Posts tagged ‘CNBB’

12 junho, 2020

A calúnia contra as TVs Católicas, crime civil e canônico.

Por FratresInUnum.com, 12 de junho de 2020 – Como expusemos em artigo anterior, o jornal “O Estado de São Paulo” fez uma reportagem maliciosa sobre uma reunião de representantes de TVs Católicas com deputados e o presidente da República. O mais impressionante foi a reação quase imediata da Comissão Pastoral da Comunicação da CNBB, que não hesitou em qualificar a reunião como “barganha”. A partir daí, a avalanche de ataques não parou de acontecer, especialmente por parte da ala progressista da Igreja Católica.

A melhor resposta, porém, foi dada pelo arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo. Atendo-se aos fatos públicos, ele escreveu ao seu clero: “a reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único ‘concessionário da lucidez’? Pareceu maldade encomendada. Tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada. E puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião”.

Diante de toda a celeuma provocada, por enquanto, nem Comissão de Comunicação nem a Presidência da CNBB publicaram alguma retratação. A omissão é especialmente grave, visto que esses canais de televisão são praticamente a única recordação ao povo simples da existência da Igreja Católica, nesses nossos dias de pandemia e o lockdown sacramental das dioceses. É impróprio alegar que a medida não traga consequências, pois as emissoras sobrevivem da contribuição dos fieis e podem, sim, ser profundamente prejudicadas pela difusão de informações falsas.

A não retificação não é isenta de consequências legais, tanto civis quanto canônicas. Civilmente, podem ser facilmente processados por calúnia. Mas a situação não é diferente do ponto de vista canônico.

A Lei da Igreja não é tão complacente com crimes contra a honra quanto possa parecer à  primeira vista. O Código de Direito Canônico prevê o crime, bem como a sua penalização: “Quem apresentar ao Superior eclesiástico outra denúncia caluniosa de delito, ou por outra forma lesar a boa fama alheia, pode ser punido com pena justa, sem excluir uma censura. O caluniador pode ainda ser compelido a dar a satisfação conveniente” (c. 1390 § 2-3) e também: “Pode ser punido com pena justa em conformidade com a gravidade do delito: quem afirmar alguma falsidade em documento eclesiástico público” (c. 1391, nº 3).

Mesmo que nenhum dos interessados quisesse abrir um processo canônico em um tribunal eclesiástico contra qualquer um dos responsáveis pelas entidades que assinaram a nota, poderia apresentar uma queixa diretamente à Congregação para os Leigos, à Congregação para os Bispos e ao Pontifício Conselho para as Comunicações sociais, todos no Vaticano, para obter alguma resposta por parte da Igreja.

A este propósito, como a nota foi pública e moveu escândalo entre os fieis, qualquer pessoa poderia manifestar a sua queixa, pois o delito foi notório e inflige diretamente as leis eclesiásticas, dando espaço a que os fieis acionem a justiça da Igreja. É muito triste que, ao invés de procurarem os interessados e se inteirarem de um vídeo público, organismos da Igreja se juntem apressadamente a jornalistas para atacar caluniosamente “dissidentes” da corrente única (a da Teologia da Libertação) na Igreja do Brasil, a despeito da “pluralidade” que dizem defender.

Seria muito desejável que houvesse uma reparação às TVs católicas e que os mesmos que as ultrajaram viessem a público para se retratar. Sua pressa político-ideológica fez com que cometessem uma ação desastrada e danosa para a própria comunhão da Igreja, que eles dizem tanto defender.

Tags:
8 junho, 2020

Arcebispo de Curitiba sobre pronunciamento da CNBB: “Nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada”.

“Pareceu maldade encomendada”, comenta Bispo de Padre Manzotti sobre reportagem do Estadão

O Blog Ancoradouro teve acesso à Carta de Dom Antonio Peruzzo enviada ao clero da Arquidiocese de Curitiba, esclarecendo sobre a tendenciosa matéria do jornal Estado de São Paulo (Estadão) , que envolveu o nome de Padre Reginaldo Manzotti .

O arcebispo explica aos seus padres a ordem dos fatos que desembocou em uma celeuma midiática, por conta de interpretações equivocadas. Padre Reginaldo Manzotti, como de costume, consultou o arcebispo sobre a sua participação em uma reunião com parlamentares católicos e o Presidente da República. “Ponderei a ele que não gosto nem um pouco do atual presidente. Todavia, no segmento das comunicações, quase tudo depende de autorização governamental. Qualquer meio de comunicação de rádio ou TV é concessão do Estado. Hoje, se não forem mantidos canais de diálogo, multiplicam-se severamente as retaliações. Foi assim também no passado, independentemente dos governos e grupos partidários“, respondeu Dom Peruzzo ao Padre Manzotti.

“Minha recomendação foi que participasse da reunião, mas que fosse cuidadoso no que falaria. Que não houvesse nem lisonjas nem hostilidades da parte do padre. Era uma reunião aberta, registrada, acessível ainda hoje a todos”, continua o arcebispo de Curitiba que passa comentar sobre a participação de Padre Manzotti na reunião: “O Pe. Reginaldo se pronunciou por apenas cinco minutos ou menos. Poderá ouvir sua fala abaixo. Foi tão somente uma apresentação legítima do segmento das rádios e TVs”.

“A reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único “concessionário da lucidez”? Pareceu maldade encomendada’, analisa o arcebispo. Para Dom Peruzzo, “tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa”.

“Puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião. Quem barganhou?”, questiona dom Peruzzo. O arcebispo finaliza explicando ao clero de sua Arquidiocese o motivo da carta: “Caro Padre, decidi escrever estas linhas para que saiba do conjunto dos fatos e possa conversar com quem lhe perguntar. Não escrevi para justificar. Tem também o direito de discordar. Mas impressiona o grau de desfiguração intencionada dos fatos. Vivemos tempos em que parece natural sofisticar a maldade”.

Leia a íntegra da carta de Dom Peruzzo, Bispo de Padre Reginaldo Manzotti ao clero da Arquidiocese de Curitiba

 

* * *

Curitiba, 08 de junho de 2020

Caríssimo Padre,

Escrevo-lhe para comentar e explicar sobre o acontecido deste final de semana, envolvendo o nome do Pe. Reginaldo Manzotti e TV Evangelizar em intensa celeuma midiática. Parece importante esclarecer para que não prevaleçam interpretações distorcidas. Tomei a inciativa de lhe expor a ordem dos fatos, pois que as hermenêuticas são as mais desencontradas.

