Posts tagged ‘Crise Pós-Conciliar’

20 junho, 2012

Brincadeira de criança.

Bispo da diocese argentina de Merlo-Moreno (curiosamente, onde está localizado o seminário de La Reja, da FSSPX) pede perdão por seu passeio luxuoso no México com “amiga de infância”. O bispo, conhecido militante da opção preferencial pelos pobres na Argentina, também é responsável pela gestão dos fundos doados à Caritas da América Latina e Caribe.

O Globo, Buenos Aires — O Vaticano estuda nesta quarta-feira se vai punir ou forçar a renúncia de Fernando María Bargalló, bispo da Diocese de Merlo-Moreno, em Buenos Aires, e presidente da Cáritas na América Latina e Caribe. Bargalló foi fotografado abraçado com uma mulher em um resort de luxo na costa mexicana. Os dois teriam um romance há meses.

Bargalló, de 59 anos, garante que a mulher é apenas uma amiga de infância. A Santa Sé já foi avisada das imagens do bispo. Segundo fontes eclesiásticas citadas pela agência argentina Diários y Notícias, Bargalló pode ser destituído do cargo imediatamente. Outras pessoas próximas ao caso, no entanto, dizem que o bispo já tinha apresentado sua demissão antecipada “para evitar um escândalo ainda maior”.

As imagens, que mostram o bispo junto com uma mulher na praia de Puerto Vallarta, no México, teriam sido tiradas em janeiro do ano passado. A mulher nas fotos seria uma empresária do ramo da gastronomia, dona de restaurantes em Buenos Aires.

A divulgação das imagens causou revolta entre membros da Igreja e políticos, sobretudo porque Bargalló, que também chefia a Cáritas na Argentina, contestou várias vezes o governo de Buenos Aires por políticas sociais e mais atenção aos setores mais pobres do país. Muitos se perguntam quem pagou o custo das férias em um resort de luxo. Além disso, a polêmica reacende a discussão sobre o celibato sacerdotal.

10 janeiro, 2011

O Lefevre dançarino.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Natal de 2010 – Missa do galo celebrada pelo Padre Frederic Lefevre, pároco de Bachinchove, norte da França. Fonte: Andrea Tornielli

28 dezembro, 2010

Iota Unum – A crise do sacerdócio no pós-Concílio: a defecção dos padres com a chancela das autoridades.

A CRISE DO SACERDÓCIO

A DEFECÇÃO DOS SACERDOTES

A recusa de Paulo a se entristecer com as tristes realidades da Igreja pouco pôde contra o fato da defecção dos sacerdotes, estatisticamente comprovada [1] e evidente por todas as partes. Paulo VI abordou esse tema tão espinhoso e doloroso em dois discursos.

Na alocução da Quinta-Feira Santa de 1971, recordando o drama pascal do homem-Deus (abandonado pelos discípulos e traído pelo amigo), o Papa passou a falar de Judas até a apostasia dos sacerdotes.

Antecipou que “é necessário distinguir caso por caso, é necessário compreender, compadecer, perdoar, atender e, é sempre necessário amar”. Mas depois chamou os traidores ou os apóstatas de “infelizes ou desertores”, falou dos “vis motivos terrenos” que os guiam, e deplorou sua “mediocridade moral, que pretende achar normal e lógica a transgressão de uma promessa longamente meditada”. (OR, 10 de abril de 1971).

O coração do Papa está entristecido pela evidência dos fatos, e não podendo tirar a culpabilidade da apostasia, atenua-a um pouco, chamando-os, por exemplo, de “infelizes ou desertores”. Como não ver que a deserção não é uma alternativa à infelicidade, e que os lapsi são infelizes precisamente por terem desertado?

Falando ao clero romano, em fevereiro de 1978, sobre as defecções sacerdotais, o Papa disse: “As estatísticas nos constrangem; a casuística nos desconcerta; as motivações, sim, impõem-nos respeito e nos movem à compaixão, mas nos causam uma dor imensa; a sorte dos débeis que encontraram forças para desertar de seu compromisso nos confunde”. E o Papa fala de “mania de secularizaçãoque “profana a figura tradicional do sacerdote” e, por um processo de certa forma irracional, “extirpou do coração de alguns a sagrada reverência devida a sua própria pessoa” (Osservatore Romano, 11 de fevereiro de 1978).

A inquietude do Papa deriva, por um lado, da amplitude estatística do fenômeno, e, por outro, da profunda corrupção que este supõe. Tampouco se trata principalmente da corrupção dos costumes sacerdotais enquanto violação do celibato (pois se corrompeu também em outras épocas, ainda que sem cair em apostasia), mas sim de outra corrupção que consiste no rechaço das essências e no intento posterior de converter o sacerdote em algo distinto de si mesmo (isto é, um não-sacerdote), atribuindo ao novo estado, no entanto, a identidade do primeiro. Evidentemente, alterando a essência, essa identidade se converte em algo puramente verbal.

Quanto às estatísticas, convém recordar as duas formas com que teve lugar o abandono do sacerdócio (inadmissível enquanto sacramentalmente ordenado): por dispensa da Santa Sé, ou por arbitrária e unilateral ruptura. Esta segunda forma não é nenhuma novidade na Igreja.

Na Revolução Francesa, apostataram 24.000 (vinte e quatro mil) dos 29.000 (vinte e nove mil) sacerdotes do clero assermentée [ndr: “juramentados”, isto é, que fizeram juramento de sustentar a Constituição Civil do Clero] 21 (vinte e um) bispos de 83 (oitenta e três), casando-se dez deles. [2].

Durante o pontificado de São Pio X não foram poucos os que abandonaram os hábitos por razões de fé ou por desejo de independência. Mas, até o Concílio, o fenômeno era esporádico; cada caso suscitava interesse ou escândalo, e o padre secularizado se convertia em personagem literário.

A peculiaridade das defecções na Igreja pós-conciliar não provém da impressionante quantidade dos casos, mas de sua legalização pela Santa Sé, concedendo amplamente a dispensa pro gratia, que dispensa o sacerdote do ministério, mas lhe mantém todos os direitos e funções próprias do leigo (tornando inativo e insignificante o caráter indelével da ordenação recebida).

Se rara era a redução de um sacerdote ao estado laico infligida como pena, raríssima era a concedida pro gratia por falta de consentimento, algo semelhante ao defectus consensus do direito matrimonial.

Deixados de lado os da Revolução Francesa, são escassos na história da Igreja exemplos de bispos casados.

São casos célebres os de Vergerio, bispo de Capo d’Istria, no tempo do Concílio de Trento; De Dominis, arcebispo de Split, na época de Pablo V; Seldnizky, bispo de Breslau, sob o pontificado de Gregório XVI; e depois de um século, mons. Mario Radovero, auxiliar de Lima, já padre do Vaticano II (CR, 23 de março de 1969).

A LEGITIMAÇÃO CANÔNICA DA DEFECÇÃO SACERDOTAL

A novidade do fenômeno da defecção sacerdotal não está tanto em seu grande número (enormemente desproporcional com relação ao do período pré-conciliar) como na variação no modo com que foi contemplado e tratado pela Igreja [3]. Na realidade, não há nenhum fato na história que pontualmente não se encontre já no passado. Por isso, bem que se poderia afirmar, segundo um ditado do comediante latino, Nihil  estiam factum quod non factumsitprius. Porém, o elemento relevante e inovador é o juízo moral que a mente faz, e só este juízo é indício do curso real da história.

Embora, certamente, do ponto de vista numérico, as defecções turbaram o Papa, a prática da dispensa (convertida em habitual depois de ter sido quase nula durante longo tempo) proporcionou um outra configuração moral e jurídica ao fracasso no compromisso sacerdotal, retirando o caráter de deserção que teve em outra época.

Um altíssimo personagem da Cúria Romana, a quem correspondia por ofício lidar com tais práticas, confessou-me como essas reduções ao estado laical, que entre 1964 e 1978 se deram anualmente aos milhares, eram há tempos tão incomuns, que muitos (inclusive no clero) ignoravam até a existência de tal instituição canônica.

Da Tabularum statisticarum collectio de 1969 e do Annuarium statisticum Ecclesiae de 1976 editado pela Secretaria de Estado tomamos conhecimento de que nesses sete anos, no orbe católico, os sacerdotes diminuíram de quatrocentos e treze mil para trezentos e quarenta e três mil, e os religiosos de duzentos e oito mil para cento e sessenta e cinco mil.

Do mesmo Annuarium statisticum de 1978 se deduz que os abandonos foram de três mil, seiscentos e noventa em 1973, e de dois mil e trinta e sete em 1978.

As dispensas cessaram quase totalmente a partir de outubro de 1978, por ordem de João Paulo II [4].

Apesar das defecções terem dizimado as tropas, a verdadeira gravidade do fato reside na legitimação recebida através daquela abundante generosidade da dispensa.

O direito canônico (can. 211-4) estabelecia que para a redução ao estado laical o clérigo perde ofícios, benefícios e privilégios clericais, mas permanece obrigado a guardar o celibato.

Desta obrigação se livram (can. 214) somente aqueles de quem se demonstre a invalidez da ordenação por falta de consentimento. Porém, dá a impressão de que a jurisprudência atual da Santa Sé não deduz a falta de consentimento a partir das disposições do sujeito no momento da ordenação, mas a partir das posteriores experiências de incapacidade ou de descontentamento moral desdobradas na vida do sacerdote já ordenado.

É o critério que os tribunais diocesanos dos Estados Unidos tentaram introduzir nas causas de nulidade matrimonial, sendo reprovado e interrompido por Paulo VI em 1977. Seguindo tal critério, o fato mesmo de que um sacerdote peça em um momento de sua vida retornar ao estado laical se converte em prova de que, já no momento em que se comprometeu, era imaturo e incapaz de um consentimento válido.

Fica também excluída a convalidação do consentimento inválido prevista pelo can. 214, que impediria a concessão da dispensa. Nisso, como na jurisprudência dos tribunais americanos, existe tanto um rechaço velado do valor que todo ato moral individual possui perante o caráter absoluto da lei, como uma adoção não confessada do principio da globalidade (§§ 201-203). Ficam exonerados de responsabilidade os momentos pontuais da vontade, para dela revestir seu conjunto.

Possivelmente, a diminuição das vocações sacerdotais (assim como o crescimento das defecções) depende, em suas razões mais profundas, desta frivolização do compromisso, que arrebata do sacerdócio esse caráter de totalidade e de perpetuidade que satisfaz (apesar dos momentos amargos e difíceis) à parte mais nobre da natureza humana.

Como disse João Paulo II, estas defecções são “um anti-sinal e um anti-testemunho, que estão entre os motivos do retrocesso das grandes esperanças de nova vida que brotaram na Igreja do Concílio Vaticano II” (OR, 20 de maio de 1979).

A crise do clero deu lugar a explicações apoiadas no habitual non causas pro causis, argumentando com o sociológico e o psicológico, em vez da moral. A etiologia do fenômeno é eminentemente espiritual e afeta uma ordem dupla.

Em primeiro lugar, do ponto de vista natural, existe um rebaixamento do valor da liberdade, considerada incapaz de vincular-se de modo absoluto a coisa alguma, e, pelo contrário, capaz de desfazer qualquer atadura. Como é fácil compreender, estamos diante de algo idêntico ou análogo ao caso do divórcio. Também este se fundamenta na impossibilidade da liberdade humana em vincular-se a si mesma incondicionalmente: isto é, baseia-se na negação do absoluto.

Em segundo lugar, do ponto de vista sobrenatural (além do enfraquecimento da liberdade como virtude que absolutiza os propósitos e situa o homem em uma indefectível coerência), há uma deficiência da fé: uma dúvida acerca desse absoluto a que se dedica o sacerdote e ao qual não há dedicação autêntica se não é de iure absoluta.

Esta   deficiência, que poderia corrigir-se ou ser corrigida, acaba, todavia, reforçada, por conta da dispensa outorgada pelo autoridade suprema. Cai-se em um círculo vicioso, onde se crê negar a liberdade por uma insistência no absoluto, quando, de fato, este último é precisamente o que é necessário para uma se alcançar uma liberdade madura.

Tal praxe indulgente e generosa causava escândalo em si mesma como sintoma de debilidade moral e de um decadente sentido da dignidade pessoal, e também ao compará-la com a condição dos leigos, ligados pela indissolubilidade do matrimônio; por isso foi rapidamente interrompida por João Paulo II.

Ademais, a Congregação para a Doutrina da Fé, em um documento comum datado de 14 de outubro de 1980 e publicado em «Documentation catholique» (n. 566, outubro de 1980) e em «Esprit et vie» (1981, p. 77), promulgou uma disciplina restritiva que reduz a somente a dois pontos os motivos de dispensa: a falta de consentimento no ato da ordenação, e o erro do Superior na admissão a ela.


[1] No Annuarium statisticum de 1980 se avalia uma diminuição da tendência regressiva e algum sinal de recuperação do número de sacerdotes. A proporção das ordenações sacerdotais subiu de 1,40 para 1,41 para cada cem sacerdotes. As defecções estacionaram. No entanto, o número de sacerdotes no orbe católico decresceu durante o ano em 0,6%. Religiosos e religiosas continuam diminuindo, porém, mais as religiosas (comum a proporção negativa de 1,4%, contra 1,1% do ano anterior). Em geral, a queda é própria da Europa e o aumento da África (OR, 28 de maio de 1982).

[2] PAUL CHRISTOMF., Les choix du clergédans les Révolutions de 1789, 1830 e 1848, Lille 1975, t. 1, p.

[3] A novidade consiste na participação da hierarquia no movimento contrário ao celibato. Disse o Cardeal LÉGER, por exemplo: “É lícito questionar-se se não seria possível reconsiderar esta instituição” (ICI, n. 279, p. 40, 1 de janeiro de 1967).

[4] A decisão do Papa Wojtyla foi vivamente censurada pelos inovadores. Vide, por exemplo, a entrevista concedida por HORST HERRMANN, professor de direito canônico ao semanário «Der Spiegel» de 6 de outubro de 1981: “Por que temos que continuar fazendo parte de um grupo de homens que traem continuamente o Evangelho do Amor?”

Romano Amerio, Iota Unum – Sarto House, 5. ed., 2004, pp. 179-184.

Tradução: Fratres in Unum.com

15 dezembro, 2010

O machado do Cardeal Piacenza sobre os “padres-pop”. “A secularização do clero e a clericalização do laicato”.

O selo do padre. Um livro do Cardeal Mauro Piacenza

Marco Tosatti – La Stampa – Tradução: Fratres in Unum.com

A nova evangelização está fadada a ser um mero slogan desprovido de qualquer eficácia missionária real se não tiver por base uma renovação espiritual dos sacerdotes. Esta é a convicção subentendida no especial Ano Sacerdotal (19 de junho de 2009 – 11 junho de 2010) convocado recentemente por Bento XVI. É também, em última análise, a inspiração do livro do Cardeal Mauro Piacenza, Il sigillo. Cristo fonte dell’identità del prete [O selo. Cristo, fonte da identidade do padre] (Siena, Edizioni Cantagalli, 2010, 158 páginas, € 13,50). O autor, ordenado sacerdote pelo Cardeal Siri, em Gênova, como se sabe, recebeu a púrpura [cardinalícia] no consistório de 20 de novembro passado, e desde 7 de outubro guia a Congregação para o Clero, da qual era secretário desde 2007. No livro, que já no título faz referência explícita ao “selo” sacramental da ordem, são recolhidos discursos, reflexões e homilias pronunciados por conta do seu cargo. Um observatório único e privilegiado sobre a condição e a missão do clero no mundo e suas perspectivas. Em primeiro plano, a tentativa de redefinir o semblante do padre na sociedade pós-moderna. Esclarecendo o significado da vocação, enfatizando a importância da formação – mesma aquela puramente humana — mas, sobretudo, a fidelidade ao ministério. E tendo em mente que o “selo” em questão não é um “selo que encerra” os tesouros da graça, “da qual os sacerdotes são canais vitais e não fontes independentes”, mas um selo que “abre”, mais, que “escancara a uma realidade maior” e que indica “a pertença de cada sacerdote a Deus” e a “consequente indisponibilidade” para “qualquer outra identidade e ação profana ou mundana”. O Cardeal, por outro lado, não deixa de indicar, com muita franqueza, os pontos críticos e as angústias que, nas últimas décadas, têm colocado em cheque a figura do padre, fazendo-a ser considerada quase antiquada — ao menos como chegou até nossos dias — ou reduzindo-a de alter Christus a um mero exercício de um ofício eclesiástico como qualquer outro. Assim, não só a consequente crise vocacional, mas também o aparecimento, entre vários membros do clero, de um certo relaxamento doutrinal, que, na esteira da mentalidade secular, a torna somente moral e cultural. Para não falar dos escândalos e abusos. Com enormes e inevitavelmente negativos reflexos sobre a eficácia das ações missionárias. E confusões de conclusão paradoxal: “A secularização do clero e a clericalização do laicato”. Também neste sentido, portanto, é necessário ler as palavras de apreciação que o purpurado dedica aos movimentos e novas comunidades, uma vez que “em um contexto de fé viva e existencialmente relevante”, a “vocação sacerdotal é mais facilmente percebida, mais livremente acolhida e mais fielmente seguida”. Não faltam alguns golpes que atingiram em cheio fenômenos definidos como “embaraçosos” — e que rementem, menciona o autor, também a uma reflexão sobre a responsabilidade de supervisão dos bispos — como a aumento, especialmente nas televisões, dos “padres-pop”, que muitas vezes se distanciam claramente da doutrina e que na melhor das hipóteses levam “confusão” entre os fiéis. E depois, se debrunçando sobre a formação dos presbíteros, o dedo apontado contra aquele “racionalismo cético”, confundido com “maturidade de fe”, que “infelizmente tem inundado muitas faculdades de teologia, tentadas continuamente a uma leitura ‘muito crítica’ e ‘pouco histórica’ e, consequentemente, pouco equilibrada e nem mesmo, de fato, ‘histórico-crítica’, sobretudo dos dados neotestamentários”. Particular atenção é dada à “dimensão orante” e especialmente àquele “ato que com maior freqüência cada sacerdote é chamado a desempenhar”, ou seja, a celebração da Missa, que “deve ser, ou deve voltar a ser, o cume da jornada diária sacerdotal” . Nesta perspectiva, espera-se a recuperação — considerada “necessária e urgente” – da pastoral sacramental que por muitas décadas foi “interpretada negativamente” e apresentada em uma “visão incompleta e reduzida”. Assim, com base no magistério de Bento XVI, o Cardeal Piacenza se questiona se é realmente possível exercer o ministério sacerdotal “superando” a pastoral sacramental. Com o convite a refletir se de fato, em alguns casos, o “ter subestimado o exercício fiel do munus sanctificandi talvez tenha sido um enfraquecimento da própria fé na eficácia salvífica dos sacramentos e, por fim, na obra atual de Cristo e de seu Espírito, através da Igreja, no mundo”. Significativo – na perspectiva da “nova evangelização” — é o fato de que a abertura do volume seja dedicado a uma ampla meditação feita pelo prelado, em 2009, com os seminaristas holandeses, cujo tema, desde a raiz, é o significado da vocação sacerdotal como evento sobrenatural de graça. Com as implicações necessárias de “radicalidade” e “totalidade” que revestem a esfera da afetividade – “a maior forma de testemunho possível a ser dado a Cristo é a perfeita continência pelo Reino dos Céus” – e a da disciplina eclesial. “Só a radicalidade da fé pode conter o ‘impacto’ do mundo contemporâneo que, contínua e sistematicamente, mina em todos, inclusive em nós, a dúvida, a incerteza, a tentação de que não há nada absoluto, nada estável, nada objetivo, a tentação de que ‘tudo é nada'”. Os sacerdotes, em essência, devem se proteger contra os encantos do niilismo e do relativismo. E com a importante ênfase em que, quando a vocação é autêntica e se funda sobre uma sólida formação, é acompanhada por um extraordinário “florescimento do humano” que “nunca teria acontecido em nossas existências, se não tivéssemos recebido e acolhido o chamado”. Embora, pelo contrário, quando “graves defeitos humanos permanecem”, também “contra notáveis esforços formativos nos outros âmbitos, o ‘edifício’ e a ‘estrutura’ da personalidade nunca estão a salvo de repentinos ‘colapsos’ e devastadores ‘terremotos’”. A reforma do clero, tão importante também do ponto de vista missionário, é, portanto, “antes de tudo, a renovação espiritual de cada sacerdote” e requer – enfatiza o purpurado – o recurso àquele “diálogo da verdade” capaz de “reconhecer humildemente os limites e erros” e “descobrir soluções e perspectivas”. Evitando a “tentação do funcionalismo” e da “deriva utilitarista da cultura dominante”. Conscientes de que o “selo sacramental” traz consigo a tendencial “coincidência” entre identidade pessoal e ministério sacerdotal.

* * *

Em novembro de 2009, declarava o então Monsenhor Mauro Piacenza: “A comunicação deve favorecer a comunhão na Igreja, de outro modo se converte em protagonista, ou pior ainda, introduz divisão. Para a evangelização não servem os sacerdotes showman que vão à TV […] O sacerdote não deve improvisar quando utiliza os meios de comunicação, nem pode comunicar a si mesmo, mas [comunicar] dois mil anos de comunhão na Fé. Esta mensagem pode ser transmitida apenas através de sua própria experiência e de sua vida interior”.

13 dezembro, 2010

Foto da semana.

Dom Reinhard Marx, arcebispo de Munique (Alemanha), nomeado hoje membro da Congregação para a Educação Católica,  consagra um Altar feito de barras de alço retorcidas: A feiúra dos altares populares modernos  sempre encontra novas possibilidades de expressão. Assim, temos um santuário em verde brilhante e uma parede de projeção superdimensionada no lugar onde outrora os fiéis olhavam para o altar mor. Fonte: Distrito Alemão da FSSPX.

Dom Reinhard Marx, arcebispo de Munique (Alemanha) -- nomeado hoje, pelo Papa Bento XVI, membro da Congregação para a Educação Católica -- consagra um Altar feito de barras de aço retorcidas: a feiúra dos altares populares modernos sempre encontra novas possibilidades de expressão. Assim, temos um santuário em verde brilhante e uma parede de projeção superdimensionada no lugar onde outrora os fiéis olhavam para o altar mor. Fonte: Distrito Alemão da FSSPX.

8 dezembro, 2010

Escândalo e imoralidade na Catedral de Goiás.

“Curta o sexo com prazer”, dizem os cartazes afixados à entrada da igreja.

Fotos do interior da Catedral de Sant’ Ana (fonte aqui):

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Leia aqui a carta do Bispo da Diocese de Goiás, Dom Eugênio Rixem, defensor da petista Dilma Rousseff, desculpando-se pelo incentivo à fornicação promovido na principal igreja sob a sua responsabilidade.

Indagamos ao Senhor Bispo que medidas serão tomadas para punir os responsáveis pela catedral por tamanho desrespeito à Fé Católica e como sanar os danos já causados aos fiéis católicos que tiveram a infelicidade de entrar na catedral nesse dia. Embora pouco se possa esperar de uma diocese infestada pelo espírito da Teologia da Libertação, um grande ato de reparação por parte de suas autoridades, especialmente do senhor bispo, se faz mais que necessário. Clamamos a nossos leitores para que ofereçam suas orações em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria por tamanha ofensa.

Abaixo, o “cabido” (!!) da catedral da diocese de Goiás, entregue à ordem dominicana:

Da esquerda para a direita: Frei Paulo Sérgio Cantanheide Ferreira, pároco; Fr. Marcos Lacerda de Camargo, superior de residência; Fr. Domingos dos Santos; Fr. Casemiro Witasiak, vigário paroquial.

Da esquerda para a direita: Frei Paulo Sérgio Cantanheide Ferreira, pároco; Fr. Marcos Lacerda de Camargo, superior de residência; Fr. Domingos dos Santos; Fr. Casemiro Witasiak, vigário paroquial.

23 novembro, 2010

Fratres in Unum entrevista Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás).

Excelência Reverendíssima, primeiramente, obrigado por ter atendido a nosso pedido. O senhor louvou a atitude de certos bispos em falar abertamente contra candidatos que defendem posições contrárias à Lei de Deus. Por que raríssimos membros do episcopado se pronunciaram de maneira enérgica durante as eleições?

Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás)

Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás)

Agradeço-lhes a confiança e as orações. Entretanto devo confessar que não me sinto juiz de meus irmãos. Sei que muitos apelam, com sinceridade ou sem ela, não julgo, que a prudência deve acompanhar todos os nossos passos. Reconheço, no entanto, como dizia o Cardeal Pie, que há uma prudência que nos mata. Não ladramos, quando seria necessário, para defender o rebanho. E, hoje, muito menos, quando é hora de morder, para afastar o inimigo.

Alguns regionais da CNBB publicaram instruções aos fiéis para as eleições passadas, sem, no entanto, condenar de maneira enfática os projetos daquela que o Papa João Paulo II qualificou como “cultura de morte”. Por que tanta tibieza por parte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?

Volto a dizer que não sou juiz da consciência dos meus irmãos. Mas sou obrigado a reconhecer, com Leão XIII, que a covardia dos bons, (se é que são bons os covardes) alimenta a audácia dos maus. Não sou ninguém para condenar, pois o mesmo Dante colocou alguns, não dentro, mas às portas do inferno… E observou: não perca tempo com eles: olhe e segue adiante.

Excelência, como o senhor avalia a situação da Igreja com todas as dificuldades do pós-concílio?

Na Revista Italiana Cristianitá (nº 346 – marzo-aprile 2008 pag 3), Massimo Introvigne faz uma recensão de “Roma, due del mattino”, de Mons. Helder Câmara, citando o autor, quando diz que as imprecisões dos textos conciliares serão explicadas depois, abrindo-se assim a porta ao Concílio Vaticano III que aprovará, certamente, entre outras coisas, diz ele, os anticoncepcionais e o sacerdócio das mulheres. É apenas um exemplo para a afirmação de que uma coisa é o que se disse no Concílio e, pior, o que se disse do Concílio, e o que o Concílio disse. Infelizmente, muitos se aproveitaram do “espírito” do Concílio para espalhar o que ele não disse. Graças a Deus e à sua providência que não falha, o Santo Padre Bento XVI vem luminosamente corrigindo os desvios.

A obra de Monsenhor Brunero Gherardini — Concilio Ecumenico Vaticano II, un discorso da fare — levanta questões importantes e julga necessário um debate sobre os textos do Concílio Vaticano II. O senhor considera possível tal discussão nas circunstâncias atuais?

Certamente. E, o Santo Padre, em suas homilias e documentos, de clareza incomparável, deixa o campo aberto, apesar das ruínas lamentáveis nas áreas da Teologia e da Liturgia, a uma renovação do Espírito.

Qual a relação entre a mensagem de Fátima e o Concílio Vaticano II?

Lamentavelmente, o ambiente conturbado não permitiu, explicam, a mínima referência à Rússia e a condenação expressa do comunismo. Ora, isto era, até como condição de tempos melhores, expressamente pedido pela mensagem de Fátima.

Seria possível dizer que o Concílio Vaticano II é responsável pela crise em que vivemos hoje?

Não pelo Concílio, mas pelo que, desgraçadamente, se fez dele.

O então Cardeal Eugenio Pacelli disse, certa vez, que na mensagem de Fátima a Santíssima Virgem alertava para o perigo da mudança no culto da Igreja. A mensagem de Fátima alertava sobre a reforma litúrgica? Que avaliação fazer dela?

Não me consta nenhuma referência clara à Liturgia na mensagem de Fátima. Mas, como se sabe, de tempos imemoriais, que a liturgia expressa a fé e a revela (é só pensar no Arianismo e no abalo da fé na Eucaristia que tantos abusos litúrgicos causaram), e levando-se em conta a confissão de lamentáveis manobras de Mons. Bugnini, em acolhida a sugestões do Grão Mestre da Maçonaria Italiana, não se pode negar que a Liturgia, objeto do primeiro documento solene, foi gravemente comprometida por assessores conciliares.

A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria já foi realizada?

É ainda assunto de muitas divergências, mas creio que o que se fez até agora não leva em conta as principais exigências do pedido de Maria. Entretanto, continuo confiando na sua promessa: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.

A próxima Campanha da Fraternidade tratará do problema do meio ambiente, relegando ao ostracismo as verdades da nossa fé católica para tratar da “mãe terra” e da ideologia ecológica hoje em voga. O que pensar sobre tais campanhas?

Penso que algumas, mais do que às necessidades inadiáveis dos nossos fiéis, curvaram-se às tendências ou até exigências dos chamados meios de comunicação. Em certos casos, é mesmo gritante o desgaste de tempo, comissões, entrevistas e recursos para temas que não trouxeram nada de relevante para a nossa vida eclesial e até cívica, deixando a autêntica evangelização e formação religiosa em quase abandono.

Por fim, Excelência, fique à vontade para dirigir a nossos leitores uma mensagem final.

Dom Manoel Pestana com o fundador dos Franciscanos da Imaculada, Pe. Stefano Manelli; a ordem foi a responsável pela publicação da obra de Mons. Brunero Gherardini.

Dom Manoel Pestana com o fundador dos Franciscanos da Imaculada, Pe. Stefano Manelli; a ordem foi a responsável pela publicação da obra de Mons. Brunero Gherardini.

Que posso dizer, uma voz quase a extinguir-se, no meio da cultura do barulho, que pouco permite o silêncio necessário para ouvir e entender? Nós, católicos, precisaríamos conhecer, de fato, cada vez mais a nossa religião, que não é apenas uma entre tantas. Jesus disse:

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

“Os poderes da morte e do inferno não hão de derrubá-la.”

“Eu estarei convosco até a consumação dos séculos.”

Nossas igrejas terão sempre, enquanto permitirmos, Alguém à espera dos abalados na fé, dos que perderam a esperança e o rumo na vida, para confiar-nos, a qualquer momento, sem cansar: “Eu sou o Caminho (para os perdidos), a Verdade (para os enganados), a Vida (para os agonizantes, à falta de Amor e solidariedade).

Enquanto a luz do sacrário estiver acesa, sabemos que Alguém nos espera. Não estamos sozinhos. E podemos ajudar, com a graça do Senhor, a salvar os irmãos!

19 novembro, 2010

A trivialidade contra o sagrado na Bélgica: “Chegamos a uma fase da história em que não aceitamos que o padre tenha que ser o intermediário. Queremos nos encarregar dos batismos e da comunhão”.

IHU – Willy Delsaert (foto) é um ferroviário aposentado com dislexia que praticou muito antes de enfrentar a paróquia católica suburbana Dom Bosco para celebrar os rituais da Missa Dominical com os quais ele cresceu.

A reportagem é de Doreen Carvajal, publicada no jornal The New York Times, 16-11-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Quem toma este pão e come”, murmurou ele, quebrando uma hóstia com a sua esposa ao seu lado, “declara o desejo de um mundo novo”.

Com essas palavras, Delsaert, 60 anos, e seus amigos paroquianos, discretamente, estão sendo os pioneiros de um movimento de base que desafia séculos de doutrina da Igreja Católica Romana acerca do culto divino e da distribuição da comunhão sem um sacerdote.

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15 setembro, 2010

O escandaloso bispo de Évreux e suas andanças ecumênicas. Podemos esperar uma reação de Roma?

O bispo de Évreux presente em "ordenações" de mulheres. Um ato que requer imediata e enérgica reação por parte de Roma.

O bispo de Évreux presente em "ordenações" de mulheres. Um ato que requer imediata e enérgica reação por parte de Roma.

(Santa Iglesia Militante) Através do sítio francês Perepiscopus nos damos com o último número do boletim da diocese de Évreux (“Eglise d’Evreux”), onde se relata as recentes andanças ecumenistas do bispo Christian Nourrichard – o mesmo bispo que perseguiu o padre Francis Michael por celebrar a Missa Tridentina, o que provocou a reação dos fiéis.

Parece que o bispo de Évreux esteve numa cerimônia junto ao “bispo” anglicano de Salisbury. Até aí, nada fora do que estamos, lamentavelmente, acostumados a ver.

O agravante? Que o “bispo” anglicano — que é quem carrega o báculo na foto — realizava uma cerimônia de “ordenação” de mulheres…

Recodermos ao sorridente Nourrichard, embora pouco lhe interesse e mais além de seus escandalosos atos ecumenistas, que a Igreja não reconhece as ordenações dos anglicanos, nem das mulheres.

* * *

O Padre Régis de Cacqueray, superior do Distrito da França da Fraternidade São Pio X, em artigo publicado pelo site oficial do distrito [La Porte Latine], declara: “não podemos deixar de manifestar a nossa profunda indignação ao considerar que reuniões cada vez mais escandalosas e comprometedoras se produzem, de fato, mesmo por aqueles que se dizem em ‘plena comunhão’ com a Sé Apostólica”. Continua o Padre: “Ora, no sábado, 3 de julho, Dom Christian Nourrichard revestiu-se das vestes corais (alva, estola, capa, mitra e cruz peitoral) [1] durante uma cerimónia presidida pelo Doutor Stancliffe, num santuário não católico. Rodeado por dois “bispos” reformados [2], também convidados, ele tomou parte na procissão [3] e num simulacro de falsas ordenações. A gravidade do escândalo encontra-se reforçada na medida em que treze mulheres, revestidas de casulas [4], recebiam-nas naquele dia. Longe de lamentar a participação da sua cabeça em uma tão consternadora paródia, a diocese de Évreux relatou os fatos em sua revista [5] sem mesmo recordar a invalidade das ordens, a impossibilidade às mulheres de aceder ao sacerdócio, nem os perigos da heresia anglicana para as almas”.

Uma mulher revestida de casula. Ao fundo, Dom Nourrichard, bispo de Évreux, ao lado do "bispo" de Salisbury.

1 - Uma mulher revestida de casula. Ao fundo, Dom Nourrichard, bispo de Évreux, ao lado do "bispo" de Salisbury.

Numa catedral anglicana, Dom Nourrichard acompanha a cerimônia ao lado de dois "bispos" protestantes (um luterano e um anglicano do Sudão).

2 - Numa catedral anglicana, Dom Nourrichard acompanha a cerimônia ao lado de dois "bispos" protestantes (um luterano e um anglicano do Sudão).

Na procissão, Dom Nourrichard precede as mulheres revestidas de estola.

3 - Na procissão, Dom Nourrichard precede as mulheres revestidas de estola.

Um grupo de homens e mulheres recebendo as ordenações inválidas.

4 - Um grupo de homens e mulheres recebendo as ordenações inválidas.

1 agosto, 2010

Foto da semana.

Dom Laurent Ulrich, arcebispo de Lille, França, na ordenação de dois sacerdotes em sua Catedral. Fonte: Perepiscopus.

Dom Laurent Ulrich, arcebispo de Lille, França, na ordenação de dois sacerdotes em sua Catedral. Fonte: Perepiscopus.