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21 agosto, 2017

Editorial: Crise irreversível do progressismo católico. Análise e pistas de ação.

Por FratresInUnum.com

Não é simples descrever a realidade. Necessitamos de símbolos, imagens que condensem os dados difusos na desordem dos acontecimentos. E este é o nosso maior drama.

Como explicar o que está acontecendo na Igreja, aquilo que está se adensando no pontificado do Papa Francisco?… A maior parte dos fieis e mesmo da hierarquia simplesmente não entende o que se passa. Estão todos aprisionados em cacoetes mentais, com o olhar distorcido por lentes propositalmente construídas para inverter as percepções.

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Os bezerros de ouro da Teologia da Libertação reunidos no Congresso “Teológico” na Unisinos, de 7 a 11 de outubro de 2012.

O resultado dessa desconexão entre a percepção e a realidade é o delírio: a psicótica construção de um mundo falso, em que a imaginação fantasia um ideal para sobreviver no meio do caos e do insuportável. A psicose, no caso, vai desde a euforia histérica de quem celebra uma primavera em meio a um rigoroso inverno até a de quem se deprime por não encontrar nenhuma saída no encurralamento.

Mas, o que está sendo falsificado? E que saída existe tanto para a falsificação quanto para os seus resultados nefastos?

O que está sendo falsificado, em suma, é o Evangelho. O que Papa Francisco está a fazer não é o desenvolvimento de uma Teologia da Libertação, como pensam os mais apressados. Ele mesmo o negaria, caso alguém lhe perguntasse. Na verdade, é algo bem pior, muito mais letal: trata-se de uma mente que assimilou os princípios desse tipo de abordagem teológica.

O próprio Gustavo Gutiérrez, em seu livro “Teologia de la Liberación” apregoa, antes de tudo, uma Teologia crítica, que reinterpreta toda a teologia cristã a partir de um novo paradigma: não existe mais a história da salvação, esta seria a própria história dos homens; não há um mundo a ser salvo, há uma Igreja a ser convertida ao mundo. É a perversão do sal que perdeu o sabor, o esvaziamento do Evangelho naquilo que o secularismo ocidental erigiu como quadro de novos valores. Reinterpreta-se tudo a partir de um referencial politicamente correto e a própria máquina eclesial se declina como instrumento para incutir essa mentalidade essencialmente antropoteísta.

O “evangelho” pregado por Papa Bergoglio tem gosto de jornal, não da boa-nova de Jesus Cristo; tem como interlocutores não seus fieis, mas os patrocinadores de todas as ideologias que, como vendaval impetuoso, sacodem agressivamente a barca da Igreja. Ao invés de escolher ser pastor, Bergoglio escolheu ser o bom-menino de George Soros e de toda a elite global, reduzindo sua Igreja à subserviência desses senhores.

É evidente que seu discurso é aplaudido pela mídia, cujos donos são seus mesmos inspiradores; mas também é óbvio que nada tem a acrescentar, que padece de total falta de originalidade. O progressismo atingiu as raias de seu poder de convencimento e não tem mais futuro, envelhece com seus defensores.

A estrutura hierárquica da Igreja se coloca ao serviço dessa desconstrução de si mesma. Obviamente, o sucesso deste progressismo voraz construiu-se graças a uma meticulosa deformação intelectual, instilada como veneno na mente mesma dos seminaristas de todo o mundo, décadas a fio, bons moços que, por seu próprio servilismo, foram sendo promovidos, e hoje são bispos, cardeais e papa.

Por todos os lados, ouvem-se rumores de padres e fieis recriminados por seus prelados. Os véus começam a ser proibidos, comunhões de joelhos censuradas, hábitos eclesiásticos ridicularizados; vêem-se por todos os lados os velhos bispos de orientação libertadora reestreiando suas camisas laicais e seus chinelos grotescos.

Não contam estes senhores, em seu delírio, com o fato de que não cessa de crescer o seu descolamento do corpo da Igreja. Francisco é uma figura com a qual os fieis se sentem simpatizados, mas cujo discurso não chega ao seu coração; ninguém sabe o que ele pensa nem o que está fazendo e, quando as pessoas se dão conta disso, assustam-se e decaem na autodefesa psíquica da negação. Os bispos não dizem absolutamente nada significativo ao seu povo, são figuras completamente inexpressivas, incapacitaram-se para a reprodução de suas próprias ideias: estão se suicidando em sua incredulidade ostensiva.

Enquanto os seminários e congregações progressistas não cessam de sucumbir, aqueles conservadores não param de crescer. E quanto mais são perseguidos, mais crescem em força, duma forma criativa, subterrânea. Nas faculdades de teologia, os professores vivem a criar mártires, cujo heroísmo é reforçado pelos vexames que são obrigados a suportar diuturnamente. Quanto mais cresce a violência progressista, mais aumenta a resistência conservadora; e quanto mais esta é desarticulada e esparsa, tanto mais é incontrolável e inexoravelmente fadada a prevalecer. Ela é um gigante que cresce com os golpes de seus algozes.

Numa Igreja suicida, é óbvio que a resistência pacífica e silenciosa de um clero não vendido aumenta seu poder de difusão. Só a autenticidade convence. A politicagem interesseira e carreirista enoja seus próprios atores e os divide, pois, em busca de poder, acabam por se aniquilar. Qualquer estrategista minimamente preparado sabe que quanto mais se obriga alguém a dissimular suas convicções, mais retro-estimula essas mesmas convicções nos mais fortes, pois os obriga a encontrar argumentos mentais que os fortifiquem em sua interioridade, constrangida a representar um personagem ingratamente assumido.

