Posts tagged ‘CNBB’

27 maio, 2019

Terror no Vaticano.

Por FratresInUnum.com, 27 de maio de 2019 – Mais um final de semana difícil para o papa argentino. Depois de semanas de uma campanha feroz contra o vice-primeiro ministro italiano Matteo Salvini, o único resultado que Papa Francisco conseguiu foi eleger o seu partido com ainda mais força nas eleições para o Parlamento Europeu.

A vitória do partido  de Salvini é a derrota de Francisco e do subserviente episcopado italiano, que não economiza bajulações ao bispo de Roma. O povo não suporta mais o discurso esquerdista de Bergoglio, cuja obsessão pelos “imigrantes” chegou ao ápice do delírio. Entre um político que fala de Deus e um papa que fala de política, o povo italiano fez a sua escolha.

Contudo, não foi apenas a vitória de Salvini. Le Pen derrotou Macron na França, os Brexit levaram nova vitória do Reino Unido, Orban ganhou com vantagem na Hungria, a Polônia impôs sua agenda conservadora… A Europa começa a tomar um novo rumo e o pontificado de Francisco isola-se no rumo oposto, suicida-se na irrelevância, dando provas de seu completo autismo, incapaz de ser outra coisa que uma prorrogação do governo de Barack Obama.

No Brasil, o sucesso das manifestações também frustrou os críticos esquerdistas, especialmente os eclesiásticos. Em clima pacífico, com discurso ostensivamente anti-comunista e em defesa de todos os valores conservadores (vida, família, nação, propriedade privada, tradição), a população não deixou de ostentar a sua fé, realizando inclusive piedosos momentos de oração, coisa impensável há dez anos, e, vale dizer, com zero protagonismo do clero.

Francisco, a CNBB e a esquerda “católica” perderam o povo, a força moral e o contato com a realidade. Inúteis são seus esforços de fingir relevância e dignidade, declarando, como Dom Walmor, que “estamos abertos ao diálogo”. Eles não entenderam. Ninguém quer dialogar com gente sem importância.

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23 maio, 2019

“Não darei recados para o presidente. Vou me oferecer para o diálogo”.

Por Veja, 23 de maio de 2019 – Neste mês, o arcebispo de Belo Horizonte, Walmor Oliveira de Azevedo, tornou-se o 13º presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A escolha, feita por cerca de 70% dos 296 bispos de todo país, deixou para trás o forte candidato ao cargo, o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Com doutorado em Teologia Bíblica, dom Walmor também integra duas congregações de peso no Vaticano – para as Igrejas Orientais e a da Doutrina da Fé. A eleição do arcebispo representa uma Igreja mais preocupada com a volta às raízes da fé do que com posições políticas, papel que calcou a história da CNBB.

O senhor é considerado um bispo de centro-esquerda. O que isso significa?

Não sou de direita ou de esquerda nem de centro. Tampouco progressista ou conservador. A Igreja não pode se pautar em ideologias. Me autodefino como aquele que quer voltar às fontes do Evangelho. É dessa postura que vem o equilíbrio de que tanto precisamos nesses tempos de polarização. A polarização separa e isola.

A CNBB já teve influência política e social como poucas associações religiosas no Brasil. Ela não deve ter mais esse papel?

A CNBB tem de se reaproximar do Evangelho. Voltar ao Evangelho é revestir-se de uma sabedoria que não vem de si mesmo, mas da sabedoria de Deus. Dessa forma passamos a compreender a vida de forma diferente: amando os inimigos, indo ao encontro daqueles que sofrem, sendo solidários, perdoando. Essa deve ser a essência da CNBB – não ser do partido A ou B. A CNBB não é um clube de amigos e tampouco uma ONG ou um partido. É a congregação de todos os bispos do Brasil com a força da Igreja. A força política da CNBB e da Igreja é ajudar a construir uma sociedade justa e fraterna.

O católico deve se afastar da política?

Isso é outra coisa. Os fiéis precisam se envolver mais com a política. Mas sempre pautados pela moralidade inegociável e a serviço do outro.

Metade dos católicos votou em Jair Bolsonaro, um presidente que fez da liberação do porte de armas um dos principais motes de sua campanha. Não é paradoxal um católico usar uma arma?

