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10 abril, 2015

Quem foi realmente Dom Helder Câmara?

Por Julio Loredo – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano. Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.

domhelderQuem foi Dom Helder?

Propaganda que beira o limite do ridículo

As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.

Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz  do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).

Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.

Militante pró-nazista

Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante na direita pró-nazista.

Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento pró-nazista fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB. Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares que imitavam as dos nazistas na Alemanha. Suas convicções pró-nazistas eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.

Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância pró-nazista. A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo pró-nazista ao progressismo pró-marxista.

Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado pró-nazista fosse conhecido.

Da JUC para o PC. A Ação Católica Brasileira

Em 1947, Padre Câmara foi nomeado Assistente Geral da Ação Católica brasileira, que, sob sua influência, começou a deslizar para a esquerda para abraçar, em alguns casos, o marxismo-leninismo. A migração foi particularmente evidente na JUC (Juventude Universitária Católica), da qual Helder Câmara era particularmente próximo. Assim escreve Luiz Alberto Gomes de Souza, então secretário da JUC: “A ação dos militantes da JUC (…) foi convertida em um compromisso que, pouco a pouco, se revelou socialista” (2).

A revolução comunista em Cuba (no ano de 1959) foi recebida com entusiasmo pela JUC. De acordo com Haroldo Lima e Aldo Arantes, líderes da JUC, “o ressurgimento das lutas populares e o triunfo da revolução cubana em 1959 abriu a idéia de uma revolução brasileira à JUC”. O deslize para a esquerda foi muito facilitado pela cooperação da JUC com a UNE (União Nacional de Estudantes), muito próxima ao Partido Comunista. “Como resultado de sua militância no movimento estudantil – prosseguem Arantes e Lima – a JUC foi forçada a estabelecer uma agenda política mais ampla para os cristãos de hoje. Foi assim que, no Congresso de 1960, foi aprovado um documento (…) no qual se anunciava a adesão ao socialismo democrático e à idéia de uma revolução brasileira “(3).

Durante o governo de esquerda do presidente João Goulart (1961-1964), foi formada dentro da JUC uma facção radical chamada inicialmente de O Grupão, que mais tarde veio a ser transformado em Ação Popular (AP) que, em 1962, se definiu a si mesmo como socialista . No congresso de 1963, a AP aprovou seus estatutos por meio dos quais “abraçava o socialismo e propunha a socialização dos meios de produção.” Estatutos que continham, entre outras coisas, elogios à revolução soviética e um reconhecimento da  “importância decisiva do marxismo na teoria e na práxis revolucionária “(4).

O desvio, no entanto, não parou por aí. No Congresso Nacional, de 1968, a Ação Popular se proclamou marxista-leninista, mudando o nome para Ação Popular Marxista-Leninista (APML). Visto que nada mais a separava do Partido Comunista, em 1972 foi decidido que ela deveria ser dissolvida e incorporada ao Partido Comunista do Brasil. Através desta migração, muitos militantes da Ação Católica acabaram indo participar da luta armada durante aqueles  anos de chumbo no Brasil.

Contra o parecer de não poucos bispos, Mons. Helder Câmara foi um dos defensores mais entusiasmados e convictos da migração da JUC para a esquerda.

Contra Paulo VI e outras esquisitices

Em 1968, quando o Papa Paulo VI estava prestes a publicar a encíclica Humanae Vitae, Mons. Helder Câmara tomou partido abertamente contra o Pontífice, qualificando a sua doutrina sobre a contracepção como “um erro destinado a torturar os esposos e perturbar a paz de muitos lares” (6).

Em um poema que realmente provocou celeuma, o arcebispo de Olinda-Recife,  ironizava as mulheres “vítimas” da doutrina da Igreja, forçadas, segundo ele, a gerar “monstros”: “Filhos, filhos, filhos! Se a relação sexual é o que você quer, você tem de procriar! Mesmo que seu filho nasça sem órgãos, as pernas feito palitos, a cabeça grande, feio de morrer!”.

Helder Câmara também defendia o divórcio, endossando a posição das igrejas ortodoxas que “não excluem a possibilidade de um novo casamento religioso para quem foi abandonado  [pelo cônjuge].” Perguntado se isso não iria dar razão para os secularistas, ele respondeu: “Que importa se alguém cante vitória, se ele está certo?”.