Não estamos diante de uma primavera. Este inverno da Igreja é inédito, e não temos imagens que o possam descrever. Mas certo é que o progressismo não tem forças de reprodução e está condenado, a despeito do seu marketing. O futuro da Igreja não está em sua paradoxal senilidade progressista, mas na jovialidade conservadora. No fim das contas, Bergoglio representa um passado entusiasmado, mas teimoso em não morrer.

Admitamos. É frustrante ter dado a vida para matar aquilo que as novas gerações alegremente ressuscitam. Mas este espírito de ressurreição – de restauração, como dizem eles – não vem senão do poder criativo do próprio Deus. Num mundo que precisa de uma Igreja com voz firme, pois se entrega insanamente às garras de um fundamentalismo irresponsável exatamente porque se sente órfão, a Igreja progressista escolheu emudecer-se. E a sua mudez é fatal!

Nossa esperança está nessas comunidades pequenas, firmes, resistentes, vivas, na alegria que muitos padres e bispos continuam mantendo, conservando a doutrina tradicional, a missa de sempre e os costumes perenes da Igreja. É aí que está a nossa força. E aqueles senhores simplesmente não têm capacidade de convencimento. São incrédulos. Apodrecerão em suas dúvidas e, entre os escombros da Igreja, ressurgirá gloriosa a vinha do Senhor, a eterna e Santa Igreja Católica.

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14 junho, 2017

Felix Dies Natalis.  

Ontem, dia 13, nós todos, Fratres in Unum, completamos 9 anos de blog. Reze, por favor, uma Ave Maria por nosso humilde trabalho e, especialmente, pela saúde de nossa valorosa combatente Gercione Lima. 

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13 junho, 2016

Editorial – Agora, na mira de Francisco: os bispos!

Como uma mãe amorosa”. Esse é o título do Motu Proprio que Papa Bergoglio acaba de publicar. O assunto é a remoção dos bispos que são negligentes em seu ofício episcopal.

Agora, eles estão no alvo: os bispos!

Logo no artigo 1o., Francisco afirma sem titubeios: “O Bispo diocesano ou Eparca, ou aquele que, mesmo que a título temporário, tem a responsabilidade por uma Igreja particular ou por uma outra comunidade de fieis equiparada a essa, no sentido do c. 368 do CIC e do c. 313 do CCEO, pode ser legitimamente removido do seu cargo, se tiver, por negligência, feito ou omitido atos que tenham provocado grave dano a outros, tratem-se de pessoas físicas ou de uma comunidade em seu conjunto. O dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial”.

vescoviEm um artigo, o Papa argentino colocou quase a totalidade dos bispos em situação perigosa. Aliás, não apenas os bispos, mas até mesmo os administradores diocesanos ou apostólicos que, a título temporário, tiverem algum dos problemas acima.

Notem que o dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial! Qual é a diocese que não tem algum clérigo, ou até mesmo o próprio Ordinário, que não tenha feito ou omitido atos que tenham causado algum dano desse tipo?… Estamos certos de que o leitor conhecerá um, senão alguns ou muitos casos em que o bispo se encontraria exatamente nessa situação.

Lembram aquele padre que deu escândalo e foi removido para outra paróquia ou diocese, como se nada tivesse acontecido? Ou aquele que foi preso porque teve de denunciar suborno de eventuais amantes e continua celebrando suas missas, com anuência do bispo e até da mídia? Ou aquele que engravidou uma moça e o bispo disse que ele não precisava abandonar o ministério, mas apenas mudar paróquia, e depois foi transferido? Ou aquele que faliu uma comunidade, e outra, e outra, e outra, e continua a falir, porque paga pontualmente a cúria? Ou aquele bispo que injustiçou um padre bom, jogando-o numa paróquia longínqua e miserável? Ou mesmo o bispo que destruiu a vida de um seminarista, expulsando-o de um seminário injustamente? Ou daqueles que permitem suas universidades e seminários serem infestados de hereges, expulsando os bons teólogos? Ou dos bispos que vivem onerando as paróquias com taxas que ninguém sabe para que serão usadas? Ou dos bispos que proíbem a missa tradicional em suas dioceses, mas permitem todos os abusos litúrgicos? Ou dos bispos que só falam em dinheiro, em construção de Catedrais milionárias e modernosas, vivem viajando mundo afora ou tirando fotos de bermuda e postando no facebook? Até agora só vimos alguns padres serem penalizados. Agora, chegou a vez dos bispos! Eis a grande novidade!

Claro, o bispo terá tempo de se defender e produzir provas, e a Congregação dos Bispos poderá até mesmo consultar a Conferência Episcopal… Mas, diante de fatos e de acusações do povo, que margem haverá para escapar das evidências de negligência? No Brasil, esse é o pecado capital do governo dos bispos. Negligência! E negligência já nos seminários, cujo maior número é entregue a formadores incapazes e, por vezes, inidôneos. Agora ficou fácil: basta abrir a caixa preta! E não faltarão ex-seminaristas, padres afastados, funcionários ou pessoas prejudicadas que não queiram abrir a boca!

Diante disso, Francisco oferece aos bispos duas alternativas: uma, com misericórdia; e outra, sem misericórdia. Ah, a misericórdia de Francisco!

“Caso considere oportuna a remoção do Bispo, a Congregação estabelecerá, com base nas circunstâncias do caso, se:

1o. dar, em mais breve tempo possível, o decreto de remoção;

2o. exortar fraternalmente o Bispo a apresentar a sua renúncia no prazo de 15 dias. Se o bispo não der a sua resposta no prazo previsto, a Congregação poderá emitir o decreto de remoção”.

Lembramos que, no segundo caso, a práxis seria aquela adotada com o finado Dom Rogélio Livieres: depois de sua remoção, não foi nomeado bispo emérito, mas ex-bispo de Ciudad del Est, porém, no caso dele, amado e venerado pelo povo e pelo clero.

