Posts tagged ‘Hermes Rodrigues Nery’

7 dezembro, 2016

Quem defenderá o indefeso?

Pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, na audiência pública realizada em 06 de dezembro de 2016, na Câmara dos Deputados, na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, para debater os aspectos relacionados à microcefalia e o surto de zika no Brasil, e as políticas públicas relacionadas ao tema.

* * *  

A vida só adquire um sentido verdadeiramente humano quando vivida com amor. E é isso que precisa estar refletido em nossas legislações.1

Excelentíssimo Sr. Deputado Federal Diego Garcia (PHS-PR), demais deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), Eros Biondini, e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), e demais presentes.

Caríssimos amigos,

Retornamos a essa Casa Legislativa às vésperas da votação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5581), no Supremo Tribunal Federal, cuja relatora é a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia. Requeremos a participação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, como Amicus Curiae, ao que encaminhamos à ministra minucioso o estudo elaborado pela Associação Médica dos Católicos de Brasília, assinado pelo Dr. Stéfano Borges Pedroso, Defensor Público do Distrito Federal; cuja parte que diz respeito aos danos que o aborto provoca à saúde da mulher, quero trazer aqui nessa audiência pública, brevemente, alguns pontos que considero relevantes para reforçar a necessidade que temos hoje em defender a saúde da mulher ( vítima da falsa solução do aborto que lhe oferecem), e também a defesa do nascituro, penalizado com a morte, com assassinato cruel, de uma vida humana inocente e indefesa, privando-o do direito à vida, e causando assim, o horror da matança dos inocentes, patrocinado pelo Estado, quando o Estado existe para ser defensor da vida e da família, defensor da primeira e principal instituição humana, defensor da vida em sua fase mais fragilizada, defensor e promotor daquele que mais precisa de acolhida, de amparo, de suporte, de valorização efetiva.

Mas o que estamos vendo é o Estado brasileiro sendo instrumentalizado por forças impondo uma agenda de organismos internacionais (imbuídos de ideologias inumanas, com a mesma lógica que moveu o faraó egípcio e também Herodes, ao ordenarem a matança das criancinhas) para se voltar contra o que temos de mais precioso: o dom da vida.   “Na raiz de qualquer violência contra o próximo, há uma cedência à ‘ lógica’ do maligno, isto é, daquele que ‘foi assassino desde o princípio’ (Jo 8, 44)’. 2

Esta conjura contra a vida, avança cada vez mais, nas expressões de violências e atentados contra a vida [“Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana” (…)  Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador”.3  Com isso, “espezinhada no direito fundamental à vida, é hoje uma grande multidão de seres humanos débeis e indefesos, como o são, em particular, as crianças ainda não nascidas.”4

E que direito humano é esse que que é direito da mulher torturar e matar um ser humano inocente e indefeso dentro de seu próprio ventre, o direito de eliminá-lo com substâncias salinas, succioná-lo, quebrar-lhe os ossos e privá-lo do direito de nascer e ser acolhido como pessoa humana? É pois uma perversão de direito humano, que se volta contra o ser humano. E muitos profissionais que deveriam ser os primeiros a recusar veementemente tal prática, a recorrer à objeção de consciência diante disso,  muitas vezes estão hoje sendo coniventes com essa lógica de morte. Nesse contexto vemos ainda que “a própria medicina que, por vocação, se orienta para a defesa e cuidado da vida humana, em alguns dos seus sectores vai-se prestando em escala cada vez maior a realizar tais atos contra a pe ssoa, e, deste modo, deforma o seu rosto, contradiz-se a si mesma e humilha a dignidade de quantos a exercem.”5

Quando os defensores do aborto falam do aborto como questão de saúde pública, quero ressaltar que por sermos defensores da saúde da mulher é que queremos evitar os danos á saúde da mulher causados pelo aborto provocado.

No estudo elaborado pela Associação dos Médicos Católicos de Brasília6, destaca os argumentos contraditórios, inconstitucionais e eticamente inaceitáveis da ADI, cumulada com ADPF, requerida pela Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP), que pleiteia ao STF a descriminalização do aborto “quando feito por gestantes infectadas pelo vírus Zica”, nos “casos de síndrome congênita causada pelo vírus de Zika”8, salientando “o objeto e objetivo abortista encapsulado e emaranhado na ADI c/c ADPF”9. Buscando ainda “criar mais uma hipótese, sem limitação séria ademais, de aborto juridicamente permitido em nosso ordenamento”10. A tese da ANADEP “padece de graves inconsistências l&o acute;gicas, ancorando-se em meras suposições ou em interpretações enviesadas de achados científicos”11, chegando inclusive “a conclusões e avança pedidos frontalmente repelidos pela sociedade brasileira e absolutamente contrários  ao nosso sistema jurídico, constitucional e legal”12. E mais: “A ANADEP parece não ter considerado a abertura de perigoso precedente no ordenamento jurídico pátrio: a possibilidade de se autorizar aborto quando houver a confirmação ou a mera suspeita de gestação de feto com deficiência13”. E ainda ressalta no pleito da ANADEP, “a defesa da introdução de novos meios anticoncepcionais para corroborar a atual política fracassada que tenta assegurar o direito ao planejamento familiar e, o mais grave, a defesa do aborto em qualquer situa&ccedi l;ão de infecção materna por zikavirose, apoiado ou não em exames comprobatórios da infecção materna, constatado ou não a existência real de risco para o feto, verificado ou não a presença de anomalias fetais.  Quanto a esse último tópico, percebe-se uma linha de argumentação que perpassa toda a inicial com o propósito de chegar a uma decisão jurídica favorável à ‘interrupção da gravidez’, ou seja, ao aborto, em linguagem direta. A extensão dessa pretensão (…) vai além da eugenia, alcançando potencialmente milhares de crianças sem nenhuma evidência de anomalias e sem risco de desenvolver anomalia”14

Conforme os próprios dados do Ministério da Saúde, dentre os notificados e os que realmente foram confirmados para microcefalia, confirmações muito reduzidas em relação aos notificados, e muitos ainda sob investigação. O fato é que há muitas interrogações nesse campo, muitas imprecisões, e muita instrumentalização da situação vulnerável de mulheres fragilizadas, para justificar pretextos que trazem a elas sofrimentos e danos muito maiores. O estudo da AMCB destaca tais questionamentos, que aqui apresentamos alguns deles.

Os defensores do aborto se favorecem das imprecisões , das generalizações, da falta de conhecimento sobre o assunto, para influir os tomadores de decisão, com a mentira, o sensacionalismo, os eufemismos e ambiguidades da linguagem.

Na questão objeto dessa audiência pública, cabe afirmar, de modo retumbante:

Não é verdade que em todas as situações haja “relação causal entre o vírus  e a síndrome congênita”15.