No dia 21 de maio o Pe. Reginaldo me ligou consultando-me se deveria ou não participar de uma reunião online, proposta pela assessoria da presidência da República. Tal reunião seria no final da tarde daquele mesmo dia. Disseram que o presidente queria ouvir os pleitos das emissoras católicas. E Pe. Reginaldo deveria responder em um prazo exíguo, no mesmo dia. Ponderei a ele que não gosto nem um pouco do atual presidente. Todavia, no segmento das comunicações, quase tudo depende de autorização governamental. Qualquer meio de comunicação de rádio ou TV é concessão do Estado. Hoje, se não forem mantidos canais de diálogo, multiplicam-se severamente as retaliações. Foi assim também no passado, independentemente dos governos e grupos partidários. E o governo de agora é o que agora governa. Não existe outro.

Minha recomendação foi que participasse da reunião, mas que fosse cuidadoso no que falaria. Que não houvesse nem lisonjas nem hostilidades da parte do padre. Era uma reunião aberta, registrada, acessível ainda hoje a todos. Aconteceu em 21 de maio. Sobre o acontecido não surgiu nenhuma matéria jornalística até o sábado, dia 05.06. Foi então que, após 16 dias, o jornal o Estado de São Paulo estampou a seguinte manchete: “Ala da Igreja Católica oferece apoio ao governo em troca de verbas”. E foi esse o teor da reportagem.

O encontro foi promovido pelo grupo de parlamentares católicos. Vários setores das comunicações católicas apresentaram seus pleitos. As bajulações ficaram por conta dos parlamentares, mas não dos diretores das emissoras católicas, a não ser algumas expressões folclóricas de um tal que desconheço. O Pe. Reginaldo se pronunciou por apenas cinco minutos ou menos. Poderá ouvir sua fala abaixo. Foi tão somente uma apresentação legítima do segmento das rádios e TVs.

A reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único “concessionário da lucidez”? Pareceu maldade encomendada.

Tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada. E puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião. Quem barganhou?

Caro Padre, decidi escrever estas linhas para que saiba do conjunto dos fatos e possa conversar com quem lhe perguntar. Não escrevi para justificar. Tem também o direito de discordar. Mas impressiona o grau de desfiguração intencionada dos fatos. Vivemos tempos em que parece natural sofisticar a maldade.
Deixo-lhe um abraço.

Dom Peruzzo

Fonte: Ancoradouro

7 junho, 2020

CNBB abraça Fake News e dispara ataque histérico às TVs católicas.

Por FratresInUnum.com, 7 de junho de 2020 – A vida já superou a ficção há muito tempo, inclusive em seus aspectos mais cômicos. Foi o que aconteceu ontem com a CNBB. O caso já é altamente psiquiátrico: o trauma pela eleição passada se tornou agudo, crônico, transformou-se em paranoia, em pânico e, agora, começa a derramar-se em delírios de ódio. Vamos aos fatos.

Site oficial da CNBB estampa nota.

Ontem, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou uma reportagem sobre uma live ocorrida no dia 21 de maio entre representantes de TVs católicas e o Presidente da República, em que, segundo o jornal, eles teriam se comprometido em apoiá-lo em troca de verbas. 

Não demorou muito para começar a reação histérica. A Comissão de Mídias Redentoristas acusou os participantes da reunião de “falta de compromisso com o Evangelho” e de “atentado ao profetismo e unidade da Igreja compromissada com a defesa da vida e com o bem estar integral das pessoas nesta hora tão difícil vivida pelo Brasil” (a deficiência de vírgulas pertence ao texto original).

A coisa deve ter fervido de tal modo nos bastidores que, no fim da tarde de ontem, a Comissão Pastoral para a Comunicação da CNBB lançou uma nota em que afirma:

“Recebemos com estranheza e indignação a notícia sobre a oferta de apoio ao governo por parte de emissoras de TV em troca de verbas e solução de problemas afeitos à comunicação. A Igreja Católica não faz barganhas. Ela estabelece relações institucionais com agentes públicos e os poderes constituídos pautada pelos valores do Evangelho e nos valores democráticos, republicanos, éticos e morais”.

A nota não é assinada por nenhuma pessoa física, mas pela própria Comissão (presidida pelo queridinho que fracassou nas eleições para secretário da CNBB, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães), pela Rede Católica de Rádio e pela Signis, uma associação católica de comunicação. 

Com toda desfaçatez, a nota afirma em relação às entidades cujos representantes participaram da videoconferência com o presidente: “nenhuma delas e nenhum de seus membros representa a Igreja Católica, nem fala em seu nome”. E a CNBB fala?

Outro artigo publicado pelo “Estadão” na mesma data – “Divisão na Igreja abre caminho para Bolsonaro negociar com veículos católicos simpáticos ao governo” – começa afirmando que “o flerte entre o presidente Jair Bolsonaro e veículos de comunicação católicos simpáticos ao governo representa uma investida do Palácio do Planalto na divisão latente na Igreja. De um lado, conservadores alinhados ao governo, principalmente aqueles ligados à Renovação Carismática Católica, e, de outro, progressistas e críticos do bolsonarismo vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)”. — Ora, o governo caiu ali de gaiato e não estava realizando investida alguma e os representantes das TVs não estavam tocando nenhuma pauta política, mas apenas partilhando demandas do seu segmento. Entretanto…

A Renovação Carismática Católica não demorou a “tirar o corpo fora”. Em uma nota publicada na mesma tarde, a RCC Brasil afirmou que “não possui quaisquer tendências político-partidárias e segue a sua caminhada reafirmando o seu compromisso em zelar pela liberdade de consciência das pessoas” e sustentando sua filial devoção à CNBB. 

Acontece, porém, que a reunião do dia 21 foi aberta, transmitida publicamente e gravada. O vídeo pode facilmente ser assistido pelo canal do Planalto no YouTube. O Blog Ancoradouro também transcreveu a fala de cada um dos participantes, mantendo-a em tom coloquial. Em nenhum momento houve qualquer tipo de conversa parecida com uma barganha, como sugere o texto do “Estadão” e como acusa explicitamente a comissão da CNBB em sua nota. Toda a narrativa se baseia em frases tiradas do contexto e interpretadas de modo malicioso. É tudo só isso!

