Posts tagged ‘Dom João Braz de Aviz’

3 fevereiro, 2017

Frades Franciscanos da Imaculada. A clausura para Padre Manelli se tornou ainda mais severa. Um decreto do Papa.

Por Marco Tosatti, 2 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Há alguns dias, nós escrevemos sobre o novo decreto de comissariamento para o ramo feminino dos Franciscanos da Imaculada. Um decreto emitido com uma assinatura não apelável do Pontífice, justamente para evitar que um recurso junto ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica pudesse ter, como parece possível e provável, um desfecho feliz.
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Pe. Stefano Manelli. 

A Congregação para os Religiosos, presidida pelo cardeal brasileiro Braz de Aviz e pelo secretário franciscano Carballo, quer encerrar o capítulo do comissariamento dentro de um ano, convocando um capítulo logo após o verão. Mas há dificuldades.

Há forte resistência por parte de muitos religiosos contra o comissariamento que tem sido visto como uma forma de violência. Até hoje, da parte da Congregação não foram reveladas as razões e motivos para que a Ordem – uma das mais fecundas em termos de vocações – tenha sido decapitada e seu fundador, o padre Stefano Manelli, de 83 anos, obrigado a viver em uma espécie de clausura imposta.
Assim, quase quatro anos após o início dessa saga verdadeiramente extraordinária (não houve tal severidade nem contra os Legionários de Cristo, cujo fundador tinha aprontado de tudo e mais um pouco) e em antecipação a um possível capítulo, os fautores do novo curso temem que os fiéis de Padre Manelli possam acabar elegendo um governo da sua mesma linha.
Assim, há alguns dias, Padre Manelli recebeu um documento acordado numa audiência dos chefes da Congregação para os Religiosos com o Papa, e que, com o seu consentimento, estabelece:

“O Padre Stefano Manelli está obrigado a emitir um comunicado no qual declara aceitar e cumprir todas as disposições da Santa Sé e exortar os frades Franciscanos e as irmãs Franciscanas da Imaculada a manterem o mesmo comportamento.

Padre Manelli não poderá fazer nenhuma outra declaração aos meios de comunicação e nem aparecer em público.

Ele não poderá participar em qualquer iniciativa ou encontro, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social.

O Padre Manelli está obrigado a enviar dentro do limite de 15 dias do presente decreto, todo o patrimônio econômico administrado pelas associações civis e qualquer outra quantia à sua disposição em plena disponibilidade de cada um de seus institutos.

Fica proibido ao Padre Manelli e Padre G. Pellettieri ter quaisquer relações com os Frades Franciscanos da Imaculada, exceto com aquelas comunidades onde habitarão com a permissão deste Dicastério. Evitar também qualquer contato com as Irmãs Franciscanas da Imaculada”.

Só ficou faltando o instrumento de tortura e a máscara de ferro, para o catálogo ficar completo. Em pleno 2017, na Igreja da Misericórdia. Certamente, Manelli e aqueles leais a ele serão acusados de crimes horrendos, mas então por que não dizê-lo e não submetê-los a julgamento canônico? A falta de clareza nas acusações, se é que existem, dão a impressão de uma perseguição alimentada por outros tipos de interesses. Ideológica, ou talvez ainda mais. E em um país onde os assassinos rondam impunes, a gravidade das restrições desperta uma sensação de irrealidade.

O ponto particularmente interessante é o do dinheiro. E que é muito: alguns falam num patrimônio de trinta milhões de euros. Mas que não estão nas mãos de Padre Manelli, mas sim de várias associações de leigos: Associação “Missão da Imaculada”,  Associação “Missão do Imaculado Coração” e “Associação Casa Editora Mariana”. De fato, em julho de 2015, o Tribunal de Revisão de Avellino cancelou o sequestro dos bens de propriedade das associações de leigos com um valor de cerca de 30 milhões. Os bens haviam sido sequestrados pela Procuradoria de Avellino, que levantara suspeitas de crimes de fraude e falsidade ideológica nas batalhas legais que se seguiram ao Comissariamento.

Então, como julgar as exigências feitas a Padre Manelli, uma vez que a Congregação tem conhecimento da situação jurídica sancionada pela lei italiana? Eu não consigo pensar em qualquer outra coisa, senão que essa é uma forma de violência psicológica e moral contra o frade ancião.

É interessante notar que este passo, tão severo, segue outro movimento sem precedentes acontecido há pouco dias, e certamente único, ou seja, a pressão exercida sobre o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Matthew Festing, para renunciar, feita pessoalmente pelo Pontífice. A Ordem de Malta não é pobre, muito pelo contrário. Evidentemente, o frio exalta os ânimos autoritários, para bem além dos muros.

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Leia também: Rejeitadas as acusações contra o fundador dos Franciscanos da Imaculada.

20 agosto, 2015

Dom João Braz de Aviz, em visita ao Brasil, fala sobre vida religiosa e padres cantores.

Igreja Católica perde 2 mil religiosos todos os anos

Cardeal d. Braz de Aviz alertou para a urgência em rever a vida nos conventos, além de reconhecer outros problemas, como o da autoridade e o perigo do dinheiro.

Cardeal João Braz de Avis, o representante brasileiro no consistório de hoje.

Cardeal João Braz de Avis.

Estado de Minas – A Igreja Católica perde anualmente cerca de 2 mil religiosos, homens e mulheres, em todos os continentes, sobretudo na Europa, revelou o cardeal brasileiro d. João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

A declaração foi dada em encontro na tarde desta quarta-feira, 19, com mil freiras, padres, irmãos e leigos, na Catedral de São Paulo, na Praça da Sé, região central de São Paulo. No comando de aproximadamente 1,5 milhão de religiosos, pertencentes a quase 3 mil congregações e comunidades de consagrados, o cardeal faz uma revolução no Vaticano para atrair novas vocações.

Ex-arcebispo de Brasília, d. João foi nomeado prefeito por Bento XVI em 2011 e confirmado pelo papa Francisco em 2013.

