqueles que nas fileiras do episcopado mundial andam dizendo que o ensinamento da Igreja Católica em termos de moralidade não é mais adaptado aos tempos e, assim, vão criando confusão entre os fiéis que ainda frequentam mais ou menos as missas dominicais e confessionais. É o caso, por exemplo, do jovem Bispo de Treviri, Mons. Stephan Ackermann. “Mas o que isso significa?” Questiona perplexo o Cardeal Brandmüller: “A afirmação do excelentíssimo Bispo de Treviri levanta um questionamento e eu acho que é necessário fazer uma distinção. O prelado fala simplesmente de ‘ensinamento’ e ele poderia até ter alguma razão se estivesse se referindo ao modo de motivar, explicar e ensinar a Doutrina da Igreja. No entanto, ele está errado se quer dizer que a Doutrina da Igreja não é mais apropriada aos tempos. Com efeito, mudam as perguntas e as questões de acordo com as mudanças sócio-culturais, mas a resposta da Igreja em cada momento da história não pode tocar no Depósito da fé que foi estabelecido de uma vez por todas como válido”. Afinal, ele é “o tesouro do qual o bom pai de família tira coisas novas e velhas”. Para atender às altas expectativas “enraizadas entre aqueles fiéis” que defendem atualizações no ensino moral católico, o cardeal Walter Kasper propôs uma solução que reafirma a inviolabilidade da Doutrina, mas que ao mesmo tempo permita intervenções sobre a praxis pastoral. Doutrina e praxis em dois trilhos separados, portanto, um esquema que já foi criticado pelo prefeito do ex-Santo Ofício, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller e que não encontra aprovação nem por parte do nosso interlocutor.  Sim, “é necessário fazer a distinção entre a Doutrina da fé e a praxis pastoral. Distinguir sim, mas separar jamais”. Toda praxis pastoral, se quiser ser autêntica, tem que ser inspirada e regida pela a verdade da Fé. É verdade – cito ainda o estudo feito por Bento XVI 2010 – que a realidade sociológica da família não é mais a mesma dos nossos avós. Mas o que jamais poderá estar sujeito a mudança histórica é a própria natureza, a substância da família que nasce do matrimônio sacramental entre homem e mulher. A pastoral, diz ainda Brandmüller, deve responder às perguntas, explicar melhor essa realidade para garantir que possamos viver de modo autêntico no mundo de hoje. Dúvidas até mesmo sobre a corrente de pensamento segundo a qual a Igreja, no curso de sua história, sempre defendeu que, permanecendo firme o princípio una fides, há muitas maneiras de se vivê-la e experimentá-la: “É verdade, -afirma o presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas– existem muitas maneiras de se viver e experimentar a fé. Mas esses modos só podem ser considerados legítimos se não contradizem a Doutrina da Fé formulada pela Igreja. É sempre essencial a convergência entre a Doutrina e a vida. “O problema é a falta de clareza sobre o significado da Doutrina Católica”, o cardeal observou: “Em mais de vinte e cinco anos de trabalho pastoral – paralela à minha carreira universitária -, pois fui fui pároco de área rural, após o fatídico ano de 1968, eu não tive mais a necessidade de pronunciar até então a carta pastoral a respeito do ‘Sagrado Sacramento do Matrimônio’, como está prescrito para o segundo Domingo depois da Epifania”. Não era uma situação prevista, não era algo esperado e é o que torna mais emblemático para compreender a situação em que nos encontramos.”

6 novembro, 2012

Cardeal contra Cardeal.

Por Fratres in Unum.com | Com informações da agência Sir –   O Cardeal Kurt Koch, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, discursando na Reunião Plenária da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, realizada no Vaticano de 28 a 30 de outubro, enfatizou pela enésima vez que a Declaração Nostra Aetate “não está sequer minimamente colocada em discussão pelo Magistério da Igreja”.

Cardeal Brandmüller (à esquerda) e Cardeal Koch (à direita).

Cardeal Brandmüller (à esquerda) e Cardeal Koch (à direita).

A questão sempre volta à tona quando recrudescem os rumores sobre uma possível regularização canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Mas o Cardeal Koch ressalta: uma reaproximação “não significa que as posições de tal Fraternidade sejam aceitas ou apoiadas”.

