Posts tagged ‘Ecumenismo’

30 março, 2016

Cardeal Cañizares abençoa projeto ecumênico “Catedral da Natureza”.

O “pequeno Ratzinger”, como costumava ser chamado, adaptou-se e agora também é “pequeno Bergoglio”.

Por CNA, 21 de janeiro de 2016 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: O arcebispo de Valência (Espanha), o cardeal Antonio Cañizares, inaugurou na quarta-feira passada o projeto “Catedral da Natureza”, uma área de 10 hectares para oração e diálogo inter-religioso e inter-confessional.

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Catedral Antonio Cañizares abençoa projeto “Catedral da Natureza” em Valência. Foto: Arquidiocese de Valência.

Esse projeto faz parte da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, para o qual o cardeal Cañizares presidiu um momento de oração ecumênica dedicado ao cuidado com a terra.

Junto a um grupo de leigos e sacerdotes, bem como vários imigrantes africanos, o cardeal abençoou um pequeno monumento dedicado à encíclica “Laudato Sii” do Papa Francisco.

O cardeal afirmou  que “é uma grande alegria estarmos todos reunidos em torno do Pai que nos deu esta casa comum”. Ele também pediu a Deus que “nos conceda a unidade que vem do amor, caridade e misericórdia” e que “juntos com os preferidos de Deus, os mais necessitados e as diferentes confissões, o Espírito Santo faça com que a nossa fé seja reavivada e que assim nos reconcilie com o mundo e nossa casa comum, que é a natureza”.

A “Catedral da Natureza” é um projeto ecumênico e inter-religioso que incluirá a construção de um templo ecumênico na área conhecida como Pinar dels Sants, em Valência. Haverá também uma sinagoga, uma mesquita e um ágora, “todos os espaços ao ar livre que já hospedam orações e celebrações.”

Atualmente, os locais onde esses templos serão localizados “estão marcados e delimitados por elementos naturais, como pedras, troncos, madeira, telas e outras peças de arte de cerâmica de Valência”, explica o padre Jesus Belda, um dos promotores da iniciativa .

Outro destaque do projeto centra-se no apoio, acolhimento e formação de imigrantes africanos que precisam de integração, por isso contará com o apoio da Caritas.

15 março, 2016

Moscou dá um gelo no Papa.

Quem pensava que o abraço entre o Pontífice Argentino e o Patriarca Kyrill teria como resultado imediato uma primavera de relações entre Roma e Moscou vai ficar desapontado ao ler uma comunicado de imprensa muito duro, publicado pela agência oficial Interfax. Nesse comunicado foi citada a Declaração assinada pelo Papa, onde se fala de “uniatismo”, termo usado usado pejorativamente contra a Igreja da Ucrânia greco-católica. As belas fotos já estão se desbotando no álbum de recordações, mas os documentos assinados, infelizmente, permanecem.

Por Marco Tosatti – La Stampa, 12 de março de 2016 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com:  “Apesar do entendimento registrado sobre muitos problemas vitais da modernidade – escreve o Patriarcado de Moscou -, profundas diferenças permanecem entre os cristãos Ortodoxos e Católicos, especialmente sua visão sobre a história comum cheia de acontecimentos trágicos

A declaração foi assinada por Hilarion de Volokolamsk, chefe do Departamento de Relações Exteriores de Moscou.

Hilarion acusa a Igreja greco-católica da Ucrânia, que ele define depreciativamente como “Uniata”, de ser a pedra de tropeço no diálogo entre Roma e Moscou. “Esta pedra contínua arruinando as tentativas de se estabelecer um diálogo, de incrementar a compreensão recíproca e de se chegar a um denominador comum. Eventos do passado recente – a destruição de três dioceses Ortodoxas por Uniatas na Ucrânia Ocidental no início dos anos 90 e a tomada de várias centenas de igreja, e os eventos do passado distante o provam“.

Faz-se necessário a esse ponto recordar que a Igreja Greco-Católica foi simplesmente deletada com uma canetada por Stalin em 1946; a qual, com a cumplicidade ou pelo menos a conivência dos Ortodoxos de Moscou, teve as suas propriedades confiscadas e seus fiéis transferidos para o Patriarcado de Moscou; que leigos, padres, bispos e religiosos fiéis a Roma e ao Papa foram presos, torturados e mortos em grande número; e que não obstante a dura perseguição, muitos permaneceram leais ao Papa até o colapso do comunismo. Quando, enfim, nasceu a Ucrânia independente, os greco-católicos puderam sair das catacumbas.

Os Ortodoxos reclamam ainda da destruição das três dioceses no Oeste da Ucrânia, a mudança de Lviv para Kiev como sede dos greco-Católicos, o pedido destes, ainda não atendido por Roma, de obter para a Igreja um status de Patriarcado (Schevchuk ainda é Arcebispo-Mor, mas não patriarca dos greco-católicos) e “a proliferação de missões Uniatas ao sul e leste, terras tradicionalmente ortodoxas, o apoio dos Uniatas aos cismáticos” (NDR: os Ortodoxos das Igrejas independentes da Ucrânia). E o que Roma fez com a Declaração assinada foi oferecer munição ao ataque do Patriarcado de Moscou.

