Posts tagged ‘Diálogo Inter-religioso’

27 outubro, 2011

Eurodeputado ex-muçulmano chama a insistente política ecumênica com o Islã de “vocação ao suicídio”.

 Magdi Allam é batizado por Bento XVI na Vigília Pascal de 2008.

Magdi Allam é batizado por Bento XVI na Vigília Pascal de 2008.

Por Edson Carlos de Oliveira – No dia 30 de agosto último, por ocasião da festa do Eid al-Fitr, a segunda mais importante para a religião islâmica, o Pe. Cerutti, na cidade de Cantù, Itália, distribuiu, dentro da Basílica de São Paulo, orações islâmicas para celebrar o fim do Ramadã e também textos místicos de Seyyed Hossein Nasr que cantam louvores ao Islã como a religião suprema.

Em artigo para o Il Giornale (19/9/2011), o eurodeputado Magdi Cristiano Allam (foto acima), muçulmano convertido ao catolicismo, fez duras críticas à atitude ecumênica do sacerdote, funcionário emérito da Basílica.

“Se você crê em Jesus, você não pode de forma alguma acreditar nem que Maomé era um profeta autêntico nem que o Islã é uma religião verdadeira. Ou você acredita em Jesus ou acredita em Maomé, ou você é cristão ou é muçulmano”, enfatizou o eurodeputado.

“O erro capital, continua Magdi Cristiano, que o Pe. Lino cometeu é ter aderido à ideologia do relativismo religioso que prega que, para amar ao próximo, você deve abraçar a religião dele. Assim, para amar ao muçulmano como pessoa, deve-se legitimar o Islã como uma religião, independentemente de seu conteúdo, do que está escrito no Alcorão e do que tenha dito ou feito Maomé”.

Para o eurodeputado, tudo isto acontece num contexto “em que o relativismo religioso, desde o Concílio Vaticano II, está se espalhando dentro da Igreja”, enquanto que, em contrapartida, a atitude dos muçulmanos, “não só nada têm a ver com relativismo, mas, pelo contrário, eles nos condenam, judeus e cristãos, como hereges porque nos desviamos do reto caminho”.

Magdi Cristiano considera ingênuo imaginar que relativizando o cristianismo para legitimar o Islã vai torná-lo mais condescendente para conosco. E chama de “vocação para o suicídio” a atitude de oferecer a construção de mesquitas na Itália antes mesmo dos principais interessados a pedirem.

“Nós estamos nos tornando muçulmanos sem sermos forçados a se converter ao Islã. O que podem muçulmanos quererem mais de nós italianos ingênuos, tolos, ideologicamente coniventes e decididos a cometer suicídio?”, conclui o parlamentar europeu.

Agradecimento ao leitor Luiz Noronha pelo envio da notícia.

27 outubro, 2011

Assis, as intervenções dos delegados da religião ioruba, hinduísta e budista.

ASSIS 2011 — AWIS AGBAYE (Ioruba): “RESPEITO PELAS RELIGIÕES INDÍGENAS”

(Assis, por nossos correspondentes)

Praça vazia -- Assis, em torno do meio-dia, pouco antes do fim das atividades do período da manhã: ao contrário do que informou o Vatican Information Service, que falou de uma multidão acompanhando o evento por telões na praça, pouco mais de 500 pessoas compareceram. Foto: La Porte Latine.

Praça vazia. Assis, em torno das 12h, pouco antes do fim das atividades do período da manhã: ao contrário do que informou o Vatican Information Service, que falou de uma multidão acompanhando o evento por telões na praça, pouco mais de 500 pessoas compareceram. No discurso de encerramento, o Papa também agradeceu à "multidão de jovens" presente. Foto: La Porte Latine.

“Chegou a hora para os líderes de todas as religiões do mundo de ter um novo quadro conceitual em que às religiões indígenas seja dado o mesmo respeito e consideração das outras religiões. Não podemos ter paz no mundo quando não respeitamos, abusamos ou desprezamos os nossos vizinhos”. Quem pediu isto foi Wande Abimbola, Awise Agbaye[1] que, para Assis, levou os cumprimentos dos povos da África e dos membros da religião ioruba[2] no mundo, da qual é porta-voz. Em seu discurso na Basílica de Santa Maria degli Angeli[3], Agbaye lembrou que “uma condição fundamental para a paz é que todas as pessoas de fé tenham respeito e amor umas pelas outras. Nos relacionamos com as pessoas pelo caráter que têm — disse — não com base na religião que praticam. Trabalhemos todos juntos por um maior respeito, amor e justiça, enquanto, ao mesmo tempo, continuamos fiéis às doutrinas das religiões que abraçamos”. Pelo porta-voz também chegou um apelo ao pluralismo religioso, “a nossa religião, bem como as religiões praticadas por outras pessoas, são válidas e preciosas aos olhos do Todo-Poderoso” e ao respeito pela natureza, “enquanto à natureza não for dado o devido respeito e honra em nossos pensamentos e ações, os seres humanos não poderão encontrar a verdadeira paz e a tranquilidade que todos nós estamos procurando”.[4]

ASSIS 2011 — GOSWAMI (HINDU): “PAZ NÃO SE ALCANÇA COM MEIOS VIOLENTOS”

(Assis, por nossos correspondentes)

“A paz nunca pode ser alcançada através de meios violentos” é a mensagem levada à jornada de Assis por Acharia Shri Shrivatsa Goswami[5], indiano, representante da religião Hindu[6], que lembrou, em seu testemunho à basílica de Santa Maria degli Angeli, as figuras de Krishna[7], Buda[8], Mahatma Gandhi[9], Martin Luther King[10] e o bispo Tutu[11], “todos peregrinos da paz que afirmam que não há um caminho para a paz. A própria paz é o caminho. Nosso comum objetivo de paz pode ser alcançado através do nosso compromisso com a verdade. Para Mahatma Gandhi, a Verdade era Deus”. “Este compromisso — acrescentou Goswami — mesmo obstaculizado ou impedido, encontra igualmente o seu caminho através da não-cooperação não-violenta. A história dá testemunho de sua força”. Vinte e cinco anos após a reunião em Assis quista pelo Papa João Paulo II, “devemos refletir sobre nosso progresso nessa estrada. Por que não chegamos mais perto de onde ele queria estar? Estamos em falta na parte interior da viagem? O diálogo – enfatizou o representante hindu — será um exercício fútil se não o empreendemos com humildade, paciência e o desejo de respeitar o outro, e isso sem esperar o mesmo em troca. Isto nos fará capazes de dizer ‘não’ à injustiça. Isto requer muita coragem e essa coragem virá somente pela oração”.

ASSIS 2011 — JA-SEUNG (BUDISMO): “UMA FRATERNIDADE EM FAVOR DA VIDA”

(Assis, por nossos correspondentes)

“Não há lugar para a violência ou o terrorismo na religião, que enfatiza como cada vida é preciosa e deve ser amada. Cada uma de nossas vidas é uma bela flor que faz do mundo uma única flor e o torna um lugar glorioso e magnífico”. São as palavras de Ja-Seung[12], presidente da “Jogye Order” (Budismo coreano[13]), dirigidas aos líderes religiosos presentes hoje em Assis. Contra a violência e o terrorismo, Já-Seung lançou a proposta de “uma fraternidade em favor da vida, para eliminar as raízes da violência e da guerra conduzida em nome da religião ou da ideologia; uma fraternidade em favor da paz, de modo que a coexistência harmoniosa e o respeito mútuo se tornem possíveis neste mundo, independente da religião, da raça e da cultura”. “Além do mais — continuou — devemos aceitar nossas diferenças culturais e superar os conflitos culturais através da compreensão mútua e do crescimento espiritual”. Disto a necessidade de “uma fraternidade em prol da cultura e em favor da partilha, para ajudar aquelas pessoas que ainda sofrem com a pobreza, a fome e a injustiça”. Finalmente, concluiu, “gostaria de propor uma fraternidade em favor da ação, para que todos nós possamos experimentar esta verdade pessoalmente e ajudar a tornar este mundo puro e perfumado como uma flor”.

Fonte: Papa Ratzinger blog

Tradução: Giulia d’Amore di Ugento


[3] NdTª.: Continuaram usando os Sagrados Templos Católicos para homenagear, com discursos ao invés de orações, os ídolos e os demônios.
[4] NdTª.: O discurso dele, dentro da Basílica, é um manifesto anticatólico.
[5] NdTª.: Breve biografia.
[6] NdTª.: Religião Hindu. Os hindus acreditam num ‘espírito supremo cósmico’, que é adorado de muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistas como meios de ‘ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes’, e ‘realizar a verdadeira natureza de seu Ser’. Eles cultuam 330 mil divindades diferentes.
[7] NdTª.: De acordo com a tradição Hindu, Krishna é o oitavo avatar (manifestação corporal de um ser imortal, por vezes até do Ser Supremo, pode ser uma manifestação humana, animal ou uma combinação dos dois) de Vishnu (juntamente com Shiva e Brama formam a trimúrti, a trindade hindu, na qual Vixnu é o deus responsável pela manutenção do universo). É considerado, segundo o Movimento Hare Krishna (ISKCON), a Suprema Personalidade, sendo assim, a origem de todas as encarnações seguintes. Krishna e as suas histórias aparecem nas diversas tradições filosóficas e teológicas hindu. Embora, algumas vezes diferentes nos detalhes, ou até mesmo contradizendo as características de uma tradição particular, alguns aspectos básicos são compartilhados por todas elas. Estes incluem uma encarnação divina, uma infância e uma juventude pastoral e a vida como um guerreiro e professor. A imensa popularidade de Krishna fez com que várias religiões não-hindus que se originaram na Índia tivessem as próprias versões dele.
[8] NdTª.: Buda (Desperto, Iluminado) é um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal redescoberta aos demais seres. A palavra “Buda” denota não apenas um mestre religioso que viveu em uma época em particular, mas toda uma categoria de seres iluminados que alcançaram tal realização espiritual. As escrituras budistas tradicionais mencionam pelo menos 24 Budas que surgiram no passado, em épocas diferentes. De acordo com a tradição vixnuísta (os adoradores de Vixnu), o Buda é considerado o nono avatar de Vixnu.
[9] NdTª.: Mahatma Gandhi foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. Também inspirou gerações de ativistas democráticos e antirracismo, incluindo Martin Luther King e Nelson Mandela.
[10] NdTª.: Martin Luther King foi um pastor protestante e ativista político estadunidense. Morreu assassinado.
[11] NdTª.: Desmond Mpilo Tutu, bispo anglicano. Ao lado de Nelson Mandela, Desmond Tutu foi uma das figuras centrais do movimento contra o Apartheid.
[12] NdTª.: Breve biografia.

[13] NdTª.: O budismo na Coréia do Sul é dominado pela Ordem Jogye, uma seita sincrética, tradicionalmente ligado à tradição Seon. Já-Seung é seu atual líder.

27 outubro, 2011

Discurso de Bento XVI no encontro inter-religioso de Assis.

Queridos irmãos e irmãs,

distintos Chefes e representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais e das religiões do mundo,

queridos amigos,

Passaram-se vinte e cinco anos desde quando pela primeira vez o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis. O que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz? Naquele momento, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. Perderam a sua capacidade de aterrorizar. A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. A questão sobre as causas de tal derrocada é complexa e não pode encontrar uma resposta em simples fórmulas. Mas, ao lado dos fatores económicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de caráter espiritual: por detrás do poder material, já não havia qualquer convicção espiritual. Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz. E é necessário acrescentar que, embora neste contexto não se tratasse somente, nem talvez primariamente, da liberdade de crer, também se tratava dela. Por isso, podemos de certo modo unir tudo isto também com a oração pela paz.

Continue lendo…

27 outubro, 2011

CNBB se une ao Papa no encontro de Assis.

CNBB – Os bispos que compõem o Conselho Permanente da CNBB emitiram na tarde desta quarta-feira, 26 de outubro, uma nota oficial de saudação ao Papa Bento XVI pela realização do encontro pela paz com lideranças mundiais de outras igrejas e de outras religiões nesta quinta, 27 de outubro, em Assis, na Itália.

Leia a nota na íntegra

NOTA DA CNBB SOBRE O
ENCONTRO DE ASSIS, DO PAPA BENTO XVI
E REPRESENTANTES DE DIVERSAS RELIGIÕES DO MUNDO

Nós, Bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – reunidos de 25 a 27 de outubro de 2011, nos unimos ao Santo Padre Bento XVI que renova, em Assis, o encontro histórico realizado há 25 anos, pelo Beato João Paulo II, com os irmãos de outras igrejas cristãs e diferentes tradições religiosas do mundo.

O tema escolhido pelo Papa Bento XVI, “Peregrinos da Verdade, Peregrinos da Paz”, sugere que o diálogo e a construção da Paz se fundamentam na busca da Verdade e no respeito às diferenças religiosas.

Seguindo a orientação do Papa, entendemos que o diálogo verdadeiro não se confunde com sincretismo, ou com uma religião global que ignore as várias identidades religiosas e culturais.

No mundo atual, marcado por grande crise econômica e, sobretudo, moral, o Encontro de Assis é, para todos, fonte de esperança, porque reúne pessoas de boa vontade, em diálogo sincero e aberto ao mistério de Deus.

Assim as religiões, rejeitando qualquer forma de discriminação e violência, se apresentam ao mundo como sólido caminho de promoção da dignidade humana.

Manifestamos nossa plena comunhão com o Santo Padre por este encontro e agradecemos pela escolha do tema.

Comprometemo-nos, em nossas dioceses, a desenvolver ações que levem a um renovado diálogo com as demais religiões e com todas as pessoas de boa vontade.

Que o Príncipe da Paz oriente os nossos passos no caminho inspirado por São Francisco de Assis que, neste local, se fez instrumento do Senhor, na busca da Verdade e na construção da Paz.

Brasília, 27 de outubro de 2011

26 outubro, 2011

O problema com Assis.

Por Stuart Chessman, The Society of St. Hugh of Cluny| Tradução: Fratres in Unum.com 

Com apreensão nos aproximamos da terceira edição do encontro inter-religioso de Assis. O Vaticano fez mudanças na programação comparadas com as primeiras duas cerimônias – tais como a eliminação de orações conjuntas. Então, de certa forma, as críticas dos conservadores dos últimos vinte e cinco anos parecem ter sido admitidas. Outra inovação é o convite estendido a vários não-crentes. Mesmo que isso pudesse parecer colocar em questão toda a razão de ser de Assis, por talvez implicar que a paz possa ser procurada – e alcançada? – inteiramente à parte de qualquer crença religiosa. E se a intenção dessas mudanças é evitar a aparência de “sincretismo”, tenho minhas dúvidas se tal meta também foi alcançada. As “religiões” podem não estar mais rezando juntas (embora hierarcas dentro e fora do Vaticano continuem descrevendo Assis dessa forma). Mas se, em Assis III, todos são peregrinos procurando o caminho da verdade, tal resultado pareceria para mim igualmente conducente ao indiferentismo. O problema com o encontro de Assis é, todavia, muito mais profundo do que essas questões relativas ao programa e aos participantes.

Um dos ateus convidados foi o filósofo britânico AC Grayling. Pareceria uma escolha estranha – o sr. Grayling se perfilou recentemente como um militante crítico da religião, até escrevendo uma “bíblia secular”. No ano passado, ele assumiu um importante papel no coro de oposição à visita do Papa à Inglaterra. Por outro lado, teve a coragem de adotar posições nem um pouco conformes às do establishment e sua opinião pública. Como, por exemplo, quando mostrou a falta de fundamentação moral no bombardeio de civis pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Então, ele é um homem de quem podemos esperar um nível de conversa franca. Agora, após uma aceitação inicial, o sr. Grayling recusou o convite para Assis. Segundo ele, inicialmente pensou se tratar de uma oportunidade de “discutir o lugar da religião na sociedade”. Então, após compreender que o que o Vaticano realmente queria era que ele acompanhasse o Papa em uma peregrinação, ele retirou sua aceitação inicial.

Ora, acho que o sr. Grayling acertou algo profundo aqui. Se eu pudesse tentar desenvolver um pouco mais a sua percepção, a essência de Assis absolutamente não é a oração conjunta, a discussão intelectual ou mesmo a peregrinação. Ela é um show. No qual o sr. Grayling, de maneira compreensível, não quer aparecer como um figurante. Muito do que o Vaticano e os “movimentos” colocam diante do público hoje tem a natureza de um espetáculo. O “Pátio dos Gentios”, do Cardeal Ravasi, em Paris; os “encontros” [da comunidade] de Santo Egídio, o Caminho Neocatecumenal, a Legião de Cristo; muitos aspectos das visitas Papais, etc.

Ao montar um show, o Vaticano está adotando uma puríssima forma de expressão – e manipulação – da cultura da sociedade liberal contemporânea. Um show é inerentemente secular, inerentemente problemático no aspecto espiritual, apesar das explicações que o acompanham ou como a programação foi ajustada.

E o é ainda mais, já que no show o que fundamentalmente conta é o visual. Independente do que os “delegados” realmente façam ou não, o que as pessoas vêem é a Igreja Católica atuando como uma entre iguais. O impacto disso já é claro nas declarações e encontros que serpenteiam em torno de Assis, nos quais o sabor de indiferentismo é muito forte. Essa não é uma mensagem que uma Igreja, que agora encara a extinção na Europa ocidental e em breve em outros lugares, precisa.

22 outubro, 2011

De convento de irmãs clarissas, abandonado por falta de vocações, a mesquita.

A prefeitura planeja construir um centro cultural em um prédio que já está desocupado há seis anos.

Religión en Libertad – Tradução: Fratres in Unum.com: A população muçulmana da localidade barcelonesa de Arenys de Mar mostrou interesse em instalar uma mesquita em um antigo convento de religiosas abandonado. Como informa Efe, o porta-voz dos muçulmanos, Mustapha Nouar confirmou que existe esse interesse e que diversos representantes da comunidade já visitaram o prédio na semana passada. Nouar acrescentou que todos estão de acordo de que se trata de um bom lugar para instalar o templo islâmico. Esta comunidade muçulmana, em permanente expansão numérica e relevância social na localidade em Barcelona, no momento se mantém a espera do resultado das negociações da prefeitura com uma cadeia de supermercados sobre a possível compra do terreno onde se encontra localizado o convento. Para instalar a mesquita seria necessário que a cadeia cedesse o edifício à prefeitura e ficaria com o resto dos terrenos para construir o supermercado e um estacionamento. “Se as negociações não correrem bem, então, entraríamos para negociar com o atual proprietário do convento”, declarou o porta-voz muçulmano. Nouar igualmente manifestou que o edifício já está catalogado como religioso, assim não haveria inconveniente algum para instalar a mesquita. O convento em questão foi abandonado pelas religiosas clarissas há seis anos por falta de vocações, transferindo-se para o convento que têm em Barcelona.

19 outubro, 2011

Na França, entre os praticantes, há mais muçulmanos que católicos.

Atualmente, estão em construção em torno de 150 novas mesquitas na França, país que acolhe a maior comunidade islâmica da Europa. Os projetos se encontram em diversas etapas, explicou Mohamed Moussaoui, presidente do Conselho Muçulmano francês, que concedeu estes dados em uma entrevista à Rádio Rtl, em 2 de agosto passado.

Marco Tosatti/Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com – A quantidade total de mesquitas na França já dobrou, ultrapassando duas mil nos últimos dez anos, segundo uma pesquisa intitulada: “Construir mesquitas: o governo do islã na França e Holanda”. O líder islâmico francês mais conhecido, Dalil Boubakeur, reitor da Grande Mesquita de Paris, recentemente cogitava que, para satisfazer a crescente demanda, a quantidade total de mesquitas deverá  dobrar até chegar a quatro mil.

Muçulmanos rezam nas ruas da França.

Muçulmanos rezam nas ruas da França.

Por sua vez, a Igreja Católica construiu na França apenas vinte novas igrejas nos últimos dez anos, e já fechou formalmente mais de sessenta, muitas das quais poderiam se converter em mesquitas, segundo uma pesquisa realizada pelo periódico católico francês La Croix.

Apenas 4,5% de católicos praticantes

Embora 64% da população francesa (41,6 milhões de pessoas entre 65 milhões de habitantes) se defina católica romana, apenas 4,5% (aproximadamente 1,9 milhão de pessoas) é católica praticante, segundo o Instituto Francês da Opinião Pública (IFOP).

Ainda no campo das comparações, 75% (4,5 milhões) dos cerca de 6 milhões de muçulmanos norte-africanos e subsaarianos na França se identifica como “crente”, e 41% (aproximadamente 2,5 milhões) afirma ser “praticante”, segundo um informe sobre o islã na França publicado pelo IFOP em 1º de agosto passado. A pesquisa afirma que mais de 70% dos muçulmanos franceses diz observar o ramadã  em 2011.Os muçulmanos pedem para usar templos católicos vazios

Somando esses elementos, tais dados proporcionam uma evidência empírica da tese segundo a qual o islã se encontra em vias de superar o catolicismo romano como religião dominante na França. Uma vez que os números crescem, os muçulmanos na França estão se tornando mais afirmativos que antes. Um caso a título de exemplo: grupos muçulmanos na França estão pedindo à Igreja Católica autorização para utilizar suas igreja vazias como meio de resolver os problemas de trânsito causados por milhares de muçulmanos que rezam nas ruas.

Em um comunicado de 11 de março passado dirigido à Igreja da França, a Federação Nacional da Grande Mesquita de Paris, o Conselho de Muçulmanos Democráticos da França e um grupo islâmico chamado Collectif Banlieues Respect pediram à Igreja Católica, com espírito de solidariedade inter-religiosa, que permitisse que as igrejas vazias fossem utilizadas por muçulmanos para a oração de sexta-feira, a fim de que “não se vejam obrigados a rezar na rua” ou “sejam tidos como reféns por políticos”.

Toda sexta-feira, milhares de muçulmanos em Paris e outras cidades francesas bloqueiam ruas e calçadas (e, em conseqüência, bloqueiam o comércio local e aprisionam os residentes não islâmicos nas casas ou nos escritórios) para alocar os fiéis que não conseguem entrar na mesquita para a oração de sexta. Algumas mesquitas começaram a transmitir sermões e cantos de “Allahu Akbar” nas ruas. Estes inconvenientes provocaram ira e reações contrárias, mas apesar de muitas queixas oficiais, as autoridades não intervieram até agora, por temor de gerar incidentes.

A extrema direita se opõe radicalmente

A questão das orações na rua alcançou o lugar de prioridade na agenda política francesa quando, em dezembro de 2010, Marine Le Pen, a nova líder carismática da Frente Nacional, as denunciou como “uma ocupação sem soldados nem tanques de guerra”.

Durante uma reunião na cidade de Lyon, Le Pen comparou as orações islâmicas na rua com a ocupação nazi. Disse: “Para aqueles que amam falar tanto da Segunda Guerra Mundial, podemos também falar destes problema (NdR. as orações islâmicas na rua), porque se trata de uma ocupação de território. É uma ocupação de seções de território, de distritos nos quais a lei religiosa entra em vigor. É uma ocupação. Naturalmente, não há tanques de guerra nem soldados, mas nem por isso deixa de ser uma ocupação que pesa fortemente sobre os residentes”.

Muitos franceses estão de acordo. De fato, a questão das orações islâmicas na rua — e a questão mais ampla do papel do islã na sociedade francesa — se converteu em um problema de primeira ordem, em vista das eleições presidenciais de 2012. Segundo uma sondagem de IFOP, 40% dos franceses está de acordo com Le Pen quanto ao fato de que as orações na rua parecem uma ocupação. Outra sondagem publicada por Le Parisien demonstra que os eleitores vêem Le Pen, que sustenta que a França foi invadida por muçulmanos e traída por suas elites, como a melhor candidata para enfrentar o problema da imigração muçulmana.

Sarkozy considera inaceitáveis as orações na rua

O presidente francês Nicolas Sarkozy, cuja popularidade em julho era de 25% — menor marca registrada para um presidente demissionário um ano antes das eleições presidenciais — parece, segundo TNS-Sofres, decidido a não se deixar superar por Le Pen nessa batalha. Recentemente, declarou que as orações de rua são “inaceitáveis”, e que as ruas não podem se converter “em uma extensão da mesquita”. E advertiu que esse fenômeno pode minar a tradição laica da França de separação entre Estado e religião. O ministro do Interior, Claude Guéant, disse aos muçulmanos de Paris, em 8 de agosto, que em vez de orar nas ruas, podem usar um quartel fora de uso. “Rezar nas ruas é algo inaceitável, deve acabar”.

Algumas declarações de líderes muçulmanos não parecem destinadas a acalmar as inquietações dos franceses (e não só dos franceses). O primeiro ministro turco, Tayyp Erdogan, por exemplo, deu a entender que a construção das mesquitas e a imigração formam parte de uma estratégia de islamização da Europa. E repetiu publicamente as palavras de uma poesia turca, escrita em 1912, pelo poeta nacionalista turco Ziya Gökalp: “As mesquitas são nossos quarteis, os minaretes, nossas baionetas, e os fiéis, nossos soldados”. O arcebispo emérito de Smirne, Giuseppe Germano Bernardini, narra a conversa que teve com um líder islâmico: “Graças às vossas leis democráticas, vos invadiremos. Graças às nossas leis religiosas, vos dominaremos”.

19 outubro, 2011

É bom esconder o que se passou?

Por Jean Madiran | Tradução: Fratres in Unum.com

A maior parte dos católicos não esteve presente, evidentemente, em 27 de outubro de 1986, na cidade de Assis, e mesmo que tenham ouvido falar na televisão ou em seu jornal, eles nem sempre souberam exatamente, e com precisão, o que realmente se passou.

No início deste ano, a [agência] Correspondance européenne, dirigida por Roberto de Mattei, publicou um testemunho coletivo sobre “Assis 1986”. Nele se lê particularmente:

“Nós nos recordamos dos representantes de todas as religiões reunidos em uma igreja católica, a igreja de Santa Maria dos Anjos, com um ramo de oliveira à mão: como significasse que a paz não passa por Cristo, mas, indistintamente, por todos os fundadores de um credo, qualquer seja ele (Maomé, Buda, Confúcio,Kali, Cristo).”

Tal é exatamente o essencial do que se questiona.

“O espírito de Assis já sopra”, anuncia-nos o [jornal católico francês] La Croix: ele nos descreve a instalação, quase em todas as partes, de um programa de cortejos religiosos polivalentes, um ramo de oliveira à mão, e a “leitura dos textos sagrados das diferentes religiões”, certamente “em vínculo” (antecipado) com a comemoração de 27 de outubro.

Em suma, o “espírito de Assis” nos é apresentado como crença comum obrigatória dos homens de boa vontade, enquanto Jesus Cristo fica facultativo, uma crença específica entre as outras.

Mas justamente, prossigamos nossa leitura do testemunho publicado na Correspondance européenne, vamos aos fatos de 27 de outubro de 1986:

“Nos recordamos da oração dos muçulmanos em Assis, a cidade de um santo que havia feito da conversão dos muçulmanos um de seus objetivos”.

“Nos recordamos da oração dos animistas, a sua invocação aos espíritos dos elementos, e da oração dos outros crentes ou representantes de “religiões ateístas”, como o jainismo”.

Eis ainda mais grave:

“Nos recordamos com consternação dos frangos decapitados sobre o altar de Santa Clara segundo os rituais tribais, e o santuário da igreja de São Pedro profanado por uma estátua de Buda colocada sobre o altar, sobre as relíquias do mártir Vitorino… nos recordamos dos padres católicos que se prestaram aos ritos de iniciação de outras religiões…”

Antes disso, Michel de Jaeghere, enviado especial de seu jornal, havia escrito:

“Posso falar como testemunha ocular. Vi com meus olhos coisas que são objetivamente escandalosas, como a profanação das igrejas por cultos pagãos: o Dalai-lama dançando diante do tabernáculo, sobre o qual havia um buda; os indígenas da América invocando os quatro ventos, seus irmãos, na igreja de São Gregório; os feiticeiros animistas,colocados em pé de igualdade com o Vigário de Cristo; a ocultação do crucifixo; a missa católica, o único rito excluído (…). Tal como ocorreu, a jornada de Assis foi um escândalo público, uma ofensa ao primeiro mandamento…”

Estes bacanais não foram, do que é de nosso conhecimento, oficialmente denunciados, nem mesmo lamentados. Que se saiba, não foram objeto de cerimônias reparadoras. Talvez seja necessário esperar (mas nada o anuncia) que a comemoração prevista para o próximo27 de outubro seja, enfim, ocasião de uma celebração solene de reparação. Continuar a esconder o que realmente se passou provém de uma pastoral muito arriscada.

Seja como for, para evitar o pior, a menor das precauções será, parece, manter, durante esta jornada de 27 de outubro, todas as igrejas de Assis rigorosamente fechadas.

Artigo extraído do n° 7452 de Présent de quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Fonte: Le Forum Catholique

12 outubro, 2011

Não há planos de oração inter-religiosa para o evento de Assis.

Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com – A oração inter-religiosa não está na agenda do encontro de 27 de outubro em Assis, revelou o Vaticano. “A ênfase, desta vez, é sobre a peregrinação, e não sobre a oração”, disse o Cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz, à EWTN News. O cardeal africano reconheceu que alguns católicos ficaram preocupados — e com justiça, afirmou ele — quanto a dar aprovação para liturgias não-cristãs em igrejas Católicas durante os eventos anteriores em Assis.

O Papa Bento XVI convidou líderes de várias religiões para se reunirem em Assis em prol da paz mundial. Mas o Papa — que expressou ele mesmo temores quanto ao evento original de Assis, organizado pelo Beato João Paulo II, em 1986 — escolheu enfatizar o comprometimento comum com a causa da paz, em vez de tentar encontrar uma base comum para a oração entre os seguidores de diferentes fés.

3 outubro, 2011

Papa explica por que está indo a Assis III.

Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Em abril, mencionamos uma carta que o Papa Bento XVI enviou a seu amigo, o ministro e professor luterano Dr. Peter Beyerhaus, como resposta a uma missiva enviada por ele sobre o risco envolvido no novo encontro de Assis (27 de outubro de 2011).

Em uma conferência promovida por católicos de inclinação tradicional que ocorreu no último sábado, em Roma, sobre o significado do encontro de Assis (o Cardeal Burke era um dos interlocutores na conferência), a passagem relevante da carta privada do Papa a Beyerhaus foi revelada:

“Compreendo muito bem — escreveu Bento XVI em 4 de março de 2011 — a sua preocupação sobre a [minha] participação no encontro de Assis. Todavia, esta comemoração teria de ser celebrada de toda forma e, no fim das contas, pareceu-me que a melhor coisa para mim seria ir até lá pessoalmente, podendo, então, determinar a direção de tudo isso. Farei tudo, no entanto, a fim de que uma interpretação sincretista ou relativista do evento seja impossível e então o que permanecerá é aquilo que sempre acreditarei e professarei, para o que chamei a atenção da Igreja com [a declaração] ‘Dominus Iesus’“.