A arma, não só para o católico, mas para todos os cristãos, deve ser o amor. O cristão tem de pegar naquilo que promove a vida. O nosso caminho é o da paz, da construção de uma sociedade pacífica. Mas os católicos são livres para fazer escolhas. Precisamos olhar o contexto complexo da sociedade brasileira. O contexto atual mostrou nossas dificuldades políticas. Uma escolha feita, há um desafio enorme para dar um passo à frente.

“Não sou de direita ou de esquerda nem de centro. Tampouco progressista ou conservador. A Igreja não pode se pautar em ideologias”

 

É de praxe o novo presidente da CNBB se encontrar com o presidente da República logo após a eleição. Qual é a sua expectativa para esse encontro?

Vamos nos encontrar muito em breve. Quero ouvi-lo e poder compartilhar com ele a força do Evangelho. Não darei recados. O que desejo de coração aberto é me oferecer para o diálogo. Isso é importante para todos os lados, mesmo que haja diferenças entre eles. Ninguém é dono da verdade. A verdade é Jesus Cristo. O exercício da Presidência, de um cargo público, independentemente da escolha religiosa, tem que ser baseado sempre na abertura ao diálogo e na moralidade. O objetivo tem que ser o bem do povo brasileiro.

Em sua opinião, o presidente é um bom representante da moralidade?

Nenhum de nós representa a moralidade. A sociedade brasileira, incluindo os cristãos, tem mostrado vergonhosamente que, sob o ponto de vista moral, tem um longo e urgente caminho a percorrer. Todos nós temos de ser mais coerentes com a fé que professamos, o Deus ao qual nos referimos. Esse é o grande desafio. Somos todos pecadores. Temos que construir um caminho oferecendo o que temos de melhor. Ter opções diferentes e conflitos de escolhas faz parte de uma sociedade pluralista. Mas quando alguém diz que Deus está acima de tudo, está se comprometendo a colocar o amor, a justiça e a verdade acima de tudo.

Os institutos de pesquisa indicam que em 2032 o número de evangélicos irá superar o de católicos no país. A Igreja Católica errou?

Não diria que a Igreja errou. Ela tem sido profundamente desafiada a ter novas respostas na complexidade e na rapidez das mudanças culturais da sociedade. A Igreja não pode se preocupar com números. Os números mostram muita coisa, claro. Mas o mais importante está além deles.

Por que o número de evangélicos tem crescido tanto?

As estatísticas mostram o crescimento de evangélicos, mas também de grupos católicos. Acredito mais no trânsito religioso do que no crescimento em uma só religião.

“A sociedade brasileira, incluindo os cristãos, tem mostrado vergonhosamente que, sob o ponto de vista moral, tem um longo e urgente caminho a percorrer”

 

A Igreja se afastou do fiel?

Temos uma capilaridade, mantemos serviços sobretudo com os pobres e sofredores. Mas temos um desafio, como diz o papa Francisco, que é o de chegar às periferias espirituais e geográficas.

A Renovação Carismática foi um movimento que, apesar de ter arregimentado fiéis, não é vista com bons olhos por muitos na cúpula da Igreja. Qual é a sua opinião sobre eles?

O caminho evangelizador da Igreja é encontrar nos movimentos eclesiais uma grande força. Eles congregam pessoas. Trata-se de uma grande força e todos são muito bem-vindos. Mas não podem ter uma conotação pessoal. Ou seja, quando a pessoa aparece mais que o Evangelho. Eles devem ser pautados nas raízes da fé e da tradição. A fé não deve ser confundida com sentimentalismos e isso vale para toda a Igreja. Os padres cantores, por exemplo, têm o desafio de não se tornarem meramente artistas. Se são evangelizadores, que o sejam. Que usem seus carismas e disposição e não tornem um projeto algo meramente pessoal. Temos de estar a serviço da Igreja.

Os discursos e as ações do papa Francisco têm causado polêmicas dentro e fora da Igreja como pouco se viu na história moderna da instituição. O que o senhor pensa disso?

O papa é profundamente enraizado na riqueza inegociável da tradição da Igreja. A tradição é um patrimônio. No contexto atual de muitas mudanças, corremos sempre o risco de interpretações inadequadas. Ele inclusive. Não estamos num tempo monolítico. Mas num tempo de pluralidade, que contempla opiniões diversas. Portanto, o papa é atingido por isso. A Igreja tem uma reserva de fé e de princípios morais e éticos que são intocáveis. Não podemos negociar ponto algum. Não podemos falar de matrimônio de pessoas do mesmo sexo, por exemplo, porque é um sacramento entre homem e mulher. Mas a Igreja é misericordiosa e não faz a acepção de pessoas. Não alimenta preconceitos.

