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22 maio, 2021

Cardeal Sérgio da Rocha celebra missa “em memória das vítimas da transfobia”.

FratresInUnum.com, 22 de abril de 2021 – Nós nunca pensamos que ele fosse disso… Inclusive, houve até quem duvidasse, que achou que fosse fake news, mas não era: com forte e forçado sotaque baiano, Dom Sérgio da Rocha, cardeal arcebispo primaz do Brasil, anterior presidente da CNBB, celebrou uma Missa “em memória das vítimas da transfobia”, como anunciou o G1.

A transmissão começou com a saudação de uma pessoa que disse: “Boa tarde a todos, a todas e a todes (sic!), eu sou Scarlette Sangalo, sou da comunicação do CPDD, além de transformista. Eu estou aqui, na Capela das Dorotéias, no Garcia, e já já vai começar a Missa em pról dos LGBTs assassinados, trans, lésbicas, gays, travestis, enfim, todas…”

Na sequência, falou Renildo Barbosa, que disse: “vamos assistir este marco histórico, que é uma missa celebrada aqui na Igreja, pelo Cardeal”, o que demonstra bem a consciência profunda que os promotores da celebração tinham acerca do alcance deste fato.

Cada palavra do sermão foi devidamente calibrada pelo cardeal, que teve o trabalho de redigi-lo (ou pedir para que alguém redigisse), a tal ponto que ele chegou ao requinte de evitar a letra Q (de Queer) da sigla LGBTQI+. Mas, no cuidado das palavras, ele não ocultou os seus sentimentos.

“Precisamos dizer ‘não’ à violência nas suas múltiplas faces. A violência contra a população LGBTI+ é um sinal triste de uma sociedade que convive com constantes violações da vida, da dignidade, dos direitos de tantas vítimas de morte brutal. A vida, a dignidade das pessoas, principalmente de grupos sociais mais vulneráveis, têm sido continuamente violadas em muitos lugares. Não se pode justificar nem reproduzir a violência disseminada na sociedade”.

Ele também deu explicações estatísticas: “Dados divulgados este mês sobre as mortes violentas de LGBTQI+ ocorridas em 2020 apontaram que o Nordeste ocupa tristemente o primeiro lugar no número de mortes no país, seguido pelo Centro-oeste. E que as capitais mais violentas foram Salvador e São Paulo… Temos muito a fazer para transformar esta triste realidade e construir uma cultura de fraternidade e de paz, de respeito à vida e à dignidade de cada pessoa, especialmente as que vivem em situações de exclusão social”.

Dom Sérgio valeu-se, na homilia, dos dados do Grupo Gay da Bahia, liderado por Luiz Mott (que, pelo contexto das palavras da Sra. Conceição, que falou ao final da Missa, estava presente na Cerimônia). Estes dados são há muito tempo questionados por checadores, que acusam o grupo de divulgar “casos de mortes por acidente, infarto, bala perdida, troca de tiros com a polícia, disputa de ponto de prostituição entre travestis, mortes ocorridas em outros países e até assassinatos de heterossexuais cometidos por homossexuais como se fossem ‘crimes motivados por homofobia no Brasil’”.

Em todo o caso, considerando-se os dados do Grupo Gay da Bahia, o número de assassinatos de homossexuais no Brasil vem se reduzindo há três anos. A explicação dada por Luiz Mott ao Portal Aids chega a ser incrível: “a explicação mais plausível para a diminuição em 28% do número total de mortes violentas de LGBT em comparação com o ano anterior se deve ao persistente discurso homofóbico do Presidente da República e sobretudo às mensagens aterrorizantes de seus seguidores nas redes sociais no dia a dia, levando o segmento LGBT a se acautelar mais, evitando situações de risco de ser a próxima vítima, exatamente como ocorreu quando da epidemia da Aids e a adoção de sexo seguro por parte dessa mesma população”.

Como Dom Sérgio da Rocha tem coragem de emprestar a Igreja e a sua púrpura cardinalícia para isso? Como pode permitir-se usar como palanque para esse tipo de absurdo? Mas a louvação não para por aí.

Na oração dos fieis, foi feita uma prece especial pelos mortos e familiares da Comunidade LGBTQIA+ (seja lá o que isso queira dizer, é a sigla do momento, até que se adicione outras letras). O cardeal, porém, não quis distribuir a Comunhão (possivelmente para evitar fotos), deixando aos padres que o fizessem. Vale notar que a Assembleia estava constituída por pastores, pais e mães-de-santo, além de militantes do movimento gay da Bahia.

Ao final da Missa, uma transformista cantou “Ave Maria do Morro”. O Cardeal agradeceu emocionado a execução, dizendo, por fim: “espero que, cada vez mais, a Igreja seja misericordiosa, acolhedora e solidária”, sugerindo discretamente maior “abertura”…

O que está acontecendo na Igreja? Além das absurdidades vistas na Alemanha, aqui no Brasil, duas sedes cardinalícias, Rio de Janeiro e, agora, Salvador, tornam-se palcos para a ostentação e naturalização da homossexualidade… O que está acontecendo com os cardeais? Serão ordens recebidas de cima? O que se está preparando? Qual será o apogeu disso tudo? A eleição de um papa abertamente homossexual? 

A que nível chegamos! O Primaz do Brasil, que tradicionalmente é um arcebispo sensato, equilibrado, austero, agora se presta a este tipo de panfletagem… Precisamos rezar muito, pois, com pastores assim, o povo fiel ficará cada dia mais desorientado e a cólera divina será cada vez mais insultada. Eles estão provocando a ira de Deus e isso não pode terminar bem.

16 abril, 2021

CNBzZz…

Imagens da empolgante Assembleia Geral, em andamento virtualmente, da CNBB.

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14 abril, 2021

Dom Júlio Akamine e a sua crítica à Campanha “Sem sacramentos – Sem dízimo”.

Por FratresInUnum.com, 14 de abril de 2021 – É impressionante como o órgão mais sensível no corpo dos bispos seja… o bolso. Quando as suas entradas são ameaçadas, eles reagem passionalmente, sem prestar atenção à lógica ou à coerência, arranjando argumentos de modo frenético.