“A idade média das freiras na Europa é de 85 anos, o que significa que essas idosas vão morrer em breve sem que apareçam outras para ocupar seu lugar”, disse d. João ao jornal O Estado de S. Paulo, antes da palestra na Sé.

Novas vocações só têm surgido, em maior proporção, na África e na Ásia, onde o catolicismo tem prosperado. “Vietnã e Coreia do Sul têm, cada um, 10% de católicos em suas populações”, informou o cardeal.

Para o prefeito da congregação romana responsável pelos cristãos de vida consagrada, é urgente recriar ou rever a vida comunitária nos conventos, para restabelecer a convivência em ambiente de compreensão e caridade entre seus membros. “Sei de casos de religiosos que deixaram suas comunidades e querem voltar, mas desistem porque não encontram nelas a vida em família”, disse d. João. A revisão inclui a possibilidade de organizar comunidades mistas na vida consagrada.

“No passado, tivemos dificuldades para a convivência, porque se dizia que era preciso ter cuidado, porque a mulher é um perigo, ou cuidado porque o homem é um perigo”, observou o cardeal. “Não aconselho muito formar comunidades mistas na mesma casa”, disse, depois de ter lembrado que o voto de castidade faz parte da vocação religiosa.

D. João revelou que recebeu o pedido de dispensa de uma freira de 80 anos, ex-superiora provincial de sua congregação, que deixou o convento porque, conforme alegou, queria realizar seu ideal de maternidade. Ela saiu e adotou um bebê de três meses.

Outro problema sério para a vida religiosa é o da autoridade, ligada ao voto de obediência. “Há muitas autoridades (ou superiores de comunidades) que são opressoras”, afirmou o cardeal. Ele citou o exemplo de uma superiora-geral que ocupa o cargo há 35 anos e não abre mão dele, com graves consequências para suas subordinadas. “Há casos de superioras que mudam as regras da constituição da congregação para morrerem superioras”, lamentou.

A obediência é necessária, disse d. João aos religiosos e leigos de vida consagrada, mas deve ser exercida entre irmãos. “Superiores que não aceitam conselhos não prestam”, advertiu. O bom entendimento, no exercício da autoridade, deve se estender aos mais jovens, aos quais se deve dar responsabilidade e poder. “Que o jovem não tenha medo de ir se aprofundando na vida comunitária, no período de formação.”

D. João de Aviz advertiu também para o perigo do dinheiro, que algumas ordens e congregações religiosas acumulam, apesar de seus membros fazerem voto de pobreza. “As instituições religiosas detêm 52% do patrimônio do Banco do Vaticano (IOR ou Instituto para as Obras de Religião), dinheiro não está faltando”, disse. Como exemplo, ele citou, sem revelar o nome, o caso de uma congregação que, embora com voto de pobreza, tem 30 milhões de euros no banco.

O cardeal foi muito aplaudido pelos religiosos e leigos consagrados, depois de uma hora e meia de palestra. A presidente da seção paulista da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB-SP), irmã Ivone Lourdes Fritzen, elogiou a franqueza e transparência de d. João na exposição sobre a situação e os desafios dos religiosos no mundo.

O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, aplaudiu as palavras do prefeito da Cúria Romana. Em seguida, os dois celebraram missa ao lado de bispos e sacerdotes da arquidiocese e de outras cidades

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Cardeal de confiança do Papa critica postura de padres cantores no Brasil

‘Nem tudo nos nossos padres cantores está claro’, diz dom João Braz. Em entrevista ao G1, ele fala sobre fama e música na Igreja Católica.

G1 – O cardeal João Braz de Aviz, membro da Cúria Romana no Vaticano, fez uma visita a São José dos Campos (SP), nesta terça-feira (18), para conhecer o Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada. Em entrevista ao G1, ele criticou a postura de alguns padres cantores, mas preferiu não citar nomes.

“Nem tudo nos nossos padres cantores está claro, basta olhar. É preciso voltar ao essencial, questionar o porque se está ali cantando aquela música na televisão. Qual a razão que me faz estar aqui? É Jesus Cristo? Minha fama? O dinheiro?”, afirmou.

O cardeal é considerado um dos homens de confiança do Papa Francisco e afirma que o Vaticano não interfere diretamente no cenário audiofônico católico. Para ele, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) seria o órgão mais indicado para tal.

“Não é bom deixar estragar tudo para depois mexer. Eu não cito nomes, mas tem coisas chatas aí. Por outro lado fizeram coisas boas. Daria para citar 3 ou 4 nomes, mas não vou fazer isso”, disse.

Dom Braz revelou que é um grande admirador do padre Zezinho, que aos 74 anos tem 118 discos em seu repertório. “Padre Zezinho não se apegou à imagem e ao dinheiro. O que sobressai nele é Jesus Cristo. Se o que conta é o dinheiro, a fama e o poder, mesmo que você tenha uma bela voz e fale bonito, está errado”, afirmou.

Sobre a vocação religiosa, o cardeal afirmou que uma de suas irmãs chegou a duvidar do seu celibato. “O celibato não é não ter instinto ou vontade de casar. O celibato é outra coisa. Precisamos pautar nossa vida em um testemunho simples e direto, convicto. Se uma pessoa consagrada vive infeliz e carrancuda, pode ir para outro lado, buscar outro caminho ou ela deve mudar”, disse.

6 abril, 2015

Pobre Igreja, pobre cardeal.

Por Fratres in Unum.com: Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Religiosos, faz cada católico brasileiro participar de sua púrpura. O vermelho de seu cardinalato, que representa a prontidão em dar o próprio sangue por amor a Cristo, para nós chega como rubor pela pobreza, intelectual e de espírito, do cardeal. Em Dom João Braz de Aviz temos uma Igreja pobre, paupérrima!

Entrevista de Dom João Braz de Avis à Veja.

Entrevista de Dom João Braz de Avis à Veja.