O papa Francisco tem exposto e combatido duramente casos de abusos sexuais na Igreja. A Igreja brasileira tem seguido esse caminho?

É importante lembrar que a porcentagem de crimes cometidos no clero é muito menor do que acontece na sociedade em geral, dentro das famílias, inclusive. Estamos fazendo um Vade mecum, sobre isso. Um passo a passo naquilo que é importante sobre as vítimas e no que compete à punição canônica e àquilo que a sociedade civil tem de fazer. Independentemente de qualquer coisa, a tolerância é zero.

12 maio, 2019

Foto da semana.

CNBB 2019

Aparecida, 10 de maio de 2019 – Passagem de comando: a antiga presidência da CNBB passa o comando à nova, eleita na Assembleia Geral dos Bispos que se encerrou na última sexta-feira, em Aparecida, SP. Leia a nossa análise da eleição.

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10 maio, 2019

Uma Conferência empedernida e irremediável.

Por FratresInUnum.com, 10 de maio de 2019 – Popular, sorridente, amigo de todos. Dando bom dia até para as paredes. Assim entrou Dom Jaime Spengler na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que termina hoje, em Aparecida, SP. Mas, como diz o famoso ditado: “No conclave, quem entra papa, sai cardeal”. E assim se fez! A chamada “máfia franciscana”, capitaneada por Dom Cláudio Hummes e Dom Leonardo Steiner, perdeu a presidência da CNBB. Com a eleição de Dom Joel Portella Amado para o cargo de Secretário Geral  e de Dom Walmor de Oliveira Azevedo para a presidência, eles tiveram de se contentar com a modesta posição de vice.

Eleição na CNBB 2019 – Da esquerda para a direita: Dom Jaime Spengler, eleito vice-presidente. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, eleito presidente. E Dom Mário Antonio Silva, bispo de Roraima, segundo vice-presidente.

A eleição de Dom Walmor, por sua vez, não foi fruto de uma decisão autônoma dos bispos brasileiros. Muito pelo contrário! Se até então eles sempre manifestaram reservas quanto às indicações romanas – a própria presença do núncio apostólico nas assembleias da conferência sempre foi encarada com antipatia –, agora, deram provas da mais absoluta submissão às indicações de Francisco. Como anunciamos meses atrás, a eleição de Walmor veio pronta da Cúria Romana e sua autoria, segundo fontes, é do brasileiro Ilson Montanari, Secretário da Congregação para os Bispos.

Porém, o surto de papismo do episcopado tupiniquim não se limitou ao chancelamento de uma decisão romana quanto à eleição do presidente da CNBB, mas também derramou-se em manifestações de uma devoção papal calorosa e entusiasmada. A autoridade de Francisco foi evocada como argumento inapelável e a sua vontade sondada como se fosse o querer do próprio Deus! Os bispos, tais como adolescentes histéricos diante de um popstar, não economizaram hosanas à autoridade de Bergoglio.

Falsidades à parte, é obvio que o teatro é fruto não de uma convicção teológica, mas do medo, do temor servil, do pânico de serem suspeitos de qualquer crítica ao bispo de Roma. Controlados por fiscais de todos os lados, mais temerosos de uma pena canônica seguida de remoção do episcopado que cobiçosos de uma ascensão na carreira eclesiástica, os bispos brasileiros se reduziram (ou foram reduzidos) abaixo do nível dos coroinhas de qualquer sacristia e, como noviças apavoradas, fazem as graças com um postiço sorriso amarelo.

Enquanto isso, Francisco alegremente celebra o poder, pois prefere ser temido que amado, assim como os ditadores, cuja mera lembrança provoca nos remotos súditos chiliques de uma obediência idolátrica e cega.

O desespero papista fez os bispos se rivalizarem no esquerdismo e, portanto, aclamarem euforicamente qualquer protesto contra o governo como se fosse a proclamação de um dogma. Todos comentam, nos corredores da CNBB, que há muito não se via um ambiente tão libertador quanto nesta assembleia.

