Posts tagged ‘Irmão Roger’

29 agosto, 2008

O parecer de Yves Chiron sobre a conversão de Irmão Roger

Numa publicação de hoje, um dos articulistas do Rorate-Caeli, Carlos Antonio Palad, comenta um artigo de Yves Chiron (que nosso blog já havia citado nessa mesma polêmica) e levanta os mesmos questionamentos por nós apresentados em posts anteriores a respeito da suposta conversão do Irmão Roger Schutz, da comunidade de Taizè.

Vale relembrar: “Como comentamos anteriormente, uma suposta conspiração para ‘abafar’ a conversão de Irmão Roger só poderia alcançar algum sucesso se o próprio Irmão Roger consentisse em ser partícipe dessa farsa. Pois nada o impediria, se realmente desejasse, de procurar os meios de comunicação — que certamente dariam muito espaço — para divulgar sua conversão.”

Esperamos realmente que, apesar dessa péssima investida para esconder uma conversão que abalaria a ideologia ecumenista, a conversão de Irmão Roger tenha sido sincera. Et Fidelium animae per Dei misericordiam requiescant in pace.

A conversão do Irmão Roger de Taizè?

Em conexão com a recente postagem sobre a afiliação eclesiástica de Irmão Roger, alguém lembrou-me de um artigo que apareceu em The Remnant em 2006.
O artigo foi escrito por Yves Chiron e traduzido por Michael Matt, e afirma que Irmão Roger, de fato, foi formalmente recebido na Igreja Católica (via uma profissão de fé Católica) já em 1972. Conforme Chiron, Irmão Roger e seu próximo colaborador Max Thurian foram recebidos ao mesmo tempo. Max Thurian foi depois ordenado padre Católico e feito membro da Comissão Teológica Internacional.
Ao contrário da conversão de Max Thurian — que tornou-se de conhecimento público quando sua ordenação ao sacerdócio foi anunciada — a alegada conversão de Roger Schutz foi mantida em segredo até sua morte. Enquanto Roger Schutz afirma nunca ter rompido comunhão com ninguém, ele aparentemente parou com suas funções como pastor Calvinista e não mais presidia serviços Protestantes.
Se isso é verdade, menos sérias, mas ainda importantes questões surgem: por que o Cardeal Kasper recusou definir  a conversão do Irmão Roger como foi: uma conversão? E por que essa conversão foi mantida em segredo? Certamente um verdadeiro convertido ao Catolicismo deveria se envergonhar por  confessar sua fé? Pode-se apenas imaginar o grande número de convertidos que seriam levados à fé pelo exemplo de Irmão Roger se isso não houvesse sido escondido?

Chiron relata:

“No início de 1969, a Comunidade de Taizè recebia ‘irmãos’ católicos e depois, em 1971, um acordo foi feito para instituir uma  ‘representação’ da Comunidade de Taizè junto à Santa Sé. A ‘representação’ tinha como missão ‘negociar questões entre Taizè e a Igreja Católica em harmonia com o pensamento do Santo Padre; promover maior colaboração nas atividades ecumênicas entre Taizè e a Igreja Católica; encorajar o estabelecimento de relações orgânicas entre elas’.
Esse acordo, feito público na época (L’Osservatore Romano, 9-10 de agosto de 1971), preparou o caminho para a passagem à Igreja Católica dos dois fundadores da Taizè, Roger Schutz e Max Thurian. A ‘passagem’, essa conversão, ocorreu em 1972, na capela do Bispo de Autun, a diocese onde Taizè está localizada. Houve uma profissão de Fé Católica e então a Comunhão foi dada por Mons. Le Bourgeois. Nenhum certificado escrito resta, ao que parece, do evento, mas Irmão Roger deu testemunho oral disso e de sua adesão à Fé Católica ao sucessor de Mons. Le Bourgeois, Mons. Séguy. Mais tarde, práticas Católicas como a adoração Eucarística e o Sacramento da Confissão foram estabelecidos na comunidade da Taizè. Roger Schutz, tendo tornado-se Católico, evidentemente não mais celebrava os serviços Protestantes em Taizè ou em qualquer outro lugar e, já que ele não se tornou padre, recebia a Santa Comunhão apenas de um Padre Católico. ‘No que concerne o ministério do Papa, declarou e escreveu que a unidade dos Cristãos tem seu centro no pastor da Igreja de Cristo, que é o Bispo de Roma’.
Irmão Roger gostava de dizer: ‘Encontrei minha própria identidade Cristão ao reconciliar em mim mesmo a fé do meu passado com o mistério da Fé Católica, sem ruptura de comunhão com ninguém’ (de uma alocação do Papa João Paulo II em 1980, na época de seu encontro  com a Juventude Européia em Roma).  A expressão, repetida novamente em seu último livro (Deus apenas pode dar amor), pode ser julgada como muito insatisfatória, pois não diz nada sobre as retratações necessárias para uma conversão. Mas Irmão Roger não era um teólogo.

É verdade que o segredo de sua conversão não tem a clareza e a solenidade de uma abjuração. Mas quem ousa duvidar de sua sinceridade? Cardeal Ratzinger, dando a ele a comunhão em abril de 2005, certamente agiu com pleno conhecimento dos fatos. E é falta de modos acusá-lo ainda hoje de ter “dado comunhão a um Protestante”.

26 agosto, 2008

Se Irmão Roger pode, por que nós não?

É a pergunta que farão outros protestantes, como bem notou um dos editores de Rorate-Caeli, Carlos Antonio Palad.

Publicamos logo abaixo o artigo de um de nossos vaticanistas preferidos, Sandro Magister, sobre a polêmica entrevista do Cardeal Walter Kasper [que também segue na íntegra] ao L’Osservatore Romano, tratando do Irmão Roger, ex-prior de Taizè.

É interessante notar como certos neo-conservadores não podem sequer conceber a possibilidade de um erro das autoridades ao administrar a comunhão ao Irmão Roger, levantando algumas suspeitas mirabolantes sobre sua conversão. Sobre essa insistente insinuação de que Irmão Roger converteu-se (falando alguns em “conversão secreta”), não podemos deixar de citar o próprio Cardeal:

“[…] sería preferible no aplicar a su persona categorías que él mismo juzgaba inapropiadas para su experiencia y que además la Iglesia Católica no ha querido nunca imponerle. Incluso en esto, las palabras del propio hermano Roger deberían bastarnos.”

Conversão: algo que o próprio Irmão julgava inapropriado e que a Igreja Católica nunca quis impor. Mas certas pessoas querem…

Algo que merece ser observado na entrevista do purpurado: segundo o Cardeal Kasper, a amizade do Irmão Roger com os Papas pós-conciliares “[…] viene del Espíritu Santo que es coherente en lo que inspira en el mismo momento a diferentes personas, por el bien de la Iglesia única de Cristo. Cuando habla el Espíritu Santo, todos comprenden el mismo mensaje, cada uno en su propia lengua.”

Comentário dúbio que não poderia ser mais infeliz! Afinal, a língüa humana não era para eles, pessoas cultas e poliglotas, problema algum. O Cardeal dá a entender que o Espírito Santo comunica tanto a Irmão Roger e aos Papas, protestantes e católicos, a mesma mensagem; entretanto, a cada um o Espírito Santo fala em sua própria lingüa, isto é, adaptando-se às limitações doutrinárias de cada denominação. As verdades de Fé, portanto, são meras expressões da experiência, do sentimento religioso que é interno, inefável.

Se formos levar esse argumento às últimas conseqüências, considerando que São Paulo ensina que “já não há judeu nem grego; não há servo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo” (Gl 3, 28), podemos concluir que todos, protestantes e católicos, são um só em Cristo e que todas as divergências são problemas de lingüagem que o Espírito Santo se incumbe de resolver!

Doutrina modernista, condenada pelo Magistério Infalível da Igreja.

Como comentamos anteriormente, uma suposta conspiração para ‘abafar’ a conversão de Irmão Roger só poderia alcançar algum sucesso se o próprio Irmão Roger consentisse em ser partícipe dessa farsa. Pois nada o impediria, se realmente desejasse, de procurar os meios de comunicação — que certamente dariam muito espaço — para divulgar sua conversão.

Mas para isso seria necessário romper com a heresia ecumenista e dar-lhe um golpe fatal, que certamente arruinaria a comunidade de Taizè e todo o movimento ecumênico. E nesse caso, talvez o respeito humano e a ideologia ecumênica tenham falado mais alto…

Pois Irmão Roger preferiu aderir ao catolicismo, sem romper com ninguém.

¿El fundador de Taizé era protestante o católico? Un cardenal resuelve el enigma

El Padre Roger Schutz fue las dos cosas. Se adhirió a la Iglesia de Roma permaneciendo pastor calvinista. Wojtyla y Ratzinger le dieron la comunión. El cardenal Kasper explica cómo y por qué

por Sandro Magister

ROMA, 25 de agosto del 2008 – En una entrevista publicada en “L’Osservatore Romano” el día de la Asunción de la Virgen María, el cardenal Walter Kasper, presidente del pontificio consejo para la promoción de la unidad de los cristianos, ha resuelto un enigma relacionado al fundador de la comunidad ecuménica multiconfesional de Taizé, el padre Roger Schutz (en la foto).

El enigma se refería a la relación de Schutz con la Iglesia católica. Schutz era pastor protestante, de tradición reformada y de matriz calvinista. Después de su muerte – ocurrida a la edad de 90 años a manos de una desequilibrada el 16 de agosto del 2005, durante la plegaria de la noche en presencia de 2500 fieles – la comunidad de Taizé desmintió que él se hubiese convertido al catolicismo de manera secreta. Pero como respaldando conversión había diferentes factores: Schutz había recibido varias veces la comunión eucarística de mano de Juan Pablo II; comulgaba cada mañana en la iglesia de Taizé, en la misa celebrada en rito católico; y en fin, el mismo cardenal Joseph Ratzinger le había dado la comunión, en la plaza San Pedro, en la misa de los funerales del Papa Karol Wojtyla.

Hecho Papa, con el nombre de Benedicto XVI, Ratzinger comentó con palabras sentidas – el 19 de agosto del 2005 en Colonia, reunido con representantes de las Iglesias y comunidades cristianas no católicas – la muerte de Schutz ocurrida tres días antes en Taizé. Lo señaló como ejemplo luminoso de “ecumenismo interior y espiritual”, hecho sobre todo de oración. Recordó haber tenido con él “una relación cordial de amistad” y haber recibido precisamente en el día de su muerte una carta suya de adhesión a él como Papa.

Benedicto XVI también mantiene una excelente relación con el sucesor de Schutz, el Hermano Alois Leser, 54 años, alemán, católico. Lo recibe en audiencia privada al menos una vez al año. La firma del Hermano Alois aparece frecuentemente en “L’Osservatore Romano”, cuyo director, Giovanni Maria Vian, es también desde hace muchos años un gran estimador de la comunidad de Taizé.

‘Pero cómo es que Kasper resuelve el enigma? Él niega que el Padre Schutz se haya “formalmente” adherido a la Iglesia católica. Menos aún que haya abandonado el protestantismo en el cual nació. Afirma en cambio que él “enriqueció” progresivamente su fe con los baluartes de la fe católica, en particular el rol de María en la historia de la salvación, la presencia real de Cristo en la eucaristía y el “misterio de la unidad ejercitado por el obispo de Roma”. En respuesta a esto, la Iglesia católica aceptó que él comulgase.

Según las palabras de Kasper, es como si entre Schutz y la Iglesia de Roma hubiera existido un pacto no escrito, “yendo más allá de ciertos límites confesionales” y canónicos.

Dejemos al cardenal la explicación precisa del ecumenismo “espiritual” representado por el padre Schutz. El cual, una vez dijo de sí mismo: “He encontrado mi identidad de cristiano reconciliando en mí mismo la fe de mis orígenes con el misterio de la fe católica, sin ruptura de comunión con ninguno”.

Aquí el texto completo de la entrevista, publicada en “L’Osservatore Romano” del 15 de agosto del 2008:

Roger Schutz, el monje símbolo del ecumenismo espiritual

Entrevista con Walter Kasper

D. – Han pasado tres años desde el fallecimiento trágico del hermano Roger, el fundador de Taizé. Usted mismo fue a presidir sus exequias. ‘Quién era para usted?

R. – Su muerte me conmocionó mucho. Estaba en Colonia por la Jornada Mundial de de Juventud cuando nos enteramos del fallecimiento del hermano Roger, víctima de un acto violento. Su muerte me recordaba las palabras del profeta Isaías sobre el Servidor del Señor: «Maltratado, se humilla, no abre la boca, como un cordero llevado al matadero, como una oveja ante los que la esquilan» (Is. 53,7). Durante toda su vida, el hermano Roger siguió el camino del Cordero: por su dulzura y su humildad, por su rechazo a todo acto de grandeza, por su decisión de no hablar mal de nadie, por su deseo de llevar en su propio corazón el dolor y las esperanzas de la humanidad. Pocas personas de nuestra generación han encarnado con tanta transparencia el rostro humilde de Jesucristo. En una época turbulenta para la Iglesia y para la fe cristiana, el hermano Roger era una fuente de esperanza reconocida por muchos, incluido yo mismo. Como profesor de teología y después como Obispo de Rottenburg-Stuttgart, siempre animé a los jóvenes a pasar unos días en Taizé durante el verano. Veía cómo esa estancia cerca del hermano Roger y de la Comunidad les ayudaba a conocer mejor y a vivir la Palabra de Dios, con alegría y simplicidad. Todo esto lo sentí más cuando presidí la liturgia de su funeral en la gran iglesia de la Reconciliación en Taizé.

D. – ‘Cuál es, bajo su punto de vista, la contribución propia del hermano Roger y de la Comunidad de Taizé al ecumenismo?

R. – La unidad de los cristianos era verdaderamente uno de los deseos más profundos del prior de Taizé, igual que la división de los cristianos fue para él una auténtica fuente de dolor y de tristeza. El hermano Roger era un hombre de comunión, que no llevaba bien ninguna forma de antagonismo o de rivalidad entre personas o comunidades. Cuando hablaba de la unidad de los cristianos y de sus encuentros con representantes de diferentes tradiciones cristianas, su mirada y su voz mostraban con qué intensidad de caridad y de esperanza deseaba que “todos sean uno”. La búsqueda de la unidad era para él como un hilo conductor hasta las decisiones más concretas de cada día: acoger con alegría toda acción que pueda acercar a los cristianos de tradiciones distintas, evitar toda palabra o gesto que pudiera retrasar su reconciliación. Practicaba este discernimiento con una atención que rozaba la meticulosidad. En esta búsqueda de la unidad, sin embargo, el hermano Roger no tenía prisa ni estaba nervioso. Conocía la paciencia de Dios en la historia de la salvación y la historia de la Iglesia. Nunca hubiera realizado actos inaceptables para las Iglesias, nunca hubiera invitado a los jóvenes a separarse de sus pastores. Más que el desarrollo rápido del movimiento ecuménico, buscaba su profundidad. Estaba convencido que sólo un ecumenismo alimentado por la palabra de Dios, la celebración de la Eucaristía, la oración y la contemplación sería capaz de reunir a los cristianos en la unidad deseada por Jesús. En este ámbito del ecumenismo espiritual es donde me gustaría colocar la importante contribución del hermano Roger y de la Comunidad de Taizé.

D. – El hermano Roger describió a menudo su evolución ecuménica como una « reconciliación interior de la fe de sus orígenes con el misterio de la fe católica, sin ruptura de comunión con nadie » Ese recorrido no se enmarca en las categorías habituales. Tras su muerte, la comunidad de Taizé ha desmentido los rumores de una conversión secreta al catolicismo. Esos rumores nacieron, entre otras cosas, porque se le vio comulgar a manos del Cardenal Ratzinger durante las exequias del Papa Juan Pablo II. ‘Qué le parece la afirmación según la cual el hermano Roger se habría vuelto “formalmente” católico?

R. – Viniendo de una familia protestante, el hermano Roger había realizado estudios de teología y se había ordenado pastor en esta misma tradición protestante. Cuando hablaba de la «fe de sus orígenes» se refería a ese bello conjunto de catequesis, devoción, formación teológica y testimonio cristiano recibidos en la tradición protestante. Compartía ese patrimonio con todos sus hermanos y hermanas de adhesión protestante, con los que siempre se ha sentido profundamente unido. Desde sus primeros años de pastor, sin embargo, el hermano Roger buscó igualmente alimentar su fe y su vida espiritual con las fuentes de otras tradiciones cristianas, cruzando así ciertos límites confesionales. Decía ya mucho de esta búsqueda su deseo de seguir una vocación monástica y fundar, con esta intención, una nueva comunidad monástica con Cristianos de la Reforma.

A lo largo de los años, la fe del prior de Taizé se fue enriqueciendo progresivamente del patrimonio de fe de la Iglesia Católica. Según su propio testimonio, entendía algunos aspectos de la fe mediante el misterio de la fe católica, como el papel de la Virgen María en la historia de la salvación, la presencia real de Cristo en los dones eucarísticos y el ministerio apostólico en la Iglesia, incluido el ministerio de unidad ejercido por el Obispo de Roma. Como respuesta, la Iglesia Católica había aceptado que comulgara en la eucaristía, como hacía cada mañana en la gran iglesia de Taizé. Igualmente, el hermano Roger recibió la comunión en múltiples ocasiones de manos del Papa Juan Pablo II, al que le unía una amistad desde los tiempos del Concilio Vaticano II, y que conocía bien su evolución en la fe católica. En este sentido no había nada secreto o escondido en la actitud de la Iglesia Católica, ni en Taizé ni en Roma. En el momento de los funerales del Papa Juan Pablo II, el Cardenal Ratzinger no hizo más que repetir lo que ya se hacía antes en la Basílica de San Pedro en la época del difunto Papa. No había nada nuevo o premeditado en el gesto del Cardenal.

En una alocución al Papa Juan Pablo II, en la Basílica de San Pedro, durante el Encuentro Europeo de Jóvenes en Roma de 1980, el prior de Taizé describió su propia evolución y su identidad de cristiano con estas palabras: «Encontré mi propia identidad cristiana reconciliando en mi mismo la fe de mis orígenes con el misterio de la fe católica, sin ruptura de comunión con nadie». En efecto, el hermano Roger nunca había querido romper con «nadie», por razones que estaban esencialmente ligadas a su propio deseo de unión y a la vocación ecuménica de la Comunidad de Taizé. Por esta razón, prefería no utilizar ciertos términos como «conversión» o adhesión «formal» para calificar su comunión con la Iglesia Católica. En su conciencia, había entrado en el misterio de la fe católica como alguien que crece, sin deber «abandonar» o «romper» con lo que había recibido o vivido antes. Se podría hablar mucho del sentido de ciertos términos teológicos o canónicos. Sin embargo, por respeto a la evolución en la fe del hermano Roger, sería preferible no aplicar a su persona categorías que él mismo juzgaba inapropiadas para su experiencia y que además la Iglesia Católica no ha querido nunca imponerle. Incluso en esto, las palabras del propio hermano Roger deberían bastarnos.

D. – ‘Ve usted vínculos entre la vocación ecuménica de Taizé y el peregrinaje de decenas de miles de jóvenes a ese pequeño pueblo de Borgoña? En su opinión, ‘son los jóvenes sensibles a la unidad visible de los cristianos?

R. – En mi opinión, el hecho de que cada año miles de jóvenes encuentren todavía el camino a la pequeña colina de Taizé es verdaderamente un don del Espíritu Santo a la Iglesia de hoy. Para muchos de ellos, Taizé representa el primer y principal lugar donde pueden encontrar jóvenes de otras Iglesias y Comunidades eclesiales. Me siento feliz de ver que los jóvenes que llenan cada verano las tiendas y las carpas de Taizé vienen de distintos países de Europa occidental y oriental, algunos de otros continentes, que pertenecen a diferentes comunidades de tradición protestante, católica u ortodoxa y que vienen a menudo acompañados por sus propios sacerdotes o pastores. Muchos de los jóvenes que llegan a Taizé vienen de países que han conocido la guerra civil o violentos conflictos internos, con frecuencia en un pasado todavía reciente. Otros vienen de regiones que han sufrido durante varias décadas el yugo de una ideología materialista. Además hay otros, quizá la mayoría, que viven en sociedades profundamente marcadas por la secularización y la indiferencia religiosa. En Taizé, durante los momentos de oración y de reflexión bíblica, redescubren el don de comunión y de amistad que solamente el Evangelio de Jesucristo puede ofrecer. Escuchando la Palabra de Dios, descubren también la riqueza única que les fue dada por el sacramento del bautismo. Sí, creo que muchos jóvenes se dan cuenta del verdadero desafío de la unidad de los cristianos. Saben cuánto puede pesar todavía la carga de las divisiones sobre el testimonio de los cristianos y sobre la construcción de una nueva sociedad. En Taizé encuentran una «parábola de comunidad» que ayuda a superar las fracturas del pasado y a mirar un futuro de comunión y de amistad. De vuelta a casa, esta experiencia les ayuda a crear grupos de oración y de encuentro en su propio contexto de vida, para alimentar ese deseo de unidad.

D. – Antes de presidir el Consejo Pontificio para la Promoción de la Unidad de los Cristianos, ha sido Obispo de Rottenburg-Stuttgart y, como tal, acogió en 1996 un Encuentro Europeo de Jóvenes organizado por la Comunidad de Taizé. ‘Qué aportan estos encuentros de jóvenes a la vida de las Iglesias?

R. – Ese encuentro fue, efectivamente, un momento de gran alegría y profundidad espiritual para la Diócesis y sobre todo para las parroquias que acogieron a los jóvenes provenientes de diferentes países. Estos encuentros me parecen tremendamente importantes para la vida de la Iglesia. Muchos jóvenes, como le decía, viven en sociedades secularizadas. Les resulta difícil encontrar compañeros de camino en la fe y la vida cristiana. Son pocos los espacios para profundizar y celebrar la fe, con alegría y serenidad. Las Iglesias locales tienen a veces dificultades para acompañarles adecuadamente en su crecimiento espiritual. Por ello, los grandes encuentros como los organizados por la Comunidad de Taizé responden a una verdadera necesidad pastoral. Es cierto que la vida cristiana tiene necesidad de silencio y de soledad, como decía Jesús «Cierra la puerta y dirige la oración a tu Padre, que habita en lo secreto» (Mt 6,6). Pero también tiene necesidad de compartir, de encuentro, de intercambio. La vida cristiana no se vive en aislamiento, al contrario. A través del bautismo, pertenecemos al mismo y único cuerpo de Cristo resucitado. El Espíritu es el alma y el aliento que anima ese cuerpo, que le hace crecer en santidad. Por otra parte, los Evangelios hablan con frecuencia de una gran multitud que venía, a menudo, desde muy lejos para ver y escuchar a Jesús y para ser curados por él. Hoy los grandes encuentros se inscriben en esta misma dinámica. Permiten a los jóvenes comprender mejor el misterio de la Iglesia como comunión, escuchar juntos la palabra de Jesús y confiar en él.

D. – El Papa Juan XXIII denominó a Taizé como una «pequeña primavera». Por su parte, el hermano Roger decía que el Papa Juan XXIII era el hombre que más le había marcado. En su opinión, ‘por qué el Papa que tuvo la intuición del Concilio Vaticano II y el fundador de Taizé se apreciaban tanto?

R. – Cada vez que me encontraba con el hermano Roger, me hablaba mucho de su amistad con el Papa Juan XXIII primero, y después con el Papa Pablo VI y el Papa Juan Pablo II. Me contaba, siempre con gratitud y con una gran alegría, los numerosos encuentros y conversaciones que había tenido con ellos a lo largo de los años. Por un lado, el prior de Taizé se sentía muy cercano de los Obispos de Roma en su preocupación por conducir la Iglesia de Cristo por las vías de la renovación espiritual, de la unidad de los cristianos, del servicio a los pobres, del testimonio del Evangelio. Por el otro, se sentía profundamente comprendido y apoyado por ellos en su propio desarrollo espiritual y en la orientación que tomaba la joven Comunidad de Taizé. La conciencia de actuar en armonía con el pensamiento del Obispo de Roma era para él como una brújula en todas sus acciones. Nunca hubiera tomado una iniciativa que supiera que sería contraria al criterio o a la voluntad del Obispo de Roma. Además, la misma relación de confianza continúa hoy con el Papa Benedicto XVI que pronunció palabras muy emotivas por la muerte del fundador de Taizé, y que recibe cada año al hermano Alois en audiencia privada. ‘De donde venía esa estima recíproca entre el hermano Roger y los Obispos sucesivos de Roma? Sin duda, tiene su raíz en lo humano, en las ricas personalidades de estos hombres. En definitiva, diría que viene del Espíritu Santo que es coherente en lo que inspira en el mismo momento a diferentes personas, por el bien de la Iglesia única de Cristo. Cuando habla el Espíritu Santo, todos comprenden el mismo mensaje, cada uno en su propia lengua. El verdadero artesano de la comprensión y de la fraternidad entre discípulos de Cristo es él, el Espíritu de comunión.

D. – Usted conoce bien al hermano Alois, el sucesor del hermano Roger. ‘Cómo ve el futuro de la comunidad de Taizé?

R. – Aunque nos habíamos encontrado anteriormente, fue sobre todo después de la muerte del hermano Roger que he aprendido a conocer mejor al hermano Alois. Unos años antes, el hermano Roger me había confiado que todo estaba previsto para su sucesión el día que fuera necesario. Él estaba feliz con la perspectiva de que el hermano Alois tomara el relevo. ‘Quién habría podido imaginar que esta sucesión iba a tener que hacerse en una sola noche, tras un inconcebible acto de violencia? Lo que me sorprende desde entonces es la absoluta continuidad en la vida de la Comunidad de Taizé y en la acogida a los jóvenes. La liturgia, la oración y la hospitalidad continúan con el mismo espíritu, como un canto que nunca se ha interrumpido. Lo que dice mucho, no solamente de la persona del nuevo prior sino también, y sobre todo, de la madurez humana y espiritual de toda la Comunidad de Taizé. La que ha heredado el carisma del hermano Roger es la Comunidad en su conjunto, que sigue viviéndolo e irradiándolo. Conociendo a las personas, tengo plena confianza en el futuro de la Comunidad de Taizé y en su compromiso con la unidad de los cristianos. Esta confianza me viene igualmente del Espíritu Santo, que no suscita carismas para abandonarlos a la primera ocasión. El Espíritu de Dios, que es siempre nuevo, trabaja en la continuidad de una vocación y de una misión. Él es el que va a ayudar a la Comunidad a desarrollar su vocación, en fidelidad al ejemplo que el hermano Roger le dejó. Las generaciones pasan, el carisma permanece, porque es don y obra del Espíritu. Me gustaría terminar repitiendo al hermano Alois y a toda la Comunidad de Taizé mi gran estima por su amistad, su vida de oración y su deseo de unidad. Gracias a ellos, el dulce rostro del hermano Roger nos sigue siendo familiar.

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El sitio web oficial de la comunidad de Taizé, en 32 idiomas:

> Taizé

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Las palabras de Benedicto XVI dedicadas al padre Roger Schutz, en el discurso dirigido a representantes cristianos no católicos en Colonia el 19 de agosto del 2005:

“Yo deseo recordar al gran pionero de la unidad, el hermano Roger Schutz, asesinado de modo tan trágico. Yo lo conocía personalmente desde hace mucho tiempo y mantenía una cordial relación de amistad con él. Con frecuencia me visitaba y, como ya dije en Roma, el día en que fue asesinado recibí una carta suya que me ha conmovido mucho porque en ella subrayaba su adhesión a mi camino y me anunciaba que quería venir a encontrarse conmigo. Ahora nos visita desde lo alto y nos habla. Creo que deberíamos escucharlo, escuchar desde dentro su ecumenismo vivido espiritualmente y dejarnos llevar por su testimonio hacia un ecumenismo interiorizado y espiritualizado.

“Veo con especial optimismo el hecho de que hoy se está desarrollando una especie de ‘red’, de conexión espiritual entre católicos y cristianos de las diversas Iglesias y comunidades eclesiales: cada uno se compromete en la oración, en la revisión de la vida, en la purificación de la memoria, en la apertura a la caridad. El padre del ecumenismo espiritual, Paul Couturier, habló a este respecto de un ‘claustro invisible’, que acoge en su recinto a estas almas apasionadas de Cristo y de su Iglesia. Estoy convencido de que, si un número creciente de personas se une en su interior a la oración del Señor ‘para que todos sean uno’ (Jn 17, 21), dicha plegaria en el nombre de Jesús no caerá en el vacío”.

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Traducción en español de Juan Diego Muro, Lima, Perú.

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25.8.2008

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21 agosto, 2008

Ainda o Irmão Roger Schutz

O Padre de Tanouarn publicou em seu blog um comentário à biografia do Irmão Roger Scthutz, escrita por Yves Chiron. Vale a pena ler o artigo inteiro, do qual traduzimos esse seleto trecho:

Frère Roger, Le Fondateur de Taizé - Yves Chiron

Frère Roger, Le Fondateur de Taizé Yves Chiron

Pode-se dizer que antes de ser católico, Irmão Roger é fascinado pelo gênio do catolicismo. Encontra Pio XII duas vezes, recebe do Cardeal Ottaviani, velho traditionalista da Cúria, a autorização de organizar os primeiros diálogos ecumênicos entre pastores e bispos… A Igreja de Pio XII é mais livre que se fala geralmente. Roger gostou da Igreja de Pio XII, ainda que tenha tomado distância ostensiva no momento da promulgação do dogma da Assunção da Virgem Maria, deixando o seu camarada Max Thurian falar em bom protestante “de papismo” a esse respeito.

Em seguida vem a eleição de João XXIII. Imediatamente são recebidos os dois. O novo papa tem tudo para lhes seduzir. E no entanto, surpresa: Irmão Roger confidenciará ao Padre Congar: Este papa não está longe de ser “suficiente para ser formalmente herético”. O que lhe censura? Ter declarado durante a entrevista que tiveram que a Igreja não possuia toda a verdade e que era necessário “procurar juntos”.

Curioso episódio. Estamos em 1959. Reencontra-se esse espírito “de investigação da verdade”, por exemplo, no parágrafo 3º de Dignitatis Humanae…

21 agosto, 2008

Ecumenismo: reconciliar a heresia com a Igreja Católica, “sem ruptura de comunhão com ninguém”

Cardeal Ratzinger dá comunhão a Irmão Roger - Funerais de João Paulo II

Palavras do Irmão Roger Schutz, falecido prior de Taizé, citado pelo Cardeal Walter Kasper em Zenit:

“Encontrei a minha própria identidade de cristão reconciliando em mim mesmo a fé das minhas origens com o mistério da fé católica, sem ruptura de comunhão com ninguém“.

Prêmio de consolação por essa loucura modernista?

Receber a comunhão todos os dias na missa católica em Taizé, várias vezes de João Paulo II e também do então Cardeal Ratzinger.