Em entrevista à revista Veja desta semana (edição 2420), o ex-arcebispo de Brasília revela escancaradamente o que há muito já sabíamos, mas que, por caridade, esforçávamo-nos em não crer. Em suma: um ódio visceral ao que a Igreja construiu ao longo dos séculos e a defesa ardorosa de tudo o que há de revolucionário, reservando seu pobre veneno apenas a Bento XVI e aos “tradicionalistas na Igreja”.

No testemunho de Dom João, estas seriam palavras de Francisco: “Peço a Deus a graça de viver o suficiente para que as reformas na Igreja sejam irreversíveis”.

Reformas não só cosméticas, mas de fundo:

“Existe, no entanto, uma reforma muito mais profunda já em curso. Trata-se de uma mudança de base — simples e complexa ao mesmo tempo. A de fazer com que a Igreja seja mais fraterna, que se abra para valores autênticos — amor, justiça e paz. Nós, católicos, fomos sempre muito fechados. Convivemos por séculos com a ideia de que é preciso converter as pessoas para trazê-las para perto. Não podemos agir como se fôssemos donos da moral”.

É exatamente a tese Kasperiana, “teologia de joelhos” elogiada publicamente pelo Papa Francisco, que dissocia doutrina e pastoral. Assim, para o cardeal:

“Há duas maneiras de ler o Evangelho. Uma, de forma puramente doutrinal, racional. A outra é ver a mensagem de Jesus nas palavras do Evangelho. A mensagem de amor e de acolhimento de Jesus […] O Papa se justifica para essas pessoas. Pessoas que veem o Evangelho de forma restrita, puramente doutrinal. São os tradicionalitas da Igreja. Aos eclesiásticos e aos fiéis não tradicionalistas, ele certamente não precisa se explicar”.

Duas leituras: uma, que leva a sério o que disse Nosso Senhor. Outra, que ignora suas palavras para procurar, como filha legítima do protestantismo, ler nas entrelinhas e encontrar um “espírito” adaptável, de modo absolutamente subjetivista, às idéias do momento, às modas, à pobreza humana. Pois, de acordo com o purpurado, “o Papa não pode jamais mudar o ensinamento de Jesus. Mas pode mudar a interpretação”.

Para Dom João, “nós, católicos, fomos sempre muito fechados”. De fato, Sua Eminência nunca pôde abrir-se a Bento XVI, que, tristemente, fê-lo cardeal:

“Digamos que eu passei por uma crise pessoal muito grande. Em 2012, o então secretário da congregação que eu coordeno, o arcebispo Joseph Tobin, foi destituído por Bento XVI sob acusação de ter tomado o partido das freiras americanas responsabilizadas por desvios de disciplina e doutrina. A acusação era injusta. Posso dizer isso porque ele era meu braço-direito. Eu sempre achei que fazer a vontade de Deus por meio do caminho da Igreja é essencial. Mas, no momento em que passo a pensar que a vontade de Deus pode ser mentirosa, como eu fico? Simplesmente, calei-me diante daquela injustiça”.

É que Dom João esperava um Papa à sua medida, moldado à sua ideologia. Até a agenda é motivo para contrapor os pontífices, exaltando a um e execrando publicamente a outro:

“Vejo o Papa Francisco pelo menos a cada duas semanas […] Quanto a Bento XVI, na última vez que pedi para falar com ele, o encontro foi marcado para dali a quatro meses. Ele é extremamente tímido, e essa timidez causou uma dificuldade de comunicação muito grande”.

Pobre época, pobre Igreja, pobre cardeal!

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Os leitores podem enviar seus comentários para divulgação no “Espaço do leitor” da revista Veja até a próxima quarta-feira, 8: veja@abril.com.br.

17 dezembro, 2014

Relatório sobre as irmãs norte-americanas enfatiza a “gratidão” e reflete mudanças no Vaticano.

IHU – O relatório do Vaticano dessa terça-feira sobre a investigação das ordens religiosas femininas dos Estados Unidos (disponível aqui, em inglês) foi amplamente positivo no tom, em contraste com as declarações emitidas quando a investigação começou em 2009.

A nota é de John Thavis, publicada no seu blog, 16-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Naquela época, o cardeal Franc Rodé, que dirigia a Congregação vaticana para as ordens religiosas, disse que o estudo tinha como objetivo identificar atitudes “seculares” e “feministas” que tinham se infiltrado nas ordens das freiras e ajudaram a provocar um drástico declínio no número de membros.

O relatório dessa terça-feira não vai nesse sentido. Em vez disso, delineia desafios reais enfrentados pelas ordens religiosas, ao mesmo tempo em que agradece repetidamente as irmãs pelo seu serviço ao Evangelho.

Essa abordagem equilibrada reflete uma mudança de guarda no Vaticano – mas é uma mudança que começou com o Papa Bento XVI. Em 2011, Bento XVI nomeou o cardeal brasileiro João Braz de Aviz para substituir o cardeal Rodé. O cardeal brasileiro assumiu a investigação das religiosas, mas adotou uma abordagem muito mais conciliatória.

Eu acho que o relatório equilibrado dessa terça-feira foi praticamente uma conclusão antecipada, tendo em vista a liderança continuada do cardeal Braz de Aviz na Congregação vaticana para as ordens religiosas e dado que o Papa Francisco claramente quer a paz com as irmãs norte-americanas.

No entanto, parece haver uma dinâmica do “bom policial, mau policial” que ainda perdura no Vaticano. Uma investigação separada do Vaticano sobre a Leadership Conference of Women Religious (LCWR), a maior associação de irmãs norte-americanas, foi realizada pela Congregação doutrinal e tem sido muito mais crítica.

Em 2012, a Congregação doutrinal emitiu uma “avaliação doutrinal” e insistiu em grandes mudanças na LCWR para garantir que a organização se alinhe com o ensinamento católico em áreas como a ordenação de mulheres, a homossexualidade, o aborto e a eutanásia.