Como o Motu Proprio entra em vigor no dia 5 de setembro, já deve ter começado a correria para se produzir provas e testemunhos em defesa dos negligentes. Admitamos: isso chega a provocar, digamos, misericórdia.

Claro! Todos sabemos que hoje em dia os bispos acabam caindo em situações que nem eles mesmos nunca imaginavam ter de enfrentar. Tantas vezes, acabam ajudando um padre por acreditarem em sua possibilidade de conversão. Eles são bispos, não delegados de polícia.

Pois é, mas, mesmo nesses casos – e não falamos daqueles propriamente escandalosos e negligentes –, um bispo pode perder sua diocese. E não terá ninguém para quem apelar. Se for religioso, ainda pode voltar para o convento; mas, se for diocesano, o jeito mesmo é começar a vida do zero.

Bem… Não acreditamos que Francisco faça isso propriamente por amor à justiça. Não! Justo ele que condenou o inocente Dom Livieres e promoveu o conhecidamente escandaloso Mons. Ricca ao IOR. E nem falemos do caso do badaladíssimo Mons. Camaldo…

Francisco é um soberano. Age como ditador. Como religioso, comporta-se propriamente aos modos de um superior dalguma congregação religiosa: a Igreja virou o seu convento.

Dizia Maquiavel, “divide e reinarás!”. E, de fato, Francisco é bem maquiavélico. Primeiro, jogava o povo contra os padres, em discursos sempre críticos, chegando mesmo a dedicar o Capítulo III de Evangelii Gaudium para denigrir as homilias dos padres. Como se ele fosse um grande orador, com seus três pontinhos… Nesse quesito, aliás, quantas saudades de Ratzinger! Ao invés de indiretas e banalidades, ele brindava a Igreja com uma elevada teologia. Mas, enfim, águas passadas…

Agora, Francisco joga o povo contra os bispos. Está aberta a temporada de caça! Basta fazer uma denúncia, padres ou leigos, e a guilhotina começa a ser afiada, como uma mãe amorosa.

Esperamos que, agora, os bispos acordem! Durante muito tempo foram complacentes e, brindando a promessa circense de uma eventual sinodalidade, hipnotizados com o discurso colegial bergogliano, deixaram passar monstruosidades como as aberrações doutrinais de Amoris Lætitia. Agora, eles serão as vítimas dessa arbitrariedade e, talvez assim, e somente assim, percebam quanto custa negociar com a verdade do Evangelho para insuflar a vaidade mundana de um homem.

Por detrás da demagogia de Francisco jaz um déspota cujo desejo de poder não supera apenas a obstinação ideológica. Obstinação que visa transformar o catolicismo numa sucursal da ONU, e fazê-lo o homem mais aplaudido do mundo e… pelo mundo!

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5 fevereiro, 2016

Pe. Zezinho & Pe. Joãozinho. A diminuta dupla diminutiva e sua “fuga em ré menor”.

Editorial de FratresInUnum.com

Nunca entendemos porque esses dois gostam tanto de diminutivos… Aliás, tão pueris e impróprios para sua idade e condição.

Em todo caso, nas últimas semanas os dois andaram meio atacados; ou melhor, atacando os outros…

Com todo aquele ar de superioridade que os caracteriza – adoram passar “pitos” em todo mundo! –, erigiram-se acima e no centro e decidem quem está à direita e quem à esquerda. Este, a propósito, é um modus operandi muito usual de Pe. José Fernandes (ou Zezinho), que em suas músicas ou quadros na TV sempre se pôs a dar liçõezinhas de “moral” em todo mundo, a criticar a falta de ética na política, de tolerância, de ecumenismo, a etiquetar os outros de radical, enquanto ele desfila como um monumento da infalibilidade moral.

Até aqui, nenhuma novidade.

Porém, nos últimos dias, os dois começaram a disparar contra o clero “conservador”, termo cujo significado desconhecem por completo, a invocar a “inerrância” da teologia da libertação, a louvar histericamente a CNBB, chamando em causa o próprio Papa Francisco.

Tudo começou há algumas semanas, quando, repentinamente, Pe. Zezinho começou a atacar o que ele chamou de OS NOVOS MONTANISTAS.

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Comportando-se como um caça-fantasmas, cita sem citar, manda indiretas. Ele é um padre, não uma futriqueira de sacristia, como essas que o Papa Francisco vive corrigindo. A propósito, num discurso improvisado a religiosos – Pe. Zezinho é religioso, não?! –, o Papa que ele diz tanto amar soltou essa:

“Escutem bem: não às fofocas, ao terrorismo das fofocas. Porque quem fofoca é um terrorista. É um terrorista dentro da própria comunidade, porque atira a palavra como uma bomba contra este, contra aquele, e depois vai embora tranquilo. Destrói! Quem faz isso destrói, como uma bomba, e ele se afasta. Se lhe dá vontade de dizer qualquer coisa contra um irmão ou irmã, de jogar uma bomba de fofoca, morda a língua! Forte! Terrorismo na comunidade, não! ‘Mas, Padre, e se tiver alguma coisa, um defeito, algo a se corrigir?’. Diga à pessoa: você tem essa atitude que me faz mal, ou não está bem. As fofocas não ajudam!” (Discurso, 1/02/2016).

Mas isso é o de menos! Aliás, se fosse para rebater essas maledicências indiretas, nem nos ocuparíamos em escrever a respeito.

O problema é uma das frases do texto, quando ele diz que “escolheram como alvo a Teologia da Libertação que faz tempo que se libertou da pecha de pro-marxista”… Como? Não, isso não dá!

