Posts tagged ‘Dom Orani João Tempesta’

26 agosto, 2013

Para pagar dívidas da Jornada, igreja vende prédio no Rio.

Folha de São Paulo – A Arquidiocese do Rio está se desfazendo de parte do patrimônio da Igreja Católica para tentar saldar a dívida deixada pela Jornada Mundial da Juventude.

Um prédio em São Cristóvão, bairro da zona norte da cidade, está sendo vendido para a Rede D’Or de hospitais por R$ 46 milhões. No imóvel funciona, desde 2001, o hospital Quinta D’Or.
O prédio pertence à Casa do Pobre de Nossa Senhora de Copacabana, entidade ligada à igreja. Estava alugado à Rede D’Or desde a inauguração do hospital.

Com o fim da Jornada, em 28 de julho, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, procurou empresários para conversar, em busca de uma solução para a dívida –cujo montante não foi revelado.

Uma das ideias que surgiram dessas conversas foi a venda do prédio onde, até os anos 80, funcionou o Hospital São Francisco de Paula, da Ordem de São Francisco dos Mínimos.
Há duas semanas, foi assinada uma escritura de promessa de compra e venda entre a Casa do Pobre de Nossa Senhora de Copacabana e a Rede D’Or.

Procurado pela Folha, o vice-presidente do comitê organizador da Jornada, dom Paulo Cezar Costa, hesitou em dar detalhes sobre a negociação. “Isso não está totalmente concretizado.”
Mas o bispo reconheceu que está sendo feito um levantamento dos imóveis da igreja que poderão ser usados para quitar as dívidas.

“Não pensamos em vender muitos imóveis, até porque nem temos muitos imóveis para vender.” A direção da Rede D’Or confirmou à Folha a compra do prédio.

Pouco antes do início da Jornada Mundial da Juventude, o comitê organizador estimou que o custo do encontro internacional de jovens católicos, que teve a presença do papa Francisco, pudesse custar até R$ 350 milhões, dos quais pouco mais de R$ 100 milhões viriam dos governos federal, estadual e municipal.

Segundo a igreja, a principal fonte de receita da Jornada estaria nas inscrições de 427 mil peregrinos, que pagaram entre R$ 100 e R$ 600 para ter direito a pacotes que incluíam alimentação, transporte e hospedagem.

A Arquidiocese do Rio, no entanto, não informa qual foi o valor arrecadado.

“Ainda vai levar algum tempo para chegar aos números definitivos da Jornada”, disse dom Paulo Cezar.

19 julho, 2013

Ad limina Santanorum.

Da coluna de Sonia Racy no Estadão de 16 de julho de 2013: Orani Tempesta, arcebispo do Rio, recebeu ontem Luan Santana. Para conhecer melhor o cantor antes de sua apresentação, durante a Jornada Mundial da Juventude.

10 abril, 2013

Permanece a lenga-lenga: Dom Orani nega que JMJ pagará cachê, mas não desmente presença de quem quer que seja!

Arcebispo do Rio de Janeiro não desmente que organização tenha contactado, convidado ou negociado presença de cantores de músicas incompatíveis com a Moral Católica, nem rechaça suas eventuais participações na JMJ. “Se alguém for se apresentar, será como voluntário, pois a comissão da JMJ não vai pagar cachês”. Ótimo, avisem a Satanás que, se quiser vir ao Rio, nada de caixinha.

Estadão – Aparecida – O estilo e as primeiras orientações do papa Francisco, eleito sucessor de Bento XVI no dia 13 de março, prometem dar a tônica da 51ª Assembleia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), iniciada nesta quarta-feira em Aparecida (SP), com presença de 361 participantes. “Quais serão as consequências em nosso País das palavras de Francisco, quando ele diz que quer uma Igreja pobre para os pobres?”, perguntou no plenário o bispo de Jales (SP), d. Luiz Demétrio Valentini.