A atitude mais natural a esperar-se da CNBB seria a de desmentir que haja uma divisão aberta no seio da Igreja, procurar pessoalmente cada participante da teleconferência para esclarecer o mal entendido e inclusive defendê-los dessa calúnia, mostrando que cada veículo de comunicação age por concessão do Estado (não do governo) e que, por isso, é natural que haja algum entendimento de demandas.

Mas, não!

Dom Mol e equipe não se deram o trabalho nem de assistir e embarcaram na Fake News. Pior, como virgens escandalizadas, rasgaram as vestes (ou rodaram a baiana?).

A nota da CNBB parte da notícia do “Estadão” como se esta fosse um fato autoevidente e rasga as vestes num escândalo farisaico, passando ao ataque direto àqueles que participaram na mencionada reunião.

“Comunhão, diálogo, tolerância. Quem sou eu para julgar?”. Bem, só de jargões vive a CNBB…

A reação passional da CNBB mostra o nível de desespero da instituição diante do isolamento que a hierarquia da Igreja se autoimpôs por conta do seu confesso esquerdismo. A sua completa irrelevância diante da opinião pública é já notória e, por isso, a matéria do “Estadão” mexeu na ferida. Obviamente, em tempos de Papa Francisco, ser suspeito de bolsonarismo não é sinal de bons agouros, mas, em todo caso, a atitude reativa mostra mais desespero que consciência dos fatos.

Porém, o mais interessante são sempre as desculpas. É muito sugestivo que agora a CNBB reaja deste modo – execrando a barganha! –, quando, nos tempos do governo do PT, houve membros da hierarquia ocupando postos governamentais – Dom Mauro Morelli ocupou cargo e Frei Betto foi assessor especial da Presidência da República no governo Lula, além de diversas outras “facilidades” de que a alta ala do episcopado esquerdista gozava na época. Vale citar, a título de exemplo, o acordo Brasil – Santa Sé, que merece toda gratidão de Dom Odilo Scherer a Lula, mas que hoje nada mais é que letra morta que não serve nem para nos garantir liberdade de culto.

Mas, quando Edinho Silva ou Chalita tinham programas na Canção Nova, onde estavam CNBB e suas comissões? Tratando-se do governo atual, as reações são em tempo real. 

O isentismo da nota lembra o de certos protestantes progressistas que acusam os pentecostais de “ungirem a besta”, por apoiarem o governo atual, enquanto eles mesmos faziam campanhas abertas para os seus candidatos de esquerda nas eleições anteriores (Marina Silva que o diga!). Hipocrisia flagrante!

Em matéria de barganha, não podemos dizer que nossos hierarcas sejam, digamos, virginais. Contudo, não deixa de ser um sinal de descontrole emocional que cheguem ao vexame de tomarem como verídica uma notícia tão flagrantemente fake (cuja averiguação não requer nenhuma empresa de checagem), como pretexto para fazerem uma enxurrada de notas de repúdio ao nada…

De fato, o trauma das viúvas do lulismo deixou marcas profundas de rejeição e complexo de inferioridade coletiva. Como as famosas tias do zap, embarcaram e abraçaram as Fake News. Quem sabe uma terapia de grupo não resolveria o problema, mesmo que, em tempos de epidemia, seja uma terapia por videoconferência.

Tags:
4 junho, 2020

CNBB, o STF da Igreja no Brasil.

Por FratresInUnum.com, 4 de junho de 2020 – É preciso dizer a verdade sem rodeios: a prorrogação desta quarentena eclesial e sacramental rígida é devida aos bispos. Sabemo-lo por conversar com diversas pessoas, as quais nos asseguram que a maior parte dos padres já estaria disposta a retornar aos poucos à normalidade, com todos os cuidados higiênicos, sem aglomerações de nenhum tipo. Mas são os bispos que determinam a proibição absoluta de que se distribua comunhões, absolvições. Enfim, que se distribua a graça pelos sacramentos.

O argumento que utilizam é sempre o mesmo: “o cuidado à vida”. Ora, mas esta desculpa já não faz nenhum sentido, a não ser para pessoas que vivem completamente alienadas da realidade.

Os bispos, encastelados em seus palácios, amedrontados por causa da sua idade, amotinados por determinações dos grupos de pressão internos da CNBB, não percebem o mundo real, não sabem que as pessoas não podem viver como eles: uma elite econômica, ricamente protegidos, contando apenas quanto dinheiro cai nas contas das cúrias, enviados pelas paróquias com as quais os pobres procuram continuar contribuindo.

As pessoas normais não podem ficar trancadas, estão indo, não por capricho, mas por necessidade, aos supermercados e farmácias; estão trabalhando em seus empregos (aqueles que os já não perderam); estão enfrentando transportes públicos; estão indo a feiras e procurando sobreviver. É simplesmente incompreensível para os fieis que não seja possível organizar algum modo seguro para a atenção sacramental!

O problema dos nossos hierarcas é o mesmo dos burocratas políticos. No Brasil, o STF é o maior exemplo deste irrealismo. Hoje, os juízes atraíram sobre si o odium plebis porque estão profundamente deslumbrados com o seu próprio corporativismo, com os cortesãos bajuladores, com a própria sensação de importância. Mas, na sociedade, de fato, estão chamando para si o rechaço, a raiva, a revolta. Ninguém suporta estar sob a mais terrível das ditaduras, que é justamente a ditadura inapelável, a ditadura judiciária.

Do mesmo modo, o povo fiel não suporta a sensação de impotência diante da recusa hermética dos bispos, de uma recusa baseada em uma presunção insensata: para salvar a saúde, pode-se tomar medidas cautelares, como fazem hospitais, laboratórios, comércios e muitos outros ambientes. O lockdown eclesial não tem justificativa na própria realidade da pandemia, é uma medida exagerada e não pedida pelos governantes (os quais impediram apenas a aglomeração).

Os padres obedecem aos bispos e continuam com a sua rotina internética, e os bispos se protegem a si mesmos, trancados em seus casarões; mas a paciência leiga está acabando e a desmoralização pública destes senhores está apenas no princípio. Com um fechamento de quatro meses, a ser encerrado, ao menos em São Paulo, apenas em finais de julho, a inconformidade tende a aumentar exponencialmente, visto que as pessoas se sentem penalizadas sem terem feito nada de errado.

