Posts tagged ‘João Paulo II’

28 abril, 2011

Karol Wojtyla no Concílio Vaticano II.

Fonte: Agência Ecclesia

Antecedentes Romanos

O Arcebispo Karol Wojtyla em 1964.

O Arcebispo Karol Wojtyla em 1964.

Karol Wojtyla (18.05.1920 – 02.04.2005) não se ausentava da Polónia desde 1948, altura em que regressara de Roma, concluídos os seus estudos e o doutoramento na Pontificia Universidade de São Tomás de Aquino, conhecida por Angélicum. Durante a sua permanência como estudante em Roma, a figura principal da Faculdade de Teologia do Angélicum era o padre Reginald Garrigou-Lagrange (OP) (1877–1964), indiscutível mestre do neo-escolasticismo tradicional, exigente na sua filosofa e na sua teologia dogmática, participando das acesas controvérsias teológicas que deram origem à encíclica Humani Generis (12.08.1950) de Pio XII (1939-1958).

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27 abril, 2011

Qual a pressa em beatificar João Paulo II?

(IHU) Ao longo desta semana, estou oferecendo uma série diária de perguntas e respostas em preparação à beatificação do Papa João Paulo II no próximo domingo. Hoje, começamos com a talvez mais frequente questão, tanto na mídia quanto na base: qual é a pressa? Por que isso está acontecendo tão rápido, enquanto outras causas, às vezes, padecem durante séculos?

A análise é John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 25-04-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os números sobre a causa de João Paulo II são uma questão de recorde. A beatificação ocorre seis anos e 29 dias após a sua morte no dia 2 de abril de 2005, tornando-a a beatificação mais rápida dos tempos modernos, desbancando Madre Teresa em 15 dias. Em ambos os casos, a velocidade foi possível porque o Papa renunciou ao período normal de cinco anos de espera após a morte do candidato, a fim de iniciar o processo.

Porém, o fato de se isso equivale a “pressa” está nos olhos de quem vê.

Como o padre jesuíta James Martin observou, uma vez que haja um milagre documentado, teologicamente poderíamos dizer que Deus aprova esse ritmo. Além disso, para a grande faixa da população tanto dentro quanto fora da Igreja Católica convencida de que João Paulo II foi um santo em vida e que a canonização é uma formalidade, a questão-chave não pode ser por que isso está acontecendo tão rapidamente, mas sim porque está demorando tanto.

Um estudo oficial da vida de João Paulo II que levou a um “decreto das virtudes heroicas” em dezembro de 2009, autorizando João Paulo II a ser referido como “venerável”, coletou testemunhos de mais de 100 testemunhas formais e produziu um relatório de quatro volumes. George Weigel escreveu recentemente que, como resultado, os católicos têm “muito mais detalhes sobre a vida e as realizações de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, do que o eleitorado norte-americano recebeu sobre a vida e as realizações de Barack Obama, ou do que o eleitorado britânico recebeu sobre a vida e as realizações de David Cameron e de Nick Clegg“.

Além disso, a beatificação de João Paulo II pode ser a mais rápida dos últimos tempos, mas dificilmente será o processo mais veloz a ser registrado. Essa distinção pertence a Santo Antônio de Pádua, que morreu em junho de 1231 e foi canonizado menos de um ano mais tarde pelo Papa Gregório IX. Antônio bateu ainda seu mestre, São Francisco de Assis, que foi canonizado 18 meses após a sua morte, em outubro de 1226 (também por Gregório IX).

Na verdade, os mais inclinados a questionar a “pressa” muitas vezes têm outras razões para o sentimento ambivalente com relação a João Paulo II – o seu histórico na crise dos abusos sexuais, por exemplo, ou o teor mais “evangélico” do seu pontificado, em oposição ao espírito de reforma interna da Igreja associada ao Concílio Vaticano II (1962-1965).

Aliás, é difícil imaginar que muitos progressistas católicos estariam em pé de guerra se, por exemplo, o arcebispo Oscar Romero, de El Salvador, tivesse sido beatificado apenas seis anos após seu assassinato em 1980. O debate sobre a “rapidez” da causa da canonização, em outras palavras, está quase sempre envolto com o “quem” e o “porquê”.