A resposta virá da definição, nos próximos dias, da discussão do tema central da assembleia, que busca um novo conceito de paróquia, apresentada como comunidade de comunidades, uma preocupação do documento da 5ª Conferência Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe, inaugurada por Bento XVI em Aparecida, em maio de 2007. “Igreja pobre para os pobres significa uma Igreja mais simples, mais presente, mais junto do povo e comprometida com a evangelização”, disse o franciscano d. Severino Clasen, bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato. “E deve ter também um rosto alegre e uma palavra de alegria, de dignidade e de defesa do direito”, acrescentou.

A eleição de Francisco está mudando igualmente a programação da vinda do papa ao Rio para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na segunda quinzena de julho. O reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC Minas), d. Joaquim Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte, informou que Francisco será convidado para o encerramento do Congresso Mundial de Universidades Católicas, dia 21 de julho, em Belo Horizonte.

“O convite ainda não seguiu, mas está em processo de encaminhamento, prevê a antecipação da chegada do papa ao Brasil, prevista para 23 de julho”, adiantou d. Mol. O arcebispo do Rio de Janeiro, d. Orani João Tempesta, afirmou que não vê inconveniência no fato de a programação do papa começar por Minas, três dias antes do início da JMJ. “Vai depender dele, o papa faz o que acha melhor”, observou.

O cardeal-arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, d. Raymundo Damasceno Assis, informou aos bispos que provavelmente até o encerramento da assembleia, dia 19, o Vaticano divulgará a programação da viagem do papa, com locais e datas a serem visitados. O cardeal espera que Francisco inclua Aparecida no roteiro, atendendo a um convite seu, conforme ele adiantou à presidente Dilma Rousseff, ao recebê-la em audiência no dia 20 de março, em Roma.

Logística

Uma comissão encarregada da logística da viagem deverá vir ao Rio nas primeiras semanas de maio, dois meses antes da chegada do papa, informou d. Orani. Como tudo mudou após a renúncia de Bento XVI, cuja agenda seria mais restrita, por causa da idade e de seu estado de saúde, o arcebispo planeja ampliar os compromissos de Francisco dentro do novo contexto. “Gostaria que o papa visitasse uma favela, a ser ainda definida, e uma casa de jovens reclusos, além de rezar aos pés do Cristo Redentor, no Corcovado”, adiantou d. Orani, Tudo será submetido ao Vaticano e à análise da equipe do governo brasileiro responsável pelo planejamento da programação. “Nada ainda de oficial”, advertiu.

O arcebispo desmentiu informações divulgadas na imprensa de que a organização da JMJ teria contratado artistas famosos, entre os quais Michel Teló, para cantar nas celebrações do papa. “Se alguém for se apresentar, será como voluntário, pois a comissão da JMJ não vai pagar cachês”, disse d. Orani.

A Arquidiocese do Rio admite que haja uma participação de até 2 milhões de pessoas, contando-se os fiéis e curiosos que queiram ver o papa. “Não significa que todos sejam inscritos”, observou d. Orani. Até o fim da semana passada, havia 200 mil inscrições, um terço do total previsto. As vagas para hospedagem por enquanto superam as inscrições, mas o quadro deverá inverter-se, porque os interessados tendem a aumentar à medida que se aproxima a data da JMJ.

13 fevereiro, 2013

“Só podia ser a Canção Nova”.

29 janeiro, 2013

Gays “católicos praticantes” buscam seu espaço na Igreja. Sob o olhar “caridoso” da Arquidiocese do Rio e do Arcebispo de Maringá.

Você, caro leitor, costuma receber resposta aos e-mails enviados à sua diocese solicitando a Missa Tradicional, o uso do confessionário, a pregação da sã doutrina? Bem, no Rio de Janeiro e em Maringá as autoridades são muito solícitas, mas para outras questões.

* * * 

O Estado de São Paulo – A psicóloga Cristiana Serra, de 38 anos, brinca que deve sua união com a confeiteira Juliana Luvizaro, de 32, ao papa Bento XVI.

Não há nenhum tom desrespeitoso na brincadeira. É que, no Natal de 2008, o pontífice fez um pronunciamento em que considerou tão importante “salvar” a humanidade do comportamento gay quanto livrar as florestas do desmatamento. Indignada, Juliana mandou e-mail à Arquidiocese do Rio. Dizia que era gay e católica, mas que uma restrição da própria Igreja poderia fazê-la deixar a religião.

