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18 outubro, 2017

Editorial: Tradicionalistas na mira. O bullying da CNBB.

Por FratresInUnum.com – 18 de outubro de 2017.

Notícias correm de que está para explodir uma ofensiva do episcopado brasileiro para enfrentar a onda de tradicionalismo que percorre toda a nação.

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Projeto faraônico na nova sede da CNBB: “Onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”.

Uma reedição libertadora da inquisição? Uma caça às bruxas? Uma versão tupiniquim da Ku Klux Klan? Nada disso! Apenas a velha presunção cnbbista de se achar o centro do universo.

Não percebem os senhores bispos que se reduziram a um gueto grotesco, autorreferencial e inexpressivo.

Quem se importa com as posições da CNBB?

O povo brasileiro sequer toma conhecimento daquilo que diz e pensa o referido sindicato e, solenemente, segue o caminho oposto. Os fiascos dos últimos anos o comprovam retumbantemente.

O máximo que as excelências conseguirão é promover um bullying aos católicos tradicionais, como se os mesmos já não estivessem há décadas a suportar heroicamente o vexame de um desrespeito que produziu neles o calo de uma insensibilidade soberana, que ridicularização alguma poderá sensibilizar.

Em sua total irrelevância e incapacidade de incidir sobre quem quer que seja, os bispos brasileiros apenas encorajarão mais ainda aqueles que pensam combater. Os tradicionalistas se multiplicarão por todos os lados, exponencialmente, e serão o pesadelo de todas as suas noites. Expulsarão seminaristas considerados conservadores sem perceberem que estão ordenando outros que, fingindo-se de modernos, são mais tradicionais que os primeiros.

Arquidiocese de Niterói: “A Igreja nunca esteve tão bem”, por isso não há mais nada com o que se preocupar. Fiéis agora aguardam notas pedindo fidelidade também ao Concílio de Trento e Vaticano I.

A doença do episcopado nacional é endêmica e chama-se complexo de superioridade. Tais quais faraós superexaltados, acham-se eles tão acima de todos que se dão ao luxo de não trafegarem entre seu clero e seus seminaristas. Ordenam desconhecidos que continuarão a serem desconhecidos e as surpresas não cessarão de aparecer.

O cúmulo da contradição é que eles, em sua fobia contra véus, batinas e similares, se dão a perseguir os verdadeiros católicos enquanto clérigos apodrecem no concubinato, na homossexualidade (para não falar dos casos de transexualidade mal-disfarçada) e no roubo.

O povo não é tão estúpido quanto pôde ter sido um dia e não se dobrará a esses caprichos da hipocrisia episcopal brasileira. O desprestígio da CNBB é irreversível, pois a mediocridade de seus sindicalizados não cessa de o corroborar com um sublinhado incessantemente repetido.

A impressão que os senhores bispos têm de sua própria legitimidade está nos aplausos que trocam entre si, exatamente como nos bandos de bullying, em que a mútua confirmação referenda a sensação de vitória e superioridade. Nada tão pouco convincente.

Enquanto não chegam dias melhores para a pobre Igreja de Deus, resistamos, superando a cada dia este tempo de prova. E não nos impressionemos com o bullying. Coloquemos ante eles um espelho para que percebam sua própria comicidade.

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12 setembro, 2017

Editorial: No sétimo dia do Cardeal Carlo Caffarra.

Por FratresInUnum.com – 12 de setembro de 2017

“Nós não compartilhamos em absoluto aquela posição de quantos consideram que a Sede de Pedro está vacante”. Foram estas as marcantes palavras do arcebispo emérito de Bolonha, há sete dias falecido, o Cardeal Carlo Caffarra, em sua última carta pública ao Papa Francisco, carta em que pedia uma audiência, audiência que foi negada.

wp-image-540957462A frase é, em si mesma, muito misteriosa, considerando-se o fato de que Caffarra foi um dos eleitores do último conclave. Como assim? Existe alguém que tenha participado daquele conclave e que cogita a possibilidade de uma eleição ilegítima? Intrigante!

Sua carta revela a lealdade de quem fala com clareza ao seu superior, sem bajulações descabidas nem desrespeitos levianos.

Contudo, não deixa de causar espanto que, em apenas dois meses, dois dos quatro signatários dos dubia tenham morrido.

Aqui, obviamente, não queremos conjecturar nenhuma hipótese criminal, tal como o envenenamento ou outro tipo de homicídio discreto. Afinal de contas, esses usos deixaram de ser adotados, digamos, há algumas décadas, excetuando-se, talvez, o caso de João Paulo I. A propósito, diz-se que, quando tornou-se emérito, o Cardeal Medina transferiu-se imediatamente para o Chile, alegando que se sentia mais seguro lá que em Roma. Mas, enfim, são métodos ultrapassados!

Também não queremos apelar ao argumento ad macumbam, ainda que o recurso à feitiçaria fosse bastante recorrente por parte de certos hierarcas da antiguidade, sobretudo durante do Renascimento. Mesmo que o diabo ande às soltas, esse tipo de premissa preternatural não seria tão facilmente demonstrável.

Preferimos pensar tratar-se de desgosto, mesmo! Como dizem os italianos, o velho crepacuore. Desgosto por ter dado a vida inteira pela defesa da santidade do matrimônio e da sacralidade da vida e ver estas duas colunas sendo continuamente profanadas durante o pontificado atual, desgosto por ver a doutrina moral católica totalmente refém do relativismo de um magistério dialético, tão monstruoso como um dragão de sete cabeças, desgosto por ser desprezado na idade anciã, justo por um papa que considera que um dos piores males dos tempos atuais é o abandono dos idosos.

A morte do Cardeal Caffarra silencia a voz de um confessor da fé, talvez do principal dentre os quatro que se levantaram para, com toda a franqueza e abertura que Francisco vive protestando dever existir na Igreja, apresentar-lhe a perplexidade de fieis católicos do mundo inteiro que se sentem desorientados com a atual confusão. Por isso, é natural que alguém se pergunte se o seu falecimento não significaria o fim dos dubia e a completa derrota da posição católica.

Nossa opinião é um estrondoso “não!”, pois, embora a púrpura cardinalícia tenha alguma força, mais forte que ela é o poder da verdade, poder que constrangeu Francisco ao silêncio!

