Posts tagged ‘João Paulo II’

12 julho, 2011

Maximiliano Kolbe, um santo religiosamente incorreto?

De certa forma, todos os santos são politicamente incorretos por natureza. Mas, após o sopro ou “espírito” do Vaticano II, alguns agora são vistos dessa forma mais que outros, até aparecerem como “religiosamente incorretos”! Entre eles, aqueles que hoje estão, por assim dizer, “impedidos” de beatificação, como Pio XII ou Isabel, a Católica. Ou os que, apesar de tudo, foram beatificados ou canonizados, como Charles de Foucauld ou Maximiliano Kolbe, sobre o qual Philippe Maxence acaba de lançar uma biografia extremamente esclarecedora a esse respeito, pela editora Perrin.

Se o bem-aventurado Charles de Foucauld queria converter os muçulmanos com o apoio secular particularmente da colonização francesa, São Maximiliano Kolbe queria converter os francos-maçons com os meios modernos do jornalismo. Dois santos cujo “proselitismo” não está muito em moda! Dois testemunhos (muito?) zelosos por difundir sua fé e que morrerão ambos como “mártires da caridade”.

Mas a investigação sobre a vida e a morte de Charles de Foucauld tem mostrado que ele não foi morto, estritamente falando, por ódio à fé (embora tenha sido morto com violência como vítima de sua caridade para com seus irmãos), convindo, no entanto, os termos de “confessor da fé” para a sua beatificação por Bento XVI (em 13 de novembro de 2005). Enquanto que para Maximiliano Kolbe (condenado igualmente sem ódio ostensivo à fé) João Paulo II logrará (contra o parecer dos membros da comissão de investigação em vista da canonização) que se faça passar de “confessor da fé”, segundo os termos de sua beatificação Paulo VI (em 17 de outubro de 1971), a “mártir”, para sua canonização (em 10 de outubro de 1982, pelo próprio João Paulo II). Segundo André Frossard, autor de N’oubliez pas l’amour. La passion de Maximilien Kolbe (Robert Laffont, 1987): “Não há outro exemplo, no catálogo dos santos, de uma mudança de categoria de uma etapa a outra de uma canonização”.

E é exatamente esta mudança que “perturbou certos membros da Igreja Católica”, observa sobriamente Philippe Maxence. A santidade flagrante do mártir do amor, similar à de Charles de Foucauld ou à dos Monges de Tibhirine, não permitiria dessa forma evitar o problema da diferença, precisamente, que poderia haver entre a confissão a fé dos uns de ontem (Kolbe e Foucauld) e dos outros de hoje (mártires de Tibhirine)?

O objetivo da cavalaria espiritual que o santo franciscano lançará sob o nome de Milícia da Imaculada era inequívoco: “Procurar a conversão dos pecadores, hereges, cismáticos, judeus, etc., e, particularmente, dos francos-maçons; e a santificação de todos sob a direção e por intermediação da Bem Aventurada Virgem Maria Imaculada”.

Para ajudar a alcançá-la, fundará um jornal destinado a difundir seu espírito (com tiragem de um milhão de exemplares em 1938!). Em 1927, constrói um convento perto de Varsóvia, onde viverão quase 800 religiosos, e que abrigará uma casa de edição e uma estação de rádio, ambas dedicadas a promover a veneração da Virgem. Ardentemente missionário, procurará “exportar” esta extraordinária Cidade da Imaculada (Niepokalanow) para outros lugares, indo fundar notadamente no Japão.

Philippe Maxence comenta: “Propaganda. A palavra está livre. Maximiliano Kolbe foi também um propagandista da fé católica, não hesitando em lançar revistas e jornais, construindo mesmo um convento-gráfica a fim de ampliar o seu trabalho de apostolado pela imprensa. Em uma época mergulhada ao mesmo tempo no relativismo, que Pierre Mament chama de ‘um niilismo light’, e no terrorismo sob pretexto religioso, a figura do Padre Maximiliano Kolbe surpreende e incomoda (…). Incomoda pela certeza da veracidade desta fé, de sua preocupação constante de transmiti-la, de convencer, persuadir e salvar o outro. Esta figura possui tudo do cruzado e, no entanto, o Padre Kolbe nunca tocou em uma arma nem jamais cometeu atos de violência numa época que mergulhou com uma espécie de triste deleite na destruição de si”.

Com a proximidade de “Assis III”, esta figura polonesa (dotada ademais de um patriotismo igualmente zeloso) destoa um tanto, como ademais aquela de Charles de Foucauld. O que deu um sentido às suas vidas e às suas mortes é globalmente assumido pela pastoral pós-conciliar do diálogo inter-religioso? Alguns que evidentemente louvam suas mortes heróicas não estariam propensos hoje a julgar paradoxalmente suas vidas ligeiramente “católicas demais”, segundo a sentença nazi que condenou o Bem Aventurado Marcel Callo? O que diz a hermenêutica da continuidade, além da resposta clássica dos paradoxos do cristianismo? Questões que colocam implicitamente a muito densa e contundente biografia de Philippe Maxence, notável por sua explicação conjuntural dos acontecimentos da época e por sua descrição meticulosa do itinerário espiritual do Padre Kolbe.