E o purpurado vai além. Inclusive “por parte católica”, às vezes, ouvem-se vozes que afirmam que Nostra Aetate, por ser uma mera declaração, teria uma importância menor em relação aos outros documentos conciliares, não vinculando a consciência dos fiéis. A isto o Presidente para a Unidade dos Cristãos responde negativamente: “do ponto de vista do conteúdo” de todos os textos conciliares, “não se pode separar uns dos outros ou contrapô-los”, mas, antes, devem ser “lidos e considerados seriamente em sua interrelação”.

Um expoente da “parte católica” criticada pelo Cardeal Koch? Provavelmente o Cardeal Walter Brandmüller, a quem Koch parece querer rebater, pois apresenta a problemática nos mesmíssimos termos com que aquele purpurado abordou a questão na apresentação de seu livro sobre a interpretação do Vaticano II .

“O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais”, afirmou Nossa Senhora em Akita. Embora não seja um entrevero escancarado como o ocorrido entre os Cardeais Schönborn e Sodano, talvez seria oportuno, também para Koch e Brandmüller, uma reunião com Bento XVI a fim de afinar o discurso.

20 setembro, 2012

Orações pelo Cardeal Walter Brandmüller…

…que acaba de ser hospitalizado com um problema cardíaco.

O Cardeal (foto), de 83 anos, celebrou, em maio do ano passado, Missa Pontifical na Basílica de São Pedro e recentemente declarou que certos documentos do Concílio Vaticano II “não têm um conteúdo doutrinal vinculante“.

[Atualização – 20/09/2012, às 18:03] O pedido se estende ao famoso Padre Zezinho (71 anos), que também está internado após sofrer isquemia cerebral.

29 agosto, 2012

Cardeal Brandmüller: a Missa de Paulo VI não é a Missa do Concilio. A Sacrosanctum Concilium nunca foi realmente implementada.

De uma entrevista concedida pelo Cardeal Walter Brandmüller ao Vatican Insider e publicada hoje. A última resposta, sobre a revolução litúrgica que nunca deveria ter acontecido e que destruiu o desenvolvimento orgânico do culto sagrado, é particularmente relevante.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O Concílio Vaticano Segundo foi um Concílio Pastoral que também ofereceu explicações dogmáticas. Já houve algo semelhante anteriormente na história da Igreja?

Cardeal Walter Brandmüller.

Cardeal Walter Brandmüller.

[Brandmüller:] Parece, de fato, que o Vaticano II marcou o início de um novo tipo de Concílio. A linguagem utilizada no seu transcorrer e a totalidade dos textos mostram que os padres conciliares não estavam tão motivados pela necessidade de passar um julgamento sobre novas questões eclesiásticas e teológicas polêmicas, mas sim pelo desejo de voltar a atenção à opinião pública dentro da Igreja e todo o mundo, no espírito do anúncio.

O Concílio não deveria ser declarado um fracasso, já que após cinquenta anos os fiéis não o acolheram calorosamente? Bento XVI alertou contra uma interpretação errônea do Concílio, particularmente em termos de hermenêutica da [ruptura]…

[B:] Essa é uma daquelas questões clichês que remontam a um novo sentimento existencial; aquele sentimento de confusão, que é típico de nossos tempos. Porém, o que significa cinquenta anos, afinal de contas?! Retroceda o seu pensamento ao Concílio de Nicéia, em 325. As disputas ao redor do dogma deste Concílio – sobre a natureza do Filho, ou seja, se Ele é da mesma substância do Pai ou não – continuaram por mais de cem anos. Santo Ambrósio foi ordenado Bispo de Milão por ocasião do cinquentenário do Concílio de Nicéia e teve que lutar duro contra os arianos que se recusavam a aceitar as disposições nicenas. Pouco tempo mais tarde veio um novo Concílio: o Primeiro Concílio de Constantinopla de 381, que foi considerado necessário a fim de concluir a profissão de fé de Nicéia. Durante este Concílio, Santo Agostinho recebeu a tarefa de tratar de solicitações e refutar hereges até a sua morte, em 430. Francamente, mesmo o Concílio de Trento não foi muito frutuoso até o Jubileu de Ouro de 1596. Foi necessária uma nova geração de Bispos e prelados para amadurecer no “espírito do Concílio” antes que seu efeito pudesse efetivamente ser sentido. Precisamos nos conceder um pouco mais de espaço para respirarmos.

