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3 janeiro, 2014

Uma nova ofensiva de Herodes contra os Filhos da Imaculada.

“Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem” (Mateus 2:18)

Por Brian McCall – The Remnant | Tradução: T. M. Freixinho – Fratres in Unum.com: A vinda do Salvador traz não somente alegria, mas sofrimento. Após o Dia de Natal segue-se imediatamente a Festa de Santo Estevão, primeiro mártir. Dois dias depois, comemoramos o massacre dos Santos Inocentes no lugar do Divino Infante. Herodes, um usurpador da autoridade legítima na Judeia, está cheio de ódio e raiva quando ouve a respeito da possível chegada da verdadeira autoridade dentro de seu domínio. Ele não pode encontrar O Santo, a fim de colocar suas mãos Nele e, assim, descarrega sua fúria nos Santos Inocentes, aqueles recém-nascidos incapazes de se defender. Todos os tiranos ilegítimos por fim atacam com injustiça, porque, no fundo, eles sabem que sua posição é insustentável.

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Há cinquenta anos, uma autoridade tirana usurpou a governança do corpo de Cristo. Esta autoridade não é um único homem, papa ou bispo. Chama-se modernismo.[1] Ele se instalou nos mais altos postos da Igreja, cuja função é guardar e transmitir o Depósito da Fé. Ele tem exercido, de maneira injusta e ilícita, a mais alta autoridade na Igreja, agindo através dos ocupantes desses cargos — não nos cabe julgar se eles são ou não colaboradores voluntários do modernismo — não para as finalidades para as quais esses cargos foram criados, mas para injetar vírus mortais de novidade e confusão no Corpo de Cristo. Ainda assim, não obstante toda essa inovação injusta, o Corpo conserva uma pulsação fraca. A Tradição não apenas sobrevive ao ataque viral, mas cresce de maneira constante, ainda que vagarosamente, atraindo novas gerações para a beleza da Fé e da Liturgia verdadeiras.

Os Franciscanos da Imaculada (denominados FIs) não foram e não são tradicionalistas. Eles não foram fundados pelo Arcebispo Lefebvre nem jamais tiveram um relacionamento formal ou informal com a Fraternidade São Pio X. Desde a sua fundação, eles aceitaram e usaram o Novus Ordo Missae. Ainda assim, os FIs adotaram uma adesão fiel à espiritualidade de São Maximiliano Kolbe. A lealdade ao autêntico espírito de São Maximiliano inevitavelmente deve conduzir a um conflito com a tirania modernista reinante na Igreja.

O modernismo pretende sintetizar tudo, a fim de negociar um armistício com os inimigos da Igreja, especialmente, o espírito da Maçonaria. Recentemente, em um momento de verdadeira clareza, Dom Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, um Cardeal pessoalmente próximo ao Papa Francisco e escolhido por ele para liderar o seu Conselho de Oito Cardeais, explicou que essa reconciliação com o modernismo estava no centro dos [acontecimentos] de “1789 na Igreja,” conforme o Vaticano II foi descrito pelo Cardeal Suenens:

O Concílio Vaticano II foi o principal evento na Igreja no século XX. A princípio, ele significou um fim às hostilidades entre a Igreja e o modernismo, que havia sido condenado no Concílio Vaticano I. Ao contrário: nem o mundo é o reino do mal e do pecado – essas são conclusões claramente conquistadas no Vaticano II—nem a Igreja é o único refúgio do bem e da virtude. O Modernismo foi, em grade parte, uma reação contra as injustiças e abusos que menosprezavam a dignidade e os direitos da pessoa.[2]

Uma vez que o Modernismo foi uma reação ao ensinamento e a práxis tradicionais da Igreja, o Cardeal considera claramente essas coisas como “injustiças” e “abusos.” Aqui temos uma avaliação honesta por parte do Cardeal mais influente neste Pontificado, deixando claro que o último século envolveu um combate entre o Modernismo e a Igreja antes do Vaticano II, em seu ponto de vista, o Modernismo triunfando sobre o Concílio. Os FIs não depuseram suas armas e não uniram-se a esse cessar-fogo profano. O resultado tem sido a sua perseguição permanente.

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O combate de São Maximiliano foi claramente uma parte dessa luta. Ele direcionava seus esforços particularmente contra o adjutório do Modernismo na esfera temporal, a Maçonaria. A Maçonaria se alegrou com o resultado do Vaticano II, que os maçons abertamente proclamaram como uma vitória para a Maçonaria. Assim, um compromisso com o combate da Imaculada inevitavelmente levará a um confronto com o Modernismo. O engajamento em um combate assim, ao final, nos levará a enxergar as armas perenes que têm logrado êxito nessa batalha, a Missa de Sempre e a doutrina imutável da Igreja preservada há séculos e somente obscurecida sob uma nuvem de ambiguidades no Vaticano II. Ainda assim, o encontro da Missa e da Doutrina Tradicional, inevitavelmente, conduzirá a um confronto com os inimigos internos da Igreja.

Recentemente, Dom Bernard Fellay comentou que a lealdade dos FIs a São Maximiliano é o que os aproximou dos tradicionalistas e os puseram em conflito com as forças que ocupam as mais altas posições na Igreja.

Isso é muito interessante, porque Maximiliano Kolbe deseja um combate pela Imaculada, a vitória de Deus sobre os Seus inimigos — podemos realmente usar essa expressão — ou seja, os maçons. É muito interessante constatar isso. Esse combate contra o mundo, contra o espírito do mundo aproximou os FIs de nós, quase por natureza, alguém poderia dizer, porque alistar-se em um combate contra o mundo implica, em algum momento, a Cruz. O que implica os princípios eternos da Igreja: que se chama o espírito cristão. Esse espírito cristão é expresso de maneira magnífica na Missa Antiga, na Missa Tridentina. De tal maneira que quando Bento XVI publicou o seu Motu Proprio, que novamente disponibilizou amplamente a Missa, essa congregação decidiu em seu Capítulo, ou seja, uma decisão tomada por toda a congregação, retornar à Missa antiga, e realmente fazê-lo em todos os sentidos, percebendo que viriam a ter muitos problemas, uma vez que eles têm paróquias, porém, todavia, esses problemas não eram intransponíveis. Alguns deles também começaram a fazer certas indagações sobre o Concílio.

Consequentemente, alguns insatisfeitos, uns poucos se considerarmos o seu número (há cerca de 300 padres e irmãos no total), talvez uma dúzia, protestaram a Roma, dizendo: “Eles estão tentando nos impor a Missa antiga, eles estão atacando o Concílio.”[3]

As forças do Modernismo não podem destruir a Igreja e a Sagrada Tradição. A promessa de indefectibilidade de Nosso Senhor os impede de fazer isso. Igualmente, foi impossível que o usurpador Herodes matasse Nosso Senhor antes da consumação do tempo para o Seu sacrifício redentor. Sim, Herodes poderia desferir a sua raiva nos inocentes e desamparados que estavam “próximos” de Nosso Salvador, ou seja, na região de Belém.

Os FIs são, em certo sentido, como os Santos Inocentes. Eles não são tradicionalistas, mas, como observou Dom Fellay, são “próximos” por defender a Tradição de maneira inequívoca e coerente. Nos últimos anos, os FIs podiam ser vistos caminhando em direção a um “renascimento” como uma comunidade plenamente tradicionalista. Eles estão potencialmente nos estágios iniciais dessa transição, encorajando e permitindo o uso amplo da liturgia tradicional e mantendo a mente aberta para considerar o lugar que o Vaticano II e seus frutos ocupam no combate da Imaculada. Ainda assim, como é claro, eles ainda conservaram o uso do Novus Ordo Missae.

As forças do Modernismo, incapazes de acabar com a Tradição na Igreja e incapazes de armar o que, em retrospectiva, pode ter sido uma armadilha prática para a FSSPX em um reconhecimento canônico, estão tentando destruir a essência dos FIs caso isso possa ser uma fonte de derrota derradeira do Modernismo.

Os FIs foram fundados em 1970, curiosamente, no mesmo ano que a FSSPX, e têm crescido de modo a incluir padres, freiras, terciários, membros da ordem terceira, casas de estudo, editoras e distribuidoras, além de apostolados leigos. Os FIs foram elevados ao nível de direito diocesano em 1990 e o Papa João Paulo II os elevou a direito pontifício. Hoje em dia, contam com mais de 500 membros em seis continentes. Embora aceitem o Novus Ordo Missae como forma normativa antes do Summorum Pontificum, os FIs mantiveram-se fiéis ao carisma franciscano, conforme expresso por São Maximiliano. Eles falam frequentemente e de maneira apaixonada sobre Nossa Senhora Mediadora de Todas as Graças (uma doutrina esnobada no Vaticano II) e sua Co-redenção. Após o Summorum Pontificum, os FIs deliberaram, e, de acordo com as regras que regem o seu processo de tomada de decisões, votaram esmagadoramente no sentido de promover e facilitar o uso amplo e generoso da liturgia tradicional, embora permitindo que padres individuais celebrem o Novus Ordo Missae. Ainda assim, mesmo essa posição prudente e moderada foi demais para o Modernismo, e, após a eleição do Papa Francisco, o Vaticano agiu segundo as reclamações de uma meia dúzia de descontentes (assim como o Vaticano agiu contra a FSSP em 1999, após as reclamações de uma meia dúzia de membros desejosos de celebrar a Missa Nova, e que acabaram saindo da FSSP).

Agora recordaremos que durante décadas a hierarquia fez ouvidos moucos às graves acusações de abuso homossexual de crianças por parte de padres. Os criminosos foram mimados, protegidos e enviados disfarçadamente para novas atribuições. O Cardeal Law, que protegeu criminosos por décadas, não foi destituído como bispo, mas voluntariamente renunciou a uma promoção para um cargo confortável em Roma (onde ele está livre de qualquer possível prisão nos Estados Unidos).

A Congregação para a Doutrina da Fé investigou as ordens religiosas femininas nos Estados Unidos e descobriu evidências chocantes de heterodoxia e, embora algumas discussões tenham sido realizadas com o conselho de liderança, nenhuma ordem religiosa foi assumida, nenhum superior foi destituído.

Nenhum Comissário Apostólico foi nomeado para assumir a Arquidiocese de Los Angeles quando ela faliu devido aos pagamentos multimilionários de dólares às vítimas de abusos.

Ainda assim, agora, depois que alguns padres dos FIs, que não gostam da decisão tomada por toda a congregação, por amplo consenso, reclamaram que estão sendo forçados a sentir que devem celebrar a Missa Tradicional, embora sejam perfeitamente livres para fazer o contrário, qual é a reação do Vaticano? Intervir com uma arma nuclear.

Considere as seguintes medidas disciplinares que só podem ser descritas como perseguição imoral e injusta e que foram tomadas até a presente data.

1) Os superiores devidamente eleitos dos FIs, incluindo o fundador e Superior Geral Padre Stephano Maria Manelli, foram sumariamente destituídos e substituídos por um Comissário nomeado pelo Vaticano, Padre Fidenzio Volpi.

2) Dizem que o velho padre Manelli, de 80 anos de idade, foi colocado efetivamente sob prisão domiciliar, tendo sido proibido de receber visitantes ou sair para encontrar qualquer pessoa.

3) Em contradição direta não somente com a lei natural e divina, mas também com a lei positiva da Igreja, conforme expresso no Summorum Pontificum, o padre Volpi proibiu a celebração da Missa Tradicional pelos membros dos FIs.

4) Os recursos temporais dos FIs foram confiscados pelo padre Volpi.

5) O padre Volpi fechou o seminário/casa de estudos até segunda ordem.

6) Aqueles no curso de estudo, se e quando o padre Volpi decidir que podem retornar aos seus estudos, serão enviados para instituições específicas não afiliadas aos FIs. A Casa Mariana, [editora] vinculada à casa de estudos, recebeu ordem do padre Volpi para fechar.

7) O padre Volpi cancelou as ordenações para o diaconato e sacerdócio marcadas para este ano.

8) Uma vez que as ordenações tiverem permissão para se realizarem, o padre Volpi ordenou que todos os candidatos às Ordens que atualmente estejam em formação devem subscrever pessoalmente uma aceitação formal:

a. do Novus Ordo como uma autêntica expressão da tradição litúrgica da Igreja e, portanto, da tradição franciscana (sem prejuízo daquilo que é permitido pelo Motu Proprio Summorum Pontificum, se a proibição ilegal à Missa Tradicional atualmente imposta pelo padre Volpi for revogada), e

b. dos documentos do Concílio Vaticano Segundo, em conformidade com a autoridade que lhes for conferida pelo Magistério.

9) Qualquer candidato que não aceitar essas disposições será imediatamente demitido do Instituto.

10) Todo religioso no Instituto deve expressar clara e formalmente por escrito a sua disposição em continuar a sua jornada no Instituto dos Freis Franciscanos da Imaculada, de acordo com o carisma Mariano-Franciscano, no espírito de São Maximiliano M. Kolbe, de acordo com as diretrizes relativas à vida religiosa contidas nos documentos do Concílio Vaticano Segundo.

11) O padre Volpi suspendeu os grupos de Missão Imaculada Mediadora na Itália até que esses grupos façam uma declaração formal de adesão à nova autoridade, presumivelmente o padre Volpi.

12) O padre Volpi suspendeu a Ordem Terceira de São Francisco sem garantia de restabelecimento, mas somente uma declaração de que o padre Volpi irá nomear três religiosos a quem os membros desses grupos poderão consultar relativamente a quaisquer esclarecimentos.

13) O padre Volpi suspendeu a distribuição ao público das publicações da “Casa Mariana Editrice”, que inclui muitos livros e artigos simpáticos a um ponto de vista Católico Tradicional moderado sobre a liturgia, teologia e o Vaticano II.[4]

Esta lista é de tirar o fôlego. Quando os padres e bispos facilitaram o abuso de crianças pequenas, por acaso as propriedades de uma única diocese foram confiscadas? Após inúmeros relatórios de encorajamento e até mesmo exaltação de homossexualidade nos seminários (Veja livro Good Bye Good Men de Michael Rose, por exemplo), por acaso quaisquer dos seminários criminosos foram fechados? Alguma ordenação foi cancelada para garantir que os candidatos não eram pedófilos? Por acaso Hans Küng ou qualquer um do tipo dele foi proibido de distribuir livros questionando os ensinamentos perenes da Igreja, como, por exemplo, a ressurreição física de Nosso Senhor?

Obviamente, a resposta a essas perguntas é um inequívoco não. Ainda assim, um instituto religioso está sendo submetido à perseguição mais severa simplesmente por reverenciar a Tradição Católica.

Quando o ultraje dessa perseguição tão injusta foi contestado na imprensa italiana, o padre Volpi respondeu por carta defendendo a sua dura perseguição. Que crime ele invoca para justificar essas medidas extremas? Alguns “religiosos” não especificados reclamaram “de uma tendência cripto-lefebvriana e, definitivamente, tradicionalista” na comunidade dos FIs, e o padre Manelli “já tinha evitado o diálogo construtivo com” esses religiosos não especificados. Há também uma reclamação ex post facto sobre uma tentativa não especificada e sem comprovação de reter alguns bens após a instalação do ditador comissário. (Obviamente, mesmo se alguma coisa acontecesse após a tomada de controle, logicamente, isso não pode ser um motivo para a tomada de controle.)

Então, aí você chegou ao ponto que eu queria! Os únicos crimes na Igreja que produzem diversas medidas criminais graves hoje em dia são ser “cripto-lefebvriano” (seja lá o que isso significa), ter uma tendência “tradicionalista” e recusar o engajamento em um “diálogo construtivo” com inferiores que reclamam sobre as decisões legítimas de suas congregações. O direito penal da Igreja nos últimos cinquenta anos é efetivamente reduzido a “Não te aproximarás de um Tradicionalista.” Você pode abusar de crianças, escrever e pregar heresias, encobrir crimes seculares e então você é promovido e continua sendo um padre em situação canônica regular. Mas ouse ter uma “tendência tradicionalista” e você estará acabado. Isso é tão insano que parece irreal, mas é real — uma perseguição real dos inocentes pelas autoridades na Igreja que alegam agir sob a aprovação expressa da “mais alta autoridade,” o Papa Francisco.

É interessante observar que todas as ações do padre Volpi desde a sua nomeação correspondem exatamente àquilo que o Arcebispo Lefebvre previu que iria acontecer se ele concordasse com a exigência do Papa Paulo VI, em 1974, de entregar toda a FSSPX, seu seminário em Ecône, e seus priorados a um Comissário nomeado por Paulo VI. Dom Lefebvre recusou alegando que o seminário seria fechado, os seminaristas seriam forçados a entrar nos seminários [modernistas] após a nova orientação, a Missa seria suspensa e os fiéis que dependiam da FSSPX seriam abandonados.

Mais uma vez a previsão do Arcebispo se justificou. O que aconteceu aos FIs teria acontecido à FSSPX em 1974 se o Arcebispo tivesse vacilado. Onde a Missa Tradicional estaria hoje se isso tivesse acontecido? Provavelmente, não haveria nenhum indulto em 1984, nenhum Indulto em 1988, nenhum Summorum Pontificum, nenhuma Fraternidade de São Pedro (uma vez que não haveria nenhuma FSSPX de onde eles pudessem sair), etc.

O que os FIs devem fazer? O que qualquer pessoa sob opressão devido a perseguição injusta pode fazer, especialmente, quando a honra de Deus ou a nossa própria salvação ou a salvação de outra pessoa assim o exigir? Respeitosamente recusar-se a cumprir ordens injustas e ilícitas. Os FIs deveriam todos recusar essa exigência ultrajante de um juramento de obediência à Missa Nova e ao Vaticano II. Por acaso Hans Küng alguma vez foi forçado a fazer um juramento de fidelidade a Trento ou ao Vaticano I sob pena de perder suas faculdades? Nunca! Nenhum católico é obrigado a fazer um juramento ao Vaticano II e à Missa Nova para obter a salvação. Por outro lado, todo santo diante dessas anomalias teria se perdido. Os FIs deveriam simplesmente continuar o seu trabalho, que foi aprovado por ninguém menos que o Papa João Paulo II. Os FIs são uma congregação aprovada na Igreja. O golpe que se abateu sobre eles é injusto e ilegal, uma vez que não cometeram crime algum. Continuar vivendo o combate da Imaculada e celebrando a Missa Tradicional, confiando na autoridade do Papa Bento XVI em Summorum Pontificum quando este afirma:

Em Missas celebradas sem o povo, qualquer sacerdote de Rito Latino, seja secular ou religioso, pode usar o Missal Romano publicado pelo Beato João XXIII em 1962 ….Com a devida observância da lei, inclusive os fiéis Cristãos que espontaneamente o solicitem, podem ser admitidos à Santa Missa mencionada no art. 2 (Artigos 2 e 4).

Se Comunidades ou Institutos de Vida Consagrada ou Sociedades de Vida Apostólica de direito pontifício ou diocesano desejam ter uma celebração da Santa Missa segundo a edição do Missal Romano promulgado em 1962 em uma celebração conventual ou comunitária em seus próprios oratórios, isto está permitido. Se uma comunidade individual ou todo o Instituto ou Sociedade desejar ter tais celebrações frequente ou habitualmente ou permanentemente, o assunto deve ser decidido pelos Superiores Maiores segundo as normas da lei e das leis e estatutos particulares. (Artigo 3)

Mesmo se os FIs tivessem decidido adotar a Missa Tradicional em caráter permanente, eles tinham a permissão para fazê-lo se a decisão fosse tomada por seus superiores de acordo com a sua lei interna de governo. Eles somente decidiram facilitar e encorajar, mas não adotar a Missa Tradicional em caráter permanente.

Os FIs não cometeram crime algum que justificasse o término de seus estudos e formação religiosa. Eles são um instituto aprovado pela mais alta autoridade da Igreja, e, uma vez que essa aprovação é concedida, ela não pode ser revogada por uma justa causa. Ser um “cripto-lefebvriano” ou ter uma “tendência tradicional” equivale a uma acusação inventada do nada, uma técnica digna de um grande número dos regimes seculares totalitários que dominaram o século passado. Todas essas penalidades são nulas segundo a lei natural, divina e até mesmo eclesiástica. Como Santo Tomas, citando Santo Agostinho, nos recorda, uma lei injusta não é lei de maneira alguma, mas sim um ato de violência. Continuem os seus estudos e formação como vocês sempre fizeram. Aquilo que era perfeitamente legal no ano passado deve ser legal hoje em dia.

Talvez os bens temporais dos FIs estejam perdidos para sempre para o padre Volpi, mas talvez este seja um sacrifício que a Imaculada esteja pedindo de seus filhos para provar a sua fidelidade ao seu combate contra a Maçonaria e o Modernismo. Afinal de contas, eles são Franciscanos! Eles devem estar dispostos a perder os bens e confiar na generosidade dos fiéis para apoiá-los no combate, mas não devem deixar de combater. Pergunte-se, será que a mãe de um dos Santos Inocentes teria pecado se ela tivesse evitado a ordem injusta de Herodes e tirado seu filho de Jerusalém? Seria ela culpada de desobediência? Obviamente que não. Ela não teria qualquer obrigação de cumprir a sua perseguição injusta. Nós ordens, grupos, associações e católicos ordinários tradicionais, temos o dever de vir em auxílio dos FIs. Se eles se mostrarem dispostos a continuar o combate da Imaculada usando as armas invencíveis do passado, temos o dever de auxiliá-los no âmbito temporal. Se os FIs tomarem uma posição a favor da Imaculada, da Igreja e da Missa de Sempre devemos estar prontos na medida de nossas possibilidades a auxiliá-los no âmbito temporal.

Essa perseguição aos FIs pode sinalizar uma batalha final, uma ofensiva final do Modernismo contra a Igreja a partir de dentro. A Irmã Lúcia nos disse décadas atrás que o demônio estava disposto a uma batalha decisiva contra as forças da Imaculada. Ela também advertiu que os religiosos e religiosas estavam no centro dessa batalha. Talvez esse pontificado marque as etapas mais difíceis dessa batalha final pela alma da Igreja. Se tiver que ser assim, devemos estar dispostos a sacrificar tudo pela Imaculada, por seu Divino Filho e seu Corpo Místico.

As palavras de Winston Churchill à ilha sitiada da Grã Bretanha, em setembro de 1940, poderiam se aplicar com analogia adequada à posição na Igreja no momento. Que os membros dos FIs e todos envolvidos na causa da Tradição prestem atenção a este chamado de cada um a tomar sua posição, chamado esse que não procede de um primeiro ministro, mas da própria Imaculada:

Portanto, todos os homens e mulheres se prepararão para cumprir o seu dever, seja lá qual for, com orgulho e zelo especial. Nossas frotas e flotilhas são muito poderosas e numerosas; a nossa Força Aérea chegou ao máximo de força que poderia ter alcançado e está consciente de sua superioridade comprovada, não certamente em números, mas em homens e máquinas. Nossas costas estão bem fortificadas e firmemente guardadas por homens, e atrás delas, prontas ao ataque dos invasores, temos um Exército móvel muito maior e melhor equipado do que jamais tivemos antes. Além disso, temos mais de um milhão e meio de homens da Guarda de Defesa Interna, que são tantos soldados do Exército Regular quanto Guardas Granadeiros, e que estão determinados a lutar por cada centímetro do solo em cada bairro e em cada rua. É com confiança devota, mas também com confiança segura, que digo: Que Deus defenda os Justos.

Que os Santos Inocentes roguem por nós e, em particular, intercedam para a solução do caso dos Franciscanos da Imaculada perseguidos nesta época de Natal!

* * *

[1] Ao falar usurpar, não quero dizer que os homens que detêm os mais altos cargos na Igreja não ocupam esses cargos, mas sim que tem havido uma usurpação neles do espírito cristão por parte do Modernismo.

[2] Para ver o texto de uma das ocasiões em que essa declaração foi feita, veja, http://www.miamiarch.org/ip.asp?op=Article_13102810144642

[3] http://www.dici.org/en/documents/interview-with-bispo-bernard-fellay-menzingen-november-2013/

[4] Esta lista foi compilada a partir das declarações e comentário disponíveis em http://www.rorate-caeli.blogspot.com/2013/12/for-record-situation-with-franciscans.html

19 dezembro, 2013

As Franciscanas da Imaculada respondem ao padre Volpi.

Por Cuore Immaculato | Tradução: Fratres in Unum.com – Com profunda tristeza e consternação soubemos que na Carta Circular de 8 de dezembro deste mês, dirigida a todos os Frades Franciscanos da Imaculada, o Reverendíssimo Padre Volpi acusa “alguns membros proeminentes das Irmãs Franciscanas da Imaculada” de ajudar a criar uma “mentalidade distorcida” nos Frades, influenciando fortemente o seu estilo de vida.

São totalmente infundadas as acusações que, em geral, ofendem todo o nosso Instituto, e, consequentemente, nós as rejeitamos integralmente, enquanto recordamos com o nosso Papa Francisco, que “quem calunia mata os irmãos” (09/02/2013), enquanto a “misericórdia transforma o mundo” (17/03/2013)

De nossa parte, tentamos seguir o convite do Vigário de Cristo a “andar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor, para edificar a Igreja do Sangue do Senhor, que é derramado na cruz, e confessar a única glória: Cristo Crucificado. Por isso, a Igreja continua” (14/03/2013).

Créditos: Corrispondenza Romana

Nota do Fratres – Até o momento, 6341 pessoas assinaram a petição online pela demissão do comissário apostólico, Pe. Fidenzio Volpi.

12 dezembro, 2013

Pedimos a demissão de Pe. Volpi, comissário dos Franciscanos da Imaculada.

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: Fratres in Unum.com – Um grupo de associações e sites católicos iniciaram uma coleta de assinaturas para pedir a demissão do Padre Fidenzio Volpi de seu cargo de comissário dos Franciscanos da Imaculada. Todos aqueles que quiserem aderir a esse apelo podem fazê-lo clicando aqui.

Franciscanos da ImaculadaPedimos a demissão do Padre Fidenzio Volpi de seu cargo de comissário político dos Franciscanos da Imaculada. No espaço de cinco meses, o padre Volpi destruiu o Instituto, provocando caos e sofrimento em seu interior, escândalo nos fieis, críticas na imprensa, desconforto e perplexidade no mundo eclesiástico. Pouco importa saber se o padre Volpi é o artífice ou o executor do plano de destruição. O certo é que se o plano não for contido, as consequências serão desastrosas, e é para evitar que se acrescente desastre ao desastre que o Padre Volpi deve ser demitido.

Após o decreto de comissionamento do Instituto, de 11 de julho passado, o padre Volpi, com a ajuda de um manípulo de subcomissários sem restrições, entre os quais o padre  Alfonso de Bruno e o prof. Mario Castellano, começou a golpear com seu machado o Instituto. Proibiu a celebração da Santa Missa e da Liturgia das Horas na forma extraordinária, prevista no Motu Proprio Summorum Pontificum; depôs todo o governo geral da ordem a partir de seu fundador, o padre Stefano Maria Manelli, que se encontra em prisão domiciliar, mesmo sem saber os motivos; privou de autoridade e transferiu, um após o outro, os colaboradores mais fiéis do padre Manelli, todas elas pessoas de relevo intelectual e moral, dando seus cargos a Frades dissidentes, muitas vezes sem cultura e privadas de experiência no governo; ameaçou e puniu os Frades que enviaram uma petição à Santa Sé, e que se recusaram a retirá-la; e, por último, com um diktak datado de 8 de dezembro de 2013, fechou o seminário, suspendeu as ordenações sacerdotais e diaconais; atingiu as publicações da Casa Mariana com um interdito, proibindo sua distribuição nas igrejas e santuários confiados aos religiosos; ampliou sua guerra pessoal aos terciários e leigos que sustentam o Instituto, suspendendo todas as atividades da MIM ( Missão da Imaculada Medianeira ) e do Tofi (Ordem Terceira Franciscana da Imaculada); ameaçou de comissionamento as Irmãs Franciscanas da Imaculada e tirou-lhes, bem como das Clarissas da Imaculada, a assistência espiritual dos Frades; finalmente quer impor aos Frades um “juramento modernista” de fidelidade ao Novus Ordo Missae e do Concílio Vaticano II (para ler a carta clique aqui).

O padre Volpi acusa quem o critica de ser contra o Papa, mas este regime tirânico, além de ser desconhecido na história da Igreja, não está em contraste direto com o Papa Francisco, que recomendou evitar toda espécie de autoritarismo e de usar misericórdia e ternura para com os amigos e inimigos? Notou-o um vaticanista objetivo, Marco Tosatti, escrevendo em lastampa.it de 4 de dezembro: “mas o que alguma vez fizeram esses pobres religiosos? Especularam, abusaram de menores, levaram uma vida imoral? Nada disso”. A verdade é que o padre Volpi, por iniciativa própria, ou por conta de terceiros, quer normalizar os Franciscanos da Imaculada tornando-os semelhantes às outras ordens religiosas à deriva. Para obtê-lo, é necessário transformar sua doutrina espiritual e moral, destruir a disciplina interna, acabar com a reconquista da liturgia tradicional, abrir-se à corrupção do mundo, como o fizeram, com resultados catastróficos, ele e sua ordem dos capuchinhos.

Na Exortação apostólica Evangelica Testificatio, de 29 de junho de 1971, dirigida aos religiosos, Paulo VI lembra que se deve obedecer aos superiores, “exceção feita de uma ordem que fosse manifestamente contrária às leis de Deus ou às constituições do instituto, ou que implicasse um mal grave e certo – em cujo caso, de fato, a obrigação de obedecer não existe”. Se o padre Volpi não for demitido, abrir-se-á inevitavelmente um conflito de consciência nos religiosos e nas religiosas que quiserem conservar o carisma dos Franciscanos da Imaculada e a fidelidade à Tradição da Igreja.

5 setembro, 2013

Piada do dia.

“O papa nos alerta que esta é uma estrada equivocada e sem saída, e que a saída é a construção da paz, do diálogo, da capacidade de aproximação das pessoas; da paciência histórica de continuar procurando entender as razões do outro e defender os valores que são os grandes valores da humanidade, como a paz, a justiça, o perdão e a capacidade de diálogo”.

Palavras do Cardeal João Braz de Aviz sobre a iniciativa do Santo Padre de convocar um dia de oração e penitência pela paz na Síria. De fato, os Franciscanos da Imaculada estão impressionados com “a capacidade de aproximação das pessoas” e com “a paciência histórica de continuar procurando entender as razões do outro” demonstradas nos últimos meses pelo purpurado…

9 agosto, 2013

Dossiê Franciscanos da Imaculada (I): A opinião de Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro.

Os dois importantes jornalistas italianos, cujas intervenções aparecem sempre no diário Il Foglio, se manifestam sobre a intervenção Aviz-Carballo na Congregação dos Frades Franciscanos da Imaculada.

Franciscanos da Imaculada e a crise da Igreja: por que não se pode calar

Por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro | Tradução: Fratres in Unum.com* – Como muitas vezes acontece nas tragédias, são os detalhes que dão a idéia de sua magnitude, e o caso do comissariado dos Franciscanos da Imaculada não constitui exceção. 

O detalhe é que, no final do decreto da Comissão para os Institutos de Vida Consagrada, assinado pelo secretário, o franciscano José Rodríguez Carballo, se diz: “Finalmente, caberá aos Frades Franciscanos da Imaculada o reembolso das despesas incorridas pelo Comissário e pelos colaboradores eventualmente nomeados por ele, como o honorário pelo seu serviço.”  Isso mesmo, com uma cicatriz que evoca o uso dos regimes totalitários de debitar aos familiares dos condenados o custo das balas usadas para a execução. A imagem poderá parecer forte, mas o porte clamoroso do acontecimento a sugere.

Em um só movimento, não só desautorou o fundador de uma ordem florescente e os líderes que o assistem, mas também o Motu Proprio do Papa Bento XVI que liberou a celebração da missa em rito gregoriano, o Papa que o emitiu e, em última instância, a própria Missa. Porque, após a repartição das despesas suportadas pela vítima de uma medida injusta, vem o golpe final: “o Santo Padre Francisco ordenou que todos os religiosos da Congregação dos Frades Franciscanos da Imaculada Conceição deverão celebrar a liturgia de acordo com o rito ordinário e que, eventualmente, o uso da forma extraordinária (Vetus Ordo) deverá ser expressamente autorizado pela autoridade competente, para cada religioso e/ou comunidade que a requerer.”

Sendo a única ordem explícita contida no documento, é evidente que este é o problema: a Missa no rito antigo. E o que leva ao terrível hábito de celebrar este rito é explicado pelo comissário, padre Fidenzio Volpi, em sua carta de apresentação iniciada pela gentil saudação de “Paz e Bem!”, com uma quilométrica citação do atual Pontífice e uma sintética conclusão que começa com um sinistro “Creio nada dever acrescentar a um pensamento tão claro e tão urgente do Papa Francisco”.

Segundo o Padre Volpi, o terrível vício do antigo rito levaria ao crime de lesa-“eclesialidade”, um conceito que significa tudo e nada. Para se entender o que contém esse conceito, talvez seja necessário ter presente o acontecido no Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude enquanto para os Franciscanos da Imaculada vinham os comissários. Basta pensar, para dar apenas um exemplo, no que os meios de comunicação batizaram de “o Woodstock da Igreja”, a exibição grotesca de bispos dançando o Flashmob dirigidos por um Fiorello de quinta categoria: um espetáculo que nem sequer Lino Banfi e Bombolo em seu auge teriam sido capazes de colocar em cena.

Se isto é  “eclesialidade”, compreende-se por que os Franciscanos da Imaculada a violam constantemente: eles usam o hábito, fazem jejum e penitência, rezam, celebram a Missa, praticam e ensinam uma moral rígida, vão em missão levar Cristo em lugar de aspirina, não combatem a AIDS com preservativos, têm uma doutrina mariana que agrada pouco aos irmãos separados de toda ordem e grau. E ainda são pobres e humildes, com fatos e não com palavras. Diante de tudo isso, a determinação disciplinar contra este instituto deixa atônito só até certo ponto. É claro, uma tal dureza surpreende no contexto da Igreja contemporânea.

Uma Igreja na qual, uma vez tocada a sineta do intervalo, começou uma recreação que ninguém conseguiu ou quis acabar. Em dioceses e congregações religiosas de todo o mundo acontece de tudo: ensinam-se doutrinas não católicas, exalta-se  a teologia da libertação, perturbam-se as disciplinas e as regras de ordens milenares, desafia-se a autoridade da Igreja.

São “igrejas nacionais” inteiras que assinam em massa apelos para a abolição do celibato ou para o sacerdócio feminino, igrejas onde o concubinato habitual de sacerdotes tornou-se um fato normal e tolerado pela hierarquia. Uma Igreja na qual apenas os mais ingênuos podem ficar animados com os três milhões de participantes na Jornada Mundial da Juventude, quando na realidade a nave de Pedro prossegue em um mar tempestuoso sem um destino claro. E como se isso não bastasse, a equipe a bordo do navio está em falta. Enquanto a Congregação para os Institutos Religiosos usa esses métodos com os Franciscanos da Imaculada que têm abundantes vocações em todos os continentes, na maioria das outras famílias religiosas se consuma uma crise terrível. Enquanto em Roma se apressam para impedir que os frades franciscanos celebrem a Missa que fez séculos de santos e santidade, carmelitas e dominicanos, cistercienses e cartuxos entram no direito de fazer parte das espécies protegidas pela WWF [World Wildlife Fund – Fundo mundial de proteção dos animais selvagens e das espécies em perigo de extinção].

Mas, neste panorama, para a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada o problema são os Franciscanos da Imaculada que celebram nas duas formas permitidas pelo Motu Proprio Summorum Pontificum. Com o resultado de que a proibição de celebrar o rito antigo estabelece uma disciplina sobre a Missa que ignora quanto está contido no documento de Bento XVI. Evidentemente, a medida é para inserir numa ação ​​anti-Missa antiga um espectro mais amplo contido no conceito vago de “eclesialidade”. Um projeto que não está disposto a reconhecer na Missa no rito gregoriano a capacidade de produzir sequer os frutos espirituais que o extemporâneo magistério do papa Francisco reconheceu no ramadã muçulmano.

No entanto, o campo litúrgico é aquele no qual o laissez-faire de Roma chegou às alturas mais vertiginosas do tragicômico: sacerdotes que dançam e cantam as músicas dos Ricos e dos Pobres enquanto celebram um casamento; bispos que meneiam diante da televisão como em um vilarejo Alpitour; prelados que celebram o Novus Ordo elevando cibórios com as sagradas espécies para envergonhadas meninas JMJ vestidas de short; sacerdotes que acompanham a consagração com maravilhosas bolhas de sabão… E o problema de sobre quem descarregar a férula disciplinar incidiu nos Franciscanos da Imaculada que celebram a Missa antiga. Devemos reconhecer que, infelizmente, está na lógica de tudo isso.

Para concluir, são as modalidades processuais da investigação que desconcertam. Roma foi chamada a intervir por um grupo de religiosos dissidentes dos Franciscanos da Imaculada. Os acusados, no entanto, não puderam ver as cartas que lhes imputavam de terem embarcado num desvio pré-conciliar. Portanto, eles não tiveram sequer o direito elementar de defesa que consiste em conhecer detalhadamente os encargos e o chefe da acusação. Além disso, a Congregação deseja impedir que os franciscanos interponham recurso, opondo a vontade direta do Papa como base da medida. Em suma, no plano formal, a Igreja da misericórdia do período pós-conciliar, quando quer, sabe reviver métodos da santa inquisição.

Devemos acreditar, e esperamos, que os Franciscanos da Imaculada apelarão no plano canônico e defenderão firmemente seu bom direito de sacerdotes da Igreja Católica de celebrar a Missa também no rito antigo. Porque se esses excelentes frades aceitarem o diktat, logo seguirão repressões ainda mais duras contra aqueles que em todo o mundo celebram e acompanham a Missa de sempre. O exercício arbitrário do poder baseia sua força no silêncio das vítimas e pretende, de fato, o seu consentimento. Mas a história ensina que levaram a melhor aqueles que diante da injustiça não se calaram, porque impugnar legitimamente um ato injusto significa despertar desde os fundamentos o poder que o constituiu. Chegou o tempo de falar. (Alessandro Gnocchi – Mario Palmaro).

* Agradecemos a um caro amigo o fornecimento de sua tradução ao Fratres. O blog continua em recesso ao longo de todo o mês de agostoNeste período, a tradução de artigos (e não só a indicação) é mais do que bem-vinda. 

6 agosto, 2013

Comoção entre os tradicionalistas, que parecem os únicos réprobos em todo o mundo.

Por Francisco José Fernández de la Cigoña | Tradução: Fratres in Unum.com* – O Vaticano decidiu intervir na Congregação Religiosa dos Franciscanos da Imaculada. É um poder de Roma que nenhum católico pode negar. Quando a Igreja percebe desvios morais, disciplinares, teológicos, administrativos… deve aplicar, e às vezes aplica, as correções necessárias. E delegam a autoridade no Instituto a um encarregado a quem todos devem submeter-se como se fosse seu superior geral.

Os Franciscanos da Imaculada são uma cisão dos Franciscanos Conventuais ocorrida nos anos setenta do século passado e que, nestes dias de decadência das ordens e congregações religiosas, apresentam um crescimento notável. Afeitos a forma extraordinária da missa, ainda que não a mantenham com exclusividade, aparentemente eram um modelo de ortodoxia, piedade, pobreza, manutenção do hábito religioso, abundância de vocações… O que não estávamos acostumados a ver em muitos outros institutos regulares. Digo aparentemente porque não há registro de desvios. Se houver, não são conhecidos no momento.

Aceito sem problemas que haja alguma dificuldade interna para que Roma adote medidas tão drásticas. Mas muito surpreende que as resoluções romanas vão sempre dirigidas a institutos tradicionais enquanto que os que se encontram em total decadência e em aberta contestação – por parte de alguns de seus membros – à própria Igreja sejam objetos de uma tolerância que há muitos parecerá conivência. Chegou a vez de severas medidas contra os Franciscanos da Imaculada e seria bom, para a própria autoridade de Roma, que nos explicasse a todos a causa de tão drástica intervenção. Que possui, ademais, sanções inexplicáveis, como a de proibir a seus sacerdotes a forma extraordinária da Missa, que, segundo o motu proprio de Bento XVI, está ao alcance e pode ser rezada por qualquer sacerdote católico. De modo que a medida adquire um caráter maldoso dificilmente compreensível, como se fossem também proibidos de rezar o rosário ou expor o Santíssimo, coisas que nada tem a ver com a correção de desvios no Instituto – no caso de eles existirem.

Daí que não poucos tenham pensado que estávamos ante a reação de dois impertinentes personagens: o prefeito da Congregação para os Religiosos e seu secretário, que manifestaram claramente sua ojeriza por uma Missa com a qual durante séculos se santificou a Igreja. E que aproveitaram a ocasião de desautorizar a vontade de Bento XVI, a respeito da forma extraordinária do rito latino, a qual evidentemente os contrariava. Envolvendo, ademais, o Santo Padre em uma medida que parece contradizer todas as suas declarações de respeito a abertura aos demais. Porque não se entende que os tradicionalistas estejam em uma condição muito pior que a dos gays, judeus, muçulmanos, protestantes ou ateus, para com os quais é raro não encontrar alguma manifestação de respeito; ou hoje os grandes inimigos de Deus e de sua Igreja são os tradicionalistas? Nem um louco pensaria tal coisa.

Do confuso Braz de Aviz e Frei Carballo, ainda que se pudesse esperar qualquer coisa pouco afortunada, não se poderia crer que chegariam a tais extremos, que podem superar a incompetência para cair na maldade e prevaricação. Causaram indignação no mundo tradicional, farto de condescendências com todos menos para com eles — devem ser as únicas pessoas no mundo que não merecem consideração e respeito por parte da Igreja. Mesmo sendo, como são, católicos exemplares. Ao menos comparados com muitíssimos outros que são objetos de tolerância sem limites, quando não de conivências mais que duvidosas. Hoje, a medida a respeito dos Franciscanos da Imaculada dá a muitos a impressão de que se trata de um ataque a mais, covarde e traiçoeiro, à Missa Tradicional. Obra de dois personagens rançosos e impertinentes que nada seriam sem o cargo que ocupam. Em minha terra, que é a do frei secretário que, como tal, assina tão preocupante documento, abundam umas árvores que levam o mesmo nome que ele. O fruto do carvalho é a bolota. E a bolota é de má qualidade…

Nosso agradecimento a um caríssimo amigo, futuro Sacerdote do Altíssimo, pela gentileza de providenciar a tradução.

31 julho, 2013

Uma nota sobre o caso dos Franciscanos da Imaculada. O Decreto e a Carta do Comissário Apostólico.

Nota de Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Uma clara tentativa de minimizar a importância desse decreto está ocorrendo aqui e ali na blogosfera, como era de se esperar. Dizem-nos que não se trata de algo com que se preocupar; que é só uma situação particular, limitada a uma instituição religiosa específica, e não tem nada que ver com o modo com que o Papa Francisco vê Summorum.

Contra essas manifestações do espírito de negação que conhecemos tão bem desde 28 de fevereiro deste ano, levantamos os seguintes pontos:

1) Primeiro, os Frades Franciscanos da Imaculada não são somente uma pequena ordem ou congregação religiosa ocupando um lugar minúsculo do mundo católico tradicional; com mais de 130 padres, eles formam a segunda maior congregação ou sociedade religiosa canonicamente regular entre aquelas que principalmente ou de facto exclusivamente oferecem a Missa Tradicional (A FSSP é a maior). A família de mosteiros e conventos femininos sob o cuidado espiritual dos FFI não tem outro paralelo no mundo católico tradicional senão a FSSPX. Qualquer ato que restrinja a faculdade dos FFI de oferecer a Missa Tradicional será necessariamente sentio de modo muito profundo no mundo católico tradicional. 

2) Uma justificativa que agora está sendo dada é que a aplicação de Summorum Pontificum entre os FFI causou discórdia em muitas comunidades e que a Missa Tradicional foi “imposta” brutalmente aos padres que não a queriam. Pelo contrário, nós no Rorate, que acompanhamos de perto os FFI desde 2008, podemos afirmar que a verdade é o oposto: Summorum foi aplicado de maneira muito gradual pelos FFI, o Novus Ordo nunca foi proibido em suas casas e igrejas, e em muitas partes do mundo os FFI continuaram a oferecer o Novus Ordo predominantemente. Deve-se notar igualmente que os FFI, em sua promoção da “Forma Extraordinária”, tem sido notavelmente livres de polêmicas e ataques públicos ao Novus Ordo.

3) Ainda outra justificativa que agora está sendo usada é que essa ação é aceitável porque os FFI não foram fundados tendo a Missa Tradicional como uma parte essencial de seu carisma. Esta desculpa é incompreensível na medida em que ignora completamente os direitos dados por Summorum Pontificum aos sacerdotes religiosos. Ademais, se a insatisfação de alguns poucos é suficiente para restringir a toda uma ordem ou congregação o uso de Summorum Pontificum, abre-se um fácil caminho pelo qual os oponentes da Missa antiga podem por fim eliminar a Missa Tradicional de todos os que não fazem parte de institutos “Ecclesia Dei”.

4) Por fim, e mais importante, o decreto — ao especificamente restringir a Missa Tradicional — é uma clara indicação de que ela é vista como algo problemático, algo que deve ser extirpado da vida dos Frades Franciscanos da Imaculada. Se toda essa crise nos FFI não tem nada que ver com a Missa Tradicional, então por que ela é o alvo da exclusão e de restrições, por que o decreto lhe devota tanto espaço e por que o decreto se dá ao trabalho de notar que essa restrição foi pessoalmente ordenada pelo próprio Santo Padre? Se a crise nos FFI é devida ao mau comportamento de alguns, então por que a privação da Missa Tradicional é estendida a todos?

* * *

Decreto original – em italiano, que corresponde exatamente ao reportado pelo competente vaticanista Sandro Magister. No último parágrafo, que traduzimos, consta a ordem, com autorização específica do Pontífice, que restringe o uso do Missal de 1962 para os Frades Franciscanos da Imaculada:

CONGREGATIO

PRO INSTITUTIS VITAE CONSECRATAE
ET SOCIETATIBUS VIATE APOSTOLICAE

PROT. N. 52741/2012

DECRETO

La Congregazione per gli Istituti di vita consacrata e la Società di vita apostolica, attese le consiedrazioni formulate nella Relazione presentata dal Rev.do Mons. Vito Angelo Todisco a conclusione della Visita Apostolica disposta con decreto del 5 luglio 2012, al fine di tutelare e promuovere l’unità interna degli Istituti religiosi e la comunione fraterna, l’adeguata formazione alla vita religiosa e consacrata, l’organizzazione delle attività apostoliche, la corretta gestione dei beni temporali, ha ritenuto necessario nominare un Commissario Apostolico per la Congregazione dei Frati Francescani dell’Immacolata con le conseguente attribuite dal diritto particolare ed universale al Governo Generale del citato Istituto religioso.

Atteso che la suddetta decisione il 3 luglio 2013 è stata oggetto di approvazione in forma specifica a norma dell’art. 18 della cost. ap. Pastor Bonus dal Santo Padre Francesco, con il presente decreto si nomina

il Reverendo P. Fidenzio Volpi O.F.M. Cap.
Commissario Apostolico
ad nutum Sanctae Sedis,
per tutte le Comunità e i sodali della Congregazione dei Frati Francescani dell’Immacolata

Nell’espletamento delle sue mansioni, il Rev.do P. Volpi assumerà tutte le competenze che la normativa particolare dell’Istituto e quella universale della Chiesa attribuiscono al Governo Generale.

Sarà inoltre sua facoltà avvalersi, se lo riterrà opportuno, di collaboratori scelti a sua discrezione e da lui nominati previo assenso di questo Dicastero, a cui potrà chiedere il parere quando lo riterrà necessario.

Il Rev.do P. Volpi ogni sei mesim, dovrà informare questo Dicastero del suo operato, inviando una dettagliata relazione scritta circa le dicisioni adottate, i risultati conseguiti e le iniziative che riterrà utili realizzare per il bene dell’Istituto.
Infine, spetterà all’Istitutodei Frati Francescani dell’Immacolata sia il rimborso delle spese sostenute da detto Commissario e dai collaboratori da lui eventualmente nominati, sia l’onorario per il loro servizio.

In aggiunta a quanto sopra, sempre il 3 luglio u.s. il Santo Padre Francesco ha disposto che ongi religioso della Congregazione dei Frati Francescani dell’Immacolata è tenuto a celebrare la liturgia secondo il rito ordinario e che, eventualmente, l’uso della forma staordinaria (Vetus Ordo) dovrà essere esplicitamente autorizzata dalle competenti autorità per ogni religioso e/o comunità che ne farà richiesta. 

[Acrescente-se ao supramencionado, ainda em 3 de julho, o Santo Padre Francisco dispôs que todo religioso da Congregação dos Frades Franciscanos da Imaculada está obrigado a celebrar a liturgia segundo o rito ordinário e que, eventualmente, o uso da forma extraordinária (Vetus Ordo) deverá ser explicitamente autorizado pelas autoridades competentes para cada religioso e/ou comunidade que lhes solicitar].

Nonostante qualunque disposizione contraria

Dato dal Vaticano, l’11 luglio 2013

f.to Joao Braz Card. de. Aviz
prefetto

+ José Rodrìguez Carballo, O.F.M.
Arcivescovo Segretario

* * *

A seguir, publicamos a tradução da carta do Comissário Apostólico nomeado, Fr. Fidenzio Volpi, OFM, que apresenta o decreto acima publicado. Note-se a ênfase no “sentire cum Ecclesia”, como se a Missa Tradicional fosse um empecilho para isso. Curiosa também é a referência a uma “jornada de renovada eclesialidade”, o que poderia deixar a entender, para muitos, que os FFI teriam uma espécie de visão… restauracionista? Ou melhor, neopelagiana?

Roma, 22 de julho de 2013.

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Aos Irmãos e à Fraternidade da Congregação dos Freis Franciscanos da Imaculada, em todas as suas sedes.

Paz e Bem!

O Santo Padre o Papa Francisco confiou-me o delicado dever de Comissário Apostólico de vossa congregação. Anexo segue o decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, datado de 11 de julho de 2013.

Embora eu reconheça as dificuldades deste dever, eu aceitei a responsabilidade porque é meu desejo acompanhar-vos em uma jornada de renovada eclesialidade. A fim de fazer isso com a certeza de corresponder aos desejos do Magistério, eu não encontro meio melhor do que trazer à mente esta passagem de um recente discurso do Papa Francisco: a eclesialidade é “uma das dimensões constitutivas da vida consagrada, dimensão que deve ser constantemente retomada e aprofundada. A vossa vocação é um carisma fundamental para o caminho da Igreja, e não é possível que uma consagrada e um consagrado não «sintam» com a Igreja. Um «sentir» com a Igreja, que nos gerou no Batismo; um «sentir» com a Igreja que encontra uma sua expressão filial na fidelidade ao Magistério, na comunhão com os Pastores e com o Sucessor de Pedro, Bispo de Roma, sinal visível da unidade. O anúncio e o testemunho do Evangelho, para cada cristão, nunca são um ato isolado. Isto é importante, o anúncio e o testemunho do Evangelho para cada cristão nunca são um ato isolado ou de grupo, e nenhum evangelizador age, como recorda muito bem Paulo VI, «sob uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome dela» (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). […] Senti vós a responsabilidade que tendes de cuidar da formação dos vossos Institutos na doutrina sadia da Igreja, no amor à Igreja e no espírito eclesial.” (Discurso do Papa Francisco às religiosas participantes na Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras-gerais; quarta-feira, 8 de Maio de 2013)

Eu acredito que nada eu precise acrescentar a um tão claro e urgente pensamento do Papa Francisco, o qual concerne justamente a si o «sentir com a Igreja», haja vista que somente dessa maneira pode a Vida Consagrada corresponder ao que a Igreja espera dela e se tornar, deste modo, a Luz da Boa-Nova no mundo para os fiéis que precisam conhecer e seguir a verdade que Cristo nos revelou. No espírito daquela obediência pedida por Nosso Santo Padre Francisco na Carta a um Ministro, eu vos saúdo fraternalmente em Cristo.

Fr. Fidenzio Volpi

Comissário Apostólico

31 julho, 2013

Devota obediência.

Do site oficial dos Frades Franciscanos da Imaculada, palavras de seu fundador:

manelli

“Com referência ao Decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, de 11 de julho de 2013 (Prot. n. 52741/2012), Pe. Stefano M. Manelli, com todo o Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada unido a ele, obedece ao Santo Padre e confia que desta obediência nos virão graças maiores”.

31 julho, 2013

O “caso” dos Franciscanos da Imaculada.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – O “caso” dos Franciscanos da Imaculada apresenta-se como um episódio de extrema gravidade, destinado a ter consequências no seio da Igreja talvez não previstas por aqueles que o transformaram imprudentemente em ato.

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada (conhecida como Congregação para os Religiosos) com seu decreto de 11 de julho de 2013, assinado pelo cardeal prefeito João Braz de Aviz e o arcebispo secretário José Rodriguez Carballo, OFM, desautorou os superiores dos Franciscanos da Imaculada, confiando o governo do Instituto a um “comissário apostólico”, o padre Fidenzio Volpi, capuchinho.

Para “blindar” o decreto, o cardeal João Braz de Aviz se muniu de uma aprovação “ex auditur” do Papa Francisco, que tira dos frades qualquer possibilidade de recurso à Signatura Apostólica. As razões dessa condenação, que tem sua origem em uma reclamação feita à Congregação para os Religiosos por um grupo de frades dissidentes, permanecem misteriosas. Desde o decreto da Congregação e da carta enviada aos franciscanos em 22 de julho pelo novo Comissário, as únicas acusações parecem ser as de um escasso “pensar com a Igreja” e de um apego excessivo ao Rito Romano antigo.

Na realidade, estamos diante de uma injustiça manifesta contra os Franciscanos da Imaculada. Este instituto religioso fundado pelos padres Stefano Maria Manelli e Gabriele Maria Pellettieri é um dos mais florescentes de que se ufana a Igreja, pelo número de vocações, a autenticidade da vida espiritual, a fidelidade à ortodoxia e às autoridades romanas. Na situação de anarquia litúrgica, teológica e moral em que nos encontramos hoje, os Franciscanos da Imaculada deveriam ser tomados como modelo de vida religiosa. O Papa se refere muitas vezes à necessidade de uma vida religiosa mais simples e sóbria.

Os Franciscanos da Imaculada se destacam por sua austeridade e pobreza evangélica, com as quais vivem, desde a sua fundação, seu carisma franciscano. Acontece, porém, que em nome do Papa, a Congregação para os Religiosos retira o governo do Instituto para transmiti-lo a uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista, nos quais o novo Comissário se apoiará para “normalizar” o Instituto, ou para conduzi-lo ao desastre do qual até agora tinha escapado graças à sua fidelidade às leis eclesiásticas e ao Magistério.

Mas hoje o mal é recompensado e o bem castigado. Não surpreende que a empregar o punho de ferro no confronto com os Franciscanos da Imaculada esteja o mesmo Cardeal que auspicia compreensão e diálogo com as irmãs heréticas e cismáticas americanas. Aquelas religiosas pregam e praticam a teoria do gênero, e, portanto, deve-se dialogar com elas. Os Franciscanos da Imaculada pregam e praticam a castidade e a penitência e por isso não há possibilidade de entendimento com eles. Esta é a triste conclusão a que inevitavelmente chega um observador desapaixonado.

Uma das acusações é de serem muito apegados à Missa tradicional, mas a acusação é um pretexto, porque os Franciscanos da Imaculada são, como se costuma dizer, “bi-ritualistas”, ou seja, celebram a nova Missa e a antiga, conforme lhes é concedido pelas leis eclesiásticas em vigor. Colocados diante de uma ordem injusta, é de se supor que alguns dentre eles não desistirão de celebrar a Missa tradicional; e farão bem em resistir neste ponto, porque não será um gesto de rebeldia, mas de obediência. Os indultos e privilégios em favor da missa tradicional não foram revogados e possuem uma força legal superior ao decreto de uma congregação, e até mesmo das intenções do Papa, se não expressas num ato legal claro.

O cardeal Braz de Aviz parece ignorar a existência do motu proprio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, de seu decreto de aplicação, a Instrução Universae Ecclesiae de 30 de Abril de 2011, e da Comissão Ecclesia Dei, ligada à Congregação para a Doutrina da Fé, das quais a Congregação para os Religiosos invade hoje o campo. 

Qual é a intenção da suprema autoridade da Igreja? Suprimir a Ecclesia Dei e revogar o motu proprio de Bento XVI? Se for, que o diga explicitamente, para que possamos tirar as consequências. E se não for, por que fazer um decreto desnecessariamente provocativo contra o mundo católico ligado à Tradição da Igreja? Este mundo está numa fase de grande expansão, especialmente entre os jovens, e esta talvez seja a principal razão da hostilidade de que ele é hoje objeto.

Por fim, o decreto constitui um abuso de poder não apenas em relação aos Franciscanos da Imaculada e àqueles impropriamente definidos de tradicionalistas, mas a todos os católicos. Na verdade, é um sintoma alarmante da perda da segurança jurídica que está ocorrendo hoje no seio da Igreja. De fato, a Igreja é uma sociedade visível na qual há o “poder do direito e da lei” (Pio XII, Discurso Dans notre souhait, de 15 de Julho 1950). A lei é o que define o certo e o errado, e, como explicam os canonistas, “o poder da Igreja deve ser justo, para o que é necessário que parta da própria Igreja, que determina as finalidades e os limites da atividade da Hierarquia. Nem todo ato dos Pastores sagrados, pelo fato de provirem deles, é justo” (Carlos J. Errazuriz, Direito e justiça na Igreja, Giuffre, Milão 2008, p. 157).

Quando diminui a segurança jurídica, prevalece o arbítrio e a vontade do mais forte. Muitas vezes isso acontece na sociedade, e pode ocorrer na Igreja quando nesta a dimensão humana prevalece sobre a sobrenatural. Mas se não há segurança jurídica, não há nenhuma regra de comportamento segura. Tudo é deixado ao arbítrio do indivíduo ou de grupos de poder, e à força com a qual esses lobbies são capazes de impor a sua vontade. A força, separada da lei, torna-se prepotência e arrogância.

A Igreja, Corpo Místico de Cristo, é uma instituição legal baseada numa lei divina, da qual os homens da Igreja são os depositários, e não os criadores ou proprietários. A Igreja não é um “soviet”, mas uma construção fundada por Jesus Cristo, na qual o poder do Papa e dos bispos deve ser exercido de acordo com as leis e as formas tradicionais, todas enraizadas na Revelação divina. Hoje se fala de uma Igreja mais democrática e igualitária, mas o poder vem sendo exercido muitas vezes de modo personalista, em desprezo a leis e costumes milenares. Quando existem as leis universais da Igreja, como a bula de São Pio V Quo primum (1570) e o motu proprio de Bento XVI Summorum Pontificum, para mudá-los é necessário um ato legal equivalente. Uma lei anterior não pode ser revogada senão com um ato explicitamente abrogatório de igual porte.

Para defender a justiça e a verdade no interior da Igreja, confiamos na voz dos juristas, entre os quais estão alguns eminentes cardeais que ordenaram de acordo com o rito “extraordinário” os Frades Franciscanos da Imaculada, cuja vida exemplar e zelo apostólico eles conhecem. Apelamos especialmente ao Papa Francisco, para que queira retirar as medidas contra os Franciscanos da Imaculada e contra seu uso legítimo do Rito Romano antigo. 

Qualquer decisão que seja tomada, não podemos esconder o fato de que a hora em que vive hoje a Igreja é dramática. Novas tempestades se adensam no horizonte e essas tempestades certamente não são suscitadas nem pelos Frades, nem pelas Irmãs Franciscanas da Imaculada. O amor à Igreja Católica Apostólica Romana sempre nos moveu e nos move a tomar sua defesa. Nossa Senhora, Virgo Fidelis, sugerirá à consciência de todos nesta difícil conjuntura, o caminho certo a seguir.

12 maio, 2012

Sob o estandarte da Imaculada.

Padre Serafino M. Lanzetta, professor de teologia dogmática no Instituto Teológico Imaculada Medianeira, dos Franciscanos da Imaculada, é, desde 2006, diretor da revista teológica Fides Catholica. Em dezembro de 2010, organizou o Congresso ‘Concilio Ecumenico Vaticano II – Un Concilio Pastorale. Analisi Storico-Filosofico-Teologica’ em Roma, e já apareceu em nosso blog em mais de uma oportunidade [aqui e aqui]. Justamente sobre o seu instituto religioso, a Missa Tradicional e o Concílio Vaticano II, cujos 50 anos estão sendo comemorados, é que o Padre Lanzetta aceitou conversar com Fratres in Unum.

Primeiramente, Reverendíssimo Pe. Lanzetta, muito obrigado por aceitar o nosso convite. Por favor, apresente-se a nossos leitores. De onde o senhor é? Conte-nos sobre sua família e seu discernimento vocacional.

Padre Serafino Lanzetta é sacerdote professo do Instituto dos Franciscanos da Imaculada e pároco da Igreja São Salvador em Ognissanti,  Florença, desde 2004.

Padre Serafino Lanzetta é sacerdote professo do Instituto dos Franciscanos da Imaculada e pároco da Igreja São Salvador em Ognissanti, Florença, desde 2004.

Obrigado por me convidar para a entrevista e, sobretudo,  poder apresentar meu Instituto Religioso. Venho de uma cidade em Salerno, Campania (Itália). Esta cidade é Sarno. Graças a Deus, fui criado em uma família cristã. Desde os meus 6 anos, comecei a participar em um grupo paroquial, a “Azione Cattolica”. Recordo, sobretudo, o cuidado de minha mãe em me ensinar a fé e em me impulsionar a ir à Missa dominical. Infelizmente, quando fiquei mais velho, aos 14 anos, deixei os sacramentos e a Santa Missa, atraído e seduzido pelo mundo. Desse jeito, aprendi — depois — que o mundo nem sempre é um amigo verdadeiro. Foi a oração de meus pais, especialmente de minha mãe, que me trouxe de volta à fé. Alguns anos mais tarde descobri, pela graça da oração, a beleza da Fé Católica e tentei me aprofundar nela, fazendo-me muitas perguntas que só poderiam ser respondidas através da Verdade de Cristo. Desde criança perguntava a mim mesmo o que significava uma vocação. Finalmente, senti este chamado em minha alma: em minha inteligência e em minha vontade. Eu deveria obedecê-lo a fim de ser verdadeiramente feliz. Desejei dar minha vida a Cristo e à Sua Igreja. Encontrei os Franciscanos da Imaculada em Frigento (nossa Casa Mãe na Itália) e disse: “Esta é a minha família”.

E por que os Franciscanos da Imaculada? O senhor tem alguma função específica na ordem?

Escolhi este Instituto, primeiramente, porque procurava uma vida religiosa muito fiel ao carisma de São Francisco. A idéia de escolher uma vida religiosa muito similiar à minha vida passada me feria demais. Seria melhor permanecer no mundo. Encontrei nos Franciscanos da Imaculada o rigor da pobreza e de penitência, como descritas nas Fontes Franciscanas, e, ao mesmo tempo, um espírito de grande abertura aos novos desafios do mundo: difundir o Evangelho com todos os meios possíveis, mesmo os mais sofisticados.

Atualmente, sou pároco em Florença (Ognissanti), professor de dogmática em nosso próprio Seminário Teológico (Seminario Teologico “Immacolata Mediatrice”), e também vigário de nossa Delegação Italiana.

Qual é a principal mensagem de São Maximiliano Kolbe, um grande apóstolo dos tempos modernos, aos nossos dias?

São Maximiliano Maria Kolbe.

São Maximiliano Maria Kolbe.

São Maximiliano Maria Kolbe é um grande santo e, por isso, um apóstolo da Imaculada pelo Reinado de Cristo. São Maximiliano compreendeu que o próprio centro da Ordem Franciscana é a Imaculada. Ela é nossa padroeira e advogada, a “Virgo Ecclesia facta”, “Aquela em quem esteve e está toda graça e virtude“, como disse o Pai Seráfico. Segundo São Francisco, devemos viver sob o Seu manto. E podemos acrescentar também: nela e com Ela alcançar a meta: sermos semelhantes a Cristo, Seu FIlho. São Maximiliano leu toda a história da Ordem através da Imaculada. Agora, após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, é hora de difundir esta verdade entre os povos, a fim de levar todos eles a vivê-lo em suas vidas. Por esta razão, o Santo da Imaculada escolheu tudo o que era possível para difundir a devoção a Nossa Senhora pelo fundo: imprensa, televisão, rádio, internet, etc. Todos os meios de comunicação são instrumentos importantes para fazer a Imaculada conhecida. Deus quer salvar o mundo por Ela. Seguimos precisamente este carisma. Podemos dizer: São Maximiliano é um exemplo para compreender corretamente a Tradição da Igreja: sempre fiel às origens (as Fontes), mas em constante processo de compreensão e vivência da mesma mensagem, atualizando-a hoje. Isso é, acima de tudo, a Igreja.

Tem havido cada vez mais notícias sobre o grande trabalho na promoção da Missa Tradicional pelos Franciscanos da Imaculada, inclusive com alguns setores de sua ordem optando por ela como seu rito próprio. Sabemos que os Franciscanos da Imaculada não surgiram de meios já ligados à Missa Tridentina. Como ocorreu esta descoberta, tanto ao senhor individualmente como à congregação?

Dom Manoel Pestana, finado bispo de Anápolis, e o fundador dos Franciscanos da Imaculada, Pe. Stefano Manelli. A ordem foi a responsável pela publicação da obra de Mons. Brunero Gherardini.

Dom Manoel Pestana, finado bispo de Anápolis, e o fundador dos Franciscanos da Imaculada, Pe. Stefano Manelli (à direita do bispo).

Sim, nós não surgimos da Missa Tridentina, embora sempre a tenhamos apreciado, por ser um tesouro da Igreja. Nosso fundadores (Pe. Stefano M. Manelli e Pe. Gabriele M. Pellettieri), após o Concílio Vaticano II, sentiram um chamado, como que uma obrigação, de renovar a vida religiosa — segundo o desejo do Concílio na Perfectae caritatis –, retornando às fontes de São Francisco, lendo-as através dos Santos Franciscanos modernos, como São Pio de Pietrelcina, Ven. Gabriele Allegra, São Maximiliano M. Kolbe e diversos outros. Os Santos do século XX foram uma inspiração para uma renovação segundo a Tradição Franciscana. Tudo isso para dizer que a Missa Tridentina, que descobrimos e celebramos graças ao [motu proprio] Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI, não era para nós uma “novidade”, mas simplesmente uma possibilidade de manter a tradição litúrgica ininterrupta do Santo Sacrifício da Missa, desde São Gregório Magno até João XXIII. Nós celebramos ambas as Missas, isto é, na forma ordinária e extraordinária, e tentamos, na medida do possível, ter a forma extraordinária como a Missa própria de nossa vida comunitária. Eu mesmo celebro esta Missa todos os dias e, para mim, esta descobertura foi uma grande graça. Esta Santa Missa me ajuda a viver o mistério que celebro, por causa da beleza e da profunda teologia que está por trás dela.

A sua ordem também está presente no Brasil. O senhor já esteve por aqui?

Sim, estamos em Anápolis, tanto irmãos como irmãs. Infelizmente, ainda não estive no Brasil. Conheço esta majestosa terra apenas do mapa. Espero visitá-la um dia.

Tanto o senhor como sua congregação, que publicou o livro “Vaticano II, un discorso da fare”, de Monsenhor Gherardini, fizeram um forte trabalho de estudo teológico sobre o Concílio Vaticano II. O que os senhores pretendem com esta iniciativa?

Nós estamos só tentando, por amor à Igreja e pelo futuro do Evangelho no mundo, examinar as causas da “crise profunda” que afeta nossa Igreja hoje, como o Papa Bento XVI repetiu várias vezes (ultimamente na Alemanha). Claro que não dizemos — porque não é verdade — que todo o problema ou a causa da crise é o Vaticano II. Os problemas são mais extensos que o Concílio. Basta apenas lembrar do modernismo e do neomodernismo, ou seja, uma forma de unir fé e sentimento e, por último, natureza e graça, causando sua mistura. Hoje a graça tem sido quase absorvida na natureza e, assim, tem desaparecido. Isso era até justificado por algumas teologias errôneas. Freqüentemente ouvimos que só se pode viver a Fé como homens deste mundo. Viver como um homem real já seria, de certa forma, acreditar. Um exemplo: o conceito de pecado mortal enquanto grave ofensa a Deus está quase abandonado. Isso é a secularização. De toda forma, a crise de fé atual também tem algumas ligações com o Concílio. Após quase 50 anos, nós ainda nos perguntamos qual é a verdadeira hermenêutica do Vaticano II!

Vaticano II: ruptura ou continuidade? Problema de recepção e interpretação ou os próprios documentos conciliares são em si problemáticos?

Um católico nunca pode ver um concílio como ruptura. Este é o caminho para justificar o sedevacantismo ou para ver o Vaticano II como um novo início da Igreja. É claro que há continuidade dentro da Tradição como um todo. O problema reside em outro lugar. O Concílio, de fato, é um verdadeiro concílio ecumênico. O problema na minha opinião é o seguinte: o Vaticano II inaugurou uma nova forma de ensinar em um concílio, uma maneira pastoral de dizer a doutrina. Este mesmo significado de “ensino pastoral”, mesmo durante o Concílio, não estava claro. Surgiram muitas interpretações. A teologia neste momento não tem uma categoria suficiente para compreender e qualificar este nível de ensinamento. Mas, de certa forma, os próprios documentos também são problemáticos. Evitando o modo de ensinar com censuras e definições, escolheram a forma descritiva, como uma catequese ou uma homilia. Ambas as formas de ler o Concílio, tanto a forma da continuidade como a da descontinuidade, normalmente citam os textos do Concílio. Os textos são, portanto, suscetíveis a ambas as leituras. Qual é a única correta? Aquela iluminada pela Tradição. Portanto, o Vaticano II precisam de um a priori que é a Tradição da Igreja. E apenas com a Tradição nós podemos examinar os novos documentos. Podemos ler o Vaticano II apenas à luz do Vaticano I, Trento, etc, e nunca o contrário. O mistério da Igreja vem primeiro.

A Itália tem sido palco de um grande debate sobre o Concílio. Monsenhor Gherardini e Roberto de Mattei alcançaram grande sucesso com suas obras. Há esperança de que o Concílio possa ser objeto de um estudo sério e não mais um “super dogma” intocável?

Padre Lanzetta ao lado de Cristina Siccardi e Monsenhor Brunero Gherardini.

Padre Lanzetta ao lado de Cristina Siccardi e Monsenhor Brunero Gherardini.

Creio que o primeiro passo a ser dado neste debate é apresentar o Vaticano II não como um “super dogma”, segundo a significativa expressão do Cardeal Ratzinger. O Vaticano II não é o universo da Fé Católica. Nossos dogmas são muito mais abrangentes que o último concílio, que foi uma tentativa, não de reescrever a doutrina, mas apenas de difundi-la de uma nova maneira ao mundo moderno. Os efeitos destes 50 anos podem nos ajudar a verificar o que deu errado, o que não estava funcionando. Creio que o espírito todo otimista que acompanhou estes anos, a esperança de ser muito amigável com o mundo a fim de conquistá-lo, absolutamente não está funcionando. O mundo conquistou os católicos. Não devemos nunca esquecer a Cruz de Cristo, sua Paixão e Morte. Só após a morte é que vem a ressurreição.

O segundo passo desse estudo deveria aperfeiçoar uma análise crítica para verificar como as novas doutrinas estão em continuidade com a Tradição. Isso é muito delicado, mas não basta proclamar a continuidade. Ela deve ser verificada. O problema principal do Vaticano II é sua interpretação. Então, o Sujeito mais adequado para realizar este trabalho é o próprio Magistério. É por isso que ambos os autores, Gherardini e De Mattei, pedem uma intervenção do Papa para resolver essa questão tão problemática.

Há aqueles que, em nome do que chamam “Magistério vivo da Igreja”, justificam todo e qualquer ato aprovado pelas autoridades da Igreja no período pós-conciliar. O que o senhor pensa a respeito?

Temos sempre que respeitar o Magistério da Igreja, mesmo as iniciativas pastorais dos Papas. Eles são sempre os Vigários de Cristo. Porém, respeito e reverência não significam cegueira, mas antes uma possibilidade real de mostrar desaprovação pelas escolhas pastorais, o que poderia ser um grito de Fé. Elas podem ser verificadas e corrigidas. Recordemos a desaprovação de Ratzinger a Assis I.

Por fim, Padre: um jovem que discerniu sua vocação ao sacerdócio e está ligado ao rito Tridentino, desejando se engajar em um estudo sério e crítico do Concílio, encontraria boas-vindas e portas abertas nos Franciscanos da Imaculada?

Sim, é claro. Esperamos por muitas vocações brasileiras.