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21 julho, 2017

Bento XVI rompe novamente o silêncio e retoma a imagem da barca em meio a tempestade.

Por Hermes Rodrigues Nery

FratresInUnum.com, 21 de julho de 2017 – Três acontecimentos recentes nos levaram a refletir novamente sobre o impacto da renúncia de Bento XVI, sua catequese e seu testemunho nos tempos convulsivos da atualidade. O primeiro foi o fato de que a página no Facebook dedicada ao secretário pessoal de Bento XVI, Dom Georg Ganswein, página que afirma ser por ele chancelada, não ter postado fotos da visita de Francisco a Bento XVI, por ocasião da comemoração do seu 90º aniversário, em abril. O segundo, dois meses depois: o encontro de Francisco e Bento XVI, que ocorreria de novo, amplamente divulgado (com fotos e vídeos), onde Bento XVI – muito frágil – afirmara aos cinco novos cardeais que o visitavam: “Sigamos com a Cruz, porém, ao fim, é o Senhor quem vence”. Enquanto alguns se indagavam sobre o significado daquela afirmação, naquele contexto, então ocorreu o terceiro fato que fez Bento XVI voltar a sair do silêncio, pouco mais de quinze dias depois: a morte do Cardeal alemão Joachim Meisner (um dos autores do Dubia), que fezBento XVI enviar uma mensagem especial para ser lida por Ganswein, nas exéquias de Meisner, onde destacou: “O Senhor não abandona a sua Igreja, mesmo se, às vezes, a barca esteja quase repleta a ponto de soçobrar.”

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26 junho, 2017

Conselho de Cardeais, coordenado por Maradiaga, propõe a descentralização da Igreja.

Por Hermes Rodrigues Nery

FratresInUnum.com, 26 de junho de 2017 – Em março de 2005, um sorridente Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, numa entrevista de televisão,1 dizia estar confiante de que um sopro do Espírito Santo “no momento oportuno”2, traria novamente uma abertura de janela, a exemplo do que ocorreu em 1958, com João XXIII, do mesmo modo, pois ele estava convicto de que haveria uma surpresa para a Igreja, no momento oportuno. Um papa latino-americano seria essa surpresa que Maradiaga (como também Leonardo Boff e tantos outros) tanto ansiavam?

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Cardeal Maradiaga

O fato é que Jorge Mário Bergoglio teve 40 votos, pouco mais de um mês depois daquela entrevista. E no conclave de 2013 recebeu “mais votos do que Ratzinger, em 2005. Ao fim são 88; só trinta cardeais não votaram nele”.3 Na mesma entrevista, Maradiaga se diz um entusiasta defensor da integração latino-americana, não somente econômica, mas política4, e tanto Maradiaga (o candidato a papa, preferido de Leonardo Boff, como ele mesmo expressou no programa de televisão, no dia da renúncia de Bento XVI5), quanto Bergoglio (eleito papa em 2013) eram defensores da integração latino-americana, do bloco regional conhecido por “Pátria Grande”, ideologicamente alinhado com o internacionalismo de esquerda.

Vendo entrevistas de Maradiaga e de Bergoglio no youtube5 (antes do conclave de 2013), percebe-se que o candidato a papa preferido por Boff, tem muito mais envergadura intelectual e desenvoltura de comunicação, e não se compreende por que Bergoglio acabou sendo escolhido pelas forças progressistas dentro da Igreja. Mesmo assim Maradiaga foi chamado a coordenar o grupo de cardeais comprometidos em realizar a reforma da cúria romana. Como presidente da Cáritas Internacional e membro do Religions for Peace, por que Maradiaga não conseguira força política suficiente para obter os votos necessários no conclave? Maradiaga não apoiara Zelaya, no golpe de 2009, em Honduras. Mas Bergoglio também não estava tão à esquerda no período da ditadura militar argentina, apesar dos jesuítas terem dado a guinada à esquerda depois da gestão de Pedro Arrupe. Mesmo Bergoglio não ter sido um explícito defensor da teologia da libertação, seu pensamento e ações enquanto atuou na Argentina, estavam em sintonia com a teologia do povo. Juan Carlos Scannone reconhece a influência da teologia do povo em Bergoglio, como uma das “quatro correntes da teologia da libertação”7, mas que – para ele –  “de forma alguma, teve algo a ver com a marxista”8, como a vertente defendida por Boff.   Mas Bergoglio e Maradiaga estiveram muito mais unidos depois do Habemus Papam de 2013, para que a agenda política do internacionalismo de esquerda e do globalismo das fundações internacionais e da ONU, se alargasse cada vez mais, causando, em vários momentos, perplexidade entre muitos católicos.

Um dos pontos fundamentais que unem Maradiaga a Boff, é o projeto de descentralização do governo da Igreja, defendido por Boff em artigo publicado um dia depois do Habemus Papam de 2013, dizendo que o papa Francisco, “com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja.”9 Maradiaga foi nomeado por Bergoglio como chefe do Conselho de Cardeais, coordenando assim a chamada reforma da cúria romana; que, na verdade, seria a execução de uma profunda reforma da Igreja.

“Papa Francisco irá descentralizar o governo da Igreja, diz Leonardo Boff”10, foi a manchete do The Christian Post, uma semana após o início do seu pontificado. “Ele dará peso decisório ao Sínodo dos Bispos (cada três anos) e não apenas peso consultivo, criando mais autonomia às igrejas continentais e nacionais em nome da colegialidade”11, destacou Boff. E ainda, na mesma reportagem, acrescentou: “Como o papa Francisco enfatiza muito o tema dos pobres e da necessidade da justiça social e não da filantropia vai, obviamente, reforçar as novas democracias de cunho popular e que fazem políticas sociais voltadas para os pobres, como no Brasil, no Uruguai, na Venezuela e um pouco em todos os países onde se está consolidando este tipo novo de democracia”12.

A descentralização do governo da Igreja, portanto, faz parte dessa estratégia de “reforçar as novas democracias de cunho popular”13, também dentro dos organismos e estruturas da Igreja, instrumentalizando-a para fins políticos, muitas vezes, contrários aos princípios e valores da doutrina social da Igreja. Não apenas Boff como ideólogo dessa subversão, mas também Maradiaga como executor de tão esperada revolução na Igreja, com um papa latino-americano na condução desse processo revolucionário, fazem da descentralização uma meta prioritária, para se chegar a uma Igreja dirigida por conselhos populares. Por isso Bergoglio curvou-se ao povo, pedindo-lhe a benção, quando apareceu pela primeira vez na loggia da Basílica de São Pedro, em 13 de março de 2013.

O conceito da descentralização emergiu, desde o início, como prioridade a ser alcançada no pontificado de Francisco, como se fosse a missão principal, a partir do qual todas as demais ações revolucionárias virão posteriormente. Sem a descentralização, o processo revolucionário estaria comprometido, daí a sua relevância. Por isso, Bergoglio incluiu – todas as vezes que pode – o conceito da descentralização, nos documentos e pronunciamentos-chaves de seu pontificado: na exortação apostólica Evangelii Gaudium, na exortação apostólica pós-sinodal (após o controverso Sínodo da Família de 2014-2015) e na decisão da XXª reunião do Conselho de Cardeais, em junho de 2017, etc.

Tratei desse assunto com o então presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, amigo do papa Francisco e um dos presidentes do Sínodo da Família, em uma entrevista concedida em Aparecida (SP)14.  Na ocasião, perguntei a ele: “…a Evangelii Gaudium que o sr. citou agora há pouco, traz uma questão, que é a discussão sobre a reforma da cúria romana, que traz em uma de suas partes o aceno à possibilidade de dar autoridade doutrinal para as conferências episcopais. Como o sr. vê este processo da reforma da cúria romana, como presidente de uma conferência episcopal?”15 Ao que ele respondeu:É uma questão que também não foi discutida, que está acenada na Evangelii Gaudium mas que não foi discutida, nem aprofundada.”16 E acrescentei: “’A partir da sua experiência, o que sr. tem a dizer sobre isso?’ Ao que ele afirmou: ‘Creio que muitas atribuições poderiam ser dadas às Conferências Episcopais, sem necessidade de  recorrer à Santa Sé, para tomar determinadas decisões de âmbito nacional. Situações que, realmente, não são de grande importância, que poderiam ser resolvidas  pelas Conferências Episcopais. Há muitas questões para as quais devemos recorrer à Santa Sé, e eu creio que muitas poderiam ser atribuições próprias da Conferência porque é algo do conhecimento delas, da esfera delas e que não entram em questões doutrinárias propriamente. São questões muitas vezes administrativas, que poderiam ser resolvidas pelas Conferências Episcopais.’”17 Dom Damasceno, portanto, estava inteiramente alinhado à proposta da descentralização, comungando as mesmas ideias, nesse sentido, com as de Leonardo Boff e Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga.

A descentralização do governo da Igreja trouxe preocupações entre os católicos, especialmente ao final do Sínodo da Família. Ainda em Roma, em outubro de 2015, escrevi sobre estas apreensões, em meu artigo “Uma questão de método”18, destacando: “As fichas agora foram colocadas em seu desejo de ‘descentralização’, que havia sido acenado na exortação apostólica Evangelii Gaudium, mas afirmado com veemência no pronunciamento de 17 de outubro, como que determinando o tom e a saída política que parece pretender oferecer aos impasses que não pôde resolver durante os dois Sínodos (tanto do ano passado, quanto deste ano). Então, a solução seria mesmo política, bem ao gosto do estilo descrito por Piqué, delegando tão graves decisões, num primeiro nível, às igrejas particulares e, num segundo nível, de modo especial, às conferências episcopais. (…)  ‘Com a descentralização, estará desferindo assim um duro golpe à instituição do papado, com consequências bastante imprevisíveis. É isso o que tememos, pois não sabemos até que ponto ele está ou não disposto, e em que proporções. Ele próprio disse sentir a necessidade disso.’”19

No dia seguinte ao Habemus Papam de 2013, Leonardo Boff  escrevia em seu blog pessoal, com entusiasmo, sobre a revolução que Bergoglio seria capaz de fazer, especialmente a descentralização do governo da Igreja, altamente estratégica: a descentralização, vindo “de baixo”20.

Quando o Conselho de Cardeais coordenado por Maradiaga propôs, em junho de 2017, “transferir algumas competências da Cúria Romana para os bispos locais ou para as conferências dos bispos”21, sinalizou assim a disposição efetiva de Jorge Mário Bergoglio pela descentralização do governo da Igreja.

Além de chefe do Conselho de Cardeais, Maradiaga também ocupa duas posições-chaves, comprometidas com a revolução bergogliana na Igreja: como presidente da Cáritas Internacional e membro do Religions for Peace. Em 31 de outubro de 2016, a Cáritas Internacional firmou uma carta de intenções para trabalhar em conjunto com o Serviço Mundial da Federação Luterana, no evento ecumênico de Malmö, na Suécia, documento este assinado na presença do papa Francisco. “Já havíamos  nos encontrado, mas não de forma planejada. Desta vez, montamos uma estratégia com um mesmo testemunho cristão”22, afirmou Michel Roy, Secretário-Geral da Cáritas Internacional. Sobre esta estratégia, tanto Maradiaga quanto Boff estão não apenas sintonizados, mas cada um em sua frente de ação, mobilizados para intensificar o processo de descatolização da Igreja, acentuando cada vez mais a sua protestantização.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida.

Notas:

  1.   Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg, aos 05:00).
  2. Ibidem.
  3. Englisch, Andreas, Francisco, o Papa dos Humildes, p. 19, Universo dos Livros, 2013, São Paulo – SP.
  4. Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg, aos 11:10).
  5. Leonardo Boff comenta renúncia de Bento XVI – Repórter Brasil (noite), 11 de fevereiro de 2013: https://www.youtube.com/watch?v=QAJVh1vnYek&hd=1
  6. Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg; Cardinal Óscar Rodríguez Maradiaga – Witness:  https://www.youtube.com/watch?v=qOoRp7meNPk; Cardinal Oscar Rodriguez (Spanish): https://www.youtube.com/watch?v=hfI0Hv-q2r4; Cardinal Oscar Rodriguez (English):  https://www.youtube.com/watch?v=LWLtY2tKxSM; Con el papa Francisco entra aire fresco en el Vaticano: este vídeo no te dejarán indiferente: https://www.youtube.com/watch?v=9oE0X-XcT5M&index=8&list=RDbGqQX_SqgGs; Entrevista exclusiva del Cardenal Bergoglio, hoy Papa Francisco, con EWTN:  https://www.youtube.com/watch?v=NZ1ZczyyKwM; Jorge Bergoglio, Papa Francisco declara ante la justicia argentina por secuestro sacerdotes: https://www.youtube.com/watch?v=u8EoFlIbDPw
  7. Pittaro, Esteban, Aleteia, “A ‘Teologia do Povo’ no Papa Francisco, 29 de janeiro de 2014: https://pt.aleteia.org/2014/01/29/a-teologia-do-povo-no-papa-francisco/
  8. Ibidem.
  9. Boff, Leonardo, “O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja”, site pessoal, 14 de março de 2013: https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/
  10.   Gigliotti, Amanda, Papa Francisco irá descentralizar o governo da igreja, diz Leonardo Boff, The Christian Post, 20 de março de 2013: http://portugues.christianpost.com/news/papa-francisco-ira-descentralizar-o-governo-da-igreja-diz-leonardo-boff-15269/
  11.  Ibidem.
  12.  Ibidem.
  13.  Ibidem.
  14.  Igreja e Sociedade segundo Dom Damasceno, Fratres in Unum, 4 de março de 2015: https://fratresinunum.com/2015/03/06/igreja-e-sociedade-atual-segundo-dom-damasceno/
  15.  Ibidem.
  16.  Ibidem.
  17.  Ibidem.
  18.  Nery, Hermes Rodrigues, Uma Questão de Método, Fratres in Unum, 26 de outubro de 2015.
  19.  Ibidem.
  20.  Boff, Leonardo, “O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja”, site pessoal, 14 de março de 2013: https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/
  21.  Cardeais propõem descentralização de alguns aspectos do governo da Igreja, Canção Nova, com Agência Ecclesia, 14 de junho de 2017, https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/cardeais-propoe-descentralizacao-de-alguns-aspectos-governo-da-igreja/
  22.   Caritas Internacional: em conjunto com os luteranos, Radio Vaticano, Rádio Vaticano, 4 de novembro de 2016:http://br.radiovaticana.va/news/2016/11/04/caritas_internacional_em_conjunto_com_os_luteranos/1270083
12 junho, 2017

Decisão de Donald Trump sobre acordo do clima de Paris é a pior derrota política de Jorge Mario Bergoglio.

Por Por Hermes Rodrigues Nery

A retirada dos Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris, em 1º de junho de 2017, foi a pior derrota política do papa Francisco, mostrando assim o equívoco de suas posições políticas, assumidas escancaradamente desde que assumiu o pontificado, em março de 2013, para perplexidade de muitos católicos, especialmente os que se empenham com seriedade em viver a sã doutrina católica.

trumpA agenda política abraçada por Jorge Mario Bergoglio, em muitos aspectos, está sintonizada com a mesma agenda do internacionalismo de esquerda e do globalismo defendido pela ONU e fundações internacionais que trabalham por uma reengenharia social de mutação cultural, que instrumentaliza as religiões para os fins de um poder global.

