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2 maio, 2016

Considerações – A Carta de Padre Schmidberger encorajando a FSSPX a aceitar a regularização.

Tradução em português e original em francês.

O documento do ex-Superior Geral da Sociedade de São Pio X (FSSPX), Padre Franz Schmidberger, atual reitor do seminário da FSSPX na Alemanha, enviado a outras autoridades da Fraternidade há algumas semanas, e que vazou em seu texto original em francês, tem agora uma tradução em inglês aprovada. Em suas considerações sobre a Igreja e o estado da Fraternidade São Pio X em relação a ela, Padre Schmidberger defende que é chegado o momento para uma normalização da posição da Fraternidade na Igreja, sob o Pontificado do Papa Francisco.

O blog The New Liturgical Movement (tradução do colaborador Richard Chonak) forneceu a tradução, que postamos aqui para o registro de eventos atuais e em curso. O texto original em francês segue-se à tradução abaixo, também para o registro.

* * *

Considerações sobre a Igreja e o lugar da Fraternidade São Pio X nela.

Fonte: Rorate Caeli | Tradução: FratresInUnum.com

I. A Igreja é um mistério. Ela é o mistério do único e verdadeiro Deus, que está presente entre nós, o Deus salvador que não deseja a morte do pecador, mas que se converta e viva. Esta conversão requer a nossa cooperação.

Padre Schmidberger

Padre Franz Schmidberger foi superior geral da FSSPX de 1982 a 1994.

II. A Igreja é infalível em sua natureza divina, mas é conduzida por seres humanos que podem se extraviar e também ser sobrecarregados com falhas. Um ofício deve ser distinguido da pessoa que em um determinado momento o ocupa. Tal pessoa mantém o ofício apenas durante um determinado tempo e depois é dispensado, seja por morte ou por meio de outras circunstâncias; mas o ofício permanece. Hoje, o Papa Francisco é o titular do ofício papal com o poder do primado. Em algum momento, sabemos que ele vai deixar o cargo e outro Papa será eleito. Enquanto ele ocupa o trono papal, nós o reconhecemos como tal e oramos por ele. Nós não estamos dizendo que ele é um bom Papa. Pelo contrário, através de suas ideias liberais e sua administração, ele provoca muita confusão na Igreja. Mas quando Cristo estabeleceu o papado, Ele previu toda a linha de papas ao longo da história da Igreja, inclusive o Papa Francisco. E, no entanto, Ele permitiu a subida deste último ao trono papal. Analogamente, o Senhor instituiu o Santíssimo Sacramento do Altar com a Presença real, embora tivesse previsto muitos sacrilégios ao longo da história.

III. A Fraternidade São Pio X foi fundada pelo Arcebispo Lefebvre em meio a esses tempos confusos para a Igreja. Ela foi chamada a prover uma nova geração de padres para a Igreja, para salvaguardar o verdadeiro Santo Sacrifício da Missa e proclamar a realeza de Jesus Cristo sobre toda a sociedade, mesmo na presença de papas liberais e príncipes da Igreja que traem a fé. Necessariamente, isso levou a um conflito: a Fraternidade foi enviada para o exílio em 1975. Lá, não só sobreviveu, mas cresceu e tornou-se  para muitas pessoas um sinal de contradição contra a obra destrutiva desses dias. Esta contradição tornou-se aparente, de modo especial em 30 de junho de 1988, através da sagração de quatro bispos auxiliares por Dom Lefebvre, o que era necessário por razões internas.

IV. Apesar disso, Dom Lefebvre sempre buscou uma solução canônica para a Fraternidade após a sua condenação e não se esquivou de um diálogo com as autoridades romanas. E para essa finalidade, foi importante para ele tentar movê-los para a compreensão e a conversão. Ele prosseguiu com estes esforços mesmo depois da sagração episcopal, embora sendo realista quanto à pouca esperança de sucesso. Empregando um argumento ‘ad hominem’, ele pediu para que lhe autorizassem a fazer “a experiência da Tradição”. Ele também tinha plena consciência de que a Fraternidade se encontrava em uma situação extraordinária, mas de forma alguma por sua própria culpa e sim por culpa de seus adversários. A situação permaneceu a mesma até o ano de 2000. Desde então, Roma tem feito esforços para remediar essa situação, às vezes de modo ardiloso e às vezes com intenções honestas, dependendo de quem está lidando com o problema do lado romano.

V. O declínio dramático da Igreja desde então e, simultaneamente, o desenvolvimento estável da Fraternidade levaram um ou outro cardeal ou bispo a uma compreensão parcial ou geral que nenhum deles ousa admitir publicamente, no entanto, sem mais delongas. Por seu turno, Roma tem retrocedido em suas exigências, pouco a pouco, e nas últimas propostas não houve mais conversa sobre a obrigatoriedade de se reconhecer o Vaticano II ou a legitimidade do Novus Ordo. Assim, parece que é chegado o momento de normalizar a situação da Fraternidade, por várias razões:

1) Cada situação anormal inerentemente tende para a normalização. Isso se deve à  natureza da matéria.

2) Não percamos de vista o perigo de que os fiéis e certos confrades possam ter se acostumado à situação anormal a ponto de considerá-la como normal. A crítica aqui e ali contra qualquer participação no Ano Santo, e também o completo desprezo pela jurisdição ordinária concedida pelo Papa Francisco para as Confissões (nós sempre havíamos citado a situação de emergência e muito corretamente fizemos uso da jurisdição extraordinária para Confissões) são causa de preocupação. Se o fiel ou alguns confrades se sentem confortáveis com esta situação de liberdade e independência da hierarquia, então isso indica uma perda insidiosa do sensus Ecclesiae. Nós jamais deveríamos nos contentar em dizer: “Temos a sã doutrina, a verdadeira Santa Missa, nossos seminários e priorados e, acima de tudo, bispos. Portanto, nós não precisamos de mais nada”.

3) Temos muitos simpatizantes e amigos também entre os bispos e cardeais. Um ou outro deles de bom grado nos chamariam para auxiliá-los e dariam-nos uma igreja paroquial ou mesmo confiaria um seminário à nossa responsabilidade. Mas, na situação atual, isso é impossível para eles. Esses Nicodemos estão esperando impacientemente por uma solução que também reforçaria suas colunas particularmente. Uma série de barreiras e inibições entre os  mais ortodoxos e os Católicos ansiosos também cairiam por terra. Isso colocaria um fim à conversa ouvida na mídia e em outros lugares sobre a “cismática” ou “rebelde” Fraternidade separada da Igreja.

4) Nos próximos anos, precisaremos urgentemente de novos bispos. Sagrá-los sem mandato papal certamente nos é possível em caso de extrema emergência. Mas, se os bispos puderem ser sagrados com a permissão de Roma, devemos pedir essa permissão. [Nota do tradutor: a última palavra da frase é uma adição manuscrita.]

5) Modernistas, liberais, e outros inimigos da Igreja estão muito contrariados com esses passos em direção a uma solução canônica para a Fraternidade. Será que um discernimento dos espíritos não deixa claro que esse é um caminho certo e bom?

6) Como pode a Igreja superar mesmo essa crise? Na atual situação, não vislumbramos nenhum sinal de esperança. Por outro lado, um ato oficial de reconhecimento da Fraternidade desencadearia uma onda benéfica dentro da igreja. Os bons seriam encorajados e os malfeitores sofreriam uma derrota.