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Embora todos soubéssemos que, tão cedo viesse um governo de direita, o “profetismo” adormecido nos tempos do PT acordaria com violência, todo esse papismo subserviente pouco ou nada combina com a rebeldia corajosa de quem se encoraja apenas quando protegido pelos muros da discrição e pela aprovação de seus pares.

A assembleia termina exatamente como começou: em um clima de medo e insegurança. Os bispos são cientes de que estão mais desprotegidos do que nunca, quer pela ameaça papal que paira sobre as suas cabeças, quer pela vulnerabilidade diante de um clero astuto e articulado, quer pela vigilância dos leigos, não mais passivos e silenciosos como nas décadas anteriores. De fato, “nós estamos no meio deles” e sabemos muito bem quem eles são.

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7 maio, 2019

Adeus, Steiner.

Não deixará saudade. Dom Joel Portella, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, eleito secretário geral da CNBB.

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6 maio, 2019

Dom Walmor eleito.

FratresInUnum.com – 6 de maio de 2019 – Como tínhamos anunciado, a 57ª. Assembleia Geral da CNBB acaba de eleger como presidente Dom Walmor Oliveira e Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, o qual teria sido indicado, segundo fontes indiscretas, pelo Secretário da Congregação para os Bispos, Dom Ilson de Jesus Montanari.

Se, de um lado, a CNBB demonstra endurecer em seu posicionamento esquerdista e contra o governo Bolsonaro, por outro lado, “hay que endurecer, pero sin perder la TERNURA“.

É muito significativo que os bispos obedeçam bovinamente a Francisco, talvez com medo das sanções previstas no Motu Proprio “Como uma Mãe amorosa”. Como Perón, Francisco não quer ser amado, mas temido pelos seus súditos.

Aliás, é sempre bom lembrar que é costume antigo de Bergoglio colocar no poder pessoas que tenham, como dizem os italianos, um “esqueleto no armário”. Depois, com um estalar de dedos, basta descartá-las na lata do lixo da história. McCarrick que o diga!

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5 maio, 2019

Eleição da CNBB – A corrida.

Por FratresInUnum.com, 5 de maio de 2019 – Já foi dada a largada para a eleição do futuro presidente da CNBB. Correm pelos corredores os seguintes nomes: Dom Walmor Oliveira e Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte; Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre; e Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo.

As urnas de votação na Assembleia dos bispos.

O nome do arcebispo mineiro cresce nas últimas horas. O lobby que o representa está a cada segundo menos tímido. Como anunciamos em artigo anterior, Dom Walmor teria sido objeto pessoal da promoção de ninguém menos que Dom Ilson Montanari, secretário da Congregação para os bispos. Enfim, um time não propriamente homofóbico.

A eleição parece que correrá entre Walmor e Spengler, um representante muito estimado da conhecida “máfia franciscana”, cujo expoente maior é Dom Cláudio Hummes, hoje nomeado por Papa Francisco como relator do Sínodo da Amazônia.

Neste embate, não é impossível que desponte o terceiro candidato, Dom Odilo, cuja eleição representaria, sem dúvida, a vitória de uma ala mais moderada e de menor oposição ao governo Bolsonaro.

Seria muito previsível que, dado o ódio atual dos bispos da CNBB ao presidente da república, houvesse uma radicalização, a qual não seria de todo ruim. De fato, o descolamento dos bispos em relação ao povo é um fato consumado. Não seria ruim se as máscaras caíssem ainda mais e o laicato católico visse com toda nitidez que os seus bispos não abrem mão do PT e do presidiário Lula.

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4 maio, 2019

Por detrás dos abraços e tapinhas nas costas…

FratresInUnum.com, 4 de maio de 2019 – Aparecida. Assembleia dos bispos em andamento. Clima pesado! A devoção a Bergoglio nunca esteve tão fervorosa… Ele é o único argumento.

Qualquer bispo que suba à tribuna para tecer críticas ao governo Bolsonaro, defender índios e quilombolas, protestar contra o desarmamento e a reforma da previdência, é aplaudido com entusiasmo.

Exatamente como denunciou Dom Angélico Sândalo Bernardino dias atrás, não se mencionam os nomes para a eleição da presidência na próxima segunda-feira. Entre os próprios bispos, vige certa perplexidade. Tudo corre de modo discreto, talvez porque a eleição já esteja resolvida e Dom Jaime Spengler e Dom Joel já estejam eleitos, talvez porque tenham medo dos infiltrados (do Fratres?).