Francisco não pode responder aos cinco dubia. Ele não passa pela prova evangélica do “sim, sim; não, não”. Ele renunciou conscientemente à nitidez da verdade e aderiu, também conscientemente, aos tons de cinza do antagonismo doutrinal.

Esse pontificado acabou. Francisco renunciou tacitamente a ser magister, mestre da Igreja Católica. Seu compromisso não é com suas ovelhas, Ele “não pensa como Deus, mas como os homens”. Não à toa, o Cardeal Müller afirmou que no Vaticano “hoje, a diplomacia e as questões de poder têm prioridade” em relação à verdade.

O silêncio de Francisco é a vitória dos quatro cardeais. Podem todos morrer, mas a eloquência do silêncio de suas vozes jamais sobrepujará o ensurdecedor grito do silêncio de Francisco.

“Nós não compartilhamos em absoluto aquela posição de quantos consideram que a Sede de Pedro está vacante”, dizia o Cardeal Caffarra. De fato, há alguém ali sentado: Francisco não renunciou ao seu ofício, mas renunciou exercê-lo.

Caffara, embora morto, vive. Francisco, embora vivo, escolheu morrer!

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5 setembro, 2017

Editorial: “Igreja em saída” ou “Igreja de saída”?

Por FratresInUnum.com – 5 de setembro de 2017

Desde que foi eleito, Papa Francisco se propôs a dar uma guinada radical nas direções pastorais da Igreja, um “giro copernicano” que se poderia muito bem resumir naquele que tem sido o horizonte mesmo da missão jesuítica a partir do Pe. Pedro Arrupe: não mais salvar as almas, mas salvar o planeta, salvar o mundo, numa verdadeira inversão – da transcendência para a imanência.

Praca Sao Pedro

À esquerda, Jornada pela Vida na Praça de São Pedro, em 2007. À direita, a Jornada de 2017.

Essa nova dinâmica pastoral foi bem sintetizada por Francisco naquela expressão paradigmática que passou a ser reverberada por toda a hierarquia: agora nós somos uma “Igreja em saída”.

Mas, perguntamo-nos, saída para onde?

O Papa reinante quer levar a cabo as suas reformas, mas, para isso, conta com um clero apático. E esta apatia foi gerada – nada mais, nada menos que – pelas mesmas reformas que ele deseja implementar.

Não fossem essas ideologias progressistas, os padres católicos estariam, como há tempos, ocupados com a salvação das almas. Mas, se não há mundo a ser salvo e, ao contrário, há uma Igreja que precisa se adaptar à moral vigente no ocidente em franca decadência, não há mais sentido em consagrar a própria vida para fazer o mesmo que qualquer ONG pode fazer.

Olhando para a realidade do clero, o que vemos? Padres estressadíssimos por causa de uma agenda diocesana repleta de reuniões inúteis, nervosos por causa das pressões dos bispos sempre atentos às exorbitantes taxas econômicas com as quais enriquecem as suas cúrias e ciosos de sua própria autoridade episcopal, pressionados pelas elites de urubus que compõem o laicato apegado aos seus cargos em paróquias e pastorais, doentes, que acabam desenvolvendo problemas psiquiátricos como a depressão, obesos ou mesmo vítimas de outros vícios, motivados pela ansiedade não tratada, chegando, em números nunca divulgados, aos extremos do enlouquecimento e do suicídio…

De fato, estamos em saída para onde? Para o cemitério? Para as clínicas psiquiátricas?…

Quem serão os missionários que levarão adiante a caricatura de misericórdia às periferias do mundo? Esses professores dos institutos de teologia, que defendem a “opção preferencial pelos pobres”, mas cuja única opção preferencial é retirar seu ordenado no fim do mês para gastá-lo em restaurantes luxuosos, em férias no exterior ou em diversões, digamos, pouco ortodoxas? Esses padres modernistas não se sacrificam, não se imolam, não aguentam sequer ouvir confissões… Como suportarão saírem de seu conforto para irem aos últimos dos últimos?

Essa “igreja pobre e para os pobres” de Francisco é apenas um slogan e permanecerá assim para sempre. Os pioneiros da Teologia da Libertação, pelo menos, eram pastores formados segundo uma mentalidade antiga, tinham uma paternidade entranhada na alma. Eram incrédulos, mas atraíam os outros e se doavam. Eram incrédulos sinceros. Já os progressistas atuais são a pior vergonha do progressismo. Os que defendem Francisco são a expressão mais acabada do fracasso de um modelo de Igreja que não deu certo e não dará.

Querem dar os sacramentos para quem os despreza. A “Igreja em saída”, em seus discursos e em sua atuação, em sua autoaniquilação e esfacelamento, é o oposto de uma “Igreja em entrada”.

Acordem, senhores. Este delírio é perigoso! Alguém tem notícias de um surto de conversões na Europa ou em algum outro lugar do mundo? Suas Igrejas estão mais cheias e com fieis mais fervorosos desde que entronizaram este papa?

“Padre, o Sr. pode me atender?”. “Não, querido. Estou de saída”. Quem nunca ouviu essa desculpa?… E é assim que a Igreja de Francisco, de “Igreja em saída” se tornou e sempre será uma “Igreja de saída”.

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28 agosto, 2017

Editorial: Um ataque brutal às mulheres Católicas.

Não há acordo: eles creem na “Mãe Terra”, nós cremos na Mãe de Deus.

Por FratresInUnum.com

Por todos os lados, chegam-nos notícias de uma crescente propaganda de bispos contra – pasmem! – a “Consagração a Nossa Senhora” segundo o método de São Luiz Maria Montfort, o uso de cadeias, de véus e de saias por parte de mulheres, e tudo por causa de uma alegada “onda de conservadorismo” que, como surto, teria tomado a Igreja no Brasil.

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Eles querem salvar o planeta, nós queremos salvar as almas.

Mas… Por que um pano na cabeça incomoda tanto os bispos? Por que uma saia abaixo do joelho ou uma pulseira gera tanto desconforto? Por que os bispos não criticam o véu das muçulmanas ou as suas burcas? Por que apenas as Católicas os incomodam? Não parece desproporcional a ofensiva, diante de uma minoria de mulheres que adere aos usos mais tradicionais?

Notem a contradição. Enquanto esses senhores se encorajam mutuamente, respaldados pelo estímulo progressista deste pontificado, voltam-se com fúria contra tudo que representa o mínimo vínculo com a antiga religião Católica, cujos resquícios precisam ser definitivamente apagados, para que não reste a mínima lembrança de uma tradição cuja força de atração é capaz de suplantar a nova religião que eles querem trazer à luz. É uma “coragem” contra aquilo que eles “temem”. É uma ofensiva que se demonstra mais do que tudo defensiva. É uma força que se mostra como ostensiva fraqueza.

Nesta hora de impasse, é necessário que as mulheres compreendam que a Providência Divina pôs em suas mãos uma força impressionante! Em cada mulher de véu, de saia, de cadeia no pulso, há uma guerreira, há uma afronta a Satanás, justamente naquilo que ele mais detesta: a lembrança nítida de Maria Santíssima.

As provocações desses senhores só aumentarão, e por um motivo: são eles que se sentem afetados, provocados, insultados pela devoção e piedade daquilo que há de mais delicado e doce, justamente a feminilidade das mulheres Católicas, seu amor reverente a Deus, sua modesta dedicação à Igreja.

Entre os modos toscos com que tratam as coisas sacras e a delicadeza das novas donzelas da Virgem Santíssima há um abismo. Elas são a acusação silenciosa de uma apostasia que eles precisam disfarçar, são uma clarinada de Deus para despertar as suas consciências mortas, são a pregação simbólica de uma santidade que se quer voluntariamente esquecer.

Além disso, são estas mulheres marianas a rejeição de uma nova mariologia que sucumbiu à podridão do que há de pior no feminismo radical. Trocaram a Virgem Puríssima pela “Maria do povo”, um protótipo de militante comunista, engajada em movimentos sociais e lavadeira subversiva… Querem interceptar a devoção a Nossa Senhora Aparecida com esta falsificação brutal, induzindo as pessoas a uma compreensão mariana deformada.

Esta “Maria” inexistente é a do empoderamento feminista, que exige o sacerdócio das mulheres, o destronamento do Verbo que se fez homem. Não é a serva do Senhor. Ela não é serva de ninguém e não tem servos, é libertadora. Por isso, são insuportáveis as correntes, as pulseiras, as cadeias.

Eles querem nos impor a “Maria da Terra”, mas nós cremos em “Maria, Porta do céu”. Eles querem salvar o planeta, nós queremos salvar as almas. Eles querem o mundo, nós queremos a eternidade. Eles pretendem que as mulheres da Igreja sejam um reflexo das mulheres do mundo; enquanto as mulheres da Igreja pretendem ser um reflexo das mulheres do céu, das santas e, sobretudo, da Virgem Santa Maria. Por isso, não há acordo: eles creem na “Mãe Terra”, nós cremos na Mãe de Deus.

Não há motivos para temer. A crise passará e, como disse há cem anos a Virgem de Fátima, “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”! As filhas de Maria continuarão com esta procissão humilde e devota, enfrentarão hostilidades e condenações, não terão afeto de seus padres e prelados, mas prevalecerão.

Repetimos: a Providência Divina colocou nas mãos das mulheres um poder do qual precisam se tornar conscientes. Coragem! Continuem firmes. A vitória é certa e quem permanecer ao lado de Nossa Senhora, seguramente, com Ela triunfará.

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21 agosto, 2017

Editorial: Crise irreversível do progressismo católico. Análise e pistas de ação.

Por FratresInUnum.com

Não é simples descrever a realidade. Necessitamos de símbolos, imagens que condensem os dados difusos na desordem dos acontecimentos. E este é o nosso maior drama.

Como explicar o que está acontecendo na Igreja, aquilo que está se adensando no pontificado do Papa Francisco?… A maior parte dos fieis e mesmo da hierarquia simplesmente não entende o que se passa. Estão todos aprisionados em cacoetes mentais, com o olhar distorcido por lentes propositalmente construídas para inverter as percepções.

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Os bezerros de ouro da Teologia da Libertação reunidos no Congresso “Teológico” na Unisinos, de 7 a 11 de outubro de 2012.

O resultado dessa desconexão entre a percepção e a realidade é o delírio: a psicótica construção de um mundo falso, em que a imaginação fantasia um ideal para sobreviver no meio do caos e do insuportável. A psicose, no caso, vai desde a euforia histérica de quem celebra uma primavera em meio a um rigoroso inverno até a de quem se deprime por não encontrar nenhuma saída no encurralamento.

Mas, o que está sendo falsificado? E que saída existe tanto para a falsificação quanto para os seus resultados nefastos?

O que está sendo falsificado, em suma, é o Evangelho. O que Papa Francisco está a fazer não é o desenvolvimento de uma Teologia da Libertação, como pensam os mais apressados. Ele mesmo o negaria, caso alguém lhe perguntasse. Na verdade, é algo bem pior, muito mais letal: trata-se de uma mente que assimilou os princípios desse tipo de abordagem teológica.

O próprio Gustavo Gutiérrez, em seu livro “Teologia de la Liberación” apregoa, antes de tudo, uma Teologia crítica, que reinterpreta toda a teologia cristã a partir de um novo paradigma: não existe mais a história da salvação, esta seria a própria história dos homens; não há um mundo a ser salvo, há uma Igreja a ser convertida ao mundo. É a perversão do sal que perdeu o sabor, o esvaziamento do Evangelho naquilo que o secularismo ocidental erigiu como quadro de novos valores. Reinterpreta-se tudo a partir de um referencial politicamente correto e a própria máquina eclesial se declina como instrumento para incutir essa mentalidade essencialmente antropoteísta.

O “evangelho” pregado por Papa Bergoglio tem gosto de jornal, não da boa-nova de Jesus Cristo; tem como interlocutores não seus fieis, mas os patrocinadores de todas as ideologias que, como vendaval impetuoso, sacodem agressivamente a barca da Igreja. Ao invés de escolher ser pastor, Bergoglio escolheu ser o bom-menino de George Soros e de toda a elite global, reduzindo sua Igreja à subserviência desses senhores.

