Posts tagged ‘Discussões Teológicas’

6 fevereiro, 2012

Tradição em Guerra com a Tradição?

Stephen Dupuy, The Remnant | Tradução: Fratres in Unum.com

O Papa recebe os membros da Congregação para a Doutrina da Fé ao fim de sua plenária.

O Papa recebe os membros da Congregação para a Doutrina da Fé ao fim de sua plenária.

Uma sessão plenária da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) teve início na terça-feira, 24 de janeiro. A finalidade, em parte, é deliberar sobre a resposta da Fraternidade de São Pio X relativamente ao preâmbulo doutrinal proposto pelo Vaticano. A aceitação do preâmbulo foi promovida pelo Vaticano como uma pré-condição a qualquer regularização canônica da Fraternidade. Membros da CDF que irão decidir o destino da Fraternidade incluem: Cardeal William Levada, “Peritos Ecumênicos” Cardeais Kurt Koch e Walter Kasper, o Cardeal de Viena, Christoph Schönborn (famoso pela Missa Balão), juntamente com o Bispo de Regensburgo, Gerhard Müller. Olhando para essa assembléia, parece que a Fraternidade tem tanta chance de receber o oferecimento de “plena comunhão” quanto o Tea Party [ntr: movimento político popular originado nos EUA reconhecido como conservador, que desde 2009 tem organizado protestos e apoiado candidatos políticos] tem de receber o convite para se unir ao Partido Democrata.

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4 fevereiro, 2012

“Se nos aceitarem como somos, sem mudanças, sem nos obrigar a aceitar essas coisas, então estamos prontos”.

Apresentamos a tradução do caríssimo amigo Gederson Falcometa, cuja  gentileza novamente agradecemos, de um extrato do sermão proferido ontem, festa da Purificação de Nossa Senhora, por Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O estilo coloquial foi preservado.

A Sociedade de São Pio X foi fundada pela Igreja e na Igreja, e nós dizemos que esta sociedade continua a existir, apesar do fato de que há uma pretensão de que ela não existe; que foi suprimida em 1976 (mas, obviamente, com total desrespeito das leis da própria Igreja). E é por isso que nós continuamos. E o nosso querido Fundador insistiu muitas e muitas vezes sobre a importância desta existência da Sociedade. E eu acho que, como o tempo evolui, temos de manter isso em mente – e é muito importante que mantenhamos este espírito católico.

Nós não somos um grupo independente. Mesmo se estamos lutando com a Roma, ainda somos, por assim dizer, com Roma. Estamos lutando com a Roma, ou, se você quiser, contra Roma, ao mesmo tempo com Roma. E nós afirmamos e continuamos a dizer, somos católicos. Queremos permanecer católicos. Muitas vezes eu digo a Roma, vocês tentam nos chutar para fora. E vemos que seria muito mais fácil para nós estar fora. Teríamos muito mais vantagens. Vocês nos tratariam muito melhor! Olhe para os protestantes, como abrem as igrejas a eles. Para nós, eles as fecham. E dizemos, nós não nos importamos. Nós fazemos as coisas na frente de Deus. Nós sofremos por parte da Igreja, tudo bem. Nós não gostamos disso, é claro. Mas temos de ficar lá na verdade. E nós temos que afirmar que pertencemos à Igreja. Nós somos católicos. Nós queremos ser e queremos permanecer, e é muito importante afirmar isso.

Também é importante que finalmente nós não imaginemos uma Igreja Católica que é apenas o fruto da nossa imaginação, mas que não é mais aquela [Igreja] real. E com a real nós temos problemas. Isso é o que torna ainda mais difícil: o fato de que temos problemas com ela. Isso não nos permite, por assim dizer, fechar a porta. Pelo contrário, é nosso dever continuamente ir até lá, bater à porta, não para implorar para que possamos entrar (porque estamos dentro), mas para pedir que possam se converter; que eles possam mudar e voltar ao que faz a Igreja. É um grande mistério, não é simples. Porque ao mesmo tempo que temos de dizer, sim, nós reconhecemos aquela Igreja — é o que dizemos no Credo, creio na Igreja Católica — de modo que aceitamos que há um Papa, aceitamos que existe uma hierarquia, nós aceitamos isso.