Dito isso, para uma instituição que normalmente pensa em séculos, seis anos e meio não deixa de ser espantosamente rápido. Certamente pode-se perguntar sobre o ritmo da beatificação sem soçobrar em dissenso teológico, ou pôr em causa a santidade de João Paulo II. Reportagens de 2008, por exemplo, sugeriam que o cardeal italiano Angelo Sodano, então secretário de Estado de João Paulo II, havia escrito à autoridade encarregada pela causa de João Paulo II para manifestar uma preferência a esperar enquanto os procedimentos à santidade estivessem em andamento para outros papas, incluindo Pio XII e Paulo VI.

Há pelo menos cinco fatores que explicam o ritmo em que as coisas estão se movendo no caso de João Paulo II.

Primeiro, o próprio João Paulo II revisou o processo de canonização, em 1983, para torná-lo mais rápido, mais fácil e mais barato, com a ideia de levantar modelos contemporâneos de santidade para um exausto mundo moderno. Apesar de João Paulo II e Madre Teresa serem os únicos em casos em que o período de espera foi dispensado, eles são apenas dois de mais de 20 casos desde 1983 em que um candidato chegou à beatificação 30 anos após a morte – uma lista que inclui uma mistura de beatos famosos (Padre Pio, Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei) e relativamente obscuros (Anuarita Nengapeta, uma mártir do Congo, e Chiara Badano, um membro leigo dos Focolares).

Nesse sentido, o ritmo da beatificação de João Paulo II é um subproduto natural de suas próprias políticas de santificação, que valorizam a demonstração de que a santidade está viva aqui e agora.

Em segundo lugar, supõe-se que a santidade é um processo democrático, começando com uma convicção popular de que uma determinada pessoa viveu uma vida santa e digna de ser imitada. No passado, a fama de um candidato muitas vezes se espalhava só gradualmente, mas hoje o mesmo lapso de tempo nem sempre se aplica. O papado de João Paulo II explorou habilmente duas das marcas da aldeia global de hoje: a ubiquidade das comunicações e a relativa facilidade das viagens. Como resultado, pode-se argumentar que o ritmo de sua beatificação nada mais é do que um reflexo da maior velocidade com que tudo se move no século XXI.

Em terceiro lugar, apesar das reformas de João Paulo II, a santidade continua sendo um processo complicado. Causas que se movem rapidamente tipicamente têm uma organização por trás, capaz de fornecer os recursos e a experiência para fazer o sistema funcionar. O Opus Dei, por exemplo, pôde recorrer a alguns dos melhores advogados canônicos da Igreja Católica para promover a causa do seu fundador, e os Focolares têm membros motivados com boas ligações com o Vaticano por trás da causa de Badano. No caso de João Paulo II, a infraestrutura da Igreja Católica na Polônia, assim como na diocese de Roma, estão solidamente por trás da causa, garantindo que ela não definhe por falta de apoio institucional.

Em quarto lugar, os tomadores de decisão na Igreja de hoje são em grande parte nomeados e protegidos de João Paulo II, o que lhes dá uma motivação biográfica poderosa para querer ver o seu mentor elevado à santidade durante suas próprias vidas. Essa lista inclui o próprio Papa Bento XVI; assim como o cardeal Stanislaw Dziwisz, de Cracóvia, na Polônia, e antigo secretário particular de João Paulo II, para quem manter a memória de João Paulo vivo representa uma vocação sagrada. Dziwisz completa 72 anos no dia 27 de abril, tornando a beatificação do dia 1º de maio um presente de aniversário perfeito, e não há dúvida de que ele gostaria de ver a canonização acontecendo antes que ele saia dos holofotes aos 80 anos, a idade da aposentadoria.

Em quinto lugar, há o simples fato da demanda popular. O afeto por João Paulo II continua sendo palpável ao redor do mundo, e, em muitos casos, as pessoas não estão à espera de aprovação formal para considerá-lo como um santo. A revista italiana Epoca, por exemplo, estampou a manchete “O Santo Papa” em sua capa desta semana, sem trabalhar a diferença entre beatificação e canonização.

Será que o mesmo ritmo acelerado irá impulsionar João Paulo II para a linha de chegada da canonização em tempo recorde?

Há inúmeras variáveis envolvidas, uma das quais é a necessidade de um outro milagre documentado. O caso da Madre Teresa pode ser instrutivo: embora quase todo mundo considere a sua canonização como uma conclusão prévia, sete anos e meio se passaram desde a sua beatificação em outubro de 2003, e os organizadores de sua causa ainda estão procurando por um milagre que satisfaça os testes rigorosos da Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano.

