Posts tagged ‘Judaísmo’

10 novembro, 2010

Eles nunca estão satisfeitos: progressistas do L’Osservatore Romano e judeus se unem para pedir nova revisão de oração da Sexta-feira Santa e denegrir Pio XII.

CIDADE DO VATICANO, 9 (ANSA – via Secretum Meum Mihi) – O presidente da União de Comunidades Judaica Italianas (UCEI), Renzo Gattegna, pediu hoje que a Igreja Católica modifique a liturgia da Sexta-feira Santa, renunciando às referências à conversão dos judeus.

Essa medida constituirá, a seu juízo, um “gesto útil necessário e apreciado” para “prosseguir com a recíproca compreensão e amizade”.

Em artigo publicado hoje no L’Osservatore Romano, diário da Santa Sé, sob o título “Um futuro de amizade”, Gattegna disse que a modificação dessa liturgia “constituiria um sinal forte e significativo de aceitação de uma relação baseada na dignidade recíproca e no respeito mútuo”.

“Estas são condições indispensáveis para um futuro de amizade e solidariedade, as mesmas das quais tantos católicos deram mostras quando, pondo em risco suas próprias vidas, salvaram milhares de judeus das deportações aos campos de extermínio”, disse o responsável da UCEI.

A liturgia da Sexta-feira Santa — dia em que a Igreja recorda a crucifixão de Jesus — foi objeto de disputas entre católicos e judeus durante séculos, por conta da presença de uma oração na qual se rezava a Deus para a “conversão dos pérfidos judeus”, ou seja, distantes da fé dos cristãos.

A palavra “pérfidos” desapareceu dos missais católicos sob o pontificado de João XXIII e a nova versão da oração foi oficializada no novo missal aprovado pelo Concílio Vaticano II que, adaptando a liturgia do latim a outros idiomas, manteve apenas a oração a Deus “para que o povo primogênito de sua aliança possa chegar à plenitude da Redenção”.

Estas mudanças, contemporâneas à declaração conciliar “Nostra Aetate”, que dispôs sobre as relações da Igreja Católica com as religiões não cristãs, serviram para criar um clima de aproximação entre católicos e judeus, que foi novamente comprometido em 2007, após a publicação da carta apostólica “Summorum Pontificum”, do Papa Bento XVI.

Este “motu proprio” pontifício, com efeito, autorizava os sacerdotes a continuar utilizando, ainda que de forma extraordinária, o missal pré-conciliar — conhecido como tridentino, em alusão ao Concílio de Trento (1545-63) — embora a oração na qual se mencionava a conversão dos judeus conservasse as correções de João XXIII.

Para protestar contra esta mudança, os responsáveis pelas comunidades judaicas italianas não participaram, em janeiro do ano passado, da Semana do Diálogo Judaico-Católico, criada pelo Papa João XXIII, o que levou, por sua vez, a uma nova correção do texto, na qual se eliminam as referências à “obscuridade” em que estariam imersos os judeus por sua distância da fé cristã.[corrigindo uma imprecisão da notícia: a nova redação da oração pelo Papa Bento XVI foi lançada em fevereiro de 2008, antes, portanto, da reunião em que se ausentaram os representantes judeus. NDR.]

Agora Gattena relançou o debate sobre a possibilidade de eliminar completamente a oração, e recordou também outro tema delicado no diálogo entre judeus e católicos: a postura do Papa Pio XII perante o nazismo alemão em geral, e, mais especificamente, perante o holocausto dos judeus da Europa.

“O acalorado debate que se desenvolve há 50 anos sobre a conduta de Pio XII continua aberto”, disse o presidente das comunidades judaicas da Itália, acrescentando ainda que, embora os judeus “não queiram interferir” na questão do processo de beatificação do pontífice, atualmente em curso, “determinar a verdade histórica é algo que suscita um grande interesse”.

Referindo-se a uma reconstituição televisiva do pontificado de Pio XII produzida e transmitida pela rede de tevisão pública italiana RAI, Cattegna disse que “seria de uma importância fundamental poder seguir e completar a grande e difícil tarefa de investigação nos arquivos”, para iliminar fatos que “não podem ser tratados com rigor científico por um filme televisivo digno no aspecto artístico, mas cheio de imperfeições históricas”.

22 setembro, 2010

O Cardeal Cottier e a religião da Shoah.

“Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência”

“Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência”

(30 Giorni) O jornal Il Foglio de 3 de abril publicou um artigo no qual o cardeal Georges Cottier faz uma crítica à “religião da Shoah” de Emil Fackenheim. “O pensamento de Fackenheim é uma expressão importante da ‘religião da Shoah’ assim chamada e analisada por Alain Besançon. A tragédia da Shoah, que atingiu o povo judaico e que feriu de modo incancelável a sua memória, é única a tal ponto que a comparação com outras tragédias é recusada como uma blasfêmia […]. A ‘religião da Shoah’ faz da experiência do silêncio de Deus vivida por tantas vítimas inocentes uma categoria metafísica. A relação a Deus torna-se alheia à definição da unicidade do evento. Resta apenas a “fidelidade do povo judaico a si mesmo” […]. Se a Shoah, como interpreta Fackenheim, é o centro da história, isso significa que se substitui a Cristo. Mas como, se Deus está ausente disso, tal evento pode ter um valor redentor? Ou não há redenção ou a redenção torna-se a auto-redenção do homem, da qual Deus foi expulso. Estamos na lógica do humanismo ateu. Para Fackenheim, lemos, ‘Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência’. Mas Hegel, na realidade, representa uma gnose cristológica, na qual a fé em Cristo não pode se reconhecer”.

