Posts tagged ‘Igreja na China’

22 junho, 2019

Foto da semana.

PEQUIM, 15 Jun. 19 / 06:00 am (ACI).- As autoridades da China proibiram o funeral público e o enterro em um cemitério católico do Bispo de Tianjin, Dom Stefano Li Side, que morreu em 8 de junho, aos 92 anos, em prisão domiciliar.

Dom Li Side sempre foi fiel à Santa Sé e, por isso, foi preso várias vezes, 17 anos em campos de trabalhos forçados e exilado em um povoado em prisão domiciliar desde 1992.

Segundo informa ‘Asia News’, a Associação Patriótica Católica, o organismo do governo chinês para o controle da Igreja no país, e à qual Dom Li “sempre se recusou a pertencer, proíbe enterrar seus restos mortais em um cemitério católico”.

Um católico local disse a ‘AsiaNews’ que “o governo local é muito mais civilizado do que a Associação Patriótica”, que ordenou que o bispo não tivesse o seu funeral na Catedral de São José (Xikai), em Tianjin. Os sacerdotes que quiseram se despedir, tiveram apenas dez minutos para rezar diante de seus restos e não puderam estar na Missa de exéquias.

Sua vida

Dom Esteban Li Side nasceu em 3 de outubro de 1927, em Zunhua (Tangshan, Hebei), em uma família católica com uma longa tradição. Passou nove anos em seminários menores, estudou no Seminário Maior de Wen Sheng, em Pequim, e foi ordenado sacerdote em 10 de julho de 1955.

Assim que se instituiu a Associação Patriótica para controlar a Igreja, Pe. Li foi preso em 1958. Foi libertado em 16 de fevereiro de 1962 e retomou o seu serviço na Catedral de São José, em Tianjin. Foi preso novamente em 1963 e, até 1980, cumpriu uma sentença em campos de trabalhos forçados.

Em 15 de junho de 1982, foi ordenado em segredo como Bispo de Tianjin, mas não foi reconhecido pelo governo comunista. Em 1989, foi preso pela terceira vez depois de participar da Assembleia da Conferência Episcopal Chinesa que reivindicou ao regime maior liberdade religiosa.

Em 1991, foi libertado e retornou à Catedral de São José em Tianjin. Em 1992, as autoridades o forçaram a ir para o povoado de Liang Zhuang Zi, em meio às montanhas, onde permaneceu em prisão domiciliar até sua morte.

Desde 1992, o governo chinês tentou instituir como bispo oficial de Tianjin Dom José Shi Hongchen, que vinha da Igreja subterrânea ou clandestina e foi ordenado Bispo Auxiliar por Dom Li em 1982; entretanto, Dom Shi Hongchen morreu em 2006.

Desde 2007, a maioria dos sacerdotes da Igreja oficial expressou sua obediência a Dom Li Side. A Igreja de Tianjin tem um Bispo Coadjutor (subterrâneo), Dom Melchor Shi Hongzhen, de 92 anos, que também está em prisão domiciliar em uma cidade montanhosa na região.

A Diocese de Tianjin tem cerca de 100 mil fiéis que são atendidos por 40 sacerdotes oficiais e 20 não oficiais ou subterrâneos.

A situação dos católicos na China

Em abril de 2019, Pe. Bernardo Cervellera, especialista em Igreja Católica na China e editor da agência de notícias ‘Asia News’ informou que, “em muitas dioceses, a Associação Patriótica e o Departamento de Assuntos Religiosos continuam exigindo que todos os sacerdotes se inscrevam na associação e mantenham a ‘Igreja independente’. A este respeito, o Vaticano manifestou uma tímida reserva em uma entrevista do Cardeal Fernando Filoni concedida ao (jornal do Vaticano) L’Osservatore Romano, destacando que a pertença à Associação segundo lei chinesa deveria ser facultativa”.

Na China existe a Associação Católica Patriótica Chinesa, controlada pelo governo, e a Igreja clandestina ou subterrânea, que sempre permaneceu fiel à Santa Sé.

Na prática, afirma Pe. Cervellera, ao invés de “reconciliação” entre a Associação Patriótica e a Igreja clandestina ou subterrânea, com o acordo entre a China e o Vaticano, “há uma grande pressão sobre a comunidade subterrânea com forte interferência na vida da Igreja”.

O Acordo Provisório

Em 22 de setembro de 2018, o Vaticano anunciou a assinatura do Acordo Provisório com a China para a nomeação de bispos.

Alguns manifestaram oposição ao acordo, como o Bispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze Kiun, que em um artigo publicado em ‘The New York Times’, em 24 de outubro, escreveu: “Aos Bispos e sacerdotes clandestinos (fiéis) da China, só posso dizer-lhes isto: por favor, não comecem uma revolução. Eles (as autoridades) tomam suas igrejas? Já não podem mais celebrar? Vão para casa e rezem com suas famílias (…) Esperem por tempos melhores. Voltem para as catacumbas. O comunismo não é eterno”.

A bordo do avião no regresso de sua viagem à Letônia, Lituânia e Estônia no final de setembro do ano passado, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Eu sou responsável” pelo acordo.

Sobre os bispos que não estavam em comunhão com a Igreja até antes do acordo, como Dom Guo Jincai que participou do Sínodo dos jovens, Francisco disse que “foram estudados caso por caso. Para cada bispo fizeram um expediente e estes expedientes chegaram à minha escrivaninha. E eu fui o responsável por assinar cada caso dos bispos”.

Sobre o acordo, Francisco indicou que “a coisa é feita em diálogo, mas nomeia Roma, nomeia o Papa. Isso está claro. E rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm nas costas muitos anos de clandestinidade”.

Em 26 de setembro de 2018, o Pontífice dirigiu uma mensagem aos católicos da China e à Igreja universal, na qual solicitou “gestos concretos e visíveis” aos bispos que foram retirados da excomunhão.

17 dezembro, 2018

China: Vaticano demite bispo fiel — e o substitui por servo do regime.

Por Gloria.tv, 15 de dezembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com – O bispo de Min Dong, na China, Dom Vincent Guo Xijin, entregou sua sé ao recém regularizado bispo do regime Dom Vincenzo Zhan Silu.

O ato ocorreu em um hotel em Beijing, relatou AsiaNews.it (em 14 de dezembro). Foi o arcebispo do Vaticano, Dom Claudio Maria Celli, que incentivou Guo, em nome do Papa Francisco, a renunciar ao posto de bispo ordinário para se tornar bispo auxiliar de Zhan.

Celli disse a Guo que o Papa Francisco lhe pedia um gesto de “obediência” e de “sacrifício” [traição].

Na diocese de Min Dong, ao menos 80 mil católicos pertencem à Igreja clandestina, e menos de 10 mil frequentam a igreja oficial estatal.

Celli também pediu a renúncia do idoso bispo de Shantou, Dom Zhuang Jianjia.

4 novembro, 2018

Foto da semana.

Imagens da Igreja que combate, heroicamente, na China. “Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!” (S. Mateus, XVIII, 6-7). Créditos: Francis Choudhury

24 setembro, 2018

Igreja Católica da China jura lealdade ao Partido Comunista após acordo com Vaticano.

O Vaticano assinou no sábado um acordo dando à instituição voz decisiva na nomeação de bispos na China.

Reuters – A Igreja Católica da China reafirmou neste domingo (23) sua lealdade ao Partido Comunista, ao mesmo em que saudou um acordo histórico com o Vaticano sobre a nomeação de novos bispos.

O Vaticano assinou no sábado um acordo dando à instituição voz decisiva na nomeação de bispos na China, embora os críticos classifiquem essa manobra como uma venda aos interesses do governo.

Os cerca de 12 milhões de católicos da China estavam divididos entre uma igreja clandestina jurando lealdade ao Vaticano e à Associação Patriótica Católica, supervisionada pelo Estado.

A Igreja Católica na China disse que “vai perseverar em seguir um caminho adequado a uma sociedade socialista, sob a liderança do Partido Comunista Chinês”.

A instituição disse que “ama profundamente a pátria” e “sinceramente endossou” o acordo, esperando que as relações entre a China e o Vaticano melhorem ainda mais, acrescentou a igreja, em comentários publicados em seu site.

O Vaticano disse que o acordo, um avanço depois de anos de negociações, “não é político, mas pastoral”, e espera que isso leve à “plena comunhão de todos os católicos chineses”.

Mas as perspectivas de tal acordo dividiram comunidades de católicos em toda a China, com alguns temendo uma maior supressão se o Vaticano ceder mais controle a Pequim. Outros querem ver a reaproximação e evitar um potencial desacordo.

22 maio, 2013

“Implorar de Deus a graça de anunciar com humildade e com alegria Cristo morto e ressuscitado, de ser fiel à sua Igreja e ao Sucessor de Pedro”.

Auxilium Christianorum, ora pro nobis!Papa Francisco recorda iniciativa de seu predecessor, que dedicou o dia 24 de maio especialmente à oração pelos católicos chineses.

Da Rádio Vaticano – Francisco recordou ainda que na sexta-feira, 24, é o dia dedicado à memoria litúrgica da Beata Virgem Maria, Auxílio dos Cristãos, venerada com grande devoção no Santuário de Sheshan em Xangai.

“Convido todos os católicos no mundo a se unirem em oração com os irmãos e as irmãs que estão na China, para implorar de Deus a graça de anunciar com humildade e com alegria Cristo morto e ressuscitado, de ser fiel à sua Igreja e ao Sucessor de Pedro, e de viver a cotidianidade no serviço a seu país e aos seus compatriotas de modo coerente com a fé que professam.”

12 dezembro, 2012

“Não toca a toda a Igreja defender os legítimos direitos dos fiéis chineses?”.

Padre Lombardi faz declaração sobre bispo chinês

Cidade do Vaticano (RV) – “A Santa Sé não dispõe neste momento de informações diversas daquelas divulgadas pelos meios de comunicação”. Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa vaticana, responde assim às perguntas dos jornalistas que pediam notícias sobre a situação do bispo auxiliar de Shangai, Dom Thaddeus Ma Daqin, ao qual – segundo referiram fontes de agências – teria sido revogada a nomeação pelas autoridades chinesas. O prelado se encontra em prisão domiciliar.

No dia da sua ordenação, 7 de julho último, Dom Ma Daqin tinha apresentado demissão como membro da Associação patriótica, o organismo que controla a Igreja chinesa em nome do Estado.

Na sua resposta aos jornalistas, Padre Lombardi recordou as palavras do Cardeal Filoni, Prefeito da Propaganda Fide, que numa recente entrevista à revista Tripod sobre a posição da Santa Sé havia afirmado: “A situação continua grave. Alguns bispos e sacerdotes estão segredados ou privados da própria liberdade, como recentemente ocorreu no caso do Bispo Ma Daqin de Shanghai por ter declarado a sua vontade de dedicar-se ao ministério pastoral em tempo intergral, deixando de lado cargos que, entre outras coisas, não são nem mesmo de competência de uma Pastor. O controle sobre pessoas e sobre instituições aumentou e se recorre sempre mais facilmente a sessões de doutrinamento e a pressões”.

E Dom Filoni conclui com uma pergunta: “Diante da falta de liberdade religiosa ou na presença de fortes limites não toca a toda a Igreja defender os legítimos direitos dos fiéis chineses e primariamente à Santa Sé de dar voz a quem não tem?”. (SP)

9 novembro, 2012

O corajoso Bispo de Xangai dá um comovente testemunho de fé.

Havia apenas uma razão para a sua objeção: seu pai, seu irmão mais novo e ele mesmo foram todos encarcerados por causa de sua Fé Católica. Ele não queria ver seu amado filho sofrendo a mesma dificuldade.

Por Geraldo O’Connell | Tradução: Fratres in Unum.com – Dom Thaddeus Ma Daqin está confinado no seminário de Sheshan, na periferia de Xangai, desde 7 de julho – o dia de sua ordenação episcopal. Ele está sendo efetivamente punido em prisão domiciliar já há 125 dias por ter anunciado sua intenção de abandonar a Igreja Católica Patriótica (CPA) – o órgão criado pelas autoridades comunistas para controlar a Igreja – e por dedicar-se em tempo integral ao seu ministério pastoral.

Dom Ma Daqin.

Dom Ma Daqin.

As autoridades chinesas consideraram a sua decisão um sério desafio ao seu sistema de controle sobre a Igreja. Eles o levaram na noite de sua ordenação episcopal e desde então ele está confinado no seminário, efetivamente, em prisão domiciliar.

Isolado do mundo – os seminaristas não tiveram permissão de voltar, embora, algumas vezes, alguns católicos consigam vê-lo — Dom Ma está privado da liberdade de ir e vir e dispõe de pouca liberdade de expressão, exceto com relação ao seu blog. Ele não pode vestir trajes ou usar sua insígnia episcopal. As autoridades querer quebrantar seu espírito e fazê-lo se retratar.

O Cardeal Zen tem reivindicado a sua libertação. O Cardeal Tong tem pedido diálogo com o Governo para resolver esse problema e instou os líderes políticos mundiais a prestarem atenção aos seus apuros. O Cardeal Filoni do Vaticano denunciou o fato de que ele está “segregado e privado de suas liberdades” e enfatizou a necessidade de diálogo de alto nível entre a China e o Vaticano para resolver este e outros problemas.

Em 3 de novembro, o bispo Dom Ma, publicou em seu blog o seguinte testemunho comovente sobre a sua “Fé de uma criança”. A UCA News o editou e traduziu do chinês para o inglês.

“Fé de uma Criança”

Por Dom Thaddeus Ma Daqin

Sinto-me grato por meus pais terem falecido cedo.

Meu pai faleceu quando eu cursava o segundo ano de teologia. Passei todas as férias de inverno ao lado de seu leito. Desde que entrei para o seminário, tivemos menos chance de conversar, diferentemente de quando eu era criança e ele costumava me contar muitas histórias. Ele ficou mais calado quando aprendi a estudar e ler. Então, ele ficou gravemente enfermo, sem muita força para falar; assim, foi a minha vez de sentar-me perto de sua cama e fazer-lhe companhia silenciosa.

Eu tinha que dar sinal de vida no início do novo semestre. Se eu tivesse escrito ao reitor, dizendo-lhe sobre o meu pai, estou certo de que ele teria me deixado ficar em casa um pouco mais. Porém, quando pensei naqueles seminaristas viajando de tão longe, vindos de outras províncias, percebi que não era justo que eu, uma pessoa da diocese local, prolongasse as minhas férias.

Meu pai pediu-me para ficar tanto quanto possível e eu voltei apressado para o seminário só na véspera do início das aulas. Na manhã seguinte recebi um telefonema da minha família: meu pai havia falecido às 4h. Corri de volta para casa e encontrei seu corpo envolto em roupas brancas.

Minha mãe sofria de um raro tipo de leucemia e vinha tomando medicação chinesa e ocidental por 10 anos. Assim que fui designado para a paróquia de Nanqiao, perto de Fengxian, sua saúde deteriorou repentinamente. O médico nos contou que ela tinha três meses de vida. Não foi fácil viajar de Fengxian, que fica na periferia de Xangai, de volta para o centro da cidade para visitar a minha mãe.

Nesse meio tempo, tive febre e fiquei hospitalizado com uma pneumonia atípica; eles queriam checar para ver se era SARS [Síndrome Respiratória Aguda Grave]. Minha mãe e eu fomos enviados para hospitais diferentes, porém, conseguíamos conversar por telefone.

“Daqin, não importa,” ela me disse. “Embora a cruz que Deus nos deu seja pesada, devemos ser capazes de suportá-la. O Deus misericordioso não nos daria uma cruz que não pudéssemos carregar”. Ela viveu mais três meses, e faleceu na festa de Cristo Rei.

Sou o mais novo de três filhos. Meus pais não queriam me ver sofrer e suportariam qualquer coisa por minha causa. Todos os bons pais do mundo fazem isso, não é mesmo? E os filhos reconhecem sua responsabilidade filial de tomar conta de seus pais somente quando eles falecem?

Minha mãe me apoiou quando decidi entrar para o seminário, mas meu pai opôs-se energicamente. Havia apenas uma razão para a sua objeção: seu pai, seu irmão mais novo e ele mesmo foram todos encarcerados por causa de sua Fé Católica. Ele não queria ver seu amado filho sofrendo a mesma dificuldade.

Monumento de Nossa Senhora de Sheshan – Catedral de Sheshan, Xangai, China. Foto: Reuters.

Monumento de Nossa Senhora de Sheshan – Catedral de Sheshan, Xangai, China. Foto: Reuters.

Mas eu persisti. Fui admitido em Sheshan, que, naquela época, era o maior seminário no país. Por determinadas razões, o seminário está temporariamente suspenso nesse momento. Os seminaristas de várias dioceses que estavam estudando teologia e filosofia aqui foram transferidos. Ainda assim, ele é um lugar sagrado no meu coração e acredito que também em muitos outros corações. Localizado em Sheshan, local de peregrinações mundialmente famoso, ele é um grande presente de Deus para Xangai e para a Igreja na China.

No dia seguinte eu estava sozinho em meu quarto, rezando o terço e rezando pelos falecidos durante este mês das Santas Almas do Purgatório, quando alguns dos outros saíram para a catedral a fim de assistir à ordenação diaconal.

Pensei nos meus pais e algo aconteceu comigo: senti-me muito grato por eles terem falecido tão cedo, porque eles não precisam se preocupar comigo. Eles foram honestos e sinceros durante todas as suas vidas, mas eles sofreram um movimento político atrás do outro. Somente as pessoas de sua geração podem verdadeiramente apreciar as lutas por que passaram.

Se eles ainda estivessem vivos hoje em dia, não sei quanto eles estariam nervosos e preocupados comigo! Mesmo quando católicos começaram a vir para me ver depois de agosto, as suas primeiras palavras eram sempre “o senhor foi espancado?” e, em seguida, mais provavelmente, “o senhor parece magro e emaciado.”

Às vezes, o que você experimenta em poucos dias, semanas ou meses pode ser mais do que você já experimentou em toda a sua vida. Ao testemunhar a dinâmica entre as pessoas e suas vicissitudes, crescemos e amadurecemos, crescemos para envelhecer gradualmente.

Mesmo assim “bebi chá” [uma metáfora por ser advertido pelas autoridades governamentais] muitas vezes e foi alertado para não ter quaisquer ilusões; meus pensamentos são livres.

As pessoas me perguntam: Por que eu não fui embora? Isso se deve por causa do que meu pai me disse quando insisti em entrar para o seminário e me preparei para o sacerdócio. “Se você está determinado a ir, não volte atrás e não desista quando você estiver no meio do caminho”, ele disse. Não hesitei em responder “é claro!”

Tenho mantido essa promessa até hoje. Vou mantê-la até o dia em que envelhecer, se Deus desejar que eu chegue até a velhice.

Essa é uma promessa muito pequena que um filho fez a seu pai. É esta promessa a fé de um filho humilde e frágil?

10 julho, 2012

Rezemos pela Igreja na China. Novas sagrações episcopais ilícitas e Bispo Católico preso.

Dom Thaddeus Ma Daqin, que publicamente abandonou a “igreja estatal” e foi sagrado bispo com a aprovação do Papa, foi preso por oficiais no último fim de semana e está sendo mantido em seu seminário. Por sua vez, a Santa Sé confirmou hoje a excomunhão de novos bispos sagrados ilicitamente.

Monumento de Nossa Senhora de Sheshan - Catedral de Sheshan, Xangai, China.

Monumento de Nossa Senhora de Sheshan – Catedral de Sheshan, Xangai, China. Foto: Reuters.

China: Vaticano confirma excomunhão de bispo ordenado sem mandato do Papa

Cidade do Vaticano, 10 jul 2012 (Ecclesia) – A Santa Sé anunciou hoje que o padre Yue Fusheng incorreu numa pena de excomunhão automática (latae sentetiae) após ter sido ordenado bispo, na sexta-feira, sem autorização do Papa.

“O reverendo Joseph Yue Fusheng, ordenado sem mandato pontifício e, portanto, ilicitamente, incorreu automaticamente nas sanções previstas pelo cânone 1382 do Código de Direito Canónico”, refere um comunicado divulgado pela sala de imprensa do Vaticano.

A nota oficial acrescenta que a Santa Sé não reconhece o sacerdote como bispo da administração apostólica de Harbin, no nordeste do país, e que Yue Fusheng, de 48 anos, tinha sido chamado a não aceitar a “ordenação episcopal”.

A cerimônia foi promovida pela Associação Patriótica Católica (APC), subordinada a Pequim.

O Vaticano diz que os bispos que participaram na celebração têm de se justificar para evitar as “sanções previstas pela lei da Igreja”, entre as quais a excomunhão, para estes casos.

A Santa Sé pede também que as autoridades da China evitem “ações contrárias” ao diálogo bilateral e cesse as “celebrações ilegítimas e ordenações episcopais sem mandato pontifício”.

A declaração oficial considera como “motivo de apreço e alento” a “ordenação episcopal legítima” de D. Thaddeus Ma Daqin como bispo auxiliar da Diocese de Shangai, no sábado, mas lamenta a presença de um bispo “que não está em comunhão” com o Papa, gesto tido como “inoportuno”.

O novo bispo está em prisão domiciliária no seminário de Seshan, noticiou hoje a agência católica AsiaNews, após ter apresentado a sua demissão da APC.

A APC foi criada em 1957 para evitar interferências estrangeiras, em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado – o que inclui o controle de Pequim sobre a nomeação de bispos, pretensão não reconhecida pelo Vaticano.

24 maio, 2012

24 de maio: Papa Bento XVI designa como Dia de Oração pela Igreja na China.

9 de maio de 2012: fiéis chineses na Praça de São Pedro para a audiência semanal do Papa Bento XVI.

9 de maio de 2012: fiéis chineses na Praça de São Pedro para a audiência semanal do Papa Bento XVI.

Por News.va | Tradução: Fratres in Unum.com – Quinta-Feira, 24 de maio, é o dia dedicado especialmente à memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria, Auxílio dos Cristãos, venerada com grande devoção no Santuário de Sheshan em Xangai. Foi o que disse o Papa Bento XVI no sábado após a oração Regina Coeli na Praça de São Pedro, acrescentando como podemos nos unir em oração a todos os católicos que estão na China, para que eles possam anunciar com humildade e alegria o Cristo Ressuscitado, serem fiéis a sua Igreja e ao Sucessor de Pedro e viverem sua vida diária de maneira compatível com a fé que professamos.

[O Papa rezou:] Maria, Virgem fidelíssima, sustentai o caminho dos católicos chineses, tornai as suas orações cada vez mais intensas e preciosas aos olhos do Senhor, e antecipai a afeição e participação da Igreja universal na jornada da Igreja na China.

12 agosto, 2011

A Teologia da Libertação do Partido Comunista da China.

Soldados da Guarda Suíça Vaticana preparando-se para invadir a China

Soldados da Guarda Suíça Vaticana preparando-se para invadir a China

Por Oblatvs

A imprensa controlada chinesa publicou um artigo sobre a questão das nomeações episcopais na China. O artigo visa obviamente a um público exterior, ao qual os comunistas querem convencer de que o problema é uma questão de soberania e relação entre Estados – e não uma afronta à liberdade da Igreja. Mira igualmente um grupo de fiéis chineses, aos quais apresenta o falso problema da sobrevivência da Igreja e a evangelização na China.

Aos de fora dizem: a China não abre mão de sua soberania. Aos fiéis: estamos preocupados com o bem da Igreja.

O artigo poderia ter sido escrito pelos nossos “ideólogos da libertação”. Aliás, é possível que os “teólogos” chineses tenham colhido algumas ideias de sua recente visita à sede da CNBB. Mas, embora não tenham sido eles a escrevê-lo, haverão de subscrevê-lo.

Eis o texto:

No fim do mês passado, o Primeiro-Ministro Irlandês Enda Kenny levantou-se no parlamento e criticou abertamente a Igreja Católica por seu papel no duradouro escândalo de abuso infantil [Abuso sexual são “palavrinhas” mágicas; até quem não tem minimamente compromisso com a segurança e o bem-estar das crianças usam-nas como licença para as mais absurdas acusações contra a Igreja. E por isso, em geral, elas abrem os textos. É um recurso canalha, mas costuma funcionar.].

Ele acusou o Vaticano de interferência nos assuntos de uma estado soberano. Enda Kenny disse que o Vaticano revelou “desorganização, desconexão, elitismo, (e) narcisismo”.  E para completar, ele continuou dizendo: “Estamos cansados de ouvir falar de direito canônico. Isto aqui é uma República, o que vale é o direito civil.”

Isto, vindo do líder de um país outrora descrito por Paulo VI como “o país mais católico do mundo”. O Vaticano, como era de se esperar, chamou de volta seu enviado à Irlanda.

Para entender a natureza crucial deste evento é preciso entender a história da Europa. É a de uma constante luta contra o poder da Igreja. O poder de Roma não era apenas religioso, mas também político e econômico. À medida em que surgiam os Estados Nacionais, o jugo da jurisdição do Papa era progressivamente questionado. Impérios individuais, àquela altura Estados Nacionais tentaram separar-se. Alguns, como a Itália, limitou de fato o poder do Papa aos 44 hectares que formam o estado soberano do Vaticano, como acordado no Tratado Lateranense de 1929.

Outros estados como Inglaterra, Escandinávia e partes da Alemanha abandonaram completamente o catolicismo, sob o signo da Reforma. Poder-se-ia dizer que a obsessão americana com a separação entre Igreja e Estado provém do fato de que a tradição protestante nos Estados Unidos nasceu da luta com uma Igreja que chegou a ser mais poderosa que qualquer estado.

O resquício do poder temporal da Igreja está agora concentrado na Cidade do Vaticano e ele ainda exerce uma influência que é enormemente desproporcional ao seu diminuto tamanho. Ele nomeia cardeais em outros países, seus padres mais antigos no exterior têm proteção diplomática e, soubemos disto pelo PM irlandês, eles podem interferir nos assuntos de estados soberanos.

A história da China desenrola-se fora das terras históricas da Cristandade e sua experiência é totalmente diferente. A China pode respeitar a decisão dos Europeus de permitir ao Vaticano o tipo de liberdade de ação de que ele goza nos seus países.

É a bagagem cultural do Ocidente e um problema seu. Mas a China é bastante ciosa de seus direitos a ponto de questionar o poder do Estado do Vaticano de ter autoridade exclusiva na nomeação de padres [bispos] em terras distantes.

O Papa, vê-se, não é apenas o Vigário de Roma [Vigário de Cristo e Bispo de Roma], que é um de seus títulos. Ele é também um chefe de Estado, com soldados que portam armas de verdade, um corpo diplomático e um banco. Os Europeus podem preferir ver isto como pitoresco, mas a China questiona o princípio de deixar um estado estrangeiro ditar a outro o que ocorre em seu próprio território.

O Vaticano tem ainda uma história de intromissão na política, ameaçando de excomunhão os políticos católicos que se desviam da linha do partido, como nos idos de 1960 na Bélgica e na Holanda.

A Igreja é uma instituição admirável que leva conforto espiritual a centenas de milhões de pessoas através do mundo, mas é também pragmática, já se adaptou e se transformou, às vezes irreconhecivelmente, ao longo dos séculos.

Ela deve reconhecer que não se deve esperar que a China adira inquestionavelmente a regras culturalmente estranhas de cuja criação ela não tomou parte, menos ainda àquelas que na verdade enfraquecem a Igreja em vez de fortalecê-la.

Como os eventos da Irlanda têm mostrado, o Vaticano não tem nada a ganhar contrariando suas nações anfitriãs. O amplo apoio que o PM irlandês recebeu depois de sua diatribe demonstrou que o povo irlandês majoritariamente pôs sua lealdade ao governo acima daquela ao Vaticano, sem se tornarem menos católicos [É o que se verá.]. Instituições evoluem e o deveria também a Igreja.

Por que os chineses não podem escolher seus próprios bispos, idealmente sem a interferência de qualquer estado, seja local ou estrangeiro? Excomungá-los é uma ferramenta medieval que não tem lugar em 2011, seja na China ou alhures.

O Vaticano deveria se adaptar para levar em consideração o potencial de uma país como a China e suas diferenças culturais.

De outro modo, a Igreja arrisca-se a ser vista como mais preocupada com seu poder temporal que com as necessidades espirituais de seu rebanho chinês.

Tradução: OBLATVS