Posts tagged ‘Cardeal Walter Brandmüller’

28 dezembro, 2016

Francisco segundo Der Spiegel: “Não excluí a hipótese de que eu seja lembrado como o Papa que, na história da Igreja Católica, a dividiu”.

Cardeal Brandmüller, um dos signatários do dubia: “Quem quer que que considere compatíveis o adultério e a recepção dos Sagrados Mistérios é um herege e dirige-se a um cisma certo”.

Por Walter Mayr – Der SpiegelRoma, 23 de Dezembro de 2016 | Tradução: Georges-François Sassine – FratresInUnum.comO Salmo 118 ressoa como um gracejo carregado. “Este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos“, diz solenemente o Cardeal Decano Angelo Sodano, a partir da leitura daquele livro do Antigo Testamento, e olha com expectativa para o Papa. Já este, olha para o espaço.

É a última manhã de sábado na Capela Paulina do Vaticano, pouco depois das oito horas. Meia centena cardeais residentes em Roma, vestidos com seus paramentos e solidéus púrpuras, alinham suas perspectivas para honrarem uma devoção comum com o Papa, pela ocasião de seu 80º aniversário.

Como se sentam os dignatários presentes, os quais contemplam o afresco de Michelangelo sobre a Crucificação de São Pedro, e o poderoso homem situado à esquerda do altar, a distância é quase palpável. “Tenha a certeza de que permanecemos próximos”, reafirma o Cardeal Decano para Francisco. Mas a expressão soa estranhamente vazia.

spiegel

A poucos metros da Capela Paulina, acima da sacristia de São Pedro, resiste, entretanto, um idoso prelado alemão: Walter Brandmüller se desculpou por seu estado de fragilidade e felicitou o Papa por meio de carta. É a segunda carta enviada a Francisco pelo cardeal alemão, de 87 anos de idade.

A primeira carta foi nada menos que aquela assinada por Brandmüller e três colegas cardeais – o alemão Joachim Meisner, o americano Raymond Burke e o italiano Carlo Caffara – exigindo do Papa a resposta sem ambiguidade a cinco “dubia” – dúvidas sobre a exortação apostólica “Amoris Laetitia”. Entende-se, segundo os autores, que somente desta maneira podem ser tratadas e dissipadas a “desorientação grave e grande confusão” causadas pela exortação apostólica entre os fiéis.

A carta dirigida ao Pontífice teve caráter pessoal e foi posta em cópia apenas para a Congregação realmente competente, liderada pelo também alemão Gerhard Ludwig Müller, e mostra onde a ala conservadora católica localiza a fonte de todos os problemas. O Papa Francisco respondeu à admissível, porém surpreendente, carta de seus irmãos na Fé com a máxima pena: ele ignorou a carta e se recusou a dar qualquer resposta.

“TRATA-SE DA QUESTÃO CENTRAL”

Notavelmente, em uma passagem do seu discurso de Natal dirigido à Cúria na última 5ª feira, Francisco demonstrou sua percepção de que ele se vê em via de ser atingido. Ele falou de “maliciosas formas de resistência”, as quais almejam apenas suscitar culpas sobre ele, debaixo da pretensão de luta pela manutenção da Tradição, em conteúdo e forma de expressão.

O Papa está cozinhando [de raiva]“, diz o vaticanista Edward Pentin, o qual conduz suas fontes desde a Casa Santa Marta onde Francisco mora. O centro da disputa é uma nota de rodapé à questão de saber se os divorciados recasados devem ou não ser admitidos à Sagrada Comunhão. Em verdade, porém, diz cardeal Walter Brandmüller desde seu apartamento, perto da Basílica de São Pedro “Neste ponto, falando coloquialmente sobre a questão central: se há uma decisão significativa, o assunto e a decisão tornam-se matéria séria – sabidamente o núcleo do todo, relativo à Doutrina da Fé“.

O Papa e o Cardeal Walter Kasper, que são teologicamente alinhados, tendem a enfraquecer preceitos centrais da fé católica e a deixar questões de interpretação (responsabilidade de bispos e padres) relegadas meramente ao cotidiano local de cada caso. Isso ataca diretamente as bases da Igreja Universal: “Quem quer que que considere compatíveis o adultério e a recepção dos Sagrados Mistérios é um herege e dirige-se a um cisma certo”. As Escrituras, de acordo com o Cardeal Brandmüller, não é uma loja self-service: “De acordo com São Paulo Apóstolo, somos participantes dos Divinos Mistérios, mas não podemos assumir a participação como um direito incondicionalmente à disposição.

