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4 setembro, 2018

Lobby gay visa atingir o celibato.

Por Hermes Rodrigues Nery – FratresInUnum.com, 4 de setembro de 2018

Quando estive pela segunda vez em Roma, em 1998, deparei-me com padres que não eram apenas tolerantes com gays, que já naquela época usavam a retórica da misericórdia para justificar apelos velados, sutis, a uma prática que destoava claramente do ensinamento do Catecismo da Igreja Católica. Um deles chegou a insinuar que o Catecismo estava “fora da realidade”, e fez apologia a “avanços da ciência” buscando imprimir um relativismo para a aceitação do abominável, pois relatos de crianças abusadas por padres e bispos, crianças em sua vulnerabilidade (inclusive social), muitas delas com idade muito tenra, foram vítimas de abusos físicos, e isso é mesmo abominável. Quem está mais exposto à essa violência são as crianças, e atualmente a situação está mais grave do que na década de 90.

Quanto mais os padres relativizavam a dimensão moral da sexualidade humana, e quanto mais silêncio faziam de casos conhecidos (ad intra), mais o lobby gay se disseminava, visando evidentemente chegar ao estupor geral da sociedade (como o que estamos vivenciando agora), com as condições políticas criadas pelos promotores do gay power para justificar o ataque ao celibato clerical. Não é a toa que os novos escândalos emergem poucos meses antes do Sínodo PanAmazônico (2019), quando muitos querem colocar o celibato em discussão (muitos fazem campanha aberta contra o celibato), para que os bispos decidam por uma flexibilização que dê respaldo a decisões que esperam que o papa tome, em relação a isso. O lobby gay criou a crise, agudizou-a, e preparou o terreno para não apenas desmoralizar a Igreja, mas extenuá-la a tal ponto, para que os cardeais acabem dando anuência à “falsa solução” do fim do celibato. E mais: à total “transgressão deliberada”, como quis Michel Foucault.

As pressões também se intensificam, visando atingir ainda o sacramento da confissão, pois já há exigência pelo fim do sigilo dos confessionários. O alvo são os sacramentos. E cada vez mais os católicos se angustiam, atônitos, sem saber o que fazer diante de uma avalanche tão sofisticada de ataques visando destituir a Igreja de sua bimilenar identidade católica.

O caso Viganò é ponta do iceberg de uma convulsão que assola a Igreja, há décadas, sem que os católicos saibam o que fazer diante de tudo isso. O lobby gay tem sido uma das forças (entre muitas) visando a descatolização da Igreja: atingir o celibato e os sacramentos faz parte desse processo de corrosão da fé católica.

Com a internet, o lobby gay avançou mais célere. As tecnologias da comunicação ajudaram a disseminar o relativismo, e foi se perdendo o sentido do pecado. O pecado capital da luxúria passou não apenas a não ser mais visto como capital, mas até mesmo como pecado, pois membros do alto clero não se acanharam mais em fazer declarações em público sobre a necessidade da Igreja mudar sua visão sobre a homossexualidade, etc., até a controversa declaração de Jorge Mario Bergoglio: “quem sou eu para julgar?”

Para o bem da Igreja, apoio D. Viganò. Aplaudo a sua coragem e compromisso com a verdade. Aplaudo também os cardeais do “Dubia” (que até hoje ficaram sem resposta), aplaudo também os leigos os que perseveram na fé, em meio a mais dura tempestade jamais vista na história da Igreja, pois sabemos e cremos firmemente que temos Jesus Cristo, Nosso Senhor e Nosso Salvador, a quem São Pedro declarou: “A quem iremos Senhor? Somente tu tens palavras de vida eterna!”

* * *

Incrível como o processo de descatolização ocorreu muito rapidamente. Não esperávamos que a crise interna da Igreja (de segmentos que atuavam por dentro dela, nos intestinos da instituição) fosse capaz de produzir estragos tão incontáveis, com sacerdotes que não exerciam mais um pastoreio convincente, e o rebanho católico foi se dispersando cada vez mais.

Muitos fiéis esperavam de seus sacerdotes a defesa da solidez da doutrina católica, mas muitos adotavam o tom cada vez mais relativista, suscitando dúvidas, interrogações, questionamentos até, que deixavam os católicos atônitos e chocados. Parecia que uma “outra Igreja” emergia de dentro da Igreja, se impondo com mais força, acuando os católicos a aceitar posições e atitudes que destoavam de tudo aquilo que a Igreja ensinou durante dois mil anos. E ninguém sabia o que estava acontecendo. O fato é que do choque inicial, foi havendo uma certa acomodação, medo de se expor, até chegar a uma certa indiferença. Muitos dos que se chocaram foram embora, evadiram-se para outros grupos religiosos ou mesmo ficaram alheios. Os que permaneciam, em busca dos sacramentos, especialmente o da Eucaristia, sofriam cada vez mais o desconforto de não mais se reconhecerem irmãos da mesma fé, porque se tornava visível a cada dia o apagamento de sinais, de símbolos, de ritos, de tudo o que dava significado e sentido à vivência da fé católica. O que antes havia sentido de pertença, começou a haver um certo estranhamento. Os que queriam perseverar, sofriam cada vez mais uma nova espécie de perseguição, de martírio, de incompreensão, justamente por aqueles que se diziam católicos, que passavam a ocupar postos de decisão dentro da Igreja, e que acabavam por solapar (inicialmente de modo sofisticado, depois escancaradamente) a identidade católica. Parecia que o organismo da Igreja (o corpo da Igreja) havia sido tomado por algo estranho, por algo que havia dominado suas entranhas e que não era da sua essência e identidade, daí o estranhamento, principalmente após a renúncia do papa Bento XVI, dos fatos que sucederam. Tornou-se às vezes até perigoso evangelizar, aonde não havia mais comunidade (pois não se é cristão sozinho), e a atomização da sociedade trouxe perigos e vulnerabilidades, não havia mais elan e nem elo, quando um pouco mais de entusiasmo era tido por falta de realismo. E havia também quem tirasse proveitos da fragilidade de muitos, que com boa vontade, queriam dar o melhor de si.

O relativismo e as dissimulações ajudaram muito a esvaziar o sentido do Evangelho, à luz da fé católica, a desviar inclusive do que realmente propõe, a buscar uma ressignificação que parecia indicar uma “outra Igreja” mais palatável aos apelos da sociedade midiática, cada vez mais plural e atomizada. A catolicidade parecia estar reduzida a alguns guetos, mas a vocação do catolicismo é a universalidade, e não é da identidade católica manter-se em guetos. Mas o que estaria havendo nas paróquias e dioceses, com seus conselhos que mais pareciam células de uma organização política, conselhos ideologizados, impregnados de teologia da libertação e tantos outras influências estranhas à catolicidade? 

 

Muitas e muitas vezes, nos perguntamos: o que estará acontecendo? 

 

É evidente que havia sacerdotes e leigos, religiosas também, que buscavam dar o bom testemunho em fidelidade ao Evangelho, mas alguma coisa acontecia indicando que a Igreja do Catecismo não era aquela que víamos, no dia-a-dia, em meio a situações chocantes. “Menos dogma e mais pastoral”, diziam muitos. 