Não é por acaso que na declaração de Hilarion, o texto da Declaração conjunta assinada pelo Papa e Kirill é citado no ponto em que se diz: “Hoje é claro que o método do ‘uniatismo’ o passado, entendido como a união de uma comunidade com a outra, desligando-se da sua Igreja [originária], não é um modo que permite restaurar a unidade. Todavia, as comunidades que surgiram nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e empreender tudo o que é necessário para satisfazer as necessidades espirituais dos seus fiéis, buscando ao mesmo tempo viver em paz com seus vizinhos. Greco-Católicos e Ortodoxos precisam se reconciliar e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência“.

O fato de que a Declaração fala de “uniatismo”, um termo não aceito pelos Greco-Católicos e usado pejorativamente pelos Ortodoxos, evidencia um problema. Ou seja, que Roma talvez deveria ter consultado primeiramente os Greco-Católicos antes de levar o Papa a assinar qualquer coisa que vai contra uma Igreja que pagou com sangue e sofrimento por sua fidelidade a Pedro. Isso infelizmente não aconteceu; e talvez há que se perguntar quem aconselhou o Papa neste caso.

As belas fotos já estão se desbotando no álbum de recordações, mas os documentos assinados, infelizmente, permanecem.

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18 fevereiro, 2016

O “histórico encontro” entre Francisco e Kirill.

Por Roberto de Mattei| Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Entre os muitos sucessos atribuídos pela mídia ao Papa Francisco, está o “histórico encontro” realizado no dia 12 de fevereiro em Havana com o patriarca de Moscou, Kirill. Um acontecimento, escreveu-se, que viu cair o muro que há mil anos dividia a Igreja de Roma daquela do Oriente. A importância do encontro, nas palavras do próprio Francisco, não está no documento, de caráter meramente “pastoral”, senão no fato de uma convergência rumo a uma meta comum, não política ou moral, mas religiosa. O Papa Francisco parece querer substituir o Magistério tradicional da Igreja, expresso através de documentos, por um neomagistério transmitido por eventos simbólicos. A mensagem que o Papa pretende dar é de um giro na história da Igreja. Mas é precisamente através da história da Igreja que devemos começar a compreender o significado do evento. As imprecisões históricas entretanto são muitas e devem ser corrigidas, porque é justamente sobre falsificações históricas que muitas vezes se constroem os desvios doutrinários.

Em primeiro lugar, não é verdade que mil anos de história dividiam a Igreja de Roma do Patriarcado de Moscou, uma vez que este nasceu apenas em 1589. Nos cinco séculos precedentes, e ainda antes, o interlocutor oriental de Roma era o Patriarcado de Constantinopla.

Durante o Concílio Vaticano II, em 6 de janeiro de 1964, Paulo VI reuniu-se em Jerusalém com o patriarca Atenágoras, para iniciar um “diálogo ecumênico” entre o mundo católico e o mundo ortodoxo. Esse diálogo não pôde ir adiante por causa da milenar oposição dos ortodoxos ao Primado de Roma. O próprio Paulo VI admitiu-o em um discurso ao Secretariado para a Unidade dos Cristãos de 28 de abril de 1967, afirmando: “O Papa, sabemo-lo bem, é sem dúvida o maior obstáculo no caminho do ecumenismo” (Paulo VI , Insegnamenti, VI, pp. 192-193).

O Patriarcado de Constantinopla constituía uma das cinco sedes principais da Cristandade estabelecidas pelo Concílio de Calcedônia de 451. Os patriarcas bizantinos sustentavam, no entanto, que após a queda do Império Romano, Constantinopla, sede do renascido Império Romano do Oriente, deveria tornar-se a “capital”  religiosa do mundo. O cânon 28 do Concílio de Calcedônia, revogado por São Leão Magno, contém em germe todo o cisma bizantino, porque atribui à supremacia do Romano Pontífice um fundamento político, e não divino. Por isso, em 515, o Papa Santo Hormisdas (514-523) fez os bispos orientais subscrever uma Fórmula de União, com a qual reconheciam a sua submissão à Cátedra de Pedro (Denz-H, n. 363).

Entre os séculos V e X, enquanto no Ocidente se afirmava a distinção entre a autoridade espiritual e o poder temporal, nascia entrementes no Oriente o chamado “cesaropapismo”, no qual a Igreja era de fato subordinada ao Imperador, que se considerava o chefe, como delegado de Deus, tanto no campo eclesiástico quanto no secular. Os patriarcas de Constantinopla foram na verdade reduzidos a funcionários do Império Bizantino e continuaram a alimentar uma aversão radical à Igreja de Roma.

Depois de uma primeira ruptura, causada pelo patriarca Fócio no século IX, o cisma oficial ocorreu em 16 de julho de 1054, quando o patriarca Miguel Cerulário declarou que Roma caiu em heresia, devido ao Filioque no Credo e outros pretextos. Os legados romanos depuseram então contra ele, no altar da igreja de Santa Sofia em Constantinopla, a sentença de excomunhão. Os príncipes de Kiev e de Moscou, convertidos ao Cristianismo em 988 por São Vladimir, seguiram os patriarcas de Constantinopla no cisma, reconhecendo sua jurisdição religiosa.

As discórdias pareciam insuperáveis, mas um fato extraordinário ocorreu em 6 de julho de 1439 na catedral florentina de Santa Maria del Fiore, quando o Papa Eugênio IV anunciou solenemente, com a bula Laetentur Coeli (“que os céus se rejubilem”), a bem-sucedida recomposição do cisma entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente.

