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4 abril, 2020

CNBB: “Deus não castiga”.

Por FratresInUnum.com, 4 de abril de 2020 –   Foi publicado na última quinta-feira (2), no site da CNBB, coincidentemente quando publicamos nosso editorial sobre o mesmo assunto (seria uma resposta?), uma entrevista com Dom Pedro Carlos Cipollini acerca das especulações de católicos sobre um eventual castigo de Deus ligado à epidemia de coronavírus.

O dia em que os 3 pastorinhos de Fátima foram… presos!

Os pastorinhos de Fátima veem o inferno: castigo.

A matéria começa reportando algumas afirmações de Fernando Altmeyer, ex-padre (fato ostensivamente ocultado por onde passa esse senhor) da arquidiocese de São Paulo, que sempre esteve ligado às CEBs, aos movimentos de moradia, que foi porta-voz de Dom Paulo Evaristo Arns e hoje é casado e pai de dois filhos (mas continua lecionando na PUC-SP).

Na sequência, vem a entrevista de Dom Cipollini, cuja principal ideia é a de que “esta visão de que Deus castiga e pune não é de acordo com a revelação que Jesus nos fez do Pai”.

O Dicionário Cultural da Bíblia, das Edições Loyola, na p. 207, diz explicitamente que “na Biblia, a peste designa todas as epidemias assustadoras e é muitas vezes anunciada como um castigo divino”.

Temos, ademais, diversas afirmações do Novo Testamento segundo as quais Deus, em seu amor redentivo, castiga, sim, os pecadores, visando a sua conversão e o seu arrependimento, pois os bens temporais estão subordinados aos espirituais.

Nosso Senhor afirma no Evangelho de São João, o apóstolo do amor: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus” (João III,36).

São Paulo, o mesmo que escreveu o hino ao amor, escreveu também: “ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade” (Romanos I,18).

Aos Efésios, escreve o Apóstolo das gentes, “Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes” (Efésios V,5-6).

Reparem na linguagem do Apóstolo: “ninguém vos seduza com vãos discursos”!

Ninguém. Nem Cipollini, quanto mais Altemeyer.

No Apocalipse, diz São João: “Vi ainda, no céu, outro sinal, grande e maravilhoso: sete Anjos que tinham as sete últimas pragas, porque por elas é que se deve consumar a ira de Deus” (Apocalipse XV,1).

Deixando de lado todo o magistério tradicional, em que a realidade dos castigos de Deus é tida como evidente, no magistério dos últimos papas, que nossas sumidades intelectuais da CNBB dizem seguir, aparecem em diversas ocasiões menções importantes às punições que Deus inflige à humanidade.

Bento XVI, numa homilia, disse que, nos livros de Crônicas, “o autor sagrado propõe uma interpretação sintética e significativa da história do povo eleito, que experimenta a punição de Deus como consequência do seu comportamento rebelde: o templo é destruído e o povo exilado deixa de ter uma terra; realmente parece ter sido esquecido por Deus. Mas depois vê que através dos castigos Deus persegue um desígnio de misericórdia. Será a destruição da cidade santa e do templo como foi dito será o exílio que toca o coração do povo e o faz voltar para o seu Deus para o conhecer mais profundamente. (…) Pensando nos séculos passados podemos ver como Deus continue a amar-nos também através dos castigos. Os desígnios de Deus, também quando passam através das provações, têm sempre por finalidade um êxito de misericórdia e de perdão” (Homilia 26 de março de 2006).

João Paulo II havia afirmado anteriormente e de modo peremptório: “lembro-lhes que Deus castiga as más ações dos homens” (Audiência geral, 13 de maio de 1978).

Recentemente, o próprio Papa Francisco recordou ao Secretário Geral das Nações Unidas que existem condutas que “clamam o castigo de Deus” (Mensagem de 2 de dezembro de 2019).

A própria Congregação para a Doutrina da Fé escreveu um documento em que afirma que “no Antigo Testamento, ‘Israel tem a experiência de que a doença está misteriosamente ligada ao pecado e ao mal’. Entre os castigos com que Deus ameaça o povo pela sua infidelidade, as doenças ocupam espaço de relevo (cf. Dt 28,21-22.27-29.35). O doente que pede a Deus a cura reconhece que é justamente castigado pelos seus pecados (cf. Sal 37; 40; 106,17-21)” (Instrução sobre as orações para pedir a cura, n. 1).