SSSD

Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Sorocaba, aventurou-se a comentar a tal campanha “Sem sacramentos, sem dízimo”. Deixemo-lo falar:

“Quem propõe e quem participa dessa campanha acusa a Igreja Católica de ser unicamente motivada e movida por dinheiro. ‘Enquanto não doer no bolso, não ouvirão o grito do povo!’ Seguindo nessa direção, o resultado será o da simonia: ‘Você quer o sacramento? Então pague o dízimo! A graça é difícil de ser alcançada? Então o dízimo deve ser mais alto’”.

Este é o núcleo da sua crítica, a tal campanha conduziria ao pecado de simonia. Contudo, o raciocínio do bispo padece da mais flagrante falta de lógica! Inclusive, esta é uma falácia catalogada classicamente no rol dos sofismas, chama-se: non-sequitur.

Em outras palavras, ao alguém afirmar “sem sacramentos, sem dízimo” não se segue uma proposta de uma compra de sacramentos. O arcebispo faz uma sutil inversão da frase para extrair dela um absurdo que não está de nenhum modo suposto na afirmação. Trata-se de uma pura e simples falsificação!

O Código de Direito Canônico afirma que “os fiéis têm a obrigação de prover às necessidades de Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade, e para a honesta sustentação dos seus ministros” (c. 222). Ora, se justamente o culto divino está sendo sonegado dos fieis, é inútil alegar ser um absurdo que eles se esquivem de contribuir.

O Catecismo da Igreja Católica afirma que “A simonia define-se como a compra ou venda das realidades espirituais. (…) É impossível alguém apropriar-se dos bens espirituais e comportar-se a respeito deles como proprietário ou dono, pois eles têm a sua fonte em Deus, e só d’Ele se podem receber gratuitamente. ‘Além das ofertas determinadas pela autoridade competente, o ministro nada peça pela administração dos sacramentos, e tenha o cuidado de que os pobres, em razão da pobreza, não se vejam privados do auxílio dos sacramentos’. A autoridade competente fixa essas ‘oblações’ em virtude do princípio segundo o qual o povo cristão tem o dever de contribuir para o sustento dos ministros da Igreja” (nn. 2121-2122).

Em que momento os fieis estão exigindo comprar os sacramentos? Eles estão apenas mostrando que o dízimo tem relação com o culto divino, que lhes está sendo injustamente sonegado. Quem está agindo como proprietário dos sacramentos? Não seriam justamente os bispos e os padres, que os estão retendo de modo autoritário e clericalista, marginalizando o Povo de Deus?

Falando sobre o dízimo, São Tomás de Aquino diz que “a razão natural dita ao povo o dever de dar o sustento necessário aos ministros do culto divino, que oram pela salvação de seus membros” e diz, também, que “os ministros devem ter maior empenho em procurar o bem espiritual do povo, do que em recolher os bens temporais” (Suma Teológica, II-II, 87, 1).

Ora, quando os ministros sagrados, ao invés de cumprirem o seu dever espiritual, sonegam-no ao povo, furtando-se de ouvir confissões, de dar a Santa Comunhão e mesmo de celebrar Missas, consentindo passivamente naquilo que a autoridade secular determina de modo arbitrário, como alguém pode dizer que o dever de pagar o dízimo ainda se sustente ou, o que é pior, como alguém pode afirmar que dizê-lo equivaleria ou conduziria ao pecado de simonia?

Muito pelo contrário, a lei da Igreja proíbe que alguém administre sacramentos por simonia (c. 1380). Como explicar que haja bispos que celebram constantemente em certas paróquias ricas justamente porque estas lhes pagam espórtulas mais altas que as outras pobres paróquias? A Igreja proíbe, também, a concessão de um ofício eclesiástico por simonia (c. 149). Ora, o que dizer desses bispos que sempre colocam a sua patota nas paróquias mais ricas e recebem presentes ou mesadas?

Dom Júlio conclui o seu artigo com um chamado à conversão: “É por isso que sou obrigado, a contragosto, a alertar contra essa campanha: não podemos, não devemos, não queremos ceder ao pecado da simonia! É minha obrigação chamar os pecadores à conversão, sem esquecer a necessidade de buscar a própria e de fazer penitência pelos pecados próprios e alheios”.

Pois bem, se Dom Júlio chama de simonia aquilo que não o é, deveria exortar à conversão publicamente, como faziam os santos padres, aqueles que o fazem realmente e que estão se beneficiando do dinheiro suado do povo trabalhador. De nossa parte, convidamos humildemente este arcebispo a cumprir o seu dever de reparação. Seja lá quem for que tenha feito a tal campanha (aliás, muito pouco difundida), não tem absolutamente a intenção de simonia. O bispo incorre aqui em difamação, calúnia, juízo contra o próximo, todos pecados contra a veracidade e, sobretudo, contra a caridade.

Em todo caso, o que mostra muito bem a reação apaixonada do arcebispo de Sorocaba é que as pessoas que moveram esta iniciativa, cuja assertividade não queremos julgar, partiram de uma constatação verdadeira: os bispos não estão sentindo na pele a privação dos sacramentos dos seus fieis justamente porque eles são generosos e não estão deixando faltar ofertas no Templo de Deus. É triste! Abandonou-se Cristo por Mamon, abandonaram-se as ovelhas para viver apenas daquilo que elas podem dar: o leite, a carne, a lã, a vida.

9 abril, 2021

STF decide que o Estado pode impedir cultos presenciais. O silêncio dos bispos e a reação dos católicos.

Por FratresInUnum.com, 9 de abril de 2021 – Por 9 votos contra 2, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os Estados e Municípios têm o direito de impedir as missas e cultos religiosos presenciais. Enquanto isso, o silêncio da CNBB grita e acusa o seu consentimento diante de uma decisão que deixa os católicos perplexos. 

Mas, e se a votação do STF tivesse sido favorável às Igrejas e deixasse o assunto para a discricionariedade dos bispos? A conclusão seria a mesma: a maioria dos bispos manterias as Igrejas fechadas. A única diferença que a decisão teve, em relação aos católicos, foi a de tirar o peso desta decisão dos ombros dos nossos prelados. O que muito lhes conveio! 

