Posts tagged ‘Dom João Braz de Aviz’

6 agosto, 2013

Comoção entre os tradicionalistas, que parecem os únicos réprobos em todo o mundo.

Por Francisco José Fernández de la Cigoña | Tradução: Fratres in Unum.com* – O Vaticano decidiu intervir na Congregação Religiosa dos Franciscanos da Imaculada. É um poder de Roma que nenhum católico pode negar. Quando a Igreja percebe desvios morais, disciplinares, teológicos, administrativos… deve aplicar, e às vezes aplica, as correções necessárias. E delegam a autoridade no Instituto a um encarregado a quem todos devem submeter-se como se fosse seu superior geral.

Os Franciscanos da Imaculada são uma cisão dos Franciscanos Conventuais ocorrida nos anos setenta do século passado e que, nestes dias de decadência das ordens e congregações religiosas, apresentam um crescimento notável. Afeitos a forma extraordinária da missa, ainda que não a mantenham com exclusividade, aparentemente eram um modelo de ortodoxia, piedade, pobreza, manutenção do hábito religioso, abundância de vocações… O que não estávamos acostumados a ver em muitos outros institutos regulares. Digo aparentemente porque não há registro de desvios. Se houver, não são conhecidos no momento.

Aceito sem problemas que haja alguma dificuldade interna para que Roma adote medidas tão drásticas. Mas muito surpreende que as resoluções romanas vão sempre dirigidas a institutos tradicionais enquanto que os que se encontram em total decadência e em aberta contestação – por parte de alguns de seus membros – à própria Igreja sejam objetos de uma tolerância que há muitos parecerá conivência. Chegou a vez de severas medidas contra os Franciscanos da Imaculada e seria bom, para a própria autoridade de Roma, que nos explicasse a todos a causa de tão drástica intervenção. Que possui, ademais, sanções inexplicáveis, como a de proibir a seus sacerdotes a forma extraordinária da Missa, que, segundo o motu proprio de Bento XVI, está ao alcance e pode ser rezada por qualquer sacerdote católico. De modo que a medida adquire um caráter maldoso dificilmente compreensível, como se fossem também proibidos de rezar o rosário ou expor o Santíssimo, coisas que nada tem a ver com a correção de desvios no Instituto – no caso de eles existirem.

Daí que não poucos tenham pensado que estávamos ante a reação de dois impertinentes personagens: o prefeito da Congregação para os Religiosos e seu secretário, que manifestaram claramente sua ojeriza por uma Missa com a qual durante séculos se santificou a Igreja. E que aproveitaram a ocasião de desautorizar a vontade de Bento XVI, a respeito da forma extraordinária do rito latino, a qual evidentemente os contrariava. Envolvendo, ademais, o Santo Padre em uma medida que parece contradizer todas as suas declarações de respeito a abertura aos demais. Porque não se entende que os tradicionalistas estejam em uma condição muito pior que a dos gays, judeus, muçulmanos, protestantes ou ateus, para com os quais é raro não encontrar alguma manifestação de respeito; ou hoje os grandes inimigos de Deus e de sua Igreja são os tradicionalistas? Nem um louco pensaria tal coisa.

Do confuso Braz de Aviz e Frei Carballo, ainda que se pudesse esperar qualquer coisa pouco afortunada, não se poderia crer que chegariam a tais extremos, que podem superar a incompetência para cair na maldade e prevaricação. Causaram indignação no mundo tradicional, farto de condescendências com todos menos para com eles — devem ser as únicas pessoas no mundo que não merecem consideração e respeito por parte da Igreja. Mesmo sendo, como são, católicos exemplares. Ao menos comparados com muitíssimos outros que são objetos de tolerância sem limites, quando não de conivências mais que duvidosas. Hoje, a medida a respeito dos Franciscanos da Imaculada dá a muitos a impressão de que se trata de um ataque a mais, covarde e traiçoeiro, à Missa Tradicional. Obra de dois personagens rançosos e impertinentes que nada seriam sem o cargo que ocupam. Em minha terra, que é a do frei secretário que, como tal, assina tão preocupante documento, abundam umas árvores que levam o mesmo nome que ele. O fruto do carvalho é a bolota. E a bolota é de má qualidade…

Nosso agradecimento a um caríssimo amigo, futuro Sacerdote do Altíssimo, pela gentileza de providenciar a tradução.

31 julho, 2013

O “caso” dos Franciscanos da Imaculada.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – O “caso” dos Franciscanos da Imaculada apresenta-se como um episódio de extrema gravidade, destinado a ter consequências no seio da Igreja talvez não previstas por aqueles que o transformaram imprudentemente em ato.

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada (conhecida como Congregação para os Religiosos) com seu decreto de 11 de julho de 2013, assinado pelo cardeal prefeito João Braz de Aviz e o arcebispo secretário José Rodriguez Carballo, OFM, desautorou os superiores dos Franciscanos da Imaculada, confiando o governo do Instituto a um “comissário apostólico”, o padre Fidenzio Volpi, capuchinho.

Para “blindar” o decreto, o cardeal João Braz de Aviz se muniu de uma aprovação “ex auditur” do Papa Francisco, que tira dos frades qualquer possibilidade de recurso à Signatura Apostólica. As razões dessa condenação, que tem sua origem em uma reclamação feita à Congregação para os Religiosos por um grupo de frades dissidentes, permanecem misteriosas. Desde o decreto da Congregação e da carta enviada aos franciscanos em 22 de julho pelo novo Comissário, as únicas acusações parecem ser as de um escasso “pensar com a Igreja” e de um apego excessivo ao Rito Romano antigo.

Na realidade, estamos diante de uma injustiça manifesta contra os Franciscanos da Imaculada. Este instituto religioso fundado pelos padres Stefano Maria Manelli e Gabriele Maria Pellettieri é um dos mais florescentes de que se ufana a Igreja, pelo número de vocações, a autenticidade da vida espiritual, a fidelidade à ortodoxia e às autoridades romanas. Na situação de anarquia litúrgica, teológica e moral em que nos encontramos hoje, os Franciscanos da Imaculada deveriam ser tomados como modelo de vida religiosa. O Papa se refere muitas vezes à necessidade de uma vida religiosa mais simples e sóbria.

Os Franciscanos da Imaculada se destacam por sua austeridade e pobreza evangélica, com as quais vivem, desde a sua fundação, seu carisma franciscano. Acontece, porém, que em nome do Papa, a Congregação para os Religiosos retira o governo do Instituto para transmiti-lo a uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista, nos quais o novo Comissário se apoiará para “normalizar” o Instituto, ou para conduzi-lo ao desastre do qual até agora tinha escapado graças à sua fidelidade às leis eclesiásticas e ao Magistério.

Mas hoje o mal é recompensado e o bem castigado. Não surpreende que a empregar o punho de ferro no confronto com os Franciscanos da Imaculada esteja o mesmo Cardeal que auspicia compreensão e diálogo com as irmãs heréticas e cismáticas americanas. Aquelas religiosas pregam e praticam a teoria do gênero, e, portanto, deve-se dialogar com elas. Os Franciscanos da Imaculada pregam e praticam a castidade e a penitência e por isso não há possibilidade de entendimento com eles. Esta é a triste conclusão a que inevitavelmente chega um observador desapaixonado.

Uma das acusações é de serem muito apegados à Missa tradicional, mas a acusação é um pretexto, porque os Franciscanos da Imaculada são, como se costuma dizer, “bi-ritualistas”, ou seja, celebram a nova Missa e a antiga, conforme lhes é concedido pelas leis eclesiásticas em vigor. Colocados diante de uma ordem injusta, é de se supor que alguns dentre eles não desistirão de celebrar a Missa tradicional; e farão bem em resistir neste ponto, porque não será um gesto de rebeldia, mas de obediência. Os indultos e privilégios em favor da missa tradicional não foram revogados e possuem uma força legal superior ao decreto de uma congregação, e até mesmo das intenções do Papa, se não expressas num ato legal claro.

O cardeal Braz de Aviz parece ignorar a existência do motu proprio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, de seu decreto de aplicação, a Instrução Universae Ecclesiae de 30 de Abril de 2011, e da Comissão Ecclesia Dei, ligada à Congregação para a Doutrina da Fé, das quais a Congregação para os Religiosos invade hoje o campo. 

Qual é a intenção da suprema autoridade da Igreja? Suprimir a Ecclesia Dei e revogar o motu proprio de Bento XVI? Se for, que o diga explicitamente, para que possamos tirar as consequências. E se não for, por que fazer um decreto desnecessariamente provocativo contra o mundo católico ligado à Tradição da Igreja? Este mundo está numa fase de grande expansão, especialmente entre os jovens, e esta talvez seja a principal razão da hostilidade de que ele é hoje objeto.

Por fim, o decreto constitui um abuso de poder não apenas em relação aos Franciscanos da Imaculada e àqueles impropriamente definidos de tradicionalistas, mas a todos os católicos. Na verdade, é um sintoma alarmante da perda da segurança jurídica que está ocorrendo hoje no seio da Igreja. De fato, a Igreja é uma sociedade visível na qual há o “poder do direito e da lei” (Pio XII, Discurso Dans notre souhait, de 15 de Julho 1950). A lei é o que define o certo e o errado, e, como explicam os canonistas, “o poder da Igreja deve ser justo, para o que é necessário que parta da própria Igreja, que determina as finalidades e os limites da atividade da Hierarquia. Nem todo ato dos Pastores sagrados, pelo fato de provirem deles, é justo” (Carlos J. Errazuriz, Direito e justiça na Igreja, Giuffre, Milão 2008, p. 157).

Quando diminui a segurança jurídica, prevalece o arbítrio e a vontade do mais forte. Muitas vezes isso acontece na sociedade, e pode ocorrer na Igreja quando nesta a dimensão humana prevalece sobre a sobrenatural. Mas se não há segurança jurídica, não há nenhuma regra de comportamento segura. Tudo é deixado ao arbítrio do indivíduo ou de grupos de poder, e à força com a qual esses lobbies são capazes de impor a sua vontade. A força, separada da lei, torna-se prepotência e arrogância.

A Igreja, Corpo Místico de Cristo, é uma instituição legal baseada numa lei divina, da qual os homens da Igreja são os depositários, e não os criadores ou proprietários. A Igreja não é um “soviet”, mas uma construção fundada por Jesus Cristo, na qual o poder do Papa e dos bispos deve ser exercido de acordo com as leis e as formas tradicionais, todas enraizadas na Revelação divina. Hoje se fala de uma Igreja mais democrática e igualitária, mas o poder vem sendo exercido muitas vezes de modo personalista, em desprezo a leis e costumes milenares. Quando existem as leis universais da Igreja, como a bula de São Pio V Quo primum (1570) e o motu proprio de Bento XVI Summorum Pontificum, para mudá-los é necessário um ato legal equivalente. Uma lei anterior não pode ser revogada senão com um ato explicitamente abrogatório de igual porte.

Para defender a justiça e a verdade no interior da Igreja, confiamos na voz dos juristas, entre os quais estão alguns eminentes cardeais que ordenaram de acordo com o rito “extraordinário” os Frades Franciscanos da Imaculada, cuja vida exemplar e zelo apostólico eles conhecem. Apelamos especialmente ao Papa Francisco, para que queira retirar as medidas contra os Franciscanos da Imaculada e contra seu uso legítimo do Rito Romano antigo. 

Qualquer decisão que seja tomada, não podemos esconder o fato de que a hora em que vive hoje a Igreja é dramática. Novas tempestades se adensam no horizonte e essas tempestades certamente não são suscitadas nem pelos Frades, nem pelas Irmãs Franciscanas da Imaculada. O amor à Igreja Católica Apostólica Romana sempre nos moveu e nos move a tomar sua defesa. Nossa Senhora, Virgo Fidelis, sugerirá à consciência de todos nesta difícil conjuntura, o caminho certo a seguir.

29 julho, 2013

A ruína dos Franciscanos da Imaculada.

Uma das ordens religiosas mais florescentes do mundo. Proibidos de celebrar a Missa Tradicional – uma manobra Aviz e Carballo. Com o aval do Papa.

A primeira vez que Francisco contradiz Bento

Isso aconteceu quanto ao ponto nevrálgico da Missa no rito antigo. Ratzinger permitiu a celebração para todos. Bergoglio a proibiu a uma ordem religiosa que a preferia. 

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com – ROMA, 29 de julho de 2013 – Um ponto sobre o qual Jorge Mario Bergoglio estava à espreita, após a sua elevação ao papado, era o da Missa no rito antigo.

Alguns previam que o Papa Francisco não se desviaria da rota de seu predecessor, que havia liberado a celebração da Missa no rito antigo como forma “extraordinária” do rito moderno [sic], com o Motu Proprio “Summorum Pontificum”, de 7 de julho de 2007:

> Bento libera o rito antigo da missa. E explica por quê

e com a posterior Instrução “Universæ ecclesiæ” de 13 de maio de 2011:

> Duas missas para uma única Igreja

Outros previam por parte de Francisco uma restrição — ou diretamente uma revogação — da possibilidade de celebrar a Missa com o rito anterior ao Concílio Vaticano II, inclusive ao custo de contradizer as resoluções do ainda vivo Bento XVI.

Ao ler um decreto emitido pela Congregação vaticana para os Religiosos, pouco antes da viagem de Francisco ao Brasil, com a aprovação explícita do mesmo Papa, deveríamos dar mais razão aos segundos que aos primeiros.

O decreto é datado de 11 de julho de 2013, número de protocolo 52741/2012, assinado pelo prefeito da Congregação, o Cardeal João Braz de Aviz, focolar, e pelo secretário da mesma, o arcebispo José Rodríguez Carballo, franciscano.

Braz de Aviz é o único alto dirigente da cúria de nacionalidade brasileira, motivo pelo qual acompanhou Francisco em sua viagem ao Rio de Janeiro. Tem fama de progressista, embora mais lhe corresponda a de confuso. E será um dos primeiros a desaparecer, tão logo tome corpo a reforma da cúria anunciada por Francisco.

Pelo contrário, Rodríguez Carballo goza da plena confiança do Papa. Sua promoção a número dois da Congregação foi desejada pelo mesmo Francisco, no início de seu pontificado.

É difícil, então, pensar que o Papa Bergoglio não se tenha dado conta do que aprovava quando lhe fora apresentado o decreto antes de sua publicação.

O decreto institui um comissário apostólico — na pessoa do frei capuchinho Fidenzio Volpi — à cabeça de todas as comunidades da Congregação dos Irmãos Franciscanos da Imaculada.

E este é o motivo do assombro, porque os Franciscanos da Imaculada são uma das mais florescentes comunidades religiosas nascidas nas últimas décadas no interior da Igreja Católica, com ramos masculino e feminino, com numerosas e jovens vocações, difundidas em vários continentes e com uma missão também na Argentina.

Eles se reivindicam como fiéis à Tradição, em pleno respeito ao magistério da Igreja. Tão certo que em suas comunidades celebram missas tanto no rito antigo como no moderno, como fazem, por outra parte, em todo o mundo centenas de outras comunidades religiosas — para dar um só exemplo: os beneditinos de Nursia — aplicando o espírito e a letra do Motu Proprio “Summorum Pontificum”, de Bento XVI.

Mas precisamente isso foi criticado por um núcleo de dissidentes internos, que apelaram às autoridades vaticanas lamentando a excessiva inclinação de sua Congregação a celebrar a missa no rito antigo, com o efeito de criar exclusões e contraposições dentro da comunidade, minar a unidade interna e, por ainda, debilitar o mais amplo “sentire cum Ecclesia”.

As autoridades vaticanas responderam enviando há um ano um visitador apostólico. E agora se realiza a nomeação do comissário.

Mas o que mais surpreendente são os últimos cinco itens do decreto de 11 de julho:

“Ademais do exposto, o Santo Padre Francisco dispôs que cada um dos religiosos da Congregação dos Frades Franciscanos da Imaculada está obrigado a celebrar a liturgia segundo o rito ordinário e que, eventualmente, o uso da forma extraordinária (Vetus Ordo) deverá ser explicitamente autorizada [sic] pelas autoridades competentes, para cada religioso e/ou comunidade que solicite”.

O assombro deriva do fato de que o que se decreta contradiz as disposições providas por Bento XVI, que para a celebração da Missa no rito antigo “sine populo” não exige nenhum pedido prévio de autorização:

“Ad talem celebrationem secundum unum alterumve Missale, sacerdos nulla eget licentia, nec Sedis Apostolicae nec Ordinarii sui” (1).

Enquanto que, para as missas “cum populo”, estipulam algumas condições, mas sempre assegurando a liberdade de celebrar.

Em geral, contra um decreto de uma Congregação vaticana é possível apresentar um recurso ao tribunal supremo de Assinatura Apostólica, atualmente presidida por um cardeal, o americano Raymond Leo Burke, considerado amigo dos tradicionalistas.

Mas se o decreto é objeto de aprovação em forma específica por parte do Papa, como parece ser o caso, o recurso não é admitido.

Os Franciscanos da Imaculada deverão ater-se à proibição de celebrar a Missa no rito antigo a partir de domingo, 11 de agosto.

E o que acontecerá agora, não só para eles, mas para toda a Igreja?

Bento XVI estava convencido de que “as duas formas do uso do rito romano podem enriquecer-se mutualmente”. Assim havia explicitado na angustiada carta aos bispos de todo o mundo, com a qual havia acompanhado o motu proprio “Summorum Pontificum”:

> “Com grande confiança e esperança…”

Mas daqui em diante, não é mais assim. Ao menos não para todos. Aos Franciscanos da Imaculada, obrigados a celebrar a missa somente na forma moderna, não lhes restará mais que um só modo de entesourar o que também defendia Bento XVI: “manifestar”, também nessa forma, “com mais força com que se costuma até agora, essa sacralidade que atrai a muitos ao uso antigo”.

É fato que se rachou um ponto de referência do pontificado de Joseph Ratzinger. De uma exceção que muitos temem — ou defendem — se converterá rapidamente em regra.

* * *

(1) Curiosamente, mesmo depois de seis anos de sua publicação, o motu proprio “Summorum Pontificum” de Bento XVI continua presente na página web da Santa Sé, mas somente em dois idiomas, e entre os menos conhecidos: o latim e o húngaro.

23 julho, 2013

Curtinhas do Papa no Brasil.

Braz e Bertone.

Do voo papal ao Rio de Janeiro, dois cardeais mereceram o destaque de Andrea Tornielli. Primeiro, o brasileiro Dom João Braz de Aviz, prefeito para os religiosos, que realizou uma “mini-conferência de imprensa” com os jornalistas brasileiros, dizendo-lhes que “Bento XVI era um intelectual tímido”, enquanto Francisco tem vigor para fazer reformas. Seja-nos permitido dizer, sem que as virgens escandalizadas venham aqui rasgar as suas vestes: o senhor, Dom João, é um ignorante assanhado. Nada mais, nada menos.

Já o outrora todo poderoso Bertone chamou um jornalista num cantinho para falar da possível visita do Papa a Torino, “quando eu não serei mais Secretário de Estado”. Fala-se em Roma que Bertone deixará seu posto nas primeiras semanas de setembro.

Esperança dos progressistas

‹‹ Está sinalizado uma esperança muito concreta de superar os desentendimentos que aconteceram, sobretudo com a expressão de uma teologia que não coincide com a europeia (Teologia da Libertação). Nesse sentido a gente percebe que há uma vontade de reconciliação e muitos teólogos que foram colocados à margem se sentem à vontade para renovar as esperanças de que se possa retomar o impulso renovador do Concílio Vaticano II, que foi empreendido com muito entusiasmo por João XXIII e que nos últimos anos experimentou um arrefecimento. Essa é a esperança maior que se desenha pela frente. Com esse papa se recriaram as condições para passos importantes, também de ordem ecumênica, de maior descentralização da igreja católica, de mais autonomia para dioceses, de mais liberdade para prover as necessidades eclesiais de cada diocese em termos de ordenação de padres, para que haja mais padres mesmo que sejam ordenadas pessoas casadas ›› .

Palavras de Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, SP, ao jornal O Valor. Falta um ano e meio para a aposentadoria de Dom Valentini, o que será um marco para a verdadeira renovação da Igreja no Brasil.

Enquanto isso…

Informa o Brasil pela Vida: ‹‹ Hoje, dia 22 de julho, dia da chegada de SS. o Papa Francisco ao Brasil, às 14:29 hs, foi entregue na Curia Metropolitana do Arcebispado do Rio de Janeiro, o abaixo assinado que foi entregue para que Dom Orani Tempesta, Arcebispo di Rio de Janeiro, peça à SS. que interceda por nós junto à Presidente Dilma, com quem certamente estará, mais de uma vez, e peça-lhe que vete totalmente o PLC 03/2013 que, a pretexto de auxiliar mulheres vítimas de agressão sexual, traz no seu bojo o aborto total e irrestrito ›› .

Dor de cotovelo

De Nelson de Sá, na Folha: ‹‹ Ligada à Universal, a Record repisou exaustivamente as cenas “exclusivas” de um ataque de tubarão em Recife, para não abrir as câmeras ao papa Francisco. Recorreu também a uma interminável viagem de trem por Maranhão e Pará, no “Jornal da Record”. Quando entrou no assunto, afinal, aproveitou para anotar que manifestantes “reclamam do posicionamento da Igreja Católica sobre o aborto”, destacando que no Uruguai, após a legalização, nenhuma mulher morreu do procedimento. Não é a primeira vez que a rede evangélica apela ao aborto para questionar a igreja concorrente ›› .

Gilberto Carvalho, espião

Gilberto Carvalho foi alvo de uma piada papal. Apresentado por Dilma como o responsável pelo elo entre o governo e a igreja, o ministro foi chamado pelo Papa de “espião do Vaticano no governo do Brasil”. Com um espião desses…

Erro grave

Do Globo: ‹‹ Especialistas são unânimes em dizer que o Papa Francisco ficou vulnerável, exposto a riscos desnecessários. O fato de o carro do chefe da Igreja ficar preso no trânsito é considerado um erro grave pelas normas de segurança internacional de autoridades, explicou o coronel do Exército Diógenes Dantas, doutor em Aplicações e Planejamento de Segurança de Grandes Eventos. O consultor internacional de segurança Hugo Tisaka também afirmou que “uma autoridade não pode ficar presa no trânsito como o Pontífice ficou” ›› .

Há um mês…

Padre François Murad era brutalmente martirizado por maometanos na Síria. Não se esqueça de rezar por ele e pelos cristãos perseguidos em todo o mundo.

Lançamento de livro do Prof. Hermes no Rio

Nosso caro amigo Prof. Hermes Rodrigues Nery informa: seu livro “A Igreja é viva e jovem” será lançado na quarta-feira, 24, das 15 às 18 horas, no stand da Editora Loyola, na Expocatólica, no Riocentro.

E se fosse Bento?

Comentário de Damian Thompson, do Telegraph: ‹‹ A imprensa mundial está – compreensivelmente — se focando na visita do Papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial de Juventude: é bom ver uma cobertura positiva de um papa que merece isso, este é o frescor e o vigor que ele trouxe ao seu papel. Mas eu não posso deixar de pensar que, se Bento XVI estivesse no Brasil, a mídia falaria de celebrações “manchadas” pelas extraordinárias acusações contra Mons. Battista Ricca, o homem designado por Francisco para supervisionar a reforma do Banco Vaticano ›› .

[Atualização – 23 de julho de 2013, às 14:36] Ahhh tá…

“Ele [o Papa] quer receber o meu livro [Igreja: carisma e poder], mandou essa mensagem por uma amiga. Já entreguei a obra ao arcebispo do Rio de Janeiro e espero que o papa receba”, afirmou Leonardo Boff ao jornal O Globo.

8 maio, 2013

Cardeal Braz de Aviz disse o que disseram que disse. Oficial da Congregação para a Doutrina da Fé: “Isso não se faz”.

Do National Catholic Reporter:

Um cardeal negou alegações do Vaticano de que suas observações feitas ao NCR sobre uma controversa crítica de 2012 às irmãs católicas dos EUA foram mal interpretadas, afirmando considerar a matéria do NCR “muito precisa”.

Braz de Aviz, falando ao NCR na quarta-feira, no Vaticano, após a audiência papal com as líderes das irmãs católicas de todo o mundo, disse que a matéria do NCR sobre a sua conferência forneceu uma tradução imprecisa da palavra “autoridade” no momento das perguntas e respostas.

No entanto, “tratou-se somente de um pequeno, minúsculo ponto da entrevista”, disse.

NCR reportou o cardeal dizendo no domingo: “Estamos em um momento” onde as idéias de “obediência e autoridade devem ser renovadas, revistas”.

“Autoridade que controla, mata. Obediência que se torna uma cópia do que a outra pessoa diz infantiliza”, escreveu NCR como sendo suas palavras.

Braz de Aviz disse na quarta-feira: “A questão da obediência, esta parte estava ok. Mas a questão da autoridade, a tradução não estava precisa. Eu estava tentando enfatizar que a autoridade não pode ser uma dominação”.

Da matéria de Catholic News Agency (CNA):

Um oficial da Congregação para a Doutrina da Fé disse à CNA, em 7 de maio, sob a condição de anonimato, que a Congregação está “perplexa” com a afirmação do Cardeal João Braz de Aviz de que não se discutiu com ele a decisão de exigir que um grupo americano de superioras religiosas passe por reformas.

“Estamos perplexos porque a matéria é de exclusiva responsabilidade da congregação [para a Doutrina da Fé] e nós não estamos invadindo o terreno de ninguém”, afirmou a fonte no início da tarde de terça-feira.

A decisão foi resultado de uma avaliação de quatro anos que chegou à conclusão de que a Conferência de Superioras Religiosas promovia “temas feministas radicais incompatíveis com a fé católica” e divergia do ensinamento da Igreja em pontos que incluíam o sacerdócio sacramental masculino e a homossexualidade.

[…]

Comentando sobre as afirmações [do Cardeal Braz de Aviz] sobre a congregação doutrinal, a fonte interna declarou: “Isso não se faz. Eu não sei como os seus comentários beneficiam a ele ou a Igreja, e ele faz parecer que se está cometendo uma injustiça”.

“Foi um processo muito lento e objetivo e nossos membros são teólogos e filósofos extremamente profissionais, que consultam o Papa semanalmente”, explicou.

Mas de acordo com a fonte, “há muito orgulho e alguém sempre quer acreditar que está certo”.

“As pessoas estão muito mal informadas teológica, filosófica e academicamente” sobre as posições defendidas pela LCWR, acrescentou.

O oficial da doutrina acredita que “a parte mais importante já aconteceu, isto é, que os católicos foram informados de que essas mulheres estão erradas”.

Ele explicou que a LCWR segue a “ideologia de gênero” e “desenvolveu um feminismo ultra exacerbado que as faz rejeitar todo tipo de autoridade masculina”.

“Elas foram mandadas embora de várias paróquias porque ensinam coisas que provocam grande desconforto nas comunidades”, disse.

[…]

Após tentar obter comentários da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, CNA foi encaminhada ao Cardeal Braz de Aviz, que não estava disponível.

7 maio, 2013

Comunicado da Sala de Imprensa após queixas do Cardeal Braz de Aviz.

Por Vatican Information Service | Tradução: Fratres in Unum.com – A Congregação para a Doutrina da Fé e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica têm, por algum tempo, colaborado para uma renovada visão teológica da Vida Religiosa na Igreja. A preocupação da Santa Sé, expressa parcialmente na Avaliação Doutrinal da Leadership Conference of Women Religious nos Estados Unidos, é motivada por um desejo de apoiar a nobre e bela vocação dos religiosos, de modo que o eloquente testemunho da Vida Religiosa possa prosperar na Igreja em prol das futuras gerações.

Dom Gerhard Müller (esquerda) e Dom João Braz de Aviz (direita).

Dom Gerhard Müller (esquerda) e Dom João Braz de Aviz (direita).

As iniciativas da Santa Sé nesta área dizem respeito principalmente à fé da Igreja e sua expressão na Vida Religiosa. A fé da Igreja — no desígnio amoroso do Pai que enviou o Seu Filho para ser nosso Salvador, na inspiração da Sagrada Escritura, no dom da graça através dos Sacramentos, na natureza da Igreja guiada pelo Espírito Santo — esta fé está no coração dos Conselhos Evangélicos. Ela motiva a paixão pela justiça partilhada por tantas religiosas e religiosos, e ela procura sempre ser exprimida na caridade ativa para com aqueles mais necessitados.

Recentes comentários na mídia sobre observações feitas no domingo, 5 de maio, durante a Assembléia Geral da União Internacional dos Superiores Gerais, pelo Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, sugeriram uma divergência entre a CDF e a Congregação para os Religiosos em seu enfoque sobre a renovação da Vida Religiosa. Tal interpretação das palavras do Cardeal não se justifica. Os Prefeitos de ambas as Congregações trabalham proximamente segundo as suas responsabilidades específicas e têm colaborado ao longo do processo de Avaliação Doutrinal da LCWR. Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Cardeal Braz de Aviz se encontraram ontem e reafirmaram o seu comprometimento comum na renovação da Vida Religiosa, e particularmente na Avaliação Doutrinal da LCWR e no necessário programa de seu reforma, de acordo com os desejos do Santo Padre.

* * *

Nota do Fratres: Afirmar-se “consternado” e “com muita dor” pela atuação da CDF — cujos métodos “nós temos que mudar”, já que os responsáveis pelos dicastérios devem “confiar no juízo uns dos outros” — definitivamente não é nenhuma manifestação de harmonia e cooperação. Dizer que “não se justifica” a interpretação feita por qualquer ser pensante só mostra como o Cardeal Braz de Aviz é capaz de colocar, pela enésima vez, a Santa Sé em maus lençóis, a ponto de fazê-la emanar um comunicado que busca negar o óbvio. A nota acima é, evidentemente, fruto da diplomacia curial. Razoável seria, de fato, uma retratação do Cardeal Aviz, o que, sabemos todos nós, seria uma humilhação não prevista no manual de boas maneiras que vigora em Roma. Esse episódio só evidencia, mais uma vez, a completa inaptidão do purpurado brasileiro.

6 maio, 2013

Consternado: Papa Aviz I está tristinho porque foi ignorado pela Congregação para a Doutrina da Fé.

De nossa parte, só podemos desejar que Sua Eminência Reverendíssima passe a confiar mais em seus confrades da Cúria Romana, uma vez que o próprio Papa Francisco confirmou aquilo que Aviz lamenta.

Cardeal do Vaticano questiona decisão de reformar LCWR

Por Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com – O prefeito da Congregação para os Religiosos lamentou que o seu dicastério não tenha sido notificado sobre o projeto do Vaticano de exigir reformas na American Leadership Conference of Women Religious (LCWR) [Conferência Americana de Lideranças de Religiosas].

Em abril passado, a Santa Sé nomeou o Arcebispo James Sartain, de Seattle, como delegado do Vaticano para supervisionar a reforma da LCWR, julgando que “a atual situação doutrinal e pastoral da LCWR é grave e matéria de séria preocupação”. A medida do Vaticano veio após uma visitação apostólica da LCWR, que foi conduzida pela Congregação para a Doutrina da Fé. (CDF).

Falando em 5 de maio para um grupo de superiores religiosos, o Cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Religiosos, afirmou que estava consternado em saber que a CDF havia dado início a um projeto de reforma do grupo americano sem consultar o seu dicastério. Ele declarou que a decisão lhe causou “muita dor”.

“Nós temos que mudar essa maneira de fazer as coisas”, disse o prelado brasileiro, afirmando que os cardeais que trabalham na Cúria Romana devem aprender a confiar no juízo uns dos outros e coordenar os seus projetos.

A franca expressão de insatisfação do cardeal para com outro departamento da Cúria Romana foi uma rara ruptura da costumeira demonstração pública de unidade entre os representantes do Vaticano. O seu chamado por mudanças na atuação da Cúria Romana, entretanto, ecoa declarações feitas por muitos prelados antes do conclave que elegeu o Papa Francisco.

O próprio dicastério do cardeal brasileiro, a Congregação para os Religiosos, realizou a sua própria visitação apostólica separada das ordens religiosas femininas nos EUA. Embora os resultados da investigação ainda não tenham sido finalizados, a congregação sinalizou que não pedirá por quaisquer maiores reformas.

O lamento do Cardeal Braz de Aviz quanto à atuação da CDF vem poucas semanas após esta congregação confirmar que o Papa Francisco deu a sua aprovação à avaliação crítica da LCWR que levou à intervenção da CDF.

20 março, 2013

Francisco, Papa. Reações (IV) – Dom João Braz de Aviz.

“Reforma da Cúria? Inevitável e não agradará a todos”. Entrevista com João Braz de Aviz

“Se estou contente? Bem, não podia estar melhor. Francisco é um bem para todos.”

Cardeal João Braz de Avis, o representante brasileiro no consistório de hoje.

Cardeal João Braz de Avis.

IHU – O cardeal brasileiro Braz de Aviz manda um aviso: ”A reforma do Papa Francisco não agradará a todos: é possível que haja resistência. Mas é preciso podar para tornar a planta mais forte. Abolir o IORSão Pedro não possuía um banco, mas tinha que pescar para viver…”.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 19-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Cardeal João Braz de Aviz, está feliz com a eleição de Bergoglio?

Se estou contente? Bem, não podia estar melhor. Francisco é um bem para todos.

Franciscano de nome e de fato…

Pessoalmente, eu conhecia muito bem essa sua propensão à sobriedade, a não ir buscar o supérfluo para se concentrar no essencial. Francisco, pelo que vemos ele fazer, está impondo uma direção de marcha autêntica para o percurso cristão. A sua visão mostra uma vivência mais próxima do povo. Ele tem a coragem de fazer, de testemunhar em primeira pessoa. Lembro-me da conferência deAparecida do episcopado latino-americano, em 2007. A transparência com que ele enfrentou o nó das desigualdades sociais chamou a atenção de todos. O seu testemunho era direto através de uma coerência de vida. Ouvíamos um homem que mostrava o que já havia posto em prática, ele por primeiro. Na América Latina, é muito sensível o papel de liderança do pastor que se torna um guia para o povo no momento em que o povo percebe a sua credibilidade. Isso também acontece com os políticos, mas com os pastores essa dinâmica é muito mais pronunciada. Bergoglio é amado porque é simples.

Qual é o seu projeto?

Podemos intuir a Igreja que ele delineia com o seu descer entre o povo, sem formalidades, para estar mais perto do povo. Ele insiste muito no conceito da misericórdia. Já em Aparecida ele criticava aqueles pastores que tendiam a se ocupar com posições de prestígio, ao invés de descer ao lado das pessoas. É muito bonito o seu modo de ver as coisas da vida, de conceber a grandeza de Deus, um Deus que perdoa, que ama e nunca se cansará de fazer isso.

Ele quer uma Igreja pobre…

Não é um conceito novo, porque reflete a famosa opção preferencial pelos pobres. Mas ele foi além, falou de uma “Igreja pobre para os pobres”, e isso significa que a pobreza implica em comunhão.

Na Cúria, nem todos vão pular de alegria…

Eu acho que a Cúria precisava de uma mensagem como essa. Ou, melhor, todos precisávamos disso. Sobriedade significa evitar o risco do carreirismo, a busca a todo custo de um posto importante em vez de outro. É o exercício da sobriedade que Francisco nos ensina, o voltar o olhar para a radicalidade do Evangelho.

Ele vai viver no Palácio Apostólico ou optará por permanecer em Santa Marta?

Eu imagino que ele tenha se admirado com tanto espaço, pensando sobretudo na sua casa em Buenos Aires, três peças ao todo. Eu não sei se ele irá viver lá. Quem sabe? Francisco é uma pessoa livre interiormente, e eu tenho certeza de que ele continuará nos surpreendendo com aquele seu grande sorriso. Estamos todos assistindo coisas tão bonitas e coerentes que só podemos ficar tocados ou, melhor, contagiados. Certamente, talvez ele também encontrará dificuldades na Cúria.

Há quem reme contra?

Como todas as mudanças, essa também envolverá algumas dificuldades. É todo um conjunto de coisas, a Igreja é uma realidade complexa. Provavelmente, haverá atitudes relutantes, talvez essa simplificação tão grande não poderá agradar a todos.

Haverá uma reforma?

Eu acho que sim. Todos os ramos da videira tem um significado próprio, mas às vezes é preciso fazer uma poda para tornar a planta mais forte. Estou convencido de que Francisco levará adiante o projeto de reforma através do diálogo e com a ajuda de todos. Eu não acredito que ele queira rupturas, no máximo quer deixar claro que a Igreja já não pode ir nessa direção.