O inquieto Arcebispo reivindicava também em alta voz a ordenação de mulheres. Falando a um grupo de bispos durante o Concílio Vaticano II, perguntava insistentemente: “Diga-me, por favor, se encontram algum argumento efetivamente decisivo para impedir o acesso de mulheres ao sacerdócio, ou se trata apenas de um preconceito masculino?” .

E que importa se o Concílio Vaticano II impediu depois essa possibilidade? Segundo Câmara, “temos de ir além dos textos conciliares [cuja] interpretação compete a nós.”

Mas os devaneios não terminam por aí. Em uma conferência realizada na frente dos Padres conciliares, em 1965, ele afirmava: “Eu creio que o homem criará a vida artificialmente, chegará à ressurreição dos mortos, e (…) obterá resultados milagrosos na recuperação de pacientes do sexo masculino através do enxerto de glândulas genitais de macacos”.

Defendendo União Soviética, China e Cuba

As tomadas de posições concretas  de Dom Helder Câmara em favor do comunismo (embora às vezes criticava o ateísmo) foram numerosas e consistentes.

Por exemplo, permanece tristemente notório seu discurso de 27 de Janeiro de 1969, em Nova York, durante a sexta conferência anual do Programa Católico de Cooperação Interamericana. Sua intervenção foi assim tão favorável ao comunismo internacional, que lhe valeu o epíteto de “arcebispo vermelho”, um apelido que permaneceria indissoluvelmente ligado ao seu nome.

Depois de ter reprovado duramente a política os EUA e a sua política anti-soviética, Dom Helder propôs um corte drástico nas forças armadas dos EUA, enquanto pedia à URSS para manter suas capacidades bélicas, a fim confrontar o ‘”imperialismo”. Ciente das consequências desta estratégia, ele defendeu-se de antemão: “Não me digam que esta abordagem colocaria o mundo nas mãos do comunismo!”

Do ataque contra os Estados Unidos, Helder Câmara passou a tecer o panegírico da China de Mao Tse-Tung, então repleta da  “revolução cultural”, que causou milhões de mortes. O Arcebispo Vermelho pediu formalmente a admissão da China comunista à ONU, com a consequente expulsão de Taiwan. Ele terminou seu discurso com um apelo a favor do ditador cubano Fidel Castro, que naquela época estava ativamente empenhado em promover a guerrilha sangrenta na América Latina. Ele também exigiu que Cuba fosse readmitida na  OEA (Organização dos Estados Americanos), da qual havia sido expulsa em 1962.

Esta intervenção, tão descaradamente pró-comunista e anti-ocidental, foi denunciado pelo prof. Plinio Corrêa de Oliveira no manifesto “O Arcebispo Vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo”: “as declarações contidas no discurso de Dom Helder delineam uma política de rendição incondicional do mundo ao comunismo. Estamos diante de uma realidade chocante: um bispo da Igreja Católica Romana empenha o prestígio decorrente da sua dignidade como um sucessor dos Apóstolos para demolir os bastiões da defesa militar e estratégica do mundo livre de frente ao comunismo. O Comunismo, que é o inimigo mais radical, implacável, cruel e insidioso, que mais atacou a Igreja e a civilização cristã em todos os tempos “(7).

Um projeto da revolução comunista para a América Latina

Mas talvez o episódio que causou maior espanto foi o chamado “affaire Comblin”.

Em junho de 1968, um documento bomba preparado sob os auspícios de Dom Helder Câmara pelo padre belga José Comblin, professor do Instituto Teológico (seminário), em Recife, vazou para a imprensa brasileira. O documento propunha, sem véus, um plano subversivo para desmantelar o Estado e estabelecer uma “ditadura popular” de matriz comunista. Aqui estão alguns pontos:

Contra a propriedade. No documento, Comblin defende uma reforma tripla – agrícola, urbana e fiscal – partindo do pressuposto de que a propriedade privada e, portanto, o capital são intrinsicamente injustos. Qualquer uso privado do capital  deve ser proibido por lei.

Total Igualdade. O objetivo, afirma Comblin, é estabelecer a igualdade total. Cada hierarquia, tanto no plano político-social como eclesial, deve ser abolida.