Juliana conta que recebeu de um padre da arquidiocese uma resposta “mais que amorosa” e a sugestão de entrar em contato com o padre Luís Corrêa Lima [notícia no Fratres aqui e aqui], que coordena um grupo de pesquisa sobre diversidade sexual na PUC-RJ. Esse contato a levou ao Diversidade Católica, um grupo leigo de reflexão, oração e debate formado por gays católicos, em que conheceu Cristiana.

As duas estão juntas desde março de 2009 e há três anos formalizaram em cartório a união estável. Têm expectativa de convertê-la em casamento civil.

Cristiana e Juliana fazem parte de um movimento de gays católicos praticantes que pretendem conciliar as duas identidades. Nos últimos anos, eles têm se reunido em espaços como o Diversidade Católica, no Rio, e a Pastoral da Diversidade, em São Paulo. Participam de celebrações, estudam, trocam experiências. No cotidiano, frequentam igrejas e muitas vezes participam das atividades paroquiais.

Os grupos têm o apoio de alguns padres, como d. Anuar Battisti (mais informações nesta pág.), que atuam com discrição para evitar sanções da hierarquia da Igreja, como o silêncio (restrição a entrevistas e pronunciamentos públicos), já imposto a alguns sacerdotes.

A doutrina católica, reforçada nos textos e discursos do papa Bento XVI, acolhe o homossexual, mas condena a prática da homossexualidade. E rejeita vigorosamente a união de pessoas do mesmo sexo e mais ainda a adoção de crianças por esses casais.

Para mostrar o outro lado da Igreja, os integrantes do Diversidade Católica recorrem a palavras do próprio Bento XVI: “A Igreja não é apenas os outros, não é apenas a hierarquia, o papa e os bispos; a Igreja somos nós todos, os batizados”. Como primeiro passo, eles querem participar da vida religiosa sem ter de esconder que são gays, como relatam terem feito durante anos.

Vivências. Após infância e adolescência vividas no ambiente católico, o empresário Arnaldo Adnet, um dos fundadores do Diversidade Católica, se afastou da Igreja no período em que assumiu ser gay. Anos depois, quando retornou à religião, ia discretamente à missa aos domingos, na Igreja da Ressurreição. Aos poucos, passou a participar da vida da paróquia. Foi chamado para cantar no coro e fez parte da coordenação pastoral. “Para mim, dizer que sou católico é que foi sair do armário“, diz Adnet, que vai às missas dominicais com o companheiro e a mãe.

Cristiana e Juliana frequentavam as missas de um padre “acolhedor” no bairro da Glória e, após se mudaram para Copacabana, também passaram a ir na Igreja da Ressurreição. “A gente vê gays antirreligiosos e, entre os religiosos, a homofobia é cada vez mais arraigada. Isso tende a obscurecer um campo intermediário que fica silencioso, por não ser tão extremista. A polarização impede o diálogo”, diz Cristiana.

Histórias de acolhimento e rejeição se alternam. Um rapaz que cumpria atividades em uma paróquia conta que, ao revelar ao padre que era homossexual, foi perdendo suas funções. Na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Madri, em 2011, ele encaminhou por escrito, sem esperança de ser atendido, uma pergunta ao arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, sobre como a Igreja lida com a presença dos gays católicos. O rapaz se surpreendeu ao ver que sua pergunta foi respondida por d. Orani, que, segundo ele, pregou a existência de uma Igreja para todos. Hoje, o rapaz participa da organização da nova edição da JMJ, que ocorrerá em julho no Rio, com a presença de Bento XVI.

Em São Paulo, os integrantes Pastoral da Diversidade, que não tem vínculo com a arquidiocese, reúnem-se a cada 15 dias em uma missa comandada pelo padre inglês James Alison, na casa do sacerdote ou em espaços de ONGs.

Por ter deixado a ordem dominicana e não ser subordinado à hierarquia da Igreja, Alison fala sem restrições. Ele sustenta que a Igreja parte de um pressuposto equivocado ao considerar que a homossexualidade vai contra a natureza e, portanto, não pode ser aceita como prática.

