Posts tagged ‘Cúria Romana’

24 agosto, 2016

As 30 moedas dos Judas hodiernos.

Vazamento de e-mails mostram  que George Soros pagou US$650.000 para influenciar bispos durante a visita do Papa aos Estados Unidos. 

Por John-Henry Westen, Life Site News, 23 de agosto de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comE-mails que vazaram através da rede WikiLeaks revelam que o bilionário globalista George Soros — um dos maiores doadores da campanha de Hilary Clinton — pagou US$650.000 para influenciar a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em setembro de 2015, em favor “de uma mudança nos paradigmas e prioridades nacionais às vésperas da campanha presidencial de 2016”. Os fundos foram doados em abril de 2015 e o relatório sobre a sua eficácia sugere que entre as operações bem sucedidas estavam incluídas “a compra individual de bispos para que se expressem publicamente dando maior suporte a mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos alinhados ao Papa”.

As verbas foram concedidas a duas entidades norte-americanas que estão envolvidas em um projeto a longo prazo, de acordo com o relatório, visando uma mudança de paradigma nas “prioridades da Igreja Católica dos Estados Unidos”. Os beneficiários foram PICO, um grupo de organização comunitária de cunho religioso, e Faith in Public Life (FPL), um outro grupo progressista que opera na mídia promovendo causas de “justiça social” de cunho esquerdista. Soros tem financiado causas esquerdistas em todo o mundo e tem concentrado esforços e fundos na tentativa de barrar leis pró-vida no mundo inteiro.

Atas da reunião de Maio de 2015, da Fundação Open Society de George Soros em Nova York revelam que, ainda nos estágios de planejamento da visita papal, o grupo planejava trabalhar diretamente através de um dos principais assessores do papa, o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, que foi nomeado especificamente no relatório. A fim de aproveitar a oportunidade da visita do Papa aos EUA, diz o relatório, “vamos apoiar as atividades de organização da PICO para engajar o papa em questões de justiça econômica e racial, inclusive usando da influência do Cardeal Rodriguez, que é o consultor sênior do Papa e vamos enviar uma delegação para visitar o Vaticano, na primavera ou no verão, para permitir que ele escute diretamente dos Católicos de baixa renda na América”.

Em 2013, o Cardeal Rodriguez Maradiaga endossou o trabalho da PICO em um vídeo, durante uma visita dos representantes da entidade à diocese do cardeal. “Quero apoiar todos os esforços que eles estão empreendendo para promover comunidades de fé”, disse. “Por favor, continuem ajudando a PICO”.

O relatório pós operacional sobre o financiamento para influenciar a visita papal está em outro documento intitulado 2016, Revisão de 2015 Fundos de Oportunidade EUA. O grupo de Soros ficou satisfeito com o resultado de sua campanha ao ver várias declarações anti-Trump proferidas por vários bispos como resultado dos seus esforços. “O impacto desta operação e as relações que têm suscitado podem ser vistos pela ampla gama de líderes religiosos intencionalmente apontando o dedo contra candidatos presidenciais, acusando-os de fomentar uma  ‘retórica do medo'”, diz o relatório.

Além disso, o resumo do relatório também diz que o financiamento foi útil para combater a “retórica anti-gay” nos meios de comunicação. A “eficácia da campanha na mídia pode ser vista pela capacidade da equipe em reagir e combater a retórica anti-gay  que se seguiu após a história de Kim Davis (a funcionária do condado de Kentucky que foi presa por desafiar uma ordem judicial federal para emitir licenças de casamento para casais homossexuais e a quem depois o Papa visitou)”, afirma o relatório.

O financiamento especificamente teve como alvo a agenda “pró-família”, redirecionando-a do seu foco, que é a defesa da família, para uma preocupação com a igualdade de renda. “Mídia FPL, enquadramento e atividades de opinião pública, incluindo a realização de pesquisa de opinião para demonstrar que os eleitores católicos estão de acordo com a agenda do Papa em assuntos como a desigualdade de renda, bem como ganhar cobertura da mídia para impulsionar a mensagem de que para ser ‘pró-família’ é necessário resolver antes a crescente desigualdade social”, diz o relatório de maio.

A Procuradora Elizabeth Yore, que atuou na delegação do Heartland Institute que viajou ao Vaticano, em abril de 2015, para instar o Papa Francisco a re-examinar sua confiança nos promotores de controle de população da ONU, os quais promovem a agenda do Aquecimento Global, falou com LifeSiteNews sobre a iniciativa de Soros:  “Os Católicos representam um imenso e influente bloco na eleição dos EUA”, disse ela. Soros está  “usando o cabeça da Igreja Católica para influenciar esse bloco-chave de votação”, com o “púlpito forte do papado” para garantir a eleição de Hilary Clinton.

Yore sublinhou que “esta não é a primeira vez que a aliança profana entre Soros e o Vaticano colaboram com sucesso em um projeto político.” Em 2015, ela recordou, “os agentes de Soros, inflitrados no Vaticano, dirigiram a Agenda Ambiental do Papa Francisco, e conseguiram para Soros e para as Nações Unidas uma Exortação Apostólica sobre mudanças climáticas [ndt: na verdade, trata-se da encíclica Laudato Si], um premiado endosso papal dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas bem como a benção apostólica do Papa para o Tratado do Clima de Paris”.

Em termos dos objetivos de Soros de mudar as prioridades da Igreja Católica para bem longe dos absolutos morais, dois bispos dos Estados Unidos se destacam como campeões do movimento. O Bispo de San Diego Robert McElroy,  que tem repetidamente enfatizado a mudança de prioridades da Igreja e que tem todo o apoio do “filho predileto” do Papa Francisco, o Arcebispo de Chicago Dom Blase Cupich [ndt: nomeado recentemente por Francisco como membro da Congregação para os Bispos, o que tornará o arcebispo de Chicago pessoa chave na nomeação de todos os bispos dos Estados Unidos]. McElroy criou furor na reunião da Conferência Episcopal Americana em novembro passado por sua tentativa de alterar um documento instruindo os católicos sobre como votar.

McElroy argumentou que o documento estava fora de sintonia com as prioridades Papa Francisco – especificamente, por colocar muita ênfase no aborto e a eutanásia, e não o suficientemente sobre a pobreza e o meio ambiente. Cupich depois louvou a intervenção de McElroy como um “momento realmente elevado” para a Conferência e apoiou o movimento para colocar a degradação do meio ambiente e a pobreza global no mesmo nível do aborto e da eutanásia.

Concluindo seu relatório final e refletindo sobre o sucesso do financiamento para influenciar a visita papal, o grupo de Soros se mostrou muito satisfeito com os resultados. Olhando para o futuro, eles estão muito animados de que o objetivo de a longo prazo mudar as prioridades dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já “está em andamento.”

21 julho, 2016

Schönborn, novo prefeito para a Doutrina da Fé?

Aumentam os rumores sobre mudanças na Cúria Romana após o verão europeu. Rodríguez Maradiaga poderia dirigir o novo dicastério para os Leigos, Família e Vida.

Por Cameron Doody, 18 de julho de 2016 – Periodista Digital | Tradução: FratresInUnum.com:  Neste mês setembro, depois da JMJ em Cracóvia e das férias gerais de verão em Roma, poderiam ocorrer novas e importantes mudanças de pessoal no Vaticano. Entre elas seria a possível nomeação do cardeal Christoph Schönborn – a quem em vez do cardeal Gerhard Muller, o Papa Francisco confiou a apresentação da exortação apostólica Amoris laetitia – como novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

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Schönborn com Amoris Laetitia

O primeiro passo será a substituição do cardeal Stanislaw Dziwisz, atual arcebispo de Cracóvia, por motivos de idade.  Espera-se que seu posto à frente da arquidiocese polonesa seja ocupado pelo cardeal Stanislaw Rylko – outro filho espiritual de São João Paulo II – porém, permaneceria a incógnita de quem substituiria Rylko na presidência do Conselho Pontifício para os Leigos, organismo que está a ponto de incorporar-se aos Conselhos para a Família e à Pastoral da Saúde.

Para dizer de outra maneira: a aposentadoria de Dziwisz poderia ser a ocasião perfeita para que o Papa Francisco implemente as mudanças de pessoal que durante muito tempo se espera, porém que foram frustradas por resistências na Cúria.

O nome que mais se ouve para o novo dicastério de Leigos, Família e Vida – ente que resultará da fusão dos antigos Conselhos Pontifícios – é o do cardeal Óscar Maradiaga, um dos aliados mais importantes do Papa Francisco e seu colaborador estreito no Conselho de Cardeais.

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Maradiaga

Francisco também terá que encontrar substituição para o cardeal Angelo Amato – atual Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que já tem 78 anos – e este poderia materializar-se na pessoa do arcebispo Angelo Becciu, agora substituto ou vice Secretário de Estado do Vaticano. Esta reestruturação se completaria com a nomeação do arcebispo Gabriele Caccia, até então núncio no Líbano, como novo vice de Pietro Parolin.

Porém, talvez a nomeação que cause mais impacto no Vaticano seja a do cardeal Christoph Schönborn como novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, uma especulação que vem ganhando credibilidade, ao menos, por dois motivos: em primeiro lugar, a confiança que o Papa Francisco continua lhe depositando e, em segundo lugar, a aposentadoria, já faz algumas semanas, do cardeal Karl Lehmann, arcebispo de Mainz, cidade que poderia ser o novo destino do cardeal Gerhard Müller.

A volta de Muller para casa poderia ser interpretada como uma punição, porém, talvez o purpurado alemão não encare necessariamente dessa forma: o arcebispado de Mainz continua sendo um cargo de prestígio na igreja alemã e, de fato, Müller cursou seu doutorado com Lehmann na universidade da capital do estado de Rhineland-Palatinate.

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Müller

13 julho, 2016

A aposentadoria de Lombardi.

Papa nomeia ex-correspondente da Fox News como porta-voz do Vaticano. Greg Burke irá assumir o cargo juntamente com Paloma Garcia Ovejero, como vice-responsável por uma revisão geral da operação de comunicações.

Por The Guardian | Tradução: FratresInUnum.com: O Vaticano nomeou um ex-jornalista da Fox News e membro do controverso grupo Opus Dei como seu principal porta-voz, enquanto uma jornalista espanhola atuará como vice.

 

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Pe. Lombardi e Greg Burke.

A nomeação de Greg Burke, 56, foi anunciada seguindo a renúncia de Federico Lombardi, padre jesuíta que atuou como porta-voz do papa Francisco e de seu predecessor, Bento XVI.

Burke trabalhou mais de uma década como correspondente da Fox News em Roma antes de ser contratado pelo Vaticano, em 2012, como assessor de comunicação. Em dezembro, o americano foi instalado como vice-diretor do escritório de imprensa.

Embora Burke não seja membro do clero, o Vaticano ressaltou, na segunda-feira, que o nativo da cidade americana de St. Louis é proveniente de uma família católica tradicional. Como estudante na Universidade de Columbia em Nova York, ele se tornou um membro do Opus Dei, uma organização católica conservadora que tem enfrentado críticas por causa de sigilo e de seus métodos de recrutamento.

Em outra mudança considerada dramática para a Santa Sé, a espanhola Paloma García Ovejero foi contratada como o vice-diretora da Sala de Imprensa. Em seu papel como porta-voz para a mídia do mundo, García Ovejero, 40 anos, natural de Madrid, em breve se tornará uma das mulheres mais proeminentes na hierarquia do Vaticano.

García Ovejero, desde 2012, atua como correspondente no Vaticano para mídia espanhola e também possui experiência americana, tendo estudado na Universidade de Nova Iorque.

A nomeação de dois estrangeiros marca uma mudança significativa na administração do Vaticano, conhecida como a Cúria Romana, que por séculos foi dominada pelos italianos. Ambos são poliglotas e falam o idioma do pontífice argentino, o espanhol, enquanto García Ovejero, segundo dizem, também tem conhecimento da lingua chinesa, uma habilidade notável, já que Francisco manifestou o desejo de visitar a China.

Elogios foram derramados sobre Lombardi. O porta-voz de 73 anos, que se encontra de saída, vinha diminuindo sua carga de trabalho e em fevereiro deixou o cargo de diretor-geral da Rádio Vaticano.

Thomas Rosica, assistente da assessoria de imprensa de língua inglesa, disse que ele tinha compartilhado “experiências eclesiais profundamente comoventes” com Lombardi nos últimos anos. “Eu aprendi muito com sua maneira suave, calma, o seu sensus Ecclesiae, o seu humor e sua capacidade de versatilidade com tanta serenidade,” Rosica escreveu no Facebook.

O padre jesuíta James Martin, editor da revista America, agradeceu Lombardi por seu ministério “incansável”. “Amável, trabalhador, orante: um modelo de jesuíta”, escreveu Martin no Twitter.

9 março, 2016

Pe. Ronchi: Jesus não é moralista, somos nós que moralizamos o Evangelho.

Ariccia (RV) – “Jesus não é um moralista. Somos nós que moralizamos o Evangelho.” Foi o que disse, na tarde desta terça-feira (08/03), o Pe. Ermes Ronchi na quinta meditação dos Exercícios espirituais para o Papa Francisco e a Cúria Romana, em andamento na Casa ‘Divino Mestre’, em Ariccia.

No Dia Internacional da Mulher o religioso recordou que no Evangelho muitas mulheres seguiam e serviam Jesus, lamentando a presença somente de homens no encontro.

“O Evangelho não é moralista”, sublinhou Pe. Ronchi partindo da passagem do Evangelho em que Jesus que tinha sido convidado à  casa de Simão, o fariseu, rompe toda convenção e deixa que uma mulher, por todos considerada pecadora, chore aos seus pés, os enxugue com os seus cabelos, beijando-os e ungindo-os com óleo perfumado. Diante desta surpresa de Simão, Jesus adverte: “Olha esta mulher”, de pecadora se torna “a perdoada que tanto amou”.

“No jantar na casa de Simão, o fariseu, começa um conflito surpreendente: o pio e a prostituta; o potente e a sem nome, a lei e o perfume, a regra e o amor em confronto. O erro de Simão foi o olhar que julga.”
“Jesus durante toda a vida ensinará o olhar que não julga, que inclui, o olhar misericordioso”.

“Simão coloca no centro da relação entre homem e Deus o pecado, o faz o eixo da religião”.

“É o erro dos moralistas de todas as épocas, dos fariseus de sempre. Jesus não é moralista. Coloca no centro a pessoa com suas lágrimas e sorrisos, a sua carne dolorida ou exultante, e não a lei.”

“No Evangelho encontramos com mais frequência a palavra pobre do que a palavra pecador”, disse Pe. Ronchi.
“Adão é pobre antes que pecador; somos frágeis e custódios de lágrimas, prisioneiros de mil limites, antes que culpados. Somos nós que moralizamos o Evangelho”.

“No princípio não era assim: Pe. Vannucci diz isso muito bem. O Evangelho não é uma moral, mas uma libertação que abala e nos leva para fora do paradigma do pecado para nos conduzir para dentro do paradigma da plenitude, da vida em plenitude”.

Simão, o moralista, olha o passado da mulher, vê “uma história de transgressões”, “enquanto Jesus”, explicou Pe. Ronchi, “vê o muito amor de hoje e de amanhã”.

“Jesus não ignora quem é, não faz de conta de não saber, mas a acolhe com as suas feridas e sobretudo com a sua centelha de luz, que Ele faz brotar”.

“No centro da cena deveria estar Simão pio e potente, e ao invés, o centro é ocupado pela mulher”.

“Somente Jesus é capaz de fazer esta mudança de perspectiva, de dar espaço aos últimos. Jesus muda o foco, o ponto de vista do pecado da mulher às faltas de Simão, o desestrutura, o coloca em dificuldade como fará com os acusadores da adúltera no templo”.

“Se Jesus perguntasse também a mim”, disse sorrindo Pe. Ronchi, “você vê esta mulher? Eu deveria responder: Não Senhor, aqui vejo somente homens”.

“Não é muito normal este reconhecer. Devemos tomar nota de um vazio que não corresponde à realidade da humanidade e da Igreja.”

“Não era assim no Evangelho” onde muitas mulheres seguiam e serviam Jesus, mas “no nosso séquito não as vejo”, disse Pe. Ronchi.

“O que nos faz tanto medo que temos de tomar distâncias desta mulher e das outras? Jesus era soberanamente indiferente ao passado de uma pessoa, ao gênero de uma pessoa, não raciocina nunca por categorias ou estereótipos. Penso que também o Espírito Santo distribua os seus dons sem olhar para o gênero das pessoas.”

Jesus, marcado por aquela mulher que o comoveu, não a esquece: Na última ceia repetirá o gesto da pecadora desconhecida e apaixonada, lavará os pés de seus discípulos e os enxugará”.
“O homem quando ama realiza gestos divinos, Deus quando ama realiza gestos humanos, e o faz com coração de carne”.

“É muito fácil para nós quando somos confessores não ver as pessoas, com as suas necessidades e suas lágrimas, mas ver a norma aplicada ou infringida. Generalizar, colocar as pessoas dentro de uma categoria, classificar. Assim, alimentamos a dureza do coração, a esclerocardia, doença que Jesus mais temia. Tornamo-nos burocratas das regras e analfabetos do coração. Não encontramos a vida, mas somente o nosso preconceito.” (MJ)

22 janeiro, 2016

Zen x Parolin: Hoje nossos diplomatas provavelmente aconselhariam José a ir dialogar com Herodes!

O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, arcebispo emérito de Hong Kong, expressou sua preocupação em relação à postura da diplomacia do Vaticano para com o governo comunista da China:

“Nossas comunidades clandestinas são inexistentes aos olhos do governo. Mas, o próprio Vaticano não as leva em conta nas negociações. Isso é uma concessão a um pedido do Partido [comunista] Chinês? Para salvar a situação, aqueles irmãos e irmãs são abandonados? Mas eles são os membros saudáveis da Igreja! […] No último mês de setembro, alguns dos fiéis de Shanghai que passaram um longo tempo na prisão foram a Roma, acompanhados de seus familiares, para comemorar o 60º aniversário do início da Grande Perseguição, de 8 de setembro de 1955. Disseram-lhes:  ‘Não chamem muita atenção para vocês mesmos, o passado é passado, devemos olhar para o futuro!’. […] O que me preocupa é a visão de nosso ilustre Secretário de Estado, ainda intoxicado pelo milagre da Ostpolitk. Ano passado, em um elogio ao Cardeal Casaroli, ele aplaudiu o fato de que seu predecessor foi bem sucedido em garantir a existência da hierarquia católica nos países comunistas do Leste Europeu. Ele afirmou, ‘ao escolher candidatos ao episcopado, escolhamos pastores, não pessoas que sistematicamente se oporão ao regime, que agem como gladiadores, que adoram fazer um grande estardalhaço no cenário político’. Eu imagino, quem o Cardeal Parolin tem em mente quando faz essa descrição? Temo que ele estivesse pensando no Cardeal Wyszynski,  Cardeal Mindszenty e Cardeal Beran. Mas, estes foram os heróis que defenderam a fé de seu povo com coragem! […]

Quando os Santos Inocentes foram assassinados, o Anjo disse a José que levasse Maria e Seu Filho a um local seguro. Hoje, pelo contrário, nossos diplomatas provavelmente aconselhariam José a ir dialogar com Herodes!”.

15 janeiro, 2016

Cardeal Rodríguez Maradiaga: existe um lobby gay no Vaticano.

TEGUCIGALPA, 14 Jan. 16 / 11:00 am (ACI).- O Cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa (Honduras) e um dos colaboradores do C-9, grupo de cardeais que ajuda o Papa Francisco no processo da reforma da Cúria Romana, reconheceu que existe um lobby gay no Vaticano.

Em entrevista concedida ao Jornal “El Heraldo de Honduras” acerca da reforma do Vaticano que o Santo Padre começo há algum tempo, fizeram a seguinte pergunta ao Cardeal: “Em algum momento houve uma tentativa ou obtiveram uma infiltração da comunidade gay no Vaticano?”.

Ao questionamento, o Cardeal respondeu: “Não só isso, mas também o Santo Padre disse, chegou até a existir um lobby neste sentido. Pouco a pouco, o Pontífice tenta ir purificando isso, são coisas… compreendemos e existe uma legislação para atendê-los pastoralmente, mas aquilo que está errado não pode ser uma verdade”.

A respeito da reforma do direito canônico, a qual acompanha as mudanças que estão sendo feitas na Santa Sé, o Arcebispo disse que não haverá “maiores coisas, não esperemos na doutrina daIgreja, não existem reformas, a reforma é a organização da cúria”.

“Quando o Papa expressou algo em relação aos grupos gays e lésbicos, estes chegaram a considerar que o Santo Padre estaria vendo a possibilidade de que a Igreja aprovasse o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Devemos compreender que existem algumas coisas que podem ser reformadas e outras não. A lei natural não pode ser reformada”.

Em seguida, o Cardeal hondurenho explicou: “Nós vemos como Deus desenhou o corpo humano, o corpo do homem e o corpo da mulher para que se complementem e transmitam a vida, o outro não faz parte do plano da criação, existem coisas que não podem ser mudadas”.

O que disse o Papa

No voo de volta do Rio do Janeiro para Roma em 2013, o Papa Francisco abordou o tema do “lobby gay” no Vaticano e disse o seguinte: “Escreve-se muito sobre o lobby gay. Até agora não encontrei ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade que diga ‘gay’. Alguns dizem que há. Quando alguém se encontra com uma pessoa assim, deve distinguir entre o fato de ser gay e o fato de fazer lobby gay, porque nenhum lobby é bom. Se uma pessoa é gay, procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? Ocatecismo diz que não se deve marginalizar essas pessoas por isso. Elas devem ser integradas à sociedade. O problema não é ter esta tendência”.

“Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby, de pessoas gananciosas, lobby de políticos, de maçons, tantos lobbies. Esse é o pior problema. Agradeço por fazerem esta pergunta. Obrigado a todos”.

9 novembro, 2015

Vatileaks 2, um exercício de mentira e hipocrisia.

Os livros do Vatileaks 2

Por Riccardo Cascioli – La Nuova Bussola Quotidiana, 6 de novembro de 2015 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Falsidade e hipocrisia. A operação de  lançamento de dois livros escritos por Gianluigi Nuzzi (Via Crucis) e Emiliano Fittipaldi (Avareza) contendo documentos relacionados com as finanças do Vaticano, é antes de tudo uma grande mentira.

Porque a imagem que se deseja transmitir é a de uma Igreja podre contra a qual luta estoicamente o Papa Francisco, o herói solitário. É, certamente, uma abordagem coerente com a narrativa que os principais jornais italianos – que agora operam como um cartel estabelecido (todos dizem as mesmas coisas e da mesma maneira) – já vem fazendo há algum tempo. Mas, trata-se de uma leitura caricatural, ou até mesmo “diabólica”, de acordo com o que disse ontem o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana. “O Papa não está sozinho de jeito nenhum – disse Bagnasco -, está rodeado e apoiado cordialmente, carinhosamente, fielmente por todos os bispos. Por isso eu não tenho nenhuma preocupação com essa imagem  de divisão que se deseja passar para a opinião pública e criar ainda mais confusão”.

Esta imagem idílica de unidade na Igreja é, evidentemente, demasiado otimista, mas com certeza – como  havíamos explicado nestes dias e ainda hoje -, a idéia de que existe um papa “Superman contra todos” é fantasiosa e serve para cobrir interesses eclesiais e interesses econômicos por parte de alguns dentro e fora da Igreja. Além disso, esta imagem não é promovida apenas pelo cartel dos grandes jornais italianos — se é verdade que as palavras de Bagnasco desmentem o modo explícito do que foi dito há apenas dois dias pelo monsenhor Nunzio Galantino, que é o secretário da Conferência Episcopal: “seguramente, alguém está com medo do processo de renovação que o Papa Francisco está levando adiante”, disse ele.

Mas, nos dois livros, além de muitas coisas já conhecidas e escritas ao longo dos anos, também há mentiras específicas, como demonstrado pelo duro e preciso comunicado emitido ontem à noite pelo Secretariado para a Economia, o super-ministério liderado pelo cardeal australiano George Pell. Nos livros em questão, o capítulo que fala sobre o cardeal Pell é certamente o mais delicado, porque o cardeal australiano já está na mira dos liberais por suas posições em defesa da ortodoxia e no livro ele é, de fato, descrito como um perdulário. Chamado a Roma para restaurar a ordem e colocar sob controle as finanças do Vaticano, ele seria dado – de acordo com as escritores Nuzzi & Fittipaldi – a loucos desperdícios: meio milhão de euros queimados em poucos meses (incluindo as despesas de viagem em classe executiva e gastos em casa), o que que teria entristecido profundamente o pobre Papa Francisco.

Mas, na noite passada, eis a resposta do porta-voz da Secretaria de Economia que fala de “afirmações falsas e enganadoras” e observou que, em 2014, as despesas foram inferiores ao orçamentado previsto e que, para 2015, tal Secretaria é o único departamento no Vaticano que apresentou um orçamento reduzido em relação ao ano anterior. Não só isso, as análises sobre o orçamento da Secretaria de Economia estavam contidas em um comunicado divulgado no início de 2015, mas, sobre isso, nos livros em questão não há qualquer menção.

De qualquer modo, a imprensa ontem à noite explicava em detalhes as saídas a partir de março 2014 (momento da fundação da Secretaria) a Dezembro de 2014 e verifica-se que dos 500.000 euros em questão, além das despesas iniciais para iniciar as atividades do dicastério (arrendamento de ferramentas tecnológicas), 292 mil foram para os salários (12 pessoas trabalhando na Secretaria); e, em seguida, cifras muito limitadas para viagens aéreas de funcionários, construção da capela e assim por diante.

Diante desses fatos, é coerente dizer que “referências a discussões entre o Santo Padre e o Cardeal Pell” sobre as despesas da Secretaria são completamente falsas: nunca houve qualquer discussão sobre este tema entre os dois.

Mas, talvez ainda pior do que uma mentira é a hipocrisia insuportável: a dos muitos colegas vaticanistas, por exemplo, fingindo surpresa com a descoberta do “corvo” Francesca Chaouqui  e da sua desenvoltura e facilidade em fazer circular notícias — mesmo falsas – que eram conhecidas até a centenas de quilômetros da Praça de São Pedro. Ninguém nesses dois anos – para além do habitual Sandro Magister – teve a coragem de perguntar por que uma pessoa acompanhada dessa má fama foi parar numa posição de acesso a documentos confidenciais da Santa Sé. E ainda: a hipocrisia dos que escrevem livros em que se fingem escandalizados pelas despesas da cúria do Vaticano, sabendo que poderão faturar com suas mentiras alguns milhõezinhos de euros. E, especialmente, a hipocrisia daqueles que usam um escândalo falso (as coisas escritas nos livros em grande parte já são conhecidas abundantemente) para obtenção de vantagens em um jogo eclesial que tem em vista não a economia, mas a própria missão da Igreja.

Obviamente, certo uso do dinheiro e falta de transparência – embora conhecidos – são sempre um escândalo, mesmo que se deva reconhecer que, há anos, está havendo um processo de renovação e transparência iniciado com Bento XVI e agora continuado pelo Papa Francisco. E os escândalos, infelizmente, não são apenas econômicos. No entanto, todo esse alarde, toda essa rasgação de vestes pelos pecados cometidos no Vaticano, é suscetível de cobrir algo muito mais sério. Porque de Judas em diante – que “dizia essas coisas não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão” (Jo 12,6) – esses escândalos e traições sempre existiram. Mas, o verdadeiro escândalo seria uma Igreja que decide mudar o depósito da fé, ou seja, tudo o que Cristo anunciou e os Apóstolos transmitiram, algo que nunca ocorreu nem mesmo nos séculos mais difíceis. E, infelizmente, é que alguns estão tentando fazer, aproveitando-se e promovendo barulho em cima de nada como o desses últimos dias, ou como o criado durante o Sínodo.

9 novembro, 2015

Não chamemos isso de complô…

Por Marco Tosatti – La Stampa, 4 de novembro de 2015 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Aguardamos com ansiedade e curiosidade o lançamento de dois livros [ndt: já foram lançados e voltaremos a tratar do assunto] que nos revelarão antigos e infelizmente sempre renovados pecados de cobiça por parte de prelados e homens da Igreja. Nada de novo sob o sol, desde Judas e dos Atos dos Apóstolos em diante, mas sempre causam clamor.

Apesar do que parece, chamar isso de conspiração soa um exagero: um vazamento de documentos, por razões que podem ser jornalisticamente compreensíveis ou mesmo economicamente atraentes (pense nos direitos autorais), não parece subir a tais alturas.

Duas coisas nos chamam atenção. A primeira, é que o responsável ou responsáveis foram tão amadores a ponto de se deixarem ser flagrados. Desde os tempos dos Vatileaks, e ainda mais no pontificado do Papa Francisco, não existe ninguém que diz coisas possivelmente comprometedoras através das linhas telefônicas do Vaticano. Mesmo por e-mail, há quem diga que é prudente ser prudente.

A segunda, é a resposta ao ocorrido, muito severa, para os supostos responsáveis. Por quê? Com toda razão, por terem violado a confidencialidade dos documentos e colóquios, mas talvez também por terem demonstrado que um dos pilares da reforma iniciada visava uma certa direção e acabou desembarcando em outra.

Se bem me lembro, em seu primeiro documento de fundação da Secretaria de Economia, o Papa Francisco confiou à nova Instituição todo o setor financeiro e também a gestão dos funcionários. Só para esclarecer de uma vez por todas, e evitar para o futuro áreas de sombra e jardins fechados, para este propósito ele chamou o cardeal Pell, de Sydney, que tentou desenvolver o que era a tarefa que lhe fora confiada pelo Papa.

Mas Pell aos poucos foi percebendo que começaram a reduzir gradualmente seus poderes. Ao passo que, a Propaganda Fide [Congregação para a Evangelização dos Povos] – que tem um orçamento autônomo superior ao orçamento da Santa Sé, incluindo os ativos imobiliários incalculáveis, em Roma e fora – continua a ser independente. Da mesma forma, a Secretaria de Estado, cuja seção econômica é um dos segredos mais bem guardados do Vaticano (alguns dizem que ela tem um tesouro maior do que o do IOR [dito “Banco do Vaticano”]) após uma breve queda de braço, convenceu o Papa a deixar as coisas como estão. Igualmente, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) também obteve, sempre do Papa, a manutenção da gestão dos ativos, particularmente imobiliários. E a Secretaria para a Economia e Finanças, que originalmente era para ser também responsável pela gestão do pessoal, incluindo a Secretario de Estado, nunciaturas e embaixadas (mesmo estas permaneceram onde estavam) agora tem que se conformar a uma tarefa apenas de coordenação e controle retrospectivo, em grande parte.

É de se perguntar o porquê. E as respostas são pelo menos duas: ou houve imprudência desde o início, imaginando uma reforma muito complicada e centralizadora, que talvez não levou suficientemente em conta as realidades complexas; ou talvez não houve vontade e capacidade para fazer jus aos fatos e às grandes declarações de início.

Mas, prestemos atenção: nenhum dos protagonistas dessa “resistência” à primeira vontade de reforma econômica podem ser identificados entre os opositores do Papa, ou seja, aqueles que no recente Sínodo foram identificados como os conservadores abomináveis. Pelo contrário, aquele que mais lutou para cumprir com o que foi estabelecido pelo primeiro documento do Papa foi exatamente George Pell, o australiano co-signatário da famosa carta dos cardeais ao Papa durante o Sínodo. E que se tornou a grande vítima, durante esta batalha, de ataques venenosos por parte da imprensa.

Mas, se são aqueles que no Conclave votaram em Bergoglio e que são considerados seus amigos, a ponto de até compartilharem a mesa com ele, os que mais impediram a reforma econômica, como havia sido projetada desde o início… Onde está o problema?

3 novembro, 2015

A conselheira.

Nomeada a dedo por Francisco é presa por vazamento de documentos. Mais sobre a conselheira” em nossos arquivos.

26 outubro, 2015

Líderes Pró-vida dizem que o novo departamento do Vaticano ‘rebaixa’ a vida e a família.

Por LifeSiteNews, 23 de outubro de 2015 | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresInUnum.com: O Papa Francisco fundiu os atuais departamentos do Vaticano, ou dicastérios, para a vida, a família e o laicato, uma medida que dois proeminentes líderes católicos pró-vida acreditam ser um “rebaixamento” para as questões relacionadas à vida e à família.

O Papa Francisco fez um comunicado divulgado ontem (22): “Decidi criar um novo Dicastério com competência para os Leigos, a Família e a Vida, que substituirá o Pontifício Conselho para os Leigos e o Pontifício Conselho para a Família”. Posteriormente, ele acrescentou a Pontifícia Academia para a Vida ao novo dicastério. Essa decisão segue as recomendações de um Conselho de Cardeais relativamente novo, criado por Francisco para enxugar a administração do Vaticano.

John Smeaton, chefe da Society for the Protection of the Unborn Child (SPUC), com sede em Londres, e cofundador da Voice on the Family, que está em Roma por ocasião do Sínodo sobre a Família, descreveu a medida como “um incidente particular em uma guerra mundial.”

Smeaton advertiu o LifeSiteNews, dizendo: “Há uma guerra mundial contra a vida e a família deflagrada pelos políticos e organizações mais poderosos do mundo.” E digo mais, “um grupo pequeno, porém altamente influente, no nível mais elevado na estrutura da Igreja Católica, parece estar desmontando o edifício das instituições e doutrinas que defendem a família e a vida. Parece muito provável que a fusão de três dicastérios, de uma maneira ou de outra, está relacionada ao programa maior que descrevi.”

Entretanto, um líder leigo teve um ponto de vista diferente, alegando que a reorganização é um passo positivo em direção a uma operação mais eficiente. “É preciso olhar para essa medida nesse contexto,” Henry Capello, Presidente da Caritas in Veritas International, uma aliança de grupos católicos de evangelização de jovens, contou ao LifeSiteNews.

Por exemplo, espera-se que os Conselhos Pontifícios para a Justiça e Paz, para os Migrantes e o Cor Unum sejam unificados. Capello disse que os dicastérios para os leigos e a família tinham funções justapostas. A fusão deles em uma única entidade atenderia à “necessidade de ser mais coordenada” e economizar dinheiro através do redimensionamento da administração. “Tenho grandes expectativas,” disse Capello.

Entretanto, Steven Mosher, Presidente do Population Research Institute, uma organização com sede na Virgínia, dedicada à oposição de programas de controle de população, reiterou os receios de Smeaton.

“Essa medida é um rebaixamento,” disse Mosher, cientista social, que se converteu ao catolicismo em idade adulta, ao LifeSiteNews. “Entendo de burocracias e sei como elas funcionam e, portanto, tenho que encarar essa decisão como uma medida na direção errada. Trata-se de uma queda na hierarquia para a vida e a família, uma redução da influência delas em dois terços.”

Mosher explicou que sob a estrutura anterior os chefes dos dicastérios responsáveis pela vida e a família tinham “acesso direto ao Santo Padre.” Porém, agora, aqueles que atuam nessas questões terão acesso somente a um responsável [chefe de dicastério], que divide seus interesses em três áreas.

Nesse ínterim, o Vaticano criou novos secretariados para “a Economia” e “as Comunicações”, comentou Mosher. “Isso reflete diretamente o que é percebido como importante e o que não é.”

O assessor de imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, apresentou um ponto de vista diferente, afirmando que “o conselho [de cardeais] também está planejando dar mais atenção a questões relacionadas ao laicato, de modo que essa dimensão da vida da Igreja seja reconhecida de maneira mais apropriada e eficaz e seguida pelo governo da Igreja.”