6 abril, 2010

Uma onda de declarações e retificações enche as páginas dos principais meios de comunicação estes dias.

(05/04/10 –  Sector Católico) Esses dias da Semana Santa também foram agitados do ponto de vista informativo, visto que os meios de comunicação prosseguiram com a sua campanha contra a Igreja e renovaram os seus esforços em atacar a figura do Papa a propósito dos abusos sexuais imputados a alguns sacerdotes de vários países. Porém, assistimos nesses dias a uma serie de declarações e retificações preocupantes e que afetaram novamente a Santa Sé. O protagonista, Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, que em sua homilia de Sexta-feira Santa vinculou o anti-semitismo sofrido pelos judeus à perseguição atual sofrida pela Igreja. Horas depois, o porta-voz do Gabinete de Imprensa, Federico Lombardi, teria que retificar publicamente o franciscano por temor da comunidade judaica, que estava novamente indignada com o mundo católico por essas declarações.

Nesse meio tempo, o arcebispo de Canterbury e primaz da autodenominada “Igreja da Inglaterra”, Rowan Williams, falava com gosto dos casos de pederastia na Irlanda, acusando a Igreja Católica de “haver perdido toda a sua credibilidade”. Poucas horas mais tarde, esse prelado se via na necessidade de pedir desculpas por essas palavras infelizes, que, uma vez mais, evidenciam a situação delicada da hierarquia naquele país.

Seja como for, parece que as águas voltaram ao normal e que o diálogo ecumênico e inter-religioso seguirá adiante com ambas as comunidades. O que desde logo, nos parece lamentável, é que, como conseqüência desse diálogo, a Igreja não possa expressar-se com liberdade e todas as declarações públicas do Pontífice ou das pessoas ao seu redor sejam examinadas com lupa e de forma excessivamente crítica.

É verdade que todos nos equivocamos, mas o importante, como sempre, continua sendo fazer a retificação. Por essa razão, é mais que aconselhável que a Santa Sede estabeleça agora um perfil informativo mais baixo, e deixe passar algum tempo para evitar novos incidentes que, desde já, não beneficiam a ninguém, salvo aos inimigos da única e verdadeira Igreja de Cristo.

29 março, 2010

Resposta do Revmo. Pe. Renato Leite ao artigo “Santa Pedofilia”, de Hélio Schwartsman, publicado na Folha de São Paulo.

Lendo seu artigo sobre a pedofilia nas fileiras da Igreja Católica me perguntei o porque de um judeu, que se assume como anticlerical, que adota a matriz do pensamento maçônico como instrumento de análise da realidade e que reconhece publicamente que a Igreja  classifica como pecado grave  a pedofilia, se mostrou tão crítico ao analisar o problema quando esse se dá na Igreja Católica e tão indulgente quando ele ocorre entre os membros da sinagoga?

E para se sustentar  pretensiosamente em “fatos” e eximir os que estão mais próximos de responsabilidades em casos similares, afirmou sem base que:

“A forma de organização da Igreja Católica, entretanto, parece favorecer a ocorrência dos abusos que, ao menos aparentemente, não acontecem na mesma escala em colégios e seminários protestantes, islâmicos ou judeus”.

De onde lhe veio a idéia de que os abusos não ocorrem “aparentemente na mesma escala” em instituições similares inclusive nas judaicas? A ocorrência da pedofilia entre os membros da sinagoga, consegue ser ainda mais “escabrosa” do que  quando acontece na Igreja Católica. Será?

É o que conseguiu constatar o  “The New York Times” numa reportagem esclarecedora e que nos dá uma amostra da dimensão do problema entre os judeus e a praxe das autoridades religiosas judaicas no tratamento da questão e que afirma, entre outras coisas: “Já não é mais tabu processar criminalmente por pedofilia, em Nova York, judeus ultra ortodoxos” segundo o artigo assinado por Paul Vitello.

Eles não sofriam processos por pedofilia, mas isso mudou com o Promotor-Geral Charles J. Hynes. Oito pessoas já estão presas e 18 esperam julgamento.

Havia proibição religiosa de acusação fora do grupo, inclusive sob ameaça de morte. Como era necessária a aprovação do rabino, mas este nunca dava a permissão, e nos tribunais religiosos (a sinagoga) os acusados eram sempre absolvidos, as famílias decidiram recorrer à justiça comum.