“Será verdade que os gays são héteros defeituosos ou será que é uma variante minoritária e não patológica da condição humana? Na medida em que a sociedade se dá conta de que não é um defeito, a situação vai mudando, queira a hierarquia da Igreja ou não”, diz Alison. “Expus minha consciência há 17 anos e eles (autoridades do Vaticano) nunca me chamaram a dar explicações. Eles têm uma dificuldade sobre qual é o meu status canônico como padre. A única razão por que posso falar abertamente é que não tenho nada a perder”, afirma.

Créditos ao leitor Lucas Janusckiewicz Coletta.

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Ele já se desculpou por viver em um país católico, tomou cafézinho com líder homossexual e prometeu propor aos bispos do Brasil a criação da “Pastoral da Diversidade” e mobilizou toda uma arquidiocese contra uma usina de incineração de lixo. Entrevista com o Arcebispo de Maringá, PR, Dom Anuar Battisti.

“Uma conversão de todos nós se faz necessária”.

O Estado de São Paulo – Em meados do ano passado, o convite para a Passeata LGBT de Maringá (PR) trazia a imagem da catedral da cidade atingida por um facho de luz transformado em arco-íris. A Arquidiocese de Maringá protestou e o conflito se tornou diálogo. O arcebispo de Maringá, d. Anuar Battisti, convidou participantes de vários grupos para uma reunião. Nesta entrevista por e-mail, d. Anuar fala sobre essa experiência.

Como o episódio do convite para a Parada LGBT de maringá refletiu no seu ponto de vista em relação à comunidade homossexual?

Tudo começou com o cartaz. Esse fato abriu um caminho de diálogo no qual prevaleceu a compreensão e o respeito. Na oportunidade foi nos solicitada uma pastoral da diversidade.

É possível que católicos gays possam viver a vida religiosa, recebendo sacramentos, indo à missa e participando das atividades das paróquias sem terem de esconder que são gays?

Todos têm o direito de participar da sua comunidade religiosa, independentemente da sua orientação sexual. Nenhuma religião tem o direito de excluir. Diante do direito também temos os deveres. Por isso devemos fazer um longo caminho para acolher a todos plenamente. No caso da questão da homossexualidade, devemos acolher os que têm essa orientação, o que não significa que devemos concordar com a prática homossexual. As nossas comunidades ainda não estão preparadas para acolher essas pessoas. Uma conversão de todos nós se faz necessária, mesmo sabendo que a doutrina e as normas são para todos.

O diálogo entre Igreja e gays pode se intensificar?

Estamos longe de uma aproximação verdadeira. Algumas experiências isoladas estão acontecendo, mas não avançam como resposta efetiva.

11 novembro, 2012

Foto da semana.

Rio de Janeiro, dia de Finados, 2 de novembro de 2012: Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano, leva flores a um túmulo de um indigente no cemitério da Santa Cruz. Anima eius, et ánimæ ómnium fidélium defunctórum, per misericórdiam Dei requiéscant in pace.

16 fevereiro, 2012

Sambódromo recebe as bênçãos do Arcebispo do Rio de Janeiro e os passes da umbanda: é preciso valorizar a “cultura popular”.

Exortações sobre os divertimentos perigosos, fuga das ocasiões de pecado, especialmente a lascívia, a pornografia, a imodéstia no vestir, as drogas, as falsas religiões e a negação da fé católica presentes nas letras de tantos sambas enredo? Que nada! A ordem do dia é valorizar a cultura popular! São Pio X, rogai por nós!

Arcebispo do Rio de Janeiro envia comitiva de três padres para abençoar o Carnaval do Rio.

Novo Sambódromo é inaugurado com oração.

Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro

O Sambódromo, no Centro do Rio, que foi reinaugurado no domingo, 12 de fevereiro, contou com as presenças do Vigário Episcopal para a Comunicação Social, Cônego Marcos William Bernardo, que representou o Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, e dos Padres Omar Raposo e Jorge Luiz Neves (Jorjão).

Durante a cerimônia de inauguração, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Castanheira, pediu que São Sebastião, padroeiro da cidade, proteja a todos e desejou um feliz Carnaval.

