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12 agosto, 2020

A morte de Dom Casaldáliga e o futuro da Teologia da Libertação.

Por FratresInUnum.com, 11 de agosto de 2020 – Faleceu no último sábado, 8 de agosto, Dom Pedro Casaldáliga, o último dos grandes baluartes da decadente Teologia da Libertação. O seu desaparecimento causou imensa comoção entre o clero progressista, que está tentando emplacar a sua “fama de santidade”, sem nenhuma repercussão significativa fora de seus próprios guetos ideológicos. O fato merece uma consideração atenta, pensando nos motivos de tamanha “devoção” entre os progressistas e em quais seriam as perspectivas para a Teologia da Libertação (TL) daqui para a frente.

A “revolução brasileira”

Os bispos Steiner e Pedro Casaldáliga.

Os bispos Steiner e Pedro Casaldáliga.

Uma das maiores dificuldades para compreender os movimentos populares no Brasil é encontrar um justo instrumento analítico que nos permita descrever com acerto qual a matriz de todas as tensões existentes em nossa realidade sociopolítica.

Em “Os donos do poder”, Raymundo Faoro, que era um homem de esquerda, mostra que a história da Brasil poderia ser bem definida como a luta de um povo impotente contra uma elite patrimonialista, que usa o Estado em benefício próprio, elite que ele denomina “estamento burocrático.

Ora, da leitura da obra de Faoro se percebe claramente que a natureza desta tensão entre povo-estamento é supra-ideológica e, portanto, meta-política, o que significa que ambos, o povo e a elite, transitam da esquerda para a direita e vice-versa conforme as circunstâncias históricas concretas. Talvez esta seja a razão principal da vivacidade política do povo brasileiro.

Cabe aqui fazer uma desambiguação: o termo “revolução brasileira” em Faoro não tem o mesmo significado que o termo “revolução” tem nas obras dos autores católicos contrarrevolucionários; para estes, revolução é a rebeldia do homem contra Deus e contra a ordem da realidade; para aquele, “revolução” era apenas um termo descritivo desta história brasileira de libertação.

A Teologia da Libertação e o PT

A complexidade de fatores que culminaram com o aparecimento da Teologia da Libertação e do seu projeto político, a fundação e consolidação do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua chegada e manutenção no poder, é muito difícil de ser resumida. Uma excelente síntese do assunto pode ser encontrada no livro do Dr. Júlio Loredo, Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres.

De um lado, a Ação Católica Brasileira, inicialmente inspirada no ativismo social do Centro Dom Vital, depois dividiu-se naquilo que o Prof. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira chamava de “falsa direita”, isto é, o fascismo declarado, e “esquerda católica”, isto é, o socialismo abraçado abertamente como ideologia. 

De outro lado, tudo isso vinha sendo fermentado no caldo da Nouvelle Théologie, com seus autores progressistas e socialistas, culminando com o surgimento da síntese herética de Karl Rahner e da “Teologia Política” de seu filho teológico, Johann Baptist Metz. Essas influências foram especialmente catalisadas na Universidade de Louvaine, onde hordas de padres latino-americanos foram enviadas para especialização.

O ativismo e o desejo de controlar a política oriundos daquela mentalidade de Ação Católica pervertida e as ideias socialistas abraçadas pela Nouvelle Théologie foram o misto ideal para que os comunistas pudessem entrar na Igreja e usá-la para o seu projeto de poder, como já havia declarado de modo peremptório Antonio Gramsci (já não se tratava mais de tentar destruir a Igreja, mas de usá-la).

Nem precisamos nos perguntar se o plano deu certo. Os comunistas encontraram toda a estrada aberta e começaram a aparelhar a estrutura eclesiástica através de uma ideologia propositalmente criada para esta finalidade: a chamada Teologia da Libertação.

Um dos equívocos principais que é preciso desmascarar é o de que a Teologia da Libertação é uma teologia criada para vencer as opressões e as desigualdades. Esta é apenas a desculpa teológica dada. O objetivo da Teologia da Libertação é duplo:

1) primeiro, teorético: desmontar a Teologia Católica inteirinha, não deixando nada em pé. Isso está explicitamente declarado por Gustavo Gutiérrez em sua “Teologia da Libertação”, ou seja, é iniciar aquilo que ele chama de “fase crítica” da Teologia;

2) e principalmente prático: criar a base para a formação de um partido político socialista através das Comunidades Eclesiais de Base, como declarou implicitamente Leonardo Boff em seu livro “E a Igreja se fez povo” e recentemente o próprio Lula, numa live feita com Leonardo Boff.

O projeto deu certo. Criaram um clero progressista e comunista, aparelharam a Igreja de alto a baixo, criaram um partido que veio para se eternizar no poder, mas que não conseguiu obter o sucesso até o fim.

Uma “mística” da libertação

Na encíclica Pascendi Dominici Gregis, São Pio X explicava que os modernistas trocavam a fé católica por uma certa “experiência religiosa”, esta que hoje mesmo os libertadores chamam de “experiência de Deus”. 

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la”.

Em outras palavras, os modernistas, assim como seus herdeiros diretos, os teólogos da libertação, trocam o conceito de “revelação exterior” (a Revelação Divina tal como custodiada nos artigos da fé católica) e de “revelação interior” (a luz da fé infusa pela graça nos nossos corações para que possamos crer) por um conceito naturalista de “experiência religiosa”: a tal “experiência de Deus” com os pobres, os índios, os quilombolas ou no meio da “luta do povo”. Neste sentido, há algo de comum com certos grupos carismáticos, que tomam como fato fundante da sua vida espiritual não os dogmas da Igreja, mas a sua experiência intimista.

Ora, é neste sentido que a história de Dom Pedro Casaldáliga tem uma importância enorme para a Teologia da Libertação. Ele foi justamente um homem que saiu da Europa e veio para o meio dos índios viver a “experiência do pobre”, que quando foi ordenado bispo trocou a mitra pelo chapéu de palha e o anel de metal pelo anel de tucum (que depois se tornou símbolo da TL), que desprezou o báculo pastoral e que trocava o vinho por cachaça e a hóstia por bolacha, como afirma a sua biografia autorizada, segundo informações da Folha de São Paulo. 

É essa pseudo “mística” que faz clérigos, mais ou menos oportunistas, lançarem todos os louvores possíveis a Casaldáliga, partindo desde  o presidente da CNBB  e alcançando expoentes ditos conservadores do episcopado. Chegando até o site oficial de notícias da Santa Sé, todos “canonizam” o bispo revolucionário.

Poeta, Casaldáliga confessava-se “subversivo”, dizia crer na “Internacional” e não escondia seu apreço pela “foice e o martelo” (em sua poesia “Canção da foice e do feixe”, publicada em vermelho.org.br, site do PCdoB) Mas ele não ficou apenas na poesia. Apoiava decididamente as revoluções cubana e sandinista, na Nicarágua, onde esteve muitíssimas vezes, contra a vontade dos bispos locais, tendo de ser admoestado pela Santa Sé a que permanecesse em sua prelazia. Ele abraçou o estilo de vida indígena, abraçou aquele modelo pauperista de Igreja idealizado no “Pacto das catacumbas”, levando-o às suas últimas consequências.

Neste sentido, foi um homem coerente com aquilo que acreditava, muito diferentemente dos defensores da tal “Igreja dos pobres”, apregoada pelo Cardeal Lercaro e por Dom Hélder Câmara, e à qual aderem maciçamente nossos bispos hoje, mas que gostam mesmo é de frequentar restaurantes ricos e estão preocupadíssimos com a prosperidade econômica das suas dioceses.

O conceito de “mística da libertação” tal como vivido por Dom Pedro Casaldáliga é apenas um engodo, como explica muito bem São Pio X, mas que serve como instrumento de romantização para a comunistização da Igreja, tal como operada pela Teologia da Libertação.

Mudança de paradigma

No movimento marxista, a Igreja Católica sempre está atrasada, com um recuo justificável pela sua constituição estruturalmente gerontocrática, ou seja, ela é governada pelos velhos.

A Escola de Frankfurt já tinha percebido que os pobres estavam se aburguesando e que a revolução socialista não poderia ser protagonizada por eles, mas por aquilo que eles chamavam de lumpemproletariado. Trata-se da revolução dos descontentes, do estrato maltrapilho da sociedade, das minorias, daqueles que têm motivos para a reclamação. Lukács já tinha explicado que não havia propriamente um conflito de classes, mas que este deveria ser criado através do que ele chamava de “classe possível”, através da “conscientização”, ou seja, da formação de uma “consciência de classe”.

Levaram várias décadas para que o movimento marxista entendesse que seria necessário abandonar a luta de classes e abraçar a revolução sexual e o ecologismo psicótico, mas, assim que esta mudança de paradigma aconteceu, as grandes corporações meta-capitalistas, interessadas na dissolução da sociedade para o fortalecimento do mercado, “compraram” as mesmas causas e começaram a subvencioná-las, de modo que não há comunista que não esteja trabalhando para algum milionário: assim como os escravos no império romano eram soltos em orgias sexuais justamente para que não pudessem constituir uma família patriarcal e formar um núcleo de ação, agora, o direito a ter uma família patriarcal se tornou privilégio exclusivo dos meta-capitalistas, e não há socialista que não seja militante dessas causas full-time; do mesmo modo, as propriedades privadas de famílias estão sendo cada vez mais transferidas para grandes corporações internacionais, em nome do ecologismo mais patrimonialista de todos os tempos.

O PT no poder e mudança de eixo na revolução brasileira

Neste meio tempo, o PT chegou ao poder e tinha planos de lá permanecer eternamente, sem jamais ser removido. Aquele intervencionismo auspiciado pela mentalidade corrompida da Ação Católica parecia triunfante: a cumplicidade entre a hierarquia e o partido socialista havia chegado ao seu ápice, até que o povo percebeu que algo estranho tinha acontecido

Em um primeiro momento, o povo havia se identificado com Lula porque pensava que ele era um legítimo representante dos anseios de libertação daquela histórica revolução brasileira, acima referida. Na medida em que o tempo foi passando, tornou-se claro que nada disso era verdade: Igreja e PT estavam interessados apenas tornar-se parte do estamento burocrático e, ao invés de vencê-lo, queriam usá-lo em benefício de sua própria estratégia de poder, como, de fato, está acontecendo hoje.

A eleição de Jair Bolsonaro não foi uma empreitada ideológica. Ele não tem ideologia alguma, inclusive porque provavelmente nem tem ideia profunda alguma. O povo não agiu ideologicamente, mas apenas por identificação emocional: apareceu aquele candidato outsider que tentaria derrubar toda a elite, mas que não está conseguindo, justamente porque esta elite é institucionalmente poderosa (trata-se de um indivíduo unido com um povo impotente contra todo o sistema político nacional e internacional: a mídia, os órgãos de educação superior, os partidos corruptos e, inclusive, a própria Igreja, que precisa ficar do lado dos poderosos para poder permanecer em sua situação privilegiada).

Deste modo, bispos e petistas conseguiram algo impressionante: angariaram infalivelmente o ódio do povo! Todo mundo odeia o PT e a CNBB. Não há instituições que sejam hoje tão desprestigiadas entre a população.

Resultado religioso e futuro da TL

Com a eleição do Papa Francisco, adepto da versão argentina da TL, a chamada “Teologia do Povo”, o clero TL teve novamente a chance de respirar, não se sente institucionalmente ameaçado e tenta mais uma vez erguer a cabeça.

Contudo, o povo continua migrando para as igrejas pentecostais e outras vertentes religiosas. Com a epidemia do vírus chinês, a hierarquia dispersou totalmente os fieis, relegando-os de modo absoluto à irreligião – ora, se os católicos já eram acomodados, agora, uma geração inteira foi largada ao total abandono da prática religiosa (todo mundo virou “católico não praticante e de IBGE”).

De outro lado, a TL já não se encontra mais contextualizada nos marxismos modernos, senão através de duas veias: a teologia gay e o ecologismo radical, linhas nas quais a TL vai se reinventar, tornando-se ainda mais intragável para os fiéis e para os seus próprios militantes. Ou será que alguém imagina ser possível despertar fervor religioso católico em grupos incendiados pelo pecado sexual ou entusiasmados com aquelas superstições tribais?…

Em outras palavras, a nova TL que vem vindo aí só tornará o suicídio eclesial ainda mais exterminador. É o que dizia Paulo VI quando, depois de ele mesmo ter protegido tanto os socialistas dentro da Igreja, reconheceu que havia um “misterioso processo de autodemolição”. O “misterioso” fica por conta dele. Não há nenhum mistério nisso, há apenas causa e efeito.

A morte de Casaldáliga e a nova TL

A morte de Dom Pedro Casaldáliga está sendo tão pranteada pelos TLs justamente como um inconsciente processo psicossocial de funeral coletivo. A TL do passado já passou. Sim, existem as viúvas, e o próprio pontificado de Francisco aparece no mundo mais como uma evocação do passado do que como uma representação do presente.

A TL do futuro, totalmente LGBT e ecologista, é uma causa perdida, para a qual a população inteira se comportará com indiferença, acentuando o processo de destruição da Igreja Católica e o apogeu das comunidades pentecostais: já que o assunto é ter uma “experiência de Deus”, pelo menos as pessoas preferem tê-la com ar-condicionado, música de qualidade e muitos, muitos sentimentos. 

Em artigo recente, Dom Júlio Akamine, arcebispo de Sorocaba, tentou “limpar a barra” da CNBB, dizendo que não existem bispos comunistas (e negando os fatos que eles mesmos nunca negaram, vide o vídeo de Lula e Boff) e que há um grande pluralismo na Conferência Episcopal. Bem… Embora o arcebispo tenha esquecido um detalhe que para ele parece não ter a mínima importância – isto é, existe uma doutrina social da Igreja muito bem definida, além de uma doutrina da fé e dos costumes, de tal modo que o tal “pluralismo” defendido por ele como um superdogma absoluto não é senão um fingimento retórico –, ele não deixa de ter certa dose de razão: a TL virou um balaio de gatos tão confuso que há muitos bispos perdidos num esquerdismo vago, enquanto há outros que militam naquela velha revolução já não existente e outros que apregoam a descarada ideologia feminista-gay ou ecologista. É! Não se fazem mais comunistas como antigamente!

Mas, resguardando-se o bom-mocismo corporativista de Dom Júlio, será que alguém, depois de ler Gustavo Gutiérrez escrever que o objetivo da TL é reformular a doutrina católica inteira em chave crítica, pode ficar ironizando com os que ele diz “que se julgam investidos com o poder de purificar a CNBB de infiltrações vermelhas a serviço de Satanás” ou mesmo com quem “expurga os que se desviam da ‘sã doutrina’”?… 

Tanto a TL quanto os isentistas alla Dom Júlio precisam, mesmo, é tirar do caminho os católicos anticomunistas. Estes é que precisam ser realmente neutralizados! Mas, não adianta. Eles chegaram tarde demais e, agora, todo mundo sabe muito bem quem eles são e para que eles vieram. O comunismo na Igreja Católica está flagrado e, a despeito de toda a oratória oficialista, institucionalista, romântica, poética ou de qualquer outro tipo, o povo não engole mais este palavrório. 

6 agosto, 2020

Excelências: Chegou a hora de virar a página da Teologia da Libertação!

Carta Aberta do IPCO ao Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

“Errar é humano, mas perseverar no erro por arrogância é diabólico” (Santo Agostinho)

Segundo notícias de imprensa, o Conselho Permanente da CNBB irá discutir, no dia 5 de agosto, a “Carta ao Povo de Deus”, vazada para uma colunista da Folha de S. Paulo e assinada presumidamente por 152 bispos.

A carta é um forte ataque ao atual Governo, baseado muito mais em uma posição ideológica de esquerda do que na doutrina social da Igreja.

Os primeiros nomes dos signatários, que se tornaram públicos, são representativos de uma corrente episcopal cuja doutrina claramente inspirou a redação do documento. São prelados de ascendência alemã, hoje aposentados, que vibraram na sua juventude com a revolução marxista promovida pelos corifeus da Teologia da Libertação. Após o colapso da URSS, esses prelados – e outros da mesma corrente ideológica – se reciclaram com as utopias ambientalistas e indigenistas e, em outubro passado, promoveram o escandaloso culto à Pachamama nos jardins do Vaticano.

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3 agosto, 2020

Efeitos colaterais e uma resistência silenciosa.

Por FratresInUnum.com, 3 de agosto de 2020 – Na moita. Os bispos brasileiros gostam, mesmo, é de ficar na moita! Desconfiados, retraídos, contidos… Medem as palavras, escutam, observam, emitem uma opinião apenas quando têm a certeza de que aquilo é fatalmente óbvio ou tão consensual que não admite dissenso. Analisam os ingênuos aventureiros, mas à distância. No fundo, são réplicas daqueles velhos caipiras que ficam de canto, só de olho nos movimentos.

Eles não gostam de se expor.

A aposta dos eméritos e dos petistas desesperados, que pouco ou nada têm a perder, é a mais improvável de todas: querem tirá-los de cima do muro, onde já construíram não apenas um ninho, mas toda uma estrutura psicológica. A esquerda quer conflito, quer assanhar a discussão, quer forçar uma revolução na base do detonador, mas se esquece que estamos no… Brasil.

Brasileiro não gosta de indisposição. Tem as suas posições, manifesta-as quando e onde quer e, no mais, faz corpo mole. É aquele jeito astuto de se manifestar: sutilmente, sem escândalo e no boicote, só no boicote. Afinal de contas, ninguém quer se queimar, né?

Mas, nesta bagunça de uma semana atrás, muita gente se queimou! E se queimou feio.

O fato é que ninguém gostou na CNBB do modo como a coisa foi feita. Bem… Não é nenhum segredo pontifício o fato de que a Conferência manca do pé esquerdo, tem uma quedinha daquelas pelo petismo, padece duma saudade que tem nove dedos e fala “Nofa Sinhóra”. Mas, desautorizar o Conselho Permanente, vazar uma carta para a Folha, organizar um coro de apoiadores e, mesmo assim, deixar imóvel a opinião pública… Daí, é forçar a amizade.

Pior! Se o que queriam era tirar da moita a galera do centrão, o que eles conseguiram foi exatamente o contrário: provocaram uma manifestação contundente de bispos que não concordaram nem com o conteúdo nem com o modo como a coisa foi articulada. Como diria a personagem à pouco aludida, “nunca antef na hiftória defte paíf”, ao menos do ponto de vista episcopal, existiu uma reação tão declarada…, ainda que por trás das cortinas, sempre por trás das cortinas.

Do mesmo modo, os padres que formam a maioria do clero católico deram aquele desprezo básico por toda a tentativa de insurreição petista. Tipo aquela vergonha alheia com desejo de virar fumaça no meio do nada e nem deixar rastro. Que a maré não está pra peixe, isso também todo mundo sabe, mas a vontade de não se cansar sempre prevalece e… ninguém quer colocar um alvo bem no meio da cabeça.

Na verdade, na verdade mesmo, tudo não passa de uma grande sucessão de desgastes internos e externos, desgastes que, no final das contas, não vão dar em nada. E quem está na base sabe muito bem qual é o clima do povão!

Veremos daqui a alguns dias como se manifestará o Conselho Permanente. Fato é que, neste clima de todo mundo chateado com todo mundo, haverá que se administrar decepções, mas… é a vida! No dia seguinte, tudo continuará flagrantemente igual: os baderneiros de esquerda tentando puxar uma passeata, os de direita com cara de ódio e a grande maioria, a turma do “deixe dilso, para com ilso”, continuará na sua inércia, tão leves quanto o Pão de açúcar.

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1 agosto, 2020

“Trata-se de vocês”. Um leitor desabafa.

Comentário enviado pelo leitor André.

Se eu pudesse falar a esses bispos brasileiros que assinaram esse protesto, se tivesse onde escrever para que eles lessem, eu diria o seguinte:

Senhores bispos de mãozinhas dadas em missa - Assembléia Geral da CNBBSenhores bispos,

Vocês serão marcados como a geração eclesiástica em cujo exercício a Igreja Católica afundou no Brasil.

Não se trata apenas de uma crise mundial na Igreja, onde vocês são mais alguns dentre todos os bispos do mundo vivendo em uma crise contemporânea, porque em inúmeros países onde o secularismo avançou mais que aqui, a queda não foi tão drástica (países em todos os níveis de desenvolvimento).

Não se trata de culpar o êxodo rural, a favelização, porque nesses novos ambientes as igrejas pentecostais tem construídos impérios.

Não se trata de culpar pontificados que não aprovaram suas ações ou não aprovaram as mudanças que você queriam, porque conflitos entre Roma e bispados locais aconteceram também como um fenômeno mundial.

Não se trata de um povo que mudou drasticamente e abandonou a fé e religiosidade, porque o povo brasileiro entrou pras seitas, algumas extremamente absurdas.

Não se trata apenas de um povo que saiu porque queria modernidades e não suportou a rigidez católica, porque muitas dessas seitas são extremamente rígidas.

Também não se trata de um povo que saiu porque queria mais rigidez, porque o espiritualismo sem o conceito de pecado também engordou com ex-católicos.

Trata-se de vocês, da opção de vocês. Para a Igreja e para os católicos de nada serviram seus mestrados e doutorados em Roma, seus programas de comunicação caríssimos que só se comunicam internamente.

Não é apenas uma disputa de progressistas e conservadores, onde vocês (que se dizem majoritariamente progressistas) acusam os conservadores por todos os fracassos; é a escolha de vocês em colocar a política como missão de vida. O catolicismo de vocês (progressista, conservador, ou o que for) era a segunda opção e só poderia existir em um mundo moldado pela visão política de vocês.

Resultado, o ideal político de vocês não triunfou, e o povo mudou de religião. Não lhes sobrou nada! E vocês são tão fanáticos em sua utopia que só lamentam a derrota política, mas para o escandaloso fracasso religioso vocês dão uma desculpa entre os dentes de vez em quando.

Por que seus sociólogos não estudaram a sociedade brasileira quando a religião católica começou a definhar? Por que seus comunicadores sociais não desenvolveram algo para chegar a essa população? Por que seus “projetólogos” futurologistas não montaram cenários do que iria acontecer?

Vocês reclamam do crescente “extremismo” católico nas redes sociais. Sabem porque esses grupos crescem? Sem entrar em questões de fé, é porque esses grupos ficaram longe da ação de vocês, é porque o catolicismo desses grupos é extremamente devocional, marcado sim por teologias antigas (e cadê a moderna?). Tem seus problemas? Certamente que sim. Mas ficaram longe de vocês, e por isso conseguiram sobreviver. Saibam o seguinte, vão ser esses grupos o que vai restar da Igreja Católica no Brasil, serão sobreviventes à sua geração.

Vocês têm idade, eu sou um homem relativamente jovem que por motivos de trabalho já pesquisou muitos jornais das décadas de 50, 60, 70 e 80. Ali aparece a relevância do que foi a Igreja Católica em um Brasil mais ou menos recente, mesmo sem ser uma religião oficial, mesmo com a urbanização já intensa, mesmo com liberdade religiosa (as desculpas de vocês para a queda). Praticamente em todos os jornais, de todos os direcionamentos políticos, havia matérias de capa sobre a Igreja Católica (e pasmem, não era falando mal!), em todas as capitais. Não falo isso por um saudosismo de algo que não vivi, falo porque isso é uma constatação, um retrato do que era o catolicismo no Brasil. As outras religiões (à época minoritárias) tinham algum respeito pela Igreja. Quarenta anos depois, mais da metade dos que se diziam católicos não são mais, e os que sobraram não ligam para o que vocês dizem, ou por ser um catolicismo bem cultural ou porque são daquele grupo que vocês detestam e chamam de extremista. Vocês são apenas um grupo de burocratas que tem o controle sobre os bens de uma Igreja que um dia foi forte e majoritária, e é só por isso que as análises de conjuntura de vocês ainda são reportadas em algum lugar.

Vocês são a cara do fracasso. E podem chamar isso de mensagem extremista ou de ódio, porque eu tenho consciência que não é, eu estou escrevendo calmamente, apenas com alguma tristeza porque é uma realidade muito triste. Aliás, não precisa nem ser católico para lamentar esse cenário deprimente.

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31 julho, 2020

Prossegue atuação de grupos de pressão para acirrar divisão na Igreja e na CNBB.

Por FratresInUnum.com, 31 de julho de 2020 – Foi divulgada ontem uma carta de apoio à carta dos bispos petistas contra o presidente da república. Apesar de que se tenha publicado que havia mais de mil padres signatários, a verdade é que houve 879 padres, 6 irmãos, 114 freis (dos quais não sabemos quantos são ordenados) e 59 diáconos (dos quais não sabemos quantos são permanentes).

Mesmo que o número possa impressionar num primeiro momento, a verdade é que, num universo de 27 mil padres, o número representa apenas 3,9% do clero brasileiro, de modo que há ainda 96,1% dos padres que não coadunam formalmente com esta radicalização e divisão. Ademais, a carta não revela a idade média dos signatários, que, desconfiamos, será bastante alta.

Em todo caso, o fator mais importante para a análise do fenômeno não são os dados meramente estatísticos, neste caso muito baixos e inexpressivos, mas são outros quesitos, que pensamos serem mais determinantes:

Verdade objetiva. Não podemos jamais equivaler a ideologia com a realidade. As filosofias que enfatizam demais a narrativa ou apenas as articulações dos discursos pressupõem a inexistência da verdade, coisa que é flagrantemente mentirosa. A verdade não apenas existe, como ela é a maior força que move o mundo. Esses padres podem protestar o quanto quiserem, mas os seus protestos não terão o sufrágio do povo fiel exatamente por irem contra os fatos, por serem incoerentes.

Tendência do processo histórico e o momento atual. Um movimento popular que seja contrário ao processo histórico em andamento não pode ter sucesso se não estiver identificado com os sentimentos em voga na própria população. O petismo e todos os movimentos que lhe são solidários recaíram sob a hostilidade do povo como um todo. A própria CNBB recaiu sob a mesma hostilidade e está numa crise de credibilidade na sociedade brasileira, depois de terem apoiado de modo tão acrítico os movimentos de esquerda. Se esse processo não for revertido, a Igreja perderá toda a sua credibilidade.

Adesão da opinião pública e índices de crescimento religioso. Não existe no Brasil nenhuma localidade em que exista um índice de crescimento da Igreja Católica, enquanto os índices de crescimento das comunidades pentecostais, intrinsecamente conservadoras do ponto de vista moral, não param de crescer. Essa defasagem católica, causada pela teologia da libertação, não poderá ser resolvida com mais teologia da libertação. Além disso, essa defasagem, ainda mais representada por número tão pouco representativo do clero, é maximamente pouco incisiva sobre a opinião pública.

Desmoralização intelectual da teologia da libertação. Quando aconteceu o assalto da Teologia da Libertação na década de 70, o povo católico não estava minimamente preparado, ninguém sabia do que se tratava. Hoje, está todo mundo muito advertido, inclusive pelo próprio Magistério da Igreja, de modo que a sua tentativa de ação contra o laicato provocará uma reação proporcional do próprio laicato, com o sepultamento definitivo desta ideologia, sepultamento que lamentavelmente não aconteceu até hoje. O discurso da TL está desgastado, os partidos de esquerda estão desmoralizados, não lhes resta senão o uso do jus sperniandi. É justamente o que eles fazem com essas notas e cartas.

Efeitos colaterais. Manifestações como essas não são isentas de um efeito colateral importante, que é a localização de onde estão os elementos de esquerda mais radicais no clero. O povo agora pode saber quem são, onde estão e como atuam. Desta forma, a neutralização desses agentes comunistas dentro da Igreja pode ser mais facilmente realizada pelo laicato, não necessariamente de modo belicoso.

Divisão na Igreja. Se a Igreja já está num processo social de enfraquecimento, quanto mais se ela se dividir por questões políticas tão ideológicas. A aposta do clero libertador é usar este momento atual como ponto de ignição de um processo revolucionário que detone a revolta na parte esquerdista do clero. Dentro dos grupos libertadores, agora o debate é “como tirar os neutros de cima de muro” e acirrar ainda mais o debate. Se os bispos morderem a isca, começarão um processo de desgaste eclesial interno ainda maior que, somado aos desgastes da epidemia, do abandono dos fieis, das dificuldades pastorais presentes, será insuportável e não poderá ter uma longa sobrevida. O corpo eclesial sofrerá demais com o agravamento dessa divisão.

Uma análise calma e atenta nos mostrará que, embora os inimigos históricos da Igreja estejam comemorando de modo tão efusivo essas manifestações de racha e contenda, na verdade, o caminho mais sábio e mais prudente não é este. A Igreja não está em condições para enfrentar uma oposição generalizada, por dentro e por fora; ela já não goza mais do prestígio que gozava justamente por embrulhar com suas bandeiras essas máfias políticas; e, sobretudo, não podemos perder os fieis que ainda nos restam e que são amorosos, devotos, piedosos e sinceros.

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30 julho, 2020

Por que Bolsonaro não respondeu à provocação dos bispos petistas?

Por FratresInUnum.com, 30 de julho de 2020 – Saiu hoje uma análise interessante da Profa. Ariane Roder, da UFRJ, cientista política, segundo a qual o presidente Jair Bolsonaro resolveu não responder às críticas dos bispos petistas da CNBB por razões de “sobrevivência política”.

A análise da professora é especialmente interessante sobretudo por causa da inversão total da realidade objetiva.

Na verdade, o presidente da república não respondeu às provocações porque elas são superlativamente irrelevantes. Não possuem a mínima importância. Os bispos não têm mais apelo popular algum, tornaram-se um gueto que fala apenas para si mesmo, especialmente depois da sua resposta eclesialmente suicida à epidemia do vírus chinês.

Não é o presidente que precisa sobreviver politicamente, mas a Igreja no Brasil, especifialmente sua hierarquia, que precisa sobreviver (e em termos estritos). Apesar de não sermos militantes de nenhum movimento político, não podemos negar os dados objetivos: veja-se, por exemplo, a recepção que o presidente teve hoje no Piauí, tradicional rincão eleitoral do PT. Isso nada tem a ver com crise de popularidade…

Não existe no Brasil sequer um índice estatístico que demonstre algum crescimento da Igreja Católica. Ela está definhando enquanto as igrejas protestantes estão crescendo exponencialmente e atingirão a maioria da população na próxima década.

Ontem, o ex-senador Magno Malta fez em seu perfil do instagram um vídeo de comentário à tal carta que deveria causar profunda vergonha nos seus signatários, pressupondo que os mesmos fossem passíveis a tal sentimento. Em poucas palavras, ele simplesmente desmascarou o petismo flagrante dos bispos, mostrando que os mesmos sempre ficaram calados diante dos crimes do PT e, pior, diante de todas as blasfêmias cometidas pelos movimentos feministas e LGBTs, enquanto eles, os evangélicos, estavam defendendo o que seria a honra da Igreja Católica.

É verdade!

Adoecidos pela teologia da libertação, os bispos se tornaram defensores de todos os inimigos da Igreja, bajuladores da esquerda imoral e criminosa, amordaçaram os católicos que lutam em defesa da vida e da família em um discurso politicamente correto, enquanto a militância pela defesa da moralidade se tornou uma prerrogativa exclusiva dos pentecostais, sempre ridicularizados por eles como “obscurantistas” ou como suspeitos de uma mistura entre “religião e poder” (promiscuidade pela qual sempre primaram quando o assunto foi construir um país comuno-petista).

Enquanto os petistas amargurados da CNBB atacam o presidente da república, os pentecostais saem às ruas em demonstrações fervorosas de oração e, também por isso, conquistam o povo brasileiro e se tornam a força política mais importante, aqueles que são relevantes tomar como interlocutores.

Não é à toa que, ao ponto de nomear Renato Feder como ministro da educação (o que seria um desastre, dada a ligação dele com as fundações internacionais globalistas), foi um telefonema de Silas Malafaia que impediu o presidente de tomar esta infeliz decisão, levando-o a que nomeasse, por fim, um pastor, Milton Ribeiro, da Igreja Presbiteriana. A indicação não foi do Pr. Silas, mas o veto, sim.

Ora, aqueles que amam a Igreja Católica precisam encontrar algum modo de acordá-la desta psicose destrutiva, deste fanatismo partidário. Sabemos que a mentalidade comunista cega as pessoas e as torna completamente impermeáveis à realidade. No entanto, sem um profundo choque de realidade, a Igreja Católica brasileira segue para o mais trágico naufrágio.

Nesta altura do campeonato, talvez o único recurso que tenhamos à disposição seja a pura e simples humilhação pública. Por amor, os católicos brasileiros precisam começar a humilhar intelectual e moralmente a CNBB, mostrar que eles estão loucos, abalar profundamente as suas crenças políticas tendenciosas, mostrar-lhes que eles estão se atirando (e nos atirando) para o precipício.

Desgraçadamente, essa arrogância institucional, esta soberba coletiva, misturada com a cegueira ideológica, fez com que a nossa Igreja se diluísse na mais completa desimportância no contexto nacional. É melhor para todos que os nossos líderes sejam humilhados agora do que termos de pagar o preço de uma humilhação histórica, da aniquilação social da Igreja Católica em nosso país.

Tudo que os comunistas tocam vira esterco. E isto está acontecendo com a nossa Igreja há décadas. Quanto tempo ainda precisaremos para refazermos humildemente o caminho de retorno?

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29 julho, 2020

Grupos de pressão se articulam em apoio aos bispos petistas.

Por FratresInUnum.com, 29 de julho de 2020 – Os católicos do país estão acostumados a ver movimentações eclesiásticas estranhas sem entender qual exatamente é a sua fonte. Os leigos não entendem nada, mas continuam assistindo coisas esquisitas acontecerem e não sabem exatamente o que fazer.

REDES SOCIAIS: das “Tias do Zap” aos Heróis da Resistência

Padres de esquerda em sua versão “tias do zap”.

Desde a eleição de 2018, quando a esquerda perdeu o protagonismo do debate político público, os grupos progressistas se confinaram em seus próprios círculos de debate, tentando encontrar meios para pressionar tanto a sociedade quanto a hierarquia da Igreja e, para isso, utilizam o mesmo método: lançam alguma provocação agressiva, a qual é posteriormente endossada por grupos de pressão, que publicam notas que só eles mesmos leem, mas que, multiplicando-se, criam a narrativa de um consenso absoluto, de uma aprovação oriunda, por assim dizer, de toda a humanidade.

Um exemplo claro disso foi a afrontosa e criminosa declaração do Padre Edson Adélio Tagliaferro, da Diocese de Limeira, que acusou numa homilia todos os eleitores do presidente da república de pecado e chamou-o, na sequência, de bandido. O padre não apenas se excedeu – como declarou a diocese posteriormente, minimizando a sua ação –, mas realmente cometeu calúnia grave e poderia ser processado por isto.

A metodologia posterior foi rigorosamente a mesma: o fato foi noticiado pela grande mídia e explodiu em sites de esquerda; em seguida, surgiu uma “repreensão” moderadíssima do seu bispo, que tomou distância daquele ato e pediu desculpas, apenas para evitar qualquer medida processual contra a diocese; depois, vieram as notas de apoio de diferentes grupos de esquerda, especialmente de um grupo autointitulado “Padres da caminhada”, um de grupo de padres da Teologia da Libertação que se articulam em todo o Brasil. Neste vídeo, o Padre Edson Tagliaferro agradece a cada um dos grupos apoiadores, citando, inclusive, este grupo de pressão, os “Padres da Caminhada”. A última versão da carta de apoio conta com 512 signatários, número irrisório, considerando-se que temos 27 mil padres no Brasil (mas que pode ser útil para traçar um mapa de onde se esconde o clero progressista brasileiro).

Agora, com a nota apócrifa escrita pelos bispos petistas e publicada à revelia da CNBB, o protocolo foi o mesmo: primeiro, a carta “vazou” na grande mídia – no caso, em nada menos que na Folha de São Paulo; depois, a CNBB tomou distância oficiosamente e, agora, começam a aparecer os apoios dos grupos de pressão.

O grupo “Padres da caminhada” está organizando um abaixo-assinado em apoio à Carta dos bispos petistas, obviamente com o objetivo de engrossar o coro e se articular ainda mais. É interessante notar como querem pegar números celulares de padres para aumentarem grupos de WhatsApp, a fim de afinarem a articulação e fazerem pressão simultânea sobre o episcopado, para puxá-los para a esquerda de modo cada vez mais declarado. Seria a versão “cebísta” das estigmatizadas “tias do zap”?

Outras organizações, também minoritárias e irrelevantes, lançam notas de apoio, como o Conselho Nacional do Laicato, o Conselho Justiça e Paz, o Centro Nacional de Fé e Política, o Núcleo de Estudos Sócio-Políticos, para dar impressão de endosso popular e criar aquela atmosfera de encorajamento totalmente artificial.

O problema dessas manifestações é que todas acontecem em um clima de segredo, quase como o de uma “sociedade secreta”, propiciado por pessoas que se sentem ameaçadas e estão acuadas, por não terem nenhuma conexão com a população real. O povo, por outro lado, nem se dá conta dessas manifestações; ao contrário, quando fica sabendo de algo, é com muita estranheza que o sabe e não se sente minimamente incluído em nada disso.

Em outras palavras, essas articulações são internas e de grupos que se comunicam entre si e falam apenas para si mesmos. Podem surtir algum efeito sobre a Conferência Episcopal, mas será sempre para a sua própria desmoralização social, pois o povo brasileiro está caminhando para outra direção. Este é um triste espetáculo de se ver: um grupo de padres idosos idealistas, que nunca saíram do “maio de 68” e estão no crepúsculo de suas vidas, aprisionados em seu próprio delírio.

Desgraçadamente, esses senhores apenas desmerecem a imagem da Igreja Católica no Brasil, já definhando pelo abandono em massa dos fieis, acelerado muitíssimo por esta epidemia, e que agora ainda tem de assistir tão deplorável psicose coletiva.

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27 julho, 2020

Dividida: a banda podre da CNBB racha com o resto da Conferência e abre fogo contra Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 27 de julho de 2020 – Foi uma semana tensa para a ansiedade da velha guarda da CNBB, aqueles petistas de sacristia que alçaram voos para o episcopado com o pacto firme de promover a ascensão do partido mais corrupto da história, mas que, no final, fracassaram e estão terminando a vida frustrados. Frustrados! Fracassados! Diga-se em alto e bom tom! Frustrados, porque o povo pobre preferiu seguir as seitas pentecostais e renegar a politicagem mofada desses fanáticos comuno-lulistas. Fracassados, porque, salvo eles mesmos, ninguém leva a sério as notinhas que eles pretensiosamente pensam ser “profecia”.

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A conivência com a qual esses mesmos senhores sempre trataram os crimes do PT é vergonhosa. Eles sempre usaram a Igreja como máquina de propaganda do partido, sempre a mantiveram calada quando foi para proteger a sua cria, e, agora, querem usá-la mais uma vez para uma afronta que só beneficiaria o PT.

Por isso, a agitação panfletária da semana passada foi tão febril. Mesmo não conseguindo senão uma adesão minoritária, os bispos da esquerda não conseguiram se conter e soltaram para ninguém menos que a Folha de São Paulo o seu odioso panfleto.

Programada para ser publicada no dia 22, festa de Santa Maria Madalena, graças ao protesto de muitos bispos que não se quiseram acumpliciar, a tal “Carta ao Povo de Deus” foi adiada, adiada, até que… vazou!  Assim, ingenuamente, aproveitando a impossibilidade de que os bispos se reúnam fisicamente, já que a epidemia de coronavírus obteve o cancelamento da assembleia geral deste ano.

É interessante como, para as manifestações tradicionais, a CNBB precise manter a comunhão e os bispos devam conservar o consenso na mordaça, mas, para as manifestações de esquerda, os minoritários reivindiquem o direito de autonomia para se manifestar e publicar o seu protesto ideológico.

Nos bastidores, conjectura-se que o autor da carta tenha sido Dom Joaquim Mól, o qual aparece na matéria da Folha como um dos signatários. Se isso for verdade, como os bispos podem permanecer calados?

Eles votaram em quem para ser o Secretário Geral, em Dom Joel Portella ou em Dom Joaquim Mól?

Mól, de campanha vigorosa nas últimas duas eleições da CNBB, foi rejeitado em ambas pelo episcopado, graças também aos apelos feitos por este blog.

Como pode um bispo não eleito ter tanto poder assim? 

Outro articulador relevante do “manifesto” foi Dom Leonardo Ulrich Steiner, também defenestrado da presidência da CNBB na última eleição.

Ora, senhores bispos: a Assembléia Geral da CNBB, que elege e é a autoridade maior da entidade, é um simples jogo de cena?

Os senhores rejeitam dois prelados, mas deixam-se indiretamente ser guiados por eles?

Tomem postura! Falem! Façam algo!

É verdade que esse cenário contrasta com outra informação de bastidores, a de que o seu arcebispo, o presidente da CNBB, Dom Walmor Azevedo, teria se posicionado internamente contra a publicação. Mas, nesta altura do campeonato, isso é apenas um boato ou é realmente um teatro voluntário? Quem o pode saber?

Para além das conjecturas, um fato impõe-se como verdadeiro: Dom Walmor não teve a fibra moral de manter a Conferência Episcopal naquela propagada união de consenso e, agora, sob a sua presidência, a divisão que já era antiga fica escancarada. A tal “comunhão” foi quebrada. 

Há um grupo de agitadores que mantém a CNBB sob as suas rédeas e que agora se precipitou e causou escândalo. Apesar de uma grande parcela de bispos ter mandado notas de repúdio à presidência, a ala comunista avançou obstinada como um trem. Bom… Um mérito ela tem: para que serve uma Conferência Episcopal já que eles podem se lançar em iniciativas independentes e falar o que querem, aos quatro ventos, nos jornais? Justo esses que sempre usaram o nome da CNBB, agora, jogam a colegialidade do Vaticano II bem na lata do lixo!

Dane-se! Façamos profecia!

Seria esta uma oportunidade para os bons bispos do Brasil se posicionarem. O Brasil tem dimensões continentais… Para que ter uma Conferência Episcopal única? Não seria a hora de levar adiante o processo que já começaram na Amazônia, com a criação da tal Conferência Eclesial Amazônica – um organismo novo, desprovido de personalidade canônica e que ninguém sabe exatamente no que vai dar – e criar várias Conferências Episcopais no Brasil?

Que a CNBB era canhota todo mundo já sabia, mas, agora, realmente virou bagunça. Dividida, a CNBB virou um circo que perdeu a razão de existir. De partido político, virou uma piada política, e piada de mal gosto.

Uma pergunta fica: por que a matéria da Folha divulgou apenas alguns nomes dos 152 signatários, escondendo todos os demais? Será que alguém ali está com medo de ser exposto? Ora, o que mais interessa neste imbroglio é saber o nome de quem assinou: precisamos saber exatamente quem são e onde estão. 

Dom Walmor deveria pura e simplesmente renunciar! Ou, que tal — e os petistas tremem só de ouvir falar — um impeachment?

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12 junho, 2020

A calúnia contra as TVs Católicas, crime civil e canônico.

Por FratresInUnum.com, 12 de junho de 2020 – Como expusemos em artigo anterior, o jornal “O Estado de São Paulo” fez uma reportagem maliciosa sobre uma reunião de representantes de TVs Católicas com deputados e o presidente da República. O mais impressionante foi a reação quase imediata da Comissão Pastoral da Comunicação da CNBB, que não hesitou em qualificar a reunião como “barganha”. A partir daí, a avalanche de ataques não parou de acontecer, especialmente por parte da ala progressista da Igreja Católica.

A melhor resposta, porém, foi dada pelo arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo. Atendo-se aos fatos públicos, ele escreveu ao seu clero: “a reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único ‘concessionário da lucidez’? Pareceu maldade encomendada. Tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada. E puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião”.

Diante de toda a celeuma provocada, por enquanto, nem Comissão de Comunicação nem a Presidência da CNBB publicaram alguma retratação. A omissão é especialmente grave, visto que esses canais de televisão são praticamente a única recordação ao povo simples da existência da Igreja Católica, nesses nossos dias de pandemia e o lockdown sacramental das dioceses. É impróprio alegar que a medida não traga consequências, pois as emissoras sobrevivem da contribuição dos fieis e podem, sim, ser profundamente prejudicadas pela difusão de informações falsas.

A não retificação não é isenta de consequências legais, tanto civis quanto canônicas. Civilmente, podem ser facilmente processados por calúnia. Mas a situação não é diferente do ponto de vista canônico.

A Lei da Igreja não é tão complacente com crimes contra a honra quanto possa parecer à  primeira vista. O Código de Direito Canônico prevê o crime, bem como a sua penalização: “Quem apresentar ao Superior eclesiástico outra denúncia caluniosa de delito, ou por outra forma lesar a boa fama alheia, pode ser punido com pena justa, sem excluir uma censura. O caluniador pode ainda ser compelido a dar a satisfação conveniente” (c. 1390 § 2-3) e também: “Pode ser punido com pena justa em conformidade com a gravidade do delito: quem afirmar alguma falsidade em documento eclesiástico público” (c. 1391, nº 3).

Mesmo que nenhum dos interessados quisesse abrir um processo canônico em um tribunal eclesiástico contra qualquer um dos responsáveis pelas entidades que assinaram a nota, poderia apresentar uma queixa diretamente à Congregação para os Leigos, à Congregação para os Bispos e ao Pontifício Conselho para as Comunicações sociais, todos no Vaticano, para obter alguma resposta por parte da Igreja.

A este propósito, como a nota foi pública e moveu escândalo entre os fieis, qualquer pessoa poderia manifestar a sua queixa, pois o delito foi notório e inflige diretamente as leis eclesiásticas, dando espaço a que os fieis acionem a justiça da Igreja. É muito triste que, ao invés de procurarem os interessados e se inteirarem de um vídeo público, organismos da Igreja se juntem apressadamente a jornalistas para atacar caluniosamente “dissidentes” da corrente única (a da Teologia da Libertação) na Igreja do Brasil, a despeito da “pluralidade” que dizem defender.

Seria muito desejável que houvesse uma reparação às TVs católicas e que os mesmos que as ultrajaram viessem a público para se retratar. Sua pressa político-ideológica fez com que cometessem uma ação desastrada e danosa para a própria comunhão da Igreja, que eles dizem tanto defender.

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8 junho, 2020

Arcebispo de Curitiba sobre pronunciamento da CNBB: “Nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada”.

“Pareceu maldade encomendada”, comenta Bispo de Padre Manzotti sobre reportagem do Estadão

O Blog Ancoradouro teve acesso à Carta de Dom Antonio Peruzzo enviada ao clero da Arquidiocese de Curitiba, esclarecendo sobre a tendenciosa matéria do jornal Estado de São Paulo (Estadão) , que envolveu o nome de Padre Reginaldo Manzotti .

O arcebispo explica aos seus padres a ordem dos fatos que desembocou em uma celeuma midiática, por conta de interpretações equivocadas. Padre Reginaldo Manzotti, como de costume, consultou o arcebispo sobre a sua participação em uma reunião com parlamentares católicos e o Presidente da República. “Ponderei a ele que não gosto nem um pouco do atual presidente. Todavia, no segmento das comunicações, quase tudo depende de autorização governamental. Qualquer meio de comunicação de rádio ou TV é concessão do Estado. Hoje, se não forem mantidos canais de diálogo, multiplicam-se severamente as retaliações. Foi assim também no passado, independentemente dos governos e grupos partidários“, respondeu Dom Peruzzo ao Padre Manzotti.

“Minha recomendação foi que participasse da reunião, mas que fosse cuidadoso no que falaria. Que não houvesse nem lisonjas nem hostilidades da parte do padre. Era uma reunião aberta, registrada, acessível ainda hoje a todos”, continua o arcebispo de Curitiba que passa comentar sobre a participação de Padre Manzotti na reunião: “O Pe. Reginaldo se pronunciou por apenas cinco minutos ou menos. Poderá ouvir sua fala abaixo. Foi tão somente uma apresentação legítima do segmento das rádios e TVs”.

“A reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único “concessionário da lucidez”? Pareceu maldade encomendada’, analisa o arcebispo. Para Dom Peruzzo, “tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa”.

“Puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião. Quem barganhou?”, questiona dom Peruzzo. O arcebispo finaliza explicando ao clero de sua Arquidiocese o motivo da carta: “Caro Padre, decidi escrever estas linhas para que saiba do conjunto dos fatos e possa conversar com quem lhe perguntar. Não escrevi para justificar. Tem também o direito de discordar. Mas impressiona o grau de desfiguração intencionada dos fatos. Vivemos tempos em que parece natural sofisticar a maldade”.

Leia a íntegra da carta de Dom Peruzzo, Bispo de Padre Reginaldo Manzotti ao clero da Arquidiocese de Curitiba

 

* * *

Curitiba, 08 de junho de 2020

Caríssimo Padre,

Escrevo-lhe para comentar e explicar sobre o acontecido deste final de semana, envolvendo o nome do Pe. Reginaldo Manzotti e TV Evangelizar em intensa celeuma midiática. Parece importante esclarecer para que não prevaleçam interpretações distorcidas. Tomei a inciativa de lhe expor a ordem dos fatos, pois que as hermenêuticas são as mais desencontradas.

No dia 21 de maio o Pe. Reginaldo me ligou consultando-me se deveria ou não participar de uma reunião online, proposta pela assessoria da presidência da República. Tal reunião seria no final da tarde daquele mesmo dia. Disseram que o presidente queria ouvir os pleitos das emissoras católicas. E Pe. Reginaldo deveria responder em um prazo exíguo, no mesmo dia. Ponderei a ele que não gosto nem um pouco do atual presidente. Todavia, no segmento das comunicações, quase tudo depende de autorização governamental. Qualquer meio de comunicação de rádio ou TV é concessão do Estado. Hoje, se não forem mantidos canais de diálogo, multiplicam-se severamente as retaliações. Foi assim também no passado, independentemente dos governos e grupos partidários. E o governo de agora é o que agora governa. Não existe outro.

Minha recomendação foi que participasse da reunião, mas que fosse cuidadoso no que falaria. Que não houvesse nem lisonjas nem hostilidades da parte do padre. Era uma reunião aberta, registrada, acessível ainda hoje a todos. Aconteceu em 21 de maio. Sobre o acontecido não surgiu nenhuma matéria jornalística até o sábado, dia 05.06. Foi então que, após 16 dias, o jornal o Estado de São Paulo estampou a seguinte manchete: “Ala da Igreja Católica oferece apoio ao governo em troca de verbas”. E foi esse o teor da reportagem.

O encontro foi promovido pelo grupo de parlamentares católicos. Vários setores das comunicações católicas apresentaram seus pleitos. As bajulações ficaram por conta dos parlamentares, mas não dos diretores das emissoras católicas, a não ser algumas expressões folclóricas de um tal que desconheço. O Pe. Reginaldo se pronunciou por apenas cinco minutos ou menos. Poderá ouvir sua fala abaixo. Foi tão somente uma apresentação legítima do segmento das rádios e TVs.

A reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único “concessionário da lucidez”? Pareceu maldade encomendada.

Tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada. E puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião. Quem barganhou?

Caro Padre, decidi escrever estas linhas para que saiba do conjunto dos fatos e possa conversar com quem lhe perguntar. Não escrevi para justificar. Tem também o direito de discordar. Mas impressiona o grau de desfiguração intencionada dos fatos. Vivemos tempos em que parece natural sofisticar a maldade.
Deixo-lhe um abraço.

Dom Peruzzo

Fonte: Ancoradouro