E na prática, em muitos níveis, temos de dizer não. Não porque isso [certos tópicos] não nos agrada, mas porque a Igreja já falou sobre isso. Já condenou mesmo muitas dessas coisas. E assim, em nossas discussões com Roma estávamos, por assim dizer, presos aí. O problema fundamental em nossas discussões com Roma foi realmente o Magistério, o ensinamento da Igreja. Porque eles dizem: “nós somos o papa, nós somos a Santa Sé” — e nós dizemos, sim. E então dizem, “nós temos o poder supremo”, e nós dizemos, sim. Eles dizem: “nós somos a última instância no ensino e somos necessários” — Roma é necessário para que tenhamos a fé, e nós dizemos, sim. E então eles dizem, “então, obedeçam.” E nós dizemos, não. E assim nos dizem, vocês são protestantes. Vocês colocam a sua razão acima do Magistério de hoje. E nós respondemos a eles, vocês são modernistas. Vocês alegam que o ensino de hoje pode ser diferente do ensino de ontem. Nós dizemos que, quando aderimos ao que a Igreja ensinou ontem, necessariamente aderimos ao ensinamento da Igreja hoje. Porque a verdade não está ligada ao tempo. A verdade está acima dele. O que foi dito uma vez é vinculante por todos os tempos.Esses são os dogmas. Deus é assim, Deus está acima do tempo. E a Fé é a adesão à verdade de Deus. Está acima do tempo. É por isso que a Igreja de hoje está vinculada e tem que ser como (e não só) a Igreja de ontem. E assim, quando você vê o Papa atual dizer que deve haver continuidade na Igreja, dizemos nós, é claro! Isso é o que temos dito em todos os momentos. Quando falamos de Tradição, é precisamente este o significado. Eles dizem, deve haver Tradição, deve haver continuidade. Portanto, há continuidade. O Vaticano II foi feito pela Igreja, a Igreja deve ser contínua, por isso o Vaticano II é Tradição. E nós dizemos, com licença?

E há mais, meus queridos irmãos. Isso foi durante a discussão. No final da discussão, surge esse convite de Roma. Neste convite há uma proposição de uma situação canônica para regularizar nossa situação. E posso dizer, o que é apresentado hoje, que já é diferente do que foi apresentado no dia 14 de setembro, podemos considerar como tudo certo, ótimo. Eles cumpriram todas as nossas condições, posso dizer, no plano prático. Então não há muito problema aí. O problema permanece em outro nível — o da doutrina. Mas mesmo aí ele vai muito além — muito além, meus queridos irmãos. A chave é um princípio. Que eles dizem, “isso você deve aceitar; você tem que aceitar que para os pontos que geram dificuldade no Concílio — pontos que são ambíguos, onde há disputa — esses pontos, como o ecumenismo, como a liberdade religiosa, estes pontos devem ser entendidos em coerência com o ensinamento perpétuo da Igreja”. “Então, se há algo de ambíguo no Concílio, é necessário entendê-lo como a Igreja sempre ensinou ao longo do tempo”.

Eles vão ainda mais adiante e dizem, “é necessário rejeitar o que se opõe a este ensinamento tradicional da Igreja”/ Bem, isso é o que sempre dissemos. Espantoso, não? Que Roma nos imponha este princípio. Impressionante. Então você pode se perguntar, então por que você não aceita? Bem, meus queridos irmãos, ainda há um problema. O problema é que neste texto dão duas aplicações do que e como temos de compreender esses princípios. Esses dois exemplos que eles nos dão são o ecumenismo e liberdade religiosa, como descritos no novo Catecismo da Igreja Católica, que são exatamente os pontos pelos quais nós repreendemos o Concílio.

Em outras palavras, Roma nos diz, nós fizemos isso o tempo todo. Somos tradicionais; Vaticano II é Tradição. A liberdade religiosa, o ecumenismo são Tradição. Estamos em plena coerência com a Tradição. Imaginem só, para onde vamos? Que tipo de palavras vamos encontrar para dizer que nós concordamos ou não? Se até mesmo os princípios que temos mantido e afirmado, dizem eles, sim, está ok, vocês podem afirmar isso, porque isso significa que queremos dizer, que é exatamente o contrário do queremos dizer.

Creio que não poderíamos ir adiante na confusão. Em outras palavras, meus queridos irmãos, isso significa que eles têm um outro significado para a palavra “tradição”, e talvez até mesmo para “coerência”. E é por isso fomos obrigados a dizer não. Nós não vamos assinar aquilo. Concordamos com o princípio, mas vemos que a conclusão é contrária. Grande mistério! Grande mistério! Então, o que vai acontecer agora? Bem, já enviámos a nossa resposta a Roma. Eles ainda dizem que estão refletindo sobre ela, o que significa que provavelmente eles estão embaraçados.Ao mesmo tempo, creio que podemos ver agora o que eles realmente querem. Será que eles realmente nos querem na Igreja ou não? Dissemo-lhes muito claramente, se nos aceitarem como somos, sem mudanças, sem nos obrigar a aceitar essas coisas, então estamos prontos. Mas se quiserem nos fazer aceitar estas coisas, não estamos. Na verdade, nós só citamos Dom Lefebvre quem disse isso já em 1987 — várias vezes antes, mas a última vez disse isso em 1987.

Em outras palavras, meus queridos irmãos, humanamente falando, é difícil dizer como será o futuro, mas sabemos que lidamos com a Igreja, lidamos com Deus, lidamos com a Providência Divina, e sabemos que esta Igreja é a Igreja Dele. Os seres humanos podem causar alguma perturbação, alguma destruição. Eles podem causar confusão, mas Deus está acima disso, e Ele sabe como, de todos esses acontecimentos — estes acontecimentos humanos — essas linhas tortuosas, Deus sabe como dirigir a Sua Igreja por meio dessas provações.