Quarenta menores concordaram em testemunhar no tribunal. Alguns blogs, como FailedMessiah e The Unortodox Jew, têm encorajado as vítimas.

Os líderes religiosos estão começando a aceitar a situação, e Hynes tem feito reuniões com grupos ultraconservadores para encorajar as vítimas a se manifestarem. Há 180 mil judeus ultraconservadores em Nova York.

Para David Zwiebel, da Agudath Israel of America: “Há consenso nos últimos anos que muitos desses casos não podem ser decididos dentro da comunidade”. Mas ele acha que devem ser encontradas alternativas para prisão, de forma a não tirar de uma família o que lhe provê o pão, e para encontrar famílias boas que fiquem com as crianças retiradas de suas famílias.

Em 2000, o rabino Baruch Lanner, principal líder carismático da juventude yeshiva e que por mais de 20 anos foi acusado de abusos, foi objeto de uma reportagem reveladora na The Jewish Week que resultou numa pena de sete anos de prisão.

Há programas de rádio que incentivam as vítimas a fazerem acusações, como o de Dov Hikind, da rádio WMCA. Centenas de jovens fizeram acusações.

O pai de um menino de 6 anos que havia sido abusado pelo rabino Kolko foi a Jerusalém pedir permissão a um rabino de alto prestígio para ir à polícia.

A resposta foi: “Vá, porque você não estará cometendo nenhum pecado.”

O artigo completo pode ser encontrado no link abaixo: http://www.nytimes.com/2009/10/14/nyregion/14abuse.html?pagewanted=1&em

Pergunto eu: deveria se creditar os casos de pedofilia entre rabinos à forma de organização da sinagoga? Como avaliar racionalmente um problema crescente entre as autoridades religiosas judaicas se estas não são celibatárias e, ao contrário, obrigadas ao casamento e à procriação diferentemente dos membros do clero católico?

Seria criminoso também o acobertamento dos casos entre judeus e rabinos por parte da sinagoga ou deveria se respeitar uma suposta “autonomia” do judaísmo, não obrigando a denuncia às autoridades civis e  ainda considerar  legítimo o uso de ameaça de morte para evitar escândalos como o praticado pelas autoridades religiosas dos Hasidin em New York?

O problema é de todos e em alguns casos, como demonstrado  pelo artigo do “New York Times”, mais grave ainda do que quando ocorre nos meios católicos, com direito à acobertamento e ameaças, entretanto, dedos acusadores como o seu, só apontam para a Igreja Católica.

Como se pode constatar, sua análise da questão é simplista e tendenciosa e, na verdade, o seu artigo não tem outra intenção a não ser fazer prevalecer sua opinião, diga-se de passagem,  bem anticlerical dos fatos, sobre os fatos propriamente ditos.

Fica desqualificado seu artigo como avaliação referencial  do problema da pedofilia que, como você mesmo reconheceu, é na verdade o problema das relações homossexuais com menores e  no caso do judaísmo, não parece ser menor, ao contrário é tão grande ou maior, proporcionalmente falando quanto ao que ocorre na Igreja Católica envolvendo também centenas de jovens.

Não se pode concluir outra coisa, a partir da  análise dos fatos, a não ser a existência oportunista de uma campanha difamatória contra a Igreja Católica que tem nos profissionais de mídia, com baixo teor de honestidade intelectual, como é o seu caso, seus instrumentos mais eficazes.

Padre Renato Leite, São Paulo

27 janeiro, 2010

O ultimato do rabino chefe de Roma: “A Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”.

“Se a paz com os lefebvristas significa renunciar às aberturas do Concílio, a Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”: assim se expressou o rabino chefe da comunidade judaica de Roma, Riccardo di Segni, em um trecho de uma entrevista à revista mensal “Il consulente Re”, publicada no dia anterior à jornada da memória.

Di Segni recorda, a propósito, o discurso pronunciado na sinagoga por ocasião da recente visita ao Papa, quando, em referência às “aberturas” do Concílio Vaticano II, disse: “Se vierem a ser colocadas em discussão, não haveria mais possibilidade de diálogo”. Agora, o rabino explica, referindo-se ao discurso do dia anterior do Papa à Congregação para a Doutrina da Fé: “Foi o último acréscimo ao discurso, depois que na manhã de sexta-feira, 15 de janeiro, houve uma estranha abertura aos lefebvristas…”.

Que o caminho entre judeus e católicos “seja turbulento – afirma Di Segni de modo mais genérico – está fora de questão, que seja irreversível é uma esperança”. Quanto à definição utilizada por João Paulo II para descrever os judeus – “irmãos mais velhos” – o rabino explica: “Esta definição é muito ambígua do ponto de vista teológico, já que os “irmãos mais velhos” na Bíblia —  mencionei no meu discurso — são os maus, os que perdem seu direito de primogenitura… Falar então de “irmãos mais velhos” do ponto de vista teológico significa dizer: “vocês eram, agora não contam mais nada!”. O aceno feito aos pares de irmãos bíblicos no discurso na sinagoga mexeu com o Papa, narra em seguida Di Segni: “Da posição solene em que se colocou no início da cerimônia, começou a mostrar grande interesse. Não só: ao fim do meu discurso ele me disse que o argumento foi muito importante, o que evidenciou novamente no nosso colóquio privado”.