É uma lástima que nossos bispos caminhem para o mesmo fim dos ministros do STF: não poder caminhar pelas ruas sem atrair a insatisfação do povo.

Tags:
28 maio, 2020

O monólogo de Dom Walmor.

Por FratresInUnum.com, 28 de maio de 2020 – Nos anos 80, Chico Anysio criou dois personagens que se celebrizaram na televisão: Caretano Zeloso e Zelberto Zel, uma sátira ao estilo rebuscado dos cantores quase homônimos, que falavam um palavrório difícil, mas que, no fundo, não significava coisa alguma.

Ao assistir o vídeo de Dom Walmor Azevedo, presidente da nossa ilustre CNBB, a lembrança não pôde ser evitada. Mais amante da extravagância verbal que da exatidão dos conceitos, o arcebispo discorreu acerca de três ameaças e três oportunidades para o próximo quinquênio na Igreja do Brasil. Abaixo, apresentamos a descrição dos seis pontos, tais como ditos por ele. Agora, fazemos uma breve análise.

Para ele, a primeira de todas as ameaças é o “crescimento de segmentos conservadores e reacionários”, os quais, sempre segundo ele, levam “à estagnação e ao comprometimento do diálogo construtivo, com preponderância de obscurantismo e escolhas medíocres”. Um pouco mais abaixo, talvez a sua ideia fique mais nítida, quando ele apresenta o desejo de que a Igreja se apresente como “Igreja da Palavra”, produzindo uma “reviravolta” que venha a impedir ou a reagir ao que ele chama de “cristianismo torto”, em face ao que seria a verdadeira missão do cristianismo: “ser vetor do sonho de um mundo novo”.

Mais abaixo, ele ainda deseja “novas feições e dinâmicas na ministerialidade da Igreja”, com “efetivo protagonismo dos cristãos leigos e leigas” e “da vida sacerdotal, liberada de cristalizações que a desfiguram” (entenda-se: o sacerdócio tradicional).

O discurso deste bispo é a demonstração mesma da falência do catolicismo brasileiro, estacionado no horizonte mental dos anos 80, auto-referencial até em suas próprias expressões, completamente insignificante para qualquer pessoa normal. Assim como toda a esquerda é tributária daquele heroísmo imaginário contra uma repressão que, na realidade, apenas se limitou à conservação do poder nominal, enquanto lhes deixava todo o espaço aberto para a revolução cultural, mesmo contra o fato de que toda a população brasileira os tenha deixado falando sozinhos, eles persistem em se imaginarem os grandes revolucionários, e permanecem reféns de um monólogo teimoso, doente, alucinado, que não chegará a lugar nenhum.

O Brasil já é um país protestante. E é por causa deles! Foi o clero que abandonou o discurso conservador; e o povo, que continua sendo conservador, migrou para as seitas pentecostais e fez a reviravolta que eles pretendem reverter, mas sem força alguma. O poder de mobilização dos bispos já era nulo e, agora, com a dispersão forçada dos fieis por causa dessa interminável quarentena, se tornará ainda mais impossível. E eles não conseguem enxergar!

Qualquer pessoa que frequente a maior parte das paróquias católicas do país sabe que, em sua maioria, são frequentadas por idosos. Nas grandes cidades, as dioceses são formadas por um clero idoso, que continua repetindo aqueles mesmos chavões de décadas, pois foi a única coisa que conseguiu aprender em sua formação deficiente.

Eles pretendem reverter o crescimento do “cristianismo torto” não apresentando um “cristianismo reto”, mas um “cristianismo” (muito entre aspas) calculado para atender as “interpelações fortes vindas do impressionante volume de mudanças em curso na cultura mundial”… A que diabos se refere o arcebispo? À gay culture, ao multiculturalismo, ao ecologismo que protege árvores enquanto defende a matança de fetos, ao feminismo que pretende proteger contra o alegado feminicídio a todas as vozes do feminino (mesmo as dos homens que se declaram mulheres)? Mas, para isso, não precisa haver Igreja. E é isso que a população está gritando, migrando, aos milhares, para os cultos protestantes pentecostais (note-se que as próprias igrejas protestantes liberais estão numa pior crise ainda, o que mostra que o problema é, sobretudo, ideológico).

A maior ameaça para a Igreja não é nada disso que menciona o arcebispo. Infelizmente, a maior ameaça é o próprio clero modernista, mesmo. Ele alega o protagonismo dos leigos como resposta… Ah, mas não dos verdadeiros leigos! Estes bispos gostam apenas daqueles leigos clericalizados por eles, ideologizados, imagem do seu próprio passado militante e esquerdista. Para eles, a multidão de leigos que quer ser católica precisa ficar em casa ou, senão, mudar-se para a primeira porta de garagem que se abra à sua frente.

É triste, mas é a realidade. Por trás de toda a parlenga de Dom Walmor há apenas um episcopado que fala sozinho e é aplaudido por sua corte. Eles terão de sacrificar a população inteira ao protestantismo para perceberem, então, que estavam errados.

(Abaixo, a transcrição das três maiores ameaças e as três maiores oportunidades da Igreja, segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo:)

***

Três ameaças

1) Crescimento de seguimentos conservadores e reacionários, levando à estagnação e ao comprometimento do diálogo construtivo, com preponderância de obscurantismo e escolhas medíocres, com força de justificação de desigualdades existentes e neutralização da força magistral da doutrina social da Igreja.

2) Dificuldades para reverter situações com funcionamentos pesados, que custam muito, comprometendo a sustentabilidade e o compromisso com a preservação ambiental, por insistências e cristalizações advindas do intelectualismo, fazendo perder sensibilidade humanitária e relacional, com ganhos de adesões e presença. Por isso, o peso precisa ser revisto, de modo marcado, como é característica deste terceiro milênio, pela leveza.

3) Fragilizações de processos de evangelizações e serviços na defesa e promoção da vida, perda de forças próprias, com comprometimento da inegociável credibilidade, em razão de incongruências e incoerências no âmbito moral, seja no âmbito da gestão, em suas nuances todas, como também no específico do testemunho, como bem primeiro da pertença eclesial e da autenticidade do discipulado no seguimento de Jesus Cristo.