Por fim, Nossa Senhora de Fátima disse à pequena Jacinta Marto: “as guerras não são senão castigos pelos pecados do mundo.

Mas, pasmem, leitores! A CNBB, do alto de sua petulância, diz o contrário!

E o faz simplesmente porque a própria CNBB é um castigo mais do que suficiente para os católicos do Brasil e é uma prova de que, sim, Deus castiga!

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30 março, 2020

A religião da CNBB: o anti-bolsonarismo fanático com cheiro de…

Por FratresInUnum.com, 30 de março de 2020 — Todos estamos acompanhando com viva apreensão o desenvolvimento da pandemia de coronavírus no Brasil, ao mesmo tempo em que vemos a sua ampla difusão pelo hemisfério norte do planeta. Aqui, embora as condições climáticas e sociológicas sejam mais benéficas, temos vivido dias de pânico, especialmente pela ação de autoridades civis e eclesiásticas que determinaram o isolamento social radical, com o consequente fechamento do comércio, a proibição do culto religioso e outras medidas.

Nos últimos dias, alguns editoriais dos principais jornais brasileiros começaram a recuar no alarde.

Contudo, como não poderia deixar de ser, a CNBB apressou-se em marcar a sua oposição.

O presidente da conferência episcopal brasileira, Dom Walmor Oliveira e Azevedo, em homilia na Solenidade da Anunciação do Senhor, disse:

“Nós repudiamos, criticamos veementemente, autoridades do executivo nacional, quando minimiza (sic!) aquilo que precisa ser realizado com responsabilidade por todos nós. A pandemia do covid-19 e muitas outras pandemias não podem se compor agora mais e mais com outras pandemias de irresponsabilidade, de inconsequências e de falta de sentido humanístico e respeitoso para com a dignidade da pessoa humana. (…) Fique em casa! Esta é a indicação das autoridades competentes, sanitárias e sensatas. Fique em casa!”

Na tarde da quinta-feira (26), o secretário da CNBB emitiu uma nota em que afirmou que, embora tenha havido um decreto do Executivo que considera as atividades religiosas como essenciais, a Igreja vai continuar mantendo “as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde”, que “indicam o distanciamento social”; portanto, “as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc. Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”.

Em outras palavras, a CNBB está dizendo que só voltaria o culto caso fosse obrigada pela força da lei civil!

É totalmente falacioso o equacionamento do problema da pandemia e do sustento do país como se fosse uma escolha entre “a vida” e “a economia”, como discretamente sugere a nota. O caos social favorecerá em muito a esquerda, ocasionará a completa falência do governo e é este o posicionamento de fundo da presidência do nosso episcopado. Eles não estão preocupados com o Brasil, mas apenas com o avanço da sua própria ideologia socialista.

O anti-bolsonarismo se tornou a verdadeira religião da CNBB. Não importa para onde vá o presidente, a conferência dos bispos sempre irá ostensivamente pelo caminho oposto. A inquisição implacável que padres e bispos têm movido contra ele é o espetáculo do fanatismo político mais cego que jamais se viu, demonstração de um totalitarismo psicológico impenetrável.

Enquanto isso, porém, recebemos notícias de que há bispos com paradeiro desconhecido. Desde antes do início da “quarentena”, por pertencerem ao grupo de risco, há prelados que não atendem ninguém, a não ser por telefone, que estão escondidos sabe-se lá onde, por puro medo de morrer. Dom Claudio Hummes chegou, mesmo, a cancelar uma conferência na PUC de São Paulo sobre o Sínodo da Amazônia, e isso antes que o pânico geral se alastrasse pela população.

Os bispos brasileiros fecham igreja antecipadamente, removem qualquer vestígio de religiosidade em suas declarações, privam os fiéis do mais básico e mínimo atendimento espiritual e, no campo da militância “por um mundo melhor”, fazem exatamente aquilo que sempre condenaram: desunião, agitação, politicagem!

Pois é, embora sejam valentes para sustentar a confissão escrita do seu esquerdismo fracassado, os nossos bispos tremem quando o tema é ter “cheiro de ovelhas”. Como já notamos, a Igreja em saída está trancada e agora, no máximo, a CNBB tem cheiro de… WhatsApp.