A Revolução política e social. No campo político-social essa revolução igualitária propunha a destruição do Estado por mãos de “grupos de pressão” radicais, os quais uma vez tomado o poder, deverão estabelecer uma férrea “ditadura popular” para amordaçar a maioria, considerada “indolente”.

Revolução na Igreja. Para permitir que essa minoria radical governe sem obstáculos, o documento propõe a anulação virtual da autoridade dos bispos, que estariam submissos  ao poder de um órgão composto apenas por extremistas, uma espécie de “Politburo” eclesiástico.

Abolição das Forças Armadas. As Forças Armadas deveriam ser dissolvidas e suas armas distribuídas ao povo.

A censura na imprensa, rádio e TV. Enquanto o povo não tiver atingido um nível aceitável de “consciência revolucionária”, a imprensa, rádio e TV seriam estritamente controladas. As elites que discordam devem deixar o país.

Tribunais Populares. Acusando o Poder Judiciário de ser “corrompido pela burguesia”, Comblin propõe o estabelecimento de ” tribunais populares extraordinários ” para aplicar o rito sumário contra qualquer um que se oponha a este vento revolucionário.

Violência. No caso, que não fosse possível implementar este plano subversivo por meios normais, o professor do seminário de Recife considerava legítimo recorrer às armas para estabelecer, pela força militar, o regime que ele teorizou (8).

O apoio de Helder Câmara

O “Documento Comblin” no Brasil teve o efeito de uma bomba atômica. Em meio a polêmica que se seguiu, o Padre Comblin não negou a autenticidade do documento, mas disse apenas que, se tratava “só de um esboço” (sic!). Por seu lado, a Cúria de Olinda-Recife admitiu que o documento havia saído do seminário diocesano, sim, mas afirmava que “não é um documento oficial” (sic de novo!).

Interpretando a legítima  indignação do povo brasileiro, prof. Plinio Corrêa de Oliveira, então, escreveu uma carta aberta ao Mons. Helder Câmara, publicada em 25 jornais. Lemos na carta: “Estou certo de interpretar o sentimento de milhões de brasileiros pedindo a Sua Excelência que expulse do Instituto Teológico do Recife e da Arquidiocese, o agitador que tira proveito do sacerdócio para apunhalar a Igreja, e abusa da hospitalidade brasileira para pregar o comunismo, a ditadura e a violência no Brasil “.

Helder Câmara respondeu evasivamente: “Todo mundo tem o direito de discordar. Eu simplesmente ouço todas as opiniões”. Mas, ao mesmo tempo, confirmou Padre Comblin no cargo de professor do Seminário, respaldando-o com a sua autoridade episcopal. No final, o governo brasileiro revogou o visto do padre belga, que, em seguida, teve que deixar o país.

Teologia da Libertação

Mons. Helder Câmara também é lembrado como um dos paladinos da chamada “Teologia da Libertação”, condenada pelo Vaticano em 1984.

Duas declarações sintetizam essa teologia. A primeira, do compatriota de Dom Helder, Leonardo Boff: “O que propomos é o marxismo, o materialismo histórico, na teologia” (9). A segunda, do peruano Gustavo Gutiérrez, padre fundador da corrente: “aquilo que entendemos como teologia da libertação é o envolvimento no processo político revolucionário” (10). Gutiérrez até explica o sentido dessa participação: “Só indo muito além de uma sociedade dividida em classes. (…) só eliminando a propriedade privada da riqueza criada pelo trabalho humano, nós seremos capazes de estabelecer as bases para uma sociedade mais justa. É por isso que os esforços para se projetar uma nova sociedade na América Latina estão se movendo cada vez mais em direção ao socialismo “(11).

Precisamente sobre este tema recentemente foi publicado na Itália um livro pela editora Cantagalli:  “Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres” (12).

Amigo dos pobres e da liberdade?

Mas talvez a maior lorota sobre Helder Câmara é tentar apresentá-lo como um amigo dos pobres e defensor da liberdade.