Também é possível que isso eleve a precaução, especialmente se surgirem novas revelações sobre a resposta à crise dos abusos sexuais durante o papado de João Paulo II. Mesmo que nada disso ponha em causa a santidade pessoal de João Paulo II ou as altas conquistas do seu pontificado, alguns poderiam argumentar em favor da espera até que diminua a sensibilidade da reação das vítimas de abuso clerical.

Finalmente, um fato marcante sobre a abordagem de Bento XVI à canonização é que, embora não tenha abrandado o ritmo das beatificações, ele mostrou uma maior paciência quando se trata de canonizações. João Paulo aprovou 1.338 beatificações ao longo de 26 anos, uma média de 51 por ano. Bento até agora assinou 789, ou 131 por ano. No entanto, Bento XVI não está canonizando com o mesmo frenesi. As 482 canonizações de João Paulo equivalem a mais de 18 por ano, enquanto as 34 de Bento até agora representam uma média anual de pouco menos de sete anos. Esse contraste pode sugerir um atraso um pouco mais longo antes que João Paulo II seja oficialmente declarado santo.

Por outro lado, os quatro fatores listados acima para explicar o rápido progresso da beatificação de João Paulo II ainda estão em seu lugar, e todos se aplicam em uma medida muito semelhante às perspectivas de uma rápida canonização.

No final, Martin pode estar certo. Se um outro milagre vier rapidamente e sobreviver ao escrutínio médico e teológico usual, pode-se dizer que é Deus quem mantém João Paulo II na pista rápida.

16 abril, 2011

Beatificação de João Paulo II e Cuba: dilema de consciência para os católicos cubanos.

Armando Valladares – Mídia sem Máscara

Não me consta que durante o processo de beatificação deste Pontífice se tenham dado a conhecer publicamente interrogações sobre seu pensamento com relação ao comunismo cubano, pensamento que inclusive parece ir além do campo diplomático e adentrar-se no plano doutrinário, daí a necessidade de consciência de expor, da maneira mais respeitosa e filial possível, as presentes reflexões.

A anunciada beatificação de S.S. João Paulo II, prevista para se realizar no próximo 1º de maio, coloca muitos fiéis católicos cubanos em um dilema de consciência sem precedentes que, por causa de sua fé, da veneração à sua Pátria e do amor por suas famílias se opõem ao comunismo. Com efeito, esses fiéis católicos vêem com perplexidade e com o coração dilacerado tudo aquilo que o referido Pontífice teria feito em algumas circunstâncias, e deixado de fazer em outras, para favorecer direta ou indiretamente o comunismo cubano.

Cito na continuação, resumidamente, alguns exemplos que tive oportunidade de comentar extensamente ao longo dos anos, em diversos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo na ilha-cárcere, e conto antecipadamente com a compreensão dos leitores. Faço-o enquanto fiel católico e enquanto cubano, com todo o respeito possível à Igreja, disposto a ouvir e analisar eventuais explicações de fontes sabidamente autorizadas, que até o momento não são de meu conhecimento, sobre os dolorosos fatos históricos que se concede sucintamente na continuação.

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12 abril, 2011

Reservas em vista da iminente Beatificação de João Paulo II.

Apresentamos uma declaração do jornal católico americano The Remnant, assinada por centenas de católicos.

Na festa de São Bento.

A beatificação iminente do Papa João Paulo II, no dia 1º de maio de 2011, tem suscitado grande preocupação entre os não poucos católicos do mundo inteiro, que estão preocupados com o estado da Igreja e os escândalos que afetaram os últimos anos, escândalos que levaram o futuro Bento XVI a exclamar na Sexta-Feira Santa de 2005: “Quanta sujeira existe na Igreja, incluindo entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam estar completamente entregues a Ele!”.

Expressamos neste documento a nossa própria preocupação de acordo com a lei da Igreja, que dispõe o seguinte: Segundo os conhecimentos, competência e posição de que desfrutam, os fiéis têm o direito e às vezes até o dever de manifestar aos Pastores a sua opinião sobre questões que pertencem ao bem da Igreja, e também têm o direito de dar a conhecer a sua opinião aos demais fiéis cristãos, com o devido respeito à integridade da fé, à moral e à reverência a seus pastores, bem como com a consideração pelo bem comum e a dignidade das pessoas. [CIC (1983), Can. 212, § 3.] Estamos obrigados em consciência a procurar o bem comum da Igreja, expressando nossas reservas sobre esta beatificação. Nós o fazemos pelos seguintes motivos, entre outros que poderíamos expor.