Por fim, Di Segni elogia a Comunidade de Santo Egidio: “É um belo exemplo de colaboração, foram fundamentais. Ela fez de tudo para promover a visita, fez muito para salvá-la no momento da crise”.

Fonte: Il blog degli amici di Papa Ratzinger

18 janeiro, 2010

O Papa na Sinagoga de Roma. Um recado dos judeus.

Abertura à Tradição causa preocupação.

“Podemos, desde o Concílio do Vaticano [II], nos relacionar com a Igreja Católica e seus Papas em termos de igual dignidade e respeito recíproco. São as abertura do Concílio que tornam possível este relacionamento; se elas viessem a ser colocadas em discussão, não haveria mais possibilidade de diálogo”. Palavras do rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, referindo-se veladamente às discussões doutrinais entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X.

Acalento pontifício.

“Os ensinamentos do Concílio Vaticano Segundo representaram para os católicos um claro marco ao qual é feito constante referência em nossa atitude e em nossas relações com o povo judeu, marcando um novo e significante estágio. O Concílio deu um forte impeto a nosso irrevogável empenho em seguir o caminho do diálogo, da fraternidade e da amizade, uma jornada que foi aprofundada e desenvolvida nos últimos quarenta anos, através de passos importantes e gestos significativos”. Do discurso do Papa Bento XVI em visita à Sinanoga Romana, em 17 de janeiro de 2010.

Uma sutil defesa de Pio XII.

Ainda em seu discurso, disse o Papa: “infelizmente, muitos permaneceram indiferentes, mas muitos, inclusive católicos italianos, sustentados por sua fé e pelos ensinamentos cristãos, reagiram com coragem, muitas vezes sob risco de suas vidas, abrindo seus braços para assistir os fugitivos judeus que estavam sendo perseguidos, e obtendo perene gratidão. A própria Sé Apostólica forneceu assistência, muitas vezes de uma maneira oculta e discreta”.

23 dezembro, 2009

O ultimato das comunidades judaicas: “Aceite as reservas sobre Pacelli”.

(IHU) “Uma nota oficial, enviada às máximas autoridades, na qual se deverá considerar as reservas que os judeus ainda têm com relação aos fatos históricos de Pio XII, com particular referência aos seus silêncios sobre a Shoá”. Se não chegam, em curto tempo, sinais públicos do Vaticano nesse sentido, “poderiam surgir problemas posteriores, até se colocar em dúvida a própria visita papal à Sinagoga”.

É esse – substancialmente – o pedido que a Comunidade Judaica de Roma, com a “benção” da cúpula da Sinagoga, teria feito chegar reservadamente no Vaticano no dia seguinte ao anúncio oficial da assinatura das virtudes heroicas de Pio XII, assinadas por decreto, no sábado, por Bento XVI.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 22-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A iniciativa papal – como se sabe – foi acolhida com “perturbação, desilusão e raiva” por quase todo o mundo judeu. E não só o romano. A tensão, dentro e fora da comunidade judaica, já está nos níveis máximos, razão pela qual, com o passar das horas, se multiplicam sempre mais as vozes de quem está pronto para colocar em dúvida até a esperada visita de Bento XVI à Sinagoga de Roma programada para o dia 17 de janeiro próximo.

Perigo temido – não por acaso – pelo presidente da Assembleia dos Rabinos Italianos, Giuseppe Laras, e que amanhã será certamente examinado em um ardente conselho da Comunidade Judaica Romana. A cúpula do “pequeno parlamento” judeu da capital italiana jura que “tudo está prosseguindo normalmente, e que a visita do Pontífice não sofrerá consequências”. Ninguém, portanto, entre os chefes dos judeus romanos quer ouvir falar de adiamento e muito menos de cancelamento, mesmo que o embaraço seja palpável.

A primeira reação oficial ao anúncio da assinatura do decreto sobre as virtudes heroicas de Pacelli foi um documento assinado pelo rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, pelo presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Renzo Gattegna, e pelo presidente da Comunidade Judaica Romana, Riccardo Pacifici. Um texto no qual – com extrema clareza – os três signatários reforçam as tradicionais reservas com relação aos supostos “silêncios” de Pacelli.

Mas, além do documento oficial de três dias atrás, está em curso entre as duas margens do Tibre uma força reservada para fazer todo o possível para evitar que a visita seja cancelada, mas ao mesmo tempo para fazer que as razões judaicas – isto é, as reservas históricas sobre o Papa Pacelli – sejam levadas em conta pelo Vaticano.

A partir daquilo que surge dos ambientes judeus romanos, esse é o tema sobre o qual Di Segni, Gattegna e Pacifici pretendem insistir em vista da visita papal à Sinagoga. Uma mensagem precisa nesse sentido chegou ao Vaticano por meio de “intermediários” apreciados tanto pela Comunidade Judaica quanto pelo Vaticano.