Já na noite de sábado, 3 de abril, Vigília Pascal, a liminar do ministro Nunes Marques liberava a celebração pública das missas, o que favoreceria os fieis que quisessem ao menos assistir a Missa de Páscoa. Houve bispos e padres que decidiram abrir imediatamente as igrejas, tomando todas as precauções sanitárias que o momento exige; precauções, diga-se de passagem, que não podem ser tomadas nos ônibus e trens superlotados, que o nosso povo precisa tomar todas as manhãs para tentar sobreviver no meio desse caos econômico.

A maioria dos bispos, porém, a despeito da liminar, resolveu manter as Igrejas fechadas. Há poucos minutos, o Governador João Dória Júnior disse que o Estado de São Paulo progride da fase emergencial para a fase vermelha, mas que os templos continuam fechados e o Paulistão volta a rodar (por pura pressão da Federação Paulista de Futebol).

Em outras palavras, está provado que as decisões dependem da pressão das autoridades eclesiásticas, cuidadosamente omitida por razões ideológicas.

A propósito, a decisão do STF deve ter sido comemorada efusivamente pela CNBB, que aderiu à seguinte lei: Igrejas vazias e cofres cheios, não deixem de doar.

Durante a Audiência Pública, nenhum bispo ou padre compareceu; foram apenas pastores e representantes de Igrejas evangélicas e um (hum, 01, one) católico que representou todos os fieis que desejam receber os sacramentos. A defesa de Taigara Fernandes, além de brilhante, trouxe outras realidades à tona.

Em primeiro lugar, por que não havia ali nenhum representante da CNBB ou mesmo algum bispo ou padre? Será que não existem clérigos que tenham posições divergentes a respeito, já que o assunto não é dogmático? Por que os bispos contrários à abertura das Igrejas não pediram voz e preferiram agir nos bastidores? Por que os bispos favoráveis também não resolveram falar? 

O motivo é simples: politicagem eclesiástica. Os favoráveis a que o Estado determine o fechamento das Igrejas não querem dar a cara para não atrair a cólera dos fieis; aqueles que são contrários, preferem guardar silêncio para não se indisporem contra o establishment cnbbístico. Em suma, tudo não passa daquela velha covardia dos pilantras.

Mas, em segundo lugar, a coragem de um católico leigo que, em nome do Centro do Bosco, entidade civil que agrega leigos, mostra o rosto e diz aquilo que a Igreja deveria dizer revela um panorama paradigmático.

Em 1996, o Pe. Ignace de la Potterie, conhecidíssimo exegeta, jesuíta, amigo de Joseph Ratzinger, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, portanto, àquela altura, custódio do segredo de Fátima, deu uma entrevista ao Jornal da Conferência Episcopal Italiana, Avvenire, em que disse: “Tem realmente razão Nossa Senhora em Fátima: os leigos salvarão a Igreja dos sacerdotes e dos bispos”. 

A frase, apesar de ser desconcertante e de não aparecer em nenhum dos documentos publicados sobre Fátima, é muito coerente com outras afirmações de testemunhas do segredo.

Dom Alberto do Amaral, bispo emérito de Fátima, numa conferência de 1984, afirma: “O segredo de Fátima não fala nem de bomba atômica nem de artefatos nucleares […]. A perda da fé de um continente é pior que a destruição de uma nação; e é verdade que a fé diminui continuamente na Europa. A perda da fé católica na Igreja é bem mais grave que uma guerra nuclear” (declaração desmentida em 1986, mas depois confirmada em março de 1995).

O cardeal Alfredo Ottaviani, numa conferência de 1967, diz: “Eu tive a graça e o dom de ler o texto do terceiro segredo. […] Posso lhes dizer apenas isto: que virão tempos muito difíceis para a Igreja e que é preciso muita oração para que a apostasia não seja grande demais”.

Ainda mais explícito é o conteúdo de uma carta do cardeal Luigi Ciappi, por muito tempo teólogo da Casa Pontifícia, endereçada ao professor Baumgartner. Na missiva, escrita em 2000, mas tornada pública em março de 2002, o purpurado revela: “No terceiro segredo se prevê, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará do seu ponto mais alto”.

Ora, o que estamos vendo bem diante dos nossos olhos? A maioria do clero caiu na irreligião e no naturalismo e renunciou à sua missão sobrenatural, diante do silêncio cúmplice da outra parte, que resolve resistir em silêncio. A única voz que sobressai é a dos leigos. 

São os leigos, pais e mães de família honrados, a conservar a fé católica sem concessões ecumênicas ou maçônicas, são aqueles cristãos de respeito, não manchados pela torpeza da sodomia ou pelo dinheirismo, pela aburguesamento ou pelo egoísmo, aquelas famílias numerosas e destemidas que estão recebendo a graça de Nossa Senhora para este momento de grande bagunça dentro e fora dos muros da Santa Igreja.

Temos que permanecer firmes, pois os pastores nos abandonaram à fúria dos lobos. Eles realmente pensam que nós todos somos negacionistas e estão cegados por esta falsa preocupação pela vida – “que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?”.

Nós não estamos sós: a Virgem de Fátima nos está conferindo graças e mais graças para a luta. Mais do que nunca, é a hora de os fieis católicos leigos manifestarem sua filial e respeitosa RESISTÊNCIA

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5 abril, 2021

Mais católico que… os bispos!

FratresInUnum.com, 5 de abril de 2021. – O dia da mentira já passou, mas há verdades tão inverossímeis que parecem não verdadeiras. Antigamente, quando alguém queria usar uma hipérbole para se referir ao excesso de devoção de alguém, dizia que fulano “é mais católico que o papa”. Bem… Chegamos ao fundo do poço. Agora é oficial: um ministro do STF pode ser mais católico que um bispo. Explicamos.

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No último sábado, o Min. Kássio Nunes, do STF, emitiu uma liminar autorizando as Igrejas a realizarem cultos públicos com a lotação de 25% da sua capacidade: isto não equivale a uma restrição, mas ao reconhecimento de que o Estado não pode exigir menos do que isso, dado ser o culto público reconhecido como uma atividade essencial, direito que a Constituição chama inviolável.

Ora, o que se esperaria de um prelado da Igreja Católica em pleno domingo de Páscoa? Que rapidamente organizasse celebrações para os fiéis, seguindo as normas sanitárias. Mas…, nem na ficção jamais se viu tamanha impiedade e cegueira ideológica: muitos, diríamos mesmo a maioria, dos bispos mantiverem a decisão de conservar as Igrejas fechadas e de privar os fiéis dos sacramentos.