VI. Respostas a algumas objeções:

1) Por que alguém iria querer ser reconhecido pelo papa Francisco?

Resposta: Nós já havíamos salientado a distinção necessária entre o ofício e aquele que o ocupa. Sem dúvida, o atual Papa tem a tarefa dada por Deus de mostrar a todos claramente o que o Concílio realmente fez e o que suas últimas consequências estão provocando na Igreja: confusão, a ditadura do relativismo, preocupações pastorais acima da doutrina, amizade com os inimigos de Deus e os opositores do cristianismo. Mas, exatamente por causa disso, as pessoas aqui e ali estão começando a entender os erros do Concílio e auferindo as causas de seus efeitos. Além disso, aqueles que confiaram demais na pessoa do Papa Bento XVI, ao invés de colocar o ofício papal em primeiro lugar e seu titular em segundo, ficaram a ver navios quando o Papa Emérito renunciou. Não vamos cometer o mesmo erro outra vez de confiar muito numa pessoa específica, em vez da da instituição divina! Talvez, também, seja exatamente o Papa Francisco aquele que, com a sua imprevisibilidade e improvisação, seja capaz de dar esse passo. Os meios de comunicação poderiam perdoá-lo por esse expediente, considerando que pelo mesmo motivo eles nunca perdoaram Bento XVI. Com seu autoritário, para não mencionar estilo tirânico de governo, ele provavelmente seria capaz de realizar tal medida, mesmo contra toda oposição.

2) Mas o que o povo da “Resistência” vai dizer? [nota do Rorate: o chamado povo da “Resistência” é composto por um pequeno número de padres que deixaram a Fraternidade e um pequeno número de fiéis que são contra qualquer conversa com a Santa Sé.]

Resposta: Não podemos executar nossas ações pensando em agradar pessoas que obviamente perderam o sentido de Igreja e amor a ela na sua forma concreta. Além disso, agora eles se tornaram completamente divididos entre eles mesmos.

3) A partir de agora vocês deverão permanecer em silêncio sobre todos os erros atuais.

Resposta: Nós não permitimos que sejamos amordaçados; em vez disso, nós chamamos os erros pelos seus nomes, do mesmo modo que fazemos antes de qualquer normalização assim como vamos fazer depois de uma normalização. Assim, temos a intenção de retornar do “exílio”, do mesmo modo como nos encontramos agora.

4) O Papa Francisco tem uma reputação tão ruim entre os Católicos tradicionais que esse reconhecimento de sua própria iniciativa traria mais prejuízos à Fraternidade do que ajuda.

Resposta: No início nós fizemos a distinção entre ofício  e a pessoa. Se Papa Francisco é Papa, e ele o é, então ele também tem o primado de jurisdição sobre toda a Igreja, esteja ele ajudando-a ou prejudicando-a. Vamos trilhar o caminho que possa ajudar a Igreja; nós não buscamos favor por nossas ações, e então Deus nos abençoará.

5) Mas essa integração dentro do sistema de conciliar vai privar a Fraternidade de seu caráter distintivo, e talvez até mesmo sua identidade.

Resposta: Tudo depende de quão firmes nós mesmos estamos, e de quem converte quem. Se vamos trabalhar vigorosamente, contando com a graça de Deus, então nossa nova situação irá tornar-se uma bênção para toda a Igreja. Onde mais existe uma comunidade aqui e agora que pode realizar tal trabalho de conversão? É certo que não podemos contar com as nossas próprias habilidades e força, mas com a ajuda de Deus. Pense na batalha entre Davi e Golias. Uma analogia para isso: Como cristãos, somos colocados em um mundo corrupto totalmente sem Deus e temos que ser provados nele. O perigo de contágio é grande, mas ainda assim podemos e devemos escapar dele com a graça de Deus. Uma coisa é clara: a nova situação, por si só, não fará os nossos esforços mais fáceis, mas muito mais difíceis, ainda assim o faremos mais frutíferos.

6) Todas as comunidades que se submeteram a Roma tiveram que se enquadrar no sistema conciliar ou mesmo sujeitar-se a ele.

Resposta: O ponto de partida não é o mesmo: em nosso caso, Roma é a única que está ansiosa por uma solução e que veio até nós; nos outros casos, essas comunidades é que foram até Roma como suplicantes, muitas vezes com uma consciência culpada. Nenhuma delas têm agora bispos, exceto a União Sacerdotal São João Maria Vianney, da Diocese de Campos, no Brasil, onde o bispo Rifan está disposto a fazer qualquer concessão. Claro que precisamos de uma proteção sólida através de uma estrutura eclesial apropriada. Mas esta parece ser garantida através de uma prelazia pessoal. Até agora tal estrutura não foi oferecida para nenhuma outra comunidade. Finalmente, a objeção levantada é apenas parcialmente relevante: a Fraternidade São Pedro já existe há mais de vinte e sete anos, e, pelo menos nos países de língua alemã, ela manteve-se fiel à Missa Tradicional, com poucas exceções. Com efeito, ter a Fraternidade São Pio X na retaguarda foi pra eles como um seguro de vida.

VII. Conclusão

Se Deus quer vir em auxílio de sua Igreja, a qual sangra através de milhares de feridas, Ele também tem milhares de oportunidades de fazê-lo. Entre esses remédios está o reconhecimento oficial da Fraternidade pelas autoridades romanas. E não foi a Fraternidade consagrada à Virgem Santíssima, que irá proteger e guiar seu trabalho em uma nova situação? Dignare me laudare te, Virgo Sacrata – Da mihi virtutem hostes contra tuos. Faça-me digno de louvar-te, Virgem Santíssima; dai-me força contra os seus inimigos.

Zaitzkofen, 19 de fevereiro de 2016
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5 abril, 2016

Il Foglio: “O Papa se reuniu sábado com Bernard Fellay, chefe de Lefebvrianos”.

O colóquio “correu bem”, explicou fontes do Vaticano ao jornal Foglio. Estamos caminhando para o modelo de prelazia do Opus Dei.

Por Matteo Matzuzzi – Il Foglio, 4 de abril de 2016 | Tradução: Gercione Lima: FratresInUnum.com: O Papa se reuniu no último sábado no Vaticano com Dom Bernard Fellay, Superior Geral, e sucessor direto do Arcebispo Marcel Lefebvre como chefe da Fraternidade de São Pio X. O colóquio, segundo revelado ao Foglio, “foi positivo”. Entre Francisco e Fellay, “a negociação foi boa.” Trata-se de mais um passo em direção ao reconhecimento canônico da Fraternidade por parte da Santa Sé, algo que se daria sob a forma de uma prelazia estabelecida ad hoc segundo o modelo do Opus Dei, portanto, com amplas margens de autonomia não só organizacional.

Em uma recente entrevista traduzida em várias línguas e publicada no site da Fraternidade, Fellay se mostrou muito aberto ao diálogo, salientando em mais de uma passagem seu apreço pelo Pontífice reinante: “Não me surpreenderia se nos considerasse como uma destas periferias pelas quais tem uma preferência manifesta. E, desde esta perspectiva, utiliza a expressão: ‘percorrer um caminho’ com as pessoas que se encontram na periferia, esperando poder melhorar as coisas. Portanto, não se trata de uma decisão estabelecida de concluir imediatamente: um processo, um caminho, para onde quer que vá…, mas ao menos se é bastante tranquilo, gentil, sem saber realmente qual será o resultado. Talvez seja esta uma das razões mais profundas”.