Componentes e baianas de diversas escolas de samba se reuniram para a lavagem da pista, e também para um momento de oração com o Cônego Marcos William.

Segundo o Cônego, a Arquidiocese do Rio esteve presente para sublinhar o samba como manifestação popular. Logo depois, pediu a todos que dessem as mãos e rezassem um Pai Nosso. Sambistas e foliões, em silêncio, se uniram na oração e, na sequência, o ator Milton Gonçalves leu uma poesia para homenagear todas as escolas de samba do Grupo Especial, o prefeito Eduardo Paes e o arquiteto Oscar Niemeyer, presentes à cerimônia.

Após passar por reformas, que o deixou conforme o arquiteto Oscar Niemeyer projetou há quase 30 anos, a reinauguração do Sambódromo começou com o prefeito cortando, junto com a Confraria do Garoto, a faixa que abre as novas arquibancadas do setor par, ao som do Hino do Rio de Janeiro, “Cidade Maravilhosa”. Logo após, teve início a “Corre Aí na Sapucaí”, onde cerca de mil atletas e foliões participaram de uma corrida de 5,5 quilômetros, que marcou o local como a primeira instalação esportiva das Olimpíadas Rio 2016, onde terão lugar a largada e a chegada da maratona dos Jogos Olímpicos e as provas de tiro com arco nos Jogos Olímpicos e Jogos Paraolímpicos.

Após a premiação da corrida, um painel de ladrilhos com agradecimentos de Oscar Niemeyer ganhou destaque. Na sequência, foram descerradas placas comemorativas de inauguração do novo espaço.

O evento contou com ainda com as presenças do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e do secretário municipal de Turismo e presidente da Riotur, Antônio Pedro Figueira de Mello.

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Prefeito do Rio: “Nunca tomei tanto passe na minha vida. Agora estou protegido”.

O Globo – O templo do samba recebeu na noite deste domingo as bênçãos dos santos e dos orixás. Com direito a incenso, galhos de arruda, água de cheiro e vassouras de ervas, 680 baianas fizeram, debaixo de chuva, uma lavagem simbólica da pista para trazer boas energias. Numa cerimônia ecumênica, as baianas — todas integrantes de escolas de sambas — mesclaram o ritual dos terreiros de umbanda e candomblé, onde muitas praticam sua fé, à religião católica e fizeram o primeiro grande espetáculo do novo Sambódromo.

Acompanhadas por percussionistas de escolas do Grupo Especial, as baianas atravessaram toda a extensão da Marquês de Sapucaí. Sob o comando do Mestre Casagrande, da Unidos da Tijuca, os ritmistas marcaram o desfile com o som característico dos terreiros, tirado dos atabaques incluídos entre os instrumentos usados pelas baterias das escolas. Além disso, foram tocados sambas clássicos que marcaram a história dos desfiles.

Nesi Noronha, de 63 anos, nascida e criada no Morro do Salgueiro, também participou do evento ecumênico, que contou com uma imagem de São Sebastião, o padroeiro da cidade.

— É muito gostoso participar dessa purificação do Sambódromo. É uma sensação maravilhosa para nós, que somos mães do samba — disse a baiana.

O evento contou com a presença do padre Marcos Willian, representando dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, que deu a sua benção aos integrantes de todas as agremiações. Também participaram da cerimônia a cantora Alcione, representando a Mangueira; Elimar Santos, representando a Imperatriz Leopoldinense; e Milton Gonçalves, que este ano vai desfilar na Portela.

Beija-flor encerra temporada de ensaios

O prefeito Eduardo Paes também participou da cerimônia e, ao fim do desfile, fez graça:

— Nunca tomei tanto passe na minha vida. Agora estou protegido.

Depois do desfile das baianas, foi a vez de os integrantes da Beija-Flor de Nilópolis, campeã do carnaval de 2011, passarem pela avenida. A escola encerrou a temporada de ensaios técnicos e fez o teste de som e iluminação da avenida.