“Não nos servimos de nossos embaixadores, mas de pessoas amigas, representantes de notáveis instituições comprometidas com o diálogo inter-religioso, que logo se colocaram em ação”. Naturalmente, dar nomes é impossível, porque a marca do silêncio é total, mesmo que se fale com uma certa insistência de “homens daComunidade de Santo Egídio “, há muitos anos fortemente comprometidos com o diálogo, com atenção particular aos judeus, para os quais organizam todos os dias 16 de outubro a marcha em memória dos judeus romanos capturados no Gueto em 1943. Irá chegar ao Vaticano nos próximos dias um sinal “concreto e oficial” com mérito às reservas judaicas sobre os “silêncios” de Pacelli? Na cúpula da Sinagoga e da Comunidade Judaica, desejam “que sim, senão a situação se complica”.

Das mesmas autoridades, porém, surge ainda que o caso Pacelli “não poderá estar no centro da visita de Ratzinger à Sinagoga” no âmbito dos respectivos discursos. “Como é a nossa tradição – asseguram na Comunidade Judaica –, o hóspede é sagrado, e Bento XVI será acolhido com todas as honras devidas a um hóspede de respeito. Mas nem por isso ficaremos calados”.

Nada impede, portanto, que se imagine que, tanto do rabino chefe Riccardo Di Segni, como do presidente da Comunidade Judaica, Riccardo Pacifici (uma vida inteira comprometida com a defesa das raízes e da identidade judaica, neto do rabino chefe de Gênova, Riccardo Pacifici, morto em Auschwitz ), o discurso de saudação que no dia 17 de janeiro será dirigido a Ratzinger seja dedicado também à incômoda lembrança do Papa Pacelli. Se a visita ocorrer.

21 dezembro, 2009

Curtas da semana.

João Paulo II e Pio XII, veneráveis.

No último sábado, 19, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, autorizou a Congregação para Causa dos Santos a promulgar vários decretos, dentre eles os relativos às virtudes heróicas de Pio XII (Eugenio Pacelli) e João Paulo II (Karol Wojtyła).

A estratégia.

Segundo Paolo Rodari, ‹‹ O Papa, de fato, escondendo suas intenções de todos (eu tenho minhas dúvidas de que mesmo o seu secretário particular não sabia de nada), promulgou o decreto sobre as virtudes heróicas de Pio XII com o de João Paulo II. De Wojtyla se sabia. De Pacelli, não. Neste ponto, a estratégia me parece clara: fazer avançar juntos os dois processos a fim de mover um pouco a atenção do controverso (segundo alguns) Pio XII ao unanimemente amado Wojtyla. O processo de Pacelli foi aberto ao fim do Concílio por vontade de Paulo VI. O decreto sobre as virtudes heróicas (é a penúltima etapa para a beatificação) havia sido aprovado pela congregação dos santos em 2007. Esperava-se apenas a assinatura de Ratzinger que, significativamente, ocorreu a cerca de um mês de sua visita à sinagoga de Roma.

Apesar dos lobos.

Excerto de artigo de Jean Madiran: ‹‹ Bento XVI passa, pois, por cima do insolente veto dos anti-papistas em frente ao qual primeiramente ele havia  parado. A pressão anti-papista exercida sobre a Igreja por meio de veto midiático é de um peso enorme. Ela impediu a beatificação de Isabel, a Católica. Tem retardado até agora a de Pio XII. E ela o faz de muitos outros. Seu peso não vem somente pelo fato dos anti-papistas ocuparem hoje um lugar frequentemente dominante na imprensa e na televisão, na edição, na vida política e no sistema bancário. Além disso, ele vem eco cúmplice que encontra, através de persuasão ou através de intimidação, numa parte notável do clero, de sua hierarquia e da opinião pública católica. Isso também é um resultado desastroso do “espírito do concílio” condenado por Bento XVI. […] Le Figaro de segunda-feira acusa grosseiramente Bento XVI de ter desejado relançar “o debate sobre o Vaticano e o nazismo”. Isso manifesta como o ponto de vista católico é totalmente estranho ao Figaro. Pois do ponto de vista católico, Bento XVI não relançou este debate, ele o fechou ›› .

Fúria. Líderes judeus criticam declaração de virtudes heróicas de Pio XII.

(Catholic Culture) “Não quero crer que os católicos vejam em Pio XII um exemplo de moralidade para a humanidade”, disse o rabino francês Gilles Bernheim. “Dado o silêncio de Pio XII durante e depois da Shoah, espero que a Igreja irá renunciar a este plano de beatificação e então honrar sua mensagem e seus valores”. “É um claro rapto dos fatos históricos relativos à era Nazi”, disse Stephan Kramer, que chefia o Conselho Central Judaico da Alemanha. “Bento XVI reescreve a história sem ter permitido uma séria discussão científica. É isso que me deixa furioso”. Já o rabino chefe de Roma, Riccardo di Segni, é mais moderado: “Se a decisão de hoje [sábado] tivesse que implicar uma opinião definitiva e unilateral da obra histórica de Pio XII, reforçamos que a nossa avaliação permanece crítica”, mas indicando que não podem, “de nenhum modo, interferir em decisões internas da Igreja que se referem às suas livres expressões religiosas”. Por sua vez, o rabino David Rosen, responsável pelo diálogo inter-religioso do Grande Rabinato de Israel, lamenta a decisão que “não mostra grande sensibilidade com relação às preocupações da comunidade judaica”, tomada, além disso, “a apenas três semanas da visita programada pelo Papa à Sinagoga de Roma”.

