Posts tagged ‘Dom Gerhard Ludwig Muller’

22 novembro, 2016

​Na mira: a Doutrina da Fé.

Por FratresInUnum.com

As recentes “Dubia” dos quatro cardeais ao Papa Francisco e, para informação, à Congregação para a Doutrina da Fé, ameaçam fortemente o atual establishment na Igreja. Literalmente, eles não têm para onde correr.

Francisco e Stella.

Francisco e Stella (ainda Arcebispo).

Hoje, Papa Bergoglio começa seu movimento de contra-ataque, com a discreta e exclusiva nomeação do Cardeal Beniamino Stella como membro da Congregação para a Doutrina da Fé. Sim, ninguém mais foi nomeado, somente ele.

Para um leitor desatento, essa nomeação parece pouco significativa. Mas, para quem conhece o mistério que paira sobre a sombria figura desse purpurado, é bastante clamorosa a movimentação, tão mais clamorosa quanto silenciosa.

Aliás, o Cardeal Stella nunca aparece na superfície desse pontificado, mas, como publicamos anteriormente, ele é a verdadeira “eminência parda” em exercício, aquele que dá as cartas, aquele que pontifica!

Agora, sua presença na Congregação para a Doutrina da Fé tem a finalidade de encurralar o Cardeal Müller, Prefeito, amigo pessoal de Papa Ratzinger, organizador de sua Opera Omnia, cujas posições contra o “Paradigma Kasper”, que não prevaleceu no Sínodo, mas apenas em “Amoris Laetitia”, são abundantemente conhecidas.

De fato, estamos no governo das sombras! Enquanto o Papa Francisco finge desconhecer as sérias perguntas dos cardeais, reservando aos mesmos apenas indiretas venenosas, não está parado, age! Começa agora o aparelhamento do antigo Santo Ofício! Realmente, a Doutrina da Fé está na mira!

18 julho, 2016

Joseph Ratzinger, 65 anos depois.

“E assim caiu a fúria da crítica protestante sobre o sacerdócio católico”. No aniversário da ordenação sacerdotal do futuro Bento XVI, o cardeal Müller narra a sua resistência indomável contra a ofensiva dos seguidores de Lutero

Por Sandro Magister | Tradução: FratresInUnum.comROMA, 28 de junho de 2016 – “No momento em que o idoso arcebispo impôs suas mãos sobre mim, um pequeno pássaro – talvez um pardal – voou por detrás do altar-mor da catedral e entoou um canto alegre. Para mim. foi como se uma voz do alto me dissesse: está tudo bem, você está no caminho certo”.

jpg_1351331Na autobiografia de Joseph Ratzinger, há também essa recordação de sua ordenação sacerdotal, ocorrida há 65 anos, 29 de junho de 1951, festa de São Pedro e São Paulo, na catedral de Freising, pelas mãos do cardeal Michael von Faulhaber.

Para comemorar o aniversário com o Papa Emérito, na Sala Clementina, estava também o atual Papa Francisco.

Na ocasião, foi oferecido a Ratzinger um volume que recolhe 43 de suas homilias, com um prefácio escrito pelo próprio Francisco, que já havia sido antecipado há poucos dias pelos jornais  “La Repubblica” e “L’Osservatore Romano”:

> “Toda vez que eu leio as obras de Joseph Ratzinger …”

O volume, intitulado “Ensinar e aprender o amor de Deus”, foi publicado simultaneamente em seis idiomas: em italiano pela Cantagalli, nos EUA pela Ignatius Press, na Alemanha pela Herder, na França pela Parole et Silence, na Espanha pela Biblioteca de Autores Cristianos, e na Polônia pela Universidade Católica de Lublin.

O trecho que segue é retirado da introdução ao livro, escrito pelo cardeal Gerhard L. Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e curador da obra completa de Ratzinger.

No aniversário da ordenação sacerdotal do futuro Bento XVI, o cardeal narra sua indomável resistência contra a ofensiva dos seguidores de Lutero.

Sacerdócio Católico e tentação protestante

Gerhard L. Müller

O Concílio Vaticano II tentou reabrir um novo caminho para a compreensão da verdadeira identidade do sacerdócio. Por que então chegamos agora, no pós Concílio, a uma crise de identidade que historicamente só é comparável com as consequências da Reforma Protestante do século XVI?

Eu penso na crise da doutrina do sacerdócio ocorrida durante a Reforma Protestante, uma crise de caráter dogmático, na qual o sacerdote foi reduzido a um mero representante da comunidade, mediante uma eliminação da diferença essencial entre o sacerdócio ordenado e aquele comum de todos os fiéis. E depois na crise existencial e espiritual, ocorrida na segunda metade do século XX, e que explodiu cronologicamente depois do Concílio Vaticano II -, mas certamente não por causa do Concílio – e cujas consequências hoje ainda sofremos.

Joseph Ratzinger destaca com grande perspicácia que onde é menosprezado o fundamento dogmático do sacerdócio católico, não apenas se esgota a fonte de onde se pode efetivamente beber da vida que nutre os que seguem a Cristo, mas desaparece também a motivação que introduz tanto uma compreensão razoável da renúncia ao casamento pelo reino dos céus (cfr. Mt 19, 12), como do celibato como um sinal escatológico do mundo de Deus que virá,  um sinal para ser vivido com a força do Espírito Santo, na alegria e na certeza.

Se a relação simbólica que pertence à natureza do sacramento é obscurecida, o celibato sacerdotal torna-se o resquício de um passado hostil ao corpo e começa a ser acusado e combatido como a única causa da escassez de sacerdotes. Não menos importante, desaparece, em seguida, também as evidências no ensino e na prática da Igreja, de que o sacramento da Ordem deve ser administrado somente aos homens. Um ofício concebido em termos funcionais na Igreja é exposto à suspeita de legitimar um domínio, que, ao invés, deveria ser baseado e limitado ao sentido democrático.

A crise do sacerdócio no mundo ocidental, nas últimas décadas, é também o resultado de uma desorientação da identidade cristã perante uma filosofia que transfere para o interior do mundo o sentido mais profundo e o fim último da história de cada existência humana, privando-o assim do horizonte da transcendência e da perspectiva escatológica.

Esperar tudo de Deus e fundamentar toda a sua vida a Deus, que em Cristo nos doou tudo: esta e só esta pode ser a lógica de uma escolha de vida que, no completo dom de si, põe-se a caminho no seguimento de Jesus, participando de sua missão de Salvador do mundo, a missão que Ele cumpre no sofrimento e na cruz, e que Ele inevitavelmente revelou através de sua Ressurreição dentre os mortos.

Mas, na raiz desta crise do sacerdócio, é necessário também levar em contra os fatores intra-eclesiais. Como mostrado em seus primeiros discursos, Joseph Ratzinger possui desde o início uma sensibilidade aguçada para perceber imediatamente o choque com o qual se anunciava o terremoto: e isso especialmente na abertura, por parte de muitos católicos, à exegese protestante em voga nos anos cinquenta e sessenta do século passado.

