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28 agosto, 2020

Avacalhando Vacaria.

Por FratresInUnum.com, 28 de agosto de 2020 – Santo Agostinho é, na Igreja, a imagem ideal de um bispo católico: intelectual, profundamente místico e, ao mesmo tempo, preocupado em debelar todas as doutrinas erradas que se difundem no seu tempo. Mas há quem se contente não apenas com muito menos do que isso, mas até com o seu contrário.

Chegou hoje à nossa redação o vídeo de uma homilia esdrúxula do bispo da Diocese de Vacaria-RS, Dom Silvio Guterres Dutra, o qual se aproveitou do episódio tristíssimo do Padre Robson de Oliveira Pereira, do Santuário do Divino Pai Eterno, para fazer a sua crítica, bem naquele conhecido estilo da Teologia da Libertação.

Ele acusa a “cultura da imagem” e diz que “a humildade e a piedade não estão em roupas impecáveis, muito menos em mãos postas e em olhos revirados em orações… Por que fazer propaganda de algo que não tem?… Quanto mais autêntica for a experiência de fé, menos a pessoa se expõe ou se apresenta como modelo”.

O bispo prossegue dizendo que Jesus é o único modelo. “Nenhum padre é modelo… Dentro da Igreja Católica nós temos uma batalha, porque nós, padres, muitas vezes somos avaliados pela roupa que nós vestimos. Tem gente que diz: ‘este é padre de verdade porque está de batina, porque está de camisa arrumadinha como o bispo usa’. Aquele padre lá que anda mais discreto, mais despojado, acaba sendo desconsiderado… Não é a roupa do padre que faz o padre, mas o que ele tem lá dentro, que a gente não vê… Nossa Igreja deixou de ser uma Igreja de comunidade para ser uma Igreja de guru, são dinheiro (sic!) e mais dinheiro mandados pra lá e pra cá e as comunidade, às vez (sic!), padecendo. Este escândalo pode ser uma ação do Espírito Santo para dizer: ‘não é esta Igreja que eu quero, não quero Igreja de show’… Vivemos hoje uma epidemia de farisaísmo”.

Apenas recortamos uns trechos que nos pareceram suficientes para ilustrar bem as ideias explanadas na homilia, mas indicamos que assista ao vídeo e escute atentamente às reclamações do bispo.

Em primeiro lugar, ele reclama da “cultura da imagem” e passa a criticar os padres que, obedecendo a Igreja, especificamente o Direito Canônico e os livros litúrgicos, cumprem o dever de usar batina e de manter as mãos postas durante da liturgia, como se não usar batina e não usar as mãos postas não fossem também parte de uma certa “cultura da imagem”, aquela “imagem progressista” dos padres e bispos relaxados e que celebram os sacramentos como se estivessem jogando boxa. Qualquer padre que use sua batina ou pelo menos o clergyman é vítima de ridicularizações, hostilizações e bullying, como este bispo faz publicamente em sua homilia.

É realmente um verdadeiro despautério que um bispo se valha de uma homilia, digne-se usar o episódio vergonhoso do Padre Robson, para rotular todos os padres que se vestem e celebrem conforme manda a lei da Igreja! Em outras palavras, ele está maldosamente atribuindo aos padres fieis as culpas dos padres infiéis.

Além disso, o argumento que ele utiliza é simplesmente absurdo: o cuidado com a imagem é ruim porque a pessoa cultiva muita podridão por dentro e, deste modo, é incoerente. Ora, seguindo a sua lógica, a conclusão seria: então, sejamos podres por dentro e por fora, já que ninguém é modelo para ninguém, mesmo – coisa que destoa completamente do dever da exemplaridade que a Igreja sempre impôs ao clero. Para a disciplina católica, o sacerdote não deve ser bom apenas por dentro (como parece sustentar o bispo), mas também por fora, em seu porte, em sua conversação, nos seus trajes, no seu modo de celebrar. Ora, por coerência, aspecto exterior deve expressar aquele interior!

É muito interessante que o bispo não se manifeste quando padres se comportam como top models (masculinos ou também femininos – ¡que los hay, los hay!), ou que se vistam como adolescentes ou façam tatuagens como jovens rebeldes ou melosos; é impressionante como se manifesta em desfavor do que é católico e apenas para beneficiar o relaxo e o desleixo, usando aqueles mesmos preconceitos conhecidos.

Se um padre se comportasse sempre como padre, usando sua veste sacerdotal, celebrando os sacramentos com verdadeira devoção, dedicando-se a uma vida de oração profunda e aos estudos pessoais para que possa pregar com substância, tendo uma vida penitente e bem regrada, acordando e dormindo cedo, será que ele se enrolaria com escândalos tão absurdos como esses em que o clero conciliar frequentemente se enreda: envio de fotos com nudez por internet, prática de atos impuros virtuais e reais, exibicionismo do tipo mais grotesco, chegando às raias da pornografia mais vulgar?…

Não, um padre que não usa os trajes sacerdotais e não celebra conforme manda a liturgia não é discreto, é desobediente e é um mau padre, que está abrindo as portas de sua alma para o pecado. Será que este bispo forma padres tradicionais ou apenas uns mundanos que logo mais podem se tornar fonte de escândalo para a Igreja, com todo tipo de comportamento banal, inadequado, avacalhado?

Mas, também, o que esperar de um bispo que em 2018 escreveu um artigo em que se queixa do “fanatismo” dos católicos anticomunistas e antiabortistas, no qual pergunta se não teríamos chegado ao ponto de “pedir socorro aos ateus, para que nos livrem do fanatismo dos cristãos”?; o que esperar de um bispo que escreveu outro artigo para atacar o presidente da república, afirmando que “se o ‘deus’ evocado pelo presidente, um ‘deus’ que está sempre a procura de um inimigo para eliminar, fosse o único possível, eu pediria imediatamente para ser acolhido na fileira dos ateus. Cada vez fica mais fácil compreender os ateus e mais difícil compreender os que se dizem cristãos e não cessam de usar o ‘Nome de Deus em vão’”?; o que esperar de um bispo que está tão descolado da realidade que, a despeito de toda a sua campanha,  75,37% dos votos dos eleitores de Vacaria foram para Bolsonaro na última eleição?

Que fiasco!

Infelizmente, todos estes que foram derrotados nas urnas em 2018 estão amargurados e revoltados e já não têm outra saída senão… avacalhar e inclusive atribuir, como faz o bispo no vídeo acima, este último doloroso escândalo a ninguém menos que ao Espírito Santo!

É muito triste! Que Deus nos conceda pastores de verdade, homens doutos e santos, não politiqueiros assanhados pelo fanatismo ideológico, mas sacerdotes fieis, segundo o modelo de Cristo, segundo o modelo de Santo Agostinho e dos santos, segundo o modelo de São Paulo que, ao contrário de Dom Sílvio, não disse que “nenhum sacerdote é modelo”, mas escreveu ao Coríntios:

“Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” (1Cor 11,1).