Com show agendado no interior de São Paulo, Neguinho da Beija-Flor não conseguiu chegar a tempo na Sapucaí para ensaiar com a escola, que este ano homenageia no enredo os 400 anos de São Luís, a capital do Maranhão. Na ausência do intérprete, cantores da azul e branca tomaram conta do carro de som e agitaram com o animado samba os ocupantes das frisas e arquibancadas – segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), 25 mil pessoas compareceram à última noite de ensaio técnico na avenida.

Maranhense, a cantora Alcione, torcedora da verde e rosa Mangueira, prestigiou o treino da agremiação de Nilópolis. Confirmada no desfile, a “Marrom”, que mais cedo havia participado da cerimônia de lavagem da pista, estava emocionada por ter nascido na cidade escolhida como tema da atual campeã do carnaval.

– Esse carnaval está sendo de muita emoção para mim. O enredo da minha Mangueira é maravilhoso, sobre o Cacique de Ramos, e a Beija-Flor ainda resolve falar da minha terra. É emoção demais para uma cantora só. É bom que não vou precisar arrumar pique para aguentar desfilar nas duas escolas, porque isso eu já tenho de sobra – comentou.

Quem também demonstrou ter muito fôlego foi o arquiteto Oscar Niemeyer, que estava na avenida desde a tarde de domingo, para a cerimônia de reinauguração do Sambódromo, e resolveu ficar para o ensaio da Beija-Flor.

Entre os destaques da noite, as alas coreografadas pelo diretor teatral Hilton Castro, que é responsável pelos movimentos de 1.500 componentes da escola, entre eles os “mendigos” que desfilarão no carro que irá representar o “Cristo Mendigo”, alegoria criada por Joãosinho Trinta em 1989, quando deu o vice-campeonato à agremiação com o enredo “Ratos e urubus, rasguem a minha fantasia”. No ensaio, a fim de surpreender o público no desfile oficial, os 260 componentes do carro não estavam vestindo os trapos que usarão no domingo de carnaval.

A porta-bandeira Selminha Sorriso e o mestre-sala Claudinho também foram um show à parte na passagem da Beija-Flor pelo Sambódromo, assim como a comissão de frente comandada por Fábio de Mello [ndr: é ele?!?! Deve ser outro, mas não deixa de ser irônico… Alguém confirme, por favor!] e a bem entrosada bateria, que tinha à frente dos ritmistas a rainha Raíssa Oliveira, sempre aplaudida pelo samba no pé.

Após o ensaio da Beija-Flor, entrou em cena a turma do Cordão da Bola Preta. O bloco tomou conta da pista de desfiles e foi seguido por quem estava nas arquibancadas.

7 fevereiro, 2012

Revolução, Jesus! O que nos espera na Jornada Mundial da Juventude de 2013.

Matéria da Globonews sobre o evento “Folia com Cristo” realizado no último domingo, 5, no Rio de Janeiro. De fato, o bloco não é só uma folia, é um ultraje, um vilipêndio com Cristo. Mais informações e fotos.

4 abril, 2011

Carta do Padre Leonardo Holtz a Dom Orani João Tempesta.

[Atualização: 18/08/2015, às 12:00 – a pedido do Reverendíssimo Pe. Leonardo Holtz, este post foi excluído]

28 março, 2011

Parole, Parole, Parole.

Era uma vez um padre diocesano que, cansado do modernismo pós-conciliar, decide não mais celebrar a Missa de Paulo VI; quer celebrar somente a Missa de Sempre; nunca mais promover as famigeradas Campanhas da Fraternidade, impregnadas de marxismo, ecologismo e paganismo; quer administrar todos os sacramentos no Rito Antigo, além de viver em comum com sacerdotes imbuídos do mesmo espírito, em um ambiente verdadeiramente católico. Está simplesmente farto dos assim-chamados retiros do clero, onde a proximidade de bares e diversões noturnas são a garantia de freqüência para muitos. Afinal de contas, os padres precisam se confraternizar e relaxar após um dia exaustivo de reflexões profundas.

Então, esse sacerdote escreve uma longa carta ao seu arcebispo explicando sua decisão de ingressar na Fraternidade São Pio X; expõe todos os motivos de sua tomada decisão e narra verdadeiros escândalos ocorridos no seminário arquidiocesano e no início de carreira.