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O cabo de guerra sobre a implementação dessas mudanças continua. No ano passado, em uma rara demonstração de pontos de vista divergentes nos níveis mais altos do Vaticano, o cardeal Braz de Aviz criticou a forma como a revisão da LCWR foi conduzida. Isso levou a uma rápida declaração do Vaticano, que tentou minimizar qualquer desacordo entre Braz de Aviz e o cardinal Gerhard Müller, presidente da Congregação doutrinal.

O cardeal Müller não afrouxou, no entanto. Alguns meses atrás, ele repreendeu a LCWR por ter adotado ideias que ele disse que levam a “erros fundamentais” sobre “a onipotência de Deus, a encarnação de Cristo, a realidade do pecado original, a necessidade de salvação e o caráter definitivo da ação salvífica de Cristo”.

A LCWR está trabalhando com o arcebispo de Seattle, J. Peter Sartain, que foi nomeado em 2012 para implementar a avaliação doutrinal. Depois de se encontrar com o arcebispo em agosto passado, a LCWR emitiu um comunicado que dizia em parte: “Continuaremos a conversa com o arcebispo Sartain como uma expressão de esperança de que novas formas possam ser criadas dentro da Igreja para uma discussão saudável das diferenças”.

13 novembro, 2014

O sorriso do progresso.

Por Victor Spazevic – Riscossa Cristiana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Em uma interessante entrevista, o Cardeal Braz de Aviz mencionou o progresso na resolução do “caso Franciscanos da Imaculada”. Depois de quase ter destruído aquele Instituto, o qual pouco tempo atrás ainda estava florescente, o prefeito da Congregação responsável explicou que finalmente eles descobriram os problemas.

O problema é a “negação do Concílio” escondida por detrás da “referência ao rito extraordinário”. Não sem razão Maurizio Grosso (“Corrispondenza Romana”) manifestou alguma perplexidade em torno da expressão “o Concílio”. Mas eu não vou ser assim tão malicioso e prefiro ver na expressão do Cardeal apenas um “atalho linguístico”. Suponho que o prelado a tenha usado apenas porque o Vaticano II é até agora o mais recente dos Concílios. Então, se o cardeal dissesse, por exemplo, “a Copa”, estaria se referindo à última Copa do Mundo (deveria então explicar depois tal expressão para os seus conterrâneros, que provavelmente prefeririam evitar tal exaltação), e se ele dissesse “a guerra mundial”, de certo não o faria ignorando que foram duas guerras, mas simplesmente para poupar o tempo que se gasta em pronunciar as palavras “última” ou “segunda”. Com tal economia, certamente se sobra mais tempo para tratar da teologia da libertação.

Deixemos portanto em paz “o Concílio”,  não vamos acusar Sua Eminência de querer com esta expressão “negar” não apenas um, mas vinte concílios. Seria realmente um desastre ter que por sob intervenção a Congregação [para os Institutos de Vida Consagrada] que mais faz florescer a vida religiosa, especialmente as congregações femininas, ou melhor, feministas na América.

No entanto, permanece a dúvida sobre o que se entende pela palavra “negação”. Quem nega um concílio? E no que consistiria uma tal negação? Se alguém diz: “no meu ponto de vista, o Concílio de Florença se desenvolveu em circunstâncias bastante escandalosas”, já se torna culpado de “negação”? Ou se alguém diz, “o quinto Concílio de Latrão não resolveu os problemas da sua época”, já comete o delito de “negar o concílio?” (delito o qual – como ensinou precisamente o caso Franciscanos da Imaculada – corresponde à pena de morte?) Então, se um outro diz, “o pontificado do Papa Alexandre VI foi vergonhoso” – “nega-se” aquele pontificado? Ou se alguém diz que o pontificado de Leão X, que foi “fatal para a sede romana” (von Pastor o escreveu), torna-se, talvez, um negador?

Mas não é só isso: será que os Franciscanos da Imaculada realmente procuravam evidenciar apenas o lado negativo do vigésimo primeiro concílio ecumênico? De modo algum! Muito pelo contrário, eram exatamente eles que apoiavam fortemente a linha de Bento XVI; negação – sim – mas não de “o concílio”, mas de uma de suas hermenêuticas erradas. Na verdade, eu acho que poucos estudiosos fizeram tanto para salvar o concílio quanto os bravos professores dos Franciscanos da Imaculada. Fingir que está tudo bem e que não há nenhuma crise ou enterrar a cabeça no chão como um avestruz não resolve o problema, um problema que deve ser enfrentado com amor pela Igreja, nossa querida e ensanguentada mãe, com a humildade de filhos, mas também com honestidade científica. Essa honestidade certamente não pode ir nem contra o amor à Igreja, nem contra a humildade. Quando será possível que a verdade contradiga a virtude?

Este foi o trabalho desenvolvido pelos  professores e sacerdotes dos Franciscanos da Imaculada. Quantos leigos os procuravam cheios de dúvidas e encontravam ajuda! Quantos que ao se deparar com a terrível crise e diante da tentação de se colocar toda a responsabilidade sobre os ombros dos Padres conciliares, encontravam entre os Franciscanos da Imaculada (e de fato os mais perseguidos agora) um outro lado: “Olha, o Vaticano II não queria a destruição da vida religiosa… a queda da moralidade… o enfraquecimento da Igreja… Leia os documentos, leia-os à luz da tradição; não se preocupem e não dê ouvidos a quem quer interpretar esses documentos contra o que sempre foi ensinado pela Igreja!”

No final, no entanto, devo acrescentar algumas palavras sobre o Concílio Vaticano II, a sua relevância e atualização em geral.

Existem textos conciliares que – repetindo com palavras novas as verdades de sempre, – permanecem atuais. Aqueles que lêem esses documentos “à luz da Tradição”, encontram neles um tesouro (embora, por vezes, bastante escondido). Um “tradicionalista” que denunciava abertamente a crise, Dietrich von Hildebrand, era um entusiasta da  “Lumen Gentium” (pelo menos enquanto escrevia seu “Cavalo de Tróia na Cidade de Deus”).