“CAOS PURO”

A primeira impressão: alguns teimosos e idosos cardeais entram novamente em disputa contra um papa incansavelmente reformista. Mas, desta vez, parece que há mais em jogo. Francisco encontra-se cada vez mais solitário, desmoralizado pela resistência na Cúria e pela falta de coragem para que mudanças estruturais sejam efetuadas. “Bergoglio, escolhido em 2013, já não é reconhecido por muitos na pessoa de Francisco”, diz um confidente do Papa.

O Ano Santo da Misericórdia tem sido palco de “um tema que cobre tudo, ao mesmo tempo que deixa tudo em aberto”. Este mesmo ano tem observado um número de fiéis muito abaixo das expectativas. Além disso, a reestruturação da Cúria se mostra hesitante na sua realização, “puro caos, segundo relatado de gabinetes individuais”. E a loquacidade ininterrupta do Papa prepara problemas adicionais: que ele impute à mídia e seu público uma “tendência para coprofagia” (a ingestão de excrementos), o que deve aliená-lo de seus adjuntos mais próximos.

No entanto, o pontífice argentino luta pelo seu legado. Às cinco da manhã, a luz dele está acesa em Santa Marta, enquanto nos demais nos apartamentos dos veneráveis prevalece o silêncio e só pode ser ouvido o barulho de gaivotas sobre a praça de São Pedro. Entretanto, tempo é algo que Francisco já não dispõe de muito. Seu prazo de pontificado, de quatro ou cinco anos segundo ele mesmo prescreveu-se, deve expirar em breve.

Os críticos do Papa, dentro e fora dos muros do Vaticano, no entanto, ainda podem ser surpreendidos. No círculo menor, Francisco é mencionado por ter autocrítica, tendo já declarado: “Não excluí a hipótese de que eu seja lembrado como o Papa que, na história da Igreja Católica, a dividiu”.

5 outubro, 2014

O verdadeiro trabalho pastoral nunca contradiz a doutrina, enfatiza Cardeal.

Roma, Itália, 5 de outubro de 2014 – 05:17 am (CNA/EWTN News) | Tradução: Fratres in Unum.com – Enquanto os bispos de todo o mundo se preparam para discutir soluções pastorais para vários desafios em torno da família, o Cardeal alemão Walter Brandmüller explicou que essas soluções não podem ser contrárias ao ensinamento da Igreja.

“Em nenhuma hipótese pode o trabalho pastoral estar em contradição com a doutrina. As ações da Igreja precisam — se querem ser católicas — corresponder com a fé e o dogma”, enfatizou em entrevista à CNA.

O Cardeal Brandmüller é um dos cinco cardeais que contribuiram para o livro “Permanecendo na Verdade de Cristo: Matrimônio e Comunhão na Igreja Católica”.

O lançamento do livro, que explica o ensinamento da Igreja sobre o casamento e a família, ocorrem bem antes do Sínodo dos Bispos que se realizará em Roma, de 5 a 19 de outubro.

Dom Brandmüller, que é presidente emérito do Pontifício Comitê para as Ciências Históricas, explicou que o sínodo buscará abordar a ampla situação global do casamento e da família, e deve fazê-lo em conformidade com o ensinamento da Igreja.

“O questionário feito como preparação ao Sínodo para mostrar como o casamento e a família são vistos hoje, mostra bem como a Igreja, nos últimos 50 anos, não foi bem sucedida ao transmitir o seu ensinamento aos fiéis”, comentou. “A falta de conhecimento sobre em que consistem o matrimônio sacramental e a família cristã é alarmante”.

“A principal tarefa do sínodo é iniciar uma nova onda de evangelização, especialmente a respeito desses temas”.