O cardeal Fox Napier disse que São Pedro não tinha um banco, dando a entender que era preciso rever o IOR…

(Risos) Bem, é preciso dizer que São Pedro, embora não possuísse um banco, contudo, tinha que ir pescar para se manter. Devemos refletir sobre o fato de que a maior segurança não é dada por uma conta bancária, mas sim por Deus. Certamente, a nossa fonte de sustento é o nosso trabalho, mas depois entra em cena a Providência. Onde está a nossa segurança, no dinheiro ou em Deus? O dinheiro, assim como o IOR, obviamente são instrumentos de que precisamos para operar em áreas muito difíceis do mundo.

O senhor também sonha com uma Igreja pobre?

No mundo, há zonas de miséria sem nada porque há uma péssima distribuição dos bens em nível planetário. É preciso uma reflexão fraterna, uma dimensão comunitária.

O que a América Latina pode ensinar para a Europa?

Nós fomos evangelizados pela Europa há cinco séculos, mas não entendemos por que no continente que nos ensinou Cristo a sua mensagem se dispersou, desapareceu o sentido de Deus entre o povo. Por que há esse cansaço na fé? O que aconteceu? Bento XVI evidenciou isso. Agora caberá a Francisco intervir.

O secretário de Estado irá mudar logo?

No momento, o papa prorrogou todos com a fórmula donec aliter provideatur. É uma confirmação provisória.Francisco tomou um pouco de tempo para conhecer e estudar. Os tempos não serão longos. Ele está trabalhando com a visão de um Pai.

Leia também:

Francisco, Papa. Reações (III) – Comunicado da Casa Geral da FSSPX.

Francisco, Papa. Reações (II) – Coletiva de três cardeais brasileiros que participaram do conclave.

Francisco, Papa. Reações (I – Leonardo Boff).

10 março, 2013

O duro ataque de Dom João Braz de Aviz à Cúria Romana.

Cardeal João Braz de Avia, o representante brasileiro no consistório de hoje.

Cardeal João Braz de Avia.

Fratres in Unum.com – As congregações gerais, encontros que antecedem o ingresso dos cardeais na Sistina, servem para que os purpurados sintam-se livres para dizer coisas que não seriam muito apropriadas em uma capela. E até mesmo para chegar ao confronto.

Foi o que teria ocorrido ontem, segundo matéria de Marco Ansaldo na edição de hoje do La Reppubblica. Dom João Braz de Avia, 64 anos, criado cardeal no ano passado por Bento XVI, ao pedir a palavra, teria criticado duramente a cúria romana como um todo. O torpedo tinha endereço certo: os escândalos financeiros e a insuficiência de informação fornecida aos cardeais — referência clara ao relatório do Vatileaks, reservado por Bento XVI ao seu sucessor. Para Dom João, o Vaticano daria pouca atenção às igrejas locais e a Secretaria de Estado seria excessivamente centralizadora.

O brado do cardeal brasileiro teria gerado aplausos por parte de alguns de seus confrades, que depois o cumprimentaram pela intervenção. Ao fim da congregação, Bertone, por sua vez, parecia muito contrariado.

12 fevereiro, 2013

O nível dos cardeais brasileiros.

Alguém em Roma, por favor, indique um cursinho intensivo de latim à Sua Eminência. No que, afinal, ele estaria pensando?…

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Dom João Braz de Avis interpela outro Cardeal:  “O Papa está dizendo que ele está renunciando?”

Nós fomos convocados esta manhã às 11h para o Consistório dos cardeais com o programa de aprovação de novos santos para a Igreja. Toda a sessão foi feita em latim, e no final da sessão o papa pessoalmente anunciou esta notícia para nós muito extraordinária. Eu inclusive consultei o cardeal que estava ao meu lado e disse: “O Papa está dizendo que ele está renunciando?” Porque não me parecia verdade. De fato, depois vimos que já estava confirmado e era isso mesmo que ele estava dizendo. Foi uma surpresa para todos nós porque esta atitude da renúncia não é uma atitude muito comum na Igreja. Mas a gente acredita que o Papa, provavelmente ajudado pelos seus médicos, pelas pessoas que lhe estão perto, seguramente ele avaliou isso, e o fez no conjunto da Igreja para o bem da Igreja. É um ato de extrema humildade por parte do Papa, de extremo amor à Igreja e que nos colheu muito de surpresa. Mas nós acreditamos realmente que o Papa o fez por amor à Igreja, por amor à Sé de Pedro, e nós sabemos o quanto ele trabalhou, quanto ele está trabalhando e trabalhará até o dia 28 ainda nesse sentido. O sentimento é de surpresa, muito grande. A gente via na própria sala esta surpresa. Não sabíamos de nada, só da questão do consistório para os santos e não de sua renúncia. Nesse sentido, foi uma grande surpresa. Também a atitude dele: “Continuarei ajudando através da minha oração e do meu testemunho”. Isso é muito bonito da parte do Santo Padre. Da nossa parte, queremos pedir pela Igreja, pedir também pelo novo Conclave e pedir para que o Senhor dê a nós o Pontífice que ele pensou para este momento.

Palavras do Cardeal brasileiro Dom João Braz de Avis à Rádio Vaticano.