É evidente que seu discurso é aplaudido pela mídia, cujos donos são seus mesmos inspiradores; mas também é óbvio que nada tem a acrescentar, que padece de total falta de originalidade. O progressismo atingiu as raias de seu poder de convencimento e não tem mais futuro, envelhece com seus defensores.

A estrutura hierárquica da Igreja se coloca ao serviço dessa desconstrução de si mesma. Obviamente, o sucesso deste progressismo voraz construiu-se graças a uma meticulosa deformação intelectual, instilada como veneno na mente mesma dos seminaristas de todo o mundo, décadas a fio, bons moços que, por seu próprio servilismo, foram sendo promovidos, e hoje são bispos, cardeais e papa.

Por todos os lados, ouvem-se rumores de padres e fieis recriminados por seus prelados. Os véus começam a ser proibidos, comunhões de joelhos censuradas, hábitos eclesiásticos ridicularizados; vêem-se por todos os lados os velhos bispos de orientação libertadora reestreiando suas camisas laicais e seus chinelos grotescos.

Não contam estes senhores, em seu delírio, com o fato de que não cessa de crescer o seu descolamento do corpo da Igreja. Francisco é uma figura com a qual os fieis se sentem simpatizados, mas cujo discurso não chega ao seu coração; ninguém sabe o que ele pensa nem o que está fazendo e, quando as pessoas se dão conta disso, assustam-se e decaem na autodefesa psíquica da negação. Os bispos não dizem absolutamente nada significativo ao seu povo, são figuras completamente inexpressivas, incapacitaram-se para a reprodução de suas próprias ideias: estão se suicidando em sua incredulidade ostensiva.

Enquanto os seminários e congregações progressistas não cessam de sucumbir, aqueles conservadores não param de crescer. E quanto mais são perseguidos, mais crescem em força, duma forma criativa, subterrânea. Nas faculdades de teologia, os professores vivem a criar mártires, cujo heroísmo é reforçado pelos vexames que são obrigados a suportar diuturnamente. Quanto mais cresce a violência progressista, mais aumenta a resistência conservadora; e quanto mais esta é desarticulada e esparsa, tanto mais é incontrolável e inexoravelmente fadada a prevalecer. Ela é um gigante que cresce com os golpes de seus algozes.

Numa Igreja suicida, é óbvio que a resistência pacífica e silenciosa de um clero não vendido aumenta seu poder de difusão. Só a autenticidade convence. A politicagem interesseira e carreirista enoja seus próprios atores e os divide, pois, em busca de poder, acabam por se aniquilar. Qualquer estrategista minimamente preparado sabe que quanto mais se obriga alguém a dissimular suas convicções, mais retro-estimula essas mesmas convicções nos mais fortes, pois os obriga a encontrar argumentos mentais que os fortifiquem em sua interioridade, constrangida a representar um personagem ingratamente assumido.

Não estamos diante de uma primavera. Este inverno da Igreja é inédito, e não temos imagens que o possam descrever. Mas certo é que o progressismo não tem forças de reprodução e está condenado, a despeito do seu marketing. O futuro da Igreja não está em sua paradoxal senilidade progressista, mas na jovialidade conservadora. No fim das contas, Bergoglio representa um passado entusiasmado, mas teimoso em não morrer.

Admitamos. É frustrante ter dado a vida para matar aquilo que as novas gerações alegremente ressuscitam. Mas este espírito de ressurreição – de restauração, como dizem eles – não vem senão do poder criativo do próprio Deus. Num mundo que precisa de uma Igreja com voz firme, pois se entrega insanamente às garras de um fundamentalismo irresponsável exatamente porque se sente órfão, a Igreja progressista escolheu emudecer-se. E a sua mudez é fatal!

Nossa esperança está nessas comunidades pequenas, firmes, resistentes, vivas, na alegria que muitos padres e bispos continuam mantendo, conservando a doutrina tradicional, a missa de sempre e os costumes perenes da Igreja. É aí que está a nossa força. E aqueles senhores simplesmente não têm capacidade de convencimento. São incrédulos. Apodrecerão em suas dúvidas e, entre os escombros da Igreja, ressurgirá gloriosa a vinha do Senhor, a eterna e Santa Igreja Católica.

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14 junho, 2017

Felix Dies Natalis.  

Ontem, dia 13, nós todos, Fratres in Unum, completamos 9 anos de blog. Reze, por favor, uma Ave Maria por nosso humilde trabalho e, especialmente, pela saúde de nossa valorosa combatente Gercione Lima. 

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13 junho, 2016

Editorial – Agora, na mira de Francisco: os bispos!

Como uma mãe amorosa”. Esse é o título do Motu Proprio que Papa Bergoglio acaba de publicar. O assunto é a remoção dos bispos que são negligentes em seu ofício episcopal.

Agora, eles estão no alvo: os bispos!

Logo no artigo 1o., Francisco afirma sem titubeios: “O Bispo diocesano ou Eparca, ou aquele que, mesmo que a título temporário, tem a responsabilidade por uma Igreja particular ou por uma outra comunidade de fieis equiparada a essa, no sentido do c. 368 do CIC e do c. 313 do CCEO, pode ser legitimamente removido do seu cargo, se tiver, por negligência, feito ou omitido atos que tenham provocado grave dano a outros, tratem-se de pessoas físicas ou de uma comunidade em seu conjunto. O dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial”.

vescoviEm um artigo, o Papa argentino colocou quase a totalidade dos bispos em situação perigosa. Aliás, não apenas os bispos, mas até mesmo os administradores diocesanos ou apostólicos que, a título temporário, tiverem algum dos problemas acima.

Notem que o dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial! Qual é a diocese que não tem algum clérigo, ou até mesmo o próprio Ordinário, que não tenha feito ou omitido atos que tenham causado algum dano desse tipo?… Estamos certos de que o leitor conhecerá um, senão alguns ou muitos casos em que o bispo se encontraria exatamente nessa situação.