Mas o último concílio, desenvolvido na atmosfera do famoso “aggiornamento”, se auto-definiu como um concílio “pastoral”. E sabemos bem que nas dioceses, frequentemente orientações pastorais não duram mais do que 50 anos. Ainda mais quando se trata desses últimos 50 anos! Depois de 1968, da queda do Muro de Berlim, da transformação dos países comunistas, da globalização, da Internet, imigração, terrorismo islâmico, várias guerras, a descristianização da sociedade… talvez — aliás, certamente – esses são os mais velozes “50 anos” da história! O que há 50 anos era uma “atualização”, agora seria uma “desatualização”.

Quem, então, não foi bem atualizado? Os Franciscanos da Imaculada, seguindo o Papa Bento e as suas decisões (entre elas o retorno ao antigo rito) ou aqueles que, olhando com saudosismo para os anos da Teologia da Libertação, procuram debelar um dos mais belos frutos do Concílio Vaticano II? (lembremos da inspiração que Padre Manelli tirou do documento “Perfectae Charitatis”).

Senhor Cardeal! Os tempos mudaram, podemos dizer. O “Zeitgeist” sopra em outro lugar; sopra para a tradição. Leonardo Boff é um velho quase esquecido em seu oásis ecológico, enquanto os seminários em que se ensina a Missa segundo o Missal do recém-canonizado João XXIII estão cheios. Podemos dizer que este é o julgamento do implacável progresso da História: o progresso de vez em quando prega peças em seus admiradores. Vocês não estão bem atualizados, permanecem em seus tempos áureos da teologia da libertação. Nesse meio tempo houve um “Summorum Pontificum”, houve uma conversa sobre as duas hermenêuticas… de resto, nesse meio tempo houve também uma certa declaração sobre a teologia da libertação.

11 junho, 2014

Franciscanos da Imaculada: 10 perguntas ao Cardeal João Braz de Aviz.

Por Corrispondenza Romana | Tradução: Fratres in Unum.com – Eminência Reverendíssima,

Gostaríamos de lhe dirigir as perguntas que seguem, em razão das sérias questões levantadas pela instalação de um Comissariado junto aos Frades Franciscanos da Imaculada e da Visita Apostólica às Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, ambas medidas de sua iniciativa.

downloadTrata-se de questões de relevo universal que emergem, em consciência, do dever de cada um de procurar a verdade, especialmente em matéria de fé e de moral.

Desde que se tornou público o escândalo suscitado em tantos pela instalação do Comissariado junto aos Frades Franciscanos da Imaculada e pela Visita Apostólica às Irmãs Franciscanas da Imaculada, as perguntas dele resultantes devem também ser feitas publicamente.

1) Por que os Frades Franciscanos da Imaculada foram comissariados? No decreto de instituição do Comissariado emitido por V.E. não aparece qualquer motivo. Por quê?

2) Por que V.E. não levou em conta algumas das notas (29 de maio de 2013) enviadas pelo Conselho Geral, em conjunto com a Procuradoria Geral dos Frades Franciscanos da Imaculada, com as quais lhe participavam – no que diz respeito à Visita Apostólica então em curso – alguns fatos gravíssimos, e sem precedentes em toda a história da Igreja, entre os quais (como nele se lê): “a decisão [do Visitador] de proceder SOMENTE através de um questionário escrito, evitando totalmente a visita à comunidade e até mesmo aos seminários […]; o conteúdo do questionário, além da intenção de sugerir uma versão ‘tendenciosa’ da situação do Instituto, estava prenhe de perguntas não facilmente compreensíveis pela maioria dos nossos irmãos […]; Os resultados do questionário, por si sós, sem verificar se o que nele estava escrito corresponde realmente às convicções de cada irmão, não são confiáveis​ pelas razões acima mencionadas”?

3) V.E. está ciente das disposições emitidas pelo Comissário apostólico que designou para conduzir os Franciscanos da Imaculada, com as quais se impõe aos Frades, entre outras coisas, o fechamento do seminário, a suspensão das ordenações, e a proibição de colaborarem em publicações teológicas e de apostolado? Se não foi informado, por que endossou tais medidas, evidentemente destrutivas das atividades fundamentais próprias ao carisma desse Instituto, devidamente aprovado pela Santa Sé?

4) Por que ordenou a Visita Apostólica às Irmãs Franciscanas da Imaculada, ou seja, ao ramo feminino do Instituto religioso já comissariado por V.E.?

5) Por que enviou como Visitadora Apostólica uma religiosa tão distante, por atitudes e por formação – mas sobretudo pelo modo de pensar e de agir –,  das Irmãs Franciscanas da Imaculada?

6) Por que não demonstrou equivalente atenção e severidade em relação àqueles institutos religiosos nos quais um grande número de membros tem claramente se afastado do carisma dos fundadores e da observância de suas respectivas Regras e Constituições?

7) O que V.E. pensa a respeito da Teologia da libertação? Considera compatível com a fé católica a adesão às idéias da Teologia da Libertação, particularmente após a sua explícita condenação pela Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, confirmada por João Paulo II (6 de agosto de 1984), com a qual, entre outras coisas, se denunciam “os graves desvios ideológicos”?

8) O que pensa a respeito da possibilidade sincretista de unificar todas as religiões em uma nova religião planetária? É verdade que V.E. já participou, fazendo o discurso introdutório, do Primeiro Fórum Espiritual Mundial, juntamente com representantes de sociedades espíritas, teosóficas e maçônicas?

9) Não considera que cada projeto da religião planetária contradiz flagrantemente o princípio de que “deve ser […] acreditado firmemente como verdade de fé católica que a vontade salvífica universal de Deus Uno e Trino é oferecida e realizada uma vez para sempre no mistério da encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus” (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Dominus Iesus, 14)?