E é justamente aqui que sua fala se alinha com uma interessante intervenção do Pe. Joãozinho em um encontro, ocorrido no fim de janeiro passado, em Aparecida, SP, em que afirmou:

(…) Aí alguém vai dizer: peraí, eu já peguei esse livro do Gustavo Gutierrez aqui ó: e ele é marxista! Hoje tem o marxismo cultural. Claro que ele é marxista!, porque ele tava falando pra marxistas. No periodo dele ele tava falando pra guerrilheiros, com o Camilo Torres, mas ele mudou… o… sotaque quando mudou o interlocutor. Então tem uma segunda edição, 1800… 1989, que muita gente não lê, né. Tem, é, tá publicada no brasil pela edições Loyola, e tem, um livro do atual prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerrard Muler, sobre isso: “Ao lado dos pobres”, eu preferia até, ao lado do pobre, solidário com o pobre que é Jesus, né?

Mas a dupla, sempre tão alinhada, agora parece se contradizer: a TL se “libertou da pecha de pro-marxista” ou houve apenas uma “mudança de sotaque”?

É óbvio que isso não começou hoje. Hibridizar RCC e TL é uma das metas mais antigas de Pe. Joãozinho. Ele e Pe. Zezinho formam, entre os desafortunados dehonianos, prodígios como Fabio de Melo, religioso que depois renunciou aos votos, entre eles o de pobreza, e se fez diocesano. Seria porque optou pelo cachê?

Aliás, a tese de doutorado de Pe. Joãozinho em teologia sistemática é propriamente sobre o conceito de salvação em Gustavo Gutiérrez.

No trecho acima, ele faz o seguinte raciocínio: Gustavo Gutiérrez não é marxista, mas ele é marxista para conversar com marxistas!!! –Que lógica, hein?!

Segundo Pe. Joãozinho, a TL não é marxista, nunca foi, nunca será. É apenas uma concretização da tal “opção pelos pobres”. Ele apela para a nova edição do livro de Gutiérrez, para o Cardeal Müller da Congregação para a Doutrina da Fé (que segundo o Arcebispo de Lima, terra de Gutierrez, é um “bom alemão, bom teólogo, um pouco ingênuo”), como se mil argumentos de autoridade pudessem mudar fatos, ou melhor, documentos publicados.

Pe. Joãozinho reclama muito de “generalidades”, mas a sua palestra foi um caleidoscópio de generalizações, citações de orelha, escassíssima documentação, em suma, uma vergonha acadêmica, diante da qual, invocar três doutorados de pouco serve!, embora essa gente ame os argumentos de autoridade, ainda mais quando a autoridade é a sua. Sabem aquelas pessoas que desfiam palavras difíceis como se aquilo provasse ciência?… Tipo assim!

A este respeito, enxertamos aqui o trecho de um artigo que publicamos há alguns meses, cuja leitura nos parece tremendamente necessária. Nele, utilizou-se a edição de 1996 do livro de Gustavo Gutiérrez, justamente essa com “novo sotaque”, levantada como troféu por Joãozinho em sua “conferência”!

* * *

Engana-se quem imagina que a TL seja uma corrente teológica inspirada no marxismo.

A TL é uma metodologia destinada a transformar a Igreja numa organização integralmente marxista. Para entendê-lo melhor, valhamo-nos da reflexão do fundador da TL, o Padre Gustavo Gutiérrez.

Em seu livro “Teologia da Libertação” (Loyola, São Paulo: 2000, conforme a 9ª. edição original de 1996), Gutiérrez afirma que a história da teologia poderia ser dividida em três fases: no primeiro milênio, a teologia era uma reflexão sapiencial; no segundo milênio, uma reflexão racional; e agora, no terceiro milênio, seria uma “reflexão crítica sobre a práxis, uma teologia crítica” (cf. pp. 61-71).

Ele assume que “entre os antecedentes desta teologia estão o pensamento marxista centrado na práxis, dirigido para a transformação do mundo, cuja gravitação se acentuou no clima cultural dos últimos tempos, e constitui-se em marco formal de todo o pensamento filosófico de hoje, não superável” (pg. 65).

Ademais, admite que todos esses fatores “levaram igualmente à redescoberta ou à explicitação da função da teologia como reflexão crítica”, explicando que, “reflexão crítica” significa que “a teologia deve ser um pensamento crítico de si mesmo, de seus próprios fundamentos[…] Referimo-nos também a uma atitude lúcida e crítica com relação aos condicionamentos econômicos e socioculturais da vida e reflexão da comunidade cristã […] A reflexão teológica seria então, necessariamente, uma crítica da sociedade e da Igreja…, indissoluvelmente unida à práxis histórica” (pp. 67-68).

Gutiérrez não titubeia, e afirma que “se, porém, parte a teologia dessa leitura e contribui para descobrir a significação dos acontecimentos históricos, é para fazer que seja mais radical e lúcido o compromisso libertador dos cristãos. Só o exercício da função profética, assim entendida, fará do teólogo o que, usando a expressão de A. Gramsci, pode chamar-se um novo tipo de ‘intelectual orgânico’” (pp. 70-71).

“Estamos, pois”, conclui Gutierrez, “diante de uma hermenêutica política do Evangelho” (p. 71), que não se limita apenas a justapor-se a toda a tradição, mas “leva necessariamente a uma redefinição” daqueles dois modelos anteriores, de modo que “sabedoria e saber racional terão, daí em diante, mais explicitamente, como ponto de partida e como contexto, a práxis histórica” (p. 72). Portanto, o que “a teologia da libertação nos propõe não é tanto um novo tema para a reflexão quanto um novo modo de fazer teologia” (pp. 72-73).

* * *

Não precisamos sequer citar, por exemplo, o clamoroso artigo de Leonardo Boff no “Jornal do Brasil”, em 6 de abril de 1986, em que ele escreve, explicitamente: “O que propomos não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia”; bastaria citar a própria Instrução Libertatis Nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de agosto de 1984, portanto, anterior ao artigo de Boff e em meio à efervescência da “teologia da libertação”, em que a Santa Sé quer “chamar a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, para os desvios e perigos de desvio, prejudiciais à fé e à vida cristã, inerentes a certas formas da teologia da libertação que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista” (Introdução).