Durante o Concílio de Florença (1439), do qual haviam participado o Imperador do Oriente João VIII Paleólogo e o Patriarca de Constantinopla José II, chegou-se a um acordo sobre todos os problemas, do Filioque ao Primado de Roma. A Bula pontifícia concluía com esta solene definição dogmática, assinada pelos Padres gregos: “Definimos que a Santa Sé Apostólica e o Romano Pontífice possuem o primado sobre todo o universo; que o mesmo Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e autêntico Vigário de Cristo, chefe de toda a Igreja, pai e doutor de todos os cristãos; que Nosso Senhor Jesus Cristo transmitiu a ele, na pessoa do bem-aventurado Pedro, o pleno poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal, como é atestado nos atos dos concílios ecumênicos e nos cânones sagrados” (Conciliorum Oecumenicorum Decreta, Centro Editorial Dehoniano, Bolonha, 2013, pp. 523-528). Este foi o único abraço histórico verdadeiro entre as duas igrejas durante o último milênio.

Entre os participantes mais ativos do Concílio de Florença estava Isidoro, metropolita de Kiev e de toda a Rússia. Assim que ele retornou a Moscou, anunciou de público a reconciliação ocorrida sob a autoridade do Romano Pontífice. Mas o príncipe de Moscou, Basílio o Cego, declarou-o herege e o substituiu por um bispo submisso a ele. Esse gesto marcou o início da autocefalia da igreja moscovita, independente não só de Roma, mas também de Constantinopla.

Pouco depois, em 1453, o Império Bizantino foi conquistado pelos turcos, e arrastou em seu colapso o Patriarcado de Constantinopla. Nasceu então a ideia de que Moscou deveria assumir o legado de Bizâncio e tornar-se o novo centro da Igreja cristã ortodoxa. Após o casamento com Zoe Paleólogo, sobrinha do último Imperador do Oriente, o Príncipe de Moscou Ivan III deu-se a si mesmo o título de Czar e introduziu o símbolo da águia bicéfala. Em 1589 foi estabelecido o Patriarcado de Moscou e de toda a Rússia. Os russos se tornaram os novos defensores da “ortodoxia”, anunciando o advento de uma “Terceira Roma”, após a católica e a bizantina.

Face a esses acontecimentos, os bispos daquela área, que então se chamava Rutênia e que hoje corresponde à Ucrânia e a uma parte da Bielorrússia, reuniram-se, em outubro de 1596, no Sínodo de Brest e proclamaram a união com a Sé Romana. Eles são conhecidos como uniatas, por causa de sua união com Roma, ou greco-católicos, porque, embora submetidos ao Primado romano, conservaram a liturgia bizantina. Os czares russos empreenderam uma perseguição sistemática à Igreja uniata que, entre os muitos mártires, contou com João (Josafá) Kuncevitz (1580-1623), arcebispo de Polotzk, e o jesuíta Andrea Bobola (1592-1657), apóstolo da Lituânia. Ambos foram torturados e mortos por ódio à fé católica e hoje são venerados como santos. A perseguição tornou-se ainda mais cruenta sob o império soviético. O cardeal Josyp Slipyj (1892-1984), deportado por 18 anos nos campos de concentração comunistas, foi o último intrépido defensor da Igreja Católica ucraniana. Hoje os uniatas constituem o maior grupo de católicos de rito oriental e são um testemunho vivo da universalidade da Igreja Católica. É mesquinho afirmar, como o faz o documento de Francisco e Kirill, que o “método do uniatismo”, se entendido “como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja [originária]”, “não é uma forma que permita restabelecer a unidade”, e que “por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar de uma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições”.

O preço que o Papa Francisco teve que pagar por essas palavras exigidas por Kirill é muito alto: a acusação de “traição” lançada aos católicos uniatas, sempre fidelíssimos a Roma. Mas o encontro de Francisco com o patriarca de Moscou vai muito além daquele de Paulo VI com Atenágoras. O abraço de Kirill tende sobretudo a acolher o princípio ortodoxo da sinodalidade, necessário para “democratizar” a Igreja Romana. No que diz respeito não à estrutura da Igreja, mas à substância da sua fé, o evento simbólico mais importante do ano será contudo a comemoração por Francisco do 500º aniversário da Revolução protestante, prevista para outubro próximo em Lund, Suécia. (Roberto de Mattei)

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15 fevereiro, 2016

Declaração conjunta. Fala o patriarca greco-católico.

O Arcebispo-Mor de Kiev-Halytch, Dom Sviatoslav Shevchuk, chefe da Igreja Greco-Católica, fala sobre a declaração conjunta entre o Papa Francisco e o chefe da Igreja Ortodoxa Russa. 

Sviatoslav tem o título patriarca outorgado por seu próprio povo, embora, por razões ecumênicas, não o tenha reconhecido pelo Vaticano. 

Os greco-católicos, chamados pejorativamente de “uniatas” por terem reconhecido a primazia Papal, pagam um alto preço por sua fidelidade – além de massacrados na Ucrânia por Putin, agora se mostram decepcionados com o Papa Francisco . 

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Por Opus Publicum | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Sua Beatitude Sviatoslav, Patriarca de Kyev-Halych e Toda Russia, emitiu uma declaração oficial sobre a Declaração Conjunta assinada ontem pelo Papa Francisco e o Patriarca Kirill, em Havana, Cuba. O texto completo das declarações do Patriarca -em ucraniano – está disponível a partir do site oficial da Igreja Greco-Católica ucraniana. «Зустріч, яка не відбулася?» – Блаженніший Святослав

Enquanto Sviatoslav oferece palavras de elogio à Declaração Conjunta, esse louvor é diminuído pelo fato de que ele não foi consultado sobre o texto, apesar de ser membro do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Novembro de 2013: o Arcebispo Maior dos Greco Católicos é recebido pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro.