Muitas vezes, do lado católico, não se percebeu as visões preconceituosas das exegese nascidas da Reforma. E assim sobre a Igreja Católica (e ortodoxa), caiu a fúria das críticas ao sacerdócio ministerial, na presunção de que ele não tem um fundamento bíblico.

O sacerdócio sacramental, tudo que se refere ao Sacrifício Eucarístico -, assim como tinha sido afirmado pelo Concílio de Trento – à primeira vista não parecia ser baseado na Bíblia, tanto do ponto de vista terminológico, tanto no que diz respeito às prerrogativas particulares do sacerdote sobre aos leigos, especialmente no que tange ao poder de consagrar. A crítica radical ao culto – e com ela a superação, que visava um sacerdócio que se limitaria à pretensão de mediação – parecia perder terreno para uma mediação sacerdotal na Igreja.

A Reforma atacou o sacerdócio sacramental, porque argumentava-se que ele colocava em questão a unicidade do sumo sacerdócio de Cristo (de acordo com a Carta aos Hebreus) e marginalizava o sacerdócio universal de todos os fiéis (de acordo com 1 Pedro 2: 5). A esta crítica, finalmente, juntou-se a idéia moderna da autonomia do sujeito, com a praxis individualista que dela resulta, a qual vê com desconfiança qualquer exercício de autoridade.

Que visão teológica se seguiu?

Por um lado, observou-se que Jesus, de um ponto sociológico-religioso, não era um sacerdote com funções de culto e portanto, – para usar uma formulação anacrônica – era um leigo.

Do outro, com base no fato de que no Novo Testamento, para os serviços e ministérios, não foi adotada qualquer terminologia sacral,  mas denominações consideradas profanas, parecia que se poderia considerar como inadequada a transformação – na Igreja das origens, a partir do III século – daqueles que desenvolviam meras “funções” dentro da comunidade, em detentores impróprios de um novo sacerdócio do culto.

Joseph Ratzinger apresenta, por sua vez, um exame crítico detalhado, uma crítica histórica à teologia protestante e o faz distinguindo os preconceitos filosóficos e teológicos do uso do método histórico. Ao fazer isso, ele consegue mostrar que com as aquisições da moderna exegese bíblica e uma análise precisa do desenvolvimento histórico-dogmático, podemos chegar de modo bem fundamentado às afirmações dogmáticas produzidas sobretudo no Concílio de Florença, Trento e do Vaticano II.

O que Jesus significa para o relacionamento de todos os homens e de toda a criação com Deus – portanto, o reconhecimento de Cristo como o Redentor e Mediador universal de salvação, desenvolvido na Carta aos Hebreus através da categoria de “Sumo Sacerdote” (Archiereus) – nunca dependeu, como condição, da sua participação no sacerdócio levítico.

O fundamento do ser e da missão de Jesus reside muito mais na sua proveniência do Pai, daquela casa e daquele templo onde vive e deve ficar (cfr. Lc 2, 49). É a divindade do Verbo que faz de Jesus, na natureza que Ele assumiu, o único e verdadeiro Mestre, Pastor, Sacerdote, Mediador e Redentor.

Ele nos torna partícipes desta sua consagração e missão por meio do chamada dos Doze. A partir deles, surge o círculo dos Apóstolos que fundaram a missão da Igreja na história como dimensão essencial da natureza eclesial. Eles transmitem o seu poder aos chefes e pastores da Igreja universal e particular, os quais operam a nível local e supra-local.

17 junho, 2016

“Herético”. O veredito do Cardeal Müller sobre Fernandez, o primeiro conselheiro do Papa.

Em uma entrevista na última edição da “Herder Korrespondenz”, o Cardeal Gerhard L. Müller chamou nada menos que de “herege” a um tipo que se passa como “um dos conselheiros mais próximos do Papa”.

Por Sandro Magister | Tradução: FratresInUnum.com: Eis o que disse o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé:

“O ensinamento sobre o papado enquanto instituição divina não pode ser relativizado por ninguém, porque isso significaria querer corrigir o próprio Deus. […] Já faz algum tempo, que tem alguém que está sendo apresentado por determinados meios de comunicação como um dos conselheiros mais próximos do Papa, segundo o qual se pode muito bem deslocar a sede papal para Medellin ou espalhar os dicastérios da cúria por diferentes igrejas locais. Isso é fundamentalmente errado e até mesmo herético [sogar häretisch]. Sobre essa matéria, basta ler a constituição dogmática “Lumen Gentium” do Concílio Vaticano II para reconhecer o absurdo eclesiológico destes jogos mentais. A sede do papa é a Igreja de São Pedro em Roma”.

jpg_1351304Müller acrescentou que a missão explícita de São Pedro, de “guiar toda a Igreja como seu pastor supremo”, foi transmitida “para a Igreja de Roma e, com ela, a seu bispo, o papa”. E isso “não é um jogo organizativo, mas feito para preservar a unidade dada por Deus” e que também inclui “o papel do alto clero da Igreja romana, os cardeais, que ajudam o Papa no exercício do seu Primado”.

Não é difícil adivinhar quem é que está na mira de Müller. Trata-se de Dom Víctor Manuel Fernández, reitor da Universidade Católica Argentina em Buenos Aires e confidente de longa data de Jorge Mario Bergoglio, bem como, de fato, seu teólogo de confiança e arquiteto principal de seus principais documentos, desde a “Evangelii Gaudium” a “Amoris Laetitia “, e esta última chega ao ponto de plagiar trechos de artigos escritos pelo próprio Fernández há dez anos atrás:

“Amoris Laetitia” tem um escritor fantasma. Chama-se Víctor Manuel Fernández.

Mas o que o Cardeal Müller não engoliu mesmo de Fernández, é o que ele disse em uma entrevista ao “Corriere della Sera” de 10 de Maio de 2015:

“A Cúria do Vaticano não é uma estrutura essencial. O Papa poderia muito bem ir viver fora de Roma, ter um dicastério em Roma e outro em Bogotá, e talvez se conectar por teleconferência com os peritos em liturgia residentes na Alemanha. Em torno do Papa o que existe é um sentido teológico, é o colégio de bispos para servir o povo. […] os próprios cardeais podem desaparecer, na medida em que não são essenciais”.

E Fernández disse ainda, acusando precisamente o Cardeal Prefeito, que em entrevista ao “La Croix”, em 29 de Março, havia atribuído à Congregação para a Doutrina da fé “a missão de estruturação teológica” de um  Pontificado eminentemente “pastoral” como é o de Francisco:

“Eu li que alguns dizem que a Cúria Romana é uma parte essencial da missão da Igreja, ou que um prefeito do Vaticano é a bússola segura que impede a Igreja de cair no pensamento light, ou que aquele prefeito assegura a unidade da fé e garante ao pontífice uma teologia séria. Mas os Católicos, ao lerem o Evangelho, sabem que Cristo assegurou uma guia e iluminação especial ao papa junto a todos os bispos, mas não a um prefeito ou a uma outra estrutura. Quando se ouve dizer coisas desse tipo, quase parece que o papa é apenas um representante deles, ou aquele que veio para perturbá-los e deve ser controlado”.