Cardeal Danneels e a beatificação de João Paulo II: “criar uma beatificação por aclamação é inaceitável”.

“Eu penso que se deveria respeitar o procedimento normal. Se o processo, por si mesmo,  avança velozmente, tudo bem. Mas a santidade precisa passar por corredores preferenciais. O processo deve tomar todo o tempo que precisar, sem fazer exceções. O Papa é um batizado como todos os outros. Por isso, o procedimento de beatificação deveria ser o mesmo previsto para todos os batizados. Certamente, não gostei do grito ‘santo subito!’ [santo já] que se ouviu nos funerais, na Praça de São Pedro. Não se faz assim. Há algum tempo, disseram que se tratava de uma iniciativa organizada, e isso é inaceitável. Criar uma beatificação por aclamação, mas não espontânea, é uma coisa inaceitável”. Palavras do Cardeal Godfried Danneels, arcebispo de Bruxelas, à 30 Giorni.

A resposta do secretário de João Paulo II.

« Evidentemente, [Danneels] fala do que não sabe e de um processo que não conhece » , respondeu o cardeal de Cracóvia, Stanislao Dziwicsz, secretário do Papa Wojtyla.

Elefantes cruzados.

(The hermeneutic of continuity) ‹‹ No último mês de julho, como você deve se lembrar, os cristãos no estado indiano de Orissa foram submetidos a severa perseguição. Uma freira de 22 amos foi queimada até a morte, um orfanato em Khuntpali foi incendiado por uma multidão, outra freira foi violada por uma gangue em Kandhamal, multidões atacaram igrejas, queimaram veículos e destruíram casas de cristãos. Pe. Thomas Chellen, diretor do centor pastoral que foi destruído com uma bomba, escapou por pouco depois de uma multidão hindu incendiá-lo. Ao todo, mais de 500 cristãos foram assassinados e milhares de outros feridos. Num acontecimento extraordinário, uma manada de elefantes viajou uns 300 km para atacar as cidades que foram as piores perseguidoras dos cristãos, deixando as casas cristãs intactas ››.  A arquidiocese de Colobo (cujo arcebispo é Dom Ranjith) traz mais informações.

Novidades sobre as conversações teólogicas FSSPX x Santa Sé.

O site Panorama Católico Internacional traz algumas anotações ao sermão proferido por Sua Excelência Reverendíssima, Dom Alfonso de Galarreta, em 19 de dezembro, numa ordenação diaconal e sacerdotal: “O resultado da primeira reunião foi bom. Principalmente, se estabeleceu o tema e método da discussão. Os temas a discutir são de natureza doutrinal, com exclusão expressa de toda questão de ordem canônica relacionada à situação da FSSPX. O ponto de referência doutrinal comum será o Magistério anterior ao Concílio. As conversações seguem um método rigoroso: é apresentado um tema, a parte que questionada envia um trabalho fundamentando suas dúvidas. A Santa Sé responde por escrito, com intercâmbios prévios por email dos assessores técnicos. Na reunião se discute. Todas as reuniões são gravadas e filmadas por ambas as partes. As conclusões de cada tema subirão ao Santo Padre e ao Superior Geral da FSSPX. A cronologia destas reuniões dependem de se o tema é novo ou já vem sendo discutido. No primeiro caso, será aproximadamente a cada três meses. No segudo, a cada dois. A próxima reunião é prevista para meados de janeiro. Os representantes teológicos da Santa Sé “são pessoas com as quais se pode falar”, falam “nossa mesma linguagem” teológica (interpreto, são tomistas). […] O bispo repitiu que os resultados da primeira reunião são bons, relativamente à situação anterior. Se falou com plena liberdade e somente de temas de doutrina num marco teológico tomista”.

7 outubro, 2009

Conferência Episcopal dos EUA: diálogo “não é entendido como um convite enrustido ao batismo”.

Por Carlos Antonio Palad, Rorate-Caeli.

Judeus protestam em frente à nunciatura apostólica em Paris por ocasião do levantamento do decreto das excomunhões dos bispos da FSSPX

Judeus protestam em frente à nunciatura apostólica em Paris por ocasião do levantamento do decreto de excomunhão dos bispos da FSSPX

Em 18 de junho de 2009, o Comitê de Doutrina e o Comitê de Assuntos Ecumênicos e Interreligiosos da Conferência Nacional dos Bispos [CNB] dos Estados Unidos publicaram a “Nota sobre Ambigüidades contidas em Reflexões sobre a Aliança e Missão”. (favor verificar o post do Rorate-Caeli sobre este documento).