Novembro de 2013: o Arcebispo Maior dos Greco Católicos é recebido pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro.

Padre Atanásio McVay, um padre católico-grego, gentilmente concedeu-nos permissão para postar no Opus Publicum a sua tradução dos três parágrafos finais da declaração de Sua Beatitude Sviatoslav. Além disso, acrescentou as referências bíblicas no final. Esperamos que uma tradução completa das palavras do Patriarca Sviatoslav estejam disponíveis em breve.

“Sem dúvida, este texto está causando profunda decepção entre muitos dos fiéis de nossa Igreja e entre os cidadãos conscientes da Ucrânia. Presentemente, muitos me contataram sobre isso e disseram que se sentem traídos pelo Vaticano, desapontados com as meias-verdades contidas neste documento, e até mesmo chegam a vê-lo como apoio indireto da Sé Apostólica à agressão russa contra a Ucrânia. Certamente, eu posso entender esses sentimentos.

Não obstante, eu procuro encorajar os nossos fiéis a não dramatizar muito sobre essa declaração e não exagerar sua importância para a vida da Igreja. Nós já passamos pela experiência de mais do que uma declaração desse tipo e sobrevivemos a todas. Nós sobreviveremos a essa também. Precisamos lembrar que nossa unidade e comunhão plena com o Santo Padre, o Sucessor do Apóstolo Pedro, não é o resultado de um acordo político ou compromisso diplomático, ou que se deve à clareza do texto de uma declaração conjunta. Esta unidade e comunhão com o Pedro de hoje é uma característica essencial da nossa fé. É a ele, o papa Francisco, e a cada um de nós hoje, que Cristo dirige aquelas palavras do Evangelho de Lucas: ” Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos…”

É por esta unidade com a Sé Apostólica de Roma que os mártires e confessores da fé da Igreja do século XX deram as suas vidas e selaram o seu sangue. Precisamente na comemoração do 70º aniversário da Pseudo-Sínodo de Lviv compartilhamos a força do testemunho, de seu sacrifício que, em nossos dias, muitas vezes parece ser uma pedra de tropeço – A pedra que os construtores das relações internacionais muitas vezes rejeitaram.

Mas é o Cristo, a rocha estabelecida na fé de Pedro, que o Senhor colocou como pedra angular para o futuro de todos os Cristãos. E vai ser “uma maravilha aos nossos olhos.” (Salmo 118: 22; Mt 21:42; Lc 20: 17L Act 04:11; Ep 02:20; 1 Pedro 2: 7)

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13 fevereiro, 2016

Francisco e Kirill: declaração conjunta.

Por Rádio Vaticana – No histórico encontro desta sexta-feira, dia 12 de fevereiro em Cuba o Papa Francisco e o Patriarca de Moscovo Kirill assinaram uma declaração conjunta. Eis o texto integral dessa declaração:

1 fevereiro, 2016

Diocese de Helsinki adverte aos bispos luteranos que eles não podem comungar em Missa Católica.

Em vista da participação, e possível comunhão, de Samuel Salmi, bispo luterano de Oulu, Finlândia, em uma missa católica celebrada na Basílica de São Pedro no Vaticano, após ser recebido pelo papa Francisco, o diretor do Centro de Informações da diocese [Católica] de Helsinki emitiu um comunicado no qual recorda que somente os Católicos em estado de graça podem receber o sacramento Católico da Eucaristia.

Fonte: InfoCatólica | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresInUnum.comComunicado da diocese de Helsinki:

A Eucaristia na Igreja Católica não mudou

Uma informação da agência de notícias Kotimaa 24 (19 de janeiro de 2016) afirma que Samuel Salmi [bispo luterano de Oulu, Finlândia] participou de uma missa católica celebrada na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Sem dúvida, a notícia está redigida de uma forma que poderia causar mal-entendidos. Meu objetivo é esclarecer algumas questões relativas à recepção da Eucaristia na Igreja Católica.