Três oportunidades

1) Escuta de interpelações fortes vindas do impressionante volume de mudanças em curso na cultura mundial, com apelos humanitários, sobretudo oriundos dos clamores dos pobres da terra e das possibilidades tecnológicas-midiáticas, para efetivação de um novo modo de presença pública, referindo-me também a biotecnologias, oportunizando adequações e novas respostas.

2) A Igreja precisar usufruir mais decisivamente do seu próprio tesouro doutrinal e de fé, particularmente como Igreja da Palavra, ganhando esta centralidade, podendo fazer uma reviravolta religiosa na direção de não permitir ou de reagir aos desdobramentos vários do cristianismo torto, que está em amplo crescimento na sociedade brasileira, recuperando do cristianismo a sua força como vetor determinante do sonho de um mundo novo, solidário e fraterno.

3) À luz da mistagogia evangélica – uma espiritualidade profunda, contemplativa – com rica inspiração de tradições e experiências bimilenares na nossa Igreja, conquistar novas feições e dinâmicas na ministerialidade da Igreja, com efetivo protagonismo dos cristãos leigos e leigas, com qualificação maior da vida consagrada, com sua profecia, e da vida sacerdotal, liberada de cristalizações que a desfiguram, com propriedades para arrastar pela força do testemunho.

14 maio, 2020

Ditadores e amantes de ditaduras.

Por FratresInUnum.com, 14 de maio de 2020 – A contradição chega à raia do inacreditável. Se já não era fácil ser católico no Brasil, ultimamente o clero o tornou praticamente impossível: sem missa nem confissão, sem nada! E tudo à revelia dos fiéis.

Doria agora quer incluir farinata na merenda de alunos da rede ...

Nunca tivemos bispos tão autoritários quanto hoje. Eles decidem, como verdadeiros faraós, fechar e fecham. Reinventaram o conceito de Diocese como Igreja particular: é propriedade particular deles. O povo é só um detalhe, serve só para pagar as taxas, como eles mesmos dizem: “não esqueçam de pagar o dízimo”. – Bem…

Pelo menos não dá pra reclamar que eles não são sinceros.

Mas, como os ditadores se atraem, eles não ficaram pra trás em apoiar todas as medidas draconianamente restritivas que prefeitos e governadores impuseram em seus respectivos municípios e estados, medidas inconstitucionais e irracionais, que ferem não apenas a nossa liberdade de culto, mas também a liberdade de ir e vir, o direito à privacidade e até à nossa própria integridade física: há cidadãos de bem sendo agredidos por forças policias, pessoas honestas sendo monitoradas pelo celular, gente detida por esquecer a máscara em casa…

A quarentena religiosa, além de desproporcionada e ineficaz, está sendo imposta sob moldes autoritários, que nada têm a ver com os dogmas da libertação e da democracia, tão devotamente professados pelos senhores de mitra.

Deixadas as contradições dos discursos de lado, notamos a estrondosa coerência nas ações das nossas excelências… Eles são ditadores e amam ditaduras de esquerda, adorando daquele autoritarismo. Para ter certeza disso é simples: mande uma cartinha ao seu bispo e, se receber alguma resposta (o que será muito, muito difícil), será apenas um educado modo de livrar-se das suas perguntas inconvenientes.

Os católicos já perceberam como as coisas funcionam e, assim como não cessam de protestar contra os ditadores seculares, agora protestam contra os ditadores diocesanos e seu órgão central, a CNBB, às vezes com algum xingamento daqueles que demonstram que nossos hierarcas perderam completamente a sua própria reverência.

Bem… Eram eles que viviam militando por um laicato protagonista, mas, quando os leigos resolvem abrir a boca, logo chegam os censores da “humildade e obediência” para os silenciar, pois há leigos e leigos, há os que são devotos católicos e os que são devotos dos bispos e do seu séquito, e serão sempre muito bem impulsionados, especialmente se forem jovens e de esquerda.

No final das contas, os tiranos de mitra pensam mais é no deus Mamon, mesmo, e em manter tudo padronizado, para ninguém ousar ser católico de verdade. Nada de radicalismo, não é mesmo? O laicato protagonista é, no fundo, a massa pagante, mas que tem que aguentar calado e não ousar minimamente questionar.

E, assim como eles condenam seus predecessores por apoiar ditaduras no passado, a hierarquia de hoje está não apenas apoiando as ditaduras presentes, mas também replicando as mesmas medidas ditatoriais dentro de seus muros. E ai de quem reclamar, porque já inventaram até teologia para excomungar como malditos os “hereges” que ousarem pedir algo tão horrível como “comungar” ou “confessar” os seus próprios pecados.

Esses pastores perderam completamente o contato com as ovelhas. Haverá um único que se levante para defender o povo fiel? Confinados na conferência episcopal, desconfiam eles que grande parte dos leigos os odeia aqui do lado de fora? E se assim o é, nada senão culpa deles mesmos, que se tornaram objeto de repulsa para qualquer pessoa de bom senso.

Uma coisa é certa: os leigos, ao voltarem da quarentena, serão muito mais seletivos e críticos, com os olhos bem abertos para reconhecer esta “Igreja” ditadora e amiga de ditadores.

Tags:
4 maio, 2020

Bispo chama de “oportunistas” os que pedem o retorno das Missas e Comissão Justiça e Paz da CNBB pede impeachment.

Por FratresInUnum.com, 4 de maio de 2020 – Segundo o portal IHU, que pode ser tudo, menos suspeito de conservadorismo, o bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio, escreveu uma carta ao clero de sua diocese em que xinga de “oportunistas” todos aqueles que estão solicitando o retorno das Santas Missas, após o lockdown sacramental imposto pela hierarquia. Confiram os trechos mais significativos da carta:

Tem saído muitas matérias nas redes sociais que podem confundir os incautos, no que diz respeito ao “abrir nossas igrejas”.

Estes grupos que assim se manifestam, em sua maioria, são pessoas que não tem nenhum compromisso com a Igreja, grupos que nunca colocam seus pés em nossas Igrejas, mas que assumem posturas contrárias apenas para confundir os fiéis e criar divisão na Igreja. São os mesmos que criticam o papa Francisco e a CNBB. Vamos ficar atentos para não sermos enganados. (…)

E vem estes engraçadinhos e colocam nas redes sociais: “devolvam-nos a Missa”. Como se a Missa fosse algo pessoal em que “eu” recebo Jesus e estou em paz comigo e com o mundo. (…)

Em vez de pedirem para “devolver a Missa”, que se coloquem à disposição da Igreja no Brasil e no mundo para ajudar a “dar de comer a tantos que tem fome”, confortar a tantos que estão desesperados, acolher a tantos que não sabem para onde ir e o que fazer.

