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4 abril, 2016

“Francisco nos alarma enormemente, e não apenas a nós. Mas gostamos dele”.

IHU – O ecumenismo do Papa Francisco tem um raio de ação realmente muito longo. Encontrou-se com o patriarca ortodoxo de Moscou, irá à Suécia para participar da celebração do quinto centenário de Lutero, é amigo de muitos líderes pentecostais e tem a simpatia inclusive dos seguidores do arcebispo hiper tradicionalista Marcel Lefebvre.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 01-04-2016. A tradução é de André Langer.

O último é o dado mais surpreendente, porque, no campo católico, a hostilidade contra os lefebvrianos é muito mais intolerante entre aqueles que se jactam de ter um espírito ecumênico e de misericórdia.

Com efeito, vemos reproduzir-se contra os lefebvrianos, dado que eles se apresentam como “verdadeiros” católicos, o mesmo mecanismo que faz com que os católicos de rito oriental sejam mal vistos pelos ortodoxos, quem usam para designá-los o termo pejorativo “uniatas”. Mal vistos porque são muito similares a eles, como um inimigo em casa.

Já Bento XVI denunciou esta distorção, na carta aberta redigida por ele em 2009 a todos os bispos do mundo depois da explosão de protestos por sua decisão de levantar a excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos da Fraternidade São Pio X.

O Papa Francisco fez um gesto de grande abertura, quando, em setembro passado, autorizou durante o Jubileu, todos os fiéis católicos que desejarem, confessar-se também com os padres da Fraternidade, recebendo deles a absolvição “válida e licitamente”.

Basta pensar, para compreender a novidade deste gesto de Francisco, na proibição – sob pena de excomunhão imposta aos seus fiéis em 14 de outubro de 2014 pelo bispo de Albano, Marcello Semeraro – de participar das missas e dos sacramentos celebrados pela Fraternidade São Pio X. Semeraro não é um bispo qualquer, é também o secretário do Conselho dos Nove Cardeais que assistem o Papa no governo da Igreja.

A diferença em relação ao Papa Bento é que Francisco não sofreu uma enxurrada de críticas e impropérios por parte dos defensores do ecumenismo devido aos seus gestos de abertura.

Não apenas isso. À indulgência demonstrada pelos defensores do ecumenismo pelo gesto de Francisco acrescentou-se um sinal de estima sem precedentes por parte do próprio superior geral da Fraternidade São Pio X, o bispo Bernard Fellay.

Fellay formulou um juízo detalhado sobre Francisco em uma longa entrevista gravada no dia 04 de março em seu quartel general em Menzingen, na Suíça, e postada na rede em vários idiomas durante a Semana Santa.

Mais do que de uma entrevista, trata-se de uma intervenção pessoal de Fellay, que faz o balanço das seguintes questões:

1) As relações da Fraternidade São Pio X com Roma desde 2000.

2) As novas propostas de Roma estudadas pelos superiores maiores da Fraternidade São Pio X.

3) “Ser aceitos assim como somos”, sem ambiguidades nem compromissos.

4) O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal.

5) A jurisdição concedida aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X: consequências canônicas.

6) As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas.

7) O estado atual da Igreja: inquietudes e esperanças.

8) O que devemos pedir à Santíssima Virgem?

Todo o texto é de considerável interesse, enquanto expressa o ponto de vista mais confiável, completo e atualizado da comunidade lefebvriana sobre suas relações com Roma.

Mas, as passagens mais surpreendentes são precisamente aquelas em que Fellay explica a benevolência deFrancisco com a Fraternidade, benevolência que define como “paradoxal”, porque contrasta com as orientações predominantes de seu pontificado, que vão no sentido contrário.

Esta análise que Fellay faz encontra-se no ponto 4 do texto, reproduzido na íntegra na sequência.

Essa análise é seguida por outra passagem, tirada do ponto 6, que, por sua vez, conta o desenvolvimento e o resultado das recentes visitas feitas aos seminários e a um priorado da Fraternidade, feitas por quatro enviados de Roma: “um cardeal, um arcebispo e dois bispos”, cujos nomes não são revelados.

Fellay não dá os nomes dos quatros prelados, mas que são os seguintes:

– o cardeal Walter Brandmüller, ex-presidente da Pontifícia Comissão das Ciências Históricas;

– Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru, da Opus Dei, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos;

– Vitus Huonder, bispo de Coira (Suíça); e

– Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana (Cazaquistão).

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O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal, por Bernard Fellay

É preciso utilizar o termo “paradoxal”, o paradoxo de avançar rumo ao que quase poderíamos chamar de “Vaticano III”, no pior sentido que se pode dar a essa expressão, e, por outro lado, querer dizer à Fraternidade: “Aqui são bem-vindos”. Isto é verdadeiramente um paradoxo, quase uma vontade de associar os contrários.

Não creio que isto seja por ecumenismo. Alguns poderiam pensar dessa forma. Por que não creio que seja por ecumenismo? Porque basta observar a atitude geral dos bispos neste tema do ecumenismo: eles têm os braços abertos para receber todo o mundo, exceto a nós!

Em várias ocasiões, nós tentamos explicar por que fomos excluídos, dizendo: “Não tratamos vocês como os outros, porque vocês afirmam ser católicos. Ao dizer isto, geram confusão entre nós, e, portanto, não nos querem”. Nós ouvimos esta explicação muitas vezes, e ela exclui o ecumenismo. Mas se este enfoque que consiste em dizer, “aceitamos todos dentro da família”, não é aplicável no nosso caso, então, o que resta? Penso que resta o Papa.

Se, primeiramente Bento XVI e agora o Papa Francisco, não tivessem visto a Fraternidade de um modo particular, que é diferente desta perspectiva ecumênica que acabo de mencionar, penso que agora não haveria absolutamente nada. Creio que, em vez disto, estaríamos funcionando uma vez mais sob sanções, censuras, excomunhões, a declaração de cisma e tentativas de eliminar um grupo problemático.

Então, por que tanto Bento XVI como o Papa Francisco foram tão benevolentes para com a Fraternidade? Eu penso que a perspectiva de um de outro não é necessariamente a mesma.

No caso de Bento XVI, creio que se devia ao seu lado conservador, ao seu amor pela liturgia antiga, ao seu respeito pela disciplina passada que existia na Igreja. Posso afirmar que muitos, e estou falando de muitos padres, e inclusive grupos que tinham problemas com os modernistas na Igreja e que recorreram a ele quando ainda era cardeal, encontraram nele – primeiro como cardeal e depois como papa – um olhar benevolente, um desejo de proteger e ajudá-los ao menos em tudo o que fosse possível.

Quanto ao Papa Francisco, não vemos esse apego nem à liturgia nem à disciplina antiga da Igreja. Poderíamos inclusive dizer: pelo contrário, devido às suas numerosas declarações contrárias, o que torna ainda mais difícil e complicado entender esta sua benevolência.

E, no entanto, creio que existem várias explicações possíveis, mas admito que não tenho a última palavra neste tema.

Uma das explicações é a perspectiva do Papa Francisco sobre tudo o que seja marginalizado, o que ele chama de “periferias existenciais”. Não me surpreenderia se nos considerasse como uma destas periferias pelas quais tem uma preferência manifesta. E, desde esta perspectiva, utiliza a expressão: “percorrer um caminho” com as pessoas que se encontram na periferia, esperando poder melhorar as coisas. Portanto, não se trata de uma decisão estabelecida de concluir imediatamente: um processo, um caminho, para onde quer que vá…, mas ao menos se é bastante tranquilo, gentil, sem saber realmente qual será o resultado. Talvez seja esta uma das razões mais profundas.

Outra razão: vemos que o Papa Francisco critica constantemente a Igreja estabelecida, a palavra utilizada em inglês para isto é “establisment” – também é utilizada em francês de vez em quando – reprovando a Igreja por ser autocomplacente, satisfeita consigo mesma, por ser uma Igreja que já não vai em busca da ovelha perdida, a ovelha que sofre, em todos os âmbitos, pela pobreza ou mesmo fisicamente…

Mas, vemos no Papa Francisco que esta inquietude, apesar das evidentes aparências, não é apenas uma preocupação sobre as coisas materiais… Vemos claramente que quando diz “pobreza” refere-se também à pobreza espiritual, a pobreza das almas que se encontram em pecado e que deveriam ser tiradas desse estado e conduzidas novamente para o Bom Deus.

