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21 novembro, 2016

Misericordia et Misera: nova Carta Apostólica de Francisco.

Íntegra no site do Vaticano da Carta Apostólica para o encerramento do Ano da Misericórdia.

Sobre a FSSPX, dispõe o Papa Francisco:

No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados.[16] Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.

A seguir, matéria da agência Ecclesia, da Conferência Episcopal de Portugal:

Igreja/Aborto: Papa decide alargar faculdade de absolvição a todos os sacerdotes

Decisão tomada no Jubileu da Misericórdia ganha agora caráter definitivo

Cidade do Vaticano, 21 nov 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco anunciou hoje a decisão de alargar definitivamente a faculdade de absolvição de quem praticou o aborto a todos os sacerdotes, mantendo assim a prática do Ano Jubilar da Misericórdia que se concluiu este domingo.

“Para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto”, escreve, no número 12 da carta apostólica ‘Misericórdia e Mísera’, divulgada esta manhã pelo Vaticano.

Francisco precisa que aquilo que concedera a todos os padres, de forma limitada ao período jubilar, fica agora “alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário”.

“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai”, explica.

O Papa espera que os sacerdotes católicos sejam “guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação”.

A prática do aborto implica, segundo o Direito Canónico, a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática), exigindo até agora a confissão ao bispo (ou os padres a quem o bispo desse essa faculdade) para a remissão da pena.

Francisco decidiu ainda manter o serviço dos “Missionários da Misericórdia”, mais de mil sacerdotes de vários países, incluindo Portugal, que foram enviados no ano santo extraordinário (dezembro 2015-novembro 2016) para promover o perdão dos pecados.

“Desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo”, adianta o Papa.

A carta anuncia também que os fiéis que assim o desejarem podem continuar a confessar-se nas igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, um gesto explicado com o desejo de restabelecer “a plena comunhão na Igreja Católica”.

O pontífice argentino pede a todos os padres que se preparem com “grande cuidado” para o ministério da Confissão, acolhendo cada pessoa com misericórdia e comunicando o amor de Deus.

“Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus”, escreve.

Francisco deseja uma redescoberta do “ministério da reconciliação”, particularmente valorizada em iniciativas como as ‘24 horas para o Senhor’, na Quaresma.

“Que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão”, apela.

A nova carta apostólica propõe ainda iniciativas para a valorização da Bíblia na vida dos católicos, sugerindo às comunidades que escolham um domingo do ano litúrgico para “renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura”.

‘Misericordia et misera’ foi assinada publicamente este domingo, na Praça de São Pedro, após o final da Missa que encerrou o Jubileu da Misericórdia, 29.º Ano Santo na história da Igreja Católica.

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16 outubro, 2016

Foto da semana.

No dia 24 de setembro último, foi realizada a Peregrinação Anual ao Santuário dos Mártires Canadenses pelos membros da SSPX- Canadá. A caminhada tem sempre como ponto de partida o local do martírio dos Jesuítas Gabriel Lalemant e Jean de Brébeuf e termina no Santuário onde estão depositadas suas relíquias.

São Jean de Brébeuf foi martirizado pelos índios em St-Ignace, Huronia no dia16 Março de 1649 e canonizado no dia 29 Junho de 1930.

Seguindo as pegadas desses mártires, a peregrinação se inicia com o Santo Sacrifício da Missa e uma exortação à penitência.

O Sacramento da Confissão enfatiza a necessidade do arrependimento e da purificação, pois Jerusalém é também hoje o nosso destino, e sem sermos purificados de nossas faltas não podemos subir à Jerusalém celestial. “Portanto, confessai vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros”.( Tiago 5:16)

Encerrando a peregrinação, uma missa solene é celebrada em um dos vários altares ao ar livre na área do Santuário. Não nos é permitido a celebração da Santa Missa no interior do Santuário e será assim enquanto a SSPX permanecer no exílio.

A caminhada penitencial é outra forma de recordar-nos que caminhamos na fé e não na visão. Após o retorno do exílio, seguido de um certo período de reestruturação da sociedade, a cidade de Jerusalém e o povo de Israel também tiveram que se deparar com uma nova realidade: a cidade santa foi invadida e o templo profanado ao ser entronizado nele um deus pagão para ser cultuado.

Estes acontecimentos foram a base da revolta dos Macabeus e a presente crise da Igreja é também o motivo pelo qual devemos nos purificar, nos penitenciar, caminhar pacientemente, e sobretudo resistir para Instaurare Omnia in Christo.

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8 julho, 2016

FSSPX lança nova Cruzada de Rosários.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por ocasião das ordenações sacerdotais em Zaitzkofen (Alemanha), no dia 02 de julho de 2016, D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, anunciou o lançamento de uma nova Cruzada de Rosários, a fim de uma boa preparação espiritual para a centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima (Maio à Outubro/1917).

Esta cruzada será realizada de 15 de agosto de 2016 a 22 de Agosto 2017 .

Ela corresponde às intenções indicadas pela própria Virgem Santíssima:

(I) Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Para que seja feita, todos os fiéis são convidados a:

  • Recitar diariamente o rosário, sozinho ou em família;
  • Realizar a devoção da Comunhão reparadora nos cinco primeiros sábados do mês, e multiplicar os sacrifícios diários, em espírito de reparação pelos ultrajes cometidos contra Maria;
  • Levar consigo a medalha milagrosa e difundi-la;
  • Consagrar seus lares ao Imaculado coração de Maria .

Além da propagação desta devoção, rezemos também:

(II) para apressar o triunfo do Coração Imaculado; 

(III) Para que seja realizado pelo Papa e todos os bispos do mundo católico a consagração da Rússia ao Coração Imaculado e Doloroso de Maria.

E nós adicionamos (IV) como uma intenção especial, a proteção da Santíssima Virgem à Fraternidade São Pio X e todos os seus membros, bem como as comunidades religiosas da Tradição .

Dom Bernard Fellay fixa como objetivo um buquê de 12 milhões de rosários e 50 milhões de sacrifícios ofertados a Nossa Senhora de Fátima.

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29 junho, 2016

Comunicado da FSSPX após reunião de seus superiores.

Comunicado oficial da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Por FSSPX | Tradução: FratresInUnum.com: No final da reunião dos Superiores Maiores da Fraternidade São Pio X, que foi realizada na Suíça, entre os dias 25 a 28 de junho de 2016, o Superior Geral fez o seguinte comunicado:

O propósito da Fraternidade São Pio X é principalmente a formação de sacerdotes, condição essencial para a renovação da Igreja e para a restauração da sociedade.

Em meio à grande e dolorosa confusão que atualmente reina na Igreja, a proclamação da doutrina católica exige a denúncia de erros que penetraram em seu seio e, infelizmente, são encorajados por um grande número de pastores, incluindo o próprio Papa.

A Fraternidade São Pio X, no presente estado de grave necessidade, que lhe dá o direito e o dever de administrar o auxílio espiritual para as almas que se voltam para ela, não busca primariamente o reconhecimento canônico a que tem direito enquanto obra católica. Ela tem apenas um desejo: fielmente levar a luz da Tradição bimilenar que mostra a única rota a seguir nesta época de escuridão na qual o culto do homem substitui o culto a Deus, tanto na sociedade como na Igreja.

A “restauração de todas as coisas em Cristo” almejada por São Pio X, seguindo São Paulo (cf. Ep.h 1:10), não pode acontecer sem o apoio de um Papa que concretamente favoreça o retorno à Sagrada Tradição. Enquanto esperamos por esse dia abençoado, a Fraternidade São Pio X tem a intenção de redobrar os seus esforços para estabelecer e difundir, com os meios que a Providência Divina nos dá, o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Fraternidade São Pio X reza e faz penitência pelo Papa, para que ele possa ter a força de proclamar a Fé Católica e a moral em sua totalidade. Desta forma, ele apressará o triunfo do Coração Imaculado de Maria, o que sinceramente desejamos que aconteça na medida em que vamos nos aproximando do centenário das aparições em Fátima.

Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Sociedade de São Pio X

Ecône, 29 de junho de 2016

Festa de São Pedro e São Paulo

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1 junho, 2016

Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX: Pouco a pouco, Roma nos está dando tudo o que precisamos para a reconciliação.

Em uma longa entrevista ao Register [ver vídeos legendados aqui], o líder da Fraternidade Sacerdotal tradicionalista detalha como Papa Francisco abriu a porta para a plena integração da FSSPX à Igreja.

Por Edward Pentin, National Catholic Register, 19 de maio de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comMenzingen, Suíça – A reconciliação entre a Fraternidade São Pio X e Roma parece ser iminente, já que o principal obstáculo – oposição a certos aspectos do Concílio Vaticano II – não mais seria uma causa para uma separação contínua da Igreja.

Dom Bernard Fellay

Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X.

Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, disse ao Register no dia 13 de maio que ele está “persuadido, pelo menos em parte, de uma abordagem diferente”, segundo a qual ele acredita que o Papa Francisco está colocando menos peso sobre o Concílio e mais ênfase em “salvar almas e encontrar uma maneira de fazê-lo”.

Essa mensagem foi reforçada esta semana quando o próprio Papa Francisco sugeriu que uma reconciliação poderia estar próxima, ao declarar ao jornal católico francês La Croix, em 16 de maio, que os membros da FSSPX são “católicos a caminho da plena comunhão” e que um “bom diálogo e um bom trabalho estão em andamento”.

De acordo com Dom Fellay, o Vaticano está dizendo à Fraternidade, por meio de palavras cheias de nuances, que agora é possível questionar os ensinamentos do Concílio sobre a liberdade religiosa, o ecumenismo e a reforma litúrgica “e permanecer católicos”.

“Isso significa, também, que os critérios que eles impõem sobre nós, para provarmos para eles que somos católicos, não mais serão necessários , disse ele. “Isso, para nós, seria muito importante”.

Em 1970, o Arcebispo Marcel Lefebvre, dos Padres do Espírito Santo, fundou a fraternidade internacional para formar e apoiar sacerdotes destinados a espalhar a fé católica pelo mundo inteiro.

Mas a sua oposição a alguns ensinamentos do Concílio Vaticano II no tocante ao ecumenismo, a liberdade religiosa e aspectos da reforma litúrgica veio à tona em 1988, quando Dom Lefebvre sagrou quatro bispos em 1988 contra a vontade expressa do Papa João Paulo II. Todos os cinco incorreram em excomunhão automática, e a fraternidade permaneceu em uma situação canonicamente irregular desde então.

Dom Lefebvre morreu em 1991 e o Vaticano e a FSSPX começaram a trabalhar por uma reconciliação desde o ano 2000.

Bento XVI procurou melhorar as relações, em primeiro lugar, em 2007, confirmando que os sacerdotes podem celebrar a missa em latim segundo o Missal Romano de 1962 (oficialmente chamado de forma extraordinária da Liturgia) e salientando que ele jamais havia sido revogado, e em seguida anulando as excomunhões dos quatro bispos vivos da FSSPX em 2009.

Ele também abriu colóquios de reconciliação formais com a FSSPX em 2011, mas tais colóquios posteriormente fracassaram porque o Vaticano, aparentemente em contraste com os próprios desejos de Bento XVI, elevou suas exigências sobre a questão central: que a fraternidade deveria aceitar a validade de todos os ensinamentos do Concílio, incluindo os textos sobre liberdade religiosa e direitos humanos, que a FSSPX rejeita como erros teológicos.

A última inovadora e surpreendente concessão sobre esta questão tem, portanto, o poder de trazer a FSSPX à beira da regularização,  que segundo algumas fontes, poderá acontecer em questão de semanas ou meses.

Papa Francisco recebeu Dom Fellay, pela primeira vez em audiência privada no mês passado, sinalizando uma intenção clara da parte do Santo Padre, o qual deseja que a fraternidade seja regularizada. “Dom Fellay é um homem com quem se pode dialogar “, disse Francisco ao La Croix.

O Papa também anunciou que confissões da FSSPX seriam válidas e lícitas tanto durante como após o Ano Jubilar da Misericórdia. Até então, Roma as considerava como inválidas porque faltava-lhes a jurisdição necessária.

Acredita-se agora que a FSSPX está com um rascunho de um acordo do Vaticano para assinar e formalizar a regularização, mas quer ter certeza de que tem garantias seguras. “A bola está na quadra deles”, disse uma fonte do Vaticano ao Register do dia 12 de maio. “Queremos que eles a toquem pra frente.”

A mensagem de Menzingen

Dom Fellay sentou-se para uma longa entrevista com o Register numa chuvosa e tempestuosa sexta-feira de maio, festa de Nossa Senhora de Fátima, na Casa Geral da FSSPX em Menzingen, perto de Zurique, Suíça.

O edifício modesto, uma ex-pousada suíça, cercada por campos agrícolas ao sopé dos Alpes, está passando por uma reforma. Cerca de 25 padres e freiras vivem lá; e devido às abundantes vocações da FSSPX, eles estão contemplando a busca por instalações maiores em breve. Em uma mesa repousa um jarro de estanho único, rodeado por várias pequenas canecas, cada uma gravada com um momento chave da vida de Dom Lefebvre.

Apesar de uma agenda lotada e cansativa marcada por longas viagens, Dom Fellay chegou de bom humor e falou livre e abertamente em inglês. Ele está bem ciente do quão surpreendente e estranho parece ser o fato de que uma reconciliação estaria tão perto, sob o pontificado de um papa considerado como sendo muito mais preocupado com outros assuntos.

“[A situação] é realmente paradoxal, porque nós não mudamos nada, e nós continuamos a denunciar o que está acontecendo”, disse ele. “No entanto, você vê esse movimento a nosso favor, dentro de Roma.” Ele disse que tem notado que quanto mais tempo as negociações tomam, mais leniente Roma se torna.”

Mas ele também observou duas abordagens diferentes em Roma para a questão da FSSPX. “Temos de distinguir a posição do Papa, que é uma coisa, e, em seguida, a posição do CDF”, explicou ele, fazendo referência ao órgão doutrinário do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo cardeal Gerhard Müller, que está oferecendo maiores concessões para a regularização. “Eles não têm a mesma abordagem, mas têm a mesma conclusão, que é: vamos acabar com o problema dando o reconhecimento para a fraternidade”.

De acordo com o líder da FSSPX, a Congregação para a Doutrina da Fé tem uma “nova perspectiva” sobre a fraternidade, e, contrariamente às observações feitas pelo cardeal Müller em 2014, ele já não vê o grupo como cismático.

“Isso significa que os pontos que nós defendemos não tocam naqueles pontos que separariam a fraternidade da Igreja, quer seja no nível do cisma ou pior, quer seja no nível de heresia, contra a fé”, disse Dom Fellay. “Eles [CDF] ainda estimam que algo deveria ser esclarecido sobre a questão da percepção do que é o magistério. Mas nós alegamos que são eles que o fazem confuso”.

Em uma entrevista à Zenit, em fevereiro, Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, encarregado da regularização da FSSPX, disse que a Santa Sé quer mais “esclarecimentos” sobre as críticas da Fraternidade ao Concílio, mas isso poderia ter lugar “mesmo depois da plena reconciliação.” Ele disse que a FSSPX deve também afastar-se de “confrontos polêmicos e antagônicos.” Uma fonte do Vaticano revelou que a Fraternidade já “baixou o tom em alguns de seus escritos, entrevistas e publicações”.

Confirmando o que fontes em Roma disseram ao Register, Dom Fellay implicitamente deixou claro que é o Vaticano que se aproximou da FSSPX, em vez do contrário, mesmo porque a Fraternidade vê a reconciliação como um direito e porque seria uma “injustiça não dá-la a nós”. De acordo com o líder do grupo, o Arcebispo Lefebvre nunca quis romper com Roma, e a Fraternidade sempre insistiu que nunca estiveram em cisma.

Dom Fellay disse que alguns no Vaticano vêem a FSSPX como vindo para o “resgate” da Igreja e por outros como vindo em auxílio da Igreja e revelou que isso é mencionado no documento de conciliação que lhes fora oferecido para assinar. Uma fonte informou disse que Roma está dando à fraternidade “tudo” o que precisam para a plena reconciliação.

Mas alguns ligados à FSSPX – incluindo o ex-bispo da FSSPX Richard Williamson, que foi expulso da fraternidade em 2012, alegadamente por ter semeado dissidência dentro da FSSPX e aconselhado contra a reconciliação com o Vaticano – acusam Dom Fellay de estar buscando a reconciliação a qualquer custo e com isso a fraternidade corre o risco de ficar sob a influência do que o bispo Williamson chama de “loucos modernistas” que ocupam o Vaticano.

Dom Fellay rejeita essa posição como “totalmente errada”, insistindo: “Nós não vamos fazer concessões que firam a fé ou a disciplina da Igreja”. Em vez disso, declarou: “estamos pedindo de Roma garantias de que nós podemos continuar da forma como fazemos”.

“Roma está, pouco a pouco, concedendo o que vemos como uma necessidade e o que eles começam a ver como uma necessidade, dada a situação da Igreja”, disse ele.

Uma prelazia pessoal semelhante à do Opus Dei seria a estrutura canônica mais provável e, já com relação à questão sensível das nomeações episcopais, a FSSPX concordou que seja o Papa a escolher um candidato de uma lista de três candidatos propostos pela Fraternidade.

Dom Fellay disse que o Papa Francisco o deixa perplexo mas que é alguém com quem ele pode finalmente lidar a nível pessoal. “O modo normal de julgar alguém é decorrente de suas ações e concluir que ele está agindo assim porque é assim que ele pensa”, explicou. “Com o atual Papa, você fica totalmente confuso, porque um dia ele faz ou diz alguma coisa e no dia seguinte ele faz ou diz, quase o contrário.”

Diálogo com o Papa Francisco

Mas o franco-suiço líder da FSSPX aprendeu a se comunicar com este Papa, reconhecendo que Francisco muitas vezes parece ver a doutrina como um obstáculo para levar as pessoas até Jesus. Para o Papa, disse Dom Fellay: “o que é importante é a vida, é a pessoa, e assim ele tenta olhar para a pessoa, e é nisso, se assim posso dizer, é que ele é muito humano.”

Quanto aos motivos do Papa, Fellay acredita que Francisco é alguém que quer ver todos salvos, assim “como alguém que trabalha com resgate, ele desamarra a corda, que é a sua segurança, e colocar-se em uma situação de risco para tentar chegar às outras pessoas”, e “que é provavelmente o que ele está fazendo com a gente”.

Ao ser perguntado se ele achava que as condenações frequentes do Papa contra os “doutores da lei” e “fundamentalistas” foram parcialmente dirigidas a ele e à Fraternidade, ele riu, dizendo que as pessoas em Roma lhe disseram que nem eles mesmos sabem a quem o Papa se refere. “A resposta que mais obtive foi “os conservadores americanos”! Ele riu. “Então, realmente, francamente, eu não sei.”

No tocante à visão geral do Papa em relação à FSSPX, Dom Fellay falou que a sua familiaridade com a FSSPX em Buenos Aires ajuda. Na verdade, em sua entrevista com La Croix, Francisco disse que “muitas vezes falou” com os membros da FSSPX em Buenos Aires. “Eles me cumprimentavam, me pediam de joelhos uma bênção”, disse Francisco.

O Papa vê que “nós nos preocupamos com as pessoas”, disse o Bispo Fellay.

“Certamente ele não concorda com a gente sobre estes pontos do Concílio, que estamos atacando. Definitivamente, ele não concorda. Mas, para ele, como a doutrina não é tão importante – e sim o homem, as pessoas, que são importantes – então já demos prova suficiente de que somos Católicos”.

“Ele vê que somos genuínos – ponto final”, afirmou Dom Fellay. “Ele certamente vê as coisas em nós com as quais discorda, coisas que ele gostaria de ver-nos mudar, mas para ele, isso não é o que é importante. O que é importante é amar a Jesus, e só isso”.

Preocupações internas
Dom Fellay falou antes de sua preocupação de que a fraternidade poderia “se desintegrar,” ao invés de ser “integrada”, caso venha a ser regularizada. Será então que ele teme que o Papa pode estar cortejando-os com  uma “plena comunhão”, a fim de neutralizá-los?
“Essa não é sua perspectiva”, disse ele. “Eu diria o contrário. Ele seria alguém que vê vantagem em criar controvérsia… Assim eu preferiria vê-lo como alguém querendo que sejamos nós a controvérsia para provocar e criar uma nova situação, a qual talvez, de uma forma hegeliana, traria uma situação melhor. Claro, somos contra uma tal abordagem dialética, mas poderia ser isso”.

Ainda assim, a FSSPX está tentando inserir garantias de sua identidade em qualquer acordo com Roma. E sentem-se confiantes de que podem continuar a criticar a Igreja pós-conciliar e o Concílio se for necessário, em grande parte porque muitas outras vozes agora estão fazendo o mesmo. “Vamos manter a urgência de fazer correções, e eu diria que, em parte, eles [Roma] estão começando a reconhecer essa urgência”, disse o Bispo Fellay.

E se estas “correções” não vierem? “Bem, nós vamos ser pacientes”, disse ele, antes de abrir um largo sorriso. “Elas virão.”

Mas, dadas as preocupações expressas sobre aspectos da Igreja pós-conciliar de hoje, com destaque para a recente controvérsia sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, a FSSPX pode ter certeza do apoio dos fiéis da FSSPX para a reconciliação?

Esta parece ser uma das incógnitas mais significativas e um grande desafio para a Fraternidade. “Vai ser uma grande tarefa, e vai levar tempo para sermos capazes de fazer com que os fiéis compreendam esta nova fase na história da Igreja, esta nova realidade,” Dom Fellay concedeu. Mas, acrescentou, “não avançar porque as coisas estão ruins de maneira alguma é o que Deus, Nosso Senhor, está solicitando de Seus apóstolos.”

“Eu vejo isso como um passo”

Dom Fellay é mais seguro sobre a situação da Igreja, que ele vê como inevitavelmente se agravando:

“A situação da Igreja, quando olhamos agora, vai se transformar em uma situação realmente muito confusa”, disse ele, acrescentando que “todos os católicos” devem fazer a sua parte para fortalecer a Igreja. A regularização canônica da Fraternidade não será uma solução, afirmou, porque o problema “está na Igreja” e no que está acontecendo agora, “que é a confusão em todos os níveis, moral e doutrinário.”

Então será que ele vê a mão estendida do Vaticano como uma recompensa por tudo pelo que a FSSPX  lutou e defendeu ao longo das últimas décadas?

“Eu vejo isso como um passo”, disse Dom Fellay: “o que prova o quão certos estivemos e que de maneira alguma significa o fim”.

Edward Pentin é correspondente em Roma do Register.

28 maio, 2016

Entrevista de Dom Bernard Fellay, superior geral da FSSPX, ao National Catholic Register.

Entrevista de Dom Bernard Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) a Edward Pentin, do National Catholic Register, em 13 de maio de 2016. Parte 1.

Ver parte 2 e 3. Créditos ao amigo Fabiano Rollim pelas legendas.

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2 maio, 2016

Considerações – A Carta de Padre Schmidberger encorajando a FSSPX a aceitar a regularização.

Tradução em português e original em francês.

O documento do ex-Superior Geral da Sociedade de São Pio X (FSSPX), Padre Franz Schmidberger, atual reitor do seminário da FSSPX na Alemanha, enviado a outras autoridades da Fraternidade há algumas semanas, e que vazou em seu texto original em francês, tem agora uma tradução em inglês aprovada. Em suas considerações sobre a Igreja e o estado da Fraternidade São Pio X em relação a ela, Padre Schmidberger defende que é chegado o momento para uma normalização da posição da Fraternidade na Igreja, sob o Pontificado do Papa Francisco.

O blog The New Liturgical Movement (tradução do colaborador Richard Chonak) forneceu a tradução, que postamos aqui para o registro de eventos atuais e em curso. O texto original em francês segue-se à tradução abaixo, também para o registro.

* * *

Considerações sobre a Igreja e o lugar da Fraternidade São Pio X nela.

Fonte: Rorate Caeli | Tradução: FratresInUnum.com

I. A Igreja é um mistério. Ela é o mistério do único e verdadeiro Deus, que está presente entre nós, o Deus salvador que não deseja a morte do pecador, mas que se converta e viva. Esta conversão requer a nossa cooperação.

Padre Schmidberger

Padre Franz Schmidberger foi superior geral da FSSPX de 1982 a 1994.

II. A Igreja é infalível em sua natureza divina, mas é conduzida por seres humanos que podem se extraviar e também ser sobrecarregados com falhas. Um ofício deve ser distinguido da pessoa que em um determinado momento o ocupa. Tal pessoa mantém o ofício apenas durante um determinado tempo e depois é dispensado, seja por morte ou por meio de outras circunstâncias; mas o ofício permanece. Hoje, o Papa Francisco é o titular do ofício papal com o poder do primado. Em algum momento, sabemos que ele vai deixar o cargo e outro Papa será eleito. Enquanto ele ocupa o trono papal, nós o reconhecemos como tal e oramos por ele. Nós não estamos dizendo que ele é um bom Papa. Pelo contrário, através de suas ideias liberais e sua administração, ele provoca muita confusão na Igreja. Mas quando Cristo estabeleceu o papado, Ele previu toda a linha de papas ao longo da história da Igreja, inclusive o Papa Francisco. E, no entanto, Ele permitiu a subida deste último ao trono papal. Analogamente, o Senhor instituiu o Santíssimo Sacramento do Altar com a Presença real, embora tivesse previsto muitos sacrilégios ao longo da história.

III. A Fraternidade São Pio X foi fundada pelo Arcebispo Lefebvre em meio a esses tempos confusos para a Igreja. Ela foi chamada a prover uma nova geração de padres para a Igreja, para salvaguardar o verdadeiro Santo Sacrifício da Missa e proclamar a realeza de Jesus Cristo sobre toda a sociedade, mesmo na presença de papas liberais e príncipes da Igreja que traem a fé. Necessariamente, isso levou a um conflito: a Fraternidade foi enviada para o exílio em 1975. Lá, não só sobreviveu, mas cresceu e tornou-se  para muitas pessoas um sinal de contradição contra a obra destrutiva desses dias. Esta contradição tornou-se aparente, de modo especial em 30 de junho de 1988, através da sagração de quatro bispos auxiliares por Dom Lefebvre, o que era necessário por razões internas.

IV. Apesar disso, Dom Lefebvre sempre buscou uma solução canônica para a Fraternidade após a sua condenação e não se esquivou de um diálogo com as autoridades romanas. E para essa finalidade, foi importante para ele tentar movê-los para a compreensão e a conversão. Ele prosseguiu com estes esforços mesmo depois da sagração episcopal, embora sendo realista quanto à pouca esperança de sucesso. Empregando um argumento ‘ad hominem’, ele pediu para que lhe autorizassem a fazer “a experiência da Tradição”. Ele também tinha plena consciência de que a Fraternidade se encontrava em uma situação extraordinária, mas de forma alguma por sua própria culpa e sim por culpa de seus adversários. A situação permaneceu a mesma até o ano de 2000. Desde então, Roma tem feito esforços para remediar essa situação, às vezes de modo ardiloso e às vezes com intenções honestas, dependendo de quem está lidando com o problema do lado romano.

V. O declínio dramático da Igreja desde então e, simultaneamente, o desenvolvimento estável da Fraternidade levaram um ou outro cardeal ou bispo a uma compreensão parcial ou geral que nenhum deles ousa admitir publicamente, no entanto, sem mais delongas. Por seu turno, Roma tem retrocedido em suas exigências, pouco a pouco, e nas últimas propostas não houve mais conversa sobre a obrigatoriedade de se reconhecer o Vaticano II ou a legitimidade do Novus Ordo. Assim, parece que é chegado o momento de normalizar a situação da Fraternidade, por várias razões:

1) Cada situação anormal inerentemente tende para a normalização. Isso se deve à  natureza da matéria.

2) Não percamos de vista o perigo de que os fiéis e certos confrades possam ter se acostumado à situação anormal a ponto de considerá-la como normal. A crítica aqui e ali contra qualquer participação no Ano Santo, e também o completo desprezo pela jurisdição ordinária concedida pelo Papa Francisco para as Confissões (nós sempre havíamos citado a situação de emergência e muito corretamente fizemos uso da jurisdição extraordinária para Confissões) são causa de preocupação. Se o fiel ou alguns confrades se sentem confortáveis com esta situação de liberdade e independência da hierarquia, então isso indica uma perda insidiosa do sensus Ecclesiae. Nós jamais deveríamos nos contentar em dizer: “Temos a sã doutrina, a verdadeira Santa Missa, nossos seminários e priorados e, acima de tudo, bispos. Portanto, nós não precisamos de mais nada”.

3) Temos muitos simpatizantes e amigos também entre os bispos e cardeais. Um ou outro deles de bom grado nos chamariam para auxiliá-los e dariam-nos uma igreja paroquial ou mesmo confiaria um seminário à nossa responsabilidade. Mas, na situação atual, isso é impossível para eles. Esses Nicodemos estão esperando impacientemente por uma solução que também reforçaria suas colunas particularmente. Uma série de barreiras e inibições entre os  mais ortodoxos e os Católicos ansiosos também cairiam por terra. Isso colocaria um fim à conversa ouvida na mídia e em outros lugares sobre a “cismática” ou “rebelde” Fraternidade separada da Igreja.

4) Nos próximos anos, precisaremos urgentemente de novos bispos. Sagrá-los sem mandato papal certamente nos é possível em caso de extrema emergência. Mas, se os bispos puderem ser sagrados com a permissão de Roma, devemos pedir essa permissão. [Nota do tradutor: a última palavra da frase é uma adição manuscrita.]

5) Modernistas, liberais, e outros inimigos da Igreja estão muito contrariados com esses passos em direção a uma solução canônica para a Fraternidade. Será que um discernimento dos espíritos não deixa claro que esse é um caminho certo e bom?

6) Como pode a Igreja superar mesmo essa crise? Na atual situação, não vislumbramos nenhum sinal de esperança. Por outro lado, um ato oficial de reconhecimento da Fraternidade desencadearia uma onda benéfica dentro da igreja. Os bons seriam encorajados e os malfeitores sofreriam uma derrota.

VI. Respostas a algumas objeções:

1) Por que alguém iria querer ser reconhecido pelo papa Francisco?

Resposta: Nós já havíamos salientado a distinção necessária entre o ofício e aquele que o ocupa. Sem dúvida, o atual Papa tem a tarefa dada por Deus de mostrar a todos claramente o que o Concílio realmente fez e o que suas últimas consequências estão provocando na Igreja: confusão, a ditadura do relativismo, preocupações pastorais acima da doutrina, amizade com os inimigos de Deus e os opositores do cristianismo. Mas, exatamente por causa disso, as pessoas aqui e ali estão começando a entender os erros do Concílio e auferindo as causas de seus efeitos. Além disso, aqueles que confiaram demais na pessoa do Papa Bento XVI, ao invés de colocar o ofício papal em primeiro lugar e seu titular em segundo, ficaram a ver navios quando o Papa Emérito renunciou. Não vamos cometer o mesmo erro outra vez de confiar muito numa pessoa específica, em vez da da instituição divina! Talvez, também, seja exatamente o Papa Francisco aquele que, com a sua imprevisibilidade e improvisação, seja capaz de dar esse passo. Os meios de comunicação poderiam perdoá-lo por esse expediente, considerando que pelo mesmo motivo eles nunca perdoaram Bento XVI. Com seu autoritário, para não mencionar estilo tirânico de governo, ele provavelmente seria capaz de realizar tal medida, mesmo contra toda oposição.

2) Mas o que o povo da “Resistência” vai dizer? [nota do Rorate: o chamado povo da “Resistência” é composto por um pequeno número de padres que deixaram a Fraternidade e um pequeno número de fiéis que são contra qualquer conversa com a Santa Sé.]

Resposta: Não podemos executar nossas ações pensando em agradar pessoas que obviamente perderam o sentido de Igreja e amor a ela na sua forma concreta. Além disso, agora eles se tornaram completamente divididos entre eles mesmos.

3) A partir de agora vocês deverão permanecer em silêncio sobre todos os erros atuais.

Resposta: Nós não permitimos que sejamos amordaçados; em vez disso, nós chamamos os erros pelos seus nomes, do mesmo modo que fazemos antes de qualquer normalização assim como vamos fazer depois de uma normalização. Assim, temos a intenção de retornar do “exílio”, do mesmo modo como nos encontramos agora.

4) O Papa Francisco tem uma reputação tão ruim entre os Católicos tradicionais que esse reconhecimento de sua própria iniciativa traria mais prejuízos à Fraternidade do que ajuda.

Resposta: No início nós fizemos a distinção entre ofício  e a pessoa. Se Papa Francisco é Papa, e ele o é, então ele também tem o primado de jurisdição sobre toda a Igreja, esteja ele ajudando-a ou prejudicando-a. Vamos trilhar o caminho que possa ajudar a Igreja; nós não buscamos favor por nossas ações, e então Deus nos abençoará.

5) Mas essa integração dentro do sistema de conciliar vai privar a Fraternidade de seu caráter distintivo, e talvez até mesmo sua identidade.

Resposta: Tudo depende de quão firmes nós mesmos estamos, e de quem converte quem. Se vamos trabalhar vigorosamente, contando com a graça de Deus, então nossa nova situação irá tornar-se uma bênção para toda a Igreja. Onde mais existe uma comunidade aqui e agora que pode realizar tal trabalho de conversão? É certo que não podemos contar com as nossas próprias habilidades e força, mas com a ajuda de Deus. Pense na batalha entre Davi e Golias. Uma analogia para isso: Como cristãos, somos colocados em um mundo corrupto totalmente sem Deus e temos que ser provados nele. O perigo de contágio é grande, mas ainda assim podemos e devemos escapar dele com a graça de Deus. Uma coisa é clara: a nova situação, por si só, não fará os nossos esforços mais fáceis, mas muito mais difíceis, ainda assim o faremos mais frutíferos.

6) Todas as comunidades que se submeteram a Roma tiveram que se enquadrar no sistema conciliar ou mesmo sujeitar-se a ele.

Resposta: O ponto de partida não é o mesmo: em nosso caso, Roma é a única que está ansiosa por uma solução e que veio até nós; nos outros casos, essas comunidades é que foram até Roma como suplicantes, muitas vezes com uma consciência culpada. Nenhuma delas têm agora bispos, exceto a União Sacerdotal São João Maria Vianney, da Diocese de Campos, no Brasil, onde o bispo Rifan está disposto a fazer qualquer concessão. Claro que precisamos de uma proteção sólida através de uma estrutura eclesial apropriada. Mas esta parece ser garantida através de uma prelazia pessoal. Até agora tal estrutura não foi oferecida para nenhuma outra comunidade. Finalmente, a objeção levantada é apenas parcialmente relevante: a Fraternidade São Pedro já existe há mais de vinte e sete anos, e, pelo menos nos países de língua alemã, ela manteve-se fiel à Missa Tradicional, com poucas exceções. Com efeito, ter a Fraternidade São Pio X na retaguarda foi pra eles como um seguro de vida.

VII. Conclusão

Se Deus quer vir em auxílio de sua Igreja, a qual sangra através de milhares de feridas, Ele também tem milhares de oportunidades de fazê-lo. Entre esses remédios está o reconhecimento oficial da Fraternidade pelas autoridades romanas. E não foi a Fraternidade consagrada à Virgem Santíssima, que irá proteger e guiar seu trabalho em uma nova situação? Dignare me laudare te, Virgo Sacrata – Da mihi virtutem hostes contra tuos. Faça-me digno de louvar-te, Virgem Santíssima; dai-me força contra os seus inimigos.

Zaitzkofen, 19 de fevereiro de 2016
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5 abril, 2016

Il Foglio: “O Papa se reuniu sábado com Bernard Fellay, chefe de Lefebvrianos”.

O colóquio “correu bem”, explicou fontes do Vaticano ao jornal Foglio. Estamos caminhando para o modelo de prelazia do Opus Dei.

Por Matteo Matzuzzi – Il Foglio, 4 de abril de 2016 | Tradução: Gercione Lima: FratresInUnum.com: O Papa se reuniu no último sábado no Vaticano com Dom Bernard Fellay, Superior Geral, e sucessor direto do Arcebispo Marcel Lefebvre como chefe da Fraternidade de São Pio X. O colóquio, segundo revelado ao Foglio, “foi positivo”. Entre Francisco e Fellay, “a negociação foi boa.” Trata-se de mais um passo em direção ao reconhecimento canônico da Fraternidade por parte da Santa Sé, algo que se daria sob a forma de uma prelazia estabelecida ad hoc segundo o modelo do Opus Dei, portanto, com amplas margens de autonomia não só organizacional.

Em uma recente entrevista traduzida em várias línguas e publicada no site da Fraternidade, Fellay se mostrou muito aberto ao diálogo, salientando em mais de uma passagem seu apreço pelo Pontífice reinante: “Não me surpreenderia se nos considerasse como uma destas periferias pelas quais tem uma preferência manifesta. E, desde esta perspectiva, utiliza a expressão: ‘percorrer um caminho’ com as pessoas que se encontram na periferia, esperando poder melhorar as coisas. Portanto, não se trata de uma decisão estabelecida de concluir imediatamente: um processo, um caminho, para onde quer que vá…, mas ao menos se é bastante tranquilo, gentil, sem saber realmente qual será o resultado. Talvez seja esta uma das razões mais profundas”.

Um encontro precedente, revelado pelo blog Rorate Caeli, foi realizado nos últimos meses de 2013 na Casa Santa Marta. Não se tratou de um colóquio real, mas um encontro mais ou menos casual. Ainda na entrevista, Fellay observou outro aspecto que nos faz entender que o caminho da reconciliação foi iniciado: ” está claro que o Papa Francisco deseja deixar-nos viver e sobreviver. Disse inclusive a quem estiver disposto a escutá-lo que jamais prejudicaria a Fraternidade. Também disse que somos católicos. Negou-se a nos condenar como cismáticos, dizendo: ‘Não são cismáticos, são católicos’, mesmo se depois utilizou uma expressão um tanto enigmática, a saber: que estamos a caminho da plena comunhão. Este termo ‘plena comunhão’ … seria muito bom ter uma definição clara, porque se vê que não corresponde a nada específico. É um sentimento … e que não sabemos muito bem o que significa. “

Uma passagem muito apreciada em Ecône, onde está a sede da Fraternidade, está relacionada à faculdade concedida pelo Papa aos católicos de se confessarem mesmo com os sacerdotes de Lefebvre. O Papa deixou claro na última carta de 1º de Setembro com a qual concedeu a indulgência do Ano Jubilar para a ocasião: “Uma última consideração é dirigida aos fiéis que, por diversas razões, freqüentam igrejas servidas pelos sacerdotes de Fraternidade de São Pio X. Este Ano jubilar da Misericórdia não exclui ninguém. De diferentes lugares, alguns colegas bispos relataram-me sobre sua boa fé e prática sacramental, misturados ao desconforto de viverem em difíceis condições pastorais. Estou confiante de que no futuro próximo poderemos encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os padres e superiores da fraternidade. Enquanto isso, movido pela necessidade de corresponder ao bem-estar destes fiéis, por minha própria disposição estabeleço que todos que durante o Ano Santo da Misericórdia se aproximarem para receberem o sacramento da Reconciliação com os padres da Fraternidade de São Pio X, receberão válida e licitamente a absolvição dos seus pecados”.

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4 abril, 2016

Papa Francisco recebeu Dom Fellay.

FSSPX – EUA | Tradução: FratresInUnum.com – O Papa Francisco recebeu Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, acompanhado pelo segundo assistente da Fraternidade, Pe. Alain-Marc Nely, na Domus Sanctae Marthae, às 5 p.m. da sexta-feira, 1º de abril de 2016.

Dom Fellay não havia tido oportunidade de se encontrar com o Papa Francisco desde sua eleição em março de 2013, exceto a troca de brevíssimas saudações na Domus Sanctae Marthae, em 13 de dezembro de 2013 (ver DICI no. 296 de 16-05-2014). Todavia, alguns padres da Fraternidade foram anteriormente recebidos pelo Sumo Pontífice, a respeito de certas dificuldades administrativas envolvendo o distrito argentino da Fraternidade (ver DICI no 314 de 24-04-2015).

O Papa Francisco desejou um encontro privado e informal, sem a formalidade de uma audiência oficial. Ele durou 40 minutos e ocorreu em uma atmosfera cordial. Após o encontro, decidiu-se que as atuais relações continuarão. O status canônico da Fraternidade não foi diretamente abordado, sendo que o Papa Francisco e Dom Fellay determinaram que esses intercâmbios devem continuar sem pressa.

Na manhã seguinte, 2 de abril, Dom Fellay encontrou-se com Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, mantendo as relações normais da Fraternidade com esta comissão após as discussões doutrinais de 2009-2011 e as visitas de diversos prelados em 2015-2016.

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4 abril, 2016

“Francisco nos alarma enormemente, e não apenas a nós. Mas gostamos dele”.

IHU – O ecumenismo do Papa Francisco tem um raio de ação realmente muito longo. Encontrou-se com o patriarca ortodoxo de Moscou, irá à Suécia para participar da celebração do quinto centenário de Lutero, é amigo de muitos líderes pentecostais e tem a simpatia inclusive dos seguidores do arcebispo hiper tradicionalista Marcel Lefebvre.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 01-04-2016. A tradução é de André Langer.

O último é o dado mais surpreendente, porque, no campo católico, a hostilidade contra os lefebvrianos é muito mais intolerante entre aqueles que se jactam de ter um espírito ecumênico e de misericórdia.

Com efeito, vemos reproduzir-se contra os lefebvrianos, dado que eles se apresentam como “verdadeiros” católicos, o mesmo mecanismo que faz com que os católicos de rito oriental sejam mal vistos pelos ortodoxos, quem usam para designá-los o termo pejorativo “uniatas”. Mal vistos porque são muito similares a eles, como um inimigo em casa.

Já Bento XVI denunciou esta distorção, na carta aberta redigida por ele em 2009 a todos os bispos do mundo depois da explosão de protestos por sua decisão de levantar a excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos da Fraternidade São Pio X.

O Papa Francisco fez um gesto de grande abertura, quando, em setembro passado, autorizou durante o Jubileu, todos os fiéis católicos que desejarem, confessar-se também com os padres da Fraternidade, recebendo deles a absolvição “válida e licitamente”.

Basta pensar, para compreender a novidade deste gesto de Francisco, na proibição – sob pena de excomunhão imposta aos seus fiéis em 14 de outubro de 2014 pelo bispo de Albano, Marcello Semeraro – de participar das missas e dos sacramentos celebrados pela Fraternidade São Pio X. Semeraro não é um bispo qualquer, é também o secretário do Conselho dos Nove Cardeais que assistem o Papa no governo da Igreja.

A diferença em relação ao Papa Bento é que Francisco não sofreu uma enxurrada de críticas e impropérios por parte dos defensores do ecumenismo devido aos seus gestos de abertura.

Não apenas isso. À indulgência demonstrada pelos defensores do ecumenismo pelo gesto de Francisco acrescentou-se um sinal de estima sem precedentes por parte do próprio superior geral da Fraternidade São Pio X, o bispo Bernard Fellay.

Fellay formulou um juízo detalhado sobre Francisco em uma longa entrevista gravada no dia 04 de março em seu quartel general em Menzingen, na Suíça, e postada na rede em vários idiomas durante a Semana Santa.

Mais do que de uma entrevista, trata-se de uma intervenção pessoal de Fellay, que faz o balanço das seguintes questões:

1) As relações da Fraternidade São Pio X com Roma desde 2000.

2) As novas propostas de Roma estudadas pelos superiores maiores da Fraternidade São Pio X.

3) “Ser aceitos assim como somos”, sem ambiguidades nem compromissos.

4) O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal.

5) A jurisdição concedida aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X: consequências canônicas.

6) As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas.

7) O estado atual da Igreja: inquietudes e esperanças.

8) O que devemos pedir à Santíssima Virgem?

Todo o texto é de considerável interesse, enquanto expressa o ponto de vista mais confiável, completo e atualizado da comunidade lefebvriana sobre suas relações com Roma.

Mas, as passagens mais surpreendentes são precisamente aquelas em que Fellay explica a benevolência deFrancisco com a Fraternidade, benevolência que define como “paradoxal”, porque contrasta com as orientações predominantes de seu pontificado, que vão no sentido contrário.

Esta análise que Fellay faz encontra-se no ponto 4 do texto, reproduzido na íntegra na sequência.

Essa análise é seguida por outra passagem, tirada do ponto 6, que, por sua vez, conta o desenvolvimento e o resultado das recentes visitas feitas aos seminários e a um priorado da Fraternidade, feitas por quatro enviados de Roma: “um cardeal, um arcebispo e dois bispos”, cujos nomes não são revelados.

Fellay não dá os nomes dos quatros prelados, mas que são os seguintes:

– o cardeal Walter Brandmüller, ex-presidente da Pontifícia Comissão das Ciências Históricas;

– Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru, da Opus Dei, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos;

– Vitus Huonder, bispo de Coira (Suíça); e

– Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana (Cazaquistão).

——

O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal, por Bernard Fellay

É preciso utilizar o termo “paradoxal”, o paradoxo de avançar rumo ao que quase poderíamos chamar de “Vaticano III”, no pior sentido que se pode dar a essa expressão, e, por outro lado, querer dizer à Fraternidade: “Aqui são bem-vindos”. Isto é verdadeiramente um paradoxo, quase uma vontade de associar os contrários.

Não creio que isto seja por ecumenismo. Alguns poderiam pensar dessa forma. Por que não creio que seja por ecumenismo? Porque basta observar a atitude geral dos bispos neste tema do ecumenismo: eles têm os braços abertos para receber todo o mundo, exceto a nós!

Em várias ocasiões, nós tentamos explicar por que fomos excluídos, dizendo: “Não tratamos vocês como os outros, porque vocês afirmam ser católicos. Ao dizer isto, geram confusão entre nós, e, portanto, não nos querem”. Nós ouvimos esta explicação muitas vezes, e ela exclui o ecumenismo. Mas se este enfoque que consiste em dizer, “aceitamos todos dentro da família”, não é aplicável no nosso caso, então, o que resta? Penso que resta o Papa.

Se, primeiramente Bento XVI e agora o Papa Francisco, não tivessem visto a Fraternidade de um modo particular, que é diferente desta perspectiva ecumênica que acabo de mencionar, penso que agora não haveria absolutamente nada. Creio que, em vez disto, estaríamos funcionando uma vez mais sob sanções, censuras, excomunhões, a declaração de cisma e tentativas de eliminar um grupo problemático.

Então, por que tanto Bento XVI como o Papa Francisco foram tão benevolentes para com a Fraternidade? Eu penso que a perspectiva de um de outro não é necessariamente a mesma.

No caso de Bento XVI, creio que se devia ao seu lado conservador, ao seu amor pela liturgia antiga, ao seu respeito pela disciplina passada que existia na Igreja. Posso afirmar que muitos, e estou falando de muitos padres, e inclusive grupos que tinham problemas com os modernistas na Igreja e que recorreram a ele quando ainda era cardeal, encontraram nele – primeiro como cardeal e depois como papa – um olhar benevolente, um desejo de proteger e ajudá-los ao menos em tudo o que fosse possível.

Quanto ao Papa Francisco, não vemos esse apego nem à liturgia nem à disciplina antiga da Igreja. Poderíamos inclusive dizer: pelo contrário, devido às suas numerosas declarações contrárias, o que torna ainda mais difícil e complicado entender esta sua benevolência.

E, no entanto, creio que existem várias explicações possíveis, mas admito que não tenho a última palavra neste tema.

Uma das explicações é a perspectiva do Papa Francisco sobre tudo o que seja marginalizado, o que ele chama de “periferias existenciais”. Não me surpreenderia se nos considerasse como uma destas periferias pelas quais tem uma preferência manifesta. E, desde esta perspectiva, utiliza a expressão: “percorrer um caminho” com as pessoas que se encontram na periferia, esperando poder melhorar as coisas. Portanto, não se trata de uma decisão estabelecida de concluir imediatamente: um processo, um caminho, para onde quer que vá…, mas ao menos se é bastante tranquilo, gentil, sem saber realmente qual será o resultado. Talvez seja esta uma das razões mais profundas.

Outra razão: vemos que o Papa Francisco critica constantemente a Igreja estabelecida, a palavra utilizada em inglês para isto é “establisment” – também é utilizada em francês de vez em quando – reprovando a Igreja por ser autocomplacente, satisfeita consigo mesma, por ser uma Igreja que já não vai em busca da ovelha perdida, a ovelha que sofre, em todos os âmbitos, pela pobreza ou mesmo fisicamente…

Mas, vemos no Papa Francisco que esta inquietude, apesar das evidentes aparências, não é apenas uma preocupação sobre as coisas materiais… Vemos claramente que quando diz “pobreza” refere-se também à pobreza espiritual, a pobreza das almas que se encontram em pecado e que deveriam ser tiradas desse estado e conduzidas novamente para o Bom Deus.

Mesmo que nem sempre o expresse claramente, podemos encontrar várias expressões que o indicam. E nessa perspectiva, vê na Fraternidade uma comunidade muito ativa, isto é, que busca, que vai em busca das almas, que tem esta preocupação pelo bem espiritual das almas, e que está pronta para colocar mãos à obra e trabalhar para isso. Ele conhece dom Lefrebvre, leu duas vezes a biografia escrita por dom Tissier de Mallerais, o que mostra, sem dúvida alguma, um interesse; e eu penso que ele gostou.

E também os contatos que ele estabeleceu na Argentina com os nossos confrades, em quem viu espontaneidade e também franqueza, pois não escondemos absolutamente nada. Claro que tentávamos conseguir algo para aArgentina, onde tínhamos dificuldades com o Estado em matéria de conseguir autorizações para residências, mas não escondemos nada, não tentamos fugir de nenhum problema, e creio que isso lhe agradou. Este, talvez, seja o lado humano da Fraternidade, mas vemos que o Papa é muito humano, ele dá muita importância a este tipo de considerações, e isto pode explicar, ou poderia explicar, uma certa benevolência da sua parte.

Reitero mais uma vez que não tenho a última palavra neste tema e, sem dúvida, por trás de tudo isto está a Divina Providência, que dispõe as coisas de tal maneira que coloca bons pensamentos na cabeça do Papa, que, em muitos pontos, nos alarma tremendamente, e não apenas a nós. Pode-se dizer que qualquer um que seja mais ou menos conservador dentro da Igreja está assustado com o que está acontecendo, com as coisas que são ditas, e, no entanto, a Divina Providência dispõe delas para nos fazer superar esses desafios de uma maneira muito surpreendente.

Muito surpreendente, porque está claro que o Papa Francisco deseja deixar-nos viver e sobreviver. Disse inclusive a quem estiver disposto a escutá-lo que jamais prejudicaria a Fraternidade. Também disse que somos católicos. Negou-se a nos condenar como cismáticos, dizendo: “Não são cismáticos, são católicos”, mesmo se depois utilizou uma expressão um tanto enigmática, a saber: que estamos a caminho da plena comunhão.

Gostaríamos de ter alguma vez uma definição clara do termo “plena comunhão”, porque está claro que não corresponde a nada preciso. É um sentimento… não se sabe bem o que é.

Inclusive recentemente, em uma entrevista concedida por dom Pozzo sobre nós, ele retoma uma citação que atribui ao próprio Papa – podemos, portanto, considerá-la como uma postura oficial – o Papa, falando com a Ecclesia Dei, confirmou que somos católicos a caminho da plena comunhão. E o bispo Pozzo esclarece como esta plena comunhão pode ser alcançada: aceitando a forma canônica, o que é bastante surpreendente, uma forma canônica resolveria todos os problemas referentes à comunhão!

Um pouco mais adiante, na mesma entrevista, afirma que esta plena comunhão consiste em aceitar os grandes princípios católicos. Com outras palavras, os três níveis de unidade na Igreja, que são a fé, os sacramentos e o governo. Quando fala da fé, refere-se propriamente ao magistério. Mas nós nunca colocamos em dúvida nenhum destes elementos. E, portanto, nunca colocamos em dúvida a nossa plena comunhão, mas eliminamos o adjetivo “pleno”, para dizer simplesmente: “Estamos em comunhão de acordo com o termo clássico usado na Igreja; somos católicos. Se somos católicos, nós estamos em comunhão, porque a ruptura da comunhão é propriamente um cisma”.

As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas

Estas visitas foram muito interessantes. Obviamente, algumas pessoas na Fraternidade viram-nas com um pouco de receio: “O que estes bispos estão fazendo em nossa casa?” Bom! Essa não era a minha perspectiva. […] Eu lhes disse várias vezes: “Venham nos ver”. Nunca quiseram. Então, de repente, […] um cardeal, um arcebispo e dois bispos vieram nos ver, nos visitar, em diversas situações, algumas vezes nos seminários, e também em um dos priorados. […]

A primeira coisa que comentamos – tratava-se de uma linha oficial ou sua opinião pessoal? Eu não sei, mas é um fato –, todos disseram: “Estas discussões estão ocorrendo entre católicos; isto não tem nada a ver com discussões ecumênicas; estamos entre católicos”. Portanto, desde o início abandonamos todas aquelas ideias, tais como: “Não estão completamente dentro da Igreja, estão a meio caminho, portanto, estão fora – só Deus sabe aonde! – cismáticos…”. Não! Estamos falando entre católicos. Este é o primeiro ponto, o que é muito interessante, muito importante. Apesar do que, em alguns casos ainda hoje se diz em Roma.

O segundo ponto – que, na minha opinião, é ainda mais importante – é que os temas abordados nestas discussões são temas os clássicos nos quais sempre houve fracassos. Quer se trate de um assunto de liberdade religiosa, colegialidade, ecumenismo, a nova missa, ou inclusive os novos ritos dos sacramentos… Bom, todos nos disseram que estas discussões eram sobre temas abertos.

Creio que esta reflexão é fundamental. Até agora, sempre insistiram em deixar bem claro que tínhamos que aceitar o Concílio. É difícil determinar exatamente o verdadeiro alcance desta expressão “aceitar o Concílio”. O que significa? Porque é um fato que os documentos do Concílio são completamente desiguais, e que sua aceitação se faz com um critério gradual, segundo uma escala de obrigatoriedade. Se um texto é um texto de fé, existe uma obrigação simples e pura. Mas quem pretende, de um modo totalmente errado, que este concílio é infalível, exigem uma submissão total a todo o Concílio. Então, se é isso que significa “aceitar o Concílio”, dizemos que não o aceitamos. Precisamente porque o que negamos é sua infalibilidade.

Se existem algumas passagens nos documentos conciliares que repetem o que a Igreja disse antes, de um modo infalível, obviamente estas passagens são e seguirão sendo infalíveis. E nós aceitamos isso, não há nenhum problema. Por isso, quando se diz “aceitar o Concílio”, é necessário distinguir claramente qual é o sentido da expressão. No entanto, mesmo com esta distinção, até o momento, detectamos uma insistência por parte de Roma: “Vocês devem aceitar estes pontos; fazem parte do ensinamento da Igreja e, portanto, devem aceitá-los”. E vemos – não somente em Roma, mas também na maioria dos bispos – esta atitude até hoje em relação a nós, esta grave crítica: “Vocês não aceitam o Concílio”.

E agora, de repente, os enviados de Roma nos dizem que todos os pontos que foram obstáculos, são questões abertas. Uma questão aberta é um tema que pode ser discutido. E a obrigação de aderir a certa posição fica fortemente e inclusive, talvez, totalmente mitigada ou eliminada. Creio que isto é um ponto crucial. Teremos que ver, posteriormente, se isto é confirmado, se realmente podemos discutir livremente quanto à fé, quanto ao que devemos crer, e é aqui onde exigimos esta clareza, estes esclarecimentos por parte das autoridades. Pedimos isto durante muito tempo. Nós dizemos: “Há pontos ambíguos neste Concílio, e não cabe a nós esclarecê-los. Podemos assinalar o problema, mas quem tem a autoridade para esclarecê-lo é Roma”. No entanto, reitero, o fato de que estes bispos nos digam que se trata de questões abertas já é, na minha opinião, algo crucial.

As discussões em si desenvolveram-se, mais ou menos felizmente, segundo a personalidade de nossos interlocutores, porque também houve bons intercâmbios [nos quais] não necessariamente estivemos de acordo… Não obstante, creio que todos os interlocutores são unânimes em sua apreciação: ficaram satisfeitos com as discussões. Igualmente, ficaram satisfeitos com suas visitas. Parabenizaram-nos pela qualidade dos nossos seminários, dizendo: “São normais (Felizmente! É preciso começar por aí…), estas pessoas não são intolerantes nem obtusas, mas animadas, abertas, alegres, simplesmente indivíduos normais. E este comentário foi feito por todos os visitantes. Sem dúvida, isto é o lado humano, mas não devemos esquecê-lo tampouco.

Para mim, estas discussões, ou mais precisamente, esta faceta mais simples das discussões é importante, já que um dos problemas é a desconfiança. Certamente, nós temos esta desconfiança. E penso que, sem dúvida alguma, Roma também a tem sobre nós. E enquanto esta desconfiança prevalecer, a tendência natural é que tomemos qualquer coisa que se diga de maneira equivocada, ou que assumamos o pior cenário possível. Enquanto continuarmos com essa mentalidade receosa, não poderemos realizar muitos avanços. É necessário chegar a ter um mínimo grau de confiança, um clima de serenidade, para poder eliminar estas acusações a priori. Creio que a nossa forma de pensar segue sendo esta, e é também a de Roma. Isto leva tempo. Ambas as partes devem poder apreciar corretamente as pessoas, suas intenções, para poder superar tudo isto. Creio que isto vai levar algum tempo.

Isto também requer ações que mostrem boa vontade, e não a intenção de nos destruir. Atualmente, ainda temos esta ideia em nossas mentes, o que é uma postura amplamente difundida: “Se nos querem, é para nos asfixiar, e eventualmente nos destruir, para nos absorver totalmente, para nos desintegrar”. Isso não é integração, é desintegração. Obviamente, enquanto esta ideia prevalecer, não podemos esperar nada.