Lembram aquele padre que deu escândalo e foi removido para outra paróquia ou diocese, como se nada tivesse acontecido? Ou aquele que foi preso porque teve de denunciar suborno de eventuais amantes e continua celebrando suas missas, com anuência do bispo e até da mídia? Ou aquele que engravidou uma moça e o bispo disse que ele não precisava abandonar o ministério, mas apenas mudar paróquia, e depois foi transferido? Ou aquele que faliu uma comunidade, e outra, e outra, e outra, e continua a falir, porque paga pontualmente a cúria? Ou aquele bispo que injustiçou um padre bom, jogando-o numa paróquia longínqua e miserável? Ou mesmo o bispo que destruiu a vida de um seminarista, expulsando-o de um seminário injustamente? Ou daqueles que permitem suas universidades e seminários serem infestados de hereges, expulsando os bons teólogos? Ou dos bispos que vivem onerando as paróquias com taxas que ninguém sabe para que serão usadas? Ou dos bispos que proíbem a missa tradicional em suas dioceses, mas permitem todos os abusos litúrgicos? Ou dos bispos que só falam em dinheiro, em construção de Catedrais milionárias e modernosas, vivem viajando mundo afora ou tirando fotos de bermuda e postando no facebook? Até agora só vimos alguns padres serem penalizados. Agora, chegou a vez dos bispos! Eis a grande novidade!

Claro, o bispo terá tempo de se defender e produzir provas, e a Congregação dos Bispos poderá até mesmo consultar a Conferência Episcopal… Mas, diante de fatos e de acusações do povo, que margem haverá para escapar das evidências de negligência? No Brasil, esse é o pecado capital do governo dos bispos. Negligência! E negligência já nos seminários, cujo maior número é entregue a formadores incapazes e, por vezes, inidôneos. Agora ficou fácil: basta abrir a caixa preta! E não faltarão ex-seminaristas, padres afastados, funcionários ou pessoas prejudicadas que não queiram abrir a boca!

Diante disso, Francisco oferece aos bispos duas alternativas: uma, com misericórdia; e outra, sem misericórdia. Ah, a misericórdia de Francisco!

“Caso considere oportuna a remoção do Bispo, a Congregação estabelecerá, com base nas circunstâncias do caso, se:

1o. dar, em mais breve tempo possível, o decreto de remoção;

2o. exortar fraternalmente o Bispo a apresentar a sua renúncia no prazo de 15 dias. Se o bispo não der a sua resposta no prazo previsto, a Congregação poderá emitir o decreto de remoção”.

Lembramos que, no segundo caso, a práxis seria aquela adotada com o finado Dom Rogélio Livieres: depois de sua remoção, não foi nomeado bispo emérito, mas ex-bispo de Ciudad del Est, porém, no caso dele, amado e venerado pelo povo e pelo clero.

Como o Motu Proprio entra em vigor no dia 5 de setembro, já deve ter começado a correria para se produzir provas e testemunhos em defesa dos negligentes. Admitamos: isso chega a provocar, digamos, misericórdia.

Claro! Todos sabemos que hoje em dia os bispos acabam caindo em situações que nem eles mesmos nunca imaginavam ter de enfrentar. Tantas vezes, acabam ajudando um padre por acreditarem em sua possibilidade de conversão. Eles são bispos, não delegados de polícia.

Pois é, mas, mesmo nesses casos – e não falamos daqueles propriamente escandalosos e negligentes –, um bispo pode perder sua diocese. E não terá ninguém para quem apelar. Se for religioso, ainda pode voltar para o convento; mas, se for diocesano, o jeito mesmo é começar a vida do zero.

Bem… Não acreditamos que Francisco faça isso propriamente por amor à justiça. Não! Justo ele que condenou o inocente Dom Livieres e promoveu o conhecidamente escandaloso Mons. Ricca ao IOR. E nem falemos do caso do badaladíssimo Mons. Camaldo…

Francisco é um soberano. Age como ditador. Como religioso, comporta-se propriamente aos modos de um superior dalguma congregação religiosa: a Igreja virou o seu convento.

Dizia Maquiavel, “divide e reinarás!”. E, de fato, Francisco é bem maquiavélico. Primeiro, jogava o povo contra os padres, em discursos sempre críticos, chegando mesmo a dedicar o Capítulo III de Evangelii Gaudium para denigrir as homilias dos padres. Como se ele fosse um grande orador, com seus três pontinhos… Nesse quesito, aliás, quantas saudades de Ratzinger! Ao invés de indiretas e banalidades, ele brindava a Igreja com uma elevada teologia. Mas, enfim, águas passadas…

Agora, Francisco joga o povo contra os bispos. Está aberta a temporada de caça! Basta fazer uma denúncia, padres ou leigos, e a guilhotina começa a ser afiada, como uma mãe amorosa.

Esperamos que, agora, os bispos acordem! Durante muito tempo foram complacentes e, brindando a promessa circense de uma eventual sinodalidade, hipnotizados com o discurso colegial bergogliano, deixaram passar monstruosidades como as aberrações doutrinais de Amoris Lætitia. Agora, eles serão as vítimas dessa arbitrariedade e, talvez assim, e somente assim, percebam quanto custa negociar com a verdade do Evangelho para insuflar a vaidade mundana de um homem.

Por detrás da demagogia de Francisco jaz um déspota cujo desejo de poder não supera apenas a obstinação ideológica. Obstinação que visa transformar o catolicismo numa sucursal da ONU, e fazê-lo o homem mais aplaudido do mundo e… pelo mundo!

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5 fevereiro, 2016

Pe. Zezinho & Pe. Joãozinho. A diminuta dupla diminutiva e sua “fuga em ré menor”.

Editorial de FratresInUnum.com

Nunca entendemos porque esses dois gostam tanto de diminutivos… Aliás, tão pueris e impróprios para sua idade e condição.

Em todo caso, nas últimas semanas os dois andaram meio atacados; ou melhor, atacando os outros…

Com todo aquele ar de superioridade que os caracteriza – adoram passar “pitos” em todo mundo! –, erigiram-se acima e no centro e decidem quem está à direita e quem à esquerda. Este, a propósito, é um modus operandi muito usual de Pe. José Fernandes (ou Zezinho), que em suas músicas ou quadros na TV sempre se pôs a dar liçõezinhas de “moral” em todo mundo, a criticar a falta de ética na política, de tolerância, de ecumenismo, a etiquetar os outros de radical, enquanto ele desfila como um monumento da infalibilidade moral.