Fazendo-se de surdos, os “teólogos” da libertação camuflaram-se na estrutura da Igreja e, mediante a revolução cultural, foram chegando ao resultado que queriam: a consolidação de um partido político (PT) a partir do laicato católico, partido em favor do qual militam até hoje membros da hierarquia; e, para atingirem este fim, usar a Igreja como mídia de seus “valores”, apresentados como “valores do Reino”.

As musiquinhas esquerdistas de Zé Vicente e Pe. Zezinho serviram exatamente para isso. É difícil, por exemplo, imaginar que a “música” do Pe. Zezinho intitulada “Trabalhadores”, não faça uma imediata evocação ao “Partidos dos Trabalhadores”.

Silenciados e corrigidos pela Congregação para a Doutrina da Fé, os teólogos da libertação encontram agora a última, já que estão todos à beira do túmulo, oportunidade para sair do armário, e o fazem alegando uma suposta humilde aceitação da correção: a libertação de “pecha de pro-marxismo”, como disse pe. Zezinho,  mas, que — por lapso?! — Pe. Joãozinho confessou como uma mera “mudança de sotaque”…

Não há nada de novo na história: uma vez condenadas pela Igreja, as grandes heresias se travestiam de humildade para, supostamente “corrigidas”, apresentarem-se com uma roupagem menos escandalosa. Assim foi com o neo-arianismo, o neo-pelagianismo e, mais recentemente, o neo-modernismo.

Além disso, Pe. Zezinho esperneia para defender os bispos, dizendo que NUNCA!, nunca conheceu um, hum, 1, unzinho, one, bispo marxista…

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Como assim? Ele supõe que o que faz um bispo ou um padre ser marxista é auto-declarar-se marxista?

Pe. Zezinho, mas o senhor não se declara marxista, nem modernista, nem cantor cafona e brega que chegou ao seu auge enquanto o catolicismo no Brasil chegava ao fundo do poço… no entanto, o é com muita propriedade! Quase um Valdik Soriano sem rayban, sem chapéu e, óbvio, sem batina,  cantando “trabalhadores, trabalhadoras”…

Alega que querem atacar o Papa Bergoglio, mas, não tendo coragem, acabam por atacar a CNBB, querendo separá-la do mesmo Papa… Mas que lógica a dessa turma! Se são contra o Papa e contra a CNBB, por que separá-los?

Parece que Pe. Zezinho lê apenas os seus próprios textos. Será que ele não percebe o tremendo mal-estar do povo católico com as “inovações” de Francisco? Foram mais de 800 mil de assinaturas contra as aclamadas “inovações” do Sínodo da Família!! Será que não lê as inúmeras críticas que Francisco recebe, inclusive por membros da alta hierarquia, mesmo cardeais!, que em tons mais ou menos polidos manifestam sua perplexidade diante de suas declarações ambíguas?

Critica-se o que é criticável em Papa Francisco. Ele mesmo se critica, em diversas de suas entrevistas, e não parece preocupar-se muito com isso. Até telefonou para o falecido Mario Palmaro, jornalista extremamente ácido em relação a Bergoglio, para agradecer-lhe e dizer que aceitou as críticas porque “foram feitas com amor”. Cadê seu amor, Pe. Zezinho?

Agora, haja paciência!, dizer que se começou a criticar a CNBB apenas após a eleição de Papa Francisco é uma inverdade grotesca!

Há muito se critica o “marxismo camuflado” (e em não poucas vezes escrachado) na CNBB, praticamente desde sua fundação! Portanto, não é nenhuma novidade da era Francisco. Ainda em 2009, Bento XVI alertava os bispos:

“Vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas sequelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida” (Discurso aos bispos dos Regionais Sul 3 e Sul 4, 5 de dezembro de 2009 – negrito nosso).

É, pelo jeito Bento XVI foi impreciso e estava desatualizado — coitado, não consultou Joãozinho e Zezinho –, pois no discurso acima não fez nenhuma distinção entre a boa e má TL…

Num outro post, Pe. Zezinho ainda começou a ofender os opositores da teologia da libertação, conferindo-lhes a alcunha de “gurus” e “gurís”. Mais uma de suas arrogantes “lições” de “humildade”.

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Contudo, é forçoso reconhecer, aqui, que Pe. José (ou Zezinho) tem muita razão!!! De fato, temos muitos guris, coisa que a turminha da TL cada vez mais desconhece. É… O trem das CEBs está cada dia mais senil e caduco!!!

Lembram daquela fotografia maravilhosa feita num congresso de gurus – sim, gurus! – da TL?… Realmente, estavam faltando guris.

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O próprio Leonardo Boff reconheceu que não havia uma renovação nos “pensadores” da TL! Sabem o porquê?

A máfia “libertadora” sempre desprezou o magistério papal, hostilizou os papas, os desobedeceu cinicamente… Agora, fingem obediência a Francisco, mas apenas continuam fazendo o que lhes convém, mesmo quando isso coincide com aquilo que ele ensina.

Por isso, incorreram no castigo de Micol, mulher de Davi, que caçoou dele, enquanto entrava celebrando ante a Arca da Aliança.

“Voltando Davi para abençoar a família, Micol, filha de Saul, veio-lhe ao encontro e disse-lhe: Como se distinguiu hoje o rei de Israel, dando-se em espetáculo às servas de seus servos, e descobrindo-se sem pudor, como qualquer um do povo! Foi diante do Senhor que dancei, replicou Davi; diante do Senhor que me escolheu e me preferiu a teu pai e a toda a tua família, para fazer-me o chefe de seu povo de Israel. Foi diante do Senhor que dancei. E me abaixarei ainda mais, e me aviltarei aos teus olhos, mas serei honrado pelas escravas de que falaste. E Micol, filha de Saul, não teve mais filhos até o dia de sua morte” (2Sm 6,20-23).