Em outras palavras, um ministro do STF é capaz de reconhecer a essencialidade do culto, essencialidade que um bispo nega em favor de uma genérica “defesa da vida”.

Ora, mas seria realmente impossível que se organizassem serviços religiosos sem aglomeração? Por exemplo, uma paróquia não poderia distribuir a Comunhão fora da Missa, como sempre se fez na Igreja, num intervalo largo de tempo, em que as pessoas entrassem e saíssem? Os liturgistas modernos desdenham dessa alternativa, pois supervalorizam a “participação comunitária”, esta mesma que agora eles inviabilizam com o seu fanatismo liturgicista do “tudo ou nada”.

Obviamente, a decisão monocrática do ministro pode ainda ser revertida pelo plenário do Supremo, mas, neste ínterim, ao menos fica escandalosamente respondida a questão que se faz parodiando a Escritura: “mas algo de bom pode vir do STF?”, pelo jeito ao menos não algo tão ruim quanto o que vem da cabeça destes nossos “pastores” (as aspas aqui são propositais, pois eles se comportam como mercenários – para utilizar a linguagem de Nosso Senhor no Evangelho de São João –, mercenários que apenas querem o dinheiro do povo, enquanto dispersam as ovelhas à mercê dos lobos).

Os neopentecostais é que se aproveitarão muito bem da situação e promoverão seus cultos de curandeirismo e exorcismo, atirando os católicos na sua superstição, enquanto os padres bons-moços desertam da batalha, com o consolo de serem mui obedientes aos seus bispos e de viveram a “comunhão”.

A situação tem algo de paradigmático, mostra exatamente a essência desta nova religião humanista professada pelo novo clero, formado segunda a mentalidade da teologia moderna: não importa mais a vida espiritual, a oração e os sacramentos; a única coisa que importa é a vida natural, a saúde e os direitos humanos. O novo credo dessa religião não admite a transcendência de Deus e a salvação da nossa alma, quer apenas imanentizar a esperança cristã, ensinando o homem a ter bem-estar e justiça social. As celebrações litúrgicas e os sacramentos não são vistos por eles como um bem em si mesmo, mas apenas como um momento para doutrinar o povo segundo as suas ideologias.

Realmente, o mundo virou de ponta-cabeça. Nós podemos esperar mais fé de um ministro do supremo do que de um pastor de almas. Se mesmo durante uma epidemia, como o povo não pode contar com o amparo dos padres, não é de se admirar que encontre guarida nos braços de um pastor evangélico. O cenário de um Brasil católico se torna cada vez mais longinquamente pretérito; o que se vai desenhando é um triste panorama: o futuro do Brasil é a confusão e o protestantismo.

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28 março, 2021

Bispos abelhudos – A nota desastrosa do Regional Sul 2 contra o tratamento precoce da COVID19.

FratresInUnum.com, 28 de março de 2021 – Os bispos e essa sua mania meter o focinho onde não são chamados!… O clericalismo anda a solta na Igreja do Brasil e, com ele, esta mania desgraçada de sempre querer pôr a colher e dar palpite em assuntos que extrapolam a sua alçada.

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A nota dos bispos do Paraná. Fonte: Gazeta do Povo.

Os bispos precisam entender uma coisa simples: quando o assunto é medicina, química, matemática, política, futebol, culinária, eles são leigos, ou seja, devem deixar os especialistas falarem e não se meterem em polêmica. O assunto não lhes diz respeito! É simples assim

Chega a ser chocante essa dissonância, sobretudo entre estes que se gabam continuamente de serem os grandes defensores do Vaticano II, que, na Constituição Gaudium et spes propagou a ideia da “justa autonomia das realidades terrestres”, chegando a defender que “seja permitido deplorar certas atitudes de espírito que não faltaram entre os mesmos cristãos, por não reconhecerem suficientemente a legítima autonomia da ciência e que, pelas disputas e controvérsias a que deram origem, levaram muitos espíritos a pensar que a fé e a ciência eram incompatíveis” (n. 36).

Sem entrar no mérito da validade desta afirmação conciliar, é escandaloso que bispos se dêem ao trabalho de arbitrar entre tratamentos médicos que não ferem a lei natural e não implicam em nenhum tipo de desordem moral. É absurdo que pastores, por pura sanha política, se coloquem numa posição pró e contra numa questão eticamente aberta e a despeito de toda e qualquer competência no assunto.

Pois foi exatamente isso que fez o Regional Sul 2 da CNBB, que abrange todo o Estado do Paraná. Os bispos tiveram a coragem de, mesmo reconhecendo que “as entidades constituídas por tais estudos” (do que se trata isso?, os estudos agora constituem entidades?, que entidades são estas, que foram constituídas por estudos?, que estudos as teriam constituído, sejam elas quais forem?) “não chegaram a uma comprovação científica” e que não existe “recomendação unívoca” por sociedades médicas, dizer solenemente: “afirmamos que o ‘tratamento precoce’ não é opção e orientação da Igreja Católica no Regional Sul 2 da CNBB”. 

Estarrecedor! Isso, sim é o que podemos chamar de obscurantismo! Onde já se viu que, em pleno agravamento de uma pandemia, bispos venham declarar que as suas dioceses têm opção por este tratamento em detrimento daquele?… Chegamos ao suprassumo do desvario por parte dos nossos bispos.

Pior, a nota se conclui com um non sense gritante: depois de conclamar aos “cuidados de prevenção contra o contágio” (entenda-se: “fica em casa!”), terminam com uma frase de Nosso Senhor: “vinde a mim, todos os que estais cansados etc”, enquanto eles trancam as Igrejas e privam os fieis dos sacramentos, sequestrados por eles de modo clericalista. Com os seus gestos, eles estão dizendo aos fieis: “ide, malditos, para o fogo eterno” e não “vinde a mim”. A hipocrisia grita nas próprias palavras deste vergonhoso despropósito.