Suas malas estão prontas. Ele está resoluto. Quer voar para o maior seminário tradicionalista da América Latina e lá começar vida nova em defesa da Tradição da Igreja. Passará por um rigoroso período de treinamento e purificação.

Inconformado com tal atitude, o paternal arcebispo chama-o para uma reunião. Implora-lhe que fique na Arquidiocese, pois não pode perder padres piedosos como ele, concorda com a situação trágica de modernismo narrada na carta, oferece-lhe uma Paróquia Pessoal exclusiva para o Rito Tradicional, permite-lhe que administre todos os sacramentos no rito antigo, dispensa-o de participar ou promover as Campanhas da Fraternidade, diz sim a todas as suas demandas, que não são poucas. O jovem sacerdote se entusiasma. Não estava preparado para ouvir tudo aquilo. Pensava apenas que ouviria “Seja feliz, au revoir!” Seu coração se enche de esperança e agitação. Pensa nos inúmeros fiéis tradicionais de sua cidade que sempre sonharam com a Missa de Sempre dita todos os dias. Como recusar uma atitude tão paternal? Como deixar os fiéis a ver navios se todas as suas “exigências” haviam sido satisfeitas?

O jovem padre sai do gabinete pisando nas nuvens. Está eufórico. Em poucas horas sua decisão fora posta abaixo por um gesto extremamente paternal e inédito. Isso abriria um precedente para outros padres e outras dioceses.

“Não, vá. É fria”, dizem alguns. “Não posso recusar” – diz o inocente sacerdote – “nunca se ouviu falar em uma tal proposta em todos esses anos de luta pela Tradição” – responde o padre.

Um padre substituto é imediatamente alocado para a sua paróquia atual. Felizmente! Menos um problema. Agora o jovem sacerdote sente que a primeira dificuldade fora vencida, pois arranjar um substituto para a sua paróquia era o grande empecilho para a criação da Paróquia Pessoal. “Que maravilha!”, pensa o substituto. Depois de tantos anos de dedicação, finalmente, terei o meu próprio rebanho. Tudo se encaixa perfeitamente.

Uma segunda reunião é marcada poucos dias depois da primeira para a concretização dos acertos. Desta vez, um jovem bispo auxiliar recém ordenado é o encarregado das ‘negociações’.

Problema – não há mais uma Paróquia Pessoal disponível no momento. Não se pode alocar uma igreja inteira para o Rito Antigo de uma hora para outra. “Por ora ficarás com uma pequena igreja de irmandade no centro da cidade, de segunda à sexta, e sábados e domingos celebrarás a Santa Missa na majestosa igreja imperial”. Vamos ver como as coisas funcionam. Possivelmente no futuro poderemos alocar uma igreja própria. Queremos antes ver se haverá fiéis suficientes.

“Como assim?!”, pensou o jovem padre. Não foi exatamente isso que senhor arcebispo lhe prometera e afirmara. Engoliu em seco. Seu estomago deu cambalhotas. Mas fazer o quê? Afinal, não era sempre assim que as coisas funcionavam? Bom, talvez valesse à pena o esforço, pois todo começo é difícil.

“Não se preocupe. Lá na irmandade você será o capelão, poderá administrar todos os sacramentos no rito antigo, rezar o seu breviário em latim e cuidar de tudo. Você será o responsável na irmandade!”. Isso era algo verdadeiramente inédito. Uma igreja de irmandade tradicional, dirigida por um sacerdote! A notícia alvissareira precisava ser divulgada na Internet! E assim foi feito, com a sua autorização.

“E como fazer com as missas de domingos já celebradas por outros padres de fora nessa mesma igreja?”, indaga. “Não se preocupe, meu filho. Cuidaremos de tudo isso. Enviaremos uma notificação para eles. Por que vamos recorrer a padres de fora se temos padres nossos que podem celebrar a missa no rito antigo? Você não precisa se preocupar com essa parte.”

Primeiro dia na irmandade

Um salto da cama e o coração aos pulos.  Seu pai o leva de carro, pois os inúmeros paramentos e objetos litúrgicos não comportam a viagem de trem lotado do subúrbio até o centro da cidade. Sim, agora teria uma igreja tradicional de verdade para administrar. Nada mal.