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26 março, 2020

A “Igreja em saída” adverte: não saiam. Mas, alguns bispos discretamente pedem relaxamento ao governo.

O presidente da CNBB lançou um apelo para que as pessoas não saiam de casa (ver vídeo abaixo). No entanto, segundo Andréia Sadi, outros bispos católicos ignoram a CNBB e apelam diretamente ao presidente:

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro disseram ao blog, nesta quinta-feira (26), que ele atendeu a um pedido de religiosos de diferentes igrejas — como a católica e evangélica — ao autorizar o decreto que inclui atividade religiosa como essencial, mesmo durante a quarentena. Procurados pelo blog, assessores justificaram “preocupação” dos religiosos com a Semana Santa, que acontece em abril, “com a parte emotiva” das pessoas — e, por isso, o presidente autorizou missas. Segundo palacianos, pastores e arcebispos procuraram o governo com esse apelo.

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12 dezembro, 2019

CNBB emite nota sobre o desrespeito à fé cristã.

 

Nota oficial da CNBB
sobre o desrespeito à fé cristã

Examinai tudo e ficai com o que é bom! (1 Ts 5,21)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) repudia recentes fatos que, em nome da liberdade de expressão e da criatividade artística, agridem profundamente a fé cristã. Ridicularizar a crença de um grupo, seja ele qual for, além de constituir ilícito previsto na legislação penal, significa desrespeitar todas as pessoas, ferindo a busca por uma sociedade efetivamente democrática, que valoriza todos os seus cidadãos.

A Igreja nunca deixou de promover a arte e a liberdade de expressão. Por isso, a CNBB reitera que toda produção artística respeite “os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável”. Quando há desrespeito em produções midiáticas, os meios de comunicação tornam-se violentos, verdadeiras armas que contribuem para ridicularizar e matar os valores mais profundos de um povo.

Vivemos em uma sociedade pluralista. Nem todos têm as mesmas crenças. Devemos, no entanto, como exigência ética e democrática, respeitar todas as pessoas. Nada permite a quem quer que seja o direito de vilipendiar crenças, atingindo vidas. O direito à liberdade de expressão não anula o respeito às pessoas e aos seus valores.

Neste tempo de Advento, somos convocados a permanecer firmes na fé, constantes na esperança e assíduos na caridade. Não podemos nos deixar conduzir por atitudes de quem, utilizando a inteligência recebida de Deus, agride esse mesmo Deus. Um dia, haveremos de prestar contas de todos os nossos atos.

Diante, pois, dessas agressões, respeitando a autonomia de cada pessoa a reagir conforme sua consciência, a CNBB clama a todos os cidadãos brasileiros a se unirem por um país com mais justiça, paz, respeito e fraternidade.

Brasília-DF, 12 de dezembro de 2019
Festa de Nossa Senhora de Guadalupe

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

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20 julho, 2019

Foto da semana.

Aconteceu em Brasília, de 16 a 18 de julho de 2019, o Seminário de Estudo do Documento de Trabalho do Sínodo para a Amazônia — documento considerado herético, apóstata e estúpido por eminentes cardeais.  Promovido pela REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica, presidida pelo Cardeal Dom Claudio Hummes, participaram dele 23 bispos (destaque para a nova diretoria da CNBB e ao ex-secretário geral, Dom Steiner), 5 membros do Conselho Pré-Sinodal, “assessores” e “especialistas” convidados.

Na psicose que carateriza a religião neo-pagã-ecologista, uma série de “celebrações” ocorreram. Pode-se ver que a reação dos católicos nas redes sociais não foi muito amistosa.

27 maio, 2019

Terror no Vaticano.

Por FratresInUnum.com, 27 de maio de 2019 – Mais um final de semana difícil para o papa argentino. Depois de semanas de uma campanha feroz contra o vice-primeiro ministro italiano Matteo Salvini, o único resultado que Papa Francisco conseguiu foi eleger o seu partido com ainda mais força nas eleições para o Parlamento Europeu.

A vitória do partido  de Salvini é a derrota de Francisco e do subserviente episcopado italiano, que não economiza bajulações ao bispo de Roma. O povo não suporta mais o discurso esquerdista de Bergoglio, cuja obsessão pelos “imigrantes” chegou ao ápice do delírio. Entre um político que fala de Deus e um papa que fala de política, o povo italiano fez a sua escolha.