O resultado de pronunciamentos indignos como este é a completa erosão da autoridade da Igreja. Em outras palavras, estes senhores não percebem que estão a cair no ridículo: como bispos, eles não tem competência para se pronunciar sobre a eficácia de terapias e, portanto, tudo o que dizem a respeito não passa de intromissão e não tem nenhum poder doutrinalmente vinculante; e, como incompetentes em medicina, não são aptos para emitir juízos que sejam clinicamente respeitáveis. Em outras palavras, a nota não passa de uma tolice cuja vergonha poderia ter sido economizada nessa crise de popularidade pela qual passa a CNBB.

Desde que Edward Schillebeeckx inventou essa história de que a Igreja e o mundo são a mesma coisa, os teólogos pararam de falar de Deus e começaram a falar de saneamento básico, política partidária, sexo, uso medicinal da maconha, ecologia ou qualquer outro tema a fim de se enturmarem melhor com as novas agendas do movimento revolucionário. E os pastores seguiram na mesma toada.

Dom Peruzzo, que também teve COVID, seria capaz de divulgar que medicamento tomou? Ou se tratou só com “ciência”, água e culto à Pachamama?

Eles preferem esvaziar seu próprio lugar de fala do que falar dos temas que lhes são próprios: a fé, os sacramentos, os mandamentos e a oração. Os fieis à mingua, morrendo sem nenhuma palavra de conforto, sem nenhum sacramento ou ao menos uma bênção, e eles querendo protagonizar alguma lacração politicamente correta.

Os bispos deveriam parar com esse assanhamento e se conter um pouco, deveriam saber o seu lugar, deveriam ter o mínimo de bom senso e recolher-se à sua própria insignificância, naquilo em que são incompetentes. Parem de enfiar o bedelho onde não foram chamados! Parem de zarolhar! Comportem-se como homens sérios e não como um bando de palpiteiros, atirando a credibilidade do catolicismo no lixo pela sua obstinação em serem bispos abelhudos.  

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17 fevereiro, 2021

Desespero de causa. A Mensagem sobre a CF do Papa Francisco.

FratresInUnum.com, 17 de fevereiro de 2021 – A coisa deve estar fervendo nas altas cúpulas da CNBB. A crise gerada pela divulgação das heresias ideológicas do Texto Base da Campanha da Fraternidade (CF) provocou tal revolta no povo católico que as Excelências tiveram que apelar para o único argumento que lhes restou: o argumento de autoridade patrocinado pela Mensagem do Papa Francisco.

Acontece que, no texto, Francisco não faz senão um endosso do tema da Campanha, o qual não foi nem de longe o objeto da crítica dos fiéis. Deste modo, parecendo respaldar os bispos, Francisco apenas se esquiva das questões ferventes, bem naquele estilo jesuítico atualmente conhecido por todo o orbe católico.

De fato, eles estão desesperados! A hemorragia de críticas se tornou incontrolável e a única alternativa que lhes resta é desfraldar esta pífia nota e rezar (se é que lhes passa pela cabeça tal coisa) para que a fervura se acalme.

Enquanto isso, pelas redes, os fiéis se mantêm firmes e fortes.

O movimento de adesão ocorrido nos últimos dias, que atraiu o apoio de padres e bispos, foi de baixo para cima: ou seja, os pastores apenas atenderam o clamor dos seus fieis e resolveram se posicionar de acordo com eles. Não se trata de uma articulação da hierarquia para mobilizar o povo, mas exatamente o contrário: é o povo que está provocando uma atitude sadia no clero e, quando ele corresponde à altura, é o próprio povo que o aplaude e estimula.

A carta de Francisco chega para tentar inibir especialmente os bispos, mas todos sabem que será impossível silenciar o grito do dos fiéis.

Por outro lado, se o próprio Francisco diz que os pastores devem ter cheiro de ovelhas e que eles precisam seguir sensus fidelium ao invés de lhes impor uma direção, parece que agora ele deixa o campo ainda mais livre para a polêmica sobre os pontos que realmente interessam: a ideologia de gênero, o gayzismo, o sincretismo religioso e, sobretudo, o dinheirismo que está sob isso tudo.

A popularidade do Papa está mais baixa que o Mar Morto e a sua tentativa de salvar a pele dos amiguinhos brasileiros apenas vai deixar os fiéis com mais sangue nos olhos. Era muito mais fácil pedir desculpas, suprimir os textos problemáticos ou até mesmo derrogar o texto base e substituí-lo por outro mais consensual. Mas essa gente veio mesmo é para dividir e cinicamente usar o discurso da “união” como método para calar os discordantes.

O que eles não esperavam era que o povo estivesse tão acordado como está. O flagrante foi dado, as pessoas estão revoltadas, a crise é irreversível, a CF teve a sua maior perda da história e tudo isso apenas serviu para deixar as pessoas ainda mais vacinadas contra a teologia da libertação.

Os poucos padres e bispos que se levantaram são apenas uma ínfima amostra de um movimento silencioso que cresce há décadas e por todos os lados: a CF é uma inciativa odiosa e todo o episódio atual não passa de um boicote barulhento que sucedeu um boicote silencioso que continuará acontecendo, a despeito de cartas papais ou choradeiras episcopais.

Abaixo, a íntegra da Mensagem do Papa Francisco.

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Mensagem do Papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade 2021.

Fonte: Vatican News

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas. O Senhor Jesus, que nos convida a caminhar com Ele pelo deserto rumo à vitória pascal sobre o pecado e a morte, faz-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia. Ele nos convoca e convida a orar pelos que morreram, a bendizer pelo serviço abnegado de tantos profissionais da saúde e a estimular a solidariedade entre as pessoas de boa vontade. Convoca-nos a cuidarmos de nós mesmos, de nossa saúde, e a nos preocuparmos uns pelos outros, como nos ensina na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Precisamos vencer a pandemia e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida. Como indiquei na recente Encíclica Fratelli tutti, «passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta» (n. 35). Para que isso não ocorra, a Quaresma nos é de grande auxílio, pois nos chama à conversão através da oração, do jejum e da esmola.

Como é tradição há várias décadas, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, como um auxílio concreto para a vivência deste tempo de preparação para a Páscoa. Neste ano de 2021, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, os fiéis são convidados a «sentar-se a escutar o outro» e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes «um mundo surdo». De fato, quando nos dispomos ao diálogo, estabelecemos «um paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro» (Ibidem, n. 48). E, na base desta renovada cultura do diálogo está Jesus que, como ensina o lema da Campanha deste ano, «é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade» (Ef 2,14).