Haverá um fim para esta provação, não sei quando. Às vezes, há esperança de que ele virá. Às vezes, é como se perdêssemos a esperança. Deus sabe quando, mas na verdade, humanamente falando, temos de esperar por um bom tempo antes de esperar ver as coisas melhores — cinco, dez anos. Estou convencido de que em dez anos as coisas vão parecer diferentes, porque a geração do Concílio terá desaparecido e a próxima geração não tem essa ligação com o Concílio. E já agora ouvimos vários bispos, meus queridos irmãos, vários bispos nos dizer: vocês dão muito peso a este Concílio; deixe-o de lado. Poderia ser um bom caminho para Igreja ir adiante. Deixe-o de lado; esqueça-o. Vamos voltar ao que interessa, a Tradição.

Não é interessante ouvir bispos que dizem isso? É uma nova linguagem! Isso significa que temos uma nova geração que sabe que há coisas mais sérias que o Vaticano II na Igreja, e que temos de voltar a isso, se assim posso dizer. Vaticano II é sério por causa do dano que causou, sim, é. Mas, como tal, ele quis ser um concílio pastoral, que agora já acabou. Sabemos que alguém que está trabalhando no Vaticano escreveu uma tese para sua formação acadêmica sobre o magistério do Concílio Vaticano II. Ele mesmo nos disse e ninguém nas universidades romanas estava pronto para tomar esta tese. Finalmente, um professor o fez, e a tese é a seguinte: a autoridade do magistério do Vaticano II é a de uma homilia na década de 1960. E passou!

Veremos, meus queridos irmãos. Para nós é muito claro. Devemos nos firmar e nos ater à verdade, à Fé. Nós não vamos abrir mão disso — aconteça o que acontecer. Existem algumas ameaças, é claro, de Roma agora. Veremos. Nós colocamos todas essas coisas nas mãos de Deus, e nas mãos da Santíssima Virgem Maria. Oh, sim, temos de continuar a nossa cruzada de rosários. Contamos com ela, contamos com Deus. E então o que acontecer, acontecerá. Não posso prometer uma linda primavera. Eu não tenho a menor idéia do que vai acontecer nesta Primavera. O que sei é que a luta pela Fé vai continuar, aconteça o que acontecer. Reconhecidos ou não, você pode estar certo de que os progressistas não ficarão felizes. Eles vão continuar e nós vamos continuar a combatê-los também.

 

30 janeiro, 2012

Segunda resposta da FSSPX ao “preâmbulo doutrinal” não teria satisfeito membros da CDF. Assunto nas mãos de Bento XVI.

Secretum Meum Mihi | Tradução: Fratres in Unum.com – No site de La Vie, 28 de janeiro de 2012, Jean Mercier relata que, segundo fontes consultadas pela agência I.Media, a segunda resposta dada pela FSSPX ao “preâmbulo doutrinal” não teria satisfeito os membros da Congregação para a Doutrina da Fé, que trabalharam em assembléia plenária de 24 a 27 de janeiro e, entre outros assuntos, estudaram a segunda resposta dada pela FSSPX ao “preâmbulo doutrinal”. Citando Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, afirma que a fase de avaliação da resposta da FSSPX ao “preâmbulo doutrinal” não está terminada. Finalmente, diz que o assunto está nas mãos de Bento XVI.

30 janeiro, 2012

FSSPX e Santa Sé: e agora?

Por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Il Foglio, 27 de janeiro de 2012

Fonte: Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O acordo será feito ou não? O diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade de São Pio X [FSSPX / SSPX], fundada pelo Monsenhor Marcel Lefebvre, entrou em uma fase decisiva. O resultado deste diálogo é, acima de tudo, a grande preocupação do Papa Bento XVI, que o encorajou e nutriu pessoalmente; ele também é uma grande preocupação de todos os padres, religiosos e fiéis leigos que estão com a Fraternidade; ele é uma grande preocupação para grande parte do mundo católico que não faz parte da FSSPX, mas que está ao lado da Tradição. Por motivos diferentes, o catolicismo progressista e o mundo secular estão observando (a situação) com grande atenção e algum nervosismo.

Em outras palavras: a partida que está sendo disputada é importante e difícil, porém, um acordo não é impossível. Grande parte da resistência poderá desaparecer se considerarmos que ao discutir as questões canônicas, esta ocorre através de meios diplomáticos, também porque a resolução canônica da Fraternidade está em jogo. Neste caso estamos nos movendo em terreno misto onde é fundamental distinguir os níveis, o processo, que, objetivamente, nem sempre é fácil.

O caso prossegue em terreno instável. Se você puder compreender a desorientação de Roma com relação às hesitações da FSSPX, você também tem que compreender a perplexidade da Fraternidade quando ela reclama que Roma lhes pede algo que não foi pedido a ninguém, para que eles ostentem aquela categoria capciosa chamada “plena comunhão”.