Até aqui, nenhuma novidade.

Porém, nos últimos dias, os dois começaram a disparar contra o clero “conservador”, termo cujo significado desconhecem por completo, a invocar a “inerrância” da teologia da libertação, a louvar histericamente a CNBB, chamando em causa o próprio Papa Francisco.

Tudo começou há algumas semanas, quando, repentinamente, Pe. Zezinho começou a atacar o que ele chamou de OS NOVOS MONTANISTAS.

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Comportando-se como um caça-fantasmas, cita sem citar, manda indiretas. Ele é um padre, não uma futriqueira de sacristia, como essas que o Papa Francisco vive corrigindo. A propósito, num discurso improvisado a religiosos – Pe. Zezinho é religioso, não?! –, o Papa que ele diz tanto amar soltou essa:

“Escutem bem: não às fofocas, ao terrorismo das fofocas. Porque quem fofoca é um terrorista. É um terrorista dentro da própria comunidade, porque atira a palavra como uma bomba contra este, contra aquele, e depois vai embora tranquilo. Destrói! Quem faz isso destrói, como uma bomba, e ele se afasta. Se lhe dá vontade de dizer qualquer coisa contra um irmão ou irmã, de jogar uma bomba de fofoca, morda a língua! Forte! Terrorismo na comunidade, não! ‘Mas, Padre, e se tiver alguma coisa, um defeito, algo a se corrigir?’. Diga à pessoa: você tem essa atitude que me faz mal, ou não está bem. As fofocas não ajudam!” (Discurso, 1/02/2016).

Mas isso é o de menos! Aliás, se fosse para rebater essas maledicências indiretas, nem nos ocuparíamos em escrever a respeito.

O problema é uma das frases do texto, quando ele diz que “escolheram como alvo a Teologia da Libertação que faz tempo que se libertou da pecha de pro-marxista”… Como? Não, isso não dá!

E é justamente aqui que sua fala se alinha com uma interessante intervenção do Pe. Joãozinho em um encontro, ocorrido no fim de janeiro passado, em Aparecida, SP, em que afirmou:

(…) Aí alguém vai dizer: peraí, eu já peguei esse livro do Gustavo Gutierrez aqui ó: e ele é marxista! Hoje tem o marxismo cultural. Claro que ele é marxista!, porque ele tava falando pra marxistas. No periodo dele ele tava falando pra guerrilheiros, com o Camilo Torres, mas ele mudou… o… sotaque quando mudou o interlocutor. Então tem uma segunda edição, 1800… 1989, que muita gente não lê, né. Tem, é, tá publicada no brasil pela edições Loyola, e tem, um livro do atual prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerrard Muler, sobre isso: “Ao lado dos pobres”, eu preferia até, ao lado do pobre, solidário com o pobre que é Jesus, né?

Mas a dupla, sempre tão alinhada, agora parece se contradizer: a TL se “libertou da pecha de pro-marxista” ou houve apenas uma “mudança de sotaque”?

É óbvio que isso não começou hoje. Hibridizar RCC e TL é uma das metas mais antigas de Pe. Joãozinho. Ele e Pe. Zezinho formam, entre os desafortunados dehonianos, prodígios como Fabio de Melo, religioso que depois renunciou aos votos, entre eles o de pobreza, e se fez diocesano. Seria porque optou pelo cachê?

Aliás, a tese de doutorado de Pe. Joãozinho em teologia sistemática é propriamente sobre o conceito de salvação em Gustavo Gutiérrez.

No trecho acima, ele faz o seguinte raciocínio: Gustavo Gutiérrez não é marxista, mas ele é marxista para conversar com marxistas!!! –Que lógica, hein?!

Segundo Pe. Joãozinho, a TL não é marxista, nunca foi, nunca será. É apenas uma concretização da tal “opção pelos pobres”. Ele apela para a nova edição do livro de Gutiérrez, para o Cardeal Müller da Congregação para a Doutrina da Fé (que segundo o Arcebispo de Lima, terra de Gutierrez, é um “bom alemão, bom teólogo, um pouco ingênuo”), como se mil argumentos de autoridade pudessem mudar fatos, ou melhor, documentos publicados.

Pe. Joãozinho reclama muito de “generalidades”, mas a sua palestra foi um caleidoscópio de generalizações, citações de orelha, escassíssima documentação, em suma, uma vergonha acadêmica, diante da qual, invocar três doutorados de pouco serve!, embora essa gente ame os argumentos de autoridade, ainda mais quando a autoridade é a sua. Sabem aquelas pessoas que desfiam palavras difíceis como se aquilo provasse ciência?… Tipo assim!

A este respeito, enxertamos aqui o trecho de um artigo que publicamos há alguns meses, cuja leitura nos parece tremendamente necessária. Nele, utilizou-se a edição de 1996 do livro de Gustavo Gutiérrez, justamente essa com “novo sotaque”, levantada como troféu por Joãozinho em sua “conferência”!

* * *

Engana-se quem imagina que a TL seja uma corrente teológica inspirada no marxismo.

A TL é uma metodologia destinada a transformar a Igreja numa organização integralmente marxista. Para entendê-lo melhor, valhamo-nos da reflexão do fundador da TL, o Padre Gustavo Gutiérrez.

Em seu livro “Teologia da Libertação” (Loyola, São Paulo: 2000, conforme a 9ª. edição original de 1996), Gutiérrez afirma que a história da teologia poderia ser dividida em três fases: no primeiro milênio, a teologia era uma reflexão sapiencial; no segundo milênio, uma reflexão racional; e agora, no terceiro milênio, seria uma “reflexão crítica sobre a práxis, uma teologia crítica” (cf. pp. 61-71).

Ele assume que “entre os antecedentes desta teologia estão o pensamento marxista centrado na práxis, dirigido para a transformação do mundo, cuja gravitação se acentuou no clima cultural dos últimos tempos, e constitui-se em marco formal de todo o pensamento filosófico de hoje, não superável” (pg. 65).