A “Teologia da Libertação” é estéril. Só produz morte! Ninguém mais se interessará dela. Os jovens, hoje, querem a Tradição, querem a Fé, querem Deus!

Podem esconder-se atrás do Papa ou atrás de quem quiserem, mas isso não os fará mais atrativos. Essas demagogias impressionam apenas aqueles que sempre sonharam com elas, os revoltados de ontem, os adolescentes que nunca cresceram.

O futuro está com a Tradição! E isso não é questão de moda, da tal da “lei do pêndulo”, mas, sim, de profundidade, de verdade. Eles conhecem apenas a conveniência, o discurso gasto das décadas de 60 e 70.

Francamente, pensamos muito se deveríamos ou não fazer este comentário e, consequentemente, dar audiência a esses dois… Mas, diante de falsificações como estas da TL não poderíamos emudecer.

A sincera impressão que temos de tudo isso é que a dupla diminutiva está inconformada mesmo é com sua falta de sucesso. Aliás, seu número de likes nas mídias é irrisório – ainda bem, pra eles, que não existe a opção dislike.

Relegados ao mundo brega da catholic music, não suportam mais o vazio de auditório. Zezinho, com sua voz rouca; Joãozinho, com sua voz fanha e fina, poderiam tentar ainda fazer uma dupla. Quem sabe aproveitar a oportunidade da saída da Joelma e se juntarem ambos ao Chimbinha. Contudo, diante da falta de talento, resta-lhes mesmo é fazer isso que fizeram: uma bela fuga, na marcha ré, pra trás do papa, digamos, uma “fuga em ré menor”.

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8 dezembro, 2014

10 milhões…

… de visitas. É a marca que o Fratres atingiu no último sábado. E assim continuaremos, enquanto, e somente enquanto, nosso trabalho for útil à Santa Igreja. Sem pretensões. Que Nossa Senhora continue sendo para nós iter para tutum.

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8 julho, 2014

Editorial: A obstinação travestida pela meiga doçura de Pe. Pedro Cunha.

Por Pe. Cristóvão | Fratres in Unum.com – A obstinação de Pe. Pedro Cunha, travestida pela meiga doçura de sua aguda voz, tornou-se ainda mais patente em suas fingidas “desculpas” no áudio que publicamos há pouco.

A trupe de "Em frente", programa escarnecedor da TV Aparecida.

A trupe de “Em frente”, programa escarnecedor da TV Aparecida.

Descaradamente, ele atribui a ofensa não às suas declarações absurdas, à sua tentativa de ridicularização dos católicos, sacerdotes e leigos, mas aos telespectadores, que teriam interpretado mal suas palavras. A culpa não seria dele, mas de quem ouviu. À letra, é o estapeador dizendo que a culpa do tapa é do estapeado!

Servindo-se de uma TV católica para semear divisão na Igreja, coloca leigos contra seus próprios pastores, escarnece de nossa milenar tradição, incita intriga doméstica, colocando uma mãe contra seu próprio filho, apenas porque este cometeu o tremendo absurdo de se tornar tradicionalista, a quem Pe. Pedro tacha ipso facto de fundamentalista, e ele ainda se dá ao luxo de se considerar mal-interpretado.

Na religião ensinada por Pe. Pedro, ser ateu não é tão grave, nem tampouco ter uma relação homossexual impenitente e comungar… Grave mesmo é um padre celebrar a Missa no Rito Tradicional, fomentar o uso do véu e formar a consciência dos fieis, para que se convertam de suas situações pessoais de pecado.

Debochado, Pe. Pedro sapeca tudo isso com galhofas enrustidas, temperadas pelos presunçosos comentários amaneirados de Rodolfo, que também zombeteia como quem caçoa atrás da porta, sob os espantos ensaiados daquela senhora, digamos…, estranha. Seria realmente um espetáculo de comédia, se não se tratasse de um achincalhamento público.

A onda de contestação a este escândalo de Pe. Pedro está crescendo, e seria muito bom que a TV Aparecida tomasse providências, pois receio que a Campanha dos Devotos possa sofrer uma imensa sangria, caso a fé católica continue sendo vilipendiada por aquele canal.

Que Nossa Senhora Aparecida se compadeça do povo brasileiro, pois as desculpas esfarrapadas de Pe. Pedro valem tanto quanto seus escárnios, não passam de lixo irreciclável, e são a realização por extenso das palavras do Profeta Isaías, “ai dos que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal” (Is. V, 20).

16 fevereiro, 2011

Editorial: Ecclesia Dei Adflicta.

Aflita está a Igreja de Deus pelas notícias provenientes de fontes internacionais seguras que dão conta de um possível passo atrás na liberdade concedida à missa tradicional há quase quatro anos pelo Motu Proprio Summorum Pontificum.

Mas o que causaria tanta apreensão entre os católicos? A tão aguardada instrução para esclarecimento e aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, idealizada para cabalmente fazer valer as disposições do documento contra a má vontade episcopal generalizada, após inúmeras revisões nos escritórios dos dicastérios romanos, pode vir à luz para simplesmente minar o próprio Motu Proprio!

Com efeito, a última versão da instrução, a ser publicada antes da Páscoa, reconheceria a missa tradicional não como um instrumento para servir a toda Igreja — sobretudo por seu valor intrínseco, mas também como um parâmetro para a famigerada “reforma da reforma” –, mas como uma mera concessão à sensibilidade dos ditos tradicionalistas.