A cobertura da mídia [Nota do Fratres: eis aqui um dos pontos nevrálgicos da abordagem da mídia católica “politicamente correta”: o problema é causado, segundo eles, pela ênfase dada pela mídia secular. Ora, mas quem apresentou um discurso bombástico no último Consistório: a France Press ou o Cardeal Kasper? Quem está perpetrando todo tipo de manobra para dar seu “golpe de estado” no Sínodo: Baldisseri ou a EFE? E quem louvou publicamente Kasper em seu primeiro Angelus e, mais tarde, elogiou, diante dos Cardeal atônitos, o mesmo Kasper e seu discurso pró comunhão aos divorciados-recasados, chamando-o de “teologia de joelhos”: Francisco ou a CNN? Ora, senhores…] às vésperas do sínodo tem focado principalmente a questão dos católicos divorciados e recasados civilmente, após o Cardeal Kasper sugerir, em um discurso de fevereiro, mudanças a fim de que tais pessoas podem receber a Comunhão.

No entanto, o Cardeal Brandmüller insistiu que a questão da Comunhão para católicos divorciados e recasados, na realidade, diz respeito a pouquíssimos, quando se leva em conta que apenas cerca de 10% dos católicos batizados vão à Missa.

“Todavia, é um assunto crucial para a Igreja e não podem ser facilmente ignorado”.

A respeito das propostas feitas pelo Cardeal Kasper, nas últimas semanas, acerca da Comunhão para católicos civilmente divorciados e recasados, Dom Brandmüller afirma: “Toda solução deve ser checada quanto à sua compatibilidade com o ensinamento da Igreja Católica”.

“Isso significa muito simplesmente: se há um casamento entre um homem e uma mulher, batizados cristãos, válido e consumado, é indissolúvel. Apenas a morte pode separá-los”.

Qualquer atuação pastoral para com esses indivíduos deve estar em sintonia com esse ensinamento imutável da Igreja, retirado das próprias palavras de Cristo.

O Cardeal expressou seu desejo para o sínodo: “que os fiéis católicos possam aprofundar sua fé e sua vida sacramental após as conclusões do sínodo serem colocadas em prática”.

“Temos de nos lembrar que este futuro sínodo é extraordinário, que ainda não poderá formular quaisquer conclusões. Apenas o sínodo ordinário do ano que vem pode fazê-lo. Será importante acompanhar as discussões e diálogos que ocorrem entre esses dois sínodos, e que conteúdo, realmente, será apresentado no documento de encerramento pós-sinodal”.

28 março, 2014

É a Doutrina ou o Caos.

O Cardeal Walter Brandmüller (nomeado por Bento XVI) contra a desordem causada pela “falta de clareza no ensino da doutrina católica.” Doutrina da fé e praxis pastoral podem ser distintos, sim, mas não separados”