JEAN COCHET

Artigo extraído do n° 7389, quarta-feira, 13 de julho de 2011, de Présent

Tradução: Fratres in Unum.com

9 junho, 2011

Entrevista de Dom Fellay. O estágio atual das discussões teológicas: “Chegamos provavelmente ao fim de uma fase”.

Da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, por ocasião de sua visita ao Gabão, 1° de junho de 2011, via La Porte Latine:

Permita-nos terminar, Excelência, com duas perguntas. A primeira tem a ver com as relações entre a Fraternidade e Roma. Em que ponto estão os senhores em vossos contatos? Pergunta complementar: é possível  esperar, a médio prazo, uma normalização dessas relações?

Os contatos continuam. Chegamos provavelmente ao fim de uma fase de discussões. Isso ainda não está completamente claro. O que vai acontecer? Qual será o resultado dessa fase? Isso responde à segunda pergunta. O que Roma prevê neste momento para nós? Não devemos nos enganar: estamos inteiramente na crise da Igreja; ela certamente não terminou. Qual é o nosso destino nesta crise? Porque creio que em algum lugar o Bom Deus nos ligou a esta crise, pois trabalhamos pela restauração da Igreja, mas ela ainda pode ainda durar uma década, talvez duas. É necessário ter muita coragem e perseverança. Isso pode se resolver amanhã, pode se resolver depois de amanhã. Tudo está nas mãos do Bom Deus. Simplesmente continuemos fiéis.

Minha segunda pergunta diz respeito ao vosso sentimento imediatamente após a beatificação do Papa João Paulo II.

Um sentimento muito mesclado. [Tem-se] A impressão de uma precipitação inacreditável, que despreza todas as regras que a Igreja mesma se deu antes de proceder esse tipo de ato. A impressão de uma imprudência. Um exemplo: quando se quer beatificar ou canonizar, examina-se muito detalhadamente o que foi dito e escrito pelo candidato que dito “venerável”. Ora, aqui a maior parte de tudo que ele escreveu se encontra nos arquivos secretos do Vaticano que ainda não foram abertos. Permanecemos, portanto, desconfortáveis. Tememos ver aí uma vontade de chancelar uma causa que João Paulo II colocou em prática, que quis continuar durante o seu pontificado, da qual quis ser o apóstolo.

22 maio, 2011

Foto da semana.

18 de maio de 2011: no dia em que João Paulo II completaria 91 anos, o município de Roma inaugurou uma estátua do pontífice de 5 metros, feita da bronze, na praça da estação Termini. Segundo o jornal La Repubblica, bastou ser descoberta e vieram os comentários dos cidadãos presentes: “Nos nos agrada. Nos envergonharemos com os turistas”. Já para o Osservatore Romano, “a sugestão da obra consiste no abraço ideal que o pontífice estava acostumado a dar aos fiéis […]. De modo geral, o resultado não parece ter alcançado o objetivo, tanto que já se levanta vozes críticas a respeito”.

17 maio, 2011

Gato por lebre.

Estupidez ou irreverência?

Falsificam imagem na Basílica de Flores

No último dia 1º de maio à tarde, a Basílica San José de Flores (Buenos Aires, Argentina) vestiu seus melhores trajes para receber o Núncio de sua Santidade, o qual, logo após celebrar solenemente a Festa da Divina Misericórdia, benzeu uma imagem do Beato Papa João Paulo II entronizada na ocasião. Talvez Mons. Adriano Bernardini não soubesse que lhe “venderam” gato por lebre. Passemos ao assunto.

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9 maio, 2011

O sacro show de Wojtyla. Assim o ex-mestre de cerimônias (Piero Marini) revela que era o Papa Polaco quem desejava todas aquelas novidades.

Por Paolo Rodari

Tradução: Fratres in Unum.com

Na cúria romana de Karol Wojtyla, Monsenhor Piero Marini não foi simplesmente o mestre de cerimônias pontifícias. Foi o continuador de uma escola que nos anos do pós- Concílio reformou a liturgia, dirigindo-a para além dos cânones e das regras da antiga tradição. Em substância, o que começou o Padre lazarista Annibale Bugnini com Paulo VI, Marini continuou na era do Papa polaco.

Procurou, a seu modo, sem conseguir se esconder de uma série de críticas ferozes manobrada principalmente pela ala conservadora da Cúria, que via nas inovações “impostas” ao Papa uma traição à Tradição.