Contudo, não foi apenas a vitória de Salvini. Le Pen derrotou Macron na França, os Brexit levaram nova vitória do Reino Unido, Orban ganhou com vantagem na Hungria, a Polônia impôs sua agenda conservadora… A Europa começa a tomar um novo rumo e o pontificado de Francisco isola-se no rumo oposto, suicida-se na irrelevância, dando provas de seu completo autismo, incapaz de ser outra coisa que uma prorrogação do governo de Barack Obama.

No Brasil, o sucesso das manifestações também frustrou os críticos esquerdistas, especialmente os eclesiásticos. Em clima pacífico, com discurso ostensivamente anti-comunista e em defesa de todos os valores conservadores (vida, família, nação, propriedade privada, tradição), a população não deixou de ostentar a sua fé, realizando inclusive piedosos momentos de oração, coisa impensável há dez anos, e, vale dizer, com zero protagonismo do clero.

Francisco, a CNBB e a esquerda “católica” perderam o povo, a força moral e o contato com a realidade. Inúteis são seus esforços de fingir relevância e dignidade, declarando, como Dom Walmor, que “estamos abertos ao diálogo”. Eles não entenderam. Ninguém quer dialogar com gente sem importância.

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23 maio, 2019

“Não darei recados para o presidente. Vou me oferecer para o diálogo”.

Por Veja, 23 de maio de 2019 – Neste mês, o arcebispo de Belo Horizonte, Walmor Oliveira de Azevedo, tornou-se o 13º presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A escolha, feita por cerca de 70% dos 296 bispos de todo país, deixou para trás o forte candidato ao cargo, o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Com doutorado em Teologia Bíblica, dom Walmor também integra duas congregações de peso no Vaticano – para as Igrejas Orientais e a da Doutrina da Fé. A eleição do arcebispo representa uma Igreja mais preocupada com a volta às raízes da fé do que com posições políticas, papel que calcou a história da CNBB.

O senhor é considerado um bispo de centro-esquerda. O que isso significa?

Não sou de direita ou de esquerda nem de centro. Tampouco progressista ou conservador. A Igreja não pode se pautar em ideologias. Me autodefino como aquele que quer voltar às fontes do Evangelho. É dessa postura que vem o equilíbrio de que tanto precisamos nesses tempos de polarização. A polarização separa e isola.

A CNBB já teve influência política e social como poucas associações religiosas no Brasil. Ela não deve ter mais esse papel?

A CNBB tem de se reaproximar do Evangelho. Voltar ao Evangelho é revestir-se de uma sabedoria que não vem de si mesmo, mas da sabedoria de Deus. Dessa forma passamos a compreender a vida de forma diferente: amando os inimigos, indo ao encontro daqueles que sofrem, sendo solidários, perdoando. Essa deve ser a essência da CNBB – não ser do partido A ou B. A CNBB não é um clube de amigos e tampouco uma ONG ou um partido. É a congregação de todos os bispos do Brasil com a força da Igreja. A força política da CNBB e da Igreja é ajudar a construir uma sociedade justa e fraterna.

O católico deve se afastar da política?

Isso é outra coisa. Os fiéis precisam se envolver mais com a política. Mas sempre pautados pela moralidade inegociável e a serviço do outro.

Metade dos católicos votou em Jair Bolsonaro, um presidente que fez da liberação do porte de armas um dos principais motes de sua campanha. Não é paradoxal um católico usar uma arma?

A arma, não só para o católico, mas para todos os cristãos, deve ser o amor. O cristão tem de pegar naquilo que promove a vida. O nosso caminho é o da paz, da construção de uma sociedade pacífica. Mas os católicos são livres para fazer escolhas. Precisamos olhar o contexto complexo da sociedade brasileira. O contexto atual mostrou nossas dificuldades políticas. Uma escolha feita, há um desafio enorme para dar um passo à frente.

“Não sou de direita ou de esquerda nem de centro. Tampouco progressista ou conservador. A Igreja não pode se pautar em ideologias”

 

É de praxe o novo presidente da CNBB se encontrar com o presidente da República logo após a eleição. Qual é a sua expectativa para esse encontro?