Infelizmente, a CNBB acomodou-se orgulhosamente à sua tradicional posição petista e, como dizia Augusto Nunes no programa “Os Pingos nos Is” de ontem, na Rádio Jovem Pan, “com isso, a CNBB se tornou uma entidade parecida com a UNE, não tem maior representatividade, não tem a maior importância, só trata de política”.

Os conservadores (sim, dizem que há alguns lá — um deles, usa batina o ano todo, mas na Assembleia tira, “corporativisticamente”, o clergyman do armário), por sua vez,  fazem o que podem: estão astuciosamente articulando uma roda de sanfona para o fim do encontro.

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23 abril, 2019

Eleições CNBB 2019. Jaime Spengler: a carta na manga?

Por FratresInUnum.com, 23 de abril de 2019 | Não, nós não nos esquecemos dele. Acontece que precisamos proceder por partes (ver artigo anterior) e, agora, nos toca falarmos do exímio candidato daquela que os próprios bispos da CNBB chamam jocosamente de “A máfia franciscana”.

Sim, é ele mesmo: Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada.

Dom Jaime Spengler

Muito chegado à Nunciatura Apostólica no Brasil, o temido Dom Jaime foi o inquisidor nomeado para investigar a conduta dos Arautos do Evangelho (dizem que militou nas fileiras da TFP durante sua juventude), trabalho que executou com muita dedicação, com vistas a agradar bastante o Papa Francisco e – quem sabe? – receber dele um barrete cardinalício.

De fato, não é de hoje que correm boatos de que ele sucederia Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e, portanto, arcebispo primaz do Brasil, mas a quem a misericórdia do papa argentino resolveu não outorgar o cardinalato. Spengler, ao contrário, foi bem mais “franciscano” e já garantiu as graças do pontífice reinante antes mesmo de ser “promovido”… Afinal de contas, “é dando que se recebe”, não é mesmo?

Rumo ao pódio cardinalício, Spengler pretenderia, antes, conquistar a presidência da CNBB? Embora Dom Leonardo Steiner, também franciscano, possa ter pretensões de perpetuar-se no poder sobre os bispos – tudo em nome do famoso “Reino”, entenda-se! –, é possível que tanto ele quanto Dom Walmor sejam apenas usados para a se destruírem e deixarem o lugar para Spengler. A propaganda eleitoral já começou.

Da ala de “centro-direita”, espera-se alguma articulação envolvendo Dom Orani Tempesta e seu bispo auxiliar, Dom Joel Portela, que, sussurram nos corredores, seria o candidato de consenso para Secretário Geral. Não surpreenderia se, no caos, surgisse o nome de Dom Odilo Scherer para apaziguar os ânimos de um episcopado cada vez mais dividido e em completo descrédito.

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14 janeiro, 2019

O estilo Krieger.

FratresInUnum.com, 14 de janeiro de 2019 – “O estilo é o homem”. A frase, imortalizada pelo conde de Duffon, sintetiza decerto uma verdade também imortal. A análise atenta de um texto pode revelar a sinceridade do seu autor ou, ao contrário, a sua perversidade, a inconsistência da sua impostura, a sua tentativa de manipulação das palavras como instrumento para adulterar a realidade.

Nem ainda completou-se uma quinzena do novo governo e aqueles que outrora se reduziram a cortesãos dos governos do PT – sim, eles mesmos, os bispos de corte, os membros da CNBB –, os mesmos que se resignaram a um silêncio obsequiosíssimo ante todos os escândalos de corrupção e aberrações morais e políticas de Lula, Dilma et caterva, agora começam a colocar as “unhas de fora”. O primeiro a sair da toca é ninguém menos que Dom Murilo Krieger, arcebispo primaz do Brasil.

Em artigo publicado no dia 11 de janeiro no site da CNBB, o arcebispo de Salvador se propõe a dar critérios para a escolha de prioridades em relação ao caos político em que jaz o Brasil.

Do nada, ele simplesmente puxa um assunto: “de repente”, escreve ele, “um tema começou a ganhar grandes proporções nas redes sociais: o do direito de todo cidadão brasileiro poder andar armado”. Como assim, “de repente”? O arcebispo da capital baiana finge desconhecer que o referendo de 2005, que tentava proibir a venda de armas de fogo no Brasil, foi rechaçado em massa pela população brasileira, em franco desprezo pela orientação da CNBB; ele faz de conta que a discussão não existe, que se trata de uma excentricidade de momento; ele disfarça que não há diferença alguma entre posse e porte de armas… E deve cruzar os dedos para que ninguém perceba a simulação.