O título de defensor da liberdade cai muito mal pra quem elogiou algumas das ditaduras mais sangrentas que flagelaram o século XX. Primeiramente o nazismo e depois o comunismo em todas as suas vertentes: soviética, cubana, chinesa…

Acima de tudo, todavia, o título de amigo dos pobres não corresponde exatamente a alguém que apoiou regimes que causaram uma pobreza tão espantosa a ponto de serem qualificados pelo então cardeal Joseph Ratzinger  como a “vergonha de nosso tempo” (13).

Uma análise cuidadosa da América Latina -, país por país – mostra claramente que onde foram aplicadas as políticas propostas por Dom Helder, o resultado foi um aumento significativo da pobreza e do descontentamento popular. Lá onde, ao invés, foram aplicadas políticas opostas, o resultado foi um aumento geral de bem-estar.

Um exemplo para todos: a reforma agrária, da qual Dom Helder foi o principal promotor e que, ao invés disso, mostrou-se “o pior fracasso da política pública em nosso país”, segundo palavras do insuspeito Francisco Graziano Neto, presidente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que é o departamento responsável pela implementação da reforma agrária no Brasil (14).

O leitor interessado em explorar o tema, com grande quantidade de dados estatísticos relevantes, pode consultar o livro mencionado acima (15).

Indro Montanelli tinha razão quando disse: “a esquerda ama tanto os pobres que toda vez que chega ao poder faz com que seu número aumente”.

1. Cfr. Julio LOREDO, L’altro volto di Dom Helder, “Tradizione Famiglia Proprietà”, novembre 1999, pp. 4-5.

2. Luiz Alberto GOMES DE SOUZA, A JUC. Os estudantes católicos e a política, Editora Vozes, Petrópolis 1984, p. 156.

3. Haroldo LIMA e Aldo ARANTES, História da Ação Popular. Da JUC ao PC do B, Editora Alfa-Omega, São Paulo 1984, p. 27-28.

4. Ibid., p. 37.

5. Si veda, per esempio, Scott MAINWARING, The Catholic Church and Politics in Brazil, 1916-1985, Stanford University Press, 1986, p. 71.

6. Cfr. Helder PESSOA CÂMARA, Obras Completas, Editora Universitária, Instituto Dom Helder Câmara, Recife, 2004. Cfr. Massimo INTROVIGNE, Una battaglia nella notte, Sugarco Edizioni, Milano 2008.

7. Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, O Arcebispo vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo, “Catolicismo” Nº 218, febbraio 1969. È interessante confrontare – per rilevarne le numerose somiglianze – il discorso di Dom Helder con quello tenuto da Ernesto “Che” Guevara all’ONU il 12 dicembre 1964.

8. Si veda Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, TFP pede medidas contra padre subversivo, “Catolicismo”, Nº 211, luglio 1968.

9. Leonardo BOFF, Marxismo na Teologia, in “Jornal do Brasil”, 6 aprile 1980.

10. Gustavo GUTIÉRREZ, Praxis de libertação e fé cristã, Appendice a Id., Teologia da libertação, Editora Vozes, Petrópolis 1975, p. 267, p. 268.

11. Gustavo GUTIÉRREZ, Liberation Praxis and Christian Faith, in Lay Ministry Handbook, Diocese of Brownsville, Texas 1984, p. 22.

12. Julio LOREDO, Teologia della liberazione: un salvagente di piombo per i poveri, Cantagalli, Siena 2014.

13. SACRA CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE, Istruzione Libertatis Nuntius, XI, 10.

14. Francisco GRAZIANO NETO, Reforma Agraria de qualidade, in “O Estado de S. Paulo”, 17 aprile 2012.

15. Julio LOREDO, Teologia della liberazione: un salvagente di piombo per i poveri, pp. 315-338. Il libro può essere richiesto online a info@atfp.it

* * *

Em anexo ao artigo acima, divulgamos uma famosa poesia de Dom Hélder que pode ser já chamado Servo Deus. Tem já estampas para devoção privada. 

“Sonhei que o Papa enlouquecia
E ele mesmo ateava fogo
Ao Vaticano.
E à Basílica de S. Pedro…
Loucura sagrada,
Porque Deus atiçava o fogo
Que os bombeiros
Em vão
Tentavam extinguir.
O Papa, louco,
Saía pelas ruas de Roma,
Dizendo adeus aos Embaixadores,
Credenciados junto a Ele;
Jogando a tiara no Tibre;
Espalhando pelos Pobres
O dinheiro todo
Do Banco do Vaticano…
Que vergonha para os Cristãos!
Para que um Papa
Viva o Evangelho,
Temos que imaginá-lo
Em plena loucura!…”

30 março, 2015

Dom Hélder, beato?

