Posts tagged ‘Cúria Romana’

10 outubro, 2017

Testes para o conclave, Parolin na “pole position”.

Por Sandro Magister, 8 de outubro de 2017 | Tradução: Marcos Fleurer – FratresInUnum.com: São três os candidatos a papa, que são sussurrados dentro e fora do Vaticano. Um é asiático, o outro africano e o terceiro europeu, e mais especificamente, italiano. O terceiro é o único que tem uma possibilidade mínima de ser escolhido em um futuro e hipotético conclave.

Dom Pietro Parolin.

Dom Pietro Parolin

O asiático é o arcebispo de Manila, Luis Antonio Gokim Tagle, filipino de mãe chinesa e com estudos cursados nos Estados Unidos. Para os defensores do Papa Francisco é o candidato ideal para continuar seu legado.

Em 2015, Jorge Mario Bergoglio o nomeou presidente da Caritas Internationalis, depois que ele também presidiu o sínodo dos bispos sobre a família. E em abril de 2016, quando foi publicada a exortação “Amoris laetitia” em que o Papa abriu o caminho para a comunhão dos divorciados que se casaram novamente, Tagle foi o primeiro de todos os bispos do mundo a dar uma interpretação extensiva.

Para aqueles que se opõem ao fato de que o magistério líquido do Papa Francisco tem mais dúvidas do que certezas, sua resposta é que: “é bom se confundir de vez em quando, porque se as coisas são sempre claras, já a vida não seria verdadeira”.

[No que diz respeito à Igreja nos tempos atuais, suas ideias são muito claras: com o Concílio Vaticano II, a Igreja rompeu com seu passado e marcou um novo começo. É a tese historiográfica da chamada “escola de Bolonha”, fundada por Giuseppe Dossetti e hoje capitaneada por Alberto Melloni, e da qual Tagle faz parte. Na verdade, ele assinou um dos capítulos-chave do livro da história do Concílio mais lido no mundo, sendo o capítulo sobre a “semana negra” do outono de 1964. Interpretação que está nas antípodas (posição oposta) de que Bento XVI deu, e ainda magnanimamente o nomeou cardeal].

No entanto, deve ser excluído que ele seja eleito Papa. Muito parecido com Bergoglio, será derrotado, devido às múltiplas reações ao presente pontificado que, sem dúvida, sairão à luz em um futuro conclave. Além disso, há o obstáculo da idade. Tagle tem 60 anos e, portanto, poderia reinar muito tempo, tempo demasiado para ser escolhido.

O africano é o cardeal Robert Sarah, de 72 anos, da Guiné. Um indomável testemunho da fé sob o sangrento regime marxista de Sekou Touré, ele só não foi executado apenas porque o tirano morreu de repente em 1984. Crescido na Savana, ele recebeu excelentes estudos na França e em Jerusalém. Nomeado bispo com apenas 33 anos por Paulo VI, o Papa João Paulo II o chamou para Roma, onde foi mantido por Bento XVI, com quem a sintonia era, e é, total.

São dois livros escritos por sua mão, e traduzidos para várias línguas, aqueles que tornaram Sarah conhecido mundialmente: “Deus ou nada” em 2015 e “A Força do Silêncio” este ano. Há um abismo entre sua visão da missão da Igreja e a do Papa jesuíta, tanto em conteúdo quanto em estilo. Para Sarah, como para Joseph Ratzinger, a prioridade absoluta é levar Deus ao coração da civilização, especialmente onde sua presença foi obscurecida.

Ele é, portanto, o candidato ideal para os adversários do Papa Francisco em nome da grande tradição da Igreja. Mas, em um colégio cardinalício em que a metade das nomeações são bergoglianas, é impensável que ele obtenha dois terços dos votos necessários para a eleição.
No entanto, permanece o fato de que Sarah é, na história da Igreja, a primeira verdadeira, se simbólica, candidatura de um Papa Negro-Africano.

Não simbólico, mas muito real, é a terceira candidatura, a de Pietro Parolin, o cardeal secretário de Estado.

É necessário voltar para o conclave de 1963, para descobrir que, com Paulo VI, foi eleito um eclesiástico que cresceu no coração da cúria vaticana e com uma reconhecida capacidade de governo, após um pontificado, como foi o caso de João XXIII que deu início ao Concílio, mas que o deixou em meio a uma tempestade e ainda não havia produzido nenhum documento. Paulo VI conseguiu, embora ele tenha terminado, sem merecer isso, no livro negro de quem é acusado de trair a revolução.

Hoje, a tarefa que um número crescente de cardeais confiaria a Parolin é governar a barca da Igreja na tempestade desencadeada pelo Papa Francisco, corrigindo seus desvios sem trair seu espírito.

Como Secretário de Estado, ele mostrou as qualidades, também em relação a dossiês intrincados como o da China ou da Venezuela, porque ele sabe como conter a impaciência e as atribuições que Bergoglio adora fazer por si mesmo.

Além disso, Parolin tem um perfil de pastor, com uma sólida formação teológica, o que é raro encontrar em um diplomata de grande valor. Sua recente viagem a Moscou tem sido uma prova muito clara disso, pois em colóquios no mais alto nível político, alternaram-se em reuniões religiosas com os chefes da Igreja Ortodoxa Russa, como em uma viagem papal bem organizada.

Mas que tudo isso seja uma antecipação do futuro, sendo pura hipótese enquanto Francisco reine.

27 janeiro, 2017

Edward Pentin: Papa Francisco convocou reservadamente para audiência o Grão-mestre da Ordem de Malta e pediu que escrevesse sua renúncia na hora. E que declarasse ter sido influenciado por Burke.

Papa Francisco declara todos os atos recentes de Festing como “nulos e inválidos”.

Declaração feita em uma carta do Cardeal Parolin à Ordem de Malta, enquanto vão surgindo os detalhes sobre o que aconteceu durante o encontro do Papa com o Grão-Mestre.

Por Edward Pentin, National Catholic Register, 26 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – O Papa Francisco declarou que todas as ações tomadas pelo chefe da Ordem de Malta e seu Conselho de Administração, desde a demissão de Boeselager no mês passado, são “nulas e sem efeito”, incluindo a eleição do substituto de Boeselager.
Escrevendo em nome do Papa aos membros do Conselho de Governo da Ordem, no dia 25 de janeiro, o secretário de Estado do Vaticano Cardeal Pietro Parolin, afirmou que o Santo Padre, “com base em evidências que emergiram a partir de informações que ele reuniu, determinou que todas as ações tomadas pelo Grão-Mestre depois de 6 de dezembro de 2016, são nulas e sem efeito”.
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Burke – o alvo.

Ele acrescentou: “O mesmo é verdadeiro para aqueles do Soberano Conselho, como a eleição do Grão-chanceler interinamente.” O Conselho elegeu  Fra ‘John Critien como substituto temporário de Boeselager.

Cardeal Parolin começa sua carta ressaltando que o Grão-comandante, Ludwig Hoffmann von Rumerstein, está agora encarregado da Ordem, acrescentando que “no processo de renovação que é visto como necessário”, o Papa “nomearia seu delegado pessoal com poderes que ele mesmo vai definir no ato de sua nomeação”

O Grão Mestre Fra ‘Matthew Festing apresentou sua renúncia no dia 24 de janeiro, de acordo com uma declaração do Vaticano, de 25 de janeiro. O Vaticano acrescentou ainda no comunicado que no dia seguinte “o Santo Padre aceitou a sua demissão.”

Além disso, o Vaticano disse que o governo da Soberana Ordem passaria a ser administrado pelo “Grão-comandante interino enquanto se aguarda a nomeação do Delegado Pontifício”.

O Papa convocou Fra’Festing ao Vaticano no dia 24 de janeiro, dando-lhe instrução rigorosa para não deixar que ninguém viesse a saber sobre a audiência – um modus operandi que tem sido usado com frequência durante este Pontificado, mas que Register tomou conhecimento. Durante o encontro, Francisco pediu a Fra ‘Festing para que ele se demitisse imediatamente, algo com o qual o Grão-Mestre teve que concordar. O Papa, então, ordenou-lhe para escrever sua carta de demissão ali mesmo no local, de acordo com fontes bem informadas.

O Register também tomou conhecimento de que o Papa disse a Fra ‘Festing que a razão pelo qual estava pedindo sua renúncia foi a convicção do pontífice de que ele tem que fazer uma nova “investigação mais profunda” da Ordem, e que tal  investigação seria “mais facilmente conduzida se o grão-mestre renunciasse.”

Também foi revelado ao Register, que o Papa então fez Fra ‘Festing incluir em sua carta de renúncia, que o Grão-Mestre havia pedido a demissão de Boeselager “sob a influência” do Cardeal Raymond Burke, o patrono da Ordem. No entanto, como patrono, o Cardeal não tem nenhum poder de governo na Ordem, podendo apenas aconselhar o Grão-Mestre, o que significa que a decisão de demitir o Grão-chanceler pertence exclusivamente ao Grão-Mestre.

Perguntado se poderia confirmar esta versão dos acontecimentos envolvendo o encontro de Fra ‘Festing com o Papa, o Vaticano respondeu ao Register no dia 26 de janeiro, que não fornece “nenhum comentário sobre conversas privadas.”

Se o Grão-Mestre foi pressionado a renunciar, alguns dentro da Ordem estão especulando sobre a validade de sua renúncia, já que essa foi exigida imediatamente, sem dar-lhe tempo para sequer considerar o assunto. Eles também estão preocupados com o que se parece prenúncio de um expurgo futuro na Ordem.

Além disso, alguns estão se perguntando que, se todos os atos do Grão-Mestre desde 6 de dezembro são nulos, como o Cardinal Parolin afirmou em sua carta, isso também incluiria o ato de renúncia de Fra ‘Festing ao Papa.

No sábado, o Conselho Soberano reúne-se para votar se a aceitam ou não a renúncia do Grão-Mestre.

Segue abaixo a tradução da carta do Cardeal Parolin:

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“Distintos Membros do Conselho Soberano, 

Gostaria de informar-lhes que S.A.E. Fra ‘Matthew Festing, Grão-Mestre da Ordem, na data de 24 de Janeiro de 2017, entregou sua demissão nas mãos do Santo Padre Francisco, o qual a aceitou.  

Como a Constituição da Ordem prevê no Art. 17 § 1, o Grão-comendador assumirá a responsabilidade de governo interinamente. Nos termos do Art. 143 do Código Maltense, ele providenciará de informar aos Chefes de Estado com os quais a Ordem mantém relações diplomáticas e as diferentes organizações ligadas à Ordem. 

Para ajudar a Ordem no processo de renovação que é visto como necessário, o Santo Padre irá nomear seu delegado pessoal com poderes que ele vai definir no próprio ato de sua nomeação. 

O Grão-comendador, em seu papel de tenente interino, exercerá os poderes previstos no Art. 144 do Estatuto da Ordem até o Delegado Pontifício ser nomeado. 

O Santo Padre, com base em evidências que surgiram a partir de informações que ele reuniu, determinou que todos os atos realizados pelo Grão-Mestre depois de 6 de dezembro de 2016, sejam nulos e inválidos. O mesmo é verdadeiro para aqueles atos do Conselho Soberano, como a eleição ad interim do Grão-chanceler

O Santo Padre, reconhecendo os grandes méritos da Ordem na realização de muitas obras em defesa da fé e no serviço aos pobres e doentes, expressa sua preocupação pastoral para com a Ordem e espera a colaboração de todos neste momento delicado e importante para o futuro. 

O Santo Padre abençoa a todos os membros, voluntários e benfeitores da Ordem e lhes sustenta com suas orações.

Pietro Paraolin

Secretário de Estado

20 janeiro, 2017

Uma demissão, uma demolição: eis a nova Cúria Romana.

IHU – A reforma da Cúria vaticana que o Papa Francisco está implementando é realizada em parte sob a luz do sol e em parte na sombra. Entre os procedimentos tomados recentemente na sombra, há dois emblemáticos.

A nota é de Sandro Magister, publicada no seu blog Settimo Cielo, 11-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sobre o primeiro, quem levantou o véu foi o vaticanista Marco Tosatti, no dia 26 de dezembro, quando deu a notícia da ordem dada pelo papa a um chefe de dicastério de demitir imediatamente três dos seus oficiais, ordem dada sem explicações e sem aceitar objeções.

Hoje, sabe-se que o dicastério em questão não é de segunda categoria, é a Congregação para a Doutrina da Fé. E os três demitidos gozavam da plena apreciação do seu prefeito, o cardeal Gerhard L. Müller, por sua vez objeto de repetidos atos de humilhação, em público, por parte do papa.

Mas quem é, dos três depostos, o oficial que Francisco em pessoa – como relatado por Tosatti – repreendeu duramente por telefone por ter expressado críticas contra ele, que chegaram aos ouvidos do papa por obra de um delator?

É o sacerdote Christophe J. Kruijen, 46 anos, holandês, em serviço na Congregação para a Doutrina da Fé desde 2009, teólogo de reconhecido valor, premiado em 2010 pela Embaixada de França junto à Santa Sé com o prestigiado Prix Henri De Lubac, conferido a ele por unanimidade por um júri que incluía os cardeais Georges Cottier, Albert Vanhoye e Paul Poupard, pela sua tese teológica intitulada “Salvação universal ou duplo êxito do juízo: esperar por todos? Contribuição ao estudo crítico de uma opinião teológica contemporânea relativa à realização da condenação”, defendida na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, sob a orientação do teólogo dominicano Charles Morerod, depois reitor da mesma universidade e hoje bispo de Lausanne, Genebra e Friburgo.

Os “novíssimos”, isto é, a morte, o juízo, o inferno, o paraíso, são o assunto preferido dos estudos de Kruijen. Mas dele também se aprecia um excelente ensaio sobre a filósofa judia e, depois, monja carmelita Edith Stein, morta em Auschwitz em 1942 e proclamada santa em 1998: “Bénie par la Croix. L’expiation dans l’oeuvre et la vie d’Edith Stein”.

Nos escritos e nos discursos públicos do Mons. Kruijen não há uma única palavra de crítica a Francisco. Mas bastou uma delação arrancada de uma conversa privada dele para fazê-lo cair em desgraça com o papa, que fez o machado cair.

Também disso é feita a reforma da Cúria, sob as ordens e com o estilo de Jorge Mario Bergoglio.

O segundo procedimento implementado na sombra diz respeito à Congregação para o Culto Divino, da qual é prefeito o cardeal Robert Sarah, ele também objeto de repetidas humilhações públicas por parte do papa e já condenado a presidir os escritórios e os homens que remam contra ele.

Dirigida pelo secretário da congregação, o arcebispo inglês Arthur Roche, foi instituída, por vontade de Francisco, dentro do dicastério, uma comissão cujo objetivo não é a correção das degenerações da reforma litúrgica pós-conciliar – ou seja, aquela “reforma da reforma” que é o sonho do cardeal Sarah –, mas precisamente o contrário: a demolição de um dos muros de resistência aos excessos dos liturgistas pós-conciliares, a instrução Liturgiam authenticam, emitida em 2001, que fixa os critérios para a tradução dos textos litúrgicos do latim às línguas modernas.

Com Bento XVI, esses critérios foram ainda mais reforçados, em particular pela vontade daquele papa de manter firme o “pro multis” do Evangelho e do missal latino nas palavras da consagração do sangue de Cristo, contra o “por todos” de muitas traduções correntes.

Mas Francisco deixou logo claro que isso o deixava indiferente. E agora, com a instituição dessa comissão, ele vai ao encontro das ideias de modernização da linguagem litúrgica, defendidas, por exemplo, pelo liturgista Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Sant’Anselmo e muito apreciado na Casa Santa Marta:

Há quem tema que, depois da demolição da Liturgiam authenticam, o próximo objetivo dessa ou de outra comissão seja a correção do Summorum pontificum, o documento com que Bento XVI liberou a celebração da missa no rito antigo.

9 janeiro, 2017

Müller e Napier. A confusão continua.

Escreve-nos Agostino Pecci, desde Itália:

Bom dia!

Como saberá, o Cardeal Gerhard Ludwing Müller, Prefeito da Conregação para a Doutrina da Fé, interveio ontem durante a transmissão [do programa]  “Stanze Vaticane”,da  Tgcom24, acerca dos “dubia” levantados pelos 4 cardeais. Além de não concordar com a publicação da carta, ele também afirmou: “Uma correção fraterna ao Papa parece-me distante, neste momento não é possível porque não há nenhum perigo para a fé”…

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Cardeal Müller

Um comentário que me surge espontaneamente do coração: ABSOLUTAMENTE INCREDITÁVEL!

Enquanto isso, a confusão das interpretações aumentam… até mesmo a intervenção do cardeal Napiero revela claramente.

O que pensar disso tudo?

Estive relendo nesses dias as aparições de Nossa Senhora (do Bom Sucesso) à venerável Madre Mariana de Jesús Torres, de Quito (Ecuador)… talvez ali se possa encontrar resposta…

Uma cara saudação e que a Estrela do Mar nos conceda um Bom Sucesso na navegação neste mar sempre mais tempestuoso.

* * *

A sexta “dubia” do Cardeal Napier, em seu twitter:

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“Se os ocidentais em situações irregulares podem receber a Comunhão, devemos nós dizer a nossos polígamos e outros ‘desajustados’ que a eles também é permitido?”

6 janeiro, 2017

Papa manda Cardeal Müller demitir 3 padres da Congregação para a Doutrina da Fé.

Por Maike Hickson, OnePeterFive | Tradução: FratresInUnum.com: Marco Tosatti, bem informado e respeitado vaticanista italiano, acaba de revelar um outro desenvolvimento preocupante em Roma. No dia 26 de dezembro, Tosatti relatou em seu próprio website Stilum Curiae que o Papa Francisco tinha acabado de pedir ao prefeito de um dicastério do Vaticano para demitir três de seus sacerdotes, removendo-os de suas funções na Congregação.

Palácio do Santo Ofício

Palácio do Santo Ofício

Minha própria pesquisa mostrou que este incidente ocorreu na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), e que foi o próprio Cardeal Gerhard Müller, que agora tem que obedecer a estas novas ordens peremptórias. Além disso, eu consegui descobrir que os três padres envolvidos, são respectivamente, um de nacionalidade eslovaca-americano, um francês e um mexicano. (Uma das minhas fontes é um amigo de um desses três teólogos.) No entanto, ao último dos três foi permitido permanecer por algum tempo a mais em sua posição atual na Congregação.

Consideremos agora alguns dos detalhes específicos que o próprio Marco Tosatti perceptivelmente reuniu para nós. Ele começa o artigo com uma referência à repreensão habitual que o Papa Francisco faz à Cúria Romana no seu discurso de Natal e detecta a raiva óbvia do papa em suas palavras e gestos. Ao olhar para a própria Curia, no entanto, Tosatti percebe algo que vai mais além da raiva recíproca presente entre os membros: “Não se trata de sua resistência, mas do seu medo, seu descontentamento, e um tipo de sentimento que pertence a outro contexto completamente diferente.”

Tosatti, em seguida, faz alusão a uma fonte fidedigna que lhe contou vários episódios recentes ocorridos no Vaticano. Dois deles parecem ser de grande importância e podem também dar-nos alguns vislumbres adicionais sobre os métodos autoritários próprios do Papa Francisco, bem como sua maneira um tanto indireta de governar a Igreja. Mas, por ora, devemos primeiramente nos concentrar no caso dos funcionários da Congregação para Doutrina da Fé, que o próprio Tosatti diz que  “decisivamente é o mais triste”:

Um chefe de dicastério recebeu uma ordem para se livrar de três de seus empregados (que trabalham no Vaticano há várias décadas), sem qualquer explicação. Ele recebeu a carta oficial: “Do venerável encargo peço-lhe que para que se demita…”. A ordem era: envie-o de volta à diocese ou à família religiosa à qual ele é afiliado. Ele ficou muito perplexo, porque se tratava de ótimos sacerdotes e pessoas entre as mais capazes profissionalmente. Ele se recusou a obedecer, e pediu audiência ao Papa. Teve, então, que esperar, porque por diversas vezes a audiência foi transferida. Finalmente, ele foi recebido. Ele disse então: Santidade, eu recebi essas cartas, mas eu não fiz nada ainda, porque essas pessoas estão entre as melhores do meu dicastério… o que eles fizeram? A resposta foi: “e eu sou o papa, e não tenho que dar satisfações a ninguém a respeito das minhas decisões. Eu decidi que eles devem ir embora, e tem que ir embora”. Levantou-se e estendeu a mão para  significar que a audiência estava encerrada. Até 31 de dezembro, dois dos três deixarão o dicastério em que trabalharam durante anos, sem ao menos saber o porquê. Para o terceiro, ao que parece, houve uma prorrogação. Mas, há um desdobramento que, se for verdade, como parece ser, é ainda mais desagradável. Um dos dois se expressava livremente, talvez até demais, sobre algumas decisões do Papa. Alguém, muito amigo de um colaborador do Pontífice, ouviu e delatou. A vítima recebeu uma chamada muito dura do número um e depois veio a punição.” [Ênfase adicionada]

Nesta passagem, Tosatti claramente fala sobre uma febre autocrática que parece ter varrido o Vaticano [minha ênfase] E ele conclui sua matéria com as seguintes palavras:

Não é de admirar se o clima, por trás dos muros e palácios, não seja exatamente sereno. É de se perguntar qual crédito podemos dar a toda essa fanfarra sobre misericórdia.. [Ênfase minha]

Assim, Tosatti acrescenta outra peça ao quebra-cabeças que diz muito a respeito dos modos e métodos de governo que o Papa Francisco aparentemente utiliza na remoção ou marginalização de prelados ortodoxos, sacerdotes e leigos das posições de influência formativa no Vaticano.

Além disso, no que diz respeito especificamente à Congregação para Doutrina, outra fonte tinha me dito o seguinte, há um mês atrás:

“Uma fonte em Roma disse que todos aqueles que trabalham para a Santa Sé têm medo de falar sobre qualquer coisa por temor de ser visado devido à presença de informantes em todos os lugares. Chegou a comparar à Rússia stalinista. Ele disse que dois sacerdotes amigos dele, bons homens, foram demitidos da CDF porque foram acusados de serem críticos do Papa Francisco”.

Esta mesma fonte de Roma, que é pessoalmente muito honesta e bem informada, relata que esses dois sacerdotes aqui mencionados (que não parecem ser os mesmos que estão envolvidos nos últimos três casos pessoais) receiam que eles não serão os únicos a serem removidos. Eles vêem sua própria remoção apenas como o início de um “grande expurgo” [grifo meu] dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, “não diferente do que aconteceu recentemente na Congregação para o Culto Divino do Cardeal Sarah.” (Aqui podemos lembrar o fato de que o próprio Marco Tosatti já havia chamado estas mudanças recentes na Congregação para o Culto Divino de um verdadeiro expurgo).

Também já havíamos reportado recentemente sobre a decisão anterior do papa de remover os membros da Pontifícia Academia para a Vida, que é amplamente conhecida por sua posição firme em defesa da vida humana. Aqui está o que uma fonte bem-informada relatou-me então sobre este incidente:

No final de 2016, a Academia Pontifícia para a Vida foi fechada e todos os seus membros demitidos. A Academia será reconstituída em 2017, com novos estatutos e será novamente repovoada. O processo para a nomeação dos novos membros da Academia não é conhecido.

Nós também repetidamente temos informado sobre a atmosfera de medo que agora permeia cada vez mais o Vaticano, como igualmente fez uma matéria recente do co-fundador do LifeSiteNews.

Durante este próximo ano de 2017 – centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima – possa a Mãe de Deus ser cada vez mais o nosso auxílio e o nosso refúgio confiável. Que ela nos ajude com aquelas graças necessárias para defender a verdade mais plenamente, bem como manifestar o amor de Cristo, mesmo em face do medo.

10 outubro, 2016

Papa anuncia 17 novos cardeais. Consistório a 19 de novembro.

Rádio Vaticano – Depois do Angelus o Papa anunciou que no dia 19 de novembro, véspera do encerramento do Ano Santo da Misericórdia terá lugar no Vaticano um Consistório para a nomeação de 13 novos cardeais dos cinco continentes. Os novos purpurados provêm de 11 nações exprimindo assim a universalidade da Igreja que anuncia e testemunha a Boa Nova da Misericórdia de Deus. Os novos cardeais são os seguintes prelados:

D. Mario Zenari, Núncio Apostólico na Síria (Italia);

D. Dieudonné Nzapalainga, C.S.Sp., Arcebispo de Bangui (Republica Centro-Africana);

D. Carlos Osoro Sierra, Arcebispo de Madrid (Espanha);

D. Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília (Brasil);

D. Blase J. Cupich, Arcebispo de Chicago (EUA);

D. Patrick D’Rozario, C.S.C., Arcebispo de Dhaka (Bangladesh);

D. Baltazar Enrique Porras Cardozo, Arcebispo de Mérida (Venezuela);

D. Jozef De Kesel, Arcebispo de Malines-Bruxelles (Bélgica);

D. Maurice Piat, Arcebispo de Port-Louis (Ilha Mauricio);

D. Kevin Joseph Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e a Vida (EUA);

D. Carlos Aguiar Retes, Arcebispo de Tlalnepantla (México);

D. John Ribat, M.S.C., Arcebispo de Port Moresby (Papua Nova Guiné);

D. Joseph William Tobin, C.SS.R., Arcebispo de Indianápolis (EUA).

A estes novos cardeais juntam-se dois arcebispos e um bispo emérito que se distinguiram no seu serviço pastoral e ainda um presbítero que demonstrou um claro testemunho cristão. São eles D. Anthony Soter Fernandez, Arcebispo Emérito de Kuala Lumpur (Malásia); D. Renato Corti, Arcebispo Emérito de Novara (Italia); D. Sebastian Koto Khoarai, O.M.I, Bispo Emérito de Mohale’s Hoek (Lesotho) e o padre Ernest Simoni, Presbítero da arquidiocese de Shkodrë-Pult (Scutari – Albânia).

No domingo, 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, na conclusão do Ano Santo da Misericórdia o Papa Francisco concelebrará a Santa Missa com os novos Cardeais, com o Colégio Cardinalício, com os Arcebispos, com os Bispos e com os Presbíteros.

24 agosto, 2016

As 30 moedas dos Judas hodiernos.

Vazamento de e-mails mostram  que George Soros pagou US$650.000 para influenciar bispos durante a visita do Papa aos Estados Unidos. 

Por John-Henry Westen, Life Site News, 23 de agosto de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comE-mails que vazaram através da rede WikiLeaks revelam que o bilionário globalista George Soros — um dos maiores doadores da campanha de Hilary Clinton — pagou US$650.000 para influenciar a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em setembro de 2015, em favor “de uma mudança nos paradigmas e prioridades nacionais às vésperas da campanha presidencial de 2016”. Os fundos foram doados em abril de 2015 e o relatório sobre a sua eficácia sugere que entre as operações bem sucedidas estavam incluídas “a compra individual de bispos para que se expressem publicamente dando maior suporte a mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos alinhados ao Papa”.

As verbas foram concedidas a duas entidades norte-americanas que estão envolvidas em um projeto a longo prazo, de acordo com o relatório, visando uma mudança de paradigma nas “prioridades da Igreja Católica dos Estados Unidos”. Os beneficiários foram PICO, um grupo de organização comunitária de cunho religioso, e Faith in Public Life (FPL), um outro grupo progressista que opera na mídia promovendo causas de “justiça social” de cunho esquerdista. Soros tem financiado causas esquerdistas em todo o mundo e tem concentrado esforços e fundos na tentativa de barrar leis pró-vida no mundo inteiro.

Atas da reunião de Maio de 2015, da Fundação Open Society de George Soros em Nova York revelam que, ainda nos estágios de planejamento da visita papal, o grupo planejava trabalhar diretamente através de um dos principais assessores do papa, o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, que foi nomeado especificamente no relatório. A fim de aproveitar a oportunidade da visita do Papa aos EUA, diz o relatório, “vamos apoiar as atividades de organização da PICO para engajar o papa em questões de justiça econômica e racial, inclusive usando da influência do Cardeal Rodriguez, que é o consultor sênior do Papa e vamos enviar uma delegação para visitar o Vaticano, na primavera ou no verão, para permitir que ele escute diretamente dos Católicos de baixa renda na América”.

Em 2013, o Cardeal Rodriguez Maradiaga endossou o trabalho da PICO em um vídeo, durante uma visita dos representantes da entidade à diocese do cardeal. “Quero apoiar todos os esforços que eles estão empreendendo para promover comunidades de fé”, disse. “Por favor, continuem ajudando a PICO”.

O relatório pós operacional sobre o financiamento para influenciar a visita papal está em outro documento intitulado 2016, Revisão de 2015 Fundos de Oportunidade EUA. O grupo de Soros ficou satisfeito com o resultado de sua campanha ao ver várias declarações anti-Trump proferidas por vários bispos como resultado dos seus esforços. “O impacto desta operação e as relações que têm suscitado podem ser vistos pela ampla gama de líderes religiosos intencionalmente apontando o dedo contra candidatos presidenciais, acusando-os de fomentar uma  ‘retórica do medo'”, diz o relatório.

Além disso, o resumo do relatório também diz que o financiamento foi útil para combater a “retórica anti-gay” nos meios de comunicação. A “eficácia da campanha na mídia pode ser vista pela capacidade da equipe em reagir e combater a retórica anti-gay  que se seguiu após a história de Kim Davis (a funcionária do condado de Kentucky que foi presa por desafiar uma ordem judicial federal para emitir licenças de casamento para casais homossexuais e a quem depois o Papa visitou)”, afirma o relatório.

O financiamento especificamente teve como alvo a agenda “pró-família”, redirecionando-a do seu foco, que é a defesa da família, para uma preocupação com a igualdade de renda. “Mídia FPL, enquadramento e atividades de opinião pública, incluindo a realização de pesquisa de opinião para demonstrar que os eleitores católicos estão de acordo com a agenda do Papa em assuntos como a desigualdade de renda, bem como ganhar cobertura da mídia para impulsionar a mensagem de que para ser ‘pró-família’ é necessário resolver antes a crescente desigualdade social”, diz o relatório de maio.

A Procuradora Elizabeth Yore, que atuou na delegação do Heartland Institute que viajou ao Vaticano, em abril de 2015, para instar o Papa Francisco a re-examinar sua confiança nos promotores de controle de população da ONU, os quais promovem a agenda do Aquecimento Global, falou com LifeSiteNews sobre a iniciativa de Soros:  “Os Católicos representam um imenso e influente bloco na eleição dos EUA”, disse ela. Soros está  “usando o cabeça da Igreja Católica para influenciar esse bloco-chave de votação”, com o “púlpito forte do papado” para garantir a eleição de Hilary Clinton.

Yore sublinhou que “esta não é a primeira vez que a aliança profana entre Soros e o Vaticano colaboram com sucesso em um projeto político.” Em 2015, ela recordou, “os agentes de Soros, inflitrados no Vaticano, dirigiram a Agenda Ambiental do Papa Francisco, e conseguiram para Soros e para as Nações Unidas uma Exortação Apostólica sobre mudanças climáticas [ndt: na verdade, trata-se da encíclica Laudato Si], um premiado endosso papal dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas bem como a benção apostólica do Papa para o Tratado do Clima de Paris”.

Em termos dos objetivos de Soros de mudar as prioridades da Igreja Católica para bem longe dos absolutos morais, dois bispos dos Estados Unidos se destacam como campeões do movimento. O Bispo de San Diego Robert McElroy,  que tem repetidamente enfatizado a mudança de prioridades da Igreja e que tem todo o apoio do “filho predileto” do Papa Francisco, o Arcebispo de Chicago Dom Blase Cupich [ndt: nomeado recentemente por Francisco como membro da Congregação para os Bispos, o que tornará o arcebispo de Chicago pessoa chave na nomeação de todos os bispos dos Estados Unidos]. McElroy criou furor na reunião da Conferência Episcopal Americana em novembro passado por sua tentativa de alterar um documento instruindo os católicos sobre como votar.

McElroy argumentou que o documento estava fora de sintonia com as prioridades Papa Francisco – especificamente, por colocar muita ênfase no aborto e a eutanásia, e não o suficientemente sobre a pobreza e o meio ambiente. Cupich depois louvou a intervenção de McElroy como um “momento realmente elevado” para a Conferência e apoiou o movimento para colocar a degradação do meio ambiente e a pobreza global no mesmo nível do aborto e da eutanásia.

Concluindo seu relatório final e refletindo sobre o sucesso do financiamento para influenciar a visita papal, o grupo de Soros se mostrou muito satisfeito com os resultados. Olhando para o futuro, eles estão muito animados de que o objetivo de a longo prazo mudar as prioridades dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já “está em andamento.”

21 julho, 2016

Schönborn, novo prefeito para a Doutrina da Fé?

Aumentam os rumores sobre mudanças na Cúria Romana após o verão europeu. Rodríguez Maradiaga poderia dirigir o novo dicastério para os Leigos, Família e Vida.

Por Cameron Doody, 18 de julho de 2016 – Periodista Digital | Tradução: FratresInUnum.com:  Neste mês setembro, depois da JMJ em Cracóvia e das férias gerais de verão em Roma, poderiam ocorrer novas e importantes mudanças de pessoal no Vaticano. Entre elas seria a possível nomeação do cardeal Christoph Schönborn – a quem em vez do cardeal Gerhard Muller, o Papa Francisco confiou a apresentação da exortação apostólica Amoris laetitia – como novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

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Schönborn com Amoris Laetitia

O primeiro passo será a substituição do cardeal Stanislaw Dziwisz, atual arcebispo de Cracóvia, por motivos de idade.  Espera-se que seu posto à frente da arquidiocese polonesa seja ocupado pelo cardeal Stanislaw Rylko – outro filho espiritual de São João Paulo II – porém, permaneceria a incógnita de quem substituiria Rylko na presidência do Conselho Pontifício para os Leigos, organismo que está a ponto de incorporar-se aos Conselhos para a Família e à Pastoral da Saúde.

Para dizer de outra maneira: a aposentadoria de Dziwisz poderia ser a ocasião perfeita para que o Papa Francisco implemente as mudanças de pessoal que durante muito tempo se espera, porém que foram frustradas por resistências na Cúria.

O nome que mais se ouve para o novo dicastério de Leigos, Família e Vida – ente que resultará da fusão dos antigos Conselhos Pontifícios – é o do cardeal Óscar Maradiaga, um dos aliados mais importantes do Papa Francisco e seu colaborador estreito no Conselho de Cardeais.

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Maradiaga

Francisco também terá que encontrar substituição para o cardeal Angelo Amato – atual Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que já tem 78 anos – e este poderia materializar-se na pessoa do arcebispo Angelo Becciu, agora substituto ou vice Secretário de Estado do Vaticano. Esta reestruturação se completaria com a nomeação do arcebispo Gabriele Caccia, até então núncio no Líbano, como novo vice de Pietro Parolin.

Porém, talvez a nomeação que cause mais impacto no Vaticano seja a do cardeal Christoph Schönborn como novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, uma especulação que vem ganhando credibilidade, ao menos, por dois motivos: em primeiro lugar, a confiança que o Papa Francisco continua lhe depositando e, em segundo lugar, a aposentadoria, já faz algumas semanas, do cardeal Karl Lehmann, arcebispo de Mainz, cidade que poderia ser o novo destino do cardeal Gerhard Müller.

A volta de Muller para casa poderia ser interpretada como uma punição, porém, talvez o purpurado alemão não encare necessariamente dessa forma: o arcebispado de Mainz continua sendo um cargo de prestígio na igreja alemã e, de fato, Müller cursou seu doutorado com Lehmann na universidade da capital do estado de Rhineland-Palatinate.

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Müller

13 julho, 2016

A aposentadoria de Lombardi.

Papa nomeia ex-correspondente da Fox News como porta-voz do Vaticano. Greg Burke irá assumir o cargo juntamente com Paloma Garcia Ovejero, como vice-responsável por uma revisão geral da operação de comunicações.

Por The Guardian | Tradução: FratresInUnum.com: O Vaticano nomeou um ex-jornalista da Fox News e membro do controverso grupo Opus Dei como seu principal porta-voz, enquanto uma jornalista espanhola atuará como vice.

 

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Pe. Lombardi e Greg Burke.

A nomeação de Greg Burke, 56, foi anunciada seguindo a renúncia de Federico Lombardi, padre jesuíta que atuou como porta-voz do papa Francisco e de seu predecessor, Bento XVI.

Burke trabalhou mais de uma década como correspondente da Fox News em Roma antes de ser contratado pelo Vaticano, em 2012, como assessor de comunicação. Em dezembro, o americano foi instalado como vice-diretor do escritório de imprensa.

Embora Burke não seja membro do clero, o Vaticano ressaltou, na segunda-feira, que o nativo da cidade americana de St. Louis é proveniente de uma família católica tradicional. Como estudante na Universidade de Columbia em Nova York, ele se tornou um membro do Opus Dei, uma organização católica conservadora que tem enfrentado críticas por causa de sigilo e de seus métodos de recrutamento.

Em outra mudança considerada dramática para a Santa Sé, a espanhola Paloma García Ovejero foi contratada como o vice-diretora da Sala de Imprensa. Em seu papel como porta-voz para a mídia do mundo, García Ovejero, 40 anos, natural de Madrid, em breve se tornará uma das mulheres mais proeminentes na hierarquia do Vaticano.

García Ovejero, desde 2012, atua como correspondente no Vaticano para mídia espanhola e também possui experiência americana, tendo estudado na Universidade de Nova Iorque.

A nomeação de dois estrangeiros marca uma mudança significativa na administração do Vaticano, conhecida como a Cúria Romana, que por séculos foi dominada pelos italianos. Ambos são poliglotas e falam o idioma do pontífice argentino, o espanhol, enquanto García Ovejero, segundo dizem, também tem conhecimento da lingua chinesa, uma habilidade notável, já que Francisco manifestou o desejo de visitar a China.