Um encontro precedente, revelado pelo blog Rorate Caeli, foi realizado nos últimos meses de 2013 na Casa Santa Marta. Não se tratou de um colóquio real, mas um encontro mais ou menos casual. Ainda na entrevista, Fellay observou outro aspecto que nos faz entender que o caminho da reconciliação foi iniciado: ” está claro que o Papa Francisco deseja deixar-nos viver e sobreviver. Disse inclusive a quem estiver disposto a escutá-lo que jamais prejudicaria a Fraternidade. Também disse que somos católicos. Negou-se a nos condenar como cismáticos, dizendo: ‘Não são cismáticos, são católicos’, mesmo se depois utilizou uma expressão um tanto enigmática, a saber: que estamos a caminho da plena comunhão. Este termo ‘plena comunhão’ … seria muito bom ter uma definição clara, porque se vê que não corresponde a nada específico. É um sentimento … e que não sabemos muito bem o que significa. “

Uma passagem muito apreciada em Ecône, onde está a sede da Fraternidade, está relacionada à faculdade concedida pelo Papa aos católicos de se confessarem mesmo com os sacerdotes de Lefebvre. O Papa deixou claro na última carta de 1º de Setembro com a qual concedeu a indulgência do Ano Jubilar para a ocasião: “Uma última consideração é dirigida aos fiéis que, por diversas razões, freqüentam igrejas servidas pelos sacerdotes de Fraternidade de São Pio X. Este Ano jubilar da Misericórdia não exclui ninguém. De diferentes lugares, alguns colegas bispos relataram-me sobre sua boa fé e prática sacramental, misturados ao desconforto de viverem em difíceis condições pastorais. Estou confiante de que no futuro próximo poderemos encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os padres e superiores da fraternidade. Enquanto isso, movido pela necessidade de corresponder ao bem-estar destes fiéis, por minha própria disposição estabeleço que todos que durante o Ano Santo da Misericórdia se aproximarem para receberem o sacramento da Reconciliação com os padres da Fraternidade de São Pio X, receberão válida e licitamente a absolvição dos seus pecados”.

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4 abril, 2016

Papa Francisco recebeu Dom Fellay.

FSSPX – EUA | Tradução: FratresInUnum.com – O Papa Francisco recebeu Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, acompanhado pelo segundo assistente da Fraternidade, Pe. Alain-Marc Nely, na Domus Sanctae Marthae, às 5 p.m. da sexta-feira, 1º de abril de 2016.

Dom Fellay não havia tido oportunidade de se encontrar com o Papa Francisco desde sua eleição em março de 2013, exceto a troca de brevíssimas saudações na Domus Sanctae Marthae, em 13 de dezembro de 2013 (ver DICI no. 296 de 16-05-2014). Todavia, alguns padres da Fraternidade foram anteriormente recebidos pelo Sumo Pontífice, a respeito de certas dificuldades administrativas envolvendo o distrito argentino da Fraternidade (ver DICI no 314 de 24-04-2015).

O Papa Francisco desejou um encontro privado e informal, sem a formalidade de uma audiência oficial. Ele durou 40 minutos e ocorreu em uma atmosfera cordial. Após o encontro, decidiu-se que as atuais relações continuarão. O status canônico da Fraternidade não foi diretamente abordado, sendo que o Papa Francisco e Dom Fellay determinaram que esses intercâmbios devem continuar sem pressa.

Na manhã seguinte, 2 de abril, Dom Fellay encontrou-se com Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, mantendo as relações normais da Fraternidade com esta comissão após as discussões doutrinais de 2009-2011 e as visitas de diversos prelados em 2015-2016.

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4 abril, 2016

“Francisco nos alarma enormemente, e não apenas a nós. Mas gostamos dele”.

IHU – O ecumenismo do Papa Francisco tem um raio de ação realmente muito longo. Encontrou-se com o patriarca ortodoxo de Moscou, irá à Suécia para participar da celebração do quinto centenário de Lutero, é amigo de muitos líderes pentecostais e tem a simpatia inclusive dos seguidores do arcebispo hiper tradicionalista Marcel Lefebvre.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 01-04-2016. A tradução é de André Langer.

O último é o dado mais surpreendente, porque, no campo católico, a hostilidade contra os lefebvrianos é muito mais intolerante entre aqueles que se jactam de ter um espírito ecumênico e de misericórdia.

Com efeito, vemos reproduzir-se contra os lefebvrianos, dado que eles se apresentam como “verdadeiros” católicos, o mesmo mecanismo que faz com que os católicos de rito oriental sejam mal vistos pelos ortodoxos, quem usam para designá-los o termo pejorativo “uniatas”. Mal vistos porque são muito similares a eles, como um inimigo em casa.

Já Bento XVI denunciou esta distorção, na carta aberta redigida por ele em 2009 a todos os bispos do mundo depois da explosão de protestos por sua decisão de levantar a excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos da Fraternidade São Pio X.

O Papa Francisco fez um gesto de grande abertura, quando, em setembro passado, autorizou durante o Jubileu, todos os fiéis católicos que desejarem, confessar-se também com os padres da Fraternidade, recebendo deles a absolvição “válida e licitamente”.

Basta pensar, para compreender a novidade deste gesto de Francisco, na proibição – sob pena de excomunhão imposta aos seus fiéis em 14 de outubro de 2014 pelo bispo de Albano, Marcello Semeraro – de participar das missas e dos sacramentos celebrados pela Fraternidade São Pio X. Semeraro não é um bispo qualquer, é também o secretário do Conselho dos Nove Cardeais que assistem o Papa no governo da Igreja.

A diferença em relação ao Papa Bento é que Francisco não sofreu uma enxurrada de críticas e impropérios por parte dos defensores do ecumenismo devido aos seus gestos de abertura.

Não apenas isso. À indulgência demonstrada pelos defensores do ecumenismo pelo gesto de Francisco acrescentou-se um sinal de estima sem precedentes por parte do próprio superior geral da Fraternidade São Pio X, o bispo Bernard Fellay.

Fellay formulou um juízo detalhado sobre Francisco em uma longa entrevista gravada no dia 04 de março em seu quartel general em Menzingen, na Suíça, e postada na rede em vários idiomas durante a Semana Santa.

Mais do que de uma entrevista, trata-se de uma intervenção pessoal de Fellay, que faz o balanço das seguintes questões:

1) As relações da Fraternidade São Pio X com Roma desde 2000.

2) As novas propostas de Roma estudadas pelos superiores maiores da Fraternidade São Pio X.

3) “Ser aceitos assim como somos”, sem ambiguidades nem compromissos.

4) O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal.

5) A jurisdição concedida aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X: consequências canônicas.

6) As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas.

7) O estado atual da Igreja: inquietudes e esperanças.

8) O que devemos pedir à Santíssima Virgem?

Todo o texto é de considerável interesse, enquanto expressa o ponto de vista mais confiável, completo e atualizado da comunidade lefebvriana sobre suas relações com Roma.

Mas, as passagens mais surpreendentes são precisamente aquelas em que Fellay explica a benevolência deFrancisco com a Fraternidade, benevolência que define como “paradoxal”, porque contrasta com as orientações predominantes de seu pontificado, que vão no sentido contrário.