Ademais, admite que todos esses fatores “levaram igualmente à redescoberta ou à explicitação da função da teologia como reflexão crítica”, explicando que, “reflexão crítica” significa que “a teologia deve ser um pensamento crítico de si mesmo, de seus próprios fundamentos[…] Referimo-nos também a uma atitude lúcida e crítica com relação aos condicionamentos econômicos e socioculturais da vida e reflexão da comunidade cristã […] A reflexão teológica seria então, necessariamente, uma crítica da sociedade e da Igreja…, indissoluvelmente unida à práxis histórica” (pp. 67-68).

Gutiérrez não titubeia, e afirma que “se, porém, parte a teologia dessa leitura e contribui para descobrir a significação dos acontecimentos históricos, é para fazer que seja mais radical e lúcido o compromisso libertador dos cristãos. Só o exercício da função profética, assim entendida, fará do teólogo o que, usando a expressão de A. Gramsci, pode chamar-se um novo tipo de ‘intelectual orgânico’” (pp. 70-71).

“Estamos, pois”, conclui Gutierrez, “diante de uma hermenêutica política do Evangelho” (p. 71), que não se limita apenas a justapor-se a toda a tradição, mas “leva necessariamente a uma redefinição” daqueles dois modelos anteriores, de modo que “sabedoria e saber racional terão, daí em diante, mais explicitamente, como ponto de partida e como contexto, a práxis histórica” (p. 72). Portanto, o que “a teologia da libertação nos propõe não é tanto um novo tema para a reflexão quanto um novo modo de fazer teologia” (pp. 72-73).

* * *

Não precisamos sequer citar, por exemplo, o clamoroso artigo de Leonardo Boff no “Jornal do Brasil”, em 6 de abril de 1986, em que ele escreve, explicitamente: “O que propomos não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia”; bastaria citar a própria Instrução Libertatis Nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de agosto de 1984, portanto, anterior ao artigo de Boff e em meio à efervescência da “teologia da libertação”, em que a Santa Sé quer “chamar a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, para os desvios e perigos de desvio, prejudiciais à fé e à vida cristã, inerentes a certas formas da teologia da libertação que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista” (Introdução).

Fazendo-se de surdos, os “teólogos” da libertação camuflaram-se na estrutura da Igreja e, mediante a revolução cultural, foram chegando ao resultado que queriam: a consolidação de um partido político (PT) a partir do laicato católico, partido em favor do qual militam até hoje membros da hierarquia; e, para atingirem este fim, usar a Igreja como mídia de seus “valores”, apresentados como “valores do Reino”.

As musiquinhas esquerdistas de Zé Vicente e Pe. Zezinho serviram exatamente para isso. É difícil, por exemplo, imaginar que a “música” do Pe. Zezinho intitulada “Trabalhadores”, não faça uma imediata evocação ao “Partidos dos Trabalhadores”.

Silenciados e corrigidos pela Congregação para a Doutrina da Fé, os teólogos da libertação encontram agora a última, já que estão todos à beira do túmulo, oportunidade para sair do armário, e o fazem alegando uma suposta humilde aceitação da correção: a libertação de “pecha de pro-marxismo”, como disse pe. Zezinho,  mas, que — por lapso?! — Pe. Joãozinho confessou como uma mera “mudança de sotaque”…

Não há nada de novo na história: uma vez condenadas pela Igreja, as grandes heresias se travestiam de humildade para, supostamente “corrigidas”, apresentarem-se com uma roupagem menos escandalosa. Assim foi com o neo-arianismo, o neo-pelagianismo e, mais recentemente, o neo-modernismo.

Além disso, Pe. Zezinho esperneia para defender os bispos, dizendo que NUNCA!, nunca conheceu um, hum, 1, unzinho, one, bispo marxista…

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Como assim? Ele supõe que o que faz um bispo ou um padre ser marxista é auto-declarar-se marxista?

Pe. Zezinho, mas o senhor não se declara marxista, nem modernista, nem cantor cafona e brega que chegou ao seu auge enquanto o catolicismo no Brasil chegava ao fundo do poço… no entanto, o é com muita propriedade! Quase um Valdik Soriano sem rayban, sem chapéu e, óbvio, sem batina,  cantando “trabalhadores, trabalhadoras”…

Alega que querem atacar o Papa Bergoglio, mas, não tendo coragem, acabam por atacar a CNBB, querendo separá-la do mesmo Papa… Mas que lógica a dessa turma! Se são contra o Papa e contra a CNBB, por que separá-los?

Parece que Pe. Zezinho lê apenas os seus próprios textos. Será que ele não percebe o tremendo mal-estar do povo católico com as “inovações” de Francisco? Foram mais de 800 mil de assinaturas contra as aclamadas “inovações” do Sínodo da Família!! Será que não lê as inúmeras críticas que Francisco recebe, inclusive por membros da alta hierarquia, mesmo cardeais!, que em tons mais ou menos polidos manifestam sua perplexidade diante de suas declarações ambíguas?

Critica-se o que é criticável em Papa Francisco. Ele mesmo se critica, em diversas de suas entrevistas, e não parece preocupar-se muito com isso. Até telefonou para o falecido Mario Palmaro, jornalista extremamente ácido em relação a Bergoglio, para agradecer-lhe e dizer que aceitou as críticas porque “foram feitas com amor”. Cadê seu amor, Pe. Zezinho?

Agora, haja paciência!, dizer que se começou a criticar a CNBB apenas após a eleição de Papa Francisco é uma inverdade grotesca!

Há muito se critica o “marxismo camuflado” (e em não poucas vezes escrachado) na CNBB, praticamente desde sua fundação! Portanto, não é nenhuma novidade da era Francisco. Ainda em 2009, Bento XVI alertava os bispos:

“Vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas sequelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida” (Discurso aos bispos dos Regionais Sul 3 e Sul 4, 5 de dezembro de 2009 – negrito nosso).

É, pelo jeito Bento XVI foi impreciso e estava desatualizado — coitado, não consultou Joãozinho e Zezinho –, pois no discurso acima não fez nenhuma distinção entre a boa e má TL…

Num outro post, Pe. Zezinho ainda começou a ofender os opositores da teologia da libertação, conferindo-lhes a alcunha de “gurus” e “gurís”. Mais uma de suas arrogantes “lições” de “humildade”.

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Contudo, é forçoso reconhecer, aqui, que Pe. José (ou Zezinho) tem muita razão!!! De fato, temos muitos guris, coisa que a turminha da TL cada vez mais desconhece. É… O trem das CEBs está cada dia mais senil e caduco!!!

Lembram daquela fotografia maravilhosa feita num congresso de gurus – sim, gurus! – da TL?… Realmente, estavam faltando guris.

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O próprio Leonardo Boff reconheceu que não havia uma renovação nos “pensadores” da TL! Sabem o porquê?

A máfia “libertadora” sempre desprezou o magistério papal, hostilizou os papas, os desobedeceu cinicamente… Agora, fingem obediência a Francisco, mas apenas continuam fazendo o que lhes convém, mesmo quando isso coincide com aquilo que ele ensina.

Por isso, incorreram no castigo de Micol, mulher de Davi, que caçoou dele, enquanto entrava celebrando ante a Arca da Aliança.

“Voltando Davi para abençoar a família, Micol, filha de Saul, veio-lhe ao encontro e disse-lhe: Como se distinguiu hoje o rei de Israel, dando-se em espetáculo às servas de seus servos, e descobrindo-se sem pudor, como qualquer um do povo! Foi diante do Senhor que dancei, replicou Davi; diante do Senhor que me escolheu e me preferiu a teu pai e a toda a tua família, para fazer-me o chefe de seu povo de Israel. Foi diante do Senhor que dancei. E me abaixarei ainda mais, e me aviltarei aos teus olhos, mas serei honrado pelas escravas de que falaste. E Micol, filha de Saul, não teve mais filhos até o dia de sua morte” (2Sm 6,20-23).

A “Teologia da Libertação” é estéril. Só produz morte! Ninguém mais se interessará dela. Os jovens, hoje, querem a Tradição, querem a Fé, querem Deus!

Podem esconder-se atrás do Papa ou atrás de quem quiserem, mas isso não os fará mais atrativos. Essas demagogias impressionam apenas aqueles que sempre sonharam com elas, os revoltados de ontem, os adolescentes que nunca cresceram.

O futuro está com a Tradição! E isso não é questão de moda, da tal da “lei do pêndulo”, mas, sim, de profundidade, de verdade. Eles conhecem apenas a conveniência, o discurso gasto das décadas de 60 e 70.

Francamente, pensamos muito se deveríamos ou não fazer este comentário e, consequentemente, dar audiência a esses dois… Mas, diante de falsificações como estas da TL não poderíamos emudecer.

A sincera impressão que temos de tudo isso é que a dupla diminutiva está inconformada mesmo é com sua falta de sucesso. Aliás, seu número de likes nas mídias é irrisório – ainda bem, pra eles, que não existe a opção dislike.

Relegados ao mundo brega da catholic music, não suportam mais o vazio de auditório. Zezinho, com sua voz rouca; Joãozinho, com sua voz fanha e fina, poderiam tentar ainda fazer uma dupla. Quem sabe aproveitar a oportunidade da saída da Joelma e se juntarem ambos ao Chimbinha. Contudo, diante da falta de talento, resta-lhes mesmo é fazer isso que fizeram: uma bela fuga, na marcha ré, pra trás do papa, digamos, uma “fuga em ré menor”.

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8 dezembro, 2014

10 milhões…

… de visitas. É a marca que o Fratres atingiu no último sábado. E assim continuaremos, enquanto, e somente enquanto, nosso trabalho for útil à Santa Igreja. Sem pretensões. Que Nossa Senhora continue sendo para nós iter para tutum.

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8 julho, 2014

Editorial: A obstinação travestida pela meiga doçura de Pe. Pedro Cunha.

Por Pe. Cristóvão | Fratres in Unum.com – A obstinação de Pe. Pedro Cunha, travestida pela meiga doçura de sua aguda voz, tornou-se ainda mais patente em suas fingidas “desculpas” no áudio que publicamos há pouco.

A trupe de "Em frente", programa escarnecedor da TV Aparecida.

A trupe de “Em frente”, programa escarnecedor da TV Aparecida.

Descaradamente, ele atribui a ofensa não às suas declarações absurdas, à sua tentativa de ridicularização dos católicos, sacerdotes e leigos, mas aos telespectadores, que teriam interpretado mal suas palavras. A culpa não seria dele, mas de quem ouviu. À letra, é o estapeador dizendo que a culpa do tapa é do estapeado!

Servindo-se de uma TV católica para semear divisão na Igreja, coloca leigos contra seus próprios pastores, escarnece de nossa milenar tradição, incita intriga doméstica, colocando uma mãe contra seu próprio filho, apenas porque este cometeu o tremendo absurdo de se tornar tradicionalista, a quem Pe. Pedro tacha ipso facto de fundamentalista, e ele ainda se dá ao luxo de se considerar mal-interpretado.

Na religião ensinada por Pe. Pedro, ser ateu não é tão grave, nem tampouco ter uma relação homossexual impenitente e comungar… Grave mesmo é um padre celebrar a Missa no Rito Tradicional, fomentar o uso do véu e formar a consciência dos fieis, para que se convertam de suas situações pessoais de pecado.

Debochado, Pe. Pedro sapeca tudo isso com galhofas enrustidas, temperadas pelos presunçosos comentários amaneirados de Rodolfo, que também zombeteia como quem caçoa atrás da porta, sob os espantos ensaiados daquela senhora, digamos…, estranha. Seria realmente um espetáculo de comédia, se não se tratasse de um achincalhamento público.

A onda de contestação a este escândalo de Pe. Pedro está crescendo, e seria muito bom que a TV Aparecida tomasse providências, pois receio que a Campanha dos Devotos possa sofrer uma imensa sangria, caso a fé católica continue sendo vilipendiada por aquele canal.

Que Nossa Senhora Aparecida se compadeça do povo brasileiro, pois as desculpas esfarrapadas de Pe. Pedro valem tanto quanto seus escárnios, não passam de lixo irreciclável, e são a realização por extenso das palavras do Profeta Isaías, “ai dos que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal” (Is. V, 20).