Não vamos dar ouvidos a estes oportunistas que em vez de somar conosco neste momento tão difícil, criam conflitos levados mais por motivos políticos e ideológicos, do que por motivos verdadeiramente religiosos-espirituais, porque se fossem verdadeiros, diriam: “aceitem minha solidariedade. É o pouco que tenho, mas é aquilo que está em meu alcance para manifestar minha comunhão com Jesus e com a Igreja que sofre”.

Para que não se lembra, Luiz Cappio é aquele bispo franciscano que fez uma greve de fome em 2005, contra a transposição do Rio São Francisco projetada pelo governo Lula, e depois em 2007, quando o fato levou-o para a UTI, tendo de interromper o “jejum” por indicações médicas — o companheiro não quis seguir, até as últimas consequências, os “mártires da caminhada”. Queridinho da esquerda nacional e internacional, Dom Luiz Cappio recebeu em 2008 o Prêmio Pax Christi International, em 2009 o Prêmio de Cidadão do Mundo (Fundação Kant) e também em 2009 o Troféu João Canuto, por iniciativa do Movimento Humanos Direitos. No entanto, diz o Evangelho: “guardai-vos de fazer as vossas obras diante dos homens, pois não tereis a recompensa nos céus” (Mateus 6,1)…

Enquanto isto, a Comissão Justiça e Paz, da CNBB, publica uma nota (aliás, no mesmo dia em que a própria presidência publicou uma nota um tanto menos explícita) em que conclama a “afastar o presidente da República para salvar vidas e a democracia”.

Antes que os cleaners cheguem para dizer que a comissão não fala pela CNBB, gostaríamos de lembrar que o histórico de declarações semelhantes é longo. E que, até hoje, a CNBB não fez qualquer tipo de ressalva ou a mínima correção a essa comissão que faz parte de sua estrutura.

A parte mais significativa da nota, diz, por fim: “qualquer que seja a forma constitucional (sic!), não devemos ser omissos ante a gravidade da situação, por isso conclamamos a sociedade civil e as instituições democráticas da República a agirmos com rapidez em defesa da vida e da democracia. A demora custará mais vidas e ameaça cada dia mais a democracia” (negrito nosso).

Com a documentação desses dois levantes, podemos flagrar claramente o nível de fanatismo político e de contradição hipócrita desses bispos esquerdistas: acusam de oportunistas os católicos que simplesmente pedem o retorno das missas, enquanto eles mesmos aproveitam de toda a situação epidemiológica para propor que seja realizado um impeachment às pressas.

Em outras palavras, a única pretensão desses senhores, a sua fixação religiosa mais profunda, é ressuscitar o comunismo agonizante no Brasil e valer-se, para isso, de todo e qualquer meio, pois sabem que o seu grande obstáculo é a vontade do povo, que se impôs, contra eles, nas últimas eleições. Querem dar suporte ao que se está armando, pois estão sempre ao lado das elites e do establishment.

Relembramos aos bispos que eles têm obrigação de entrar no debate político quando está em jogo a lei natural. Quanto às demais demandas governamentais, os seus palpites não são apenas dispensáveis, pois que completamente ineptos, mas são vedados pelo próprio Magistério da Igreja:

“A Igreja, por outro lado, não tem um campo de competência específica no que respeita à estrutura da comunidade política: ‘A Igreja respeita a legítima autonomia da ordem democrática, mas não é sua atribuição manifestar preferência por uma ou outra solução institucional ou constitucional’ e tampouco é tarefa da Igreja entrar no mérito dos programas políticos, a não ser por eventuais consequências religiosas ou morais” (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, n. 424).

Portanto, a intromissão politiqueira da CNBB é ilegítima; e oportunista, aqui, não são os católicos, mas, sim, esses bispos, para usar o “dilmês” que tanto amam e que lhes é tão semelhante, golpistas.

Tags:
19 abril, 2020

Presidência da CNBB publica a nota “Em defesa da vida: É tempo de cuidar” para pedir a todos o empenho contra o aborto.

CNBB – A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, porta-voz da Igreja Católica na sociedade brasileira, escreveu uma nota com o título “Em defesa da vida: É tempo de cuidar”. O documento, em sintonia com segmentos, instituições, homens e mulheres de boa vontade, convoca a todos pelo empenho em defesa da vida, contra o aborto, e se dirige publicamente, como o faz em carta pessoal, aos ministros do Supremo Tribunal Federal, para que eles defendam o dom inviolável da vida.

A nota é uma resposta ao fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter agendado para o próximo dia 24 de abril o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5581 –, que versa sobre a liberação do aborto em caso de Zika vírus. O julgamento tinha sido adiado em maio do ano passado após pressão de diversos movimentos pró-vida. A votação está prevista para acontecer de forma virtual.

Segue a nota abaixo

EM DEFESA DA VIDA – Nota à sociedade brasileira

EM DEFESA DA VIDA: É TEMPO DE CUIDAR

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, porta-voz da Igreja Católica na sociedade brasileira, em sintonia com segmentos, instituições, homens e mulheres de boa vontade, convoca a todos pelo empenho em defesa da vida, contra o aborto, e se dirige, publicamente, como o faz em carta pessoal, aos Senhores e Senhoras Ministros do Supremo Tribunal Federal para dizer, compartilhar e ponderar argumentações, e considerar, seriamente, pelo dom inviolável da vida, o quanto segue:

  1. “É tempo de cuidar”, a vida é dom e compromisso! A fé cristã nos compromete, de modo inarredável, na defesa da vida, em todas as suas etapas, desde a fecundação até seu fim natural. Este compromisso de fé é também um compromisso cidadão, em respeito à Carta Magna que rege o Estado e a Sociedade Brasileira, como no seu Art 5º, quando reza sobre a inviolabilidade do direito à vida.
  2. Preocupa-nos e nos causa perplexidades, no grave momento de luta sanitária pela vida, neste tempo de pandemia do COVID-19, desafiados a cuidar e amparar muitos pobres e empobrecidos pelo agravamento da crise econômico-financeira, saber que o Supremo Tribunal Federal pauta para este dia 24 de abril 2020, em sessão virtual, o tratamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5581, ajuizada pela Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP, requerendo a declaração de inconstitucionalidade de alguns dispositivos da Lei 13.301/2016 e a interpretação conforme a Constituição de outros dispositivos do mesmo diploma legal.
  3. Há de se examinar juridicamente a legitimidade ativa desta Associação de Defensores Públicos, como bem destacado nas manifestações realizadas nos autos pela Presidência da República, Presidência do Congresso Nacional, Advocacia Geral da União e Procuradoria Geral da República, pois nos parece, também, que a referida Associação não é legitimada para propor a presente ADI, tendo bem presente que a Lei 13.985/2020 trouxe suporte e apoio para as famílias que foram afetadas pelo Zika vírus, instituindo uma pensão vitalícia as crianças com Síndrome Congênita como consequência.
  4. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reitera sua imutável e comprometida posição em defesa da vida humana com toda a sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, desde a sua fecundação até a morte natural comprometida com a verdade moral intocável de que o direito à vida é incondicional, deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto”. São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto.
  5. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil insta destacar que o combatido artigo 18 da referida Lei 13.301/2016, cuja ADI pretendia a declaração de inconstitucionalidade de alguns dispositivos, foi completamente revogado pela MP 894 de 2019, convertida em Lei em 2020 (L. 13.985/2020). Desta forma, parece-nos ainda que o objeto da ação foi superado, não servindo a ação para declarar a inconstitucionalidade de outra lei que não a inicialmente combatida.
  6. A CNBB requer, portanto, que, acaso seja superada a preliminar de ilegitimidade ativa suscitada por todas as autoridades públicas que se manifestaram, e não seja extinta a ADI pela perda do objeto, no mérito não sejam acolhidos quaisquer dos pedidos formulados para autorizar, de qualquer forma, o aborto de crianças cujas mães sejam diagnosticadas com o zikavirus durante a gestação.
  7. Reafirmamos, fiéis ao Evangelho de Jesus Cristo, nosso repúdio ao aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana. (S. João Paulo II, Carta Encíclica Evangelium Vitae, 58)

Esperamos e contamos que a Suprema Corte, pautada no respeito à inviolabilidade da vida, no horizonte da fidelidade moral e profissional jurídica, finalize esta inquietante pauta, fazendo valer a vida como dom e compromisso, na negação e criminalização do aborto, contribuindo ainda mais decisivamente nesta reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça, do respeito incondicional à dignidade humana e na reorganização da vivência na Casa Comum, segundos os princípios e parâmetros da solidariedade.

Cordialmente,

Brasília, 19de abril de 2020

Domingo da Misericórdia

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Presidente

Dom Jaime Spengler

1º Vice-presidente

Mário Antônio da Silva

2º Vice-presidente

Dom Joel Portella Amado

Secretário-geral

Tags:
6 abril, 2020

CNBB anti-ecumênica: O dilema do jejum convocado por Bolsonaro.

Quando um jejum dominical faz ressurgir, na CNBB, o anti-ecumenismo.

Por FratresInUnum.com, 6 de abril de 2020 – O presidente da república convocou, para ontem, um jejum coletivo, pedindo a cessação da epidemia de coronavírus e a proteção de Deus para o Brasil. A ideia, naturalmente, brotou dos pastores neopentecostais – ou será que alguém imaginaria um bispo da CNBB sugerindo tal coisa ao presidente?…

Ora, apesar da inconveniência da data escolhida, não existe nenhuma proibição formal da Igreja de que os católicos jejuem aos domingos, mas a convocação do presidente causou surtos de amor à tradição em bispos e padres que não vivem senão para pisoteá-la, e isso no rimo mais frenético e carnavalesco que a imaginação humana possa conceber.

O amor ao domingo é tão sublime na alma de nossos angélicos pastores que eles mesmos decidiram, até mesmo antes das autoridades públicas, proibir missas, fechar igrejas e impedir os católicos de receberem os sacramentos, especialmente a comunhão e a confissão. Não faltam os cleaners que se apresentam com suas teologias a posteriori para legitimar a “saída de campo” justamente da “Igreja em saída”.

A controvérsia do jejum, porém, raia à loucura, pela birra infantil ostentada por esses senhorzinhos de cabeça branca. Houve regional da Conferência Episcopal que chegou a emitir nota esclarecendo aos fieis sobre a sublime relevância de encher o estômago no Domingo da Paixão, salientando que “não é qualquer um” que pode convocar o jejum, numa pose esnobada de clericalismo selvagem.

A Conferência Episcopal brasileira está se parecendo cada dia mais com um manicômio, com a única diferença de que está infestada de demônios e bajuladores que não cessam de dar aos loucos aquele ar de solenidade e importância do qual eles mesmos dão um jeito de desfazer-se diante da opinião pública.

O quadro é bem simples: de um lado, estão as igrejas pentecostais, que ainda crescem em ritmo acelerado, sendo a maior força religiosa com atuação política do Brasil, cujos pastores, a seu modo, consagram um dia de oração e jejum, ao qual aderem pessoas de todas as confissões; de outro, um bando de idosos enclausurados em suas casas episcopais, morrendo de medo de pegar coronavírus, soltado notinhas nojentas, gravando vídeos ridículos, transbordando arrogância, inveja, amargura, pedantismo por todos os lados. Perguntamos: quem você acha que o povo simples vai querer seguir? Seja sincero!

O irrealismo da autoimagem do nosso clero o faz passar por alto o fato de que o seu público é constituído, em sua imensa maioria, de senhoras velhinhas que já estão cumprindo os seus dias neste mundo.

É óbvio que sempre existirão os cruzados de internet que, em nome de uma presumida causa católica, cometerão suas gafes inconscientes, mais ou menos coordenadas. Este foi o caso de muitos que deram a vida para fazer uma campanha de boicote ao jejum, que deu certo apenas dentro de suas próprias cabeças.

Efetivamente, a esquerda possui um senso de direcionalidade, do qual o católico normal simplesmente está privado, por não ser suficientemente hegeliano. A esquerda capta institivamente qual a orientação geral que se deve tomar para autodefesa e promoção dos seus líderes, sabendo articular contradições e discordâncias acidentais dentro do mesmo propósito intencional. Os católicos em geral são obcecados por atos pontuais, não conseguem relevar uma discordância desimportante, e terminam por destruir-se mutuamente, pois padecem de visão estratégica: “todo mundo está errado, a não ser o meu gueto!”