Mais de um ano se passou desde que o teólogo argentino disparou contra Muller, mas aparentemente o Papa não ficou nem um pouco incomodado, visto que o mantém cada vez mais próximo.

E agora que Müller emitiu contra Fernández o veredito de “heresia”, é certo que quem vai cair ainda mais baixo no conceito do papa será ele, o cardeal, que já não conta para nada como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e muito menos para a “estruturação teológica” deste pontificado.

A este propósito, não é de excluir que o Papa se referia especialmente a Müller quando, em seu terceiro sermão no retiro para sacerdotes, em 2 de Junho, disse ao comentar o encontro de Jesus com a mulher adúltera:

“Às vezes me dá uma mistura de pena e indignação quando alguém se esforça para explicar a última recomendação, o ‘não peques mais” e utiliza esta frase para “defender” Jesus e não o fato de que Ele passou por cima da lei”.

Com efeito, o Cardeal Müller tinha, de fato, escrito ao tomar uma posição em 2013, tendo em vista o sínodo sobre a família:

“Outra tendência em favor da admissão de divorciados novamente casados aos sacramentos é aquela que invoca o argumento da misericórdia. Porque o próprio Jesus era solidário com os sofredores, doando-lhes o seu amor misericordioso, a misericórdia seria um sinal especial de autêntico discipulado. Isso é verdade, mas é um argumento fraco quando se trata de matéria teológica e sacramental, porque toda a ordem sacramental é exatamente obra da misericórdia divina e não pode ser revogada sem negar o mesmo princípio que a sustenta.

“Através do que objetivamente soa como uma alusão falsa à misericórdia, incorre-se no risco da banalização da própria imagem de Deus, segundo a qual Deus não poderia fazer outra coisa senão perdoar. Ao mistério de Deus pertencem, além da misericórdia, também  a santidade e a justiça. Se resolvem ocultar esses atributos de Deus e não levam a sério a realidade do pecado, não se pode nem mesmo levar às pessoas a sua misericórdia.

“Jesus encontrou a mulher adúltera com grande compaixão, mas também disse: “Vai, e não peques mais” (Jo 8, 11). A misericórdia de Deus não dispensa dos mandamentos de Deus e das instruções da Igreja, antes, ela concede o poder da graça para a sua plena realização, para levantar-se após a queda e para uma vida de perfeição à imagem do Pai celeste “.

Mais do que isso, Müller escreveu em um livro-entrevista de 2014 e outro em 2016.

9 junho, 2016

Vaticano apresentará novo documento sobre carisma e hierarquia.

Cidade do Vaticano (RV) – Um novo documento da Congregação para a Doutrina da Fé, a carta “Iuvenescit Ecclesia” aos bispos da Igreja católica, “sobre a relação entre dons hierárquicos e carismáticos na vida e na missão da Igreja”, será publicado terça-feira (14/06) e apresentado em coletiva de imprensa no Vaticano.

Os Cardeais Gerhard Ludwig Mueller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos; Mons. Piero Coda, membro da Comissão Teológica Internacional e Maria del Carmen Aparicio Valls, docente na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana.

A carta “Iuvenescit Ecclesia” (A Igreja se rejuvenesce) estará sob embargo até 12h da data da apresentação, e será publicada em italiano, francês, inglês, alemão, espanhol e português.

13 maio, 2016

Mulheres diaconisas? O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé já descartou a idéia em 2002.

Mulheres diaconisas? Uma perspectiva sobre o Sacramento da Ordem.

Por Zenit, 17 de janeiro de 2002 | Tradução: FratresInUnum.com: Munique, Alemanha – Em sua assembléia anual, no mês passado, a Comissão Teológica Internacional da Congregação para a Doutrina da Fé abordou o tema do diaconato.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em uma entrevista ao jornal alemão Católico Die Tagespost, Professor Gerhard Ludwig Müller, da Faculdade de Teologia da Universidade de Munique, resumiu os resultados da discussão. Os resultados estão incluídos num documento entregue ao cardeal Joseph Ratzinger.

 

Müller explicou que o diaconato não é um sacramento separado, mas parte do sacramento da Ordem. Ele observou que nunca houve ordenações sacerdotais de mulheres, uma possibilidade excluída pela Igreja em muitas ocasiões. A seguir, um trecho de entrevista de Müller.

Q: Seria o diaconato um sacramento por si mesmo?

Müller: A Igreja ensina claramente que o sacramento da Ordem é um dos sete sacramentos da Igreja; como pleno é exercício do Espírito Santo em sua missão, único na sua origem, ou seja, dos Apóstolos de Cristo, exercido em sua plenitude pelo bispo. De acordo com seu grau de especificidade, a participação diferenciada nele é o chamado ao presbiterato ou diaconato.

Q: É possível separar o diaconato de mulheres do sacerdócio das mulheres?

Müller: Não,  por causa da unidade do sacramento da Ordem, que foi sublinhada nas deliberações da Comissão Teológica; ela não pode ser medida com um critério diferente. Assim, seria uma discriminação real da mulher se ela fosse considerada como apta para o diaconato, mas não para o presbiterato ou episcopado.

A unidade do sacramento seria rasgada em sua raiz se o diaconato como ministério de serviço fosse contraposto ao presbiterato como ministério de governo, daí poderia se deduzir que a mulher, ao contrário do homem, tem uma maior afinidade para servir e por isso estaria apta para o diaconato, mas não para o presbiterato.

No entanto, o ministério apostólico é conjuntamente um ministério de serviço nos três graus em que ele é exercido.

A Igreja não ordena mulheres, não porque falta a elas algum dom espiritual ou talento natural, mas porque – assim como no sacramento do matrimônio – a diferença sexual e o relacionamento entre homem e mulher contém em si um simbolismo que apresenta e representa em si mesmo uma condição precedente para expressar a dimensão salvífica da relação de Cristo com a Igreja.

Se o diácono, com o bispo e presbítero, a partir da unidade radical dos três graus das ordens, atuam como Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja, em favor da Igreja, é óbvio que apenas um homem pode representar esta relação de Cristo com a Igreja.

E no sentido inverso, é igualmente óbvio que Deus só poderia tomar Sua natureza humana de uma mulher e, por causa disso, o sexo feminino tem na ordem da graça – por causa da referência interna da natureza e da graça – uma inconfundível e fundamental importância, que de forma alguma é meramente acidental.

Q: Há declarações doutrinais que dizem respeito ao diaconato feminino?

Müller: A tradição litúrgica e teológica da Igreja usa uma linguagem unânime. Existe um ensinamento doutrinário irreversível da Igreja sobre este assunto, que é garantido pelo magistério geral e ordinário da Igreja e que pode vir a ser confirmado novamente com maior autoridade, se a tradição doutrinal da Igreja continuar a ser apresentada de uma forma adulterada, visando forçar uma evolução em uma direção específica.