Nesse ponto, nenhum dos dois lados pode esperar que o outro pague um preço impagável: por um lado, Roma não pode pedir que a Fraternidade São Pio X renegue a sua identidade; por outro, os lefebvristas não podem esperar que Roma perca o prestígio, com uma rendição incondicional e uma volta à forma no atual mundo católico como num conto de fadas, que objetivamente, é um acúmulo de muitas coisas contrastantes.

O sucesso das conversações exige uma conscientização que saiba como manter a fé e o realismo juntos. Por um lado, a visão sobrenatural: a crença de que a Igreja está em Roma (ela está em qualquer caso) apesar do fato de que ela está passando uma das mais graves crises em sua história; por outro lado, o caminho estreito do realismo, que objetiva dar à Fraternidade São Pio X a possibilidade de “ter a experiência da Tradição” de acordo com a fórmula que foi cunhada pelo próprio Mons. Marcel Lefebvre.

Mesmo que pareça fora de proporção, grande parte da responsabilidade reside com os sucessores de Lefebvre. Na história da Igreja a figura do anão que carrega o gigante em seus ombros é recorrente. É uma tarefa que, além do rigor moral e doutrinal, exige humildade e caridade, e o entendimento de que Roma é auxiliada pela permanência com Roma. Porém, a medida que o tempo passa, há um risco maior de pensar que existe somente uma alternativa entre dois (caminhos); a sirene que não convida a nenhuma resolução porque as condições na Igreja são muito sérias; e a sirene que convida à resolução sem discussão porque no final ‘tudo está bem’. No sentido mais profundo, nenhum dos caminhos se encaixa bem com uma instituição como a Fraternidade São Pio X, que nasceu em conseqüência da crise inquestionável que atingiu a Igreja após o Concílio Vaticano II.

Além das duas alternativas mencionadas acima, existe uma terceira alternativa e neste caso, ela é mais ou menos assim: a questão precisa ser resolvida tão logo possível precisamente porque a situação é grave, para o bem de toda a Igreja.

Nesse esforço, a Fraternidade São Pio X não pode ser deixada só com uma tamanha responsabilidade. O Papa Bento XVI é o avalista disso. Não se pode negar que esse Papa marcou o seu pontificado ao devolver a honra da Missa Gregoriana, revogando as excomunhões dos bispos da Fraternidade e iniciando as discussões doutrinais sobre questões polêmicas. Essas são todas as condições solicitadas pelos herdeiros de Mons. Lefebvre. Esse fato não pode ser ignorado pela FSSPX nem pelos negociadores que representam Roma. Os últimos estão muitíssimo cientes de que há mais catolicismo na comunidade lefebvrista (embora eles estejam em situação canônica irregular) do que em muitas comunidades regulares dentro do mundo católico. Chegou a hora de acabar com esse paradoxo, através de uma ação de boa vontade acompanhada de senso comum, de ambos os lados.

[Tradução para o inglês: Colaboradora Francesca Romana. Gnocchi e Palmaro, autores católicos tradicionais, escreveram “Report on Tradition – In conversation with the successor of Monsignor Lefebvre“]

25 janeiro, 2012

Reunião na Congregação para a Doutrina da Fé analisa situação da FSSPX.

Fratres in Unum.com | A agência austríaca Kath.net informa que a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) iniciou ontem, terça-feira, a sua assembléia no Vaticano. A plenária será dirigida pelo Prefeito da Congregação, Cardeal William Levada. Pertencem também à Congregação para a Doutrina da Fé os Cardeais Kurt Koch e Walter Kasper, como peritos para o ecumenismo, bem como o Arcebispo de Viena Christoph Schönborn. Igualmente, o bispo de Regensbugo, Gerhard Ludwig Müller, de 64 anos, é membro da congregação e está cotado como um dos três favoritos para suceder Levada, na nomeação prevista para abril.

Um dos temas da assembléia seria, segundo Kath.net, o exame da questão envolvendo a Fraternidade São Pio X. O dicastério analisaria a resposta de Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade, relativa às condições formuladas pela Congregação de Levada para uma reconciliação.

Novas negociações ou uma ruptura definitiva?

Continua Kath.net: “A questão crucial é saber se as melhorias [no Preâmbulo Doutrinal] exigidas pelos lefebvristas serão consideradas alterações na causa ou meramente reformulações. No primeiro caso, a resposta romana provavelmente significaria a ruptura definitiva. No entanto, caso a maioria dos peritos da CDF esteja disposta a considerá-las como reajustes permitidos, isso soaria como uma nova rodada de negociações. O caminho do meio seria congelar a situação atual primeiro. A CDF identificaria uma discordância ainda existente em pontos essenciais, e isso explicaria porque a priori uma maior integração da Fraternidade na Igreja seria impossível. Assim ambos os lados  manteriam as aparências”.

17 janeiro, 2012

A segunda resposta de Fellay.