É assim que a esquerda católica usa os idiotas úteis quando vende o seu anti-bolsonarismo numa embalagem de amor à tradição, tão fingido quanto eles. Para opor-se “à direita”, vale tudo: até apelar à disciplina eclesiástica, colocando nela o peso de um dogma infalível.

Apesar do pastelão circense, a situação tem uma nuance verdadeiramente interessante: semana passada, a CNBB organizou um culto ecumênico e inter-religioso com a turma do CONIC (conselho nacional de igrejas cristãs), mas agora torce o nariz para uma iniciativa que seria, segundo os seus próprios cânones, ecumênica.

Está aí a mentira do ecumenismo. Não existe ecumenismo. Existe é comunismo! Ou seja, para promover a revolução socialista, valem todas as religiões, mas, quando elas se mobilizam para socorrer um presidente “de direita”, então, tornam-se inimigas.

Está mais do que provado! A CNBB não passa de uma filial do partido comunista, tenha ele o nome que tiver. Acontece, porém, que o povo já percebeu o tamanho da sua impostura e não lhe dá importância nenhuma. Eles podem convocar o que quiserem. O fiel católico já não os escuta mais, percebeu que, no corpo sadio da Igreja, eles são o verdadeiro vírus contra o qual todos temos de continuamente jejuar.

Tags:
4 abril, 2020

CNBB: “Deus não castiga”.

Por FratresInUnum.com, 4 de abril de 2020 –   Foi publicado na última quinta-feira (2), no site da CNBB, coincidentemente quando publicamos nosso editorial sobre o mesmo assunto (seria uma resposta?), uma entrevista com Dom Pedro Carlos Cipollini acerca das especulações de católicos sobre um eventual castigo de Deus ligado à epidemia de coronavírus.

O dia em que os 3 pastorinhos de Fátima foram… presos!

Os pastorinhos de Fátima veem o inferno: castigo.

A matéria começa reportando algumas afirmações de Fernando Altmeyer, ex-padre (fato ostensivamente ocultado por onde passa esse senhor) da arquidiocese de São Paulo, que sempre esteve ligado às CEBs, aos movimentos de moradia, que foi porta-voz de Dom Paulo Evaristo Arns e hoje é casado e pai de dois filhos (mas continua lecionando na PUC-SP).

Na sequência, vem a entrevista de Dom Cipollini, cuja principal ideia é a de que “esta visão de que Deus castiga e pune não é de acordo com a revelação que Jesus nos fez do Pai”.

O Dicionário Cultural da Bíblia, das Edições Loyola, na p. 207, diz explicitamente que “na Biblia, a peste designa todas as epidemias assustadoras e é muitas vezes anunciada como um castigo divino”.

Temos, ademais, diversas afirmações do Novo Testamento segundo as quais Deus, em seu amor redentivo, castiga, sim, os pecadores, visando a sua conversão e o seu arrependimento, pois os bens temporais estão subordinados aos espirituais.

Nosso Senhor afirma no Evangelho de São João, o apóstolo do amor: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus” (João III,36).

São Paulo, o mesmo que escreveu o hino ao amor, escreveu também: “ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade” (Romanos I,18).

Aos Efésios, escreve o Apóstolo das gentes, “Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes” (Efésios V,5-6).

Reparem na linguagem do Apóstolo: “ninguém vos seduza com vãos discursos”!

Ninguém. Nem Cipollini, quanto mais Altemeyer.

No Apocalipse, diz São João: “Vi ainda, no céu, outro sinal, grande e maravilhoso: sete Anjos que tinham as sete últimas pragas, porque por elas é que se deve consumar a ira de Deus” (Apocalipse XV,1).

Deixando de lado todo o magistério tradicional, em que a realidade dos castigos de Deus é tida como evidente, no magistério dos últimos papas, que nossas sumidades intelectuais da CNBB dizem seguir, aparecem em diversas ocasiões menções importantes às punições que Deus inflige à humanidade.

Bento XVI, numa homilia, disse que, nos livros de Crônicas, “o autor sagrado propõe uma interpretação sintética e significativa da história do povo eleito, que experimenta a punição de Deus como consequência do seu comportamento rebelde: o templo é destruído e o povo exilado deixa de ter uma terra; realmente parece ter sido esquecido por Deus. Mas depois vê que através dos castigos Deus persegue um desígnio de misericórdia. Será a destruição da cidade santa e do templo como foi dito será o exílio que toca o coração do povo e o faz voltar para o seu Deus para o conhecer mais profundamente. (…) Pensando nos séculos passados podemos ver como Deus continue a amar-nos também através dos castigos. Os desígnios de Deus, também quando passam através das provações, têm sempre por finalidade um êxito de misericórdia e de perdão” (Homilia 26 de março de 2006).

João Paulo II havia afirmado anteriormente e de modo peremptório: “lembro-lhes que Deus castiga as más ações dos homens” (Audiência geral, 13 de maio de 1978).

Recentemente, o próprio Papa Francisco recordou ao Secretário Geral das Nações Unidas que existem condutas que “clamam o castigo de Deus” (Mensagem de 2 de dezembro de 2019).

A própria Congregação para a Doutrina da Fé escreveu um documento em que afirma que “no Antigo Testamento, ‘Israel tem a experiência de que a doença está misteriosamente ligada ao pecado e ao mal’. Entre os castigos com que Deus ameaça o povo pela sua infidelidade, as doenças ocupam espaço de relevo (cf. Dt 28,21-22.27-29.35). O doente que pede a Deus a cura reconhece que é justamente castigado pelos seus pecados (cf. Sal 37; 40; 106,17-21)” (Instrução sobre as orações para pedir a cura, n. 1).

Por fim, Nossa Senhora de Fátima disse à pequena Jacinta Marto: “as guerras não são senão castigos pelos pecados do mundo.

Mas, pasmem, leitores! A CNBB, do alto de sua petulância, diz o contrário!

E o faz simplesmente porque a própria CNBB é um castigo mais do que suficiente para os católicos do Brasil e é uma prova de que, sim, Deus castiga!

Tags: