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26 novembro, 2018

O ano que nunca existiu.

Por FratresInUnum.com, 26 de novembro de 2018 –  Era uma vez… o ano do laicato! Mais uma mentira, mais uma das ficções pastorais inventadas pela CNBB.

Assim como os marxistas se autoproclamaram representantes do povo, porém, de um povo que não existe na realidade, mas tão somente em suas mentes, a nossa conferência episcopal intencionou conclamar os leigos, mas os leigos honorários que eles mesmos clericalizaram com o seu dialeto, com os seus maneirismos, com os seus trejeitos, com os seus cacoetes, em suma, a sua meia-dúzia de moleques de recado, os bons moços cuja inteligência foi prostituída pela repetição histérica da linguagem eclesialmente correta, a velha macacagem que não convence mais ninguém. Mas o tiro saiu pela culatra…

Nunca como neste ano os leigos se levantaram, nunca tão eloquente e fortemente protestaram e nunca foram tão ostensivamente ignorados! Vídeos por todos os lados, denúncias, pedidos de explicações e, sobretudo, a manifestação das urnas, que tornou incontornável o completo descolamento dos bispos em relação ao laicato brasileiro.

Um pensador reconhecia não existir o povo que os marxistas queriam representar, apresentando, ato seguido, a necessidade de inventá-lo através do despertar de uma “consciência possível” (a unificação da consciência da massa dispersa contra a burguesia mediante o discurso de ódio), a teologia da libertação tentou inventar o que eles chamam de “Povo de Deus”: leigos de todas as proveniências possíveis que, fazendo uma leitura revolucionária da Bíblia nas comunidades eclesiais de base, acabariam por se tornar os militantes “conscientizados” para formar a oposição contra toda e qualquer elite, política e até mesmo eclesiástica.

Como levar adiante o intento de “conscientizar” o laicato em termos libertadores numa Igreja estruturalmente hierarquica? Leonardo Boff jogou a dialética para dentro da eclesiologia, contrapondo, na Igreja, “carisma” e “poder”. A contradição poderia até fazer sentido na Igreja atual, em que os místicos verdadeiros serão tudo, menos bispos, mas, obviamente, nunca faria sentido nos tempos de Atanásio, Agostinho, Gregório Magno ou Isidoro de Sevilha, em tempos nos quais o carisma era a verdadeira fonte do autêntico poder espiritual sobre as almas.

Acontece, porém, que os “libertadores” não ficaram na base. Aos poucos, eles se foram favorecendo mutuamente em seus jogos de influência, atingiram seus objetivos de dominação para a imposição de uma nova eclesiologia, de cima para baixo, alcançaram os mais altos postos de poder, deste mesmo poder ante o qual eles contrapuseram o seu “carisma” libertador. Em resumo, uniram o povo contra a elite que eles mesmos se tornaram!

Hoje, a crise não para de se agudizar. Os bispos censuram os seus leigos ultrapassando o limite do razoável. Em outras palavras, o leigo é bom, desde que não comungue de joelhos e na boca, desde que não use véu, desde que não goste da missa tridentina, desde que não use cadeias da consagração a Nossa Senhora, desde que não pregue a doutrina tradicional, desde que não seja contra o petismo, desde que não faça apostolado organizado e autônomo, desde que não se oponha às aberrações sacrílegas do clero, desde que fique quietinho e conivente diante de padres predadores homossexuais…

Enquanto isso, boa parte dos bispos desfilam e fazem pose, comportam-se como fazendeiros, como “os reis do gado”, e vão angariando contra si a raiva de um povo descontente, de um clero oprimido, de uma Igreja que eles não cansam de tratar como a esposa rejeitada.

Em certo sentido, a desgraça do clero progressista foi chegar ao poder, pois a sua cobiça incontrolável, a sua ganância voluptuosa, não pode mais ser disfarçada e está flagrantemente contraposta à fé e devoção da gente simples, tão distante deles quanto a luz das trevas.

Francisco, o peronista papa latino-americano, grande populista demagogo, não foge à regra. Quando estourou o caso dos abusos sexuais do Cardeal McCarrick, ele escreveu uma carta condenando o clericalismo, o qual, segundo ele, seria o grande culpado da desgraça estadunidense. Quando, logo em seguida, Mons. Viganò escreveu sua carta-bomba colocando o pontífice argentino no centro da responsabilidade pela ocultação destes casos, Bergoglio incorreu no mesmo clericalismo que denunciara e fingiu que não era com ele, fingiu não ouvir os protestos do povo americano que não param de crescer, fingiu até que as manifestações populares contra os escândalos era coisa do “Grande acusador”… Por fim, desconversou. Mais uma vez, as vítimas desprezadas, a verdade desprezada, os leigos desprezados.

Nem Ano do laicato, nem laicato nenhum. É a velha esquerda se valendo do mais vergonhoso clericalismo para proteger suas delinquências e silenciar o povo, que, desorientado e abatido, jaz abandonado e oprimido, como ovelha sem pastor.

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19 novembro, 2018

Dando nome aos bois.

