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3 fevereiro, 2020

Pela defesa do Celibato.

Por Frei Tiago de São José

A polêmica que se levanta nestes dias gira em torno da disciplina do celibato. O recente livro do Cardeal Sarah, com a colaboração do Papa Bento XVI sobre o tema, com o título Da profundeza do nosso coração, atiçou a imprensa e os teólogos liberais que logo saíram para a batalha a fim de defender o Papa Francisco que, por enquanto, nem sequer chegou a aprovar a proposta do Sínodo da Amazônia de permitir a ordenação de homens casados. Por tais manifestações fica claro que tudo está pronto para uma grande mudança na disciplina da Igreja…

O site Vatican News diz que o “celibato sacerdotal jamais foi um dogma. Se trata de uma disciplina eclesiástica da Igreja latina que representa um dom precioso, definido deste modo por todos os últimos Pontífices. A Igreja Católica de rito oriental prevê a possibilidade de ordenar sacerdotes a homens casados e também para a Igreja latina foram admitidas exceções precisamente por Bento XVI na Constituição apostólica Anglicanorum coetibus”.

A impressão é de que, em breve teremos as exceções ampliadas até chegarmos à abolição do celibato sacerdotal. Ou senão, será simplesmente assim: “o celibato continua como um dom precioso para aqueles que desejarem, mas não será mais obrigatório.” Assim como o latim: muito precioso, mas opcional. O que não é de se espantar, porque nesta “semana de oração pela unidade dos Cristãos”, o que mais se escuta dizer é que ser católico é um dom precioso, mas opcional.

Entretanto, cabe a nós, que desejamos manter a verdadeira e única Igreja de Cristo, defender a disciplina e a doutrina deste tema, que, não obstante, obviamente, não ser um dogma, é um pilar fundamental da nossa religião.

O livro do Cardeal Sarah

No seu polêmico livro, o piedoso Cardeal Africano afirma que “há um vínculo ontológico-sacramental entre o sacerdócio e o celibato.” E chega ao ponto de dizer: “Suplico ao Papa Francisco que nos proteja definitivamente de tal eventualidade, vetando qualquer enfraquecimento da lei do celibato sacerdotal, mesmo limitado a uma ou outra região”.

O escritor americano Enrico Soros, em um artigo raivoso publicado pelo próprio site Zenit, contesta essas reflexões afirmando que: “se bem que seus pensamentos e opiniões são respeitáveis, não se vê nem que Sarah tem uma visão ampla do tema, nem que seja objetivo, nem correto em suas apreciações.” De fato, está declarada a guerra!

Entretanto, o Cardeal Sarah prevê uma «catástrofe pastoral, uma confusão eclesiológica e um ofuscamento da compreensão do sacerdócio» com a eventual possibilidade de ordenar homens casados. Bento XVI, em sua contribuição ao livro, refletindo sobre o argumento, remonta às raízes hebraicas do cristianismo e afirma que o sacerdócio e o celibato são inseparáveis. “desde o início da «nova aliança» de Deus com a humanidade, estabelecida por Jesus”. E recorda que já «na Igreja antiga», isto é, no primeiro milênio, «os homens casados podiam receber o sacramento da ordem somente se estivessem comprometidos a respeitar a abstinência sexual».

O próprio Papa Francisco, no diálogo com os jornalistas no voo de regresso do Panamá, recordou que na Igreja católica oriental era possível a opção celibatária ou matrimonial antes do diaconato, mas acrescentou, a propósito da Igreja latina: «Vem-me à mente aquela frase de Paulo VI: ‘Prefiro dar a vida antes que mudar a lei do celibato’. Veio-me à mente e quero dizê-la, porque é uma frase corajosa, num momento mais difícil do que o atual (nos anos 70). Pessoalmente, penso que o celibato é uma dádiva para a Igreja. (…) Não estou de acordo com permitir o celibato opcional». Na sua resposta, falou também da discussão entre os teólogos acerca da possibilidade de conceder concessões para algumas regiões perdidas, como as ilhas do Pacífico, afirmando, porém, «que não há decisão minha. A minha decisão é: celibato opcional antes do diaconato, não. É uma coisa minha, pessoal… Eu não o farei: isto fique claro. Sou «fechado»? Talvez. Mas não me sinto, diante de Deus, de tomar tal decisão.». O perigo da sua afirmação está na maneira como deixa claro, que pessoalmente não concorda, mas, também não impede que o debate se desenvolva. Depois, talvez dirá: outros quiseram, não eu, então, tive que aceitar, pois não sou autoritário

Argumentos contrários ao celibato

Normalmente, os que defendem o fim do celibato, se apoiam nos seguintes argumentos:

  • o celibato é contrário à natureza;
  • faltam sacerdotes;
  • a relação sexual no casamento não é pecado, portanto não macula a celebração da missa;
  • essa disciplina não é essencial na igreja e não está na bíblia;
  • os padres de rito oriental são casados;
  • os escândalos na Igreja iriam diminuir.

Não temos aqui a intenção de expor toda a doutrina que a Igreja desenvolveu sobre isso desde a vinda do Filho de Deus na Terra, mas, simplesmente, de apresentar os principais fundamentos do celibato sacerdotal e demonstrar, porque, a mudança dessa disciplina está incluída num processo intencional de destruição da Igreja Católica Romana.

Contra a natureza

Segundo a opinião de muitos, não é possível a vida humana em castidade. Outros apresentam até a ideia de que a castidade seria prejudicial à saúde! Como se não houvesse na história tantos milhares de testemunhas dos benefícios da castidade para a saúde da alma e do corpo. O homem não é como os outros animais, simplesmente dotados de instinto, mas pode, com sua capacidade mental, agir de forma a fazer violência à sua própria natureza (Mt. 11,12), para atingir um objetivo. Sendo assim, a moral da Igreja ensina que não somente os padres, mas todos aqueles que não estão ligados a um matrimônio regular, são chamados a viver em castidade. E até mesmo no matrimônio, é recomendado, que haja períodos de abstinência, especialmente nos tempos de penitência, para se adquirir a virtude e a graça espiritual. Portanto, a castidade é muito mais vantagem que prejuízo e, deixar um prazer por algo mais sublime não é castração, mas oblação. Afirmou o Papa Bento: “Para compreender bem o que significa a castidade devemos partir do seu conteúdo positivo, explicando que a missão de Cristo o levava a uma dedicação pura e total para com os seres humanos. Nas Sagradas Escrituras não há nenhum momento de sua existência onde em seu comportamento com as pessoas se vislumbre sinais de interesse pessoal. (…) Os sacerdotes, religiosos e religiosas, (…) com o voto de castidade no celibato, não se consagram ao individualismo ou a uma vida isolada, mas sim prometem solenemente pôr totalmente e sem reservas ao serviço do Reino de Deus as relações intensas das quais são capazes”. (Da homilia na Basílica de Mariazell, Áustria, 8 de setembro de 2007).

Faltam padres

Se hoje faltam pastores para cuidar do rebanho, não podemos concluir que isso seja devido às exigências do celibato, mas a outras razões como: o desinteresse geral pela religião, a reforma da liturgia que praticamente reduziu o padre a um mero animador de uma assembleia, à limitada geração de filhos dos católicos atuais; ao fenômeno de secularização das escolas e das sociedades em geral. Acrescenta-se a isso a falta de oração, pois, o Senhor disse: rogai para que haja operários para a messe. Nos ambientes onde prolifera a Missa tradicional e a família numerosa, não temos falta de sacerdotes. Se esse argumento for realmente colocado em consideração, mais um pouco será preciso ordenar também mulheres, porque não haverá tantos homens casados dispostos a se dedicar a tal missão.

A relação no matrimônio não é pecado

Se a Igreja ensina que não há pecado na relação conjugal respeitosa e aberta à fecundidade, por que razão o homem casado não poderia receber as sagradas ordens? Desde os primeiros tempos a Igreja entendeu que o Sacrifício da Missa é muito mais sagrado que os sacrifícios da Antiga Lei. E se, naquele tempo, os sacerdotes não podiam se aproximar de suas esposas nos dias em que iam oficiar no templo, por maior razão, teriam que ser castos, ao serem ordenados sacerdotes segundo o Novo Testamento. O Concílio de Elvira, no século III, assim legislou: “Bispos, presbíteros, diáconos e outros que ocupem uma posição no ministério devem abster-se totalmente de relações sexuais com suas esposas e da procriação de filhos. Se alguém desobedecer, seja ele privado do estado clerical” (XXXIII cânon). Santo Ambrósio, o mais importante Pai da Igreja Latina, foi um homem profundamente apegado ao dom da castidade. Ele influenciou muito a Igreja no sentido de adotar com rigor a pena de exclusão do ministério para todos os sacerdotes casados que voltassem a ter relações com suas esposas, depois da ordenação. Isso para ele era tão sério que chegava a afirmar: “no antigo testamento lemos que o povo teve que lavar suas vestes para participar do sacrifício (Ex. 19, 10). Aprende ó Sacerdote e Levita a lavar sua vestimenta para que possas celebrar os sacramentos com o corpo purificado. Se o povo não podia participar dos sacrifícios sem lavar suas vestes, como tu ousas, impuro de mente e de corpo suplicar por outros, como ousas ministrar para os outros? Igualmente, o sacerdote que é casado, não frequente mais o leito conjugal, para que, integro no corpo, incorrupto no pudor pelo afastamento do consorcio conjugal, seja digno de exercer a graça do ministério.” S. AMBROSIUS, De officiis ministr., 1, 50

Não está na Bíblia

Aqueles que não encontraram o sentido do celibato na Bíblia comecem a perceber que esta foi, justamente, uma das grandes novidades do Evangelho: “Respondeu Jesus: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mt. 19. 11-12) O celibato foi uma opção de Cristo que se fez tudo para todos. Foi uma sugestão de Cristo para aqueles que queriam segui-lo. Foi uma exigência de Cristo para os seus Apóstolos. É comum ouvir dizer: ‘Pedro foi casado, veja que o Senhor curou sua sogra!’ Sim. Porém escute o que o Senhor disse: “todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”. (Mt. 19. 29). Portanto, todos eles deixaram suas famílias e seguiram o Senhor. Também eloquente é o exemplo de São Paulo que foi um celibatário convicto e que ensinava: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa”. (I Cor. 6, 32)

Os padres de rito oriental são casados

Nos primeiros séculos da Igreja, como demonstra a própria escritura pelas cartas de São Paulo a Tito e a Timóteo, era possível a ordenação de homens casados, mas sempre seguindo a regra apostólica da continência. A partir do século VIII, a disciplina foi se relaxando. Mais tarde, por não seguir a reforma de Gregório VII, a Igreja no Oriente permaneceu com este costume, adotando, porém, uma série de imposições e restrições que vigoram ainda hoje, rigorosamente, sobre os padres que são casados. Para começar, um padre já ordenado não pode se casar; e, se um padre casado fica viúvo, não pode se casar novamente. Além do mais, existe uma clara diferenciação de status entre um padre casado e um padre monge, como são chamados os celibatários. Um padre casado também não pode chegar a ser Bispo. Ao apresentar a questão, ninguém considera essas restrições nem, tampouco, apresenta os problemas graves de famílias de tais padres ou de pastores que são casados. Ora, se é tão difícil assim em ambientes que já estão acostumados com essa realidade, imaginemos as desordens que isso traria na nossa sociedade ocidental, sem nenhum critério ou respeito pelas tradições!

Os escândalos iriam diminuir

Não é possível ter uma certeza de que, com o fim do celibato, haveria de se diminuir o índice de escândalos sexuais na Igreja. Ao contrário, muito provavelmente, aumentariam, e teríamos mais um gênero de escândalo: os adultérios de padres ou de mulheres de padres. “É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que causa escândalos.” (Mt. 18,7) Sem dúvida, o problema dos escândalos está ligado, não somente à concepção hedonista da nossa sociedade, mas também à própria perda da noção do sacerdócio e da sua sacralidade. A respeito disso, diz o Cardeal Sarah: “Estou convencido de que a crise do sacerdócio é um elemento central da crise da Igreja: o inimigo do sacerdócio hoje é a eficácia, a produtividade, como se nós fossemos empregados de uma empresa… É uma concepção funcionalista do sacerdócio no sentido de separá-lo dos seus três múnus (santificandi, docendi et regendi). Um padre é fundamentalmente aquele que continua entre nós a presença de Cristo: ipse Cristus, o próprio Cristo. Durante a Santa Missa, o padre deve estar face a face com Cristo e a este momento preciso, se identificar com Cristo. Se o Padre é o próprio Cristo, como imaginar ordenar padres “idosos casados”? Este sacerdócio não será o sacerdócio de Cristo, mas uma fabricação humana sem valor crístico. Quantas vezes eu ouvi dizer: ‘se os padres pudessem se casar, não haveria problemas de pedofilia’. Como se nós não soubéssemos que esse problema, ou melhor, esse crime, concerne principalmente às famílias e dentro das famílias que mais acontece. Portanto o problema é bem mais profundo.”

Conclusões

A influência da vida monástica para a Igreja.

Ninguém contesta que, além da própria espiritualidade dos grandes Bispos dos primeiros séculos, foi, sem dúvida, a influência da vida monástica que fez prevalecer o celibato na Igreja. Há muitos relatos históricos que comprovam que, o povo preferia recorrer aos monges e eremitas, mesmo que não fossem padres, do que se dirigir aos sacerdotes casados de suas paróquias. Isso se intensificou tanto que São Leôncio, Bispo de Frejus no século V chegava a dizer que não compensava ordenar um homem casado porque o povo não aceitava se confessar com ele. De fato, o monge, ou religioso é um homem santo, ou seja, um consagrado, alguém que foi separado para Deus e não pertence à mulher nenhuma, mas só a Deus. A influência desta noção fez com que, seja no ocidente, ou no oriente fosse exigida essa mesma santidade monacal para quem administra os mistérios de Cristo, especialmente a Missa e a Confissão. Não se pode negar que a destruição do monaquismo no ocidente pelas revoluções, nos fez perder a referência de Igreja e de Santidade. Quando a Igreja é livre para se desenvolver e expressar a verdadeira Fé, ela é fecunda e gera as vocações sacerdotais na mesma proporção que o necessário, como um milagre que podemos comparar ao milagre da distribuição dos pães. (Jo. 6, 13)  Onde há uma verdadeira Igreja, haverá vocações, porque isso é Deus quem dá e não o homem…

A destruição do Sacerdócio é um trabalho da Revolução

Apesar das insistências dos últimos Papas pela manutenção da disciplina do celibato, como se nota na famosa encíclica sacerdotalis cælibatus de Paulo VI, podemos concluir que não será possível a preservação do sacerdócio, tal qual foi concebido pela Tradição e pela Doutrina da Igreja, sem que seja repensada toda a lógica da Reforma litúrgica e do próprio Concílio. Sem dúvida, é louvável o testemunho do Cardeal Sarah, um dos poucos que ainda dispõem de um cargo importante e que ousam levantar a voz contra a corrente, mas é evidente que não há argumento que possa conter o espírito de Revolução que devasta a Igreja desde o Protestantismo. Enquanto não houver uma coerência e uma clareza na exposição da Fé, denunciando claramente os erros e reafirmando o que sempre foi condenado pelo Magistério da Igreja, não se poderá conter essa devastação. O objetivo final da Revolução, promovida ocultamente pelas sociedades secretas, é fazer da Igreja Católica uma religião no mesmo nível das outras, uma simples religião humana, e não a Religião verdadeira e Divina. Para isso, é necessário acabar com o sacerdócio e com o sacrifício da Missa. Que sejam os padres, homens comuns, seja a missa uma simples celebração: plena de vida, de simbolismos, mas não seja o sacrifício. Esse é o objetivo final! É preciso que estejamos bem conscientes disso. Que a nossa perseverança na Verdade revelada por Deus possa nos sustentar nessa grande e tremenda tempestade. Salva nos Domine, perimus!

3 outubro, 2019

Frei Tiago de São José resiste.

Nosso amigo Paulo Frade entrevistou, com exclusividade para FratresInUnum.com, o carmelita Frei Tiago de São José.

Reverendíssimo Frei Tiago de São José, primeiramente, muito obrigado por nos conceder essa entrevista. 

Muitas pessoas se recordam que em 2012, o Bispo de Braganca Paulista expulsou a sua comunidade daquela diocese.  Por que motivo ele chegou a essa decisão? 

image1.jpegEm 2012, nós fomos expulsos por desobediência.  Havia na ocasião uma ordem expressa do Bispo de celebrarmos, pelo menos, a Missa dominical no rito de Paulo VI e nós recusamos. Entretanto, a instrução que regulamentava o motu proprio de 2007 dava direito aos Institutos de Vida Religiosa de celebrarem, exclusivamente, a Missa Tradicional. Portanto, não podemos ser acusados de desobediência.

E, hoje, 7 anos depois, o senhor continua achando que fez a coisa certa?

Sim, sem dúvida.  Nós saimos de uma situação de conflito e procuramos uma Diocese aberta ao nosso projeto de vida religiosa. No Paraguai, tivemos uma experiência muito rica, nos dando a certeza de que quem procura ser fiel a Deus, mesmo que tenha que passar por sofrimentos e perdas, sai ganhando.

E o que aconteceu, na sua experiência pessoal de sacerdote, que o levou a buscar a Tradição e resolver deixar a missa nova?

Durante 10 anos eu celebrei segundo o novus ordo e convivi normalmente nos ambientes da Igreja Moderna. Entretanto, quando eu comecei a celebrar o Rito Tradicional em 2007, após o motu proprio, fui percebendo que havia uma grande contradição entre o chamado “rito ordinário” e o “rito extraordinário”. A partir daí, comecei a estudar o tema e fui chegando a uma conclusão de que a Missa criada em 1970 não se baseia na lex orandi da Igreja, como foi estabelecida pelos anteriores decretos, e, por isso, me recusei a celebrá-la.

E os outros membros do Mosteiro, acompanharam esta mesma postura?

Sim. Todos estávamos muito convencidos da riqueza da Missa Tradicional e éramos unanimes neste desejo de dar o melhor para Deus e adorá-lo de forma digna e sacral.

E o que aconteceu com os senhores nestes últimos 7 anos?

Bem, realmente não foi muito fácil. Em 2013, chegamos no Paraguai e fomos muito bem recebidos pelo Bispo Monsenhor Livieres. Entretanto, não tínhamos casa e dormíamos num galinheiro. Aos poucos, fomos nos erguendo e construímos nossa casa. Infelizmente, em 2015, o Bispo foi injustamente afastado pelo Papa Francisco e ficamos novamente sem apoio. Há dois anos, viemos para a Europa, e assim vamos indo, procurando simplesmente fazer o que podemos hoje, porque amanhã, já não sabemos o que vai ser…

E depois de terem sido mais uma fez expulsos de uma diocese, por que os senhores não desistiram dessa luta ou deixaram a Igreja Católica? 

Ser católico é uma obrigação de quem deseja seguir Jesus Cristo.  E, para permanecer católico, precisamos, sobretudo, professar a verdadeira Fé. Portanto, ninguém pode nos tirar da Igreja Católica, uma vez que temos a convicção da Fé. No Credo dizemos: Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Essa é a verdadeira Igreja e a verdadeira Fé. Por outro lado, se alguém pensa que é católico e não crê em tudo o que ensina a Fé Católica, já está fora da Igreja. Isso nos leva a entender que não podemos desanimar quando vemos o abandono da Fé, mesmo pela hierarquia da Igreja Institucional, pois a Igreja não é simplesmente uma instituição, mas um Mistério, um corpo místico, cuja cabeça é o próprio Cristo. Hoje em dia, as pessoas perderam essa noção. Considero que o melhor documento do Magistério para se entender isso é a encíclica Satis Cognitum de Leão XIII.

E o que o senhor acha de todas essas criticas que se levantam contra Francisco?

O que acontece nesse nosso tempo só pode ser entendido à luz desta pergunta do evangelho: “Quando o Filho do Homem voltar, encontrareis fé sobre a terra?” (Lc, 18,8).  Ora, Nosso Senhor está prevendo um tempo onde a Fé estaria praticamente extinta, ou seja, que a manifestação externa e oficial da Fé Católica estaria silenciada. De fato, a raiz do problema não é a pessoa do Papa Francisco, mas a propria declaração da liberdade religiosa que foi assinada no Vaticano II.  A partir dali, estamos, in potentia, rompidos com a verdadeira religião. E, se as pessoas aceitam todas essas rupturas, não são capazes de discernir a que ponto chegamos. Mesmo os Bispos de hoje, já formados na mentalidade do Concílio são coniventes com a apostasia que o Papa Francisco implementa, e a oposição é quase nula. Esse processo é inexorável… No mês que vem,  o sínodo da Amazônia vai se apresentar como o ápice desse fluxo revolucionário. Saímos do catolicismo e agora vamos voltar ao paganismo…

E na sua opinião, qual é o objetivo desse movimento revolucionário na Igreja?

A maioria das pessoas são ingênuas e pensam que estamos, simplesmente, renovando conceitos, ou se abrindo para o diálogo e para a paz, para o respeito das outras culturas e religiões.  No entanto, estamos diante de uma verdadeira agenda que visa abolir o catolicismo verdadeiro e estabelecer uma religião universal subordinada ao judaísmo.   Nesse contexto, vamos assistir à entronização do homem no lugar de Deus e o advento de uma personalidade que será apoida por toda a mídia, e que no entanto, para a Bíblia, será o Anticristo.

Por fim, Frei Tiago, o que o senhor acha que Deus pede para nós nesses tempos difíceis?

Apego à verdade, amor sincero à nossa Religião, conforme foi transmitida pelos Apóstolos e os Papas de todos os tempos. Desapego ao dinheiro e ao poder e mesmo da própria vida, porque, se não estivermos prontos para o martírio, não seremos capazes de permanecer fiéis nessa prova final.

19 abril, 2013

Resposta de Roma a recurso de Mosteiro Carmelita de Atibaia: “Comunicado” de bispo de Bragança Paulista é considerado inválido.

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O que, à primeira vista, parece algo desfavorável ao Mosteiro Carmelita é, na realidade, exatamente o oposto. O recurso de Frei Tiago não foi aceito simplesmente porque o documento que o “sentenciou” ao exílio, que não é um decreto, não foi considerado sequer um “ato administrativo singular” válido contra o qual se possa recorrer [“Cân. 1732 — O que acerca dos decretos se determina nos cânones desta secção, deve aplicar-se também a todos os actos administrativos singulares, dados no foro externo extrajudicial, com excepção dos emanados do próprio Romano Pontífice ou do próprio Concílio Ecuménico”].

O mérito da questão não foi julgado, no entanto, o episódio evidencia a incapacidade de nossos bispos de se aterem às próprias formalidades previstas em lei a fim de que seus atos tenham validade canônica.

23 dezembro, 2012

Vox clamantis in deserto.

Homilia do IV Domingo do Advento

Por Frei Tiago de São José

PresépioQueridos irmãos e irmãs:

Hoje estamos celebrando este último domingo do Tempo do Advento. Por ser esta liturgia muito solene, resolvi escrever a homilia para apresentar melhor o que estamos celebrando. Entramos nesta Capela para escutar a Palavra de Deus. Ao contrário do que vemos por aí, não encontramos a figura de um “papai Noel”, mas de João, o Batista. Preparai o caminho do Senhor: fazei retas as suas veredas. Com certeza, é mais fácil ser um “papai Noel” do que um “João Batista”. Trazer presentinhos, dar um sorriso e subir num carro mágico acenando para a multidão. Uma coisa linda! Sem dúvida mais fácil que vestir roupas rudes, abster-se de comidas saborosas e colocar-se no silêncio do deserto.

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6 dezembro, 2012

“É meu dever reconhecer os carismas do Espírito, promovê-los e guiá-los”. Carta do bispo de Ciudad del Este e mensagem de Frei Tiago para o Advento.

Carta de Dom Rogélio Lliveres, bispo diocesano de Ciudad del Este, direcionada a Frei Tiago de São José, assim como ao bispo de Bragança Paulista, Dom Sérgio Colombo, e ao arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno.

Carta de Dom Rogélio 1

Carta de Dom Rogélio 2

MENSAGEM DO ADVENTO

4 dezembro, 2012

Mas alguém se perguntou sobre os fiéis? (2).

Vídeo enviado gentilmente pela leitora Mayara Moraes, a quem agradecemos. Dom Sérgio Colombo ignorou, até o momento, as tentativas de contato de Fratres in Unum a fim de dar maiores esclarecimentos sobre o caso. A petição on-line, que noticiamos inicialmente quando tinha pouco mais de 50 assinaturas, conta já com mais de 650… E a questão, para além da disputa entre o bispo e os religiosos, permanece sem resposta: como ficarão os fiéis?

26 novembro, 2012

Mas alguém se perguntou sobre os fiéis?

Santa Missa no Rito Carmelitano antigo celebrada ontem, domingo, 25 de novembro.

Santa Missa no Rito Carmelitano antigo celebrada ontem, domingo, 25.

Para além da disputa entre o bispo de Bragança Paulista e Frei Tiago de São José, há uma questão até agora ignorada: o que será dos fiéis que assistem à Santa Missa no mosteiro carmelita de Atibaia? Confissões, casamentos, batizados no rito tradicional serão também expulsos sumariamente do cotidiano dos fiéis?

A diocese de Bragança Paulista demonstrará a solicitude pastoral para com estas suas ovelhas ligadas à liturgia dita “extraordinária”, abertura pedida já por João Paulo II e manifestada sobretudo por Bento XVI?

Como, quando e onde a vida sacramental exatamente como a proporcionada pelos carmelitas — dos fiéis da zona rural do bairro do Portão, e de muitos outros de toda a diocese que para lá afluíam, será continuada?

Domingo, 25 de novembro de 2012: atendimento aos fiéis pelo sacerdote após a Santa Missa.

Domingo, 25 de novembro de 2012: fila para atendimento aos fiéis pelo sacerdote após a Santa Missa.

Se Dom Sérgio Aparecido Colombo, ordinário local, não deseja que a opinião pública julgue sua medida como uma afronta ao Magistério da Igreja, em particular ao motu proprio Summorum Pontificum, é extremamente necessário que a vida católica dos fiéis, tal como desenvolvida através do Mosteiro Carmelita, seja preservada.

Domingo, 25 de novembro de 2012: a capela abarrotada para a Santa Missa.

A capela abarrotada para a Santa Missa de ontem.

Qualquer tentativa de subverter a prática da religião católica por parte do povo deixaria claro qual era o intento da diocese ao expulsar uma comunidade religiosa pujante e amada pela população da região.

Os fiéis estão feridos e clamam; ainda esperam que a comunidade religiosa permaneça em Atibaia e, para isso, fizeram um abaixo-assinado online que já conta com mais de 150 assinaturas.

É importante que as autoridades eclesiásticas acompanhem o desfecho dessa triste novela. De nossa parte, faremos questão de recordá-las de seu dever.

25 novembro, 2012

Tempos de confusão.

Retransmitimos a mensagem recebida dos amigos da Confraria de Nossa Senhora do Carmo.

Por Frei Tiago de São José

Julguei oportuno dar uma satisfação a tantas pessoas que, de boa fé, investiram material ou espiritualmente no projeto desta comunidade religiosa que estivemos organizando na cidade de Atibaia, Diocese de Bragança Paulista. De fato, não poucos têm me questionado: por que insistir na celebração da santa missa em latim, segundo o uso antigo, comprometendo a fundação deste Mosteiro e um trabalho de 11 anos até chegar ao extremo de ser expulso deste lugar onde vivemos? Em primeiro lugar, quero deixar claro que desde o início da minha vocação sacerdotal, fui muito tocado pelo mistério do santo sacrifício da missa, segundo a forma tradicional. Nunca havia me interessado pelo sacerdócio, antes de conhecer a profundidade deste rito.

Fui ordenado em 2000 com o anseio desta missa no coração, porém, nunca pude celebrá-la. Vim para esta diocese em 2002, pouco depois de ordenado, buscando participar de uma comunidade religiosa na qual pudesse viver um estilo de vida austero e voltado para a oração. Não vi outra forma melhor de ajudar a Santa Igreja. Depois de 5 anos, fiz o pedido de incardinação que não foi contestado pelo nosso Bispo, Dom José Maria. Se o direito canônico fosse observado, desde esta ocasião, eu já estaria incardinado nesta Diocese de Bragança. Ainda mais que Dom José confirmou todos os direitos que recebemos de Dom Bruno, ou seja, de usar o hábito próprio e receber vocações.

O cotidiano das irmãs no ramo feminino da comunidade fundada por Frei Tiago.

Quando foi publicado o Moto Proprio Summorum Pontificum em 2007, tive muita alegria, porque entendi que o Santo Padre nos restituía a Santa Missa no seu uso antigo, nunca abolida, mostrando que isso não ofenderia a Constituição Sacrossanctum Concilium sobre a liturgia, do Concílio Vaticano II. Ao contrário disso, traria o benefício de suscitar uma melhoria nas condições deprimentes que a liturgia celebrada segundo o Missal de Paulo VI havia atingido em toda parte. Entretanto, ainda celebrávamos somente em âmbito privado, esperando a regularização deste uso, o que aconteceu pela instrução Universæ Ecclesiæ. Ali se determina o direito de uma comunidade religiosa usar exclusivamente o rito extraordinário, uma vez que assim decidirem os seus membros. Daí, com autorização de Dom José, começamos a celebrar.

Nunca entramos em polêmicas sobre o Missal de Paulo VI, nem buscamos criticar os outros. Nossa única intenção foi confirmar as próprias palavras do Papa Bento XVI, mostrando que a liturgia segundo o missal de 1962, realizada com zelo e respeito, ainda hoje pode ser uma fonte inesgotável de graças espirituais para toda a Igreja. Ainda mais porque sempre procuramos formar bem os fiéis para uma participação ativa e frutuosa do mistério eucarístico, como orienta o Concílio Vaticano II. E não foram poucos os sacerdotes que, edificados pelas nossas celebrações, me disseram que passaram a celebrar com mais piedade e amor em suas paróquias.

Vendo estes frutos bons, discernimos, nós, irmãos e irmãs eremitas da Virgem Maria do Monte Carmelo, que nossa missão na Igreja estaria vinculada a esse compromisso: realizar uma Eucaristia que manifeste toda a sacralidade e a força que lhes são próprias. Ainda mais pela natureza do nosso carisma monástico que busca haurir na liturgia toda sua razão de ser. Assim, depois desse longo processo, optamos por celebrar a liturgia tradicional em nosso Mosteiro.

Estamos tendo, contudo, que pagar um preço muito caro. Isso, não só pelo lugar e as coisas materiais que perdemos, inclusive as nossas casas que nós mesmos construímos com tanto sacrifício, mas, também, pelos amigos que aqui teremos que deixar. Admito que, sem nunca ter faltado com o devido respeito ao nosso Bispo, na nossa fraqueza humana, ficamos ressentidos por ele não nos ter poupado de um tão doloroso exílio.

Esperamos, em Deus, que logo sejamos livres deste sentimento, e que possamos continuar nossa caminhada, sempre em plena comunhão com o Santo Padre, o Papa e com toda a Igreja.

Em resumo, digo isto: apenas nos recusamos a voltar às celebrações segundo o Rito Ordinário em português, por acharmos que os documentos do Papa Bento XVI nos davam este direito. Se isso for uma “desobediência formal”, peço a Deus que me perdoe, mas, não entendo, pois, o que aprendi é que devíamos obedecer ao Papa… Entendo sim que, em nossos dias, há muita tolerância com aquilo que não é bom e há muita repugnância daquilo que sempre foi católico…

Que a Virgem do Carmo nos ajude!

Fr. Tiago de S. José, Carmelita Eremita.

23 novembro, 2012

Carta de Frei Tiago de São José sobre o fim do Mosteiro Carmelita Tradicional de Atibaia, diocese de Bragança Paulista, SP.

Fonte: Confraria Nossa Senhora do Carmo

Leia também: Bispo de Bragança Paulista expulsa Frei Tiago e Mosteiro Carmelita Tradicional de sua diocese.

22 novembro, 2012

Bispo de Bragança Paulista expulsa Frei Tiago e Mosteiro Carmelita Tradicional de sua diocese.

O comunicado a seguir foi divulgado pela diocese de Bragança Paulista, sem precisar os motivos que levaram o senhor bispo a excluir de sua diocese esta nova fundação tradicional. Asseguramos ao reverendíssimo Frei Tiago todo espaço para resposta.