Posts tagged ‘Frei Tiago de São José’

3 outubro, 2019

Frei Tiago de São José resiste.

Nosso amigo Paulo Frade entrevistou, com exclusividade para FratresInUnum.com, o carmelita Frei Tiago de São José.

Reverendíssimo Frei Tiago de São José, primeiramente, muito obrigado por nos conceder essa entrevista. 

Muitas pessoas se recordam que em 2012, o Bispo de Braganca Paulista expulsou a sua comunidade daquela diocese.  Por que motivo ele chegou a essa decisão? 

image1.jpegEm 2012, nós fomos expulsos por desobediência.  Havia na ocasião uma ordem expressa do Bispo de celebrarmos, pelo menos, a Missa dominical no rito de Paulo VI e nós recusamos. Entretanto, a instrução que regulamentava o motu proprio de 2007 dava direito aos Institutos de Vida Religiosa de celebrarem, exclusivamente, a Missa Tradicional. Portanto, não podemos ser acusados de desobediência.

E, hoje, 7 anos depois, o senhor continua achando que fez a coisa certa?

Sim, sem dúvida.  Nós saimos de uma situação de conflito e procuramos uma Diocese aberta ao nosso projeto de vida religiosa. No Paraguai, tivemos uma experiência muito rica, nos dando a certeza de que quem procura ser fiel a Deus, mesmo que tenha que passar por sofrimentos e perdas, sai ganhando.

E o que aconteceu, na sua experiência pessoal de sacerdote, que o levou a buscar a Tradição e resolver deixar a missa nova?

Durante 10 anos eu celebrei segundo o novus ordo e convivi normalmente nos ambientes da Igreja Moderna. Entretanto, quando eu comecei a celebrar o Rito Tradicional em 2007, após o motu proprio, fui percebendo que havia uma grande contradição entre o chamado “rito ordinário” e o “rito extraordinário”. A partir daí, comecei a estudar o tema e fui chegando a uma conclusão de que a Missa criada em 1970 não se baseia na lex orandi da Igreja, como foi estabelecida pelos anteriores decretos, e, por isso, me recusei a celebrá-la.

E os outros membros do Mosteiro, acompanharam esta mesma postura?

Sim. Todos estávamos muito convencidos da riqueza da Missa Tradicional e éramos unanimes neste desejo de dar o melhor para Deus e adorá-lo de forma digna e sacral.

E o que aconteceu com os senhores nestes últimos 7 anos?

Bem, realmente não foi muito fácil. Em 2013, chegamos no Paraguai e fomos muito bem recebidos pelo Bispo Monsenhor Livieres. Entretanto, não tínhamos casa e dormíamos num galinheiro. Aos poucos, fomos nos erguendo e construímos nossa casa. Infelizmente, em 2015, o Bispo foi injustamente afastado pelo Papa Francisco e ficamos novamente sem apoio. Há dois anos, viemos para a Europa, e assim vamos indo, procurando simplesmente fazer o que podemos hoje, porque amanhã, já não sabemos o que vai ser…

E depois de terem sido mais uma fez expulsos de uma diocese, por que os senhores não desistiram dessa luta ou deixaram a Igreja Católica? 

Ser católico é uma obrigação de quem deseja seguir Jesus Cristo.  E, para permanecer católico, precisamos, sobretudo, professar a verdadeira Fé. Portanto, ninguém pode nos tirar da Igreja Católica, uma vez que temos a convicção da Fé. No Credo dizemos: Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Essa é a verdadeira Igreja e a verdadeira Fé. Por outro lado, se alguém pensa que é católico e não crê em tudo o que ensina a Fé Católica, já está fora da Igreja. Isso nos leva a entender que não podemos desanimar quando vemos o abandono da Fé, mesmo pela hierarquia da Igreja Institucional, pois a Igreja não é simplesmente uma instituição, mas um Mistério, um corpo místico, cuja cabeça é o próprio Cristo. Hoje em dia, as pessoas perderam essa noção. Considero que o melhor documento do Magistério para se entender isso é a encíclica Satis Cognitum de Leão XIII.

E o que o senhor acha de todas essas criticas que se levantam contra Francisco?

O que acontece nesse nosso tempo só pode ser entendido à luz desta pergunta do evangelho: “Quando o Filho do Homem voltar, encontrareis fé sobre a terra?” (Lc, 18,8).  Ora, Nosso Senhor está prevendo um tempo onde a Fé estaria praticamente extinta, ou seja, que a manifestação externa e oficial da Fé Católica estaria silenciada. De fato, a raiz do problema não é a pessoa do Papa Francisco, mas a propria declaração da liberdade religiosa que foi assinada no Vaticano II.  A partir dali, estamos, in potentia, rompidos com a verdadeira religião. E, se as pessoas aceitam todas essas rupturas, não são capazes de discernir a que ponto chegamos. Mesmo os Bispos de hoje, já formados na mentalidade do Concílio são coniventes com a apostasia que o Papa Francisco implementa, e a oposição é quase nula. Esse processo é inexorável… No mês que vem,  o sínodo da Amazônia vai se apresentar como o ápice desse fluxo revolucionário. Saímos do catolicismo e agora vamos voltar ao paganismo…

E na sua opinião, qual é o objetivo desse movimento revolucionário na Igreja?

A maioria das pessoas são ingênuas e pensam que estamos, simplesmente, renovando conceitos, ou se abrindo para o diálogo e para a paz, para o respeito das outras culturas e religiões.  No entanto, estamos diante de uma verdadeira agenda que visa abolir o catolicismo verdadeiro e estabelecer uma religião universal subordinada ao judaísmo.   Nesse contexto, vamos assistir à entronização do homem no lugar de Deus e o advento de uma personalidade que será apoida por toda a mídia, e que no entanto, para a Bíblia, será o Anticristo.

Por fim, Frei Tiago, o que o senhor acha que Deus pede para nós nesses tempos difíceis?

Apego à verdade, amor sincero à nossa Religião, conforme foi transmitida pelos Apóstolos e os Papas de todos os tempos. Desapego ao dinheiro e ao poder e mesmo da própria vida, porque, se não estivermos prontos para o martírio, não seremos capazes de permanecer fiéis nessa prova final.

19 abril, 2013

Resposta de Roma a recurso de Mosteiro Carmelita de Atibaia: “Comunicado” de bispo de Bragança Paulista é considerado inválido.

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O que, à primeira vista, parece algo desfavorável ao Mosteiro Carmelita é, na realidade, exatamente o oposto. O recurso de Frei Tiago não foi aceito simplesmente porque o documento que o “sentenciou” ao exílio, que não é um decreto, não foi considerado sequer um “ato administrativo singular” válido contra o qual se possa recorrer [“Cân. 1732 — O que acerca dos decretos se determina nos cânones desta secção, deve aplicar-se também a todos os actos administrativos singulares, dados no foro externo extrajudicial, com excepção dos emanados do próprio Romano Pontífice ou do próprio Concílio Ecuménico”].

O mérito da questão não foi julgado, no entanto, o episódio evidencia a incapacidade de nossos bispos de se aterem às próprias formalidades previstas em lei a fim de que seus atos tenham validade canônica.

23 dezembro, 2012

Vox clamantis in deserto.

Homilia do IV Domingo do Advento

Por Frei Tiago de São José

PresépioQueridos irmãos e irmãs:

Hoje estamos celebrando este último domingo do Tempo do Advento. Por ser esta liturgia muito solene, resolvi escrever a homilia para apresentar melhor o que estamos celebrando. Entramos nesta Capela para escutar a Palavra de Deus. Ao contrário do que vemos por aí, não encontramos a figura de um “papai Noel”, mas de João, o Batista. Preparai o caminho do Senhor: fazei retas as suas veredas. Com certeza, é mais fácil ser um “papai Noel” do que um “João Batista”. Trazer presentinhos, dar um sorriso e subir num carro mágico acenando para a multidão. Uma coisa linda! Sem dúvida mais fácil que vestir roupas rudes, abster-se de comidas saborosas e colocar-se no silêncio do deserto.

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6 dezembro, 2012

“É meu dever reconhecer os carismas do Espírito, promovê-los e guiá-los”. Carta do bispo de Ciudad del Este e mensagem de Frei Tiago para o Advento.

Carta de Dom Rogélio Lliveres, bispo diocesano de Ciudad del Este, direcionada a Frei Tiago de São José, assim como ao bispo de Bragança Paulista, Dom Sérgio Colombo, e ao arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno.

Carta de Dom Rogélio 1

Carta de Dom Rogélio 2

MENSAGEM DO ADVENTO

4 dezembro, 2012

Mas alguém se perguntou sobre os fiéis? (2).

Vídeo enviado gentilmente pela leitora Mayara Moraes, a quem agradecemos. Dom Sérgio Colombo ignorou, até o momento, as tentativas de contato de Fratres in Unum a fim de dar maiores esclarecimentos sobre o caso. A petição on-line, que noticiamos inicialmente quando tinha pouco mais de 50 assinaturas, conta já com mais de 650… E a questão, para além da disputa entre o bispo e os religiosos, permanece sem resposta: como ficarão os fiéis?

26 novembro, 2012

Mas alguém se perguntou sobre os fiéis?

Santa Missa no Rito Carmelitano antigo celebrada ontem, domingo, 25 de novembro.

Santa Missa no Rito Carmelitano antigo celebrada ontem, domingo, 25.

Para além da disputa entre o bispo de Bragança Paulista e Frei Tiago de São José, há uma questão até agora ignorada: o que será dos fiéis que assistem à Santa Missa no mosteiro carmelita de Atibaia? Confissões, casamentos, batizados no rito tradicional serão também expulsos sumariamente do cotidiano dos fiéis?

A diocese de Bragança Paulista demonstrará a solicitude pastoral para com estas suas ovelhas ligadas à liturgia dita “extraordinária”, abertura pedida já por João Paulo II e manifestada sobretudo por Bento XVI?

Como, quando e onde a vida sacramental exatamente como a proporcionada pelos carmelitas — dos fiéis da zona rural do bairro do Portão, e de muitos outros de toda a diocese que para lá afluíam, será continuada?

Domingo, 25 de novembro de 2012: atendimento aos fiéis pelo sacerdote após a Santa Missa.

Domingo, 25 de novembro de 2012: fila para atendimento aos fiéis pelo sacerdote após a Santa Missa.

Se Dom Sérgio Aparecido Colombo, ordinário local, não deseja que a opinião pública julgue sua medida como uma afronta ao Magistério da Igreja, em particular ao motu proprio Summorum Pontificum, é extremamente necessário que a vida católica dos fiéis, tal como desenvolvida através do Mosteiro Carmelita, seja preservada.

Domingo, 25 de novembro de 2012: a capela abarrotada para a Santa Missa.

A capela abarrotada para a Santa Missa de ontem.

Qualquer tentativa de subverter a prática da religião católica por parte do povo deixaria claro qual era o intento da diocese ao expulsar uma comunidade religiosa pujante e amada pela população da região.

Os fiéis estão feridos e clamam; ainda esperam que a comunidade religiosa permaneça em Atibaia e, para isso, fizeram um abaixo-assinado online que já conta com mais de 150 assinaturas.

É importante que as autoridades eclesiásticas acompanhem o desfecho dessa triste novela. De nossa parte, faremos questão de recordá-las de seu dever.

25 novembro, 2012

Tempos de confusão.

Retransmitimos a mensagem recebida dos amigos da Confraria de Nossa Senhora do Carmo.

Por Frei Tiago de São José

Julguei oportuno dar uma satisfação a tantas pessoas que, de boa fé, investiram material ou espiritualmente no projeto desta comunidade religiosa que estivemos organizando na cidade de Atibaia, Diocese de Bragança Paulista. De fato, não poucos têm me questionado: por que insistir na celebração da santa missa em latim, segundo o uso antigo, comprometendo a fundação deste Mosteiro e um trabalho de 11 anos até chegar ao extremo de ser expulso deste lugar onde vivemos? Em primeiro lugar, quero deixar claro que desde o início da minha vocação sacerdotal, fui muito tocado pelo mistério do santo sacrifício da missa, segundo a forma tradicional. Nunca havia me interessado pelo sacerdócio, antes de conhecer a profundidade deste rito.

Fui ordenado em 2000 com o anseio desta missa no coração, porém, nunca pude celebrá-la. Vim para esta diocese em 2002, pouco depois de ordenado, buscando participar de uma comunidade religiosa na qual pudesse viver um estilo de vida austero e voltado para a oração. Não vi outra forma melhor de ajudar a Santa Igreja. Depois de 5 anos, fiz o pedido de incardinação que não foi contestado pelo nosso Bispo, Dom José Maria. Se o direito canônico fosse observado, desde esta ocasião, eu já estaria incardinado nesta Diocese de Bragança. Ainda mais que Dom José confirmou todos os direitos que recebemos de Dom Bruno, ou seja, de usar o hábito próprio e receber vocações.

O cotidiano das irmãs no ramo feminino da comunidade fundada por Frei Tiago.

Quando foi publicado o Moto Proprio Summorum Pontificum em 2007, tive muita alegria, porque entendi que o Santo Padre nos restituía a Santa Missa no seu uso antigo, nunca abolida, mostrando que isso não ofenderia a Constituição Sacrossanctum Concilium sobre a liturgia, do Concílio Vaticano II. Ao contrário disso, traria o benefício de suscitar uma melhoria nas condições deprimentes que a liturgia celebrada segundo o Missal de Paulo VI havia atingido em toda parte. Entretanto, ainda celebrávamos somente em âmbito privado, esperando a regularização deste uso, o que aconteceu pela instrução Universæ Ecclesiæ. Ali se determina o direito de uma comunidade religiosa usar exclusivamente o rito extraordinário, uma vez que assim decidirem os seus membros. Daí, com autorização de Dom José, começamos a celebrar.

Nunca entramos em polêmicas sobre o Missal de Paulo VI, nem buscamos criticar os outros. Nossa única intenção foi confirmar as próprias palavras do Papa Bento XVI, mostrando que a liturgia segundo o missal de 1962, realizada com zelo e respeito, ainda hoje pode ser uma fonte inesgotável de graças espirituais para toda a Igreja. Ainda mais porque sempre procuramos formar bem os fiéis para uma participação ativa e frutuosa do mistério eucarístico, como orienta o Concílio Vaticano II. E não foram poucos os sacerdotes que, edificados pelas nossas celebrações, me disseram que passaram a celebrar com mais piedade e amor em suas paróquias.

Vendo estes frutos bons, discernimos, nós, irmãos e irmãs eremitas da Virgem Maria do Monte Carmelo, que nossa missão na Igreja estaria vinculada a esse compromisso: realizar uma Eucaristia que manifeste toda a sacralidade e a força que lhes são próprias. Ainda mais pela natureza do nosso carisma monástico que busca haurir na liturgia toda sua razão de ser. Assim, depois desse longo processo, optamos por celebrar a liturgia tradicional em nosso Mosteiro.

Estamos tendo, contudo, que pagar um preço muito caro. Isso, não só pelo lugar e as coisas materiais que perdemos, inclusive as nossas casas que nós mesmos construímos com tanto sacrifício, mas, também, pelos amigos que aqui teremos que deixar. Admito que, sem nunca ter faltado com o devido respeito ao nosso Bispo, na nossa fraqueza humana, ficamos ressentidos por ele não nos ter poupado de um tão doloroso exílio.

Esperamos, em Deus, que logo sejamos livres deste sentimento, e que possamos continuar nossa caminhada, sempre em plena comunhão com o Santo Padre, o Papa e com toda a Igreja.

Em resumo, digo isto: apenas nos recusamos a voltar às celebrações segundo o Rito Ordinário em português, por acharmos que os documentos do Papa Bento XVI nos davam este direito. Se isso for uma “desobediência formal”, peço a Deus que me perdoe, mas, não entendo, pois, o que aprendi é que devíamos obedecer ao Papa… Entendo sim que, em nossos dias, há muita tolerância com aquilo que não é bom e há muita repugnância daquilo que sempre foi católico…

Que a Virgem do Carmo nos ajude!

Fr. Tiago de S. José, Carmelita Eremita.

23 novembro, 2012

Carta de Frei Tiago de São José sobre o fim do Mosteiro Carmelita Tradicional de Atibaia, diocese de Bragança Paulista, SP.

Fonte: Confraria Nossa Senhora do Carmo

Leia também: Bispo de Bragança Paulista expulsa Frei Tiago e Mosteiro Carmelita Tradicional de sua diocese.

22 novembro, 2012

Bispo de Bragança Paulista expulsa Frei Tiago e Mosteiro Carmelita Tradicional de sua diocese.

O comunicado a seguir foi divulgado pela diocese de Bragança Paulista, sem precisar os motivos que levaram o senhor bispo a excluir de sua diocese esta nova fundação tradicional. Asseguramos ao reverendíssimo Frei Tiago todo espaço para resposta.