Por FratresInUnum.com, 19 de novembro de 2018 – Um pequeno experimento imaginário. Imagine que a Igreja Católica fosse gradualmente, ao longo dos anos, sendo aparelhada pelo PT. Que esta premeditada infiltração conseguisse a nomeação de Lula como Papa. Com o petismo dominando os generais do “Estado Maior” da Igreja, o que poderiam fazer os soldados e sargentos conservadores? Estariam completamente amordaçados. A hegemonia estaria garantida não apenas por força de uma imposição cultural, mas também com a coerção de um poder policial: o patrulhamento ideológico.

IMG-20181119-WA0002Não é difícil para o leitor perceber que o nome de Lula figura aqui quase de modo obsoleto. Temos Francisco! Ele é o Lula da Igreja Católica.

A corrida do partido bergogliano por aparelhar a Igreja de alto a baixo não é um segredo. Contrariamente aos papas anteriores, Francisco não adotou a política de equilíbrio de forças. Ele persegue claramente os seus opositores, reduzindo-os completamente à inércia. É assim que funciona a sua misericórdia. Tem razão Henry Sire: Bergoglio é “O Papa Ditador”.

Contudo, é menos conhecido, pelo público em geral, o lado brasileiro desta ditadura. Vamos lá, então: demos o nome aos bois!

O chefe da ditadura bergogliana no Brasil é o camaleônico Cardeal Cláudio Hummes. Sim, o mesmo que, na década de 70, subia nos palanques políticos ao lado de Lula. Mas, os tempos mudam e, assim como o comunismo pós-Gorbachov exigia um Lulinha paz e amor, Dom Claudio Hummes virou “conservador”.

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Ao lado de Lula, Dom Cláudio Hummes discursa em comício.

Em 1998, a “Máfia de São Galo” (como se autonomeou o grupo de bispos liberais que desde 1995 maquinava a eleição de um liberal como sucessor de João Paulo II) viu ascender ao cardinalato dois de seus pupilos papáveis: Bergoglio e Hummes.

Após o fracasso do conclave de 2005, eis que os dois “conservadores improvisados” aparecem, lado a lado, no balcão de São Pedro, na fatídica eleição de 2013. No dia seguinte, o recém-eleito pontífice diria aos jornalistas que o seu nome, Francisco, fora inspirado numa exortação feita pelo purpurado brasileiro no momento da sua aclamação: “não se esqueça dos pobres”!

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Durante o pontificado de Bento XVI, assume ares lefebvrianos.

Desde então, Hummes começou a dirigir a agenda da ordenação dos homens casados na Amazônia. Foi nomeado exatamente para isso. Viagens, reuniões, articulações… E tudo está montado para o sínodo fingido de 2019. Eles já decidiram de antemão e vão ordenar os homens casados.

Neste meio tempo, Hummes foi acometido por um câncer de pulmão. Mas o diagnóstico foi cuidadosamente escondido, mantido sob a mais absoluta discrição. Apesar do susto de morte e do exigente tratamento, Dom Cláudio continua a mesma missão que já anunciara em 2006, antes mesmo de decolar para Roma, onde assumiria a importante Congregação para o Clero: relativizar a disciplina do celibato.

Enquanto no norte o objetivo é ordenar homens casados que nunca foram seminaristas, no sul do Brasil, o arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, cuida de destruir a formação dos seminaristas.

Dom Jaime outorgou-se a si mesmo uma missão que se tornou praticamente o sentido de toda a sua vida: impedir a ordenação de qualquer jovem que se encaixe minimamente em perfil conservador. Muito próximo à Nunciatura Apostólica, Dom Jaime é o responsável pelos ministérios ordenados junto à CNBB. Suas reuniões com os reitores de seminários (OSIB) repetem as lamúrias de sempre: os seminaristas procuram uma formação paralela no site do Padre Paulo Ricardo, “o maior inimigo da Igreja no Brasil”. Como, então, conquistar a hegemonia na internet, território onde a esquerda já sabe que perdeu? (Bolsonaro que o diga!) O caminho é o patrulhamento e a intimidação:  monitorar o acesso dos seminaristas à internet, proibir certas leituras, coibindo-os de se confessarem com este ou aquele padre conservador e, ademais, para garantir a formação mais bergogliana possível, demitir padres professores de orientação mais tradicional, como ele mesmo fez, aliás, na PUC de Porto Alegre.

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Dom Jaime Spengler celebra a Missa da 37ª Romaria da Terra, e diz: “nesse dia, gostaríamos de rezar à mãe terra, louvar a terra, queremos agradecer a terra”.

Triste situação de quem chegou ao poder, mas não tem autoridade. Criam nos seminários uma estrutura asfixiante de “Big Brother” e vigilância, para reproduzir a mais virulenta Teologia da Libertação. No entanto, não conseguem impedir que os seminaristas prefiram o confessionário do padre piedoso da esquina ou o site de um padre cuiabano que, em tudo, quebra-lhes o estereótipo do padre que deveria fazer sucesso com os jovens. Nota-se que ter sex appeal, procurar exibir os bíceps com camisetas apertadas, cantar músicas melosas e rebolar no palco ao lado da Claudia Leitte pode até vender CD, mas não atrai jovem algum nem para a Igreja e nem muito menos para os seminários.

Especula-se que, dada a íntima amizade com o núncio, a qual o coloca numa posição privilegiada de indicações para nomeações episcopais, Dom Jaime poderia se tornar arcebispo primaz do Brasil. Contudo, circula em Roma a voz de que o futuro sucessor de Dom Murilo Krieger à frente da Arquidiocese de Salvador seria o Cardeal João Braz de Aviz, que deixaria o cargo de Prefeito da Congregação dos religiosos para Dom Ilson Montanari, agora Secretário da Congregação para os Bispos e que, caso promovido, também receberia o barrete cardinalício. Verosímil, visto que Montanari e Fabian Pedacchio, secretário pessoal de Francisco, são amicíssimos de longa data e queridinhos do atual pontífice (malgrado as insinuações pouco elogiosas a ambos feitas por Mons. Viganò em sua carta bombástica).

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Dom Leonardo Steiner, feliz e realizado, dá tapinha nas costas do companheiro petista, Gilberto Carvalho.

Hummes no norte, Spengler no sul, e o centro? Com quem fica? Com um bispo que não poderíamos chamar exatamente de “centrado”: Dom Leonardo Ulrich Steiner. Coube a ele continuar garantindo que a CNBB seja mais instrumento do PT do que do episcopado brasileiro. A pauta, todo mundo já conhece: silêncio subserviente nos governos do PT e “profetismo” quando a política nacional oscila para a direita. O instrumento para isto também já é velho conhecido: os fidelíssimos assessores servem de interface para garantir que os bispos, reunidos ou dispersos em suas dioceses, só enxerguem o mundo através de suas “leituras da realidade”.

A pilotagem da máquina episcopal brasileira pode parecer muito sofisticada à primeira vista, mas, de fato, não o é. A maioria de nossos bispos é de homens bons, porém não são homens de visão. Com isto, tornam-se facilmente manipuláveis pela “intelligentsia” esquerdista. A CNBB foi criada para que os bispos falassem através dela. O que acontece, porém, é o contrário: os bispos se tornaram porta-vozes de documentos que nunca escreveram. Dentro deste esquema, o povo faz de conta que escuta. E os bispos fazem de conta que são respeitados e obedecidos.

Ter o poder, mas não ser nem respeitado, nem obedecido. Eis a humilhação à qual são diariamente expostos os senhores bispos. Sendo assim, quem não tem autoridade tem que apelar para o autoritarismo. Na Igreja do Brasil, vivemos um ambiente policial. Não há liberdade, não há transparência. As estruturas políticas são extremamente controladoras, censurando toda e qualquer postura divergente. Não é autorizado pensar, ensinar, dialogar. Não há sequer o fingimento de debate. Há somente a hegemonia socialista em total dominação.

Dom Claudio em Roma, Dom Jaime na nunciatura, Dom Leonardo na CNBB. Mas, o que liga estes homens? O que eles têm em comum?

Todos os três são franciscanos! Trata-se daquilo que, à boca pequena e meio que ironicamente, os bispos chamam de “A máfia franciscana”. Só que agora se tornaram “franciscanos” em um novo sentido, no sentido bergogliano do termo.

Agora que se agarraram ao poder, mas jogaram fora o que lhes restava de credibilidade e de tempo de vida, só lhes resta esperar um prodígio preternatural: que Francisco Bergoglio leve a Igreja para um abismo sem retorno… Esperança vã. Non praevalebunt!

No entanto, uma pergunta fica no ar. Quais serão os próximos objetivos da máfia franciscana? Talvez queiram eles recuperar um caríssimo terreno perdido: a arquidiocese de São Paulo, outrora encabeçada pelos franciscanos Dom Paulo e Dom Cláudio. Decerto, os despretensiosos frades que estão nos círculos de poder cogitam a possibilidade. E não lhes seria difícil executá-la, às custas de um promoveatur ut removeatur de Dom Odilo para algum insignificante organismo curial, talvez até a ser criado propositalmente para ele, como uma Pontifícia Comissão de carimbos e charutos apostólicos.

Será que, desta vez, a arma está apontada para a cabeça do arcebispo de São Paulo? Veremos!

16 novembro, 2018

Dom Odilo: “Nós devemos a possibilidade da elaboração do acordo Brasil-Santa Sé ao desejo, sim, do presidente Lula”.

Por FratresInUnum.com, 16 de novembro de 2018: Aconteceu na PUC Campinas, entre os últimos dias 12 e 14 de novembro, um seminário para comemorar os 10 anos do acordo Brasil-Santa Sé.

Na tarde do dia 12, Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, fez uma breve intervenção, na qual revelou um episódio desconhecido, enfatizando que queria que ficasse devidamente registrado. Trata-se da participação do ex-presidente e atual presidiário Luiz Inácio Lula da Silva na tramitação do acordo Brasil-Santa Sé.

“Eu queria relatar um detalhe, um episódio que não é muito conhecido, mas que eu acho que precisa ser conhecido, faz parte do processo…”

“Foi marcada uma audiência com o presidente, na época o presidente Lula, e o seu governo, portanto os ministros. Da parte da Igreja, naturalmente, o núncio apostólico, a presidência da CNBB e os cardeais da época, e mais os presidentes eméritos, naturalmente, os presidentes anteriores da CNBB. Ainda esteve presente Dom Luciano e também Dom Ivo e Dom Jaime Chemello. Na época, na ocasião da audiência, o presidente nos recebeu na sala de governo, na grande mesa de reunião com o ministério. E começou a exposição do projeto, do acordo, o que seria… O presidente fumou muito e escutava, escutava, escutava. E, no fim, o pedido que se fez da parte da Igreja, que esse acordo fosse, de fato, elaborado, concordado e firmado”.

“E aí, então, várias intervenções, pedidos de explicações… Houve vários ministros bem contrários ao acordo: entre eles, o ministro das relações exteriores, que depois assinou o acordo, mas ele não era favorável ao acordo; ministro da educação; ministro do trabalho; e mais algum ministro que não era favorável ao acordo e claramente punha dificuldades, dúvidas sobre a possibilidade de o acordo vingar”.

“O presidente escutou, escutou, escutou e, por fim, ele tomou a palavra e bateu na mesa. Lembro bem! Bateu na mesa!” (Neste momento, Dom Odilo imita o gesto, como se estivesse batendo à mesa). “‘Eu quero esse acordo!’”, disse o cardeal de São Paulo, referindo as palavras de Lula. “De fato, (Lula) tomou a iniciativa de que o acordo fosse pra frente e já ordenou a todos os ministros que colaborassem com a comissão bilateral”.

Em seguida, ele menciona a criação da comissão bilateral e continua: “Daí puderam avançar as conversações sem maiores resistências. Esse passo eu acho que foi muito importante porque, de fato, não sei se da parte do governo brasileiro haveria muito esforço para levar avante este acordo. Eu creio que não, dadas as resistências que havia da parte de vários ministros e ministérios importantes para o acordo, como é o ministério da educação, das relações exteriores, da saúde, assim por diante, da cultura. E, portanto, este momento foi decisivo para que avançasse a negociação para o projeto do acordo que, depois, de fato, foi assinado”.

“Eu digo isso – naturalmente, não queria ser mal-entendido – como um fato que deve ser registrado. De fato, nós devemos a possibilidade da elaboração do acordo ao desejo, sim, do presidente Lula de que este acordo fosse firmado. E ele manifestou na ocasião que ele tinha um dever com a Igreja. Disse, sim! Recordou a sua história política, etc., digamos, a relação com a Igreja no seu tempo de sindicalista, o trabalho importante da Igreja no mundo do trabalho, na assistência social, na saúde e, portanto, disse: ‘o Brasil deve este acordo com a Santa Sé, com a Igreja Católica’”.

Algumas observações: o acordo Brasil-Santa Sé não foi até hoje devidamente regulamentado, de modo que há pouco que se comemorar; e a menção ao presidiário Lula, ao contrário de ser honrosa, deveria ser razão de vergonha para um bispo.

Vale lembrar que o presidente recém eleito assinou um termo de compromisso com os valores católicos. Possivelmente, a despeito da atitude esnobe dos bispos, Bolsonaro é quem deverá regulamentar o acordo Brasil-Santa Sé, mas, sobretudo, deverá  promover a agenda dos valores morais católicos (se é que isso importa para a CNBB).

Já é hora de parar com o choro de carpideiras e começar a aproximação com o futuro presidente do nosso país — que continua ignorado pela CNBB e pelo Vaticano. É o bem da Igreja que está em jogo e isso deveria estar acima de qualquer ideologia.

Comemorar um acordo que não saiu do papel não vale nada sem o esforço de trazê-lo à realidade, o que demanda, neste momento, engolir o próprio orgulho e assumir a civilizada e democrática (já que a democracia parece ser um dos únicos dogmas existentes para a CNBB) posição de respeito, diálogo e colaboração.

Alguém, por favor, avise Dom Odilo que a campanha eleitoral já acabou, que Bolsonaro já venceu e que Lula, bem…, Lula está preso (evidentemente, não utilizaremos a retórica de Cid Gomes para com um Cardeal Arcebispo).

12 novembro, 2018

Um retrato da Igreja no Brasil.

Por FratresInUnum.com, 12 de novembro de 2018 – “A Igreja deu o seu povo para o movimento socialista, que o perdeu para os protestantes”. Esta frase do nosso último editorial, como um flash, resume a trágica situação em que nos encontramos.

igreja destruidaÉ praticamente indescritível a sensação de expatriados que os católicos comuns sentem na Igreja do Brasil. Os cenários são aterradores e apenas demonstram como o clero perdeu completamente a conexão com o seu povo. Falamos como leigos.

De um lado, padres da teologia da libertação, que usam seus sermões como desculpa para a tentativa de doutrinação socialista, mas são como uma vitrola quebrada, apenas repetem chavões, ideias marteladas obsessivamente, para um público de idosas que permaneceram ali por pura inércia. Os outros, já se foram. De outro lado, conscientes da derrota para os protestantes, alguns padres adotam a mesma retórica dos pastores pentecostais e, na disputa entre quem é mais protestante, é óbvio que os protestantes acabam levando vantagem.

Em algumas igrejas, você não percebe muito bem se o que está diante de você é um padre, um coach, um comediante ou um(a) apresentador(a) de programa da tarde. São aqueles sermões: “sete passos para achar marido” ou “dê um gostinho diferente pra vidinha”… Enfim, tudo tão patético, uma palhaçada tão mal feita que dá vergonha até em quem está passando na rua!

A vida se torna um inferno para alguém que só quer ser simplesmente católico, sem esquisitices e excentricidades. Não passa pela cabeça desses senhores que um fiel queira apenas um sermão piedoso, doutrinal, baseado nas Sagradas Escrituras. Se quisesse um show-man ou um militante comunista, iria para uma stand up ou para o diretório do PT ou do PSOL.

Mas o fato é que a maioria dos padres falam, falam, falam e ninguém entende do que estão falando. A coisa não deslancha. São ideias improvisadas, embaralhadas a esmo, jogadas como carteado, à sorte, depois das quais tudo fica como estava antes, senão pior, pois as pessoas não apenas perdem a fé, mas aprendem o erro e, ao invés de se converterem, desconvertem-se e pioram. Seria muito mais útil somente fazer as leituras com pausa e boa dicção (o que já é um luxo em nossos dias) e deixar um largo tempo de silêncio. O silêncio é mais eloquente que muitos sermões!

Quando aparece um sacerdote piedoso, que não se envergonha de ser católico e de ser padre, que prepara um sermão simples e profundo, doutrinal e místico, as almas começam surgir como abelhas à procura do néctar. A Igreja logo enche. Mas, mais rápido que isso, surge a assassina inveja clerical, que, incomodando-se com o êxito pastoral do bom padre, começa a persegui-lo por todos os meios.

Será que eles não percebem que os fieis notam a trama? Logo o padre é transferido ou começam a aparecer denúncias “espontâneas”, ataques “repentinos”, polêmicas insufladas: cartas marcadas, complôs, tudo orquestrado pelas autoridades eclesiásticas.

Os bons padres, impotentes, vão sendo desanimados, isolados, até o ponto de se deprimirem e desistirem da luta. Até porque as estruturas criadas para engessar a Igreja e impedir a ação da graça são muito eficazes em realizar o seu intento homicida. A retórica é sempre a mesma: “padre, você precisa andar em comunhão”, “precisa caminhar em unidade com o plano de pastoral da diocese e da região episcopal”, “você tem ideais muito elevados de santidade, seja mais humano”, “a sua eclesiologia é muito antiquada”. Entenda-se assim: você precisa se pautar pelos fracassos dos outros e se nivelar por baixo; não se confesse, não confesse, não pregue, não converta, não reze, não adore, apenas entregue a sua alma e as almas dos fieis ao demônio, assim como os outros o fazem.

Não há Igreja mais estruturada que a Igreja do Brasil. Os fieis não imaginam o número de burocratas de batina – ou melhor, sem batina! –, que dão a vida e gastam suas energias em reuniões, assembleias, organogramas, subsídios e todas as inutilidades que a criatividade mórbida de quem não tem vida sobrenatural pode inventar. Vivem para atazanar os outros! E, literalmente, as almas que se danem! Sem confissões, sem visitas a enfermos, sem a pregação da fé, sem a vida da graça, sem o impulso dos sacramentos.

Os católicos são obrigados a não ser católicos e a ver a Paixão silenciosa dos padres que querem sê-lo.

Como o Núncio Apostólico quer renovar a Igreja valendo-se desses mesmos malfeitores que a estão destruindo impiedosamente? Se ele quisesse realmente fazer algo de útil, deveria enxergar o invisível e procurar os padres proscritos, que estão no ostracismo, os doentes, aqueles que foram postos nas paróquias mais periféricas, em suma, aqueles que não estão nos centros de poder nem nas cortes dos bajuladores dos bispos.

Esses carreiristas hipócritas desistiram de Deus e da vocação. Para eles, só existe a política eclesiástica e, através dela, a obtenção de cargos que lhes sirvam como escudo para protegerem todos os seus crimes, todas as suas máfias.

É por isso que o povo não importa, nem a fé nem a devoção. E os padres que ignoram essa politicagem eclesiástica são perseguidos e espezinhados e, literalmente, que se dane o povo!

“A Igreja deu o seu povo para o movimento socialista, que o perdeu para os protestantes”. Mas ela não o fez de um modo qualquer: criou uma estrutura iníqua para fazê-lo e não haverá como recuperá-lo sem destruí-la por completo. Se quisermos a Igreja de volta, precisamos desburocratizá-la, oxigená-la, torná-la mais simples, realmente pobre, evangélica; precisamos, em suma, esquecer todas essas estruturas de pastorais, assembleias, reuniões, e voltar à Missa e ao Terço. É duro, mas este é um retrato da Igreja no Brasil.

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5 novembro, 2018

E aí, CNBB? A ficha já caiu?

Por FratresInUnum.com, 5 de novembro de 2018:  Semana difícil para a CNBB! Eles devem estar chateados. Décadas de trabalho político jogadas no lixo da desmoralização, enquanto a população está em festa pelas primeiras nomeações do novo governo… Cada dia, uma novidade.