É o retorno do gueto: a missa latino-gregoriana seria apenas um carisma dos que já a conhecem, restando aos católicos comuns as missas ordinárias dos carismáticos ou as senilidades marxistas da CNBB.

Uma claríssima involução: do dever de cada diocese de “concordar com a Igreja universal, não só quanto à doutrina da fé e aos sinais sacramentais, mas também em respeito aos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica” prescrito em Summorum Pontificum, voltaríamos à recomendação de que seja “respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina” da carta apostólica Ecclesia Dei.

Enfim, como bem sintetizou Rorate-Caeli, “um documento interpretativo inferior que modifica a letra clara da lei, tornando-a ineficaz”.

Os responsáveis pela manobra? Primeiramente, Monsenhor Charles Scicluna, oficial do ex-Santo Ofício, conhecido por seu empenho na investigação dos casos de pederastia entre o clero. Mas também o conivente Prefeito da Congregação para o Culto Divino, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, que aceitou esta inserção no texto a ser submetido à assinatura do Papa Bento XVI.

A guerra litúrgica na Cúria Romana parece chegar a seu ápice. Os últimos episódios envolvendo o rápido desmentido a qualquer “restrição” à “renovação” pós-conciliar pelo porta-voz da Sala de Imprensa, a pedido da Secretaria de Estado do Vaticano, e o recente ataque veiculado no L’Osservatore Romano aos institutos da Comissão Ecclesia Dei e à própria fé católica no que diz respeito à necessidade de conversão de hereges e cismáticos, que rendeu um violento artigo do Padre Stefano Carusi, do Instituto do Bom Pastor, com ameças inclusive de levar o jornal aos tribunais eclesiásticos, são as mais claras provas de que vivemos tempos decisivos no pontificado de Bento XVI.

Finalmente, dentro deste emaranhado político-eclesial, cabe a nós fiéis expressarmos nossa inquietação às autoridades competentes e rezarmos para que o Santo Padre não ceda aos grupos de pressão cujos representantes maiores estão muito próximos de Sua Santidade.

[Atualização – 16 de fevereiro de 2011, às 14:41] O vaticanista Paolo Rodari informa ter consultado fontes vaticanas que garantem que as informações acima “são totalmente desprovidas de fundamento”. Um desmentido já era esperado, dado que tais informações só saíram dos corredores vaticanos justamente para que houvesse pressão para a não implementação de tais medidas. Fontes seguras para ambos os lados, permanece aceso o sinal de alerta.  Evidentemente, a comunicação às autoridades competentes não deixam de ser oportunas, especialmente para “manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja” (Código de Direito Canônico, cânon 212, § 3º).

* * *

SEGRETERIA DI STATO DELLA SANTA SEDE

Eminência Reverendíssima Dom Tarcisio Cardeal Bertone
Palazzo Apostolico Vaticano
00120 Città Del Vaticano – ROMA
Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088
1ª Seção Tel. 06.6988-3014
2ª Seção Tel. 06.6988-5364
e-mail: vat23@genaff-segstat.va

CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE
Eminência Reverendíssima Dom William J. Levada, Prefeito desta egrégia Congregação,
Palazzo del Sant’Uffizio, 00120 Città del Vaticano
E-mail: cdf@cfaith.va

Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088
1ª Seção Tel. 06.6988-3014
2ª Seção Tel. 06.6988-5364
e-mail: vat23@genaff-segstat.va

CONGREGAZIONE PER IL CULTO DIVINO E LA DISCIPLINA DEI SACRAMENTI
Eminência Reverendíssima Dom Antonio Cardeal Cañizares Llovera, Prefeito desta egrégia Congregação,
Palazzo delle Congregazioni
Piazza Pio XII, 10
00120 CITTÀ DEL VATICANO – Santa Sede

Tel. 06-6988-4316 Fax: 06-6969-3499
e-mail: cultidiv@ccdds.va

PONTIFICIA COMISSIONE “ECCLESIA DEI”
Reverendíssimo Monsenhor Guido Pozzo, secretário desta Comissão
Piazza del Sant’Uffizio, 11 – 00193 ROMA
Tel. 06.06988-5213
e-mail: eccdei@ecclsdei.va

10 fevereiro, 2011

Para recordar: Nota do Editor.

Este blog é eminentemente jornalístico. Portanto, a mera veiculação de matérias e entrevistas não significa, necessariamente, adesão às idéias nelas contidas. Do mesmo modo, os links aqui elencados devem ser considerados à luz do objetivo jornalístico deste blog, não sendo a simples indicação garantia da ortodoxia de seus conteúdos. Os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post; toda polêmica desnecessária será prontamente banida. Todos os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, de maneira alguma, nossa posição; o espaço para comentários é encerrado automaticamente após quinze dias de publicação do post. O editor deste blog se reserva o direito de excluir qualquer artigo ou comentário que julgar oportuno, sem demais explicações. Todo material deste site é de livre difusão, contanto que um link remeta à sua fonte.

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13 janeiro, 2011

Editorial: Nós resistimos.