Cardeal Walter Brandmüller

Cardeal Walter Brandmüller

Por Matteo Matzuzzi, Il Foglio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – “É claro que a falta de clareza sobre a verdadeira Doutrina Católica por parte dos Bispos, pregadores, catequistas, e especialmente dos professores de teologia moral é a principal causa do caos atual em que nos encontramos”. Numa conversa com o Diário Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller, um eminente historiador da Igreja medieval e moderna e por muitos anos presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, falou no debate sobre o casamento e a família que será o tema dos dois sínodos agendados para outubro próximo e o próximo ano. Um “caos” alimentado mesmo por aqueles que nas fileiras do episcopado mundial andam dizendo que o ensinamento da Igreja Católica em termos de moralidade não é mais adaptado aos tempos e, assim, vão criando confusão entre os fiéis que ainda frequentam mais ou menos as missas dominicais e confessionais. É o caso, por exemplo, do jovem Bispo de Treviri, Mons. Stephan Ackermann. “Mas o que isso significa?” Questiona perplexo o Cardeal Brandmüller: “A afirmação do excelentíssimo Bispo de Treviri levanta um questionamento e eu acho que é necessário fazer uma distinção. O prelado fala simplesmente de ‘ensinamento’ e ele poderia até ter alguma razão se estivesse se referindo ao modo de motivar, explicar e ensinar a Doutrina da Igreja. No entanto, ele está errado se quer dizer que a Doutrina da Igreja não é mais apropriada aos tempos. Com efeito, mudam as perguntas e as questões de acordo com as mudanças sócio-culturais, mas a resposta da Igreja em cada momento da história não pode tocar no Depósito da fé que foi estabelecido de uma vez por todas como válido”. Afinal, ele é “o tesouro do qual o bom pai de família tira coisas novas e velhas”. Para atender às altas expectativas “enraizadas entre aqueles fiéis” que defendem atualizações no ensino moral católico, o cardeal Walter Kasper propôs uma solução que reafirma a inviolabilidade da Doutrina, mas que ao mesmo tempo permita intervenções sobre a praxis pastoral. Doutrina e praxis em dois trilhos separados, portanto, um esquema que já foi criticado pelo prefeito do ex-Santo Ofício, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller e que não encontra aprovação nem por parte do nosso interlocutor.  Sim, “é necessário fazer a distinção entre a Doutrina da fé e a praxis pastoral. Distinguir sim, mas separar jamais”. Toda praxis pastoral, se quiser ser autêntica, tem que ser inspirada e regida pela a verdade da Fé. É verdade – cito ainda o estudo feito por Bento XVI 2010 – que a realidade sociológica da família não é mais a mesma dos nossos avós. Mas o que jamais poderá estar sujeito a mudança histórica é a própria natureza, a substância da família que nasce do matrimônio sacramental entre homem e mulher. A pastoral, diz ainda Brandmüller, deve responder às perguntas, explicar melhor essa realidade para garantir que possamos viver de modo autêntico no mundo de hoje. Dúvidas até mesmo sobre a corrente de pensamento segundo a qual a Igreja, no curso de sua história, sempre defendeu que, permanecendo firme o princípio una fides, há muitas maneiras de se vivê-la e experimentá-la: “É verdade, -afirma o presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas– existem muitas maneiras de se viver e experimentar a fé. Mas esses modos só podem ser considerados legítimos se não contradizem a Doutrina da Fé formulada pela Igreja. É sempre essencial a convergência entre a Doutrina e a vida. “O problema é a falta de clareza sobre o significado da Doutrina Católica”, o cardeal observou: “Em mais de vinte e cinco anos de trabalho pastoral – paralela à minha carreira universitária -, pois fui fui pároco de área rural, após o fatídico ano de 1968, eu não tive mais a necessidade de pronunciar até então a carta pastoral a respeito do ‘Sagrado Sacramento do Matrimônio’, como está prescrito para o segundo Domingo depois da Epifania”. Não era uma situação prevista, não era algo esperado e é o que torna mais emblemático para compreender a situação em que nos encontramos.”

6 novembro, 2012

Cardeal contra Cardeal.

Por Fratres in Unum.com | Com informações da agência Sir –   O Cardeal Kurt Koch, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, discursando na Reunião Plenária da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, realizada no Vaticano de 28 a 30 de outubro, enfatizou pela enésima vez que a Declaração Nostra Aetate “não está sequer minimamente colocada em discussão pelo Magistério da Igreja”.

Cardeal Brandmüller (à esquerda) e Cardeal Koch (à direita).

Cardeal Brandmüller (à esquerda) e Cardeal Koch (à direita).

A questão sempre volta à tona quando recrudescem os rumores sobre uma possível regularização canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Mas o Cardeal Koch ressalta: uma reaproximação “não significa que as posições de tal Fraternidade sejam aceitas ou apoiadas”.

E o purpurado vai além. Inclusive “por parte católica”, às vezes, ouvem-se vozes que afirmam que Nostra Aetate, por ser uma mera declaração, teria uma importância menor em relação aos outros documentos conciliares, não vinculando a consciência dos fiéis. A isto o Presidente para a Unidade dos Cristãos responde negativamente: “do ponto de vista do conteúdo” de todos os textos conciliares, “não se pode separar uns dos outros ou contrapô-los”, mas, antes, devem ser “lidos e considerados seriamente em sua interrelação”.

Um expoente da “parte católica” criticada pelo Cardeal Koch? Provavelmente o Cardeal Walter Brandmüller, a quem Koch parece querer rebater, pois apresenta a problemática nos mesmíssimos termos com que aquele purpurado abordou a questão na apresentação de seu livro sobre a interpretação do Vaticano II .

“O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais”, afirmou Nossa Senhora em Akita. Embora não seja um entrevero escancarado como o ocorrido entre os Cardeais Schönborn e Sodano, talvez seria oportuno, também para Koch e Brandmüller, uma reunião com Bento XVI a fim de afinar o discurso.

20 setembro, 2012

Orações pelo Cardeal Walter Brandmüller…

…que acaba de ser hospitalizado com um problema cardíaco.

O Cardeal (foto), de 83 anos, celebrou, em maio do ano passado, Missa Pontifical na Basílica de São Pedro e recentemente declarou que certos documentos do Concílio Vaticano II “não têm um conteúdo doutrinal vinculante“.

[Atualização – 20/09/2012, às 18:03] O pedido se estende ao famoso Padre Zezinho (71 anos), que também está internado após sofrer isquemia cerebral.

29 agosto, 2012

Cardeal Brandmüller: a Missa de Paulo VI não é a Missa do Concilio. A Sacrosanctum Concilium nunca foi realmente implementada.

De uma entrevista concedida pelo Cardeal Walter Brandmüller ao Vatican Insider e publicada hoje. A última resposta, sobre a revolução litúrgica que nunca deveria ter acontecido e que destruiu o desenvolvimento orgânico do culto sagrado, é particularmente relevante.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O Concílio Vaticano Segundo foi um Concílio Pastoral que também ofereceu explicações dogmáticas. Já houve algo semelhante anteriormente na história da Igreja?

Cardeal Walter Brandmüller.

Cardeal Walter Brandmüller.

[Brandmüller:] Parece, de fato, que o Vaticano II marcou o início de um novo tipo de Concílio. A linguagem utilizada no seu transcorrer e a totalidade dos textos mostram que os padres conciliares não estavam tão motivados pela necessidade de passar um julgamento sobre novas questões eclesiásticas e teológicas polêmicas, mas sim pelo desejo de voltar a atenção à opinião pública dentro da Igreja e todo o mundo, no espírito do anúncio.

O Concílio não deveria ser declarado um fracasso, já que após cinquenta anos os fiéis não o acolheram calorosamente? Bento XVI alertou contra uma interpretação errônea do Concílio, particularmente em termos de hermenêutica da [ruptura]…

[B:] Essa é uma daquelas questões clichês que remontam a um novo sentimento existencial; aquele sentimento de confusão, que é típico de nossos tempos. Porém, o que significa cinquenta anos, afinal de contas?! Retroceda o seu pensamento ao Concílio de Nicéia, em 325. As disputas ao redor do dogma deste Concílio – sobre a natureza do Filho, ou seja, se Ele é da mesma substância do Pai ou não – continuaram por mais de cem anos. Santo Ambrósio foi ordenado Bispo de Milão por ocasião do cinquentenário do Concílio de Nicéia e teve que lutar duro contra os arianos que se recusavam a aceitar as disposições nicenas. Pouco tempo mais tarde veio um novo Concílio: o Primeiro Concílio de Constantinopla de 381, que foi considerado necessário a fim de concluir a profissão de fé de Nicéia. Durante este Concílio, Santo Agostinho recebeu a tarefa de tratar de solicitações e refutar hereges até a sua morte, em 430. Francamente, mesmo o Concílio de Trento não foi muito frutuoso até o Jubileu de Ouro de 1596. Foi necessária uma nova geração de Bispos e prelados para amadurecer no “espírito do Concílio” antes que seu efeito pudesse efetivamente ser sentido. Precisamos nos conceder um pouco mais de espaço para respirarmos.

Agora falemos sobre os frutos que o Vaticano II produziu. O senhor pode comentar sobre isso?

[B:] Primeiramente, é claro, o “Catecismo da Igreja Católica” em comparação ao Catecismo Tridentino: após o Concílio de Trento, o Catecismo Romano foi lançado a fim de oferecer aos párocos, pregadores e etc. diretrizes sobre como pregar e anunciar o Evangelho ou evangelizar.

Mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 pode ser considerado uma consequência do Concílio. Preciso enfatizar que a forma da liturgia pós-conciliar com todas as suas distorções não é atribuível ao Concílio ou à Constituição sobre a Liturgia estabelecida durante o Vaticano II, que, a propósito, não foi efetivamente implementada mesmo hoje em dia. A retirada indiscriminada do Latim e do Canto Gregoriano das celebrações litúrgicas e a construção de inúmeros altares não foram absolutamente atos prescritos pelo Concílio.

Com o benefício de retrospectiva, voltemos nosso pensamento particularmente à falta de sensibilidade demonstrada em termos de cuidado pelos fiéis e na falta de cuidado pastoral demonstrado na forma litúrgica. Basta pensar dos excessos da Igreja, reminiscente da [crise iconoclasta] que ocorreu no século XVIII. Excessos que impulsionaram inúmeros fiéis ao caos total, deixando muitos andando no escuro.

Quase tudo foi dito sobre esse assunto. Nesse meio tempo, a liturgia chegou a ser vista como uma imagem em espelho da vida da Igreja, sujeita a uma evolução histórica orgânica que não pode – como sem dúvida ocorreu – ser repentinamente alterada pelo decreto par ordre de mufti. E ainda estamos pagando o preço hoje em dia. [Fonte, adaptado]

6 agosto, 2012

A obra luterana do Opus Dei.

Por Tradición Digital | Tradução: Fratres in Unum.com

A Grande Enciclopédia Rialp [GER] nos serve de fonte para encontrar um breve esquema sobre a autoridade dos concílios. Nomeadamente, no verbete “Concílio“, no ponto 2, dedicado à autoridade doutrinal dos concílios:

No âmbito das decisões doutrinais os concílios têm autoridade:

– segundo o grau em que conste;

a) Os concílios particulares têm, portanto, autoridade:

– na medida em que se integram ao conjunto do Magistério ordinário, participando assim da infabilidade de que esse conjunto goza;

– na medida em que estão em conformidade com a voz da Igreja universal, que ressoa através deles.

b) Os concílios ecumênicos:

se se limitam a propor uma doutrina, se remetem à hipótese anterior (tratada em a);

– se, todavia, a definem com toda sua autoridade, recebendo a confirmação do Romano Pontífice, gozam de infabilidade por si mesmos e são, enquanto tais, regra segura da verdade (caso dos concílios que emitem cânones definitórios).

Ou seja, um Concílio Ecumênico que não define nada e nem o Papa demonstra sua intenção de definir a doutrina expressa ao colocar nele a sua assinatura, simplesmente propõe uma doutrina. Neste caso, seu valor doutrinal é relativo ao conjunto do magistério precedente e à conformidade com a Tradição, dos quais receberia sua infalibidade. É o que expressa belamente essa enciclopédia com esta frase: “em conformidade com a voz da Igreja universal que ressoa através do mesmo”. Pelo que, é óbvio, se não houvesse tal conformidade não teria autoridade a esse respeito.

Ademais, consta que a autoridade dos concílios é variada e há de se fazer constar o grau da mesma para saber ao que se ater. A GER ressalta esta disparidade dos concílios que pode fazer variar em muito sua autoridade e os modos dela, de forma que é difícil sistematizar algo para todos os concílios.

Não duvidamos que nos próximos dias o Cardeal Koch — ou o próprio prefeito Müller, quando retornar das férias — publicará a condenação da Grande Enciclopédia Rialp por seu luteranismo, retirando-lhe as licenças que previamente lhe haviam concedido.

22 maio, 2012

Cardeal Brandmüller: Nostra Aetate e Dignitatis Humanae “não tem um conteúdo doutrinal vinculante”.

“Há uma enorme diferença entre uma grande constituição e simples declarações. Curiosamente, os dois documentos mais controversos [sobre a liberdade religiosa e sobre a relação com não-cristãos] não têm um conteúdo doutrinal vinculante, então é possível dialogar sobre eles.

Assim, não compreendo porque nossos amigos na Fraternidade São Pio X se concentram quase que exclusivamente sobre esses dois textos. E lamento que o façam, pois eles são os dois mais fáceis de se aceitar, se considerarmos a sua natureza canônica”.

Palavras do Cardeal Walter Brandmüller no lançamento do livro “As ‘chaves’ de Bento XVI para interpretar o Vaticano II”, do qual é co-autor juntamente com Dom Agostino Marchetto e Padre Nicola Bux.

* * *

De nossa parte, Eminência, não podemos compreender a atitude daqueles que terminantemente exigem, de dois textos que “não têm um conteúdo doutrinal vinculante” e sobre os quais supostamente se pode “dialogar”, uma adesão irrestrita quase aos moldes daquela exigida aos dogmas…

15 maio, 2011

Foto da semana.

Roma, domingo, 15 de maio de 2011: A missa tridentina retorna ao altar da Cátedra de São Pedro. O Cardeal Walter Brandmüller celebra Missa Solene Pontifical por ocasião do encerramento do III Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum. Foto: Orbis Catholicus.

Roma, domingo, 15 de maio de 2011: A missa tridentina retorna ao altar da Cátedra de São Pedro -- Cardeal Walter Brandmüller celebra Missa Solene Pontifical por ocasião do encerramento do III Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum. Foto: Orbis Catholicus.