Agora um esclarecimento do esclarecimento foi publicado. Em 5 de outubro de 2009, a CNB dos EUA publicou uma “Declaração de Princípios” afirmando, entre outras coisas, que o “diálogo Judaico-Católico, um dos abençoados frutos do Concílio Vaticano Segundo, nunca foi e nunca será usado pela Igreja Católica como um meio de proselitismo – nem é entendido como um convite enrustido ao batismo”. (Declaração de Princípios #3, destaque meu). A declaração de princípios acompanhou uma carta do Cardeal Francis George e outros quatro prelados respondendo à carta de vários rabinos atacando a “Nota” de 18 de junho. Na carta, além de afirmar que esperam encontrar os Judeus “fiéis à aliança Mosaica” no diálogo Judaico-Cristão, os bispos também afirmaram que a seguinte passagem será removida da “Nota sobre Ambigüidades”:

“Por exemplo, Reflexões sobre a Aliança e Missão propõe o diálogo interreligioso como uma forma de evangelização que é ‘uma partilha mutuamente enriquecedora dos dons desprovida de qualquer intenção que seja de convidar parceiro de diálogo ao batismo’. Embora a participação Cristã no diálogo interreligioso normalmente não incluiria um convite explícito ao batismo e à entrada na Igreja, o companheiro de diálogo Cristão está sempre dando testemunho do seguimento de Cristo, ao qual todos são implicitamente convidados”.

A afirmação final foi objeto particular da ira de certos rabinos, que a consideram um convite à “apostasia”.

Para mais detalhes: Bishops revise commentary on Catholic-Jewish dialogue

11 maio, 2009

Curtas da semana.

Honestidade intelectual.

Papa e Príncipe Ghazi(Newliturgicalmovement.org) O príncipe jordaniano Ghazi Bin Talal louvou a “coragem” do Papa em tomar decisões contra a maré, tais como a liberação da Missa Latina [de 1962]. (…) Tendo agradecido Bento XVI pelo “esclarecimento” dado pelo Vaticano sobre a controversa ‘lectio’ de Regensburg e apontado que a figura de Maomé é “completa e totalmente diferente” da imagem dada na historiografia ocidental, o príncipe enfatizou que o pontificado de Ratzinger tem sido “marcado pela coragem moral de dar voz e permanecer fiel à sua própria consciência, não importando a moda do dia”. Mais especificamente, Ghazi Bin Talal lembrou que Bento XVI escreveu encíclicas papais “históricas” sobre o amor e a esperança, promoveu o diálogo inter-religioso e “liberou a Missa Latina tradicional para aqueles que aderem a ela”.

Uma bagatela.

Padre Edvino(O Dia) Rio  – A crise aberta com a descoberta da compra de um apartamento de luxo pela Arquidiocese do Rio causou a demissão do padre Edvino Steckel. Ele foi um dos homens mais poderosos da Igreja no Rio durante a gestão de Dom Eusébio Scheid, encerrada no mês passado. Padre Edvino foi obrigado a se afastar do cargo de ecônomo — administrador dos bens da Arquidiocese — e deixou a diretoria da Rádio Catedral. (…) A decisão de retirar o padre Edvino dos cargos foi tomada pelo novo arcebispo, Dom Orani Tempesta, durante reunião, quarta-feira, com os seus bispos-auxiliares. Irritado ao saber da compra do apartamento, Dom Orani chegou a adiar uma viagem para a Alemanha: só embarcou ontem, depois de resolver o problema. (…) O apartamento, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, tem cerca de 500 metros quadrados e serviria de residência para Dom Eusébio quando ele viesse ao Rio — o arcebispo emérito (aposentado) foi morar em São José dos Campos, São Paulo. De acordo com escritura arquivada no 3º Registro Geral de Imóveis, o imóvel custou R$ 2,2 milhões, pouco mais de US$ 1 milhão. A taxa de condomínio é de R$ 2 mil.

Sob ameaça.

ROMA, 7 de maio de 2009 (LifeSiteNews.com) – Nos dias que precedem a sua viagem à Terra Santa, o Papa Bento XVI foi advertido por extremistas islâmicos de que ele precisa parar com quaisquer tentativas de converter os muçulmanos ao cristianismo ou encarar “as conseqüências de uma reação severa”. A agência de notícias da ANSA informa que o Talibã emitiu uma declaração em um sítio islâmico depois que a agência islâmica de notícias Al Jazeera mostrou soldados americanos segurando cópias da Bíblia traduzida em dois idiomas locais. “O Emirado Islâmico no Afeganistão pede ao Papa Bento XVI que atue no sentido de parar com as ações tolas e irresponsáveis dos cruzados que perturbam os sentimentos dos rebeldes muçulmanos, sem esperar pelas conseqüências de uma reação grave”, disse a mensagem no sítio alemarah1.org. (…) Ao mesmo tempo, os extremistas islâmicos na Jordânia condenaram a visita do Papa, reclamando que ele havia deixado de se desculpar pelo que consideraram insultos no Islã em um discurso em Regensburgo, em 2006.