Eu fico espantado com a falta de conhecimento histórico de alguns, e a ausência do sentido da fé; se não fosse por isso, eles saberiam que nunca foi e nunca será possível colocar a Igreja, justamente, no âmbito central da sua doutrina e da liturgia, em contradição com a Sagrada Escritura e sua própria Tradição.

Q: O que acontece quando um Bispo validamente ordenado, mas fora da comunhão da Igreja, ordena uma mulher como diaconisa?

Müller: Invisivelmente, isto é, diante de Deus, nada acontece, porque tal ordenação é inválida. Visivelmente, isto é, na Igreja, se algo [assim] acontece, o tal bispo católico que realiza uma ordenação irregular incorre na pena de excomunhão.

Q: Poderia o Papa dizer que no futuro as mulheres serão ordenadas ao diaconato?

Müller: Ao contrário do que muitos pensam, o Papa não é o proprietário da Igreja ou o soberano absoluto da sua doutrina. A ele foi confiado apenas a salvaguarda da Revelação e sua autêntica interpretação.

Tendo em mente a fé da Igreja, ou seja, essa fé que é expressa na sua prática dogmática e litúrgica, é impossível para o papa intervir na substância dos sacramentos, à qual a questão do sujeito receptor legítimo do sacramento da Ordem essencialmente pertence.

Q: Então as mulheres estão completamente excluídas da participação em serviços eclesiais? Será que não há lugar para as mulheres na Igreja?

Müller: Se deixarmos de lado essa redução da Igreja apenas ao seu lado clerical, a questão já não mais seria formulada desta forma. Em seus processos vitais e em seu serviço ao homem, a Igreja é essencialmente uma responsabilidade de todos os cristãos, especificamente também dos leigos.

Em muitos países, no presente momento, não podemos reclamar de um excesso de apostolado ativo por parte dos leigos. Pensemos na saída dramática de mulheres das ordens femininas e comunidades religiosas, sem as quais a Igreja jamais teria se  enraizado nas diferentes nações e culturas.

Nos ministérios específicos da lei canônica e humana, para os quais também os leigos podem ser chamados a colaborar em conjunto com a hierarquia, ou seja, com o bispo, presbítero e diácono, as mulheres realizam serviços importantes para a Igreja, que são também satisfatórios para elas mesmas tanto de um ponto de vista humano como espiritual.

O que as mulheres fazem nos dias de hoje como professoras de religião, professoras de teologia, agentes pastorais e também em atividades não remuneradas nas comunidades vai muito além do que as diaconisas da igreja primitiva faziam.

O restabelecimento do antigo ministério das diaconisas só seria um anacronismo engraçado. Pelo contrário, o Concílio já deu orientações para o futuro da colaboração dos leigos no Capítulo 4 da Constituição “Lumen Gentium” – infelizmente, não muito estudado.

20 abril, 2016

O grande cerco ao cardeal Müller.

IHU – Há uma distância que vem sendo notada por todos no Vaticano, a existente entre o papa e o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Ludwig Müller. Uma frieza que ficou evidente a partir da exclusão do purpurado alemão da apresentação da exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia há duas semanas.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 19-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quem esclareceu o conteúdo do esperado e delicado documento foram – além do casal Miano – o cardeal Lorenzo Baldisseri e o cardeal Christoph Schönborn. O primeiro, em versão notarial, sendo secretário do Sínodo dos bispos; o segundo, encarregado de ilustrar o perfil teológico da exortação.

De Müller, nem mesmo a sombra, assim como tinha acontecido nas duas assembleias de 2014 e 2015, quando o grande debate não só midiático, mas sobretudo interno à Igreja – como demonstra a série de publicações enviadas à imprensa por sacerdotes, bispos e cardeais nos últimos dois anos –, vertia justamente sobre a interrogação de saber se o que mudaria seria a doutrina, mais do que a simples práxis pastoral.

O fato é que o cardeal ex-bispo de Regensburg e Francisco têm linhas diametralmente opostas sobre o tema. Basta comparar os escritos de Müller com as palavras de Bergoglio, em que o primeiro relembra a exigência de confirmar aqueles “saudáveis” marcos plantados pela Igreja ao longo dos séculos, e o pontífice que afirma claramente que a misericórdia vai muito além da lei e do legalismo, que nada está excluído do infinito amor de Deus.

A divergência fica evidente se tomarmos uma passagem em particular da Amoris laetitia, o parágrafo 311 do oitavo capítulo, em que se afirma que se “é verdade que a misericórdia não exclui a justiça e a verdade”, é preciso reiterar fortemente que “a misericórdia é a plenitude da justiça e a manifestação mais luminosa da verdade de Deus. Por isso, convém sempre considerar inadequada qualquer concepção teológica que, em última instância, ponha em dúvida a própria omnipotência de Deus e, especialmente,
a sua misericórdia”.

Müller, em um artigo publicado na véspera do primeiro Sínodo no jornal alemão Tagespost e, depois, retomado peloL’Osservatore Romano, porém, tinha ressaltado que “ao mistério de Deus pertencem, além da misericórdia, também a santidade e a justiça; se escondermos esses atributos de Deus e não levarmos a sério a realidade do pecado, não podemos nem mesmo mediar às pessoas a Sua misericórdia”.

Via dupla no Vaticano

Mais do que sobre a exortação em si, que, contudo, não vê recebidas todas as indicações enviadas pelo ex-Santo Ofício, o problema – assinalado no Vaticano – é que o prefeito tem um papel totalmente marginal na escrita e no debate sobre atos de tão grande importância, a tal ponto que mais de uma pessoa do outro lado do Rio Tibre chegou a falar de uma possível – embora não iminente – mudança na liderança da Congregação, profetizando também a eventualidade de que o segundo sucessor de Ratzinger decida se afastar.

O próprio papa prefere outra linha, e ele admitiu isso explicitamente no sábado, na costumeira coletiva de imprensa a bordo do avião papal de volta a Roma da viagem relâmpago para Lesbos. Questionado sobre a Amoris laetitia e sobre a dúvida sobre a abertura de portas aos divorciados recasados, por parte do correspondente em Roma do Wall Street Journal, Francis X. Rocca, Francisco se limitou a remeter à leitura do discurso proferido pelo cardealSchönborn, “que é um grande teólogo. Ele é membro da Congregação para a Doutrina da Fé e conhece bem a doutrina da Igreja”.

Acontece que o arcebispo de Viena foi o verdadeiro “vencedor” do Sínodo, tendo delineado no círculo menor em língua alemã, em outubro passado, a proposta que, depois, seria retomada quase integralmente na exortação papal. Grupo do qual Müller também fazia parte, que deu, sim, a luz verde ao texto – o cardeal Walter Kasper, não por acaso, no Sínodo ordinário, repetiu várias vezes, satisfeito, o placet do prefeito –, mas que nunca fez mistério do fato de alimentar dúvidas sobre a ambiguidade de algumas posições contidas nele.