Por outro lado, ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade lembra que são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico. Certos de que «devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos», no diálogo ecumênico podemos verdadeiramente «abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus» (Exort. Apost. Evangelii gaudium, n. 244). É, pois, motivo de esperança, o fato de que este ano, pela quinta vez, a Campanha da Fraternidade seja realizada com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Desse modo, os cristãos brasileiros, na fidelidade ao único Senhor Jesus que nos deixou o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13,34) e partindo «do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade» (Carta Enc. Fratelli tutti, n. 271). A fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis. Desejando a graça de uma frutuosa Campanha da Fraternidade Ecumênica, envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 17 de fevereiro de 2021.

[Franciscus PP.]

15 fevereiro, 2021

O que há por baixo da polêmica em torno da Campanha da Fraternidade de 2021.

FratresInUnum.com, 15 de fevereiro de 2021 – Em seu vídeo do último domingo, Dom Odilo Scherer disse que “ainda nem começou a CF2021, já está dando polêmica”. Sentimos muito discordar de Sua Eminência, mas, a realidade é que nem começou a CF2021 e ela já acabou, porque sepultada pelos católicos.

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Ao contrário do que sugerem algumas análises de comentadores situacionistas, a polêmica não é obra de um reduzido grupos de católicos ultraconservadores, mas do povo fiel, a ponto de chamar a atenção de sites e jornais… Entre o povo, é só no que se fala, sempre em tons de indignação e repúdio.

O desprestígio da CF-TL

Há quase 60 anos, a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, mudando a tônica do tempo quaresmal da preocupação com o pecado para temas revolucionários, trocando a graça transcendente pelo imanentismo político próprio da Teologia da Libertação. Mas algo mudou nesses 60 anos.

Antigamente, os católicos não entendiam muito bem a tal CF, mas tinham benevolência para com os seus pastores e aceitavam com bom espírito aquela inovação. Atualmente, os católicos já percebem o que é a Teologia da Libertação e qual a sua finalidade, isto é, a instrumentalização do altar pela esquerda dita católica. Os leigos de hoje não somos mais os leigos de 60 anos atrás. Estamos bem cientes de quem é e de quem não é.

Falácias de autoridade

Neste sentido, parece-nos realmente risível a atitude de boa parte dos bispos que, para submeter o povo à CF, apelam para argumentos de autoridade do tipo: “quem não está com os bispos, está fora da Igreja” ou “os bispos não podem errar”. Ora, mas será que esses prelados pensam realmente que nós somos imbecis? Eles não perceberam que hoje os católicos são muito mais bem formados do que naqueles tempos em que grassava o analfabetismo pelo Brasil?

De fato, nós entendemos muito bem a definição clássica da Igreja dada por S. Roberto Belarmino e recordada pelo próprio Papa Paulo VI, do qual dizem ser devotos: “A Igreja é a assembleia dos homens que professam a mesma fé cristã, na comunhão dos mesmos sacramentos, sob a guia dos legítimos pastores e especialmente do romano Pontífice”

Em outras palavras, a eclesiologia atual trocou a comunhão na verdade pela por qualquer consenso de bispos que não se importam com a ortodoxia. A fé é o elemento estruturante da Igreja e é ela que confere legitimidade aos pastores. Não adianta vir com carteirada! O episcopado não é um poder absoluto, nem o sumo pontificado o é. Ambos estão a serviço da profissão da fé católica e hoje nós temos todos os recursos para comparar aquilo que se ensina com o ensino de todos os Santos Padres, Doutores da Igreja e dos maiores teólogos de todos os tempos, talvez mais até do que muitos que ostentam mitras sobre as suas cabeças. Já fomos advertidos: “Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema” (Gl 1, 8). 

Resumindo: os maiores heresiarcas de todos os tempos foram leigos ou bispos? Será que adianta agora nos apresentar apenas argumentos de autoridade?

Ideologia e CF

Dom Pedro Stringhini, bispo de Mogi das Cruzes, SP, foi mais sincero ao dizer que a CF é ideológica, mesmo. “Quem critica diz que isso é ideológico. Claro que é, claro que é ideológico! Porque quando fala dos pobres, quando fala contra as desigualdades, quando fala a favor da ideologia, claro que é ideológico! E quem fala contra é ideológico também. Estes que são aí da extrema direita, que estão falando contra a Campanha, eles estão defendendo a ideologia deles. Vamos dialogar”.

A concepção de ideologia mudou completamente de sentido entre os marxistas. Marx a entendia negativamente: a ideologia seria uma falsificação da realidade, que é cruamente material; Gramsci a entendia positivamente: como tudo é ideológico, o que se precisa fazer é a contraposição dialética das ideologias, exatamente como defende Dom Stringhini em sua declaração.

CONIC e Ecumenismo

A presidência da CNBB teve uma versão diferente da apresentada pelo bispo de Mogi das Cruzes, pois resolveu esquivar-se da responsabilidade pelo Texto Base com a finalidade de salvar a coleta do Domingo de Ramos e jogou a bomba nas mãos do CONIC.

Aliás, o próprio Dom Odilo disse que “essa polêmica está movida por preconceitos e paixão anti-ecumênica”, tentando desviar o foco do escândalo do texto base. Ora, mas este argumento foi brilhantemente destruído pelo Anderson Reis, que demonstrou que todas estas ideias apresentadas pelo CONIC não são sequer oriundas dos “evangélicos” do Brasil, em sua maioria conservadores e avessos a tais absurdos, tanto quanto os católicos.

O argumento “ecumenicista” não passa de uma tentativa de desconversa.

Fato é que um documento que fala de diálogo e que se apresenta como ecumênico não levou em conta a fé dos católicos nem da massa dos “evangélicos pentecostais”, mas tão somente a dos “protestantes tradicionais”, e sequer foi conhecido pelos bispos que o endossariam para as suas dioceses. A CNBB reconheceu que foi surpreendida pelo assunto e agora tem de pagar caro por este desprestígio.