Vamos nos encontrar muito em breve. Quero ouvi-lo e poder compartilhar com ele a força do Evangelho. Não darei recados. O que desejo de coração aberto é me oferecer para o diálogo. Isso é importante para todos os lados, mesmo que haja diferenças entre eles. Ninguém é dono da verdade. A verdade é Jesus Cristo. O exercício da Presidência, de um cargo público, independentemente da escolha religiosa, tem que ser baseado sempre na abertura ao diálogo e na moralidade. O objetivo tem que ser o bem do povo brasileiro.

Em sua opinião, o presidente é um bom representante da moralidade?

Nenhum de nós representa a moralidade. A sociedade brasileira, incluindo os cristãos, tem mostrado vergonhosamente que, sob o ponto de vista moral, tem um longo e urgente caminho a percorrer. Todos nós temos de ser mais coerentes com a fé que professamos, o Deus ao qual nos referimos. Esse é o grande desafio. Somos todos pecadores. Temos que construir um caminho oferecendo o que temos de melhor. Ter opções diferentes e conflitos de escolhas faz parte de uma sociedade pluralista. Mas quando alguém diz que Deus está acima de tudo, está se comprometendo a colocar o amor, a justiça e a verdade acima de tudo.

Os institutos de pesquisa indicam que em 2032 o número de evangélicos irá superar o de católicos no país. A Igreja Católica errou?

Não diria que a Igreja errou. Ela tem sido profundamente desafiada a ter novas respostas na complexidade e na rapidez das mudanças culturais da sociedade. A Igreja não pode se preocupar com números. Os números mostram muita coisa, claro. Mas o mais importante está além deles.

Por que o número de evangélicos tem crescido tanto?

As estatísticas mostram o crescimento de evangélicos, mas também de grupos católicos. Acredito mais no trânsito religioso do que no crescimento em uma só religião.

“A sociedade brasileira, incluindo os cristãos, tem mostrado vergonhosamente que, sob o ponto de vista moral, tem um longo e urgente caminho a percorrer”

 

A Igreja se afastou do fiel?

Temos uma capilaridade, mantemos serviços sobretudo com os pobres e sofredores. Mas temos um desafio, como diz o papa Francisco, que é o de chegar às periferias espirituais e geográficas.

A Renovação Carismática foi um movimento que, apesar de ter arregimentado fiéis, não é vista com bons olhos por muitos na cúpula da Igreja. Qual é a sua opinião sobre eles?

O caminho evangelizador da Igreja é encontrar nos movimentos eclesiais uma grande força. Eles congregam pessoas. Trata-se de uma grande força e todos são muito bem-vindos. Mas não podem ter uma conotação pessoal. Ou seja, quando a pessoa aparece mais que o Evangelho. Eles devem ser pautados nas raízes da fé e da tradição. A fé não deve ser confundida com sentimentalismos e isso vale para toda a Igreja. Os padres cantores, por exemplo, têm o desafio de não se tornarem meramente artistas. Se são evangelizadores, que o sejam. Que usem seus carismas e disposição e não tornem um projeto algo meramente pessoal. Temos de estar a serviço da Igreja.

Os discursos e as ações do papa Francisco têm causado polêmicas dentro e fora da Igreja como pouco se viu na história moderna da instituição. O que o senhor pensa disso?

O papa é profundamente enraizado na riqueza inegociável da tradição da Igreja. A tradição é um patrimônio. No contexto atual de muitas mudanças, corremos sempre o risco de interpretações inadequadas. Ele inclusive. Não estamos num tempo monolítico. Mas num tempo de pluralidade, que contempla opiniões diversas. Portanto, o papa é atingido por isso. A Igreja tem uma reserva de fé e de princípios morais e éticos que são intocáveis. Não podemos negociar ponto algum. Não podemos falar de matrimônio de pessoas do mesmo sexo, por exemplo, porque é um sacramento entre homem e mulher. Mas a Igreja é misericordiosa e não faz a acepção de pessoas. Não alimenta preconceitos.

O papa Francisco tem exposto e combatido duramente casos de abusos sexuais na Igreja. A Igreja brasileira tem seguido esse caminho?

É importante lembrar que a porcentagem de crimes cometidos no clero é muito menor do que acontece na sociedade em geral, dentro das famílias, inclusive. Estamos fazendo um Vade mecum, sobre isso. Um passo a passo naquilo que é importante sobre as vítimas e no que compete à punição canônica e àquilo que a sociedade civil tem de fazer. Independentemente de qualquer coisa, a tolerância é zero.