Mesmo que nem sempre o expresse claramente, podemos encontrar várias expressões que o indicam. E nessa perspectiva, vê na Fraternidade uma comunidade muito ativa, isto é, que busca, que vai em busca das almas, que tem esta preocupação pelo bem espiritual das almas, e que está pronta para colocar mãos à obra e trabalhar para isso. Ele conhece dom Lefrebvre, leu duas vezes a biografia escrita por dom Tissier de Mallerais, o que mostra, sem dúvida alguma, um interesse; e eu penso que ele gostou.

E também os contatos que ele estabeleceu na Argentina com os nossos confrades, em quem viu espontaneidade e também franqueza, pois não escondemos absolutamente nada. Claro que tentávamos conseguir algo para aArgentina, onde tínhamos dificuldades com o Estado em matéria de conseguir autorizações para residências, mas não escondemos nada, não tentamos fugir de nenhum problema, e creio que isso lhe agradou. Este, talvez, seja o lado humano da Fraternidade, mas vemos que o Papa é muito humano, ele dá muita importância a este tipo de considerações, e isto pode explicar, ou poderia explicar, uma certa benevolência da sua parte.

Reitero mais uma vez que não tenho a última palavra neste tema e, sem dúvida, por trás de tudo isto está a Divina Providência, que dispõe as coisas de tal maneira que coloca bons pensamentos na cabeça do Papa, que, em muitos pontos, nos alarma tremendamente, e não apenas a nós. Pode-se dizer que qualquer um que seja mais ou menos conservador dentro da Igreja está assustado com o que está acontecendo, com as coisas que são ditas, e, no entanto, a Divina Providência dispõe delas para nos fazer superar esses desafios de uma maneira muito surpreendente.

Muito surpreendente, porque está claro que o Papa Francisco deseja deixar-nos viver e sobreviver. Disse inclusive a quem estiver disposto a escutá-lo que jamais prejudicaria a Fraternidade. Também disse que somos católicos. Negou-se a nos condenar como cismáticos, dizendo: “Não são cismáticos, são católicos”, mesmo se depois utilizou uma expressão um tanto enigmática, a saber: que estamos a caminho da plena comunhão.

Gostaríamos de ter alguma vez uma definição clara do termo “plena comunhão”, porque está claro que não corresponde a nada preciso. É um sentimento… não se sabe bem o que é.

Inclusive recentemente, em uma entrevista concedida por dom Pozzo sobre nós, ele retoma uma citação que atribui ao próprio Papa – podemos, portanto, considerá-la como uma postura oficial – o Papa, falando com a Ecclesia Dei, confirmou que somos católicos a caminho da plena comunhão. E o bispo Pozzo esclarece como esta plena comunhão pode ser alcançada: aceitando a forma canônica, o que é bastante surpreendente, uma forma canônica resolveria todos os problemas referentes à comunhão!

Um pouco mais adiante, na mesma entrevista, afirma que esta plena comunhão consiste em aceitar os grandes princípios católicos. Com outras palavras, os três níveis de unidade na Igreja, que são a fé, os sacramentos e o governo. Quando fala da fé, refere-se propriamente ao magistério. Mas nós nunca colocamos em dúvida nenhum destes elementos. E, portanto, nunca colocamos em dúvida a nossa plena comunhão, mas eliminamos o adjetivo “pleno”, para dizer simplesmente: “Estamos em comunhão de acordo com o termo clássico usado na Igreja; somos católicos. Se somos católicos, nós estamos em comunhão, porque a ruptura da comunhão é propriamente um cisma”.

As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas

Estas visitas foram muito interessantes. Obviamente, algumas pessoas na Fraternidade viram-nas com um pouco de receio: “O que estes bispos estão fazendo em nossa casa?” Bom! Essa não era a minha perspectiva. […] Eu lhes disse várias vezes: “Venham nos ver”. Nunca quiseram. Então, de repente, […] um cardeal, um arcebispo e dois bispos vieram nos ver, nos visitar, em diversas situações, algumas vezes nos seminários, e também em um dos priorados. […]

A primeira coisa que comentamos – tratava-se de uma linha oficial ou sua opinião pessoal? Eu não sei, mas é um fato –, todos disseram: “Estas discussões estão ocorrendo entre católicos; isto não tem nada a ver com discussões ecumênicas; estamos entre católicos”. Portanto, desde o início abandonamos todas aquelas ideias, tais como: “Não estão completamente dentro da Igreja, estão a meio caminho, portanto, estão fora – só Deus sabe aonde! – cismáticos…”. Não! Estamos falando entre católicos. Este é o primeiro ponto, o que é muito interessante, muito importante. Apesar do que, em alguns casos ainda hoje se diz em Roma.

O segundo ponto – que, na minha opinião, é ainda mais importante – é que os temas abordados nestas discussões são temas os clássicos nos quais sempre houve fracassos. Quer se trate de um assunto de liberdade religiosa, colegialidade, ecumenismo, a nova missa, ou inclusive os novos ritos dos sacramentos… Bom, todos nos disseram que estas discussões eram sobre temas abertos.

Creio que esta reflexão é fundamental. Até agora, sempre insistiram em deixar bem claro que tínhamos que aceitar o Concílio. É difícil determinar exatamente o verdadeiro alcance desta expressão “aceitar o Concílio”. O que significa? Porque é um fato que os documentos do Concílio são completamente desiguais, e que sua aceitação se faz com um critério gradual, segundo uma escala de obrigatoriedade. Se um texto é um texto de fé, existe uma obrigação simples e pura. Mas quem pretende, de um modo totalmente errado, que este concílio é infalível, exigem uma submissão total a todo o Concílio. Então, se é isso que significa “aceitar o Concílio”, dizemos que não o aceitamos. Precisamente porque o que negamos é sua infalibilidade.

Se existem algumas passagens nos documentos conciliares que repetem o que a Igreja disse antes, de um modo infalível, obviamente estas passagens são e seguirão sendo infalíveis. E nós aceitamos isso, não há nenhum problema. Por isso, quando se diz “aceitar o Concílio”, é necessário distinguir claramente qual é o sentido da expressão. No entanto, mesmo com esta distinção, até o momento, detectamos uma insistência por parte de Roma: “Vocês devem aceitar estes pontos; fazem parte do ensinamento da Igreja e, portanto, devem aceitá-los”. E vemos – não somente em Roma, mas também na maioria dos bispos – esta atitude até hoje em relação a nós, esta grave crítica: “Vocês não aceitam o Concílio”.

E agora, de repente, os enviados de Roma nos dizem que todos os pontos que foram obstáculos, são questões abertas. Uma questão aberta é um tema que pode ser discutido. E a obrigação de aderir a certa posição fica fortemente e inclusive, talvez, totalmente mitigada ou eliminada. Creio que isto é um ponto crucial. Teremos que ver, posteriormente, se isto é confirmado, se realmente podemos discutir livremente quanto à fé, quanto ao que devemos crer, e é aqui onde exigimos esta clareza, estes esclarecimentos por parte das autoridades. Pedimos isto durante muito tempo. Nós dizemos: “Há pontos ambíguos neste Concílio, e não cabe a nós esclarecê-los. Podemos assinalar o problema, mas quem tem a autoridade para esclarecê-lo é Roma”. No entanto, reitero, o fato de que estes bispos nos digam que se trata de questões abertas já é, na minha opinião, algo crucial.

As discussões em si desenvolveram-se, mais ou menos felizmente, segundo a personalidade de nossos interlocutores, porque também houve bons intercâmbios [nos quais] não necessariamente estivemos de acordo… Não obstante, creio que todos os interlocutores são unânimes em sua apreciação: ficaram satisfeitos com as discussões. Igualmente, ficaram satisfeitos com suas visitas. Parabenizaram-nos pela qualidade dos nossos seminários, dizendo: “São normais (Felizmente! É preciso começar por aí…), estas pessoas não são intolerantes nem obtusas, mas animadas, abertas, alegres, simplesmente indivíduos normais. E este comentário foi feito por todos os visitantes. Sem dúvida, isto é o lado humano, mas não devemos esquecê-lo tampouco.

Para mim, estas discussões, ou mais precisamente, esta faceta mais simples das discussões é importante, já que um dos problemas é a desconfiança. Certamente, nós temos esta desconfiança. E penso que, sem dúvida alguma, Roma também a tem sobre nós. E enquanto esta desconfiança prevalecer, a tendência natural é que tomemos qualquer coisa que se diga de maneira equivocada, ou que assumamos o pior cenário possível. Enquanto continuarmos com essa mentalidade receosa, não poderemos realizar muitos avanços. É necessário chegar a ter um mínimo grau de confiança, um clima de serenidade, para poder eliminar estas acusações a priori. Creio que a nossa forma de pensar segue sendo esta, e é também a de Roma. Isto leva tempo. Ambas as partes devem poder apreciar corretamente as pessoas, suas intenções, para poder superar tudo isto. Creio que isto vai levar algum tempo.

Isto também requer ações que mostrem boa vontade, e não a intenção de nos destruir. Atualmente, ainda temos esta ideia em nossas mentes, o que é uma postura amplamente difundida: “Se nos querem, é para nos asfixiar, e eventualmente nos destruir, para nos absorver totalmente, para nos desintegrar”. Isso não é integração, é desintegração. Obviamente, enquanto esta ideia prevalecer, não podemos esperar nada.

28 fevereiro, 2016

Roma-FSSPX: Secretário da Ecclesia Dei fala do estado atual das relações.

Enquanto crescem os rumores de uma regularização canônica da FSSPX, que, dizem, seria reconhecida como católica de modo unilateral pelo Papa Francisco, o secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Dom Guido Pozzo, concedeu, na última quinta-feira (25), uma entrevista à sessão italiana da agência Zenit. Traduzimos, a seguir, os trechos mais relevantes.

Por FratresInUnum.com

Católicos

Mons. Guido Pozzo - JP Sonnen, Orbis Catholicus.

Mons. Guido Pozzo – Foto: JP Sonnen, Orbis Catholicus.

“Segundo formulou o então Cardeal Bergoglio, de Buenos Aires, e confirmado pelo Papa Francisco à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, os membros da FSSPX são católicos a caminho da plena comunhão com a Santa Sé. Esta comunhão plena existirá quando houver um reconhecimento canônico da Fraternidade”.

Onde estamos. Ano da misericórdia.

“Estamos agora numa fase, creio eu, construtiva e capaz de alcançar a desejada reconciliação. O gesto do Papa de dar aos fiéis católicos a oportunidade de receber válida e licitamente o sacramento da Reconciliação e da Unção dos Enfermos dos bispos e padres da FSSPX durante o Ano Santo da Misericórdia é um sinal claro da vontade do Santo Padre de favorecer o caminho para o reconhecimento canônico completo e estável”.

“Neste contexto, o gesto apaziguador e magnânimo do Papa Francisco por ocasião do Ano da Misericórdia, sem dúvida, ajudou a esclarecer um pouco mais o estado das relações com a Fraternidade, mostrando que a Santa Sé deseja uma reaproximação e reconciliação que que devem também incluir um ordenamento canônico. Espero e desejo que o mesmo sentimento e a mesma determinação também seja compartilhada pela FSSPX”.

No essencial, unidade.

“O que parece essencial é encontrar uma convergência total do que é necessário para estar em plena comunhão com a Sé Apostólica, ou seja, a integridade do Credo Católico, o vínculo dos sacramentos e a aceitação do magistério supremo da Igreja. O Magistério, que não está acima da Palavra de Deus escrita e transmitida, mas a serve, é o interprete autêntico também dos textos precedentes, e compreende os [textos] do Concílio Vaticano II, à luz da Tradição viva, que se desenvolve na Igreja com o auxílio do Espírito Santo, não como uma novidade contrária (o que seria negar o dogma católico), mas com uma melhor compreensão do depósito da fé, sempre na “unidade o dogma, de sentido e compreensão” (in eodem scilicet dogmate, eodem sensu et eademque sententia, cf. Concile Vatican, Const. dogm. Dei Filius, 4). Eu creio que, sobre esses pontos, uma convergência com a FSSPX não é apenas possível, mas necessária”.

No não essencial, liberdade.

“Isso não tem qualquer efeito sobre a capacidade e a legitimidade de se debater e explorar outras questões específicas que já mencionei, que não dizem respeito às questões de fé, mas sim orientações pastorais e juízos prudenciais, não dogmáticos, em que também é possível ter diferentes pontos de vista. Portanto, não se trata de ignorar ou menosprezar as diferenças sobre certos aspectos da vida pastoral da Igreja, mas de se ter em mente que no Vaticano II há documentos doutrinais cuja intenção é reformular a verdade da fé já definida ou a verdade da doutrina católica (por exemplo, a Constituição Dogmática Dei Verbum, a Constituição Dogmática Lumen Gentium), e há documentos que têm a intenção de fornecer orientações ou diretrizes para a ação prática que são para a vida pastoral como uma aplicação da doutrina (a declaração Nostra Aetate, do Decreto Unitatis Redintegratio, a declaração Dignitatis Humanae).

A adesão aos ensinamentos do Magistério varia de acordo com o grau de autoridade e a categoria da própria verdade do Magistério. Não me parece que a FSSPX tenha negado as doutrinas da fé ou a verdade da doutrina católica ensinada pelo Magistério. As críticas emitidas concernem sobretudo as declarações ou as indicações relativas à renovação da pastoral nas relações ecumênicas com outras religiões, e certas questões prudenciais na relação da Igreja e da sociedade, da Igreja e do Estado.

Sobre a reforma litúrgica, limito-me a citar uma declaração que Dom Lefebvre escreveu ao Papa João Paulo II em uma carta datada de 8 de março de 1980: “Quanto à Missa do Novus Ordo, apesar de todas as reservas que devem ser feitas a este respeito, eu nunca disse que seria inválida ou herética”. Portanto, as reservas quanto ao rito do Novus Ordo, o que não devem, obviamente, ser subestimadas, não se referem nem à validade da celebração do sacramento, nem à retidão da fé católica. É preciso, então, continuar a discussão e o esclarecimento dessas reservas”.

25 novembro, 2015

Peregrinação Summorum Pontificum 2015.

Por Manoel Gonzaga Castro* | FratresInUnum.com

Como anunciamos, outro evento importante relacionado aos católicos tradicionais ocorrido em outubro foi a 4ª edição da Peregrinação Summorum Pontificum. Desde 2012, o evento tem ocorrido sempre no final de outubro em Roma, com seu término marcado por uma Missa Pontifical na própria Basílica de São Pedro.

Essa peregrinação reúne os católicos ligados à Missa Tridentina vinculados à Comissão Pontificia Ecclesia Dei. Em uma promoção da paz litúrgica e deixando de lado as diferenças, fiéis de todo mundo têm ido a Roma uma vez por ano manifestar sua comunhão com o Santo Padre.

Algumas ausências são sentidas: a FSSPX tem preferido não participar por apontar um silêncio dos participantes sobre pontos que considera críticos em relação ao Concílio Vaticano II e à reforma litúrgica pós-conciliar.

O capelão oficial da peregrinação é o sacerdote francês Claude Barthe, que fora ordenado por Dom Marcel Lefebvre em 1979 no seminário de Écône. Posto à margem da FSSPX, ele foi acusado de sedevacantismo e permaneceu em situação canônica irregular até 2005, quando regularizou seu status junto à Comissão Ecclesia Dei.

barthe

União: Pe. Claude Barthe (de pluvial) liderando os peregrinos, ladeado pelos neo-sacerdotes Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.), ambos do IBP e da Montfort, ordenados recentemente no Brasil por Dom Athanasius Schneider, amigo igualmente de Montfort e TFP.

Este ano, a peregrinação contou com a presença de 200 sacerdotes e seminaristas e com cerca de dois mil fiéis, vindos de todo o mundo. Entre os institutos a participar, destacam-se a Fraternidade Sacerdotal São Pedro, o Instituto do Bom Pastor e o Instituto Cristo Rei e Soberano Pontífice.

Do Brasil, os principais participantes são os membros da Associação Cultural Montfort, que, desde o início dessas peregrinações, tem se ocupado em organizar caravanas para a Cidade Eterna com esse propósito. O alto custo das viagens nunca foi dificuldade para o grupo, que, generosamente, não poupa esforços para estar presente, sempre com um número considerável de peregrinos.

Unidade na diversidade

Na peregrinação se irmanam institutos de tendências diversas — por exemplo, o Instituto Cristo Rei, amigo da TFP de longa data, e o IBP, historicamente próximo à Montfort (embora o IBP tenha, no Padre Raffray, superior da América Latina, também um simpatizante da TFP).

Igualmente demonstrando abertura e superação de divergências passadas, a organização da peregrinação, que hoje tem por delegada brasileira a Sra. Lucia Zucchi, em 2013 convidou para celebrar a Missa Solene Pontifical de encerramento, na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, o bispo da Administração Apostólica Dom Fernando Arêas Rifan.

É belo ver pessoas que habitualmente que se evitam, reencontrarem-se diante da Sé de Pedro para dar testemunho da plena comunhão. Trata-se da busca sincera da “reconciliação interna no seio da Igreja”, como pediu Bento XVI (Carta aos Bispos que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum).

Oxalá mais e mais brasileiros possam participar desse evento, que aumenta a visibilidade da liturgia tradicional e permite a todos uma manifestação visível de fidelidade ao Santo Padre, cum Petro e sub Petro.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

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28 agosto, 2015

As ordenações do IBP em São Paulo.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: No último sábado, 22 de agosto, na festa de Nossa Senhora Rainha, ocorreu em São Paulo um evento de grande importância para o avanço da Tradição litúrgica no Brasil: as ordenações presbiterais de Tomás Parra e de Pedro Gubitoso e diaconais de José Luiz Zucchi e Thiago Bonifácio pelo Instituto do Bom Pastor, todos eles sendo vocações oriundas da Associação Cultural Montfort, fundada pelo Professor Orlando Fedeli.

Esse tipo de ordenações realizadas segundo a forma extraordinária não ocorria há décadas na Arquidiocese de São Paulo, atualmente regida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, o qual, por esta e outras, já começa a ser considerado pelos tradicionalistas paulistanos como um protetor silencioso da Tradição.

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Ordenandos prestam juramento anti-modernista diante do Pe. Philippe Laguérie, Superior do IBP

Segue abaixo um relato mais estendido desse evento, que foi transmitido ao vivo por Fratres in Unum (lamentavelmente, o vídeo foi retirado do ar posteriormente pelos seus proprietários). Aqui nos voltamos para o passado, recordamos os recentes acontecimentos e nos projetamos para o futuro da Missa Tridentina no Brasil.

A Associação Cultural Montfort e seus vocacionados

Fundada em 1983 como uma dissidência da TFP, a Montfort, à época, travou contato com grupos clericais tradicionalistas que estavam em situação canônica irregular – os antigos “Padres de Campos” e o Mosteiro de Nova Friburgo – para enviar suas vocações sacerdotais e religiosas. Porém, por circunstâncias diversas, essas vocações nunca conseguiram prosperar de forma permanente nesses ambientes, dados os conflitos que surgiram entre as lideranças religiosas dessas entidades e o Professor Fedeli.

Essa situação acabou bloqueando o desenvolvimento religioso da Montfort no panorama tradicionalista brasileiro e fez com que seus membros se dedicassem especialmente à formação de famílias numerosas ao longo dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Qualquer alternativa – seja considerada irregular, como a FSSPX, seja legal, como a Fraternidade São Pedro ou a Administração Apostólica São João Maria Vianney – era terminantemente rechaçada por serem eivadas de erros graves, segundo a associação.

Isso levou, inclusive, a Montfort a buscar alternativas próprias, como a visita do Professor Orlando Fedeli ao Monsenhor do Opus Dei Antonio Livi, da Universidade Lateranense de Roma, com vistas a abrir um seminário no Brasil, ideia que, no entanto, não prosperou.

A fundação do IBP: novas esperanças para a Montfort.

Em 2006, com a fundação do Instituto do Bom Pastor, finalmente se abriu uma nova porta para as vocações do grupo Montfort, pois esse instituto teria como prerrogativa a oposição doutrinária ao Concílio Vaticano II e à Missa de Paulo VI.

Diferentemente da Administração Apostólica, o IBP não seria “traidor”, segundo o grupo — embora Dom Rifan, à época, tenha afirmado que sua ajuda foi solicitada pelos fundadores do IBP, o que ele prontamente correspondeu, indo a França interceder pelos padres junto ao Cardeal Ricard, com quem tinham uma relação muito conturbada, e a outros bispos; não é demais recordar que o Padre Paul Aulagnier, um dos fundadores do IBP, foi expulso da FSSPX justamente por ter apoiado a regularização canônica de Campos e por ter comparecido à sagração episcopal de Dom Rifan. Essa crença da Montfort no IBP acarretou inclusive um intenso debate com o site Veritatis Splendor naquela época.

Como que um golpe da Providência, no momento de fundação do IBP, os filhos dos casamentos dos anos 1980 e 1990 dos membros da associação já estavam maduros para um eventual seminário.

Dessa forma, em 2008, o IBP – graças à ligação entre o Pe. Rafael Navas Ortiz e o Professor Fedeli e os recursos de membros da associação – já tinha aberto uma casa em São Paulo, nas cercanias do Colégio São Mauro e da sede da Montfort. Essa aliança durou apenas alguns meses, vindo o Prof. Fedeli a entrar em conflito com as lideranças do IBP, que o acusavam de querer dominar a formação a ser dada a seus candidatos. Conforme justificou o Pe. Laguérie, na ocasição, o Professor Fedeli apresentava notoriamente a intenção de chegar ao núcleo do IBP por meio de seus candidatos.

Mais informações sobre a querela do IBP com a Montfort em 2008 podem ser consultadas nos arquivos de Fratres in Unum.

Nova fase: a nova liderança e o relacionamento com o IBP

Dessa forma, as relações entre o IBP e a Montfort não iam bem sob o polêmico Fedeli, tanto que elas ensejaram a dispensa do hoje Pe. Edivaldo Oliveira do instituto, em 2010.

Naquele mesmo ano, o Prof. Fedeli veio a falecer e foi substituído por Alberto Zucchi, pragmático, que afastou-se de confrontos com as lideranças do Bom Pastor, procurando apoiar sempre a corrente majoritária do já dividido instituto.

A prova de fogo dessa postura ocorreu durante a crise institucional do Bom Pastor, que se passou entre 2011 e 2013, com auge em 2012. Conforme Guilherme Chenta, nessa crise, enfrentaram-se duas alas: a dos fundadores do IBP e a dos jovens, sendo que a primeira era dócil às instruções de Mons. Guido Pozzo, de acordo com a hermenêutica da continuidade, e a segunda arredia.

Na disputa, a Montfort liderada por Alberto Zucchi inicialmente apoiou a ala dos jovens, capitaneada pelo Pe. Stefano Carusi (comprova-o os seguidos elogios da Montfort ao site do Padre Carusi, a participação dele em eventos da entidade e a carta-manifesto dos seminaristas, entre os quais os ordenados em São Paulo no último dia 22, defendendo uma não aceitação das indicações de Roma), mas no final acabou ficando com o vencedor Pe. Laguérie, mais maleável às exigências da Ecclesia Dei de Mons. Guido Pozzo.

Pe. Carusi, abandonado por seus antigos apoiadores, deixou o instituto e acabou fundado a Associação Clerical São Gregório Magno. Com isso, após essa crise, os fundadores do IBP puderam se certificar da lealdade de suas vocações montfortianas.

A preparação próxima para as ordenações

Passada a crise, a Montfort, finalmente, obteve do IBP que as ordenações de seus membros ocorressem em São Paulo, pois se tornava financeiramente inviável levar toda a comunidade para as cerimônias na França.

Com os ordenandos já no Brasil, em julho, iniciou-se uma intensa movimentação de preparação para o dia 22 de agosto, com vistas a facilitar a futura alocação dessas vocações brasileiras do IBP no território nacional, o que é atualmente uma das questões centrais relacionadas ao desenvolvimento do instituto, uma vez obtido o aval das autoridades.

Sendo assim, os futuros sacerdotes do Bom Pastor já foram apresentados ao público paulistano, em solene missa no Mosteiro de São Bento, no dia 19 de julho, por ocasião do encerramento da 4ª Oficina de Canto Gregoriano, organizada pelo regente Enio Liu.

O sermão ficou a cargo do diácono Pedro Gubitoso, ladeado pelo diácono Tomás Parra, todo o evento sendo registrado pelos membros da Montfort.

Sermão do diácono Pedro Gubitoso, registrado pelos membros da Associação Cultural Montfort (Mosteiro de São Bento, SP, 19 de julho de 2015)

Sermão do diácono Pedro Gubitoso, registrado pelos membros da Associação Cultural Montfort (Mosteiro de São Bento, SP, 19 de julho de 2015)

Além disso, apesar do alto custo financeiro com passagens e com hospedagens, estiveram presentes em Curitiba-PR, no último final de semana, 8 membros do IBP, entre os quais, o Padre Renato Coelho e os quatro ordenandos.

Como de costume, o presidente da Montfort, o Sr. Alberto Zucchi, também tomou parte na comitiva para auxiliar nas articulações.