Um primeiro texto chegou à outra margem do Tibre em dezembro, mas foi considerado inadequado: assim, a Santa Sé solicitou um novo documento, que acaba de chegar e agora está sendo examinado.

Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

A verdadeira resposta do superior da Fraternidade São Pio X, Bernard Fellay, formulada segundo a solicitação da Santa Sé, chegou ao Vaticano apenas na semana passada. A primeira resposta, enviada à outra margem do Tibre em 21 de dezembro passado, não foi considerada adequada pelas autoridades vaticanas, que convidaram o responsável dos lefebvrianos a reformulá-la, considerando esse primeiro envio mais uma “documentação” do que uma resposta. O bispo Fellay, então, preparou um segundo texto, mais conciso, relacionado ao preâmbulo doutrinal que a Congregação para a Doutrina da Fé lhe havia entregado em setembro passado. Este segundo texto agora está sendo examinado atentamente pelos consultores da Comissão Ecclesia Dei, que se ocupam do dossiê dos lefebvrianos e que necessitam de mais algum tempo.

Na próxima semana, a plenária da Congregação para a Doutrina da Fé se reune no palácio do Santo Ofício. A ordem do dia inclui a possibilidade de uma comunicação concernente às relações com a Fraternidade São Pio X, mas dificilmente a reunião poderá ser decisiva, já que a segunda resposta de Fellay, que aceita algumas partes do preâmbulo doutrinal, pondo outras em discussão, necessita de tempo para ser examinada. É provável que uma decisão mais precisa sobre o que será feito venha a ser tomada não neste momento, mas em fevereiro, durante uma “Féria IV”, como são chamadas as congregações ordinárias do antigo Santo Ofício.

Como se pode recordar, no prêambulo doutrinal proposto pela Comissão Ecclesia Dei, presidida pelo Cardeal William Levada e guiada por Monsenhor Guido Pozzo, se pedia aos lefebvrianos que subscrevessem a profissão de fé, o que é considerado indispensável para ser católico. A profissão prevê três graus diversos de assentimento que se pede e faz a distinção entre verdades reveladas, declarações dogmáticas e magistério ordinário. Com relação a este último, afirma que o católico está chamado a assegurar um “religioso obséquio da vontade e do intelecto” aos ensinamentos que o Papa e o colégio de bispos “propõem quando exercitam seu magistério autêntico”, ainda que não sejam proclamados de modo dogmático, como no caso da maior parte dos documentos do magistério.

Quando foi entregue o preâmbulo, as autoridades vaticanas esclareceram que este texto não seria publicado porque não era ainda definitivo, isto é, admitia mudanças — não substanciais — ou eventuais acréscimos. De setembro a dezembro, se espalharam vozes sobre a dissensão dentro da Fraternidade por parte daqueles que não consideram possível um acordo com Roma. Fellay mesmo falou várias vezes do assunto. Em um primeiro momento, havia afirmado que o preâmbulo representava um grande avanço. Depois, após uma importante reunião com os chefes dos distritos da Fraternidade, sempre insistindo na importância do diálogo inciado, afirmou que não podia acolher o preâmbulo tal como estava, acrescentando: “Se Roma nos pede que aceitemos de toda forma, nós não podemos”. Fellay então enviou a primeira resposta, não considerada como tal pelo Vaticano. E agora enviou uma segunda.

O fato de que a nova e mais adequada resposta — que foi considerada nos sacros palácios “um avanço” — tenha que ser atentamente estudada e aprofundada, quer dizer que não é nem um “sim” nem um “não” definitivo ao texto do preâmbulo. Mas que acolhe algumas partes do texto do Vaticano, expressando, por outro lado, suas reservas em relação a outras. E, principalmente, pede mais esclarecimentos e acréscimos. Os lefebvrianos, de fato, não pretendem dar seu assentimento aos textos conciliares relativos à colegialidade, ao ecumenismo, ao diálogo interreligioso e à liberdade religiosa, porque consideram que entram em contraste com a tradição. Precisamente o conceito de tradição, “Traditio”, e seu valor, representa o ponto fundamental do debate que caracterizou as conversações entre a Fraternidade e a Santa Sé. Os lefebvrianos criticam alguns fragmentos conciliares considerando que entram em contraste com a tradição da Igreja.

Quando era Cardeal, Joseph Ratzinger insistiu mais de uma vez na necessidade de não se considerar o Concílio como um “super dogma”. Como Papa, Bento XVI, no já famoso discurso à cúria romana de dezembro de 2005, insistiu na necessidade de interpretar o Vaticano II de acordo com a hermenêutica da “reforma” na “continuidade”. O Catecismo da Igreja Católica, cujo vigésimo aniversário se celebrada em 2012 com um especial Ano da Fé, já propôs esta chave de interpretação para alguns dos pontos que os lefebvrianos consideram controversos.

Ainda é prematuro lançar hipóteses sobre o resultado final deste diálogo que, na fase presente, está ocorrendo à distância e por escrito. Mas ainda não foi dita nenhuma palavra definitiva: o Papa quer fazer tudo o que for possível para sanar a fratura que se criou com os lefebvrianos, e Fellay o sabe muito bem.

16 janeiro, 2012

Mons. Ocáriz, as discussões entre Roma e Ecône, e os ritos chineses.

Por Vini Ganimara

Meu colega Christophe Saint-Placide tomou-se de raiva (veja aqui) sobre uma determinada opinião teológica que pode descarrilhar o processo de reconhecimento da FSSPX. Este ponto de vista argumenta que a doutrina do Magistério não infalível, que se costuma dizer “autêntico”, tambem é indiscutível no que diz respeito ao fundo da questão, porque é necessariamente conforme com o magistério anterior.

Essa opinião, que abafaria toda liberdade intelectual teológica, se é que os teólogos hoje estão, um pouco, preocupados do que se diz em Roma, foi defendida com a maior seriedade em um artigo no L’Osservatore Romano, de 1.º de dezembro, pelo não menos sério Mons. Fernando Ocáriz . Com um pequeno motivo ulterior: que esta opinião teológica serve subrepticiamente de chave doutrinária para ler o Preâmbulo apresentado em 14 de setembro a Dom Fellay pelo Cardeal Levada.

Em resumo, segundo a opinião de Mons. Ocáriz, o Decreto sobre o Ecumenismo, não infalível, seria necessariamente conforme a encíclica Mortalium Animos, mesmo que ele pareça dizer o contrário.

Eu gostaria de lembrar a Mons. Ocáriz o famoso “caso dos Ritos chineses”, que opôs, de um lado, os jesuítas, e do outro, as Missões Estrangeiras de Paris – MPE, no século XVII e XVIII. Os “fundamentalistas” do tempo (dominicanos e MEP) queixaram-se de que os jesuítas permitiam, em particular a seus convertidos chineses, manter seus ritos de veneração dos seus ancestrais e de Confúcio. Os jesuítas “progressistas” (sendo o mais famoso o Pe. Mateus Ricci) eram favoráveis à permissão dos ritos chineses. Os “fundamentalistas”, contra.

Em 1645, o Papa Inocêncio X condena o “ecumenismo”, avant la lettre, e declara as cerimônias (dos ritos chineses) supersticiosas e idólatras.

Em 1656, o Papa Alexandre VII, em certo ponto predecessor do Vaticano II, afirma que eles podem praticá-los e considera-os como costumes civis inofensivos.

Em 1669, o Papa Clemente IX condena o Concílio Vaticano II (desculpe, digo os ritos chineses!). Isto foi confirmado por Clemente XI (1704).

Mas Bento XIII reabilita os ritos chineses (1721). O que Bento XIV revoga (1742).

Para terminar, em 1939, a discussão depois de longo tempo foi extinta, e a diplomacia vaticana pediu ao governo de Manchukuo para assegurar o caráter civil do ritos, o que obsequisamente foi feito pelo governo e que permitirá o relaxamento da proibição.

Daí a minha pergunta a Mons. Ocáriz: o que era infalível: a condenação de 1645 (e aquelas que a confirmaram), ou a permissão de 1656 (e aquelas que se seguiram)? Eu aposto que Mons. Fernando Ocáriz responderá que a permissão estava em perfeita continuidade com a condenação. Farsante, diria Bernanos!

Fonte: Tradinews – nosso agradecimento a um caro amigo pela tradução cedida a Fratres in Unum.

21 dezembro, 2011

Sério, Tornielli?….

Por Rorate Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O vaticanista de La Stampa Andrea Tornielli escreve hoje que a resposta da FSSPX ao Preâmbulo Doutrinal da Santa Sé (que mencionamos ontem) surpreendeu a alguns no Vaticano:

Um documento acaba de chegar, mas ele não era o que se esperava no Vaticano, porque consiste em – as fontes explicam — “documentação”, não uma resposta. Em suma, parece que Dom Fellay precisa de um tempo para postergar sua decisão, evitando falar de um modo ou de outro, ou pedir esclarecimentos e eventualmente modificações do texto proposto pela Santa Sé.

Isso é o que fontes de Tornielli no Vaticano dizem, e parece plausível.

Todavia, Tornielli escreve ainda que “rumores não confirmados” indicam que Fellay se arrisca a “ser deposto” por algum tipo de golpe interno antes de 2012. Sua “fonte”? Um boletim sedevacantista completamente desacreditado e recheado de conspiração, publicado por um sítio belga. Tá falando sério, Tornielli?…

16 dezembro, 2011

Excomunhão de Gherardini?

Uma postagem do colunista convidado Côme de Prévigny

Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Mons. Brunero Gherardini no Congresso dos Franciscanos da Imaculada. Na mesma foto (à direita), Dom Luigi Negri, bispo de San Marino.

Mons. Brunero Gherardini no Congresso dos Franciscanos da Imaculada. Na mesma foto (à direita), Dom Luigi Negri, bispo de San Marino.

Dom Bernard Fellay, o Superior Geral da Fraternidade de São Pio X (FSSPX / SSPX), disse em seu sermão de 8 de dezembro que: as propostas romanas estão cada vez mais interessantes, mas em suas formulações permanece um ponto com gosto amargo, que exige antes de mais nada a admissão de que o Vaticano II é compatível com a Tradição da Igreja.

Após as declarações de Sua Excelência suíça, a pressão aumenta, as mentes estão inflamadas. Agora que as sirenes familiares soam novamente o sinal de alerta de cisma definitivo, que o vaticanista Tornielli se deixa tomar pelo sentimento – ao imaginar o que o Arcebispo Lefebvre faria em circunstâncias semelhantes (ao falar que ele acha que ele “diria sim”), as exigências romanas parecem receber, no mesmíssimo coração da Cidade Eterna, um sério golpe. Por 25 anos, a Santa Sé não arredou o pé dos famosos textos conciliares, e, no exato momento em que o Superior Geral da Fraternidade de São Pio X entrega a sua nota ao Vaticano, um dos melhores alunos, dentre os mais fiéis e mais eruditos, se levanta para dizer que as exigências do mestre não resistem a exame.

Monsenhor Gherardini é decano dos teólogos da Universidade de Latrão, uma das instituições romanas mais veneráveis. Por meio século, ele tem formado centenas de bispos e padres, tentando apresentar-lhes o Concílio Vaticano II em continuidade com o magistério da Igreja. Ao final de uma longa e séria carreira, ele faz essa terrível confissão: a tentativa incansável não funciona. Falando do Concílio, ele descreve a sua continuidade com a Tradição como “problemática”: “não porque ele não tivesse declarado tal continuidade, mas sim porque, especialmente, naqueles pontos chave onde era necessário que essa continuidade fosse evidenciada, a declaração continuou sem comprovação.”

Em outras palavras, o teólogo diz que todas as demonstrações que tentam apresentar o Vaticano II em continuação com o magistério da Igreja são aos seus olhos nada mais que argumentos pouco convincentes.

No momento em que um dos teólogos vivos mais notáveis declara ter sérias dúvidas sobre os méritos dos textos conciliares, no momento em que ele pede um “exame crítico” desses textos, como a Santa Sé pode exigir o seu reconhecimento prévio como uma condição indispensável para a regularização da Fraternidade? Como se pode brincar com a esperança de milhares de fiéis ao redor do mundo, fazendo-os crer que a bola está do lado de Écône? A competente congregação [para a Doutrina da Fé] tem toda a capacidade de reconhecer, ao final de minuciosas discussões doutrinais, a catolicidade perfeita da Fraternidade e conceder-lhe a regularização que merece cada trabalho feito fielmente com o seu zelo pelas almas. Enquanto a Sagrada Liturgia e mesmo as verdades mais elementares (a Ressurreição de Cristo, a Presença Real, a universalidade salvífica de Jesus Cristo) são desprezadas por um bom número de bispos que não precisam assinar qualquer condição para serem nomeados e mantidos em exercício, será que esse reconhecimento realmente se revelaria uma aposta de alto risco?

Se afirmar que os textos do Concílio estão desconectados da Tradição torna a Fraternidade digna de ser considerada fora da Igreja, deve-se pensar que Monsenhor Gherardini merece excomunhão por ter ousado afirmar publicamente aquilo que outros nunca terão a coragem de dizer?

16 dezembro, 2011

“Nós estamos prontos; queremos apenas uma coisa: atacar o verdadeiro problema”.

Todos ouvistes que houve uma proposta de Roma, uma proposta que dizia: “Estamos prontos para reconhecê-los [canonicamente]”. O problema é que sempre há uma condição. Esta condição pode ter variado um pouco em sua formulação, mas basicamente é sempre a mesma. Esta condição é: vós deveis aceitar o Concílio. Pode-se resumir a situação atual dizendo: “Sim, podeis criticar o Concílio, mas sob uma condição: é necessário aceitá-lo antes”. O que nos deixa dizendo: “O que nós poderemos criticar depois?”

Creio que este seja um resumo justo da situação atual. E não é difícil vos descrever a nossa resposta.

Obviamente, as fórmulas são mais e mais interessantes, cada vez mais próximas do que dizemos. Chegamos agora a um ponto que claramente mostra a profundidade do problema. Eis o que eles nos dizem naquela famosa proposta: “Comprometei-vos a reconhecer que, no que diz respeito aos pontos do Concílio que geram dificuldades, a única forma de compreendê-los é à luz da contínua, perpétua Tradição, à luz do Magistério precedente”. A luz da Tradição é a única forma pela qual alguém pode compreender os pontos dúbios. Eles vão ainda mais além: “Qualquer proposição e qualquer interpretação dos textos dúbios que forem opostas àquele Magistério perpétuo, àquele Magistério contínuo da Igreja, deve ser rejeitada”. Isso é o que nós sempre dissemos. Mas há uma pequenina cláusula que acrescenta: “como diz o Novo Catecismo”. Ora, o Novo Catecismo adota o Concílio.