Todos elementos que encontram espaço no último livro de Müller, Informe sobre la esperanza, publicado na Espanhae em breve na Itália, pela editora Cantagalli. E no qual, dentre outras coisas, o purpurado alemão diz que “nós, católicos, não temos nenhum motivo para festejar o dia 31 de outubro de 1517”, isto é, a data que relembra o início daReforma luterana. Evento que o papa irá celebrar na Suécia, no próximo dia 31 de outubro.

1 abril, 2016

Como o cardeal Müller relê o Papa.

IHU – Ponto a ponto, a exegese que o prefeito da Doutrina da Fé faz das palavras de Francisco que mais serviram a equívocos. Sobre a homossexualidade, comunhão aos divorciados em segunda união, Lutero, sacerdócio feminino, celibato do clero.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Chiesa.it, 29-03-2016. A tradução é do Cepat.

1zmkw41A expectativa a respeito da exortação apostólica na qual Francisco resumirá o duplo Sínodo sobre a Família é cada vez mais febril. Já estão tomando posição nas respectivas frentes as expectativas que concernem ao documento papal, o que faz prever desde agora as divisões que surgirão após sua publicação.

Por um lado, um triunfante cardeal Walter Kasper, chefe das fileiras dos reformadores, segundo o qual a exortação “será o primeiro passo de uma reforma que fará a Igreja virar a página após um período de 1700 anos” (com uma suposta referência ao Concílio de Niceia, do ano 325, cujo cânon 8, segundo uma atrevida exegese, autorizaria a comunhão aos divorciados em segunda união).

Ao passo que na frente oposta está, por exemplo, o arcebispo Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário do Papa emérito Bento XVI, segundo o qual a exortação dirá “o que sempre disse o magistério da Igreja”, sem desvios na doutrina ou na prática pastoral.

A sensação difundida é que as duas frentes têm suas razões, em razão da invencível ambiguidade que caracteriza as declarações do Papa Francisco. É fácil prever que qualquer um que desejar poderá descobrir nas mais de 200 páginas do documento a passagem que mais gostar e, como consequência, atuar.

O texto prévio da exortação também foi examinado pela Congregação para a Doutrina da Fé que, segundo algumas indiscrições, foi devolvido ao Papa com muitas propostas de modificação. Não se sabe se e em que medida Francisco levou em consideração as observações da Congregação.

No entanto, sabe-se o que pensa a esse respeito o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal alemão Gerhard L. Müller, que também é um dos treze cardeais que, no início do último sínodo, colocaram em guarda o Papa, com uma carta, acerca do perigo de “resultados predeterminados sobre importantes questões controvertidas”, em ruptura com a tradição, sobretudo no que diz respeito à comunhão aos divorciados em segunda união.

E agora Müller, justamente quando é iminente a publicação da exortação apostólica,  veio novamente à arena pública com um livro-entrevista de amplo alcance, não só a respeito da família, como também sobre outras questões candentes.

O livro saiu há alguns dias, na Espanha, publicado pela Biblioteca de Autores Cristãos, e logo também estará disponível em italiano, inglês, francês e alemão.

O título do livro lembra o do livro-entrevista que o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, publicou em 1985 e que teve um imenso eco em todo o mundo: “Informe sobre a fé”. Ratzinger não é somente o mestre de Müller, também o sucedeu no mesmo cargo na Doutrina da Fé e, além disso, é a pessoa a quem o Papa emérito confiou a publicação de toda a sua obra teológica.

Na sequência, cinco passagens do livro a respeito de um número igual de questões controvertidas.

Do “Informe sobre a esperança”, por Gerhard L. Müller

“Quem sou eu para julgar”

Justamente aqueles que até agora não mostraram nenhum respeito pela doutrina da Igreja, no momento, servem-se de uma frase solta do Santo Padre, “Quem sou eu para julgar?”, retirada do contexto, para apresentar ideias desviadas sobre a moral sexual sob uma suposta interpretação do “autêntico” pensamento do Papa.

A questão homossexual que abriu margem à pergunta realizada ao Santo Padre, já aparece na Bíblia, tanto no Antigo Testamento (cf. Gn 19; Dt 23, 18s; Lv 18, 22; 20, 13; Sb 13-15), como nas cartas Paulinas (cf. Rm 1, 26s; 1Co 6, 9s), tratada como um assunto teológico (com os condicionamentos próprios que comporta a historicidade da Revelação).

Da Sagrada Escritura se deriva a intrínseca desordem dos atos homossexuais, por não proceder de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Trata-se de uma questão muito complexa em razão das muitas implicações que emergiram fortemente nos últimos anos. De qualquer modo, a concepção antropológica que é derivada da Bíblia comporta algumas inescapáveis exigências morais e, por sua vez, um escrupuloso respeito à pessoa homossexual. Tal pessoa, chamada à castidade e à perfeição cristã mediante o domínio de si mesmo e, às vezes, com o apoio de uma amizade desinteressada, vive “uma autêntica prova, devendo ser acolhida com respeito, compaixão e delicadeza, evitando-se qualquer sinal de discriminação injusta” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357-2359).

No entanto, para além do problema suscitado com a descontextualização da mencionada frase do Papa Francisco, pronunciada como um sinal de respeito à dignidade da pessoa, parece-me evidente que a Igreja, com seu Magistério, está capacitada para julgar a moralidade de determinadas situações. Esta é uma verdade indiscutível: Deus é o único Juiz que nos julgará no final dos tempos e o Papa e os bispos têm a obrigação de apresentar os critérios revelados para este Juízo Final, que agora já se antecipa em nossa consciência moral.

A Igreja sempre diz “isto é verdadeiro, isto é falso” e ninguém pode interpretar de modo subjetivista os Mandamentos de Deus, as Bem-aventuranças, os Concílios, segundo seus próprios critérios, seu interesse ou inclusive segundo suas necessidades, como se Deus fosse apenas um fundo para a sua autonomia. A relação entre a consciência pessoal e Deus é concreta e real, iluminada pelo Magistério da Igreja. A Igreja goza do direito e da obrigação de declarar que uma doutrina é falsa, exatamente porque essa doutrina desvia as pessoas simples do caminho que conduz a Deus.

Desde a Revolução Francesa, dos sucessivos regimes liberais e dos sistemas totalitários do século XX, o objeto dos principais ataques sempre foi a concepção cristã da existência humana e seu destino.

Quando não se pôde vencer sua resistência, permitiu-se a manutenção de alguns de seus elementos, mas não do cristianismo em sua substância, sendo que este deixou de ser o critério de toda a realidade e foram favorecidas as mencionadas posições subjetivistas. Estas se originam em uma nova antropologia não cristã relativista que prescinde do conceito de verdade: o homem de hoje se vê obrigado a viver perenemente na dúvida. Mais ainda: a afirmação de que a Igreja não pode julgar situações pessoais se assenta sobre uma falsa soteriologia, ou seja, que o homem é seu próprio salvador e redentor.