Esta análise que Fellay faz encontra-se no ponto 4 do texto, reproduzido na íntegra na sequência.

Essa análise é seguida por outra passagem, tirada do ponto 6, que, por sua vez, conta o desenvolvimento e o resultado das recentes visitas feitas aos seminários e a um priorado da Fraternidade, feitas por quatro enviados de Roma: “um cardeal, um arcebispo e dois bispos”, cujos nomes não são revelados.

Fellay não dá os nomes dos quatros prelados, mas que são os seguintes:

– o cardeal Walter Brandmüller, ex-presidente da Pontifícia Comissão das Ciências Históricas;

– Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru, da Opus Dei, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos;

– Vitus Huonder, bispo de Coira (Suíça); e

– Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana (Cazaquistão).

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O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal, por Bernard Fellay

É preciso utilizar o termo “paradoxal”, o paradoxo de avançar rumo ao que quase poderíamos chamar de “Vaticano III”, no pior sentido que se pode dar a essa expressão, e, por outro lado, querer dizer à Fraternidade: “Aqui são bem-vindos”. Isto é verdadeiramente um paradoxo, quase uma vontade de associar os contrários.

Não creio que isto seja por ecumenismo. Alguns poderiam pensar dessa forma. Por que não creio que seja por ecumenismo? Porque basta observar a atitude geral dos bispos neste tema do ecumenismo: eles têm os braços abertos para receber todo o mundo, exceto a nós!

Em várias ocasiões, nós tentamos explicar por que fomos excluídos, dizendo: “Não tratamos vocês como os outros, porque vocês afirmam ser católicos. Ao dizer isto, geram confusão entre nós, e, portanto, não nos querem”. Nós ouvimos esta explicação muitas vezes, e ela exclui o ecumenismo. Mas se este enfoque que consiste em dizer, “aceitamos todos dentro da família”, não é aplicável no nosso caso, então, o que resta? Penso que resta o Papa.

Se, primeiramente Bento XVI e agora o Papa Francisco, não tivessem visto a Fraternidade de um modo particular, que é diferente desta perspectiva ecumênica que acabo de mencionar, penso que agora não haveria absolutamente nada. Creio que, em vez disto, estaríamos funcionando uma vez mais sob sanções, censuras, excomunhões, a declaração de cisma e tentativas de eliminar um grupo problemático.

Então, por que tanto Bento XVI como o Papa Francisco foram tão benevolentes para com a Fraternidade? Eu penso que a perspectiva de um de outro não é necessariamente a mesma.

No caso de Bento XVI, creio que se devia ao seu lado conservador, ao seu amor pela liturgia antiga, ao seu respeito pela disciplina passada que existia na Igreja. Posso afirmar que muitos, e estou falando de muitos padres, e inclusive grupos que tinham problemas com os modernistas na Igreja e que recorreram a ele quando ainda era cardeal, encontraram nele – primeiro como cardeal e depois como papa – um olhar benevolente, um desejo de proteger e ajudá-los ao menos em tudo o que fosse possível.

Quanto ao Papa Francisco, não vemos esse apego nem à liturgia nem à disciplina antiga da Igreja. Poderíamos inclusive dizer: pelo contrário, devido às suas numerosas declarações contrárias, o que torna ainda mais difícil e complicado entender esta sua benevolência.

E, no entanto, creio que existem várias explicações possíveis, mas admito que não tenho a última palavra neste tema.

Uma das explicações é a perspectiva do Papa Francisco sobre tudo o que seja marginalizado, o que ele chama de “periferias existenciais”. Não me surpreenderia se nos considerasse como uma destas periferias pelas quais tem uma preferência manifesta. E, desde esta perspectiva, utiliza a expressão: “percorrer um caminho” com as pessoas que se encontram na periferia, esperando poder melhorar as coisas. Portanto, não se trata de uma decisão estabelecida de concluir imediatamente: um processo, um caminho, para onde quer que vá…, mas ao menos se é bastante tranquilo, gentil, sem saber realmente qual será o resultado. Talvez seja esta uma das razões mais profundas.

Outra razão: vemos que o Papa Francisco critica constantemente a Igreja estabelecida, a palavra utilizada em inglês para isto é “establisment” – também é utilizada em francês de vez em quando – reprovando a Igreja por ser autocomplacente, satisfeita consigo mesma, por ser uma Igreja que já não vai em busca da ovelha perdida, a ovelha que sofre, em todos os âmbitos, pela pobreza ou mesmo fisicamente…

Mas, vemos no Papa Francisco que esta inquietude, apesar das evidentes aparências, não é apenas uma preocupação sobre as coisas materiais… Vemos claramente que quando diz “pobreza” refere-se também à pobreza espiritual, a pobreza das almas que se encontram em pecado e que deveriam ser tiradas desse estado e conduzidas novamente para o Bom Deus.

Mesmo que nem sempre o expresse claramente, podemos encontrar várias expressões que o indicam. E nessa perspectiva, vê na Fraternidade uma comunidade muito ativa, isto é, que busca, que vai em busca das almas, que tem esta preocupação pelo bem espiritual das almas, e que está pronta para colocar mãos à obra e trabalhar para isso. Ele conhece dom Lefrebvre, leu duas vezes a biografia escrita por dom Tissier de Mallerais, o que mostra, sem dúvida alguma, um interesse; e eu penso que ele gostou.

E também os contatos que ele estabeleceu na Argentina com os nossos confrades, em quem viu espontaneidade e também franqueza, pois não escondemos absolutamente nada. Claro que tentávamos conseguir algo para aArgentina, onde tínhamos dificuldades com o Estado em matéria de conseguir autorizações para residências, mas não escondemos nada, não tentamos fugir de nenhum problema, e creio que isso lhe agradou. Este, talvez, seja o lado humano da Fraternidade, mas vemos que o Papa é muito humano, ele dá muita importância a este tipo de considerações, e isto pode explicar, ou poderia explicar, uma certa benevolência da sua parte.

Reitero mais uma vez que não tenho a última palavra neste tema e, sem dúvida, por trás de tudo isto está a Divina Providência, que dispõe as coisas de tal maneira que coloca bons pensamentos na cabeça do Papa, que, em muitos pontos, nos alarma tremendamente, e não apenas a nós. Pode-se dizer que qualquer um que seja mais ou menos conservador dentro da Igreja está assustado com o que está acontecendo, com as coisas que são ditas, e, no entanto, a Divina Providência dispõe delas para nos fazer superar esses desafios de uma maneira muito surpreendente.

Muito surpreendente, porque está claro que o Papa Francisco deseja deixar-nos viver e sobreviver. Disse inclusive a quem estiver disposto a escutá-lo que jamais prejudicaria a Fraternidade. Também disse que somos católicos. Negou-se a nos condenar como cismáticos, dizendo: “Não são cismáticos, são católicos”, mesmo se depois utilizou uma expressão um tanto enigmática, a saber: que estamos a caminho da plena comunhão.

Gostaríamos de ter alguma vez uma definição clara do termo “plena comunhão”, porque está claro que não corresponde a nada preciso. É um sentimento… não se sabe bem o que é.

Inclusive recentemente, em uma entrevista concedida por dom Pozzo sobre nós, ele retoma uma citação que atribui ao próprio Papa – podemos, portanto, considerá-la como uma postura oficial – o Papa, falando com a Ecclesia Dei, confirmou que somos católicos a caminho da plena comunhão. E o bispo Pozzo esclarece como esta plena comunhão pode ser alcançada: aceitando a forma canônica, o que é bastante surpreendente, uma forma canônica resolveria todos os problemas referentes à comunhão!