Carta do Cardeal Amato confirma recebimento do pedido de beatificação de Dom Hélder Câmara; após posicionamento dos dicastérios, Vaticano vai definir seu parecer.

Por Canção Nova: Menos de um ano depois do pedido de abertura do processo de beatificação do ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Camara, a Cúria Romana enviou carta à arquidiocese afirmando ter recebido a solicitação. Segundo correspondência expedida pelo prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato S.D.B., ele aguarda o posicionamento de diferentes dicastérios (departamentos do governo da Igreja Católica que compõem a Cúria Romana) para poder emitir o seu parecer.

Helder

A carta, datada de 16 de fevereiro deste ano, foi divulgada na última sexta-feira, 27, pela arquidiocese. Caso o Nihil Obstat (Nada Consta) seja emitido pelo Vaticano, a Igreja Particular de Olinda e Recife terá autorização para iniciar o processo na diocese. Com o aval do Vaticano, Dom Helder poderá então ser nomeado Servo de Deus.

A etapa seguinte consiste em reconhecer suas “virtudes heroicas”. Para isso, uma comissão jurídica se reunirá para estudar os textos publicados em vida e analisar os testemunhos de pessoas que conheceram o Dom da Paz.

* * *

A fama de santidade de Dom Hélder Câmara foi o fator que motivou a arquidiocese a fazer o pedido de abertura do processo de beatificação ao Vaticano. O arcebispo local destacou que Dom Hélder foi um homem de muita oração e ação, um profeta corajoso que enfrentou muitas dificuldades, sobretudo com a repressão militar.

“Uma pessoa muito humana, muito disponível aos pobres de uma maneira especial. Tudo isso contribui para que nós tenhamos o interesse de encaminhar esse processo”, declarou.

Dom Fernando acrescentou ainda que Dom Hélder foi uma pessoa de grande influência na vida do Brasil. Um exemplo foi sua contribuição para a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. Além disso, em âmbito internacional, Dom Hélder contribuiu, mesmo que indiretamente, para o andamento do Concílio Vaticano II.

“Tudo isso contribuiu para que ele se projetasse internacionalmente, de modo que é um homem reconhecido como uma grande liderança do país, uma grande personalidade do século XX, como é identificado por muitos”.

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Abaixo, uma pitada da santidade de Dom Helder:

16 março, 2009

Curtas da semana.

Em comunhão com a ininterrupta Tradição eclesial.

Bento XVI“A missão tem as suas raízes, de modo especial, numa boa formação desenvolvida em comunhão com a ininterrupta Tradição eclesial, sem pausa nem tentações da descontinuidade. Neste sentido, é importante favorecer nos sacerdotes, sobretudo nas jovens gerações, uma correta recepção dos textos do Concílio Ecumênico Vaticano II, interpretado à luz de toda a bagagem doutrinal da Igreja. Urgente também aparece a recuperação daquela consciência que impele os sacerdotes a serem presentes, identificáveis e reconhecíveis seja pelo critério da fé, seja pelas virtudes pessoais e também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade, sempre no coração da Missão da Igreja. Como Igreja e como sacerdotes anunciamos Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo, crucificado e ressuscitado, Soberano do tempo e da história, na alegre certeza que tal verdade coincide com as expectativas mais profundas do coração humano. No mistério da Encarnação do Verbo, no fato de que Deus se fez homem como nós, está tanto o conteúdo e o método do anúncio cristão. A missão tem aqui o seu verdadeiro centro propulsor: em Jesus Cristo, precisamente. A centralidade de Cristo traz consigo a justa valorização do sacerdócio ministerial, sem o qual não haveria Eucaristia, tanto menos a missão e a própria Igreja. Assim, é necessário vigiar a fim de que as ‘novas estruturas’ ou organizações pastorais não sejam concebidas para um tempo no qual se deve “fazer menos” do ministério ordenado, partindo de uma errônea interpretação da justa promoção dos leigos, porque em tal caso se colocaria os pressupostos para uma posterior diluição do sacerdócio ministerial e as eventuais “soluções” alegadas viriam dramaticamente a coincidir com as verdadeiras causas da problemática contemporânea relacionada ao ministério”. Palavras do Papa em audiência aos participantes da Plenária da Congregação para o Clero, hoje, dia 16 de março, pela manhã, que seguem a mesma linha das pronunciadas à Congregação para o Culto Divino no dia 13 e ressaltam o plano de governo de Bento XVI exposto em seus esclarecimentos na carta aos bispos sobre o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX.