A verdadeira questão.

Destacamos em primeiro lugar que não apresentamos estas considerações sob a alegação contra a piedade pessoal ou a integridade de João Paulo II, que se deve presumir.  A questão não é piedade pessoal ou a integridade como tal, mas sim, se há base, objetivamente falando, para afirmar que João Paulo II mostrou virtude heróica no exercício do seu alto cargo como Papa tal como deveria resplandecer com santidade exemplar para todos os seus sucessores. A Igreja sempre reconheceu que a virtude heróica que se requer em uma beatificação está inseparavelmente ligada à heroicidade com a qual o candidato tenha desempenhado os deveres de estado em sua vida.

Como o Papa Bento XIV (1675-1758) explicou em seu magistério sobre as beatificações, a prática heróica do dever implica atos que por mais difíceis que sejam e “acima da capacidade do homem concreto”, sejam praticados com prontidão e facilidade, “com uma santa alegria” e “com bastante freqüência”, “quando a ocasião de praticá-los se apresenta”. [Cfr. servorum Dei De beatificatione, Bk. III, cap. 21 en Reginald Garrigou-Lagrange, As três idades da vida interior , vol. 2, p. 443].

Suponhamos que um pai de família numerosa fosse candidato à beatificação. Dificilmente se poderia esperar que sua causa avançasse se acontecesse que, por mais piedoso que fosse, ele fracassasse ao exigir disciplina e ao conferir uma formação adequada aos seus filhos, se estes  habitualmente lhe desobedecessem, vivendo desordenadamente no lar, incluindo abertamente ao contrário das obrigações da religião, ou se, ocupado com as suas orações e exercícios espirituais, se esquecesse de proporcionar o sustento diligente de sua família permitindo que a sua família caísse no caos.

Quando o candidato à beatificação é um Papa – o Santo Padre da Igreja universal – a questão não é simplesmente a sua piedade pessoal e santidade, mas sim o cuidado da grande família da fé que Deus lhe confiou, para o que lhe outorgou graças de estado – como Papa- extraordinárias. Esta é a verdadeira pergunta: João Paulo II desempenhou heroicamente as suas funções como Sumo Pontífice como fizeram seus santos predecessores: opondo-se ao erro, defendendo o rebanho com prontidão e valor da manada de lobos vorazes que o dispersam, e protegendo a integridade da doutrina da Igreja e o culto sagrado? Tememos que nas circunstâncias ao redor dessa “via rápida” de beatificação, a verdadeira questão não tenha recebido a consideração cuidadosa e desapressada que merece.

Continue lendo em espanhol ou inglês.

26 fevereiro, 2011

Porque, em 27 de outubro de 2011, não se deve “fazer memória deste gesto histórico” de Assis-1986.

Por Padre Paul Aulagnier, Instituto do Bom Pastor

Tradução: Fratres in Unum.com

Em 1º de janeiro de 2011, por ocasião da oração do Angelus, o Papa Bento XVI anunciou sua intenção de renovar a cerimônia inter-religiosa de Assis, de 27 de Outubro de 1986:

No próximo mês de Outubro, irei como peregrino à cidade de são Francisco, convidando os irmãos cristãos das diferentes confissões, os expoentes das tradições religiosas do mundo e, idealmente, todos os homens de boa vontade, a unir-se neste caminho com o objetivo de recordar aquele gesto histórico desejado pelo meu Predecessor e de renovar solenemente o empenho dos crentes de cada religião a viver a própria fé religiosa como serviço para a causa da paz”.

Ele já o havia anunciado em sua mensagem para a Paz para o ano 2011, intitulada: “A liberdade religiosa, caminho para a Paz”. Escreveu: “Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um factor de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.

Sabemos, no entanto, que o Papa Bento XVI, enquanto ainda Cardeal, não quis assistir a esta “jornada de orações inter-religiosas para a paz”, devido ao risco de sincretismo em uma tal jornada. Ele também desejou, desde que está sobre a sede de Pedro, duas vezes, dar precisões sobre esta jornada, talvez nessa perspectiva de aniversário.