Contudo, no mesmo parágrafo, ele escreve que “em nenhum país se mata mais do que no Brasil”, sonegando ao leitor o número real desses homicídios, que não param de crescer, chegando ao desesperado número de 70 mil assassinatos por ano. Esta sonegação, porém, não é ingênua. Ele mesmo, ao final deste parágrafo, ironiza os números citando alguém que lhe dissera: “Estatística é a arte de espremer os números, até que eles provem o que queremos”.

Acontece que isso não são meras estatísticas, são vidas humanas reais, tão reais quanto a nossa e a dele. O arcebispo, porém, não é capaz de enxergar a realidade. Ele se perdeu num discurso completamente abstrato, está intoxicado por trás de uma cortina de fumaça verbal que lhe deu licença moral para desconsiderar o sofrimento real dos brasileiros que saem de casa sem saber se irão voltar! Isso é ainda mais grave por ser ele arcebispo de Salvador, uma das capitais mais violentas do nordeste brasileiro!

Em seguida, ele faz uso daquele recurso retórico tipicamente preferido pelos canalhas mais vigaristas da esquerda: contrapõe dialeticamente duas opiniões, colocando-se acima de ambas como um juiz imparcial e onipotente. É óbvio que se trata apenas de fingimento arrogante! De um lado, apresenta razões estatísticas que advogam pela ampliação do direito à propriedade de armas, de outro, elenca tantas outras que defendem a restrição ou manutenção da lei em vigor para, no fim, chegar à conclusão de que não há conclusão alguma e de que todos podem manipular qualquer argumento, inclusive com recursos teológicos, em favor de seu discurso.

A sugestão prática do vice-presidente da CNBB é: “convenhamos: não é o tema mais urgente que precisamos debater neste momento”. Embora reconheça que o problema é grave, diz que o assunto da “segurança pública” é urgente e complexo, e não pode ter uma solução rápida.

O estilo Krieguer é um verdadeiro “samba do crioulo doido”! De um lado, afirma que o Brasil é o país em que mais se mata, de outro, que este não é o tema mais urgente… Como é possível? Será que pode haver tema mais necessário que o da defesa individual do cidadão? Haverá bem mais precário que a defesa da vida? Que outro direito existe se o indivíduo não estiver vivo? Até quando vamos nos esconder por trás de discursos abstratos como o da segurança pública? – Aliás, como se a violência de que são vítimas os brasileiros fosse uma violência pública e não individual (parece bastante evidente que todo assassinato é de um indivíduo e não da sociedade como um todo).

Dom Murilo conclui dizendo que o tema mais oportuno para o momento é o da Campanha da Fraternidade 2019: “Fraternidade e Políticas Públicas”, pois o mesmo “impacta diretamente na vida dos brasileiros” (sic!). Chegaria a ser cômica a proposição do arcebispo Krieger, se não fosse desrespeitosa com a vida dos seus concidadãos.

A falta de nexo lógico da problemática geral com a conclusão que apresenta ao final deixa entrever que a bajulação institucional é a única verdadeira preocupação perseguida pelo autor. É tudo teatro verbal para encobrir o capachismo diante da CNBB, capachismo que o leva produzir um texto argumentativamente incoerente, contraditório, que o faz reproduzir de maneira quase irracional a implicância não apenas contra o governo, mas sobretudo contra o povo que o elegeu justamente por uma de suas promessas, que foi a de facilitar ao cidadão de bem o direito de defender-se diante de bandidos, capachismo, enfim, que esconde apenas a pretenção carreirista de quem desconsidera o povo para devotar-se ao louvor dos seus pares, a fim de não ser posto pra fora, a fim de talvez ser reeleito, a fim de – quem sabe? – subir um pouquinho mais.

O estilo Krieger, pra quem sabe ler, é o estilo suicida de quem se autodenuncia, é o lapso, o ato falho, o flagrante. Seu público são os bispos, ele nem se preocupa com algo que se chama “realidade”.

De fato, se “o estilo é o homem”, aqui, o que vemos está muito aquém não apenas de um estilo coerente, mas de um homem que minimamente também o seja.