Submetendo a antropologia cristã a este reducionismo brutal, a hermenêutica da realidade que dela deriva só adota aqueles elementos que interessam ou convêm ao indivíduo: alguns elementos das parábolas, certos gestos bondosos de Cristo ou aquelas passagens que o apresentariam como um simples profeta do social ou um mestre em humanidade.

Por outro lado, censura-se o Senhor da história, ao Filho de Deus que chama à conversão ou ao Filho do Homem que virá para julgar os vivos e mortos. Na realidade, este cristianismo simplesmente tolerado fica vazio de sua mensagem, esquecendo que a relação com Cristo, sem a conversão pessoal, é impossível.

Quem pode receber a Eucaristia

O Papa Francisco diz na “Evangelii Gaudium” (n. 47) que a Eucaristia “não é um prêmio para os perfeitos, mas, sim, um generoso remédio e um alimento para os fracos”. Vale a pena analisar esta frase com profundidade, para não confundir o seu sentido.

Em primeiro lugar, é preciso destacar que esta afirmação expressa a primazia da graça: a conversão não é um ato autônomo do homem, mas, ao contrário, em si, é uma ação da graça. Porém, disso não se pode deduzir que a conversão seja uma resposta externa de agradecimento pelo que Deus fez em mim, ainda que por sua conta, sem mim. Tampouco posso concluir que qualquer um pode se aproximar para receber a Eucaristia, mesmo que não esteja em graça e não tenha as devidas disposições, só porque é um alimento para os fracos.

Antes de tudo, deveríamos nos perguntar, o que é a conversão? É um ato livre do homem e, ao mesmo tempo, é um ato motivado pela graça de Deus que sempre prevê os atos do homem. É por isso um ato integral, incompreensível se a ação de Deus se separa da ação do homem. […].

No sacramento da penitência, por exemplo, observa-se com toda clareza a necessidade de uma resposta livre por parte do penitente, expressada em sua contrição do coração, seu propósito de reparação, sua confissão dos pecados, sua satisfação. Por isso, a teologia católica nega que Deus faça tudo e que o homem seja puro recipiente das graças divinas. A conversão é a nova vida que nos é dada pela graça e também, ao mesmo tempo, é uma tarefa que nos é oferecida a modo de condição da perseverança na graça. […].

Só há dois sacramentos que constituem o estado da graça: o Batismo e o sacramento da Reconciliação. Quando se perdeu a graça santificante, necessita-se do sacramento da Reconciliação para recuperar esse estado, não como mérito próprio, mas como presente, como um dom que Deus oferece na forma sacramental. O acesso à comunhão eucarística pressupõe certamente a vida de graça, pressupõe a comunhão no corpo eclesial, pressupõe também uma vida ordenada conforme o corpo eclesial para poder dizer “Amém”. São Paulo insiste em que aquele que come o pão e bebe o vinho do Senhor indignamente, será réu do corpo e sangue do Senhor (1Co 11, 27).

Santo Agostinho afirma que “aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Sermão 169). Deus pede minha colaboração. Uma colaboração que é também presente seu, mas que implica a minha acolhida desse dom.

Se as coisas fossem de outra forma, poderíamos cair na tentação de conceber a vida cristã ao estilo das realidades automáticas. O perdão, por exemplo, seria convertido em algo mecânico, quase em uma exigência, não em um pedido que também depende de mim, pois eu o devo fazer. Eu iria, então, à comunhão sem o estado de graça requerido e sem me aproximar do sacramento da Reconciliação. Inclusive, daria por certo, sem nenhuma evidência para isso a partir da Palavra de Deus, que este me concede privadamente o perdão de meus pecados para essa mesma comunhão. Este é um conceito falso de Deus, é tentar a Deus. Acarreta também um conceito falso de homem, ao desvalorizar o que Deuspode suscitar nele.

Protestantização da Igreja

Estritamente falando, nós, católicos, não temos nenhum motivo para celebrar o dia 31 de outubro de 1517, data que se considera o início da Reforma que conduz à ruptura da cristandade ocidental.

Se estamos convencidos de que a Revelação se conservou íntegra e inalterada através da Escritura e da tradição na doutrina da Fé, nos Sacramentos, na constituição hierárquica da Igreja por direito divino, fundada sobre o sacramento da Ordem sagrado, não podemos aceitar que existam motivos suficientes para se separar da Igreja.

Os membros das comunidades eclesiais protestantes consideram este acontecimento a partir de outra ótica, pois pensam que é a oportunidade adequada para celebrar a redescoberta da “palavra pura de Deus”, supostamente desfigurada através da história por tradições meramente humanas. Os Reformadores protestantes concluíram, há quinhentos anos, que alguns hierarcas da Igreja não só eram moralmente corruptos, como também haviam distorcido o Evangelho e, como consequência, haviam bloqueado o caminho de Salvação dos crentes para Jesus Cristo. Para justificar a separação, acusaram o Papa, supostamente a cabeça deste sistema, de ser o Anticristo.

Como progredir hoje, com realismo, no diálogo ecumênico com as comunidades evangélicas? O teólogo Karl-Heinz Menke está certo quando afirma que a relativização da verdade e a adoção acrítica das ideologias modernas são o principal obstáculo para a unidade na verdade.

Neste sentido, uma protestantização da Igreja Católica a partir de um pensamento secular sem referência à transcendência não nos pode reconciliar com os protestantes, nem sequer pode permitir um encontro com o Mistério de Cristo, pois Nele somos depositários de uma Revelação sobrenatural a qual todos nós devemos, desde a completa obediência do intelecto e da vontade (cf. “Dei Verbum”, 5).

Acredito que os princípios católicos do ecumenismo, tal como foram propostos e desenvolvidos pelo decreto doConcílio Vaticano II, continuam sendo plenamente válidos (cf. “Unitatis Redintegratio”, 2-4). Por outra parte, o documento da Congregação para a Doutrina da Fé “Dominus Iesus”, do Ano Santo de 2000, incompreendido por muitos e injustamente rejeitado por outros, acredito que é, sem nenhum gênero de dúvidas, a carta magna contra o relativismo cristológico e eclesiológico deste momento de tanta confusão.

Sacerdócio Feminino

A pergunta se o sacerdócio feminino é uma questão disciplinar que a Igreja poderia simplesmente mudar não é procedente, porque toca em um tema já decidido.

O Papa Francisco também deixou isto claro, assim como seus predecessores. A esse respeito, recordo que São João Paulo II, no n. 4 da Exortação Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”, de 1994, reforçou com o plural majestático (“declaramus”), no único documento em que este Papa usa esta forma verbal, que é doutrina definitiva ensinada infalivelmente pelo magistério ordinário universal (can. 750 § 2 CIC) que a Igreja não tem a autoridade para admitir as mulheres no sacerdócio.

É competência do Magistério decidir se uma questão é dogmática ou disciplinar. Neste caso, a Igreja já decidiu que esta proposta é dogmática e que, sendo de direito divino, não pode ser mudada, nem sequer pode ser revisada. Poderia ser justificada com muitas razões, como a fidelidade ao exemplo do Senhor ou o caráter normativo da práxis multissecular da Igreja, mas não acredito que este tema deva ser profundamente tratado aqui, pois os documentos que o mencionam expõem suficientemente os motivos para rejeitar esta possibilidade.

Não gostaria de deixar de destacar que há uma igualdade essencial entre o varão e a mulher no plano da natureza e também na relação com Deus pela graça (cf. Gl 3, 28). No entanto, o sacerdócio implica uma simbolização sacramental da relação de Cristo, cabeça ou esposo, com a Igreja, corpo ou esposa. As mulheres podem exercer cargos na Igrejasem mais, sem problema algum. A este respeito, sempre que posso torno público meu agradecimento ao numeroso grupo de mulheres leigas e religiosas, algumas delas com qualificada titulação universitária, que prestam sua indispensável colaboração à Congregação para a Doutrina da Fé.

Contudo, por outro lado, não seria sério realizar propostas a partir de simples cálculos humanos, dizendo, por exemplo, “se abrirmos o sacerdócio às mulheres, superaremos o problema vocacional” ou “se aceitássemos o sacerdócio feminino, apresentaríamos uma imagem mais moderna ao mundo”.

Acredito que esta maneira de conceber o debate é muito superficial, ideológica e, sobretudo, antieclesial, pois é óbvio que se trata de uma questão dogmática já definida por quem tem a responsabilidade por isto e não de um tema meramente disciplinar.

Celibato Sacerdotal

O celibato sacerdotal, tão contestado em certos ambientes eclesiásticos atuais, encontra sua raiz nos Evangelhos como conselho evangélico, mas também tem uma relação intrínseca com o ministério do sacerdote.

O sacerdote é mais que um funcionário religioso ao qual se atribui uma missão independente de sua vida. Sua vida tem a ver com sua missão apostólica e, por isso, claramente, na reflexão paulina e também nos mesmos evangelhos, o conselho evangélico aparece relacionado à figura dos ministros eleitos por Jesus. Os apóstolos, por seguir a Cristo, deixaram todas as seguranças humanas para trás e, em particular, sua esposa. A este respeito, São Paulo nos fala de sua própria experiência em 1Co 7, 7, onde parece considerar o celibato como um carisma singular que ele recebeu.

Atualmente, o vínculo entre celibato e sacerdócio como dom peculiar de Deus mediante o qual os ministros sagrados podem se unir mais facilmente a Cristo, com um coração inteiro (can. 277 & 1 CIC; “Pastores dabo vobis”, 29), acontece em toda a Igreja aniversal, ainda que de forma diversa. Na Igreja oriental, como sabemos, atinge apenas o sacerdócio dos bispos, mas o próprio fato de que se exija destes nos indica que tal Igreja não o concebe como uma disciplina externa.

No antes mencionado ambiente de contestação ao celibato, está muito difundida a seguinte analogia: há alguns anos, teria sido inimaginável que uma mulher pudesse ser soldada e hoje, ao contrário, os exércitos modernos contam com muitas mulheres soldada, plenamente capacitadas para um trabalho considerado tradicionalmente como exclusivamente masculino. Não acontecerá o mesmo com o celibato? Não será um inveterado costume do passado que é necessário revisar?

No entanto, a substância do ofício militar, independentemente de algumas questões de tipo prático, não reivindica um determinado sexo em quem o exercita, enquanto que o sacerdócio está em íntima conexão com o celibato.

O Concílio Vaticano II e outros documentos magisteriais mais recentes ensinam uma conformidade ou adequação interna entre celibato e sacerdócio tal, que a Igreja de rito latino não se sente capacitada para mudar tal doutrina com uma decisão arbitrária que rompa com um desenvolvimento progressivo da regulação canônica que durou longos séculos, a partir de um reconhecimento de tal vínculo interno que é anterior a tal legislação. Nós não podemos romper unilateralmente com toda uma série de declarações de papas e concílios e com a firme e continuada adesão da Igreja Católica à imagem do sacerdote celibatário.

As crises do celibato na Igreja Católica latina foi um tema recorrente em momentos especialmente difíceis na Igreja. Para citar um exemplo, podemos evocar os tempos da Reforma Protestante, os da Revolução Francesa e, mais recentemente, os anos da Revolução Sexual, nos anos 1960 e 1970 do século passado. Porém, se algo podemos aprender do estudo da história da Igreja e de suas instituições é que tais crises sempre demonstraram e consolidaram a bondade da doutrina sobre o celibato.

3 março, 2016

Cardeal Müller sobre a comunhão a “recasados”: “Não é possível negociar o ensinamento de Jesus Cristo”.

Autoridade vaticana põe um fim no debate sobre divorciados: não podemos negociar ensinamentos de Cristo

Vaticano, 02 Mar. 16 / 01:30 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, colocou um fim no debate sobre a situação dos divorciados em nova união dentro da Igreja e a possibilidade de que comunguem a partir de uma proposta dos bispos alemães durante o Sínodo da Família.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em uma entrevista concedida esta semana ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger, de Colônia, a autoridade vaticana descartou que a Igreja possa reinterpretar os ensinamentos de Cristo sobre o matrimônio.

O Cardeal também negou que haja uma “batalha” dentro do Vaticano acerca deste tema e explicou que o Cardeal Walter Kasper – que promove há vários anos a comunhão para divorciados em nova união – já se retratou por ter usado uma metáfora que sugeria tal enfrentamento.

“Não é possível negociar o ensinamento de Jesus Cristo. E este ensinamento é, depois de tudo: o que Deus uniu, o homem não separa. Não pode haver nenhum compromisso nisto”, sublinhou o Cardeal Müller e logo esclareceu que não podemos “como seres humanos converter a clara palavra de Deus em algo vago. Uma sólida aproximação pastoral é o contrário da relativização das palavras de Cristo”.

A autoridade vaticana reiterou que para o Papa Francisco a situação dos divorciados em nova união na Igreja não se limita a comunhão, mas pede sua integração na vida eclesiástica, “cujo último passo pode constituir a comunhão, depois de um processo de conversão e arrependimento se cumprirem com pré-requisitos geralmente válidos”.

“Não é possível um segundo matrimônio ou um segundo esposo, enquanto viva o anterior, segundo a interpretação católica das palavras de Jesus”, indicou o Cardeal Müller e adicionou que “a Igreja não é capaz de dissolver ou suspender um matrimônio válido e verdadeiramente sacramental”.

Neste sentido, precisou que “o Papa e todos nós queremos evitar cuidadosamente que as pessoas se afastem da Igreja como comunidade de salvação. Existem outras formas – teologicamente válidas e legítimas – de participar da vida da Igreja. A comunhão com Deus e com a Igreja não está só constituída pela recepção oral da Eucaristia”.

O Prefeito foi questionado especificamente a respeito da proposta que os bispos alemães, liderados pelo Presidente do Episcopado, Cardeal Reinhard Marx, apresentaram no Sínodo da Família a fim de permitir que os divorciados em nova união comunguem “olhando cada caso” e segundo sua consciência.

O Cardeal Müller explicou que isto seria possível somente “quando os esposos – como o Papa João Pablo II recordou o permanentemente válido ensinamento da Igreja sobre o matrimônio em sua Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (1981) — vivem juntos como irmão e irmã”.

O entrevistador recordou à autoridade vaticana que o Cardeal Marx considera irreal esperar que os casais convivam em abstinência sexual. E o Cardeal Müller recordou que “isso foi o que também pensaram os apóstolos quando Jesus lhes explicou a indissolubilidade do matrimônio (Mt 19, 10). Mas, o que parece impossível para os seres humanos é possível pela graça de Deus”.

9 setembro, 2015

Sínodo, Müller: risco de cisma. ‹‹ Aqueles que são fiéis aos ensinamentos da Igreja estão sendo difamados como ‘adversários do Papa’››.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Müller, falando em Regensburg, alertou sobre a possibilidade real de uma divisão séria dentro da Igreja sobre as questões que afetam o casamento e sexualidade.

Por Marco Tosatti  – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com – Ele referiu-se em particular aos bispos de sua Alemanha natal, e disse que pretensão deles de assumir um papel de liderança na definição da política da Igreja universal deveria ser examinadas de modo crítico, especialmente à luz do êxodo em massa na Igreja Católica na Alemanha.

Müller acrescentou que a Igreja não deve aceitar a secularização evidente na Europa Ocidental, porque “não é um processo natural inevitável”. Ainda que a tendência seja forte, uma evangelização enérgica pode confrontá-la, “porque a fé move montanhas”.

Müller criticou a maneira com que se tenta desconstruir a doutrina católica do matrimônio: exegético, histórico, com a história do dogma, psicologia e sociologia, uma doutrina que nasce do ensinamento de Jesus, mas que querem torná-la compatível com a sociedade atual. Ele também disse que aqueles que são fiéis aos ensinamentos da Igreja estão sendo difamados como “adversários do Papa”, como se o Papa e todos os bispos em comunhão com ele não fossem testemunhas da verdade revelada.

Enfaticamente, ele evocou o risco de uma divisão, no que diz respeito à separação entre a doutrina e a prática religiosa: “temos de estar muito atentos e não esquecer a lição da história da Igreja”, referindo-se ao cisma protestante de 1517. Ainda sobre o casamento, disse: “Não devemos deixar-nos enganar quando se trata da natureza sacramental do matrimônio, da sua indissolubilidade, a sua abertura aos filhos e a complementaridade fundamental entre os dois sexos A assistência pastoral deve ter em vista a salvação eterna”. E concluiu: “Não se trata de adaptar a revelação ao mundo, mas ganhar o mundo para Deus.”

 

5 junho, 2015

Santa Sé encarrega Fellay de julgar um de seus padres.

A Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior da Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Lefebvre, para ser o juiz de primeira instância no caso de um padre lefebvrista acusado de um crime grave.

Por Andrea Tornielli – La Stampa | Tradução: FratresInUnum.com: Ele mesmo [Dom Fellay] anunciou durante um sermão na igreja Nossa Senhora dos Anjos, em Arcadia, Califórnia, no dia 10 de maio de 2015: a Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior Geral da Fraternidade São Pio X (FSSPX), Dom Bernard Fellay, como juiz de primeira instância em um caso envolvendo um padre lefebvrista. O antigo Santo Ofício tem a incumbência de tratar de uma série de “delicta graviora”. O que ocorre mais frequentemente é aquele que diz respeito a abuso sexual de menores. Fellay apresentou esse fato como um exemplo das “contradições” nas relações da Santa Sé com a Fraternidade.

Dom Bernard Fellay“Somos rotulados agora como irregulares, na melhor das hipótese. “Irregular” significa que você não pode fazer nada e, como exemplo, eles nos proibiram de celebrar Missa nas igrejas em Roma para as irmãs Dominicanas que peregrinaram a Roma em fevereiro. Eles dizem: “Não, vocês não podem [celebrar] por que são irregulares”. E os que disseram isso eram pessoas da [Pontifícia Comissão] Ecclesia Dei”.

“Agora, às vezes, infelizmente”, disse Dom Fellay, “também padres fazem coisas insensatas, e precisam ser punidos. E quando é algo muito, muito sério, temos que recorrer a Roma. E assim fazemos. E o que a Congregação para a Doutrina da Fé faz? Bem, eles nomearam a mim como juiz para esse caso. Então, eu fui incumbido por Roma, pela Congregação para a Doutrina da Fé, de fazer julgamentos, julgamentos canônicos da Igreja sobre alguns de nossos padres que pertencem a uma Fraternidade inexistente para eles (para Roma, ed.). E então, mais uma vez, realmente uma bela contradição”.

Essa não é a primeira vez  que a FSSPX recorre a Roma quando diz respeito a “delicta graviora” e dispensas das obrigações sacerdotais. O que é novo nesse caso é que o antigo Santo Ofício, chefiado pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller, decidiu confiar o caso ao próprio Dom Fellay, fazendo-o juiz do tribunal de primeira instância. Uma expressão de ateção. Um sinal de que o caminho em direção à plena comunhão com os lefebvristas continua,  como confirmou em uma declaração a Vatican Insider Dom Guido Pozzo. O arcebispo, que também é Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, disse: “A decisão da Congregação para a Doutrina da Fé não significa que os problemas existentes foram sanados, mas é um sinal de benevolência e magnanimidade. Não vejo contradição nisso, mas, antes, um passo em direção à reconciliação”.

Os leitores se recordarão que outro importante sinal veio no último mês de abril, quando o Arcebispo de Buenos Aires acendeu a luz verde para que os lefebvristas fossem reconhecidos pelo governo argentino como uma “associação diocesana”. Igualmente, um grande grupo de peregrinos da FSSPX foi autorizado a celebrar a eucaristia na Basílica de Lourdes.

Então, por que Fellay fala em uma contradição? Seu comentário se referia à peregrinação do último mês de fevereiro a Roma, que teve a participação de 1500 fiéis. A peregrinação foi organizada pelas irmãs Dominicanas ligadas à FSSPX. Um pedido foi feito à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para celebrar a Missa no altar da Basílica de São Pedro. Na ocasião, todavia, os responsáveis pela Comissão decidiram que a celebração por um sacerdote lefebvrista, antes que os problemas existentes sejam resolvidos com vistas à regularização canônica e a plena comunhão, lançaria um sinal equivocado. No entanto, o Papa Francisco deu sua aprovação à proposta de que a missa solicitada fosse celebrada na Basílica de São Pedro por um padre da Ecclesia Dei, segundo o rito antigo. Os líderes da Fraternidade recusaram a oferta.

Ainda, a nomeação de Fellay pela Congregação para a Doutrina da Fé como juiz de primeira instância, demonstra o progresso em termos de diálogo entre a Igreja e a FSSPX.