Não há com o que se preocupar, terroristas.

O padre Rifat Bader, porta-voz oficial do Vaticano na Jordânia, explica: “não falamos sobre evangelização aqui, mas sobre respeito mútuo. Focamos em trabalhos de educação (em universidades e institutos mantidos pela Igreja Católica), mas sem o objetivo de que os estudantes se convertam ao cristianismo, mas para que eles se tornem bons humanos”.

Pois na região impera a covardia.

O Patriarca Latino de Jerusalém e principal autoridade da Igreja Católica na região, Dom Fouad Twal, expressou preocupação com a visita do Bento 16. “O que mais me preocupa é o discurso que o papa fará aqui”, disse Twal ao jornal Haaretz. “Se ele disser uma palavra a mais em favor dos muçulmanos, terei problemas, ou uma palavra a mais em favor do judeus, também terei problemas. No final da visita ele voltará para Roma e eu ficarei aqui para arcar com as consequências”.

Descontentes.

Ativista de extrema-direita é abordado em frente à residência presidencial em Jerusalém, nesta segunda-feira (11), quando protestava contra a visita do Papa Bento XVI a Israel. 'Você crucificou o povo judeu', diz o cartaz. (Foto: AP)

Ativista em frente à residência presidencial em Jerusalém. 'Você crucificou o povo judeu', diz o cartaz. (Foto: AP)

(Ynet) O Papa Bento XVI chegará a Israel na segunda-feira depois de uma viagem de três dias na Jordânia seguido por milhares de peregrinos cristãos. Enquanto os preparativos para a visita histórica são concluídos pelo país, parece que há alguns que não estão tão felizes pela visita. “A Igreja Católica torturou e ajudou os opressores nazistas a aniquilar o povo judeu. Agora o chefe desta igreja, o Papa, está vindo a Israel”, Rabbi Shalom Dov Wolpe, presidente do SOS Israel, disse a Ynet na noite de sábado. (…) “O homem que foi membro da juventude de Hitler quando era jovem está aqui para receber a herança daqueles assassinos – os santos sítios judaicos. (…) O Papa vem para rezar nos lugares de importância religiosa para o cristianismo, e isso contraria nossa religião. Podem lhe ser concedidos todos os serviços dados aos gentios que vêm a Israel, mas ele não deve ser honrado como o representante da religião cristã”.

Retratação?…

(Oblatus) No último número do Konradsblatt Mons. Zollitsch fez publicar um texto onde se manifesta a respeito da morte expiatória de Cristo, depois que as críticas às suas declarações teológicas inaceitáveis estavam provocando sempre mais protestos. No artigo com o título Anunciamos a Tua morte, Senhor, proclamamos a Tua ressurreição, entre outras coisas se lê: “A fé cristã não tem medo de atribuir à morte do Senhor um positivo significado salvífico e expiatório. Cristo morre em favor dos homens e no seu lugar. Ele cumpre o que os próprios homens não podem cumprir, enquanto envolvidos no pecado. Ele torna-se uma vítima da maldade humana, vítima que morre humilhada e torturada na cruz. No lugar dos homens Ele se abandona como vítima sacrifical ao amor salvífico e eficaz de Deus, amor que é o motivo mais profundo da Sua esperança. Assim, Ele abre ao nosso mundo pecaminoso e violento o acesso ao amor de Deus”

Inquietos.

Livro

‹‹ Em 2006, Roma reconciliava em Bordeaux um grupo de padres tradicionalistas vindos do movimento de Mons. Lefebvre. As condições nas quais a decisão foi tomada causaram um verdadeiro mal-estar. Trata-se apenas de uma questão de liturgia ou o caso não esconde uma reconsideração da recepção do Vaticano II? As inquietações seriam menores se os documentos publicados por ocasião da ereção do novo Instituto do Bom Pastor exprimissem claramente da parte dos tradicionalistas reconciliados uma atitude de reconhecimento dos ensinamentos do último Concílio. A incerteza, para não dizer a ambiguidade, sobre este ponto entretanto essencial é preocupante. (…) Mas se por detrás da questão litúrgica nos defrontamos com homens que têm sempre a certeza de ter permanecido na verdade apesar e contra a Igreja, e a vontade deles de fazê-la ceder sobre este ponto simbólico para conquistar um canto no edifício do Vaticano II, se os tradicionalistas interpretam um ato de flexibilidade pastoral como o acesso a um “bastião da reconquista” e finalmente a justificação da sua desobediência prolongada e às vezes obstinada à Igreja, então podemos estar legitimamente inquietos. ›› “L’Institut du Bon-Pasteur, un espoir ou une équivoque?”, excerto da obra de co-autoria do Pe. Bernard Sesboüé, da completamente sem esperança e equivocada Companhia de Jesus, intitulada De Mgr Lefebvre à Mgr Williamson – Anatomie d’un schisme.