Não é verdade que todos  os “acometidos pela epidemia da zivka”16 sejam também afetados pela microcefalia: “dos 9,514 casos notificados, apenas 20% aproximadamente  foram confirmados. Isso mostra o quanto podem as imprecisões , os critérios até agora  disponíveis e, pois, o quanto pode ser inadequado impor uma dúvida e cobrar de uma mãe ou de uma família a decisão pela eliminação do filho no ventre”17.

Não é verdade que todos os “conceptos evoluem para a síndrome congênita de zika”: “estudo retrospectivo do surto na Polinésia Francesa (casos infectados por cepa semelhante à encontrada no Brasil), estimou, por modelos matemáticos, que o risco possivelmente situa-se em 1% quando a infecção ocorre no primeiro trimestre da gravidez”18.

Não é verdade que todos os conceptos, cujas mães foram acometidas pela zikavirose nasçam com microcefalia. Muitas crianças nascem sem problemas, mesmo quando a mãe comprovadamente  sofre a infecção por ziokavirose na gravidez. Portanto, a associação entre a gravidez e a síndrome congênita de zika não pode ser vista como uma fatalidade”19.

Não é verdade que oferecer à mulher a falsa solução do aborto, significa estarem preocupadas com a sua saúde. Isso é absurdamente inverídico. É mentira dizer que se quer o bem das mulheres, induzindo-as ao aborto. Um estudo6 que analisou 36 artigos científicos, destacou “que 13 artigos mostraram um risco evidente de pelo menos 1 dos transtornos mentais (os mais citados foram a depressão, transtornos de ansiedade, incluindo síndrome de stress pós-traumático e abuso de drogas), relatados no grupo de mulheres que provocou aborto em relação às mulheres que tiveram parto”20. Ou ainda, analisando 22 estudos sobre aborto e saúde mental, Coleman “encontrou que as mulheres que se submeteram ao aborto, apresentaram aumento de 81% de risco de problemas em saúde me ntal e, que aproximadamente, 10% da incidência de problemas em saúde mental, demonstrou-se atribuível ao aborto”.21E mais: “um estudo recente do Colégio Americano de Pediatras alerta para os efeitos adversos de um aborto induzido, independente de motivação para sua realização. Em relação à saúde mental, a publicação cita estudos na Califórnia e na Finlândia, que demonstraram  que a taxa de suicídios em mulheres nos anos subsequentes a realização de um aborto, foi de 2,5 a 7 vezes mais alta do que nas mulheres que tiveram parto”.22

Não é verdade que todas as mulheres em situações de vulnerabilidade (pobreza, doenças, etc.) queiram abortar. Muito pelo contrário: a grande maioria delas querem ser mães, não abrem mão da maternidade, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. O que elas querem é apoio para que elas assumam a maternidade e – de modo algum – matem os seus filhos. Ainda no referido estudo, “as gestantes inquiridas, se elas consideraram o aborto como opção, se em algum momento da gestação consideraram a hipótese de abortar, inclusive perguntando-se por qual método para se checar a confiabilidade da resposta”, “em relação aos resultados: 1057 gestantes completaram a entrevista, das quais 755 (73%) delas não consideraram abortar, 142 (142 (14%) consideraram a hipótes e de abortar e 140 (14%) tentaram o abortamento.”23

Diante de tantos estudos, pesquisas, estatísticas, etc., com a evidência dos fatos, podemos indagar: como o aborto poderia ser a “melhor solução” para a mulher? Se os estudos comprovam , por exemplo, o maior número de mulheres com “casos de depressão pós-parto se comparado com o grupo de mulheres que não consideraram a hipótese de abortar”24. Como o aborto poderia ser a “melhor solução” – como propõe a ANADEP – se os “seus efeitos e danos psicológicos tendem a ser mais severos do ponto de vista psíquico, se comprado com o pleno desenvolvimento da gestação.”25

Diante dessa lógica de morte, dessa avalanche de ações e decisões contra a vida, nos indagamos clamorosamente: quem defenderá o indefeso (a criança concebida, vítima de tão cruenta violência) e também as mulheres indefesas, vítimas da desinformação, da pobreza e da maldade daqueles que lucram com o aborto, que nada estão preocupados com a saúde da mulher?

Exortamos, apelamos clementemente que a ministra relatora da ADI 5581, Presidente do Supremo Tribunal Federal – não decida contra a vida indefesa da criança inocente no ventre materno, e das mulheres também indefesas.

“Um silêncio de morte sobre o início da vida”26

Já tinha dito isso, no começo do ano27 que, o governo brasileiro e as Ongs financiadas por fundações internacionais que promovem o aborto se mobilizaram para repetir o que ocorreu, em 2012, quando o STF despenalizou o aborto em casos de anencefalia, com a ADPF-54. Na época, durante a votação da referida ADPF-54, já se dizia: “Está aberta a porta para a legalização do aborto, no Brasil”28, via judiciária, de modo sutil e sofisticado, gradual, e por etapas. E é o que estamos vendo hoje, com os fatos confirmando essa realidade. E tal estratégia – como vimos na ADI 5581, cuja requerente é a ADANEP, visa alargar a agenda abortista no País e disseminar ainda mais a mentalidade contraceptiva, com as sutilezas já conhecidas, induzindo a população a aceitar o ab orto nesses casos, preparando assim as condições para que lá na frente o aborto seja reconhecido inclusive como direito humano, como querem as Fundações internacionais, como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e outras. Vejam que Prof.ª Flávia Piovesan, que é hoje a Secretária Nacional dos Direitos Humanos, está ligada a esses organismos e defende o aborto como direito humano.29

Ontem, o STF autorizou matar os bebês anencéfalos, hoje, poderão fazer o mesmo com os casos de microcefalia, amanhã, serão outras categorias. São, portanto, precedentes perigosos, a favorecer um totalitarismo que vitimará os mais fragilizados da sociedade, como o Papa São João Paulo II denunciou em sua memorável encíclica Evangelium Vitae. Como ainda afirmou o Dr. Paulo Silveira Martins Leão Júnior, presidente da união dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro, aqui presente, “a dignidade da pessoa humana há de decorrer, necessariamente, da própria natureza do ser humano e não de circunstâncias acessórias, adjetivas, como, por exemplo, saúde e tempo de existência, pois do contrário, cairíamos em fórmulas e critérios arbitrá rios e aleatórios, conforme as conveniências do momento, condicionando e aviltando a dignidade humana, e desrespeitando os termos claros dos princípios e preceitos constitucionais”.30

Quis o constituinte incluir como cláusula pétrea, no art.5º, a inviolabilidade da vida humana, mas há aí uma omissão, ao não explicitar o desde quando, deve se garantir a inviolabilidade da vida humana, e por causa dessa omissão, o então ministro Carlos Ayres Brito, em seu voto de 5 de março de 2008, ao justificar o uso de embriões humanos fecundados para fins de pesquisa científica, abriu-se lá o primeiro precedente, a porta aberta para a legalização do aborto, por etapas. Ele não reconheceu o embrião humano fecundado como pessoa, com justificativa ancorada no positivismo jurídico de Hans Kelsen, que via as questões do direito como problemas de técnica social, e não moral. Daí a brecha para decisões imbuídas por “uma ideologia que, no fundo, r eduz tudo o que existe a um comportamento de poder.”31 [e é claro que o poder do mais forte sobre o mais fragilizado], uma “ideologia que destrói a humanidade”.32

Em seu relatório33, ele recorreu ao subterfúgio do argumento jurídico, alegando que a Constituição brasileira faz “um silêncio de morte sobre o início da vida”34. E diante daquela omissão, só consideraria a proteção constitucional dos direitos da pessoa, depois do nascimento, conforme a tese da chamada teoria natalista. Desse modo, não assegurou o direito a vida ao nascituro. A vida passou a valer em parte, e não mais por inteiro.

O guardião da Constituição Federal, foi categórico: ”Há duas distinções, dois instantes: o insubstituível início de vida e o momento constitutivo da pessoa”35, que ele não associou no mesmo instante. Passou a existir então uma brecha a não dar proteção jurídica a esse interregno [da fecundação ao nascimento], que deixou de contar, após as deliberações do STF, nesse campo, da garantia constitucional de proteção da vida, pois, segundo Ayres Brito, naquele assombroso voto,  “a nossa Magna Carta não diz quando começa a vida humana”36.

Em seu relatório, o Ministro Carlos Ayres Brito explicitou a tensão de dois posicionamentos divergentes acerca do conceito de pessoa humana: “a configuração de duas nítidas correntes de opinião”37, duas teorias que se entrechocam: a natalista e a concepcionista. E a teoria natalista é o que está prevalecendo nos votos dos ministros do STF, favoráveis ao alargamento da despenalização do aborto. E a partir de então, vidas humanas [antes protegidas pela CF e pelo Código Civil], mas por ingerência indevida do STF, passaram a ser ceifadas na sua gênese, no nascedouro, com um crime de lógica justificado pela retórica jurídica.

Na primeira posição, o nascituro é apenas parte das entranhas da mãe, e somente quando nasce com vida é que é reconhecido como pessoa. A segunda, não parcializa a dignidade, pois desde a concepção “inicia o ciclo vital de um ‘novo sujeito humano’”38 Tal conflito de posições emblematiza o agudo impasse bioético da atualidade, de dimensão salomônica, e em âmbito mais profundo, também adâmica. Um nó górdio que requer solução, mas não com atos intempestivos. Requer a solução legislativa adequada, como quis a voz originária do constituinte, reconhecendo a proteção da vida humana, desde a concepção. E é a essa mesma voz que devemos nos reportar, pois o Judiciário é poder consti tuído e não poder constituinte.

Sres. Deputados, o STF fez a agenda abortista avançar, com seu explícito ativismo judicial, sem que viesse, daqui do Congresso, a reação devida, à altura daquela afronta a esta casa Legislativa, sem que , até o momento, nenhuma medida eficaz foi capaz deter o ativismo judicial seja por um PDC, por exemplo, amparado no art. 43, inciso XI, que garante ao legislativo se proteger de tal ingerência por parte do STF. Ou ainda a aprovação do PL 4754/2016, que “tipifica crime de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo.”39 E outras iniciativas também que o povo brasileiro espera vir desta Casa, também não avançaram com devia: a aprovação do Estatuto do nascituro, a própria do CPI do aborto, et c. Por isso requeremos insistentemente aos parlamentares (tanto da Câmara quanto do Senado) para que priorizem a PEC pela Vida, para que não haja mais essa omissão constitucional, que faz o STF avançar mais a agenda abortista.

Nesse sentido, conclamamos cada parlamentar dessa casa Legislativa, fazendo o apelo para deter o ativismo judicial do STF, deter a agenda abortista (agenda antivida, antifamília e anticristã), para a provar a PEC pela Vida, pelo bem de todos.

Muito obrigado!

Link para o vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=hWJl3UkMny0&feature=youtu.be

Notas:

  1. Pronunciamento após a aprovação da primeira lei orgânica pró-vida do Brasil, 2010 [  http://stoa.usp.br/pedrohqb/weblog/69355.html]
  2. S. João Paulo II, Evangelium Vitae, 8 [ http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae.html]
  3. Ib. 3
  4. Ib. 5
  5. Ib. ___________
  6. Petição Amicus Curiae na ADI 5581, Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, parecer elaborado pela Associação Médica dos Católicos de Brasília, Stéfano Borges Pedroso [   https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=365932A40A4EE26F!1235&ithint=file%2cdocx&app=Word&authkey=!AIe3sG0yVOHN_Ms ]
  7. Ibidem.
  8. Ibidem.
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. Ibidem.
  12. Ibidem.
  13. Ibidem.
  14. Ibidem.
  15. Ibidem.
  16. Ibidem.
  17. Ibidem.
  18. Ibidem.
  19. Ibidem.
  20. Ibidem.
  21. Ibidem.
  22. Ibidem.
  23. Ibidem.
  24. Ibidem.
  25. Ibidem.
  26. Monografia de Pós-Graduação em Bioética, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), em curso promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Pontifícia Academia para a Vida, 28 de janeiro de 2011. [ https://pt.scribd.com/doc/48165479/Monografia-Um-Silencio-de-Morte-sobre-o-Inicio-da-Vida-Hermes-Rodrigues-Nery
  27. Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?, entrevista à ACIDigital, em 1º de fevereiro de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/ha-ou-nao-ha-um-lobby-para-ampliar-a-legalizacao-do-aborto-com-o-pretexto-do-zika-virus-55369/]
  28. Ibidem.  [http://www.vilhenasilva.com.br/noticia/o-debate-sobre-o-aborto-e-necessario-/]
  29. Defensora do aborto é escolhida para Direitos Humanos e gera reação de pró-vidas, ACIDigital, 20 de maio de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/defensora-do-aborto-e-escolhida-para-direitos-humanos-e-gera-reacao-de-pro-vidas-46642/]
  30. Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?, entrevista à ACIDigital, em 1º de fevereiro de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/ha-ou-nao-ha-um-lobby-para-ampliar-a-legalizacao-do-aborto-com-o-pretexto-do-zika-virus-55369/]
  31. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald , Ed. Imago, 1997, Pág. 133.
  32. Ibidem.
  33. Relatório e voto do ministro Carlos Ayres Brito da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN3510 [http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/adi3510relator.pdf]
  34. Ibidem.
  35. Ibidem.
  36. Ibidem.
  37. Ibidem.
  38. Ibidem
  39. Projeto de Lei 4754/2016, Câmara dos Deputados [http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2079700].
28 novembro, 2016

Católicos pedem a Bispo afastamento de Padre da Diocese de São Miguel Paulista.

Íntegra da carta entregue pessoalmente a Dom Manuel Parrado Carral, bispo diocesano de São Miguel Paulista, SP.

São Paulo, 16 de novembro de 2016

Reverendíssimo Sr.
Dom Manuel Parrado Carral
DD. Bispo da Diocese de São Miguel Paulista

Nós, fiéis católicos, estamos perplexos com as atividades, pronunciamentos e posicionamentos escandalosos que ocorreram na Diocese de São Miguel Paulista, mais precisamente, nas paróquias de Santa Ana que, ao final da Santa Missa (Itaquera), permitiu-se que um Drag Queen subisse ao altar em nome da “comemoração ao dia internacional da Drag Queen”; em Nossa Senhora do Carmo. Tal ato foi promovido e incentivado pelo próprio pároco, o padre Paulo Sérgio Bezerra, no Santuário Nossa Senhora da Paz, e também pelo padre Dimas Martins Carvalho.

carrado

Fiéis se reúnem com bispo de São Miguel Paulista, SP.

A seguir, destacaremos alguns dos fatos promovidos pelos sacerdotes que violam o Magistério da Santa Igreja e a Santa Fé Católica:

1) Ritual pagão-umbandista durante a Santa Missa, promovido pelos padres Paulo Sérgio Bezerra e Dimas Martins Carvalho [1].

2) Promoção do gayzismo e incentivo à militância LGBT aos fiéis da paróquia Nossa Senhora do Carmo. O padre Paulo Sérgio Bezerra permitira que os jovens levassem cartazes “anti-homofóbicos” para a Santa Missa; permitira ainda que um Drag Queen assumido distribua o Corpo de Cristo, e que realize a homilia, tudo ao som de Paula e Bebeto. Chama os defensores da família e os congressistas conservadores de “homofóbicos, retrógrados, velhacos e reacionários”; utiliza os jovens como massa de manobra para a promoção de sua agenda gay; modificou um folheto da Santa Missa com mensagens pró-gayzismo e com ataques diretos aos defensores da Santa Igreja e da Sã Doutrina – apar entemente, o panfleto fora desenvolvido por outro sacerdote da mesma diocese, o jesuíta Luís Lima –, portanto, utilizou a Santa Missa para promover diversas ideologias anti-cristãs, como o comunismo, a ideologia de gênero e a militância gay [2].

3) O referido pároco é adepto da Teologia da Libertação, do comunismo e do PT. Convocara o deputado Chico Alencar (PSOL), Guilherme Boulos (líder do MTST) e a filósofa assumidamente atéia, abortista e petista, Marilena Chauí, para palestrarem durante a Santa Missa, discursou em meio à uma multidão no movimento “Fora Temer” e “Contra o Golpe” em São Paulo [3].

4) Além da própria promoção do “dia internacional da Drag Queen”, os administradores da página oficial da Paróquia Sant’Ana de Itaquera, postaram a seguinte mensagem: “Em comemoração ao Dia Internacional da Drag Queen, nossa Paróquia recebeu nossa grande paroquiana Dindry Buck em celebração do novenário de nossa Padroeira. Foi um momento de muita alegria para nossos paroquianos que amam e respeitam o trabalho que Dindry Buck faz em nossa Paróquia. Dindry falou sobre a importância de lembrar esse dia e a sua missão de levar a alegria para o mundo” [4].

5) O padre Paulo Sérgio Bezerra permitiu que, Marilena Chauí, inimiga assumida da Igreja, da família e da Fé, comungasse com as próprias mãos e recebesse uma homenagem ideológica em plena Missa [5].

6) O padre Paulo Sérgio Bezerra tem conhecimento de suas atitudes, das induções ao erro e da violação à Tradição da Santa Igreja Católica, porém, não teme ser punido pelas autoridades eclesiásticas e nem mesmo, pelo próprio Papa: “Sempre fui assim, mas, com esse papa, sinto mais tranquilidade de que não serei punido” [6].

Não restam dúvidas de que este padre está a serviço da corrosão da Sã Doutrina Católica, da Santa Igreja. Além de induzir seus fiéis ao erro, propagar falsas doutrinas que contradizem a Sã Doutrina Católica e não temer represálias da hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana.

Nós, fiéis católicos, pedimos encarecidamente que Vossa Revendíssima autoridade episcopal, Bispo da Diocese de São Miguel Paulista, Dom Manuel Parrado Carral, que afaste os párocos e lideranças envolvidas nestas profanações da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Gratos pela fidelidade à sua missão como pastor da Igreja, no zelo da sã doutrina católica.

Daniel Guerreiro Cavalcante 

Prof. Hermes Rodrigues Nery

Coordenador do Movimento Legislação e Vida

Adriano Neiva

Fontes:

10 novembro, 2016

O pensamento de Boff sobre Lutero, e a práxis de Francisco.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Se o capítulo XI, da Segunda Parte do livro “E a Igreja se fez Povo” (1986), intitulado “São Francisco, patrono da opção pelos pobres”, de Leonardo Boff, já é bastante problemático, pois apresenta, trinta anos atrás, todo o programa que Bergoglio coloca hoje em execução, avidamente, o capítulo seguinte (“A significação de Lutero para a libertação dos oprimidos”), é mais terrível ainda. Nele, antecipa-se o que Francisco hoje cumpre à risca, na prática. E o ecumenismo solenemente celebrado em Lund, na Suécia, tende a esquecer tudo o que Lutero fez de danoso à Igreja. Para Boff, Lutero “apresenta-se como uma das maiores testemunhas do espírito evangélico”. Boff acredita piamente nisso, não se conforma com o que para ele é uma injustiça, a Igreja não ter compreendido Lutero, assim até hoje nunca se conformou de ter sido “injustiçado” pelo alemão Joseph Ratzinger. Boff nunca o perdoou por isso, nem dom Paulo Evaristo Arns, que esteve junto de Boff acompanhando-o quando foi a Roma para ser repreendido e depois punido por Ratzinger. Boff nunca perdoou Ratzinger (hoje recolhido no Mater Ecclesiae), enquanto Arns comemorou recentemente seus longevos 95 anos, com um boné do MST na cabeça. Tanto Boff quanto Arns, satisfeitos por verem os movimentos populares (de esquerda) sendo recebidos amigavelmente por Francisco, no Vaticano. Tudo fez parte de um plano bem urdido, meticuloso, de se chegar ao Vaticano, e ocupar os altos postos eclesiásticos, para que o programa apresentado por Boff, em 1986, naquele seu famoso e controverso livro, pudesse ser executado.

Para Boff, a inspiração de Lutero (a quem ele sempre admirou e até se identifica, algumas vezes), “em termos religiosos, mostrava-se ‘fé viva’ em contraposição ‘a “fé morta’ do Catolicismo, religião de tradições e exterioridades”. É assim que o pensamento de Boff se torna hoje, em certos aspectos, a ação de Francisco. Boff mesmo reconhece naquele capítulo, “o papel subversivo” do protestantismo, papel esse fomentado por muitos anos pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que hoje se favorece com o ecumenismo de Francisco, quando a Cáritas e a Federação Luterana Mundial se juntam para projetos sociais, com financiamento da Fundação Ford.

Boff defendia, naquela época, “uma encarnação da Igreja e do Protestantismo no mundo dos pobres, para ajudar em uma transformação profunda e global, uma verdadeira “libertação dos oprimidos”. E ainda destaca:

“Rubem Alves distingue a função ideológica que o protestantismo ocupou diante do liberalismo e sua permanente função utópica como memória da forças libertadora do Evangelho. Nessa perspectiva, ‘católicos e protestantes estão se descobrindo como um só corpo, em função de uma esperança da América Latina nova’”.

E completa:

“Na verdade, existe uma frente libertadora prostestante de grande significação no processo global da prática libertadora e da reflexão que se constrói a partir dessa prática. Cabe agora perguntar em que medida Lutero pode colaborar nessa missão”.

E explica que:

“A Reforma do século XVI teve o duplo caráter de revolução social e revolução religiosa. As classes populares não se sublevaram só contra a corrupção do dogma e os abusos do clero. Também se levantaram contra a miséria e a injustiça. (…) Ante o campo específico (religioso) dentro do qual se movia, Lutero efetuou um grandioso processo libertador. Será ele para sempre uma referência obrigatória para todos os que buscam a liberdade e sabem lutar e sofrer por ela”. Por isso Lutero insurgiu-se tanto contra o que ele chamava de “tirania do papa”, rebelde que era (que “se sublevou, em nome do Evangelho, contra a prepotência do poder sacro”; e por isso Francisco recusou as insígnias papais, quando eleito, apresentou no balcão da Basílica de São Pedro, curvando-se para o povo, e dize ndo: “começamos hoje um novo caminho”.  

É de 1975 o primeiro artigo de Leonardo Boff escrito como precursor do que será, mais tarde, o programa de Francisco: “A não-modernidade de São Francisco. A atualidade do modo de ser de S. Francisco face ao problema ecológico”. O pensamento e a práxis de Francisco ecoam as palavras de Boff:

“Para nós, que vivemos na América Latina, o Evangelho necessita ser vivido de forma libertadora, a fé como produtora de um compromisso com os mais necessitados a partir da experiência da misericórdia primeira de Deus e da renovação espiritual como uma mística que uma fé e política e construa a comunidade a partir de baixo, dos mais humildes”.

O fato é que Boff acredita piamente nisso. E Francisco, a seu modo, também. Ambos estão convencidos disso. Enquanto o primeiro é ideólogo, o segundo é executor, alçado ao mais alto posto da Igreja, para cumprir esse programa libertador. E com esse ímpeto, exortou os jovens na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, com o apelo: “Sejam revolucionários!”

 

21 outubro, 2016

Um Nobel da Paz infame.

Nobel da Paz dado a Juan Manuel Santos tenta prestigiar um acordo controverso, que os setores progressistas da Igreja apoiam, mas não conta o apoio da população colombiana.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com: Na sexta-feira, 7 de outubro de 2016, o Comitê Nobel da Noruega concedeu o Prêmio Nobel da Paz ao presidente colombiano Juan Manuel Santos, pelo seu acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), acordo este rechaçado pela população colombiana em plebiscito ocorrido dias antes, em 2 de outubro, mas apoiado pelo papa Francisco, “que teve um ‘papel significativo’ no acordo de paz.”1 No mesmo dia, um segundo raio caiu sobre a Basílica de São Pedro, do mesmo modo ao que outro raio havia caído no mesmo local, no dia da renúncia do papa Bento XVI.

juan-manuel-santosA Igreja Católica na Colômbia festejou o acordo de paz assinado em 27 de setembro, e parabenizou Santos. O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Parolin, esteve presente na cerimônia de assinatura do acordo de paz, como também o núncio apostólico, Dom Ettore Balestrero, e o Presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, Dom Luis Augusto Castro de Tunja. Com o acordo, as FARC obtiveram muitos benefícios, dentre eles, a anistia dos crimes cometidos por tantos guerrilheiros e a transição para a vida política legal, favorecendo-os para avançar o projeto de poder do Foro de São Paulo na América Latina.

O acordo foi estrategicamente importante para os objetivos do Foro de São Paulo, no afã de consolidar o projeto de poder da Pátria Grande socialista, a tão sonhada integração latino-americana desejada por Fidel Castro, e os governantes e intelectuais de esquerda. O acordo de paz foi forjado pelos irmãos Castro, em Cuba, pronto para ser executado desde fevereiro de 2012, com anuência de Santos, e todas as forças do internacionalismo de esquerda. No dia 23 de agosto daquele ano o governo colombiano afirmou que faria de tudo para obter o acordo de paz com as FARC.

Dez anos antes, o sentimento do episcopado colombiano em relação às FARC não era o mesmo. Já não se ouviam mais vozes corajosas como a do arcebispo Isaías Duarte Cancinona, assassinado em Cali, em 2002, dentre tantos outros clérigos mortos pelo guerrilheiros das FARC.  Duarte “criticou o então presidente, Andrés Pastrana, por suas tentativas de dialogar com as FARC, alegando que negociar com a principal guerrilha do país era absurdo já que a organização se recusava a cessar fogo durante as conversações.”2 É certo que muitos queriam por termo às guerrilhas e chegar a um acordo de paz (inclusive a Igreja), mas não um acordo de paz forjado pelos cubanos (também em sintonia de Juan Manuel Santos e Hugo Chavez) e fosse condescendente com os guerrilheiros, o ferecendo inclusive vantagens que o favorecessem a não apenas se manterem com poder, mas ampliá-lo. Mas dez anos depois do assassinato de Duarte, o episcopado colombiano parece ter capitulado ao acordo de paz imposto pelos irmãos Castro e o Foro de São Paulo, como lembrou Graça Salgueiro3, o art. 32 da “Declaração de Caracas”, da Resolução Final do XVIII Encontro do Foro de São Paulo:

“El Foro de Sao Paulo expresa su apoyo al proceso de paz en Colombia, donde sigue vigente la lucha por una solución política al conflicto armado, la paz con justicia social y por un nuevo modelo económico y social que garantice los derechos humanos y la protección de la naturaleza, y decide conformar una comisión representativa de los movimientos y partidos políticos del Foro de Sao Paulo, que de común acuerdo con los partidos y movimientos colombianos, visite al país y proponga una agenda de estudio, de contactos y apoyo para los propósitos unitarios.”4

E também ressaltou Graça Salgueiro que:

“…com a aprovação da lei “Marco Legal para a Paz”, conhecida como ‘lei da impunidade’, os terroristas das FARC não têm mais com o que se preocupar em sua sanha assassina, que tem o total apoio do FSP. Não custa lembrar que em 2008 o próprio Lula advogou para que as FARC viessem a se tornar um partido político legalizado, e essa lei vem para provar isto. Segundo um documento elaborado pela Universidade Sergio Arboleda, as FARC voltaram a dominar 50 novos municípios de onde já haviam sido expulsas pela Força Pública em anos anteriores (no governo de Uribe), sendo 155 localidades afetadas pela violência terrorista. Hoje, o Cauca já é conh ecido como o “novo Caguán”, onde comunidades inteiras estão sendo expulsas pelas FARC, que participaram legalmente do último encontro do FSP e falavam cinicamente de “propostas de paz.”5

E ainda em 2012, explicou que:

“É imperioso se observar que são as FARC quem estão determinando TUDO acerca desse “acordo de paz” que será feito em Cuba, tendo como “garantidores” a Venezuela de Chávez e os Castro, de que tudo o que for acordado será rigorosamente cumprido”. [http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13363-farc-os-novos-qdonosq-da-colombia.html  O fato é que o acordo, efusivamente aprovado pela Igreja Católica na Colômbia, e rechaçado pelo povo colombiano, favorece os que cometeram crimes no passado recente e não foram punidos, e cria condições políticas para um projeto de poder contrário aos princípios e valores cristãos, como salientou Salgueiro, em 2012:  “Só quem está aprovando são aqueles que se beneficiarão com a impunidade, ou seja, as FARC e seus seguidores como os tais ‘Colombianos pela Paz’, ONG criada pela porta-voz das FARC ‘Teodora de Bolívar’, os políticos ‘ex’ terroristas, os ‘padres’ comunistas e a Justiça a serviço dos terroristas de todos os matizes.”6

E finalmente, quando ainda começavam as negociações do acordo de paz, já se sabia que Santos fez tudo o que fez também pelo afã do Nobel da Paz: “É estarrecedor o que Santos está tramando contra seu próprio povo, apenas para satisfazer sua vaidade pessoal desmedida e doentia de reeleição ou Prêmio Nobel da Paz, sem levar em consideração que deu às FARC um status de Estado dentro do próprio Estado Colombiano, uma vez que as reconhece como um ‘interlocutor’ legítimo com o qual se possa negociar. Isto é crime de lesa-pátria e é como traidor que ele será lembrado pela história!”7

Diante de tudo isso, o presidente da Conferência Episcopal Colombiana afirmou estar “muito feliz”8 com o Nobel da Paz, “como estão felizes todos os colombianos”. O que não é verdade, porque o povo colombiano rechaçou o acordo de paz no plebiscito de 2 de outubro.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida. 

Notas: 

  1. http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2016/08/31/papa-francisco-elogia-acordo-de-paz-com-as-farc-na-colombia.htm
  2. https://dialogo-americas.com/pt/articles/lider-das-farc-condenado-pelo-assassinato-de-arcebispo
  3. http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13237-santos-as-farc-e-o-foro-de-sao-paulo.html
  4. http://forodesaopaulo.org/xviii-encuentro-del-foro-de-sao-paulo-declaracion-de-caracas/
  5. http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13237-santos-as-farc-e-o-foro-de-sao-paulo.html
  6. http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13377-as-farc-ja-mandam-na-colombia.html
  7. Ibidem.
  8. http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/internacional/nobel-da-paz-igreja-catolica-na-colombia-felicita-presidente-do-pais-pela-distincao/
  9. Ibibem.

 

5 outubro, 2016

Apontamentos sobre a campanha municipal de 2016.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Ainda no começo do ano, munícipes me paravam na rua para dizer: “você precisa sair candidato a prefeito”. Mas eu respondia que eu já havia aceitado esse desafio em 2012, e a experiência mostrou que eu não tinha recursos financeiros para isso, e muito menos porque não tinha popularidade, e sem ser popular não alcançaria os votos necessários. (1)

unnamed-16

Além disso, conseguira me eleger vereador e presidente da Câmara, em 2009-2010, sem populismo, nem clientelismo. Mas para o Executivo Municipal, numa cidade pequena com pouco mais de dez mil habitantes, com um número de eleitores um pouco mais de seis mil, era preciso chegar a três mil votos. E sem clientelismo, não há como obter. O máximo que eu poderia buscar, novamente, era voltar para a Câmara Municipal, para prosseguir com a missão do nosso Movimento Legislação e Vida. Mas nem isso era garantido, porque eu havia ficado sem mandato nos últimos quatro anos. “Mas saia de vice numa chapa, pelo menos”, sugeriu outro mais entusiasta. “Você precisa estar no Executivo”.

9 agosto, 2016

Câmara dos Deputados promove encontro com Associação Nacional Pró-vida e Pró-família.

unnamed (10)

A Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, realiza, com a Associação Nacional Pró -Vida e Pró-Família quarta-feira, 10 de agosto, o Seminário em Defesa da Vida e da Família ( com o tema “Afirmar a cultura da Vida e o valor da família”), com apoio do Deputado Diego Garcia (PHS-PR), que foi o relator do Estatuto da Família, aprovado pela Câmara, no ano passado.

O evento contará com a participação de especialistas na área de vida e família, que há anos acompanham as proposituras no Congresso Nacional, subsidiando parlamentares com informações atualizadas que favoreçam políticas públicas de valorização e promoção da família.

Para o Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e especialista em Bioética, a batalha pela defesa da vida e da família se tornou mais intensa, tendo em vista a ação de forças políticas, econômicas e culturais que, há décadas se voltam contra a família, forças estas representadas por fundações internacionais, que buscam disseminar uma cultura contrária à lei natural, explicitada, por exemplo, pela agenda de gênero, tema esse que será abordado pelo especialista argentino Dr. Jorge Scala.

Recentemente a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família divulgou uma petição pública pela Citizen Go requerendo a destituição da Profa. Flávia Pievisan, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, fato esse que será tema da abordagem do Prof. Hermes Nery: “O Direito à Vida, primeiro e principal de todos os direitos humanos”.

Um dos focos de atuação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família é evitar a legalização do aborto no Brasil. A Dra. Elizabeth Kippman, que também é especialista em Bioética, falará da questão do aborto no contexto internacional.

Participarão também do encontro, parlamentares da Frente em Defesa da Vida e da Família, o bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto, Dr. Paulo Fernando Melo Costa, Dra. Lenise Garcia, Tiba Camargo (da Comunidade Canção Nova), Mariângela Consoli de Oliveira (Presidente da Associação Guadalupe), Dr. Ubatan Loureiro, Liliane Vieira, o casal Marco e Susy Gomes (especialistas em planejamento familiar natural, da Arquidiocese de Brasília, Adrian Paz, de Belo Horizonte, dentre outros.
O evento é gratuito e ocorrerá no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, dia 10 de agosto,  das 9h às 18h.

Mais informações aqui.

24 maio, 2016

Defensora do aborto é escolhida para Direitos Humanos e gera reação de pró-vidas.

Defensora do aborto é escolhida para Direitos Humanos e gera reação de pró-vidas

REDAÇÃO CENTRAL, 20 Mai. 16 / 06:00 pm (ACI).- Nomeada para chefiar a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Flávia Piovesan, reafirmou recentemente sua postura a favor da descriminalização do aborto. A escolha da nova secretária, por sua vez, provocou reações entre os principais grupos e lideranças pró-vida do Brasil, que se mobilizam para reverter a decisão do governo.

Professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Flávia Piovesan afirmou ao jornal ‘O Globo’ que sua “posição pessoal, talvez não seja a posição do governo, é de revisitar a legislação repressiva” em relação ao aborto.“É consenso que o aborto deve ser visto como caso de saúde pública e não como caso de polícia. É lamentável a morte de mulheres em razão da prática do aborto ilegal”, declarou Piovesan, que tomará posse do novo cargo na próxima semana. Para o Prof. Hermes Rodrigues Nery, presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, a nomeação de Flávia Piovesan significa que a agenda das fundações internacionais que querem fazer do aborto um direito humano permanecerá na gestão do presidente interino Michel Temer.“A sua presença na Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, pela sua conhecida atuação, sinaliza que a agenda das fundações internacionais promotora do aborto deve avançar, por isso nos preocupa”, comenta. Segundo o Prof. Nery, a nomeação de Piovesan “causou muita preocupação para nós, católicos e pró-vidas, tendo em vista suas conhecidas posições em favor da legalização do aborto, ainda mais do aborto como direito humano”.

“Há mais de duas décadas – esclarece – que ela defende a agenda das fundações internacionais, nesse sentido, que querem legalizar o aborto na América Latina”.

Flávia é formada em direito pela PUC-SP e tem mestrado e doutorado nesta área. Faz parte do corpo docente da faculdade em que se formou e também da PUC-PR. Além disso, é professora de direitos humanos nos cursos de pós-graduação das universidades Pablo de Olavide, em Sevilha (Espanha), e de Buenos Aires (Argentina).

Hermes Nery recorda que o nome da Piovesan já havia sito cogitado em 2011 para o Supremo Tribunal Federal (STF) para substituir a ministra Ellen Gracie. Tal possibilidade se deu “justamente na época em que o STF estava debatendo a ADEPF54, em relação ao aborto nos casos de anencefalia”.

Além disso, assinala, ela “tem muita proximidade com a Fundação Ford (da qual já foi bolsista) e também como membro do Comitê Latino-Americano e Caribenho para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), que há muitos anos vem trabalhando para difundir o conceito do aborto como direito humano nos países da América Latina” e “atua nas instâncias de organismos internacionais para condenar os países que resistem à legalização do aborto, acusando-os de violarem os direitos humanos das mulheres”.

“Por isso – explica o Prof. Hermes –, a sua nomeação representa um grande perigo à defesa da vida humana, à sua inviolabilidade, desde a concepção, garantida no artigo 5º da Constituição Federal”.

Diante desta nomeação de Flávia Piovesan, os grupos pró-vida e os católicos estão preparando uma petição a ser direcionada diretamente ao presidente interino Michel Temer. O objetivo, conforme indica Hermes Rodrigues Nery, é expor “nossa posição e requerendo que seja revista essa nomeação”.

A petição também irá exortar o governo a não “enviar ao Congresso Nacional nenhuma medida que esteja de acordo com o propósito das fundações internacionais, de legalizar o aborto e muito menos de favorecer esse conceito do aborto como direito humano”. Isto, porque “o primeiro e principal de todos os direitos humanos é o direito à vida, desde a concepção”.

Para o Prof. Nery, o caminho para evitar que a agenda abortista seja implantada no Brasil passa, primeiramente, pela oração. “Temos fé que se trata de uma batalha espiritual, pois o inimigo de Deus tem sede de sangue inocente”, enfatiza.

Outro ponto que indica como importante é a “ação integrada, consciente, pautada em argumentos racionais, consistentes”, para convencer os que têm poder de decisão “de que a vida humana deve ser amada, defendida, promovida e valorizada desde seu início, desde a concepção”.

“Isso sim é promover os verdadeiros direitos humanos, do homem e da mulher”, ressalta, ao acrescentar que “a defesa do aborto como direito humano é o que há de mais terrível na lógica que move a ação das fundações internacionais”.

De acordo com Prof. Hermes, tais fundações são movidas pelo que São João Paulo II chamou de “cultura de morte”, na encíclica Evangelium Vitae. Neste mesmo documento, especifica, o Papa polonês exortava os cristãos a se oporem a essa lógica com a “cultura de vida”.

“É a relativização e a banalização da vida que leva muitas pessoas a não entender o valor da vida em sua inteireza”, pontua, ressaltando que, “se a vida humana fica vulnerável em sua fase mais fragilizada (no ventre materno ou na velhice), então ela fica ameaçada em qualquer uma de suas fases”.

Por fim, o presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família precisa que a defesa da vida deve ser por inteiro e, por isso, diz que é importante também a atuação “no campo legislativo, para alargar a consciência do direito à vida desde a concepção como o primeiro e principal de todos os direitos humanos”.

22 abril, 2016

17 de abril de 2016, um dia abençoado.

Por Hermes Rodrigues Nery 

Apontamentos sobre o dia 17 de abril de 2016, em Brasília, em que a Câmara dos Deputados votou a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Roussef.

O dia 17 de abril de 2016 amanheceu com um céu azulíssimo, límpido; um lindo dia de domingo, estando em Brasília para a histórica votação na Câmara dos Deputados para a admissibilidade do impeachment da Presidente Dilma Roussef. Era outro o sentimento daquele 31 de outubro de 2010, quando ela havia sido eleita e que Hugo Chavez havia dito que ela era da “linha dura” do PT, comprometida com o projeto de poder da Pátria Grande socialista. O sentimento agora era o mesmo compartilhado por milhões de brasileiros que delicadamente dizia apenas “tchau, querida”. E pacificamente rechaçava, nas ruas e no parlamento treze anos de poder do lulopetismo, cujos danos à nação brasileira, foram escancaradamente expostos pela Operação Lava Jato.

15 março, 2016

From the talks with Frei Beto.

Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

In 1996 while I was walking down the hallways of the Pontifical Catholic University of São Paulo I saw a banner advertising for a Greek course nearby, on the Dominican monastery at Atibaia street. Back then I didn’t have enough information to know the history of that monastery (a leftist stronghold, Liberation Theology’s nest where Frei Beto lived) and I enrolled in the course. I was, for some months, student of Sister Sonia de Fátima Battagin, who right after traveled as a missionary to Gaban.

99099c1c-ab73-4053-af4c-fbc6f617444a1

Prof. Hermes e Frei Betto

There were two classes on the same day, one early and another late in the morning, there was a one and a half hour break that I spent waiting in the monastery’s library. It was there that I had contact, more deeply, with all the Marxist literature that was already growing inside the Church, on the seminaries, colleges, etc., doctorate and master’s thesis, the works of Gustavo Gutierrez, Joseph Comblin, Leonardo Boff et caterva.

While I was reading all that, with a bit of sadness, I asserted that it had nothing to do with the Catechism of the Catholic Church, it was another content, a distortion, a corrosion and a deviation of doctrine, with all the reductions and mistakes that would make the ideology indoctrination of the faith one of the worse effects of the Liberation Theology and of the relativism.

As I went to the library frequently for some months, during the Greek lesson’s breaks, Frei Beto passed by, talked to whomever was there, exchanged ideas and, in some moments we talked about all that literature, the crises of the Church post Vatican II, he being a strong supporter of the democratization of the Church, of the woman’s priesthood, of the optional celibacy, etc. He then, willingly, accepted that we record the conversations that I intended to transcribe and for study and publication, with all the questions that I wanted to make, even not knowing how far that was from the catholic doctrine.

Only now, twenty years later, listening again to those tapes, I could understand what was going on, what took place in the 70s-80s-90s in the life of the Church, specially in Brazil and Latin America. And what I talked with Frei Beto, on the informal and recorded conversations, confirm that yes, there really was a regional power project (the Great Homeland – a Pátria Grande), as an expression of the international left, specially after the creation of the Foro de São Paulo in 1990. And the instrumentalization of the Church was a cornerstone in the expansion of this project of power, with Lula as one of the key leaderships, conceived to last for a long time, a totalitarian project with the rhetoric of the democracy as a revolutionary method. Lula’s biographer was so convinced of the project’s success for the PT[1]’s capacity of organization and it’s extraordinary fundraising efficiency and base’s mobilization (NGO’s and movements created to give base to PT), all this possible through the instrumentalization of the institutions, press, academic circles, specially the Church. He told me that the popular movements (and also PT) had many bishops and  even cardinals working, in silence, on the backstage, to the realization of this power project of the left, popular movements and etc. And when they get to the positions of power (what for him was inevitable), they would make the revolution giving power to the popular councils, etc.

But what impressed me the most from those conversations, back then already, were two convictions of Frei Beto in that distant year of 1996:

1) They would make Lula president, without any doubt[2], he was absolutely convinced of that (we were still in the first term of Fernando Henrique Cardoso)

2) They would make a Latin-American Pope

And between the bishops that were working for this, they could count with D. Cláudio Hummes, back then, Fortaleza’s Archbishop.

[1] – PT is the Brazilian’s Worker Party, Lula is the party’s leader

[2] – Lula was elected president in the 2002, PT has been in power in Brazil since then

14 março, 2016

Das conversas com Frei Betto.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Em 1996, enquanto percorria um dos corredores da PUC-SP, vi um cartaz que anunciava um curso de grego, no convento dos dominicanos, na rua Atibaia, próximo dali. Eu não tinha suficiente informação, na época, para saber a história daquele convento (um reduto esquerdista, ninho dos TLs, onde residia Frei Betto), e inscrevi-me no curso, tendo sido, por alguns meses, aluno da Ir. Sônia de Fátima Battagin, que depois viajou como missionária para o Gabão.

99099c1c-ab73-4053-af4c-fbc6f617444a

Eram duas aulas no mesmo dia, uma no começo e outra no final da manhã, ficando, portanto com um intervalo de quase uma hora e meia, em que eu ficava aguardando na biblioteca do convento. Foi lá que tomei contato, mais profundamente, com toda a literatura marxista que já grassava dentro da Igreja, nos seminários, faculdades, etc., teses de doutorado e mestrado, as obras de Gustavo Gutierrez, Joseph Comblin, Leonardo Boff et caterva.

Enquanto lia aquilo tudo, com uma certa tristeza, constatava que não tinha nada a ver com o Catecismo da Igreja Católica, era um outro conteúdo, uma deturpação, uma corrosão e um desvio de doutrina, com todos os reducionismos e equívocos que fariam da ideologização da fé um dos piores efeitos da Teologia da Libertação e do relativismo.

Como frequentei a biblioteca por alguns meses, nos intervalos das aulas de grego, Frei Betto passava por lá, conversava com quem lá estava, trocava ideias, e, em alguns momentos, conversamos sobre toda aquela literatura, a crise da Igreja pós Vaticano II, sendo ele um ardoroso defensor da democratização da Igreja, do sacerdócio feminino, do celibato opcional, etc. Ele então, de bom grado, aceitou que gravássemos as conversas, que eu pretendia transcrevê-las para estudo e publicação, com todos os questionamentos que eu desejava fazer, mesmo ainda sem ter grande conhecimento do quanto tudo aquilo destoava da sã doutrina católica.

Somente agora, vinte anos depois, revendo aquelas fitas, pude entender o que estava acontecendo, o que ocorreu nos anos 70-80-90 na vida da Igreja, especialmente no Brasil e na América Latina. E o que conversei com Frei Betto, nas conversas gravadas e informais, confirma que havia, sim, um projeto de poder regional (a Pátria Grande), como expressão do internacionalismo de esquerda, especialmente após a criação do Foro de São Paulo, em 1990. E o aparelhamento da Igreja foi fundamental para a expansão desse projeto de poder, com Lula como uma das lideranças-chaves desse projeto de poder, concebido para ser duradouro, um projeto totalitário, com a retórica da democracia como método revolucionário. O biógrafo de Lula estava tão convencido do sucesso desse projeto de poder pela capacidade de organização do PT e de sua extraordinária eficácia na captação de recursos e da mobilização das bases (das OnGs e movimentos criados para dar suporte ao PT), tudo isso possível pelo aparelhamento das instituições, da imprensa, dos meios acadêmicos, especialmente da Igreja. Disse-me que os movimentos populares (e também o PT) tinham muitos bispos e até cardeais trabalhando, em silêncio, nos bastidores, para a concretização do projeto de poder das esquerdas, dos movimentos populares, etc. E que esse aparelhamento fazia a força do PT, e o tornava quase que imbatível. E chegando ao poder (o que para ele era inevitável), fariam a revolução, dando poder aos conselhos populares, etc.

Mas o que mais me impressionou daquelas conversas, já, naquela época, foram duas convicções de Frei Betto, naquele distante ano de 1996:

  1. Eles fariam Lula Presidente da República, sem dúvida alguma, ele estava absolutamente convencido disso (estávamos ainda no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso);
  2. Eles fariam um papa latino-americano.

E dentre os bispos que estavam trabalhando para isso, eles podiam contar com D. Cláudio Hummes, na época, arcebispo de Fortaleza.