Carro estacionado, material levado para a igrejinha. Vamos agora conhecer os funcionários. Emoção e receio. E o que acontece? Surpreendentemente já havia duas missas novas diárias na igreja, uma às 8h (na verdade, uma “Celebração da Palavra”, visto que era “celebrada” por um diácono) e outra às 12:30h. “O senhor poderá celebrar missa em latim às 10h, padre”, sugere a funcionária responsável.

“Como assim?”, indaga-se. Ao que parece a irmandade não recebera nenhum comunicado oficial da arquidiocese para repassar o comando da igreja para as suas mãos.

E o dinheiro exorbitante do estacionamento? Fala sobre isso com o funcionário da irmandade na vã esperança de ser reembolsado. “Infelizmente, não temos dinheiro, prezado padre. Nossa irmandade é pobre, passamos por dificuldades financeiras!”

Enfim, literalmente, estava pagando para celebrar missa!

E mais, não havia sinal de espórtulas, mas tão somente a possibilidade de celebrar missa diariamente, pois afinal o arcebispo o designara para tal. Ali ele poderia celebrar a sua missa antiga sossegadamente.

Segundo dia

A mesma situação se repete. Agora uma informação adicional – a pequena igreja fecha impreterivelmente às 15h e ninguém pode ficar com as chaves para o atendimento dos fiéis trabalhadores ao final do expediente. Nada mudaria. A Irmandade continuaria sendo a detentora e guardiã das celebrações, das chaves e de tudo o mais. Sua função lá seria apenas a de mais um “celebrante de missa”, nada parecido com uma ‘capelania’. Sentia-se engambelado por “quem de direito”.

Mas e as celebrações nos finais de semana na igreja imperial? Ah, quanta inocência! Tudo como antes no quartel de Abrantes. Só havia uma decisão a tomar e precisava ser tomada já.

Vôo para a liberdade

Fiéis o procuram, querem saber o seu paradeiro, desejam apoiá-lo e saber em que pé estão as coisas. Alguns ligam para o seu celular sem êxito.

Tarde demais, o vôo para a liberdade já fora empreendido. Provavelmente, a estas horas o jovem padre já estará rezando o seu Breviário em latim enquanto caminha pelos jardins de sua nova residência, cercado dos passos entusiasmados de seus novos companheiros e, quem sabe, ouvindo ao fundo um coral de seminaristas ensaiando um Atende Dómine ou sentindo o aroma gentil da refeição vespertina.

“Tenemos un otro brasileño! Que bueno!”

* * *

Nosso blog acompanhou de perto todos os acontecimentos das últimas semanas.

Primeiro, aqui mesmo, no dia 5 de fevereiro, Pe. Leonardo Holtz anunciou sua ida para a Fraternidade São Pio X.

Posteriormente, o reverendíssimo sacerdote autorizou que este site anunciasse o início de um projeto de uma paróquia pessoal, após sua reunião com Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.

Vendo a impossibilidade de tornar real aquilo que lhe fora prometido, Padre Leonardo Holtz ingressou na Fraternidade Sacerdotal São Pio X e está, hoje, no seminário de La Reja, para um período de estudos.

Trata-se de uma nova, entre muitas, provas de tudo aquilo que já dissemos outrora sobre todo um sistema modernista que corta já na raiz qualquer iniciativa de mera sobrevivência (e quanto mais uma vida católica plena!) da Tradição Católica nas dioceses.

Ao esperar por dias melhores, desejamos ao caro Padre Leonardo que encontre em seu novo apostolado toda a estabilidade e o ambiente propício para o exercício de seu ministério. Para a maior glória de Deus e salvação das almas!

[Errata – 28 de março de 2011, às 15:44: algumas informações dão conta de que o Padre ainda não foi para a Argentina. Aguardamos maiores detalhes.]

[Atualização – 29 de março de 2011, às 10:35: Já soubemos o paradeiro do Padre Leonardo, mas, por prudência e respeito à discrição provavelmente desejada pelo sacerdote, não divulgaremos].