Ano sacerdotal.

Rádio Vaticano – Na manhã desta segunda feira Bento XVI recebeu em audiência os participantes na assembleia plenária da Congregação para o Clero. Nesta ocasião o Papa anunciou ter convocado um “ano sacerdotal” especial , de 19 de Junho 2009 a 19 de Junho de 2010. Ocorrem de factos os 150 anos da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney, verdadeiro exemplo de Pastor ao serviço do rebanho de Cristo. O Santo Padre disse que tocará à Congregação para o Clero de acordo com os bispos diocesanos e com os superiores dos Institutos religiosos promover e coordenar as várias iniciativas espirituais e pastorais que parecerão úteis para fazer perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”.

O Sacrifício de Cristo para a remissão dos pecados.

“Todo sacerdote é pois chamado a administrar a misericórdia Divina no sacramento da Penitência, através da qual perdoa em nome de Cristo os pecados e ajuda o penitente a percorrer o caminho exigente da santidade com consciência reta e informada. Para poder cumprir tal ministério indispensável todo presbítero deve alimentar a própria vida espiritual e procurar uma permanente atualização teológica e pastoral. Enfim, a consciência do crente se purifica sempre mais graças a uma devota e consciente participação na Santa Missa, que é o sacrifício de Cristo para a remissão dos pecados. Toda vez que o sacerdote celebra a Eucaristia, na Oração eucarística recorda que o Sangue de Cristo é derramado para o perdão de nossos pecados, para os quais, na participação sacramental no memorial do Sacrifício da Cruz, se realiza o encontro pleno da misericórdia do Pai cada um de nós”. Da Mensagem do Santo Padre, o Papa Bento XVI, ao Eminentíssimo Cardeal James Francis Stafford, da Penitenciária Apostólica, em 12 de março de 2009.

Não à cumplicidade.

Dom José Cardoso Sobrinho“Na Igreja há a possibilidade de aplicação de penalidades automáticas, dentre esses crimes está o do aborto. Em outras palavras, não fui eu que excomunguei ninguém, eu só lembrei desta lei da Igreja, que está em vigor desde o primeiro século da nossa Santa Igreja. Mas eu tenho a impressão que essa difusão (do episódio) irá produzir bons efeitos, sobretudo naqueles que são católicos. Porque estamos vivendo um período de silêncio que pode ser até interpretado como cumplicidade. Todo ano há, em Israel, uma solenidade para relembrar aqueles judeus mortos na Segunda Guerra Mundial, que foram 6 milhões de judeus. Todo ano se relembra o holocausto e o papa sempre manda representantes da Igreja Católica. Mas há um silêncio total sobre outro holocausto que acontece todos os anos. São 50 milhões de abortos todos os anos, 1 milhão no Brasil. Por isso, temos que relembrar a todos que acima das leis humanas existem as leis de Deus. A lei dos homens no Brasil diz que se pode praticar o aborto em determinadas circunstâncias, como o estupro e ameaça à vida de mãe. A lei de Deus diz que jamais é lícito eliminar uma vida inocente mesmo que para salvar outra vida. […] Eu sou dos que pretendem conservar as leis de Deus. Por exemplo, quem não aceita o culto à Nossa Senhora não aceita as leis de Deus. Não adianta andar com a bíblia embaixo do braço, ler a bíblia todo o dia… É um gesto até bonito esse, mas não adianta de nada se não aceitar o culto a Nossa Senhora, pois está lá em Lucas, capítulo 1, como Deus veio ao mundo. […] Quando eu cheguei aqui, o Iter (Instituto Teológico de Recife) estava funcionando havia muitos anos. Dizia-se, abertamente, abre aspas, havia mais ou menos 50 homossexuais declarados. Isso não era um ambiente próprio para formar os futuros sacerdotes. Antes mesmo de eu chegar aqui, a Santa Sé mandou um visitador para examinar a situação. Depois da minha chegada, eu sabendo dessa situação, retirei os alunos da arquidiocese e reabri o seminário de Olinda apenas para a formação de sacerdotes”. Palavras de Dom José Cardoso Sobrinho à revista Época

Sim à cumplicidade.