10) O que pensa a respeito da Maçonaria? Considera compatível com a fé cristã a adesão de um católico e, com razão ainda maior de um clérigo, à Maçonaria?

Com respeitosas saudações

Corrispondenza Romana

Riscossa cristiana

Chiesa e postconcilio

Il Cammino dei Tre Sentieri

Vigiliae Alexandrinae

Giudizio cattolico

Conciliovaticanosecondo.it

Una Fides

In Exspectatione

SECRETUM MEUM MIHI

Fratres in Unum.com

2 maio, 2014

Prossegue a operação “Canonizando o Concílio”.

D. Aviz: beatificação de Paulo VI será positiva para AL

Por José Maria Mayrink – Agência Estado: O papa Paulo VI, que morreu em 1978, será o próximo pontífice a ser declarado santo. Sua beatificação ocorrerá até o fim do ano e será feita em Milão, onde ele foi arcebispo e cardeal com o nome de Giovanni Battista Montini, antes de ser eleito para a sucessão de São João XXIII no conclave de 1963. A cerimônia deverá ser presidida pelo arcebispo da arquidiocese, cardeal Angelo Scola, ou pelo prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato.

Os teólogos e os peritos médicos da Congregação reconheceram como milagre necessário para a beatificação a cura de um nascituro da Califórnia, nos Estados Unidos, no início dos anos 1990. Segundo os médicos que acompanhavam a gravidez, a mãe teria de fazer aborto para sobreviver, porque o feto apresentava graves problemas no cérebro. Ela se recusou e recorreu à intercessão de Paulo VI, que escreveu em a encíclica Humanae Vitae (a Vida Humana) em 1968. A criança nasceu sadia. 

A beatificação e posterior canonização de Paulo VI será importante para a Igreja e especialmente importante para a América Latina, por causa de sua atuação no Concílio Vaticano II, ao qual deu continuidade após a morte de João XXIII”, declarou ao Estado o cardeal brasileiro d. João Brás Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, mais conhecida como Congregação para os Religiosos. 

O cardeal lembrou também o apoio que Paulo VI deu com sua presença à Conferência do Episcopado da América Latina de Medellín, realizada na Colômbia, em 1968. Para o cardeal Aviz, a beatificação de Paulo VI dará novo impulso aos documentos aprovados pelo Concílio Vaticano II. “Já se passaram 50 anos e, no entanto, metade das conclusões do Concílio ainda não foram postas em prática, o que significa que falta fazer muita coisa”, disse o cardeal. Ele citou como exemplo o que pode ser atualizado, à luz do Vaticano II, na área dos religiosos. “Precisamos de mais diálogo, porque não funciona mais o autoritarismo de tempos passados [ndr – dislexia cardinalícia I: pelo contrário, são 50 anos de demonstrações claríssimas de que o tal diálogo está levando a vida religiosa para o abismo], afirmou. 

A Congregação para os Religiosos tem cerca de 1,5 milhão de padres e freiras nos cinco continentes. “O número de religiosos tem caído na Europa, mas há um crescimento em outras partes, como na África e na América Latina[ndr – dislexia cardinalícia II – crescimento na América Latina? Em que planeta o purpurado vive?], informou o cardeal Aviz. Catarinense da cidade de Mafra, onde nasceu em 1947, ele foi cardeal arcebispo de Brasília de 2004 a 2011, quando o papa Bento VI o chamou para a Cúria Romana, O papa Francisco o confirmou no cargo em 16 de março último.

31 janeiro, 2014

Socci: Ratzinger é o alvo verdadeiro dos novos inquisidores. A autodemolição da Igreja lamentada por Paulo VI recomeça.

Os novos inquisidores contra Ratzinger. Recomeça a autodemolição da Igreja.

Por Antonio Socci | Tradução: Fratres in Unum.com

Houve grandes papas cujos pontificados foram praticamente solapados pelos erros dos eclesiásticos que lhes eram próximos. Esse risco também existe para o papa Francisco.

De fato, há episódios, decisões e “explosões bizarras” bastante desconcertantes por parte de alguns prelados. Penso no Cardeal Maradiaga e no Cardeal Braz de Aviz, que se sentem tão poderosos no Vaticano que usam o porrete tanto contra o Prefeito do antigo Santo Ofício, Müller, bem como contra os Franciscanos da Imaculada.

CONTRA BENTO XVI

Os alvos de suas “porretadas” (dadas, obviamente, em nome da misericórdia) são aqueles que, de diversas maneiras, são identificados como paladinos da ortodoxia católica e que mantiveram relações com Bento XVI.

O verdadeiro alvo, de fato, parece ser justamente ele: o “culpado” de tantas coisas: desde sua condenação histórica da Teologia da Libertação e defesa da sã doutrina até o Motu Proprio sobre a Liturgia.

O Cardeal Oscar Maradiaga é arcebispo de Tegucigalpa, em Honduras, diocese em decadência. Porém, o prelado, que circula pelos palcos dos meios de comunicação mundanos, recentemente deu o que falar por causa da entrevista que concedeu a um jornal alemão, onde – além dos lixo new age e banalidades terceiro-mundistas – atacou publicamente o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Müller, a quem o papa recentemente concedeu a púrpura cardinalícia. Igualmente escandaloso é constatar que Maradiaga é o chefe da comissão que deveria reformar a Cúria.

O que havia acontecido? Müller, chamado a esse cargo por Bento XVI e confirmado por Francisco, há poucos meses reiterou que, mesmo buscando novos caminhos pastorais (já indicados por Bento XVI), o próximo Sínodo sobre a família não pode subverter a lei de Deus com “um falso apelo à misericórdia” no que diz respeito à família homem-mulher, estabelecida por Jesus no Evangelho e que sempre foi ensinado pela Igreja.

SHOW DO MARADIAGA 

Müller, que já havia sido atacado pessoalmente por Hans Küng, [agora] foi liquidado por Maradiaga com essas palavras: “ele é um alemão e também um professor alemão de teologia. Em sua mentalidade existe só o verdadeiro e o falso. Só isso. Porém, eu digo: meu irmão, o mundo não é assim, você deveria ser um pouco flexível.” Essas palavras escandalizaram muitos fieis. Acima de tudo porque a alusão ao “professor alemão de teologia”, inevitavelmente, faz pensar que o alvo fosse Bento XVI, que chamou Müller para aquela função. E também porque um ataque público entre cardeais é algo completamente fora de propósito, como se Müller estivesse ali para sustentar a sua teologia pessoal e não o ensinamento constante da Igreja e de todos os papas.

No final das contas, segundo Maradiaga, seria equivocado avaliar a realidade em termos de verdadeiro ou falso, – ele se esquece que Jesus Cristo, no Evangelho, deu este preciso mandamento: “Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5,37).

Será que Maradiaga prefere “Tudo o que passa além disto ” ao anúncio da Verdade? Quanto aos temas relacionados à família, em que [atualmente] temos uma ofensiva ideológica semelhante àquela marxista dos anos setenta, diversos eclesiásticos estão prontos – justamente como naquele tempo – a entregar os pontos.

E eles o fazem também com os sofismas de Maradiaga, que afirmou que as palavras de Jesus sobre o matrimônio são vinculantes, “porém, elas podem ser interpretadas”, uma vez que hoje em dia há muitas novas situações de coabitação e há necessidade de “respostas que não podem mais se basear no autoritarismo e o moralismo”.

Essa frase sozinha liquida todo o Magistério da Igreja: evidentemente, de acordo com Maradiaga, até mesmo Nosso Senhor era autoritário e moralista, uma vez que Ele se expressou com grande clareza.

Mas o que significa “mais cuidado pastoral do que doutrina”? Todo grande pastor, de Santo Ambrósio a São Carlos Borromeu, de Dom Bosco a Padre Pio, foi um paladino da doutrina.

Maradiaga diz que a família precisa de “respostas adaptadas ao mundo de hoje”. Essas são palavras vazias e alusivas, que alimentam dúvidas e confusões. E essa é a maneira típica que hoje em dia está se espalhando na Igreja para suscitar indagações sem dar respostas.

A esse respeito, Santo Tomás de Aquino expressou-se assim: “Bem, estes são falsos profetas ou falsos doutores, pois levantar uma dúvida e não a resolver é o mesmo que concedê-la” (Sermão Attendite a falsis prophetis).

Atualmente, existem na Igreja pessoas que preferem o famoso questionário relativo ao Sínodo (que foi enviado a todas as dioceses do mundo e que é apresentado por alguns como uma pesquisa) às palavras de Jesus relatadas no Evangelho, como se a Verdade revelada devesse ser substituída pelas mais diversas opiniões.

AUTODEMOLIÇÃO

Também isso nos faz voltar aos anos Setenta, quando Paulo VI alarmado denunciava:

“Assim, a verdade cristã está passando por choques e crises assustadoras. Eles não aceitarão o ensinamento do Magistério […] Há alguns que tentam facilitar fé esvaziando-a – a fé integra e verdadeira – daquelas verdades que parecem ser inaceitáveis à mentalidade moderna. Eles seguem os seus próprios gostos, para escolher uma verdade que seja considerada aceitável… Outros estão em busca de uma nova fé, especialmente, uma nova crença sobre Igreja. eles estão tentando conformá-la às ideias da sociologia moderna e da história profana”. 

É como varrer os pontificados de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI para voltar à tenebrosa década de 70, à autodemolição da Igreja (conforme  definição de Paulo VI).

Não é uma renovação, mas o retorno ao passado mais desastroso.

A VERGONHA

Outro episódio de autodemolição da Igreja é a perseguição aos “Franciscanos da Imaculada”, uma das famílias religiosas mais ortodoxas, mais vibrantes (cheias de vocações), mais ascéticas e missionárias. Porém, a sua zelosa fidelidade a Bento XVI (como já escrevi nessa coluna) começando com o seu Motu Proprio sobre a liturgia, não foi perdoada.

A inversão de papéis é chocante. De fato, no banco dos réus temos católicos obedientes e no papel de inquisidor temos o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, que, em uma longa entrevista, proferiu palavras nostálgicas de elogio à desastrosa Teologia da Libertação, pouco se lixando para a condenação que lhe fizeram Ratzinger e João Paulo II.

Braz de Aviz confessou tranquilamente que, naquela época, ele estava pronto a abandonar o seminário por aquelas ideias sociais. Entretanto, ele fez carreira. Atualmente, ele é o chefe da Congregação para os religiosos, e ele sequer é um religioso.

O prelado, que proclama ser muito amigo da Comunidade de Santo Egidio, tem uma ideia estranha de diálogo. Para ele, isso é importante para todos, menos para os católicos mais fieis ao Magistério.

Quando era arcebispo de Brasília, ele participou tranquilamente e foi palestrante em uma conferência do Fórum Espiritual Mundial com o ex-frei Leonardo Boff, líder da Teologia da Libertação, com Nestor Masotti, Presidente da Federação Espírita Brasileira, com Ricardo Lindemann, Presidente da Sociedade Teosófica no Brasil e com Hélio Pereira, Grão-Mestre da Grande Loja [local].

Assim que assumiu a chefia da Congregação para os Religiosos, imediatamente, ele iniciou o diálogo com as “animadas” Congregações de religiosas dos Estados Unidos [LCWR], que deram muita dor de cabeça a Bento XVI. Braz de Aviz fez uma espécie de crítica à Santa Sé: “recomeçamos a escutar…sem condenações preventivas”.

Por outro lado, ele nunca chamou os Franciscanos da Imaculada – que nunca causaram quaisquer problemas – para ouvi-los. Eles estão sob condenação preventiva – e uma condenação muito pesada.