Noutras palavras, com relação ao princípio, nós só podemos concordar. Quanto à aplicação, é completamente o oposto. Eles afirmam que estão aplicando o princípio ao dizer: tudo que foi feito no Concílio é fiel à Tradição, é consistente com a Tradição, seja o ecumenismo ou a liberdade religiosa. Isso vos mostra a seriedade do problema. Há um problema em algum lugar. Não é possível de outra forma. O problema reside na compreensão de certas palavras. E estas palavras são, claro, “Tradição” e “Magistério”. A forma com que eles compreendem estas palavras é subjetiva. Certamente, há casos em que se pode compreender “tradição” no sentido de “transmissão”: o ato de transmitir é uma transmissão. Mas a forma comum de compreender esta palavra reside em seu conteúdo. O que é transmitido? O que é transmitido de geração em geração? A definição clássica de Tradição é “o que sempre se acreditou por todos, em todo lugar e em todo tempo” (Commonitorium de S. Vicente de Lérins). Aqui a expressão “o que” designa o objeto. Mas hoje em dia, é como se fôssemos do objeto ao sujeito, de modo a considerar apenas aquele que transmite.

É por isso que eles vos falam em “tradição viva”, pois aquele que transmite, quando transmite, está vivo. Ora, a vida se move, ela muda. Os Papas mudam… e, portanto, a tradição muda, mas permanece tradição. É a mesma tradição, mas que muda. A Igreja também levou em consideração este sentido, de uma forma totalmente secundária. Não é disso que ela está tratando quando fala sobre a Tradição; é o que nós chamamos de depósito da fé, o conjunto de verdades que o Bom Senhor confiou à Igreja para que ela pudesse transmiti-lo de geração em geração, para que as almas pudessem ser salvas. É desse conteúdo que ela fala. E esta é a razão pela qual, com a definição da infalibilidade no Concílio Vaticano I, a Igreja ensina que o Espírito Santo foi efetivamente prometido a São Pedro e seus sucessores, portanto, aos Papas. Mas Ele não foi prometido de tal forma que os Papas pudessem ensinar algo novo por uma nova revelação. Ele foi prometido para que, com a ajuda do Espírito Santo, São Pedro e os Papas pudessem preservar santamente e transmitir fielmente aquilo que não muda, o depósito revelado.

Onde está o verdadeiro problema na Igreja?

Aqui estamos. É o que estamos tentando fazer, já que há, de fato, um gesto feito por Roma em nossa direção, devemos reconhecê-lo, um gesto surpreendente após essas discussões doutrinais em que determinamos que não estamos de acordo. Com efeito, é uma situação similar à de duas pessoas que se encontram, debatem algo e chegam à conclusão de que não concordam. O que se faz então? Roma nos diz: “Aceitai assim mesmo!”. E nós respondemos: “Não é possível”. E então o que decidimos fazer, além de responder que não é possível, é lhes dizer: “Não gostaria de olher as coisas de modo um pouco diferente? Não gostaria de tentar compreender que a Fraternidade não é o problema na Igreja? Há realmente um problema na Igreja, mas não é a Fraternidade; não somos um problema [simplesmente] porque estamos dizendo que há um problema. Então nós lhes pedimos que lidem com o verdadeiro problema. Nós estamos prontos; queremos apenas uma coisa e é precisamente atacar o verdadeiro problema.

Compreendeis muito bem que humanamente falando não é grande a esperança de que eles concordem em mudar tal posição. Talvez as decepções que a Igreja experimentou os moverá? O fato de que atualmente o desastre, a esterilidade é mais claramente evidente: não há mais vocações. É assustador. Eu vi, há alguns instantes, as estatísticas para as Irmãs da Caridade, as freiras que costumavam estar em todo lugar na França: entre trinta e quarenta anos de idade, acho que ainda só existem três em toda a França. Entre a idade de 40 e 50, igualmente três. A maioria, noutras palavras, quase 200, estão entre 70 e 80 ou entre 80 e 90. Algumas delas têm mais de 100 anos, e são mais numerosas que aquelas de 20, 30, 40 ou 50 anos de idade. Se tomarmos aquelas de 20 a 50 anos, temos uma a mais que o grupo daquelas que tem 100 anos ou mais: 9 contra 8. Aquelas irmãs que costumavam fazer toda sorte de obras de caridade em todas as áreas rurais! Acabaram! Este é um exemplo entre milhares. Tomai os padres. Tomai exemplos de qualquer região que quiserdes: é uma Igreja que está morrendo, desaparecendo. No entanto, isso deve fazer as pessoas refletir. Acreditamos, esperamos que algumas estejam começando a refletir. As pessoas têm a impressão de que isso não é suficiente. Claro, a graça é necessária. É necessário rezar.

Do sermão pronunciado por Dom Bernard Fellay na solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, 8 de dezembro de 2011, em Écône, Suíça. Tradução: Fratres in Unum.com