Contudo, este não deve ser o maior sofrimento. O fundo musical que não cessa de ressoar na mente dos nossos bispos é o de uma melodia fúnebre cuja letra é: “mas o que foi que aconteceu?”. Dar-se conta de estar fora da realidade é um choque traumático, mas a incompreensão do conjunto da obra é ainda mais desesperador.

O que a CNBB não consegue entender é que, de fato, acabou! No editorial que publicamos na segunda-feira passada, procuramos explicar muito calmamente a lógica dessa autodemolição e mostramos que esta eleição é como que o diploma do fracasso completo da CNBB.

Na última quinta-feira, dia 1 de novembro, na USP, a Faculdade de Filosofia promoveu um debate chamado “Construindo a resistência”, em que intervieram André Singer, Vladimir Safatle e Marilena Chauí. Na parte final do evento, quando os oradores respondiam perguntas, André Singer fez a seguinte consideração:

“A Igreja Católica nos ensinou a fazer as Comunidades Eclesiais de Base. É curioso um judeu falar disso, né? Mas é verdade. Só que agora a Igreja Católica mudou e essas Comunidades Eclesiais de Base perderam uma certa vitalidade no conjunto da sociedade brasileira. Então, eu vou propor que a gente forme as Comunidades Democráticas de Base: nós temos que construir comunidades em cada local de trabalho, em cada local de estudo e em cada família”.

Em outras palavras, até o André Singer já está dizendo que as CEBs não servem mais. A própria esquerda está desembarcando da CNBB.

A primeira coisa a se observar, neste sentido, é o seguinte: quando os bispos progressistas vão perceber que estão sendo jogados fora justamente porque não servem mais para nada? Os socialistas sempre trataram a Igreja como realidade descartável: quando não servir mais, joga-se fora! Agora, os descartados são eles, prisioneiros da irrelevância.

A Igreja Católica no Brasil não serve mais nem para a esquerda, à qual serviu cega e devotamente. Hoje, o PT destruiu por completo a credibilidade dos bispos e, assim como um parasita abandona o corpo do hospedeiro quando ele não lhe oferece mais substância alguma de que se aproveite, agora os abandona raquíticos, quase mortos, jogados na lama da insignificância.

De fato, tanto Haddad quanto Dom Leonardo Steiner fizeram alusão à necessidade de recorrer novamente às bases. Mas tudo não passa de delírio, blefe e ilusão…

Por que as CEBs já não servem mais? Porque o povo não está mais lá. Terão de buscá-los nas comunidades protestantes, as quais conseguiram traduzir os anseios da população, respaldando o surgimento de uma política conservadora, a total despeito da Igreja Católica e do movimento esquerdista, que ficaram a ver navios.

Não há saída histórica para este beco. A própria esquerda percebeu, como bem mostra o debate completo ocorrido na USP, que não há mais alternativa senão começar do zero e, desta vez, longe da Igreja Católica. Perderam completamente a conectividade com o povo.

Se a esquerda precisa se reinventar, quanto mais o episcopado brasileiro! Mas, a inépcia e a obstinação não lhes permitirão ver aquilo que é evidente. Continuarão falando sozinhos, fazendo discursos eloquentes para as paredes, aplaudirão a si mesmos e se darão por satisfeitos. Poderiam ir um pouco mais ao encontro dos anseios da população, mas são cegos e não retrocederão nem um milímetro. Aliás, se algum deles ler este editorial, ficará apenas com raiva, dirá que é um absurdo católicos falarem isso e não farão o que a própria esquerda está fazendo: a sua autocrítica!

Para o povo, já está claro que a Teologia da Libertação não é uma teologia inspirada no marxismo, mas é, como dizia Leonardo Boff, o “marxismo na teologia”. A Igreja deu o seu povo para o movimento socialista, que o perdeu para os protestantes. Fim da linha!

Este ano do laicato foi traumático, doeu, está revirando as chagas. Os bispos escolheram ir na contramão. Agora, estão colhendo as consequências disso.

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1 novembro, 2018

Dom Leonardo Steiner rompe o silêncio e se pronuncia sobre a vitória de Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 1 de novembro de 2018 – Em sua primeira manifestação após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, não escondeu o tom de amargura e desgosto. Pelas palavras cuidadosamente escolhidas, percebe-se claramente que a CNBB não recuará nenhum milímetro, não cederá em absolutamente nada de sua posição favorecedora do petismo. Não adianta esperar o contrário! Não se enganem, eles não vão mudar!

Steiner e Pedro Casaldáliga.

Steiner e Pedro Casaldáliga.

A seguir, transcrevemos trechos da entrevista concedida a Vatican News:

“Como será o futuro nós ainda não sabemos, dependerá muito de como se comportará o Supremo Tribunal, o próprio Executivo, mas também o Legislativo”, disse, ensejando uma eventual intervenção de um poder no outro.

“Vai depender muito destas alianças, e das propostas e as uniões que acontecerem especialmente entre o Legislativo e o Executivo. Ali existe uma preocupação porque muitas das afirmações durante o tempo das eleições não eram favoráveis aos indígenas, não eram favoráveis aos quilombolas, não eram favoráveis aos pobres, não eram favoráveis aos direitos humanos. Inclusive dizer que mandaria prender as pessoas. Quem manda prender as pessoas é o judiciário, não o executivo”. Aqui, ataca de modo praticamente explícito o presidente eleito, descontextualizando as suas declarações durante a campanha.

Um pouco mais adiante, Dom Leonardo começa a fazer como que uma autocrítica, como se estivesse falando em nome da esquerda, que precisa reaprender a fazer política e convencer o povo de que o seu discurso não é ideológico.

“E talvez um elemento importante que nós deixamos de fazer durante vários anos, e talvez por isso é que chegamos a essa divisão, é reaprendermos a fazer política. Nós reaprendermos a fazer política no sentido de discutirmos a política, porque uma democracia morre na medida em que não se faz mais política, isto é, não se discute política, não se educa para a democracia. Política no sentido do cuidado da cidade, do cuidado do país. Isso nós vamos ter que fazer de novo para que os brasileiros percebam que não se trata de ideologia. Política não se trata de ideologia, política se trata de um país. Política não se trata de excluir as pessoas, política se trata de integrar as pessoas. Então, nós temos uma tarefa muito grande pela frente”.

Ele chega a afirmar a necessidade de reformular os partidos políticos, dizendo “nós não temos mais partidos”… Nós, quem? O país?

“E, como disse, independentemente do governo que haveria de assumir – nós temos aí agora um novo presidente eleito que vai assumir em janeiro –, nós temos que, a partir de agora, trabalhar em vista de uma boa política, é preciso reformular os nossos partidos políticos. Nós, na realidade, estamos sem partidos políticos”.

Criticando o engajamento do povo através das redes sociais e defendendo uma política hegemonicamente partidária, ele prossegue:

O que aconteceu foi uma propaganda, uma política entre aspas através do WhatsApp. E isso não é política, isso é convencimento através de notícias que nem sempre são verdadeiras – muitas delas eram verdadeiras, mas nem todas eram verdadeiras. E nós temos que ajudar a recuperar agora a alma do cidadão brasileiro e vermos que o que está mais em jogo é o Brasil. Não está em jogo uma ideologia”.

O entrevistador sustenta que o país está dividido, baseado nos números da eleição e pergunta como fazer as duas metades se encontrarem. A surpreendente resposta de Dom Leonardo foi:

Será muito difícil se encontrarem, mas eu penso que, passado o tempo da eleição, há mais possibilidade de escuta. E mesmo um governo quando assume precisa ouvir a sociedade, ele não pode impor simplesmente à sociedade, senão começam os movimentos sociais a se manifestar e as ruas começam a encher, e nós temos uma tensão maior e uma divisão maior”. Trata-se de uma ameaça?

“Então, da parte do governo é preciso estender a mão, é preciso abrir-se ao diálogo. Agora, a parte da Igreja, a parte da CNBB – é claro, muitos católicos votaram no Haddad, muitos católicos votaram no Bolsonaro… são as opções de consciência que cada um faz. A CNBB nunca indicou partido, a CNBB nunca indicou nenhum candidato. O que nós sempre indicamos foram critérios. E esses critérios nós vamos levar adiante, que é o critério da democracia, o critério do diálogo, o critério da opção pelos pobres, o critério da integração de todas as pessoas, o critério da defesa da vida em todos os sentidos – não estou falando aqui apenas da questão do aborto, estou falando aqui de toda a abrangência que a palavra vida tem, inclusive a questão do meio ambiente”.

Mas, não basta recordar, é preciso articular um novo movimento político:

“Então, tudo isso é preciso de novo recordar, mas, como Igreja, é preciso de novo ajudar, articular para o diálogo e criar um movimento dentro do Brasil para que nós, de novo, possamos nos sentar junto à mesa, tomar um café juntos – aqueles que desejarem tomar uma pinga juntos, que tomem uma pinga juntos –, mas nós precisamos de novo nos sentar ao redor da mesa. Nós não podemos continuar a bradar nas ruas uns contra os outros. É um trabalho difícil, mas a Igreja não vai se furtar a essa tarefa que o Evangelho nos confia de criarmos uma fraternidade. Fraternidade significa um reino, um reino que é de justiça, de verdade e de amor”.

O entrevistador pergunta que augúrio ele faz a Bolsonaro. Ele responde:

“Um bom governo. Que ele possa governar para os brasileiros, para todos os brasileiros, todos eles. Se ele o fizer, certamente terá feito um bom governo. Existem muitos problemas: existe o problema econômico, existe o problema ético, existem muitos problemas. Mas, se ele procurar governar para todos os brasileiros, ele certamente fará um bom governo”.

Enfim, o discurso de Dom Leonardo vai na mesmíssima direção do discurso de derrota de Haddad: reanimar as bases, “fortalecer a democracia”, etc. Seria este o discurso de derrota da CNBB? Pois é exatamente para o abismo que a Igreja no Brasil irá se assim se mantiver. Os esquerdistas ditos católicos, seja por seu raso nível intelectual, seja por cegueira ideológica, são impenitentes, incapazes de enxergar um palmo diante do nariz. Depois, não adianta reclamar do protagonismo dos protestantes. Os bons bispos brasileiros assistirão passivamente — mais uma vez — a instrumentalização da Igreja para fins políticos escusos?

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30 outubro, 2018

É golpe!