Estranho, não é mesmo? Há alguns dias o “Vatican Insider” publicou: “Na Itália há cada vez menos freis e freiras”. Vocês acham que Braz de Aviz está preocupado com isso? De maneira alguma. Ele pensa em punir uma das poucas ordens cujas vocações estão aumentando.

Na primeira edição de “Jesus” [revista mensal da Sociedade de São Paulo e uma das publicações mais importantes na Itália] de 2014, um monumento foi erigido a Vito Mancuso [Professor famoso por sua visão “progressista” sobre bioética], notável por negar “uma dúzia de dogmas” (como escreveu La Civiltà Cattolica). Porém, estejam certos de que ninguém levantará alguma objeção às filhas de São Paulo a esse respeito.

Ao contrário, os “Franciscanos da Imaculada” sofrem repressão por terem defendido os dogmas da Igreja.

A autodemolição foi retomada com força.

[Fonte: “Libero”, de 26 de janeiro de 2014. Tradução a partir da versão inglesa de Rorate Caeli]

5 setembro, 2013

Piada do dia.

“O papa nos alerta que esta é uma estrada equivocada e sem saída, e que a saída é a construção da paz, do diálogo, da capacidade de aproximação das pessoas; da paciência histórica de continuar procurando entender as razões do outro e defender os valores que são os grandes valores da humanidade, como a paz, a justiça, o perdão e a capacidade de diálogo”.

Palavras do Cardeal João Braz de Aviz sobre a iniciativa do Santo Padre de convocar um dia de oração e penitência pela paz na Síria. De fato, os Franciscanos da Imaculada estão impressionados com “a capacidade de aproximação das pessoas” e com “a paciência histórica de continuar procurando entender as razões do outro” demonstradas nos últimos meses pelo purpurado…

6 agosto, 2013

Comoção entre os tradicionalistas, que parecem os únicos réprobos em todo o mundo.

Por Francisco José Fernández de la Cigoña | Tradução: Fratres in Unum.com* – O Vaticano decidiu intervir na Congregação Religiosa dos Franciscanos da Imaculada. É um poder de Roma que nenhum católico pode negar. Quando a Igreja percebe desvios morais, disciplinares, teológicos, administrativos… deve aplicar, e às vezes aplica, as correções necessárias. E delegam a autoridade no Instituto a um encarregado a quem todos devem submeter-se como se fosse seu superior geral.

Os Franciscanos da Imaculada são uma cisão dos Franciscanos Conventuais ocorrida nos anos setenta do século passado e que, nestes dias de decadência das ordens e congregações religiosas, apresentam um crescimento notável. Afeitos a forma extraordinária da missa, ainda que não a mantenham com exclusividade, aparentemente eram um modelo de ortodoxia, piedade, pobreza, manutenção do hábito religioso, abundância de vocações… O que não estávamos acostumados a ver em muitos outros institutos regulares. Digo aparentemente porque não há registro de desvios. Se houver, não são conhecidos no momento.

Aceito sem problemas que haja alguma dificuldade interna para que Roma adote medidas tão drásticas. Mas muito surpreende que as resoluções romanas vão sempre dirigidas a institutos tradicionais enquanto que os que se encontram em total decadência e em aberta contestação – por parte de alguns de seus membros – à própria Igreja sejam objetos de uma tolerância que há muitos parecerá conivência. Chegou a vez de severas medidas contra os Franciscanos da Imaculada e seria bom, para a própria autoridade de Roma, que nos explicasse a todos a causa de tão drástica intervenção. Que possui, ademais, sanções inexplicáveis, como a de proibir a seus sacerdotes a forma extraordinária da Missa, que, segundo o motu proprio de Bento XVI, está ao alcance e pode ser rezada por qualquer sacerdote católico. De modo que a medida adquire um caráter maldoso dificilmente compreensível, como se fossem também proibidos de rezar o rosário ou expor o Santíssimo, coisas que nada tem a ver com a correção de desvios no Instituto – no caso de eles existirem.

Daí que não poucos tenham pensado que estávamos ante a reação de dois impertinentes personagens: o prefeito da Congregação para os Religiosos e seu secretário, que manifestaram claramente sua ojeriza por uma Missa com a qual durante séculos se santificou a Igreja. E que aproveitaram a ocasião de desautorizar a vontade de Bento XVI, a respeito da forma extraordinária do rito latino, a qual evidentemente os contrariava. Envolvendo, ademais, o Santo Padre em uma medida que parece contradizer todas as suas declarações de respeito a abertura aos demais. Porque não se entende que os tradicionalistas estejam em uma condição muito pior que a dos gays, judeus, muçulmanos, protestantes ou ateus, para com os quais é raro não encontrar alguma manifestação de respeito; ou hoje os grandes inimigos de Deus e de sua Igreja são os tradicionalistas? Nem um louco pensaria tal coisa.

Do confuso Braz de Aviz e Frei Carballo, ainda que se pudesse esperar qualquer coisa pouco afortunada, não se poderia crer que chegariam a tais extremos, que podem superar a incompetência para cair na maldade e prevaricação. Causaram indignação no mundo tradicional, farto de condescendências com todos menos para com eles — devem ser as únicas pessoas no mundo que não merecem consideração e respeito por parte da Igreja. Mesmo sendo, como são, católicos exemplares. Ao menos comparados com muitíssimos outros que são objetos de tolerância sem limites, quando não de conivências mais que duvidosas. Hoje, a medida a respeito dos Franciscanos da Imaculada dá a muitos a impressão de que se trata de um ataque a mais, covarde e traiçoeiro, à Missa Tradicional. Obra de dois personagens rançosos e impertinentes que nada seriam sem o cargo que ocupam. Em minha terra, que é a do frei secretário que, como tal, assina tão preocupante documento, abundam umas árvores que levam o mesmo nome que ele. O fruto do carvalho é a bolota. E a bolota é de má qualidade…

Nosso agradecimento a um caríssimo amigo, futuro Sacerdote do Altíssimo, pela gentileza de providenciar a tradução.