Posts tagged ‘Dom Aloísio Roque Oppermann’

25 abril, 2014

Valeu a pena fazer revolução?

Por Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo Emérito de Uberaba (MG) – O que moveu os agentes da Revolução de 31 de março, a intervir na sequência politico-histórica do Brasil, foi o medo de acontecer uma instalação de regime de governo, de cunho socialista e marxista. O medo vinha, com realismo, da ilha de Cuba. Nós como cristãos, praticamos uma inata aversão a esses regimes ateus, porque sabemos quanto a Igreja sofreu e sofre nos países comunistas: neles há necessidade de praticar o culto sob os olhos vigilantes do governo; de conformar-se com leis contrárias ao ensinamento de Jesus; de ver encarceramentos de seus líderes; de sofrer cerceamentos permanentes da liberdade. ”Foi para a liberdade que Cristo nos redimiu” (Gal 5, 1). Depois de 50 anos cabe-nos perguntar se aquele golpe revolucionário debelou os males que pretendia evitar.

Parece que os princípios de Hegel, de quebrar toda a estrutura social, para ver se aparece alguma coisa melhor do que esta sociedade, ainda conta com interesse em muitas escolas. Nelas permanece como sedução constante de uma “nova sociedade”. A idéia de Marx de jogar um grupo contra outro, através da luta de classes, continua em alta. Mesmo que suas profecias de união entre os proletários não se tenham jamais cumprido, nem a imposição sangrenta dos ideais comunistas tenha surtido resultados. Hoje parece que o método preconizado por Gramsci, de introduzir o socialismo entre todos, por métodos suaves mas furtivos, está na crista da onda. O meio é a ideologia e a educação a conta gotas, de modo que não se perceba a presença da poção venenosa. Assim, ficamos em dúvida diante das intenções reais do nosso poder público, frente à amizade com regimes políticos estrangeiros; não entendemos se os médicos trazidos de países socialistas, vieram para ensinar ao povo que os indivíduos devem ser pagos parcimoniosamente em favor do grande partido; se eles vieram para mostrar que não se precisa de família; se a Comissão da Verdade não faz pesquisa seletiva; se a escolha de certos líderes é para ameaçar a legitimidade da economia de mercado; se o projeto nacional de educação, com sua tônica sobre gêneros, de fato quer fazer perecer a família; se o desejo de intervir nos meios de comunicação é para estabelecer a ordem, ou é para tomar conta daquilo que é diferente. O leitor veja se o futuro da liberdade hoje está garantido, ou se as nuvens escuras que se aproximam são prenúncio de tempestades. Não nos caberia um longo caminho de educação?

6 fevereiro, 2014

Uma república socialista?

Dom Aloísio Roque Oppermann – Fonte: CNBB

Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

Se os serviços públicos são geridos por empresas particulares, ou pelo governo, é uma questão de eficiência. Não é de ideologia política. Mas não esqueçamos que os serviços públicos “gratuitos” alguém os precisa pagar. A passagem de ônibus eu posso pagar do meu bolso, diretamente para a companhia particular, que presta esse serviço. Ou eu entrego essa mesma contribuição ao governo, para que ele a administre. Não existe jantar gratuito. O socialismo sempre fascinou a mente humana, porque parece ser mais justo, e atender melhor à parte mais pobre da humanidade. Isto, precisamente, sempre foi o ponto fraco do capitalismo: não ter plano de salvação para os perdedores.  Mas o socialismo carrega consigo uma mancha execrável. Não é capaz de respeitar o que é inerente ao ser humano, que é a sua liberdade. Como não conseguirá jamais se estabelecer com a concordância dos cidadãos, precisa se impor à força. As cabeças de quem pensa, e é cioso em permanecer livre, rolam inexoravelmente. Esse regime é o mais catastrófico da história, tendo assassinado mais de 80 milhões de rebeldes. Tornou-se uma mancha na história da humanidade.

No Brasil, alegremente estamos correndo para os braços das ditaduras. Sem pejo nenhum, e sem falsete no rosto dos nossos dirigentes, temos relações diplomáticas preferenciais com nações, onde as liberdades individuais são uma quimera. As visitas oficiais a certos países, de visceral princípio socialista, são uma constante. A importação de médicos estrangeiros (não quero duvidar de sua competência profissional), tem como objetivo acostumar nossa população com as belezas do socialismo. Os gastos financeiros com doações em favor de nações mais pobres (todas socialistas), são uma constante. Os Black Blocs, quebrando com grande satisfação os Bancos, mostram que já estão infectados com esse vírus, francamente anti-livre mercado. Os que querem os serviços públicos todos gratuitos, vivem de um delírio deplorável. Tudo está sendo feito à luz do sol. Os condutores da nação terão o direito de dizer: “eu avisei”. É muito provável que entre os condenados pelos crimes do mensalão, já se encontrem aqueles que, no futuro, serão os dirigentes da Nação.

7 março, 2012

Dom Paulo Mendes Peixoto, novo Arcebispo de Uberaba.

Foi divulgada hoje a nomeação de Dom Paulo Mendes Peixoto [que já passou por nosso blog aqui e aqui], até agora bispo de São José do Rio Preto, SP, como novo arcebispo de Uberaba.

Ele substitui Dom Aloísio Roque Opperman, SCJ, que deixa de ser o grande liturgo da cidade mineira.

Fonte: News.va

22 dezembro, 2011

A displicente e arrogante resposta do grande liturgo de Uberaba.

Após publicarmos o artigo “Quem vai rezar em Latim”, de Dom Aloísio Roque Opperman, solicitamos aos nossos leitores que explicassem ao senhor arcebispo de Uberaba suas razões para amar a Santa Missa Tradicional. Em aproximadamente 48 horas, recebemos mais de 50 comentários – a esmagadora maioria de pessoas com menos de 40 anos de idade –, relatando problemas de consciência em relação à liturgia moderna e seu vínculo muito bem fundamentado à liturgia tradicional da Santa Igreja.

Pois bem: o Fratres in Unum enviou, na manhã da última terça-feira (20), esses comentários a Dom Aloísio Roque Opperman, pedindo-lhe que os respondesse com a mesma disponibilidade e sinceridade com que os fiéis se dirigiram a ele.

E eis que, duas horas mais tarde, chega-nos uma resposta completamente displicente do Arcebispo de Uberaba:

Os caros amigos mostram que não entenderam o que escrevi. Espero que procurem ler de novo. Depois disso me disponho a responder, se necessário. Saudações. + Roque scj

Ao que interrogamos de imediato:

Excelência, dessa forma o senhor responde a 54 pessoas que respeitosamente escreveram esses longos comentários? Que pena! Rezamos para que o Menino Jesus quebre a dureza de seu coração.

E então a displicência deu lugar à arrogância. Poucas horas mais tarde, provavelmente movido por esta nossa última mensagem, Dom Aloísio decide “aprofundar” a questão em novo artigo veiculado pelo site da Arquidiocese de Uberaba, que publicamos abaixo (os destaques são nossos):

AINDA SOBRE A MISSA TRIDENTINA

Bento XVI teve um gesto ousado ao lançar uma ponte de amizade  para os católicos tradicionalistas.  Ao abrir, oficialmente, a possibilidade de celebrar a missa no rito de João XXIII (que foi uma adaptação do rito tridentino para 1962), o intento foi diminuir a distância entre esses tradicionalistas e a Igreja de Roma. Uma vez que esse rito litúrgico foi aberto para todos os católicos, resta-nos buscar – através do bom senso – as regras mínimas de uma sadia adesão  a essa possibilidade celebrativa.

Antes de tudo, para quem quiser legitimamente, fazer uso desse rito agora facultado, deve aceitar o valor do Concílio Vaticano II. Os Bispos Católicos, estiveram reunidos nesse magno congraçamento, para analisar a situação da Igreja, e dar as orientações pastorais para os novos tempos. Isso equivale a dizer que, além da missa tridentina, se reconhece a autenticidade da Missa do rito de Paulo VI, oriundo desse Concílio.

Quem quiser fazer uso da celebração eucarística no rito tridentino, deve reconhecer que o rito normal da Liturgia deve ser aquele proposto pelo Concílio, e aprovado por Paulo VI. Esse  rito teve uma evolução longa, a partir do início do século XX, através do Movimento Litúrgico. O Vaticano II incorporou suas reflexões, e tornou oficial uma Liturgia que respeitou todos os séculos da história eclesiástica, e a adaptou para os tempos modernos. Portanto, durante o uso normal dessa liturgia não se devem  impor os costumes e símbolos vinculados com o rito de 1962. Devem vigorar os costumes relacionados ao rito de Paulo VI.

É desnecessário dizer que o Papa manda mais do que o Bispo Diocesano. Mas os interessados no rito antigo devem reconhecer que o Bispo Diocesano é o grande liturgo de sua Diocese. Portanto, devem ser evitados os confrontos inúteis com a autoridade diocesana, e trabalhar em união com ele. O rito tridentino não é nenhuma atividade clandestina, mas também deve estar em sintonia fina com o Bispo da Diocese.

Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo de Uberaba, MG

* * *

Vendo seus argumentos iniciais serem reduzidos a pó pelos comentários dos leitores de Fratres in Unum, Dom Roque decide então dar sua última cartada, seu último suspiro.

Missa Tridentina, algo próprio de saudosistas? Bem, a quase totalidade de comentários de leitores provém de jovens… Celebrações “incompreensíveis e secas”? Os relatos mostram fiéis que, pelo contrário, não compreendem a aridez doutrinal e espiritual do Missal de Paulo VI.

Bem… Melhor nem tocar mais nesses assuntos, não é mesmo, Dom Roque?

Restou-lhe apenas apelar para o que muitos “interpretam como se fosse o super dogma”, mesmo tendo “um nível muito mais modesto” (Cardeal Joseph Ratzinger, Discurso aos Bispos do Chile, 13 de Julho de 1988): o Concílio Pastoral.

Comentemos, então, os argumentos de Sua Excelência Reverendíssima Dom Aloísio Roque Opperman:

“Uma vez que esse rito litúrgico foi aberto para todos os católicos, resta-nos buscar – através do bom senso – as regras mínimas de uma sadia adesão  a essa possibilidade celebrativa”.

As regras mínimas, Dom Aloísio, são aquelas dispostas no Motu Proprio Summorum Pontificum e esclarecidas pela Instrução Universae Ecclesiae. E elas, comparadas às normas impostas pelos bispos do Brasil, parecem verdadeiramente mínimas. Portanto, o “bom senso” está em seguir as regras e não em criar outras. Até porque o episcopado brasileiro, do qual o senhor liturgo de Uberaba faz parte, não tem bom senso.

“Antes de tudo, para quem quiser legitimamente, fazer uso desse rito agora facultado, deve aceitar o valor do Concílio Vaticano II. Os Bispos Católicos estiveram reunidos nesse magno congraçamento…”

Dom Roque quer que os católicos aceitem o valor do Vaticano II. Mas que valor, Excelência? Aceitar este valor é usar meramente expressões aduladoras como “magno congraçamento”, “mega acontecimento”, tal como faziam os fariseus quando buscavam “surpreender Jesus nas suas palavras”, declarando de maneira dissimulada saber “que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade” (Mt, 22, 16)?

Veremos adiante como a atitude de Dom Roque se assemelha a essa postura farisaica.

“Quem quiser fazer uso da celebração eucarística no rito tridentino, deve reconhecer que o rito normal da Liturgia deve ser aquele proposto pelo Concílio, e aprovado por Paulo VI”.

Dentre as normas emanadas por Roma, e não pelo “bom senso” de Dom Roque, não há nenhuma previsão de que os fiéis devem “reconhecer que o rito normal da Liturgia deve ser aquele proposto pelo Concílio”, no sentido de uma superioridade, preferência, predomínio de um rito sobre outro. Afinal, diz o mega, magno, ultra acontecimento Vaticano II:

“O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos, quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos” (Concílio Vaticano II – Sacrosanctum Concilium, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, nº 4).

Antes, é o próprio Dom Roque quem deveria dar provas de honestidade e demonstrar sua aceitação do valor (seja ele qual for) do Vaticano II, sendo aberto à forma litúrgica celebrada ao longo das sessões conciliares.

Dom Roque, o senhor aceita o “valor do Concílio”? Como, então, em obediência ao Concílio, o senhor considera “igual em direito e honra” um rito cujas celebrações julga “incompreensíveis e secas”?

O próprio Santo Padre declara, na carta aos bispos que acompanha o Motu Proprio — que não deve ter chegado a Uberaba — que a Missa Tridentina permanece como forma extraordinária “não só porque o diz a normativa jurídica”, fruto, evidentemente, de acordos políticos; “mas também por causa da situação real em que se encontram as comunidades de fiéis”, já que, na opinião de Bento XVI, o rito tradicional “pressupõe um certo grau de formação litúrgica”. Dessa forma, uma das razões, se não a mais importante, de a Missa Tridentina ser tida como “forma extraordinária” é a precariedade da “formação litúrgica” dos fiéis (e ainda mais dos “grandes liturgos” do Brasil!). Curioso: a formação dos fiéis não foi aperfeiçoada, aprofundada, desenvolvida pelo “magno congraçamento”?…

* * *

Não pretendemos esmiuçar os erros grotescos de Dom Roque sobre a “evolução longa” do rito de Paulo VI, “uma Liturgia que respeitou todos os séculos da história eclesiástica”. Há teólogos muito mais capacitados, entre eles o próprio Joseph Ratzinger, que não pensam assim.

Mas suspeitamos que “aceitar o valor do Concílio” seja, para Dom Roque, aceitar as suas próprias impressões e mitos; ele, membro de uma ordem religiosa que gerou para a Igreja do Brasil pérolas de sabedoria teológica como Padres Zezinho e Fábio de Melo…

Passemos, então, adiante.

“Durante o uso normal dessa liturgia [de Paulo VI] não se devem impor os costumes e símbolos vinculados com o rito de 1962”.

Dom Roque estaria condenando as próprias liturgias do Santo Padre? Pois é ele, Bento XVI, aquele que “manda mais que o bispo”, quem está restaurando “costumes e símbolos vinculados com o rito de 1962” e absolutamente abandonados nas últimas décadas!

Foi Bento XVI quem ampliou ou mesmo resgatou o latim nas liturgias pontifícias; ele quem restabeleceu a posição versus Deum e o uso dos sete castiçais e do crucifixo no centro do altar nas missas papais; ele quem restabeleceu a comunhão de joelhos e na boca; enfim, ele o Pontífice que vem implementando, na perspectiva de um “enriquecimento” do novo missal com elementos do antigo [1], “costumes e símbolos vinculados com o rito de 1962”!

E depois vem falar de “distância entre esses tradicionalistas e a Igreja de Roma”! Ainda mais distante está Uberaba! Quanta incoerência!

“É desnecessário dizer que o Papa manda mais do que o Bispo Diocesano. Mas os interessados no rito antigo devem reconhecer que o Bispo Diocesano é o grande liturgo de sua Diocese. Portanto, devem ser evitados os confrontos inúteis com a autoridade diocesana…”

Uma enorme quantidade de pessoas expressa respeitosamente seus dramas a um arcebispo católico. Este, por sua vez, responde com displicência e arrogância. Quem, afinal, cria “confrontos inúteis”?

Ó, grande liturgo de Uberaba, reconhecei o vosso papel de agente garantidor da Missa Tridentina, como prevê o motu proprio, caso os fiéis não a obtenham por alguma impossibilidade do pároco; reconhecei o Magistério da Igreja, que declara que a medida papal em favor da Missa Tridentina “deve ser interpretada em sentido favorável aos fiéis, que são os seus principais destinatários” (Instrução Universae Ecclesiae, 7, b); reconhecei efetivamente, e não só da boca para fora, o princípio recordado pelo Santo Padre no Motu Proprio segundo o qual “cada Igreja particular [inclusive a de Uberaba] deve concordar com a Igreja universal, não só quanto à doutrina da fé e aos sinais sacramentais, mas também em respeito aos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica”; reconhecei, grande liturgo de Uberaba, que “a ordenação da sagrada Liturgia é da competência exclusiva da autoridade eclesiástica; esta reside na Sé apostólica e, na medida que determine a lei, no Bispo” (Redemptionis Sacramentum 14). Reconhecei, pois, que na matéria que aqui tratamos, a lei não vos concedeu competência alguma. Excelência, reconhecei, pois, a vossa incompetência.

Mas que Vaticano II Dom Roque quer que os fiéis aceitem? Antes, que Vaticano II ele mesmo aceita? Restrinjamos a questão apenas ao nível litúrgico:

Promovam-se com empenho, sobretudo, nas igrejas catedrais, as «Scholae cantorum». Procurem os Bispos e demais pastores de almas que os fiéis participem ativamente nas funções sagradas que se celebram com canto, na medida em que lhes compete e segundo os artigos 28 e 30″ (Concílio Vaticano II – Sacrosanctum Concilium, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, nº 114)

Gostaríamos de saber se Dom Aloísio Roque Opperman exerce seu papel de liturgo da arquidiocese de Uberaba na implementação das Scholae cantorum, para a promoção do canto gregoriano. Os uberabenses poderão nos esclarecer na caixa de comentários.

Estaria o Concílio ultrapassado, Excelência? Ou ele é simplesmente um mitológico “magno congraçamento”, um “mega acontecimento” fictício com o qual inescrupulosos brincam à vontade a fim de corroborar suas próprias idéias?

Exatamente quando a discussão sobre os próprios textos conciliares toma corpo em Roma, o “grande liturgo” de Uberaba pretende impor a sua versão particular do Concílio, que nada mais é que a versão de “ruptura” com o passado da Igreja, rechaçada pelo Santo Padre e rejeitada por qualquer católico de bom senso.

Dom Aloísio, como bom bispo brasileiro e fazendo jus às raízes (ou à falta delas) intelectuais dehonianas, provavelmente se insere entre os que desconhecem as discussões teológicas entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, os livros de Monsenhor Gherardini, o congresso dos Franciscanos da Imaculada em Roma sobre o Concílio, os trabalhos de Roberto de Mattei, Cristina Sicardi, Romano Amerio, Enrico Radaelli, bem como todos os agentes contemporâneos que querem lançar na Igreja um sadio debate sobre certos textos conciliares verdadeiramente discutíveis e que são causa da confusão doutrinária, litúrgica e moral que acomete a Igreja desde o “magno congraçamento”.

Ignoram, mas temem o mínimo questionamento daquilo que eles mesmos transformaram em dogma. E querem salvar, a todo custo, o mito pelo qual se apaixonaram. Porém, eles passam, atingem a idade limite para renunciar a seus postos (Dom Aloísio mesmo já deve ter apresentado sua renúncia ao Papa), deixando um rastro de destruição e desolação em suas dioceses. Mas eles têm de se remoer com um fato: a Tradição gera frutos; ela atrai os jovens. Et portae inferi non praevalebunt!

* * *

Mas…  “Quem vai rezar em latim?”. Permanece sem resposta a questão que intitula o primeiro artigo do liturgo de Uberaba.

Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem”. (Concílio Vaticano II – Sacrosanctum Concilium, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, nº 54)

Seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos Latinos”. (Concílio Vaticano II – Sacrosanctum Concilium, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, nº 36)

Os fiéis, Dom Roque, os fiéis!… Reconhecei plenamente, sem restrições, o valor do “magno” Vaticano II!

——

[1] “O antigo Missal é um ponto de referência, um critério – disse [o Prof. Spaemann] um semáforo. […] O Professor Spaemann tem razão: “a reforma da reforma” refere-se naturalmente ao Missal reformado [de Paulo VI] e não ao Missal precedente. […] Portanto, a “reforma da reforma” é uma questão concernente ao Missal de Paulo VI… (Conferência conclusiva do Cardeal Ratzinger às jornadas litúrgicas de Fontgombault, 24 de julho de 2001)

[Atualização – 22 de dezembro de 2011]: Excluímos a expressão “colocado contra a parede”, pela qual nos desculpamos, tendo em vista que nós, leigos, não temos o direito de colocar um Sucessor dos Apóstolos contra a parede. Sustentamos e exercemos o direito de arguir e solicitar que ele seja obediente ao mandado de guardar íntegra a Fé que recebeu, nosso único objetivo com este post.

13 dezembro, 2011

Um Arcebispo pergunta, os leitores respondem.

QUEM VAI REZAR EM LATIM?

Dom Aloísio Roque Oppermann

Dom Aloísio Roque Oppermann

Tive a graça de viver a beleza da Liturgia católica antes do Concílio, durante o Concílio, e depois desse mega acontecimento da nossa Igreja. Posso dizer que as celebrações eucarísticas, em vésperas conciliares, eram cheias de mistério, bem fixas, e sem nenhuma extravagância inventiva. Mas também eram incompreensíveis e secas. Só mediante muitas explicações é que os fiéis podiam se aproximar do ideal, e fazer dessa Liturgia um “obséquio racional”. “Estai sempre prontos a dar as razões da vossa esperança” (1 Pd  3, 15).

Isso não era fácil, a começar pela língua misteriosa que se usava, o Latim.  A maioria supria a incompreensão lingüística e teológica, rezando o terço durante a missa. E esta é uma piedosa  oração, mas diferente,  em essência, da nobre liturgia do mistério pascal. As mudanças na celebração dos Santos Mistérios, feitas pelos Padres Conciliares, foram aprovadas entusiasticamente pelos católicos. Hoje diríamos que as comunidades “aplaudiram de pé” as mudanças. Esse tornou-se o único rito normal da liturgia, promulgado por Paulo VI.

Mas houve um fato, não desejado. Uma vez que o Vaticano II mexeu na estrutura da Missa, recuperando valores do século II,  alguns clérigos começaram a inventar, improvisar, e até a desrespeitar as regras mínimas de uma boa celebração. Isso despertou certa nostalgia entre camadas das comunidades. Começou a surgir uma resistência, sobretudo a partir do líder Lefèbre,  contra a Liturgia  renovada.  Isso chegou a criar um foco de dissidentes. Bento XVI, querendo lançar uma ponte de amizade, permitiu que certos grupos rezassem em latim, retomando os textos de João XXIII, de 1962. (É bom lembrar que naquela data não se falou em Ministros Extraordinários da Comunhão…). Em boa compreensão, quem pode rezar, preferencialmente, esse rito? Em primeiro lugar, os que viram o antigo rito e dele tem saudades.

Em segundo lugar, os que o querem celebrar com seriedade, e não apenas como um espetáculo a mais. E é lógico, a assembléia celebrante deve entender latim, e  reconhecer que o rito normal é o do Concílio Vaticano II. E para não esquecer: nada deve ser feito à revelia do Bispo Diocesano. O Doc. Conciliar Sacrossanctum  Concilium  n. 22 garantiu: “Cada Bispo é o moderador da liturgia na própria Diocese”. Bento XVI repetiu essa frase no Motu Proprio.

Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo de Uberaba, MG

* * *

Fique à vontade, caro leitor, para deixar o seu comentário em resposta ao senhor arcebispo de Uberaba: quem é você, jovem, idoso, solteiro, pai e mãe de família, que vai à “missa em latim”? E o senhor, caro sacerdote que a celebra: quem é você?

Após se apresentar a Dom Aloísio, explique-lhe como você conheceu a Missa Latino-Gregoriana, o venerável Rito dito de São Pio V; como ela conquistou sua alma e mudou sua vida; e, sobretudo, os motivos pelo qual você a ama e por que ela é importante para a Igreja.

O Fratres in Unum se encarregará de encaminhar os comentários a Dom Aloísio, pedindo-lhe uma resposta. Mas atenção: redija sua mensagem considerando a dignidade episcopal e o respeito devido ao senhor arcebispo — embora você possa não ter gostado do tom e do teor do artigo. Portanto, os comentários não devem destoar do objetivo deste post ou ser desrespeitosos.

Pois bem, Fratres carissimi, tendes a palavra!

9 setembro, 2010

Deus um ser necessário.

Dom Aloísio Roque Oppermann

Reconheço a profundidade de conhecimentos de Física de Stephen Hawkins. Já por muitos anos esse cientista inglês tem chamado a atenção sobre si, pela originalidade de suas intuições. Não sei se ainda faz parte, mas já pertenceu à Academia de Ciências do Vaticano. Num livro anterior, de notável sabedoria, manifestou seu respeito para com o Criador, e se manifestou, de alguma forma, muito religioso. No último livro, no entanto, deixou na cabeça de seus fãs, sérias dúvidas. Não sobre a existência de Deus, que ele não questionou, mas sobre sua iniciativa na obra da criação. Infelizmente, não tenho o livro, mas apenas resumos. Estes costumam deixar traços das idéias de quem fez o resumo, e desfiguram o original.

Mas assim como se lê nas manchetes, o big bang não teria causa, segundo explicação de Hawking. Seria de uma geração espontânea incrível. A força do magnetismo universal – cuja origem não se discute – teria como conseqüência lógica a grande explosão. Ora, a sã Filosofia nos ensina que nenhum ser pode agir antes de existir. E tudo quanto existe deve ter um princípio causante. Nada aparece por si. O único Ser não oriundo de outro é Deus. Isso porque Ele é necessário. Por estar fora do tempo, sempre existiu. A matéria, seguramente não existe mais de 14 bilhões de anos. Mas o Pai Criador precisa atuar, ter uma iniciativa, para o cosmos ser explicável. Foi um ato de sua vontade. Ele não precisou “acender nenhum pavio” para provocar a explosão inicial. No universo Ele não age diretamente, mas estabeleceu as leis, através das quais tudo deve funcionar. Ademais, o que a ciência não conseguiu até hoje vislumbrar, e pelas intuições da fé o sabemos, é que a criação é um ato de amor, e não obra do acaso. Além do mais, esse ato de amor é tão minucioso, que cada ser existente tem um espaço na mente divina. Especialmente o ser humano, “sua imagem e semelhança” (Gen 1,26), o ponto alto do cosmos. Em Cristo, o homem perfeito, o “homo sapiens” detém um afeto especial no Coração de Deus. “Que é o homem, para dele cuidardes com tanto carinho?” (Sl 8, 5).

30 junho, 2010

Uma questão de saúde pública?

Por Dom Aloísio Roque Oppermann

Joga-se muito com a desatenção do povo, ou até com sua suposta ignorância. O presidente Lula, em que pese sua promessa nebulosa aos Bispos em 2005, é decididamente a favor do aborto. Acompanham-no nesta sua postura, o  ministro da saúde, e é claro, sua presumida sucessora Dilma. Esta, para encantar o eleitorado católico, chegou a visitar oficialmente o Papa (sem ter convicção pessoal). O efeito foi conquistar os votos de clérigos, invadindo até seu  primeiro escalão. A vitória se delineia fácil, e por isso não se vê necessidade de ocultar coisa nenhuma. Tudo é dito às claras. A resistência ao secularismo governamental é nula. É uma submissão geral.  Os princípios cristãos que ainda vigem em nossa vida pública, deverão se retirar para a diáspora das consciências. Na frente de ouvintes qualificados Lula afirmou que a introdução da lei do aborto, “é uma questão de saúde pública em nosso país”. Lembramos o salmo: “Lembra-te do povo que redimiste como tua herança” (Sl 74,2).

É bom saber que existe muita manipulação de estatísticas, ao se falar sobre a taxa anual de abortos. Sobretudo são falsas as notícias sobre o número de mulheres mortas em decorrência de “abortos inseguros”. Segundo informações do DATASUS (2006), o número de mortes maternas  em decorrência dessa prática, nunca passou de 163 por ano.(Ver “Faça alguma coisa pela vida” N. 96) Por isso diz-se falsamente que a legalização, “evitaria milhões de mortes maternas”. Uma vez que o governo faz apologia da interrupção da gravidez, por qualquer motivo, as grandes redes de TV precisam entrar nessa linha. Caso contrário perdem as ricas inserções de propaganda do poder público. Sem as benesses do governo até a Globo fecha. Por isso, mais do que rapidamente, foi introduzida a  novela “Passione”, que procura fazer a cabeça do povo, a mando do governo. Vamos supor, por um exagero de fantasia, que o governo declarasse que o assalto às residências deve ser assunto de “saúde  pública”. Para tal efeito se publicariam estatísticas incrementadas de mortes de assaltantes, cujas investidas estariam sendo  feitas em condições inseguras. Para completar a hílare situação, o governo proporia legalizar o assalto, para que todo cidadão, rico ou pobre, pudesse realizar  um assalto seguro. Essa é a conversa que os líderes da nação fazem ao falar de aborto.

28 abril, 2010

Depois disso viremos a página – Dom Aloísio Roque Oppermann.

O tal assunto está se esgotando. Nas últimas semanas encheram–se páginas sem fim contra o clero católico. Alguém ouviu uma única acusação contra médiuns espíritas, contra pastores evangélicos, ou contra líderes religiosos muçulmanos? E não foi, certamente, por falta de possibilidades. Daí se vê que há órgãos de imprensa que informam. E há outros que fazem campanhas. Há profissionais que, estão, não a serviço da informação, mas a serviço de alguém. O Cabrini deve explicar para quem ele está trabalhando. Diante desse universo vi dois quadros, que me chamaram a atenção.

O primeiro foi o dos Sacerdotes, sofrendo calados, as injúrias e chacotas, provindas da generalização. Os Padres todos pagam pela má fama de alguns colegas. Tornou-se tão fácil humilhar o clero. Mas me doeu muito ver dentre os próprios Presbíteros alguns “avançar contra uma pessoa, como se fosse um muro prestes a cair” (Sl 62, 4). Jogaram pedras contra todos os colegas, como se fossem um depósito de desequilibrados. Não consigo discernir se tal posição provém de uma experiência pessoal negativa, ou se vem de experiências alheias. Ainda mais, deram volume máximo à voz de um teólogo mirim da Suissa, duro coração possuído de ódio anti-romano. Ele não estaria na lista dos maus pais de família, cujos  filhos “pedem pão, e ele lhes dá uma pedra”? (Mt 7, 9). Essa sua prática já vem de mais de quarenta anos. Essa voz deve ser ouvida?  “Minhas ovelhas ouvem a minha voz” (Jo 10, 27).

O segundo quadro que me chamou a atenção foi o de muitos fiéis leigos. Compareci em várias comunidades, e durante reuniões houve espontâneas manifestações de solidariedade a mim, pela evidente  perseguição à Igreja. E o que achei mais maravilhoso, expressaram sua confiança no seu sacerdote, homem que eles admiram. Consideram-no como um exemplo raro de pessoa que é capaz de dar a sua vida em benefício do seu semelhante. “Maria ungiu, com nardo puro, os pés de Jesus”  (Jo 12, 3). Essas suas palavras foram para mim como um bálsamo.

Dom Aloísio Roque Oppermann

23 fevereiro, 2010

Um recado aos católicos de Uberaba.

X, quanto a rezar missa no rito de São Pio V e reformado por João XXIII em 1962, eu interpreto como um gesto de boa vontade de Bento XVI, na direção do pessoal que sente forte atração pela tradição antiga. Aqui nunca ninguém pediu uma celebração nesse rito. Mas vou atender, se um grupo significativo o solicitar. Abraços. + Roque scj

Embora não haja necessidade de autorização por parte do bispo diocesano, quando o clero local não atende a necessidade dos fiéis, cabe ao ordinário providenciar a observância da lei (Summorum Pontificum,art. 7º).

Os artigos de Dom Aloísio Roque Oppermann, que destoam dos publicados por outros epíscopos brasileiros, podem ser encontrados no site da CNBB.