Anti-clericalismo na França - A ilustração da capa desta semana da revista satírica Charlie Hebdo mostra os bispos Fellay e Williamson juntos com o Arcebispo brasileiro de Recife e Olinda, José Cardoso Sobrinho - Fonte: Cathcon‹‹ A mãe desta menina pensou talvez que valia mais salvar uma vida que de correr o risco de perder três… Talvez os próprios médicos lhe tivessem dito que um pequeno útero de nove anos não se dilata indefinidamente… Eu não sei. O que sei é que nesta tragédia o senhor acrescentou dor à dor e provocou sofrimento e escândalo em muitas pessoas pelo mundo. Numa situação tão dramática, creio firmemente que nós, bispos, pastores na Igreja, temos primeiro de manifestar a bondade do Cristo Jesus, a único verdadeiro Bom Pastor››. Da carta aberta de Mons. Gérard Daucourt, bispo de Nanterre, França, ao bispo José Cardoso Sobrinho.

À direita,  anti-clericalismo na França – A ilustração da capa desta semana da revista satírica Charlie Hebdo mostra os bispos Fellay e Williamson juntos com o Arcebispo brasileiro de Recife e Olinda, José Cardoso Sobrinho – Fonte: Cathcon

‹‹ [Ela] deveria ter sido defendida, abraçada, acariciada com doçura para fazê-la sentir que estamos todos com ela; todos, sem excepção. Antes de pensar na excomunhão, era necessário e urgente salvaguardar a sua vida inocente e recolocá-la num nível de humanidade, da qual nós homens de Igreja devemos ser anunciadores e mestres”.  “Assim não foi feito e, infelizmente, a credibilidade do nosso ensinamento sofre com isso, pois aparece aos olhos de muitos como insensível, incompreensível e sem misericórdia. É verdade, «Cármen» trazia consigo outras vidas inocentes como a sua – não obstante serem frutos da violência – e foram ceifadas; isso, todavia, não basta para fazer um julgamento que pesa como uma guilhotina”. “O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve envolver todos e não pode consentir chegar a um julgamento negativo sem antes considerar o conflito criado no seu íntimo. O médico traz consigo a sua história e a sua experiência; uma escolha como esta de ter de salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco outra, jamais é vivida com facilidade” ›› . Assim declarou Dom Rino Fisichella, presidente da Pontifícia Academia para a mort… ops, vida.

O Jornal “Igreja Nova” denuncia um “desmonte implacável” do trabalho de Dom Hélder Câmara.

Da posse em 15 de julho de 1985 a memória do jornal conta (lamenta), entre outras excelentes obras de Dom José Cardoso Sobrinho: Outubro de 1988 – Suspende a missa da TV Globo, celebrada pelos padres da arquidiocese; Julho de 1989 – Proíbe a lavagem da calçada da Igreja do Carmo, uma tradição dos umbandistas, ameaçando chamar a polícia. Agosto – Fecha o ITER (Instituto de Teologia do Recife), Fecha o SERENE II (Seminário Regional do Nordeste II); Dezembro – Destitui a Comissão de Justiça e Paz da arquidiocese, criada por D. Hélder; Setembro de 1990 – 57 padres assinam e publicam documento repudiando o autoritarismo do Arcebispo; Julho de 2004 – Alguma coisa grave aconteceu no Seminário Arquidiocesano de Olinda, de onde foram expulsos 19 seminaristas do Curso de Teologia (última etapa antes da ordenação). A lista completa das façanhas de Dom José pode ser encontrada aqui.

A começar pelos bispos

Kreuz.net – Alemanha. Em um esclarecimento feito na quinta-feira, o Cardeal Joachim Meisner, de Colônia, exige um pedido de desculpas por parte daqueles que odeiam o Papa. O cardeal referiu-se à recente carta pontifícia, em que Bento XVI esclareceu que havia sofrido golpes de hostilidade. Ademais, Cardeal Meisner disse: “Quem perscrutar a sua alma com honestidade e reconhecer que também deu motivo a essa declaração, deve pedir perdão ao Santo Padre.”

Crianças e Circo Gay

Kreuz.net – Áustria. O pároco de Linz, Gert Smetanig, usa truques de mágica para encher sua igreja, disse ele ao jornal regional ‘Oberösterreichische Nachrichten’. Na missa pelas famílias a igreja está sempre cheia com seiscentas pessoas. No dia de São Valentim ele teria até abençoado sodomitas. O Pe. Smetanig afixou um texto de oposição contra o Mons. Gerhard Wagner no quadro de avisos. “O bispo me telefonou e me disse que alguém tinha reclamado sobre isso.” Aparentemente, o telefonema não mudou nada. Em entrevista o padre deu um pitaco sobre o casamento de padres: “É possível ter esposa e filhos e ser pastor de almas.”

Papa não entrará no principal museu do Holocausto em Israel

Diz John Allen Jr.: Numa ação que pode posteriormente agravar as tensões Judeus/Católicos, um enviado Vaticano anunciou que o Papa Bento XVI não entrará no principal museu do Holocausto de Israel durante sua viagem de 8 a 15 de maio à Terra Santa, embora ele pare num memorial anexo ao lugar.

É bom recordar isso.
Cardeal Cañizares‹‹ Às vezes se mudou pelo simples gosto de mudar com relação a um passado percebido como todo negativo e superado. Às vezes se concebeu a reforma como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da Tradição. Daí todos os problema suscitados pelos tradicionalistas ligados ao rito de 1962. […] Mais que outra coisa, diria que foi uma reforma que foi aplicada e principalmente vivida como uma mudança absoluta, como se se devesse criar um abismo entre o pré e o pós Concílio, num contexto em que ‘preconciliar’ era usado como um insulto. É necessário recordar, de fato — e a alguns talvez não lhes agrada fazê-lo — que o assim chamado Missa de São Pio V não aboliu todos os ritos precedentes. Fora, de fato, ‘preservados’ aqueles ritos que tinham pelo menos dois séculos de história. E o rito moçárabe — junto, por exemplo, do rito próprio da ordem dominicana — estava entre estes. Deste modo, depois do Concílio de Trento não houve uma absoluta uniformidade na Liturgia da Igreja latina. […] Como é sabido, a atual disciplina da Igreja dispõe que, por norma, a Comunhão seja distribuída na boca dos fiéis. Há, logo, um indulto que permite, a pedido dos episcopados, distribuir a Comunhão também sobre a palma da mão. É bom recordar isso›› Da entrevista do Cardeal Antonio Cañizares Llovera, prefeito para o Culto Divino, a 30giorni.
É surpreendente.
Cardeal Georges Cottier‹‹ É surpreendente portanto que Monsenhor Fellay anuncie novas ordenações ao sacerdócio depois da remoção de sua excomunhão. […] O assunto central, i.e., a negação da validade do Concílio Vaticano Segundo, é extremamente difícil. A comunhão Católica implica a aceitação deste Concílio que é tão importante para a vida da Igreja. […] Desde o Concílio Vaticano Segundo existiram abusos em ambas as direções, conservadoras e progressistas; mas uma Igreja progressista nunca veio à existência. […] No momento há o paradoxo de que é mais fácil para nós falar pacificamente com os Protestantes, que estão mais longes da Igreja Católica e que frequentemente sentem nostalgia sobre a unidade, do que com os tradicionalistas, que permaneceram militantes e agressivos (em Paris eles chegaram até o ponto de ocupar uma igreja pela força) ›› Palavras do teólogo aposentado de João Paulo II, Cardeal Georges Cottier.
25 julho, 2008

Entrevista imaginária de Nelson Rodrigues com Dom Helder

O Blog do Angueth publicou uma entrevista imaginarária de Dom Hélder Camara escrita por Nelson Rodrigues que merece a leitura. Por sinal, o blog também traz uma série de traduções de Hilaire Belloc extraordinárias.