Desgaste de anos

Todavia, se os bispos da CNBB fossem sinceros, reconheceriam subitamente que a Campanha da Fraternidade está mais do que desgastada entre os próprios bispos, os padres e o povo, e que a única força que ainda a mantém de pé é o “conservadorismo de esquerda” da velha guarda de ativistas petistas que ainda infestam a Conferência.

Nenhuma polêmica ganharia tais proporções se já não estivesse profundamente problematizada no coração dos católicos. Os fieis não aguentamos mais! Queremos a nossa quaresma de volta, isto é, aqueles que ainda tiveram a oportunidade de viver algum tipo de quaresma antes do sequestro ideológico operado pela CF, porque as gerações mais novas sequer tiveram chance de viver uma quaresma descontaminada de política esquerdista.

Agora, mais do que nunca, o descontentamento dos católicos está escancarado. Todos querem ter apenas o direito de fazerem as suas devoções quaresmais e preparar-se santamente para a Páscoa. Será pedir demais? Parece que para os bispos, sim! A ideia de suprimir a CF está fora de cogitação. Ela é mais obrigatória do que o dogma católico! – Houve padre que chegou até a dizer que falar mal da CF é pecado, enquanto diz que “Deus está se lixando se você faltou à missa” e que o relacionamento com Deus deve ser “sem culpa”, “sem esta coisa maluca de pecado” (ou seja, o pecado existe apenas de acordo com a conveniência hipocritamente sustentada por este padre).

O perigo dos conservadores

Se a CNBB fosse esperta – e é! – iria se valer agora dos chamados “conservadores” (dessa gente que defende o aggionarmento engomado, que veste batina, reza em latim e tem aquela enganosa estética tradicional; que não abomina a missa de sempre, desde que se incense a missa nova) para anestesiar a resistência dos católicos.

Daqui a pouco começarão a aparecer padres desse naipe que começarão a “acalmar os afoitos”, a dizer que “não precisamos ser tão contundentes”, a pedir moderação, luxo e sofisticação, justamente para deixar o caminho para os revolucionários.

Não podemos cair neste engodo. Aliás, precisamos deixar muito claro para todos que essa movimentação popular é totalmente descoordenada e que não aceitamos nenhum tipo de atenuação da situação atual: rejeitamos inteiramente o Texto Base e a CF, não queremos mais nenhuma linguagem enganosa e não toleraremos senão a abjuração completa deste documento nefasto.

Uma iniciativa corajosa, mas ambígua

No ano de 1988, centenário da abolição da escravatura, Dom Eugênio Salles rejeitou o Texto Base da CF, que instigava a luta racial, e criou um texto próprio para a Arquidiocese do Rio de Janeiro. A esquerda católica estrebuchou, mas nada aconteceu. Era um direito inalienável dele enquanto pastor próprio de sua diocese e, portanto, fez prevalecer a sua prerrogativa pastoral.

Agora, outra iniciativa foi tomada na mesma linha. Dom Fernando Guimarães, arcebispo militar, escreveu uma carta à Presidência da CNBB em que diz que não serão utilizados os textos da CF em sua circunscrição. A iniciativa foi corajosa, sobretudo porque diz que não enviará os recursos da coleta do Domingo de Ramos para a CNBB (nada lhes dói mais do que isso), mas ainda ambígua, pois o arcebispo louva o diálogo inter-religioso e recomenda a Fratelli tutti. Enfim, no meio de tantas evasivas, pelo menos uma atitude de discreta resistência que pode inspirar atitudes ainda mais corajosas.

Linguagem ambígua ou propositalmente calculada?

Enquanto a CNBB se esquiva da responsabilidade pelo texto, especialmente nas questões de ideologia de gênero, vozes importantes dizem que exatamente foi este o ponto principal do Texto Base. A língua bífida da serpente sempre trabalha com a mentira e a contradição!

O Padre Antônio Carlos Frizzo, assessor eclesiástico da Pastoral de Fé e Política e um dos secretários da CNBB responsáveis pela CF, em entrevista à Deutshe Welle, traduzida pela Unisinos (jesuítas), disse que o texto base “põe o dedo na ferida. Precisamos superar a violência pela força do diálogo e com a dimensão cristã dialogando. Contra todo tipo de violência: contra os negros, as mulheres, os LGBTs e, sobretudo, a violência contra a natureza”, pois, “o Brasil é um dos países que mais matam pessoas transexuais. (…) Por isso o texto-base usa, sim, dados para marcar e apontar a violência que se volta contra as pessoas que são homossexuais, transexuais etc., e também contra as pessoas que são ligadas a movimentos dos direitos humanos. O Brasil é uma sociedade tremendamente violenta. Não é mais cordial. Predomina a intolerância”.

Ele confessa que se escolheu “o tema ‘diálogo’, sobretudo pelo que ocorreu no Brasil depois do surgimento do governo Bolsonaro, quando a sociedade ficou muito dividida”.

Em outro artigo, o Padre Danilo Pena, citando um texto do famoso jesuíta James Martin, conhecido por sua adesão teológica ao movimento LGBT, diz que não se pode usar “um léxico que seja mais confortável à Igreja. Processos de reconciliação precisam respeitar a dignidade do fenômeno sem analogias. Assim, a Igreja acerta quando, ao invés de prescrever expressões alternativas, respeita e utiliza os nomes que já pertencem às pessoas que se sentem representadas por eles: “gay”, “lésbica”, “queer”, “LGBT” e “LGBTQI+”, por exemplo. Usar estas expressões, sem medo do tribunal da internet e do juízo dos católicos farisaicos, faz parte de uma opção eclesial que busca a abertura para um necessário avanço pastoral”.

Em outras palavras, o recuo dado pela cúpula da CNBB foi apenas retórico e momentâneo. A utilização da linguagem gayzista e a provocação aos católicos foi o objetivo principal do documento, que teve como intenção a quebra de uma resistência, o avanço de uma ideologia.

CF2021: uma mudança de paradigma

Na verdade, a Teologia da Libertação está realizando uma mudança de paradigma. Aquela velha TL das décadas de 60-70 existe apenas na cabeça de alguns bispos saudosistas e está sofrendo uma lenta e longa eutanásia para que ressurja a verdadeira TL do futuro: o eco-gayzismo da libertação!