Agora falemos sobre os frutos que o Vaticano II produziu. O senhor pode comentar sobre isso?

[B:] Primeiramente, é claro, o “Catecismo da Igreja Católica” em comparação ao Catecismo Tridentino: após o Concílio de Trento, o Catecismo Romano foi lançado a fim de oferecer aos párocos, pregadores e etc. diretrizes sobre como pregar e anunciar o Evangelho ou evangelizar.

Mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 pode ser considerado uma consequência do Concílio. Preciso enfatizar que a forma da liturgia pós-conciliar com todas as suas distorções não é atribuível ao Concílio ou à Constituição sobre a Liturgia estabelecida durante o Vaticano II, que, a propósito, não foi efetivamente implementada mesmo hoje em dia. A retirada indiscriminada do Latim e do Canto Gregoriano das celebrações litúrgicas e a construção de inúmeros altares não foram absolutamente atos prescritos pelo Concílio.

Com o benefício de retrospectiva, voltemos nosso pensamento particularmente à falta de sensibilidade demonstrada em termos de cuidado pelos fiéis e na falta de cuidado pastoral demonstrado na forma litúrgica. Basta pensar dos excessos da Igreja, reminiscente da [crise iconoclasta] que ocorreu no século XVIII. Excessos que impulsionaram inúmeros fiéis ao caos total, deixando muitos andando no escuro.

Quase tudo foi dito sobre esse assunto. Nesse meio tempo, a liturgia chegou a ser vista como uma imagem em espelho da vida da Igreja, sujeita a uma evolução histórica orgânica que não pode – como sem dúvida ocorreu – ser repentinamente alterada pelo decreto par ordre de mufti. E ainda estamos pagando o preço hoje em dia. [Fonte, adaptado]

6 agosto, 2012

A obra luterana do Opus Dei.

Por Tradición Digital | Tradução: Fratres in Unum.com

A Grande Enciclopédia Rialp [GER] nos serve de fonte para encontrar um breve esquema sobre a autoridade dos concílios. Nomeadamente, no verbete “Concílio“, no ponto 2, dedicado à autoridade doutrinal dos concílios:

No âmbito das decisões doutrinais os concílios têm autoridade:

– segundo o grau em que conste;

a) Os concílios particulares têm, portanto, autoridade:

– na medida em que se integram ao conjunto do Magistério ordinário, participando assim da infabilidade de que esse conjunto goza;

– na medida em que estão em conformidade com a voz da Igreja universal, que ressoa através deles.

b) Os concílios ecumênicos:

se se limitam a propor uma doutrina, se remetem à hipótese anterior (tratada em a);

– se, todavia, a definem com toda sua autoridade, recebendo a confirmação do Romano Pontífice, gozam de infabilidade por si mesmos e são, enquanto tais, regra segura da verdade (caso dos concílios que emitem cânones definitórios).

Ou seja, um Concílio Ecumênico que não define nada e nem o Papa demonstra sua intenção de definir a doutrina expressa ao colocar nele a sua assinatura, simplesmente propõe uma doutrina. Neste caso, seu valor doutrinal é relativo ao conjunto do magistério precedente e à conformidade com a Tradição, dos quais receberia sua infalibidade. É o que expressa belamente essa enciclopédia com esta frase: “em conformidade com a voz da Igreja universal que ressoa através do mesmo”. Pelo que, é óbvio, se não houvesse tal conformidade não teria autoridade a esse respeito.

Ademais, consta que a autoridade dos concílios é variada e há de se fazer constar o grau da mesma para saber ao que se ater. A GER ressalta esta disparidade dos concílios que pode fazer variar em muito sua autoridade e os modos dela, de forma que é difícil sistematizar algo para todos os concílios.

Não duvidamos que nos próximos dias o Cardeal Koch — ou o próprio prefeito Müller, quando retornar das férias — publicará a condenação da Grande Enciclopédia Rialp por seu luteranismo, retirando-lhe as licenças que previamente lhe haviam concedido.