Posts tagged ‘Igreja’

10 junho, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Lições de Fátima (V).

“Pedi e recebereis, procurai e achareis, chamai e abrir-vos-ão” (S. Mateus, VII, 7).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

CARÍSSIMOS COOPERADORES E AMADOS FILHOS.

As considerações que acabamos de fazer mostram a grande oportunidade das comemorações (cinquentenárias) centenárias das aparições da Virgem Santíssima na Cova da Iria. Nessas ternas visitas que nos fez a Mãe do Céu, Ela nos recomendou a oração e a penitência porque o mundo estava imerso no pecado e Deus era sumamente ofendido. Não é diversa a situação da sociedade nos dias de hoje. E podemos bem debitar os desvios doutrinários sobre os quais chamamos a vossa atenção, podemos debitar esse dessoramento da doutrina e da moral católica ao desejo imoderado do prazer, à falta de espírito de penitência e oração. De onde a necessidade de excitarmos em nós o amor da oração e da penitência, para oferecer reparação aos Sagrados Corações de Jesus e Maria, para afastar os castigos merecidos pelos pecados do mundo, para conservar a integridade da Fé e para contribuir a que muitos pecadores se convertam.

O terço em família

tercoE em primeiro lugar, fiéis à mensagem de Fátima, recomendamos-vos, caríssimos filhos, a reza do rosário de Maria. Como seria uma bela comemoração deste feliz (cinquentenário) centenário, um presente agradável à Mãe de Deus e um penhor de salvação, se as famílias de Nossa Diocese [católicas] retornassem ao costume de se reunirem à noitinha para, com todos os membros juntos, pais e filhos, rezarem o terço do santo rosário! O rosário conta na sua história pelo menos quarenta e quatro Sumos Pontífices que o louvaram e recomendaram em mais de duzentos Documentos. Ainda o atual Papa. gloriosamente reinante [na época Paulo VI], na Encíclica “Mense Maio” nos recomendava, a nós Pastores de rebanho de Cristo, “não deixeis de inculcar com todo o cuidado a prática do rosário, a oração tão querida da Virgem e tão recomendada pelos Sumos Pontífices, por meio da qual os fiéis podem cumprir da maneira mais suave e eficaz o mandamento do Divino Mestre: “Pedi e recebereis, procurai e achareis, chamai e abrir-vos-ão” (Mat. 7, 7).

Ouvi, caríssimos filhos, a palavra autorizada do Vigário de Cristo: é o rosário a maneira mais suave, portanto a mais fácil, e ao mesmo tempo a mais eficaz de cumprir o mandamento de pedir; e, pois, igualmente a mais eficaz para obter todas as graças de que havemos mister, e acima de todas, a graça de viver e morrer na amizade de Deus.

Já muitas vezes ouvistes falar, caríssimos filhos, sobre a beleza e valor intrínseco do santo rosário. Nele falamos a Deus com as palavras do próprio Jesus Cristo, palavras que nos ensinou o Salvador precisamente para rogar ao Pai Celeste: “Quando orardes dizei assim” (Luc. 11, 2). E nele nos dirigimos à Virgem Santíssima, à  Onipotência suplicante, com a saudação que mais lhe fala ao Coração, porquanto é a saudação que Ela ouviu quando, tornando-se Mãe de Deus, se fez igualmente Mãe nossa. E para completar, o rosário nos habitua à meditação salutar dos mistérios de nossa salvação. É, pois, propriamente  a oração do fiel, e uma resolução de recitá-lo sempre será ótimo meio de comemorar o (cinquentenário) centenário de Fátima.

A devoção dos primeiros sábados

Outra devoção a que estão ligadas as visões de Fátima é a prática da comunhão reparadora dos primeiros sábados. Na Cova da Iria, a Virgem Santíssima anunciou que mais tarde viria pedir a comunhão reparadora nos primeiros sábados e com um fim determinado. Aparecendo a Lúcia a 10 de dezembro de 1925, ao pedido dessa comunhão reparadora Ela anexou a promessa de sua assistência a hora da morte. Eis suas palavras: “Olha, minha filha, meu Coração cercado de espinhos, com que me ferem os homens ingratos com suas blasfêmias e iniquidades. Tu ao menos procura consolar-me e divulga que Eu prometo assistir na hora da morte, com as graças necessárias para a salvação, a todos os que no primeiro sábado de cada mês se confessarem, comungarem, recitarem uma parte do terço e me fizerem companhia durante um quarto de hora, meditando sobre os mistérios com a intenção de me oferecer reparação”.

A consagração ao Imaculado Coração de Maria

Mas, a parte principal da mensagem de Fátima refere-se à consagração e devoção ao Imaculado Coração de Maria e à penitência.

Na Cova da Iria aprendemos que Jesus deseja implantar na terra o reinado do Coração Imaculado de Maria de sua Mãe. Por isso, condicionou a salvação do mundo à consagração e devoção a esse mesmo Coração. Não há, no entanto, verdadeira consagração à Virgem Santíssima, sem o espírito e a prática da penitência, porquanto a consagração exige que continuamente reprimamos em nós as inclinações de nossa vontade e de nossos sentidos contrárias aos desejos de Virgem Mãe.

A penitência

De onde, a penitência, no sentido próprio da palavra  –  isto é, enquanto significa o arrependimento pelos pecados cometidos e a emenda de vida  – é o meio para se chegar ao reinado do Imaculado Coração de Maria. Nossa Senhora insistia muito sobre a emenda de vida. Nos interrogatórios a que foram os pastorinhos submetidos, volta sempre esta recomendação da Senhora: que nos emendemos. A emenda pede uma mudança de atitude com relação ao mundo e os prazeres dos sentidos. O cristão é o que não tem aqui na terra morada permanente, é o que vive com o pensamento no Céu. Por isso, tem o coração desapegado dos bens que sabe que são caducos e passageiros. Aspira aos bens eternos. Assim, igualmente, ele se despoja de si mesmo. Ele sabe que não nasceu para satisfazer às inclinações más das paixões. Ele sabe que precisa mortificar os sentidos para não ceder à violência de seus impulsos. Ele sabe que precisa disciplinar a vontade, pela humildade e obediência, não venha a acontecer que, no momento oportuno, ela não saiba dobrar-se quando seria imperioso submeter-se.

Assim, amados filhos, desejamos ardentemente que, por um exercício de todos os dias, vos habitueis à renúncia de vós mesmos. Não satisfazendo aos vossos desejos e gostos a não ser dentro do que é necessário ou conveniente, e sempre procurando ficar aquém do que pediria vossa vontade ou inclinação. Cremos que com esse exercício perseverante vos ireis habituando à renúncia de vós mesmos, e ao exercício da reta intenção em todas as coisas, de maneira que termineis tendo sempre em vista fazer a santíssima vontade de Deus. Sem confiar nas vossas forças, pedi sempre à Virgem Mãe esta graça, e Ela, ao ver vossa boa vontade, não vo-la negará.

A conversão dos pecadores

Fátima nos ensina outrossim a nos sacrificarmos pelos pecadores, pela conversão dos pecadores. É admirável o que fizeram nesta intenção as crianças que viram a Virgem. Como dissemos, pedem elas meças aos Santos do Deserto. Apesar de nossa miséria, não pensemos que não nos será possível atender também neste ponto à exortação da Virgem Santíssima. Temos muito que sofrer, independentemente de nossa vontade. São os sofrimentos que Nosso Senhor nos manda com o frio, o calor, os dissabores inerentes ao nosso estado de vida, e tantas outras coisas que nos mortificam e Nosso Senhor dispõe para nosso bem. São outros tantos meios que estão em nossas mãos e dos quais podemos dispor em benefício dos pobres pecadores. Se não nos aventuramos aos grandes sacrifícios que a si se impuseram os pastorinhos de Fátima, estes pequenos sacrifícios, aos quais podemos juntar alguns outros voluntários, não deixarão de ser aceitos em benefício dos pecadores.

DILETOS COOPERADORES E AMADOS FILHOS.

Não deixemos passar estas duas datas memoráveis, o (250º) 300º aniversário do encontro da milagrosa Imagem de Nossa Senhora da Conceição aparecida, e o (50º) 100º das aparições da Virgem Mãe na Cova da Iria, sem um sério exame de consciência que purifique nosso modo de pensar e agir, que nos faça mais fiéis a Jesus Cristo, que nos afaste de proceder como o mundo hodierno, tão dado à sensualidade, tão distante do espírito do Divino Salvador. Que Nossa Senhora da Conceição que é a mesma Nossa Senhora do Rosário de Fátima vos alcance de seu Divino Filho esta graça.

E que a bênção de Deus Onipotente, Pa+dre, Fi+lho e Espírito + Santo, desça sobre vós e permaneça sempre. Amém.

Dada e passada em Nossa episcopal Cidade de Campos, sob o Nosso sinal e o selo de Nossas armas, aos dois do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e sessenta e sete, festa da Purificação da Bem-aventurada Virgem Maria. (Último capítulo da Carta Pastoral sobre a preservação da Fé e dos bons costumes, escrita por D. Antônio de Castro Mayer, então Bispo da Diocese de Campos).

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4 junho, 2017

Foto da semana.

egito

Minya, Egito, sexta-feira, 26 de maio de 2017: Criança abraça o caixão de seus pais, mortos durante ataque a ônibus por terroristas muçulmanos, no Mosteiro de São Samuel, em Minya, Egito. Os cristãos viajavam a esse mosteiro, a cerca de 100 quilômetros de Minya, quando foram atacados.

Leia mais: Cristãos sobreviventes ao ataque no Egito narram impactante história de fé das vítimas

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29 abril, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: As vestes à luz da Sagrada Escritura (I).

“Fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu” (Gênesis, III, 21).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Como muitos padres não usam mais falar contra a imodéstia das modas, muitas pessoas, sobretudo as mais novas, ficam pensando que as exigências da modéstia são invenções de alguns padres. Por isso, quero tratar deste assunto baseado na Sagrada Escritura, que é a palavra de Deus escrita para nosso ensinamento.

modestia1 – Deus criou Adão e Eva no estado de inocência, sem a concupiscência, isto é, sem o desregramento das paixões. Daí, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavam. (Confira Gênesis, II, 25). E eles conversavam familiarmente com Deus. Mas, a partir do momento que pecaram, perderam a inocência, começaram a ter maldade e então, tiveram vergonha em se verem nus, e coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. (Confira Gênesis, III, 7). Foi o que eles puderam conseguir naquele momento após o pecado. Mas embora assim cobertos na cintura, se julgaram ainda nus, tiveram vergonha e se esconderam de Deus: “E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele respondeu: Ouvi a tua voz no paraíso, e tive medo, porque estava nu, e escondi-me” ( Gênesis, III, 9 e 10). E notai que o próprio Deus não achou suficiente esta veste sumária. Eis o que diz a Bíblia em Gênesis, III, 21: “Fez também o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu”.

2 – Consideremos bem isto, porque é uma ação do próprio Deus. Quem ousará contestá-la?! Se veste fosse assim algo secundário, Deus teria deixado à critério de Adão e Eva. Considere-se, primeiramente, que Deus os vestiu assim com modéstia, embora fossem esposos e os únicos que existiam até então sobre a terra. Como tudo que Deus faz é bom, disto tiramos duas conclusões: 1ª- aqui também se aplica a palavra de São Paulo que recomenda a modéstia “porque Deus está perto” (Filipenses, IV, 5). 2ª – Deus assim agiu para servir de ensinamento à toda posteridade. A pessoa deve se vestir com modéstia não só na igreja, mas em toda parte. É claro que na igreja exigir-se-ão modéstia e decoro ainda maiores. São Paulo diz: “Do mesmo modo orem também as mulheres em trajes honestos, vestindo-se com modéstia e sobriedade” (1 Timóteo, II, 9). Considere-se, outrossim, que Deus vestiu nossos primeiros pais com TÚNICAS. A túnica, por sua própria natureza, é uma veste que satisfaz as exigências da modéstia, porque oculta inteiramente o corpo, não só enquanto o cobre, mas também enquanto não deixa transparecer a sua forma.

3 – Sobre veste, há ainda no Antigo Testamento uma outra passagem: “A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher, porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus” (Deuteronômio, XXII, 5). Estas palavras da Bíblia indicam duas coisas:

1ª – Que havia diferenciação entre o modo de se vestir dos homens e das mulheres. A própria ordem natural feita por Deus exige que as diferenças entre os sexos sejam manifestadas. Já que depois do pecado original, os corpos têm de ser cobertos, as vestes têm que ser adequadas a cada sexo. Fica assim condenada toda moda unissex.

2ª – Em segundo lugar, a Bíblia condena o travestimento, ou seja, a mulher vestir as  roupas próprias de homem, e o homem vestir as roupas próprias de mulher. A Bíblia Sagrada não falam que tipo de veste se deveria usar. Santo Tomás, citando Santo Agostinho, diz que se deve usar as vestes segundo o costume de cada região ou país, desde que sejam modestas e apropriadas para cada sexo. No Antigo Testamento, quando homens e mulheres usavam túnicas, havia diferença, sobretudo por causa dos véus que as mulheres usavam. E nos primeiros séculos do Cristianismo o véu para as mulheres era obrigatório, como diz Santo Agostinho. Santo Tomás de Aquino atesta que este costume caiu, embora a queda do mesmo  não fosse uma  coisa louvável. Mas o uso do véu para o sexo feminino continua obrigatório na igreja: pelo menos, assim fazem os fiéis tradicionalistas, obedecendo o que diz São Paulo: “Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher faça oração a Deus, não tendo véu? (1 Cor. XI, 13). E, como disse Jesus, a igreja é casa de oração.

Entre o povo fiel a Deus, procurando obedecer ao Seu preceito, desde os primeiros tempos, procurou-se um feitio de túnica para cada sexo, além das vestes complementares que davam naturalmente uma diferenciação maior, sobretudo o uso do véu para as mulheres, como já foi dito. Há, no entanto, testemunhos de que os pagãos não obedeciam
estas normas. Não reconheciam o verdadeiro Deus e a Sua Lei.   Os sacerdotes da Antiga Lei também usavam túnicas cujo modelo era bem diferente e foi indicado pelo próprio Deus. Confira Êxodo, XXVIII, 31. Nosso Senhor Jesus Cristo também se cobria com túnica. Confira S. João, XIX, 23. Há muitas outras passagens do Antigo e do Novo Testamento que mostram ser a túnica usada entre o povo. Por exemplo: Gênesis XXXVII, 32; São Mateus, V, 40; (fala também da capa); Atos, IX, 39 etc. Até hoje, os padres ( pelo menos alguns) usam a batina que é uma veste talar que lembra a túnica de Jesus. Ninguém vai dizer que
é veste feminina. O feitio da batina é muitíssimo diferente de um  vestido como hoje é usado pelas mulheres. Além disso há o colarinho que é obrigatório; e a faixa que é facultativa.

Além da primeira razão da decência para as vestes (o respeito à presença de Deus; a concupiscência própria e a vergonha natural depois do pecado original), há também uma outra razão que diz respeito ao próximo. Como depois do pecado original passou a existir no homem a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos pelos quais entram no coração os maus desejos, a lascívia, os adultérios etc., as vestes cobrindo direito o corpo se tornam necessárias também em relação ao próximo, ou seja, para se evitar o escândalo, isto é, tropeço que leva as pessoas a cair no pecado. E neste particular, indecente e condenável é não só a veste que não cubra bem o corpo, mas também quando deixa transparecer a forma do corpo ou em razão do seu próprio feitio ou por ser ajustada. Aliás, roupa muito ajustada, só pode ter uma razão de ser: a maldade. Além de ser incômoda, é, segundo a medicina, prejudicial à saúde. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou os princípios, os avisos, as regras da Moral pelos quais todos os homens devem guiar o seu modo de proceder. Segundo diz a Sagrada Escritura na Epístola aos Hebreus, XXII, 8 e 9: “Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje, e por todos os séculos”. E, por outro lado, os homens, quanto à concupiscência, são também sempre os mesmos. Daí, não pode ninguém dizer que os tempos mudaram e por isso, as advertências de Jesus não têm mais valor hoje. Consideremos, então, algumas destas advertências de Jesus. Ele falou contra os escândalos, isto é, as seduções que levam os outros ao pecado. Disse Jesus: “Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é inevitável que sucedam escândalos; mas ai daquele por quem vem o escândalo!” (São Mateus, XVIII, 7-9). Jesus advertiu igualmente: “Quem olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração” (São Mateus, V, 28). Agora, quem é que não reconhece que uma pessoa vestida menos decentemente é causa destes maus desejos e adultérios contra os quais fala Jesus acima?

E há também o escândalo das crianças que se sentem tentadas a imitar as adultas e assim vão perdendo o recato, o pudor e a pureza já desde pequenas. Jesus advertiu: “É melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar do que escandalizar uma criança” (São Mateus, XVIII, 6). Já imaginaram as contas que vão dar a Deus as mães que dão este mau exemplo às suas filhas! Os pais procurem, pois, seguir o conselho que a Bíblia Sagrada lhes dá em relação aos filhos: “Tens filhos? Ensina-os bem, e acostuma-os à sujeição desde a sua infância. Tens filhas? Conserva a pureza de seus corpos” (Eclesiástico, VII, 25 e 26). Quantas mães, no entanto, desculpam seus filhos dizendo que são jovens e devem aproveitar a mocidade. Estas ouçam o que diz a Sagrada Escritura: “Regozija-te, pois, ó jovem na tua mocidade e viva em alegria o teu coração na flor de teus anos, segue as inclinações de teu coração e o que agrada a teus olhos, mas sabe que Deus te chamará a dar contas de todas estas coisas” (Eclesiastes, XI, 9 e 10). Meditem, outrossim, nos elogios que a Bíblia faz a castidade e pureza: “Oh! quão formosa é a geração pura com o seu brilho!” (Sabedoria IV, 1). “Graça sobre graça é a mulher santa e cheia de pudor! Todo preço é nada em comparação de uma alma que pratica a castidade” (Eclesiástico, XXVI, 19 e 20).

CONCLUSÃO: A Sagrada Escritura e a Tradição são as duas bases sólidas sobre as quais se funda a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se alguém não as aceita, então vai se basear em quê? No seu modo de pensar? Nas máximas do mundo? Mas quem age assim, não é de Jesus Cristo.

NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA! CONVERTEI OS PECADORES!

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20 abril, 2017

App Missa Tridentina.

Por Ewerton Sanches – Compartilho com os senhores o primeiro aplicativo brasileiro da Missa Tridentina, desenvolvido por minha namorada, Laís Mota. Não havia até então nenhum acervo móvel com conteúdo tão abrangente quanto o deste aplicativo, onde é possível acessar não somente o ordo missae, mas também o calendário litúrgico tradicional, cantos próprios e kyriale, explicações sobre a Missa, Catecismo de São Pio X, entre outros dados. O custo é de R$0,99 apenas para cobrir as despesas de hospedagem anual do aplicativo, mesmo havendo um grande empenho da parte dela para pesquisar e compilar os dados, além da do planejamento e programação, tudo para um bem maior que é a difusão da Missa Tridentina em nosso país.

Link para aplicativo na Google Play

O aplicativo Missa Tridentina é um guia de bolso prático para os católicos que frequentam e apreciam a Missa na Forma Extraordinária também conhecida como Missa Tridentina, Missa Tradicional, Missa em Latim, Missa Gregoriana ou Rito de São Pio V.

missa

Aqui você encontrará conteúdo da Missa e material que lhe ajudará a compreender, rezar e apreciar melhor a riqueza da Missa. Você pode ter acesso ao Catecismo de São Pio X, ao Motu Próprio escrito por Bento XVI, explicações sobre a finalidade do Sacrifício, características especiais que fazem a Missa Tridentina diferente, música, formas de celebração, tempos e cores litúrgicas, etc. (fonte: Livro Tesouro da Tradição).

Apresentamos o Calendário Litúrgico anual, com as datas dos domingos e principais solenidades. Cada dia conta com uma explicação do missal sobre a liturgia daquele dia, bem como indicação da Epístola e Evangelho a serem lidos. Se você quiser salvar um ou mais dias para ser mais fácil encontrar depois, basta arrastar o dedo para favoritar e então aquele dia especial estará na aba “Favoritos”. Você também pode filtrar a exibição dos dias do calendário clicando no ícone de filtro à direita. : )

Disponibilizamos também a versão em PDF do Ordinário da Missa e também o Missal Romano Quotidiano.

Já viajou pelo Brasil e quis saber onde teria uma Missa Tridentina próxima? São exibidos no mapa, pontos onde é celebrada a Missa Tridentina nos estados brasileiros. Ao clicar em cada ponto, são exibidas informações sobre endereço, horário e contato para maiores detalhes.

O Missa Tridentina também disponibiliza partituras dos cantos gregorianos, em diferentes categorias: Próprios do Dia (Intróito, Gradual, Aleluia, Ofertório e Communio) para os domingos e solenidades, 18 Kyriales (Kyrie, Glória, Sanctus, Agnus Dei) e alguns cantos comumente utilizados nas Missas (fontes: http://www.ccwatershed.org, http://www.institute-christ-king.org).

A maior parte do conteúdo é atualizada online (requer conexão Wifi ou Celular).

Não esqueça de avaliar o aplicativo e nos deixar seu comentário aqui na GooglePlay! Ele é muito importante para continuarmos melhorando o app, proporcionando que a Missa Tridentina seja cada dia mais conhecida.

Para sugestões de mais conteúdo, envie-nos um email para missatridentinabr@gmail.com ou vá ao aplicativo, na opção “Fale Conosco” do menu e deixe-nos uma mensagem.

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Atenção: Toda divulgação comercial em FratresInUnum.com é sempre e absolutamente gratuita, contanto que útil à Igreja, e deve ser enviada para fratresinunum[arroba]gmail.com

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13 abril, 2017

Hora Santa: Quinta-Feira Santa e a prisão do Sacrário.

Accipite, et manducate ex hoc omnes...

Temos a honra de publicar esta belíssima Hora Santa composta especialmente para o dia de hoje pelo Padre Mateo Crawley-Boevey, membro da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Tendo sido curado milagrosamente no Santuário das aparições do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria em Paray-le-Monial, França, Pe. Mateo decidiu então conquistar os lares, sociedades e nações para o Sagrado Coração. Com ordens de São Pio X, iniciou sua cruzada pela Entronização do Sagrado Coração nos lares. Por quarenta anos percorreu o mundo promovendo suas famosas Horas Santas, implorando às famílias cujos lares já eram consagrados ao Sagrado Coração que não deixassem Nosso Senhor solitário, especialmente nas quintas-feiras que antecediam a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração. Até sua morte em 1960, Padre Mateo, o grande Apóstolo do Sagrado Coração, lançava em suas publicações apelos pela Comunhão reparadora, freqüente e diária, a devoção ao Santo Rosário e até mesmo o reconhecimento pela ONU dos direitos de Cristo Rei.

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24 março, 2017

Divulgação: Dr. Edson Sampel lança livro com principais documentos pontifícios sobre Nossa Senhora.

586747A Academia Marial de Aparecida (AMA), em parceria com a Libreria Editrice Vaticana e Fons Sapientiae (Distribuidora Loyola) está lançando o livro “Principais documentos dos papas sobre nossa Senhora: do beato Pio IX a Francisco” (capa dura, formato de luxo).

A obra, organizada pelo dr. Edson Sampel, membro do conselho diretor da academia, constitui um dos gestos concretos da AMA por ocasião do tricentenário do encontro da imagem da virgem Maria no Rio Paraíba, no estado de São Paulo (1717-2017). Trata-se de trabalho inédito em língua portuguesa, pois reúne, em um único volume, as encíclicas marianas. Prefacia o livro sua eminência, dom Raymundo Damasceno; apresenta-o pe. Valdivino Guimarães, CSsR, diretor da academia mariana. Para mais informações, clique aqui.

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20 março, 2017

Obras Raras do Catolicismo: nova campanha de digitalização.

Nosso amigo Paulo Frade escreve:

Caríssimos amigos do Fratres,

Salve Maria!
Iniciamos a 8ª Campanha de Digitalização do site ObrasCatolicas.com. Todas as 70 obras da 7ª Campanha, já estão disponíveis no site.  Nesta nova campanha, pretendemos digitalizar mais 47 novas obras. Para atingir nosso objetivo, precisamos atingir a nossa meta: R$ 1.500,00, que serão destinadas para cobrir as despesas com a digitalização e manutenção dos livros.
orbasraras
Clique no banner para mais informações.
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13 março, 2017

São João Eudes: “O maior sinal da ira de Deus é quando permite que, como punição por seus crimes, o povo caia nas mãos de pastores que o são mais de nome do que de fato”.

As qualidades e as excelências

de um bom pastor e de um sacerdote santo.

O maior sinal da ira de Deus sobre o seu povo, e o pior castigo que ele pode infligir sobre ele, neste mundo, é quando permite que, como punição por seus crimes, o povo caia nas mãos de pastores que o são mais de nome do que de fato, que mais exercem contra o povo a crueldade dos lobos famintos, do que a caridade dos pastores carinhosos, e que, em vez de cuidadosamente lhes oferecerem um repasto, despedaçam-no e o devoram cruelmente; em vez de levar o povo para Deus, vende-o para Satanás; em vez de dirigi-lo para o céu, arrasta-o consigo para o inferno; e, em vez de ser o sal da terra e luz do mundo, são o veneno e escuridão.

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. (Evangelho segundo S. Mateus 7,15-20)Porque nós, pastores e sacerdotes, diz São Gregório Magno, seremos condenados diante de Deus como assassinos de todas as almas que todos os dias são entregues à morte eterna pelo nosso silêncio e pela nossa negligência: Tot occidimus, quot ad mortem ire tepidi et tacentes videmus [1]. Como também, diz o mesmo santo[2], não há nada que mais ofenda a Deus (e, portanto, que mais provoque a sua ira, e atraia mais maldições, seja sobre os pastores e sobre o rebanho, sobre os sacerdotes e sobre o povo), que quando Deus vê aqueles que ele estabeleceu para a correção dos outros, darem exemplo de uma vida depravada, e em vez de evitar que ele seja ofendido, somos os primeiros a persegui-lo, já que não temos o mínimo cuidado pela salvação das almas; que sonhamos senão apenas em satisfazer nossas inclinações; que todos os nossos afetos terminam nas coisas da terra; que estamos alimentando vorazmente a vã estima dos homens, fazendo com que o mistérios da bênção sirvam à nossa ambição; que abandonamos os negócios de Deus para atender aos do mundo; e que, ocupando um lugar de santidade, tratamos apenas dos trabalhos terrestres e profanos. Quando Deus permite que as coisas sejam assim, temos com certeza uma prova de que está extremamente irado contra o seu povo, e este é o rigor mais terrível que possa exercer sobre ele, ainda neste mundo. É por isso que ele grita incessantemente a todos os cristãos: Convertimini ad me, et dabo vobis pastores juxta cor meum [3]: “Convertei-vos a mim, e eu vos darei pastores segundo o meu coração”. Isso mostra claramente que o desregramento da vida dos pastores é um castigo pelos pecados do povo; e que, por outro lado, o maior resultado da misericórdia de Deus para com o povo, e a graça mais preciosa que ele possa conceder, é quando ele dá pastores e sacerdotes segundo o seu coração, que só buscam sua glória e a salvação das almas. Este é o dom mais precioso e o favor mais insigne que a bondade de Deus pode conceder à Igreja, a dádiva de um bom pastor, seja bispo ou padre. Pois é a graça das graças e o dom dos dons, que carrega consigo todos os outros dons e todas as outras graças.

Jean Eudes, Mémorial de la vie ecclésiastique. In Œuvres complètes, Tome III, p. 22-23.

[1] Homil. 12 super Ezech.

[2] Nullum, puto, fratres charissimi, majus praejudicium ab aliis quam a Sacerdotibus tolerat Deus: quando eos quos ad aliorum correctionem posuit, dare de se exempla pravitatis cernit; quando ipsi peccamus qui compescere peccata debuimus: officium quidem sacerdotale suscipimus, sed opus officii non implemus.» Homil. 27 in Evang.

[3] Jer 3, 5.

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Nosso mais profundo agradecimento a um bom sacerdote pela tradução realizada a partir do original.

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1 março, 2017

O jejum e a abstinência na lei da Igreja.


Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

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4 fevereiro, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Da Bondade e da Malícia dos atos humanos em geral.

“Todo aquele que faz o mal, aborrece a luz” (S. João, III, 20).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

 

NB.: SUMA TEOLÓGICA de Santo Tomás de Aquino, 1ª Parte da 2ª Parte

Questão XVIII. “Em primeiro lugar devemos tratar de como uma ação humana é boa ou é má. E sobre esta primeira questão se discutem 11 artigos:

  1. Se toda ação é boa ou se há ações más.
  2. Se a ação do homem tira do objeto a sua bondade ou malícia.
  3. Se a ação do homem tira da circunstância a sua bondade ou malícia.
  4. Se a ação do homem tira do fim a sua bondade ou malícia.
  5. Se uma ação humana é especificamente boa ou má.
  6. Se o fim especifica os atos em bons e maus.
  7. Se a espécie que procede do fim está contida na que procede do objeto, como no gênero, ou se inversamente.
  8. Se há atos especificamente indiferentes.
  9. Se há atos concretamente indiferentes.
  10. Se uma circunstância especifica o ato moral como bom ou mau.
  11. Se toda circunstância que aumenta a bondade ou a malícia especifica o ato moral com bom ou mau.

ARTIGO I – Se todas as ações humanas são boas ou se há ações más.

OBJEÇÕES: Este primeiro artigo discute assim: Parece que todas as ações do homem são boas e nenhuma é má. [Pelo método de Santo Tomás de Aquino, a tese verdadeira é sempre a contrária à que é apresentada como parecendo ser certa].

1ª – Pois, como diz Dionísio, o mal só age em virtude do bem. Ora, a virtude do bem não produz o mal. Logo, nenhuma ação é má.

2ª – Ademais. – Nada age senão enquanto atual. Ora, nada é mau por ser atual, mas por ser a potência privação do ato; pois, um ser é bom na medida em que a potência é aperfeiçoada pelo ato, como diz Aristóteles. Ora, nada age enquanto mau, mas só enquanto bom. Logo, todas as ações são boas e nenhuma é má.

3ª – Ademais. – Só acidentalmente o mal pode ser causa, com se vê claramente em Dionísio. Ora, de toda ação há de resultar algum efeito, necessariamente. Logo, nenhuma é má, mas todas são boas. Mas, ao contrário (SED CONTRA) diz o Senhor em João III, 20: “Todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz”.

RESPONDEREI as objeções, explicando antes os termos: Devemos dizer do bem e do mal das ações como se fala do bem e do mal das coisas, porque há proporção entre estas e as suas ações. Ora, cada coisa é boa na mesma medida em que é [=existe]: pois o bem e o ser se convertem,[=se equiparam] como já se disse na primeira parte (q. , a. I, 3ª). Só Deus porém tem toda a plenitude do ser, por causa da sua unidade e simplicidade; ao passo que as criaturas possuem a plenitude do ser que lhes convém, de modo múltiplo. Assim, umas possuem o ser de modo relativo, e contudo falta-lhes algo à plenitude devida. A plenitude do ser humano, p. ex. implica a composição de alma e corpo, com todas as potências e instrumentos do conhecimento e do movimento; por onde, a quem faltar um desses elementos, faltar-lhe-á algo da plenitude do seu ser. Pois quanto tiver de ser, tanto terá de bondade; e na medida em que lhe faltar algo da plenitude do seu ser, nessa mesma medida, lhe faltará a bondade e será considerado mau; assim, para um cego é bem o viver; e mal, estar privado da visão. Se porém não tivesse nenhum ser ou nenhuma bondade, não poderia considerar-se mau nem bom. Como, porém, da essência do bem é a plenitude do ser, o ente a que faltar a plenitude que lhe é devida, não será considerado bom, absoluta, mas relativamente, enquanto ser; poderá contudo ser considerado ser, absolutamente, e não ser, relativamente, conforme se disse na primeira parte (q, 5, a. I, ad 1).

Assim pois devemos concluir que toda ação, na medida em que é, nessa mesma medida é boa; e lhe faltará a bondade, sendo, por isso considerada má, na mesma medida em que lhe faltar algo da plenitude do ser devido; p. ex., se lhe faltar a quantidade determinada exigida pela razão, ou o lugar devido, ou coisa semelhante. [Agora, depois da explicação dos termos, temos condições de responder às objeções].

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO [Antes de lermos a resposta, é bom reler a objeção enumerada no início]. – O mal age em virtude do bem deficiente. Se pois o bem faltasse totalmente, não haveria ser nem ação; e se o bem não fosse deficiente [i. é, nada lhe faltasse do seu ser devido] não haveria mal. Por onde, a ação causada, em virtude de um bem deficiente, há de ser também deficientemente boa: é boa,relativamente; e é má, absolutamente.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: Nada impede  que um ser tenha, num ponto de vista, a atualidade [possui em ato uma qualidade que é devida ao seu ser] que o faz agir e, noutro ponto de vista, tenha a privação do ato, que lhe causa a ação deficiente. Assim um cego, tendo as pernas sãs, pode andar; mas, privado da visão, com a qual se dirige, a marcha fica-lhe defeituosa e há de se trôpego no andar.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO: – Uma ação má pode, por si, produzir um efeito, na medida em que tiver algo de bondade e de ser. Assim, o adultério é causa de geração humana enquanto implica a união dos sexos e não, enquanto contrária a ordem racional.

Obser.: É óbvio que só teremos uma noção clara do assunto em apreço,depois de lermos a exposição dos 11 artigos. Com a graça de Deus e for de sua santíssima vontade, traduzirei e apresentarei aqui todos os 11 artigos. Trata-se de uma matéria sempre atual, mas hoje, mais do que nunca, seu conhecimento é oportuno e mesmo urgente.

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