Um pouco mais adiante, na mesma entrevista, afirma que esta plena comunhão consiste em aceitar os grandes princípios católicos. Com outras palavras, os três níveis de unidade na Igreja, que são a fé, os sacramentos e o governo. Quando fala da fé, refere-se propriamente ao magistério. Mas nós nunca colocamos em dúvida nenhum destes elementos. E, portanto, nunca colocamos em dúvida a nossa plena comunhão, mas eliminamos o adjetivo “pleno”, para dizer simplesmente: “Estamos em comunhão de acordo com o termo clássico usado na Igreja; somos católicos. Se somos católicos, nós estamos em comunhão, porque a ruptura da comunhão é propriamente um cisma”.

As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas

Estas visitas foram muito interessantes. Obviamente, algumas pessoas na Fraternidade viram-nas com um pouco de receio: “O que estes bispos estão fazendo em nossa casa?” Bom! Essa não era a minha perspectiva. […] Eu lhes disse várias vezes: “Venham nos ver”. Nunca quiseram. Então, de repente, […] um cardeal, um arcebispo e dois bispos vieram nos ver, nos visitar, em diversas situações, algumas vezes nos seminários, e também em um dos priorados. […]

A primeira coisa que comentamos – tratava-se de uma linha oficial ou sua opinião pessoal? Eu não sei, mas é um fato –, todos disseram: “Estas discussões estão ocorrendo entre católicos; isto não tem nada a ver com discussões ecumênicas; estamos entre católicos”. Portanto, desde o início abandonamos todas aquelas ideias, tais como: “Não estão completamente dentro da Igreja, estão a meio caminho, portanto, estão fora – só Deus sabe aonde! – cismáticos…”. Não! Estamos falando entre católicos. Este é o primeiro ponto, o que é muito interessante, muito importante. Apesar do que, em alguns casos ainda hoje se diz em Roma.

O segundo ponto – que, na minha opinião, é ainda mais importante – é que os temas abordados nestas discussões são temas os clássicos nos quais sempre houve fracassos. Quer se trate de um assunto de liberdade religiosa, colegialidade, ecumenismo, a nova missa, ou inclusive os novos ritos dos sacramentos… Bom, todos nos disseram que estas discussões eram sobre temas abertos.

Creio que esta reflexão é fundamental. Até agora, sempre insistiram em deixar bem claro que tínhamos que aceitar o Concílio. É difícil determinar exatamente o verdadeiro alcance desta expressão “aceitar o Concílio”. O que significa? Porque é um fato que os documentos do Concílio são completamente desiguais, e que sua aceitação se faz com um critério gradual, segundo uma escala de obrigatoriedade. Se um texto é um texto de fé, existe uma obrigação simples e pura. Mas quem pretende, de um modo totalmente errado, que este concílio é infalível, exigem uma submissão total a todo o Concílio. Então, se é isso que significa “aceitar o Concílio”, dizemos que não o aceitamos. Precisamente porque o que negamos é sua infalibilidade.

Se existem algumas passagens nos documentos conciliares que repetem o que a Igreja disse antes, de um modo infalível, obviamente estas passagens são e seguirão sendo infalíveis. E nós aceitamos isso, não há nenhum problema. Por isso, quando se diz “aceitar o Concílio”, é necessário distinguir claramente qual é o sentido da expressão. No entanto, mesmo com esta distinção, até o momento, detectamos uma insistência por parte de Roma: “Vocês devem aceitar estes pontos; fazem parte do ensinamento da Igreja e, portanto, devem aceitá-los”. E vemos – não somente em Roma, mas também na maioria dos bispos – esta atitude até hoje em relação a nós, esta grave crítica: “Vocês não aceitam o Concílio”.

E agora, de repente, os enviados de Roma nos dizem que todos os pontos que foram obstáculos, são questões abertas. Uma questão aberta é um tema que pode ser discutido. E a obrigação de aderir a certa posição fica fortemente e inclusive, talvez, totalmente mitigada ou eliminada. Creio que isto é um ponto crucial. Teremos que ver, posteriormente, se isto é confirmado, se realmente podemos discutir livremente quanto à fé, quanto ao que devemos crer, e é aqui onde exigimos esta clareza, estes esclarecimentos por parte das autoridades. Pedimos isto durante muito tempo. Nós dizemos: “Há pontos ambíguos neste Concílio, e não cabe a nós esclarecê-los. Podemos assinalar o problema, mas quem tem a autoridade para esclarecê-lo é Roma”. No entanto, reitero, o fato de que estes bispos nos digam que se trata de questões abertas já é, na minha opinião, algo crucial.

As discussões em si desenvolveram-se, mais ou menos felizmente, segundo a personalidade de nossos interlocutores, porque também houve bons intercâmbios [nos quais] não necessariamente estivemos de acordo… Não obstante, creio que todos os interlocutores são unânimes em sua apreciação: ficaram satisfeitos com as discussões. Igualmente, ficaram satisfeitos com suas visitas. Parabenizaram-nos pela qualidade dos nossos seminários, dizendo: “São normais (Felizmente! É preciso começar por aí…), estas pessoas não são intolerantes nem obtusas, mas animadas, abertas, alegres, simplesmente indivíduos normais. E este comentário foi feito por todos os visitantes. Sem dúvida, isto é o lado humano, mas não devemos esquecê-lo tampouco.

Para mim, estas discussões, ou mais precisamente, esta faceta mais simples das discussões é importante, já que um dos problemas é a desconfiança. Certamente, nós temos esta desconfiança. E penso que, sem dúvida alguma, Roma também a tem sobre nós. E enquanto esta desconfiança prevalecer, a tendência natural é que tomemos qualquer coisa que se diga de maneira equivocada, ou que assumamos o pior cenário possível. Enquanto continuarmos com essa mentalidade receosa, não poderemos realizar muitos avanços. É necessário chegar a ter um mínimo grau de confiança, um clima de serenidade, para poder eliminar estas acusações a priori. Creio que a nossa forma de pensar segue sendo esta, e é também a de Roma. Isto leva tempo. Ambas as partes devem poder apreciar corretamente as pessoas, suas intenções, para poder superar tudo isto. Creio que isto vai levar algum tempo.

Isto também requer ações que mostrem boa vontade, e não a intenção de nos destruir. Atualmente, ainda temos esta ideia em nossas mentes, o que é uma postura amplamente difundida: “Se nos querem, é para nos asfixiar, e eventualmente nos destruir, para nos absorver totalmente, para nos desintegrar”. Isso não é integração, é desintegração. Obviamente, enquanto esta ideia prevalecer, não podemos esperar nada.

2 abril, 2016

Entrevista de Dom Fellay, FSSPX, sobre as relações com a Santa Sé.

Nosso agradecimento ao amigo Fabiano Rollim pelas legendas no vídeo e notas abaixo.

Entrevista de Dom Bernard Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em 04 de março de 2016.

As notas abaixo referem-se a contextos abordados por Dom Fellay em momentos determinados (identificados por mm:ss) durante a entrevista:

01:28 – Essas pré-condições foram: a Missa Tridentina permitida a todos os padres e o levantamento das censuras contra a Fraternidade.

02:12 – De outubro de 2009 a abril de 2011.

21:44 – Eis a resposta de Mons. Guido Pozzo, Secretário da Comissão Ecclesia Dei, na entrevista que deu à Zenit em 25 de fevereiro de 2016. Pergunta: “Vossa Excelência, em 2009 o Papa Bento XVI levantou a excomunhão da Fraternidade São Pio X. Isso significa que agora eles estão novamente em comunhão com Roma?” Resposta: “Desde que Bento XVI levantou a censura da excomunhão dos bispos da FSSPX (2009), eles não estão mais sujeitos àquela grave penalidade eclesiástica. Mesmo após aquele passo, todavia, a FSSPX ainda está numa situação irregular, porque não recebeu reconhecimento canônico da Santa Sé. Enquanto a Fraternidade não tem um status canônico na Igreja, seus ministros não exercem o ministério e a celebração dos sacramentos de uma forma legítima. De acordo com a fórmula do então Cardeal Bergoglio em Buenos Aires, e confirmada pelo Papa Francisco à Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, os membros da FSSPX são católicos a caminho da plena comunhão com a Santa Sé. Essa plena comunhão virá quando houver um reconhecimento canônico da Fraternidade.”

22:12 – Mons. Pozzo, ibid.: “O que parece crucial é encontrar uma plena convergência no que é requerido para estar em plena comunhão com a Sé Apostólica, a saber, a integridade do Credo Católico, o vínculo dos sacramentos e a aceitação do Supremo Magistério da Igreja.”

25:02 – Papa Francisco, Carta ao Arcebispo Rino Fisichella datada de 1 de setembro de 2015, quando o Ano Santo estava para começar: “Por meio de minha própria disposição, estabeleço que aqueles que durante o Ano Santo da Misericórdia aproximarem-se desses padres da Fraternidade São Pio X para celebrar o Sacramento da Reconciliação receberão válida e licitamente a absolvição de seus pecados.”

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1 março, 2016

Ecône e o Vaticano. Legalizar o desacordo.

Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Tendo em vista os rumores e alguns comentários de autoridades eclesiásticas a propósito de um iminente reconhecimento canônico da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, desejaria expressar minha opinião sobre um assunto de interesse geral.

Em primeiro lugar, repito o que tenho dito em vários ocasiões. Visto que a Fraternidade São Pio X teve seu estatuto canônico supresso de uma forma arbitrária, ao arrepio do devido processo legal, nos idos de 1976, sem que se desse aos interessados nenhum direito de defesa  contra a medida atrabiliária, cabe, hoje, na verdade, uma perfeita restauração do direito violado. Se, por exemplo, eu fosse injustamente privado da minha cidadania e de todos os direitos dela decorrentes, não aceitaria nenhum ato de “misericórdia”, de reconciliação, de anistia ou coisa que o valha, mas a pura e simples reparação da injustiça cometida contra mim e o restabelecimento do meu direito acrescido de devida indenização. Se é procedente falar de misericórdia no caso, esta vem da parte do ofendido que perdoa ao agressor. É o caso da Fraternidade São Pio X.

Quanto às declarações de um conhecido prelado da cúria romana sobre o estado atual das relações entre a Fraternidade e o Vaticano, parece-me oportuno assinalar que hoje soam absurdas, sobretudo após a declaração conjunta (ou acordo?) do bispo de Roma e do patriarca de Moscou, assinada recentemente, sob as bênçãos dos irmãos Castro e do presidente Putin, as exigências de ordem doutrinária à Fraternidade São Pio X, quando o papa declarou que a Igreja Greco-Ucrâniana não deve expandir-se trazendo para o seio da Igreja Católica os cristãos nascidos ou caídos no cisma ortodoxo.

O referido prelado da Comissão Ecclesia Adficta deveria seguir o exemplo do Santo Padre e dizer que as comunidades dependentes da dita comissão não podem fazer proselitismo tentando atrair os fiéis da Fraternidade. Deveria também obedecer ao papa que já várias vezes declarou que discussões teológicas não chegam a lugar nenhum e que o importante é ter prazer na convivência fraterna. O Vaticano vai festejar o 5º centenário da falsa reforma do heresiarca Martinho Lutero e agora vem um prelado falar em exigências doutrinárias para o reconhecimento da Fraternidade. Em que mundo estamos? Em que Igreja estamos?

Com efeito, os debates doutrinários entre os teólogos da Fraternidade parece que se tornaram discussões bizantinas. Não por culpa da Fraternidade que segue o método escolástico tradicional, mas por culpa da outra parte que, influenciada pelo pensamento moderno, especialmente o modernismo de matriz hegeliana, que tenta conciliar o inconciliável, encontrando uma mediação entre os opostos. Aqui vale a pena citar, ainda que correndo o risco de parecer pedante, o aut aut de Kierkegaard contra o et et. Ou se obedece a Satis cognitum de Leão XIII, a Mystici corporis de Pio XII, que estabelecem a eclesiologia tradicional ou se aceita o subsistit do Vaticano II. Não há aqui et et.

Concluo, pois, estas breves considerações dizendo que, salvo o caso de um debate desenvolvido conforme o método escolástico em que a verdade, quando não convence vence, as assembleias que reúnem facções opostas não são feitas para conciliar mas simplesmente para legalizar o desacordo. Isto será possível se a prática pastoral de Francisco I se aplicar às relações entre Ecône e o Vaticano.

Deus une, o diabo reúne.

Anápolis, 29 de fevereiro de 2016.

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29 fevereiro, 2016

Dom Galarreta: “Creio que o Papa se inclinará a um reconhecimento unilateral”.

Dom  Galarreta deu uma conferência em Bailly, perto de Versalhes, no dia 17 de janeiro de 2016. Ele expôs a situação atual na Igreja e informou à audiência presente sobre o estado atual das relações entre Roma e a Fraternidade São Pio X. Foi ele que dirigiu a Comissão de teólogos da SSPX durante as discussões doutrinais com Roma entre  2009 a 201. Aqui estão os trechos mais importantes de sua conferência, transcrita por DICI.

Por DICI | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com

A crise da Fé se agrava e desperta reações públicas

Dom GalarretaNa primeira parte da sua conferência, Dom Galarreta explicou que “a vontade de tirar as conseqüências contidas nos princípios do Concílio Vaticano II” está em pleno desenvolvimento em Roma. Agora que as ideias conciliares de ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade foram consolidadas, de acordo com as autoridades em Roma, chegou a vez da moralidade ser infectada com uma nova forma de evolucionismo:”este já é o caso com o dogma e com a verdade (de acordo com o progressistas); já é o caso com o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, com todo o espírito revolucionário liberal… então por que não aplicá-lo também à moralidade? No final, seria incoerente não aplicar o princípio da evolução também à moralidade, pois “ela também é chamada a adaptar-se à “vida do homem, hábitos, leis e a evolução das coisas…”

Não obstante, o prelado argentino reconheceu que em face do desastre, há uma reação: “agora estamos começando a ver reações na Igreja atual, oficial. E reações profundas, pois alguns começaram a perceber que há um problema doutrinário, um problema de fé. Eles percebem que há um problema entre o magistério conciliar e pós-conciliar. Estão começando a questionar e isso é muito importante, eles entendem que para se opor a essa completa ruptura com a tradição, eles têm que reagir e necessariamente contra as autoridades que espalham esses erros. Assim, vemos cardeais, bispos, sacerdotes e leigos começando a reagir, e no caminho certo, mesmo de forma excelente, por vezes, muito firmemente”.

Uma dupla proposta por parte de Roma: Doutrinal e canônica.

Dom Galarreta, em seguida, relatou que, no verão de 2015, a Congregação para a Doutrina da Fé ofereceu uma Prelazia pessoal, juntamente com uma declaração doutrinária. E ele explicou que o “Superior Geral enviou ambos os textos de Roma a todos os superiores maiores e alguns teólogos da Fraternidade, bem como aos bispos, para que eles pudessem analisá-los e dar-lhe o nosso parecer”.

Sobre a declaração doutrinária, o bispo argentino admitiu: “O que vemos na declaração doutrinária é que não há mais a profissão de fé exigida pelo Cardeal Ratzinger. As autoridades Romanas nos pedem para fazer a profissão de fé de Pio IV, ou seja, a profissão de fé do Concílio de Trento. Além disso, na profissão anterior, havia um parágrafo sobre a liberdade religiosa. Eles suprimiram esse requisito. O ecumenismo foi removido. No tocante à nova Missa, nos pediam para reconhecer a sua validade e a legitimidade. Agora eles nos pedem para reconhecer a validade dos novos sacramentos e da nova Missa de acordo com a edição típica, a edição original em latim. A Fraternidade sempre reconheceu isso. Como podem ver, eles estão removendo as suas condições num esforço para serem bem sucedidos”.

Então, Dom Galarreta explicou que o Superior Geral achou importante responder à oferta de Roma, ou seja, a proposta de reconhecer a Fraternidade “como ela é” com uma resposta preliminar que está muito longe de ser vaga: “Dom Fellay disse-nos: ‘antes de responder a esta proposta da Congregação da Doutrina da Fé, eu vou enviar-lhes uma explicação exaustiva para deixar muito claro como somos e como atuamos, o que pregamos, o que fazemos, o que não fazemos, e o que não estamos dispostos a fazer’, – a fim de descobrir se a Fraternidade realmente será aceita  “como ela é”.

O prelado argentino, em seguida, expressou suas reservas por uma razão doutrinária profunda: “Eles ainda desejam acima de tudo fazer-nos aceitar, mesmo que apenas vagamente, apenas em princípio, o Concílio Vaticano II e os seus erros”. E acrescentou que este desejo de Roma pode ser visto no nível prático na proposta canônica: “Há sempre, de uma maneira ou de outra, a submissão aos Dicastérios Romanos ou aos bispos”, o que consequentemente o leva a declarar que, pessoalmente, ele recusaria as propostas das autoridades Romanas: “para mim, um acordo com a Roma de hoje está fora de questão”. Ele ainda acrescentou que esta é uma recusa prudencial, ditada pelas circunstâncias – na ausência das garantias necessárias para a vida da Fraternidade – e ele teve o cuidado de distinguir-se daqueles que fazem disso uma recusa absoluta.

“Nós não recusamos, vejam bem, de forma absoluta e teórica, a possibilidade de um acordo com Roma. Isso é o que nos distingue da  chamada ‘Resistência’. Para eles, é um princípio, é uma questão doutrinária: você não pode admitir a possibilidade de um acordo com a Roma sem ser liberal. Essa não é a nossa posição. É importante que se repita: esta não era a posição de Dom Lefebvre. Ele assinou um Protocolo para um acordo com Roma. E, naquele tempo, mesmo depois de ter rompido com o Protocolo, o Arcebispo disse: ‘é porque as condições necessárias para nossa proteção, para a nossa sobrevivência, não estão lá. É porque eles querem nos enganar, porque não desejam nos dar a Tradição, porque desejam nos arrastar para o Vaticano II. É porque as condições não estão lá’. Ele disse: ‘Se eles tivessem me concedido as condições, as condições que eu tinha pedido, eu teria assinado”. Dom Lefebvre disse isso após a sagração dos Bispos e explicou: ‘Se eu assinasse um protocolo de acordo, seria porque não havia nada nele contra a fé’. Nem no conteúdo, nem no ato de assinatura. Isto é óbvio. Então, nós continuamos nessas mesmas linhas” .

Rumo a um reconhecimento unilateral da Fraternidade?

Na segunda parte da sua conferência, e para além das propostas da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Galarreta publicamente confidenciou que ele, pessoalmente, crê que o Papa pode em breve conferir um status à Fraternidade de São Pio X:

“Eu creio que esse é outro aspecto das coisas, que este Papa que diz a quem quiser ouvir que somos Católicos, que diz e repete que a Fraternidade é Católica, que nós somos Católicos, nunca vai nos condenar, e que ele quer tomar conta do nosso caso. Eu acho que ele já começou esse caminho – que quando ele perceber que não podemos concordar com a Congregação da Doutrina da Fé, eu acho que ele vai passar por cima de qualquer condição doutrinária, teórica, prática, ou qualquer condição… Ele vai tomar seus próprios passos para o reconhecimento da Fraternidade. Ele já começou; e ele simplesmente vai continuar. E eu não estou dizendo que é o que eu desejo, mas o que eu prevejo. Prevejo, eu creio, que o Papa irá inclinar-se para um reconhecimento unilateral da Fraternidade e isso mais por atos do que por qualquer abordagem jurídica ou canônica”.

Dom Galarreta admitiu que “este reconhecimento de fato teria um bom efeito, um efeito benéfico: seria por sua vez uma abertura apostólica extraordinária, e teria um efeito extraordinário”.  Mas ele acrescenta em seguida que haveria, então, dois riscos: o de criar uma divisão interna na Fraternidade e do cerceamento de nossa pregação em determinadas circunstâncias. E ele se perguntou: “Seria preciso uma sabedoria extraordinária e prudência, uma grande firmeza e clareza. Será que somos capazes disso? “

O bispo argentino respondeu, pedindo à sua audiência para manter uma confiança sobrenatural em face dessas eventualidades: “Se é isso o que a Providência nos envia, então teremos as graças necessárias para superar as dificuldades e lidar com elas como deveríamos, mas naturalmente, apenas na medida em que não parta da nossa vontade, mas que seja imposto sobre nós. Se nossas idéias são claras, poderemos sempre tirar alguma vantagem disso e tirar algum bem disso. Mas neste caso hipotético, – estou apenas dando a minha opinião com base em conjecturas, certo? – neste caso, eu acho que teremos as graças necessárias para perseverar e fazer o bem que devemos fazer para nossa Santa Mãe, a Igreja. Deus nunca nos negará ou deixará de dar-nos os meios de perseverar na fé e no bom combate, se permanecermos firmes na fé, na esperança, na caridade, na forte confissão de fé e em nossa santificação diária”.

Medo de riscos e confiança na Divina Providência

E concluiu depois de levantar uma objeção: “então vocês me dirão: nesses casos há um risco! – Sim, é claro.  Na vida existem muitos riscos; numa guerra há ainda mais. Estamos em guerra. Então que seja como Deus quiser. Mas tenho confiança na Providência. Tenho completa confiança no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo para com a Sua Santa Igreja. Então, contanto que não sejamos nós a buscar esse reconhecimento, mesmo se isso vier a acontecer, eu acho que não devemos entrar em pânico. Nada muda. É o mesmo combate que continua, nas mesmas linhas. Devemos simplesmente aproveitar esses espaços de liberdade que são deixados para nós. Em uma guerra, se o inimigo abandona as trincheiras, temos que ocupá-las; se o inimigo cai para trás, temos de ir para a frente. Nós não ficamos trancados em casa porque lá fora há riscos. Temos que agir com prudência e temos que ter coragem. E acima de tudo, temos que ter confiança em Deus. É a luta por Deus. Nossa confiança está em Deus e na Bem Aventurada Virgem Maria.

Pessoalmente, não estou nada preocupado com o futuro da Fraternidade ou da Tradição. No entanto, com relação ao futuro da sociedade como um todo, das nossas nações que outrora eram católicas e até mesmo da Igreja oficial, sim, eu estou preocupado e pessimista. Podemos prever que as coisas estão evoluindo para o pior. E é quando estamos chegando a uma situação muito mais desesperadora e extrema que a Providência Divina intervém. Deus, que sempre usa meios divinos, intervém. Nosso Senhor é sempre o Senhor dos eventos e da história. E não só em termos gerais, mas também em particular. Portanto, se o Evangelho nos diz que nem um fio de cabelo de nossa cabeça cai, que todos os fios de cabelo da nossa cabeça estão contados, que nem um pardal cai sem a permissão de Deus, acho que devemos permanecer tranquilos. É assim que mantemos um julgamento equitativo sobre realidades objetivas e perseveramos em uma atitude que não é apenas equilibrada, mas também Católica, Cristã e Santa. Essa é a sabedoria que o Arcebispo Lefebvre transmitiu para nós, esta atitude Católica. Certamente que podemos continuar nestas linhas na presente situação da Igreja de hoje, e em face de todas as eventualidades que em breve nos serão apresentadas.

 

28 fevereiro, 2016

Roma-FSSPX: Secretário da Ecclesia Dei fala do estado atual das relações.

Enquanto crescem os rumores de uma regularização canônica da FSSPX, que, dizem, seria reconhecida como católica de modo unilateral pelo Papa Francisco, o secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Dom Guido Pozzo, concedeu, na última quinta-feira (25), uma entrevista à sessão italiana da agência Zenit. Traduzimos, a seguir, os trechos mais relevantes.

Por FratresInUnum.com

Católicos

Mons. Guido Pozzo - JP Sonnen, Orbis Catholicus.

Mons. Guido Pozzo – Foto: JP Sonnen, Orbis Catholicus.

“Segundo formulou o então Cardeal Bergoglio, de Buenos Aires, e confirmado pelo Papa Francisco à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, os membros da FSSPX são católicos a caminho da plena comunhão com a Santa Sé. Esta comunhão plena existirá quando houver um reconhecimento canônico da Fraternidade”.

Onde estamos. Ano da misericórdia.

“Estamos agora numa fase, creio eu, construtiva e capaz de alcançar a desejada reconciliação. O gesto do Papa de dar aos fiéis católicos a oportunidade de receber válida e licitamente o sacramento da Reconciliação e da Unção dos Enfermos dos bispos e padres da FSSPX durante o Ano Santo da Misericórdia é um sinal claro da vontade do Santo Padre de favorecer o caminho para o reconhecimento canônico completo e estável”.

“Neste contexto, o gesto apaziguador e magnânimo do Papa Francisco por ocasião do Ano da Misericórdia, sem dúvida, ajudou a esclarecer um pouco mais o estado das relações com a Fraternidade, mostrando que a Santa Sé deseja uma reaproximação e reconciliação que que devem também incluir um ordenamento canônico. Espero e desejo que o mesmo sentimento e a mesma determinação também seja compartilhada pela FSSPX”.

No essencial, unidade.

“O que parece essencial é encontrar uma convergência total do que é necessário para estar em plena comunhão com a Sé Apostólica, ou seja, a integridade do Credo Católico, o vínculo dos sacramentos e a aceitação do magistério supremo da Igreja. O Magistério, que não está acima da Palavra de Deus escrita e transmitida, mas a serve, é o interprete autêntico também dos textos precedentes, e compreende os [textos] do Concílio Vaticano II, à luz da Tradição viva, que se desenvolve na Igreja com o auxílio do Espírito Santo, não como uma novidade contrária (o que seria negar o dogma católico), mas com uma melhor compreensão do depósito da fé, sempre na “unidade o dogma, de sentido e compreensão” (in eodem scilicet dogmate, eodem sensu et eademque sententia, cf. Concile Vatican, Const. dogm. Dei Filius, 4). Eu creio que, sobre esses pontos, uma convergência com a FSSPX não é apenas possível, mas necessária”.

No não essencial, liberdade.

“Isso não tem qualquer efeito sobre a capacidade e a legitimidade de se debater e explorar outras questões específicas que já mencionei, que não dizem respeito às questões de fé, mas sim orientações pastorais e juízos prudenciais, não dogmáticos, em que também é possível ter diferentes pontos de vista. Portanto, não se trata de ignorar ou menosprezar as diferenças sobre certos aspectos da vida pastoral da Igreja, mas de se ter em mente que no Vaticano II há documentos doutrinais cuja intenção é reformular a verdade da fé já definida ou a verdade da doutrina católica (por exemplo, a Constituição Dogmática Dei Verbum, a Constituição Dogmática Lumen Gentium), e há documentos que têm a intenção de fornecer orientações ou diretrizes para a ação prática que são para a vida pastoral como uma aplicação da doutrina (a declaração Nostra Aetate, do Decreto Unitatis Redintegratio, a declaração Dignitatis Humanae).

A adesão aos ensinamentos do Magistério varia de acordo com o grau de autoridade e a categoria da própria verdade do Magistério. Não me parece que a FSSPX tenha negado as doutrinas da fé ou a verdade da doutrina católica ensinada pelo Magistério. As críticas emitidas concernem sobretudo as declarações ou as indicações relativas à renovação da pastoral nas relações ecumênicas com outras religiões, e certas questões prudenciais na relação da Igreja e da sociedade, da Igreja e do Estado.

Sobre a reforma litúrgica, limito-me a citar uma declaração que Dom Lefebvre escreveu ao Papa João Paulo II em uma carta datada de 8 de março de 1980: “Quanto à Missa do Novus Ordo, apesar de todas as reservas que devem ser feitas a este respeito, eu nunca disse que seria inválida ou herética”. Portanto, as reservas quanto ao rito do Novus Ordo, o que não devem, obviamente, ser subestimadas, não se referem nem à validade da celebração do sacramento, nem à retidão da fé católica. É preciso, então, continuar a discussão e o esclarecimento dessas reservas”.

29 janeiro, 2016

FSSPX na tradicional Marcha pela Vida em Washington, EUA.

Vídeo divulgado pelo distrito norte-americano da Fraternidade São Pio X sobre a sua participação na tradicional Marcha pela Vida, ocorrida em Washigton, EUA, no último dia 22, e que reuniu milhares de pessoas contra o aborto.

Créditos: Fiéis Católicos de Ribeirão Preto

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20 janeiro, 2016

FSSPX constrói igreja em Lisboa, Portugal.

Escreve o leitor Mário Machado: “A FSSPX Portugal está a fazer um apelo à generosidade dos fieis para colaborarem  na construção da futura igreja da FSSPX em Lisboa, dedicada a Nossa Senhora, Rainha de Portugal”.

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Mais informações sobre como ajudar na página da FSSPX em Portugal:

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