Posts tagged ‘Hans Küng’

19 maio, 2016

A troca de cartas entre Francisco e o heresiarca Hans Kung.

O teólogo Küng havia escrito a Bergoglio pedindo-lhe uma reflexão: “Ele respondeu-me com uma carta fraterna, apreciando as minhas considerações. Ele não colocou limites à discussão sobre o dogma  sancionado pelo Primeiro Concílio do Vaticano e pelo Papa Pio IX em 18 de julho de 1870”.

Hans Kung

Hans Küng

Por Gian Guido Vecchi, Corriere della Sera | Tradução: FratresInUnum.com –  Hans Küng diz que a carta de Francisco, datada de 20 de Março, foi entregue através da nunciatura em Berlim.  Uma carta “que responde ao meu pedido para uma discussão livre sobre o dogma da infalibilidade” do Papa. “Ele respondeu de um modo muito fraterno, em espanhol, dirigindo-se a mim como Lieber Mitbruder, ou seja, querido irmão, e estas palavras pessoais estão em manuscrito”, disse Küng. O grande teólogo suíço, “pela consideração que tenho ao Papa” não cita frases do pontífice. Mas ele diz que “Francisco não estabelece quaisquer limites para a discussão“, ele “apreciou” suas observações. E com espanto indisfarçável ele aponta como é “importante para mim“, o fato de que ele respondeu pessoalmente, e acima de tudo, “não deixou, por assim dizer, cair no vazio o meu texto.”

Na verdade, o texto, dirigido a um papa, foi imperativo: “Imploro Papa Francisco, que sempre me respondeu de uma forma fraternal: receba essa extensa documentação e consinta em nossa Igreja uma discussão livre, aberta e sem preconceitos sobre todas as questões pendentes e removidas relacionadas com o dogma. Não se trata de um relativismo banal que mina os fundamentos éticos da Igreja e da sociedade. E nem mesmo de um dogmatismo rígido e tolo amarrado a uma interpretação literal. Está em jogo o bem da Igreja e do ecumenismo”.  Küng já tinha tornado esse texto público e traduzido em várias línguas, no dia 9 de Março.  Ao aproximar-se de seus 80 anos de aniversário, “como teólogo e até o final dos meus dias, nutro uma profunda simpatia pelo papa e por sua ação pastoral”. O  pensador suíço levantou novamente “um apelo que muitas outras vezes levantei durante um década de longa discussão”.

Francisco jamais falou do dogma da Infalibilidade

Francisco nunca falou do dogma da infalibilidade, sancionado pelo Primeiro Concílio do Vaticano e pelo Papa Pio IX em 18 de Julho de 1870. Afinal, ninguém Além do Tibre jamais pensou em questionar isso. Bergoglio é o Papa da colegialidade, mas está tão consciente das prerrogativas de Papa, que ele as recordou em um discurso memorável no dia 18 de outubro de 2014, no final do Sínodo, citando o Código de Direito Canônico: o Papa é “quem garante a obediência e conformidade Igreja com a vontade de Deus, o Evangelho de Cristo e a Tradição da Igreja, deixando de lado qualquer vontade pessoal, sendo – por vontade do próprio Cristo – o “pastor e doutor supremo de todos os fiéis” (cânon 749) e ao mesmo tempo goza “do poder ordinário que é supremo, pleno, imediato e universal na Igreja” (cânones 331-334). “

O Concílio Vaticano I

Diferente é dizer que Francisco não colocou nenhum limite à discussão, como relatou Kung. Mesmo porque se trata de um dos dogmas mais mal compreendido, bem como por demais debatido. O Concilio Vaticano I jamais disse, como muitos acreditam, que o Papa é infalível em tudo. O Papa é um ser humano e a primeira coisa que Bergoglio disse no conclave, após a eleição, foi: “Eu sou um pecador”. Após longas discussões, em 1870, foi determinado que o Papa é infalível apenas “quando fala ex cathedra, isto é, quando ele exerce o seu cargo de Supremo Pastor e Doutor de todos os cristãos, e que em virtude de sua autoridade apostólica suprema define uma doutrina relativa à fé e moral”.  São casos muito raros, como quando em 1950 o Papa Pio XII proclamou solenemente o  dogma da Assunção de Maria ao céu. Mas a extensão da infalibilidade permanece motivo de debate entre os teólogos. A posição de Küng é clara: ele quer que esse dogma seja abolido ou que passe por uma revisão radical. Já o fato de que Francisco não pôs um limite para a discussão, segundo o teólogo, já é uma boa notícia: “Eu acho que agora é indispensável usar esta nova liberdade para levar adiante a reflexão sobre as definições dogmáticas que são uma fonte de polêmica dentro da Igreja Católica e no seu relacionamento com outras igrejas cristãs.