 

Não havia mais o ambiente cristão. Um bom sacerdote, que tinha bom zelo doutrinal, bom gosto, atendendo com solicitude e caridade a todos os que o procuravam, com muita bondade de coração, etc., deu-me de presente uma imagem muito bonita de São Miguel Arcanjo, defensor da vida, ao qual mantenho até hoje em meu escritório. Com tristeza eu soube do bispo emérito, que me ligou outro dia, dizendo, entre outros assuntos, que ele havia deixado o sacerdócio. E muitos haviam tombado, extenuados, eu mesmo, muitas vezes, sem saber o que estava acontecendo com a Igreja dos grandes santos, que o próprio Jesus prometera a São Pedro, de que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela.

(Trecho do livro “Um Raio na Basílica” – Apontamentos sobre a renúncia de Bento XVI, 3ª parte, de Hermes Rodrigues Nery).

6 agosto, 2018

Pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery em audiência pública sobre o aborto no STF.

AGENDA DO ABORTO ATENTA CONTRA A SOBERANIA NACIONAL E TEM COMO ALVO OS MAIS FRAGILIZADOS DA SOCIEDADE

Sra. Ministra Rosa Weber, relatora da ADPF-442, Sres. Ministros, demais autoridades, participantes dessa audiência pública e demais presentes.

unnamed.jpgChegamos ao final da segunda década do século 21, em meio a tantas possibilidades promissoras de melhorias nas condições de vida humana no planeta, com tão ricas potencialidades, e nos deparamos ainda com o principal desafio bioético da atualidade: vencer as forças de poder que não reconhecem que a pujança da vida deve ser abundância para todos, e que nenhum ser humano deve ser impedido do “direito à vida”. Mas o que vemos infelizmente é se agigantar uma “cultura da morte”, especialmente com a agenda do aborto, que obscurece as esperanças de um tempo em que deveríamos solenemente declarar a proteção e a inviolabilidade da vida humana, desde a concepção, porque a vida vale por inteiro, não só para alguns (para os mais fortes) e nem só em algumas fases.

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20 junho, 2018

Desafio do Legislativo é manter a defesa da vida, para evitar a legalização do aborto via Judiciário.

Íntegra do pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery na audiência pública sobre a ADPF 442, realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, em 30 de maio de 2018.

Exmo. Sr. Presidente desta mesa, Deputado Prof. Victorio Galli, autor do requerimento dessa audiência pública, expositores que fazem parte desta mesa, Dr. Rodrigo Pedroso, Prof.ª Lilia Nunes dos Santos, Dr. Leslei Lester dos Anjos Magalhães, e demais aqui presentes.

Caríssimos amigos,

Agradeço de modo muito especial o convite para participar desta audiência pública, na Câmara dos Deputados, aonde, mais uma vez, retorno a Brasília, em que por mais de doze anos o nosso Movimento Legislação e Vida se dispõe a atuar na defesa da vida e da família, também no campo legislativo. Parabenizo o deputado Diego Garcia pela iniciativa desta audiência pública, tendo em vista a hora grave em que vivemos, de debilidade das instituições, em que urge fortalecer a soma de esforços por um Brasil desenvolvido, com sã democracia.

hermesHá muitos anos, por conta de todo um trabalho de conscientização é que as pesquisas mostram com evidência que a maioria do povo brasileiro é contra o aborto, não aceita, de modo algum, a matança dos inocentes, do ser humano indefeso, no ventre materno, aonde ele deveria receber a maior acolhida. Daí que o Brasil tem feito diferença, pois que, no planejamento dos organismos e fundações internacionais que promovem o aborto, senhores deputados, eles tinham uma meta de até 2015 o aborto estar totalmente legalizado em nosso País, e eles não conseguiram atingir a meta. Eles achavam o Brasil seria um dos primeiros países a legalizar o aborto, mas até hoje eles se surpreendem com a reação da população, que diz um não retumbante a essa agenda da cultura da morte. E principalmente no campo legislativo, no Congresso Nacional, todas as proposituras apresentadas para matar o ser humano inocente e indefeso no ventre materno, foram rechaçadas com veemência. Em suma, os promotores do aborto sabem que no campo legislativo o aborto não passa. E então? O que é que está acontecendo agora? Os organismos internacionais (que fazem a pressão de fora, e usam as OnGs que atuam aqui no País) resolveram judicializar a questão do aborto. Por isso, desde 2005, estão atuando para viabilizar a legalização do aborto, via judiciária, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, em 1973, com a questão Roe x Wade.

Aqui no Brasil, levaram esta batalha para o Supremo Tribunal Federal, na estratégia do gradualismo, isto é, por etapas, para fazer a legalização do aborto via judiciária, não respeitando de modo algum o que o legislativo brasileiro, em todas as instâncias (municipal, estadual e federal) vem decidindo em favor da vida do nascituro. E então, na pior prática de ativismo judicial, quando um dos poderes (que é poder constituído e não constituinte), exorbita de suas funções, praticando assim uma violência institucional, pois o ativismo judicial tem sido utilizado (com uma forma de manipulação) para tirar as legítimas e democráticas prerrogativas do Legislativo.

Hoje, a judicialização da questão do aborto, sres. deputados, faz parte de toda uma estratégia desses organismos internacionais para solapar a soberania nacional, na medida em que enfraquece a ação do Legislativo (em todas as instâncias), para tornar o Supremo Tribunal Federal “o órgão mais poderoso da República”1, como reconhecem os especialistas tanto da direita, quanto da esquerda. Agora nesses dias, uma entrevista com o cientista político Christian Lynch, reconhece isso2. Utilizando-se de uma sofisticada hermenêutica jurídica, o Supremo Tribunal Federal vai tomando as pautas do Legislativo e impondo arbitrariamente decisões que violam as prerrogativas do Legislativo, como na questão do aborto também. Aqui na Câmara dos Deputados, há dez anos exatos, tivemos a histórica votação no dia 7 de maio de 2008, quando o PL 1135-91 foi derrotado na Comissão de Seguridade Social e Família, de modo esplêndido, por 33×03. Todos os deputados lá presentes, naquele dia, unanimemente, um a um, fizeram questão de dizer, alto e em bom tom: o seu sim à vida, contra o aborto.  E então, o STF passou a intervir, com as chamadas ADPFs, como agora está para ser votada pelos ministros, a ADPF 442, que quer estender o chamado “direito ao aborto” até a 12ª semana. O STF deverá fazer por esses dias uma outra audiência pública, mas as cartas estão marcadas, sres deputados. Já há até um congresso da FIGO para ensinar técnicas e práticas abortivas aos profissionais da saúde, porque eles contam que o STF vai aprovar o aborto até a 12ª semana.

Se formos considerar os votos dos ministros nesta e em outras questões, muito dificilmente será possível reverter esse processo. Pois o aborto estará sendo legalizado em nosso País, não pelo legislativo, mas pelo judiciário. Porta esta aberta sorrateiramente, há dez anos, desde a aprovação da ADIN 3510 (que autorizou o uso de células-tronco-embrionárias para fins de pesquisa científica), passando pela ADPF 54 (descriminalizando o aborto nos casos de anencefalia), e mais recentemente pelo HC 124.306, da 1ª turma do STF, visando estender a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação. No caso da HC 124.306, houve explícita extrapolação de competências, quando o ministro Luís Roberto Barroso, “em franca violação à tripartição dos poderes”4, passou a agir como “ carrasco da Constituição, ao invés de seu protetor”5, fazendo “imperar a ideologia em lugar da consideração da realidade dos fatos”6, “abortando a tripartição dos poderes”7, tripartição esta já esboçada por Aristóteles e consagrada por Montesquieu, que advertira: “tampouco existe liberdade se o poder de julgar não for separado do poder legislativo e do executivo. Se estivesse unido ao poder legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, pois o juiz seria legislador. Se estivesse unido ao poder executivo, o juiz poderia ter a força  de um opressor”8. Mas com o HC 124.306, houve uma “desconstrução de toda tradição”9 do Direito constitucional, uma “descarada invasão de atribuições do legislativo”10 e “uma declaração escancarada dessa legalidade e do acatamento de um viés ideológico específico sobre o tema do aborto”11. Por isso é imprescindível essa audiência pública, que “seja amplo com a manifestação da sociedade e de um poder com legitimação popular, que é o legislativo”12, que não só denuncie esse perverso ativismo judicial, que é um crime de lesa-pátria, cometido por aqueles que deveriam ser o máximos guardiães da Constituição, pois “não cabe ao STF e nem a juiz algum, simplesmente desconsiderar a legislação à qual está atrelado e que constitui um freio ao exercício arbitrário e caprichoso da função judicial”13.