Ousemos tomar para este blog as palavras do insigne Dom Marcel Lefebvre, em sermão proferido por ocasião do décimo aniversário da Fraternidade Sacerdotal São Pio X:

“Não somos rebeldes, não somos cismáticos, não somos hereges. Nós resistimos. Resistimos a esta onda de modernismo que invadiu a Igreja, essa invasão do laicismo, do progressismo que a invadiu de uma maneira completamente sem razão e injusta, e que tentou eliminar tudo que nela era sagrado, tudo que era sobrenatural, divino, a fim de reduzi-la à dimensão do homem. Portanto, nós resistimos e resistiremos, não em espírito de contradição, não em espírito de rebelião, mas em espírito de fidelidade à Igreja, espírito de fidelidade a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo, espírito de fidelidade a todos os que nos ensinaram a nossa santa religião, espírito de fidelidade a todos os Papas que mantiveram a Tradição. É por isso que decidimos simplesmente continuar, preservar a Tradição, perseverar naquilo que santificou os santos que estão no céu. Agindo assim, estamos convencidos de que estamos prestando um grande serviço à Igreja, a todos os fiéis que desejam manter a Fé, a todos os fiéis que desejam receber verdadeiramente a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pouco a pouco, aparentemente, algumas autoridades na Igreja estão começando a perceber – mais objetivamente – que sérios erros foram cometidos, e que talvez seja tempo, se não de retornar completamente ao modo antigo das coisas, que seria o ideal, de então reformar as suas reformas. É ao menos o primeiro passo. Ah! Levou-se vinte anos desses resultados trágicos: deserção de padres, deserção de membros de ordens religiosas, a ruína de igrejas, a apostasia de tantos fiéis. Tudo isso teve que acontecer diante de nossos olhos para que se começasse lentamente a perceber o dano que essa reforma causou – reforma que não foi feita pela Igreja, mas que foi conduzida por aqueles que estavam imbuídos de idéias contrárias àquelas que a Igreja sempre ensinou”.

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18 outubro, 2010

Editorial: Bergonzini contra a Conferência Nacional dos Bispos Instrumentalizados.

A campanha presidencial em curso desencadeou uma guerra aberta e sangrenta intra muros na conferência episcopal brasileira.  O monopólio da Teologia da Libertação na CNBB se viu ameaçado por algumas vozes dissonantes, que, em um primeiro momento, decidiram expressar claramente suas advertências. Constatando o perigo, uniu-se ela à grande mídia numa campanha aberta contra o que consideram “bispos conservadores”.

Acuados pelo uivo dos lobos, os bispos que, exercendo o múnus de mestres em fé e moral, inicialmente apontaram os candidatos que defendem propostas que contrariam a Lei de Deus, de maneira covarde decidiram ceder à pressão dos poderosos. Para maquiar o vexame da rendição, lamentaram ter suas declarações “instrumentalizadas”.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Dom Nelson Westrupp, presidente da CNBB-Sul 1, informou “que desautorizou a divulgação de uma nota assinada por ele, em 26 de agosto, condenando o voto em candidatos favoráveis ao aborto“; a distribuição seria “uma decisão tomada no primeiro turno das eleições que deveria ser reavaliada“. Reavaliação realizada neste último final de semana, após uma dramática reunião em Itaici (dizem que bispos saíram de lá chorando!), através de uma declaração que “desaprova a instrumentalização de suas Declarações e Notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos“.

Por sua vez, a Arquidiocese da Paraíba, através do site do Regional Nordeste 2 da CNBB, divulgou um estarrecedor comunicado que lança a responsabilidade do vídeo de seu Arcebispo, Dom Aldo Pagotto, a um grupo pró-vida: “Lamentamos que essas pessoas tenham agido de má-fé divulgando o vídeo na íntegra, e ainda fazendo entender que havia sido uma iniciativa do próprio Arcebispo. A Arquidiocese da Paraíba espera uma explicação para o ocorrido por parte das pessoas que fizeram a gravação. Até então, acreditamos que o Arcebispo foi vítima de uma armação para denegrir a sua imagem num momento tão delicado como este período eleitoral“.

Indagamo-nos como aquele texto enorme, que provavelmente demandou horas ou dias para a sua elaboração, poderia ser uma simples mensagem para satisfazer a um suposto documentário de um grupo pró-vida do Sudeste (cujo nome sequer é mencionado), quando Dom Aldo inicia sua mensagem dirigindo-se aos diocesanos“, e apela, posteriormente, a “todos os meus diocesanos para que este vídeo seja divulgado junto ao maior número de fiéis“.  E em que seu conteúdo poderia denegrir a imagem de Dom Aldo Pagotto? Afinal, ele não gravou a leitura de sua própria declaração com o objetivo de, na qualidade de pastor, alertar suas ovelhas do perigo iminente?

Desta batalha repleta de deserções vergonhosas, um combatente mantém sua integridade: Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o corajoso bispo de Guarulhos, que vem enfrentando a perseguição dos poderosos e a covardia de seus confrades.

Em carta a seus irmãos bispos, Dom Bergonzini afirmou: “O relativismo na sociedade e na Igreja Católica, sempre lembrado pelo papa Bento XVI, também tem sido questionado: o meu sim é sim e o meu não é não“.

Exatamente, Excelência. Ao contrário do que as rasas mentes hodiernas podem compreender, sua atitude ultrapassa uma mera contenda eleitoral; ela atinge o cerne do dogma do liberalismo imperante, que repudia a clareza da verdade objetiva, o “sim, sim, não, não”, o chamar as coisas por seu devido nome, a submissão da vida terrena à ordem moral estabelecida por Deus.

Como não aplicar a Dom Bergonzini a história de Daniel contada nas Sagradas Escrituras?

Que o Deus, que tu adoras com tanta fidelidade, queira ele mesmo salvar-te!” (Dn, 6, 17), exclamou o Rei Dario, movido pelos pares de Daniel a lançá-lo na cova dos leões. No entanto, o que  atualmente os filhos da Serpente não consideram é que, como nos disse a Epístola da Missa de ontem, “não é contra a carne e o sangue que temos de travar combate, mas sim contra os principados e as potestades” (Ef, 6,12). Por isso, neste mundo — pois Dom Bergonzini cogitou recorrer ao Papa — ou no próximo, é Outro quem lhe fará justiça: “Meu Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões; eles não me fizeram mal algum, porque a seus olhos eu era inocente…” (Dn, 6, 23).

[Incentivamos vivamente aos nossos leitores o envio de uma mensagem de apoio a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini]