Posts tagged ‘Ecclesia Dei’

1 novembro, 2012

Cardeal Cañizares: “Eu celebro a Missa Tradicional porque é normal fazê-lo”.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Trecho da entrevista concedida pelo Cardeal Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, a Andrea Tornielli, do La Stampa, a respeito de sua celebração da Missa Tradicional no próximo sábado na Basílica do Vaticano, que será o ápice da peregrinação internacional a Roma entre os dias 1 a 3 de novembro por parte de católicos tradicionais em união com Sua Santidade:

Qual é o motivo da peregrinação?

“Agradecer a Deus e ao Papa pelo Motu Proprio que ele emitiu há cinco anos, reconhecendo o valor da liturgia celebrada de acordo com o missal do Beato João XXIII e marcando a continuidade com a tradição do Rito Romano. Ao reconhecer a liturgia anterior compreende-se que a reforma não significa acabar com práticas tradicionais mais antigas.”

Por que o senhor concordou em celebrar a missa para os peregrinos que seguem o Rito pré-conciliar?

“Eu concordei porque é uma maneira de mostrar às pessoas que é normal usar o missal de 1962: há duas formas do mesmo Rito, mas há apenas um único Rito, assim é normal usá-lo durante as celebrações da missa. Eu já celebrei várias missas de acordo com o missal introduzido pelo Beato João XXIII e o farei novamente de bom grado nessa ocasião. A Congregação na qual o Papa me chamou para atuar como Prefeito não se opõe ao uso da liturgia antiga, embora a tarefa de nosso dicastério seja realçar o significado da renovação litúrgica de acordo com as diretrizes da constituição Sacrosanctum Concilium e seguir as pegadas do Concílio Vaticano II. Com relação a isso, é preciso dizer que a forma extraordinária do Rito Latino deve se inspirar na Constituição conciliar, que nos primeiros dez parágrafos se concentra no verdadeiro espírito da liturgia e, portanto, é relevante a todos os ritos.”

29 outubro, 2012

Impressões sobre as palavras de Dom Fellay na conferência da ‘Angelus Press’.

Por Paulo Frade | Fratres in Unum.com

Tive a graça de participar da conferência da Angelus Press, realizada entre os dias 19-21 de outubro, em Kansas City.  O tema da conferência deste ano foi “O Papado” e teve como palestrante principal Dom Bernard Fellay. A conferência contou com a presença de dezenas de sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos.  Tive a oportunidade de conversar e conhecer vários padres diocesanos, sendo um deles o Padre Michael Rodriguez, da diocese de El Paso, que foi injustamente perseguido por seu bispo devido à sua firme defesa da Fé e Moral católicas.  Além dele, conheci outros 3 padres diocesanos, dois de Nova York e um da Califórnia.

Conferência sobre o Papado promovida pela Angelus Press.

Conferência sobre o Papado promovida pela Angelus Press.

Apesar de eu não ser um fiel da FSSPX, sempre tive um verdadeiro apreço por seu trabalho, já que, exceto por uma intervenção divina diversa, se não fosse pela FSSPX, muito provavelmente ainda estaríamos na era do indulto. Devido às especulações de jornais, blogs e sites, cheguei à conclusão de que seria essencial ir à fonte para tentar descobrir qual a intenção da FSSPX quanto às conversações com Roma, quais são os verdadeiros fatos e qual a situação atual em que eles se encontram.

Quanto à intenção, ficou claro para mim, tanto nas palestras da conferência quanto nas conversas que tive com padres e seminaristas, que eles reconhecem que, por alguma razão, o Papa tem este desejo de reabrir a Igreja para liturgia tradicional e que a razão mais provável disso seja o reconhecimento do Papa de que o remédio para a crise atual seja o Rito Tradicional.  A FSSPX, reconhecendo que o Espírito Santo é a causa última de todas as coisas, procurou nessas conversações, dentro de seus limites e possibilidades, despertar esse lado do Santo Padre que ao menos aparentemente está voltado a Tradição.

Quanto às conversações com Roma, ao contrário do que muitos pensam e afirmam, as discussões doutrinais ocorreram por escrito e não de forma oral. Apenas depois que as discussões relacionadas a um ou alguns assuntos estavam esgotadas é que havia uma reunião.  Eu vi com meus próprios olhos ao menos três das correspondêcias recebidas por Dom Fellay. Os que negam que as discussões foram feitas de forma escrita estão no mínimo mal informados.

A primeira correspondência recebida por Dom Fellay, fazia entre outras, as seguintes afirmações:

Regras de hermenêutica que explicitam a interpretação da continuidade do Concílio Vaticano II com a Tradição e o ensinamento do Magistério precedente:

    1. Não há ensinamento doutrinal algum do Vaticano II que não seja totalmente compatível com a Fé Católica;
    2. A maneira correta de entender o Concílio é interpretá-lo em harmonia com a verdade de todos os outros ensinamentos do Magistério da Igreja em matéria de Fé e Moral.

Dom Fellay afirmou que o segundo ponto era razoável, só que o primeiro ponto não. Assim, ele respondeu afirmando que não concordava com o primeiro ponto. Afirmou também que era necessário começar de um ponto comum e este ponto comum seria a Tradição.  O Vaticano concordou com a sugestão de Dom Fellay e seguiu em frente. As trocas de correspondência continuaram e as questões relacionadas à Missa Nova, liberdade religiosa, ecumenismo, definição da Igreja e colegialidade foram todas discutidas. O último ponto tratado, segundo Dom Fellay, foi relacionado ao papel das autoridades atuais em relação à Tradição.

Segundo Sua Excelência, quando esse problema for resolvido, todos os demais também serão. No fim das discussões, as autoridades representando o Vaticano afirmaram que os respresentantes da FSSPX eram protestantes por colocarem a razão acima do Magistério. Como resposta, as autoridades da FSSPX afirmaram que os representantes do Vaticano eram modernistas por argumentarem como se a verdade pudesse evoluir.  Assim chegou ao fim a fase de discussões com Roma, o que prova que a FSSPX não estava apenas buscando um solução prática a qualquer custo.

Depois de dois anos de tratativas, Dom Fellay foi convidado para fazer uma avaliação das discussões com o Cardeal Levada.  A reunião foi marcada para o dia 14 de Setembro de 2011. Antes mesmo de ir a esta reunião, em meados de agosto, Dom Fellay recebeu mensagens de vários membros da Ecclesia Dei, incluindo um Cardeal, dizendo que o Papa reconheceria a FSSPX da mesma forma que ele fez com o levantamento das excomunhões, ou seja, de maneira unilateral. O purpurado reconheceu que havia divergências entre o Vaticano e a Fraternidade, mas afirmou que quem queria a reconciliação era o Papa e que esse desejo fazia parte do coração do seu pontificado.

No dia marcado, Dom Fellay foi ao Vaticano e recebeu um documento que ele nos mostrou durante sua palestra, com uma página que tratava de questões doutrinais e a outra de questões canônicas. Na primeira página havia uma nota preliminar que acompanhava a outra página, intitulada de “Preâmbulo Doutrinal”, que continha quatro pontos. Enquanto que na nota preliminar se encontrava a liberdade de discutir sobre o Concílio, no texto oficial do preâmbulo a liberdade não existia. Fora isso, no terceiro ponto do preâmbulo, a FSSPX teria que interpretar o Concílio de acordo com o catecismo pós-conciliar. Depois de estudar o texto com cuidado, a FSSPX respondeu no dia 30 de novembro de forma negativa, afirmando que o que eles estariam dispostos a fazer seria a profissão de Fé do Concílio de Trento. Se necessário eles estariam também dispostos a fazer a profissão de Fé em conjunto com a Constituição Dogmática Pastor Aeternus e o artigo 25 da Lumen Gentium, com a indicação de que todo o texto do Vaticano II deveria ser entendido segundo o juramento anti-modernista, e que isso faria com que fosse necessário a reformulação de alguns textos conciliares.

Dom Fellay finalizou a resposta citando a famosa declaração de Dom Lefebvre: “Nós aderimos, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma à Roma Católica, guardiã da Fé Católica e das tradições necessárias à manutenção desta mesma Fé, à Roma eterna, mestra da sabedoria e da verdade. Nós recusamos, por sua vez, e sempre recusaremos, seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas dele provenientes”. E continuou dizendo que a FSSPX energeticamente recusa seguir tendências neo-modernistas e neo-protestantes que claramente se manifestaram durante e continuam se manifestando após o Concílio Vaticano II. Disse, também, que todas essas reformas têm contribuído para a demolição da Igreja, dos sacramentos, da vida sacerdotal, da vida religiosa, dos ensino católico, dos seminários, etc.  Após receberem a resposta, as autoridades do Vaticano telefonaram a Sua Excelência alguns dias depois, perguntado se ele não poderia ser mais preciso.  Mais preciso?! Então, ele responde novamente no dia 12 de Janeiro de 2012.  Nesta segunda carta, ele afirma que a primeira resposta permanece sendo a resposta da FSSPX, isto é, um “não”, e Dom Fellay seguiu mais uma vez explicando a razão da resposta negativa. Por fim, no dia 16 de Março de 2012, ele recebeu uma carta assinada pelo Cardeal Levada afirmando que “a recusa do preâmbulo doutrinal explicitamente aprovado pelo Santo Padre é, de fato, uma recusa de fidelidade ao Sumo Pontifíce e ao Magistério atual”. O então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé continuou dizendo que “isso teria uma consequência, que é a ruptura da comunhão com o Papa” e que os resultados canônicos relacionados a tal ruptura seriam o cisma e excomunhão. Esta carta, que na verdade era um ultimato, deu a Dom Fellay 30 dias para reconsiderar o “não” dado ao preâmbulo.

Em 13 de junho, o superior da Fraternidade recebeu outra carta. Ao lê-la, afirmou a si mesmo que finalmente as coisas estavam mais claras, claras o suficiente para dizer que “we’re not going to go there!”. Esta última carta foi uma correção a uma manifestação que Dom Fellay enviou à Congregação para a Doutrina da Fé, por indicação do Santo Padre, dando as condições da Fraternidade para uma reconciliação.  Por um tempo, Dom Fellay acreditou que a condições haviam sido aceitas mas depois de receber a carta com as correcoes da CDF ele teve a reacao acima. Talvez seja a resposta a estas correções que o Vaticano esteja esperando até agora. Se este for o caso, está certo que da forma como está a Fraternidade já a rejeitou.

A conferência de Dom Fellay durou cerca de 3 horas e não dá para tratar de tudo aqui. Mas não posso deixar de fora os comentários que Sua Excelência fez em relação às constantes contradições que encontrou durante todo esse período, que de certo modo acaba provando que o Papa está rodeado de lobos.  Em 2009, por exemplo, antes das ordenações de diáconos da FSSPX, o Cardeal Castrillon Hoyos telefonou para Dom Fellay e afirmou que ele teria que parar com essas ordenações feitas sem permissão e que, se fosse pedida a permissão ao Papa, ele garantia que quase imediatamente o Papa autorizaria as ordenações.  O Cardeal Hoyos continuou afirmando que no período de duas semanas a FSSPX seria regularizada. Dom Fellay perguntou como isso seria possível, se o Secretário do Estado havia enviado uma carta a ele afirmando que a FSSPX teria que aceitar o Vaticano II para se regularizar.  Dom Hoyos respondeu que o texto era apenas administrativo e político e que essa também era a posição do Papa. Com isso, em quem deveria Dom Fellay acreditar? Em um documento oficial do Secretário do Estado ou no telefonema do Cardeal?

Em setembro de 2010, um padre se uniu à FSSPX. Dom Fellay, então, recebeu uma carta da Congregação dos Religiosos, dizendo que o padre que se juntou a eles havia sido excomungado e que havia perdido a fé por agora fazer parte do cisma do Arcebispo Lefebvre. Como pode Roma levantar as excomunhões dos bispos da FSSPX e depois excomungar um sacerdote que resolveu se juntar a eles (união informal, diga-se de passagem, pois a FSSPX não aceita religiosos, mantendo apenas relações de proximidade com as ditas “comunidades amigas”)? Quando Dom Fellay se reuniu com Monsenhor Guido Pozzo para indagar sobre esta carta, o secretário da Ecclesia Dei disse a ele para simplesmente rasgá-la, que ela não tinha valor algum.  Essas contradições desgastantes parecem ter dificultado muito as conversações.

27 outubro, 2012

Declaração da Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’.

Por Vatican Information Service | Tradução: Teresa Maria Freixinho: A Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” aproveita esta ocasião para anunciar que, em seu mais recente comunicado oficial (6 de setembro de 2012), a Fraternidade Sacerdotal São Pio X indicou que necessita de um prazo adicional para refletir e estudar a sua resposta às últimas iniciativas da Santa Sé.

O estágio atual das discussões em curso entre a Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal segue três anos de diálogos doutrinais e teológicos durante o qual uma comissão conjunta se reuniu oito vezes para estudar e discutir, entre outros assuntos, algumas questões disputadas na interpretação de determinados documentos do Concílio Vaticano II. Uma vez que esses diálogos doutrinais foram concluídos, tornou-se possível prosseguir para uma fase de discussão mais diretamente concentrada na reconciliação grandemente desejada da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé de Pedro.

Outros passos cruciais nesse processo positivo de reintegração gradual já foram dados pela Santa Sé em 2007 com a extensão da Forma Extraordinária do Rito Romano para a Igreja Universal através do Motu Proprio Summorum Pontificum e, em 2009, com o levantamento das excomunhões. Há apenas alguns meses um ponto culminante ao longo deste difícil caminho foi alcançado quando, em 13 de junho de 2012, a Pontifícia Comissão apresentou à Fraternidade Sacerdotal São Pio X uma declaração doutrinal juntamente com uma proposta para a normalização canônica de seu status dentro da Igreja Católica.

Atualmente, a Santa Sé está aguardando a resposta oficial dos superiores da Fraternidade Sacerdotal a esses dois documentos. Após trinta anos de separação compreende-se que é preciso tempo para absorver o significado desses acontecimentos recentes. Como nosso Santo Padre Bento XVI busca fomentar e preservar a unidade da Igreja ao realizar a tão esperada reconciliação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé de Pedro – uma manifestação dramática do munus Petrinum em ação – necessitamos de paciência, serenidade, perseverança e confiança.

27 agosto, 2012

Comissão Ecclesia Dei responde sobre sentido de Universae Ecclesiae nº 19.

Apresentamos nossa tradução de um excerto do artigo publicado no último dia 23 em The Wanderer [imagem fac-símile de Secretum Meum Mihi], que reproduz o questionamento enviado por um bispo à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei acerca da exigência de reconhecimento da “legitimidade” do Ordo Missae de Paulo VI na Instrução Universae Ecclesiae.

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Duas Dubia dirigidas à Comissão Pontifícia

No artigo 19 da Instrução de 30 de abril de 2011 da Comissão — Universae Ecclesiae (UE) — , é estabelecido que aqueles Católicos que desejam celebrações da Eucaristia na forma extraordinária do Rito Romano (usando o missal de 1962) não podem apoiar ou ser membros de nenhum dos grupos que “se manifestem contrários à validez ou legitimidade (validitatem vel legitimitatem impugnent) da forma ordinária.

Enquanto pouquíssimos ainda questionam a validez da Missa celebrada com o Missal Romano reformado, certos proeminentes grupos “tradicionalistas”, indivíduos e publicações questionam de forma aberta e provocadora a sua legitimidade.

Contudo, frequentemente parece haver confusão e suposições conflitantes nesses círculos sobre como, precisamente, a última palavra deve ser compreendida. Como resultado, nem sempre é claro para aqueles padres que desejam servir aos Católicos ligados à liturgia tradicional se algumas dessas pessoas estão, de fato, em conformidade com essa exigência da Sé Apostólica enunciada na UE, nº 19.

Portanto, a fim de esclarecer essa questão e facilitar uma aplicação pastoral consistente do artigo 19, a Comissão poderia gentilmente apreciar e responder às duas dubia seguintes?

1. Se legitimitas na UE, artigo 19, deve ser compreendida com o significado de:

(a) devidamente promulgada pelos procedimentos apropriados da lei eclesiástica (ius ecclesiasticum); ou
(b) de acordo tanto com a lei eclesiástica e a lei divina (ius dividum), isto é, nem doutrinalmente heterodoxa nem desagradável a Deus;

2. Caso (b) acima represente a mente da Comissão a respeito do significado de legitimitas, se UE nº 19 deve, então, ser compreendido como permitindo acesso à Missa na forma extraordinária:

(a) apenas àqueles Católicos que não questionam a legitimidade de qualquer texto específico ou qualquer prática devidamente aprovada, seja pela lei eclesiástica universal ou local, para uso na celebração da forma ordinária; ou
(b) àqueles fiéis mencionados em (a) e também àqueles que reconhecem em princípio a legitimidade das Missas celebradas segundo o Missal Romano reformado e sua Instrução Geral, mas não a legitimidade de certas práticas específicas que, embora não ordenadas nestes, são permitidas como opções pela lei litúrgica universal ou local.

A segunda dubium tem em mente aqueles Católicos de orientação tradicional que aceitam a legitimidade (no sentido 1 [b] acima) das Missas na forma ordinária nas quais são usadas opções mais tradicionais, mas que vêem como errôneas e desagradáveis a Deus certas práticas que foram por muitos séculos desaprovadas e proibidas universalmente pela Igreja, mas que agora são permitidas pela lei litúrgica local de muitas ou da maior parte das dioceses ou conferências episcopais (e.g., Comunhão na mão, servidoras do altar e o uso de ministros da Comunhão leigos).

A resposta de Roma

Pontificia Comissio Ecclesia Dei
Prot. 156/2009
Cidade do Vaticano, 23 de maio de 2012.

Excelência,

Esta Comissão Pontifícia recebeu, através de vossa gentil ajuda, uma cópia de uma correspondência de [nome omitido] colocando diante da Comissão duas dubia sobre como interpretar o artigo 19 da Instrução Universae Ecclesiae desta Comissão.

A primeira [dubium] questionava se legitimitas em UE, artigo 19, deve ser compreendida com o significado de:

(a) devidamente promulgada pelos procedimentos apropriados da lei eclesiástica (ius ecclesiasticum); ou
(b) de acordo tanto com a lei eclesiástica e a lei divina (ius dividum), isto é, nem doutrinalmente heterodoxa nem desagradável a Deus;

Esta Pontifícia Comissão se limitaria a afirmar que legitimitas deve ser compreendida no sentido de 1 (a). A segunda [dubium] é sanada por esta resposta.

Com a esperança de que Vossa Excelência comunicará o conteúdo desta carta aos indivíduos interessados, esta Pontifícia Comissão aproveita esta oportunidade para renovar seus sentimentos de estima.

Sinceramente vosso em Cristo,

Mons. Guido Pozzo
Secretário

27 agosto, 2012

Entrevista com Thomas Murphy, porta-voz oficial da Peregrinação Internacional Summorum Pontificum a Roma, 3 de novembro de 2012.

Agradecemos ao Coetus Internationalis pro Summorum Pontificum por escolher o Fratres in Unum para divulgação exclusiva desta entrevista em português [cuja tradução é da Una Voce Natal].

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Thomas Murphy, você é o porta-voz oficial do Coetus Internationalis pro Summorum Pontificum: Qual é o objetivo dessa comissão?

O Coetus Internationalis reúne vários grupos de fiéis que estão trabalhando a seu modo em apoio ao [motu proprio] Summorum Pontificum. Unir esses grupos na caridade e trabalhar em cooperação são o nosso primeiro objetivo. O foco do Coetus Internationalis é organizar uma peregrinação a Roma no início de novembro.

Estamos usando a oportunidade do Ano da Fé e do 5 º Aniversário do “Summorum Pontificum” para convidar as associações, grupos e movimentos de fiéis de toda a Europa e do Mundo para se juntar a nós em Roma em uma expressão de apoio ao Santo Padre, e de dar graças por esta Magna Carta do Papa que libertou o rito gregoriano. Este é o nosso convite a todos os fiéis para afirmar a nossa fé católica e a nossa fidelidade ao Romano Pontífice, para expressar a nossa crença de que a liturgia latina tradicional é um instrumento perfeito da Nova Evangelização, inclusive pelo seu apelo para o jovem e por sua universalidade.

A peregrinação culminará com uma Missa Pontifical na forma extraordinária do Rito Romano às 10 horas do sábado 3 de novembro, na Basílica de São Pedro, o coração do mundo católico.

Quais são os movimentos que aderem à iniciativa?

A lista de movimentos está crescendo quase que diariamente. Temos a intenção de produzir uma lista inicial no lançamento oficial da romaria em 10 de setembro, mas alguns movimentos merecem menção especial. Falo também como secretário da Federação Internacional “Una Voce”, que deu o seu forte apoio ao Coetus Internationalis. As associações membros da nossa Federação, nos cinco continentes, especialmente a Una Voce Italia, têm participado ativamente da obra do Coetus Internationalis.

Uma excelente iniciativa nova foi o Coetus nationalis pro Summorum Pontificum (CNSP), reunindo grupos e organizações na Itália, incluindo algumas de nossas associações Una Voce. Gostaria ainda de fazer menção honrosa da experiente e reconhecida associação francesa Notre-Dame-de-Chrétienté, organizadora da peregrinação anual a Chartres, e da Foederatio Internationalis Juventutem, com atividade conhecida nas Jornadas Mundiais da Juventude, e que já confirmaram a sua adesão ao Coetus Internationalis nos últimos dias.

O apoio de todos esses grupos e movimentos é essencial se quisermos alcançar nosso objetivo de criar uma unidade de caridade e de cooperação entre os partidários do Summorum Pontificum, e, especialmente, de expressar nossos agradecimentos por Summorum Pontificum e nossa fidelidade ao Romano Pontífice durante a peregrinação a Roma em novembro. Reitero o convite a qualquer grupo que apóia Summorum Pontificum a registrar seu apoio ao Coetus Internationalis.

Você tem outros detalhes sobre o andamento de romaria, como exemplo, o nome do celebrante?

Estamos trabalhando tão ativamente quanto as férias de verão, sagradas em Roma, permitem-nos. O nome do celebrante será anunciado durante o lançamento oficial em setembro. Além da missa na Basílica de São Pedro, nós convidamos cada grupo que se junte a nós a realizar uma cerimônia ou reunião própria em Roma durante o fim de semana de Todos os Santos. Para este fim, nosso capelão, Padre Claude Barthe, autor de vários livros e artigos sobre questões litúrgicas, fará a ligação entre os grupos de peregrinos e os membros do clero que estarão em Roma nessa ocasião. Quem estiver interessado já pode contactar a nossa Secretaria por meio de cisp@mail.com ou  secretary@fiuv.org.

A romaria será oficialmente lançada em 10 de setembro, apenas oito semanas antes da missa de 03 de novembro. O tempo é curto. Vocês esperam que quantos romeiros façam a viagem a Roma?

É verdade que os prazos são curtos. No entanto, muito trabalho tem sido feito pelo Coetus Internationalis discretamente durante muitos meses. As estimativas que eu vi incluem entre 3.000 e 4.000 romeiros de todo o mundo.

Você mencionou que também é o secretário da FIUV? Que papel a FIUV tem desempenhado nesta romaria e que papel esta romaria tem nas atividades do FIUV?

Como a mais antiga organização de leigos a trabalhar para a preservação da liturgia latina tradicional, a Federação Internacional “Una Voce” esteve envolvida com isto desde o início. Nossa rede de associações e federações de 33 países nos cinco continentes enfatiza o trabalhar em cooperação e dentro de uma unidade em caridade. Era natural que a FIUV fosse um dos primeiros e mais firmes apoiadores do Coetus Internationalis.

Nossa Federação vem a Roma a cada dois anos para uma Assembléia Geral de Membros, mas estávamos ansiosos para fazer um esforço especial para celebrar o 5 º Aniversário de Summorum Pontificum, e demonstrar a nossa fidelidade ao Papa durante o Ano da Fé. A romaria em novembro será uma oportunidade ideal para fazer o que os católicos sempre fizeram, peregrinar aos túmulos dos Apóstolos, e declarar publicamente a sua fidelidade ao Papa.

Aquilo em que o Coetus Internationalis é diferente, e que deve agradar a todos que apoiam Summorum Pontificum, é o seu distanciamento de qualquer divisão. É um simples ato de amor por parte de muitas almas em muitos movimentos católicos que busca incluir a todos em nossa expressão visível da fé, de gratidão e de fidelidade. Para todos aqueles que compartilham da nossa fé católica, que compartilham da nossa gratidão por Summorum Pontificum, que compartilham da nossa fidelidade ao Santo Padre, e para todos aqueles que me ouvem, eu digo: Venham conosco a Roma!

21 agosto, 2012

Grupo tradicionalista escocês recebe status formal dentro da Igreja Católica.

IHU – Um grupo tradicionalista com sede em uma ilha da Escócia foi formalmente estabelecido como “instituto” dentro da Igreja Católica.

A reportagem é de Mark Greaves, publicada no sítio do jornal inglês Catholic Herald, 15-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Congregação dos Filhos do Santíssimo Redentor, também conhecida como Redentoristas Transalpinos, foi erigida hoje, na festa da Assunção, como Instituto Clerical de Direito Diocesano.

A comunidade, que tem cerca de 15 membros, estava em um limbo desde 2008, quando anunciou que desejava entrar em plena comunhão com Roma.

A decisão do grupo foi uma resposta ao motu proprio Summorum Pontificum do Papa Bento XVI, que permitiu que os sacerdotes celebrassem livremente a missa tradicional em latim.

Anteriormente, a comunidade havia feito parte da fraternidade mundial São Pio X (SSPX), o grupo tradicionalista apartado atualmente em diálogo com Roma.

Na noite dessa quarta-feira, a comunidade fez uma profissão pública de votos em sua sede, em Papa Stronsay, uma pequena ilha ventosa em Orkney, ao longo do nordeste da Escócia. A profissão foi celebrada pelo bispo Hugh Gilbert OSB, de Aberdeen, que, como seu bispo diocesano, concedeu-lhes o reconhecimento canônico.

Dom Gilbert foi ordenado bispo de Aberdeen há exatamente um ano, assumindo o lugar de Dom Peter Moran, que se aposentou.

19 julho, 2012

Declaração do Capítulo Geral da FSSPX.

Fonte: DICI | Tradução: Fratres in Unum.com

pieX_02_okAo término do Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X, reunidos em torno do túmulo de seu venerado fundador, Dom Marcel Lefebvre, e unidos ao seu Superior Geral, nós, os participantes, bispos, superiores e membros mais antigos da Fraternidade, elevamos ao céu nossas mais profundas ações de graças pelos quarenta e dois anos de tão maravilhosa proteção divina sobre nossa obra, em meio a uma Igreja em total crise e a um mundo que se afasta cada dia mais de Deus e de sua lei.

Expressamos nossa profunda gratidão a todos os membros da Fraternidade, sacerdotes, irmãos, irmãs, terciários, às comunidades religiosas amigas, assim como aos queridos fiéis, por sua dedicação diária e por suas fervorosas orações por ocasião deste Capítulo, que conheceu intercâmbios francos e um trabalho frutífero. Todos os sacrifícios, todas as penas aceitas generosamente contribuiram, sem dúvida, para superar as dificuldades que a Fraternidade enfrentou ultimamente.Voltamos a encontrar nossa união profunda em sua missão essencial: manter e defender a Fé Católica, formas bons sacerdotes e trabalhar na restauração da Cristandade. Definimos e aprovamos as condições para uma possível regularização canônica. Estabeleceu-se que, neste caso, um Capítulo extraordinário deliberativo seria convocado de antemão. Todavia, nunca se deve esquecer que a santificação das almas sempre começa por nós mesmos. É a obra de uma Fé viva e operante por meio da caridade, segundo as palavras de São Paulo: “Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade“e ainda: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela… para santificá-la, purificando-a” (Ef. 5: 25 s).

O Capítulo considera que o primeiro dever da Fraternidade, no serviço que pretende prestar à Igreja, é continuar professando, com a ajuda de Deus, a Fé Católica em toda a sua pureza e integridade, com uma determinação proporcional aos ataques que esta mesma Fé não deixa de sofrer hoje.

Portanto, parece-nos oportuno reafirmar nossa Fé na Igreja Católica Romana, única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, fora da qual não há salvação, nem possibilidade de encontrar os meios que conduzem a esta; em sua constituição monárquica, desejada por Nosso Senhor, que faz com que o poder supremo de governo sobre toda a Igreja recaia somente sobre o Papa, Vigário de Cristo na terra; na realeza universal de Nosso Senhor Jesus Cristo, criador da ordem natural e sobrenatural, ao qual todo homem e toda sociedade deve se submeter.

Sobre todas as inovações do Concílio Vaticano II, que permanecem manchadas de erros, e sobre as reformas que dele provieram,  a Fraternidade somente pode continuar aderindo às afirmações e ensinamentos do Magistério constante da Igreja; ela encontra seu guia neste Magistério ininterrupto que, por seu ato de ensinar, transmite o Depósito revelado em perfeita harmonia  com tudo o que a Igreja inteira acreditou sempre e em todo lugar.

Igualmente, a Fraternidade encontra seu guia na Tradição constante da Igreja, que transmite e transmitirá, até o fim dos tempos, o conjunto dos ensinamentos necessários para manter a Fé e para a salvação, esperando que um debate franco e sério seja possível, tendo como finalidade o retorno das autoridades eclesiásticas à Tradição.

Unimo-nos a todos os outros Católicos perseguidos em diferentes países do mundo que sofrem pela Fé Católica, e muito frequentemente até o martírio. Seu sangue derramado, em união com a Vítima de nossos altares, é a garantia da renovação da Igreja in capite et membris [Na cabeça e em seus membros], de acordo com o velho adágio “sanguis martyrum semen christianorum” [O sangue dos mártires é sementes de cristãos].

Finalmente, dirigimos à Virgem Maria, tão zelosa quanto aos privilégios de Seu Divino Filho, zelosa de Sua glória, de Seu Reino na terra como no Céu. Quantas vezes Ela interveio na defesa, inclusive armada, da Cristandade contra os inimigos do reino de Nosso Senhor! Suplicamos a Ela que intervenha hoje para expulsar os inimigos internos que tratam de destruir a Igreja mais radicalmente que os inimigos externos. Que Ela se digne manter na integridade da Fé, no amor à Igreja, na devoção ao Sucessor de Pedro, a todos os membros da Fraternidade São Pio X e a todos os sacerdotes e fiéis que trabalham com os mesmos sentimentos, para que Ela nos proteja e nos preserve tanto do cisma como da heresia.

“Que São Miguel Arcanjo nos comunique o seu zelo pela glória de Deus e a sua força para combater o demônio

“Que São Pio X nos faça partícipes de sua sabedoria, de sua ciência e de sua santidade para discernir a verdade do erro e o bem do mal, nestes tempos de confusão e de mentira”. (Dom Marcel Lefebvre, Albano, 19 de outubro de 1983).

Ecône, 14 de julho 2012

6 julho, 2012

Um novo Superior Geral para o Instituto do Bom Pastor. Mas…

Comunicado divulgado hoje pelo Capítulo Geral do Instituto do Bom Pastor:

Padre Roch Perrel.

Padre Roch Perrel.

O Instituto do Bom Pastor, em seu capítulo geral, o segundo depois da fundação, refletiu sobre esses seis anos decorridos e confirmou seus recentes estatutos na fidelidade aos compromissos assumidos em 2006. Sendo uma jovem fundação, o Instituto do Bom Pastor se consolida guiado pelos estatutos aprovados pela Santa Sé, em torno dos quais numerosos padres e seminaristas se uniram no serviço da Igreja. Foram eleitos: o Padre Roch Perrel, Superior Geral; Primeiro Assistente, Padre Paul Aulagnier; Segundo Assistente, Padre Leszek Krolikowski; Padre Stefano Carusi, Terceiro Conselheiro; Padre Louis-Numa Julien, Quarto Conselheiro. Invocando a proteção da Santíssima Virgem Maria e seu Divino Filho Jesus, Bom Pastor.

Padre Leszek Krolikowski
Secretário do Capítulo Geral, Courtalain, 6 de julho de 2012.

Padre Roch Perrel, atual reitor do Seminário São Vicente e antigo Superior do Brasil, é o novo Superior Geral do Instituto do Bom Pastor. Félicitations, Monsieur l’Abbé!

Todavia, este comunicado não está divulgado em nenhum veículo oficial do Instituto. E o site oficial adverte a respeito: “Toda comunicação oficial do Instituto do Bom Pastor deve, evidentemente, ser publicada neste site”. O que ocorre, então?

Ao que tudo indica, houve uma cisão no Capítulo. Os velhos dirigentes parecem não aceitar a nova composição de governo do IBP.

Em seu blog, o [ex?] Superior Geral enigmaticamente aborda o assunto. Ele evoca o Direito Canônico para afirmar que, uma vez proclamado o resultado do Capítulo e tendo o eleito aceitado o encargo, apenas uma instância superior poderia contestar tal decisão. E assina, após insinuar um recurso à Sé Apostólica [“todos os caminhos levam a Roma…”]: “Padre Phillippe Laguerie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor”.

Fora o Padre Laguerie reeleito e, uma vez contestada a sua reeleição, outro superior acabou escolhido? Não está a nosso alcance saber.

Até que a situação se esclareça, o que podemos inferir do comunicado (ainda não divulgado em nenhum outro meio, mas cuja autenticidade foi diligentemente certificada pela nossa edição) é a vitória interna dos “compromissos assumidos em 2006”, caracterizados especificamente pelo Rito Latino Gregoriano enquanto “exclusivo” do Instituto e pelo serviço de uma “crítica séria e construtiva” aos textos do Concílio Vaticano II.

Já abordamos as divergências no IBP e a insurgência da Comissão Ecclesia Dei contra esses mesmíssimos princípios fundacionais aqui.

A nova direção do IBP é composta por padres jovens — com exceção do Pe. Aulagnier, braço direito de Dom Lefebvre por décadas — comprometidos com as razões originais pelas quais “se uniram no serviço da Igreja”. Padre Carusi, editor de Disputationes Theologicae,  assume posto de importância, enquanto seu franco opositor, Padre De Tanöuarn, antigo Primeiro-Assistente, cai no ostracismo.

No mês passado, a carta aos amigos e benfeitores do seminário do Instituto já afirmava: o Capítulo Geral “é também o momento de examinar a fidelidade dos padres aos princípios fundadores do Instituto, tanto doutrinais como pastorais ou espirituais […] Alguns até pensaram que o IBP, sendo fruto do encontro surpreendente de personalidades fortes (os padres Laguérie, Tanoüarn e Héry),  não poderia formar uma comunidade. Os mesmos previam uma explosão em pouquíssimo tempo. Vários anos depois, o IBP ainda está aí, mesmo que haja divisões em suas fileiras”.

Resta agora saber como e se o Instituto sobreviverá a esta que é, até agora, a sua mais árdua prova.

2 julho, 2012

O Arcebispo Di Noia, a Ecclesia Dei e a Fraternidade São Pio X.

Em Roma, o pedido feito por Monsenhor Gherardini de que a continuidade do Vaticano II com a Tradição fosse demonstrada, e não puramente declamada, continua sem ser atendido.

Se o Dom Augustine Di Noia conhece luteranos e anglicanos santos, suas respostas não sugerem o mesmo em relação aos tradicionalistas: estes precisam ser convertidos de suas idéias sobre o Concílio. Converter, verbo que dificilmente seria utilizado tanto para luteranos como para anglicanos.

* * *

O nova-iorquino, secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, discute seu novo posto e os desafios que espera.

Por Edward Pentin – National Catholic Register | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Augustine Di Noia.

Dom Augustine Di Noia.

Em uma tentativa de continuar as conversações em andamento para uma possível reconciliação, o Papa Bento XVI designou o Arcebispo americano J. Augustino Di Noia como vice-presidente da Comissão encarregada de ajudar a trazer a Fraternidade São Pio X de volta à plena comunhão com Roma.

O dominicano de 68 anos nativo do Bronx, Nova York, até agora secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, torna-se vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Ele falou com o correspondente do Register, Edward Pentin, em 27 de junho, sobre sua função, alguns dos obstáculos envolvidos em trazer de volta a Fraternidade para a plena comunhã e suas esperanças de uma resolução bem-sucedida.

Como Dom Di Noia ainda não começou a trabalhar na Comissão, ele preferiu não comentar as notícias sobre o vazamento da carta da FSSPX que afirmava considerar o preâmbulo doutrinal, documento que supostamente constitui a base para reconciliação com Roma, “claramente inaceitável”.

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26 junho, 2012

“Para Fellay, o novo preâmbulo doutrinal é inaceitável”.

Publicam na rede a carta do secretário-geral da Fraternidade São Pio X, na qual indica as dificuldades para aceitar o último texto apresentado pela Santa Sé.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

O caminho para a plena comunhão com os lefebvrianos poderia encontrar novos obstáculos. Assim indica uma carta circular destnada aos superiores dos distritos e dos seminários da Fraternidade São Pio X, com data de 25 de junho e classificada como “confidencial”. Um site que segue com particular atenção as negociações com os tradicionalistas acaba de publicá-la. Trata-se da comunicação interna com a assinatura de Christian Thouvenot, secretário-geral da Fraternidade São Pio X, enviada da casa geral de Menzingen aos responsávels pelas comunidades lefebvrianas.

Thouvenot escreve que “segundo diversas fontes concordantes”, a versão do preâmbulo (corrigido por Fellay) “parecia satisfazer ao Soberano Pontífice”.

Em 13 de junho, indica a nota, Levada “entregou a nosso superior-geral o texto de abril, mas com correções que, em substância, voltavam a apresentar as proposições” contidas no preâmbulo doutrinal entregue a Fellay em setembro de 2011. Desta forma, se voltaria praticamente à primeira declaração doutrinal vaticana, e as mudanças propostas pelo superior da Fraternidade teriam sido rejeitadas.

Thouvenot continua: “Fellay indicou imediatamente que não poderia assinar este novo documento, claramente inaceitável. O próximo capítulo permitirá realizar uma avaliação” sobre o andamento das relações com a Santa Sé.

Na carta se informa que Fellay revogou a faculdade de participar no capítulo do bispo Williamson, “por suas posturas que convidam à rebelião e por sua desobediência” constante. Ao fim, Thouvenot confirma a notícia que circula sobre a decisão do mesmo Fellay de postergar as ordenações de religiosos dominicanos e capuchinhos que pertencem à Fraternidade (previstas para 29 de junho), porque pretende estar seguro da “lealdade destas comunidades” antes de “impor suas mãos sobre os candidatos”. Desta forma, se confirmariam as dificuldades que era possível identificar nas linhas do comunicado da Fraternidade São Pio X, publicado depois do encontro no Vaticano, em 13 de junho.

Dificuldades às quais aludiu também Alain-Marc Nely, segundo assistente geral da Fraternidade São Pio X, durante um encontro com alguns sacerdotes do distrito da França, realizado no último dia 21 de junho. Nely confirmou que as últimas mudanças feitas na declaração doutrinal entregue por Levada a Fellay não satisfazem a Fraternidade sobre pontos essenciais, como o Concílio Vaticano II e o Novus Ordo Missae, isto é, a missa nascida depois da reforma pós-conciliar. A resposta do superior lefebvriano chegará após o capítulo geral. Fellay parece convencido da importância do reestabelecimento da plena comunhão com Roma, objetivo de Bento XVI. Nely enfatizou as palavras que concluem o comunicado da Fraternidade depois do último encontro romano sobre a esperança de que continue o diálogo para chegar a uma “solução para o bem da Igreja e das almas”.