Aqui está o ponto. Piero Marini impôs a espetacularização da liturgia pontifícia ao seu principal protagonista, o Papa, ou se adequou a um desejo expresso pelo mesmo chefe da Igreja universal? Três anos e meio após a demissão do mestre de cerimônias do Papa — em seu lugar, Bento XVI desejou um outro Marini, Guido, da nobre e rigorosa escola do Cardeal Siri — é o próprio Monsenhor Piero quem toma papel e caneta e escreve em “Io sono un Papa amabile. Giovanni Paolo II” [“Eu sou um Papa amável. João Paulo II”], um livro recém-publicado pela editora San Paolo e escrito juntamente com Bruno Cescon, a sua versão dos fatos.

Marini dedica muitas páginas à controvérsia que o envolveu nos últimos anos, até dizer que o avanços das liturgias papais foram desejados por Wojtyla, que, na verdade, “queria algo mais” no caminho que levava as suas celebrações litúrgicas a integrar elementos pertencentes às diferentes culturas do mundo, mas estranhas aos rígidos cânones romanos. Este, diz Marini, foi Wojtyla: um Papa que quebrou a rigidez da liturgia romana introduzindo novas culturas no espaço sagrado.

Cada viagem, uma nova liturgia. Cada viagem, os resmungos da comitiva papal. Estamos em 1991. Em São Luís do Maranhão, Brasil, o bispo local propõe introduzir na Missa papal uma dança. No momento do Evangelho, aparecem duas dançarinas em roupas finas, talvez de seda. Dançam. O vento agita as vestes e revela muito das respectivas nudezas.

Na sacristia, os cardeais comentam: “É possível que esses fatos devam acontecer?”. Marini disse que assim comentou o presidente da Conferência Episcopal Brasileira, Luciano Mendez de Almeida: “Mas eu vi os anjos da ressurreição”. E que várias vezes o Papa se virou dizendo: “Belo, belo”. Como se dissesse: o Papa sabia e aprovava a novidade. Muitos reclamavam. Entre estes, talvez, até Joseph Ratzinger, que hoje, tornado Papa, está habituando sua Igreja a outra liturgia.

Publicado em Il Foglio de sábado, 7 de maio de 2011.

7 maio, 2011

João Paulo II: o beato, o super-homem e o místico.

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

O  estrondo publicitário, o espalhafato midiático, o grande sucesso de marketing em torno da beatificação de João Paulo II não conseguem esconder a realidade de que uma considerável parcela de católicos (entre os poucos que ainda conservam íntegra a fé e a sã doutrina) está perplexa ante a elevação à glória dos altares de um papa que, durante o seu longo pontificado, não levou em devida conta a tradição bimilenar da Igreja, mudando completamente  o modo de agir da Igreja, principalmente no que concerne à sua relação  com as religiões falsas.

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5 maio, 2011

O aliado obscuro de João Paulo II.

(IHU) Maciel, fundador dos Legionários, já era pedófilo quando o polonês chegou ao papado. Ambos se apoiaram e compartilharam uma mesma visão da Igreja.

A análise é de Jesús Rodríguez, autor do livro La confesión. Las extrañas andanzas de Marcial Maciel y otros misterios de la Legión de Cristo (Ed. Debate), publicada no jornal El País, 29-04-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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1 maio, 2011

Foto da semana.

“Vigiai, porque não sabeis em que dia o Senhor virá” (cf. Mt 24, 42) estas palavras recordam-me a última chamada, que acontecerá no momento em que o Senhor vier. Desejo segui-lo e desejo que tudo o que faz parte da minha vida terrena me prepare para este momento. Não sei quando ele virá, mas como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Mestre: Totus Tuus. Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e Todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me pôs em contacto. Nestas Mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha Nação e toda a humanidade. A todos agradeço. A todos peço perdão. Peço também a oração, para que a Misericórdia de Deus se mostre maior que a minha debilidade e indignidade”.

Do Testamento de João Paulo II.

30 abril, 2011

A pergunta que não quer calar.

De Rorate-Caeli:

Além de suas numerosas belas e profundas palavras, além de seus gestos simbólicos que escandalizaram a muitos, além de atos que afetaram a própria vida da Igreja e ainda criarão enormes problemas no futuro (como a permissão para “acolitas”, considerada por um Cardeal um dos pontos mais altos de seu Pontificado), um ato (ou melhor, uma omissão) ainda permanece: por que ele não agiu segundo o conselho expresso de seus Cardeais no Santo Ofício a respeito dos amplos direitos juridícos da Missa Tradicional? Este não é um assunto sobre o qual se possa dizer — como se faz acerca de muitos outros — que ele muito provavelmente desconhecia, que outros poderiam não lhe ter dado ciência a respeito. Eles discutiram o problema a seu pedido e, em  1982 (1982!), deixaram claro o que somente seria tornado público no motu proprio Summorum Pontificum, em 2007. Ele sabia; ele estava ciente; ele permaneceu calado.

Tanta dor, tantas lágrimas, tantos morreram esperando por isso, tantos podem ter se perdido para sempre esperando o que ele sabia ser legítimo, correto e justo. Tantos problemas causados, tanta injustiça, tanta perseguição, de um modo que lança novas luzes aos acontecimentos dramáticos de 1988 — que levaram à Ecclesia Dei Adflicta, um documento mais focado no sentimento de alguns fiéis do que no direito legítimo de padres e leigos.

Obrigado, Senhor, por, através de Paulo VI nos ter dado o Cardeal Ratzinger e, por João Paulo II, nos ter dado Bento XVI. Benedicite, omnia opera Domini, Domino!

28 abril, 2011

Por que Wojtyla não se tornou ”santo logo”, imediatamente depois da morte?

João Paulo II e o então Cardeal Ratzinger.

João Paulo II e o então Cardeal Ratzinger.

(IHU) Muitos prelados queriam ignorar os tempos, mas Ratzinger preferiu o caminho da beatificação.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 27-04-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nas primeiras semanas do seu pontificado, Bento XVI levou seriamente em consideração o pedido de proclamar o Papa Wojtyla “santo já”, isto é, de abrir diretamente um processo para a canonização, pulando o grau intermediário da beatificação. Um evento que teria sido sem precedentes na época moderna.

Ratzinger não disse logo que não: avaliou a proposta que dava forma a uma aspiração do próprio secretário particular de Wojtyla, Stanislaw Dziwisz. Pediu conselhos para alguns colaboradores da Cúria Romana e, no fim, estabeleceu que permitiria logo a abertura do processo, sem esperar os cinco anos da morte, mas sem pular o grau de beato.

É preciso voltar à grande emoção dos dias posteriores à morte de João Paulo II para compreender o que aconteceu nos sagrados palácios do outro lado do Tibre. Os cardeais, enquanto se reuniam para decidir o desdobramento dos funerais e para preparar o conclave no qual Bento XVI seria eleito, acompanhavam o rio ininterrupto de pessoas que desfilavam diante dos restos mortais de Wojtyla.

O cardeal eslovaco Jozef Tomko, prefeito emérito da Propaganda Fide e amigo do Pontífice recém falecido, fez-se promotor de uma coleta de assinaturas entre os colegas purpurados para pedir que o novo Papa, quem quer que fosse, abrisse a causa para levar o antecessor aos altares. O então decano do Colégio Cardinalício, Joseph Ratzinger, na homilia da missa fúnebre, falou de Wojtyla assomado à janela do céu, e as suas palavras foram consideradas como um viático para a auréola. Logo depois da eleição, foi o cardeal Ruini que lhe apresentou o abaixo-assinado dos purpurados. Da parte de Dziwisz, ao contrário, chegou a Bento XVI a sugestão de proceder à proclamação a “santo já”.

Ratzinger, que havia conhecido Wojtyla de perto e havia sido um dos seus mais longevos e estreitos colaboradores, quis avaliar com calma os prós e os contras: de um lado, a fama de santidade disseminada em nível popular e a excepcionalidade da figura do antecessor; de outro, as regras canônicas e o impacto que uma tal exceção teria, passando logo para uma proclamação de santidade.

O novo Papa sabia bem que algo semelhante havia sido levado em consideração apenas dois anos antes, em junho de 2003, quando o secretário de Estado Angelo Sodano havia escrito uma carta em nome de João Paulo II a alguns cardeais da Cúria Romana, pedindo-lhes um parecer sobre a possibilidade de logo proclamar santa madre Teresa de Calcutá, sem passar pela beatificação. Ao Papa Wojtyla não desagradava essa ideia, mas ele quis consultar os colaboradores, que o aconselharam. Assim, madre Teresa tornou-se beata, não santa.

Consultados alguns colaboradores, Bento XVI, portanto, seguiu a mesma linha. Decidiu anular aquela espera de cinco anos, mas estabeleceu que a causa do antecessor, mesmo seguindo um caminho preferencial enquanto aos tempos, ocorresse segundo procedimentos regulares, sem atalhos ou descontos. O fato de que a apenas seis anos da sua morte João Paulo II se tornará beato já é, por si só, um fato excepcional. Há mais de um milênio, de fato, um Papa não eleva aos altares o seu antecessor imediato.

O último Papa que foi desejado como “santo já”, antes de Wojtyla, foi João XXIII: os padres do Vaticano II propuseram ao seu sucessor Paulo VI que o canonizasse no Concílio, por aclamação. Também dessa vez, o Papa preferiu agir diferentemente e fez com que fosse iniciado um processo regular para Roncalli, colocando ao seu lado um outro processo para Pio XII.