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3 outubro, 2013

Hans Küng, que sofre do Mal de Parkinson, não descarta o suicídio assistido.

Apiedemo-nos dessa infeliz alma e rezemos por ela, vendo atentamente a que fim podem levar a heresia e o cisma.

Hans KungIHU – O teólogo suíço Hans Küng, a quem o Papa João Paulo II tirou a licença para lecionar devido às suas posturas críticas ao Vaticano, cogita recorrer ao suicídio assistido para por um fim à sua vida, diante da evolução do Mal de Parkinson.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 01-10-2013. A tradução é de André Langer.

“Não quero continuar vivendo como uma sombra de mim mesmo”, escreve o teólogo, no terceiro e último volume das suas memórias, como foi antecipado hoje (dia 01 de outubro) por seu editor alemão, Piper Verlag.

Küng, de 85 anos, sofre de Parkinson em estado avançado e teme perder logo e completamente a visão, diante do que não descarta a possibilidade de se entregar nas mãos de uma clínica suíça especializada em suicídio assistido.

“O ser humano tem o direito de morrer quando já não tem nenhuma esperança de continuar levando o que, segundo o seu entendimento, é uma existência humana”, escreve o teólogo e catedrático da Universidade de Tübingen .

Küng vive completamente retirado da vida pública desde que completou os 85 anos, no começo de 2013, e depois deste volume de memórias não tem intenção de escrever mais nenhum outro livro.

“Não estou cansado da vida, mas farto de viver”, aponta, para acrescentar que não tem a intenção de chegar aos 90 anos.

O teólogo começou a escrever suas memórias em 1980 e o terceiro volume poderá chegar às livrarias esta semana.

Considerado o mais destacado teólogo crítico da postura oficial do Vaticano, João Paulo II, em 1979, retirou-lhe a permissão para ministrar os sacramentos e ensinar teologia católica.

Recentemente, expressou sua confiança em ser reabilitado por Francisco, como “reparação” ao que considera uma injustiça do Vaticano.

Küng foi companheiro de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, na Faculdade de Teologia de Tübingen, na qual ambos foram professores. Os dois participaram do Concílio Vaticano II como assessores e no começo das suas carreiras pertenceram a um grupo de teólogos católicos alemães liberais.

Não obstante, com o passar dos anos, Ratzinger alinhou-se com a ortodoxia conservadora, ao passo que Küngchegou a perder inclusive a licença para ensinar teologia católica após questionar o dogma da infalibilidade do papa.

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30 outubro, 2012

Hans Küng deixará o “grande palco”.

Por The Tablet | Tradução: Fratres in Unum.com – O teólogo liberal Professor Hans Küng anunciou que deixará o “grande palco” quando completar 85 anos de idade no próximo mês de março.

O Pe. Küng, que repetidas vezes se confrontou com o Vaticano e especificamente com o Papa Bento XVI durante sua carreira, anunciou em uma reunião de grupos eclesiais de mentalidade reformista em Frankfurt, na semana passada, que ele estava “de saída do grande palco e que deixaria espaço para a próxima geração”.

Todavia, ele disse ao The Tablet que “continuaria presente em público através da mídia” e publicaria o seu terceiro volume de memórias no ano que vem. Ele disse que iria passar o controle da Fundação de Ética Global para o ex-presidente alemão, Horst Köhler.

Na reunião da semana passada, o Pe. Küng encorajou seus ouvintes a buscar soluções intermediárias em questões, como, por exemplo, o celibato sacerdotal, fazendo pressão para que esta causa se torne voluntária ao invés de obrigatória.

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22 agosto, 2012

A Paulus tem salvação?

Lançamento de agosto de 2012 da Editora Paulus.

Lançamento de agosto de 2012 da Editora Paulus.

Embora, seguramente, haverá “católicos” que gastarão 40 reais para adquirir outra coletânea de disparates, perguntamos até quando as editoras pseudo-católicas do Brasil continuarão a disponibilizar livremente obras de autores ordinários como Hank Küng, um infeliz que há mais de trinta anos “não pode ser considerado teólogo católico nem pode, como tal, exercer o cargo de ensinar” [mesmo que a sinopse desse lançamento da Paulus afirme que “durante toda a vida Hans Küng serviu à Igreja católica”].

Não passou da hora de termos uma medida da Congregação para a Doutrina da Fé junto à editora brasileira da Sociedade de São Paulo, a exemplo da realizada em sua sucursal argentina? Um preâmbulo doutrinal, talvez?…

4 maio, 2012

Cardeal Koch acusa Küng de desorientar fiéis sobre o Vaticano II.

The Tablet, 4 de maio de 2012 | Tradução: Fratres in Unum.com – O Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, culpou o Professor Hans Küng por criar sentimentos anti-romanos entre os católicos de língüa alemã e pela difusão de uma má interpretação sobre o Concílio Vaticano II.

“No mundo de língüa alemã tem havido, acima de tudo, a difusão da idéia de Küng de que o Concílio constituiu uma ruptura com a tradição da Igreja, e não uma evolução dela”, disse o Cardeal suíço em uma entrevista à revista italiana I Tempi. “Na minha opinião, esta interpretação causou a atual inquietação [na Igreja]”, afirmou.

O teólogo de 84 anos rejeitou a hipótese. “Eu nunca afirmei que o Vaticano II fosse um ato de ruptura com a Tradição”, disse o Pe. Kung nesta semana ao The Tablet. “Ele foi uma mudança epocal de paradigma que envolveu tanto continuidade como descontinuidade”, afirmou.

18 fevereiro, 2010

Küng esperneia.

“Para o teólogo jesuíta Francisco Suáres (1548-1617), há duas possibilidades de ser cismático: quando se separa do Papa ou quando se separa da Igreja. Bento XVI deveria ser muito prudente na sua visão das coisas, porque ele vai contra o Concílio. É um choque para muitas pessoas. Ele restaurou a missa medieval tridentina. Ele retomou os ornamentos de Leão X (1513-1522), o Papa que perdeu a ocasião de salvar as coisas com Martinho Lutero. No ano passado, ele nomeou um novo prefeito para a Congregação do Culto Divino, Antonio Cañizares, que passeia com a “cappa magna”. Até parece que estamos na coroação de Napoleão. Nem mesmo a rainha da Inglaterra faz mais uma coisa dessas. O Papa se torna cúmplice de uma corrupção do sagrado, sob a forma de uma aristocracia clerical que esconde suas ações sob adornos barrocos.  Em relação ao Concílio, Bento XVI defende sua hermenêutica da continuidade contra uma hermenêutica da ruptura. Mas é uma mentira dizer que nós consideramos o Vaticano II como uma ruptura. Era uma mudança, uma reforma. Esta “hermenêutica da continuidade” é a única coisa que o Papa encontrou para interpretar o Concílio segundo sua visão de um retorno ao passado. Mas não se pode aceitar isso! Não se pode ir contra o Concílio”.

Palavras do “teólogo” Hans Küng, em entrevista à revista francesa La Vie

10 março, 2009

A FSSPX ataca: o Cardeal Martini é um Küng que deu certo.

Depois do formidável pronunciamento do Pe. Franz Schmidberger em reação às palavras dos Bispos Alemães, DICI, o órgão de imprensa da Casa Geral da Fraternidade São Pio X, por seu porta-voz, Padre Alains Lorans, publica o editorial que abaixo traduzimos.

 

 

Suzana e os dois velhos

Cardeal Carlo Maria MartiniO teólogo progressista Hans Küng concedeu uma entrevista ao Monde de 24 de fevereiro, na qual ele propõe ao Papa suas soluções para evitar que a Igreja se torne “uma seita”. Seria necessário, segundo ele, permitir a admissão dos divorciados recasados à comunhão sob “certas condições”, considerar a correção da encíclica Humanae vitae autorizando “em certos casos” o uso de contraceptivos, e sobretudo seria necessário que Bento XVI declarasse: “Eu suprimo a lei do celibato para os padres”.

ArtilhariaPode-se no fim das contas se tranqüilizar considerando que esta teologia subversiva é marginal na Igreja. A do cardeal Martini, antigo arcebispo de Milão, é muito menos. Ora, ele diz exatamente a mesma coisa que Küng em suas Conversas noturnas em Jerusalém (Herder, 2008). Ele preconiza, com efeito, a ordenação de homens casados, a ascensão das mulheres às ordens anteriores ao sacerdócio (esperando algo melhor!), o acesso dos divorciados recasados à eucaristia, o apelo aos direitos aos direitos da consciência individual contra a disciplina da encíclica Humanae vitae.

Um perito no Concílio Vaticano II dizia: “Teilhard Chardin, esse é um Lamennais que deu certo”, subentendendo que era necessário fazer evoluir a Igreja desde o interior, sem fazer cisma. Deste ponto de vista, o cardeal Martini é um Küng que “deu certo” no seio da hierarquia eclesiástica. Na realidade, são dois octogenários erguidos contra a Igreja que tem as promessas da eternidade!

Padre Alain Lorans

Editorial de DICI, 191