  1. Somente os membros da Igreja Católica em estado de graça podem receber o sacramento Católico da Eucaristia ou Sagrada Comunhão. Há algumas exceções muito particulares a essa regra. Porém, em qualquer caso, para receber a Eucaristia é necessário aceitar a doutrina Católica a esse respeito e cumprir as condições necessárias para recebê-la (por exemplo, viver em uma relação diversa de um verdadeiro matrimônio sacramental cristão é um impedimento).
  2. Atualmente, em alguns países, principalmente, no norte da Europa, existe o costume de receber uma benção do sacerdote durante a Missa no momento da Comunhão. Geralmente, este gesto é feito colocando a mão direita sobre o ombro esquerdo. Essa prática não é muito conhecida em outros lugares. Portanto, é aconselhável que as pessoas permaneçam em seus lugares durante a Comunhão caso não saibam se o ministro da Comunhão está familiarizado com ela. Se, por ignorância, o ministro da Comunhão lhes oferecer a Comunhão, elas podem recusá-la educadamente.
  3. Contrariamente às especulações de Samuel Salmi, não se pode concluir que o Vaticano tem uma «nova atitude ecumênica», baseada na ocorrência de um erro que se deu na distribuição da Comunhão. Não houve nos últimos anos ou décadas mudança da doutrina e da prática da Igreja Católica com relação a quem pode receber a Sagrada Comunhão. Se tivesse mudado, não seria «na prática», mas sim através de uma alteração da lei da Igreja e dos ensinamentos referentes aos sacramentos da Igreja Católica.
  4. A notícia também menciona que, durante a visita ecumênica a Roma, os bispos de Helsinki, Teemu Sippo SCJ (católico), Ambrosius (ortodoxo) e Irja Askola (luterano), haviam «celebrado» uma «Missa ecumênica» juntos na festa de Santo Enrique (de Uppsala). Não é bem assim. Em anos alternados, há uma missa católica na qual participam representantes de outras igrejas em espírito ecumênico, por exemplo, fazendo pregações. Nos outros anos, o que se celebra é uma Ceia do Senhor luterana, na qual pregam um bispo ou um sacerdote católico. A celebração, portanto, segue sempre a tradição e a prática da igreja correspondente. Deve-se ressaltar inclusive que nessas missas se respeita o doloroso fato de que não há Comunhão entre as igrejas.
  5. «A nova maneira de pensar» de Francisco, mencionada no artigo, não é um sinal de que a Igreja Católica vai alterar a sua prática referente à distribuição da Sagrada Eucaristia. Pelo contrário, para nós os católicos, isso é um sinal de que também devemos examinar mais detalhadamente as nossas consciências à luz do magistério da Igreja e, em seguida, discernir com sinceridade se reunimos nesse momento os requisitos para receber a sagrada Comunhão.

Em suma, devo acrescentar que para os católicos a Eucaristia é «fonte e ápice» de nossa vida cristã. Ela é, por assim dizer, o nosso credo. Preparemo-nos cuidadosamente para receber a Comunhão, confessemos nossos pecados graves e jejuemos (embora por pouco tempo) antes de recebê-la. Ajustemos nossas vidas para poder receber a Comunhão dignamente, sabendo que «Portanto, o aquele que come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor» (1Co 11,27).

Apesar do que foi dito anteriormente, nem todas as pessoas que administram a Comunhão conhecem cada ponto do magistério e da prática da Igreja, e é possível que se cometam erros. A intenção de criar comunhão (entre as igrejas) baseando-se na própria autoridade, em todo caso, dificulta ainda mais os esforços autênticos das igrejas para se aproximarem. Portanto, seria bom respeitar o enfoque de cada igreja a respeito desse assunto.

Marko Tervaportti

Diretor do Centro de Informação Católica

26 janeiro, 2016

Ecumenismo: Papa Francisco participará de celebração de 500 anos da Reforma na Suécia.

Papa Francisco visita a Suécia no mês de outubro

Rádio Vaticano – Está confirmado: o Papa Francisco visitará a Suécia no próximo mês de outubro. A informação foi confirmada nesta segunda-feira dia 25 de janeiro pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o padre Federico Lombardi.

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Francisco e uma “bispa”: Sugestiva foto escolhida pela Rádio Vaticano para ilustrar a matéria.

No centro desta visita, agendada para a cidade de Lund no dia 31 de outubro, estará uma celebração conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial no âmbito dos 500 anos da Reforma.

A Federação Luterana explica numa nota que o Papa Francisco, o Bispo Munib A. Younan e o Reverendo Martin Junge, Presidente e Secretário Geral da Federação, respetivamente, vão presidir juntos à celebração ecuménica. Uma celebração que dará destaque aos “progressos ecuménicos entre católicos e luteranos”.

Recordemos que foi recentemente publicado um guia litúrgico católico-luterano com o nome “Oração em Comum”.

O Papa Francisco seguirá o exemplo de S. João Paulo II que no Verão de 1989 visitou a Suécia e também a Noruega, a Islândia, a Finlândia e a Dinamarca.

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Benção conjunta – Papa, ortodoxo e anglicano

Ontem, 25 de janeiro de 2016, por ocasião da Festa da Conversão de São Paulo, o Santo Padre celebrou vésperas na Basílica de S. Paulo fora de Muros juntamente com representantes ortodoxos, anglicanos e de outras confissões cristãs que passaram a Porta Santa Jubilar com o Papa Francisco. Ao fim, o bispo de Roma convidou os representantes ortodoxo e anglicano para dar junto com ele a benção (ver aos 2:45 do vídeo):

Convém recordar que, após diligente estudo e reflexão, o Papa Leão XIII, em sua Encíclica Apostolicae Curae, declarou, infalivelmente, serem inválidas as ordenações anglicanas:

“Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pronunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas.” (Papa Leão XIII, encíclica Apostolicae Cureae, 36)

23 janeiro, 2016

Luteranos recebem a Comunhão no Vaticano depois do encontro com o Papa: relato.

Por Matthew Cullinan Hoffmam – LifeSiteNews | Tradução: Dra. Mayna Dantas, Los Angeles, USA – FratresInUnum.com: Roma, 21 de janeiro de 2016 – Um grupo de luteranos finlandeses recebeu a Comunhão oferecida por sacerdotes em uma missa realizada no Vaticano após uma reunião com o Papa Francisco, de acordo com relato do periódico finlandês Kotimaa 24.

Os luteranos eram membros de uma delegação ecumênica anual em Roma da qual fazem parte católicos, ortodoxos e luteranos para celebrar a comemoração do dia de Santo Henrique de Uppsala, a quem é creditada a evangelização da Finlândia no século XII.

Após uma audiência com o Papa, a delegação esteve presente na celebração da missa católica. De acordo com um bispo luterano que estava presente, no momento da comunhão os não católicos colocaram suas mãos direitas sobre seus ombros esquerdos, uma tradicional forma de indicar que eles eram inelegíveis para receber a Eucaristia. No entanto, os padres celebrantes insistiram em dar-lhes a Comunhão.

O bispo luterano Samuel Salmi disse a Kotimaa 24 que “eu mesmo aceitei [a Santa Comunhão]”. Ele acrescentou que “não foi uma coincidência,” e também não era uma coincidência quando, no ano passado, o Papa parecia aceitar a ideia do recebimento da Comunhão pela mulher Luterana com seu marido católico. O artigo original, escrito em estoniano, foi traduzido para LifeSiteNews por Maria Madise, do Voice of the Family.

Naquela época, o Papa reconheceu que “explicações e interpretações” da Comunhão podem diferir entre católicos e luteranos, mas “a vida é maior que explicações e interpretações”. Ele aconselhou a mulher a “falar com o Senhor e depois ir para a frente”.

“Na raiz disto há, sem dúvida, a atitude ecumênica do novo Vaticano”, Salmi disse a Kotimaa 24. “O Papa não estava aqui na missa, mas sua intenção estratégica é realizar uma missão de amor e unidade. Existem também adversários teológicos no Vaticano, por esta razão é difícil avaliar o quanto ele pode dizer, mas ele pode permitir gestos práticos.”

O Cânon 844 do Código de Direito Canônico da Igreja Católica somente permite que a Eucaristia seja oferecida aos católicos em estado de graça (ou seja, que não estejam em estado de pecado grave), exceto nos casos de não católicos que solicitam a comunhão e que são de igrejas que são aprovadas pela Santa Sé como mantenedoras da mesma fé dos católicos em comunhão. Os luteranos tradicionalmente são vistos como não mantenedores da mesma fé dos católicos na presença real de Cristo na Eucaristia.

Além de suas implicações para as relações católico-luteranas, o evento também pode representar as inclinações liberais do Papa a respeito da concessão da Comunhão para outros grupos, como aqueles que são civilmente divorciados e novamente casados sem ter recebido uma declaração de nulidade de seu casamento anterior.

Francisco tem repetidamente insinuado que ele quer mudar a prática de se recusar a comunhão para o divorciado e novamente casado, falando calorosamente de teólogos católicos – como o Cardeal Walter Kasper – que defendem essa abordagem. No entanto, ele ainda tem que anunciar qualquer decisão sobre o assunto.

Em seu discurso à delegação finlandesa, Francisco parece sugerir um movimento em direção a intercomunhão quando ele diz à delegação ecumênica: “o diálogo está fazendo um promissor progresso rumo a uma compreensão compartilhada, no nível sacramental, da Igreja, Eucaristia e Ministério. Estes passos em frente, feitos juntos, colocam uma base sólida para uma crescente comunhão de vida em fé e espiritualidade, assim como suas relações desenvolvem-se num espírito de debate sereno e partilha fraterna.”

O Prefeito [da Congregação para o] do Culto Divino, Cardeal Robert Sarah, manifestou profunda preocupação sobre a tendência do Pontífice em abrir a Comunhão para aqueles cujas crenças ou comportamento são incompatíveis com a fé católica.

“Não que eu tenha que falar com o Senhor a fim de saber se eu deveria ir de encontro à Comunhão,” disse ele ao repórter da Aleteia, Diane Montagna, no final de novembro. “Não, eu preciso saber se estou de acordo com a norma da Igreja.”

“Não é um desejo pessoal ou um diálogo pessoal com Jesus que determina se eu posso receber a comunhão na Igreja Católica,” acrescentou. “Como posso saber se o Senhor mesmo disse: ‘vinde e recebei meu corpo’. Não. A pessoa não pode decidir se é capaz de receber a Comunhão. Ela tem que seguir a regra da igreja: ou seja, ser católica, em estado de graça, devidamente casada [se casada]”.

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29 janeiro, 2015

«O Sínodo pan-ortodoxo não será como o Vaticano II, mas existe um grande desejo de unidade».

O teólogo e metropolita Ioanniz Zizioulas, que recebeu o doutorado «honoris causa» na Faculdade Teológica de Milão: os teólogos que no passado nos dividiram agora nos devem unir.

Por Andrea Tornielli – Vatican Insider | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.com«O Sínodo pan-ortodoxo será dedicado à solução de alguns problemas internos das Igrejas ortodoxas. A Igreja Católica, com o Concílio Vaticano II, tinha maiores ambições. Mas o desejo de unidade é muito forte».

Iohannis Zizioulas

Disse o metropolita Iohannis Zizioulas, um dos teólogos vivos mais importantes, dialogando com o Vatican Insider por ocasião da cerimônia na qual recebeu o doutorado «honoris causa» por parte da Universidade Católica de Milão, conferido pelo Cardeal Arcebispo da cidade, Angelo Scola, na qualidade de chanceler da Faculdade teológica. «É um privilégio poder presidir este solene ato acadêmico – disse Scola. Que seja uma expressão a mais do caminho comum em que estamos comprometidos. O gesto que estamos levando a cabo documenta a impossibilidade de estudar teologia sem a presença de mestres e de uma escola». Zizioulas pronunciou uma «lectio magistralis» dedicada ao valor da pessoa humana que deriva da Trindade. Foi uma conferência exemplar tanto por sua profundidade como pela claridade da exposição.

Eminência, pode explicar qual é o objetivo do Sínodo pan-ortodoxo que se celebrará em Istambul em 2016?

«O resultado mais importante, antes de tudo, é realizar este Sínodo. Porque durante mais de mil anos não temos realizado um Sínodo pan-ortodoxo. O evento em si mesmo é verdadeiramente importante. Em segundo lugar, devemos resolver alguns problemas internos: encontrar acordos sobre alguns problemas canônicos relacionados com nossas Igrejas, a autocefalia, a autonomia, etc… E, em terceiro lugar, teremos que nos expressar sobre o estado no qual se encontram as relações entre os cristãos e sobre os problemas do mundo moderno, relacionados, por exemplo, ao ser humano. Estamos preparando agora os documentos para o Sínodo de 2016. Este é o objetivo.»

É possível comparar o próximo Sínodo pan-ortodoxo com o Concílio Vaticano II, com tudo o que este último representou para a historia da Igreja Católica?

« O Concílio Vaticano II tinha ambições maiores em relação às nossas; nós temos objetivos muito mais modestos e não tomaremos decisões dogmáticas. O Vaticano II, pelo contrário, assumiu decisões dogmáticas. Nós nos limitaremos e concentraremos nisso: em resolver alguns problemas internos, específicos, que afetam as Igrejas ortodoxas, e também tomar uma posição frente a situação do mundo atual. E nada mais.»

Então, não se discutirá sobre o tema do primado do bispo de Roma…

«Esta é uma discussão ainda aberta no diálogo teológico oficial entre os católicos e os ortodoxos; estamos esperando os resultados deste diálogo, e o Sínodo não poderá dizer nada oficial a respeito. Mas, obviamente, o Sínodo animará a prossecução deste diálogo. Esperamos ter outro Sínodo pan-ortodoxo dedicado a este tema específico.»

Na recente viagem do Papa Francisco a Istambul, na visita ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, as palavras de ambos deixaram evidente o caminho percorrido e também o profundo desejo de unidade. Mas não faltaram algumas resistências internas…

«Creio que o desejo de caminhar a passos velozes para a unidade é verdadeiramente forte. Mas os teólogos nos dividiram no passado, e agora nos devem unir; não podemos seguir sem eles. Devemos esperar que os teólogos encontrem um acordo…»

Então, o senhor não concorda a brincadeira que fez o Patriarca Atenágoras a Paulo VI,  e que resgatou o Papa Francisco: «Ponhamos a todos os teólogos em uma ilha para que pensem. E nós seguiremos sozinhos em adiante»?

«Não é possível; devemos seguir estudando e dialogando, mas ao mesmo tempo seguir nos aproximando uns dos outros, para que nossos fiéis estejam unidos entre si antes que os teólogos, e isso já está acontecendo.

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28 janeiro, 2015

Apologética? Proselitismo? Conversão dos dissidentes? Não é bem assim…

E agora senhores bem-intencionados conservadores, é a mídia malvada quem está deturpando as palavras do Santo Padre e forjando uma ruptura inexistente em relação ao Magistério Pré-Conciliar ou será que algo não foi bem traduzido pelo serviço de informação do Vaticano? Será que doravante o sentido oficial da unidade dos cristãos será tão somente a união das diversas denominações cristãs em prol da “paz” e da “cultura do encontro”? Mas, esperem um pouco, como fica aquele documentozinho do Papa Pio XI em face a essa mudança de rumo?

Trechos selecionados da Carta Encíclica Mortalium Animos do Papa Pio XI:

Católicos conservadores e o difícil exercício de conversar sobre a crise na Igreja.

Católicos conservadores e o difícil exercício de conversar sobre a crise na Igreja.

“Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.”

 “Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.”

 “Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim 2, 5).”

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CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS
NA SOLENIDADE DA CONVERSÃO DE SÃO PAULO APÓSTOLO

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica de São Paulo Extra-muros
Domingo, 25 de Janeiro de 2015

[Encerramento da Semana anual de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro)]

Na sua viagem da Judeia para a Galileia, Jesus passa através da Samaria. Não tem dificuldade em encontrar os samaritanos considerados hereges, cismáticos, separados dos judeus. A sua atitude leva-nos compreender que o confronto com quem é diferente de nós pode fazer-nos crescer.

Jesus, cansado da viagem, não hesita em pedir de beber à mulher samaritana. Sabemos que a sua sede estende-se muito para além da água física: é também sede de encontro, desejo de abrir diálogo com aquela mulher, oferecendo-lhe assim a possibilidade de um caminho de conversão interior. Jesus é paciente, respeita a pessoa que tem à sua frente, revela-Se-lhe progressivamente. O seu exemplo encoraja a procurar um confronto sereno com o outro. As pessoas, para se compreenderem e crescerem na caridade e na verdade, precisam de se deter, acolher e escutar. Desta forma, começa-se já a experimentar a unidade. A unidade faz-se a caminho, jamais se fará parados. A unidade faz-se caminhando.

Tara Curlewis, Secretária Geral do Conselho Nacional das igrejas da Austrália, espera a chegada do Papa Francisco por ocasião das vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, domingo, 25 de janeiro de 2015. Foto: ClickVaticano.

Tara Curlewis, Secretária Geral do Conselho Nacional das igrejas da Austrália, espera a chegada do Papa Francisco por ocasião das vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, domingo, 25 de janeiro de 2015. Foto: ClickVaticano.

A mulher de Sicar interpela Jesus sobre o verdadeiro lugar da adoração a Deus. Jesus não toma partido em favor do monte nem do templo, vai mais além, vai ao essencial derrubando todo o muro de separação. Remete para a verdade da adoração: «Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). É possível superar muitas controvérsias entre cristãos, herdadas do passado, pondo de lado qualquer atitude polémica ou apologética e procurando, juntos, individuar em profundidade aquilo que nos une, ou seja, a chamada a participar no mistério de amor do Pai, que nos foi revelado pelo Filho através do Espírito Santo. A unidade dos cristãos – é nossa convicção – não será o fruto de sofisticadas discussões teóricas, onde cada um tenta convencer o outro da justeza das suas opiniões. Virá o Filho do Homem e encontrar-nos-á ainda nas discussões. Temos de reconhecer que, para se chegar à profundeza do mistério de Deus, precisamos uns dos outros, encontrando-nos e confrontando-nos sob a guia do Espírito Santo, que harmoniza as diversidades e supera os conflitos, reconcilia as diversidades.

Pouco a pouco, a mulher samaritana compreende que Aquele que lhe pediu de beber é capaz de a saciar. Jesus apresenta-Se-lhe como a fonte donde jorra a água viva que mata a sua sede para sempre (cf. Jo 4, 13-14). A existência humana revela aspirações ilimitadas: busca de verdade, sede de amor, de justiça e de liberdade. Trata-se de desejos apenas parcialmente saciados, porque o homem, do fundo do seu próprio ser, é movido para um «mais», um absoluto capaz de satisfazer definitivamente a sua sede. A resposta a estas aspirações é dada por Deus em Jesus Cristo, no seu mistério pascal. Do lado trespassado de Jesus, jorraram sangue e água (cf. Jo 19, 34): Ele é a fonte donde brota a água do Espírito Santo, isto é, «o amor de Deus derramado nos nossos corações» (Rm 5, 5) no dia do Baptismo. Por acção do Espírito, tornamo-nos um só com Cristo, filhos no Filho, verdadeiros adoradores do Pai. Este mistério de amor é a razão mais profunda da unidade que liga todos os cristãos e que é muito maior do que as divisões ocorridas no decurso da história. Por este motivo, na medida em que nos aproximamos humildemente do Senhor Jesus Cristo, acontece também a aproximação entre nós.

O encontro com Jesus transforma a samaritana numa missionária. Tendo recebido um dom maior e mais importante do que a água do poço, a mulher deixa lá o seu cântaro (cf. Jo 4, 28) e corre a contar aos seus compatriotas que encontrou o Messias (cf. Jo 4, 29). O encontro com Ele restituiu-lhe o significado e a alegria de viver, e a mulher sente o desejo de comunicá-lo. Hoje, há uma multidão de homens e mulheres, cansados e sedentos, que nos pedem, a nós cristãos, para lhes dar de beber. É um pedido a que não nos podemos subtrair. Na chamada a ser evangelizadores, todas as Igrejas e Comunidades eclesiais encontram uma área essencial para uma colaboração mais estreita. Para se poder cumprir eficazmente esta tarefa, é preciso evitar de fechar-se em particularismos e exclusivismos e também de impor uniformidade segundo planos meramente humanos (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 131). O compromisso comum de anunciar o Evangelho permite superar qualquer forma de proselitismo e a tentação da competição. Estamos todos ao serviço do único e mesmo Evangelho!

E, neste momento de oração pela unidade, quero recordar os nossos mártires de hoje. Dão testemunho de Jesus Cristo; são perseguidos e mortos, porque cristãos, sem que os perseguidores façam distinção entre as confissões a que pertencem: são cristãos e, por isso, são perseguidos. Isto, irmãos e irmãs, é o ecumenismo do sangue.

Recordando este testemunho dos nossos mártires de hoje e com esta jubilosa certeza, dirijo as minhas cordiais e fraternas saudações a Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado Ecuménico, a Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e a todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais aqui congregados na Festa da Conversão de São Paulo. Além disso, saúdo com grande prazer os membros da Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, aos quais desejo um frutuoso trabalho na sessão plenária que terá lugar em Roma nos próximos dias. Saúdo também os alunos do Ecumenical Institute of Bossey e os jovens que beneficiam de bolsas de estudo oferecidas pelo Comité de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas, operativo no Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Hoje estão presentes também religiosos e religiosas pertencentes a diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais que, nestes dias, participaram num convénio ecuménico organizado pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, por ocasião do Ano da vida consagrada. A vida religiosa, como profecia do mundo futuro, é chamada a dar testemunho, no nosso tempo, daquela comunhão em Cristo que ultrapassa toda a diferença e é feita de opções concretas de recepção e diálogo. Consequentemente, a busca da unidade dos cristãos não pode ser prerrogativa apenas de qualquer indivíduo ou comunidade religiosa particularmente sensível a tal problemática. O conhecimento recíproco das diferentes tradições de vida consagrada e um fecundo intercâmbio de experiências podem ser úteis para a vitalidade de toda a forma de vida religiosa nas diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais.

Amados irmãos e irmãs, hoje nós, que estamos sedentos de paz e fraternidade, com coração confiante invocamos do Pai celeste, por meio de Jesus Cristo único Sacerdote e Mediador e por intercessão da Virgem Maria, do Apóstolo Paulo e de todos os Santos, o dom da comunhão plena de todos os cristãos, a fim de que possa resplandecer «o sagrado mistério da unidade da Igreja» (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o Ecumenismo Unitatis redintegratio, 2) como sinal e instrumento de reconciliação para o mundo inteiro. Assim seja.