Ecumenismo e ecologismo fazem parte da estratégia de ressignificar religiões, visando uma nova cultura (um mosaico cultural), convergida em premissas não cristãs, especialmente não católicas, como já recomendava, em 1974, o Relatório Kissinger (salientado por Juan Cláudio Sanahuja), estabelecendo “como política global que os padrões culturais dos povos, entre os quais se incluem as crenças religiosas, que tornam inviáveis as políticas de controle de natalidade, devem ser alterados”1. Por isso, tem chocado aos católicos a presença de intelectuais e ideólogos dessa reengenharia social em eventos no Vaticano, promovidos especialmente pela Pontifícia Academia das Ciências, que recebeu e deu espaço para palestrar Jeffrey Sachs (ambientalista radical que defendeu em 2008 a legalização do aborto como meio econômico eficaz para eliminar bebês indesejados), Paul Erlich (autor do livro “A Bomba Demográfica”, também defensor do aborto como meio de controle populacional), entre outros. O fato é que Bergoglio não apenas tem dialogado com conhecidos inimigos da fé católica, acolhido-os no Vaticano, favorecido (algumas vezes de modo sutil e sofisticado, outras mais abertamente) a agenda política que contradiz, em muitos aspectos, a doutrina moral e social da Igreja. Mas Bergoglio abraçou tal agenda, para euforia de Ban-Ki-moon.

A tônica política de Bergoglio (evidenciada por suas decisões, à esquerda, confirmando o que ele dissera ao Pe. Antonio Spadaro: “nunca fui de direita”2), explicita cada vez mais equívocos incontáveis, para o agrado de toda a esquerda internacional, que o aplaude, pois sabe que as consequências de tais decisões, a médio prazo, agravarão danos dentro da Igreja, que os líderes de esquerda até então não haviam conseguido chegar em tão grande profundidade.

E por tais decisões virem de cima para baixo, dificilmente haverá quem se oponha, porque os que se infiltraram por dentro da instituição, souberam aparelhar de tal modo organismos internos da Igreja, para justamente neutralizar toda e qualquer resistência. Disso não só tenho experiência vivida, mas tenho sofrido a perseguição implacável daqueles que há muito quiseram liquidar a minha liderança como leigo católico dentro da Igreja, por justamente não compactuar com a maldade não apenas dos inimigos declarados, mas principalmente dos dissimulados. Isso porque os que se oporem à agenda implantada sofrerão toda espécie de sanções e retaliações, tendo em vista também o aparato tecnológico de controle, nesse sentido.

Os reengenheiros sociais apreciam laboratórios culturais e sociais, e sabem do estrago que estão fazendo. Que a Igreja depois resolva os problemas criados pelos equívocos políticos de Bergoglio. Os inimigos da Igreja sabem que a agenda abraçada por Bergoglio (exposta, por exemplo, na encíclica Laudato Si) trarão, num futuro próximo (talvez em outro pontificado) problemas agudos para a própria Igreja (por causa dos gravíssimos danos causados), mas eles não estão nem um pouco preocupados com isso.

Bergoglio reconheceu a cinco jovens católicos belgas, numa entrevista à agência I. Media, dizendo: “Eu já errei, e ainda erro!”3, declarando com ênfase: “Eu não diria que aprendi com todos os meus erros. Alguns não, porque eu sou teimoso”. E por teimosia insiste em seus erros políticos, sem se dar conta das consequências de tais erros, para o que virá depois de seu pontificado.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida

  1. SANAHUJA, Juan Cláudio, Poder Global e Religião Universal, p. 29, Editora Ecclesiae, Campinas, SP, 2012.
  2. SPADARO, Pe. Antonio, Íntegra da Entrevista de Francisco à “Civiltà Cattolica”: https://fratresinunum.com/2013/09/19/integra-da-entrevista-de-francisco-a-civilta-cattolica/
  3. REUTERS, Papa Francisco admite: “Eu já errei e ainda erro” – Entrevista a cinco jovens católicos foi transmitida por site: https://oglobo.globo.com/mundo/papa-francisco-admite-eu-ja-errei-ainda-erro-12089981
8 maio, 2017

A espiritualidade da Virgem Maria na defesa da vida – a mensagem de Fátima, cem anos depois.

Por Hermes Rodrigues Nery| FratresInUnum.com

Pronunciamento durante evento de comemorações do 1º centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, no Hotel San Marco, em Brasília, em 29 de abril de 2017

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

“Quem sabe bem rezar, sabe também viver bem”1

Caríssimos amigos,

Com alegria retorno à Brasília, para um encontro muito especial, a convite do casal Dr. Antonio Augusto e D. Rita de Sá Freire [autora de um belíssimo livro “Tradição, Fé e Lealdade – Histórias para Damas e Cavaleiros do Amanhã”” (Petrus Editora), ao qual agradeço desde já, a oportunidade de estar com vocês nesse momento de oração, e de reflexão, em que nós, católicos, celebramos o primeiro centenário da aparição de Nossa Senhora, aos três pastorinhos, em Fátima.

No próximo dia 13 de maio, serão canonizados Francisco e Jacinta Marto, as crianças que, junto à Irmã Lúcia, viram , em pureza de olhar, de coração e de alma, o esplendor de Nossa Senhora, cuja mensagem deixada a eles, tem se tornado cada vez mais atual, e que podemos resumir na ênfase dada ao que mais precisamos, nos dias de hoje: “Penitência, Penitência, Penitência’. ‘Volta-nos ao pensamento o início do Evangelho: « Pænitemini et credite evangelio’ (Mc 1, 15). Perceber os sinais do tempo significa compreender a urgência da penitência, da conversão, da fé. Tal é a resposta justa a uma época histórica caracterizada por grandes perigos”2

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7 dezembro, 2016

Quem defenderá o indefeso?

Pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, na audiência pública realizada em 06 de dezembro de 2016, na Câmara dos Deputados, na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, para debater os aspectos relacionados à microcefalia e o surto de zika no Brasil, e as políticas públicas relacionadas ao tema.

* * *  

A vida só adquire um sentido verdadeiramente humano quando vivida com amor. E é isso que precisa estar refletido em nossas legislações.1

Excelentíssimo Sr. Deputado Federal Diego Garcia (PHS-PR), demais deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), Eros Biondini, e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), e demais presentes.

Caríssimos amigos,

Retornamos a essa Casa Legislativa às vésperas da votação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5581), no Supremo Tribunal Federal, cuja relatora é a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia. Requeremos a participação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, como Amicus Curiae, ao que encaminhamos à ministra minucioso o estudo elaborado pela Associação Médica dos Católicos de Brasília, assinado pelo Dr. Stéfano Borges Pedroso, Defensor Público do Distrito Federal; cuja parte que diz respeito aos danos que o aborto provoca à saúde da mulher, quero trazer aqui nessa audiência pública, brevemente, alguns pontos que considero relevantes para reforçar a necessidade que temos hoje em defender a saúde da mulher ( vítima da falsa solução do aborto que lhe oferecem), e também a defesa do nascituro, penalizado com a morte, com assassinato cruel, de uma vida humana inocente e indefesa, privando-o do direito à vida, e causando assim, o horror da matança dos inocentes, patrocinado pelo Estado, quando o Estado existe para ser defensor da vida e da família, defensor da primeira e principal instituição humana, defensor da vida em sua fase mais fragilizada, defensor e promotor daquele que mais precisa de acolhida, de amparo, de suporte, de valorização efetiva.

Mas o que estamos vendo é o Estado brasileiro sendo instrumentalizado por forças impondo uma agenda de organismos internacionais (imbuídos de ideologias inumanas, com a mesma lógica que moveu o faraó egípcio e também Herodes, ao ordenarem a matança das criancinhas) para se voltar contra o que temos de mais precioso: o dom da vida.   “Na raiz de qualquer violência contra o próximo, há uma cedência à ‘ lógica’ do maligno, isto é, daquele que ‘foi assassino desde o princípio’ (Jo 8, 44)’. 2

Esta conjura contra a vida, avança cada vez mais, nas expressões de violências e atentados contra a vida [“Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana” (…)  Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador”.3  Com isso, “espezinhada no direito fundamental à vida, é hoje uma grande multidão de seres humanos débeis e indefesos, como o são, em particular, as crianças ainda não nascidas.”4

E que direito humano é esse que que é direito da mulher torturar e matar um ser humano inocente e indefeso dentro de seu próprio ventre, o direito de eliminá-lo com substâncias salinas, succioná-lo, quebrar-lhe os ossos e privá-lo do direito de nascer e ser acolhido como pessoa humana? É pois uma perversão de direito humano, que se volta contra o ser humano. E muitos profissionais que deveriam ser os primeiros a recusar veementemente tal prática, a recorrer à objeção de consciência diante disso,  muitas vezes estão hoje sendo coniventes com essa lógica de morte. Nesse contexto vemos ainda que “a própria medicina que, por vocação, se orienta para a defesa e cuidado da vida humana, em alguns dos seus sectores vai-se prestando em escala cada vez maior a realizar tais atos contra a pe ssoa, e, deste modo, deforma o seu rosto, contradiz-se a si mesma e humilha a dignidade de quantos a exercem.”5

Quando os defensores do aborto falam do aborto como questão de saúde pública, quero ressaltar que por sermos defensores da saúde da mulher é que queremos evitar os danos á saúde da mulher causados pelo aborto provocado.

No estudo elaborado pela Associação dos Médicos Católicos de Brasília6, destaca os argumentos contraditórios, inconstitucionais e eticamente inaceitáveis da ADI, cumulada com ADPF, requerida pela Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP), que pleiteia ao STF a descriminalização do aborto “quando feito por gestantes infectadas pelo vírus Zica”, nos “casos de síndrome congênita causada pelo vírus de Zika”8, salientando “o objeto e objetivo abortista encapsulado e emaranhado na ADI c/c ADPF”9. Buscando ainda “criar mais uma hipótese, sem limitação séria ademais, de aborto juridicamente permitido em nosso ordenamento”10. A tese da ANADEP “padece de graves inconsistências l&o acute;gicas, ancorando-se em meras suposições ou em interpretações enviesadas de achados científicos”11, chegando inclusive “a conclusões e avança pedidos frontalmente repelidos pela sociedade brasileira e absolutamente contrários  ao nosso sistema jurídico, constitucional e legal”12. E mais: “A ANADEP parece não ter considerado a abertura de perigoso precedente no ordenamento jurídico pátrio: a possibilidade de se autorizar aborto quando houver a confirmação ou a mera suspeita de gestação de feto com deficiência13”. E ainda ressalta no pleito da ANADEP, “a defesa da introdução de novos meios anticoncepcionais para corroborar a atual política fracassada que tenta assegurar o direito ao planejamento familiar e, o mais grave, a defesa do aborto em qualquer situa&ccedi l;ão de infecção materna por zikavirose, apoiado ou não em exames comprobatórios da infecção materna, constatado ou não a existência real de risco para o feto, verificado ou não a presença de anomalias fetais.  Quanto a esse último tópico, percebe-se uma linha de argumentação que perpassa toda a inicial com o propósito de chegar a uma decisão jurídica favorável à ‘interrupção da gravidez’, ou seja, ao aborto, em linguagem direta. A extensão dessa pretensão (…) vai além da eugenia, alcançando potencialmente milhares de crianças sem nenhuma evidência de anomalias e sem risco de desenvolver anomalia”14

Conforme os próprios dados do Ministério da Saúde, dentre os notificados e os que realmente foram confirmados para microcefalia, confirmações muito reduzidas em relação aos notificados, e muitos ainda sob investigação. O fato é que há muitas interrogações nesse campo, muitas imprecisões, e muita instrumentalização da situação vulnerável de mulheres fragilizadas, para justificar pretextos que trazem a elas sofrimentos e danos muito maiores. O estudo da AMCB destaca tais questionamentos, que aqui apresentamos alguns deles.

Os defensores do aborto se favorecem das imprecisões , das generalizações, da falta de conhecimento sobre o assunto, para influir os tomadores de decisão, com a mentira, o sensacionalismo, os eufemismos e ambiguidades da linguagem.

Na questão objeto dessa audiência pública, cabe afirmar, de modo retumbante:

Não é verdade que em todas as situações haja “relação causal entre o vírus  e a síndrome congênita”15.

Não é verdade que todos  os “acometidos pela epidemia da zivka”16 sejam também afetados pela microcefalia: “dos 9,514 casos notificados, apenas 20% aproximadamente  foram confirmados. Isso mostra o quanto podem as imprecisões , os critérios até agora  disponíveis e, pois, o quanto pode ser inadequado impor uma dúvida e cobrar de uma mãe ou de uma família a decisão pela eliminação do filho no ventre”17.

Não é verdade que todos os “conceptos evoluem para a síndrome congênita de zika”: “estudo retrospectivo do surto na Polinésia Francesa (casos infectados por cepa semelhante à encontrada no Brasil), estimou, por modelos matemáticos, que o risco possivelmente situa-se em 1% quando a infecção ocorre no primeiro trimestre da gravidez”18.

Não é verdade que todos os conceptos, cujas mães foram acometidas pela zikavirose nasçam com microcefalia. Muitas crianças nascem sem problemas, mesmo quando a mãe comprovadamente  sofre a infecção por ziokavirose na gravidez. Portanto, a associação entre a gravidez e a síndrome congênita de zika não pode ser vista como uma fatalidade”19.

Não é verdade que oferecer à mulher a falsa solução do aborto, significa estarem preocupadas com a sua saúde. Isso é absurdamente inverídico. É mentira dizer que se quer o bem das mulheres, induzindo-as ao aborto. Um estudo6 que analisou 36 artigos científicos, destacou “que 13 artigos mostraram um risco evidente de pelo menos 1 dos transtornos mentais (os mais citados foram a depressão, transtornos de ansiedade, incluindo síndrome de stress pós-traumático e abuso de drogas), relatados no grupo de mulheres que provocou aborto em relação às mulheres que tiveram parto”20. Ou ainda, analisando 22 estudos sobre aborto e saúde mental, Coleman “encontrou que as mulheres que se submeteram ao aborto, apresentaram aumento de 81% de risco de problemas em saúde me ntal e, que aproximadamente, 10% da incidência de problemas em saúde mental, demonstrou-se atribuível ao aborto”.21E mais: “um estudo recente do Colégio Americano de Pediatras alerta para os efeitos adversos de um aborto induzido, independente de motivação para sua realização. Em relação à saúde mental, a publicação cita estudos na Califórnia e na Finlândia, que demonstraram  que a taxa de suicídios em mulheres nos anos subsequentes a realização de um aborto, foi de 2,5 a 7 vezes mais alta do que nas mulheres que tiveram parto”.22

Não é verdade que todas as mulheres em situações de vulnerabilidade (pobreza, doenças, etc.) queiram abortar. Muito pelo contrário: a grande maioria delas querem ser mães, não abrem mão da maternidade, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. O que elas querem é apoio para que elas assumam a maternidade e – de modo algum – matem os seus filhos. Ainda no referido estudo, “as gestantes inquiridas, se elas consideraram o aborto como opção, se em algum momento da gestação consideraram a hipótese de abortar, inclusive perguntando-se por qual método para se checar a confiabilidade da resposta”, “em relação aos resultados: 1057 gestantes completaram a entrevista, das quais 755 (73%) delas não consideraram abortar, 142 (142 (14%) consideraram a hipótes e de abortar e 140 (14%) tentaram o abortamento.”23

Diante de tantos estudos, pesquisas, estatísticas, etc., com a evidência dos fatos, podemos indagar: como o aborto poderia ser a “melhor solução” para a mulher? Se os estudos comprovam , por exemplo, o maior número de mulheres com “casos de depressão pós-parto se comparado com o grupo de mulheres que não consideraram a hipótese de abortar”24. Como o aborto poderia ser a “melhor solução” – como propõe a ANADEP – se os “seus efeitos e danos psicológicos tendem a ser mais severos do ponto de vista psíquico, se comprado com o pleno desenvolvimento da gestação.”25

Diante dessa lógica de morte, dessa avalanche de ações e decisões contra a vida, nos indagamos clamorosamente: quem defenderá o indefeso (a criança concebida, vítima de tão cruenta violência) e também as mulheres indefesas, vítimas da desinformação, da pobreza e da maldade daqueles que lucram com o aborto, que nada estão preocupados com a saúde da mulher?

Exortamos, apelamos clementemente que a ministra relatora da ADI 5581, Presidente do Supremo Tribunal Federal – não decida contra a vida indefesa da criança inocente no ventre materno, e das mulheres também indefesas.

“Um silêncio de morte sobre o início da vida”26

Já tinha dito isso, no começo do ano27 que, o governo brasileiro e as Ongs financiadas por fundações internacionais que promovem o aborto se mobilizaram para repetir o que ocorreu, em 2012, quando o STF despenalizou o aborto em casos de anencefalia, com a ADPF-54. Na época, durante a votação da referida ADPF-54, já se dizia: “Está aberta a porta para a legalização do aborto, no Brasil”28, via judiciária, de modo sutil e sofisticado, gradual, e por etapas. E é o que estamos vendo hoje, com os fatos confirmando essa realidade. E tal estratégia – como vimos na ADI 5581, cuja requerente é a ADANEP, visa alargar a agenda abortista no País e disseminar ainda mais a mentalidade contraceptiva, com as sutilezas já conhecidas, induzindo a população a aceitar o ab orto nesses casos, preparando assim as condições para que lá na frente o aborto seja reconhecido inclusive como direito humano, como querem as Fundações internacionais, como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e outras. Vejam que Prof.ª Flávia Piovesan, que é hoje a Secretária Nacional dos Direitos Humanos, está ligada a esses organismos e defende o aborto como direito humano.29

Ontem, o STF autorizou matar os bebês anencéfalos, hoje, poderão fazer o mesmo com os casos de microcefalia, amanhã, serão outras categorias. São, portanto, precedentes perigosos, a favorecer um totalitarismo que vitimará os mais fragilizados da sociedade, como o Papa São João Paulo II denunciou em sua memorável encíclica Evangelium Vitae. Como ainda afirmou o Dr. Paulo Silveira Martins Leão Júnior, presidente da união dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro, aqui presente, “a dignidade da pessoa humana há de decorrer, necessariamente, da própria natureza do ser humano e não de circunstâncias acessórias, adjetivas, como, por exemplo, saúde e tempo de existência, pois do contrário, cairíamos em fórmulas e critérios arbitrá rios e aleatórios, conforme as conveniências do momento, condicionando e aviltando a dignidade humana, e desrespeitando os termos claros dos princípios e preceitos constitucionais”.30

Quis o constituinte incluir como cláusula pétrea, no art.5º, a inviolabilidade da vida humana, mas há aí uma omissão, ao não explicitar o desde quando, deve se garantir a inviolabilidade da vida humana, e por causa dessa omissão, o então ministro Carlos Ayres Brito, em seu voto de 5 de março de 2008, ao justificar o uso de embriões humanos fecundados para fins de pesquisa científica, abriu-se lá o primeiro precedente, a porta aberta para a legalização do aborto, por etapas. Ele não reconheceu o embrião humano fecundado como pessoa, com justificativa ancorada no positivismo jurídico de Hans Kelsen, que via as questões do direito como problemas de técnica social, e não moral. Daí a brecha para decisões imbuídas por “uma ideologia que, no fundo, r eduz tudo o que existe a um comportamento de poder.”31 [e é claro que o poder do mais forte sobre o mais fragilizado], uma “ideologia que destrói a humanidade”.32

Em seu relatório33, ele recorreu ao subterfúgio do argumento jurídico, alegando que a Constituição brasileira faz “um silêncio de morte sobre o início da vida”34. E diante daquela omissão, só consideraria a proteção constitucional dos direitos da pessoa, depois do nascimento, conforme a tese da chamada teoria natalista. Desse modo, não assegurou o direito a vida ao nascituro. A vida passou a valer em parte, e não mais por inteiro.

O guardião da Constituição Federal, foi categórico: ”Há duas distinções, dois instantes: o insubstituível início de vida e o momento constitutivo da pessoa”35, que ele não associou no mesmo instante. Passou a existir então uma brecha a não dar proteção jurídica a esse interregno [da fecundação ao nascimento], que deixou de contar, após as deliberações do STF, nesse campo, da garantia constitucional de proteção da vida, pois, segundo Ayres Brito, naquele assombroso voto,  “a nossa Magna Carta não diz quando começa a vida humana”36.

Em seu relatório, o Ministro Carlos Ayres Brito explicitou a tensão de dois posicionamentos divergentes acerca do conceito de pessoa humana: “a configuração de duas nítidas correntes de opinião”37, duas teorias que se entrechocam: a natalista e a concepcionista. E a teoria natalista é o que está prevalecendo nos votos dos ministros do STF, favoráveis ao alargamento da despenalização do aborto. E a partir de então, vidas humanas [antes protegidas pela CF e pelo Código Civil], mas por ingerência indevida do STF, passaram a ser ceifadas na sua gênese, no nascedouro, com um crime de lógica justificado pela retórica jurídica.

Na primeira posição, o nascituro é apenas parte das entranhas da mãe, e somente quando nasce com vida é que é reconhecido como pessoa. A segunda, não parcializa a dignidade, pois desde a concepção “inicia o ciclo vital de um ‘novo sujeito humano’”38 Tal conflito de posições emblematiza o agudo impasse bioético da atualidade, de dimensão salomônica, e em âmbito mais profundo, também adâmica. Um nó górdio que requer solução, mas não com atos intempestivos. Requer a solução legislativa adequada, como quis a voz originária do constituinte, reconhecendo a proteção da vida humana, desde a concepção. E é a essa mesma voz que devemos nos reportar, pois o Judiciário é poder consti tuído e não poder constituinte.

Sres. Deputados, o STF fez a agenda abortista avançar, com seu explícito ativismo judicial, sem que viesse, daqui do Congresso, a reação devida, à altura daquela afronta a esta casa Legislativa, sem que , até o momento, nenhuma medida eficaz foi capaz deter o ativismo judicial seja por um PDC, por exemplo, amparado no art. 43, inciso XI, que garante ao legislativo se proteger de tal ingerência por parte do STF. Ou ainda a aprovação do PL 4754/2016, que “tipifica crime de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo.”39 E outras iniciativas também que o povo brasileiro espera vir desta Casa, também não avançaram com devia: a aprovação do Estatuto do nascituro, a própria do CPI do aborto, et c. Por isso requeremos insistentemente aos parlamentares (tanto da Câmara quanto do Senado) para que priorizem a PEC pela Vida, para que não haja mais essa omissão constitucional, que faz o STF avançar mais a agenda abortista.

Nesse sentido, conclamamos cada parlamentar dessa casa Legislativa, fazendo o apelo para deter o ativismo judicial do STF, deter a agenda abortista (agenda antivida, antifamília e anticristã), para a provar a PEC pela Vida, pelo bem de todos.

Muito obrigado!

Link para o vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=hWJl3UkMny0&feature=youtu.be

Notas:

  1. Pronunciamento após a aprovação da primeira lei orgânica pró-vida do Brasil, 2010 [  http://stoa.usp.br/pedrohqb/weblog/69355.html]
  2. S. João Paulo II, Evangelium Vitae, 8 [ http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae.html]
  3. Ib. 3
  4. Ib. 5
  5. Ib. ___________
  6. Petição Amicus Curiae na ADI 5581, Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, parecer elaborado pela Associação Médica dos Católicos de Brasília, Stéfano Borges Pedroso [   https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=365932A40A4EE26F!1235&ithint=file%2cdocx&app=Word&authkey=!AIe3sG0yVOHN_Ms ]
  7. Ibidem.
  8. Ibidem.
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. Ibidem.
  12. Ibidem.
  13. Ibidem.
  14. Ibidem.
  15. Ibidem.
  16. Ibidem.
  17. Ibidem.
  18. Ibidem.
  19. Ibidem.
  20. Ibidem.
  21. Ibidem.
  22. Ibidem.
  23. Ibidem.
  24. Ibidem.
  25. Ibidem.
  26. Monografia de Pós-Graduação em Bioética, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), em curso promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Pontifícia Academia para a Vida, 28 de janeiro de 2011. [ https://pt.scribd.com/doc/48165479/Monografia-Um-Silencio-de-Morte-sobre-o-Inicio-da-Vida-Hermes-Rodrigues-Nery
  27. Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?, entrevista à ACIDigital, em 1º de fevereiro de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/ha-ou-nao-ha-um-lobby-para-ampliar-a-legalizacao-do-aborto-com-o-pretexto-do-zika-virus-55369/]
  28. Ibidem.  [http://www.vilhenasilva.com.br/noticia/o-debate-sobre-o-aborto-e-necessario-/]
  29. Defensora do aborto é escolhida para Direitos Humanos e gera reação de pró-vidas, ACIDigital, 20 de maio de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/defensora-do-aborto-e-escolhida-para-direitos-humanos-e-gera-reacao-de-pro-vidas-46642/]
  30. Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?, entrevista à ACIDigital, em 1º de fevereiro de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/ha-ou-nao-ha-um-lobby-para-ampliar-a-legalizacao-do-aborto-com-o-pretexto-do-zika-virus-55369/]
  31. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald , Ed. Imago, 1997, Pág. 133.
  32. Ibidem.
  33. Relatório e voto do ministro Carlos Ayres Brito da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN3510 [http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/adi3510relator.pdf]
  34. Ibidem.
  35. Ibidem.
  36. Ibidem.
  37. Ibidem.
  38. Ibidem
  39. Projeto de Lei 4754/2016, Câmara dos Deputados [http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2079700].
28 novembro, 2016

Católicos pedem a Bispo afastamento de Padre da Diocese de São Miguel Paulista.

Íntegra da carta entregue pessoalmente a Dom Manuel Parrado Carral, bispo diocesano de São Miguel Paulista, SP.

São Paulo, 16 de novembro de 2016

Reverendíssimo Sr.
Dom Manuel Parrado Carral
DD. Bispo da Diocese de São Miguel Paulista

Nós, fiéis católicos, estamos perplexos com as atividades, pronunciamentos e posicionamentos escandalosos que ocorreram na Diocese de São Miguel Paulista, mais precisamente, nas paróquias de Santa Ana que, ao final da Santa Missa (Itaquera), permitiu-se que um Drag Queen subisse ao altar em nome da “comemoração ao dia internacional da Drag Queen”; em Nossa Senhora do Carmo. Tal ato foi promovido e incentivado pelo próprio pároco, o padre Paulo Sérgio Bezerra, no Santuário Nossa Senhora da Paz, e também pelo padre Dimas Martins Carvalho.

carrado

Fiéis se reúnem com bispo de São Miguel Paulista, SP.

A seguir, destacaremos alguns dos fatos promovidos pelos sacerdotes que violam o Magistério da Santa Igreja e a Santa Fé Católica:

1) Ritual pagão-umbandista durante a Santa Missa, promovido pelos padres Paulo Sérgio Bezerra e Dimas Martins Carvalho [1].

2) Promoção do gayzismo e incentivo à militância LGBT aos fiéis da paróquia Nossa Senhora do Carmo. O padre Paulo Sérgio Bezerra permitira que os jovens levassem cartazes “anti-homofóbicos” para a Santa Missa; permitira ainda que um Drag Queen assumido distribua o Corpo de Cristo, e que realize a homilia, tudo ao som de Paula e Bebeto. Chama os defensores da família e os congressistas conservadores de “homofóbicos, retrógrados, velhacos e reacionários”; utiliza os jovens como massa de manobra para a promoção de sua agenda gay; modificou um folheto da Santa Missa com mensagens pró-gayzismo e com ataques diretos aos defensores da Santa Igreja e da Sã Doutrina – apar entemente, o panfleto fora desenvolvido por outro sacerdote da mesma diocese, o jesuíta Luís Lima –, portanto, utilizou a Santa Missa para promover diversas ideologias anti-cristãs, como o comunismo, a ideologia de gênero e a militância gay [2].

3) O referido pároco é adepto da Teologia da Libertação, do comunismo e do PT. Convocara o deputado Chico Alencar (PSOL), Guilherme Boulos (líder do MTST) e a filósofa assumidamente atéia, abortista e petista, Marilena Chauí, para palestrarem durante a Santa Missa, discursou em meio à uma multidão no movimento “Fora Temer” e “Contra o Golpe” em São Paulo [3].

4) Além da própria promoção do “dia internacional da Drag Queen”, os administradores da página oficial da Paróquia Sant’Ana de Itaquera, postaram a seguinte mensagem: “Em comemoração ao Dia Internacional da Drag Queen, nossa Paróquia recebeu nossa grande paroquiana Dindry Buck em celebração do novenário de nossa Padroeira. Foi um momento de muita alegria para nossos paroquianos que amam e respeitam o trabalho que Dindry Buck faz em nossa Paróquia. Dindry falou sobre a importância de lembrar esse dia e a sua missão de levar a alegria para o mundo” [4].

5) O padre Paulo Sérgio Bezerra permitiu que, Marilena Chauí, inimiga assumida da Igreja, da família e da Fé, comungasse com as próprias mãos e recebesse uma homenagem ideológica em plena Missa [5].

6) O padre Paulo Sérgio Bezerra tem conhecimento de suas atitudes, das induções ao erro e da violação à Tradição da Santa Igreja Católica, porém, não teme ser punido pelas autoridades eclesiásticas e nem mesmo, pelo próprio Papa: “Sempre fui assim, mas, com esse papa, sinto mais tranquilidade de que não serei punido” [6].

Não restam dúvidas de que este padre está a serviço da corrosão da Sã Doutrina Católica, da Santa Igreja. Além de induzir seus fiéis ao erro, propagar falsas doutrinas que contradizem a Sã Doutrina Católica e não temer represálias da hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana.

Nós, fiéis católicos, pedimos encarecidamente que Vossa Revendíssima autoridade episcopal, Bispo da Diocese de São Miguel Paulista, Dom Manuel Parrado Carral, que afaste os párocos e lideranças envolvidas nestas profanações da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Gratos pela fidelidade à sua missão como pastor da Igreja, no zelo da sã doutrina católica.

Daniel Guerreiro Cavalcante 

Prof. Hermes Rodrigues Nery

Coordenador do Movimento Legislação e Vida

Adriano Neiva

Fontes:

10 novembro, 2016

O pensamento de Boff sobre Lutero, e a práxis de Francisco.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Se o capítulo XI, da Segunda Parte do livro “E a Igreja se fez Povo” (1986), intitulado “São Francisco, patrono da opção pelos pobres”, de Leonardo Boff, já é bastante problemático, pois apresenta, trinta anos atrás, todo o programa que Bergoglio coloca hoje em execução, avidamente, o capítulo seguinte (“A significação de Lutero para a libertação dos oprimidos”), é mais terrível ainda. Nele, antecipa-se o que Francisco hoje cumpre à risca, na prática. E o ecumenismo solenemente celebrado em Lund, na Suécia, tende a esquecer tudo o que Lutero fez de danoso à Igreja. Para Boff, Lutero “apresenta-se como uma das maiores testemunhas do espírito evangélico”. Boff acredita piamente nisso, não se conforma com o que para ele é uma injustiça, a Igreja não ter compreendido Lutero, assim até hoje nunca se conformou de ter sido “injustiçado” pelo alemão Joseph Ratzinger. Boff nunca o perdoou por isso, nem dom Paulo Evaristo Arns, que esteve junto de Boff acompanhando-o quando foi a Roma para ser repreendido e depois punido por Ratzinger. Boff nunca perdoou Ratzinger (hoje recolhido no Mater Ecclesiae), enquanto Arns comemorou recentemente seus longevos 95 anos, com um boné do MST na cabeça. Tanto Boff quanto Arns, satisfeitos por verem os movimentos populares (de esquerda) sendo recebidos amigavelmente por Francisco, no Vaticano. Tudo fez parte de um plano bem urdido, meticuloso, de se chegar ao Vaticano, e ocupar os altos postos eclesiásticos, para que o programa apresentado por Boff, em 1986, naquele seu famoso e controverso livro, pudesse ser executado.

Para Boff, a inspiração de Lutero (a quem ele sempre admirou e até se identifica, algumas vezes), “em termos religiosos, mostrava-se ‘fé viva’ em contraposição ‘a “fé morta’ do Catolicismo, religião de tradições e exterioridades”. É assim que o pensamento de Boff se torna hoje, em certos aspectos, a ação de Francisco. Boff mesmo reconhece naquele capítulo, “o papel subversivo” do protestantismo, papel esse fomentado por muitos anos pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que hoje se favorece com o ecumenismo de Francisco, quando a Cáritas e a Federação Luterana Mundial se juntam para projetos sociais, com financiamento da Fundação Ford.

Boff defendia, naquela época, “uma encarnação da Igreja e do Protestantismo no mundo dos pobres, para ajudar em uma transformação profunda e global, uma verdadeira “libertação dos oprimidos”. E ainda destaca:

“Rubem Alves distingue a função ideológica que o protestantismo ocupou diante do liberalismo e sua permanente função utópica como memória da forças libertadora do Evangelho. Nessa perspectiva, ‘católicos e protestantes estão se descobrindo como um só corpo, em função de uma esperança da América Latina nova’”.

E completa:

“Na verdade, existe uma frente libertadora prostestante de grande significação no processo global da prática libertadora e da reflexão que se constrói a partir dessa prática. Cabe agora perguntar em que medida Lutero pode colaborar nessa missão”.

E explica que:

“A Reforma do século XVI teve o duplo caráter de revolução social e revolução religiosa. As classes populares não se sublevaram só contra a corrupção do dogma e os abusos do clero. Também se levantaram contra a miséria e a injustiça. (…) Ante o campo específico (religioso) dentro do qual se movia, Lutero efetuou um grandioso processo libertador. Será ele para sempre uma referência obrigatória para todos os que buscam a liberdade e sabem lutar e sofrer por ela”. Por isso Lutero insurgiu-se tanto contra o que ele chamava de “tirania do papa”, rebelde que era (que “se sublevou, em nome do Evangelho, contra a prepotência do poder sacro”; e por isso Francisco recusou as insígnias papais, quando eleito, apresentou no balcão da Basílica de São Pedro, curvando-se para o povo, e dize ndo: “começamos hoje um novo caminho”.  

É de 1975 o primeiro artigo de Leonardo Boff escrito como precursor do que será, mais tarde, o programa de Francisco: “A não-modernidade de São Francisco. A atualidade do modo de ser de S. Francisco face ao problema ecológico”. O pensamento e a práxis de Francisco ecoam as palavras de Boff:

“Para nós, que vivemos na América Latina, o Evangelho necessita ser vivido de forma libertadora, a fé como produtora de um compromisso com os mais necessitados a partir da experiência da misericórdia primeira de Deus e da renovação espiritual como uma mística que uma fé e política e construa a comunidade a partir de baixo, dos mais humildes”.

O fato é que Boff acredita piamente nisso. E Francisco, a seu modo, também. Ambos estão convencidos disso. Enquanto o primeiro é ideólogo, o segundo é executor, alçado ao mais alto posto da Igreja, para cumprir esse programa libertador. E com esse ímpeto, exortou os jovens na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, com o apelo: “Sejam revolucionários!”

 

21 outubro, 2016

Um Nobel da Paz infame.

Nobel da Paz dado a Juan Manuel Santos tenta prestigiar um acordo controverso, que os setores progressistas da Igreja apoiam, mas não conta o apoio da população colombiana.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com: Na sexta-feira, 7 de outubro de 2016, o Comitê Nobel da Noruega concedeu o Prêmio Nobel da Paz ao presidente colombiano Juan Manuel Santos, pelo seu acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), acordo este rechaçado pela população colombiana em plebiscito ocorrido dias antes, em 2 de outubro, mas apoiado pelo papa Francisco, “que teve um ‘papel significativo’ no acordo de paz.”1 No mesmo dia, um segundo raio caiu sobre a Basílica de São Pedro, do mesmo modo ao que outro raio havia caído no mesmo local, no dia da renúncia do papa Bento XVI.

juan-manuel-santosA Igreja Católica na Colômbia festejou o acordo de paz assinado em 27 de setembro, e parabenizou Santos. O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Parolin, esteve presente na cerimônia de assinatura do acordo de paz, como também o núncio apostólico, Dom Ettore Balestrero, e o Presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, Dom Luis Augusto Castro de Tunja. Com o acordo, as FARC obtiveram muitos benefícios, dentre eles, a anistia dos crimes cometidos por tantos guerrilheiros e a transição para a vida política legal, favorecendo-os para avançar o projeto de poder do Foro de São Paulo na América Latina.

O acordo foi estrategicamente importante para os objetivos do Foro de São Paulo, no afã de consolidar o projeto de poder da Pátria Grande socialista, a tão sonhada integração latino-americana desejada por Fidel Castro, e os governantes e intelectuais de esquerda. O acordo de paz foi forjado pelos irmãos Castro, em Cuba, pronto para ser executado desde fevereiro de 2012, com anuência de Santos, e todas as forças do internacionalismo de esquerda. No dia 23 de agosto daquele ano o governo colombiano afirmou que faria de tudo para obter o acordo de paz com as FARC.

Dez anos antes, o sentimento do episcopado colombiano em relação às FARC não era o mesmo. Já não se ouviam mais vozes corajosas como a do arcebispo Isaías Duarte Cancinona, assassinado em Cali, em 2002, dentre tantos outros clérigos mortos pelo guerrilheiros das FARC.  Duarte “criticou o então presidente, Andrés Pastrana, por suas tentativas de dialogar com as FARC, alegando que negociar com a principal guerrilha do país era absurdo já que a organização se recusava a cessar fogo durante as conversações.”2 É certo que muitos queriam por termo às guerrilhas e chegar a um acordo de paz (inclusive a Igreja), mas não um acordo de paz forjado pelos cubanos (também em sintonia de Juan Manuel Santos e Hugo Chavez) e fosse condescendente com os guerrilheiros, o ferecendo inclusive vantagens que o favorecessem a não apenas se manterem com poder, mas ampliá-lo. Mas dez anos depois do assassinato de Duarte, o episcopado colombiano parece ter capitulado ao acordo de paz imposto pelos irmãos Castro e o Foro de São Paulo, como lembrou Graça Salgueiro3, o art. 32 da “Declaração de Caracas”, da Resolução Final do XVIII Encontro do Foro de São Paulo:

“El Foro de Sao Paulo expresa su apoyo al proceso de paz en Colombia, donde sigue vigente la lucha por una solución política al conflicto armado, la paz con justicia social y por un nuevo modelo económico y social que garantice los derechos humanos y la protección de la naturaleza, y decide conformar una comisión representativa de los movimientos y partidos políticos del Foro de Sao Paulo, que de común acuerdo con los partidos y movimientos colombianos, visite al país y proponga una agenda de estudio, de contactos y apoyo para los propósitos unitarios.”4

E também ressaltou Graça Salgueiro que:

“…com a aprovação da lei “Marco Legal para a Paz”, conhecida como ‘lei da impunidade’, os terroristas das FARC não têm mais com o que se preocupar em sua sanha assassina, que tem o total apoio do FSP. Não custa lembrar que em 2008 o próprio Lula advogou para que as FARC viessem a se tornar um partido político legalizado, e essa lei vem para provar isto. Segundo um documento elaborado pela Universidade Sergio Arboleda, as FARC voltaram a dominar 50 novos municípios de onde já haviam sido expulsas pela Força Pública em anos anteriores (no governo de Uribe), sendo 155 localidades afetadas pela violência terrorista. Hoje, o Cauca já é conh ecido como o “novo Caguán”, onde comunidades inteiras estão sendo expulsas pelas FARC, que participaram legalmente do último encontro do FSP e falavam cinicamente de “propostas de paz.”5

E ainda em 2012, explicou que:

“É imperioso se observar que são as FARC quem estão determinando TUDO acerca desse “acordo de paz” que será feito em Cuba, tendo como “garantidores” a Venezuela de Chávez e os Castro, de que tudo o que for acordado será rigorosamente cumprido”. [http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13363-farc-os-novos-qdonosq-da-colombia.html  O fato é que o acordo, efusivamente aprovado pela Igreja Católica na Colômbia, e rechaçado pelo povo colombiano, favorece os que cometeram crimes no passado recente e não foram punidos, e cria condições políticas para um projeto de poder contrário aos princípios e valores cristãos, como salientou Salgueiro, em 2012:  “Só quem está aprovando são aqueles que se beneficiarão com a impunidade, ou seja, as FARC e seus seguidores como os tais ‘Colombianos pela Paz’, ONG criada pela porta-voz das FARC ‘Teodora de Bolívar’, os políticos ‘ex’ terroristas, os ‘padres’ comunistas e a Justiça a serviço dos terroristas de todos os matizes.”6

E finalmente, quando ainda começavam as negociações do acordo de paz, já se sabia que Santos fez tudo o que fez também pelo afã do Nobel da Paz: “É estarrecedor o que Santos está tramando contra seu próprio povo, apenas para satisfazer sua vaidade pessoal desmedida e doentia de reeleição ou Prêmio Nobel da Paz, sem levar em consideração que deu às FARC um status de Estado dentro do próprio Estado Colombiano, uma vez que as reconhece como um ‘interlocutor’ legítimo com o qual se possa negociar. Isto é crime de lesa-pátria e é como traidor que ele será lembrado pela história!”7

Diante de tudo isso, o presidente da Conferência Episcopal Colombiana afirmou estar “muito feliz”8 com o Nobel da Paz, “como estão felizes todos os colombianos”. O que não é verdade, porque o povo colombiano rechaçou o acordo de paz no plebiscito de 2 de outubro.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida. 

Notas: 

  1. http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2016/08/31/papa-francisco-elogia-acordo-de-paz-com-as-farc-na-colombia.htm
  2. https://dialogo-americas.com/pt/articles/lider-das-farc-condenado-pelo-assassinato-de-arcebispo
  3. http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13237-santos-as-farc-e-o-foro-de-sao-paulo.html
  4. http://forodesaopaulo.org/xviii-encuentro-del-foro-de-sao-paulo-declaracion-de-caracas/
  5. http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13237-santos-as-farc-e-o-foro-de-sao-paulo.html
  6. http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13377-as-farc-ja-mandam-na-colombia.html
  7. Ibidem.
  8. http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/internacional/nobel-da-paz-igreja-catolica-na-colombia-felicita-presidente-do-pais-pela-distincao/
  9. Ibibem.

 

5 outubro, 2016

Apontamentos sobre a campanha municipal de 2016.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Ainda no começo do ano, munícipes me paravam na rua para dizer: “você precisa sair candidato a prefeito”. Mas eu respondia que eu já havia aceitado esse desafio em 2012, e a experiência mostrou que eu não tinha recursos financeiros para isso, e muito menos porque não tinha popularidade, e sem ser popular não alcançaria os votos necessários. (1)

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Além disso, conseguira me eleger vereador e presidente da Câmara, em 2009-2010, sem populismo, nem clientelismo. Mas para o Executivo Municipal, numa cidade pequena com pouco mais de dez mil habitantes, com um número de eleitores um pouco mais de seis mil, era preciso chegar a três mil votos. E sem clientelismo, não há como obter. O máximo que eu poderia buscar, novamente, era voltar para a Câmara Municipal, para prosseguir com a missão do nosso Movimento Legislação e Vida. Mas nem isso era garantido, porque eu havia ficado sem mandato nos últimos quatro anos. “Mas saia de vice numa chapa, pelo menos”, sugeriu outro mais entusiasta. “Você precisa estar no Executivo”.

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9 agosto, 2016

Câmara dos Deputados promove encontro com Associação Nacional Pró-vida e Pró-família.

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A Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, realiza, com a Associação Nacional Pró -Vida e Pró-Família quarta-feira, 10 de agosto, o Seminário em Defesa da Vida e da Família ( com o tema “Afirmar a cultura da Vida e o valor da família”), com apoio do Deputado Diego Garcia (PHS-PR), que foi o relator do Estatuto da Família, aprovado pela Câmara, no ano passado.

O evento contará com a participação de especialistas na área de vida e família, que há anos acompanham as proposituras no Congresso Nacional, subsidiando parlamentares com informações atualizadas que favoreçam políticas públicas de valorização e promoção da família.

Para o Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e especialista em Bioética, a batalha pela defesa da vida e da família se tornou mais intensa, tendo em vista a ação de forças políticas, econômicas e culturais que, há décadas se voltam contra a família, forças estas representadas por fundações internacionais, que buscam disseminar uma cultura contrária à lei natural, explicitada, por exemplo, pela agenda de gênero, tema esse que será abordado pelo especialista argentino Dr. Jorge Scala.

Recentemente a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família divulgou uma petição pública pela Citizen Go requerendo a destituição da Profa. Flávia Pievisan, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, fato esse que será tema da abordagem do Prof. Hermes Nery: “O Direito à Vida, primeiro e principal de todos os direitos humanos”.

Um dos focos de atuação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família é evitar a legalização do aborto no Brasil. A Dra. Elizabeth Kippman, que também é especialista em Bioética, falará da questão do aborto no contexto internacional.

Participarão também do encontro, parlamentares da Frente em Defesa da Vida e da Família, o bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto, Dr. Paulo Fernando Melo Costa, Dra. Lenise Garcia, Tiba Camargo (da Comunidade Canção Nova), Mariângela Consoli de Oliveira (Presidente da Associação Guadalupe), Dr. Ubatan Loureiro, Liliane Vieira, o casal Marco e Susy Gomes (especialistas em planejamento familiar natural, da Arquidiocese de Brasília, Adrian Paz, de Belo Horizonte, dentre outros.
O evento é gratuito e ocorrerá no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, dia 10 de agosto,  das 9h às 18h.

Mais informações aqui.