Na ocasião, os membros do IBP Brasil palestraram em um congresso sobre a família, promovido pela associação de leigos São Pio V, e promoveram a sagrada liturgia tridentina em cerimônia ao longo do evento:

Palestra do Seminarista Ivan Chudzik

Palestra do Seminarista Ivan Chudzik

Missa durante o Congresso

Missa durante o Congresso

Apesar do número diminuto de participantes, essa ação foi importante devido ao fato de Curitiba estar sem missa na forma extraordinária, por conta do falecimento do Pe. Paulo Lubel, que era o responsável pela aplicação do Summorum Pontificum na capital paranaense.

Pe. Lubel faleceu aos 78 anos de idade, no dia 16 de junho. Por isso, há hoje em Curitiba um coetus fidelium organizado não atendido por nenhum sacerdote, e esse coetus poderia servir de base para a instalação do IBP no local.

Dado o vácuo que surgiu em Curitiba, Dom Fernando Rifan generosamente já decidiu colocar o Padre Jonas Lisboa à disposição dos fiéis curitibanos todo terceiro domingo do mês, apesar de o Pe. Jonas ter sido nomeado recentemente pelo cardeal de São Paulo, Dom Odilo, capelão da Igreja de Santa Luzia.

De Curitiba, a missão do IBP partiu para a cidade de Guarapuava, no interior do estado, onde permaneceu durante os dias 27, 28 e 29 de julho. A ida do Bom Pastor para Guarapuava teve como dificuldade o fato de o coetus fidelium local receber também visitas da FSSPX.

Outra movimentação importante pré-ordenações se deu em Belo Horizonte, no dia 1º de agosto, quando ocorreu o 1º Congresso Montfort de Minas Gerais, semelhante ao 1º Congresso Montfort do Nordeste, ocorrido em abril deste ano, e que contou com a presença do Pe. Luiz Fernando Pasquotto.

Por causa da proibição de Dom Walmor para o IBP em sua diocese, o Pe. Pasquotto, inicialmente cogitado para celebrar a missa de encerramento desse congresso, foi substituído pelo Padre Jefferson Pimenta, pároco na Diocese de Santo André e amigo da associação há algum tempo. Pe. Jefferson aproveitou a oportunidade em que estava na cidade para ordenação segundo a forma ordinária de um amigo.

Por outro lado, esse congresso teve como palestrante o então subdiácono Thiago Bonifácio, natural de Minas Gerais, o que lhe permitiu tentar manter unido o grupo de apoiadores do IBP na cidade, para momentos mais favoráveis.

Por ocasião do Congresso, participantes relataram que Alberto Zucchi se queixou a respeito da atuação de Dom Fernando Rifan, que, segundo ele, estaria minando a ação do IBP no Brasil.

Esperamos que essa rivalidade entre as partes seja superada em breve, evitando uma luta fratricida que só prejudica a difusão da Santa Missa tradicional.

Ainda, um último movimento da Montfort-IBP diz respeito à diocese de Limeira, que também ficou sem missa segunda a forma extraordinária por causa do adoecimento do Cônego Aldomiro, conforme noticiado por Fratres in Unum.

Por fim, no último dia 15 de agosto, houve a peregrinação da Montfort a Aparecida, assistida pelos clérigos do IBP, o que revela também uma abertura do Cardeal Dom Raymundo Damasceno, arcebispo local e ex-presidente da CNBB (2011 – 2015). É sempre gratificante ver a Missa na forma extraordinária ser celebrada no coração católico do Brasil:

Pe. Renato Coelho, IBP-SP, celebra a Santa Missa por ocasião da VI Peregrinação da Montfort à Aparecida

Pe. Renato Coelho, IBP-SP, celebra a Santa Missa por ocasião da VI Peregrinação da Montfort à Aparecida

Já no dia 21 de agosto, véspera das ordenações, houve uma apresentação musical no Mosteiro de São Bento, ocasião que se pôde ouvir o belo canto dos seminaristas do Bom Pastor.

Infelizmente, alguns ouvintes do concerto não ligados ao grupo Montfort, por não apoiarem sua linha de atuação, relataram à nossa reportagem que foram hostilizados, especialmente por presidente da instituição que, segundo afirmaram, em eventos do tipo costuma andar para todos os lados a vigiar tudo e todos.

Uma celebração da unidade e da paz litúrgica

A cerimônia de ordenação dos brasileiros do IBP transcorreu por mais de 4 horas, enchendo o coração dos fiéis e dos ordenandos.

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Conforme relatado no site do Pe. Daniel Pinheiro, superior do IBP no Brasil:

Os fiéis puderam seguir com grande fruto todas as cerimônias do rito de ordenação. Entre elas, destacam-se algumas. Primeiramente, a prostração, durante o canto das Ladainhas de Todos os Santos, dos que serão ordenados: reconhecem que nada são diante de Deus e imploram o auxílio de Deus, de Nossa Senhora, de todos os anjos e Santos. Depois a imposição das mãos e a as palavras da ordenação, que são a essência do sacramento, constituindo-os sacerdotes do Altíssimo. A consagração das mãos feita com o óleo sagrado, para que possa tocar no Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. A casula desdobrada no final da cerimônia, significando o poder de absolver os pecados. Enfim, todas as riquíssimas cerimônias da Igreja, que, ao mesmo tempo, explicam o que se está fazendo e merecem graças diante de Deus. Cerimônias em que o céu toca a terra.

Além da cerimônia em si, um traço realmente belo e marcante da cerimônia foi a grande manifestação de unidade do clero ligado à liturgia tradicional em São Paulo. Afora os padres estrangeiros (Pe. Philippe Laguérie e Pe. Paul Aulagnier, antigos cooperadores de Dom Marcel Lefebvre) e brasileiros do IBP (Daniel Pinheiro, Renato Coelho e Luiz Pasquotto), merece destaque as presenças do Pe. João Paulo Rizek, da Arquidiocese de São Paulo; do Pe Marcelo Tenório, da Arquidiocese de Campo Grande; do Pe. Jefferson Pimenta, da diocese de Santo André; do Pe. Roberto Miranda, de Mococa; além, é claro, do Pe. Edivaldo Oliveira, que atualmente está desenvolvendo seu apostolado em São Paulo, junto ao Colégio São Mauro. Estiveram presentes também seminaristas do Mater Ecclesiae.

Toda essa integração mostra uma busca de comunhão com a Igreja local e nacional, um caminho decidido em direção à paz litúrgica querida pelos últimos Papas no contexto da Nova Evangelização.

Pequenos desconfortos

Apesar da excelente notícia, causou desconforto nos ordenandos e no grupo Montfort o fato de Dom Schneider, bispo ordenante, revelar, frequente e publicamente, uma longa amizade a com a antiga TFP (hoje IPCO) e uma admiração por Plínio Corrêa de Oliveira.

Dom Schneider concede entrevista a Fratres in Unum, na sede do IPCO, em São Paulo.

Dom Schneider concede entrevista a Fratres in Unum, na sede do IPCO, em São Paulo.

A escolha inicial era Dom Fernando Guimarães, atual arcebispo do Ordinariato Militar do Brasil. Dom Guimarães é profundo conhecedor das posições e das questões tradicionalistas, visto que foi secretário pessoal do Cardeal Dario Castrillon Hoyos na Ecclesia Dei, quando foram celebrados os acordos de regularização da Administração Apostólica São João Maria Vianney e do Instituto do Bom Pastor. O então Pe. Guimarães também participou da preparação do Motu Proprio Summorum Pontificum. O arcebispo, todavia, viu-se impedido de atender ao convite por motivos médicos.

À esquerda, o então Pe. Fernando Guimarães com os fundadores do IBP e o Cardeal Hoyos. Roma, 2006.

À esquerda, o então Pe. Fernando Guimarães com os fundadores do IBP e o Cardeal Hoyos. Roma, 2006.

Atualmente, a Montfort tem adotado a política de rechaçar toda entidade ou indivíduo que tenha qualquer contato com o IPCO, ainda que meramente circunstancial. Já se tornou notório, nesse sentido, o caso da expulsão de Guilherme Chenta por ele ter participado da palestra do Prof. De Mattei em 2013.

Ainda recentemente, um importante sacerdotes paulista, ligado ao combate à ideologia de gênero no País, teve seu convite para palestrar sobre São Tomás no Colégio São Mauro cancelado, após ele ter sido questionado pela viúva Ivone Fedeli sobre seus contatos circunstanciais com o IPCO na luta em defesa da família tradicional.

Embora adote essa política, a Montfort optou, dessa vez, por não se manifestar contra a amizade de Dom Schneider com o IPCO, para não colocar em risco a ordenação de suas vocações. A mesma estratégia foi adotada em relação ao Cardeal Raymond Burke.

Outro pequeno desconforto para a Montfort foi a presença de Guilherme Chenta na cerimônia. Tido como proscrito pela associação pela denúncia daquilo que chama de tradirromantismo, isto é, a crença da Montfort de que uma posição anti-Vaticano II e anti-Missa de Paulo VI seja aprovada por Roma, ele desafiou recentemente Alberto Zucchi para um debate ao vivo via Youtube, mas não foi correspondido.

Ausências notáveis

Apesar da grande quantidade de clérigos na cerimônia, foram notáveis as ausências do Pe. Jonas Lisbôa, da Administração Apostólica São João Maria Vianney; do Pe. Almir de Andrade, hoje também na Administração; do Pe. Rafael Navas Ortiz; do Pe. Renato Leite, primeiro superior do IBP no Brasil; e do Pe. Rafael Scolaro, companheiro dos ordenados no seminário do IBP por muitos anos, mas que, ao fim, optou por se unir à Administração Apostólica.

Pe Almir de Andrade (à esquerda) recebe comitiva da Montfort junto com Dom Augustine Di Noia na Comissão Ecclesia Dei, 2012.

Pe Almir de Andrade (à esquerda) recebe comitiva da Montfort junto com Dom Augustine Di Noia na Comissão Ecclesia Dei, 2012.

Pe. Jonas, com efeito, em movimento positivamente surpreendente da Montfort, foi pessoalmente convidado para estar presente. Já o Pe. Almir, agora morando em Campos-RJ, já foi frequente palestrante nos Congressos Montfort e amigo íntimo do grupo. Pe. Navas, por sua vez, foi a primeira ponte entre as vocações da Montfort e o IBP.

Uma presença inusitada e bela

Chamou atenção, por fim, a presença de Wagner Zucchi, irmão de Alberto. Wagner havia sido proscrito do grupo no início dos anos 2000 por ter aceitado a hermenêutica da continuidade quanto ao Vaticano II e a Missa Nova e, assim, ter ficado ao lado de Dom Fernando Rifan.

Wagner, na época, contra-atacou, em carta que foi publicada no site Veritatis Splendor. Nela, Wagner disse duramente que a Montfort estava deixando de ser católica:

Não sei como o senhor me conheceu, mas suas informações são exatas: fui da TFP de 1974 a 1982 e da Montfort desde a fundação desta associação até 2002, quando me afastei devido a graves problemas doutrinários e morais desta associação.

Eles não são mais católicos que o próprio catolicismo, se me permite discordar. Eles estão lentamente e, em muitos casos, inconscientemente, deixando de ser católicos, criando uma igreja autocéfala. Eles ainda se dizem submissos à Hierarquia da Igreja, mas repare como eles escolhem nos documentos da Igreja aquilo que lhes convém aceitar e obedecer.

Apesar de tudo isso, Alberto colocou Wagner na primeira fileira a seu lado na cerimônia, em gesto de reconciliação, o que causou surpresa nos membros mais antigos da Montfort e que conhecem o histórico da briga entre os dois. Como bem disse o Papa Bento XVI a respeito do motu proprio, “trata-se de chegar a uma reconciliação interna no seio da Igreja”. E ela parece já ter surgido nas relações do grupo Montfort, e rezamos para que se estenda inclusive com aqueles que dela divergem, mas mantêm a mesma Fé.

Consequências para o movimento tradicional no Brasil

Todos esses elementos fazem das ordenações do IBP no Brasil em 22 de agosto um grande evento que terá consequências importantes para o movimento tradicional no país.

Há uma combinação de pacificação quase geral com o vigor da juventude dos novos sacerdotes. Com efeito, em 2016, o IBP Brasil já deverá contar com sete sacerdotes, cerca de um quarto dos membros da já estabelecida Administração Apostólica São João Maria Vianney, sendo eles todos jovens, com uma média de idade abaixo dos 30 anos. Tudo isso permitirá maior difusão da forma extraordinária.

O Pe. Pedro Gubitoso (direita) ficará em Bordeaux, França, ao passo que o Pe. Tomás Parra será alocado em Brasília (esquerda), junto ao Pe. Daniel Pinheiro.

O Pe. Pedro Gubitoso (direita) ficará em Bordeaux, França, ao passo que o Pe. Tomás Parra será alocado em Brasília (esquerda), junto ao Pe. Daniel Pinheiro.

Congresso Montfort 2015

Por fim, uma oportunidade para encontrar, entre outros, os padres do IBP é o próximo ciclo de conferências da Montfort 2015 – além da presença de vários deles, padre Gubitoso será um dos conferencistas.

Segundo informa a associação, o evento, anteriormente chamado congresso, não ocorrerá mais no Mosteiro de São Bento, conforme vinha acontecendo nos últimos anos, mas, em sua sede. A mudança teria sido decidida, afirmam fontes, pelo abade do Mosteiro, Dom Mathias.

Mais informações no site Montfort.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

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10 agosto, 2015

Dom Athanasius Schneider: “Não há razões de peso para negar aos sacerdotes e fiéis da FSSPX um reconhecimento canônico oficial”.

A Santa Sé me pediu que visitasse os seminários da Fraternidade São Pio X com o objetivo de apoiar um debate sobre um tema teológico concreto com um grupo de teólogos da fraternidade e com Sua Excelência Dom Fellay. Isso me demonstra que para a Santa Sé a FSSPX não é uma realidade eclesial negligenciável, que é preciso levá-la a sério.

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão.

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana, Cazaquistão.

Guardo muito boa impressão de minhas visitas. O espírito do “sentire cum ecclesia” da FSSPX ficou claro quando me receberam como enviado da Santa Sá com verdadeiro respeito e muita cordialidade. Ainda, em ambos os seminários me alegrou ver na entrada a foto do Papa Francisco, o pontífice atualmente reinante. Nas sacristias havia placas com o nome de S.S. Francisco e do ordinário da diocese. Comoveu-me o cântico da oração tradicional pelo Papa (“Oremus pro pontifice nostro Francisco…”) durante a solene exposição do Santíssimo Sacramento.

Que eu saiba, não há razões de peso para negar aos sacerdotes e fiéis da FSSPX um reconhecimento canônico oficial, antes, deve-se aceitá-los como são por ora. Isso foi, na verdade, o que pediu o arcebispo Lefebvre à Santa Sé: “Que nos aceitem como somos”. A mim, parece que a questão do Concílio Vaticano II não deve ser considerada como uma condição sine qua non, já que se tratou de uma assembléia com fins e características primariamente pastorais. Parte das declarações conciliares reflete unicamente as circunstâncias do momento e teve um valor temporal, como ocorre de costume com os documentos disciplinares e pastorais.

Se nos fixarmos na perspectiva dos dois milênios da história da Igreja, podemos afirmar que por ambas as partes (a Santa Sé e a FSSPX) há uma sobrevalorização e sobrestimação de uma realidade pastoral da Igreja que é o Concílio Vaticano II. O fato de que a FSSPX acredite, celebre os ritos e leve uma vida moral como exigia e reconhecia o Magistério Supremo e como observou universalmente a Igreja durante séculos, e se, ademais, reconhece a legitimidade do Papa e dos bispos diocesanos e reza publicamente por eles, reconhecendo também a validade dos sacramentos segundo a editio typica dos novos livros litúrgicos, deveria ser suficiente para a Santa Sé reconhecer canonicamente a FSSPX. Do contrário, perderá obviamente credibilidade a tão batida abertura pastoral e ecumênica da Igreja de hoje, e um dia a história reprovará as autoridades eclesiásticas atuais por ter imposto mais peso do que necessário (cf. At 15:28), o que é contrário ao método pastoral dos apóstolos.

Da entrevista concedida por Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana, Cazaquistão, em entrevista concedida a Adelante la Fe

2 julho, 2015

Ordenações para IBP e Administração Apostólica.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: No último sábado, 27 de junho, pela graça de Deus, foram ordenados diáconos no Instituto do Bom Pastor os seminaristas Guillaume Touche e Adolfo Andrés Hormazábal. Causou apreensão, no entanto, a não ordenação dos seminaristas brasileiros do Instituto, todos membros do grupo Montfort.

Com efeito, Guillaume Touche, Adolfo Andrés, José Luiz e Thiago Bonifácio, haviam sido ordenados subdiáconos no último 21 de março, e, seguindo a praxe do instituto, tinham já previstas suas ordenações diaconais para o final do primeiro semestre. Porém, tanto o subdiácono Thiago, quanto o subdiácono José Luiz ficaram de fora do cronograma normal das ordenações desta vez.

Da esq. para direita: seminaristas José Luiz, Adolfo Andrés, Guillaume Touche e Thiago Bonifácio, em sua ordenação subdiaconal (março de 2015).

Da esq. para direita: seminaristas José Luiz, Adolfo Andrés, Guillaume Touche e Thiago Bonifácio, em sua ordenação subdiaconal (março de 2015).

Além disso, também contrariando a praxe do IBP, não foram ordenados sacerdotes os seminaristas brasileiros Pedro Gubitoso e Tomás Parra, ordenados diáconos em junho de 2014, depois de terem recebido o subdiaconato em abril do mesmo ano, após a visita do Mons. Guido Pozzo ao seminário.

O receio se deve ao fato de, em março de 2012, o mesmo Mons. Pozzo ter admoestado o superior do Instituto nos seguintes termos: “É necessário desejar que um bom discernimento seja feito para as vocações provenientes do Brasil”.

Os subdiáconos Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.) recebem o diaconato

Os subdiáconos Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.) recebem o diaconato

Oxalá esses atrasos tenham sido ocasionados por questões meramente circunstanciais e que logo a Igreja no Brasil possa receber os reforços de mais essas vocações.

Em 2013, dois brasileiros da Montfort – os agora Padres Luiz Fernando Pasquotto e Renato Coelho – também tiveram suas ordenações sacerdotais atrasadas por causa da crise institucional que se abateu sobre o IBP naquele ano.

Enquanto isso, os reforços ao avanço da difusão da liturgia tradicional vêm da parte de Dom Fernando Rifan, que ordenou mais um diácono pela Administração Apostólica São João Maria Vianney em 21 de junho último: o seminarista Domingos Sávio Silva Ferreira.

Ordenação diaconal do seminarista Domingos Sávio, junho de 2015

Ordenação diaconal do seminarista Domingos Sávio, junho de 2015

A vocação do agora diácono Domingos Sávio é resultado de um longo apostolado da Administração, sendo ele proveniente da Paróquia Pessoal Nossa Senhora de Fátima e Santo António de Pádua. O diácono Domingos Sávio será ordenado sacerdote no próximo 12 de dezembro.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

12 junho, 2015

Novidades dos tradicionalistas no Brasil.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: O mês de maio foi prenhe de boas notícias para os católicos ligados à liturgia tradicional do sistema Ecclesia Dei/Summorum Pontificum.

Conforme noticiado, 3 de maio foi de fato o último dia da Santa Missa em sua forma extraordinária na Capela do Colégio Monte Calvário em Belo Horizonte, porém Dom Fernando Rifan conseguiu obter do arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo um novo local para essas celebrações na capital mineira. Dessa forma, sem interrupção, já em 10 de maio, domingo, o excelso sacrifício foi oferecido na Capela do Colégio Santa Maria. Mais informações sobre o local e os horários das missas em: http://missatridentinabh.blogspot.com.br/

Essa é, sem dúvida, uma excelente notícia para todos os fiéis frequentadores da forma extraordinária em Belo Horizonte, ainda mais considerando a intensificação das visitas dos padres da Administração Apostólica São João Maria Vianney a essa cidade.

Proibido de atuar na capital mineira por Dom Walmor, também como  noticiado, o IBP tem estudado uma expansão para o Nordeste, em locais não atendidos pela Administração. Como palestrante do 1º Congresso Montfort do Nordeste, o Pe. Luiz Fernando Pasquotto esteve recentemente em Recife, onde pôde travar contato com algumas dezenas de fiéis interessados na liturgia tradicional.

Para o maior bem da Santa Igreja, tomara que o IBP consiga se expandir para o Nordeste, dado seu relativo insucesso no Sudeste, muitas vezes motivado por questões não eclesiais.

Bem articulado em todos os seguimentos de tradicionalistas regulares, finalmente, o Pe. Jefferson Pimenta foi nomeado pároco pela Diocese de Santo André. Sua via crucis foi longa. Em um período de cerca de um ano, Pe. Jefferson – que celebra obedientemente as duas formas do rito romano – foi removido duas vezes de posto. Primeiro, da Paróquia Nossa Senhora da Prosperidade, onde empreendia uma grande reforma arquitetônica, e depois da Paróquia São Francisco de Assis. Isso afetou o apostolado do Pe. Jefferson com a forma extraordinária, porque ele acabou afastado de sua base de fiéis desejosos dessa missa, quando foi finalmente transferido para a Paróquia São Judas Tadeu, que fica em Ribeirão Pires – distante cerca de 30Km.

Apesar das dificuldades, Pe. Jefferson iniciou corajosamente o apostolado da forma extraordinária na Paróquia São Judas e agora,  conforme noticiado por Fratres in Unum, terá um novo bispo que, esperamos e rezamos, apoiará suas iniciativas.

Por fim, surgem rumores fortíssimos de que o Pe. Edivaldo Oliveira, considerado filho do falecido e polêmico Professor Orlando Fedeli, está começando uma nova obra, a Fraternidade São Mauro. Segundo os rumores, a nova fraternidade gozará do privilégio de uso exclusivo do chamado Rito Tridentino e receberá vocações masculinas e femininas. A vida religiosa feminina seria comandada pela viúva Ivone Fedeli, segundo informações ainda não oficialmente confirmadas desta que seria uma grande notícia!

Por ora, não há nenhum comunicado público do Reverendíssimo Pe. Edivaldo Oliveira a respeito de qual bispo autorizaria a existência da Fraternidade São Mauro, quais seriam suas prerrogativas e sobre como ela funcionaria.

O Pe. Edivaldo permanece incardinado na Diocese de Ciudad del Este, onde foi ordenado, em em 17 de agosto de 2013, por Dom Rogelio Livieres, que foi vítima de uma dramática deposição em setembro de 2014. Apesar de diocesano de Ciudad del Este, Pe. Edivaldo tem intensa atuação no Brasil, onde permanece boa parte de seu tempo junto ao Colégio São Mauro, em São Paulo, e em Fortaleza.

No final de maio, Pe. Edivaldo celebrou a Santa Missa na Festa Anual da Montfort em Itapetininga, SP, e, com pompa e circunstância, liderou a peregrinação do Colégio São Mauro a Aparecida:

Padre Edivaldo com o Colégio São Mauro em Peregrinação à Aparecida, maio de 2015

Padre Edivaldo com o Colégio São Mauro em Peregrinação a Aparecida, maio de 2015

Rezemos para que a Santa Missa no rito tradicional, juntamente com uma sólida formação doutrinal e moral, seja sempre e cada dia mais difundida no Brasil!

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

5 junho, 2015

Santa Sé encarrega Fellay de julgar um de seus padres.

A Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior da Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Lefebvre, para ser o juiz de primeira instância no caso de um padre lefebvrista acusado de um crime grave.

Por Andrea Tornielli – La Stampa | Tradução: FratresInUnum.com: Ele mesmo [Dom Fellay] anunciou durante um sermão na igreja Nossa Senhora dos Anjos, em Arcadia, Califórnia, no dia 10 de maio de 2015: a Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior Geral da Fraternidade São Pio X (FSSPX), Dom Bernard Fellay, como juiz de primeira instância em um caso envolvendo um padre lefebvrista. O antigo Santo Ofício tem a incumbência de tratar de uma série de “delicta graviora”. O que ocorre mais frequentemente é aquele que diz respeito a abuso sexual de menores. Fellay apresentou esse fato como um exemplo das “contradições” nas relações da Santa Sé com a Fraternidade.

Dom Bernard Fellay“Somos rotulados agora como irregulares, na melhor das hipótese. “Irregular” significa que você não pode fazer nada e, como exemplo, eles nos proibiram de celebrar Missa nas igrejas em Roma para as irmãs Dominicanas que peregrinaram a Roma em fevereiro. Eles dizem: “Não, vocês não podem [celebrar] por que são irregulares”. E os que disseram isso eram pessoas da [Pontifícia Comissão] Ecclesia Dei”.

“Agora, às vezes, infelizmente”, disse Dom Fellay, “também padres fazem coisas insensatas, e precisam ser punidos. E quando é algo muito, muito sério, temos que recorrer a Roma. E assim fazemos. E o que a Congregação para a Doutrina da Fé faz? Bem, eles nomearam a mim como juiz para esse caso. Então, eu fui incumbido por Roma, pela Congregação para a Doutrina da Fé, de fazer julgamentos, julgamentos canônicos da Igreja sobre alguns de nossos padres que pertencem a uma Fraternidade inexistente para eles (para Roma, ed.). E então, mais uma vez, realmente uma bela contradição”.

Essa não é a primeira vez  que a FSSPX recorre a Roma quando diz respeito a “delicta graviora” e dispensas das obrigações sacerdotais. O que é novo nesse caso é que o antigo Santo Ofício, chefiado pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller, decidiu confiar o caso ao próprio Dom Fellay, fazendo-o juiz do tribunal de primeira instância. Uma expressão de ateção. Um sinal de que o caminho em direção à plena comunhão com os lefebvristas continua,  como confirmou em uma declaração a Vatican Insider Dom Guido Pozzo. O arcebispo, que também é Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, disse: “A decisão da Congregação para a Doutrina da Fé não significa que os problemas existentes foram sanados, mas é um sinal de benevolência e magnanimidade. Não vejo contradição nisso, mas, antes, um passo em direção à reconciliação”.

Os leitores se recordarão que outro importante sinal veio no último mês de abril, quando o Arcebispo de Buenos Aires acendeu a luz verde para que os lefebvristas fossem reconhecidos pelo governo argentino como uma “associação diocesana”. Igualmente, um grande grupo de peregrinos da FSSPX foi autorizado a celebrar a eucaristia na Basílica de Lourdes.

Então, por que Fellay fala em uma contradição? Seu comentário se referia à peregrinação do último mês de fevereiro a Roma, que teve a participação de 1500 fiéis. A peregrinação foi organizada pelas irmãs Dominicanas ligadas à FSSPX. Um pedido foi feito à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para celebrar a Missa no altar da Basílica de São Pedro. Na ocasião, todavia, os responsáveis pela Comissão decidiram que a celebração por um sacerdote lefebvrista, antes que os problemas existentes sejam resolvidos com vistas à regularização canônica e a plena comunhão, lançaria um sinal equivocado. No entanto, o Papa Francisco deu sua aprovação à proposta de que a missa solicitada fosse celebrada na Basílica de São Pedro por um padre da Ecclesia Dei, segundo o rito antigo. Os líderes da Fraternidade recusaram a oferta.

Ainda, a nomeação de Fellay pela Congregação para a Doutrina da Fé como juiz de primeira instância, demonstra o progresso em termos de diálogo entre a Igreja e a FSSPX.

14 abril, 2015

A FSSPX reconhecida oficialmente na Argentina como parte da Igreja Católica.

Por Adelante la Fe | Tradução: Irmandade dos Defensores da Sagrada Cruz: Em Boletim Oficial da Republica Argentina encontramos a seguinte informação: A pedido do Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Poli, é concedido a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, FSSPX, fundada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre, o estatuto de “Associação de Direito Diocesano. Sociedade de Vida Apostólica” e se reconhece “que a dita fraternidade, encontra-se credenciada com caráter de pessoa jurídica pública DENTRO DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, conforme a norma do Código de Direito Canônico”.

Cardeal Poli

Com toda a prudência por não ter maiores informações para avaliar com precisão o alcance exato desta noticia, além das formalidades jurídicas, não se parece temerário para interpretar este importante gesto do Cardeal Poli como um grande movimento de aproximação, talvez a ponta do iceberg, que nos permite esperar com otimismo um desenlace feliz a curto prazo a nível global.

Reproduzimos a resolução oficial:

 Resolução 25/2015

Bs. As., 17/03/2015

VISTO o Arquivo No. 9028/2015 do registro do MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES E CULTO, a Lei nº 24.483 e seu Decreto Regulamentar n.º 491 de 21 de setembro de 1995, e CONSIDERANDO:

Que, conforme o Protocolo nº 084/15 datado de 23 de fevereiro de 2015, o Arcebispo de Buenos Aires, Mario Aurelio Cardeal POLI solicita que a “FRATERNIDADE DOS APÓSTOLOS DE JESUS E DE MARIA” (Fraternidade Sacerdotal São Pio X) seja tida, até encontrar um definitivo enquadramento jurídico na Igreja Universal, como uma associação de direito diocesano, conforme regulamentado pelo cânone 298 do Código de Direito Canônico, in fieri de ser uma Sociedade de Vida Apostólica, com todos os benefícios que esta lhe corresponde e dando cumprimento com todas as obrigações a que a mesma refere, assumindo também as responsabilidades que competem ao bispo diocesano.

Que tal fraternidade é credenciada com caráter de pessoa jurídica pública dentro da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, conforme as normas do Código de Direito Canônico.

Que segundo seus estatutos, aprovados pela autoridade eclesiástica competente, a fraternidade é uma sociedade de vida sacerdotal comum sem votos, em imitação de sociedades para as Missões Estrangeiras (conf. Capítulo I, artigo 1º, Estatutos da Fraternidade dos Apóstolos Jesus e Maria).

Que o artigo 3º, inciso f do Decreto nº 491/95 que autoriza a inscrição no Registro criado pela Lei nº 24.483, as pessoas jurídicas reconhecidas pela autoridade eclesiástica, que guardam semelhanças ou analogia com os Institutos de Vida Consagrada e sociedades de vida apostólica.

Que a instituição requerente cumpriu todas as exigências da legislação em vigor, que acompanhando os seus estatutos, decreto de ereção e memória, de acordo com as disposições da Lei nº 24.483.

Correspondendo fazer lugar a presente inscrição todas as vezes que a requerente se enquadra nas condições previstas na Regra 3, inciso f) do Decreto nº 491/95.

Que a presente medida é emitida no exercício dos poderes conferidos pelo artigo 17 do Decreto nº 491/95.

Portanto,

O SECRETÁRIO

DE CULTO

RESOLVE:

ARTIGO 1 – reconhecido como uma pessoa jurídica a “FRATERNIDADE DOS APÓSTOLOS DE JESUS E DE MARIA” (Fraternidade sacerdotal São Pio X), Associação de direito diocesano, com sede legal e domicílio especial na rua Venezuela N° 1318, CIDADE AUTÔNOMA DE BUENOS AIRES, que está registrado sob o número de trezentos e oitenta e um (381) do Registro de Institutos de Vida Consagrada.

ARTIGO 2º – outorga-se a dita entidade o caráter de entidade de bom público para todos os efeitos, que correspondam.

ARTIGO 3º – Que seja sabido que a referida pessoa jurídica se encontra beneficiada pelo tratamento previsto pelo artigo 20, da Lei do Imposto de Renda (texto encomendado em 1997).

ARTIGO 4º – Comunique-se, publique-se, transmitindo a Direção Nacional de Registro Oficial e arquive-se. – Emb. GUILLERMO R. OLIVERI, Secretário de Adoração.

[Você pode verificar esta informação, entrando no site do Boletim Oficial Argentino indicando em seu navegador a resolução 25 de 2015]

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Nota do Fratres: Procurado por Vatican Insider, Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, declarou: “Fico contente que na Argentina foi possível encontrar esta solução que, sejamos precisos, não envolve a Santa Sé. Não se trata de um reconhecimento jurídico da Fraternidade São Pio X como sociedade clerical, permanecendo em aberto a questão da legitimidade do exercício do ministério sacerdotal de seus padres. Mas, certamente, é um sinal adicional de benevolência em relação a esta realidade por parte da Igreja Católica”.

Continua Pozzo: “Com sua decisão, o ordinário de Buenos Aires reconhece que os membros da Fraternidade são católicos, mesmo que ainda não estejam na plena comunhão com Roma. Nós continuamos a trabalhar para que se chegue à plena comunhão e ao enquadramento jurídico da Fraternidade na Igreja Católica”.

23 novembro, 2014

Conferência de Dom Guido Pozzo sobre o Vaticano II.

Importante texto de conferência do Arcebispo Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, uma vez que, recentemente, ele mesmo afirmou que “Roma não pretende impor uma capitulação à FSSPX”.

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Comentários e tradução por Guilherme Chenta, guilhermechenta.com

COMENTÁRIOS

Introdução

Em abril de 2014, o Arcebispo Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia ComissãoEcclesia Dei, visitou o seminário do Instituto do Bom Pastor, com os seguintes objetivos: verificar a situação do instituto no pós-crise, dar duas conferências norteadoras da ação do IBP de acordo com a “hermenêutica da reforma na continuidade” e conferir ordens a alguns seminaristas.