Assim como a esquerda revolucionária passou por uma metamorfose na década de 90 e trocou a revolução operária pela revolução sexual, agora, a Teologia da Libertação está trocando de pele, como uma cobra. A nova TL parte do pressuposto de que a lógica capitalista patriarcal da exploração do planeta deve ser mudada por uma lógica socialista feminista e gayzista do cuidado do planeta; daí o eco-gayzismo da libertação.

Por isso, mais do que nunca, os católicos devem lutar. Não foi apenas uma ferida na sensibilidade tradicional dos fieis, nem se pode reduzir o fenômeno a uma mera questão de vocabulário ecumênico. Não se trata disso! Trata-se de uma verdadeira apostasia com a qual não nos devemos acumpliciar. É preciso resistir e mostrar a estes senhores que nós entendemos muito bem o que está acontecendo!

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10 fevereiro, 2021

Insuficiente e medrosa. A nota da CNBB que não mudou nada.

FratresInUnum.com, 10 de fevereiro de 2021 – Ontem, praticamente no mesmo horário em que o CDB fazia o lançamento do seu último vídeo para mostrar aonde são aplicados os fundos da Coleta do Domingo de Ramos, a presidência CNBB lançou uma pálida nota para tentar estancar a hemorragia da polêmica sobre a CF2021.

Na prática, a nota não mudou absolutamente nada. Não houve nenhum pedido de desculpas nem a exclusão dos textos problemáticos nem muito menos a derrogação do Texto Base. Tudo continua igual ao que estava antes.

A única “novidade” da nota foi o fato de que a presidência se esquivou da autoria do texto e jogou a batata quente nas mãos ecumênicas do CONIC, como se este organismo estivesse realmente interessado em conservar a ortodoxia do catolicismo. É como se o STF responsabilizasse o Fernandinho Beira-mar pela interpretação do Código Penal e dissesse em seguida que tem para com ele alguma discordância.

A responsabilização do CONIC, mesmo assim, foi feita de modo tênue e excessivamente cordato, mantendo-se a união de propósitos e a identidade nos objetivos.

Contudo, não foi apenas o CONIC a ser responsabilizado. A presidência responsabiliza os católicos por compreender o texto sem pressupor a linguagem ecumênica, como se a utilização da ideologia de gênero num documento que visa direcionar a CF fosse uma mera questão de vocabulário. Poderia haver algum fingimento mais ostensivo do que este e uma mais vergonhosa ofensa ao povo fiel?

No final do texto, esclarece-se o motivo de tanta mobilização: não se trata de zelo pela doutrina ou amor às almas, mas preocupação com a tal Coleta de Ramos. “Onde está o teu coração…”

Na nota, a Presidência trata a ideologia de gênero como o único problema do texto, deixando de lado questões sumamente importantes: como uma pastora que defende o aborto pode estar na autoria de um texto a ser usado nas paróquias católicas? Como um texto como este apresenta Lutero como se fosse inspirado pelo Espírito Santo? Como se pode sugerir como ação prática que os fiéis visitem um terreiro de candomblé? Como uma feminista radical e defensora do direito ao aborto, Marielle Franco, pode ser apresentada como modelo aos fiéis? E, sobretudo, como eles podem dizer que a doutrina católica sobre o gênero permanece inalterada se eles mesmos não chegaram sequer a suprimir estes números do documento?

Desgraçadamente, a postura da Presidência da CNBB nesta nota foi a de quem disfarçou que não tem nada a ver com o assunto e quis simplesmente garantir o ingresso do suado dinheiro do povo. C’est tout!

Essas pessoas parecem realmente não acreditar na verdade, mas apenas na explicação, na narrativa. Parece que não existem fatos nem coerência entre as coisas, sendo normalíssimo dizer contradições e disfarçar seriedade, torcendo para que todo mundo creia na encenação.

Insuficiente e medrosa, a nota da Presidência da CNBB é apenas uma desconversa opaca, lengalenga de quem sentiu o baque mas quer dar um jeito de sair de fininho.

9 fevereiro, 2021

Operação anestesia.

FratresInUnum.com, 9 de fevereiro – Prepare-se! Os passadores de pano já estão preparados e começam a desempenhar o seu ofício: anestesia geral em todos os católicos do Brasil.

Resultado de imagem para anestesiaA operação destinada a desviar o foco do escândalo não está dando certo. Os católicos continuam a se manifestar pelas redes, o povo já percebeu do que se trata essa campanha e os bastidores estão se mobilizando para o mais pérfido trabalho de desinformação, que consiste em pedir às vozes de confiança dos católicos que se manifestem com algum tipo de “deixem disso”, “parem com isso”, “voltemo-nos à oração”, “acalmem-se”, “deixem nas mãos de Deus” etc.

Já existem áudios circulando com bispos falando mansamente, quase com voz de choro, e dizendo que tudo não passa de uma “graaaaande” confusão, que os leigos não podem se arrogar voz episcopal, que todos devemos confiar plenamente na CNBB.

Padres com pretensões mitríferas e leigos bajuladores fazem postagens se vitimizando, apelando à misericórdia dos leitores e dizendo que os católicos perplexos não sabem o que é pegar uma vassoura e varrer uma sacristia… É ruim demais!

Não é de se estranhar que, mediante ameaças e manipulações, a alta cúpula cnbbística queira chamar em causa algum eclesiástico, desses que são continuamente espezinhados por ela, algum carismático ou mesmo algum tradicionalista: afinal de contas, é para isso que eles servem, são como chicletes que, uma vez mascados, são cuspidos de volta no lixo.

Falta a esses senhores a humildade de reconhecer que eles erraram feio, que o que está acontecendo é um grande vexame, que os católicos têm todo o direito de manifestar a sua posição, que não há nada mais razoável do que isso. Enquanto eles quiserem manter a pose de infalíveis, de inatingíveis, enquanto não descerem do salto e confessarem a sua própria falha, todos continuarão a se manifestar fortemente, pois a situação é drástica em si mesma, não se trata de uma questão de explicação.

Precisamos ficar atentos e não permitir que os anestesistas mobilizem o nosso corpo. Eles querem nos convencer de que somos paralíticos e incapazes, enquanto usam a nossa Igreja para divulgar as suas heresias. Não voltaremos atrás! Fora com os anestesistas!