Posts tagged ‘Dom João Braz de Aviz’

12 fevereiro, 2013

O nível dos cardeais brasileiros.

Alguém em Roma, por favor, indique um cursinho intensivo de latim à Sua Eminência. No que, afinal, ele estaria pensando?…

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Dom João Braz de Avis interpela outro Cardeal:  “O Papa está dizendo que ele está renunciando?”

Nós fomos convocados esta manhã às 11h para o Consistório dos cardeais com o programa de aprovação de novos santos para a Igreja. Toda a sessão foi feita em latim, e no final da sessão o papa pessoalmente anunciou esta notícia para nós muito extraordinária. Eu inclusive consultei o cardeal que estava ao meu lado e disse: “O Papa está dizendo que ele está renunciando?” Porque não me parecia verdade. De fato, depois vimos que já estava confirmado e era isso mesmo que ele estava dizendo. Foi uma surpresa para todos nós porque esta atitude da renúncia não é uma atitude muito comum na Igreja. Mas a gente acredita que o Papa, provavelmente ajudado pelos seus médicos, pelas pessoas que lhe estão perto, seguramente ele avaliou isso, e o fez no conjunto da Igreja para o bem da Igreja. É um ato de extrema humildade por parte do Papa, de extremo amor à Igreja e que nos colheu muito de surpresa. Mas nós acreditamos realmente que o Papa o fez por amor à Igreja, por amor à Sé de Pedro, e nós sabemos o quanto ele trabalhou, quanto ele está trabalhando e trabalhará até o dia 28 ainda nesse sentido. O sentimento é de surpresa, muito grande. A gente via na própria sala esta surpresa. Não sabíamos de nada, só da questão do consistório para os santos e não de sua renúncia. Nesse sentido, foi uma grande surpresa. Também a atitude dele: “Continuarei ajudando através da minha oração e do meu testemunho”. Isso é muito bonito da parte do Santo Padre. Da nossa parte, queremos pedir pela Igreja, pedir também pelo novo Conclave e pedir para que o Senhor dê a nós o Pontífice que ele pensou para este momento.

Palavras do Cardeal brasileiro Dom João Braz de Avis à Rádio Vaticano.

5 julho, 2012

Encontro Nacional da Vida Monástica e Contemplativa.

Cerca de 200 religiosos e religiosas de vida contemplativa de vários estados brasileiros reuniram-se na cidade de Aparecida (SP), entre os dias 16 e 19 de junho de 2012, para refletir sobre aspectos da vida religiosa contemplativa e monástica. O encontro, pioneiro no gênero, foi organizado pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tendo o incentivo e aprovação da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica da Santa Sé. O tema do encontro foi “Identidade, Mística e Missão” e o lema “Nossa pátria é o céu” (Fl 3,20). Durante esses dias, os religiosos participaram de palestras, grupos de reflexão e convivência fraterna no Seminário Redentorista Santo Afonso de Aparecida, além de visitarem a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, onde participaram da Santa Missa no domingo.

Estiveram presentes o Cardeal Dom João Braz de Aviz, prefeito da Sagrada Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, que concedeu licença especial para que os monges e monjas pudessem sair de seus mosteiros a fim de participarem do evento, o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo da arquidiocese de Aparecida, Dom Raimundo Damasceno, a Presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil, Ir. Márian Ambrósio, o Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e arcebispo de Palmas, Dom Pedro Brito, o monge cisterciense e abade emérito da Abadia Nossa Senhora de Santa Cruz de Itaporanga-SP, que vive atualmente na Abadia de Nossa Senhora da Assunção de Hardehausen-Itatinga, Dom Luís Alberto Ruas Santos O. Cist., e a abadessa beneditina do Mosteiro do Salvador, Me. Vera Lúcia Parreiras Horta OSB.

Ao final do encontro, os religiosos expressaram sua alegria e gratidão em uma mensagem final, em que declararam: “Renovamos nosso compromisso em testemunhar alegremente no silêncio da vida a força da fidelidade a nossos carismas. Por isso, entre expressões antigas e novas de vida monástica e contemplativa, assumimos o desafio de dar continuidade à experiência da gratuidade do amor e da comunhão entre nós e nossas famílias religiosas, vivida nestes dias em Aparecida.” Mais notícias sobre o encontro de religiosos contemplativos em Aparecida podem ser encontradas aqui.

Nota da Redação: Sem desmerecer os pontos positivos que provavelmente existiram em tal encontro, fontes seguras nos dão conta que em todas as missas celebradas no Seminário Redentorista a Sagrada Comunhão foi distribuída aos religiosos sob as duas espécies mediante a famigerada prática da auto-intinção. O fato é de causar perplexidade não apenas por ser essa prática proibida segundo o documento Redemptionis Sacramentum – nº104: “Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice…”, mas, especialmente, em vista da presença do próprio cardeal responsável pela vida consagrada, Dom João Aviz, o qual, em uma de suas reflexões aos religiosos, ao discorrer sobre a virtude da paciência, narrou, ainda que apenas a título de ilustração, o episódio em que teria sido veementemente admoestado contra tal prática por um cerimoniário do Vaticano, a quem prometera nunca mais repeti-la e que o fazia porque “costumava fazer isso nas missas com o povo no Brasil”.

Pelo visto, as palavras do purpurado não modificaram em nada a visão dos demais padres concelebrantes sobre a maneira correta de administrar a Sagrada Comunhão.

6 janeiro, 2012

João Braz de Aviz, novo Cardeal da Santa Igreja Romana!… E outros 21 nomes que serão feitos Cardeais.

No quarto consistório do pontificado de Bento XVI, a ser realizado no próximo dia 18 de fevereiro. A grande ausência é Rino Fisichella, o antigo presidente da Pontifícia Academia para a Vida contrário à vida e hoje responsável pela “Nova Evangelização”:

Cúria:

Fernando Filoni (Prefeito da Propaganda Fide), Domenico Calcagno, (Presidente da APSA), Giuseppe Bertello (Presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano), Giuseppe Versaldi (Presidente da Prefeitura para Assuntos Econômicos da Santa Sé); João Braz de Aviz (Prefeito da Congregação para os Religiosos), Santos Abril y Castelló (Decâno da Basílica Papal de Santa Maria Maggiore), Manuel Monteiro Castro (Penitenciário Maior), Edwin Frederik O’Brien (Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém); Antonio Maria Vegliò (Pontifício Conselho para os Migrantes), Francesco Coccopalmerio (Textos legislativos).

Sés diocesanas:

George Alencherry (Arcebispo Maior dos Siro-Malabares), Giuseppe Betori (Florença), Thomas Christopher Collins (Toronto); Willem Jacobus Eijk (Utrecht), John Tong Hon (Hong Kong), Rainer Maria Woelki (Berlim); Timothy Michael Dolan (New York); Mons. Dominik Duka (Praga).

Cardeais não-votantes: 

Pe. Prosper Grech (Professor-Roma), Pe. Karl Josef Becker (Professor-Roma, consultor CDF), Abp. Lucian Mureşan (Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Romena), Mons. Julien Ries (Professor-Louvain).

24 julho, 2011

Foto da semana.

O mártir da teologia da libertação, Dom Oscar Romero, e alguns seminaristas em Playa el Majahual, El Salvador, em 1978. Para o novo prefeito para a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, Dom João Braz de Aviz, Romero foi um grande exemplo de santidade de vida.

5 julho, 2011

Bomba de Roma: Dom João Braz de Aviz compara Pe. Roberto Lettieri a fundador de Legionários de Cristo.

Apresentamos nossa tradução de uma resposta de Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, em entrevista concedida a John Allen Jr:

O que o escândalo envolvendo o fundador dos Legionários de Cristo significa para o senhor?

Certamente é doloroso quando você vê a expansão de um movimento que se apresenta como carismático, e então a indignidade de seu fundador é revelada. Como tal coisa é possível permanece um mistério, e os Legionários não são o único exemplo. No Brasil, tivemos o caso da Toca de Assis. Era uma comunidade que vestia um hábito no estilo franciscano e que atraiu muita atenção, inserindo-se na Canção Nova [uma rede brasileira de grupos vagamente afiliados ao movimento carismático]. Eles criaram uma forte imagem de si, com irmãos que alegavam dar glória a Deus cantando e dançando. Tinham recrutado seiscentos moços. Depois se descobriu, entretanto, que o fundador tomou parte em comportamentos moralmente indignos com seus seguidores.

Quanto aos Legionários, nunca me convenci pela falta de confiança na liberdade pessoal que eu via nas suas estruturas. Era um autoritarismo que procurava dominar tudo com disciplina. Eu retirei os seminaristas de Brasília de seus seminários, porque vi que as coisas não poderiam continuar dessa forma.

Na mesma entrevista, Dom João defende a teologia da libertação e expõe sua ruptura com os procedimentos de seu antecessor [você encontrará alguma coisa dele aqui] nas relações com os religiosos. Curiosamente, um pontificado que afirma ad nauseam a tal continuidade, não consegue impô-la sequer na sucessão de um chefe de dicastério.

15 junho, 2011

Situação atual dos religiosos: tema na reunião do Papa com autoridades vaticanas.

Vaticano, 14 Jun. 11 / 08:01 pm (ACI) Na reunião que o Papa Bento XVI presidiu com as autoridades da Cúria Vaticano na segunda-feira 13 de junho, o tema tratado teria sido a situação atual dos religiosos e os consagrados no mundo.

Embora e boletim de imprensa da Santa Sé somente mencione, brevemente, a reunião, o vaticanista italiano Andrea Tornielli explica que na agenda da mesma esteve “a vida consagrada e o exercício da autoridade em alguns institutos religiosos e organizações eclesiásticas”.

De modo particular, explica Tornielli, trataram-se dois pontos. O primeiro em relação à “distinção entre comunidades religiosas masculinas e femininas: a intenção seria marcar a necessidade de vidas comunitárias separadas, ao contrário do que acontece em algumas comunidades. Ao mesmo tempo, teriam sublinhado a necessidade de distinguir bem a vida religiosa consagrada da vida laical”.

Além disso, prossegue o vaticanista, é possível que tenha se discutido o fato de que os leigos responsáveis por um movimento ou de uma associação não deveriam exercer uma jurisdição sobre sacerdotes ou religiosos.

“Deve haver sempre um sacerdote responsável pelos sacerdotes e os religiosos membros do movimento. Contribuições sobre este ponto foram oferecidas pelo Prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, e do Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko”.

O segundo ponto da reunião teria sido “o exercício da autoridade de parte dos fundadores de ordens religiosas e formas de vida consagrada”.

“Uma relação em particular, preparada pelo Cardeal Secretário de estado, Tarcisio Bertone, tratou o tema da obediência exigida ao fundador, que em alguns casos corre o risco de ligar os membros do instituto a essa pessoa, de modo tal que faz passar a um segundo plano a pertença eclesiástica e a adesão ao magistério da Igreja“.

Tornielli refere neste ponto que “foram citados casos extremos de plágio, e em alguns estranhos mas muito dolorosos casos, os abusos sexuais. Em tempos recentes um problema, bastante conhecido, surgiu com o fundador dos Legionários de Cristo quem tinha imposto por decênios a proibição de criticar a atuação ou a pessoa do superior, obrigando a advertir ao próprio superior, quando um irmão o fazia”.

A última reunião deste tipo realizou-se no dia 12 de novembro de 2010. Naquela ocasião, diz o vaticanista italiano, o Papa consultou as autoridades sobre o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização que criou no ano passado. Em geral estas reuniões de coordenação ocorrem duas vezes por ano.

6 junho, 2011

O Prefeito para os Religiosos e Summorum Pontificum.

Publicamos o esclarecedor comentário do leitor Paulo José Péret de Sant’Ana acerca da atuação do senhor arcebispo emérito de Brasília e atual Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, Dom João Braz de Aviz, e do senhor Pároco da Igreja São Pedro de Alcântara, Padre Givanildo Ferreira, em todo o imbroglio envolvendo o fim da única celebração pública da Santa Missa no Rito Tridentino na capital do Brasil:

Prezados,
Salve Maria!

Na realidade, a questão – embora real – de dificuldade de acesso à Paróquia São Pedro de Alcântara, como sendo o motivo do afastamento dos fiéis, é periférico; como também o é buscar na manobra utilizada em reduzir a celebração para uma única vez por mês e em mudar o horário das 17 para as 08 da manhã. Tais expedientes utilizados não alcançam o real motivo pelo qual os fiéis deixaram de assistir a Missa no Rito Extraordinário naquela paróquia.

Os motivos que causaram o afastamento dos fiéis – e não o abandono como dito pelo Pe. Givanildo na matéria – são outros e de ordem muito mais grave e que foram conteúdo de um abaixo assinado encaminhado à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei – PCED – em julho de 2009.

Foi levado ao conhecimento da PCED a forma como o então Arcebispo de Brasília e o Pároco da Igreja São Pedro de Alcântara, lidavam com relação às demandas provenientes dos fiéis ligados à tradição litúrgica latina em uso até 1962.

O 'ars celebrandi' do Prefeito para os Religiosos.

O 'ars celebrandi' do Prefeito para os Religiosos.

Foi explicado à PCED que antes da publicação do Motu Próprio Summorum Pontificum, vários grupos de fiéis solicitaram permissão do Arcebispo para celebração da Missa no rito tradicional, de acordo com o que dispunha o Motu Próprio Ecclesia Dei Afflicta. Entretanto, nenhum pleito foi atendido em Brasília.

Com a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, o Arcebispo de Brasília, determinou que apenas em uma única paróquia de sua Arquidiocese – Paróquia São Pedro de Alcântara – fosse celebrada, aos domingos, a Forma Extraordinária da Liturgia da Missa. Foi informado à PCED que esta paróquia localiza-se em uma região com reduzido serviço de transporte urbano nos finais de semana, dificultando assim o acesso de um considerável número de fiéis que moram longe.

Levou-se ao conhecimento da PCED que um grupo de fiéis, desejando receber o Sacramento da Confirmação no rito antigo, solicitou que o Pe. Givanildo verificasse a possibilidade do Arcebispo de Brasília de realizá-lo ou indicar quem o fizesse. Segundo seu relato, D. João de Avis se recusou a celebrar o Sacramento da Confirmação em conformidade com o rito tradicional e impediu que o D. João Evangelista Martins Terra, Arcebispo Emérito de Brasília, e o Pe. Givanildo dos Santos Ferreira o fizessem.

Também foi relatado que o Pároco nos recusava a celebração das Missas de Preceito, Missas de Festas e não celebrou o Sacramento do Matrimônio a um casal fiéis, alegando proibição do Arcebispo.

Foi ainda informado à PCED que Brasília, capital do País, com aproximadamente 2.000.000 de almas, embora detivesse sacerdotes dispostos a celebrar a Missa na Forma Extraordinária, eles não o faziam por temor de represálias do Arcebispo.

Foi dito que a frequência à Missa Gregoriana vinha crescendo, a despeito da quase nula divulgação pela Paróquia da celebração dominical da Forma Extraordinária da Liturgia da Missa.

Por fim, foi solicitado, no abaixo assinado, que a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei se dignasse a ajudar os fiéis da Arquidiocese de Brasília ligados ao usus antiquior, se possível, que nos fosse indicado um sacerdote em Brasília para realizar todos os sacramentos e celebrar as Missas em dias de preceito e de festa.

Em novembro do mesmo ano, uma carta – de caracter pessoal e assinada por um único fiel – foi enviada à PCED na qual – dentre outras informações – foram reiterados os pontos acima bem como foi levado ao conhecimento da PCED as expressões depreciativas com as quais o Pároco, durante os seus sermões nas Missas na forma Extraordinária, referia-se a grupos e fiéis aderentes à tradição litúrgica antiga.

Tenho o dever de dizer, em defesa tanto da minha pessoa e como dos membros que então compunham o grupo que eu estava a frente que sempre reconhecemos todos os Concílios Ecumênicos da Santa Igreja, desde o Primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia até o Concílio Ecumênico do Vaticano Segundo, recebendo todas as doutrinas deles emanadas na medida em que a Santa Madre Igreja impõe esta aceitação. Aceitamos a validade do Novus Ordo Missae quando está presente a matéria correta, a forma sacramental é obedecida e o sacerdote tem intenção de fazer o que a Igreja sempre fez, condições essas de validade para todos os sacramentos. Ora chamar ou insinuar em seus sermões que os fiéis e grupos ligados aos usus antiquor seriam heréticos, cismáticos e filhos do demônio é no mínimo uma falta de caridade.

Com base no que acima relatamos, podemos inferir que os fiéis não abandonaram a Paróquia, mas foram afastados não apenas pelos expedientes utilizados – escolha de uma Paróquia de difícil acesso, redução das celebrações, mudança dos horários – mas principalmente devido à forma como o Arcebispo, Dom João Brás e o Pároco Pe. Givanildo lidaram com suas demandas e o tratamento injusto e pouco respeitoso dispensado pelo Pároco aos fiéis em seus sermões.

23 maio, 2011

A abadia das intrigas. O Vaticano suprime os cistercienses de Santa Cruz em Jerusalém, de Roma, liderada por um tipo excêntrico.

Por Paolo Rodari – Tradução: Fratres in Unum.com

O decreto ainda é secreto, mas fala claro. Assinado em 11 de março de 2011 por Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, diz: “A Congregação, que tem o dever de intervir em tudo que é reservado à Santa Sé no que se refere à vida consagrada, ao fim da visita apostólica ad inquirendum et referendum, suprime o Mosteiro de Santa Cruz em Jerusalém, de Roma, e dispõe que os monges alí residentes se transfiram, dentro de dois meses, aos mosteiros da Congregação de São Bernardo na Itália, como determinado pelo Comissário Pontifício Dom Mauro Lepori, Abade Geral da Ordem Cisterciense”.

A notícia não é coisa pequena. A comunidade cisterciense de Santa Cruz, de fato, tem uma presença histórica em Roma. Ela reside ao lado da Basílica desde 1561, quando vieram substituir os cartuxos. Desde então, houve um aumento importante tanto de vocações como da multidão de fiéis em peregrinação para ver o que há de muito importante no recinto sagrado, as relíquias trazidas por Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, em seu regresso de uma peregrinação ao Calvário, ou um fragmento da Cruz de Jesus, um cravo da mesma, e o titulus crucis, a tábua com a imputação formulada por Pilatos.

[…]

Por que a decisão do Vaticano? A resposta não é fácil. Fala-se de graves abusos litúrgicos cometidos pelos monges. Diversos sites tradicionalistas na internet enviam ainda hoje na web imagens de algumas celebrações na Basílica. Na época de “A Bíblia dia e noite” [evento realizado na basílica de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, no outuno de 2008, transmitido pela televisão RAI, no qual, durante 6 dias, foi realizada a leitura de toda a Sagrada Escritura por pessoas famosas da sociedade italiana. Entre elas, Bento XVI e o Cardeal Tarcisio Bertone] uma irmã, Anna Nobili, se exibe em uma nova forma de dança por ela idealizada, a Holy Dance [dança santa]. Ex-cubista especializada em lap dance e dança funk, animadora por anos das noites noturnas mais transgressivas de Milão, Irmã Anna dança para Deus, sem o véu, rolando sorridente no chão nas proximidades do altar. A dança não agradou a todos no Vaticano, tanto que os refletores de algumas congregações foram voltados para a Basílica, para assistir e descobrir a que ancadorou os monges a estão levando. Mas não só de abusos litúrgicos pecam os monges. Na verdade, alguns dizem que os abusos são o crime declarado pela Santa Sé para cobrir acontecimentos mais graves. Há uma comunicão oficial do Vaticano que fala de “problemas na condução da comunidade”. Enquanto várias vozes anônimas se referem às relações de amizade “não muito ortodoxas” entre alguns monges. O que pode significar muito, mas nada também. Os rumores nesta comunidade estão na ordem do dia.

3 fevereiro, 2011

Quando o novo Prefeito dos Religiosos prega a Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres…

Apresentamos esta matéria do semanário francês ultraprogressista Golias (destaques do original) que traduz perfeitamente o “espírito” com que o seita liberal infiltrada na Igreja recebeu a nomeação de Dom João Braz de Aviz para Prefeito dos Religiosos.

Ele não lembra em nada a imagem que geralmente se faz dos homens da Cúria. Sorridente, risonho, descontraído, pouco se importando com a elegância afetada dos homens da Cúria Romana, Dom João Braz de Aviz é, aos 64 anos, um arcebispo atípico e que inspira simpatia.

Sua recente nomeação à chefia da Congregação para os Religiosos foi uma surpresa, na medida em que ele não apresenta o perfil de um ratzingueriano.

Ela se deve primeiro às circunstâncias. Com efeito, em consideração da importância proporcional do episcopado brasileiro no seio da instituição católica, parece oportuno que ao menos um chefe de dicastério seja desta origem, como é o caso para a França, Alemanha ou Espanha. Era necessário, portanto, encontrar um novo brasileiro após a aposentadoria do Cardeal Claudio Hummes, um franciscano de 77 anos. Haveria duas outras lideranças brasileiras (pelo menos): o novo cardeal Raymundo Damasceno Assis, 74 anos, arcebispo de Aparecida, e um bispo redentorista que trabalhou na Congregação do Clero, Dom Fernando Guimarães, 65 anos. O primeiro foi considerado demasiado idoso e o segundo muito jovem no ministério episcopal. Jogava a favor de Dom João a sua proximidade com os Focolares e o fato de estar no comando de uma grande diocese, Brasília (capital brasileira).

O surpreendente nesta nomeação foi, no entanto, a orientação de abertura deste prelado pouquíssimo comum na Cúria atual. Ao iniciar suas funções, Dom Braz vem, certamente, semear a perturbação no mundo Cúria com uma primeira declaração na qual faz elogio à…“teologia da libertação” (!). O que faz certos hierarcas do Vaticano pular de suas cadeiras. Numa entrevista concedida ao L’Osservatore Romano, pouco habituado a essas audácias, o arcebispo brasileiro dá, aliás, uma grande martelada ao insistir na “opção preferencial pelos pobres”, que se imporia em nome do Evangelho. Tem-se a impressão de ter voltado a uma outra época. O Brasil sempre nos surpreenderá.

Há um precedente relativamente recente: em 2006, mal nomeado Prefeito da Congregação do Clero, o Cardeal Claudio Hummes, que vinha de São Paulo, declarou abertamente que a obrigação do celibato do clero não se tratava de um dogma e que podia, portanto, ser facilmente suspensa. Uma posição já expressa por um teólogo… Joseph Ratzinger, levantada nestes dias pela imprensa alemã, em 1970, citando uma petição em prol do levantamento desta regra desumana.

Em 2011, Bento XVI se recordaria do Joseph Ratzinger de mais de 40 anos atrás?

Dom João o ajudará nesse sentido?

É esperar para ver!

* * *

Em tempo. Por sua vez, assim se expressava o antecessor de Dom João na chefia dos religiosos, Cardeal Franc Rodé: “No século 16, durante a Reforma, muitos religiosos deixaram a Igreja e muitos conventos foram fechados, mas isso era geograficamente limitado mais ou menos ao norte da Europa”. “Na Revolução Francesa, houve outra catástrofe, mas era limitada à França. A crise posterior ao Concílio Vaticano Segundo, entretanto, foi a primeira crise verdadeiramente global”. “Pagamos um preço verdadeiramente alto devido a uma mentalidade secularizada, mundana”. Eficientíssimo lobby, esquerdistas!

3 fevereiro, 2011

Um Prefeito que defende a Teologia da Libertação ou o que a Igreja do Brasil pode dar à Igreja Universal.

Dom João Braz de Aviz e o Papa Bento XVI.

Dom João Braz de Aviz e o Papa Bento XVI.

O Concílio Vaticano II pediu às ordens e congregações religiosas uma “atualização”, que comportasse uma revisão das regras e das constituições, frente às novas circunstâncias culturais e históricas do século passado. O retorno às fontes, ou seja, ao coração do carisma dado à Igreja pelo fundador, e a atenção às novas circunstâncias, que comportavam diferentes sensibilidades, ofereceram a muitas famílias religiosas a oportunidade de se renovar e adquirir posterior vigor, com abundantes frutos. Hoje, várias ordens e congregações estão assistindo a uma diminuição das vocações, ao envelhecimento de seus membros e, em muitos casos, a uma diversidade de orientações no interior da própria família religiosa. Por outro lado, a influência do individualismo e do relativismo do nosso tempo alcançou, ao menos em parte, também alguns âmbitos da vida consagrada, diminuindo o seu vigor. Penso que seja, sobretudo, necessário penetrar mais a fundo no mistério de Deus, para poder renovar as relações.

[…] A opção preferencial pelos pobres é uma opção evangélica da qual dependerá, antes de tudo, a nossa salvação. A sua descoberta e a sua construção por parte da teologia da libertação significaram um olhar sincero e responsável da Igreja ao vasto fenômeno da exclusão social. João Paulo II afirmou à época – através de carta enviada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e entregue ao Cardeal Gantin – que a teologia da libertação não é somente útil, mas também necessária. Naquele tempo, as duas instruções enviadas por Roma sobre o tema corrigiam questões ligadas ao uso do método marxista na interpretação da realidade. Penso que ainda não foi suficientemente completado o trabalho teológico para desvincular a opção pelos pobres da sua dependência de uma teologia da libertação ideológica, como advertiu recentemente Bento XVI. Um dos caminhos mais promissores, penso, consiste em aplicar à interpretação da realidade a antologia e a antropologia trinitárias. Pessoalmente, vivi os anos de nascimento da teologia da libertação com muita angústia. Estava em Roma para estudar teologia. Por pouco não abandonei a vocação sacerdotal e até mesmo a Igreja. O que me salvou foi o compromisso sincero com a espiritualidade da unidade no movimento dos Focolares. Os religiosos e as religiosas, com a radicalidade da sua vocação evangélica, poderão colaborar muito neste novo percurso.

Palavras de Dom João Braz de Aviz, novo Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, ao L’Osservatore Romano.