Elogios foram derramados sobre Lombardi. O porta-voz de 73 anos, que se encontra de saída, vinha diminuindo sua carga de trabalho e em fevereiro deixou o cargo de diretor-geral da Rádio Vaticano.

Thomas Rosica, assistente da assessoria de imprensa de língua inglesa, disse que ele tinha compartilhado “experiências eclesiais profundamente comoventes” com Lombardi nos últimos anos. “Eu aprendi muito com sua maneira suave, calma, o seu sensus Ecclesiae, o seu humor e sua capacidade de versatilidade com tanta serenidade,” Rosica escreveu no Facebook.

O padre jesuíta James Martin, editor da revista America, agradeceu Lombardi por seu ministério “incansável”. “Amável, trabalhador, orante: um modelo de jesuíta”, escreveu Martin no Twitter.

9 março, 2016

Pe. Ronchi: Jesus não é moralista, somos nós que moralizamos o Evangelho.

Ariccia (RV) – “Jesus não é um moralista. Somos nós que moralizamos o Evangelho.” Foi o que disse, na tarde desta terça-feira (08/03), o Pe. Ermes Ronchi na quinta meditação dos Exercícios espirituais para o Papa Francisco e a Cúria Romana, em andamento na Casa ‘Divino Mestre’, em Ariccia.

No Dia Internacional da Mulher o religioso recordou que no Evangelho muitas mulheres seguiam e serviam Jesus, lamentando a presença somente de homens no encontro.

“O Evangelho não é moralista”, sublinhou Pe. Ronchi partindo da passagem do Evangelho em que Jesus que tinha sido convidado à  casa de Simão, o fariseu, rompe toda convenção e deixa que uma mulher, por todos considerada pecadora, chore aos seus pés, os enxugue com os seus cabelos, beijando-os e ungindo-os com óleo perfumado. Diante desta surpresa de Simão, Jesus adverte: “Olha esta mulher”, de pecadora se torna “a perdoada que tanto amou”.

“No jantar na casa de Simão, o fariseu, começa um conflito surpreendente: o pio e a prostituta; o potente e a sem nome, a lei e o perfume, a regra e o amor em confronto. O erro de Simão foi o olhar que julga.”
“Jesus durante toda a vida ensinará o olhar que não julga, que inclui, o olhar misericordioso”.

“Simão coloca no centro da relação entre homem e Deus o pecado, o faz o eixo da religião”.

“É o erro dos moralistas de todas as épocas, dos fariseus de sempre. Jesus não é moralista. Coloca no centro a pessoa com suas lágrimas e sorrisos, a sua carne dolorida ou exultante, e não a lei.”

“No Evangelho encontramos com mais frequência a palavra pobre do que a palavra pecador”, disse Pe. Ronchi.
“Adão é pobre antes que pecador; somos frágeis e custódios de lágrimas, prisioneiros de mil limites, antes que culpados. Somos nós que moralizamos o Evangelho”.

“No princípio não era assim: Pe. Vannucci diz isso muito bem. O Evangelho não é uma moral, mas uma libertação que abala e nos leva para fora do paradigma do pecado para nos conduzir para dentro do paradigma da plenitude, da vida em plenitude”.

Simão, o moralista, olha o passado da mulher, vê “uma história de transgressões”, “enquanto Jesus”, explicou Pe. Ronchi, “vê o muito amor de hoje e de amanhã”.

“Jesus não ignora quem é, não faz de conta de não saber, mas a acolhe com as suas feridas e sobretudo com a sua centelha de luz, que Ele faz brotar”.

“No centro da cena deveria estar Simão pio e potente, e ao invés, o centro é ocupado pela mulher”.

“Somente Jesus é capaz de fazer esta mudança de perspectiva, de dar espaço aos últimos. Jesus muda o foco, o ponto de vista do pecado da mulher às faltas de Simão, o desestrutura, o coloca em dificuldade como fará com os acusadores da adúltera no templo”.

“Se Jesus perguntasse também a mim”, disse sorrindo Pe. Ronchi, “você vê esta mulher? Eu deveria responder: Não Senhor, aqui vejo somente homens”.

“Não é muito normal este reconhecer. Devemos tomar nota de um vazio que não corresponde à realidade da humanidade e da Igreja.”

“Não era assim no Evangelho” onde muitas mulheres seguiam e serviam Jesus, mas “no nosso séquito não as vejo”, disse Pe. Ronchi.

“O que nos faz tanto medo que temos de tomar distâncias desta mulher e das outras? Jesus era soberanamente indiferente ao passado de uma pessoa, ao gênero de uma pessoa, não raciocina nunca por categorias ou estereótipos. Penso que também o Espírito Santo distribua os seus dons sem olhar para o gênero das pessoas.”

Jesus, marcado por aquela mulher que o comoveu, não a esquece: Na última ceia repetirá o gesto da pecadora desconhecida e apaixonada, lavará os pés de seus discípulos e os enxugará”.
“O homem quando ama realiza gestos divinos, Deus quando ama realiza gestos humanos, e o faz com coração de carne”.

“É muito fácil para nós quando somos confessores não ver as pessoas, com as suas necessidades e suas lágrimas, mas ver a norma aplicada ou infringida. Generalizar, colocar as pessoas dentro de uma categoria, classificar. Assim, alimentamos a dureza do coração, a esclerocardia, doença que Jesus mais temia. Tornamo-nos burocratas das regras e analfabetos do coração. Não encontramos a vida, mas somente o nosso preconceito.” (MJ)