Segurança reforçada no Vaticano por temor de ataque.

AFP – A segurança foi reforçada na praça de São Pedro, após a interceptação por serviços de inteligência estrangeiros de uma mensagem sobre um possível ataque contra o Vaticano, informa o jornal italiano Il Messaggero.

Um serviço de inteligência estrangeiro alertou durante a semana a Itália sobre a interceptação de uma conversa telefônica entre duas pessoas que falavam árabe e mencionavam uma “ação espetacular na quarta-feira no Vaticano”, afirma o jornal.

A quarta-feira é o dia em que o papa celebra a audiência geral na praça de São Pedro, diante da basílica.

Uma unidade antiterrorista italiana estabeleceu que um dos interlocutores da ligação passou pela Itália há oito meses, segundo o mesmo jornal.

O papa Francisco viajará durante a semana à Albânia. O Vaticano negou que, como especulou a imprensa, o pontífice esteja ameaçado por um ataque islamita. Mas a segurança foi reforçada no Vaticano para as audiências de quarta-feira e domingo, destacou o jornal Il Messaggero.

Em entrevista durante a semana ao jornal La Nazione, o embaixador do Iraque na Santa Sé, Habib Al Sadr, declarou que “o que o autoproclamado Estado Islâmico tem afirmado é claro: querem matar o papa, as ameaças contra o papa são reais”.

Catolicismo e guerra.

Por Thomas Pellegrino | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Ainda são trágicos os fatos dos quais temos notícia nesses últimos dias e que nos chegam do Oriente Médio, sobretudo da Síria e do Iraque. São fatos que apresentam aspectos inéditos, apesar da proliferação de toda sorte de conflitos, opressão e violência que infelizmente por muitos anos se tornou constante naquela parte do mundo.

Devido ao tipo de ameaça que veio a se concretizar, da brutalidade chocante dos atos de assassinato e limpeza étnica perpetradas pela primeira vez depois de muito tempo contra inteiras comunidades cristãs que correm o risco de ver sua própria existência física extinta, somos levados a fazer uma reflexão e esclarecer sobre quais reações são consideradas legítimas e até mesmo obrigatórias, de acordo com a autêntica doutrina católica transmitida ao longo dos séculos e que não pode ser contestada por ninguém que queira permanecer fiel aos ensinamentos da Igreja. Quais seriam as medidas de defesa em situações extremas de grande perigo nas quais belas palavras e orações absolutamente não podem ser mais o suficiente?

O cristianismo surgiu, sem dúvida, como o portador de uma mensagem revolucionária, como aquela do perdão pelas injúrias sofridas, do amor e da paz, num momento em que as guerras de conquista, rebeliões e leis violentas de retaliação, aprovadas até mesmo pelas religiões pré-existentes, eram a ordem do dia. O ensinamento de Cristo é, ao invés, aquele de amar os que nos odeiam e dar a outra face. Embora isso esteja bem claro, não significa absolutamente transformar-se em um covarde que renuncia à afirmação da justiça terrena e a auto-defesa.

Todavia, esse sempre foi e ainda é um fato chocante e sem precedentes que não serviu de exemplo sequer para as outras religiões que surgiram depois, em particular o Islamismo que é o centro da tragédia que está se desenrolando nos dias de hoje. Isso porque, precisamente, é o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, que ordena: (IX, 5): “matem os idólatras onde quer que você encontrá-los, (…), Sitie-os e resista-lhes em todas as suas emboscadas”.

E aqui não se trata de “teoria” ou apenas expressões metafóricas: já o próprio fundador daquela religião, Maomé (e, portanto, não qualquer sucessor que veio numa época posterior e que poderia ter adulterado a mensagem original), antes de morrer,  conquistou pelo poder das armas inúmeros territórios deixando pelo caminho um assombroso rastro de cadáveres.

Todos nós nos lembramos do falecido Pe. Gianni Baget Bozzo, que em um programa de televisão, há alguns anos, voltou-se contra o apresentador que repetia a mesma fábula sobre o Islã como “religião de paz”,  e  vociferou “Basta! Não podemos colocar no mesmo nível o Cristianismo que nasceu com os mártires, com o Islã que nasceu com uma espada na mão”.

Firmes em seus propósitos, os cristãos que trilharam seus primeiros passos dentro do Império Romano, por não estarem revestidos de nenhuma responsabilidade política, podiam dar-se ao luxo de não se envolverem em eventuais guerras com outros povos, fossem essas guerras ofensivas ou defensivas, mesmo porque essas eram atribuições exclusivas do Imperador. Ao mesmo tempo, quando se desencadeavam as perseguições das quais eram o alvo predileto, eles heroicamente colocavam em prática o princípio da não-violência do Evangelho, entregando-se serena e corajosamente ao martírio.

No ano de 380, no entanto, a religião cristã se tornou “legal” e a favorita tanto do Imperador Constantino como do imperador Teodósio, que a transformou não apenas na religião do Estado como também a única permitida dentro dos limites do Império.

Diante dessa nova responsabilidade de governo da maior potência do mundo, não podemos ignorar o fato de que mais cedo ou mais tarde, tal potência poderia se encontrar diante da possibilidade de um conflito armado e ainda que fosse apenas como um “último recurso ” a guerra poderia vir a ser usada contra ataques violentos e em defesa dos justos.

A fé cristã, como já foi mencionado, nunca negou a ninguém, em nenhuma de suas fontes oriundas do Evangelho, o direito à legítima defesa individual ou coletiva: no terceiro capítulo do Evangelho de Lucas, quando alguns soldados perguntam o que deveriam fazer para se batizar, João Batista responde: “não pratiquem extorsão nem acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário”.

Em nenhum momento ele os aconselha a mudar de profissão ou sugere que é indecoroso ser militar. O próprio Cristo permitia que tanto Pedro como os outros apóstolos portassem uma espada e no próprio exército da Roma pagã não faltavam entre os cristãos muitos casos de martírio de soldados que se recusaram a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, como no caso da famosa “Legião de Tebas” comandada por São Maurício.

Assim, surgiu a necessidade de regulamentar a questão teológica da “guerra”, a fim de estabelecer as condições em que ela pode ser permitida e quais são os limites que não podem ser ultrapassados para que não caiamos na violação da lei divina. No livro 19 da sua obra monumental “Cidade de Deus” (“De civitate Dei”) , escrita entre 413 e 426, tendo como cenário um império sacudido pelas invasões bárbaras, Santo Agostinho, um dos Padres da Igreja, afirma que quando agressores injustos quebram a “tranquilidade da ordem” (“tranquillitas ordinis”, ou seja, a paz internacional) e colocam em perigo todo um povo, as autoridades desse povo têm o dever de defendê-lo e trabalhar para restaurar as condições mínimas de uma ordem internacional de direito, se necessário for, pela força militar.

Séculos mais tarde, Santo Tomás de Aquino, em sua “Summa Theologiae”, fala sobre uma possível “guerra justa”, desde que:

a) seja declarada pelos Chefes de Estado e não por indivíduos privados (princípio moderno do monopólio estatal do uso da força);

b) ter uma causa justa ou para reparar injustiças;

c) que seja realizada com reta intenção, tendo como objetivo a caridade, sem crueldade ou ganância, pelo amor à paz e para o socorro dos bons.

Portanto, ainda que seja guiada por uma autoridade legítima e por uma boa causa, uma guerra pode de fato tornar-se ilícita se for animada por intenções de opressão e conquista que vão muito além da simples exigência de defesa e re-estabelecimento do estado de direito.

São esses princípios descritos acima que em todos os tempos devem informar a conduta dos cristãos diante da eventualidade de uma crise que os levem a empunhar armas.

Chegando até os dias atuais, o Catecismo da Igreja Católica, em 1997, ao citar a Constituição “Gaudium et Spes”, confirma mais uma vez que a legitimidade moral de uma guerra “cabe ao juízo prudencial daqueles que têm a responsabilidade pelo bem comum, àqueles que se dedicam ao serviço da pátria nas forças armadas e que estão a serviço da segurança e da liberdade dos povos. Se eles cumprirem seu dever, eles realmente contribuem para o bem comum da nação e para a manutenção da paz”.

A situação no Oriente Médio nos dias de hoje é tal que é extremamente oportuno o debate sobre as questões examinadas até agora.

Interrogado recentemente sobre o que se pode e deve fazer contra o avanço da violência cega contra as populações oprimidas pelo ISIS, o Papa Francisco deu respostas em termos talvez “prudentes” demais que deixaram muitos indignados, já que gostariam de ouvir de Sua Santidade uma linguagem mais explícita e menos ambígua.

Eu particularmente também prefiro a conversa sem rodeios e muitas vezes respeitosamente desaprovei esse “dito pelo não dito” ou  a tentativa de se agradar a gregos e a troianos que faz o estilo de oratória típica do atual Pontífice. Todavia eu também entendo as dificuldades que resultariam ao usar os termos agora considerados muito ultrapassados sobre a “guerra justa” para uma audiência mundial que em pleno 2014 não estão mais preparados para aceitá-los, pois  é previsível a turbulência que palavras semelhantes, embora perfeitamente adequadas e justificadas, poderiam causar.

Apesar de tudo, eu creio que o Santo Padre não deu respostas totalmente contrárias ao que está prescrito na doutrina tradicional, no tocante às reações militares legítimas.

Basicamente, Papa Francisco julgou que é lícito parar um agressor injusto e violento como o ISIS e salientou (especificando talvez com termos infelizes) “parar, não bombardear ou fazer guerra.” O problema é que com um adversário como esse, que corta sua cabeça antes mesmo de lhe perguntar qual o seu nome, você não pode “parar” senão com o uso de armas. Por outro lado, o Pontífice também propôs passar o assunto para as Nações Unidas (outra coisa que não caiu muito bem, mas este não é o lugar para nos aprofundarmos sobre isto) para que ela decida os meios com os quais se deve apenas “parar” os terroristas. A pergunta que se faz é: e quais meios poderia escolher as Nações Unidas, em uma circunstância extrema como essa, senão o uso das armas?

Finalmente, no que diz respeito a não ter que “bombardear ou fazer a guerra”, se não retirarmos esta frase do contexto original em que ela está inserida, notamos em seguida o Papa acrescentar: “quantas vezes, sob esse pretexto de parar um ‘agressor injusto’, os poderosos se apoderaram de outros povos e fizeram uma guerra de conquista”. Portanto, me parece claro que ele queria simplesmente alertar os poderes de intervenção sobre a tentação de se “fazer guerra pela guerra”, de fazer do que é uma inevitável resposta ao ISIS um pretexto e ponto de partida para operações agressivas que teriam objetivos muito além do dever sagrado de parar o agressor e anular suas capacidades ofensivas. Mesmo porque a degeneração de uma operação originalmente justa para uma guerra de dominação e conquista, como já vimos, já foi considerado como algo ilícito pelo próprio Santo Tomás de Aquino.

“Enquanto houver um só cristão na Líbia, eu não irei embora”.

O vigário apostólico de Trípoli promete a sua presença no país para ajudar a comunidade cristã

Roma, 04 de Agosto de 2014 (Zenit.org) – O vigário apostólico de Trípoli garantiu a sua fidelidade aos cristãos do país, em uma Líbia ainda assolada pela violência e pela instabilidade. “A comunidade cristã na Líbia já está reduzida ao seu mínimo, mas eu pretendo ficar aqui, mesmo que só reste um único cristão”, declarou dom Giovanni Innocenzo Martinelli à agência Fides.

“Na região da Cirenaica”, explica o vigário, “não há mais freiras. Também já está indo embora da região a maior parte dos filipinos, que são o coração da comunidade cristã na Líbia. Em Trípoli, ainda existe uma boa presença de filipinos, mas daqui também já existem muitos que estão indo embora”.

A situação é desalentadora. Prossegue dom Martinelli: “A Igreja tem relação com esta presença de leigos que trabalham no setor sanitário, e, vista a situação, este é mesmo um momento de provação bem forte. Eu não sei até onde nós vamos chegar, mas tenho a confiança de que um grupo de pessoas vai ficar aqui a serviço da Igreja”.

Apesar de que, “no momento, os combates pararam”, a situação permanece “precária” e faz com que seja um mistério “a fisionomia que o país assumirá no futuro”. Dom Martinelli afirma que o aeroporto ainda está fechado e que “as pessoas que vão embora estão partindo de barco”.

Mesmo assim, não falta a esperança nas palavras do vigário apostólico de Trípoli. “Eu ainda tenho confiança no futuro da Líbia, mas estamos nas mãos de Deus”. Por isso, dom Martinelli promete: “Enquanto houver aqui um único cristão, eu ficarei para ajudar. Mesmo que o serviço religioso tenha se reduzido ao mínimo, eu não posso abandonar os poucos cristãos que ainda estão aqui”. Finalmente, ele pede orações, porque “só a oração pode resolver situações difíceis como a da Líbia de hoje”.

O país vive afundado numa espiral de violência contínua desde a revolta de 2011, que derrubou o líder Muammar Gaddafi. Um dos cenários dos enfrentamentos é justamente o aeroporto, que se localiza a poucos quilômetros do centro da capital. No último dia 13 de julho, a milícia de Zintan, que detém o controle do aeroporto desde a queda do regime, se enfrentou com uma série de grupos rebeldes, vinculados, conforme as primeiras informações disponíveis, com os movimentos jihadistas. Na ocasião, morreram pelo menos 6 pessoas e outras 25 ficaram feridas. Também neste domingo, informa a agência Reuters, mais de 20 pessoas morreram nas batalhas entre as facções armadas que tentam controlar o aeroporto. Os enfretamentos, além disso, provocaram um grande incêndio no maior depósito de combustível da cidade.

Cansados de serem vítimas, Cristãos iraquianos se armam contra o ISIS.

“Falar de Jesus e da Paz não é suficiente”. 

Por Minuto Digital | Tradução: Fratres in Unum.com – Cansados de ser sacrificados como cordeiros e perseguidos no local que foi sua casa por 2 mil anos, alguns grupos Cristãos no norte do Iraque decidiram tomar as armas para se defender do terror do ISIS.

Henry Sarkis, de 44 anos, membro do Partido Patriótico Assírio, que é uma das organizações políticas assírias no Iraque, disse à National Geographic que seu partido armou e enviou 40 de seus membros para se unirem à Peshmerga, a força de segurança oficial do Curdistão, na luta contra o ISIS no nordoeste do Iraque.

“Estamos sendo assassinados em nossos lares, porque não nos defendermos? Então, mesmo se morrermos, morreremos com dignidade”, afirma Sarkis. “Nós não queríamos chegar a este ponto”.

Os Cristãos representam menos de 1% da população do Iraque e seu número diminuiu de cerca de 1,5 milhão em 2003 para 500 mil nos dias de hoje.

Arcebispo de Mosul: “Perdi minha Diocese para o Islã – Vocês no Ocidente também serão vítimas dos muçulmanos”.

Igreja Católica Armênia em Raqqa, Síria, atualmente escritório do ISIS.

Nossos sofrimentos de hoje são o prelúdio daqueles que vocês, europeus e cristãos ocidentais, também sofrerão no futuro próximo. Perdi minha diocese. O local físico do meu apostolado foi ocupado por radicais islâmicos que nos querem convertidos ou mortos. Porém, minha comunidade ainda está viva. 

Por favor, tentem nos compreender. Aqui os seus princípios liberais e democráticos não valem coisa alguma. Vocês devem considerar novamente a nossa realidade no Oriente Médio, porque vocês estão acolhendo em seus países um número cada vez maior de muçulmanos. Vocês também estão em perigo. Vocês devem tomar decisões fortes e corajosas, mesmo ao custo de contradizer os seus princípios. Vocês pensam que todos os homens são iguais, mas isso não é verdade: o Islã não diz que todos os homens são iguais. Os seus valores não são os deles. Se vocês não compreenderem essa realidade o suficiente, vocês se tornarão as vítimas do inimigo que acolheram em sua casa.

Dom Amel Nona

Arquieparca Católico Caldeu de Mosul, atualmente exilado em Erbil

Corriere della Sera

14 de agosto de 2014

Créditos: Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com

* * * 

Disse Santo Agostinho: “Somente posso amar aquilo que conheço…” . Assim, como são desconhecidos da quase totalidade do Ocidente Latino, não há como serem amados sem que sejam apresentados como irmãos da mesma Fé. Por isso, o vídeo a seguir traz a oração do Pai Nosso rezado/cantado segundo a tradição dos fiéis de língua siríaca (caldeus, siríacos e maronitas), inclusive com uso de cítara.

Atente-se que é o idioma de Nosso Senhor. As palavras que forem ouvidas podem/devem ser fiel reprodução do que Ele mesmo falou há quase 2 mil anos. Esses pobres perseguidos testemunham a Fé recebida de nossos Santos Padres repetindo as palavras que seguem: Aboun d’Bashmayo.

Eles devem a Bento XVI um pedido de desculpas.

Por Camillo Langone | Tradução: Thiago Telles – Fratres in Unum.com – Manuel Paleólogo, eles lhe devem um pedido de desculpas. Eles devem um pedido de desculpas a Bento XVI, a quem eles atacaram depois de tê-lo citado em Regensburg:

“Mostre-me o que o Maomé trouxe de novo, e lá você encontrará somente coisas más e inumanas, como o seu mandamento de para espalhar pela espada a fé que ele pregou”.

Hoje, quando as notícias do ex-Iraque estão mais uma vez fazendo história, e mostrando a qualquer um que tenha olhos para ver o que é verdadeiramente o Alcorão traduzido em ação, eles precisam oferecer um pedido de desculpas para ambos. Mas eles não farão isso: porque eles não acreditam em textos sagrados. Eles são europeus, e um europeu não acredita no Evangelho nem mesmo se ele for católico. Nem mesmo se ele for um sacerdote (nas Missas de domingo as únicas palavras sobre fé são aquelas escritas no Missal, enquanto as do sacerdote – homilias, admonições, conversas casuais – são melancólicas manifestações de incredulidade).

É impossível para um europeu acreditar que alguém poderia realmente crer em sua própria religião. E quanto aos italianos: de acordo com seu vocabulário, a palavra religião é definida como “uma coisa boa e humana”, então eles nunca pedirão desculpas a você ou a Bento XVI.

Aqueles que não são capazes de crer em Deus também não o são de crer na realidade: eles não são capazes de reconhecer a espada – nem mesmo quando ela está em suas gargantas.

Novo apelo do Patriarca da Babilônia dos Caldeus.

Apelo para salvar a planície de Nínive dos jihadistas e garantir proteção internacional

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Tradução: Teresa Maria Freixinho | Fratres in Unum.com – A tragédia que se alastra rapidamente entre as famílias desalojadas no norte do Iraque exige que todos ajam, uma vez que não há sinais de uma solução rápida para o destino de mais de 100.000 pessoas que fugiram de 13 aldeias na Planície de Nínive para as cidades e aldeias mais ao norte e que estão tentando sobreviver em parques e locais públicos há sete dias. Do ponto de vista espiritual e humanitário, as circunstâncias atuais para essas pessoas exiladas são inaceitáveis, ao passo que o sofrimento aumenta e os esforços internacionais para aliviar esse sofrimento são insuficientes. Atualmente não é possível confiar no Governo Central que está sendo formado, porque o processo está passando por tempos conturbados. Além disso, será necessário um bom tempo para que um novo governo restaure a ordem e a paz no país. Assim, antes que as realidades duras e pungentes aflijam ainda mais essas famílias, os Estados Unidos da América, também devido ao seu envolvimento anterior no Iraque, a União Europeia e a Liga dos Países Árabes têm a responsabilidade de agir rapidamente para encontrar uma solução. Eles precisam limpar a planície de Nínive de todos os guerrilheiros jihadistas e ajudar essas famílias desalojadas a retornarem para as suas aldeias ancestrais e reconstruírem suas vidas, a fim de que elas possam conservar e praticar a sua religião, cultura e tradições através de uma Campanha Internacional ativa e eficiente até que o Governo Central e o Governo Regional do Curdistão se tornem eficazes. Entristece-me pensar que eles possam optar pela migração como uma opção viável. Se a situação não mudar, o mundo inteiro deverá assumir a responsabilidade pelo lento genocídio de um componente genuíno e inteiro da sociedade Iraquiana e pela perda da sua herança e cultura ancestrais. O ISIS está tentando apagar todos os rastros!

Esta carta é enviada com a plena anuência dos bispos de Mosul de todas as igrejas.

+ Louis Raphael Sako

Patriarca Caldeu da Babilônia

Presidente da Assembleia dos Bispos Católicos do Iraque

Iraque – Bagdá

P.O. Box 6112

Tel.: 00964(1) 5379164

00964(1)5377693

“Se não aprenderem nada com a história, vocês serão os próximos! Levem isso a sério!”

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – O homem que fala neste vídeo é o “Bispo Geral” Copta-Ortodoxo para a Alemanha, Anba Damian. Ele é nativo do Cairo, e essa entrevista foi gravada há alguns anos. Uma vez que ataques repugnantes como os perpetrados pelo ISIS geralmente são acompanhados na mídia de um tipo de reação induzida por culpa (tipo, “não, não, o Islã é absolutamente inofensivo, e sem dúvida muito benéfico para a harmonia social e muito respeitoso de minorias quando eles são a maioria“), achamos oportuno relembrar a voz que vem da experiência, uma experiência de 1.400 anos.

“Posso lhes garantir que se vocês fugirem disso e não fizerem nada, então o que aconteceu conosco no Egito acontecerá com a sua pátria. E se vocês não aprenderem nada com a história, vocês serão os próximos! Levem isso a sério! Eu não faço um discurso de ódio. Tenho muitos amigos muçulmanos. Não estou tentando espalhar o medo. Não devemos temer, mas devemos aprender com o nosso passado.  Outrora éramos os governantes de nossa pátria, o Egito. Hoje em dia lutamos apenas para sobrevivermos. Prestem atenção na curva de  crescimento deles. Só essa  curva já indica que se não agirmos a esse respeito, um dia seremos a minoria em nosso próprio país. E sabemos como o Islã se comporta quando ele está no poder e é a maioria em comparação quando ele é a minoria. Eu estou lhes alertando. Levem a situação a sério. A minha história é a sua história. Meu passado cristão é a sua raiz cristã. Aprendam com o nosso passado. Aprendam com a nossa situação de hoje. Olhem para o futuro, um futuro que começa hoje. Essa é a razão pela qual elevo a minha voz para dizer “ não devemos olhar para o outro lado”, precisamos agir juntos para garantir um país seguro para os nossos filhos. Precisamos fazer isso para os nossos filhos, para que eles não sejam tratados como cidadãos de 2ª ou 3ª classe, considerados como seres humanos inferiores em sua própria pátria.”

Declaração do Patriarca Caldeu: a situação alarmante dos refugiados.

Fonte: Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com

A SITUAÇÃO ALARMENTE DOS REFUGIADOS

ALERTA DE UM DESASTRE AINDA MAIS MEDONHO

+Louis Raphael Sako

Patriarca Caldeu da Babilônia

Presidente da Assembleia dos Bispos Católicos no Iraque

Bagdá – Iraque

10 de agosto de 2014

A morte e a doença estão se apossando das crianças e idosos dentre milhares de famílias refugiadas espalhadas ao longo da Região do Curdistão, que perderam tudo nos trágicos acontecimentos recentes, enquanto os Militantes do ISIS ainda estão avançando e a ajuda humanitária é insuficiente.

setenta mil cristãos desalojados em Ankawa [Erbil] juntamente com as demais minorias nesta cidade, que tem uma população de mais de vinte e cinco mil cristãos. As famílias que encontraram abrigo dentro das igrejas ou escolas estão em condição relativamente boa, ao passo que aqueles que ainda estão dormindo nas ruas e parques públicos encontram-se em situação deplorável…

Em Dohuk, o número de refugiados cristãos chega a mais de 60.000 e a situação deles é pior do que a dos refugiados em Erbil. Há também famílias que encontraram abrigo em Kirkuk e Sulaymaniyah, e alguns refugiados conseguiram chegar tão longe quanto a capital, Bagdá.

Enquanto as necessidades humanitárias crescem rapidamente: habitação, alimento, água, medicamentos e recursos financeiros, a falta de coordenação internacional é lenta e limita a realização de uma assistência mais eficaz a essas milhares de pessoas que aguardam apoio imediato. As Igrejas estão oferecendo tudo dentro de sua capacidade.

Para resumir a situação das aldeias cristãs em torno de Mosul até as fronteiras do Curdistão: as igrejas estão desertas e profanadas; cinco bispos estão fora de suas dioceses, os sacerdotes e freiras saíram de suas missões e instituições, deixando tudo para trás, as famílias fugiram com seus filhos abandonando tudo! O nível de desastre é extremo.

A posição do presidente americano Obama de somente prestar assistência militar para proteger Erbil é decepcionante. As conversas a respeito de dividir o Iraque são ameaçadoras. Os americanos não estão à altura de uma solução rápida para proporcionar esperança de maneira específica, uma vez que eles não vão atacar o ISIS em Mosul e na Planície de Nínive. A confirmação de que esta situação terrível irá continuar até que as Forças de Segurança do Iraque lutarão junto com os Peshmerga contra os militantes do ISIS é muito deprimente. O Presidente da Região do Curdistão disse que suas tropas estão lutando com um Estado terrorista e não com grupos minoritários! Enquanto o país está sob fogo, os políticos em Bagdá estão lutando por poder.

Ao final, talvez Mosul não seja liberada nem as aldeias na Planície de Nínive. Não há estratégia para secar as fontes de mão de obra e os recursos desses terroristas islâmicos. Eles controlam a cidade petroleiras de Zumar e os campos de petróleo de Ain Zalah e Batma juntamente com os campos de petróleo de Al-Raqqa e Deir ez-Zor na Síria. Os combatentes extremistas islâmicos estão se unindo a eles de diferentes países do mundo.

As escolhas das famílias refugiadas:

Migração: onde e será que eles têm os documentos e dinheiro necessários?

Permanecer: nos salões e nos campos de refugiados, aguardando o verão terminar e o inverno chegar? Será que as escolas serão reabertas e suas crianças frequentarão escolas de ensino fundamental, ensino médio ou a faculdade? Será que eles serão bem-vindos nas escolas de Erbil, Duhok e Sulaymaniyah? Qual é o futuro das propriedades e bens, juntamente com os empregos dessas milhares de pessoas inocentes forçadas a fugir da noite para o dia de suas queridas aldeias?

Essas são as perguntas que devem causar dor na consciência de todas as pessoas e organizações, de modo que algo seja feito para salvar esse povo, que tem sua história nesta nação desde seus primórdios.

Santa Sé pede que autoridades, sobretudo muçulmanas, condenem barbáries no Iraque.

Cidade do Vaticano (RV) – O Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso divulgou uma mensagem nesta terça-feira, 12, sobre a restauração do califado. Eis a íntegra da mensagem:

“O mundo inteiro testemunhou incrédulo ao que agora é chamado de “Restauração do Califado”, este que foi abolido em 29 de outubro de 1923 por Kamal Araturk, fundador da Turquia moderna. A oposição a esta “restauração” pela maioria dos institutos religiosos e políticos muçulmanos não impediu que os jihadistas do “Estado Islâmico” cometessem e continuem a cometer indizíveis atos criminais.

Este Conselho Pontíficio, junto a todos aqueles engajados no diálogo inter-religioso, seguidores de todas as religiões e todos os homens e mulheres de boa vontade, pode somente denunciar e condenar, de forma inequívoca, esses atos que trazem tanta vergonha à humanidade:

– o massacre de pessoas somente pela sua fé e condição religiosa;
– a desprezível prática da decapitação, crucificação e exposição de corpos em lugares públicos;
– a escolha forçada imposta aos Cristãos e Yezidis entre a conversão ao Islã, o pagamento de um tributo (jizya) ou o exílio forçado;
– a expulsão forçada de milhares de pessoas, incluindo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes;
– o rapto de meninas e mulheres pertencentes às comunidades Yezidi e Cristã como despojos de guerra (sabaya);
– a imposição da prática bárbara da infibulação;
– a destruição dos lugares de fé e túmulos cristãos e muçulmanos;
– a ocupação forçada ou dessacralização de igrejas e monastérios;
– a remoção de crucifixos e outros símbolos cristãos assim como aqueles de outras comunidades religiosas;
– a destruição de uma inestimável herança cultural e religiosa cristã;
– violência indiscriminada com o objetivo de aterrorizar as pessoas para que estas entreguem-se ou fujam;

Nenhuma causa e, certamente, nenhuma religião, pode justificar tamanha barbárie. Isso constitui uma ofensa extremamente séria à humanidade e a Deus, como recorda frequentemente o Papa Francisco. Não podemos esquecer, todavia, que cristãos e muçulmanos conviveram em harmonia – é verdade que com altos e baixos – durante séculos, construindo a cultura pacífica da coexistência e civilização das quais têm muito orgulho. Por outro lado, é com base nisto que, em anos recentes, o diálogo entre cristãos e muçulmanos teve continuidade e intensificou-se.

A situação dramática de cristãos, yezidis e outras comunidades religiosas e minorias étnicas no Iraque requer uma posição clara e corajosa dos líderes religiosos, especialmente muçulmanos, assim como daqueles engajados no diálogo inter-religioso e todas as pessoas de boa vontade. Todos devem ser unânimes em condenar inequivocamente estes crimes e em denunciar o uso da religião para justificá-los. Caso contrário, qual credibilidade terão as religiões, seus seguidores e seus líderes? Qual credibilidade tem o diálogo inter-religioso que, pacientemente, buscamos continuar ao longo destes anos?

Líderes religiosos também são exortados a usar sua influência junto às autoridades para colocar fim a estes crimes, para punir os responsáveis e para reestabelecer as regras da lei em todo o país, assegurando o retorno à casa daqueles que foram deslocados. Enquanto recordam a necessidade de uma direção ética das sociedades humanas, estes mesmos líderes religiosos não devem falhar ao demonstrar que o apoio, o financiamento e o armamento do terrorismo é moralmente repreensível.

Dito isto, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso agradece todos que já levantaram suas vozes para denunciar o terrorismo, especialmente contra aqueles que usam a religião para justificá-lo.

Queremos, assim, unir nossa voz àquela do Papa Francisco: “Possa o Deus da paz despertar em cada um de nós o genuíno desejo para o diálogo e a reconciliação. Violência não se vence com violência. Violência se vence com a paz”.