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25 junho, 2009

Um Papa persistente!

Editorial de Golias, 25 de junho de 2009.

Link para o originalEspírito muito mais rigoroso e sistemático que o seu antecessor, consciente justa ou injustamente que seu pontificado deveria ser, de todo modo, de duração muito limitada, o Papa Ratzinger atribuiu para seu pontificado de transição, se poderia dizer de restauração, diversos objetivos.

Ele se propõe primeiro confirmar as aquisições positivas (a seu gosto!) herdadas de João Paulo II, livre às vezes para alterar a trajetória num sentido intransigente, por exemplo em matéria de ecumenismo e diálogo interreligioso. Propõe-se igualmente a voltar a dar toda importância e força aos aspectos mais tradicionais: daí sua preocupação com a sacralidade ao antigo da liturgia, mas igualmente com a dignidade do sacerdócio católico, exaltado pelo ano sacerdotal que se inicia. Enfim, considera igualmente como uma tarefa prioritária de seu pontificado a reconciliação com os integristas sobre os quais pensa, segundo a expressão do finado Cardeal Gagnon, “que não tem razão mas razões”, e sobretudo que não são demasiadas para edificar uma igreja tal como ele a deseja para amanhã.

É à luz deste projeto global, que é necessário, de maneira geral, avaliar cada uma das iniciativas de Bento XVI e a sua cúria. Incluído o segundo Motu proprio atualmente em preparação, visando explicar e favorecer a reintegração dos Lefebvristas e outros na plena e inteira comunhão católica. Se não é completamente exato dizer que Bento XVI é um “papa tradicionalista”, não é menos certo que sua ação visa uma restauração de uma Igreja intransigente e nostálgica. Sentindo-se idoso e cansado, passa atualmente a uma velocidade superior. Com efeito, a reintegração dos integristas não tem nada de uma concessão misericordiosa sobre o fundo de um pluralismo gentil. Inscreve-se numa verdadeira negação do espírito e do sentido do Vaticano II, retornando totalmente à sua letra para lhe dar uma leitura minimalista e mesmo revisionista. E se terá compreendido que, ainda que Roma declare hoje “ilícitas” as ordenações lefebvristas de 27 de junho, se trata de fato apenas de uma simples manobra para aplacar a ira dos bispos alemães.

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Na mesma edição, Golias se refere ao novo motu proprio que seria “consagrado desta vez não mais apenas à liturgia em latim, mas de maneira mais global à reintegração dos Lefebvristas na Igreja. Pondo certamente condições, mas igualmente comprometendo toda a Igreja neste processo. Gravíssimo! Noutros termos, os bispos não terão mais direito de exprimir reservas de maneira muito aberta e ainda menos de frear a reintegração dos traditionalistas. É necessário saber com efeito que os representantes destas correntes se queixam muito frequentemente ao papa dos obstáculos colocados à sua reintegração pelos bispos e seus círculos. Até então, Roma e a comissão Ecclesia Dei geravam um curto circuíto aos bispos sem, contudo, em geral, lhes desaprovar abertamente. […] Bento XVI e seus conselheiros pretendem se aproveitar da calma do verão para avançar sobre o caminho da reconciliação”.