Nesse sentido, o nosso Movimento Legislação e Vida (bem como a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e outros), sempre acreditou e defendeu que deve partir daqui, sres deputados, daqui do parlamento brasileiro, a firme decisão da defesa integral da vida humana desde a concepção (por isso defendemos a PEC pela Vida), daqui do parlamento os sres deputados tem o dever de colocar um dique a esta volúpia do STF por transgredir as prerrogativas constituintes desta casa de Leis, ao qual o STF deve se submeter à obediência da lei, e não – como tem feito – em meio às retóricas – subjugar a lei ao arbítrio de convicções ideológicas inumanas. Por isso, sres. deputados, há aqui tramitando nesta Casa de Leis, o PL  4754/2016,que justamente é o instrumento adequadíssimo para deter esse abuso, e evitar que os togados continuem cometendo o crime de lesa pátria. Mas esse crime que está sendo cometido precisa ser explicitado na Lei 107914, como o 6º crime de responsabilidade, aos já previstos no art. 39.  Por isso o PL 4754, acrescenta aos 5 crimes de responsabilidade, que podem ser cometidos pelos Ministros do STF, uma sexta possibilidade: o de “usurpar competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo”15. Isso é de uma tão grande importância, sres deputados, que precisa ser prioridade nos trabalhos desta Casa de Leis, os deputados propositores deveriam trabalhar prioritariamente para a aprovação desta relevantíssima propositura. E aí, sres deputados, é preciso agora agregar todos os esforços, nesse sentido, ainda nesta legislatura, para que haja a garnatia da tripartição dos poderes, a garantia do direito a vida desde a concepção, e da democracia brasileira.

Muito obrigado.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislacão e Vida e Presidente da Associação Nacional Pro-Vida e Pro-Família.

Notas:

  1. Sanches, Mariana, “‘O Supremo tornou-se hoje o órgão mais poderoso da República’, diz cientista política”, entrevista com Christian Linch. [ http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44013517]
  2. Ibidem.
  3. “Foi uma vitória e tanto…” [ http://juliosevero.blogspot.com.br/2008/05/foi-uma-vitria-e-tanto-nunca-vi-isso.html
  4. Cabette, Eduardo Luiz Santos, “Aborto até o terceiro mês de gestação: crítica ao posicionamento do STF”, Capítulo 9, “Precisamos falar sobre o aborto, mitos e verdades”, Estudos Nacionais, 2018.
  5. Ib. p. 289.
  6. Ib. p. 290.
  7. Ibidem.
  8. Ib. p. 291.
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. Ib. pp. 292-293.
  12. Ib. p. 294.
  13. Ib. p. 294.
  14. Lei 1079: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L1079.htm
  15. PL 4754/2016: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1443910HYPERLINK “http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1443910&filename=PL+4754/2016″&HYPERLINK “http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1443910&filename=PL+4754/2016″filename=PL+4754/2016
19 abril, 2018

“O que queremos é a coerência entre Palavra e Vida”.

Íntegra do pronunciamento feito pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery a uma comissão de bispos, com a presença do Presidente da CNBB, Cardeal Dom Sérgio da Rocha, durante a 56ª Assembleia Geral dos Bispos:

Senhores Bispos e Cardeais,

Nós, CATÓLICOS, religiosos e leigos, pertencentes ao Movimento LEGISLAÇÃO E VIDA, vimos a presença de Vossas Excelências Reverendíssimas para solicitar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), neste “Ano do Laicato”, dê atenção especial às graves denúncias que vêm sendo feitas sobre a instrumentalização política da Igreja para fins contrários à sã doutrina, e que exigem providências de esclarecimentos, o quanto antes. Estamos aqui representando muitos grupos de leigos católicos, também das redes sociais que nos procuraram, para vir pessoalmente expressar as inquietudes e apreensões de muitos católicos, e de diversas partes do País, que diante de tantos fatos expostos, de abusos cometidos, esperam dos bispos respostas claras sobre questões que precisam ser esclarecidas, para haver a coerência necessária entre Palavra e Vida, que todos nós, desejamos, enquanto fiéis católicos.

Dom Sérgio da Rocha e Hermes Rodrigues Nery.jpg

A cada dia cresce a indignação, a insatisfação, o mal-estar até, de muitos leigos, cada vez mais confusos com discursos ambíguos, atitudes incoerentes de muitos clérigos e agentes pastorais que ocupam postos de decisão na Igreja, especialmente pela falta de sintonia de tais discursos e atitudes com o Magistério da Igreja, e de modo mais preocupante, a instrumentalização política de pastorais e organismos eclesiais, para fins contrários aos princípios e valores da sã doutrina católica. Tudo isso vem se acumulando há décadas, mas chegando a um ponto de “perigo iminente” de fraturas no corpo da Igreja, com consequências danosas, já antes sinalizadas com a evasão dos fiéis. Os que ficaram resistem, com dificuldades crescentes, abandonados muitas vezes pelos pastores, que preferem o “politicamente correto”, ou os eufemismos de linguagem para disfarçar condutas que chocam cada vez mais os fiéis, especialmente os mais conscientes da verdadeira “missão profética da Igreja”. E aqui, recorrendo a Bento XVI: “Às vezes, abusa-se dessa expressão. Mas é verdade que a Igreja nunca deve, simplesmente, pactuar com o espírito do tempo. Tem de denunciar os vícios e os perigos de uma época; tem de interpelar a consciência dos poderosos, mas também dos intelectuais e daqueles que vivem, de coração estreito e confortavelmente, ignorando as necessidades da época etc. Todo bispo deve sentir-se “obrigado a cumprir essa missão”, pois são “flagrantes os déficits”: “desânimo da fé, diminuição das vocações, queda do nível moral, sobretudo entre as pessoas da Igreja, tendência crescente da violência e muitas outras questões”1. E ainda: “Lembro-me sempre das palavras da Bíblia e dos Padres da Igreja, que condenam, com grande severidade, os pastores que são como cães mudos e que, para evitar conflitos, deixam que o veneno se espalhe. A tranquilidade não é a primeira obrigação de um cidadão, e um bispo que estivesse interessado em não ter aborrecimentos e em camuflar, se possível, todos os conflitos, é para mim, uma ideia horrível”2.

Por isso, nós leigos, estamos aqui para dizer que as coisas não estão bem. Há muitos simulacros hoje dentro da Igreja. E a água está chegando à beira do balde. Temos o dever de fazer o alerta, e de exortar os bispos a não deixarem de dar a devida atenção àqueles que realmente tem compromisso e amor à Igreja. Por isso estamos aqui, para requerer dos bispos que aceitem tratar das questões espinhosas, para que tais espinhos não façam ferir ainda mais (e mais gravemente) o corpo da Igreja. Pois é certo, e os fatos comprovam com evidência, que nesse campo, a teologia da libertação (ou as “teologias da libertação”, pois há muitas faces dessa distorção) é hoje com mais força, um desses venenos, um câncer, um pus, dentro da Igreja, e se os bispos não tiverem a coragem de extirpar esse pus, os padecimentos serão ainda maiores. Os leigos sabem reconhecer o joio do trigo, senhores Bispos, e sabem que grassa mais joio do que trigo, e que não dá mais para dissimular o joio, e que as redes sociais não se calarão diante das incoerências e até das vilezas dos que se utilizam da Igreja para fins nada cristãos.

Durante muito tempo questionamos os motivos pelos quais tantos padres e bispos se silenciam diante do aparelhamento ideológico, deixando que paróquias e movimentos (Pastorais sociais, da juventude, etc.) fossem utilizados como espaços de propagação da teologia da libertação, que não havia sido minada, pelo contrário, era disseminada por outros meios (inculturação, ecumenismo, ecologismo e tudo mais), com padres e até bispos agindo como intelectuais orgânicos, gramscianos para difundir uma “outra Igreja” que não a católica. E o que vimos, ao longo de décadas, foram paróquias e movimentos se descaracterizarem, perderem a sua identidade católica, para servir a um projeto de poder que visa destruir a verdadeira fé. Os fatos mostram com evidência que a Igreja da América latina se comporta como braço social de partidos socialistas, há décadas. E o socialismo é condenado pela Igreja, desde o papa Pio IX. E mais: muitos clérigos abandonam os fiéis quando o socialismo irremediavelmente falha, com nos casos da Venezuela e de Cuba. Com o relativismo, o discurso de muitos foi ficando cada vez mais ambíguo, justificando assim uma subversão inimaginável.

Por isso, solicitamos aos bispos, que seja formado um Grupo de Trabalho ou uma Comissão de leigos e bispos, para o mapeamento dessa situação, o levantamento dessas questões que afligem os leigos e que levou, e que há anos o nosso Movimento vem denunciando e outros, por exemplo, o jovem Marco Rossi a denunciar, e outros que vem se manifestando para expressar a indignação de muitos, quanto aos abusos cometidos, como recentemente o youtuber Bernardo Kuster, em vários vídeos, expôs fatos graves, cuja realização do 14º intereclesial motivou tais denúncias e cujas respostas são aguardadas, com clareza.

“As perguntas do tipo [diz Kuster]: por que aqueles temas, aquela abordagem sobre gênero nas cartilhas da Via Sacra, que a CNBB fez, por exemplo, aquele apelo excessivo ao desarmamento que a CNBB fez nas cartilhas também da Via Sacra, que vai contra o Catecismo da Igreja Católica? Por que por exemplo, aquela nota que a ABONG emitiu e a CNBB não respondeu. A ABONG disse, no dia 26 de fevereiro, que ela mesmo administra os recursos da Campanha da Fraternidade, que ela recebe, e não a Plataforma, como disse a CNBB. A isso a CNBB também não respondeu, precisa dar explicações. Porque mandou dar dinheiro para uma organização favorável ao aborto, ao casamento homossexual, à liberação sexual, a reforma agrária, não do jeito correto, mas do jeito socialista? Ela precisa dar uma explicação sobre os repasses ao grupo Esquel, que é administrado pela ABONG, pelo MST, pela Cáritas, e a CNBB tem que responde também perguntas sobre a Cáritas. Por que a Cáritas tem como parceiro e apoiadores, empresas e organizações internacionais como a Fundação Ford, que notadamente trabalha contra a Igreja? Eles receberam milhares de dólares, nos últimos anos, e isso precisa sim de uma explicação. A CNBB precisa responder por exemplo, os repasses de 2013, que eu levantei em meus vídeos, que a CNBB passou dinheiro para sindicatos de trabalhadores. Por que isso CNBB? Isso não está respondido.” E ainda: “Os abusos litúrgicos cometidos no 14º Intereclesial, a excessiva e patente politização no 14º intereclesial, a isso a CNBB não respondeu. A completa omissão da CNBB, em relação à corrupção dos partidos como o PT, o PP, o PMDB, e os políticos que se dizem católicos envolvidos nisso, a CNBB também não se manifestou, o próprio documento da CONIC, da “Hospitalidade Eucarística”, que certamente coloca em dúvida a fé dos fiéis, causando confusão a respeito de sacrifício, a respeito da transubstanciação, a respeito da co-celebração, do ecumenismo, e ainda relacionado ao CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), aqueles dois milhões que não foram prestadas as contas, cujo tesoureiro da CONIC, é da CNBB. A CNBB precisa explicar aquela afronta ao sacerdócio católico, naquele evento da quadragésima romaria da terra, no Rio Grande do Sul, em que duas pastoras celebraram uma missa, com vários bispos, como já foi denunciado no Brasil inteiro. A isso a CNBB tem que responder.”

Senhores bispos!

Estas questões, na verdade, são apenas pontas de um iceberg, de uma problemática muito mais vasta e mais profunda, que as informações que estão disponíveis hoje (e que cada vez mais um número crescente de pessoas tem acesso) levam os fiéis católicos às angústias e aflições, pois as evidências são cada vez mais claras do quanto a Igreja, aparelhada ideologicamente, vem sendo instrumentalizada para fins políticos contrários à sã doutrina católica.

Isso tudo precisa de um basta.

O que queremos é a coerência entre Palavra e Vida, fidelidade ao Evangelho, ao Magistério, ao Catecismo. A evasão de fiéis e as baixas nas contribuições se acentuarão se novas e mais denúncias vierem à tona.

Por isso, requeremos que seja feita uma Comissão de leigos e bispos para o aprofundamento dessa situação, e que deem respostas concretas aos questionamentos feitos, e ainda, quanto aos recursos financeiros, para que haja inteira transparência da destinação de tais recursos, propomos inicialmente que haja um Portal da Transparência, para que os fiéis católicos tenham informações precisas da destinação e origem dos recursos financeiros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, evitando assim o financiamento de OnGs e entidades que defendem princípios e valores contrários à fé católica.

Esperamos dos bispos respostas claras sobre as questões aqui colocadas, atendendo o nosso apelo pelo bem da Igreja que amamos, enquanto batizados, desejamos ser fiéis ao Evangelho, para o nosso bem e salvação.

Prof. Hermes Rodrigues Nery

Coordenador do Movimento Legislação e Vida

Notas:

1. Ratzinger, Joseph, O Sal da Terra, p. 67, Imago Editora, 1997, Rio de Janeiro.

2. Ibidem.

3. Kuster, Bernardo, Considerações sobre as Notas relacionadas à CNBB:https://www.youtube.com/watch?v=pezZ0WkxZIw

 

8 março, 2018

Urge que os leigos sejam ouvidos.

 
As denúncias feitas pelo site Paraclitus do desvio de finalidade na utilização de recursos doados pelos fiéis católicos à Campanha da Fraternidade (recursos estes repassados para entidades com atuação contrária á fé católica), repercutidas depois pelos vídeos de Bernardo Kuster, expuseram o mal-estar crescente entre os católicos (especialmente jovens) da postura de muitos bispos (nem todos, evidentemente) na omissão e na cumplicidade de males que grassam no seio da Igreja, e que os leigos não sabem o que fazer para conjugar Palavra e Vida, na missão evangelizadora, em nossos dias. 

O fato é que a água chegou à borda do balde, e se os bispos continuarem tíbios diante dessa situação, agravarão ainda mais os problemas. Urge que o tema seja debatido na próxima Assembleia da CNBB, e que os leigos enfim possam ser ouvidos, especialmente os que tem anos de vivência, na difícil caminhada da fé, dentro da Igreja. E que apesar de tantos dissabores e padecimentos, perseveram na fé católica.
 
Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida
8 fevereiro, 2018

Bispos ignoram danos do Lulopetismo e da Teologia da Libertação no corpo da Igreja do Brasil.

Por Hermes Rodrigues Nery

FratresInUnum.com – 8 de fevereiro de 2018: Depois do escandaloso 14° Encontro Intereclesial de CEBs, ocorrido em Londrina, PR, com atos e cenas bizarras que chocaram a tantos católicos em diversas partes do País, o Arcebispo de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, em pronunciamento gravado e divulgado nas redes sociais, adotou o tom “politicamente correto” para rechaçar as abundantes críticas (especialmente de leigos) ao evento escancaradamente ideologizado e partidarizado. As palavras de Dom Peruzzo, eivadas de retórica, não convenceram, ignorando o sentimento de milhares de católicos que já não sabem mais o que fazer para estancar o lulopetismo dentro das paróquias e movimentos, que através da nefasta teologia da libertação, vem ainda causando graves danos ao corpo da Igreja.

lula missaEm março de 2016, estive pessoalmente conversando com vários bispos (inclusive na Assembléia da CNBB), sobre o modo como setores progressistas instrumentalizam a Igreja para fins políticos contrários ao ensinamento da sã doutrina moral e social católica. Na ocasião, o Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer foi enfático em dizer que a Igreja não toma posições partidárias (o mesmo tom adotado por Dom Peruzzo), também ignorando os efeitos danosos do lulopetismo nas paróquias e dioceses. Escrevi uma “Carta aos Bispos do Brasil”, fazendo um apelo “a cada membro do episcopado brasileiro, para que em cada Diocese haja uma posição clara e firme em relação aos graves danos que o Partido dos Trabalhadores (PT) causou à Igreja Católica e à nação brasileira nestas últimas décadas, especialmente nos últimos treze anos à frente do governo. Um partido que chegou aonde chegou com a conivência, a cumplicidade, a omissão (e até o favorecimento) de muitos bispos, seduzidos pela retórica do populismo e pela demagogia.” Dizendo ainda que “era preciso ter havido coragem para denunciar o PT como um partido revolucionário, de ideário socialista, aliado de governos comunistas e ditatoriais (especialmente Cuba), que emergiu com a bandeira da ética para chegar ao poder e depois dilapidar o estado brasileiro, aparelhando as instituições e implementando a agenda anti-vida e anti-família das fundações internacionais, a agenda abortista, etc. E tudo isso com a complacência do clero progressista da CNBB, e através de ONGs e pastorais atuando no seio da igreja, dos teólogos da libertação, e de toda sorte de infiltrados.”

Não somente a “Carta aos Bispos”, como o corpo-a-corpo feito com bispos durante a Assembléia da CNBB, daquele ano, foram totalmente ignorados, desprezados. Foi então que percebi que não adiantava denunciar o que ocorria de grave em tantas paróquias cúmplices da teologia da libertação e do lulopetismo. As denúncias eram feitas e ignoradas. Os apelos eram feitos e desprezados. Como, por exemplo, quando solicitamos providências a Dom Walmor de Oliveira em relação ao caso Van Balen, quando exigimos o cancelamento de palestra feita por abortista em uma faculdade católica, quando requeremos de Dom Manoel Carral Parrado providências para afastar o Padre Paulo Bezerra, etc.

Pareciam inúteis os esforços, os apelos, as denúncias, etc. O que recebíamos? Em vez de palavras de ânimo e apoio, na defesa da sã doutrina católica (o pastoreio firme na defesa da fé e da vida), eram o riso, o escárnio, o desprezo, pois que muitos bispos continuavam confortavelmente coniventes em ver espalhada a cizânia da teologia da libertação (sob diversas formas e aspectos), principalmente nos conselhos paroquiais e diocesanos.

Durante muito tempo questionamos os motivos pelos quais tantos padres e bispos se silenciavam diante do aparelhamento ideológico, deixando que paróquias e movimentos (Pastorais sociais, da juventude, etc.) fossem utilizados como espaços de propagação da teologia da libertação, que não havia sido minada, pelo contrário, era disseminada por outros meios (inculturação, ecumenismo, ecologismo e tudo mais), com padres e até bispos agindo como intelectuais orgânicos, gramscianos. E o que vimos, ao longo de décadas, foram paróquias e movimentos se descaracterizarem, perderem sua identidade católica, para servir a um projeto de poder que visa destruir a verdadeira fé. Com o relativismo, o discurso de muitos foi ficando cada vez mais ambíguo, justificando assim uma subversão inimaginável.

Mas, o mais grave nisso tudo, ainda não foi desvendado. Quem banca esse processo? O que pensar da Caritas, por exemplo, financiada pela Fundação Ford? Pois o lulopetismo  ainda se mantém, apesar de tudo o que a Operação Lava Jato expôs ao País, porque padres e bispos são beneficiados financeiramente. Uma Lava Jato em muitas paróquias e movimentos revelaria muita coisa. Certamente, muitos padres intelectuais orgânicos também terminariam seus dias na cadeia. O fato é: o que fazer diante de tudo isso? Como desaparelhar a Igreja, se bispos tomam à frente em defesa, muitas vezes, do indefensável. Enquanto tais setores da Igreja, no Brasil, estiverem reféns do lulopetismo e da teologia da libertação, o corpo da Igreja, no Brasil, estará padecendo tão grave enfermidade, a requerer remédios amargos, que os bispos procrastinam, para angústia dos católicos.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida

1 fevereiro, 2018

CEBs foram resgatadas por Jorge Mario Bergoglio, em 2007, no Documento de Aparecida.

Por Hermes Rodrigues Nery – FratresInUnum.com, 1º de fevereiro de 2018

A base de todo o pontificado de Francisco já estava contido no “Documento de Aparecida”, principalmente em pontos que haviam sido suprimidos ou minimizados pelas autoridades vaticanas na época.

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O então Cardeal Jorge Mario Bergoglio e o Papa Bento XVI, durante a V Conferência do CELAM, em Aparecida, em 2007.

Uma das tônicas de Jorge Mario Bergoglio, em várias de suas posições, ainda enquanto arcebispo de Buenos Aires (em contraponto ao pensamento de muitos prelados), é a de que “a realidade é mais importante do que a ideia,  pois esta não passa de uma interpretação daquela”1. E esse conceito ele quis imprimir no Documento de Aparecida, cuja publicação acabou sendo autorizada, por Bento XVI, em 29 de junho de 2007, depois de várias alterações feitas no texto original, mudanças estas suprimidas, mas depois retomadas por Bergoglio durante seu pontificado. Por exemplo: a revalorização das chamadas “Comunidades Eclesiais de Base”, tão defendidas pela teologia da libertação, resgatadas pelo Documento de Aparecida: “Queremos decididamente reafirmar e dar novo impulso à vida e missão profética e santificadora das CEBs”2. Elizabeta Piqué ressalta que por meio do documento final da V Conferência do CELAM, Bergoglio “conclama a uma missão continental permanente e ratifica a opção preferencial pelos pobres”3, documento este que “representará o programa de ação do pontificado de Francisco”4.

E também, dentre os muitos pontos rechaçados pelas autoridades vaticanas no Documento de Aparecida, emergidos depois por Francisco, houve uma melhor aceitação de aspectos do pensamento de Leonardo Boff, condenados por Joseph Ratzinger, em 1984. Como ressalta Mauro Lopes: “O moto das punições a Boff: seu livro Igreja, Carisma e Poder (1981) –não sem uma ponta de ironia amarga, as teses do livro foram assumidas e radicalizadas pelo Papa Francisco, mais de 30 anos depois.”5

Se no conclave de 2005, Bergoglio havia despontado como a principal força anti-Ratzinger (com seus 40 votos), um grupo cada vez maior de apoiadores progressistas continuou dando-lhe respaldo, para, aos poucos, alargar suas possibilidades em posições estratégicas no complexo tabuleiro político entre os cardeais.

Ainda no ano 2000, por ocasião do “Grande Jubileu”, um grupo de prelados progressistas latino-americanos,  “começam a insistir na possibilidade de fazer uma quinta conferência no CELAM”6, dentre eles Cláudio Hummes, Oscar Rodriguez Maradiaga e Jorge Mário Bergoglio, conversavam nesse sentido. Em fevereiro de 2001, os três se tornaram cardeais, no mesmo consistório. E também Walter Kasper e Karl Lehman.  “Foi o momento em que a Europa perdeu o seu lugar dominante no Colégio Cardinalício”7. Naquele consistório, tornou-se cardeal também o argentino Jorge María Mejía, que foi fundamental para fazer de Bergoglio, “um bispo em 1992 diante da oposição na época encabeçada pelo secretário de Estado, o Cardeal Angelo Sodano8. Fato curioso foi Mejía “teve um ataque cardíaco no dia em que Francisco foi eleito”, e “morreu em Roma em 2014, tendo vivido para ver uma mudança de era”.9

A “mudança de era”10, sem dúvida começou com a “turma de 2001”11. No primeiro Sínodo em que participaram, como cardeais, em maio daquele ano, “o centralismo vaticano e a decadência da cultura curial romana foram tópicos constantes de debate”12, como também no Sínodo de outubro. Jorge Mário Bergoglio começou então a ser notado pelos cardeais, quando o Edward Egan, arcebispo de Nova York teve de retornar aos Estados Unidos, em meio ainda à comoção do “11 de setembro” (com o ataque às torres gêmeas do World Trade Center), e Bergoglio foi quem o substituiu como relator-geral do Sínodo. Foi “o ponto de partida para a sua projeção internacional”13. A partir de então, foi designado para funções em diversos dicastérios vaticanos, dentre eles, a Pontifícia Comissão para a América Latina. Em 2005, seu nome despontou no conclave como o principal oponente de Joseph Ratzinger.  Mesmo assim, “há uma campanha política em andamento”14 contra Bergoglio. Cardeais como Angelo Sodano e tantos outros mais conservadores ficaram preocupados com o resultado do conclave de 2005, e muitos procuravam levar informações ao Vaticano sobre o passado de Bergoglio na Argentina, no intuito de evitar que ele angariasse mais apoio entre os cardeais.

O fato é que “a oposição contra Bergoglio se manteve até o conclave que o tornou o primeiro Papa latino-americano”15.  Havia uma outra visão de Igreja, que há muitas décadas vinha procurando se impor, de baixo para cima, dos subterrâneos da Igreja, das periferias do mundo, e que Bergoglio representava o anseio, especialmente nos tempos pós Concílio Vaticano II. Para Victor Manuel Fernandez, um dos mais próximos auxiliares de Bergoglio na V Conferência do CELAM, o que havia era um “outro ideal de Igreja, poderosa, triunfante, juíza do mundo”16 que já não podia mais se aceitar. Nesse sentido, desde a V Conferência do CELAM, Bento XVI (que muitos entendiam estar associado a este “outro ideal de Igreja”17, referido por Fernández, já não conseguia mais encontrar eco no próprio clero, cada vez mais progressista, mesmo suas homilias e pronunciamentos encontrarem acolhida entre os leigos do mundo todo, especialmente entre os jovens. Mas com o Documento de Aparecida, os bispos e cardeais começaram a difundir nas paróquias e dioceses, o modelo de Igreja apresentado por Bergoglio na V Conferência do CELAM.

Trecho do livro “Um Raio na Basílica”, Parte II, “Com Plena Liberdade”, de Hermes Rodrigues Nery, ainda sendo elaborado.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida.

NOTAS:

  1. BRIGHENTI, Agenor, “Documento de Aparecida: o texto original , o texto oficial e o Papa Francisco” [https://periodicos.pucpr.br/index.php/pistispraxis/article/viewFile/1318/1258]
  2. (Documento de Aparecida, nº 179)
  3. PIQUÉ, Elizabeta, Papa Francisco, Vida e Revolução, p. 127, Editora Leya, 2014, São Paulo.
  4. LOPES, Mauro, João Paulo II: os anos de terror na Igreja, Instituto Humanitas Unisinos, 24 de junho de 2017 [http://www.ihu.unisinos.br/eventos/565135-cardeal-de-bergoglio-marca-o-inicio-da-era-francisco
  5. PIQUÉ, Elizabeta, Papa Francisco, Vida e Revolução, p. 127, Editora Leya, 2014, São Paulo.
  6. Ibidem.
  7. LOPES, Mauro, João Paulo II: os anos de terror na Igreja, Instituto Humanitas Unisinos, 24 de junho de 2017 [http://www.ihu.unisinos.br/eventos/565135-cardeal-de-bergoglio-marca-o-inicio-da-era-francisco]
  8. Ibidem.
  9. Ibidem
  10. Ibidem
  11. Ibidem
  12. Ibidem
  13. PIQUÉ, Elizabeta, Papa Francisco, Vida e Revolução, p. 121, Editora Leya, 2014, São Paulo.
  14. Ib. p. 122.
  15.  Ib. p. 125.
  16.  Ibidem.
  17.  Ibidem.
9 novembro, 2017

A “perspectiva protestante” das “teologias da libertação”, como “parte da teologia moderna”.

Por Hermes Rodrigues Nery – FratresInUnum.com, 9 de novembro de 2017

Tanto na Mensagem de Natal à Cúria romana (2005), quanto à exposição que fez ao clero romano (em 14 de fevereiro de 2013), Bento XVI permaneceu convicto de que as incompreensões do Concílio Vaticano II se deram pelo modo como os mass media estimularam e se simpatizaram por “uma hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”1, causando confusão, “e também de uma parte da teologia moderna”2.

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Talvez esteja aqui, nessa colocação, o que aproxima e o que distancia Joseph Ratzinger do grupo que elegeu Jorge Mário Bergoglio, em 2013. Isso porque certos tradicionalistas dizem que tanto Ratzinger, quanto Bergoglio estão em sintonia com a mesma visão modernista de Igreja, a diferença está apenas no grau, sendo que Bergoglio mostrou-se disposto, desde o início a pisar no acelerador, por uma revolução sem precedentes, como um novo João XXIII.

Mas Bento XVI há muito havia colocado a mão no breque, aí talvez começou a se distinguir. Na sua exposição ao clero romano, Bento XVI associou a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”3 estimulada pelos mass media e também por “uma parte da teologia moderna”4.

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21 julho, 2017

Bento XVI rompe novamente o silêncio e retoma a imagem da barca em meio a tempestade.

Por Hermes Rodrigues Nery

FratresInUnum.com, 21 de julho de 2017 – Três acontecimentos recentes nos levaram a refletir novamente sobre o impacto da renúncia de Bento XVI, sua catequese e seu testemunho nos tempos convulsivos da atualidade. O primeiro foi o fato de que a página no Facebook dedicada ao secretário pessoal de Bento XVI, Dom Georg Ganswein, página que afirma ser por ele chancelada, não ter postado fotos da visita de Francisco a Bento XVI, por ocasião da comemoração do seu 90º aniversário, em abril. O segundo, dois meses depois: o encontro de Francisco e Bento XVI, que ocorreria de novo, amplamente divulgado (com fotos e vídeos), onde Bento XVI – muito frágil – afirmara aos cinco novos cardeais que o visitavam: “Sigamos com a Cruz, porém, ao fim, é o Senhor quem vence”. Enquanto alguns se indagavam sobre o significado daquela afirmação, naquele contexto, então ocorreu o terceiro fato que fez Bento XVI voltar a sair do silêncio, pouco mais de quinze dias depois: a morte do Cardeal alemão Joachim Meisner (um dos autores do Dubia), que fezBento XVI enviar uma mensagem especial para ser lida por Ganswein, nas exéquias de Meisner, onde destacou: “O Senhor não abandona a sua Igreja, mesmo se, às vezes, a barca esteja quase repleta a ponto de soçobrar.”

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26 junho, 2017

Conselho de Cardeais, coordenado por Maradiaga, propõe a descentralização da Igreja.

Por Hermes Rodrigues Nery

FratresInUnum.com, 26 de junho de 2017 – Em março de 2005, um sorridente Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, numa entrevista de televisão,1 dizia estar confiante de que um sopro do Espírito Santo “no momento oportuno”2, traria novamente uma abertura de janela, a exemplo do que ocorreu em 1958, com João XXIII, do mesmo modo, pois ele estava convicto de que haveria uma surpresa para a Igreja, no momento oportuno. Um papa latino-americano seria essa surpresa que Maradiaga (como também Leonardo Boff e tantos outros) tanto ansiavam?

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Cardeal Maradiaga

O fato é que Jorge Mário Bergoglio teve 40 votos, pouco mais de um mês depois daquela entrevista. E no conclave de 2013 recebeu “mais votos do que Ratzinger, em 2005. Ao fim são 88; só trinta cardeais não votaram nele”.3 Na mesma entrevista, Maradiaga se diz um entusiasta defensor da integração latino-americana, não somente econômica, mas política4, e tanto Maradiaga (o candidato a papa, preferido de Leonardo Boff, como ele mesmo expressou no programa de televisão, no dia da renúncia de Bento XVI5), quanto Bergoglio (eleito papa em 2013) eram defensores da integração latino-americana, do bloco regional conhecido por “Pátria Grande”, ideologicamente alinhado com o internacionalismo de esquerda.

Vendo entrevistas de Maradiaga e de Bergoglio no youtube5 (antes do conclave de 2013), percebe-se que o candidato a papa preferido por Boff, tem muito mais envergadura intelectual e desenvoltura de comunicação, e não se compreende por que Bergoglio acabou sendo escolhido pelas forças progressistas dentro da Igreja. Mesmo assim Maradiaga foi chamado a coordenar o grupo de cardeais comprometidos em realizar a reforma da cúria romana. Como presidente da Cáritas Internacional e membro do Religions for Peace, por que Maradiaga não conseguira força política suficiente para obter os votos necessários no conclave? Maradiaga não apoiara Zelaya, no golpe de 2009, em Honduras. Mas Bergoglio também não estava tão à esquerda no período da ditadura militar argentina, apesar dos jesuítas terem dado a guinada à esquerda depois da gestão de Pedro Arrupe. Mesmo Bergoglio não ter sido um explícito defensor da teologia da libertação, seu pensamento e ações enquanto atuou na Argentina, estavam em sintonia com a teologia do povo. Juan Carlos Scannone reconhece a influência da teologia do povo em Bergoglio, como uma das “quatro correntes da teologia da libertação”7, mas que – para ele –  “de forma alguma, teve algo a ver com a marxista”8, como a vertente defendida por Boff.   Mas Bergoglio e Maradiaga estiveram muito mais unidos depois do Habemus Papam de 2013, para que a agenda política do internacionalismo de esquerda e do globalismo das fundações internacionais e da ONU, se alargasse cada vez mais, causando, em vários momentos, perplexidade entre muitos católicos.

Um dos pontos fundamentais que unem Maradiaga a Boff, é o projeto de descentralização do governo da Igreja, defendido por Boff em artigo publicado um dia depois do Habemus Papam de 2013, dizendo que o papa Francisco, “com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja.”9 Maradiaga foi nomeado por Bergoglio como chefe do Conselho de Cardeais, coordenando assim a chamada reforma da cúria romana; que, na verdade, seria a execução de uma profunda reforma da Igreja.

“Papa Francisco irá descentralizar o governo da Igreja, diz Leonardo Boff”10, foi a manchete do The Christian Post, uma semana após o início do seu pontificado. “Ele dará peso decisório ao Sínodo dos Bispos (cada três anos) e não apenas peso consultivo, criando mais autonomia às igrejas continentais e nacionais em nome da colegialidade”11, destacou Boff. E ainda, na mesma reportagem, acrescentou: “Como o papa Francisco enfatiza muito o tema dos pobres e da necessidade da justiça social e não da filantropia vai, obviamente, reforçar as novas democracias de cunho popular e que fazem políticas sociais voltadas para os pobres, como no Brasil, no Uruguai, na Venezuela e um pouco em todos os países onde se está consolidando este tipo novo de democracia”12.

A descentralização do governo da Igreja, portanto, faz parte dessa estratégia de “reforçar as novas democracias de cunho popular”13, também dentro dos organismos e estruturas da Igreja, instrumentalizando-a para fins políticos, muitas vezes, contrários aos princípios e valores da doutrina social da Igreja. Não apenas Boff como ideólogo dessa subversão, mas também Maradiaga como executor de tão esperada revolução na Igreja, com um papa latino-americano na condução desse processo revolucionário, fazem da descentralização uma meta prioritária, para se chegar a uma Igreja dirigida por conselhos populares. Por isso Bergoglio curvou-se ao povo, pedindo-lhe a benção, quando apareceu pela primeira vez na loggia da Basílica de São Pedro, em 13 de março de 2013.

O conceito da descentralização emergiu, desde o início, como prioridade a ser alcançada no pontificado de Francisco, como se fosse a missão principal, a partir do qual todas as demais ações revolucionárias virão posteriormente. Sem a descentralização, o processo revolucionário estaria comprometido, daí a sua relevância. Por isso, Bergoglio incluiu – todas as vezes que pode – o conceito da descentralização, nos documentos e pronunciamentos-chaves de seu pontificado: na exortação apostólica Evangelii Gaudium, na exortação apostólica pós-sinodal (após o controverso Sínodo da Família de 2014-2015) e na decisão da XXª reunião do Conselho de Cardeais, em junho de 2017, etc.

Tratei desse assunto com o então presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, amigo do papa Francisco e um dos presidentes do Sínodo da Família, em uma entrevista concedida em Aparecida (SP)14.  Na ocasião, perguntei a ele: “…a Evangelii Gaudium que o sr. citou agora há pouco, traz uma questão, que é a discussão sobre a reforma da cúria romana, que traz em uma de suas partes o aceno à possibilidade de dar autoridade doutrinal para as conferências episcopais. Como o sr. vê este processo da reforma da cúria romana, como presidente de uma conferência episcopal?”15 Ao que ele respondeu:É uma questão que também não foi discutida, que está acenada na Evangelii Gaudium mas que não foi discutida, nem aprofundada.”16 E acrescentei: “’A partir da sua experiência, o que sr. tem a dizer sobre isso?’ Ao que ele afirmou: ‘Creio que muitas atribuições poderiam ser dadas às Conferências Episcopais, sem necessidade de  recorrer à Santa Sé, para tomar determinadas decisões de âmbito nacional. Situações que, realmente, não são de grande importância, que poderiam ser resolvidas  pelas Conferências Episcopais. Há muitas questões para as quais devemos recorrer à Santa Sé, e eu creio que muitas poderiam ser atribuições próprias da Conferência porque é algo do conhecimento delas, da esfera delas e que não entram em questões doutrinárias propriamente. São questões muitas vezes administrativas, que poderiam ser resolvidas pelas Conferências Episcopais.’”17 Dom Damasceno, portanto, estava inteiramente alinhado à proposta da descentralização, comungando as mesmas ideias, nesse sentido, com as de Leonardo Boff e Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga.

A descentralização do governo da Igreja trouxe preocupações entre os católicos, especialmente ao final do Sínodo da Família. Ainda em Roma, em outubro de 2015, escrevi sobre estas apreensões, em meu artigo “Uma questão de método”18, destacando: “As fichas agora foram colocadas em seu desejo de ‘descentralização’, que havia sido acenado na exortação apostólica Evangelii Gaudium, mas afirmado com veemência no pronunciamento de 17 de outubro, como que determinando o tom e a saída política que parece pretender oferecer aos impasses que não pôde resolver durante os dois Sínodos (tanto do ano passado, quanto deste ano). Então, a solução seria mesmo política, bem ao gosto do estilo descrito por Piqué, delegando tão graves decisões, num primeiro nível, às igrejas particulares e, num segundo nível, de modo especial, às conferências episcopais. (…)  ‘Com a descentralização, estará desferindo assim um duro golpe à instituição do papado, com consequências bastante imprevisíveis. É isso o que tememos, pois não sabemos até que ponto ele está ou não disposto, e em que proporções. Ele próprio disse sentir a necessidade disso.’”19

No dia seguinte ao Habemus Papam de 2013, Leonardo Boff  escrevia em seu blog pessoal, com entusiasmo, sobre a revolução que Bergoglio seria capaz de fazer, especialmente a descentralização do governo da Igreja, altamente estratégica: a descentralização, vindo “de baixo”20.

Quando o Conselho de Cardeais coordenado por Maradiaga propôs, em junho de 2017, “transferir algumas competências da Cúria Romana para os bispos locais ou para as conferências dos bispos”21, sinalizou assim a disposição efetiva de Jorge Mário Bergoglio pela descentralização do governo da Igreja.

Além de chefe do Conselho de Cardeais, Maradiaga também ocupa duas posições-chaves, comprometidas com a revolução bergogliana na Igreja: como presidente da Cáritas Internacional e membro do Religions for Peace. Em 31 de outubro de 2016, a Cáritas Internacional firmou uma carta de intenções para trabalhar em conjunto com o Serviço Mundial da Federação Luterana, no evento ecumênico de Malmö, na Suécia, documento este assinado na presença do papa Francisco. “Já havíamos  nos encontrado, mas não de forma planejada. Desta vez, montamos uma estratégia com um mesmo testemunho cristão”22, afirmou Michel Roy, Secretário-Geral da Cáritas Internacional. Sobre esta estratégia, tanto Maradiaga quanto Boff estão não apenas sintonizados, mas cada um em sua frente de ação, mobilizados para intensificar o processo de descatolização da Igreja, acentuando cada vez mais a sua protestantização.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida.

Notas:

  1.   Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg, aos 05:00).
  2. Ibidem.
  3. Englisch, Andreas, Francisco, o Papa dos Humildes, p. 19, Universo dos Livros, 2013, São Paulo – SP.
  4. Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg, aos 11:10).
  5. Leonardo Boff comenta renúncia de Bento XVI – Repórter Brasil (noite), 11 de fevereiro de 2013: https://www.youtube.com/watch?v=QAJVh1vnYek&hd=1
  6. Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg; Cardinal Óscar Rodríguez Maradiaga – Witness:  https://www.youtube.com/watch?v=qOoRp7meNPk; Cardinal Oscar Rodriguez (Spanish): https://www.youtube.com/watch?v=hfI0Hv-q2r4; Cardinal Oscar Rodriguez (English):  https://www.youtube.com/watch?v=LWLtY2tKxSM; Con el papa Francisco entra aire fresco en el Vaticano: este vídeo no te dejarán indiferente: https://www.youtube.com/watch?v=9oE0X-XcT5M&index=8&list=RDbGqQX_SqgGs; Entrevista exclusiva del Cardenal Bergoglio, hoy Papa Francisco, con EWTN:  https://www.youtube.com/watch?v=NZ1ZczyyKwM; Jorge Bergoglio, Papa Francisco declara ante la justicia argentina por secuestro sacerdotes: https://www.youtube.com/watch?v=u8EoFlIbDPw
  7. Pittaro, Esteban, Aleteia, “A ‘Teologia do Povo’ no Papa Francisco, 29 de janeiro de 2014: https://pt.aleteia.org/2014/01/29/a-teologia-do-povo-no-papa-francisco/
  8. Ibidem.
  9. Boff, Leonardo, “O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja”, site pessoal, 14 de março de 2013: https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/
  10.   Gigliotti, Amanda, Papa Francisco irá descentralizar o governo da igreja, diz Leonardo Boff, The Christian Post, 20 de março de 2013: http://portugues.christianpost.com/news/papa-francisco-ira-descentralizar-o-governo-da-igreja-diz-leonardo-boff-15269/
  11.  Ibidem.
  12.  Ibidem.
  13.  Ibidem.
  14.  Igreja e Sociedade segundo Dom Damasceno, Fratres in Unum, 4 de março de 2015: https://fratresinunum.com/2015/03/06/igreja-e-sociedade-atual-segundo-dom-damasceno/
  15.  Ibidem.
  16.  Ibidem.
  17.  Ibidem.
  18.  Nery, Hermes Rodrigues, Uma Questão de Método, Fratres in Unum, 26 de outubro de 2015.
  19.  Ibidem.
  20.  Boff, Leonardo, “O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja”, site pessoal, 14 de março de 2013: https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/
  21.  Cardeais propõem descentralização de alguns aspectos do governo da Igreja, Canção Nova, com Agência Ecclesia, 14 de junho de 2017, https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/cardeais-propoe-descentralizacao-de-alguns-aspectos-governo-da-igreja/
  22.   Caritas Internacional: em conjunto com os luteranos, Radio Vaticano, Rádio Vaticano, 4 de novembro de 2016:http://br.radiovaticana.va/news/2016/11/04/caritas_internacional_em_conjunto_com_os_luteranos/1270083