Em uma mensagem dirigida ao bispo de Assis, em 2 de Setembro de 2006, escrevia: “Para que não haja dúvidas acerca do sentido de quanto, em 1986, João Paulo II quis realizar, e que, com uma sua expressão, se costuma qualificar como “espírito de Assis”, é importante não esquecer a atenção que então foi dada para que o encontro inter-religioso de oração não se prestasse a interpretações sincretistas, fundadas numa concepção relativista. […] Por isso, mesmo quando nos encontramos juntos a rezar pela paz, é necessário que a oração se realize segundo aqueles caminhos distintos que são próprios das várias religiões. Esta foi a escolha de 1986, e tal escolha não pode deixar de ser válida também hoje. A convergência do que é diverso não deve dar a impressão de uma cedência àquele relativismo que nega o próprio sentido da verdade e a possibilidade de a obter”.

Mas, como simples observação: ele não rezou com os judeus e rabinos da sinagoga de Roma por ocasião de sua última visita? Umas são palavras. Outras as atitudes.

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21 fevereiro, 2011

Segunda parte da entrevista de Dom Fellay: a beatificação de João Paulo II, a vida da Fraternidade e sua expansão nos EUA.

Fonte: Distrito Sul-americano da FSSPX

Tradução: Fratres in Unum.com

A primeira parte desta entrevista pode ser lida aqui.

* * *

29. A próxima beatificação de João Paulo II cria um problema?

Um problema grave: de um pontificado que avançou a grandes passos no sentido errado, na direção do progressismo e de tudo aquilo que se chama “o espírito do Vaticano II”. Por isso, não é somente uma consagração da pessoa de João Paulo II, mas também do Concílio e de todo o espírito que o acompanhou.

30. Há um novo conceito de santidade desde o Vaticano II?

É de se temer!  É um conceito de santidade para todos, de santidade universal. É verdade que há um chamado, uma vocação à santidade, feito a todos os homens; o falso é rebaixar a santidade a tal nível que leva a pensar que todo mundo vai para o céu.

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4 fevereiro, 2011

Com a beatificação de João Paulo II, o que faz um santo ‘a jato’?

Os casos mais rápidos de canonização têm cinco características em comum

Por John L Allen Jr – National Catholic Reporter

Tradução: Fratres in Unum.com

Fiéis de luto seguram faixas com os dizeres “santo já” durante a Missa no funeral do Papa João Paulo II, na praça de São Pedro, Vaticano, 9 de abril de 2005 (CNS foto/Reuters)

Fiéis de luto seguram faixas com os dizeres “santo já” durante a Missa no funeral do Papa João Paulo II, na praça de São Pedro, Vaticano, 9 de abril de 2005 (CNS foto/Reuters)

Quando João Paulo II for declarado “beato”, em 1º de maio, esse evento representará a mais rápida beatificação dos tempos modernos, superando por pouco Madre Teresa. Ambos, é claro, foram celebridades globais, cujas mortes movimentaram campanhas populares para canonização imediata e permanecem os únicos dois casos recentes em que o período normal de espera para iniciar uma causa foi dispensado.

À luz da rapidez com que a beatificação de João Paulo II se desenrolou, alguns se questionam por que a máquina está demorando mais para funcionar para outros aspirantes a santos: o fundador do movimento Operário Católico, por exemplo, ou o Arcebispo salvadorenho Oscar Romero, ou mesmo o pontífice do tempo da guerra Pio XII.

Com efeito, isso levanta a questão: O que faz um santo “a jato”?

Em 1983, João Paulo II revisou o processo de canonização a fim de torná-lo mais rápido, barato e menos acusatorial [“adversarial”, no sentido das partes envolvidas apresentarem evidências de suas posições, confrontando-se], em parte porque queria exaltar os modelos contemporâneos de santidade.  O resultado é bem conhecido: João Paulo II presidiu mais beatificações (1338) e canonizações (482) que todos os Papas anteriores juntos.

Desde essas reformas, ao menos 20 beatificações, o passo anterior à canonização, podem ser definidas como “a jato”, ocorrendo dentro de aproximadamente 30 anos após a morte da pessoa. Esse privilegiado grupo inclui uma mescla dos famosos (Padre Pio e o fundador do Opus Dei Josemaría Escrivá) e os relativamente desconhecidos (Anuarite Nengapeta, uma mártir congolesa, e Chiara Badano, uma leiga dos Focolares). Inclui homens e mulheres, clérigos e leigos, tanto do mundo em desenvolvimento como do desenvolvido.

À parte da reputação de santidade pessoal e relatos de milagres, há cinco características que a maioria destes casos a jato compartilha.

Primeiro, a maioria tem uma organização por detrás completamente comprometida com a causa, tanto com recursos como com habilidade política para fazer o processo caminhar.

O Opus Dei, por exemplo, ostenta uma lista de canonistas qualificados e investiu recursos significativos na causa de seu fundador. Um porta-voz do Opus Dei estimou que o custo total para ver Escrivá declarado santo, incluindo a preparação de duas grandiosas cerimônias em Roma – beatificação em 1992 e canonização em 2002 – foi de aproximadamente 1 milhão de dólares.

Este fator sozinho ajuda a explicar por que outras causas podem definhar. No caso de Dorothy Day, por exemplo, há ambigüidade nos círculos do movimento Católico Operário. Alguns questionam se Day teria desejado ser canonizado, e outros se perguntam se os recursos não seriam melhor investidos ajudando os pobres.

Segundo, vários dos casos a jato envolvem um “primeiro”, comumente para reconhecer tanto uma região geográfica específica como um grupo de pessoas pouco representado.

A leiga italiana Maria Corsini foi beatificada em 2001, apenas 35 anos após sua morte, juntamente com seu marido Luigi Beltrame Quattrocchi, o primeiro casal a ser declarado “beato”. A salesiana nicaragüense Ir. Maria Romero Meneses foi beatificada em 2002, 25 anos após sua morte, como a primeira beata da América Central.

Também chama a atenção o fato de que dos 20 casos a jato, 12 foram mulheres. Pode-se argumentar tratar-se de um esforço das autoridades para reagir à idéia de que a Igreja Católica é hostil às mulheres.

Terceiro, há por vezes uma questão política ou cultural simbolizada por esses candidatos que proporcionam um sentido perceptível de urgência.

Por exemplo, a leiga italiana Gianna Beretta Molla foi beatificada em 1994, 32 anos após sua morte, em 1962 (Molla foi canonizada em 2004). Ela é famosa por recusar tanto o aborto como a histerectomia que resultariam na morte de seu bebê não nascido.

Em outros casos, o assunto em mente poderia ser de dentro da Igreja. Maria de La Purísima, uma Irmã da Cruz espanhola, foi beatificada em 2010, apenas 12 anos após sua morte em 1998. Oficiais do Vaticano a louvaram como modelo de preservação das tradições da vida religiosa em um período de “confusão ideológica” posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965).

A ligação entre um candidato e um tema também pode ajudar a explicar por que as coisas diminuem de velocidade. A cautela ao redor de Pio XII é obviamente relacionada às tensões das relações católicos/judeus.

Quarto, as causas por vezes fazem um caminho mais rápido porque o Papa da época sente um investimento pessoal.

Por exemplo, dois padres poloneses caminhavam rapidamente pelo processo sob João Paulo II: Jerzy Popieluszko, um líder do sindicato Solidariedade, assassinado pelos comunistas poloneses, e Michal Sopocko, o confessor de Santa Faustina Kowalska, uma mística e iniciadora da devoção da Divina Misericórdia, com a qual João Paulo II tinha um forte compromisso pessoal. (A data da cerimônia de beatificação de João Paulo II, 1º de maio, é observada desde 2000 como “Domingo da Divina Misericórdia”).

Quinto, as causas a jato geralmente gozam de decisivo apoio da hierarquia, tanto dos bispos da região como de Roma.

Badano, beatificada apenas 20 anos depois de sua morte em 1990, é a primeira beata Focolare. O movimento é admirado por sua espiritualidade de unidade e seus esforços ecumênicos e inter-religiosos, sem mencionar sua lealdade aos bispos e ao Papa.

O aspecto do apoio hierárquico também pode ajudar a explicar por que a causa de Romero não anda com a mesma velocidade. Por conta de sua associação com a teologia da libertação, Romero foi uma figura polarizadora entre seus irmãos bispos da América Latina, dos quais alguns ainda estão na ativa.

Todas as cinco características estão amplamente presentes na causa de João Paulo II, o que pode pressagiar um curtíssimo intervalo antes de ser formalmente declarado santo. Padre Pio oferece um prazo para comparação – apenas três anos se passaram entre sua beatificação em 1999 e canonização em 2002.

Em certa medda, a agilidade do andamento do processo poderá depender da questão associada à causa de João Paulo afetar o mundo e seu carisma pessoal ou se o seu legado confuso quanto à crise de abusos sexuais emergir mais ainda à medida que o tempo passar.