IMG-20181030-WA0020Donald Trump telefonou, congratulando-o; Evo Moralez e até Nicolas Maduro cumprimentaram o presidente eleito Jair Bolsonaro. Mas, até agora [terça-feira, 30 de outubro de 2018, às 14:31], o Vaticano e a CNBB não divulgaram nenhuma, nenhuma mísera nota ao novo Chefe de Estado do maior país católico do mundo. Antes de ser um grave lapso diplomático, é uma enorme falta de dignidade, de educação, de bons modos, frutos do ranço ideológico que caracteriza a política eclesiástica nos dias de hoje. De fato, sentiram o golpe!

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29 outubro, 2018

As implicações eclesiais da vitória de Jair Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 29 de outubro de 2018 — Aconteceu. Era impensável na mente dos brasileiros outro desfecho. Jair Bolsonaro foi a única alternativa realmente factível contra o criminoso esquema de poder arquitetado para durar décadas pelo Partido dos Trabalhadores, com as bênçãos da CNBB.

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14 outubro, 2018

Diocese de Campo Limpo: “Padre agiu à revelia do bispo”.

Por FratresInUnum.com — A Diocese de Campo Limpo divulgou nota pública em que deplora a instrumentalização política-partidária da Missa de Nossa Senhora Aparecida, em que Fernando Haddad (com esposa) e Manuela d’Ávila participaram e receberam sacrilegamente — dada a defesa obstinada, por ambos, de princípios frontalmente contrários à Lei de Deus — a Santa Comunhão, e depois da qual fizeram um comício na frente da Igreja.

Segundo a assessoria de comunicação da Diocese, o Padre irlandês Jaime Crowe agiu à revelia do bispo e recebeu uma advertência canônica pelo delito eclesiástico (embora o sacerdote tenha, também, cometido um ilícito eleitoral, pelo qual a diocese e os candidatos poderiam perfeitamente ser autuados e multados, por propaganda política ilegal).

Caberia, de passagem, a reflexão sobre a aptidão para o governo de bispos, que, uma vez confrontados justamente por fiéis, refugiam-se em seus palácios, acostumados com o bajulador corporativismo de seu clero, alegando simplesmente não ter tomado conhecimento do fato — quando este era divulgado amplamente, causando alvoroço, na internet dois dias antes de sua realização.

A nota reafirma a orientação de que os fieis devem aproximar-se da Comunhão apenas em estado de graça e também salienta que a Igreja não apoia nenhum candidato.

A Diocese, porém, não faz nenhuma menção a um ato público de desagravo à Santíssima Eucaristia. Lembramos aos nossos leitores que o pecado público de sacrilégio atrai as maldições e os castigos divinos sobre todo o povo.

Santo Afonso, quando escreve sobre a Missa Sacrílega, conta que a religiosa Maria Crucificada (Palma, Sicília, Itália, 1668) certa vez presenciou o pecado de sacrilégio de um clérigo que celebrava. Após ter terríveis visões, “permaneceu a serva de Deus de tal modo aterrada e abatida pela dor, que não pôde fazer outra coisa senão chorar. O autor da sua Vida nota que foi precisamente no mesmo ano de 1688 que se deu o grande terremoto, que tantos estragos fez na cidade de Nápoles e seus contornos, donde se pode concluir que *tal castigo foi efeito da celebração desta missa sacrílega*” (S. Afonso Maria de Ligório, A Selva, Parte I, VIII – A Missa sacrílega).

A Diocese de Campo Limpo poderia, em reparação à santidade de Deus, ofendida por este tão grave sacrilégio, — a comunhão recebida por ateus e abortistas, bem como pelo escândalo ocasionado à alma dos fieis — realizar um dia de desagravo ao Coração Eucarístico de Jesus, na esperança, também, de afastar de nosso país o castigo merecido pelo gravíssimo pecado de um clérigo. Mas quem, no catolicismo evoluído e “adulto” da CNBB, acredita nisso?

3 agosto, 2018

Com a benção do arcebispo e da CNBB?

Por O Antagonista, 03 de agosto de 2018 – Os seis grevistas de fome de Lula, como antecipamos, estão hospedados no centro cultural dos jesuítas em Brasília (veja foto abaixo), antro da Teologia da Libertação.

Um ex-presidente da CNBB disse a O Antagonista que “os jesuítas podem fazer o que quiserem em seu espaço”.

Não é verdade.

O arcebispo — no caso Dom Sérgio da Rocha, que, aliás, é o atual presidente da CNBB — pode e deve intervir, quando avaliar necessário, em qualquer espaço administrado por religiosos em seu território.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, como registramos, Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, fez uma nota de repúdio aos franciscanos que transformaram a missa de um ano da morte de Marisa Letícia em ato partidário. Os responsáveis pela patacoada petista precisaram se desculpar publicamente, e o cardeal teve de reforçar a proibição de manifestação política durante cerimônias.

O arcebispo de Brasília, portanto, tem poder para interpelar os jesuítas.

Se não o faz, é porque não deve considerar escandaloso que uma casa religiosa abrigue seis pessoas recrutadas pelo MST para fazer greve de fome em favor de um corrupto e lavador de dinheiro condenado pela Justiça e preso há mais de 100 dias.

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