12 maio, 2019

Foto da semana.

CNBB 2019

Aparecida, 10 de maio de 2019 – Passagem de comando: a antiga presidência da CNBB passa o comando à nova, eleita na Assembleia Geral dos Bispos que se encerrou na última sexta-feira, em Aparecida, SP. Leia a nossa análise da eleição.

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10 maio, 2019

Uma Conferência empedernida e irremediável.

Por FratresInUnum.com, 10 de maio de 2019 – Popular, sorridente, amigo de todos. Dando bom dia até para as paredes. Assim entrou Dom Jaime Spengler na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que termina hoje, em Aparecida, SP. Mas, como diz o famoso ditado: “No conclave, quem entra papa, sai cardeal”. E assim se fez! A chamada “máfia franciscana”, capitaneada por Dom Cláudio Hummes e Dom Leonardo Steiner, perdeu a presidência da CNBB. Com a eleição de Dom Joel Portella Amado para o cargo de Secretário Geral  e de Dom Walmor de Oliveira Azevedo para a presidência, eles tiveram de se contentar com a modesta posição de vice.

Eleição na CNBB 2019 – Da esquerda para a direita: Dom Jaime Spengler, eleito vice-presidente. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, eleito presidente. E Dom Mário Antonio Silva, bispo de Roraima, segundo vice-presidente.

A eleição de Dom Walmor, por sua vez, não foi fruto de uma decisão autônoma dos bispos brasileiros. Muito pelo contrário! Se até então eles sempre manifestaram reservas quanto às indicações romanas – a própria presença do núncio apostólico nas assembleias da conferência sempre foi encarada com antipatia –, agora, deram provas da mais absoluta submissão às indicações de Francisco. Como anunciamos meses atrás, a eleição de Walmor veio pronta da Cúria Romana e sua autoria, segundo fontes, é do brasileiro Ilson Montanari, Secretário da Congregação para os Bispos.

Porém, o surto de papismo do episcopado tupiniquim não se limitou ao chancelamento de uma decisão romana quanto à eleição do presidente da CNBB, mas também derramou-se em manifestações de uma devoção papal calorosa e entusiasmada. A autoridade de Francisco foi evocada como argumento inapelável e a sua vontade sondada como se fosse o querer do próprio Deus! Os bispos, tais como adolescentes histéricos diante de um popstar, não economizaram hosanas à autoridade de Bergoglio.

Falsidades à parte, é obvio que o teatro é fruto não de uma convicção teológica, mas do medo, do temor servil, do pânico de serem suspeitos de qualquer crítica ao bispo de Roma. Controlados por fiscais de todos os lados, mais temerosos de uma pena canônica seguida de remoção do episcopado que cobiçosos de uma ascensão na carreira eclesiástica, os bispos brasileiros se reduziram (ou foram reduzidos) abaixo do nível dos coroinhas de qualquer sacristia e, como noviças apavoradas, fazem as graças com um postiço sorriso amarelo.

Enquanto isso, Francisco alegremente celebra o poder, pois prefere ser temido que amado, assim como os ditadores, cuja mera lembrança provoca nos remotos súditos chiliques de uma obediência idolátrica e cega.

O desespero papista fez os bispos se rivalizarem no esquerdismo e, portanto, aclamarem euforicamente qualquer protesto contra o governo como se fosse a proclamação de um dogma. Todos comentam, nos corredores da CNBB, que há muito não se via um ambiente tão libertador quanto nesta assembleia.

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Embora todos soubéssemos que, tão cedo viesse um governo de direita, o “profetismo” adormecido nos tempos do PT acordaria com violência, todo esse papismo subserviente pouco ou nada combina com a rebeldia corajosa de quem se encoraja apenas quando protegido pelos muros da discrição e pela aprovação de seus pares.

A assembleia termina exatamente como começou: em um clima de medo e insegurança. Os bispos são cientes de que estão mais desprotegidos do que nunca, quer pela ameaça papal que paira sobre as suas cabeças, quer pela vulnerabilidade diante de um clero astuto e articulado, quer pela vigilância dos leigos, não mais passivos e silenciosos como nas décadas anteriores. De fato, “nós estamos no meio deles” e sabemos muito bem quem eles são.

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7 maio, 2019

Adeus, Steiner.

Não deixará saudade. Dom Joel Portella, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, eleito secretário geral da CNBB.

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