Alguns argumentaram que o estudo da vida e do legado de João Paulo II como parte do processo de canonização não deu importância suficiente a seu direcionamento da crise de abusos sexuais, tal como o caso do fundador dos Legionários de Cristo, o mexicano Pe. Marcial Maciel Degollado. Predileto de longa data durante o papado de João Paulo II, Maciel caiu em desgraça posteriormente quando os Legionários reconheceram sua culpa em várias formas de má conduta sexual.

A Rede de Sobreviventes dos abusados por padres publicou uma declaração afirmando que a hierarquia está “esfregando mais sal nas feridas” das vítimas com uma “manobra rápida para conferir a canonização” a João Paulo II.

Neste meio tempo, duas notas:

  • O processo de João Paulo II sequer chega perto de ser o mais rápido já registrado. Tal distinção pertence a Santo Antonio de Pádua, que morreu em junho de 1231 e foi canonizado menos de um ano depois pelo Papa Gregório IX. Antonio superou mesmo seu mestre, São Francisco de Assis, canonizado 18 meses após falecer em outubro de 1226.
  • Apesar de impressões de que o Papa Bento XVI diminuiu a velocidade da fábrica de santos, na realidade, ele está produzindo novos “beatos” mais rapidamente. João Paulo II aprovou 1338 beatificações em 26 anos, uma média de 51 por ano; Bento XVI assinou 789 beatificações, ou 131 por ano.
  • Todavia, Bento XVI não está canonizando pessoas com o mesmo frenesi; As 482 canonizações de João Paulo II calculavam 18 por ano, enquanto as 34 de Bento XVI até aqui representam uma média anual abaixo de sete.
  • Essa discrepância poderia sugerir que mesmo João Paulo II possa ter que aguardar, ao menos um pouco, antes de ser formalmente instalado com uma auréola.
14 janeiro, 2011

João Paulo II será beatificado em 1º de maio de 2011.

(Oblatvs) O Papa Bento XVI recebeu em audiência o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e, no curso da mesma, autorizou-o a promulgar o Decreto relativo a um milagre atribuído à intercessão do Venerável Servo de Deus João Paulo II (Karol Wojtyła).Com a promulgação deste Decreto, nada mais falta para a Beatificação do Papa João Paulo II.

Não obstante o costume introduzido pelo atual Pontífice, ele próprio presidirá a Beatificação de seu predecessor na Praça de São Pedro em 1º de maio de 2011, II Domingo de Páscoa.

18 maio, 2010

João Paulo II e Marcial Maciel. A ação de Bento XVI.

Sob circunstâncias normais, o domínio do Papa Bento XVI da literatura alemã pode não parecer uma forma óbvia de preparação para o papado. Neste momento, porém, parece ser assim, porque Bento XVI e seus admiradores enfrentam uma escolha tirada diretamente do Fausto de Goethe: a fim de salvar a reputação de Bento XVI na crise dos abusos sexuais, eles são obrigados a rever a atuação de João Paulo II.

A análise é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 12-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não está claro se a crítica crescente do histórico de João Paulo II será suficiente para retardar sua beatificação, mas pode muito bem dar novas cores ao legado do Papa diante dos olhos da história.

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5 março, 2010

Beatificação de João Paulo II sofre contratempo.

A beatificação do Papa João Paulo II pode demorar um pouco mais do que se esperava. A comissão médica da Congregação para a Causa dos Santos descartou o suposto milagre atribuído à sua intercessão, o da cura de uma religiosa francesa.

As razões que motivaram os médicos são a incerteza do diagnóstico do Parkinson e a possibilidade de cura de algumas formas desta mesma doença. A comissão solicitou, então, ao postulador da causa que escolhesse outro entre os 271 supostos milagres já apresentados e dos quais há volumosa documentação.

Uma “eminente fonte vaticana”, porém, afirmou que “não se pode dizer que aquele milagre não seja mais válido, simplesmente porque a Congregação para a Causa dos Santos não o analisou oficialmente”.

O contratempo serve, entretanto, para testemunhar a seriedade com que a Igreja trata os supostos milagres e o escrutínio científico ao qual os submete. Deus, a quem nada é impossível, haverá de realizar o milagre exigido como manifestação de Sua vontade.

Fonte: La Repubblica

Tradução: Oblatvs